A atual onda de violência e terrorismo que vem se propagando através do globo em proporções crescentes deve constituir tema de meditação para todas as pessoas de boa vontade, em particular, para o Estudante Rosacruz.
A paz tem sido uma aspiração maior entre os seres humanos. Foram criados instituições e mecanismos para preservá-la ou fazê-la reinar onde o conflito só espalhou miséria e desolação. Entretanto, as guerras entre classes ou grupos étnicos se sucedem a intervalos cada vez menores.
Necessária se torna a união de todos para fazer frente a essa avalanche de violência. Que fiquem de lado todas as diferenças e os ideais de paz se sobreponham a quaisquer outros interesses.
A questão a considerar é, pois: como conter a violência sem lançar mão da violência? Certamente uma atitude passiva diante da crise atual só contribuirá para agravamento da situação. Muitos movimentos respondem a esta pergunta afirmando que a violência externa é um reflexo do estado de conflito interno em que vive a maioria das pessoas. E vai além; para contê-la faz-se necessária uma transformação interior no ser humano, uma nova atitude de respeito e amor para com todos as seres vivos.
O único antídoto para a violência é a não violência. Somente a ação altruísta e desinteressada, ação fruto do amor por todos os seres será capaz de promover uma transformação para melhor. Temos vários exemplos na vida de vários seres humanos de como é possível lutar pelos ideais de amor, paz e harmonia sem precisar lançar mão da violência. Todos esses exemplos de vida pregavam a não violência, não como uma condição física, mas, uma atitude mental de amor, a ausência total de pensamentos desarmoniosos. A não violência, em sua forma ativa, é a boa vontade para com tudo que vive: é perfeito amor Crístico!
É muito cômodo criticar o terrorismo e a violência. Contudo, se ficamos apenas nessa atitude, pouco ou nada realizaremos em prol da paz. Cabe a cada um se questionar para saber até que ponto não é, também, responsável pelo atual estado de violência. De nada adianta nos declararmos pacifistas e continuarmos a educar nossos filhos dentro de um espírito competitivo, inculcando-lhes toda sorte de preconceitos ideológicos e religiosos. As nossas crianças têm sido educadas para vencer na vida a qualquer preço, sem considerar os direitos e as necessidades dos demais.
Sem falarmos dos maus hábitos de pais, responsáveis, homens e mulheres que alimentam desejos, emoções e sentimentos de violência ao praticarem ou torcerem em todas as espécies de lutas (seja lá o nome que as dê), justificando em vários casos como “terapia”, “descarregar o estresse”, “autodefesa”, “desenvolver a disciplina”, “manter a força de vontade”, “orientação médica” e tantos outros, onde podemos refutar a todos com uma única questão: onde Cristo, nos seus ensinamentos, sugeriu ou indicou isso?
E muitos, quando não partem para agir por meio daquele tipo, adoram ficar horas e horas em jogos eletrônicos que estimulam inúmeros tipos de violência. E aqui a justificativa é pior ainda: “mas não se mata ninguém”, “não se fere ninguém”, “desenvolve-se a rapidez de raciocínio” e outros afins. São irmãos e irmãs que ainda não entenderam que as emoções, os sentimentos, desejos e pensamentos-formas que eles alimentam são até piores do que os maus hábitos de luta corporal! Novamente: onde Cristo, nos seus ensinamentos, sugeriu ou indicou isso?
E o que dizer de irmãos e irmãs que acham que andarem armados (com arma de fogo ou as chamadas armas brancas) é para “ter mais segurança nesse mundo violento”. Novamente aqui tais irmãos e irmãs estão alimentando a violência cada vez mais. Novamente: onde Cristo, nos seus ensinamentos, sugeriu ou indicou isso?
Assim, nossa civilização, dos quais muitos se dizem Cristãos, tem sido um exemplo deplorável de conflitos, contrastando com os ensinamentos do meigo nazareno, Cristo Jesus.
Também, é lamentável serem investidos muitos milhões em trabalhos missionários visando a cristianizar os chamados povos pagãos, quando entre nós medra o anticristo nas mais variadas formas de sectarismo.
Se quisermos paz devemos rever nossas atitudes na vida cotidiana, buscando introduzir mais amor, tolerância e compreensão no nosso relacionamento, adotando a postura da não violência. Pode não parecer tarefa fácil. Pode parecer distante, uma impraticável utopia, mas não é inviável, desde que comecemos a agir, aqui e agora.
Afinal, não tem como ser um Estudante Rosacruz ativo, trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, mantendo tais hábitos acima detalhados, onde a violência é o centro deles.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: Atualmente, a maior parte da Humanidade se encontra confinada em seus Corpos Densos durante as horas de vigília, pelo fato de que certas lições podem ser aprendidas nesse estado — lições que só podem ser plenamente assimiladas se, na prática, todos os outros lugares e condições forem excluídos de sua consciência.
Chega um momento, porém, na vida de cada indivíduo, em que ele cresceu o suficiente em conhecimento e capacidade espiritual a ponto de ser necessário um campo de atuação mais amplo. O Corpo Denso passa então a ser um entrave que convém deixar, por vezes, para que ele possa adquirir mais conhecimento e servir de maneira mais abrangente, em condições menos restritivas. Quando essa situação surge na vida de um indivíduo, ele chama a atenção dos Irmãos Maiores; recebe instruções nos planos invisíveis e aprende a auxiliar no trabalho de Cura Rosacruz, enquanto está fora do Corpo Denso, durante o sono (desde que, naturalmente, tenha desenvolvido um Corpo-Alma para nele atuar). Com o tempo, quando a pessoa está pronta, aprende a se libertar do Corpo Denso à vontade, para poder viajar a longas distâncias em busca de mais aprendizado — sendo tudo isso apenas um meio para atingir um fim: ajudar e curar o próximo que está doente ou enfermo. Por isso, aqueles que são capazes de deixar o Corpo Denso são conhecidos como Auxiliares Invisíveis, cujo trabalho consiste em auxiliar tanto os vivos quanto os chamados mortos, onde quer que sua assistência seja necessária e sua capacidade adequada.
Poderíamos acrescentar que, quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade. Um Auxiliar Invisível inconsciente não dispõe de um campo de atuação tão amplo quanto aquele que consegue deixar o corpo conscientemente, ou seja, um Auxiliar Invisível consciente; contudo, em suas atividades, ele é orientado por seres mais evoluídos e experientes. Aquele que consegue deixar o Corpo Denso conscientemente, à vontade, e decidir sua própria linha de ação, deve arcar com as consequências tanto de seus erros quanto de suas ações corretas.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de novembro de 1964 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Segundo um velho ditado, “só árvore que dá frutos é que leva pedrada”. Isso nos faz lembrar o Estudante Rosacruz ativo, cuja aspiração a ideais superiores coloca-o em posição singular junto aos que vivem ao seu redor.
E não poderia ser de outra maneira! Seu esforço em viver a vida conforme com as Leis de Deus produz frutos a seu devido tempo. Sua conduta difere da pessoa que não vivencia a espiritualidade Cristã esotérica na vida aqui, porque a aquisição de conhecimentos implica numa séria responsabilidade em vivenciar tais Ensinamentos Rosacruzes. Não se exige que o Estudante Rosacruz ativo se converta num santarrão fanatizado; aliás figura, às vezes, antipática e, às vezes, motivo até de zombaria. Não, não é assim. Tudo deve obedecer a um processo natural, cujo cerne é uma transformação gradativa do íntimo do Estudante Rosacruz. Não deve, por isso, o Estudante Rosacruz ativo fugir do convívio social, já que o relacionamento pessoal é uma valiosa fonte de experiências. No relacionamento pessoal diário o Estudante Rosacruz ativo encontra meios de testar seu progresso teórico, além de oportunidades para ajudar seus semelhantes.
Mas, nesse convívio diário, o Estudante Rosacruz ativo deve se manter coerente com os princípios e valores que, consciente ou voluntariamente adotou. Se exigida sua presença num evento social, não lhe cabe se omitir. Nada, entretanto, o obrigará a se comportar mundanamente. Não lhe é necessário ingerir bebidas alcoólicas, nem saborear alimentos cárneos. Nada pode compeli-lo a fumar, muito menos a manter conversações frívolas ou maliciosas. Deve, isso sim, marcar sua presença positivamente por meio de diálogos edificantes, alegres – mas não ruidosos – estimulando sempre o bem, toda vez que necessário.
De uma coisa pode estar certo o Estudante Rosacruz ativo: com o decorrer do tempo ele passará a ser mais e mais observado. Sua vida será examinada constantemente. Seu posicionamento filosófico-espiritualista poderá ser veementemente questionado, quando sua conduta se mostrar incoerente com suas ideias. Aquelas pessoas que não vivenciam a espiritualidade Cristã esotérica na vida aqui, incapazes de um esforço maior de autorregenerarão, não perdoam a vivência de um Estudante Rosacruz ativo, porque ela ressalta demais suas falhas de caráter. E se convivem no lar, no trabalho ou em outro setor qualquer da comunidade, o contraste entre os dois estilos de vida envergonha e irrita a pessoa que não vivencia a espiritualidade Cristã esotérica na vida aqui. Daí estar sempre pronta a agredir ou caluniar quem optou pelo desenvolvimento espiritual esotérico nessa vida aqui.
O Estudante Rosacruz ativo, na vontade de servir e colaborar na elevação do próximo, estará sempre propenso a divulgar os Ensinamentos Rosacruzes que abraçou. E o fará sempre com a melhor das intenções. Seguramente prestará uma valiosa ajuda à Humanidade. Acautele-se, porém. Cuide de que sua vida seja um exemplo prático de suas ideias, porque, se resvalar, não faltará quem lhe atire pedras.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que não se nos julga pela Filosofia que difundimos, mas sim pela vida que levamos. Observa-se o tratamento que dispensamos ao nosso conjugue, filhos, vizinhos, parentes, nossa conduta nos negócios, nossa conversação, seja ela de natureza espiritual, divertida ou frívola. Atenta-se para nossas companhias, para o ambiente que frequentamos, para o bem que fizemos ou deixamos de fazer.
Nossas falhas não são desculpadas e, o que é pior, julgam nossa Religião Cristã Esotérica (como preconizada pela Fraternidade Rosacruz) pelos efeitos produzidos em nossa vida.
Portanto, cabe ao Estudante Rosacruz ativo ter a certeza de uma coisa: ele está sendo diuturnamente observado. Se quiser divulgar os Ensinamentos Rosacruzes, faça-o. Mas, o Estudante Rosacruz ativo nunca deve esquecer de que “um exemplo vale mais que mil palavras”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: Atualmente, o alimento ingerido é decomposto e desintegrado pelo calor interno do organismo. Assim, o Éter Químico, que permeia cada partícula do alimento se combina com o Éter Químico do nosso Corpo Vital. O alimento magnetizado pela ação do Sol durante o seu desenvolvimento nas plantas é, então, assimilado e permanece conosco até que esse magnetismo se esgote. Quanto mais diretamente o alimento provém do solo, maior é a quantidade de magnetismo solar que ele contém. Consequentemente, ele “permanece conosco” por mais tempo quando consumido cru. Quando o alimento passa pelo processo de cozimento, perde-se parte do Éter que ele continha, pois muitas das partículas mais sutis são dissolvidas pelo calor e se elevam como ar na cozinha sob a forma do aroma característico do alimento em questão. Por isso, as células de alimentos cozidos permanecem como parte do nosso Corpo Denso por menos tempo do que as de alimentos crus; além disso, alimentos já assimilados pelo animal contém muito pouco Éter Químico próprio (exceto o leite, que é obtido por um processo vital e contém mais Éter do que qualquer outro alimento).
Assim, no que se diz respeito à carne de animais, pode-se afirmar que a maior parte do Éter Químico presente na forragem das suas rações já havia passado para o Corpo Vital do animal antes da morte dele e, no momento do óbito, esse Corpo Vital abandona a carcaça física. Por essa razão, a carne animal entra em putrefação muito mais depressa do que os vegetais e “permanece conosco” apenas por um curto período após a ingestão.
A morte e a doença se devem, em grande parte, ao fato de nos alimentarmos de substâncias compostas por células desprovidas de seu Éter Químico individual – aquele obtido durante a assimilação vegetal. Esse Éter é diferente do Éter Químico planetário – que permeia os Reinos mineral, vegetal, animal, bem como o ser humano. A carne animal, privada pela morte do Corpo Vital individual que animava o animal durante a vida dele, reduz-se, na verdade, a sua forma química mineral; como tal, possui pouco valor para os processos vitais do nosso Corpo Denso. De fato, ela é prejudicial a esses processos vitais e deve ser eliminada do organismo o mais rapidamente. Contudo, por serem de natureza mineral, essas partículas de carne animal estão mortas e são de difícil eliminação.
Consequentemente, elas se acumulam gradualmente. Mesmo a parte dos alimentos vegetais – especificamente as cinzas e os minerais – permanece em nosso organismo, gerando um processo gradual e paulatino de obstrução que descrevemos como crescimento. Isso acontece porque privamos a planta (ou outro alimento) de seu Éter Químico. Se fôssemos semelhantes às plantas e tivéssemos a capacidade de impregnar o mineral com Éter, seríamos realmente capazes de assimilá-lo e atingir estaturas gigantescas; no entanto, nas condições atuais, o material morto se acumula progressivamente até que, por fim, o crescimento cessa, visto que nossa capacidade de assimilação se torna cada vez menos eficiente.
No futuro, não digeriremos nossos alimentos dentro do Corpo Denso; em vez disso, extrairemos o Éter Químico e o inalaremos pelo nariz, onde ele entrará em contato com a Glândula Hipófise.
Esse é o órgão geral de assimilação e promotor do crescimento. Então, nosso Corpo Denso se tornará cada vez mais etérico; os processos vitais não serão prejudicados pelo acúmulo de resíduos e, consequentemente, as doenças desaparecerão gradualmente e a vida será prolongada aqui. A esse respeito, é significativo que, muitas vezes, os cozinheiros não sintam vontade de comer, pois o aroma forte do cozimento os satisfaz bastante.
A Ciência material está aprendendo gradualmente as verdades anteriormente ensinadas pela Ciência oculta, e sua atenção está sendo cada vez mais voltada para as Glândulas Endócrinas (sem dutos), o que lhes fornecerá a solução para muitos mistérios. No entanto, a Ciência material não parece estar ciente de que existe uma conexão física entre a Glândula Hipófise – o órgão principal de assimilação e, portanto, do crescimento – e as Glândulas Suprarrenais, que eliminam os resíduos e assimilam as proteínas. Elas também estão fisicamente conectas à Glândula Baço, à Glândula Rimo e à Glândula Tiroide. Sob o ponto de vista astrológico, é significativo que a Glândula Hipófise seja regida por Urano – a oitava superior de Vênus, o regente do Plexo Celíaco, onde está localizado o Átomo-semente do Corpo Vital. Assim, Vênus guarda a entrada do Fluído Vital que nos provém diretamente do Sol através da Glândula Baço, enquanto Urano é o guardião do portal por onde a vitalidade entra através dos alimentos físicos. É a combinação desses dois fluxos que produz o poder latente armazenado em nosso Corpo Vital, até que este seja convertido em energia dinâmica pela natureza do desejo, de influência marciana.
(Pergunta nº 52 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Para começarmos a compreender o real valor de dar e receber, é necessário nos esforçarmos para não cair na tentação de produzirmos “pensamentos negativos” que nada mais é do que nossos pensamentos contaminados por desejos e/ou emoções inferiores (esses formados de material das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo).
Afinal, nem sempre é fácil nos livrarmos desses “pensamentos negativos”. Sabemos que não devemos combatê-los diretamente, pois tanto a antipatia quanto a simpatia tendem a atrair um pensamento ou ideia para nós; a força mental adicional que projetamos para combater “pensamentos negativos” acaba por mantê-los vivos e trazê-los à nossa Mente com mais frequência — da mesma forma que uma discussão pode levar alguém de quem não gostamos a nos abordar por puro despeito. Em vez de lutar, portanto, adotemos a tática da Indiferença (um dos dois sentimentos que usamos quando trabalhamos com a quarta Região do Mundo do Desejo), retirando o nosso Interesse (o outro sentimento que usamos quando trabalhamos com a quarta Região do Mundo do Desejo). Se deixarmos de reforçar uma reação negativa a uma pessoa ou situação, ela acabará por se dissipar. Da mesma forma se, ao surgirem “pensamentos negativos” em nossa Mente, invocarmos a indiferença e voltarmos nossa atenção para algo bom e ideal, perceberemos em pouco tempo que nos livramos desses “pensamentos negativos”, restando apenas os bons pensamentos que desejamos cultivar.
Para evitar “pensamentos negativos” e mantê-los fora de nossa Mente, praticamos a substituição de pensamentos. É uma lei da física que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. De modo semelhante, dois pensamentos não podem ocupar a Mente simultaneamente. Quando somos perturbados por “pensamentos negativos” de qualquer espécie, é aconselhável substituí-los por outro pensamento e concentrar-nos nele de forma tão positiva que o “pensamento negativo” não encontre espaço mental. Essa é uma estratégia simples e eficaz; basta praticá-la para obter os resultados desejados. Ou seja: “pensamentos negativos” são eliminados da Mente pelo mesmo processo; pois ao substituir o “pensamento negativo” por um pensamento construtivo o respectivo desejo e/ou emoção inferior é eficazmente excluído.
A substituição de pensamentos deve estar em sintonia com o que realmente somos: um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui por meio de Corpos e Veículos, que são somente nossas ferramentas), que envia constantemente mensagens à nossa Mente consciente. Florescemos quando cultivamos a crença e a confiança na nossa capacidade interna de transformar a nossa vida. E podemos ampliar essa influência benéfica se ouvirmos e obedecermos às sugestões e orientações nascidas dentro de nós. Isso chamamos de Cristo Interno, que nos ajuda, de “dentro para fora” a reger os nossos Corpos e Veículos! Podemos conversar com o nosso Cristo Interno e manter diálogos íntimos e sinceros com Ele. Ao orar, criamos um destino novo e positivo, ajudando a neutralizar e compensar algumas das dívidas de anos e vidas anteriores. À medida que criamos pensamentos-formas construtivos, eles serão materializados por nós, da maneira e na medida que nós julgarmos sábios. Podemos expressar interiormente nossos ideais e ambições e, então, deixar sua materialização a cargo do nosso Cristo Interno. No entanto, não devemos cometer o erro de exigir isto ou aquilo, nem nutrir desejos que interfiram na vontade alheia. Sempre que tentamos mudar o outro por razões puramente pessoais e buscamos impor nossa vontade à dele, estamos agindo de forma egoísta — o que constitui uma forma incipiente de magia negra.
A vontade própria é amor-próprio, e o amor-próprio é uma forma de ódio ao próximo. Isso não significa que devamos atender à vontade de outra pessoa se isso implicar injustiça para conosco ou para com outrem; contudo, devemos procurar sacrificar inclinações e vantagens pessoais para acolher as ideias dos outros, satisfazendo assim o senso de equidade deles, estabelecendo uma cooperação amistosa e cumprindo nossos ideais Cristãos.
À medida que centramos nossa vida no desenvolvimento do nosso Cristo Interno — afirmando a crença e a fé de que o Cristo produzirá um resultado perfeito em nossa existência —, todo medo e ansiedade em relação ao futuro desaparecerão gradualmente, e nos tornaremos confiantes, serenos e tranquilos. Prosperaremos ao agir com base no conhecimento da Lei Cósmica do Dar e Receber. E, quando quisermos transformar ações equivocadas, praticamos a confissão ao Eu Superior que chamamos de Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção.
Essas práticas dos Ensinamentos Rosacruzes detalhadas acima, nos leva a conclusão sábia de que é um engano muito difundido que diz que dar é “desistir” de alguma coisa, é ficar despojado de algo, é sacrificar-se. Aqueles que não têm uma orientação neste sentido, os que não produzem para os outros, sentem o dar como um empobrecimento – porque é doloroso dar, precisa-se dar, a virtude de “dar”, para eles, é um ato de sacrifício, são os “não produtivos”.
Para uma pessoa de caráter “produtivo”, o “dar” tem um significado totalmente diferente; “dar” é uma expressão de força maior. No ato de dar experimentamos a nossa verdadeira força, a nossa verdadeira riqueza, o nosso verdadeiro poder. Esta experiência de elevada espiritualidade e vitalidade nos enche de alegria, regozijo e estímulo.
Dar é mais agradável do que receber, não por orgulho, mas porque no ato de dar está a expressão da nossa vida.
(Traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross” novembro-dezembro/2001 pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
As coisas externas “falam-nos”, por assim dizer, somente quando sua “fala” possa ser compreendida por nossas naturezas internas. Se quisermos obter conhecimento não podemos nos conservar passivos no nosso meio-ambiente. Devemos, ativamente, produzir reações naquele meio-ambiente, proveniente de dentro de nós próprios. Portanto, não existe tal coisa como “revelação externa”, mas, somente, um despertar interior.
Nós temos o que pode ser chamado de nossa “própria verdade”, porque cada um de nós é um indivíduo, um ser separado. Do ponto de vista particular com o qual, do nosso lugar nesse Caminho, Esquema e nessa Obra de Evolução, estamos sintonizados, e de acordo com o contexto no qual os nossos poderes de percepção operam, estabelecemos um relacionamento com aquilo que parece ser externo a nós e, assim, adquirimos a nossa “própria verdade”, para nós próprios. A exatidão desta “verdade” depende do grau do nosso autoconhecimento. Como Goethe escreveu: “Se eu conheço a minha relação comigo mesmo e com o mundo exterior, eu a chamo ‘verdade’. E assim cada um pode ter sua própria verdade e, apesar de tudo ela é sempre uma e a mesma”.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que há dois tipos de conhecimento: um que compõe o nosso relacionamento com os objetos externos e o outro que é aquele que é ele próprio, o objeto do qual obtemos conhecimento: as coisas como as vemos e as coisas como, na verdade, são. A primeira espécie é dominante na Ciência material que tenta explicar as coisas e os acontecimentos do Mundo exterior, que chamamos de Região Química do Mundo Físico. A segunda espécie está em nós quando vivemos dentro do conhecimento que obtivemos e que buscamos nos Mundos das Causas ou Mundos invisíveis ou, ainda, Mundos superiores. A segunda espécie de conhecimento, então, origina-se da primeira.
É, talvez, simplesmente natural que dois tipos de conhecimento devam existir desta maneira. A nossa percepção sensorial nos diz que somos um indivíduo entre outros indivíduos e separado das outras coisas. Porém, quando aprendemos a compreender que somos um Deus em formação, feito a imagem de nosso Deus solar – quando, em outras palavras, nos abrimos ao conhecimento superior, compreendendo a nossa natureza divina – o conhecimento que nós temos das coisas começa a se transformar numa compreensão da verdadeira existência e da significância das coisas. Esta transformação, então, só pode ser realizada pelo esforço próprio. Só começamos a ser verdadeiramente nós próprios, quando obtemos este elevado conhecimento.
Muitas pessoas parecem vacilar para frente e para trás, entre os dois tipos de conhecimento – olhando e verdadeiramente sabendo. Quando nos recusamos a olhar, fecha-se às coisas cuja natureza nós devemos aprender a conhecer. Quando nos recusamos a trabalhar para a obtenção da Sabedoria, nos fechamos a nós mesmos à verdadeira natureza das coisas.
Experimente aceitar as “verdades prováveis” até você se capacitar e ter a graça de ver as “verdades provadas”!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Houve um tempo no longínquo passado, quando nós começamos nossas vidas como seres humanos – ou seja, atingimos ao nível de Humanidade nesse Esquema de Evolução na segunda metade da Época Atlante –, em que pouca experiência havia sido acumulada e, consequentemente, menor responsabilidade arcava sobre nós. Sabemos que a responsabilidade depende do grau de conhecimento.
Sabemos que os animais não são responsáveis perante a Lei de Causa e Efeito, sob o ponto de vista moral. Porém, é claro, se um animal saltar de uma janela estará sujeito a Lei de Gravidade. Quando estatelar-se no chão possivelmente fraturará uma pata ou sofrerá qualquer outro dano, podendo até morrer.
Se uma pessoa fizesse a mesma coisa, teria de responder à Lei da Responsabilidade, além da Lei de Causa e Efeito. Recai sobre ela uma responsabilidade moral. Está ciente da importância do instrumento a ela dado, portanto, não tem o direito de lhe causar dano.
Vemos, então, que nossa responsabilidade moral depende do nosso nível de consciência, ou de conhecimento.
Adquirimos experiência através de muitas vidas. A cada vez incorporamos mais talentos e faculdades. Renascemos sempre com talentos acumulados. Resultam das experiências agregadas durante vidas. Quanto mais talentos, mais responsáveis somos pelo seu uso. Além disso, devemos aplicar e multiplicar esses talentos durante a vida. Sem essa prática, as qualidades estarão condenadas a progressiva atrofia, tão certo como a mão não usada pende inerte para um lado.
As habilidades espirituais podem definhar, tal como um músculo sem exercício também enfraquece. Para evitar a atrofia devemos colocar os talentos em ação. Não pode haver descanso nem hesitação na rota evolutiva assumida por nós. Devemos seguir adiante ou sofreremos as consequências da degeneração dos poderes anímicos.
Há um inseparável casamento entre responsabilidade e conhecimento. Mais conhecimento, mais responsabilidade. Isto está bem claro. Observando sob o ponto de vista mais profundo, na perspectiva do cientista ocultista, há uma responsabilidade vinculada ao conhecimento geralmente ignorada pela Humanidade.
Todo conhecimento que não estiver impregnado de vida é vazio, sem propósito e inútil. O conhecimento pode ser obtido de várias maneiras, e deve também ser utilizado de várias formas. Uma vez adquirido, pode ser guardado num talismã e depois usado pelas pessoas para bons ou maus propósitos, segundo o caráter de quem o utilizar.
Se conservado por alguém que desenvolveu essa força com esforço próprio, será usado de acordo com a índole desse homem ou dessa mulher.
Notemos que quem possui genuíno poder espiritual jamais o utiliza para qualquer deliberação egoísta. São firmes em seus propósitos, não importa quão irresistível a tentação ou o grau de aflição imposto pelas forças do mal. Nem sequer por um momento sonham em prostituir o sagrado poder para propósitos egoístas.
Apesar de alguém poder alimentar cinco mil pessoas que estão famintas, afastadas da fonte de provisões, ele não apanhará nem mesmo uma pequena pedra para transformá-la em pão com o fito de aplacar a sua própria fome.
Embora possa postar-se diante de seus inimigos e curá-los, como Cristo restaurou a orelha do soldado romano (Lc 22:50-51), recusará o uso do poder espiritual para estancar o sangue jorrando de seu próprio flanco.
Seres dessa natureza “a outros salvam, a si mesmos não salvam” (Mt 27:42 e Lc 23:35). Mas, eles poderiam sempre tê-lo feito se quisessem, pois, o poder é grande. Mas se o tivessem usado para esse fim, tê-lo-iam perdido. Não tinham o direito de assim prostituir seu precioso poder.
Toda vez que um ser humano tenta usar seu conhecimento espiritual e seu poder de maneira deturpada, ele os perderá. Perde o direito adquirido de posse e uso desse poder.
Mesmo quando observamos o conhecimento do ponto de vista científico, constatamos o consumo da vida. Cada pensamento rompe a delicada malha do tecido cerebral, formado de pequenas células. Cada célula tem vida individualizada e essa vida é destruída pelo pensamento. Ou melhor, a forma celular é destruída e assim a vida não pode mais manifestar-se nela.
Quando direcionamos o intelecto à procura de conhecimento, em qualquer área de estudo, sempre há destruição da vida.
Alguns tiram a vida em experiências científicas por mera curiosidade. Outros são cruéis ao tirar a vida, como na vivissecção. Nesse caso, se a busca pelo conhecimento se baseia apenas na curiosidade, uma terrível dívida acumula-se para resgate futuro. A Natureza incansavelmente trabalha para restaurar o equilíbrio da balança do destino.
Não podemos tirar a vida nem acumular conhecimentos de uma maneira prejudicial, sem incorrer com isso numa terrível responsabilidade. A única razão satisfatória e apropriada para a busca do conhecimento é aquela onde possamos servir e ajudar a Humanidade da maneira mais eficiente.
Na época presente é imprescindível o sacrifício de vidas para obter-se conhecimento; não podemos evitar. Portanto, o conhecimento deve ser almejado com o mais puro e melhor dos motivos, pois são inumeráveis as vidas aniquiladas.
O cientista ocultista pode observar a vida na iminência de encarnar. Até a vida mais elementar dedica-se a construir e habitar a forma mais adequada para sua manifestação. Quando essa vida é privada de sua forma em função do processo da obtenção de conhecimento, o ocultista fica surpreso com a imensa quantidade de vidas sacrificadas. Muitas delas imoladas sem um bom propósito.
Por isso, repetimos e insistimos: ninguém tem o direito de procurar conhecimento a não ser com o mais puro e melhor dos motivos.
Se, por outro lado, trilharmos o caminho do dever, se buscarmos fazer bem e completamente as coisas que nos chegam às mãos, e se tivermos aspirações espirituais sem artifícios para forçar o crescimento espiritual, então estaremos mais qualificados para obter poderes superiores. É uma bela característica dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes que eles não apenas nos fornecem o conhecimento espiritual, mas nos preparam para ter esse conhecimento. Devemos aprender a trilhar o caminho do dever e a viver a vida do bem. Não importa se a vida tem longa ou curta duração; tantas pessoas, como diz Thomas de Kempis no Livro Imitação de Cristo, estão preocupadas em garantir uma vida longa. Mas isso não importa. Em vez disso vamos nos esforçar, a cada dia, para cumprir o nosso dever; então certamente estaremos qualificados para receber o conhecimento superior e os exaltados poderes que o acompanha.
Há sempre espaço para praticarmos o conhecimento adquirido, não importa onde. Não se trata de pregar sermões nem de extasiar plateias. Declamar, desde manhã até a noite, as maravilhas que conhecemos para angariar admiradores. Ao contrário, devemos servir com humildade, vivendo a verdadeira vida espiritual. Dando exemplos vivos e coerentes com nossos ensinamentos. A oportunidade para servir existe para todos nós. Não precisamos procurá-la muito longe, ela está precisamente aqui.
Thomas de Kempis expressou tudo isso da maneira singela, própria de um místico inspirado. Com lindas palavras abordou o mesmo tema no livro “Imitação de Cristo”. Vale a pena relembrar, ele diz:
“Todo ser humano, naturalmente, desejaria saber de que vale o conhecimento sem o temor a Deus. Com certeza, um humilde agricultor que serve a Deus é melhor do que um orgulhoso filósofo dedicado a estudar o curso dos céus, mas negligente consigo mesmo. Quanto maior for o conhecimento, mais severo será o julgamento, a não ser que a vida também seja a mais santa.
Portanto, não se envaideça, mas, antes tema o conhecimento que lhe foi dado. Quem se julga saber muito, lembre-se que existe muita coisa ainda desconhecida. ‘Ninguém sabe como e quanto poderá progredir ao fazer o bem’”.
Por isso lembremo-nos: não devemos procurar o conhecimento simplesmente pelo conhecimento, mas apenas como um meio para viver uma vida melhor e mais pura, pois apenas isso pode justificá-lo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)