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porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Natureza e a Necessidade da Oração

A oração é o elo entre nós e Deus; somente pela oração podemos alcançá-Lo. Cuidamos de nossas tarefas diárias, cumprimos nossos deveres à medida que surgem diante de nós, mas sempre enquanto trabalhamos, devemos estar orando, se quisermos ter sucesso e cumprir nosso dever como devemos.

A oração é o desejo sincero do Coração de fazer em todas as coisas como desejaríamos que fosse feito a nós; esforçando-nos dia após dia para viver melhor nossas vidas e com mais sucesso para que possamos olhar para trás e não encontrar algo de que nos arrependamos. Para que cada ato, obra ou ação possa nos inspirar a fazer maiores esforços e nos aperfeiçoar.

O doce pássaro cantor, entoando seu canto na árvore ou no arbusto, está absorto em amor e oração a Deus, sabendo que será alimentado, abrigado e protegido; mas ajuda as orações correndo de um lado para o outro, conseguindo o alimento e o abrigo que lhe foram reservados tão abundantemente.

A abelha ora pelo sucesso em sua coleta de mel para armazenar e guardar para as abelhinhas, trabalhando até que a própria vida seja sacrificada ao seu grande esforço. A formiga trabalha dia após dia, continuamente apressada para deixar o lar pronto para as novas vidas que o ocuparão, sempre caminhando firmemente pelo caminho bem feito, acumulando provisões para o tempo de necessidade, orando e trabalhando para cumprir sua missão de amor em nosso belo mundo.

A flor reza quando floresce em sua beleza e enche o ar de fragrância, um verdadeiro sopro de Deus que nos alegra e ajuda a admirar Suas obras. Ela estabelece um exemplo para nós, para que possamos fazer de igual maneira — dar de nós mesmos para ajudar os outros, contentes por estarmos fazendo isso sem consideração por nós mesmos, sabendo, como a rosa, que se formos cortados, nós desempenharemos nossa parte conforme Deus decretou, não importando como ou quando isso possa acontecer, pois estaremos satisfeitos, sabendo que realizamos nossa missão.

Até mesmo o rio, cheio de águas turvas e barrentas, está manifestando o amor e o cuidado de Deus, pois seu canal foi feito para tornar possíveis nossos lares e nossas colheitas. Essa é outra oração: fazer o trabalho que lhe foi destinado, apressando-se para cumprir sua parte e então unir-se ao grande oceano, onde será um com aquela grande massa de água; cantando seu próprio réquiem como morte para o riacho, mas um cântico de alegria por ser um com o grande pai das águas. Ele desempenhou nobremente sua parte, regando, refrescando as flores, as árvores, a relva e todo o crescimento das terras mais elevadas, encharcando e fazendo germinar as sementes que foram semeadas tão abundantemente para que nós e o animal, a ave, o peixe, o réptil, o anfíbio e o inseto pudessem ser auxiliados e ter uma oportunidade de maior progresso na evolução. Ele não tem do que se arrepender e desempenhou positivamente a sua tarefa, embora alguma relva, planta ou algum arbusto eventualmente tenha sido sacrificado em sua corrida impetuosa. Mas o maior número foi servido e ajudado.

É fácil ver que a oração é o desejo sincero, o desejo que não será desviado, o desejo de fazer aquilo que fomos enviados aqui para fazer. Viver de acordo com os mais elevados pensamentos e ideais que foram implantados dentro de nós pela própria mão de Deus, desejando a cada dia desempenhar, cada um a sua parte, o trabalho diante de nós com mãos dispostas e corações amorosos, satisfeitos quando tivermos êxito, pensando menos em nossa recompensa e mais nos projetos para melhor realizar, e na maior medida, o trabalho que estamos aptos a fazer.

Olhamos ao nosso redor para aqueles que tiveram sucesso na vida e descobrimos que seu sucesso não foi marcado pelo dinheiro ou pela posse de coisas materiais, mas foi o resultado de vidas cheias de amor e boas ações, sendo a colheita uma de grande ganho no crescimento da alma, ações que podem levar consigo em sua jornada posterior e que os levará, por sua grande força e em seu movimento pendular, cada vez mais em direção às alturas, o objetivo de todos os nossos anseios.

O sucesso para cada um de nós só pode ser medido dessa maneira. Todos seremos alimentados e vestidos, mas o acúmulo de objetos ou artigos mundanos não nos ajudará em uma só partícula na obtenção da vida de Cristo. No entanto, devemos trabalhar; mas não com o propósito de acumular riquezas ou tesouros para esta vida; nosso objetivo é ajudar na evolução da própria Terra e de tudo aquilo que contribui para torná-la completa, pois somente à medida que a Terra evoluir para estados melhores, mais sublimes, seremos providos de um ambiente mais propício à nossa evolução. Portanto, não importa o que fazemos, seja para a planta, o animal ou o ser humano, para a Terra ou para Deus; tudo, afinal, retorna a nós como “pão lançado sobre as águas”. Com certeza nós colhemos aquilo que semeamos (Gl 6:7) e “Deus dá o crescimento”.

Ao nos associarmos àqueles seres humanos que tiveram sucesso em alcançar maiores alturas de espiritualidade, ao lermos sobre os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, vemos que suas vidas foram uma longa e fervorosa oração por luz e orientação; eles ouviram e atenderam a resposta, sempre cumprindo o dever mais próximo, escutando a “pequena voz silenciosa” para saber qual seria a próxima tarefa a realizar, esquecendo o “eu inferior” pelo desejo de seguir as diretrizes da voz interior e de deixar o Cristo Interno viver em cada palavra e ato. Somente assim o mais elevado pode ser alcançado.

O Cristo em nós – o Cristo Interno – é o Deus entronizado em nossos corações, sendo nossos Corpos o Seu Templo (Lc 17:21); enquanto trabalhamos, vigiamos e oramos, Ele ordena nossas vidas; se seguirmos Sua orientação, nada além do sucesso poderá coroar nossos esforços. No esforço honesto e sincero para fazer da melhor maneira possível o trabalho que precisamos fazer e que encontramos por toda parte ao nosso redor, devemos nos voltar para a voz orientadora do Cristo e nos colocar no caminho certo, se inadvertida ou equivocadamente começarmos de maneira errada; isso é válido porque se estivermos vivendo de tal modo que toda a nossa confiança esteja em Deus-Pai, Ele não permitirá que sigamos pelo caminho errado sem um aviso ou, dando atenção aos avisos, o sucesso acompanhará nossos esforços.

Até mesmo nossa vinda para a Fraternidade Rosacruz foi e continua sendo uma oração, pois percebemos que cada um de nós ajuda no trabalho e tem uma oração no Coração, uma oração que nos ajuda a fazer a nossa parte dignamente; cada um sabe que, conforme semeia, assim colhe; caso o sucesso perfeito não coroe nossos esforços, quem julgaria quão longe ou perto do êxito chegamos? Ninguém pode julgar senão Deus; não temos o direito de avaliar os outros, pois quem pode ver os recessos do Coração e saber o que está ali?

Para o mundo exterior pode parecer que não estejamos realizando muito espiritualmente ou até mesmo nós próprios podemos sentir desânimo ou desapontamento por não termos sido capazes de realizar tudo que desejávamos. Mas sabemos quão grandes foram as provações; pensávamos estar preparados para elas, porque nos falaram da sua magnitude, mas mesmo assim falhamos de muitas maneiras, apesar dos avisos e de termos fortalecido a nós mesmos na preparação para enfrentá-las e vencer. Até mesmo nós próprios, conhecendo tudo o que veio e foi embora, todos os nossos esforços, fracassos e nosso – para nós – pequeno sucesso, podemos ter pouca ou nenhuma ideia nem podemos julgar se subimos mais alto no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Somente aqueles que estão acima de nós podem dizer.

A coisa que devemos fazer, entretanto, é continuar tentando. Não importa quantas vezes falhemos, se vemos e sabemos por que falhamos, já ganhamos com isso. Se continuarmos e tentarmos novamente com esse conhecimento diante de nós e resolvemos não deixar que a mesma coisa nos faça tropeçar novamente, mesmo que falhemos repetidamente, ainda assim, se tentarmos cada vez mais tornar nossa vontade mais forte, finalmente seremos capazes de vencer e deixar de cometer os mesmos erros.

Você consegue imaginar a alegria pelo sucesso dos nossos esforços? Todos nós já vimos isso — o esforço de alguém para romper um mau hábito, as provações e os fracassos, a ajuda estendida pela família e pelos amigos, a vitória final e, então, como cada um e todos se alegram por uma vitória conquistada; cada um ajudará o vencedor a recuperar suas oportunidades perdidas, ajudando com tudo que o amor e a boa vontade puderem conceber.

É exatamente assim quando conquistamos uma vitória sobre o “eu inferior”. Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz colocarão oportunidades em nosso caminho e nos ajudarão a compensar tudo o que perdemos em tempos passados. Essa única vitória mostra que todos podem ser vitoriosos sobre o “eu inferior”, se fizermos o necessário e tão grande esforço. A alegria nos Céus então é grande e somos encorajados pela força que adquirimos. Mas nossos fracassos foram recentes demais para que sejamos excessivamente confiantes; ainda assim, como aquela grande vitória nos encoraja!

Quando paramos e analisamos aquilo que foi tão difícil para vencer, realmente nos admiramos de que tenha sido assim; parece algo tão pequeno e insignificante. Nós mesmos dissemos e tantas vezes: “Se eu fosse tão próximo da perfeição quanto aquela pessoa, eu venceria aquela única falha, mesmo que exigisse toda a força que tenho”. Sem dúvida outros disseram o mesmo a nosso respeito.

Estamos deixando de considerar o grande esforço que deveríamos fazer em nossas próprias vidas, pois cada um de nós, não importa quão livres de faltas possamos sentir ou pensar que somos, ainda tem aquela batalha decisiva a vencer: a vitória sobre o “eu inferior” e suas fraquezas. Alguns têm faltas e deficiências de um tipo e outros, de outro; mas acreditamos que, em todos os casos, sem exceção, elas podem ser abrangidas pela palavra: “egoísmo”.

Isso nos mostra o que deve ser feito para nos tornarmos aquilo que desejamos ser. Que importa o que os outros pensam, fazem ou dizem, ou como fazem as coisas? Eles são responsáveis por seus próprios atos. Se fizermos o nosso melhor em todas as circunstâncias, nossa será a recompensa; se o outros querem tudo à nossa própria maneira, pois bem, não temos de vencer por eles.

Alguns de nós chegaram ao ponto em que podemos ver o egoísmo que nos impulsiona, mas é doce e gratificante ter nossa própria maneira de agir em tudo, por isso não tentamos vencer. No entanto, quando percebermos que isso nos impede de avançar, então oraremos e trabalharemos sinceramente para fortalecer nossa vontade e garantir o sucesso.

Se permitirmos que faltas ou hábitos nos dominem, abriremos o caminho para que os pensamentos de outros na mesma direção nos influenciem e diariamente, a cada hora, nossa tarefa se tornará mais difícil. Também existem entidades no lado invisível da Natureza que se esforçam para nos manter no velho caminho e enquanto mantivermos uma atitude negativa elas aumentarão em número, agravando nossa fraqueza.

Parece mesmo que um enorme esforço deve ser feito, mas ele será o coroamento e daí em diante todas as coisas serão possíveis, pois continuaremos orando e, ao fazer o esforço, ajudaremos a responder às nossas próprias orações.

Muitos pensam que seja correto e necessário orar por toda espécie de coisas que, se possuídas, produziriam mais mal do que bem. Mas se orarmos por força para viver nossas vidas em conformidade com a Vontade Divina, há pouco mais pelo que precisamos orar, pois Ele prometeu: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua Justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. E realmente serão, em medida muito maior do que teríamos pedido.

Não é essa a função do ouro e das pedras preciosas que foram colocados na Terra? Por que todas as belas flores, árvores e os belos pássaros canoros de plumagem tão bonita estão aqui? Por que a música, a arte? Apenas por uma simples razão: Deus nos ama, somos Seus filhos. E, como qualquer pai afetuoso, Ele derrama sobre nós o que há de melhor para nos fazer amá-Lo mais e manter nossos corações e pensamentos com Ele; para nos mostrar de maneira bondosa e amorosa o que somos para Ele; para que não desejemos deixá-Lo ou abandonar Seu lar; pois Ele é capaz e mais do que disposto a nos dar tudo aquilo de que precisamos, quando precisamos e se precisamos.

No caso daquele que está se esforçando para ser um Aspirante à vida superior de fato – e não de “fazer de conta” –, cada um de seus pensamentos, desejos, sentimentos, suas palavras, obras, ações ou seus atos é uma oração. Ele ora constantemente e sem esforço. Ora pelo amor de orar. Toda a sua vida é uma oração. Seu louvor a Deus é uma oração; a canção em seus lábios é uma oração; o caloroso aperto de mão e o tapinha no ombro de alguém desanimado são uma oração. O quadro que pinta, a flor que cultiva, o riso de felicidade e alegria — tudo isso são orações. Os pensamentos de adoração e culto ao Autor do nosso ser, mesmo quando nossos lábios estão silenciosos, quando nossa própria alma parece cantar de alegria e somos levados nas asas do silêncio a alturas de bem-aventurança, essas são as orações da alma que anseia pela união com Deus.

Que nunca deixemos de orar, afinal:

A oração é o desejo sincero da alma,

Expresso ou não,

O movimento de um fogo oculto

Que treme no peito.

A oração é o sopro de Deus em nós,

Retornando para o lugar de onde viemos;

O amor é o fogo sagrado interior e a oração,

A chama que se eleva.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Significado para: “Buscai, primeiro, o Reino de Deus”

Nunca é demais ressaltar a importância de estarmos em Deus a cada instante. Só Ele pode resolver os nossos problemas, da forma como devem ser resolvidos. Só Ele nos poderá orientar para o certo, nos iluminar em nossas atividades, para acertarmos o maior número de vezes possível.

Porém, é preciso que não se confunda esta entrega com inércia, supondo que, ao colocarmos nas mãos de Deus os nossos problemas possamos descansar na cômoda impressão de termos transferido, também, a Ele as nossas tarefas. Longe disto. Nossos deveres nós não os podemos negligenciar, até pelo contrário, quanto mais ativos nos mantivermos procurando dar de nós a cada momento do dia, tanto mais estaremos nos tornando merecedores da Sua confiança e do Seu merecimento. Sim, porque para estar em Deus, é preciso merecer Deus.

Como repetimos todas as vezes que oficiamos o Ritual do Serviço Devocional de Cura da Fraternidade Rosacruz que: “num vaso sujo não pode haver água pura e saudável, nem pode uma lente manchada dar uma imagem nítida“. Da mesma maneira, se não nos tornarmos merecedores de Deus, nem cumprirmos bem todas as nossas tarefas, com sinceridade e pureza, nem procurando ajudar sempre com isenção de ânimo, nem nos tornando um elemento útil e de boa vontade no contexto geral, nossas portas internas manter-se-ão fechadas ao ingresso d’Ele.

É claro que: “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” (At 17:28). E esta asserção não invalida o que foi dito acima. O caso é que nem todas as pessoas são sensíveis à presença de Deus nelas. E é a essa sensibilidade, a esse contato que deve ser empreendido constantemente, que nos referimos antes. Estar em Deus é, pois, ter consciência da presença de Deus em nós. E sóabriremos a nossa consciência para senti-Lo cada vez mais próximo, sempre que estivermos atentos para não perder nenhuma oportunidade de realizar o Bem. Porque o Bem é o reflexo de Deus, e realizando o Bem estaremos realizando Deus, atraindo mais força d’Ele, maior contato, mais luz e, consequentemente, maior ajuda d’Ele.

Na verdade, quanto mais nos elevamos e mais puro nos tornamos, menos necessidade terá de nos preocuparmos em pedir auxílio à Deus. Porque o fato de se realizar n’Ele já nos coloca em condições de não precisar pedir, pois, tendo a Ele em nós nada mais necessitaremos; já teremos tudo.

É por isso que o próprio Cristo nos ensinou ao proferir: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). É isso. O Reino de Deus está em nós, dentro de nós, e é só precisamos tomar consciência disto. Esse acréscimo quer dizer: todos os nossos desejos, intenções se realizarão, inclusive a aspiração de bem Servir, segundo a disciplina de “Buscai o Reino de Deus…”

Eis porque a Filosofia Rosacruz nos orienta a procurarmos aumentar a nossa consciência pelo serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e a irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, e que é a prática dos Ensinamentos Cristãos que Cristo Jesus deixou e que os Irmãos Maiores nos transmitiram por meio dos Ensinamentos Rosacruzes detalhados na Fraternidade Rosacruz.

Sabemos que, para isto, não nos serão necessários grandes exercícios! Dois são os mais importantes: o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção e o Exercício Esotérico Rosacruz matutino de Concentração. O resultado da persistência em fazer tais exercícios vai nos ajudando na realização da prática das coisas boas, que vamos descobrindo por meio dos referidos Exercícios e de nosso tipo Serviço detalhado acima no mundo.

Aliás, a prática constante do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção vai mudando nosso caráter e, automaticamente, nosso destino, por isso dizemos que caráter é igual a destino! Eis aqui uma explicação lógica das palavras de Cristo: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”

Assim, o que é exigido de nós estará sempre dentro das nossas possibilidades, pois seremos nós mesmos, com o nosso esforço no bem viver, que delinearemos as bases do nosso progresso e, consequentemente, do nosso merecimento. Quanto mais trabalharmos para acertar o pé no mundo em que vivemos, tanto mais despertaremos nossa consciência Crística, crescendo internamente, construindo nosso Cristo Interno, colocando-nos, assim, em posição de atrair para nós tudo àquilo que deverá ser nosso, tanto espiritual como material.

Por isso, nosso cuidado maior não deveria ser com as “coisas materiais”, mas com o nosso preparo interno, porque só esse preparo, essa vivência da espiritualidade Cristã que buscamos e realizamos em nós coloca-nos em condições de receber tudo o mais que Deus sabe que necessitamos.

Tomemos nota: quanto mais nos elevarmos, tanto menos falta vamos sentindo das coisas materiais e tanto mais nos vamos aproximando da nossa herança divina.

Não vá agora, alguém, por outro lado, sentir-se inibido pensando que, se por fazer algum pedido a Deus, estará com isso provando a sua incapacidade de estar n’Ele. Pensar assim seria fruto de nosso orgulho, porque é preciso uma boa dose de humildade para admitir as nossas limitações. O que deve servir-nos de escopo é o fato de sabermos que agindo sempre no bem, estaremos em progressivo desenvolvimento para aquele estado de graça, que nos coloca em posição de desenvolver cada vez mais o Cristo Interno.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz” – outubro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Equinócio de Setembro – Seu Significado Espiritual

Em todas as Religiões antigas, os quatro festivais solares que marcam os pontos equinociais e solsticiais do Sol no Zodíaco sempre foram considerados períodos sagrados. Portanto, ao abordar este estudo, não estamos aprendendo uma nova fé, mas apenas reaprendendo uma muito antiga.

No antigo Egito, esses festivais eram celebrados com grande pompa e esplendor; em procissões impressionantes, os sacerdotes carregavam os livros sagrados de astrologia. Esses sacerdotes ensinavam que tanto Libra quanto Escorpião eram Signos do “Equinócio de Setembro”. As almas, segundo a crença deles, desciam através da serpente para serem regeneradas no “Equinócio de Março” pelo poder do Cordeiro — o que, notamos, guarda grande semelhança com o nosso atual ensinamento Cristão.

No Egito, a origem do mal também era atribuída ao “Equinócio de Setembro”. Como estavam no hemisfério norte, acreditava-se que, assim como essa estação inaugurava o frio e a escuridão do inverno, ela também trazia a tentação e o pecado ao ser humano.

Todos os povos adoraram um deus cuja força e fraqueza eram vistas como simbolizadas pela luz e pela escuridão, bem como pela alternância entre calor e frio, marcadas pela passagem do Sol pelos doze Signos do Zodíaco.

Hércules foi reverenciado por séculos antes do estabelecimento do Império Grego; seus doze trabalhos descrevem com precisão a passagem do Sol pelos doze Signos do Zodíaco.

O mesmo ocorre com a história de Jacó e seus doze filhos[1], conforme apresentada na Bíblia. O “Equinócio de Setembro” era celebrado pelos antigos hebreus e é mencionado no Antigo Testamento como a Festa dos Tabernáculos ou a Festa da Colheita[2].

Nas Escrituras Cristãs, também observamos a referência de Ezequiel às donzelas de Israel que choravam e olhavam para o norte à espera do retorno de Tamuz, o deus solar sírio[3].

Astrologicamente, o assassinato de Hiram Abiff também é uma história relacionada ao “Equinócio de Setembro”. Os três assassinos são Libra, Escorpião e Sagitário. Hiram representa o Sol, que é ressuscitado no “Equinócio de Março” pela palavra do Mestre — ou seja, o Sol em Áries.

Muitas histórias ocultistas desses autores abordaram os festivais solares sob uma perspectiva puramente astronômica. Interpretar seu significado espiritual e Cristão é a tarefa da nossa Escola de Misticismo Cristão, a Fraternidade Rosacruz. O Cristo é uma figura cósmica, e Sua vida está delineada nestes festivais solares. A Iniciação é um processo cósmico de desenvolvimento. O ser humano é um epítome de Deus. “Assim como é em cima, é embaixo”.

Todo ser humano é um Cristo em formação, e as estrelas contêm uma biografia antecipada de nossas próprias vidas. O despertar do Cristo Interno constitui a consumação perfeita do nosso atual estágio de evolução.

Na época do “Equinócio de Março”, que a Igreja cristã celebra como a Páscoa, o Sol cruza o equador, passando das latitudes austrais para as boreais. A Ordem Rosacruz reconhece esse evento como o momento da Grande Libertação, quando o Espírito Solar — o Cristo — é libertado de seu aprisionamento na Terra.

No “Solstício de Junho”, quando o Sol atinge o ponto mais alto de sua declinação boreal, ele se encontra em Câncer, o grande Signo feminino ou de Água. É então que o Espírito Crístico alcança o trono do Pai e banha-se no êxtase de Sua vibração. O Sol passa, então, para Leão, o grande Signo masculino e de Fogo. Para os Cristãos Místicos, este é, de fato, um período sagrado.

Durante os meses de julho e agosto — ou enquanto o Sol transita de Câncer para Leão —, o Espírito Crístico funde os princípios do Fogo e da Água no Corpo Espírito de Vida renovado, radiante e glorioso, que Cristo está construindo como Sua dádiva à Terra para a Noite Santa, ou seja, a época do “Solstício de Dezembro”. É sobre esse grande Corpo de luz, provido pelo Cristo, que todas as quatro Ondas de Vida que evoluem neste Planeta — mineral, vegetal, animal e humana — são sustentadas ao longo do ano. S. Paulo enunciou uma profunda verdade oculta ao dizer: “N’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”[4].

À medida que o Sol entra em Virgem, esse grande Raio de vida descendente toca as esferas superiores da Terra. Místicos e pessoas sensíveis percebem uma compaixão terna e envolvente — uma beleza divina e etérea que permeia toda a Natureza — quando o Sol ingressa neste signo da Mãe Divina, Virgem. Nesta estação, toda a Natureza é impregnada pelo amor avassalador e pela glória sublime de Seu grande sacrifício anual pela Humanidade.

Nas palavras de Longfellow, é o momento em que o ar se enche “de uma luz mágica e onírica” e quando o grande Sol contempla a Terra “com o olhar do amor, através dos vapores dourados que o cercam.”[5]

Na Igreja Cristã, lamentamos, oramos e O louvamos porque Ele morreu uma vez por nós na cruz. Nessa concepção mais ampla do Cristianismo que aqui consideramos, passamos a compreender que Ele se sacrifica por nós anualmente e que deve continuar a fazê-lo até que tenhamos aprendido a desenvolver os poderes do Cristo em nós mesmos, ou seja, o Cristo Interno. Somente dessa forma podemos auxiliar em Sua libertação final e completa.

Quando o Sol entra em Libra, esse raio da Vida Crística toca definitivamente a superfície da Terra. É esse grande influxo que o Cristão Místico observa com tanta reverência no “Equinócio de Setembro”.

Eventos importantes na vida de Cristo estão em perfeita harmonia com os significados espirituais desses grandes pontos de virada das estações. Nas santas alegrias da Anunciação, encontramos um paralelo com os segredos da nova vida do “Equinócio de Março”. No santo mistério da Imaculada Conceição, o Sol toca a atmosfera da Terra no “Equinócio de Setembro” e, no “Solstício de Dezembro”, celebramos o Santo Nascimento, ou a época do Natal.

Libra é o local de prova ou a roda de equilíbrio. Saturno, que está Exaltado em Libra, coloca a Terra sob o domínio das trevas e, também, faz com que sejamos provados ao máximo. Mas, como Vênus — o Planeta do amor — também rege Libra, descobrimos que, na divina providência da infinita misericórdia e sabedoria de Deus, também é providenciado um meio de escape para cada tentação trazida pelo Grande Provador.

À medida que o Sol passa do “Equinócio de Março” para o “Equinócio de Setembro”, ou de Áries para Libra, a Vida Crística atua através dos veículos superiores da Terra.

À medida que o Sol passa do “Equinócio de Setembro” para o “Equinócio de Março”, ou de Libra para Áries, a Vida Crística atua através dos Estratos físicas ou materiais do Planeta. Ao meditarmos em espírito de oração sobre essas verdades espirituais sublimes, encontramos um significado novo, mais profundo e mais santo na bênção final de Cristo, proferida pouco antes da Ascensão, quando Ele disse: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:20).

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro-outubro de 1997 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: 1Jacó chamou seus filhos e disse: “Reuni-vos, eu vos anunciarei o que vos acontecerá nos tempos vindouros. 2Reuni-vos, escutai, filhos de Jacó, escutai Israel, vosso pai: 3Rúben, tu és meu primogênito, meu vigor, as primícias de minha virilidade, cúmulo de altivez e cúmulo de força, 4impetuoso como as águas: não serás colmado, porque subiste ao leito de teu pai e profanaste minha cama, contra mim! 5Simeão e Levi são irmãos, levaram a cabo a violência de suas intrigas.6Que minha alma não entre em seu conselho, que meu coração não se una ao seu grupo, porque na sua cólera mataram homens, em seu capricho mutilaram touros. 7Maldita sua cólera por seu rigor, maldito seu furor por sua dureza. Eu os dividirei em Jacó, eu os dispersarei em Israel. 8Judá, teus irmãos te louvarão, tua mão está sobre a cerviz de teus inimigos e os filhos de teu pai se inclinarão diante de ti. 9Judá é um leãozinho: da presa, meu filho, tu subiste; agacha-se, deita-se como um leão, como leoa: quem o despertará? 10O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de chefe de entre seus pés, até que o tributo lhe seja trazido e que lhe obedeçam aos povos. 11Liga à vinha seu jumentinho, à cepa o filhote de sua jumenta, lava sua roupa no vinho, seu manto no sangue das uvas, 12seus olhos estão turvos de vinho, seus dentes brancos de leite. 13Zabulon reside à beira-mar, é marinheiro sobre os navios, tem Sidônia a seu lado. 14Issacar é um jumento robusto, deitado no meio dos cerrados. 15Ele viu que o repouso era bom, que a terra era agradável, baixou seu ombro à carga, e sujeitou-se ao trabalho escravo. 16Dã julga seu povo, como cada tribo de Israel. 17Dã é uma serpente sobre o caminho, uma cerasta sobre a vereda, que morde os talões do cavalo e o cavaleiro cai para trás! 18Em tua salvação eu espero, ó Iahweh! 19Gad, guerrilheiros o guerrilharão e ele guerreia e os fustiga. 20Aser, seu pão é abundante, ele oferece manjares de rei. 21Neftali é uma gazela veloz que tem formosas crias.22José é um rebento fecundo perto da fonte, cujas canas ultrapassam o muro. 23Os arqueiros o exasperaram, atiraram e o aborreceram. 24Mas seu arco foi quebrado por um poderoso, foram rompidos os nervos de seus braços pelas mãos do Poderoso de Jacó, pelo Nome da Pedra de Israel, 25pelo Deus de teu pai, que te socorre, por El Shaddai? que te abençoa: Bênçãos dos céus no alto, bênçãos do abismo deitado embaixo, bênçãos das mamas e do seio, 26bênçãos dos espinhos e das flores, bênçãos das montanhas antigas, atração das colinas eternas, que elas venham sobre a cabeça de José, sobre a fronte do consagrado entre seus irmãos! 27Benjamim é um lobo voraz, de manhã devora uma presa, até à tarde reparte o despojo”. 28Todos estes formam as tribos de Israel, em número de doze, e eis o que lhes disse seu pai. Ele os abençoou: a cada um deu uma bênção que lhe convinha. (Gn 49:1-28)

[2] N.T: “E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo, será a Festa dos Tabernáculos ao Senhor, por sete dias.” (Lv 23:33-34)

[3] N.T.: Levou-me à entrada da porta da Casa do SENHOR, que está no lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando a Tamuz. (Ez 8:14)

[4] N.T.: At 17:28

[5] N.T.: do poema Evangeline — Um Conto de Acádia, um clássico épico de Henry Wadsworth Longfellow

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Divina Criança quer nascer

O Estudante Rosacruz ativo, que está trilhando fielmente o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, já compreendeu que entre quedas, desistências, covardias e grandezas estamos seguindo “para frente e para cima”. E que há uma criança divina em nós, que a cada dia quer nascer.

Se olharmos ao nosso redor vemos que essa sentença aparece como uma semente lançada em época muito oportuna, já que estamos em uma fase de trânsito entre uma Era que está terminando (a Era de Peixes) e outra (onde já estamos na sua “Órbita de Influência”, a Era de Aquário), cujos lampejos aos mais avançados é dado entrever e transmite uma incrível sensação de insegurança a muitos irmãos e muitas irmãs.

Isso tem produzido uma espécie de fobia generalizada de perda. Muitas pessoas temem perder o emprego, a saúde, a posição social, os entes queridos e a própria vida (especialmente aos que acham que a vida é o fim da existência e até aqueles que acham que partem daqui para uma chamada “vida eterna” que nem sabe direito o que é!).

Esse clima de instabilidade, para muitos, é doloroso, não resta dúvida. Entretanto, pelo menos para quem “tem olhos para ver e ouvidos para ouvir” encerra alguns aspectos altamente positivos, isto é, oferece valiosíssimas lições morais e espirituais. Dentre elas destacamos:

  1. Fazer ver que o materialismo não oferece segurança alguma. A transitoriedade e a relatividade são elementos característicos do Mundo material. Não há outra segurança a não ser aquela emanada do Cristo Interno. Ou encontramo-nos seguros internamente e encaramos calma e confiantemente as dificuldades do dia a dia, ou ficaremos à deriva.
  2. As conquistas no plano material, por empolgantes que sejam, não constituem um fim em si mesmas, são meios para se alcançar um desenvolvimento superior, espiritual sempre.
  3. Muitas das atuais estruturas e instituições do mundo civilizado estão cristalizadas. Já se exauriram suas possibilidades de desenvolvimento e, como acontece no processo evolutivo, serão substituídas por estruturas novas, compatíveis com as necessidades de crescimento da Humanidade. É de se esperar o surgimento de novos modelos religiosos, econômicos, políticos e sociais regendo a vida dos povos.
  4. Agora, mais do que nunca, a capacidade epigenética de cada um deve ser exercitada. As crises estão aí e caminharão fatalmente para um impasse se muitos de nós persistirem em tentar equacioná-las através de meios estritamente convencionais. É preciso usar de criatividade, procurando novas alternativas para solucionar os problemas.
  5. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que a adaptabilidade é a palavra-chave do progresso. Portanto, quem não se adaptar às características desta fase de transição, por certo muito sofrerá e verá retardar-se sua evolução.
  6. Os sofrimentos atuais devem despertar o sentimento de solidariedade entre nós, nos unindo no sentido de procurarmos superar as crises. Somente uma fraternal conjugação de esforços poderá fazer frente às dificuldades atuais. Esse tipo de cooperação constitui a antítese do egoísmo e individualismo. Deveremos criar formas superiores de relacionamento humano, sepultando o tradicional conceito de liderança.
  7. Todo e qualquer tipo de preconceito, pensamento, desejo, emoção ou sentimento exclusivista deve desaparecer. O apego à Raça, nacionalidade, aos dogmas religiosos e às ideologias políticas entravam o equacionamento dos problemas humanos e impede a realização da Fraternidade Universal. A realidade que vivemos demonstra como isso é verdade. Tudo deve ser conduzido no sentido de unir a “grande família humana”, como nos ensinou Cristo.

Estes são alguns aspectos da questão. Existem outros não menos importantes. Na verdade, nós, a despeito das circunstâncias nas quais estamos envolvidos, procuramos algo superior, o que já não deixa de ser um passo considerável.

Mas, a maioria procura fora de si mesmo. Quando se admitir como um ente superior, o que realmente somos: um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), parte integrante do corpo macrocósmico de Deus, terá se desvencilhado das crises e desequilíbrios deste mundo – essas incríveis ilusões. Nascerá, então, de um longo e doloroso parto, a Divina Criança em cada um de nós, o Cristo Interno.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1984 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Meditação e a ética que nasce do “Eu interno”

Um ser humano conscientemente bom não é integralmente bom; o seu ser-bom tem de se tornar “atitude” ao ponto de praticar os seus atos como um transbordamento irresistível e quase involuntário.

Quem faz o bem por motivos éticos, e não como gotas de água casualmente lançadas à praia pelo vasto e profundo mar da sua permanente atitude mística, não possui ética segura e sem perigo; cedo ou tarde quererá ser recompensado pela sua ética – o que não é ético.

O Cristão Místico deve se identificar pela inspiração com o Universo, a ponto de poder dizer: “Eu e o Cristo somos um…Cristo está em mim e eu em Cristo…As obras que faço não sou eu que as faço; é Cristo que as faz em mim… De mim mesmo (a) nada posso fazer…” (IICor 6:14-15).

A moral nasce do Ego. A ética, porém, nasce do “Eu interno”, desse Deus no ser humano, do seu Cristo Interno. Falta à moral humana não somente a origem divina da sua fonte, mas também o supremo encanto da leveza e da facilidade, o carisma da espontaneidade e luminosidade.

Quem é apenas, por sacrifício, bom como o ser humano moral e virtuoso, não age ainda com facilidade, beleza e encanto. Não descobriu ainda que “o jugo é fácil e o peso é leve”. A ética de uma pessoa de experiência mística, Crística, é espontaneamente boa, bela, benevolente e eficiente. O seu ser espontaneamente bom se revela em fazer o bem, sem sacrifícios, jubilosamente e com beleza. E isso é uma atitude gloriosamente artística. A mística transborda, então, em ética e estética.

(Publicada na revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/1986 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Como Tornar a Oração ou a Prece Eficiente

Um dos traços de união entre os Estudantes Rosacruzes é o desejo comum de ajudar o próximo. Um dos principais motivos de nossas Reuniões de Estudos é orar pelos necessitados e tentarmos, seriamente, seguir a advertência de Cristo para orarmos uns pelos outros. Os Rituais dos Serviços Devocionais que oficiamos têm esse conteúdo!

Há pessoas, porém, que sentem que suas preces não estão “produzindo resultados”; que não podem ajudar um ente querido necessitado, que compreendem o problema alheio, mas estão incapacitados de ajudar a resolvê-lo. Podem sentir também que existem condições além de sua capacidade, chegam a pensar que são dignos de pedir, quanto mais de receber a resposta tão esperada às suas preces. Percebem que suas preces não estão sendo respondidas como esperavam. Se alguém já passou por alguma destas experiências há sugestões que podem ser úteis.

Primeiro, vamos tentar definir a palavra “prece”. Basicamente prece é:

  1. Comunhão com Deus, ou seja, realização com a unidade Divina. Pode ser um momento em que nos isolamos e nos afastamos do Mundo Físico e, conscientemente, nos viramos para Deus-Pai. Pode ser também uma atividade quase inconsciente onde se pratica e se sente a presença de Deus em tudo que se pensa, diz ou faz.
  2. Prece é a harmonização e a fusão da nossa Mente com a Mente Divina. É a ação mental mais rápida que se conhece, na qual nos sintonizamos com o Mundo do Pensamento.
  3. Prece é uma afirmação da Verdade, que é eterna. Deus é o bem, o saber, o amor, a saúde, a perfeição e desde que somos seres espirituais feito à imagem e semelhança de Deus, no espírito e na verdade, também somos o bem, o saber, o amor e a saúde. Prece é simplesmente a concretização e a própria realização desta verdade.
  4. Prece é a parte em nós no processo criador de tornar aquilo que não é manifestado, em manifestação. O livro de Jó nos ensina: “Ele ouvirá as tuas súplicas e tu cumprirás teus votos; decidir-te-ás por um projeto e realizar-se-á, e a luz brilhará em teu caminho”. O resultado final de nosso processo de evolução é tornarmo-nos co-criadores com Deus. Estamos nos tornando aquilo que deveríamos ser e somos. Foi-nos dado o poder da palavra criadora e temos a nosso dispor mais força do que jamais imaginamos. Usando-a corretamente, esta força aumentará e se espalhará.
  5. Prece é a glorificação de Deus, o mais alto estado espiritual de consciência alcançado por nós. Glorificar Deus é louvá-Lo, enaltecê-Lo, honrá-Lo e conhecer Sua verdadeira essência.

A oração mais conhecida no mundo Cristão é a Oração do Senhor (Pai-Nosso). Aprendemos na Fraternidade Rosacruz a mais sublime explicação para essas santas palavras. Esta prece foi ensinada por Cristo Jesus aos Apóstolos, para ser usada em benefício deles próprios, mas é usada por todos e, também, pelos Estudantes Rosacruzes como uma fórmula científica (porque é uma oração científica!) para a elevação e purificação dos Corpos e veículos que possuímos.

Usando o capítulo 17 do Evangelho Segundo de S. João[1] como base para fazer com que nossas preces se tornem mais eficientes, devemos ressaltar dez pontos:

1) Algumas pessoas que rezam fracassam porque são egoístas. Os 26 versículos deste capítulo podem ser divididos em 3 partes: os primeiros oito versículos constituem a prece de Cristo Jesus para Ele mesmo; os versículos 9 a19 são a Sua prece para Seus Discípulos; e os versículos 20 a 26 são para aqueles que irão acreditar n’Ele mais tarde – o que nos inclui.

Na primeira parte, Cristo Jesus estava rezando não só para Ele próprio, como também para a glorificação de Deus-Pai. “glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique”. “Eu te glorifiquei na Terra e terminando a obra que me deste para fazer”. Ele não procurou glória para Si, mas apenas que o Pai pudesse ser glorificado e Sua verdadeira essência revelada.

Ao orar pelos outros devemos ficar atentos para não glorificarmos a nós mesmos e a nossos desejos. Ocasionalmente podemos não nos aperceber de que nos tornamos ditadores ao procurar impor nossa vontade pessoal ou ao tentar forçar alguém a aceitar modelos pré-concebidos. Talvez estejamos rezando: “Faça-o enxergar as coisas do meu modo”, ao invés de: “Ajuda-me a encontrar a melhor solução”, ou: “Faze com que a luz da verdade ilumine sua Mente”, ou simplesmente: “Tuas vontades serão feitas, Pai”.

É fácil desviar as preces que fazemos para os outros, de modo a satisfazer o que nós queremos para eles ou pensamos que eles deveriam querer ou ter. É uma cilada contra a qual precisamos estar sempre de prontidão, especialmente quando se trata de pessoas muito chegadas a nós. Pode não ser difícil parecer que estamos conformados quando pedimos por aqueles que estão longe e não são tão íntimos, mas para aqueles com quem temos uma relação mais chegada, é muito difícil nos desvencilharmos do nosso Ego e tentarmos rezar para o bem dessa pessoa entregando-a a Deus, mesmo que seja contra o que gostaríamos que acontecesse. Portanto, se nossas preces parecem não produzir resultados, vamos examinar nossos motivos e talvez aí encontremos a razão para o fracasso.

2)Devemos sempre reconhecer a qualidade da liberdade no amor Crístico, mesmo quando vemos que alguém está cometendo o que consideramos um grande erro. Devemos dar liberdade a esta pessoa para que se desenvolva a sua maneira. Talvez vejamos alguém muito querido ou querida deixando-se levar para uma situação que sabemos irá causar-lhe sofrimento e queremos evitar que isto aconteça e que a pessoa sofra.

Porém, talvez, seja preciso, para que a pessoa aprenda experimentar certas provações e aflições, a fim de receber uma lição necessária. Talvez o engrandecimento da alma venha através desta experiência porque, infelizmente, aprendemos muito mais com nossas próprias experiências do que com conselhos.

Quando bebês, ao aprendermos a andar, tivemos muitas quedas. Se nossas mães nos tivessem carregado sempre em seus braços, certamente não teríamos tido tantas quedas, manchas roxas e choros, mas também não teríamos aprendido a andar. A mãe carinhosa, certamente quer proteger seu filho de quedas físicas, emocionais e espirituais, mas somente experimentando algumas dessas quedas e por meio da liberdade do poder tentar, acertar e fracassar sozinhos é que aprendemos a andar retos, tanto fisicamente como de outras maneiras.

Cristo Jesus nos ensinou: “Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno“[2]. Ele não rezou para que Seus queridos Apóstolos fossem tirados do mundo, mundo este cheio de desafios, provocações, frustrações e conflitos, mas que eles fossem protegidos do mal. Devemos deixar nossos entes queridos livres para encontrar o bem supremo, da maneira que for melhor para eles. Podemos rezar para que Cristo os conduza nos caminhos da honradez e probidade. O Cristo Interno deve reconhecer o Cristo daquele por quem rezamos e dar-lhe liberdade individual para fazer sua própria escolha.

3)Não devemos jamais implorar ou suplicar. Implorar supõe que estamos tentando superar uma relutância por parte de Deus. Não há necessidade de se implorar a Deus em nome de outra pessoa, uma vez que o seu bem-estar já é muito conhecido no coração de Deus-Pai.

Muitas referências nas Escrituras Sagradas afirmam esta verdade. “Nosso Pai conhece as coisas de que necessitamos, antes de as pedirmos” (Mt 6:8). “Não é da vontade do Pai que nós devamos morrer” (Mt 18:14). “É prazer do Pai dar-nos o Reino” (Lc 12:32). Podemos estar certos de que a vontade de Deus para nós é perfeição.

A prece de Cristo Jesus era: “Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim“. Nossas preces não mudam o que Deus pensa sobre nós. Ele já nos determinou perfeição. Não temos que negociar com Deus. A prece não muda Deus e não O impele a fazer o que Ele não almeja para nós. A prece nos coloca num estado de receptividade do bem que Deus já planejou para nós. Portanto, ao invés de implorar e suplicar, vamos reivindicar o que há de bom, já estabelecido em espírito. Cristo Jesus corajosamente rezou para o Pai: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estou, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo.” (Jo 17:24).

4)Devemos confirmar a verdade na fé, confiança e na gratidão. Quando Cristo Jesus ressuscitou Lázaro, Ele disse com plena fé e confiança: “Pai, Eu Vos agradeço por me teres ouvido e sei que sempre me ouvis” (Jo 11:41).

Nas duas ocasiões quando alimentou as multidões, Ele primeiro agradeceu pela dádiva que foi dada, muito embora ainda não tivesse sido manifestada no plano exterior. Agradecendo desta maneira, demonstra fé, confiança e desperta estas qualidades em outros, que, por sua vez, se tornam melhores canais pelos quais Deus pode fazer Sua obra.

5)Não volte atrás em suas preces! É de pouca valia orar com palavras positivas se, continuamente, estamos projetando um quadro negativo na tela da nossa Mente. Se visualizarmos e, deste modo, enfatizamos a parte negativa ou condição que precisa ser eliminada, estamos desfazendo todo nosso trabalho de orar. Você se lembra da Parábola da Casa Vazia (ou dos maus espíritos)[3]? Depois de estar completamente limpa, ela permaneceu vazia; os maus espíritos voltaram e trouxeram sete vezes piores espíritos com eles. Ideias sombrias e pessimistas sobre quem oramos devem ser eliminadas de nossa casa de pensamentos. Inclinações duvidosas, temores e ansiedade devem ser varridos com fortaleza e na nossa Mente só devemos colocar pensamentos firmes e positivos.

6)Devemos imaginar os perfeitos resultados da oração. Nossa faculdade de imaginar desempenha um importante papel no que diz respeito a “chamar” as condições desejadas.

Se rezamos pela saúde de alguém, vamos imaginá-lo sempre com boa saúde. Se rezamos pela paz de espírito, harmonia ou qualquer outra condição desejada, vamos imaginá-lo já gozando deste estado de espírito. “Está decidido: tu manterás a paz, sim, a paz, porque a ti foi ela confiada.” (Is 26:3). Fixando nossa atenção em Deus e na sua bondade, fortalecemos Sua presença e atividade.

Ao visualizarmos alguém circundado pela Luz de Cristo, estamos protegendo-o do mal e ajudando a antecipar a cura, seja de doenças ou enfermidades física, emocionais ou mentais. Desta maneira nos tornamos co-criadores com Deus e ajudamos a estabelecer o Reino dos Céus na Terra.

7)Não devemos colocar limites nas nossas preces ou orações. Com Deus nada é impossível; não há limitações em Deus. “Se me pedirdes algo em meu nome, eu o farei.” (Jo 14:14).

Cristo Jesus nos ensinou: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino!” (Lc 12:32). O desejo do Pai para conosco é o bem, nada a não ser o bem, de maneira que devemos ficar receptivos e abertos para todo o bem que o Pai tem reservado para nós. Poderá vir em bênçãos como um aguaceiro derramado das janelas do Céu.

8)A qualidade sentida, presente, de agora é eficiente na oração. A manifestação da resposta perfeita de Deus é possível agora mesmo, se houver fé e compreensão suficientes para chamá-la. “Acontecerá então que antes de me invocarem, eu já lhes terei respondido” (Is 65:24).

Deus está aqui, agora, e basta invocar Seu Amor e Poder de maneira correta, para recebermos respostas completas e perfeitas.

9)Devemos dar à oração um profundo sentido de alegria. “Agora, porém, vou para junto de ti e digo isso no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria.” (Jo 17:13).

Se estamos cientes da presença e poder de Deus, como Cristo Jesus estava, não deixaremos de ser agraciados com a felicidade.

A oração verdadeira é alegre, porque reflete a convicção que Deus está no comando de Seu mundo e que tudo está na ordem divina, apesar de toda a aparência em contrário.

10)Nossas Mentes e nossos Corpos devem estar limpos e puros. No Ritual do Serviço Devocional de Cura da Fraternidade Rosacruz encontramos estas palavras: “Se desejamos ser verdadeiros auxiliares no trabalho iniciado pelos Irmãos Maiores devemos converter nossos Corpos em instrumentos adequados e purificá-los por meio de uma vida pura, pois num vaso sujo não pode haver água pura e saudável, nem pode uma lente manchada dar uma imagem nítida. Também, não é possível irradiarmos uma força curadora pura e forte, se não mantivermos limpos e puros os nossos Corpos e as nossas Mentes.”.

Nem o puro e forte Poder de Cura pode ser emanado daqui a não ser que mantenhamos nossas Mentes e nossos Corpos limpos e puros. Quando Cristo Jesus subiu o Monte da Transfiguração, Ele levou consigo três de Seus Discípulos: S. Pedro, S. Tiago e S. João.

Enquanto estavam com Ele, os demais Discípulos foram abordados por um homem que pedia a cura de seu filho, possuído pelos maus espíritos. Eles tentaram, mas não conseguiram a cura. Quando Cristo Jesus, acompanhado de S. Pedro, S. Tiago e S. João retomou e curou o menino imediatamente.

Os Discípulos, desanimados pela inabilidade em demonstrar o poder da cura que Cristo Jesus havia ensinado, perguntaram o porquê. Sua resposta foi: “Este tipo de cura só acontece com prece e abstinência”. Que outra manifestação mais clara precisamos ter para nos certificarmos da necessidade de purificar os nossos Corpos e as nossas Mentes?

Devemos nos alimentar com pensamentos saudáveis e puros. Não podemos deixar nossas Mentes se fortalecerem com pensamentos negativos, nem permitir que sentimentos desta natureza nos guiem.

Assim como seguimos instruções de nossos Irmãos Maiores para um regime vegetariano, a fim de conservarmos nossos Corpos puros, vamos prestar atenção no que S. Paulo nos ensinou sobre a purificação da Mente: “Quanto aos mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é santo, tudo o que é amável, tudo o que é de bom nome, qualquer virtude, qualquer coisa digna de louvor da disciplina, seja isto objeto dos vossos pensamentos” (Fp 4:8).

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.T.: 1Assim falou Cristo Jesus, e, erguendo os olhos ao céu, disse: “Pai, chegou a hora: glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique, 2e que, pelo poder que lhe deste sobre toda carne, ele dê a vida eterna a todos os que lhe deste! 3Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Cristo Jesus. 4Eu te glorifiquei na terra, concluí a obra que me encarregaste de realizar. 5E agora, glorifica-me, Pai, junto de ti, com a glória que eu tinha junto de Ti antes que o mundo existisse. 6Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e os deste a mim e eles guardaram a tua palavra. 7Agora reconheceram que tudo quanto me deste vem de ti, 8porque as palavras que me deste eu as dei a eles, e eles as acolheram e reconheceram verdadeiramente que saí de junto de ti e creram que me enviaste. 9Por eles eu rogo; não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus, 10e tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu, e neles sou glorificado. 11Já não estou no mundo; mas eles permanecem no mundo e eu volto a ti. Pai santo, guarda-os em teu nome que me deste, para que sejam um como nós. 12Quando eu estava com eles, eu os guardava em teu nome que me deste; guardei-os e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para cumprir-se a Escritura. 13Agora, porém, vou para junto de ti e digo isso no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria. 14Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os odiou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo. 15Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. 16Eles não são do mundo como eu não sou do mundo. 17Santifica-os na verdade; a tua palavra é verdade. 18Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19E, por eles, a mim mesmo me santifico, para que sejam santificados na verdade. 20Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim:21a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. 22Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um: 23Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim. 24Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estou, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo. 25Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci e estes reconheceram que tu me enviaste. 26Eu lhes dei a conhecer o teu nome e lhes darei a conhecê-lo, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles”.

[2] N.T.: Jo 17:15

[3] N.T.: 43Quando o espírito impuro sai do homem, perambula por lugares áridos, procurando repouso, mas não o encontra. 44Então diz: ‘Voltarei para a minha casa, de onde saí’. Chegando lá, encontra-a desocupada, varrida e arrumada. 45Diante disso, vai e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele, e vêm habitar aí. E, com isso, a condição final daquele homem torna-se pior do que antes. Eis o que vai acontecer a esta geração má.” (Mt 12:43-45). 24Quando o espírito impuro sai do homem, perambula em lugares áridos, procurando repouso, mas não o encontrando, diz: ‘Voltarei para minha casa, de onde saí’. 25Chegando lá, encontra-a varrida e arrumada. 26Diante disso, vai e toma outros sete espíritos piores do que ele, os quais vêm habitar aí. E com isso a condição final daquele homem torna-se pior do que antes”. (Lc 11-24-26)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Pecados de Omissão: leve-os ao tribunal do nosso Cristo Interno por meio do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção

A Epístola de São Tiago contém uma poderosa mensagem que aponta claramente a preocupação do autor para o crescimento espiritual por meio da “ação”, especialmente quando as condições da vida são difíceis. Em seu versículo 22, enfaticamente, declara que a verdadeira Religião é mais do que fé. É a lei da ação: “Sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos, porque se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante ao varão que contempla no espelho o seu rosto natural”.

S. Tiago, também, exorta que consideremos as provas e as perseguições como um privilégio, em vez de culpar a Deus, “Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos.” (Tg 1:4).

O Aspirante a vida superior procura, naturalmente, evitar os erros que impediriam o seu progresso espiritual: procura não roubar, evita as maledicências, a violência, o adultério, a fraude, não se vangloria, não julga e, em geral, se mantém longe de tudo que interfere no trilhar do seu Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.

Tratando de obter um melhor autoconhecimento, alguns Estudantes Rosacruzes passam longas horas na tarefa de obter informações suplementares; querem pesquisar as suas origens; saber do seu desenvolvimento futuro e procuram soluções para o “mistério do Mundo”. Isso demanda longas horas e, consequentemente, não sobra tempo para serem também “cumpridores da palavra” – atividade de que alguns, deliberadamente, procuram se furtar sob essa ou aquela alegação. Quanto a aquisição de conhecimentos, aprendemos na Fraternidade Rosacruz que é repreensível passar a vida egoisticamente na procura exclusiva do avanço espiritual, como seria repreensível não haver nenhum avanço espiritual. S. Tiago nos ensina claramente:  “Aquele pois que sabe fazer o bem e não faz, comete pecado.” (Tg 4:17).

A omissão pode ter consequências graves. Os pecados de omissão não são menos sérios que os pecados de comissão e determinam, também, a vida e desenvolvimento do futuro Estudante Rosacruz. Para quebrar a cristalização de nossa indiferença, no sentido de dominar e vencer nossa tendência para a omissão, devemos lançar mão de concentração e determinação, na realização efetiva de sermos “cumpridores da palavra“, não esquecendo que os atos de abnegação ao semelhante contribuem grandemente para o crescimento do nosso Corpo-Alma. O serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã próximos, focados na Divina Essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade – é o ensinamento crucial da Filosofia Rosacruz e, sem o uso prático e muito positivo desse conhecimento místico o Estudante Rosacruz contribui para a não realização de um vital progresso em sua caminhada; ao qual não poderá se chegar tão somente através de estudos vigorosos.

Há tantas maneiras de “fazer o bem” e S. Tiago antecipa os pontos principais do que deve se considerar importante: “A Religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas, nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1:27). Nem todos podem, nem todos querem visitar órfãos e viúvas, porém seria simplificar ao máximo o nosso papel se a nossa racionalização concluir com um simples não, já que “seguramente há um grande número de voluntários e eu estaria provavelmente atrapalhando o serviço”.

Nós todos gostamos de receber mensagens, cartas e correspondências, porém, quantos há que protelam a hora de responder devidamente? Não é um erro grave, por certo, mais é um pecado de omissão, apontando para o nosso prazer em receber e relutância de sermos incomodados para dar de nós mesmos.

Até os acamados podem agir: pela atividade mental de orar pelo trabalho da Fraternidade Rosacruz como centro espiritual de progresso para a Humanidade; para os dirigentes do mundo em sua luta de manter a paz; para os líderes locais tentando equilibrar os orçamentos; e para uma colaboração sempre mais esclarecida, que possa manter longe a tragédia da guerra e assim por diante. O mundo de hoje palpita em direção da mutação. Cada ato desinteressado, multiplicado por milhões de outros do mundo todo; cada oração em benefício do mundo e cada ação direta inteligentemente alinhada com a evolução trará o Estudante Rosacruz e a Humanidade um passo à frente, na senda do progresso espiritual.

Ao findar o dia podemos levar os nossos pecados de omissão ao tribunal de nosso Cristo Interno por meio do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, e receberemos o Seu perdão. Os pecados de omissão, por outro lado, costumam não ser lembrados no Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Em realidade, deveriam ser transformados em prioridades para a ação do dia seguinte, ou tão cedo quanto possível, pois isso é a “reforma íntima”, tão alardeada na Fraternidade Rosacruz. Não podemos nos dar ao luxo de carregar indefinidamente uma longa e pesada relação de nossos pecados de omissão. Finalmente e com certeza, a Lei da Consequência demandará de cada Estudante Rosacruz o crescimento para um estado espiritual adulto em que cessamos de ser “ouvintes da Palavra” e nos tornamos “praticantes da mesma”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – novembro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Libertação

A Filosofia Rosacruz é, como autêntica Escola Cristã Esotérica, uma mensagem de libertação humana. Ela parte da realidade presente, que somos nós com nossas virtudes e limitações. Mostra-nos o que foi o nosso passado evolutivo, relacionando-o com o dos demais seres e o Cosmos e fundamenta, racionalmente, porque somos essa realidade atual.

Finalmente, mostra nossa meta futura, em concordância com os mais altos postulados do Cristianismo Esotérico.

Ensina-nos sobre a nossa constituição corporal e mental: um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e a Mente. Uma Mente, essa formada por metade de nossa força criadora sexual, que partiu de suas primitivas manifestações onde criamos e praticamos a astúcia (causa de muito sofrimento e dor) e como hoje exercitamos a razão (com o objetivo de fazer o bem pelo prazer de fazer o bem), mas que ainda temos a nossa Mente escravizada ao nosso Corpo de Desejos.

Um Corpo de Desejos que nos permite criar desejos e sentir emoções e sentimentos, que sofreu uma divisão em parte inferior e superior, nos fins da longínqua Época Lemúrica, mas que hoje atende muito ainda aos nossos vícios de origem, maus hábitos, egoísmo e afins retardando a transubstanciação em desejos e emoções de puro altruísmo, como Cristo nos ensinou. Um Corpo Vital, cujos Éteres inferiores, o Químico e Vital, estão muito fortes, devido aos vícios de origem citados, pois se relacionam com o metabolismo e a procriação e se fortificam pelo hábito; os dois Éteres superiores, Luminoso e Refletor, ligados aos sentidos, ao calor e circulação do sangue e a mentalidade e memória, restringidos pela ação predominante dos Éteres inferiores.

Esse é o ser humano atual. E seu Corpo Denso, visível, tem as possibilidades que os veículos mais sutis lhe conferem. Nada mais, nada menos.

Hereditariedade, sorte, azar, para a Filosofia Rosacruz, são apenas manifestações sábias da Lei de Causa e Efeito. Colhemos o que semeamos, desta e de outras vidas passadas. Não importa que cerebralmente não nos lembremos do plantio e possamos, em nossa cegueira, nos revoltar contra a aparente injustiça de Deus. Nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), embora estejamos impossibilitados de nos manifestar como devemos claramente hoje, a nossa consciência, nós sabemos, nós recebemos sem revolta as reações da Força de Repulsão, que nos alerta todos os desvios. Mesmo em Corpos de irmãos ou irmãs insanos, com debilidade intelectual, onde o Ego está aprisionado, inteiramente impossibilitado de se expressar como se deve, embora sofrendo, sabe por que está assim e pode se lembrar de outras vidas passadas, em que talvez tenha malgastado de forma animalística sua forca sexual criadora, em prazeres e orgias sexuais. Ou pode ter sido outra a causa: o abuso de sua força mental em formas diversas de magia negra ou a tentativa de fugir ao renascimento (nessa vida atual), quando anteviu as provas que o aguardavam e tentou se desligar do Corpo Denso, provocando rupturas na conexão de seus veículos. Mas sempre, como Ego, lá dentro sabemos por que é, tanto é assim que nós mesmos escolhemos as circunstâncias de nossas vidas futuras, para corrigir nossos defeitos: lar, pais, cônjuge e todos os demais pontos principais de nossa existência. Claro que nem tudo é previsto porque nossa vida, então, seria totalmente “destino”. E na Fraternidade Rosacruz aprendemos que não é assim; há a Epigênese.

Ou seja, há margem para exercício de nosso Livre-arbítrio e essa margem é tanto maior quanto mais liberto estejamos dos erros passados. No caso do irmão ou irmã com debilidade intelectual se não chega um dia a melhorar, podemos dizer que sua atual existência é quase inteiramente “destino”. De toda forma, há Sabedoria em tudo (e com “S” em maiúsculo!).

É por isso que a eutanásia não se justifica jamais, nem a pena de morte! Há uma lição que precisamos aprender, quer a nossa percepção material o reconheça, quer não.

A verdade não depende de nossas opiniões; o Sol, desde a diferenciação dos Planetas, foi o centro do Sistema Solar, independentemente da opinião dos que julgaram Giordano Bruno e fizeram calar, a força, o sábio Galileu.

Na verdade, quando um condenado é sacrificado pela pena de morte, livramo-nos aparentemente dele, mas, em seu Corpo de Desejos ele passará, desde então, muito mais perigosamente a agir livremente, com a velocidade do pensamento, dando vazão a sua revolta contra os seres humanos e a sociedade, estimulando os caracteres iguais ao seu e levando-os ao crime. Daí vemos que a realidade mesma não é a que presenciamos e decorre de nossa vida material, mas a causa de tudo que existe aqui.

Mais real é o pensamento de um arquiteto que idealizou uma casa do que a própria casa construída segundo aquela ideia. A casa pode ser destruída, mas o pensamento, não.

Então, o que é liberdade? E o oposto do erro. O erro ou pecado, como quer que o chamemos, é a transgressão as Leis de Deus (IJo 3:4 – “Todo aquele que pratica o pecado transgride a lei; de fato, o pecado é a transgressão da lei”), ou, como aprendemos na Fraternidade Rosacruz: “o único pecado que existe é a ignorância e a única virtude e salvação é o conhecimento aplicado”.

Enquanto agimos por: pensamento, desejo, sentimento, emoção, palavra, ato, obra ou ação contrariamente às Leis de Deus, que rege toda a Criação, estamos provocando a Força de Repulsão que nos adverte desse desvio.

O Estudante Rosacruz ativo, ao assumir a responsabilidade de seu destino, deixa de culpar os demais por suas provas e começa nelas buscar a lição que encerra, a fim de se corrigir. Ele aquieta seu íntimo buscando pensar em seu Coração e sentir em sua Mente, no mais perfeito equilíbrio que puder, entre a Mente e o Coração, passa a se sentir como um Ego – que sabe que realmente é! – que olha para fora de si através seus veículos, como alguém contemplando uma paisagem através de uma vidraça. Ele sabe que as vidraças de seus veículos têm cores ilusórias e manchas de seus defeitos e terá cuidado para não julgar a paisagem que vê como inteira realidade. Sabe que seus temores podem dar um colorido plúmbeo ou a fantasia conferir tonalidades róseas. Mesmo seus defeitos podem pôr numa paisagem uma mancha que ela nada tem. E por isso que diz o ditado: “quem usa, cuida”.

Já compreendeu que o defeito que ele vê nos outros, são os seus (efeito “espelho”). Que é bom ver o bem e isso não exclui a prudência, porque esta resulta, não da desconfiança, mas do conhecimento da natureza humana e ele sempre procurará exercitá-la racionalmente, sem emoção e nem parcialidade.

Diante de todo o exposto, concluímos que todo o trabalho de regeneração está dentro de nós. Desde então já não sentimos vontade de criticar os demais, nem perder tempo com inúteis solicitações exteriores. Há muito que fazer dentro de nós. Mas temos o cuidado de, também não nos preocuparmos demasiado com nossos defeitos, a fim de não gerarmos complexos.

Qual a solução? É o Método de Conhecimento Direto oferecido pela Fraternidade Rosacruz.

Ao mostrar-nos a real natureza humana estabelece um ponto de partida, não para que nos preocupemos com os defeitos e os lamentemos, senão para adotarmos uma condição consciente de verdadeira humildade, oriunda do reconhecimento do que somos e que deveremos ser, pois o futuro depende do que fizermos agora.

Então, aprendemos na Filosofia Rosacruz “vejamos o bem em todas as coisas, mesmo onde não pareça ele existir”. Se não somos capazes de vê-lo, ainda estamos cegos. Há sempre uma razão amorosa. As maiores trevas são projetadas pelas mais fortes luzes.

Daí ela preconiza o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção, para despertar a memória, o senso de observação e de discernimento, em que o Estudante Rosacruz ativo separa, todos os dias, “o joio do trigo” e busca incorporar a sua consciência anímica o bem e queima, pelo arrependimento sincero, o erro, o joio. É um acerto cotidiano, uma atualização constante de quem, serenamente, está reparado sempre para dar o pulo ao “além”, temido dos que têm a alma intranquila.

Este Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é a base de nosso desenvolvimento interno e regeneração, pois agudiza nossa consciência, esta voz interna que nos diz quando estamos certos ou errados, apesar de todos os protestos de nosso amor-próprio e egoísmo. E mais alto e claramente ela se fará ouvir, quanto mais serenos e limpos estivermos. E esse processo depurativo irá nos tornando a consciência receptiva, como a superfície de um lago sereno que reflete o céu. E chegará o tempo em que brotará em nosso coração um conhecimento, chamado intuição. E o fluir do conhecimento do Cristo Interno, o acesso consciente ao manancial de sabedoria que acumulamos em vidas anteriores, a supraconsciência, do Mundo do Espírito de Vida, especializado em nossa Aura. É quando o infante menino Jesus maravilha no templo de nosso Corpo, os “doutores” de nosso conhecimento material, com suas respostas extraordinariamente elevadas.

O Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é amplamente ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz juntamente com o outro Exercício Esotérico básico, o Exercício Esotérico matutino Rosacruz de Concentração. Esses dois pontos constituem o método mais eficiente na iluminação interna e libertação do ser humano ocidental! Dizemos ocidental, porque, segundo seu desenvolvimento atual, o ser humano do ocidente atingiu o ponto em que os meios de elevação têm de, necessariamente, diferir dos orientais. O nosso irmão e a nossa irmã oriental ainda dependem de um mestre externo. Já o nosso irmão e a nossa irmã ocidental, ao contrário, são instruídos a não depender de ninguém e efetuar o trabalho de renovação interna, sem ajuda.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz preparam o Estudante Rosacruz a não depender nem mesmo deles. Estudando o livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, ele mesmo conta que quando defrontava com uma dúvida e os procurava, eles indicavam o caminho e mandavam-no chegar ao resultado, sozinho. Conosco, igualmente, fornecem o método, o caminho, para nos poupar perda de tempo e de esforços. É a contribuição de quem já conhece a trajetória e voltam para nos advertir contra desvios enganosos.

Portanto, não nos encantamos com aqueles que proclamam poderes, porque na verdade o que estes buscam é uma forma diferente de pagamento: o endeusamento de sua Personalidade. Quem realmente tem a competência de conhecer o caminho e o método, porque o seguiu, liberta. A modéstia e retidão desses Irmãos Maiores são incomuns. Fogem de pagas materiais ou sutis, dispensam títulos e postos, incentivam e esclarecem com um grande respeito a liberdade e Epigênese do Estudante Rosacruz ativo. Passam despercebidos até que possamos reconhecê-los.

Na Fraternidade Rosacruz não nos preocupamos com os Irmãos Maiores! O trabalho é nosso e não deles. Se é assim, dando confiantemente nossa parte é que podemos merecer a simpatia e o apoio deles, até que estejamos suficientemente fortes para caminhar sozinhos, com toda segurança.

Como aprendemos na Fraternidade Rosacruz: “o método Rosacruz difere dos outros métodos num ponto especial: procura, desde o início, emancipar o Aspirante à vida superior de toda influência externa, de modo a poder ficar só em todas as circunstâncias, pois só assim poderá se converter num verdadeiro auxiliar da Humanidade”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1976 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

As Manifestações da Luz de Cristo na Sua Vida

As manifestações da Luz de Cristo, toda vibrante, linda e cheia de mistério, são tão numerosas que seria impossível apresentar mais que um resumo deste vasto assunto em um simples artigo.

À medida que oramos cientificamente e oficiamos os Rituais do Serviço Devocional da Fraternidade Rosacruz em um único e apropriado lugar, dia após dia, a Luz de Cristo, vibrando em cada um de nós, junta em nós e irradiamos um raio luminoso que forma uma deslumbrante luz dentro e em volta de todo o lugar. É o que chamamos na Fraternidade Rosacruz de Egrégora.

Pela mesma razão, a Luz de Cristo emana de todo Centro Rosacruz que possui um Templo exclusivo para oficiar os Rituais do Serviço Devocional da Fraternidade Rosacruz. E isso também ocorre na Pro-Ecclesia e no Templo de Cura da Fraternidade Rosacruz em Mount Ecclesia, mas num grau muito maior. Se analisarmos um pouco o assunto, verificaremos que a maioria das coisas verdadeiramente belas da vida são criadas por intermédio da Luz de Cristo. Por outro lado, a Luz de Cristo é acionada pelo amor Crístico que manifestamos – amor a toda a Criação, que é uma manifestação de Deus.

A Luz de Cristo pertence a todas as pessoas no mundo. Os Raios de Cristo constituem o princípio ativo da nutrição e do crescimento em todas as obras da Natureza. O lavrador experiente leva em consideração estes Raios quando são refletidos pela Lua, na ocasião do plantio. O ser humano que tem o talento para efetuar curas verdadeiras leva em conta os Raios de Cristo que vêm diretamente do Sol. Cristo é a concretização do Princípio da Sabedoria, e à medida que Cristo se forma dentro de nós – o que chamamos de Cristo Interno –, alcançamos o estado de saúde. A Cura espiritual Rosacruz deriva do emprego das diversas categorias de vibrações dos Raios de Cristo. A força curadora empregada por Cristo sempre esteve ao alcance de quem quisesse, de acordo com o preparo do indivíduo para se tornar um canal receptor e transmissor da força curadora. Isso aprendemos na Fraternidade Rosacruz como fazer.

À medida que damos, assim também recebemos. Por isso se quisermos receber esta grande força curadora precisamos, por nossa vez, distribuí-la à Humanidade sofredora; tornando-nos assim um canal adequado para a passagem desta força.

Antigamente, antes de Cristo aparecer aqui na Sua primeira vinda, o Caminho da Iniciação não estava aberto a todos. Mas somente aos poucos escolhidos. Os Discípulos que estivessem preparados para a Iniciação se elevavam a um estado de exaltação no qual eles transcendiam as condições físicas. Para a sua visão espiritual, a Terra sólida tornava-se transparente e eles viam o Sol à meia-noite: “a Estrela”. Esta é a Estrela que brilhou para o Místico na escuridão da noite. A Estrela fulgurante está sempre presente para guiá-lo, e sua alma ouve o cântico profético: “Paz na terra, boa vontade para com os homens” (Lc 2:14). Isto se aplica a todos, sem exceção. Não há lugar para um único inimigo ou rejeitado! É de admirar que seja difícil nos educar para conceber um nível tão elevado? Existe melhor caminho para demonstrar a beleza, a necessidade da paz, da boa vontade e do amor do que se contrastando com o estado atual de guerras, egoísmo e ódio?

Diz-se que a Estrela de Belém surgiu na ocasião do nascimento de Jesus e guiou os três Reis Magos (que simbolizam o povo da Terra) até o Salvador. A natureza da Estrela tem sido motivo de muita especulação. A maioria dos cientistas materialistas consideram-na um mito, mas todo Místico conhece a Estrela, bem como a Cruz – não somente como símbolos ligados a vida de Jesus e de Cristo-Jesus, mas como nas suas próprias experiências devida.

No momento em que o Grande Espírito do Cristo Solar livrou-Se do veículo físico de Jesus na Crucificação, uma enorme onda de luz espiritual inundou a Terra. Naquele momento o Caminho da Iniciação foi aberto a todos que o buscassem. Esta onda de luz espiritual tinha um brilho tão ofuscante que as massas disseram que o Sol se tinha obscurecido. O Sol não se obscureceu. Foram as fortíssimas vibrações causadas pela luz excessiva que cegaram o povo. Este foi o espetáculo mais vibrante dos Raios de Cristo até hoje registrado.

Os raios do Sol Espiritual e invisível possibilitam o crescimento anímico sobre diferentes partes da Terra sucessivamente, assim como os raios do Sol físico possibilitam o crescimento da forma. Este impulso espiritual também se dirige na mesma direção que o Sol físico – do Leste para o Oeste. Isto explica a onda de espiritualidade que se disseminou sobre a Terra, dirigindo-se do Oriente para o Ocidente, compreendendo numerosas Religiões até que finalmente vem atingir o Mundo Ocidental, onde assume a forma elevada da Religião Cristã. E assim como o brilho do Sol ultrapassa a estrela mais brilhante dos céus, assim também num futuro muito remoto a verdadeira Religião de Cristo substituirá e obscurecerá todas as outras Religiões.

Todas as Religiões foram nos fornecidas pelos Anjos do Destino, os quais conhecem as necessidades espirituais de cada classe, nação e povo, mas agora essas Religiões já serviram o fim a que se destinava, qual seja, servir de ponto de partida para a compreensão do Cristianismo Esotérico que ainda não foi ensinado publicamente, nem o será enquanto a Humanidade não atravessar a fase materialista e estiver preparada para recebê-la. No decorrer da Sexta Época vindoura, ou Nova Galileia, a Luz de Cristo unificadora, sob a forma de Religião Cristã, abrirá os corações da Humanidade, assim como seu entendimento espiritual está aumentando agora.

O Cristianismo como conhecemos teve início há mais de 2.000 anos, mas o verdadeiro Cristianismo sempre existiu e sempre existirá, simplesmente porque há um só Filho de Deus, o Cristo Cósmico. Todas as outras Religiões, encerrando somente uma parte daquilo que o Cristianismo possui em proporções maiores, têm apenas conduzido a Humanidade para a Religião Cristã. Quando Cristo apareceu aqui entre nós e uniu-Se a esta Terra, a verdadeira Religião em existência recebeu o nome de Cristã. Somente por intermédio da percepção consciente do Cristo Interno pode a verdadeira compreensão espiritual do Cristianismo raiar sobre o mundo.

Saibamos ou não, estamos nos tornando sensível a mais uma oitava de visão, porque o Éter que circunda a Terra está ficando mais denso e o ar mais rarefeito. Isto é verdade especialmente em certas partes do mundo, por exemplo no Sul da Califórnia, com em outras partes, e o local onde está a Fraternidade Rosacruz em Mount Ecclesia é particularmente favorecido neste ponto. A este respeito, é digno de nota o fato de que a magnificência da Aurora Boreal do Norte congelado está se tornando mais frequente e mais potente nos seus efeitos sobre a Terra. Nos dias primordiais da Era Cristã este fenômeno era desconhecido, mas com o correr do tempo, à medida que a onda de Luz de Cristo, que penetra na Terra durante parte do ano, transmite uma quantidade cada vez maior de sua própria vida, a massa terrestre inerte, os Raios Etéricos Vitais, tornam-se visíveis de intervalos a intervalos. Depois se tornam cada vez mais numerosos, e agora estão começando a perturbar as nossas atividades elétricas, cujas funções são, às vezes, completamente alteradas pela irradiação destes raios.

As correntes relativamente fracas e invisíveis produzidas pelos Espíritos-Grupo das plantas e os fortíssimos raios de força produzidos pelo Espírito de Cristo, ora visíveis sob a forma da Aurora Boreal, tiveram até agora mais ou menos a mesma natureza que a eletricidade estática, ao passo que as correntes produzidas pelos Espíritos-Grupo dos animais e que circundam a Terra podem ser comparadas a eletricidade dinâmica, a qual deu a Terra a sua força de movimento em eras passadas. Agora, porém, as correntes de Cristo estão se tornando cada vez mais poderosas e sua eletricidade estática vai sendo libertada, transformando-se, assim, em dinâmica. O impulso etérico que elas produzem iniciará uma nova Era e os órgãos sensoriais que a Humanidade possui atualmente, precisam se acomodar a esta transformação.

Com o correr do tempo, e à medida que Cristo, através de Sua intervenção benéfica, atrai uma quantidade cada vez maior do Éter interplanetário para a Terra, tornará o globo mais luminoso e estaremos caminhando num mar de luz, devido ao constante contato com estas vibrações benéficas de Cristo. E também nos tornaremos luminosos. Então o sentido da visão humana, tal como ela se constitui, não terá utilidade para nós; por isso ela está começando a se modificar e nós estamos passando pelo incômodo que acompanha qualquer reconstrução.

A Aurora Boreal (os poderosos raios de força produzidos pelo Espírito de Cristo), e seus efeitos sobre nós, irradia através de todas as partes da Terra, que é o Corpo de Cristo, partindo do centro para a periferia, mas não são visíveis nas regiões habitadas do mundo, porque estes raios são absorvidos pela Humanidade, assim como os raios do Espírito-Grupo das plantas são absorvidos pela flor. Estes raios constituem o “impulso interior” que lenta, mas seguramente, vai nos impelindo a adotar uma atitude de altruísmo (que foi trazido por Cristo, que nos ensinou a usar).

Quando olhamos para os dias anteriores ao nascimento do Salvador verificamos que o altruísmo, em qualquer sentido da palavra, era desconhecido. Cada criatura humana pensava em si mesma, gananciosa, indiferente e licenciosa. Mas com a presença do Salvador na Terra, os raios benéficos foram atraídos e lentamente, muito lentamente, mas com segurança, todas as vibrações começaram a se manifestar, e no decorrer dos milênios que se passaram o amor e a generosidade para com nossos semelhantes se positivaram.

À medida que progredimos espiritualmente, absorvemos uma quantidade cada vez maior da Luz de Cristo e, consequentemente, aumentamos cada vez mais a presença dessa Luz na Terra. Isto explica todas as nossas grandes instituições de ensino e de caridade, bem como a enorme generosidade que existe em toda parte.

Certamente é grande o mérito da Humanidade pela prática de tanto altruísmo e de sua constante intensificação. Tudo isto é a manifestação da inesgotável Luz de Cristo; a Luz que impregna e que torna a alma produtiva, eventualmente, realizará a Imaculada Concepção e o Cristo nascerá dentro de cada um de nós. Então, caminharemos na luz, porque Ele está sempre na luz, e nos amaremos uns aos outros.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Valor de Dar e Receber

Para começarmos a compreender o real valor de dar e receber, é necessário nos esforçarmos para não cair na tentação de produzirmos “pensamentos negativos” que nada mais é do que nossos pensamentos contaminados por desejos e/ou emoções inferiores (esses formados de material das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo).

Afinal, nem sempre é fácil nos livrarmos desses “pensamentos negativos”. Sabemos que não devemos combatê-los diretamente, pois tanto a antipatia quanto a simpatia tendem a atrair um pensamento ou ideia para nós; a força mental adicional que projetamos para combater “pensamentos negativos” acaba por mantê-los vivos e trazê-los à nossa Mente com mais frequência — da mesma forma que uma discussão pode levar alguém de quem não gostamos a nos abordar por puro despeito. Em vez de lutar, portanto, adotemos a tática da Indiferença (um dos dois sentimentos que usamos quando trabalhamos com a quarta Região do Mundo do Desejo), retirando o nosso Interesse (o outro sentimento que usamos quando trabalhamos com a quarta Região do Mundo do Desejo). Se deixarmos de reforçar uma reação negativa a uma pessoa ou situação, ela acabará por se dissipar. Da mesma forma se, ao surgirem “pensamentos negativos” em nossa Mente, invocarmos a indiferença e voltarmos nossa atenção para algo bom e ideal, perceberemos em pouco tempo que nos livramos desses “pensamentos negativos”, restando apenas os bons pensamentos que desejamos cultivar.

Para evitar “pensamentos negativos” e mantê-los fora de nossa Mente, praticamos a substituição de pensamentos. É uma lei da física que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. De modo semelhante, dois pensamentos não podem ocupar a Mente simultaneamente. Quando somos perturbados por “pensamentos negativos” de qualquer espécie, é aconselhável substituí-los por outro pensamento e concentrar-nos nele de forma tão positiva que o “pensamento negativo” não encontre espaço mental. Essa é uma estratégia simples e eficaz; basta praticá-la para obter os resultados desejados. Ou seja: “pensamentos negativos” são eliminados da Mente pelo mesmo processo; pois ao substituir o “pensamento negativo” por um pensamento construtivo o respectivo desejo e/ou emoção inferior é eficazmente excluído.

A substituição de pensamentos deve estar em sintonia com o que realmente somos: um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui por meio de Corpos e Veículos, que são somente nossas ferramentas), que envia constantemente mensagens à nossa Mente consciente. Florescemos quando cultivamos a crença e a confiança na nossa capacidade interna de transformar a nossa vida. E podemos ampliar essa influência benéfica se ouvirmos e obedecermos às sugestões e orientações nascidas dentro de nós. Isso chamamos de Cristo Interno, que nos ajuda, de “dentro para fora” a reger os nossos Corpos e Veículos! Podemos conversar com o nosso Cristo Interno e manter diálogos íntimos e sinceros com Ele. Ao orar, criamos um destino novo e positivo, ajudando a neutralizar e compensar algumas das dívidas de anos e vidas anteriores. À medida que criamos pensamentos-formas construtivos, eles serão materializados por nós, da maneira e na medida que nós julgarmos sábios. Podemos expressar interiormente nossos ideais e ambições e, então, deixar sua materialização a cargo do nosso Cristo Interno. No entanto, não devemos cometer o erro de exigir isto ou aquilo, nem nutrir desejos que interfiram na vontade alheia. Sempre que tentamos mudar o outro por razões puramente pessoais e buscamos impor nossa vontade à dele, estamos agindo de forma egoísta — o que constitui uma forma incipiente de magia negra.

A vontade própria é amor-próprio, e o amor-próprio é uma forma de ódio ao próximo. Isso não significa que devamos atender à vontade de outra pessoa se isso implicar injustiça para conosco ou para com outrem; contudo, devemos procurar sacrificar inclinações e vantagens pessoais para acolher as ideias dos outros, satisfazendo assim o senso de equidade deles, estabelecendo uma cooperação amistosa e cumprindo nossos ideais Cristãos.

À medida que centramos nossa vida no desenvolvimento do nosso Cristo Interno — afirmando a crença e a fé de que o Cristo produzirá um resultado perfeito em nossa existência —, todo medo e ansiedade em relação ao futuro desaparecerão gradualmente, e nos tornaremos confiantes, serenos e tranquilos. Prosperaremos ao agir com base no conhecimento da Lei Cósmica do Dar e Receber. E, quando quisermos transformar ações equivocadas, praticamos a confissão ao Eu Superior que chamamos de Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção.

Essas práticas dos Ensinamentos Rosacruzes detalhadas acima, nos leva a conclusão sábia de que é um engano muito difundido que diz que dar é “desistir” de alguma coisa, é ficar despojado de algo, é sacrificar-se. Aqueles que não têm uma orientação neste sentido, os que não produzem para os outros, sentem o dar como um empobrecimento – porque é doloroso dar, precisa-se dar, a virtude de “dar”, para eles, é um ato de sacrifício, são os “não produtivos”.

Para uma pessoa de caráter “produtivo”, o “dar” tem um significado totalmente diferente; “dar” é uma expressão de força maior. No ato de dar experimentamos a nossa verdadeira força, a nossa verdadeira riqueza, o nosso verdadeiro poder. Esta experiência de elevada espiritualidade e vitalidade nos enche de alegria, regozijo e estímulo.

Dar é mais agradável do que receber, não por orgulho, mas porque no ato de dar está a expressão da nossa vida.

(Traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross” novembro-dezembro/2001 pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

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