Na Fraternidade Rosacruz é oferecida a Cura Rosacruz guiada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, utilizando os Auxiliares Invisíveis como instrumentos para restaurar e curar doenças e enfermidades físicas, emocionais e mentais. O trabalho é realizado de acordo com os mandamentos de Cristo Jesus: “Preguem o Evangelho e curem os enfermos”.
Este trabalho sagrado é realizado em estrita conformidade com os Ensinamentos de Cristo, enfatizando tanto a iluminação espiritual quanto a cura física.
Quer saber mais sobre o assunto? Leia aqui: Princípios Ocultos de Saúde e Cura: Causas das Deficiências Físicas
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Com a ajuda de nossa mãe, do nosso pai e dos Anjos do Destino nos preparamos para um novo nascimento no Mundo Físico.
E toda nossa estada aqui na Terra é para colher os frutos que semeamos em vidas passadas e, consequentemente, para semear outras que nos irão proporcionar experiências futuras para os próximos renascimentos.
Nós, Egos, chegamos aqui nessa mais uma vida na Terra construindo as seguintes ferramentas como veículos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.
Contudo, podemos dizer que a consciência da utilização desses veículos por nós, o Ego, aqui se dá por etapas: isto é, os veículos vão nascendo aos poucos aqui.
E a finalidade desse processo gradual é para que possamos assimilar o máximo em cada etapa e se preparar para a colheita na vida futura.
De posse desses maravilhosos instrumentos nós podemos utilizá-los para evoluir e aperfeiçoá-los, mas a qualidade desse desenvolvimento dependerá da qualidade do trabalho em que esses veículos serão empregados por nós para ganhar experiências em cada vida. Afinal, já sabemos que a verdadeira finalidade da vida não é a obtenção da felicidade, mas a conquista de experiências que desenvolverão os poderes espirituais latentes em cada um de nós.
Nascemos completamente dependentes dos nossos pais e responsáveis e somos guiados por eles durante muitos anos.
Por isso lemos no Livro do Eclesiástico capítulo 7 versículos 27-28: “Honra teu Pai de todo o coração e não esqueça as dores do parto de tua mãe. Lembra-te de que por eles foste gerado: como lhes retribuirás o quanto te deram?”.
Depois do nosso nascimento aqui, nossos veículos estão interpenetrados, mas nenhuma de suas forças positivas é ativa, mas elas continuam a se desenvolver.
É sabido que a vida progride em ciclos de sete em sete anos, desde o nascimento até a morte.
Do zero aos sete anos se dá a preparação para o nascimento do Corpo Vital e, portanto, nós, o Ego, não temos total domínio dele. O sangue utilizado no nosso Corpo Denso é o que foi armazenado na Glândula Timo, quando ainda estávamos no útero da mãe; ou seja, esse sangue é o da mãe. O domínio sobre ele só será possível com a fabricação dos corpúsculos vermelhos do sangue por nós, o Ego.
O Corpo Vital vai crescendo e dando a vitalidade que nós necessitamos no interior de nossa proteção cósmica (também chamado de Corpo Vital macrocósmico).
Nesse período estamos abertos para sermos ensinados e instruídos e não temos a iniciativa para julgar antecipadamente e muito menos para emitir opiniões. Porque durante esses primeiros sete anos nós somos “todos olhos e ouvidos”, absorvendo, sem críticas, tudo o que é nos ensinado e mostrado, constituindo-se esse setenário o mais importante na formação do nosso caráter. Pois a nossa natureza interna é sensível e inocente. Assim, a imitação e o exemplo são as palavras-chaves para a nossa educação nesse período. Imitação por nossa parte e exemplo por parte dos nossos pais, para que imitemos o que é bom.
Nesse período, quando nos deparamos com algo desconhecido somos bastante humildes para perguntar e admitir a nossa ignorância no assunto. Estamos sempre prontos a aprender!
Existe uma passagem na Bíblia que ilustra bem esse ponto. No Evangelho Segundo São Marcos capítulo 10, versículos 14-15 lemos: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais; porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo, todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará”. Isso mostra também que nesse período somos dotados de uma fé infantil, pois acreditamos e vivenciamos tudo o que nos é ensinado.
Em torno do sétimo ano de vida, o Corpo Vital, atingindo seu nível de perfeição suficiente, nasce. Esse é o período em que os pais e educadores poderão ajudar os filhos na formação e desenvolvimento das afeições, dos hábitos, da consciência, do caráter, da memória e do temperamento. É nesse período que passamos a observar mais, e com isso acabamos por aprender a discernir o certo do errado e a cultivar ideais elevados.
As palavras-chaves para esse período na nossa educação são discipulado e autoridade. Contudo, essa autoridade deve ser passada pelos pais com confiança, sinceridade e amor; dessa maneira, podemos considerar nossos pais como sendo os mais corretos e estamos aptos ao aprendizado do discipulado. E nesse momento os pais devem estar prontos a dar uma vida de bons exemplos a seus filhos, já que é mediante a observação e veneração a eles que mais aprendemos. Retornemos à Bíblia no Eclesiástico capítulo 14, versículo 22: “Feliz o ser humano que persevera na sabedoria, que se exercita na prática da justiça, e que, em seu coração pensa no olhar de Deus que tudo vê”.
Por volta dos 14 anos nasce o Corpo de Desejos. A palavra-chave para a educação nesse período é a compreensão e o amor. É o período da puberdade, em que se inicia a nossa fase de autoafirmação e passamos, então, a ter identidade própria. Com isso o sentimento do “eu” começa a se expressar completamente, por ser o sangue inteiramente produzido e dominado por nós, o Ego.
Nesse período, devido à produção de sangue quente pelo Éter de Luz, nós, o Ego, acumulamos muita força sexual no sangue que se desenvolve e governa o coração. É por isso que, muitas vezes, encontramos alguém dizer que alguns jovens “perderam a cabeça” ou que alguns são de temperamento “fervente”. É visto, nesse período, que a ira, a paixão e, muitas vezes, a ansiedade do jovem acabam por elevar a temperatura do sangue e se não houver um controle, poderão prejudicar a atuação do Ego sobre seus veículos. Necessário faz-se que os pais tenham muita paciência com seus filhos para que eles possam transpor esse período até, por volta dos 21 anos, quando nasce a Mente, idade que chamamos de maioridade.
Com o controle da Mente, o Corpo Denso não fica com o sangue nem muito quente nem frio. Com a Mente completa-se a ligação de todos os nossos veículos, incluindo os Éteres superiores, que são o Luminoso e o Refletor e, assim, estamos capacitados para ter controle sobre nossas aspirações e desejos, freando a natureza dos desejos.
Daqui para frente cabe a nós, o Ego, trilharmos o nosso caminho, uma vez que o caráter já está formado. Precisando apenas exercer nossa vontade. É muito importante a educação que os pais dão a seus filhos nesse tempo, sem cobrança ou sem esperar nada em troca e não julgando ser sua propriedade para retribuir os favores dados a eles anteriormente. Pois os filhos que são educados com amor, assistência, atenção, confiança e afeto, certamente, retornarão reconhecendo o valor dos pais ou responsáveis.
Agora estamos prontos para aspirar e desenvolver o que resume o lema da Fraternidade Rosacruz: “uma Mente pura, um Coração nobre e um Corpo são”.
Comecemos lembrando o que a Escola Rosacruz ensina, como máxima fundamental, que “todo desenvolvimento oculto começa no Corpo Vital”.
Há de ter uma particular atenção à parte do Corpo Vital formado pelos dois Éteres superiores que, desenvolvidos e trabalhados, formarão o Corpo-Alma. Trabalho esse que tem início com a prática dos bons hábitos e para isso é essencial utilizar-se da palavra-chave desse veículo que é “repetição”.
No Evangelho Segundo São Mateus, capítulo 7, versículo 24 lemos: “Aquele que ouve minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um ser humano prudente, que edificou sua casa sobre a rocha”. O fator essencial na realização desses ideais é a prática da persistência na meta escolhida. E jamais devemos trabalhar com nossos esforços ocasionalmente, pois isto não leva a nenhum propósito definido e a desistência fica sempre mais próxima!
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o maior perigo que ameaça o Aspirante nesse Caminho de Espiritualidade é que fique preso na rede do egoísmo, e sua única salvaguarda é o cultivo da fé, devoção e a irradiação de amor sem restrições.
Precisamos estar então alertas em relação a nossas atitudes mentais ou novas ideias para que não julguemos somente com o intelecto, mas deixemos, também, o nosso coração tomar parte nessa decisão.
Se tem algo que pode ser destacado como de utilização sempre presente é a adaptabilidade, que é um fator expressivo no Caminho de Evolução.
Existem certos hábitos antigos que deveremos analisar sob diversos ângulos e admitir as mudanças necessárias para vencermos o convencionalismo.
Se estamos neste Caminho de Evolução para a frente e para cima é necessário que façamos inovações: que edifiquemos melhor nosso Templo do Espírito, pois Deus opera continuamente para nosso bem.
Muitas de nossas fraquezas são forças mal dirigidas e devemos, então, mudar o eixo dessas forças recusando pensamentos maus, como medo, temor, ansiedade e outros similares e nos orientar para a verdade que nos é mostrada dentro de nós.
Todavia, se acaso cairmos em tentação, devemos compreender e aceitar esses desafios ou provações de nosso eu inferior e vendo nessas oportunidades uma maneira de nos livrarmos desses maus hábitos para sempre. Aprendamos pela dor e sofrimento, mas, de fato, aprendamos!
As provações são sinais de progresso, pois durante nossas vidas anteriores contraímos dívidas sob a Lei de Causa e Efeito (ou a Lei de Consequência) e hoje estamos ajustando as dívidas antigas, pagando-as uma a uma. Contudo, uma coisa é certa: o futuro deve ser decidido agora para que deixemos de gerar dívidas, o que trará, como consequência lógica, menos sofrimento e dores possíveis e evoluiremos cada vez mais rápido, com segurança, indo ao encontro de Cristo.
Lembremos: “O único fracasso é deixar de lutar”.
Uma indicação importantíssima para a formação dos ideais superiores no Corpo Vital são os Exercícios Esotéricos Rosacruzes: noturno de Retrospecção e matutino Concentração. Outra indicação e o orar utilizando as orações científicas, dentre elas: a Oração do Senhor, o Pai-Nosso. Devemos orar, mas não para obter auxílio material ou passar em exame na escola ou faculdade. Isto é barganha, e barganha espiritual não existe; é ilusão, é a nossa astúcia, reminiscente da Época Atlante.
A oração ajuda nossos veículos a evoluírem com segurança. Portanto, por meio da oração temos um método de produzir pensamentos puros e, assim, agir principalmente sobre o Corpo Vital. Por isso que o Apóstolo S. Paulo nos ensinou que devemos “orar sem cessar”.
O Caminho de Espiritualidade – também chamado de Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz – é aberto a todos, mas para trilhá-lo é preciso eliminar os maus hábitos, o comodismo, a inércia, enfim tudo que é prejudicial no progresso em favor do nosso Cristo Interno.
Contudo, somente o sacrifício de nós mesmos não é suficiente; é preciso fazê-lo em prol da Humanidade, por meio do serviço amoroso e desinteressado aos demais, focando sempre na divina essência que há em cada irmão, em cada irmã, que é a base da Fraternidade, tão preconizada por Cristo!
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Quando nós, o Ego, entramos pela primeira vez na posse de nossos veículos, na Época Lemúrica, não possuíamos cérebro, nem laringe. Para suprir essa deficiência, metade da força sexual criadora, anteriormente empregada na propagação, foi dirigida para cima, a fim de construirmos aqueles órgãos. Pelo primeiro, se poderiam produzir a manifestação do pensamento e da razão aqui e, pelo segundo, comunicar aos outros tal pensamento. Desse modo, vemos que o pensamento é criador, por derivar da força sexual criadora.
Igualmente, é criadora a voz, isto é, a palavra falada, pela mesma razão, tem o poder de criar, porque tem sua origem na força sexual criadora. Daí deduzimos que, ao conservarmos a força sexual criadora teremos maior quantidade de poder aproveitável no processo de raciocínio e, do mesmo modo, nossas Mentes serão muito mais poderosas do que as das pessoas que malbaratam a força sexual criadora. Essa força, não obstante, deve ser empregada em trabalho construtivo, mental ou físico, ou transmutada ao serviço amoroso e desinteressado aos outros. De outro modo causaria perturbação. Se permanecer meramente recalcada, produzirá, com o tempo, desordens e padecimentos mentais, emocionais e nervosos.
O ato de pensar é um processo muito complicado. Envolve, não somente o emprego do cérebro físico, mas, também, o do cérebro etérico, o Corpo de Desejos e a Mente. O processo é o seguinte: como Egos, funcionamos diretamente na Região do Pensamento Abstrato, dentro das nossas auras. Daqui, observamos as impressões lançadas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital, por meio da cadeia de veículos e suas faculdades, chamados os cinco sentidos físicos.
Essas impressões, junto com os sentimentos, desejos e emoções por elas gerados no Corpo de Desejos, são imaginadas na Mente. Dessas imagens mentais, formamos nossas conclusões acerca das coisas observadas. Tais conclusões são as Ideias.
Pelo poder da vontade, nós, como Egos, projetamos uma ideia através da Mente. Aí, toma forma concreta, como pensamento-forma, ao atrair ao seu redor matéria mental da Região do Pensamento Concreto. O pensamento é o poder que usamos para fazer imagens e pensamentos-formas, de acordo com as ideias interiores. O pensamento-forma, em geral, envolve-se em matéria de desejo, obtida do Corpo de Desejos, recebendo um influxo de vida. Este pensamento-forma composto fica, então, capaz de agir sobre o cérebro etérico, impulsionando a força vital através dos centros cerebrais e dos nervos, levando-a até aos músculos voluntários, para gerar a ação. Por conseguinte, o pensamento é a mola real de toda a atividade humana.
Os efeitos do temor e de inquietação sobre o Corpo de Desejos são muito prejudiciais para nosso desenvolvimento anímico. Na inquietação, as correntes de desejo não se desenvolvem em grandes linhas curvas, tal como se realiza em condições normais, mas enchem o Corpo de Desejos de redemoinhos, e só redemoinhos, em casos extremos. Esta última condição impede a pessoa de tomar uma resolução que poderia corrigir a causa de seu temor e de sua inquietude. Tal estado pode se comparar ao da água a ponto de congelar-se, sob a ação de uma temperatura muito baixa. O temor, que se expressa em ceticismo, cinismo e pessimismo, pode comparar-se à água, quando congelada, porque os Corpo de Desejos das pessoas, que habitualmente abrigam esses pensamentos, estão imóveis e nada pode alguém fazer, ou dizer, que possa alterar essa condição.
Cada vez que alguém abriga um desses pensamentos, ajuda a congelar as correntes do Corpo de Desejos e a formar uma armadura azul-acinzentada, em que se encerra, privando-se, muitas vezes, do amor e da simpatia de todo mundo.
Daí, vem a necessidade de nos esforçarmos para sermos alegres e otimistas, mesmo em circunstâncias adversas, sob pena de criarmos severas condições no futuro.
A Mente Subconsciente é fator muito importante no nosso desenvolvimento. Em cada respiração, o ar que inspiramos leva consigo um exato e detalhado quadro do que nos rodeia. O mais ligeiro sentimento, ou emoção, é transmitido aos pulmões, donde passa ao sangue. O sangue é o mais elevado produto do Corpo Vital. Os quadros nele contidos imprimem-se nos átomos negativos do Corpo Vital, para servirem como árbitros do nosso destino, no estado post-mortem. Quando uma pessoa cria um pensamento-forma, de natureza construtiva ou destrutiva, e projeta-o no mundo, efetua o seu trabalho, de acordo com a sua natureza, ou, então, gasta inutilmente sua energia em vã tentativa. Em qualquer dos casos, retorna ao seu criador, trazendo consigo a indelével recordação da viagem. Seu êxito, ou fracasso, imprime-se nos átomos do Éter Refletor e forma parte do arquivo da vida e ação do pensador, arquivo que, por vezes, chamamos Mente Subconsciente.
O pensamento destrói tecidos no Corpo Denso. É bem sabido, pela Ciência, que os pensamentos negativos, destrutivos, tais como medo, angústia, sexualidade e sensualidade, destroem o poder de resistência do Corpo Denso, expondo-o a doenças e enfermidades. Uma pessoa de natureza boa e jovial, ou devotadamente religiosa, que tem fé e confia na providência divina, não cria, com frequência, pensamentos negativos. Como resultado, possui uma vitalidade maior e melhor saúde do que as sujeitas à inquietude. Por meio de pensamentos de amor, benevolência e bondade, despertando qualidades semelhantes nos outros, atraímos pessoas que possuem as ditas qualidades.
Esse sutil e potente poder do pensamento pode ser empregado, também, para curar as doenças e enfermidades. Por outra parte, por meio do pensamento abstrato, estamos capacitados a nos elevar do Mundo material e a entrar em contato com Deus.
Se emitimos pensamentos de otimismo, de bondade, de benevolência, de utilidade e de serviço, esses pensamentos, gradualmente, colorirão a nossa atmosfera, de tal modo que chegará a expressar fielmente essas qualidades e virtudes. E, como nossos Corpos são constituídos por nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), eles se tornam a expressão da nossa atitude mental.
Nossos pensamentos reagem sobre o nosso Corpo Denso e sobre o nosso meio ambiente, trazendo-nos saúde e bem-estar material.
Isso ilustra o poder criador do pensamento. É um meio de provar a verdade proferida por Cristo: “Se procuramos o Reino de Deus e sua justiça, todas as demais coisas serão acrescentadas” (Mt 6:33).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)
A autoridade, a firmeza suave, é indispensável na condução dos veículos humanos por nós, o Ego. Afinal aprendemos que o nosso Tríplice Espírito (nossos veículos espirituais) são contrapartes do nosso Tríplice Corpo.
As antigas tendências muitas vezes buscam levar a falsos caminhos, à fraude; procuram habilmente justificar certos atos errôneos. Mas o “Eu superior” – o que somos: Individualidade – atento, vigilante, cheio de discernimento, imparcial, não pode consentir que a Personalidade transforme o Templo do Corpo num “covil de salteadores” (“Não sabeis que sois templos do Altíssimo que habita em vós? O Reino de Deus está dentro de vós” (ICor 3:16)).
Não devemos permitir que em nosso íntimo se aceitem vícios e enganos, hipocrisia e “venda” de coisas que devem servir para o sacrifício ao Cristo interno; não podemos vender nosso Cristo por favores, prestígios e confortos.
Há muitas formas de cobrar. . . E quantas vezes permitimos que nossos veículos se tornem vendilhões e exploradores de coisas sagradas, comprando prazeres, vendendo emoções animalescas, em detrimento de nossas potencialidades sacrossantas? Por isso não devemos permitir que a Personalidade nos atravesse o Templo de leste a oeste (percorra a coluna de baixo para a cabeça) conduzindo os “animais dos instintos” à cabeça, como imaginações eróticas, sensuais ou egoístas. Só os Sacerdotes devem entrar (que nada mais são do que a sublimação de forças que se elevam para servir a Deus).
Em certas ordens religiosas usavam chicotes de cordéis para martirizar o Corpo Denso quando apareciam os impulsos instintivos. Mas o Corpo Denso não tem culpa!
Ao contrário, ele deve ser preservado como instrumento útil, sadio, saudável a serviço de nós, o Ego, que foi quem o construiu. O azorrague deve descer sobre os instintos do Corpo de Desejos. Não sugerimos violência geradora de recalques, ainda mais prejudiciais que os atos cometidos. Repetimos: firmeza suave, autoridade, disciplinando a pouco e pouco os maus hábitos passados e construindo, paciente e firmemente, novos e melhores hábitos. Daí a importância que o Cristo nos ensinou sobre a intenção, a ideia inicial. Nessa causa primeira é que deve estar nossa vigilância, nosso azorrague.
Reconhecer o que é errado é o primeiro passo. Desejar corrigir é o segundo; decidir expulsar os “vendilhões” é o terceiro e grande passo para a realização interna.
Condescendência própria é ignorância, quando não sabemos discernir; é fraqueza, quando desejamos permanecer no vício. Mas para assumirmos a direção de nossa vida, como Melquisedeque (Rei e Sacerdote de nosso Templo corporal) em Jerusalém (Paz Interna), é indispensável o discernimento, a decisão e a firmeza.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)
Aquele que deseja servir como Auxiliar Invisível deve, durante o dia, cultivar uma atitude benevolente e, à noite, ao se deitar, depois de feito o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, rogar ao Adorável Espírito de Cristo, que enquanto o seu Corpo Denso repousar dormindo, lhe seja concedida a graça de cooperar na seara espiritual em benefício dos seus semelhantes.
Agora, para isso, é importantíssimo compreender os termos Rosacruzes: Alma e Corpo-Alma e como desenvolvê-los. Assim:
Vemos, pois, que a Alma se atrofia quando deixamos de alimentá-la, e que as ações bondosas, pensamentos de amor Crístico e serviço aos irmãos e às irmãs são o alimento para o crescimento dela. A ação tem três principais campos de operação, ainda que ela derivasse seu poder do que realmente somos, o Ego, por raios de energia. A ação no plano mental é o pensamento abstrato, a ação na natureza emocional é o sentimento, a emoção e o desejo, a ação na natureza física é movimento e a ação com o propósito de alcançar todas as relações da vida. O propósito de cada ato, seja mental, emocional ou físico, é induzido pelos pares de opostos como o amor e o ódio, altruísmo e egoísmo, generosidade e avareza, atividade e indolência etc., e seu fruto é incorporado na Alma, como consciência, que nos avisa em tempo de tentação ou nos provê do dinamismo para tudo quanta é Bom, Reto e Altruísta.
Há em todos nós duas naturezas inteligentes e distintas, chamadas o “Eu Superior” e o “eu inferior”, ou Individualidade e Personalidade, respectivamente. O “Eu Superior” ou Individualidade é o que realmente somos, um Ego que nos manifestamos de forma tríplice: um Tríplice Espírito – Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, alimentado pela Tríplice Alma – Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional, respectivamente. Enquanto a Personalidade, ou “eu inferior” é o que achamos que somos realmente – mas não somos –, é composta dos três Corpos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos. O Elo entre a Individualidade e a Personalidade é o veículo Mente. Quando respondemos ao impulso do “Eu Superior”, renunciamos ao que nos é cômodo e útil a favor do que é proveitoso a muitos. Antepomos o Serviço de Deus a todos os valores materiais. Buscamos em todas as coisas e em tudo os valores eternos. Porém, respondemos ao impulso do “eu inferior”, a renúncia nos é desagradável, preferimos mais receber ao que dar, cuidar mais dos bens materiais e transitórios do que dos espirituais, e o resultado é um grande obstáculo ao nosso desenvolvimento espiritual.
Sim, é algo bastante deplorável se encontrar com algum irmão ou alguma irmã, fracassado ou fracassada – que perdeu todos os seus Átomos-sementes – em um estado de inércia durante inconcebíveis milhões de anos, até que, em um novo Esquema, Obra e Caminho de Evolução chegue ao estado de se unir ao ciclo evolutivo e prosseguir em sua tarefa.
Conforme aprendemos na Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, unicamente três quintas partes do número total de Espíritos Virginais que começaram a evolução no Período de Saturno passarão o ponto crítico da próxima Revolução e continuarão até ao fim. Por fim, sempre nos lembremos: a finalidade da Fraternidade Rosacruz é nos mostrar o caminho da iluminação para nos ajudar a construirmos nosso Corpo-Alma e desenvolvermos as potências de nossa Alma que nos permitirão entrar conscientemente no Reino de Deus por meio do Conhecimento Direto. É uma longa tarefa, porém se continuarmos com fé e persistente perseverança alcançaremos o nosso Divino Objetivo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1983 – Fraternidade Rosacruz– SP)
O supremo mistério da vida está oculto e revelado na crucificação e ressurreição dos princípios masculino e feminino na Natureza. Esse processo é alquimicamente chamado de fusão do fogo e da água. O Cristão Místico vê sua manifestação perfeita na passagem do Sol por Peixes e Áries durante os meses de março e abril.
Enquanto o Sol está no Signo psíquico de Peixes, toda a natureza está trabalhando através e com o grande princípio da água ou feminino da Divindade. Este é o tempo do desabrochar dos botões e da seiva fluindo nas árvores. Bem-aventurados os olhos que aprenderam a levantar o véu e podem perceber as obras dos vários ministros do Reino de Deus nesta estação sagrada; pois este é um período de intensa atividade nos planos internos, atividade que se estende das Hierarquias Criadoras celestiais ao reino dos Espíritos da Natureza que o ser humano chama de “Terra das Fadas”.
À medida que o Sol passa para o Signo de Áries, a fusão mágica se completa; As “Águas Vivas” de Peixes são inundadas por uma nova luz, o novo fogo de Áries se inflama. Essa vida ressuscitada que inunda toda a Natureza é o “fogo verde mágico” das antigas lendas gaélicas. Bem-aventurados os olhos que podem ver essas maravilhas que Deus preparou para aqueles que O amam.
Na lenda maçônica de Salomão e Hiram Abiff, Salomão personifica o feminino, aquoso e formador Peixes; Hiram, o marcial e energizante Áries. Quando a forma do Templo estiver completa, ela deve ser infundida com a nova vida radiante do mestre construtor — Hiram (Áries).
Essa mistura de água com fogo se torna a palavra do Mestre, à qual toda a Natureza responde com a ressurreição de uma nova vida. Essa mesma mistura mística é a “Palavra Perdida” que deve ser recuperada pelo ser humana antes que ele possa conhecer a Ressurreição para a vida eterna através da Iniciação, que Cristo descreveu aos Seus Discípulos.
Na vida de Cristo Jesus, que veio como o grande Líder ou Iniciador para toda a Humanidade, esse grande drama cósmico é delineado na “Festa da Páscoa”. A data da Páscoa é fixada de acordo com a tradição oculta. O Sol não só deve cruzar a Linha do Equador, como acontece em 20 ou 21 de março, mas também deve haver Lua Cheia após o Equinócio de Março. O domingo seguinte é a Páscoa, o dia da Ressurreição.
A luz do Sol deve ser refletida pela Lua Cheia antes que esse dia possa amanhecer na Terra. Há um profundo significado esotérico oculto por trás desse método de determinar a Páscoa.
O nível espiritual das massas da Humanidade ainda não é suficientemente elevado para receber e assimilar toda a força e o poder que inundam e permeiam a Terra no momento dessa “Ressurreição Cósmica”, o Equinócio de Março. Somente os Iniciados, aqueles que encontraram e aprenderam a usar a “Palavra Perdida”, mencionada anteriormente, podem participar plenamente deste elevado êxtase espiritual. Esta grande força deve ser recebida e transmitida ou refletida para as massas pela Lua Cheia.
O Cristão Esotérico, enquanto participa com alegria e reverência dos ritos da Páscoa, busca sempre alcançar a participação nos santos mistérios do “Nascer do Sol Cósmico”, a sublime cerimônia do Equinócio de Março.
Na época do Equinócio de Março (ou durante a realização da grande mudança ou mistério Solar), durante três dias, os dias e as noites têm a mesma duração. Assim também, Cristo, cuja vida é uma analogia perfeita do Drama Solar, permanece por três dias na Terra, entre a Crucificação e a Ressurreição. Ele ressuscitou ao nascer do Sol de um novo dia e os Anjos proclamaram com alegria aos Seus Discípulos que Ele havia ressuscitado. Seus Discípulos compreenderam o significado interior de Sua verdadeira missão esotérica para o mundo; ou seja, para que Ele se tornasse o Espírito Planetário residente e “rasgasse o véu”, para que todos os que o desejarem pudessem vir e participar livremente das “Águas da Vida”, por meio do estabelecimento na Terra dos novos Mistérios Cristãos (ou as quatro Iniciações Maiores).
Eis “leite para as crianças” e “alimento sólido para os fortes” — a sublime história do santo nascimento, vida, morte e ressurreição do Mestre supremo, Cristo Jesus, cuja vida deve ser reverenciada e imitada por aqueles que desejam seguir Seus passos.
Há também outro caminho, o caminho da Cruz, como foi misticamente descrito por alguns que o encontraram. Este é o caminho que leva à santa alegria dos Mistérios Solares, que são celebrados nos quatro grandes pontos de virada do ano. A compreensão desses Mistérios levou Platão a afirmar: “A Alma do Mundo está crucificada”.
Nestas épocas mais sagradas do ano, tanto Jesus quanto o glorioso Espírito do Sol, o Cristo, trabalham pela progressão futura dos Astros e pela iluminação daqueles que se tornarem dignos de participar destas “Águas da Vida” eterna às quais o Cristo se referiu quando disse: “Se beberdes da água que eu vos trago, nunca mais tereis sede” (Jo 4:13-14). De muitas maneiras, ao longo do mistério de Sua vida e no significado intrínseco de Suas palavras, Ele colocou a chave que abrirá os portais místicos.
Para aquele que a encontra, a exclamação final do Mestre, “consummatum est” (Jo 19:30), torna-se sua própria “senha” triunfante. Ele também removeu a grande pedra e saiu livre para ser saudado por um coro angelical jubiloso que proclama aos outros Discípulos que aguardam junto ao túmulo: “Ele não está aqui, pois ressuscitou.” (Mt 28:6-7). Afinal, todos nós somos um Cristo em formação e um dia será Páscoa para cada um de nós.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – março-abril/1998, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Quando ligamos o ferro elétrico e ele não funciona, examinamos a resistência, o fio ou os fusíveis. Não desesperamos diante do ferro, exclamando: “Ó eletricidade, por favor, desça ao meu ferro e faça-o funcionar”.
Sabemos muito bem que embora o mundo todo esteja cheio daquela força misteriosa a que chamamos de eletricidade, somente aquela porção que flui ao encontro da resistência do ferro é que o faz funcionar.
O mesmo princípio se aplica à energia criadora de Deus. Todo o universo está cheio dela, mas apenas a porção que flui através de nosso ser realmente nos beneficia.
Muitas vezes tentamos fazer essa energia criadora operar em nós por meio de preces e pedidos a Deus para que faça isto ou aquilo. E como Ele não faz nem uma coisa e nem outra, nós concluímos que não há valor na oração, uma vez que Deus age como entende, sem consultar aos nossos desejos. Em outras palavras, duvidamos da disposição ou da habilidade divina em realmente produzir em nossas vidas os resultados que desejamos. Não duvidamos de nossa própria habilidade em chegarmos à Sua presença e nos enchermos d’Ela, mas sim de Sua Disposição em se chegar a nós e encher-nos d’Ele.
Deus está tanto dentro de nós como em nosso redor. Afinal, Ele é onisciente, onipotente e onipresente. Ele é a Fonte de toda a Vida, o Criador do Universo com as inimagináveis profundidades interastrais. Mas Ele é também a vida que habita em nós. E, assim como todo o mundo cheio de eletricidade não iluminará uma casa a menos que a casa esteja preparada para receber eletricidade, assim a vida infinita e eterna de Deus não nos pode ajudar, a menos que estejamos preparados para receber aquela vida em nós mesmos. Somente a quantidade de Deus que pode caber em nós, a nosso proveito, operará.
“O Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17:21), disse Cristo-Jesus. E a Luz Interna que em nós habita, o lugar secreto da Consciência do Altíssimo em nossos corações é que constituem o Reino de Deus em sua manifestação terrena. Aprender a viver no Reino dos Céus é aprender a acender a luz de dentro de nós.
Devemos aprender que Deus não é um soberano irracional e impulsivo, que quebra suas próprias Leis de Deus à vontade. Logo que aprendemos que Deus faz coisas por nosso intermédio e não para nós, o assunto se torna tão simples e impressivo como o nascer do Sol.
“Mas Deus é onipotente!”, dizem alguns. “Ele pode fazer o que quiser!”. Certamente, mas Ele criou um mundo que se rege por Leis de Deus e Ele não gosta de quebrar essas suas Leis de Deus!
Ele pode produzir viçosas respostas à nossa oração, se nós adaptarmos os tabernáculos terrestres de nossa habitação às Suas Leis de Amor e Fé, de forma que se estabeleçam os pré-requisitos da oração respondida.
Algum dia o mundo virá a entender esse fato da mesma forma que hoje entende o milagre das ondas sonoras, pois, os milagres de uma geração são os lugares comuns da geração seguinte.
Algum dia nós entenderemos os princípios científicos que subjazem aos poderes milagrosos de Deus, e aceitaremos Sua intervenção com tanta naturalidade como aceitamos o rádio.
Muitos verdadeiros milagres sempre ocorrem! E nenhum deles quebram as Leis Deus. O que ocorrem é que muitas das Leis de Deus nós ainda não conhecemos. Sempre que ocorre é uma superimposição duma Lei de Deus mais alta da vida sobre outra mais baixa. Foi, portanto, o cumprimento das Leis da Natureza, que nada mais são do que as Leis de Deus. Se se pensa sobre o milagre não como a quebra das leis de Deus, mas como o uso que Ele mesma faz de Suas Leis, então o mundo está cheio de milagres.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Os astrólogos materialistas consideram Urano, Saturno e Marte como Planetas maléficos, enquanto Vênus e Júpiter são considerados benéficos. No Reino de Deus não existe “maléfico” ou “mal”. Aquilo que aparenta ser o mal é apenas o bem em processo de formação. Tampouco se deve imaginar que as influências de qualquer Planeta atuem para nos atormentar. Viemos a este mundo para obter certas experiências necessárias ao nosso desenvolvimento espiritual, e quando buscamos compreender as influências astrais (ou seja: do Sol, da Lua e dos Planetas), descobriremos que elas são fatores poderosos para nos ajudar a obter justamente essa experiência. Saturno é o punidor. Quando nos desviamos do caminho da retidão, intencionalmente ou não, não nos é permitido continuar no mal, pois Saturno vem para nos deter. Talvez tenhamos recebido uma herança; nós a usamos mal e a desperdiçamos totalmente. Ao fazermos isso, geralmente também maltratamos nosso Corpo Denso. Então, surge um Aspecto (Conjunção adversa, Quadratura e/ou Oposição) com Saturno, uma doença é ativada – ou seja: se manifesta no nosso Corpo Denso – e ficamos debilitados. Somos forçados a fazer dieta alimentar e a dar um descanso ao nosso Corpo Denso e, como resultado, nos recuperamos da doença como um novo homem ou uma nova mulher. Mas a questão é: aprendemos a lição? Durante nosso repouso como um doente acamado, tivemos tempo para refletir sobre a vida que temos levado. Será que analisamos nossa vida a ponto de compreender as causas que nos levaram a esse estado de doença? Se sim, saímos dessa com lucro. Pois assim saberemos como agir melhor e evitar as armadilhas que podem causar a ativação de mais doenças no futuro. Ou, tendo nossa herança sido completamente dilapidada, nos encontramos de bolsos vazios na rua. Talvez não tenhamos a quem recorrer em busca de ajuda; somos então forçados a pensar e a abrir caminho por nós mesmos. Nossos talentos foram inúteis enquanto desperdiçávamos nossos recursos financeiros. Na pobreza, nossos talentos se tornam úteis, somos forçados a usá-los para fazer nossa parte no trabalho do mundo. Perdemos nossa herança, mas o mundo ganhou um trabalhador, e se aprendemos nossa lição dessa maneira, então a influência de Saturno foi uma bênção disfarçada.
E assim é com tudo no horóscopo que possa parecer “maléfico”. Além disso, quanto mais espiritualizados (ou seja, priorizemos a espiritualidade na nossa vida cotidiana) nos tornamos, menos esses chamados Planetas ou Aspectos adversos nos afetarão promovendo obstáculos ou bloqueios que nos fazem sofrer. Eles são transmutados para o bem. Saturno não trará desastre a uma pessoa espiritualizada, mas persistência; não doença, mas qualidades e estados que nos mantém fisicamente fortes; e assim, ao nos conformarmos às Leis da Natureza, vivendo nossas vidas em harmonia com os Astros, nós os dominamos e transformamos nossas vidas como nós desejarmos.
A maior parte da Humanidade segue a correnteza e age de acordo com as tendências implantadas pelas influências astrais. Portanto, um astrólogo pode prever o que farão com uma precisão admirável. Mas quanto mais um homem ou uma mulher vive a vida espiritual (ou seja, prioriza a espiritualidade na vida cotidiana dele ou dela), mais se torna um fator a ser levado em consideração, e as previsões do astrólogo falharão, no que lhe concerne, na medida em que atingir esse nível de espiritualidade.
Os Astros (o Sol, a Lua e os Planetas) são nossos auxiliares na evolução. Eles não são corpos mortos de matéria, mas sim corpos vivos, pulsantes e vibrantes de Grandes Inteligências Espirituais chamadas, na Religião Cristã, de os Sete Espíritos diante do Trono. À medida que mudamos, a influência deles sobre nós também muda, mas não escapamos dessa influência pelo simples fato da morte. Quando a aurora de uma nova vida despontar para nós, despertaremos com um novo horóscopo, e se tivermos buscado o crescimento espiritual, ter aprendido as lições que os Anjos Astrais nos ensinaram na vida passada, teremos novos Aspectos e novas posições astrais para nos auxiliar ainda mais no Caminho de Evolução. Por outro lado, se tivermos lutado inutilmente para não aprendermos as lições, nos rebelando ou resistindo a dores e os infortúnios provocados justamente pela nossa teimosia, descobriremos que as pressões serão maiores, que estaremos sob influências mais fortes e restritivas, de modo que, no fim, teremos que aprender as lições nessas condições piores do que nas vidas passadas. Assim, quanto mais rápido aprendermos, melhor para nós.
(Pergunta nº 161 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Aqui temos uma pequena, mais rica, explicação sobre o sétimo Plano Cósmico, onde nos encontramos no nosso Sistema Solar, o Reino de Deus, focando nos Astros que estão contidos nele e depois em outros sóis que compõe outros Sistemas Solares nesse Plano Cósmico.
Isso nada mais é do que o que Cristo nos ensinou: “Na casa do meu Pai há muitas moradas” (Jo 14:2).
1. Para fazer download ou imprimir:
A Casa do Nosso Pai – Por um Estudante – Fraternidade Rosacruz
2. Para estudar no próprio site:
A Casa do Nosso Pai
Por um Estudante
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido, Compilado e Revisado de acordo com:
Eulogy of Love
1ª Edição em Inglês, 1916, in The Rays from The Rose Cross – The Rosicrucian Fellowship
pelos Irmãos e pelas Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Sumário
UMA PEQUENA ESTAÇÃO DE INTERESSe.. 12
NOSSO GRANDE VIZINHO PRÓXIMO.. 14
OS MEMBROS DISTANTES DE NOSSA FAMÍLIA.. 16
APENAS UM VISLUMBRE ATÉ AGORa.. 21
em espaços muito distantes. 22
UMA COMPARAÇÃO ENTRE O NOSSO SISTEMA SOLAR O SOL MAIS PRÓXIMO, ALPHA CENTAURI. 24
UMA VIAGEM PELO UNIVERSO: EXISTE UM LIMITE?. 26
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No livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz estudamos o Diagrama 6 que nos mostram os sete Planos Cósmicos e os Mundos do sétimo Plano Cósmico, o mais denso.
No Diagrama, vemos que o sétimo Plano Cósmico é representado como sendo o maior de todos os outros Planos Cósmico. Isso assim parece porque é o Plano Cósmico com que estamos mais relacionados e, também, para indicar suas principais subdivisões, ou seja, os Mundos que o compõe.
Na realidade o sétimo Plano Cósmico ocupa menos espaço do que qualquer um dos outros seis Planos Cósmicos.
No entanto, não pensemos que ele tem dimensões mensuráveis por nós! Ao contrário, o sétimo Plano Cósmico é incomensuravelmente vasto!
Seu tamanho envolve milhões de Sistemas Solares semelhantes ao nosso, que são os Campos de Evolução de muitas categorias de seres, cujas condições são aproximadamente idênticas às nossas.
Perceba que no sétimo Plano Cósmico vemos Deus, o Arquiteto do nosso Sistema Solar, Fonte e Meta da nossa existência, que está na mais elevada divisão desse Plano. É o Seu Mundo, o Mundo de Deus.
Assim, o Reino de Deus inclui os sistemas de evolução que se processam em todos os Planetas do nosso Sistema Solar – Urano, Saturno, Júpiter, Marte, Terra, Vênus e Mercúrio, bem como seus satélites.
E o que vemos com os olhos físicos desses Planetas, nada mais são do que os Corpos Densos de grandes Inteligências Espirituais designadas Espíritos Planetários, que guiam essas evoluções. Eles são também chamados “os Sete Espíritos diante do Trono”. São Ministros de Deus, cada qual presidindo um determinado departamento do Reino de Deus – o nosso Sistema Solar, um “cômodo da Casa do Nosso Pai”.
Já o Sol é também o Campo de Evolução dos mais exaltados Seres do nosso Sistema Solar. Unicamente eles podem suportar as tremendas vibrações solares, e por meio delas progredir. O Sol é o mais aproximado símbolo visível de Deus de que dispomos, ainda que não seja senão um véu para Aquele que está por trás. O que seja esse “Aquele”, publicamente não se pode dizê-lo. Na figura abaixo temos o Diagrama 6, destacando o sétimo Plano Cósmico.

“Os céus declaram a glória de Deus; e o firmamento mostra a obra de Suas mãos.” (Sl 19:1). “Na casa do meu Pai há muitas moradas.” (Jo 14:2). A versão revisada admite a seguinte leitura: “Na casa do meu Pai há muitos lugares de morada”. Continuando este versículo, Cristo nos ensina: “Vou preparar um lugar para vocês”. O sentido do texto é que na Casa de Deus – isto é, no Universo de Deus – estão as “mansões” ou “lugares de habitação” nos quais devemos habitar, se formos considerados dignos de morar com Deus.
Este texto pode ser considerado astronômico; e como muitos outros, quanto maior for o nosso conhecimento da estrutura do universo, mais claramente veremos e compreenderemos o seu significado. Embora o próprio astrônomo compreenda apenas vagamente a esmagadora grandeza da Casa do Nosso Pai, sua concepção está muito acima da ideia do observador casual.
Embora ele fosse de fato um astrônomo ousado, que não se esquivaria da tarefa de explicar este e outros textos semelhantes, ainda assim ele pode, com algum grau de inteligência, direcionar a Mente do buscador sincero para caminhos que estão resplandecentes com a glória de Deus.
Pergunte a um astrônomo, que acredita em Deus, qual é o tamanho da Casa do Nosso Pai. Instantaneamente ele verá em sua imaginação incontáveis milhões de mundos, sistemas, constelações, aglomerados e agregações em nosso universo; ou melhor, no universo visível aos olhos físicos; e ele está razoavelmente certo de que, além deste, outros universos existem, universo após universo, infinito após infinito, indescritíveis em dimensões e duração, estendem-se por um espaço insondável e infinito… Faria isso até que sua imaginação ficasse atordoada e sua Mente cambaleante gritassem: “Pare!”. Pois a Mente finita encontra aqui o incompreensível e a vastidão impensável da Natureza que desafiam o astrônomo.
Muitas vezes ouvimos a palavra “universo”. Qual é o significado dessa palavra? Evidentemente de algo muito grande, pois geralmente é o grande ponto final, algo vasto e ilimitado. O que é o universo? Podemos entender isso? Examinemos este assunto e vejamos se podemos saber alguma coisa sobre a Casa do Nosso Pai, pois certamente é conveniente usar a Mente que Deus nos deu a graça de possuir para aumentar nosso conhecimento sobre a Sua glória. Além disso, não é um pecado não usarmos nossa inteligência para conhecer tudo que pudermos sobre o grande Mestre Construtor e Suas obras, que Ele tão convidativamente espalhou diante de nós?
Façamos na imaginação uma viagem de observação e vejamos por nós mesmos um pouco da Casa do Nosso Pai com seus muitos “lugares de morada”. Não temos tempo para detalhes, mas selecionamos imediatamente um ponto de partida. Para isso o astrônomo naturalmente se volta para o Sol, que é o grande centro de onde recebemos a luz e o calor que tornam o nosso Planeta Terra habitável para esse Mundo Físico que temos.
A questão da velocidade com que devemos viajar é mais difícil; mas assumindo que temos escolha neste assunto, em breve resolveremos este ponto tão importante. A velocidade da ferrovia, de um quilômetro por minuto, está totalmente fora de cogitação, pois nosso tempo é curto e a viagem é longa; além disso, queremos voltar a tempo de contar algo do que veremos. Existe a bala de canhão; ela viaja aproximadamente a trinta quilômetros por minuto! Mas isso também é muito lento. Temos luz? Sim, temos!
Viajaremos na velocidade inconcebível da própria luz; pois devemos viajar com velocidade infinita em uma jornada infinita e a luz viaja a 299.792.458 metros em um único segundo de tempo. Isso equivale a aproximadamente 300.000 quilômetros por segundo.
Temendo que o nosso desempenho incomum produza excitação indevida nos mundos que estamos prestes a visitar, enviaremos um mensageiro para anunciar a nossa vinda. Selecionaremos para esse propósito uma bala de canhão que viaja a uma velocidade de mais de 64.373,76 km por dia; e para que tenha bastante tempo, daremos um início de cem anos para ela. Como queremos ser perfeitamente justos em tudo o que fazemos nesta maravilhosa jornada, inclusive “começar de forma justa”, não partiremos do Sol, mas, sim, do centro desse vasto globo.
Enquanto estivermos em uma posição tão cômoda, descobriremos algo sobre as enormes dimensões do Sol. Ele é quase cento e dez vezes maior que a nossa Terra. Seu diâmetro é tão vasto que, se ele fosse uma concha, a Terra poderia ser colocada no centro e a Lua poderia viajar em sua órbita habitual; então estaria apenas a meio caminho entre a Terra e a superfície da nossa gigantesca estrela, sendo o seu diâmetro de, aproximadamente, 1.392.684 km.
A partir do centro do Sol nós direcionaremos a nossa excursão para a estrela fixa mais próxima, assumindo que todos os Planetas estão nessa direção; veremos quais serão as nossas experiências. Agora, então, tudo pronto, vamos!
Na prodigiosa velocidade em que estamos avançando, menos de três batidas do relógio e já nos encontraremos totalmente longe do Sol, a milhares de quilômetros em nosso caminho até o Planeta mais próximo, Mercúrio; em aproximadamente três minutos nós o alcançaremos. Mercúrio está a uma distância aproximada de 57.936.384 km do Sol e tem aproximadamente 4.828,032 km de diâmetro. Seu ano é igual a oitenta e oito dos nossos dias; portanto, suas estações duram apenas vinte e dois dias, se é que ele tem alguma estação; pois você deve lembrar que ele recebe uma grande quantidade de calor e luz do Sol, que para os mercurianos é duas vezes e meia maior do que é para nós, da Terra. Nossa tremenda velocidade nos transporta pelo “Mensageiro dos Deuses” tão rapidamente que não temos tempo de examiná-lo de perto; em menos de três minutos cruzaremos a órbita de Vênus!
Aqui encontraremos um mundo surpreendentemente semelhante ao nosso, em muitos aspectos. Vênus está apenas a 41.842.944 km mais perto do Sol do que nós; e como estamos a 149.668.992 km de distância, esta “mansão”, com mudanças muito moderadas nas condições de sua atmosfera, talvez seja tão habitável quanto a Terra para a vida que conhecemos.
Vênus tem apenas 321.869 km de diâmetro a menos do que a Terra (todas as distâncias aqui e dimensões são dadas em forma de números inteiros) e seu ano é igual a duzentos e vinte e cinco dos nossos dias; até onde os astrônomos sabem, a vida é tão provável em Vênus como no nosso Planeta. Mas se descobrirmos muito sobre ele, devemos contar aos astrônomos; pois estão muito ansiosos para saber mais sobre a condição de todos os Planetas.
Num instante Vênus fica para trás; olhando para trás, notamos que o Sol está ficando menor, enquanto à frente vemos duas estrelas brilhantes — ou o que aparenta ser estrelas —, uma das quais é maravilhosamente cintilante e a outra está próxima dela. Nós nos aproximamos delas com a velocidade da luz e elas logo fizeram uma oferta justa para rivalizar com o próprio Sol em brilho, pois a essa distância ele tem menos da metade do tamanho que o vimos em Mercúrio e nos dá menos de um quarto da luz e do calor que ele derrama naquele Planeta.
Em pouco mais de dois minutos alcançamos nossas duas estrelas e descobrimos que esse objeto maravilhoso é a Terra e que a estrela companheira é a Lua. Devemos ter cuidado aqui, pois se nos aproximarmos demais poderemos ser atraídos para sua superfície, como muitos meteoritos aventureiros (popularmente chamados de “estrelas cadentes”) que se aproximam demais. Mas nossa velocidade é nossa segurança. Podemos nos aproximar da superfície e a gravitação não será capaz de superar uma velocidade como a nossa.
Um sentimento de admiração reverencial toma conta de nós à medida que nos aproximamos deste pequeno ponto no grande Universo de Deus, ponto que chamamos de Terra. Aqui está um pequeno mundo, talvez o único em toda a Casa do Nosso Pai onde o pecado esteja fortalecido. Acredito que seja absolutamente único neste aspecto, em toda a extensão do Seu domínio. Acreditar no contrário é duvidar da sabedoria e do amor de Deus. Mas o pecado está aqui porque veio algum dia de alguma forma; mas ele é como uma planta que deve ser “arrancada pela raiz”, pois “não foi plantada pelo Pai”[1]. Então o Grande Sacrifício foi feito para que a Terra fosse reabastecida com seres dignos de serem chamados de filhos do grande Criador para que a Casa do Nosso Pai pudesse, novamente, se tornar limpa e o Universo pudesse ser restaurado como era quando veio das mãos do Grande Arquiteto. É difícil para mim acreditar que toda a Onda de Vida humana fosse digna de tal sacrifício; mas um Universo limpo é digno desse sacrifício.
Passamos pela Terra com relutância, pois aqui temos a história da vida e das provações do Filho de Deus; temos Sua promessa, Seu ensino, Seu exemplo; temos tudo que o coração do Cristão possa desejar. Aqui também está sendo encenado o grande drama do pecado e da justiça, da vida e da morte. Vemos a luta dos santos e nos perguntamos por que o julgamento demora tanto. Mas nem tudo o que vemos é negro e triste; pois Deus tem um povo aqui neste pequeno mundo. Os santos estão aqui; aqui estão aqueles que guardam todos os Mandamentos de Deus.
Os oito minutos em que nos é permitido ir do Sol à Terra já passaram e devemos partir rapidamente, se quisermos ver as dimensões gloriosas da Casa do Nosso Pai. Uma estrela brilhante surge à frente e em menos de quatro minutos nos encontramos em Marte. Nossa (aparente) estrela é o pequeno Planeta Marte, com duas pequenas luas de, aproximadamente, 8 e 11 quilômetros de diâmetro — na verdade, são pequenas mansões.
Encontramos um mundo com 6.437,376 km de diâmetro e os grandes telescópios, que deixamos para trás, podem mostrar claramente seu alto mar e continentes, seus polos nevados e suas regiões equatoriais nas quais a neve nunca aparece — tal como na nossa Terra. O dia marcial é um pouco mais longo que o nosso, mas seu ano é tão longo quanto seiscentos e oitenta e sete dos nossos dias. O Sol parece consideravelmente menor e a sua luz e calor são aproximadamente a metade que a Terra recebe, de acordo com os dados do nosso Planeta e nos quais devemos basear as nossas conclusões.
Depois de observarmos apressadamente os fatos acima, passamos pelo Planeta avermelhado e logo estamos percorrendo um grande número de pequenos mundos chamados asteroides. Aproximadamente setecentos foram descobertos desde o primeiro dia do século XIX e pode haver outros milhares que escaparam dos perspicazes astrônomos da Terra. Seu diâmetro médio é, provavelmente, inferior a quarenta quilômetros — mais mansões para bebês!
Acompanhar esses pequenos mundos tornou-se uma tarefa pesada e um grande incômodo para os astrônomos, que passam por várias dificuldades e colocar a atenção em cada um deles para entender o que é cada um, como se comportam, do que são feitos. Podemos ter a certeza de que esses “pequenos Planetas” fazem parte do grande Plano de Deus, caso contrário não estariam onde estão.
Não temos tempo, contudo, para procurar novos asteroides, pois estamos agora prestes a visitar o “gigante do Sistema Solar”, Júpiter. Levaremos mais de meia hora para alcançá-lo vindos de Marte, ou aproximadamente quarenta e quatro minutos desde o Sol. Teremos um pouco de tempo para procurar cometas, pois podemos encontrar um a qualquer momento na jornada dele de ida ao Sol ou de volta. No entanto, os cometas não são muito importantes e apenas foram mencionados para mostrar que não nos esquecemos desses visitantes terríveis. Mas Júpiter é digno da nossa maior admiração.
Balançando em uma órbita majestosa, exigindo doze dos nossos anos para um dos seus, ele segue seu caminho majestoso, um verdadeiro gigante. Seu diâmetro médio é de aproximadamente 140.012,93 km e ele tem o tamanho de mil, trezentos e nove mundos como o nosso, juntos. Ele tem oito luas[2], três das quais são maiores que a nossa; na verdade, uma delas é maior que Mercúrio e rivaliza com Marte em tamanho.
Também notamos que uma grande mudança ocorreu em nosso Sol; ele parece ter apenas um quinto do diâmetro, ou um vigésimo quinto da área, que tinha quando nós o vimos da Terra; ele fornece apenas um vigésimo quinto da quantidade de luz e calor para os jupiterianos, em relação a quanto recebemos na Terra.
Poderíamos encontrar aqui muitas coisas interessantes, se tivéssemos tempo de parar; mas a nossa tremenda velocidade nos faz percorrer Júpiter em um piscar de olhos; assim, antes de perceber nós já estamos atravessando o enorme abismo de mais de 650 milhões de quilômetros que separa as órbitas de Júpiter e do seu irmão mais velho, Saturno — a nossa próxima estação.
Saturno é o Planeta mais distante e facilmente visível a olho nu. Suas dimensões rivalizam com as de Júpiter. Seu diâmetro médio é de aproximadamente 119.091,46 km.
Embora seu dia e sua noite tenham apenas dez horas de duração, seu período (ano) é de vinte e nove e meio dos nossos anos, e seu volume é setecentas vezes maior que o da Terra. Ele tem nove luas[3] para lhe fazer companhia em sua vasta órbita, além do seu enorme sistema de anéis, cujo anel externo tem aproximadamente 273.588,48 km de diâmetro.
Não há algo parecido com ele no Sistema Solar presidido por aquele grande autocrata, o Sol, nem no universo, até onde sabemos; ele é ao mesmo tempo a maravilha e a admiração dos astrônomos. O Sol agora parece alarmantemente pequeno, enquanto a luz que ele envia para cá é de, aproximadamente, um octogésimo daquela recebida pela Terra. Não podemos demorar, por mais interessante que seja este “lugar de permanência”: iremos nos apressar para Urano.
Uma distância de quase 2.414.016 km separa esses dois Planetas e será necessária mais de uma hora e um quarto para nos levar até Urano, enterrado no espaço como está, a quase 2.896.819.200 km do Sol, do qual nos separamos recentemente. Vamos simplesmente nos acomodar confortavelmente para nosso voo através desta extensão poderosa.
Ué! O que é que foi isso? Ora, é o nosso mensageiro, a bala de canhão! Ela deixou o Sol há cem anos, embora tenha passado menos de uma hora e meia desde que partimos nas asas da luz. Isso é muito surpreendente — para qualquer um que seja um astrônomo. Em uma única batida do relógio do nosso mensageiro está 299.337,984 km atrás de nós e de agora em diante devemos passar despercebidos.
Quando tivermos cruzado esse grande abismo, descobriremos que Urano tem 51.499,008 km de diâmetro e é tão grande quanto sessenta e cinco Terras. Seu dia e sua noite têm em torno de 17 horas de duração Ele tem quatro luas[4] e são necessários oitenta e quatro dos nossos anos para ver sua idade aumentar um único ano. Não temos tempo para estudar a rotação axial maravilhosamente peculiar desse Planeta distante — para nosso pesar e o dos astrônomos na Terra, que estão tão interessados nele e sabem tão pouco sobre.
Outro mergulho poderoso e encontraremos a sentinela — o outro guarda, por assim dizer — Netuno. Descansaríamos aqui por alguns minutos se pudéssemos, pois estamos na fronteira do grande esquema de mundos.
Encontramos Netuno e vemos que ele é oitenta e cinco vezes maior que a Terra; são necessários cento e sessenta e quatro dos nossos anos para ter um dos anos dele. Ele tem apenas uma lua[5]. Sua vasta órbita tem 8.986.576.896 km de diâmetro.
Não queremos desencorajar o nosso amigo e mensageiro, a bala de canhão, mas ele levaria duzentos anos para cruzar a tremenda distância do Sol até Netuno; um trem viajando a 1,609 km por minuto — sem paradas — demoraria dez mil anos para percorrer essa órbita poderosa.
O astrônomo mostra pelo telescópio que Netuno existe e pensa ter provado que a Religião não sabe do que fala quando afirma que há sete Planetas no Sistema Solar.
O Místico, no entanto, aponta para a Lei de Bode (do astrônomo alemão Johann Elert Bode) como justificativa de sua afirmação de que Netuno não pertence realmente ao nosso Sistema Solar.
A Lei de Bode em astronomia não é mais que uma lei de números, uma lei das relações numéricas que existem entre os Planetas e o Sol do nosso Sistema Solar, pela qual as distâncias entre os Planetas e o Sol ocorrem segundo uma progressão numérica definida.
Max Heindel comenta a Lei de Bode no livro Astrologia Científica e Simplificada – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
Escrevemos em uma Tabela as colunas com o nome de todos os Planetas (incluindo Netuno).
Escrevemos na primeira linha uma Progressão geométrica de razão 2, começando com Zero em Mercúrio e assim por diante.
Escrevemos na segunda linha o resultado da multiplicação de cada parcela da primeira linha por 3.
Escrevemos na terceira linha uma constante “4”, começando com 4 em Mercúrio.
Escrevemos na quarta linha o resultado da soma da segunda linha com a terceira linha.
Por fim, Escrevemos na quinta linha o resultado obtido na quarta linha dividido por 10.
Agora vamos ver qual é a distância entre o Planeta e o Sol medida pela ciência em Unidades Astronômicas (que é um padrão adotado pela ciência, sendo que Uma Unidade Astronômica é a distância entre a Terra e o Sol, ou seja: 150 bilhões de metros):
Colocamos, de novo, o nome dos Planetas; em seguida a distância de cada Planeta ao Sol, medida em Unidades Astronômicas.
E, finalmente, a distância de cada Planeta ao Sol segundo a Lei de Bode. Veja que para os Planetas de Mercúrio a Urano os 2 valores batem. E comparando com a Lei de Bode vemos que só para Netuno que os valores não batem.
Netuno pertence a um Sistema Solar vizinho ao nosso! Tanto que suas influências são sentidas apenas por pessoas já com um nível de desenvolvimento Crístico elevado. Para as demais pessoas o que sobra é uma dificuldade enorme em não cair na tentação pelas influências adversas que esse Planeta propõe.
Depois de deixarmos Netuno, encontramos mais um Planeta, Plutão. Vemos que ele é cinco vezes menor que a Terra em diâmetro; são necessários cerca de duzentos e quarenta e oito dos nossos anos para ter um dos anos dele. Ele tem cinco luas.
Também aqui, o astrônomo mostra pelo telescópio que Plutão existe e pensa ter provado que a Religião não sabe do que fala quando afirma que há sete Planetas no Sistema Solar.
O Místico, no entanto, aponta para a Lei de Bode (do astrônomo alemão Johann Elert Bode) como justificativa de sua afirmação de que Plutão também não pertence realmente ao nosso Sistema Solar.
Como vimos acima, a Lei de Bode enuncia que “as distâncias entre os Planetas e o Sol ocorrem segundo uma progressão numérica definida.”
Assim se fizermos uma Tabela com essas dimensões e compararmos essa Tabela com uma outra que mostra a distância entre o Planeta e o Sol medida pela Ciência em Unidades Astronômicas (UA):
Fica fácil que como Netuno, para Plutão os valores não batem! Assim, como Netuno, Plutão pertence a um Sistema Solar vizinho ao nosso! Tanto que suas influências são sentidas apenas por pessoas já com um nível de desenvolvimento Crístico elevado. Para as demais pessoas o que sobra é uma dificuldade enorme em não cair na tentação pelas influências adversas que esse Planeta propõe.
Depois de deixarmos Plutão teremos passado pelo último dos Planetas, até onde sabemos; no máximo podemos apenas esperar encontrar um desses andarilhos celestes, um cometa, fazendo sua peregrinação regular, vindo do Sol ou indo para ele — pois todos os cometas periódicos devem visitá-lo em períodos regulares para relatar, por assim dizer, que ainda são fiéis e não o abandonaram por um dos seus poderosos vizinhos.
Ficamos completamente perplexos ao lidar com essas vastas dimensões; elas deixam de ter um significado e, para que não esqueçamos, ao lidar com as magnitudes gigantescas dos Planetas, é bom lembrar que o Sol é mais de setecentas vezes maior do que todos eles juntos. Nosso Sol agora nos causa preocupação, pois ele não nos mostra mais um disco, sendo apenas um ponto de luz; como Sol não o conhecemos.
Claro que ele é muito mais brilhante do que qualquer estrela que possamos ver, mas sua luz e calor são apenas uma nona centésima parte do que recebemos na Terra. Nesse ritmo, tememos perdê-lo completamente. Aproximadamente quatro horas e um quarto se passaram desde que deixamos o Sol e estamos tão longe que já começamos a ficar solitários!
Talvez, leitor, tenhamos viajado rápido demais para você. Talvez você se arrependa, pensando que viu a Casa de Deus. O quê! Esta é a Casa de Deus? Diremos que isso é digno d’Ele? — Não, não. Pois na Casa do Nosso Pai há “muitas moradas” e neste ponto ainda estamos na nossa soleira.
Vamos parar por um momento no membro mais externo da grande família do nosso Sol, antes de voarmos através do vasto abismo que nos separa do vizinho mais próximo do nosso Sol, Alpha Centauri[6], uma estrela que está apenas a metade da distância dos nossos quatro vizinhos mais próximos.
Olhando para trás, a Mente humana é sobrecarregada pela imensa magnitude dos Mundos pelos quais passamos; as enormes distâncias que se encontram entre eles são incompreensíveis para a Mente humana e nós nos encolhemos diante da eternidade do espaço diante de nós. Vasto como é o sistema compreendido dentro da órbita de Netuno e Plutão, eles são apenas como um grão de areia na costa deste oceano da eternidade no qual agora nós nos lançaremos.
Até agora temos contado o tempo da nossa jornada, voando na velocidade da luz como estamos, em segundos, minutos e horas. Mas agora isso não basta; precisamos lidar com dias, semanas, meses e anos, pois o nosso próximo ponto de parada exigirá mais de quatro anos para ser alcançado, enquanto as estrelas mais remotas exigirão séculos ou até milênios.
O Sistema Solar por si só já basta para declarar a glória de Deus e despertar nossos pensamentos lentos para contemplar Seu poder e Sua sabedoria onipotentes. Mas nenhum limite pode ser imposto à Casa do nosso Pai: a imponente grandeza, as incríveis agregações de milhares e milhares e milhões de sóis (pois cada estrela é um Sol), dispostos em pares, grupos e aglomerados, mantidos em seus lugares pelas grandes Leis de Deus, todos se movendo na mais perfeita harmonia, todos em seus lugares designados, não em estado de repouso, de estagnação, pois toda a natureza está em ação — pois as estrelas estão voando em seus caminhos designados com uma velocidade surpreendente. Nossa própria estrela, o Sol, está se movendo a cerca de 19 quilômetros por segundo em direção a um determinado ponto no céu, enquanto outras são conhecidas por terem velocidades de até 320 quilômetros ou mais em um único segundo.
Algumas se aproximam, outras se afastam, e outras ainda se movem em outras direções; contudo, tão vasto é o abismo entre nós que centenas, talvez milhares de anos, devem transcorrer antes que possamos detectar o menor aumento ou diminuição de sua luz a olho nu.
A olho nu, mesmo nas condições mais favoráveis, não conseguimos ver mais de cinco mil estrelas em todo o céu; mas nunca conseguimos ver mais da metade do céu de uma só vez, e nunca vemos as estrelas mais tênues perto do horizonte, de modo que talvez nunca vejamos duas mil ao mesmo tempo. Um bom binóculo aumentará esse número a um grau surpreendente, enquanto um bom telescópio — digamos, com um diâmetro de cinco polegadas ou mais — revelará milhões de estrelas das profundezas do espaço.
Na constelação de Hércules, há um pequeno ponto de luz, quase invisível até para o olho mais atento, aparentemente apenas um décimo do tamanho da Lua, e ainda assim, esse pequeno ponto é um aglomerado que Keeler[7] estimou conter quarenta mil sóis! Esses sóis podem ser menores ou mais fracos que o seu, mas podem superá-lo em tamanho e esplendor. Os astrônomos não podem afirmar nada a respeito neste caso, mas existem estrelas que são reconhecidamente muito mais brilhantes que a nossa, enquanto outras não são nem de perto tão grandes. Acredita-se que o nosso Sol não seja menor que a média das estrelas em tamanho e brilho.
Os astrônomos costumam lidar com distâncias incompreensíveis comparando a velocidade de trens, balas de canhão e coisas do gênero; mas, embora essas comparações possam nos dar alguma ideia do Sistema Solar, elas são inúteis quando lidamos com o espaço estelar.
Tentarei fazer uma comparação que possa nos trazer à mente, de forma clara, um desses vastos intervalos entre as estrelas — o que separa nossa estrela, o Sol, de nossa vizinha, Alfa Centauri. Essa estrela, embora seja a mais próxima de todas, está a cerca de quarenta milhões de quilômetros de distância. Imagine uma ferrovia ligando a Terra a essa estrela.
Sabemos que há uma estimativa que o total de ouro e prata em circulação no mundo é inferior a onze bilhões de dólares. À taxa de vinte quilômetros por centavo, essa quantia não nos levaria nem a milhares de milhões de milhões de quilômetros dessa estrela. Isso é absolutamente sem sentido para a Mente do leigo ou do astrônomo. A Mente humana falha nesse ponto tão completamente como se a distância fosse mil vezes maior. Podemos entender, mas não podemos compreendê-lo.
Para ilustrar, imaginemos o nosso Sol reduzido de um vasto globo com 1,4 milhões de quilômetros de diâmetro para uma esfera com 2,7 metros de diâmetro. Em seguida, imaginemos que todos os Planetas e todo o espaço se reduzissem exatamente às mesmas proporções; então a nossa Terra estaria a menos de 305 metros do Sol e teria apenas uma 2,6 centímetros de diâmetro, enquanto o nosso vizinho mais próximo, Alpha Centauri, estaria, nesta mesma escala, a quase 81 mil quilômetros de distância!
Outra forma de expressar o mesmo pensamento seria dizer que a distância do nosso Sol (ou da Terra) à estrela mais próxima é tantas vezes 81 mil quilômetros quanto o tamanho da nossa Terra em comparação com uma bola de gude de bom tamanho; ou, para cada bola de gude necessária para formar um Mundo tão grande quanto o nosso, Alpha Centauri está a 81 mil quilômetros de distância. Será que os céus começam a mostrar a Glória de Deus quando contemplamos o Seu tesouro?
Continuaremos nossa jornada agora, e novamente nas asas da luz estamos nos afastando a uma velocidade de 1,1 bilhão de quilômetros por hora. Algumas horas, e o último Planeta do Sistema Solar terá desaparecido de vista. Vemos apenas o nosso Sol, e neste ponto ele brilha mais do que qualquer outro corpo em todo o universo visível. Em cerca de dois anos e um quarto, estaremos no ponto intermediário, e então, se o nosso Sol e Alpha Centauri tiverem o mesmo tamanho e brilho, ambos parecerão iguais. A estrela brilhante Sirius, e todas as outras estrelas, parecerão mais ou menos como são vistas da Terra. Em pouco mais de quatro anos (medidas recentes indicam uma distância um pouco maior), estaremos no meio do sistema de Alpha Centauri.
Veríamos o nosso Sol como uma estrela de primeira magnitude, mas os Planetas seriam completamente invisíveis, mesmo no telescópio mais poderoso já construído pelo ser humano. Provavelmente, seria necessário um telescópio com 7,3 metros de diâmetro (e cerca de 152 metros de comprimento) para mostrar até mesmo o gigante Júpiter a essa distância. Sendo assim, podemos facilmente entender por que não conseguimos ver os Planetas orbitando seus sóis centrais.
Se a pergunta for feita, como então os astrônomos sabem da existência de outros mundos ao redor de outros sóis? Não posso dar uma explicação aqui, mas eles sabem disso sem vê-los! De fato, os companheiros de Sirius e Procyon foram descobertos anos antes de serem vistos, pelos movimentos (perturbações, como os astrônomos os chamam) de suas estrelas primárias brilhantes, e até mesmo as posições desses companheiros até então invisíveis foram calculadas corretamente!
Se continuássemos nossa jornada, veríamos o nosso Sol diminuir até se tornar um mero ponto de luz cintilante e, finalmente, desaparecer por completo.
Há uma crença crescente de que o Universo que vemos tem limites! Os astrônomos sempre defenderam que cada aumento na potência e na duração da exposição dos telescópios fotográficos acrescentasse muitas novas estrelas às já conhecidas; mas parece que em certas regiões as exposições longas acrescentam poucas estrelas e há muitos astrônomos muito eminentes acreditando que, em algumas direções, os telescópios fotográficos praticamente penetraram, se não realmente, no espaço vazio! Assim, o lamentoso Simon Newcomb[8] disse: “Essa coleção de estrelas que chamamos de Universo é limitada em extensão”.
Isso perturba completamente a antiga crença de um Universo contínuo e ininterrupto. Sabemos que o tempo nunca começou e nunca terminará; o mesmo deve ser verdade para o espaço. É impensável, então, que a “coleção de estrelas” que vemos ou quase podemos ver, por mais vasta que seja, inclua todo o espaço que está ocupado; não importa quão grande possamos conceber que essa “coleção” seja, ela é nada para o espaço, esteja ele ocupado ou desocupado.
Isso naturalmente nos leva à alta probabilidade, quando não há certeza, de outras agregações que não foram enumeradas e podem estar além dos números — um número infinito no espaço infinito, como um oásis no deserto. Isso não parece ser totalmente irracional; pois vemos entre as estrelas que conhecemos uma forte tendência a se aglomerar ou formar grupos. Observamos a olho nu as Plêiades[9], Orion[10] e outros grupos, enquanto o telescópio revela aglomerados e muitos enxames de estrelas em todas as direções. A Via Láctea é um exemplo em escala colossal.
A recente descoberta de Kapteyn[11] mostra que a grande maioria das estrelas tem uma forte preferência por se moverem em duas grandes correntes, em direção a e a partir de duas regiões quase opostas. Isso foi confirmado por vários outros astrônomos, utilizando materiais diferentes como movimentos estelares, mas obtendo resultados praticamente idênticos; e é geralmente aceito pelos astrônomos, o que parece confirmar a teoria de agrupamento sugerida acima.
Resumidamente e com efeito, é como se dois grandes aglomerados, que estão além do nosso poder de numeração, estivessem viajando no espaço “na estrada do Rei” e se encontrassem; as estrelas individuais de um grupo passam entre os membros do outro grupo e ambos os grupos, como um só, ocupam a mesma parte do espaço. Que encontro! Que passagem! Que possibilidades! Imediatamente imaginamos colisões, destruição e caos; mas quando pensamos que Deus está no comando o medo desaparece.
Voando em seus percursos ilimitados a muitos quilômetros em cada segundo de tempo, esses incontáveis milhões de sóis com seus Mundos[12] acompanhantes são milhões de anos desconhecidos passando entre si e além uns dos outros, em seu progresso majestoso — a marcha das eras. E depois? Irão eles vagar por outros aglomerados como os navios navegam no mar, ou através de outros grupos desconhecidos para nós, durante uma eternidade, indo para regiões do espaço e para distâncias nunca sonhadas pelo ser humano mortal? Deus está no comando.
Os astrônomos são frequentemente questionados sobre quantas estrelas existem no céu. Eles não sabem. Um eminente astrônomo inglês muito recentemente, em um discurso presidencial, disse sobre este assunto: “Talvez não seja excessivo imaginar que ainda hoje se possam contar mil milhões”. Um astrônomo e matemático francês, assumindo que um décimo da luz que recebemos à noite vem das estrelas (e podemos enxergar bem o suficiente para seguir estradas e distinguir objetos à noite sem a ajuda da Lua e, claro, pela luz das estrelas), por meio de cálculos, mostra que recebemos essa luz de nada menos do que 66 bilhões (66 mil milhões) de estrelas, não contando aquelas mais fracas do que a 17ª magnitude e nossos maiores telescópios nos mostrarão estrelas até a 18ª magnitude ou até menos. Há muito tempo o Senhor disse a Abraão: “Olha agora para o céu e conte as estrelas, se puder”[13]. O desafio ainda está aberto; mas “Ele conta o número das estrelas; Ele chama todas pelos seus nomes”[14]. Na verdade, “os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos” [15]; é só o tolo quem “diz no seu coração: Deus não existe”. Outros mundos são habitados? Os astrônomos não sabem; mas “vinde agora e raciocinemos juntos”. Sabemos que a Lua não tem atmosfera e que todos os seres vivos, tanto vegetais como animais, precisem de ar. O dia e a noite lá duram duas semanas e não há atmosfera para proteção contra o Sol escaldante, nem nuvens durante o dia que poderiam reter o calor e proteger do frio intenso da longa noite lunar. A vida como a conhecemos não pode existir na Lua. Em alguns Planetas isso nos parece problemático; Júpiter, por exemplo. Mas com os milhares de milhões de Mundos em mente, criados para algum propósito, devemos concluir que: ou a vida é natural e universal ou a vida na Terra é uma aberração fantástica. Mas isso é inconsistente com o bom senso. É um absurdo. Se esses inúmeros mundos não servem para algum tipo de vida, para que servem?
Nossos sonhos e concepções mais loucas do poder do Criador nos envergonham com sua insignificância. A realidade nos oprime, nossas Mentes e Corações adoecem com o conhecimento dessa infinidade de grandeza. Eis que este é o Deus do astrônomo! Totalmente atordoados e oprimidos pela grandeza e imensidão da Casa de nosso Pai, perplexos e desesperadamente abatidos pelo pensamento de nosso nada, lemos com nova compreensão as palavras do poeta hebreu.
“Quando considero os céus, obra dos Teus dedos, a Lua e as estrelas que ordenaste; o que é o ser humano, para que Te lembres dele? E o Filho do Homem, para que o visites?” (Sl 8:3-5). Mas que conforto é saber que nem mesmo um pardal pode cair na terra sem o Seu conhecimento (Mt 10:29-30), e que somos mais do que muitos pardais! Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos; e depois dos pensamentos com os quais temos lidado, talvez percebamos mais plenamente o que significa quando Deus nos diz: “‘Os meus pensamentos não são os seus pensamentos, nem os seus caminhos são os Meus caminhos’, diz o Senhor. ‘Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos’” (Is 55:8-9).
Quão estranho parece que aos seres humanos a quem Deus dotou com uma Mente para compreender esses poderosos problemas, possam ignorar levianamente ou desconsiderar completamente as Leis do Criador e o Sacrifício do Seu Filho pela frivolidade e pelo pecado que nos cercam em toda parte! Eles são loucos. “Pai, perdoe-os; porque não sabem o que fazem” (Lc 23:34).
Não posso fazer melhor do que citar as palavras do poeta alemão Richter, em seus pensamentos sublimes sobre esse assunto. “Deus chamou dos sonhos um homem no vestíbulo do Céu, dizendo: ‘Venha cá e veja a glória da Minha Casa’. E para os servos que estavam ao redor do Seu Trono, Ele disse: ‘Peguem-no e retirem dele suas vestes de carne; limpem sua visão e coloque um novo fôlego em suas narinas; toquem seu coração humano — o coração que chora e treme’. Foi feito; e com um poderoso Anjo para seu guia o ser humano estava pronto para sua viagem infinita; e dos terraços do Céu, sem som ou despedida, eles se afastaram para o espaço sem fim. Às vezes, com o voo solene da asa do Anjo, eles fugiam pela escuridão através do deserto da morte, que divide os mundos da vida; às vezes, eles varriam as fronteiras que estavam acelerando sob os movimentos proféticos de Deus. Então, a uma distância que é contada apenas no Céu, a luz ocorreu por um tempo através de um filme sonolento; por ritmo inalterável a luz varreu-lhes, eles, por ritmo inalterável, para a luz. Em um momento, a corrida dos Planetas estava com eles; em um momento, o arremesso de sóis estava ao seu redor.
“Então vieram eternidades de crepúsculo que revelaram, mas não foram reveladas. À direita e à esquerda, em direção a constelações poderosas que, por autorrepetições e respostas de longe, por contraposições construídas por portas triunfais cujas arquitraves e arcadas — horizontais e verticais — repousavam, elas, as eternidades subiam em altura — isso parecia fantasmagórico desde o infinito. Sem medida eram as arquitraves, além dos números eram as arcadas, além da memória, os portões. Dentro havia escadas que escalavam as eternidades abaixo; acima estava abaixo e abaixo estava acima para o ser humano despojado do corpo gravitacional; a profundidade foi engolida por uma altura intransponível, a altura foi engolida por uma profundidade insondável. De repente, enquanto rolavam do infinito ao infinito; de repente, enquanto se inclinavam sobre mundos abismais, um grito poderoso surgiu — que sistemas mais misteriosos, que mundos mais ondulados! — outras alturas e outras profundezas estavam chegando, estavam se aproximando, estavam próximas…
“Então o ser humano suspirou e parou, estremeceu e chorou. Seu coração sobrecarregado se pronunciou em lágrimas, e ele disse: ‘Anjo, não irei mais longe, pois o espírito do ser humano sofre com sua infinidade. Insuportável é a glória de Deus. Deixe-me deitar-se na sepultura e me esconder da perseguição do Infinito; pois o fim, eu vejo, não existe’. E de todas as estrelas ouvintes que brilhavam ao redor surgiu uma voz em coral: ‘O ser humano fala a verdade; final não há qualquer um do qual já tenhamos ouvido falar’. ‘Fim, não há um?’, o Anjo exigiu solenemente. ‘Será que realmente não há fim? É essa a tristeza que te mata?’. Mas nenhuma voz respondeu, para que ele mesmo pudesse responder. Então o Anjo ergueu suas mãos gloriosas para o Céu dos céus, dizendo: ‘Não há fim para o universo de Deus. Eis que também não há começo!”.
Terminemos a nossa jornada. Não estivemos longe. Não tive a intenção de ir muito além das nossas portas, por assim dizer; então, retornemos ao nosso pequeno lar atual que chamamos de Terra e deixemos que as lindas e cintilantes estrelas — as estrelas gentis, amáveis e amorosas, parecem-me, com seus mundos que as acompanham — girem e brilhem em espaço sem limites, enquanto uma nova luz — a luz do universo de Deus — brilha sobre Sua palavra e nos leva de volta ao tempo em que “no princípio Deus criou os céus e a terra” (Gn 1:1) ou quando as “estrelas da manhã cantam juntas” (Jo 38:7); assim, avançamos para o tempo em que haverá um “novo Céu e uma nova Terra” ( Ap 21:1) e os vencedores herdarão o Reino. Afinal: “Na casa do Meu Pai há muitas moradas” (Jo 14:2)
FIM
[1] N.T.: Mt 15:13
[2] N.T.: em 1916
[3] N.T.: em 1916. Em 2025: 145 luas conhecidas
[4] N.T.: em 1916. Em 2025: 27 luas conhecidas
[5] N.T.: Em 2025: 14 luas conhecidas
[6] N.T.: Alpha Centauri (α Centauri, α Cen) é o sistema estelar mais próximo do Sistema Solar, a uma distância de 4,37 anos-luz (1,34 parsecs) do Sol. Consiste de três estrelas unidas gravitacionalmente: o par Alpha Centauri A (também conhecida como Rigil Kentaurus) e Alpha Centauri B (também conhecida como Toliman), duas estrelas brilhantes e próximas no céu, e uma anã vermelha pequena mais afastada, Alpha Centauri C (também chamada de Proxima Centauri). A olho nu, os dois componentes principais são vistos como um ponto único de luz com magnitude aparente visual de -0,27, formando a estrela mais brilhante da constelação de Centaurus e a terceira mais brilhante do céu noturno, superada apenas por Sirius e Canopus. É visível de todo hemisfério sul, sendo circumpolar a sul do paralelo 29 S.
[7] N.T.: James Edward Keeler (1857-1900) foi um astrônomo estadunidense. Foi o primeiro a descobrir um pulsar, em 1899.
[8] N.T.: (1835-1909) foi um astrônomo e matemático americano-canadiano. Escreveu sobre economia e estatística, além de ser o autor de um livro de ficção-científica.
[9] N.T.: As Plêiades (Messier 45), conhecidas popularmente como sete-estrelo e sete-cabrinhas, são um grupo de estrelas na constelação do Touro. As Plêiades, também chamadas de aglomerado estelar (ou aglomerado aberto) M45, são facilmente visíveis a olho nu nos dois hemisférios e consistem de várias estrelas brilhantes e quentes, de espectro predominantemente azul. As Plêiades têm vários significados em diferentes culturas e tradições.
[10] N.T.: Orion ou Oríon é uma das oitenta e oito constelações modernas. O genitivo, usado para formar nomes de estrelas, é Orionis. Está localizada no equador celeste e, por este motivo, é visível em praticamente todas as regiões habitadas da Terra. A época mais favorável para sua observação se dá principalmente nas noites de verão no hemisfério sul, ou inverno no hemisfério norte, em dezembro e janeiro.
[11] N.T.: A Estrela de Kapteyn é uma anã vermelha a cerca de 12,83 anos-luz (3,93 pc) da Terra na constelação austral de Pictor. Com uma magnitude aparente visual de 8,85, é visível somente através de binóculos ou telescópios. É a estrela do halo galáctico mais próxima conhecida e, também, a segunda estrela com o maior movimento próprio de todo o céu, atrás da Estrela de Barnard. Em 2014, foi anunciada a descoberta de dois planetas orbitando a Estrela de Kapteyn.
[12] N.T.: Por exemplo: Mundo Físico, Mundo do Desejo, Mundo do Pensamento, Mundo do Espírito de Vida, como é o caso do nosso Sistema Solar.
[13] N.T.: Gn 15:5
[14] N.T.: Sl 147:4
[15] N.T.: Sl 19:1
Resposta: Se você ler atentamente os Ensinamentos Rosacruzes, verá que neles se faz uma distinção entre Jesus e Cristo. Jesus era um homem entre os homens. Quando pesquisamos na Memória da Natureza, podemos encontrar suas vidas anteriores, da mesma forma que a dos outros seres humanos, embora ele seja, provavelmente, a maior e mais nobre alma que já viveu num Corpo Denso humano. Cristo é o mais elevado iniciado do Período Solar e jamais havia vivido num Corpo Denso terreno antes de assumir o Corpo Denso de Jesus por ocasião do Batismo, para ensinar diretamente aos seres humanos o caminho do Reino de Deus. Assim, tanto Jesus quanto Cristo estão imensamente acima dos grandes e nobres mestres mundiais, como Buda, Maomé, Confúcio e outros.
Você está certo ao afirmar que a versão autorizada da Bíblia diz que Cristo é o Filho unigênito de Deus, mas entender isso não basta confiar na tradução da Bíblia para o inglês. A expressão usada no grego é ton monogene, e pode ser traduzida por “o único gerado”, assim como nas plantas, onde ocorre a monogênese[1]. Ou seja, muitas plantas têm flores tanto masculinas como femininas e são capazes de fertilizar suas próprias sementes, de forma que essas sementes crescerão e se tornarão plantas iguais àquela que as gerou, a planta-mãe. Sabemos pela Bíblia que o ser humano era macho-fêmea, um hermafrodita e, então, era capaz de gerar outro ser a partir de si mesmo, sem a cooperação de outro, ao contrário do que acontece atualmente devido à divisão dos sexos. Portanto, a ideia que a Bíblia deseja transmitir não é que o Cristo foi o único e exclusivo gerado pelo Pai. Isso pode ser verdade, ou não. Não temos conhecimento a respeito do assunto, mas sabemos pela passagem bíblica é que o Cristo foi gerado pelo próprio Pai – sem qualquer outro intermediário – por algo como “monogenia”, o mesmo processo pelo qual uma planta possuindo flores masculinas e femininas, como já foi dito, pode reproduzir a sua espécie. Mas isso não se aplica ao Corpo Denso, pois o revestimento denso que Cristo durante o Seu ministério entre nós foi o Corpo Denso de Jesus, nascido da maneira habitual e cuja linhagem remonta de David, como ancestral da sua Raça, segundo os historiadores da genealogia encontrada na Bíblia.
Também é verdade o que a Bíblia diz que “não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” e, também, quando disse: “Ninguém vem ao Pai senão por mim”. Contudo, devemos também lembrar que essas duas declarações dizem respeito ao Espírito de Cristo que habitou o Corpo de Jesus durante os anos do ministério de Cristo aqui.
(Pergunta nº 102 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: ou monogenia que em biologia, também descreve um tipo de reprodução assexuada ou geração direta, onde o novo indivíduo se desenvolve sem metamorfoses complexas.