Resposta: Em uma passagem, a Bíblia nos instrui a orar sem cessar[1]. Em outra, Cristo rejeita a prática, dizendo que não devemos imitar aqueles que acreditam ser ouvidos por causa de suas muitas palavras. Naturalmente, não pode haver contradição entre as palavras de Cristo e as de Seus Discípulos; portanto, devemos reformular nossas ideias sobre a oração, de modo a poder orar sempre sem, contudo, recorrer a uma expressão verbal ou mental prolixa. Emerson[2] disse:
“Embora você nunca tenha dobrado os joelhos,
Suas preces são enviadas ao céu a cada hora.
E, sejam elas feitas para o bem ou para o mal,
Ainda assim são registradas e respondidas.”
Em outras palavras, todo ato é uma oração que, sob a Lei de Causa e Efeito, nos traz os resultados adequados. Recebemos exatamente o que queremos. A expressão em palavras é desnecessária, mas a ação constante em uma determinada direção revela o que desejamos – mesmo que nós mesmo não o percebamos – e, com o tempo (mais ou menos longo, conforme a intensidade do nosso desejo) se concretiza aquilo pelo que assim oramos.
As coisas assim obtidas ou alcançadas podem não ser aquilo que realmente e conscientemente desejamos. De fato, às vezes podemos receber algo de que preferíamos estar livres – algo que consideramos uma desgraça, um flagelo –, mas o ato da oração nos trouxe isso e devemos conservá-lo até que possamos legitimamente nos livrar dele. Se lançamos uma pedra para o ar, o ato não se completa até que a reação traga a pedra de volta ao solo. Nesse caso, o efeito sucede a causa com tamanha rapidez que não é difícil associar os dois.
No entanto, se dermos corda em um despertador à corda, a energia fica armazenada na mola até que um determinado mecanismo a libere. Surge então o efeito – o som da campainha – e, embora possamos ter estado mergulhados no sono mais profundo, a reação ou o desenrolar da mola ocorreu do mesmo modo. Da mesma forma, atos que esquecemos acabarão, mais cedo ou mais tarde, produzindo seus resultados inevitavelmente; assim, o ato da oração é atendido.
No entanto, existe a verdadeira oração mística – aquela em que encontramos Deus face a face, tal como Elias O encontrou. Não O encontramos no tumulto do mundo, no vento, no terremoto ou no fogo; mas, quando tudo está em quietude, a voz silenciosa fala conosco a partir do nosso interior. Contudo, o silêncio exigido para essa experiência não é um mero silêncio de palavras. Não há sequer as imagens interiores que habitualmente passam diante de nós na meditação, nem pensamentos; todo o nosso ser assemelha-se a um lago calmo e cristalino. Nele, Deus Se reflete, e vivenciamos a unidade que torna desnecessária a comunicação – seja por palavras ou de qualquer outra forma. Sentimos tudo o que Deus sente. Ele está mais próximo do que nossas mãos e nossos pés.
Cristo nos ensinou a dizer: “Pai nosso que estais nos céus”, etc. Esta oração é a mais sublime que possa ser expressa em palavras; contudo, a oração de que falo pode, no instante da união, se manifestar na única palavra não dita: “Pai”. O devoto, quando verdadeiramente imerso em espírito de oração, não vai além disso. Ele não faz pedidos; pois, que utilidade teriam? Acaso não possui a promessa: “O Senhor é meu Pastor, não me faltará”[3]? Não lhe foi dito para buscar primeiro o Reino de Deus, e que todas as outras coisas lhe seriam acrescentadas[4]? Talvez sua atitude possa ser mais bem compreendida se recorrermos à imagem de um cão fiel que olha, com devoção silenciosa, para o rosto de seu dono, com toda a sua alma transbordando amor através do olhar. Da mesma forma – embora, naturalmente, com intensidade muito maior –, o verdadeiro Místico se volta para o Deus interno e se derrama em adoração silenciosa. Assim, podemos orar incessantemente, no íntimo, enquanto trabalhamos como servos zelosos no Mundo externo; pois lembremo-nos sempre de que não se espera que passemos a vida apenas sonhando. Ao mesmo tempo em que oramos ao Deus interno, devemos também trabalhar para o Deus externo.
(Pergunta nº 166 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: ITss 5:17
[2] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803–1882) foi filósofo, ensaísta, poeta e conferencista norte-americano, reconhecido como o fundador e principal expoente do transcendentalismo, um movimento cultural e filosófico do século XIX nos Estados Unidos.
[3] N.T.: Sl 23:1
[4] N.T.: Mt 6:33
A oração é o elo entre nós e Deus; somente pela oração podemos alcançá-Lo. Cuidamos de nossas tarefas diárias, cumprimos nossos deveres à medida que surgem diante de nós, mas sempre enquanto trabalhamos, devemos estar orando, se quisermos ter sucesso e cumprir nosso dever como devemos.
A oração é o desejo sincero do Coração de fazer em todas as coisas como desejaríamos que fosse feito a nós; esforçando-nos dia após dia para viver melhor nossas vidas e com mais sucesso para que possamos olhar para trás e não encontrar algo de que nos arrependamos. Para que cada ato, obra ou ação possa nos inspirar a fazer maiores esforços e nos aperfeiçoar.
O doce pássaro cantor, entoando seu canto na árvore ou no arbusto, está absorto em amor e oração a Deus, sabendo que será alimentado, abrigado e protegido; mas ajuda as orações correndo de um lado para o outro, conseguindo o alimento e o abrigo que lhe foram reservados tão abundantemente.
A abelha ora pelo sucesso em sua coleta de mel para armazenar e guardar para as abelhinhas, trabalhando até que a própria vida seja sacrificada ao seu grande esforço. A formiga trabalha dia após dia, continuamente apressada para deixar o lar pronto para as novas vidas que o ocuparão, sempre caminhando firmemente pelo caminho bem feito, acumulando provisões para o tempo de necessidade, orando e trabalhando para cumprir sua missão de amor em nosso belo mundo.
A flor reza quando floresce em sua beleza e enche o ar de fragrância, um verdadeiro sopro de Deus que nos alegra e ajuda a admirar Suas obras. Ela estabelece um exemplo para nós, para que possamos fazer de igual maneira — dar de nós mesmos para ajudar os outros, contentes por estarmos fazendo isso sem consideração por nós mesmos, sabendo, como a rosa, que se formos cortados, nós desempenharemos nossa parte conforme Deus decretou, não importando como ou quando isso possa acontecer, pois estaremos satisfeitos, sabendo que realizamos nossa missão.
Até mesmo o rio, cheio de águas turvas e barrentas, está manifestando o amor e o cuidado de Deus, pois seu canal foi feito para tornar possíveis nossos lares e nossas colheitas. Essa é outra oração: fazer o trabalho que lhe foi destinado, apressando-se para cumprir sua parte e então unir-se ao grande oceano, onde será um com aquela grande massa de água; cantando seu próprio réquiem como morte para o riacho, mas um cântico de alegria por ser um com o grande pai das águas. Ele desempenhou nobremente sua parte, regando, refrescando as flores, as árvores, a relva e todo o crescimento das terras mais elevadas, encharcando e fazendo germinar as sementes que foram semeadas tão abundantemente para que nós e o animal, a ave, o peixe, o réptil, o anfíbio e o inseto pudessem ser auxiliados e ter uma oportunidade de maior progresso na evolução. Ele não tem do que se arrepender e desempenhou positivamente a sua tarefa, embora alguma relva, planta ou algum arbusto eventualmente tenha sido sacrificado em sua corrida impetuosa. Mas o maior número foi servido e ajudado.
É fácil ver que a oração é o desejo sincero, o desejo que não será desviado, o desejo de fazer aquilo que fomos enviados aqui para fazer. Viver de acordo com os mais elevados pensamentos e ideais que foram implantados dentro de nós pela própria mão de Deus, desejando a cada dia desempenhar, cada um a sua parte, o trabalho diante de nós com mãos dispostas e corações amorosos, satisfeitos quando tivermos êxito, pensando menos em nossa recompensa e mais nos projetos para melhor realizar, e na maior medida, o trabalho que estamos aptos a fazer.
Olhamos ao nosso redor para aqueles que tiveram sucesso na vida e descobrimos que seu sucesso não foi marcado pelo dinheiro ou pela posse de coisas materiais, mas foi o resultado de vidas cheias de amor e boas ações, sendo a colheita uma de grande ganho no crescimento da alma, ações que podem levar consigo em sua jornada posterior e que os levará, por sua grande força e em seu movimento pendular, cada vez mais em direção às alturas, o objetivo de todos os nossos anseios.
O sucesso para cada um de nós só pode ser medido dessa maneira. Todos seremos alimentados e vestidos, mas o acúmulo de objetos ou artigos mundanos não nos ajudará em uma só partícula na obtenção da vida de Cristo. No entanto, devemos trabalhar; mas não com o propósito de acumular riquezas ou tesouros para esta vida; nosso objetivo é ajudar na evolução da própria Terra e de tudo aquilo que contribui para torná-la completa, pois somente à medida que a Terra evoluir para estados melhores, mais sublimes, seremos providos de um ambiente mais propício à nossa evolução. Portanto, não importa o que fazemos, seja para a planta, o animal ou o ser humano, para a Terra ou para Deus; tudo, afinal, retorna a nós como “pão lançado sobre as águas”. Com certeza nós colhemos aquilo que semeamos (Gl 6:7) e “Deus dá o crescimento”.
Ao nos associarmos àqueles seres humanos que tiveram sucesso em alcançar maiores alturas de espiritualidade, ao lermos sobre os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, vemos que suas vidas foram uma longa e fervorosa oração por luz e orientação; eles ouviram e atenderam a resposta, sempre cumprindo o dever mais próximo, escutando a “pequena voz silenciosa” para saber qual seria a próxima tarefa a realizar, esquecendo o “eu inferior” pelo desejo de seguir as diretrizes da voz interior e de deixar o Cristo Interno viver em cada palavra e ato. Somente assim o mais elevado pode ser alcançado.
O Cristo em nós – o Cristo Interno – é o Deus entronizado em nossos corações, sendo nossos Corpos o Seu Templo (Lc 17:21); enquanto trabalhamos, vigiamos e oramos, Ele ordena nossas vidas; se seguirmos Sua orientação, nada além do sucesso poderá coroar nossos esforços. No esforço honesto e sincero para fazer da melhor maneira possível o trabalho que precisamos fazer e que encontramos por toda parte ao nosso redor, devemos nos voltar para a voz orientadora do Cristo e nos colocar no caminho certo, se inadvertida ou equivocadamente começarmos de maneira errada; isso é válido porque se estivermos vivendo de tal modo que toda a nossa confiança esteja em Deus-Pai, Ele não permitirá que sigamos pelo caminho errado sem um aviso ou, dando atenção aos avisos, o sucesso acompanhará nossos esforços.
Até mesmo nossa vinda para a Fraternidade Rosacruz foi e continua sendo uma oração, pois percebemos que cada um de nós ajuda no trabalho e tem uma oração no Coração, uma oração que nos ajuda a fazer a nossa parte dignamente; cada um sabe que, conforme semeia, assim colhe; caso o sucesso perfeito não coroe nossos esforços, quem julgaria quão longe ou perto do êxito chegamos? Ninguém pode julgar senão Deus; não temos o direito de avaliar os outros, pois quem pode ver os recessos do Coração e saber o que está ali?
Para o mundo exterior pode parecer que não estejamos realizando muito espiritualmente ou até mesmo nós próprios podemos sentir desânimo ou desapontamento por não termos sido capazes de realizar tudo que desejávamos. Mas sabemos quão grandes foram as provações; pensávamos estar preparados para elas, porque nos falaram da sua magnitude, mas mesmo assim falhamos de muitas maneiras, apesar dos avisos e de termos fortalecido a nós mesmos na preparação para enfrentá-las e vencer. Até mesmo nós próprios, conhecendo tudo o que veio e foi embora, todos os nossos esforços, fracassos e nosso – para nós – pequeno sucesso, podemos ter pouca ou nenhuma ideia nem podemos julgar se subimos mais alto no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Somente aqueles que estão acima de nós podem dizer.
A coisa que devemos fazer, entretanto, é continuar tentando. Não importa quantas vezes falhemos, se vemos e sabemos por que falhamos, já ganhamos com isso. Se continuarmos e tentarmos novamente com esse conhecimento diante de nós e resolvemos não deixar que a mesma coisa nos faça tropeçar novamente, mesmo que falhemos repetidamente, ainda assim, se tentarmos cada vez mais tornar nossa vontade mais forte, finalmente seremos capazes de vencer e deixar de cometer os mesmos erros.
Você consegue imaginar a alegria pelo sucesso dos nossos esforços? Todos nós já vimos isso — o esforço de alguém para romper um mau hábito, as provações e os fracassos, a ajuda estendida pela família e pelos amigos, a vitória final e, então, como cada um e todos se alegram por uma vitória conquistada; cada um ajudará o vencedor a recuperar suas oportunidades perdidas, ajudando com tudo que o amor e a boa vontade puderem conceber.
É exatamente assim quando conquistamos uma vitória sobre o “eu inferior”. Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz colocarão oportunidades em nosso caminho e nos ajudarão a compensar tudo o que perdemos em tempos passados. Essa única vitória mostra que todos podem ser vitoriosos sobre o “eu inferior”, se fizermos o necessário e tão grande esforço. A alegria nos Céus então é grande e somos encorajados pela força que adquirimos. Mas nossos fracassos foram recentes demais para que sejamos excessivamente confiantes; ainda assim, como aquela grande vitória nos encoraja!
Quando paramos e analisamos aquilo que foi tão difícil para vencer, realmente nos admiramos de que tenha sido assim; parece algo tão pequeno e insignificante. Nós mesmos dissemos e tantas vezes: “Se eu fosse tão próximo da perfeição quanto aquela pessoa, eu venceria aquela única falha, mesmo que exigisse toda a força que tenho”. Sem dúvida outros disseram o mesmo a nosso respeito.
Estamos deixando de considerar o grande esforço que deveríamos fazer em nossas próprias vidas, pois cada um de nós, não importa quão livres de faltas possamos sentir ou pensar que somos, ainda tem aquela batalha decisiva a vencer: a vitória sobre o “eu inferior” e suas fraquezas. Alguns têm faltas e deficiências de um tipo e outros, de outro; mas acreditamos que, em todos os casos, sem exceção, elas podem ser abrangidas pela palavra: “egoísmo”.
Isso nos mostra o que deve ser feito para nos tornarmos aquilo que desejamos ser. Que importa o que os outros pensam, fazem ou dizem, ou como fazem as coisas? Eles são responsáveis por seus próprios atos. Se fizermos o nosso melhor em todas as circunstâncias, nossa será a recompensa; se o outros querem tudo à nossa própria maneira, pois bem, não temos de vencer por eles.
Alguns de nós chegaram ao ponto em que podemos ver o egoísmo que nos impulsiona, mas é doce e gratificante ter nossa própria maneira de agir em tudo, por isso não tentamos vencer. No entanto, quando percebermos que isso nos impede de avançar, então oraremos e trabalharemos sinceramente para fortalecer nossa vontade e garantir o sucesso.
Se permitirmos que faltas ou hábitos nos dominem, abriremos o caminho para que os pensamentos de outros na mesma direção nos influenciem e diariamente, a cada hora, nossa tarefa se tornará mais difícil. Também existem entidades no lado invisível da Natureza que se esforçam para nos manter no velho caminho e enquanto mantivermos uma atitude negativa elas aumentarão em número, agravando nossa fraqueza.
Parece mesmo que um enorme esforço deve ser feito, mas ele será o coroamento e daí em diante todas as coisas serão possíveis, pois continuaremos orando e, ao fazer o esforço, ajudaremos a responder às nossas próprias orações.
Muitos pensam que seja correto e necessário orar por toda espécie de coisas que, se possuídas, produziriam mais mal do que bem. Mas se orarmos por força para viver nossas vidas em conformidade com a Vontade Divina, há pouco mais pelo que precisamos orar, pois Ele prometeu: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua Justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. E realmente serão, em medida muito maior do que teríamos pedido.
Não é essa a função do ouro e das pedras preciosas que foram colocados na Terra? Por que todas as belas flores, árvores e os belos pássaros canoros de plumagem tão bonita estão aqui? Por que a música, a arte? Apenas por uma simples razão: Deus nos ama, somos Seus filhos. E, como qualquer pai afetuoso, Ele derrama sobre nós o que há de melhor para nos fazer amá-Lo mais e manter nossos corações e pensamentos com Ele; para nos mostrar de maneira bondosa e amorosa o que somos para Ele; para que não desejemos deixá-Lo ou abandonar Seu lar; pois Ele é capaz e mais do que disposto a nos dar tudo aquilo de que precisamos, quando precisamos e se precisamos.
No caso daquele que está se esforçando para ser um Aspirante à vida superior de fato – e não de “fazer de conta” –, cada um de seus pensamentos, desejos, sentimentos, suas palavras, obras, ações ou seus atos é uma oração. Ele ora constantemente e sem esforço. Ora pelo amor de orar. Toda a sua vida é uma oração. Seu louvor a Deus é uma oração; a canção em seus lábios é uma oração; o caloroso aperto de mão e o tapinha no ombro de alguém desanimado são uma oração. O quadro que pinta, a flor que cultiva, o riso de felicidade e alegria — tudo isso são orações. Os pensamentos de adoração e culto ao Autor do nosso ser, mesmo quando nossos lábios estão silenciosos, quando nossa própria alma parece cantar de alegria e somos levados nas asas do silêncio a alturas de bem-aventurança, essas são as orações da alma que anseia pela união com Deus.
Que nunca deixemos de orar, afinal:
A oração é o desejo sincero da alma,
Expresso ou não,
O movimento de um fogo oculto
Que treme no peito.
A oração é o sopro de Deus em nós,
Retornando para o lugar de onde viemos;
O amor é o fogo sagrado interior e a oração,
A chama que se eleva.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Nunca é demais ressaltar a importância de estarmos em Deus a cada instante. Só Ele pode resolver os nossos problemas, da forma como devem ser resolvidos. Só Ele nos poderá orientar para o certo, nos iluminar em nossas atividades, para acertarmos o maior número de vezes possível.
Porém, é preciso que não se confunda esta entrega com inércia, supondo que, ao colocarmos nas mãos de Deus os nossos problemas possamos descansar na cômoda impressão de termos transferido, também, a Ele as nossas tarefas. Longe disto. Nossos deveres nós não os podemos negligenciar, até pelo contrário, quanto mais ativos nos mantivermos procurando dar de nós a cada momento do dia, tanto mais estaremos nos tornando merecedores da Sua confiança e do Seu merecimento. Sim, porque para estar em Deus, é preciso merecer Deus.
Como repetimos todas as vezes que oficiamos o Ritual do Serviço Devocional de Cura da Fraternidade Rosacruz que: “num vaso sujo não pode haver água pura e saudável, nem pode uma lente manchada dar uma imagem nítida“. Da mesma maneira, se não nos tornarmos merecedores de Deus, nem cumprirmos bem todas as nossas tarefas, com sinceridade e pureza, nem procurando ajudar sempre com isenção de ânimo, nem nos tornando um elemento útil e de boa vontade no contexto geral, nossas portas internas manter-se-ão fechadas ao ingresso d’Ele.
É claro que: “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” (At 17:28). E esta asserção não invalida o que foi dito acima. O caso é que nem todas as pessoas são sensíveis à presença de Deus nelas. E é a essa sensibilidade, a esse contato que deve ser empreendido constantemente, que nos referimos antes. Estar em Deus é, pois, ter consciência da presença de Deus em nós. E sóabriremos a nossa consciência para senti-Lo cada vez mais próximo, sempre que estivermos atentos para não perder nenhuma oportunidade de realizar o Bem. Porque o Bem é o reflexo de Deus, e realizando o Bem estaremos realizando Deus, atraindo mais força d’Ele, maior contato, mais luz e, consequentemente, maior ajuda d’Ele.
Na verdade, quanto mais nos elevamos e mais puro nos tornamos, menos necessidade terá de nos preocuparmos em pedir auxílio à Deus. Porque o fato de se realizar n’Ele já nos coloca em condições de não precisar pedir, pois, tendo a Ele em nós nada mais necessitaremos; já teremos tudo.
É por isso que o próprio Cristo nos ensinou ao proferir: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). É isso. O Reino de Deus está em nós, dentro de nós, e é só precisamos tomar consciência disto. Esse acréscimo quer dizer: todos os nossos desejos, intenções se realizarão, inclusive a aspiração de bem Servir, segundo a disciplina de “Buscai o Reino de Deus…”
Eis porque a Filosofia Rosacruz nos orienta a procurarmos aumentar a nossa consciência pelo serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e a irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, e que é a prática dos Ensinamentos Cristãos que Cristo Jesus deixou e que os Irmãos Maiores nos transmitiram por meio dos Ensinamentos Rosacruzes detalhados na Fraternidade Rosacruz.
Sabemos que, para isto, não nos serão necessários grandes exercícios! Dois são os mais importantes: o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção e o Exercício Esotérico Rosacruz matutino de Concentração. O resultado da persistência em fazer tais exercícios vai nos ajudando na realização da prática das coisas boas, que vamos descobrindo por meio dos referidos Exercícios e de nosso tipo Serviço detalhado acima no mundo.
Aliás, a prática constante do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção vai mudando nosso caráter e, automaticamente, nosso destino, por isso dizemos que caráter é igual a destino! Eis aqui uma explicação lógica das palavras de Cristo: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”
Assim, o que é exigido de nós estará sempre dentro das nossas possibilidades, pois seremos nós mesmos, com o nosso esforço no bem viver, que delinearemos as bases do nosso progresso e, consequentemente, do nosso merecimento. Quanto mais trabalharmos para acertar o pé no mundo em que vivemos, tanto mais despertaremos nossa consciência Crística, crescendo internamente, construindo nosso Cristo Interno, colocando-nos, assim, em posição de atrair para nós tudo àquilo que deverá ser nosso, tanto espiritual como material.
Por isso, nosso cuidado maior não deveria ser com as “coisas materiais”, mas com o nosso preparo interno, porque só esse preparo, essa vivência da espiritualidade Cristã que buscamos e realizamos em nós coloca-nos em condições de receber tudo o mais que Deus sabe que necessitamos.
Tomemos nota: quanto mais nos elevarmos, tanto menos falta vamos sentindo das coisas materiais e tanto mais nos vamos aproximando da nossa herança divina.
Não vá agora, alguém, por outro lado, sentir-se inibido pensando que, se por fazer algum pedido a Deus, estará com isso provando a sua incapacidade de estar n’Ele. Pensar assim seria fruto de nosso orgulho, porque é preciso uma boa dose de humildade para admitir as nossas limitações. O que deve servir-nos de escopo é o fato de sabermos que agindo sempre no bem, estaremos em progressivo desenvolvimento para aquele estado de graça, que nos coloca em posição de desenvolver cada vez mais o Cristo Interno.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz” – outubro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: Significa exatamente o que é dito, pois a Terra está passando por inúmeros estágios evolutivos que proporcionam as condições necessárias para o nosso desenvolvimento. Houve a era de escuridão, durante a qual o material do nosso Planeta se aglutinou em um estado de fermentação e germinação que gerava calor; assim, em certo momento, quando foi proferido o decreto criador: “Faça-se a luz”, essa matéria se transformou em uma nebulosa ígnea e luminosa, girando em torno do seu eixo e aquecendo a atmosfera circundante, a qual, por sua vez, era resfriava pelo contato com o espaço exterior. Desse modo, foi gerada a umidade, que precipitou sobre o Planeta incandescente, fazendo com que se desprendesse um vapor – uma neblina ígnea.
Durante éons, esse processo de evaporação e condensação continuou até que a Terra formou uma crosta sólida e se tornou o que conhecemos como terra firme, de onde subia uma névoa – fato também mencionado na Bíblia. Esse vapor se resfriou e se condensou, precipitando sobre a Terra como um dilúvio que, por fim, limpou a atmosfera e estabeleceu as condições atmosféricas prevalecentes até hoje. No passado, possuíamos Corpos adaptados para viver nos variados ambientes da Terra e, atualmente, nossos veículos físicos são compostos em grande parte por água, assim como são os Corpos Densos dos animais e das plantas. No entanto, a Bíblia diz que “a carne e o sangue” não podem herdar o Reino de Deus. Somos informados que deixaremos o Corpo Denso e seremos arrebatados nos ares; além disso, como você mencionou: “não haverá mais mar“. Assim, as condições gerais nos sãos apresentadas, e há muitos indícios de que, embora essas mudanças estejam ocorrendo lentamente, elas certamente virão. Os cientistas começam agora a reconhecer o fato de que a Terra está perdendo umidade. Lemos num artigo publicado na revista “Literary Digest”: “Muitas autoridades reconhecem o fato de que a Terra está perdendo lentamente sua umidade. Segundo C. F. von Hermann[1], em artigo publicado na Revista Science (New York), a maneira como isso ocorre é parcialmente explicada pela ação de descargas elétricas que decompõe o vapor. Um dos gases componentes, o hidrogênio, é muito leve e sobe até as camadas superiores da atmosfera terrestre, de onde acaba sendo expelido. A longo prazo, essa perda de hidrogênio resulta em perda de água. A decomposição da umidade terrestre, com sua consequente perda definitiva, também é provocada por outros agentes, notadamente o efeito dos raios luminosos da faixa superior do espectro. Von Hermann cita o Dr. Karl Stoeckel, autor que escreveu para a publicação na Revista Umschau, afirmando: ‘Acredita-se que os raios ultravioleta da luz solar, ao incidirem sobre o vapor d’água suspenso nas camadas inferiores da atmosfera terrestre, decompõem uma pequena parte dele, produzindo hidrogênio, que ascende a grandes altitudes’.”
Sobre isso, o Sr. von Hermann comenta o seguinte: “Creio que não se havia apontado antes que a superfície da Terra deve estar perdendo hidrogênio continuamente devido à decomposição do vapor de água causada por cada descarga de raio. Pickering e outros identificaram as linhas de hidrogênio no espectro dos raios, e as principais obras de meteorologia mencionam o fato de que as descargas elétricas decompõem certa quantidade de água… O hidrogênio formado por cada raio sobe rapidamente para a alta atmosfera e perde-se para o espaço. Considerando a frequência de tempestades durante o verão em ambos os hemisférios — e a ocorrência constante delas nas regiões equatoriais —, essa perda de hidrogênio não pode ser considerada insignificante. Enquanto as condições na Terra permitirem a ocorrência de tempestades, o lento processo de dessecação do planeta deverá continuar.”
Assim, os ensinamentos da Bíblia são confirmados em todos os pontos essenciais à medida que a ciência avança. Os fatos descobertos demonstram a precisão com que o passado e o presente foram descritos. Isso nos dá motivos para crer que os acontecimentos futuros também estarão em harmonia com as verdades ensinadas na Bíblia.
(Pergunta nº 80 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: “Is the Earth Drying Up?” (A Terra está secando?) — Este segmento de divulgação científica resumiu explicitamente o artigo de von Hermann publicado na *Science* para explicar como o gás hidrogênio escapa para as camadas superiores da atmosfera. (November 22, 1913 – Volume: Vol. 47, No. 21) – Charles F. von Herrmann (c. 1897-1905): inicialmente meteorologista na Estação Experimental Agrícola estadual, von Herrmann tornou-se diretor do Serviço de Clima e Culturas do *Weather Bureau* (Serviço Meteorológico) na Carolina do Norte, compilando registros de observação e resumos mensais de toda a região do Atlântico Sul.
Ninguém pode se sentir feliz vivendo somente para si. Quem assim encaminha sua existência mal pode prever os desditosos resultados de tão triste semeadura. Não nos espanta saber que a sociedade moderna é um imenso agrupamento de pessoas acometidas de diversas formas de neurose. A neurose é uma doença; é um mal provocado por uma vivência centrada no egoísmo. O neurótico, além de egoísta, tende a ser egocêntrico (eu+centro). Isto é, a se colocar no centro de todas as coisas, como se fosse a pessoa mais importante do mundo. Isso, obviamente, gera conflitos e lhe traz sérios aborrecimentos. O indivíduo acaba por se sentir isolado, solitário, incompreendido. Na verdade, ele se tornou incapaz de praticar o amor Crístico.
Os três grandes males ou pecados da nossa época: o egoísmo, a impaciência ante as restrições e o orgulho intelectual nada mais são que expressões neuróticas. A vida moderna, se a pessoa não orar e vigiar, tende a atirá-la na turbulenta correnteza da competição e do hedonismo. São muitas as ciladas e sutis suas aparências. Para quem se deixou envolver pelos condicionamentos sociais, ou se há muito se acomodou ao ritmo e embalo da nossa colorida civilização, tudo isso parece normal. A anomalia consiste em não agir conforme esses parâmetros.
Como proceder, então, diante desse quadro pouco edificante?
Os Ensinamentos Rosacruzes preconizam uma vivência equilibrada: “Viver no mundo, mas não ser do mundo.” (Jo 17:15-16), é uma boa filosofia de vida. O Estudante Rosacruz entende que não deve se isolar só porque as condições do meio onde vive são incompatíveis com seus princípios. Alienar-se é um erro grave. A reparação deverá ser feita no devido tempo. Fugir às responsabilidades é passar ao longo de experiências valiosíssimas. Evitar pessoas incapazes de falar a sua linguagem espiritual ou impotente para se libertar de uma mentalidade materialista não lhe trará benefício algum. Saber se relacionar sem perder sua identidade ou autenticidade é um indício de crescimento espiritual.
Ao Estudante Rosacruz cabe cultivar algumas habilidades. Deve ser flexível e tolerante para com os defeitos alheios, mas vigilante para consigo mesmo. Em suma, é bom aceitar as pessoas como elas são, sem, entretanto, se deixar abalar em suas convicções.
No convívio espiritual cabe-lhe fazer valer suas qualidades e competência isento, porém, de qualquer intenção de competir. Sem pretensões descabidas, trabalha honestamente, confiando na justiça de Deus (não na “justiça dos homens”) que fornece a cada um segundo seu merecimento. Se a ascensão profissional sobrevier como fruto de seus esforços, saberá entendê-la como um meio de fazer o bem e não um fim em si mesmo. Infelizmente as pessoas, em sua maioria, subverteram o sentido das coisas.
O Estudante Rosacruz se esforça por ser um exemplo no meio em que vive. Cuida, entretanto, de que isso não o torne vaidoso. À medida que avança no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz as armadilhas se revestem de sutilezas; as falhas de caráter assumem ares de virtude, e o tombo acaba por se tornar perigosíssimo.
O Estudante Rosacruz está sempre atento em viver no Mundo material, mas cultiva seu mundo interior, tendo sempre presente que o “Reino de Deus está dentro de si mesmo.” (Lc 17:21) governa todos os seus passos. Por falar em passos, ele evita viver apressadamente, como aqueles que correm desesperadamente atrás de algo que nem sabem definir o que seja. Trabalha para viver e não para morrer. A serenidade nunca está com pressa, jamais é impaciente e com falta de tempo. Segundo Goethe, “a felicidade não é um prazer transitório, mas a longevidade de um poder secreto”.
Se o mundo adora a sofisticação, o Estudante Rosacruz ruma em sentido contrário: prefere a simplicidade. É mister redescobrir a simplicidade – simplicidade no viver, simplicidade nas atitudes com relação ao mundo e a outras pessoas. Os prazeres simples trazem mais duradouros benefícios. As simples qualidades Cristãs de amor e bondade, embora nem sempre apreciadas em nossa avançada sociedade tecnológica, são ainda as melhores fontes de felicidade.
Tudo isso é muito importante, mas a suprema meta do Estudante Rosacruz é a consagração de sua vida a servir a Humanidade. Os elevados e compassivos seres, que regem nossa evolução, dentre os quais se destacam os Irmãos Maiores, necessitam, em sua missão benfeitora de obreiros, de Auxiliares Visíveis conscientes aqui na Região Química do Mundo Físico. Quanto mais o Estudante Rosacruz se conscientiza do alcance dessa necessidade, mais disposto estará a servir. Compreende que é um privilégio participar desse plano de redenção, mormente dedicando seus esforços a Obra Rosacruz. Os Irmãos Maiores se regozijam quando o Aspirante à vida superior, superando as limitações do egoísmo, expressa o Amor Crístico, cultivando um sentimento impessoal e universal de solidariedade.
O Estudante Rosacruz, assim, terá dado o primeiro passo ao assumir a condição de Auxiliar Visível e, posteriormente, Auxiliar Invisível inconsciente. Com o decorrer do tempo as faculdades internas dele florescerão a níveis sequer imagináveis, ensejando-lhe se converter em um Auxiliar Invisível consciente. Terá, então, o passo além do véu.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho de 1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Com a ajuda de nossa mãe, do nosso pai e dos Anjos do Destino nos preparamos para um novo nascimento no Mundo Físico.
E toda nossa estada aqui na Terra é para colher os frutos que semeamos em vidas passadas e, consequentemente, para semear outras que nos irão proporcionar experiências futuras para os próximos renascimentos.
Nós, Egos, chegamos aqui nessa mais uma vida na Terra construindo as seguintes ferramentas como veículos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.
Contudo, podemos dizer que a consciência da utilização desses veículos por nós, o Ego, aqui se dá por etapas: isto é, os veículos vão nascendo aos poucos aqui.
E a finalidade desse processo gradual é para que possamos assimilar o máximo em cada etapa e se preparar para a colheita na vida futura.
De posse desses maravilhosos instrumentos nós podemos utilizá-los para evoluir e aperfeiçoá-los, mas a qualidade desse desenvolvimento dependerá da qualidade do trabalho em que esses veículos serão empregados por nós para ganhar experiências em cada vida. Afinal, já sabemos que a verdadeira finalidade da vida não é a obtenção da felicidade, mas a conquista de experiências que desenvolverão os poderes espirituais latentes em cada um de nós.
Nascemos completamente dependentes dos nossos pais e responsáveis e somos guiados por eles durante muitos anos.
Por isso lemos no Livro do Eclesiástico capítulo 7 versículos 27-28: “Honra teu Pai de todo o coração e não esqueça as dores do parto de tua mãe. Lembra-te de que por eles foste gerado: como lhes retribuirás o quanto te deram?”.
Depois do nosso nascimento aqui, nossos veículos estão interpenetrados, mas nenhuma de suas forças positivas é ativa, mas elas continuam a se desenvolver.
É sabido que a vida progride em ciclos de sete em sete anos, desde o nascimento até a morte.
Do zero aos sete anos se dá a preparação para o nascimento do Corpo Vital e, portanto, nós, o Ego, não temos total domínio dele. O sangue utilizado no nosso Corpo Denso é o que foi armazenado na Glândula Timo, quando ainda estávamos no útero da mãe; ou seja, esse sangue é o da mãe. O domínio sobre ele só será possível com a fabricação dos corpúsculos vermelhos do sangue por nós, o Ego.
O Corpo Vital vai crescendo e dando a vitalidade que nós necessitamos no interior de nossa proteção cósmica (também chamado de Corpo Vital macrocósmico).
Nesse período estamos abertos para sermos ensinados e instruídos e não temos a iniciativa para julgar antecipadamente e muito menos para emitir opiniões. Porque durante esses primeiros sete anos nós somos “todos olhos e ouvidos”, absorvendo, sem críticas, tudo o que é nos ensinado e mostrado, constituindo-se esse setenário o mais importante na formação do nosso caráter. Pois a nossa natureza interna é sensível e inocente. Assim, a imitação e o exemplo são as palavras-chaves para a nossa educação nesse período. Imitação por nossa parte e exemplo por parte dos nossos pais, para que imitemos o que é bom.
Nesse período, quando nos deparamos com algo desconhecido somos bastante humildes para perguntar e admitir a nossa ignorância no assunto. Estamos sempre prontos a aprender!
Existe uma passagem na Bíblia que ilustra bem esse ponto. No Evangelho Segundo São Marcos capítulo 10, versículos 14-15 lemos: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais; porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo, todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará”. Isso mostra também que nesse período somos dotados de uma fé infantil, pois acreditamos e vivenciamos tudo o que nos é ensinado.
Em torno do sétimo ano de vida, o Corpo Vital, atingindo seu nível de perfeição suficiente, nasce. Esse é o período em que os pais e educadores poderão ajudar os filhos na formação e desenvolvimento das afeições, dos hábitos, da consciência, do caráter, da memória e do temperamento. É nesse período que passamos a observar mais, e com isso acabamos por aprender a discernir o certo do errado e a cultivar ideais elevados.
As palavras-chaves para esse período na nossa educação são discipulado e autoridade. Contudo, essa autoridade deve ser passada pelos pais com confiança, sinceridade e amor; dessa maneira, podemos considerar nossos pais como sendo os mais corretos e estamos aptos ao aprendizado do discipulado. E nesse momento os pais devem estar prontos a dar uma vida de bons exemplos a seus filhos, já que é mediante a observação e veneração a eles que mais aprendemos. Retornemos à Bíblia no Eclesiástico capítulo 14, versículo 22: “Feliz o ser humano que persevera na sabedoria, que se exercita na prática da justiça, e que, em seu coração pensa no olhar de Deus que tudo vê”.
Por volta dos 14 anos nasce o Corpo de Desejos. A palavra-chave para a educação nesse período é a compreensão e o amor. É o período da puberdade, em que se inicia a nossa fase de autoafirmação e passamos, então, a ter identidade própria. Com isso o sentimento do “eu” começa a se expressar completamente, por ser o sangue inteiramente produzido e dominado por nós, o Ego.
Nesse período, devido à produção de sangue quente pelo Éter de Luz, nós, o Ego, acumulamos muita força sexual no sangue que se desenvolve e governa o coração. É por isso que, muitas vezes, encontramos alguém dizer que alguns jovens “perderam a cabeça” ou que alguns são de temperamento “fervente”. É visto, nesse período, que a ira, a paixão e, muitas vezes, a ansiedade do jovem acabam por elevar a temperatura do sangue e se não houver um controle, poderão prejudicar a atuação do Ego sobre seus veículos. Necessário faz-se que os pais tenham muita paciência com seus filhos para que eles possam transpor esse período até, por volta dos 21 anos, quando nasce a Mente, idade que chamamos de maioridade.
Com o controle da Mente, o Corpo Denso não fica com o sangue nem muito quente nem frio. Com a Mente completa-se a ligação de todos os nossos veículos, incluindo os Éteres superiores, que são o Luminoso e o Refletor e, assim, estamos capacitados para ter controle sobre nossas aspirações e desejos, freando a natureza dos desejos.
Daqui para frente cabe a nós, o Ego, trilharmos o nosso caminho, uma vez que o caráter já está formado. Precisando apenas exercer nossa vontade. É muito importante a educação que os pais dão a seus filhos nesse tempo, sem cobrança ou sem esperar nada em troca e não julgando ser sua propriedade para retribuir os favores dados a eles anteriormente. Pois os filhos que são educados com amor, assistência, atenção, confiança e afeto, certamente, retornarão reconhecendo o valor dos pais ou responsáveis.
Agora estamos prontos para aspirar e desenvolver o que resume o lema da Fraternidade Rosacruz: “uma Mente pura, um Coração nobre e um Corpo são”.
Comecemos lembrando o que a Escola Rosacruz ensina, como máxima fundamental, que “todo desenvolvimento oculto começa no Corpo Vital”.
Há de ter uma particular atenção à parte do Corpo Vital formado pelos dois Éteres superiores que, desenvolvidos e trabalhados, formarão o Corpo-Alma. Trabalho esse que tem início com a prática dos bons hábitos e para isso é essencial utilizar-se da palavra-chave desse veículo que é “repetição”.
No Evangelho Segundo São Mateus, capítulo 7, versículo 24 lemos: “Aquele que ouve minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um ser humano prudente, que edificou sua casa sobre a rocha”. O fator essencial na realização desses ideais é a prática da persistência na meta escolhida. E jamais devemos trabalhar com nossos esforços ocasionalmente, pois isto não leva a nenhum propósito definido e a desistência fica sempre mais próxima!
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o maior perigo que ameaça o Aspirante nesse Caminho de Espiritualidade é que fique preso na rede do egoísmo, e sua única salvaguarda é o cultivo da fé, devoção e a irradiação de amor sem restrições.
Precisamos estar então alertas em relação a nossas atitudes mentais ou novas ideias para que não julguemos somente com o intelecto, mas deixemos, também, o nosso coração tomar parte nessa decisão.
Se tem algo que pode ser destacado como de utilização sempre presente é a adaptabilidade, que é um fator expressivo no Caminho de Evolução.
Existem certos hábitos antigos que deveremos analisar sob diversos ângulos e admitir as mudanças necessárias para vencermos o convencionalismo.
Se estamos neste Caminho de Evolução para a frente e para cima é necessário que façamos inovações: que edifiquemos melhor nosso Templo do Espírito, pois Deus opera continuamente para nosso bem.
Muitas de nossas fraquezas são forças mal dirigidas e devemos, então, mudar o eixo dessas forças recusando pensamentos maus, como medo, temor, ansiedade e outros similares e nos orientar para a verdade que nos é mostrada dentro de nós.
Todavia, se acaso cairmos em tentação, devemos compreender e aceitar esses desafios ou provações de nosso eu inferior e vendo nessas oportunidades uma maneira de nos livrarmos desses maus hábitos para sempre. Aprendamos pela dor e sofrimento, mas, de fato, aprendamos!
As provações são sinais de progresso, pois durante nossas vidas anteriores contraímos dívidas sob a Lei de Causa e Efeito (ou a Lei de Consequência) e hoje estamos ajustando as dívidas antigas, pagando-as uma a uma. Contudo, uma coisa é certa: o futuro deve ser decidido agora para que deixemos de gerar dívidas, o que trará, como consequência lógica, menos sofrimento e dores possíveis e evoluiremos cada vez mais rápido, com segurança, indo ao encontro de Cristo.
Lembremos: “O único fracasso é deixar de lutar”.
Uma indicação importantíssima para a formação dos ideais superiores no Corpo Vital são os Exercícios Esotéricos Rosacruzes: noturno de Retrospecção e matutino Concentração. Outra indicação e o orar utilizando as orações científicas, dentre elas: a Oração do Senhor, o Pai-Nosso. Devemos orar, mas não para obter auxílio material ou passar em exame na escola ou faculdade. Isto é barganha, e barganha espiritual não existe; é ilusão, é a nossa astúcia, reminiscente da Época Atlante.
A oração ajuda nossos veículos a evoluírem com segurança. Portanto, por meio da oração temos um método de produzir pensamentos puros e, assim, agir principalmente sobre o Corpo Vital. Por isso que o Apóstolo S. Paulo nos ensinou que devemos “orar sem cessar”.
O Caminho de Espiritualidade – também chamado de Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz – é aberto a todos, mas para trilhá-lo é preciso eliminar os maus hábitos, o comodismo, a inércia, enfim tudo que é prejudicial no progresso em favor do nosso Cristo Interno.
Contudo, somente o sacrifício de nós mesmos não é suficiente; é preciso fazê-lo em prol da Humanidade, por meio do serviço amoroso e desinteressado aos demais, focando sempre na divina essência que há em cada irmão, em cada irmã, que é a base da Fraternidade, tão preconizada por Cristo!
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Quando nós, o Ego, entramos pela primeira vez na posse de nossos veículos, na Época Lemúrica, não possuíamos cérebro, nem laringe. Para suprir essa deficiência, metade da força sexual criadora, anteriormente empregada na propagação, foi dirigida para cima, a fim de construirmos aqueles órgãos. Pelo primeiro, se poderiam produzir a manifestação do pensamento e da razão aqui e, pelo segundo, comunicar aos outros tal pensamento. Desse modo, vemos que o pensamento é criador, por derivar da força sexual criadora.
Igualmente, é criadora a voz, isto é, a palavra falada, pela mesma razão, tem o poder de criar, porque tem sua origem na força sexual criadora. Daí deduzimos que, ao conservarmos a força sexual criadora teremos maior quantidade de poder aproveitável no processo de raciocínio e, do mesmo modo, nossas Mentes serão muito mais poderosas do que as das pessoas que malbaratam a força sexual criadora. Essa força, não obstante, deve ser empregada em trabalho construtivo, mental ou físico, ou transmutada ao serviço amoroso e desinteressado aos outros. De outro modo causaria perturbação. Se permanecer meramente recalcada, produzirá, com o tempo, desordens e padecimentos mentais, emocionais e nervosos.
O ato de pensar é um processo muito complicado. Envolve, não somente o emprego do cérebro físico, mas, também, o do cérebro etérico, o Corpo de Desejos e a Mente. O processo é o seguinte: como Egos, funcionamos diretamente na Região do Pensamento Abstrato, dentro das nossas auras. Daqui, observamos as impressões lançadas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital, por meio da cadeia de veículos e suas faculdades, chamados os cinco sentidos físicos.
Essas impressões, junto com os sentimentos, desejos e emoções por elas gerados no Corpo de Desejos, são imaginadas na Mente. Dessas imagens mentais, formamos nossas conclusões acerca das coisas observadas. Tais conclusões são as Ideias.
Pelo poder da vontade, nós, como Egos, projetamos uma ideia através da Mente. Aí, toma forma concreta, como pensamento-forma, ao atrair ao seu redor matéria mental da Região do Pensamento Concreto. O pensamento é o poder que usamos para fazer imagens e pensamentos-formas, de acordo com as ideias interiores. O pensamento-forma, em geral, envolve-se em matéria de desejo, obtida do Corpo de Desejos, recebendo um influxo de vida. Este pensamento-forma composto fica, então, capaz de agir sobre o cérebro etérico, impulsionando a força vital através dos centros cerebrais e dos nervos, levando-a até aos músculos voluntários, para gerar a ação. Por conseguinte, o pensamento é a mola real de toda a atividade humana.
Os efeitos do temor e de inquietação sobre o Corpo de Desejos são muito prejudiciais para nosso desenvolvimento anímico. Na inquietação, as correntes de desejo não se desenvolvem em grandes linhas curvas, tal como se realiza em condições normais, mas enchem o Corpo de Desejos de redemoinhos, e só redemoinhos, em casos extremos. Esta última condição impede a pessoa de tomar uma resolução que poderia corrigir a causa de seu temor e de sua inquietude. Tal estado pode se comparar ao da água a ponto de congelar-se, sob a ação de uma temperatura muito baixa. O temor, que se expressa em ceticismo, cinismo e pessimismo, pode comparar-se à água, quando congelada, porque os Corpo de Desejos das pessoas, que habitualmente abrigam esses pensamentos, estão imóveis e nada pode alguém fazer, ou dizer, que possa alterar essa condição.
Cada vez que alguém abriga um desses pensamentos, ajuda a congelar as correntes do Corpo de Desejos e a formar uma armadura azul-acinzentada, em que se encerra, privando-se, muitas vezes, do amor e da simpatia de todo mundo.
Daí, vem a necessidade de nos esforçarmos para sermos alegres e otimistas, mesmo em circunstâncias adversas, sob pena de criarmos severas condições no futuro.
A Mente Subconsciente é fator muito importante no nosso desenvolvimento. Em cada respiração, o ar que inspiramos leva consigo um exato e detalhado quadro do que nos rodeia. O mais ligeiro sentimento, ou emoção, é transmitido aos pulmões, donde passa ao sangue. O sangue é o mais elevado produto do Corpo Vital. Os quadros nele contidos imprimem-se nos átomos negativos do Corpo Vital, para servirem como árbitros do nosso destino, no estado post-mortem. Quando uma pessoa cria um pensamento-forma, de natureza construtiva ou destrutiva, e projeta-o no mundo, efetua o seu trabalho, de acordo com a sua natureza, ou, então, gasta inutilmente sua energia em vã tentativa. Em qualquer dos casos, retorna ao seu criador, trazendo consigo a indelével recordação da viagem. Seu êxito, ou fracasso, imprime-se nos átomos do Éter Refletor e forma parte do arquivo da vida e ação do pensador, arquivo que, por vezes, chamamos Mente Subconsciente.
O pensamento destrói tecidos no Corpo Denso. É bem sabido, pela Ciência, que os pensamentos negativos, destrutivos, tais como medo, angústia, sexualidade e sensualidade, destroem o poder de resistência do Corpo Denso, expondo-o a doenças e enfermidades. Uma pessoa de natureza boa e jovial, ou devotadamente religiosa, que tem fé e confia na providência divina, não cria, com frequência, pensamentos negativos. Como resultado, possui uma vitalidade maior e melhor saúde do que as sujeitas à inquietude. Por meio de pensamentos de amor, benevolência e bondade, despertando qualidades semelhantes nos outros, atraímos pessoas que possuem as ditas qualidades.
Esse sutil e potente poder do pensamento pode ser empregado, também, para curar as doenças e enfermidades. Por outra parte, por meio do pensamento abstrato, estamos capacitados a nos elevar do Mundo material e a entrar em contato com Deus.
Se emitimos pensamentos de otimismo, de bondade, de benevolência, de utilidade e de serviço, esses pensamentos, gradualmente, colorirão a nossa atmosfera, de tal modo que chegará a expressar fielmente essas qualidades e virtudes. E, como nossos Corpos são constituídos por nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), eles se tornam a expressão da nossa atitude mental.
Nossos pensamentos reagem sobre o nosso Corpo Denso e sobre o nosso meio ambiente, trazendo-nos saúde e bem-estar material.
Isso ilustra o poder criador do pensamento. É um meio de provar a verdade proferida por Cristo: “Se procuramos o Reino de Deus e sua justiça, todas as demais coisas serão acrescentadas” (Mt 6:33).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)
A autoridade, a firmeza suave, é indispensável na condução dos veículos humanos por nós, o Ego. Afinal aprendemos que o nosso Tríplice Espírito (nossos veículos espirituais) são contrapartes do nosso Tríplice Corpo.
As antigas tendências muitas vezes buscam levar a falsos caminhos, à fraude; procuram habilmente justificar certos atos errôneos. Mas o “Eu superior” – o que somos: Individualidade – atento, vigilante, cheio de discernimento, imparcial, não pode consentir que a Personalidade transforme o Templo do Corpo num “covil de salteadores” (“Não sabeis que sois templos do Altíssimo que habita em vós? O Reino de Deus está dentro de vós” (ICor 3:16)).
Não devemos permitir que em nosso íntimo se aceitem vícios e enganos, hipocrisia e “venda” de coisas que devem servir para o sacrifício ao Cristo interno; não podemos vender nosso Cristo por favores, prestígios e confortos.
Há muitas formas de cobrar. . . E quantas vezes permitimos que nossos veículos se tornem vendilhões e exploradores de coisas sagradas, comprando prazeres, vendendo emoções animalescas, em detrimento de nossas potencialidades sacrossantas? Por isso não devemos permitir que a Personalidade nos atravesse o Templo de leste a oeste (percorra a coluna de baixo para a cabeça) conduzindo os “animais dos instintos” à cabeça, como imaginações eróticas, sensuais ou egoístas. Só os Sacerdotes devem entrar (que nada mais são do que a sublimação de forças que se elevam para servir a Deus).
Em certas ordens religiosas usavam chicotes de cordéis para martirizar o Corpo Denso quando apareciam os impulsos instintivos. Mas o Corpo Denso não tem culpa!
Ao contrário, ele deve ser preservado como instrumento útil, sadio, saudável a serviço de nós, o Ego, que foi quem o construiu. O azorrague deve descer sobre os instintos do Corpo de Desejos. Não sugerimos violência geradora de recalques, ainda mais prejudiciais que os atos cometidos. Repetimos: firmeza suave, autoridade, disciplinando a pouco e pouco os maus hábitos passados e construindo, paciente e firmemente, novos e melhores hábitos. Daí a importância que o Cristo nos ensinou sobre a intenção, a ideia inicial. Nessa causa primeira é que deve estar nossa vigilância, nosso azorrague.
Reconhecer o que é errado é o primeiro passo. Desejar corrigir é o segundo; decidir expulsar os “vendilhões” é o terceiro e grande passo para a realização interna.
Condescendência própria é ignorância, quando não sabemos discernir; é fraqueza, quando desejamos permanecer no vício. Mas para assumirmos a direção de nossa vida, como Melquisedeque (Rei e Sacerdote de nosso Templo corporal) em Jerusalém (Paz Interna), é indispensável o discernimento, a decisão e a firmeza.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)
Aquele que deseja servir como Auxiliar Invisível deve, durante o dia, cultivar uma atitude benevolente e, à noite, ao se deitar, depois de feito o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, rogar ao Adorável Espírito de Cristo, que enquanto o seu Corpo Denso repousar dormindo, lhe seja concedida a graça de cooperar na seara espiritual em benefício dos seus semelhantes.
Agora, para isso, é importantíssimo compreender os termos Rosacruzes: Alma e Corpo-Alma e como desenvolvê-los. Assim:
Vemos, pois, que a Alma se atrofia quando deixamos de alimentá-la, e que as ações bondosas, pensamentos de amor Crístico e serviço aos irmãos e às irmãs são o alimento para o crescimento dela. A ação tem três principais campos de operação, ainda que ela derivasse seu poder do que realmente somos, o Ego, por raios de energia. A ação no plano mental é o pensamento abstrato, a ação na natureza emocional é o sentimento, a emoção e o desejo, a ação na natureza física é movimento e a ação com o propósito de alcançar todas as relações da vida. O propósito de cada ato, seja mental, emocional ou físico, é induzido pelos pares de opostos como o amor e o ódio, altruísmo e egoísmo, generosidade e avareza, atividade e indolência etc., e seu fruto é incorporado na Alma, como consciência, que nos avisa em tempo de tentação ou nos provê do dinamismo para tudo quanta é Bom, Reto e Altruísta.
Há em todos nós duas naturezas inteligentes e distintas, chamadas o “Eu Superior” e o “eu inferior”, ou Individualidade e Personalidade, respectivamente. O “Eu Superior” ou Individualidade é o que realmente somos, um Ego que nos manifestamos de forma tríplice: um Tríplice Espírito – Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, alimentado pela Tríplice Alma – Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional, respectivamente. Enquanto a Personalidade, ou “eu inferior” é o que achamos que somos realmente – mas não somos –, é composta dos três Corpos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos. O Elo entre a Individualidade e a Personalidade é o veículo Mente. Quando respondemos ao impulso do “Eu Superior”, renunciamos ao que nos é cômodo e útil a favor do que é proveitoso a muitos. Antepomos o Serviço de Deus a todos os valores materiais. Buscamos em todas as coisas e em tudo os valores eternos. Porém, respondemos ao impulso do “eu inferior”, a renúncia nos é desagradável, preferimos mais receber ao que dar, cuidar mais dos bens materiais e transitórios do que dos espirituais, e o resultado é um grande obstáculo ao nosso desenvolvimento espiritual.
Sim, é algo bastante deplorável se encontrar com algum irmão ou alguma irmã, fracassado ou fracassada – que perdeu todos os seus Átomos-sementes – em um estado de inércia durante inconcebíveis milhões de anos, até que, em um novo Esquema, Obra e Caminho de Evolução chegue ao estado de se unir ao ciclo evolutivo e prosseguir em sua tarefa.
Conforme aprendemos na Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, unicamente três quintas partes do número total de Espíritos Virginais que começaram a evolução no Período de Saturno passarão o ponto crítico da próxima Revolução e continuarão até ao fim. Por fim, sempre nos lembremos: a finalidade da Fraternidade Rosacruz é nos mostrar o caminho da iluminação para nos ajudar a construirmos nosso Corpo-Alma e desenvolvermos as potências de nossa Alma que nos permitirão entrar conscientemente no Reino de Deus por meio do Conhecimento Direto. É uma longa tarefa, porém se continuarmos com fé e persistente perseverança alcançaremos o nosso Divino Objetivo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1983 – Fraternidade Rosacruz– SP)
O supremo mistério da vida está oculto e revelado na crucificação e ressurreição dos princípios masculino e feminino na Natureza. Esse processo é alquimicamente chamado de fusão do fogo e da água. O Cristão Místico vê sua manifestação perfeita na passagem do Sol por Peixes e Áries durante os meses de março e abril.
Enquanto o Sol está no Signo psíquico de Peixes, toda a natureza está trabalhando através e com o grande princípio da água ou feminino da Divindade. Este é o tempo do desabrochar dos botões e da seiva fluindo nas árvores. Bem-aventurados os olhos que aprenderam a levantar o véu e podem perceber as obras dos vários ministros do Reino de Deus nesta estação sagrada; pois este é um período de intensa atividade nos planos internos, atividade que se estende das Hierarquias Criadoras celestiais ao reino dos Espíritos da Natureza que o ser humano chama de “Terra das Fadas”.
À medida que o Sol passa para o Signo de Áries, a fusão mágica se completa; As “Águas Vivas” de Peixes são inundadas por uma nova luz, o novo fogo de Áries se inflama. Essa vida ressuscitada que inunda toda a Natureza é o “fogo verde mágico” das antigas lendas gaélicas. Bem-aventurados os olhos que podem ver essas maravilhas que Deus preparou para aqueles que O amam.
Na lenda maçônica de Salomão e Hiram Abiff, Salomão personifica o feminino, aquoso e formador Peixes; Hiram, o marcial e energizante Áries. Quando a forma do Templo estiver completa, ela deve ser infundida com a nova vida radiante do mestre construtor — Hiram (Áries).
Essa mistura de água com fogo se torna a palavra do Mestre, à qual toda a Natureza responde com a ressurreição de uma nova vida. Essa mesma mistura mística é a “Palavra Perdida” que deve ser recuperada pelo ser humana antes que ele possa conhecer a Ressurreição para a vida eterna através da Iniciação, que Cristo descreveu aos Seus Discípulos.
Na vida de Cristo Jesus, que veio como o grande Líder ou Iniciador para toda a Humanidade, esse grande drama cósmico é delineado na “Festa da Páscoa”. A data da Páscoa é fixada de acordo com a tradição oculta. O Sol não só deve cruzar a Linha do Equador, como acontece em 20 ou 21 de março, mas também deve haver Lua Cheia após o Equinócio de Março. O domingo seguinte é a Páscoa, o dia da Ressurreição.
A luz do Sol deve ser refletida pela Lua Cheia antes que esse dia possa amanhecer na Terra. Há um profundo significado esotérico oculto por trás desse método de determinar a Páscoa.
O nível espiritual das massas da Humanidade ainda não é suficientemente elevado para receber e assimilar toda a força e o poder que inundam e permeiam a Terra no momento dessa “Ressurreição Cósmica”, o Equinócio de Março. Somente os Iniciados, aqueles que encontraram e aprenderam a usar a “Palavra Perdida”, mencionada anteriormente, podem participar plenamente deste elevado êxtase espiritual. Esta grande força deve ser recebida e transmitida ou refletida para as massas pela Lua Cheia.
O Cristão Esotérico, enquanto participa com alegria e reverência dos ritos da Páscoa, busca sempre alcançar a participação nos santos mistérios do “Nascer do Sol Cósmico”, a sublime cerimônia do Equinócio de Março.
Na época do Equinócio de Março (ou durante a realização da grande mudança ou mistério Solar), durante três dias, os dias e as noites têm a mesma duração. Assim também, Cristo, cuja vida é uma analogia perfeita do Drama Solar, permanece por três dias na Terra, entre a Crucificação e a Ressurreição. Ele ressuscitou ao nascer do Sol de um novo dia e os Anjos proclamaram com alegria aos Seus Discípulos que Ele havia ressuscitado. Seus Discípulos compreenderam o significado interior de Sua verdadeira missão esotérica para o mundo; ou seja, para que Ele se tornasse o Espírito Planetário residente e “rasgasse o véu”, para que todos os que o desejarem pudessem vir e participar livremente das “Águas da Vida”, por meio do estabelecimento na Terra dos novos Mistérios Cristãos (ou as quatro Iniciações Maiores).
Eis “leite para as crianças” e “alimento sólido para os fortes” — a sublime história do santo nascimento, vida, morte e ressurreição do Mestre supremo, Cristo Jesus, cuja vida deve ser reverenciada e imitada por aqueles que desejam seguir Seus passos.
Há também outro caminho, o caminho da Cruz, como foi misticamente descrito por alguns que o encontraram. Este é o caminho que leva à santa alegria dos Mistérios Solares, que são celebrados nos quatro grandes pontos de virada do ano. A compreensão desses Mistérios levou Platão a afirmar: “A Alma do Mundo está crucificada”.
Nestas épocas mais sagradas do ano, tanto Jesus quanto o glorioso Espírito do Sol, o Cristo, trabalham pela progressão futura dos Astros e pela iluminação daqueles que se tornarem dignos de participar destas “Águas da Vida” eterna às quais o Cristo se referiu quando disse: “Se beberdes da água que eu vos trago, nunca mais tereis sede” (Jo 4:13-14). De muitas maneiras, ao longo do mistério de Sua vida e no significado intrínseco de Suas palavras, Ele colocou a chave que abrirá os portais místicos.
Para aquele que a encontra, a exclamação final do Mestre, “consummatum est” (Jo 19:30), torna-se sua própria “senha” triunfante. Ele também removeu a grande pedra e saiu livre para ser saudado por um coro angelical jubiloso que proclama aos outros Discípulos que aguardam junto ao túmulo: “Ele não está aqui, pois ressuscitou.” (Mt 28:6-7). Afinal, todos nós somos um Cristo em formação e um dia será Páscoa para cada um de nós.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – março-abril/1998, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)