O mundo está experimentando as convulsões que inevitavelmente acompanham a passagem da Humanidade de uma Era para outra, quando o Velho cede lugar ao Novo.
Em uma forma de arte de beleza incomparável, Wagner traça o processo com discernimento profético, revelando as forças que levam à dissolução da velha Ordem e as que estão trabalhando sob os destroços externos, preparando o terreno para um amanhã melhor e mais brilhante.
1. Para fazer download ou imprimir:
Livro: O Ciclo do Anel de Richard Wagner – por Corinne Heline – Fraternidade Rosacruz
2. Para estudar no próprio site:
O CICLO DO ANEL DE RICHARD WAGNER
Por
Corinne Heline
Fraternidade Rosacruz
Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido de acordo com:
1ª Edição em Inglês, 1961, Part III from book: Esoteric Music of Richard Wagner: Richard Wagner’s Ring Cycle – Issued by New Age Interpreter
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP
www.fraternidaderosacruz.com
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
ÍNDICE
Introdução aos Pioneiros da Nova Era
PARTE IV – DIE GOTTERDAMMERUNG
O Ciclo do Anel de Wagner será apresentado pelo menos três vezes nesta temporada pela Companhia Metropolitana de Ópera de Nova York[1]. Essas produções têm muito mais a oferecer do que entretenimento e prazer estético. Elas são um comentário profundo sobre os tempos em que vivemos. Neste século, o mundo está experimentando as convulsões que inevitavelmente acompanham a passagem da Humanidade de uma Era para outra, quando o Velho cede lugar ao Novo. Em uma forma de arte de beleza incomparável, Wagner traça o processo com discernimento profético, revelando as forças que levam à dissolução da velha Ordem e as que estão trabalhando sob os destroços externos, preparando o terreno para um amanhã melhor e mais brilhante.
A seguir, procuramos chamar a atenção do leitor para as características mais salientes dos dramas musicais, vistas do ângulo de sua história, significado evolucionário e cósmico.
Nos quatro dramas musicais que compõem o que se tornou conhecido como o Ciclo do Anel, Wagner previu o conflito que está destruindo o século XX, uma agitação que tem sua origem na insegurança econômica e uma perda cada vez maior de valores espirituais. Wagner também aponta para uma conclusão centrada na nova Ordem mundial que substituirá o caos existente. A Nova Era estará centrada em igualdade e bem universal, enquanto a velha estava situada no bem de um judeu, independentemente do bem-estar das massas.
Richard Wagner foi um prenúncio verdadeiro e dedicado da Nova Era. Tanto sua vida como sua arte gloriosa carregam a impressão do idealismo da Nova Era. No ano de 1848, ele foi exilado da Alemanha por causa de suas ideias radicais e atividades revolucionárias; ainda assim, a mensagem que deixou pode aparecer em qualquer periódico liberal de hoje.
“Vemos ou cheiramos nisto a doutrina do comunismo? Somos tão tolos ou perversos que declaramos que a necessária redenção da raça humana da escravidão mais grosseira e imoral que foi usada para estruturar o materialismo é o mesmo que colocar em prática a doutrina mais absurda e sem sentido, o comunismo? Não vemos que nesta doutrina de uma divisão matematicamente igual de propriedades e ganhos há uma tentativa impensada de se resolver o problema? Mas vamos, assim, descrever o problema como absurdo e sem sentido? Cuidado!”.
“O resultado de trinta e três anos de paz mostra a sociedade humana hoje em tal estado de ruína e pauperismo que até o final deste ano veremos ao seu redor as figuras medonhas da fome pálida! Tomemos cuidado, antes que seja tarde demais! Não demos esmolas, mas reconheçamos o direito, o direito humano concedido por Deus, ou nós poderemos viver o dia em que a Natureza, violada e zombada, vai se erguer em vingança brutal. Então seu clamor selvagem de vitória poderá anunciar o comunismo; e se durar apenas um breve período, porque é impossível que seus princípios prevaleçam, essa regra temporária seria o suficiente para destruir, talvez por muito tempo, todas as conquistas de uma civilização com dois mil anos de idade. Você supõe que eu lhe esteja ameaçando? Não, estou avisando!”.
No ato de abertura do primeiro drama musical do Ciclo, O Ouro do Reno, o brilho cintilante e derretido do ouro é visto flutuando livremente nas águas do rio Reno. Sua massa de beleza dourada simboliza a consciência do Bem. O anão Alberich — que, com seus gigantes, tipifica a Ordem antiga — tira o ouro das águas e o converte em um Anel, simbolizando assim o confinamento ou limitação do Bem. Entretanto, para fazer isso, ele precisa renunciar ao amor. Em outras palavras, deve sacrificar o bem da Humanidade em geral ao engrandecimento de poucos.
Wotan, pai dos deuses, representa a mente das massas de uma Ordem cujos poderes estão diminuindo como resultado de seu mau uso. Sua esposa Fricka caracteriza as regras e regulamentos rígidos pelos quais essa Ordem foi mantida. Sua casa, o magnífico castelo gótico de Valhalla, a fortaleza da Ordem, foi construída para eles pelos gigantes. Wotan se alegra em seu trabalho — pois os de um estado passageiro não podem conceber algo superior a si mesmos e esperam com confiança uma existência eterna.
Desejando aumentar seu poder, Wotan, por astúcia e insinuações, apanha o Anel de Alberich. Antes de abandoná-lo, no entanto, o anão o amaldiçoa: “A morte será a porção de quem o possuir. Ele nunca conhecerá felicidade ou alegria, porém será consumido pelo cuidado e pela ansiedade; enquanto quem não o possuir será dilacerado pela inveja. Quem é dono do Anel se tornará seu escravo até o dia em que for devolvido a sua liberdade no rio Reno”. Podemos notar os efeitos trágicos dessa maldição quase todos os dias, nas manchetes de nossos jornais.
A turbulência mundial é o resultado de um conflito entre duas classes, os “que têm” e os “que não têm”. Desigualdades trágicas podem ser vistas em todas as nossas grandes cidades, onde a minoria vive de luxo, enquanto números incontáveis suportam as condições de pobreza das favelas. Situação semelhante é mantida em toda a América do Sul; nos países do Oriente Próximo e do Extremo Oriente isso, agora, atrai atenção geral. Uma civilização construída sobre essas desigualdades não pode e não vai durar. A consciência da Nova Era não permitirá que aqueles que possuem uma riqueza fabulosa gastem centenas de milhares de dólares em uma noite de prazer egoísta, quando milhões de outros seres humanos quase morrem de fome.
Dois temas musicais, o Amor de Golã e a Maldição do Ouro, estão entre os mais poderosos de todo o Ciclo do Anel. No final de O Ouro do Reno, Wotan e os deuses retornam a Valhalla, significando o apego mental das massas ao padrão estabelecido pela Ordem antiga. Há, no entanto, um raio de luz que se manifesta nesse retorno: eles devem voltar pela ponte do arco-íris. O arco-íris é simbólico e representa um novo dia cheio de beleza e luz. É uma promessa para o futuro. Isso está bem descrito na requintada Música do Arco-íris.
Enquanto Wotan refaz seus passos em direção a Valhalla, um brilho enevoado surge da terra; sob sua luz pode-se discernir a forma de Erda, deusa da terra e mãe dos três destinos: passado, presente e futuro. Seu tema musical é uma expressão da Sabedoria Antiga. Ela representa a Lei imutável e inescapável de Consequência, descrita biblicamente na Epístola de S. Paulo aos Gálatas no versículo 7 do capítulo 6: “Tudo que o homem semear, isso também ele ceifará”. Erda emite um aviso a Wotan: “Fuja do anel amaldiçoado. Há ruína sem fim para você, em seu poder. Tudo que foi, eu conheço. Tudo que será, eu também conheço. Erda, a eterna, convoca-lhe. Tudo que existe chegará ao fim. A noite cairá sobre os deuses. Eu lhe aviso: desista do Anel”.
Quando a primeira cena de A Valquíria acontece, uma tempestade terrível atinge a floresta e curva as árvores poderosas. No centro do palco, há uma pequena cabana, a casa de Hunding e sua bela esposa, a jovem Sieglinde. À porta da cabana chega um estranho que está ensopado de chuva: é Siegmund, o Andarilho. Ele entra e se joga perto da lareira, diante de um fogo aberto. Quando Sieglinde aparece, ele pede abrigo noturno contra os elementos furiosos, dizendo a ela que foi atacado por inimigos que pegaram sua espada e, então, ele se perdeu.
Logo surge Hunding, sombrio, grosseiro, desconfiado. Quando descobre que o estrangeiro esteja em guerra contra seus parentes, imediatamente declara sua inimizade, jurando que, embora a hospitalidade seja concedida durante a noite, no dia seguinte eles devam se enfrentar em combate.
Hunding tipifica a convenção. Ele mantém as regras e regulamentos da Ordem antiga, demonstrando animosidade imediata em relação a tudo que pertença à Nova Ordem. Siegmund e Sieglinde são pioneiros do Novo Dia; portanto, há reconhecimento instantâneo um do outro, de seus ideais e objetivos comuns.
Quando Hunding se recolhe, Sieglinde retorna e pede a Siegmund que fuja enquanto ainda há tempo. Ele responde que seu nome seja Infortúnio e ela diz que ele não possa trazer mais tristeza à casa do que já existe ali. O preço do pioneirismo é sempre o ridículo, o mal-entendido e a perseguição.
Sieglinde informa ao estranho que, na noite de seu casamento forçado com Hunding, outro desconhecido enfiou uma espada no coração do grande carvalho diante da porta, prevendo que, quando um herói alcançasse o poder para retirar a espada, chamada Nothung, sua escravidão terminaria. Cheio de entusiasmo, Siegmund corre ao local e retira facilmente a arma mágica, quando Sieglinde grita: “Seu nome não é mais Infortúnio, pois agora você é o Vitorioso. Veja”, ela continua, “a tempestade acabou e a primavera chegou!”. De mãos dadas, eles caminham em direção às belezas da floresta.
A espada, que desempenha um papel muito importante em todo o Ciclo do Anel, caracteriza a verdade em sua pureza original. Ela pode ser usada bem e sabiamente apenas por aqueles que possuem a mente iluminada e dedicada. E de toda a música magnífica em A Valquíria, nenhuma é mais requintada do que a Canção do Amor e a Canção da Primavera, ouvidas nesta primeira cena.
Provavelmente as mais familiares e amadas de todas as músicas de Wagner, essas composições o tornaram imortal. As Valquírias são donzelas ousadas que, em corcéis de fogo, correm pelo ar para reunir os guerreiros que tiveram mortes de herói e carregá-los até o Valhalla. A música delas eleva nosso espírito a uma altura que transcende as limitações de tempo e espaço. É verdadeiramente “música infinita”.
Brunilde, a líder das Valquírias, simboliza o espírito da verdade. Suas simpatias vão imediatamente para Siegmund e Sieglinde, embora Wotan e Frika exijam que durante o próximo combate ela deva prestar assistência a Hunding. Ela se recusa e, na passagem alta da montanha onde a batalha acontece, é vista pairando sobre Siegmund para lhe proteger dos golpes de Hunding. O sucesso de Siegmund está quase garantido, quando surge um tremendo trovão e Wotan aparece no ar, acima de Hunding. O deus quebra a espada de Siegmund, deixando-o indefeso contra o golpe final de Hunding. Segue um silêncio ofegante, enquanto Siegmund está morrendo. É como se o próprio batimento cardíaco do universo estivesse quieto e toda a natureza prendesse a respiração, aguardando um evento sinistro.
Brunilde assenta a chorosa Sieglinde sobre seu corcel e corre para a floresta. Ela então sussurra para a donzela de coração partido: “Mantenha seu rosto sempre em direção ao leste. Seja sempre corajosa e ousada, pois você carrega em seu coração alguém que trará nova luz aos homens. O mundo ainda está preso à Ordem antiga, mas no horizonte surge um brilho de promessa”. O espírito da verdade não declarou, assim, que Siegfried, filho de Siegmund e Sieglinde, seja o portador da luz de um novo dia?
Depois que Brunilde esconde Sieglinde na floresta, ela volta e enfrenta Wotan, que está irado. De forma lamentosa, diz a ele que, ao ajudar Siegmund em vez de Hunding, estivesse vivendo mais perto de sua própria natureza superior do que ele mesmo. Wotan, de forma relutante, admite a acusação.
É significativo notar que em O Ouro do Reno os dois gigantes, Fafner e Fasolt, mantêm Freia, deusa do amor e beleza, em cativeiro e se recusam a deixá-la ir até que esteja tão completamente coberta de ouro que não possam vê-la.
Wotan diz a Brunilde que, por causa de sua desobediência, ele lançará um feitiço sobre ela — o que significa que a verdade não possa funcionar da maneira ideal, se o mundo estiver preso à antiga Ordem. Ele acrescenta que ela deva dormir em uma montanha alta, cercada por fogo mágico, para que apenas um herói possa despertá-la. Enquanto ela afunda no sono profundo, três vezes Wotan golpeia a pedra com sua lança, enquanto exclama: “Durma até que alguém chegue para despertar quem é mais livre do que eu”. Ao pronunciar essas palavras, o tema de Siegfried, anunciando musicalmente o libertador que está por vir, é ouvido na orquestra.
Na beleza celestial e mágica de sua Música do Fogo, Wagner deu livre reinado a seu gênio. É a música de um fogo sobrenatural que não queima, porém exalta; o fogo celestial do espírito que produz luz, não calor.
Wagner sempre se referiu a Siegfried como “o homem do futuro”. Todo o alto idealismo com o qual ele dotou a “Nova Ordem das Eras” ele concentrou em Siegfried, seu amado herói.
Dois dos números mais bonitos da ópera são o Filho da Floresta, tema musical de Siegfried, e a Canção da Espada. Em Filho da Floresta, Wagner uniu a beleza da infância ao encanto e harmonia da primavera. Canção da Espada é uma expressão alegre e brilhante do espírito de coragem e liberdade.
Quando Sieglinde morre, ela deixa Siegfried na floresta e coloca ao seu lado os dois pedaços de Nothung, a espada quebrada do seu pai. Aqui ele é descoberto por Mime, irmão do anão Alberich que renunciou ao amor para transformar o ouro do Reno em um anel. Fasolt e Fafner, os dois gigantes que possuíram o Anel pela última vez e um tesouro de ouro resultante, imediatamente começam a brigar por sua posse. Um mata o outro, após o que o vencedor coloca o tesouro dentro de uma caverna e se transforma em um enorme dragão que fica de guarda dia e noite. Essa é uma imagem adequada do egoísmo e da ganância que animam a velha Ordem, qualidades que mantêm a maior parte do mundo em escravidão.
Reconhecendo a magia possuída por Nothung, Mime planeja segurar Siegfried até que ele tenha idade suficiente para consertar a arma — pois o anão se vê matando o dragão e, assim, possuindo o Anel.
Siegfried cresce como um filho da natureza, no meio da floresta encantadora. Ele é capaz de domar animais selvagens porque não tem medo. Pela mesma razão, é fácil para ele refazer a espada quebrada. Quando isso é feito, ele decide matar o dragão e não tem dificuldade em eliminar o monstro que, morrendo, avisa sobre a traição de Mime. Tendo sido avisado, quando Mime lhe oferece uma bebida envenenada, o jovem também mata o falso e deixa seu corpo ao lado do dragão.
Tal ação delineia um passo importante no Caminho do Discipulado. Mime e o dragão simbolizam os aspectos mais baixos da natureza de desejos do homem. Alguns desejos devem ser eliminados completamente, como Mime foi; outros podem ser transmutados em qualidades mais elevadas da natureza espiritual do homem, como o dragão que auxilia Siegfried. A paixão então se torna compaixão, a intolerância cede à tolerância, o ódio se transforma em amor, o egoísmo é vencido pela abnegação e o espírito de competição é transmutado no de cooperação.
Depois que Siegfried mata o dragão, descobre que se apoderou de muitos segredos da natureza. Ele agora pode entender a linguagem dos pássaros. Assim, à medida que um discípulo refina e sensibiliza suas faculdades puramente humanas, as capacidades superiores tornam-se operacionais, especialmente a intuição. Ele aprende a ouvir sua voz mansa e a seguir sua orientação implicitamente. Na ópera, um passarinho conta a Siegfried que no topo de uma montanha distante jaz uma bela donzela que ele esteja destinado a despertar.
Wotan, a Mente de massa da antiga Ordem, está ciente da vinda de Siegfried. Temendo que seu poder sobre o mundo diminua, ele pede a Erda, deusa da Terra, que lhe diga como parar a “roda rolante”. Ela responde, perguntando por que motivo ele não obtém esse conhecimento de Brunilde, aquela que possui toda a verdade e toda a sabedoria. Wotan é forçado a confessar que, como Brunilde patrocinou uma nova Ordem de eventos, em vez de permanecer leal à antiga, ele a fez dormir. Erda responde tristemente: “Você deveria ser o defensor da verdade; contudo, foi falso, patrocinando o que é injusto e desleal”. Ela então prevê o declínio do seu poder e a chegada de uma nova Era.
Quando Siegfried finalmente chega ao pé da montanha, ele encontra seu caminho barrado pela lança de Wotan. Com sua espada mágica, ele quebra a lança do deus e se vê livre para atravessar. A aparência de Wotan é sempre acompanhada pelos temas de Escravidão e Sono Eterno (cristalização). No início da ópera, o poder de Wotan, a Ordem antiga, é maior. Nesse encontro, no entanto, a Nova Era se aproxima rapidamente, de modo que o poder de Siegfried, a Nova Ordem, permite que ele seja vitorioso.
Em uma carta escrita por Wagner, ele declarou: “Depois que se separou de Brunilde, Wotan na verdade nada mais é do que um espírito apagado; seu objetivo mais alto pode ser apenas deixar as coisas seguirem seu curso, abraçando seu próprio caminho, não mais interferindo definitivamente; por esse motivo, também ele se tornou o ‘Andarilho’. Dê uma boa olhada nele! Ele se assemelha a nós como um fio de cabelo; ele é a soma do intelecto do presente, enquanto Siegfried é o homem do futuro, o homem que desejamos, o homem que queremos e não podemos fazer; ele é o homem que deve se criar mediante a nossa aniquilação”.
Siegfried começa, de forma exultante, a subida da montanha junto da incomparável Música do Fogo. Wagner não estava descrevendo o fogo que queima; a saber, as ilusões e fantasias do mundo material. Ele descreveu o fogo espiritual que inspira, ilumina e exalta. O Caminho do Discipulado, comum a todas as religiões em todo o mundo, leva os aspirantes ao topo da montanha para ficar de frente com o próprio espírito da verdade, pois todas as religiões apontam o caminho para esse mesmo objetivo.
Siegfried passa ileso pelas chamas para se ajoelhar ao lado da Brunilde, adormecida, e a beija nos lábios, quando ela acorda e o aclama como “Senhor da Vida e do Mundo”. De modo contente, ele se dirige a ela como sua estrela e juntos, de mãos dadas, sonham com a nova e mais nobre Ordem, que está por vir.
A mais alta conquista de todos os verdadeiros discípulos é a imortalidade consciente. É nesse clímax que Brunilde e Siegfried cantam seu requintado dueto de amor, onde suas vozes flutuam para cima em êxtase, parecendo até mesmo tocar os reinos celestes:
“Amor iluminado
Rindo da morte”
O caos do mundo atual é motivado, em grande parte, pela terrível desigualdade entre os seres humanos. Isso provocou inquietação, o descontentamento das pessoas e contínuas revoltas entre nações e povos. O Planeta Terra está muito atrasado em relação ao desenvolvimento programado para ele. Hoje, deveria haver um Mundo Unido, manifestando harmonia, abundância e paz permanente.
Ao longo dos tempos, grandes apóstolos surgiram, tentando espalhar um evangelho de fé e liberdade. Na maioria das vezes, encontraram o ridículo, a perseguição e a morte. Richard Wagner foi um desses pioneiros da Nova Era. Ele usou seu gênio para esclarecer a Humanidade sobre a causa encoberta na crescente turbulência mundial e a cura para ela. Toda a sua mensagem pode ser encontrada no Ciclo do Anel.
Quando alguém é escolhido para executar um serviço abrangente, ele é guiado ao topo da montanha da inspiração para receber sua comissão. Muitas vezes ela é fornecida em uma visão ou por mensagem direta. Em seguida, ele deve ser experimentado e testado, antes de receber a função de mensageiro confiável. Mesmo o Senhor Cristo, Aquele que mostrou o caminho à Humanidade, teve que descer entre os seres humanos, está para realizar Seu maior ministério.
E assim aconteceu com Siegfried. Brunilde lhe dá lições de sabedoria sobre as alturas da inspiração; depois, ela o envia para as estradas e caminhos para proclamar as glórias do Novo Dia. Nesta missão, ele vai ao castelo onde vive o rei Gunther e sua irmã, Gutrune, com o mau Hagen, filho do anão Alberich. Hagen preparou Gunther e Gutrune para a vinda de Siegfried, contando-lhes sobre a gloriosa Brunilde e como ela treinou Siegfried para a função que lhe foi destinada. Além disso, Hagen sugere ao rei que ninguém menos que Brunilde seja a companheira adequada para ele; enquanto que, de Gutrune, extrai a promessa de exercer todos os seus artifícios femininos para ajudar a alcançar o fim desejado de conquistar Siegfried por si mesma.
A maldição do Anel ainda se mantém, embora esteja agora na posse de Siegfried. Hagen planeja afastar os jovens da proteção mágica de Brunilde e, assim, livrar-se de sua interferência, ficando livre para obter o Anel. “Então”, ele exclama alegremente, “eu serei o mestre do mundo inteiro!”. Hagen é um antigo conceito familiar que dominou ditadores em todas as épocas. Eles acreditavam que, se pudessem reprimir todo o reconhecimento dos valores espirituais e sufocar os fogos da liberdade, poderiam governar o mundo por meio de suas proezas humanas. Tal é o sonho daqueles que obteriam o poder dentro de uma ordem mundial em rápida desintegração.
Siegfried entra na presença de Gutrune, que lhe dá um copo de hidromel no qual Hagen jogou a “droga do esquecimento”. Enquanto leva a xícara aos lábios, um passarinho avisa sobre o seu conteúdo envenenado, mas ele não lhe dá atenção. Bebe e perde instantaneamente toda a memória da bela donzela que o espera no topo da montanha, porque sob o feitiço da poção ele se apaixona pela mulher sensual e atrativa que está diante dele. Quando Hagen lhe pergunta se entende a linguagem dos pássaros, ele responde, rindo: “Agora que escuto o riso das mulheres, não consigo mais ouvir os passarinhos”.
Não podemos servir a dois senhores ao mesmo tempo. Devemos fazer uma escolha entre a natureza superior e a inferior. Todos os que alcançam um lugar de destaque, riqueza ou liderança são confrontados com o teste sutil de fazer a escolha entre ganho pessoal e autoengrandecimento, por um lado, ou serviço disposto e auto apagamento, por outro. “Todo aquele que for chefe entre vós, que seja seu servo” é uma advertência sussurrada através dos tempos. Infelizmente, poucos têm sido aqueles que, em lugares altos, foram sábios o bastante e fortes o suficiente para cumpri-la.
Siegfried não apenas esquece Brunilde como, sob o disfarce de Gunther, ele a procura e leva ao vale. Lá, ela é forçada a se casar com o verdadeiro Gunther, enquanto ele próprio está casado com Gutrune. Hagen se alegra com o sucesso do seu esquema maligno. Em seguida, ele organiza uma caçada para o entretenimento de Gutrune e Siegfried, durante a qual mata este.
A Jornada do Reno e a Marcha Funeral de Siegfried são dois dos maiores números musicais que destacam o Crepúsculo dos Deuses. Ambos são compostos de vários temas que descrevem os eventos da vida de Siegfried desde o nascimento até a morte, quando estes se desenrolam diante do seu olhar moribundo, em ordem inversa. (Esta fase da ópera foi abordada em detalhes no livreto Esoteric Music Based on the Musical Seership of Richard Wagner – Corinne Heline).
O esquife onde Siegfried foi posto é colocado no grande salão do castelo, com o Anel ainda brilhando em sua mão. Hagen o reivindica por si próprio. Quando Gunther proíbe que o pegue, ele puxa sua espada e mata seu companheiro de conspiração. Brunilde tira o Anel do dedo de Siegfried e o coloca por conta própria, dizendo: “Agora tomo minha herança por conta própria! Ó, Anel fatal, eu te pego na minha mão para que possa jogar fora. Irmãs Sábias das Águas, filhas sorridentes do Reno, devolvo o que a vós pertence. Levem para vós: as chamas limparão o Anel e a maldição será lavada no rio”.
Hagen pula no rio, gritando: “O Anel é meu! O Anel é meu! Mas ele está muito atrasado. As Donzelas do Reno já recuperaram o Anel. Dois dos espíritos da água o pegam e seguram sob as ondas, enquanto o terceiro devolve o Anel a seu devido lugar. Pela última vez, a música amaldiçoada soa debilmente e não é mais ouvida. As Donzelas do Reno nadam, enquanto cantam alegremente. O ouro do Reno novamente flui livre, porque não está mais sob a maldição do Anel.
A atual Era de materialismo está centrada no eu e meu: tem sido egocêntrica. A Nova Era estará centrada no “nós e nosso”: será altruísta. A Velha enfatizou a individualidade separatista; a Nova enfatizará a unidade coletiva. Chegará o dia em que a ganância e sua inevitável dor não existirão mais. Uma consciência mundial do Todo-Bem prevalecerá, mais uma vez, entre os seres humanos, como aconteceu quando estavam em paz e sem pecado.
Brunilde declara que acenderá a tocha com a qual queimará o esquife de Siegfried entre as torres do Valhalla, o reduto da Antiga Ordem. Então ela o faz. As chamas e a música aumentam cada vez mais, até a Terra parecer uma massa trêmula e crescente de labaredas com sons que sobem até se perderem entre as estrelas. A fumaça se afasta lentamente e as águas do Reno rastejam sobre as brasas fumegantes.
Wotan, o deus de um dia que acabou, olha tristemente para a destruição de Valhalla. Ele percebe que a Ordem Antiga está morta e que ele era o responsável por sua morte. Ele reconhece que seu poder começou a diminuir quando lançou o feitiço do sono em Brunilde (a verdade) e recorda a acusação de Erda, Deusa da Terra: “Tu deverias ser o defensor da verdade, mas foi falso e patrocinou o que é injusto e desleal”. Enquanto observa as brasas moribundas do seu adorado Valhalla, ele murmura consigo mesmo: “Eu não sou mais um servidor; eu sou apenas um observador”.
No entanto, é apenas um modo de vida e não a própria vida que chega ao fim — um modo que foi tão impedido por obstáculos de chegar ao progresso construtivo que o terreno precisou ser limpo para que uma estrada mais ampla pudesse ser construída.
Neste ponto, temos o motivo da promessa: alto, puro, exultante, acima do tumulto das formas estrondosas: é a Redenção pelo Amor, sem dúvida a música mais transcendente e magnífica de todo o Ciclo. É tão pungente e requintada que tira bastante do fôlego do ouvinte. É a melodia que canta no coração de todo pioneiro que trabalha pela liberdade e irmandade; a mesma música que soou no coração daqueles seres humanos corajosos que assinaram a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América em 1776. De fato, é a música que foi cantada por Anjos acima da pequena cidade de Belém, na noite em que nasceu o Abençoado Emancipador, porque é a palestra musical da “Nova Ordem das Eras”, centrada na Paternidade de Deus e na irmandade dos seres humanos.
Richard Wagner dedicou seu trabalho à grande mensagem do Ciclo do Anel com estas palavras: “Meu precioso conhecimento eu lego ao mundo. Não é mais ouro, nem pompa, casas ou tribunais, nem magnificência nobre, nem o engano dos tratados sombrios, nem a lei hipócrita de maneiras duras; entretanto, apenas uma coisinha tão valiosa nos dias bons quanto nos maus — e isso é o Amor”.
F I M
[1] N.T.: em 1961
Como sabemos, cada um de nós tem uma “vida exterior”, geralmente conhecida e analisada pelos que nos rodeiam e, também temos uma “vida íntima”, da qual somente nós próprios podemos fornecer testemunho.
É, indiscutivelmente, o “mundo interior” a fonte de todos os princípios bons ou maus, nos quais todas as expressões exteriores guardam seus fundamentos.
Em geral, todos somos portadores de graves deficiências íntimas, que necessitam de laboriosa retificação. Porém não é tão simples o trabalho de purificar.
Fácil será aceitarmos as verdades religiosas, aderirmos a esta ou àquela ideologia, entretanto, coisa bem diversa é realizarmos a Obra da Evolução de nós mesmos, por meio da autodisciplina, da compreensão fraternal e do espírito de sacrifício.
Entendia o apóstolo S. Tiago quando proferiu “Limpai as mãos, pecadores; e vós de duplo ânimo, purificai os corações” (Tg 4:8), e conhecia suficientemente a gravidade do assunto, tanto assim que aconselhava os Cristãos no sentido de que “limpassem as mãos”, quer dizer, retificassem as atividades do plano exterior, renovassem suas ações ao olhar de todos e, apelava, ainda, que efetuassem, igualmente, a purificação do sentimento e do desejo, no recinto sagrado da consciência, conhecido unicamente pelo aprendiz, na profundidade indevassável de seus pensamentos. Procurar, com entusiasmo, a purificação dos nossos pensamentos, sentimentos, desejos, nossas emoções, palavras, obras, ações e dos nossos atos é, sem dúvida, tarefa que compete a cada um de nós. Muito ajuda para tal realização, a prática dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes: noturno de Retrospecção e matutino de Concentração, que se encontram na obra básica dos Ensinamentos Rosacruzes, denominada Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
O apóstolo S. Tiago, companheiro valoroso do Cristo, contudo, não se esqueceu de afirmar que isto é trabalho para os de duplo ânimo, porque semelhante renovação jamais se fará tão somente à custa de palavras brilhantes.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – novembro/1964 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Quando nós, o Ego, entramos pela primeira vez na posse de nossos veículos, na Época Lemúrica, não possuíamos cérebro, nem laringe. Para suprir essa deficiência, metade da força sexual criadora, anteriormente empregada na propagação, foi dirigida para cima, a fim de construirmos aqueles órgãos. Pelo primeiro, se poderiam produzir a manifestação do pensamento e da razão aqui e, pelo segundo, comunicar aos outros tal pensamento. Desse modo, vemos que o pensamento é criador, por derivar da força sexual criadora.
Igualmente, é criadora a voz, isto é, a palavra falada, pela mesma razão, tem o poder de criar, porque tem sua origem na força sexual criadora. Daí deduzimos que, ao conservarmos a força sexual criadora teremos maior quantidade de poder aproveitável no processo de raciocínio e, do mesmo modo, nossas Mentes serão muito mais poderosas do que as das pessoas que malbaratam a força sexual criadora. Essa força, não obstante, deve ser empregada em trabalho construtivo, mental ou físico, ou transmutada ao serviço amoroso e desinteressado aos outros. De outro modo causaria perturbação. Se permanecer meramente recalcada, produzirá, com o tempo, desordens e padecimentos mentais, emocionais e nervosos.
O ato de pensar é um processo muito complicado. Envolve, não somente o emprego do cérebro físico, mas, também, o do cérebro etérico, o Corpo de Desejos e a Mente. O processo é o seguinte: como Egos, funcionamos diretamente na Região do Pensamento Abstrato, dentro das nossas auras. Daqui, observamos as impressões lançadas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital, por meio da cadeia de veículos e suas faculdades, chamados os cinco sentidos físicos.
Essas impressões, junto com os sentimentos, desejos e emoções por elas gerados no Corpo de Desejos, são imaginadas na Mente. Dessas imagens mentais, formamos nossas conclusões acerca das coisas observadas. Tais conclusões são as Ideias.
Pelo poder da vontade, nós, como Egos, projetamos uma ideia através da Mente. Aí, toma forma concreta, como pensamento-forma, ao atrair ao seu redor matéria mental da Região do Pensamento Concreto. O pensamento é o poder que usamos para fazer imagens e pensamentos-formas, de acordo com as ideias interiores. O pensamento-forma, em geral, envolve-se em matéria de desejo, obtida do Corpo de Desejos, recebendo um influxo de vida. Este pensamento-forma composto fica, então, capaz de agir sobre o cérebro etérico, impulsionando a força vital através dos centros cerebrais e dos nervos, levando-a até aos músculos voluntários, para gerar a ação. Por conseguinte, o pensamento é a mola real de toda a atividade humana.
Os efeitos do temor e de inquietação sobre o Corpo de Desejos são muito prejudiciais para nosso desenvolvimento anímico. Na inquietação, as correntes de desejo não se desenvolvem em grandes linhas curvas, tal como se realiza em condições normais, mas enchem o Corpo de Desejos de redemoinhos, e só redemoinhos, em casos extremos. Esta última condição impede a pessoa de tomar uma resolução que poderia corrigir a causa de seu temor e de sua inquietude. Tal estado pode se comparar ao da água a ponto de congelar-se, sob a ação de uma temperatura muito baixa. O temor, que se expressa em ceticismo, cinismo e pessimismo, pode comparar-se à água, quando congelada, porque os Corpo de Desejos das pessoas, que habitualmente abrigam esses pensamentos, estão imóveis e nada pode alguém fazer, ou dizer, que possa alterar essa condição.
Cada vez que alguém abriga um desses pensamentos, ajuda a congelar as correntes do Corpo de Desejos e a formar uma armadura azul-acinzentada, em que se encerra, privando-se, muitas vezes, do amor e da simpatia de todo mundo.
Daí, vem a necessidade de nos esforçarmos para sermos alegres e otimistas, mesmo em circunstâncias adversas, sob pena de criarmos severas condições no futuro.
A Mente Subconsciente é fator muito importante no nosso desenvolvimento. Em cada respiração, o ar que inspiramos leva consigo um exato e detalhado quadro do que nos rodeia. O mais ligeiro sentimento, ou emoção, é transmitido aos pulmões, donde passa ao sangue. O sangue é o mais elevado produto do Corpo Vital. Os quadros nele contidos imprimem-se nos átomos negativos do Corpo Vital, para servirem como árbitros do nosso destino, no estado post-mortem. Quando uma pessoa cria um pensamento-forma, de natureza construtiva ou destrutiva, e projeta-o no mundo, efetua o seu trabalho, de acordo com a sua natureza, ou, então, gasta inutilmente sua energia em vã tentativa. Em qualquer dos casos, retorna ao seu criador, trazendo consigo a indelével recordação da viagem. Seu êxito, ou fracasso, imprime-se nos átomos do Éter Refletor e forma parte do arquivo da vida e ação do pensador, arquivo que, por vezes, chamamos Mente Subconsciente.
O pensamento destrói tecidos no Corpo Denso. É bem sabido, pela Ciência, que os pensamentos negativos, destrutivos, tais como medo, angústia, sexualidade e sensualidade, destroem o poder de resistência do Corpo Denso, expondo-o a doenças e enfermidades. Uma pessoa de natureza boa e jovial, ou devotadamente religiosa, que tem fé e confia na providência divina, não cria, com frequência, pensamentos negativos. Como resultado, possui uma vitalidade maior e melhor saúde do que as sujeitas à inquietude. Por meio de pensamentos de amor, benevolência e bondade, despertando qualidades semelhantes nos outros, atraímos pessoas que possuem as ditas qualidades.
Esse sutil e potente poder do pensamento pode ser empregado, também, para curar as doenças e enfermidades. Por outra parte, por meio do pensamento abstrato, estamos capacitados a nos elevar do Mundo material e a entrar em contato com Deus.
Se emitimos pensamentos de otimismo, de bondade, de benevolência, de utilidade e de serviço, esses pensamentos, gradualmente, colorirão a nossa atmosfera, de tal modo que chegará a expressar fielmente essas qualidades e virtudes. E, como nossos Corpos são constituídos por nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), eles se tornam a expressão da nossa atitude mental.
Nossos pensamentos reagem sobre o nosso Corpo Denso e sobre o nosso meio ambiente, trazendo-nos saúde e bem-estar material.
Isso ilustra o poder criador do pensamento. É um meio de provar a verdade proferida por Cristo: “Se procuramos o Reino de Deus e sua justiça, todas as demais coisas serão acrescentadas” (Mt 6:33).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Azul é a cor de Deus-Pai, que reina sobre todo o universo continuamente, desde o início até o fim da manifestação, onipresente em tudo o que vive, respira e tem existência própria. Vermelho ou escarlate é a cor de Deus-Espírito Santo, que gera os seres viventes. Quando a Vida assume uma expressão errônea, se restringida por um código de leis, o Espírito Santo se torna Jeová, o Legislador. Amarelo é a cor de Deus-Filho, Cristo, o Senhor do Amor que por esse Princípio divino transcende a lei e nos leva novamente de volta, em contato direto e harmonia com Deus-Pai.
Assim, você verá que, sob o antigo regime, era impossível incluir o amarelo e tornar as três cores primárias como símbolo do Templo. Naquele momento, Deus-Pai e Jeová reinavam. O azul e o escarlate, Suas cores, figuravam no Templo, e a púrpura, que é a cor resultante da mistura das duas cores primárias mencionadas anteriormente, também lá estavam, mostrando não apenas sua existência separada como também a sua unidade. Por último, havia o espaço em branco, emblemático do fato de que ainda algo permanecia sem se manifestar, e esse algo era a terceira cor, a amarela.
Desde o tempo de Cristo, a verdadeira Escola de Mistérios Ocidentais, a Ordem Rosacruz, têm como seu emblema as Rosas Vermelhas, símbolo da purificação da natureza de desejos; a estrela dourada, mostrando que Cristo nasce dentro do discípulo e irradia de suas cinco pontas, que representam a cabeça e os quatro membros. Isto se reflete no fundo azul, símbolo do Pai. Assim, demonstra-se que a manifestação de Deus, a unidade na Trindade, foi realizada.
Muitas vezes pensei que faltava alguma coisa na literatura da Fraternidade Rosacruz, ou seja, um livro devocional, e milhares dos nossos Estudantes Rosacruzes provavelmente sentiram o mesmo. Para suprir essa lacuna, muitos recorreram a livros de origem oriental, o que é uma prática desaconselhável e muito ruim. Há muitas vidas, quando nós, do Mundo ocidental, estávamos renascidos em Corpos orientais, numa época em que não havia o Mundo ocidental tal como o conhecemos hoje, essa espécie de coisas nos servia, mas atualmente já avançamos muito além e devemos, em vez disso, buscar orientação em nossos verdadeiros santos Cristãos no Caminho da Devoção. Meu livro de cabeceira especial tem sido A Imitação de Cristo de Thomas de Kempis. É realmente um livro maravilhoso. Não há uma só situação na vida que não encontre nele alguma referência adequada; e quanto mais o lemos, mais o admiramos. Você provavelmente sabe que os residentes em Mount Ecclesia se revezam, em ordem alfabética, nas leituras durante os ofícios dos Rituais do Serviço Devocional da manhã e da noite. Sempre que chega a minha vez, pego o livro de Thomas de Kempis e leio um capítulo, do começo ao fim. Depois, repetindo-o algumas vezes. Não há um único trecho cansativo em todo o livro, e seria muito proveitoso que os Estudantes Rosacruzes que sentem o desejo de algo que identifique sua devoção, escolherem essa pequena obra para leitura. Acredito que ele possa ser adquirido na maioria das livrarias do mundo.
(Pergunta nº 81 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Resposta: Tudo que é descrito no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz é visto sob a ponto de vista dos seres humanos que habitam a Terra. Como nós, o Ego, possuímos veículos que vão desde o Espírito Divino até o Corpo Denso, da mesma forma, o Espírito de Cristo possui veículos que vão desde o Mundo de Deus até ao Mundo do Desejo. O Corpo de Desejos é o Seu veículo mais inferior, porque ele pertence à Onda de Vida dos Arcanjos, que alcançaram o seu estágio Humanidade no Período Solar. Desde que o Cristo Arcanjo alcançou o mérito de ser o mais elevado Iniciado do Período Solar, Ele conseguiu construir dois veículos com materiais do Mundo de Deus e, assim a Sua consciência se focalizou no Mundo de Deus, o que O levou a dizer: “Eu e Meu Pai somos Um” (Jo 10:30). Com esse nível de Consciência, Ele alcançou o atributo do Segundo Aspecto de Deus, Sabedoria, o Filho.
Assim como cada Onda de Vida das Hierarquias Zodiacais atinge certa eficiência espiritual, o Cristo dirige um Raio de Sua Consciência para este Planeta, de modo especial. Assim, tanto como o Planeta seja afetado, podemos dizer que é como se o Cristo “visitasse” o Planeta em pessoa. Esse é uma das características de um ser que alcança a Omnisciência.
Vamos a uma alegoria que ajuda a compreender esse fato: O Espírito de Cristo olha para outro Planeta. Cada um deles, por sua vez, reflete a Imagem de Sua Face, da mesma forma que um alquimista observa seus vasos de metal fundido e vê a Sua própria face refletida. Na medida em que o Raio de Consciência dirige-se para cada Planeta, tempo virá em que esse Raio assume a direção deles.
A nossa Terra atingiu esse ponto no tempo em que Cristo veio à Terra, em Sua primeira vinda. O Raio de Cristo tomou posse do Corpo Denso e Corpo Vital do ser humano Jesus de Nazaré, que cedeu os dois Corpos por livre e espontânea vontade – devido à necessidade de Cristo colocar em prática o Plano de Salvação que está nos tirando dessa condição cristalizante e perigosa nesse Esquema de Evolução em que nós mesmos nos colocamos –, tornando-se visível para qualquer pessoa como “um homem entre os homens”. A Ciência oculta explica esse processo dizendo que o Arcanjo Cristo, realmente, descendo ao Mundo do Desejo do Planeta Terra – pois Ele como Arcanjo consegue construir um Corpo de Desejos perfeito –, reativou a sua forma Arcangélica. Com os dois Corpos cedidos por Jesus de Nazaré ele se tornou o único ser que tem uma cadeia completa de veículos desde a Região Química do Mundo Físico até o Mundo de Deus. Essa entrada do Arcanjo Cristo nos dois Corpos cedidos por Jesus de Nazaré é descrita como ter sido efetuada no Batismo.
O Espírito Planetário Original da Terra foi um “Raio” ou parte do Logos Original que foi retirado do nosso Sistema Solar no início da nossa evolução, dirigida por aqueles Grandes Seres a quem designamos como “Pai”, “Filho” e “Espírito Santo”. Por determinado tempo, neste Período Terrestre, o Planeta Terra foi governado de fora, tal como a criança no útero materno não tem um espírito interno por determinado tempo.
Cada ano, desde então, o Cristo Solar (o Espírito do Cristo Cósmico) emite um Raio de Sua Consciência, para a Terra, do mais alto nível do Mundo do Espírito Divino, baixando em direção ao Centro da Terra. Esse é algo como o focalizador da atenção de um nível para outro, tal como um holofote projeta a sua luz do topo de uma colina em direção ao seu sopé e para todos os pontos da planície até onde possa alcançar, das profundezas dos abismos, às mais obscuras profundidades. Da mesma forma, a luz poderá ascender dos pontos mais profundos e obscuros, subindo dos vales, para os aclives, para finalmente atingir o tôpo da montanha e desaparecer nos céus.
Você compreenderá naturalmente que se trata de uma analogia, porém isso ilustra uma ideia em relação daquilo que acontece. Não é algo no sentido de “lentidão” de tempo, nem de “distância” no sentido de passar através do espaço, mas da focalização de um Raio de Consciência no envoltório terrestre, numa busca exterior, para depois penetrar no mais íntimo da Terra.
Para a concepção humana é como se um raio do Cristo Cósmico lentamente descesse e lentamente ascendesse através dos vários níveis. Podemos pensar dessa forma, pois tal é o modo que mais se adapta as nossas concepções, tal como parece que, no horizonte a Terra e o Céu se encontram. Entretanto, a Consciência de Cristo não é uma ilusão; Ele realmente está aqui conosco.
Cristo é o Espírito interno da Terra a cada seis meses do ano. O Espírito Planetário da Terra tinha a cargo a nossa evolução durante os Períodos de Saturno, Solar e Lunar e, provavelmente, a primeira parte do Período Terrestre. Então, esse Espírito, que era um dos Setes Espíritos diante do Trono, retirou-se da participação ativa da direção da evolução da Terra entregando à Cristo. Pode-se acrescentar que, pelo menos em nosso esquema planetário, as entidades mais avançadas, as que alcançaram um elevado grau de perfeição em evoluções anteriores, assumem, nos primeiros estágios, as funções do Espírito Planetário original e continuam a evolução. O Espírito Planetário original retira-se de toda participação ativa, porém, guia os ‘seus Regentes’.
De todo o exposto, torna-se claro, então, que, presentemente, o nosso Espírito Planetário da Terra é realmente Cristo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A autoridade, a firmeza suave, é indispensável na condução dos veículos humanos por nós, o Ego. Afinal aprendemos que o nosso Tríplice Espírito (nossos veículos espirituais) são contrapartes do nosso Tríplice Corpo.
As antigas tendências muitas vezes buscam levar a falsos caminhos, à fraude; procuram habilmente justificar certos atos errôneos. Mas o “Eu superior” – o que somos: Individualidade – atento, vigilante, cheio de discernimento, imparcial, não pode consentir que a Personalidade transforme o Templo do Corpo num “covil de salteadores” (“Não sabeis que sois templos do Altíssimo que habita em vós? O Reino de Deus está dentro de vós” (ICor 3:16)).
Não devemos permitir que em nosso íntimo se aceitem vícios e enganos, hipocrisia e “venda” de coisas que devem servir para o sacrifício ao Cristo interno; não podemos vender nosso Cristo por favores, prestígios e confortos.
Há muitas formas de cobrar. . . E quantas vezes permitimos que nossos veículos se tornem vendilhões e exploradores de coisas sagradas, comprando prazeres, vendendo emoções animalescas, em detrimento de nossas potencialidades sacrossantas? Por isso não devemos permitir que a Personalidade nos atravesse o Templo de leste a oeste (percorra a coluna de baixo para a cabeça) conduzindo os “animais dos instintos” à cabeça, como imaginações eróticas, sensuais ou egoístas. Só os Sacerdotes devem entrar (que nada mais são do que a sublimação de forças que se elevam para servir a Deus).
Em certas ordens religiosas usavam chicotes de cordéis para martirizar o Corpo Denso quando apareciam os impulsos instintivos. Mas o Corpo Denso não tem culpa!
Ao contrário, ele deve ser preservado como instrumento útil, sadio, saudável a serviço de nós, o Ego, que foi quem o construiu. O azorrague deve descer sobre os instintos do Corpo de Desejos. Não sugerimos violência geradora de recalques, ainda mais prejudiciais que os atos cometidos. Repetimos: firmeza suave, autoridade, disciplinando a pouco e pouco os maus hábitos passados e construindo, paciente e firmemente, novos e melhores hábitos. Daí a importância que o Cristo nos ensinou sobre a intenção, a ideia inicial. Nessa causa primeira é que deve estar nossa vigilância, nosso azorrague.
Reconhecer o que é errado é o primeiro passo. Desejar corrigir é o segundo; decidir expulsar os “vendilhões” é o terceiro e grande passo para a realização interna.
Condescendência própria é ignorância, quando não sabemos discernir; é fraqueza, quando desejamos permanecer no vício. Mas para assumirmos a direção de nossa vida, como Melquisedeque (Rei e Sacerdote de nosso Templo corporal) em Jerusalém (Paz Interna), é indispensável o discernimento, a decisão e a firmeza.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)
Frequentemente o autor recebe perguntas em relação ao benefício ou desvantagem do jejum e, portanto, pode ser bom elucidar a origem e o fundamento dessa prática para que possamos determinar qual efeito, se houver, é exercido sobre o crescimento espiritual.
Nas Antigas Dispensações era exigido que os sacrifícios de bovinos e caprinos fossem feitos como expiação ao pecado praticado, pois o ser humano valorizava, então, seus bens materiais, muito mais do que nos dias de hoje, sentindo profundamente sua perda, quando forçado a abrir mão deles para tal finalidade.
Mesmo nos dias modernos, as indulgências são compradas e o Perdão dos Pecados anunciado a qualquer pessoa que doe uma quantia em dinheiro a algumas Igrejas Católicas e Protestantes, para a compra de todo os tipos de acessórios necessários ao serviço.
Mas, sempre houve um ensinamento esotérico, que está sendo promulgado exotericamente hoje, e esse ensinamento não aceita o sacrifício de um animal, dinheiro ou outras posses; contudo, exige que cada um faça um sacrifício de si mesmo. Isso foi ensinado aos Aspirantes na antiga Escola de Mistérios, quando eles eram preparados para o Ritual Místico de Iniciação. A eles foram explicados os mistérios do Corpo Vital – composto pelos quatro Éteres e funções de cada Éter: o Éter Químico, que é necessário para a assimilação; o Éter de Vida, que promove o crescimento e a propagação; o Éter de Luz ou Luminoso, que é o veículo da percepção sensorial; e o Éter Refletor, em que se armazena a memória.
Eles foram, cuidadosamente, instruídos nas funções dos dois Éteres inferiores em comparação com os dois Éteres superiores. Eles sabiam que as funções puramente animais do Corpo dependiam da densidade dos Éteres inferiores, e que os dois Éteres superiores, por sua vez, formavam o Corpo-Alma, o veículo do serviço e, naturalmente, eles aspiravam cultivar essa gloriosa vestimenta, pela renúncia e refreando as propensões das naturezas inferiores, assim como fazemos hoje.
Esses fatos eram mantidos em segredo das pessoas que não estavam no Caminho da Iniciação ou, melhor dizendo, assim deveriam ter permanecido. Mas, alguns neófitos, mesmo sendo excessivamente zelosos em alcançar a Iniciação, não importando os meios, esqueceram que é somente pelo serviço e altruísmo que a veste nupcial dourada é cultivada pelos dois Éteres superiores. Eles pensaram que a máxima oculta, “ouro no cadinho, impureza no fogo; ligeiro como o vento, alçar-se cada vez mais alto”, apenas significava que, enquanto a natureza inferior, a escória, tinha sido expulsa, e não importava a maneira, mas se tivessem encontrado um método fácil, eles teriam retido apenas o “ouro” composto pelos dois Éteres superiores, o Corpo-Alma, no qual eles poderiam, com certeza, acessar os Mundos invisíveis sem obstáculo ou embaraço. Eles concluíram que, como o Éter Químico é o agente de assimilação, poderia ser eliminado do Corpo Vital, privando o veículo físico da fome.
Eles também pensaram que, como o Éter da Vida é a via de propagação, poderiam privá-lo com uma vida celibatária. Seguindo esse método, concluíram, assim, que reteriam apenas os dois Éteres superiores e, portanto, praticavam todas as austeridades que se podia pensar, entre outras práticas, o jejum. Por esse processo o Corpo Denso perdia a saúde e a sua natureza passional ficava debilitada, pois, buscava a gratificação pelo exercício da função propagativa, sendo silenciado com a punição.
Dessa maneira, horrível, é verdade que a natureza inferior parecia estar submetida e, também, é verdade que, quando as funções corporais eram reduzidas a níveis bem baixos, as visões, ou melhor dizendo, as alucinações eram frequentemente a recompensa dessas pessoas equivocadas. Outros que ouviram falar de sua suposta santidade estavam ansiosos para imitá-los; assim, seu exemplo desviou milhares de almas da busca do verdadeiro Caminho.
Mas, o resultado obtido por essas pessoas desencaminhadas e seus seguidores está longe de ser o que se pretendia pelo treinamento na Escola de Mistérios. Antes de mais nada, ao Aspirante à vida superior foi ensinado que o Corpo Denso é o “Templo de Deus” e que profaná-lo, destruí-lo ou mutilá-lo de qualquer maneira é um grande pecado. A indulgência com o apetite é um pecado, uma prática contaminadora que traz consigo certa retaliação, mas não deve ter maior repreensão do que a prática de jejuar para o crescimento da alma.
Viver corretamente não é banquetear e nem jejuar, mas dar ao Corpo os elementos necessários para mantê-lo na forma adequada de saúde, força e eficiência como um instrumento do Espírito. Portanto, jejuar para o crescimento anímico é um pseudométodo que tem o efeito, exatamente o oposto daquilo que foi projetado para ser realizado, devido à falta de visão de seus criadores. “Eu sou a porta”, disse o Cristo, “se alguém não entra pela porta, esse é ladrão e salteador”[1].
Da mesma forma, com a prática do celibato para o crescimento anímico, ou da alma, a máxima enunciada no início desse parágrafo se aplica de forma idêntica. É repreensível quando homens e mulheres, feitos à imagem de Deus, se degradam pela indulgência da natureza passional a um estado inferior ao dos animais, porém, é igualmente repreensível quando aqueles que vivem de outra forma, tendo vidas boas e sagradas, se recusam a sacrificar suas aspirações para dar a uma alma que está à espera daquele Corpo e daquele ambiente que lhe atendam, e que tenha todo aquele tempo para o próprio desenvolvimento. Eles podem, pelo jejum, atenuar o Éter Químico, e, por suas vidas fanáticas e egoístas de celibatário, podem também eliminar o Éter da Vida em grande proporção, mas essas medidas nunca irão construir a “vestimenta dourada de casamento”, que é o ‘abre-te sésamo’ para a festa do “casamento místico”; na falta desse traje, alguns que conseguirem entrar sorrateiramente, por métodos ilegítimos como jejum, castigo e celibato, serão lançados nas trevas exteriores.
(Publicado na revista Rays from the Rose Cross em dezembro/1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Jo 10:1
As quatro estações do ano determinam, desde os mais remotos tempos, os mistérios da relação do ser humano com a Terra (Planeta-mãe) e de ambos com o Sol. Constituem o importante Mistério da Nona Iniciação Menor (a última dos nove Iniciações Menores).
Ademais das influências zodiacais, que levaram os Líderes-Iniciados a estabelecer as formas religiosas (Religião do Touro, Religião do Cordeiro, Religião dos Peixes) houve, desde recuados tempos, uma tradição esotérica ligada aos Equinócios e Solstícios. Encontramos essa tradição, velada por mitos, nas várias civilizações que nos precederam.
A passagem pelo Mar Vermelho e a travessia de Quarenta Anos pelo Deserto, na história dos hebreus, relatadas na Bíblia, é um simbolismo da evolução através do Signo de Áries, cuja cor é o vermelho e cujo Signo é o Cordeiro, tomado por adoração em lugar do bezerro.
Quando Moisés negociava com o Faraó a libertação de seu povo, este lhe resistiu, e o Senhor fez cair sobre o Egito as famosas pragas, que culminaram na matança dos primogênitos. Para preservar seus lares, os israelitas sacrificaram o Cordeiro e pintaram com sangue as ombreiras das portas. Por essas casas a morte não passou. É um símbolo de que, na transição evolutiva de uma para outra Era, aqueles que resistem acabam se cristalizando e ficando para trás.
O cordeiro é o emblema da Dispensação (a terceira Dispensação – a primeira Cristã – de um total de quatro) que deveria suceder à do boi Ápis. Na pressa de deixar suas casas, quando o Faraó finalmente cedeu, os israelitas esqueceram o fermento em casa e tiveram que fazer seus pães sem fermento. Daí se originam os pães ázimos, lembrança da libertação do Egito. Como símbolos, o sangue derramado do cordeiro representa a expiação; e os pães sem fermento, a pureza decorrente dela.
De toda a maneira, antes do êxodo, os Solstícios e Equinócios já haviam influído na determinação dos principais festejos, em todos os povos. A libertação do Egito ocorreu na Páscoa e a ela está associada, pela razão esotérica já exposta, a transição evolutiva para a Era de Áries. Mais tarde, o sacrifício do Cristo ocorreu na mesma Era, para designar a transição para a Era de Peixes.
Herdeira dos mistérios astrológicos ocultos, a tradição Cristã-Esotérica nos conserva o Cristo Solar, com seus doze Apóstolos, substituindo a epopeia de Sansão e a história de Jacó e seus filhos.
Desde Seu sacrifício, pelo qual o Cristo se crucificou à cruz da Terra, para redimi-la dos registros negativos dos pecados dos seres humanos, Ele desenvolve uma sublime e penosa missão, em ciclos correspondentes aos Equinócios e Solstícios.
No Cristianismo Popular este mistério remanesce como tradição, nos festivais Cristãos (Natal, Páscoa, Festas juninas de S. João, S. Paulo e S. Pedro e Imaculada Conceição).
Hoje a Igreja Católica – que preconiza o Cristianismo Popular – volta a considerar, com razão, a Páscoa, como o mais importante acontecimento do ano Cristão. Nela o Senhor demonstrou o triunfo do Espírito imortal, levantando-se do túmulo, ressurgindo dos mortos e dando o modelo do que todos nós, ao devido tempo, devemos individualmente alcançar. O fato é relacionado com o dia de Pentecostes, o Batismo de Fogo prometido, que o Messias interno há de nos dar, para abertura interna e comunhão com todos os seres, além de todas as línguas, limitações e preconceitos.
Os Cristãos Esotéricos (como o é o Estudante Rosacruz ativo e fiel) comemoram a Páscoa na entrada no Equinócio de Março[1], com um ritual adequado que nos relembra a missão do Salvador, e a tarefa individual de libertação, de si e da Terra, em colaboração com o Cristo. Adverte, mais, que Ele, na Páscoa, uma vez mais deixa a cruz do Planeta, onde voluntariamente se cravou, desde o último Natal, a fim de insuflar um renovado impulso de Sua Luz e Amor, que eleve vibracionalmente a Terra em seus nove Estratos, além de suscitar o altruísmo de todos os homens e mulheres, na medida da receptividade deles.
Recomendamos aos Estudantes Rosacruzes estudar e meditar profundamente sobre os mistérios dos Solstícios e Equinócios, em ligação com a Missão do Cristo. Por eles, poderão compreender como, desde o dilúvio que abriu os portais do Arco-Íris para a Época Ária, as estações do ano constituíram os ciclos alternados, em graus maiores e menores, de todos os fatos evolutivos, começando com a Festa das Primícias (uma celebração bíblica que marca a oferta dos primeiros frutos da colheita de cevada a Deus, simbolizando gratidão, confiança e reconhecimento da provisão divina), início do ano solar, no Equinócio de Março.
Ao conscientizarmos, ainda que em pequeno grau, os ciclos da vida do Cristo, assumimos um dever inegável, prazeroso e caloroso, de colaborar no Plano de Salvação do Mundo, começando conosco mesmos – que é de nosso exclusivo interesse – pois não temos feito tudo o que poderíamos fazer em prol de nossa libertação.
Ao começarmos uma vida nova, o ano também se torna novo para nós – um convite desdobrado em quatro etapas de realização trimestral, nas quais somos desafiados a “tomar a nossa cruz”, a assumir conscientemente nosso destino e caminhar para a libertação, seguindo a meta do Cristo. Então estaremos atuando em ritmo e harmonia com o Universo. Deixaremos de ser um peso a mais para o Cristo. Ao contrário, nos converteremos em Simão Cireneu – aquele que ajudou a carregar a cruz do Senhor. Com isso estaremos abreviando o tempo para nosso interno Pentecostes, cuja abertura e despertar nos traçarão o umbral para uma vida mais ampla. Será o cumprimento: “rasgou-se o véu do Templo de alto abaixo” (Mt 27:51, Mc 15:38, Lc 23:45). Será o romper do “ovo[2] da Páscoa” individual, para que o “novo nascido”, havendo cumprido o período de amadurecimento interno (3×7); havendo realizado o trabalho de dentro para fora, pode nascer como pintinho. Mas será ainda um pintinho, convidado a se tornar um galo – símbolo da vigilância, do ser realizado – pelas Iniciações que o esperam.
O pintinho não pode abreviar sua gestação de 21 dias, porque está inteiramente sujeito a um trabalho externo. Mas o ser humano pode abreviar seu amadurecimento interno, porque atua de dentro – quando assume conscientemente a tarefa evolutiva. O tempo de romper o ovo depende de cada um.
Você, agora, está dentro do ovo de seus Corpos. Esperamos que aproveite a oportunidade que está recebendo e se esforce devidamente, para abreviar o tempo de maturação e possa romper a casca de seu ovo, nascendo para uma vida nova.
Cada Iniciado e mesmo cada Estudante Rosacruz ativo e sincero que trabalha conscientemente na Missão do Cristo é um carvão a mais, para aumentar em progressão geométrica, o Fogo e a Luz redentora – até que um número suficiente de seres humanos possa manter a Terra em todos os seus movimentos (rotação, translação, precessão, nutação e outros).
Será, então, a última Páscoa do Cristo; a consumação dos séculos (tempos profanos); e o definitivo “está consumado” (Jo 19:30)! “E ao subir, Ele a todos nos elevará também.” (At 1:9-11)
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1976 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: Vamos ver aqui o porquê, então, para muitos, a data da Páscoa é móvel. Afinal se contemplarmos um calendário, é fácil notar uma diferença entre como é a data do Natal e a da Páscoa. O Natal acontece sempre em uma data fixa, enquanto a Páscoa cai, às vezes, tão cedo como em meados de março e, por outras vezes, tão tardio como em meados de abril.
A causa dessa variação está em que o Domingo de Páscoa acontece, sempre, no primeiro domingo depois da primeira Lua Cheia que segue ao Equinócio de Março. E quem estabeleceu isso? Foi estabelecido por pessoas que compreendiam perfeitamente o esoterismo da estação pascal. E por que esse procedimento? A Páscoa real ocorre no Equinócio de Março, quando o Sol passa da latitude sul para a latitude norte, e Cristo se liberta do Seu trabalho. Então, esse Ser radiante penetra nos planos espirituais da Terra para trabalhar ali com as Hierarquias celestiais e com os membros da Humanidade que foram transportados pela morte à mais altas esferas de atividade. Durante essa elevada estação, as forças de Peixes (março) e Áries (abril) se fundem em uma maravilhosa combinação de Água (Peixes) e Fogo (Áries) que possui, em todos os planos da existência, a chave do Matrimônio Místico. Toda a natureza conhece o regozijo dessa união. Esses poderosos impulsos de fogo estão sob a supervisão das Hierarquias de Áries e de Leão. Esses impulsos, no entanto, de muitíssima potência para ser enfocados diretamente na Terra, se encomendam à Hierarquia de Sagitário, que os distribui entre a Humanidade. As grandes Águas da Vida dessa união mística estão sob a orientação da Hierarquia de Câncer, os Querubins, que entregam essas forças às Hierarquias de Escorpião e Peixes, as que, por sua vez, dispersam sobre a Terra.
Note bem: as Hierarquias Criadoras, acima referidas, que disseminam esse poderoso impulso transmutador sobre a Terra, o fazem dirigindo do Sol para baixo sobre a orientação do Espírito Solar, o Cristo. No entanto, essa força não é suficientemente potente para produzir seu efeito total sobre a Humanidade. E é por isso a Lua Cheia se converte no canal para sua disseminação final. Assim, o Domingo de Páscoa só se celebra corretamente depois da Lua Cheia que segue o Equinócio de Março. A Páscoa se celebra no domingo, que é o dia do Sol, e o Sol é o lar do Cristo Arcangélico. A projeção sobre a Terra dos poderosos raios espirituais do Sol, o domingo, proporciona maior impulso vibratório ao ser humano do que em qualquer outro dia da semana. Ou seja, a grande maioria da Humanidade, em seu conjunto, ignora o grande influxo direto do Sol, que nós conhecemos como a celebração do período entre o Domingo de Páscoa e o Domingo de Pentecoste, até que a Lua Cheia aconteça depois do Equinócio de Março. Repare, então, que essa grande maioria da Humanidade continua respondendo, amplamente, a esse influxo como a uma tendência instintiva ou um desejo de participar de alguma reunião espiritual. Muitos dizem que “vão à Igreja” só uma vez ao ano, e é na Páscoa. Existe, também, o impulso de vestir roupas diferentes, com a mesma natureza, se cobrir com novos tecidos e se pintar com cores para participar de algum tipo de serviço comemorativo ou desfile. Isso é, em grande parte, o conceito que o mundo moderno tem da Páscoa. No entanto, seja como seja, as Hierarquias Criadoras, responsáveis pela evolução do ser humano, são persistentes e infalíveis em Seu ministério para o Planeta Terra e, ano após ano, esse poderoso impulso espiritual eleva e espiritualiza, gradualmente, a Terra e tudo que nela vive. Um dia a Humanidade comprovará que, graças ao processo de transmutação que ocorre na época do período entre o Domingo de Páscoa e o Domingo de Pentecoste, será possível, não só se vestir com um novo traje, mas, como S. Paulo disse, “a remover o homem velho e revestir-vos do Homem Novo” (Ef 4:22-24). Esses são o verdadeiro e elevado significado e, também, o objetivo da estação pascal; e todo ano, uma maior quantidade de seres desinteressados aprendem a se tornar servidores mais eficientes de Cristo em Seu grande trabalho, quando canta Sua triunfante canção de Páscoa: “Eu sou a Ressurreição e a vida” (Jo 11:25).
[2] N.R.: Mas o que tem a ver o “ovo” aqui? Entre os símbolos cósmicos conservados desde a antiguidade, seguramente o mais popular é o ovo. O Simbolismo do Ovo permeia as Religiões. O simbolismo relativo do ovo conservou seu lugar na Simbologia Sagrada até hoje, muito embora a imensa maioria dos seres humanos seja cega ao Grande Mistério que ele encerra e revela: “O Magno Mistério da Vida”.
Quando quebramos a casca de um ovo, achamos apenas fluídos viscosos de coloração variada e consistência diversa. Mas, quando submetido a uma temperatura adequada, logo observamos uma série de mudanças. Assim, em pouco tempo, uma criatura viva pode romper a casca e surgir pronta para assumir seu lugar entre os de sua espécie. Os “magos” dos laboratórios podem sintetizar as substâncias do ovo e injetá-las numa casca. Uma réplica perfeita do ovo natural pode ser produzida, conforme as experiências realizadas até hoje. Contudo, o ovo artificial difere do ovo natural em um ponto fundamental: nenhuma coisa viva pode ser incubada no ovo obtido artificialmente. Fica evidente, portanto, que alguma coisa intangível deve estar presente em um e ausente noutro.
Esse mistério primordial que anima todas as criaturas é o que nós chamamos Vida. A Vida não pode ser detectada em meio às substâncias do ovo, nem mesmo através do mais potente microscópio, ainda que ela esteja ali presente para produzir as notáveis mudanças. Pode-se assim concluir que a Vida tem a propriedade de existir independentemente da matéria. Aprendemos através do sagrado simbolismo do ovo que, apesar da Vida ser capaz de modelar a matéria, não depende dela para existir. A Vida é autoexistente. Não tendo princípio não pode também ter fim. Essa ideia está bem representada pela geometria ovoide presente na própria forma do ovo.
Estamos estarrecidos com a carnificina nos campos de batalha da Europa. Somando a maneira atroz como as vítimas são arrancadas da vida física. Vamos considerar que a média da expectativa de vida aqui é de uns 70 a 80 anos, mais ou menos, e que, em meio século, a morte ceifa a vida de cento e cinquenta milhões de irmãos. Três milhões por ano. Duzentos e cinquenta mil a cada mês. Podemos ver que, afinal de contas, o total não foi tão expressivamente aumentado. Vamos refletir sobre o verdadeiro conhecimento contido no simbolismo do ovo, isto é, que a Vida não pode ser criada, nunca teve princípio e nunca terá fim. Assim estamos prontos para encarar os fatos e admitir: aqueles que são agora retirados da existência física estão apenas atravessando uma jornada cíclica idêntica à da vida do Cristo Cósmico. Vida que interpenetra a Terra nos meses de Setembro, Outubro e Novembro e retira-se na Páscoa. Aqueles que morreram estão apenas indo para os reinos invisíveis. De onde mais tarde, e em novo ciclo mergulharão na matéria densa, interpenetrando, como todas as coisas vivas, o óvulo da futura mãe. Após um período de gestação, reingressarão na vida física para aprender novas lições na grande escola.
Assim, vemos como a grande lei da analogia opera em todas as fases e sob todas as circunstâncias da vida. O que acontece ao Cristo no grande mundo vai acontecer também na vida particular (pequeno mundo) daqueles que caminham para converterem-se em Cristos. Encarando os desafios humanos dessa maneira podemos enfrentar o presente conflito com mais ânimo.
Além disso, devemos compreender que a morte é uma necessidade cósmica nas circunstâncias atuais, pois se estivéssemos aprisionados em um corpo como o que usamos hoje e colocados em um ambiente como o que encontramos hoje, para vivermos para sempre, as enfermidades do corpo e a natureza insatisfatória do ambiente logo nos cansariam tanto da vida que clamaríamos por libertação.
Um corpo imortal bloquearia todo o progresso e tornaria impossível a nossa evolução para patamares mais elevados, como os que podemos alcançar por meio do renascimento em novos veículos e da colocação em novos ambientes que nos oferecem novas possibilidades de crescimento.
Assim, podemos agradecer a Deus por, enquanto o nascimento em um corpo concreto for necessário para o nosso desenvolvimento posterior, a libertação pela morte ter sido providenciada para nos libertar do instrumento ultrapassado, enquanto a ressurreição e um novo nascimento sob os céus auspiciosos de um novo ambiente nos proporcionam outra chance de começar a vida com oportunidades inéditas e aprender as lições que não conseguimos dominar antes. Por esse método, algum dia nos tornaremos perfeitos, assim como o Cristo ressuscitado. Ele ordenou isso e nos ajudará a alcançá-lo.
Fevereiro de 1913
É realmente patético ver o sentimento de grande tristeza das pessoas enlutadas pela morte de alguém próximo e querido, e como, em casos extremos, dedicam o resto de suas vidas ao luto pela pessoa falecida. Vestem-se de roupas de cor pretas e consideram um sacrilégio à memória do falecido até mesmo sorrir, sem perceber que, com essa atitude, mantêm nas Regiões inferiores dos Mundos invisíveis a pessoa que dizem amar, onde tudo que não é bom prevalece, se move e permanece em contato direto com a parte mais inferior e egoísta da Humanidade. Isso não é uma mera fantasia, mas um fato concreto, demonstrável a qualquer um que tenha o mínimo de percepção física.
Uma das maiores bênçãos concedidas àqueles que estudam e acreditam nos Ensinamentos Rosacruzes é a libertação gradual do medo da morte e da sensação de que uma grande calamidade ocorreu quando alguém muito próximo e querido passa para os Mundos invisíveis. Uma bênção flui tanto para os chamados “vivos”, como para os chamados “mortos”, quando o Espírito que parte recebe o cuidado e a ajuda adequados durante a transição. Ele, então, é capaz de assimilar o Panorama da Vida, o que tornará a sua existência post-mortem plena e proveitosa, pois não será perturbado por uma grande tristeza e pesar, pelo luto e pelo choro histérico daqueles estão ainda renascidos aqui, ao seu redor. Durante os anos que se seguem, ele também pode ser auxiliado por suas orações.
Por outro lado, aqueles que estudam esses Ensinamentos Rosacruzes estão aprendendo a praticar essa atitude altruísta em relação à morte, tão necessária para o crescimento da Alma, porque eles percebem que, verdade, que a morte do Corpo Denso, no momento certo, é a maior bênção que pode acontecer com a Humanidade. Não há ninguém entre nós que tenho um Corpo Denso perfeito e, portanto, apropriado para vivermos nele para sempre. Na maioria dos casos, o passar dos anos revela cada vez mais os pontos fracos dos nossos veículos, cristalizando-os e endurecendo-os, de modo que se tornam um fardo cada vez maior do qual nos alegramos em nos livrar. Então, temos a esperança e a certeza de que receberemos um novo Corpo e um novo começo em um momento futuro, para que possam aprender mais das lições na Escola da Vida.
Esta é a época do ano[1] quando a Morte Mística, que todos celebramos, naturalmente direciona nossos pensamentos e os da Humanidade em geral para a questão da morte e do renascimento. Não há outro ensinamento além do Renascimento que seja de igual importância ou de valor similar. A Humanidade precisa disso neste momento mais do que nunca, devido a carnificina de crueldade e matança que se desenrolou nos últimos dois anos e meio na Europa[2]. Tão intimamente interligada está a família humana que, provavelmente, há poucas pessoas no mundo que não perderam algum parente nesse conflito titânico.
É ao mesmo tempo dever e privilégio daqueles que conhecem a verdade sobre a morte disseminá-la o máximo possível, entre aqueles que ainda estão na ignorância quanto aos fatos relacionados a esse evento. Portanto, eu exorto os Estudantes da Fraternidade Rosacruz a reconhecerem como administradores de tudo o que possuímos, tanto bens materiais quando mentais, e que é nosso dever, na medida do possível e de maneira diplomática e discreta, levar esses importantes fatos da vida e do ser ao conhecimento daqueles que ainda não os conhecem. Nunca podemos prever quando teremos a oportunidade de fazer o bem sem olhar a quem. É certo que, mais cedo ou mais tarde, esses Ensinamentos, temporariamente esquecidos, voltarão a ser conhecimento de toda a Humanidade, e devemos, sempre que possível, compartilhar a pérola do conhecimento que encontramos com os outros sempre que possível. Se negligenciamos isso, estaremos cometendo um pecado de omissão, pelo qual um dia teremos que responder.
Confio que você levará isso a sério e se dedicará a disseminar esse conhecimento, não somente quando o momento se oferecer, mas tomando a iniciativa e criando a oportunidade – porém, com toda a devida cautela para que o objetivo que temos em vista não seja frustrado pelo uso do método inadequado. Além disso, não é necessário rotular esse conhecimento. Exemplos bíblicos podem ser apresentados para mostra que essa doutrina era acreditada pelos anciãos de Israel, que enviaram mensageiros a João Batista perguntando se ele era Elias[3]. Também especulando se Cristo era Moisés, Jeremias ou outro dos Profetas também são evidências de sua crença. Cristo acreditava no Renascimento, pois afirmou definitivamente que João Batista era Elias. Essa doutrina foi enunciada por S. Paulo no capítulo 15 da Primeira Epístola aos Coríntios, bem como em outros trechos.
Você não pode prestar um serviço maior à Humanidade do que lhes ensinando essas verdades.
(Do Livro: Carta nº 77 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: próximo à Páscoa.
[2] N.T.: refere-se à Primeira Grande Guerra Mundial.
[3] N.T.: “Alguns dizem que o senhor é João Batista; outros, que é Elias; e outros, ainda, que é Jeremias ou um dos profetas” (Mt 16:14)