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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Considerações sobre a Fé: como é a Sua?

Muitas pessoas que têm meditado seriamente sobre os problemas da vida superior enveredaram, infelizmente, para a prática de métodos primitivos, abandonando a crença nos Ensinamentos Cristãos (até mesmo do Cristianismo Popular ou Exotérico) com respeito ao Perdão dos Pecados, ao poder salvador da fé e à eficácia da oração. Se bem que o ponto de vista de tais pessoas, que honesta e sinceramente procuram a verdade, possa fazer-lhes ver essas ideias como destituídas de valor real.

Trataremos, entretanto, de examiná-las sob outros pontos de vista, para que, então, possam julgar. Vistas sob outras formas, essas ideias religiosas aparecerão iluminadas por uma luz que provavelmente não se havia percebido antes, oferecendo assim um significado novo, maior e mais satisfatório para o coração, e perfeitamente aceitável pelo intelecto.

Muitos de nós nos vimos obrigados a nos afastar do Cristianismo Popular por razões de raciocínio, ainda que sentíssemos o coração a sangrar. As concepções intelectuais de Deus e dos objetivos da vida não podiam nos satisfazer e vimos, assim, a nossa vida limitada por esse lado. Que essa nova luz torne possível que os que sentem esse desejo em seu coração voltem ao Cristianismo Popular e ocupem de novo o seu posto com redobrado zelo de uma compreensão mais profunda das verdades cósmicas e dos Ensinamentos Cristãos, cujos motivos apresentaremos nas instruções seguintes.

Um fato evidente para todas as pessoas que estudam Religião comparada, é que quanto mais retrocedemos no tempo tanto mais primitiva é a Raça humana e tanto mais inferior é a sua Religião. Conforme progredimos, desenvolvemos os nossos ideais religiosos.

Os investigadores materialistas deduzem desse fato que todas as Religiões foram “obras do ser humano”, e que toda a concepção de Deus tem suas raízes na imaginação humana. O engano de tal ideia se perceberá facilmente se considerarmos a tendência que tem toda a vida de se preservar a si mesma. Quando a lei da sobrevivência dos mais aptos é a que domina, como sucede entre os animais, quando o poder é um direito, então não há Religião. E até que um poder superior “estranho” se faça sentir, não se pode revogar essa lei, para que venha então ocupar seu lugar a lei da própria abnegação, que venha agir como fator da vida, lei que em maior ou menor grau se encontra até nas Religiões mais inferiores. Huxley[1] reconhece esse fato, quando declarou que enquanto a lei da sobrevivência dos mais aptos marcava a linha animal do progresso, a lei do sacrifício era a base do desenvolvimento humano, impulsionando o forte a cuidar do fraco.

A razão dessa anomalia não pode o materialista encontrar, pois, desde o seu ponto de vista há de enfrentar sempre um enigma insolúvel. Porém, uma vez que entendamos que nós somos um ser composto de Espírito, Alma e Corpo; que nós, um Espírito, nos manifestamos em pensamentos, construímos a nossa Alma como resultado do nosso trabalho sobre os Corpos, e que esse tríplice indivíduo é uma imagem do Deus Trino compreenderemos facilmente a aparente anomalia, posto que dada a nossa constituição, encontramo-nos, especialmente, preparados para responder tanto às vibrações espirituais como aos impactos físicos.

Quando reparamos quão pouco se ocupa a maioria das pessoas com a espiritualidade da vida em nossos dias, podemos deduzir que houve um tempo em que éramos quase incapazes de sermos afetados pelas vibrações espirituais do universo. Sentíamos vagamente um poder superior na Natureza, e como éramos parcialmente dotados de Clarividência, reconhecíamos a existência de poderes que agora, não percebemos, se bem que estejam agindo tão poderosamente como antes.

Era necessário nos orientar e nos guiar para o nosso bem futuro, nos dirigir pelo bom caminho e ajudar a nossa natureza superior (um Ego, Individualidade, o que realmente somos) a adquirir domínio sobre a inferior, a Personalidade, e esta última foi, então, subjugada pelo medo. Se nos fossem fornecidas aqui uma Religião de amor, ou fossem experimentadas orientações morais, teria sido absolutamente inútil, quando nós, o Ego, nos encontrávamos ainda em nossa infância evolutiva, enquanto a natureza animal da nossa Personalidade predominava. O Deus que poderia nos ajudar deveria ser “um Deus forte”, um Deus que pudesse dominar o raio e o trovão, e fulminar com eles.

Quando alcançamos um pouco mais de progresso, nos foi ensinado a considerar a Deus como o dador de todas as coisas, sendo inculcada em nós a ideia de que se obedecêssemos às Leis desse Deus “obteríamos prosperidade material”. A desobediência a essas Leis produziria, pelo contrário, toda a espécie de doenças, calamidades, fomes, guerras e pestes. Com objetivo de fazermos progredir um pouco mais, nos foi ensinado logo a “lei do sacrifício”, porém, como neste estado estimávamos muito nossas posses materiais, nos foi prometido que se sacrificássemos nossas melhores ovelhas e nossos melhores bois, “com fé”, o Senhor nos devolveria centuplicados; que aquilo que déssemos aos pobres “emprestaríamos a Deus”, que nos pagaria com superabundância. Todavia não nos prometeram céu algum, porque isso estava ainda longe da nossa capacidade apreciativa. Foi nos dito enfaticamente que “os Céus eram do Senhor, porém a Terra havia sido dada por Ele aos filhos dos homens.” (Sl 115:16).

Depois fomos ensinados a “nos sacrificar a nós mesmo, por uma recompensa que obteríamos no céu”. Em vez de efetuar o sacrifício ocasional de ovelhas, bois e afins, que o Senhor logo recompensava, nos pediam agora que sacrificássemos os nossos maus desejos e emoções, que se agíssemos continuamente bem nos seriam dados tesouros no céu, que não nos preocupassem com posses materiais que os ladrões podiam roubar ou que poderíamos perder.

Sabemos que qualquer pessoa pode, durante pouco tempo, pôr-se num estado de exaltação em que lhe seja fácil fazer um supremo ato de renúncia, pois é comparativamente fácil “morrer pela própria fé”, como os mártires, porém isso não é suficiente, e a Religião Cristã nos pede o valor de viver nossa fé dia após dia, durante toda a vida, tendo confiança numa recompensa futura, em um céu explicado ainda mui confusamente. Em realidade, os trabalhos de Hércules pareceriam, em comparação, menores do que o esforço que se pede ao Cristão, e não devemos nos admirar de que as dúvidas nos assaltem, como a Atlas, roubando-nos a fé que tenhamos no beneficente e sustentador poder de Deus.

Mas, em verdade, saibamo-lo ou não, vivemos pela fé todos os minutos da nossa vida e em proporção a como vivamos seremos felizes ou desgraçados.  À noite nos deitamos com fé que nada perturbará nosso sono e que nos despertaremos no dia seguinte e poderemos prosseguir nossas tarefas. Se não fosse por essa fé, se nos assaltassem dúvidas sobre esses pontos, poderíamos descansar tranquilamente nossa cabeça no travesseiro e dormir? Seguramente não; e em pouco tempo estaríamos prostrados mental e fisicamente, assaltados pelo demônio da dúvida. Quando vamos ao armazém comprar provisões, vamos com fé na probidade dos comerciantes, esperando que nos forneçam bons alimentos e não venenos. Se não tivéssemos essa fé, quão miseráveis seriam as nossas vidas! Em lugar de comer com gosto os nossos alimentos, a dúvida nos tiraria o apetite, de maneira que nos seria impossível preparar a nossa alimentação, porque até os bons alimentos seriam envenenados com o nosso estado mental de dúvida e medo, estado que conhecem muito bem os fisiólogos.

É com fé que saímos de casa pela manhã esperando que a lei de gravidade a conserve no mesmo lugar, certos de que a encontraremos no mesmo lugar quando voltarmos à noite. Muito poucos de nós têm observado a sombra que a Terra projeta sobre a Lua nos eclipses lunares e tem compreendido que essa sombra arredondada é a única prova de que a Terra é redonda. Aceitamos isso pela fé que temos nas afirmações de outras pessoas. Assim acontece com o fato de que estamos girando no espaço a uma velocidade de, aproximadamente, mil e seiscentos quilômetros por hora em virtude do movimento da Terra em redor do seu eixo e o mesmo acontece com outro fato, maravilhoso fato científico, de que ainda que a Terra pareça imóvel, está realmente viajando em sua órbita em redor do Sol a uma velocidade de, aproximadamente, dois milhões e seiscentos mil quilômetros, cada vinte e quatro horas. Esses e outros muitos fatos semelhantes que não podemos investigar por nós mesmos aceitamo-los, vivendo todos os dias chamando-os “conhecimentos” e baseamos nosso bem estar neles, em virtude da fé.

Já dissemos que a fé é a força que nos põe em comunicação com Deus, que nos relaciona com a Sua Vida e Seu Poder. A dúvida, pelo contrário, produz um efeito de confusão e perturbação que impossibilita a percepção das vibrações espirituais. Esses são os efeitos da fé e da dúvida que pode-se ver facilmente examinando suas influências na vida diária. Sabemos que as expressões de fé e de esperança nos animam, ao passo que as manifestações de dúvida dos outros sobre a nossa pessoa nos deprimem. Acontece a mesma coisa quando tratamos das coisas superiores e espirituais.

Vemos, pois, que a dúvida e o ceticismo têm efeito prejudicial sobre o objeto a que se dirigem, enquanto a fé abre e expande nossa capacidade mental, assim como a luz solar desenvolve a formosura da flor. Podemos, agora, compreender a necessidade a fé, quando queremos nos aproximar dos Ensinamentos Cristãos. Considerados dessa forma podemos perceber neles a sua verdadeira luz, enquanto a dúvida, a crítica ou a descrença destroem a beleza da concepção espiritual, assim como os ventos gelados destroem as flores.

Cristo nos ensinou: “Todo aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele” (Mc 10:15). Nesta sentença se oculta à chave da atitude mental necessária. As pessoas com mais idade aqui nessa vida, quando recebem novos ensinos ou novas ideias os repelem desde logo, quando encontram algo que não haviam pensado ainda também repelem, ou os aceitam sem exame nem discussão, se estão de acordo com as suas teorias. Convertem seus próprios conhecimentos e pontos de vista em medida absoluta da verdade, com que medem todas as ideias que se apresentam e, por mais ampla que possa ser sua visão ela será sempre curta, desde o ponto de vista cósmico.

Uma criança não levanta obstáculos, não se limita a conhecimentos anteriores; sua Mente está aberta a toda a verdade, e recebe qualquer ensino com fé e sem vacilação. O tempo lhe demonstrará se esses fatos são certos ou não, e essa é a única prova concludente. Um Estudante Rosacruz ativo e sincero desenvolve essa atitude mental infantil, pondo de lado tudo quanto já conhece, quando examina um Ensinamento Rosacruz novo ou investiga um fenômenoque antes não havia percebido, a fim de desembaraçar a sua Mente de todo obstáculo. Lógico que não aceita simplesmente que o branco seja preto; porém está sempre pronto a admitir, quando se lhe faz a proposição, que pode existir um ponto de vista do qual não tinha conhecimento, desde o qual o objeto branco possa se apresentar realmente negro ou vice-versa. Essa é uma atitude mental sumamente vantajosa porque a pessoa que a cultiva é capaz de aprender e de aumentar os seus conhecimentos, da mesma forma como a criança que escuta mais do que argumenta.

Assim, a atitude mental da criança conduz realmente à obtenção do conhecimento, do qual se fala simbolicamente como o “Reino de Deus” em oposição ao reino da ignorância do atual estado humano. Compreenda-se que a fé requerida não é uma fé “cega”, nem uma fé irracional que se adere a uma crença ou dogma contrários à razão, mas sim a um estado mental aberto e tranquilo, sem prejuízos ou preconceitos, disposto a examinar qualquer proposição até que a investigação completa tenha demonstrado que é insustentável.

A fé na oração é a força que abre a possibilidade de fluir a corrente da Vida e Luz Divinas, dentro de nós mesmos. Sem força muscular não se poderia mover um interruptor para se obter a luz física, e sem fé não se poderá orar, devidamente, para obter a iluminação espiritual.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: Aldous Huxley (1894–1963) foi um renomado escritor e filósofo inglês, amplamente famoso por ser o autor da clássica obra distópica Admirável Mundo Novo (1932). Sua escrita visionária abordou críticas ao materialismo, controle estatal e avanços científicos.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Vocês consideram a Doutrina da Trindade legítima? Se assim for como podem explicá-la?

Resposta: Sim, de acordo com a Filosofia Rosacruz, a Doutrina da Trindade ou Santíssima Trindade é um fato. Deus é Um, mas ao mesmo tempo Ele é Trino, incorporando o Pai, o Filho e o Espírito Santo, ou seja, os princípios da Vontade, da Sabedoria e da Atividade. Todos são um Poder Espiritual definido, intimamente relacionados, funcionando como uma unidade. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que S. João Evangelista nos fornece uma definição maravilhosa da Deidade quando diz: “Deus é Luz[1]! Notamos, a partir daí, que o termo “luz” vem sendo usado para ilustrar a natureza de Deus nos Ensinamentos Rosacruzes, especialmente no que diz respeito ao mistério da Trindade na Unidade. Nos nossos Estudos Bíblicos Rosacruzes vemos na Sagrada Escritura que Deus é uno e indivisível. Ao mesmo tempo, sabemos que a luz branca se refrata e se divide nas três cores primárias: o vermelho, o amarelo e o azul. Assim Deus aparece em um tríplice papel, quando está se manifestando, como agora nesse Grande Dia de Manifestação, por meio do exercício das três funções divinas: a criação, a preservação e a dissolução.

Deus exerce Seu atributo de criação quando aparece como Jeová, o Espírito Santo. Aqui Ele é o Senhor da Lei e da geração, e para isso projeta o princípio solar fertilizante indiretamente através das luas de todos os Planetas, quando é necessário fornecer Corpos para os seres que estão evoluindo no Planeta da qual a lua faz parte.

Deus exerce o Seu atributo de preservação quando é necessário sustentar os Corpos gerados por Jeová, sob o domínio das Leis da Natureza. Aqui ele aparece como o Cristo, irradiando os Princípios do Amor e da Regeneração diretamente para quaisquer Planetas onde os seres que lá estão evoluindo necessitem desse auxílio; como isso liberta esses seres da mortalidade e do egoísmo; induz esses seres a praticarem o altruísmo e a obter a vida sem fim.

Deus exerce o Seu atributo de dissolução quando aparece como Pai. Aqui Ele que nos chama de volta ao nosso verdadeiro Lar Celestial. O objetivo é que os frutos da experiência e do crescimento anímico, por nós entesourados durante o Dia de Manifestação, sejam assimilados.

Se observarmos bem no nosso entorno, veremos que todo esse processo de criação e nascimento, de preservação e de vida, de dissolução e morte, e volta ao Autor do nosso Ser executado por Deus pode ser observado em tudo. Se assim o fizermos será fácil reconhecer o fato de que são atividades do Deus Trino, quando está se manifestando.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1971-Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.R.: IJo 1:5

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Oração do Senhor – o Pai-Nosso

As “Escrituras” apresentam as várias seções da Oração do Senhor na ordem adequada a nós, operando em seu nível mais alto, que está em contato com Deus. Na discussão que se segue, que parte do ponto de vista de nós focados em nosso nível mais inferior, na Região Química do Mundo Físico, a ordem das seções foi alterada para enfatizar nossos níveis graduados de aplicação.

A Oração do Senhor pode ser interpretada de vários pontos de vista diferentes, todos válidos. No nível mais baixo ou exotérico, é pura e simplesmente uma oração de pedido contendo um conjunto de reivindicações a Deus. Uma indicação clara de que essa oração se aplica a outros níveis também é o fato de que, como pedidos, certas partes da oração soam incongruentes ou são enganosas.

Provavelmente, a frase mais chocante e incongruente é o pedido a Deus para “não nos deixeis cair em tentação”, pois certamente Deus sabe o que faz. Pedir a Deus pelo nosso pão diário é incerto, pois isso não faz “o maná cair do céu”. Há um processo social complicado de produção e distribuição de alimentos. Aqueles que estão diretamente envolvidos na produção de alimentos fazem um excedente para a comunidade distribuir para aqueles que ajudam de outras maneiras. Em outras palavras, o pão diário tem que ser ganho pelo serviço à comunidade.

Todas essas dificuldades são esclarecidas quando a prece é interpretada de níveis progressivamente mais altos ou esotéricos. De um ponto de vista um pouco mais elevado, que é direcionado para dentro de nós, a Oração do Pai-Nosso se torna um manual de instruções para o cuidado e manutenção dos nossos vários veículos que nós, Espírito, possuímos. Quando assim considerada, a Oração revela a complexidade desses veículos. Primeiramente, recebemos um Corpo Denso e o “manual de instruções” diz: “Dê-lhe comida, diariamente”. “Perdão” é o bálsamo para o próximo veículo, o Corpo Vital que permeia o Corpo Denso e produz vitalidade ou a falta dela.

A matéria física, por exemplo, o cálcio, nunca fica doente; é a força vital e organizadora que, quando funciona mal, produz, nesse caso, as doenças ósseas. Isso se deve ao “pecado” ou transgressão das Leis de Deus. Em um nível óbvio, a raiva e a irritabilidade são fontes bem conhecidas de doenças. Em um nível mais sutil, todas as doenças são causadas por emoções, sentimentos e desejos em desarmonia (ou seja, criados a parte do uso de material das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo). Quando a harmonia mental e espiritual é restaurada, a força vital funciona em harmonia e ficamos sadios e não doentes. “Tentação” é o problema dos nossos desejos, sentimentos e das nossas emoções, mostrando a necessidade de controlá-los. Somos nós que devemos controlar nossos desejos para não cair nas tentações.

Livrai-nos do mal” é uma diretriz para a Mente, pois a razão pode ser usada objetivamente e sem emoção para planejar atos bons ou ruins.

É somente no nível do pedido que a oração é passiva. Em qualquer grau mais elevado, ela é dinâmica, pois requer uma ação definida nossa. Como um “manual de instruções”, a Oração não apenas mostra a complexidade dos nossos veículos (Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente), mas também a responsabilidade dada por Deus em reação a eles, por isso temos que cuidar dos nossos veículos e usá-los sabiamente.

No próximo nível mais alto, um direcionado para fora, a Oração do Senhor é um manual ambiental que define as nossas relações com um ambiente complexo que inclui nossos semelhantes. No nível físico, a Terra deve ser mantida como uma fonte contínua de alimento (o “pão diário”) e temos que cuidar e zelar do nosso ambiente físico para mantê-lo como fonte renovável de vida e energia, que são a base da ciência da ecologia. Assim como podemos poluir a Terra física e torná-la um deserto, também podemos poluir as atmosferas vitais, emocionais e mentais ao nosso redor. Certas áreas podem se tornar salubres ou irritantes; certas atmosferas podem gerar raiva e violência ou promover tranquilidade; e certos grupos podem fomentar o pensamento maligno, egoísta ou o planejamento altruísta. Assim, a Oração indica que o nosso ambiente também é deixado sob nossos cuidados e custódia e temos que trabalhar ativamente para mantê-lo bem, porque somos tão responsáveis ​​pelas condições ao nosso redor quanto pelas condições dentro de nós.

Outro passo para cima eleva a oração a níveis espirituais onde define claramente as nossas qualidades espirituais e nosso relacionamento com Deus. A oração é dirigida a “nosso Pai” nos “Céus”. Nosso Pai é conhecido somente através de Sua Vontade, um Princípio abstrato — razão pela qual Cristo não pôde “mostrar” o Pai aos seus Discípulos como solicitado por eles (Jo 14:1). O que podia ser visto era Cristo fazendo a Vontade do Pai (Jo 14:8-11). Similarmente, o princípio abstrato da justiça não pode ser mostrado, exceto através de pessoas praticando as Leis de Deus. A frase de abertura nos lembra que é em prol da Vontade de Deus que estamos aqui na Terra e a tarefa a ser cumprida é dada por este pedido: “Seja feita a Tua Vontade assim na Terra como no Céu”. “Céu” é onde Deus governa e Sua Vontade é feita; Cristo indicou que o “Céu” está entre nós (Lc 17:21). Esta fase da oração ensina que a Vontade de Deus, que é o Princípio espiritual do Amor dentro de nós, deve ser manifestado na Terra.

O poder energizante que torna possível a manifestação da Vontade de Deus é o “nome” de Deus usado em um sentido similar ao “nome da lei” que motiva a conduta dos oficiais da lei, ou o “nome da caridade, misericórdia, piedade” e assim por diante, usado como força motivadora. Quando Adão – nós, como Humanidade, na Época Polar – “nomeou” os animais (Gn 2:19), ele deu força à forma; isto é, ele energizou “modelos de argila” (terra). Na realidade são níveis de matéria energizante. Forças energizantes podem ser usadas para o bem ou para o mal, de maneira altruísta ou egoísta; portanto, a Oração insiste que o “nome” de Deus, que é uma força criadora, seja “santificado”; isto é, usado reverente e responsavelmente para criar apenas o bem em todos os níveis (físico, vital, emocional e mental).

Venha a nós o vosso Reino” relaciona-se diretamente com a missão do Cristo de despertar Deus ou o Bem em nós, quando este governar a Terra, mas não como um Reino dividido onde as obras de Deus e do diabo correspondem a direções conflitantes do nosso Eu superior e “eu inferior”; mas como um reino imaculado, unificado e inspirado por Cristo sob a direção do nosso “Cristo interior” (Cl 1:27), com seus Eu superior e “eu inferior” combinados em nós.

Por fim, a frase final “porque vosso é o reino, o poder e a glória para sempre” dedicam todo o projeto, depois de concluído, como uma oferta de amor ao nosso Pai, Deus.

À medida que nos desenvolvemos espiritualmente, nos tornamos mais e mais conscientes das forças complexas e maravilhosas que o auxiliam e a Oração se torna uma prece de louvor e ação de graças. Percebemos que somos Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui como um Tríplice Espírito feitos à imagem de um Deus Trino (Pai, Filho e Espírito Santo) e estamos desenvolvendo os três aspectos espirituais (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano) em nós, usando as contrapartes veiculares deles (Corpo Denso, Corpo Vital e Corpo de Desejos, respectivamente). As várias partes da Oração mostram as ligações e dependências de nossos veículos com nosso Tríplice Espírito e, finalmente, com nosso Deus Trino. Cada veículo é uma expressão e está sob cuidado e orientação contínuos de um dos nossos três aspectos. O Corpo Denso, o Corpo Vital e o Corpo de Desejos representam cada uma das qualidades e a Mente é a ponte ou elo. A Oração, neste nível, nos eleva a um estado equilibrado e tranquilo, onde nos tornamos um radiador silencioso de louvor e ação de graças que, por sua vez, exerce um efeito edificante sobre nós mesmos e sobre o nosso ambiente no entorno.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de março/2003 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: O que significa o Segundo Aspecto do Deus Trino?

Pergunta: O que significa o Segundo Aspecto do Deus Trino?

Resposta: Deus é uno, assim como a luz é una, mas, como a luz que passa através da atmosfera é refratada nas três cores primárias – vermelha, amarela e azul – também assim Deus, quando se manifesta ou se reflete na natureza, é triplo na Sua manifestação. Há primeiro o princípio da Criação, em seguida há o princípio da Preservação, e em terceiro lugar há o princípio da Dissolução das formas que foram criadas, por um determinado tempo, foram preservadas e utilizadas, e depois foram destruídas para que os materiais utilizados na construção possam ser usados na edificação de novas formas.

Esses três princípios de Deus receberam nomes diferentes nas diversas Religiões e, nos últimos anos, foi usada muita tinta para defender ou depreciar a ideia de uma Trindade, embora isso deveria ser evidente a qualquer pessoa que observasse a natureza com uma Mente ponderada e atenciosa. No Mundo Ocidental, nós chamamos o Segundo Aspecto do Deus Trino de Cristo de o princípio de preservação unificado; e em certo sentido isso é muito apropriado, porque o Cristo veio como o mestre do Amor e da Fraternidade Universal, a qual deveria substituir, por já ter passado a necessidade de existir, as nações que lutam umas contra as outras e Ele mesmo disse que haveria um estágio ainda mais elevado quando o reino, estabelecido por Ele, deveria ser entregue ao Pai e quando todos deverão ser um com Ele.

(Pergunta nº 74 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume 1” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

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