Resposta: É-nos dito que este Melquisedeque era rei de Salém e, também, Sumo Sacerdote. É-nos dito que o seu sacerdócio estava muito acima do de Aarão, pois era imutável, ao passo que o de Aarão e dos levitas estava sujeito a frequentes mudanças.
Ao longo dos períodos dos quais temos registros históricos, sempre existiu uma divisão entre o Poder Temporal[1] e Poder Eclesiástico[2]. Moisés era o governante temporal e líder do povo judeu, enquanto Aarão era o Sacerdote que zelava pelo bem-estar espiritual desse povo. Ao longo das eras, essa separação entre Igreja e Estado sempre se fez presente, por vezes provocando grandes conflitos e derramamento de sangue, visto que seus interesses parecem ser, invariavelmente, diametralmente opostos. Contudo, na época de Melquisedeque — rei de Salém, nome que significa “paz” —, não havia tal divisão; ambos os cargos estavam reunidos em um único indivíduo. A história de Melquisedeque — um Ser sem linhagem terrena — se refere, naturalmente, a um período nos primórdios da Atlântida, quando a Humanidade ainda não estava fragmentada em nações beligerantes, mas constituía uma vasta e pacífica fraternidade, na qual os líderes do povo eram Seres Divinos que exerciam, simultaneamente, as funções de reis e Sacerdotes.
A posterior separação entre Igreja e Estado tem sido uma das fontes mais férteis de inimizade e guerra na Humanidade, pois cada um desses poderes tem lutado pela supremacia sobre o outro. Na realidade, contudo, não deveria haver tal conflito; afinal, ninguém que não possua a espiritualidade exigida de um Sacerdote está apto a governar como rei, e ninguém que não possua a sabedoria e a justiça esperadas de um rei está apto a exercer a orientação espiritual da Humanidade, tal como fazem os Sacerdotes. Quando essas qualidades se reunirem novamente em um único líder, o reinado de paz universal e fraternidade tornar-se-á uma realidade. O Cristo foi anunciado como esse líder, capaz de unir Igreja e Estado — atuando como rei e Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque[3]. Sua Segunda Vinda inaugura o milênio, a era de paz e alegria, na qual a simbólica Nova Jerusalém — a “cidade da paz” (visto que “Jerusalém” significa “haverá paz“) — reina sobre as nações da Terra, unidas em uma única Fraternidade Universal. Haverá, então, “paz na Terra e boa vontade entre os homens”[4].
(Pergunta nº 91 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: A autoridade de governo político, administrativo e militar sobre questões materiais, leis e territórios terrenos.
[2] N.T.: A autoridade, a jurisdição e a influência exercidas pelos dirigentes, líderes e instituições da Igreja (especialmente na tradição cristã e Católica) sobre os seus fiéis.
[3] N.T.: Sl 110:4
[4] N.T.: Lc 2:14
Resposta: Diz-se que “a lei e os profetas vigoraram até Cristo”[3], e existem quatro etapas pelas quais o ser humano se eleva a Deus. Inicialmente, ao despertar para a consciência no Mundo Físico e se encontrar em um estado selvagem, o ser humano se vê cercado por outros seres humanos que, pela própria pressão das circunstâncias, são forçados a lutar pela sobrevivência — seres humanos para os quais “a força é o direito”. Nesse estágio, ele aprende a confiar em sua própria força para se proteger dos ataques de animais selvagens e de outros seres humanos. Contudo, ele percebe ao seu redor as Forças da Natureza e as teme, pois reconhece a capacidade que elas possuem de matar, bem como sua própria impotência diante delas. Ele, portanto, começa a adorar, buscando aplacar — por meio de sacrifícios sangrentos — o Deus a quem teme.
Depois, chega o momento em que ele passa a ver Deus como o provedor, Aquele que o recompensará, aqui e agora, pela obediência à Sua lei, e que o punirá instantaneamente pela desobediência. Um aliado poderoso contra seus inimigos, mas também um inimigo formidável — e, por isso, alguém a ser muito temido. Assim, ele adora e sacrifica animais, movido pelo medo e pela ganância.
Segue-se, então, a fase em que ele é instruído a adorar um Deus de Amor e a sacrificar a si mesmo, dia após dia, ao longo de toda a sua vida, em troca de uma recompensa em um estado futuro — algo em que ele deve crer pela fé, embora tal estado nem sequer esteja claramente definido.
Por fim, o ser humano alcançará um estágio em que reconhecerá sua própria divindade e agirá corretamente apenas porque é o certo a fazer, sem qualquer pensamento de medo ou expectativa de recompensa.
Os judeus haviam chegado ao segundo desses estágios e estavam sob a Lei[4]. A Religião Cristã atravessa, gradualmente, o terceiro estágio, embora ainda não se tenha libertado totalmente do segundo. Todos nós ainda estamos sujeitos a Leis — estabelecidas por Deus e pelos seres humanos — que visam refrear nossos Corpos de Desejos por meio do medo; contudo, para progredirmos espiritualmente a partir de agora, precisamos sensibilizar nosso Corpo Vital, que é receptivo ao amor, mas que desconhece por completo a Lei que rege a natureza dos desejos.
A fim de preparar esse estado futuro, os sacerdotes — que estavam em um estágio mais avançado do que o povo em geral — se mantinham separados e distintos dele. No oriente, por exemplo, apenas uma casta específica, a dos brâmanes, tinha permissão para entrar nos Templos e realizar os rituais ali praticados. Entre os judeus, somente os levitas podiam se aproximar do lugar sagrado; o mesmo ocorria em outras nações. Os sacerdotes constituíam, invariavelmente, uma classe à parte, sendo-lhes vedado contrair matrimônio com pessoas fora de seu grupo. Eram, em todos os aspectos, um segmento separado e distinto.
Isso ocorria porque os líderes responsáveis pela evolução da Humanidade precisavam utilizar linhagens nas quais houvesse uma certa flexibilidade — uma espécie de frouxidão — na conexão entre o Corpo Vital e o Corpo Denso. Assim, eles selecionavam esses sacerdotes e os reuniam em torno dos Templos, regulamentando todos os aspectos de suas vidas, inclusive no que tange à sexualidade. Contudo, no momento em que o Cristo foi libertado do Corpo de Jesus e difundiu Seu Ser por toda a Terra, o véu se rasgou — simbolizando que a necessidade de condições especiais havia chegado ao fim. Desde então, o Éter na Terra tem passado por transformações. Uma taxa vibratória cada vez mais elevada permite a manifestação de qualidades altruístas. Foi o início daquela vibração imensa que, segundo relatos, teria provocado a escuridão durante a crucificação[5]. Na verdade, não se tratava de escuridão, mas de uma luz tão intensa que cegou temporariamente as pessoas, até que as vibrações diminuíssem de intensidade ao serem absorvidas pela densidade do plano físico terrestre. Algumas horas mais tarde, o radiante Espírito de Cristo já havia se integrado à Terra o suficiente para restabelecer as condições normais. Gradualmente, porém, esse poder interior vem ganhando força; as vibrações etéricas estão sendo aceleradas, promovendo um aumento do altruísmo e do crescimento espiritual. Assim, as condições atuais são tais que já não há necessidade de uma classe especial ou privilegiada; cada indivíduo, sem exceção, pode aspirar a ingressar no caminho da Iniciação.
As condições antigas, contudo, são difíceis de superar; sob o regime de Jeová, o Espírito da Lua, a Humanidade havia sido dividida em nações. Para guiá-la, era necessário que Ele, por vezes, utilizasse uma nação para punir outra, visto que, naquela época, a Humanidade não era suscetível ao amor — ela só obedecia sob o açoite do medo. Antes que a grande Fraternidade Universal do Amor possa ser estabelecida, é preciso desfazer essas nações, seguindo o mesmo princípio que se aplica a um conjunto de construções feitas de tijolos: se desejamos transformá-las em uma única e grandiosa estrutura, primeiro precisamos reduzi-las a pedaços, de modo que os tijolos individuais fiquem disponíveis para serem usados na nova e maior construção. Por isso, Cristo disse: “Não vim trazer a paz, mas a espada”.
Devemos superar o patriotismo e aprender a dizer, como aquela grande alma, Thomas Paine[6]: “O mundo é minha pátria, e fazer o bem é a minha Religião”. Até que chegue esse momento, as guerras continuarão — e quanto mais, melhor —, pois, assim, o horror se tornará suficientemente chocante para forçar a paz.
Na Noite Santa em que o menino Jesus nasceu, os Anjos entoaram um cântico: “Paz na Terra e boa vontade entre os homens”[7]. Mais tarde, o “Menino” cresceu e disse: “Não vim trazer a paz, mas a espada”; e a Religião Cristã se tornou a mais sangrenta de todas as Religiões da Humanidade. Por onde passou, ela semeou a desolação e a dor; contudo, após todo esse sofrimento, chegará o dia em que o Cântico dos Anjos se tornará realidade, e as palavras proferidas por Cristo em outras ocasiões — sobre o amor ao próximo — serão, de fato, vivenciadas. Quando a “espada” tiver cumprido sua missão, ela será transformada em “relha de arado”[8]; não haverá mais guerras, pois não existirão mais nações.
(Pergunta nº 91 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Jo 3:16
[2] N.T.: Mt 10:34
[3] N.T.: Lc 6:16
[4] N.T.: Aqui se refere às Leis Jeovísticas, as da Religião de Raça.
[5] N.T.: Mt 27:45, Mc 15:33, Lc 23:44-45
[6] N.T.: Thomas Paine (1737 – 1809) foi um político britânico, além de panfletário, revolucionário, inventor, intelectual e um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos da América. Thomas Paine foi, a um só tempo, ator, intérprete e testemunha não apenas das Revoluções Americana e Francesa, mas também dos movimentos revolucionários ingleses em fins do século XVIII e, em menor medida, do movimento revolucionário nos Países Baixos e na Irlanda, onde ele era continuamente citado e admirado.
[7] N.T.: Lc 2:14
[8] N.T.: Is 2:14
Resposta: Em uma passagem, a Bíblia nos instrui a orar sem cessar[1]. Em outra, Cristo rejeita a prática, dizendo que não devemos imitar aqueles que acreditam ser ouvidos por causa de suas muitas palavras. Naturalmente, não pode haver contradição entre as palavras de Cristo e as de Seus Discípulos; portanto, devemos reformular nossas ideias sobre a oração, de modo a poder orar sempre sem, contudo, recorrer a uma expressão verbal ou mental prolixa. Emerson[2] disse:
“Embora você nunca tenha dobrado os joelhos,
Suas preces são enviadas ao céu a cada hora.
E, sejam elas feitas para o bem ou para o mal,
Ainda assim são registradas e respondidas.”
Em outras palavras, todo ato é uma oração que, sob a Lei de Causa e Efeito, nos traz os resultados adequados. Recebemos exatamente o que queremos. A expressão em palavras é desnecessária, mas a ação constante em uma determinada direção revela o que desejamos – mesmo que nós mesmo não o percebamos – e, com o tempo (mais ou menos longo, conforme a intensidade do nosso desejo) se concretiza aquilo pelo que assim oramos.
As coisas assim obtidas ou alcançadas podem não ser aquilo que realmente e conscientemente desejamos. De fato, às vezes podemos receber algo de que preferíamos estar livres – algo que consideramos uma desgraça, um flagelo –, mas o ato da oração nos trouxe isso e devemos conservá-lo até que possamos legitimamente nos livrar dele. Se lançamos uma pedra para o ar, o ato não se completa até que a reação traga a pedra de volta ao solo. Nesse caso, o efeito sucede a causa com tamanha rapidez que não é difícil associar os dois.
No entanto, se dermos corda em um despertador à corda, a energia fica armazenada na mola até que um determinado mecanismo a libere. Surge então o efeito – o som da campainha – e, embora possamos ter estado mergulhados no sono mais profundo, a reação ou o desenrolar da mola ocorreu do mesmo modo. Da mesma forma, atos que esquecemos acabarão, mais cedo ou mais tarde, produzindo seus resultados inevitavelmente; assim, o ato da oração é atendido.
No entanto, existe a verdadeira oração mística – aquela em que encontramos Deus face a face, tal como Elias O encontrou. Não O encontramos no tumulto do mundo, no vento, no terremoto ou no fogo; mas, quando tudo está em quietude, a voz silenciosa fala conosco a partir do nosso interior. Contudo, o silêncio exigido para essa experiência não é um mero silêncio de palavras. Não há sequer as imagens interiores que habitualmente passam diante de nós na meditação, nem pensamentos; todo o nosso ser assemelha-se a um lago calmo e cristalino. Nele, Deus Se reflete, e vivenciamos a unidade que torna desnecessária a comunicação – seja por palavras ou de qualquer outra forma. Sentimos tudo o que Deus sente. Ele está mais próximo do que nossas mãos e nossos pés.
Cristo nos ensinou a dizer: “Pai nosso que estais nos céus”, etc. Esta oração é a mais sublime que possa ser expressa em palavras; contudo, a oração de que falo pode, no instante da união, se manifestar na única palavra não dita: “Pai”. O devoto, quando verdadeiramente imerso em espírito de oração, não vai além disso. Ele não faz pedidos; pois, que utilidade teriam? Acaso não possui a promessa: “O Senhor é meu Pastor, não me faltará”[3]? Não lhe foi dito para buscar primeiro o Reino de Deus, e que todas as outras coisas lhe seriam acrescentadas[4]? Talvez sua atitude possa ser mais bem compreendida se recorrermos à imagem de um cão fiel que olha, com devoção silenciosa, para o rosto de seu dono, com toda a sua alma transbordando amor através do olhar. Da mesma forma – embora, naturalmente, com intensidade muito maior –, o verdadeiro Místico se volta para o Deus interno e se derrama em adoração silenciosa. Assim, podemos orar incessantemente, no íntimo, enquanto trabalhamos como servos zelosos no Mundo externo; pois lembremo-nos sempre de que não se espera que passemos a vida apenas sonhando. Ao mesmo tempo em que oramos ao Deus interno, devemos também trabalhar para o Deus externo.
(Pergunta nº 166 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: ITss 5:17
[2] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803–1882) foi filósofo, ensaísta, poeta e conferencista norte-americano, reconhecido como o fundador e principal expoente do transcendentalismo, um movimento cultural e filosófico do século XIX nos Estados Unidos.
[3] N.T.: Sl 23:1
[4] N.T.: Mt 6:33
Resposta: Sim, não há dúvida que todas as estrelas do universo exercem alguma influência sobre os seres humanos, e alguns astrólogos levam em conta as posições de várias estrelas fixas ao levantar um horóscopo. A nosso ver, isso não passa de perda de tempo e esforço, pois a Mente humana comum já é suficientemente desafiada ao tentar equilibrar as influências recíprocas de Casas, Signos e Aspectos dos Astros, de modo a interpretar com precisão a mensagem completa das estrelas revelada por esses fatores fundamentais.
Pode-se afirmar, contudo, no tocante às Plêiades, que elas constituem um dos três pontos nebulosos do Zodíaco que, segundo se constatou, exercem influência perniciosa sobre o sentido da visão sob certas configurações do horóscopo envolvendo o Sol ou da Lua em relação a Saturno, Marte, Urano e Netuno.
(Pergunta nº 109 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Os importantes passos da vida de nosso Salvador, Cristo, conforme narrados pelos Evangelhos, compõem o esquema geral de Iniciação para nós, enquanto desenvolvemos gradualmente o Espírito do Cristo em nosso interior, o Cristo Interno.
Os Evangelhos descrevem dramaticamente e em símbolos os incidentes que serão encontrados no Caminho da Santidade.
Havia três seres dentre os Discípulos mais íntimos do Cristo que haviam alcançado o pináculo da Iniciação. E os Evangelhos contêm um maravilhoso relato de seu elevado contato com a Memória da Natureza. Os três Discípulos eram: João, o bem-amado, ou, em outras palavras, o mais avançado; Tiago, o primeiro a sacrificar sua vida pelos preceitos da nova Religião instituída pelo seu Mestre, e Pedro, a Rocha, simbolizando o poder da fé e das obras, sobre as quais a Religião Cristã foi estabelecida. Estudamos nos Evangelhos que “Cristo Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago, e os levou, em particular, a um alto monte” (Mt 17:1). Aprendemos na Filosofia Rosacruz que esse é um termo místico significando a Iniciação.
Já, na Fraternidade Rosacruz aprendemos que podemos colher todas essas informações mencionadas através da visão espiritual e contato pessoal com a Região do Pensamento Concreto, na qual o Iniciado pode examinar as verdadeiras gravações feitas na Memória da Natureza.
Um dos mais importantes pontos desse relato é que os Discípulos averiguaram, durante a sua Iniciação, a realidade do Renascimento, uma vez que Moisés e Elias eram expressões de um mesmo espírito. Esse fato ilustrava o que o Cristo havia lhes dito a respeito de S. João Batista: “Esse é Elias, que devia vir” (Mt 17:10).
Dessa forma, fica mais e mais aparente que o Cristo ensinava reservadamente aos seus Discípulos o fato do Renascimento. Porém, essa doutrina deveria constituir um ensinamento esotérico por muito tempo, conhecido somente de alguns pioneiros. É da maior significação que o trabalho real de Cristo Jesus começou após a Transfiguração, quando preparou setenta e duas pessoas como mensageiras e as enviou em grupos de dois para cada lugar aonde Ele pretendia ir.
Nos lugares onde essas pessoas eram bem recebidas, deviam ficar, curar os enfermos e pregar as boas novas. Quando não as recebiam, deveriam “sacudir o próprio pó das suas sandálias” (Mt 10:14 e Lc 9:5). O Evangelho Segundo S. Lucas relata que as pessoas retornaram contando com muita alegria: “Senhor, até os demônios se sujeitaram a nós por causa de Teu Nome” (Lc 10:17).
O poder de ordenar aos demônios constituía o ponto central do ministério de Cristo Jesus. O Novo Testamento encontra-se repleto de narrativas alusivas ao demônio, a força do mal. Há frases nas quais são mencionados os termos: mensageiros de Satanás, o pai da mentira, o Anticristo, o iníquo, o adversário e o destruidor. Toda essa nomenclatura mostrando a existência cósmica do poder do mal. Podemos ter certeza, dessa forma, que o mal existe na realidade e que é de natureza pessoal, tendo, naturalmente, efeitos sobre nós como indivíduos.
Um dos aspectos mais impressionantes relativo ao enorme interesse por temas do pseudo-ocultismo é que pessoas que firmemente negam a existência de Deus, acreditam e parecem profundamente impressionadas com o demônio. Devemos completar essa ideia mencionando o fato de que o demônio não é, em absoluto, uma invenção da Religião Cristã. Uma das formas mais persistentemente em evidência, um ser portador de chifres, asas e garras – data pelo menos de épocas tão remotas como a antiga Mesopotâmia.
Pode-se observar, em nossos tempos, uma onda de fascinação exercida pelas forças invisíveis. O nosso mundo e a nossa arte sentem o impacto de cultos mais ou menos satânicos, sessões envolvendo bruxas e bruxaria e, como é de conhecimento de todos, drogas.
Parece de pouca consistência em nosso mundo supercientífico e supertecnológico, o exame, e reexame, tanto pelo público, como pelas elites intelectuais, das forças malignas invisíveis e suas manifestações.
Esse interesse também se reflete em nossos veículos de comunicação. A publicação de obras literárias e filmes como “O Exorcista” servem de indicadores seguros do grau de interesse pela atuação dos espíritos malignos.
Assim sendo, pode não ser coincidência o fato dos autores dos Evangelhos terem distinguido a obsessão dos outros tipos de doenças curadas. Como se sabe, grande parte das curas efetuadas por Cristo Jesus foram desse tipo. Entre as curas individuais realizadas, conforme o Novo Testamento, sete envolviam pessoas obsidiadas por demônios: cinco homens, um menino e uma menina. Em cada um desses casos, o Cristo usava de métodos específicos e diferentes para a obtenção da cura, ponto merecedor de estudo detalhado do aspirante aplicado.
Em primeiro lugar, é de se notar que todas as entidades obsessoras reconheciam o Cristo, avaliavam seu poder sobre elas e se lhe declararam sujeitas sem opor resistência (Mc 1:23-26).
Esse primeiro relato de exorcismo refere-se a um incidente ocorrida num domingo em Cafarnaum, na Galileia, no interior da Sinagoga, enquanto o Cristo ensinava.
Relata o Evangelho: “E estava na sinagoga um homem com um espírito imundo, o qual exclamou dizendo: Ah! Que temos contigo Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és, o Santo de Deus. E repreendeu-o Jesus dizendo: Cala-te e sai dele. Então o espírito imundo convulsionando-o, e clamando, com grande voz, saiu dele.” (Lc 4:34-35 e Mc 1:24-26). Essa cura foi espontânea e, sem dúvida, surpreendente para a multidão da sinagoga. O demônio não suportou as altas vibrações da Santa Presença e foi obrigado a se revelar, encontrando assim o destino relatado.
No Evangelho Segundo S. Mateus, Capítulo 9 e versículos de 32 a 34[1] há o caso do endemoninhado surdo e mudo, cujos órgãos vocais e auditivos estavam sendo controlados por uma entidade. Imediatamente após o afastamento dela, o indivíduo recuperou a sua fala, voltando ao normal. Porém, isso agradava aos fariseus! Dizem eles: “Ele ordena aos demônios, pelo poder do Príncipe dos demônios” (Mt 12:34, Mc 3:22 e Lc 11:15).
O livro e o subsequente filme “O Exorcista” mereceram primeiras páginas na imprensa por um longo tempo, e muitas pessoas ficaram horrorizadas por saber que se tratava de um caso autêntico de obsessão na vida real.
Existe, porém, uma narrativa de um ato de exorcismo extraordinário contido nos Evangelhos e é de se admirar que tal incidente não consiga horrorizar ninguém não havendo até hoje um escritor bastante interessado em tecer um amplo comentário a respeito, o que traria à realidade, para os seres humanos de hoje, o tremendo poder à disposição do Cristo.
E o mais impressionante ato de exorcismo relatado na Bíblia é o do homem de Gadera – também escrito como Geraseno ou Gadareno –, cujos obsessores identificaram-se a si mesmos como “legião”. Essa cura deve ter particular importância, uma vez que três dos evangelistas, S. Mateus, S. Marcos e S. Lucas escreveram a respeito, ainda com pequenas diferenças nas ênfases dos relatos[2].
O incidente ocorreu num dia em que o Cristo e os Discípulos decidiram atravessar para a costa Oeste do Lago de Tiberíades. A área se compunha, em sua maioria, de pedras calcárias dispostas em penhascos pontilhados de cavernas, lugar em que se costumava sepultar os mortos.
Quando o pobre homem obsedado avistou Cristo Jesus, veio correndo e se prostrou diante d’Ele gritando “O que temos a haver contigo Filho do Altíssimo? Não nos atormente”. Cristo Jesus reconheceu de imediato o grande mal que havia naquele homem e ordenou: “Saia desse homem espírito imundo”. Em seguida formulou uma pergunta que poderia parecer até irrelevante: “Qual é o seu nome?”. A resposta foi: “É legião, porque somos muitos”.
Há vários pontos a serem considerados nesse relato de exorcismo. O mais importante é que imediatamente após o afastamento das entidades obsessoras, o ser voltava de imediato à condição de ser humano normal. Do ser bestial, demente, cuja presença afastava a todos, surgia o ser humano absolutamente normal e comum, que só rogava a Ele e a seus Discípulos que ficassem com ele. O Cristo disse, porém, que era mais útil levar o conhecimento dessa cura para o seu círculo de amigos como testemunho da dádiva recebida por ele de Deus. Tarefa não muito fácil, de fato, pois a família e os amigos representam, às vezes, a maior dificuldade a ser enfrentada por aquele que foi purificado pelo amor de Cristo, e quer segui-lo.
O Cristo instruía Seus Discípulos num método muito avançado de exorcismo. Mostrava-lhes que tão logo o exorcista estivesse de posse do nome da entidade, ela se encontrava debaixo de Seu poder. Nesse tipo de exorcismo os Discípulos recebiam instruções reservadas sobre o poder das vibrações contidas em nomes e como ele deveria ser usado nas curas comuns ou no exorcismo, bem como para finalidades superiores a outros.
O relato bíblico envolvendo o demônio chamado “Legião” acaba por evidenciar que as entidades receberam “a permissão de Cristo para entrar numa manada de porcos levada a um abismo”.
Com referência a esse ato de destruição, é interessante voltar à antiga simbologia egípcia. Naqueles tempos, os porcos eram simbolicamente identificados com o Planeta Marte, ou seja, a natureza inferior e passional do ser humano.
Há, aqui, indicação simbólica do poder de Cristo em purificar os seres, enviando as entidades inferiores para o seu próprio elemento inferior, simbolizado na narrativa pela manada de porcos.
Parece quase certo que a cura de obsessões por intermédio de entidades desencarnadas será o ministério de maior importância no setor de cura durante a Nova Era.
S. Paulo aconselha que oremos sem cessar, cobrindo-nos assim da aura protetora da oração. Isso é assaz importante para o aspirante à vida espiritual, uma vez que a legião de pensamentos, palavras e atos negativos, constantemente gerados em nosso Planeta, fica incorporada no plano mais inferior do Mundo do Desejo, podendo perfeitamente obsedar qualquer indivíduo que não foi treinado a controlar ou destruir o seu impacto. Assim, “legião” passa a ser um espelho da luta que se trava no interior de cada ser humano e que só pode ser acalmada pelo poder do espírito unificador e purificador de Cristo-Jesus. A abordagem intelectual dessa situação só poderá frustrar os esforços de melhorar o estado do paciente.
A Filosofia Rosacruz foi dedicada ao mundo ocidental por causa do monopólio exercido pelo intelectualismo sobre os indivíduos dessa parte do globo. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que é uma dura tarefa para intelectuais cultivar a compaixão, que deve temperar o seu conhecimento e ser o guia, realmente, no uso desse conhecimento.
É isso que o Método Rosacruz de Desenvolvimento pelo Conhecimento Direto almeja por realizar, levando o candidato à compaixão, por meio do conhecimento. Esse método procura cultivar dentro do Aspirante à vida superior as faculdades latentes de visão e audição espirituais, já desde o começo de sua carreira como Aspirante à vida superior. Ensina-o a conhecer os mistérios ocultos do ser e da Natureza e a perceber intelectualmente a unidade de cada um com todos, para que, finalmente, mediante o conhecimento, possa desabrochar dentro dele o sentimento que o que faz um com o Infinito.
Há três passos importantes nesse caminho: o primeiro, quando o Estudante Rosacruz dá o primeiro passo, por meio do estudo persistente, diligente, disciplinado e obediente; o segundo, quando é admitido para o Probacionismo e assume a solene obrigação de servir a Humanidade por meio do sacrifício de sua natureza inferior ao “Eu superior”, ocasião em que a sua aura se mescla com a do Mestre. O próximo passo é o Discipulado: não poderá mais voltar atrás. O caminho do Discipulado foi comparado com a torre de uma igreja – estreita-se gradativamente até o topo, encontrando a solitária cruz.
Aí é o ponto máximo de provação do Aspirante à vida superior e os grandes problemas de disciplina espiritual são dificílimos. No entanto ele deve continuar a trabalhar consciente e inconscientemente “para frente e para cima”, para o grande clímax que na história do mais nobre de todos que tenham percorrido o Caminho do Cristão Místico, foi chamado de Transfiguração.
A Transfiguração representa uma ocorrência, durante a qual um processo de transfiguração se efetua no Corpo do Iniciado. A essência das experiências vividas e a união com o Coração, produzem uma luz radiante que penetra todo o seu Corpo.
Temos agora uma melhor compreensão a respeito da Transfiguração, conforme narrada nos Evangelhos. Devemos lembrar que foram os veículos de Jesus que ficaram temporariamente afetados pelo Espírito de Cristo na Transfiguração. Por isso é que aprendemos na Filosofia Rosacruz que a Transfiguração, de acordo como é revelada na Memória da Natureza, mostra o Corpo do Cristo de um branco deslumbrante, assim evidenciando Sua ligação com o Deus-Pai, o Espírito Universal. Não há nada no mundo tão raro e precioso como aquele extrato do ser humano: o Cristo Interno. E quando cresce ele brilha através do corpo transparente como a Luz do Mundo.
O estudo cuidadoso da vida de Cristo Jesus, conforme relatada pelos Seus Discípulos, S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João, mostrará que Ele deixou a Sua orientação para qualquer tipo de problema que nós, como Aspirantes à vida superior, finalmente encontraremos no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Derramando a Sua enorme força espiritual sobre nós, Ele acalma as tempestades do excesso emocional, cura a grande enfermidade que é a ignorância, devolve a visão aos cegos pelo materialismo, expulsa os demônios do ódio e do egoísmo, derrotando o último grande adversário: o medo da morte. Aqui temos o verdadeiro sentido da redenção: a vitória sobre a alienação do ser humano dele mesmo, dos outros e de Deus!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ de outubro/1975 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.T.: 32Logo que saíram, eis que lhe trouxeram um endemoninhado mudo. 33Expulso o demônio, o mudo falou. A multidão ficou admirada e pôs-se a dizer: “Nunca se viu coisa semelhante em Israel!”. 34Os fariseus, porém, diziam: “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios”.
[2] N.T.: 28Ao chegar ao outro lado, ao país dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois endemoninhados, saindo dos túmulos. Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. 29E eis que se puseram a gritar: “Que queres de nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”30Ora, a certa distância deles havia uma manada de porcos que estava pastando. 31Os demônios lhe imploravam, dizendo: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”. 32Cristo Jesus lhes disse: “Ide”. Eles, saindo, foram para os porcos e logo toda a manada se precipitou no mar, do alto de um precipício, e pereceu nas águas. 33Os que os apascentavam fugiram e, dirigindo-se à cidade, contaram tudo o que acontecera, inclusive o caso dos endemoninhados. 34Diante disso, a cidade inteira saiu ao encontro de Cristo Jesus. Ao vê-lo, rogaram-lhe que se retirasse do seu território. (Mt 8:28-34)
1Chegaram do outro lado do mar, à região dos gerasenos. 2Logo que Cristo Jesus desceu do barco, caminhou ao seu encontro, vindo dos túmulos, um homem possuído por um espírito impuro: 3habitava no meio das tumbas e ninguém podia dominá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes já o haviam prendido com grilhões e algemas, mas ele arrebentava os grilhões e estraçalhava as correntes, e ninguém conseguia subjugá-lo. 5E, sem descanso, noite e dia, perambulava pelas tumbas e pelas montanhas, dando gritos e ferindo-se com pedra. 6Ao ver Cristo Jesus, de longe, correu e prostrou-se diante d’Ele, 7clamando em alta voz: “Que queres de mim, Jesus, Filho de Deus altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes! 8“Com efeito, Cristo Jesus lhe disse: “Sai deste homem, espírito impuro! 9 “E perguntando-lhe: “Qual é o teu nome?” Respondeu: “Legião é o meu nome, porque, somos muitos”. 10E rogava-lhe insistentemente que não os mandasse para fora daquela região. 11Ora, havia ali, pastando na montanha, uma grande manada de porcos. 12Rogava-lhe, então, dizendo: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. 13Ele o permitiu. E os espíritos impuros saíram, entraram nos porcos e a manada — cerca de dois mil — se arrojou no mar, precipício abaixo, e eles se afogavam no mar. (Mc 5:1-13)
26Navegaram em direção à região dos gerasenos, que está do lado contrário da Galileia. 27Ao pisarem terra firme, veio ao seu encontro um homem da cidade, possesso de demônios. Havia muito que andava sem roupas e não habitava em casa alguma, mas em sepulturas.28Logo que viu a Cristo Jesus começou a gritar, caiu-lhe aos pés e disse em alta voz: “Que queres de mim, Cristo Jesus, filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes”. 29Cristo Jesus, com efeito, ordenava ao espírito impuro que saísse do homem, pois se apossava dele com frequência. Para guardá-lo, prendiam-no com grilhões e algemas, mas ele arrebentava as correntes e era impelido pelo demônio para os lugares desertos. 30Cristo Jesus perguntou-lhe: “Qual é o teu nome?”. — “Legião”, respondeu, porque muitos demônios haviam entrado nele. 31E rogavam-lhe que não os mandasse ir para o abismo.32Ora, havia ali, pastando na montanha, uma numerosa manada de porcos. Os demônios rogavam que Cristo Jesus lhes permitisse entrar nos porcos. E ele o permitiu. 33Os demônios então saíram do homem, entraram nos porcos e a manada se arrojou pelo precipício, dentro do lago, e se afogou. (Lc 8: 26-33)
Resposta: Nos primeiros capítulos da Bíblia, lemos sobre a “Queda do Homem” no Éden, quando o ser humano tomou para si a força sexual criadora, utilizou-a de forma ignorante e, assim, pecou contra as Leis da Natureza. A propagação é uma faculdade do Corpo Vital — que é a sombra do Espírito de Vida, o segundo aspecto do Tríplice Espírito do ser humano.
Os Querubins são descritos como tendo sido postos de guarda, com uma espada flamejante, quando o ser humano foi expulso do Éden, para que não comesse da Árvore da Vida e se tornasse imortal; pois eles constituem a grande Hierarquia Criadora que regia a Terra durante o Período Solar, Período em que ganhamos o germe do Corpo Vital e foi nos despertado o Espírito de Vida.
Então teve início a longa peregrinação pelo deserto da matéria, e a Arca da Aliança era o símbolo do ser humano nesta fase migratória de sua existência. Durante a peregrinação pelo deserto, as varas utilizadas para transportar a Arca permaneciam sempre em seus lugares, indicando que ela não possuía morada permanente; contudo, ao chegar ao Templo construído sem o som de martelos — o Templo de Salomão —, sua peregrinação chegou ao fim, e as varas foram removidas.
Em sua natureza como símbolo do ser humano, a Arca continha a Tábua das Leis, dado para ensinar ao ser humano a conduta correta. Havia nela a Vara de Aarão que floresceu — um cetro de poder que simbolizava a força espiritual latente em todo ser humano. A lança de Parsifal era como se fosse uma réplica da Vara de Aarão que fora instrumento de dano nas mãos de Klingsor, o Mago Negro, e, também, nas mãos do soldado romano; contudo, o puro e espiritual Parsifal[1] a utilizou para curar as feridas de Amfortas. A Vara de Aarão fora usada entre os egípcios para causar aflição e sofrimento, sendo então ocultada no interior da Arca — simbolizando o fato de que o ser humano, em certo momento, possuíra e utilizara indevidamente o poder espiritual que agora se encontrava oculto em seu interior.
Havia o Pote de Ouro do Maná. Esse não era um alimento para o Corpo, como se explica de forma materialista. A palavra “maná” é quase universal. No sânscrito, temos “manas”, o pensador. No alemão, no inglês, nas línguas escandinavas e em muitas outras, temos a mesma palavra “man” para designar o pensador. A colocação do Pote de Ouro do Maná dentro da Arca comemora o momento em que o Ego penetrou na forma que havia construído e tornou-se um Espírito individual residente em seu interior.
Essa foi a “Queda” nas condições materiais, que tornou necessária a geração de Corpos Densos. Quando o ser humano arrogou para si o poder de gerar a qualquer momento, foi exilado da Região Etérica, para que não se apoderasse do segredo de vitalizar os Corpos imperfeitos que gera e tornasse a evolução impossível.
Como afirmado na primeira parte de nossa resposta, os Querubins foram os autores de nossas forças vitais; portanto, devem guardá-las até que o ser humano esteja apto a exercer o próprio controle sobre elas. Por isso, diz-se que foram colocados no Jardim do Éden portando uma espada flamejante; e é de suma importância notar que, nas portas do Templo de Salomão, havia Querubins que não traziam mais a espada flamejante nas mãos, mas sim uma flor aberta. A flor é o órgão gerador da planta — realizando o ato da geração de maneira pura e isenta de paixão — e, quando o ser humano aprender a tornar-se puro e livre de paixões, de modo que toda e qualquer forma seja concebida imaculadamente, ele poderá entrar no Templo de Deus assim como a Arca entrou no Templo de Salomão. Poderá ali permanecer — fato simbolizado pela remoção das varas de transporte — e conforme profetizado no Apocalipse, onde o Espírito declarou: “Ao que vencer, fá-lo-ei coluna no templo do meu Deus, e dele jamais sairá“[2].
(Pergunta nº 88 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). Foi sua última ópera completa. Wagner descreveu Parsifal não como uma ópera, mas como um Festival para a Consagração do Palco. A grafia de Parsifal feita por Wagner em vez do Parzival que ele usou até 1877 é informada por uma etimologia errônea do nome Percival derivando-a de uma origem supostamente persa, FalParsi significando “tolo puro”. A ópera se passa nas legendárias colinas do Monte Salvat, na Espanha, onde vive uma fraternidade de cavaleiros do Santo Graal. O mago negro Klingsor teria construído um jardim mágico povoado com mulheres que, com seus perfumes e trejeitos, seduziriam os cavaleiros e faria com que eles quebrassem seus votos de castidade, e teria ferido Amfortas, rei do Graal, com a lança que perfurou o flanco de Cristo, e todas as vezes em que Amfortas olha em direção ao Graal sente a ferida arder. Tal redenção só poderia ser realizada por um “inocente casto” (significado da palavra “Parsifal”). Este, em sua primeira aparição na ópera, surge ferindo um dos cisnes que purificavam a água do banho de Amfortas, e a todas as perguntas que os cavaleiros lhe fazem responde dizendo que não sabe de nada, nem ao menos seu nome.
Parsifal atravessa o jardim mágico de Klingsor e é seduzido pela amazona Kundry, que ora é uma fiel serva do Graal, ora é escrava de Klingsor. Ao beijá-la, sente os estigmas das feridas que afligiam Amfortas e, quando Klingsor atira a lança contra ele, a lança dá a volta em seu corpo, e todo o castelo mágico é destruído. Tempos depois, tendo os cavaleiros se convencido de que ele é o “inocente casto” que faria a salvação, Parsifal cura as feridas de Amfortas e o destrona, assumindo a nova condição de rei do Graal.
[2] N.T. Apo 3:12
Resposta: Significa exatamente o que é dito, pois a Terra está passando por inúmeros estágios evolutivos que proporcionam as condições necessárias para o nosso desenvolvimento. Houve a era de escuridão, durante a qual o material do nosso Planeta se aglutinou em um estado de fermentação e germinação que gerava calor; assim, em certo momento, quando foi proferido o decreto criador: “Faça-se a luz”, essa matéria se transformou em uma nebulosa ígnea e luminosa, girando em torno do seu eixo e aquecendo a atmosfera circundante, a qual, por sua vez, era resfriava pelo contato com o espaço exterior. Desse modo, foi gerada a umidade, que precipitou sobre o Planeta incandescente, fazendo com que se desprendesse um vapor – uma neblina ígnea.
Durante éons, esse processo de evaporação e condensação continuou até que a Terra formou uma crosta sólida e se tornou o que conhecemos como terra firme, de onde subia uma névoa – fato também mencionado na Bíblia. Esse vapor se resfriou e se condensou, precipitando sobre a Terra como um dilúvio que, por fim, limpou a atmosfera e estabeleceu as condições atmosféricas prevalecentes até hoje. No passado, possuíamos Corpos adaptados para viver nos variados ambientes da Terra e, atualmente, nossos veículos físicos são compostos em grande parte por água, assim como são os Corpos Densos dos animais e das plantas. No entanto, a Bíblia diz que “a carne e o sangue” não podem herdar o Reino de Deus. Somos informados que deixaremos o Corpo Denso e seremos arrebatados nos ares; além disso, como você mencionou: “não haverá mais mar“. Assim, as condições gerais nos sãos apresentadas, e há muitos indícios de que, embora essas mudanças estejam ocorrendo lentamente, elas certamente virão. Os cientistas começam agora a reconhecer o fato de que a Terra está perdendo umidade. Lemos num artigo publicado na revista “Literary Digest”: “Muitas autoridades reconhecem o fato de que a Terra está perdendo lentamente sua umidade. Segundo C. F. von Hermann[1], em artigo publicado na Revista Science (New York), a maneira como isso ocorre é parcialmente explicada pela ação de descargas elétricas que decompõe o vapor. Um dos gases componentes, o hidrogênio, é muito leve e sobe até as camadas superiores da atmosfera terrestre, de onde acaba sendo expelido. A longo prazo, essa perda de hidrogênio resulta em perda de água. A decomposição da umidade terrestre, com sua consequente perda definitiva, também é provocada por outros agentes, notadamente o efeito dos raios luminosos da faixa superior do espectro. Von Hermann cita o Dr. Karl Stoeckel, autor que escreveu para a publicação na Revista Umschau, afirmando: ‘Acredita-se que os raios ultravioleta da luz solar, ao incidirem sobre o vapor d’água suspenso nas camadas inferiores da atmosfera terrestre, decompõem uma pequena parte dele, produzindo hidrogênio, que ascende a grandes altitudes’.”
Sobre isso, o Sr. von Hermann comenta o seguinte: “Creio que não se havia apontado antes que a superfície da Terra deve estar perdendo hidrogênio continuamente devido à decomposição do vapor de água causada por cada descarga de raio. Pickering e outros identificaram as linhas de hidrogênio no espectro dos raios, e as principais obras de meteorologia mencionam o fato de que as descargas elétricas decompõem certa quantidade de água… O hidrogênio formado por cada raio sobe rapidamente para a alta atmosfera e perde-se para o espaço. Considerando a frequência de tempestades durante o verão em ambos os hemisférios — e a ocorrência constante delas nas regiões equatoriais —, essa perda de hidrogênio não pode ser considerada insignificante. Enquanto as condições na Terra permitirem a ocorrência de tempestades, o lento processo de dessecação do planeta deverá continuar.”
Assim, os ensinamentos da Bíblia são confirmados em todos os pontos essenciais à medida que a ciência avança. Os fatos descobertos demonstram a precisão com que o passado e o presente foram descritos. Isso nos dá motivos para crer que os acontecimentos futuros também estarão em harmonia com as verdades ensinadas na Bíblia.
(Pergunta nº 80 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: “Is the Earth Drying Up?” (A Terra está secando?) — Este segmento de divulgação científica resumiu explicitamente o artigo de von Hermann publicado na *Science* para explicar como o gás hidrogênio escapa para as camadas superiores da atmosfera. (November 22, 1913 – Volume: Vol. 47, No. 21) – Charles F. von Herrmann (c. 1897-1905): inicialmente meteorologista na Estação Experimental Agrícola estadual, von Herrmann tornou-se diretor do Serviço de Clima e Culturas do *Weather Bureau* (Serviço Meteorológico) na Carolina do Norte, compilando registros de observação e resumos mensais de toda a região do Atlântico Sul.
Há passagens na Bíblia, especialmente nos Evangelhos, em que se observarmos mais atentamente veremos algo muito mais transcendente do que Cristo Jesus produzindo uma de suas maravilhas.
Aqui seguem dois exemplos bem contundentes:
No Evangelho Segundo S. Mateus 8:23-27 estudemos o seguinte trecho:
“Então, entrando Ele no barco seus Discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto Cristo Jesus dormia. Mas os Discípulos vieram acordá-Lo clamando: ‘Salva-nos, pereceremos’. Acudiu-lhes então Cristo Jesus: ‘Por que sois tímidos, homens de pequena fé?’. E levantando-se repreendeu os ventos e o mar e fez-se grande bonança. E maravilharam-se os homens dizendo: ‘Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?’”
E no mesmo Evangelho (14:22-33), estudemos esse trecho:
“Logo a seguir compeliu Jesus os Discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto Ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde lá estava Ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os Discípulos ao verem-no andando por sobre as águas ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma. E tomados de medo gritaram, mas Cristo Jesus imediatamente lhes falou: ‘Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais’. Respondendo-lhe Pedro disse: ‘Se és tu Senhor, manda-me ir ter contigo por sobre as águas’. E Ele disse: ‘Vem’. E Pedro descendo do barco andou sobre as águas e foi ter com Cristo Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo e começando a submergir, gritou: ‘Salva-me Senhor’. E, prontamente Cristo Jesus estendendo a mão tomou-o e lhe disse: ‘Homem de pequena fé, porque duvidastes?’. Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram dizendo: ‘Verdadeiramente és Filho de Deus’”.
Aqui Cristo Jesus não estava literalmente dominando os elementos próprios do Mundo Físico, tais como a tempestade, os ventos e as ondas fortíssimas. Na realidade, estas passagens do Novo Testamento relatam experiências ocorridas em outra dimensão. Na literatura Rosacruz a água simboliza as emoções e o Mundo do Desejo.
À natureza da água lembra muito o Mundo do Desejo, cuja substância se encontra em constante movimento. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que a permanência no Mundo do Desejo requer muito equilíbrio e discernimento do Estudante Rosacruz. Quando faltam essas qualidades ocorre justamente o pânico que sobressaltou S. Pedro no capítulo 14, nos versículos 22-33 do Evangelho acima.
S. Pedro deixou o barco (simbolizando o Corpo Denso) e se aventurou-se no Mundo do Desejo, logicamente, utilizando seu Corpo de Desejos. Porém, ainda não conseguia se manter-se equilibrado e com o nível de discernimento necessário para lá permanecer sereno, tendo assim que receber a ajuda de Cristo. “Caminhar sobre as águas” é dominar os elementos do Mundo do Desejo.
Pois, também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a lei que rege a matéria da Região Química do Mundo Físico é a inércia, a tendência a permanecer em status quo. É necessária certa soma de energia para vencer essa inércia, para fazer com que um material qualquer, por exemplo um corpo, em repouso se mova ou para deter um que esteja em movimento. Tal coisa não acontece com a matéria componente do Mundo do Desejo. Em si própria é quase vivente, está em movimento incessante, fluídico. Pode tomar formas inimagináveis com inconcebível facilidade e rapidez brilhando ao mesmo tempo com milhares de cores coruscantes sem termos de comparação com qualquer coisa que conhecemos neste estado físico de consciência. Desta ligeira descrição pode-se deduzir quão difícil será para o neófito que acaba de abrir os olhos internos, encontrar o equilíbrio no Mundo do Desejo. É um manancial de toda espécie de perturbações e perplexidades.
Outro importante ensinamento que aprendemos na Filosofia Rosacruz é que a característica principal dos Globos lunares, quando vivíamos no Período Lunar, pode ser descrita como ‘umidade’. Os Cientistas ocultistas chamam “água” aos Globos do Período Lunar e descrevem sua atmosfera como se fosse névoa ígnea.
Também aprendemos que cada dia da semana corresponde a um dos Períodos e é regido por um Astro em particular. À segunda-feira corresponde ao Período Lunar e é regida pela Lua que exerce decisiva influência sobre as águas, os fluídos, as marés e afins.
Por outro lado, o domínio das emoções representa uma transição de um estado de consciência para outro. Por exemplo, os israelitas para entrar na Terra Prometida, primeiro tiveram de atravessar o Mar Vermelho e depois o Rio Jordão.
Cruzar as águas é uma vitória sobre as emoções, sobre si próprio. Se você supera alguma dificuldade, “você cruzou o Jordão”.
Outro exemplo nesse sentido é a Arca de Noé que, esotericamente interpretada, representa um estado de consciência mais elevado, uma vitória sobre a comoção e insegurança causadas por grandes transformações. O dilúvio é uma alegoria do desaparecimento da Atlântida. Os sobreviventes simbolizam um tipo superior de Humanidade, capaz de responder positivamente às necessidades evolutivas da Época Ária.
Aprendemos que as Épocas contêm em si mesmas espirais evolutivas menores, que são as Eras. As Eras são algumas dessas espirais. O ser humano da Era de Peixes é emotivo por excelência. Eis porque esta Era está intimamente ligada ao elemento Água: o batismo com água nas Igrejas cristãs, a água benta, a emotividade que envolve a devoção.
Na próxima Era — que é a Era de Aquário — essas características serão modificadas. O ser humano aquariano será mais racional. A atmosfera mais seca e elétrica que predominará ensejará o fortalecimento da atividade intelectual. A representação astrológica de Aquário consiste em “um homem”, o aguador, despejando a água do seu cântaro.
Num futuro mais distante ainda, às emoções serão totalmente sublimadas e amalgamadas à constituição espiritual do ser humano. Isso foi anunciado no Capítulo 21 do Livro do Apocalipse: “Vi novo Céu e nova Terra, pois o primeiro Céu e a primeira Terra passaram e o mar já não existe”. Temos, portanto, uma árdua tarefa pela frente!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/abril – 1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Os Semitas Originais constituíam a quinta das Raças Atlantes. Eles emergiram da Atlântida submersa, conforme narrado de diversas formas nas histórias de Noé e Moisés. Destinaram-se a uma Terra Prometida – não a pequena e insignificante Palestina, mas a Terra inteira, como está constituída atualmente. Essa Terra lhes foi prometida porque o Planeta passava pelas transformações habituais quando uma nova Raça está prestes a assumir o seu domínio. Dilúvios haviam destruído a civilização atlante e, nas vastidões de Gobi, na Ásia Central, vagava o núcleo das atuais Raças arianas (da Época Ária).
Na época em que tal núcleo estava destinado a se tornar uma Raça que povoaria o mundo, a procriação dos filhos era, naturalmente, uma consideração primordial. Por isso, via-se como dever de todos gerar um grande número de filhos e ser extremamente fecundos. Mas, não estamos vivendo mais nesses tempos; o mundo está bem povoado, e os Egos que reencarnam aqui são atendidos sem a necessidade de esforços especiais de procriação. Nunca defendemos o celibato geral, nem que as pessoas devessem se casar e depois viver como irmãos; mas ensinamos que as pessoas casadas devem, de acordo com as circunstâncias, ajudar a perpetuar a Raça humana. Isto é, se marido e esposa estiverem fisicamente, moral e mentalmente aptos, e se possuírem um lar onde um Ego em processo de renascimento aqui possa obter a oportunidade de renascer e adquirir experiência, eles devem se oferecer como um sacrifício vivo no altar da Humanidade e doar a substância de seus Corpos para fornecer um veículo a esse Ego, convidando-o para o lar deles, como convidariam um hóspede querido, gratos por poderem fazer por ele o que outros lhes fizeram. Contudo, uma vez realizado o ato de concepção, devem se abster de novas relações sexuais, até que se sintam novamente aptos a gerar o corpo para outra criança. Esse é o ensinamento dos Rosacruzes sobre a relação ideal entre marido e esposa. Eles sustentam que a função sexual criadora não deve ser utilizada para fins sensuais, mas sim para a perpetuação da Raça humana, para a qual foi naturalmente destinada. Essa é uma condição ideal e pode estar além do alcance da maioria das pessoas no momento atual – tal como a recomendação de amar os nossos inimigos –, mas, se não tivermos ideais elevados, não faremos progresso algum.
(Pergunta nº 21 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)