No Capítulo do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, que trata do Esquema de Evolução estudamos e aprendemos que: “os três e meio Períodos que faltam serão dedicados ao aperfeiçoamento destes veículos, e a expansão de nossa consciência em algo semelhante à onisciência”. Esta lição trata desta importante fase da evolução. Já caminhamos um grande percurso desde a consciência do transe profundo, do Período de Saturno ao estado de Consciência de Vigília atual, e estamos nos preparando para a elevada consciência espiritual que obteremos no Período de Vulcano. Este é o grande Plano Divino que nosso Criador, Deus, traçou para nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana.
Através das diferentes fases da Involução fomos guiados por Seres Elevados – as Hierarquias Criadoras –, de variados graus de poder, porém, hoje, no tempo atual, nos encontramos no Caminho de Evolução de desenvolvimento, e ampliando a Consciência de Vigília, cujo desenvolvimento está em nossas próprias mãos, dependendo de nossa iniciativa e diligência, a fim de que cresçamos ou permaneçamos estacionado. A escolha é nossa!
Como Estudantes Rosacruzes ativos, sinceros e humildes temos plena consciência de nossos muitos defeitos. Como crescer em graça e alcançar o crescimento anímico é o objetivo de nossos esforços diários, porque o crescimento anímico aumentará a nossa consciência. Frequentemente sentimos que não podemos nos concentrar e meditar à vontade, ou tão profundamente como desejaríamos, porque influências externas nos perturbam e, com facilidade, nos dizemos a nós mesmos: “O mundo é demasiado para nós”. É, então, que somos tentados a nos excluir, e nos permitir o desejo de fugir para a nossa individual “torre de marfim”; sabemos que, sem importar quão sedutor possa nos parecer este projeto, não é o caminho certo para nós.
Experiências anteriores nos têm demonstrado que o crescimento anímico não se acumula fugindo da vida e das nossas obrigações ou deveres para com a família, comunidade e sociedade no mundo. A consciência se produz pela guerra entre o Corpo de Desejos, que destrói, e o Corpo Vital, que constrói o nosso Corpo Denso. Renascemos para obter experiências, e essas só se podem alcançar pelo contato com nossos semelhantes, irmãos e irmãs, aqui na Região Química do Mundo Físico, por meio de ação e reação.
A razão para a edificação de nosso intrincado sistema de veículos eficientes, durante a parte desse Esquema de Evolução que chamamos de Involução, foi para obter esse nível de consciência própria, a Consciência de Vigília. Pelo uso destes veículos, conscientemente, durante nossa jornada evolucionária, conseguimos obter o Poder Anímico, que é o alimento que nós, um Tríplice Espírito precisamos. Desde o mero princípio, somos uma parte de Deus, e agora, como sempre, n’Ele “vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”, porém, temos que nos converter em um Espírito Virginal da Onda de Vida humana individualizado, consciente! Como tal, no devido tempo, devemos conhecer e assimilar a nossa própria história passada, nossas possibilidades atuais, e nossas futuras potencialidades.
Cristo nos ensinou por meio dessa advertência: “Sê tu, portanto, perfeito como teu Pai é perfeito nos Céus” (Mt 5:48). Ele compreendia que nenhum de Seus ouvintes possuía a perfeição de Deus no tempo em que Ele lhes falou, porém, sabia o que é possível ao ser humano conseguir. Por Suas palavras, Ele desejava impressionar e recordar a todos nós que, pelo esforço constante e exercício incansável da vontade, poderemos, ao final, alcançar a perfeição. Ele quis elevar os não sensitivos, porque Ele sabia que muitos de nós estavam e ainda estão adormecidos espiritualmente e temos que despertar, frequentemente, por dolorosas experiências quando renascidos aqui. Não precisa ser assim (o caminho do amor não gera dor), mas muitos de nós insiste em trilhar o caminho do sofrimento para se despertar espiritualmente!
Reunimos material para o nosso crescimento da alma por meio de nossas experiências diárias; como tratamos estes acontecimentos que enfrentamos em nossa existência diária, será nossa contribuição individual para com a vida.
Cada um de nós experimentou um meio ambiente distinto e se equipou com um Átomo-semente mais ou menos poderoso no começo da vida e, por conseguinte, a reação de cada um é diferente, individualizada, e assim enriquecerá a obra da vida.
Carecemos de poder suficiente apreciável sobre os sucessos com que temos de nos defrontar em nossa jornada desde o berço até o túmulo, porém, podemos determinar como reacionar ante eles. Temos liberdade em demonstrar, face aos problemas da vida, debilidade ou valor ao enfrentá-los.
Nesta luta divina, nos enriquecemos espiritualmente, e a quintessência deste crescimento anímico é extraído vida após vida, armazenando-se como poder vibratório. Este poder reunido por nós, o Ego – um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui como Tríplice Espírito –, durante muitas vidas, é o que sentimos quando nos colocamos em contato com nossos semelhantes, é o poder vibratório que, com frequência, cria imediatos gostos e aversões. O Poder Anímico obtido se imprime em nossa própria alma e sentimos o seu efeito.
Ricardo Wagner, em sua Ópera Parsifal[1], teve um esplêndido êxito ao nos dar um quadro novo, revitalizado da velha lenda que fala da nossa jornada através da vida, conforme enfrenta os perigos e domina as tentações. Finalmente, chega à conclusão de sua pesquisa com a alma enriquecida e a consciência expandida. Quando, pela primeira vez, Parsifal aparece em cena, é puro e sem malícia, e surpreendentemente inocente. Deseja ser de alguma utilidade no Castelo de Graal, porém, antes de fazer isto, tem que enfrentar as realidades da vida e do mundo com seus perigos, porque tem que aprender a discernir. Este é o único meio de nos demonstrar onde somos débeis.
Parsifal, em sua inocência, passa através de seus encontros com as donzelas astutas e a tentadora Kundry sem se prejudicar. Em seu doloroso encontro com ela, obtém novo conhecimento que resulta em uma maior consciência. Ele viaja através de todo o mundo, encontra sofrimentos e fadigas e, agora, quando chega de novo ao Castelo do Graal, está em condições de ajudar e seus esforços são aceitos prazerosamente, porque conseguiu se dominar.
Ele diz a seus amigos: “Vim através do erro e do sofrimento, através de muitos fracassos e incontáveis angústias”. Isto deveria dar a todos aqueles que procuram conseguir fazer o trabalho do mundo, e a todos aqueles desejosos de aprender, novo alento e a segurança de que nada se perde, e se ganha com o esforço sincero.
A essência de nossas experiências, vida após vida, se acumula e não se perde. O amor e o entendimento adquiridos farão nossa jornada, para o alto, mais feliz e mais proveitosa a todo aquele que tentar.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). É necessária uma compreensão da natureza da música para apreciar devidamente esta obra-prima que é Parsifal, de Richard Wagner, onde a música e os personagens estão interligados como em nenhuma outra produção musical moderna.
Para melhor compreender o que é a Iniciação e quais seus requisitos preliminares fixe o leitor, antes de tudo, e com toda a firmeza em sua Mente, que, na totalidade, a Humanidade progride lentamente no Caminho de Evolução – desde o Período de Saturno até o Período de Vulcano, Período por Período, Globo por Globo, Revolução por Revolução. Só lenta e quase imperceptivelmente consegue estados mais elevados de níveis de consciência. O Caminho de Evolução, examinado sob os aspectos espiritual e físico, é uma espiral.
Na figura que chamamos lemniscata, há dois círculos que convergem para um ponto central. Os círculos podem servir para simbolizar nós, o Espírito imortal, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui como Tríplice Espírito). Um dos círculos representa a nossa vida terrestre no Mundo Físico, desde o nascimento até a morte aqui, e o outro, nossa vida celeste nos Mundos invisíveis (à visão física), desde a morte aqui até ao renascer aqui.
Enquanto permanecemos nesse mundo, nós, o Ego, semeamos uma semente em cada ato, obra ou ação, dele colhendo certa quantidade de experiência. Contudo, assim como se pode semear sem haver colheita, porque as sementes foram atiradas em terrenos pedregosos, entre espinhos, assim também a semente da oportunidade, por negligência no cultivo do terreno, pode ser perdida e, então, a vida será estéril, sem fruto, como nos revela a Parábola do Semeador [1]. Ao contrário, assim como a qualidade e o cuidado no cultivo aumentam, enormemente, o poder produtivo das sementes, uma aplicação cuidadosa no negócio da vida – a melhora de oportunidades para aprender as suas lições é extrair de nosso meio as experiências que contém – nos traz mais oportunidades. Ao terminar uma existência terrestre, nós, nas portas da morte, nos encontramos carregados dos mais ricos frutos da vida terrestre.
Terminado o trabalho objetivo da existência, começamos o trabalho subjetivo da assimilação. Esta obra se efetua, durante a nossa permanência nos Mundos invisíveis – mais uma vida celeste –, período que decorre desde a morte aqui até ao renascimento aqui, simbolizado pelo segundo anel da lemniscata. Quando chegamos ao ponto central da lemniscata, que divide o Mundo Físico dos Mundos invisíveis, chamamos a porta do nascimento, ou da morte, entra (ou sai) numa outra esfera, em relação a nós. Fazemo-lo com um conjunto de faculdades e talentos, adquiridos em vidas anteriores, que usamos, ou descuidamos, em novo dia de vida, segundo nossa própria escolha. Do uso que fizermos das nossas oportunidades depende o nosso crescimento da alma.
Se, durante muitas vidas gratificamos, principalmente, a nossa natureza inferior (“Eu inferior”), vivendo para comer, beber e nos divertir, ou deixamos que nossos ideais espirituais se esfumassem em sonhos e especulações metafísicas, acerca da natureza de Deus, nos abstendo, negligentemente, de toda ação necessária, gradualmente seremos deixados para trás, pelos mais ativos e progressistas: nos tornamos um “atrasado” no Caminho de Evolução. Grandes agrupamentos destes “preguiçosos” formam as chamados “seres humanos atrasados”, enquanto os ativos, desembaraçados e despertos espiritualmente, que se ocupam em adquirir uma porcentagem maior de oportunidades, são os “precursores”.
Ao contrário da ideia geralmente aceita, isto se aplica, igualmente, àqueles que estão empenhados em trabalhar aqui, por meio de ações, obras e atos, que visam auxiliar as pessoas ao seu lado, bem como cumprir o que a própria pessoa escolheu quando estava no Terceiro Céu, no início de mais um renascimento aqui. Para esses irmãos e essas irmãs a maneira de ganhar os recursos financeiros necessários para se viver aqui é, somente, um incidente, um incentivo, inteiramente a parte dessa fase. O trabalho deles pode ser tão espiritual ou, talvez mais, do que o daqueles que só passam o tempo aqui em preces, com prejuízo de um trabalho útil por meio de ações, obras e atos. Do que dissemos, se torna claro que o método de desenvolvimento da alma, levado a efeito por esse Esquema de Evolução, requer ação, ato e obra na vida física, seguida, na vida post-mortem, por um estado de assimilação, durante o qual as lições da vida são extraídas e cuidadosamente incorporadas a nossa consciência, embora as experiências, em si, sejam esquecidas.
Este processo, excessivamente lento, acomoda-se, perfeitamente, as necessidades da imensa maioria das pessoas. No entanto, alguns esgotam, rapidamente, as experiências comumente dadas e requerem um campo mais extenso, para aplicar suas energias. A diferença de temperamento é a causa de uma divisão em duas classes.
Uma dessas classes, conduzida por sua devoção a Cristo, segue, simplesmente, os ditados do Coração, em sua tarefa de amor por seus irmãos e por suas irmãs. Belos caracteres, faróis de amor num mundo sofredor, estão sempre prontos a esquecer sua própria conveniência, para ajudar aos outros.
Na outra classe, a Mente é o fator predominante. A fim de ajudar os irmãos e as irmãs em seus esforços para alcançar sabedoria, as Escolas de Mistérios – ou Escolas de Iniciação – foram criadas. Nelas foi representado o drama do mundo, para dar as almas aspirantes, enquanto se achavam enlevadas, respostas às perguntas acerca da origem e do destino da Humanidade.
Ao despertar, tais irmãos e irmãs eram instruídos na Ciência sagrada de ascender mais, por meio do método da Natureza – que é Deus em manifestação – semeando a semente da ação, meditando acerca da experiência e assimilando a moral essencial para obter o devido crescimento anímico, o seu crescimento da alma.
Também, havia esta circunstância importante: enquanto, no curso normal das coisas se gasta uma vida inteira em semear e uma existência post-mortem na reflexão e incorporação da substância anímica, em um ciclo de, aproximadamente, mil anos pode ser consideravelmente reduzido.
Seja qual for o trabalho executado durante um dia simples, reflita-se sobre ele, à noite, antes de cruzar o ponto neutro entre o estado de vigília e o adormecer. Esta experiência pode, deste modo, ser incorporado na nossa consciência, como Poder Anímico. E o melhor modo de fazer isso é por meio da prática do Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção.
Lembremo-nos que esse Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é o mais eficiente dos métodos existentes para fazer o Aspirante à vida superior avançar no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Seu efeito tem tal alcance que permite ao Estudante Rosacruz ativo aprender agora não apenas as lições dessa vida, mas também lições que normalmente lhe estariam reservadas para existências futuras.
Como se pratica esse Exercício Esotérico Rosacruz (que faz parte do Treinamento Esotérico de todo Estudante Rosacruz ATIVO)?
“Após deitar-se à noite, o Aspirante à vida superior relaxa o Corpo Denso e começa a recordar os acontecimentos do dia na ordem inversa, partindo dos da noite, em seguida os da tarde, e depois os da manhã.
Deve esforçar-se para “rever” cada cena com a máxima fidelidade e procurar reproduzir ante seus olhos mentais tudo o que aconteceu em cada uma delas, a fim de poder julgar seus atos e certificar-se de que suas palavras transmitiram o sentido desejado ou deram uma impressão falsa, como também se exagerou ou foi omisso ao relatar experiências a outrem.
Deve examinar sua atitude moral relativa a cada cena. E quanto aos alimentos, verificar se “comeu para viver” ou “viveu para comer”, para gratificar o paladar.
Durante todo o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, o Aspirante à vida superior vai julgando a si mesmo, censurando-se onde couber reprovação e elogiando-se onde couber o louvor.
Lembremo-nos: não é um exercício de memória! O que deve ser utilizado são os eventos que deixaram os maiores impactos (sejam simples ou não!) no Aspirante à vida superior: focando no efeito que gerou e depois na causa principal que gerou tal efeito. Se foi considerado bom pelo Aspirante à vida superior esse deve ser grato e reforçar sua decisão de repeti-lo sempre que houver ocasião. Se for considerado ruim ou “mal” pelo Aspirante à vida superior, ele deve se arrepender profunda e sinceramente e se comprometer a se reformar intimamente, se esforçando ao máximo para não o repetir quando houver ocasião.
Assim, quando se pratica, sinceramente, este Exercício Esotérico Rosacruz, revisando os pecados cometidos durante o dia, são eles eliminados, automaticamente, e começamos, em cada dia, uma nova vida, com a vantagem de ter aumentado o nosso Poder Anímico, extraído das experiências da vida aqui. Ao abandonarmos o nosso Corpo Denso – ao morrer e irmos ao Purgatório, a visão do nosso passado se desenrola em ordem inversa, para mostrar, primeiramente, os efeitos, e depois, as causas que os produziram. Sentimos, de maneira intensa, a dor que causamos aos demais. Se não executamos o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção de maneira similar, sofrendo cada noite o “inferno” que merecíamos durante o dia, sentindo, agudamente, todos os pesares que havíamos infligido, não nos servirá de nada. Temos que nos esforçar, também, em sentir, com a mesma intensidade, a gratidão pelas atenções recebidas dos outros e a aprovação do bem que proporcionamos, pois o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é maneira similar ao que vivemos no Primeiro Céu.
Somente assim, vivemos, verdadeiramente, a existência post-mortem e avançamos, cientificamente, até a meta da Iniciação. O maior perigo para nós neste ponto é cairmos vítimas do laço do egoísmo. Nossa única salvação é cultivar as faculdades da fé, da devoção e da simpatia universal.
Se ponderamos bem o argumento precedente, teremos compreendido a analogia entre o largo ciclo da evolução e os ciclos curtos, ou passos, utilizados no Caminho de Preparação, que precede o Caminho de Iniciação. Ficará claro para nós que ninguém pode realizar, por outro, este trabalho post-mortem, nem lhe transmitir o desenvolvimento anímico adquirido da mesma maneira; ninguém pode ingerir o alimento físico de outro e lhe transmitir sua resistência e desenvolvimento!
Se não conseguirmos o Poder Anímico requerido para a Iniciação, ninguém poderá nos iniciar. Se o possuímos, estamos no umbral por nossos próprios esforços. Podemos pedir a Iniciação, como um direito. Se não o tivéssemos e quiséssemos comprar, quaisquer valores financeiros que fossem mobilizados seriam insignificantes para pagá-los!
Fixemos bem, em nossas Mentes, que a Iniciação não é uma cerimônia externa, mas, sim, uma experiência interior, na qual somos ensinados a usar o poder que armazenamos por meio de uma vida de pureza e de serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã ao seu lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
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[1] O semeador saiu a semear sua semente. Ao semeá-la, uma parte da semente caiu ao longo do caminho, foi pisada e as aves do céu a comeram. 6Outra parte caiu sobre a pedra e, tendo germinado, secou por falta de umidade. 7Outra caiu no meio dos espinhos, e os espinhos, nascendo com ela, abafaram-na. 8Outra parte, finalmente, caiu em terra fértil, germinou e deu fruto ao cêntuplo”. E, dizendo isso, exclamava: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”. (…) 11Eis, pois, o que significa essa parábola: A semente é a palavra de Deus. 12Os que estão ao longo do caminho são os que ouvem, mas depois vem o diabo e arrebata-lhes a Palavra do coração, para que não creiam e não sejam salvos. 13Os que estão sobre a pedra são os que, ao ouvirem, acolhem a Palavra com alegria, mas não têm raízes, pois creem apenas por um momento e na hora da tentação desistem. 14Aquilo que caiu nos espinhos são os que ouviram, mas, caminhando sob o peso dos cuidados, da riqueza e dos prazeres da vida, ficam sufocados e não chegam à maturidade. 15O que está em terra boa são os que, tendo ouvido a Palavra com coração nobre e generoso, conservam-na e produzem fruto pela perseverança. (Mc 4:1-9 e 13 a 20)
Resposta: Existem duas histórias da criação na Bíblia. Uma começa no primeiro versículo do primeiro capítulo e termina no terceiro versículo do segundo capítulo do Livro do Gênesis[1]. Outra narrativa começa no quarto versículo[2].
Essas duas histórias da criação parecem divergir bastante em vários pontos. O primeiro relato afirma que no princípio a Terra era coberta de água; o segundo afirma que era seca. O primeiro nos informa que o ser humano foi criado por último; a segunda versão diz que ele foi a primeira criatura, etc. Essas discrepâncias parecem irreconciliáveis e proporcionam ao cético grande satisfação quando ele as relata com um sorriso de pena arrogante pelos pobres tolos ignorantes que acreditam em tamanha tolice. No entanto, os dois relatos não são realmente incongruentes; eles são complementares e estão em harmonia com os fatos científicos. O primeiro relato trata origem da Forma, o segundo capítulo da evolução da consciência. A Forma humana, como está constituída atualmente, é a obra-prima da evolução, construída sobre a base de todas as Formas inferiores que a precederam. A Vida que é o Espírito, o pensador, não tem começo nem fim, é eterna como o próprio Deus, e essa Vida existia antes de todas as Formas, como conta a segunda história da criação.
Quanto ao tempo em que se diz que essa criação da forma ocorreu, os Ensinamentos Rosacruzes não ensinam nem acreditam que ela tenha sido realizada em sete dias de vinte e quatro horas cada, mas em nosso esquema de manifestação sete grandes transformações da Terra são necessárias para facilitar a plena evolução da autoconsciência e do poder da Alma pelos Espíritos em evolução. Três Períodos e meio foram gastos na obtenção de veículos; o restante será necessário para a evolução da consciência.
O versículo inicial da Bíblia afirma que, no princípio, a Terra era escura e sem forma definida. Isso ocorreu durante o Período de Saturno, quando a névoa ígnea incipiente se formava a partir da substância primordial do espaço.
O terceiro versículo nos informa que Deus disse “Haja luz”, uma passagem que tem sido alvo de escárnio por demonstrar a ignorância dos autores e a inconsistência do relato com os fatos científicos; pois, diz o zombador: “Se o Sol e a Lua só foram criados no quarto dia, como poderia haver luz antes disso?”. Não estamos lidando com o mundo como ele é hoje, uma massa sólida. Isso, é claro, seria escuro sem uma fonte externa de luz, mas naquela época a Terra era um mundo em formação e, de acordo com a Teoria Nebular, deve haver primeiro o estágio de calor escuro ao qual demos o nome de Período de Saturno. Mais tarde, a névoa se acende e se torna luminosa; a luz está dentro e não depende de um Sol e de uma Lua externos. Este segundo estágio no desenvolvimento do nosso Planeta é chamado de Período Solar.
Em seguida, somos informados de que Deus disse: “Haja uma expansão nas águas, para separar águas de águas.”. A palavra aqui traduzida como “expansão” é traduzida como “firmamento” na versão autorizada, mas usamos o texto massorético, que foi traduzido por tradutores de conhecimento, que não estavam sujeitos a um decreto real como aquele que dificultou os tradutores do Rei Jaime. O uso do termo “expansão” harmoniza a Bíblia com a Teoria Nebular, pois, quando uma névoa de fogo aparece no espaço, a umidade é gerada pelo contato dessa massa aquecida com o espaço circundante, que é frio. Essa umidade se aquece e se expande em vapor, que se desloca para fora do núcleo incandescente, é resfriado e condensado, e gravita de volta para a fonte de calor. Assim, a expansão das águas separou as águas das águas, com a umidade densa permanecendo mais próxima do núcleo incandescente e o vapor do lado de fora. Essa fase na consolidação da Terra é chamada de Período Lunar.
A ebulição contínua da água ao redor do núcleo incandescente finalmente causou uma incrustação e surgiu terra seca. Dizem que “Deus chamou a terra seca de Terra”.
Durante a primeira parte do Período atual, o Período Terrestre, a Terra era tão escura quanto no Período de Saturno. Existiam apenas substâncias minerais. Esta fase é chamada de Época Polar.
O Período Solar ardente encontra sua réplica na Época Hiperbórea, que é descrita nos versículos 11-19[3] como o tempo em que as plantas foram geradas e a Terra se tornou um Planeta iluminado externamente pelo Sol e pela Lua. Isso encerra o trabalho descrito como tendo sido realizado no quarto grande dia no desenvolvimento da nossa Terra.
Na Época Lemúrica temos uma recapitulação das condições durante o Período Lunar, um núcleo ardente e uma atmosfera de névoa de fogo, também a gênese dos graus inferiores dos animais, descrita na história bíblica como o trabalho do quinto dia.
Na Época Atlante os mamíferos vertebrados e o ser humano foram formados, como descrito sob o título do sexto dia, e quando o ser humano se tornou um ser racional na atual Época Ária, os Deuses descansaram para deixá-lo realizar sua própria salvação sob as gêmeas Lei do Renascimento e Lei da Consequência.
(Pergunta nº 79 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: (Gn 1:1-31 e Gn 2:1-3) Capítulo 1: No princípio, Deus criou o céu e a Terra. Ora, a Terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um vento de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: “Haja luz” e houve luz. Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. Deus chamou à luz “dia” e às trevas “noite”. Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia. Deus disse: “Haja um firmamento no meio das águas e que ele separe as águas das águas”, e assim se fez. Deus fez o firmamento, que separou as águas que estão sob o firmamento das águas que estão acima do firmamento, e Deus chamou ao firmamento “céu”. Houve uma tarde e uma manhã: segundo dia. Deus disse: “Que as águas que estão sob o céu se reúnam numa só massa e que apareça o continente” e assim se fez. Deus chamou ao continente “Terra” e à massa das águas “mares”, e Deus viu que isso era bom. Deus disse: “Que a Terra verdeje de verdura: ervas que deem semente e árvores frutíferas que deem sobre a terra, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente” e assim se fez. A terra produziu verdura: ervas que dão semente segundo sua espécie, árvores que dão, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia. Deus disse: “Que haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que eles sirvam de sinais, tanto para as festas quanto para os dias e os anos; que sejam luzeiros no firmamento do céu para iluminar a Terra” e assim se fez. Deus fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro para governar o dia e o pequeno luzeiro para governar a noite, e as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a Terra, para governarem o dia e a noite, para separarem a luz e as trevas, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: quarto dia. Deus disse: “Fervilhem as águas um fervilhar de seres vivos e que as aves voem acima da terra, sob o firmamento do céu” e assim se fez. Deus criou as grandes serpentes do mar e todos os seres vivos que rastejam e que fervilham nas águas segundo sua espécie, e as aves aladas segundo sua espécie, e Deus viu que isso era bom. Deus os abençoou e disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a água dos mares, e que as aves se multipliquem sobre a terra”. Houve uma tarde e uma manhã: quinto dia. Deus disse: “Que a terra produza seres vivos segundo sua espécie: animais domésticos, répteis e feras segundo sua espécie” e assim se fez. Deus fez as feras segundo sua espécie, os animais domésticos segundo sua espécie e todos os répteis do solo segundo sua espécie, e Deus viu que isso era bom. Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”. Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou. Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a Terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra”. Deus disse: “Eu vos dou todas as ervas que dão semente, que estão sobre toda a superfície da terra, e todas as árvores que dão frutos que dão semente: isso será vosso alimento. A todas as feras, a todas as aves do céu, a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou como alimento toda a verdura das plantas” e assim se fez. Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: sexto dia.
Capítulo 2: Assim foram concluídos o céu e a Terra, com todo o seu exército. Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera e no sétimo dia descansou, depois de toda a obra que fizera. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou depois de toda a sua obra de criação.
[2] N.T.: Capítulo 2: Gn (2:4-7) Essa é a história do céu e da terra, quando foram criados. A experiência da liberdade. O paraíso — No tempo em que Iahweh Deus fez a terra e o céu, não havia ainda nenhum arbusto dos campos sobre a terra e nenhuma erva dos campos tinha ainda crescido, porque Iahweh Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem para cultivar o solo. Entretanto, um manancial subia da terra e regava toda a superfície do solo. Então Iahweh Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente.
[3] N.T.: Gn 1:11-19 – Deus disse: “Que a terra verdeje de verdura: ervas que deem semente e árvores frutíferas que deem sobre a terra, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente” e assim se fez. A terra produziu verdura: ervas que dão semente segundo sua espécie, árvores que dão, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia. Deus disse: “Que haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que eles sirvam de sinais, tanto para as festas quanto para os dias e os anos; que sejam luzeiros no firmamento do céu para iluminar a terra” e assim se fez. Deus fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro para governar o dia e o pequeno luzeiro para governar a noite, e as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra, para governarem o dia e a noite, para separarem a luz e as trevas, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: quarto dia.
Resposta: Essa pergunta revela um equívoco por parte de quem a fez. Isso nunca foi afirmado dessa forma nos Ensinamentos Rosacruzes, mas algo foi dito que pode ter sido mal interpretado. A verdade é que a Evolução se move em espiral e nunca há uma repetição da mesma condição. Os Anjos representam uma corrente evolutiva anterior a nossa, sendo alcançaram o nível de Humanidade em um Período anterior ao atual Período Terrestre, chamado de Período Lunar na Terminologia Rosacruz. Os Arcanjos alcançaram o nível de Humanidade no Período Solar, e os Senhores da Mente, chamados por S. Paulo de “Poderes das Trevas”, alcançaram o nível de Humanidade do sombrio Período de Saturno. Nós somos a Humanidade do quarto Período do presente do atual Esquema de Evolução ou de manifestação, o Período Terrestre. Assim como todos os seres do universo estão progredindo ou evoluindo, a Humanidade dos Períodos anteriores também progrediu, de forma que agora se encontram em um estágio mais elevado ao que tinham quando alcançaram o nível de Humanidade deles – eles são “sobre-humanos”. Portanto, é verdade que Deus nos criou um pouco inferior aos Anjos. Mas, como tudo está em constante progressão espiralar, também é verdade que nós, que estamos no nosso nível de Humanidade atual, somos superiores e mais evoluídos do que os Anjos o foram (quando esses estavam no nível de Humanidade deles); e que os Anjos eram de uma ordem mais elevada quando atingiram o nível de Humanidade do que os Arcanjos, quando esses atingiram o nível de Humanidade. Na próxima etapa alcançaremos algo semelhante ao atual estágio dos Anjos, mas seremos superiores ao que eles são agora.
(Pergunta nº 2 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Sl 8:5 e Hb 2:7
Resposta: Na realidade somos todos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana e iniciamos o trilhar nesse Caminho, Obra e Esquema de Evolução no Período de Saturno, partindo do nosso Mundo, o Mundo dos Espíritos Virginais. Quando nos manifestamos, como agora nesse Grande Dia de Manifestação (composto desse Esquema de Evolução, pelo qual estamos caminhando), o fazemos de maneira Tríplice – exatamente como o nosso criador, Deus, o faz (Pai, Filho e Espírito Santo): então nos manifestamos, a partir do Mundo do Espírito Divino até a Região Abstrata do Mundo do Pensamento como um Tríplice Espírito, trabalhando por meio de três veículos espirituais: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano.
O objetivo desse Esquema de Evolução, na parte que conhecemos como Involução, é conquistar e aprender a trabalhar nos Mundos: Físico, do Desejo e do Pensamento. Para isso: primeiro tivemos que ganhar (e não despertar!) os veículos para trabalhar em cada um desses Mundos. Quem nos deu o germe de cada Corpo e do veículo Mente foram as Hierarquias Criadoras que são especializadas em trabalhar com o material de cada respectivo Mundo. Concomitantemente a isso, cada um daqueles três veículos espirituais foi despertado em nós, com a ajuda de Hierarquias Criadoras especializadas nessa atividade. Junto a isso, conforme ganhávamos o germe e despertava o correspondente superior veículo espiritual, fomos aprendendo a trabalhar com cada um e a aprimorar os veículos desses três Mundos, a partir de Átomos-sementes (que nada mais é do que a evolução do germe de cada Corpo que nos foi dados pelas Hierarquias Criadoras).
Três desses Veículos são os que alcançaram o estágio de Corpos: Denso, Vital (para o Mundo Físico) e de Desejos (para o Mundo do Desejo) e um ainda está no seu estado de veículo (Mente), para trabalharmos na Região Concreta do Mundo do Pensamento. Por isso é que dizemos que de cada aspecto do Tríplice Espírito emanamos os três Corpos (o Tríplice Corpo) e que por meio da Mente, nós, o Tríplice Espírito, consegue trabalhar conscientemente nas “ferramentas” Tríplice Corpo. O conjunto do Espírito Virginal manifestado (Tríplice Espírito) é chamado de Ego, no nosso caso, da Onda de Vida humana).
Atualmente, como Espírito Virginal manifestado, funcionamos na Região Abstrata do Mundo do Pensamento. Utilizando o veículo Mente, trabalhamos na Região Concreta do Mundo do Pensamento. E assim consequentemente com os Corpos: Físico, Vital e de Desejos nos Mundos: Físico e do Desejo, respectivamente. A Mente é a ponte que nos liga (o Ego) aos nossos veículos (os Corpos e a Mente, citados acima).
Que as Rosas floresçam em Vossa Cruz
Resposta: Há uma conexão esotérica entre Saturno, o Sol e a Lua, que regem o sábado, o domingo e a segunda-feira, respectivamente. O Sol e Saturno são ministros da vida e da morte – respectivamente –, e a Lua é, por assim dizer, a lançadeira com o qual a Humanidade se vê constantemente impelida de um polo a outro, enquanto a teia da experiência está sendo tecida. O nodo setentrional – ou nodo norte – da Lua, que chamamos de Cabeça do Dragão, compartilha da natureza do Sol, que nos fornece a vida, e conduz a Humanidade ao período de atividade física. O nodo meridional – ou nodo sul – nos conduz para o repouso da morte por meio das forças saturninas da Cauda do Dragão. Em outras palavras, tanto Saturno como a Lua são os portais de entrada e saída dos Mundos invisíveis, ou Caos – a Lua em termos de capacidade astral e Saturno em sentido cósmico.
Quando um grande Dia Criador de Manifestação se inicia, uma Época sempre começa com um Período de Saturno, então, as Ondas de Vida – nas quais o Espírito se manifesta –, que passaram pela fase subjetiva de evolução durante a Noite Cósmica precedente, são conduzidas à manifestação ativa, e isso ocorre durante a Revolução de Saturno de cada Período. Na pequena esfera terrestre da nossa atividade atual, quando um Ego está pronto para o renascimento na vida terrestre, a Lua marca o momento tanto da concepção quanto do nascimento, assumindo assim a função saturnina de conduzir os Egos em evolução da escura Noite Cósmica da morte para o universo solar da vida e da luz. Há, contudo, alguns Egos que não evoluem, mas permanecem estagnados no Caminho de Evolução. Para eles, chega um momento em que são, finalmente, expulsos para a Lua e lhe é negada a oportunidade e o privilégio de renascer dentro da atual classe evolucionária. Em consequência disso, eles permanecem na Lua até que os veículos, cristalizados por eles por falta de ação (ou inanição), sejam dissolvidos, e como não podem prosseguir com a corrente evolutiva, só lhes resta um caminho, isto é, gravitar de volta através do portão de Saturno para o Caos, ou para a Noite Cósmica, onde devem aguardar outra oportunidade de manifestação numa corrente de vida posterior.
Jeová não é o Regente dos Judeus, ao ponto de excluir todos os outros povos. Ele é o Legislador e o Senhor Cósmico da fecundação. Portanto, Ele tem uma missão especial a cumprir em relação a todos os povos pioneiros de qualquer Época ou Período, onde uma grande hoste de Espíritos que devam ser providos de veículos de um novo tipo. É Ele que multiplica abundantemente os povos pioneiros, lhes fornece as Leis apropriadas para a sua evolução e os prepara para um novo período de desenvolvimento. Se nos lembrarmos desse fato e, também, de que a primeira parte de uma Época é saturnina, então entenderemos que, embora os Semitas Originais fossem os ancestrais da Raça Ária, tenham sido multiplicados como as areias da praia, e tenham recebido suas Leis através de Jeová, eles também viviam no estágio saturnino da Época Ária e, portanto, logicamente, foram ensinados a guardar o dia de Saturno como um “dia de descanso”.
A Bíblia diz que a Lei era suprema até o advento do grande Espírito Solar. Cristo iniciou uma nova fase da evolução sob o princípio do amor e da regeneração. Isso pôs fim ao regime de Jeová e ao domínio de Saturno, não de uma forma abrupta, é claro, pois sempre há uma sobreposição que se procura entre um regime antigo e um novo. Mas, a partir desse momento, nós, o povo pioneiro Cristão, já entramos na segunda parte, ou seja, na parte Solar da Época Ária e, portanto, estamos substituindo agora o “dia de Saturno” pelo “dia do Sol” como dia de “dedicação ao Senhor”.
Como já mencionamos, a Lua e Saturno são os portões do Caos, e isso pode levar os Estudantes Rosacruzes a quererem saber o que acontecerá ao restante de nós e, portanto, podemos fornecer uma explicação resumida dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental sobre esse ponto: a Humanidade comum que segue o Caminho de Evolução é guiada em direção ao Reino de Cristo, o Espírito Solar.
Os atrasados, que não conseguem acompanhar o curso evolutivo, retrocedem para o Reino de Jeová, o Espírito Lunar.
Os avançados da Humanidade, os Iniciados que passaram tanto pelas Iniciações Menores quanto pelas Iniciações Maiores e seguem diante do Libertador (o grande Ser encarregado da evolução na Terra), têm a opção de permanecer aqui e ajudar seus irmãos e suas irmãs nesse mundo, ou ir para um satélite natural de Júpiter e preparar as condições sob as quais a Humanidade poderá evoluir no futuro Período de Júpiter.
As almas avançadas que malbarataram os seus poderes exercendo a magia negra retrocedem diretamente para Saturno e são forçadas a penetrar no Caos pela dissolução de seus veículos.
Saturno tem uma preponderância do quarto Éter, o Éter Refletor. Daí a sua pálida luminosidade, e os Egos que vão para lá deixam um registro de suas vidas e são em seguida lançados para fora em direção ao Caos, através das luas de Saturno.
Júpiter tem uma preponderância do terceiro Éter, o Éter Luminoso ou Éter de Luz. Daí o seu brilho, e os Egos avançados que vão para Júpiter, vindos do lado externo, dirigem-se para o interior através das luas e começam, então, como já dito, um trabalho construtivo para o Período de Júpiter.
(Pergunta nº 77 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Resposta: Isso é possível porque fomos criados com o livre arbítrio desde o início. Ou seja: desde o início temos a prerrogativa de querer ou não querer, exercendo a nossa Vontade. E isso é respeitado por todos os seres (e deveria ser também por nós!). É esse mesmo direito que resulta em querer ou não evoluir. O fato de no comecinho – Período de Saturno – estarmos em um estado de consciência conhecida como transe profundo não nos impede de termos o livre arbítrio, pois, como Espíritos Virginais, estamos sempre conscientes! Todos nós, como Espíritos Virginais, desde o Período de Saturno quando éramos guiados pelos Senhores da Mente, já haviam entre nós Espíritos Virginais da nossa Onda de Vida mais evoluídos que a Humanidade comum hoje. Exemplos: são os Irmãos Maiores e os seres de outros Períodos como: Júpiter, Vênus e Vulcano.
Que as Rosas floresçam em Vossa Cruz
Prosseguindo em nossas explanações por meio de estudos cosmológicos espirituais, voltemos ao Período de Saturno, quando principiávamos a nossa marcha. Nesse Período surgiram os Grandes Luminares, as Hierarquias Criadoras, que estavam acima desse Globo, e que nos auxiliaram por meio da Luz inferente a Seus Corpos, promovendo uma lenta densificação das partículas desse Globo nascente que, posteriormente, transformou-se em Luz. A nossa alimentação nessa época era constituída de calor e, posteriormente, passou a ser Luz. Se aceitarmos tal fato como verdade, teremos que convir, que essa mesma Luz, ainda hoje, nos serve de alimentação.
Não é possível haver vida sem essa Luz que se encontra tanto dentro, como fora de nosso organismo. Não somos mais tão ingênuos a ponto de acreditarmos que o mundo não seja uma expressão da Luz de Deus, pois “Deus é Luz” (IJo 1:5), da qual tudo foi feito, e que se propaga e tem sua eterna existência.
Assim, toda nossa alimentação é um produto da Luz que produz em nós o calor existente desde os primórdios do Período de Saturno. Esse calor se manifesta em nosso sangue sem o qual, nós, o Ego (o Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), não teríamos possibilidade de manifestação. Lembremo-nos que o calor do sangue é a nossa posição vantajosa em nossos veículos. Os quatro Éteres que fazem parte da constituição do nosso Corpo Vital estão intimamente ligados à nossa existência física densa (ao Corpo Denso), bem como às funções puramente transcendentais.
Assim compreendemos claramente o seu valor cooperante, intrínseco, desde o Período de Saturno (calor sanguíneo), Período Solar (Luz, transformação de calor em Fogo, concordante com o Éter de Vida, Éter Luminoso e com a formação do sistema nervoso) e, finalmente, o Éter Refletor, que traz ao nosso cérebro físico a percepção do Universo fora de nós. Notamos haver, portanto, um alimento concordante com as quatro modalidades de Éteres que sustentam o organismo humano. Através de etapas, de uma aprendizagem pelos Períodos, Épocas e Revoluções, o ser humano, quando atinge o grau de Adepto no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, consegue dispensar os alimentos desses Períodos, pois, as forças criadoras passam a atuar nele com todo seu potencial.
Por isso nos torna compreensível que o espiritualista tenha que se abster de carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins), procurando uma dieta mais natural, concordante com a finalidade que tem em vista. À nossa disposição estão os alimentos vegetais, as frutas, os legumes, verduras, mel, ovos, leites e afins; todos eles fontes excelentes de energias solares.
Podemos, ainda, juntar o seguinte: O Espírito Universal é um alimento perfeito, como bem o expressou Cristo, o Senhor: “Nem só de pão Vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4:4).
Isso significa que da boca de Deus sai o alento, a Vida que sustenta a todos nós que viemos a este mundo.
Este é o verdadeiro alimento; e outro não há, pois, mesmo apresentando-se sob várias formas e aspectos, o Espírito é “um” e sempre o mesmo. A todo aquele que desejar futuramente habitar nos Céus, ou seja, a Celeste Jerusalém, exorta-se a alimentar-se, desde já, do maná dos céus, isto é, do Espírito.
Deste mesmo Espírito testificam todas as Escrituras Sagradas. Não resta nenhuma dúvida de que aquele que não se alimentar desse “Pão de Vida”, futuramente não terá condições de habitar nas novas condições do próximo Período, pois não será encontrado vestido com suas Vestes Nupciais. Estará, segundo as Escrituras, desnudado.
Expliquemos, portanto, o desenrolar do processo que nos leva a atingir o estágio mencionado por Cristo, com as palavras: “Vós sois deuses” (Sl 82:6). Os deuses vivem no Paraíso, conforme descreve a Bíblia no Gênesis, ao se referir aos seres que constituíam a Humanidade nesta fase, com os nomes simbólicos de Adão e Eva, luzes que existiam antes que o mundo fosse feito, de acordo com as palavras de Cristo em Sua oração sacerdotal. Já mencionamos essa passagem. À Porta desse Paraíso se postam Querubins trazendo em Suas mãos alguns lírios. Isto significa que não podem franquear passagem para esse Reino Celestial àquele que não trouxer em si os lírios espirituais. Aqui não se trata de flores comuns, tampouco de “salvação”, pois já “está salvo” pela Luz Branca e transparente, o que significa que na Alma já não se encontra mácula alguma. Cristo é a Luz e a Porta do Paraíso, no que se vive em perfeita Unidade com o Absoluto. Humanamente não temos outra palavra à disposição para designar o Paraíso, mas temos, internamente, qualidades condizentes com esse estado paradisíaco, conhecido também como a Nova Jerusalém que desce dos Céus para dentro da Alma Humana, conforme as palavras do Apocalipse.
Nesta Nova Jerusalém, o Senhor, a Nova Alma, ceia conosco em uma Mesa, do mesmo manjar. Cristo é Quem nos dá manjar espiritual, na expressão mais exata d’Ele mesmo, quando na Santa Ceia fala aos Seus discípulos com as seguintes palavras: “‘Tomai, comei, este é o meu Corpo“. “E tomando o cálice, dando graças, disse: Bebei todos. Porque isto é o meu Sangue, o Sangue da Nova e Eterna Aliança, que é derramado por muitos, para a remissão dos pecados.” (Mt 26:26, Mc 14:22 e em ICor 11:24).
Se imaginarmos a Santa Ceia em que Cristo presidiu à mesa, e se tivermos um pouco de percepção espiritual, nos será possível encontrar uma ação impressionante, pois o Pão que entregou aos Discípulos não era um pão comum: era a própria Luz que o Senhor entregava. Ele mesmo disse: “Isto é o meu Corpo” – isto é – a Luz Solar, a Luz do Espírito de Vida, a Água da Vida ou Árvore da Vida que estava plantada no Centro do Paraíso, mencionada no Livro do Gênesis e no Livro do Apocalipse. Logo, deve-se compreender que a Luz de Cristo foi derramada abundantemente sobre o pão do qual todos eram transformados pela aliança do Novo Testamento, a Luz das Alturas em que Cristo tem Sua Morada. Aqueles que se dirigem ao Adeptado devem, por ordem espiritual, quando comem, sentir a Presença, a imensa Luz que se derrama sobre eles. Na essência do pão e no suco dos frutos maduros, tomamos como alimento, o próprio Corpo de Deus que é Luz.
No Apocalipse lemos: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro” (Ap 22:13). Uma ligeira análise das palavras acima nos mostra a finalidade de Cristo e de todos que estão e estarão aptos a viverem na Nova Jerusalém, que desce do Infinito, e na qual Cristo habita juntamente com a Humanidade. Se configurarmos as palavras “Alfa e Ômega”, entrelaçadas, formando um círculo, isto é, se sobre a letra Alfa, “A”, colocarmos a última letra do alfabeto grego, Ômega (Ω), praticamente não saberemos onde começa nem onde terminam “A” ou “Ω”. Deus não tem começo e nem fim. O Alfa está no Ômega, e vice-versa. Partindo dessas explicações podemos, agora, estudando o capítulo 14, versículo 1 do Livro do Apocalipse, aprendemos que: “E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o Monte Sião e com Ele 144.000 que em suas testas tinham o nome d’Ele e de seu Pai“. No versículo 2 aprendemos que: “Ouvi uma voz de muitas águas, como voz de trovão; também a voz que ouvi era como de harpistas quando tangem as harpas“. O que nos surpreende nesses versículos, e aliás em todo o Livro, é a sua construção e a clareza de seus dizeres místicos. Nos últimos dois versículos está explicado que o Pai, o Filho, a Humanidade e o Universo em seu movimento (Atividade), o Espírito Santo, formam, em conjunto, uma grande sonoridade. A Humanidade é representada pelo número 144.000 que, cabalisticamente, simboliza a Humanidade. O nome em hebraico é ADM ou ADAM: Aleph é o número 1; Daleth é número 4; Mem o número 40. ADAM, portanto, é igual ao número 144; adicionando-se os três algarismos, teremos o número nove. Os três zeros finais querem significar que a Humanidade já passou por três grandes Período de desenvolvimento: Saturno, Solar e Lunar, tendo entrado para o quarto grande Período denominado Terrestre. Nos versículos acima, representa-se uma Humanidade redimida, perfeita, pois todos trazem em suas testas o Sinal do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Nas três vezes em que se refere à voz, o Apocalipse queria significar a Harmonia Absoluta dentro de toda Criação, pois todos serão salvos por Cristo, o “Alfa e o Ômega”, o Princípio e o Fim, na Unidade Perfeita: o Absoluto. Ainda analisando o número 9 de ADAM, ou seja, daqueles que trarão em suas testas o Sinal do Pai, Filho e Espírito Santo, o Consolador prometido por Cristo em Sua despedida, encontramos três Trindades; no princípio das coisas como “Aleph”, do qual tudo foi feito, e que se desdobra para o nove. Se aceitamos que no Pai está o Filho e o Espírito Santo, deparamos com o número três. Se olharmos para o Filho, encontramos o Pai e o Espírito Santo, o número três, no UNO. Se olharmos para o Espírito Santo, encontramos o Pai e o Filho, que nos levam novamente para o número três, no UNO. Assim temos: 3 +3 + 3 = 9.
Voltemos, ainda, ao 14º capítulo, versículo 1 do Apocalipse, em que está escrito: “E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o Monte Sião e com Ele 144.000 que em suas testas tinham escrito o nome d’Ele e de seu Pai“. Lembremo-nos, antes de mais nada que o Espírito Santo foi enviado por Cristo, que voltou ao Pai, depois de deixado o mundo, tendo sido imolado como um Cordeiro no Altar da Humanidade, a fim de salvar o gênero humano decaído, por meio de Seu Sangue, a Luz de Deus. Daí o Espírito Santo ter sido enviado a fim de continuar o trabalho de salvação, até que Cristo volte novamente para uma Humanidade gloriosa, aperfeiçoada. Por essa ocasião todos deverão trazer nas testas o Sinal do Pai e do Filho. Que configuração poderá ser este Sinal? Falemos antes da Trindade. Nessa Trindade manifesta-se o “Uno”. Haverá, então, uma estrela nas testas daqueles que se salvarem. Isso encontra-se descrito no capítulo 22, versículo 16: “Eu Jesus, enviei o meu Anjo, para vos testificar estas coisas às Igrejas. Eu sou a raiz da geração de Davi, a brilhante Estrela da Manhã“. Resta-nos somente, dizer o seguinte, juntamente com o versículo 17 que diz: “O Espírito (Ego Humano, a Centelha Divina) e a Noiva (Alma) dizem: Vem. Aquele que ouve diga: Vem. Aquele que tem sede, venha, e quem quiser receba de graça a Água da Vida“.
Com essas palavras podemos compreender que uma Humanidade perfeita trará, como Sinal de Salvação, a brilhante Estrela da Manhã de nove pontas em sua testa. O Espírito uniu-se em matrimônio à sua noiva, a Alma, para receber a Água da Vida, para nunca mais sair do Corpo do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
(Publicada na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – novembro/1973 – Fraternidade Rosacruz – SP)