Virgem é um Signo mental, regido por Mercúrio, cuja cor é o violeta. Virgem é representado, no Velho Testamento, no Mito Solar de Jacó (o Sol) e seus filhos (os Signos do Zodíaco), por Dinah. Na história da evolução humana marcou o início de nossa evolução espiritual, o ponto em que o Espírito, através da Mente, começou a se manifestar como ser humano externo. Outro simbolismo de Virgem é o da Virgem Celestial, que pela Imaculada Concepção gerou Cristo, não do Cristo de nós conhecido, mas de todos os Salvadores do Zodíaco. É um dos Signos mais sublimes do Zodíaco, um dos mais místicos e tão repleto de significado oculto que seu completo sentido não pode ser compreendido plenamente, salvo por uma luz interna iniciática. No Apocalipse, Virgem é a Senhora que traz na cabeça sete estrelas (os setes Astros do nosso Sistema Solar) e a Lua a seus pés, representando o ideal de pureza dado a Terra, cujo ideal, uma vez conquistado, nos possibilitará a gerar o Cristo Interno.
As pessoas com Virgem no Ascendente[1] são de estatura mediana, de grande crâneo e o queixo frágil (grande intelecto e pouca vontade), pés pequenos, voltados para dentro, dificultando o andar. Vivos e ativos, percepção fácil, de boa eloquência, facilidade para aprender línguas, escritores férteis. Gostam mais de trabalhos internos que de contato com o público. Com o passar dos anos, por falta de exercício, tendem a ficar com volumoso abdômen, trazendo aos intestinos lento funcionamento e acúmulo de toxinas, que provocarão enfermidades. Negativos, gostam de falar de doenças e de ser doentes, em vez de reagir, exigindo, pois, o auxílio de pessoas firmes, quase cruéis, para levá-las de volta a saúde e tirar-lhes o conformismo suicida. Não gostam de ver sangue; são “coração de galinha”. Mas se dominam estas tendências, tornam-se ótimos enfermeiros e farmacêuticos, porque gostam de assuntos relacionados com a saúde, tais como: química, farmácia, alimentação, higiene, etc.
Genericamente, o temperamento dos nascidos em Virgem não é simpático, pois a predominância intelectual os torna cínicos, céticos a novos conhecimentos não demonstráveis, gostam de coisas fáceis, de mandar e quando mandam são dominadores, atraindo muitos inimigos duradouros. Seus Amigos igualmente são firmes.
A disposição mercuriana lhes traz muitas mudanças de condições. Quando se interessam por qualquer assunto, que lhes traga recompensas fazem-se industriosos e merecem as ganhos e triunfos.
Todavia, estas características são gerais. Só o exame pessoal do tema pode determinar o “todo” individual com segurança.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: entre 11 e 20 graus e sem Astros na primeira Casa
Há em perspectiva um grande fator para esse filho da Virgem Celestial. Ouçamos a belíssima profecia que temos no Livro de Isaías, na Bíblia, no Capítulo 9, versículo 6: “Pois entre nós nasceu uma Criança, foi-nos dado um filho, e o governo se assentará em seus ombros e seu nome será o de Maravilhoso, Conselheiro, o Deus Todo poderoso, o Pai Eterno, o Príncipe da Paz. O desenvolvimento de seu governo e da paz não terá fim”.
A humanidade se elevará a uma superior altura espiritual e tal estado é simbolizado pela marcha pelo movimento de Precessão dos Equinócios do Sol através do Signo de Leão, pictoricamente representado pelo rei dos animais: o leão. Essa é uma alusão muito digna ao Rei da Criação, que então incorporará eternamente as grandes virtudes do ser humano em dono de si: Fortaleza, Sabedoria e Beleza.
É maravilhoso seguir as diferentes fases da Religião fornecida à grande Raça dos Semitas Originais, desde o tempo em que ela foi chamada à ação, na terceira e última parte da Época Atlante e até o final da Era de Aquário, quando uma nova Raça haverá nascido, definitivamente. Esse aspecto do Zodíaco arroja nova luz sobre muitos aspectos obscuros da Bíblia. Realmente só o estudo dessa ciência cósmica pode nos esclarecer tais passagens.
Quando considerarmos o Zodíaco em seu aspecto religioso, bem como em sua evolução, por meio dos seis pares de Signos opostos, também começamos com Câncer e Capricórnio, porque são os pontos solsticiais em que o Sol alcança sua declinação máxima e mínima. Considerando desse modo vemos que há dois jogos de três pares de Signos, o primeiro começando com Câncer e Capricórnio, Gêmeos e Sagitário, Touro e Escorpião. Nestes três pares de Signos opostos podemos ler a história da evolução e Religião humana, na primeira, na segunda e última parte da Época Atlante.
Nos três outros pares de Signos: Áries e Libra, Peixes e Virgem, Aquário e Leão encontramos a chave do desenvolvimento do ser humano durante a Época Ária. Mas a Época Ária também pode ser subdividida em três fases, a saber: a Era de Áries (de Moisés a Cristo), que vai de Áries a Libra; a Era de Peixes (que toma os 2.000 anos de Catolicismo, representado por Peixes e Virgem, e os 2000 anos que estão diante de nós, compreendendo a chamada Era de Aquário, em que os Signos de Aquário e Leão serão eliminados pela elevação do Filho do Homem (Aquário) pelo Cristo Interno, o Leão de Judá (Leão), ao estado de super-homem.
Não se deve supor, todavia, que a Época Atlante durou somente enquanto o Sol, por Precessão dos Equinócios, percorreu Câncer, Gêmeos e Touro, aproximadamente 6.000 anos atrás. Longe disso, há espirais dentro de espirais e a recapitulação se produz também com as espécies e as Raças. Assim, podemos conhecer qual é o contorno geral, observando a passagem do Sol por meio destes Signos e, portanto, tomando sua importância e simbolismo em consideração. Também se pode dizer que, à medida que avançamos, as espirais se tornam menores e o tempo em que se desenvolve um determinado estágio vai se tornando mais curto, devido à eficácia alcançada em Épocas anteriores. Portanto, é muito provável que nosso estado atual seja a última volta; que a Era de Aquário é a escola preparatória para o dia final em que nos preparamos para a Sexta Época, que se iniciará quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrar no Signo de Capricórnio.
Do exposto, deduzimos que o segundo advento se dará antes dessa Época.
Uma pessoa com Leão no Ascendente trás no rosto certos rasgos felinos: o nariz, os olhos, o cabelo abundante, o porte majestoso, tórax amplo, ombros maciços. Tais pessoas gostam de ser notadas, algo agressivas, gostam mais de mandar que de obedecer, pródigos nos sentimentos, conhecimentos e recursos financeiros, amantes de verdade, fiéis, bons oradores, cheios de magnetismo, cheios de vitalidade e de força recuperadora.
O Sol em Leão, se tiver com Aspectos benéficos (algumas Conjunções, Sextis e Trígonos), infunde ao nativo uma natureza nobre, ambiciosa e aspirante, que detesta coisas sórdidas, ardentes no amor e espírito de sacrifício. Leais e sinceros, não medem sacrifícios para vencer os obstáculos, pois é um Signo Fixo e sua palavra-chave é:estabilidade, firmeza. Extremistas em tudo, entusiasmados, devem aprender o domínio de si mesmos, para que, principalmente suas expansões de amor, não lhe prejudiquem o coração. Mas, apesar de fixos, embora defendam com ardor suas ideias, se se lhes prova que estão errados, estão prontos a mudar de opinião e perdoam até o mais acirrado inimigo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Câncer é um dos Signos do Elemento Água. O trânsito do Sol, devido ao movimento de Precessão dos Equinócios, pelo Signo aquoso de Câncer com seu oposto, Capricórnio, designa a primeira parte da Época Atlante, que decorreu quase em estado aquoso, posto que a totalidade da Terra estava coberta por densa neblina, abrumadora. Os Niebelungos ou “filhos da névoa” viviam então, nas concavidades da Terra. Nessa época Câncer não tinha a mesma simbologia atual. Nos tempos antigos tinha a figura de um escaravelho, que era o símbolo da alma para os ocultistas. De fato, nesse estágio, a humanidade era muito mais alma que corpo.
A parte “peixe” do símbolo de Capricórnio, oposto do Signo de Câncer, também contribui para reafirmar a circunstância de ambos se referirem àquele estado, sob as águas.
A Lua, Regente de Câncer, o Astro da fecundação, nos indica misticamente esse período de germinação, quando a humanidade começou a exercer ignorantemente a função sexual criadora, sob a influência dos desejos infundidos pelos Espíritos de Lúcifer. Deste modo a humanidade abriu a porta da vida física, por influência de Câncer. Mas no Signo oposto, Capricórnio, regido por Saturno, o Planeta da morte, encontrou a gadanha, para ceifar a vida que se encurtava pelo abuso da força sexual criadora, como também achou o sofrimento, a experiência amarga da liberdade mal-usada, pois o “salário do pecado é a morte” (Rm 6:23) e a dor.
Mas, por outro lado, Capricórnio, a cabra que sobe os montes, inspira a Câncer o ideal de redenção. Mostra, igualmente, a transição pela qual passou a humanidade quando deixou os vales da Terra, da Época Atlante para viver nas mesetas e planaltos do globo terrestre.
As pessoas com Ascendente em Câncer, genericamente, gostam muito do lar e de suas comodidades. Mas são indolentes, instáveis e sonhadoras. Com o passar dos anos, amantes que são de boa comida ficam com o ventre avantajado e, por pouco afeitos a exercícios, passam a ter grandes prejuízos sobre a digestão.
Todavia, é necessário examinar o tema no conjunto para determinar as tendências individuais e a força de cada tendência nos diversos departamentos da vida, para uma orientação segura de como prevenir-se e de como corrigi-las, usando as qualidades positivas.
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – junho/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
O trânsito do Sol, em precessão, pelo Signo de Gêmeos, os gêmeos, ilustra a condição humana na segunda parte da Época Atlante. Por isso relacionam-se Gêmeos com a humanidade infantil e a Mente inferior. Durante aquela Época a divisão de alma para alma pelo véu da carne, que chamamos Corpo, se tornou mais significativa, pois a atmosfera já se havia aclarado um tanto e as faculdades do Espírito se fizeram mais patentes no instrumento físico. Com essa ilusão de ser pessoal, separado, veio imediatamente a ideia do “meu” e do “teu”. Nossos interesses individuais começaram a chocar com os interesses dos outros. Foi quando se tornou possível aquela tragédia entre Abel e Caim.
Gêmeos é um Signo Comum e sua natureza intrínseca se expressa pela palavra-chave “Flexibilidade”. Sua força é mental e espiritual, dando meios para a ação e incentivo para a nobreza da vida. Seu Regente é Mercúrio, do qual os geminianos recebem a tendência geral para a literatura. Mas são nervosos e inquietos, faltando-lhes perseverança para colher os frutos de suas inquirições mentais. Ficam, por isso, na superfície das coisas, sabendo um pouco de tudo e nada profundamente, salvo se outros Aspectos e influências estiverem presentes no horóscopo. Trazem, também, a habilidade mercuriana para o comércio e triunfam como intermediários, representantes e tudo o mais que vive de comissão.
Há dois tipos distintos de geminianos: um é o que gosta de literatura e costuma cultivar um pensamento independente, em lugar de repetir ou imitar as ideias e maneiras dos outros e o outro tipo é científico, bem equilibrado e reservado, um modelo para qualquer pessoa.
Os geminianos devem ser orientados, desde a infância, a terminarem o que iniciam; a ter equilíbrio emocional e nervoso; a dominarem a inconstância e o desejo de mudar; a não se excederem no trabalho; alimentar-se e repousar bem; tratarem-se bem nos resfriados; a não serem prolixos, senão precisos no falar e jamais desencorajar-se diante dos obstáculos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Na última parte da Época Atlante o egoísmo havia se desenvolvido ao grau muito maior que antes. A visão espiritual estava quase apagada na maioria dos seres humanos, que então viviam inteiramente no plano material e se satisfaziam especialmente nas paixões materiais.
O animal touro (símbolo do Signo de Touro) foi, então, mui apropriadamente adorado, como emblema da força necessária para conquistar o mundo material. Esse animal, devido a sua fortaleza, foi muito útil ao ser humano em todas as lutas e trabalhos. O privilégio sobre as “orlas de carne do Egito” diz respeito ao enorme consumo de carne bovina naquela época para desenvolvimento do instinto e ajudar na formação dos pulmões, que seriam necessários depois (na atual Época Ária). Quando o Sol percorreu pela última vez, no movimento de Precessão dos Equinócios, o Signo de Touro, e entrou no Signo do Cordeiro, Áries, inauguraram-se as Religiões árias. A Religião ária deve permanecer durante um grande Ano Sideral, enquanto o Sol, por Precessão dos Equinócios, cruzar os doze Signos do Zodíaco (cerca de 25.920 anos comuns). Fatos subjacentes na história nos contam de uma multidão de pessoas que deixou a terra em que a Touro era adorado (a Atlântida ou Egito Antigo) que submergiu junto com uma nação pagã. Tal multidão, guiada por Noé, na história do dilúvio, são os precursores atlantes, os Semitas Originais, que formariam as atuais Raças Árias. Mas uma parte dela foi novamente atraída ao passado, casando-se com Raças inferiores e voltando à adoração do Touro, compuseram as dez tribos perdidas, os atuais judeus, que ainda conservam traços atlantes e se conduzem pela ambição e astúcia. O dilúvio e o Êxodo, em que Moisés conduziu o povo prometido através do Mar Vermelho (Áries) para fora do Egito são o mesmo fato evolutivo. Os atlantes submersos e o exército do Faraó que foi engolido pelo Mar Vermelho aludem ao mesmo povo que não quis adiantar-se e permaneceu na adoração do Touro, contrariando os desígnios evolutivos das Hierarquias Criadoras. O moderno Egito nada tem a ver com o antigo, a Atlântida. Os atuais judeus guardam vividamente a consciência de seu desvio, pelo que se apegam de unhas e dentes à ideia de não misturar-se com outros povos, apesar dos esforços dos Senhores do Destino, que os espalharam pelo mundo, em repetidos desterros, para salvá-los na amalgamação com Raças superiores. Perderam-se ao se “casarem com as filhas dos homens” e terão de salvar-se pela mistura com as Raças superiores. Os filhos de judeus nas Américas estão perdendo essa obsessão e aos poucos se vão misturando.
Como Signo Fixo, Touro tem por palavra-chave: estabilidade. É lento, porém persistente.
Uma pessoa com Signos Fixos (Touro, Leão, Escorpião e Aquário) nos Ângulos não conhece esmorecimentos e obstáculos. Em compensação, para mudar são tardos. Só mudam quando reconhecem a melhoria, mas demoram a adotar as medidas convenientes à transição. Em outras palavras, são pessoas que “observam antes de saltar”, examinam antes de agir, mas uma vez determinada a meta, seguem-na até o fim. Por sua convicção e firmeza, tanto no lado mau como no bom, são fiéis. Daí a necessidade de receberem o melhor exemplo durante a infância e juventude e serem encaminhadas em sadios preceitos de moral e compreensão, pois essa base assegurará um futuro feliz.
Touro tem por Regente Vênus, que fornece a seus nativos doçura no olhar, sentimentalismo, habilidade artística e inspiração musical. Tem a tendência de exceder-se no trabalho e exercícios e nos prazeres da mesa, podendo provocar moléstias digestivas e renais, como esgotamento, principalmente em idade avançada, com os ventres avantajados. Desde crianças devem ser habituados a vencer a indolência, mas também não exorbitar para os extremos, nem abusar de alimentos ricos.
(Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – abril/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A Época Ária pode ser dividida em três Eras, mas todas servem a Religião do Cordeiro. A primeira divisão abarca o tempo em que o Sol cruzou o Signo zodiacal de Áries, o cordeiro (Cristo), por Precessão dos Equinócios. Iniciou-se, portanto, quando o Equinócio de Março estava aparecendo aos sete graus de Áries. Os demais 23 graus de Áries (dos 8 aos 30 graus) pelos quais, o Sol por Precessão havia passado pertencem ao período do Velho Testamento, quando o povo eleito, os Judeus, estavam em cativeiro e perdido no deserto do mundo e a nova Religião Cristã não havia ainda encontrado seu lugar. Veio então o Cristo e inaugurou definitivamente o novo ensinamento. Veio, não para destruir as velhas profecias e a antiga Lei, senão para nos dar alguma coisa superior que venha complementar a velha Dispensação, quando os seres humanos hajam ultrapassado a Lei. O Signo oposto a Áries é Libra, a balança da justiça, que nos diz que na nova Religião virá um dia de juízo (Libra), quando Cristo voltar para julgar cada ser humano segundo os atos realizados na vida física.
Como Signo Cardeal ou Cardinal, Áries tem como palavra-chave: Atividade. Assim, exprime ação e iniciativa, o que está de acordo com o fato de, com a entrada do Sol em Áries, se iniciar um Ano Novo espiritual. Áries é governado por Marte, cuja característica é energia dinâmica. Tais qualidades, quando fortes num horóscopo, conferem aos nativos confiança própria, certa agressividade radical em seus pensamentos e ações – pouco dispostos a seguir opiniões alheias –, capacidade para ganhar e prodigalidade no gastar o dinheiro, energia para dirigir, mas falta de habilidade para fazer coisas originais. Radicais, dependem muito da orientação que tenham recebido na infância e juventude de seus pais, porque isso determina o rumo de sua ação para sua ruína ou elevação. Portanto, Áries marca o início de vida e por isso é o primeiro Signo do Zodíaco, o marco inicial do ano astrológico. Os sábios do antigo Egito diziam que sob os auspícios do marciano Signo de Áries, onde o Sol, o dador da vida, fica Exaltado, a vida surge, depois de um período de nove meses. Quando o místico Sol da vida passa através do úmido e frutífero Signo lunar, Câncer, o Átomo-semente do Corpo Denso do Ego é plantado. Segue-se a gestação inconsciente do embrião com o trânsito do Sol pelos Signos de Leão, Virgem e Libra. Ao entrar no segundo Signo aquoso, Escorpião, surge o primeiro sinal de vida no feto, o qual morre para a vida espiritual e é preso por Marte, então, ao Corpo Denso, através do Cordão Prateado. Depois, o Sol da vida prossegue pelos Signos de Sagitário, Capricórnio e Aquário e ao entrar no terceiro Signo aquoso, Peixes, abre as comportas (as águas da placenta) e o Ego nasce para mais um dia na escola do mundo. Durante o período gestatório, Marte deu ao corpo, especialmente em forma de hemoglobina, o ferro e pela primeira respiração começa a oxidação dessa substância para produzir o calor, sem o qual não poderia o Ego se manifestar no corpo. Este mesmo ferro é que permite a ação e desenvolvimento da consciência. Essa operação é continuada durante toda a vida e, assim, o raio marciano exerce a tarefa de suplementar o Sol na manutenção da chispa vital, até que a existência termine no Signo de Escorpião, o oitavo Signo, da morte. Ali mesmo, onde o Ego teve sua primeira manifestação de vida, ele recebe a mortal picada de Escorpião e Marte e seu amigo Saturno cortam o Cordão Prateado liberando a alma, que volta a sulcar, como a águia, os céus, em busca das esferas celestiais, seu verdadeiro lar. Esse desfecho do Ego simboliza a morte do redentor (o Sol da vida) entre os dois ladrões (Saturno e Marte).
(Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – março/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Peixes é o 12º Signo do Zodíaco e, portanto, nele termina o ano astrológico. Signo Comum, a palavra-chave de sua natureza é: Flexibilidade.
Cristo foi o grande e bom Pastor (Áries), mas chamou a Seus Discípulos “pescadores de homens”, porque o Sol, por Precessão dos Equinócios, estava, então, abandonando o Signo de Áries, o Cordeiro, e entrava em Peixes, o Signo dos peixes. Portanto, se abria uma nova fase da Religião Ária, a Religião Cristã. Para mostrar essa transição, de Áries para Peixes, em que surgiu a Religião Cristã, os bispos da Igreja Católica usam um cajado (Pastor, Áries) e uma mitra, chapéu em forma de uma cabeça de peixe (Peixes).
No Novo Testamento não se faz menção ao touro ou ao cordeiro, mas, em compreensão, alude muitas vezes aos peixes. Encontramos também ali a Virgem Celestial (Virgem), mui proeminente, e a espiga de trigo de Virgem (que rege os grãos). É o pão da vida, conquistado por meio da pureza imaculada. Deste modo, a realização do ideal Cristão está indicada no Zodíaco pelos dois Signos Comuns Opostos, Peixes e Virgem. Aí encontramos a explicação do milagre da multiplicação dos pães e dos peixes[1], isto é, o ideal Cristão dado como alimento para uma nova Era, a multidão.
Na Era de Virgem, a nova Religião do Cordeiro, Áries, não teria sido possível ainda. Moisés, o primitivo líder, não poderia então levar o povo escolhido a “Terra Prometida”. Isto ficou para ser feito por Josué, o filho de Nun. Ora, Josué, em hebraico, significa “Jesus” e Nun significa “Peixes”. Deste modo ficou profetizado que a Religião do Cordeiro (Áries) alcançaria sua proeminência durante a passagem do Sol, por Precessão dos Equinócios, pelo Signo de Peixes (os peixes).
Esta profecia foi totalmente cumprida, pois, durante os mais de 2.000 anos transcorridos desde o nascimento de Jesus, a Religião do Ocidente vem sendo ensinada por um sacerdócio celibatário, adorado na Virgem Imaculada, simbolizada pelo Signo celestial de Virgem, oposto a Peixes. Este mesmo sacerdócio tem se alimentado de peixes e proibido o uso de carne (Áries, Touro) em determinados dias.
Quando os filhos de Israel abandonaram as orlas de carne do Egito, onde o touro foi degolado, fizeram-no pelo sangue do cordeiro (Áries), com que se pintaram as portas das casas israelitas que deveriam passar ilesas pela peste.
(Publicado na Revista: Serviço Rosacruz – fevereiro/1964 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: “Jesus, ouvindo isso, partiu dali, de barco, para um lugar deserto, afastado. Assim que as multidões o souberam, vieram das cidades, seguindo-o a pé. Assim que desembarcou, viu uma grande multidão e, tomado de compaixão, curou os seus doentes. Chegada a tarde, aproximaram-se dele os seus discípulos, dizendo: “O lugar é deserto e a hora já está avançada. Despede as multidões para que vão aos povoados comprar alimento para si”. Mas Jesus lhes disse: “Não é preciso que vão embora. Dai-lhes vós mesmos de comer”. Ao que os discípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”. Disse Jesus: “Trazei-os aqui”. E, tendo mandado que as multidões se acomodassem na grama, tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos ao céu e abençoou. Em seguida, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos às multidões. Todos comeram e ficaram saciados, e ainda recolheram doze cestos cheios dos pedaços que sobraram. Ora, os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.” (Mt 14:13-21)
Quando o Sol entrar por Precessão dos Equinócios no Signo celestial de Aquário, o Aguador, virá uma nova fase da Religião do Cordeiro, a Religião Cristã. Esotericamente, o ideal que devemos perseguir está indicado no Signo oposto: Leão.
A Lua, habitação de Jeová – o Regente autocrático das Raças e o dador de Leis – está em Exaltação em Touro. Quando o Sol transitou, por Precessão dos Equinócios, pelo Signo de Touro, todas as Religiões de Raça, mesmo a fase mosaica da Religião Ária do Cordeiro, pediam uma vítima propiciatória para cada transgressão da Lei.
Mas, o Sol está em Exaltação em Áries e ao entrar nesse Signo, por Precessão dos Equinócios, o grande Espírito Solar, Cristo, veio como um Sumo Sacerdote da Religião Ária e revogou o sacrifício de outros ao oferecer-se a Si mesmo como um sacrifício perpétuo pelos pecados do mundo.
Observando o ideal maternal de Virgem, durante a Era de Peixes, e seguindo o exemplo de Cristo como um serviço de sacrifícios, a Imaculada Concepção converte-se numa experiência real para cada um de nós, e Cristo, o Filho do Homem (Aquário) nasce internamente.
Deste modo, gradualmente a terceira fase da Religião Cristã se manifestará e um novo ideal será encontrado no Leão de Judá (Leão). Valor e convicção, fortaleza de caráter e virtudes semelhantes, farão de nós, realmente o Rei da Criação, digno da confiança e do afeto dos Reinos de vida inferiores ao nosso, bem como do amor das divinas Hierarquias Criadoras que sobre nós estão.
Assim, a mensagem mística da nossa evolução está marcada em caracteres de fogo no campo celestial, onde qualquer investigador pode ler. E quando estudemos o propósito de Deus, revelado no Zodíaco, aprenderemos a nos conformarmos inteligentemente com Seus desígnios e, desse modo, abreviar o dia da emancipação do nosso limitado ambiente atual, para sermos perfeitamente, livres como Egos, sobrepondo-nos à lei do pecado e da morte, por meio de Cristo, o Senhor do Amor e da Vida.
Todos nós podemos e devemos decifrar a mensagem e resolver o mistério do Universo.
A entrada do Sol em Aquário, em que teremos mais estreita união com o Cristo, por uma forma elevada da Religião Cristã, está indicada, além do Zodíaco, no Evangelho Segundo São Lucas: “Respondeu-lhes: “Logo que entrardes na cidade, encontrareis um homem levando uma bilha de água. Segui-o até à casa em que ele entrar. Direis ao dono da casa: ‘O Mestre te pergunta: onde está a sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos?” (22:10-11), no Evangelho Segundo São Marcos: “Enviou então dois dos seus discípulos e disse-lhes: “Ide à cidade. um homem levando uma bilha d’água virá ao vosso encontro. Segui-o. Onde ele entrar, dizei ao dono da casa: ‘O Mestre pergunta: Onde está a minha sala, em que comerá a Páscoa com os meus discípulos?’ E ele vos mostrará, no nadar superior, uma grande sala arrumada com almofadas. Preparai-a ali para nós.” (14:13-15) e no Evangelho Segundo São Mateus: “Ele respondeu: ‘Ide à cidade, à casa de alguém e dizei-lhe: ‘O Mestre diz: o meu tempo está próximo. Em tua casa irei celebrar a Páscoa com meus discípulos’.” (26:18), pois o Cristo Solar é simbolizado na Astrologia pelo Sol, quer na evolução da humanidade como das nações e do mundo.
Aquário, às vezes, é representado por uma mulher derramando água de um cântaro; outras vezes por um menino e outras, ainda, por um homem. O correto é o de um rapaz, que simboliza o Cristo já crescido no ideal dentro de nós; a água que se derrama sob controle do cântaro, pelo rapaz, significa o equilíbrio das emoções. Será, pois, a Era do amor racional, inteligente, o equilíbrio entre o Coração e a Mente, preconizado nos Ensinamentos Rosacruzes.
A palavra-chave de Aquário, como Signo fixo, é: ESTABILIDADE.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1964-Fraternidade Rosacruz-SP)
(*) Advertência:
A descrição aqui apresentada é mais exata conforme a cúspide da 1ª Casa esteja mais próxima do ou no segundo decanato do Signo (10º grau até 20º grau);
Quando os 3 últimos graus de um Signo estão ascendendo, ou quando os 3 primeiros graus ascendem no momento do nascimento, diz-se que a pessoa nasceu “na cúspide” entre dois Signos, e, então, a natureza básica dos Signos envolvidos são mescladas no corpo dela.
Astros nas Casas:
Em tais casos o Estudante deve usar seu conhecimento do caráter dos Astros em conjunto com a descrição do Signo.
(Veja mais no Livro: Mensagem das Estrelas – O Signo Ascendente – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz)
O caráter e o futuro do ser humano dependem da ação e da expressão. O crescimento decorre da experiência. A cada sacrifício vivo, no altar da pureza e da devoção, o Espírito humano brilha e uma glória dourada se mistura harmoniosamente com o sempre presente azul celestial do Pai um símbolo poderoso de vigilância. Azul celeste com ouro puro representa o ideal da glória espiritual de Virgem, que se alimenta do leite da bondade, do amor e do serviço humano.
Foi, em parte, por nossa causa, que a Divindade manifestou o universo. As grandes Hierarquias Criadoras foram (ou algumas ainda são) nossos serviçais. Estas grandes Forças inteligentes que personificam os Signos do Zodíaco trabalharam, cada uma por sua vez, para construir, manter e estimular a evolução de tudo que viria depois. A medida que os grandes Períodos cósmicos se sucediam, outros impulsos espirituais, despertavam potenciais idades adormecidas tornando-as forças dinâmicas. Toda ênfase é dada à fidelidade e ao serviço, pois cada grau de consciência do ser humano para o Supremo, acrescenta cor ao Corpo-Alma luminoso que, sozinho, permite àquele que foi despertado espiritualmente, entrar no reino dos céus.
A iniciação só pode vir para aqueles que limparam muito de seu quadro de destino maduro. Pureza, santidade, limpeza, ausência de pecado, vida sem transgressão e inteligência espiritual são requisitos para aquele que se propõe avançar na visão de Deus. Este precisa possuir sabedoria, uma mente bem desenvolvida e bem treinada e a essência de experiência de muitas vidas anteriores. Aquele que for um candidato à Iniciação precisa ter desenvolvido e aperfeiçoado a Mente, as emoções e o senso moral; precisa ser provado, ser fiel no cumprimento dos deveres ajudando aos outros, edificando-os espiritualmente.
Quando tiver feito tudo isto, o candidato se torna “um bom ser humano”.
Ao completar a vida exotérica ele se torna um candidato à vida esotérica e entra para a preparação da Iniciação onde trilha o Caminho Probacionista, estreito e reto, que leva ao “caminho da cruz”. Discriminação, controle de pensamentos e ações, paciência, tolerância, fé e equilíbrio são atributos que precisam ser trabalhados. Os candidatos para a escola de mistério precisam ter uma reputação imaculada e uma disposição alegre. “Portanto, sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5: 48).
Esta é a direção, o Caminho, e os passos que precisam ser dados são encontrados nos princípios espirituais ou esotéricos da Hierarquia Divina, Virgem.
Virgem é tida como maníaca, crítica, tola, criança fora do caminho, que está em uma inquieta e eterna busca de poderes e respostas; ainda, Virgem é a possuidora radiante de maneiras santificadas, da devoção, do serviço e da bondade.
As Grandes Hierarquias Criadoras são as amigas que deram de si mesmas para estabelecer luz e consciência em maiores forças evolutivas que nos vêm da bondade e das forças que são manipuladas por Deus. Áries e Touro, os criadores das forças que se manifestam através de cada uma das Hierarquias Zodiacais sucessivas, representam o máximo das forças da vida. Através de Gêmeos, Câncer e Leão, ainda poderosos elementos na criação da vida, até a manifestação da consciência de Deus através de Virgem, a sexta das grandes Hierarquias Criadoras, vemos a base e o desenvolvimento gradual das oportunidades, cada vez maiores, para a Mente iluminada.
Virgem, sexta na ordem.
Enquanto Virgem é a sexta na ordem destas enormes forças, ela também representa a força potencial mais elevada (força espiritual) agora presente no universo. A manifestação de Virgem é o derradeiro princípio espiritual ATIVO no atual período cósmico onde estamos agora, nos desenvolvendo. As Hierarquias de Áries e Touro se libertaram no início de nosso Dia de Manifestação. Gêmeos, Câncer e Leão lançaram uma base futura para o progresso de evolução do Espírito, da alma e do corpo do ser humano. Virgem é o Espírito de Luz que eleva o ser humano às alturas radiantes através da redenção, pureza e devoção.
Quando muito é dado, muito será pedido de volta e Virgem deve mostrar-se digna da força criadora da Luz, que transcende o físico e está diretamente em harmonia com as forças da divindade.
Virgem é a Virgem Imaculada; dela é o Nascimento-Virgem. O Cristo interno nunca pode nascer nas esferas superiores até que o eu inferior esteja purificado e faça uma imaculada virgem estar apta a dar à luz ao eu superior. O despertar de mesma consciência de Cristo, misturando a união química do Eu superior e inferior no Casamento Místico, inicia a Concepção Imaculada e prega a liberdade e a redenção do pecado pelo AMOR. A medida que o ideal da Imaculada Concepção cresce, uma nova raça se desenvolve e é criada na luz mística desta mensagem divina de amor, a pureza produtiva se tornará a chave para a salvação. O fruto da colheita, que é a carne da Terra, é colhido de Virgem-produtos da Natureza em abundância, para servirem aos objetivos do ser humano. Tudo serve a seus propósitos na vida, da mesma maneira que as virtudes reabastecidas de Virgem servem à Vontade de uma Consciência superior.
Virgem é pura, fria e livre da paixão da Terra. Virgem não tem o fogo da chama de vida para dar forma, mas a sua chama é azul suave dos deuses superiores, uma chama que não queima, nem destrói. Virgem junta a vida e o calor de Leão e joga-os na Terra; ela reflete-os aqui e aonde quiser, enquanto se movimenta em sua missão divina entre os seres humanos.
Virgem está vestida de túnicas azuis e estrelas douradas brilham ao seu redor. Quando põe seus filhos sob sua proteção, ela os instrui nas muitas artes que ajudam a Terra e é preciso lembrar que seus filhos são os trabalhadores do mundo; o objetivo deles é sentir e atender as muitas necessidades da Terra. Virgem nunca olha para cima, pois não há união alguma acima da Terra ou no Zodíaco, para ela. Sua união é com Aquele que está longe; seu amor não é para ser satisfeito facilmente. Ela não se sujeitará à paixão, nem responderá às fases menores de amor, pois o amor é muito belo para ela. Nem submissão, nem persuasão atraem o coração de Virgem; a menos que oração e devoção se misturem em um laço sagrado e que a castidade e a virtude reinem acima de tudo.
Esta criança raramente escuta a voz de seu companheiro, que é uma voz tão clara e tão forte como o som do diamante. Estes senhores ou Hierarquias possuem vozes e podem nos chamar, embora, nem sempre, correspondamos a seu chamado. O companheiro de Virgem fala suavemente no mais puro e mais raro dos tons, pois se chamasse com um som forte ele, por certo, se quebraria e se destruiria – assim, somente uma pequena parte d’Ele pode alcançar a Terra. Os filhos de Virgem têm as qualidades mais puras e mais refinadas dos Signos; a escassez de sua expressão só pode ser atribuída à raridade de seu tom. Aqueles que entram em contato com este ideal vão movimentar-se sempre nas asas do amor e a vida será alimentada com o meigo carinho de humildade e devoção.
O símbolo de Virgem é um ramo de lírios compridos, de cujos corações caem ouro e orvalho para as filhas e filhos deste Signo. As folhas lisas do lírio voltam-se para trás dando tudo que possuem, nada retendo. Assim, o caminho para os filhos de Virgem é claramente mostrado junto com o ideal e o objetivo, que vem desta figura mística.
Um outro princípio esotérico manifesta-se em nosso estudo de Virgem. O Sol é dividido em três partes. Podemos ver a parte externa ou física, que é o Sol. Atrás deste está o Sol central, de onde vem o impulso do Cristo Cósmico que emana um raio que se manifesta como Consciência de Cristo para os despertados da Humanidade. Atrás e além destes dois está o que é interpretado, esotericamente, como Vulcano, que é o corpo do Pai. O Pai, a fonte de tudo, é o espírito em Vulcano que, para os maiores videntes humanos, aparece somente como a mais elevada oitava da fotosfera do Sol, um anel de luminosidade azul-violeta atrás do Sol.
Para estudar a relação de Vulcano com Virgem é melhor voltarmos para as páginas da mitologia e adquirir um pouco mais de compreensão através delas. As maravilhosas Verdades Cósmicas estão, muitas vezes, escondidas nestes contos antigos. Não é verdade que um mito seja uma ficção da fantasia humana sem comprovação, pelo contrário, mitos geralmente contêm as verdades espirituais mais profundas e mais preciosas, muitas tão raras e sutis que não conseguem ficar expostas ao intelecto materialista. Para proteger estas verdades ocultas, estas são frequentemente mostradas à Humanidade sob o simbolismo pitoresco de mitos.
Vulcano era o filho de Júpiter e Juno. Nasceu aleijado e Juno ficou tão desgostosa com isto que o expulsou do céu, longe da visão dos deuses. Outra história explica que, na tentativa de salvar sua mãe da ira de Júpiter, ele foi agarrado pelo pé e arremessado para fora da porta do céu. Se já não fosse manco antes, uma experiência como essa seria suficiente para ter-lhe causado aquele defeito.
Vulcano é o Artista celeste e o deus do Fogo. Era a personificação divina do fogo que queima no interior da Terra. Vindo do deus do Fogo, Vulcano transformou-se em deus das artes e das indústrias dependentes do fogo, especialmente as artes de cerâmica e trabalhos em metais. Ele era o deus artista que trabalhava em uma forja enfumaçada, no centro de uma montanha ardente. Produziu trabalhos engenhosos de deslumbrante beleza, que oferecia aos deuses e aos heróis favoritos. Tomou parte na criação da raça humana e na criação especial de Pandora.
Os fogos da Terra derivaram-se do Céu e Vulcano, como deus do Fogo, foi particularmente responsável pelo calor da forja sobre o forno. Vulcano foi o ferreiro dos deuses. Suas oficinas estavam sob ilhas vulcânicas e sua forja estava sobre o Olimpos. Construiu as moradias dos deuses, fez o cetro de Júpiter, os escudos, as lanças dos Olímpicos, as flechas de Apolo e Diana, o peitoral de Hércules e o escudo de Aquiles. Fez, para ele, duas bonitas servas de ouro que, iguais a seres vivos, movimentavam-se e o ajudavam quando andava. Vulcano recebeu muitos elogios por seu trabalho de bronze, de grande beleza e por outros trabalhos de arte viva.
Vulcano é um deus glorioso e de bom temperamento, amado e honrado entre os homens como o fundador dos costumes sábios e o patrono dos artífices. Em certas ocasiões era, também, o deus da cura e da profecia. Podia, quando quisesse, ser a causa de “grande hilaridade” para os deuses, mas não era, de maneira nenhuma, um tolo. Este deus famoso podia ser astuto e vingativo quando a emergência exigia. Para vingar-se de sua mãe que o expulsou do céu, Vulcano idealizou um trono com dispositivos especiais que funcionaram como correias e grilhões invisíveis que a prenderam, quando ela se sentou no trono. Seu astuto engenho não podia ser desmontado por nenhum dos deuses do Céu e ninguém pôde persuadi-lo a libertar sua mãe. Nem mesmo Marte pode forçá-lo a desmontar esta armadilha que ele havia inventado. Finalmente, o jovial Saco, amigo do ferreiro, embriagou-o com vinho, levou-o ao Olimpos e persuadiu-o a libertar Juno.
Vulcano não foi sempre hostil a Juno; prestou-lhe muitos serviços. O presente de Vulcano a Apolo foi a carruagem do Sol. Seus presentes foram inumeráveis, dados por bondade e amor. Ajudou também a espalhar a vegetação, a videira florescia melhor em seu solo vulcânico – daí sua amizade com o deus do vinho.
Vulcano é representado com vestes de um trabalhador; prestava serviços tanto para os deuses quanto para o ser humano. Vivia debaixo da Terra e também era íntimo dos deuses. Neste contexto, portanto, podemos traçar as características de Virgem.
Vulcano personifica a função de Virgem e do espiritual Sol. Note-se que Vulcano é esotericamente tido como a força espiritual em potencial mais elevada, originada da Fonte de tudo, o Pai; do mesmo modo, a manifestação da Hierarquia de Virgem é o último princípio espiritual agora ativo. Vulcano é o regente esotérico de Virgem; meditação futura continuará a fixar maiores potencialidades que se manifestarão através deste sutil canal feminino de divindade, a Hierarquia criadora de Virgem. Cuidado, por favor! Os estudantes são aconselhados a não se considerarem regidos por Vulcano só porque são filhos de Virgem. Uma consideração semelhante se aplicará a Plutão e Escorpião. Somente os tipos mais avançados e mais altos da Humanidade respondem positivamente a Urano e Netuno. O que podemos dizer, então, de Plutão que é ainda mais enganador e sutil que qualquer um dos dois? E de Vulcano, cuja ação incorpora os princípios que sustentam milhões de sistemas solares similares ao nosso, que são os campos para a evolução de seres mais ou menos do mesmo status que nós? Estas Hierarquias criadoras são de um reino muito mais vasto que nosso sistema solar, mas, conhecendo, ainda que vagamente, a força e o poder que estão à espera de serem explorados pelos pioneiros de nossa onda de vida, experimentamos um sentimento de humildade, bondade e consideração por esses nossos companheiros.
O impulso vital se manifesta em proporções cósmicas para toda entidade espiritual (Ego) nos raios que se sucedem, e esta manifestação é eterna; mas a capacidade direta para iluminação divina é governada pelo desenvolvimento do Eu Superior que se manifesta quando a harmonia de sua nota-chave individual é alcançada. Virgem, o canal divino de serviço, está em sintonia com um raio que torna muito mais difícil para seus filhos adquirirem total prazer e felicidade das fontes comuns, no mundo dos humanos. Do mesmo modo que Vulcano, Virgem é tanto humana quanto divina, servindo ao ser humano e dedicando-se a administrar forças tão grandes e supremas que uma consciência limitada só pode agarrar levemente esta força.
Virgem pode vacilar ao estabelecer sua herança, mas cada expressão que for dada para elevar a Mente para o quadro celeste será um passo permanente que nunca poderá voltar para trás. Uma vez que Virgem desperte nos Corações e Mentes daqueles sob sua tutela, não haverá mais paz até que o desejo e a busca tragam o estado de perfeição que ela almeja para aqueles que caminham com ela. Virgem serve de todas as maneiras, pois sabe que todo serviço e ação que elevem o ser humano também a elevam e que o cumprimento da lei não é senão o meio para sua própria salvação.
” … O servo não é maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também vos hão de perseguir a vós; se guardarem as minhas palavras, também hão de guardar as vossas. Mas todas essas cousas vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou”. – Jo 15:20-21.
(de Thomas G. Hansen – com prefácio da Fraternidade Rosacruz de Campinas – SP – Traduzido do original inglês: Zodiacal Hierarchies de Thomas G. Hansen e publicado na revista Rays from the Rose Cross da The Rosicrucian Fellowship, no período de abril de 1980 a março de 1981 – publicada na Revista Serviço Rosacruz da Fraternidade Rosacruz em janeiro de 1982)