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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Estudos Bíblicos Rosacruzes: Algumas Significâncias Esotéricas sobre: “Homens de Pouca Fé” e “Quem é este a quem até os ventos e o mar obedecem?”

O Estudo Bíblico Rosacruz é fundamental para o Estudante Rosacruz a fim de ajudá-lo a equilibrar cabeça-coração, intelecto-coração, razão-devoção, ocultista-místico Cristão.

Sabemos que os eventos na vida de Cristo representam etapas sucessivas no Caminho da Iniciação para os Cristãos (Místicos e Ocultistas) que estão trilhando esse caminho, que na Fraternidade Rosacruz é o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.

Nesse Estudo vamos detalhar a significância esotérica de mais um Milagre de Cura feito por Cristo-Jesus.

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A Relação entre a Água e as Emoções

Há passagens na Bíblia, especialmente nos Evangelhos, em que se observarmos mais atentamente veremos algo muito mais transcendente do que Cristo Jesus produzindo uma de suas maravilhas.

Aqui seguem dois exemplos bem contundentes:

No Evangelho Segundo S. Mateus 8:23-27 estudemos o seguinte trecho:

“Então, entrando Ele no barco seus Discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto Cristo Jesus dormia. Mas os Discípulos vieram acordá-Lo clamando: ‘Salva-nos, pereceremos’. Acudiu-lhes então Cristo Jesus: ‘Por que sois tímidos, homens de pequena fé?’. E levantando-se repreendeu os ventos e o mar e fez-se grande bonança. E maravilharam-se os homens dizendo: ‘Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?’”

E no mesmo Evangelho (14:22-33), estudemos esse trecho:

“Logo a seguir compeliu Jesus os Discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto Ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde lá estava Ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os Discípulos ao verem-no andando por sobre as águas ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma. E tomados de medo gritaram, mas Cristo Jesus imediatamente lhes falou: ‘Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais’. Respondendo-lhe Pedro disse: ‘Se és tu Senhor, manda-me ir ter contigo por sobre as águas’. E Ele disse: ‘Vem’. E Pedro descendo do barco andou sobre as águas e foi ter com Cristo Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo e começando a submergir, gritou: ‘Salva-me Senhor’. E, prontamente Cristo Jesus estendendo a mão tomou-o e lhe disse: ‘Homem de pequena fé, porque duvidastes?’. Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram dizendo: ‘Verdadeiramente és Filho de Deus’”.

Aqui Cristo Jesus não estava literalmente dominando os elementos próprios do Mundo Físico, tais como a tempestade, os ventos e as ondas fortíssimas. Na realidade, estas passagens do Novo Testamento relatam experiências ocorridas em outra dimensão. Na literatura Rosacruz a água simboliza as emoções e o Mundo do Desejo.

À natureza da água lembra muito o Mundo do Desejo, cuja substância se encontra em constante movimento. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que a permanência no Mundo do Desejo requer muito equilíbrio e discernimento do Estudante Rosacruz. Quando faltam essas qualidades ocorre justamente o pânico que sobressaltou S. Pedro no capítulo 14, nos versículos 22-33 do Evangelho acima.

S. Pedro deixou o barco (simbolizando o Corpo Denso) e se aventurou-se no Mundo do Desejo, logicamente, utilizando seu Corpo de Desejos. Porém, ainda não conseguia se manter-se equilibrado e com o nível de discernimento necessário para lá permanecer sereno, tendo assim que receber a ajuda de Cristo. “Caminhar sobre as águas” é dominar os elementos do Mundo do Desejo.

Pois, também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a lei que rege a matéria da Região Química do Mundo Físico é a inércia, a tendência a permanecer em status quo. É necessária certa soma de energia para vencer essa inércia, para fazer com que um material qualquer, por exemplo um corpo, em repouso se mova ou para deter um que esteja em movimento. Tal coisa não acontece com a matéria componente do Mundo do Desejo. Em si própria é quase vivente, está em movimento incessante, fluídico. Pode tomar formas inimagináveis com inconcebível facilidade e rapidez brilhando ao mesmo tempo com milhares de cores coruscantes sem termos de comparação com qualquer coisa que conhecemos neste estado físico de consciência. Desta ligeira descrição pode-se deduzir quão difícil será para o neófito que acaba de abrir os olhos internos, encontrar o equilíbrio no Mundo do Desejo. É um manancial de toda espécie de perturbações e perplexidades.

Outro importante ensinamento que aprendemos na Filosofia Rosacruz é que a característica principal dos Globos lunares, quando vivíamos no Período Lunar, pode ser descrita como ‘umidade’. Os Cientistas ocultistas chamam “água” aos Globos do Período Lunar e descrevem sua atmosfera como se fosse névoa ígnea.

Também aprendemos que cada dia da semana corresponde a um dos Períodos e é regido por um Astro em particular. À segunda-feira corresponde ao Período Lunar e é regida pela Lua que exerce decisiva influência sobre as águas, os fluídos, as marés e afins.

Por outro lado, o domínio das emoções representa uma transição de um estado de consciência para outro. Por exemplo, os israelitas para entrar na Terra Prometida, primeiro tiveram de atravessar o Mar Vermelho e depois o Rio Jordão.

Cruzar as águas é uma vitória sobre as emoções, sobre si próprio. Se você supera alguma dificuldade, “você cruzou o Jordão”.

Outro exemplo nesse sentido é a Arca de Noé que, esotericamente interpretada, representa um estado de consciência mais elevado, uma vitória sobre a comoção e insegurança causadas por grandes transformações. O dilúvio é uma alegoria do desaparecimento da Atlântida. Os sobreviventes simbolizam um tipo superior de Humanidade, capaz de responder positivamente às necessidades evolutivas da Época Ária.

Aprendemos que as Épocas contêm em si mesmas espirais evolutivas menores, que são as Eras. As Eras são algumas dessas espirais. O ser humano da Era de Peixes é emotivo por excelência. Eis porque esta Era está intimamente ligada ao elemento Água: o batismo com água nas Igrejas cristãs, a água benta, a emotividade que envolve a devoção.

Na próxima Era — que é a Era de Aquário — essas características serão modificadas. O ser humano aquariano será mais racional. A atmosfera mais seca e elétrica que predominará ensejará o fortalecimento da atividade intelectual. A representação astrológica de Aquário consiste em “um homem”, o aguador, despejando a água do seu cântaro.

Num futuro mais distante ainda, às emoções serão totalmente sublimadas e amalgamadas à constituição espiritual do ser humano. Isso foi anunciado no Capítulo 21 do Livro do Apocalipse: “Vi novo Céu e nova Terra, pois o primeiro Céu e a primeira Terra passaram e o mar já não existe”. Temos, portanto, uma árdua tarefa pela frente!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/abril – 1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)

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Pergunta: Existe algum lugar, seja no Antigo ou no Novo Testamento da Bíblia, onde se tenha dito aos seres humanos, para se casarem e depois viverem como irmão e irmã, em qualquer momento ou sob qualquer condição? E, se isto não está na Bíblia, por que vocês ensinam isso?

Resposta: Os Semitas Originais constituíam a quinta das Raças Atlantes. Eles emergiram da Atlântida submersa, conforme narrado de diversas formas nas histórias de Noé e Moisés. Destinaram-se a uma Terra Prometida – não a pequena e insignificante Palestina, mas a Terra inteira, como está constituída atualmente. Essa Terra lhes foi prometida porque o Planeta passava pelas transformações habituais quando uma nova Raça está prestes a assumir o seu domínio. Dilúvios haviam destruído a civilização atlante e, nas vastidões de Gobi, na Ásia Central, vagava o núcleo das atuais Raças arianas (da Época Ária).

Na época em que tal núcleo estava destinado a se tornar uma Raça que povoaria o mundo, a procriação dos filhos era, naturalmente, uma consideração primordial. Por isso, via-se como dever de todos gerar um grande número de filhos e ser extremamente fecundos. Mas, não estamos vivendo mais nesses tempos; o mundo está bem povoado, e os Egos que reencarnam aqui são atendidos sem a necessidade de esforços especiais de procriação. Nunca defendemos o celibato geral, nem que as pessoas devessem se casar e depois viver como irmãos; mas ensinamos que as pessoas casadas devem, de acordo com as circunstâncias, ajudar a perpetuar a Raça humana. Isto é, se marido e esposa estiverem fisicamente, moral e mentalmente aptos, e se possuírem um lar onde um Ego em processo de renascimento aqui possa obter a oportunidade de renascer e adquirir experiência, eles devem se oferecer como um sacrifício vivo no altar da Humanidade e doar a substância de seus Corpos para fornecer um veículo a esse Ego, convidando-o para o lar deles, como convidariam um hóspede querido, gratos por poderem fazer por ele o que outros lhes fizeram. Contudo, uma vez realizado o ato de concepção, devem se abster de novas relações sexuais, até que se sintam novamente aptos a gerar o corpo para outra criança. Esse é o ensinamento dos Rosacruzes sobre a relação ideal entre marido e esposa. Eles sustentam que a função sexual criadora não deve ser utilizada para fins sensuais, mas sim para a perpetuação da Raça humana, para a qual foi naturalmente destinada. Essa é uma condição ideal e pode estar além do alcance da maioria das pessoas no momento atual – tal como a recomendação de amar os nossos inimigos –, mas, se não tivermos ideais elevados, não faremos progresso algum.

(Pergunta nº 21 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

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Pergunta: Por que as cores do véu do Templo e das vestes sacerdotais, como descrito no Livro do Êxodo, eram azul, púrpura e escarlate, em vez de serem as três cores primárias?

Resposta: O Tabernáculo no Deserto foi a primeira igreja erguida na Terra. Quando a Humanidade saiu das bacias terrestres devido à condensação das águas, que antes pairavam como uma densa névoa sobre solo terrestre, a visão espiritual que até então havia guiado os seres humanos se tornou um obstáculo para o desenvolvimento físico dele. Assim, ela foi diminuindo, e os sentidos dos seres humanos se concentraram no Mundo Físico. Essa mudança acarretou uma ruptura com as Hierarquias Divinas que, até aquele momento, haviam guiado o ser humano no Caminho de Evolução. Elas se tornaram invisíveis e o ser humano sentiu a falta delas. Então, surgiu no coração dos seres humanos um anseio por Deus, que foi saciado com a dádiva do Tabernáculo no Deserto e a prescrição de certas Leis Divinas no sentido de orientá-los. Jeová era o Legislador e o Gênio particular dos Semitas Originais, que erma a Raça de origem da futura Época Ária; e atrás d’Ele permanecia o Altíssimo, o Pai. Isto é confirmado em certas passagens como no Livro do Deuteronômio, capítulo 32, versículos 8 e 9[1], onde se afirma que o Altíssimo dividiu o povo em nações, reservando uma certa porção do povo ao Senhor, que o guiou e o levou para fora do Egito, terra onde se venerava o Touro, rumo à Época do Arco-íris, a Época Ária. Esta foi inaugurada com o uso do sangue do Cordeiro, Áries (A), no Páscoa realizada por Noé, e com a entrega das leis dadas por meio de Moisés, as quais foram simbolicamente representadas no Tabernáculo no Deserto.

A cor do Altíssimo, o Pai, é um azul espiritual. A cor de Jeová é o vermelho (indicando o aspecto sacrificial do sangue) e a mistura dessas duas cores produz a cor púrpura. Portanto, essas duas cores eram mostradas no véu do Templo, mas também havia a cor branca, que mostrava simbolicamente que algo ainda estava faltando. Sob o regime de Jeová era necessário aplicar o lema: “olho por olho e dente por dente[2]. Isso era exigido pela Lei ditada por Ele e transmitida a Moisés. Essa Lei reinou até Cristo, que então trouxe a graça e a verdade, rasgando assim, o véu do Templo. Sob essa Lei antiga, os sacrifícios de animais eram obrigatórios, pois a Humanidade ainda não aprendera a fazer um sacrifício de si mesma. Quando Cristo mostrou o caminho para a verdade e a vida, ao se sacrificar, o véu do Templo se rasgou, o antigo sistema foi abolido, e um novo caminho foi aberto para a salvação “de todo aquele que o desejar[3].

Na Nova Dispensação, portanto, não há véu sobre o qual possa ser colocada a cor do Iniciador. Encontrou-se uma maneira melhor de marcar individualmente aqueles que são de Cristo com Sua cor dourada e, assim, aqueles que seguem o caminho do serviço e do autossacrifício desenvolvem em sua própria aura a cor dourada de Cristo, que é a terceira das cores primarias. Esta é a veste sacerdotal da Nova Dispensação, sem a qual ninguém jamais poderá penetrar no Reino, e nenhuma veste obtida com pseudo-iniciações, não importa qual tenha sido o preço pago.

(Pergunta nº 82 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Quando o Altíssimo repartia as nações, quando espalhava os filhos de Adão ele fixou fronteiras para os povos, conforme o número dos filhos de Deus; mas a parte de Iahweh foi o seu povo, o lote da sua herança foi Jacó.

[2] N.T.: Ex 21:24, Lv 24:19, Mt 5:38

[3] N.T.: Apo 22:17

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Pergunta: Qual é o ponto de vista dos Ensinamentos Rosacruzes em relação à criação do mundo em sete dias?

Resposta: Existem duas histórias da criação na Bíblia. Uma começa no primeiro versículo do primeiro capítulo e termina no terceiro versículo do segundo capítulo do Livro do Gênesis[1]. Outra narrativa começa no quarto versículo[2].

Essas duas histórias da criação parecem divergir bastante em vários pontos. O primeiro relato afirma que no princípio a Terra era coberta de água; o segundo afirma que era seca. O primeiro nos informa que o ser humano foi criado por último; a segunda versão diz que ele foi a primeira criatura, etc. Essas discrepâncias parecem irreconciliáveis ​​e proporcionam ao cético grande satisfação quando ele as relata com um sorriso de pena arrogante pelos pobres tolos ignorantes que acreditam em tamanha tolice. No entanto, os dois relatos não são realmente incongruentes; eles são complementares e estão em harmonia com os fatos científicos. O primeiro relato trata origem da Forma, o segundo capítulo da evolução da consciência. A Forma humana, como está constituída atualmente, é a obra-prima da evolução, construída sobre a base de todas as Formas inferiores que a precederam. A Vida que é o Espírito, o pensador, não tem começo nem fim, é eterna como o próprio Deus, e essa Vida existia antes de todas as Formas, como conta a segunda história da criação.

Quanto ao tempo em que se diz que essa criação da forma ocorreu, os Ensinamentos Rosacruzes não ensinam nem acreditam que ela tenha sido realizada em sete dias de vinte e quatro horas cada, mas em nosso esquema de manifestação sete grandes transformações da Terra são necessárias para facilitar a plena evolução da autoconsciência e do poder da Alma pelos Espíritos em evolução. Três Períodos e meio foram gastos na obtenção de veículos; o restante será necessário para a evolução da consciência.

O versículo inicial da Bíblia afirma que, no princípio, a Terra era escura e sem forma definida. Isso ocorreu durante o Período de Saturno, quando a névoa ígnea incipiente se formava a partir da substância primordial do espaço.

O terceiro versículo nos informa que Deus disse “Haja luz”, uma passagem que tem sido alvo de escárnio por demonstrar a ignorância dos autores e a inconsistência do relato com os fatos científicos; pois, diz o zombador: “Se o Sol e a Lua só foram criados no quarto dia, como poderia haver luz antes disso?”. Não estamos lidando com o mundo como ele é hoje, uma massa sólida. Isso, é claro, seria escuro sem uma fonte externa de luz, mas naquela época a Terra era um mundo em formação e, de acordo com a Teoria Nebular, deve haver primeiro o estágio de calor escuro ao qual demos o nome de Período de Saturno. Mais tarde, a névoa se acende e se torna luminosa; a luz está dentro e não depende de um Sol e de uma Lua externos. Este segundo estágio no desenvolvimento do nosso Planeta é chamado de Período Solar.

Em seguida, somos informados de que Deus disse: “Haja uma expansão nas águas, para separar águas de águas.”. A palavra aqui traduzida como “expansão” é traduzida como “firmamento” na versão autorizada, mas usamos o texto massorético, que foi traduzido por tradutores de conhecimento, que não estavam sujeitos a um decreto real como aquele que dificultou os tradutores do Rei Jaime. O uso do termo “expansão” harmoniza a Bíblia com a Teoria Nebular, pois, quando uma névoa de fogo aparece no espaço, a umidade é gerada pelo contato dessa massa aquecida com o espaço circundante, que é frio. Essa umidade se aquece e se expande em vapor, que se desloca para fora do núcleo incandescente, é resfriado e condensado, e gravita de volta para a fonte de calor. Assim, a expansão das águas separou as águas das águas, com a umidade densa permanecendo mais próxima do núcleo incandescente e o vapor do lado de fora. Essa fase na consolidação da Terra é chamada de Período Lunar.

A ebulição contínua da água ao redor do núcleo incandescente finalmente causou uma incrustação e surgiu terra seca. Dizem que “Deus chamou a terra seca de Terra”.

Durante a primeira parte do Período atual, o Período Terrestre, a Terra era tão escura quanto no Período de Saturno. Existiam apenas substâncias minerais. Esta fase é chamada de Época Polar.

O Período Solar ardente encontra sua réplica na Época Hiperbórea, que é descrita nos versículos 11-19[3] como o tempo em que as plantas foram geradas e a Terra se tornou um Planeta iluminado externamente pelo Sol e pela Lua. Isso encerra o trabalho descrito como tendo sido realizado no quarto grande dia no desenvolvimento da nossa Terra.

Na Época Lemúrica temos uma recapitulação das condições durante o Período Lunar, um núcleo ardente e uma atmosfera de névoa de fogo, também a gênese dos graus inferiores dos animais, descrita na história bíblica como o trabalho do quinto dia.

Na Época Atlante os mamíferos vertebrados e o ser humano foram formados, como descrito sob o título do sexto dia, e quando o ser humano se tornou um ser racional na atual Época Ária, os Deuses descansaram para deixá-lo realizar sua própria salvação sob as gêmeas Lei do Renascimento e Lei da Consequência.

(Pergunta nº 79 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: (Gn 1:1-31 e Gn 2:1-3) Capítulo 1: No princípio, Deus criou o céu e a Terra. Ora, a Terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um vento de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: “Haja luz” e houve luz. Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. Deus chamou à luz “dia” e às trevas “noite”. Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia. Deus disse: “Haja um firmamento no meio das águas e que ele separe as águas das águas”, e assim se fez. Deus fez o firmamento, que separou as águas que estão sob o firmamento das águas que estão acima do firmamento, e Deus chamou ao firmamento “céu”. Houve uma tarde e uma manhã: segundo dia. Deus disse: “Que as águas que estão sob o céu se reúnam numa só massa e que apareça o continente” e assim se fez. Deus chamou ao continente “Terra” e à massa das águas “mares”, e Deus viu que isso era bom. Deus disse: “Que a Terra verdeje de verdura: ervas que deem semente e árvores frutíferas que deem sobre a terra, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente” e assim se fez. A terra produziu verdura: ervas que dão semente segundo sua espécie, árvores que dão, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia. Deus disse: “Que haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que eles sirvam de sinais, tanto para as festas quanto para os dias e os anos; que sejam luzeiros no firmamento do céu para iluminar a Terra” e assim se fez. Deus fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro para governar o dia e o pequeno luzeiro para governar a noite, e as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a Terra, para governarem o dia e a noite, para separarem a luz e as trevas, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: quarto dia. Deus disse: “Fervilhem as águas um fervilhar de seres vivos e que as aves voem acima da terra, sob o firmamento do céu” e assim se fez. Deus criou as grandes serpentes do mar e todos os seres vivos que rastejam e que fervilham nas águas segundo sua espécie, e as aves aladas segundo sua espécie, e Deus viu que isso era bom. Deus os abençoou e disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a água dos mares, e que as aves se multipliquem sobre a terra”. Houve uma tarde e uma manhã: quinto dia. Deus disse: “Que a terra produza seres vivos segundo sua espécie: animais domésticos, répteis e feras segundo sua espécie” e assim se fez. Deus fez as feras segundo sua espécie, os animais domésticos segundo sua espécie e todos os répteis do solo segundo sua espécie, e Deus viu que isso era bom. Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”. Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou. Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a Terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra”. Deus disse: “Eu vos dou todas as ervas que dão semente, que estão sobre toda a superfície da terra, e todas as árvores que dão frutos que dão semente: isso será vosso alimento. A todas as feras, a todas as aves do céu, a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou como alimento toda a verdura das plantas” e assim se fez. Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: sexto dia.

Capítulo 2: Assim foram concluídos o céu e a Terra, com todo o seu exército. Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera e no sétimo dia descansou, depois de toda a obra que fizera. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou depois de toda a sua obra de criação.

[2] N.T.: Capítulo 2: Gn (2:4-7) Essa é a história do céu e da terra, quando foram criados. A experiência da liberdade. O paraíso — No tempo em que Iahweh Deus fez a terra e o céu, não havia ainda nenhum arbusto dos campos sobre a terra e nenhuma erva dos campos tinha ainda crescido, porque Iahweh Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem para cultivar o solo. Entretanto, um manancial subia da terra e regava toda a superfície do solo. Então Iahweh Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente.

[3] N.T.: Gn 1:11-19 – Deus disse: “Que a terra verdeje de verdura: ervas que deem semente e árvores frutíferas que deem sobre a terra, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente” e assim se fez. A terra produziu verdura: ervas que dão semente segundo sua espécie, árvores que dão, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia. Deus disse: “Que haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que eles sirvam de sinais, tanto para as festas quanto para os dias e os anos; que sejam luzeiros no firmamento do céu para iluminar a terra” e assim se fez. Deus fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro para governar o dia e o pequeno luzeiro para governar a noite, e as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra, para governarem o dia e a noite, para separarem a luz e as trevas, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: quarto dia.

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Humildade e a Falsa Humildade

Um colega de serviço vivia repetindo, em voz alta, esta frase: “eu nada sei, só sei que nada sei”. Ouvia-o e cada vez me punha a meditar, ponderando, entre mim, que, sendo ele espiritualista, havia de ter um lado positivo nessa afirmação, uma advertência que o pusesse alerta contra o personalismo pretensioso que enfeia tantas pessoas. Mas um dia, durante o lanche, provoquei uma troca de ideias sobre o assunto. E por muitos dias continuamos, em episódios, o exame da questão, julgando de interesse pô-lo aqui para análise e ampliado, por parte dos leitores. Queremos falar de humildade num ponto de vista mais elevado e não pelo mal-entendido ponto de vista, segundo o qual a humildade é sinônimo de capacho ou de subserviência a poderes sociais ou econômicos.

Somos um ser complexo. Como Espírito, centelha de Deus, que nos faz semelhante à Deus-Pai, trazemos uma longa jornada de experiências, em que passamos por estágios de consciência equivalentes aos minerais, vegetais, animais, em que adquirimos nosso Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos correspondentes aos nossos veículos de expressão em cada Mundo. Atingindo o estado de Humanidade, no início da Época Atlante, tivemos nosso Corpo de Desejos dividido em duas partes: sentimentos elevados e sentimentos inferiores. Essa parte inferior do Corpo de Desejos foi juntada à Mente recém-adquirida, constituindo os dois, uma “alma animal”, a Personalidade, uma parte de nós voltada para a Região Concreta do Mundo do Pensamento, Mundo do Desejo e Mundo Físico.

Nesse tempo sofremos a influência passional dos Anjos decaídos ou Espíritos Lucíferos. Tais Espíritos não podiam alcançar a evolução natural da Onda de Vida dos Anjos, de que se haviam afastado e por isso restava-lhes trabalhar sobre o incipiente cérebro humano, induzindo a paixão (pois o cérebro está ainda ligado ao Corpo de Desejos). Desenvolvemos os primeiros trabalhos da Mente, sob a forma primitiva da astúcia e ao ingressar na presente Época Ária começamos a exercitar a Razão.

Ao falar assim, referimo-nos às pessoas que vivem no lado ocidental, pois ainda há irmãos e irmãs em estágios primitivos de consciência exercitando a astúcia e com um Corpo de Desejos superior muito reduzido e de pouca expressão altruística. Acresce notar que essa ação dos Espíritos Lucíferos, pelo nosso abuso sexual – por livre e espontânea vontade –, pelo egoísmo e outras formas passionais que insistimos em manifestar nas nossas vidas aqui, nos embruteceu a nossa sensibilidade e os nossos Corpos, fazendo-nos perder a visão espiritual e acreditar apenas na realidade deste Mundo material em que, provisoriamente, estamos.

Recebemos a primeira ajuda: as Religiões de Raça, Jeovísticas, como o objetivo de nos ajudar a controlar o nosso Corpo de Desejos que insistíamos em encher somente com materiais das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo. Mas usamos essa ajuda para induzir a nós mesmos a divisão e ao egoísmo, embora tais Religiões tenham disciplinado relativamente o nosso Corpo de Desejos com a ação restritora das Leis Mosaicas.

Como insistimos no erro, chegando a um estado evolutivo extremamente perigoso, arriscando a perdermos (uma grande maioria de nós) a oportunidade de continuar evoluindo nesse atual Esquema de Evolução, recebemos uma segunda ajuda. Conhecemos como a vinda da Religião do Filho – a Religião Cristã –, cuja expressão, Cristo, inaugurou uma nova fase evolutiva, onde o Cristo implantou o Seu Plano de Salvação e se tornou o Espírito Planetário da Terra. Só que, também devido a nós mesmos, a Religião Cristã ainda não foi implantada como deve ser, ou seja, o altruísmo (que foi introduzido e ensinado por Cristo) não virá senão quando os últimos vestígios de egoísmo tenham desaparecido, com as formas inferiores de expressão. E isso depende somente de cada um de nós, exercendo o livre arbítrio, ou seja: de dentro para fora.

Esta digressão é necessária para compreendermos que nós atualmente, quando renascidos aqui, nos embrutecemos até onde os nossos Corpos nos permitirem. Somos o que pensamos, o que sentimos, o que percebemos. Aqui estamos limitados pelo grau de aperfeiçoamento dos nossos veículos o Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.

Nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) sim, nos esforçamos para isso através da Mente, o foco entre o Ego e os nossos veículos e por isso simbolizada por Mercúrio, o Mensageiro dos Deuses. Mas estamos limitados, nessa expressão, pela condição dos nossos veículos que construímos (com o nível de evolução que chegamos até a última vida aqui) e usamos.

Disso tudo inferimos que nós sabemos algo! Nós temos dentro de nós mesmos uma bagagem imensa de experiências passadas, que vão formando a nossa Tríplice Alma. Chamamos a essa bagagem, a Memória ou Mente Superconsciente, a que temos acesso apenas pelo desenvolvimento dos Éteres superiores e contato com o Mundo do Espírito de Vida, via alcançando as Iniciações, preconizadas pela Fraternidade Rosacruz.

Mas essa forma de memória não nos vem pela Mente, senão pelo Coração. Cristo está trabalhando sobre toda a Terra e afetando os nossos Corpos humanos para lograr uma transformação do nosso Coração, formando estrias para, através dele, afetar todo o nosso Corpo Denso e dar mais livre expressão à nós, o Ego, ainda prisioneiro nas grades de nossas limitações.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, compreendendo profundamente esse plano Crístico, ensinam aos Estudantes Rosacruz – a partir de um certo nível no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz – a conquistar o equilíbrio entre a Mente e o Coração, condicionando as possibilidades daquele, aos ditames deste. É um plano de libertação que possibilitará ao Estudante Rosacruz se livrar da consciência atual, muitas vezes mais próximas da consciência animal, para a Consciência de um indivíduo, onde o Ego dirige seus veículos, exprimindo ambos a mesma coisa, como a citada fonte dos evangelhos, de que não fIui ao mesmo tempo água doce e salgada. Os místicos buscam apenas esta fonte de pureza pelo Coração. Os ocultistas desenvolvem a Mente. A Ordem Rosacruzes busca unir as nossas expressões pelo equilíbrio perfeito entre Mente e Coração.

Afinal, sabemos ou não sabemos? Está claro que sim, mas nosso conhecimento ainda é passível de muita cautela, porque sofre interferências várias e deturpa, muitas vezes, os nossos reais propósitos.

Um Estudante Rosacruz não diz: “eu nada sei, eu sou um pobre diabo, um imprestável, um ignorante”. Tampouco diz: “eu tudo sei, eu tudo posso”, como ensinam algumas escolas espiritualistas pregadoras de afirmações e negações. Afinal, como aprendemos na Fraternidade Rosacrduz: “de que valeria a uma bolota de carvalho, sendo semente, dizer: eu sou um carvalho? Ela será um carvalho, sob condições favoráveis de desenvolvimento, mas por enquanto não é, apesar de todas suas afirmações; assim é o ser humano em relação à perfeição divina”.

A afirmação deve ser feita em silenciosa convicção, na interna vontade, para estendermos aos atos os nossos propósitos, depois de haver afetado o subconsciente. Não de forma negativa, renunciando, de princípio, às possibilidades divinas latentes e poderes adquiridos. Que efeito podemos esperar, desse modo, sobre nós?

Não gostamos de extremos. Tudo é relativo (pois só Deus é absoluto!) e, conhecendo amplamente os diversos fatores que fazem de cada um de nós essa realidade atual, buscamos aperfeiçoá-lo, sabendo que não somos nada e nem tudo, mas que caminhamos para a perfeição a que nos destina o Criador, pondo-nos todos os recursos para isso, inclusive ajuda externa.

A verdadeira humildade, pois, está na consciência dessa relatividade evolutiva, que nos põe no nosso devido lugar, no qual não se justificam orgulhos nem personalismos, embora estes nos assaltem nas repetidas tentações, por forças dos vícios de origem, ainda não sublimados.

Forçoso é reconhecer: a verdade tem muitos degraus e o acesso aos superiores pressupõe havermos passado pelos inferiores, as verdades parciais, mas nem por isso desprezíveis, pois são as partes e fundamentos do todo almejado.

Para concluir, não dizemos “eu nada sei, só sei que nada sei”, mas sim: “sou uma semente de Deus e posso me converter na própria árvore e estatura de Deus. Estou trabalhando para isso, orando e vigiando, fazendo fielmente os Exercícios Esotéricos Rosacruzes de Observação, Discernimento, de Retrospecção, de Concentração e oficiando os Rituais dos Serviços Devocionais diariamente, que me ensinam, cada vez mais, a conhecer minha própria natureza, a fim de transubstanciá-la na força anímica que me permitirá o retorno consciente ao que realmente sou, um Ego, e através deste, a Deus”.

Quem se humilha será exaltado” (Mt 23; 12), mas quando a humildade é bem compreendida. Reduzir-se, anular-se é negar as possibilidades divinas latentes e descrer em nós mesmos, o Ego. E sendo nós um Ego (e não os nossos Corpos, especialmente, como muito acham, o Corpo Denso), como podemos falar de nós como se fossemos os Corpos e suas limitações? Somos isto sim, prisioneiros conscientes, trabalhando pela libertação das invisíveis grades e cadeias que, simbolicamente, prendiam Prometeu ao Cáucaso[1]. Mas seremos também Hércules[2], o “super-homem” e nos libertaremos destas condições, mediante o esforço perseverante e racional, passo a passo, pois a Natureza não dá saltos.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: da mitologia grega: foi um defensor da humanidade, conhecido por sua astuta inteligência. Roubou o fogo dos deuses e o deu aos homens. Isto assegurou a superioridade dos homens sobre os outros animais. Todavia o fogo era exclusivo dos deuses. Como castigo a Prometeu, Zeus ordenou a Hefesto que o acorrentasse no cume do monte Cáucaso.

[2] N.R.: nome em latim dado pelos antigos romanos ao herói da mitologia grega Héracles, filho de Zeus.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Aspecto Cósmico da Páscoa

As quatro estações do ano determinam, desde os mais remotos tempos, os mistérios da relação do ser humano com a Terra (Planeta-mãe) e de ambos com o Sol. Constituem o importante Mistério da Nona Iniciação Menor (a última dos nove Iniciações Menores).

Ademais das influências zodiacais, que levaram os Líderes-Iniciados a estabelecer as formas religiosas (Religião do Touro, Religião do Cordeiro, Religião dos Peixes) houve, desde recuados tempos, uma tradição esotérica ligada aos Equinócios e Solstícios. Encontramos essa tradição, velada por mitos, nas várias civilizações que nos precederam.

A passagem pelo Mar Vermelho e a travessia de Quarenta Anos pelo Deserto, na história dos hebreus, relatadas na Bíblia, é um simbolismo da evolução através do Signo de Áries, cuja cor é o vermelho e cujo Signo é o Cordeiro, tomado por adoração em lugar do bezerro.

Quando Moisés negociava com o Faraó a libertação de seu povo, este lhe resistiu, e o Senhor fez cair sobre o Egito as famosas pragas, que culminaram na matança dos primogênitos. Para preservar seus lares, os israelitas sacrificaram o Cordeiro e pintaram com sangue as ombreiras das portas. Por essas casas a morte não passou. É um símbolo de que, na transição evolutiva de uma para outra Era, aqueles que resistem acabam se cristalizando e ficando para trás.

O cordeiro é o emblema da Dispensação (a terceira Dispensação – a primeira Cristã – de um total de quatro) que deveria suceder à do boi Ápis. Na pressa de deixar suas casas, quando o Faraó finalmente cedeu, os israelitas esqueceram o fermento em casa e tiveram que fazer seus pães sem fermento. Daí se originam os pães ázimos, lembrança da libertação do Egito. Como símbolos, o sangue derramado do cordeiro representa a expiação; e os pães sem fermento, a pureza decorrente dela.

De toda a maneira, antes do êxodo, os Solstícios e Equinócios já haviam influído na determinação dos principais festejos, em todos os povos. A libertação do Egito ocorreu na Páscoa e a ela está associada, pela razão esotérica já exposta, a transição evolutiva   para a Era de Áries. Mais tarde, o sacrifício do Cristo ocorreu na mesma Era, para designar a transição para a Era de Peixes.

Herdeira dos mistérios astrológicos ocultos, a tradição Cristã-Esotérica nos conserva o Cristo Solar, com seus doze Apóstolos, substituindo a epopeia de Sansão e a história de Jacó e seus filhos.

Desde Seu sacrifício, pelo qual o Cristo se crucificou à cruz da Terra, para redimi-la dos registros negativos dos pecados dos seres humanos, Ele desenvolve uma sublime e penosa missão, em ciclos correspondentes aos Equinócios e Solstícios.

No Cristianismo Popular este mistério remanesce como tradição, nos festivais Cristãos (Natal, Páscoa, Festas juninas de S. João, S. Paulo e S. Pedro e Imaculada Conceição).

Hoje a Igreja Católica – que preconiza o Cristianismo Popular – volta a considerar, com razão, a Páscoa, como o mais importante acontecimento do ano Cristão. Nela o Senhor demonstrou o triunfo do Espírito imortal, levantando-se do túmulo, ressurgindo dos mortos e dando o modelo do que todos nós, ao devido tempo, devemos individualmente alcançar. O fato é relacionado com o dia de Pentecostes, o Batismo de Fogo prometido, que o Messias interno há de nos dar, para abertura interna e comunhão com todos os seres, além de todas as línguas, limitações e preconceitos.

Os Cristãos Esotéricos (como o é o Estudante Rosacruz ativo e fiel) comemoram a Páscoa na entrada no Equinócio de Março[1], com um ritual adequado que nos relembra a missão do Salvador, e a tarefa individual de libertação, de si e da Terra, em colaboração com o Cristo. Adverte, mais, que Ele, na Páscoa, uma vez mais deixa a cruz do Planeta, onde voluntariamente se cravou, desde o último Natal, a fim de insuflar um renovado impulso de Sua Luz e Amor, que eleve vibracionalmente a Terra em seus nove Estratos, além de suscitar o altruísmo de todos os homens e mulheres, na medida da receptividade deles.

Recomendamos aos Estudantes Rosacruzes estudar e meditar profundamente sobre os mistérios dos Solstícios e Equinócios, em ligação com a Missão do Cristo. Por eles, poderão compreender como, desde o dilúvio que abriu os portais do Arco-Íris para a Época Ária, as estações do ano constituíram os ciclos alternados, em graus maiores e menores, de todos os fatos evolutivos, começando com a Festa das Primícias (uma celebração bíblica que marca a oferta dos primeiros frutos da colheita de cevada a Deus, simbolizando gratidão, confiança e reconhecimento da provisão divina), início do ano solar, no Equinócio de Março.

Ao conscientizarmos, ainda que em pequeno grau, os ciclos da vida do Cristo, assumimos um dever inegável, prazeroso e caloroso, de colaborar no Plano de Salvação do Mundo, começando conosco mesmos – que é de nosso exclusivo interesse – pois não temos feito tudo o que poderíamos fazer em prol de nossa libertação.

Ao começarmos uma vida nova, o ano também se torna novo para nós – um convite desdobrado em quatro etapas de realização trimestral, nas quais somos desafiados a “tomar a nossa cruz”, a assumir conscientemente nosso destino e caminhar para a libertação, seguindo a meta do Cristo. Então estaremos atuando em ritmo e harmonia com o Universo. Deixaremos de ser um peso a mais para o Cristo. Ao contrário, nos converteremos em Simão Cireneu – aquele que ajudou a carregar a cruz do Senhor. Com isso estaremos abreviando o tempo para nosso interno Pentecostes, cuja abertura e despertar nos traçarão o umbral para uma vida mais ampla. Será o cumprimento: “rasgou-se o véu do Templo de alto abaixo” (Mt 27:51, Mc 15:38, Lc 23:45). Será o romper do “ovo[2] da Páscoa” individual, para que o “novo nascido”, havendo cumprido o período de amadurecimento interno (3×7); havendo realizado o trabalho de dentro para fora, pode nascer como pintinho. Mas será ainda um pintinho, convidado a se tornar um galo – símbolo da vigilância, do ser realizado – pelas Iniciações que o esperam.

O pintinho não pode abreviar sua gestação de 21 dias, porque está inteiramente sujeito a um trabalho externo. Mas o ser humano pode abreviar seu amadurecimento interno, porque atua de dentro – quando assume conscientemente a tarefa evolutiva. O tempo de romper o ovo depende de cada um.

Você, agora, está dentro do ovo de seus Corpos. Esperamos que aproveite a oportunidade que está recebendo e se esforce devidamente, para abreviar o tempo de maturação e possa romper a casca de seu ovo, nascendo para uma vida nova.

Cada Iniciado e mesmo cada Estudante Rosacruz ativo e sincero que trabalha conscientemente na Missão do Cristo é um carvão a mais, para aumentar em progressão geométrica, o Fogo e a Luz redentora – até que um número suficiente de seres humanos possa manter a Terra em todos os seus movimentos (rotação, translação, precessão, nutação e outros).

Será, então, a última Páscoa do Cristo; a consumação dos séculos (tempos profanos); e o definitivo “está consumado” (Jo 19:30)! “E ao subir, Ele a todos nos elevará também.” (At 1:9-11)

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1976 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: Vamos ver aqui o porquê, então, para muitos, a data da Páscoa é móvel. Afinal se contemplarmos um calendário, é fácil notar uma diferença entre como é a data do Natal e a da Páscoa. O Natal acontece sempre em uma data fixa, enquanto a Páscoa cai, às vezes, tão cedo como em meados de março e, por outras vezes, tão tardio como em meados de abril.

A causa dessa variação está em que o Domingo de Páscoa acontece, sempre, no primeiro domingo depois da primeira Lua Cheia que segue ao Equinócio de Março. E quem estabeleceu isso? Foi estabelecido por pessoas que compreendiam perfeitamente o esoterismo da estação pascal. E por que esse procedimento? A Páscoa real ocorre no Equinócio de Março, quando o Sol passa da latitude sul para a latitude norte, e Cristo se liberta do Seu trabalho. Então, esse Ser radiante penetra nos planos espirituais da Terra para trabalhar ali com as Hierarquias celestiais e com os membros da Humanidade que foram transportados pela morte à mais altas esferas de atividade. Durante essa elevada estação, as forças de Peixes (março) e Áries (abril) se fundem em uma maravilhosa combinação de Água (Peixes) e Fogo (Áries) que possui, em todos os planos da existência, a chave do Matrimônio Místico. Toda a natureza conhece o regozijo dessa união. Esses poderosos impulsos de fogo estão sob a supervisão das Hierarquias de Áries e de Leão. Esses impulsos, no entanto, de muitíssima potência para ser enfocados diretamente na Terra, se encomendam à Hierarquia de Sagitário, que os distribui entre a Humanidade. As grandes Águas da Vida dessa união mística estão sob a orientação da Hierarquia de Câncer, os Querubins, que entregam essas forças às Hierarquias de Escorpião e Peixes, as que, por sua vez, dispersam sobre a Terra.

Note bem: as Hierarquias Criadoras, acima referidas, que disseminam esse poderoso impulso transmutador sobre a Terra, o fazem dirigindo do Sol para baixo sobre a orientação do Espírito Solar, o Cristo. No entanto, essa força não é suficientemente potente para produzir seu efeito total sobre a Humanidade. E é por isso a Lua Cheia se converte no canal para sua disseminação final. Assim, o Domingo de Páscoa só se celebra corretamente depois da Lua Cheia que segue o Equinócio de Março. A Páscoa se celebra no domingo, que é o dia do Sol, e o Sol é o lar do Cristo Arcangélico. A projeção sobre a Terra dos poderosos raios espirituais do Sol, o domingo, proporciona maior impulso vibratório ao ser humano do que em qualquer outro dia da semana. Ou seja, a grande maioria da Humanidade, em seu conjunto, ignora o grande influxo direto do Sol, que nós conhecemos como a celebração do período entre o Domingo de Páscoa e o Domingo de Pentecoste, até que a Lua Cheia aconteça depois do Equinócio de Março. Repare, então, que essa grande maioria da Humanidade continua respondendo, amplamente, a esse influxo como a uma tendência instintiva ou um desejo de participar de alguma reunião espiritual. Muitos dizem que “vão à Igreja” só uma vez ao ano, e é na Páscoa. Existe, também, o impulso de vestir roupas diferentes, com a mesma natureza, se cobrir com novos tecidos e se pintar com cores para participar de algum tipo de serviço comemorativo ou desfile. Isso é, em grande parte, o conceito que o mundo moderno tem da Páscoa. No entanto, seja como seja, as Hierarquias Criadoras, responsáveis pela evolução do ser humano, são persistentes e infalíveis em Seu ministério para o Planeta Terra e, ano após ano, esse poderoso impulso espiritual eleva e espiritualiza, gradualmente, a Terra e tudo que nela vive. Um dia a Humanidade comprovará que, graças ao processo de transmutação que ocorre na época do período entre o Domingo de Páscoa e o Domingo de Pentecoste, será possível, não só se vestir com um novo traje, mas, como S. Paulo disse, “a remover o homem velho e revestir-vos do Homem Novo” (Ef 4:22-24). Esses são o verdadeiro e elevado significado e, também, o objetivo da estação pascal; e todo ano, uma maior quantidade de seres desinteressados aprendem a se tornar servidores mais eficientes de Cristo em Seu grande trabalho, quando canta Sua triunfante canção de Páscoa: “Eu sou a Ressurreição e a vida” (Jo 11:25).

[2] N.R.: Mas o que tem a ver o “ovo” aqui? Entre os símbolos cósmicos conservados desde a antiguidade, seguramente o mais popular é o ovo. O Simbolismo do Ovo permeia as Religiões. O simbolismo relativo do ovo conservou seu lugar na Simbologia Sagrada até hoje, muito embora a imensa maioria dos seres humanos seja cega ao Grande Mistério que ele encerra e revela: “O Magno Mistério da Vida”.

Quando quebramos a casca de um ovo, achamos apenas fluídos viscosos de coloração variada e consistência diversa. Mas, quando submetido a uma temperatura adequada, logo observamos uma série de mudanças. Assim, em pouco tempo, uma criatura viva pode romper a casca e surgir pronta para assumir seu lugar entre os de sua espécie. Os “magos” dos laboratórios podem sintetizar as substâncias do ovo e injetá-las numa casca. Uma réplica perfeita do ovo natural pode ser produzida, conforme as experiências realizadas até hoje. Contudo, o ovo artificial difere do ovo natural em um ponto fundamental: nenhuma coisa viva pode ser incubada no ovo obtido artificialmente. Fica evidente, portanto, que alguma coisa intangível deve estar presente em um e ausente noutro.

Esse mistério primordial que anima todas as criaturas é o que nós chamamos Vida. A Vida não pode ser detectada em meio às substâncias do ovo, nem mesmo através do mais potente microscópio, ainda que ela esteja ali presente para produzir as notáveis mudanças. Pode-se assim concluir que a Vida tem a propriedade de existir independentemente da matéria. Aprendemos através do sagrado simbolismo do ovo que, apesar da Vida ser capaz de modelar a matéria, não depende dela para existir. A Vida é autoexistente. Não tendo princípio não pode também ter fim. Essa ideia está bem representada pela geometria ovoide presente na própria forma do ovo.

Estamos estarrecidos com a carnificina nos campos de batalha da Europa. Somando a maneira atroz como as vítimas são arrancadas da vida física. Vamos considerar que a média da expectativa de vida aqui é de uns 70 a 80 anos, mais ou menos, e que, em meio século, a morte ceifa a vida de cento e cinquenta milhões de irmãos.  Três milhões por ano.  Duzentos e cinquenta mil a cada mês. Podemos ver que, afinal de contas, o total não foi tão expressivamente aumentado. Vamos refletir sobre o verdadeiro conhecimento contido no simbolismo do ovo, isto é, que a Vida não pode ser criada, nunca teve princípio e nunca terá fim. Assim estamos prontos para encarar os fatos e admitir: aqueles que são agora retirados da existência física estão apenas atravessando uma jornada cíclica idêntica à da vida do Cristo CósmicoVida que interpenetra a Terra nos meses de Setembro, Outubro e Novembro e retira-se na Páscoa. Aqueles que morreram estão apenas indo para os reinos invisíveis. De onde mais tarde, e em novo ciclo mergulharão na matéria densa, interpenetrando, como todas as coisas vivas, o óvulo da futura mãe. Após um período de gestação, reingressarão na vida física para aprender novas lições na grande escola.

Assim, vemos como a grande lei da analogia opera em todas as fases e sob todas as circunstâncias da vida. O que acontece ao Cristo no grande mundo vai acontecer também na vida particular (pequeno mundo) daqueles que caminham para converterem-se em Cristos. Encarando os desafios humanos dessa maneira podemos enfrentar o presente conflito com mais ânimo.

Além disso, devemos compreender que a morte é uma necessidade cósmica nas circunstâncias atuais, pois se estivéssemos aprisionados em um corpo como o que usamos hoje e colocados em um ambiente como o que encontramos hoje, para vivermos para sempre, as enfermidades do corpo e a natureza insatisfatória do ambiente logo nos cansariam tanto da vida que clamaríamos por libertação.

Um corpo imortal bloquearia todo o progresso e tornaria impossível a nossa evolução para patamares mais elevados, como os que podemos alcançar por meio do renascimento em novos veículos e da colocação em novos ambientes que nos oferecem novas possibilidades de crescimento.

Assim, podemos agradecer a Deus por, enquanto o nascimento em um corpo concreto for necessário para o nosso desenvolvimento posterior, a libertação pela morte ter sido providenciada para nos libertar do instrumento ultrapassado, enquanto a ressurreição e um novo nascimento sob os céus auspiciosos de um novo ambiente nos proporcionam outra chance de começar a vida com oportunidades inéditas e aprender as lições que não conseguimos dominar antes. Por esse método, algum dia nos tornaremos perfeitos, assim como o Cristo ressuscitado. Ele ordenou isso e nos ajudará a alcançá-lo.  

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Semelhanças com o Processo de Metamorfose: Nossa Evolução

A tendência natural no atual momento desse Esquema de Evolução no qual todos nós estamos inseridos é: “de dentro para fora”, “de baixo para cima”, “para frente e para cima”. Por isso a Filosofia Rosacruz leva o Estudante Rosacruz a se redescobrir, a se conhecer e, tomando conhecimento de seu relativo estado de consciência, empreenda a tarefa de reeducação, de transmutação e libertação das sujeições da matéria da Região Química do Mundo Físico.

Tomando o axioma hermético: “assim como é em cima é embaixo” podemos apurar a veracidade do que dissemos. A analogia é a chave de maiores recursos e se consideramos que somos um microcosmo, parte do macrocosmo que é a Terra, e como ambos seguem linhas idênticas, numa perfeita reflexão evolutivas, veremos quão profunda é nossa Filosofia e como ela concilia, magistralmente: a Ciência, a Religião e a Arte.

Quando estávamos na Época Lemúrica e construíamos Corpos Densos como lemurianos vivíamos muito próximos do centro ígneo da Terra. Já quando estávamos na Época Atlante e construíamos Corpos Densos como atlantes habitávamos nos vales profundos, já afastados do centro ígneo da Terra. Agora estamos na Época Ária e quando construímos Corpos Densos como arianos somos impelidos, no princípio por meio dos dilúvios para as mesetas, os planaltos, onde hoje vivemos.

Analogamente, seguindo a mesma direção, quando estivermos na Era de Aquário e construirmos Corpos Densos como aquariano viveremos “no ar”. Porém, como sabemos que os nossos Corpos Densos, como massa, estão sujeitos à Lei de Gravidade que os atrai para o centro da Terra, uma transformação deverá, necessariamente, ocorrer. S. Paulo nos ensinou que “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus” (ICor 15:50). Mas diz, também, que temos uma soma psuchicon, mal traduzido por “corpo natural” e que significa realmente um “corpo espiritual”, constituído pelos dois Éteres superiores do nosso Corpo Vital, mais ligeiro do que o ar e, por isso, capaz de levitação. Este Corpo é o áureo “Trajes de bodas”, a Pedra Filosofal ou Pedra Viva que algumas filosofias antigas designam por Alma Diamante, por ser luminoso, refulgente e cintilante como aquela inestimável joia. Esse Corpo é o Corpo-Alma!

Essa espécie metamorfose toda e sair para o alto e para fora pode se comparar, por exemplo, a transformação do girino em rã (trânsito da Humanidade desde a Época Atlante até à irisada Época Ária) e da lagarta que se arrasta pela terra na mariposa que fende os ares (símil do futuro trânsito do nosso presente estado e condição para as da Época Nova Galileia, onde ficará estabelecido o Reino de Cristo).

Sobre isto, Cristo manifestou, implicitamente, que o “novo Céu” e a “nova Terra” não estavam preparados, quando disse aos discípulos: “Para onde Eu vou não podeis vós ir agora, porém, hei de aparelhar-vos lugar e virei outra vez e vos tomarei comigo para que, onde Eu esteja, estejais vós também” (Jo 14:2-3). Posteriormente, em visão, o apóstolo S. João viu a Nova Jerusalém que descia do Céu e S. Paulo escreveu aos Tessalonicenses dizendo-lhes, por palavras do Senhor, que: “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens” (1Tess 4:17), na Sua segunda vinda, para receber o Senhor no ar e estarão para sempre com Ele. Isto tudo concorda com as tendências expressas na passada evolução da Humanidade.

 (Publicada na Revista Serviço Rosacruz – abril/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Gloriosa Era: revistamos do áureo manto nupcial para a futura comunhão com Cristo

Durante tempos antigos sem conta, de nosso passado evolutivo, aprendemos a construir os diferentes veículos em que hoje, como Egos (Espíritos Virginais da Onda de Vida humana manifestados aqui), atuamos. Através desse trabalho fomos passando de classe em classe na Grande Escola de Deus. Em cada fase maior e menor fomos adquirindo gradativo desenvolvimento de Níveis de Consciência. Porém, cada qual aprendia, assimilava e crescia segundo seu particular modo de adaptação e reação. Uns caminharam depressa, outros regularmente, outros se atrasavam.

Na Época Atlante, quando a neblina se condensou e encheu os recôncavos da Terra, nos obrigando a buscar as mesetas e planaltos, muitos pereceram asfixiados, porque não haviam desenvolvido os pulmões, indispensáveis para respirar na atmosfera mais rarefeita das alturas. Esses não puderam passar pelo portal do arco-íris, à nova Era, a Era de Áries – a primeira da Época Ária –, com suas secas condições.

Agora, novamente, estamos nos aproximando de uma grande transformação mundial. Cristo se referiu a essa transição e como arauto da Nova Era, a Era de Aquário, a Fraternidade Rosacruz, tal como Noé, vem nos preparar.

Acautelemo-nos para que não sejamos apanhados desprevenidos e busquemos a amorosa, eficiente e desinteresseira orientação da Fraternidade Rosacruz.

Aquário é um Signo de Ar, científico, intelectual, inovador, original e independente. A nova chave de nosso desenvolvimento, iniciado nesta Época Ária pela razão, irá encontrar sua sublimação nessa gloriosa Era de Aquário, quando, então seremos capazes de resolver o enigma da vida e da morte de maneira a satisfazer, igualmente, o Coração e a Mente. Nessa Era, quem se prepara desde já, poderá desfrutar da verdadeira felicidade, pela unidade racional da Arte, Religião e Ciência, pois, todas essas atividades, em vez de se digladiarem pela contradição, em consequência da falta de visão de seus pontos comuns e básicos, se completarão coerentemente.

Aquário tem regência especial sobre os Éteres, o elemento de transição sensorial. Os dilúvios que submergiram o continente atlântico, ou a Atlântida, eliminou, até certo ponto, a umidade contida no ar, quando a concentrou no oceano. Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrar em Aquário, quase toda a umidade ainda remanescente desaparecerá e as vibrações visuais serão mais facilmente comunicadas por sua elétrica e seca atmosfera.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz deram o encargo da expansão dos Evangelhos, da mais profunda forma, à Fraternidade Rosacruz, por intermédio de Max Heindel. Ora, nós fazemos parte da Fraternidade Rosacruz e estamos sendo preparados para fazer nossa parte nessa importante missão. E a maneira de executá-la, também a aprendemos lá pregando o Evangelho através da reta e amorosa ação e obra, em todos os campos, em todos os assuntos. Isto pressupõe começar por nós mesmos, pela vivência convicta e simples daquilo que pretendemos disseminar. Nisso consiste a vida de um verdadeiro Cristão: uma Mente Pura, um Coração Nobre e um Corpo São a serviço de Cristo.

O destino da Fraternidade Rosacruz está em nossas mãos! É ao mesmo tempo um privilégio e uma grande responsabilidade, que nos lembra S. Lucas, 12:48: “A quem muito foi dado, muito lhe será exigido”.

Os primeiros a verem e viverem as ideais condições dessa gloriosa Era de Aquário deverão ser as pessoas que habitam o lado ocidental do Planeta Terra, que já começaram a preparar uma Ciência religiosa e uma científica Religião.

O entendimento deste trabalho preparatório e a gradual vivência e comunicação destes princípios irão construindo, “sem ruído de martelos”, o veículo em que funcionaremos nas novas condições: o “soma pushicom” citado por S. Paulo, que nos possibilitará ir ao encontro de Cristo nas nuvens (nos ares) e com Ele cearemos no cenáculo do “Homem do Jarro” (Aquário). Não se realiza tal empresa em pouco tempo. É preciso renúncia aos nossos vícios – “homem velho” e adoção de mais racionais meios de vida (naturalismo, dieta vegetariana, reforma e equilíbrio emocional e mental, exercícios de devoção e disciplina mental, etc.) – “homem novo”.

A Fraternidade Rosacruz oferece, a quem quiser, orientação conscienciosa e segura, para que nos convertamos num digno discípulo de Cristo e nos revistamos do áureo manto nupcial – o Corpo-Alma – para a futura comunhão com Ele.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz janeiro/1967-Fraternidade Rosacruz -SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Pouco sobre a Simbologia do Natal em Nós

Estamos nos aproximando do Natal, época de grande significado para nós, Estudantes Rosacruzes. Façamos um pequeno histórico da nossa vida e de nossa relação com o acontecimento ocorrido há mais de dois mil anos, a fim de entendermos a ligação entre Deus, nós e as outras coisas.

Por certo, já devemos ter pensado no significado mais profundo do Natal e na sua importante ligação com a nossa vida. De fato, existe algo de profundamente grande nesse elo entre o Natal e nós.

Falam os Evangelhos de um ser de elevada evolução, Jesus de Nazaré, nascido em Belém, cidade da Palestina. Ele nasceu, por falta de estalagem, em lugar humilde, uma manjedoura onde se dava alimento aos animais.

Pensemos no que isso representa em nossa vida. Não é só um fato ocorrido há mais de dois mil anos, encarado apenas historicamente e sem relação alguma com a atualidade. Nada disso. Pensemos bem nessas coisas e não nos será difícil descobrir que elas dizem respeito a nós mesmos.

Em primeiro lugar, o nascimento de Jesus em uma manjedoura simboliza a profunda humildade que nós devemos considerar em nossa vida. Jesus foi o perfeito exemplo e Cristo demarcou, com os fatos do Seu ministério, os passos que todos nós, ao nosso tempo, deveremos percorrer conscientemente para voltar ao Deus-Pai.

Desde o Período de Saturno, nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana (ou a Hierarquia Zodiacal de Peixes) temos, vida após vida, desenvolvido e aperfeiçoado nossos veículos, inclusive a Mente, que nos proporcionará cada vez mais a consciência de nós mesmos como um indivíduo. Através da Mente e do desenvolvimento da razão, chave dessa Época, a Ária, iremos descobrir dentro de nós uma réplica da história de Jesus e mais profundamente sentiremos a relação que existe entre nossas vidas e a daquele amado Irmão Maior da Humanidade.

A meditação sobre o Natal vai nos levar a reconhecer algo muito sério que a grande maioria dos irmãos e das irmãs não alcançou ainda e o Cristianismo popular, por isso (em parte), não explica.

Bethlehem (Belém) significa “casa de carne” em hebraico (“casa do pão” em grego antigo) e é o símbolo do corpo material – o Corpo Denso –, que é composto de elementos químicos. Mesmo já domesticados, dentro desse Corpo existem os “animais dos nossos instintos”, porque a manjedoura do nosso coração não abriga apenas sentimentos elevados. Ali, sob o influxo divino evolutivo, destinado um dia a abrigar um “Cristo adulto”, nasce “Jesus”, o Espírito interno que surge mais definidamente dentro de nós, após tantos anos de escravidão (e que se tornará o Cristo Interno), filho de José, a Vontade educada, e de Maria, a Imaginação pura. Desses dois atributos primeiros da Divindade surge o Verbo que se fez carne.

Quanto mais não podemos deduzir de tão sublimes ensinamentos à luz da Filosofia Rosacruz, que tudo nos alumia? Em tão curto espaço não poderíamos nos estender.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro/1966-Fraternidade Rosacruz-SP)

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