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porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Aspecto Cósmico da Páscoa

As quatro estações do ano determinam, desde os mais remotos tempos, os mistérios da relação do ser humano com a Terra (Planeta-mãe) e de ambos com o Sol. Constituem o importante Mistério da Nona Iniciação Menor (a última dos nove Iniciações Menores).

Ademais das influências zodiacais, que levaram os Líderes-Iniciados a estabelecer as formas religiosas (Religião do Touro, Religião do Cordeiro, Religião dos Peixes) houve, desde recuados tempos, uma tradição esotérica ligada aos Equinócios e Solstícios. Encontramos essa tradição, velada por mitos, nas várias civilizações que nos precederam.

A passagem pelo Mar Vermelho e a travessia de Quarenta Anos pelo Deserto, na história dos hebreus, relatadas na Bíblia, é um simbolismo da evolução através do Signo de Áries, cuja cor é o vermelho e cujo Signo é o Cordeiro, tomado por adoração em lugar do bezerro.

Quando Moisés negociava com o Faraó a libertação de seu povo, este lhe resistiu, e o Senhor fez cair sobre o Egito as famosas pragas, que culminaram na matança dos primogênitos. Para preservar seus lares, os israelitas sacrificaram o Cordeiro e pintaram com sangue as ombreiras das portas. Por essas casas a morte não passou. É um símbolo de que, na transição evolutiva de uma para outra Era, aqueles que resistem acabam se cristalizando e ficando para trás.

O cordeiro é o emblema da Dispensação (a terceira Dispensação – a primeira Cristã – de um total de quatro) que deveria suceder à do boi Ápis. Na pressa de deixar suas casas, quando o Faraó finalmente cedeu, os israelitas esqueceram o fermento em casa e tiveram que fazer seus pães sem fermento. Daí se originam os pães ázimos, lembrança da libertação do Egito. Como símbolos, o sangue derramado do cordeiro representa a expiação; e os pães sem fermento, a pureza decorrente dela.

De toda a maneira, antes do êxodo, os Solstícios e Equinócios já haviam influído na determinação dos principais festejos, em todos os povos. A libertação do Egito ocorreu na Páscoa e a ela está associada, pela razão esotérica já exposta, a transição evolutiva   para a Era de Áries. Mais tarde, o sacrifício do Cristo ocorreu na mesma Era, para designar a transição para a Era de Peixes.

Herdeira dos mistérios astrológicos ocultos, a tradição Cristã-Esotérica nos conserva o Cristo Solar, com seus doze Apóstolos, substituindo a epopeia de Sansão e a história de Jacó e seus filhos.

Desde Seu sacrifício, pelo qual o Cristo se crucificou à cruz da Terra, para redimi-la dos registros negativos dos pecados dos seres humanos, Ele desenvolve uma sublime e penosa missão, em ciclos correspondentes aos Equinócios e Solstícios.

No Cristianismo Popular este mistério remanesce como tradição, nos festivais Cristãos (Natal, Páscoa, Festas juninas de S. João, S. Paulo e S. Pedro e Imaculada Conceição).

Hoje a Igreja Católica – que preconiza o Cristianismo Popular – volta a considerar, com razão, a Páscoa, como o mais importante acontecimento do ano Cristão. Nela o Senhor demonstrou o triunfo do Espírito imortal, levantando-se do túmulo, ressurgindo dos mortos e dando o modelo do que todos nós, ao devido tempo, devemos individualmente alcançar. O fato é relacionado com o dia de Pentecostes, o Batismo de Fogo prometido, que o Messias interno há de nos dar, para abertura interna e comunhão com todos os seres, além de todas as línguas, limitações e preconceitos.

Os Cristãos Esotéricos (como o é o Estudante Rosacruz ativo e fiel) comemoram a Páscoa na entrada no Equinócio de Março[1], com um ritual adequado que nos relembra a missão do Salvador, e a tarefa individual de libertação, de si e da Terra, em colaboração com o Cristo. Adverte, mais, que Ele, na Páscoa, uma vez mais deixa a cruz do Planeta, onde voluntariamente se cravou, desde o último Natal, a fim de insuflar um renovado impulso de Sua Luz e Amor, que eleve vibracionalmente a Terra em seus nove Estratos, além de suscitar o altruísmo de todos os homens e mulheres, na medida da receptividade deles.

Recomendamos aos Estudantes Rosacruzes estudar e meditar profundamente sobre os mistérios dos Solstícios e Equinócios, em ligação com a Missão do Cristo. Por eles, poderão compreender como, desde o dilúvio que abriu os portais do Arco-Íris para a Época Ária, as estações do ano constituíram os ciclos alternados, em graus maiores e menores, de todos os fatos evolutivos, começando com a Festa das Primícias (uma celebração bíblica que marca a oferta dos primeiros frutos da colheita de cevada a Deus, simbolizando gratidão, confiança e reconhecimento da provisão divina), início do ano solar, no Equinócio de Março.

Ao conscientizarmos, ainda que em pequeno grau, os ciclos da vida do Cristo, assumimos um dever inegável, prazeroso e caloroso, de colaborar no Plano de Salvação do Mundo, começando conosco mesmos – que é de nosso exclusivo interesse – pois não temos feito tudo o que poderíamos fazer em prol de nossa libertação.

Ao começarmos uma vida nova, o ano também se torna novo para nós – um convite desdobrado em quatro etapas de realização trimestral, nas quais somos desafiados a “tomar a nossa cruz”, a assumir conscientemente nosso destino e caminhar para a libertação, seguindo a meta do Cristo. Então estaremos atuando em ritmo e harmonia com o Universo. Deixaremos de ser um peso a mais para o Cristo. Ao contrário, nos converteremos em Simão Cireneu – aquele que ajudou a carregar a cruz do Senhor. Com isso estaremos abreviando o tempo para nosso interno Pentecostes, cuja abertura e despertar nos traçarão o umbral para uma vida mais ampla. Será o cumprimento: “rasgou-se o véu do Templo de alto abaixo” (Mt 27:51, Mc 15:38, Lc 23:45). Será o romper do “ovo[2] da Páscoa” individual, para que o “novo nascido”, havendo cumprido o período de amadurecimento interno (3×7); havendo realizado o trabalho de dentro para fora, pode nascer como pintinho. Mas será ainda um pintinho, convidado a se tornar um galo – símbolo da vigilância, do ser realizado – pelas Iniciações que o esperam.

O pintinho não pode abreviar sua gestação de 21 dias, porque está inteiramente sujeito a um trabalho externo. Mas o ser humano pode abreviar seu amadurecimento interno, porque atua de dentro – quando assume conscientemente a tarefa evolutiva. O tempo de romper o ovo depende de cada um.

Você, agora, está dentro do ovo de seus Corpos. Esperamos que aproveite a oportunidade que está recebendo e se esforce devidamente, para abreviar o tempo de maturação e possa romper a casca de seu ovo, nascendo para uma vida nova.

Cada Iniciado e mesmo cada Estudante Rosacruz ativo e sincero que trabalha conscientemente na Missão do Cristo é um carvão a mais, para aumentar em progressão geométrica, o Fogo e a Luz redentora – até que um número suficiente de seres humanos possa manter a Terra em todos os seus movimentos (rotação, translação, precessão, nutação e outros).

Será, então, a última Páscoa do Cristo; a consumação dos séculos (tempos profanos); e o definitivo “está consumado” (Jo 19:30)! “E ao subir, Ele a todos nos elevará também.” (At 1:9-11)

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1976 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: Vamos ver aqui o porquê, então, para muitos, a data da Páscoa é móvel. Afinal se contemplarmos um calendário, é fácil notar uma diferença entre como é a data do Natal e a da Páscoa. O Natal acontece sempre em uma data fixa, enquanto a Páscoa cai, às vezes, tão cedo como em meados de março e, por outras vezes, tão tardio como em meados de abril.

A causa dessa variação está em que o Domingo de Páscoa acontece, sempre, no primeiro domingo depois da primeira Lua Cheia que segue ao Equinócio de Março. E quem estabeleceu isso? Foi estabelecido por pessoas que compreendiam perfeitamente o esoterismo da estação pascal. E por que esse procedimento? A Páscoa real ocorre no Equinócio de Março, quando o Sol passa da latitude sul para a latitude norte, e Cristo se liberta do Seu trabalho. Então, esse Ser radiante penetra nos planos espirituais da Terra para trabalhar ali com as Hierarquias celestiais e com os membros da Humanidade que foram transportados pela morte à mais altas esferas de atividade. Durante essa elevada estação, as forças de Peixes (março) e Áries (abril) se fundem em uma maravilhosa combinação de Água (Peixes) e Fogo (Áries) que possui, em todos os planos da existência, a chave do Matrimônio Místico. Toda a natureza conhece o regozijo dessa união. Esses poderosos impulsos de fogo estão sob a supervisão das Hierarquias de Áries e de Leão. Esses impulsos, no entanto, de muitíssima potência para ser enfocados diretamente na Terra, se encomendam à Hierarquia de Sagitário, que os distribui entre a Humanidade. As grandes Águas da Vida dessa união mística estão sob a orientação da Hierarquia de Câncer, os Querubins, que entregam essas forças às Hierarquias de Escorpião e Peixes, as que, por sua vez, dispersam sobre a Terra.

Note bem: as Hierarquias Criadoras, acima referidas, que disseminam esse poderoso impulso transmutador sobre a Terra, o fazem dirigindo do Sol para baixo sobre a orientação do Espírito Solar, o Cristo. No entanto, essa força não é suficientemente potente para produzir seu efeito total sobre a Humanidade. E é por isso a Lua Cheia se converte no canal para sua disseminação final. Assim, o Domingo de Páscoa só se celebra corretamente depois da Lua Cheia que segue o Equinócio de Março. A Páscoa se celebra no domingo, que é o dia do Sol, e o Sol é o lar do Cristo Arcangélico. A projeção sobre a Terra dos poderosos raios espirituais do Sol, o domingo, proporciona maior impulso vibratório ao ser humano do que em qualquer outro dia da semana. Ou seja, a grande maioria da Humanidade, em seu conjunto, ignora o grande influxo direto do Sol, que nós conhecemos como a celebração do período entre o Domingo de Páscoa e o Domingo de Pentecoste, até que a Lua Cheia aconteça depois do Equinócio de Março. Repare, então, que essa grande maioria da Humanidade continua respondendo, amplamente, a esse influxo como a uma tendência instintiva ou um desejo de participar de alguma reunião espiritual. Muitos dizem que “vão à Igreja” só uma vez ao ano, e é na Páscoa. Existe, também, o impulso de vestir roupas diferentes, com a mesma natureza, se cobrir com novos tecidos e se pintar com cores para participar de algum tipo de serviço comemorativo ou desfile. Isso é, em grande parte, o conceito que o mundo moderno tem da Páscoa. No entanto, seja como seja, as Hierarquias Criadoras, responsáveis pela evolução do ser humano, são persistentes e infalíveis em Seu ministério para o Planeta Terra e, ano após ano, esse poderoso impulso espiritual eleva e espiritualiza, gradualmente, a Terra e tudo que nela vive. Um dia a Humanidade comprovará que, graças ao processo de transmutação que ocorre na época do período entre o Domingo de Páscoa e o Domingo de Pentecoste, será possível, não só se vestir com um novo traje, mas, como S. Paulo disse, “a remover o homem velho e revestir-vos do Homem Novo” (Ef 4:22-24). Esses são o verdadeiro e elevado significado e, também, o objetivo da estação pascal; e todo ano, uma maior quantidade de seres desinteressados aprendem a se tornar servidores mais eficientes de Cristo em Seu grande trabalho, quando canta Sua triunfante canção de Páscoa: “Eu sou a Ressurreição e a vida” (Jo 11:25).

[2] N.R.: Mas o que tem a ver o “ovo” aqui? Entre os símbolos cósmicos conservados desde a antiguidade, seguramente o mais popular é o ovo. O Simbolismo do Ovo permeia as Religiões. O simbolismo relativo do ovo conservou seu lugar na Simbologia Sagrada até hoje, muito embora a imensa maioria dos seres humanos seja cega ao Grande Mistério que ele encerra e revela: “O Magno Mistério da Vida”.

Quando quebramos a casca de um ovo, achamos apenas fluídos viscosos de coloração variada e consistência diversa. Mas, quando submetido a uma temperatura adequada, logo observamos uma série de mudanças. Assim, em pouco tempo, uma criatura viva pode romper a casca e surgir pronta para assumir seu lugar entre os de sua espécie. Os “magos” dos laboratórios podem sintetizar as substâncias do ovo e injetá-las numa casca. Uma réplica perfeita do ovo natural pode ser produzida, conforme as experiências realizadas até hoje. Contudo, o ovo artificial difere do ovo natural em um ponto fundamental: nenhuma coisa viva pode ser incubada no ovo obtido artificialmente. Fica evidente, portanto, que alguma coisa intangível deve estar presente em um e ausente noutro.

Esse mistério primordial que anima todas as criaturas é o que nós chamamos Vida. A Vida não pode ser detectada em meio às substâncias do ovo, nem mesmo através do mais potente microscópio, ainda que ela esteja ali presente para produzir as notáveis mudanças. Pode-se assim concluir que a Vida tem a propriedade de existir independentemente da matéria. Aprendemos através do sagrado simbolismo do ovo que, apesar da Vida ser capaz de modelar a matéria, não depende dela para existir. A Vida é autoexistente. Não tendo princípio não pode também ter fim. Essa ideia está bem representada pela geometria ovoide presente na própria forma do ovo.

Estamos estarrecidos com a carnificina nos campos de batalha da Europa. Somando a maneira atroz como as vítimas são arrancadas da vida física. Vamos considerar que a média da expectativa de vida aqui é de uns 70 a 80 anos, mais ou menos, e que, em meio século, a morte ceifa a vida de cento e cinquenta milhões de irmãos.  Três milhões por ano.  Duzentos e cinquenta mil a cada mês. Podemos ver que, afinal de contas, o total não foi tão expressivamente aumentado. Vamos refletir sobre o verdadeiro conhecimento contido no simbolismo do ovo, isto é, que a Vida não pode ser criada, nunca teve princípio e nunca terá fim. Assim estamos prontos para encarar os fatos e admitir: aqueles que são agora retirados da existência física estão apenas atravessando uma jornada cíclica idêntica à da vida do Cristo CósmicoVida que interpenetra a Terra nos meses de Setembro, Outubro e Novembro e retira-se na Páscoa. Aqueles que morreram estão apenas indo para os reinos invisíveis. De onde mais tarde, e em novo ciclo mergulharão na matéria densa, interpenetrando, como todas as coisas vivas, o óvulo da futura mãe. Após um período de gestação, reingressarão na vida física para aprender novas lições na grande escola.

Assim, vemos como a grande lei da analogia opera em todas as fases e sob todas as circunstâncias da vida. O que acontece ao Cristo no grande mundo vai acontecer também na vida particular (pequeno mundo) daqueles que caminham para converterem-se em Cristos. Encarando os desafios humanos dessa maneira podemos enfrentar o presente conflito com mais ânimo.

Além disso, devemos compreender que a morte é uma necessidade cósmica nas circunstâncias atuais, pois se estivéssemos aprisionados em um corpo como o que usamos hoje e colocados em um ambiente como o que encontramos hoje, para vivermos para sempre, as enfermidades do corpo e a natureza insatisfatória do ambiente logo nos cansariam tanto da vida que clamaríamos por libertação.

Um corpo imortal bloquearia todo o progresso e tornaria impossível a nossa evolução para patamares mais elevados, como os que podemos alcançar por meio do renascimento em novos veículos e da colocação em novos ambientes que nos oferecem novas possibilidades de crescimento.

Assim, podemos agradecer a Deus por, enquanto o nascimento em um corpo concreto for necessário para o nosso desenvolvimento posterior, a libertação pela morte ter sido providenciada para nos libertar do instrumento ultrapassado, enquanto a ressurreição e um novo nascimento sob os céus auspiciosos de um novo ambiente nos proporcionam outra chance de começar a vida com oportunidades inéditas e aprender as lições que não conseguimos dominar antes. Por esse método, algum dia nos tornaremos perfeitos, assim como o Cristo ressuscitado. Ele ordenou isso e nos ajudará a alcançá-lo.  

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Semelhanças com o Processo de Metamorfose: Nossa Evolução

A tendência natural no atual momento desse Esquema de Evolução no qual todos nós estamos inseridos é: “de dentro para fora”, “de baixo para cima”, “para frente e para cima”. Por isso a Filosofia Rosacruz leva o Estudante Rosacruz a se redescobrir, a se conhecer e, tomando conhecimento de seu relativo estado de consciência, empreenda a tarefa de reeducação, de transmutação e libertação das sujeições da matéria da Região Química do Mundo Físico.

Tomando o axioma hermético: “assim como é em cima é embaixo” podemos apurar a veracidade do que dissemos. A analogia é a chave de maiores recursos e se consideramos que somos um microcosmo, parte do macrocosmo que é a Terra, e como ambos seguem linhas idênticas, numa perfeita reflexão evolutivas, veremos quão profunda é nossa Filosofia e como ela concilia, magistralmente: a Ciência, a Religião e a Arte.

Quando estávamos na Época Lemúrica e construíamos Corpos Densos como lemurianos vivíamos muito próximos do centro ígneo da Terra. Já quando estávamos na Época Atlante e construíamos Corpos Densos como atlantes habitávamos nos vales profundos, já afastados do centro ígneo da Terra. Agora estamos na Época Ária e quando construímos Corpos Densos como arianos somos impelidos, no princípio por meio dos dilúvios para as mesetas, os planaltos, onde hoje vivemos.

Analogamente, seguindo a mesma direção, quando estivermos na Era de Aquário e construirmos Corpos Densos como aquariano viveremos “no ar”. Porém, como sabemos que os nossos Corpos Densos, como massa, estão sujeitos à Lei de Gravidade que os atrai para o centro da Terra, uma transformação deverá, necessariamente, ocorrer. S. Paulo nos ensinou que “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus” (ICor 15:50). Mas diz, também, que temos uma soma psuchicon, mal traduzido por “corpo natural” e que significa realmente um “corpo espiritual”, constituído pelos dois Éteres superiores do nosso Corpo Vital, mais ligeiro do que o ar e, por isso, capaz de levitação. Este Corpo é o áureo “Trajes de bodas”, a Pedra Filosofal ou Pedra Viva que algumas filosofias antigas designam por Alma Diamante, por ser luminoso, refulgente e cintilante como aquela inestimável joia. Esse Corpo é o Corpo-Alma!

Essa espécie metamorfose toda e sair para o alto e para fora pode se comparar, por exemplo, a transformação do girino em rã (trânsito da Humanidade desde a Época Atlante até à irisada Época Ária) e da lagarta que se arrasta pela terra na mariposa que fende os ares (símil do futuro trânsito do nosso presente estado e condição para as da Época Nova Galileia, onde ficará estabelecido o Reino de Cristo).

Sobre isto, Cristo manifestou, implicitamente, que o “novo Céu” e a “nova Terra” não estavam preparados, quando disse aos discípulos: “Para onde Eu vou não podeis vós ir agora, porém, hei de aparelhar-vos lugar e virei outra vez e vos tomarei comigo para que, onde Eu esteja, estejais vós também” (Jo 14:2-3). Posteriormente, em visão, o apóstolo S. João viu a Nova Jerusalém que descia do Céu e S. Paulo escreveu aos Tessalonicenses dizendo-lhes, por palavras do Senhor, que: “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens” (1Tess 4:17), na Sua segunda vinda, para receber o Senhor no ar e estarão para sempre com Ele. Isto tudo concorda com as tendências expressas na passada evolução da Humanidade.

 (Publicada na Revista Serviço Rosacruz – abril/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Gloriosa Era: revistamos do áureo manto nupcial para a futura comunhão com Cristo

Durante tempos antigos sem conta, de nosso passado evolutivo, aprendemos a construir os diferentes veículos em que hoje, como Egos (Espíritos Virginais da Onda de Vida humana manifestados aqui), atuamos. Através desse trabalho fomos passando de classe em classe na Grande Escola de Deus. Em cada fase maior e menor fomos adquirindo gradativo desenvolvimento de Níveis de Consciência. Porém, cada qual aprendia, assimilava e crescia segundo seu particular modo de adaptação e reação. Uns caminharam depressa, outros regularmente, outros se atrasavam.

Na Época Atlante, quando a neblina se condensou e encheu os recôncavos da Terra, nos obrigando a buscar as mesetas e planaltos, muitos pereceram asfixiados, porque não haviam desenvolvido os pulmões, indispensáveis para respirar na atmosfera mais rarefeita das alturas. Esses não puderam passar pelo portal do arco-íris, à nova Era, a Era de Áries – a primeira da Época Ária –, com suas secas condições.

Agora, novamente, estamos nos aproximando de uma grande transformação mundial. Cristo se referiu a essa transição e como arauto da Nova Era, a Era de Aquário, a Fraternidade Rosacruz, tal como Noé, vem nos preparar.

Acautelemo-nos para que não sejamos apanhados desprevenidos e busquemos a amorosa, eficiente e desinteresseira orientação da Fraternidade Rosacruz.

Aquário é um Signo de Ar, científico, intelectual, inovador, original e independente. A nova chave de nosso desenvolvimento, iniciado nesta Época Ária pela razão, irá encontrar sua sublimação nessa gloriosa Era de Aquário, quando, então seremos capazes de resolver o enigma da vida e da morte de maneira a satisfazer, igualmente, o Coração e a Mente. Nessa Era, quem se prepara desde já, poderá desfrutar da verdadeira felicidade, pela unidade racional da Arte, Religião e Ciência, pois, todas essas atividades, em vez de se digladiarem pela contradição, em consequência da falta de visão de seus pontos comuns e básicos, se completarão coerentemente.

Aquário tem regência especial sobre os Éteres, o elemento de transição sensorial. Os dilúvios que submergiram o continente atlântico, ou a Atlântida, eliminou, até certo ponto, a umidade contida no ar, quando a concentrou no oceano. Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrar em Aquário, quase toda a umidade ainda remanescente desaparecerá e as vibrações visuais serão mais facilmente comunicadas por sua elétrica e seca atmosfera.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz deram o encargo da expansão dos Evangelhos, da mais profunda forma, à Fraternidade Rosacruz, por intermédio de Max Heindel. Ora, nós fazemos parte da Fraternidade Rosacruz e estamos sendo preparados para fazer nossa parte nessa importante missão. E a maneira de executá-la, também a aprendemos lá pregando o Evangelho através da reta e amorosa ação e obra, em todos os campos, em todos os assuntos. Isto pressupõe começar por nós mesmos, pela vivência convicta e simples daquilo que pretendemos disseminar. Nisso consiste a vida de um verdadeiro Cristão: uma Mente Pura, um Coração Nobre e um Corpo São a serviço de Cristo.

O destino da Fraternidade Rosacruz está em nossas mãos! É ao mesmo tempo um privilégio e uma grande responsabilidade, que nos lembra S. Lucas, 12:48: “A quem muito foi dado, muito lhe será exigido”.

Os primeiros a verem e viverem as ideais condições dessa gloriosa Era de Aquário deverão ser as pessoas que habitam o lado ocidental do Planeta Terra, que já começaram a preparar uma Ciência religiosa e uma científica Religião.

O entendimento deste trabalho preparatório e a gradual vivência e comunicação destes princípios irão construindo, “sem ruído de martelos”, o veículo em que funcionaremos nas novas condições: o “soma pushicom” citado por S. Paulo, que nos possibilitará ir ao encontro de Cristo nas nuvens (nos ares) e com Ele cearemos no cenáculo do “Homem do Jarro” (Aquário). Não se realiza tal empresa em pouco tempo. É preciso renúncia aos nossos vícios – “homem velho” e adoção de mais racionais meios de vida (naturalismo, dieta vegetariana, reforma e equilíbrio emocional e mental, exercícios de devoção e disciplina mental, etc.) – “homem novo”.

A Fraternidade Rosacruz oferece, a quem quiser, orientação conscienciosa e segura, para que nos convertamos num digno discípulo de Cristo e nos revistamos do áureo manto nupcial – o Corpo-Alma – para a futura comunhão com Ele.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz janeiro/1967-Fraternidade Rosacruz -SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Pouco sobre a Simbologia do Natal em Nós

Estamos nos aproximando do Natal, época de grande significado para nós, Estudantes Rosacruzes. Façamos um pequeno histórico da nossa vida e de nossa relação com o acontecimento ocorrido há mais de dois mil anos, a fim de entendermos a ligação entre Deus, nós e as outras coisas.

Por certo, já devemos ter pensado no significado mais profundo do Natal e na sua importante ligação com a nossa vida. De fato, existe algo de profundamente grande nesse elo entre o Natal e nós.

Falam os Evangelhos de um ser de elevada evolução, Jesus de Nazaré, nascido em Belém, cidade da Palestina. Ele nasceu, por falta de estalagem, em lugar humilde, uma manjedoura onde se dava alimento aos animais.

Pensemos no que isso representa em nossa vida. Não é só um fato ocorrido há mais de dois mil anos, encarado apenas historicamente e sem relação alguma com a atualidade. Nada disso. Pensemos bem nessas coisas e não nos será difícil descobrir que elas dizem respeito a nós mesmos.

Em primeiro lugar, o nascimento de Jesus em uma manjedoura simboliza a profunda humildade que nós devemos considerar em nossa vida. Jesus foi o perfeito exemplo e Cristo demarcou, com os fatos do Seu ministério, os passos que todos nós, ao nosso tempo, deveremos percorrer conscientemente para voltar ao Deus-Pai.

Desde o Período de Saturno, nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana (ou a Hierarquia Zodiacal de Peixes) temos, vida após vida, desenvolvido e aperfeiçoado nossos veículos, inclusive a Mente, que nos proporcionará cada vez mais a consciência de nós mesmos como um indivíduo. Através da Mente e do desenvolvimento da razão, chave dessa Época, a Ária, iremos descobrir dentro de nós uma réplica da história de Jesus e mais profundamente sentiremos a relação que existe entre nossas vidas e a daquele amado Irmão Maior da Humanidade.

A meditação sobre o Natal vai nos levar a reconhecer algo muito sério que a grande maioria dos irmãos e das irmãs não alcançou ainda e o Cristianismo popular, por isso (em parte), não explica.

Bethlehem (Belém) significa “casa de carne” em hebraico (“casa do pão” em grego antigo) e é o símbolo do corpo material – o Corpo Denso –, que é composto de elementos químicos. Mesmo já domesticados, dentro desse Corpo existem os “animais dos nossos instintos”, porque a manjedoura do nosso coração não abriga apenas sentimentos elevados. Ali, sob o influxo divino evolutivo, destinado um dia a abrigar um “Cristo adulto”, nasce “Jesus”, o Espírito interno que surge mais definidamente dentro de nós, após tantos anos de escravidão (e que se tornará o Cristo Interno), filho de José, a Vontade educada, e de Maria, a Imaginação pura. Desses dois atributos primeiros da Divindade surge o Verbo que se fez carne.

Quanto mais não podemos deduzir de tão sublimes ensinamentos à luz da Filosofia Rosacruz, que tudo nos alumia? Em tão curto espaço não poderíamos nos estender.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro/1966-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Por favor, me diga o que Jesus quis dizer quando disse à sua mãe Maria: “Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora” (Jo 2:4).

Resposta: Este é mais um caso em que os tradutores da Bíblia traduziram o texto grego de uma forma totalmente injustificável. O comentário foi feito por ocasião das Bodas de Caná, onde Maria, a mãe de Jesus, teria ido até ele dizendo que não havia mais vinho. Jesus então respondeu com as seguintes palavras em grego: “Ti emoi kai soi gunai”. Traduzido literalmente, seria algo como: “Que me importa isso, ó mulher? Ainda não é chegada a minha hora”. Mesmo deixando de lado o significado esotérico dessa observação, essa parece ser uma resposta muito mais gentil do que a grosseira resposta atribuída a Jesus na versão popular da Bíblia do Rei Jaime[1]. Deve-se também lembrar que Cristo não era o filho de Maria no mesmo sentido em que o era Jesus, e que, embora Ele tenha usado o corpo de Jesus, Ele não reconheceu uma relação física com Maria e, portanto, estava perfeitamente justificado em se a ela chamando-a “mulher”.

No entanto, há outro significado, mais profundo, em todo o relato das Bodas de Caná. Ensinou-se na literatura Rosacruz que os Evangelhos não são relatos da vida de um indivíduo chamado Cristo ou Jesus, que foi único entre a Humanidade. Embora o Jesus dos Evangelhos tenha realmente vivido, os próprios Evangelhos são histórias ou fórmulas de Iniciação, e as Bodas de Caná, onde Cristo realizou o Seu primeiro grande milagre, foi algo muito maior do que uma mera cerimônia de casamento entre um homem e uma mulher na vida comum. Tratava-se, na verdade, de um casamento místico do “Eu superior” e o “Eu inferior” sob a nova ordem do Serviço do Templo, então inaugurada por Cristo. Na Época Atlante a água era usada nos templos, mas na Época Ária o “vinho” era essencial.

Diferentes Raças viveram sobre a Terra em várias Épocas, e elas tinham constituições diferentes do que nós temos hoje. A primeira Raça humana é simbolizada na Bíblia pelo nome de Adão. Os seres dessa Raça eram da terra, isto é, terrenos. Ou seja, eles possuíam somente uma massa mineral[2], pois eram formados pela terra mineral. A segunda raça é simbolizada pelo nome de Caim. Os seres dessa Raça possuíam tanto um Corpo Denso mineral quanto um Corpo Vital, formado de Éteres. Portanto, eles eram semelhantes às plantas, e o alimento vegetal lhes foi proporcionado para comer. Por isso, ouvimos dizer que Caim cultivava a terra e plantava grãos. A terceira Raça também desenvolveu um Corpo de Desejos e devido a essa natureza emocional e passional, os seres dessa Raça se tornaram semelhantes a animais. Portanto, receberam como comida carne animal, e lemos na Bíblia que Nimrod era um poderoso caçador. Por fim, a Mente lhes foi adicionada como um elo entre o Tríplice Corpo e o Tríplice Espírito. O Espírito então entrou no Corpo e passou a habitá-lo, tornando-se um Ego.

Para que este Ego pudesse aprender a lição na Terra, ele deveria esquecer, por um tempo, sua origem espiritual celeste. Para esse fim, um novo alimento lhe foi fornecido, e o “vinho”, um espírito fermentado fora do corpo, foi usado pela primeira vez por Noé, o Hierarca Atlante, para amortecer o verdadeiro Espírito que habitava o Corpo. Sob a influência inebriante desse pseudo-espírito, o ser humano gradualmente esqueceu sua origem divina e concentrou toda a sua atenção nas lições a serem aprendidas neste Mundo. Contudo, embora a Humanidade se tenha entregado a esse novo produto de nutrição, o “vinho”, mesmo apesar das orgias realizadas em cerimônias exotéricas, nos santuários de todas as antigas Dispensações só era utilizado água, e os mais elevados e santos sacerdotes jamais permitiam que o vinho tocasse seus lábios. Consequentemente, eles não eram líderes cegos conduzindo outros cegos, mas viam claramente os Mundos invisíveis e conheciam o sagrado mistério da vida.

Durante as Épocas primitivas da nossa evolução fomos guiados por mensageiros visíveis das Hierarquias Divinas, a quem reverenciávamos como Deus, e mesmo depois que estes nos deixaram, os profetas e videntes continuaram a aparecer entre os seres humanos, testemunhando a realidade de Deus e dos Mundos invisíveis. As Religiões antigas também ensinavam a doutrina do Renascimento e, assim, o ser humano sabia que progredia por meio da experiência adquirida utilizando uma série de Corpos terrenos de textura cada vez mais aprimorada. É por essa razão que muitos hindus, que acreditam no Renascimento, sentem que não há necessidade de pressa em termos de evolução.[3] No entanto, para que o ser humano do Mundo ocidental, onde habitam os seres humanos pioneiros, pudesse se dedicar de corpo e alma a dominar os segredos da vida terrena, foi planejado que ele fosse completamente privado desse ensinamento. Além disso, o conselheiro espiritual estava temporariamente cego quanto ao conhecimento consciente de Deus e a visão dos Mundos internos, de modo que toda a Humanidade pudesse se sustentar por si mesma durante a Nova Dispensação e, consequentemente, se dedicasse inteiramente à evolução material que lhe estava reservada. O “vinho” teve, desde o início, essa contribuição em termos exotéricos, e o seu uso foi sancionado no Templo pelo primeiro milagre.

Sob a Antiga Dispensação, somente a água era usada no Serviço do Templo, mas com o decorrer do tempo, o “vinho” se tornou um fator na evolução humana. Um “deus do vinho”, Baco, era adorado e as orgias da mais selvagem natureza eram realizadas a fim de abafar as aspirações do Espírito, para que esse pudesse se dedicar a conquistar o Mundo Físico. Sob a Dispensação Mosaica (Antiga Dispensação), os Sacerdotes eram estritamente proibidos de usar “vinho” enquanto oficiavam no Templo, mas Cristo, em Sua primeira aparição pública, transformou a água em “vinho, ratificando seu uso na ordem das coisas então existentes. Note-se, porém, que isto foi feito em público e que foi o Seu primeiro ato de ministério público. Contudo, na última sessão esotérica de Cristo com Seus Discípulos, onde a Nova Aliança foi celebrada, não havia carne de cordeiro (Áries), como exigido pela Lei Mosaica. Não havia “vinho”, mas apenas pão – um produto vegetal – e o cálice do qual falaremos a seguir, depois de termos notado Suas palavras proferidas naquele momento: “Em verdade vos digo, não beberei mais do fruto da videira até que o beba novamente convosco no Reino dos Céus” (Mc 14:25). O suco de uva recém-extraído não contém um espírito proveniente da fermentação e decomposição, sendo, portanto, um alimento vegetal puro e nutritivo. Assim, os seguidores da doutrina esotérica foram instruídos, por Cristo, a seguirem uma dieta que não incluísse nem a carne animal, nem bebidas alcóolicas.

Geralmente se supõe que o cálice usado por Cristo na Última Ceia continha “vinho”, embora, na verdade, não haja fundamento na Bíblia para essa suposição. Existem três relatos sobre os preparativos para esta Páscoa. Enquanto S. Marcos e S. Lucas afirmam que os mensageiros foram instruídos a ir a uma determinada cidade e procurar um homem que carregava um cântaro de água, nenhum dos Evangelistas menciona que o cálice continha “vinho”. Além disso, pesquisas na Memória da Natureza mostram que a água era a bebida usada, e que, sob o ponto de vista esotérico, o “vinho” já tinha cumprido sua função. Desse esse ato data também a inauguração do movimento da temperança, pois essas mudanças cósmicas envolvem uma longa preparação nos Mundos internos antes de se manifestarem exteriormente na sociedade. Milhares de anos não são nada em tais processos.

O uso da água na Última Ceia também está em harmonia com as exigências astrológicas e éticas. O Sol estava deixando Áries, o Signo do cordeiro, entrando em Peixes, o Signo dos peixes, um Signo de Água[4]. Uma nova nota de aspiração estava prestes a soar, uma nova fase de elevação humana estava prestes a começar durante a Era de Peixes que se aproximava. A autogratificação seria substituída pela abnegação. O pão, alimento básico, feito de grãos imaculadamente cultivados, não alimenta as paixões como a carne animal; tampouco o nosso sangue, quando diluído em água, pulsa com a mesma intensidade que quando bebemos “vinho”. Portanto, o “pão e a água” são alimentos adequados e símbolos de ideais durante a Era Peixes-Virgem. Eles representam a pureza, e a Igreja Católica deu aos seus fiéis a água pisciana colocada à porta do templo e o Pão Virginiano no altar, negando-lhes o cálice de vinho durante a Liturgia. Contudo, mesmo o que foi exposto acima não nos leva ao cerne do mistério culto no “Cálice da Nova Aliança”.

A antiga “taça de vinho” que nos foi dada quando entramos na Época Ária, a terra da geração, estava cheia de destruição, da morte e do veneno, e a palavra que, então, aprendemos a falar está morta e impotente.

A nova “taça de vinho” mencionada como a representação do ideal da Época futura, a Nova Galileia (que não deve ser confundida com a Era de Aquário), é um órgão etérico construído dentro da cabeça e da garganta pela força sexual criadora não gasta, que à visão espiritual se assemelha à haste de uma flor elevando-se da parte inferior do tronco. Este cálice, ou cálice de sementes, é verdadeiramente um órgão criador, capaz de proferir a palavra da vida e do poder.

A palavra atual é gerada por movimentos musculares desajeitados que regulam a laringe, a língua e os lábios, de modo que o ar, proveniente dos pulmões, emita determinados sons, mas o ar é um meio pesado, difícil de mover quando comparado às forças mais sutis da Natureza, como a eletricidade, que se movem no Éter. Quando este novo órgão estiver desenvolvido, terá o poder de proferir a palavra de vida, de infundir vitalidade em substâncias que antes estavam inertes. Este órgão está sendo hoje formado por nós, por meio do serviço amoroso e desinteressado.

Vocês se lembrarão que Cristo não deu o cálice à multidão, mas aos Seus Discípulos, que eram os Seus mensageiros e servos da Cruz. Atualmente, aqueles que bebem da taça do autossacrifício, para que possam usar a sua força sexual criadora ao serviço amoroso e desinteressado aos outros, estão construindo esse órgão, juntamente com o Corpo-Alma, o “Dourado Manto Nupcial”. Eles estão aprendendo a usá-lo, em pequena escala, como Auxiliares Invisíveis, quando estavam fora do Corpo Denso à noite, pois então são ensinados a proferir a palavra de poder que remove a doença e edifica tecidos saudáveis.

Quando a Época Atlante se aproximava do fim e a Humanidade abandonou seu lar ancestral, onde havia estado sob a orientação direta dos Mestres divinos, a Antiga Aliança foi firmada, concedendo-lhes a carne animal e o “vinho”. Estes dois elementos, juntamente com o uso desenfreado da força sexual criadora, transformaram a Época Ária, especialmente nas suas duas primeiras Eras[5], em Eras de morte e destruição. Agora, estamos nos aproximando do fim dessa Era, a de Peixes.

Pois a Era de Peixes, ou o período em que o Sol, pelo movimento de precessão, passa pelo Signo de Peixes, está chegando ao fim. Durante esse período, o Signo oposto a Peixes, Virgem, representou o ideal humano. Ela foi venerada por um sacerdócio celibatário que recomendava aos seus fiéis o consumo de “peixes” como alimento em determinadas épocas da semana e do ano. No Zodíaco ilustrado, o Signo de Virgem tem uma espiga de trigo na mão. Tanto a semente quanto a uva são produtos do Reino vegetal, e a Imaculada Virgem Celestial, portanto, personificava o primeiro princípio da Imaculada Concepção: o sangue (“vinho”) e o corpo (pão) de Cristo. A essas coisas o sacerdócio celibatário, que dirigia o culto, chamou a atenção durante a Era de Peixes, que agora está prestes a terminar e, portanto, o “vinho” está sendo rapidamente abolido nos ofícios do templo e do uso nas missas, com o resultado de que uma correspondente medida de sensibilidade está sendo experimentada. O Espírito Divino, oculto dentro de cada ser humano, despertou do seu sono tóxico induzido pelo “espírito do vinho”, e começa a se recordar de sua origem divina e de sua herança da vida, à qual não tem início nem fim.

Vale a pena notar, a este respeito, que todo o clero dos diversos países do Velho Mundo e, também, os padres católicos das Américas ainda continuam a usar o “vinho” e as bebidas alcoólicas diariamente, e é mais significativo que, quando o Parlamento da Inglaterra, o Rei e os nobres, que representam a classe política, tentaram aprovar leis que proibissem a venda de bebidas alcoólicas no país, a medida fracassou devido à determinada oposição dos mais altos dignitários da Igreja.

Essa atitude do clero europeu não implica, de modo algum, numa degradação por parte deles, nem que devam ser censurados em qualquer aspecto. A Humanidade tem ainda muitas lições para aprender que só podem ser proporcionadas durante a “era do vinho”. Quando a necessidade do espírito falsificado passar, ele cairá em desuso sem que seja necessário recorrer a medidas legislativas, que geralmente não são eficientes, pois é absolutamente impossível legislar a moralidade nas pessoas. Até que uma lei seja aprovada internamente – de dentro para fora –, elas são obrigadas a quebrá-la para garantir a satisfação de seus desejos, independentemente das medidas restritivas.

(Pergunta nº 90 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. (Jo 2:4)

[2] N.T.: Um Corpo Denso rudimentar

[3] N.T.: Hindus são pessoas que seguem o hinduísmo, uma das Religiões mais antigas e complexas do mundo, originária do subcontinente indiano, caracterizada por diversas crenças, como a crença em múltiplos deuses (Brahma, Vishnu, Shiva) e na reencarnação, além de uma rica tapeçaria de práticas, rituais (como o pujá e yoga) e textos sagrados (Vedas, Ramayana) que moldam a cultura indiana e não possuem um fundador único.

[4] N.T.: Tudo isso devido ao movimento de Precessão dos Equinócios da Terra.

[5] N.T.: Era de Áries e Era de Peixes

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Os Ensinamentos Rosacruzes ensinam que Cristo é o Espírito Solar e, por essa razão, parece perfeitamente lógico que consideremos o domingo como dia sagrado para a “dedicação ao Senhor” em terras Cristãs. No entanto, Jeová é o Regente da Lua. Por que, então, os Judeus não foram ensinados a guardar a segunda-feira como dia sagrado em vez do dia de Saturno, que agora é o “sábado”?

Resposta: Há uma conexão esotérica entre Saturno, o Sol e a Lua, que regem o sábado, o domingo e a segunda-feira, respectivamente. O Sol e Saturno são ministros da vida e da morte – respectivamente –, e a Lua é, por assim dizer, a lançadeira com o qual a Humanidade se vê constantemente impelida de um polo a outro, enquanto a teia da experiência está sendo tecida. O nodo setentrional – ou nodo norte – da Lua, que chamamos de Cabeça do Dragão, compartilha da natureza do Sol, que nos fornece a vida, e conduz a Humanidade ao período de atividade física. O nodo meridional – ou nodo sul – nos conduz para o repouso da morte por meio das forças saturninas da Cauda do Dragão. Em outras palavras, tanto Saturno como a Lua são os portais de entrada e saída dos Mundos invisíveis, ou Caos – a Lua em termos de capacidade astral e Saturno em sentido cósmico.

Quando um grande Dia Criador de Manifestação se inicia, uma Época sempre começa com um Período de Saturno, então, as Ondas de Vida – nas quais o Espírito se manifesta –, que passaram pela fase subjetiva de evolução durante a Noite Cósmica precedente, são conduzidas à manifestação ativa, e isso ocorre durante a Revolução de Saturno de cada Período. Na pequena esfera terrestre da nossa atividade atual, quando um Ego está pronto para o renascimento na vida terrestre, a Lua marca o momento tanto da concepção quanto do nascimento, assumindo assim a função saturnina de conduzir os Egos em evolução da escura Noite Cósmica da morte para o universo solar da vida e da luz. Há, contudo, alguns Egos que não evoluem, mas permanecem estagnados no Caminho de Evolução. Para eles, chega um momento em que são, finalmente, expulsos para a Lua e lhe é negada a oportunidade e o privilégio de renascer dentro da atual classe evolucionária. Em consequência disso, eles permanecem na Lua até que os veículos, cristalizados por eles por falta de ação (ou inanição), sejam dissolvidos, e como não podem prosseguir com a corrente evolutiva, só lhes resta um caminho, isto é, gravitar de volta através do portão de Saturno para o Caos, ou para a Noite Cósmica, onde devem aguardar outra oportunidade de manifestação numa corrente de vida posterior.

Jeová não é o Regente dos Judeus, ao ponto de excluir todos os outros povos. Ele é o Legislador e o Senhor Cósmico da fecundação. Portanto, Ele tem uma missão especial a cumprir em relação a todos os povos pioneiros de qualquer Época ou Período, onde uma grande hoste de Espíritos que devam ser providos de veículos de um novo tipo. É Ele que multiplica abundantemente os povos pioneiros, lhes fornece as Leis apropriadas para a sua evolução e os prepara para um novo período de desenvolvimento. Se nos lembrarmos desse fato e, também, de que a primeira parte de uma Época é saturnina, então entenderemos que, embora os Semitas Originais fossem os ancestrais da Raça Ária, tenham sido multiplicados como as areias da praia, e tenham recebido suas Leis através de Jeová, eles também viviam no estágio saturnino da Época Ária e, portanto, logicamente, foram ensinados a guardar o dia de Saturno como um “dia de descanso”.

A Bíblia diz que a Lei era suprema até o advento do grande Espírito Solar. Cristo iniciou uma nova fase da evolução sob o princípio do amor e da regeneração. Isso pôs fim ao regime de Jeová e ao domínio de Saturno, não de uma forma abrupta, é claro, pois sempre há uma sobreposição que se procura entre um regime antigo e um novo. Mas, a partir desse momento, nós, o povo pioneiro Cristão, já entramos na segunda parte, ou seja, na parte Solar da Época Ária e, portanto, estamos substituindo agora o “dia de Saturno” pelo “dia do Sol” como dia de “dedicação ao Senhor”.

Como já mencionamos, a Lua e Saturno são os portões do Caos, e isso pode levar os Estudantes Rosacruzes a quererem saber o que acontecerá ao restante de nós e, portanto, podemos fornecer uma explicação resumida dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental sobre esse ponto: a Humanidade comum que segue o Caminho de Evolução é guiada em direção ao Reino de Cristo, o Espírito Solar.

Os atrasados, que não conseguem acompanhar o curso evolutivo, retrocedem para o Reino de Jeová, o Espírito Lunar.

Os avançados da Humanidade, os Iniciados que passaram tanto pelas Iniciações Menores quanto pelas Iniciações Maiores e seguem diante do Libertador (o grande Ser encarregado da evolução na Terra), têm a opção de permanecer aqui e ajudar seus irmãos e suas irmãs nesse mundo, ou ir para um satélite natural de Júpiter e preparar as condições sob as quais a Humanidade poderá evoluir no futuro Período de Júpiter.

As almas avançadas que malbarataram os seus poderes exercendo a magia negra retrocedem diretamente para Saturno e são forçadas a penetrar no Caos pela dissolução de seus veículos.

Saturno tem uma preponderância do quarto Éter, o Éter Refletor. Daí a sua pálida luminosidade, e os Egos que vão para lá deixam um registro de suas vidas e são em seguida lançados para fora em direção ao Caos, através das luas de Saturno.

Júpiter tem uma preponderância do terceiro Éter, o Éter Luminoso ou Éter de Luz. Daí o seu brilho, e os Egos avançados que vão para Júpiter, vindos do lado externo, dirigem-se para o interior através das luas e começam, então, como já dito, um trabalho construtivo para o Período de Júpiter.

 (Pergunta nº 77 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Da Tríade Rosacruz: “Para Onde Vamos?”

Atualmente estamos na Era Pisciana, Era de Peixes, segunda Era da Época Ária, que é a quinta Época na metade da quarta Revolução, no globo D, na segunda metade do Período Terrestre, a metade Mercuriana, que é o quarto Período desse Grande Dia de Manifestação, que começou com o Período de Saturno e terminará no Período de Vulcano.

Nosso trabalho daqui para frente será o de dominar o desejo de se manter focado nas coisas relacionadas à Região Química do Mundo Físico, nos satisfazendo exclusivamente com as conquistas materiais na nossa vida terrestre, assim então cultivando a pureza e o altruísmo. Estamos desenvolvendo a nossa Tríplice Alma pela retidão das ações, obras, dos atos, dos sentimentos, desejos, das emoções e dos pensamentos; nossa meta é para frente e para cima!

Nisso muito nos ajuda nossa posição de Aspirante a vida superior, um Estudante Rosacruz ativo. E mais ainda: ter uma Escola como a Fraternidade Rosacruz, ativa na Região Química do Mundo Físico, que tem a missão de transmitir ao Mundo os Mistérios da Ordem Rosacruz – que está na Região Etérica do Mundo Físico – para nos ajudar nessa busca e conquista.

Orientados pelos Irmãos Maiores dessa Ordem, temos a chave dessa realização, como estudamos no Livro Conceito Rosacruz do Cosmos: “o método de realização Rosacruz difere dos outros sistemas num ponto especial: procura, desde o princípio, emancipar o discípulo de toda a dependência dos outros, tornando-o confiante em si, no mais alto grau, de maneira a poder permanecer só em todas as circunstâncias e lutar em todas as condições. Somente aquele que for tão bem equilibrado, pode ajudar ao débil”.

Portanto, não há necessidade de – e nem se deve procurar – guias, gurus, instrutores, ídolos, conselheiros ou qualquer outra coisa que faça a pessoa dependente.

Outro ponto importante para efetivar essa busca é nunca se esquecer de: “Dar de graça aquilo que receba de graça”.

No livro Conceito Rosacruz do Cosmos, também encontramos a seguinte orientação dos Irmãos Maiores: “nenhum Clarividente genuinamente desenvolvido empregará a sua faculdade por dinheiro ou coisa que o valha, nem tampouco para satisfazer a curiosidade, mas só e unicamente para ajudar a Humanidade“.

Por Clarividente aqui, devemos entender aquele que pratica a Cura Rosacruz, que desenvolveu sua capacidade de trabalhar nos Mundos invisíveis, por sua vontade, de modo consciente, portanto de modo positivo, voluntário. Todo esse trabalho de nos capacitar a ter domínio próprio está sendo feito através da ajuda dos Senhores de Mercúrio. Afinal, nessas últimas três Revoluções e meia, do Período Terrestre, Mercúrio agirá para nos libertar dos veículos mais densos, por meio da Iniciação. Sua influência, aos poucos, vai se tornando preponderante, de modo que os povos das Épocas e Revoluções futuras obterão muito mais ajuda dos Mercurianos.

De acordo com o movimento da Terra conhecido como Precessão dos Equinócios, o Sol entrará na constelação aquariana por volta do ano 2.600. Com isso, terá início a Era Aquariana, a Era de Aquário. Devido à “Órbita de Influência” de Aquário sobre o Signo de Peixes (estamos nos últimos graus da Era de Peixes) sentimos as emanações de suas características, através do desenvolvimento da Ciência, da Religião, com o misticismo e altruísmo.

Quando começar a Era Aquariana, teremos uma nova fase do Cristianismo, a Religião do Cordeiro (o que temos hoje, por meio do Cristianismo Popular, não é nem sombra do que é o Cristianismo de fato!). O ideal a ser seguido está indicado no Signo oposto a Aquário, que é Leão, o Leão de Judá.

Assim, se manifestará a terceira fase da Religião Ária, onde nós cultivaremos o afeto, a lealdade, a nobreza e o bom caráter. E que nos farão o “rei da criação”, digno da confiança e do amor dos seres que estão em graus evolutivos abaixo de nós, assim como do amor das Hierarquias Criadoras que estão acima de nós.

Na Era Aquariana teremos uma Ciência religiosa e uma Religião científica. As condições atmosféricas serão alteradas: a umidade do ar diminuirá até desaparecer e, com isso, será formada uma atmosfera seca e etérica. Isso facilitará, enormemente, o desenvolvimento da nossa visão etérica, e viveremos com os seres dessa Região do Mundo Físico.

Portanto, na Era Aquariana desenvolveremos esses poderes espirituais e intelectuais que hoje são latentes, na grande maioria de nós.

Após o término da Época Ária entraremos na Época Nova Galileia, a sexta Época. Nessa, o Cristianismo Esotérico alcançará seu grau superior, ou seja: a Religião Cristã unificadora abrirá nossos corações, o amor será altruísta e a razão aprovará seus ditames.

A Fraternidade Universal será uma realidade e cada um de nós trabalhará para o bem de todos. O egoísmo deixará de existir.

No princípio dessa sexta Época aparecerá mais uma Raça, a última de todas as Raças. Esta última Raça será originada da pureza generativa. Assim, todo o mal provocado pela geração de Corpos por meio da paixão terminará.

A morte será dominada porque a pureza etérica aos Corpos fará desnecessária a sua renovação.

Depois dessa última Raça, desaparecerá todo pensamento ou sentimento de Raça (separativismo). A Humanidade formará uma fraternidade sem qualquer distinção, como havia antes do fim da Época Lemúrica.

A Fraternidade Universal estará sob a direção de Cristo, que terá voltado. Essa Sua segunda vinda inaugurará a idade da paz e do juízo. Quando a simbólica Nova Jerusalém, a cidade da paz (… Jer-u-salém, significa ali haverá paz) reinará sobre todas as nações. Então, haverá a “paz na terra e boa vontade entre os homens”.

O dia e a hora de Sua volta ninguém sabe: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os Anjos do céu, nem o Filho, senão somente o Pai.” (Mt 24:36).

Deus-Pai é capaz de prever a hora em que a separatista Mente egoísta, se submeterá ao altruísmo e unificante espírito do amor. Assim, precisar data é pura especulação.

S. Paulo disse que a segunda vinda de Nosso Senhor, Cristo, se tornará uma realização quando “o Cristo se forme em vós” (Gl 4:19). Ou seja, quando o nosso “Cristo Interno” se formar.

Cristo voltará somente quando a maioria de nós já tiver tecido o traje nupcial – o Corpo-Alma – que é composto dos Éteres superiores do nosso Corpo Vital (Luminoso e Refletor). No Apocalipse (19:7-8) lemos: “Alegremo-nos e exultemos e demos-lhe glória, porque chegaram as bodas do cordeiro e sua esposa está ataviada. E foi-lhe dado o vestir-se de finíssimo linho resplandecente e branco. E esse linho são as virtudes dos santos”.

Assim, o Traje Nupcial é tecido através do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado na divina essência oculta em cada um de nós, e das obras, ações e dos atos executados com justiça e desinteresse próprio enquanto estamos encarnados, aqui, no Mundo Físico, que é o baluarte da evolução!

Cristo não virá em corpo físico ou Corpo Denso. No Evangelho Segundo S. Marcos (13:26) estudamos: “então aparecerá o Filho do Homem vindo das nuvens, com grande poder e glória“. Isso significa que virá em Corpo Vital! Portanto, será completamente impossível para aqueles de nós que não tenham um Corpo devidamente constituído, chamado na Bíblia o “Vestido de Bodas”, poderem viver nessas novas condições.

Cristo estabelecerá a Nova Jerusalém na Terra. No Livro do Apocalipse 21:22, temos as suas características: “Não entrará nela coisa alguma contaminada ou quem cometa abominação ou mentira, mas somente aqueles que estão inscritos no livro da vida do cordeiro. E nela não vi nenhum templo porque o Senhor Deus Onipotente é o seu Templo, assim como o cordeiro. E a cidade não necessita de Sol nem de Lua para iluminar, porque a Glória de Deus a ilumina e sua lâmpada é o cordeiro”.

A Árvore da Vida estará na Nova Jerusalém e: “Enxugará toda lágrima de seus olhos e não haverá mais morte, nem luto, nem grito, nem dor” (Apo 21:4).

Após essa Época, teremos a sétima e última Época.

O Iniciado que recebeu a primeira Iniciação Maior – ou seja, um Adepto – vive, agora, como viveremos no final do Período Terrestre.

Após o término do Período Terrestre, entraremos no Período de Júpiter. Seremos de um tipo mais puro. Entretanto, haverá entre nós aqueles que são completamente bons e aqueles completamente maus. Mas, para esses últimos, as próprias maldades o consumirão.

Haverá um quinto Elemento (além do Fogo, da Água, do Ar e da Terra) e será esse Elemento que nos ajudará quando quisermos falar algo: as palavras levarão consigo o verdadeiro significado. Quando se disser “vermelho” será apresentado à visão interna uma reprodução exata e clara do tom particular do vermelho que está pensando, e outra pessoa também verá essa reprodução. Não teremos mais enganos nem mal-entendidos!

O Corpo Vital alcançará a perfeição. As forças do Corpo Denso se ajuntarão ao Corpo Vital. E viveremos emCorpo Vital. Seremos criadores insuflando vida na Onda de Vida que, atualmente, são os minerais.

O Iniciado que recebeu a segunda Iniciação Maior – ou seja, um Adepto – vive, agora, como viveremos no Período de Júpiter.

O próximo Período é o de Vênus. Nesse Período o Corpo de Desejos alcançará a perfeição. As forças dos Corpos Denso eVital serão absorvidas no Corpo de Desejos. Nós empregaremos a própria força para dar vida a nossas imaginações e as exteriorizaremos como objetos.

O Iniciado que já recebeu a terceira Iniciação Maior – ou seja, um Adepto – vive, hoje, nas condições do Período de Vênus.

Após o término do Período de Vênus entraremos no Período de Vulcano. A Mente alcançará a perfeição. E a essência dos três Corpos será incorporada a ela. Teremos a mais elevada consciência espiritual criadora. Seremos capazes de propagar-nos e criar formas vivas, móveis e pensantes.

Após esse último Período, absorveremos todos os frutos dos sete Períodos.

Passando esse momento, submergiremos em Deus, de quem viemos, para que, no alvorecer de outro Dia de Manifestação, reemergirmos como seus gloriosos colaboradores!

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Natureza passa por ciclos de alternância. Esses encontram alguma correspondência em nós?

Resposta: Tanto o Solstício de Junho e o Solstício de Dezembro, como o Equinócio de Março e o Equinócio de Setembro são pontos de alternância, de mudança, na vida do Grande Espírito Planetário da Terra, Cristo. Assim, também, a nossa concepção traduz o início de mais uma nossa descida ao Corpo Denso, culminando em mais um nosso nascimento aqui. Esse inaugura o período de crescimento, até alcançarmos a maturidade. Então, começa uma época de frutificação e de amadurecimento, a par do declínio das energias físicas, até terminar na morte, que nos livra matéria física. Depois, se manifesta uma época de metabolismo espiritual e colhemos as nossas experiências terrestres, transformando-as em poderes da Alma, em tendências e talentos. Tais poderes e talentos serão postos a juros em vidas futuras para prosperarmos e nos fazer mais ricos espiritualmente até sermos merecedores do título de “Fiéis Administradores” (Lc 12:42-48 e ICor 4:1-6) e de ocuparmos postos maiores e melhores entre os “servos da Casa do Senhor” (Sl 134:1-3 e Mt 24:25).

Observemos que as condições dominantes, nessa Época Ária, são tão temporárias, como as das Épocas precedentes. O processo de condensação que ainda continua, transformou a nevoa ígnea da Época Lemúrica na atmosfera densa e úmida da Época Atlante e, mais tarde, converteu esta umidade em água que inundou as cavidades da Terra – os Dilúvios – e nos impeliu para as terras altas, para as mesetas. Tanto a atmosfera, como as condições fisiológicas estão mudando. É um alerta para a Mente compreensiva, referente à aurora de uma Nova Era sobre o horizonte do tempo, a Era de unificação.

A Bíblia não deixa nenhuma dúvida a respeito das mudanças. Cristo disse que o acontecido nos “dias de Noé” aconteceria nos dias do porvir. A ciência e a imaginação descobrem condições desconhecidas anteriormente. É um fato científico que o consumo do oxigênio, na alimentação da indústria, está se tornando alarmante. Também os incêndios nos bosques consomem, consideravelmente, este importante elemento e contribuem para o processo de dissecação da atmosfera. Cientistas eminentes assinalaram que um dia nosso globo não poderá suster a vida dependente da água e do oxigênio, um dos componentes do ar. As ideias dos cientistas não provocaram muita ansiedade, por ser distante a data no futuro prevista. Contudo, por mais afastado que seja este dia, o nosso destino é tão inevitável, como o foi quando habitávamos em Corpos Atlantes.

A cada fase que surge, vemo-nos a frente com um novo Elemento, ao qual devemos nos adaptar. Vejamos como se manifesta esse Elemento nos dias atuais e quais suas implicações futuras: se quando habitávamos em Corpos Atlantes pudéssemos ser transferidos para a nossa atmosfera, morreríamos asfixiados, como o peixe que se arrebatasse do seu elemento nativo. As cenas conservadas na Memória da Natureza provam que os primeiros a subir as terras altas, desmaiaram instantaneamente, ao se encontrar com uma das correntes de ar que baixavam, gradualmente, sobre a Terra. Então, essas experiências provocaram vivos comentários e suposições. Atualmente, os aviadores encontram, também, um novo Elemento e experimentam asfixia idêntica à dos precursores Atlantes. Enfrentam um novo Elemento que vem de cima para substituir o oxigênio da nossa atmosfera.

Ao mesmo tempo, uma nova substância está se introduzindo no nosso Corpo Denso, em substituição a albumina. Os Atlantes, sem pulmões desenvolvidos para o Elemento Ar, pereceram nos Dilúvios. Assim, também, a Nova Era encontrará alguns sem o “Vestido de Bodas” – o Corpo-Alma –, incapacitados para nela entrar. Esperarão, até que se achem preparados, em tempos futuros. Consequentemente, é de máxima importância para todos saberem o máximo possível sobre o novo Elemento e a nova substância. Os Ensinamentos Rosacruzes facilitam o acesso a ampla informação sobre o assunto.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1974 – Fraternidade Rosacruz–SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

“Não Matarás” na Época Ária

Essas duas palavras “não matarás” foram dadas a todos nós por Jeová ou Javé, o Deus de Raça dos povos antigos, por meio de Moisés, o grande legislador, profeta e guia dos israelitas.

Quando tinha somente três meses de idade, Moisés foi colocado em um cesto por sua mãe e escondido no canavial de um rio onde a filha do cruel Faraó ia diariamente tomar banho. O Faraó tinha assinado um decreto determinando que todos os filhos de sexo masculino dos hebreus deviam ser mortos; mas quando a princesa achou o cesto com o seu precioso conteúdo, “tomou-o e cuidou dele como seu próprio filho” (Ex 2:2). Moisés foi educado como um príncipe e tornou-se um guia popular até que, com 40 anos, incorreu na má vontade do rei por defender um hebreu em quem um egípcio estava batendo. Moisés fugiu então da corte do Faraó e passou a residir “na terra de Madiã (ou Midian)”, onde teve dois filhos. Depois de quarenta anos, quando Moisés tinha 80, pediu o Senhor a tarefa de libertar os hebreus da servidão do Faraó.

Provou aos seus inimigos como era poderoso, protegido e guiado por Javé, o Deus de Raça. Demonstrou como podia causar a ira de Jeová sobre os súditos do rei, ocasionando repetidos aparecimentos de flagelos e pestilências. Eventualmente libertou os israelitas e conduziu à Terra Prometida. A história bíblica usa os termos dos povos antigos, que não eram conscientes das mudanças e grandes soerguimentos mundiais que surgiam de tempos em tempos, indicados pela Precessão dos Equinócios: estávamos entrando na Era de Áries, Signo marcial, governado pelo sangrento Marte.

Normalmente um grande líder da Humanidade aparece nos tempos críticos, quando é necessário guiar o povo para uma nova forma de Religião. Ele proporciona o suporte moral que usualmente é tão grandemente necessitado quando a Humanidade está sob vibrações perturbadoras.

Depois que os israelitas alcançaram o Deserto do Sinai, Moisés foi chamado ao “Monte” (Segundo os Ensinamentos Rosacruzes, o Monte está situado no cérebro, por onde o Ego entra e sai livremente do Corpo Denso). Lá, comunicou-se diretamente com Javé, enquanto estava fora do Corpo Denso. Os principais líderes religiosos são, em geral, altamente desenvolvidos espiritualmente e capazes de deixar o Corpo Denso quando precisar e usando a sua força de vontade. Nos Mundos espirituais eles se comunicam diretamente com os grandes Seres. Moisés foi um Iniciado escolhido e teve uma grande missão. A nova Época, a Ária, se iniciava nessa ocasião. A Época Ária devia ter um guia poderoso, um que pudesse usar métodos estritos ou cruéis para governar e conservar sob domínio um povo pirracento, o povo ariano. A Dispensação fornecida a Moisés por Javé era muito severa e entre as Leis, que se seguem, predominavam: “Mas, se houver danos graves, então darás vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé” (Ex 21-23:24).

Na Época Ária praticamos muita crueldade. É estranho como o temperamento das pessoas muda, assumindo traços e disposições do Signo que governa a Terra durante os grandes períodos mundiais, sob a Precessão dos Equinócios. O Signo de Áries, governado por Marte, expressa a natureza marcial e os antigos israelitas eram denominados um povo endurecido, como se diz no Livro do Profeta Jeremias (17:23): “Mas eles não deram ouvidos nem inclinaram suas orelhas; pelo contrário, endureceram sua cerviz para não ouvir e não receber correção”. A fim de governar tal povo foram necessárias as Leis muito severas. Podemos observar isso verificando uma concordância bíblica: procurando a palavra “matar”, achamos suas ocorrências aproximadamente duas vezes no Antigo Testamento e no Novo Testamento. Embora pareça estranho, o mesmo Moisés deu ao mundo os Dez Mandamentos e um dos quais é: “Não Matarás”. Todavia, os israelitas mataram mais do que qualquer outro povo. A sua Religião foi construída sobre carnificina e seus altares eram defumados com o sangue dos animais. Isso continuou até a destruição do Templo em Jerusalém (70 d.C.), quando cessaram as ofertas de sangue.

A Religião do Signo de Peixes (ou seja, quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, transita pelo Signo de Peixes) – a Era de Peixes – não tolera o sacrifício da vida de animais, o que era costume dos israelitas. Eles acreditavam que o Espírito estava no sangue e que, quando espalhado sobre o altar, santificava-o e espiritualizava o lugar sobre o qual o Sacerdote o espalhava. Somente animais sem defeito eram oferecidos sobre os altares de Javé.

Embora ainda estejamos prontos para guerrear contra o nosso irmão ou a nossa irmã, avançamos ao estado em que protegemos os animais desses abusos e hoje nos recusaríamos a entrar em um santuário que estivesse manchado com sangue de animais. Embora, ainda, uma grande maioria de pessoas tem o Corpo Denso dela poluindo com a carne desses animais, se fosse forçada a matar tudo o que come, rapidamente cessaria de devorar corpos de animais para escapar da crueldade necessária para matar.

O primeiro ser humano que a Bíblia regista como carnívoro foi Noé, que foi obrigado a usar a carne como alimento depois do dilúvio. No Livro do Gênesis (9-3:4) encontramos o decreto: “Tudo o que se move e possui a vida vos servirá de alimento, tudo isso eu vos dou, como vos dei a verdura das plantas. Mas não comereis a carne com sua alma, isto é, o sangue.”

Essas duas admoestações de Javé inauguraram o consumo de carne animal (mamíferos, aves, peixes, anfíbios, crustáceos, frutos do mar e afins) e têm até a presente Época contribuído para tornar a Humanidade mais brutal, mais inclinada à luta e ao matar. Temos, sim, progredido em literatura, arte, ciência e invenções. Nossas realizações nos últimos dois séculos em todos os campos, em discernimento, percepção e conhecimento geral, ultrapassam as de muitos séculos precedentes. Embora superior em desenvolvimento físico e mental a qualquer outro organismo vivo, ainda, uma grande maioria de nós é tão carnívora nos desejos, sentimentos e nas emoções dela e tão propensa a verter o sangue dos irmãos menores como era durante aqueles longínquos tempos, quando saiu da “Arca de Noé”.

Temos a posição exaltada de um Filho de Deus e a herança preciosa da imortalidade; mas estamos em uma cruel fase de degenerescência que é a responsável pelo derramamento de oceanos de sangue. Tornamo-nos moralmente retrógrados, apesar do desenvolvimento do cérebro; insaciável em nossos apetites e generosos nas luxúrias, causamos a morte massiva de animais e, ao mesmo tempo, alimentamos a nossa natureza inferior, mantendo o nosso Corpo de Desejos com muito mais matérias das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo do que das três Regiões superiores. De certo modo, podemos admitir que muitos de nós são piores que o animais que matam para comer, pois o animal não possui uma Mente que raciocine. Tais animais matam unicamente para aplacar sua fome, mas muitos de nós não se satisfazem em matar só para comer, porque também matam “por esporte”, para exibir as suas “habilidades” como atiradores ou atiradoras. Exibem esse tipo de “habilidade” para ganharem atenção, se sentirem maior do que realmente são e, afinal, compensar as suas autoestimas deficientes e inferiores. A parte mais diabólica de toda a natureza bruta de muitos de nós é, muitas vezes, encorajada pelos ganhos financeiros, cujos desejos, emoções e sentimentos inferiores são responsáveis por brutais caçadas e pela morte de criaturas de couro, pelo, penas e outras partes do corpo animal para que o ganho financeiro seja maximizado.

Logicamente, quando renascíamos no passado (bem longínquo), como homens e mulheres de raças selvagens, nesses tempos antigos usávamos couro, peles e outras partes dos corpos dos animais para nos protegermos dos Elementos da Natureza, mas já faz muito tempo que descobrimos, inventamos e encontramos muitos métodos de manufaturar vestimentas para que couro, peles e outras partes dos corpos dos animais não sejam mais uma necessidade. Contudo, em muitos casos a vaidade e o egoísmo das pessoas exigem o couro, as peles e as outras partes dos corpos dos animais que, em procura de alimento, caem em cruéis armadilhas e, depois de presos, permanecem, muitas vezes por dias, agonizando em lento e terrível processo de morte. Esses couros, peles e outras partes dos corpos dos animais são então usadas por muitas pessoas, seja como vestimentas, seja como forrações, seja como objetos de decoração.

Quando renascemos com o sexo feminino, ou seja, como mulher, temos pequenas mãos no nosso íntimo para regenerar o mundo inteiro. Durante mais dois mil anos a mulher tem sido o principal suporte da Religião e tem feito muito para que Religiões, principalmente as Cristãs populares, se conservem na prática dos Ensinamentos Cristãos.

Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que a Religião Cristã é o mais exaltado de todos os Ensinamentos e que, no tempo adequado, ela se espalhará por todo o mundo. Para alcançar esse objetivo ela deve se tornar uma Religião inofensiva e o Cristão precisa, antes, viver o que Cristo ensinou, desenvolvendo o Espírito de Amor e Compaixão Crística. Desse modo poderá convencer os povos de outros lugares do mundo que a Religião Cristã não é uma Religião de violência. Cristo veio realmente para ensinar a Fraternidade Universal e que o nosso Deus não é um Deus de guerra ou terror.

O que muitos chamam de Cristandade (pois, de fato, não é) tem um horrível registro de sangue. Em nome dela muitos de nós têm travado guerras, pedido sacrifícios de sangue e até mesmo perpetrado as maiores crueldades em nome do que acham ser a Religião Cristã. À medida que a nova Era, a de Aquário, se aproxima, nos mostramos destinados a cumprir a nossa missão: cessar a destruição e crueldade contra os irmãos e as irmãs e contra qualquer ser vivo. Somente quando interrompermos essa desnecessária carnificina, o mundo alcançará finalmente um estado pacífico. “A desumanidade do ser humano contra o ser humano” é diretamente causada por seu alimento. Se, como Javé afirmou, “o espírito está no sangue”, então quando muitos de nós ingerem a carne de um animal será necessário para eles vencerem o espírito do animal que ainda está no sangue da carne consumida, certo? Assim, por que não teria a carne do animal influência sobre a natureza humana, tornando-a mais brutal? Onde prevalece a alimentação carnívora, os grandes comedores de carne anseiam por estimulantes e a bebida alcoólicas, e invariavelmente segue o excessivo consumo de carne animal.

Para se viver de fato e plenamente na Era de Aquário há que ser vegetariano e, também, não haverá guerras, porque assim que pararmos de assassinar nossos irmãos humanos e nossos irmãos mais novos, os animais, a nossa natureza carnal experimentará uma completa mudança e não desejaremos mais matar nossos semelhantes. Neste tempo, rumores de guerra estão despedaçando os corações da Humanidade pacífica, mas este é o último esforço desesperado dos “senhores da guerra”. O sopro da morte induz ao desejo de combater e o fracasso aguarda a tentativa egoísta de qualquer país para vencer outro. Não haverá desejo de dominar, quando a Era de Aquário for estabelecida. A profecia de Isaías será então cumprida: “E eles transformarão suas espadas em enxadas e suas lanças em arados; as nações não levantarão espada uma contra outra nem mais aprenderão a arte da guerra” (Is 2:4).

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1959 pela Fraternidade Rosacruz em-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Mandamento dos Ricos: “a Deus ou a Mamon”?

Quando aprendermos a abandonar o Mundo material e tudo a que ele está ligado, centralizando nosso interesse sobre assuntos espirituais, aprenderemos a lição com a qual todos os Aspirantes à vida superior têm que se defrontar no Caminho do Cristianismo Esotérico.

E a isso que se refere esse Ensinamento nos fornecido direto por Cristo:

Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a traça e o caruncho os corroem e onde os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros nos céus, onde nem a traça, nem o caruncho corroem e onde os ladrões não arrombam nem roubam; pois onde está o teu tesouro aí estará também teu coração. A lâmpada do corpo é o olho. Portanto, se o teu olho estiver são, todo o teu corpo ficará iluminado; mas se o teu olho estiver doente, todo o teu corpo ficará escuro. Pois se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão as trevas! Ninguém pode servir a dois senhores. Com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará ao primeiro e desprezará o segundo. Não podeis servir a Deus e a Mamon.”  (Mt 6:19-24).

Sob a segunda Dispensação (a Jeovística) fomos estimulados a adquirir posses materiais, sepultá-las na terra ou escondê-las nas paredes, o que foi praticado por nós desde tempos remotos, pois até a metade dessa quarta Revolução do Período Terrestre o nosso objetivo era conquistar a Região Química do Mundo Físico, ou seja, ser um Iniciado nessa Região do Mundo Físico. Isso, quem renasce no lado ocidental do Planeta já alcançou desde a terceira metade da Época Atlante – hoje já estamos na Época Ária. Para quem já alcançou essa “Iniciação”, Cristo – que inaugurou a terceira Dispensação (a primeira Cristã) trouxe um ideal superior: o acúmulo de Tesouros nos céus, baseado na aprendizagem e prática do amor Crístico, com a prática das qualidades interiores de bondade, ajuda e altruísmo, que não podem ser afetadas pela “ferrugem nem por traças nem os ladrões podem roubá-las”. E isso faz parte de alcançarmos o nosso próximo objetivo nesse Esquema de Evolução: conquistar a Região Etérica do Mundo Físico. Pois, quem continua tendo interesses por acúmulo de bens, terras, casas, posse, joias e tudo que o dinheiro pode comprar continua centralizado seus desejos, objetivos e ideias nessas coisas, ou seja, vivendo na segunda Dispensação (a Jeovística).

Reminiscências fortes que trazemos do final da Época Lemúrica e da Época Atlante – que nada mais são de lições que insistimos em não aprender, para podermos passar para um próximo nível – nos prendem a esses falsos valores ou ilusões e mantém muitos de nós ancorado em tudo que provém do “Eu inferior”, ligado aos desejos, emoções e sentimentos inferiores (posse, ciúmes, inveja, raiva, cólera, fama, poder e afins). Não existe nada errado nas posses materiais, contanto que sejam usadas para bons propósitos; desinteressadamente, e contanto que nossos Corações não se centralizem neles. Na verdade, os olhos são a luz do corpo e a ‘porta da alma’. Se o olho for sincero, do ponto de vista espiritual, então o corpo se inunda de luz, interpenetrado pelos dois Éteres superiores, despertando a vontade de servir amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível), focando na divina essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade – ao irmão e à irmã que está em nosso entorno. Se os olhos são maus ou adoentados pela vida mal vivida, o Corpo estará cheio de sombras ou doenças. Tais “olhos” indicam quem está cheio de cobiça e inveja, e a envoltura áurica estará cheia de pontos escuros de fermentações. Aliás, a Aura de fato revela os interesses pelos bens materiais ou espirituais predominantes na vida de uma pessoa.

Eis porque surge a dificuldade em “servir a Deus e a Mamon”, sendo os dois de natureza oposta. Quem se interessa em se envolver no Mundo material, não tem tempo de conhecer ou servir a Deus. O Aspirante à vida superior, que se esforça para servir a Deus pela vida que vive de acordo com suas leis, fica livre da tentação da matéria ou da sua natureza inferiorMamon. A boa qualidade de discernimento o capacita a perceber que a realidade é unicamente nós, o Ego, o Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui e que tem somente um ideal: seguir a Cristo e se preparar para quando Ele voltar, estar trabalhando e funcionando conscientemente na Região Etérica do Mundo Físico, com o seu Corpo-Alma completamente desenvolvido.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP

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(*) Pintura: Mammon ou Mamon – Evelyn de Morgan – 1909

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