A oração é o elo entre nós e Deus; somente pela oração podemos alcançá-Lo. Cuidamos de nossas tarefas diárias, cumprimos nossos deveres à medida que surgem diante de nós, mas sempre enquanto trabalhamos, devemos estar orando, se quisermos ter sucesso e cumprir nosso dever como devemos.
A oração é o desejo sincero do Coração de fazer em todas as coisas como desejaríamos que fosse feito a nós; esforçando-nos dia após dia para viver melhor nossas vidas e com mais sucesso para que possamos olhar para trás e não encontrar algo de que nos arrependamos. Para que cada ato, obra ou ação possa nos inspirar a fazer maiores esforços e nos aperfeiçoar.
O doce pássaro cantor, entoando seu canto na árvore ou no arbusto, está absorto em amor e oração a Deus, sabendo que será alimentado, abrigado e protegido; mas ajuda as orações correndo de um lado para o outro, conseguindo o alimento e o abrigo que lhe foram reservados tão abundantemente.
A abelha ora pelo sucesso em sua coleta de mel para armazenar e guardar para as abelhinhas, trabalhando até que a própria vida seja sacrificada ao seu grande esforço. A formiga trabalha dia após dia, continuamente apressada para deixar o lar pronto para as novas vidas que o ocuparão, sempre caminhando firmemente pelo caminho bem feito, acumulando provisões para o tempo de necessidade, orando e trabalhando para cumprir sua missão de amor em nosso belo mundo.
A flor reza quando floresce em sua beleza e enche o ar de fragrância, um verdadeiro sopro de Deus que nos alegra e ajuda a admirar Suas obras. Ela estabelece um exemplo para nós, para que possamos fazer de igual maneira — dar de nós mesmos para ajudar os outros, contentes por estarmos fazendo isso sem consideração por nós mesmos, sabendo, como a rosa, que se formos cortados, nós desempenharemos nossa parte conforme Deus decretou, não importando como ou quando isso possa acontecer, pois estaremos satisfeitos, sabendo que realizamos nossa missão.
Até mesmo o rio, cheio de águas turvas e barrentas, está manifestando o amor e o cuidado de Deus, pois seu canal foi feito para tornar possíveis nossos lares e nossas colheitas. Essa é outra oração: fazer o trabalho que lhe foi destinado, apressando-se para cumprir sua parte e então unir-se ao grande oceano, onde será um com aquela grande massa de água; cantando seu próprio réquiem como morte para o riacho, mas um cântico de alegria por ser um com o grande pai das águas. Ele desempenhou nobremente sua parte, regando, refrescando as flores, as árvores, a relva e todo o crescimento das terras mais elevadas, encharcando e fazendo germinar as sementes que foram semeadas tão abundantemente para que nós e o animal, a ave, o peixe, o réptil, o anfíbio e o inseto pudessem ser auxiliados e ter uma oportunidade de maior progresso na evolução. Ele não tem do que se arrepender e desempenhou positivamente a sua tarefa, embora alguma relva, planta ou algum arbusto eventualmente tenha sido sacrificado em sua corrida impetuosa. Mas o maior número foi servido e ajudado.
É fácil ver que a oração é o desejo sincero, o desejo que não será desviado, o desejo de fazer aquilo que fomos enviados aqui para fazer. Viver de acordo com os mais elevados pensamentos e ideais que foram implantados dentro de nós pela própria mão de Deus, desejando a cada dia desempenhar, cada um a sua parte, o trabalho diante de nós com mãos dispostas e corações amorosos, satisfeitos quando tivermos êxito, pensando menos em nossa recompensa e mais nos projetos para melhor realizar, e na maior medida, o trabalho que estamos aptos a fazer.
Olhamos ao nosso redor para aqueles que tiveram sucesso na vida e descobrimos que seu sucesso não foi marcado pelo dinheiro ou pela posse de coisas materiais, mas foi o resultado de vidas cheias de amor e boas ações, sendo a colheita uma de grande ganho no crescimento da alma, ações que podem levar consigo em sua jornada posterior e que os levará, por sua grande força e em seu movimento pendular, cada vez mais em direção às alturas, o objetivo de todos os nossos anseios.
O sucesso para cada um de nós só pode ser medido dessa maneira. Todos seremos alimentados e vestidos, mas o acúmulo de objetos ou artigos mundanos não nos ajudará em uma só partícula na obtenção da vida de Cristo. No entanto, devemos trabalhar; mas não com o propósito de acumular riquezas ou tesouros para esta vida; nosso objetivo é ajudar na evolução da própria Terra e de tudo aquilo que contribui para torná-la completa, pois somente à medida que a Terra evoluir para estados melhores, mais sublimes, seremos providos de um ambiente mais propício à nossa evolução. Portanto, não importa o que fazemos, seja para a planta, o animal ou o ser humano, para a Terra ou para Deus; tudo, afinal, retorna a nós como “pão lançado sobre as águas”. Com certeza nós colhemos aquilo que semeamos (Gl 6:7) e “Deus dá o crescimento”.
Ao nos associarmos àqueles seres humanos que tiveram sucesso em alcançar maiores alturas de espiritualidade, ao lermos sobre os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, vemos que suas vidas foram uma longa e fervorosa oração por luz e orientação; eles ouviram e atenderam a resposta, sempre cumprindo o dever mais próximo, escutando a “pequena voz silenciosa” para saber qual seria a próxima tarefa a realizar, esquecendo o “eu inferior” pelo desejo de seguir as diretrizes da voz interior e de deixar o Cristo Interno viver em cada palavra e ato. Somente assim o mais elevado pode ser alcançado.
O Cristo em nós – o Cristo Interno – é o Deus entronizado em nossos corações, sendo nossos Corpos o Seu Templo (Lc 17:21); enquanto trabalhamos, vigiamos e oramos, Ele ordena nossas vidas; se seguirmos Sua orientação, nada além do sucesso poderá coroar nossos esforços. No esforço honesto e sincero para fazer da melhor maneira possível o trabalho que precisamos fazer e que encontramos por toda parte ao nosso redor, devemos nos voltar para a voz orientadora do Cristo e nos colocar no caminho certo, se inadvertida ou equivocadamente começarmos de maneira errada; isso é válido porque se estivermos vivendo de tal modo que toda a nossa confiança esteja em Deus-Pai, Ele não permitirá que sigamos pelo caminho errado sem um aviso ou, dando atenção aos avisos, o sucesso acompanhará nossos esforços.
Até mesmo nossa vinda para a Fraternidade Rosacruz foi e continua sendo uma oração, pois percebemos que cada um de nós ajuda no trabalho e tem uma oração no Coração, uma oração que nos ajuda a fazer a nossa parte dignamente; cada um sabe que, conforme semeia, assim colhe; caso o sucesso perfeito não coroe nossos esforços, quem julgaria quão longe ou perto do êxito chegamos? Ninguém pode julgar senão Deus; não temos o direito de avaliar os outros, pois quem pode ver os recessos do Coração e saber o que está ali?
Para o mundo exterior pode parecer que não estejamos realizando muito espiritualmente ou até mesmo nós próprios podemos sentir desânimo ou desapontamento por não termos sido capazes de realizar tudo que desejávamos. Mas sabemos quão grandes foram as provações; pensávamos estar preparados para elas, porque nos falaram da sua magnitude, mas mesmo assim falhamos de muitas maneiras, apesar dos avisos e de termos fortalecido a nós mesmos na preparação para enfrentá-las e vencer. Até mesmo nós próprios, conhecendo tudo o que veio e foi embora, todos os nossos esforços, fracassos e nosso – para nós – pequeno sucesso, podemos ter pouca ou nenhuma ideia nem podemos julgar se subimos mais alto no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Somente aqueles que estão acima de nós podem dizer.
A coisa que devemos fazer, entretanto, é continuar tentando. Não importa quantas vezes falhemos, se vemos e sabemos por que falhamos, já ganhamos com isso. Se continuarmos e tentarmos novamente com esse conhecimento diante de nós e resolvemos não deixar que a mesma coisa nos faça tropeçar novamente, mesmo que falhemos repetidamente, ainda assim, se tentarmos cada vez mais tornar nossa vontade mais forte, finalmente seremos capazes de vencer e deixar de cometer os mesmos erros.
Você consegue imaginar a alegria pelo sucesso dos nossos esforços? Todos nós já vimos isso — o esforço de alguém para romper um mau hábito, as provações e os fracassos, a ajuda estendida pela família e pelos amigos, a vitória final e, então, como cada um e todos se alegram por uma vitória conquistada; cada um ajudará o vencedor a recuperar suas oportunidades perdidas, ajudando com tudo que o amor e a boa vontade puderem conceber.
É exatamente assim quando conquistamos uma vitória sobre o “eu inferior”. Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz colocarão oportunidades em nosso caminho e nos ajudarão a compensar tudo o que perdemos em tempos passados. Essa única vitória mostra que todos podem ser vitoriosos sobre o “eu inferior”, se fizermos o necessário e tão grande esforço. A alegria nos Céus então é grande e somos encorajados pela força que adquirimos. Mas nossos fracassos foram recentes demais para que sejamos excessivamente confiantes; ainda assim, como aquela grande vitória nos encoraja!
Quando paramos e analisamos aquilo que foi tão difícil para vencer, realmente nos admiramos de que tenha sido assim; parece algo tão pequeno e insignificante. Nós mesmos dissemos e tantas vezes: “Se eu fosse tão próximo da perfeição quanto aquela pessoa, eu venceria aquela única falha, mesmo que exigisse toda a força que tenho”. Sem dúvida outros disseram o mesmo a nosso respeito.
Estamos deixando de considerar o grande esforço que deveríamos fazer em nossas próprias vidas, pois cada um de nós, não importa quão livres de faltas possamos sentir ou pensar que somos, ainda tem aquela batalha decisiva a vencer: a vitória sobre o “eu inferior” e suas fraquezas. Alguns têm faltas e deficiências de um tipo e outros, de outro; mas acreditamos que, em todos os casos, sem exceção, elas podem ser abrangidas pela palavra: “egoísmo”.
Isso nos mostra o que deve ser feito para nos tornarmos aquilo que desejamos ser. Que importa o que os outros pensam, fazem ou dizem, ou como fazem as coisas? Eles são responsáveis por seus próprios atos. Se fizermos o nosso melhor em todas as circunstâncias, nossa será a recompensa; se o outros querem tudo à nossa própria maneira, pois bem, não temos de vencer por eles.
Alguns de nós chegaram ao ponto em que podemos ver o egoísmo que nos impulsiona, mas é doce e gratificante ter nossa própria maneira de agir em tudo, por isso não tentamos vencer. No entanto, quando percebermos que isso nos impede de avançar, então oraremos e trabalharemos sinceramente para fortalecer nossa vontade e garantir o sucesso.
Se permitirmos que faltas ou hábitos nos dominem, abriremos o caminho para que os pensamentos de outros na mesma direção nos influenciem e diariamente, a cada hora, nossa tarefa se tornará mais difícil. Também existem entidades no lado invisível da Natureza que se esforçam para nos manter no velho caminho e enquanto mantivermos uma atitude negativa elas aumentarão em número, agravando nossa fraqueza.
Parece mesmo que um enorme esforço deve ser feito, mas ele será o coroamento e daí em diante todas as coisas serão possíveis, pois continuaremos orando e, ao fazer o esforço, ajudaremos a responder às nossas próprias orações.
Muitos pensam que seja correto e necessário orar por toda espécie de coisas que, se possuídas, produziriam mais mal do que bem. Mas se orarmos por força para viver nossas vidas em conformidade com a Vontade Divina, há pouco mais pelo que precisamos orar, pois Ele prometeu: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua Justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. E realmente serão, em medida muito maior do que teríamos pedido.
Não é essa a função do ouro e das pedras preciosas que foram colocados na Terra? Por que todas as belas flores, árvores e os belos pássaros canoros de plumagem tão bonita estão aqui? Por que a música, a arte? Apenas por uma simples razão: Deus nos ama, somos Seus filhos. E, como qualquer pai afetuoso, Ele derrama sobre nós o que há de melhor para nos fazer amá-Lo mais e manter nossos corações e pensamentos com Ele; para nos mostrar de maneira bondosa e amorosa o que somos para Ele; para que não desejemos deixá-Lo ou abandonar Seu lar; pois Ele é capaz e mais do que disposto a nos dar tudo aquilo de que precisamos, quando precisamos e se precisamos.
No caso daquele que está se esforçando para ser um Aspirante à vida superior de fato – e não de “fazer de conta” –, cada um de seus pensamentos, desejos, sentimentos, suas palavras, obras, ações ou seus atos é uma oração. Ele ora constantemente e sem esforço. Ora pelo amor de orar. Toda a sua vida é uma oração. Seu louvor a Deus é uma oração; a canção em seus lábios é uma oração; o caloroso aperto de mão e o tapinha no ombro de alguém desanimado são uma oração. O quadro que pinta, a flor que cultiva, o riso de felicidade e alegria — tudo isso são orações. Os pensamentos de adoração e culto ao Autor do nosso ser, mesmo quando nossos lábios estão silenciosos, quando nossa própria alma parece cantar de alegria e somos levados nas asas do silêncio a alturas de bem-aventurança, essas são as orações da alma que anseia pela união com Deus.
Que nunca deixemos de orar, afinal:
A oração é o desejo sincero da alma,
Expresso ou não,
O movimento de um fogo oculto
Que treme no peito.
A oração é o sopro de Deus em nós,
Retornando para o lugar de onde viemos;
O amor é o fogo sagrado interior e a oração,
A chama que se eleva.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Eis o anúncio do próprio Cristo, nos ensinando a oração Cristã científica necessária e suficiente para evoluirmos espiritualmente com segurança aqui:
“Portanto, orai deste modo:
‘Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o Vosso Nome.
Venha a nós o Vosso Reino.
Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como nos Céus.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas dívidas, assim como também perdoamos aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Porque Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre.
Amém.’
Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará; porém se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas.”
Mt 6:9-15
Esse modelo de oração fornecido a nós por Cristo Jesus é uma fórmula abstrata e algébrica para a elevação e purificação de todos os nossos veículos.
Contém três partes de oração e uma súplica. Cada uma das três partes refere-se às necessidades de um dos nossos (nós, um Tríplice Espírito) aspectos espirituais e sua contraparte no Tríplice Corpo.
Quando nós – que somos um Tríplice Espírito e possuímos uma Mente pela qual governamos um Tríplice Corpo e o transmutamos em Tríplice Alma – ora, isto acontece.
O Espírito Humano ergue-Se nas asas da devoção até sua origem, o Espírito Santo, na Sagrada Trindade, e entoa o canto iniciai, “Santificado seja o Vosso nome”.
O Espírito de Vida eleva-Se nas asas do amor e dirige-Se à origem de seu Ser, o Filho: “Venha a nós o Vosso Reino”.
O Espírito Divino sobe, junto do conhecimento superior, até o manancial onde nasceu, na aurora dos tempos, o Pai, e manifesta Sua confiança naquela Inteligência total pelas palavras “Seja feita a Vossa vontade”.
Tendo assim alcançado o Trono da Graça, nós apresentamos os nossos pedidos relativos a nossa Personalidade, o Tríplice Corpo.
O Espírito Divino ora ao Pai pela sua contraparte, o Corpo Denso: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”.
O Espírito de Vida ora ao Filho pela sua contraparte, o Corpo Vital: “perdoai as nossas dívidas, assim como também perdoamos aos nossos devedores”.
No Corpo Vital estão armazenados os registros subconscientes de todos os acontecimentos passados de nossa vida. Se, mediante a oração contínua (“orai sem cessar”), obtivermos o perdão (o arrependimento) pelos males causados aos outros e se fizermos todas as reparações possíveis e se eliminarmos todos os ressentimentos (reforma íntima), livramo-nos de muito sofrimento após a morte, além de prepararmos avançarmos no nosso crescimento anímico, que está particularmente sujeita à vitória do Corpo Vital sobre o Corpo de Desejos. Sob a forma de memória, o Corpo de Desejos imprime no Corpo Vital a ideia de vingança. Por isso o Aspirante à vida superior deve cultivar o controle emocional, porque assim estará agindo sobre os dois Corpos.
O Espírito Humano enuncia a súplica pelo Corpo de Desejos com estas palavras: “E não nos deixeis cair em tentação”.
Então todos, em coro, fazem um apelo geral pela Mente: “Livrai-nos do mal”.
O acréscimo: “Porque Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre” não foi dado por Cristo; mas representa um expressivo arremate.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1966-Fraternidade Rosacruz-SP)

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Na Fraternidade Rosacruz é oferecida a Cura Rosacruz guiada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, utilizando os Auxiliares Invisíveis como instrumentos para restaurar e curar doenças e enfermidades físicas, emocionais e mentais. O trabalho é realizado de acordo com os mandamentos de Cristo Jesus: “Preguem o Evangelho e curem os enfermos”.
Este trabalho sagrado é realizado em estrita conformidade com os Ensinamentos de Cristo, enfatizando tanto a iluminação espiritual quanto a cura física.
Quer saber mais sobre o assunto? Leia aqui: Princípios Ocultos de Saúde e Cura – A Panaceia Espiritual
Quer ver o restante? Clique aqui: Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz
Quem quer que esteja acostumado a conviver com Estudantes Rosacruzes certamente já deve ter ouvido esta pergunta:
“Como devo servir?”. E, pela frequência com que essa pergunta é feita, poder-se-ia concluir que todas as oportunidades foram avidamente aproveitadas; mas confesso, com pesar, que não é bem assim.
Você se lembra daquela música Cristã muito apreciada, “Guia-me, Luz Bendita”[1], que contém o verso: “Eu amava escolher o meu próprio caminho”? É assim que agimos, a maioria de nós. Há apenas certas coisas que gostamos de fazer, e aquele velho clamor infantil — “Eu não quero” — nos vem aos lábios ou ao coração quando nos sugerem uma forma de serviço que não nos agrada.
Ou, às vezes, o grito nasce do medo: “Ah, eu não consigo fazer isso”, esquecendo-nos do nosso lema: “se andarmos na Luz, como Ele na Luz está, seremos fraternais uns com os outros”. Temos um poder muito maior do que se trabalhássemos sozinhos; e, por trás de tudo, está a força de Nosso Deus-Pai.
Se quisermos seguir a ordem do nosso Mestre, Cristo, devemos ser servos — ou aqueles que servem — de todos. Observe bem: servos, não escravos. O escravo é impelido ao trabalho pelo açoite; o verdadeiro servo serve por amor, como uma honra e um privilégio. Às vezes, ansiamos pela oportunidade de servir a uma grande personalidade, a um instrutor ou a um escritor; contudo, a alma do ser mais humilde da Terra é tão preciosa para Nosso Deus-Pai quanto qualquer outra, e a honra de servi-Lo é igualmente grande — e as oportunidades para isso surgem aos montes, todos os dias.
Mas voltemos à pergunta: “Como devo servir?” A Parábola dos Talentos[2], no capítulo 25 do Evangelho Segundo S. Mateus, ensina-nos que o serviço deve ser realizado com todos os talentos que Nosso Mestre, Cristo, nos concedeu. Nenhum talento ou dom pode ficar guardado; todos devem ser utilizados. Lemos no Livro do Gênesis que Deus nos deu Corpos — o “Primeiro Dom”. Depois, soprou neles o fôlego da Vida — o “Segundo Dom”. E, em seguida, o dom do movimento, da audição, da visão, do olfato, do paladar, do tato e muitos, muitos outros dons ou talentos para serem usados a serviço do próximo. Mas a maior de todas as dádivas é a Vida Eterna, por meio de Seu Filho, Cristo. Se aceitarmos esses dons — ou talentos — um a um e os utilizarmos em sua plenitude a serviço de Cristo, não teremos motivo para fazer a pergunta com a qual começamos. As oportunidades surgirão em tal abundância que as horas, os dias e até mesmo a própria vida parecerão curtos demais.
Retomando a Parábola: aquele que usou todos os seus dez talentos recebeu mais — e assim acontecerá conosco; a visão, a audição e todas as outras faculdades serão ampliadas além da nossa compreensão. Além disso, novos dons nos serão concedidos. Mas não nos esqueçamos de como utilizar esses talentos: o serviço deve ser prestado ao próximo, amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) e focado na Divina Essência oculta em cada um de nós que é a base da Fraternidade. Afinal, perdemos aquilo que gastamos apenas conosco!
Imagine que, na próxima semana, cada um de nós se empenhe em utilizar, a cada dia, um talento em sua plenitude a serviço dos outros. Pode ser o nosso canto ou a nossa música; pode ser a costura ou o trabalho da terra; a agudeza da visão, a precisão da audição, o talento para a organização, para o amor Crístico ou para promover a harmonia no lar. Cada um deles certamente proporcionará um serviço repleto de alegria.
A resposta para a pergunta “Como devo servir?” só pode ser dada por você mesmo. Somente você sabe o que é capaz de fazer e até que ponto pode levar o seu “Templo Vivo” a corresponder aos seus reais anseios, a do Ego, o que realmente somos. Outros podem lhe oferecer sugestões, mas apenas você poderá dizer, ao final do dia, ao seu Corpo cansado: “Muito bem, servo bom e fiel“[3]. Sirvamos com todas as partes do templo: o cérebro, a voz, as mãos e os pés. O serviço realizado fora do Templo não tem tanto valor quanto a entrega de si mesmo. Podemos adaptar as palavras de Lowell[4], em “Visão de Sir Launfal” e dizer: “O serviço sem aquele que serve é vazio”. Talvez você pergunte: a quem devemos prestar serviço? Encontramos a resposta no Ritual Rosacruz do Serviço Devocional do Templo: “Serviço amoroso e desinteressado para com os outros” — isto é, para a Humanidade; mas a Humanidade tem duas faces: a física e a espiritual. A qual delas devemos servir? Prestamos muitos serviços no plano físico da vida, provendo alimento, vestuário, abrigo, lazer e assim por diante. Lemos que devemos “procurar servir a Divina Essência oculta em cada um de nós” do Templo físico; mas só podemos servir por meio do Templo físico porque a Divina Essência — o nosso aspecto espiritual— está oculta em nosso interior. Portanto, devemos alcançá-la por meio de nossos pensamentos, ou seja, do motivo subjacente ao ato de servir.
Se nossas vidas forem consagradas ao serviço deve ser prestado ao próximo, amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) e focado na Divina Essência oculta em cada um de nós que é a base da Fraternidade, atrairemos oportunidades da mesma forma que um ímã atrai limalha de ferro.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de dezembro de 1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Guia-me, Luz Bendita, em meio à treva que me cerca,
Guia-me Tu!
A noite é escura e estou longe do lar,
Guia-me Tu!
Guarda os meus passos; não peço ver
O horizonte distante; um passo me basta.
Nem sempre fui assim, nem pedi que Tu
Me guiasses;
Eu amava escolher e ver o meu caminho; mas agora
Guia-me Tu!
Eu amava o dia resplandecente e, apesar dos medos,
O orgulho regia a minha vontade. Não te lembres dos anos passados!
Por tanto tempo o Teu poder me abençoou; certamente ainda
Me guiará.
Por charcos e pântanos, por rochedos e torrentes, até que
A noite se vá,
E com a manhã sorriam aqueles rostos de anjos,
Que amei há muito tempo e perdi por um breve instante!
[2] N.T.: 14Pois será como um homem que, viajando para o estrangeiro, chamou os seus próprios servos e entregou-lhes os seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um de acordo com a sua capacidade. E partiu. Imediatamente, 16o que recebera cinco talentos saiu a trabalhar com eles e ganhou outros cinco. 17Da mesma maneira, o que recebera dois ganhou outros dois. 18Mas aquele que recebera um só o tomou e foi abrir uma cova no chão. E enterrou o dinheiro do seu senhor. 19Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e pôs-se a ajustar contas com eles. 20Chegando aquele que recebera cinco talentos, entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me confiaste cinco talentos. Aqui estão outros cinco que ganhei’. 21Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’” 22Chegando também o dos dois talentos, disse: ‘Senhor, tu me confiaste dois talentos. Aqui estão outros dois talentos que ganhei’. 23Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’ 24Por fim, chegando o que recebera um talento, disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste. 25Assim, amedrontado, fui enterrar o teu talento no chão. Aqui tens o que é teu’. 26A isso respondeu-lhe o senhor: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que eu colho onde não semeei e que ajunto onde não espalhei? 27Pois então devias ter depositado o meu dinheiro com os banqueiros e, ao voltar, eu receberia com juros o que é meu. 28Tirai-lhe o talento que tem e dai-o àquele que tem dez, 29porque a todo aquele que tem será dado e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem será tirado. 30Quanto ao servo inútil, lançai-o fora nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!’
[3] N.T.: Mt 25:21
[4] N.T.: James Russell Lowell (1819-1891) – poeta romântico, crítico, satírico, escritor, diplomata e abolicionista americano.
Um dos traços de união entre os Estudantes Rosacruzes é o desejo comum de ajudar o próximo. Um dos principais motivos de nossas Reuniões de Estudos é orar pelos necessitados e tentarmos, seriamente, seguir a advertência de Cristo para orarmos uns pelos outros. Os Rituais dos Serviços Devocionais que oficiamos têm esse conteúdo!
Há pessoas, porém, que sentem que suas preces não estão “produzindo resultados”; que não podem ajudar um ente querido necessitado, que compreendem o problema alheio, mas estão incapacitados de ajudar a resolvê-lo. Podem sentir também que existem condições além de sua capacidade, chegam a pensar que são dignos de pedir, quanto mais de receber a resposta tão esperada às suas preces. Percebem que suas preces não estão sendo respondidas como esperavam. Se alguém já passou por alguma destas experiências há sugestões que podem ser úteis.
Primeiro, vamos tentar definir a palavra “prece”. Basicamente prece é:
A oração mais conhecida no mundo Cristão é a Oração do Senhor (Pai-Nosso). Aprendemos na Fraternidade Rosacruz a mais sublime explicação para essas santas palavras. Esta prece foi ensinada por Cristo Jesus aos Apóstolos, para ser usada em benefício deles próprios, mas é usada por todos e, também, pelos Estudantes Rosacruzes como uma fórmula científica (porque é uma oração científica!) para a elevação e purificação dos Corpos e veículos que possuímos.
Usando o capítulo 17 do Evangelho Segundo de S. João[1] como base para fazer com que nossas preces se tornem mais eficientes, devemos ressaltar dez pontos:
1) Algumas pessoas que rezam fracassam porque são egoístas. Os 26 versículos deste capítulo podem ser divididos em 3 partes: os primeiros oito versículos constituem a prece de Cristo Jesus para Ele mesmo; os versículos 9 a19 são a Sua prece para Seus Discípulos; e os versículos 20 a 26 são para aqueles que irão acreditar n’Ele mais tarde – o que nos inclui.
Na primeira parte, Cristo Jesus estava rezando não só para Ele próprio, como também para a glorificação de Deus-Pai. “glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique”. “Eu te glorifiquei na Terra e terminando a obra que me deste para fazer”. Ele não procurou glória para Si, mas apenas que o Pai pudesse ser glorificado e Sua verdadeira essência revelada.
Ao orar pelos outros devemos ficar atentos para não glorificarmos a nós mesmos e a nossos desejos. Ocasionalmente podemos não nos aperceber de que nos tornamos ditadores ao procurar impor nossa vontade pessoal ou ao tentar forçar alguém a aceitar modelos pré-concebidos. Talvez estejamos rezando: “Faça-o enxergar as coisas do meu modo”, ao invés de: “Ajuda-me a encontrar a melhor solução”, ou: “Faze com que a luz da verdade ilumine sua Mente”, ou simplesmente: “Tuas vontades serão feitas, Pai”.
É fácil desviar as preces que fazemos para os outros, de modo a satisfazer o que nós queremos para eles ou pensamos que eles deveriam querer ou ter. É uma cilada contra a qual precisamos estar sempre de prontidão, especialmente quando se trata de pessoas muito chegadas a nós. Pode não ser difícil parecer que estamos conformados quando pedimos por aqueles que estão longe e não são tão íntimos, mas para aqueles com quem temos uma relação mais chegada, é muito difícil nos desvencilharmos do nosso Ego e tentarmos rezar para o bem dessa pessoa entregando-a a Deus, mesmo que seja contra o que gostaríamos que acontecesse. Portanto, se nossas preces parecem não produzir resultados, vamos examinar nossos motivos e talvez aí encontremos a razão para o fracasso.
2)Devemos sempre reconhecer a qualidade da liberdade no amor Crístico, mesmo quando vemos que alguém está cometendo o que consideramos um grande erro. Devemos dar liberdade a esta pessoa para que se desenvolva a sua maneira. Talvez vejamos alguém muito querido ou querida deixando-se levar para uma situação que sabemos irá causar-lhe sofrimento e queremos evitar que isto aconteça e que a pessoa sofra.
Porém, talvez, seja preciso, para que a pessoa aprenda experimentar certas provações e aflições, a fim de receber uma lição necessária. Talvez o engrandecimento da alma venha através desta experiência porque, infelizmente, aprendemos muito mais com nossas próprias experiências do que com conselhos.
Quando bebês, ao aprendermos a andar, tivemos muitas quedas. Se nossas mães nos tivessem carregado sempre em seus braços, certamente não teríamos tido tantas quedas, manchas roxas e choros, mas também não teríamos aprendido a andar. A mãe carinhosa, certamente quer proteger seu filho de quedas físicas, emocionais e espirituais, mas somente experimentando algumas dessas quedas e por meio da liberdade do poder tentar, acertar e fracassar sozinhos é que aprendemos a andar retos, tanto fisicamente como de outras maneiras.
Cristo Jesus nos ensinou: “Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno“[2]. Ele não rezou para que Seus queridos Apóstolos fossem tirados do mundo, mundo este cheio de desafios, provocações, frustrações e conflitos, mas que eles fossem protegidos do mal. Devemos deixar nossos entes queridos livres para encontrar o bem supremo, da maneira que for melhor para eles. Podemos rezar para que Cristo os conduza nos caminhos da honradez e probidade. O Cristo Interno deve reconhecer o Cristo daquele por quem rezamos e dar-lhe liberdade individual para fazer sua própria escolha.
3)Não devemos jamais implorar ou suplicar. Implorar supõe que estamos tentando superar uma relutância por parte de Deus. Não há necessidade de se implorar a Deus em nome de outra pessoa, uma vez que o seu bem-estar já é muito conhecido no coração de Deus-Pai.
Muitas referências nas Escrituras Sagradas afirmam esta verdade. “Nosso Pai conhece as coisas de que necessitamos, antes de as pedirmos” (Mt 6:8). “Não é da vontade do Pai que nós devamos morrer” (Mt 18:14). “É prazer do Pai dar-nos o Reino” (Lc 12:32). Podemos estar certos de que a vontade de Deus para nós é perfeição.
A prece de Cristo Jesus era: “Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim“. Nossas preces não mudam o que Deus pensa sobre nós. Ele já nos determinou perfeição. Não temos que negociar com Deus. A prece não muda Deus e não O impele a fazer o que Ele não almeja para nós. A prece nos coloca num estado de receptividade do bem que Deus já planejou para nós. Portanto, ao invés de implorar e suplicar, vamos reivindicar o que há de bom, já estabelecido em espírito. Cristo Jesus corajosamente rezou para o Pai: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estou, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo.” (Jo 17:24).
4)Devemos confirmar a verdade na fé, confiança e na gratidão. Quando Cristo Jesus ressuscitou Lázaro, Ele disse com plena fé e confiança: “Pai, Eu Vos agradeço por me teres ouvido e sei que sempre me ouvis” (Jo 11:41).
Nas duas ocasiões quando alimentou as multidões, Ele primeiro agradeceu pela dádiva que foi dada, muito embora ainda não tivesse sido manifestada no plano exterior. Agradecendo desta maneira, demonstra fé, confiança e desperta estas qualidades em outros, que, por sua vez, se tornam melhores canais pelos quais Deus pode fazer Sua obra.
5)Não volte atrás em suas preces! É de pouca valia orar com palavras positivas se, continuamente, estamos projetando um quadro negativo na tela da nossa Mente. Se visualizarmos e, deste modo, enfatizamos a parte negativa ou condição que precisa ser eliminada, estamos desfazendo todo nosso trabalho de orar. Você se lembra da Parábola da Casa Vazia (ou dos maus espíritos)[3]? Depois de estar completamente limpa, ela permaneceu vazia; os maus espíritos voltaram e trouxeram sete vezes piores espíritos com eles. Ideias sombrias e pessimistas sobre quem oramos devem ser eliminadas de nossa casa de pensamentos. Inclinações duvidosas, temores e ansiedade devem ser varridos com fortaleza e na nossa Mente só devemos colocar pensamentos firmes e positivos.
6)Devemos imaginar os perfeitos resultados da oração. Nossa faculdade de imaginar desempenha um importante papel no que diz respeito a “chamar” as condições desejadas.
Se rezamos pela saúde de alguém, vamos imaginá-lo sempre com boa saúde. Se rezamos pela paz de espírito, harmonia ou qualquer outra condição desejada, vamos imaginá-lo já gozando deste estado de espírito. “Está decidido: tu manterás a paz, sim, a paz, porque a ti foi ela confiada.” (Is 26:3). Fixando nossa atenção em Deus e na sua bondade, fortalecemos Sua presença e atividade.
Ao visualizarmos alguém circundado pela Luz de Cristo, estamos protegendo-o do mal e ajudando a antecipar a cura, seja de doenças ou enfermidades física, emocionais ou mentais. Desta maneira nos tornamos co-criadores com Deus e ajudamos a estabelecer o Reino dos Céus na Terra.
7)Não devemos colocar limites nas nossas preces ou orações. Com Deus nada é impossível; não há limitações em Deus. “Se me pedirdes algo em meu nome, eu o farei.” (Jo 14:14).
Cristo Jesus nos ensinou: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino!” (Lc 12:32). O desejo do Pai para conosco é o bem, nada a não ser o bem, de maneira que devemos ficar receptivos e abertos para todo o bem que o Pai tem reservado para nós. Poderá vir em bênçãos como um aguaceiro derramado das janelas do Céu.
8)A qualidade sentida, presente, de agora é eficiente na oração. A manifestação da resposta perfeita de Deus é possível agora mesmo, se houver fé e compreensão suficientes para chamá-la. “Acontecerá então que antes de me invocarem, eu já lhes terei respondido” (Is 65:24).
Deus está aqui, agora, e basta invocar Seu Amor e Poder de maneira correta, para recebermos respostas completas e perfeitas.
9)Devemos dar à oração um profundo sentido de alegria. “Agora, porém, vou para junto de ti e digo isso no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria.” (Jo 17:13).
Se estamos cientes da presença e poder de Deus, como Cristo Jesus estava, não deixaremos de ser agraciados com a felicidade.
A oração verdadeira é alegre, porque reflete a convicção que Deus está no comando de Seu mundo e que tudo está na ordem divina, apesar de toda a aparência em contrário.
10)Nossas Mentes e nossos Corpos devem estar limpos e puros. No Ritual do Serviço Devocional de Cura da Fraternidade Rosacruz encontramos estas palavras: “Se desejamos ser verdadeiros auxiliares no trabalho iniciado pelos Irmãos Maiores devemos converter nossos Corpos em instrumentos adequados e purificá-los por meio de uma vida pura, pois num vaso sujo não pode haver água pura e saudável, nem pode uma lente manchada dar uma imagem nítida. Também, não é possível irradiarmos uma força curadora pura e forte, se não mantivermos limpos e puros os nossos Corpos e as nossas Mentes.”.
Nem o puro e forte Poder de Cura pode ser emanado daqui a não ser que mantenhamos nossas Mentes e nossos Corpos limpos e puros. Quando Cristo Jesus subiu o Monte da Transfiguração, Ele levou consigo três de Seus Discípulos: S. Pedro, S. Tiago e S. João.
Enquanto estavam com Ele, os demais Discípulos foram abordados por um homem que pedia a cura de seu filho, possuído pelos maus espíritos. Eles tentaram, mas não conseguiram a cura. Quando Cristo Jesus, acompanhado de S. Pedro, S. Tiago e S. João retomou e curou o menino imediatamente.
Os Discípulos, desanimados pela inabilidade em demonstrar o poder da cura que Cristo Jesus havia ensinado, perguntaram o porquê. Sua resposta foi: “Este tipo de cura só acontece com prece e abstinência”. Que outra manifestação mais clara precisamos ter para nos certificarmos da necessidade de purificar os nossos Corpos e as nossas Mentes?
Devemos nos alimentar com pensamentos saudáveis e puros. Não podemos deixar nossas Mentes se fortalecerem com pensamentos negativos, nem permitir que sentimentos desta natureza nos guiem.
Assim como seguimos instruções de nossos Irmãos Maiores para um regime vegetariano, a fim de conservarmos nossos Corpos puros, vamos prestar atenção no que S. Paulo nos ensinou sobre a purificação da Mente: “Quanto aos mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é santo, tudo o que é amável, tudo o que é de bom nome, qualquer virtude, qualquer coisa digna de louvor da disciplina, seja isto objeto dos vossos pensamentos” (Fp 4:8).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.T.: 1Assim falou Cristo Jesus, e, erguendo os olhos ao céu, disse: “Pai, chegou a hora: glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique, 2e que, pelo poder que lhe deste sobre toda carne, ele dê a vida eterna a todos os que lhe deste! 3Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Cristo Jesus. 4Eu te glorifiquei na terra, concluí a obra que me encarregaste de realizar. 5E agora, glorifica-me, Pai, junto de ti, com a glória que eu tinha junto de Ti antes que o mundo existisse. 6Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e os deste a mim e eles guardaram a tua palavra. 7Agora reconheceram que tudo quanto me deste vem de ti, 8porque as palavras que me deste eu as dei a eles, e eles as acolheram e reconheceram verdadeiramente que saí de junto de ti e creram que me enviaste. 9Por eles eu rogo; não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus, 10e tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu, e neles sou glorificado. 11Já não estou no mundo; mas eles permanecem no mundo e eu volto a ti. Pai santo, guarda-os em teu nome que me deste, para que sejam um como nós. 12Quando eu estava com eles, eu os guardava em teu nome que me deste; guardei-os e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para cumprir-se a Escritura. 13Agora, porém, vou para junto de ti e digo isso no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria. 14Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os odiou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo. 15Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. 16Eles não são do mundo como eu não sou do mundo. 17Santifica-os na verdade; a tua palavra é verdade. 18Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19E, por eles, a mim mesmo me santifico, para que sejam santificados na verdade. 20Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim:21a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. 22Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um: 23Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim. 24Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estou, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo. 25Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci e estes reconheceram que tu me enviaste. 26Eu lhes dei a conhecer o teu nome e lhes darei a conhecê-lo, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles”.
[2] N.T.: Jo 17:15
[3] N.T.: 43Quando o espírito impuro sai do homem, perambula por lugares áridos, procurando repouso, mas não o encontra. 44Então diz: ‘Voltarei para a minha casa, de onde saí’. Chegando lá, encontra-a desocupada, varrida e arrumada. 45Diante disso, vai e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele, e vêm habitar aí. E, com isso, a condição final daquele homem torna-se pior do que antes. Eis o que vai acontecer a esta geração má.” (Mt 12:43-45). 24Quando o espírito impuro sai do homem, perambula em lugares áridos, procurando repouso, mas não o encontrando, diz: ‘Voltarei para minha casa, de onde saí’. 25Chegando lá, encontra-a varrida e arrumada. 26Diante disso, vai e toma outros sete espíritos piores do que ele, os quais vêm habitar aí. E com isso a condição final daquele homem torna-se pior do que antes”. (Lc 11-24-26)
Saibamos ou não, concordemos ou não, mas somos Espíritos, partes integrantes de Deus, que é Espírito também, Fonte de todo o Amor e de todo o Bem. N’Ele não existe um só vestígio de mal. Por essa razão, não podemos atribuir-Lhe nossos sofrimentos, como tantas pessoas o fazem.
Desde que completamos nossa instrumentação com a Mente, com a razão, começamos a nos dirigir sozinhos. O livre-arbítrio e a experiência passaram a ser os dois fatores para a nossa evolução e elevação. É bom pensar muito bem nisso!
Se existe qualquer dificuldade ou sofrimento em nossa vida, não atribuamos a Deus. Antes, devemos encará-los como desafios à perfeição que um dia deveremos alcançar, segundo nos ensinado por Cristo: “Sede perfeitos como vosso Pai Celestial” (Mt 5:48). Se o leitor é pai, não deseja que seu (sua) filho (a) se torne maior ainda que você? E para isso não deve ele aprender a fazer as coisas sozinho?
“Mas devemos ter assistência, como a que damos a nossos filhos” – poderá responder.
Sim, recebemos, desde que as desejemos. Quem procura, encontra.
Temos inúmeras provas disso. Um dia encontramos, como por acaso, a Fraternidade Rosacruz, e nela nos ofereceram um manancial de razões que nos transformaram o viver e nos tornaram possível suportar muita coisa que nada tem a ver com Deus, senão com nossas próprias falhas. Desde então as fomos corrigindo. Consideramos essa uma correta orientação, uma perfeita assistência. Dá-nos meios para que nós mesmos nos corrijamos.
Uma causa única existe para nossos males: é o desvio às Leis de Deus, mantenedoras da harmonia do Universo. Muita gente, presa de sofrimento e dificuldades por esse mundo afora, já ouviu falar nisso, porém, de uma forma insatisfatória. Suas dúvidas continuaram e as perguntas surgem naturalmente: se somos partes de Deus, que é o Supremo Amor e Bem, em Quem não há sequer o menor vestígio de mal, por que sofremos, então? Por que tantas dificuldades em nossa vida? Que Pai é esse que se compraz com nossos sofrimentos?
Quando alguém procura a causa de seus sofrimentos já é um importante passo para encontrar sua solução.
No íntimo de seu ser reconhece que deve haver uma causa. E há mesmo. Poderíamos desfiar uma série delas, as mais importantes e prováveis a cada caso. Mas cada indivíduo é um mundo à parte. Suas condições internas são singulares. O modo como recebe as coisas, também. Por isso o conhecer isso por meio dos Ensinamentos Rosacruzes e a maravilhosa Filosofia Rosacruz se consegue chegar a “sua” causa.
Tudo ali se faz no sincero intuito de elevar a Humanidade, por meios Cristãos e seguros e sem objetivos comerciais.
Importante frisar que na Fraternidade Rosacruz não há esforço de proselitismo. Mas tudo que se aprender é para que o Estudante Rosacruz encontre por si mesmo o que precisa. Para isso há os cursos gratuitos (inclusive todo o material) para se capacitar (sem estudos constantes é impossível evoluir em uma Escola, como o é a Fraternidade Rosacruz). Com certeza, o Estudante Rosacruz encontra respostas a todas as perguntas que lhe suscite o íntimo, sejam de ordem material ou espiritual. Nela você encontrará tudo o que deseja saber a respeito de Deus, da criação e de sua própria evolução.
Afinal, como nos ensinou S. Tiago: “se sua vida carece ainda de esclarecimento, procure-o” (Tg 1:5).
Afinal, a Filosofia Rosacruz ensina que Deus está em todo lugar e principalmente no coração de quem esteja sinceramente pondo em prática os princípios Cristãos.
E conforme esses princípios mesmos é que tudo que a Fraternidade Rosacruz oferece é de graça, pois de graça recebemos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz –outubro/1966-Fraternidade Rosacruz-SP)
Não importa quão pequeno ou pouco importante que sejamos, alguém tem necessidade de nossa ajuda. Não importa quão ignorante possamos ser, ou o pouco talento que tenhamos, ali, muito perto de nós, há um serviço que só nós podemos prestar. A cada um de nós foi dado oportunidades para servir; não as percamos por nosso descuido ou indiferença. Não as percamos por esperar grandes oportunidades a realizar. O serviço que achamos pequeno e sem importância, pode produzir o maior bem. Basta um instante para estender a mão que pode ajudar a alguém a encontrar seu caminho ou uma estrela a qual seguir. Uma só palavra de alento ou de compreensão pode levantar a uma alma do mais profundo desespero e ajudá-lo a começar uma vida nova.
Quando se nos dá a oportunidade de servir, não desperdicemos tão preciosa ocasião em perguntarmos: “Me trará alguma benção?”; “que proveito terá nisso?”; “meu prazer antecipado diminuirá seu valor?”; “requererá muito esforço?”; “por que não deixar para que outra pessoa o faça?”; “poderei deixar para amanhã?”, e outras mil e uma desculpas. É muito melhor, sem perder tempo, dirigirmos a palavra ou estendermos a mão a quem necessita, com alegria e gratidão pela oportunidade que se nos apresenta de fazer um serviço, e esse é um de nossos privilégios, o de Servir.
“Tudo o que fizerdes em favor do menor de meus irmãos, a Mim o haveis feito” (Mt 25:40), ensinou-nos Cristo. Demonstraremos nosso amor por Ele, amando nossos irmãos e nossas irmãs. Servimo-Lo melhor, servindo nossos irmãos e nossas irmãs. Adoramo-Lo melhor quando oferecemos em Seu nome, nosso serviço desinteressado.
Foi-nos ensinado que “o serviço amoroso e desinteressado é o caminho mais curto, mais seguro e o mais agradável que nos conduz a Deus“. Isto se refere ao serviço que não se executa com fim de se obter lucros.
O serviço desinteressado tem sua fonte de Amor, o amor a nosso Pai e aos nossos irmãos e as nossas irmãs.
O progresso espiritual nos vem pelo serviço, porém este serviço nunca será realizado se ficarmos parados na metade do caminho. Esqueçamos nossas limitações e as nossas faltas.
Há sempre um serviço que podemos fazer melhor do que qualquer outro do mundo. Façamo-lo em nome de Deus.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1981, Fraternidade Rosacruz – SP)
Um colega de serviço vivia repetindo, em voz alta, esta frase: “eu nada sei, só sei que nada sei”. Ouvia-o e cada vez me punha a meditar, ponderando, entre mim, que, sendo ele espiritualista, havia de ter um lado positivo nessa afirmação, uma advertência que o pusesse alerta contra o personalismo pretensioso que enfeia tantas pessoas. Mas um dia, durante o lanche, provoquei uma troca de ideias sobre o assunto. E por muitos dias continuamos, em episódios, o exame da questão, julgando de interesse pô-lo aqui para análise e ampliado, por parte dos leitores. Queremos falar de humildade num ponto de vista mais elevado e não pelo mal-entendido ponto de vista, segundo o qual a humildade é sinônimo de capacho ou de subserviência a poderes sociais ou econômicos.
Somos um ser complexo. Como Espírito, centelha de Deus, que nos faz semelhante à Deus-Pai, trazemos uma longa jornada de experiências, em que passamos por estágios de consciência equivalentes aos minerais, vegetais, animais, em que adquirimos nosso Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos correspondentes aos nossos veículos de expressão em cada Mundo. Atingindo o estado de Humanidade, no início da Época Atlante, tivemos nosso Corpo de Desejos dividido em duas partes: sentimentos elevados e sentimentos inferiores. Essa parte inferior do Corpo de Desejos foi juntada à Mente recém-adquirida, constituindo os dois, uma “alma animal”, a Personalidade, uma parte de nós voltada para a Região Concreta do Mundo do Pensamento, Mundo do Desejo e Mundo Físico.
Nesse tempo sofremos a influência passional dos Anjos decaídos ou Espíritos Lucíferos. Tais Espíritos não podiam alcançar a evolução natural da Onda de Vida dos Anjos, de que se haviam afastado e por isso restava-lhes trabalhar sobre o incipiente cérebro humano, induzindo a paixão (pois o cérebro está ainda ligado ao Corpo de Desejos). Desenvolvemos os primeiros trabalhos da Mente, sob a forma primitiva da astúcia e ao ingressar na presente Época Ária começamos a exercitar a Razão.
Ao falar assim, referimo-nos às pessoas que vivem no lado ocidental, pois ainda há irmãos e irmãs em estágios primitivos de consciência exercitando a astúcia e com um Corpo de Desejos superior muito reduzido e de pouca expressão altruística. Acresce notar que essa ação dos Espíritos Lucíferos, pelo nosso abuso sexual – por livre e espontânea vontade –, pelo egoísmo e outras formas passionais que insistimos em manifestar nas nossas vidas aqui, nos embruteceu a nossa sensibilidade e os nossos Corpos, fazendo-nos perder a visão espiritual e acreditar apenas na realidade deste Mundo material em que, provisoriamente, estamos.
Recebemos a primeira ajuda: as Religiões de Raça, Jeovísticas, como o objetivo de nos ajudar a controlar o nosso Corpo de Desejos que insistíamos em encher somente com materiais das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo. Mas usamos essa ajuda para induzir a nós mesmos a divisão e ao egoísmo, embora tais Religiões tenham disciplinado relativamente o nosso Corpo de Desejos com a ação restritora das Leis Mosaicas.
Como insistimos no erro, chegando a um estado evolutivo extremamente perigoso, arriscando a perdermos (uma grande maioria de nós) a oportunidade de continuar evoluindo nesse atual Esquema de Evolução, recebemos uma segunda ajuda. Conhecemos como a vinda da Religião do Filho – a Religião Cristã –, cuja expressão, Cristo, inaugurou uma nova fase evolutiva, onde o Cristo implantou o Seu Plano de Salvação e se tornou o Espírito Planetário da Terra. Só que, também devido a nós mesmos, a Religião Cristã ainda não foi implantada como deve ser, ou seja, o altruísmo (que foi introduzido e ensinado por Cristo) não virá senão quando os últimos vestígios de egoísmo tenham desaparecido, com as formas inferiores de expressão. E isso depende somente de cada um de nós, exercendo o livre arbítrio, ou seja: de dentro para fora.
Esta digressão é necessária para compreendermos que nós atualmente, quando renascidos aqui, nos embrutecemos até onde os nossos Corpos nos permitirem. Somos o que pensamos, o que sentimos, o que percebemos. Aqui estamos limitados pelo grau de aperfeiçoamento dos nossos veículos o Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.
Nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) sim, nos esforçamos para isso através da Mente, o foco entre o Ego e os nossos veículos e por isso simbolizada por Mercúrio, o Mensageiro dos Deuses. Mas estamos limitados, nessa expressão, pela condição dos nossos veículos que construímos (com o nível de evolução que chegamos até a última vida aqui) e usamos.
Disso tudo inferimos que nós sabemos algo! Nós temos dentro de nós mesmos uma bagagem imensa de experiências passadas, que vão formando a nossa Tríplice Alma. Chamamos a essa bagagem, a Memória ou Mente Superconsciente, a que temos acesso apenas pelo desenvolvimento dos Éteres superiores e contato com o Mundo do Espírito de Vida, via alcançando as Iniciações, preconizadas pela Fraternidade Rosacruz.
Mas essa forma de memória não nos vem pela Mente, senão pelo Coração. Cristo está trabalhando sobre toda a Terra e afetando os nossos Corpos humanos para lograr uma transformação do nosso Coração, formando estrias para, através dele, afetar todo o nosso Corpo Denso e dar mais livre expressão à nós, o Ego, ainda prisioneiro nas grades de nossas limitações.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, compreendendo profundamente esse plano Crístico, ensinam aos Estudantes Rosacruz – a partir de um certo nível no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz – a conquistar o equilíbrio entre a Mente e o Coração, condicionando as possibilidades daquele, aos ditames deste. É um plano de libertação que possibilitará ao Estudante Rosacruz se livrar da consciência atual, muitas vezes mais próximas da consciência animal, para a Consciência de um indivíduo, onde o Ego dirige seus veículos, exprimindo ambos a mesma coisa, como a citada fonte dos evangelhos, de que não fIui ao mesmo tempo água doce e salgada. Os místicos buscam apenas esta fonte de pureza pelo Coração. Os ocultistas desenvolvem a Mente. A Ordem Rosacruzes busca unir as nossas expressões pelo equilíbrio perfeito entre Mente e Coração.
Afinal, sabemos ou não sabemos? Está claro que sim, mas nosso conhecimento ainda é passível de muita cautela, porque sofre interferências várias e deturpa, muitas vezes, os nossos reais propósitos.
Um Estudante Rosacruz não diz: “eu nada sei, eu sou um pobre diabo, um imprestável, um ignorante”. Tampouco diz: “eu tudo sei, eu tudo posso”, como ensinam algumas escolas espiritualistas pregadoras de afirmações e negações. Afinal, como aprendemos na Fraternidade Rosacrduz: “de que valeria a uma bolota de carvalho, sendo semente, dizer: eu sou um carvalho? Ela será um carvalho, sob condições favoráveis de desenvolvimento, mas por enquanto não é, apesar de todas suas afirmações; assim é o ser humano em relação à perfeição divina”.
A afirmação deve ser feita em silenciosa convicção, na interna vontade, para estendermos aos atos os nossos propósitos, depois de haver afetado o subconsciente. Não de forma negativa, renunciando, de princípio, às possibilidades divinas latentes e poderes adquiridos. Que efeito podemos esperar, desse modo, sobre nós?
Não gostamos de extremos. Tudo é relativo (pois só Deus é absoluto!) e, conhecendo amplamente os diversos fatores que fazem de cada um de nós essa realidade atual, buscamos aperfeiçoá-lo, sabendo que não somos nada e nem tudo, mas que caminhamos para a perfeição a que nos destina o Criador, pondo-nos todos os recursos para isso, inclusive ajuda externa.
A verdadeira humildade, pois, está na consciência dessa relatividade evolutiva, que nos põe no nosso devido lugar, no qual não se justificam orgulhos nem personalismos, embora estes nos assaltem nas repetidas tentações, por forças dos vícios de origem, ainda não sublimados.
Forçoso é reconhecer: a verdade tem muitos degraus e o acesso aos superiores pressupõe havermos passado pelos inferiores, as verdades parciais, mas nem por isso desprezíveis, pois são as partes e fundamentos do todo almejado.
Para concluir, não dizemos “eu nada sei, só sei que nada sei”, mas sim: “sou uma semente de Deus e posso me converter na própria árvore e estatura de Deus. Estou trabalhando para isso, orando e vigiando, fazendo fielmente os Exercícios Esotéricos Rosacruzes de Observação, Discernimento, de Retrospecção, de Concentração e oficiando os Rituais dos Serviços Devocionais diariamente, que me ensinam, cada vez mais, a conhecer minha própria natureza, a fim de transubstanciá-la na força anímica que me permitirá o retorno consciente ao que realmente sou, um Ego, e através deste, a Deus”.
“Quem se humilha será exaltado” (Mt 23; 12), mas quando a humildade é bem compreendida. Reduzir-se, anular-se é negar as possibilidades divinas latentes e descrer em nós mesmos, o Ego. E sendo nós um Ego (e não os nossos Corpos, especialmente, como muito acham, o Corpo Denso), como podemos falar de nós como se fossemos os Corpos e suas limitações? Somos isto sim, prisioneiros conscientes, trabalhando pela libertação das invisíveis grades e cadeias que, simbolicamente, prendiam Prometeu ao Cáucaso[1]. Mas seremos também Hércules[2], o “super-homem” e nos libertaremos destas condições, mediante o esforço perseverante e racional, passo a passo, pois a Natureza não dá saltos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: da mitologia grega: foi um defensor da humanidade, conhecido por sua astuta inteligência. Roubou o fogo dos deuses e o deu aos homens. Isto assegurou a superioridade dos homens sobre os outros animais. Todavia o fogo era exclusivo dos deuses. Como castigo a Prometeu, Zeus ordenou a Hefesto que o acorrentasse no cume do monte Cáucaso.
[2] N.R.: nome em latim dado pelos antigos romanos ao herói da mitologia grega Héracles, filho de Zeus.
Resposta: Azul é a cor de Deus-Pai, que reina sobre todo o universo continuamente, desde o início até o fim da manifestação, onipresente em tudo o que vive, respira e tem existência própria. Vermelho ou escarlate é a cor de Deus-Espírito Santo, que gera os seres viventes. Quando a Vida assume uma expressão errônea, se restringida por um código de leis, o Espírito Santo se torna Jeová, o Legislador. Amarelo é a cor de Deus-Filho, Cristo, o Senhor do Amor que por esse Princípio divino transcende a lei e nos leva novamente de volta, em contato direto e harmonia com Deus-Pai.
Assim, você verá que, sob o antigo regime, era impossível incluir o amarelo e tornar as três cores primárias como símbolo do Templo. Naquele momento, Deus-Pai e Jeová reinavam. O azul e o escarlate, Suas cores, figuravam no Templo, e a púrpura, que é a cor resultante da mistura das duas cores primárias mencionadas anteriormente, também lá estavam, mostrando não apenas sua existência separada como também a sua unidade. Por último, havia o espaço em branco, emblemático do fato de que ainda algo permanecia sem se manifestar, e esse algo era a terceira cor, a amarela.
Desde o tempo de Cristo, a verdadeira Escola de Mistérios Ocidentais, a Ordem Rosacruz, têm como seu emblema as Rosas Vermelhas, símbolo da purificação da natureza de desejos; a estrela dourada, mostrando que Cristo nasce dentro do discípulo e irradia de suas cinco pontas, que representam a cabeça e os quatro membros. Isto se reflete no fundo azul, símbolo do Pai. Assim, demonstra-se que a manifestação de Deus, a unidade na Trindade, foi realizada.
Muitas vezes pensei que faltava alguma coisa na literatura da Fraternidade Rosacruz, ou seja, um livro devocional, e milhares dos nossos Estudantes Rosacruzes provavelmente sentiram o mesmo. Para suprir essa lacuna, muitos recorreram a livros de origem oriental, o que é uma prática desaconselhável e muito ruim. Há muitas vidas, quando nós, do Mundo ocidental, estávamos renascidos em Corpos orientais, numa época em que não havia o Mundo ocidental tal como o conhecemos hoje, essa espécie de coisas nos servia, mas atualmente já avançamos muito além e devemos, em vez disso, buscar orientação em nossos verdadeiros santos Cristãos no Caminho da Devoção. Meu livro de cabeceira especial tem sido A Imitação de Cristo de Thomas de Kempis. É realmente um livro maravilhoso. Não há uma só situação na vida que não encontre nele alguma referência adequada; e quanto mais o lemos, mais o admiramos. Você provavelmente sabe que os residentes em Mount Ecclesia se revezam, em ordem alfabética, nas leituras durante os ofícios dos Rituais do Serviço Devocional da manhã e da noite. Sempre que chega a minha vez, pego o livro de Thomas de Kempis e leio um capítulo, do começo ao fim. Depois, repetindo-o algumas vezes. Não há um único trecho cansativo em todo o livro, e seria muito proveitoso que os Estudantes Rosacruzes que sentem o desejo de algo que identifique sua devoção, escolherem essa pequena obra para leitura. Acredito que ele possa ser adquirido na maioria das livrarias do mundo.
(Pergunta nº 81 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)