Resposta: Responder a essa pergunta exigiria muitos volumes, mas podemos dizer que, do ponto de vista do ocultista, há quatro classes de insanidade ou demência.
A insanidade ou demência é sempre causada por uma ruptura na cadeia dos veículos entre o Ego e o seu veículo Corpo Denso. Essa ruptura pode ocorrer entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, ou entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, entre o Corpo de Desejos e a Mente, ou entre a Mente e o Ego. A ruptura pode ser completa ou apenas parcial.
Quando a ruptura acontece entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, ou entre esse e o Corpo de Desejos, temos pessoas com deficiência intelectual extrema. Quando a ruptura ocorre entre o Corpo de Desejos e a Mente, o Corpo de Desejos violento e impulsivo domina e temos o maníaco delirante. Quando a ruptura se dá entre o Ego e a Mente, a Mente domina os outros veículos e temos o maníaco astuto, que pode enganar a pessoa que está cuidando dele, fazendo-a acreditar que é perfeitamente inofensivo, enquanto trama algum plano ardiloso e diabólico. Então, ele pode repentinamente revelar sua mentalidade perturbada e causar uma catástrofe terrível.
Há uma causa de insanidade ou demência que talvez seja bom explicar, pois às vezes é possível evitá-la. Quando o Ego está se preparando nos Mundos invisíveis para um novo renascimento aqui, são-lhe mostradas as várias classes de renascimentos disponíveis, com os eventos principais em um Panorama da Vida. Ele vê a vida vindoura nos seus maiores e mais importantes acontecimentos, como um filme rodando diante da sua visão. Então, geralmente, é-lhe dada a opção de escolha dentre as várias “vidas” apresentadas. Ele vê, nesse momento, as lições que precisa aprender, o destino que gerou para si em vidas passadas, e qual a parte desse destino terá que liquidar em cada um dos renascimentos oferecidos. Então, ele faz a sua escolha e é guiado pelos Anjos do Destino até o país e a família onde viverá sua vida vindoura.
Essa vista panorâmica se desenrola diante dele no Terceiro Céu, onde ele, o Ego, está sem nenhum dos seus Corpos e se sente espiritualmente acima das sórdidas considerações materiais. Ele é muito mais sábio do que aparenta quando renasce aqui na Terra, onde se torna cego pela carne até um ponto inconcebível. Mais tarde, quando a concepção ocorre e o Ego está prestes a entrar no útero materno, aproximadamente no décimo oitavo dia após esse acontecimento, ele entra em contato com o molde etérico do seu novo Corpo Denso, que foi criado pelos Anjos do Destino para fornecer a informação essencial que imprimirá no Ego as tendências necessárias para cumprir seu destino.
Ali, o Ego vê novamente as imagens da sua vida vindoura, da mesma forma que uma pessoa que está se afogando percebe as imagens da sua existência passada num lampejo. Nesse momento, o Ego já está parcialmente cego a respeito da sua natureza espiritual, de modo que, se a vida vindoura parecer difícil ou penosa, frequentemente ele reluta em penetrar no útero e estabelecer as conexões cerebrais apropriadas. Ele pode tentar se retirar rapidamente e, então, em vez do Corpo Vital e do Corpo Denso ficarem concêntricos, como deveriam ser, o Corpo Vital, formado de Éter, pode ser parcialmente projetado acima da cabeça do Corpo Denso. Nesse caso, a conexão entre os centros sensoriais do Corpo Vital e do Corpo Denso é interrompida, resultando em formas graves de oligofrenia[1] ou deficiência intelectual (ou “deficiência de desenvolvimento”), epilepsia[2], dança de São Vito[3] e outros distúrbios nervosos semelhantes.
A relação desarmoniosa entre os pais, que por vezes existe, é frequentemente a gota d’água que leva o Ego a sentir que não pode entrar em tal ambiente. Por essa razão, é fundamental enfatizar aos futuros pais que, durante o período de gestação, é da maior importância que tudo seja feito para manter a mãe em um estado de contentamento, satisfação e harmonia. Pois é uma tarefa muito árdua para o Ego passar pelo útero; exige o máximo de todas as suas sensibilidades, e as condições desarmoniosas no lar em que está entrando são, naturalmente, uma fonte adicional de desconforto, a qual pode resultar no terrível estado de coisas mencionado acima.
(Pergunta nº 44 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Grau máximo de oligofrenia. Os indivíduos portadores possuem o menor grau de desenvolvimento intelectual.
[2] N.T.: é uma desordem neurológica crônica caracterizada por descargas elétricas anormais e excessivas no cérebro, causando crises repetidas.
[3] N.T.: Coreia reumática de Sydenham (do grego khorea, dança) ou a dança de São Vito é um distúrbio neurológico que afeta a coordenação motora de 20 a 40% dos portadores de febre reumática, mais frequente entre meninas e/ou crianças e adolescentes. A descrição mais famosa da doença foi feita em San Vito, Itália, em 1686, por Sydenham no livro Schedula Monitoria.
Resposta: A Conferência Nº 4 do livro Cristianismo Rosacruz – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz[1] trata de sonhos, sono, hipnotismo, mediunidade e insanidade. Ou seja, versa sobre as condições anormais da consciência, e nessa Conferência foi fornecida uma explicação muito abrangente dessas várias condições, com exceção do sonambulismo, que, no entanto, se assemelha muito aos sonhos. Não podemos dar uma explicação tão completa aqui, mas basta dizer que, durante o dia, o Corpo Denso, ao qual chamamos de “indivíduo”, é envolvido por uma atmosfera áurica composta de seus veículos mais sutis, assim como a gema de um ovo é envolvida pela clara. Esses veículos sutis interpenetram o Corpo Denso e são as fontes de poder e de percepção sensorial. São suas atividades que fatigam o Corpo Denso, de modo que à noite ele, por assim dizer, entra em colapso e os veículos sutis se retiram dele, deixando-o indefeso, adormecido sobre o leito. Quando essa separação se completa, há o sono sem sonhos.
Contudo, por vezes, o Ego fica tão absorto nos assuntos referentes ao Mundo Físico que tem grande dificuldade em se desvencilhar do Corpo Denso. Pode, então, ficar meio dentro e meio fora do corpo. Assim, a ligação normal entre o Ego e o cérebro é interrompida, mas não completamente rompida. Sob essas circunstâncias, o Ego vê as coisas do Mundo Físico, e isso explica aqueles sonhos fantásticos e tolos que às vezes temos. Em tal condição, o Corpo Denso pode se debater no leito. Pode até a falar e gesticular e dessa condição é apenas um passo para o sonambulismo, onde o Ego obriga o veículo a sair do leito e vagar, às vezes sem rumo, mas outras vezes com um propósito definido em vista.
Se nos lembrarmos de que, quando o Ego está fora do seu veículo físico, durante as horas em que o Corpo Denso permanece dormindo sobre o leito, o Espírito se movimenta com a mesma facilidade pela janela ou pela parede como que se atravessa uma porta aberta. Quando percebemos que ele não pode ser queimado pelo fogo nem afogado na água, nem despencar de um telhado, podemos facilmente compreender que, inconsciente do fato de que seu veículo físico está com ele, pode tentar sair por uma janela. Se a janela estiver aberta, naturalmente o Corpo Denso cai no solo e se machuca gravemente ou não, de acordo com a altura da queda. Todos nós podemos andar sobre uma tábua estreita quando ela está próxima ao solo, mas se a mesma tábua for levantada a apenas alguns metros do solo, uma sensação de medo nos invade. Provavelmente cairíamos de uma tábua muito larga se ela estivesse colocada a centenas de metros acima do solo, mas, quando o Corpo Denso é manipulado pelo Espírito, de fora, ele próprio está inconsciente e, portanto, não sente medo. Consequentemente, ele caminha impunemente por onde consegue se firmar, e o único perigo é que o adormecido acorde – que o Ego retorne ao seu veículo e assuma a posição normal. Então, o medo, quase inevitavelmente, provocará a queda, qualquer que seja a posição perigosa em ele se encontre, e haverá, em consequência, ferimentos mais ou menos graves.
Quanto à solução do problema, sugerimos a prática do relaxamento consciente do Corpo Denso. É o Corpo de Desejos que mantém o controle sobre o Corpo Denso, e durante o relaxamento, esse Corpo de Desejos aprende a soltar e deixar o Corpo Denso inerte, de modo que, se um braço ou uma perna forem erguidas, caiam imediatamente sobre o leito. Essa prática, com o tempo, acabará com o sonambulismo, mas enquanto isso, se toalhas úmidas forem colocadas no chão, pois elas provavelmente terão o efeito de despertar a pessoa no momento em que ela sair do leito. Os veículos superiores são de natureza semelhante à eletricidade, e sabemos que a água tem um maravilhoso efeito de atração excelente em relação à corrente elétrica. Da mesma forma, quando os pés do Corpo Denso tocarem as toalhas molhadas colocadas no chão, os veículos mais sutis são atraídos para a posição central em relação ao Corpo Denso e a consciência será restabelecida. Desta forma, o Corpo Denso é despertado e o perigo do sonambulismo, durante algum tempo, é evitado.
(Pergunta nº 130 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: CONFERÊNCIA IV – SONO, SONHOS, TRANSE, HIPNOTISMO, MEDIUNIDADE E INSANIDADE
Vimos que o ser humano é um organismo muito complexo, compondo-se de:
1) Corpo Denso, que é seu instrumento de ação;
2) Corpo Vital, o veículo da “vitalidade” que torna possível a ação;
3) Corpo de Desejos, de onde parte o desejo que impele à ação;
4) Mente, um freio sobre os impulsos, que dá propósito à ação;
Que são instrumentos do Ego[1], que atua colhendo experiências de seus atos.
O propósito da vida é transformar os poderes latentes do Ego em energia dinâmica para que possa controlar perfeitamente seus veículos e agir por sua vontade. Sabemos que, por enquanto, o Ego ainda não conseguiu esse domínio, caso contrário não haveria luta em nosso íntimo entre o Espírito e a carne, como se costuma dizer, uma luta que, na realidade, se trava entre o Espírito e o Corpo de Desejos. Esta “luta” é o que desenvolve o músculo espiritual, assim como a luta Corporal desenvolve o músculo físico. É muito fácil mandar os outros fazerem isto ou aquilo, mas impor obediência a si próprio é a tarefa mais difícil do mundo. Na verdade, diz que “o ser humano que conquista a si mesmo é maior do que aquele que conquista uma cidade”. Goethe, o grande poeta Iniciado, nos dá a razão disto nestes versos:
De todo o poder que mantém o mundo agrilhoado
O ser humano se liberta quando o autocontrole houver conquistado.
Tal ser humano está acima de todas as leis, quer humanas quer divinas – não que ele as desobedeça, mas justamente o contrário, pois sua total obediência a elas torna-as todas supérfluas, do mesmo modo que a lei “não furtarás” é desnecessária a todo aquele que aprendeu a respeitar a propriedade alheia.
O pecado ou a atitude contrária à vontade de Deus ou às Leis da Natureza existia antes de toda Lei, e S. Paulo aprecia muito bem sua benéfica ação quando diz que “a lei é o feitor que nos conduz a Cristo, porque sem a `Lei´ não conheceríamos o pecado”[1].
Todas as vezes que violamos uma das Leis da Natureza, tal transgressão, como uma causa, traz-nos a correspondente retribuição como efeito. Se comemos em demasia ou indevidamente, o resultado pode ser uma indigestão. Se o distúrbio for mais sério, talvez seja necessário a Natureza queimá-lo por meio de uma febre. Se pecamos contra as leis da moralidade, podemos esperar o ostracismo social como correspondente retribuição ao erro nos planos morais. Mas o ser humano que usa levianamente seus poderes mentais é o pior e o mais perigoso, porque glutão pode ser, sob outros aspectos, uma pessoa admirável e digna de todo respeito, que praticamente não prejudica ninguém, a não ser a si mesmo. A pessoa imoral, os desordeiros e bisbilhoteiros vulgares são cancros sociais, perigosos para todos. Mas podem ser isolados e evitados, minimizando-se assim os perigos de seu contato. Podem também se arrepender e até regenerar-se. Porém, o mais insidioso de todos os males é aquele que se refere ao plano mental de ação em que o ser humano, sob a máscara da perfeita respeitabilidade e muitas vezes sob o disfarce da benevolência, pode dominar a vida do semelhante, dirigir-lhe a vontade e ainda assim continuar parecendo impecável, não raro sendo até considerado por suas vítimas um amigo e benfeitor.
Deste modo, sem nenhum risco de prisão, ele alcança o seu objetivo, seja este dinheiro ou engrandecimento pessoal.
Sua transgressão é raramente castigada na mesma vida em que a cometeu, mas, nas vidas posteriores, ele encontra uma expiação na forma de idiotice congênita, portanto sem oportunidade para arrepender-se e ser perdoado como acontece quando o arrependimento é acompanhado de regeneração. O crime do hipnotizador é de fato um aspecto daquilo que a Bíblia chama de “pecado contra o Espírito Santo” – a maldade espiritual mais perigosa à sociedade.
O Espírito Santo é o princípio criador da Natureza, e a força sexual criadora no ser humano é a sua expressão direta. A mesma força expressa-se através dos órgãos geradores para gerar um novo Corpo e através do cérebro para manifestar novos pensamentos que depois se cristalizam em “coisas”.
Quando alguém se torna vítima de um hipnotizador, deixa de ser senhor de si próprio e perde a faculdade de pensar por si mesmo, subjugado que fica pelas sugestões do hipnotizador, que na realidade são ordens, já que a vítima não tem outra alternativa senão obedecer.
Por conseguinte, uma vez que o hipnotizador interfere na expressão da faculdade criadora de pensamentos de sua vítima, cuja finalidade é uma expressão direta do Espírito Santo, comete um pecado contra este.
Para esclarecer melhor e reforçar as descrições de condições anormais tais como existem no sonho, transe, hipnotismo, mediunidade, obsessão e insanidade, começaremos com uma explanação das condições do ser humano nos estados normais de vigília e sono, sob o ponto de vista oculto.
O Estado de Vigília
Neste estado, todos os veículos do ser humano acham-se confinados dentro do mesmo espaço. Assim como os ossos, a carne e os vários líquidos do organismo estão confinados dentro da pele, também todos os Corpos do ser humano mantêm-se juntos dentro de uma espécie de nuvem ovalada, que envolve totalmente o Corpo visível desde acima da cabeça até abaixo dos pés. Não importa a posição que assuma, o Corpo Denso sempre permanece no centro dessa Aura, do mesmo modo que a gema está sempre no centro do ovo. A Aura envolve o Corpo Denso humano como a clara envolve a gema do ovo. Mas isso não é tudo, porque essa Aura, composta dos veículos sutis do ser humano, não somente envolve o Corpo Denso como compenetra cada partícula deste, de maneira um tanto semelhante ao sangue permeando todo o Corpo Denso.
Vemos assim que tais Corpos estão mais perto de nós do que nossas mãos e pés, e ainda que tão invisíveis quanto nossa respiração, nem por isso são menos reais ou menos necessários. Durante a vida, o ser humano normalmente não pode separar-se deles e, a não ser que estejam todos juntos, ele não pode se mover nem agir conforme faz na vida diária.
Durante o estado de vigília, há uma constante guerra entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos. Os apelos e impulsos do segundo instigam constantemente o Corpo Denso, impelindo-o à ação para gratificar esses desejos apesar dos danos que podem resultar ao último. É o Corpo de Desejos que incita o bebedor a saturar seu organismo com bebidas alcoólicas, a fim de que a combustão química do espírito do álcool eleve as vibrações do Corpo Denso a tal ponto que este se torne dócil instrumento a qualquer impulso baixo, no que desperdiça grandes parcelas de suas reservas de energia.
O Corpo Vital, pelo contrário, não tem outro interesse senão o de preservar o veículo denso. Por meio do baço, ele especializa energia solar incolor que permeia o espaço e, mediante estranho processo químico, transforma-a em eflúvio vital solar de formosa cor rosa-pálido, espalhando-a a seguir por todo o sistema, em cada nervo e fibra do organismo. O Corpo Vital cuida sempre de economizar a energia que armazena no Corpo Denso. E trabalha constantemente na reconstrução dos tecidos danificados ou destruídos pelas poderosas investidas do dominador Corpo de Desejos.
O eflúvio vital solar tem função idêntica à da eletricidade num sistema telegráfico, pois mesmo que este sistema seja constituído de fios que ligam entre si diversas estações com telegrafistas operantes, seria, no entanto, totalmente ineficaz se não houvesse a corrente elétrica circulante que transportasse as mensagens. Assim também acontece com o Corpo Denso: só é útil quando o eflúvio vital solar lhe percorre os nervos. Quando isso cessa – no todo ou em parte – dizemos que o Corpo está de certo modo imprestável. Notamos esse efeito, mas não vemos sua causa no Mundo material.
Temos em nosso Corpo dois sistemas nervosos: o voluntário e o involuntário. O primeiro é dirigido diretamente pelo Corpo de Desejos e comanda os movimentos do Corpo Denso; tende a obstruir e destruir e é refreado pela Mente apenas em parte. O sistema nervoso involuntário tem seu vantajoso e particular terreno no Corpo Vital e governa os órgãos digestivos e respiratórios que reconstroem e restauram o Corpo Denso.
Essa guerra entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos é o que produz a consciência no Mundo Físico. Mas, se a Mente não atuasse como um freio sobre o Corpo de Desejos, nossas horas de vigília seriam muito mais curtas, e bem mais curtas também nossas vidas, porque o Corpo Vital e sua benéfica atuação logo seriam vencidos pelo desenfreado Corpo de Desejos, como mostra a exaustão que se segue a uma explosão de ira. A ira é um estado em que o ser humano, “perdendo o controle”, permite ao Corpo de Desejos dominar livremente.
Apesar de todos os seus esforços, o Corpo Vital gradualmente vai perdendo terreno à medida que o dia passa. Os venenos resultantes dos tecidos destruídos acumulam-se e impedem o fluxo de eflúvio vital solar. Então, os movimentos tornam-se cada vez mais lentos e, em consequência, o Corpo visível mostra sinais de exaustão. Por fim, o Corpo Vital entra, por assim dizer, em colapso; o eflúvio vital solar cessa de circular pelos nervos em quantidade suficiente para manter o equilíbrio do Corpo Denso. Aí, este se torna inconsciente e, portanto, impróprio ao uso do Espírito. Isto é o sono.
Muitos pensam que o sono é um estado passivo ou negativo. Nada mais incorreto. Se assim fosse, o Corpo físico (o Corpo Denso) despertaria tão cansado quanto estava quando adormeceu. Ou melhor, nunca mais despertaria, pois foi sua incapacidade para receber eflúvio vital solar (por estar obstruído com toxinas deteriorantes) que o levaram a dormir. E se o único efeito desse estado fosse uma negativa cessação de desgaste de energia, as condições permaneceriam em status quo, e o Corpo continuaria dormindo. Às vezes, acontecem casos que chegam a durar semanas e até meses. Aos que assim dormem, diz-se que estão em “transe”. Para que tal estado seja mantido por algum tempo sem que resulte em morte, o Corpo Vital não deve suspender inteiramente suas funções: precisa, até certo ponto, efetuar a digestão.
O que faz então do sono um estado restaurador? No próprio termo “restaurador” está implícita uma atividade. Se um prédio vai ser restaurado, é necessário que seus moradores o desocupem, cessando já aí o desgaste pelo uso. Mas não é o bastante. Os operários precisam reparar os danos consequentes do uso do edifício. Somente quando este trabalho tenha sido feito, estará a restauração completa e o prédio pronto para ser reocupado por seus moradores.
O mesmo ocorre com o templo do Ego – nosso Corpo Denso – quando fica exausto. Nessas ocasiões, é preciso que o Ego, a Mente e o Corpo de Desejos se retirem, deixando o Corpo Vital totalmente à vontade para que possa Restaurar o tom do Corpo Denso. Assim, quando o Corpo Denso adormece, há uma separação. O Ego e a Mente, revestidos pelo Corpo de Desejos, retiram-se dos dois Corpos que interpenetravam – o vital e o denso – permanecendo estes na cama enquanto os veículos superiores flutuam próximo e sobre o Corpo adormecido.
Inicia-se aí o processo de restauração. Em qualquer combate no Mundo Físico, os ferimentos nunca acontecem só a uma das partes contendoras. O vencedor também sempre recebe algumas lesões. Quanto mais feroz a luta e quanto mais valentes os lutadores, mais ferimentos de ambos os lados. A mesma coisa se dá com os Corpos vital e de desejos em seu combate: o Corpo de Desejos ganha todas as vezes, muito embora suas vitórias sejam sempre derrotas, já que ele é forçado a abandonar o campo de batalha e o prêmio, o Corpo Denso, nas mãos do vencido Corpo Vital, retirando-se a seguir para Restaurar sua própria harmonia desfeita.
Quando se retira do Corpo adormecido, o Corpo de Desejos penetra num oceano de força e harmonia chamado Mundo do Desejo. Ali, o Ego revive os acontecimentos do dia, mas na ordem inversa, isto é, dos efeitos para as causas, deslindando o emaranhado do dia e formando imagens verdadeiras que substituem as falsas impressões devido às limitações da vida no Corpo físico. E, como as harmonias do Mundo do Desejo compenetram o Corpo de Desejos, e a Sabedoria e a Verdade substituem o erro, este recobra seu ritmo e tom. O tempo necessário para tal restauração varia, dependendo de quão ilusória, impulsiva e extenuante tenha sido a vida nesse dia.
Então, e só então, inicia-se o trabalho de restauração dos veículos deixados no leito. O Corpo de Desejos restaurado começa a reanimar o Corpo Vital, inundando-o de energia rítmica. Este, por seu turno, começa a trabalhar sobre o Corpo Denso, eliminando os produtos do desgaste, principalmente através do sistema nervoso simpático. Como resultado, o Corpo Denso fica restaurado e outra vez repleto de vida. É quando o Corpo de Desejos, a Mente e o Ego reentram nele pela manhã, fazendo-o despertar.
Sonhos
Acontece, porém, às vezes, que nos absorvemos e nos interessamos tanto pelos assuntos mundanos que, mesmo após o Corpo Vital ter entrado em colapso e tornado o Corpo Denso inconsciente, não podemos fazer nossa Mente deixá-lo para iniciar o trabalho de restauração. O Corpo de Desejos adere como se fosse sombria mortalha, é talvez retirado parcialmente pelo Ego e começa a ruminar os acontecimentos do dia naquela posição.
É evidente que tal condição é anormal. Primeiramente, porque a relação apropriada entre os diferentes veículos é rompida pelo colapso do Corpo Vital. Depois, porque a posição relativa dos veículos superiores se desconectou parcialmente os centros dos sentidos do último, e o resultado inevitável são aqueles sonhos confusos em que os sons e visões do Mundo do Desejo confundem-se com os acontecimentos da vida diária de modo mais absurdo e grotesco.
Às vezes, quando algum acontecimento do dia agitou sobremaneira o Corpo de Desejos, e este já se desligou dos veículos inferiores para se entregar à atividade restauradora, através da retrospecção, pode acontecer que um penoso incidente daquele dia surja, e o Corpo de Desejos veja a solução. Então, ele volta repentinamente ao Corpo Denso a fim de imprimir as ideias no cérebro, levando, portanto, o veículo denso a acordar bruscamente. Em raros casos, porém, ele é capaz de recordar a solução que parecia tão clara no Mundo do Desejo, e, ainda que consiga imprimi-la no cérebro, geralmente ela é esquecida ao amanhecer.
Sabendo disso, muitas pessoas, ao se recolherem, deixam papel, lápis e luz ao alcance da mão. E por tal precaução, são frequentemente recompensadas ao se encontrarem pela manhã com a solução de seus problemas sem nem mesmo precisarem rever seus escritos. É uma boa ideia a ser seguida.
Sob tais condições, em que a separação dos veículos não é completa, fica evidente que a perda de energia prossegue e que a restauração é impedida. O Corpo Denso revolve-se sobre o leito em casos extremos e, em consequência, levanta-se pela manhã com uma certa sensação de cansaço depois de um sono repleto de sonhos e pouco reparador devido à separação imperfeita dos veículos.
Mas nem todos os sonhos são confusos. Aqueles, por exemplo, que nos apontam soluções lógicas a certos problemas, ou aqueles premonitórios que nos advertem de um perigo iminente, muitas vezes nos possibilitam evitar ou prevenir um desastre. Tais sonhos ocorrem geralmente um pouco antes do despertar e, também, só quando tenha havido uma completa separação dos veículos, pois só nesta última condição é possível haver lógica no sonho, ou melhor, é possível ao Ego perceber no Mundo do Desejo o desastre iminente e transmiti-lo com clareza ao cérebro. Para que tais sonhos prossigam na noite seguinte, ajuda muito ir deitar-se com este último pensamento: “Quero saber isto e vou me recordar de tudo ao amanhecer”. Se for este o último pensamento antes de dormir, as respostas virão e serão lembradas ao despertar.
Ocupar o tempo citando exemplos para provar o valor dos sonhos seria desperdiçá-lo numa conferência. A imprensa diária frequentemente cita casos de escapadas providenciais atribuídas a avisos por sonhos. Os arquivos da Sociedade de Pesquisas Psíquicas podem fornecer abundantes evidências a quem queira sem maiores dificuldades.
É característica dos Corpos invisíveis do ser humano só atuarem sob os ditames da Vontade. Cada impulso para agir que venha de dentro origina-se na vontade do próprio indivíduo, ao passo que o incentivo à ação proveniente de fontes externas, geralmente chamado de “circunstâncias”, origina-se na vontade alheia. A diferença entre o ser humano de forte caráter, seja bom ou mau, e o ser humano fraco reside no fato de que o primeiro é impelido por sua própria vontade, agindo por si mesmo, o que, a despeito das circunstâncias eventuais, capacita-o a dirigir sua vida conforme decida.
Por outro lado, o fraco, o carente de vontade, é apenas um desamparado joguete das circunstâncias, dominado pela vontade dos outros, um náufrago desgarrado no mar da vida.
Controlar outras pessoas pelo poder da vontade é um assalto mental, ato mais condenável até que um assalto físico. A essa agressão mental chamamos “hipnotismo”. Um ser humano robusto pode, com um tapinha amigável, induzir outro a satisfazê-lo, ou pode espancá-lo até torná-lo inconsciente. O vendedor hipnotizador também aplica a exata força para induzir o cliente a comprar algo que ele não quer ou não pode comprar, e ilude-se a si próprio denominando isso de negócio legal.
Por mais nociva e difundida que seja essa prática, seus efeitos posteriores, no entanto, nem se aproximam daqueles resultantes da prática de submeter-se “pacientes” ao sono hipnótico. A enormidade desse crime só é mais bem apreciada quando se podem ver os efeitos sobre os Corpos invisíveis da vítima.
Nenhuma pessoa de forte vontade pode ser dominada por um hipnotizador a ponto de ser posta a dormir, e ninguém que mantenha uma atitude mental positiva pode ser subjugado. Daí que ele, de início, solicite à vítima confiante conservar-se perfeitamente negativa e desejosa de ser posta a dormir. Os passes do hipnotizador são então endereçados à cabeça, atingindo a cabeça do Corpo Vital e deslocando-a da física. A esta altura, a cabeça etérea “cai” como uma grossa dobra em volta do pescoço do paciente, semelhante a uma gola de um suéter.
Desta maneira, a ligação que existe entre o Ego e o Corpo Denso é cortada, como no sono, e os veículos superiores se retiram. Mas a condição agora é diferente daquela do estado de sono. A cabeça do Corpo Vital não se encontra no devido lugar envolvendo e compenetrando a cabeça física. Esta agora é compenetrada pelo éter do Corpo Vital do hipnotizador que, deste modo, consegue o domínio sobre a vítima.
Se conhecêssemos um meio de “interceptar a linha”, teríamos a chave da relação entre o hipnotizador e sua vítima, pelo menos até certo ponto. Se alguém dispõe de uma linha telefônica particular entre o próprio lar e seu escritório, e outro alguém faz uma ligação de escuta entre os dois pontos, poderá o segundo interceptar qualquer conversa, como poderá ainda fazer-se passar pelo negociante, emitindo ordens, etc. O hipnotizador faz algo assim. Intercepta a linha de comunicação entre o Ego e o Corpo da sua vítima pela interposição de parte de si mesmo na linha. Assim, ele pode forçar o Ego a sair para os Mundos invisíveis e obter tanto quanto possível qualquer informação que deseje ou pode obrigar aquele Corpo a práticas fúteis ou até a atos criminosos.
Mas isso ainda não é o pior do hipnotismo. O mais grave perigo para a vítima reside neste fato: uma vez que parte do Corpo Vital do hipnotizador foi introduzida no dela, tal parte não pode ser expulsa dali completamente ao despertar. Sempre uma pequena parcela do Corpo Vital fica aderida ao Corpo da vítima, formando um núcleo através do qual o hipnotizador nela pode ingressar mais vezes e submetê-la mais facilmente daí por diante. Em cada uma dessas ocasiões, esse núcleo sofre um acréscimo de tal modo que, pouco a pouco, a pobre vítima fica totalmente desamparada, sujeita à vontade do seu dominador, independentemente da distância, até que a morte de um dos dois rompa a ligação.
Esse remanescente do Corpo Vital do hipnotizador é também um repositório de ordens a serem executadas no futuro, e que implicam na realização de certos atos em determinado dia e hora. Quando chega esse tempo, o impulso é liberado à semelhança de um despertador. Então, a vítima deve executar a ordem, mesmo que seja um assassinato, sem saber sequer que está sendo influenciada por alguém. O hipnotismo é, portanto, o maior dos crimes sobre a Terra e o maior dos perigos para a sociedade.
Alega-se, às vezes, que o hipnotismo pode ser usado beneficamente para curar o alcoolismo e outros vícios, e isto, sob o ponto de vista material, é prontamente admitido e aceito. Mas, sob o prisma do conhecimento oculto, o argumento está longe de ser verdadeiro. Como todos os outros desejos, a ansiedade por bebidas alcoólicas reside no Corpo de Desejos, sendo dever do Ego dominá-la pela sua própria força de vontade. Eis porque ele se encontra nesta Escola da Experiência chamada vida. E ninguém pode processar esse crescimento moral em seu lugar, do mesmo modo que ninguém pode digerir o alimento que ele ingere. Não se pode burlar a Natureza. Cada um deve resolver seus próprios problemas, corrigir suas próprias falhas por sua própria vontade. Se um hipnotizador dominar o Corpo de Desejos de um bêbado, o Ego desse viciado terá de aprender sua lição numa próxima existência, caso morra antes do hipnotizador. Se, porém, este morrer primeiro, o viciado certamente voltará a beber, pois, em tais casos, a parte do Corpo Vital do hipnotizador que sustava aquele desejo inferior voltará à origem, anulando-se então a cura. Portanto, a única maneira de se dominar permanentemente um vício é pela aplicação da própria vontade.
Com a morte de um hipnotizador, todas as suas vítimas ficam livres e nenhuma outra sugestão posterior poderá influenciá-las.
Mediunidade ou qualquer Pessoa que se submete a ser Controlada, Parcial ou Totalmente por Outra Entidade, Humana ou Elemental
Para que se compreenda a mediunidade, é necessário saber que na morte efetua-se a mesma separação de Corpos como no sono, só que de modo permanente. Os chamados mortos possuem Ego, Mente e Corpo de Desejos, e muitas vezes permanecem conscientes do Mundo exterior que acabam de deixar, ainda por algum tempo. Alguns se apegam à vida terrena e não podem ajustar suas Mentes ao aprendizado de novas lições. A esses chamamos “Espíritos apegados à Terra”. Tais Espíritos, impossibilitados de funcionar no Mundo visível sem um Corpo, aproveitam-se vantajosamente do fato de que nem todos os Espíritos estão confinados com o mesmo rigor à prisão do Corpo Denso. Aqueles que se acham mais fortemente aderidos aos seus Corpos são os materialistas. E aqueles cujos liames não os prendem tão fortemente são os “sensitivos”, capazes, até certo ponto, de responder às vibrações espirituais. As pessoas de caráter positivo, caso se desenvolvam, podem sensibilizar-se por sua própria vontade, tornando-se assim ocultistas exercitados. Os de vontade fraca só se podem desenvolver com a ajuda de outros e de maneira negativa. Estes são presas dos Espíritos apegados à Terra, os quais, denominando-se a si mesmos “Guias espirituais”, desenvolvem suas vítimas como “médiuns de transe”, ou como “médiuns materializantes” se as conexões entre os Corpos denso e vital das vítimas são fracos.
O controle desses Espíritos Apegados à Terra é, sob vários aspectos, idêntico ao dos hipnotizadores, salvo no fato de que os primeiros são invisíveis às suas vítimas e sobre estas exercem maior poder, já que são vistos como “seres superiores”, “anjos” sem maldade, que visam apenas proporcionar a felicidade e ministrar sabedoria de modo abnegado.
Na realidade, não existe nenhum poder transformador na morte. O pecador não se transforma em santo nem o ignorante se converte num Salomão por haver morrido. E é simplesmente chocante para o Clarividente voluntário e treinado desenvolvido ver as imposições desses desclassificados Espíritos sobre as suas ingênuas vítimas, tão inexperientes que não conseguem distinguir o verdadeiro caráter dos impostores, e vão aceitando suas duvidosas frases como sublime sabedoria. É verdade que, apesar de tudo, eles têm ocasionado algum bem provando a realidade da existência post-mortem, mas é certo também que têm prejudicado muito mais os médiuns.
O “modus operandi” do invisível controlador consiste simplesmente em expulsar os veículos superiores dos ditos inferiores do passivo médium (ou qualquer pessoa que se submete a ser controlado, parcial ou totalmente por outra entidade, humana ou elemental), tomar-lhe o lugar e assumir o controle. Quando o abandona, leva consigo uma parcela de seu Corpo Vital para usar posteriormente como uma chave ou alavanca.
Em alguns casos, não satisfeito em tomar emprestado um Corpo, o Espírito chega a roubar algum, mantendo seu dono fora dele permanentemente. Podemos ver o mesmo Corpo, mas com uma alma que tem hábitos e gostos diferentes. Isto é conhecido como obsessão, que pode ser identificada pelo fato de a íris não reagir nem à luz nem à distância pelas suas contrações ou dilatações, porque o olho é a janela da alma e somente seu dono pode controlá-lo verdadeiramente. Em consequência, os olhos dos médiuns sob controle permanecem sempre fechados ou mostram um olhar vidrado.
Existem certos meios de se afastar um Espírito obsessor, devolvendo-se o Corpo ao seu dono, mas isto não pode ser revelado publicamente.
Vimos que, no estado de vigília, os Corpos Denso e Vital estão envolvidos e interpenetrados por uma espécie de nuvem de forma ovalada, constituída pelo Corpo de Desejos e pela Mente. Estes veículos são todos concêntricos e formam os elos de uma cadeia. A interpolação de um com outro, de tal maneira que os centros sensoriais de um coincidam com os centros sensoriais do outro, é o capacita o Ego a dirigir seu complexo organismo e a realizar de modo ordenado os processos vitais que conhecemos como razão, linguagem e ação. Se há um desajuste em qualquer parte, o Ego ver-se-á tolhido correspondentemente em sua expressão. Esse equilíbrio perfeito é saúde; o oposto é doença.
A doença adquire muitas formas. Uma delas apresenta-se como insanidade mental que também se classifica em diferentes tipos. Onde a conexão entre os centros sensoriais do Corpo Denso e do Corpo Vital se dá obliquamente, quando, por vezes, a cabeça do Corpo Vital sobressai da cabeça densa ao invés de situar-se concentricamente a esta, fica o Corpo Vital desentrosado tanto dos veículos superiores quanto do Corpo Denso. Temos então o idiota dócil. Quando o Corpo denso e Corpo Vital acham-se entrosados, mas existe ruptura entre o Corpo Vital e Corpo de Desejos, as condições são semelhantes. Mas, quando o rompimento se dá entre o Corpo de Desejos e a Mente, temos o maníaco desvairado que é mais incontrolável que um animal selvagem, pois este ao menos é governável por seu Espírito-Grupo. Neste caso, todas as tendências animais são seguidas cegamente.
Quando a ruptura ocorre entre o Ego e a Mente, a última encarrega-se dos outros três veículos e aí temos a astúcia consumada que caracteriza certa classe de insanos. Os de tal categoria saberão ocultar muito bem seus maléficos propósitos e ludibriar a todos para poder vingar-se de uma ofensa apenas imaginária ou para realizar algum desejo inferior, até que a vítima caia em seu poder. Então, a natureza brutal do Corpo de Desejos entregar-se-á totalmente a alguma horrenda atrocidade ou poderá a Mente dominar o Corpo de Desejos e exercitar sua diabólica astúcia em lenta tortura, antes que o Corpo de Desejos se liberte, pondo fim aos sofrimentos da vítima, talvez de modo brutal, porém bem mais misericordioso que o prolongamento das torturas.
A lição que nos fica da matéria acima é que devemos sempre manter-nos senhores de nós mesmos e nunca, sob nenhum pretexto, permitirmos que qualquer agente externo nos hipnotize ou controle. O autodomínio é nossa meta e não o domínio sobre os outros.
Resposta: Se você estudar no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz (sobre a questão dos pensamentos e como são encaminhados[1]) sobre a maneira como os pensamentos são gerados tratados na Mente e projetados sobre os outros para que realizem seus intentos, aprenderá muito sobre a ciência da concentração e como realizar o trabalho que você está tentando executar Humanidade. Aliás, você provavelmente perceberá que os pensamentos-forma que você emite com o propósito de ajudar os outros consomem apenas uma pequena parte do nosso próprio Corpo de Desejos, que é substituída imediatamente pela matéria de desejo num grau ainda mais elevado do que foi enviado, devido à alta frequência vibratória sempre gerada por esforços altruístas. No entanto, isso não retira nada do seu Corpo Vital, e é da condição desse veículo que a sua saúde física depende.
Assim, você nunca será vampirizado por se concentrar sobre alguém quando estiver sozinho, mas é o contato com outras pessoas que pode lhe prejudicar, se você estiver fragilizado em sua saúde. Se você for minimamente sensível, provavelmente sabe quem está fazendo uso da sua energia, e ao caminhar e conversar com essas pessoas, é melhor, se possível, se manter alguns passos de distância delas. Se estiver sentado em um lugar com elas, conversando, cruze as pernas nos tornozelos e cruze as mãos (sobre o seu colo, por exemplo, como muitos fazem quando oram). Dessa forma, você formará um circuito magnético ao seu redor no chão quando estiver em sintonia magnética com qualquer pessoa que esteja por perto.
Essas medidas são, no entanto, apenas precauções que você pode usar com vantagem até que você consiga atingir o autodomínio ou autocontrole. Essa deve ser a sua primeira consideração, pois é inútil aplicar tratamentos paliativos enquanto a causa ainda estiver presente. De acordo com as informações que recebemos em sua carta, você precisa de ferro e Éter. Se for possível obter leite recém tirado da vaca, isso o auxiliará muito, pois nesse momento o leite está impregnado do Éter saudável do animal. No entanto, se não for possível obtê-lo dessa forma, existem outros meios.
Em relação ao seu tamanho, as plantas têm os Corpos Vitais mais fortes, compostos dos dois Éteres inferiores[2], que estão relacionados à assimilação de nutrientes físicos. Por essa razão, as verduras ou vegetais verdes, mesmo que já estejam no mercado há algum tempo, são ricos em Éter. Alface, espinafre, tomate e morangos estão entre as plantas abundantes em ferro[3]. Se você evitar cozinhá-los, simplesmente colocando-os em água uma hora antes das refeições para refrescá-los, em pouco tempo aumentará o Éter em seu Corpo e o ferro em seu organismo. Assim, você não ficará anêmico e nem correrá o risco de vampirismo.
(Pergunta nº 48 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T. Nós mesmos, como Egos, funcionamos diretamente na substância sutil da Região do Pensamento Abstrato, que especializamos dentro da periferia da nossa aura individual. Dessa Região nós observamos, através dos sentidos, as impressões produzidas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital, como também os sentimentos e emoções gerados por elas no Corpo de Desejos e refletidos na Mente.
Dessas imagens mentais formamos as nossas conclusões na substância da Região do Pensamento Abstrato relativas aos assuntos a que se referem. Tais conclusões são ideias. Pelo poder da vontade projetamo-las através da Mente quando então, se revestindo de matéria mental da Região do Pensamento Concreto, se concretizam como pensamento-forma.
A Mente é como as lentes projetoras de um estereoscópio[1]. A imagem é projetada em uma das três direções de acordo com a vontade do pensador que anima o pensamento-forma.
a) Se o pensamento desperta Interesse, uma das forças gêmeas – Atração ou Repulsão – deverá atuar.
Quando o ato correspondente a tal pensamento-forma tenha se realizado, ou esgotado sua energia em vãs tentativas de realização, gravitará de volta ao seu criador, trazendo consigo a recordação indelével da jornada. Seu êxito ou fracasso imprimir-se-á nos átomos negativos do Éter Refletor do Corpo Vital, onde, por vezes denominada Mente Subconsciente, formará parte do registro da vida e atos do pensador.
[2] N.T.: Éter Químico e Éter de Vida.
[3] N.T.: Outros exemplos: Os vegetais mais ricos em ferro (não heme) incluem folhas verde-escuras (espinafre, couve, agrião, rúcula), leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico), sementes (abóbora) e tofu. Para aumentar a absorção, consuma-os com alimentos ricos em vitamina C (laranja, limão, tomate) e evite cálcio ou café na mesma refeição.
Resposta: Aprendemos nos Estudos Bíblicos Rosacruzes que: “Como um homem pensa em seu coração, assim ele é”[1], e isso abrange a questão completamente quando considerada em seu sentido mais amplo. Quando entramos nos Mundos invisíveis após a morte e, durante o estado pós-morte, passamos pelas experiências do Purgatório e do Primeiro Céu, todos os nossos veículos são gradualmente dissolvidos, e depois entramos no Segundo Céu onde começamos a criar o ambiente para a nossa próxima existência ou renascimento aqui. Quando essa tarefa é concluída, entramos no Terceiro Céu, onde apenas muito, muito poucos ainda possuem consciência. Portanto, o esquecimento de tudo o que aconteceu antes é total e levamos conosco a quintessência das nossas experiências passadas em forma de faculdades, quando retornamos ao Segundo Céu em nosso caminho em direção ao renascimento e, aqui, moldamos o Arquétipo de nosso futuro Corpo Denso com a ajuda dos Anjos do Destino e dos seus agentes.
Esclarecendo melhor este ponto, lembremo-nos que, durante a infância passamos pelas mais terríveis dificuldades para aprender a escrever. As letras que rabiscávamos eram extremamente grotescas, mas, aos poucos, com o decorrer do tempo e um esforço persistente, adquirimos a faculdade de escrever de forma legível. Então, com o passar dos anos, esquecemos as dificuldades do aprendizado no escrever, mas a capacidade permanece conosco. Da mesma forma, o Espírito quando renasce esquece tudo que aconteceu antes, mas a capacidade de fazer determinadas coisas permanece com ele. Portanto, se ele formou um Corpo Denso fraco em um determinado lugar em uma vida e sofreu a dor inerente àquela fraqueza e doença, até mesmo a remoção de um órgão, podemos ter certeza de que, embora o acontecimento seja esquecido numa futura existência, o Espírito se lembrará do fato quando estiver moldando o Arquétipo e se preparando para renascer. Ele então se esforçará para construir um órgão melhor para que possa evitar a dor experimentada em uma vida anterior e, assim, ao invés de perpetuar o órgão doente, seguramente, pode-se dizer que um órgão que estava doente em uma vida estará saudável na próxima. Gradualmente, a Humanidade está aprendendo com os erros do passado a construir um Corpo melhor e mais saudável.
Para ilustrar com outro exemplo, podemos considerar como agiria um arquiteto que construiu uma casa e, ao morar nela, encontrou certos desconfortos. Se vendesse essa casa e construísse outra para si, se lembraria dos desconfortos que sentia em sua morada anterior e se esforçaria para construir uma casa livre desses inconvenientes. Então, talvez encontrasse outros aspectos que não lhe agradassem na nova casa e, ao vende-la, construiria uma terceira casa que seria melhor do que as duas anteriores e assim por diante. Podemos inferir que o caso é semelhante a casa do Espírito, que se reconstrói a cada vida. Oliver Wendell Holmes[2]expressou isso de forma tão bela no último verso do seu “The Chambered Nautilus”[3], que construiu conchas cada vez maiores à medida que crescia e, finalmente, abandonou-as quando estavam superadas. Ele diz:
“Constrói Alma minha, as mais belas mansões
Enquanto as estações se sucedem!
Deixa teu humilde passado!
Que cada novo templo, mais nobre que o anterior,
Te separe dos céus com um domo mais amplo,
Até que, por fim, possas ficar livre,
Abandonando tua pequena concha no revolto mar da vida!”.
(Pergunta nº 45 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Pb 23:7 – Embora popularmente associada a ensinamentos gerais de sabedoria, essa frase é um provérbio bíblico.
[2] N.T.: (1809-1894) – médico americano, professor, palestrante e autor.
[3] N.T.: O Náutilo Enclausurado.
Resposta: Para que isso fique claro para o leitor comum é necessário dizer que, além do Corpo Denso, que é visível a todos nós, existem veículos mais sutis que interpenetram esse nosso organismo, e que são as molas propulsoras das atividades desse organismo. Um desses veículos é o Corpo Vital, composto de Éter e responsável pela construção do Corpo Denso, por meio do alimento que ingerimos. Ele controla todas as funções vitais, tais como a respiração, digestão, assimilação, etc., e atua por meio do Sistema Nervoso simpático[1]. Outro veículo, mais sutil ainda, é chamado de Corpo de Desejos. Esse é o veículo das nossas emoções, dos nossos sentimentos e desejos, que consomem as energias armazenadas no Corpo Denso pelos processos vitais, controlando o Sistema Nervoso cérebro-espinhal ou voluntário[2]. Em suas atividades, esse Corpo de Desejos está constantemente destruindo e degradando o tecido construído pelo Corpo Vital, e é a guerra entre esses dois veículos que causa o que chamamos Consciência no Mundo Físico. As forças etéricas no Corpo Vital atuam de maneira a converter o máximo possível de alimento em sangue, e esse é a expressão mais elevada do Corpo Vital.
Nos animais inferiores, desde as aves até os animais mais simples, que estão inteiramente sob a orientação de um guardião invisível chamado Espírito-Grupo, o sangue é nucleado[3], mas nos mamíferos superiores, que estão no limiar da individualização e, particularmente, no ser humano, que se tornou um Espírito interno (residente nos Corpos e veículos) e individual, não há núcleos[4] nos glóbulos sanguíneos. Mesmo no embrião[5] humano, que é formado exclusivamente sob a orientação da mãe durante as três primeiras semanas e, portanto, possui corpúsculos sanguíneos nucleados nesse período, eles deixam de ser formadas assim que o Ego entra no Corpo Denso que vai habitar. Isso ocorre cerca de vinte e um dias após a concepção e, à medida que os movimentos fetais são percebidos, o Ego interno residente no Corpo já destruiu todos os corpúsculos sanguíneos nucleados. Daí em diante, não mais se formarão, pois, o Ego deve ser o senhor do seu veículo. Não é esse o caso quando há um núcleo ou centro nos glóbulos sanguíneos, os quais proporcionam uma base para outro Espírito. É fácil demonstrar que a vida está no sangue, pois, embora possamos, às vezes, amputar impunemente um braço ou membros, não podemos privar o Corpo Denso do sangue sem, com isso, matá-lo.
Assim, o sangue é o veículo particular do Ego e, como nos éons passados de desenvolvimento cristalizamos a matéria para formar nosso Corpo Denso, também está destinado que agora devemos eterizar nossos veículos para que possamos elevar a nós mesmos e ao mundo do reino da materialidade para o reino espiritual. Naturalmente, o Ego visa primeiro tornar o sangue gasoso e, para a visão espiritual, esse sangue vermelho anucleado não é um fluido, mas um gás. Não é argumento contra essa afirmação o fato de que, quando furamos a pele, o sangue sair sob forma líquida. No momento em que abrimos a válvula de uma caldeira de vapor, o gás também se condensa em líquido, mas se criarmos um modelo de caldeira em vidro e observarmos a forma como o vapor funciona dentro dela, veremos apenas o pistão se movendo para frente e para trás, impulsionado por um agente invisível, o vapor ativo. Assim como o vapor ativo que sai diretamente da caldeira é invisível e gasoso, também o sangue ativo no Corpo Denso é um gás, e quanto mais elevado for o estado de desenvolvimento de um determinado Ego renascente, mais etérico ele consegue tornar o sangue.
Quando, pelos processos vitais, o alimento atinge esse elevadíssimo estado alquímico, se inicia o processo de condensação e o gás-sanguíneo se transforma em tecido nos vários órgãos para repor o que foi desperdiçado ou destruído pelas atividades do Corpo Denso. O baço é a porta de entrada do Corpo Vital. Ali, a força solar que abunda na atmosfera circundante entra em fluxo contínuo, para nos ajudar nos processos vitais, e ali também se trava com maior ferocidade a guerra entre o Corpo de Desejos e o Corpo Vital.
Pensamentos de preocupação, medo e raiva, por exemplo, interferem nos processos de evaporação no baço. Em consequência, uma partícula de plasma, que é imediatamente capturada por um pensamento elemental forma um núcleo e se incorpora ali dentro. Então, começa a viver uma vida de destruição, coalescendo e amalgamando (juntando para forma uma massa) com outras resíduos e elementos de decomposição sempre que se forme, transformando o Corpo Denso em um ossuário em vez do Templo de um Espírito interno que ali habita. Portanto, podemos dizer que cada glóbulo branco do qual se apossou uma entidade externa, representa para o Ego uma oportunidade perdida. Quanto mais essas oportunidades perdidas acontecerem no Corpo Denso, menor será o controle do Ego sobre tal Corpo. Consequentemente, encontramos um número maior de glóbulos brancos perdidos em pessoas doentes do que em pessoas saudáveis. Pode-se também afirmar que uma pessoa de natureza jovial ou bondosa, ou alguém profundamente religioso com fé e confiança absolutas na providência divina e no amor, apresentará muito menos oportunidades perdidas, ou glóbulos brancos de sangue perdidos, do que aqueles que sempre estão preocupados e aflitos.
(Pergunta nº 50 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: É uma parte do Sistema Nervoso autônomo responsável pela resposta de “luta ou fuga” em situações de estresse, perigo ou excitação. Ele regula funções involuntárias para preparar o Corpo Denso para ação rápida, aumentando a frequência cardíaca, dilatando pupilas, relaxando vias aéreas e inibindo a digestão.
[2] N.T.: Ou Sistema Nervoso somático (voluntário), compõe-se do encéfalo e medula espinhal, sendo responsável por controlar ações conscientes, como movimentos dos músculos esqueléticos e sensações. Ele transmite impulsos do sistema nervoso central para os músculos, permitindo andar, falar e interagir com o ambiente de forma voluntária.
[3] N.T.: Exemplos: aves, répteis, anfíbios e peixes possuem hemácias nucleadas, que são maiores e funcionam com núcleo ativo. O núcleo nas hemácias desses animais permite que as células se regenerem, mas reduz a quantidade total de hemoglobina transportada por célula, tornando-as menos eficientes no transporte de oxigênio em comparação às hemácias anucleadas.
[4] N.T.: As hemácias (glóbulos vermelhos) e as plaquetas são os elementos anucleados (sem núcleo) no sangue humano. As hemácias perdem o núcleo durante a maturação para maximizar o transporte de oxigênio e gás carbônico, vivendo cerca de 120 dias. Plaquetas, fragmentos celulares da medula, auxiliam na coagulação. Em resumo: a falta de núcleo maximiza a eficiência funcional, garantindo que o transporte de oxigênio seja otimizado.
[5] N.T.: Nas três primeiras semanas de gravidez, o conceito é classificado como embrião (especificamente na fase de blastocisto, que se implanta no útero). A fase embrionária vai da fecundação até a oitava semana, quando os órgãos começam a se formar; o termo feto só é utilizado a partir da nona ou décima semana, quando o bebê já possui características humanas definidas.
Resposta: O efeito “final” é aquele que executamos — aprendendo ou recusando a aprender a lição que nos vem por meio da experiência. O material formador do nosso Corpo Denso será mais refinado ou mais precário, conforme nossas ações e reações, portanto, temos possibilidades de melhorá-lo em vidas futuras.
Quando o Ego em uma de suas existências terrenas empregou o sentido da visão com finalidades egoístas, na sua próxima vinda ao mundo físico, inevitavelmente retornará com deficiência visual denominada miopia. Muitos estão fazendo o mesmo hoje em dia. São leitores insaciáveis. Devoram com os olhos, jornais, revistas e livros, porém, com finalidade de divertirem-se ou pura e simplesmente para adquirirem conhecimento, conhecimento esse que não utilizam para o bem dos demais, numa vida de serviço. Nesse caso, o Ego retorna com restrições visuais, a fim de que aprenda a usar tal sentido altruisticamente.
No caso de deficiências auditivas, essas resultam do fato de a pessoa conservar-se surda aos ensinamentos espirituais e aos brados de sofrimento de outrem, permanecendo indiferente aos problemas alheios. Essas condições nem sempre aparecem ao nascimento, mas aguardam uma condição planetária para surgirem. Se as aflições estão em Signos Fixos, a pessoa terá de lutar duramente para sobrepujá-las. Se for bem-sucedida, erradicará o “pecado” e na vida seguinte o Ego voltará sem esse entrave, porque pagou o seu débito para com a Lei de Deus.
Se atualmente somos portadores de uma dessas deficiências, porém, se nos dispusermos a liquidar nossas dívidas para com a Lei de Deus, na próxima existência voltaremos com as faculdades correspondentes despertas, aptas a serem usadas no Serviço de Cristo.
A Lei de Deus diz que nossos pecados poderão ser perdoados, contudo, apesar disso deveremos pagar as dívidas resultantes. Isso poderá ser ilustrado da seguinte maneira: se o menino rouba maçãs verdes e as come, sua mãe poderá perdoar-lhe, mas não o seu estômago. Assim acontece ou aconteceu durante toda a nossa cadeia de existências. Quando alguém tem restrições de visão, audição ou vocal durante a existência terrestre, isso representa limitações que dizem respeito ao seu veículo físico, mesmo porque quando o Ego o deixa para trás, tais restrições não serão mais sentidas.
Na verdade, muitos dos que são cegos e surdos enquanto em corpo físico, têm por outro lado visão e audição espiritual ou Clarividência e Clariaudiência, provando assim que as faculdades do Corpo Denso não se encontram duplicadas nos veículos superiores. Quando dormimos, nossos Corpos Densos não ascendem aos Mundos celestiais, mas apenas os veículos mais sutis, não havendo, portanto, restrições visuais ou auditivas nessas ocasiões.
Esse é um tema de grande interesse para muitos, e nunca será demais repetir que tais restrições não são consequências do rigor e dureza do Pai Celeste, mas sim oportunidades que surgem para o resgate de nossas dívidas para com a Natureza.
(Publicado na revista Serviço Rosacruz de agosto/1967-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Em certo sentido, sim, durante a vida terrena; ou seja, a doença ou enfermidade primeiro se manifesta no Corpo de Desejos e Corpo Vital, cuja textura se torna mais tênue, e não especializam o fluído vital na mesma proporção que o faz quando com saúde. Então, o Corpo Denso, o físico, adoece. Quando ocorre a recuperação, os veículos superiores apresentam uma melhora antes que a manifestação de saúde se torne evidente no Mundo Físico.
Contudo, se quem pergunta pretende saber a respeito das condições após a morte, o assunto é diferente. Embora uma pessoa possa ficar doente ou enferma aqui, talvez acamada durante anos e incapaz de se movimentar, quando a morte ocorre e ela sente a ausência do Corpo Denso, há imediatamente uma sensação de alívio, um sentimento de alegria acompanhado de uma sensação de leveza que lhe é incomum e, de repente, ela desperta e percebe que não está mais sentindo dor e é capaz de se movimentar. Se ela compreende as condições, também saberá que não é mais necessário que se alimente, pois, o Corpo de Desejos não precisa se reabastecer. No entanto, muitas pessoas não são conscientes desse fato e, portanto, encontramos nas Regiões inferiores do Mundo do Desejo que, às vezes, que elas participam de todos os movimentos de uma vida doméstica comum. Daí os relatos de alguns investigadores espiritualistas que encontram essas condições nos Mundos invisíveis; e isso também explica muito sobre o que George du Maurier relatou a respeito da vida de Peter Ibbetson e da Condessa de Towers em seu romance que leva o nome do herói[1]. Esse romance é recomendado ao leitor por oferecer uma excelente ilustração de como é o funcionamento da Memória subconsciente, na qual o herói trata da época da sua infância, e das reais condições nas Regiões inferiores do Mundo do Desejo, nas quais suas experiências com a Condessa são incluídas.
(Pergunta nº 10 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz SP)
[1] N.T.: Acesse esse Livro aqui: Livro: Peter Ibbetson – George Du Maurier
Resposta: O câncer e a tuberculose, muitas vezes, parecem doenças incuráveis, mas sempre há a possibilidade de que possam ceder, e certamente cederão se a força dirigida contra elas for suficiente. Como todas as outras manifestações físicas, elas são o resultado de uma causa espiritual, e se conseguirmos entendê-las, compensá-la com algo de natureza oposta, há uma possibilidade de recuperação; enquanto uma atitude resignação, sem assistência de qualquer espécie, certamente nunca tirará o paciente de sua condição doentia. A vida num clima saudável ou salubre, um intenso desejo por saúde, uma esperança que não conhece nem permite o desânimo e uma dieta simples e nutritiva curarão até o pior caso de tuberculose.
Quanto ao câncer, ninguém pode dizer quando a Dívida do Destino que causou tal mal foi paga. Há muitos casos registrados em que o câncer foi curado; isto é, nas suas formas mais moderadas. Mas mesmo num estágio avançado, não há motivo para perder a esperança enquanto houver vida aqui. No caso da esclerose, há vários métodos de curá-la, e o paciente pode voltar a sentir-se muito bem, particularmente se conseguir reconhecer onde violou as Leis da Natureza – que são as Leis de Deus – que causou a doença em seu caso particular.
É com esse objetivo que devemos sempre trabalhar, pois, quer uma doença seja curada ou não, se o paciente puder ser ensinado sobre quais Leis da Natureza foram transgredidas e como, se ele puder ser levado a ver qual é a causa espiritual da doença, e aprender a trilhar o caminho da virtude de acordo com as Leis de Deus, então, no futuro não mais lhe reservará doenças. É por isso que estamos trabalhando, para que possamos apressar dia da Libertação, e conduzir toda a Humanidade à plena realização da saúde.
(Pergunta número 38 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Resposta: No entanto, elas são bastante conciliáveis. Até que a vida Crística nos ilumine interiormente, não compreendemos nem seguimos as Leis da Natureza e, consequentemente, contraímos doenças por nossa violação ignorante dessas Leis. Como diz Emerson[3]: “Um homem doente é um delinquente preso em flagrante infringindo as Leis da Natureza”. É por isso que é necessário que o Evangelho de Cristo seja pregado. Todos nós devemos aprender a amar a Deus de todo o nosso coração e de toda a nossa alma[4], assim como amar o nosso irmão como a nós mesmos[5], pois todos os nossos problemas nesse mundo, quer reconheçamos ou não, advêm do único e grande fato que é o nosso egoísmo. Se a nossa função digestiva está desequilibrada, qual é a razão? Não será que sobrecarregamos o nosso organismo porque ficamos irritados e esgotamos a nossa força nervosa ao tentar sujeitar alguém aos nossos fins egoístas, e ficamos ressentidos porque não termos conseguido? Em todos os casos, o egoísmo é a causa principal das doenças, enfermidades, dos sofrimentos profundos e dores. O egoísmo é o pecado supremo da ignorância.
(Pergunta número 49 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: É uma ópera em três atos com a música de Richard Wagner, e com o libreto do próprio compositor, que nos fala da redenção pelo amor. Tal como em Der fliegende Holländer, o sacrifício feminino expia os pecados masculinos. O Dilema ainda atual, entre o amor profano, carnal e o amor casto associado ao matrimônio, é uma questão central. A ação decorre ao pé de Wartburg, terra de grandes cavaleiros trovadores, onde se realizavam pacíficos concursos de canto, no século XIII.
Reza a lenda que ao pé de Wartburg existia o monte de Vénus onde a bela deusa atraía e mantinha cativos no puro deleite, os cavaleiros trovadores. Tannhäuser caiu na quentes garras de Vénus. A ópera começa num grande bacanal. Tannhäuser saciado, quer voltar a casa, respirar ar puro, ouvir os sinos da igreja. Canta à deusa para o deixar partir. Vénus insiste para ele permanecer com ela, usando todos os seus encantos, mas Tannhäuser evoca a virgem Maria e por artes mágicas todo o monte de Vénus se desvanece e Tannhäuser, encontra-se aos pés de uma cruz, no vale de Wartburg. Ouve-se o canto de um jovem pastor. Perigrinos passam a caminho de Roma. Sonha juntar-se a eles. Nisto, surgem da caça vários cavaleiros trovadores os seus amigos de longa data que o reconhecem e o convencem a voltar a Wartburg. Wolfram explica-lhe que a bela Elisabeth, a sobrinha do Conde de Thüringen, que Tannhäuser amara outrora, desde a sua partida, ficou tomada de uma grande tristeza.
Elisabeth está radiante com o regresso de Tannhäuser e saúda a sala que acolheu os seus sucessos passados na famosa ária “Dich teure Halle”. Ele entra acompanhado de Wolfram. Elisabeth pergunta-lhe onde esteve. Tannhäuser confessa-lhe que voltou graças à sua imagem. Exprimem o seu amor num dueto.
O dia do torneio chegou, o conde de Thünringen e Elisabeth recebem os convidados. O conde anuncia que o tema do torneio é o despertar do amor e convencido da futura vitória de Tannhäuser, oferece a mão de Elisabeth ao vencedor. Tiram à sorte e calha a Wolfram iniciar, louvando a pureza do amor. Tannhäuser responde louvando o amor dos sentidos. todos os restantes concorrentes vêm reforçar o louvor ao amor puro, Tannhäuser responde-lhes provocador, que se querem conhecer o verdadeiro amor, têm de conhecer o amor carnal e irem ao monte de Vénus experimentar. Horrorizados por esta blasfémia tentam castigar Tannhäuser, mas Elisabeth protege-o. Tannhäuser parte com os perigrinos para Roma, na tentiva de obter o perdão do Papa. Elisabeth espera por ele. Nos últimos peregrinos vindos de Roma, não o encontra. Wolfram que sempre a amou adivinha a sua morte na sublime ária “O Du mein holder Abendstern”. Elisabeth morre quando Tannhäuser regressa. Vénus surge a Tannhäuser apelando-a a voltar à sua caverna. Wolfram mostra-lhe que o cortejo fúnebre que se avizinha é o de Elizabeth. Tannhäuser corre para o cortejo e sucumbe em cima da figura da sua amada, dizendo “querida Elisabeth reza por mim.
[2] N.T.: CONFERÊNCIA Nº 11 – VISÃO E PERCEPÇÃO ESPIRITUAL
Quando nós falamos de visão espiritual, não estamos falando simbolicamente, ou de uma maneira vaga, como um sentimento de êxtase ou algo semelhante, mas de uma faculdade definida tão real como a visão física, e tão necessária à percepção dos mundos espirituais e à verdadeira habilidade para compreender as qualidades internas das condições suprafísicas, como a visão física é indispensável para uma ampla cobertura de todos os pontos importantes das coisas materiais.
A visão espiritual de que falamos não é para ser confundida com a Clarividência desenvolvida em alguns nos meios espiritualistas. Essa última depende de um estado negativo da Mente onde os Mundos internos são refletidos na consciência do receptor, da mesma forma que uma paisagem é refletida em um espelho. Tal método produz uma visão, mas não há a ampla cobertura indispensável e necessária de todos os pontos importantes do que está sendo visto no Clarividente involuntário, do mesmo modo que não há no espelho. Ele está em uma posição similar àquela de um homem preso a um cavalo sem rédeas nem freios, podendo assim ser levado de um lado para outro, dependendo da vontade do cavalo. Tal faculdade é uma maldição. O clarividente devidamente desenvolvido não está preso: pode ver ou deixar de ver à vontade; maneja as rédeas do seu cavalo; é dono de sua faculdade, enquanto o outro é tão somente escravo dela.
Certas fases negativas de Clarividência são também desenvolvidas através de drogas, bola de cristal, etc. Em todos esses casos, a faculdade torna-se perigosa e prejudicial, uma vez que não se acha sob o controle do espírito. As drogas têm efeito terrivelmente destruidor sobre os diferentes veículos do ser humano. Porém, o mais perigoso de todos os métodos de desenvolvimento é a prática de exercícios respiratórios aplicada de modo indiscriminado. Muitos indivíduos acham-se hoje em manicômios ou até morreram tuberculosos por haverem praticado tais exercícios em aulas de desenvolvimento dirigidas por pessoas tão ignorantes quanto eles mesmos. Exercícios respiratórios, quando necessários, jamais devem ser feitos em conjunto, uma vez que cada discípulo tem constituição diferente dos demais. Assim, cada um requer exercícios individuais, particulares, bem como diferentes exercícios mentais para acompanhar aqueles.
Somente através de instruções individuais dadas por um instrutor competente, pode-se desenvolver com segurança a visão e a compreensão espirituais. Estas advertências referem-se exclusivamente aos exercícios respiratórios como método de desenvolvimento oculto, e nunca aos exercícios físicos que são excelentes quando praticados com moderação.
Surge daí a pergunta: Como achar um instrutor autêntico e como distingui-lo de um impostor? É uma pergunta muito importante, porque quando o aspirante encontra tal mestre, pode considerar-se em perfeita segurança e protegido contra a grande maioria dos perigos que cercam aqueles que, por ignorância ou egoísmo, traçam seus próprios rumos e buscam poderes espirituais, mas sem qualquer esforço para desenvolver fibra moral.
É uma verdade axiomática que os seres humanos são conhecidos “por seus frutos” e, como o mestre esotérico exige de seu pupilo desinteresse nas motivações, infere-se justamente que o instrutor deve possuir esse atributo em grau ainda maior. Portanto, se alguém se arvora em ser instrutor e oferece seus conhecimentos em troca de dinheiro, a tanto por aula, mostra assim que está abaixo do padrão que exige de seus discípulos. Alegar que precisa de dinheiro para viver, ou apresentar outros motivos semelhantes para cobrar pelo ensino, tudo não passa de sofismas. As leis cósmicas cuidam de todo aquele que trabalha com elas. Qualquer ensino oferecido em bases comerciais não é ensino superior, porque este jamais é vendido ou envolve considerações materiais, pois, em todos os casos, chega ao recebedor como um direito em função do mérito. Assim, mesmo que o verdadeiro instrutor tentasse negar o ensino a determinada pessoa que o merecesse, pela Lei de Consequência, seria um dia compelido a ministrar-lhe o mesmo.
No entanto, tal atitude seria inconcebível porque os Irmãos Maiores sentem uma grande e indizível alegria toda vez que alguém começa a palmilhar a senda da vida eterna. Por outro lado, embora ansiosos por tal, eles a ninguém podem revelar seus segredos antes que cada um tenha dado provas de sua constância e altruísmo, pois só assim poderá alguém ser um firme guardião dos imensos poderes resultantes, que tanto podem servir ao bem como podem ser usados para o mal. Se permitimos que nossas paixões se imponham descontroladamente, e se a avareza ou a vaidade são as molas de nossas ações, apenas sustamos o progresso de nosso semelhante ao invés de ajudá-lo. E, até que aprendamos a usar apropriadamente os poderes que possuímos, não estaremos em condições de realizar o trabalho ainda maior exigido daqueles que têm sido ajudados pelos Irmãos Maiores a desenvolverem sua visão espiritual latente, e a conseguirem compreensão espiritual, que é o que torna valiosa aquela faculdade como fator de evolução.
Portanto, a “Senda da Preparação” antecede o “Caminho da Iniciação”. A perseverança, a devoção, a observação e o discernimento são os meios de alcançá-lo, porque tais qualidades sensibilizam o Corpo Vital. Através da perseverança e da devoção, os Éteres Químico e de Vida capacitam-se a cuidar das funções vitais do Corpo Denso durante o sono. E uma separação entre estes dois Éteres e os dois superiores – Éter de Luz e Éter Refletor – acontece. Quando os dois últimos se espiritualizam suficientemente mediante a observação e o discernimento, uma simples fórmula dada pelo Irmão Maior capacita o Discípulo a separá-los e a levá-los consigo, à vontade, juntamente com seus veículos superiores. Deste modo, ele fica equipado com um veículo de percepção sensorial e memória. Qualquer conhecimento que possua no mundo material pode, então, ser utilizado nos Reinos espirituais, como também pode trazer ao cérebro físico recordações das experiências por que passou enquanto esteve fora de seu Corpo Denso. Isto nos é necessário para funcionarmos separados do Corpo Denso, plenamente conscientes tanto do Mundo Físico quanto do Mundo do Desejo, pois o Corpo de Desejos ainda não está organizado e, se o Corpo Vital não transferisse suas impressões no momento da morte, não poderíamos ter consciência no Mundo do Desejo durante a existência post-mortem.
Os exercícios respiratórios indiscriminados não produzem a divisão acima descrita, mas apenas tendem a separar o Corpo Vital do Corpo Denso. Por isso, as ligações entre os centros etéricos dos sentidos e as células cerebrais rompem-se ou deformam-se em certos casos, resultando ao final em vários tipos de insanidade mental, como a loucura. Em outros casos, o rompimento ocorre entre o Éter de Vida e o Éter Químico e, como o primeiro responde pela assimilação orgânica dos alimentos e é a avenida particular para a especialização da energia solar, essa ruptura resulta em tuberculose. Somente através de exercícios apropriados pode-se efetuar a separação correta. Quando a pureza de vida permite que a força sexual, que é criadora, gerada no Éter de Vida eleve-se até o coração, essa força encarrega-se de manter a quantidade de circulação necessária ao estado de sono. Deste modo, as funções físicas e o desenvolvimento espiritual correm paralelamente ao longo de linhas harmoniosas.
Temos, pois, aí a razão para o voto de celibato feito por aqueles que se dedicam inteiramente à vida superior. Não é necessário que o principiante se torne um asceta. A castidade absoluta por enquanto é só para poucos, especificamente, para aqueles que já alcançaram as Iniciações Maiores. Atualmente, o ato sexual é o método normal de procriação. Não existe outro meio de prover-se Corpos Denso aos Egos que precisam renascer – pois a fila é enorme! –, e é dever de todo aquele que é mental, moral e fisicamente sadio proporcionar veículo e ambiente apropriado a Espíritos, irmãos e irmãs, que desejam e precisam renascer aqui, isto de acordo com seus meios e oportunidades. Deveríamos encarar o ato da procriação como um Sacramento, não um ato para simples gratificação dos sentidos, mas para ser realizado com espírito de oração. A força sexual é exigida para geração apenas umas poucas vezes na vida de qualquer pessoa, de modo que o excedente pode ser legitimamente aproveitável ao autodesenvolvimento, já que ela é criadora.
Discernimento é a faculdade – e um importante Exercício Esotérico, como nos ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – que nos permite distinguir aquilo que é essencial daquilo que não tem importância, separando a realidade da ilusão, e o que é duradouro daquilo que é efêmero. Na vida comum, acostumamo-nos a pensar que somos só corpo. O discernimento ensina-nos que somos Espíritos e que nossos corpos e veículos nada mais são que moradas provisórias, instrumentos para nosso uso. O carpinteiro usa martelo e serra que são importantes instrumentos. Contudo, nunca lhe ocorre que ele próprio seja essas ferramentas. Jamais devemos identificar-nos com o nosso Corpo Denso ou Corpo Vital ou ainda Corpo de Desejos, mas sim aprender, pelo discernimento, a considerá-lo um servidor, valioso tão somente enquanto obedeça a nossas ordens. Quando o considerarmos assim, descobriremos que somos capazes de fazer com facilidade muitas coisas que até então julgávamos impossível realizar. O discernimento gera a Alma Intelectual e imprime em nós o primeiro impulso em direção à vida superior.
A Observação – além de ser mais um importante Exercício Esotérico, como nos ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – é o uso dos sentidos como meio de obter-se informações a respeito dos fenômenos que ocorrem ao nosso redor. A observação e a ação geram a Alma Consciente. É de máxima importância para o nosso desenvolvimento que observemos minuciosamente tudo o que se passa em torno de nós; caso contrário, as imagens da nossa Memória Consciente deixam de coincidir com aquelas de nossa Memória Subconsciente ou automática. O ritmo e a harmonia do Corpo Denso são perturbados em proporção à superficialidade de nossa observação durante o dia. Nossas atividades durante o sono restauram parcialmente a harmonia, mas o entrechoque de vibrações dia após dia e ano após ano é uma das causas que, gradualmente, endurecem e destroem nosso organismo até torná-lo impróprio para o uso do Espírito que, então, precisa abandoná-lo e buscar nova oportunidade de desenvolvimento em um corpo novo e melhor. Na mesma proporção em que aprendemos a observar atentamente, ganharemos em saúde e longevidade e precisaremos de menos repouso e sono. Este último é um ponto muito importante, como veremos.
Devoção – além de ser mais um importante Exercício Esotérico, como nos ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – aos elevados ideais restringe os instintos animais, gera e desenvolve a Alma Emocional. O cultivo, pois, dessa faculdade é essencial. Para algumas pessoas, essa é a linha de menor resistência; eis porque são aptos a se converterem em místicos sonhadores. As energias do Corpo de Desejos expressam-se então na forma de entusiasmo e êxtase religioso. Outros há que desenvolvem anormalmente a faculdade de discernimento que os leva ao longo das frias linhas intelectuais da especulação metafísica. Em ambos os casos há desequilíbrio e existe perigo. O sonhador místico pode tornar-se joguete de toda sorte de ilusões por estar dominado pela emoção. Ao intelectual ocultista isso nunca pode acontecer, mas pode terminar na magia negra se perseguir a senda do conhecimento só por desejo de conhecimento e não para poder servir. O único meio seguro é desenvolver simultaneamente a “Cabeça e o Coração”.
O Ocultista desenvolve-se ao longo de linhas intelectuais; procura a verdade pela observação e pelo discernimento, observa e raciocina sobre tudo o que vê. Assim, ele alcança o conhecimento, mas, como diz o apóstolo São Paulo: “O conhecimento ensoberbece, mas o amor edifica.”[2]. Portanto, antes que seu conhecimento possa ser útil ao próprio desenvolvimento espiritual, precisará aprender a senti-lo, pois, de outro modo, não poderá vivê-lo. Quando tiver feito isto, será tanto Cristão Ocultista quanto Cristão Místico.
O Cristão Místico desenvolve especialmente a faculdade de devoção. Ele sente a verdade sem precisar raciocinar. Sabe, mas não tem meios para explicar a razão de sua fé, de modo ajudar os outros. Deve, pois, desenvolver o lado intelectual de sua natureza, a fim de ser o mais útil possível na elevação da humanidade. Assim, o intelecto pode agir como um freio sobre as emoções, e a devoção pode guiar o intelecto com segurança. Se seguirmos unicamente uma das linhas, teremos mais tarde que seguir a outra, caso queiramos ter um desenvolvimento completo e harmonioso. Por isso, é melhor tentar desenvolver agora a faculdade que nos falta, pois assim progrediremos mais rapidamente em direção à meta final e em perfeita segurança.
A clareza e a nitidez de uma fotografia dependem do modo do fotógrafo focalizar as lentes. Uma vez ajustada a objetiva, o foco se conserva. Todavia, se a máquina tivesse vida e vontade próprias, se pudesse modificar sua direção e focalização, as imagens captadas apareceriam sem nitidez. A Mente encontra-se em situação análoga: vagueia sem objetivo como se estivesse literalmente com “dança de São Vito”[2] e resistindo tenazmente a qualquer restrição. Mas ela pode e deve ser subjugada, e a perseverança é o meio de conseguir. Na proporção em que a Mente é aquietada, o Espírito pode refletir-se no Tríplice Corpo, segundo o princípio de que os raios do Sol não se podem refletir num mar encapelado, mas somente em águas tranquilas.
O Corpo Vital é como um espelho, ou melhor, como uma película cinematográfica em movimento: filma o mundo mesmo que esteja em desacordo com a nossa faculdade e observação e com as ideias que brotam do Espírito interno, conforme a clareza e o treinamento mentais. A devoção e o discernimento, ou em outras palavras, a emoção e o intelecto, decidem nossa atitude face a essas imagens, e o equilíbrio entre as ações de ambos conduz a um desenvolvimento perfeito. Alcançado certo grau de aperfeiçoamento, elas realizam inevitavelmente o processo de purificação. O ser humano precisa compreender que, para alcançar a meta, deve pôr de lado tudo o que possa entravar a roda do progresso. O bom mecânico prefere sempre as melhores ferramentas e esmera-se em conservá-las perfeitas, porque sabe quão importantes são para realizar um bom trabalho. Nossos Corpos são as ferramentas de nós, o Espírito, de modo que, na medida em que elas se encontrem obstruídas, estorvam a nossa manifestação. O discernimento aponta-nos o que obstrui. A devoção à vida superior ajuda-nos a eliminar maus hábitos e traços de caráter indesejáveis, suplantando o simples desejo.
A carne animal (mamíferos, aves, peixes, anfíbios, répteis, frutos do mar e afins) obtida à custa da vida e sofrimento de outros seres e, que além de estar impregnada dos desejos e paixões do animal encontra-se já em estado de decomposição, não é um alimento puro. Nenhum sincero Aspirante à vida superior e aos poderes superiores deve escolher este tipo de alimento. Deve estudar, sim, para aprender como atender às necessidades do seu organismo com alimentos puros. Deve também se dar conta da importância de manter seu cérebro lúcido para que sua consciência possa abrir-se completamente à influência espiritual, concluindo-se daí que abandonará o uso do fumo (seja de qualquer espécie e das bebidas alcoólicas que estimulam e entorpecem o cérebro. Moderação é um termo impróprio com relação à bebida alcoólica. O uso do álcool, em qualquer escala, é desastroso ao desenvolvimento espiritual.
Perder a serenidade é prejudicial ao crescimento interno, além de dissipar, em grande escala, utilíssima energia que poderia ser utilizada beneficamente; a raiva envenena o organismo, inutiliza-o e retarda enormemente o progresso espiritual.
Da mesma forma, pensamentos de crítica nos prejudicam, por isso deve o Aspirante à vida superior evitá-los tanto quanto possível. O discernimento ensina-nos, de modo impessoal, o que é bom e o que é mau, mas não imprime em nós nenhum sentimento sobre isso, e isto é um ponto muito importante. O exame de um fato, de uma ideia ou objeto, seguido de uma decisão relativa ao seu valor, é necessário e não deve ser evitado. Porém, os pensamentos não caridosos devem ser evitados, uma vez que geram pensamentos em forma de flecha que, conforme se exteriorizam, atingem e bloqueiam o fluxo de bons pensamentos emanados constantemente dos Irmãos Maiores e atraídos por todos os seres humanos bons.
Dois exercícios específicos são dados ao Aspirante à vida superior que inicia a jornada preparatória. Ambos conduzem ao desenvolvimento da visão e da compreensão espirituais. Um eles levam ao caminho reto e apela mais para o Ocultista, que trabalha mais com o intelecto, mas é de grande valor para o Místico porque desenvolve nele a qualidade que mais lhe falta — a razão. Esse exercício é chamado de Exercício Esotérico matutino de Concentração e produz “poder mental”. O outro produz resultado semelhante de maneira indireta. Agrada mais ao Místico, mas é extremamente necessário ao intelectual Ocultista porque proporciona-lhe o senso da verdade, que está além da razão. Tal exercício é o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, que desenvolve o “poder da devoção”. Ambos são necessários para garantir um desenvolvimento completo e harmonioso.
A filosofia da conquista da visão e compreensão espirituais resume-se em obrigar o Corpo de Desejos a efetuar, dentro do Corpo Denso e em completo estado de vigília, — ou seja, positivo e consciente — o mesmo trabalho que realiza quando se encontra fora durante o sono, ou no estado post-mortem.
Existem certas correntes no Corpo de Desejos de todos. São fortes, bem definidas, e formam sete grandes vórtices nos clarividentes, mas são fracas, descontínuas e destituídas de vórtices no ser humano comum, naquele que não pode “ver”. O desenvolvimento dessas correntes e vórtices conduzem à visão espiritual. Durante o dia, enquanto somos absorvidos pelos nossos interesses materiais, essas correntes fluem muito vagarosamente. Mas, tão logo nos retiramos do Corpo Denso ao dormir, iniciamos o trabalho de restauração, conforme descrito na Conferência nº 4 do Livro Cristianismo Rosacruz, as correntes reativam-se e os vórtices também, fulgurando como se fossem incandescentes, porque então o Corpo de Desejos se encontra no seu elemento de origem, livre do peso embaraçante do Corpo Denso.
O tempo de que o Corpo de Desejos precisa para restaurar o ritmo do Corpo Vital e do Corpo Denso depende do modo que usamos esse último durante o dia. Se o extenuamos nesse período, as desarmonias criadas serão naturalmente maiores, e isso exigirá a maior parte da noite para o Corpo de Desejos poder restaurar a harmonia e o ritmo. Assim, vive o ser humano preso ao seu Corpo Denso, dia e noite. Mas quando ele aprende a controlar a ação, a controlar gastos de energia nas atividades diárias, cessando de malbaratá-las em palavras e atos vãos, quando começa a dominar seus impulsos e a impedir novas desarmonias resultantes de uma observação imperfeita, então o Corpo de Desejos não precisa trabalhar o período inteiro do sono noturno para restaurar o Corpo Denso. Uma parte da noite pode ser empregada para se trabalhar fora. Se os centros sensoriais do Corpo de Desejos estão suficientemente desenvolvidos — como regra geral estão na maioria dos indivíduos inteligentes — o ser humano pode então desatar o cabo e elevar-se ao Mundo do Desejo. Lá ele tem uma visão do que se passa nesse plano, embora geralmente não consiga recordar depois de nada do que viu, até que consiga efetuar a separação entre as partes superior e inferior do Corpo Vital, conforme já explicado.
Vemos, pois, a grande importância da observação correta, da devoção aos elevados ideais, da pureza de alimentação, etc., tudo isso tendendo a harmonizar as vibrações internas com as vibrações externas. Na mesma proporção em que progredimos nessa direção, o tempo empregado na restauração dos veículos é abreviado, sobrando-nos, portanto, uma margem para trabalharmos no Mundo do Desejo.
EXERCÍCIO NOTURNO
O Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é o mais eficiente dos métodos existentes para fazer o Aspirante à vida superior avançar na senda da realização espiritual. Seu efeito tem tal alcance que permite ao indivíduo aprender agora não apenas as lições dessa vida, mas também lições que normalmente lhe estariam reservadas para existências futuras.
Após deitar-se à noite, o Aspirante à vida superior relaxa o Corpo Denso e começa a recordar os acontecimentos do dia na ordem inversa, partindo dos da noite, em seguida os da tarde, e depois os da manhã. Deve esforçar-se para “rever” cada cena com a máxima fidelidade e procurar reproduzir ante seus olhos mentais tudo o que aconteceu em cada uma delas, a fim de poder julgar seus atos e certificar-se de que suas palavras transmitiram o sentido desejado ou deram uma impressão falsa, como também se exagerou ou foi omisso ao relatar experiências a outrem. Deve examinar sua atitude moral relativa a cada cena. E quanto aos alimentos, verificar se “comeu para viver” ou “viveu para comer”, para gratificar o paladar. Durante todo o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, o Aspirante à vida superior vai julgando a si mesmo, censurando-se onde couber reprovação e elogiando-se onde couber o louvor.
Os Probacionistas acham, às vezes, difícil permanecer acordados até o fim do Exercício Esotérico noturno de Retrospecção. Em tais casos, é permitido que se sentem na cama, até que lhes seja possível seguir o método comum.
O valor do Exercício Esotérico noturno de Retrospecção é imenso. Vai muito além de nossa imaginação. Em primeiro lugar, realizamos o trabalho de restauração da harmonia conscientemente e em tempo muito mais curto do que o Corpo de Desejos pode fazê-lo durante o sono, sobrando assim uma maior porção da noite para trabalhos fora do corpo. Em segundo lugar, vivemos nosso Purgatório e Primeiro Céu cada noite, incorporando a nós, o Espírito, o senso de retidão como essência das experiências do dia. Escapamos, assim, do Purgatório depois da morte, economizando também o tempo que despenderíamos no Primeiro Céu.
Por último, e não menos importante, tendo dia após dia extraído a essência das experiências que produzem o crescimento anímico, e havendo incorporado essa essência em nós, o Espírito, passamos a vivenciar realmente uma nova atitude mental e a nos desenvolver por linhas que normalmente estariam reservadas a vidas futuras.
Executando fielmente esse Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, dia após dia, apagamos de nossa Memória Subconsciente o registro de fatos desagradáveis e eliminamos os nossos pecados, nossas auras começam a reluzir com o ouro espiritual extraído das experiências diárias pela Retrospecção, e aí começamos a atrair a atenção do Irmão Maior.
“Os puros verão a Deus.”[2], disse Cristo, e o Irmão Maior abrirá nossos olhos quando estivermos prontos para entrar no “Templo do Saber” — o Mundo do Desejo — onde obtemos nossas primeiras experiências de vida consciente fora do Corpo Denso.
EXERCÍCIO MATUTINO
O Exercício Esotérico matutino de Concentração, o segundo exercício, é executado pela manhã, tão logo o Aspirante à vida superior desperta. Ele não precisa levantar-se para abrir as janelas ou fazer qualquer coisa desnecessária. Sentindo o Corpo Denso confortável, deve relaxar e começar imediatamente a se concentrar. Esse momento é muito importante porque nós, o Espírito, acabamos de regressar do Mundo do Desejo, podendo termos contato consciente com esse Mundo, bem mais facilmente do que em qualquer outra hora do dia.
Se o Corpo Denso está em desconforto, o Aspirante à vida superior deve se mexer com o objetivo de acomodá-lo melhor antes de iniciar a Concentração, mas muito da eficácia do exercício é perdida em razão de se iniciá-lo com atraso.
Vimos na Conferência nº 4 do Livro Cristianismo Rosacruz que, durante o sono, as correntes do Corpo de Desejos fluem e seus vórtices movem-se e giram com enorme rapidez. Porém, tão logo ele interpenetra o Corpo Denso, suas correntes e vórtices são quase paralisados pela matéria densa e pelas correntes nervosas do Corpo Vital que levam e trazem mensagens ao cérebro. A finalidade deste exercício é levar o Corpo Denso ao mesmo grau de inércia e insensibilidade do estado de sono, embora com o Espírito dentro dele e conservando-se totalmente acordado, alerta, consciente. Deste modo, cria-se uma condição em que os centros sensoriais do Corpo de Desejos podem começar a girar no interior do Corpo Denso.
Concentração é uma palavra enigmática para muitos, por isso tentaremos esclarecer seu significado. O dicionário dá-nos diversas definições, todas aplicáveis à nossa ideia. Uma é “convergir para um centro”, enquanto outra, uma definição química, é “reduzir à extrema pureza e potencialidade pela eliminação de constituintes inúteis”. Aplicada ao nosso problema, uma das definições faz-nos ver que, se convergimos nossos pensamentos para um centro, para um ponto, podemos aumentar sua força, segundo o princípio que estabelece que a força dos raios solares é multiplicada quando focalizada num ponto através de uma lente de aumento. Eliminando-se de nossa Mente todos os demais assuntos, todo o nosso poder mental pode ser completamente aproveitado na consecução de um objetivo ou solução do problema em que nos concentramos. Podemo-nos absorver em nosso assunto a tal ponto que, mesmo um canhão sendo disparado, não o ouviremos. Há pessoas que podem concentrar-se numa leitura de tal maneira que são capazes de esquecer tudo mais. O Aspirante à vida superior deve, igualmente, ser capaz de abstrair-se numa ideia, objeto de concentração, a ponto de fechar por completo sua consciência ao mundo dos sentidos e atentar exclusivamente para os Mundos espirituais.
Quando aprender a fazer isso, ele verá o lado espiritual de um objeto, ou ideia, iluminado por uma luz espiritual e, assim, ele alcançará o conhecimento da natureza interna de coisas nem sequer sonhadas pelo ser humano mundano.
Quando se chega a esse ponto de abstração, os centros sensoriais do Corpo de Desejos começam a girar lentamente no interior do Corpo Denso e a se acomodarem por si mesmos. Com o tempo, esses centros tornam-se cada vez mais definidos e passam gradativamente a exigir menos esforço para pô-los em movimento.
O tema da concentração pode ser um ideal elevado e sublime, mas preferivelmente que seja de uma natureza tal que consiga situar o Aspirante à vida superior acima do tempo e do espaço, afastando-o das sensações ordinárias do Mundo material. Para isto, não há melhor fórmula do que os cinco primeiros versículos do primeiro Capítulo do Evangelho Segundo São João. Tomando-os como base, sentença por sentença, manhã após manhã, com o tempo, o Aspirante à vida superior terá adquirido uma admirável compreensão do princípio do nosso universo e do método da criação — compreensão que está muito longe de ser alcançada em livros.
Depois de algum tempo, quando o Aspirante à vida superior já tenha aprendido a manter sem oscilações, ininterruptamente por uns cinco minutos, a ideia na qual venha se concentrando, pode, um dia, tentar lançar fora repentinamente essa ideia, deixando a Mente “em branco”. Em nada deve pensar então, mas simplesmente esperar que algo venha preencher aquele vazio mental. Com o tempo, as visões e cenas do Mundo do Desejo deverão ocupar essa lacuna. Após ter-se acostumado a essa prática, o Aspirante à vida superior pode desejar que algo se apresente ante seus olhos mentais. A coisa virá e então ele poderá investigá-la à vontade.
Mas o ponto principal é que, seguindo as instruções acima, o Aspirante à vida superior vai purificando a si mesmo. Sua aura começa a brilhar e isso atrairá infalivelmente a atenção do Irmão Maior, que designará alguém para ajudá-lo, quando necessário, a dar o passo seguinte.
Mesmo que passem meses ou anos sem resultados visíveis, estejamos certos de que não nos esforçamos em vão; os Irmãos Maiores veem e apreciam nossos esforços, e vivem eles tão ansiosos por nossa colaboração quanto nós por trabalhar. Os Irmãos Maiores podem ver razões que nos impeçam de empreender o trabalho pela humanidade no momento presente ou mesmo por toda esta vida. Mas, tão logo essas razões desapareçam, poderemos ser admitidos à luz, onde seremos capazes de ver por nós mesmos.
Uma antiga lenda diz que escavações em busca de tesouros devem ser feitas somente na calada da noite e no mais absoluto silêncio; falar uma só palavra antes de os descobrir fará com que desapareçam inevitavelmente. Trata-se de uma parábola mística relativa à busca da iluminação espiritual. Se tagarelarmos ou contarmos a outrem as experiências de nossos momentos de concentração, poderemos perdê-las. Antes de extrairmos delas, pela meditação, pleno conhecimento das leis cósmicas subjacentes, tais experiências podem reduzir-se a nada, uma vez que esta classe de experiências não pode suportar a transmissão oral. A experiência em si, portanto, não conta muito, pois, afinal, não é mais do que uma casca envolvendo e ocultando saboroso fruto. A lei tem valor universal, como vai ficar evidente, porque ela explica os fatos da vida, ensina-nos como tirar vantagem de certas condições e o modo de evitar outras. Em benefício da humanidade, ela pode ser livremente revelada, à vontade de seu descobridor. Então, a experiência que a revelou parecerá, em sua verdadeira luz, apenas uma coisa passageira que dispensa maiores considerações. Por conseguinte, tudo o que aconteça durante o Exercício Esotérico matutino de Concentração deve ser considerado sagrado e guardado no mais absoluto sigilo pelo aspirante.
Finalmente, evitemos considerar os Exercícios Esotéricos Rosacruzes como tarefas desagradáveis. Estimemo-los em seu verdadeiro valor, pois eles são nossos mais altos privilégios. Somente quando assim os considerarmos, poderemos fazer-lhes justiça e colher todo o benefício de sua prática.
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Na Fraternidade Rosacruz, os Irmãos Maiores distinguem três classes:
1) Estudantes Preliminares e, depois Estudantes Regulares, aqueles que simplesmente estudam a Filosofia. Pessoas das mais variadas denominações entram em instituições de ensino tais como as Universidades de Harvard ou Yale e ali estudam mitologia, psicologia e Religião comparada sem prejuízo de suas filiações religiosas. Nestas mesmas bases, os candidatos a estudos podem inscrever-se na Fraternidade Rosacruz. Qualquer um pode candidatar-se, se não for hipnotizador ou não esteja profissionalmente comprometido como médium, quiromante ou astrólogo.
2) Probacionistas, que são Estudantes Rosacruzes que aspiram o conhecimento direto a fim de se capacitarem para o serviço. Ao fim de dois anos na condição de Estudante Regular Rosacruz, e caso tenha já se convencido da veracidade dos Ensinamentos Rosacruzes e esteja decidido a cortar toda ligação que eventualmente ainda tenha com qualquer outra entidade esotérica ou ordem religiosa — exceto as igrejas e irmandades Cristãs — o Aspirante à vida superior pode assumir o Compromisso que o fará ser admitido no grau de Probacionista. A estes, a Sede Mundial fornece um formulário mediante o qual o Aspirante à vida superior promete a si mesmo praticar fielmente os dois Exercícios Esotéricos Rosacruzes (noturno de Retrospecção e matutino de Concentração), e registrá-los todos os dias em outro formulário especial que deve ser devolvido mensalmente à Sede. As provas duram no mínimo cinco anos e seu propósito é testar a dedicação e a persistência do Aspirante à vida superior, dando-lhe a oportunidade de purificar-se a si próprio antes de passar aos métodos de treinamento mais diretos pertinentes ao Discipulado. Esse registro diário destina-se também a ajudar o Aspirante à vida superior a fazer os Exercícios Esotéricos Rosacruzes. É próprio da natureza humana tentar fazer o melhor sempre que tenha de mostrá-lo, portanto, sabendo-se observado, o Aspirante à vida superior procura esmerar-se nesses Exercícios Esotéricos Rosacruzes.
Longe estamos de insinuar que as demais escolas de ocultismo não devam ser consideradas. Muitos são os caminhos que levam a Roma, mas lá chegaremos com menos esforço se seguirmos por um só deles ao invés de ziguezaguear de um a outro.
Em primeiro lugar, nosso tempo e energia são limitados e são reduzidos ainda mais pelos deveres sociais e familiares, que não devem ser negligenciados em favor do autodesenvolvimento. Portanto, só com o propósito de economizarmos essa limitada energia — a qual podemos usar de modo mais legítimo — e evitar o desperdício do reduzido tempo à nossa disposição, é que os Irmãos Maiores insistem para renunciarmos a todas as outras ordens.
O mundo é um agregado de oportunidades, mas para aproveitá-las é necessário possuirmos eficiência em certa linha de esforços. O desenvolvimento dos poderes espirituais pode nos capacitar a ajudar ou prejudicar aos nossos irmãos mais fracos. E esses poderes só se justificam quando o objetivo é Servir à Humanidade.
O método de realização Rosacruz difere dos outros sistemas por um pormenor especial: procura desde o princípio emancipar o Discípulo de toda dependência dos outros, tornando-o autoconfiante no mais alto grau, de maneira a poder permanecer só em todas as circunstâncias e enfrentar todas as condições. Somente aquele que for tão bem equilibrado pode ajudar ao débil.
Quando certo número de pessoas se reúne em classe ou círculo objetivando o autodesenvolvimento, mas por meio de métodos negativos, geralmente os resultados são conseguidos em pouco tempo, seguindo o princípio de que é mais fácil deixar-se levar pela corrente, do que lutar contra ela. O médium, contudo, não é senhor dos seus atos, mas escravo do espírito que o domina. Por isso tais reuniões devem ser evitadas pelos Probacionistas.
Mesmo as reuniões em que se mantenha uma atitude mental positiva não são aconselhadas pelos Irmãos Maiores, porque os poderes latentes de todos os membros são amalgamados. Então as visões dos Mundos internos obtidas por quaisquer deles apenas resultam parcialmente da influência das faculdades dos demais. O calor de um carvão no centro de uma fogueira fica aumentado pelo dos carvões que o rodeiam. O Clarividente originado num círculo, mesmo que esse seja positivo, é como uma planta na estufa – demasiado dependente para que se lhe possa confiar os cuidados dos demais.
Portanto, todo Probacionista da Fraternidade Rosacruz efetua seus exercícios sozinho, no isolamento do seu lar. Seguindo esse método, obtêm-se resultados mais lentamente. Porém, quando tais resultados aparecerem, manifestar-se-ão como poderes cultivados por ele mesmo, e poderão ser empregados independentemente dos demais. Além disso, os métodos Rosacruzes constroem o caráter, ao mesmo tempo em que desenvolvem as faculdades espirituais, resguardando assim o Discípulo da tentação de perverter seus poderes divinos em busca de prestígio mundano.
Do que foi dito acima, não se conclua que o candidato deva empregar todo o seu tempo em esforços espirituais. Se não podemos dispor de muito tempo, cinco minutos pela manhã e quinze minutos à noite é quanto basta. De fato, dedicar ao desenvolvimento de faculdades espirituais um tempo que precisaria ser legitimamente usado em responsabilidades materiais é decididamente um erro. Antes de nos entregarmos ao serviço nos mundos espirituais, precisamos cumprir todos os nossos deveres no mundo material. Não se pode esperar fidelidade no trabalho espiritual de quem é infiel aos seus deveres terrenos.
Após a remessa de sessenta relatórios consecutivos, o candidato pode solicitar instruções individuais, as quais, se possível, lhes serão dadas.
3) Discípulos, composta de pessoas que, havendo completado a fase de Probacionista, são consideradas aptas para receberem instruções individuais dos Irmãos Maiores. O ensino é gratuito.
A Filosofia Rosacruz tem conquistado adeptos por toda parte, os quais se mantêm em estreito contato com o movimento e que trabalham para difundir as profundas verdades concernentes à Vida e ao Ser que os estão ajudando.
[3] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803-1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense. Conhecido por ter sido o criador da escola de filosofia “transcendentalista” norte-americana.
[4] N.T. Dt 6:5 e Mc 12:30
[5] N.T.: Mt 22:39