Em todas as Religiões antigas, os quatro festivais solares que marcam os pontos equinociais e solsticiais do Sol no Zodíaco sempre foram considerados períodos sagrados. Portanto, ao abordar este estudo, não estamos aprendendo uma nova fé, mas apenas reaprendendo uma muito antiga.
No antigo Egito, esses festivais eram celebrados com grande pompa e esplendor; em procissões impressionantes, os sacerdotes carregavam os livros sagrados de astrologia. Esses sacerdotes ensinavam que tanto Libra quanto Escorpião eram Signos do “Equinócio de Setembro”. As almas, segundo a crença deles, desciam através da serpente para serem regeneradas no “Equinócio de Março” pelo poder do Cordeiro — o que, notamos, guarda grande semelhança com o nosso atual ensinamento Cristão.
No Egito, a origem do mal também era atribuída ao “Equinócio de Setembro”. Como estavam no hemisfério norte, acreditava-se que, assim como essa estação inaugurava o frio e a escuridão do inverno, ela também trazia a tentação e o pecado ao ser humano.
Todos os povos adoraram um deus cuja força e fraqueza eram vistas como simbolizadas pela luz e pela escuridão, bem como pela alternância entre calor e frio, marcadas pela passagem do Sol pelos doze Signos do Zodíaco.
Hércules foi reverenciado por séculos antes do estabelecimento do Império Grego; seus doze trabalhos descrevem com precisão a passagem do Sol pelos doze Signos do Zodíaco.
O mesmo ocorre com a história de Jacó e seus doze filhos[1], conforme apresentada na Bíblia. O “Equinócio de Setembro” era celebrado pelos antigos hebreus e é mencionado no Antigo Testamento como a Festa dos Tabernáculos ou a Festa da Colheita[2].
Nas Escrituras Cristãs, também observamos a referência de Ezequiel às donzelas de Israel que choravam e olhavam para o norte à espera do retorno de Tamuz, o deus solar sírio[3].
Astrologicamente, o assassinato de Hiram Abiff também é uma história relacionada ao “Equinócio de Setembro”. Os três assassinos são Libra, Escorpião e Sagitário. Hiram representa o Sol, que é ressuscitado no “Equinócio de Março” pela palavra do Mestre — ou seja, o Sol em Áries.
Muitas histórias ocultistas desses autores abordaram os festivais solares sob uma perspectiva puramente astronômica. Interpretar seu significado espiritual e Cristão é a tarefa da nossa Escola de Misticismo Cristão, a Fraternidade Rosacruz. O Cristo é uma figura cósmica, e Sua vida está delineada nestes festivais solares. A Iniciação é um processo cósmico de desenvolvimento. O ser humano é um epítome de Deus. “Assim como é em cima, é embaixo”.
Todo ser humano é um Cristo em formação, e as estrelas contêm uma biografia antecipada de nossas próprias vidas. O despertar do Cristo Interno constitui a consumação perfeita do nosso atual estágio de evolução.
Na época do “Equinócio de Março”, que a Igreja cristã celebra como a Páscoa, o Sol cruza o equador, passando das latitudes austrais para as boreais. A Ordem Rosacruz reconhece esse evento como o momento da Grande Libertação, quando o Espírito Solar — o Cristo — é libertado de seu aprisionamento na Terra.
No “Solstício de Junho”, quando o Sol atinge o ponto mais alto de sua declinação boreal, ele se encontra em Câncer, o grande Signo feminino ou de Água. É então que o Espírito Crístico alcança o trono do Pai e banha-se no êxtase de Sua vibração. O Sol passa, então, para Leão, o grande Signo masculino e de Fogo. Para os Cristãos Místicos, este é, de fato, um período sagrado.
Durante os meses de julho e agosto — ou enquanto o Sol transita de Câncer para Leão —, o Espírito Crístico funde os princípios do Fogo e da Água no Corpo Espírito de Vida renovado, radiante e glorioso, que Cristo está construindo como Sua dádiva à Terra para a Noite Santa, ou seja, a época do “Solstício de Dezembro”. É sobre esse grande Corpo de luz, provido pelo Cristo, que todas as quatro Ondas de Vida que evoluem neste Planeta — mineral, vegetal, animal e humana — são sustentadas ao longo do ano. S. Paulo enunciou uma profunda verdade oculta ao dizer: “N’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”[4].
À medida que o Sol entra em Virgem, esse grande Raio de vida descendente toca as esferas superiores da Terra. Místicos e pessoas sensíveis percebem uma compaixão terna e envolvente — uma beleza divina e etérea que permeia toda a Natureza — quando o Sol ingressa neste signo da Mãe Divina, Virgem. Nesta estação, toda a Natureza é impregnada pelo amor avassalador e pela glória sublime de Seu grande sacrifício anual pela Humanidade.
Nas palavras de Longfellow, é o momento em que o ar se enche “de uma luz mágica e onírica” e quando o grande Sol contempla a Terra “com o olhar do amor, através dos vapores dourados que o cercam.”[5]
Na Igreja Cristã, lamentamos, oramos e O louvamos porque Ele morreu uma vez por nós na cruz. Nessa concepção mais ampla do Cristianismo que aqui consideramos, passamos a compreender que Ele se sacrifica por nós anualmente e que deve continuar a fazê-lo até que tenhamos aprendido a desenvolver os poderes do Cristo em nós mesmos, ou seja, o Cristo Interno. Somente dessa forma podemos auxiliar em Sua libertação final e completa.
Quando o Sol entra em Libra, esse raio da Vida Crística toca definitivamente a superfície da Terra. É esse grande influxo que o Cristão Místico observa com tanta reverência no “Equinócio de Setembro”.
Eventos importantes na vida de Cristo estão em perfeita harmonia com os significados espirituais desses grandes pontos de virada das estações. Nas santas alegrias da Anunciação, encontramos um paralelo com os segredos da nova vida do “Equinócio de Março”. No santo mistério da Imaculada Conceição, o Sol toca a atmosfera da Terra no “Equinócio de Setembro” e, no “Solstício de Dezembro”, celebramos o Santo Nascimento, ou a época do Natal.
Libra é o local de prova ou a roda de equilíbrio. Saturno, que está Exaltado em Libra, coloca a Terra sob o domínio das trevas e, também, faz com que sejamos provados ao máximo. Mas, como Vênus — o Planeta do amor — também rege Libra, descobrimos que, na divina providência da infinita misericórdia e sabedoria de Deus, também é providenciado um meio de escape para cada tentação trazida pelo Grande Provador.
À medida que o Sol passa do “Equinócio de Março” para o “Equinócio de Setembro”, ou de Áries para Libra, a Vida Crística atua através dos veículos superiores da Terra.
À medida que o Sol passa do “Equinócio de Setembro” para o “Equinócio de Março”, ou de Libra para Áries, a Vida Crística atua através dos Estratos físicas ou materiais do Planeta. Ao meditarmos em espírito de oração sobre essas verdades espirituais sublimes, encontramos um significado novo, mais profundo e mais santo na bênção final de Cristo, proferida pouco antes da Ascensão, quando Ele disse: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:20).
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro-outubro de 1997 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: 1Jacó chamou seus filhos e disse: “Reuni-vos, eu vos anunciarei o que vos acontecerá nos tempos vindouros. 2Reuni-vos, escutai, filhos de Jacó, escutai Israel, vosso pai: 3Rúben, tu és meu primogênito, meu vigor, as primícias de minha virilidade, cúmulo de altivez e cúmulo de força, 4impetuoso como as águas: não serás colmado, porque subiste ao leito de teu pai e profanaste minha cama, contra mim! 5Simeão e Levi são irmãos, levaram a cabo a violência de suas intrigas.6Que minha alma não entre em seu conselho, que meu coração não se una ao seu grupo, porque na sua cólera mataram homens, em seu capricho mutilaram touros. 7Maldita sua cólera por seu rigor, maldito seu furor por sua dureza. Eu os dividirei em Jacó, eu os dispersarei em Israel. 8Judá, teus irmãos te louvarão, tua mão está sobre a cerviz de teus inimigos e os filhos de teu pai se inclinarão diante de ti. 9Judá é um leãozinho: da presa, meu filho, tu subiste; agacha-se, deita-se como um leão, como leoa: quem o despertará? 10O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de chefe de entre seus pés, até que o tributo lhe seja trazido e que lhe obedeçam aos povos. 11Liga à vinha seu jumentinho, à cepa o filhote de sua jumenta, lava sua roupa no vinho, seu manto no sangue das uvas, 12seus olhos estão turvos de vinho, seus dentes brancos de leite. 13Zabulon reside à beira-mar, é marinheiro sobre os navios, tem Sidônia a seu lado. 14Issacar é um jumento robusto, deitado no meio dos cerrados. 15Ele viu que o repouso era bom, que a terra era agradável, baixou seu ombro à carga, e sujeitou-se ao trabalho escravo. 16Dã julga seu povo, como cada tribo de Israel. 17Dã é uma serpente sobre o caminho, uma cerasta sobre a vereda, que morde os talões do cavalo e o cavaleiro cai para trás! 18Em tua salvação eu espero, ó Iahweh! 19Gad, guerrilheiros o guerrilharão e ele guerreia e os fustiga. 20Aser, seu pão é abundante, ele oferece manjares de rei. 21Neftali é uma gazela veloz que tem formosas crias.22José é um rebento fecundo perto da fonte, cujas canas ultrapassam o muro. 23Os arqueiros o exasperaram, atiraram e o aborreceram. 24Mas seu arco foi quebrado por um poderoso, foram rompidos os nervos de seus braços pelas mãos do Poderoso de Jacó, pelo Nome da Pedra de Israel, 25pelo Deus de teu pai, que te socorre, por El Shaddai? que te abençoa: Bênçãos dos céus no alto, bênçãos do abismo deitado embaixo, bênçãos das mamas e do seio, 26bênçãos dos espinhos e das flores, bênçãos das montanhas antigas, atração das colinas eternas, que elas venham sobre a cabeça de José, sobre a fronte do consagrado entre seus irmãos! 27Benjamim é um lobo voraz, de manhã devora uma presa, até à tarde reparte o despojo”. 28Todos estes formam as tribos de Israel, em número de doze, e eis o que lhes disse seu pai. Ele os abençoou: a cada um deu uma bênção que lhe convinha. (Gn 49:1-28)
[2] N.T: “E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo, será a Festa dos Tabernáculos ao Senhor, por sete dias.” (Lv 23:33-34)
[3] N.T.: Levou-me à entrada da porta da Casa do SENHOR, que está no lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando a Tamuz. (Ez 8:14)
[4] N.T.: At 17:28
[5] N.T.: do poema Evangeline — Um Conto de Acádia, um clássico épico de Henry Wadsworth Longfellow
A Astronomia ensina que o Sol viaja pelo espaço com sua imponente comitiva de Astros, em torno do centro da galáxia, a uma velocidade de, aproximadamente, 200 quilômetros por segundo! Esse movimento de deslocamento não é exclusivo do Sistema Solar. A ciência dos céus avançou o suficiente para revelar que todas as estrelas estão em movimento. Muitos desses Astros gigantescos possuem uma velocidade em seu percurso pelo espaço infinito que facilmente superaria a do Sistema Solar. Por mais que a abóbada celeste tenha revelado seus segredos ocultos ao estudo humano, ela ainda não deu qualquer indício do movimento veloz e complexo demonstrado pelos mundos gigantescos que a adornam. Não se pode estabelecer uma regra definida para essas complexidades; as estrelas parecem mover-se de um lado para o outro, mais como um enxame de abelhas.
Seriam esses Astros imensos a morada de outras criaturas? Para que fim existem? Teriam sido criados simplesmente para derramar, em fluxos inúteis, suas torrentes de luz e calor sobre os abismos do infinito?
Diante dessa questão, a ciência cala-se. E, após 6.000 anos de astronomia — tanto antiga quanto moderna —, não houve resposta, exceto nas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras. Assim lemos, por exemplo, na Epístola de S. Paulo aos Efésios 3:10: “Para que, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nas regiões celestiais”.
Este texto nos faz saber que o grande Apóstolo, que certa vez fora “arrebatado até o Terceiro Céu” (IICor 12:2), e que, ao escrever sobre as glórias que se seguiram à ressurreição, pôde dizer: “Há também corpos celestes e corpos terrestres… Há uma glória do Sol, outra da Lua e outra das estrelas; pois uma estrela difere da outra em glória” (ICor 15:40-41), teve permissão de Deus para contemplar os lugares celestiais.
Ele não apenas sabia da existência dos lugares celestiais e declarou seu conhecimento desse fato, mas também nos deu a entender claramente que estes desempenhavam um papel objetivo no plano eterno da salvação. Aos redimidos, ainda havia glórias maiores por vir. A esses majestosos reinos do espaço a Igreja (aqui definida como comunidade dos fiéis que professam sua fé em Cristo) seria conduzida, não simplesmente para entretenimento ou para aumentar seu conhecimento, mas para lhes transmitir alguns dons espirituais.
Observe a constelação do norte e veja a bela estrela branco-leitosa Capela na constelação de Auriga[1]. Viajando em linha reta da estrela polar através desta Capela, passamos à esquerda pela estrela rosa-avermelhada Aldebaran[2], no aglomerado estelar das Híades[3]. E um pouco mais adiante, à direita, pela estrela alaranjada Betelgeuse[4], no ombro de Órion[5]. O voo subsequente nos levaria àquele Sol branco e brilhante, o gigante Rigel[6]. Então nós poderíamos olhar novamente para a direita e contemplar o imperial Sirius[7] e, próximo a ele, Procyon[8], de cor branco-amarelada. Levante os olhos ao passar por esta galeria e verá algo mais do que mortal. Diremos então que esses vastos luminares foram criados em vão? Foram trazidos à existência com o único propósito de lançar uma onda de esplendor inútil sobre as solidões da imensidão?
Por que resistir por mais tempo à conclusão principesca que nos pressiona a proferir? Será que o gigante Arcturus[9] carregará consigo seu séquito de satélites que, se forem análogos ao seu luminar central, são mais grandiosos e majestosos do que os Astros do Sistema Solar, e todos esses constituem simplesmente um carnaval de vazio? Não. Concluamos, antes, com o Apóstolo, que esses reinos são as moradas da bem-aventurança. Embora as Escrituras nos levem a crer que seus habitantes não desconhecem as provações, as esperanças, os medos e os eventos desta Terra, vejamos qual a razão divina para que a comunicação não esteja estabelecida no momento.
Em primeiro lugar, vemos pelo argumento do Apóstolo que a Igreja está sendo testada. Os céus também foram testados? Acreditamos que sim. Recorrendo a Jó 15:15 (e não nos esqueçamos de que Jó era um grande estudioso e astrônomo), lemos o seguinte: “Até em seus Santos Deus não confia, e os Céus não são puros aos seus olhos”. Aqui somos levados a refletir que a grande revolta de Lúcifer lançou os habitantes de outros mundos em certa confusão. Isso também os colocou em período de provação, mas com uma diferença. Um ser pode estar em período de provação sem pecado e sem ter incorrido na penalidade do pecado. De fato, há muito que demonstra que até mesmo os Anjos estavam em período de provação.
Embora miríades deles tenham seguido o grande rebelde em sua revolta, muitos mais, embora ainda em período de provação, permaneceram fiéis em sua lealdade ao divino Criador. Quando esse momento de provação terminar, todos, tanto nos Céus quanto na Terra, serão reunidos como um só em um Universo infinito, completo e provado. Assim lemos novamente (Ef 1:10): “para levar o tempo à sua plenitude: a de em Cristo encabeçar todas as coisas, as que estão nos Céus e as que estão na Terra…”
Ora, será que os Céus são habitados? Busquemos primeiro a resposta das Escrituras antes de recorrer à Astronomia. Quem pode resistir à conclusão da poderosa declaração feita pelo Apóstolo João no Livro do Apocalipse 12:12: “Por isso, alegrai-vos, ó Céus, e vós que o habitais! Ai da terra e do mar, porque o Diabo desceu para junto de vós cheio de grande furor, sabendo que lhe resta pouco tempo”? A palavra “Céus”, neste texto, está no plural. E a declaração do Apóstolo demonstra que a regra geral do Criador para o Seu universo é: “Ele não a criou como um deserto, antes modelou-a para ser habitada.” (Is 45:18). Voltando-nos agora para o primeiro capítulo do Livro do Gênesis, lemos que, “no princípio, Deus criou os Céus e a Terra.” (Gn 1:1). Lemos também: “E o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas” (Gn 1:2). O Espírito Santo estava presente, atuando como um grande agente na criação desta Terra. Durante cinco dias cósmicos, o amor divino preparava antecipadamente o berço para a vinda da família humana. Associado à criação estava o Senhor Cristo, conforme lemos no primeiro capítulo do Evangelho Segundo S. João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por Ele; e, sem Ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1:1-3). Assim, a criação é obra de Deus. Agora, Cristo se referindo a si mesmo, no Jardim do Getsêmani, disse: “Glorifica-me, ó Pai, junto de ti mesmo, com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo17:5). Isso remonta a um tempo anterior ao início do mundo.
Deslocando-se pelo espaço à velocidade de aproximadamente 940 milhões de quilômetros por ano em sua órbita ao redor do Sol, a Terra, em seu voo veloz, percorre aproximadamente 30 quilômetros por segundo. Estaria ao alcance do ser humano mortal produzir tal resultado? Suponha que todo o poder que residiu no braço de Adão — e que residiu, subsequentemente, no braço de cada um de seus filhos, desde a aurora da criação até os dias de hoje — pudesse ser concentrado em um único braço humano nos tempos atuais: seria esse braço capaz de conferir à Terra a velocidade que ela possui hoje?
Impossível! Existe um poder, e apenas um, capaz de um resultado tão estupendo: o Cristo. E, embora possamos viajar para longe, entre estrelas tão densas que parecemos voar através de poeira estelar, não se encontrará nenhum Sol gigante que tenha surgido por qualquer outra via que não o poder divino do “Filho de Deus”. Ele é, como diz o profeta, “desde os dias da eternidade” (Mq 5:2).
Desde os dias da eternidade, Ele tinha um propósito infinito. Ele via o fim desde o princípio. Planejara o ato final antes mesmo de planejar o primeiro. E o Apóstolo Paulo nos permitiu vislumbrar um pouco do Seu conselho secreto. O objetivo, diz ele, era que, por meio da Igreja, fosse dada a conhecer aos Principados e Potestades nos Céus a multiforme sabedoria de Deus. Isso é maravilhoso demais para se acreditar? Não duvide. A Astronomia acabará por alcançar a inspiração.
Alguns astrônomos definem o ser humano como uma criatura adaptada para a vida sob circunstâncias muito restritas. Alguns graus de temperatura a mais ou a menos, uma ligeira variação na composição do ar, a adequação precisa dos alimentos — tudo isso faz a diferença entre saúde e doença, entre vida e morte. Olhando além da Lua, para a imensidão do Universo, encontramos incontáveis corpos celestes com toda sorte de temperatura e constituição imagináveis.
Também, para alguns astrônomos, em meio a esse vasto número de mundos que povoam o espaço, haveria algum habitado por seres vivos? A essa pergunta a ciência não pode responder. Contudo, é impossível resistir a uma conjectura. Encontramos nossa Terra repleta de vida em toda parte. Encontramos vida nas mais variadas condições concebíveis. Ela é encontrada sob o calor abrasador dos trópicos e no gelo eterno dos polos. Encontramos vida em cavernas onde jamais penetra um raio de luz. Tampouco ela falta nas profundezas do oceano, sob pressões de toneladas por polegada quadrada. Quaisquer que sejam as circunstâncias externas, a natureza geralmente provê alguma forma de vida à qual tais circunstâncias são propícias.
E complementam: não é nada provável que, entre o milhão de esferas do universo, exista uma única que seja exatamente como a nossa Terra — semelhante a ela por possuir ar e água, semelhante em tamanho e composição. Não parece provável que um ser humano pudesse viver sequer uma hora em qualquer corpo celeste do universo, exceto na Terra, ou que um carvalho pudesse sobreviver em outra esfera por uma única estação. Os seres humanos podem habitar a Terra, e os carvalhos podem nela prosperar, porque a constituição do ser humano e a do carvalho estão especialmente adaptadas às circunstâncias particulares da Terra.
A filosofia mais verdadeira sobre esse assunto encontra-se cristalizada nas palavras de Tennyson[10]:
“Repete esta verdade em tua Mente:
Que, num universo sem fim,
Há o infinitamente melhor e o infinitamente pior.
Pensas que esta criatura de esperanças e medos
Não encontraria nada mais grandioso que seus pares
Naquelas cem milhões de esferas?”
Que caminho de voo infinito se estende diante de nós! A velocidade máxima que nossa inteligência humana compreende atualmente é a velocidade da luz, que se desloca a cerca de 300.000 quilômetros por segundo. Se somarmos os segundos, minutos, horas e dias, o total chega aproximadamente a 9,46 trilhões de quilômetros por ano. Deslocando-nos a essa velocidade indescritível, levaríamos mais de cinquenta anos para alcançar a gigante Arcturus. Outros Sóis encontram-se ainda mais distantes, e astrônomos supõem a existência de outros mundos tão longínquos que, viajando à velocidade da luz, levaríamos 300.000 anos para alcançá-los.
Tal jornada não está ao alcance do ser humano finito. Ele poderia começar, mas sua juventude se esgotaria; a meia-idade passaria; e a enfermidade chegaria antes mesmo de ele ter deixado para trás sequer uma dúzia desses corpos celestes.
Quão divinos são, então, os atributos que em breve nos serão conferidos. Mais do que mortais, nossos Corpos imortalizados se elevarão para alcançar glórias indescritíveis. Mudanças maravilhosas nos aguardam. O Autor delas determinou que nos pertençam, desde que vivamos, de fato e de verdade, essa vida!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro de 1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: A constelação de Auriga, conhecida em português como o Cocheiro, é uma proeminente constelação do hemisfério celestial norte, facilmente reconhecível por seu formato de pentágono e pela presença de sua estrela super brilhante, a Capela.
[2] N.T.: A estrela rosa-avermelhada Aldebaran (ou Alpha Tauri) é a estrela mais brilhante da constelação de Touro e a 14ª mais brilhante de todo o céu noturno. Ela é popularmente conhecida como o “Olho do Touro” devido à sua posição estratégica na constelação e ao seu tom avermelhado marcante.
[3] N.T.: As Híades formam o aglomerado estelar aberto mais próximo da Terra, localizado a cerca de 146 a 150 anos-luz de distância, na constelação de Touro.
[4] N.T.: Betelgeuse é uma estrela supergigante vermelha localizada a cerca de 640 a 650 anos-luz da Terra, no “ombro” da constelação de Órion.
[5] N.T.: Uma das constelações mais brilhantes e fáceis de reconhecer no céu noturno, famosa pelo seu cinturão conhecido popularmente como as Três Marias.
[6] N.T.: Rigel é a estrela mais brilhante da constelação de Órion.
[7] N.T.: Sírius é a estrela mais brilhante do céu noturno vista da Terra. Localizada na constelação de Cão Maior (Alpha Canis Majoris).
[8] N.T.: ou Prócion é a estrela mais brilhante da constelação do Cão Menor e uma das vizinhas mais próximas da Terra, situada a cerca de 11,4 anos-luz de distância.
[9] N.T.: é a estrela mais brilhante da constelação do Boieiro. Tem mais de 100 vezes a luminosidade do Sol.
[10] N.T.: Alfred Tennyson (1809 —1892 ) foi um poeta inglês.
Os ensinamentos promulgados pela Fraternidade Rosacruz mencionam a aproximação de uma nova Era, à medida que a Sol, em seu movimento precessional caminha do Signo de Peixes para o Signo de Aquário.
O Sol entrou na órbita de influência aquariana em meados do século passado. A cada 72 anos ele se aproxima um grau do Signo de Aquário, regido por Urano. Sua influência, cuja palavra-chave é a originalidade e renovação, faz-se sentir nas conquistas espaciais, no estudo e aproveitamento das energias solar e atômica, no avanço das telecomunicações e muitas outras áreas tecnológicas, filosóficas, religiosas e afins. Estas descobertas estão transformando o mundo e nos conduzindo a um futuro inimaginável, saibamos ou não.
Algumas passagens das Sagradas Escrituras aludem, esotericamente, a nova Era.
As Eras são fases cíclicas do progresso humano, predominando, em cada uma delas, características marcantes. Oferece ambientes e experiências adequados ao desenvolvimento da Humanidade. O Antigo Testamento relata, veladamente, as transições entre várias dessas etapas.
Ao final da Era de Touro, há uns quatro mil anos (contando com a base de tempo atual: 1 ano como 365 dias), o “povo escolhido” empreendeu a fuga do Egito, terra onde o boi Ápis era cultuado. Neste êxodo foram conduzidos por Moisés, cuja cabeça, em antigas gravuras aparece adornada com cornos de carneiro. Essa forma de representá-lo indica tratar-se do precursor da Era de Áries, durante a qual, na manhã de Páscoa, o Sol tingia de vermelho as portas das casas, semelhante a sangue de carneiro.
Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrava na órbita de influência de Peixes, S. João Batista submergia as pessoas nas águas do Jordão. O Cristo chamava a seus Discípulos de “pescadores de homens” (Mt 4:18). O peixe (o ictus dos latinos) era um símbolo do Cristianismo. Explica-se, assim, porque a mitra dos bispos assemelha-se a uma cabeça de peixe. Olhando o futuro através da perspectiva do passado, evidencia-se o alvorecer de uma nova Era. É razoável supor-se que um estágio mais avançado de Religião substituirá o presente, revelando-nos ideais mais nobres do que nosso atual conceito de Religião Cristã.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o trabalho de preparação para a Era de Aquário já se iniciou. Como se trata de um Signo do Ar, científico e intelectual, depreende-se que a Religião aquariana deverá alicerçar-se em bases racionais, sendo capaz de resolver o enigma da vida e da morte de tal forma a satisfazer a Mente e o Coração.
Aquário é representado por um homem derramando água de seu cântaro, simbolizando o desaparecimento da umidade pela predominância de uma atmosfera mais seca e etérica.
O ser aquariano, por certo, derramará toda a água viva de sua sabedoria, chegando a um adiantamento inconcebível, produzido pelo contato direto de sua Mente com os raios do Cristo Cósmico.
Na próxima Era não haverá mais guerras, porque o nosso desenvolvimento espiritual o tornará um verdadeiro templo de amor. Segundo a Astrologia espiritual Rosacruz e os Ensinamentos Rosacruzes novas forças e energias serão descobertas. Serão, entretanto, utilizadas em benefício de todos, ao contrário do que ocorre nos dias atuais.
Em Aquário, uma Humanidade mais nobre povoará a Terra. A sociedade aquariana, em termos sociais, científicos e espirituais deverá atingir tal estágio evolutivo, que para a limitada consciência pisciana pareceria mera ficção.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Resposta: Uma das objeções levantadas contra o antigo sistema de Astrologia é que ele considera a Terra como o centro do Sistema Solar, tal como faziam os antigos e, visto que Copérnico demonstrou que os Planetas orbitam o Sol, muitas pessoas consideram a Astrologia uma “ciência refutada” — uma falácia comprovada de forma evidente. Para superar essa objeção, certos astrólogos dos tempos modernos criaram o que se denomina “Astrologia Heliocêntrica”, a qual considera o Sol como o centro do nosso Sistema Solar e os Planetas como corpos que giram ao seu redor.
É perfeitamente verdade que, do ponto de vista científico, o sistema geocêntrico da Astrologia — que considera a Terra como centro — está incorreto. E é um equívoco dizer que o Sol está em Câncer quando, na realidade, é a Terra, em seu movimento orbital, que chega ao Signo de Capricórnio; por isso, para nós, aqui na Terra, parece que o Sol está em Câncer. Mas essa não é a questão central; pouco importa qual dos dois corpos se deslocou, pois o astrólogo faz suas avaliações com base nas posições dos Planetas em relação à Terra. É muito mais conveniente considerar os Planetas movendo-se ao redor da Terra — tomada como centro — do que utilizar o sistema oposto; pois, no sistema geocêntrico, observamos as relações dos Planetas conforme aparecem a partir da Terra e notamos os efeitos sobre as pessoas no momento em que tais influências planetárias eram sentidas. Assim, por meio da experiência, chegamos ao nosso atual sistema de julgamento, o qual é, portanto, tão verdadeiro hoje quanto sempre foi. “É na prática que isso se vai provar”, diz o velho e simples provérbio. A prova da Astrologia reside na veracidade de suas previsões, e ninguém que tenha estudado essa ciência honestamente e tentado testá-la por conta própria deixará de constatar essa verdade.
Às vezes, as previsões falham porque o astrólogo as interpreta erroneamente; no entanto, mesmo levando em conta a falibilidade do astrólogo, existe uma quantidade tão grande de previsões que se concretizam que é impossível explicá-las como mera coincidência.
O sistema geocêntrico está correto e abrange todas as facetas da natureza humana, não apenas a manifestação material, mas também o aspecto espiritual. O sistema heliocêntrico, por outro lado, foi idealizado por pessoas que buscam se adequar à ciência e não se preocupam com a dimensão espiritual da natureza; por isso, é o menos satisfatório. Além disso, enquanto aqueles que utilizaram a Astrologia geocêntrica ao longo de muitos séculos registraram suas observações sobre os efeitos dos Planetas a partir dessa perspectiva, existe muito pouco conhecimento empírico baseado no sistema heliocêntrico — o qual aconselhamos o interessado a deixar de lado.
(Pergunta nº 160 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Resposta: Existe apenas um Zodíaco: as doze constelações que chamamos de Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes. Trata-se de estrelas situadas em uma faixa estreita, a cerca de oito graus de cada lado da Eclíptica — ou seja, a trajetória do Sol vista da Terra. Os doze filhos e a única filha de Jacó são associados a essas doze constelações, pois Josefo relata que os israelitas, durante sua peregrinação pelo deserto, traziam emblemas desses doze grupos de estrelas em seus estandartes. Nos capítulos 49 do Livro do Gênesis[1] e 33 do Livro do Deuteronômio[2], Jacó profere bênçãos sobre seus doze filhos de tal maneira que é impossível, para quem conhece astronomia, não perceber uma semelhança entre a descrição desses filhos e os doze Signos do Zodíaco.
Além disso, se observarmos a forma como o acampamento dos israelitas era montado — com as doze tribos agrupadas ao redor do Tabernáculo[3], onde se encontrava o Candelabro de Sete Braços[4] —, vemos novamente uma referência à disposição astronômica dos doze Signos do Zodíaco em torno dos sete Planetas, que são as luzes do Sistema Solar, a Casa de Deus.
A razão espiritual da analogia entre Jacó, suas esposas, seus filhos e o Cosmos pode ser encontrada no axioma hermético: “assim como é em cima, é embaixo”. Jacó e suas quatro esposas simbolizam o Sol e as quatro fases da Lua, que são os doadores de vida a tudo o que vive na Terra; os doze filhos e a única filha simbolizam as Hierarquias Criadoras, que atuaram na evolução do nosso Sistema Solar e conduziram não apenas a Humanidade, mas também todos os outros Reinos de Vida, ao seu atual estágio de desenvolvimento evolutivo, e que continuam a trabalhar com eles para desenvolvê-los ainda mais, transformando-os em seres espirituais.
Foram elas que criaram o ser humano à sua semelhança. Até hoje, a Humanidade traz a marca das características dos doze Signos celestes. Por isso, os Semitas Originais[5] — destinados a ser os progenitores de uma nova Raça — foram divididos em doze grupos pelo seu líder, sendo que cada grupo representava uma das constelações.
(Pergunta nº 159 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: 1Jacó chamou seus filhos e disse: “Reuni-vos, eu vos anunciarei o que vos acontecerá nos tempos vindouros. 2Reuni-vos, escutai, filhos de Jacó, escutai Israel, vosso pai: 3Rúben, tu és meu primogênito, meu vigor, as primícias de minha virilidade, cúmulo de altivez e cúmulo de força, 4impetuoso como as águas: não serás colmado, porque subiste ao leito de teu pai e profanaste minha cama, contra mim! 5Simeão e Levi são irmãos, levaram a cabo a violência de suas intrigas.6Que minha alma não entre em seu conselho, que meu coração não se una ao seu grupo, porque na sua cólera mataram homens, em seu capricho mutilaram touros. 7Maldita sua cólera por seu rigor, maldito seu furor por sua dureza. Eu os dividirei em Jacó, eu os dispersarei em Israel. 8Judá, teus irmãos te louvarão, tua mão está sobre a cerviz de teus inimigos e os filhos de teu pai se inclinarão diante de ti. 9Judá é um leãozinho: da presa, meu filho, tu subiste; agacha-se, deita-se como um leão, como leoa: quem o despertará? 10O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de chefe de entre seus pés, até que o tributo lhe seja trazido e que lhe obedeçam aos povos. 11Liga à vinha seu jumentinho, à cepa o filhote de sua jumenta, lava sua roupa no vinho, seu manto no sangue das uvas, 12seus olhos estão turvos de vinho, seus dentes brancos de leite. 13Zabulon reside à beira-mar, é marinheiro sobre os navios, tem Sidônia a seu lado. 14Issacar é um jumento robusto, deitado no meio dos cerrados. 15Ele viu que o repouso era bom, que a terra era agradável, baixou seu ombro à carga, e sujeitou-se ao trabalho escravo. 16Dã julga seu povo, como cada tribo de Israel. 17Dã é uma serpente sobre o caminho, uma cerasta sobre a vereda, que morde os talões do cavalo e o cavaleiro cai para trás! 18Em tua salvação eu espero, ó Iahweh! 19Gad, guerrilheiros o guerrilharão e ele guerreia e os fustiga. 20Aser, seu pão é abundante, ele oferece manjares de rei. 21Neftali é uma gazela veloz que tem formosas crias.22José é um rebento fecundo perto da fonte, cujas canas ultrapassam o muro. 23Os arqueiros o exasperaram, atiraram e o aborreceram. 24Mas seu arco foi quebrado por um poderoso, foram rompidos os nervos de seus braços pelas mãos do Poderoso de Jacó, pelo Nome da Pedra de Israel, 25pelo Deus de teu pai, que te socorre, por El Shaddai? que te abençoa: Bênçãos dos céus no alto, bênçãos do abismo deitado embaixo, bênçãos das mamas e do seio, 26bênçãos dos espinhos e das flores, bênçãos das montanhas antigas, atração das colinas eternas, que elas venham sobre a cabeça de José, sobre a fronte do consagrado entre seus irmãos! 27Benjamim é um lobo voraz, de manhã devora uma presa, até à tarde reparte o despojo”. 28Todos estes formam as tribos de Israel, em número de doze, e eis o que lhes disse seu pai. Ele os abençoou: a cada um deu uma bênção que lhe convinha. (Gn 49:1-28)
[2] N.T.: — 1Esta é a bênção com que Moisés, homem de Deus, abençoou os filhos de Israel, antes de morrer: 2Iahweh veio do Sinai, alvoreceu para eles de Seir, resplandeceu do monte Farã. Dos grupos de Cades veio a eles, desde o sul até às encostas. 3Tu, que amas os antepassados, todos os santos estão em tua mão. Eles se prostraram aos teus pés e correram sob a tua direção. 4(Moisés prescreveu-nos uma lei.) A assembleia de Jacó entra em sua herança! 5Houve um rei em Jesurun, quando os chefes do povo se reuniram juntamente com as tribos de Israel. 6Que Rúben viva e não morra, e subsista o número pequeno dos seus homens! 7Eis o que ele diz a Judá: Ouve, Iahweh, a voz de Judá e introduze-o em seu povo. Que suas mãos defendam seu direito, e o auxiliarás contra os inimigos. 8A Levi ele diz: Dá a Levi teus Urim e teus Tummim ao homem que amas, que puseste à prova em Massa e querelaste junto às águas de Meriba. 9Ele diz de seu pai e mãe: “Nunca os vi”. Ele não reconhece mais seus irmãos e ignora seus filhos. Sim, eles observaram a tua palavra e mantêm a tua Aliança. 10Eles ensinam tuas normas a Jacó e tua Lei a Israel. Eles oferecem incenso às tuas narinas e holocaustos sobre o teu altar. 11Abençoa a sua força, ó Iahweh, e aprecia a obra de suas mãos. Fere os rins dos seus adversários e dos que o odeiam, para que não se levantem! 12A Benjamim ele diz: O amado de Iahweh repousa tranquilo junto a ele; o Altíssimo o protege todo o dia e habita entre as suas encostas. 13A José ele diz: Sua terra é bendita de Iahweh: dele é o melhor orvalho do céu e do abismo subterrâneo; 14o melhor dos produtos do sol e o melhor do que cresce nas luas; 15as primícias dos montes antigos e o melhor das colinas de outrora; 16o melhor da terra e do seu produto, e o favor do que habita na Sarça. Que a cabeleira abunde sobre a cabeça de José, sobre a fronte do consagrado entre os irmãos! 17Ele é seu touro primogênito, a glória lhe pertence. Seus chifres são chifres de búfalo: com eles investe contra os povos até as extremidades da terra. São estas as miríades de Efraim, e estes os milhares de Manassés.18A Zabulon ele diz: Sê feliz em tuas expedições, Zabulon, e tu, Issacar, em tuas tendas! 19Sobre a montanha em que os povos invocam, ali oferecem sacrifícios de justiça, pois exploram as riquezas marinhas e os tesouros escondidos na areia. 20A Gad ele diz: Bendito aquele que dá espaço a Gad! Ele repousa como leoa, após destroçar braço, face e crânio. 21Ele reserva as primícias para si, pois lá coube-lhe a parte do chefe. Ele veio a ser chefe do povo, executando a justiça de Iahweh e suas normas sobre Israel. 22A Dã ele diz: Dã é um filhote de leão que se arroja de Basã. 23A Neftali ele diz: Neftali é saciado de favores e repleto das bênçãos de Iahweh: ele toma posse do mar e do sul. 24A Aser ele diz: Bendito seja Aser entre os filhos, seja o favorito entre os irmãos, e que no óleo banhe o seu pé! 25Sejam de ferro e bronze teus ferrolhos e tua segurança perdurem por teus dias! 26Ninguém é como o Deus de Jesurun: ele cavalga pelo céu em teu auxílio, e pelas nuvens, com a sua majestade! 27O Deus de outrora é o teu refúgio. Cá embaixo, ele é o braço antigo que expulsa o inimigo da tua frente, e diz: “Extermina!”. 28Israel habita em segurança. A fonte de Jacó fica à parte, numa terra de trigo e vinho, sob um céu que destila orvalho.29Feliz és tu, ó Israel! Quem é como tu, povo vencedor? Em Iahweh está o escudo que te socorre e a espada que te leva ao triunfo. Teus inimigos vão querer bajular-te, mas tu pisarás suas costas.
[3] N.T.: Refere-se ao Tabernáculo no Deserto, que foi a primeira igreja erigida por nós sobre a Terra, quando o “caminho de volta para Deus” tinha que ser começado a ser trilhado por nós (fim da Involução e início da Evolução). Estávamos na Época Atlante, por isso ficou conhecido como o Templo de Mistérios Atlante. Sua localização estava relacionada aos pontos cardeais, e foi colocada na direção leste para oeste (o caminho da evolução espiritual). Foi dado para que pudéssemos encontrar Deus quando nos qualificássemos pelo serviço e tivessem subjugado a natureza inferior pelo “Eu superior”. E essa mesma natureza ambulante dele que é uma excelente representação simbólica da nossa natureza migratória: um eterno peregrino, passando sempre do limite do tempo à eternidade – o nosso verdadeiro lar – para voltar novamente (ciclo de nascimentos e mortes). O Tabernáculo no Deserto mostra algo muito além do que a visão alcança. Em outras palavras, sob a aparência material e terrena estava esquematizada uma representação de fatos celestiais e espirituais que continham instruções aos candidatos à Iniciação.
[4] N.T.: O Candelabro de Ouro ou o Candelabro de Sete Braços ou, ainda, o Castiçal de Ouro estava colocado na parte sul do Lugar Santo (Sala Leste ou Sanctum) no Tabernáculo no Deserto, de modo que se encontrava do lado esquerdo de qualquer pessoa que estivesse no meio da sala. Era inteiramente de ouro puro e constituído de uma base vertical, haste central que se elevava, juntamente com seis braços. Esses braços começavam em três pontos diferentes da haste central e arqueavam-se em três semicírculos de diâmetros diferentes, simbolizando os três Períodos de desenvolvimento (Períodos de Saturno, Solar e Lunar) pelos quais o ser humano passou antes do Período Terrestre, que estava, então, a menos da metade. Esse último Período era representado pela sétima luminária do Candelabro. Cada um dos sete braços terminava num candeeiro, e esse candeeiro era suprido com o mais puro azeite de oliva, o qual foi elaborado por um processo especial. Ao sacerdote foi exigido o devido cuidado para que no Candelabro nunca faltasse luz. Todos os dias as lamparinas eram examinadas, limpas e abastecidas com azeite, e assim podiam manter-se acesas perpetuamente.
Assim, quando o sacerdote se posicionava no centro da Sala Leste do Tabernáculo, o Candelabro de sete Braços ficava à sua esquerda em direção ao sul.
Isso simbolizava o fato de que os sete dadores de luz, ou Planetas que trilham a dança do círculo místico ao redor da órbita central, o Sol, deslocam-se na estreita faixa abrangendo oito graus de cada lado do caminho do Sol, que é chamado de Zodíaco. “Deus é luz” e os “Sete Espíritos diante do Trono” são Ministros de Deus; portanto, eles também são mensageiros da luz para a humanidade.
Além disso, como os céus ficam iluminados, quando a Lua em suas fases chega à ‘plenitude’ na parte oriental dos céus, também a Sala Leste do Tabernáculo ficava cheia de LUZ, indicando visivelmente ali a presença de Deus e Seus sete ministros, os Anjos Estelares. Podemos observar, de passagem, a luz do Candelabro de Ouro, que era clara e a sua chama sem odor, e compará-la com a esfumaçada chama no Altar dos Sacrifícios que, em certo momento, gerava escuridão ao invés de dissipá-la.
[5] N.T.: Foi a quinta Raça da Época Atlante do Período Terrestre – Foi uma das Raças mais importante entre as sete desta Época, pois daqui saiu a “semente de Raça” mais apurada para a próxima Época Ária. Foi nela que se deu o início ao uso da Mente como refreadora das paixões. Eles foram os primeiros a descobrirem que o cérebro é superior ao músculo. Mas faziam isso de modo astuto e egoísta, para conseguirem o que desejavam. Os Semitas Originais foram isolados e proibidos de se casarem com outras tribos ou povos, mas, como era um povo teimoso e obstinado que se guiava quase que exclusivamente pelo desejo e pela astúcia, desobedeceu à ordem do Líder Jeová ao casarem-se com membros de outras raças Atlantes e ao transmitir, assim, sangue inferior aos seus descendentes. Em consequência dessa desobediência, foram abandonados e “perdidos”. Assim, os nascidos desses cruzamentos, que agora falam de “tribos perdidas”, foram os progenitores dos judeus dos tempos atuais. E todos aqueles que permaneceram fiéis foi chamado de o “povo eleito”, o escolhido para ser a semente de uma nova Raça, a que devia herdar a “terra prometida”, não a simples e insignificante Palestina, mas sim toda a Terra, tal como é atualmente. Porém, como parte da Terra estava submersa pelas inundações e outras partes deslocadas e modificadas pelas erupções vulcânicas, foi necessário esperar um período de tempo, pois os Semitas Originais estavam criando um novo Campo de Evolução para que essa nova Terra estivesse em condições de abrigar esta nova Raça Ária. Ali estavam desenvolvendo faculdades apropriadas para expressão do Espírito que habitaria este novo corpo e nessa nova “Terra Prometida”.
Resposta: Pitágoras falou da harmonia das esferas[1], e não utilizou essa expressão apenas como uma alusão poética. Tal harmonia realmente existe. S. João nos diz que “no princípio era o Verbo… e sem ele nada foi feito”[2]. Esse foi o fiat criador[3] que, primeiramente, trouxe o mundo à existência. O experimento conhecido de colocar areia sobre uma placa de vidro e criar figuras geométricas ao friccionar a borda com um arco de violino[4] ilustra a capacidade criadora do som. E ouvimos falar da música celestial, pois, na perspectiva dos Mundos celestiais, tudo é criado primeiramente em termos de som, o qual, então, molda a matéria concreta nas inúmeras formas que vemos ao nosso redor.
Na visão do Ocultista, todo o Sistema Solar é um vasto instrumento musical, referido na Mitologia grega como “a lira de sete cordas de Apolo, o radiante Deus Sol”[5]. Assim como existem doze semitons na escala cromática[6], temos nos céus doze Signos do Zodíaco; e, da mesma forma que temos as sete teclas brancas – tons inteiros[7] – no teclado do piano, temos sete Planetas. Pode-se dizer que os Signos do Zodíaco constituem a caixa de ressonância da harpa cósmica, enquanto os sete Planetas são as cordas; eles emitem sons diferentes ao passarem pelos vários Signos e, consequentemente, exercem influência sobre a Humanidade de diversas maneiras. Se a harmonia falhasse por um único instante, se houvesse a menor dissonância naquela orquestra celestial, todo este universo, tal como o conhecemos, ruiria. Pois a música pode tanto destruir, quanto construir. Isso foi amplamente demonstrado por grandes músicos. Por exemplo, o neto do imortal Felix Mendelssohn[8] experimentou por vários anos o poder do som nesse sentido. Ele chegou à conclusão de que, uma vez descoberta a nota fundamental (ou nota-chave) de um edifício, uma ponte ou outra estrutura, é possível demolir qualquer uma delas por completo, emitindo essa nota com volume e duração suficientes. Um exemplo ilustrativo disso ocorre ao autor:
“Há alguns anos, um grupo de músicos estavam ensaiando perto de uma antiga ruína nos arredores da cidade de Heidelberg, na Alemanha. Em determinado momento do ensaio, eles executaram uma nota extremamente elevada e prolongada; ao fazê-lo a enorme muralha da ruína próxima desabou com um estrondo tremendo. Eles haviam atingido a nota fundamental daquela muralha, e ela caiu”. Diante desses fatos, nossos sorrisos de desdém de outrora, ao ouvir a história de Josué e das muralhas de Jericó já não se justificam. O som da trombeta de chifre de carneiro, sem dúvida, atingiu a nota fundamental daquelas muralhas, que haviam sido sensibilizadas pela marcha rítmica do exército que se preparava para o clímax final. A marcha rítmica de muitos passos pode destruir qualquer ponte; por isso, que os soldados são instruídos a quebrar o passo ao atravessá-la. Assim, respondendo à pergunta, podemos dizer que cada Planeta emite uma determinada nota fundamental – a soma de todos os ruídos nele existentes, mesclados e harmonizados pelo Espírito Planetário, que nele habita. Esse som pode percebido pelo ouvido espiritual. Como diz Goethe[9]:
“O Sol entoa seu canto ancestral,
em meio ao coro rival de esferas irmãs;
Ele percorre veloz sua rota prescrita,
de forma retumbante, ao longo dos anos.”
Essa é da primeira parte de Fausto, o Prólogo no Céu. E, também, na segunda parte de Fausto, os Espíritos do Ar saúdam o Sol nascente com as palavras:
“Soa ao ouvido do Espírito
que o dia recém-nascido chegou;
Rangem e estridem os portões de rocha,
Giram e cantam as rodas de Febo –
Que som intenso a luz traz consigo!”.
(Pergunta nº 158 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: (ou música das esferas) é um conceito filosófico e cosmológico da Grécia Antiga que postula que o movimento dos corpos celestes (Planetas, Sol e Lua) emite uma forma de ressonância ou música divina. Atribuída ao matemático Pitágoras, a ideia propõe que as distâncias e velocidades orbitais seguem proporções matemáticas perfeitas correspondentes aos intervalos musicais.
[2] N.T.: Jo 1:1-3
[3] N.T.: O fiat (do latim fiat que significa “faça-se”) é uma vibração, um som cósmico ou a Palavra geradora que organizou o caos primitivo em formas vivas e estruturou o Sistema Solar.
[4] N.T.: são conhecidas como Figuras de Chladni. Trata-se de um experimento clássico de física acústica criado pelo músico e físico alemão Ernst Chladni. Ao passar um arco de violino na borda de uma placa de metal (ou vidro) coberta com areia fina, as vibrações sonoras fazem o material “dançar”. Como os grãos se acumulam nos pontos onde a placa não vibra (nós), surgem padrões geométricos e simétricos perfeitos na superfície.
[5] N.T.: A música de Apolo com este instrumento tinha o poder de trazer ordem, beleza e harmonia ao mundo.
[6] N.T.: A escala cromática contém 12 notas (ou semitons), que são as únicas existentes na música ocidental. Partindo da nota fundamental (aqui representada pelo Dó) e subindo em intervalos de meio tom, a sequência é a seguinte: 1. Dó; 2. Dó sustenido (C#) ou Ré bemol (D♭); 3. Ré; 4. Ré sustenido (D#) ou Mi bemol (E♭); 5. Mi; 6. Fá; 7. Fá sustenido (F#) ou Sol bemol (G♭); 8. Sol; 9. Sol sustenido (G#) ou Lá bemol (A♭); 10. Lá; 11. Lá sustenido (A#) ou Si bemol (B♭); 12. Si. A 13ª nota é a repetição da fundamental (Dó), completando assim o ciclo da oitava.
[7] N.T.: As teclas brancas de um piano representam as sete notas naturais (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si).
[8] N.T.: Jakob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy, conhecido como Felix Mendelssohn (1809-1847), foi um compositor, pianista e maestro alemão do início do período romântico. Algumas das suas mais conhecidas obras são a abertura e a música incidental para Sonho de uma Noite de Verão (que inclui a famosa Marcha nupcial), o Concerto para violino, os dois concertos para piano, cerca de 100 Lieder, a abertura As Hébridas, as sinfonias Italiana e Escocesa e os oratórios Paulus e Elias.
[9] N.T.: Johann Wolfgang von Goethe (1749–1832) foi um polímata e o maior nome da literatura alemã. Ele liderou o movimento Sturm und Drang e o Classicismo de Weimar. Seus trabalhos mais icônicos são o romance Os Sofrimentos do Jovem Werther e o drama filosófico Fausto, influenciando profundamente a cultura ocidental.
Resposta: Atualmente, o alimento ingerido é decomposto e desintegrado pelo calor interno do organismo. Assim, o Éter Químico, que permeia cada partícula do alimento se combina com o Éter Químico do nosso Corpo Vital. O alimento magnetizado pela ação do Sol durante o seu desenvolvimento nas plantas é, então, assimilado e permanece conosco até que esse magnetismo se esgote. Quanto mais diretamente o alimento provém do solo, maior é a quantidade de magnetismo solar que ele contém. Consequentemente, ele “permanece conosco” por mais tempo quando consumido cru. Quando o alimento passa pelo processo de cozimento, perde-se parte do Éter que ele continha, pois muitas das partículas mais sutis são dissolvidas pelo calor e se elevam como ar na cozinha sob a forma do aroma característico do alimento em questão. Por isso, as células de alimentos cozidos permanecem como parte do nosso Corpo Denso por menos tempo do que as de alimentos crus; além disso, alimentos já assimilados pelo animal contém muito pouco Éter Químico próprio (exceto o leite, que é obtido por um processo vital e contém mais Éter do que qualquer outro alimento).
Assim, no que se diz respeito à carne de animais, pode-se afirmar que a maior parte do Éter Químico presente na forragem das suas rações já havia passado para o Corpo Vital do animal antes da morte dele e, no momento do óbito, esse Corpo Vital abandona a carcaça física. Por essa razão, a carne animal entra em putrefação muito mais depressa do que os vegetais e “permanece conosco” apenas por um curto período após a ingestão.
A morte e a doença se devem, em grande parte, ao fato de nos alimentarmos de substâncias compostas por células desprovidas de seu Éter Químico individual – aquele obtido durante a assimilação vegetal. Esse Éter é diferente do Éter Químico planetário – que permeia os Reinos mineral, vegetal, animal, bem como o ser humano. A carne animal, privada pela morte do Corpo Vital individual que animava o animal durante a vida dele, reduz-se, na verdade, a sua forma química mineral; como tal, possui pouco valor para os processos vitais do nosso Corpo Denso. De fato, ela é prejudicial a esses processos vitais e deve ser eliminada do organismo o mais rapidamente. Contudo, por serem de natureza mineral, essas partículas de carne animal estão mortas e são de difícil eliminação.
Consequentemente, elas se acumulam gradualmente. Mesmo a parte dos alimentos vegetais – especificamente as cinzas e os minerais – permanece em nosso organismo, gerando um processo gradual e paulatino de obstrução que descrevemos como crescimento. Isso acontece porque privamos a planta (ou outro alimento) de seu Éter Químico. Se fôssemos semelhantes às plantas e tivéssemos a capacidade de impregnar o mineral com Éter, seríamos realmente capazes de assimilá-lo e atingir estaturas gigantescas; no entanto, nas condições atuais, o material morto se acumula progressivamente até que, por fim, o crescimento cessa, visto que nossa capacidade de assimilação se torna cada vez menos eficiente.
No futuro, não digeriremos nossos alimentos dentro do Corpo Denso; em vez disso, extrairemos o Éter Químico e o inalaremos pelo nariz, onde ele entrará em contato com a Glândula Hipófise.
Esse é o órgão geral de assimilação e promotor do crescimento. Então, nosso Corpo Denso se tornará cada vez mais etérico; os processos vitais não serão prejudicados pelo acúmulo de resíduos e, consequentemente, as doenças desaparecerão gradualmente e a vida será prolongada aqui. A esse respeito, é significativo que, muitas vezes, os cozinheiros não sintam vontade de comer, pois o aroma forte do cozimento os satisfaz bastante.
A Ciência material está aprendendo gradualmente as verdades anteriormente ensinadas pela Ciência oculta, e sua atenção está sendo cada vez mais voltada para as Glândulas Endócrinas (sem dutos), o que lhes fornecerá a solução para muitos mistérios. No entanto, a Ciência material não parece estar ciente de que existe uma conexão física entre a Glândula Hipófise – o órgão principal de assimilação e, portanto, do crescimento – e as Glândulas Suprarrenais, que eliminam os resíduos e assimilam as proteínas. Elas também estão fisicamente conectas à Glândula Baço, à Glândula Rimo e à Glândula Tiroide. Sob o ponto de vista astrológico, é significativo que a Glândula Hipófise seja regida por Urano – a oitava superior de Vênus, o regente do Plexo Celíaco, onde está localizado o Átomo-semente do Corpo Vital. Assim, Vênus guarda a entrada do Fluído Vital que nos provém diretamente do Sol através da Glândula Baço, enquanto Urano é o guardião do portal por onde a vitalidade entra através dos alimentos físicos. É a combinação desses dois fluxos que produz o poder latente armazenado em nosso Corpo Vital, até que este seja convertido em energia dinâmica pela natureza do desejo, de influência marciana.
(Pergunta nº 52 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Não existe, absolutamente, nenhum fundamento que justifique a ideia generalizada a respeito de “almas perdidas”. Não há, na Bíblia, uma só palavra que exprima a ideia a que todos nos habituamos sobre eternidade com o sentido de para sempre. A palavra grega aionian significa “um período indefinido de tempo”, “um longo período de tempo” e, quando lemos na Bíblia as palavras “eternamente” ou “para sempre”, deveríamos interpretá-las como “pelos séculos dos séculos”. Além disso, como é uma verdade que “em Deus vivemos, movemos e temos o nosso ser”, uma alma perdida seria o mesmo que se tivesse perdido uma parte de Deus e isto não é possível!
Sem dúvida, a perda de um período de anos está relacionada ao próximo período, sendo até mesmo compreendida por ele. Lembremos que no Período Lunar desse atual Esquema de Evolução que Espíritos Lucíferos, os Anjos que ficaram atrasados no Esquema de Evolução angélica, não puderam achar um Campo de Evolução no presente esquema de manifestação.
Os Arcanjos habitam o Sol; os Anjos têm a seu cargo todas as Luas; porém os Espíritos Lucíferos foram incapazes de residir em qualquer desses luminares. Não podiam ajudar a geração pura e desinteressadamente como fazem os Anjos, mas atuavam sob o império do desejo, da paixão vil e egoísta, pelo que foi necessário separá-los dos seus irmãos mais adiantados e fixá-los num lugar apropriado às suas condições.
O ambiente que necessitavam era o do Planeta Marte, a quem os antigos astrólogos atribuíram o poder sobre o Signo zodiacal de Áries, o Carneiro, que tem domínio sobre a cabeça dos seres humanos — convém recordar que o cérebro foi construído com as energias subvertidas dos órgãos sexuais —, o que comprova que aquele Planeta exerce igualmente o seu domínio sobre o Signo zodiacal de Escorpião, o regente dos órgãos da reprodução. Carneiro é a primeira Casa do horóscopo, regendo o começo da vida; Escorpião é a oitava Casa do horóscopo, a que nos fala da morte. Em tudo isso está contida uma lição, ensinando-nos que tudo aquilo que foi gerado pelos desejos vis é chamado à dissolução, à morte.
Assim, pois, Marte é, esotericamente e astrologicamente, o que se chama de “diabo” e Lúcifer, o mais notável dos Anjos caídos, é realmente o adversário de Jeová, quem dirige o poder fecundante do Sol por meio da ação lunar. Todavia, os Espíritos Lucíferos estão ajudando a nossa evolução. Deles recebemos o ferro que, por si só, torna possível a vida em uma atmosfera oxigenada. Foram e continuam sendo os agitadores das forças que impulsionam o progresso material e, por isso, não temos o direito de os anatemizar.
A Bíblia tacitamente nos proíbe ultrajar os deuses. O próprio apóstolo S. Judas Tadeu declara que mesmo o Arcanjo Miguel não se atreveu a denegrir Lúcifer. Porém o Arcanjo Miguel, quando, lutando contra o diabo, disputava o corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo blasfemo, mas disse: ‘Repreenda-te o Senhor’. E no Livro de Jó vemos Lúcifer como um dos filhos de Deus.
Se não fossem os impulsos marcianos, agitadores e belicosos, talvez não sentíssemos as aflições tão ao vivo como sentimos, mas também não poderíamos progredir na mesma proporção e é seguramente melhor “gastar-se ao criar bolor”.
Desse modo, podemos compreender que as “ovelhas perdidas” de um momento anterior nesse Esquema de Evolução (Período, Época, Era) sempre é concedida oportunidades para recuperar, no atual Esquema de Evolução, o tempo que perderam.
Ficaram atrasadas e, por esse motivo, são consideradas “más”, como no caso dos Anjos caídos; entretanto, “não se perderam; apenas afastaram-se da redenção”. Podem se salvar e certamente conseguirão, servindo-nos e, provavelmente, ajudando a transmutar a natureza de Escorpião na de Áries, levando-nos a sublimar em nós mesmos tudo que for grosseiro e mau.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1970-Fraternidade Rosacruz)
Abril de 1912
A partir do ensinamento contido na lição do mês passado, vocês compreenderão que não há absolutamente qualquer fundamento em relação ao ponto de vista, como comumente acreditada, sobre almas perdidas. Não há uma só palavra na Bíblia que leve em si a ideia que costumamos atribuir à palavra “para sempre”. A palavra grega é aionian e significa “um período de tempo indefinido, uma era”, e quando lemos na Bíblia as palavras “eternamente e para sempre”, deveríamos interpretá-las “por séculos e séculos” ou “por muito, muito tempo”. Além disso, como é uma verdade da Natureza que “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”[1], uma alma perdida significaria que uma parte de Deus estaria perdida e isso, é claro, é impensável.
Depois que escrevi a lição anterior, outro ponto me ocorreu, o qual ilustrará como os “perdidos” de um Período são tratados no próximo. Vocês se lembram de que falamos dos Espíritos de Lúcifer como retardatários do Período Lunar, e que afirmamos que eles não conseguiam encontrar um Campo de Evolução no Esquema atual Manifestação. Os Arcanjos habitam o Sol, os Anjos são responsáveis por todas as Luas, mas os Espíritos de Lúcifer eram incapazes de habitar em qualquer um dos luminares. Eles não podiam auxiliar na geração de Forma pura e altruísta como o fazem os Anjos, mas eram movidos pela paixão e por desejos egoístas, de modo que um lugar separado precisava ser encontrado para eles. Assim, foram colocados no Planeta Marte, fato bem conhecido pelos antigos astrólogos que atribuíam a Marte a Regência de Áries, que tem domínio sobre a cabeça[2] (lembrem-se, o cérebro é construído pela força sexual criadora subvertida) e, também, comprovaram que esse Planeta é o Regente de Escorpião, que governa os nossos órgãos reprodutores. Áries está na primeira Casa em um horóscopo natural e denota o princípio da vida; Escorpião está na oitava Casa, simbolizando a morte; nisso está contida a lição de que tudo o que é gerado pela paixão e pelo desejo está condenado à dissolução. Assim, Marte é, esotericamente e astrologicamente, “o diabo”; e Lúcifer, o líder entre os Anjos caídos, é verdadeiramente o adversário de Jeová, que dirige a força fecundante do Sol por meio da Lua.
Contudo, os Espíritos de Lúcifer estão auxiliando no processo de Evolução. Deles recebemos o ferro que, por si só torna possível viver numa atmosfera oxigenada. Eles foram e continuam sendo os agitadores do progresso material, e não temos o direito de anatematizá-los, amaldiçoá-los ou excomungá-los. A Bíblia nos proíbe expressamente de insultar os deuses. Conforme lemos na Epístola de S. Judas, nem mesmo o Arcanjo Miguel ousou insultar Lúcifer[3], e no Livro de Jó, este último é mencionado como um dos filhos de Deus[4]. O Embaixador de Marte na Terra, Samael[5], é o “Anjo da morte”, simbolizado por Escorpião, mas é também o “Anjo da vida” e da ação, simbolizadas por Áries. Se não fossem pelos impulsos marcianos, talvez não sentíssemos as angústias e tristezas profundas tão agudamente como as sentimos, mas também não conseguiríamos progredir na mesma proporção, e certamente “é melhor se desgastar do que se enferrujar”.
Assim, vemos como essas “ovelhas perdidas” de um momento anterior recebem as oportunidades de recuperar o seu atraso no atual Esquema de Evolução. Estão atrasadas, e como retardatárias, sempre parecerão más, mas não estão “perdidas para além da redenção”. Podem se salvar servindo-nos, provavelmente mediante a transmutação de Escorpião em Áries, quer dizer: da geração em regeneração.
(Do Livro: Carta nº 17 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: At 17:28
[2] N.T. Nossa cabeça é uma estrutura complexa composta por uma cápsula óssea (crânio) que protege o cérebro, sustentada por músculos, vasos sanguíneos e nervos.
[3] N.T.: “Contudo, nem mesmo o Arcanjo Miguel, quando estava disputando com o Diabo acerca do corpo de Moisés, ousou fazer acusação injuriosa contra ele.” (Jd 1:9)
[4] N.T.: “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se diante do Senhor, veio também o Diabo entre eles se apresentar diante do Senhor.” (Jo 2:1)
[5] N.T.: não confundir com o Anjo caído Samael, pois os Embaixadores de cada Planeta são Arcanjos.