Oh, você, cujo olhar recai casualmente sobre esta página. Você, cujo interesse já foi despertado, leia atentamente este artigo — você está desperto? Cada momento da sua vida vibra com a alegria de viver ou você está com as massas, adormecido na existência monótona?
Se sua alma não for tocada em suas profundezas mediante o desabrochar de uma flor, você está adormecido. A menos que esteja moldando inteligentemente o curso da sua vida, está adormecido. Caso não perceba sua unidade com o Cosmos, então você está adormecido… E a mensagem deste artigo se resume a uma palavra: desperte! Eis algumas sugestões as quais, para você que está satisfeito em dormir durante toda uma vida, deveriam ser de valor inestimável. São ideias novas? De modo nenhum. Mas são os pensamentos-chave de hoje — da nova Era.
– “Eu não quero trabalhar”, diz o homem desempregado.
– “Ah, é mesmo?”, eu respondo, “então mova aquela pilha de areia para lá e, quando terminar, simplesmente cave e a recoloque onde a encontrou”.
– “E quanto dinheiro eu vou ganhar?”, pergunta o homem.
– “Ah, então você quer dinheiro e não trabalho!”.
– “Bem…”.
– “Aqui está uma nota de R$ 100,00; eu lhe darei, se você não gastar”, é minha resposta.
– “Mas eu quero comprar comida e carvão para minha família”, diz ele.
– “Então, meu amigo, você vê que não é dinheiro que você quer, nem comida ou carvão; mas, isto sim, a sensação de conforto que essas comodidades trazem”.
Para simplificar esse ponto, o homem estava, na verdade, pedindo felicidade. Como nós, mortais, gostamos de girar ao redor do assunto! O processo acima de buscar felicidade é como pedir um balde de água quando você tem uma torneira perfeitamente boa em sua própria cozinha. Por que não pegar um atalho e começar por si mesmo? Suponha, antes de tudo, que façamos um exame. Eu faço a pergunta — você fornece a resposta.
Fisicamente. Você carece de algo para estar em boa forma? Seu rosto reflete alegria: olhos brilhantes, faces coradas, cabeça erguida, cantos da boca voltados para cima?
Mentalmente. A Mente está alerta, atacando cada problema com entusiasmo e obtendo conclusões inteligentes? Quando você olha para um objeto, você realmente o vê ou, em outras palavras, seus poderes de observação estão ativos?
Emocionalmente. Sua alma é tocada pela majestade e a Glória dos Céus? Você se deleita com a sinfonia do movimento do oceano sobre a praia? Você sente, e não apenas fala, a Fraternidade do ser humano?
Moralmente. Você está vivendo à altura dos ideais estabelecidos dentro de você?
Algo do que foi mencionado acima lhe falta? Bem, não saia procurando por isso e pedindo aos outros. Está dentro de você mesmo! Desperte-o! Não há necessidade de ir mais longe. Você sabe melhor do que os outros o que lhe falta e sem dúvida já recebeu a sugestão de listar o que deseja expressar. É uma ideia excelente!
Tome, por exemplo, a virtude da paciência. Suponha que eu queira desenvolvê-la em meu temperamento, entre muitas outras. Eu a escreveria em uma folha de papel e então começaria a despertá-la. Como você atrairia a atenção de uma determinada pessoa, se ela estivesse em uma multidão? Ora, chamando o nome dela! Fomos ensinados que todos os poderes e qualidades de Deus estão latentes em nós; então a paciência está ali, aguardando expressão. Chame-a à manifestação!
Estes dias árduos de reconstrução necessitam de corações fortes e aplicação inteligente. Quantos de nós levantam a mão para moldar o nosso próprio ambiente? Somos escravos do nosso negócio; nossas ideias políticas ou econômicas não são nossas, mas fornecidas pela tendência que achamos que conhecemos.
Quantos pensamentos originais podemos reivindicar em um dia? E, ainda assim, originar é prerrogativa divina de cada um de nós: criar, praticar a Epigênese.
Se estamos apenas vegetando, podemos muito bem ser como a planta – um ser da Onda de Vida vegetal – cuja consciência é semelhante à do “sono sem sonhos”.
Se estamos apenas deixando a vida passar por nós mediante os sonhos, nossa consciência não é mais elevada que a de um animal – que é um ser da Onda de Vida animal e tem um nível de consciência de “sono com sonhos”.
Desperte! Por tempo demais permanecemos à beira da estrada, embalados pela indulgência dos sentidos, dedicando uma vida inteira aos meros acessórios da existência — adormecidos para o verdadeiro significado da vida: uma vida vibrante e criadora.
Venha comigo por uma colina, atrás de uma cidade. Estamos na primavera! Iremos, se você quiser, em uma hora matinal; naquela hora, logo após o nascer do Sol, quando, para aquele que está desperto, a natureza sussurra seus segredos. O primeiro benefício da nossa caminhada é físico; o ar puro e o passo rítmico põem a circulação em movimento e começamos a formigar à medida que sentimos seus efeitos revigorantes…
À medida que começamos a subir a colina, notamos em ambos os lados do caminho sinuoso evidências da primavera, pois os arbustos e árvores estão ganhando nova vida e, aqui ou ali, uma flor silvestre se manifesta. Nesses arredores não podemos deixar de sentir a unidade de toda a vida, o que é evidência do despertar das emoções mais elevadas. Por fim, alcançamos o cume — ficamos a princípio dominados pelo glorioso espetáculo. Por quilômetros diante de nós estende-se uma vista de campos verdes, encostas ondulantes e, além do braço prateado do mar pontilhado de ilhas, vislumbramos o contorno tênue de uma cadeia de montanhas escarpadas. Esse panorama maravilhoso, resplandecente ao Sol da manhã, pertence ao ser humano. É o seu atual Campo Evolução que chamamos de Terra!
Agora, volte-se e olhe em direção à cidade. Será possível que lá embaixo, naqueles pequenos cubículos que habitávamos ontem, os problemas da vida parecessem tão enormes, tão opressivos? Porque nossa própria alma já se expandiu e sentimos que podemos voltar para resolver nossos pequenos problemas em pouco tempo. Como gostamos de elevar nosso próximo até as alturas atuais da nossa consciência! É como se tivéssemos erguido nossas cabeças para fora da neblina e encontrado o Sol brilhando em esplendor. Se você, meu irmão ou minha irmã, tem amor pela Humanidade em seu coração, então leve consigo esta mensagem de desenvolvimento: “Eu elevarei meus olhos para os montes”. Elevarei meus pensamentos àquela consciência superior que me diz que todo poder está latente de nós — e nós nada mais temos a fazer senão despertar para nossa Filiação Divina, a fim de realizá-la em sua plenitude!
Por mais 2.000 anos as palavras da Epístola de S. João, “Amados, agora somos filhos de Deus” (IJo 3:2), têm vibrado em ouvidos surdos. Absorvido naquilo que muitos chamam de “ganhar a vida” ou desfrutar de si mesmo muitos têm falhado em captar essa maravilhosa mensagem. Quando ela realmente desponta na consciência de uma pessoa, ela vislumbra um futuro antes inimaginado.
Se somos Filhos de Deus, ou, na terminologia da nossa Filosofia, a Filosofia Rosacruz, “Centelhas da Chama Divina”, então temos uma inteligência que se manifesta nesta Terra.
O que é isso? Até nosso atual estágio de desenvolvimento, estivemos sob a orientação direta de Seres superiores. Agora, tendo alcançado a autoconsciência e estando de posse de um instrumento maravilhosamente construído em forma de Corpo Denso, é nossa responsabilidade, como indivíduos, realizar algum trabalho criativo e especializado.
Podemos imaginar um agricultor com um pedaço de terra para cultivar, afiando, dia após dia, o seu arado ou limpando suas várias ferramentas sem colocá-las em uso real para o propósito a que foram destinadas? No entanto, não é esse o caso hoje com a maior parte da Humanidade? De fato, é um erro muito grave negligenciar o instrumento: um trabalhador não esperaria os melhores resultados com ferramentas enferrujadas e desafiadas.
Olhe para dentro e veja se você realmente está desperto. Se sim, o que você tem feito? A responsabilidade é sua. Se você esconder o seu talento, não haverá recompensa. O prêmio é para o bom e fiel servo que multiplicou os talentos que lhe foram dados.
Pois o mundo precisa de almas esclarecidas e urgentemente. Talvez você tenha testado esses métodos, mas não tenha notado muita melhoria — o seu crescimento é lento. Aprenda com a Natureza. O broto cresce lenta e imperceptivelmente, mas cresce, quando lhe são dadas as condições adequadas.
Você descobrirá que o crescimento mais rápido ocorre quando a planta é exposta à luz do Sol. A alegria é o nosso Sol espiritual e o seu crescimento ou desenvolvimento será bastante mais rápido, se for continuamente nutrido com alegria e contentamento. Todas as coisas respondem ao chamado da alegria. A alegria o ajudará.
Portanto: acorde!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Abril de 1912
A partir do ensinamento contido na lição do mês passado, vocês compreenderão que não há absolutamente qualquer fundamento em relação ao ponto de vista, como comumente acreditada, sobre almas perdidas. Não há uma só palavra na Bíblia que leve em si a ideia que costumamos atribuir à palavra “para sempre”. A palavra grega é aionian e significa “um período de tempo indefinido, uma era”, e quando lemos na Bíblia as palavras “eternamente e para sempre”, deveríamos interpretá-las “por séculos e séculos” ou “por muito, muito tempo”. Além disso, como é uma verdade da Natureza que “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”[1], uma alma perdida significaria que uma parte de Deus estaria perdida e isso, é claro, é impensável.
Depois que escrevi a lição anterior, outro ponto me ocorreu, o qual ilustrará como os “perdidos” de um Período são tratados no próximo. Vocês se lembram de que falamos dos Espíritos de Lúcifer como retardatários do Período Lunar, e que afirmamos que eles não conseguiam encontrar um Campo de Evolução no Esquema atual Manifestação. Os Arcanjos habitam o Sol, os Anjos são responsáveis por todas as Luas, mas os Espíritos de Lúcifer eram incapazes de habitar em qualquer um dos luminares. Eles não podiam auxiliar na geração de Forma pura e altruísta como o fazem os Anjos, mas eram movidos pela paixão e por desejos egoístas, de modo que um lugar separado precisava ser encontrado para eles. Assim, foram colocados no Planeta Marte, fato bem conhecido pelos antigos astrólogos que atribuíam a Marte a Regência de Áries, que tem domínio sobre a cabeça[2] (lembrem-se, o cérebro é construído pela força sexual criadora subvertida) e, também, comprovaram que esse Planeta é o Regente de Escorpião, que governa os nossos órgãos reprodutores. Áries está na primeira Casa em um horóscopo natural e denota o princípio da vida; Escorpião está na oitava Casa, simbolizando a morte; nisso está contida a lição de que tudo o que é gerado pela paixão e pelo desejo está condenado à dissolução. Assim, Marte é, esotericamente e astrologicamente, “o diabo”; e Lúcifer, o líder entre os Anjos caídos, é verdadeiramente o adversário de Jeová, que dirige a força fecundante do Sol por meio da Lua.
Contudo, os Espíritos de Lúcifer estão auxiliando no processo de Evolução. Deles recebemos o ferro que, por si só torna possível viver numa atmosfera oxigenada. Eles foram e continuam sendo os agitadores do progresso material, e não temos o direito de anatematizá-los, amaldiçoá-los ou excomungá-los. A Bíblia nos proíbe expressamente de insultar os deuses. Conforme lemos na Epístola de S. Judas, nem mesmo o Arcanjo Miguel ousou insultar Lúcifer[3], e no Livro de Jó, este último é mencionado como um dos filhos de Deus[4]. O Embaixador de Marte na Terra, Samael[5], é o “Anjo da morte”, simbolizado por Escorpião, mas é também o “Anjo da vida” e da ação, simbolizadas por Áries. Se não fossem pelos impulsos marcianos, talvez não sentíssemos as angústias e tristezas profundas tão agudamente como as sentimos, mas também não conseguiríamos progredir na mesma proporção, e certamente “é melhor se desgastar do que se enferrujar”.
Assim, vemos como essas “ovelhas perdidas” de um momento anterior recebem as oportunidades de recuperar o seu atraso no atual Esquema de Evolução. Estão atrasadas, e como retardatárias, sempre parecerão más, mas não estão “perdidas para além da redenção”. Podem se salvar servindo-nos, provavelmente mediante a transmutação de Escorpião em Áries, quer dizer: da geração em regeneração.
(Do Livro: Carta nº 17 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: At 17:28
[2] N.T. Nossa cabeça é uma estrutura complexa composta por uma cápsula óssea (crânio) que protege o cérebro, sustentada por músculos, vasos sanguíneos e nervos.
[3] N.T.: “Contudo, nem mesmo o Arcanjo Miguel, quando estava disputando com o Diabo acerca do corpo de Moisés, ousou fazer acusação injuriosa contra ele.” (Jd 1:9)
[4] N.T.: “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se diante do Senhor, veio também o Diabo entre eles se apresentar diante do Senhor.” (Jo 2:1)
[5] N.T.: não confundir com o Anjo caído Samael, pois os Embaixadores de cada Planeta são Arcanjos.
Resposta: Entre as mais recentes descobertas da ciência temos a hemólise – o fato de que a inoculação de sangue das veias de um animal de espécie superior nas de um de espécie inferior destrói o sangue desse último e provoca a sua morte. Assim, o sangue do ser humano injetado nas veias de qualquer animal é fatal. Mas, se descobriu que a transfusão de sangue entre humanos pode se realizar, embora, às vezes, apresente efeitos deletérios.
Antigamente, as pessoas se casavam com membros dentro da família; era visto com horror se alguém “procurasse carne estrangeira”. “Quando os filhos de Deus se casavam com as filhas dos homens”[1], ou seja, quando os súditos de um líder se casavam com membros estranhos à tribo, causava grandes problemas; eram rejeitados pelo seu líder e, em seguida, aniquilados, pois naquela época certas qualidades, que agora possuímos, estavam sendo desenvolvidas na Humanidade e, assim, mantidas no sangue comum que devia permanecer puro na família ou pequena tribo. Mais tarde, quando o ser humano passou a viver em condições mais materiais, os casamentos entre as tribos foram instituídos e, daquela época em diante, se tornou igualmente horrível a união matrimonial entre pessoas de uma mesma família.
Os antigos Vikings não permitiam que ninguém se casasse com membros de suas famílias sem que antes passar pela cerimônia da mescla de sangue, a fim de verificar se a entrada do estrangeiro para a sua família não seria prejudicial. Tudo isso porque, em tempos mais antigos, a Humanidade não era tão individualizada como é hoje. Ela estava mais sob o domínio dos Espíritos de Raça ou do Espírito de Família que habitava em seu sangue, da mesma forma que o Espírito-Grupo dos animais habita no sangue dos animais. Mais tarde, os casamentos entre pessoas de diversas tribos ou nações foram instruídos para libertar a Humanidade desse jugo e tornaram cada Ego um indivíduo de fato, o único possuidor do seu próprio Corpo, sem interferência externa.
A ciência descobriu recentemente que o sangue de diferentes pessoas contém cristais diferentes, de forma que agora é possível distinguir, por exemplo, o sangue de uma pessoa com pele mais escura do sangue de uma pessoa com pele mais clara; mas chegará o dia em que eles saberão de uma diferença ainda maior, pois da mesma forma que existe uma diferença nos cristais formados pelas diferentes Raças, existe também uma diferença nos cristais formados por cada indivíduo. Não há duas impressões digitais idênticas, e com o tempo se descobrirá que o sangue de cada ser humano é diferente do sangue de qualquer outro indivíduo. Essa diferença já é evidente para o cientista oculto, e é apenas uma questão de tempo para que a ciência material faça a descoberta, pois as características distintas estão se tornando mais marcantes à medida que o ser humano se torna cada vez menos dependente e cada vez mais autossuficiente.
Essa alteração no sangue é importantíssima e, com o passar do tempo, quando se tornar mais acentuada, produzirá consequências de longo alcance. Diz- se que “a Natureza geometriza”, e a Natureza nada mais é do que o símbolo visível do Deus invisível, cuja descendência e imagem somos (fomos criados à Sua imagem e semelhança). Assim, feitos à Sua semelhança, também começamos a geometrizar e, naturalmente, começamos pela substância onde nós, os espíritos humanos, os Egos, temos o maior poder, ou seja, no nosso sangue.
Quando o sangue flui pelas artérias, que são profundas no Corpo Denso, é um gás; mas a perda de calor perto da superfície do Corpo faz com que ele se condense parcialmente, e nessa substância o Ego está aprendendo a formar cristais minerais. No Período de Júpiter, aprenderemos a revesti-los com uma forma inferior de vitalidade e a destacá-los de nós mesmos como estruturas semelhantes às plantas. No Período de Vênus, seremos capazes de infundir o fator desejo neles e torná-los semelhantes aos animais. Finalmente, no Período de Vulcano forneceremos uma Mente e os governaremos como Espíritos de Raça.
No momento, estamos justamente no início dessa individualização do nosso sangue. Portanto, é possível hoje fazer uma transfusão de sangue de um ser humano para outro, mas o dia em que isso será impossível está próximo. O sangue de determinados seres humanos matará todos aqueles que for de um nível inferior, e o sangue de uma pessoa avançada espiritualmente destruirá quem não for tão avançado espiritualmente. Atualmente, a criança recebe seu suprimento de sangue dos pais, armazenado na Glândula Timo durante os anos da infância. Mas, chegará o momento em que o Ego estará tão individualizado que não poderá funcionar com sangue que não seja gerado por ele próprio. Então, o modo atual de geração terá que ser substituído por outro, através do qual o Ego poderá criar o seu próprio veículo sem o auxílio dos pais.
(Pergunta nº 43 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Gn 6:1-4
Fraternidade é: harmonia, amizade, irmandade e parentesco entre irmãos e irmãs.
É a identificação de seres oriundos de um Pai comum, Divino ou humano.
Os “filhos da carne” são “irmãos de carne”; os “filhos de Deus” são irmãos em Espírito.
Os Anjos, hábeis manipuladores de Éter, conseguem por meio do sangue, que é o mais elevado meio de expressão do Corpo Vital, a ligação entre irmãos e irmãs. Muitos de nós renascemos sob tais circunstâncias para harmonização de desentendimentos passados. Porém, muitas vezes nem a ligação do sangue é capaz de promover em nós a harmonia que uma Fraternidade mais elevada, a espiritual, reclama.
Mesmo sem causa remota de destino, ocorre amiúde a desavença entre irmãos e/ou irmãs por motivos egoístas, como por exemplo, em partilhas de herança.
Bem se disse que a “carne e o sangue não podem herdar o Reino dos Céus” (ICor 15:50), e que “o nascido de carne é carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito” (Jo 3:6). Importa-nos em verdade nascer de novo, nos regenerar, nos despirmos do “homem velho e revestirmo-nos do homem novo” (Ef 4:22), em novidade de Espírito, transcendermos os limites da carne, se desejamos sinceramente estabelecer uma verdadeira Fraternidade.
Ninguém tem autoridade, se esta não lhe for dada pelos céus. As verdades cósmicas são eternas e essencialmente as mesmas através dos tempos. A Humanidade é que, segundo os seus conhecimentos, recobrem-nas com sua Epigênese, dão-lhe nome e roupagens diferentes.
Recorro novamente a Cristo para dizer: “qualquer que fizer a vontade do Pai celestial, esse é meu irmão e irmã.” (Mt 12:50), ou ainda: “Meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a praticam.” (Lc 8:21).
Quem pode contestar-lhe? Os sábios materialistas? A que nos tem levado suas descobertas? Guerras mercenárias! Guerras fraticidas! Escravização de povos! Angústias e temores!
Repouso na confiança de Deus. Ele nos guia. Ele é Amor, Ele é Luz. Por mais que nossos potentes telescópios devassem a imensidão do espaço, até milhões de anos-luz encontrarão sempre para amesquinhar a pretensão intelectual dos seres humanos, a Luz, a Harmonia e a Sabedoria a reger as esferas em sua matemática procissão. Que é a Terra diante dessa grandiosidade inteira? E quem somos nós, senão poeirinhas pretenciosas?
Entretanto, Deus-Pai nos ama e com simpatia nos acompanha os esforços, ajudando-nos em tudo, mesmo que pensemos ser o mérito apenas nosso. E toma também suas medidas quando seus filhinhos infantis estão em vias de se machucar com suas “invenções”.
Partamos da convicção do que realmente somos. Isso é humildade!
Tenhamos confiança incondicional no Pai Celeste. Essa é a maneira de nos sintonizarmos com Sua Luz, com Seu Amor, com Sua Verdade, a fim de que nos ajude a sobrepor-nos a nós mesmos e tenhamos a possibilidade de sermos verdadeiros irmãos e irmãs.
Nossa Natureza inferior divide, critica, ambiciona, disputa e prejudica. Nossa Natureza superior não. Ela é Atração, é Amor, é Luz, é Vida e Poder Anímico. Ela nos guinda sobre nós mesmos e nos impele a amar o próximo, acima de todos os preconceitos, das barreiras de sangue, de raça, de credo, na vivência de um verdadeiro Cristianismo (aquele que Cristo trouxe e que ainda não se realizou na sua plenitude).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1966 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Se nos limitamos a interpretar as Sagradas Escrituras simplesmente pela “letra que mata” e não pelo “Espírito que vivifica” (IICor 3:6), como nos aconselha o apóstolo S. Paulo, pouco dela poderemos aprender. O buscador da verdade, isto é, aquele que anseia superar-se para ser mais útil à Humanidade a que pertence, será, certamente, iluminado ajudando na interpretação das escrituras.
Acerca dos três Reis Magos, se nos detemos em meditação, podemos estabelecer formosa analogia entre eles e nós, seres humanos. Observe-se que não dizemos aqui Reis da Ásia, da Arábia e do Egito, nem de qualquer outro ponto determinado da Terra. São Magos do Oriente.
Se recordamos o que escreveu Max Heindel, no tocante da direção aparente do Sol em relação à Terra e do sentido da evolução espiritual; que o Sol vem do Leste para Oeste e por analogia os Reis Magos vieram do Oriente, assentamos a base de nossa meditação.
Os três Reis Magos eram: um de cor branca, outro de cor amarela e outro de cor negra. Conhecemos a interpretação segundo a qual os Magos representam as três raças predominantes ao tempo de Cristo Jesus. Este trazia a missão de unificação das raças, ou seja, da Humanidade inteira, isto é, a substituição do Espírito de Raça pelo Espírito Unificador de Cristo – a encarnação do Amor.
Porém, cada verdade pode ter, no mínimo, sete interpretações verdadeiras. Quando nos propomos interpretar a Deus, segundo os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental que, por intermédio de Max Heindel recebemos dos Irmãos Maiores, aprendemos que o Ser Supremo mencionado nos é apresentado com os atributos de: Poder, Verbo e Movimento. Não são três Seres, senão três Atributos de um só Ser. Quando este Ser, em Sua permanente atividade, põe em Manifestação mais densa, com o propósito de criar e crescer, eles se manifestam em: Vontade, Sabedoria e Atividade. À semelhança de Deus, nosso Criador, nós criado a Sua imagem e semelhança temos três atributos, emanações de Deus, que são: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano, respectivamente; três aspectos de Uma mesma divindade interna, nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui). Assim, nos manifestamos de forma tríplice, isto é, Consciência (Pai), Vida (Filho) e Forma (Espírito Santo). Não são três “pessoas”, senão três manifestações de uma só “pessoa”. Se faltasse uma destas três manifestações não poderíamos evoluir, mostrando assim que depende de uma cadeia completa de veículos correspondentes aos atributos superiores.
Então, os três Reis Magos podem representar a nós, o Ego, em estado superior que reverencia o “Eu Superior” (justamente os nossos veículos superiores: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano). Melchior, da raça branca, símbolo da Unidade do Pai, representa a Consciência; Gaspar, da raça amarela, cor do Filho, é a segunda manifestação: Vida (Cristo Interno) e Baltazar da raça negra, é a terceira manifestação: a Forma (Espírito Santo). Meditemos que o movimento, terceiro atributo do Todo Poderoso, é que dá a ação, o evento. É consequência do Poder, primeiro Atributo. Nenhum, isoladamente, é superior ou inferior, senão que todos são manifestações do Todo, que é Uno.
Melchior, Gaspar e Baltazar (Consciência, Vida e Forma – três atributos em UM), ofereceram ao recém-nascido o melhor que tinham Ouro, Incenso e Mirra (Espírito, Corpo e Alma, respectivamente).
Seguindo o exemplo deles, devemos, não apenas oferecer, senão dar em pensamentos, sentimentos e atos ao Cristo Interno que nasce dentro de nós, a Consciência, a Vida e nosso Corpo, de modo a identificarmos como Filhos de Deus, um Templo do Deus vivente, seja no sentido material como no espiritual.
Aquele ouro não era material, pois o Reino de Cristo não é deste mundo e Ele não buscava riquezas materiais. Os Reis Magos, iluminados como eram, vislumbravam a Estrela como também nós a vislumbramos hoje pela interna iluminação. Eles sabiam o que estavam levando e para quem estavam levando aquelas oferendas.
De volta ao Oriente, os Magos foram por outros caminhos, evitando o Rei Herodes, cuja intenção conhecia. Assim também faz o Aspirante que deseja encurtar o caminho para a meta. Deixa atrás o caminho da Involução e volta pelo caminho da Evolução; deixa a senda dos vícios e erros e segue o caminho mais curto das virtudes. Depois que encontra o Salvador e dedica-se inteiramente a Seu Serviço, sem posteriores ligações com o egoísmo: simbolizado por Herodes.
Que este pequeno ponto do Evangelho suscite no Estudante Rosacruz uma firme resolução de se enquadrar, cada vez mais nas condições ideais de um verdadeiro servidor da “Vinha de Cristo” neste mundo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1966 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Aprendemos nos Estudos Bíblicos Rosacruzes a significância esotérica do trecho bíblico conhecido como Imaculada Concepção: “E Maria disse ao Anjo: ‘Como se fará isso, pois, eu não conheço varão?’. E respondendo o Anjo disse-lhe: ‘O Espírito Santo descerá sobre ti, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a Sua sombra e por isso mesmo o Santo, que há de nascer de ti, será chamado Filho de Deus. (…) Para Deus, com efeito, nada é impossível’. Disse, então, Maria: ‘Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!’” (Lc 1:34-38)
Maria simboliza a mais elevada pureza humana. Ela é uma alta iniciada: ao longo de várias vidas preparou os Corpos e veículos dela. Cumpriu sua missão imaculadamente, ou seja: não sujeita à: influência da Lua, nem Anjos Lucíferos, nem de desejos insidiosos.
A elevada Iniciada que renasceu aqui com Maria de Nazaré veio para nos ensinar um dos supremos Mistérios do céu: a da Imaculada Concepção. Ela sabia que seria mal compreendida, ridicularizada, perseguida, mas persistiu em seu desejo de proporcionar à nós um ideal que mais de dois mil anos depois apenas poucos compreendem e que é totalmente desconhecido pela grande maioria!
Trabalhando de acordo com a Lei do Servir amorosa e desinteressadamente, renasceu (sem mais a necessidade de fazê-lo) e disse a Deus: “faça-se em mim segundo a tua palavra”. Tal estado de realização espiritual, construído por meio do sacrifício, da humildade do Espírito e de uma perfeita harmonia com a Lei da Obediência, é o que espera do ser humano perfeito.
A virgindade da mãe de Jesus é uma qualidade de alma que permanece sem mácula apesar do ato físico da fecundação.
Toda grande alma que veio ao mundo para viver uma vida de sublime santidade renasceu através de pais de imaculada virgindade, que não estavam dominados pela paixão durante o ato gerador.
Isso é conseguir construir esse Corpo o mais próximo da perfeição em cada um dos três Mundos. Obtendo, assim, a faculdade de imprimir a visão de um Corpo ou um veículo muito próximo da perfeição: a vibração de cada átomo que forma o Corpo se eleva ao máximo grau de proximidade com a perfeição. Em suma: O Corpo inteiro é elevado até uma harmonia completa com o Arquétipo. Com isso todo Corpo é literalmente renovado, e se converte em uma habitação mais santa para o Ego que nele vive e trabalha.
Infelizmente, como muito dos Mistérios sublimes, a Imaculada Concepção foi arrastada para o esgoto da materialidade e, sendo tão sublimemente espiritual, talvez tenha sofrido mais por esse tratamento rude do que qualquer outro ensinamento espiritual. Talvez tenha sofrido mais com as explicações desajeitadas dos ignorantes defensores do que pela jocosidade e zombaria dos cínicos. A doutrina da Imaculada Conceição, como é popularmente conhecida, é a de que há cerca de dois mil anos atrás, Deus fecundou milagrosamente uma certa Maria, que era virgem, e como resultado ela deu à luz Jesus, um indivíduo que, por consequência, era o Filho de Deus, e nesse sentido diferente de todos os outros seres humanos. Há também, no imaginário popular, a ideia de que esse incidente é único na história do mundo.
É particularmente essa última falácia que tem servido para distorcer a bela verdade espiritual concernente à Imaculada Conceição. Não é algo único em nenhum sentido. Toda grande alma que nasceu aqui nesse Mundo para viver uma vida de sublime santidade, também encontrou seu ingresso por meio de pais de virgindade imaculada que não foram manchados pela paixão durante a realização do ato gerador. Não se colhem uvas dos espinheiros (Mt 7:16).
É uma verdade axiomática que semelhante atrai semelhante, e antes que alguém possa se tornar um Salvador, ele próprio deve ser puro e sem pecado. Sendo puro, ele não pode nascer de uma pessoa vil, terá de nascer de pais virgens.
Mas, a virgindade à qual nos referimos não abrange uma condição meramente física. Não há virtude inerente em uma virgindade física, pois todos a possuem no início da vida, por mais vil que seja a sua disposição. A virgindade da mãe de um Salvador é uma qualidade da alma, que permanece imaculada, independentemente do ato físico da fecundação.
Quando as pessoas realizam o primeiro ato criador sem o objetivo ou desejo de ter filhos, apenas para satisfazer seus desejos e suas propensões animais, elas perdem a única virgindade (física) que já possuíram; mas quando os futuros pais se unem em espírito de oração, oferecendo seus corpos no Altar do Sacrifício a fim de prover a uma alma, que chega com o Corpo Denso necessário no momento presente para seu desenvolvimento espiritual, a pureza de seus propósitos preserva as suas virgindades e atrai uma alma nobre para o lar deles.
O fato de uma criança ser concebida em pecado ou de forma imaculada depende da qualidade inerente de sua alma, pois, infalivelmente, isso a atrairá para pais de natureza semelhante a sua. Tornar-se filho ou filha de uma virgem pressupõe uma trajetória espiritual prévia para aquele que nasce assim.
Todos nós estamos destinados a passar pelas experiências que Jesus também passou, incluindo a Imaculada Conceição, que é um pré-requisito para a vida dos santos e salvadores em seus mais variados graus. Compreendendo esse grande simbolismo cósmico, compreenderemos mais facilmente a sua aplicação no ser humano individual.
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Como alcançamos “a realização de Deus por meio do reconhecimento da unidade fundamental de cada um de nós com todos”, como repetimos todas as vezes que oficiamos o Ritual do Serviço Devocional do Templo?
Por meio da “Comunhão Espiritual”. Mas, como compreender e aplicar a Comunhão Espiritual?
Comecemos com a tomada de consciência de que todos somos irmãos, filhos de um mesmo Deus, que nos criou, todos como Espíritos Virginais.
Depois, compreendamos que todos, juntos, retornaremos a Deus e assim quando prejudicamos alguém, seja por pensamentos, sentimentos, emoções, palavras, obras, ações ou atos, seja por omissão ou por co-omissão, estamos prejudicando o nosso próprio desenvolvimento, a nossa própria evolução!
A Comunhão Espiritual começa no nosso lar, entre os nossos familiares. Não precisamos ficar como censores ou conselheiros, prontos para retrucar ou falar sempre que vemos um familiar agindo erradamente. Sejamos como uma fonte no deserto que jorra água por séculos sem ninguém dela necessitar, mas quando alguém passar e estiver com sede, lá está ela à disposição.
Mostremos a nossa disposição de termos a Comunhão Espiritual por meio do nosso exemplo e da nossa vivência dos Ensinamentos Rosacruzes.
Lembremos que como Aspirantes a vida superior estamos sempre sendo observados. Mesmo durante o nosso cotidiano não nos deixemos ser manipulados pelas circunstâncias externas. São elas que nos atormentam os nossos corações com angústias.
E é por falta de vontade de reconhecermos a nossa unidade com todos que nos carregamos de pecados, nos molestamos de tentações, nos embaraçamos e nos oprimimos com muitas paixões. E aí não há ninguém que nos ajude, nos livre ou nos salve senão o Cristo a quem devemos nos entregar. Pois Ele nos deu o exemplo da Comunhão Espiritual maior que se pode fazer por um irmão e uma irmã ao entregar o Seu corpo e o Seu sangue para nos salvar: “prova de amor maior não há que doar sua vida ao irmão” (Jo 15:13).
E é através desse maravilhoso exemplo que devemos nos manter em Comunhão Espiritual.
Observe que nos quatro Evangelhos há as atitudes que devemos ter em todas as circunstâncias que existem e possam existir. Quando se diz que esses quatro Evangelhos são fórmulas de Iniciação, quer se dizer que eles contêm o modo do Cristão agir em todas as circunstâncias que, porventura, ele passar. Ensina-nos como e porque agir fraternalmente e se tomarmos as palavras de Cristo: “a Palavra que eu vos disse são espírito e vida” (Jo 6; 64), então teremos a chave de como viver fraternalmente, pois como dois diapasões ressoam em sintonia quando um deles é golpeado, o nosso “Eu superior” vibra quando, pela nossa vontade, resolvemos nos sintonizar com os ensinamentos do Cristo. Assim, Suas palavras nos alimentam e ditam as nossas atitudes, desejos, sentimentos, palavras e pensamentos. Então, estaremos vivendo a vida no verdadeiro sentido da palavra.
Enquanto não tomamos essa consciência e essa resolução, temos apenas vislumbres do viver a vida. E na maioria das vezes estamos nos deixando levar pelos impactos exteriores! É “o corpo governando o espírito”.
O segredo aqui é lembrar em servir a “divina essência” oculta em cada um de nós, o Cristo interno, essa luz presente no ser humano menos evoluído. Com isso nos pomos acima de qualquer limitação imposta pelo “eu inferior”: orgulho, medo, vergonha, vanglória, ambição, egoísmo.
E não há outro meio, pois, “quem não renunciar a tudo não poderá ser Meu discípulo” (Lc 14:33). E esse é o motivo de haver tão poucos esclarecidos e livres: não saber abnegar-se de todo e de si mesmo. Deixar ser levado por esses sentimentos criados pelo “eu inferior”, por essa separatividade ilusória.
Para qualquer Onda de Vida e em qualquer grande Dia de Manifestação é muito difícil se desvencilhar dessa separatividade ilusória, após um mergulho em Mundos mais densos. A ideia de que somos separados um do outro está arraigada em nossa Personalidade (o “eu inferior”), cultivada por nós em muitas vidas.
A dificuldade em tomar consciência da Comunhão Espiritual, “da unidade fundamental de cada um com todos” é acrescida por estarmos no Mundo Físico e suas baixas vibrações. Mas essa separatividade e essa limitação de vida foram importantes para a nossa manifestação ativa. Manifestação essa que é a conscientização de que somos um ser criador, individual, com os mesmos poderes do Ser que nos criou, Deus. Mas, uma vez aprendido e passado o pináculo da separatividade, estamos voltando para Ele, para Deus.
Libertaremo-nos de toda a existência concreta e nos transformaremos num “pilar do templo de Deus e dele não sairemos mais” (Apo 3:12).
Sempre que vamos entrar em um novo estágio evolutivo, os Seres Superiores lançam sombras desse estágio que virá a fim de tornar mais suave a mudança e de dar oportunidades para os vanguardeiros da nossa Onda de Vida, aqueles que sentem a necessidade de dar mais um passo e que anseiam progredir na evolução.
Na Nova Galileia, a próxima Época, a sexta, o amor se fará altruísta e a razão aprovará os seus ditames. A Fraternidade Universal se realizará plenamente e cada um trabalhará para o bem de todos. O egoísmo será coisa do passado.
Aos poucos estamos sentindo que a razão está deixando de nos dominar e o amor está começando a ditar as nossas atitudes.
Vemos que, aos poucos, essa consciência estritamente individual, limitada ao Mundo material, está desfazendo as nações em indivíduos e assim a fraternidade humana está se estabelecendo sem ter em conta as circunstâncias exteriores.
Vivamos uma vida de fraternidade e de amor apressando a segunda vinda de Cristo.
Somente através da prática da Comunhão Espiritual em nossas vidas é que alcançaremos a conscientização da Fraternidade Universal, capacitando-nos, assim, a ajudar os nossos irmãos e as nossas irmãs a seguirem o mesmo caminho.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
No texto do Ritual do Serviço Devocional do Templo da Fraternidade Rosacruz encontramos uma frase de transcendental importância para aqueles que ingressaram no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz: “O reconhecimento da unidade fundamental de cada um com todos, é a realização de Deus”. Porém, tal não poderá ser conseguido até que reconheçamos a unidade de todos nós, sem distinções. Sendo assim, é mister que eliminemos de nossas vidas, tanto quanto seja possível, pensamentos e ideias que suscitem o sentimento de separatividade para com nossos semelhantes. Esse é o conteúdo da magnificente mensagem que o Cristo trouxe a nós, encerrando o reinado do Deus de Raça, Jeová, sob cuja influência e individualização de cada um de nós se processou de um modo integral, e inaugurando a nova Era durante a qual devemos realizar a nossa unidade por meio do fato em que todos nós somos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana, manifestados aqui como Egos, e assim Filhos de Deus. Examinemos o progresso já realizado nesse campo e os obstáculos que ainda deverão ser superados.
Quando os três homens sábios vindos do Leste, para ofertar dádivas e por prestar homenagens ao recém-nato Salvador, cumpriram sua missão na Palestina, ninguém sabia qual a distância que haviam percorrido, nem de quais longínquos países eram originários, países estes pertencentes aos três continentes conhecidos de então. A locomoção naqueles tempos, via de regra, processava-se a cavalo, por via fluvial ou marítima, se bem que os homens do mar não se aventuravam longe de suas costas litorâneas.
Assim verificamos que o mundo conhecido ao tempo do nascimento do Salvador era assaz limitado. De certo modo é interessante conjecturar a esse respeito, porque Max Heindel expressou a sua desaprovação aos esforços missionários, afirmando que Cristo enviou seus Discípulos para que pregassem o Seu Evangelho ao mundo conhecido de então, o que não queria dizer que ele fosse disseminado por toda a Terra, inclusive aos povos primitivos que não podiam compreender aqueles avançados conceitos de moral. O mundo conhecido naquela época compreendia a área adjacente ao Mediterrâneo ao Mar Vermelho, o sul da Europa, o norte da África e a Península Arábica, e alguns distantes trechos do interior da Ásia. A Inglaterra e a norte da Europa eram praticamente desconhecidos até muito tempo depois. Alexandre, o Grande, na tentativa de estender seu império até a Índia em 300 AC, demonstrou ser impossível manter o comércio e comunicações com esses longínquos países, o que tornou impraticável mantê-los sob seu governo.
A China e o Japão estiveram desconhecidos até 1275 d.C. (depois de Cristo), quando os irmãos Polo, em memorável jornada, atingiram a terra de Kublai Khan, a fabulosa Cathay. Em 1492, Cristóvão Colombo, em seu esforço no sentido de encontrar um caminho mais curto para atingir a Índia, iniciou a sua épica viagem pelo Atlântico, descobrindo um novo continente e novos povos. Mais tarde, Fernão de Magalhães realizou a viagem de circunavegação, e muitos aventureiros começaram a velejar através do oceano, em busca de riquezas e de novas terras a fim de anexá-las a seus países, ao passo que a China e o Japão permaneceram praticamente afastados até o século passado.
Cristo veio inaugurar um novo conceito de fraternidade, introduzindo a doutrina do amor em substituição à da Lei, mantida pelas Religiões de Raça. A aplicação desse princípio de fraternidade e amor, atualmente, é indispensável, embora o problema para a sua realização tenha aumentado em complexidade.
A separatividade e a exclusividade das Raças permaneceram durante muitos séculos, como um problema difícil de se equacionar, pois as diferenças da cor da pele, da aparência e dos costumes criaram barreiras gigantescas ao propósito da unidade. À medida que foram descobertos e aperfeiçoados inúmeros meios de transportes, inúmeras viagens foram realizadas, muitas terras foram colonizadas, e para tanto muitos meios foram aplicados.
Um processo lento de amalgamação entre Raças, do qual surgirá à raiz de uma nova Raça, está acontecendo. Nesse ponto as guerras representam um favor importante de integração racial, compreendido pelo envio de jovens a terras estranhas, onde muitas vezes unem-se em matrimônio as mulheres desses países. Aqueles que assim procedem, encontram pela frente os obstáculos naturais impostos pela sociedade que não admite miscigenação, porém, gradualmente tais barreiras irão desaparecendo. Vemos ainda hoje as tensões raciais revelarem a trágica rigidez engendrada em inúmeras almas que ainda se encontram ligada ao Espírito de Raça. Entretanto, as Raças estão também divididas em nações, que se diferenciam pelo desenvolvimento de um Espírito Nacional, de acordo com pensamentos, ações e costumes dos respectivos povos. As nações, como os indivíduos, buscam de um modo geral suas próprias vantagens, pouco se importando com a mal que possam causar ao bem estar alheio. Em geral, os crimes cometidos contra outras nações são registrados nos compêndios de história como atos de patriotismo, numa demonstração de amor e lealdade ao próprio país. Contudo, tempo virá no qual os povos de todas às nações compreenderão que o verdadeiro patriotismo se estabelece na aceitação da responsabilidade em relação às ações de seus próprios países, que o mundo deve se tornar uma fraternidade e que o bem-estar de cada um diz respeito a todos. Isto já está se tornando evidente, pelo modo de proceder das nações mais adiantadas no que diz respeito à guerra, tanto que existe certa tendência à preservação da paz, o que não devemos considerar única e exclusivamente como temor aos efeitos da bomba atômica, tanto que tanto que esse sentimento vem se acentuando desde a Primeira Conflagração Mundial. O velho espírito marcial, que se revela nas guerras e nos triunfos, vai desaparecendo aos poucos, dando lugar ao sentimento de amizade e compaixão para com aqueles que sofrem.
Assim como dependemos do funcionamento harmonioso dos órgãos do nosso Corpo Denso, da mesma forma o Planeta, para o seu bem-estar, depende da existência de harmonia entre nações. Todos os eventos concorrem para que as nações trabalhem em conjunto para o bem de todos ao invés de agirem em seu benefício próprio. Possuímos uma ONU, que embora não funcionando perfeitamente, tornou-se um fator da preservação da paz.
A Religião não tem sido um meio eficaz como deveria ter sido na eliminação do pecado da separatividade. A doutrina da fraternidade entre os indivíduos é fundamentada em cada uma das Religiões, porém isso não erradicou os antagonismos gerados pela divisão de credos. OCristianismo popular (ou exotérico) tem sido tão exclusivista como qualquer outro credo, quase sempre devido à própria atitude de seus praticantes que por séculos vem mantendo a crença de que somente eles possuem o caminho do céu. Isso originou guerras trágicas, as Cruzadas, a Santa Inquisição, etc.
Contudo existem indícios de que as Igrejas já estão começando a compreender que manter-se nessa atitude é ser incoerente com os próprios preceitos que apregoam, e já aceitam a necessidade do trabalho em conjunto, demonstrado pelo “Concílio das Igrejas”, por exemplo.
Apesar de alguns progressos animadores, outros problemas ainda suscitam a separatividade, como por exemplo, observamos o abismo entre o rico e o pobre. O fluxo do dinheiro pode ser comparado à circulação do sangue no Corpo Denso humano, mesmo porque o dinheiro supre as necessidades das várias partes da Terra, tal como faz o sangue ao Corpo Denso. A superabundância em determinada área terrestre poderá ser comparada a um congestionamento ou a uma inflamação no Corpo Denso, ao passo que a pobreza representa os males da desnutrição. A posse de grandes riquezas materiais implica em grande responsabilidade, pois quando riquezas materiais são acumuladas e não utilizadas para o bem comum, constituem uma dívida espiritual a ser resgatada oportunamente pela pessoa. Porém, o conhecimento dessa responsabilidade está se fazendo sentir, haja vista as inúmeras fundações instituídas por pessoas abastadas, a fim de proporcionar maior assistência ao menos favorecidos. Os inúmeros serviços grupais que estão se formando em quase todas as comunidades, no sentido de solucionar problemas locais, também são elementos indicadores do sentimento de união e solidariedade entre as pessoas.
Outro fator negativo na vida dos povos são as campanhas empreendidas pelos nossos partidos políticos. As expressões extremas de sentimentos gerados por essas campanhas exercem uma influência muitas vezes nefasta sobre o equilíbrio emocional, indispensável para o desenvolvimento espiritual. Entretanto, podemos esperar confiantes, de que o tempo irá dignificando essas campanhas, para que sejam conduzidas dentro de um sistema mais honroso, substituindo a forma presente de vituperações e ataques pessoais.
O trabalho e a indústria estão se tornando cientes de sua dependência mútua pelo labor conjunto. Um grande e louvável passo para frente já se terá dado, se o propósito do capital e da indústria se tornar um meio de fornecer emprego e melhores condições de vida para muitas pessoas, do que se ater ao único e egoísta objetivo de arrecadar dinheiro. Os detentores do capital não deixarão de ser beneficiados, mas o objetivo primeiro será sempre o bem-estar de muitos em relação a poucos, pois onde a doutrina dos serviços se encontra acima de todos os negócios, nada poderá ocasionar falhas na prosperidade.
Tempo virá em que uma vida bem-sucedida não será avaliada em relação ao dinheiro depositado no banco ou à mercadoria estocada, mas pelas virtudes de amor e caridade que nela são expressas. Vivemos atualmente sob um sistema rígido de competição, mas é mister que essa competição se transmute em cooperação para o bem de cada um de nós. O nosso ineficiente método de distribuição dos produtos do trabalho, a capacidade de alguns poucos e a exploração de muitos, constituem verdadeiros crimes sociais que provocam a depressão industrial, os distúrbios trabalhistas, a destruição da paz interna.
Aqueles que como nós estudam a Filosofia Rosacruz e de alguma forma vivem diferentemente dos demais, deverão conservar certa vigilância para que essas diferenças não os isolem do resto da Humanidade. Sejamos cuidadosos em relação a outros modos de vida, não criticando ou desaprovando-os intransigentemente, pois a autossatisfação ou o sentimento de superioridade não devem se constituir num obstáculo ao avanço espiritual.
A unidade racional, tribal e familiar deverá ser rompida antes que a Fraternidade Universal possa se tornar uma realidade. O paternalismo do grupo tem sido amplamente superado pelo reinado da Individualidade. As nações estão atualmente trabalhando para a Fraternidade Universal, de acordo com o desejo dos nossos líderes invisíveis, os quais não são os menos potentes na modelação dos eventos por não estarem oficialmente ocupando cargos no governo das nações. Esses são os meios lentos pelos quais o Tríplice Corpo de cada pessoa no mundo vai sendo gradativamente purificado. Porém, o Estudante Rosacruz trabalha conscientemente para atingir esses fins por meio dos métodos bem definidos e de acordo com a sua constituição.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1967 – Fraternidade Rosacruz- SP)
Enquanto meditava sobre o quão faz bem a Fraternidade Rosacruz, uma questão surgiu em minha Mente: “Qual é o maior obstáculo que impede o nosso progresso no trabalho espiritual?”. E a resposta foi: “A falta de concentração”.
Todos nós temos nossas famílias que anseiam e tem direito a uma parte da nossa atenção. Nosso trabalho no mundo não deve ser negligenciado sob pretexto algum. Estamos aqui para executar certas tarefas e aprender por meio delas. Depois de atender a esses deveres, ainda resta para cada um de nós um pouco de tempo que podemos usar de forma justa e adequada para o nosso desenvolvimento espiritual, e é tão importante que usemos adequadamente esse tempo extra quanto é importante que atendamos aos nossos deveres mundanos, a nossa família e as nossas obrigações sociais.
Considere, agora, que na vida cotidiana não tentamos nos tornar, por exemplo, médicos e exercer medicina hoje, trabalhar em uma oficina mecânica amanhã e, a cada dois dias, começar uma nova atividade. Sabemos que tal procedimento não nos levará a lugar nenhum na vida. Nem vivemos em uma família como, por exemplo, marido ou esposa hoje e assumimos relações semelhantes em outra família amanhã; nem mudamos nosso círculo social com a mesma frequência que trocamos de roupa ou sapatos. Tais condições profissionais e sociais seriam absolutamente impossíveis. Pelo contrário, seguimos uma linha de trabalho no mundo; cuidamos de uma família; concentramos nossos esforços nesses departamentos da nossa vida, excluindo todos os outros.
Por que não aplicar o mesmo bom senso aos nossos esforços espirituais? Estudamos muito para os nossos negócios, planejamos com antecedência e trabalhamos com todas as nossas forças para tornar nossos negócios um sucesso. Também nos dedicamos a resolver as necessidades da nossa família e planejamos para conseguirmos ser bem-sucedido nisso. Sabemos que o sucesso, tanto o progresso social e como profissional depende da quantidade de concentração e de planejamento que fazemos. Se, então, somos tão sábios em relação às coisas mundanas, que duram apenas os poucos anos de nossa vida terrena, não podemos usar o mesmo bom senso para nos aplicar igualmente com todo o nosso Coração e toda a nossa Mente às coisas espirituais que são eternas?
Na Época Atlante, quando os Semitas Originais foram chamados dentre seus irmãos, muitos deles consideraram isso uma grande dificuldade. Eles, os “Filhos de Deus”, se casaram com as “filhas dos homens”, com o resultado que conhecemos pelo nosso estudo do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
Estamos hoje em outra grande bifurcação de caminhos. Uma “Ecclesia”, ou conjunto de seres humanos, está sendo “chamada” como pioneira da próxima grande Raça. “Muitos caminhos levam a Roma” e, da mesma forma, muitos caminhos levam ao Reino de Cristo, mas se desperdiçarmos nosso tempo caminhando por um hoje e amanhã escolhendo outro caminho, certamente fracassaremos; e, portanto, peço a todos os Estudantes que simpatizam com as ideias da Fraternidade Rosacruz que abandonem todas as outras sociedades religiosas – se excetuando as Igrejas Cristãs e Ordens Fraternais[1] – e dediquem todo o seu Coração, toda a sua Mente e todo o seu Espírito a viver e espalhar nossos ensinamentos.
Para nossas atividades terrenas necessitamos de trabalhadores treinados, qualificados e dedicados. No Reino celestial, a lealdade e a devoção também são fatores primordiais.
Vamos memorizar e nos concentrar nos três primeiros versículos do primeiro Salmo[2], pois, certamente, queremos colher a maior colheita possível dos nossos esforços espirituais e materiais.
(Carta nº 52 do Livro “Cartas aos Estudantes” – de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Religiões Católica ou Protestante que professam o Cristianismo.
[2] N.T.: 1Feliz o homem que não vai ao conselho dos ímpios, não para no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores. 2Pelo contrário: seu prazer está na lei de Iahweh, e medita sua lei, dia e noite. 3Ele é como árvore plantada junto d’água corrente: dá fruto no tempo devido e suas folhas nunca murcham; tudo o que ele faz é bem-sucedido.
O simbolismo é o meio pelo qual o Espírito tenta se expressar na Mente em que ele está se manifestando. É o nosso meio de comunicação com os outros. A palavra é o símbolo de uma ideia e, assim, toda a literatura, a música, a arte, a dança, todo o drama ou muitas outras coisas simbolizam a ideia que uma Mente deseja transmitir a outra.
Em épocas passadas, as Mentes mais altamente evoluídas transformaram a ideia de Deus em imagem ou outra forma para os menos evoluídos. Muitas vezes as pessoas menos desenvolvidas espiritualmente adoravam o símbolo, não sendo capaz de aprender sobre o que é Espírito e o que é Forma.
Hoje, a palavra “Deus” significa muito para alguns de nós; contudo, não sentimos ou expressamos reverência e adoração a palavra, mas o ideal que ela traz à Mente. Até a meditação sobre a palavra “Deus” pode fornecer muito alimento ao Espírito. Então, imagine quanto mais podemos obter como alimento ao Espírito a partir de um Símbolo tão rico como o Símbolo Rosacruz! Ele é fornecido a nós como alimento espiritual. Não há transubstanciação, para acharmos que a coisa em si seja santa, embora saibamos que um Símbolo utilizado há anos gradualmente absorva algumas das vibrações do Serviço para que é usado. Ele, também, exterioriza novamente para todos os que o utilizam, de modo que uma pessoa sensível às vibrações espirituais pode senti-las. O ideal por trás de um Símbolo pode ser de grande valor espiritual nas vidas daqueles que o utilizam de maneira compreensivamente.
Atualmente, temos uma pequena palavra de apenas uma letra e ela nos representa inteiramente: Corpo, Mente e Espírito. É usada por nós para representar qualquer uma das nossas partes ou o todo, de acordo com o nosso conhecimento. Esta “palavra”, ou Símbolo, foi usada para representar o nosso Corpo, quando nossa consciência começava a enxergar o fato de que nós tínhamos um Corpo Denso: a letra “I”. Esse é o braço inferior da cruz. Quando a nossa compreensão sobre nós mesmos foi além, adicionamos um braço ao topo e depois o outro, fazendo o “tau[1]” ou “T”. Essa é a Chave Egípcia da Vida. Essa linha horizontal simboliza a nossa vitalidade e nossa natureza emocional. Quando começamos a manifestar nossos pensamentos aqui, o topo foi adicionado, criando a verdadeira cruz romana. Isso completa o nosso quádruplo veículo – Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente. É nessa cruz de matéria que o Ego tem sido crucificado desde a fundação do mundo, e nós aí permaneceremos até os dias de libertação, quando conheceremos a “liberdade gloriosa dos Filhos de Deus”[2]. Até agora, enquanto nossos ideais permanecem materialistas, a cruz é negra, símbolo da matéria; mas quando espiritualizarmos nossos ideais por meio do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta em cada um de nós, tornaremos a cruz branca. Atualmente, a Humanidade é, em termos simbólicos, como uma cruz branca com uma linha preta contornando-a. Estamos reconhecendo os direitos dos outros, os ideais de fraternidade e o autossacrifício pelos outros estão crescendo. A cruz branca e pura simboliza a casta vida dedicada de um servo da Humanidade, um Auxiliar Invisível. A cruz do Símbolo Rosacruz possui três meios círculos no final de cada braço – por isso é uma cruz trilobada –, totalizando doze. Esse é o símbolo do ser humano cósmico, do qual o humano é o microcosmo. Representa as doze Hierarquias Criadoras que se manifestam como Signos do Zodíaco e nos ensina a governar esse veículo quádruplo, no qual trabalham junto conosco, o Ego. São necessárias doze esferas para cobrir uma esfera do mesmo tamanho; do mesmo jeito, os grandes mestres espirituais tiveram doze Discípulos e o Ego tem doze faculdades psíquicas que cobrem o ser humano espiritual.
Aparentemente, do centro da cruz irradia a estrela dourada de cinco pontas com uma ponta para cima. Este é o Símbolo do Manto Nupcial – Corpo-Alma – que um de nós está tecendo para nós próprios por meio do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta em cada um de nós. À medida que a cruz se torna mais branca, a estrela surge mais luminosa, até chamar a atenção de um dos Grandes e Compassivos Seres, que colocará a pessoa em contato com a Escola de Mistérios (Iniciações), a Ordem Rosacruz, onde ela terá um crescimento muito mais rápido em espiritualidade do que se estivesse sozinha na jornada para Deus. A estrela é dourada e está próxima da cor do amor de Cristo, que deve ser o motivo da ação. O amarelo é símbolo do segundo Aspecto da Deidade, o Filho ou Cristo; mas atualmente a Humanidade não pode manifestar o amarelo puro do amor de Cristo. Precisamos transformá-lo na cor laranja-avermelhada. Necessitamos desenvolver o Corpo-Alma ou, nas palavras de Cristo, o Manto Nupcial, antes que o Filho possa nascer em nós ou que possamos participar da festa do Casamento Místico. Atrás da estrela e da cruz está um campo infinito feito de azul celeste, que é o símbolo do puro Espírito do mesmo jeito que o céu azul simboliza o caos do qual surgiu a manifestação. Esse é o primeiro Aspecto da Divindade, o Deus-Pai. Cristo disse que Ele deve submeter todas as coisas a Si mesmo para, então, entregar o Reino ao Pai. Sabemos pouco sobre o que esse Reino deva ser ou sobre seus poderes e esse pouco chega a nós por intermédio dos ensinamentos do Filho. Portanto, o azul é tingido de amarelo e não é puro, sendo mais como a turquesa, muito translúcido e cheio de vida.
Pendurada na cruz está a coroa de sete rosas vermelhas, com sementes desprovidas de paixão, o símbolo da força sexual criadora e divina purificada e elevada a uma posição superior. O vermelho simboliza o terceiro Aspecto da Deidade, o Espírito Santo. Essa é a única cor pura mostrada no símbolo e, hoje, a Humanidade é capaz de manifestar o seu pensamento abstratamente, que é o poder do Espírito Santo. A nossa, do Ego, vida está no sangue e, portanto, devemos purificar e elevar a vibração do sangue mediante uma vida de serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta em cada um de nós, antes que possamos manifestar a Estrela da Esperança e atrair o Mestre para nós. Assim como a rosa é o produto mais elevado do mundo das flores, também nós, que transmutamos as forças impuras da vida do sangue cheio de paixão na força criadora da vida pura do Espírito de Vida, alcançamos o mais elevado estado humano.
Assim, vemos que o Símbolo Rosacruz é um símbolo da nossa evolução passada, da nossa posição atual e dos ideais pelos quais devemos trabalhar no futuro. É uma maravilhosa fonte de inspiração para a Meditação.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross em 05/1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Tau (Τ ou τ; em grego: ταυ) é a décima nona letra do alfabeto grego.
[2] N.T.: Rm 8:21