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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Extensão da Nossa Consciência

No Capítulo do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, que trata do Esquema de Evolução estudamos e aprendemos que: “os três e meio Períodos que faltam serão dedicados ao aperfeiçoamento destes veículos, e a expansão de nossa consciência em algo semelhante à onisciência”. Esta lição trata desta importante fase da evolução. Já caminhamos um grande percurso desde a consciência do transe profundo, do Período de Saturno ao estado de Consciência de Vigília atual, e estamos nos preparando para a elevada consciência espiritual que obteremos no Período de Vulcano. Este é o grande Plano Divino que nosso Criador, Deus, traçou para nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana.

Através das diferentes fases da Involução fomos guiados por Seres Elevados – as Hierarquias Criadoras –, de variados graus de poder, porém, hoje, no tempo atual, nos encontramos no Caminho de Evolução de desenvolvimento, e ampliando a Consciência de Vigília, cujo desenvolvimento está em nossas próprias mãos, dependendo de nossa iniciativa e diligência, a fim de que cresçamos ou permaneçamos estacionado. A escolha é nossa!

Como Estudantes Rosacruzes ativos, sinceros e humildes temos plena consciência de nossos muitos defeitos. Como crescer em graça e alcançar o crescimento anímico é o objetivo de nossos esforços diários, porque o crescimento anímico aumentará a nossa consciência. Frequentemente sentimos que não podemos nos concentrar e meditar à vontade, ou tão profundamente como desejaríamos, porque influências externas nos perturbam e, com facilidade, nos dizemos a nós mesmos: “O mundo é demasiado para nós”. É, então, que somos tentados a nos excluir, e nos permitir o desejo de fugir para a nossa individual “torre de marfim”; sabemos que, sem importar quão sedutor possa nos parecer este projeto, não é o caminho certo para nós.

Experiências anteriores nos têm demonstrado que o crescimento anímico não se acumula fugindo da vida e das nossas obrigações ou deveres para com a família, comunidade e sociedade no mundo. A consciência se produz pela guerra entre o Corpo de Desejos, que destrói, e o Corpo Vital, que constrói o nosso Corpo Denso. Renascemos para obter experiências, e essas só se podem alcançar pelo contato com nossos semelhantes, irmãos e irmãs, aqui na Região Química do Mundo Físico, por meio de ação e reação.

A razão para a edificação de nosso intrincado sistema de veículos eficientes, durante a parte desse Esquema de Evolução que chamamos de Involução, foi para obter esse nível de consciência própria, a Consciência de Vigília. Pelo uso destes veículos, conscientemente, durante nossa jornada evolucionária, conseguimos obter o Poder Anímico, que é o alimento que nós, um Tríplice Espírito precisamos. Desde o mero princípio, somos uma parte de Deus, e agora, como sempre, n’Ele “vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”, porém, temos que nos converter em um Espírito Virginal da Onda de Vida humana individualizado, consciente! Como tal, no devido tempo, devemos conhecer e assimilar a nossa própria história passada, nossas possibilidades atuais, e nossas futuras potencialidades.

Cristo nos ensinou por meio dessa advertência: “tu, portanto, perfeito como teu Pai é perfeito nos Céus” (Mt 5:48). Ele compreendia que nenhum de Seus ouvintes possuía a perfeição de Deus no tempo em que Ele lhes falou, porém, sabia o que é possível ao ser humano conseguir. Por Suas palavras, Ele desejava impressionar e recordar a todos nós que, pelo esforço constante e exercício incansável da vontade, poderemos, ao final, alcançar a perfeição. Ele quis elevar os não sensitivos, porque Ele sabia que muitos de nós estavam e ainda estão adormecidos espiritualmente e temos que despertar, frequentemente, por dolorosas experiências quando renascidos aqui. Não precisa ser assim (o caminho do amor não gera dor), mas muitos de nós insiste em trilhar o caminho do sofrimento para se despertar espiritualmente!

Reunimos material para o nosso crescimento da alma por meio de nossas experiências diárias; como tratamos estes acontecimentos que enfrentamos em nossa existência diária, será nossa contribuição individual para com a vida.

Cada um de nós experimentou um meio ambiente distinto e se equipou com um Átomo-semente mais ou menos poderoso no começo da vida e, por conseguinte, a reação de cada um é diferente, individualizada, e assim enriquecerá a obra da vida.

Carecemos de poder suficiente apreciável sobre os sucessos com que temos de nos defrontar em nossa jornada desde o berço até o túmulo, porém, podemos determinar como reacionar ante eles. Temos liberdade em demonstrar, face aos problemas da vida, debilidade ou valor ao enfrentá-los.

Nesta luta divina, nos enriquecemos espiritualmente, e a quintessência deste crescimento anímico é extraído vida após vida, armazenando-se como poder vibratório. Este poder reunido por nós, o Ego – um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui como Tríplice Espírito –, durante muitas vidas, é o que sentimos quando nos colocamos em contato com nossos semelhantes, é o poder vibratório que, com frequência, cria imediatos gostos e aversões. O Poder Anímico obtido se imprime em nossa própria alma e sentimos o seu efeito.

Ricardo Wagner, em sua Ópera Parsifal[1], teve um esplêndido êxito ao nos dar um quadro novo, revitalizado da velha lenda que fala da nossa jornada através da vida, conforme enfrenta os perigos e domina as tentações. Finalmente, chega à conclusão de sua pesquisa com a alma enriquecida e a consciência expandida. Quando, pela primeira vez, Parsifal aparece em cena, é puro e sem malícia, e surpreendentemente inocente. Deseja ser de alguma utilidade no Castelo de Graal, porém, antes de fazer isto, tem que enfrentar as realidades da vida e do mundo com seus perigos, porque tem que aprender a discernir. Este é o único meio de nos demonstrar onde somos débeis.

Parsifal, em sua inocência, passa através de seus encontros com as donzelas astutas e a tentadora Kundry sem se prejudicar. Em seu doloroso encontro com ela, obtém novo conhecimento que resulta em uma maior consciência. Ele viaja através de todo o mundo, encontra sofrimentos e fadigas e, agora, quando chega de novo ao Castelo do Graal, está em condições de ajudar e seus esforços são aceitos prazerosamente, porque conseguiu se dominar.

Ele diz a seus amigos: “Vim através do erro e do sofrimento, através de muitos fracassos e incontáveis angústias”. Isto deveria dar a todos aqueles que procuram conseguir fazer o trabalho do mundo, e a todos aqueles desejosos de aprender, novo alento e a segurança de que nada se perde, e se ganha com o esforço sincero.

A essência de nossas experiências, vida após vida, se acumula e não se perde. O amor e o entendimento adquiridos farão nossa jornada, para o alto, mais feliz e mais proveitosa a todo aquele que tentar.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). É necessária uma compreensão da natureza da música para apreciar devidamente esta obra-prima que é Parsifal, de Richard Wagner, onde a música e os personagens estão interligados como em nenhuma outra produção musical moderna.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Caminho Iniciático e a Lemniscata

Para melhor compreender o que é a Iniciação e quais seus requisitos preliminares fixe o leitor, antes de tudo, e com toda a firmeza em sua Mente, que, na totalidade, a Humanidade progride lentamente no Caminho de Evolução – desde o Período de Saturno até o Período de Vulcano, Período por Período, Globo por Globo, Revolução por Revolução. Só lenta e quase imperceptivelmente consegue estados mais elevados de níveis de consciência. O Caminho de Evolução, examinado sob os aspectos espiritual e físico, é uma espiral.

Na figura que chamamos lemniscata, há dois círculos que convergem para um ponto central. Os círculos podem servir para simbolizar nós, o Espírito imortal, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui como Tríplice Espírito). Um dos círculos representa a nossa vida terrestre no Mundo Físico, desde o nascimento até a morte aqui, e o outro, nossa vida celeste nos Mundos invisíveis (à visão física), desde a morte aqui até ao renascer aqui.

Enquanto permanecemos nesse mundo, nós, o Ego, semeamos uma semente em cada ato, obra ou ação, dele colhendo certa quantidade de experiência. Contudo, assim como se pode semear sem haver colheita, porque as sementes foram atiradas em terrenos pedregosos, entre espinhos, assim também a semente da oportunidade, por negligência no cultivo do terreno, pode ser perdida e, então, a vida será estéril, sem fruto, como nos revela a Parábola do Semeador [1]. Ao contrário, assim como a qualidade e o cuidado no cultivo aumentam, enormemente, o poder produtivo das sementes, uma aplicação cuidadosa no negócio da vida – a melhora de oportunidades para aprender as suas lições é extrair de nosso meio as experiências que contém – nos traz mais oportunidades. Ao terminar uma existência terrestre, nós, nas portas da morte, nos encontramos carregados dos mais ricos frutos da vida terrestre.

Terminado o trabalho objetivo da existência, começamos o trabalho subjetivo da assimilação. Esta obra se efetua, durante a nossa permanência nos Mundos invisíveis – mais uma vida celeste –, período que decorre desde a morte aqui até ao renascimento aqui, simbolizado pelo segundo anel da lemniscata. Quando chegamos ao ponto central da lemniscata, que divide o Mundo Físico dos Mundos invisíveis, chamamos a porta do nascimento, ou da morte, entra (ou sai) numa outra esfera, em relação a nós. Fazemo-lo com um conjunto de faculdades e talentos, adquiridos em vidas anteriores, que usamos, ou descuidamos, em novo dia de vida, segundo nossa própria escolha. Do uso que fizermos das nossas oportunidades depende o nosso crescimento da alma.

Se, durante muitas vidas gratificamos, principalmente, a nossa natureza inferior (“Eu inferior”), vivendo para comer, beber e nos divertir, ou deixamos que nossos ideais espirituais se esfumassem em sonhos e especulações metafísicas, acerca da natureza de Deus, nos abstendo, negligentemente, de toda ação necessária, gradualmente seremos deixados para trás, pelos mais ativos e progressistas: nos tornamos um “atrasado” no Caminho de Evolução. Grandes agrupamentos destes “preguiçosos” formam as chamados “seres humanos atrasados”, enquanto os ativos, desembaraçados e despertos espiritualmente, que se ocupam em adquirir uma porcentagem maior de oportunidades, são os “precursores”.

Ao contrário da ideia geralmente aceita, isto se aplica, igualmente, àqueles que estão empenhados em trabalhar aqui, por meio de ações, obras e atos, que visam auxiliar as pessoas ao seu lado, bem como cumprir o que a própria pessoa escolheu quando estava no Terceiro Céu, no início de mais um renascimento aqui. Para esses irmãos e essas irmãs a maneira de ganhar os recursos financeiros necessários para se viver aqui é, somente, um incidente, um incentivo, inteiramente a parte dessa fase. O trabalho deles pode ser tão espiritual ou, talvez mais, do que o daqueles que só passam o tempo aqui em preces, com prejuízo de um trabalho útil por meio de ações, obras e atos. Do que dissemos, se torna claro que o método de desenvolvimento da alma, levado a efeito por esse Esquema de Evolução, requer ação, ato e obra na vida física, seguida, na vida post-mortem, por um estado de assimilação, durante o qual as lições da vida são extraídas e cuidadosamente incorporadas a nossa consciência, embora as experiências, em si, sejam esquecidas.

Este processo, excessivamente lento, acomoda-se, perfeitamente, as necessidades da imensa maioria das pessoas. No entanto, alguns esgotam, rapidamente, as experiências comumente dadas e requerem um campo mais extenso, para aplicar suas energias. A diferença de temperamento é a causa de uma divisão em duas classes.

Uma dessas classes, conduzida por sua devoção a Cristo, segue, simplesmente, os ditados do Coração, em sua tarefa de amor por seus irmãos e por suas irmãs. Belos caracteres, faróis de amor num mundo sofredor, estão sempre prontos a esquecer sua própria conveniência, para ajudar aos outros.

Na outra classe, a Mente é o fator predominante. A fim de ajudar os irmãos e as irmãs em seus esforços para alcançar sabedoria, as Escolas de Mistérios – ou Escolas de Iniciação – foram criadas. Nelas foi representado o drama do mundo, para dar as almas aspirantes, enquanto se achavam enlevadas, respostas às perguntas acerca da origem e do destino da Humanidade.

Ao despertar, tais irmãos e irmãs eram instruídos na Ciência sagrada de ascender mais, por meio do método da Natureza – que é Deus em manifestação – semeando a semente da ação, meditando acerca da experiência e assimilando a moral essencial para obter o devido crescimento anímico, o seu crescimento da alma.

Também, havia esta circunstância importante: enquanto, no curso normal das coisas se gasta uma vida inteira em semear e uma existência post-mortem na reflexão e incorporação da substância anímica, em um ciclo de, aproximadamente, mil anos pode ser consideravelmente reduzido.

Seja qual for o trabalho executado durante um dia simples, reflita-se sobre ele, à noite, antes de cruzar o ponto neutro entre o estado de vigília e o adormecer. Esta experiência pode, deste modo, ser incorporado na nossa consciência, como Poder Anímico. E o melhor modo de fazer isso é por meio da prática do Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção.

Lembremo-nos que esse Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é o mais eficiente dos métodos existentes para fazer o Aspirante à vida superior avançar no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Seu efeito tem tal alcance que permite ao Estudante Rosacruz ativo aprender agora não apenas as lições dessa vida, mas também lições que normalmente lhe estariam reservadas para existências futuras.

Como se pratica esse Exercício Esotérico Rosacruz (que faz parte do Treinamento Esotérico de todo Estudante Rosacruz ATIVO)?

“Após deitar-se à noite, o Aspirante à vida superior relaxa o Corpo Denso e começa a recordar os acontecimentos do dia na ordem inversa, partindo dos da noite, em seguida os da tarde, e depois os da manhã.

Deve esforçar-se para “rever” cada cena com a máxima fidelidade e procurar reproduzir ante seus olhos mentais tudo o que aconteceu em cada uma delas, a fim de poder julgar seus atos e certificar-se de que suas palavras transmitiram o sentido desejado ou deram uma impressão falsa, como também se exagerou ou foi omisso ao relatar experiências a outrem.

Deve examinar sua atitude moral relativa a cada cena. E quanto aos alimentos, verificar se “comeu para viver” ou “viveu para comer”, para gratificar o paladar.

Durante todo o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, o Aspirante à vida superior vai julgando a si mesmo, censurando-se onde couber reprovação e elogiando-se onde couber o louvor.

Lembremo-nos: não é um exercício de memória! O que deve ser utilizado são os eventos que deixaram os maiores impactos (sejam simples ou não!) no Aspirante à vida superior: focando no efeito que gerou e depois na causa principal que gerou tal efeito. Se foi considerado bom pelo Aspirante à vida superior esse deve ser grato e reforçar sua decisão de repeti-lo sempre que houver ocasião. Se for considerado ruim ou “mal” pelo Aspirante à vida superior, ele deve se arrepender profunda e sinceramente e se comprometer a se reformar intimamente, se esforçando ao máximo para não o repetir quando houver ocasião.

Assim, quando se pratica, sinceramente, este Exercício Esotérico Rosacruz, revisando os pecados cometidos durante o dia, são eles eliminados, automaticamente, e começamos, em cada dia, uma nova vida, com a vantagem de ter aumentado o nosso Poder Anímico, extraído das experiências da vida aqui. Ao abandonarmos o nosso Corpo Denso – ao morrer e irmos ao Purgatório, a visão do nosso passado se desenrola em ordem inversa, para mostrar, primeiramente, os efeitos, e depois, as causas que os produziram. Sentimos, de maneira intensa, a dor que causamos aos demais. Se não executamos o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção de maneira similar, sofrendo cada noite o “inferno” que merecíamos durante o dia, sentindo, agudamente, todos os pesares que havíamos infligido, não nos servirá de nada. Temos que nos esforçar, também, em sentir, com a mesma intensidade, a gratidão pelas atenções recebidas dos outros e a aprovação do bem que proporcionamos, pois o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é maneira similar ao que vivemos no Primeiro Céu.

Somente assim, vivemos, verdadeiramente, a existência post-mortem e avançamos, cientificamente, até a meta da Iniciação. O maior perigo para nós neste ponto é cairmos vítimas do laço do egoísmo. Nossa única salvação é cultivar as faculdades da fé, da devoção e da simpatia universal.

Se ponderamos bem o argumento precedente, teremos compreendido a analogia entre o largo ciclo da evolução e os ciclos curtos, ou passos, utilizados no Caminho de Preparação, que precede o Caminho de Iniciação. Ficará claro para nós que ninguém pode realizar, por outro, este trabalho post-mortem, nem lhe transmitir o desenvolvimento anímico adquirido da mesma maneira; ninguém pode ingerir o alimento físico de outro e lhe transmitir sua resistência e desenvolvimento!

Se não conseguirmos o Poder Anímico requerido para a Iniciação, ninguém poderá nos iniciar. Se o possuímos, estamos no umbral por nossos próprios esforços. Podemos pedir a Iniciação, como um direito. Se não o tivéssemos e quiséssemos comprar, quaisquer valores financeiros que fossem mobilizados seriam insignificantes para pagá-los!

Fixemos bem, em nossas Mentes, que a Iniciação não é uma cerimônia externa, mas, sim, uma experiência interior, na qual somos ensinados a usar o poder que armazenamos por meio de uma vida de pureza e de serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã ao seu lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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[1] O semeador saiu a semear sua semente. Ao semeá-la, uma parte da semente caiu ao longo do caminho, foi pisada e as aves do céu a comeram. 6Outra parte caiu sobre a pedra e, tendo germinado, secou por falta de umidade. 7Outra caiu no meio dos espinhos, e os espinhos, nascendo com ela, abafaram-na. 8Outra parte, finalmente, caiu em terra fértil, germinou e deu fruto ao cêntuplo”. E, dizendo isso, exclamava: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”. (…) 11Eis, pois, o que significa essa parábola: A semente é a palavra de Deus. 12Os que estão ao longo do caminho são os que ouvem, mas depois vem o diabo e arrebata-lhes a Palavra do coração, para que não creiam e não sejam salvos. 13Os que estão sobre a pedra são os que, ao ouvirem, acolhem a Palavra com alegria, mas não têm raízes, pois creem apenas por um momento e na hora da tentação desistem. 14Aquilo que caiu nos espinhos são os que ouviram, mas, caminhando sob o peso dos cuidados, da riqueza e dos prazeres da vida, ficam sufocados e não chegam à maturidade. 15O que está em terra boa são os que, tendo ouvido a Palavra com coração nobre e generoso, conservam-na e produzem fruto pela perseverança. (Mc 4:1-9 e 13 a 20)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Átomos-semente nos Futuros Períodos Mundiais

Investigamos a evolução dos Átomos-semente através dos três Períodos Mundiais involucionários e todo o presente Período Terrestre, até seu final. O que sucederá a esses Átomos-semente nos períodos subsequentes: o Período de Júpiter, o Período de Vênus e o Período de Vulcano?

A primeira Iniciação Maior fornece o estado de consciência que será alcançado, pela Humanidade comum, ao final do Período Terrestre; a segunda Iniciação Maior, o que todos alcançaremos ao final do Período de Júpiter; a terceira Iniciação Maior fornece a extensão de consciência que será alcançada ao final do Período de Vênus; a última Iniciação Maior confere ao Iniciado o poder e a omnisciência que toda a Humanidade alcançará somente ao final do Período de Vulcano.

No final de cada Período, o Corpo que tenha chegado à perfeição, é convertido em suas forças essenciais e agregado ao seguinte veículo superior. Assim é como, no final do Período Terrestre, as forças do Corpo Denso aperfeiçoado serão agregadas ao Corpo Vital, o que tem, então, todos os seus próprios poderes mais os do Corpo Denso. Estes poderes amalgamados serão agregados ao Corpo de Desejos, no final do Período de Vênus e estes, por sua vez, serão agregados à Mente ou, o que já será, Corpo Mental, no final do Período de Vulcano.

Cada Corpo foi nos fornecido como um “germe”, que era também um “pensamento-forma”. São as forças arquetípicas de cada Corpo, elevadas à perfeição, as que são os poderes de cada Átomo-semente que são agregados ao seguinte veículo superior, quando termina esse Grande Dia de Manifestação.

Paralelamente a esse desenvolvimento, observamos o pleno florescimento do Tríplice Espírito e de seus três aspectos: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano (os três juntos constituem o Ego).

Durante a Involução, as Hierarquias Criadoras nos ajudaram a pôr em atividade o Tríplice Espírito, o Ego, a construir o Tríplice Corpo e adquirir o elo da Mente. Agora, no “sétimo dia” (para usar a linguagem da Bíblia), “Deus descansa”. Devemos trabalhar pela nossa própria salvação. Nós, o Tríplice Espírito, devemos completar o trabalho e a execução do Plano de Deus. O Espírito Humano, que foi despertado durante a Involução, no Período Lunar, será o mais proeminente dos três aspectos de nós, o Ego, na evolução do Período de Júpiter, que é o Período correspondente no arco ascendente da espiral. O Espírito de Vida, que foi posto em atividade no Período Solar, manifestará sua principal atividade no correspondente período de Vênus e, as particulares influências do Espírito Divino serão as mais fortes no Período de Vulcano, porque foi vivificado no correspondente Período de Saturno.

Todos os nossos três aspectos são ativos, todo o tempo, durante a Evolução, mas o aspecto espiritual de cada um será desenvolvido nestes Períodos particulares, porque o trabalho a ser feito é seu trabalho especial. Assim como o polo negativo do Tríplice Espírito era o que estava ativo durante Involução, agora é o polo positivo o que está ativo durante a Evolução, à medida que nós, o Ego, ascendemos à Divindade, saindo da materialidade.

A Tríplice Alma é também, durante este tempo que nós, o Ego, estamos evolucionando e saindo da matéria, assimilada pelo Tríplice Espírito.

Quando o Corpo Denso for plenamente aperfeiçoado e suas forças agregadas ao Corpo Vital, a “Alma Consciente” será assimilada pelo Espírito Humano. Isto não é instantâneo. Dura por todo o ciclo do “Dia” de Júpiter e é apenas na sétima Revolução do Período de Júpiter, quando a Alma Consciente é, assim, assimilada pelo seu progenitor, o Espirito Divino.

Sob a Lei de Analogia e a causa de que a evolução se acelere à medida que se aproxima o final, a Alma Intelectual é assimilada pelo Espírito de Vida, na sexta Revolução do Período de Vênus. A Alma Intelectual é a essência do Corpo Vital e sua assimilação pelo Espírito de Vida requer todas as seis revoluções do Período de Vênus.

Finalmente, na quinta Revolução do último Período, o de Vulcano, em que o então Corpo Mental será aperfeiçoado, a Alma Emocional será assimilada pelo Espírito Humano, na Região do Pensamento Abstrato.

Esta assimilação da essência do Corpo de Desejos nutre o terceiro aspecto do Tríplice Espírito, conduzindo-o até a perfeição e, o processo de assimilação requer todos as primeiras cinco Revoluções do Período de Vulcano.

Restam duas Revoluções mais, deste Período, nas quais nós, o Ego, assimilaremos, na Mente, todos os poderes do Tríplice Corpo e, as essências anímicas também serão completamente assimiladas ao Tríplice Espírito. Conforme cada Globo Mundial se dissolve no caos, o aspecto do Espírito correspondente a esse Globo é atraído pelo mais elevado dos três aspectos, o Espírito Divino.

No final do Período de Júpiter, o Espírito Humano será absorvido pelo Espírito Divino. No final do Período de Vênus, o Espírito de Vida será absorvido pelo Espírito Divino. E, ao final do Período de Vulcano, o Corpo Mental aperfeiçoado, incorporando todas as maravilhosas glórias assimiladas durante os passados sete Dias Mundiais, será absorvida pelo Espírito Divino.

Note que não existe contradição entre estas e outras afirmações que dizem a Alma Emocional será absorvida pelo Espírito Humano, na quinta Revolução do Período de Vulcano, porque o último estará, então, dentro do Espírito Divino.

Depois disto, vem o grande intervalo de atividade subjetiva, durante o qual nós, o Ego, que agora temos absorvido em nós mesmo todos os três aspectos, ou poderes e todos os frutos da evolução se fundirão em Deus, de Quem viemos, para reemergirmos na aurora de outro Grande Dia, como um de Seus gloriosos colaboradores.

Durante nossa passada evolução, nossas possibilidades latentes têm sido transmutadas em poderes dinâmicos. Temos adquirido o Poder Anímico e uma Mente Criadora, como fruto da nossa peregrinação através da matéria.

Temos avançado da impotência à Onipotência, da inconsciência à Onisciência.

Isto é, quando reemergirmos da união com a Divindade, apareceremos como um deus-auxiliar, capaz de projetar no espaço, na Substância Raiz Cósmica, os Átomos-semente, as ideias germinais e suas forças arquetípicas e pensamentos-forma, pertencentes a um novo Esquema de Evolução, como membro de uma Celestial Hierarquia, como a que nos ajudou em nossa própria evolução “desde o barro até Deus”.

Assim, do mesmo modo em que as Hierarquias Criadoras são nossos verdadeiros progenitores, cuja “semente” foi o modelo de nossa evolução, nós, por nossa vez, chegaremos a ser os progenitores divinos de novas Ondas de Vida, em novos sistemas evolucionários, quando emergirmos naquela aurora cósmica, sobre as asas do poder e da sabedoria, para ajudar a inaugurar um novo mundo – uma galáxia, um universo – e o fazer flutuar como uma rosa que se abre corrente abaixo nas ondas do espaço.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Se, como você afirma, o Ego reside no sangue, então a prática de transfusão de sangue de uma pessoa saudável para uma pessoa doente não seria perigosa? Isso afeta ou influencia os Egos de alguma forma e, em caso afirmativo, como?

Resposta: Entre as mais recentes descobertas da ciência temos a hemólise – o fato de que a inoculação de sangue das veias de um animal de espécie superior nas de um de espécie inferior destrói o sangue desse último e provoca a sua morte. Assim, o sangue do ser humano injetado nas veias de qualquer animal é fatal. Mas, se descobriu que a transfusão de sangue entre humanos pode se realizar, embora, às vezes, apresente efeitos deletérios.

Antigamente, as pessoas se casavam com membros dentro da família; era visto com horror se alguém “procurasse carne estrangeira”. “Quando os filhos de Deus se casavam com as filhas dos homens[1], ou seja, quando os súditos de um líder se casavam com membros estranhos à tribo, causava grandes problemas; eram rejeitados pelo seu líder e, em seguida, aniquilados, pois naquela época certas qualidades, que agora possuímos, estavam sendo desenvolvidas na Humanidade e, assim, mantidas no sangue comum que devia permanecer puro na família ou pequena tribo. Mais tarde, quando o ser humano passou a viver em condições mais materiais, os casamentos entre as tribos foram instituídos e, daquela época em diante, se tornou igualmente horrível a união matrimonial entre pessoas de uma mesma família.

Os antigos Vikings não permitiam que ninguém se casasse com membros de suas famílias sem que antes passar pela cerimônia da mescla de sangue, a fim de verificar se a entrada do estrangeiro para a sua família não seria prejudicial. Tudo isso porque, em tempos mais antigos, a Humanidade não era tão individualizada como é hoje. Ela estava mais sob o domínio dos Espíritos de Raça ou do Espírito de Família que habitava em seu sangue, da mesma forma que o Espírito-Grupo dos animais habita no sangue dos animais. Mais tarde, os casamentos entre pessoas de diversas tribos ou nações foram instruídos para libertar a Humanidade desse jugo e tornaram cada Ego um indivíduo de fato, o único possuidor do seu próprio Corpo, sem interferência externa.

A ciência descobriu recentemente que o sangue de diferentes pessoas contém cristais diferentes, de forma que agora é possível distinguir, por exemplo, o sangue de uma pessoa com pele mais escura do sangue de uma pessoa com pele mais clara; mas chegará o dia em que eles saberão de uma diferença ainda maior, pois da mesma forma que existe uma diferença nos cristais formados pelas diferentes Raças, existe também uma diferença nos cristais formados por cada indivíduo. Não há duas impressões digitais idênticas, e com o tempo se descobrirá que o sangue de cada ser humano é diferente do sangue de qualquer outro indivíduo. Essa diferença já é evidente para o cientista oculto, e é apenas uma questão de tempo para que a ciência material faça a descoberta, pois as características distintas estão se tornando mais marcantes à medida que o ser humano se torna cada vez menos dependente e cada vez mais autossuficiente.

Essa alteração no sangue é importantíssima e, com o passar do tempo, quando se tornar mais acentuada, produzirá consequências de longo alcance. Diz- se que “a Natureza geometriza”, e a Natureza nada mais é do que o símbolo visível do Deus invisível, cuja descendência e imagem somos (fomos criados à Sua imagem e semelhança). Assim, feitos à Sua semelhança, também começamos a geometrizar e, naturalmente, começamos pela substância onde nós, os espíritos humanos, os Egos, temos o maior poder, ou seja, no nosso sangue.

Quando o sangue flui pelas artérias, que são profundas no Corpo Denso, é um gás; mas a perda de calor perto da superfície do Corpo faz com que ele se condense parcialmente, e nessa substância o Ego está aprendendo a formar cristais minerais. No Período de Júpiter, aprenderemos a revesti-los com uma forma inferior de vitalidade e a destacá-los de nós mesmos como estruturas semelhantes às plantas. No Período de Vênus, seremos capazes de infundir o fator desejo neles e torná-los semelhantes aos animais. Finalmente, no Período de Vulcano forneceremos uma Mente e os governaremos como Espíritos de Raça.

No momento, estamos justamente no início dessa individualização do nosso sangue. Portanto, é possível hoje fazer uma transfusão de sangue de um ser humano para outro, mas o dia em que isso será impossível está próximo. O sangue de determinados seres humanos matará todos aqueles que for de um nível inferior, e o sangue de uma pessoa avançada espiritualmente destruirá quem não for tão avançado espiritualmente. Atualmente, a criança recebe seu suprimento de sangue dos pais, armazenado na Glândula Timo durante os anos da infância. Mas, chegará o momento em que o Ego estará tão individualizado que não poderá funcionar com sangue que não seja gerado por ele próprio. Então, o modo atual de geração terá que ser substituído por outro, através do qual o Ego poderá criar o seu próprio veículo sem o auxílio dos pais.

(Pergunta nº 43 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Gn 6:1-4

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A minha dúvida basicamente é como acontece essa nossa evolução que nos faz avançar, podendo até ser pioneiro, ou nos atrasar, podendo até ser um fracassado, no tempo e no espaço?

Resposta: Isso é possível porque fomos criados com o livre arbítrio desde o início. Ou seja: desde o início temos a prerrogativa de querer ou não querer, exercendo a nossa Vontade. E isso é respeitado por todos os seres (e deveria ser também por nós!). É esse mesmo direito que resulta em querer ou não evoluir. O fato de no comecinho – Período de Saturno – estarmos em um estado de consciência conhecida como transe profundo não nos impede de termos o livre arbítrio, pois, como Espíritos Virginais, estamos sempre conscientes! Todos nós, como Espíritos Virginais, desde o Período de Saturno quando éramos guiados pelos Senhores da Mente, já haviam entre nós Espíritos Virginais da nossa Onda de Vida mais evoluídos que a Humanidade comum hoje. Exemplos: são os Irmãos Maiores e os seres de outros Períodos como: Júpiter, Vênus e Vulcano.

Que as Rosas floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Dois Planos Superiores do Ser Humano

Existem dentro de cada um de nós dois planos elevados: um do Espírito de Vida e outro do Espírito Divino. Cada um desses é composto de material das sete Regiões dos respectivos Mundos: Mundo do Espírito de Vida e Mundo do Espírito Divino. O nosso veículo Espírito de Vida nos proporciona a possibilidade, em um futuro, de vivermos conscientemente no Mundo do Espírito de Vida, o Mundo interplanetário nesse Sistema Solar, o primeiro Mundo de baixo para cima onde cessa toda a separatividade, onde reina a Fraternidade, onde Cristo funciona cotidianamente, pois é o Seu Mundo. Já o nosso veículo Espírito Divino nos proporciona a possibilidade, em um futuro, de vivermos conscientemente no Mundo do Espírito Divino, o Mundo inter-Sistemas Solares, o Mundo pelo qual poderemos viajar de um Sistema Solar para o outro no sétimo Plano Cósmico.

Além desses Mundos onde temos veículos espirituais que compõe o que chamamos de Tríplice Espírito (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano) estão dois planos ainda mais elevados, cada um dividido em sete subdivisões. A mais inferior dessas setenárias é o Mundo dos Espíritos Virginais; o superior, é o Mundo de Deus em Seu estado primordial, indiferenciado, desconhecido e incognoscível. Para nosso presente propósito não nos preocupamos em ir além do plano do Tríplice Espírito, pois, embora os planos superiores estejam latentes em nós, nunca despertaremos para a consciência nesses planos enquanto residirmos no atual Sistema Solar.

Nós, tal como nos encontramos hoje, somos o produto de um duplo processo nesse Esquema de Evolução: o processo de Involução ou o nosso (Espírito) envolvimento do na matéria, das formas arquetípicas à matéria mineral e densa – na Região Química do Mundo Físico; e a Evolução ou o nosso (Espírito) envolvimento através da matéria, de volta à Divindade. Nesse último processo, à medida que avançamos pelos vários planos passando por estágios semelhantes ao mineral, vegetal, animal e humano, absorvemos a essência desses planos, devolvendo assim a matéria a nós, o que é referido pelos cientistas modernos como a conservação da substância e pela Bíblia como a ressurreição do Corpo.

Nesse processo dual há sete estágios ou Períodos de imensa duração, geralmente mencionados como os Sete Dias da Criação. Já passamos por três Períodos completos e estamos na metade do quarto Período, o Período Terrestre. Após esse entraremos no Período de Júpiter, quando nós, tendo extraído a nossa Alma Intelectual do nosso Corpo Vital, nos tornaremos como um “super-ser humano”. Depois passaremos para o Período de Vênus, quando nós, então um “super-ser humano”, depois de extrair a nossa Alma Emocional do nosso Corpo de Desejos, teremos nos tornados como um “semideus”. E, por último, o Período em que a Mente foi totalmente despertada, estaremos prontos durante o sétimo Período, que é chamado de Período de Vulcano, o Período da finalização de todas as coisas, quando nós, como “semideuses”, amalgamando a Tríplice Alma com a Mente, vamos nos tornar “seres humanos-Deus” ou deuses criadores.

O Período Terrestre, no qual estamos vivendo atualmente, é dividido em dois subperíodos, a primeira metade é chamada de Metade de Marte, a parte marciana de guerra e destruição, quando estávamos em nosso estado infantil; a segunda metade, chamada de Metade de Mercúrio, é a parte mercuriana do pensamento, da construção. É nessa última metade do Período Terrestre que estamos agora, a parte da criação, mas no plano da matéria, como visto em muitas invenções úteis, grandes edifícios e cidades e tudo mais que expressa fenômenos construtivos.

Essa análise do ser humano, do início ao fim, é puramente científica e está de acordo com os ensinamentos de todos os livros sagrados, tanto do Oriente como do Ocidente, incluindo a Bíblia Cristã, quando lida de forma correta ou esotérica.

Como Onda de Vida, a Humanidade ainda atingiu apenas o plano da Mente concreta, a razão indutiva. Ela desenvolveu uma consciência de acordo com o plano alcançado. Muitos seguiram em frente e entraram no plano da Mente abstrata ou intuitiva, tendo despertado o Eu superior. Muito poucos foram além desse ponto e despertaram a consciência Crística do Espírito de Vida. Mas, ninguém que “vive na carne” alcançou o período final, o estado de descanso, de essência, de Divindade pura.

Somos “deuses em formação” e a essencial consciência divina ainda está latente em nós. S. João ensina, por meio do terceiro capítulo de sua primeira Epístola, que “Todo aquele que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.” (IJo 3:3). Por um processo de auto purgação, avançamos de plano em plano até que o trabalho de aperfeiçoamento do Espírito seja concluído. E vamos assim, para frente e para cima! Como é maravilhoso ter uma visão disso tudo!

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de março/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Da Tríade Rosacruz: “Para Onde Vamos?”

Atualmente estamos na Era Pisciana, Era de Peixes, segunda Era da Época Ária, que é a quinta Época na metade da quarta Revolução, no globo D, na segunda metade do Período Terrestre, a metade Mercuriana, que é o quarto Período desse Grande Dia de Manifestação, que começou com o Período de Saturno e terminará no Período de Vulcano.

Nosso trabalho daqui para frente será o de dominar o desejo de se manter focado nas coisas relacionadas à Região Química do Mundo Físico, nos satisfazendo exclusivamente com as conquistas materiais na nossa vida terrestre, assim então cultivando a pureza e o altruísmo. Estamos desenvolvendo a nossa Tríplice Alma pela retidão das ações, obras, dos atos, dos sentimentos, desejos, das emoções e dos pensamentos; nossa meta é para frente e para cima!

Nisso muito nos ajuda nossa posição de Aspirante a vida superior, um Estudante Rosacruz ativo. E mais ainda: ter uma Escola como a Fraternidade Rosacruz, ativa na Região Química do Mundo Físico, que tem a missão de transmitir ao Mundo os Mistérios da Ordem Rosacruz – que está na Região Etérica do Mundo Físico – para nos ajudar nessa busca e conquista.

Orientados pelos Irmãos Maiores dessa Ordem, temos a chave dessa realização, como estudamos no Livro Conceito Rosacruz do Cosmos: “o método de realização Rosacruz difere dos outros sistemas num ponto especial: procura, desde o princípio, emancipar o discípulo de toda a dependência dos outros, tornando-o confiante em si, no mais alto grau, de maneira a poder permanecer só em todas as circunstâncias e lutar em todas as condições. Somente aquele que for tão bem equilibrado, pode ajudar ao débil”.

Portanto, não há necessidade de – e nem se deve procurar – guias, gurus, instrutores, ídolos, conselheiros ou qualquer outra coisa que faça a pessoa dependente.

Outro ponto importante para efetivar essa busca é nunca se esquecer de: “Dar de graça aquilo que receba de graça”.

No livro Conceito Rosacruz do Cosmos, também encontramos a seguinte orientação dos Irmãos Maiores: “nenhum Clarividente genuinamente desenvolvido empregará a sua faculdade por dinheiro ou coisa que o valha, nem tampouco para satisfazer a curiosidade, mas só e unicamente para ajudar a Humanidade“.

Por Clarividente aqui, devemos entender aquele que pratica a Cura Rosacruz, que desenvolveu sua capacidade de trabalhar nos Mundos invisíveis, por sua vontade, de modo consciente, portanto de modo positivo, voluntário. Todo esse trabalho de nos capacitar a ter domínio próprio está sendo feito através da ajuda dos Senhores de Mercúrio. Afinal, nessas últimas três Revoluções e meia, do Período Terrestre, Mercúrio agirá para nos libertar dos veículos mais densos, por meio da Iniciação. Sua influência, aos poucos, vai se tornando preponderante, de modo que os povos das Épocas e Revoluções futuras obterão muito mais ajuda dos Mercurianos.

De acordo com o movimento da Terra conhecido como Precessão dos Equinócios, o Sol entrará na constelação aquariana por volta do ano 2.600. Com isso, terá início a Era Aquariana, a Era de Aquário. Devido à “Órbita de Influência” de Aquário sobre o Signo de Peixes (estamos nos últimos graus da Era de Peixes) sentimos as emanações de suas características, através do desenvolvimento da Ciência, da Religião, com o misticismo e altruísmo.

Quando começar a Era Aquariana, teremos uma nova fase do Cristianismo, a Religião do Cordeiro (o que temos hoje, por meio do Cristianismo Popular, não é nem sombra do que é o Cristianismo de fato!). O ideal a ser seguido está indicado no Signo oposto a Aquário, que é Leão, o Leão de Judá.

Assim, se manifestará a terceira fase da Religião Ária, onde nós cultivaremos o afeto, a lealdade, a nobreza e o bom caráter. E que nos farão o “rei da criação”, digno da confiança e do amor dos seres que estão em graus evolutivos abaixo de nós, assim como do amor das Hierarquias Criadoras que estão acima de nós.

Na Era Aquariana teremos uma Ciência religiosa e uma Religião científica. As condições atmosféricas serão alteradas: a umidade do ar diminuirá até desaparecer e, com isso, será formada uma atmosfera seca e etérica. Isso facilitará, enormemente, o desenvolvimento da nossa visão etérica, e viveremos com os seres dessa Região do Mundo Físico.

Portanto, na Era Aquariana desenvolveremos esses poderes espirituais e intelectuais que hoje são latentes, na grande maioria de nós.

Após o término da Época Ária entraremos na Época Nova Galileia, a sexta Época. Nessa, o Cristianismo Esotérico alcançará seu grau superior, ou seja: a Religião Cristã unificadora abrirá nossos corações, o amor será altruísta e a razão aprovará seus ditames.

A Fraternidade Universal será uma realidade e cada um de nós trabalhará para o bem de todos. O egoísmo deixará de existir.

No princípio dessa sexta Época aparecerá mais uma Raça, a última de todas as Raças. Esta última Raça será originada da pureza generativa. Assim, todo o mal provocado pela geração de Corpos por meio da paixão terminará.

A morte será dominada porque a pureza etérica aos Corpos fará desnecessária a sua renovação.

Depois dessa última Raça, desaparecerá todo pensamento ou sentimento de Raça (separativismo). A Humanidade formará uma fraternidade sem qualquer distinção, como havia antes do fim da Época Lemúrica.

A Fraternidade Universal estará sob a direção de Cristo, que terá voltado. Essa Sua segunda vinda inaugurará a idade da paz e do juízo. Quando a simbólica Nova Jerusalém, a cidade da paz (… Jer-u-salém, significa ali haverá paz) reinará sobre todas as nações. Então, haverá a “paz na terra e boa vontade entre os homens”.

O dia e a hora de Sua volta ninguém sabe: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os Anjos do céu, nem o Filho, senão somente o Pai.” (Mt 24:36).

Deus-Pai é capaz de prever a hora em que a separatista Mente egoísta, se submeterá ao altruísmo e unificante espírito do amor. Assim, precisar data é pura especulação.

S. Paulo disse que a segunda vinda de Nosso Senhor, Cristo, se tornará uma realização quando “o Cristo se forme em vós” (Gl 4:19). Ou seja, quando o nosso “Cristo Interno” se formar.

Cristo voltará somente quando a maioria de nós já tiver tecido o traje nupcial – o Corpo-Alma – que é composto dos Éteres superiores do nosso Corpo Vital (Luminoso e Refletor). No Apocalipse (19:7-8) lemos: “Alegremo-nos e exultemos e demos-lhe glória, porque chegaram as bodas do cordeiro e sua esposa está ataviada. E foi-lhe dado o vestir-se de finíssimo linho resplandecente e branco. E esse linho são as virtudes dos santos”.

Assim, o Traje Nupcial é tecido através do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado na divina essência oculta em cada um de nós, e das obras, ações e dos atos executados com justiça e desinteresse próprio enquanto estamos encarnados, aqui, no Mundo Físico, que é o baluarte da evolução!

Cristo não virá em corpo físico ou Corpo Denso. No Evangelho Segundo S. Marcos (13:26) estudamos: “então aparecerá o Filho do Homem vindo das nuvens, com grande poder e glória“. Isso significa que virá em Corpo Vital! Portanto, será completamente impossível para aqueles de nós que não tenham um Corpo devidamente constituído, chamado na Bíblia o “Vestido de Bodas”, poderem viver nessas novas condições.

Cristo estabelecerá a Nova Jerusalém na Terra. No Livro do Apocalipse 21:22, temos as suas características: “Não entrará nela coisa alguma contaminada ou quem cometa abominação ou mentira, mas somente aqueles que estão inscritos no livro da vida do cordeiro. E nela não vi nenhum templo porque o Senhor Deus Onipotente é o seu Templo, assim como o cordeiro. E a cidade não necessita de Sol nem de Lua para iluminar, porque a Glória de Deus a ilumina e sua lâmpada é o cordeiro”.

A Árvore da Vida estará na Nova Jerusalém e: “Enxugará toda lágrima de seus olhos e não haverá mais morte, nem luto, nem grito, nem dor” (Apo 21:4).

Após essa Época, teremos a sétima e última Época.

O Iniciado que recebeu a primeira Iniciação Maior – ou seja, um Adepto – vive, agora, como viveremos no final do Período Terrestre.

Após o término do Período Terrestre, entraremos no Período de Júpiter. Seremos de um tipo mais puro. Entretanto, haverá entre nós aqueles que são completamente bons e aqueles completamente maus. Mas, para esses últimos, as próprias maldades o consumirão.

Haverá um quinto Elemento (além do Fogo, da Água, do Ar e da Terra) e será esse Elemento que nos ajudará quando quisermos falar algo: as palavras levarão consigo o verdadeiro significado. Quando se disser “vermelho” será apresentado à visão interna uma reprodução exata e clara do tom particular do vermelho que está pensando, e outra pessoa também verá essa reprodução. Não teremos mais enganos nem mal-entendidos!

O Corpo Vital alcançará a perfeição. As forças do Corpo Denso se ajuntarão ao Corpo Vital. E viveremos emCorpo Vital. Seremos criadores insuflando vida na Onda de Vida que, atualmente, são os minerais.

O Iniciado que recebeu a segunda Iniciação Maior – ou seja, um Adepto – vive, agora, como viveremos no Período de Júpiter.

O próximo Período é o de Vênus. Nesse Período o Corpo de Desejos alcançará a perfeição. As forças dos Corpos Denso eVital serão absorvidas no Corpo de Desejos. Nós empregaremos a própria força para dar vida a nossas imaginações e as exteriorizaremos como objetos.

O Iniciado que já recebeu a terceira Iniciação Maior – ou seja, um Adepto – vive, hoje, nas condições do Período de Vênus.

Após o término do Período de Vênus entraremos no Período de Vulcano. A Mente alcançará a perfeição. E a essência dos três Corpos será incorporada a ela. Teremos a mais elevada consciência espiritual criadora. Seremos capazes de propagar-nos e criar formas vivas, móveis e pensantes.

Após esse último Período, absorveremos todos os frutos dos sete Períodos.

Passando esse momento, submergiremos em Deus, de quem viemos, para que, no alvorecer de outro Dia de Manifestação, reemergirmos como seus gloriosos colaboradores!

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Quem é Cristo, dentre as Ondas de Vida que conhecemos?

A primeira coisa que devemos deixar bem esclarecida é a identidade de Cristo, conforme ensina os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental. De acordo com o Diagrama “Os sete dias da Criação” no Capítulo XIV do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, passamos por um intervalo involutivo que abrange os Períodos de Saturno, Solar e Lunar até a metade do Período Terrestre. Nessa peregrinação pela matéria, adquirimos os Corpos e veículos que agora possuímos, bem como foram despertados nossos três veículos espirituais, o que nos tornou um ser com uma constituição sétupla e prontos para nos desenvolver em um ser com constituição decupla.

Durante o Período de Saturno, quando éramos “semelhantes” ao que hoje são os seres do Reino mineral, alguns seres passaram pelo seu estágio “Humanidade”, como nós o estamos passando atualmente, mas pertenciam a uma Onda de Vida de evolução diferente: os chamados Senhores da Mente. O mais elevado Iniciado daquela longínquo Período de Saturno é um ser da Onda de Vida dos Senhores da Mente que conseguiu aprender tudo no Período de Saturno que um Senhor da Mente teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um ser Senhor da Mente, um veículo constituído de materiais das 5 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Vontade”, constituindo o ser Deus-Pai, ou simplesmente: Pai.

O mais elevado Iniciado do Período Solar, quando estavam passando pelo seu estágio “Humanidade” aqueles seres que agora são os Arcanjos, é um Arcanjo chamado de Cristo que conseguiu aprender tudo no Período Solar que um Arcanjo teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um Arcanjo, um veículo constituído de materiais das 4 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Sabedoria”, constituindo o ser Deus-Filho, ou simplesmente: Cristo.

O mais elevado Iniciado do Período Lunar, quando estavam passando pelo seu estágio “Humanidade” aqueles seres que agora são os Anjos, é um Anjo chamado de Jeová que conseguiu aprender tudo no Período Lunar que um Anjo teria que aprender até o Período de Vulcano. Por esse mérito, conseguiu construir, além dos veículos próprios de um Anjo, um veículo constituído de materiais das 2 Regiões do Mundo de Deus. E, assim, obteve a função de exercer a primeira dos três aspectos divinos: “Atividade”, constituindo o ser Deus-Espírito Santo, ou simplesmente: Jeová.

Temos aqui os estados dos três grandes Seres que, como líderes da evolução, são os mais ativos. Os Arcanjos não podem descer até a matéria física, porque não sabem construir nem um Corpo Vital e nem um Corpo Denso. Não pode descer aquém do Mundo do Desejo. Portanto, seu veículo inferior é o Corpo de Desejos, e como é uma lei cósmica ser impossível a um ser, criar um veículo que não tenha aprendido a construir durante a sua evolução, seria impossível para Cristo nascer em um Corpo Denso. Também não podia formar um veículo como o Corpo Vital, constituído de Éter. Não possuía a capacidade para agir nesta última substância, porque nunca a adquiriu em Sua evolução.

Assim para que Cristo nascesse como “um homem dentre os homens” os veículos necessários de Jesus, um ser humano pertencente à nossa Onda de Vida, um dos seres humanos mais elevados espiritualmente – um elevado Iniciado – um homem nascido de um pai e de uma mãe, ambos também elevados Iniciados, que praticaram a Imaculada Conceição sem paixão, cedeu voluntariamente, no momento do Batismo, o seu Corpo Denso e Corpo Vital ao Espírito Solar, o Arcanjo Cristo, que então conseguiu funcionar com um ser no Mundo Físico, conseguindo implementar  no mundo material o início do Plano de Salvação e se converteu em mediador entre “Deus e o ser humano” pois é único que possui todos os veículos necessários para atuar como tal. Cristo-Jesus é, por conseguinte, absolutamente único, e a Bíblia nos ensina que não há “e em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos[1], sendo este o único Credo Cristão autorizado.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: At 4:12

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: O que é, de fato, o Reino dos Céus?

Resposta: Comecemos relatando as Parábolas que descrevem o Reino dos Céus:

3E disse-lhes muitas coisas em parábolas: 4 ‘Eis que o semeador saiu para semear. E ao semear, uma parte da semente caiu à beira do caminho e as aves vieram e a comeram. 5Outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra. Logo brotou, porque a terra era pouco profunda. 6Mas, ao surgir o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou. 7Outra ainda caiu entre os espinhos. Os espinhos cresceram e a abafaram. 8Outra parte, finalmente, caiu em terra boa e produziu fruto, uma cem, outra sessenta e outra trinta’.” (Mt 13:3-8).

24Propôs-lhes outra parábola: ‘O Reino dos Céus é semelhante a um ser humano que semeou boa semente no seu campo. 25Enquanto todos dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e foi-se embora. 26Quando o trigo cresceu e começou a granar, apareceu também o joio, 27Os servos do proprietário foram procurá-lo e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Como então está cheio de joio?’ 28Ao que este respondeu: ‘Um inimigo é que fez isso’. Os servos perguntaram-lhe: ‘Queres, então, que vamos arrancá-lo?’ 29Ele respondeu: ‘Não, para não acontecer que, ao arrancar o joio, com ele arranqueis também o trigo. 30Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ‘Arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para ser queimado; quanto ao trigo, recolhei-o no meu celeiro.’” (Mt 13:24-30).

31Propôs-lhes outra parábola, dizendo: ‘O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda que um ser humano tomou e semeou no seu campo. 32Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce é a maior das hortaliças e torna-se árvore, a tal ponto que as aves do céu se abrigam nos seus ramos.’” (Mt 13:31-32).

33Contou-lhes outra parábola: ‘O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e pôs em três medidas de farinha, até que tudo ficasse fermentado’.” (Mt 13:33).

44O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido no campo; um ser humano o acha e torna a esconder e, na sua alegria, vai, vende tudo o que possui e compra aquele campo.” (Mt 13:44).

45O Reino dos Céus é ainda semelhante a um negociante que anda em busca de pérolas finas. 46Ao achar uma pérola de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra.” (Mt 13:45-46).

47O Reino dos Céus é ainda semelhante a uma rede lançada ao mar, que apanha de tudo. 48Quando está cheia, puxam-na para a praia e, sentados, juntam o que é bom em vasilhas, mas o que não presta, deitam fora. 49Assim será no fim do mundo: virão os anjos e separarão os maus dentre os justos 50e os lançarão na fornalha ardente. Ali haverá choro e ranger de dentes. 51Entendestes todas essas coisas? Responderam-lhe: ‘Sim’.” (Mt 13:47-51).

52Então lhes disse: ‘Por isso, todo escriba que se tornou discípulo do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que do seu tesouro tira coisas, novas e velhas’.” (Mt 13:52).

Há sete interpretações para cada parábola bíblica; cada uma em nível mais profundo do que a outra. Estamos familiarizados com as explicações exotéricas aprendidas durante a infância; isso que propomos delinear, encontra-se em segundo plano, pois o primeiro véu foi levantado por meio do estudo do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.

O Reino dos Céus não deve ser confundido com o Reino de Deus, o qual é uma esfera completamente diferente. A chave das parábolas nesse capítulo do Evangelho Segundo S. Mateus encontra-se no último versículo citado – algumas são velhas, outras novas, algumas são passadas, outras ainda virão. Os outros Evangelhos dão somente as primeiras quatro. Talvez esse capítulo constitua um símbolo completo.

A primeira parábola refere-se ao semeador, Deus, que semeia a semente de uma nova colheita, ou seja, uma nova onda de vida cujo sinônimo é a primeira ou Período de Saturno em que os Espíritos Virginais representados pela Humanidade atual, foram diferenciados ou “plantados”.

A segunda parábola que historia o fato de que o semeador encontrou joio em seu campo, deixando-o crescer com receio de que os grãos bons pudessem ser destruídos, é uma descrição do Período Solar, quando houve tanto a luz como a treva. Há uma antiga tradição oculta segundo a qual alguns desses líderes originais dessa Onda de Vida recusaram-se a descer à matéria, retardando a nossa evolução. Esse é o primeiro registro de egoísmo ou joio entrando em nossa onda de vida.

A terceira parábola, a do grão de mostarda, a menor semente, corresponde ao Período Lunar, ocasião em que o germe do Corpo de Desejos foi dado à Humanidade infante, relacionando-se também com o seu rápido crescimento. A mostarda é um condimento que excita nosso Corpo de Desejos.

A quarta parábola, do pouco de fermento que leveda três medidas de farinha, descreve o nosso próprio Período Terrestre. No Antigo Testamento todos os pães não eram levedados porque Jeová queria manter o povo passivo, de modo que pudesse ser mais facilmente conduzido. Porém ao cruzarmos o nadir da materialidade e com a vinda do Espírito de Cristo e consequente difusão de um amor altruísta, encontramos uma nova ordem.

“No peito de cada ser humano essa força do altruísmo opera como o fermento. É a transformação do selvagem do ser humano civilizado, que no devido tempo transformar-se-á num Deus” (do Livro: Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz).

A quinta parábola, aquela do tesouro escondido, reflete antecipadamente o Período seguinte da evolução da Humanidade e da Terra, o Período de Júpiter. Nesse tempo futuro “guiaremos a evolução do Reino Vegetal, porque o mineral atual ver-se-á num estado análogo ao que o vegetal hoje se encontra. O nosso trabalho será idêntico ao que os Anjos atualmente executam em relação ao Reino Vegetal. Quanto à nossa faculdade – a Imaginação – estará tão desenvolvidaque teremos não somente a habilidade de criar formas por meio dela, mas também de vitalizá-las. “Assim para nós os tesouros do Reino dos Céus no Período de Júpiter estarão ocultos num campo”, não na terra ou num animal. Devemos envidar todas as nossas energias para adquirir e desenvolver esse tesouro.

A sexta parábola, aquela da “pérola de alto valor” assinala o Período de Vênus, quanto então as nossas formas minerais atuais, encontrar-se-ão no estágio animal. A pérola é somente uma gema feita por criaturas viventes. Max Heindel diz em relação ao ser humano no Período de Vênus: “No final do Período de Vênus ele estará apto a usar a sua própria força para dar vida aos seus quadros (de cores, objetos e tons) e colocá-los fora de si como formas no espaço”. Podemos certamente concordar que o ser humano tudo dará para obter essa faculdade.

A sétima parábola que se refere às redes e a divisão de seus conteúdos pelos Anjos, trata-se de uma referência ao último dos Períodos – o Período de Vulcano – quando então o Espírito Divino estará mais forte, porque o seu desenvolvimento iniciou-se no primeiro Período de Saturno. Nesse tempo os joios serão removidos do trigo e por isso estaremos todos aptos a um repouso cósmico. “24 A seguir haverá o fim, quando ele entregar o Reino a Deus Pai, depois de ter destruído todo Principado, toda Autoridade, todo Poder.” (ICor 15:24).

O que foi descrito é meramente um esboço. As verdades antigas e tradicionais de todos os Ensinamentos Rosacruzes estão incorporadas em nossas Sagradas Escrituras. Ao crescermos em Sabedoria e Graça elas se tornarão viventes para nós.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1971-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Sei que o Ego sobrevive à morte da Personalidade, porém, ele é imortal? No Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz consta o seguinte: “Na sétima Revolução do Período Lunar os Senhores da Chama voltaram a ajudar o ser humano, cooperando com os Senhores da Individualidade para vincular o Espírito Humano ao Espírito Divino. Dessa forma o Ego separado – o Tríplice Espírito – veio à existência.”. Se o Ego veio à existência tão recentemente, ele teve um começo, e como tudo aquilo que teve um princípio deve ter um fim, então ele não é imortal. Se o Ego é um Tríplice Espírito, o que vem a ser então o Espírito Virginal que o absorverá no fim do Período de Vulcano?

Resposta: Para entendermos isso, vamos relembrar o significado da palavra Ego na Filosofia Rosacruz. No mesmo livro Conceito Rosacruz do Cosmos, citado acima, estudamos os seguintes trechos:

“Antes do princípio do Período de Saturno, os Espíritos Virginais, atualmente seres humanos, estavam no Mundo dos Espíritos Virginais. Eram ‘Todo-Conscientes’ como Deus, em Quem (não de Quem), se diferenciavam. Contudo não eram autoconscientes. A aquisição dessa faculdade é, em parte, o objetivo da evolução, que submerge os Espíritos Virginais num oceano de matéria de crescente densidade, o que os priva por fim da consciência do Todo.”.

“Dessa maneira, no Período de Saturno os Espíritos Virginais foram submersos no Mundo do Espírito Divino e encerrados em tênue envoltura da substância desse Mundo, no qual penetraram parcialmente por meio da ajuda dos Senhores da Chama. No Período Solar os Espíritos Virginais foram submersos no Mundo do Espírito de Vida, ainda mais denso, ficando assim mais cegos para a consciência do Todo, envolvidos, como estavam, por um segundo véu da substância desse Mundo. E nesse segundo véu penetraram parcialmente ainda com a ajuda dos Querubins. O sentimento de Unidade com o Todo também não foi perdido porque o Mundo do Espírito de Vida é um Mundo universal, interpenetrando e sendo comum a todos os Astros de um Sistema Solar. No Período Lunar, porém, os Espíritos Virginais se aprofundando mais em matéria ainda mais densa, entraram na Região do Pensamento Abstrato, onde se lhes agregou o mais opaco dos seus véus, o Espírito Humano. Daí em diante o Espírito Virginal perdeu a consciência do Todo.”.

“E assim o Espírito Virginal se viu encerrado num Tríplice véu, sendo o véu externo, o Espírito Humano, o que efetivamente o cegou a unidade da Vida, convertendo-o em um Ego e mantendo a ilusão de separatividade adquirida durante a Involução. A Evolução dissolverá gradualmente essa ilusão, trazendo de volta a consciência do todo, enriquecida pela consciência de si mesmo.”.

Ante o exposto, concluímos que o termo Ego designa certa fase do desenvolvimento do Espírito Virginal, indicando a fase de despertamento dos seus três aspectos e dos véus de substância dos Mundos do Espírito Divino, do Espírito de Vida e da Região do Pensamento Abstrato (veículos: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, respectivamente). A última substância mencionada é de natureza separatista, obscurecendo a visão do Espírito Virginal, embora isso não altere sua condição de imortalidade. Com o tempo essa ilusão de separatividade desaparecerá, e o Tríplice Espírito readquirirá a consciência global, acrescendo-se ainda a autoconsciência. Por conseguinte, o Ego é imortal. Não podemos adotar o termo Ego corretamente, sem incluir nele o Espírito Virginal como causa essencial interna. Usamos o mencionado termo para indicar o Tríplice Espírito mais o resultado da Involução.

Com referência à última pergunta, afirmamos ser o Espírito Virginal inerentemente Tríplice. Foi criado à imagem e semelhança de Deus, possuindo implicitamente os princípios da Vontade, Sabedoria e Atividade, para os quais correspondem as designações Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, respectivamente. Esses princípios ou aspectos do Espírito foram despertados em determinados Períodos durante a jornada involutiva (primeira parte desse Esquema de Evolução), dando origem aos respectivos veículos ou Corpos, por meio das experiências adquiridas através desses veículos, desenvolve-se a Tríplice Alma que será absorvida pelo Tríplice Espírito. Além disso, o Espírito Divino absorverá o Espírito Humano ao final do Período de Júpiter; o Espírito de Vida ao final do Período de Vênus e a Mente ao final do Período de Vulcano. Afirmar-se que o Espírito Virginal será absorvido pelos Espíritos Divino, de Vida e Humano não é de todo correto. O Espírito Divino, um dos aspectos do Tríplice Espírito, absorverá os outros dois aspectos, porém os três estarão em íntima relação, uns com os outros. Não poderíamos afirmar que o Espírito Virginal absorveria os Espíritos Divino, de Vida e Humano, porque nesse caso ele absorveria a si mesmo.

Assim, o Espírito Virginal, que deverá absorver a Tríplice Alma e a Mente ao final do Período de Vulcano, é essencialmente o mesmo que iniciou a peregrinação no Período de Saturno, e adquirirá Poder Anímico e a Mente Criadora como fruto de sua peregrinação através da matéria. Avançará da impotência à onipotência, da inconsciência à omnisciência.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz janeiro/1968 – Fraternidade Rosacruz-SP)

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