Segundo o dito popular, “o coração tem razões que a própria razão desconhece” (do filósofo e matemático francês Blaise Pascal). Essa expressão encontra sua origem no fato de algumas pessoas agirem intuitivamente, de maneira até a contrariar as diretrizes do raciocínio lógico. Essa maneira pouco convencional de tomar decisões ou reagir a determinadas circunstâncias causa perplexidade e estranheza a muitos.
De um modo geral, somos condicionados, desde tenra idade, a viver consoante regras de um raciocínio linear. Quando alguém foge a esse padrão de conduta, não raro recebe a pecha de excêntrico, quando não de paranormal.
A luz dos Ensinamentos Rosacruzes encontramos explicações para esse aparente “fenômeno”. Em primeiro lugar é necessário analisar esses chamados “impulsos intuitivos”, verificando qual a sua natureza. Nem tudo é intuição. Muitas vezes trata-se de meros impulsos emocionais ou baixo psiquismo, com resultados até funestos. Porém, todo ato motivado por “intuição pura” raramente deixa de produzir resultados benéficos.
A intuição é uma faculdade latente em todos nós, entretanto, manifesta em poucos. Sua expressão, em maior escala, será uma das características da Era de Aquário. Vejamos, agora, qual a relação entre o coração e certas manifestações intuitivas. O sangue, ao passar pelo coração, ciclo após ciclo, durante a vida, grava todas as imagens no Átomo-semente do Corpo Denso. Elabora um arquivo fidelíssimo, que na existência após a morte se imprimirá indelevelmente no Átomo-semente do Corpo de Desejos, base para a nossa estada no Purgatório e Primeiro Céu. O coração encontra-se em estreito e permanente contato com o Espírito de Vida, o Espírito do Amor, fonte do sentimento de unidade. Dessa forma torna-se o centro do amor altruísta, o amor Crístico.
Depois das imagens passarem ao Mundo do Espírito de Vida, no qual se encontra a verdadeira Memória da Natureza, não retornam através dos lentos sentidos físicos, mas por meio do quarto Éter, o Éter Refletor, contido no ar que respiramos.
O Espírito de Vida percebe muito mais nitidamente no seu Mundo do que nos planos mais densos da Natureza. Na elevada região, que lhe é própria, vive em íntima relação com a Sabedoria Cósmica. Isto lhe faculta, em qualquer circunstância, sabendo de imediato o que há de fazer, a enviar mensagens de orientação e iniciativa ao coração. Este logo a retransmite ao cérebro, por meio do nervo pneumogástrico ou nervo vago. As chamadas “primeiras impressões” formam-se dessa maneira. Nada mais são que impulsos intuitivos emanados diretamente da fonte da Sabedoria e do Amor Cósmico.
É um processo rapidíssimo. O coração o elabora antes da razão poder considerar a situação. Não sendo assim, predominará o raciocínio lógico, válido até certo ponto, porquanto suas limitações esbarram no transcendente.
Quando a nossa Mente esgota seus recursos para resolver determinado problema só restará uma saída: a intuição. E mesmo assim, poucos se tornaram sensíveis ao seu processo.
Embora não se constituindo em regra geral é válido afirmar que nas pessoas mais devotas as mensagens intuitivas se fazem mais presentes. Eis uma das razões por que o Método Rosacruz de Desenvolvimento Espiritual Cristão Esotérico procura estabelecer um equilíbrio entre razão e coração, intelecto e devoção, oculto e místico.
O que o ser humano pensa em seu coração é certo (Pb 23:2), porque assim ele é. Não é raro ouvirmos esta expressão: “as pessoas espiritualizadas têm um coração inteligente”. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que se pudéssemos agir segundo os impulsos do coração, o primeiro pensamento, a Fraternidade Universal, seria realizado agora mesmo!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Para melhor compreender o que é a Iniciação e quais seus requisitos preliminares fixe o leitor, antes de tudo, e com toda a firmeza em sua Mente, que, na totalidade, a Humanidade progride lentamente no Caminho de Evolução – desde o Período de Saturno até o Período de Vulcano, Período por Período, Globo por Globo, Revolução por Revolução. Só lenta e quase imperceptivelmente consegue estados mais elevados de níveis de consciência. O Caminho de Evolução, examinado sob os aspectos espiritual e físico, é uma espiral.
Na figura que chamamos lemniscata, há dois círculos que convergem para um ponto central. Os círculos podem servir para simbolizar nós, o Espírito imortal, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui como Tríplice Espírito). Um dos círculos representa a nossa vida terrestre no Mundo Físico, desde o nascimento até a morte aqui, e o outro, nossa vida celeste nos Mundos invisíveis (à visão física), desde a morte aqui até ao renascer aqui.
Enquanto permanecemos nesse mundo, nós, o Ego, semeamos uma semente em cada ato, obra ou ação, dele colhendo certa quantidade de experiência. Contudo, assim como se pode semear sem haver colheita, porque as sementes foram atiradas em terrenos pedregosos, entre espinhos, assim também a semente da oportunidade, por negligência no cultivo do terreno, pode ser perdida e, então, a vida será estéril, sem fruto, como nos revela a Parábola do Semeador [1]. Ao contrário, assim como a qualidade e o cuidado no cultivo aumentam, enormemente, o poder produtivo das sementes, uma aplicação cuidadosa no negócio da vida – a melhora de oportunidades para aprender as suas lições é extrair de nosso meio as experiências que contém – nos traz mais oportunidades. Ao terminar uma existência terrestre, nós, nas portas da morte, nos encontramos carregados dos mais ricos frutos da vida terrestre.
Terminado o trabalho objetivo da existência, começamos o trabalho subjetivo da assimilação. Esta obra se efetua, durante a nossa permanência nos Mundos invisíveis – mais uma vida celeste –, período que decorre desde a morte aqui até ao renascimento aqui, simbolizado pelo segundo anel da lemniscata. Quando chegamos ao ponto central da lemniscata, que divide o Mundo Físico dos Mundos invisíveis, chamamos a porta do nascimento, ou da morte, entra (ou sai) numa outra esfera, em relação a nós. Fazemo-lo com um conjunto de faculdades e talentos, adquiridos em vidas anteriores, que usamos, ou descuidamos, em novo dia de vida, segundo nossa própria escolha. Do uso que fizermos das nossas oportunidades depende o nosso crescimento da alma.
Se, durante muitas vidas gratificamos, principalmente, a nossa natureza inferior (“Eu inferior”), vivendo para comer, beber e nos divertir, ou deixamos que nossos ideais espirituais se esfumassem em sonhos e especulações metafísicas, acerca da natureza de Deus, nos abstendo, negligentemente, de toda ação necessária, gradualmente seremos deixados para trás, pelos mais ativos e progressistas: nos tornamos um “atrasado” no Caminho de Evolução. Grandes agrupamentos destes “preguiçosos” formam as chamados “seres humanos atrasados”, enquanto os ativos, desembaraçados e despertos espiritualmente, que se ocupam em adquirir uma porcentagem maior de oportunidades, são os “precursores”.
Ao contrário da ideia geralmente aceita, isto se aplica, igualmente, àqueles que estão empenhados em trabalhar aqui, por meio de ações, obras e atos, que visam auxiliar as pessoas ao seu lado, bem como cumprir o que a própria pessoa escolheu quando estava no Terceiro Céu, no início de mais um renascimento aqui. Para esses irmãos e essas irmãs a maneira de ganhar os recursos financeiros necessários para se viver aqui é, somente, um incidente, um incentivo, inteiramente a parte dessa fase. O trabalho deles pode ser tão espiritual ou, talvez mais, do que o daqueles que só passam o tempo aqui em preces, com prejuízo de um trabalho útil por meio de ações, obras e atos. Do que dissemos, se torna claro que o método de desenvolvimento da alma, levado a efeito por esse Esquema de Evolução, requer ação, ato e obra na vida física, seguida, na vida post-mortem, por um estado de assimilação, durante o qual as lições da vida são extraídas e cuidadosamente incorporadas a nossa consciência, embora as experiências, em si, sejam esquecidas.
Este processo, excessivamente lento, acomoda-se, perfeitamente, as necessidades da imensa maioria das pessoas. No entanto, alguns esgotam, rapidamente, as experiências comumente dadas e requerem um campo mais extenso, para aplicar suas energias. A diferença de temperamento é a causa de uma divisão em duas classes.
Uma dessas classes, conduzida por sua devoção a Cristo, segue, simplesmente, os ditados do Coração, em sua tarefa de amor por seus irmãos e por suas irmãs. Belos caracteres, faróis de amor num mundo sofredor, estão sempre prontos a esquecer sua própria conveniência, para ajudar aos outros.
Na outra classe, a Mente é o fator predominante. A fim de ajudar os irmãos e as irmãs em seus esforços para alcançar sabedoria, as Escolas de Mistérios – ou Escolas de Iniciação – foram criadas. Nelas foi representado o drama do mundo, para dar as almas aspirantes, enquanto se achavam enlevadas, respostas às perguntas acerca da origem e do destino da Humanidade.
Ao despertar, tais irmãos e irmãs eram instruídos na Ciência sagrada de ascender mais, por meio do método da Natureza – que é Deus em manifestação – semeando a semente da ação, meditando acerca da experiência e assimilando a moral essencial para obter o devido crescimento anímico, o seu crescimento da alma.
Também, havia esta circunstância importante: enquanto, no curso normal das coisas se gasta uma vida inteira em semear e uma existência post-mortem na reflexão e incorporação da substância anímica, em um ciclo de, aproximadamente, mil anos pode ser consideravelmente reduzido.
Seja qual for o trabalho executado durante um dia simples, reflita-se sobre ele, à noite, antes de cruzar o ponto neutro entre o estado de vigília e o adormecer. Esta experiência pode, deste modo, ser incorporado na nossa consciência, como Poder Anímico. E o melhor modo de fazer isso é por meio da prática do Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção.
Lembremo-nos que esse Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é o mais eficiente dos métodos existentes para fazer o Aspirante à vida superior avançar no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Seu efeito tem tal alcance que permite ao Estudante Rosacruz ativo aprender agora não apenas as lições dessa vida, mas também lições que normalmente lhe estariam reservadas para existências futuras.
Como se pratica esse Exercício Esotérico Rosacruz (que faz parte do Treinamento Esotérico de todo Estudante Rosacruz ATIVO)?
“Após deitar-se à noite, o Aspirante à vida superior relaxa o Corpo Denso e começa a recordar os acontecimentos do dia na ordem inversa, partindo dos da noite, em seguida os da tarde, e depois os da manhã.
Deve esforçar-se para “rever” cada cena com a máxima fidelidade e procurar reproduzir ante seus olhos mentais tudo o que aconteceu em cada uma delas, a fim de poder julgar seus atos e certificar-se de que suas palavras transmitiram o sentido desejado ou deram uma impressão falsa, como também se exagerou ou foi omisso ao relatar experiências a outrem.
Deve examinar sua atitude moral relativa a cada cena. E quanto aos alimentos, verificar se “comeu para viver” ou “viveu para comer”, para gratificar o paladar.
Durante todo o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, o Aspirante à vida superior vai julgando a si mesmo, censurando-se onde couber reprovação e elogiando-se onde couber o louvor.
Lembremo-nos: não é um exercício de memória! O que deve ser utilizado são os eventos que deixaram os maiores impactos (sejam simples ou não!) no Aspirante à vida superior: focando no efeito que gerou e depois na causa principal que gerou tal efeito. Se foi considerado bom pelo Aspirante à vida superior esse deve ser grato e reforçar sua decisão de repeti-lo sempre que houver ocasião. Se for considerado ruim ou “mal” pelo Aspirante à vida superior, ele deve se arrepender profunda e sinceramente e se comprometer a se reformar intimamente, se esforçando ao máximo para não o repetir quando houver ocasião.
Assim, quando se pratica, sinceramente, este Exercício Esotérico Rosacruz, revisando os pecados cometidos durante o dia, são eles eliminados, automaticamente, e começamos, em cada dia, uma nova vida, com a vantagem de ter aumentado o nosso Poder Anímico, extraído das experiências da vida aqui. Ao abandonarmos o nosso Corpo Denso – ao morrer e irmos ao Purgatório, a visão do nosso passado se desenrola em ordem inversa, para mostrar, primeiramente, os efeitos, e depois, as causas que os produziram. Sentimos, de maneira intensa, a dor que causamos aos demais. Se não executamos o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção de maneira similar, sofrendo cada noite o “inferno” que merecíamos durante o dia, sentindo, agudamente, todos os pesares que havíamos infligido, não nos servirá de nada. Temos que nos esforçar, também, em sentir, com a mesma intensidade, a gratidão pelas atenções recebidas dos outros e a aprovação do bem que proporcionamos, pois o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é maneira similar ao que vivemos no Primeiro Céu.
Somente assim, vivemos, verdadeiramente, a existência post-mortem e avançamos, cientificamente, até a meta da Iniciação. O maior perigo para nós neste ponto é cairmos vítimas do laço do egoísmo. Nossa única salvação é cultivar as faculdades da fé, da devoção e da simpatia universal.
Se ponderamos bem o argumento precedente, teremos compreendido a analogia entre o largo ciclo da evolução e os ciclos curtos, ou passos, utilizados no Caminho de Preparação, que precede o Caminho de Iniciação. Ficará claro para nós que ninguém pode realizar, por outro, este trabalho post-mortem, nem lhe transmitir o desenvolvimento anímico adquirido da mesma maneira; ninguém pode ingerir o alimento físico de outro e lhe transmitir sua resistência e desenvolvimento!
Se não conseguirmos o Poder Anímico requerido para a Iniciação, ninguém poderá nos iniciar. Se o possuímos, estamos no umbral por nossos próprios esforços. Podemos pedir a Iniciação, como um direito. Se não o tivéssemos e quiséssemos comprar, quaisquer valores financeiros que fossem mobilizados seriam insignificantes para pagá-los!
Fixemos bem, em nossas Mentes, que a Iniciação não é uma cerimônia externa, mas, sim, uma experiência interior, na qual somos ensinados a usar o poder que armazenamos por meio de uma vida de pureza e de serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã ao seu lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
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[1] O semeador saiu a semear sua semente. Ao semeá-la, uma parte da semente caiu ao longo do caminho, foi pisada e as aves do céu a comeram. 6Outra parte caiu sobre a pedra e, tendo germinado, secou por falta de umidade. 7Outra caiu no meio dos espinhos, e os espinhos, nascendo com ela, abafaram-na. 8Outra parte, finalmente, caiu em terra fértil, germinou e deu fruto ao cêntuplo”. E, dizendo isso, exclamava: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”. (…) 11Eis, pois, o que significa essa parábola: A semente é a palavra de Deus. 12Os que estão ao longo do caminho são os que ouvem, mas depois vem o diabo e arrebata-lhes a Palavra do coração, para que não creiam e não sejam salvos. 13Os que estão sobre a pedra são os que, ao ouvirem, acolhem a Palavra com alegria, mas não têm raízes, pois creem apenas por um momento e na hora da tentação desistem. 14Aquilo que caiu nos espinhos são os que ouviram, mas, caminhando sob o peso dos cuidados, da riqueza e dos prazeres da vida, ficam sufocados e não chegam à maturidade. 15O que está em terra boa são os que, tendo ouvido a Palavra com coração nobre e generoso, conservam-na e produzem fruto pela perseverança. (Mc 4:1-9 e 13 a 20)
A Ordem Rosacruz foi fundada especialmente para aqueles que possuidores de um alto grau de desenvolvimento intelectual, deixam de lado os reclamos (as queixas) do coração. Todo homem ou mulher que tenha sido abençoado com uma Mente investigadora, é de suprema importância receber toda informação que queira. Dessa forma aquietando a cabeça, o coração poderá falar.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que “o conhecimento intelectual é apenas um meio, não um fim em si mesmo. Daí o propósito da Ordem Rosacruz, antes de mais nada, satisfazer o Aspirante por meio do conhecimento de que tudo no Universo é razoável, o que poderá resultar num controle sobre o rebelde intelecto“.
E, também, aprendemos como se deve comportar o Estudante Rosacruz, nesse caso, ou seja, “quando, dessa forma, o Aspirante cesse de criticar e admita, embora provisoriamente, como verdadeiras as afirmações que não podem ser de imediato comprovadas, somente então o seu Treinamento Esotérico Rosacruz poderá ser efetivo para o desenvolvimento das faculdades superiores”.
Cremos que essas advertências dos Ensinamentos Rosacruzes, algumas vezes, são passadas por alto, pois os Estudantes Rosacruzes se fascinam de tal modo com o método de desenvolvimento por meio do Conhecimento Direto, que se esquecem do “Magno Mistério” que a Fraternidade Rosacruz advoga: “Cristo não disse: ‘Bem fizeste, tu, grande e erudito filósofo que conheces a Bíblia, a Cabala, toda Filosofia Rosacruz e toda a literatura misteriosa que revela as intrincadas operações da Natureza’; mas Ele disse sim: ‘Bem fizestes tu bom e fiel servo, entra no gozo de Teu Senhor… Porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber’ (Mt 25:35). Perceba: não notamos uma só palavra acerca de conhecimentos.
Em várias outras ocasiões somos advertidos que não devemos olhar o próximo “por cima dos ombros”, já que aquele que, devido ao seu pouco preparo intelectual serve, simples e humildemente, ou seja, pode compensar com amor àquela carência. Esses irmãos e irmãs são ativos servindo.
São os atos, as ações e obras de amor Crístico e bondade verdadeira que constroem o Corpo-Alma. O conhecimento é bom quando usado e compartilhado para benefício do próximo, pois quando conservamos para nós mesmos, nos colocamos novamente em tonalidade com o egoísmo, fomentado pelos Espíritos Lucíferos que instigam toda a classe de atividade mental concreta (contaminada pelo Corpo de Desejos), com a finalidade de obterem conhecimento, à medida que o obtemos. Entretanto, canalizando todo conhecimento que obtivermos para edificação de nossos irmãos e das nossas irmãs, transformamos uma armadilha mortal em uma sublime benção.
Aqueles que trabalham e servem aos demais do modo como ensinado pela Fraternidade Rosacruz: amorosa e desinteressadamente, o mais anônimo que puder, esquecendo os defeitos do irmão e da irmã que está servindo, focando toda a sua atenção na Divina Essência que está oculta em cada um de nós e que, portanto, é a base da Fraternidade, então não necessitam que sejam impulsionados para a prática de boas ações, obras e bons atos. Necessitando-se de um estímulo extra se têm maior responsabilidade! Assim, se pergunte sempre: você está vivenciando esses Ensinamentos Rosacruzes?
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A Filosofia Rosacruz é, como autêntica Escola Cristã Esotérica, uma mensagem de libertação humana. Ela parte da realidade presente, que somos nós com nossas virtudes e limitações. Mostra-nos o que foi o nosso passado evolutivo, relacionando-o com o dos demais seres e o Cosmos e fundamenta, racionalmente, porque somos essa realidade atual.
Finalmente, mostra nossa meta futura, em concordância com os mais altos postulados do Cristianismo Esotérico.
Ensina-nos sobre a nossa constituição corporal e mental: um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e a Mente. Uma Mente, essa formada por metade de nossa força criadora sexual, que partiu de suas primitivas manifestações onde criamos e praticamos a astúcia (causa de muito sofrimento e dor) e como hoje exercitamos a razão (com o objetivo de fazer o bem pelo prazer de fazer o bem), mas que ainda temos a nossa Mente escravizada ao nosso Corpo de Desejos.
Um Corpo de Desejos que nos permite criar desejos e sentir emoções e sentimentos, que sofreu uma divisão em parte inferior e superior, nos fins da longínqua Época Lemúrica, mas que hoje atende muito ainda aos nossos vícios de origem, maus hábitos, egoísmo e afins retardando a transubstanciação em desejos e emoções de puro altruísmo, como Cristo nos ensinou. Um Corpo Vital, cujos Éteres inferiores, o Químico e Vital, estão muito fortes, devido aos vícios de origem citados, pois se relacionam com o metabolismo e a procriação e se fortificam pelo hábito; os dois Éteres superiores, Luminoso e Refletor, ligados aos sentidos, ao calor e circulação do sangue e a mentalidade e memória, restringidos pela ação predominante dos Éteres inferiores.
Esse é o ser humano atual. E seu Corpo Denso, visível, tem as possibilidades que os veículos mais sutis lhe conferem. Nada mais, nada menos.
Hereditariedade, sorte, azar, para a Filosofia Rosacruz, são apenas manifestações sábias da Lei de Causa e Efeito. Colhemos o que semeamos, desta e de outras vidas passadas. Não importa que cerebralmente não nos lembremos do plantio e possamos, em nossa cegueira, nos revoltar contra a aparente injustiça de Deus. Nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), embora estejamos impossibilitados de nos manifestar como devemos claramente hoje, a nossa consciência, nós sabemos, nós recebemos sem revolta as reações da Força de Repulsão, que nos alerta todos os desvios. Mesmo em Corpos de irmãos ou irmãs insanos, com debilidade intelectual, onde o Ego está aprisionado, inteiramente impossibilitado de se expressar como se deve, embora sofrendo, sabe por que está assim e pode se lembrar de outras vidas passadas, em que talvez tenha malgastado de forma animalística sua forca sexual criadora, em prazeres e orgias sexuais. Ou pode ter sido outra a causa: o abuso de sua força mental em formas diversas de magia negra ou a tentativa de fugir ao renascimento (nessa vida atual), quando anteviu as provas que o aguardavam e tentou se desligar do Corpo Denso, provocando rupturas na conexão de seus veículos. Mas sempre, como Ego, lá dentro sabemos por que é, tanto é assim que nós mesmos escolhemos as circunstâncias de nossas vidas futuras, para corrigir nossos defeitos: lar, pais, cônjuge e todos os demais pontos principais de nossa existência. Claro que nem tudo é previsto porque nossa vida, então, seria totalmente “destino”. E na Fraternidade Rosacruz aprendemos que não é assim; há a Epigênese.
Ou seja, há margem para exercício de nosso Livre-arbítrio e essa margem é tanto maior quanto mais liberto estejamos dos erros passados. No caso do irmão ou irmã com debilidade intelectual se não chega um dia a melhorar, podemos dizer que sua atual existência é quase inteiramente “destino”. De toda forma, há Sabedoria em tudo (e com “S” em maiúsculo!).
É por isso que a eutanásia não se justifica jamais, nem a pena de morte! Há uma lição que precisamos aprender, quer a nossa percepção material o reconheça, quer não.
A verdade não depende de nossas opiniões; o Sol, desde a diferenciação dos Planetas, foi o centro do Sistema Solar, independentemente da opinião dos que julgaram Giordano Bruno e fizeram calar, a força, o sábio Galileu.
Na verdade, quando um condenado é sacrificado pela pena de morte, livramo-nos aparentemente dele, mas, em seu Corpo de Desejos ele passará, desde então, muito mais perigosamente a agir livremente, com a velocidade do pensamento, dando vazão a sua revolta contra os seres humanos e a sociedade, estimulando os caracteres iguais ao seu e levando-os ao crime. Daí vemos que a realidade mesma não é a que presenciamos e decorre de nossa vida material, mas a causa de tudo que existe aqui.
Mais real é o pensamento de um arquiteto que idealizou uma casa do que a própria casa construída segundo aquela ideia. A casa pode ser destruída, mas o pensamento, não.
Então, o que é liberdade? E o oposto do erro. O erro ou pecado, como quer que o chamemos, é a transgressão as Leis de Deus (IJo 3:4 – “Todo aquele que pratica o pecado transgride a lei; de fato, o pecado é a transgressão da lei”), ou, como aprendemos na Fraternidade Rosacruz: “o único pecado que existe é a ignorância e a única virtude e salvação é o conhecimento aplicado”.
Enquanto agimos por: pensamento, desejo, sentimento, emoção, palavra, ato, obra ou ação contrariamente às Leis de Deus, que rege toda a Criação, estamos provocando a Força de Repulsão que nos adverte desse desvio.
O Estudante Rosacruz ativo, ao assumir a responsabilidade de seu destino, deixa de culpar os demais por suas provas e começa nelas buscar a lição que encerra, a fim de se corrigir. Ele aquieta seu íntimo buscando pensar em seu Coração e sentir em sua Mente, no mais perfeito equilíbrio que puder, entre a Mente e o Coração, passa a se sentir como um Ego – que sabe que realmente é! – que olha para fora de si através seus veículos, como alguém contemplando uma paisagem através de uma vidraça. Ele sabe que as vidraças de seus veículos têm cores ilusórias e manchas de seus defeitos e terá cuidado para não julgar a paisagem que vê como inteira realidade. Sabe que seus temores podem dar um colorido plúmbeo ou a fantasia conferir tonalidades róseas. Mesmo seus defeitos podem pôr numa paisagem uma mancha que ela nada tem. E por isso que diz o ditado: “quem usa, cuida”.
Já compreendeu que o defeito que ele vê nos outros, são os seus (efeito “espelho”). Que é bom ver o bem e isso não exclui a prudência, porque esta resulta, não da desconfiança, mas do conhecimento da natureza humana e ele sempre procurará exercitá-la racionalmente, sem emoção e nem parcialidade.
Diante de todo o exposto, concluímos que todo o trabalho de regeneração está dentro de nós. Desde então já não sentimos vontade de criticar os demais, nem perder tempo com inúteis solicitações exteriores. Há muito que fazer dentro de nós. Mas temos o cuidado de, também não nos preocuparmos demasiado com nossos defeitos, a fim de não gerarmos complexos.
Qual a solução? É o Método de Conhecimento Direto oferecido pela Fraternidade Rosacruz.
Ao mostrar-nos a real natureza humana estabelece um ponto de partida, não para que nos preocupemos com os defeitos e os lamentemos, senão para adotarmos uma condição consciente de verdadeira humildade, oriunda do reconhecimento do que somos e que deveremos ser, pois o futuro depende do que fizermos agora.
Então, aprendemos na Filosofia Rosacruz “vejamos o bem em todas as coisas, mesmo onde não pareça ele existir”. Se não somos capazes de vê-lo, ainda estamos cegos. Há sempre uma razão amorosa. As maiores trevas são projetadas pelas mais fortes luzes.
Daí ela preconiza o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção, para despertar a memória, o senso de observação e de discernimento, em que o Estudante Rosacruz ativo separa, todos os dias, “o joio do trigo” e busca incorporar a sua consciência anímica o bem e queima, pelo arrependimento sincero, o erro, o joio. É um acerto cotidiano, uma atualização constante de quem, serenamente, está reparado sempre para dar o pulo ao “além”, temido dos que têm a alma intranquila.
Este Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é a base de nosso desenvolvimento interno e regeneração, pois agudiza nossa consciência, esta voz interna que nos diz quando estamos certos ou errados, apesar de todos os protestos de nosso amor-próprio e egoísmo. E mais alto e claramente ela se fará ouvir, quanto mais serenos e limpos estivermos. E esse processo depurativo irá nos tornando a consciência receptiva, como a superfície de um lago sereno que reflete o céu. E chegará o tempo em que brotará em nosso coração um conhecimento, chamado intuição. E o fluir do conhecimento do Cristo Interno, o acesso consciente ao manancial de sabedoria que acumulamos em vidas anteriores, a supraconsciência, do Mundo do Espírito de Vida, especializado em nossa Aura. É quando o infante menino Jesus maravilha no templo de nosso Corpo, os “doutores” de nosso conhecimento material, com suas respostas extraordinariamente elevadas.
O Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é amplamente ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz juntamente com o outro Exercício Esotérico básico, o Exercício Esotérico matutino Rosacruz de Concentração. Esses dois pontos constituem o método mais eficiente na iluminação interna e libertação do ser humano ocidental! Dizemos ocidental, porque, segundo seu desenvolvimento atual, o ser humano do ocidente atingiu o ponto em que os meios de elevação têm de, necessariamente, diferir dos orientais. O nosso irmão e a nossa irmã oriental ainda dependem de um mestre externo. Já o nosso irmão e a nossa irmã ocidental, ao contrário, são instruídos a não depender de ninguém e efetuar o trabalho de renovação interna, sem ajuda.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz preparam o Estudante Rosacruz a não depender nem mesmo deles. Estudando o livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, ele mesmo conta que quando defrontava com uma dúvida e os procurava, eles indicavam o caminho e mandavam-no chegar ao resultado, sozinho. Conosco, igualmente, fornecem o método, o caminho, para nos poupar perda de tempo e de esforços. É a contribuição de quem já conhece a trajetória e voltam para nos advertir contra desvios enganosos.
Portanto, não nos encantamos com aqueles que proclamam poderes, porque na verdade o que estes buscam é uma forma diferente de pagamento: o endeusamento de sua Personalidade. Quem realmente tem a competência de conhecer o caminho e o método, porque o seguiu, liberta. A modéstia e retidão desses Irmãos Maiores são incomuns. Fogem de pagas materiais ou sutis, dispensam títulos e postos, incentivam e esclarecem com um grande respeito a liberdade e Epigênese do Estudante Rosacruz ativo. Passam despercebidos até que possamos reconhecê-los.
Na Fraternidade Rosacruz não nos preocupamos com os Irmãos Maiores! O trabalho é nosso e não deles. Se é assim, dando confiantemente nossa parte é que podemos merecer a simpatia e o apoio deles, até que estejamos suficientemente fortes para caminhar sozinhos, com toda segurança.
Como aprendemos na Fraternidade Rosacruz: “o método Rosacruz difere dos outros métodos num ponto especial: procura, desde o início, emancipar o Aspirante à vida superior de toda influência externa, de modo a poder ficar só em todas as circunstâncias, pois só assim poderá se converter num verdadeiro auxiliar da Humanidade”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1976 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Há muitos anos os ensinamentos dos Irmãos Maiores foram publicados, pela primeira vez, no livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz. Desde então, nossa literatura ampliou-se bastante. Parece-nos oportuno fazer um levantamento do nosso trabalho para avaliar como estamos empregando os talentos a nós confiados.
Em primeiro lugar, devemos averiguar a razão de ingressarmos na Fraternidade Rosacruz. A principal razão baseia-se na insatisfação. Não encontrávamos as respostas adequadas para nossas perguntas sobre os enigmas fundamentais da vida e da morte em outras instituições.
Todos procuram a luz, mas alguns agem como ilustra uma parábola bíblica. Narra-se a história de um homem que vendo uma pérola de grande valor vendeu todas as posses para comprar a joia. A pérola simboliza o conhecimento do Reino dos Céus[1]. Em outras palavras, alguns dentre nós estão tão determinados a encontrar a luz, e ficam tão radiantes quando a encontram, que dedicam toda a vida, pensamentos e disposição a essa tarefa.
A rede de compromissos assumidos impossibilita a maioria de gozar deste grande privilégio. No entanto, estamos imersos numa teia de relações: se recebemos ajuda somos obrigados, pela lei da compensação, a dar algo em reciprocidade. Intercâmbio e circulação preenchem todos os espaços e promovem a vida. A estagnação conduz à morte.
Não é possível ingerir alimento físico e retê-lo no organismo. O processo de eliminação é fundamental para manter o equilíbrio e a saúde afastando a doença e a morte. Da mesma maneira, não podemos impunemente nos fartar com uma alimentação mental. Devemos compartilhar nosso tesouro com os outros e empregar os conhecimentos adquiridos nas obras do mundo. Caso contrário, corremos o risco de estagnação no pântano da especulação metafísica.
Nos anos que se seguiram desde a publicação do livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz, os Estudantes dispuseram de bastante tempo para conhecer e praticar seus ensinamentos. Não há expediente para desculpas, alegando ignorância ou falta de tempo para compenetrar-se no estudo. Não podem usar como pretexto insuficiência ou incapacidade pessoal para divulgar seu conteúdo.
Mesmo aqueles que têm pouco tempo disponível para estudar, devido aos deveres desempenhados no mundo, deveriam estar agora suficientemente posicionados “para dar um sentido à sua fé”[2], como S. Paulo nos exortou a fazê-lo. Mesmo que não consigamos mostrar a luz a todos que solicitam, devemos praticá-la na intimidade, em gratidão aos Irmãos Maiores e de maneira impessoal a toda Humanidade. O desenvolvimento de nossa própria alma depende do grau de participação e empenho no fortalecimento do movimento ao qual estamos ligados. Portanto, é conveniente que compreendamos detalhadamente qual a missão da Fraternidade Rosacruz.
Isto está inteira e claramente elucidado no capítulo introdutório do livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz. Em resumo, sua missão concentra-se em proporcionar uma explicação sobre as questões da vida capaz de contemplar tanto as necessidades da Mente como do Coração. Com a finalidade de remover as confusões inerentes a duas classes de pessoas: os eclesiásticos e os cientistas. Ambos seguem tateando nas trevas pela carência de um conhecimento unificador e podem ser muito beneficiados com nossa literatura.
Designamos eclesiásticos todos os que são guiados por uma sincera devoção ou bondade natural, pertençam ou não a alguma igreja. No âmbito dos cientistas incluímos os que encaram a vida de um ponto de vista puramente mental, sejam atuantes ou não no campo da ciência.
É propósito e objetivo do livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz ampliar o campo de ação espiritual de um número sempre crescente dessas duas classes que pressentem, com maior ou menor clareza, a falta de algo de grande importância em sua concepção da existência.
Devemos lembrar o episódio do Rei Davi. Quando desejou construir um templo a Deus foi-lhe negado esse privilégio[3]. Isso por ter empunhado armas como guerreiro de sua tribo. Sempre houve organizações a combater outras organizações. Apontando erros e buscando meios de destruir as rivais, guerreando tanto quanto Davi o fez outrora. Com essa atitude, não se conquista a permissão para construir o templo que é feito de pedras vivas de homens e mulheres. Esse templo ao qual o personagem Manson se refere com tão belas palavras no livro “O Servo da Casa” (The Servant in the House)[4].
Portanto, quando tentamos divulgar as verdades dos Ensinamentos Rosacruzes, devemos sempre ter em mente que não podemos impunemente depreciar a Religião de quaisquer outros nem os antagonizar. Não é nossa missão lutar contra seus erros. Eles infalivelmente manifestar-se-ão no devido tempo.
Quando Davi morreu Salomão reinou em seu lugar. Este teve uma visão de Deus em sonho e Lhe pediu sabedoria! Foi-lhe dada oportunidade de pedir o que bem quisesse, e Salomão pediu sabedoria para guiar seu povo. Na verdade, foi esta a resposta recebida:
“Porque em teu coração pediste sabedoria, porque não pediste riquezas ou vida longa ou vitória sobre os teus inimigos ou qualquer coisa semelhante, mas pediste sabedoria, ser-te-á concedida essa sabedoria e muito mais do que isso.”[5].
Portanto, devemos seguir o exemplo de Salomão e orar sinceramente por sabedoria. Mas, é importante dispor de critérios para reconhecê-la. Portanto convém comentar o que é a verdadeira sabedoria.
Diz-se, e é verdade, que saber é poder. Saber, embora não seja nem o bem nem o mal em si mesmo, pode ser usado tanto para um como para o outro fim. O gênio apenas mostra a propensão para o saber, mas o gênio pode também ser bom ou mau. Falamos de um gênio militar, dotado de maravilhoso conhecimento sobre táticas de guerra. Tal homem, porém, não pode ser verdadeiramente bom, pois está destinado a ser impiedoso e destrutivo ao manifestar sua genialidade.
Um guerreiro, seja ele Napoleão ou um simples soldado, nunca poderá ser sábio, porque deliberadamente deve esmagar todos os bons sentimentos. Vale lembrar-se do coração como símbolo dos mais nobres sentimentos. Um governante sábio tem um grande coração, assim como tem uma inteligência superior. Tem o coração e o intelecto em harmonioso equilíbrio para promover o desenvolvimento de seu povo.
Mesmo o mais profundo conhecimento sobre assuntos Religiosos ou ocultos não é sabedoria, como nos ensina São Paulo no seu magnífico 13º Capítulo da Primeira Epístola S. Paulo aos Coríntios: “Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, se não tiver amor, nada serei”.
Somente quando o conhecimento se mesclar com o amor poderá realmente se converter em sabedoria. Amor-Sabedoria é a expressão do princípio Crístico, o segundo aspecto da Divindade Trina.
Deveríamos ser muito cautelosos para compreender e discernir corretamente. Só assim podemos eleger caminhos vantajosos para alcançar um determinado objetivo e evitar ciladas que causam atrasos e angústia. Podemos optar por um caminho de sofrimento no presente visando futuras realizações, mas não é necessariamente sinônimo de sabedoria. Conhecimento, prudência, discrição e discriminação são próprios da Mente. Em si mesmo, todos são tentações do mal. Cristo na Oração do Senhor nos ensinou a pedir: “Livrai-nos do mal”. As faculdades inatas da Mente devem ser temperadas com a qualidade inata do coração, o amor. Dessa mescla resulta a sabedoria.
Se lermos o 13º Capítulo da Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios[6], substituindo a palavra caridade ou amor pela palavra sabedoria, entenderemos o significado dessa grande qualidade e a desejaremos ardentemente.
Portanto, é missão da Fraternidade Rosacruz divulgar uma doutrina capaz de unir o intelecto com o coração. Esta é a única verdadeira sabedoria. Nenhum ensinamento genuinamente sábio pode prescindir de um destes elementos. Do mesmo modo, não podemos fazer soar um acorde musical com apenas uma corda. Assim como a natureza humana é complexa, também os ensinamentos que contribuem para esclarecer, purificar e elevar esta mesma natureza devem ter aspectos múltiplos. Cristo seguiu este princípio quando nos legou aquela prece magnífica que, em suas sete estrofes, atinge a nota-chave de cada um dos sete veículos do ser humano e os agrupa nesse magistral acorde de perfeição mais conhecido e popularizado como Oração do Senhor (Pai-Nosso).
Mas, como transmitiremos ao mundo essa maravilhosa doutrina que recebemos de nossos Irmãos Maiores? A resposta a esta pergunta é: Agora e sempre vivendo a vida.
Diz-se, para o eterno mérito de Maomé, que sua esposa foi sua primeira discípula. Com toda certeza não foram apenas seus ensinamentos, mas a vida que vivia no lar, dia a dia, ano após ano, que conquistou a confiança de sua companheira, de tal modo que ela não hesitou em depositar em suas mãos seu destino espiritual.
É relativamente fácil permanecer diante de estranhos que desconhecem nossas mazelas e para quem nossos defeitos não são visíveis, e pregar por uma ou duas horas cada semana. Mas é muito diferente pregar vinte e quatro horas por dia dentro do lar, como Maomé deve ter feito vivendo a vida.
Para obtermos o mesmo êxito de Maomé devemos principiar pelo exemplo na própria casa. Demonstrar aos irmãos mais próximos, no exercício do cotidiano, os ensinamentos que norteiam nossa existência. Isso é realmente sabedoria. Diz-se que a caridade começa em casa. Esta é a palavra que deveria ser traduzida por “amor” no 13º Capítulo da Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios. Mude isto também para sabedoria e leia: a disseminação da sabedoria começa em casa. Que seja este o nosso lema através dos anos.
Vivendo a vida em nosso lar, promoveremos nosso ideal, de forma mais eficaz do que por qualquer outro método. Muitas pessoas céticas se converteram à Fraternidade Rosacruz através da conduta de seus maridos, esposas ou familiares. Possam os demais segui-los.
(Dropes do Livro Ensinamentos de um Iniciado publicado na Revista Serviço Rosacruz de Junho/1965 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: O Reino dos Céus é ainda semelhante a um negociante que anda em busca de pérolas finas. Ao achar uma pérola de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra. (Mt 13:45-46)
[2] N.R.: Hb 11:1 e IICor 5:7
[3] N.R.: — 2Davi mandou reunir os estrangeiros que se achavam na terra de Israel, e depois designou talhadores para trabalharem as pedras para a construção da casa de Deus. 3Davi arranjou também muito ferro para os cravos dos batentes das portas e para os ganchos, bem como uma quantidade incalculável de bronze 4e troncos de cedro sem conta, pois os sidônios e os tírios tinham enviado a Davi troncos de cedro em abundância. 5Depois Davi disse: “Meu filho Salomão é jovem e franzino; e esta casa que ele deve construir para Iahweh deve ser magnífica, deve ter renome e glória em todas as terras. Farei para ele os preparativos”. Assim Davi, antes de morrer, fez grandes preparativos; 6em seguida chamou seu filho Salomão e ordenou-lhe que construísse uma casa para Iahweh, o Deus de Israel. 7Davi disse a Salomão: “Meu filho, estava nos meus planos construir uma casa para o nome de Iahweh meu Deus. 8Mas a palavra de Iahweh me foi dirigida: ‘Tu derramaste muito sangue e travaste grandes batalhas; tu não construirás uma casa ao meu nome, pois derramaste muito sangue sobre a terra, diante de mim. 9Eis que te nasceu um filho; ele será um homem de paz e dar-lhe-ei a paz com todos os seus inimigos ao redor, pois Salomão será o seu nome e é em seus dias que darei a Israel paz e tranquilidade. 10Ele construirá uma casa a meu nome; será para mim um filho e eu serei para ele um pai; firmarei para sempre o trono de sua realeza sobre Israel.’ 11Ó meu filho, que Iahweh esteja contigo agora e te faça concluir com êxito a construção da casa de Iahweh teu Deus, como ele o disse a teu respeito. 12Que ele te dê, no entanto, perspicácia e discernimento, que ele te dê suas ordens sobre Israel para que observes a Lei de Iahweh teu Deus! 13Só prosperarás se observares e puseres em prática os estatutos e as normas que Iahweh prescreveu a Moisés para Israel. Sê forte e corajoso! Não temas, nem te amedrontes! 14Eis que, mesmo sendo pobre, pude reservar para a casa de Iahweh cem mil talentos de ouro, um milhão de talentos de prata, e uma quantidade de bronze e de ferro que não se pode avaliar. Preparei também madeira e pedras e tu ainda acrescentarás mais. 15Haverá a teu dispor uma multidão de operários: talhadores, escultores, carpinteiros, toda espécie de artesãos de todos os ofícios. 16Quanto ao ouro, à prata, ao bronze e ao ferro, existem em quantidade incalculável. Avante! Mãos à obra e que Iahweh esteja contigo”. 17Davi ordenou então a todos os oficiais de Israel que ajudassem seu filho Salomão: 18 “Iahweh, vosso Deus, não está convosco? Pois ele vos deu o descanso por toda parte, já que entregou nas minhas mãos os habitantes da terra e a terra foi submetida a Iahweh e a seu povo. 19Agora, aplicai vosso coração e vossa alma na procura de Iahweh, vosso Deus. Ide, construí o santuário de Iahweh vosso Deus, a fim de conduzirmos para esta casa construída em nome de Iahweh a Arca da Aliança de Iahweh e os objetos sagrados de Deus”. (1Cro 22)
[4] N.R.: de Charles Rann Kennedy (1871-1950): foi um escritor anglo-americano
[5] N.R.: 2Cr 1:11-12
[6] N.T.: 1Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos Anjos, se eu não tivesse o amor, seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine.2Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse o amor, eu nada seria. 3Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse o amor, isso nada me adiantaria. 4O amor é paciente, o amor é prestativo, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. 5Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. 6Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. 7Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8O amor jamais passará. Quanto às profecias, desaparecerão. Quanto às línguas, cessarão. Quanto à ciência, também desaparecerá.9Pois o nosso conhecimento é limitado, e limitada é a nossa profecia. 10Mas, quando vier a perfeição, o que é limitado desaparecerá. 11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei homem, fiz desaparecer o que era próprio da criança. 12Agora vemos em espelho e de maneira confusa, mas, depois, veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas, depois, conhecerei como sou conhecido. 13Agora, portanto, permanecem fé, esperança, amor, estas três coisas. A maior delas, porém, é o amor.
Embora sejamos em realidade Espíritos, nossa atual condição humana de seres separados pela insensibilidade de corpos cristalizados pelas transgressões as Leis de Deus não nos permitem manter contato consciente e direto com nossa real natureza, enquanto estamos renascidos aqui. Sentimos uma profunda necessidade de superar essa separação e anular a angústia que ela nos provoca.
A solução é o amor, o verdadeiro amor – que nos une aos semelhantes, à Criação e a Deus – que é o amor Crístico!
As almas amadurecidas buscam o amor e não o encontram no exterior. É quando a Religião não se satisfaz mais com as fórmulas simples das Religiões que preconizam o Cristianismo Exotérico ou Popular.
Para dar mais amplo e racional entendimento do amor e da fé surgiu a Fraternidade Rosacruz. Ela preconiza o desenvolvimento paralelo da Mente e do Coração e mostra como isto é possível. O estudo da Filosofia Rosacruz nos previne contra os perigos do intelectualismo frio e pretencioso e nos revela, igualmente, as inconveniências do amor cego. Ela nos ensina o Cristianismo Esotérico.
Em realidade, o amor Crístico é algo que deve ser cultivado. Um estudo dos aspectos teóricos e práticos do amor Crístico iluminará, em muitos de nós, pontos obscuros e dúbios e ressaltará erros na maneira de pensar e agir, acerca desse fundamental problema.
O amor Crístico é uma arte. Porém, a maioria das pessoas tem a convicção de que é uma sensação agradável que se experimenta por acaso, algo em que se “cai” quando se tem sorte.
Vemos que todos o perseguem. Está sempre em voga. Mas quase ninguém pensa haver alguma coisa, a respeito do amor Crístico, que deva ser aprendida. Por que o povo pensa assim? Se atentarmos bem, há três premissas com que, consciente ou inconscientemente, isoladas ou combinadas buscam sustentar esse sofisma, origem de tantas desilusões.
A primeira premissa é esta: a maioria das pessoas pensa que o amor Crístico é mais uma questão de reunirmos recursos pessoais de atração, isto é, sermos requisitados, amáveis, admirados e não propriamente que devamos amar.
Na busca desse alvo, os seres humanos procuram o poder, a fama, a riqueza como meios de atração exterior e transitório. Muitos até advogam que “Deus nos criou para sermos ricos aqui”; portanto se somos ricos aqui sabemos amar, porque alcançamos o objetivo! Ambos os sexos cultivam maneiras agradáveis, conversações interessantes, prestativas, modéstia, inofensiva. Bem analisados, tais meios são os mesmos que hoje se empregam para “conquistar amigos e influenciar pessoas”. Isso que a maioria de nossa cultura considera ser amável é, essencialmente, uma mistura de ser popular e despertar atração física. Nada mais. Longe, bem longe, do amor Crístico.
A segunda premissa, por trás dessa atitude de que nada há a aprender a respeito do amor Crístico, é a ideia de que o amor Crístico é mais uma questão de termos sorte de achar uma pessoa que nos ame e pela qual sejamos amados. Não é, pois, uma faculdade que devamos desenvolver em nós. Tal atitude tem muitas razões enraizadas no desenvolvimento da sociedade moderna. Uma dessas razões é a grande mudança ocorrida com relação à escolha do “objeto do amor” (uma pessoa, uma família ou no máximo, um grupo escolhido). Muitos acham que o amor Crístico é o que se chama de amor romântico, que atualmente se confunde com atração sexual e que leva a paixão. Inclusive, nesse caso, nem se usa “Crístico” e, ainda bem”
Grande número de pessoas anda a procura desse dito “amor romântico”, da experiência pessoal de amor que acabe levando ao casamento ou a “viver juntos”. Mas esse novo conceito de liberdade no amor, na verdade, acentua a importância do “objeto do amor” em detrimento da importância da função, ou seja, da faculdade do verdadeiro amor que se deve cultivar, o amor Crístico. Os divórcios e separações aí estão a atestá-lo. Ainda neste parágrafo convém ressaltar outro aspecto da cultura contemporânea: a ideia de um contrato em que se faz uma troca mutuamente favorável. Cada um, em vez de amar, procura tirar um “lucro” na transação matrimonial, ou seja, uma boa soma de qualidades que sejam populares e muito procuradas no mercado da Personalidade. O que torna especificamente uma pessoa atraente depende da moda da época, quer física, quer mentalmente. Numa cultura em que prevalece a orientação mercantil, e em que o êxito material é o valor predominante, pouca razão há para surpresa no fato de seguirem as relações de amor humano os mesmos padrões de troca que governam os mercados de utilidades e de trabalho.
A terceira e última premissa que leva a ideia de nada haver para ser aprendido a respeito do amor Crístico, consiste na confusão entre a experiência inicial de cair “enamorado” ou “enamorada” e o permanecer no amor. Se duas pessoas estranhas uma à outra, como todos somos, subitamente derrubam os muros que as separam e se sentem próximas, se sentem uma só, esse momento de unidade é uma das mais jubilosas e excitantes experiências da vida, para quem tem estado isolado, fechado em si, sem amor. Mas raramente é duradoura. As duas pessoas se tornam bem conhecidas, sua intimidade perde cada vez mais o caráter miraculoso e seu antagonismo, suas decepções, seu mútuo fastio acabam por matar tudo quanto restava da excitação inicial. Ou seja, longe do amor Crístico!
O amor Crístico é exatamente o amor que Cristo nos ensinou, na Sua primeira vinda aqui entre nós e nos deixou todo um ensinamento de como devemos praticá-lo. O amor Crístico é aquele que nos faz se converter a nós mesmos em um canal mais perfeito para a recepção e disseminação desse sentimento e junto com a harmonia em todas as variadíssimas experiências da vida, sejam alegres ou tristes, exaltadas ou deprimentes. É um sentimento que faz com que cada pensamento nosso irradia o amor Crístico; cada palavra que proferimos vibra com amor Crístico; cada ato que fazemos é embelezado pelo amor Crístico.
Nós alcançamos o ápice de prática desse amor quando a Personalidade se torna subordinada a nós, o Ego (o Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui); quando a nossa natureza inferior – relacionada completamente com a vida pessoal que é efêmera – é subjugada e substituída por esse amor Crístico, de natureza superior, como, inclusive evidenciou S. João em seu Evangelho.
Afinal, é pelo amor Crístico (por cada um e por todos) que se baseia o serviço do sacrifício. Pois, ao contrário do que algumas correntes populares de ensinamentos indicam, o caminho do verdadeiro desenvolvimento espiritual não consiste em atrair para si mesmo o máximo de bens materiais, mas na realização da verdade de que “o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao próximo – focado na Divina Essência oculta de cada um (que é a base da Fraternidade) – é o caminho mais curto, mais seguro e o mais agradável que nos conduz a Deus”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Quanto mais órgãos tiver um corpo para a recepção, o desenvolvimento e a propagação de diversas influências, mais certamente sua existência será rica e perfeita, porque terá um maior potencial de vida; mas, muitas forças para as quais não temos órgãos podem estar adormecidas em nós e, por conseguinte, não podem agir. Essas forças latentes podem ser despertadas, isto é, nós mesmos podemos nos organizar, para que elas se tornem ativas em nós.
O órgão é uma forma na qual age uma força; mas toda forma consiste na direção determinada das partes – ligadas à força atuante. O organizar-se para a ação de uma força quer dizer simplesmente: dar às partes uma tal forma ou situação que permita que a força possa agir nelas. É nisso que consiste a organização. Assim como para um ser humano que não tem órgãos para ter o sentido da visão e, portanto, não vê a luz visível aqui, ela não existe realmente para ele, enquanto todos os outros que têm esses órgãos pode apreciar a luz, assim também muitos indivíduos podem não conseguir ver coisas que outros conseguem ver. Eu quero dizer que um ser humano poderá ser organizado de tal maneira que sentirá, escutará, verá e apreciará coisas que um outro não poderá sentir, nem ouvir, nem ver, nem apreciar, porque lhe falta o órgão de percepção para tal.
Assim, neste caso, todas as explicações lhe seriam inúteis, porque ele juntaria sempre as ideias que teria de receber por seu órgão particular às ideias de outrem, não podendo apreciar e compreender, senão o que se aproximasse das suas próprias sensações.
Assim como formamos todas as nossas ideias pelos sentidos e todas as operações da nossa razão são abstrações de impressões sensíveis, assim também não podemos fazer nenhuma ideia de muitas coisas, porque ainda não temos um órgão adequado.
Daí parece estar demonstrado que os indivíduos organizados para o desenvolvimento das forças superiores não podem dar aos que não estão organizados para isso nenhuma ideia da verdade superior, a não ser muito vagamente.
Assim, todas as nossas controvérsias e nossos escritos de pouco servem. Os seres humanos devem, primeiramente, se organizar para a percepção da Verdade.
Mesmo que nós explicássemos tudo a respeito da luz, os cegos não a veriam mais claro. É necessário que eles adquiram, primeiramente, os órgãos para o sentido da visão.
Eis a pergunta: em que consiste o órgão da percepção da Verdade? O que fornece a nós a capacidade de a perceber?
A resposta é: “A simplicidade do Coração”. Porque a simplicidade coloca o Coração numa situação ajustada para receber o raio puro da razão, e esse raio prepara o Coração para a percepção da luz. “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5:3).
E que instrumento é necessário para isso? A resposta é: o Corpo-Alma!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/fevereiro-1987 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Algumas lições antigas da Fraternidade Rosacruz chamam a Mente de “O Mensageiro de Deus”. Sua importância na atual fase de desenvolvimento é indiscutível, embora ainda se encontre no seu estágio mineral de evolução.
O grande valor da Mente, como um “Mensageiro de Deus” a nós, é facilmente compreendido pelo fato de que os Estudantes Rosacruzes trabalham focando no seu Corpo Denso; os Probacionistas no Corpo Vital; os Discípulos no Corpo de Desejos e os Irmãos Leigos no Corpo Mental. Os últimos trabalham com a Mente, se esforçando por transmutar os pensamentos de sensualidade, avareza, egoísmo, violência e materialismo em pensamentos de amor, benevolência, compaixão, altruísmo, aspiração espiritual, devolvendo-os ao mundo para estimular todas as manifestações do bem.
Os Estudantes Rosacruzes, fieis aos ditames de seu coração, se esforçam por fazer a vontade de Deus, conforme a sentem. Entendem que nesta época de profundo racionalismo, em que a Mente predomina sobre o Coração, é necessário alcançar uma compreensão intelectual de Deus. Portanto, se lhes oferece, por meio da Filosofia Rosacruz, uma gama de conhecimentos científicos, lógicos e completos. Desse modo creem em seu Coração aquilo que o intelecto (a razão) sancionou e passam a viver uma vida religiosa Cristã Esotérica.
Quando nos desviamos do original Esquema de Evolução, sob a influência dos Espíritos Lucíferos, os Senhores de Vênus tiverem de se esforçar por prover o amor em vez da luxúria. Ao mesmo tempo os Senhores de Mercúrio apelaram àqueles que haviam desenvolvido alguma capacidade mental por meio dos sagrados ensinamentos, para que nos tornássemos menos egoístas.
Os Senhores de Mercúrio eram, originalmente, Hierofantes dos Mistérios Menores, aos quais estamos harmonizados como membros de uma associação de Cristãos Místicos. Iniciaram os mais avançados seres humanos, tornando-os reis e governantes, para o bem de todos e não para o autoengrandecimento.
Astrologicamente, Mercúrio é o nosso educador mental. Sendo assim, é o Planeta da razão, considerado mitologicamente o “Mensageiro dos Deuses”. O símbolo de Mercúrio expressa a característica da Mente como um elo ou mensageiro entre nós, o Ego, e o Corpo em nossas manifestações.
Para interpretar com crescente clareza a mensagem de Deus devemos purificar a Mente, cultivando um interesse cada vez maior por assuntos religiosos e intelectuais de natureza abstrata. Uma Mente capaz de entender matemáticas, Esquema de Evolução, Astrologia Rosacruz e Música elevada pode se elevar à Região do Mundo do Pensamento Abstrato sem estar aprisionada ao plano das sensações e desejos. Assim podemos sobrepor-nos à existência concreta que obscurece a verdade.
Não esqueçamos: a lógica é o melhor guia em qualquer Mundo, e ela nos preservará do orgulho intelectual, tornando-nos justos, porque “quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Pouca gente imagina a possibilidade de uma relação entre a cura e o Perdão dos Pecados. Aliás, quase ninguém sequer cogita dessa realidade que é o Perdão dos Pecados.
Para começar, veja o que S. João relata no seu Evangelho (5:6-9): “Jesus, vendo-o deitado e sabendo que já estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: ‘Queres ficar curado?’. Respondeu-lhe o enfermo: ‘Senhor, não tenho quem me jogue na piscina, quando a água é agitada; ao chegar, outro já desceu antes de mim’. Disse-lhe Jesus: ‘Levanta-te, toma o teu leito e anda!’. Imediatamente o homem ficou curado. Tomou o seu leito e se pôs a andar.”.
Mas, como se define o pecado?
Objetivamente podemos afirmar que é uma ação contrária à lei. Se você pensou que estamos falando da Lei de Moisés, os Dez Mandamentos, pensou corretamente. A Lei, em verdade, é algo muito mais amplo e profundo do que o decálogo recebido por Moisés na montanha. É tão importante que o Cristo asseverou categoricamente que não viera revogá-la, mas cumpri-la. Ele a observou, mas propôs dois mandamentos que a abrangem e transcendem: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a Si mesmo.
Do ponto de vista esotérico, o pecado é uma transgressão a uma Lei da Natureza que é uma Lei de Deus. As Leis da Natureza se harmonizam e mantêm o equilíbrio no Cosmos. Toda vez que alguém as transgrida provoca um desequilíbrio e em consequência uma reação em forma de sofrimento e/ou dor. Portanto, a dor e/ou o sofrimento é uma maneira de aprendermos a lição da harmonia. S. Paulo, em sua Epístola aos Gálatas (6:7), afirmou: “O que o homem semear, isso mesmo ele colherá”.
A luz do ocultismo, se cometemos um erro somos inexoravelmente penalizados? Realmente não. O Perdão dos Pecados é um fato. Entretanto, há pré-requisitos para que ele opere. Um deles é a vontade aliada à iniciativa. Há necessidade de ação que se manifeste através do arrependimento, reforma e restituição.
Primeiro, o arrependimento. S. João Batista não pregou filosofias ou doutrinas. Sua mensagem era o arrependimento dos pecados cometidos. Era um meio de preparar as pessoas para o Cristianismo. Sabia que o Cristo ofereceria a Graça, o Perdão dos Pecados, mas isto depende da transformação da consciência de cada um. Arrependimento é uma mudança da Mente e do Coração em relação ao ato pecaminoso. Porém, o remorso exagerado é nocivo, debilitando as correntes do Corpo de Desejos e afetando as Glândulas Endócrinas. Vemos, então, como tudo depende de um processo interno.
Em segundo, a reforma íntima, pois só o arrependimento não é suficiente para o recebimento da Graça. Quem para no arrependimento fica apenas na intenção. É necessária uma ação efetiva, dinâmica, que se consubstancie na reforma de caráter. Isso ocorre quando transmutamos nossos maus hábitos nas virtudes opostas. Reforma íntima significa restauração, renovação e reconstrução. Envolve discernimento (e só conseguimos fazer isso se praticarmos cotidianamente o Exercício Esotérico Rosacruz de Observação e o seu complemento, o do Discernimento). É uma prova de valor e paciência. Quando nos transformamos internamente tudo se modifica em nossa vida.
Em terceiro, a restituição que é quando prejudicamos alguém devemos promover a restituição, a compensar, de alguma forma, o mal que lhe fizemos. Se não pudemos reparar, pela ausência do prejudicado ou outra razão qualquer, podemos fazê-lo servindo a outra pessoa. Eis porque a tônica da Fraternidade Rosacruz — serviço — tem um cunho libertador. O serviço focado na Divina Essência do irmão ou da irmã, prestado de uma forma amorosa e desinteressada (portanto, o mais anônimo possível) nos envolve na consciência da unidade. Através dele nos sentimos unos com toda a criação, nos tornando incapazes de ferir, ofender ou prejudicar qualquer ser vivo.
Libertamo-nos dos pecados quando em nossa consciência admitimos ter errado e nos propomos a não mais repetir a falta cometida. A evolução é fundamentalmente uma questão de consciência. O desenvolvimento dessa consciência ocorre principalmente através do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Quando estudamos o Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, descobrimos “que talvez esse seja o mais importante Ensinamento Rosacruz”.
O Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção nos oferece uma visão objetiva de nós mesmos. A constância e sinceridade com que é praticado acaba por limpar o nosso Átomo-semente do Corpo Denso das gravações indesejáveis ali impressas ensejando, assim, a evitar o sofrimento purgatorial. Se praticamos com fidelidade Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, partindo decididamente para: o arrependimento, a reforma e a restituição, demonstraremos ter aprendido as lições nesse renascimento aqui, não necessitando fazê-lo futuramente. Isto é o Perdão dos Pecados!
O ensinamento alusivo ao Carma, ensinado pelas escolas orientais, não satisfaz plenamente as necessidades humanas de quem escolheu nascer no ocidente! Os princípios Cristãos abrangem tanto a Lei de Causa e Efeito como o Perdão dos Pecados e satisfaz plenamente todas as necessidades que precisamos.
Esse ato volitivo começa com o Corpo Vital. Na Oração do Senhor (o Pai-Nosso) encontramos uma oração exclusiva para o Corpo Vital: “Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Através da repetição se forma a Alma Intelectual, importante no processo de criação de bons hábitos.
Um bom hábito é não reagir emocionalmente diante de uma situação ou circunstância desequilibrante ou de uma provocação. Se não reagirmos emocionalmente não estaremos implicados na questão e em suas consequências, além do que tudo isso diz respeito à nossa saúde. O pecado ou transgressão afeta a saúde.
Cristo deixou bem claro que o que quer que aconteça no exterior tem sua origem no padrão existente na Mente da pessoa. Se analisarmos todas as Curas efetuadas por Cristo verificaremos que três são as condições para que se realizem: 1) Não pecar mais; 2) Ter bom ânimo; 3) Ter fé. Portanto, tudo depende do estado de consciência de cada um, principalmente o Perdão dos Pecados e a saúde física, mental e emocional.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/fevereiro/1988-Fraternidae Rosacruz-SP)
A Ordem Rosacruz é uma Irmandade dedicada ao desenvolvimento das faculdades humanas, à exploração das leis mais profundas da Natureza e ao estabelecimento de uma Comunidade Cristã na Terra. Ela se encontra na Região Etérica do Mundo Físico onde tem o seu Templo: o Templo Rosacruz.
A Ordem Rosacruz tem o objetivo de lançar uma luz oculta sobre a mal-entendida Religião Cristã, e para explicar o mistério da Vida e do Ser do ponto de vista científico, em harmonia com a Religião.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz são seres humanos que passaram pelas nove Iniciações Menores e pelas quatro Iniciações Maiores ou Iniciações Cristãs.
A Ordem Rosacruz constitui uma Ordem Sagrada, mas atua externamente por meio de indivíduos e grupos. A Fraternidade Rosacruz é uma dessas Associações. Ela se encontra aqui na Região Química do Mundo Físico. Ela foi criada para tornar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental acessíveis a todos que buscam respostas lógicas e científicas para os Mistérios da vida e do ser.
A Fraternidade Rosacruz é uma escola e visa emancipar o indivíduo da dependência de fatores externos e alcançar, em vez disso, uma plena confiança no Deus interior.
A Fraternidade Rosacruz, como uma escola, existe com o propósito de informar os inquisidores e instruir os Estudantes Rosacruzes no trabalho preparatório para ingressar na Ordem Rosacruz.
A Ordem Rosacruz trabalha especificamente com os povos do Ocidente, e seus métodos de desenvolvimento espiritual são especialmente concebidos para atender às necessidades intelectuais e religiosas dessas pessoas.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz trabalham para promover um desenvolvimento equilibrado entre a Mente e o Coração – a razão e a intuição. Eles trabalham para restabelecer a unidade dos três campos do esforço humano: Arte, Religião e Ciência.
A Ordem Rosacruz foi fundada no século XIV por Christian Rosenkreuz, um mensageiro da Grande Fraternidade Branca dos Divinos Hierarcas que guiam a Humanidade no caminho da evolução.
A Ordem Rosacruz é uma das sete Escolas Menores de Mistérios do mundo. Seus doze Irmãos Maiores, juntamente com seu décimo terceiro membro, o Líder, não possuem organização material, de modo que seu trabalho é desconhecido para todos, exceto os Iniciados de vários graus, desde o primeiro da Iniciação Menor até o quarto da Iniciação Maior.
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz