Arquivo de tag Divina Essência

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Significado para: “Buscai, primeiro, o Reino de Deus”

Nunca é demais ressaltar a importância de estarmos em Deus a cada instante. Só Ele pode resolver os nossos problemas, da forma como devem ser resolvidos. Só Ele nos poderá orientar para o certo, nos iluminar em nossas atividades, para acertarmos o maior número de vezes possível.

Porém, é preciso que não se confunda esta entrega com inércia, supondo que, ao colocarmos nas mãos de Deus os nossos problemas possamos descansar na cômoda impressão de termos transferido, também, a Ele as nossas tarefas. Longe disto. Nossos deveres nós não os podemos negligenciar, até pelo contrário, quanto mais ativos nos mantivermos procurando dar de nós a cada momento do dia, tanto mais estaremos nos tornando merecedores da Sua confiança e do Seu merecimento. Sim, porque para estar em Deus, é preciso merecer Deus.

Como repetimos todas as vezes que oficiamos o Ritual do Serviço Devocional de Cura da Fraternidade Rosacruz que: “num vaso sujo não pode haver água pura e saudável, nem pode uma lente manchada dar uma imagem nítida“. Da mesma maneira, se não nos tornarmos merecedores de Deus, nem cumprirmos bem todas as nossas tarefas, com sinceridade e pureza, nem procurando ajudar sempre com isenção de ânimo, nem nos tornando um elemento útil e de boa vontade no contexto geral, nossas portas internas manter-se-ão fechadas ao ingresso d’Ele.

É claro que: “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” (At 17:28). E esta asserção não invalida o que foi dito acima. O caso é que nem todas as pessoas são sensíveis à presença de Deus nelas. E é a essa sensibilidade, a esse contato que deve ser empreendido constantemente, que nos referimos antes. Estar em Deus é, pois, ter consciência da presença de Deus em nós. E sóabriremos a nossa consciência para senti-Lo cada vez mais próximo, sempre que estivermos atentos para não perder nenhuma oportunidade de realizar o Bem. Porque o Bem é o reflexo de Deus, e realizando o Bem estaremos realizando Deus, atraindo mais força d’Ele, maior contato, mais luz e, consequentemente, maior ajuda d’Ele.

Na verdade, quanto mais nos elevamos e mais puro nos tornamos, menos necessidade terá de nos preocuparmos em pedir auxílio à Deus. Porque o fato de se realizar n’Ele já nos coloca em condições de não precisar pedir, pois, tendo a Ele em nós nada mais necessitaremos; já teremos tudo.

É por isso que o próprio Cristo nos ensinou ao proferir: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). É isso. O Reino de Deus está em nós, dentro de nós, e é só precisamos tomar consciência disto. Esse acréscimo quer dizer: todos os nossos desejos, intenções se realizarão, inclusive a aspiração de bem Servir, segundo a disciplina de “Buscai o Reino de Deus…”

Eis porque a Filosofia Rosacruz nos orienta a procurarmos aumentar a nossa consciência pelo serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e a irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, e que é a prática dos Ensinamentos Cristãos que Cristo Jesus deixou e que os Irmãos Maiores nos transmitiram por meio dos Ensinamentos Rosacruzes detalhados na Fraternidade Rosacruz.

Sabemos que, para isto, não nos serão necessários grandes exercícios! Dois são os mais importantes: o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção e o Exercício Esotérico Rosacruz matutino de Concentração. O resultado da persistência em fazer tais exercícios vai nos ajudando na realização da prática das coisas boas, que vamos descobrindo por meio dos referidos Exercícios e de nosso tipo Serviço detalhado acima no mundo.

Aliás, a prática constante do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção vai mudando nosso caráter e, automaticamente, nosso destino, por isso dizemos que caráter é igual a destino! Eis aqui uma explicação lógica das palavras de Cristo: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”

Assim, o que é exigido de nós estará sempre dentro das nossas possibilidades, pois seremos nós mesmos, com o nosso esforço no bem viver, que delinearemos as bases do nosso progresso e, consequentemente, do nosso merecimento. Quanto mais trabalharmos para acertar o pé no mundo em que vivemos, tanto mais despertaremos nossa consciência Crística, crescendo internamente, construindo nosso Cristo Interno, colocando-nos, assim, em posição de atrair para nós tudo àquilo que deverá ser nosso, tanto espiritual como material.

Por isso, nosso cuidado maior não deveria ser com as “coisas materiais”, mas com o nosso preparo interno, porque só esse preparo, essa vivência da espiritualidade Cristã que buscamos e realizamos em nós coloca-nos em condições de receber tudo o mais que Deus sabe que necessitamos.

Tomemos nota: quanto mais nos elevarmos, tanto menos falta vamos sentindo das coisas materiais e tanto mais nos vamos aproximando da nossa herança divina.

Não vá agora, alguém, por outro lado, sentir-se inibido pensando que, se por fazer algum pedido a Deus, estará com isso provando a sua incapacidade de estar n’Ele. Pensar assim seria fruto de nosso orgulho, porque é preciso uma boa dose de humildade para admitir as nossas limitações. O que deve servir-nos de escopo é o fato de sabermos que agindo sempre no bem, estaremos em progressivo desenvolvimento para aquele estado de graça, que nos coloca em posição de desenvolver cada vez mais o Cristo Interno.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz” – outubro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Sobre a origem dos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz

Embora a palavra “Rosacruz” seja usada por diversas organizações, a Fraternidade Rosacruz não tem nenhuma ligação com quaisquer delas.

Nos anos 1907-08, após ser provado na sinceridade de seus propósitos e desprendimento no desejo de ajudar ao próximo, Max Heindel foi escolhido, pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, para difundir publicamente os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental na Região Química do Mundo Físico, ajudando, deste modo, a preparar a Humanidade para a Era da Fraternidade Universal que se aproxima, a Era de Aquário, na qual já estamos na “Órbita de Influência”. E por meio de intensa autodisciplina e devoção ao serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) aos irmãos e às irmãs e focando na Divina Essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, ele alcançou a condição de Irmão Leigo na exaltada Ordem Rosacruz.

Sob a direção dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, gigantes espirituais da Onda de Vida humana, Max Heindel escreveu o “Conceito Rosacruz do Cosmos”, um livro que, tendo marcado época, se converteu no que é agora o manual-guia de ocultismo do Mundo Ocidental. Pelo seu próprio desenvolvimento espiritual ele era capaz de verificar por si mesmo muito daquilo de que estudamos no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, bem como também era capaz de adquirir conhecimento adicional direto – sem nenhum anteparo seja de pessoa física ou qualquer material –, que mais tarde incorporou às suas numerosas obras.

Uma das condições básicas para que os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental fossem transmitidos a Max Heindel era a de que nenhum remuneração financeira (direta ou indiretamente) lhes fosse estipulado. Esta condição foi por ele fielmente observada até ao fim de sua vida, e continua sendo-o cuidadosamente por aqueles que dirigem os trabalhos da Fraternidade Rosacruz.

Assim, embora os livros da Fraternidade Rosacruz sejam vendidos – a preço de custo –, todos os Cursos de capacitação (incluindo todo o material e os livros em formato digital) e os Serviços de Auxílio à Cura do Departamento de Cura da Fraternidade Rosacruz sempre são e serão gratuitos. Os Estudantes da Fraternidade Rosacruz não pagam inscrição, taxas, mensalidades ou quaisquer outra denominação que signifique remuneração financeira. A única coisa que se exige do Estudante Rosacruz ativo, que está trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz é a sua fidelidade aos Ensinamentos Rosacruzes, a sua persistência, perseverança, disciplina e aplicação do que aprendeu na sua vida aqui!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1984 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Conhecimento do Coração: você está pronto?

A Ordem Rosacruz foi fundada especialmente para aqueles que possuidores de um alto grau de desenvolvimento intelectual, deixam de lado os reclamos (as queixas) do coração. Todo homem ou mulher que tenha sido abençoado com uma Mente investigadora, é de suprema importância receber toda informação que queira. Dessa forma aquietando a cabeça, o coração poderá falar.

Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que “o conhecimento intelectual é apenas um meio, não um fim em si mesmo. Daí o propósito da Ordem Rosacruz, antes de mais nada, satisfazer o Aspirante por meio do conhecimento de que tudo no Universo é razoável, o que poderá resultar num controle sobre o rebelde intelecto“.

E, também, aprendemos como se deve comportar o Estudante Rosacruz, nesse caso, ou seja, “quando, dessa forma, o Aspirante cesse de criticar e admita, embora provisoriamente, como verdadeiras as afirmações que não podem ser de imediato comprovadas, somente então o seu Treinamento Esotérico Rosacruz poderá ser efetivo para o desenvolvimento das faculdades superiores”.

Cremos que essas advertências dos Ensinamentos Rosacruzes, algumas vezes, são passadas por alto, pois os Estudantes Rosacruzes se fascinam de tal modo com o método de desenvolvimento por meio do Conhecimento Direto, que se esquecem do “Magno Mistério” que a Fraternidade Rosacruz advoga: “Cristo não disse: ‘Bem fizeste, tu, grande e erudito filósofo que conheces a Bíblia, a Cabala, toda Filosofia Rosacruz e toda a literatura misteriosa que revela as intrincadas operações da Natureza’; mas Ele disse sim: ‘Bem fizestes tu bom e fiel servo, entra no gozo de Teu Senhor… Porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber’ (Mt 25:35). Perceba: não notamos uma só palavra acerca de conhecimentos.

Em várias outras ocasiões somos advertidos que não devemos olhar o próximo “por cima dos ombros”, já que aquele que, devido ao seu pouco preparo intelectual serve, simples e humildemente, ou seja, pode compensar com amor àquela carência. Esses irmãos e irmãs são ativos servindo.

São os atos, as ações e obras de amor Crístico e bondade verdadeira que constroem o Corpo-Alma. O conhecimento é bom quando usado e compartilhado para benefício do próximo, pois quando conservamos para nós mesmos, nos colocamos novamente em tonalidade com o egoísmo, fomentado pelos Espíritos Lucíferos que instigam toda a classe de atividade mental concreta (contaminada pelo Corpo de Desejos), com a finalidade de obterem conhecimento, à medida que o obtemos. Entretanto, canalizando todo conhecimento que obtivermos para edificação de nossos irmãos e das nossas irmãs, transformamos uma armadilha mortal em uma sublime benção.

Aqueles que trabalham e servem aos demais do modo como ensinado pela Fraternidade Rosacruz: amorosa e desinteressadamente, o mais anônimo que puder, esquecendo os defeitos do irmão e da irmã que está servindo, focando toda a sua atenção na Divina Essência que está oculta em cada um de nós e que, portanto, é a base da Fraternidade, então não necessitam que sejam impulsionados para a prática de boas ações, obras e bons atos. Necessitando-se de um estímulo extra se têm maior responsabilidade! Assim, se pergunte sempre: você está vivenciando esses Ensinamentos Rosacruzes?

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Razões da Falência do tipo de Amor que mais se pratica

Embora sejamos em realidade Espíritos, nossa atual condição humana de seres separados pela insensibilidade de corpos cristalizados pelas transgressões as Leis de Deus não nos permitem manter contato consciente e direto com nossa real natureza, enquanto estamos renascidos aqui. Sentimos uma profunda necessidade de superar essa separação e anular a angústia que ela nos provoca.

A solução é o amor, o verdadeiro amor – que nos une aos semelhantes, à Criação e a Deus – que é o amor Crístico!

As almas amadurecidas buscam o amor e não o encontram no exterior. É quando a Religião não se satisfaz mais com as fórmulas simples das Religiões que preconizam o Cristianismo Exotérico ou Popular.

Para dar mais amplo e racional entendimento do amor e da fé surgiu a Fraternidade Rosacruz. Ela preconiza o desenvolvimento paralelo da Mente e do Coração e mostra como isto é possível. O estudo da Filosofia Rosacruz nos previne contra os perigos do intelectualismo frio e pretencioso e nos revela, igualmente, as inconveniências do amor cego. Ela nos ensina o Cristianismo Esotérico.

Em realidade, o amor Crístico é algo que deve ser cultivado. Um estudo dos aspectos teóricos e práticos do amor Crístico iluminará, em muitos de nós, pontos obscuros e dúbios e ressaltará erros na maneira de pensar e agir, acerca desse fundamental problema.

O amor Crístico é uma arte. Porém, a maioria das pessoas tem a convicção de que é uma sensação agradável que se experimenta por acaso, algo em que se “cai” quando se tem sorte.

Vemos que todos o perseguem. Está sempre em voga. Mas quase ninguém pensa haver alguma coisa, a respeito do amor Crístico, que deva ser aprendida. Por que o povo pensa assim? Se atentarmos bem, há três premissas com que, consciente ou inconscientemente, isoladas ou combinadas buscam sustentar esse sofisma, origem de tantas desilusões.

A primeira premissa é esta: a maioria das pessoas pensa que o amor Crístico é mais uma questão de reunirmos recursos pessoais de atração, isto é, sermos requisitados, amáveis, admirados e não propriamente que devamos amar.

Na busca desse alvo, os seres humanos procuram o poder, a fama, a riqueza como meios de atração exterior e transitório. Muitos até advogam que “Deus nos criou para sermos ricos aqui”; portanto se somos ricos aqui sabemos amar, porque alcançamos o objetivo! Ambos os sexos cultivam maneiras agradáveis, conversações interessantes, prestativas, modéstia, inofensiva. Bem analisados, tais meios são os mesmos que hoje se empregam para “conquistar amigos e influenciar pessoas”. Isso que a maioria de nossa cultura considera ser amável é, essencialmente, uma mistura de ser popular e despertar atração física. Nada mais. Longe, bem longe, do amor Crístico.

A segunda premissa, por trás dessa atitude de que nada há a aprender a respeito do amor Crístico, é a ideia de que o amor Crístico é mais uma questão de termos sorte de achar uma pessoa que nos ame e pela qual sejamos amados. Não é, pois, uma faculdade que devamos desenvolver em nós. Tal atitude tem muitas razões enraizadas no desenvolvimento da sociedade moderna. Uma dessas razões é a grande mudança ocorrida com relação à escolha do “objeto do amor” (uma pessoa, uma família ou no máximo, um grupo escolhido). Muitos acham que o amor Crístico é o que se chama de amor romântico, que atualmente se confunde com atração sexual e que leva a paixão. Inclusive, nesse caso, nem se usa “Crístico” e, ainda bem”

Grande número de pessoas anda a procura desse dito “amor romântico”, da experiência pessoal de amor que acabe levando ao casamento ou a “viver juntos”. Mas esse novo conceito de liberdade no amor, na verdade, acentua a importância do “objeto do amor” em detrimento da importância da função, ou seja, da faculdade do verdadeiro amor que se deve cultivar, o amor Crístico. Os divórcios e separações aí estão a atestá-lo. Ainda neste parágrafo convém ressaltar outro aspecto da cultura contemporânea: a ideia de um contrato em que se faz uma troca mutuamente favorável. Cada um, em vez de amar, procura tirar um “lucro” na transação matrimonial, ou seja, uma boa soma de qualidades que sejam populares e muito procuradas no mercado da Personalidade. O que torna especificamente uma pessoa atraente depende da moda da época, quer física, quer mentalmente. Numa cultura em que prevalece a orientação mercantil, e em que o êxito material é o valor predominante, pouca razão há para surpresa no fato de seguirem as relações de amor humano os mesmos padrões de troca que governam os mercados de utilidades e de trabalho.

A terceira e última premissa que leva a ideia de nada haver para ser aprendido a respeito do amor Crístico, consiste na confusão entre a experiência inicial de cair “enamorado” ou “enamorada” e o permanecer no amor. Se duas pessoas estranhas uma à outra, como todos somos, subitamente derrubam os muros que as separam e se sentem próximas, se sentem uma só, esse momento de unidade é uma das mais jubilosas e excitantes experiências da vida, para quem tem estado isolado, fechado em si, sem amor. Mas raramente é duradoura. As duas pessoas se tornam bem conhecidas, sua intimidade perde cada vez mais o caráter miraculoso e seu antagonismo, suas decepções, seu mútuo fastio acabam por matar tudo quanto restava da excitação inicial. Ou seja, longe do amor Crístico!

O amor Crístico é exatamente o amor que Cristo nos ensinou, na Sua primeira vinda aqui entre nós e nos deixou todo um ensinamento de como devemos praticá-lo. O amor Crístico é aquele que nos faz se converter a nós mesmos em um canal mais perfeito para a recepção e disseminação desse sentimento e junto com a harmonia em todas as variadíssimas experiências da vida, sejam alegres ou tristes, exaltadas ou deprimentes. É um sentimento que faz com que cada pensamento nosso irradia o amor Crístico; cada palavra que proferimos vibra com amor Crístico; cada ato que fazemos é embelezado pelo amor Crístico.

Nós alcançamos o ápice de prática desse amor quando a Personalidade se torna subordinada a nós, o Ego (o Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui); quando a nossa natureza inferior – relacionada completamente com a vida pessoal que é efêmera – é subjugada e substituída por esse amor Crístico, de natureza superior, como, inclusive evidenciou S. João em seu Evangelho.

Afinal, é pelo amor Crístico (por cada um e por todos) que se baseia o serviço do sacrifício. Pois, ao contrário do que algumas correntes populares de ensinamentos indicam, o caminho do verdadeiro desenvolvimento espiritual não consiste em atrair para si mesmo o máximo de bens materiais, mas na realização da verdade de que “o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao próximo – focado na Divina Essência oculta de cada um (que é a base da Fraternidade) – é o caminho mais curto, mais seguro e o mais agradável que nos conduz a Deus”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Cura e o Perdão dos Pecados

Pouca gente imagina a possibilidade de uma relação entre a cura e o Perdão dos Pecados. Aliás, quase ninguém sequer cogita dessa realidade que é o Perdão dos Pecados.

Para começar, veja o que S. João relata no seu Evangelho (5:6-9): “Jesus, vendo-o deitado e sabendo que já estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: ‘Queres ficar curado?’. Respondeu-lhe o enfermo: ‘Senhor, não tenho quem me jogue na piscina, quando a água é agitada; ao chegar, outro já desceu antes de mim’. Disse-lhe Jesus: ‘Levanta-te, toma o teu leito e anda!’. Imediatamente o homem ficou curado. Tomou o seu leito e se pôs a andar.”.

Mas, como se define o pecado?

Objetivamente podemos afirmar que é uma ação contrária à lei. Se você pensou que estamos falando da Lei de Moisés, os Dez Mandamentos, pensou corretamente. A Lei, em verdade, é algo muito mais amplo e profundo do que o decálogo recebido por Moisés na montanha. É tão importante que o Cristo asseverou categoricamente que não viera revogá-la, mas cumpri-la. Ele a observou, mas propôs dois mandamentos que a abrangem e transcendem: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a Si mesmo.

Do ponto de vista esotérico, o pecado é uma transgressão a uma Lei da Natureza que é uma Lei de Deus. As Leis da Natureza se harmonizam e mantêm o equilíbrio no Cosmos. Toda vez que alguém as transgrida provoca um desequilíbrio e em consequência uma reação em forma de sofrimento e/ou dor. Portanto, a dor e/ou o sofrimento é uma maneira de aprendermos a lição da harmonia. S. Paulo, em sua Epístola aos Gálatas (6:7), afirmou: “O que o homem semear, isso mesmo ele colherá”.

A luz do ocultismo, se cometemos um erro somos inexoravelmente penalizados? Realmente não. O Perdão dos Pecados é um fato. Entretanto, há pré-requisitos para que ele opere. Um deles é a vontade aliada à iniciativa. Há necessidade de ação que se manifeste através do arrependimento, reforma e restituição.

Primeiro, o arrependimento. S. João Batista não pregou filosofias ou doutrinas. Sua mensagem era o arrependimento dos pecados cometidos. Era um meio de preparar as pessoas para o Cristianismo. Sabia que o Cristo ofereceria a Graça, o Perdão dos Pecados, mas isto depende da transformação da consciência de cada um. Arrependimento é uma mudança da Mente e do Coração em relação ao ato pecaminoso. Porém, o remorso exagerado é nocivo, debilitando as correntes do Corpo de Desejos e afetando as Glândulas Endócrinas. Vemos, então, como tudo depende de um processo interno.

Em segundo, a reforma íntima, pois só o arrependimento não é suficiente para o recebimento da Graça. Quem para no arrependimento fica apenas na intenção. É necessária uma ação efetiva, dinâmica, que se consubstancie na reforma de caráter. Isso ocorre quando transmutamos nossos maus hábitos nas virtudes opostas. Reforma íntima significa restauração, renovação e reconstrução. Envolve discernimento (e só conseguimos fazer isso se praticarmos cotidianamente o Exercício Esotérico Rosacruz de Observação e o seu complemento, o do Discernimento). É uma prova de valor e paciência. Quando nos transformamos internamente tudo se modifica em nossa vida.

Em terceiro, a restituição que é quando prejudicamos alguém devemos promover a restituição, a compensar, de alguma forma, o mal que lhe fizemos. Se não pudemos reparar, pela ausência do prejudicado ou outra razão qualquer, podemos fazê-lo servindo a outra pessoa. Eis porque a tônica da Fraternidade Rosacruz — serviço — tem um cunho libertador. O serviço focado na Divina Essência do irmão ou da irmã, prestado de uma forma amorosa e desinteressada (portanto, o mais anônimo possível) nos envolve na consciência da unidade. Através dele nos sentimos unos com toda a criação, nos tornando incapazes de ferir, ofender ou prejudicar qualquer ser vivo.

Libertamo-nos dos pecados quando em nossa consciência admitimos ter errado e nos propomos a não mais repetir a falta cometida. A evolução é fundamentalmente uma questão de consciência. O desenvolvimento dessa consciência ocorre principalmente através do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Quando estudamos o Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, descobrimos “que talvez esse seja o mais importante Ensinamento Rosacruz”.

O Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção nos oferece uma visão objetiva de nós mesmos. A constância e sinceridade com que é praticado acaba por limpar o nosso Átomo-semente do Corpo Denso das gravações indesejáveis ali impressas ensejando, assim, a evitar o sofrimento purgatorial. Se praticamos com fidelidade Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, partindo decididamente para: o arrependimento, a reforma e a restituição, demonstraremos ter aprendido as lições nesse renascimento aqui, não necessitando fazê-lo futuramente. Isto é o Perdão dos Pecados!

O ensinamento alusivo ao Carma, ensinado pelas escolas orientais, não satisfaz plenamente as necessidades humanas de quem escolheu nascer no ocidente! Os princípios Cristãos abrangem tanto a Lei de Causa e Efeito como o Perdão dos Pecados e satisfaz plenamente todas as necessidades que precisamos.

Esse ato volitivo começa com o Corpo Vital. Na Oração do Senhor (o Pai-Nosso) encontramos uma oração exclusiva para o Corpo Vital: “Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Através da repetição se forma a Alma Intelectual, importante no processo de criação de bons hábitos.

Um bom hábito é não reagir emocionalmente diante de uma situação ou circunstância desequilibrante ou de uma provocação. Se não reagirmos emocionalmente não estaremos implicados na questão e em suas consequências, além do que tudo isso diz respeito à nossa saúde. O pecado ou transgressão afeta a saúde.

Cristo deixou bem claro que o que quer que aconteça no exterior tem sua origem no padrão existente na Mente da pessoa. Se analisarmos todas as Curas efetuadas por Cristo verificaremos que três são as condições para que se realizem: 1) Não pecar mais; 2) Ter bom ânimo; 3) Ter fé. Portanto, tudo depende do estado de consciência de cada um, principalmente o Perdão dos Pecados e a saúde física, mental e emocional.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/fevereiro/1988-Fraternidae Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Sabedoria Ocidental: a tomada de juramentos

O “tempo antigo ou passado” refere-se ao regime jeovístico, predominante antes de Cristo tornar-se o Regente da Terra. Era a época de Jeová. Os indivíduos viviam debaixo da Lei, debaixo do preceito do “olho por olho, dente por dente”. Era ensinado aos judeus que um juramento não feito em nome de Deus não era válido (vide Mt 23:16-20).

Qualquer um que fizesse um juramento apelava a Deus como testemunha para julgar a veracidade de suas palavras e, portanto, ficando sob uma obrigação “ante o Senhor”. Fazer isso sem sinceridade era (“abjurar”) renegar ou tomar o nome do Senhor em vão. Admite-se a ocorrência de tal fato durante a onda de egoísmo que floresceu sob o regime de Jeová, a despeito da (injunção) imposição contrária. Daí tornar-se meio de fraude e de (eivar) contaminar a nossa linguagem com imprecações.

Cristo-Jesus nos deu um ensinamento superior: “Não jurar”. A palavra do verdadeiro Cristão é suficientemente verdadeira para dispensar o uso do juramento. Daí a admoestação: “Seja o teu falar: ‘Sim, sim. Não, não’” como aprendemos nos Estudos Bíblicos Rosacruzes nesse trecho do Evangelho Segundo S. Mateus, capítulo 5 e versículos de 33 a 37:

“Outrossim, ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor’. Eu vos digo, porém, que de maneira nenhuma jureis: nem pelo Céu, porque é o trono de Deus; nem pela Terra, porque é o escabelo de Seus pés; nem por Jerusalém, que é a cidade do grande Rei; nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes fazer um cabelo branco ou preto. Seja, porém, o teu falar: ‘Sim, sim. Não, não’. Porque o que passa disso é de procedência maligna”.

A interligação de ideias nos leva mais além. O tema em pauta é juramento. Juramento sugere palavra. E, para penetrarmos com maior profundidade no assunto, devemos compreender o significado completo do poder da palavra. À luz da Filosofia Rosacruz, a palavra falada por nós se manifesta como um microcosmos da palavra macrocósmica (que trouxe à existência o nosso Mundo). Daí a natureza sagrada do som articulado. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o uso das palavras para exprimir o pensamento é o mais alto privilégio humano, exercitado somente por uma entidade racional e pensante como somos nós. Um dos objetivos a se ter em vista pelo Estudante Rosacruz é aprender a falar a “Palavra de Vida e Poder”, o que todos nós concretizaremos em tempos futuros.

A Filosofia Rosacruz nos ensina também que no Período de Júpiter um elemento de natureza espiritual será adicionado à linguagem, afastando toda e qualquer possibilidade de equívocos. Quando um indivíduo dos tempos jupterianos disser “vermelho” ou pronunciar o nome de um objeto, uma reprodução clara e exata da tonalidade particular do vermelho a respeito do qual esteja pensando, ou do objeto referido apresentar-se-á à sua visão espiritual interna, se tornará também visível para aquele que o ouve.

O novo cálice mencionado como um ideal da época futura é um órgão etérico, construído dentro da cabeça e da laringe pela força sexual não empregada de forma egoísta. Tal órgão, à vista espiritual, aparecerá como o caule de uma flor ascendendo da parte inferior do tronco. Esse cálice ou semente do cálice é realmente o órgão criador capaz de emitir a Palavra de Vida e Poder. Esse órgão, estamos atualmente construindo por meio do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, ao irmão e a irmã ao nosso lado, conforme preconiza o Ritual do Serviço Devocional do Templo da Fraternidade Rosacruz.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Louvor e Condenação: Todos os dias as Oportunidades estão Batendo as Nossas Portas

A Fraternidade Rosacruz considera com grande importância o serviço atual que prestamos aos nossos semelhantes sempre amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível), focado na Divina Essência oculta tanto nos semelhantes como em cada um de nós – já que ela é a base da Fraternidade –, e muitas vezes surge esta pergunta: – Como posso servir aos meus semelhantes? Não vejo nenhuma oportunidade para isso.

Portanto, seria bom assinalar que por “serviço” não queremos significar uma grande ação espetacular, tal como saltar à frente de um carro em disparada e salvar uma criança de atropelamento ou, então, penetrar num edifício em chamas e salvar da morte os que estão em perigo de queimar-se.

Naturalmente, tais oportunidades não aparecem para todos, nem tão pouco são coisas de todo o dia; porém, todos, sem nenhuma exceção, têm oportunidade de servir realmente, sem importar o meio ambiente em que vivem. A linha de serviço que indicaremos é ainda de maior valor do que qualquer simples ato de salvar alguém da morte, que cedo ou tarde virá fatalmente para todos, pois, seguramente e de muito maior valor, ajudar as pessoas a viver bem do que ajudá-las meramente a escapar, uma vez apenas, da morte.

É um fato deplorável que sejamos, na grande maioria, egoístas a um grau extremo. Buscamos o melhor que há na vida sem nos ocupar em nada com nossos semelhantes. Estamos demasiados propensos a comparar nossas posses, nossas faculdades com os outros, e quando percebemos que eles têm mais do que nós ou que fizeram algo com mais sucesso, deixamo-nos tomar por um sentimento de ciúme e inveja que nos impele a falar deles com desprezo, ou de alguma maneira diminuir seu êxito ou sua realização, na ilusão de que assim fazendo nos elevamos ao seu nível ou o superamos.

Se por outro lado percebemos que eles não têm tanto como nós, ou a condição social deles parece ser mais baixa que a nossa, então é fácil estabelecer sua inferioridade e, portanto, adotamos logo uma atitude arrogante e falamos de uma maneira “condescendente”, pensando que por tais comparações nos elevamos muito acima das nossas condições atuais.

Se ouvirmos alguém falar mal de outrem, geralmente estamos prontos e dispostos a acreditar no pior, porque então, por comparação, parecemos ser muitos melhores, mais santos e, portanto, nos julgamos muito elevados sobre o réu. E onde o mérito esteja tão manifesto que não se possa evitar o elogio, geralmente o fazemos de má vontade, pois nos sentimos como se, ao louvar a outrem, nos tirassem algo de nós mesmos ou talvez o outro fique muito exaltado e nos “faça sombra…”.

Essa é a atitude geral do mundo. Por mais deplorável e lamentável que seja, isto é um fato, e entre a grande maioria da Humanidade, muitas pessoas parecem estar, unicamente, interessadas em que todos os demais fiquem para trás delas. Esta é uma das maiores manifestações de desumanidade do indivíduo com o indivíduo, o que faz com que uma grande parte tenha que lamentar-se, enquanto que a outra grande parte também se lamente por sua vez.

Que maior serviço pode alguém prestar aos outros do que adotar uma atitude sistematicamente de estímulo e de louvor? Não há nada mais verídico do que o sentimento expresso quando refletimos sobre que sempre há algo bom no pior irmão ou na pior irmã, assim como sempre há algo mal no melhor irmão ou irmã.

No lar, no trabalho e em toda parte encontramos, diariamente, pessoas que sentem necessidade de estímulo, como qualquer pessoa no mundo. Se alguém fez algo de bom e dizemos algumas palavras de apreço, essa palavra o ajudará a fazer ainda melhor na próxima vez. Se alguém fez algo que se define como mal ou fracassou, uma palavra de simpatia e confiança lhe dará novas energias que o estimularão a experimentar, mais uma vez, e alcançar o triunfo, exatamente com a mesma segurança que uma atitude de desalento pode arruiná-lo na vida, ao passo que uma palavra alegre poderia tê-lo salvado.

Quando alguém se aproxima de nós com histórias, falando mal de alguém, sejamos vagarosos em crer e mais vagarosos ainda para contar a outrem o que acabamos de ouvir. Esforcemo-nos, por todos os meios possíveis, por evitar que as pessoas que nos vem contar alguma coisa má continue repetindo a mesma história aos outros. Nada de bom pode resultar para nós ou para qualquer outro ouvir e crer em semelhantes histórias.

Esta linha de serviço pode parecer muito fácil à primeira vista, porém, convém considerar que, muitas vezes, será preciso uma grande dose de abnegação própria para agir assim, porque estamos todos tão imbuídos com o egoísmo que é quase impossível para a maioria de nós colocarmo-nos de lado totalmente, pondo-nos na posição de outros, dando-lhes o estímulo e louvor que tão ardentemente desejamos para nós mesmos.

Porém, se persistimos nessa atitude, e a realizarmos consistentemente com todos, em nosso meio ambiente, sempre fazendo o possível para dizer uma palavra de estímulo onde quer que encontremos a oportunidade, veremos que os outros virão a nós não somente com as suas penas, mas também com as suas alegrias; assim alcançaremos também alguma recompensa. Sentir-nos-emos, então, seu sucesso, e em todos esses êxitos de outras pessoas haverá uma alegria e um sucesso que legitimamente nos pertence, um êxito que ninguém poderá tirar de nós, algo que irá conosco para além do túmulo, como um tesouro espiritual.

Não devemos nos esquecer de que cada ato, por simples que seja, está gravado no Átomo-semente do nosso Corpo Denso em nossos corações, e o sentimento e emoção que acompanham esse ato.

Reagirão sobre nós na existência post-mortem, e toda essa alegria, todo o prazer, todo o amor que tenhamos vertido, por outras pessoas reagirão sobre nós no Primeiro Céu e nos proporcionarão uma experiência sublime. Isto desenvolverá em nós uma faculdade maravilhosa de dar mais regozijo aos outros, de poder servir mais e melhor. E recordemos que esta é a única grandeza verdadeira, a única grandeza que é digna de nosso esforço, a grandeza de alma que nos permite ser serviçais, servidores do mundo.

Acima de tudo, além de infundir ânimo e valor no trabalho dos outros, recordemos a parte de serviço que se relaciona com o evitar que os mal-entendidos e separações se propaguem. Quando alguém se aproxima com uma história dessas, falando mal de alguém, sem tomar em conta o que possamos pensar disso ou sem considerar qualquer justificação, tenhamos em vista que a repetição dessa história causará realmente um dano. Assim como uma bola de neve que roda de uma montanha abaixo vai acumulando mais e mais neve, crescendo e tornando-se cada vez maior, assim também a história que vai de boca em boca se exagera e acaba por causar tristeza e sofrimento. Assim, pois, um dos maiores serviços que podemos oferecer à comunidade é fazer todo o possível para que essas histórias, essas conversas malévolas, não continuem a circular; procuremos corrigir aqueles que vivem a forjar “histórias” e a falar mal dos outros por ignorância dos malefícios que produzem.

Muitos lares se têm destruído, comunidades têm sido desbaratadas, muitas pessoas têm abandonado suas oportunidades, suas obrigações e aspirações e ainda coisas piores têm acontecido devido a essas histórias que têm sido levadas de boca em boca. Portanto, podemos fazer um grande serviço recusando ouvir o falar mal dos outros, recusando ouvir “histórias” e murmurações, dando ânimo àqueles que fracassaram em suas ambições e elogiando, sinceramente, àqueles que tiveram êxito.

Todos os dias as oportunidades estão batendo as nossas portas, em qualquer lugar que estejamos, seja qual for à condição de vida que tenhamos.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1965 – Fraternidade Rosacruz –SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: É errado usar a Quiromancia, Astrologia ou Frenologia como meio de ganhar a vida financeiramente (seja por meios diretos ou indiretos)?

Resposta: O que é certo ou errado depende do ponto de vista do indivíduo. Há menos de cinquenta anos atrás[1], pensava-se que era certo matar um negro teimoso e fujão. O proprietário do escravo podia matá-lo e ficar impune, assim como pode hoje em dia matar um porco ou um boi. Hoje, consideraríamos isso um assassinato. Algumas pessoas hoje consideram a astrologia meramente uma questão de cálculo e a quiromancia[2] e a frenologia[3] como algum tipo de ciências materiais, sem qualquer significado espiritual. Quem assim vê essas ciências seria inocente se as usasse como meio de vida, enquanto qualquer um que tivesse obtido uma ideia do lado espiritual dessas ciências estaria, na opinião do autor, prostituindo seu conhecimento.

Além disso, ninguém que assim menospreza essas ciências espirituais pode dar o melhor e mais elevado conselho a seus “clientes”, pois “o brilho do ouro sempre obscurecerá o julgamento”.

Essa tem sido a experiência do autor e de muitos outros que têm as mesmas opiniões. O inquiridor, de qualquer forma, faria mal em usar seu conhecimento dessas ciências espirituais para ganhar a vida financeiramente (seja por meios diretos ou indiretos), pois sua pergunta mostra que ele deve ter dúvidas; e então ele já é julgado no seu interior, se prostituir seu talento.

Há uma recompensa que é muito maior que o ouro. Se usarmos nosso conhecimento para curar e ajudar, nunca nos faltarão meios de ganhar a vida financeiramente e estaremos acumulando tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem corrompem (Mt 6:19-21). Maiores e melhores oportunidades de serviço serão nossas, se dedicarmos nossos talentos ao serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã que estão ao nosso lado, esquecendo os defeitos deles e focando na divina essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade.

(Pergunta nº 154 do livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I” – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: antes de 1864 nos EUA.

[2] N.T.: A quiromancia é um método complexo de adivinhação e de interpretação de sinais baseados nas linhas da palma da mão e no seu formato, tamanho e textura.

[3] N.T.: Frenologia é uma pseudociência que envolve a medição de saliências no crânio para prever características mentais e a certos aspectos da personalidade.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Devemos ser Tolerantes

Dentre os pensamentos maravilhosos que compõem o Ritual Rosacruz do Serviço Devocional do Templo destacamos o seguinte: “Devemos esquecer diariamente os defeitos dos nossos semelhantes, e servir a Divina Essência neles oculta, o que constitui a base da Fraternidade”. Estas palavras encerram uma exortação à busca do lado positivo de todos nós. Contudo, podemos ir mais além, pois na realidade o ideal é procurarmos vislumbrar o bem em todas as coisas.

Como estudamos no Conceito Rosacruz do Cosmos, certa vez Cristo percorria os arredores de Jerusalém em companhia de seus discípulos. Em dado momento estes depararam com o cadáver de um cão, já em adiantado estado de decomposição. Ante aquele quadro nauseabundo todos expressaram sentimentos de desagrado, porém o Mestre impassível, afirmou: “As pérolas não são mais brancas que seus dentes”. Esta foi uma das mais expressivas lições que o Salvador nos legou. Contudo, não tem sido bem compreendida. Raras vezes percebemos o lado bom das coisas ou dos nossos semelhantes. É muito mais fácil notar as falhas alheias do que ponderar sobre os próprios defeitos. Essa tendência negativa nos coloca em constante atrito com os outros, formando ao nosso redor uma atmosfera de desarmonia.

Cada um nós é como que um diamante a ser lapidado. Embora muitas vezes coberto por uma crosta pouca atraente, que mais cedo ou mais tarde mostrará seu brilho. Deus, o grande lapidário, dispõe de diversos meios para remover a dita crosta. Deixemos de considerar a fealdade desta última e procuremos meditar sobre o fulgor interno.

Cada um de nós é uma lei em si mesmo. Não há dois de nós absolutamente iguais no mundo. Cada um renasce num ambiente diferente, passa por experiências também diferentes, o que acentua sua individualidade. Então, não temos o direito de querer padronizar o comportamento humano. Cada um de nós se encontra num determinado estágio evolutivo. “Até entre as estrelas existe diferença de esplendor” (ICor 15:41). É uma grande injustiça, de nossa parte, exigir de todas as pessoas um ajustamento aos nossos conceitos pessoais de ética. Nossa formação é, assaz, débil para alimentarmos tal pretensão. Nem sempre nossos conceitos de bem e de mal correspondem à realidade das coisas. Bem é o que nos deleita; mal é o que nos desagrada. Quão restritos são tais conceitos! Consideramos nossas aflições e experiências dolorosas como sendo um mal, e, no entanto, são elas que encerram lições marcantes, despertando nossa consciência para uma vida mais elevada. Precisamos de muita cautela quando julgamos os atos dos nossos irmãos e das nossas irmãs. Eis porque destacamos a tolerância como a virtude a ser cultivada por quem anela o aprimoramento espiritual, o verdadeiro Estudante Rosacruz.

É necessário que se esclareça que tolerância não é conivência com coisas erradas nem com certas distorções dos sentimentos humanos. Porém, entre criticar destrutiva e ferinamente, e orientar amorosamente há uma grande diferença. Uma orientação amigável só tende a fortalecer e alimentar as boas qualidades alheias fazendo com que as falhas morram de inanição. A tolerância sempre é um fator de preservação da paz e harmonia em nosso meio ambiente, seja no lar ou no trabalho.

Nem sempre a nossa compreensão e as nossas boas intenções são correspondidas inteiramente, porém, isto não constitui argumento para que busquemos o litígio. Um erro não justifica outro. Se alguém nos decepciona pelo modo como procede, isto não é problema nosso. Ante a Lei de Consequência cada um responde pelos seus atos. Não somos obrigados a errar, pois temos o livre arbítrio. Podemos perfeitamente optar por um curso de ação, porém, colhemos infalivelmente aquilo que plantamos.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1968-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O verdadeiro Cristão: o que busca a experiência, não a felicidade

Segundo Max Heindel, o propósito da vida é a aquisição de experiência, e não a busca da felicidade, porém, essa tem sido o alvo comum da humanidade durante os tempos. O viver em função de algo que geralmente se circunscreve às posses materiais, às posições transitórias, às sensações fugazes, acentua muito bem as causas dos problemas que afligem os seres humanos. É em vão que o ser humano almeja ser feliz, desconhecendo o que venha a ser a verdadeira felicidade, ignorando que ela seja antes de tudo um estado de alma. Balzac a define de uma maneira assaz sutil, afirmando que “toda felicidade é um misto de coragem e de trabalho”. Ela não é o objetivo que se atinge por meio da coragem e do trabalho, mas sim, a condição interna que se alcança quando se labuta corajosamente em prol de uma causa nobre. Ser feliz segundo o prisma espiritual é atingir uma condição transcendental a tudo aquilo que se restringe a concepções puramente materiais, decorrentes de impressões captadas pelos nossos sentidos físicos. A felicidade situa-se no campo das conquistas do espírito. É a consequência natural do aprimoramento interno, do contato com a Fonte de Vida, donde provém o amor, pedra basilar das conquistas imortais do ser humano. Que seria de nós sem esse amor?

O amor verdadeiro, irrestrito, universal, foi o princípio mais grandioso que Cristo nos legou, e somente por meio desse princípio é que poderemos atingir a cristificação. O amor, assim compreendido, pode ser manifestado de diversas maneiras, e uma delas é o serviço amoroso e desinteressado para com os demais.

O servir desinteressadamente, o labor canalizado a fins altruístas, é a máxima expressão do ideal Cristão, é a realização da felicidade. O trabalho assim dirigido aumenta o fulgor da Divina Essência inerente a todo ser humano, ao passo que a ação egoísta a ofusca. Os frutos do primeiro são perenais, ao passo que as condições obtidas por meio do agir egoísta são temporais. Altruísmo é amor, e esse é algo intrínseco ao ser humano cristificado. Ser altruísta é conservar-se fiel e alimentar-se da Divina Fonte do Amor.

Num mundo como este em que vivemos atualmente, em que o utilitarismo prevalece como denominador comum na soma das atividades humanas, ser altruísta, agir com isenção de interesses, ser como São Paulo, um apologista da suprema excelência da caridade, cultivar a virtude, é contrastar, muitas vezes, a inércia (status quo) vigente, é desajustar-se ante “a sociedade dos homens práticos”. Preceitos de “ética e moral são adaptados às exigências da sociedade da competição”, liberando e justificando as ações daqueles que anseiam atingir os píncaros do sucesso, por meio de manobras escusas, via de regra, em detrimento de outrem. Muitos anestesiam a própria consciência para poderem sobreviver nesta comunidade. São os que se ajustam a conveniência e convenções exteriores, despidas de imortalidade, meros pântanos que findam esperanças de uma felicidade.

O ser humano verdadeiramente cristificado luta, tenazmente, por romper todas essas barreiras. Procura expressar discreta e inteligentemente todas as suas qualidades por meio de seus atos. Age coerentemente com suas próprias convicções, procurando sempre harmonizar, almejando não tanto ser compreendido, mas compreender. Reconhecer-se como espírito, imuniza-se e permanece incólume a toda crítica ferina que lhe dirijam, pois sabe que essas distorções dos sentimentos humanos não podem atingir sua Essência.

O ser humano cristificado procura viver retamente dentro da sociedade moderna, embora muitas vezes sua filosofia de vida seja considerada obsoleta. Crê firmemente no valor da virtude e no poder que a coloca acima dos limitados conceitos humanos. Identifica-se com os preceitos Cristãos, não competindo, mas cooperando com todo e qualquer empreendimento que vise ao bem geral. Sabe discernir, sabe transigir, conhece-se e trata de extirpar gradativamente as próprias falhas, não as evidenciando nos demais, mas salientando-lhes as qualidades, para que essas se fortifiquem. Vislumbra a harmonia na bondade, a perfeição no amor e a beleza na simplicidade. Sua humildade, longe de confundir-se com subserviência, é antes de tudo uma mescla de ternura, energia e justiça.

Seu semblante espelha sempre a tolerância e a compreensão, pois reconhece que toda manifestação contrária ao bem e a justiça é fruto da ignorância.

Pensa sempre no melhor, almeja sempre o melhor, procura sempre tornar-se melhor e dá aos outros sempre o melhor. Seu amor não encontra limites, espargindo-se em todas as direções e a todos os seres da Criação. O ser humano que alcançou esse estágio evolutivo sabe perfeitamente que ninguém poderá ser excluído de ser amor, pois o ideal Cristão é, por excelência, unificador. Radicalismo, segregacionismo, divisionismo, sectarismo extremado, não se coadunam com o Cristianismo.

Quando alguém atinge essa condição, sua vida torna-se uma ardente e sublime oração. É um ser feliz, autêntico servidor de Cristo e da humanidade.

(Publicada Revista Serviço Rosacruz – julho/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)

Idiomas