Categoria Dicas e Práticas

porFraternidade Rosacruz de Campinas

As Duas Faces do Conhecimento

O conhecimento pode ser uma faca de dois gumes. Imprescindível ao nosso avanço em qualquer campo de atividade, se for mal-empregado atravancará nosso desenvolvimento. Pouco ou superficial, mesmo quando aplicado com a melhor das intenções, torna-se perigoso. Muito conhecimento, por outro lado, é conveniente apenas àquelas pessoas preparadas – elevadas espiritualmente – para recebê-lo, caso contrário, dará à pessoa uma noção exagerada de sua importância e capacidade de influenciar os acontecimentos. Em si mesmo, não é bom nem mau.

O conhecimento é acessível a todos aqueles que, sinceramente, se devotam a sua busca. Em toda Natureza nota-se uma realização lenta e persistente precedendo o desenvolvimento superior. Isto se aplica ao conhecimento estritamente físico como ao dos Mundos invisíveis à visão física. A pessoa que admite sua “ignorância já deu o primeiro passo no caminho do conhecimento”. Só podemos conhecer o superior quando compreendermos o inferior.

“Homem, conhece-te a ti mesmo”. Estas palavras estavam gravadas no frontispício do templo de Delfos na Grécia antiga, como uma lição e advertência. Para compreender o mundo que nos cerca temos de fazê-lo, primeiramente, com nós mesmos. Em assim agindo, conscientizar-nos-emos da verdade prática subjacente na chamada “Regra de Ouro”: “Não fazer a outrem o que não desejamos que nos façam” (Mt 7:12).

O conhecimento total de qualquer assunto requer um estudo intensivo. Renascemos inúmeras vezes no Mundo Físico, entretanto, quem o conhece em toda a sua complexidade – a grande maioria nem conhece totalmente a Região Química do Mundo Físico. Quiçá a Região Etérica? Que dizer, então, dos Mundos suprafísicos?

Obter conhecimento direto dos Mundos invisíveis é particularmente difícil para a Humanidade atual. É necessário querê-lo tão ardorosamente como uma pessoa que se afoga deseja respirar. Mas, não basta apenas querê-lo. Há outros requisitos necessários a sua obtenção.

O primeiro passo no caminho do Conhecimento Direto – método de aprendizagem preconizado pela Fraternidade Rosacruz – é a purificação dos nossos veículos, tornando-os cada vez mais sensíveis. Os Exercícios Esotéricos Rosacruzes noturno de Retrospecção e matutino de Concentração, ensinados pela Fraternidade Rosacruz, são importantes nesse processo, por abrirem vias de aperfeiçoamento de caráter e sensibilização.

O desenvolvimento do sexto sentido ou Clarividência voluntária nos coloca no umbral do conhecimento direto. São as primícias do trabalho realizado pelo Aspirante à vida superior, ao longo de muitos anos ou, quiçá, de muitas vidas!

A aquisição do conhecimento encontra-se estreitamente relacionada com o Corpo Vital e tem, necessariamente, que se alimentar da vida fundamentalmente derivada de produtos do veículo etérico, ou seja, a força sexual criadora e o sangue. Por esta razão, os Ensinamentos Rosacruzes sempre reiteram que todo desenvolvimento oculto principia pelo Corpo Vital.

Há muito que dizer a respeito do conhecimento. Mas, se queremos evidenciar uma lição moral a respeito do mesmo, podemos fazê-lo nestes termos: o conhecimento implica em grande responsabilidade, e a quem muito é dado, muito será exigido.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1982 – fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Aplique os Princípios Espirituais

Como Aspirantes à vida superior no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, deveríamos sempre encontrar uma forma de aplicar os Ensinamentos Rosacruzes em nossas vidas diárias. Isto não significa, necessariamente, alardear convicções ou tentar converter nossos amigos e familiares. Estamos falando da capacidade de levar os tais às pequenas coisas, de modo a dignificá-lo na nossa vida cotidiana.

Tomemos, por exemplo, uma passagem do Ritual do Serviço Devocional do Templo: “Para atingirmos essa realização, esforcemo-nos por esquecer, diariamente, os defeitos dos nossos irmãos, procurando servir à divina essência neles oculta, o que é a base da fraternidade“. Poderíamos questionar-nos a respeito desses Ensinamentos Rosacruzes procurando encontrar uma maneira de levá-los à prática.

Primeiramente, o que significa para nós “divina essência” recôndita em cada um de nós? Se pudermos defini-la, teremos compreendido a base daquele Ritual. A divina essência, assim expressa, é o Cristo Interno: “Não sou eu quem vive, mas o Cristo vive em mim” (Gl 2:20). Esta é uma força de amor Crístico e coesão, assim como as forças cósmicas mantêm harmonia em nosso Sistema Solar e a Terra em sua órbita. Pensemos nisto por um momento. Temos dentro de nós uma fagulha da Fraternidade Universal. Essa consciência constituirá, certamente, um fator de mudanças em nosso relacionamento com os demais.

Alguns dirão, não obstante: “Eu trato com pessoas de caráter débil ou de Mente estreita. Como posso valer-me dessa compreensão para equacionar certos problemas?”. “O misticismo é um formoso sonho, mas enfrento problemas reais com pessoas reais”. Isso reflete uma compreensão errônea acerca dos assuntos espirituais. Certamente a vida apresenta seus percalços e temos de encará-los. Poderemos optar pelo caminho mundano, reagindo negativamente, pagando o mal com o mal, etc. Ou, então, afirmar: “Este é o meu destino. Eu o mereço pelo que fiz em vidas passadas”. Ambas as atitudes são inconvenientes ao extremo!

Para o Aspirantes à vida superior, a solução é agir conforme preceitua o Ritual do Serviço Devocional do Templo, buscando o Cristo Interno. Se tivermos problemas com alguém, peçamos ajuda ao Cristo Interno. Podemos dirigir-nos ao templo interior, solicitando auxílio além da experiência externa. Então, quando enfrentarmos o indivíduo ou a situação teremos fortaleza interior ou a informação necessária com as quais poderemos manejar a dificuldade. Ao mesmo tempo, e isto não é fácil, esforcemo-nos   por comunicar-nos com o Cristo Interno na outra pessoa. Não nos preocupemos com seu aspecto pouco atraente. Procuremos apenas a divina essência. Sintamos a força Crística dentro de nós, tratando de irradiá-la nesse contato, apelando para o Cristo Interno em nosso semelhante. Não é necessário dizer alguma coisa, porém, isto influenciará o resultado.

Talvez devamos mudar nossos pontos de vista. Estamos procurando a verdade, não só para os demais, mas para nós mesmos. A Vontade do Cristo pode não se conformar com nossos desejos pessoais. Contudo, se formos receptivos, isto em si mesmo, ajudará a resolver o problema.

Sugerimos aos Aspirantes à vida superior a tentarem uma experiência. Tomem um incidente complicado ou ponha-se em contato com a pessoa complicada, tratando de comunicar-se com o Cristo Interno. Procure ver qual o efeito produzido sobre o problema. Provavelmente, você também concluirá que os princípios espirituais podem e devem ser aplicados na vida diária, ajudando assim a todos os interessados.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1983 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Bem do “Mal”


Não se revolte contra as adversidades nem se alquebre diante delas.

Busca isto sim, o bem que nelas existe. Diz-se que elas são injustas, dolorosas: sinal de que ainda não está maduro e não compreende as Leis de Deus. Não que seja um castigo dos céus. Deus é um “Pai” perfeito e não castiga. Sua voz, dentro de nós, está constantemente a nos chamar, como o magnetismo do norte a uma agulha de bússola. Estamos aprendendo a nos orientar e temos o direito de experimentar todas as direções. Mas, verificamos que quanto mais nos afastamos para o sul, tanto mais sentimos o vazio que os prazeres do mundo não podem preencher.

As causas são seus desvios. A Lei de Consequência é automática: para cada causa, um efeito correspondente. Não pode dizer que suas vicissitudes sejam um mal. Elas o estão advertindo!

Não as escuta?

Acaso a repulsão é um mal, quando age nos planos inferiores buscando nos alertar contra os enganos?

Acaso é mau um fogo se nos queima os dedos que inadvertida ou propositadamente colocamos nele?

A lei é lei. Quanto mais nos afastamos tanto mais fortemente age, na tentativa de nos mostrar o verdadeiro sentido. Como um mero impulso, não dói. O que dói é o nosso desejo egoísta de continuar errando, de não “voltar ao norte”, de não nos conformarmos em deixarmos velhos hábitos, vícios e apegos.

Analisa sua vida. Acha ela boa? O que é o bem? E do que gosta? Ou é o que é realmente bem, independentemente de seus gostos?

O bom, o belo e o verdadeiro são objetivos, independentes de nós, míseros mortais. Quem somos nós para ditar as leis de harmonia? Estamos apenas aprendendo e quanto mais sabemos, tanto melhor vamos percebendo esses atributos, porque sendo eles eternos e perfeitos como Deus, eterna também deve ser a nossa busca.

Seja em primeiro lugar sincero contigo mesmo. Medite, e o seu Cristo Interno o iluminará. Ao perceber suas falhas terás dado o primeiro passo. Depois, se arme de coragem para se reformar, expulsando de seu templo interno, os ladrões de seu sossego.

Devemos ser Cristãos verdadeiros, intrínsecos, embora não seja fácil compreender e aplicar as Leis do Amor a Deus e ao próximo.

Não pense em si. A revolta, a incompreensão, as mágoas só existem quando julgamos estar sendo injustiçados. Mentira. Tudo aparente. Tudo egoísmo. O que nos parecem males e inimigos são instrumentos de nossas correções. O semelhante atrai o semelhante. Despoja-se do egoísmo e vive o bem, com discernimento. Difícil? Quanto mais difícil lhe parece, mais perto está da realização, porque mostra que começa a compreender a luta interna de suas naturezas opostas. Nossa natureza animal só luta quando ameaçada de extermínio. A lei de preservação existe em todos os planos.

Não desanime. Nossa vida atual é de alternâncias: noite e dia, verão e inverno, tristeza e alegria, tudo transitório, até que o eixo de nossa vida coincida com a trilha eterna da evolução. É a época decisiva! Temos de resolver; ou servimos a Deus ou ao mundo. Não podemos servir a dois senhores!

Desconfie das facilidades e comodidades da descida, porque, se continuada, poderão lhe levar aos “portais do inferno”. Alegre-se com as asperezas e dificuldades da subida, porque elas lhe levam certamente a maiores alturas. E à medida que sobe, as névoas dos vales pecaminosos vão se desanuviando e enxergará melhor, percebendo que o aparente bem era um mal e que o aparente mal lhe era um bem. Quanto mais subir, mais vastos horizontes se descortinarão ante seus olhos, lhe dando forças para prosseguir.

Além disso, não estamos sozinhos. A seu lado estão seres compassivos e sábios, deixando que aprende a andar com suas próprias pernas, porque é um Deus em formação e seu destino é glorioso. Tenha fé! “O Senhor é o Bom Pastor, não nos faltará!”.

Esqueça a si mesmo e se dê aos demais, com discernimento. Olha a seu redor, mais vale a “terra fértil do que a pedra”; mais “a árvore frutífera do que a estéril”; o grau evolutivo se mede sempre pelo serviço amoroso e desinteressado (assim, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã ao seu lado, focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade. A árvore dá simplesmente. Não se queixa das podas, porque não tem uma Mente enganosa como nós. E, contudo, também nós somos podados por jardineiros sábios, para que fortaleçamos em todos os pontos e possamos dar melhores frutos. Sejamos humildes! Quem somos nós para julgar?

Deus e Sua Sabedoria estão manifestos claramente. Basta que os saibamos ver. Alegre-se de suas quedas porque elas lhe ensinam mais do que os outros meios.

Leve, orgulhosamente, seus arranhões como medalhas. E quando cair outra vez, se levante sem lamúrias. Só os fortes recebem provas maiores.

O “único fracasso é deixar de lutar”! O tempo de que dispomos os recursos financeiros, sentimentais, intelectuais, físicos, tudo enfim, que temos e não nos pertencem em realidade, porque somos simples administradores e aprendizes neste mundo, todos esses valores devem ser postos conscienciosamente a serviço de nosso próximo, a começar por nossa família, prevenindo os perigos do egoísmo, da vaidade, que amiúde deturpam seu emprego. Seja, pois, compreensivo e amoroso servidor!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Significado para: “Buscai, primeiro, o Reino de Deus”

Nunca é demais ressaltar a importância de estarmos em Deus a cada instante. Só Ele pode resolver os nossos problemas, da forma como devem ser resolvidos. Só Ele nos poderá orientar para o certo, nos iluminar em nossas atividades, para acertarmos o maior número de vezes possível.

Porém, é preciso que não se confunda esta entrega com inércia, supondo que, ao colocarmos nas mãos de Deus os nossos problemas possamos descansar na cômoda impressão de termos transferido, também, a Ele as nossas tarefas. Longe disto. Nossos deveres nós não os podemos negligenciar, até pelo contrário, quanto mais ativos nos mantivermos procurando dar de nós a cada momento do dia, tanto mais estaremos nos tornando merecedores da Sua confiança e do Seu merecimento. Sim, porque para estar em Deus, é preciso merecer Deus.

Como repetimos todas as vezes que oficiamos o Ritual do Serviço Devocional de Cura da Fraternidade Rosacruz que: “num vaso sujo não pode haver água pura e saudável, nem pode uma lente manchada dar uma imagem nítida“. Da mesma maneira, se não nos tornarmos merecedores de Deus, nem cumprirmos bem todas as nossas tarefas, com sinceridade e pureza, nem procurando ajudar sempre com isenção de ânimo, nem nos tornando um elemento útil e de boa vontade no contexto geral, nossas portas internas manter-se-ão fechadas ao ingresso d’Ele.

É claro que: “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” (At 17:28). E esta asserção não invalida o que foi dito acima. O caso é que nem todas as pessoas são sensíveis à presença de Deus nelas. E é a essa sensibilidade, a esse contato que deve ser empreendido constantemente, que nos referimos antes. Estar em Deus é, pois, ter consciência da presença de Deus em nós. E sóabriremos a nossa consciência para senti-Lo cada vez mais próximo, sempre que estivermos atentos para não perder nenhuma oportunidade de realizar o Bem. Porque o Bem é o reflexo de Deus, e realizando o Bem estaremos realizando Deus, atraindo mais força d’Ele, maior contato, mais luz e, consequentemente, maior ajuda d’Ele.

Na verdade, quanto mais nos elevamos e mais puro nos tornamos, menos necessidade terá de nos preocuparmos em pedir auxílio à Deus. Porque o fato de se realizar n’Ele já nos coloca em condições de não precisar pedir, pois, tendo a Ele em nós nada mais necessitaremos; já teremos tudo.

É por isso que o próprio Cristo nos ensinou ao proferir: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). É isso. O Reino de Deus está em nós, dentro de nós, e é só precisamos tomar consciência disto. Esse acréscimo quer dizer: todos os nossos desejos, intenções se realizarão, inclusive a aspiração de bem Servir, segundo a disciplina de “Buscai o Reino de Deus…”

Eis porque a Filosofia Rosacruz nos orienta a procurarmos aumentar a nossa consciência pelo serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e a irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, e que é a prática dos Ensinamentos Cristãos que Cristo Jesus deixou e que os Irmãos Maiores nos transmitiram por meio dos Ensinamentos Rosacruzes detalhados na Fraternidade Rosacruz.

Sabemos que, para isto, não nos serão necessários grandes exercícios! Dois são os mais importantes: o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção e o Exercício Esotérico Rosacruz matutino de Concentração. O resultado da persistência em fazer tais exercícios vai nos ajudando na realização da prática das coisas boas, que vamos descobrindo por meio dos referidos Exercícios e de nosso tipo Serviço detalhado acima no mundo.

Aliás, a prática constante do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção vai mudando nosso caráter e, automaticamente, nosso destino, por isso dizemos que caráter é igual a destino! Eis aqui uma explicação lógica das palavras de Cristo: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”

Assim, o que é exigido de nós estará sempre dentro das nossas possibilidades, pois seremos nós mesmos, com o nosso esforço no bem viver, que delinearemos as bases do nosso progresso e, consequentemente, do nosso merecimento. Quanto mais trabalharmos para acertar o pé no mundo em que vivemos, tanto mais despertaremos nossa consciência Crística, crescendo internamente, construindo nosso Cristo Interno, colocando-nos, assim, em posição de atrair para nós tudo àquilo que deverá ser nosso, tanto espiritual como material.

Por isso, nosso cuidado maior não deveria ser com as “coisas materiais”, mas com o nosso preparo interno, porque só esse preparo, essa vivência da espiritualidade Cristã que buscamos e realizamos em nós coloca-nos em condições de receber tudo o mais que Deus sabe que necessitamos.

Tomemos nota: quanto mais nos elevarmos, tanto menos falta vamos sentindo das coisas materiais e tanto mais nos vamos aproximando da nossa herança divina.

Não vá agora, alguém, por outro lado, sentir-se inibido pensando que, se por fazer algum pedido a Deus, estará com isso provando a sua incapacidade de estar n’Ele. Pensar assim seria fruto de nosso orgulho, porque é preciso uma boa dose de humildade para admitir as nossas limitações. O que deve servir-nos de escopo é o fato de sabermos que agindo sempre no bem, estaremos em progressivo desenvolvimento para aquele estado de graça, que nos coloca em posição de desenvolver cada vez mais o Cristo Interno.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz” – outubro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pureza: um Ideal a ser Diuturnamente Cultivado

Falar em pureza nos dias de hoje pode até parecer um contrassenso. Para o ser humano comum este tema será recebido com ironia. Não poderia ser outra a atitude predominante diante do bombardeio de apelos ao sexo e aos vícios desencadeados pelos meios de comunicação.

Não estamos exagerando ao afirmarmos que grande parte da população já está condicionada a tudo o que é degradante. E isso ocorre sob conivente complacência de quem deveria zelar para que tal não acontecesse.

Não pretendemos insinuar que as pessoas, em sua quase totalidade, são moralmente tíbias. Queremos crer que a maioria seja bem formada e intencionada. Mas a repetição contínua dos bombardeios apelativos acaba, fatalmente, por alcançar o subconsciente, findando por obscurecer as boas qualidades. Eis porque o vício se converte numa segunda natureza.

Com pesar notamos alguns indivíduos intelectualmente bem dotados, e outros até estudiosos do espiritualismo, conhecedores dos benefícios de uma vivência pura, se deixar dominar por vícios e maus hábitos de toda espécie.

Não basta conhecer a verdade e almejá-la. Entre compreender e almejar há uma grande distância. Os profissionais de saúde, em geral, conhecem muito bem a higiene e as enfermidades ou doenças. “Conhecem”. Acabam, porém, adoecendo e sofrendo tal como os ignorantes do assunto.

Muitos Estudantes Rosacruzes sabem discorrer brilhantemente acerca de temas transcendentes, mas, incoerentemente, vivem como pessoas comuns. Parecem encontrar-se muito distantes dos princípios que tanto alardeiam.

Por quê? Porque falta a reforma interior, capaz de atingir o subconsciente. Em primeiro lugar, não possuem a fibra e a coragem necessárias para encetarem uma transformação purificadora em seu íntimo. É mais fácil ceder e condescender. São teóricos do espiritualismo, nada além de teóricos.

Não só o Cristo, mas os nobres cavaleiros de nossos ideais estão ameaçados. Parsifal[1] continua lutando e sofrendo pelo mundo, sem poder usar a espada a seu favor. Amfortas continua sofrendo as dores do remorso. A flor aberta, na fachada do Templo de Salomão[2], espera pacientemente pelos puros de coração.

A realização da pureza antecede uma jornada de lutas e quedas. Os valorosos engolem o pó do caminho, mas não desistem. Lamentavelmente muitos ficam. As dores sempre encerram uma lição. Exercita-se a pureza na batalha diária da existência, em meio aos pequenos desafios da vida. Quem não se esforça e morre sem lutar não merece o “Valhala” das bem-aventuranças. Não pode desfrutar da verdade nem provar a sabedoria.

Como aprendemos na Fraternidade Rosacruz que na atualidade, a força sexual criadora (exceto a quantidade insignificante que é necessária para a propagação da Onda de Vida humana para renascer aqui em um Corpo Denso) deveria ser transmutada em Poder Anímico. Portanto, vamos continuar, insistentemente, no caminho da pureza, para que não nos vejamos em situação pior que irmãos e irmãs que abusam, renascimentos por renascimentos, da força sexual criadora.

Enfim, a pureza é um ideal a ser diuturnamente cultivado.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). Foi sua última ópera completa. Wagner descreveu Parsifal não como uma ópera, mas como um Festival para a Consagração do Palco. A grafia de Parsifal feita por Wagner em vez do Parzival que ele usou até 1877 é informada por uma etimologia errônea do nome Percival derivando-a de uma origem supostamente persa, FalParsi significando “tolo puro”. A ópera se passa nas legendárias colinas do Monte Salvat, na Espanha, onde vive uma fraternidade de cavaleiros do Santo Graal. O mago negro Klingsor teria construído um jardim mágico povoado com mulheres que, com seus perfumes e trejeitos, seduziriam os cavaleiros e faria com que eles quebrassem seus votos de castidade, e teria ferido Amfortas, rei do Graal, com a lança que perfurou o flanco de Cristo, e todas as vezes em que Amfortas olha em direção ao Graal sente a ferida arder. Tal redenção só poderia ser realizada por um “inocente casto” (significado da palavra “Parsifal”). Este, em sua primeira aparição na ópera, surge ferindo um dos cisnes que purificavam a água do banho de Amfortas, e a todas as perguntas que os cavaleiros lhe fazem responde dizendo que não sabe de nada, nem ao menos seu nome.

Parsifal atravessa o jardim mágico de Klingsor e é seduzido pela amazona Kundry, que ora é uma fiel serva do Graal, ora é escrava de Klingsor. Ao beijá-la, sente os estigmas das feridas que afligiam Amfortas e, quando Klingsor atira a lança contra ele, a lança dá a volta em seu corpo, e todo o castelo mágico é destruído. Tempos depois, tendo os cavaleiros se convencido de que ele é o “inocente casto” que faria a salvação, Parsifal cura as feridas de Amfortas e o destrona, assumindo a nova condição de rei do Graal.

[2] N.R.: Refere-se ao símbolo do Querubim, com a flor aberta colocada sobre a porta do Templo de Salomão, que transmitia a mensagem para o Aspirante à Vida Superior de que a pureza é a chave com a qual, por si só, ele pode ter a esperança em abrir a porta que conduz a Deus; ou como Cristo se expressou: “Bem-aventurados os puros de Coração, porque eles verão a Deus.” (Mt 5:8).

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Conversa em Mount Ecclesia: como devo servir?

Quem quer que esteja acostumado a conviver com Estudantes Rosacruzes certamente já deve ter ouvido esta pergunta:

“Como devo servir?”. E, pela frequência com que essa pergunta é feita, poder-se-ia concluir que todas as oportunidades foram avidamente aproveitadas; mas confesso, com pesar, que não é bem assim.

Você se lembra daquela música Cristã muito apreciada, “Guia-me, Luz Bendita”[1], que contém o verso: “Eu amava escolher o meu próprio caminho”? É assim que agimos, a maioria de nós. Há apenas certas coisas que gostamos de fazer, e aquele velho clamor infantil — “Eu não quero” — nos vem aos lábios ou ao coração quando nos sugerem uma forma de serviço que não nos agrada.

Ou, às vezes, o grito nasce do medo: “Ah, eu não consigo fazer isso”, esquecendo-nos do nosso lema: “se andarmos na Luz, como Ele na Luz está, seremos fraternais uns com os outros”. Temos um poder muito maior do que se trabalhássemos sozinhos; e, por trás de tudo, está a força de Nosso Deus-Pai.

Se quisermos seguir a ordem do nosso Mestre, Cristo, devemos ser servos — ou aqueles que servem — de todos. Observe bem: servos, não escravos. O escravo é impelido ao trabalho pelo açoite; o verdadeiro servo serve por amor, como uma honra e um privilégio. Às vezes, ansiamos pela oportunidade de servir a uma grande personalidade, a um instrutor ou a um escritor; contudo, a alma do ser mais humilde da Terra é tão preciosa para Nosso Deus-Pai quanto qualquer outra, e a honra de servi-Lo é igualmente grande — e as oportunidades para isso surgem aos montes, todos os dias.

Mas voltemos à pergunta: “Como devo servir?” A Parábola dos Talentos[2], no capítulo 25 do Evangelho Segundo S. Mateus, ensina-nos que o serviço deve ser realizado com todos os talentos que Nosso Mestre, Cristo, nos concedeu. Nenhum talento ou dom pode ficar guardado; todos devem ser utilizados. Lemos no Livro do Gênesis que Deus nos deu Corpos — o “Primeiro Dom”. Depois, soprou neles o fôlego da Vida — o “Segundo Dom”. E, em seguida, o dom do movimento, da audição, da visão, do olfato, do paladar, do tato e muitos, muitos outros dons ou talentos para serem usados ​​a serviço do próximo. Mas a maior de todas as dádivas é a Vida Eterna, por meio de Seu Filho, Cristo. Se aceitarmos esses dons — ou talentos — um a um e os utilizarmos em sua plenitude a serviço de Cristo, não teremos motivo para fazer a pergunta com a qual começamos. As oportunidades surgirão em tal abundância que as horas, os dias e até mesmo a própria vida parecerão curtos demais.

Retomando a Parábola: aquele que usou todos os seus dez talentos recebeu mais — e assim acontecerá conosco; a visão, a audição e todas as outras faculdades serão ampliadas além da nossa compreensão. Além disso, novos dons nos serão concedidos. Mas não nos esqueçamos de como utilizar esses talentos: o serviço deve ser prestado ao próximo, amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) e focado na Divina Essência oculta em cada um de nós que é a base da Fraternidade. Afinal, perdemos aquilo que gastamos apenas conosco!

Imagine que, na próxima semana, cada um de nós se empenhe em utilizar, a cada dia, um talento em sua plenitude a serviço dos outros. Pode ser o nosso canto ou a nossa música; pode ser a costura ou o trabalho da terra; a agudeza da visão, a precisão da audição, o talento para a organização, para o amor Crístico ou para promover a harmonia no lar. Cada um deles certamente proporcionará um serviço repleto de alegria.

A resposta para a pergunta “Como devo servir?” só pode ser dada por você mesmo. Somente você sabe o que é capaz de fazer e até que ponto pode levar o seu “Templo Vivo” a corresponder aos seus reais anseios, a do Ego, o que realmente somos. Outros podem lhe oferecer sugestões, mas apenas você poderá dizer, ao final do dia, ao seu Corpo cansado: “Muito bem, servo bom e fiel“[3]. Sirvamos com todas as partes do templo: o cérebro, a voz, as mãos e os pés. O serviço realizado fora do Templo não tem tanto valor quanto a entrega de si mesmo. Podemos adaptar as palavras de Lowell[4], em “Visão de Sir Launfal” e dizer: “O serviço sem aquele que serve é vazio”. Talvez você pergunte: a quem devemos prestar serviço? Encontramos a resposta no Ritual Rosacruz do Serviço Devocional do Templo: “Serviço amoroso e desinteressado para com os outros” — isto é, para a Humanidade; mas a Humanidade tem duas faces: a física e a espiritual. A qual delas devemos servir? Prestamos muitos serviços no plano físico da vida, provendo alimento, vestuário, abrigo, lazer e assim por diante. Lemos que devemos “procurar servir a Divina Essência oculta em cada um de nós” do Templo físico; mas só podemos servir por meio do Templo físico porque a Divina Essência — o nosso aspecto espiritual— está oculta em nosso interior. Portanto, devemos alcançá-la por meio de nossos pensamentos, ou seja, do motivo subjacente ao ato de servir.

Se nossas vidas forem consagradas ao serviço deve ser prestado ao próximo, amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) e focado na Divina Essência oculta em cada um de nós que é a base da Fraternidade, atrairemos oportunidades da mesma forma que um ímã atrai limalha de ferro.

 (Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de dezembro de 1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: Guia-me, Luz Bendita, em meio à treva que me cerca,

Guia-me Tu!

A noite é escura e estou longe do lar,

Guia-me Tu!

Guarda os meus passos; não peço ver

O horizonte distante; um passo me basta.

Nem sempre fui assim, nem pedi que Tu

Me guiasses;

Eu amava escolher e ver o meu caminho; mas agora

Guia-me Tu!

Eu amava o dia resplandecente e, apesar dos medos,

O orgulho regia a minha vontade. Não te lembres dos anos passados!

Por tanto tempo o Teu poder me abençoou; certamente ainda

Me guiará.

Por charcos e pântanos, por rochedos e torrentes, até que

A noite se vá,

E com a manhã sorriam aqueles rostos de anjos,

Que amei há muito tempo e perdi por um breve instante!

[2] N.T.: 14Pois será como um homem que, viajando para o estrangeiro, chamou os seus próprios servos e entregou-lhes os seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um de acordo com a sua capacidade. E partiu. Imediatamente, 16o que recebera cinco talentos saiu a trabalhar com eles e ganhou outros cinco. 17Da mesma maneira, o que recebera dois ganhou outros dois. 18Mas aquele que recebera um só o tomou e foi abrir uma cova no chão. E enterrou o dinheiro do seu senhor. 19Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e pôs-se a ajustar contas com eles. 20Chegando aquele que recebera cinco talentos, entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me confiaste cinco talentos. Aqui estão outros cinco que ganhei’. 21Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’” 22Chegando também o dos dois talentos, disse: ‘Senhor, tu me confiaste dois talentos. Aqui estão outros dois talentos que ganhei’. 23Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’ 24Por fim, chegando o que recebera um talento, disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste. 25Assim, amedrontado, fui enterrar o teu talento no chão. Aqui tens o que é teu’. 26A isso respondeu-lhe o senhor: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que eu colho onde não semeei e que ajunto onde não espalhei? 27Pois então devias ter depositado o meu dinheiro com os banqueiros e, ao voltar, eu receberia com juros o que é meu. 28Tirai-lhe o talento que tem e dai-o àquele que tem dez, 29porque a todo aquele que tem será dado e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem será tirado. 30Quanto ao servo inútil, lançai-o fora nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!’

[3] N.T.: Mt 25:21

[4] N.T.: James Russell Lowell (1819-1891) – poeta romântico, crítico, satírico, escritor, diplomata e abolicionista americano.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Terra de Ninguém

Na terminologia de guerra, “Terra de Ninguém” significa a faixa de terreno situada entre a linha mais avançada de trincheiras dos exércitos em combate; uma área que ninguém pode atravessar, vindo de qualquer um dos lados, sem ser alvejado; onde os mortos permanecem e de onde, se possível, os feridos são retirados furtivamente durante a noite.

Ela sonhava, mas sabia que estava acordada e fora de seu Corpo Denso. Ao seu redor havia uma luz brilhante, e ela estava com sua mãe muito amada, que havia partido muitos anos antes. A mãe vestia uma túnica resplandecente e seu rosto irradiava luz. Elas conversavam sobre certos pontos dos Ensinamentos Rosacruzes quando a Sonhadora começou a ler em voz alta um poema intitulado “Terra de Ninguém”; à medida que prosseguia na leitura daquela descrição sublime, visões belíssimas se descortinavam, e o poema parecia transformar-se gradualmente em realidade. Sua mãe, tomando-a pela mão, conduziu-a a uma esfera de luz indescritível, onde reinavam a felicidade e a bem-aventurança perfeitas. Ela disse: “Esta é a ‘Terra de Ninguém’, e recebe esse nome porque não pertence a nenhum ser humano, raça ou nação em particular. Aqui, todos são irmãos.”. Elas permaneceram juntas no limiar e contemplaram o cenário; a Sonhadora viu miríades de seres, todos vestidos como sua mãe e com o mesmo amor radiante transparecendo em seus rostos, enquanto uma voz lhe dizia: “Aqui somos todos um, embora tenhamos vindo de todas as nações e países da Terra. Não existem inimigos aqui”.

Enquanto observava, a Sonhadora viu pessoas que, assim como ela, estavam no limiar contemplando aquela multidão gloriosa, mas que retornavam à Terra para suas atividades cotidianas. À medida que se aproximavam de seus corpos, pareciam esquecer o que haviam visto. Ela perguntou à mãe a razão disso, e ela respondeu: “É porque ainda não aprenderam o que é necessário para permanecer aqui”. Então, a Sonhadora começou a sentir-se atraída para baixo, em direção ao seu próprio corpo, embora contra a vontade dela. Ela disse: “Diga-me, mãe, o que devo fazer para ficar aqui? Não quero ir embora”. A mãe respondeu: “Você deve voltar e cumprir seu dever diário; ainda não é hora de você permanecer aqui. “Você deve voltar e cumprir seu dever diário; ainda não é hora de permanecer aqui. Mas leve o Cristo consigo e viva n’Ele e para Ele; assim, você terá sempre livre acesso a esta esfera gloriosa onde tudo é amor, paz e serenidade.”

Enquanto a Sonhadora retornava ao seu corpo, sua mãe lhe dirigiu um sorriso radiante de despedida e seguiu para aquela região gloriosa. Mas a Sonhadora, ao abrir os olhos para este mundo, soube que não fora um sonho, e sim que lhe fora concedido o grande privilégio de ver além do véu e trazer consigo essa lembrança.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de dezembro de 1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Frutos da Vivência Cristã

É deveras gratificante avaliar como o trabalho desenvolvido pela Fraternidade Rosacruz vem rendendo “frutos” apreciáveis em todo o mundo! Nosso júbilo não se deve exclusivamente ao crescimento gradativo do número de Estudantes Rosacruzes. Há um fator mais importante, merecedor de maior destaque: são os resultados obtidos mediante a aplicação, no quotidiano, dos Ensinamentos Rosacruzes fielmente, como temos documentado nos livros da Fraternidade Rosacruz, particularmente os de autoria de Max Heindel e Augusta Foss Heindel.

Frequentemente ouvimos expressões de admiração e gratidão emitidas por Estudantes Rosacruzes. Fazem questão de realçar o papel importante que a Filosofia Rosacruz desempenhou e continua a desempenhar em suas vidas, por estimulá-los a uma reforma interior – base de todo e qualquer progresso. A descoberta do Cristianismo Esotérico, como preconizado pela Fraternidade Rosacruz.

Alguns relembram seu passado sofrido, suas dificuldades de relacionamento, quando no lar ou no trabalho viviam em constante atrito com as pessoas que os cercavam. Relatam as danosas consequências desse negativismo: inimizades, perda de valiosas oportunidades de ascensão profissional, lares quase desfeitos, frustrações. Com entusiasmo narram transformações operadas após o conhecimento da Fraternidade Rosacruz. Aprenderam a ser mais compreensivos em relação às falhas alheias. Tornaram-se mais vigilantes com as próprias.

Notaram como as coisas, ao seu redor, se modificaram. Aquele estado de franca “beligerância” ou de “paz armada”, para com os outros, converteu-se em entendimento. A vida assumiu um novo significado.

Outros Estudantes Rosacruzes frisam, e suas palavras deixam escapar o calor de uma sincera gratidão, a melhora de sua saúde como a suprema graça alcançada na Cura Rosacruz.

Recordam, às vezes com os olhos umedecidos, o quanto padeceram presos a doenças e enfermidades.

Depois de adotarem um regime alimentar mais natural – isento de carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins), bebidas alcoólicas e estimulantes – puderam realmente desfrutar de uma vida mais plena e feliz.

Inicialmente encontraram uma certa dificuldade para livrar-se dos maus hábitos. Não era para menos. Os hábitos perniciosos, se mantidos durante anos, criam raízes, tornam-se “de casa”, passam a integrar nossa própria natureza. Erradicá-los demanda tempo e muita perseverança.

Com o passar dos anos, porém, constataram a transformação para melhor. Hoje gozam de boa saúde e proclamam essa verdade.

Há aqueles que se sentiam profundamente infelizes com suas vidas: alguns reveses, principalmente financeiros, roubaram-lhes a autoconfiança. Tornaram-se inseguros, indecisos.

As oportunidades que lhes surgiam amedrontavam-nos ao invés de estimulá-los à ação.

Viam os colegas de trabalho como rivais oportunistas ou competidores. Os parentes, estes pareciam escarnecer de seus fracassos, levando-os a um desespero maior. Com o tempo deixaram-se prostrar num lamentável estado de apatia, desânimo e imobilismo. Eis que por intermédio de alguém, ou por algum outro meio, entraram em contato com a Fraternidade Rosacruz. Inscrevem-se, iniciando o trilhar do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, se capacitam por meio dos Cursos, estudam incansavelmente e começam a enxergar uma realidade até então desconhecida: somos uma célula integrante do macrocósmico Corpo de Deus.

Fomos dotados de todos os atributos divinos! Possuímos esses atributos divino em forma latente e por meio da peregrinação pelas várias etapas da evolução nos tornaremos onisciente. Somos herdeiros de todas as promessas celestiais. De forma alguma renascemos para ser obrigatoriamente infelizes, pobres coitados sujeitos aos caprichos do destino.

Pelo contrário. Nosso futuro é grandioso. Os sofrimentos atuais nada mais são do que os frutos da nossa ignorância, e uma gama de lições a serem aprendidas. Assim, o conhecimento das Leis de Deus e sua justa aplicação traduzida em pureza, amor e serviço nos ensejam, aqui e agora, mudar nossa vida para melhor.

Afinal: “o único pecado é a ignorância”.

E, como aprendemos na Filosofia Rosacruz: “o único fracasso é deixar de lutar”. E “a única salvação é o conhecimento aplicado”.

Dessa maneira, muitos se encontraram na Fraternidade Rosacruz.

Afirmam ter descoberto a “fórmula mágica” responsável pela benéfica transformação ocorrida em suas vidas. “Fórmula mágica”? Mas a Filosofia Rosacruz não é um conjunto de verdades antiquíssimas em novas roupagens?

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1976 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Alquimia Espiritual: o que é isso na Sua Vida

As linhas irradiantes de força, invisíveis à visão física, permeiam o Corpo Denso e formam a nossa Aura. A coloração dessa Aura é distinta em cada pessoa em um matiz fundamental e demonstra o grau de evolução de cada um.

Para muitas pessoas esse matiz fundamental é vermelho, semelhante ao de um fogo lento; é um sinal da índole emotiva e passional.

A Aura das pessoas em elevados graus na escala da evolução que já estão em altos níveis do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz apresenta um matiz fundamental de cor alaranjada, o vermelho das emoções, mesclado com o amarelo do intelecto. Entretanto, como resultado da consciente ou inconsciente alquimia espiritual que realizam ao longo do caminho do progresso e das experiências da vida, experiências que ensinam a sujeitar as emoções ao domínio da Mente, acabam por se emancipar dos marcianos Espíritos Lucíferos, cujas cores são escarlates e vermelhas. E, assim, esmaece o matiz fundamental da Aura, na medida em que, consciente ou inconsciente, vão se identificando com o Espírito unificador e altruísta de Cristo que vibra em áurea cor.

O nimbo de luz amarelada com que os artistas dotados de visão espiritual aureolavam a cabeça dos santos é a representação física de uma promessa espiritual que se cumprirá em todos os seres humanos, embora só aqueles a quem chamamos “Santos” verdadeiros o tenham conseguido. Depois de lutar durante muitas vidas contra as próprias paixões, perseverar pacientemente em boas obras, constância em propósitos elevados, os verdadeiros santos atuais conseguiram ultrapassar o raio vermelho e se encontram imersos nas vibrações douradas do raio de Cristo.

Os pintores medievais dotados de visão espiritual, ao representarem a citada transmutação, rodearam as cabeças dos Santos de uma auréola dourada, como sinal de libertação do poder lucífero de Marte, assim como do poder de Jeová, com a função de Deus de Raça, e seus Arcanjos como Espíritos de Raça, pertencentes a uma etapa de evolução da Onda de Vida humana e do nacionalismo (povo, nação, patriotismo).

Os Espíritos Lucíferos encontram sua expressão no ferro do sangue. O ferro é um metal marciano, tão difícil de colocar em alta vibração que é necessário o penoso esforço de muitas vidas para que o produto da sua combustão tome a cor dourada da Aura pura dos Santos. Quando tal se consegue, se consuma o magno processo da alquimia ou transmutação do metal inferior em ouro, ao mesmo tempo que os resíduos da Terra se convertem na maravilhosa liga do Mar de Bronze (aquele que no Tabernáculo no Deserto era também chamado de Lavabo da Purificação e que, já no Templo de Salomão era um imenso reservatório de água, usado simbolicamente para representar a união espiritual e a purificação da Humanidade). Então, só faltará abrir as comportas para que o jorro flua.

A cor natural do ouro é o raio de Cristo, que encontra sua expressão química no elemento Solar chamado oxigênio. No Caminho de Evolução para a Fraternidade Universal, todos nós, mesmo os que não professem uma Religião determinada, teremos em nossas Auras o matiz dourado, sob impulsos de altruísmo partidos do ocidente. S. Paulo dá a entender isso, ao dizer: “Cristo há de formar-se em vós” (Gl 4:19).

Quando soubermos formar a “liga” por meio de vidas espiritualizadas e vibrarmos em completa harmonia com Cristo, seremos semelhantes a Ele e estaremos aptos a abrir os crisóis do Mar de Bronze.

Cristo, na cruz, Se libertou por meio dos centros espirituais situados nos lugares onde lhe pregaram os cravos e de outros centros ainda. Aquele que prepare o Mar de Bronze receberá instruções quanto ao modo de romper os laços e se elevar as esferas superiores. Essa frase está de acordo com a admonição de Cristo, quando disse que, para chegar a ser seu Discípulo é preciso deixar pai e mãe. Essa é uma das mais simbólicas frases do Evangelho e geralmente mal interpretada, porque a reportam aos pais vida após vida física, quando, na verdade, significa algo muito diferente no ponto de vista esotérico.

Para bem compreender, recordemos que quando o ferro foi introduzido no nosso organismo físico e, com isso, produzimos o sangue vermelho e quente e nós, o Ego, pudemos ter controle sobre o nosso Corpo. Assim, quando o sangue vermelho se desenvolveu, na última parte da Época Lemúrica, nosso Corpo Denso se tornou ereto e, então, chegou o momento em que nós pudemos penetrar no nosso Corpo e governá-lo, de dentro.

O Sol, o centro da vida, governa o gás vivificante chamado oxigênio que se combina com o ferro, metal marciano. Cristo, o senhor do Sol, é também o Senhor da vida. Quando pela alquimia espiritual, chegarmos a ser como Ele, alcançaremos a imortalidade. A morte não terá mais domínio sobre nós. Isso não significa que os Corpos de quem alcança a imortalidade não tenham que morrer. Nós, o Ego, dominaremos completamente o nosso Corpo, usando-o durante séculos, até que nos convenha tomar outro. Outrossim, pelo mesmo processo de alquimia espiritual, teremos a capacidade de formar um novo Corpo Denso, se desprendendo do já velho e gasto.

A passagem do Adepto dos domínios da morte para o reino da imortalidade está simbolizada no arrojado salto de Hiram Abiff, ao se precipitar no mar ardente de metais fundidos e na passagem pelos nove Estratos do Planeta Terra que também fazem parte do Caminho da Iniciação. Também está simbolizado no batismo de Jesus, e depois do Gólgota, na descida à região subterrânea onde o seu Corpo Vital está esperando o dia do segundo e definitivo advento de Cristo.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1979 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Caminho mais Curto

Em nosso formoso “Ritual do Serviço Devocional do Templo” repetimos essa alegação muito definida: “O serviço amoroso e desinteressado para com os outros é o caminho mais curto, mais seguro e mais agradável que conduz a Deus”.

Sim, ouvimos este ensinamento todas as vezes que oficiamos tal Ritual, frequentemente em nossos lares, gostando de pensar em nós como quem serve todos os dias.

Contudo, quantas vezes paramos para considerar o que também aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes: que não é somente o serviço que é necessitado? Estudamos em palavras que não deixam dúvidas: a qualidade especial do serviço que nos conduz adiante nesse Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.

Consideremos os meios variáveis de serviço. Há o que poderíamos chamar de “serviço comercial” ou trabalho prestado com o propósito de colher uma vantagem correspondente. Tudo muito bem e valioso na sua maneira, mas, lamentavelmente, insuficiente na exigência espiritual.

Depois, há o serviço prestado não tanto para obter recompensa, porém, como um senso de dever ou necessidade, o cumprimento de uma obrigação àqueles que servíamos talvez. Ainda que isto seja muito estimável, não significando que diminui o mérito, contudo, ainda não preenche totalmente o requisito da exigência espiritual.

E, depois, aí há o mais elevado espécie de serviço, o “amoroso, desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), ao irmão e à irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade” exemplar, além do qual exige muita persistência, perseverança e disciplina para pode chegar a essa condição de desenvolvimento.

Repare, pois, o significado dos dois adjetivos. Primeiro, o mais elevado serviço, o “amoroso”. Na nossa ansiedade de servir, e talvez na nossa ansiedade de alcançar o nosso próprio desenvolvimento, tantas vezes passamos por cima do “amoroso” e, contudo, isso é a palavra-chave do nosso “Ritual do Serviço Devocional do Templo”.

Temos, às vezes, curiosidade, o que significa a palavra exatamente? A palavra “amor” é tão abusada que é difícil impedir que se torne confuso.

O conceito comum, como tendo algo que ver somente com o sexo, naturalmente não necessita consideração.

Outra opinião errada do amor, como algo impotente, débil e ingênuo se aproxima do inexato! Infelizmente está nesta conexão que tantas imagens tentando retratar o Mestre, Cristo Jesus, mostram-No como débil e ineficaz, ao passo que exatamente o contrário é o caso. Ele era forte e vigoroso (poderoso), sensível e benévolo, sim, mas estas últimas características são realmente sinônimas de poder e coragem. É por isso que quando designamos a palavra “amor” nos Ensinamentos Rosacruzes, fixamos no adjetivo que reforça o real significado dessa palavra: o amor Crístico!

O poeta Tennyson, no “In Memoriam”[1] demonstra isso claramente na seguinte parte:

“Poderoso Filho de Deus,

Amor imortal

A quem nós, que não cheguemos a ver Sua Face

Pela fé e unicamente pela fé, concebemos.

Crendo aonde não podemos provar”.

Sim, o amor Crístico é o cume de poder benévolo. Se nos detemos a considerar, acharemos que mesmo nos mecanismos que dizemos brandura segue de mãos dadas com força. Pense na onda de poder num motor de alta potência, tão macio, tão silencioso, todavia, tão irresistível.

Nós, que desejamos nos expressar apropriadamente, esquecemos às vezes isto, dando assim, a impressão de afirmação própria, quando estamos meramente tentando expressar o poder do amor Crístico?

Talvez a palavra melhor que podemos usar é “compaixão”, nas ocasiões quando Cristo Jesus se dedicou para curar os doentes ou enfermos e os sofredores, quando Ele derramou o poder do Seu amor, Ele “tinha compaixão deles” (ou seja: Ele sentia a união entre o sentimento de empatia pela dor do outro e a vontade ativa de ajudar a diminuir esse sofrimento).

E depois esta outra palavra: abnegação. E aqui queremos dizer: a renúncia voluntária e completa dos nossos próprios interesses, desejos ou nossas vontades em favor de outra pessoa. É o oposto exato do egoísmo, pois representa uma forma profunda de altruísmo e desprendimento pessoal.

Não, não é fácil esquecer-se completamente de si mesmo (que é a prática da abnegação). Gostamo-nos de se sentir virtuosos, tirar pouco mérito pelo que fazemos.

Bem, podemos de bom grado entendê-lo, desde que nós somos ainda humanos. Mas, precisamos eventualmente elevar-nos acima mesmo disso até o ponto aonde o nosso serviço é prestado, sem pensarmos conscientemente em nós, sem mesmo o sentimento que estamos fazendo “algo bom”.

Quando vimos que tem algo que ser feito, fazemo-lo! É quase uma tragédia que o esquecimento próprio é confundível tão frequentemente com “desinteresse”. Desinteresse é bom, muito bom – mas tantas vezes participa do sentimento de sacrifício próprio ou glorificação de si mesmo – não é mesmo?

Nós todos já sofremos nas mãos de pessoas realmente boas que se tornaram tão agressivamente desinteressadas ou considerarmo-las tão “interessadamente desinteressadas”, boas pessoas que talvez ainda não se elevaram até o ponto onde possa esquecer-se de si mesmo nas suas boas ações.

Sejamos pacientes com elas; elas têm as melhores intenções e, não há dúvida, elas fazem um total considerável de benefícios. Todavia, se nós colocamos os nossos pés no “mais curto, mais seguro e mais agradável caminho que nos conduz a Deus” precisamos caminhar mais um pouco, mais alto e nos esforçar para se esquecer de nós mesmo totalmente no nosso servir.

Reconhecemos que a Oração, a oficiação dos Rituais dos Serviços Devocionais Rosacruzes e a prática dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes são todos extremamente valiosos, mas também reconhecemos que por si mesmos não são suficientes sem o “serviço amoroso esquecendo-se de si próprio”. E nunca esquecemos que por ser o “amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), ao irmão e à irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade, o caminho mais curto e mais seguro que nos conduz a Deus, contudo, ao mesmo tempo seja lembrado a nosso encorajamento também, que é o caminho “mais agradável” que nos leva diretamente à Deus.

Oxalá aprendamos segui-lo mais amorosamente, mais desinteressadamente e, sobretudo, mais alegremente! Afinal, o “único fracasso é deixar de tentar”.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – maio/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: In Memoriam A.H.H. é um longo poema escrito pelo poeta inglês Alfred Tennyson, terminado em 1849. Escrito ao longo de 17 anos, é considerado como um reflexo da sociedade vitoriana da época, discutindo muitos dos temas polêmicos da altura, que começavam então a ser questionados. Trata-se da obra em que Tennyson atinge o auge da musicalidade dos seus versos, e em que a sua experiência poética se completa, sendo considerada uma das grandes obras poéticas da Grã-Bretanha do século XIX.

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