A oração é o elo entre nós e Deus; somente pela oração podemos alcançá-Lo. Cuidamos de nossas tarefas diárias, cumprimos nossos deveres à medida que surgem diante de nós, mas sempre enquanto trabalhamos, devemos estar orando, se quisermos ter sucesso e cumprir nosso dever como devemos.
A oração é o desejo sincero do Coração de fazer em todas as coisas como desejaríamos que fosse feito a nós; esforçando-nos dia após dia para viver melhor nossas vidas e com mais sucesso para que possamos olhar para trás e não encontrar algo de que nos arrependamos. Para que cada ato, obra ou ação possa nos inspirar a fazer maiores esforços e nos aperfeiçoar.
O doce pássaro cantor, entoando seu canto na árvore ou no arbusto, está absorto em amor e oração a Deus, sabendo que será alimentado, abrigado e protegido; mas ajuda as orações correndo de um lado para o outro, conseguindo o alimento e o abrigo que lhe foram reservados tão abundantemente.
A abelha ora pelo sucesso em sua coleta de mel para armazenar e guardar para as abelhinhas, trabalhando até que a própria vida seja sacrificada ao seu grande esforço. A formiga trabalha dia após dia, continuamente apressada para deixar o lar pronto para as novas vidas que o ocuparão, sempre caminhando firmemente pelo caminho bem feito, acumulando provisões para o tempo de necessidade, orando e trabalhando para cumprir sua missão de amor em nosso belo mundo.
A flor reza quando floresce em sua beleza e enche o ar de fragrância, um verdadeiro sopro de Deus que nos alegra e ajuda a admirar Suas obras. Ela estabelece um exemplo para nós, para que possamos fazer de igual maneira — dar de nós mesmos para ajudar os outros, contentes por estarmos fazendo isso sem consideração por nós mesmos, sabendo, como a rosa, que se formos cortados, nós desempenharemos nossa parte conforme Deus decretou, não importando como ou quando isso possa acontecer, pois estaremos satisfeitos, sabendo que realizamos nossa missão.
Até mesmo o rio, cheio de águas turvas e barrentas, está manifestando o amor e o cuidado de Deus, pois seu canal foi feito para tornar possíveis nossos lares e nossas colheitas. Essa é outra oração: fazer o trabalho que lhe foi destinado, apressando-se para cumprir sua parte e então unir-se ao grande oceano, onde será um com aquela grande massa de água; cantando seu próprio réquiem como morte para o riacho, mas um cântico de alegria por ser um com o grande pai das águas. Ele desempenhou nobremente sua parte, regando, refrescando as flores, as árvores, a relva e todo o crescimento das terras mais elevadas, encharcando e fazendo germinar as sementes que foram semeadas tão abundantemente para que nós e o animal, a ave, o peixe, o réptil, o anfíbio e o inseto pudessem ser auxiliados e ter uma oportunidade de maior progresso na evolução. Ele não tem do que se arrepender e desempenhou positivamente a sua tarefa, embora alguma relva, planta ou algum arbusto eventualmente tenha sido sacrificado em sua corrida impetuosa. Mas o maior número foi servido e ajudado.
É fácil ver que a oração é o desejo sincero, o desejo que não será desviado, o desejo de fazer aquilo que fomos enviados aqui para fazer. Viver de acordo com os mais elevados pensamentos e ideais que foram implantados dentro de nós pela própria mão de Deus, desejando a cada dia desempenhar, cada um a sua parte, o trabalho diante de nós com mãos dispostas e corações amorosos, satisfeitos quando tivermos êxito, pensando menos em nossa recompensa e mais nos projetos para melhor realizar, e na maior medida, o trabalho que estamos aptos a fazer.
Olhamos ao nosso redor para aqueles que tiveram sucesso na vida e descobrimos que seu sucesso não foi marcado pelo dinheiro ou pela posse de coisas materiais, mas foi o resultado de vidas cheias de amor e boas ações, sendo a colheita uma de grande ganho no crescimento da alma, ações que podem levar consigo em sua jornada posterior e que os levará, por sua grande força e em seu movimento pendular, cada vez mais em direção às alturas, o objetivo de todos os nossos anseios.
O sucesso para cada um de nós só pode ser medido dessa maneira. Todos seremos alimentados e vestidos, mas o acúmulo de objetos ou artigos mundanos não nos ajudará em uma só partícula na obtenção da vida de Cristo. No entanto, devemos trabalhar; mas não com o propósito de acumular riquezas ou tesouros para esta vida; nosso objetivo é ajudar na evolução da própria Terra e de tudo aquilo que contribui para torná-la completa, pois somente à medida que a Terra evoluir para estados melhores, mais sublimes, seremos providos de um ambiente mais propício à nossa evolução. Portanto, não importa o que fazemos, seja para a planta, o animal ou o ser humano, para a Terra ou para Deus; tudo, afinal, retorna a nós como “pão lançado sobre as águas”. Com certeza nós colhemos aquilo que semeamos (Gl 6:7) e “Deus dá o crescimento”.
Ao nos associarmos àqueles seres humanos que tiveram sucesso em alcançar maiores alturas de espiritualidade, ao lermos sobre os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, vemos que suas vidas foram uma longa e fervorosa oração por luz e orientação; eles ouviram e atenderam a resposta, sempre cumprindo o dever mais próximo, escutando a “pequena voz silenciosa” para saber qual seria a próxima tarefa a realizar, esquecendo o “eu inferior” pelo desejo de seguir as diretrizes da voz interior e de deixar o Cristo Interno viver em cada palavra e ato. Somente assim o mais elevado pode ser alcançado.
O Cristo em nós – o Cristo Interno – é o Deus entronizado em nossos corações, sendo nossos Corpos o Seu Templo (Lc 17:21); enquanto trabalhamos, vigiamos e oramos, Ele ordena nossas vidas; se seguirmos Sua orientação, nada além do sucesso poderá coroar nossos esforços. No esforço honesto e sincero para fazer da melhor maneira possível o trabalho que precisamos fazer e que encontramos por toda parte ao nosso redor, devemos nos voltar para a voz orientadora do Cristo e nos colocar no caminho certo, se inadvertida ou equivocadamente começarmos de maneira errada; isso é válido porque se estivermos vivendo de tal modo que toda a nossa confiança esteja em Deus-Pai, Ele não permitirá que sigamos pelo caminho errado sem um aviso ou, dando atenção aos avisos, o sucesso acompanhará nossos esforços.
Até mesmo nossa vinda para a Fraternidade Rosacruz foi e continua sendo uma oração, pois percebemos que cada um de nós ajuda no trabalho e tem uma oração no Coração, uma oração que nos ajuda a fazer a nossa parte dignamente; cada um sabe que, conforme semeia, assim colhe; caso o sucesso perfeito não coroe nossos esforços, quem julgaria quão longe ou perto do êxito chegamos? Ninguém pode julgar senão Deus; não temos o direito de avaliar os outros, pois quem pode ver os recessos do Coração e saber o que está ali?
Para o mundo exterior pode parecer que não estejamos realizando muito espiritualmente ou até mesmo nós próprios podemos sentir desânimo ou desapontamento por não termos sido capazes de realizar tudo que desejávamos. Mas sabemos quão grandes foram as provações; pensávamos estar preparados para elas, porque nos falaram da sua magnitude, mas mesmo assim falhamos de muitas maneiras, apesar dos avisos e de termos fortalecido a nós mesmos na preparação para enfrentá-las e vencer. Até mesmo nós próprios, conhecendo tudo o que veio e foi embora, todos os nossos esforços, fracassos e nosso – para nós – pequeno sucesso, podemos ter pouca ou nenhuma ideia nem podemos julgar se subimos mais alto no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Somente aqueles que estão acima de nós podem dizer.
A coisa que devemos fazer, entretanto, é continuar tentando. Não importa quantas vezes falhemos, se vemos e sabemos por que falhamos, já ganhamos com isso. Se continuarmos e tentarmos novamente com esse conhecimento diante de nós e resolvemos não deixar que a mesma coisa nos faça tropeçar novamente, mesmo que falhemos repetidamente, ainda assim, se tentarmos cada vez mais tornar nossa vontade mais forte, finalmente seremos capazes de vencer e deixar de cometer os mesmos erros.
Você consegue imaginar a alegria pelo sucesso dos nossos esforços? Todos nós já vimos isso — o esforço de alguém para romper um mau hábito, as provações e os fracassos, a ajuda estendida pela família e pelos amigos, a vitória final e, então, como cada um e todos se alegram por uma vitória conquistada; cada um ajudará o vencedor a recuperar suas oportunidades perdidas, ajudando com tudo que o amor e a boa vontade puderem conceber.
É exatamente assim quando conquistamos uma vitória sobre o “eu inferior”. Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz colocarão oportunidades em nosso caminho e nos ajudarão a compensar tudo o que perdemos em tempos passados. Essa única vitória mostra que todos podem ser vitoriosos sobre o “eu inferior”, se fizermos o necessário e tão grande esforço. A alegria nos Céus então é grande e somos encorajados pela força que adquirimos. Mas nossos fracassos foram recentes demais para que sejamos excessivamente confiantes; ainda assim, como aquela grande vitória nos encoraja!
Quando paramos e analisamos aquilo que foi tão difícil para vencer, realmente nos admiramos de que tenha sido assim; parece algo tão pequeno e insignificante. Nós mesmos dissemos e tantas vezes: “Se eu fosse tão próximo da perfeição quanto aquela pessoa, eu venceria aquela única falha, mesmo que exigisse toda a força que tenho”. Sem dúvida outros disseram o mesmo a nosso respeito.
Estamos deixando de considerar o grande esforço que deveríamos fazer em nossas próprias vidas, pois cada um de nós, não importa quão livres de faltas possamos sentir ou pensar que somos, ainda tem aquela batalha decisiva a vencer: a vitória sobre o “eu inferior” e suas fraquezas. Alguns têm faltas e deficiências de um tipo e outros, de outro; mas acreditamos que, em todos os casos, sem exceção, elas podem ser abrangidas pela palavra: “egoísmo”.
Isso nos mostra o que deve ser feito para nos tornarmos aquilo que desejamos ser. Que importa o que os outros pensam, fazem ou dizem, ou como fazem as coisas? Eles são responsáveis por seus próprios atos. Se fizermos o nosso melhor em todas as circunstâncias, nossa será a recompensa; se o outros querem tudo à nossa própria maneira, pois bem, não temos de vencer por eles.
Alguns de nós chegaram ao ponto em que podemos ver o egoísmo que nos impulsiona, mas é doce e gratificante ter nossa própria maneira de agir em tudo, por isso não tentamos vencer. No entanto, quando percebermos que isso nos impede de avançar, então oraremos e trabalharemos sinceramente para fortalecer nossa vontade e garantir o sucesso.
Se permitirmos que faltas ou hábitos nos dominem, abriremos o caminho para que os pensamentos de outros na mesma direção nos influenciem e diariamente, a cada hora, nossa tarefa se tornará mais difícil. Também existem entidades no lado invisível da Natureza que se esforçam para nos manter no velho caminho e enquanto mantivermos uma atitude negativa elas aumentarão em número, agravando nossa fraqueza.
Parece mesmo que um enorme esforço deve ser feito, mas ele será o coroamento e daí em diante todas as coisas serão possíveis, pois continuaremos orando e, ao fazer o esforço, ajudaremos a responder às nossas próprias orações.
Muitos pensam que seja correto e necessário orar por toda espécie de coisas que, se possuídas, produziriam mais mal do que bem. Mas se orarmos por força para viver nossas vidas em conformidade com a Vontade Divina, há pouco mais pelo que precisamos orar, pois Ele prometeu: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua Justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. E realmente serão, em medida muito maior do que teríamos pedido.
Não é essa a função do ouro e das pedras preciosas que foram colocados na Terra? Por que todas as belas flores, árvores e os belos pássaros canoros de plumagem tão bonita estão aqui? Por que a música, a arte? Apenas por uma simples razão: Deus nos ama, somos Seus filhos. E, como qualquer pai afetuoso, Ele derrama sobre nós o que há de melhor para nos fazer amá-Lo mais e manter nossos corações e pensamentos com Ele; para nos mostrar de maneira bondosa e amorosa o que somos para Ele; para que não desejemos deixá-Lo ou abandonar Seu lar; pois Ele é capaz e mais do que disposto a nos dar tudo aquilo de que precisamos, quando precisamos e se precisamos.
No caso daquele que está se esforçando para ser um Aspirante à vida superior de fato – e não de “fazer de conta” –, cada um de seus pensamentos, desejos, sentimentos, suas palavras, obras, ações ou seus atos é uma oração. Ele ora constantemente e sem esforço. Ora pelo amor de orar. Toda a sua vida é uma oração. Seu louvor a Deus é uma oração; a canção em seus lábios é uma oração; o caloroso aperto de mão e o tapinha no ombro de alguém desanimado são uma oração. O quadro que pinta, a flor que cultiva, o riso de felicidade e alegria — tudo isso são orações. Os pensamentos de adoração e culto ao Autor do nosso ser, mesmo quando nossos lábios estão silenciosos, quando nossa própria alma parece cantar de alegria e somos levados nas asas do silêncio a alturas de bem-aventurança, essas são as orações da alma que anseia pela união com Deus.
Que nunca deixemos de orar, afinal:
A oração é o desejo sincero da alma,
Expresso ou não,
O movimento de um fogo oculto
Que treme no peito.
A oração é o sopro de Deus em nós,
Retornando para o lugar de onde viemos;
O amor é o fogo sagrado interior e a oração,
A chama que se eleva.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Iago: O bom nome de um homem ou de uma mulher, meu senhor,
é a joia imediata de sua alma.
Quem rouba minha bolsa rouba lixo; é algo, é nada;
foi minha, é dele e foi escrava de milhares;
mas aquele que me furta meu bom nome
rouba-me aquilo que não o enriquece
e me torna verdadeiramente pobre.
(Otelo[1], Ato III, Cena III).
Encontramos no mundo cotidiano da construção civil duas classes de trabalhadores qualificados. Uma classe aprendeu a erguer estruturas de pedra, aço e madeira que são maravilhas em tamanho, beleza e durabilidade. A outra classe, maravilhosamente proficiente em seu trabalho, ocupa-se ativamente em demolir a obra dos construtores. Ambas são necessárias no mundo do progresso humano para que estruturas novas e melhores possam ser colocadas sobre os locais das antigas.
Por toda a Natureza podem ser encontradas em operação forças de caráter semelhante; as forças de construção sempre construindo, desde a menor célula até um Sistema Solar; e as forças destrutivas constantemente em ação, desintegrando as formas e devolvendo sua substância a seus constituintes primordiais. Essas atividades opostas são responsáveis por todos os fenômenos neste plano material e em todos os planos da consciência. Estão enraizadas na Lei Cósmica e são indispensáveis, imutáveis.
Os trabalhadores que desejamos considerar neste artigo são aqueles engajados na construção de um grande Templo; aqueles que constroem e ajudam outros a construir e aqueles que constroem, mas agiriam como agentes de destruição. “Não sabem vocês que são o Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (ICor 3:16).
Estudamos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que, lá no alvorecer do desenvolvimento humano, quando as Centelhas da Chama Divina iniciaram sua conquista deste Mundo Físico, o Grande Arquiteto do nosso Esquema de Evolução, Deus o Criador, providenciou para cada Centelha separada uma Morada. Essa morada desenvolveu-se durante três Períodos e meio de progresso até se tornar um ser composto de Corpos e veículos espirituais e físicos, que é sétuplo, e que é ocupado por cada membro da família humana. Esta é a ferramenta de trabalho a ser usada por cada Centelha Espiritual na aquisição de domínio e maestria sobre os Reinos mineral, vegetal, animal e, finalmente, sobre si mesma.
Assim, aprendemos que a família humana é composta de um agregado feito de Espíritos Virginais, tendo cada Espírito um invólucro composto de Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano: eis o que chamamos de Ego. Esse Ego ou Individualidade controla, ou está aprendendo a controlar, através de incontáveis renascimentos, a Personalidade, que é composta de substância de desejo, etérica e química. A Individualidade tríplice está ligada à Personalidade tríplice pelo elo da Mente. Esse corpo sêxtuplo (três “Corpos” inferiores e três “veículos” espirituais) é, assim, o templo de um Espírito residente que é, em verdade, sagrado.
O primeiro fenômeno aparente naquele remoto passado manifestou-se como caráter. Os Espíritos Virginais, como agora, não eram igualmente adaptáveis ao seu novo ambiente. Alguns eram ativos, outros passivos e hoje os classificamos como pioneiros e retardatários, respectivamente. Ao longo do incomensurável intervalo que se interpôs, cada Espírito Virginal individual esteve ocupado em desenvolver o maior atributo do ser humano: o caráter. Hoje, a posição do ser humano no mundo é determinada por seu caráter. É seu bom nome que ele estima acima de todas as coisas.
Ele aprendeu a discernir e a formar concepções do bem e do mal. Tendo aprendido, é responsável por seus atos; assim, é seu privilégio, e somente seu, destruir suas concepções errôneas para abrir caminho para as novas. Como Espírito Virginal residente dentro dos seus veículos, o ser humano contém dentro de si as forças necessárias de construção e destruição, de modo que aqueles que atacam seu caráter são invasores de solo sagrado. Violam uma Lei da Natureza; são, de fato, vândalos espirituais, destruidores de seres humanos.
Nosso Criador, Deus, providenciou Leis que governam tanto seres humanos quanto deuses. Está decretado na Lei Cósmica que “Tudo o que o homem semear, isso também colherá” (Gl 6:7). O caráter é a colheita, o fruto das muitas safras de experiência semeadas e colhidas pelo Aspirante à vida superior. É a própria quintessência do ser humano. É o “Templo que não foi feito por mãos.” (Hb 9:11) e é, assim, inviolável.
Somos então levados à conclusão de que os destruidores de caráter, aqueles seres humanos mais jovens, evolutivamente falando, que difamam seus colaboradores, associados ou conhecidos, estão demolindo um grande “Templo” que está em processo de construção. Eles dão expressão a uma grande força que poderia ser usada para propósitos úteis, mas que utilizam erroneamente para destruição gratuita. Dívidas do Destino (muitas que serão do tipo Destino Maduro) são assim contraídas e deverão ser expiadas.
Não é tão espantoso encontrarmos na família humana seres humanos que cometam graves erros. Todos estão buscando experiência e progredindo, aprimorando seus veículos e construindo caráter mediante essas experiências.
Como Espíritos diferenciados dentro do Criador (e não do Criador, Deus), as Leis de Deus garantem que devamos retornar à Fonte do nosso ser levando conosco os frutos da nossa peregrinação. Leis de Deus semelhantes operam em todos os planos inferiores. O impulso do ataque ao caráter vem do reino da emoção, do desejo. Semelhante a um cometa, tal impulso percorre assim toda a gama das emoções humanas, viajando através das correntes fétidas e nocivas das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo, reunindo força em sua jornada até que, pela ação da imutável Lei Cósmica, retorna ao criador desse impulso.
Que se ataque pessoas, se quiser; movimentos religiosos, escolas de filosofia ou qualquer atividade organizada. São apenas coisas transitórias. A calma luz da razão logo dissipará as marcas do ataque daqueles tipos de seres humanos. O dano é reparável. Mas o caráter do ser humano é verdadeiramente a “joia imediata de sua alma”. Solte a seta pessoal da imputação venenosa e falsa e ela viajará com a velocidade da luz. Torna-se um monstro de muitas cabeças, algo hediondo e vicioso que obtém alimento e encontra alojamento em demasiados corações humanos.
Ganhando força devido à pronta hospitalidade, logo alcança seu alvo humano, envenenando, mutilando, destruindo, expondo ao ridículo e ao desprezo a infeliz vítima. E assim esses seres humanos, vândalos da reputação, entram diariamente em campo, buscando destruir. Certamente deve haver alguma armadura protetora que resguarde o inocente e torne o ser humano imune a esses caçadores antinaturais.
Há, de fato, uma armadura maravilhosa que podemos usar para afastar essas setas traiçoeiras e pontiagudas de ódio, inveja ou vingança. Outra grande Lei Cósmica pode ser invocada. Nenhum ser humano é tão humilde nem tão elevado que não possa usar seu poder protetor. É a Lei do Amor Crístico; aquela grande força construtiva que capacita cada indivíduo a usar o material de ideais despedaçados, esperanças destruídas e reputações arruinadas para construir, a partir daí, uma “mansão nos Céus” (Jo 14:2).
Cristo nos ensinou que: “Na casa do meu Pai há muitas moradas” (Jo 14:2-3). Ao longo das eras essa Lei do Amor operou, mas foi através do Cristo Jesus que ela foi fornecida pela primeira vez a todos nós. Ela suplanta a Regra da Lei das Religiões de Raça. Por meio do sacrifício na Cruz, Cristo Jesus implantou em toda a Humanidade o germe do amor fraternal, o amor Crístico. É uma influência transformadora. Quando desenvolvida — e seu desenvolvimento agora é possível em cada um de nós —, irradiamos em todas as direções essa força maravilhosa.
Brilhantemente luminosa, ela irradia constantemente, dia e noite, pensamentos de amor e caridade para todos. Nenhuma seta de inveja ou ódio pode persistir nesse “Fogo Vivo”; no entanto, carregadas de pensamentos de compaixão e auxílio, elas retornam em seu voo orbital à sua fonte, setas vivas de amor que consumirão o lixo de pensamentos e objetivos pervertidos. E assim vemos como é impossível realmente destruir. Apenas conseguimos mudar a forma. O arqueiro vândalo encontra a força destrutiva transmutada pelo Amor e usada para melhorar o Templo Vivo dentro do qual habita o Espírito de Deus.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Otelo, o Mouro de Veneza (no original, Othello, the Moor of Venice) é uma peça de teatro de William Shakespeare escrita por volta do ano 1603. A história gira em torno de quatro personagens: Otelo (um general mouro que serve o reino de Veneza), sua esposa Desdêmona, seu tenente Cássio, e seu suboficial Iago. Por causa dos seus temas variados — racismo, amor, ciúme e traição – continua a desempenhar relevante papel para os dias atuais.
Abril de 1913
No final da lição do mês passado, algumas palavras foram ditas sobre homens e mulheres que praticam da Maçonaria Mística[1], e pode parecer a alguns que endossamos a Co-Maçonaria, mas esse não é, de forma alguma, o caso. Embora, por princípio, não falemos depreciativamente de nenhum movimento legítimo, sempre alertamos nossos Estudantes Rosacruzes contra as Religiões orientais, considerando-as perigosas para o mundo ocidental, embora perfeitamente adequada ao oriente. A Co-Maçonaria é um desdobramento de uma sociedade que promulgava o Hinduísmo. No inverno de 1899 a 1900, a atual líder dessa sociedade esteve em Roma, e uma das suas auxiliares encontrou, acidentalmente, os ritos maçônicos na biblioteca do Vaticano. Ela os copiou sem autorização e os entregou à sua superiora que, por sua vez, se encarregou de escrever um grau adicional. Esses são, agora, os ritos da Co-Maçonaria.
As afirmações anteriores são fatos que podemos comprovar; e deixamos os nossos que Estudantes Rosacruzes formem suas próprias conclusões quanto à eficácia ética e ao poder de formação da Alma possuído por um movimento baseado em ritos obtidos dessa maneira. Além disso, ainda que nós saibamos com certeza que os ritos vieram de Roma, duvidamos que a pessoa que os extraiu tenha escapado da vigilância que há naquela biblioteca. Acreditamos que ela tenha agido, inconscientemente, pelas mãos do Vaticano. Assim, a Co-Maçonaria é tanto hinduísta quanto católica em sua origem. Ela não é reconhecida pelas corporações maçônicas regulares, não importa o que seus fundadores afirmem.
No final da lição sobre Maçonaria e Catolicismo, resumimos os pontos referentes à sua relação cósmica a fim de extrair a essência do ensinamento; agora, para a palavra final – a quintessência do nosso argumento:
A palavra “franco-maçom” deriva do vocábulo egípcio phree messen, “Filhos da Luz”. Essas palavras eram originalmente empregadas para designar os construtores do Templo de Deus – a alma humana.
A palavra “católico” significa “universal”, e foi originalmente aplicada para diferenciar a abrangente Religião Mundial – o Cristianismo – das Religiões de Raça, como o Hinduísmo.
O sangue é o veículo do Espírito; sob o regime de Jeová e dos Espíritos de Lúcifer, ele foi contaminado pelo egoísmo. Tanto a Maçonaria Mística quanto o Catolicismo visam purificar o sangue e promover o altruísmo.
A Maçonaria Mística ensina o candidato a conquistar a sua própria salvação; o Catolicismo o deixa dependente do sangue de Jesus. Aqueles que usam o método positivo naturalmente se tornam almas mais fortes; portanto, a Maçonaria Mística (não a exotérica) deveria ser incentivada em vez do Catolicismo.
(Carta nº 29 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: A Maçonaria exotérica, que é apenas a parte externa da Maçonaria Mística, tem atraído atualmente o elemento masculino com seus veículos físicos positivamente polarizados, e os tem dirigido para a indústria e para a política, controlando, assim, o desenvolvimento material do mundo. Já as pessoas que constituíam o Sacerdócio, empregaram sua fórmula mágica sobre os Corpos Vitais positivos do elemento feminino para dominar o desenvolvimento espiritual. Enquanto as pessoas da Maçonaria e de movimentos afins, lutaram abertamente pelo poder temporal, o Sacerdócio tem lutado com muita força e até mais eficazmente, para manter seu controle sobre o desenvolvimento espiritual do elemento feminino. Para um observador comum pode parecer que não existe antagonismo entre estes dois movimentos na época atual. Mas, embora a Maçonaria de hoje não tenha mais o seu verdadeiro caráter místico antigo e o Catolicismo, pelo passar do tempo, tenha externamente perdido o seu brilho, a divergência está tão viva como sempre. Os esforços da Igreja não estão concentrados nas massas, como estão naqueles que procuram viver a vida superior a fim de ganhar a admissão ao Templo dos Mistérios e aprender como fazer a Pedra Filosofal. (Do Livro Maçonaria e Catolicismo – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Frequentemente o autor recebe perguntas em relação ao benefício ou desvantagem do jejum e, portanto, pode ser bom elucidar a origem e o fundamento dessa prática para que possamos determinar qual efeito, se houver, é exercido sobre o crescimento espiritual.
Nas Antigas Dispensações era exigido que os sacrifícios de bovinos e caprinos fossem feitos como expiação ao pecado praticado, pois o ser humano valorizava, então, seus bens materiais, muito mais do que nos dias de hoje, sentindo profundamente sua perda, quando forçado a abrir mão deles para tal finalidade.
Mesmo nos dias modernos, as indulgências são compradas e o Perdão dos Pecados anunciado a qualquer pessoa que doe uma quantia em dinheiro a algumas Igrejas Católicas e Protestantes, para a compra de todo os tipos de acessórios necessários ao serviço.
Mas, sempre houve um ensinamento esotérico, que está sendo promulgado exotericamente hoje, e esse ensinamento não aceita o sacrifício de um animal, dinheiro ou outras posses; contudo, exige que cada um faça um sacrifício de si mesmo. Isso foi ensinado aos Aspirantes na antiga Escola de Mistérios, quando eles eram preparados para o Ritual Místico de Iniciação. A eles foram explicados os mistérios do Corpo Vital – composto pelos quatro Éteres e funções de cada Éter: o Éter Químico, que é necessário para a assimilação; o Éter de Vida, que promove o crescimento e a propagação; o Éter de Luz ou Luminoso, que é o veículo da percepção sensorial; e o Éter Refletor, em que se armazena a memória.
Eles foram, cuidadosamente, instruídos nas funções dos dois Éteres inferiores em comparação com os dois Éteres superiores. Eles sabiam que as funções puramente animais do Corpo dependiam da densidade dos Éteres inferiores, e que os dois Éteres superiores, por sua vez, formavam o Corpo-Alma, o veículo do serviço e, naturalmente, eles aspiravam cultivar essa gloriosa vestimenta, pela renúncia e refreando as propensões das naturezas inferiores, assim como fazemos hoje.
Esses fatos eram mantidos em segredo das pessoas que não estavam no Caminho da Iniciação ou, melhor dizendo, assim deveriam ter permanecido. Mas, alguns neófitos, mesmo sendo excessivamente zelosos em alcançar a Iniciação, não importando os meios, esqueceram que é somente pelo serviço e altruísmo que a veste nupcial dourada é cultivada pelos dois Éteres superiores. Eles pensaram que a máxima oculta, “ouro no cadinho, impureza no fogo; ligeiro como o vento, alçar-se cada vez mais alto”, apenas significava que, enquanto a natureza inferior, a escória, tinha sido expulsa, e não importava a maneira, mas se tivessem encontrado um método fácil, eles teriam retido apenas o “ouro” composto pelos dois Éteres superiores, o Corpo-Alma, no qual eles poderiam, com certeza, acessar os Mundos invisíveis sem obstáculo ou embaraço. Eles concluíram que, como o Éter Químico é o agente de assimilação, poderia ser eliminado do Corpo Vital, privando o veículo físico da fome.
Eles também pensaram que, como o Éter da Vida é a via de propagação, poderiam privá-lo com uma vida celibatária. Seguindo esse método, concluíram, assim, que reteriam apenas os dois Éteres superiores e, portanto, praticavam todas as austeridades que se podia pensar, entre outras práticas, o jejum. Por esse processo o Corpo Denso perdia a saúde e a sua natureza passional ficava debilitada, pois, buscava a gratificação pelo exercício da função propagativa, sendo silenciado com a punição.
Dessa maneira, horrível, é verdade que a natureza inferior parecia estar submetida e, também, é verdade que, quando as funções corporais eram reduzidas a níveis bem baixos, as visões, ou melhor dizendo, as alucinações eram frequentemente a recompensa dessas pessoas equivocadas. Outros que ouviram falar de sua suposta santidade estavam ansiosos para imitá-los; assim, seu exemplo desviou milhares de almas da busca do verdadeiro Caminho.
Mas, o resultado obtido por essas pessoas desencaminhadas e seus seguidores está longe de ser o que se pretendia pelo treinamento na Escola de Mistérios. Antes de mais nada, ao Aspirante à vida superior foi ensinado que o Corpo Denso é o “Templo de Deus” e que profaná-lo, destruí-lo ou mutilá-lo de qualquer maneira é um grande pecado. A indulgência com o apetite é um pecado, uma prática contaminadora que traz consigo certa retaliação, mas não deve ter maior repreensão do que a prática de jejuar para o crescimento da alma.
Viver corretamente não é banquetear e nem jejuar, mas dar ao Corpo os elementos necessários para mantê-lo na forma adequada de saúde, força e eficiência como um instrumento do Espírito. Portanto, jejuar para o crescimento anímico é um pseudométodo que tem o efeito, exatamente o oposto daquilo que foi projetado para ser realizado, devido à falta de visão de seus criadores. “Eu sou a porta”, disse o Cristo, “se alguém não entra pela porta, esse é ladrão e salteador”[1].
Da mesma forma, com a prática do celibato para o crescimento anímico, ou da alma, a máxima enunciada no início desse parágrafo se aplica de forma idêntica. É repreensível quando homens e mulheres, feitos à imagem de Deus, se degradam pela indulgência da natureza passional a um estado inferior ao dos animais, porém, é igualmente repreensível quando aqueles que vivem de outra forma, tendo vidas boas e sagradas, se recusam a sacrificar suas aspirações para dar a uma alma que está à espera daquele Corpo e daquele ambiente que lhe atendam, e que tenha todo aquele tempo para o próprio desenvolvimento. Eles podem, pelo jejum, atenuar o Éter Químico, e, por suas vidas fanáticas e egoístas de celibatário, podem também eliminar o Éter da Vida em grande proporção, mas essas medidas nunca irão construir a “vestimenta dourada de casamento”, que é o ‘abre-te sésamo’ para a festa do “casamento místico”; na falta desse traje, alguns que conseguirem entrar sorrateiramente, por métodos ilegítimos como jejum, castigo e celibato, serão lançados nas trevas exteriores.
(Publicado na revista Rays from the Rose Cross em dezembro/1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Jo 10:1
Umas das maiores preocupações de qualquer pessoa que está no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz é preparar uma refeição forte, saborosa e nutritiva para ela, a fim de nutrir o melhor possível o seu Corpo Denso, o Templo de Deus. Ou seja, aliar nutrição e saúde.
Escolhidas as receitas, é importante que a mesa também seja arrumada com carinho. Não há necessidade de que as toalhas e os talheres sejam artigos de luxo. O essencial é que estejam muito bem limpos, e se possível, que haja um pequeno arranjo no centro da mesa, capaz de valorizar qualquer refeição, por mais simples que seja.
Do cardápio, devem constar alguns alimentos crus, a fim de serem aproveitadas certas substâncias indispensáveis ao bom funcionamento orgânico: as vitaminas.
O regime vegetariano, preconizado pela Fraternidade Rosacruz, é o que melhor corresponde ao nosso desenvolvimento físico, moral e intelectual. Reduz a quantidade de toxinas no organismo, não sobrecarregando o fígado e os rins.
Muitas pessoas acreditam que pelo fato de não poderem incluir carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, répteis, frutos do mar e afins) na alimentação terão dificuldades para variar o cardápio. Estão enganadas. Existem milhares de ótimas receitas, sem carne animal.
Uma sugestão: substitua a carne animal pela soja. Esta tem duas vezes mais proteínas e custa bem menos.
Para preparar-se o feijão de soja, usa-se o mesmo sistema do feijão comum. Deve-se deixá-la de molho durante uma noite. Nesse período ela perde sua forma arredondada, ficando parecido com o feijão comum. Então, basta esfregá-la com as mãos, debaixo de água corrente, que as casquinhas se soltarão facilmente, tornando mais rápido o cozimento (leva mais ou menos 45 minutos em panela de pressão).
Para que a soja fique bem saborosa, é importante que seja bem temperada. Seu uso pode ser variado, em salada, bolo, biscoitinho, suflê etc.
Algumas recomendações fundamentais para nutrir bem o nosso Corpo Denso:
Para concluir nosso artigo sobre culinária vegetariana, algumas receitas fáceis e saborosas:
SALADA DE SOJA
SOJA COM MILHO VERDE
FOLHAS DE REPOLHO RECHEADAS
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1978-Fraternidade Rosacruz-SP)
Antigamente, quando um Templo de adoração era construído, o terreno ou área destinada à construção era enfeitado com guirlandas de flores em um dia determinado pelos astrólogos. “Há um tempo para tudo debaixo do sol“[1], e os astrólogos buscavam determinar as condições propícias para o início da obra sagrada. No dia e na hora determinados, apenas pessoas de renome, carregando galhos de árvores, entravam no recinto. Os galhos simbolizavam uma conclusão feliz e frutífera para a obra. As pessoas de renome eram seguidas pelas virgens vestais que, em oração, aspergiam o local com água trazida em urnas por meninos e meninas. Em seguida, vinham os sacerdotes e dignitários do Estado, seguidos pelos cidadãos carregando a pedra fundamental enfeitada com guirlandas. Após o Pretor impor as mãos sobre as cordas que envolviam a pedra, os pedreiros a colocavam no lugar, e o Pontífice, consagrando-a ao seu uso, exortava o povo a servir e temer os deuses e a obedecer à lei.
A pedra era sempre colocada no canto nordeste do Templo, análogo ao local de maior poder do Sol no Solstício de Junho, quando todos os seres vivos são mais vitalizados por seus raios.
Chegamos agora a mais uma “colocação da pedra fundamental”, mas uma que é única por inaugurar uma nova era na Religião Cristã. Por mil novecentos e vinte anos, a igreja tem lutado para “Pregar o Evangelho” em obediência ao mandamento de nosso Salvador. Agora, a Fraternidade Rosacruz ergue bem alto a bandeira com o segundo mandamento, “Curai os Enfermos“, como um estímulo à nossa missão Cristã, e “coloca a pedra fundamental” de um Templo de Cura consagrado em Cristo para servir ao nosso próximo irmão e irmã sofredores.
O lugar sagrado do Templo estava radiante com a efusão de bênçãos das “hostes invisíveis” que reconhecem a importância espiritual do passo dado. O pequeno e devotado grupo de seguidores da Fraternidade Rosacruz respondeu com silenciosa dedicação interior do “Eu superior” ao serviço de Cristo como Curador Divino: orações silenciosas por força para purificar o “Eu inferior” de toda indignidade, a fim de que o poder curador do Senhor pudesse fluir através de nós como canais limpos para Sua obra.
Ele, nosso amado Salvador, conheceu apenas a terrível agonia da “Coroa de Espinhos”. Nós, como Cristãos Místicos, estamos nos esforçando para fazer crescer uma “rosa” de poder espiritual onde cada espinho sugou uma gota de Seu sangue. Ele conheceu apenas a agonia de ser pregado na “Cruz”. Nós, como Cristãos Místicos, estamos tentando “arrancar os pregos” que nos pregam firmemente à cruz; os pregos do desejo egoísta, da ânsia por poder temporal, da cegueira espiritual.
Este trabalho de cura espiritual Cristã é um dos métodos de servir à Humanidade sofredora, oferecendo ao verdadeiro (a verdadeira) profissional de saúde um meio de unir o poder da Ciência ao da Religião. A Fraternidade Rosacruz clama pelo verdadeiro (pela verdadeira) profissional de saúde, a pessoa que não se envergonha de orar por seus pacientes enquanto trabalha por eles. Cristo-Jesus disse: “Eu sou O CAMINHO, A VERDADE e A VIDA”[2].
No entanto, quantos profissionais de saúde e pacientes em sofrimento intenso negligenciaram convidá-Lo para ajudar! Existe uma maneira de invocar essa efusão divina, assim como existe uma maneira de fazer cada coisa que fazemos. Esse CAMINHO exige preparação, purificação, dedicação, consagração, e isso faz parte do trabalho do Estudante Rosacruz.
O verdadeiro e ativo (a verdadeira e ativa) Estudante Rosacruz não busca poder temporal. Busca servir a Deus ajudando seus semelhantes que estão sofrendo fisicamente, emocionalmente e/ou mentalmente. Um local de capacitação para o trabalho é maravilhosamente alcançado no Templo de Cura, que está sendo construído pelo serviço amoroso e desinteressado de muitos.
Augusta Foss Heindel aproveitou esse momento para lembrar onde começou a ideia da construção do Templo de Cura e qual é e será o seu objetivo para cumprirmos o mandamento de Cristo: Curar os Enfermos.
“Amigos, estamos aqui hoje para realizar o que foi iniciado em 25 de novembro de 1914 por Max Heindel. Naquela ocasião, nos reunimos para preparar esta pedra que hoje colocamos como pedra fundamental. Ela é um símbolo de uma estrutura física que, por sua vez, nos aparecerá como um símbolo daquilo que nós, como trabalhadores do Templo de Deus, estamos nos esforçando para construir. Aprendemos o uso simbólico das ferramentas do pedreiro; definimos o pedreiro como aquele que coloca o cimento e coloca o tijolo, trabalhando com as ferramentas de seu ofício; assim, um edifício é erguido. Também somos verdadeiros “pedreiros livres”, usando materiais diferentes. Estamos construindo o material que os Irmãos Maiores nos deram, que acabamos de colocar nessa pequena caixa, a gloriosa mensagem que nos foi dada pelos Irmãos Maiores através da grande alma cujo aniversário celebramos hoje, a alma que nasceu em 23 de julho de 1865 e que estava destinada a trazer ao mundo uma visão mais ampla dos ensinamentos de Cristo do que jamais foi dada à Humanidade, uma Religião que será a pedra angular de todos nós na Era de Aquário. Este mensageiro também nos disse que este seria o último templo físico a ser erguido pelos Irmãos Maiores. A Humanidade alcançará esse estágio de desenvolvimento e agora está trabalhando com o objetivo de se preparar para que possa adorar no verdadeiro Templo, aquele Templo de Deus não feito por mãos, eterno nos céus, que não é construído de pedras, tijolos e argamassa, mas de corações amorosos e do sacrifício de nossas próprias naturezas inferiores, dedicando-nos assim como pedras vivas nele.
É um privilégio ser um dos obreiros, uma das pedras vivas, escolhido para obedecer aos dois últimos mandamentos do Cristo: “Pregai o Evangelho e Curai os Enfermos“[3]. O último mandamento foi esquecido pela Humanidade por tantos e tantos anos. Pregamos o Evangelho, mas apenas cumprimos a primeira metade dos mandamentos que Ele deu aos Seus discípulos. Esquecemos, nas Igrejas, de curar os enfermos. Houve uma divisão entre Ciência e Religião. Esse afastamento causou as condições materialistas de hoje. Cimentar essa brecha, unir Ciência e Religião, é o que nós, como obreiros e seguidores dos Ensinamentos Rosacruzes, estamos nos esforçando para fazer. Estamos construindo a pedra fundamental de uma grande obra futura. Pouco percebemos hoje, os poucos de nós que estamos aqui, o que isso significa para a Humanidade. O conteúdo desta pequena caixa viverá por eras depois que tivermos abandonado estes Corpos Densos. As vibrações que serão incorporadas a esta construção alcançarão os confins da Terra. Dizem-nos que quando Salomão construiu o Templo em Jerusalém, ele purificou e mudou a vibração de toda a cidade.
Fomos mantidos sob o domínio de Saturno, sob um ambiente cristalizado. Era necessário, no entanto, que aprendêssemos nossas lições, pois estamos neste mundo cristalizado e precisamos usar cimento material. Mas chegamos a um estágio neste trabalho em que não será necessário lutar por muito mais tempo, pois a fundação já está lançada. Hoje, lançamos esta pedra fundamental que, com seu conteúdo, permanecerá por eras e eras.
Amigos, vamos embora daqui hoje, dedicando-nos novamente a nos tornarmos canais mais puros, melhores e mais limpos, através dos quais os grandes Ensinamentos Rosacruzes possam ser enviados ao mundo. Estamos aqui porque fomos escolhidos para sermos trabalhadores neste grande campo do Mestre, Cristo. E estamos aqui para preparar o Templo invisível, usando o Templo físico apenas como um centro de trabalho. Ainda não nos desfizemos destes Corpos Densos, mas, ainda assim, estamos nos preparando para poder encontrar o Cristo, como Ele prometeu que, quando Ele vier, o “encontraremos no ar”. O que isso significa? Que estamos tecendo a “veste dourada das bodas”, o Corpo Vital espiritualizado, no qual todos seremos capazes de encontrar o Cristo em Sua vinda.
Vamos, amigos, ao colocarmos cada um uma colher de pedreiro de argamassa para selar esta pedra, colocá-la ali com uma oração de gratidão, pedindo por maior força, pureza e conhecimento, para que possamos ser instrumentos adequados para continuar esta obra e enviar esta mensagem à Humanidade, lembrando que Cristo é a verdadeira Pedra Angular.”
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
[1] N.T.: Ecl 3:1
[2] N.T.: Jo 14:6
[3] N.T.: Mt 10:7-8
Encontramo-nos de passagem sobre a Terra. Somos apenas peregrinos aqui. E justamente essa peregrinação, com suas lições e experiências, constitui o fator de nossa libertação, o meio através do qual um dia não mais renasceremos no plano físico.
O nosso verdadeiro lar atualmente é nos Mundo celestiais. Nossos esforços devem ser dirigidos a um retorno as esses Mundos, tão rápido quanto seja possível, pois o propósito da vida é a experiência e a finalidade desta é o crescimento anímico.
A vida aqui nos ensina lições definidas e quanto mais rapidamente as aprendermos, mais rápido será nosso crescimento anímico, apressando assim a chegada do dia da libertação.
A nossa liberdade determina também a libertação final do Cristo de sua “prisão terrestre”. Nesta época do ano são relembrados os sofrimentos do Calvário, e o sacrifício do Cordeiro de Deus em benefício de cada um de nós. Há uma convergência para estudarmos o tema da “Paixão de Cristo”, revestindo-o da atmosfera intensamente emocional.
Analisando o fato ocorrido há mais de dois mil anos à luz dos Ensinamentos Rosacruzes, chega-se à conclusão de que aquelas horas de intenso sofrimento nada foram, se comparadas com o que o Cristo suporta presentemente, ano após ano.
Carregar aquela cruz de madeira na agitada Jerusalém há mais de vinte séculos atrás, sob a chacota judaica e o chicote romano, poderia ser até suportável para um ser humano. Pior é carregar a cruz da Humanidade, esse madeiro gigantesco, impregnado de todas as nossas mazelas, o mal que produzimos dia a dia (em pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, palavras, atos, obras e ações). Muito mais torturante para um Ser da estatura do Cristo é permanecer ligado a um Planeta como o nosso, de vibrações baixíssimas, uma somatória do que realmente somos.
O grande Arcanjo Cristo, Deus-Filho, só bradará o “Consumatum est” definitivo quando um grande número de seres humanos suficiente para manter esse Campo de Evolução que chamamos de Terra e, assim, O liberarmos de sua missão terrestre. Na qualidade de Aspirantes à vida superior, nossa responsabilidade é imensa. Cumpre-nos viver nossas vidas tão altruisticamente quanto seja possível, evitando qualquer pensamento, sentimento, desejo, emoção, palavra, ato, obra ou ação capaz de tornar a Terra um local mais insuportável do que é atualmente. Difícil? Difícil, mas longe de ser impossível. Eis porque somos Aspirantes à vida superior. Eis porque estamos em uma Escola Preparatória para as Iniciações, que nos capacitará para executar tal tarefa!
É verdade que estamos sujeitos a quedas. Mas nosso dever é evitá-las, mantendo diuturna autovigilância. Se cairmos, que não nos falte forças para o reerguimento e ajustamento a apropriados canais de conduta.
Se a ocasião é propícia para meditarmos como aliviar os sofrimentos de Cristo, também é justo participarmos das alegrias da Páscoa. Regozijemo-nos não só pela ajuda recebida, mas principalmente por estarmos conscientes de que, preciosas oportunidades de serviço (sempre amoroso e desinteressado, focado na divina essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade – ao nosso irmão e a nossa irmã que estão no nosso entorno) nos serão oferecidas na medida do nosso merecimento. Alegremo-nos por não sermos meros expectadores, mas partícipes de todo esse processo de libertação.
A Páscoa assinala a vitória da vida sobre a morte, do Espírito sobre a matéria, e essa ideia inspirou Max Heindel a escrever estas formosas linhas: “Para os iluminados a Páscoa simboliza o amanhecer de um alegre dia, em que toda a Humanidade e o Cristo se libertarão permanentemente das limitações da materialidade, e ascenderão aos Reinos celestiais para se converter em colunas do templo de Deus e dali nunca mais sairão”.
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz de março e abril/1987-Fraternidade Rosacruz-SP)
O Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz nos oferece, em suas páginas, preciosos conhecimentos sobre a “Ciência da Nutrição” e “Lei de Assimilação”. Abordando esses temas de um ângulo eminentemente científico, Max Heindel demonstra como o corpo humano (o nosso Corpo Denso), habitualmente, passa por um processo de decaimento precoce. Esse processo tem como causa uma alimentação inadequada, incapaz de manter a boa qualidade do fluido sanguíneo, além da flexibilidade e desobstrução do sistema circulatório.
No tópico intitulado “Vivei e Deixai Viver”, o fundador da Fraternidade Rosacruz analisa o problema de um ponto-de-vista exclusivamente moral. É uma das mais belas páginas da literatura Rosacruz. Não há como duvidar de que a Humanidade viveria em condições mais saudáveis e felizes se observasse estes princípios enunciados no Conceito: “A primeira lei da Ciência Oculta é ‘não matarás’. O Aspirante à vida superior deve ter isto muito em conta. Não podendo criar sequer uma partícula de barro, não temos o direito de destruir nem a forma mais insignificante. Todas as formas são expressões da Vida Una, da Vida de Deus. Não temos o direito de destruir a forma pela qual a Vida está adquirindo experiência, e obrigá-la a construir um novo veículo”.
Quando esses ensinamentos foram publicados, no início do século XX, pouco se conhecia a respeito da importância da alimentação como fator de equilíbrio físico-orgânico. A alimentação vegetariana era outra ilustre desconhecida. Só mesmo pessoas ligadas a escolas Esotéricas (como a Fraternidade Rosacruz) é que a adotavam de fato e com motivos lógicos.
Com o decorrer do tempo, muitos passaram a compreender que seus problemas de saúde são, na maioria das vezes, criados por vícios ou dieta alimentar errada. Compreendem, mas não se aprofundam na questão. E quando se aprofundam, quase sempre lhes falta coragem e determinação para mudar. Consequentemente, veem-se obrigados a carregar um rosário de doenças e enfermidades pela vida afora.
No que diz respeito ao ser humano comum – aquele que não está nem aí com outras coisas, senão deixar a vida levar por meio de prazer e sempre fazer o que deseja, independente das consequências –, esse quadro não é de espantar. O que nos deixa pasmos é saber que aqueles que estudam o Esoterismo sério – e que querem alcançar o autodomínio e a realização espiritual Cristã, como preconizados, por exemplo, pela Fraternidade Rosacruz –, não obstante o conhecimento que têm, enfrentam esses problemas.
O Estudante Rosacruz sabe perfeitamente que somos, essencialmente, Espírito, um Ego humano (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui). Que o seu veículo físico – o Corpo Denso – é um meio de se expressar, aprender, adquirir experiências e expandir sua consciência. O Corpo Denso, portanto, é um Templo Divino – um Templo de Deus – e como tal deve ser preservado. A vida evolui através da forma. Quanto mais sensível a forma, maiores serão as possibilidades da vida expressar sua natureza divina.
É desejável, à luz dessa Verdade, viver o maior número de anos possível, com boa saúde, lucidez e disposição para trabalhar e aprender. É a única maneira de tornar um renascimento aqui proveitoso.
Certos conhecimentos básicos sobre alimentação são imprescindíveis, além de rudimentos de Anatomia e Fisiologia do Corpo Humano.
O organismo humano requer, para o seu perfeito desenvolvimento e funcionamento, uma variedade balanceada de alimentos, diariamente. Sua estrutura deve ser, por conseguinte, reparada constantemente.
Um automóvel, mesmo tendo o seu tanque cheio de combustível, não poderá percorrer grandes distâncias se lhe faltar, por exemplo, óleo. Mesmo que suficientemente abastecido de óleo, gasolina ou álcool, se o radiador não contiver água, o motorista poderá ter uma surpresa desagradável.
Podemos, por analogia, comparar o Corpo Denso a um automóvel. A máquina humana resistirá por algum tempo desprovida de, por exemplo, vitaminas ou de sais minerais, mas essa carência não poderá se manter indefinidamente. Cedo ou tarde os resultados de uma dieta insuficiente ou desequilibrada surgirão em forma de doença ou enfermidade. Não é de se estranhar, portanto, que o item “saúde” absorva dotações cada vez maiores nos orçamentos das nações, dos países, dos governos.
O fator determinante de uma alimentação saudável é, sem dúvida alguma, seu teor qualitativo. O organismo não necessita de grandes quantidades de alimentos, mas de dietas balanceadas. Uma das causas da morte prematura é a alimentação irracional. Em geral, as pessoas que gozam de boa situação socioeconômica comem em demasia, mas não sabem escolher os alimentos. Acabam obesas e doentes.
Vivemos hoje em sociedades cada vez mais sofisticadas pelo aprimoramento tecnológico. Isso nos é benéfico à medida que nos traz conforto, racionalização de tempo, rapidez de comunicação e transporte, aquisição de conhecimentos e outros benefícios; contudo, esse processo avassalador de modernização também pode gerar distorções, se não for suficientemente compreendido. E essas distorções se evidenciam também na área alimentar.
Toda essa imensa gama de produtos alimentícios comercializados nos supermercados e no comércio em geral, geralmente, representam danos à saúde humana. A despeito das reiteradas advertências feitas por médicos, nutrólogos e nutricionistas conscienciosos, é alarmante o consumo de refrigerantes, carnes animais (mamíferos, aves, peixes, anfíbios, répteis, frutos do mar e afins), alimentos enlatados (principalmente derivados de carne animal), ultraprocessados, refinados (açúcar, por exemplo), corantes, margarinas, alimentos ditos beneficiados (trigo e arroz brancos, por exemplo), estimulantes (chás, café, “energéticos”), bebidas alcoólicas, e tantos outros até “disfarçados” de saudáveis. Tudo isso, em maior ou menor grau, é prejudicial à saúde, mas é importante destacar a nocividade da carne animal, tanto orgânica como espiritualmente.
Não somos um ser naturalmente carnívoro, e isso já foi comprovado, anatômica e fisiologicamente pela Ciência. Não dispomos de garras e presas como alguns espécimes animais, para matar e esquartejar, nem seu aparelho digestivo permite digerir a carne animal com facilidade, eliminando rapidamente as toxinas.
Os animais que se alimentam de carne animal preferem-na ao natural, sem qualquer preocupação com seu sabor e odor. Já o ser humano procura dissimulá-la com temperos, para evitar a repugnância que causa (ainda que não admita de pronto!).
O fato da carne animal ser uma grande fonte de proteínas não quer dizer que seja imprescindível numa dieta alimentar. Há outras fontes de proteínas mais puras e baratas, cujo valor proteico nada lhe fica a dever.
A carne animal é muito mais excitante do que nutritiva. Quem ingere carne animal diariamente, em quantidade não moderada, e suprimi-la bruscamente um dia, mesmo que a substitua por alimentos mais saudáveis, padecerá nesse dia de uma sensação profunda de debilidade, como se estivesse em jejum prolongado. Essa sensação de fraqueza, entretanto, não é provocada por insuficiência alimentar, mas pela supressão do excitante. Fenômeno idêntico ocorre com outros excitantes, tais como o fumo, os “energéticos”, as drogas e o álcool.
A carne animal também é tóxica. Alguns venenos que ela contém são ensejados pela sua toxidez e outros porque são ácidos. E esse quadro se agrava quando a carne animal é obtida de animais doentes ou fatigados. E tem mais: no momento do abate, quando o animal se desespera ao perceber seu fim, seu organismo segrega várias substâncias que impregnam a carne, conferindo-lhe nocividade.
Felizmente, os princípios da alimentação vegetariana, natural, encontram receptividade cada vez maior, principalmente entre os jovens. Cresce, notavelmente, o número de publicações defendendo essa dieta alimentar. Em qualquer cidade de porte médio é comum encontrarmos pelo menos um restaurante vegetariano ou produtos vegetarianos para aquisição, além das feiras com produtos orgânicos e até “direto da horta”. O vegetarianismo deixou de ser sinônimo de excentricidade. Os vegetarianos, hoje, são pessoas respeitadas e admiradas.
A alimentação vegetariana, além de purificar e fortalecer o organismo, plasma um caráter mais elevado. Se tomarmos como amostragem um grupo de pessoas convictamente vegetarianas, verificaremos, com raríssimas exceções, que:
Há alguns anos, uma entidade britânica, a London Vegetarian Association, realizou uma interessante experiência: submeteu 10.000 crianças ao regime vegetariano simultaneamente, outra organização, a London Country Council, manteve outras 10.000 crianças no carnivorismo, regime alimentar do qual a carne é um dos componentes. Decorridos seis meses as 20.000 crianças passaram por rigorosos exames médicos. Constatou-se que o estado geral de saúde dos vegetarianos era bem melhor. Adquiriram peso maior e músculos mais fortes.
A London Vegetarian Association ficou incumbida, então, pelo Conselho Municipal de Londres, de alimentar igual número de crianças pobres daquela cidade, às expensas da Prefeitura.
Apesar de grandes avanços e mais amplas informações sobre a alimentação vegetariana, ainda predominam preconceitos intensamente arraigados numa sociedade tradicionalista como a nossa. Muita gente rejeita a alimentação vegetariana imputando-lhe falta de sabor. Outros afirmam que é “fraca”, desprovida de elementos nutritivos, tornando as pessoas igualmente “fracas” e desnutridas. Isso é puro preconceito e desinformação. Ora, todo alimento cárneo deve ser bem condimentado, pois na realidade o que não tem sabor algum é a carne animal em seu estado natural, ou seja, crua.
Para tornarmos um vegetal saboroso basta adicionarmos-lhe um tempero leve, isto quando se trata de legumes e verduras. Eis porque os carnívoros acham os vegetais insonsos. A diferença está na condimentação.
Quanto ao argumento de que o vegetarianismo enfraquece as pessoas, nada é mais irreal. São muitos os exemplos de esportistas consagrados, campeões, verdadeiros mitos que adotavam ou adotam uma dieta vegetariana. São igualmente numerosos os casos de pessoas longevas que atribuem seu excelente estado de saúde a uma dieta à base de vegetais.
Para ilustrar essas considerações, vamos a mais um exemplo concreto.
Numa daquelas regiões quase inacessíveis do Himalaia, vive um povo meio primitivo chamado hunza. Em 1947, um médico e fisiólogo inglês, Sir Robert McCarrison, esteve naquelas paragens, designado que foi pelo Serviço Sanitário da Índia Britânica, para verificar o estado geral de saúde daquela gente. Qual não foi seu espanto ao constatar a longevidade daquelas pessoas e a quase inexistência de enfermidades em seu meio.
Meticulosos estudos realizados pelo Dr. McCarrison, abrangendo condições climáticas, ambientais, hereditárias, culturais, alimentares, levaram-no a concluir que a dieta comum àquele povo continha o segredo da longevidade.
Os hunza alimentavam-se de cereais, frutas, legumes, leite, queijo e outros produtos naturais. Não conheciam as maravilhas da sociedade de consumo, tais como o açúcar refinado, o café, refrigerantes, bebidas alcoólicas, conservas e carne.
Além de todos esses dados registrados pelo Dr. McCarrison, algo mais despertou-lhe a atenção: a relação entre os hábitos alimentares, o caráter e a vida moral daquele povo. Os hunza são sóbrios em tudo, ativos, resistentes à fadiga, alegres, pacíficos, tolerantes e fraternais.
Poderíamos ainda enriquecer este nosso trabalho com grande e variado número de exemplos, capazes de comprovar as excelências da alimentação vegetariana. Preferimos, entretanto, não o fazer por razões de ordem prática, além do que outros aspectos da questão merecem ser abordados.
A Fraternidade Rosacruz, divulgadora autorizada dos Ensinamentos Rosacruzes, afirma convictamente que o regime alimentar ideal é o vegetariano, sob todos os aspectos. Respaldando essas afirmações encontramos ensinamentos nas obras de Max Heindel, nas revistas Rays From The Rose Cross, nas Revistas Serviço Rosacruz e outras publicações editadas pelos Grupos e Centros Rosacruzes no mundo. Há, ainda a mencionar, a facilidade crescente na aquisição de produtos naturais, pois além das lojas especializadas na comercialização desses artigos, podemos encontrá-los também nos supermercados.
Há casos de Estudantes Rosacruzes que, tendo adotado a dieta vegetariana, tempos após, retornam à dieta carnívora, alegando sentirem-se debilitados e enfermos. Dois aspectos na questão merecem uma análise acurada:
1.O Estudante Rosacruz pode não ter efetuado a transição de uma dieta para outra de uma forma racional e equilibrada. Talvez tenha passado de uma forma repentina para o regime vegetariano, sem balancear devidamente sua ração alimentar diária. Não esqueçamos um ensinamento elementar: a natureza não dá saltos. Não admite processos repentinos. A carne animal deve ser abandonada aos poucos.
A afirmação, muito comum por sinal, de que a carne animal deve ser “substituída” encerra uma visão equivocada do problema. Para “substituir” a carne animal há quem ingira quantidades exageradas de alimentos ricos em proteínas, tais como soja, ovos, laticínios. O organismo humano requer uma certa quantidade diária de proteínas, mas não um superprovimento. O superprovimento gerará problemas, sem dúvida alguma.
A carne animal não deve ser “substituída”. Deve ser abolida gradativamente. O Estudante Rosacruz simplesmente deve adotar uma dieta equilibrada, provendo-se de dosagens corretas de sais minerais, vitaminas, hidratos de carbono, proteínas e calorias adequadas ao tipo de atividade que exerce;
2.Este é o aspecto mais delicado do tema. De início queremos propor uma questão: que razões devem realmente levar o Estudante Rosacruz a adotar a alimentação vegetariana?
Alguns o fazem pela necessidade de gozar boa saúde.
Outros inspiram-se em considerações de ordem ética ou princípios relativos ao respeito à vida.
Na realidade, as duas razões são importantes, mas a segunda é fundamental e mais relevante.
Devemos ser vegetarianos por amor, por respeito à vida de outros seres. Não temos o direito de contribuir, direta ou indiretamente, para a matança de indefesos animais.
A compaixão, acima de tudo, deve nortear nossos passos na decisão de mudar nosso regime alimentar.
Do Estudante Rosacruz não se pode esperar atitudes dúbias ou pusilânimes. A firmeza de convicções é fator importante no crescimento anímico.
Se esses argumentos ainda não são convincentes, que o Estudante Rosacruz tome a iniciativa de visitar um matadouro. Seguramente ficará estarrecido com o que lhe será dado a observar. As más vibrações, o odor nauseabundo, as cenas de horror que por certo notará naquela casa da morte deverão incomodá-lo bastante. Mas, se tudo isso ainda não for suficiente, então que assista ao abate. Impossível a uma pessoa dotada de um mínimo de sensibilidade não ficar chocada com o desespero, a dor e agonia do animal na hora da morte. Há quem diga que os olhos de um carneiro chegam a verter lágrimas ao perceber o que o aguarda.
Não! Absolutamente não! Não podemos concordar com essa violência. Essa agressão às leis da vida só pode implicar sofrimento para o ser humano.
A evolução é fundamentalmente uma questão de consciência. Nosso estado de consciência determina o que somos e manifestamos, nossa sensibilidade e pensamentos. Determina principalmente nosso estado de saúde.
Se, em nossa consciência, admitimos a necessidade de conservar limpos e puros nossos corpos; se, intransigentemente, defendemos o direito à vida e a não-violência, podemos estar certos de que tudo isso repercutirá positivamente no corpo físico. Nossa consciência projetará equilíbrio e harmonia sobre nosso organismo, em forma de boa saúde.
Portanto, se o Estudante Rosacruz se tornar vegetariano por convicção, não haverá o que temer. E o que é mais importante: sua atitude constituirá um sólido exemplo para outros. A redenção da Onda de Vida humana começa por aí.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Indolência é uma palavra feia. Está intimamente associada à estagnação e à decadência e essas são palavras repulsivas para a Mente saudável. A indolência é a precursora da decadência e da morte. A atividade é o promotor do crescimento, do desenvolvimento e da força. Isso é verdade para o sistema muscular, para todos os órgãos do Corpo Denso e para o sangue, que é a vida. Também é verdade para o cérebro; um cérebro não pode ser alimentado com sono e ser saudável e forte; para triunfar, requer ainda mais exercício do que o Corpo Denso. A inatividade causa a degeneração do Ego e do Corpo Denso.
O Corpo Denso foi feito para ser ativo e o bem-estar do corpo exige isso. A natureza é o melhor exemplo de atividade. A natureza nunca adormece no sentido de desperdício ou improdutividade. Nos meses frios, ela está ocupada armazenando energia para os meses produtivos.
As grandes e pequenas criaturas vivem vidas ativas, ensinando a nós o valor do tempo e a brevidade da vida. Quem não observou os pássaros quando chegam a primavera? Começam a construir os seus ninhos, porque a Terra continua a se mover, sem perder um único segundo de tempo e, assim, e em breve, chegarão os dias em que terão de procurar climas mais quentes. A abelha há muito que é vista nós como uma criatura de atividade e indústria. A abelha é a própria encarnação da atividade e não tolera a indolência. Ela segue o ditado bíblico: “Quem não trabalhar também não comerá”; mas, no caso da abelha temos: “Quem não trabalhar também não viverá”.
Mas, há outro lado da vida ativa e completa. Tal como a saúde do Corpo Denso e do Ego não pode ser saboreada na ausência de uma vida ativa, também a felicidade e o contentamento não podem existir num ambiente de ociosidade. Parece que a inatividade enche o Corpo Denso com uma matéria estranha que envenena a felicidade, pois se somos ociosos não podemos ser felizes. Vemos outro exemplo disso novamente na Natureza. As aves na época do acasalamento, quando estão mais ativas, são felizes e cheias de canto. A miséria e a ociosidade caminham juntas, enquanto a felicidade e o contentamento acompanham uma vida ativa. Se todos os que estão cansados da monotonia da existência saíssem da luxuosa ociosidade, a vida teria um encanto e os dias seriam muito curtos em vez de ser muito longos.
A ociosidade tem sanções que afetam a nossa própria existência. A ação é a lei do nosso ser, é a lei do crescimento. A ociosidade é fraqueza; a ação é tão favorável ao crescimento físico e mental como o simples fato de dormir em um ginásio o é para a força de um atleta. O trabalho gera força, enquanto a ociosidade é perda de força. Até o menor talento se desvanecerá se não for utilizado. O poder de fazer as coisas deserda a pessoa, quando ela não age. Quando a energia é desligada, a máquina para; quando ficamos ociosos e nos esquivamos da nossa responsabilidade de trabalhar, a energia nos abandona. Nunca se deve permitir que o poder mental diminua. A perda de energia, a falta de confiança e uma capacidade executiva deficiente são os castigos.
O ocioso é um inadaptado, porque fica estacionário em um mundo ativo e se torna impotente, porque a Natureza lhe retira o talento que possuía. Aquele que abandona a vida ativa pela aposentadoria – por exemplo – apresenta um triste espetáculo, porque a infelicidade e não o prazer é o resultado inevitável. A classe ociosa apresenta uma vista infeliz. O trabalhador pode ser pobre, mas feliz; o ocioso pode ser rico, mas miserável. Ele não se encaixa na Natureza; está fora de harmonia com Deus e com o ser humano. O segredo da saúde e da felicidade é a atividade.
Todo o nosso ambiente, ao nosso redor, fala de atividade, de desenvolvimento, de utilidade; ensina-nos que devemos utilizar o tempo, devemos prestar atenção e respondermos aos monitores e às sirenes da atividade que nos rodeiam. A indolência é um crime que a Natureza não perdoa. Devemos trazer no nosso Corpo Denso as marcas da inatividade. Porque, com isso, rouba o nosso Corpo Denso e o nosso cérebro; nosso Corpo Denso não pode ser forte e saudável nem o nosso cérebro, desenvolvido. O Corpo Denso se fortalece com exercício, assim como o cérebro se fortalece e expande com a expressão do pensamento que criamos, como Egos.
Será que a Natureza perdoa esse crime de indolência? Não! Temos que confessar os nossos pecados; temos que ser obedientes; temos que limpar o nosso “Templo de Deus”, porque a Doutora Natureza sabe o que é melhor. A Natureza é o único “médico” verdadeiro; devemos então obedecê-la e começar a trabalhar.
O exercício mantém o Corpo Denso jovem ao promover a flexibilidade de todos os músculos e articulações. O exercício mantém o Corpo Denso saudável ao evitar a estagnação e expulsar as matérias estranhas do Corpo. Para saborear o maior grau de saúde, todos os órgãos, músculos e ligamentos do Corpo Denso devem ser exercitados, não só os membros, mas também a maquinaria interna. É aqui que o verdadeiro exercício tem valor. Quando deixamos de nos exercitar, a “idade se faz sentir”: músculos flácidos e articulações rígidas são alguns dos resultados e dos castigos.
O cérebro deve ser exercitado regularmente para se desenvolver e se manter jovem. Em pouco tempo o Corpo Denso e o cérebro enfraquecem, se forem negligenciados. Certamente é um crime matar o cérebro de fome, enfraquecer esse órgão maravilhoso com o qual Deus tanto nos abençoou. Tal como o Corpo Denso enfraquece sem exercício, também o cérebro enfraquece, caso não seja mantido ativo. Tão importante é o exercício e o uso adequado do cérebro, que cada um de nós deve prestar contas no grande julgamento pelo uso do tempo e do talento. Seremos obrigados a prestar contas rigorosas pela condição do “Templo de Deus”, o Corpo. Uma recompensa só pode ser concedida a um Templo limpo, incluindo o Corpo Denso e o cérebro.
O caminho que leva para cima é difícil de escalar. Significa trabalho árduo; mas, na escalada, ganha-se força, energia, coragem, persistência e consistência; o sucesso nos espera e o prazer na escalada é o companheiro diário. “Tudo que a tua mão encontrar para fazer, faça com a tua força” (Ecl 9:10). Há poder no trabalho. Aquele que não trabalha com o coração no seu trabalho não trabalha bem nem age bem.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de outubro/1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Todo sincero Aspirante à vida espiritual considera que seu Corpo Denso, o físico, é o “Templo do Deus vivente” e, em consequência, observa que é seu sagrado dever aprender a comer para viver, no mais elevado sentido da palavra — prover o seu veículo físico daqueles alimentos que, em qualidade e quantidade, são capazes de lhe dar não só a possibilidade de funcionar com o máximo de eficiência no mais longo período de tempo, mas também para torná-lo mais refinado e sensível às solicitações do Espírito. Isso requer necessariamente um estudo de dietética sob os dois pontos de vista, o físico e o espiritual, e a efetivação da necessidade de se abster dos tóxicos, das bebidas alcoólicas, carnes de animais (mamíferos, aves, peixes, anfíbios, répteis, frutos do mar) e de todos os alimentos muito temperados.
É de importância básica um conhecimento substancial dos fundamentos da dietética — dos alimentos, das quantidades necessárias ao corpo e dos alimentos que fornecem as necessárias proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais, todos sob a forma mais facilmente digerível e assimilável. Evidentemente, os vegetais, as frutas e as nozes são os que melhor proveem esses elementos nutritivos, mas uma vez que cada indivíduo é uma lei em si mesmo e reage aos alimentos de modo inteiramente peculiar, é necessário que cada um adapte os seus conhecimentos sobre dietética às suas próprias necessidades. Observação impessoal e intuição são os dois principais meios para aprender a fazê-lo e quanto mais a pessoa presta atenção à sua intuição, quer nesse, quer em qualquer outro assunto, tanto mais claramente essa intuição se manifesta.
O fator dominante para a maioria, no aprendizado do comer para viver, é conduzir o Corpo de Desejos, objetivando a extirpação de hábitos alimentares inconvenientes e a implantação daqueles que sejam saudáveis. Verdadeiramente, nisso está a cruz do aprendizado, pois não importa a grande soma de conhecimento que se tem sobre dietética, se não for utilizado. Logo, aprender a comer para viver torna-se uma forma definitiva de treino espiritual. Ele pode solicitar muito exercício de vontade com o fim de dominar os clamores do apetite físico e de desejos, antes que o nosso paladar esteja exercitado na apreciação de alimentos adequados. Em todo caso, uma corajosa persistência sempre vence e a recompensa vale todo o esforço.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho/1965, traduzido da Revista Rays from the Rose Cross-Fraternidade Rosacruz-SP)