De acordo com a Bíblia somos um ser composto de três partes: Corpo, Alma e Espírito.
Cada um de nós é um Espírito Virginal da Onda de Vida humana. Um ser que começou o seu desenvolvimento no Período de Saturno e o terminará no Período de Vulcano, pelo menos no que se refere a este Grande Dia de Manifestação.
Assim, somos um membro dos Espíritos Virginais. Diferenciados dentro de Deus (não de Deus!) como chispas de uma Chama, com as mesmas qualidades dela e capazes de se expandir até se converter em chamas.
Eis o significado esotérico desse trecho: “E os Elohim formaram o homem à sua semelhança e imagem” (Gn 1:27). Portanto, em todos os Espíritos Virginais estão contidas todas as possibilidades de Deus, inclusive o germe da vontade independente, o Livre arbítrio, que nos torna capazes de originar novas fases, além das latentes, fases originais, o que corresponde à faculdade da Epigênese.
Vemos, portanto, que é um fato que: “n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” (At 17:28). Nada pode existir fora de Deus.
A Hierarquia Criadora dos Espíritos Virginais é a Hierarquia Zodiacal de Peixes. Uma Hierarquia Criadora é um grupo de seres duplos ou bissexuais que coletivamente são Deus (chamados de Elohim no Gênesis) e que trabalham ativamente para se cumprir o plano evolutivo criado por Deus neste Grande Dia de Manifestação – em Gn 22:1: “Assim foram acabados os céus, a terra e todo seu exército”.
Como cada Hierarquia Criadora tem seu trabalho no Plano Evolutivo de Deus, nós também temos o nosso. E temos, ao nosso cargo, a Evolução da Onda de Vida que começou no Período Terrestre e que hoje anima os minerais.
Atualmente estamos trabalhando com eles por meio da imaginação, dando-lhes formas físicas (sólidos, líquidos e gases), fazendo com eles: livros, edifícios, pontes, máquinas, carros, etc…
Perceba que só trabalhamos com as Formas minerais dos três reinos inferiores. Contudo, não podemos trabalhar com a Vida que as anima. Isso porque, atualmente, a nossa Mente está no estado ou forma “mineral”. Tempo virá, nos próximos Períodos, em que poderemos “imaginar formas que viverão e crescerão”. E depois, criar “coisas com vida, sensíveis e capazes de crescer”. E por último, seremos capazes de “imaginar a criação de seres que viverão, crescerão, sentirão e pensarão”.
Em harmonia com o Esquema da Evolução, traçado por Deus, cada Hierarquia só entra em atividade quando tenham sido criadas condições necessárias para o seu trabalho. Os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana, nós, só entramos em atividade quando as Hierarquias Criadoras prepararam as condições para o nosso desenvolvimento.
Cada Hierarquia tem o seu trabalho. Por exemplo, os Anjos, a Hierarquia Zodiacal de Aquário, têm como objetivo conquistar, dominar e funcionar conscientemente na Região Etérica do Mundo Físico. Tornaram-se especialistas na matéria dessa Região. Para isso tiveram que descer a essa Região e aprender como lidar com tal matéria. Foi-lhes fornecido todo tipo de ajuda para tal, desde alimentação até instruções, experiências e orientação. Conquistarão e expandirão sua consciência nos quatro Mundos superiores a essa Região do Mundo Físico.
Do mesmo modo, nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana temos como objetivo conquistar, dominar e funcionar conscientemente na Região Química do Mundo Físico. Devemos nos tornar especialistas na matéria dessa Região. Peritos na construção das Formas constituídas de substâncias minerais químicas (sólidos, líquidos e gases). Para isso tivemos que descer a essa Região e estamos aprendendo como lidar com tal matéria. Tivemos que adquirir a consciência de nós próprios. Portanto, “somos a Vida que se juntou à Forma, para, por meio de Deus, obter consciência”. Aperfeiçoaremos os nossos veículos e expandiremos a nossa consciência nos cinco Mundos superiores a essa Região do Mundo Físico, por nosso esforço e vontade. Estamos aprendendo, através da experiência, como fazer isso.
Cada um de nós, um Espírito Virginal, é um só, entretanto, observado do Mundo Físico, se refrata-se em três aspectos: Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano. Como Deus, que nos criou, se refrata em três: Deus-Pai, Deus-Filho e Deus-Espírito Santo. Cada um desses aspectos corresponde a um aspecto da Deidade.
E na oração “O Pai-Nosso”, fornecida por Cristo, cada um expressa a sua adoração. O Espírito Humano é a contraparte do Espírito Santo (Jeová): “Santificado seja O vosso nome”. Ele expressa a ATIVIDADE, o MOVIMENTO, atributos do Espírito Santo.
O Espírito de Vida é a contraparte do Filho (Cristo): “Venha a nós o Vosso reino”. O reino do Filho, da Fraternidade Universal. Ele expressa a SABEDORIA.
O Espírito Divino é a contraparte do Pai: “Faça-se a Tua vontade”. Reverenciando a onipotência do Pai. Ele expressa a VONTADE.
Durante a Involução (primeira parte desse Esquema de Evolução), conforme nós passamos por cada Mundo vindo em direção à Região Química do Mundo Físico, foi despertado cada um desses aspectos, por cada uma das Hierarquias Criadoras que nos ajudaram.
Assim, quando entramos no Mundo do Espírito Divino, foi despertado o nosso Espírito Divino pelos Senhores da Chama.
Descendo a um grau a mais de densidade, mergulhamos no Mundo do Espírito de Vida. Então, foi despertado o nosso Espírito de Vida pelos Querubins.
Depois, descemos a mais um grau de densidade, e entramos na Região Abstrata do Mundo do Pensamento. Quando, então, foi despertado o nosso terceiro aspecto: o Espírito Humano, pelos Serafins. Quando isso aconteceu, nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana, perdemos a onisciência, pois essa Região é a primeira Região separatista, de cima para baixo.
Assim, como nós não podíamos mais descerrar nossos véus (os três aspectos) para observar as coisas exteriores (espirituais) ou perceber os outros, nos vimos forçados a dirigir a consciência para dentro, ali encontrando nosso próprio “Eu superior” ou o Ego humano, separado e à parte de todos os outros à nossa volta. Foi assim que nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana, nos vimos envoltos no nosso Tríplice Espírito.
Perceba que é o Espírito Humano que encerrou o Espírito Virginal. É a capa externa – é o Ego.
Portanto, nós, o Ego humano, somos um Espírito Virginal da Onda de Vida humana envolto em um Tríplice Véu de matéria que obscurece nossa consciência divina original.
Nosso atual Esquema de Evolução é dividido em duas partes: a Involução e a Evolução. Durante a Involução, nós, o Ego, mantemos a ilusão da separatividade. Vamos descendo na matéria, entrando em Mundos e em Regiões de maior densidade.
Assim, já é fácil deduzir que precisávamos funcionar conscientemente no Mundo do Pensamento, Mundo do Desejo e Mundo Físico.
Entretanto, para funcionar num determinado Mundo (ou Região desse Mundo), e expressar as qualidades que lhe são realizáveis, é necessário construir um veículo formado de matéria desse Mundo.
Para funcionarmos na Região Química do Mundo Físico precisamos de um Corpo Denso.
Para expressar vida e crescimento, ou as outras qualidades da Região Etérica do Mundo Físico, precisamos de um Corpo Vital.
Para expressar sentimentos, desejos e emoções precisamos de um Corpo formado de matéria do Mundo do Desejo, ou seja, de um Corpo de Desejos.
E para manifestar o pensamento precisamos de um veículo formado de matéria da Região do Pensamento Concreto, ou seja, de uma Mente.
Esses são os instrumentos que utilizamos atualmente; cada um em seu estágio de evolução; todos interpenetrados; sendo que a nossa Mente é o elo entre o nosso Tríplice Corpo e o nosso Tríplice Espírito.
Para que pudéssemos possuir cada um desses Corpos e veículos, as Hierarquias Criadoras nos deram o germe, ou irradiaram de si mesmo o germe de cada um deles.
No Período de Saturno, os Senhores da Chama irradiaram de si mesmo o germe do Corpo Denso. Esse germe foi desenvolvido e tem no seu Átomo-semente sua expressão e que se encontra na posição relativa ao local chamado ápice do coração.
No Período Solar, os Senhores da Sabedoria irradiaram de si mesmo o germe do Corpo Vital. Esse germe foi desenvolvido e tem no seu Átomo-semente sua expressão e que se encontra na posição relativa ao local chamado plexo solar (ou plexo celíaco).
No Período Lunar, os Senhores da Individualidade irradiaram de si mesmo o germe do Corpo de Desejos. Esse germe foi desenvolvido e tem no seu Átomo-semente sua expressão e que se encontra na posição relativa ao local chamado fígado.
E, por fim, agora no Período Terrestre, os Senhores da Mente irradiaram de si mesmo o germe do veículo Mente. Esse germe foi desenvolvido e tem no seu Átomo-semente sua expressão e que se encontra na posição relativa ao local chamado meio do sinus frontal.
Cada um desses germes serviu para nós, o Ego humano (ou o Espírito Virginal envolto no Tríplice Espírito), aprendermos a construir cada Corpo e veículo durante a involução. Eles continham, e ainda contêm, o núcleo para a formação de cada Corpo e de cada veículo.
Hoje cada um desses Átomos-semente forma parte de todos os veículos já usados por um Ego humano. Esses Átomos-semente estão ligados entre si pelo Cordão Prateado, enquanto estamos aqui renascidos, nesta vida. E é esse Cordão Prateado que mantém unidos os veículos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e Mente.
Durante a Involução, ou seja, do início do Período de Saturno até à Época Atlante no Período Terrestre as energias dos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana estavam dirigidas para dentro, para a construção desses Corpos e veículos. Essas energias são as mesmas que empregamos hoje para construir casas, pontes, estradas e qualquer coisa que melhore as condições externas na Região Química do Mundo Físico.
O caminho que compreende a Involução e Evolução desse Esquema de Evolução é a peregrinação dos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana da total inconsciência à total consciência individual.
Hoje nos reconhecemos como um indivíduo, um ser pensante, unidos no Corpo místico de Deus, mas separados um do outro, um criador, como o nosso Pai que nos criou.
Esses Corpos e veículos são os instrumentos de trabalho do Ego humano. Como diz S. Paulo em ICor 15:44-45: “Se há um corpo animal <Corpo Denso e Vital>, também há um espiritual <Corpo de Desejos e Mente>. Como está escrito: ‘o primeiro ser humano, Adão, foi feito alma vivente; o segundo Adão é Espírito vivificante’”.
É por meio deles que o Ego humano obtém a experiência. Como disse S. Paulo em ICor 6:13-20: “Não sabeis que o vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que habita em vós, O qual recebeste de Deus (…), glorificam, pois, a Deus no vosso corpo”.
Assim, cada aspecto do Tríplice Espírito trabalha sobre um dos três Corpos.
Novamente, na oração do “Pai-Nosso” podemos ver como isso se dá: o Espírito Divino pede à sua contraparte, o Deus Pai, pelo Corpo Denso: “O pão nosso de cada dia”.
O Espírito de Vida pede à sua contraparte, Deus Filho, pelo Corpo Vital: “Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
O Espírito Humano pede à sua contraparte, Deus Espírito Santo, pelo Corpo de Desejos: “não nos deixeis cair em tentação”.
Por fim, os três aspectos (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano) se juntam na súplica pela Mente ao Pai, Filho e Espírito Santo: “livrai-nos do mal”.
Vale a pena lembrar que qualquer trabalho sobre um Corpo reflete em todos os outros. Por isso é importantíssimo o Aspirante à vida superior cuidar de cada um dos seus Corpos da melhor maneira possível. Sem isso é impossível se desenvolver espiritualmente em uma Escola como a Fraternidade Rosacruz.
Os três aspectos (Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano), ou nossos veículos superiores, possuem assentos particulares no Corpo Denso.
O Espírito Humano possui um assento na Glândula Pineal e no sistema nervoso cérebro-espinhal. O Espírito de Vida possui um assento no Corpo Pituitário e no coração. O Espírito Divino possui um assento na impenetrável área conhecida como raiz do nariz.
Quando nós obtivemos o domínio dos nossos Corpos por meio do foco mental, da Mente, começamos a desenvolver a Alma, trabalhando de dentro dos nossos Corpos. A Alma também é Tríplice.
Cada vez que agimos bem, praticamos boas ações, servindo altruisticamente, a Alma Consciente cresce, e o Espírito Divino assimila-a do Corpo Denso, assentando sua consciência.
Cada vez que sentimos o bem, esforçando-nos por ter desejos e sentimentos superiores, emoções elevadas, alimentamos a nossa Alma Emocional e o Espírito Humano assimila-a do Corpo de Desejos.
Cada vez que exercitamos a nossa memória, originando a simpatia, ligando as experiências, alimentamos a nossa Alma Intelectual e o Espírito de Vida assimila-a do Corpo Vital.
Portanto, a Alma nada mais é do que o produto espiritualizado dos nossos Corpos; é a quinta-essência desses, o seu poder ou a sua força. É através desse trabalho que o Ego humano adquire a perfeição de cada um dos Corpos.
E nesse trabalho, percorrendo a parte conhecida como Evolução desse Esquema de Evolução, nós vamos da consciência de vigília (que temos agora) à onisciência, da impotência à onipotência.
A evolução da vida, da consciência e da forma; a tríplice manifestação do Espírito Virginal da Onda de Vida humana, completando o Plano de Deus que nos criou neste Grande Dia de Manifestação.

Que as rosas floresçam em vossa cruz
A Doutrina da Delineação em Poucas Palavras (para acessá-lo clique aqui), Max Heindel utilizou a técnica da combinação das palavras-chave de todos os outros Astros e Aspectos da Tabela que consta naquele capítulo para fazer as interpretações desses horóscopos e sugere que os Estudantes Rosacruzes também o façam. Nas palavras dele: “Isso os capacitará a uma boa leitura de qualquer horóscopo, mesmo com pouca prática. Para mais demonstrações práticas desse método sugerimos aos Estudantes que examinem os horóscopos de crianças publicados nos Livros Interpretações Astrológicas de Temas de Criança.
Um exemplo você pode ter aqui: Criança com vocação para Adaptabilidade, buscar Horizontes distantes e espírito Andarilho
Quer ler mais sobre vocação e saúde em horóscopos de crianças? Clique aqui
Sempre que aplicamos as regras ou cânones da Astrologia Rosacruz a indivíduos notáveis, constatamos que eles se baseiam em princípios corretos, que são, em linhas gerais, válidos e que servem para indicar o potencial com o qual um ser humano nasce. Não afirmamos que todos alcancem a plenitude da realização, nem que utilizem seu potencial em sua capacidade máxima.
Não faz parte de nossa crença que os Astros (Sol, Lua e Planetas) determinem o ser humano, ou que as posições dos Signos e Astros e os Aspectos (Conjunção, Sextil, Quadratura, Trígono e Oposição) astrais conduzam alguém à genialidade. Afirmamos, contudo, que não existe caso de genialidade notável que não venha acompanhado de Aspectos que tornem possível a expressão desse gênio. Fazendo uma analogia, podemos dizer que a vibração etérica é um fato da natureza, o qual apenas recentemente passou a ser compreendido e utilizado. Em alguns, os poderes da alma permanecem latentes, não compreendidos ou sequer reconhecidos. Em outros, mostram-se potentes e ativos, plenamente compreendidos e empregados.
Se levarmos essa reflexão à sua conclusão lógica, perceberemos que dezenas de nascimentos ocorrem simultaneamente em qualquer grande centro populacional; consequentemente, muitos indivíduos nascem sob condições astrais semelhantes, ou até mesmo idênticas. Por que, então, surge apenas um gênio em meio a tantos? O fato evidente é que as condições sob as quais nascemos não definem o ser humano. É o próprio indivíduo quem utiliza essas condições em diferentes graus, conforme a natureza de sua alma e o nível de evolução que alcançou. O Corpo Denso é o elemento do nosso meio ambiente que nos afeta de maneira mais direta. Nele convergem dois grandes fluxos de hereditariedade; sobre ele atuam não apenas os elementos físicos, mas também todas as forças mais sutis que emanam do universo astral — o nosso ambiente mais abrangente. Algumas almas transcendem a si mesmas e deixam sua marca no mundo.
Outras, intimidadas pelas forças materiais com as quais precisam lidar, deixam de aproveitar as oportunidades que lhes são oferecidas, tornando-se, assim, elementos ineficazes. Afinal, o que beneficia a Humanidade não é o que extraímos da vida, mas sim o que contribuímos para ela. A grandeza doa de si mesma em plena medida; a mediocridade negocia com as circunstâncias.
Apenas os fracos e servis se agarram a pequenas vantagens por si mesmas. Mas como propomos distingui-los astrologicamente, visto que nascem de forma esparsa? Insisto no fato da existência de uma faculdade inerente.
Como podemos adaptar nossos métodos científicos a esse fato? Há duas maneiras. Uma delas é por meio da natureza específica dos graus chamados “críticos” ou marcantes — que, quando presentes, revelam um forte potencial. A outra é por meio da época pré-natal, que está para o horóscopo de nascimento assim como a alma humana está para o seu Corpo. Se deseja conhecer o indivíduo, consulte a época pré-natal. Se deseja saber algo sobre o seu ambiente, observe o horóscopo de nascimento.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de outubro de 1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Resposta: É-nos dito que este Melquisedeque era rei de Salém e, também, Sumo Sacerdote. É-nos dito que o seu sacerdócio estava muito acima do de Aarão, pois era imutável, ao passo que o de Aarão e dos levitas estava sujeito a frequentes mudanças.
Ao longo dos períodos dos quais temos registros históricos, sempre existiu uma divisão entre o Poder Temporal[1] e Poder Eclesiástico[2]. Moisés era o governante temporal e líder do povo judeu, enquanto Aarão era o Sacerdote que zelava pelo bem-estar espiritual desse povo. Ao longo das eras, essa separação entre Igreja e Estado sempre se fez presente, por vezes provocando grandes conflitos e derramamento de sangue, visto que seus interesses parecem ser, invariavelmente, diametralmente opostos. Contudo, na época de Melquisedeque — rei de Salém, nome que significa “paz” —, não havia tal divisão; ambos os cargos estavam reunidos em um único indivíduo. A história de Melquisedeque — um Ser sem linhagem terrena — se refere, naturalmente, a um período nos primórdios da Atlântida, quando a Humanidade ainda não estava fragmentada em nações beligerantes, mas constituía uma vasta e pacífica fraternidade, na qual os líderes do povo eram Seres Divinos que exerciam, simultaneamente, as funções de reis e Sacerdotes.
A posterior separação entre Igreja e Estado tem sido uma das fontes mais férteis de inimizade e guerra na Humanidade, pois cada um desses poderes tem lutado pela supremacia sobre o outro. Na realidade, contudo, não deveria haver tal conflito; afinal, ninguém que não possua a espiritualidade exigida de um Sacerdote está apto a governar como rei, e ninguém que não possua a sabedoria e a justiça esperadas de um rei está apto a exercer a orientação espiritual da Humanidade, tal como fazem os Sacerdotes. Quando essas qualidades se reunirem novamente em um único líder, o reinado de paz universal e fraternidade tornar-se-á uma realidade. O Cristo foi anunciado como esse líder, capaz de unir Igreja e Estado — atuando como rei e Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque[3]. Sua Segunda Vinda inaugura o milênio, a era de paz e alegria, na qual a simbólica Nova Jerusalém — a “cidade da paz” (visto que “Jerusalém” significa “haverá paz“) — reina sobre as nações da Terra, unidas em uma única Fraternidade Universal. Haverá, então, “paz na Terra e boa vontade entre os homens”[4].
(Pergunta nº 91 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: A autoridade de governo político, administrativo e militar sobre questões materiais, leis e territórios terrenos.
[2] N.T.: A autoridade, a jurisdição e a influência exercidas pelos dirigentes, líderes e instituições da Igreja (especialmente na tradição cristã e Católica) sobre os seus fiéis.
[3] N.T.: Sl 110:4
[4] N.T.: Lc 2:14
Resposta: Diz-se que “a lei e os profetas vigoraram até Cristo”[3], e existem quatro etapas pelas quais o ser humano se eleva a Deus. Inicialmente, ao despertar para a consciência no Mundo Físico e se encontrar em um estado selvagem, o ser humano se vê cercado por outros seres humanos que, pela própria pressão das circunstâncias, são forçados a lutar pela sobrevivência — seres humanos para os quais “a força é o direito”. Nesse estágio, ele aprende a confiar em sua própria força para se proteger dos ataques de animais selvagens e de outros seres humanos. Contudo, ele percebe ao seu redor as Forças da Natureza e as teme, pois reconhece a capacidade que elas possuem de matar, bem como sua própria impotência diante delas. Ele, portanto, começa a adorar, buscando aplacar — por meio de sacrifícios sangrentos — o Deus a quem teme.
Depois, chega o momento em que ele passa a ver Deus como o provedor, Aquele que o recompensará, aqui e agora, pela obediência à Sua lei, e que o punirá instantaneamente pela desobediência. Um aliado poderoso contra seus inimigos, mas também um inimigo formidável — e, por isso, alguém a ser muito temido. Assim, ele adora e sacrifica animais, movido pelo medo e pela ganância.
Segue-se, então, a fase em que ele é instruído a adorar um Deus de Amor e a sacrificar a si mesmo, dia após dia, ao longo de toda a sua vida, em troca de uma recompensa em um estado futuro — algo em que ele deve crer pela fé, embora tal estado nem sequer esteja claramente definido.
Por fim, o ser humano alcançará um estágio em que reconhecerá sua própria divindade e agirá corretamente apenas porque é o certo a fazer, sem qualquer pensamento de medo ou expectativa de recompensa.
Os judeus haviam chegado ao segundo desses estágios e estavam sob a Lei[4]. A Religião Cristã atravessa, gradualmente, o terceiro estágio, embora ainda não se tenha libertado totalmente do segundo. Todos nós ainda estamos sujeitos a Leis — estabelecidas por Deus e pelos seres humanos — que visam refrear nossos Corpos de Desejos por meio do medo; contudo, para progredirmos espiritualmente a partir de agora, precisamos sensibilizar nosso Corpo Vital, que é receptivo ao amor, mas que desconhece por completo a Lei que rege a natureza dos desejos.
A fim de preparar esse estado futuro, os sacerdotes — que estavam em um estágio mais avançado do que o povo em geral — se mantinham separados e distintos dele. No oriente, por exemplo, apenas uma casta específica, a dos brâmanes, tinha permissão para entrar nos Templos e realizar os rituais ali praticados. Entre os judeus, somente os levitas podiam se aproximar do lugar sagrado; o mesmo ocorria em outras nações. Os sacerdotes constituíam, invariavelmente, uma classe à parte, sendo-lhes vedado contrair matrimônio com pessoas fora de seu grupo. Eram, em todos os aspectos, um segmento separado e distinto.
Isso ocorria porque os líderes responsáveis pela evolução da Humanidade precisavam utilizar linhagens nas quais houvesse uma certa flexibilidade — uma espécie de frouxidão — na conexão entre o Corpo Vital e o Corpo Denso. Assim, eles selecionavam esses sacerdotes e os reuniam em torno dos Templos, regulamentando todos os aspectos de suas vidas, inclusive no que tange à sexualidade. Contudo, no momento em que o Cristo foi libertado do Corpo de Jesus e difundiu Seu Ser por toda a Terra, o véu se rasgou — simbolizando que a necessidade de condições especiais havia chegado ao fim. Desde então, o Éter na Terra tem passado por transformações. Uma taxa vibratória cada vez mais elevada permite a manifestação de qualidades altruístas. Foi o início daquela vibração imensa que, segundo relatos, teria provocado a escuridão durante a crucificação[5]. Na verdade, não se tratava de escuridão, mas de uma luz tão intensa que cegou temporariamente as pessoas, até que as vibrações diminuíssem de intensidade ao serem absorvidas pela densidade do plano físico terrestre. Algumas horas mais tarde, o radiante Espírito de Cristo já havia se integrado à Terra o suficiente para restabelecer as condições normais. Gradualmente, porém, esse poder interior vem ganhando força; as vibrações etéricas estão sendo aceleradas, promovendo um aumento do altruísmo e do crescimento espiritual. Assim, as condições atuais são tais que já não há necessidade de uma classe especial ou privilegiada; cada indivíduo, sem exceção, pode aspirar a ingressar no caminho da Iniciação.
As condições antigas, contudo, são difíceis de superar; sob o regime de Jeová, o Espírito da Lua, a Humanidade havia sido dividida em nações. Para guiá-la, era necessário que Ele, por vezes, utilizasse uma nação para punir outra, visto que, naquela época, a Humanidade não era suscetível ao amor — ela só obedecia sob o açoite do medo. Antes que a grande Fraternidade Universal do Amor possa ser estabelecida, é preciso desfazer essas nações, seguindo o mesmo princípio que se aplica a um conjunto de construções feitas de tijolos: se desejamos transformá-las em uma única e grandiosa estrutura, primeiro precisamos reduzi-las a pedaços, de modo que os tijolos individuais fiquem disponíveis para serem usados na nova e maior construção. Por isso, Cristo disse: “Não vim trazer a paz, mas a espada”.
Devemos superar o patriotismo e aprender a dizer, como aquela grande alma, Thomas Paine[6]: “O mundo é minha pátria, e fazer o bem é a minha Religião”. Até que chegue esse momento, as guerras continuarão — e quanto mais, melhor —, pois, assim, o horror se tornará suficientemente chocante para forçar a paz.
Na Noite Santa em que o menino Jesus nasceu, os Anjos entoaram um cântico: “Paz na Terra e boa vontade entre os homens”[7]. Mais tarde, o “Menino” cresceu e disse: “Não vim trazer a paz, mas a espada”; e a Religião Cristã se tornou a mais sangrenta de todas as Religiões da Humanidade. Por onde passou, ela semeou a desolação e a dor; contudo, após todo esse sofrimento, chegará o dia em que o Cântico dos Anjos se tornará realidade, e as palavras proferidas por Cristo em outras ocasiões — sobre o amor ao próximo — serão, de fato, vivenciadas. Quando a “espada” tiver cumprido sua missão, ela será transformada em “relha de arado”[8]; não haverá mais guerras, pois não existirão mais nações.
(Pergunta nº 91 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Jo 3:16
[2] N.T.: Mt 10:34
[3] N.T.: Lc 6:16
[4] N.T.: Aqui se refere às Leis Jeovísticas, as da Religião de Raça.
[5] N.T.: Mt 27:45, Mc 15:33, Lc 23:44-45
[6] N.T.: Thomas Paine (1737 – 1809) foi um político britânico, além de panfletário, revolucionário, inventor, intelectual e um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos da América. Thomas Paine foi, a um só tempo, ator, intérprete e testemunha não apenas das Revoluções Americana e Francesa, mas também dos movimentos revolucionários ingleses em fins do século XVIII e, em menor medida, do movimento revolucionário nos Países Baixos e na Irlanda, onde ele era continuamente citado e admirado.
[7] N.T.: Lc 2:14
[8] N.T.: Is 2:14
A maioria das pessoas sente que uma refeição sem carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins) é incompleta, pois, desde tempos imemoriais, considera-se um axioma que a carne animal é o alimento que mais fortalece o organismo.
Todos os outros alimentos são vistos como meros acompanhamentos para um ou mais tipos de carne animal presentes no cardápio. Nada poderia ser mais equivocado; a ciência comprovou, por meio de experimentos, que a nutrição obtida de vegetais possui, invariavelmente, maior poder de sustentação!
Quer saber mais sobre o assunto? Leia aqui: Princípios Ocultos de Saúde e Cura – O Papel dos Estimulantes na Evolução
Quer ver o restante? Clique aqui: Princípios Ocultos de Saúde e Cura
Era um ditado de Aristóteles[1] que, na infância, a alma do ser humano não difere em qualquer coisa da alma dos brutos; mas então ele admite que apenas um animal, o ser humano, pode refletir e deliberar; a última afirmação encontrou grande apoio entre os filósofos modernos.
Assim, agora somos informados de que o bruto é sensível, mas não autoconsciente, e poderes e faculdades são continuamente apontados no ser humano, os quais, afirma-se positivamente, não podem ser encontrados em alguém inferior a ele. As pessoas que fazem tais declarações já visitaram a câmara de pensamento dos animais inferiores, nós nos perguntamos e, se não, como podem falar do mistério da mente com tanta certeza?
Platão[2] usou esta classificação: alma das paixões e alma das faculdades cognitivas; cada uma tendo sua própria sede no Corpo e movimentos peculiares; até mesmo Aristóteles, seu oponente materialista, tem suas almas vegetais, almas sensíveis e almas racionais. Em toda a fisiologia e psicologia gregas estava o pressuposto de que tudo o que se movia sozinho tinha vida ou alma.
A matéria foi admitida como essencialmente inativa e, portanto, tornou-se necessário supor um agente vital no qual (ou através do qual) a atividade se manifestasse; o mesmo era válido no caso da função física, da senciência e do intelecto, sendo essa a suposição sobre a qual repousava também os três tipos de alma de Platão e as três almas de Aristóteles, pois inclusive a teoria deste parece estar, e talvez literalmente, quase no mesmo nível.
Galeno[3] limitou o termo alma ao agente das funções sencientes e inteligentes, fazendo da Natureza um simples operador físico; contudo, Aristóteles reinou sobre as escolas e sua doutrina das almas vegetais, almas sencientes e almas racionais, modificada de várias maneiras, pode ser localizada em muitas teorias fisiológicas e médicas até mesmo em nossos tempos. Era substancialmente um com o Archaeus[4], o princípio governante da filosofia de Paracelso[5], e o princípio animador, organizador de Harvey[6]. Ainda mais tarde, Müller[7] transformou a concepção em uma força orgânica que existe até mesmo no germe e cria nele a parte essencial do futuro animal, enquanto Haeckel[8] e outros que tentam se afastar inteiramente do princípio das almas são ainda forçados a reconhecer, com ele, um princípio vital que subjaz a todas as manifestações físicas.
A alma cristã e imortal foi representada tanto pelo pavão quanto pela pomba e, mais frequentemente, pela última. Podemos ver os Discípulos de Cristo representados como pombas na cruz absidal em S. Clemente[9]. As almas Cristãs das pombas são encontradas em tabuletas murais tanto em fontes batismais quanto sarcófagos. Com menos frequência, elas aparecem como pavões e raramente em sarcófagos; no entanto, mesmo em tempos pré-cristãos, elas eram assim representadas nas paredes de câmaras sepulcrais e cenas do Paraíso de Osíris[10], em alguns sarcófagos. No museu do Vaticano estão duas pombas em uma cruz, rodeadas pelo monograma de Cristo em uma coroa de flores. Esse objeto pode ser visto com frequência.
No único tabernáculo de marfim preservado na sacristia da Catedral de Sens, vemos uma pinha tomando o lugar da cruz ou do diagrama de Cristo e, de cada lado dela, um pavão, representando não apenas as almas dos Cristãos, mas as dos mártires, pois cada pavão tem um pequeno ramo de palmeira preso no pescoço.
O símbolo egípcio convencional para a alma era, como todo arqueólogo sabe, um gavião com cabeça humana. Nos últimos tempos e entre os romanos, as almas dos que partiram para o Paraíso de Osíris eram representadas como pombas e pavões.
Em uma pintura afresco que existiu em Pompéia, uma cópia da qual foi gravada em Nápoles em 1833, almas simbolizadas como pombas e pavões são representadas empoleiradas em árvores sagradas — a palmeira e o pessegueiro, no Paraíso de Osíris e Isis. Nesse afresco estava também representada a garça, símbolo, segundo o Visconde de Ronge, da primeira transformação da alma neste misterioso Paraíso.
Havia, então, para esse propósito, certo significado idêntico e ligado ao símbolo do pavão e da pomba. A pomba de Vênus foi crucificada em uma roda de quatro raios ou cruz solar[11]; a pomba, também chamada de Inyx[12], apresenta relação com esses símbolos e ocorre na história de Semiramis, sendo descrita como tendo fugido e transformando-se em pomba, quando foi conquistada por Esturobates[13], que havia ameaçado pregá-la na cruz, que é identificada com a roda de quatro raios na crucificação eterna de Ixion, ou a roda da execução descrita por Píndaro.
A pomba crucificada em uma cruz-de-roda ou cruz solar; basicamente, uma cruz dentro de uma circunferência é curiosa como um antigo símbolo pré-cristão, mas nos símbolos Cristãos duas pombas na cruz são frequentemente vistas. No entanto, é mais do que provável que haja outro significado para o símbolo da pomba e não apenas o de representar a alma.
O batismo de Jesus no Jordão foi um batismo da Água e do Espírito, porque, quando Jesus saiu da água, o Cristo Universal desceu sobre ele como uma pomba, mas não em forma de pomba e, a partir de então, foi animado por um Espírito diferente, imbuído de sabedoria cósmica.
Da mesma forma, quando o Espírito Santo desceu sobre os Discípulos na Celebração Pentecostal, eles também foram dotados de poderes espirituais não anteriormente possuídos por eles e apenas aqueles que têm tais faculdades evoluídas podem realmente entrar na classificação que lhes dá o direito ao símbolo da pomba, tal como foi depois dado aos Discípulos de Cristo.
Portanto, é razoável supor que esse símbolo só tenha sido oferecido a Iniciados cujos poderes espirituais foram desenvolvidos para serem usados a serviço da Humanidade.
Porém, se pudermos aplicar o Mito de Argus[14] como um índice para o significado do símbolo do pavão, isso nos mostrará a alma desperta que usa seus poderes para um propósito mais básico. Argus, de acordo com a mitologia, tinha cem olhos, era dotado de um poder de observação maravilhoso e penetrante; Clarividência, na verdade. Mas ao invés de usar este poder da alma para o benéfico serviço à Humanidade, ele prostituiu sua visão espiritual para aprisionar um semelhante e, por isso, Mercúrio, o deus da sabedoria, decapitou-o e colocou seus olhos nas plumas do pavão. Em outras palavras, o uso indevido de seus poderes espirituais para um propósito vil fez com que ele fosse privado deles e se tornasse uma criatura indefesa, arrogante e vaidosa como um pavão, algo lamentável, apesar de toda sua linda plumagem.
Conhecimento é bom, se for do tipo certo e usado corretamente para propósitos altruístas e úteis; contudo, é extremamente perigoso “ser sábio como uma serpente” (Mt 10:16), se não for “simples como uma pomba” (Mt 10:16).
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro de 1918 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.R.: (384–322 a.C.) foi um filósofo e polímata da Grécia Antiga. Seus escritos abrangem as ciências naturais, a filosofia, a linguística, a economia, a política, a psicologia e as artes. Fundou a escola peripatética no Liceu de Atenas, dando início à tradição do aristotelismo, que esteve na origem de parte do desenvolvimento posterior das ciências.
[2] N.R.: nasceu em 428 ou 427 a.C. em Atenas e morreu em 348 ou 347 a.C. Foi um filósofo da Grécia Clássica, contemporâneo da democracia ateniense e dos sofistas, cujas posições frequentemente criticou. Retomou o pensamento de predecessores, sobretudo de Sócrates, de quem foi aluno, mas também de Parmênides, Heráclito e Pitágoras, para elaborar sua própria filosofia. Seu pensamento percorre campos como a metafísica, a ética, a estética e a política. Fundou uma Academia em Atenas, onde Aristóteles foi aluno e depois professor durante cerca de vinte anos. Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental e, também, tem sido frequentemente citado como um dos fundadores da religião ocidental, da ciência e da espiritualidade.
[3] N.R.: Cláudio Galeno ou Élio Galeno (129 – c. 216), mais conhecido como Galeno ou Galeno de Pérgamo, foi um médico, cirurgião e filósofo greco-romano. Sua atividade de investigação médica na Antiguidade abrangeu anatomia, fisiologia, patologia, farmacologia e neurologia, além de filosofia e lógica.
[4] N.R.: Na alquimia e no esoterismo, representa uma força vital, um espírito imaterial e animador que rege os fenômenos da vida, o crescimento e a transmutação da matéria em energia espiritual.
[5] N.R.: Paracelso, pseudônimo de Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (1493 – 1541) foi um médico suíço, alquimista, teólogo leigo e filósofo da Renascença alemã. Ele foi um pioneiro em vários aspectos da “revolução médica” do Renascimento, enfatizando o valor da observação em combinação com a sabedoria recebida. Ele é considerado o “pai da toxicologia”. Paracelso também teve um impacto substancial como profeta ou adivinho, seus “prognósticos” sendo estudados por Rosacruzes em 1600. Paracelso autenticou o primeiro movimento médico moderno inspirado no estudo de suas obras.
[6] N.R.: William Harvey (1578 —1657) foi um médico britânico que, pela primeira vez, descreveu corretamente os detalhes do sistema circulatório do sangue ao ser bombeado, por todo o corpo, pelo coração.
[7] N.R.: Johannes Peter Müller (1801 — 1858) foi um fisiologista alemão, anatomista comparativo, ictiologista e herpetologista, conhecido não apenas por suas descobertas, mas também por sua capacidade de sintetizar conhecimento. O ducto paramesonéfrico (ducto de Müller) foi nomeado em sua homenagem.
[8] N.R.: Ernst Heinrich Philipp August Haeckel (1834 –1919) foi um biólogo, naturalista, filósofo, médico, professor e artista alemão.
[9] N.R.: A cruz absidal na Basílica de São Clemente, em Roma, é o elemento central do célebre mosaico do século XII (cerca de 1120) intitulado “O Triunfo da Cruz”. Localizado na basílica superior, este mosaico é considerado uma das maiores obras-primas da arte medieval romana e destaca-se pela sua profunda e densa carga teológica e simbólica. As Doze Pombas Brancas: Pousadas sobre os braços da cruz, doze pombas brancas representam os doze apóstolos, que encontram a sua força na ressurreição e espalham a paz e o Espírito Santo pelo mundo.
[10] N.R.: O Paraíso de Osíris, conhecido na mitologia egípcia como Aaru (os “Campos de Juncos”), é o reino celestial governado pelo deus Osíris onde as almas justas vivem em paz eterna . A expressão “Paraíso de Osíris” e a figura do pavão cruzam-se no estudo da transição da iconografia religiosa da Antiguidade para o Cristianismo Primitivo. Historicamente, o pavão era visto como um símbolo de imortalidade e ressurreição.
[11] N.R.: A cruz solar (um círculo dividido por quatro raios formando uma cruz) é um dos símbolos espirituais mais antigos da humanidade, remontando à Idade do Bronze.
[12] N.R.: Na mitologia grega, Iynx era uma ninfa (filha de Eco ou de Peito com Pã) que tentou enfeitiçar Zeus com poções de amor. Como punição, a deusa Hera a transformou em um pássaro peculiar, o torcicolo (Iynx torquilla). Afrodite (Vênus) posteriormente tomou esse pássaro e o amarrou a uma roda de quatro raios que girava continuamente, criando o primeiro feitiço ou amuleto de amor da história (frequentemente usado por Jasão para conquistar Medeia). Na literatura esotérica e rosacruz posterior, a Iynx passou a ser poetizada ou sincretizada como a própria “pomba de Vênus”.
[13] N.R.: Na história mítica da rainha Semíramis (uma versão lendária baseada na rainha assíria Sammu-ramat), o nome Esturobates (grafado originalmente na tradição clássica grega como Stabrobates ou Staurobates) refere-se ao rei da Índia que se tornou o seu maior rival militar. O confronto entre os dois marca o clímax e o declínio do império lendário de Semíramis,
[14] N.R.: Refere-se a um gigante da mitologia grega conhecido por ter o corpo coberto por cem olhos.
Não há outro inimigo, senão nós mesmos. Enquanto houver dentro de nós um resquício sequer de Personalidade, haverá separação.
Na Fraternidade Rosacruz, distinguimos nitidamente entre Personalidade e Individualidade. Personalidade é a “persona”, o conjunto enganoso, provisório e em constante mudança formado pelas nossas sensações, emoções, sentimentos e modo de pensar. São os laços de sangue, as tradições, os elos do mundo, essas coisas mais fortes que algemas de aço, tudo a que o Cristo simbolicamente chamava de “o reino dos mortos”. O mundo, a família, os bens, tudo isso é meio de aprendizagem indispensável a nós, o Ego humano, no presente estado evolutivo. Contudo, há o perigo de nos identificarmos com eles, de pensar que nos pertencem ou que lhes pertencemos, olvidando nossa origem celestial, nossa condição de espírito livre, em peregrinação e aprendizagem.
“Aquele que quiser ser meu discípulo, deve abandonar pai, mãe, irmãos, amigos, tudo” (Lc 14:26 – Mt 10:37), nos ensinou o próprio Cristo. Com isso não quis significar que devamos desleixar nossos deveres de pais, filhos, irmãos ou amigos Cristãos. Ao contrário, o verdadeiro Cristão é um excelente marido, pai, irmão, amigo, uma excelente esposa, mãe, irmã, amiga porque fornece a sua afeição e trabalho o mais puro pensamento, desejo, sentimento e, também, a mais pura emoção, ação e puro esforço. Dá e não espera receber; ama e não espera ser amado; compreende e não espera ser compreendido. As ingratidões não lhe suscitam ressentimentos, mas o cuidado de verificar se não contribuiu para isso. O verdadeiro Cristão busca a amorosa tentativa de reconciliação; ora e espera pela pessoa que é teimosa e rancorosa.
Ser Cristão é exemplificar amor Crístico, em seu sentido lato. É deixar que o Cristo, em si, fale, viva, ame.
Já a Individualidade é a expressão do Eu superior, verdadeiro, o que realmente somos, comandando os pares físicos, morais e mentais como instrumentos de ação.
A Personalidade é a nossa expressão de baixo para cima, o “ser humano invertido”, os valores instintivos, colorindo desordenadamente nosso modo de ser; é o amordaçamento do “Eu superior” e nosso condicionamento às conveniências instintivas. Um pentagrama com a ponta superior para baixo…
Nós, a Individualidade, não prescindimos da bagagem de experiências anímicas; ao contrário, nos valemos dela de um modo próprio, original, epigenético, criador. Porém, nós é quem mandamos e orientamos. Como nos ensina S. Paulo: “Não sou mais eu quem vive, mas o Cristo em mim”; e o próprio Cristo-Jesus nos ensina: “Eu e o Pai somos um”.
É certo que essa condição vamos atingindo gradativamente, em uma luta constante entre a nossa natureza inferior e a nossa natureza superior, entre as trevas e a luz dentro de nós. Por isso, a lenda dos Maniqueus, referindo-se internamente ao ser humano e ao mundo, fala da guerra dos Filhos das Trevas contra os Filhos da Luz. Estes acabam vencendo aqueles; entretanto, sendo bons, não podem exterminá-los. Incorporam, pois, o reino das trevas ao da Luz; ou seja, efetuam a transmutação dos valores inferiores em valores espirituais. Os alquimistas medievais faziam o mesmo, quando falavam sobre transformar os metais inferiores em ouro. Também entre os manuscritos encontrados no soterrado mosteiro dos Essênios, Qumran, às margens do Mar Morto, há um que fala da guerra dos Filhos das Trevas contra os Filhos da Luz.
Goethe, o grande Iniciado e autor de “Fausto”, falou, pela boca de um de seus personagens: “Duas almas — ai! — lutam dentro do meu peito pela posse de um reino indivisível; uma buscando alçar-se aos Céus em ilibados anseios, enquanto a outra se agarra à Terra, em passionais desejos”. S. Paulo, o apóstolo, igualmente dizia: “Pobre homem sou! O bem que desejaria fazer, não faço; o mal que não desejaria fazer, esse eu faço” (Rm 7:19).
Todo Aspirante sincero à espiritualidade “ora e vigia”, sobretudo quando se acha à frente de um movimento espiritualista, como a Fraternidade Rosacruz, e deve viver o que ensina. Ao mesmo tempo, o claro entendimento dessa luta dentro de cada um de nós nos torna rigorosos conosco e tolerantes com os demais, de modo a unir e não desunir, a estimular e não censurar; enfim, “a buscar a Divina Essência que existe em cada um”, o que constitui a base da Fraternidade que almejamos formar, como precursores da “Era de Aquário”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1965-Fraternidade Rosacruz-SP)
O conhecimento pode ser uma faca de dois gumes. Imprescindível ao nosso avanço em qualquer campo de atividade, se for mal-empregado atravancará nosso desenvolvimento. Pouco ou superficial, mesmo quando aplicado com a melhor das intenções, torna-se perigoso. Muito conhecimento, por outro lado, é conveniente apenas àquelas pessoas preparadas – elevadas espiritualmente – para recebê-lo, caso contrário, dará à pessoa uma noção exagerada de sua importância e capacidade de influenciar os acontecimentos. Em si mesmo, não é bom nem mau.
O conhecimento é acessível a todos aqueles que, sinceramente, se devotam a sua busca. Em toda Natureza nota-se uma realização lenta e persistente precedendo o desenvolvimento superior. Isto se aplica ao conhecimento estritamente físico como ao dos Mundos invisíveis à visão física. A pessoa que admite sua “ignorância já deu o primeiro passo no caminho do conhecimento”. Só podemos conhecer o superior quando compreendermos o inferior.
“Homem, conhece-te a ti mesmo”. Estas palavras estavam gravadas no frontispício do templo de Delfos na Grécia antiga, como uma lição e advertência. Para compreender o mundo que nos cerca temos de fazê-lo, primeiramente, com nós mesmos. Em assim agindo, conscientizar-nos-emos da verdade prática subjacente na chamada “Regra de Ouro”: “Não fazer a outrem o que não desejamos que nos façam” (Mt 7:12).
O conhecimento total de qualquer assunto requer um estudo intensivo. Renascemos inúmeras vezes no Mundo Físico, entretanto, quem o conhece em toda a sua complexidade – a grande maioria nem conhece totalmente a Região Química do Mundo Físico. Quiçá a Região Etérica? Que dizer, então, dos Mundos suprafísicos?
Obter conhecimento direto dos Mundos invisíveis é particularmente difícil para a Humanidade atual. É necessário querê-lo tão ardorosamente como uma pessoa que se afoga deseja respirar. Mas, não basta apenas querê-lo. Há outros requisitos necessários a sua obtenção.
O primeiro passo no caminho do Conhecimento Direto – método de aprendizagem preconizado pela Fraternidade Rosacruz – é a purificação dos nossos veículos, tornando-os cada vez mais sensíveis. Os Exercícios Esotéricos Rosacruzes noturno de Retrospecção e matutino de Concentração, ensinados pela Fraternidade Rosacruz, são importantes nesse processo, por abrirem vias de aperfeiçoamento de caráter e sensibilização.
O desenvolvimento do sexto sentido ou Clarividência voluntária nos coloca no umbral do conhecimento direto. São as primícias do trabalho realizado pelo Aspirante à vida superior, ao longo de muitos anos ou, quiçá, de muitas vidas!
A aquisição do conhecimento encontra-se estreitamente relacionada com o Corpo Vital e tem, necessariamente, que se alimentar da vida fundamentalmente derivada de produtos do veículo etérico, ou seja, a força sexual criadora e o sangue. Por esta razão, os Ensinamentos Rosacruzes sempre reiteram que todo desenvolvimento oculto principia pelo Corpo Vital.
Há muito que dizer a respeito do conhecimento. Mas, se queremos evidenciar uma lição moral a respeito do mesmo, podemos fazê-lo nestes termos: o conhecimento implica em grande responsabilidade, e a quem muito é dado, muito será exigido.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1982 – fraternidade Rosacruz – SP)
Uma história oculta que nos mostra como ocorrem as relações provocadas pelo destino entre pessoas. Como as discórdias da vida realmente se resolveram na harmonia do grande contraponto da vida. Suas tristezas e angústias profundas vão sendo glorificadas, pois o amor – o amor verdadeiro, o amor superior e maior, o amor Crístico – glorifica todas as coisas.
Quer saber mais sobre o assunto? Leia aqui: Relações Provocadas pelo Destino entre Pessoas: Cidadã dos Dois Mundos
Quer ver o restante? Clique aqui: Relações Provocadas pelo Destino entre Pessoas – Por um Estudante – Fraternidade Rosacruz