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porFraternidade Rosacruz de Campinas

“Eu Sou o Caminho”

Antes que o Cristo tenha se manifestado em Corpo Denso em nosso Planeta nos Corpos Denso e Vital cedidos, voluntariamente, por Jesus de Nazaré, as grandes Religiões como o Hinduísmo, Budismo, os cultos de mistérios Egípcios e Gregos já indicavam uma crescente influência e revelação ao mundo do Logos Solar. O Antigo Testamento também é profético do advento do Filho de Deus em forma humana. A última revelação divina para o ser humano está contida nos Evangelhos, contando o cumprimento de todas essas profecias.

Assim sendo, o Estudante Rosacruz não precisa defender hoje essa ou aquela Religião oriental pré-cristã. Ao máximo, pode tomar conhecimento, a todo esse cabedal de sabedoria, em forma de uma recapitulação da sua própria herança espiritual. Pode então, avaliar melhor a sua situação evolutiva presente, e a Fraternidade Rosacruz e um expoente dessa curta recapitulação.

Até certo ponto, a partir da segunda metade da Época Atlante podia se dar, espiritualmente falando, um passo evolutivo para trás num esforço de restaurar uma condição prévia, em que nós podíamos entrar de maneira negativa em contato com seres espirituais. Geofisicamente, podia se orientar para o Oriente. Dirigia os seus “orisons” ou orações matutinas ao horizonte oriental, em que a luz aparecia primeiramente. O gesto era simbólico e literal. O gesto literal era baseado numa ilusão referente à revolução da Terra no seu próprio eixo, que dava e dá a impressão de que a fonte de luz (Espírito) vem do Oriente.

O Estudante Rosacruz, nos dias de hoje, imita o movimento cósmico do Sol que também é ilusório em sua aparência de viajar do Leste para o Oeste, se tratando novamente da rotação axial da Terra. Porém, a identificação do Estudante Rosacruz com o movimento solar já significa progresso.

O Ser solar, Cristo, se encarnou no Planeta Terra em Nazaré e, subsequentemente, no próprio Corpo do Planeta Terra por meio do sangue precioso de Jesus. Iluminado pelo seu Cristo interno, o Estudante Rosacruz pode vislumbrar hoje o que ele será amanhã, enquanto o ser humano pré-cristão fitava nostalgicamente uma condição que ele tinha, em sua infância evolutiva. O ser humano contemporâneo engatinha para o autodomínio e, gradualmente, assume a sua real dimensão, saindo das alvoradas de sua inocência infantil. Ele enfrenta em plena consciência, as experiências do Mundo material, na clareza ofuscante da luz do meio-dia, e procede para o Oeste acompanhando o pôr do Sol. O acompanha para a sua segunda morada: vida após a morte. As alvoradas da infância humana, o meio-dia de luz ofuscante de luta consciente, com a experiência material e o pôr do Sol, vida após a morte, eis as etapas da caminhada humana.

O peregrino, depois do Gólgota, aprecia o supremo valor da existência encarnada, que Cristo Jesus glorificou abrindo Caminho. Houve um ponto na história da evolução humana, quando ficou proibido ao ser humano negar a existência de seu Corpo Denso, procurando se refugiar nos Mundos espirituais, para fugir da cruel luta da experiência material. Esse ponto foi atingido no Gólgota. Com a exceção de videntes involuntários anacrônicos, a atenção do ser humano devia se voltar para a caminhada na matéria. As Iniciações pré-cristãs e os rituais de mistérios se tornaram obsoletos. Antes, quando esses sistemas eram usados normalmente, o Corpo Denso se tornava como morto, já que o invólucro etérico e os Corpos mais sutis acompanhavam o Ego, se separando do veículo físico, completamente.

No modo de Iniciação trazida por Cristo, o Corpo Denso fica vivo, vital. A consciência pode ao mesmo tempo penetrar nos Reinos mais elevados, e não perder o contato com a sua parte mineral, já que a forma e a função vital foram revitalizadas por Cristo,enquanto andou na Terra como Cristo Jesus.

A descida do Cristo Solar se processou pelo mesmo modo que nós, o Ego, renascemos aqui, que descendo pelos Mundos do Pensamento e de Desejos. Gravitou para o Mundo do Desejo e foi identificado como “Senhor da Luz” pelos sacerdotes de Zoroastro, os chamados Reis Magos, ao qual o Cristo era conhecido como “Ahura Mazdao”. Em sua descida para a Terra, Cristo foi percebido pelos Egípcios e nomeado “Osíris”. Quando entrou na Região Etérica do Mundo Físico, a cultura Hebraica percebeu o Cristo como a deidade lunar “Jeová” (que significa “Eu era, Sou e Serei), e que se apresentou à Moisés como “EU SOU”. Quando Cristo quase alcançou a Região Química do Mundo Físico, os Gregos e os Hebreus tiveram a premonição do nascimento de um ser especial: Deus no ser humano. Finalmente, Cristo se encarnou nos Corpos Denso e Vital de Jesus. O “EU SOU” de Abrão, se revestiu de carne. Com a Ressurreição, a Humanidade recebeu um novo ímpeto evolutivo, não podendo voltar a uma condição de feliz inocência e negar o Mundo Físico em que ela deve ser ativa, nos moldes evolutivos a ela ensinados pelo Mestre. Não nega o mundo. Abraça-o. Progride na espiral evolutiva e cresce.

As Religiões pré-cristãs ainda indicam que na liberação da roda da vida, o ser humano volta à mesma felicidade Edênica. Sai do “Nirvana e volta para o Nirvana”. Vidas e vidas de ilusão. Ironicamente, muitas Igrejas convencionais Cristãs têm os seus altares voltados para o Leste. Porém, na realidade, o Tabernáculo no Deserto (descrito em grande detalhe no Antigo Testamento e muito estudado pelo Estudante Rosacruz) era profeticamente alinhado a um eixo cuja entrada era a Leste, e seu santuário mais recôndito era à Oeste. A ênfase direcional mostra a espiritualização e despojamento do ser humano pelo renascimento, pelo trabalho e pelo serviço no Mundo material. E, dessa forma, “o Filho oferecerá ao Pai”, na sua volta aos Reinos celestiais, “o ouro espiritual do sofrimento, transmutado, às raras essências de suas experiências, e as pedras preciosas de suas lágrimas”. Esse será o seu presente ao Pai: o seu próprio ser.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: No Apocalipse, S. João diz: “Não haverá mais mar”. O que isso significa?

Resposta: Significa exatamente o que é dito, pois a Terra está passando por inúmeros estágios evolutivos que proporcionam as condições necessárias para o nosso desenvolvimento. Houve a era de escuridão, durante a qual o material do nosso Planeta se aglutinou em um estado de fermentação e germinação que gerava calor; assim, em certo momento, quando foi proferido o decreto criador: “Faça-se a luz”, essa matéria se transformou em uma nebulosa ígnea e luminosa, girando em torno do seu eixo e aquecendo a atmosfera circundante, a qual, por sua vez, era resfriava pelo contato com o espaço exterior. Desse modo, foi gerada a umidade, que precipitou sobre o Planeta incandescente, fazendo com que se desprendesse um vapor – uma neblina ígnea.

Durante éons, esse processo de evaporação e condensação continuou até que a Terra formou uma crosta sólida e se tornou o que conhecemos como terra firme, de onde subia uma névoa – fato também mencionado na Bíblia. Esse vapor se resfriou e se condensou, precipitando sobre a Terra como um dilúvio que, por fim, limpou a atmosfera e estabeleceu as condições atmosféricas prevalecentes até hoje. No passado, possuíamos Corpos adaptados para viver nos variados ambientes da Terra e, atualmente, nossos veículos físicos são compostos em grande parte por água, assim como são os Corpos Densos dos animais e das plantas. No entanto, a Bíblia diz que “a carne e o sangue” não podem herdar o Reino de Deus. Somos informados que deixaremos o Corpo Denso e seremos arrebatados nos ares; além disso, como você mencionou: “não haverá mais mar“. Assim, as condições gerais nos sãos apresentadas, e há muitos indícios de que, embora essas mudanças estejam ocorrendo lentamente, elas certamente virão. Os cientistas começam agora a reconhecer o fato de que a Terra está perdendo umidade. Lemos num artigo publicado na revista “Literary Digest”: “Muitas autoridades reconhecem o fato de que a Terra está perdendo lentamente sua umidade. Segundo C. F. von Hermann[1], em artigo publicado na Revista Science (New York), a maneira como isso ocorre é parcialmente explicada pela ação de descargas elétricas que decompõe o vapor. Um dos gases componentes, o hidrogênio, é muito leve e sobe até as camadas superiores da atmosfera terrestre, de onde acaba sendo expelido. A longo prazo, essa perda de hidrogênio resulta em perda de água. A decomposição da umidade terrestre, com sua consequente perda definitiva, também é provocada por outros agentes, notadamente o efeito dos raios luminosos da faixa superior do espectro. Von Hermann cita o Dr. Karl Stoeckel, autor que escreveu para a publicação na Revista Umschau, afirmando: ‘Acredita-se que os raios ultravioleta da luz solar, ao incidirem sobre o vapor d’água suspenso nas camadas inferiores da atmosfera terrestre, decompõem uma pequena parte dele, produzindo hidrogênio, que ascende a grandes altitudes’.”

Sobre isso, o Sr. von Hermann comenta o seguinte: “Creio que não se havia apontado antes que a superfície da Terra deve estar perdendo hidrogênio continuamente devido à decomposição do vapor de água causada por cada descarga de raio. Pickering e outros identificaram as linhas de hidrogênio no espectro dos raios, e as principais obras de meteorologia mencionam o fato de que as descargas elétricas decompõem certa quantidade de água… O hidrogênio formado por cada raio sobe rapidamente para a alta atmosfera e perde-se para o espaço. Considerando a frequência de tempestades durante o verão em ambos os hemisférios — e a ocorrência constante delas nas regiões equatoriais —, essa perda de hidrogênio não pode ser considerada insignificante. Enquanto as condições na Terra permitirem a ocorrência de tempestades, o lento processo de dessecação do planeta deverá continuar.”

Assim, os ensinamentos da Bíblia são confirmados em todos os pontos essenciais à medida que a ciência avança. Os fatos descobertos demonstram a precisão com que o passado e o presente foram descritos. Isso nos dá motivos para crer que os acontecimentos futuros também estarão em harmonia com as verdades ensinadas na Bíblia.

(Pergunta nº 80 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: “Is the Earth Drying Up?” (A Terra está secando?) — Este segmento de divulgação científica resumiu explicitamente o artigo de von Hermann publicado na *Science* para explicar como o gás hidrogênio escapa para as camadas superiores da atmosfera. (November 22, 1913 – Volume: Vol. 47, No. 21) – Charles F. von Herrmann (c. 1897-1905): inicialmente meteorologista na Estação Experimental Agrícola estadual, von Herrmann tornou-se diretor do Serviço de Clima e Culturas do *Weather Bureau* (Serviço Meteorológico) na Carolina do Norte, compilando registros de observação e resumos mensais de toda a região do Atlântico Sul.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Visão Etérica e o Desenvolvimento Futuro

Presentemente, estamos nos tornando mais e mais sensível aos estados mais elevados da matéria. Estamos desenvolvendo faculdades espirituais que nos abrirão horizontes inteiramente novos. Ao mesmo tempo, a atmosfera do nosso Planeta está se tornando mais rarefeita. O oxigênio está sendo consumido e o Éter planetário está se tornando mais denso. Todas essas condições nos permitirão estabelecer contato visual com a Região Etérica do Mundo Físico com mais facilidade do que antes. É de se esperar que aquilo que as pessoas perceberem inicialmente nos Éteres seja inquietante, isto para dizer o mínimo. Compreensivelmente, se atribuirão a tais fenômenos interpretações infundadas.

A esse respeito, aprendemos na Fraternidade Rosacruz que é bom compreender que, por meio da aspiração e meditação, aqueles que anseiam por esse dia estão aproveitando a oportunidade no momento certo e podem facilmente superar seus semelhantes que desconhecem o que está por vir. Estes últimos, por outro lado, poderão retardar o desenvolvimento da própria visão, ao acreditarem estar sofrendo de alucinações, quando começarem vislumbrar as entidades etéricas e pelo medo de serem considerados insanos, caso revelem a outros aquilo que veem.

Também, aqui aprendemos que mais importante de tudo é que apressaremos esse dia, em nosso próprio caso, ao adquirirmos conhecimento sobre as coisas que podemos esperar ver; pois assim saberemos o que procurar e não ficaremos assustados, espantados ou até incrédulos, quando começarmos a vislumbrar essas coisas.

Para contrapor o efeito do entorpecimento espiritual causado pela crença na interpretação materialista dos fenômenos etéricos, cabe aos Estudantes Rosacruzes ativos promover, sempre que possível, por meio de suas palavras e de suas vidas, o conceito de um universo moral, guiado por nós, o Ego – o que realmente somos, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui – e que, em última análise, gera o bem.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de abril de 1978 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Cristo: Nosso Espírito Planetário Permanentemente Presente

O Filho, o Cristo Cósmico, é o mais elevado Iniciado do Período Solar, habitando o Sol Central e guiando os Planetas em suas órbitas por um Raio que emana d’Ele, o qual se torna o Espírito habitante de cada Planeta.

O mais elevado Iniciado do Período Solar evoluiu até o ponto em que se uniu ao Segundo Aspecto do Deus Trino e, portanto, Ele é o Deus-Filho. Este é o Cristo Cósmico, e um Raio que emana d’Ele foi o que ocupou o Corpo Denso e Vital de Jesus, quando teve que “estar entre nós, aqui”!

Quando o Salvador Cristo Jesus foi crucificado, Seu Corpo foi transpassado em cinco lugares… Quando o sangue fluiu desses centros, o grande Cristo Espírito Solar foi libertado do veículo físico de Jesus e se encontrou na Terra. Os veículos planetários já existentes foram permeados por Ele com Seus próprios veículos e, num piscar de olhos, difundiu Seu próprio Corpo de Desejos sobre o Planeta, o que Lhe permitiu, desde então, trabalhar sobre a Terra e sua Humanidade a partir de dentro do Planeta Terra.

O Solstício de Junho e Solstício de Dezembro, juntamente com o Equinócio de Março e o Equinócio de Setembro, formam pontos críticos ou pontos de retorno na vida do grande Espírito da Terra. Ele habita nossa Terra parte do ano e depois se retira para os Mundos superiores… Durante julho e agosto, enquanto o Sol está em Câncer e Leão, Ele está reconstruindo Seu veículo do Espírito da Vida, que Ele trará novamente aqui e com ele rejuvenescerá a Terra e os Reinos da vida que evoluem nela… No Equinócio de Setembro, quando o Sol passa de Virgem para Libra, o Espírito de Cristo, retornando à nossa Terra, toca sua atmosfera… Ele chega ao centro da Terra à meia-noite de 24 de dezembro. Lá Ele permanece por três dias e então começa a se retirar. Essa retirada se completa na Páscoa. Da Páscoa até o Solstício de Junho, Ele passa pelos Mundos superiores e chega ao Mundo do Espírito Divino, o Trono do Pai, justamente no dia do Solstício de Junho, todos os anos.

Nós, coletivamente, somos os Espíritos da Terra. Um dia, devemos guiar o veículo que criamos. Jeová nos guiou de fora por meio de Leis Jeovísticas, mas como isso não foi suficiente para nos levar ao ponto de individualização em que seremos capazes de cuidar de nós mesmos, Cristo veio como Salvador e está nos ajudando até que chegue o tempo em que teremos desenvolvido em nós mesmos uma natureza amorosa que seja suficiente para sustentar a Terra.

(por Max Heindel – Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro de 1947 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Faço muitas vezes a mim mesmo perguntas relacionadas com a Ascensão e a descida anual de Cristo em nosso Planeta. Como poderá isso ser feito tão lentamente? Trata-se da Sua radiação ou da descida de Si mesmo? Peço também, por favor, me explicar qual é o Espírito da Terra e quem é Cristo, o Senhor da nossa Terra. São dois Espíritos individuais ou e apenas um?

Resposta: Tudo que é descrito no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz é visto sob a ponto de vista dos seres humanos que habitam a Terra. Como nós, o Ego, possuímos veículos que vão desde o Espírito Divino até o Corpo Denso, da mesma forma, o Espírito de Cristo possui veículos que vão desde o Mundo de Deus até ao Mundo do Desejo. O Corpo de Desejos é o Seu veículo mais inferior, porque ele pertence à Onda de Vida dos Arcanjos, que alcançaram o seu estágio Humanidade no Período Solar. Desde que o Cristo Arcanjo alcançou o mérito de ser o mais elevado Iniciado do Período Solar, Ele conseguiu construir dois veículos com materiais do Mundo de Deus e, assim a Sua consciência se focalizou no Mundo de Deus, o que O levou a dizer: “Eu e Meu Pai somos Um” (Jo 10:30). Com esse nível de Consciência, Ele alcançou o atributo do Segundo Aspecto de Deus, Sabedoria, o Filho.

Assim como cada Onda de Vida das Hierarquias Zodiacais atinge certa eficiência espiritual, o Cristo dirige um Raio de Sua Consciência para este Planeta, de modo especial. Assim, tanto como o Planeta seja afetado, podemos dizer que é como se o Cristo “visitasse” o Planeta em pessoa. Esse é uma das características de um ser que alcança a Omnisciência.

Vamos a uma alegoria que ajuda a compreender esse fato: O Espírito de Cristo olha para outro Planeta. Cada um deles, por sua vez, reflete a Imagem de Sua Face, da mesma forma que um alquimista observa seus vasos de metal fundido e vê a Sua própria face refletida. Na medida em que o Raio de Consciência dirige-se para cada Planeta, tempo virá em que esse Raio assume a direção deles.

A nossa Terra atingiu esse ponto no tempo em que Cristo veio à Terra, em Sua primeira vinda. O Raio de Cristo tomou posse do Corpo Denso e Corpo Vital do ser humano Jesus de Nazaré, que cedeu os dois Corpos por livre e espontânea vontade – devido à necessidade de Cristo colocar em prática o Plano de Salvação que está nos tirando dessa condição cristalizante e perigosa nesse Esquema de Evolução em que nós mesmos nos colocamos –, tornando-se visível para qualquer pessoa como “um homem entre os homens”. A Ciência oculta explica esse processo dizendo que o Arcanjo Cristo, realmente, descendo ao Mundo do Desejo do Planeta Terra – pois Ele como Arcanjo consegue construir um Corpo de Desejos perfeito –, reativou a sua forma Arcangélica. Com os dois Corpos cedidos por Jesus de Nazaré ele se tornou o único ser que tem uma cadeia completa de veículos desde a Região Química do Mundo Físico até o Mundo de Deus. Essa entrada do Arcanjo Cristo nos dois Corpos cedidos por Jesus de Nazaré é descrita como ter sido efetuada no Batismo.

O Espírito Planetário Original da Terra foi um “Raio” ou parte do Logos Original que foi retirado do nosso Sistema Solar no início da nossa evolução, dirigida por aqueles Grandes Seres a quem designamos como “Pai”, “Filho” e “Espírito Santo”. Por determinado tempo, neste Período Terrestre, o Planeta Terra foi governado de fora, tal como a criança no útero materno não tem um espírito interno por determinado tempo.

Cada ano, desde então, o Cristo Solar (o Espírito do Cristo Cósmico) emite um Raio de Sua Consciência, para a Terra, do mais alto nível do Mundo do Espírito Divino, baixando em direção ao Centro da Terra. Esse é algo como o focalizador da atenção de um nível para outro, tal como um holofote projeta a sua luz do topo de uma colina em direção ao seu sopé e para todos os pontos da planície até onde possa alcançar, das profundezas dos abismos, às mais obscuras profundidades. Da mesma forma, a luz poderá ascender dos pontos mais profundos e obscuros, subindo dos vales, para os aclives, para finalmente atingir o tôpo da montanha e desaparecer nos céus.

Você compreenderá naturalmente que se trata de uma analogia, porém isso ilustra uma ideia em relação daquilo que acontece. Não é algo no sentido de “lentidão” de tempo, nem de “distância” no sentido de passar através do espaço, mas da focalização de um Raio de Consciência no envoltório terrestre, numa busca exterior, para depois penetrar no mais íntimo da Terra.

Para a concepção humana é como se um raio do Cristo Cósmico lentamente descesse e lentamente ascendesse através dos vários níveis. Podemos pensar dessa forma, pois tal é o modo que mais se adapta as nossas concepções, tal como parece que, no horizonte a Terra e o Céu se encontram. Entretanto, a Consciência de Cristo não é uma ilusão; Ele realmente está aqui conosco.

Cristo é o Espírito interno da Terra a cada seis meses do ano. O Espírito Planetário da Terra tinha a cargo a nossa evolução durante os Períodos de Saturno, Solar e Lunar e, provavelmente, a primeira parte do Período Terrestre. Então, esse Espírito, que era um dos Setes Espíritos diante do Trono, retirou-se da participação ativa da direção da evolução da Terra entregando à Cristo. Pode-se acrescentar que, pelo menos em nosso esquema planetário, as entidades mais avançadas, as que alcançaram um elevado grau de perfeição em evoluções anteriores, assumem, nos primeiros estágios, as funções do Espírito Planetário original e continuam a evolução. O Espírito Planetário original retira-se de toda participação ativa, porém, guia os ‘seus Regentes’.

De todo o exposto, torna-se claro, então, que, presentemente, o nosso Espírito Planetário da Terra é realmente Cristo.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Há Rachaduras na Terra?

Natura

O globo terráqueo, é fácil distinguir,

Está envolto no mistério de nove capas.

Ainda que os videntes incapacitados não possam

Desvendar o segredo do seu coração,

Deus palpita no peito vibrante

Da Natureza e, desde o leste ao poente

Tudo é claridade e beleza.

O Espírito que ronda em cada forma

Atrai os espíritos de sua classe;

Os átomos brilham na sua luz

E lhe sugerem o prescrito futuro.

Ralph Waldo Emerson

Da prolífica pena e do iluminado coração do grande vidente Max Heindel saíram volumosos escritos, cheios de inspiração, relativos a Deus, à nós e ao mundo.

A Ciência, e bem assim a Religião, pouco a pouco, estão confirmando muitos dos sublimes trabalhos dessa pessoa excepcional. O Estudante Rosacruz que procura se manter a par dos acontecimentos do mundo pelos meios de comunicação, revistas científicas e outros meios ficarão maravilhado ao verificar, em cada momento que passa, que as revelações ou descobertas científicas eram por ele conhecidas e até descritas muito tempo atrás.

Para quem escreveu sobre tão diversos tópicos, que abarcam virtualmente todas as fases da vida, há um ponto interessante: em nenhum escrito de Max Heindel encontramos nada de apocalíptico, sombrio ou dramático. Todavia, quanto às poucas predições de importância que ele fez, poderia se demonstrar quanto têm sido exatas e como se têm cumprido no transcurso dos últimos tempos.

O presente artigo reporta-se unicamente a uma das suas muitas observações de importância mundial.

Como Iniciado, Max Heindel tinha a mística faculdade de funcionar conscientemente nos Mundos internos e a capacidade de trazer ao plano físico as suas observações daqueles Mundos.

Um dos fatos que mais chamou a sua atenção e durante muito tempo lhe despertou o maior interesse foi a forma de moldar, no Mundo do Pensamento, a substância mental do Arquétipo ou matriz de uma Nova Terra; nós, tal como é dito no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, no post-mortem, trabalhamos sobre a flora e a fauna e ajudamos a construir um desenho ou molde espiritual, de matéria mental, para a Nova Terra, aquela que substituirá a presente. Então, esgotado o Arquétipo da Terra atual, o Grande Arquiteto infundirá Sua vida naquela matriz e a Nova Terra irá surgindo na forma correspondente ao novo Arquétipo.

Há muitos séculos que se está processando a construção dessa forma mental. Tal como nós, afirma a Filosofia Rosacruz, a Terra é um Ser evolucionante. Seu Corpo Denso está destinado a perder densidade, tornando-se mais leve, cada vez mais etérico. A nova conformação da Terra, por outro lado, facilitará a nós, no nosso Ciclo de Nascimentos e Mortes aqui, maior variedade de experiências, quando voltarmos de novo a esta Escola de Vida.

Tudo que existe no mundo, incluindo a própria Terra, tem um Arquétipo exato, espiritual, que moldou esse Mundo Físico átomo por átomo, molécula por molécula. Esses Arquétipos ou moldes são, todavia, coisas vivas; são a causa invisível de tudo que vive e tem forma na Terra. Tais Arquétipos recebem certa natureza de Vida e são destinados a necessárias etapas dela. Quando um Arquétipo particular deixa de emitir o seu canto de Vida, a Forma morre. No caso particular da Terra, seu Arquétipo deve ser alterado antes da Terra ser modificada. O que Max Heindel viu foi o Arquétipo da futura Terra.

A propósito das profecias de Mother Shipton[1], feitas cinquenta anos antes da descoberta da América e agora recolhidas no livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Max Heindel, a respeito de uma pergunta sobre as possibilidades de concretização dessas profecias, disse que ocorreriam cataclismos na crosta terrestre e que terremotos e crateras vulcânicas surgiram durante largos períodos de tempo.

Recentemente, as pessoas que se dedicam à Ciência, no campo da geologia, têm feito espantosas predições relativas a terremotos que podem irromper ao longo das grandes linhas de fratura da Terra. Também têm sido reportados como muito abundantes a atividade vulcânica e os terremotos.

Contudo, a mais alarmante revelação jamais ouvida no mundo proveio de uma tese cientifica, que afirma que a Terra está se fendendo gradualmente. Há cinco anos, uma jovem cartógrafa, Maria Tharp, notou que se estava formando uma série de terremotos perto de grandes fendas submarinas. Explorações feitas durante a maré alta localizaram essas trincheiras e uma grande linha de enormes fendas se descobriu por todo o globo. Tais fendas ou trincheiras submarinas têm uma profundidade de cerca de 3.500 metros e a largura de 46 quilômetros, ladeadas por montanhas de 2.000 metros de altura. Esses dados foram reportados pelos geólogos na Universidade americana de Columbia.

Segundo os Ensinamentos Rosacruzes, a Terra tem nove Estratos e um coração ou Núcleo Central.

Sob o Estrato Mineral, aquele sobre o qual vivemos, encontra-se o Estrato Fluídico, menos sólido que a crosta terrestre, não líquido, antes, uma pasta compacta. Tal Estrato tem grande poder de expansão, tal como um gás altamente explosivo. É mantido no seu lugar pela enorme pressão e solidez da camada externa. Se esta camada externa se quebrasse, o Estrato Fluídico se lançaria no espaço, produzindo uma catastrófica explosão. Ora, se as fendas da Terra se aprofundarem, é lógico supor que se produzam violentas reações pela libertação do Estrato Fluídico. Aliás, sabemos que, no passado, a Terra suportou muitos cataclismos e modificações e terá que sofrer muitos outros no futuro.

Tudo isto nos revela que nada mais somos que hóspedes temporários na superfície da Mãe Terra e que devemos ter regozijo em que o Espírito da Terra se esteja aliviando, pouco a pouco das suas cadeias físicas. É o mesmo que está sucedendo conosco, ao subirmos progressivamente, de condições materiais para estados mais espirituais. Temos, portanto, o dever de nos mantermos ao nível dos tempos que passam e nos preparar, em todos os sentidos, para qualquer eventualidade da vida.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de abril/1971- Fraternidade Rosacruz– SP)


[1] N.R.: Ursula Southeil (c. 1488 – 1561) (também grafada como Ursula Southill, Ursula Soothtell ou Ursula Sontheil), popularmente conhecida como Mother Shipton, é considerada uma adivinha e profetisa inglesa.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Valor de uma Peça do seu Vestuário feito de Couro ou de Pele de Animais

Sempre no outono ou no inverno (e, atualmente, em alguns dias também do verão e da primavera) temos um clima mais frio e entre outros artigos que muitas pessoas utilizam nesses dias temos as jaquetas, os blusões, as calças, os casacos, os calçados, os cintos e outros acessórios de vestuário feitos de couro e de peles de animais e que são exibidos nas vitrines das várias lojas para chamar a atenção dos clientes e os instigar a comprá-los.

Você já parou para pensar no custo de, por exemplo, um casaco de couro ou de pele de animal? Não queremos dizer em valor monetário, mas sim, em agonia e sofrimento dos animais, e na degradação daqueles que os caçam, especialmente no estado de selvageria insensível.

Já lhe ocorreu que, ao comprar uma peça de roupa feita de couro ou de peles, você é responsável pelas atrocidades cometidas ao despertar esse desejo desnecessário para tal elegância?

Quando matamos animais em matadouros ou em locais semelhantes, na grande maioria das vezes, utilizamos métodos para reduzir ao mínimo de sofrimento possível do animal – ainda que, também, totalmente equivocado nessa sua ação de matar o que não podemos criar –, mas, pior ainda é quando caça animais para obter sua pele ou seu couro, ou ainda, outra parte do corpo do animal. Aqui mostramos uma indiferença absoluta aos sentimentos e sofrimentos de suas vítimas. E, ainda mais, muitas vezes muitos de nós parece até nos gloriarmos por isso!

Ficamos sabendo de uma história em que um número de homens e meninos perseguiram um animal por quatro horas e, depois que o animal deu à luz a dois filhotes, ainda foi perseguida por duas horas, antes que finalmente fosse morta.

Há muito couro e peles curtidos para fabricar jaquetas, os blusões, as calças, os casacos, os calçados, os cintos e outros acessórios de vestuário obtidos capturando animais em armadilhas, e a morte desses animais, geralmente, não ocorre imediatamente e, muitas vezes, leva vários dias de sofrimentos e dores muito intensas para que ele morra.

Há vários tipos de armadilhas. Por exemplo, a armadilha de aço é a ferramenta mais utilizada pelos caçadores profissionais e o poder desse terrível instrumento é tão grande que, muitas vezes, amputa a perna da presa em um único golpe. De fato, é relatado pelos caçadores que muitos animais escapam, assim, por um tempo pelo menos, se diz que, em média, em cada cinco animais capturado um tem apenas três patas. Às vezes, eles têm apenas duas ou uma perna, e há registro de um caso de um rato-almiscarado[1] com apenas uma perna que foi pego pela cauda. Basta pensarmos o tamanho do sofrimento causado àquele pobre animal antes que, finalmente, sua pele caísse nas mãos do selvagem caçador humano. Os inventores modernos voltaram sua criatividade para a tarefa de impedir que os animais capturados escapassem do cativeiro, ou por amputação, ou roendo a perna presa ou torcendo-a para sair, como fazem alguns animais quando estão agonizando; fazendo armadilhas mais equipadas e com um dispositivo para que o membro do animal preso que está diretamente no centro da armadilha será agarrado perto do corpo. Quando isso acontece, nenhuma torção ou mordida libertará o cativo.

O “spring pole” é outro mecanismo que os caçadores usam para impedir a fuga de suas presas, uma vez que tenham caído na armadilha. Consiste em uma barra flexível fixada no chão próximo à armadilha, com a extremidade superior dobrada e presa de maneira que possa ser liberada por qualquer chave inglesa. A corrente da armadilha de aço é presa ao mastro, e quando o pobre animal é pego e luta para escapar, ele quebra o cordão que solta o mastro e a armadilha com sua vítima é empurrada para cima, onde a pobre vítima fica pendurada e morre de fome, ou congela, lutando e sofrendo até que a morte a liberta, ou o caçador cruel aparece e dá o último golpe que põe fim à sua miséria.

Porém, de todos os métodos atrozes usados ​​pelos caçadores para capturar suas presas, o empregado na caça do arminho[2] é talvez o grau mais cruel. Consiste em pegar um pedaço de ferro muito pesado, deve revesti-lo com graxa e colocá-lo onde o arminho o ache.

O arminho lambe a graxa, e o frio intenso do ferro faz com que a língua congele instantaneamente, como se tivesse sido colocada numa prensa. Não há possibilidade de escapar, a não ser arrancando fora a língua do animal; e as lutas frenéticas do pobre animal fazem com que uma área cada vez maior da língua se adere ao ferro e, assim, todo o interior da boca irá se congelar devido a exposição prolongada ao frio intenso do Ártico. Preferencialmente, se usa este método de armadilha ou a bala de espingarda para não danificar a pele, pois este será o casaco de uma personagem da alta sociedade. De fato, a pele do arminho é cara, não pelo valor monetário, mas, principalmente pelo uso da atrocidade empregada para garantir a pele daquele pobre animalzinho.

Nenhuma língua pode dizer ou retratar na escrita, nem podemos jamais compreender, o que as pobres vítimas da vaidade humana devem suportar durante as longas horas e dias de terríveis sofrimentos lá em cima no silêncio do grande Norte em neve. Apenas pensemos nisto!

Estima-se que trinta milhões de animais sejam mortos anualmente por causa de suas peles (veja mais detalhes no anexo abaixo). Se todos esses milhões de animais pudessem ser reunidos com seus corpos despedaçados e mutilados numa montanha de mortes; esta seria a prova da nossa brutalidade e crueldade contra eles!

E lembre-se, todo mundo que usa essa elegante roupagem de jaquetas, blusões, calças, casacos, calçados, cintos e outros acessórios de vestuário feitos de couro e de peles de animais é parcialmente responsável pela crueldade e pelo sofrimento causado a essas pobres vítimas da ganância (ou egoísmo) humana, pois se as pessoas se recusassem a usar esses objetos, a demanda cessaria e os pobres animais ficariam em paz para viver suas vidas da maneira adequada.

Às vezes, ou com frequência, as pessoas contestam que, se não matássemos esses animais ou mesmo o gado, os porcos, as galinhas, os peixes e outros animais “comestíveis” e os comêssemos, o Planeta Terra seria dominado por eles.

Porém, esse não é o caso! Não é usual comermos cães ou gatos, coiotes ou gambás, nem mesmo são caçados por sua pele, pelo seu couro ou pela sua carne.

Por exemplo, os cavalos estão na mesma categoria, contudo, esses animais não se multiplicam além do limite, e o ocultismo nos ensina que cada espécie de animal é a expressão, no Mundo Físico, do Espírito-Grupo[3] deles que os dirige de fora, a partir do Mundo do Desejo. Daí o notável instinto com que são dotados. Quando esses animais são mortos, antes do tempo da sua morte por causa natural, o Átomo-semente, que forma o núcleo do Espírito-Grupo, é liberado do animal moribundo e usado pelo Espírito-Grupo para fertilizar rapidamente outro de sua espécie.

Assim, quanto mais matamos, dentro de certos limites, é claro que, mais rapidamente a espécie se multiplica, mas se abstermos de matar, não será necessário que o Espírito-Grupo fertilize os animais com tanta frequência. O nascimento diminuirá na mesma proporção que a morte.

Mas, voltando à questão das peles e do couro usados para vestuário, sustentamos que as peles são luxuosas, assim como muito tipo de couro, e não se pode dizer, na extenuação do crime envolvido e em torná-los essenciais à vida humana, que é a mesma reivindicação relativa à carne de mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios e quaisquer outros animais “comestíveis” como alimento.

Aqueles que aspiram viver a vida superior e alcançar a ativação dos seus poderes anímicos não podem se dar ao luxo de usar essas coisas caras, nem se encher desse egoísmo, nem matar o que não pode criar, nem se ausentar de praticar a compaixão e a misericórdia com os nossos irmãos menores.

Algum tempo atrás, uma senhora chegou à Mount Ecclesia (sede mundial da Fraternidade Rosacruz) professando estar entediada e desgostosa pela sociedade, exceto tudo aquilo que se referia ao progresso espiritual; mas quando lhe foi dito que ninguém seguiria a Cristo em um casaco de pele, ela admitiu que tinha um casaco de pele de mil dólares e que não desistiria dele sob nenhuma consideração; se retirou de lá no dia seguinte, irritada com a ideia de que lhe havia exigido um sacrifício tão grande e que havia se colocado sob um professor que era mais complacente em seus pontos de vista sobre a vida e os luxos.

Todos sabemos que, de fato, é possível obter roupas totalmente quentes (por maior que seja o frio) que não são feitas com peles ou coro de animais. Max Heindel foi testemunha ocular desse fato, quando disse que ele mesmo, tendo viajado lugares de altas latitudes, tanto para o norte e como para o sul, mesmo na Sibéria e no Polo Ártico, onde as temperaturas eram extremamente baixas não utilizava nada de couro. E isso no início do século XX!

O que foi dito sobre as peles e o couro também se aplica às penas e outras partes do corpo de um animal, tanto no que diz respeito ao custo de crueldade quanto à falta de necessidade de uso. Roupas bonitas, artísticas e quentes podem ser feitas sem o uso de couro, peles ou penas, para o bem-estar econômico e espiritual de quem se abstém de usá-las.

Mesmo calçados, como sapatos, sandálias, chinelos e outros tipos já podemos obter no mercado atual a preços acessíveis para todas as camadas da sociedade. Com o advento da internet e de revistas especializadas para vegetarianos e veganos o acesso a informação é muito fácil. Basta querer!

Se você é um Estudante Rosacruz que já despertou para o Evangelho da Compaixão já compreendeu que deveria ser considerado um crime tirar a vida de um animal, assim como agora é considerado crime tirar a vida de um ser humano.

Temos certeza de que com a aproximação da Era de Aquário essas peças de vestuário serão substituídas por outros produtos da indústria que servirão a esse propósito de maneira completa ou melhor.

É aqui que os Estudantes Rosacruzes podem ajudar a moldar os pensamentos do mundo, tanto por suas ações em se abster do uso de couro, peles, penas e outras partes dos animais, quanto por defender a ideia de que são desnecessários, chamando a atenção dos outros para as atrocidades cometidas para obter essas coisas. Assim, o Estudante Rosacruz pode ajudar a acelerar o dia de “paz na terra e boa vontade entre os homens” – e, também, os animais.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – outubro/1917, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da  Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

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Anexo sobre “animais ainda são usados para fazer casacos de pele”

Desde focas e chinchilas até raposas e linces, milhões de animais são mortos todos os anos para a confecção de casacos de pele no mundo. Só na França são abatidos 70 milhões de coelhos por ano para esse fim. Mas a indústria dos casacos de luxo é alvo de críticas. Para as organizações de defesa dos animais, mais do que injustificada – há tecidos sintéticos e naturais que cumprem a função -, a atividade é extremamente cruel. O sofrimento já começaria na captura do bicho, que pena nas mãos dos caçadores – as focas, por exemplo, são mortas a pauladas na cabeça, para não danificar a pele. Mesmo quando criados em cativeiro, os animais viveriam em condições degradantes e padeceriam horrores na hora de extrair a pele.

Os produtores, por sua vez, contestam o que chamam de sensacionalismo das entidades. “No caso da chinchila, a morte ocorre pelo destroncamento de uma das vértebras cervicais. É um processo indolor, sem sangue ou sofrimento”, diz Carlos Perez, presidente da Associação dos Criadores de Chinchila Lanífera (Achila). Para os defensores dos bichos, porém, a crueldade fica óbvia quando se leva em conta que, ao contrário do que rola com vacas e frangos – mortos para alimentar pessoas -, no caso da indústria da moda os animais são sacrificados apenas para alimentar a vaidade alheia.

As fases para se fazer as jaquetas, os blusões, as calças, os casacos, os calçados, os cintos e outros acessórios de vestuário:

1. Os animais usados para fazer casacos de pele podem ser criados em cativeiro (como chinchilas, coelhos e martas) ou ser caçados em seu habitat (como focas, ursos e lontras). O abate rola quando o bicho atinge a maturidade e ocorre sempre no inverno, quando o pelo é mais longo, brilhante e abundante

2. Há vários modos de abater o bicho. Eles podem ser mortos a pauladas, ser estrangulados – método indolor, segundo os produtores – ou, entre outras técnicas para resguardar a pele, ser eletrocutados com a introdução no ânus de ferramentas que fritam os órgãos internos.

3. Depois que o animal é morto, é hora de extrair sua pele. Há várias formas de escalpelá-lo, algumas mais profissionais e outras rudimentares e violentas.

Escalpelamento profissional:

a. Nas fazendas de criação de chinchilas, faz-se um pequeno corte no lábio inferior do animal e outro próximo ao órgão genital

b. Em seguida, é introduzida uma vareta de ferro de um ponto a outro. Ela funciona como um suporte-guia para o corte

c. Com um bisturi, se desprega a pele do animal, evitando danificá-la. Quanto mais intacto o couro, maior o seu valor de mercado

Escalpelamento amador:

a. Nos modos mais cruéis, como rola em alguns locais da China, o animal é morto a pauladas e suas patas são decepadas

b. O bicho então é dependurado pelo coto da pata, e seu couro é extraído a partir desse ponto com a ajuda de uma faca

c. A pele é puxada com força, como se fosse tirada ao avesso. Em muitos casos, o animal ainda está vivo durante esse processo

4. Uma vez retirada, a pele é presa com alfinetes ou pregos numa tábua, onde ficará por alguns dias no processo de secagem. Nessa etapa, ela ganha forma definitiva e não vai mais encolher nem sofrer deformações

5. O passo seguinte é o curtimento da pele. Num curtume, ela passa por banhos químicos para retirada de sujeiras, cheiro e gordura, evitando que apodreça mais tarde. Ela também pode ser tingida

6. Após o curtimento, as peles vão para as confecções, onde são costuradas umas nas outras até tomarem a forma de um casaco. No acabamento, é aplicado um forro, em geral de cetim, na parte interna.

(Artigo publicado na Revista Mundo Estranho, em 28 julho 2009)


[1] N.T.: O rato-almiscarado é a única espécie do gênero Ondatra, é um roedor semiaquático de porte médio nativo da América do Norte.

[2] N.T.: O arminho é um carnívoro mustelídeo de pequeno porte pertencente ao grupo das doninhas. A espécie ocupa todas as florestas temperadas, árticas e subárticas da Europa, Ásia e América do Norte.

[3] N.T.: Um Arcanjo, uma onda de vida muito superior a nossa e extremamente sábia. Lembrando: Cristo é um Arcanjo, o mais elevado entre eles.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Gloriosa Era: revistamos do áureo manto nupcial para a futura comunhão com Cristo

Durante tempos antigos sem conta, de nosso passado evolutivo, aprendemos a construir os diferentes veículos em que hoje, como Egos (Espíritos Virginais da Onda de Vida humana manifestados aqui), atuamos. Através desse trabalho fomos passando de classe em classe na Grande Escola de Deus. Em cada fase maior e menor fomos adquirindo gradativo desenvolvimento de Níveis de Consciência. Porém, cada qual aprendia, assimilava e crescia segundo seu particular modo de adaptação e reação. Uns caminharam depressa, outros regularmente, outros se atrasavam.

Na Época Atlante, quando a neblina se condensou e encheu os recôncavos da Terra, nos obrigando a buscar as mesetas e planaltos, muitos pereceram asfixiados, porque não haviam desenvolvido os pulmões, indispensáveis para respirar na atmosfera mais rarefeita das alturas. Esses não puderam passar pelo portal do arco-íris, à nova Era, a Era de Áries – a primeira da Época Ária –, com suas secas condições.

Agora, novamente, estamos nos aproximando de uma grande transformação mundial. Cristo se referiu a essa transição e como arauto da Nova Era, a Era de Aquário, a Fraternidade Rosacruz, tal como Noé, vem nos preparar.

Acautelemo-nos para que não sejamos apanhados desprevenidos e busquemos a amorosa, eficiente e desinteresseira orientação da Fraternidade Rosacruz.

Aquário é um Signo de Ar, científico, intelectual, inovador, original e independente. A nova chave de nosso desenvolvimento, iniciado nesta Época Ária pela razão, irá encontrar sua sublimação nessa gloriosa Era de Aquário, quando, então seremos capazes de resolver o enigma da vida e da morte de maneira a satisfazer, igualmente, o Coração e a Mente. Nessa Era, quem se prepara desde já, poderá desfrutar da verdadeira felicidade, pela unidade racional da Arte, Religião e Ciência, pois, todas essas atividades, em vez de se digladiarem pela contradição, em consequência da falta de visão de seus pontos comuns e básicos, se completarão coerentemente.

Aquário tem regência especial sobre os Éteres, o elemento de transição sensorial. Os dilúvios que submergiram o continente atlântico, ou a Atlântida, eliminou, até certo ponto, a umidade contida no ar, quando a concentrou no oceano. Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrar em Aquário, quase toda a umidade ainda remanescente desaparecerá e as vibrações visuais serão mais facilmente comunicadas por sua elétrica e seca atmosfera.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz deram o encargo da expansão dos Evangelhos, da mais profunda forma, à Fraternidade Rosacruz, por intermédio de Max Heindel. Ora, nós fazemos parte da Fraternidade Rosacruz e estamos sendo preparados para fazer nossa parte nessa importante missão. E a maneira de executá-la, também a aprendemos lá pregando o Evangelho através da reta e amorosa ação e obra, em todos os campos, em todos os assuntos. Isto pressupõe começar por nós mesmos, pela vivência convicta e simples daquilo que pretendemos disseminar. Nisso consiste a vida de um verdadeiro Cristão: uma Mente Pura, um Coração Nobre e um Corpo São a serviço de Cristo.

O destino da Fraternidade Rosacruz está em nossas mãos! É ao mesmo tempo um privilégio e uma grande responsabilidade, que nos lembra S. Lucas, 12:48: “A quem muito foi dado, muito lhe será exigido”.

Os primeiros a verem e viverem as ideais condições dessa gloriosa Era de Aquário deverão ser as pessoas que habitam o lado ocidental do Planeta Terra, que já começaram a preparar uma Ciência religiosa e uma científica Religião.

O entendimento deste trabalho preparatório e a gradual vivência e comunicação destes princípios irão construindo, “sem ruído de martelos”, o veículo em que funcionaremos nas novas condições: o “soma pushicom” citado por S. Paulo, que nos possibilitará ir ao encontro de Cristo nas nuvens (nos ares) e com Ele cearemos no cenáculo do “Homem do Jarro” (Aquário). Não se realiza tal empresa em pouco tempo. É preciso renúncia aos nossos vícios – “homem velho” e adoção de mais racionais meios de vida (naturalismo, dieta vegetariana, reforma e equilíbrio emocional e mental, exercícios de devoção e disciplina mental, etc.) – “homem novo”.

A Fraternidade Rosacruz oferece, a quem quiser, orientação conscienciosa e segura, para que nos convertamos num digno discípulo de Cristo e nos revistamos do áureo manto nupcial – o Corpo-Alma – para a futura comunhão com Ele.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz janeiro/1967-Fraternidade Rosacruz -SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Pão e o Vinho Místicos

Setembro de 1912

Se eu tivesse pedido aos Estudantes que me escrevessem qual era, na opinião deles, o ponto mais importante da lição do mês passado, o que você acha que teria sido respondido na maioria dos casos? Acredito que muitos sentiriam que a conexão entre o pão, o vinho e a saúde era a ideia principal; e talvez eu seja responsável por essa visão, porque escrevi essas palavras em negrito[1]. Mas, ainda que seja de suma importância essa conexão entre o pão, o vinho e a saúde, e a apliquemos em nossas vidas com o máximo da nossa capacidade, se o fizermos por uma razão menor do que a dada por Nosso Senhor, isso será essencialmente egoísta, e não promoverá nosso desenvolvimento tanto quanto se o fizéssemos como Ele pediu: “em memória de Mim[2].

Basta olhar para a questão sob esse prisma, caro amigo ou cara amiga, você entenderá a ideia. Sob o regime de Jeová, o egoísmo cristalizou a Terra em tal extensão que as vibrações espirituais quase cessaram. A evolução estava estagnada, e o sangue estava tão impregnado de egoísmo que a Onda de Vida humana corria o perigo de degenerar. Então, o Cristo Cósmico se manifestou por meio de Jesus para nos salvar. Purificar profundamente livrando o sangue de todo o egoísmo é o Mistério do Gólgota; começou quando o sangue de Jesus fluiu, continuou através das guerras das nações Cristãs sempre que os seres humanos lutavam por um ideal, e durará até que, por contraste, os horrores da guerra tenham impressionado suficientemente a Humanidade com a beleza da Fraternidade.

Cristo entrou na Terra pelo evento do Gólgota. Ele está, novamente, fermentando o Planeta Terra e tornando-a receptiva às vibrações espirituais, mas o Seu sacrifício não foi consumado em um só momento, morrendo para nos salvar, como geralmente se crê. Ele ainda está gemendo e sofrendo, esperando pelo dia da Sua libertação[3], pela “manifestação dos filhos de Deus”; e realmente nós apressamos esse dia toda vez que participarmos do alimento para os nossos Corpos superiores, simbolizados pelos: pão e vinho místicos. Mas seríamos muito mais eficientes em acelerar a nossa própria libertação e em apressar o “dia de Nosso Senhor”, se sempre fizéssemos “em memória de Mim”.

Você se lembra da “Visão de Sir Launfal?”. Não era o tamanho da dádiva o que importava; a moeda de ouro atirada ao mendigo era materialmente mais valiosa do que a côdea de pão que ele deu mais tarde; mas a moeda foi dada com impaciência para se livrar de uma presença repugnante. A côdea de pão foi dada em memória de Cristo e por Sua causa, e nisso está toda a diferença.

E Sir Launfal lhe disse:

“Vejo em ti

a imagem d’Aquele que na cruz morreu.

Tu, também, tens a coroa de espinhos de quem padeceu,

muitos escárnios tens também sofrido

e o desprezo do mundo hás sentido.

As feridas em tua vida não faltaram

nos pés, nas mãos, no corpo, elas te machucaram.

Filho da clemente Maria reconhece quem eu sou

e vê que, através do pobre, é a Ti que eu dou.”

Quanto mais cultivarmos o espírito de tudo fazer pela causa de Cristo e Sua Libertação, melhores e mais frutíferas serão as nossas vidas aqui.

(Cartas aos Estudantes – nº 22 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Lição do mês passado publicada como Capítulo IV do Livro Coletâneas de um Místico – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: O SACRAMENTO DA COMUNHÃO – “em memória de Mim” – PARTE II

… na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim”. Do mesmo modo, após a ceia, também tomou o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova Aliança em meu sangue; todas as vezes que dele beberdes, fazei-o em memória de mim”. Todas as vezes, pois, que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha. Eis porque todo aquele que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Por conseguinte, que cada um examine a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice, pois aquele que come e bebe sem discernir o Corpo, come e bebe a própria condenação. Eis porque há entre vós tantos débeis e enfermos e muitos morreram.” (ICor 11:23-30).

Nos trechos acima há um significado esotérico profundamente oculto que é particularmente obscuro na tradução inglesa, mas em alemão, latim e grego o Estudante Rosacruz ainda tem um indício do que realmente foi pretendido com essa última admoestação do Salvador a Seus Discípulos. Antes de examinar esse aspecto do assunto, vamos considerar primeiro as palavras: “em memória de Mim”. Estaremos, então, talvez em melhores condições para compreender o que significa o “cálice” e o “pão”.

Suponhamos que uma pessoa procedente de um lugar distante venha ao nosso país e viaje através dele, visitando vários lugares. Por toda parte verá pequenas comunidades se reunindo ao redor da Mesa do Senhor para celebrar esse rito mais sagrado para todos os Cristãos, e se perguntasse a razão de fazerem isso, as pessoas lhe responderiam que elas faziam isso em memória d’Aquele que viveu uma vida mais nobre do que qualquer um que já viveu nesta Terra; d’Aquele que foi a bondade e o amor personificados; d’Aquele que foi o servo de todos sem se preocupar em ganhar ou perder. Se esse estranho comparasse a atitude dessas comunidades religiosas aos domingos na celebração desse rito com as vidas deles durante o restante da semana, o que veria?

Cada um de nós sai para o mundo para batalhar pela existência. Sob a lei da necessidade, esquecemos o amor que deveria ser o fator principal nas vidas Cristãs. A mão de uma pessoa está sempre contra seu irmão ou sua irmã. Todos lutam por posição, riqueza e pelo poder que advém com esses atributos. Esquecemos na segunda-feira o que, reverentemente, relembramos no domingo e, em consequência, todo o mundo é digno de pena por isso. Fazemos, também, uma distinção entre “o pão e o vinho” que bebemos na chamada “Mesa do Senhor” e o alimento que comemos ou bebemos durante os intervalos entre o comparecimento à Comunhão. Porém, nada é mencionado nas Escrituras que justifique tal distinção, como qualquer um pode verificar mesmo na versão inglesa, que omite as palavras impressas em itálico inseridas pelos tradutores para dar o que pensavam ser o sentido da passagem. Pelo contrário, é-nos dito que tudo o que comermos, bebermos ou qualquer coisa que fizermos, deveria ser feito para a glória de Deus. Todos os nossos atos deveriam ser uma oração. A “ação de graças” superficial que fazemos às refeições é, na realidade, uma blasfêmia e o pensamento silencioso de gratidão Àquele que nos dá o pão de cada dia está longe de ser o suficiente. Quando lembramos, à cada refeição, que o alimento retirado da substância da Terra é o corpo do Espírito de Cristo que ali habita, que aquele corpo está sendo repartido para nós diariamente, podemos compreender apropriadamente a bondade amorosa que O impele a Se dar por nós; por isso vamos, também, relembrar que não há um momento, dia ou noite, que Ele não esteja sofrendo por estar aprisionado a esta Terra. Portanto, quando comemos e percebemos a verdadeira situação, de fato estamos proclamando a morte do Senhor Cristo, cujo Espírito está gemendo e labutando, esperando pelo dia da libertação, quando não haverá necessidade de uma envoltura tão densa como a que necessitamos agora.

Mas há um outro mistério, maior e mais maravilhoso ainda, oculto nessas palavras de Cristo. Richard Wagner, com a rara intuição do gênio do músico, percebeu essa ideia quando, sentado em meditação à beira do Lago de Zurique numa Sexta-Feira Santa, sentiu brotar em sua Mente um pensamento: “Que conexão há entre a morte do Salvador e os milhões de sementes que germinam na terra nessa época do ano?”. Se meditarmos sobre aquela vida que anualmente brota na primavera, vemo-la como algo gigantesco e inspirador; uma intensidade enorme de vida que transforma o globo, de um momento próximo à morte congelante a uma vida rejuvenescida, em um curto espaço de tempo; e a vida que assim se propaga nos brotos de milhões e milhões de plantas é a vida do Espírito da Terra.

Dela vem tanto o trigo como a uva. Esses representam o corpo e o sangue do aprisionado Espírito da Terra, incumbido de sustentar a Humanidade durante a presente fase da evolução dela. Nós repudiamos a argumentação daqueles que alegam que o mundo tem a obrigação de lhes dar uma vida boa, sem que eles se esforcem e onde não tenham nenhuma responsabilidade material da parte deles; no entanto, nós insistimos que há uma responsabilidade espiritual conectada com “o pão e o vinho” servidos na Última Ceia do Senhor: devem ser ingeridos dignamente, caso contrário, causarão problemas de saúde e até mesmo a morte. Superficialmente lido, poderá parecer um conceito forçado, porém, quando meditamos à luz do esoterismo, examinando outras traduções da Bíblia e observando as condições atuais do mundo, veremos que não é assim tão forçado.

Retornemos ao momento na Evolução em que o ser humano vivia sob a guarda dos Anjos, construindo, inconscientemente, o Corpo que agora ele usa. Isso foi na antiga Época Lemúrica. Era necessário um cérebro para evolução do pensamento e uma laringe para expressão verbal desse mesmo pensamento. Portanto, metade da força criadora foi dirigida para cima e usada pelo ser humano para formar esses órgãos. Por isso, a Humanidade se tornou separada em sexos masculino e feminino, e foi forçada a procurar um complemento quando foi necessário criar um outro novo Corpo Denso e um Corpo Vital para servir como um instrumento numa fase mais elevada da evolução.

Enquanto o ato do amor era consumado sob a sábia custódia dos Anjos, a existência do ser humano estava livre de angústias e tristezas profundas, e de dores e da morte. Mas quando, sob a tutela dos Espíritos Lucíferos, ele comeu da árvore do Conhecimento e perpetuou a raça, sem levar em conta as linhas de forças interplanetárias, transgrediu a lei e os Corpos assim formados se cristalizaram excessivamente e se tornaram sujeitos à morte, de uma maneira muito mais perceptível do que haviam estado até então. Por isso, foi forçado a criar Corpos novos mais frequentemente, à medida que seu período de vida aqui se encurtava. Os guardiães celestiais da força criadora expulsaram o ser humano do jardim de amor para o deserto do mundo, e ele se tornou responsável por suas ações sob a lei cósmica que governa o universo. Desde então, por um longo tempo, o ser humano continua essa luta difícil e esgotante para conseguir sua própria salvação, e a Terra, em consequência disso, se cristalizou cada vez mais.

Hierarquias divinas, incluindo o Espírito de Cristo, trabalharam sobre a Terra externamente, assim como o Espírito-Grupo guia os animais sob sua proteção; mas, como diz S. Paulo tão corretamente: “Ninguém pode ser justificado sob a lei, pois sob ela todos pecaram e todos devem morrer” Rm (2:12). Não há no antigo pacto nenhuma esperança além da presente, salvo um presságio de alguém que há de vir e que restaurará o agir de acordo com a Lei Divina, livre de culpa ou pecado. Por isso, S. João proclama que a lei foi dada por Moisés e a graça veio por meio de Cristo (Jo 1:17). Mas, o que é a graça? Ela pode trabalhar contra a lei e revogá-la completamente? Certamente não. As Leis de Deus são imutáveis e firmes, ou o universo se tornaria um caos. A lei de gravidade mantém nossas casas em posição relativa às outras casas e por isso, quando saímos delas sabemos, com certeza, que as encontraremos no mesmo lugar ao retornarmos. Pelo mesmo princípio, todas as outras divisões no universo estão sujeitas a leis imutáveis.

Assim como a lei, separada do amor, originou o pecado, assim também a lei temperada com amor é a graça. Tomemos um exemplo de nossas condições sociais concretas: temos leis que decretam uma certa penalidade para uma ofensa específica e, quando a lei é observada, chamamos isso de justiça. Porém, a longa experiência está começando a nos ensinar que justiça, pura e simples, é como os dentes do dragão Colchian (No mito grego, os dentes do dragão aparecem com destaque nas lendas do príncipe fenício Cadmo e na busca de Jasão pelo Velocino de Ouro. Em cada caso, os dragões estão presentes e cospem fogo. Seus dentes, uma vez plantados, se transformariam em guerreiros totalmente armados. Cadmo, o portador da alfabetização e da civilização, matou o dragão sagrado que guardava a fonte de Ares. A deusa Atena disse-lhe para semear os dentes, de onde surgiu um grupo de guerreiros ferozes chamados spartoi – um povo mítico que surgiu dos dentes do dragão semeados por Cadmo e foram considerados os ancestrais da nobreza tebana. Ele jogou uma joia preciosa no meio dos guerreiros, que se viraram na tentativa de se apoderar da pedra. Os cinco sobreviventes juntaram-se a Cadmo para fundar a cidade de Tebas. Da mesma forma, Jason foi desafiado pelo Rei Aeëtes da Cólquida a semear dentes de dragão – daí dragão de Colchian – em Atenas para obter o Velocino de Ouro. Medea, filha de Aeëtes, aconselhou Jason a jogar uma pedra entre os guerreiros que surgiram da terra. Os guerreiros começaram a lutar e matar uns aos outros, não deixando nenhum sobrevivente além de Jason. As lendas clássicas de Cadmo e Jasão deram origem à frase “semear dentes de dragão”. Isso é usado como uma metáfora para se referir a fazer algo que tem o efeito de fomentar disputas.) que gera disputas e lutas cada vez maiores. O chamado criminoso permanece criminoso e se torna cada vez mais embrutecido pelas penalidades da lei; mas, quando um regime menos rigoroso, nos tempos atuais, permite que a sentença imputada àquele que transgrediu a lei seja suspensa, então ele estará sob a graça e não sob a lei. Também, o Cristão que procura seguir os passos do Mestre é emancipado da lei do pecado pela graça, desde que abandone o caminho do pecado.

Esse foi o pecado dos nossos progenitores na antiga Época Lemúrica que eles espalharam suas sementes independentemente da Lei e sem o amor. Mas é o privilégio do Cristão se redimir pela pureza da sua vida, em memória do Senhor. S. João diz: “Sua semente permanece nele” (IJo 3:9) e esse é o significado oculto do “pão e vinho”. Na versão inglesa lemos simplesmente: “Esse é a taça do Novo Testamento”, mas no alemão, a palavra que designa cálice é “Kelch” e em latim é “Calix” (Na língua portuguesa temos a tradução como cálice), ambas significando a parte externa que envolve a semente da flor. Em grego temos um significado mais sutil ainda, não expresso em outras línguas, na palavra “poterion”, um significado que se torna evidente quando consideramos a etimologia da palavra “pot”. Isso nos fornece, imediatamente, a mesma ideia de cálice ou “calix” – um receptáculo; e verbo latino “potare” (beber) também mostra que a “taça” é um receptáculo capaz de reter um líquido. As palavras inglesas “potente” e “impotente”, designando possuir ou ter falta da força viril, mostra o significado dessa palavra grega que indica a evolução do “homem para um super-homem”.

Já vivemos existências semelhantes ao mineral, à planta e ao animal, respectivamente, antes de nos tornarmos humanos como o somos hoje e, diante de nós existem ainda outras evoluções até nos aproximarmos cada vez mais do Divino. Prontamente aceitamos como verdade e válido que são nossas paixões animais que nos retêm no caminho da realização; a natureza inferior está constantemente em luta com o “eu superior”. Isso acontece, pelo menos, com os que já experimentaram um despertar espiritual; uma guerra está sendo travada silenciosamente no interior e pior seria se isso fosse reprimido. Goethe (Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) foi um polímata, autor e estadista alemão do Sacro Império Romano-Germânico que também fez incursões pelo campo da ciência natural. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.), com arte magistral, exprimiu esse sentimento nas palavras de Fausto, a alma aspirante, ao se dirigir a seu amigo materialista, Wagner:

“Por um só impulso tu estás possuído,

Inconsciente do outro permaneces, ainda não o tens sentido.

Duas almas, oh! moram dentro do meu peito,

E aí lutam por um indivisível reino;

Uma aspira pela terra, com vontade apaixonada

Às íntimas entranhas ainda está ligada.

Acima das névoas, a outro aspira, de certeza,

Com ardor sagrado por esferas onde reine a pureza”.

Foi o conhecimento dessa necessidade absoluta de castidade (exceto quando o objetivo é a procriação) por parte daqueles que já haviam tido um despertar espiritual, que inspirou as palavras de Cristo e o Apóstolo S. Paulo exprimiu uma verdade esotérica quando disse que aqueles que tomam a comunhão sem viver a vida, estão em perigo de doença e morte. Assim como, sob uma tutela espiritual, a pureza de vida pode elevar o Discípulo de uma maneira maravilhosa, assim também a falta de castidade produz um efeito muito maior sobre os Corpos mais sensibilizados do que sobre aqueles que estão ainda sob a lei e não se tornaram participantes da graça, pelo cálice da Nova Aliança.

[2] N.T.: Lc 22:19

[3] N.T.: Rm 8:19-23

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Trânsito do Sol pelo Signo de Leão

Leão é o lar da Hierarquia Criadora dos Senhores da Chama (Luz e Amor). Enquanto o Sol transita pelo Signos de Leão durante os meses de julho e agosto, Cristo ascende ao Trono do Pai, onde se banha em Sua transcendente glória.

Ali Cristo se renova e se revitaliza, atraindo mais e mais forças espiritualizadas para prosseguir o Seu ministério terreno quando volte a penetrar nos reinos da Humanidade, no Equinócio de Setembro.

Durante Sua permanência nos céus o Planeta Terra, clarividentemente observado, aparece luminoso por Suas radiações; e o observador comprova, no mais profundo do seu ser, o significado de Sua afirmação: “Toda a autoridade sobre o céu e sobre a terra me foi entregue.” (Mt 28:18).

A palavra-chave bíblica de Leão ressoa nas palavras: “O amor é o cumprimento da lei.” (Rm 13:10).

Há uma íntima conexão existente entre a Hierarquia de Cristo e o centro de luz do corpo humano, chamado coração.

É durante o tempo em que a Hierarquia de Leão está derramando suas forças sobre a Terra, que é mais fácil para o Aspirante se dedicar, novamente, a prosseguir na trilha para tecer a luminosa vestimenta que lhe há de abrir a essas correntes de luz e a essas radiações de amor. Quando esse traje for totalmente tecido, será considerado digno de participar do banquete do Matrimônio Místico e de ser contado entre os filhos do Rei. Quando a alguém é permitida essa assistência, pode estar em Sua presença, olhando-O face a face e o conhecendo tal qual Ele é.

A Dispensação Cristã (3ª e 4ª das quatro Dispensações pelas quais passamos) está guiada pela Hierarquia de Leão, os Senhores da Chama. Por isso a Iniciação do Fogo está diretamente conectada com os Mistérios Crísticos. Esse fogo não é uma chama que arde, mas uma luz que purifica e transmuta.

O Livro de Daniel está estreitamente relacionado com o trabalho da Hierarquia do Signo de Fogo, Leão. É a Iniciação de Fogo que conserva o umbral dos Mistérios Cristãos, que o Supremo Mestre se referiu quando disse a Nicodemos: “Quem não nascer da água e do Espírito (Fogo), não poderá entrar no Reino de Deus” (Jo 3:5), a nova ordem de Cristo.

(Drops do Livro Mistério dos Cristos – Corinne Heline – Fraternidade Rosacruz)

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