Resposta: É-nos dito que este Melquisedeque era rei de Salém e, também, Sumo Sacerdote. É-nos dito que o seu sacerdócio estava muito acima do de Aarão, pois era imutável, ao passo que o de Aarão e dos levitas estava sujeito a frequentes mudanças.
Ao longo dos períodos dos quais temos registros históricos, sempre existiu uma divisão entre o Poder Temporal[1] e Poder Eclesiástico[2]. Moisés era o governante temporal e líder do povo judeu, enquanto Aarão era o Sacerdote que zelava pelo bem-estar espiritual desse povo. Ao longo das eras, essa separação entre Igreja e Estado sempre se fez presente, por vezes provocando grandes conflitos e derramamento de sangue, visto que seus interesses parecem ser, invariavelmente, diametralmente opostos. Contudo, na época de Melquisedeque — rei de Salém, nome que significa “paz” —, não havia tal divisão; ambos os cargos estavam reunidos em um único indivíduo. A história de Melquisedeque — um Ser sem linhagem terrena — se refere, naturalmente, a um período nos primórdios da Atlântida, quando a Humanidade ainda não estava fragmentada em nações beligerantes, mas constituía uma vasta e pacífica fraternidade, na qual os líderes do povo eram Seres Divinos que exerciam, simultaneamente, as funções de reis e Sacerdotes.
A posterior separação entre Igreja e Estado tem sido uma das fontes mais férteis de inimizade e guerra na Humanidade, pois cada um desses poderes tem lutado pela supremacia sobre o outro. Na realidade, contudo, não deveria haver tal conflito; afinal, ninguém que não possua a espiritualidade exigida de um Sacerdote está apto a governar como rei, e ninguém que não possua a sabedoria e a justiça esperadas de um rei está apto a exercer a orientação espiritual da Humanidade, tal como fazem os Sacerdotes. Quando essas qualidades se reunirem novamente em um único líder, o reinado de paz universal e fraternidade tornar-se-á uma realidade. O Cristo foi anunciado como esse líder, capaz de unir Igreja e Estado — atuando como rei e Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque[3]. Sua Segunda Vinda inaugura o milênio, a era de paz e alegria, na qual a simbólica Nova Jerusalém — a “cidade da paz” (visto que “Jerusalém” significa “haverá paz“) — reina sobre as nações da Terra, unidas em uma única Fraternidade Universal. Haverá, então, “paz na Terra e boa vontade entre os homens”[4].
(Pergunta nº 91 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: A autoridade de governo político, administrativo e militar sobre questões materiais, leis e territórios terrenos.
[2] N.T.: A autoridade, a jurisdição e a influência exercidas pelos dirigentes, líderes e instituições da Igreja (especialmente na tradição cristã e Católica) sobre os seus fiéis.
[3] N.T.: Sl 110:4
[4] N.T.: Lc 2:14
Resposta: Diz-se que “a lei e os profetas vigoraram até Cristo”[3], e existem quatro etapas pelas quais o ser humano se eleva a Deus. Inicialmente, ao despertar para a consciência no Mundo Físico e se encontrar em um estado selvagem, o ser humano se vê cercado por outros seres humanos que, pela própria pressão das circunstâncias, são forçados a lutar pela sobrevivência — seres humanos para os quais “a força é o direito”. Nesse estágio, ele aprende a confiar em sua própria força para se proteger dos ataques de animais selvagens e de outros seres humanos. Contudo, ele percebe ao seu redor as Forças da Natureza e as teme, pois reconhece a capacidade que elas possuem de matar, bem como sua própria impotência diante delas. Ele, portanto, começa a adorar, buscando aplacar — por meio de sacrifícios sangrentos — o Deus a quem teme.
Depois, chega o momento em que ele passa a ver Deus como o provedor, Aquele que o recompensará, aqui e agora, pela obediência à Sua lei, e que o punirá instantaneamente pela desobediência. Um aliado poderoso contra seus inimigos, mas também um inimigo formidável — e, por isso, alguém a ser muito temido. Assim, ele adora e sacrifica animais, movido pelo medo e pela ganância.
Segue-se, então, a fase em que ele é instruído a adorar um Deus de Amor e a sacrificar a si mesmo, dia após dia, ao longo de toda a sua vida, em troca de uma recompensa em um estado futuro — algo em que ele deve crer pela fé, embora tal estado nem sequer esteja claramente definido.
Por fim, o ser humano alcançará um estágio em que reconhecerá sua própria divindade e agirá corretamente apenas porque é o certo a fazer, sem qualquer pensamento de medo ou expectativa de recompensa.
Os judeus haviam chegado ao segundo desses estágios e estavam sob a Lei[4]. A Religião Cristã atravessa, gradualmente, o terceiro estágio, embora ainda não se tenha libertado totalmente do segundo. Todos nós ainda estamos sujeitos a Leis — estabelecidas por Deus e pelos seres humanos — que visam refrear nossos Corpos de Desejos por meio do medo; contudo, para progredirmos espiritualmente a partir de agora, precisamos sensibilizar nosso Corpo Vital, que é receptivo ao amor, mas que desconhece por completo a Lei que rege a natureza dos desejos.
A fim de preparar esse estado futuro, os sacerdotes — que estavam em um estágio mais avançado do que o povo em geral — se mantinham separados e distintos dele. No oriente, por exemplo, apenas uma casta específica, a dos brâmanes, tinha permissão para entrar nos Templos e realizar os rituais ali praticados. Entre os judeus, somente os levitas podiam se aproximar do lugar sagrado; o mesmo ocorria em outras nações. Os sacerdotes constituíam, invariavelmente, uma classe à parte, sendo-lhes vedado contrair matrimônio com pessoas fora de seu grupo. Eram, em todos os aspectos, um segmento separado e distinto.
Isso ocorria porque os líderes responsáveis pela evolução da Humanidade precisavam utilizar linhagens nas quais houvesse uma certa flexibilidade — uma espécie de frouxidão — na conexão entre o Corpo Vital e o Corpo Denso. Assim, eles selecionavam esses sacerdotes e os reuniam em torno dos Templos, regulamentando todos os aspectos de suas vidas, inclusive no que tange à sexualidade. Contudo, no momento em que o Cristo foi libertado do Corpo de Jesus e difundiu Seu Ser por toda a Terra, o véu se rasgou — simbolizando que a necessidade de condições especiais havia chegado ao fim. Desde então, o Éter na Terra tem passado por transformações. Uma taxa vibratória cada vez mais elevada permite a manifestação de qualidades altruístas. Foi o início daquela vibração imensa que, segundo relatos, teria provocado a escuridão durante a crucificação[5]. Na verdade, não se tratava de escuridão, mas de uma luz tão intensa que cegou temporariamente as pessoas, até que as vibrações diminuíssem de intensidade ao serem absorvidas pela densidade do plano físico terrestre. Algumas horas mais tarde, o radiante Espírito de Cristo já havia se integrado à Terra o suficiente para restabelecer as condições normais. Gradualmente, porém, esse poder interior vem ganhando força; as vibrações etéricas estão sendo aceleradas, promovendo um aumento do altruísmo e do crescimento espiritual. Assim, as condições atuais são tais que já não há necessidade de uma classe especial ou privilegiada; cada indivíduo, sem exceção, pode aspirar a ingressar no caminho da Iniciação.
As condições antigas, contudo, são difíceis de superar; sob o regime de Jeová, o Espírito da Lua, a Humanidade havia sido dividida em nações. Para guiá-la, era necessário que Ele, por vezes, utilizasse uma nação para punir outra, visto que, naquela época, a Humanidade não era suscetível ao amor — ela só obedecia sob o açoite do medo. Antes que a grande Fraternidade Universal do Amor possa ser estabelecida, é preciso desfazer essas nações, seguindo o mesmo princípio que se aplica a um conjunto de construções feitas de tijolos: se desejamos transformá-las em uma única e grandiosa estrutura, primeiro precisamos reduzi-las a pedaços, de modo que os tijolos individuais fiquem disponíveis para serem usados na nova e maior construção. Por isso, Cristo disse: “Não vim trazer a paz, mas a espada”.
Devemos superar o patriotismo e aprender a dizer, como aquela grande alma, Thomas Paine[6]: “O mundo é minha pátria, e fazer o bem é a minha Religião”. Até que chegue esse momento, as guerras continuarão — e quanto mais, melhor —, pois, assim, o horror se tornará suficientemente chocante para forçar a paz.
Na Noite Santa em que o menino Jesus nasceu, os Anjos entoaram um cântico: “Paz na Terra e boa vontade entre os homens”[7]. Mais tarde, o “Menino” cresceu e disse: “Não vim trazer a paz, mas a espada”; e a Religião Cristã se tornou a mais sangrenta de todas as Religiões da Humanidade. Por onde passou, ela semeou a desolação e a dor; contudo, após todo esse sofrimento, chegará o dia em que o Cântico dos Anjos se tornará realidade, e as palavras proferidas por Cristo em outras ocasiões — sobre o amor ao próximo — serão, de fato, vivenciadas. Quando a “espada” tiver cumprido sua missão, ela será transformada em “relha de arado”[8]; não haverá mais guerras, pois não existirão mais nações.
(Pergunta nº 91 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Jo 3:16
[2] N.T.: Mt 10:34
[3] N.T.: Lc 6:16
[4] N.T.: Aqui se refere às Leis Jeovísticas, as da Religião de Raça.
[5] N.T.: Mt 27:45, Mc 15:33, Lc 23:44-45
[6] N.T.: Thomas Paine (1737 – 1809) foi um político britânico, além de panfletário, revolucionário, inventor, intelectual e um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos da América. Thomas Paine foi, a um só tempo, ator, intérprete e testemunha não apenas das Revoluções Americana e Francesa, mas também dos movimentos revolucionários ingleses em fins do século XVIII e, em menor medida, do movimento revolucionário nos Países Baixos e na Irlanda, onde ele era continuamente citado e admirado.
[7] N.T.: Lc 2:14
[8] N.T.: Is 2:14
A maioria das pessoas sente que uma refeição sem carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins) é incompleta, pois, desde tempos imemoriais, considera-se um axioma que a carne animal é o alimento que mais fortalece o organismo.
Todos os outros alimentos são vistos como meros acompanhamentos para um ou mais tipos de carne animal presentes no cardápio. Nada poderia ser mais equivocado; a ciência comprovou, por meio de experimentos, que a nutrição obtida de vegetais possui, invariavelmente, maior poder de sustentação!
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Era um ditado de Aristóteles[1] que, na infância, a alma do ser humano não difere em qualquer coisa da alma dos brutos; mas então ele admite que apenas um animal, o ser humano, pode refletir e deliberar; a última afirmação encontrou grande apoio entre os filósofos modernos.
Assim, agora somos informados de que o bruto é sensível, mas não autoconsciente, e poderes e faculdades são continuamente apontados no ser humano, os quais, afirma-se positivamente, não podem ser encontrados em alguém inferior a ele. As pessoas que fazem tais declarações já visitaram a câmara de pensamento dos animais inferiores, nós nos perguntamos e, se não, como podem falar do mistério da mente com tanta certeza?
Platão[2] usou esta classificação: alma das paixões e alma das faculdades cognitivas; cada uma tendo sua própria sede no Corpo e movimentos peculiares; até mesmo Aristóteles, seu oponente materialista, tem suas almas vegetais, almas sensíveis e almas racionais. Em toda a fisiologia e psicologia gregas estava o pressuposto de que tudo o que se movia sozinho tinha vida ou alma.
A matéria foi admitida como essencialmente inativa e, portanto, tornou-se necessário supor um agente vital no qual (ou através do qual) a atividade se manifestasse; o mesmo era válido no caso da função física, da senciência e do intelecto, sendo essa a suposição sobre a qual repousava também os três tipos de alma de Platão e as três almas de Aristóteles, pois inclusive a teoria deste parece estar, e talvez literalmente, quase no mesmo nível.
Galeno[3] limitou o termo alma ao agente das funções sencientes e inteligentes, fazendo da Natureza um simples operador físico; contudo, Aristóteles reinou sobre as escolas e sua doutrina das almas vegetais, almas sencientes e almas racionais, modificada de várias maneiras, pode ser localizada em muitas teorias fisiológicas e médicas até mesmo em nossos tempos. Era substancialmente um com o Archaeus[4], o princípio governante da filosofia de Paracelso[5], e o princípio animador, organizador de Harvey[6]. Ainda mais tarde, Müller[7] transformou a concepção em uma força orgânica que existe até mesmo no germe e cria nele a parte essencial do futuro animal, enquanto Haeckel[8] e outros que tentam se afastar inteiramente do princípio das almas são ainda forçados a reconhecer, com ele, um princípio vital que subjaz a todas as manifestações físicas.
A alma cristã e imortal foi representada tanto pelo pavão quanto pela pomba e, mais frequentemente, pela última. Podemos ver os Discípulos de Cristo representados como pombas na cruz absidal em S. Clemente[9]. As almas Cristãs das pombas são encontradas em tabuletas murais tanto em fontes batismais quanto sarcófagos. Com menos frequência, elas aparecem como pavões e raramente em sarcófagos; no entanto, mesmo em tempos pré-cristãos, elas eram assim representadas nas paredes de câmaras sepulcrais e cenas do Paraíso de Osíris[10], em alguns sarcófagos. No museu do Vaticano estão duas pombas em uma cruz, rodeadas pelo monograma de Cristo em uma coroa de flores. Esse objeto pode ser visto com frequência.
No único tabernáculo de marfim preservado na sacristia da Catedral de Sens, vemos uma pinha tomando o lugar da cruz ou do diagrama de Cristo e, de cada lado dela, um pavão, representando não apenas as almas dos Cristãos, mas as dos mártires, pois cada pavão tem um pequeno ramo de palmeira preso no pescoço.
O símbolo egípcio convencional para a alma era, como todo arqueólogo sabe, um gavião com cabeça humana. Nos últimos tempos e entre os romanos, as almas dos que partiram para o Paraíso de Osíris eram representadas como pombas e pavões.
Em uma pintura afresco que existiu em Pompéia, uma cópia da qual foi gravada em Nápoles em 1833, almas simbolizadas como pombas e pavões são representadas empoleiradas em árvores sagradas — a palmeira e o pessegueiro, no Paraíso de Osíris e Isis. Nesse afresco estava também representada a garça, símbolo, segundo o Visconde de Ronge, da primeira transformação da alma neste misterioso Paraíso.
Havia, então, para esse propósito, certo significado idêntico e ligado ao símbolo do pavão e da pomba. A pomba de Vênus foi crucificada em uma roda de quatro raios ou cruz solar[11]; a pomba, também chamada de Inyx[12], apresenta relação com esses símbolos e ocorre na história de Semiramis, sendo descrita como tendo fugido e transformando-se em pomba, quando foi conquistada por Esturobates[13], que havia ameaçado pregá-la na cruz, que é identificada com a roda de quatro raios na crucificação eterna de Ixion, ou a roda da execução descrita por Píndaro.
A pomba crucificada em uma cruz-de-roda ou cruz solar; basicamente, uma cruz dentro de uma circunferência é curiosa como um antigo símbolo pré-cristão, mas nos símbolos Cristãos duas pombas na cruz são frequentemente vistas. No entanto, é mais do que provável que haja outro significado para o símbolo da pomba e não apenas o de representar a alma.
O batismo de Jesus no Jordão foi um batismo da Água e do Espírito, porque, quando Jesus saiu da água, o Cristo Universal desceu sobre ele como uma pomba, mas não em forma de pomba e, a partir de então, foi animado por um Espírito diferente, imbuído de sabedoria cósmica.
Da mesma forma, quando o Espírito Santo desceu sobre os Discípulos na Celebração Pentecostal, eles também foram dotados de poderes espirituais não anteriormente possuídos por eles e apenas aqueles que têm tais faculdades evoluídas podem realmente entrar na classificação que lhes dá o direito ao símbolo da pomba, tal como foi depois dado aos Discípulos de Cristo.
Portanto, é razoável supor que esse símbolo só tenha sido oferecido a Iniciados cujos poderes espirituais foram desenvolvidos para serem usados a serviço da Humanidade.
Porém, se pudermos aplicar o Mito de Argus[14] como um índice para o significado do símbolo do pavão, isso nos mostrará a alma desperta que usa seus poderes para um propósito mais básico. Argus, de acordo com a mitologia, tinha cem olhos, era dotado de um poder de observação maravilhoso e penetrante; Clarividência, na verdade. Mas ao invés de usar este poder da alma para o benéfico serviço à Humanidade, ele prostituiu sua visão espiritual para aprisionar um semelhante e, por isso, Mercúrio, o deus da sabedoria, decapitou-o e colocou seus olhos nas plumas do pavão. Em outras palavras, o uso indevido de seus poderes espirituais para um propósito vil fez com que ele fosse privado deles e se tornasse uma criatura indefesa, arrogante e vaidosa como um pavão, algo lamentável, apesar de toda sua linda plumagem.
Conhecimento é bom, se for do tipo certo e usado corretamente para propósitos altruístas e úteis; contudo, é extremamente perigoso “ser sábio como uma serpente” (Mt 10:16), se não for “simples como uma pomba” (Mt 10:16).
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro de 1918 e traduzido pela Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.R.: (384–322 a.C.) foi um filósofo e polímata da Grécia Antiga. Seus escritos abrangem as ciências naturais, a filosofia, a linguística, a economia, a política, a psicologia e as artes. Fundou a escola peripatética no Liceu de Atenas, dando início à tradição do aristotelismo, que esteve na origem de parte do desenvolvimento posterior das ciências.
[2] N.R.: nasceu em 428 ou 427 a.C. em Atenas e morreu em 348 ou 347 a.C. Foi um filósofo da Grécia Clássica, contemporâneo da democracia ateniense e dos sofistas, cujas posições frequentemente criticou. Retomou o pensamento de predecessores, sobretudo de Sócrates, de quem foi aluno, mas também de Parmênides, Heráclito e Pitágoras, para elaborar sua própria filosofia. Seu pensamento percorre campos como a metafísica, a ética, a estética e a política. Fundou uma Academia em Atenas, onde Aristóteles foi aluno e depois professor durante cerca de vinte anos. Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental e, também, tem sido frequentemente citado como um dos fundadores da religião ocidental, da ciência e da espiritualidade.
[3] N.R.: Cláudio Galeno ou Élio Galeno (129 – c. 216), mais conhecido como Galeno ou Galeno de Pérgamo, foi um médico, cirurgião e filósofo greco-romano. Sua atividade de investigação médica na Antiguidade abrangeu anatomia, fisiologia, patologia, farmacologia e neurologia, além de filosofia e lógica.
[4] N.R.: Na alquimia e no esoterismo, representa uma força vital, um espírito imaterial e animador que rege os fenômenos da vida, o crescimento e a transmutação da matéria em energia espiritual.
[5] N.R.: Paracelso, pseudônimo de Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim (1493 – 1541) foi um médico suíço, alquimista, teólogo leigo e filósofo da Renascença alemã. Ele foi um pioneiro em vários aspectos da “revolução médica” do Renascimento, enfatizando o valor da observação em combinação com a sabedoria recebida. Ele é considerado o “pai da toxicologia”. Paracelso também teve um impacto substancial como profeta ou adivinho, seus “prognósticos” sendo estudados por Rosacruzes em 1600. Paracelso autenticou o primeiro movimento médico moderno inspirado no estudo de suas obras.
[6] N.R.: William Harvey (1578 —1657) foi um médico britânico que, pela primeira vez, descreveu corretamente os detalhes do sistema circulatório do sangue ao ser bombeado, por todo o corpo, pelo coração.
[7] N.R.: Johannes Peter Müller (1801 — 1858) foi um fisiologista alemão, anatomista comparativo, ictiologista e herpetologista, conhecido não apenas por suas descobertas, mas também por sua capacidade de sintetizar conhecimento. O ducto paramesonéfrico (ducto de Müller) foi nomeado em sua homenagem.
[8] N.R.: Ernst Heinrich Philipp August Haeckel (1834 –1919) foi um biólogo, naturalista, filósofo, médico, professor e artista alemão.
[9] N.R.: A cruz absidal na Basílica de São Clemente, em Roma, é o elemento central do célebre mosaico do século XII (cerca de 1120) intitulado “O Triunfo da Cruz”. Localizado na basílica superior, este mosaico é considerado uma das maiores obras-primas da arte medieval romana e destaca-se pela sua profunda e densa carga teológica e simbólica. As Doze Pombas Brancas: Pousadas sobre os braços da cruz, doze pombas brancas representam os doze apóstolos, que encontram a sua força na ressurreição e espalham a paz e o Espírito Santo pelo mundo.
[10] N.R.: O Paraíso de Osíris, conhecido na mitologia egípcia como Aaru (os “Campos de Juncos”), é o reino celestial governado pelo deus Osíris onde as almas justas vivem em paz eterna . A expressão “Paraíso de Osíris” e a figura do pavão cruzam-se no estudo da transição da iconografia religiosa da Antiguidade para o Cristianismo Primitivo. Historicamente, o pavão era visto como um símbolo de imortalidade e ressurreição.
[11] N.R.: A cruz solar (um círculo dividido por quatro raios formando uma cruz) é um dos símbolos espirituais mais antigos da humanidade, remontando à Idade do Bronze.
[12] N.R.: Na mitologia grega, Iynx era uma ninfa (filha de Eco ou de Peito com Pã) que tentou enfeitiçar Zeus com poções de amor. Como punição, a deusa Hera a transformou em um pássaro peculiar, o torcicolo (Iynx torquilla). Afrodite (Vênus) posteriormente tomou esse pássaro e o amarrou a uma roda de quatro raios que girava continuamente, criando o primeiro feitiço ou amuleto de amor da história (frequentemente usado por Jasão para conquistar Medeia). Na literatura esotérica e rosacruz posterior, a Iynx passou a ser poetizada ou sincretizada como a própria “pomba de Vênus”.
[13] N.R.: Na história mítica da rainha Semíramis (uma versão lendária baseada na rainha assíria Sammu-ramat), o nome Esturobates (grafado originalmente na tradição clássica grega como Stabrobates ou Staurobates) refere-se ao rei da Índia que se tornou o seu maior rival militar. O confronto entre os dois marca o clímax e o declínio do império lendário de Semíramis,
[14] N.R.: Refere-se a um gigante da mitologia grega conhecido por ter o corpo coberto por cem olhos.
Não há outro inimigo, senão nós mesmos. Enquanto houver dentro de nós um resquício sequer de Personalidade, haverá separação.
Na Fraternidade Rosacruz, distinguimos nitidamente entre Personalidade e Individualidade. Personalidade é a “persona”, o conjunto enganoso, provisório e em constante mudança formado pelas nossas sensações, emoções, sentimentos e modo de pensar. São os laços de sangue, as tradições, os elos do mundo, essas coisas mais fortes que algemas de aço, tudo a que o Cristo simbolicamente chamava de “o reino dos mortos”. O mundo, a família, os bens, tudo isso é meio de aprendizagem indispensável a nós, o Ego humano, no presente estado evolutivo. Contudo, há o perigo de nos identificarmos com eles, de pensar que nos pertencem ou que lhes pertencemos, olvidando nossa origem celestial, nossa condição de espírito livre, em peregrinação e aprendizagem.
“Aquele que quiser ser meu discípulo, deve abandonar pai, mãe, irmãos, amigos, tudo” (Lc 14:26 – Mt 10:37), nos ensinou o próprio Cristo. Com isso não quis significar que devamos desleixar nossos deveres de pais, filhos, irmãos ou amigos Cristãos. Ao contrário, o verdadeiro Cristão é um excelente marido, pai, irmão, amigo, uma excelente esposa, mãe, irmã, amiga porque fornece a sua afeição e trabalho o mais puro pensamento, desejo, sentimento e, também, a mais pura emoção, ação e puro esforço. Dá e não espera receber; ama e não espera ser amado; compreende e não espera ser compreendido. As ingratidões não lhe suscitam ressentimentos, mas o cuidado de verificar se não contribuiu para isso. O verdadeiro Cristão busca a amorosa tentativa de reconciliação; ora e espera pela pessoa que é teimosa e rancorosa.
Ser Cristão é exemplificar amor Crístico, em seu sentido lato. É deixar que o Cristo, em si, fale, viva, ame.
Já a Individualidade é a expressão do Eu superior, verdadeiro, o que realmente somos, comandando os pares físicos, morais e mentais como instrumentos de ação.
A Personalidade é a nossa expressão de baixo para cima, o “ser humano invertido”, os valores instintivos, colorindo desordenadamente nosso modo de ser; é o amordaçamento do “Eu superior” e nosso condicionamento às conveniências instintivas. Um pentagrama com a ponta superior para baixo…
Nós, a Individualidade, não prescindimos da bagagem de experiências anímicas; ao contrário, nos valemos dela de um modo próprio, original, epigenético, criador. Porém, nós é quem mandamos e orientamos. Como nos ensina S. Paulo: “Não sou mais eu quem vive, mas o Cristo em mim”; e o próprio Cristo-Jesus nos ensina: “Eu e o Pai somos um”.
É certo que essa condição vamos atingindo gradativamente, em uma luta constante entre a nossa natureza inferior e a nossa natureza superior, entre as trevas e a luz dentro de nós. Por isso, a lenda dos Maniqueus, referindo-se internamente ao ser humano e ao mundo, fala da guerra dos Filhos das Trevas contra os Filhos da Luz. Estes acabam vencendo aqueles; entretanto, sendo bons, não podem exterminá-los. Incorporam, pois, o reino das trevas ao da Luz; ou seja, efetuam a transmutação dos valores inferiores em valores espirituais. Os alquimistas medievais faziam o mesmo, quando falavam sobre transformar os metais inferiores em ouro. Também entre os manuscritos encontrados no soterrado mosteiro dos Essênios, Qumran, às margens do Mar Morto, há um que fala da guerra dos Filhos das Trevas contra os Filhos da Luz.
Goethe, o grande Iniciado e autor de “Fausto”, falou, pela boca de um de seus personagens: “Duas almas — ai! — lutam dentro do meu peito pela posse de um reino indivisível; uma buscando alçar-se aos Céus em ilibados anseios, enquanto a outra se agarra à Terra, em passionais desejos”. S. Paulo, o apóstolo, igualmente dizia: “Pobre homem sou! O bem que desejaria fazer, não faço; o mal que não desejaria fazer, esse eu faço” (Rm 7:19).
Todo Aspirante sincero à espiritualidade “ora e vigia”, sobretudo quando se acha à frente de um movimento espiritualista, como a Fraternidade Rosacruz, e deve viver o que ensina. Ao mesmo tempo, o claro entendimento dessa luta dentro de cada um de nós nos torna rigorosos conosco e tolerantes com os demais, de modo a unir e não desunir, a estimular e não censurar; enfim, “a buscar a Divina Essência que existe em cada um”, o que constitui a base da Fraternidade que almejamos formar, como precursores da “Era de Aquário”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1965-Fraternidade Rosacruz-SP)
O conhecimento pode ser uma faca de dois gumes. Imprescindível ao nosso avanço em qualquer campo de atividade, se for mal-empregado atravancará nosso desenvolvimento. Pouco ou superficial, mesmo quando aplicado com a melhor das intenções, torna-se perigoso. Muito conhecimento, por outro lado, é conveniente apenas àquelas pessoas preparadas – elevadas espiritualmente – para recebê-lo, caso contrário, dará à pessoa uma noção exagerada de sua importância e capacidade de influenciar os acontecimentos. Em si mesmo, não é bom nem mau.
O conhecimento é acessível a todos aqueles que, sinceramente, se devotam a sua busca. Em toda Natureza nota-se uma realização lenta e persistente precedendo o desenvolvimento superior. Isto se aplica ao conhecimento estritamente físico como ao dos Mundos invisíveis à visão física. A pessoa que admite sua “ignorância já deu o primeiro passo no caminho do conhecimento”. Só podemos conhecer o superior quando compreendermos o inferior.
“Homem, conhece-te a ti mesmo”. Estas palavras estavam gravadas no frontispício do templo de Delfos na Grécia antiga, como uma lição e advertência. Para compreender o mundo que nos cerca temos de fazê-lo, primeiramente, com nós mesmos. Em assim agindo, conscientizar-nos-emos da verdade prática subjacente na chamada “Regra de Ouro”: “Não fazer a outrem o que não desejamos que nos façam” (Mt 7:12).
O conhecimento total de qualquer assunto requer um estudo intensivo. Renascemos inúmeras vezes no Mundo Físico, entretanto, quem o conhece em toda a sua complexidade – a grande maioria nem conhece totalmente a Região Química do Mundo Físico. Quiçá a Região Etérica? Que dizer, então, dos Mundos suprafísicos?
Obter conhecimento direto dos Mundos invisíveis é particularmente difícil para a Humanidade atual. É necessário querê-lo tão ardorosamente como uma pessoa que se afoga deseja respirar. Mas, não basta apenas querê-lo. Há outros requisitos necessários a sua obtenção.
O primeiro passo no caminho do Conhecimento Direto – método de aprendizagem preconizado pela Fraternidade Rosacruz – é a purificação dos nossos veículos, tornando-os cada vez mais sensíveis. Os Exercícios Esotéricos Rosacruzes noturno de Retrospecção e matutino de Concentração, ensinados pela Fraternidade Rosacruz, são importantes nesse processo, por abrirem vias de aperfeiçoamento de caráter e sensibilização.
O desenvolvimento do sexto sentido ou Clarividência voluntária nos coloca no umbral do conhecimento direto. São as primícias do trabalho realizado pelo Aspirante à vida superior, ao longo de muitos anos ou, quiçá, de muitas vidas!
A aquisição do conhecimento encontra-se estreitamente relacionada com o Corpo Vital e tem, necessariamente, que se alimentar da vida fundamentalmente derivada de produtos do veículo etérico, ou seja, a força sexual criadora e o sangue. Por esta razão, os Ensinamentos Rosacruzes sempre reiteram que todo desenvolvimento oculto principia pelo Corpo Vital.
Há muito que dizer a respeito do conhecimento. Mas, se queremos evidenciar uma lição moral a respeito do mesmo, podemos fazê-lo nestes termos: o conhecimento implica em grande responsabilidade, e a quem muito é dado, muito será exigido.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1982 – fraternidade Rosacruz – SP)
Uma história oculta que nos mostra como ocorrem as relações provocadas pelo destino entre pessoas. Como as discórdias da vida realmente se resolveram na harmonia do grande contraponto da vida. Suas tristezas e angústias profundas vão sendo glorificadas, pois o amor – o amor verdadeiro, o amor superior e maior, o amor Crístico – glorifica todas as coisas.
Quer saber mais sobre o assunto? Leia aqui: Relações Provocadas pelo Destino entre Pessoas: Cidadã dos Dois Mundos
Quer ver o restante? Clique aqui: Relações Provocadas pelo Destino entre Pessoas – Por um Estudante – Fraternidade Rosacruz
Resposta: Em uma passagem, a Bíblia nos instrui a orar sem cessar[1]. Em outra, Cristo rejeita a prática, dizendo que não devemos imitar aqueles que acreditam ser ouvidos por causa de suas muitas palavras. Naturalmente, não pode haver contradição entre as palavras de Cristo e as de Seus Discípulos; portanto, devemos reformular nossas ideias sobre a oração, de modo a poder orar sempre sem, contudo, recorrer a uma expressão verbal ou mental prolixa. Emerson[2] disse:
“Embora você nunca tenha dobrado os joelhos,
Suas preces são enviadas ao céu a cada hora.
E, sejam elas feitas para o bem ou para o mal,
Ainda assim são registradas e respondidas.”
Em outras palavras, todo ato é uma oração que, sob a Lei de Causa e Efeito, nos traz os resultados adequados. Recebemos exatamente o que queremos. A expressão em palavras é desnecessária, mas a ação constante em uma determinada direção revela o que desejamos – mesmo que nós mesmo não o percebamos – e, com o tempo (mais ou menos longo, conforme a intensidade do nosso desejo) se concretiza aquilo pelo que assim oramos.
As coisas assim obtidas ou alcançadas podem não ser aquilo que realmente e conscientemente desejamos. De fato, às vezes podemos receber algo de que preferíamos estar livres – algo que consideramos uma desgraça, um flagelo –, mas o ato da oração nos trouxe isso e devemos conservá-lo até que possamos legitimamente nos livrar dele. Se lançamos uma pedra para o ar, o ato não se completa até que a reação traga a pedra de volta ao solo. Nesse caso, o efeito sucede a causa com tamanha rapidez que não é difícil associar os dois.
No entanto, se dermos corda em um despertador à corda, a energia fica armazenada na mola até que um determinado mecanismo a libere. Surge então o efeito – o som da campainha – e, embora possamos ter estado mergulhados no sono mais profundo, a reação ou o desenrolar da mola ocorreu do mesmo modo. Da mesma forma, atos que esquecemos acabarão, mais cedo ou mais tarde, produzindo seus resultados inevitavelmente; assim, o ato da oração é atendido.
No entanto, existe a verdadeira oração mística – aquela em que encontramos Deus face a face, tal como Elias O encontrou. Não O encontramos no tumulto do mundo, no vento, no terremoto ou no fogo; mas, quando tudo está em quietude, a voz silenciosa fala conosco a partir do nosso interior. Contudo, o silêncio exigido para essa experiência não é um mero silêncio de palavras. Não há sequer as imagens interiores que habitualmente passam diante de nós na meditação, nem pensamentos; todo o nosso ser assemelha-se a um lago calmo e cristalino. Nele, Deus Se reflete, e vivenciamos a unidade que torna desnecessária a comunicação – seja por palavras ou de qualquer outra forma. Sentimos tudo o que Deus sente. Ele está mais próximo do que nossas mãos e nossos pés.
Cristo nos ensinou a dizer: “Pai nosso que estais nos céus”, etc. Esta oração é a mais sublime que possa ser expressa em palavras; contudo, a oração de que falo pode, no instante da união, se manifestar na única palavra não dita: “Pai”. O devoto, quando verdadeiramente imerso em espírito de oração, não vai além disso. Ele não faz pedidos; pois, que utilidade teriam? Acaso não possui a promessa: “O Senhor é meu Pastor, não me faltará”[3]? Não lhe foi dito para buscar primeiro o Reino de Deus, e que todas as outras coisas lhe seriam acrescentadas[4]? Talvez sua atitude possa ser mais bem compreendida se recorrermos à imagem de um cão fiel que olha, com devoção silenciosa, para o rosto de seu dono, com toda a sua alma transbordando amor através do olhar. Da mesma forma – embora, naturalmente, com intensidade muito maior –, o verdadeiro Místico se volta para o Deus interno e se derrama em adoração silenciosa. Assim, podemos orar incessantemente, no íntimo, enquanto trabalhamos como servos zelosos no Mundo externo; pois lembremo-nos sempre de que não se espera que passemos a vida apenas sonhando. Ao mesmo tempo em que oramos ao Deus interno, devemos também trabalhar para o Deus externo.
(Pergunta nº 166 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: ITss 5:17
[2] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803–1882) foi filósofo, ensaísta, poeta e conferencista norte-americano, reconhecido como o fundador e principal expoente do transcendentalismo, um movimento cultural e filosófico do século XIX nos Estados Unidos.
[3] N.T.: Sl 23:1
[4] N.T.: Mt 6:33
Resposta: Sim, não há dúvida que todas as estrelas do universo exercem alguma influência sobre os seres humanos, e alguns astrólogos levam em conta as posições de várias estrelas fixas ao levantar um horóscopo. A nosso ver, isso não passa de perda de tempo e esforço, pois a Mente humana comum já é suficientemente desafiada ao tentar equilibrar as influências recíprocas de Casas, Signos e Aspectos dos Astros, de modo a interpretar com precisão a mensagem completa das estrelas revelada por esses fatores fundamentais.
Pode-se afirmar, contudo, no tocante às Plêiades, que elas constituem um dos três pontos nebulosos do Zodíaco que, segundo se constatou, exercem influência perniciosa sobre o sentido da visão sob certas configurações do horóscopo envolvendo o Sol ou da Lua em relação a Saturno, Marte, Urano e Netuno.
(Pergunta nº 109 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
A alegria de continuar é, de fato, a maior das alegrias para o homem ou a mulher ambiciosos e de Mente elevada, ansiosos por realizar, fazer, ser algo de valor para a Humanidade, como deve ser um Estudante Rosacruz ativo.
Você alguma vez viu uma pessoa que estivesse realmente trabalhando para o melhoramento da espécie, que estivesse cansada de viver ou, se cansada, que pudesse permanecer assim por muito tempo? E você alguma vez viu um retardatário, um preguiçoso sem objetivo, alguém que não estivesse cansado de viver? Olhe ao seu redor e procure entre os seus conhecidos. Você reconhecerá que a regra é quase infalível.
Mesmo aqueles cujos Corpos Densos são perfurados pela dor, enfraquecidos pela doença, debilitados pela idade ou enfermidade, mesmo estes se agarram tenazmente às atividades da vida, quando estão envolvidos em ocupações valiosas. Mesmo aqueles que sofreram incontáveis rejeições, perseguições ou derrotas puderam se recuperar da sua decepção e do seu desânimo para mergulhar ferozmente e de novo no tumulto, sem se intimidar ou ser conquistados, quando inflamados pelo ardor de um propósito nobre.
Algumas pessoas argumentam que tantos sonhos brilhantes desapareceram diante de nós, que muitas pessoas se tornaram materialistas e realmente querem que a morte termine tudo. Elas sentem que esta existência esteja tão cheia de cruéis decepções que preferem não apostar em futuros desconhecidos ou misteriosos.
Podemos compreender perfeitamente esse ponto de vista, mas não podemos compartilhar dessa opinião. Sim, somos conscientes, como qualquer pessoa, talvez, dos incontáveis crimes que avermelharam e ainda avermelham a Terra. Estamos inteiramente cientes das brutalidades indescritíveis do sistema no qual vivemos. Sabemos o que é crescer na juventude com afetuosas imaginações de oportunidades para os que aspiram, de honras para os corajosos ou de “corridas para os velozes e batalhas para os fortes”, mas experimentar o cinismo e a reação do rude despertar.
No entanto, se pudéssemos escolher entre o descanso eterno depois de uma vida abarrotada de agonias e horrores ou uma continuação da vida indefinidamente, sem qualquer garantia de que seríamos capazes de esmagar seus males e corrigir seus erros, tenhamos certeza de que escolheríamos a segunda opção!
Certamente, nunca vivemos uma vida aqui como essa que imaginamos. Com certeza nossas lutas e infortúnios não foram piores do que os de milhões de outros. Mas não conseguimos conceber quaisquer lutas e infortúnios, mesmo insuportáveis, que nos convencessem a querer entregar nossa existência individual! Isso é ter a consciência clara do que escolheu lá no Terceiro Céu, em seus principais eventos de aprendizagem, para realizá-los aqui, renascidos mais uma vez.
Poderíamos querer nos livrar do Corpo Denso que agora habitamos — ele poderia estar tão atormentado e dilacerado pela doença que ficaríamos felizes em abandoná-lo —, mas ainda estaríamos prontos para outra aventura. Ainda desejaríamos “continuar” a luta por melhores condições, seres melhores e um mundo melhor.
Se, como devemos continuar acreditando, há um propósito na vida, então devemos “continuar”, mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra… Sendo esse o caso, desejamos ter a nossa parte nessa dinâmica do progresso. Queremos fazer a nossa parte enquanto o caminho ainda é áspero e participar da consciência do triunfo que pertencerá àqueles que trabalharam e se sacrificaram para alcançar a meta. Se, por outro lado, não sabemos e ninguém sabe qual será o resultado, ainda somos “jogadores o bastante para apreciarmos a continuação do jogo”.
Nós, que apostamos tudo o que temos no bem de elevar os padrões de pensamento e ação, nós ainda podemos vencer! Se vencermos, ficaremos contentes por termos sido esportistas e permanecido à mesa de jogo. Se perdermos, se tudo isso for uma farsa ou uma piada sombria, mesmo assim o esforço terá seu valor.
Pensamos que estaremos tão alertas e prontos para o esforço nos dias invernais da idade quanto, muitos, estão agora, nos dias primaveris e vigorosos da juventude, quando outros estão agora. Conhecemos muitas pessoas para os quais isso é verdade. Se é verdade para elas, por que não para nós? Por que não poderia ser verdade para todos?
Não pensemos que a idade tenha muita relação com isso. É, antes, um assunto sobre o ser humano e o que ele faz.
Algumas pessoas que até estudam o assunto pensam que a aniquilação possa ser verdadeira para algumas almas sem espinha dorsal, que estão prontas, segundo seu pensamento intolerante, para se dissolver no nada a quase qualquer minuto. Talvez estejam certos e, se estiverem, a aniquilação é justamente o que alguns desses indivíduos-medusa merecem. Mas aqueles que, “fora da noite que os cobre, negra como o abismo de polo a polo”, não cedem, não se movem nem se curvam aos poderes da injustiça e da iniquidade, esses merecem a imortalidade e devemos ser otimistas o bastante para acreditar que a obterão.
Para eles, os espinhos e as sarças ao longo do caminho serão apenas estímulos para um esforço renovado. Para eles, o doce sono, o “sono sem sonhos nem suspiro”, não terá qualquer atrativo. Para esses as batalhas, as vitórias e as perdas da vida terrena ou de qualquer outra antes ou depois serão apenas incidentes no progresso do Aspirante à vida superior em direção àquele ápice de realização que não será a nostalgia, mas a consciência elétrica de “continuar” para sempre.
Não desejo o repouso da obliteração nem a facilidade narcótica de um céu sem nuvens. Enquanto existir um iota de erro em qualquer lugar, em todas as infinitudes do espaço, desejarei que minha vida individual dure para que eu possa empregar todas as minhas energias para remover esse erro.
Se, como seriamente duvido, algum dia chegar o tempo em que não haja males a obliterar nem obstáculos a superar, desejarei uma eternidade onde eu possa parar e contemplar o longo caminho pelo qual subi. Enquanto isso, não nos enganemos com sonhos de repouso na aniquilação, pois toda a Natureza e as nossas melhores e mais elevadas esperanças rejeitam isso como covarde e infantil!
Não voltaremos para o chão, para a sujeira, à umidade e à morte. Avançaremos para disputas mais ferozes, feitos maiores, vida mais abundante; talvez renascimentos inumeráveis, sempre “para frente e para cima”. Sim — nós continuaremos…
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)