As linhas irradiantes de força, invisíveis à visão física, permeiam o Corpo Denso e formam a nossa Aura. A coloração dessa Aura é distinta em cada pessoa em um matiz fundamental e demonstra o grau de evolução de cada um.
Para muitas pessoas esse matiz fundamental é vermelho, semelhante ao de um fogo lento; é um sinal da índole emotiva e passional.
A Aura das pessoas em elevados graus na escala da evolução que já estão em altos níveis do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz apresenta um matiz fundamental de cor alaranjada, o vermelho das emoções, mesclado com o amarelo do intelecto. Entretanto, como resultado da consciente ou inconsciente alquimia espiritual que realizam ao longo do caminho do progresso e das experiências da vida, experiências que ensinam a sujeitar as emoções ao domínio da Mente, acabam por se emancipar dos marcianos Espíritos Lucíferos, cujas cores são escarlates e vermelhas. E, assim, esmaece o matiz fundamental da Aura, na medida em que, consciente ou inconsciente, vão se identificando com o Espírito unificador e altruísta de Cristo que vibra em áurea cor.
O nimbo de luz amarelada com que os artistas dotados de visão espiritual aureolavam a cabeça dos santos é a representação física de uma promessa espiritual que se cumprirá em todos os seres humanos, embora só aqueles a quem chamamos “Santos” verdadeiros o tenham conseguido. Depois de lutar durante muitas vidas contra as próprias paixões, perseverar pacientemente em boas obras, constância em propósitos elevados, os verdadeiros santos atuais conseguiram ultrapassar o raio vermelho e se encontram imersos nas vibrações douradas do raio de Cristo.
Os pintores medievais dotados de visão espiritual, ao representarem a citada transmutação, rodearam as cabeças dos Santos de uma auréola dourada, como sinal de libertação do poder lucífero de Marte, assim como do poder de Jeová, com a função de Deus de Raça, e seus Arcanjos como Espíritos de Raça, pertencentes a uma etapa de evolução da Onda de Vida humana e do nacionalismo (povo, nação, patriotismo).
Os Espíritos Lucíferos encontram sua expressão no ferro do sangue. O ferro é um metal marciano, tão difícil de colocar em alta vibração que é necessário o penoso esforço de muitas vidas para que o produto da sua combustão tome a cor dourada da Aura pura dos Santos. Quando tal se consegue, se consuma o magno processo da alquimia ou transmutação do metal inferior em ouro, ao mesmo tempo que os resíduos da Terra se convertem na maravilhosa liga do Mar de Bronze (aquele que no Tabernáculo no Deserto era também chamado de Lavabo da Purificação e que, já no Templo de Salomão era um imenso reservatório de água, usado simbolicamente para representar a união espiritual e a purificação da Humanidade). Então, só faltará abrir as comportas para que o jorro flua.
A cor natural do ouro é o raio de Cristo, que encontra sua expressão química no elemento Solar chamado oxigênio. No Caminho de Evolução para a Fraternidade Universal, todos nós, mesmo os que não professem uma Religião determinada, teremos em nossas Auras o matiz dourado, sob impulsos de altruísmo partidos do ocidente. S. Paulo dá a entender isso, ao dizer: “Cristo há de formar-se em vós” (Gl 4:19).
Quando soubermos formar a “liga” por meio de vidas espiritualizadas e vibrarmos em completa harmonia com Cristo, seremos semelhantes a Ele e estaremos aptos a abrir os crisóis do Mar de Bronze.
Cristo, na cruz, Se libertou por meio dos centros espirituais situados nos lugares onde lhe pregaram os cravos e de outros centros ainda. Aquele que prepare o Mar de Bronze receberá instruções quanto ao modo de romper os laços e se elevar as esferas superiores. Essa frase está de acordo com a admonição de Cristo, quando disse que, para chegar a ser seu Discípulo é preciso deixar pai e mãe. Essa é uma das mais simbólicas frases do Evangelho e geralmente mal interpretada, porque a reportam aos pais vida após vida física, quando, na verdade, significa algo muito diferente no ponto de vista esotérico.
Para bem compreender, recordemos que quando o ferro foi introduzido no nosso organismo físico e, com isso, produzimos o sangue vermelho e quente e nós, o Ego, pudemos ter controle sobre o nosso Corpo. Assim, quando o sangue vermelho se desenvolveu, na última parte da Época Lemúrica, nosso Corpo Denso se tornou ereto e, então, chegou o momento em que nós pudemos penetrar no nosso Corpo e governá-lo, de dentro.
O Sol, o centro da vida, governa o gás vivificante chamado oxigênio que se combina com o ferro, metal marciano. Cristo, o senhor do Sol, é também o Senhor da vida. Quando pela alquimia espiritual, chegarmos a ser como Ele, alcançaremos a imortalidade. A morte não terá mais domínio sobre nós. Isso não significa que os Corpos de quem alcança a imortalidade não tenham que morrer. Nós, o Ego, dominaremos completamente o nosso Corpo, usando-o durante séculos, até que nos convenha tomar outro. Outrossim, pelo mesmo processo de alquimia espiritual, teremos a capacidade de formar um novo Corpo Denso, se desprendendo do já velho e gasto.
A passagem do Adepto dos domínios da morte para o reino da imortalidade está simbolizada no arrojado salto de Hiram Abiff, ao se precipitar no mar ardente de metais fundidos e na passagem pelos nove Estratos do Planeta Terra que também fazem parte do Caminho da Iniciação. Também está simbolizado no batismo de Jesus, e depois do Gólgota, na descida à região subterrânea onde o seu Corpo Vital está esperando o dia do segundo e definitivo advento de Cristo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1979 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Para trabalharmos, conhecer, aprender a lidar e se desenvolver nesse Esquema de Evolução, tanto no que chamamos de Mundo visível como Mundos invisíveis temos que ter Corpos e veículos apropriados para funcionar em cada um deles.
Não nos foi possível desenvolver nossos poderes, enquanto não construíssemos os nossos três veículos inferiores, os Corpos: Denso (corpo físico), Vital e de Desejos. É deles que nós obtemos o alimento com o qual nutrimos e desenvolvemos nossos poderes potenciais.
Esse alimento-essência é chamado de Alma. Do Corpo Denso nós extraímos, automaticamente, a Alma Consciente, mediante a prática da ação reta em relação aos impactos externos, pelas experiências e observações. Esse pábulo ou alimento transmuta os poderes latentes do Espírito Divino (o veículo espiritual mais elevado em que nós nos manifestamos) em forças dinâmicas que se manifestam como vontade, inteligência, o princípio “Pai”, o poder de “fazer”, a força positiva do ser.
Do Corpo Vital extraímos o alimento-essência que chamamos de Alma Intelectual, também automaticamente, por meio do discernimento entre as coisas importantes, essenciais, reais da vida e as irreais, sem importância, não essenciais.
O que se chama de Alma Intelectual alimenta e transmuta em poderes dinâmicos as forças do Espírito de Vida (o segundo mais elevado veículo espiritual em que nós nos manifestamos), que são a imaginação, a intuição, o poder receptor, o poder de assimilar a natureza amorosa, a Sabedoria, o princípio “Mãe”.
Finalmente, pelo refreamento dos instintos animais, pela devoção aos sentimentos e desejos elevados e sublimes, pelas emoções geradas através da ação reta e por experiências purificadoras, nós, automaticamente, extraímos do Corpo de Desejos o alimento-essência conhecido como Alma Emocional.
Com ele alimentamos e desenvolvemos as potencialidades do Espírito Humano (o terceiro mais elevado veículo espiritual em que nós nos manifestamos; notem: manifestação tríplice, como Deus que nos criou): o poder criador (físico e mental), a fecundação, a expansão, a germinação e o crescimento; transformando-os em forças dinâmicas sob o domínio da nossa vontade.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)
Nós somos um Tríplice Espírito (Espírito Divino, de Vida e Humano), um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), que possuímos uma Mente, governando com ela o nosso Tríplice Corpo (Corpo Denso, Vital e de Desejos), que emanou de si mesmo para adquirir experiência. Esse Tríplice Corpo se converte em Tríplice Alma (Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional), da qual se nutre, elevando-se assim da impotência à onipotência. Ou seja: a Tríplice Alma é a quintessência do Tríplice Corpo.
O Espírito Divino emanou de si o Corpo Denso extraindo como fruto a Alma Consciente.
O Espírito de Vida emanou de si o Corpo Vital extraindo como fruto a Alma Intelectual.
O Espírito Humano emanou de si o Corpo de Desejos extraindo como fruto a Alma Emocional.
O Tríplice Espírito lançou uma tríplice sombra sobre o reino da matéria e desse modo o Corpo Denso foi evoluindo como contraparte do Espírito Divino, o Corpo Vital como réplica do Espírito de Vida, e o Corpo de Desejos como imagem do Espírito Humano.
Finalmente, e o mais importante de tudo, formou-se o degrau da Mente como enlace entre o Tríplice Espírito e seu Tríplice Corpo. Esse foi o começo da consciência individual e marca o ponto onde acaba a Involução de nós, o Ego, na matéria, e onde começa o processo evolutivo pelo qual extraímos da matéria as lições aprendidas em cada Região ou Mundo que vivemos. A Involução significa a cristalização do Espírito em Corpos distintos, mas a evolução depende da dissolução dos Corpos, da extração da substância da Alma deles e da amálgama alquímica dessa Alma com o Espírito.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Na Fraternidade Rosacruz é oferecida a Cura Rosacruz guiada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, utilizando os Auxiliares Invisíveis como instrumentos para restaurar e curar doenças e enfermidades físicas, emocionais e mentais. O trabalho é realizado de acordo com os mandamentos de Cristo Jesus: “Preguem o Evangelho e curem os enfermos”.
Este trabalho sagrado é realizado em estrita conformidade com os Ensinamentos de Cristo, enfatizando tanto a iluminação espiritual quanto a cura física.
Quer saber mais sobre o assunto? Leia aqui: Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Origem de Desenvolvimento da Cura
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Para aqueles que concedem a Ciência Divina dos Astros um estudo verdadeiro e um julgamento premeditado não existem dúvidas quanto a superioridade do diagnóstico pela Astrologia espiritual Rosacruz sobre todos os outros métodos de diagnosticar doenças e enfermidades. Contudo o reto uso deste método requer uma elevada capacidade de discernimento associada a certos princípios fundamentais.
Primeiramente, o mínimo possível do diagnóstico obtido diretamente do horóscopo pode ser dado ao paciente, pois, é preciso que se tenha sempre em lembrança que uma pessoa doente ou enferma é uma pessoa que está em um estado frágil em certo grau, inclinada a não compreender devidamente ou a interpretar erroneamente aquilo que se lhe diz. Acontece com muita frequência, que uma pessoa sabedora de certo Aspecto adverso no seu mapa, ou de uma certa condição crônica no seu Corpo Denso, construa a imagem mental da anormalidade, podendo assim torná-la ainda mais severa. Uma tal fixação mental e emocional pode se tornar tão forte que venha a prevalecer um espírito de desesperança, e destarte a pessoa cria um invólucro em torno de si, dificultando muito qualquer auxílio que se lhe queira prestar.
Vemos assim, a necessidade de sempre se acentuar fortemente os Aspectos benéficos e a possibilidade de usá-los, a fim de contrabalançar e superar os estados mentais e emocionais indesejáveis que resultam de uma doença ou enfermidade. Otimismo e jovialidade são os fatores fundamentais em um bem estabelecido método de cura.
Afora isso, o paciente deve saber que os Aspectos do seu mapa natal são obra exclusivamente sua e que eles o afetarão enquanto trilhar as linhas negativas de pensamento ou de sentimento lá indicadas. Deve-se evidenciar repetidamente a habilidade que possui o Ego em “governar as suas estrelas”, de modo a evitar qualquer grau de fatalismo. Não há limites para o poder de um Espírito desperto!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1979-Fraternidade Rosacruz-SP)
O objetivo de um diagnóstico é determinar as causas dos sintomas que se manifestam como doença, e da sua precisão depende a eficácia do tratamento. Existem vários métodos para a detecção de doenças, mas os dois explicados a seguir são provavelmente os menos conhecidos e, consequentemente, pouco reconhecidos. O progresso, no entanto, exige que investiguemos e, se as considerarmos válidas, aceitemos novas ideias.
Para os processos da Cura Rosacruz, na Fraternidade Rosacruz, se utiliza o diagnóstico astrológico – o Astro-diagnóstico –, onde os dados necessários são o horário e o local de nascimento, sendo a análise realizada a partir de um horóscopo por meio da Astrologia espiritual Rosacruz. O movimento dos corpos celestes é tal que suas posições relativas não se repetirão por um período superior a vinte e cinco mil anos. Assim, não existem dois horóscopos iguais — nem poderiam existir —, pois cada indivíduo apresenta diferenças em relação aos demais; logo, é evidente que a resistência a qualquer doença nunca será a mesma em dois casos. Duas pessoas podem receber o mesmo tratamento para sintomas praticamente idênticos e, ainda assim, suas respostas aos agentes terapêuticos podem ser muito diferentes, embora estejam em conformidade com as indicações do horóscopo.
A detecção de doenças foi simplificada, em certa medida, pelo método de Cura Rosacruz; em resumo, a teoria é a seguinte: cada Signo tem afinidade com uma determinada parte da anatomia humana e com os órgãos nela contidos. Assim, o primeiro Signo, Áries, rege, dentre outras partes, a cabeça, seguindo-se os outros em rotação até o décimo segundo Signo, Peixes, que rege, dentre outras partes, os pés.
Os Astros (Sol, Lua e Planetas) afetam as diversas partes do Corpo quando se encontram no Signo zodiacal correspondente, e o ângulo de seus raios variáveis fornecem origem às diferentes formas de processos mórbidos aos quais o Corpo Denso está sujeito. Ao combinar esses dois fatores — e levando em conta a Casa em que ocorrem, bem como a aceleração ou o retardamento provocados pelos Aspectos (Conjunção, Sextil, Quadratura, Trígono ou Oposição) que formam entre si —, desenvolveu-se um sistema de diagnóstico preciso e extremamente profundo.
Para dar um exemplo: uma das palavras-chaves de Saturno em qualquer âmbito da vida é “obstrução”; encontrá-lo no Signo de Gêmeos — que rege também os pulmões — indica imediatamente a necessidade de cuidados com essa parte do Corpo Denso. Se, além disso, encontrarmos o Planeta Júpiter no mesmo Signo, a uma distância de dois ou três graus de Saturno (e não há nenhum outro Astro nesse Signo e nenhum outro Aspecto com esses dois Planetas), então — visto que este último Planeta também rege a circulação arterial — torna-se evidente que a pessoa tende fortemente a sofrer certo grau de obstrução; consequentemente, tal pessoa estará sujeito a resfriados pulmonares e a enfermidades mais graves decorrentes da negligência em relação aos sintomas iniciais mais simples.
Se o Estudante Rosacruz aprofundar-se no conhecimento da Filosofia Rosacruz e, com a mesma intensidade, na Astrologia espiritual Rosacruz (só se aprofundar na Astrologia espiritual Rosacruz não é suficiente!), ele comprovará, com propriedade, que a análise astrológica é superior ao diagnóstico, por exemplo, por raios X; pois, enquanto o aparelho pode indicar uma debilidade em um dado momento, o horóscopo aplica exatamente o mesmo princípio ao Corpo Denso ao longo de toda a vida, tanto antes quanto depois do momento do exame. Essa, contudo, não é a função mais valiosa desse método de diagnóstico, pois essa Astrodiagnose também aponta o momento em que fraquezas inerentes se transformarão em distúrbios funcionais ou orgânicos; assim, o Estudante Rosacruz ativo pode ficar “prevenido e preparado” de duas maneiras distintas.
A Astrologia espiritual Rosacruz possui, no entanto, uma limitação — uma restrição que se aplica a qualquer Ciência aplicada aqui no Mundo Físico. O horóscopo natal indica as tendências da vida em todos os seus aspectos. A escolha e o livre-arbítrio pertencem exclusivamente à pessoa! Ela detém a prerrogativa de alterar previsões por meio de um ato de vontade, embora geralmente careça de força de vontade para fazê-lo. Consequentemente, o horóscopo permanece como um guia extremamente preciso, especialmente porque pouquíssimas pessoas sequer têm consciência da influência astral e, pior, muitos quando a tem se esquecem de que os “Astros sugerem, não obrigam”.
Isso nos conduz ao propósito mais importante da Astrologia espiritual Rosacruz: perceber uma debilidade inerente em qualquer área representa um avanço, porque tal debilidade pode estar latente (e assim permanece se a pessoa souber o que não deve fazer para ativá-la), mas isso apenas nos leva ao limiar de um novo sistema para lidar com a doença antes que ela se manifeste. “Prevenir é melhor do que remediar” é uma verdade profunda; portanto, cabe a cada Estudante Rosacruz, que compreende as possibilidades dessa Ciência Divina, identificar seus pontos fracos e organizar sua vida de modo a construir a constituição dos seus Corpos mais resistente possível, cuidando das condições locais quando o perigo surgir. Sob a orientação dessa Ciência Divina, dispomos da oportunidade mais racional e eficaz de aplicar aquela medida preventiva que torna desnecessário o tratamento curador posterior.
Por meio da Astrologia espiritual Rosacruz podemos receber avisos prévios sobre tendências prejudiciais à saúde, possibilitando assim a adoção de medidas preventivas. Com isso, muitas doenças ou enfermidades que estão latentes em um horóscopo pode passar a vida inteira e não ser ativadas pela pessoa. Aprende-se, aqui, pelo amor e não pela dor! E, ainda, se ativadas, a Cura total da doença ou enfermidade pode ser alcançada, pelo processo de Cura Rosacruz, sempre que a pessoa quiser ser curada, pois sempre exigirá a força de vontade dela, a fé, a disciplina e a adoção de uma vida Cristã, seguindo fielmente os ensinamentos de Cristo na vida dela. Afinal, como nos ensinou Cristo: “vá e não peques mais”. O Estudante Rosacruz ativo se esforça para inserir na vida dele a prática dos ensinamentos de Cristo, pois se peca, sabe como deve fazer para se arrepender e praticar a reforma íntima.
(Publicado pela Revista Rays from the Rose Cross de março/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Em nosso formoso “Ritual do Serviço Devocional do Templo” repetimos essa alegação muito definida: “O serviço amoroso e desinteressado para com os outros é o caminho mais curto, mais seguro e mais agradável que conduz a Deus”.
Sim, ouvimos este ensinamento todas as vezes que oficiamos tal Ritual, frequentemente em nossos lares, gostando de pensar em nós como quem serve todos os dias.
Contudo, quantas vezes paramos para considerar o que também aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes: que não é somente o serviço que é necessitado? Estudamos em palavras que não deixam dúvidas: a qualidade especial do serviço que nos conduz adiante nesse Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
Consideremos os meios variáveis de serviço. Há o que poderíamos chamar de “serviço comercial” ou trabalho prestado com o propósito de colher uma vantagem correspondente. Tudo muito bem e valioso na sua maneira, mas, lamentavelmente, insuficiente na exigência espiritual.
Depois, há o serviço prestado não tanto para obter recompensa, porém, como um senso de dever ou necessidade, o cumprimento de uma obrigação àqueles que servíamos talvez. Ainda que isto seja muito estimável, não significando que diminui o mérito, contudo, ainda não preenche totalmente o requisito da exigência espiritual.
E, depois, aí há o mais elevado espécie de serviço, o “amoroso, desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), ao irmão e à irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade” exemplar, além do qual exige muita persistência, perseverança e disciplina para pode chegar a essa condição de desenvolvimento.
Repare, pois, o significado dos dois adjetivos. Primeiro, o mais elevado serviço, o “amoroso”. Na nossa ansiedade de servir, e talvez na nossa ansiedade de alcançar o nosso próprio desenvolvimento, tantas vezes passamos por cima do “amoroso” e, contudo, isso é a palavra-chave do nosso “Ritual do Serviço Devocional do Templo”.
Temos, às vezes, curiosidade, o que significa a palavra exatamente? A palavra “amor” é tão abusada que é difícil impedir que se torne confuso.
O conceito comum, como tendo algo que ver somente com o sexo, naturalmente não necessita consideração.
Outra opinião errada do amor, como algo impotente, débil e ingênuo se aproxima do inexato! Infelizmente está nesta conexão que tantas imagens tentando retratar o Mestre, Cristo Jesus, mostram-No como débil e ineficaz, ao passo que exatamente o contrário é o caso. Ele era forte e vigoroso (poderoso), sensível e benévolo, sim, mas estas últimas características são realmente sinônimas de poder e coragem. É por isso que quando designamos a palavra “amor” nos Ensinamentos Rosacruzes, fixamos no adjetivo que reforça o real significado dessa palavra: o amor Crístico!
O poeta Tennyson, no “In Memoriam”[1] demonstra isso claramente na seguinte parte:
Amor imortal
A quem nós, que não cheguemos a ver Sua Face
Pela fé e unicamente pela fé, concebemos.
Crendo aonde não podemos provar”.
Sim, o amor Crístico é o cume de poder benévolo. Se nos detemos a considerar, acharemos que mesmo nos mecanismos que dizemos brandura segue de mãos dadas com força. Pense na onda de poder num motor de alta potência, tão macio, tão silencioso, todavia, tão irresistível.
Nós, que desejamos nos expressar apropriadamente, esquecemos às vezes isto, dando assim, a impressão de afirmação própria, quando estamos meramente tentando expressar o poder do amor Crístico?
Talvez a palavra melhor que podemos usar é “compaixão”, nas ocasiões quando Cristo Jesus se dedicou para curar os doentes ou enfermos e os sofredores, quando Ele derramou o poder do Seu amor, Ele “tinha compaixão deles” (ou seja: Ele sentia a união entre o sentimento de empatia pela dor do outro e a vontade ativa de ajudar a diminuir esse sofrimento).
E depois esta outra palavra: abnegação. E aqui queremos dizer: a renúncia voluntária e completa dos nossos próprios interesses, desejos ou nossas vontades em favor de outra pessoa. É o oposto exato do egoísmo, pois representa uma forma profunda de altruísmo e desprendimento pessoal.
Não, não é fácil esquecer-se completamente de si mesmo (que é a prática da abnegação). Gostamo-nos de se sentir virtuosos, tirar pouco mérito pelo que fazemos.
Bem, podemos de bom grado entendê-lo, desde que nós somos ainda humanos. Mas, precisamos eventualmente elevar-nos acima mesmo disso até o ponto aonde o nosso serviço é prestado, sem pensarmos conscientemente em nós, sem mesmo o sentimento que estamos fazendo “algo bom”.
Quando vimos que tem algo que ser feito, fazemo-lo! É quase uma tragédia que o esquecimento próprio é confundível tão frequentemente com “desinteresse”. Desinteresse é bom, muito bom – mas tantas vezes participa do sentimento de sacrifício próprio ou glorificação de si mesmo – não é mesmo?
Nós todos já sofremos nas mãos de pessoas realmente boas que se tornaram tão agressivamente desinteressadas ou considerarmo-las tão “interessadamente desinteressadas”, boas pessoas que talvez ainda não se elevaram até o ponto onde possa esquecer-se de si mesmo nas suas boas ações.
Sejamos pacientes com elas; elas têm as melhores intenções e, não há dúvida, elas fazem um total considerável de benefícios. Todavia, se nós colocamos os nossos pés no “mais curto, mais seguro e mais agradável caminho que nos conduz a Deus” precisamos caminhar mais um pouco, mais alto e nos esforçar para se esquecer de nós mesmo totalmente no nosso servir.
Reconhecemos que a Oração, a oficiação dos Rituais dos Serviços Devocionais Rosacruzes e a prática dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes são todos extremamente valiosos, mas também reconhecemos que por si mesmos não são suficientes sem o “serviço amoroso esquecendo-se de si próprio”. E nunca esquecemos que por ser o “amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), ao irmão e à irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade, o caminho mais curto e mais seguro que nos conduz a Deus, contudo, ao mesmo tempo seja lembrado a nosso encorajamento também, que é o caminho “mais agradável” que nos leva diretamente à Deus.
Oxalá aprendamos segui-lo mais amorosamente, mais desinteressadamente e, sobretudo, mais alegremente! Afinal, o “único fracasso é deixar de tentar”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – maio/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: In Memoriam A.H.H. é um longo poema escrito pelo poeta inglês Alfred Tennyson, terminado em 1849. Escrito ao longo de 17 anos, é considerado como um reflexo da sociedade vitoriana da época, discutindo muitos dos temas polêmicos da altura, que começavam então a ser questionados. Trata-se da obra em que Tennyson atinge o auge da musicalidade dos seus versos, e em que a sua experiência poética se completa, sendo considerada uma das grandes obras poéticas da Grã-Bretanha do século XIX.
No Capítulo do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, que trata do Esquema de Evolução estudamos e aprendemos que: “os três e meio Períodos que faltam serão dedicados ao aperfeiçoamento destes veículos, e a expansão de nossa consciência em algo semelhante à onisciência”. Esta lição trata desta importante fase da evolução. Já caminhamos um grande percurso desde a consciência do transe profundo, do Período de Saturno ao estado de Consciência de Vigília atual, e estamos nos preparando para a elevada consciência espiritual que obteremos no Período de Vulcano. Este é o grande Plano Divino que nosso Criador, Deus, traçou para nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana.
Através das diferentes fases da Involução fomos guiados por Seres Elevados – as Hierarquias Criadoras –, de variados graus de poder, porém, hoje, no tempo atual, nos encontramos no Caminho de Evolução de desenvolvimento, e ampliando a Consciência de Vigília, cujo desenvolvimento está em nossas próprias mãos, dependendo de nossa iniciativa e diligência, a fim de que cresçamos ou permaneçamos estacionado. A escolha é nossa!
Como Estudantes Rosacruzes ativos, sinceros e humildes temos plena consciência de nossos muitos defeitos. Como crescer em graça e alcançar o crescimento anímico é o objetivo de nossos esforços diários, porque o crescimento anímico aumentará a nossa consciência. Frequentemente sentimos que não podemos nos concentrar e meditar à vontade, ou tão profundamente como desejaríamos, porque influências externas nos perturbam e, com facilidade, nos dizemos a nós mesmos: “O mundo é demasiado para nós”. É, então, que somos tentados a nos excluir, e nos permitir o desejo de fugir para a nossa individual “torre de marfim”; sabemos que, sem importar quão sedutor possa nos parecer este projeto, não é o caminho certo para nós.
Experiências anteriores nos têm demonstrado que o crescimento anímico não se acumula fugindo da vida e das nossas obrigações ou deveres para com a família, comunidade e sociedade no mundo. A consciência se produz pela guerra entre o Corpo de Desejos, que destrói, e o Corpo Vital, que constrói o nosso Corpo Denso. Renascemos para obter experiências, e essas só se podem alcançar pelo contato com nossos semelhantes, irmãos e irmãs, aqui na Região Química do Mundo Físico, por meio de ação e reação.
A razão para a edificação de nosso intrincado sistema de veículos eficientes, durante a parte desse Esquema de Evolução que chamamos de Involução, foi para obter esse nível de consciência própria, a Consciência de Vigília. Pelo uso destes veículos, conscientemente, durante nossa jornada evolucionária, conseguimos obter o Poder Anímico, que é o alimento que nós, um Tríplice Espírito precisamos. Desde o mero princípio, somos uma parte de Deus, e agora, como sempre, n’Ele “vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”, porém, temos que nos converter em um Espírito Virginal da Onda de Vida humana individualizado, consciente! Como tal, no devido tempo, devemos conhecer e assimilar a nossa própria história passada, nossas possibilidades atuais, e nossas futuras potencialidades.
Cristo nos ensinou por meio dessa advertência: “Sê tu, portanto, perfeito como teu Pai é perfeito nos Céus” (Mt 5:48). Ele compreendia que nenhum de Seus ouvintes possuía a perfeição de Deus no tempo em que Ele lhes falou, porém, sabia o que é possível ao ser humano conseguir. Por Suas palavras, Ele desejava impressionar e recordar a todos nós que, pelo esforço constante e exercício incansável da vontade, poderemos, ao final, alcançar a perfeição. Ele quis elevar os não sensitivos, porque Ele sabia que muitos de nós estavam e ainda estão adormecidos espiritualmente e temos que despertar, frequentemente, por dolorosas experiências quando renascidos aqui. Não precisa ser assim (o caminho do amor não gera dor), mas muitos de nós insiste em trilhar o caminho do sofrimento para se despertar espiritualmente!
Reunimos material para o nosso crescimento da alma por meio de nossas experiências diárias; como tratamos estes acontecimentos que enfrentamos em nossa existência diária, será nossa contribuição individual para com a vida.
Cada um de nós experimentou um meio ambiente distinto e se equipou com um Átomo-semente mais ou menos poderoso no começo da vida e, por conseguinte, a reação de cada um é diferente, individualizada, e assim enriquecerá a obra da vida.
Carecemos de poder suficiente apreciável sobre os sucessos com que temos de nos defrontar em nossa jornada desde o berço até o túmulo, porém, podemos determinar como reacionar ante eles. Temos liberdade em demonstrar, face aos problemas da vida, debilidade ou valor ao enfrentá-los.
Nesta luta divina, nos enriquecemos espiritualmente, e a quintessência deste crescimento anímico é extraído vida após vida, armazenando-se como poder vibratório. Este poder reunido por nós, o Ego – um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui como Tríplice Espírito –, durante muitas vidas, é o que sentimos quando nos colocamos em contato com nossos semelhantes, é o poder vibratório que, com frequência, cria imediatos gostos e aversões. O Poder Anímico obtido se imprime em nossa própria alma e sentimos o seu efeito.
Ricardo Wagner, em sua Ópera Parsifal[1], teve um esplêndido êxito ao nos dar um quadro novo, revitalizado da velha lenda que fala da nossa jornada através da vida, conforme enfrenta os perigos e domina as tentações. Finalmente, chega à conclusão de sua pesquisa com a alma enriquecida e a consciência expandida. Quando, pela primeira vez, Parsifal aparece em cena, é puro e sem malícia, e surpreendentemente inocente. Deseja ser de alguma utilidade no Castelo de Graal, porém, antes de fazer isto, tem que enfrentar as realidades da vida e do mundo com seus perigos, porque tem que aprender a discernir. Este é o único meio de nos demonstrar onde somos débeis.
Parsifal, em sua inocência, passa através de seus encontros com as donzelas astutas e a tentadora Kundry sem se prejudicar. Em seu doloroso encontro com ela, obtém novo conhecimento que resulta em uma maior consciência. Ele viaja através de todo o mundo, encontra sofrimentos e fadigas e, agora, quando chega de novo ao Castelo do Graal, está em condições de ajudar e seus esforços são aceitos prazerosamente, porque conseguiu se dominar.
Ele diz a seus amigos: “Vim através do erro e do sofrimento, através de muitos fracassos e incontáveis angústias”. Isto deveria dar a todos aqueles que procuram conseguir fazer o trabalho do mundo, e a todos aqueles desejosos de aprender, novo alento e a segurança de que nada se perde, e se ganha com o esforço sincero.
A essência de nossas experiências, vida após vida, se acumula e não se perde. O amor e o entendimento adquiridos farão nossa jornada, para o alto, mais feliz e mais proveitosa a todo aquele que tentar.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). É necessária uma compreensão da natureza da música para apreciar devidamente esta obra-prima que é Parsifal, de Richard Wagner, onde a música e os personagens estão interligados como em nenhuma outra produção musical moderna.
Antes que o Cristo tenha se manifestado em Corpo Denso em nosso Planeta nos Corpos Denso e Vital cedidos, voluntariamente, por Jesus de Nazaré, as grandes Religiões como o Hinduísmo, Budismo, os cultos de mistérios Egípcios e Gregos já indicavam uma crescente influência e revelação ao mundo do Logos Solar. O Antigo Testamento também é profético do advento do Filho de Deus em forma humana. A última revelação divina para o ser humano está contida nos Evangelhos, contando o cumprimento de todas essas profecias.
Assim sendo, o Estudante Rosacruz não precisa defender hoje essa ou aquela Religião oriental pré-cristã. Ao máximo, pode tomar conhecimento, a todo esse cabedal de sabedoria, em forma de uma recapitulação da sua própria herança espiritual. Pode então, avaliar melhor a sua situação evolutiva presente, e a Fraternidade Rosacruz e um expoente dessa curta recapitulação.
Até certo ponto, a partir da segunda metade da Época Atlante podia se dar, espiritualmente falando, um passo evolutivo para trás num esforço de restaurar uma condição prévia, em que nós podíamos entrar de maneira negativa em contato com seres espirituais. Geofisicamente, podia se orientar para o Oriente. Dirigia os seus “orisons” ou orações matutinas ao horizonte oriental, em que a luz aparecia primeiramente. O gesto era simbólico e literal. O gesto literal era baseado numa ilusão referente à revolução da Terra no seu próprio eixo, que dava e dá a impressão de que a fonte de luz (Espírito) vem do Oriente.
O Estudante Rosacruz, nos dias de hoje, imita o movimento cósmico do Sol que também é ilusório em sua aparência de viajar do Leste para o Oeste, se tratando novamente da rotação axial da Terra. Porém, a identificação do Estudante Rosacruz com o movimento solar já significa progresso.
O Ser solar, Cristo, se encarnou no Planeta Terra em Nazaré e, subsequentemente, no próprio Corpo do Planeta Terra por meio do sangue precioso de Jesus. Iluminado pelo seu Cristo interno, o Estudante Rosacruz pode vislumbrar hoje o que ele será amanhã, enquanto o ser humano pré-cristão fitava nostalgicamente uma condição que ele tinha, em sua infância evolutiva. O ser humano contemporâneo engatinha para o autodomínio e, gradualmente, assume a sua real dimensão, saindo das alvoradas de sua inocência infantil. Ele enfrenta em plena consciência, as experiências do Mundo material, na clareza ofuscante da luz do meio-dia, e procede para o Oeste acompanhando o pôr do Sol. O acompanha para a sua segunda morada: vida após a morte. As alvoradas da infância humana, o meio-dia de luz ofuscante de luta consciente, com a experiência material e o pôr do Sol, vida após a morte, eis as etapas da caminhada humana.
O peregrino, depois do Gólgota, aprecia o supremo valor da existência encarnada, que Cristo Jesus glorificou abrindo Caminho. Houve um ponto na história da evolução humana, quando ficou proibido ao ser humano negar a existência de seu Corpo Denso, procurando se refugiar nos Mundos espirituais, para fugir da cruel luta da experiência material. Esse ponto foi atingido no Gólgota. Com a exceção de videntes involuntários anacrônicos, a atenção do ser humano devia se voltar para a caminhada na matéria. As Iniciações pré-cristãs e os rituais de mistérios se tornaram obsoletos. Antes, quando esses sistemas eram usados normalmente, o Corpo Denso se tornava como morto, já que o invólucro etérico e os Corpos mais sutis acompanhavam o Ego, se separando do veículo físico, completamente.
No modo de Iniciação trazida por Cristo, o Corpo Denso fica vivo, vital. A consciência pode ao mesmo tempo penetrar nos Reinos mais elevados, e não perder o contato com a sua parte mineral, já que a forma e a função vital foram revitalizadas por Cristo,enquanto andou na Terra como Cristo Jesus.
A descida do Cristo Solar se processou pelo mesmo modo que nós, o Ego, renascemos aqui, que descendo pelos Mundos do Pensamento e de Desejos. Gravitou para o Mundo do Desejo e foi identificado como “Senhor da Luz” pelos sacerdotes de Zoroastro, os chamados Reis Magos, ao qual o Cristo era conhecido como “Ahura Mazdao”. Em sua descida para a Terra, Cristo foi percebido pelos Egípcios e nomeado “Osíris”. Quando entrou na Região Etérica do Mundo Físico, a cultura Hebraica percebeu o Cristo como a deidade lunar “Jeová” (que significa “Eu era, Sou e Serei), e que se apresentou à Moisés como “EU SOU”. Quando Cristo quase alcançou a Região Química do Mundo Físico, os Gregos e os Hebreus tiveram a premonição do nascimento de um ser especial: Deus no ser humano. Finalmente, Cristo se encarnou nos Corpos Denso e Vital de Jesus. O “EU SOU” de Abrão, se revestiu de carne. Com a Ressurreição, a Humanidade recebeu um novo ímpeto evolutivo, não podendo voltar a uma condição de feliz inocência e negar o Mundo Físico em que ela deve ser ativa, nos moldes evolutivos a ela ensinados pelo Mestre. Não nega o mundo. Abraça-o. Progride na espiral evolutiva e cresce.
As Religiões pré-cristãs ainda indicam que na liberação da roda da vida, o ser humano volta à mesma felicidade Edênica. Sai do “Nirvana e volta para o Nirvana”. Vidas e vidas de ilusão. Ironicamente, muitas Igrejas convencionais Cristãs têm os seus altares voltados para o Leste. Porém, na realidade, o Tabernáculo no Deserto (descrito em grande detalhe no Antigo Testamento e muito estudado pelo Estudante Rosacruz) era profeticamente alinhado a um eixo cuja entrada era a Leste, e seu santuário mais recôndito era à Oeste. A ênfase direcional mostra a espiritualização e despojamento do ser humano pelo renascimento, pelo trabalho e pelo serviço no Mundo material. E, dessa forma, “o Filho oferecerá ao Pai”, na sua volta aos Reinos celestiais, “o ouro espiritual do sofrimento, transmutado, às raras essências de suas experiências, e as pedras preciosas de suas lágrimas”. Esse será o seu presente ao Pai: o seu próprio ser.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Para melhor compreender o que é a Iniciação e quais seus requisitos preliminares fixe o leitor, antes de tudo, e com toda a firmeza em sua Mente, que, na totalidade, a Humanidade progride lentamente no Caminho de Evolução – desde o Período de Saturno até o Período de Vulcano, Período por Período, Globo por Globo, Revolução por Revolução. Só lenta e quase imperceptivelmente consegue estados mais elevados de níveis de consciência. O Caminho de Evolução, examinado sob os aspectos espiritual e físico, é uma espiral.
Na figura que chamamos lemniscata, há dois círculos que convergem para um ponto central. Os círculos podem servir para simbolizar nós, o Espírito imortal, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui como Tríplice Espírito). Um dos círculos representa a nossa vida terrestre no Mundo Físico, desde o nascimento até a morte aqui, e o outro, nossa vida celeste nos Mundos invisíveis (à visão física), desde a morte aqui até ao renascer aqui.
Enquanto permanecemos nesse mundo, nós, o Ego, semeamos uma semente em cada ato, obra ou ação, dele colhendo certa quantidade de experiência. Contudo, assim como se pode semear sem haver colheita, porque as sementes foram atiradas em terrenos pedregosos, entre espinhos, assim também a semente da oportunidade, por negligência no cultivo do terreno, pode ser perdida e, então, a vida será estéril, sem fruto, como nos revela a Parábola do Semeador [1]. Ao contrário, assim como a qualidade e o cuidado no cultivo aumentam, enormemente, o poder produtivo das sementes, uma aplicação cuidadosa no negócio da vida – a melhora de oportunidades para aprender as suas lições é extrair de nosso meio as experiências que contém – nos traz mais oportunidades. Ao terminar uma existência terrestre, nós, nas portas da morte, nos encontramos carregados dos mais ricos frutos da vida terrestre.
Terminado o trabalho objetivo da existência, começamos o trabalho subjetivo da assimilação. Esta obra se efetua, durante a nossa permanência nos Mundos invisíveis – mais uma vida celeste –, período que decorre desde a morte aqui até ao renascimento aqui, simbolizado pelo segundo anel da lemniscata. Quando chegamos ao ponto central da lemniscata, que divide o Mundo Físico dos Mundos invisíveis, chamamos a porta do nascimento, ou da morte, entra (ou sai) numa outra esfera, em relação a nós. Fazemo-lo com um conjunto de faculdades e talentos, adquiridos em vidas anteriores, que usamos, ou descuidamos, em novo dia de vida, segundo nossa própria escolha. Do uso que fizermos das nossas oportunidades depende o nosso crescimento da alma.
Se, durante muitas vidas gratificamos, principalmente, a nossa natureza inferior (“Eu inferior”), vivendo para comer, beber e nos divertir, ou deixamos que nossos ideais espirituais se esfumassem em sonhos e especulações metafísicas, acerca da natureza de Deus, nos abstendo, negligentemente, de toda ação necessária, gradualmente seremos deixados para trás, pelos mais ativos e progressistas: nos tornamos um “atrasado” no Caminho de Evolução. Grandes agrupamentos destes “preguiçosos” formam as chamados “seres humanos atrasados”, enquanto os ativos, desembaraçados e despertos espiritualmente, que se ocupam em adquirir uma porcentagem maior de oportunidades, são os “precursores”.
Ao contrário da ideia geralmente aceita, isto se aplica, igualmente, àqueles que estão empenhados em trabalhar aqui, por meio de ações, obras e atos, que visam auxiliar as pessoas ao seu lado, bem como cumprir o que a própria pessoa escolheu quando estava no Terceiro Céu, no início de mais um renascimento aqui. Para esses irmãos e essas irmãs a maneira de ganhar os recursos financeiros necessários para se viver aqui é, somente, um incidente, um incentivo, inteiramente a parte dessa fase. O trabalho deles pode ser tão espiritual ou, talvez mais, do que o daqueles que só passam o tempo aqui em preces, com prejuízo de um trabalho útil por meio de ações, obras e atos. Do que dissemos, se torna claro que o método de desenvolvimento da alma, levado a efeito por esse Esquema de Evolução, requer ação, ato e obra na vida física, seguida, na vida post-mortem, por um estado de assimilação, durante o qual as lições da vida são extraídas e cuidadosamente incorporadas a nossa consciência, embora as experiências, em si, sejam esquecidas.
Este processo, excessivamente lento, acomoda-se, perfeitamente, as necessidades da imensa maioria das pessoas. No entanto, alguns esgotam, rapidamente, as experiências comumente dadas e requerem um campo mais extenso, para aplicar suas energias. A diferença de temperamento é a causa de uma divisão em duas classes.
Uma dessas classes, conduzida por sua devoção a Cristo, segue, simplesmente, os ditados do Coração, em sua tarefa de amor por seus irmãos e por suas irmãs. Belos caracteres, faróis de amor num mundo sofredor, estão sempre prontos a esquecer sua própria conveniência, para ajudar aos outros.
Na outra classe, a Mente é o fator predominante. A fim de ajudar os irmãos e as irmãs em seus esforços para alcançar sabedoria, as Escolas de Mistérios – ou Escolas de Iniciação – foram criadas. Nelas foi representado o drama do mundo, para dar as almas aspirantes, enquanto se achavam enlevadas, respostas às perguntas acerca da origem e do destino da Humanidade.
Ao despertar, tais irmãos e irmãs eram instruídos na Ciência sagrada de ascender mais, por meio do método da Natureza – que é Deus em manifestação – semeando a semente da ação, meditando acerca da experiência e assimilando a moral essencial para obter o devido crescimento anímico, o seu crescimento da alma.
Também, havia esta circunstância importante: enquanto, no curso normal das coisas se gasta uma vida inteira em semear e uma existência post-mortem na reflexão e incorporação da substância anímica, em um ciclo de, aproximadamente, mil anos pode ser consideravelmente reduzido.
Seja qual for o trabalho executado durante um dia simples, reflita-se sobre ele, à noite, antes de cruzar o ponto neutro entre o estado de vigília e o adormecer. Esta experiência pode, deste modo, ser incorporado na nossa consciência, como Poder Anímico. E o melhor modo de fazer isso é por meio da prática do Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção.
Lembremo-nos que esse Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é o mais eficiente dos métodos existentes para fazer o Aspirante à vida superior avançar no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Seu efeito tem tal alcance que permite ao Estudante Rosacruz ativo aprender agora não apenas as lições dessa vida, mas também lições que normalmente lhe estariam reservadas para existências futuras.
Como se pratica esse Exercício Esotérico Rosacruz (que faz parte do Treinamento Esotérico de todo Estudante Rosacruz ATIVO)?
“Após deitar-se à noite, o Aspirante à vida superior relaxa o Corpo Denso e começa a recordar os acontecimentos do dia na ordem inversa, partindo dos da noite, em seguida os da tarde, e depois os da manhã.
Deve esforçar-se para “rever” cada cena com a máxima fidelidade e procurar reproduzir ante seus olhos mentais tudo o que aconteceu em cada uma delas, a fim de poder julgar seus atos e certificar-se de que suas palavras transmitiram o sentido desejado ou deram uma impressão falsa, como também se exagerou ou foi omisso ao relatar experiências a outrem.
Deve examinar sua atitude moral relativa a cada cena. E quanto aos alimentos, verificar se “comeu para viver” ou “viveu para comer”, para gratificar o paladar.
Durante todo o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, o Aspirante à vida superior vai julgando a si mesmo, censurando-se onde couber reprovação e elogiando-se onde couber o louvor.
Lembremo-nos: não é um exercício de memória! O que deve ser utilizado são os eventos que deixaram os maiores impactos (sejam simples ou não!) no Aspirante à vida superior: focando no efeito que gerou e depois na causa principal que gerou tal efeito. Se foi considerado bom pelo Aspirante à vida superior esse deve ser grato e reforçar sua decisão de repeti-lo sempre que houver ocasião. Se for considerado ruim ou “mal” pelo Aspirante à vida superior, ele deve se arrepender profunda e sinceramente e se comprometer a se reformar intimamente, se esforçando ao máximo para não o repetir quando houver ocasião.
Assim, quando se pratica, sinceramente, este Exercício Esotérico Rosacruz, revisando os pecados cometidos durante o dia, são eles eliminados, automaticamente, e começamos, em cada dia, uma nova vida, com a vantagem de ter aumentado o nosso Poder Anímico, extraído das experiências da vida aqui. Ao abandonarmos o nosso Corpo Denso – ao morrer e irmos ao Purgatório, a visão do nosso passado se desenrola em ordem inversa, para mostrar, primeiramente, os efeitos, e depois, as causas que os produziram. Sentimos, de maneira intensa, a dor que causamos aos demais. Se não executamos o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção de maneira similar, sofrendo cada noite o “inferno” que merecíamos durante o dia, sentindo, agudamente, todos os pesares que havíamos infligido, não nos servirá de nada. Temos que nos esforçar, também, em sentir, com a mesma intensidade, a gratidão pelas atenções recebidas dos outros e a aprovação do bem que proporcionamos, pois o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é maneira similar ao que vivemos no Primeiro Céu.
Somente assim, vivemos, verdadeiramente, a existência post-mortem e avançamos, cientificamente, até a meta da Iniciação. O maior perigo para nós neste ponto é cairmos vítimas do laço do egoísmo. Nossa única salvação é cultivar as faculdades da fé, da devoção e da simpatia universal.
Se ponderamos bem o argumento precedente, teremos compreendido a analogia entre o largo ciclo da evolução e os ciclos curtos, ou passos, utilizados no Caminho de Preparação, que precede o Caminho de Iniciação. Ficará claro para nós que ninguém pode realizar, por outro, este trabalho post-mortem, nem lhe transmitir o desenvolvimento anímico adquirido da mesma maneira; ninguém pode ingerir o alimento físico de outro e lhe transmitir sua resistência e desenvolvimento!
Se não conseguirmos o Poder Anímico requerido para a Iniciação, ninguém poderá nos iniciar. Se o possuímos, estamos no umbral por nossos próprios esforços. Podemos pedir a Iniciação, como um direito. Se não o tivéssemos e quiséssemos comprar, quaisquer valores financeiros que fossem mobilizados seriam insignificantes para pagá-los!
Fixemos bem, em nossas Mentes, que a Iniciação não é uma cerimônia externa, mas, sim, uma experiência interior, na qual somos ensinados a usar o poder que armazenamos por meio de uma vida de pureza e de serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã ao seu lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
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[1] O semeador saiu a semear sua semente. Ao semeá-la, uma parte da semente caiu ao longo do caminho, foi pisada e as aves do céu a comeram. 6Outra parte caiu sobre a pedra e, tendo germinado, secou por falta de umidade. 7Outra caiu no meio dos espinhos, e os espinhos, nascendo com ela, abafaram-na. 8Outra parte, finalmente, caiu em terra fértil, germinou e deu fruto ao cêntuplo”. E, dizendo isso, exclamava: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”. (…) 11Eis, pois, o que significa essa parábola: A semente é a palavra de Deus. 12Os que estão ao longo do caminho são os que ouvem, mas depois vem o diabo e arrebata-lhes a Palavra do coração, para que não creiam e não sejam salvos. 13Os que estão sobre a pedra são os que, ao ouvirem, acolhem a Palavra com alegria, mas não têm raízes, pois creem apenas por um momento e na hora da tentação desistem. 14Aquilo que caiu nos espinhos são os que ouviram, mas, caminhando sob o peso dos cuidados, da riqueza e dos prazeres da vida, ficam sufocados e não chegam à maturidade. 15O que está em terra boa são os que, tendo ouvido a Palavra com coração nobre e generoso, conservam-na e produzem fruto pela perseverança. (Mc 4:1-9 e 13 a 20)