Desde o momento em que suas pálpebras de bebê se abriram pela primeira vez para este mundo maravilhoso de beleza ao seu redor, ela foi o ídolo de corações amorosos — pais afetuosos, irmãos dedicados, amigos leais. Ela parecia ter sido criada para a felicidade — para amar e ser amada.
Seu corpo fora moldado pela mão de um artista, bela de rosto e forma, acompanhada de uma natureza profunda, ardente, verdadeira e, acima de tudo, aquele poder misterioso, o magnetismo pessoal, que inconscientemente atrai e mantém cativos todos os corações dentro do alcance do seu círculo. Apesar de tudo isso, ela viveu sua vida, no verdadeiro sentido, sozinha — contudo, não totalmente sozinha; ela vivia em um reino ideal feito por ela própria, pois ela nasceu já uma artista e musicista nata — uma idealista.
Em grande parte do tempo ela habitava a “Solidão da Alma” e quando em companhia, embora fosse muito sociável, sua conversa raramente dava qualquer indício do jardim encantado no qual vivia e construía seus castelos de ar.
Em um dia de verão, tendo a Mãe Terra coberta de verde como seu leito, sombreada pelos ramos pendentes do seu carvalho gigante e favorito, lar de um pássaro zombeteiro que derramava sua melodia fluida, ela permanecia deitada e sonhadora, observando as grandes nuvens ondulantes, brancas e felpudas como bancos de neve flutuando através do espaço azul, ilimitado e impenetrável, enquanto sua alma se esforçava intensamente para penetrar nos mistérios além dele.
No silêncio do crepúsculo místico, quando o grilo entoava seu canto melancólico e as miríades de estrelas cintilantes surgiam sobre o escuro dossel púrpura lá em cima, como diamantes espalhados por uma mão invisível, todo o seu ser se lançava em anseio por aquele “Algo” — indefinível, porém insistente, que ela soube intuitivamente ser sua herança divina.
As vibrações harmoniosas de som da Natureza eram para ela como uma música das esferas celestiais: o tamborilar das gotas prateadas de chuva, o tilintar do riacho murmurante, o vento suspirante, o mar com seu som, o rugido da catarata, as reverberações profundas do trovão… Tudo isso era, para ela, notas da Orquestra Eterna.
O mundo inteiro era, para ela, a Galeria de Arte de Deus. Toda a beleza da Natureza, suas montanhas enevoadas e veladas de púrpura, suas poderosas florestas com sua estranha melodia sussurrante, o mar entrelaçado com os raios cintilantes do luar, o glorioso pôr do Sol com o céu em chamas carmesins, douradas e púrpuras, desvanecendo-se nos tons opalinos de rosa, âmbar e lavanda — ah, tudo falava à sua alma do Infinito, do Desconhecido, pois “é da nebulosa terra de sombras do desconhecido que os Anjos vêm trazendo alimento às almas dos seres humanos”.
Da riqueza de sua natureza interior ela deu ao mundo incontáveis obras-primas de grandeza, beleza e emoção intensa, ajudando muitos a trazer à expressão seus poderes artísticos latentes; mediante seu toque mágico, vibrante com a melodia, ela encantava seus ouvintes, que eram balançados como juncos pela brisa de verão.
Assim, sua donzelice e jovem feminilidade terminaram com uma nota ocasional de tristeza e desapontamento mesclada ao seu “Salmo da Vida”[1]. Mas à medida que o tempo avançava, um a um ela via cada sonho e ideal da sua brilhante manhã acabar, cada castelo no ar se desfez, cada esperança acalentada ela viu murchar sob o sol escaldante do Saara e, por fim, as nuvens e sombras da aflição a envolveram até que não restasse sequer o mais tênue filete prateado; — como um mergulhador humano, ela havia sondado as mais íntimas profundezas da amargura mental e da angústia; havia sorvido “o cálice de absinto e fel” até as suas borras mais amargas… Um desespero negro se instalou nela como um sudário; verdadeiramente, ela se tornara uma mulher “de dores e familiarizada com a angústia e o sofrimento profundos”[2]. Seu sofrimento físico, muitas vezes, quase rompeu o Cordão Prateado e a alma, atormentada e aprisionada, ansiava e rezava pelo “Mensageiro Sombrio” que lhe concederia libertação. Mas tal fim não estava destinado a ela. As Leis de Deus operam perfeitamente. O que uma alma aprende, nada no Universo pode extrair dela.
Por meio da orientação de poderes invisíveis, ela foi conduzida a um Curador Auxiliar Invisível onde, tanto sua cura espiritual quanto a etérica foram realizadas (de modo que a parte física ela conseguiu restaurar) — uma foi chamada de “cura milagrosa”, pois essa alma havia sido uma errante afastada da Casa do Pai, tateando cegamente na escuridão em busca do Caminho que a levaria aos portais do seu Lar Celestial, ansiando por se reunir com o grande Espírito Divino do qual é uma Centelha, desejando o amor do Pai como “a agulha magnética anseia pela pedra-ímã que a atrai”; e quando o Portal fechado se abriu de par em par, uma torrente de luz brilhante e dourada irrompeu, envolvendo-a com sua glória sobrenatural — “a Luz reivindicou o que Lhe pertencia”, marcando um momento de profunda transcendência espiritual. A intensidade dessa iluminadora Luz de Amor era tão avassaladora que o próprio ar vibrava com ela, seu cérebro e nervos, seu sangue e músculos, todo o seu ser estremecia em uníssono com ela. Então se seguiu o êxtase devoto, o voo ascendente do Espírito aos Reinos espirituais, “vendo e comungando com o indizível”, onde veio a ela a plena percepção de que era um Ego (ou seja, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) —, que ela era parte de Deus, que não poderia haver morte e que ela havia alcançado a unidade com essa Fonte Divina de todo ser, onde lhe foram revelados os mistérios da Vida e do Ser, o propósito da dor e do sofrimento. Com esse conhecimento vieram a exaltação moral, a elevação intelectual e um sentimento indescritível de júbilo.
Após o desvanecer dessa maravilhosa visão, ao retornar ao mundo objetivo, permaneceu aquele raio de Luz, firme, raro e inefável, “além de todos os sinais, descrição ou linguagem”. Uma paz e alegria infinitas encheram o seu coração; ambições mundanas, cuidados e ansiedades morreram à luz da gloriosa verdade que lhe fora revelada e em seu lugar nasceu o desejo constante e o poder dinâmico de conduzir outros ao Caminho da Vida que ela encontrou: “ir adiante e levar sua paz consigo” para que também pudessem conhecer a alegria e a “paz que excede todo entendimento”[3] — para cumprir aquilo “para o qual ela fora enviada”.
Ao lançar um olhar retrospectivo sobre as tristezas e angústias profundas, decepções e experiências terríveis da sua vida passada, ela as reconheceu como degraus, apenas um meio para um fim: prepará-la e conduzir a uma vida ainda mais elevada – inspirá-la a algo ainda mais nobre e melhor em sua obra futura, melhor do que tudo em seu passado. Ela é capaz de considerar aquilo que parecia sofrimento interminável e intolerável como algo de curta duração, quando visto à luz de uma eternidade sem fim; ela se regozija na gloriosa vitória que finalmente foi sua ao atravessar o mar de amargura — sendo a vitória não apenas para esta vida, mas para toda a eternidade. Esse olhar retrospectivo que analisa o passado sombrio também serve para inspirá-la com a mais suprema reverência e amor pelo Ser Onipotente que tornou possível a uma alma alcançar as alturas às quais ela chegou e saber que, apesar da sublimidade presente nisso, é apenas uma seção da glória que virá.
Sua alma de artista compreende plenamente que o fascínio reside não na beleza do pôr do Sol, mas na beleza invisível que ele desperta interiormente; não nas harmonias ouvidas, mas nos sobretons inaudíveis; que por trás de todas as belas e grandiosas “ilusões” da Natureza encontramos os fatos mais profundos e mais doces que somente o amor e a inspiração podem apreender. Eles são as Mãos que acenam e a Voz que suplica que todos devam ver e ouvir antes de sentir, de conhecer o Amor plenamente satisfatório que desejam — antes que a União Eterna seja consumada.
À medida que o tempo passava, ela chegou à compreensão de que estivera sob um dos “Sete Espíritos diante do Trono” — uma das grandes e exaltadas Inteligências Espirituais que são Ministros de Deus e Se esforçam para cumprir a vontade d’Ele, sempre visando ao mais elevado e último bem — Saturno, “o Espírito da Negação: o Poder que ainda opera para o bem, embora planeje o mal”. Ele é, primeiro, “o provador” que retarda, dificulta, obstrui, prende, restringe, castiga e exige ao máximo paciência, tolerância, resistência, autocontrole e submissão, sem outro propósito senão a obtenção da perfeição por todos os seres humanos e todas as coisas.
Ele é o Executor do mandamento do Mestre: “Sede perfeitos como vosso Pai no Céu é perfeito”[4]. Portanto, na realidade, sua missão é a mais elevada de todos os “Anjos Estelares” ligados ao Mundo Físico, pois Ele finalmente conduz toda alma humana à verdadeira humildade e ao estado no qual tudo o que é material é removido para que os poderes latentes do “Eu Superior” (Individualidade) possam atravessar a ponte feita por Ele mesmo (Saturno) e caminhar em direção à Personalidade — aquele estado em que a vontade pessoal se rende à Vontade Divina —, reconhecendo a Vontade do Pai como o Amor supremo que tudo abrange e atrai todos os seres humanos para Si, dizendo: “Seja feita a Tua vontade”[5].
Ele então se torna o “Iniciador.” Ele é o Deus que nos faz ter o controle de tudo (especialmente o autocontrole), pois é o Regente de Capricórnio, o Signo do bode, e “estar no controle” implica Iniciação, consiste na tentação até o limite de tudo o que podemos suportar, provas que exigem o máximo da nossa resistência e, naturalmente, a superação, a sublimação.
Ele dissipou as névoas que a faziam “ver como por um espelho, obscuramente”[6]; as ilusões e desilusões deste mundo desapareceram como se tocadas por um dedo mágico; ela é capacitada a olhar além das falhas e limitações da Personalidade de cada ser humano e a ver o “Ser Perfeito” interior — o Espírito em sua beleza e perfeição divinas; a sentir aquela simpatia amorosa e compaixão semelhante à de Cristo, que sente as dores, angústias e os sofrimentos de toda criatura vivente; ao errante ela desejaria proteger e resguardar “como a galinha ajunta seus pintinhos debaixo das asas”[7], — sentindo aquele amor universal que irradia espontaneamente tanto para o santo quanto para o pecador, príncipe ou camponês; dando livremente, de bom grado, “sem dinheiro e sem preço”[8] da sua abundância — pois “dai, e dar-se-vos-á: uma boa medida, recalcada, sacudida e transbordante, vos darão; porque com a medida que usardes, vos medirão a vós.”[9].
As experiências pelas quais ela passou manifestaram para ela a Inteligência Cósmica, fazendo dela a mensageira do Deus de Sabedoria e Luz, uma reveladora dotada de grandes poderes espirituais e discernimento, uma líder no grande coro do mundo, sempre pronta a ajudar os outros a encontrar a harmonia e a beleza da canção de suas próprias vidas — e ajudá-los a cantá-la.
Ela é, agora e verdadeiramente, “uma serva de todos”[10]: investindo sua vida em “dar um copo de água fresca”[11], uma palavra de consolo, uma mão que eleva, uma mensagem útil em serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) à Humanidade.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil
[1] N.T.: Poema Salmo da Vida de Henry Wadsworth Longfellow
Não me digas em tristes versos
Que a vida é apenas um sonho vazio!
Pois a alma que adormece está morta,
E as coisas não são o que parecem.
A vida é real! A vida é sincera!
E a sepultura não é o seu alvo;
“Pó és e ao pó voltarás”
Não foi dito a respeito da alma.
Nem alegria nem tristeza
É o nosso destino ou fim traçado;
Mas agir para que cada amanhã
Nos encontre mais longe do que hoje.
A arte é longa, e o tempo é passageiro,
E os nossos corações, embora fortes e valentes,
Ainda, como tambores abafados, batem
Marchas fúnebres rumo ao túmulo.
No amplo campo de batalha do mundo,
No acampamento da vida,
Não sejas como o gado mudo e conduzido!
Sê um herói na luta!
Não confies no Futuro, por mais agradável que seja!
Deixa o Passado morto enterrar os seus mortos!
Age — age no Presente vivo!
Com o coração no peito e Deus no alto!
A vida dos grandes homens nos lembra
Que podemos tornar nossas vidas sublimes,
E, ao partir, deixar para trás
Pegadas nas areias do tempo;
Pegadas que talvez um outro,
Navegando pelo solene mar da vida,
Um irmão náufrago e desolado,
Ao ver, recobre o ânimo.
Vamos, então, agir e lutar,
Com o coração preparado para qualquer destino;
Sempre alcançando, sempre perseguindo,
Aprender a trabalhar e a esperar.
[2] N.T: Is 53:3
[3] N.T.: Fp4:7
[4] N.T.: Mt 5:48
[5] N.T.: Mt 6:10 e Lc 22:42
[6] N.T.: ICor 13:12
[7] N.T.: Mt 23:37 e Lc 13:34
[8] N.T.: Is 55:1
[9] N.T.: Lc 6:38
[10] N.T.: Mc 9:35
[11] N.T.: Mt 10:42 e Mc 9:41
Influências Fisionômicas e de Personalidade – Signos
(*) Advertência: a descrição aqui apresentada é mais exata conforme a cúspide da 1ª Casa esteja mais próximo do ou no segundo decanato do Signo (10º grau até 20º grau).
Quando os 3 últimos graus de um Signo estão ascendendo, ou quando os 3 primeiros graus ascendem no momento do nascimento, diz-se que a pessoa nasceu “na cúspide” entre dois Signos, e, então, a natureza básica dos Signos envolvidos são mescladas no corpo dela. Astros nas Casas:
Em tais casos o Estudante dever usar seu conhecimento do caráter dos Astros em conjunto com a descrição do Signo. (Veja mais no Livro: Mensagem das Estrelas – O Signo Ascendente – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Influências Fisionômicas e de Personalidade dos Astros
(*) Advertência: a descrição aqui apresentada é mais exata quando o Astro é o Regente do horóscopo e com Aspectos benéficos.
(Veja mais no Livro: Mensagem das Estrelas – Capítulo XIX – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz)
O nosso Caminho de Evolução está, indissoluvelmente, unido às Hierarquias Zodiacais (ou Hierarquias Criadoras) que regem os Planetas e os Signos do Zodíaco. Nos livros A Mensagem das Estrelas – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz e Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz aprendemos que essas Hierarquias Criadoras determinaram diferentes graus de controle da nossa evolução, assim como a evolução do Reino animal e do Reino vegetal, e que guiam a evolução da vida e da forma nos outros Reinos também.
Enquanto o Sol passar através do Signo de Capricórnio, de 22 de Dezembro a 21 de Janeiro, agiremos bem em estudar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, no que se refere às diferentes fases da manifestação, relacionadas com esses símbolos espirituais.
Cada Estrela, Planeta, a Lua ou o Sol é o corpo de uma entidade que se manifesta por meio de raios de energia que compenetram todo o espaço. O Signo de Capricórnio está relacionado com as Hostes Arcangélicas – Hierarquia Criadora dos Arcanjos – e o Sol, com o Cristo.
Os Arcanjos operam mediante corpos compostos da substância do Mundo do Desejo, porém, seus poderes chegam a muitos Mundos que se acham por cima e por baixo desse nosso Mundo Físico. O Senhor da Terra é o Cristo, o mais elevado Iniciado de todos os Arcanjos. Uma das funções dos Arcanjos é ser Espíritos de Raça sobre a Terra, e têm influência sobre nós, através do Corpo de Desejos humano; outra de suas funções é ser os Espíritos-Grupo dos animais, meio pelo qual atuam como guias da evolução dessa Onda de Vida.
À medida que a Terra gira em torno do Sol se converte em um ponto focal dos raios solares, em combinação com cada Signo do Zodíaco, e essas Hierarquias Criadoras estimulam as atividades espirituais na Terras.
Todo fenômeno da Natureza tem um especial propósito espiritual, que nos ensina que o grande ciclo da Precessão dos Equinócios, que equivale a um período de 25.868 anos, marca a evolução e a queda dos povos, das nações e suas Religiões. Durante o trânsito precessional do Sol através de um Signo, que dura aproximadamente 2.156 anos, realiza-se um trabalho especial com uma nação, povo ou um grupo de nações, como pudemos constatar nas Primeira e Segunda Guerras Mundiais, que são os resultados da separatividade nacional entre as nações, porque durante a Precessão dos Equinócios, através do Signo de Peixes, o resultado será a unidade.
O trânsito anual do Sol, através dos Signos, marca as mudanças das estações e dos processos vitais em todas as formas viventes. No entanto, o impulso espiritual incorporado nesse acontecimento está sempre se dirigindo para despertar o gênio adormecido de um Espírito individualizado.
Durante o período que antecedeu a Era Cristã, o Espírito Santo teve a seu cargo a nossa evolução e os Arcanjos e os Anjos também estiveram sob seu domínio trabalhando, principalmente, sobre o nosso aspecto emocional e de desejos; por isso foram estabelecidas a beleza e a diversidade dos tipos nacionais. O patriotismo foi a suprema expressão do Amor e da Devoção restrito a um povo ou nação. O patriotismo e os aspectos nacionais da Religião nos cegaram com respeito à realidade de um só Deus com muitos nomes.
Com o advento da Era Cristã, os Arcanjos e os Anjos prestaram obediência a Cristo, e o Espírito de Cristo se converteu no Espírito Interno da Terra ou Espírito Planetário. Agora, todas as Hierarquias Criadoras trabalham com Cristo para nos ajudar a converter o patriotismo em Fraternidade Universal.
As comunicações e o intercâmbio internacional teceram uma grande trama ou Teia do Destino, que nos envolve em tantos interesses internacionais bastante comuns a nós todos, que as barreiras nacionais estão se apagando gradualmente ante a ameaça dos horrores de uma possível guerra nuclear. Por isso precisamos despertar gradualmente o sentido comum do ideal da “Paz sobre a Terra e boa vontade entre os homens” (Lc 2:14).
Existência sobre existência, todos nós estamos dando um pouco mais de expressão terrena à verdade espiritual da Fraternidade entre cada um de nós; essa é a nossa resposta ao chamamento de nosso Redentor, o príncipe da Paz, o Senhor do Amor. Felizmente a Religião progrediu um pouco, trocando a idolatria, que é a adoração da forma, pelo misticismo, que é a adoração aos ideais mais elevados. O governo está progredindo desde o despotismo (governo absoluto de um só indivíduo) para a república democrática, na qual prevalece o grupo do governo com representação popular. A Ciência está conseguindo se libertar do controle estatal e religioso, e está servindo ao nosso bem-estar, em campos cada vez mais amplos. A Arte, todavia, ainda não chegou à sua completa posse, mas está conseguindo progredir. Chegará o dia em que conseguiremos despertar para a necessidade de incorporar a beleza em cada expressão da vida.
Cada ano, ao nascer o raio do Cristo na Terra, é dado um novo impulso de vida a toda criatura vivente, e quando relacionamos essa verdade com os Ensinamentos Rosacruzes, de que é em Capricórnio que se dão os grandes impulsos evolutivos, nos será possível compreender a importância da paciente estação, no que se refere à política, à economia, às finanças e aos empregos.
A analogia, chave-mestra de todos os mistérios espirituais em qualquer Mundo, nos ensina que o Espírito da Terra (um Raio do Cristo Cósmico) se encontra dentro dela mesma, desde o Solstício de Dezembro até o Equinócio de Março. Durante esse tempo, a Terra se encontra cheia do Amor do Cristo, de uma forma mais íntima. Na época do Equinócio de Março, Ele sai em seus veículos superiores, para fortalecer-se em Espírito, mediante a Comunhão com o Pai; por isso todas as criaturas dão visível expressão à Vida e ao Poder com os quais Sua vinda enche a Terra. Isso é análogo a nossos estados alternativos de vigília e de sono. Trabalhamos em nossos Corpos Denso durante o dia e saímos dele durante o sono noturno, mas as forças vitais continuam ativas dentro do Corpo Denso, de maneira que ao despertarmos pela manhã, para um novo dia, nos encontramos ativos e renovados.
O egoísmo, a cobiça e o materialismo devem ceder lugar a pensamentos e ações elevados, como resposta ao chamado do princípio de Cristo, nos trazendo melhores condições. Capricórnio, podemos dizer, que é o Signo da engenharia (entendendo o conceito de engenharia como a aplicação do conhecimento científico, econômico, social e prático, com o intuito de planejar, desenhar, construir, manter e melhorar tudo a nossa volta e continuamente), de todas as classes de engenharia do mundo e que estão trabalhando para despertar milhões de seres humanos, livrando-os da pobreza e doença ou enfermidade, que infelizmente avassala nosso Globo. Mediante métodos melhores de cultivar a Terra, de construir estradas, do correto cuidado do Corpo Denso, os “engenheiros educativos” estão ajudando a afastar a ignorância e a estimular o impulso interno do Espírito, elevando-o ao mais sublime nível de consciência.
Verdadeiramente, estamos no amanhecer de uma nova Era, porque todos os que receberam a iluminação por meio dos Ensinamentos Rosacruzes deverão estar na vanguarda de um novo pensamento que promete, em sua plenitude, a emancipação dos antigos métodos em que havia o aproveitamento de muitos para o benefício de poucos. É nosso dever pensarmos em termos de um bem maior, em benefício de muitos; devemos nos adaptar à nova ordem de coisas, por meio do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado na divina essência oculta em cada um de nós, para cada irmão ou irmã no nosso entorno. É conveniente que possamos pensar de nós mesmos como um corpo de paz espiritual, fazendo todo o possível, servindo de exemplo, e exaltando os mais altos ideais de vida onde quer que estejamos.
Durante milhares de anos quase todo o nosso esforço sobre a Terra tem sido centralizado em obter alimento, vestimenta e abrigo. Contemplemos a visão da Época que se aproxima rapidamente, na qual poderemos obter as coisas com o mínimo esforço e, assim, teremos mais tempo, dedicando uma maior porção de nosso poder criador, reflorindo os lugares desérticos da Terra, colocando beleza na vida, afastando a enfermidade, a doença e o crime, cooperando com seres mais evoluídos e estudando o mais amplo significado da vida.
Pelos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, como também é conhecida a Fraternidade Rosacruz, aprendemos que esta é a Revolução Marte-Mercúrio do Período Terrestre. Marte é o símbolo do guerreiro, do trabalhador, do desejo, da paixão, da energia dinâmica, do impulso e da força centrífuga de repulsão, como claramente ficou esclarecido nas palavras-chaves e nas características das Eras passadas. Mas, agora, estamos entrando na metade de Mercúrio do Período Terrestre. Mercúrio é o símbolo do pensador, do escritor, da razão, da lógica, da relatividade, da habilidade mental e das trocas rápidas, por isso as massas dos povos devem aprender a pensar sem serem confundidas pelo sentimento, desejo e emoção.
Ao nosso redor, ainda que invisíveis para muitos, os Grandes Seres estão em seus postos, orientando-nos para um bem maior. Quando nos desviamos da Lei Divina, sofremos, nos redimimos e então poderemos dar o passo seguinte em direção à Luz.
Cristo veio para salvar os que haviam se perdido. Podemos vender nossa herança por um prato de lentilhas, não encontrar felicidade, mas olhando para além da tirania das coisas, contemplaremos os Seres mais evoluídos, sorrindo, amando-nos e sempre prontos a nos inspirar os eternos valores do real. Perdemos a nossa Personalidade na matéria em favor do que realmente somos, Individualidade, porém, sendo essencialmente divinos, nos redimimos, nos esforçando em purificar o ambiente em que vivemos, submergindo na harmonia espiritual por meio da Luz do Cristo. As nações e os povos são guiados por meio de uma Lei Divina, para a verdadeira Fraternidade. Assim como nos redimimos do egoísmo e do materialismo, o poder de quando alcançamos a luz é muito maior que o mal do irrecuperável, a pessoa dissolveu a sua alma, por isso é chamado de desalmado. As pessoas boas do mundo inteiro fracassaram em estabelecer a paz sobre a Terra, porque sua bondade era demasiado passiva, mas o verdadeiro Cristão (Místico ou Ocultista) está sempre ativo em todos os planos de expansão.
Não fiquemos inativos no bem-obrar. O processo de redenção, todavia, segue adiante. Lentamente estamos sendo redimidos, cada vez mais, pelo poderoso raio de Amor de Cristo, a todos que ainda apreciam o separatismo. Nosso é o privilégio de apressar esse processo, por meio do serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), focado na divina essência oculta em cada um de nós, para cada irmão ou irmã no nosso entorno.
Tratemos de abrir nossos corações para que penetre neles o fermento do Amor Fraternal, e nos esforcemos para sentir com toda sua beleza e maravilha, a unidade de cada um para com todos.
(Da Revista O Encontro Rosacruz, traduzido da Revista Rays from the Rose Cross de janeiro/1963, de abril/1991)
Resposta: Enquanto o Sol entra em Câncer, no mês de julho o Senhor Cristo ascende ao Seu próprio mundo, o Mundo do Espírito de Vida. Esse é o reino onde a unidade e a harmonia reinam supremas, onde cessa toda a separatividade, onde reina a Fraternidade Universal. Cristo vive nesse Mundo cotidianamente, exatamente como nós vivemos aqui, no Mundo Físico, quando estamos encarnados.
O Mundo do Espírito de Vida também é a esfera de consciência que os primeiros Discípulos de Cristo contataram no Dia de Pentecostes. Isso será alcançado por toda a humanidade avançada no fim do presente Período Terrestre.
Por meio da operação do Cristo Cósmico é aqui que o Filho ou o princípio da Palavra e o segundo aspecto da Trindade, nosso Abençoado Senhor, contata a Hierarquia Criadora de Câncer, Querubins. Esses Seres celestiais são os guardiões de todos os lugares Sagrados no Céu e na Terra. Eles guardam até mesmo o maior mistério da vida. Sob a orientação do Senhor Cristo esse mistério sagrado é transmitido para baixo, de Câncer para o seu Signo oposto, Capricórnio, e fornecido para a Hierarquia Criadora dos Arcanjos ou Hierarquia Criadora de Capricórnio.
Foi por essa razão que o Salvador do Mundo, que veio para a Terra proclamando o mistério do Espírito Santo, teve o início da Sua primeira vinda sob o Signo de Capricórnio.
Para isso ter ocorrido, houve um tempo em que as forças de Capricórnio permearam a Terra para que fosse possível o nascimento do Mestre Jesus, da descendência de Davi, que se converteu no portador, cedendo o Corpo Denso e o Corpo Vital para Cristo (que como todo Arcanjo só sabe construir, como corpo mais denso, o Corpo de Desejos).
E assim, desde a Sua primeira vinda, a força Crística dourada, todo ano, recomeça o seu trabalho de auxílio para nos salvar, descendo da fonte do Sol, tocando a partir do lado externo da atmosfera terrestre no Equinócio de Setembro, passando pelo Mundo do Desejo durante novembro (Escorpião), passando pela Região Etérica do Mundo Físico durante dezembro (Sagitário) e chegando ao centro da Terra no Solstício de Dezembro (Capricórnio).
Que as Rosas floresçam em vossa cruz
Estudamos no livro “A Mensagem das Estrelas – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” que “o Caminho de Evolução da Humanidade está indissoluvelmente unido às divinas Hierarquias que regem os Astros e os Signos do Zodíaco” e, também estudamos no livro “Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz” que nos ensina que essas Hierarquias Criadoras têm a seu cargo diferentes partes do controle da evolução humana, assim como da do animal e da do vegetal, e que guiam a evolução da vida e da forma em outros Astros também.
Enquanto o Sol passa através do Signo de Capricórnio, de 22 de dezembro a 21 de janeiro, faremos bem em estudar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental concernente às diferentes fases da manifestação relacionadas com estes símbolos espirituais.
Cada estrela, cada Planeta ou o Sol é o corpo de uma entidade que se manifesta por meio de raios de energia que compenetram todo o espaço. O Signo de Capricórnio está relacionado com as hostes angelicais, e o Sol está relacionado com os Arcanjos e com o maior deles: Cristo.
Os Arcanjos operam mediante corpos compostos da substância do Mundo do Desejo, mas seus poderes chegam a muitos Mundos que se encontram acima e abaixo desse Mundo. O Regente do nosso Planeta Terra é Cristo, em sua manifestação como um raio do Cristo Cósmico.
Os Arcanjos atuam como Espíritos de Raça sobre a Terra e nos influenciaram (e ainda há muitos influenciam) através do Corpo de Desejos humano. Também são Espíritos-Grupo dos animais e guiam a evolução da Onda de Vida Animal.
À medida que a Terra gira em torno do Sol se converte no ponto focal dos raios solares em combinação com cada Signo do Zodíaco; essas Hierarquias Criadoras estimulam as atividades especiais na Terra.
Todo fenômeno da Natureza tem um especial propósito espiritual. Ensina-nos que o grande ciclo da Precessão dos Equinócios, que equivale a um período de 25.868 anos, assinala a elevação e a queda das nações, povos, raças, países e suas Religiões.
Durante o trânsito de Precessão do Sol através de um Signo, que dura aproximadamente 2.156 anos, é feito um trabalho especial com uma nação ou um grupo de nações, como o atestam as 1ª e 2ª Guerras Mundiais, que são as culminações da separatividade nacional entre as nações, durante a Precessão dos Equinócios através do Signo de Peixes. O efeito final será a unidade.
O trânsito anual do Sol através dos Signos marca a mudança das estações e dos processos vitais em todas as formas viventes, tanto que o impulso espiritual incorporado neste acontecimento está sempre se dirigindo para o despertar do gênio adormecido de um Espírito individualizado.
Durante o período que antecedeu a Era Cristã, o Espírito Santo teve a seu cargo a evolução humana, e alguns Arcanjos e Anjos estiveram sob a sua liderança. Eles trabalharam principalmente sobre o aspecto emocional da alma humana e foram estabelecidas a beleza e a diversidade dos tipos nacionais. O patriotismo foi a suprema expressão do amor e da devoção. O patriotismo e os aspectos nacionais da Religião cegaram os indivíduos a respeito da realidade de um só Deus com muitos nomes.
Com o advento da Era Cristã, esses Arcanjos das nações e esses Anjos prestaram obediência a Cristo e o Espírito de Cristo se converteu no Espírito Interno da Terra. Agora todas as Hierarquias Criadoras trabalham com o Cristo para ajudar a Humanidade a converter o patriotismo em Fraternidade humana.
A comunicação e o intercâmbio internacionais estão tecendo uma grande aproximação de destino, que nos envolve em tantos interesses internacionais comuns, que as barreiras nacionais estão desfazendo-se gradual e lentamente. Diante da ameaça dos horrores de uma possível guerra nuclear, estamos gradualmente despertando para o sentido comum de ideal de paz sobre à Terra e boa vontade entre os seres humanos.
Existência após existência, todo ser humano está dando um pouco mais de expressão terrena à verdade espiritual de fraternidade do ser humano. É nossa resposta ao chamamento do nosso Redentor, o Príncipe da Paz, o Senhor do Amor.
Felizmente, a Religião está progredindo, transformando a idolatria, a adoração da forma, pelo Cristão Místico, a adoração do princípio. O governo tem evoluído, progredindo do despotismo, governo absoluto de um só indivíduo, à república democrática, na qual prevalece o grupo de governo representativo.
A ciência libertou-se do controle estatal e religioso e vem servindo ao bem-estar, rumando para campos cada vez mais amplos. À arte, porém, ainda não chegou a sua completa expressão, mas está fazendo progressos. Chegará o dia em que a Humanidade despertará à necessidade de incorporar beleza em cada expressão de vida.
Cada ano, ao nascer o Cristo na Terra, é dado um novo impulso de vida a toda criatura vivente. Quando relacionamos essa verdade ao ensinamento de que é em Capricórnio que são dados os grandes impulsos para a evolução e progresso nacionais, compreendemos a importância da presente estação no que se refere à política, à economia, às finanças e seu emprego.
À analogia, chave-mestra de todos os mistérios espirituais, ensina-nos que o Espírito da Terra está dentro dela, desde o Equinócio de Setembro (quando o Sol entra em Libra) até o Equinócio de Março (quando o Sol entra em Áries). Durante essa época, a Terra enche-se do Amor de Cristo em uma forma íntima. Na época do Solstício de Dezembro, Ele sai em seus veículos superiores, para se revivificar em Espírito mediante a comunhão com o Pai e, tanto que, todas as criaturas dão expressão visível à vida e ao poder com os quais Sua vinda encheu a Terra.
Isto é análogo a nossos estados alternados de vigília e de sono. Trabalhamos em nossos Corpos e veículo durante o dia e saímos deles durante o sono noturno. Mas as forças vitais estão ativas dentro do Corpo, de modo que despertamos na manhã do novo dia, refrescados e renovados.
O egoísmo, a inveja e o materialismo devem ceder lugar, como resposta, ao chamado do Princípio de Cristo a melhores condições. Capricórnio, pode-se dizer, é o Signo da engenharia de todas as classes e os profissionais do mundo estão tratando de despertar a milhões de humanos para a libertação da pobreza e da enfermidade, em todas as partes do nosso globo, por meio de melhores métodos de cultivo à terra, da construção de caminhos e do correto cuidado com o Corpo Denso. Os “engenheiros” educacionais estão ajudando a erradicar a ignorância e a estimular o impulso interno do Espírito, de elevar-se para mais sublimes níveis de consciência.
Verdadeiramente estamos no amanhecer de uma nova Era, e nós que recebemos os iluminados Ensinamentos Rosacruzes devemos estar na vanguarda do novo pensamento, que promete em sua plenitude a emancipação dos antigos métodos que exploravam a muitos, em benefício de poucos. Devemos ser capazes de pensar em termos do maior bem para o número maior; devemos estar prontos a adaptar-nos à nova ordem de coisas, por meio do servir amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) o irmão e a irmã que está ao seu lado, focando esse serviço na divina essência oculta em cada um deles (pois nele também essa essência e ela por meio dela que se acessa a base à Fraternidade) por meio de pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, palavras, atos, obras e ações. Podemos pensar a nosso próprio respeito como um Corpo de paz espiritual, fazendo todo o possível para exemplificar e disseminar os mais elevados ideais de vida, onde quer que estejamos.
Durante milhares de anos quase todo o nosso esforço sobre a Terra esteve centrado em obter sustento, vestimenta e abrigo. Contemplemos a visão da Era que se aproxima rapidamente, na qual, uma vez asseguradas estas coisas com um mínimo de esforço, teremos tempo para dedicar uma maior proporção de nosso poder criador a resgatar os lugares desertos da Terra, e por beleza na vida, a erradicar a enfermidade e o crime, a estudar o mais amplo significado da vida.
Em nosso estudo da ciência espiritual da Astrologia Rosacruz descobrimos que quando, no tempo presente, Netuno, o Planeta da Individualidade, está transitando pelo Signo de Escorpião, que governa as forças ocultas da Natureza; quando Júpiter, o Planeta da expansão e da benevolência, está transitando por Peixes, o Signo da antiga ordem das coisas, e quando Urano, o despertador, está transitando por Virgem, o Signo que governa o serviço, o trabalho e a saúde há o acúmulo dessas poderosas influências, e podemos esperar com segurança ver muitas investigações ocultas nos campos científicos, e para aqueles que estejam o suficientemente evoluído para responder ao lado superior da vibração de Netuno em Escorpião, existe a promessa de um progresso na realização espiritual, mediante a arte, a música, a dança e a poesia, assim como na Cura Rosacruz.
A Igreja e os ideais religiosos em geral se elevarão para a unidade, com o consequente rompimento com os credos e práticas antiquadas, tanto na Religião como na saúde. Os ideais de serviço, trabalho e saúde devem alcançar novos níveis à medida que o altruísmo aumente sua força em todas as atividades da Humanidade.
Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental nos informam que esta é a revolução Marte-Mercúrio do Período Terrestre. Marte é o significador do guerreiro, do trabalhador, do desejo, da paixão, da energia dinâmica, do impulso e da força centrífuga de repulsão. Quão claramente correspondem estas notas-chave às características das idades passadas! Porém agora estamos entrando na metade mercurial do Período Terrestre e Mercúrio representa o pensador, o escritor, a razão, a lógica, a relatividade, a habilidade mental e as mudanças. As massas do povo devem aprender a pensar, e a pensar sem se confundir pelo sentimento ou o desejo.
Ao nosso redor, ainda que invisíveis, as Hierarquias Criadoras estão em “seus postos”, guiando a Humanidade para o bem maior. Quando nos desviamos da Lei Divina sofremos, mas, então, vem-nos a luz e damos o próximo passo em sua direção.
Cristo veio para salvar o que se havia “perdido”. Podemos vender nossa herança espiritual por um prato de lentilhas e não encontrar felicidade; olhando para cima, por sobre a tirania das coisas, O contemplamos, sorrindo, amando-nos e sempre pronto a nos inspirar com os eternos valores do real.
Podemos nos perder em Personalidade e na matéria a compreensão do nosso “ser espiritual”, mas sendo essencialmente divino, nos redimimos a nós próprios e a nosso ambiente mediante a submersão na harmonia espiritual, por meio da luz de Cristo.
As nações são guiadas por meio de uma lei divina para a consciência da Fraternidade do ser humano, assim como o indivíduo se redime do egoísmo e do materialismo. O poder do iluminado é muito maior que o mal do irredento, individualmente considerado. As pessoas boas do mundo têm fracassado em estabelecer a paz sobre a Terra, porque sua bondade é, em muitos casos, passiva. O verdadeiro Cristão Ocultista está sempre ativo em todos os planos de expressão.
Não fiquemos inativos no bem obrar! O processo da redenção, todavia, segue adiante, lentamente. A Humanidade está sendo redimida cada vez mais pelo poderoso Raio de Amor de Cristo de tudo o que aparenta separatismo. Nosso é o privilégio de apressar esse processo, por meio do servir amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) o irmão e a irmã que está ao seu lado, focando esse serviço na divina essência oculta em cada um deles (pois nele também essa essência e ela por meio dela que se acessa a base à Fraternidade) por meio de pensamentos, sentimentos, emoções, desejos, palavras, atos, obras e ações. Tratemos de abrir nossos Corações para que penetre neles a semente do Amor, a fim de sentirmos em toda sua beleza e maravilha a unidade de cada um com todos.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – julho/agosto/1988-Fraternidade Rosacruz-SP)
Assim, pois, o Zodíaco e os Astros são como um livro no qual nós podemos ler a história da Humanidade durante os estados passados e, também, nos dá uma chave para futuro que está diante de nós. No famoso Zodíaco do Templo de Denderah, Câncer não estava representando como hoje. Lá era representado por um escaravelho. Este escaravelho era o símbolo da alma, e Câncer sempre foi conhecido antigamente, como ainda hoje entre os místicos, como sendo a esfera da alma, a porta da Vida no Zodíaco, de onde os espíritos que vem renascer entram em nossa condição sublunar. Está, portanto, governado muito apropriadamente pela Lua, que é o Astro da fecundação, e é notável que vemos Capricórnio, que é o Signo oposto, ser regido por Saturno, o Planeta da morte e do caos. Saturno é desenhado simbolicamente como “O segador com sua foice e sua ampulheta nas mãos”.
Estes dois Signos opostos são, portanto, os pontos nos quais gira a evolução da alma. Câncer e Capricórnio, respectivamente, marcam o ponto de maior ascensão do Sol no hemisfério norte e o ponto de descida mais inferior, no hemisfério sul. Observamos que durante os meses de junho e julho, quando o Sol está na esfera do Câncer e Signos aliados, a fecundação e o crescimento estão na ordem do dia. Mas quando o Sol está em Capricórnio temos a época em que a natureza está morta. Os frutos são então consumidos e por nós assimilados.
Como a dança circular do Sol entre os doze Signos determina as estações do ano quando o vemos “direito”, produzindo germinação de miríades de sementes, enterradas no solo assim como o acasalamento da fauna, que então faz o mundo mais alegre com as vistas e os sons da vida em manifestação e na outra ocasião deixa o mundo mudo, confuso e abatido com a tristeza sob o domínio de Saturno, assim também pelo movimento mais lento e para trás conhecido como a Precessão dos Equinócios, é que se produz a grande mudança que se conhece como Evolução. Com efeito, essa Precessão do Sol determina, o nascimento e a morte das raças, das nações e de suas religiões, pois o Zodíaco e seus Signos são a representação simbólica do nosso desenvolvimento passado, presente e futuro.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – dezembro/1979-Fraternidade Rosacruz-SP)
Naftali, um dos símbolos de Capricórnio, é o veado perdido, um dos filhos de Jacó, o Sol, que, de novo, dispara a fim de percorrer mais uma jornada anual. Começamos 2023.
Embora, aparentemente, todos os anos sejam iguais, porque são medidos pela marcha da Terra em torno do Sol, a translação, sabemos, à luz da Astrologia Rosacruz, que nada se repete. Espirais dentro de espirais, recapitulações sem conta, mas sempre sob novas condições. Na contínua e harmoniosa marcha dos Astros em suas respectivas órbitas, o quadro dos céus se renova constantemente, de minuto a minuto. Somente após 25.920 anos comuns, a contar de uma configuração determinada, a posição dos Astros, no céu, volta a formar o mesmo quadro. Contudo, mesmo assim esse quadro repetido nos céus realiza-se sob novas condições, em uma espiral acima. A humanidade e os demais Reinos se encontram então com novas condições internas e reagem diferentemente. Nada se repete, em realidade. A vida é movimento e renovação constantes, mesmo nos aparentes repousos.
Começa um ano novo exotérico, de fato. Começa pela experiência saturnina adquirida no passado. Renova-se pelo revolucionador Urano; reveste-se, racionalmente, de novas aspirações aquarianas; infunde-se da religiosidade de Peixes; galvaniza-se com a energia de Áries; firma-se na calma e persistência de Touro; empreende os voos inquiridores de Gêmeos; lança a semente germinadora e imaginativa de Câncer; acrescenta o calor e a coragem de Leão; concebe os grãos de realização de Virgem; dá o equilíbrio e a beleza de Libra; o dinamismo e a emoção de Escorpião; o idealismo e a bondade de Sagitário e, assim, termina mais uma obra anual. É uma escola admirável. Temos de frequentá-la dia após dia, ano após ano com as capacidades que trouxemos das vidas e anos anteriores, modificando sempre nossas reações às influências astrais. Enquanto houver dor, sofrimento, tristeza, angústia, neurose, ódio, violência é sinal seguro de que o “fermento” dentro de nós encontra matéria reativa de defeitos, de ignorância. Temos de chegar ao ponto em que nenhuma qualidade adversa dos Signos ou dos Astros encontrem reação e sintamos como o Cristo — “não resistir ao mal”.
Lenta e seguramente, o altruísmo ganha terreno e o ser humano interno se converte em um Hércules, o ousado filho dos deuses capaz de vencer as doze tarefas; isso é, capaz de formar em si, de forma alquímica, as qualidades positivas dos corpos macrocósmicos e se converter em uma réplica dos céus, um eco de Deus, uma partícula individualizada do Cosmos.
Desejamos que cada tropeço, dor ou alegria, no decorrer do ano que inicia, seja encarado pelo Estudante Rosacruz de forma segura, positiva e compreensiva, como correções e elogios que um professor põe nas provas de seus alunos. São 365 páginas em branco para preenchermos com nossos atos. Por eles é que será avaliado o nosso avanço. O Estudante Rosacruz sincero e humilde medita muito sobre cada correção e advertência, para que não a repita mais, porque sabe que mais profundamente aprende com os erros do que com os êxitos.
E persiste, cheio de esperança, no futuro, não apenas para passar pela vida ou “passar de ano”, mas para aprender o melhor possível aquilo que lhe é ensinado; persiste, não para obter um diploma, porém com o amoroso propósito de melhor servir a seu próximo, à semelhança dos invisíveis mestres que agora o ensinam.
Nessa ordem de ideias é que, muito sinceramente, desejamos a todos que renovem seu propósito para uma vida melhor e mais alta no decorrer do ano de 2023, perseguindo aquele ideal enunciado por nosso Sublime Mestre: “Que sejamos perfeitos como nosso Pai Celestial é perfeito”.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Max Heindel
Um correspondente escreveu para pedir uma prova da veracidade da Astrologia Rosacruz. Por que Saturno rege os joelhos e Júpiter, os pés? Ele teve um diálogo com alguém e deseja saber o que pode ser dito sobre esse assunto.
A mera negação da verdade da Astrologia Rosacruz por alguém, porque não lhe agrada, não pode afetar a verdade ou falsidade da Astrologia Rosacruz ou de qualquer outra ciência. Tenhamos em mente que, para ser considerada válida, uma opinião sobre qualquer assunto deve ser o resultado de estudo e investigação. Podemos dizer, ainda, que ninguém merece ser convencido, se não estiver disposto a investigar, até certo ponto, o assunto que ele ousa criticar.
Pessoalmente, o escritor sempre teve como prática nunca falar espontaneamente sobre esses assuntos entre estranhos, embora sempre disposto a apresentar evidências quando a oportunidade se apresenta; pois, sempre se descobriu que “uma pessoa convencida contra a sua vontade não muda sua opinião de verdade”.
Há, no entanto, muitas provas da verdade e da base lógica da Astrologia Rosacruz. Um antigo provérbio caseiro diz que “a prova do pudim está em comê-lo” e certamente não pode haver melhor prova da verdade da Astrologia Rosacruz do que a de que ela funcione na vida diária. Muitas vezes tem sido o privilégio do escritor ver o cético sarcástico se tornar um defensor ardente dessa ciência, quando um ou dois testes provaram a ele a verdade da Astrologia Rosacruz. Ficaria, assim, tão impaciente com aqueles que ridicularizavam essa ciência ou negavam sua base racional quanto já havia ficado com aqueles que advogavam a exatidão da ciência sagrada.
Se você quiser satisfazer um cínico desdenhoso, pegue seu próprio horóscopo ou algum assunto intimamente relacionado com ele e aplique a Astrologia Rosacruz nisso. Você descobrirá então que não importa quão dura seja a cabeça dele, a Astrologia Rosacruz abrirá caminho; sim, mesmo que a cabeça dele seja tão dura que exija um trem para forçá-lo a aceitar a validade da Astrologia Rosacruz. Até isso será suprido, como mostra o caso mencionado no Conceito Rosacruz do Cosmos, em que o escritor disse a um homem para ficar em casa em dois determinados dias; para evitar principalmente os bondes e outros veículos de locomoção, sejam eles de que natureza for; pois de outra forma ele sofreria um acidente que afetaria certas partes específicas do corpo. Quando ele, descuidadamente, desconsiderou esse conselho, ficou ferido em um acidente ferroviário como consequência e foi submetido a um sofrimento severo de três meses, antes de poder escrever uma explicação sobre o seu descuido.
Ele disse na carta, que ainda temos: “Este acidente aprofundou meu respeito pela Astrologia Rosacruz”. Sim e não é de admirar; ele “comeu o pudim e o pudim provou ser verdadeiro”. Portanto, ele agora é um fervoroso defensor da Astrologia Rosacruz e faz palestras sobre esse assunto, entre outros. Algumas previsões podem se tornar realidade, se feitas um pouco antes do evento acontecer, porque a sugestão do Astrólogo Rosacruz atua como fator para o cumprimento da profecia. Mas, certamente ninguém pode explicar o caso aqui citado sobre ou qualquer hipótese semelhante. As colisões ferroviárias, geralmente, não são causadas por sugestões, nem uma determinada pessoa é enviada a tal cena para receber ferimentos de natureza grave em certas partes do corpo que foram definitivamente mencionadas na previsão.
Portanto, acreditamos sinceramente que mesmo o campeão da coincidência, o Prof. Proctor, famoso pela pirâmide, não poderia ter fornecido um comentário que explicasse com sucesso todas as diferentes fases dessa profecia e o seu cumprimento.
A predição acima foi baseada na máxima astrológica de que Gêmeos rege os ombros, Touro rege o pescoço e o cerebelo e Câncer, o peito; pois, duas dessas partes foram atingidas no acidente. Observações semelhantes realizadas por astrólogos mostram que Capricórnio, regido por Saturno, rege os joelhos, e Júpiter rege Peixes, o Signo dos pés.
Outra história ferroviária
Enquanto o acidente relatado em nosso artigo sobre “A lógica da Astrologia” foi previsto apenas três meses antes de acontecer, previmos outro acidente ferroviário mais ou menos na mesma época, ou seja, no verão de 1906. Mas, esse acidente não deveria acontecer até agosto de 1909, aproximadamente. Chamaremos o sujeito desse acidente de Sr. X. Vimos que em agosto de 1909 ele faria uma viagem de trem por prazer e que sofreria um acidente, mas escaparia ileso. Vimos também que em setembro de 1909, um mês depois, faria uma longa viagem em conexão com um importante empreendimento literário; mas, não imaginamos, na época, o quão intimamente nós mesmos estaríamos associados com o cumprimento desse assunto.
Enquanto isso, o escritor foi para a Alemanha, onde recebeu as instruções que resultaram na disseminação dos Ensinamentos Rosacruzes pelo mundo ocidental. E depois de escrever o Conceito Rosacruz do Cosmos e as Vinte Palestras (Cristianismo Rosacruz), ele foi para o oeste novamente, para Seattle, durante a Exposição do Pacífico de Yukon no Alaska, em 1909. Lá ele novamente encontrou o Sr. X. e, em agosto, quando suas palestras foram concluídas, aquele cavalheiro o convidou para dar uma corrida até o Parque Yellowstone. Depois dessa viagem de lazer e de um descanso, ele propôs que fôssemos a Chicago, para ter o Conceito Rosacruz do Cosmos publicado.
O escritor estava muito ocupado com a obra literária em mãos, no entanto, para aceitar o convite para o Parque Nacional de Yellowstone; então o Sr. X. foi sozinho. Entre Gardner Junction e o parque, seu trem descarrilou; todos os passageiros ficaram consideravelmente abalados, mas ninguém se feriu. Após o seu retorno, nós dois fomos para Chicago, onde o Conceito Rosacruz do Cosmos foi publicado e, dessa forma, a previsão feita três anos antes foi cumprida. Deve-se dizer, no entanto, que nós dois havíamos esquecido a previsão até mais tarde, quando o Sr. X. trouxe o horóscopo onde ela estava, pois ele o encontrou enquanto folheava alguns documentos.
Esse certamente é outro caso que desafiará, com sucesso, a explicação de que a sugestão causou a realização. Que humano poderia organizar um acidente ferroviário três anos antes de ele acontecer e garantir a segurança dos passageiros? O escritor sabia muito pouco sobre os Rosacruzes naquela época e não sonhava então com a boa sorte reservada para ele como seu mensageiro. Ele teve apenas uma experiência pessoal do poder da alma latente dentro dele e não desenvolveu nem pensou em desenvolver a faculdade da escrita. Ele não tinha vontade alguma de se tornar um autor e, portanto, não poderia sugerir um importante empreendimento literário que levaria o Sr. X. a Yellowstone (e depois a Chicago), em setembro de 1909. Só há uma explicação possível: as estrelas contaram a história e era verdade.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de novembro/1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
O nascimento de Jesus, filho de José e Maria, Iniciados da Ordem dos Essênios, foi um evento constante de um plano das Divinas Hierarquias, para que se pudesse realizar a salvação da humanidade. Havia chegado a hora de renovar a alma dos seres humanos e a vibração da Terra. A evolução da humanidade, dentro das atuais linhas de desenvolvimento, ter-se-ia frustrado sem essa providência superior. Resultou, desse acontecimento, a dramática crucificação de um Deus no Corpo de Jesus. Iniciava-se a iluminação da Terra em conjunto com seus habitantes. Assegurava-se, então, o impulso espiritual e vital aos seres humanos e a todos os seres que vivem neste Planeta.
Em Maria e José encontramos manifesto o amor procedente do Espírito Universal, raiz de quem deveria surgir o novo aspecto humano, uma nova identidade divina no ser humano que possa transcender os limites puramente materiais. Surgiu, para aqueles que compreenderam o significado espiritual da Era Crística, a autodisciplina espiritual (a necessidade do sacrifício de si mesmo), como meio de crescimento anímico. Para eles, o Natal é um acontecimento interno, e sentindo a repetição da Divina Presença todos os anos, tornam-se como que Magos, guiados pela Estrela. Seis dias antes e até seis dias após a culminação do Sol em Capricórnio, “nascem” aqueles que se santificaram e se prepararam para a viagem transcendental aos planos internos. O “homem natural”, como disse o evangelista, transforma-se em “homem espiritual”. Nasce nele o Espírito de Cristo.
Pelo Natal, os “homens de boa vontade” percebem o influxo irresistível dos planos superiores. Os Rituais, os cânticos, as celebrações, condizem com a solenidade do momento e os mais harmonizados sentem a presença de Seres Superiores. Quem sabe abrir o Sésamo, verá Deus presente.
Finalizamos com um trecho de uma mensagem de Max Heindel:
“Podemos progredir gradualmente a cada dia, podemos sempre fazer algo, podemos de alguma forma fazer brilhar nossa luz. Que Deus nos ajude a obter no ano novo uma maior imitação de Cristo, como antes jamais havíamos alcançado. Cada vez que nos damos em serviço aos demais, aumentamos o brilho do nosso Corpo-Alma. Nossa Terra recebe atualmente a influência do Cristo, e se queremos trabalhar para a Sua libertação, devemos nos desenvolver, até ao ponto de levitá-la (a Terra), no espaço. Assim poderemos tomar a Sua carga e suplantar a dor da existência física”
(de F. Ph. Preuss, publicado na Revista Serviço Rosacruz de dezembro/1969 – Fraternidade Rosacruz – SP)