Arquivo de tag Nova Era

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Exorcismo, a Obsessão e a Segurança na Transfiguração

Os importantes passos da vida de nosso Salvador, Cristo, conforme narrados pelos Evangelhos, compõem o esquema geral de Iniciação para nós, enquanto desenvolvemos gradualmente o Espírito do Cristo em nosso interior, o Cristo Interno.

Os Evangelhos descrevem dramaticamente e em símbolos os incidentes que serão encontrados no Caminho da Santidade.

Havia três seres dentre os Discípulos mais íntimos do Cristo que haviam alcançado o pináculo da Iniciação. E os Evangelhos contêm um maravilhoso relato de seu elevado contato com a Memória da Natureza. Os três Discípulos eram: João, o bem-amado, ou, em outras palavras, o mais avançado; Tiago, o primeiro a sacrificar sua vida pelos preceitos da nova Religião instituída pelo seu Mestre, e Pedro, a Rocha, simbolizando o poder da fé e das obras, sobre as quais a Religião Cristã foi estabelecida. Estudamos nos Evangelhos que “Cristo Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago, e os levou, em particular, a um alto monte” (Mt 17:1). Aprendemos na Filosofia Rosacruz que esse é um termo místico significando a Iniciação.

Já, na Fraternidade Rosacruz aprendemos que podemos colher todas essas informações mencionadas através da visão espiritual e contato pessoal com a Região do Pensamento Concreto, na qual o Iniciado pode examinar as verdadeiras gravações feitas na Memória da Natureza.

Um dos mais importantes pontos desse relato é que os Discípulos averiguaram, durante a sua Iniciação, a realidade do Renascimento, uma vez que Moisés e Elias eram expressões de um mesmo espírito. Esse fato ilustrava o que o Cristo havia lhes dito a respeito de S. João Batista: “Esse é Elias, que devia vir” (Mt 17:10).

Dessa forma, fica mais e mais aparente que o Cristo ensinava reservadamente aos seus Discípulos o fato do Renascimento. Porém, essa doutrina deveria constituir um ensinamento esotérico por muito tempo, conhecido somente de alguns pioneiros. É da maior significação que o trabalho real de Cristo Jesus começou após a Transfiguração, quando preparou setenta e duas pessoas como mensageiras e as enviou em grupos de dois para cada lugar aonde Ele pretendia ir.

Nos lugares onde essas pessoas eram bem recebidas, deviam ficar, curar os enfermos e pregar as boas novas. Quando não as recebiam, deveriam “sacudir o próprio pó das suas sandálias” (Mt 10:14 e Lc 9:5). O Evangelho Segundo S. Lucas relata que as pessoas retornaram contando com muita alegria: “Senhor, até os demônios se sujeitaram a nós por causa de Teu Nome” (Lc 10:17).

O poder de ordenar aos demônios constituía o ponto central do ministério de Cristo Jesus. O Novo Testamento encontra-se repleto de narrativas alusivas ao demônio, a força do mal. Há frases nas quais são mencionados os termos: mensageiros de Satanás, o pai da mentira, o Anticristo, o iníquo, o adversário e o destruidor. Toda essa nomenclatura mostrando a existência cósmica do poder do mal. Podemos ter certeza, dessa forma, que o mal existe na realidade e que é de natureza pessoal, tendo, naturalmente, efeitos sobre nós como indivíduos.

Um dos aspectos mais impressionantes relativo ao enorme interesse por temas do pseudo-ocultismo é que pessoas que firmemente negam a existência de Deus, acreditam e parecem profundamente impressionadas com o demônio. Devemos completar essa ideia mencionando o fato de que o demônio não é, em absoluto, uma invenção da Religião Cristã. Uma das formas mais persistentemente em evidência, um ser portador de chifres, asas e garras – data pelo menos de épocas tão remotas como a antiga Mesopotâmia.

Pode-se observar, em nossos tempos, uma onda de fascinação exercida pelas forças invisíveis. O nosso mundo e a nossa arte sentem o impacto de cultos mais ou menos satânicos, sessões envolvendo bruxas e bruxaria e, como é de conhecimento de todos, drogas.

Parece de pouca consistência em nosso mundo supercientífico e supertecnológico, o exame, e reexame, tanto pelo público, como pelas elites intelectuais, das forças malignas invisíveis e suas manifestações.

Esse interesse também se reflete em nossos veículos de comunicação. A publicação de obras literárias e filmes como “O Exorcista” servem de indicadores seguros do grau de interesse pela atuação dos espíritos malignos.

Assim sendo, pode não ser coincidência o fato dos autores dos Evangelhos terem distinguido a obsessão dos outros tipos de doenças curadas. Como se sabe, grande parte das curas efetuadas por Cristo Jesus foram desse tipo. Entre as curas individuais realizadas, conforme o Novo Testamento, sete envolviam pessoas obsidiadas por demônios: cinco homens, um menino e uma menina. Em cada um desses casos, o Cristo usava de métodos específicos e diferentes para a obtenção da cura, ponto merecedor de estudo detalhado do aspirante aplicado.

Em primeiro lugar, é de se notar que todas as entidades obsessoras reconheciam o Cristo, avaliavam seu poder sobre elas e se lhe declararam sujeitas sem opor resistência (Mc 1:23-26).

Esse primeiro relato de exorcismo refere-se a um incidente ocorrida num domingo em Cafarnaum, na Galileia, no interior da Sinagoga, enquanto o Cristo ensinava.

Relata o Evangelho: “E estava na sinagoga um homem com um espírito imundo, o qual exclamou dizendo: Ah! Que temos contigo Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és, o Santo de Deus. E repreendeu-o Jesus dizendo: Cala-te e sai dele. Então o espírito imundo convulsionando-o, e clamando, com grande voz, saiu dele.” (Lc 4:34-35 e Mc 1:24-26). Essa cura foi espontânea e, sem dúvida, surpreendente para a multidão da sinagoga. O demônio não suportou as altas vibrações da Santa Presença e foi obrigado a se revelar, encontrando assim o destino relatado.

No Evangelho Segundo S. Mateus, Capítulo 9 e versículos de 32 a 34[1] há o caso do endemoninhado surdo e mudo, cujos órgãos vocais e auditivos estavam sendo controlados por uma entidade. Imediatamente após o afastamento dela, o indivíduo recuperou a sua fala, voltando ao normal. Porém, isso agradava aos fariseus! Dizem eles: “Ele ordena aos demônios, pelo poder do Príncipe dos demônios” (Mt 12:34, Mc 3:22 e Lc 11:15).

O livro e o subsequente filme “O Exorcista” mereceram primeiras páginas na imprensa por um longo tempo, e muitas pessoas ficaram horrorizadas por saber que se tratava de um caso autêntico de obsessão na vida real.

Existe, porém, uma narrativa de um ato de exorcismo extraordinário contido nos Evangelhos e é de se admirar que tal incidente não consiga horrorizar ninguém não havendo até hoje um escritor bastante interessado em tecer um amplo comentário a respeito, o que traria à realidade, para os seres humanos de hoje, o tremendo poder à disposição do Cristo.

E o mais impressionante ato de exorcismo relatado na Bíblia é o do homem de Gadera – também escrito como Geraseno ou Gadareno –, cujos obsessores identificaram-se a si mesmos como “legião”. Essa cura deve ter particular importância, uma vez que três dos evangelistas, S. Mateus, S. Marcos e S. Lucas escreveram a respeito, ainda com pequenas diferenças nas ênfases dos relatos[2].

O incidente ocorreu num dia em que o Cristo e os Discípulos decidiram atravessar para a costa Oeste do Lago de Tiberíades. A área se compunha, em sua maioria, de pedras calcárias dispostas em penhascos pontilhados de cavernas, lugar em que se costumava sepultar os mortos.

Quando o pobre homem obsedado avistou Cristo Jesus, veio correndo e se prostrou diante d’Ele gritando “O que temos a haver contigo Filho do Altíssimo? Não nos atormente”. Cristo Jesus reconheceu de imediato o grande mal que havia naquele homem e ordenou: “Saia desse homem espírito imundo”. Em seguida formulou uma pergunta que poderia parecer até irrelevante: “Qual é o seu nome?”. A resposta foi: “É legião, porque somos muitos”.

Há vários pontos a serem considerados nesse relato de exorcismo. O mais importante é que imediatamente após o afastamento das entidades obsessoras, o ser voltava de imediato à condição de ser humano normal. Do ser bestial, demente, cuja presença afastava a todos, surgia o ser humano absolutamente normal e comum, que só rogava a Ele e a seus Discípulos que ficassem com ele. O Cristo disse, porém, que era mais útil levar o conhecimento dessa cura para o seu círculo de amigos como testemunho da dádiva recebida por ele de Deus. Tarefa não muito fácil, de fato, pois a família e os amigos representam, às vezes, a maior dificuldade a ser enfrentada por aquele que foi purificado pelo amor de Cristo, e quer segui-lo.

O Cristo instruía Seus Discípulos num método muito avançado de exorcismo. Mostrava-lhes que tão logo o exorcista estivesse de posse do nome da entidade, ela se encontrava debaixo de Seu poder. Nesse tipo de exorcismo os Discípulos recebiam instruções reservadas sobre o poder das vibrações contidas em nomes e como ele deveria ser usado nas curas comuns ou no exorcismo, bem como para finalidades superiores a outros.

O relato bíblico envolvendo o demônio chamado “Legião” acaba por evidenciar que as entidades receberam “a permissão de Cristo para entrar numa manada de porcos levada a um abismo”.

Com referência a esse ato de destruição, é interessante voltar à antiga simbologia egípcia. Naqueles tempos, os porcos eram simbolicamente identificados com o Planeta Marte, ou seja, a natureza inferior e passional do ser humano.

Há, aqui, indicação simbólica do poder de Cristo em purificar os seres, enviando as entidades inferiores para o seu próprio elemento inferior, simbolizado na narrativa pela manada de porcos.

Parece quase certo que a cura de obsessões por intermédio de entidades desencarnadas será o ministério de maior importância no setor de cura durante a Nova Era.

S. Paulo aconselha que oremos sem cessar, cobrindo-nos assim da aura protetora da oração. Isso é assaz importante para o aspirante à vida espiritual, uma vez que a legião de pensamentos, palavras e atos negativos, constantemente gerados em nosso Planeta, fica incorporada no plano mais inferior do Mundo do Desejo, podendo perfeitamente obsedar qualquer indivíduo que não foi treinado a controlar ou destruir o seu impacto. Assim, “legião” passa a ser um espelho da luta que se trava no interior de cada ser humano e que só pode ser acalmada pelo poder do espírito unificador e purificador de Cristo-Jesus. A abordagem intelectual dessa situação só poderá frustrar os esforços de melhorar o estado do paciente.

A Filosofia Rosacruz foi dedicada ao mundo ocidental por causa do monopólio exercido pelo intelectualismo sobre os indivíduos dessa parte do globo. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que é uma dura tarefa para intelectuais cultivar a compaixão, que deve temperar o seu conhecimento e ser o guia, realmente, no uso desse conhecimento.

É isso que o Método Rosacruz de Desenvolvimento pelo Conhecimento Direto almeja por realizar, levando o candidato à compaixão, por meio do conhecimento. Esse método procura cultivar dentro do Aspirante à vida superior as faculdades latentes de visão e audição espirituais, já desde o começo de sua carreira como Aspirante à vida superior. Ensina-o a conhecer os mistérios ocultos do ser e da Natureza e a perceber intelectualmente a unidade de cada um com todos, para que, finalmente, mediante o conhecimento, possa desabrochar dentro dele o sentimento que o que faz um com o Infinito.

Há três passos importantes nesse caminho: o primeiro, quando o Estudante Rosacruz dá o primeiro passo, por meio do estudo persistente, diligente, disciplinado e obediente; o segundo, quando é admitido para o Probacionismo e assume a solene obrigação de servir a Humanidade por meio do sacrifício de sua natureza inferior ao “Eu superior”, ocasião em que a sua aura se mescla com a do Mestre. O próximo passo é o Discipulado: não poderá mais voltar atrás. O caminho do Discipulado foi comparado com a torre de uma igreja – estreita-se gradativamente até o topo, encontrando a solitária cruz.

Aí é o ponto máximo de provação do Aspirante à vida superior e os grandes problemas de disciplina espiritual são dificílimos. No entanto ele deve continuar a trabalhar consciente e inconscientemente “para frente e para cima”, para o grande clímax que na história do mais nobre de todos que tenham percorrido o Caminho do Cristão Místico, foi chamado de Transfiguração.

A Transfiguração representa uma ocorrência, durante a qual um processo de transfiguração se efetua no Corpo do Iniciado. A essência das experiências vividas e a união com o Coração, produzem uma luz radiante que penetra todo o seu Corpo.

Temos agora uma melhor compreensão a respeito da Transfiguração, conforme narrada nos Evangelhos. Devemos lembrar que foram os veículos de Jesus que ficaram temporariamente afetados pelo Espírito de Cristo na Transfiguração. Por isso é que aprendemos na Filosofia Rosacruz que a Transfiguração, de acordo como é revelada na Memória da Natureza, mostra o Corpo do Cristo de um branco deslumbrante, assim evidenciando Sua ligação com o Deus-Pai, o Espírito Universal. Não há nada no mundo tão raro e precioso como aquele extrato do ser humano: o Cristo Interno. E quando cresce ele brilha através do corpo transparente como a Luz do Mundo.

O estudo cuidadoso da vida de Cristo Jesus, conforme relatada pelos Seus Discípulos, S. Mateus, S. Marcos, S. Lucas e S. João, mostrará que Ele deixou a Sua orientação para qualquer tipo de problema que nós, como Aspirantes à vida superior, finalmente encontraremos no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Derramando a Sua enorme força espiritual sobre nós, Ele acalma as tempestades do excesso emocional, cura a grande enfermidade que é a ignorância, devolve a visão aos cegos pelo materialismo, expulsa os demônios do ódio e do egoísmo, derrotando o último grande adversário: o medo da morte. Aqui temos o verdadeiro sentido da redenção: a vitória sobre a alienação do ser humano dele mesmo, dos outros e de Deus!

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ de outubro/1975 – Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.T.: 32Logo que saíram, eis que lhe trouxeram um endemoninhado mudo. 33Expulso o demônio, o mudo falou. A multidão ficou admirada e pôs-se a dizer: “Nunca se viu coisa semelhante em Israel!”. 34Os fariseus, porém, diziam: “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios”.

[2] N.T.: 28Ao chegar ao outro lado, ao país dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois endemoninhados, saindo dos túmulos. Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. 29E eis que se puseram a gritar: “Que queres de nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”30Ora, a certa distância deles havia uma manada de porcos que estava pastando. 31Os demônios lhe imploravam, dizendo: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”. 32Cristo Jesus lhes disse: “Ide”. Eles, saindo, foram para os porcos e logo toda a manada se precipitou no mar, do alto de um precipício, e pereceu nas águas. 33Os que os apascentavam fugiram e, dirigindo-se à cidade, contaram tudo o que acontecera, inclusive o caso dos endemoninhados. 34Diante disso, a cidade inteira saiu ao encontro de Cristo Jesus. Ao vê-lo, rogaram-lhe que se retirasse do seu território. (Mt 8:28-34)

1Chegaram do outro lado do mar, à região dos gerasenos. 2Logo que Cristo Jesus desceu do barco, caminhou ao seu encontro, vindo dos túmulos, um homem possuído por um espírito impuro: 3habitava no meio das tumbas e ninguém podia dominá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes já o haviam prendido com grilhões e algemas, mas ele arrebentava os grilhões e estraçalhava as correntes, e ninguém conseguia subjugá-lo. 5E, sem descanso, noite e dia, perambulava pelas tumbas e pelas montanhas, dando gritos e ferindo-se com pedra. 6Ao ver Cristo Jesus, de longe, correu e prostrou-se diante d’Ele, 7clamando em alta voz: “Que queres de mim, Jesus, Filho de Deus altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes! 8“Com efeito, Cristo Jesus lhe disse: “Sai deste homem, espírito impuro! 9 “E perguntando-lhe: “Qual é o teu nome?” Respondeu: “Legião é o meu nome, porque, somos muitos”. 10E rogava-lhe insistentemente que não os mandasse para fora daquela região. 11Ora, havia ali, pastando na montanha, uma grande manada de porcos. 12Rogava-lhe, então, dizendo: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. 13Ele o permitiu. E os espíritos impuros saíram, entraram nos porcos e a manada — cerca de dois mil — se arrojou no mar, precipício abaixo, e eles se afogavam no mar. (Mc 5:1-13)

26Navegaram em direção à região dos gerasenos, que está do lado contrário da Galileia. 27Ao pisarem terra firme, veio ao seu encontro um homem da cidade, possesso de demônios. Havia muito que andava sem roupas e não habitava em casa alguma, mas em sepulturas.28Logo que viu a Cristo Jesus começou a gritar, caiu-lhe aos pés e disse em alta voz: “Que queres de mim, Cristo Jesus, filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes”. 29Cristo Jesus, com efeito, ordenava ao espírito impuro que saísse do homem, pois se apossava dele com frequência. Para guardá-lo, prendiam-no com grilhões e algemas, mas ele arrebentava as correntes e era impelido pelo demônio para os lugares desertos. 30Cristo Jesus perguntou-lhe: “Qual é o teu nome?”. — “Legião”, respondeu, porque muitos demônios haviam entrado nele. 31E rogavam-lhe que não os mandasse ir para o abismo.32Ora, havia ali, pastando na montanha, uma numerosa manada de porcos. Os demônios rogavam que Cristo Jesus lhes permitisse entrar nos porcos. E ele o permitiu. 33Os demônios então saíram do homem, entraram nos porcos e a manada se arrojou pelo precipício, dentro do lago, e se afogou. (Lc 8: 26-33)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Sociedade Aquariana

Os ensinamentos promulgados pela Fraternidade Rosacruz mencionam a aproximação de uma nova Era, à medida que a Sol, em seu movimento precessional caminha do Signo de Peixes para o Signo de Aquário.

O Sol entrou na órbita de influência aquariana em meados do século passado. A cada 72 anos ele se aproxima um grau do Signo de Aquário, regido por Urano. Sua influência, cuja palavra-chave é a originalidade e renovação, faz-se sentir nas conquistas espaciais, no estudo e aproveitamento das energias solar e atômica, no avanço das telecomunicações e muitas outras áreas tecnológicas, filosóficas, religiosas e afins. Estas descobertas estão transformando o mundo e nos conduzindo a um futuro inimaginável, saibamos ou não.

Algumas passagens das Sagradas Escrituras aludem, esotericamente, a nova Era.

As Eras são fases cíclicas do progresso humano, predominando, em cada uma delas, características marcantes. Oferece ambientes e experiências adequados ao desenvolvimento da Humanidade. O Antigo Testamento relata, veladamente, as transições entre várias dessas etapas.

Ao final da Era de Touro, há uns quatro mil anos (contando com a base de tempo atual: 1 ano como 365 dias), o “povo escolhido” empreendeu a fuga do Egito, terra onde o boi Ápis era cultuado. Neste êxodo foram conduzidos por Moisés, cuja cabeça, em antigas gravuras aparece adornada com cornos de carneiro. Essa forma de representá-lo indica tratar-se do precursor da Era de Áries, durante a qual, na manhã de Páscoa, o Sol tingia de vermelho as portas das casas, semelhante a sangue de carneiro.

Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrava na órbita de influência de Peixes, S. João Batista submergia as pessoas nas águas do Jordão. O Cristo chamava a seus Discípulos de “pescadores de homens” (Mt 4:18). O peixe (o ictus dos latinos) era um símbolo do Cristianismo. Explica-se, assim, porque a mitra dos bispos assemelha-se a uma cabeça de peixe. Olhando o futuro através da perspectiva do passado, evidencia-se o alvorecer de uma nova Era. É razoável supor-se que um estágio mais avançado de Religião substituirá o presente, revelando-nos ideais mais nobres do que nosso atual conceito de Religião Cristã.

Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o trabalho de preparação para a Era de Aquário já se iniciou. Como se trata de um Signo do Ar, científico e intelectual, depreende-se que a Religião aquariana deverá alicerçar-se em bases racionais, sendo capaz de resolver o enigma da vida e da morte de tal forma a satisfazer a Mente e o Coração.

Aquário é representado por um homem derramando água de seu cântaro, simbolizando o desaparecimento da umidade pela predominância de uma atmosfera mais seca e etérica.

O ser aquariano, por certo, derramará toda a água viva de sua sabedoria, chegando a um adiantamento inconcebível, produzido pelo contato direto de sua Mente com os raios do Cristo Cósmico.

Na próxima Era não haverá mais guerras, porque o nosso desenvolvimento espiritual o tornará um verdadeiro templo de amor. Segundo a Astrologia espiritual Rosacruz e os Ensinamentos Rosacruzes novas forças e energias serão descobertas. Serão, entretanto, utilizadas em benefício de todos, ao contrário do que ocorre nos dias atuais.

Em Aquário, uma Humanidade mais nobre povoará a Terra. A sociedade aquariana, em termos sociais, científicos e espirituais deverá atingir tal estágio evolutivo, que para a limitada consciência pisciana pareceria mera ficção.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Conforme Plantamos…

“Sim. Vejo que o medo é um grande fator, mas há muitas outras coisas que nos influenciam em nossos atos. A maturidade faz desabrochar as paixões e os apetites; vejo que as indulgências mais anormais são toleradas pelo mundo. Isso é natural ou antinatural?”

“A maioria delas é anormal. Por exemplo, a conservação da força sexual criadora é absolutamente essencial para uma vida plena e equilibrada. O ser humano não deveria desperdiçar suas energias vitais. Ele tem gastado sua capacidade em uma vida desregrada e isso significa muito mais do que gastar dinheiro. Ele desperdiça a própria substância da qual se formam as condições harmoniosas dentro do Corpo e fora dele, em seu ambiente, e depois se pergunta por que está mergulhado na pobreza.

Não existe desarmonia alguma em qualquer parte pela qual o ser humano não seja responsável. A Alma do indivíduo é muito sutil e delicadamente organizada para habitar harmoniosamente em um Corpo imbuído de vapores de bebida alcoólica, por exemplo. O Corpo Denso é um mecanismo delicado demais para ser preenchido com o lixo que nele é despejado apenas para satisfazer um apetite glutão, o que dá a doença o controle do Corpo, em lugar de ser administrado pelo Espírito, e o que resulta em uma Alma enfraquecida.

Pensa você que o ser humano pode matar e torturar, como bem lhe aprouver, os animais indefesos sem prestar contas por seus atos? Acredita, ainda que por um momento, que a mulher que veste a pele de um animal indefeso que foi torturado em uma armadilha, assassinado e praticamente esfolado antes de morrer, escapa de sentir, em alguma medida, a miséria e o sofrimento do animal cuja vida foi tão impiedosamente tirada? A pessoa que usa um belo adorno de cabelo ou chapéu feito com penas longas e finas, retirado da cabeça de uma ave ainda viva, que é deixada para morrer e cujos filhotes, agora sem mãe, sentem fome em seus ninhos — ela usa essa pluma com prazer e sai ilesa?

Você imagina que aquele que devora um bife retirado do flanco de um animal indefeso, que viajou amontoado em vagões cheios de medo, foi cutucado com varas pontiagudas até os currais de abate e ali teve a cabeça golpeada, a garganta cortada e a pele removida antes mesmo de morrer — você acredita que participar desses medos e agonias não tem efeito algum sobre o ser humano, sequela mental, moral ou física?

“Você me pergunta para explicar qual é o problema: por que a Humanidade sofre tanto? E eu digo que ela está colhendo o que semeia e é negligente em relação à própria semeadura. Está plantando discórdia e esperando uma colheita de harmonia. Quando colhe uma safra de discórdia a partir da semente da discórdia que ela mesma plantou, então ela se queixa de viver em um mundo injusto.”

Há muitos fatores que controlam as condições ou as influenciam na vida: muitas regras e exceções às regras. Quando o ser humano despertar para a compreensão de que a Vida é uma ciência não material e deve ser vivida cientificamente dessa forma para alcançar resultados harmoniosos, ele viverá de tal modo que escapará de grande parte dos problemas que uma vida e um pensamento descuidados podem causar. Isso não significa que o ser humano que vive cientificamente daquela maneira seja menos livre nem que precise carregar consigo uma expressão fingida em ser excessivamente piedosa, moral ou virtuosa ou, ainda, hipócrita.

Quando vivermos cientifica, mas não materialmente, seremos livres e nossa vida será harmoniosa. O “exterior” a nós se tornará igual ao “interior”. Isso implica que o Espírito, a Alma e o Corpo estarão em harmonia (o Espírito consegue trabalhar no Corpo de forma eficaz, gerando a Alma – seu pábulo – também eficazmente); que sua vida familiar será harmoniosa; que suas relações profissionais serão harmoniosas; que suas relações sociais serão o que desejar que sejam. A Nova Era virá quando o ser humano deixar de matar, direta e indiretamente. Por exemplo, os animais seguirão o exemplo dado pelo ser humano e deixarão de devorar uns aos outros; então o leão e o cordeiro realmente se deitarão juntos (Is 11:16).

“Mas como o ser humano aprenderá a viver por meio de uma ciência não material?” Ouça! Se fosse construir uma bela casa para você mesmo, você a planejaria cuidadosamente e cuidaria para que cada pedra, tijolo e madeira que fizesse parte da sua casa fossem cuidadosamente selecionados e colocados firmemente em seus devidos lugares, de acordo com o plano.

No entanto, ao construir nossas vidas, o que fazemos em relação à seleção dos nossos pensamentos, que correspondem às pedras, tijolos, madeira outros materiais? Tomamos nossos pensamentos e os espalhamos descuidadamente, de maneira aleatória, como se não tivessem valor. Aceitamos qualquer “pensamento velho” quando aparece em nosso caminho, permitindo que ele tome posse de nós e se torne parte de nós, em vez de selecionarmos cuidadosamente os pensamentos e rejeitarmos todos aqueles que não sejam de primeira qualidade ou possam prejudicar a beleza ou a simetria da vida perfeita que desejamos construir. Preste bem atenção nisso que conseguirá começar a viver a vida por meio de uma ciência não material.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – novembro/1916, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Interpretação Esotérica da Parábola do Semeador

Nesta parábola, Cristo Jesus referiu-se não apenas às verdades espirituais que a Humanidade em geral tinha tal necessidade no tempo de Seu ministério de três anos, mas também descreveu diferentes tipos de pessoas e suas reações a Seus ensinamentos. A atitude das três primeiras classes que Ele descreve explica o fato de que uma parte tão grande da Humanidade estava no ponto de retrocesso quando o Raio de Cristo veio à Terra como seu Espírito Planetário residente.

Havia então, como agora, muitas pessoas que fizeram tão pouco esforço e progresso ao longo das linhas espirituais que não entendem quando alguém fala com elas sobre as leis espirituais subjacentes à existência. Desde o tempo, Eons e Eons atrás, que os Espíritos Virginais foram diferenciados dentro de Deus e começaram a mergulhar na matéria, muitos exerceram seus poderes divinos tão ligeiramente e se tornaram tão emaranhados na materialidade que perderam a percepção de serem seres espirituais e responde pouco à voz do Eu Superior. As forças subversivas estão em ação constante para liderar essa classe, que constitui aqueles que “receberam semente no esquecimento”, longe das influências edificantes que poderiam colocá-los entre os mais avançados.

Há outro tipo de pessoas que são instáveis, não tendo a fixidez de propósito ou força de caráter para manter os ensinamentos espirituais e padronizar suas vidas por eles, mesmo que possam aceitar as verdades quando ouvidas. Eles ouvem livremente todos os ensinamentos que podem ser promulgados, mas não discriminam e fazem de suas concepções intelectuais uma parte de sua base para a vida diária. Eles não permitem que a “palavra” forme “raiz” em seus seres e, portanto, constituem um “terreno pedregoso”, onde a “semente” desaparece.

Uma terceira classe de pessoas tornou-se tão absorta em suas buscas materiais e desejos egoístas que eles não permitem que um conhecimento das verdades espirituais interfira em sua maneira sensual de existir. Eles vivem em suas emoções e desejos: comendo, bebendo e se divertindo. Suas casas e terras, seus “gastos e gastos”, suas vaidades pessoais, etc., ocupam seu tempo e seus pensamentos. Os “espinhos”, ou natureza inferior, sufocam a “semente” e impedem seu crescimento. Felizmente, há ainda outro tipo de ser humano, como referido na parábola: aqueles que “ouvem a palavra”. Estes são aqueles que ouvem a voz do Eu Superior, o Cristo Interno, e se esforçam para viver de acordo com a parábola, ou seja, de acordo com as verdades espirituais dadas à Humanidade, como um padrão para o progresso pelos nossos Irmãos Maiores. Suas vidas diárias estão cheias de pensamentos e atos de amor e serviço para com os outros, em emulação de Cristo Jesus, o ideal para a Humanidade presente. Assim, eles se preparam para a Nova Era alimentando a “semente” até que ela cresça e floresça em um glorioso e luminoso fruto: a vestimenta do Casamento de Ouro, ou Corpo-Alma, a evidência do Cristo Interno.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de fevereiro/1975 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Natureza passa por ciclos de alternância. Esses encontram alguma correspondência em nós?

Resposta: Tanto o Solstício de Junho e o Solstício de Dezembro, como o Equinócio de Março e o Equinócio de Setembro são pontos de alternância, de mudança, na vida do Grande Espírito Planetário da Terra, Cristo. Assim, também, a nossa concepção traduz o início de mais uma nossa descida ao Corpo Denso, culminando em mais um nosso nascimento aqui. Esse inaugura o período de crescimento, até alcançarmos a maturidade. Então, começa uma época de frutificação e de amadurecimento, a par do declínio das energias físicas, até terminar na morte, que nos livra matéria física. Depois, se manifesta uma época de metabolismo espiritual e colhemos as nossas experiências terrestres, transformando-as em poderes da Alma, em tendências e talentos. Tais poderes e talentos serão postos a juros em vidas futuras para prosperarmos e nos fazer mais ricos espiritualmente até sermos merecedores do título de “Fiéis Administradores” (Lc 12:42-48 e ICor 4:1-6) e de ocuparmos postos maiores e melhores entre os “servos da Casa do Senhor” (Sl 134:1-3 e Mt 24:25).

Observemos que as condições dominantes, nessa Época Ária, são tão temporárias, como as das Épocas precedentes. O processo de condensação que ainda continua, transformou a nevoa ígnea da Época Lemúrica na atmosfera densa e úmida da Época Atlante e, mais tarde, converteu esta umidade em água que inundou as cavidades da Terra – os Dilúvios – e nos impeliu para as terras altas, para as mesetas. Tanto a atmosfera, como as condições fisiológicas estão mudando. É um alerta para a Mente compreensiva, referente à aurora de uma Nova Era sobre o horizonte do tempo, a Era de unificação.

A Bíblia não deixa nenhuma dúvida a respeito das mudanças. Cristo disse que o acontecido nos “dias de Noé” aconteceria nos dias do porvir. A ciência e a imaginação descobrem condições desconhecidas anteriormente. É um fato científico que o consumo do oxigênio, na alimentação da indústria, está se tornando alarmante. Também os incêndios nos bosques consomem, consideravelmente, este importante elemento e contribuem para o processo de dissecação da atmosfera. Cientistas eminentes assinalaram que um dia nosso globo não poderá suster a vida dependente da água e do oxigênio, um dos componentes do ar. As ideias dos cientistas não provocaram muita ansiedade, por ser distante a data no futuro prevista. Contudo, por mais afastado que seja este dia, o nosso destino é tão inevitável, como o foi quando habitávamos em Corpos Atlantes.

A cada fase que surge, vemo-nos a frente com um novo Elemento, ao qual devemos nos adaptar. Vejamos como se manifesta esse Elemento nos dias atuais e quais suas implicações futuras: se quando habitávamos em Corpos Atlantes pudéssemos ser transferidos para a nossa atmosfera, morreríamos asfixiados, como o peixe que se arrebatasse do seu elemento nativo. As cenas conservadas na Memória da Natureza provam que os primeiros a subir as terras altas, desmaiaram instantaneamente, ao se encontrar com uma das correntes de ar que baixavam, gradualmente, sobre a Terra. Então, essas experiências provocaram vivos comentários e suposições. Atualmente, os aviadores encontram, também, um novo Elemento e experimentam asfixia idêntica à dos precursores Atlantes. Enfrentam um novo Elemento que vem de cima para substituir o oxigênio da nossa atmosfera.

Ao mesmo tempo, uma nova substância está se introduzindo no nosso Corpo Denso, em substituição a albumina. Os Atlantes, sem pulmões desenvolvidos para o Elemento Ar, pereceram nos Dilúvios. Assim, também, a Nova Era encontrará alguns sem o “Vestido de Bodas” – o Corpo-Alma –, incapacitados para nela entrar. Esperarão, até que se achem preparados, em tempos futuros. Consequentemente, é de máxima importância para todos saberem o máximo possível sobre o novo Elemento e a nova substância. Os Ensinamentos Rosacruzes facilitam o acesso a ampla informação sobre o assunto.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1974 – Fraternidade Rosacruz–SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A “Bíblia” na Nova Era – O Livro dos Atos

No nome de Cristo Jesus mora a Suprema força do Iniciado. Eis o motivo pelo qual S. Pedro nos ensina: “Pedro lhes disse: ‘arrependei-vos e batize-se cada um de vós, em nome de Cristo Jesus, para o perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.’” (At 2:38).

Complementado pelo que S. Paulo nos ensina: “Ao seu nome todo joelho se dobrará.” (Fp 2:10).

A palavra “amém” está composta de duas letras masculinas e duas femininas, correlacionadas com os quatro Elementos do: Fogo, Ar, Água e Terra. Quem pode entoar adequadamente esse nome, controlará todos os habitantes e as forças dos elementos. Poder adquirido pelos Discípulos no transcendental evento conhecido como Pentecostes.

Aprendemos nos Estudos Bíblicos Rosacruzes que há uma descrição da vida das primeiras comunidades Cristãs que nada mais é do que um ideal. Ei-la: “E perseveraram na doutrina dos Apóstolos, em comunhão uns com os outros, compartilhando o pão e orando. E sobreveio temor a todos; e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos Apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham em comum todas as coisas; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam a todos segundo a necessidade de cada um. E perseverando unânimes cada dia no Templo, repartiam o pão nas casas, comiam juntos com alegria e simplicidade de coração.” (At 2:42-46). Fácil compreender que ali se encontra o ideal da Nova Era – a Era de Aquário –, onde a amizade e a fraternidade serão demonstradas e praticadas cotidianamente. É somente pela prática, na vida diária da fraternidade, que se abrirão as portas do Templo da Sabedoria. Jamais encontraremos a luz até que aprendamos a manifestar o espírito de irmandade. O estudo dos livros fornece somente um conceito intelectual dessas verdades, porém aquele que se capacita a recebê-las na fonte é quem vive os princípios sobre os quais elas estão fundamentadas. É o famoso pensar com o Coração.

A formosa vida desses primeiros Cristãos foi um poderoso imã de atração. Ali, onde não existiam distinções de casta ou clã, nem patrícios nem plebeus, nem ricos nem pobres. Os neófitos conviviam e cada um era tratado e aceito como um irmão e como uma irmã. Suas comunidades eram centros de amor e de serviço, nas quais ninguém era excluído. Eles observavam extrema simplicidade em todas as coisas, redimindo pessoas que eram presas à imoralidade e práticas dissolutas, remanescentes da passada Era de Touro.

Admiráveis forças espirituais foram desenvolvidas e manifestadas no meio dessa gente. O grupo íntimo formava uma reunião com seu único Mestre, Cristo, que estava frequentemente entre eles, fortalecendo-os, estimulando-os e inspirando-os. Eles haviam aprendido também a segui-lo nos Mundos espirituais, dos quais Ele lhes havia dito: “Não podeis seguir-me agora, porém, o fareis depois” (Jo 13:36).

Apesar das frequentes perseguições e martírios a que eram expostos, esses primeiros Cristãos alcançaram uma sublime consciência, experimentando um profundo êxtase espiritual que ultrapassa toda compreensão humana e não pode ser comparado a coisa alguma. Cada noite, em alegre reverência, reuniam-se para uma frugal refeição, chamada na Grécia “ágape”, ou festa de amor Crístico. Seguia-se a isto, um período de estudo e celebração da Eucaristia. Depois, dava-se sequência a uma classe limitada àqueles avançados e maduros espiritualmente. Prosseguindo essas normas, novas e extensas forças de cura, profecia e visão foram desenvolvidas no meio deles, juntamente com a habilidade de comunicação com seu dileto Mestre. E isso porque vivenciavam tal Ensinamento de Cristo: “Se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente Meus discípulos e conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará” (Jo 8:31-32). Simples assim!

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross e traduzido e publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro-fevereiro/1987 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Poder de “ordenar aos demônios”

O Evangelho de S. Lucas relata que os homens retornaram contando com muita alegria: “Senhor, até os demônios se sujeitaram a nós por causa de Teu Nome” (Lc 10:17).

O poder de “ordenar aos demônios” constituía um dos pontos importantes do ministério de Cristo-Jesus. O Novo Testamento encontra-se repleto de narrativas alusivas ao demônio, a “força do mal”. Há frases nas quais são mencionados os termos: “mensageiros de Satanás”, “o pai da mentira”, o iníquo, o adversário e o destruidor. Toda essa nomenclatura mostrando a existência cósmica do “poder do mal”. Podemos ter certeza, dessa forma, que o mal existe na realidade e que é de natureza pessoal, tendo, naturalmente, efeitos sobre nós como indivíduos.

Um dos aspectos mais impressionantes relativos ao enorme interesse por temas do pseudo-ocultismo é que: pessoas que firmemente negam a existência de Deus acreditam e parecem profundamente impressionadas com o demônio. Devemos completar essa ideia mencionando o fato de que o demônio não é, em absoluto, uma invenção da Religião Cristã. Uma das formas mais persistentemente em evidência, um ser portador de chifres, asas e garras data, pelo menos, de épocas tão remotas como a antiga Mesopotâmia.

Pode-se observar, em nossos tempos, uma onda de fascinação exercida pelas “forças invisíveis”. O nosso mundo e a nossa arte sentem o impacto de cultos mais ou menos satânicos, sessões envolvendo bruxas e bruxaria e, como é de conhecimento de todos, drogas.

Parece de pouca consistência em nosso mundo supercientífico e supertecnológico, o exame, e reexame, tanto pelo público, como pelas elites intelectuais, das forças malignas invisíveis e suas manifestações.

Esse interesse também se reflete em nossos veículos de comunicação. A publicação de obras literárias e filmes servem de indicadores seguros do grau de interesse pela atuação dos “espíritos malignos”.

Assim sendo, pode não ser coincidência o fato dos autores dos Evangelhos terem distinguido a obsessão dos outros tipos de moléstias curadas. Como se sabe, grande parte das curas efetuadas por Cristo-Jesus foram desse tipo. Entre as curas individuais realizadas, conforme o Novo Testamento, sete envolviam pessoas obsidiadas por demônios: cinco homens, um menino e uma menina. Em cada um desses casos, Cristo-Jesus usava de métodos específicos e diferentes para a obtenção da cura, ponto merecedor de estudo detalhado do Aspirante à vida superior aplicado.

Em primeiro lugar, é de se notar que todas as entidades obsessoras reconheciam o Cristo, avaliavam seu poder sobre elas e se lhe declararam sujeitas sem opor resistência (Mc 1:23-26). Esse primeiro relato de exorcismo refere-se a um incidente ocorrida num domingo em Cafarnaum, na Galileia, no interior da Sinagoga, enquanto o Cristo ensinava. Relata o Evangelho: “E estava na sinagoga um homem com um espírito imundo, o qual exclamou dizendo: Ah! Que temos contigo Jesus Nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és, o Santo de Deus. E repreendeu-o Jesus dizendo: Cala-te e sai dele. Então o espírito imundo convulsionando-o, e clamando, com grande voz, saiu dele.”. Essa cura foi espontânea e, sem dúvida, surpreendente para a multidão da sinagoga. O demônio não suportou as altas vibrações de Santa Presença e foi obrigado a se revelar, encontrando assim o destino relatado.

No Evangelho segundo S. Mateus (9:32-33) – “Logo que saíram, eis que lhe trouxeram um endemoninhado mudo. Expulso o demônio, o mudo falou. A multidão ficou admirada e pôs-se a dizer: “Nunca se viu coisa semelhante em Israel!”. Note que é um caso do endemoninhado surdo e mudo, cujos órgãos vocais e auditivos estavam sendo controlados por uma entidade. Imediatamente após o afastamento dela, o indivíduo recuperou a sua fala, voltando ao normal. Porém, isso não agradava aos fariseus! Dizem eles: “Os fariseus, porém, diziam: “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios” (Mt 9:34).

Existe, porém, uma narrativa de um ato de exorcismo extraordinário contido nos Evangelhos e é de se admirar que tal incidente não consiga horrorizar ninguém não havendo, até hoje, um escritor bastante interessado em tecer um amplo comentário a respeito, o que traria à realidade, para os seres humanos de hoje, o tremendo poder à disposição do Cristo.

E o mais impressionante ato de exorcismo relatado na Bíblia é o do homem geraseno ou gadareno, cujos obsessores identificaram-se a si mesmos como “legião”. Essa cura deve ter particular importância, uma vez que três dos evangelistas, S. Mateus, S. Marcos e S. Lucas escreveram a respeito[1].

O incidente ocorreu num dia em que o Cristo e os Discípulos decidiram atravessar para a costa Oeste do Lago de Tiberíades. A área se compunha, em sua maioria, de pedras calcárias dispostas em penhascos pontilhados de cavernas, lugar em que se costumava sepultar os mortos.

Quando o pobre homem obsidiado avistou o Cristo, veio correndo e se prostrou diante d’Ele gritando “O que temos a haver contigo Filho do Altíssimo? Não nos atormente”. O Cristo reconheceu de imediato o grande mal que havia naquele homem e ordenou: “Saia desse homem espírito imundo”. Em seguida formulou uma pergunta que poderia parecer até irrelevante: “Qual é o seu nome?”. A resposta foi: “É legião, porque somos muitos”.

Há vários pontos a serem considerados nesse relato de exorcismo. O mais importante é que imediatamente após o afastamento das entidades obsessoras, o ser voltava de imediato à condição de ser humano normal. Do ser bestial, demente, cuja presença afastava a todos, surgia o ser humano absolutamente normal e comum, que só rogava aos santos homens que ficassem com ele. O Cristo disse, porém, que era mais útil levar o conhecimento dessa cura para o seu círculo de amigos como testemunho da dádiva recebida por ele de Deus. Tarefa não muito fácil, de fato, pois a família e os amigos representam, às vezes, a maior dificuldade a ser enfrentada por aquele que foi purificado pelo amor de Cristo, e quer segui-lo.

O Cristo instruía Seus Discípulos num método muito avançado de exorcismo. Mostrava-lhes que tão logo o exorcista estivesse de posse do nome da entidade, ela se encontrava debaixo de Seu poder. Nesse tipo de exorcismo os Discípulos recebiam instruções reservadas sobre o poder das vibrações contidas em nomes e como ele deveria ser usado nas curas comuns ou no exorcismo, bem como para finalidades superiores a outros.

O relato bíblico envolvendo o demônio chamado “legião” acaba por evidenciar que as entidades receberam a permissão de Cristo para entrar numa manada de porcos levada a um abismo.

Com referência a esse ato de destruição, é interessante voltar à antiga simbologia egípcia. Naqueles tempos, os porcos eram simbolicamente identificados com o Planeta Marte, ou seja, a natureza inferior e passional do ser humano.

Há aqui uma indicação simbólica do poder de Cristo em purificar os seres, enviando as entidades inferiores para o seu próprio elemento inferior, simbolizado na narrativa pela manada de porcos.

Parece quase certo que a cura de obsessões por intermédio de entidades desencarnadas será o ministério de maior importância no setor de cura durante a Nova Era.

S. Paulo aconselha que “oremos sem cessar”, cobrindo-nos assim da Aura Protetora da oração. Isso é assaz importante para o Aspirante à vida superior, uma vez que a quantidade de pensamentos, desejos, emoções, sentimentos, palavras, ações, obras e atos negativos, constantemente gerados em nosso Planeta, fica incorporada nas três Regiões inferiores do Mundo do Desejo, podendo perfeitamente obsidiar qualquer indivíduo que não foi treinado a controlar ou destruir o seu impacto. Assim, “legião” passa a ser um espelho da luta que se trava no interior de cada ser humano e que só pode ser acalmada pelo Poder do Espírito unificador e purificador de Cristo-Jesus. A abordagem intelectual dessa situação só poderá frustrar os esforços de melhorar o estado do paciente.

A Filosofia Rosacruz foi dedicada ao mundo ocidental por causa do monopólio exercido pelo intelectualismo sobre os indivíduos dessa parte do globo. Max Heindel afirmou que é uma dura tarefa para intelectuais cultivar a compaixão, que deve temperar o seu conhecimento e ser o guia, realmente, no uso desse conhecimento.

É isso que o Método Rosacruz de desenvolvimento almeja por realizar, levando o candidato à compaixão, por meio do conhecimento. Esse método procura cultivar dentro do Aspirante à vida superior as faculdades latentes de visão e audição espirituais, já desde o começo de sua carreira como Aspirante à vida superior. Ensina-o a conhecer os mistérios ocultos do ser e da natureza e a perceber racionalmente a unidade de cada um com todos – onde desperta a compaixão por meio do misticismo – para que, finalmente, mediante o conhecimento, possa desabrochar dentro dele o sentimento que o que faz um com o Infinito.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/75 – Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.R.: “Ao chegar ao outro lado, ao país dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois endemoninhados, saindo dos túmulos. Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. E eis que se puseram a gritar: “Que queres de nós, Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes do tempo?”. Ora, a certa distância deles havia uma manada de porcos que estava pastando.  Os demônios lhe imploravam, dizendo: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”.  Jesus lhes disse: “Ide”. Eles, saindo, foram para os porcos e logo toda a manada se precipitou no mar, do alto de um precipício, e pereceu nas águas. Os que os apascentavam fugiram e, dirigindo-se à cidade, contaram tudo o que acontecera, inclusive o caso dos endemoninhados. (Mt 8:28-33).

“Chegaram do outro lado do mar, à região dos gerasenos. Logo que Jesus desceu do barco, caminhou ao seu encontro, vindo dos túmulos, um homem possuído por um espírito impuro: habitava no meio das tumbas e ninguém podia dominá-lo, nem mesmo com correntes. Muitas vezes já o haviam prendido com grilhões e algemas, mas ele arrebentava os grilhões e estraçalhava as correntes, e ninguém conseguia subjugá-lo. E, sem descanso, noite e dia, perambulava pelas tumbas e pelas montanhas, dando gritos e ferindo-se com pedra. Ao ver Jesus, de longe, correu e prostrou-se diante d’Ele, clamando em alta voz: “Que queres de mim, Jesus, Filho de Deus altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes! “Com efeito, Jesus lhe disse: “Sai deste homem, espírito impuro!  “E perguntando-lhe: “Qual é o teu nome?” Respondeu: “Legião é o meu nome, porque, somos muitos”. E rogava-lhe insistentemente que não os mandasse para fora daquela região. Ora, havia ali, pastando na montanha, uma grande manada de porcos. Rogava-lhe, então, dizendo: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. Ele o permitiu. E os espíritos impuros saíram, entraram nos porcos e a manada — cerca de dois mil — se arrojou no mar, precipício abaixo, e eles se afogavam no mar. Os que os apascentavam fugiram e contaram o fato na cidade e nos campos. E correram a ver o que havia acontecido. Foram até Jesus e viram o endemoninhado sentado, vestido e em são juízo, aquele mesmo que tivera a Legião. E ficaram com medo. As testemunhas contaram-lhes o que acontecera com o endemoninhado e o que houve com os porcos. Começaram então a rogar-lhe que se afastasse do seu território. Quando entrou no barco, aquele que fora endemoninhado rogo-lhe que o deixasse ficar com Ele. Ele não deixou, e disse-lhe: “Vai para tua casa e para os teus e anuncia-lhes tudo o que fez por ti o Senhor na sua misericórdia”. Então partiu e começou a proclamar na Decápole o quanto Jesus fizera por ele. E todos ficaram espantados.” (Mc 5:1-20).

“Navegaram em direção à região dos gerasenos, que está do lado contrário da Galileia. Ao pisarem terra firme, veio ao seu encontro um homem da cidade, possesso de demônios. Havia muito que andava sem roupas e não habitava em casa alguma, mas em sepulturas. Logo que viu a Jesus começou a gritar, caiu-lhe aos pés e disse em alta voz: “Que queres de mim, Jesus, filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes”. Jesus, com efeito, ordenava ao espírito impuro que saísse do homem, pois se apossava dele com frequência. Para guardá-lo, prendiam-no com grilhões e algemas, mas ele arrebentava as correntes e era impelido pelo demônio para os lugares desertos. Jesus perguntou-lhe: “Qual é o teu nome?”. — “Legião”, respondeu, porque muitos demônios haviam entrado nele. E rogavam-lhe que não os mandasse ir para o abismo. Ora, havia ali, pastando na montanha, uma numerosa manada de porcos. Os demônios rogavam que Jesus lhes permitisse entrar nos porcos. E ele o permitiu. Os demônios então saíram do homem, entraram nos porcos e a manada se arrojou pelo precipício, dentro do lago, e se afogou. Vendo o acontecido, os que apascentavam os porcos fugiram, contando o fato na cidade e pelos campos. As pessoas então saíram para ver o que acontecera. Foram até Jesus e encontraram o homem, do qual haviam saído os demônios, sentado aos pés de Jesus, vestido e em são juízo. E ficaram com medo. As testemunhas então contaram-lhes como fora salvo o endemoninhado.” (Lc 8:26-36)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Renovação: o motivo pelo qual devemos nos transformar em novos seres humanos, em “novidade de Espírito”

Renovação é um termo muito empregado na atualidade. Exprime, talvez, o objetivo das lutas que observamos quotidianamente na arena do mundo. À palavra renovação associamos, intuitivamente, outro vocábulo: adaptação. A adaptabilidade é um fator favorável a qualquer tipo de mudança. Nós, as estruturas sociais, políticas e religiosas não podem se renovar sem a existência dessa faculdade que permite um ajustamento harmonioso as novas condições.

Não podemos negar ou ignorar as transformações que atualmente vem se operando no mundo. Uma força irresistível nos impele para novos rumos. É o curso natural desse Esquema de Evolução. Na Natureza (que é Deus em manifestação) tudo progride lenta, mas, seguramente. A inércia inexiste. Contudo, na atualidade esse avanço parece se processar num ritmo bem acelerado.

Analisando, detida e acuradamente tal fato, nos parece que estamos atravessando uma fase de transição para uma nova Era. Transformações profundas se avizinham. Isto fornece toda a margem a esse clima de insegurança e incerteza observado nos dias de hoje. Alguns conseguem se entrosarem com facilidade às inovações; outros, porém, preferem se conservarem refratários a quaisquer movimentos que visem revolucionar o “status quo” vigente.

Deparamos, então, com um conflito entre duas facções (que nada tem a ver com a idade, posição social ou econômica, grau de escolaridade ou outras segmentações que são comuns nesses casos): os conservadores, representantes das velhas estruturas; e os arrojados, desejosos de erigir um novo mundo. Lamentamos o fato de, muitas vezes, essas duas facções permanecerem extremamente radicais e intransigentes em seus objetivos. Eis porque surgem lutas, às vezes, marcadas até por derramamento de sangue. E aqui sim, se reflete nas segmentações: o diálogo entre idosos e jovens, professores e alunos, pais e filhos, homens e mulheres, geralmente, resulta em fracasso ou, no mínimo, em geração de separatividade. Uma facção não reconhece os méritos do outro. Não aceitam um intercâmbio de valores. Há um terceiro caminho conciliador que uma minoria procura trilhá-lo. Os arrojados, levados pelo seu entusiasmo, refutam em utilizar as experiências e o cabedal de conhecimento do polo contrário, como base para as transformações pretendidas. Desejam prescindir de algo que eles mesmos conquistaram em vidas passadas. É impossível fugir dessa realidade. No ímpeto de ganhar terreno tendem, muitas vezes, para a violência física e psicológica: o desprezo, o egoísmo, o orgulho, a hipocrisia, o etarismo. Convenhamos: sobre a violência ninguém edifica coisa alguma, a não ser ódio, misérias e ressentimentos.

Por outro lado, lamentamos profundamente a atitude dos conservadores, pela sua teimosia intransigente em não aceitar a verdade de que tudo na vida é suscetível de uma transformação para melhor. Tudo pode e deve ser aprimorado. Aquilo que não se renova acaba por se cristalizar, perdendo sua utilidade. Inadaptar-se às novas condições é comodismo, é inercia, é apego a uma rotina agradável, porém sumamente prejudicial. Somos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana manifestados aqui, e como tal nos encontramos acima de estruturas, de formalismos, de tradições e de convenções. Não devemos nos apegar a ninguém e a nada, a não ser a um Ideal elevado que gradativamente nos leve a perfeição: o Cristianismo Esotérico.

Pitágoras, de certo modo, tinha razão ao afirmar em seus famosos “Versos Áureos” que “o bem consiste, muitas vezes, no meio termo”. Como Aspirantes à vida superior, Estudantes de uma profunda Filosofia Rosacruz, compreendemos a necessidade de nos conservarmos sempre dispostos a aceitar todas as inovações edificantes. Não vacilemos em substituir o antigo pelo novo desde que seja para melhorar. Porém, é mister darmos o devido valor àquilo que foi construído no passado, pois constitui-se na base para as conquistas presentes, como essas se refletirão no futuro.

A renovação externa constitui uma necessidade, contudo, se encontra fundamentada na renovação interna. Jamais uma comunidade sofrerá uma benéfica transformação, se os membros que a compõem não se renovarem internamente. Se não cultivarem as virtudes Cristãs, se não aprimorarem o seu caráter, se não agirem como verdadeiros alquimistas, “transformando os metais impuros em ouro”, todas as suas realizações externas levarão a marca de suas imperfeiçoes. Tão somente construirão castelos sobre a areia.

O objetivo primordial de cada um de nós deve ser, antes de tudo, se renovar internamente. Transformemo-nos, pois em novos seres humanos, em “novidade de Espírito” (Rm 7:6). Aproveitemos a benção de estarmos renascidos aqui, nesse momento maravilhoso onde estamos sob a Órbita de Influência da Era de Aquário, estando, ainda na Era de Peixes. Ou seja: temos o dobro de lições a aprender, com o dobro de facilidades para utilizar!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – novembro/1968 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Mistério da Imaculada Conceição ou Concepção

O mistério mais profundo ligado à evolução humana é o da Imaculada Conceição. Sua verdade foi velada, propositadamente, da Mente da Humanidade comum que é inteiramente incapaz de compreendê-la. O Rito da Imaculada Conceição sempre foi uma parte dos Mistérios, mas à medida que o materialismo cresceu, uma a uma, as portas das Escolas de Mistérios foram se fechando, assim também o termo Imaculada Conceição chegou a não ter significado especial.

Como um exercício preparatório durante essa época do ano – a mais Santa – é recomendado ao Estudante Rosacruz estudar sobre a Anunciação no Evangelho de S. Lucas 1:26-38[1]. Ajudará muito abrir a compreensão do Estudante Rosacruz ao significado espiritual do que segue:

A Imaculada Conceição representa a maior conquista da feminilidade. Significa uma conquista tão maravilhosa, misteriosa e sagradamente bela que meras palavras são inadequadas para revelar seu verdadeiro significado. Podemos conhecê-lo plenamente no profundo silêncio da alma.

Maria, a mãe de Jesus, simboliza o Eterno Feminino, o princípio do amor. Eva, a Mãe Universal, em quem a “Queda” deste princípio torna-se Maria, a mãe do imaculadamente concebido, quando este princípio amoroso, que tinha sofrido a “Queda”, é erguido e redimido.

Maria era uma mulher terrena, mas perceba um mistério: “Ela purificou sua natureza de tal modo, que a criança que ela concebeu e a quem ela deu à luz era de tal pureza e perfeição que Ele se tornaria um veículo para o Cristo. A vida e as obras de Maria, de José e de Jesus são proféticas da Nova Era – a Era de Aquário –, quando todo Ego será bem-nascido, tendo seus Corpos gerados em amor por pais puros e castos. Só então um novo tipo de seres humanos, unidos em comunhão e bondade fraterna, desdobrará as asas da imortalidade e manifestará um mundo em que habitarão paz, alegria, saúde e abundância. Isso, verdadeiramente, mostrará a “Santidade ao Senhor”.

A Santíssima Virgem Maria é a mais elevada Iniciada que jamais veio à Terra vestindo um corpo feminino. Há uma dupla razão para isso. Ela veio como um perfeito tipo-padrão para o aperfeiçoamento de todas as mulheres. Ela também veio para dar ao ser humano um dos maiores dons do céu, ou seja, o Santo Mistério da Imaculada Conceição.

Os primeiros alquimistas pronunciaram uma verdade profunda quando declararam que a Pedra Viva (Corpo da Nova Era) seria formada pela união do Sol e da Lua. É dentro das duas joias da coroa que adornam a cabeça (a Glândula Pineal e a Glândula Pituitária) que este trabalho divino é principalmente consumado. Um verdadeiro princípio de luz, uma semente solar, forma-se na Glândula Pineal de cada ser humano. É uma parte de sua herança Cristã. No entanto, essa semente de luz permanece adormecida – permanece latente – até que uma pessoa seja sábia o suficiente para entender como usá-la. À medida que o Aspirante à vida superior se torna suficientemente dedicado e espiritualizado, cada ano, imediatamente após o Solstício de Junho, essa semente solar inicia um circuito anual através do corpo, simulando o caminho do Sol em seu curso pelos céus (as correntes da vida no ser humano e na natureza estão sempre de acordo, a menos que o próprio ser humano perturbe essa harmonia). Pelo Equinócio de Setembro, a semente solar chega ao centro do coração, e no Solstício de Dezembro, quando o Sol chega à sua declinação mais ao sul, toca o Plexo Celíaco (ou Plexo Solar). É por esta razão que nos antigos Mistérios o centro do Plexo Celíaco foi denominado o “Padroeiro do templo do corpo humano”. Após a ascensão do Sol, o princípio de luz novamente toca o centro do coração no momento do Equinócio de Março, e no Solstício de Junho é levado para sua casa na Glândula Pineal quando, mais uma vez, o Sol atinge sua posição mais setentrional.

Durante este circuito anual da semente do Sol, o Corpo é eletrificado com nova vida, novo esplendor e os poderes que fazem para a eterna juventude; daqui aqueles que percorrem o caminho para o conhecimento direto são iluminados sempre com uma luz de brilho muito raro. Eles se tornaram um com a glória daquela luz interior que nunca se encontra na terra ou no mar.

Enquanto isso, concomitante ao ciclo solar, a cada mês na Lua Nova forma na Glândula Pituitária um princípio lunar.

Esta semente lunar segue o caminho da Lua. Até a Lua Cheia a semente chega ao centro da geração. A Lua Cheia, portanto, marca o momento crucial do mês. No Corpo de uma pessoa que vive a vida ordinária do mundo, o princípio lunar é dissipado e seus poderes de vida perdidos. No Aspirante à vida superior consagrado, entretanto, o princípio lunar é conservado e erguido, outra vez, do seu repouso na Glândula Pituitária à altura da Lua Nova, onde suas forças se fundem com as do princípio lunar recém-formado. Agora, no Solstício de Junho, para quem percorre o caminho da santidade, uma verdadeira Missa de Cristo é celebrada no templo-Corpo purificado, pois é então que os doze princípios lunares, conservados ao longo do ano, se unem ao princípio solar. Seu lugar de fusão é o terceiro ventrículo, que é a ponte entre a Glândula Pineal e a Glândula Pituitária.

O terceiro ventrículo torna-se, assim, o leito matrimonial sobre o qual a “Criança” Sagrada (união das sementes Solar e Lunar) é concebida e nascida. É também chamado de “manjedoura”, sendo a Glândula Pineal e a Glândula Pituitária os “santos Pais” que participam na união alquímica.

Assim, isso é um breve esboço do processo oculto fundamental que está subjacente ao Rito da Imaculada Conceição.

(Traduzido do livro: The Life and Mission of the Blessed Virgin – Corinne Heline, pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: 26No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. 28Entrando onde ela estava, disse-lhe: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”. 29Ela ficou intrigada com essa palavra e pôs-se a pensar qual seria o significado da saudação. 30O Anjo, porém, acrescentou: “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus. 31Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e tu o chamarás com o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; 33ele reinará na casa de Jacó para sempre, e o seu reinado não terá fim”. 34Maria, porém, disse ao Anjo: “Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?”.35O Anjo lhe respondeu: “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra; por isso o Santo que nascer será chamado Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice, e este é o sexto mês para aquela que chamavam de estéril.37Para Deus, com efeito, nada é impossível”. 38Disse, então, Maria: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!”. E o Anjo a deixou.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Felicidade está Onde não a Pomos

Parafraseando uma frase de um poema de Vicente de Carvalho: “A felicidade está onde nós a pomos, mas nós nunca a pomos onde nós estamos”.  Em verdade, estes dois versos resumem admiravelmente o sentido comum do viver humano. Fazemos da felicidade uma utopia, colocado distâncias no caminho, esquecidos de que, ao chegarmos ao seu encontro, de novo a empurramos para mais adiante. Com isso, a vida, chegará ao fim, e a felicidade nunca chegará ao viver da criatura.

É necessária uma alteração em nosso modo de pensar, a luz da Filosofia Rosacruz. A felicidade não pode ser procurada, tão pouco localizada no espaço ou no tempo. Ela é simplesmente – ou pelo menos deveria ser – o produto do viver momento a momento, segundo nossa voz interna. Não nos é dado penetrar de imediato nos “portais dourados”, transpostos os quais nos inundaria o éden incomensurável de paz e ventura. Se “somos deuses em formação”, não podemos fugir ao percurso do caminho que conduz a essa perfeição. Enquanto isso, toca a criatura, sobretudo, viver o papel da criatura, afrontando as limitações que a vida terrena naturalmente impõe, dentre os quais, permanentes solicitações da Mente, a chamar o ser humano para uma vida cheia de vazio, para a ilusão dos sete pecados capitais, especialmente a miragem do “acumular tesouros na Terra”. De fato, os almejados tesouros nos vêm às mãos. Mas como somos “peregrinos neste mundo” e estas aquisições pertencem ao mundo, acabamos ficando “de mãos vazias”.

Ao final de tudo, parece haver falta de compreensão mais profunda da vida, do “por que, afinal, nos achamos aqui”. A afirmação da Individualidade é imprescindível a nossa vida. Cada um de nós é único na Obra de Criação, e como único devemos viver entre os demais, a todos ligado pelo traço do amor.

Entende-se a afirmação individual como sendo a realização, por cada um de nós, de nossos pendores mais profundos, representados por energias naturais que não podem ser desconhecidas, nem reprimidas. Essas forças não são, em si, nem boas, nem más. O uso que delas fazemos é que lhes imprime esta ou aquela coloração, segundo o caráter do nosso comportamento.

É claro que essa realização pessoal implica a mais ampla liberdade de escolha pelo indivíduo. Do contrário, haveria o risco de “sermos” outrem, diferente de nós mesmos, criando-se um artificialismo pernicioso para a saúde mental. É a partir dessa importante conclusão que a Pedagogia se encaminha para o revolucionário sistema de Educação, conhecido como liberdade orientada. A criança cresce “conhecendo-se”, através do estudo e de trabalhos práticos adequados ao “despertar” de vocações, de modo que em nada se prejudique o viço da flor natural que deve desabrochar.

O bom uso da energia que a Natureza assim coloca a nossa disposição faz com que o manancial que a produz se torne cada vez mais abundante, porque “a quem mais tiver, mais ser-lhe-á dado”[1]. E nós, assim disposto em uníssono com as vibrações cósmicas, poderemos experimentar um estado de íntima satisfação que muito terá de felicidade, coroada pela certeza de que “quem mais der, mais receberá”[2] e “quem quiser ser o maior, deverá ser o servo de todos”[3].

Para a Ciência oculta a inércia é uma ilusão. Decorre daí que “não paramos”. Ou estamos progredindo, ou regredimos, na caminhada. Conhecendo-se e realizando-se, nos encaminhamos para a comprovação das palavras de Cristo, segundo as quais “as obras que eu faço, vós as fareis, e maiores ainda”[4].

A partir da certeza de que, durante um renascimento aqui, existe para nós uma necessidade interna de expressão constante, podemos vislumbrar uma possível causa de os manicômios andarem cada vez mais povoados, bem como de crescer o número de suicídios, especialmente nos países ditos mais “desenvolvidos”. Parece que o conforto trazido pela técnica se transforma em ócio para o indivíduo, tirando-lhe a oportunidade de utilizar as energias de que naturalmente dispõe. A serenidade do artesão parece que decorria do prazer de criar com as próprias mãos. Agora a máquina faz quase tudo. Pouco sobra para nós de oportunidade para autoafirmar, especialmente no trabalho. Então, a vida inconformada com a imposta “inércia”, contraria as Leis da Natureza de tudo quanto é vivo, rompe os diques e foge, ou para o hospício, ou para o suicídio, como saída para a torturante angústia em que se vai transformando o viver.

Evidentemente, a máquina tem seu lugar próprio na vida humana. Nós é que precisamos desenvolver o preparo para viver ao lado dela, não se deixando absorver, “matar”. O tempo a mais deixado para nós com o advento da máquina no trabalho, deve ser aplicado no cultivo de fatores capazes de preencher esse vazio, até que a espiritualidade criadora faça parte atuante da nossa vida humana do comum. Ou seja: cumpramos o que prometemos para nós mesmos no Terceiro Céu: desenvolvermos espiritualmente, aperfeiçoando os nossos Corpos e o veículo Mente e crescendo o nosso Corpo-Alma, se preparando para a Era de Aquário, já que estamos na Órbita de Influência dessa Nova Era. O restante? Será nos dado por acréscimo, como Cristo nos ensinou!

Em resumo, tudo quanto existe e vive, vive porque tem vida na Natureza. Se para todas as coisas existe maravilhosa harmonia, para nós, em especial, também existirá, desde que nos prontifiquemos a se integrar na posição cósmica que nos cabe e viver as leis profundas da própria vida.

Dessa forma, jamais procuraremos a felicidade, pois essa nos virá por acréscimo, nascida da compreensão de que não somos mais felizes porque não temos preocupações, mas sim, porque encaramos como próprias à vida, coloca-as no lugar devido, certo de que depois da tempestade vem a bonança, e que tempestade e bonança são igualmente partes da Criação.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: Mt 25:29

[2] N.R.: Mt 10:30

[3] N.R.: Mt 10:44 e Mc 9:35

[4] N.R.: Jo 14:12

Idiomas