Pergunta: Para onde vamos após permanecermos temporariamente no Purgatório, depois de morrermos aqui?
Resposta: Quando a existência purgatorial chega ao fim, nós, já purificados de todo o mal que fizemos durante a vida, adentramos ao Primeiro Céu, localizado nas três Regiões superiores do Mundo do Desejo.
Pergunta: Que transformação ocorre?
Resposta: Ali, os efeitos de nossos sofrimentos são incorporados ao Átomo-semente do Corpo de Desejos, abrindo nosso coração ao sentimento de ternura.
Isto constitui um impulso à prática do bem e a erradicação do mal no futuro.
Pergunta: Revemos novamente o nosso Panorama da Vida pretérita?
Resposta: Sim. O Panorama da Vida se desenrola em ordem inversa, porém, agora são somente os bons atos, as boas obras e ações praticados que servem de base ao sentimento.
Pergunta: Qual é o seu efeito sobre nós?
Resposta: Quando passam as cenas em que ajudamos a outras pessoas – direta ou indiretamente –, sentimos um certo alívio como se nós fôssemos ajudados. E como acréscimo, envolvemo-nos com o sentimento de gratidão do recebedor de nossa ajuda.
Pergunta: A amorosidade dos outros beneficia-nos também?
Resposta: Sim. Ao contemplarmos cenas em que fomos auxiliados, sentimos a gratidão dirigida ao nosso benfeitor.
Pergunta: Que lição podemos extrair desses fatos?
Resposta: Aprendemos a valorizar o altruísmo, a compaixão, a simpatia e principalmente os favores que outros nos prestaram, porque a gratidão é fator de crescimento anímico. Nossa felicidade nas Regiões superiores dos planos internos depende do bem proporcionado às outras pessoas e da sincera apreciação, ou seja, gratidão do que elas fizeram por nós.
Pergunta: Nossa possibilidade de dar encontra-se limitada as nossas posses?
Resposta: Não. O poder de dar não é privilégio da pessoa abastada. Dar dinheiro indiscriminadamente pode converter-se em um mal. É justo dar dinheiro para uma finalidade reconhecidamente digna.
Pergunta: O Primeiro Céu é um lugar de felicidade?
Resposta: Sim. É um lugar isento de qualquer resquício de maldade ou amargura. Encontramo-nos além da influência material implícita às condições terrestres e assimilamos todo o bem contido na vida passada.
Pergunta: Auferimos algum proveito adicional?
Resposta: Ali, todas as nobres aspirações são realizadas na maior amplitude. É um lugar de paz. Por mais sofrida que tenha sido nossa vida terrestre, tanto mais encontraremos paz. Enfermidades, doenças, tristezas, angústias inexistem no Primeiro Céu. É o lugar dos espiritualistas. Ali, a imaginação dos devotos Cristãos constrói a Nova Jerusalém, formada de material das Regiões superiores do Mundo do Desejo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1973 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Saibamos ou não, concordemos ou não, mas somos Espíritos, partes integrantes de Deus, que é Espírito também, Fonte de todo o Amor e de todo o Bem. N’Ele não existe um só vestígio de mal. Por essa razão, não podemos atribuir-Lhe nossos sofrimentos, como tantas pessoas o fazem.
Desde que completamos nossa instrumentação com a Mente, com a razão, começamos a nos dirigir sozinhos. O livre-arbítrio e a experiência passaram a ser os dois fatores para a nossa evolução e elevação. É bom pensar muito bem nisso!
Se existe qualquer dificuldade ou sofrimento em nossa vida, não atribuamos a Deus. Antes, devemos encará-los como desafios à perfeição que um dia deveremos alcançar, segundo nos ensinado por Cristo: “Sede perfeitos como vosso Pai Celestial” (Mt 5:48). Se o leitor é pai, não deseja que seu (sua) filho (a) se torne maior ainda que você? E para isso não deve ele aprender a fazer as coisas sozinho?
“Mas devemos ter assistência, como a que damos a nossos filhos” – poderá responder.
Sim, recebemos, desde que as desejemos. Quem procura, encontra.
Temos inúmeras provas disso. Um dia encontramos, como por acaso, a Fraternidade Rosacruz, e nela nos ofereceram um manancial de razões que nos transformaram o viver e nos tornaram possível suportar muita coisa que nada tem a ver com Deus, senão com nossas próprias falhas. Desde então as fomos corrigindo. Consideramos essa uma correta orientação, uma perfeita assistência. Dá-nos meios para que nós mesmos nos corrijamos.
Uma causa única existe para nossos males: é o desvio às Leis de Deus, mantenedoras da harmonia do Universo. Muita gente, presa de sofrimento e dificuldades por esse mundo afora, já ouviu falar nisso, porém, de uma forma insatisfatória. Suas dúvidas continuaram e as perguntas surgem naturalmente: se somos partes de Deus, que é o Supremo Amor e Bem, em Quem não há sequer o menor vestígio de mal, por que sofremos, então? Por que tantas dificuldades em nossa vida? Que Pai é esse que se compraz com nossos sofrimentos?
Quando alguém procura a causa de seus sofrimentos já é um importante passo para encontrar sua solução.
No íntimo de seu ser reconhece que deve haver uma causa. E há mesmo. Poderíamos desfiar uma série delas, as mais importantes e prováveis a cada caso. Mas cada indivíduo é um mundo à parte. Suas condições internas são singulares. O modo como recebe as coisas, também. Por isso o conhecer isso por meio dos Ensinamentos Rosacruzes e a maravilhosa Filosofia Rosacruz se consegue chegar a “sua” causa.
Tudo ali se faz no sincero intuito de elevar a Humanidade, por meios Cristãos e seguros e sem objetivos comerciais.
Importante frisar que na Fraternidade Rosacruz não há esforço de proselitismo. Mas tudo que se aprender é para que o Estudante Rosacruz encontre por si mesmo o que precisa. Para isso há os cursos gratuitos (inclusive todo o material) para se capacitar (sem estudos constantes é impossível evoluir em uma Escola, como o é a Fraternidade Rosacruz). Com certeza, o Estudante Rosacruz encontra respostas a todas as perguntas que lhe suscite o íntimo, sejam de ordem material ou espiritual. Nela você encontrará tudo o que deseja saber a respeito de Deus, da criação e de sua própria evolução.
Afinal, como nos ensinou S. Tiago: “se sua vida carece ainda de esclarecimento, procure-o” (Tg 1:5).
Afinal, a Filosofia Rosacruz ensina que Deus está em todo lugar e principalmente no coração de quem esteja sinceramente pondo em prática os princípios Cristãos.
E conforme esses princípios mesmos é que tudo que a Fraternidade Rosacruz oferece é de graça, pois de graça recebemos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz –outubro/1966-Fraternidade Rosacruz-SP)
Como sabemos, cada um de nós tem uma “vida exterior”, geralmente conhecida e analisada pelos que nos rodeiam e, também temos uma “vida íntima”, da qual somente nós próprios podemos fornecer testemunho.
É, indiscutivelmente, o “mundo interior” a fonte de todos os princípios bons ou maus, nos quais todas as expressões exteriores guardam seus fundamentos.
Em geral, todos somos portadores de graves deficiências íntimas, que necessitam de laboriosa retificação. Porém não é tão simples o trabalho de purificar.
Fácil será aceitarmos as verdades religiosas, aderirmos a esta ou àquela ideologia, entretanto, coisa bem diversa é realizarmos a Obra da Evolução de nós mesmos, por meio da autodisciplina, da compreensão fraternal e do espírito de sacrifício.
Entendia o apóstolo S. Tiago quando proferiu “Limpai as mãos, pecadores; e vós de duplo ânimo, purificai os corações” (Tg 4:8), e conhecia suficientemente a gravidade do assunto, tanto assim que aconselhava os Cristãos no sentido de que “limpassem as mãos”, quer dizer, retificassem as atividades do plano exterior, renovassem suas ações ao olhar de todos e, apelava, ainda, que efetuassem, igualmente, a purificação do sentimento e do desejo, no recinto sagrado da consciência, conhecido unicamente pelo aprendiz, na profundidade indevassável de seus pensamentos. Procurar, com entusiasmo, a purificação dos nossos pensamentos, sentimentos, desejos, nossas emoções, palavras, obras, ações e dos nossos atos é, sem dúvida, tarefa que compete a cada um de nós. Muito ajuda para tal realização, a prática dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes: noturno de Retrospecção e matutino de Concentração, que se encontram na obra básica dos Ensinamentos Rosacruzes, denominada Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
O apóstolo S. Tiago, companheiro valoroso do Cristo, contudo, não se esqueceu de afirmar que isto é trabalho para os de duplo ânimo, porque semelhante renovação jamais se fará tão somente à custa de palavras brilhantes.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – novembro/1964 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Frequentemente ouvimos Cristãos devotos se queixarem dos períodos de depressão. Às vezes, eles estão quase no sétimo céu de exaltação espiritual; quase veem o rosto de Cristo e sentem como se Ele estivesse guiando cada passo que dão. Então, sem qualquer aviso ou qualquer causa que consigam identificar, as nuvens se acumulam, o Salvador esconde o Seu rosto e o mundo se tornam sombrio por um período. Eles não conseguem trabalhar nem orar; o mundo não tem atrativo algum e o portão do céu parece fechado para eles; assim, a vida lhes parece sem valor enquanto a depressão espiritual perdura.
Naturalmente, a razão é que essas pessoas vivem sob suas emoções e, segundo a imutável Lei das Alternâncias, o pêndulo está destinado a oscilar tanto para um lado do ponto neutro quanto para o outro. Quanto mais brilhante a luz, mais profunda a sombra; quanto maior a exaltação, mais profunda é a depressão espiritual que a sucede.
Somente aqueles que, pela razão fria, refreiam suas emoções escapam dos períodos de depressão — mas também nunca experimentam a bem-aventurança celestial da exaltação. É justamente esse derramar de si mesmo em fervorosa devoção que fornece ao Cristão Místico a energia dinâmica para se projetar nos Mundos invisíveis, onde ele se torna um com o ideal espiritual que o tem chamado e despertado em sua alma o poder de se elevar até Ele — assim como o Sol formou o olho com o qual o percebemos.
O filhote cai muito antes de aprender a usar suas asas com segurança e o Aspirante no caminho do Misticismo Cristão pode se elevar até o próprio trono de Deus inúmeras vezes e cair no mais profundo abismo do desespero infernal. Contudo, em algum momento, ele vencerá o mundo, desafiará a Lei das Alternâncias e se elevará pelo poder do Espírito ao “Pai dos Espíritos”, livre das armadilhas da emoção, pleno de uma Paz que excede todo entendimento.
Mas esse é o fim alcançado somente após o Gólgota; o Batismo Místico é apenas o início da carreira ativa do Cristão Místico, quando ele se torna profundamente impregnado do tremendo fato da unidade de toda a Vida e imbuído de um sentimento de fraternidade por todas as criaturas, de modo que, doravante, ele pode não apenas enunciar, mas praticar os Ensinamentos que o próprio Cristo nos deu que conhecemos como Sermão da Montanha.
Se as experiências espirituais do Cristão Místico não o levassem além disso, ainda assim seriam a mais maravilhosa aventura do mundo e a magnitude do acontecimento está além das palavras, com consequências apenas vagamente imagináveis. A maioria dos estudantes das filosofias superiores acredita na Fraternidade da Humanidade por uma convicção mental de que todos emanamos da mesma Fonte divina, como os raios emanam do Sol; mas há um abismo de profundidade e largura inconcebíveis entre essa fria concepção intelectual e a saturação batismal do Cristão Místico, que a sente no coração e em cada fibra do seu ser com tamanha intensidade impensável. Isso o enche de um amor ansioso e ardente, como o expresso nas palavras do Cristo: Ó, Jerusalém; ó, Jerusalém, quantas vezes quis eu te reunir debaixo das minhas asas[1] — um amor protetor, cheio de anseio e cuidado que nada pede para si, exceto o privilégio de nutrir, proteger, guardar.
Se ao menos um tênue reflexo de tal sentimento universal de fraternidade estivesse difundido entre a Humanidade nestes dias sombrios, que paraíso seria a Terra! E não este inferno onde os homens e mulheres levantam a mão contra seu irmão ou sua irmã para matá-lo ou matá-la com a espada, por meio da rivalidade ou competição objetivando destruir sua moral e degradá-lo e degradá-la sob as marcas do cativeiro industrial ou do açoite da necessidade. Não teríamos guerreiros nem prisioneiros, mas um mundo feliz e satisfeito, vivendo em paz e harmonia, aprendendo as lições que nosso Pai Celestial tenta nos ensinar nesta condição material. O motivo de toda a miséria no mundo pode ser explicado porque acreditamos na Bíblia com o intelecto, mas não com o Coração.
Quando emergimos das águas do Batismo — o Dilúvio Atlante — para a “Era do Arco-íris”, das estações alternadas, também nos tornamos presa das emoções mutáveis que nos lançam para cá e para lá no mar da vida… A fé fria, contida pela razão e sustentada pela maioria dos Cristãos autodeclarados, pode conceder alguma medida de paciência e equilíbrio mental que sustenta durante as provações da vida; mas quando a maioria alcançar a fé viva do Cristão Místico — que ri da razão por que é sentida pelo Coração — então a “Era das Alternâncias” terá passado. O arco-íris cairá com as nuvens e o ar que agora compõe a atmosfera; haverá então um novo céu de puro Éter onde receberemos o Batismo do Espírito e haverá Paz (Jerusalém).
Ainda estamos na “Era do Arco-íris” e sujeitos as suas Leis; assim, podemos compreender que, como o “Batismo” do Cristão Místico ocorre em um momento de exaltação espiritual, ele deve necessariamente ser seguido de uma reação. A tremenda magnitude da revelação o domina, ele não consegue assimilá-la nem conter em seu veículo carnal e por isso foge dos lugares frequentados pelos seres humanos: retira-se para a solidão, alegoricamente representada pelo deserto.
Tão envolvido ele está em sua sublime descoberta que, por algum tempo, em seu êxtase, contempla o tear da Vida, no qual os Corpos de tudo o que vive são tecidos — do menor ao maior, o rato e o ser humano, o caçador e a presa, o guerreiro e sua vítima… No entanto, para ele não estão separados nem apartados, pois também enxerga o único Fio divino de luz dourada da vida que a tudo permeia e tudo une[2]; mais ainda, ele ouve em cada ser a nota-chave flamejante, soando suas aspirações, dando voz a suas esperanças e temores, percebe que essa cor-sonora seja composta em forma do hino universal do Deus que se fez carne.
Mas o Cristão Místico que acaba de emergir do seu Batismo na Fonte da Vida recua imediatamente, horrorizado, diante da sugestão de usar seu poder recém-descoberto para um propósito egoísta. Foi precisamente a qualidade de alma da abnegação que o conduziu às águas de consagração na Fonte da Vida e ele sacrificaria tudo — até mesmo a própria vida — antes de usar seu novo poder para fugir de uma dor ou de um sofrimento. Acaso ele não viu a aflição do Mundo? Não a sente em seu grande Coração com tamanha intensidade que a fome imediatamente desaparece e é esquecida? Ele pode, quer e de fato usa esse maravilhoso poder livremente para alimentar os milhares que se reúnem para ouvi-lo — mas nunca para fins egoístas porque, assim, perturbaria o equilíbrio do mundo.
Mas ele não raciocina sobre isso; como já foi dito, ele não se guia pela razão, mas por uma diretriz muito mais segura: a voz interior que sempre orienta nos momentos em que uma decisão precisa ser tomada. O indivíduo “não vive só de pão, mas de toda palavra que procede de Deus”[3]. Eis outro Mistério: não há necessidade de participar desse pão terreno para aquele que tem acesso à Fonte da Vida.
Quanto mais nossos pensamentos estiverem centrados em Deus, menos nos importaremos com os chamados prazeres da mesa; ao alimentar nossos Corpos Densos de modo frugal, com alimentos simples e selecionados, obteremos uma iluminação do Espírito impossível para aquele que se entrega a uma dieta excessiva de alimentos grosseiros, que nutrem a natureza inferior, o “eu inferior”. Alguns santos utilizaram o jejum e a mortificação como meio de crescimento da alma, mas esse é um método equivocado por razões apresentadas em no artigo sobre O Jejum como um Fator para o Crescimento Anímico[4].
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, que compreendem a Lei e vivem de acordo com ela, usam alimento apenas em intervalos medidos em anos; para eles, a palavra de Deus é um pão vivo.
Ela também o é para o Cristão Místico e a tentação, em vez de provocar sua queda, conduz a alturas ainda maiores. Isso, a princípio, está inteiramente além da sua compreensão; a tremenda magnitude da descoberta o deslumbra e encobre, por isso ele não consegue imaginar o que é que vê e sente, pois não há palavras que o descrevam nem conceito que o abarque. Mas, pouco a pouco, começa a clarear em sua consciência que ele esteja na própria Fonte da Vida, contemplando — ou melhor, sentindo — cada pulsação dela; com essa compreensão ele atinge o clímax do seu êxtase.
Tão absorto esteve o Cristão Místico em sua bela aventura que as necessidades do Corpo foram completamente esquecidas até que o êxtase terminou; é, portanto, natural que a sensação de fome seja a primeira necessidade consciente ao retornar ao estado normal de consciência. Surge também, de forma natural, a voz da tentação: peça que estas pedras se transformem em pão[5].
Poucas passagens das Sagradas Escrituras são mais obscuras do que os versículos iniciais do Evangelho Segundo S. João: “No princípio era o Verbo […] e sem Ele nada do que foi feito se fez”. Mas um breve estudo da ciência do som logo nos familiariza com o fato de que som é vibração e diferentes sons moldam areia ou outros materiais leves em figuras de formas variadas.
O Cristão Místico pode ser completamente ignorante desse fato do ponto de vista científico, mas aprendeu na própria Fonte da Vida a entoar o Canto do Ser, que embala à existência tudo aquilo que um mestre músico assim deseje. Há uma tonalidade fundamental correspondente à pedra mineral e indigesta; porém uma modificação pode transformá-la no ouro com o qual podemos adquirir nossos meios para o sustento; outra nota-chave, peculiar ao Reino vegetal, pode convertê-la em alimento — fato conhecido por todos os Cristãos Ocultistas avançados que praticam encantamentos legitimamente para fins espirituais, mas nunca para proveito material.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – novembro/1916, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Mt 23:37 e Lc 13:34
[2] N.T.: Ecl 3:1-8
[3] N.T.: Mt 4:4 e Dt 8:3
[4] N.T.: O Jejum como um Fator para o Crescimento Anímico
Frequentemente o autor recebe perguntas em relação ao benefício ou desvantagem do jejum e, portanto, pode ser bom elucidar a origem e o fundamento dessa prática para que possamos determinar qual efeito, se houver, é exercido sobre o crescimento espiritual.
Nas Antigas Dispensações era exigido que os sacrifícios de bovinos e caprinos fossem feitos como expiação ao pecado praticado, pois o ser humano valorizava, então, seus bens materiais, muito mais do que nos dias de hoje, sentindo profundamente sua perda, quando forçado a abrir mão deles para tal finalidade.
Mesmo nos dias modernos, as indulgências são compradas e o Perdão dos Pecados anunciado a qualquer pessoa que doe uma quantia em dinheiro a algumas Igrejas Católicas e Protestantes, para a compra de todo os tipos de acessórios necessários ao serviço.
Mas, sempre houve um ensinamento esotérico, que está sendo promulgado exotericamente hoje, e esse ensinamento não aceita o sacrifício de um animal, dinheiro ou outras posses; contudo, exige que cada um faça um sacrifício de si mesmo. Isso foi ensinado aos Aspirantes na antiga Escola de Mistérios, quando eles eram preparados para o Ritual Místico de Iniciação. A eles foram explicados os mistérios do Corpo Vital – composto pelos quatro Éteres e funções de cada Éter: o Éter Químico, que é necessário para a assimilação; o Éter de Vida, que promove o crescimento e a propagação; o Éter de Luz ou Luminoso, que é o veículo da percepção sensorial; e o Éter Refletor, em que se armazena a memória.
Eles foram, cuidadosamente, instruídos nas funções dos dois Éteres inferiores em comparação com os dois Éteres superiores. Eles sabiam que as funções puramente animais do Corpo dependiam da densidade dos Éteres inferiores, e que os dois Éteres superiores, por sua vez, formavam o Corpo-Alma, o veículo do serviço e, naturalmente, eles aspiravam cultivar essa gloriosa vestimenta, pela renúncia e refreando as propensões das naturezas inferiores, assim como fazemos hoje.
Esses fatos eram mantidos em segredo das pessoas que não estavam no Caminho da Iniciação ou, melhor dizendo, assim deveriam ter permanecido. Mas, alguns neófitos, mesmo sendo excessivamente zelosos em alcançar a Iniciação, não importando os meios, esqueceram que é somente pelo serviço e altruísmo que a veste nupcial dourada é cultivada pelos dois Éteres superiores. Eles pensaram que a máxima oculta, “ouro no cadinho, impureza no fogo; ligeiro como o vento, alçar-se cada vez mais alto”, apenas significava que, enquanto a natureza inferior, a escória, tinha sido expulsa, e não importava a maneira, mas se tivessem encontrado um método fácil, eles teriam retido apenas o “ouro” composto pelos dois Éteres superiores, o Corpo-Alma, no qual eles poderiam, com certeza, acessar os Mundos invisíveis sem obstáculo ou embaraço. Eles concluíram que, como o Éter Químico é o agente de assimilação, poderia ser eliminado do Corpo Vital, privando o veículo físico da fome.
Eles também pensaram que, como o Éter da Vida é a via de propagação, poderiam privá-lo com uma vida celibatária. Seguindo esse método, concluíram, assim, que reteriam apenas os dois Éteres superiores e, portanto, praticavam todas as austeridades que se podia pensar, entre outras práticas, o jejum. Por esse processo o Corpo Denso perdia a saúde e a sua natureza passional ficava debilitada, pois, buscava a gratificação pelo exercício da função propagativa, sendo silenciado com a punição.
Dessa maneira, horrível, é verdade que a natureza inferior parecia estar submetida e, também, é verdade que, quando as funções corporais eram reduzidas a níveis bem baixos, as visões, ou melhor dizendo, as alucinações eram frequentemente a recompensa dessas pessoas equivocadas. Outros que ouviram falar de sua suposta santidade estavam ansiosos para imitá-los; assim, seu exemplo desviou milhares de almas da busca do verdadeiro Caminho.
Mas, o resultado obtido por essas pessoas desencaminhadas e seus seguidores está longe de ser o que se pretendia pelo treinamento na Escola de Mistérios. Antes de mais nada, ao Aspirante à vida superior foi ensinado que o Corpo Denso é o “Templo de Deus” e que profaná-lo, destruí-lo ou mutilá-lo de qualquer maneira é um grande pecado. A indulgência com o apetite é um pecado, uma prática contaminadora que traz consigo certa retaliação, mas não deve ter maior repreensão do que a prática de jejuar para o crescimento da alma.
Viver corretamente não é banquetear e nem jejuar, mas dar ao Corpo os elementos necessários para mantê-lo na forma adequada de saúde, força e eficiência como um instrumento do Espírito. Portanto, jejuar para o crescimento anímico é um pseudométodo que tem o efeito, exatamente o oposto daquilo que foi projetado para ser realizado, devido à falta de visão de seus criadores. “Eu sou a porta”, disse o Cristo, “se alguém não entra pela porta, esse é ladrão e salteador” (Jo 10:1).
Da mesma forma, com a prática do celibato para o crescimento anímico, ou da alma, a máxima enunciada no início desse parágrafo se aplica de forma idêntica. É repreensível quando homens e mulheres, feitos à imagem de Deus, se degradam pela indulgência da natureza passional a um estado inferior ao dos animais, porém, é igualmente repreensível quando aqueles que vivem de outra forma, tendo vidas boas e sagradas, se recusam a sacrificar suas aspirações para dar a uma alma que está à espera daquele Corpo e daquele ambiente que lhe atendam, e que tenha todo aquele tempo para o próprio desenvolvimento. Eles podem, pelo jejum, atenuar o Éter Químico, e, por suas vidas fanáticas e egoístas de celibatário, podem também eliminar o Éter da Vida em grande proporção, mas essas medidas nunca irão construir a “vestimenta dourada de casamento”, que é o ‘abre-te sésamo’ para a festa do “casamento místico”; na falta desse traje, alguns que conseguirem entrar sorrateiramente, por métodos ilegítimos como jejum, castigo e celibato, serão lançados nas trevas exteriores.
(Publicado na revista Rays from the Rose Cross em dezembro/1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[5] N.T.: Mt 4:3 e Lc 4:3
Os Evangelhos foram escritos há quase dois mil anos. No entanto, estão bem atuais e o estarão ainda por muito tempo, porque, se atentarmos bem, a história de Cristo-Jesus e dos Apóstolos é nossa própria história.
Em que sentido? – perguntarão alguns.
E vos respondo: buscando “o espírito das palavras” e não “a letra que mata”. Nele veremos qual o nosso papel e não um mero relato histórico, um piedoso memorial, uma peregrinação sentimental; nele veremos a revelação que nos alarga a concepção de Deus e nos revela a nós mesmos, autenticamente. Por esse ângulo, os Evangelhos nos anunciam, nos visam e nos profetizam.
S. Tiago nos diz que os Evangelhos são um espelho. Cada um de nós pode se ver refletido nele, mas “o pior cego é o que não quer ver”; geralmente vislumbramos a imagem dos outros e nos indignamos com sua maldade, cegueira e insensatez.
Max Heindel, utilizando-se da Lei de Refração espiritual, nos informa que, via de regra, costumamos ver os outros através de nossa própria aura, matizando os semelhantes com nossas próprias faltas, fantasias e extravagâncias.
Citando, por exemplo, o nascimento de Jesus: “Estando eles ali, completaram-se os dias de dar à luz; e teve seu filho primogênito e o enfaixou e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para Ele nas hospedarias” (Lc 11:7). Comenta Max Heindel: “Com que eloquência podemos ampliar o sentido dessa frase: “Não houve lugar para Ele…”! Na família, na sociedade, na escola, no fundo das almas pecadoras, em nossas próprias almas, haverá digna morada para “Cristo nascente” – o nosso Cristo Interno? Não será também o nosso coração, ainda hoje, um lugar onde não haja lugar para Cristo?
Há boa intenção, sem dúvida. Procuramos, muitas vezes, agir nobremente, ajudar nossos semelhantes, renunciar a vícios e hábitos danosos, etc. Assim nasce em nós o Cristo. Mas logo depois nossa natureza inferior, personalizada em egoísmo – simbolizado muito bem por Herodes –, receoso de perder seu poder em nosso reino interno, “manda degolar todas as criancinhas”: nossos esforços nobres, sentimentos puros, na tentativa de eliminar o futuro Rei.
Quando O aceitamos, passando a admitir que somos os “Seus”, para junto dos quais Ele veio, então os Evangelhos nos alumiam. Sabemos por que Ele foi mal recebido, como o seria ainda hoje por muitos que amam as sombras mais que a luz. Sabemos por que lhe recusaram a doutrina, por que se encontrou tão “pobre” ante a oposição e dureza de coração. É a nossa dureza. Sua Vida, Paixão e Morte se repetem como ecos nos indivíduos.
Cristo se hospeda na casa de Marta e de sua irmã Maria. “Maria, sentada aos pés do Senhor, bebia-lhe os ensinos. Marta, porém, andava preocupada com o seu serviço.” (Lc 10:30-40). Qual das duas representamos? Maria, que escolhia o melhor, que estava sempre em comunhão com o Senhor (não se disse que ela negligenciasse os deveres) ou Marta, que se afundava tanto nos afazeres do mundo e não tinha tempo de estar com Ele?
Infelizmente há mais “Martas” que “Marias”! Muito mais. Dizendo-se religiosa, a maior parte da Humanidade empenha a vida inteira em acumular fortuna, conquistar fama e glória material e se recreando com banalidades, muitas vezes, prejudiciais. Não tem tempo. Não se compraz na presença d’Ele. Embora Ele esteja tão próximo, se distancia. Precisa de imagens e cerimoniais simbólicos, não lhe alcança a essência, tão facilmente despertada em cada um dessa maioria.
Quando chega a noite tal maior parte da Humanidade está cansada. Não se encontra com o Senhor de dia, não conversa com Ele, como prazerosamente fazemos com um amigo ou com uma amiga que estimamos. À noite, esgotada, mais por seus desequilíbrios que propriamente pelo trabalho, tal maioria busca se distrair em frente a uma televisão, a um boteco, roda de bate papo “furado”, num cinema ou outros divertimentos quaisquer. Afinal, uma reunião sobre Estudo de Filosofia Rosacruz é algo cansativo, um “descer penoso” em que podemos adormecer.
Somam-se, assim o dispêndio de um esforço ambicioso e egoísta, desequilíbrios emocionais oriundos de concorrência mundana, o acúmulo de sensações levianas e tolas, e tardes da noite tal maioria se deixa adormecer. Não pensa no “Cristo menino”, dentro de si – o Cristo Interno –, que precisa de alimento; não pensa no esforço dos Irmãos Maiores, todas as noites; não pensa, sequer, no privilégio de servir como Auxiliares Invisíveis, para ajudar os que, tolerantemente, aguardam as almas abnegadas e altruístas que desejam trabalhar com Eles na seara. Não tem tempo. Verdadeira “Marta”.
Cristo nos ensinou claramente que devemos “orar e vigiar”[1], incessantemente. Não significa que devamos ficar o tempo todo a orar, desleixando nossos deveres. Ele mesmo obedeceu às leis da sociedade em que vivia, sem, contudo, se apegar. Orar sem cessar quer dizer: pensar, sentir e agir sempre em consonância com o Senhor Cristo. Não importa a natureza de nosso trabalho. Todos são dignos, desde que os façamos em nome do Senhor. Então somos “Maria”.
Vejamos outro dos muitos personagens que podem nos refletir: o pequeno Zaqueu. “Era chefe dos publicanos e rico. Procurou ver quem era Cristo, porém não o conseguia por causa da multidão e porque era de pequena estatura. E correndo se adiantou e subiu em uma árvore para vê-Lo passar”[2]. Enquanto estamos envolvidos nas coisas do mundo somos pequenos. Mas se desejamos algo mais elevado, podemos nos adiantar, esforçando-nos mais que o comum dos seres humanos e subindo com a ajuda de uma Filosofia esotérica iluminadora, a fim de sentir a presença e ouvir a voz que nos diz: “hoje ficarei em tua casa”. E passaremos a empregar parte de nossos recursos na elevação da Humanidade carente, em vez de conservá-los egoisticamente em nosso único proveito (física, emocional, mental e financeiramente).
Os Evangelhos terminam com a morte e paixão de Cristo-Jesus. E S. João acrescenta que muitas outras coisas poderiam dizer, mas que por ora não as suportaríamos.
A Paixão recomeça todos os dias. A Humanidade, os novos autores, ensaiam seus papéis. Milhões e milhões de indiferentes, dos covardes, dos que “lavam as mãos”; depois os milhões que face aos problemas, e momentos difíceis, negam seus ideais superiores, como os “S. Pedros”; os “Judas Iscariotes” que traem a consciência d’Ele com um “beijo” falso, os milhares de carrascos que se comprazem em explorar o fraco, espezinhar o débil, os brutos com seus açoites diversos, o funcionário com seu frio regulamento diante da mesma face dolorosa, infinitamente paciente, infinitamente amorosa que se cala e nos dirige aquele olhar que despedaçou o coração de S. Pedro e fê-lo branquear os cabelos numa noite. Aquele olhar de ternura, de interrogação e de espera.
E mais do que nunca há vítimas que sofrem perseguições injustas. Em nossa casa, junto de nós, há alguém que chora, alguém que sofre, alguém sequioso de orientação e conforto, alguém com fome e frio, alguém doente, alguém de luto, alguém na solidão. Estão esperando por nós. Quem é Verônica? Quem é Simão Cirineu? Quem é João, o discípulo amado? Quem é Pedro? Quem é Judas Iscariotes? Quem é José de Arimatea? Quem é Pôncio Pilatos? Quem é sua esposa?
Que oportunidade a nossa! Eternamente presente, Cristo-Jesus nos olha e nos espera: “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizeste.” (Mt 25:40). Ele vive em nós, sofre em nós. Acompanhamos o drama. Queiramos ou não, somos levados a fazer parte d’Ele. Mas temos a liberdade de escolher o papel, embora seja uma liberdade relativa. Podemos esclarecer e converter alguns da multidão indiferente para que O amem; dos que O odeiam, para que O conheçam pelo menos, porque só a ignorância gera o ódio. Podemos conseguir alguns servos vigilantes, alguns corações amorosos, para que nos ajudem a continuar-lhe a obra de redenção dos que “não sabem o que fazem”[3].
O teatro está sempre aberto. Uma parte sai e a outra entra em cena. Vivemos repetindo a peça. Variações sobre o mesmo tema. Sabemos nosso papel de cor. Julgamos conhecer o Evangelho. “Estamos prontos” – dizemos ao Grande Diretor.
Mas ficamos ofuscados quando entramos em cena neste mundo, ansiosos de glória, desejosos de aplausos, preocupados demais com os trajes, com os efeitos. Distraímo-nos. Não vivemos o papel despretensiosamente. E perdemos a oportunidade.
Em dado momento cai o pano para a nossa parte no mundo e o Diretor irrompe em nosso camarim: que houve com você? Por que não representou? E o ator confuso e envergonhado, responde: perdi a noção de meu papel, deixei-me levar pela assistência e pelo que podiam pensar de mim, não julguei que fosse assim antes de entrar.
De que valem as escusas? Sim há o infinito pela frente, mas o tempo perdido não volta mais. Temos que enfrentar novamente as mesmas falhas até vencê-las. Repetir a cena. Como há mais de dois mil anos, hoje a mesma coisa. Feliz o servidor que o Mestre, à sua chegada, encontra vigilante. “Minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço e elas me conhecem e seguem.” (Jo 10:27).
Felizes dos que ouvem essa voz e a seguem. “Pois assim como a chuva e a neve descem do céu e não voltam mais para lá, mas embebem a terra, fecundando-a e fazendo-a germinar para que dê semente ao que semeia e pão ao que come, assim será a minha palavra: saída da boca não tornará a Mim vazia, mas fará tudo quanto quero e prosperará onde eu a enviar.” (Is 55:10-11).
A Palavra de Deus é eficaz, é viva. É Água Viva da qual, alguém bebendo, jamais terá sede, conforme disse Cristo à mulher samaritana. Só podemos oferecer dessa Água se primeiramente a tivermos bebido. Não podemos dar a ninguém o que não temos. Não podemos comunicar senão o que temos vivido. Não podemos atrair os outros senão para aquilo que conhecemos.
É a palavra de Deus que deve determinar nosso apostolado, nossa ação.
Saibamos escolher e bem representar nossos papéis no mundo. Sejamos autênticos Cristãos, candeias que iluminam pelo exemplo, sais que não deixam a massa corromper e dão sabor à Humanidade, sal cuja presença é sentida sem se evidenciar.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1966 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: Mt 26:41
[2] N.R: E, tendo entrado em Jericó, ele atravessava a cidade. Havia lá um homem chamado Zaqueu, que era rico e chefe dos publicanos. Ele procurava ver quem era Cristo Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura. Correu então à frente e subiu num sicômoro para ver Jesus que iria passar por ali. Quando Cristo Jesus chegou ao lugar, levantou os olhos e disse-lhe: “Zaqueu, desce depressa, pois hoje devo ficar em tua casa”. Ele desceu imediatamente e recebeu-o com alegria. À vista do acontecido, todos murmuravam, dizendo: “Foi hospedar-se na casa de um pecador!”. Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: “Senhor, eis que eu dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo”. Cristo Jesus lhe disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele, também, é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”. (Lc 19:1-10)
[3] N.R.: Lc 23:34
Resposta: O termo “oculto” refere-se em geral, a tudo o que é secreto, ou considerado “sobrenatural”, do ponto de vista puramente físico. O ocultismo, como qualquer outro estudo, tem os seus aspectos positivos e negativos. Infelizmente, devido a grande ênfase dada aos seus aspectos menos superiores a ciência oculta criou “má reputação” em certos círculos.
Parece-nos, contudo, que a Filosofia Rosacruz, ou melhor, dizendo, os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, indicam para a Humanidade ideias e ensinamentos sobre tudo o que há de mais superior e positivo, quanto à natureza de Deus e a nossa. De acordo com esses ensinamentos, nós somos inerentemente semelhantes à Deus, possuindo, em estado latente, todos os atributos da Divindade. A meta final da evolução é nos transformar do ser inocente e estático que somos hoje, num ser dinâmico como o Deus solar que adotamos.
A nossa evolução vem se processando desde os tempos imemoriais. O presente estágio é caracterizado por repetidos renascimentos na Terra, a fim de aprendermos certas lições no plano físico, antes da passagem para Mundos superiores. Passarão eons incontáveis, até que as qualidades que nos tornarão em um ser divino desenvolverem.
O conhecimento adquirido em nossa jornada evolutiva deve ser usado a serviço de nossos semelhantes. E para evoluir devemos adquirir conhecimentos, tanto dos Mundos espirituais como do Mundo Físico. E não há nada de maligno no conhecimento. O desejo de aprimoramento, o esforço em aprender algo relativo tanto aos Mundos espirituais como ao Mundo Físico, numa escola qualquer, merece louvor. O importante é o uso que será feito desses conhecimentos.
Devemos nos esforçar ao máximo em resistir à tentação de usar esses acontecimentos para engrandecimento próprio, para fins egoístas ou para prejudicar nossos semelhantes.
A Filosofia Rosacruz é uma filosofia Cristã. Oferece a mais ampla interpretação dos Ensinamentos Cristãos básicos, do que as Igrejas cristãs. Proporciona grande ênfase a doutrina do Amor Universal, conforme foi legada a todos nós por Cristo-Jesus.
(Publicada na Revista Rays From the Rose Cross – 09/15 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
No nome de Cristo Jesus mora a Suprema força do Iniciado. Eis o motivo pelo qual S. Pedro nos ensina: “Pedro lhes disse: ‘arrependei-vos e batize-se cada um de vós, em nome de Cristo Jesus, para o perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.’” (At 2:38).
Complementado pelo que S. Paulo nos ensina: “Ao seu nome todo joelho se dobrará.” (Fp 2:10).
A palavra “amém” está composta de duas letras masculinas e duas femininas, correlacionadas com os quatro Elementos do: Fogo, Ar, Água e Terra. Quem pode entoar adequadamente esse nome, controlará todos os habitantes e as forças dos elementos. Poder adquirido pelos Discípulos no transcendental evento conhecido como Pentecostes.
Aprendemos nos Estudos Bíblicos Rosacruzes que há uma descrição da vida das primeiras comunidades Cristãs que nada mais é do que um ideal. Ei-la: “E perseveraram na doutrina dos Apóstolos, em comunhão uns com os outros, compartilhando o pão e orando. E sobreveio temor a todos; e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos Apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham em comum todas as coisas; vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam a todos segundo a necessidade de cada um. E perseverando unânimes cada dia no Templo, repartiam o pão nas casas, comiam juntos com alegria e simplicidade de coração.” (At 2:42-46). Fácil compreender que ali se encontra o ideal da Nova Era – a Era de Aquário –, onde a amizade e a fraternidade serão demonstradas e praticadas cotidianamente. É somente pela prática, na vida diária da fraternidade, que se abrirão as portas do Templo da Sabedoria. Jamais encontraremos a luz até que aprendamos a manifestar o espírito de irmandade. O estudo dos livros fornece somente um conceito intelectual dessas verdades, porém aquele que se capacita a recebê-las na fonte é quem vive os princípios sobre os quais elas estão fundamentadas. É o famoso pensar com o Coração.
A formosa vida desses primeiros Cristãos foi um poderoso imã de atração. Ali, onde não existiam distinções de casta ou clã, nem patrícios nem plebeus, nem ricos nem pobres. Os neófitos conviviam e cada um era tratado e aceito como um irmão e como uma irmã. Suas comunidades eram centros de amor e de serviço, nas quais ninguém era excluído. Eles observavam extrema simplicidade em todas as coisas, redimindo pessoas que eram presas à imoralidade e práticas dissolutas, remanescentes da passada Era de Touro.
Admiráveis forças espirituais foram desenvolvidas e manifestadas no meio dessa gente. O grupo íntimo formava uma reunião com seu único Mestre, Cristo, que estava frequentemente entre eles, fortalecendo-os, estimulando-os e inspirando-os. Eles haviam aprendido também a segui-lo nos Mundos espirituais, dos quais Ele lhes havia dito: “Não podeis seguir-me agora, porém, o fareis depois” (Jo 13:36).
Apesar das frequentes perseguições e martírios a que eram expostos, esses primeiros Cristãos alcançaram uma sublime consciência, experimentando um profundo êxtase espiritual que ultrapassa toda compreensão humana e não pode ser comparado a coisa alguma. Cada noite, em alegre reverência, reuniam-se para uma frugal refeição, chamada na Grécia “ágape”, ou festa de amor Crístico. Seguia-se a isto, um período de estudo e celebração da Eucaristia. Depois, dava-se sequência a uma classe limitada àqueles avançados e maduros espiritualmente. Prosseguindo essas normas, novas e extensas forças de cura, profecia e visão foram desenvolvidas no meio deles, juntamente com a habilidade de comunicação com seu dileto Mestre. E isso porque vivenciavam tal Ensinamento de Cristo: “Se permanecerdes em minha palavra, sereis verdadeiramente Meus discípulos e conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará” (Jo 8:31-32). Simples assim!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross e traduzido e publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro-fevereiro/1987 – Fraternidade Rosacruz-SP)
“A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, assim Eu também vos envio” (Jo 20:21). Na noite da Ressurreição, a primeira coisa a ser considerada por Cristo foi mandar os seus Discípulos ao mundo para testemunhar a fé. A nós, também Ele diz: “Assim como o Pai Me enviou, eu também vos envio”. Por que devemos ser enviados? O que temos nós, Cristãos que somos – Estudantes assíduos do Cristianismo Esotérico –, que nosso Senhor deseja que o mundo receba de nossa parte? Temos inúmeras coisas, a começar pela fé.
Nós somos testemunhas de Cristo – o fermento de Cristo na Sociedade. O mundo de hoje necessita da nossa fé. Não nos enganam como Estudantes Rosacruzes ou Aspirantes à vida superior, nos consideram religiosos! As pessoas esperam de nós a bondade e as demonstrações da nossa fé. Mesmo quando contestam nossos argumentos, dependem da calma e serena expressão da nossa fé nesta Era, a de Peixes, de vertiginosa confusão para muitos (especialmente, porque estamos na “Órbita de Influência” de Aquário, onde já temos mais lições à disposição para aprender. Só que se nem as lições da Era de Peixes muitos nem sequer tentaram aprender – além de muitas da Era de Touro e da Era de Áries também não – aí está uma das causas da ilusória confusão, aflição, dissimulação, falta de confiança). Cada um de nós é uma testemunha de Cristo. Cada um de nós pode fortalecer ou enfraquecer a fé daqueles que nos rodeiam.
O mundo atualmente é, na verdade, um paradoxo. Porque em nossa sociedade afluente – rica e tecnologicamente sofisticada – muitos de nós se sente deprimido. A despeito dos aparatos que poupam nosso trabalho, modelos que nos seduzem, medicação que nos sustentam, ainda assim muitos continuam na depressão urbana na forma de pobreza, preconceito, falsa propaganda e miríades de outras depressões sociais que levam ao uso de álcool, das drogas e à negação psicodélica da realidade. Somos testemunhas da injustiça, da violência, áspera competição, do impersonalismo, um terrível período que ocorre em nosso mundo.
O paradoxo induz a maioria de nós à ansiedade. Essa ansiedade com o sentimento de culpa, insegurança e frustração não está confinada apenas nas pessoas neuróticas e infelizes! Essa ansiedade no mundo em que vivemos também se encontra no lar e no coração de muita mais gente do que pensamos. Todos nós, mesmo nossas crianças, são contaminados pelo senso de insegurança, num mundo cuja vastidão os aniquila. O conhecimento se expandindo cada ano, conhecimento assinalado com citações sábias marcadas por aspas, deixa muitas pessoas confusas em relação aos seus valores pessoais e duvidando do seu relacionamento com Deus e com a eternidade. O firme apoio que Deus nos permite descobrir, no espaço e no tempo, a sua complexidade, entra em colapso, em confusão para o indivíduo. Mesmo que muitos insistam em manter a sua liberdade pessoal por razões egoístas, não se isolam da situação; embora mudem de status, ora de um ora de outro, permanece o medo de observar as necessidades em suas almas.
A palavra de ordem nesta época parece ser ”hostilidade”. Nossa idade é hostil à Humanidade; muitos são hostis uns com outros, sendo mesmo hostis consigo mesmo. Nessa condição, a fé é a única esperança que nos resta para um mundo melhor. Mantenhamos nossa fé; ela nos mantém ligados a Deus. A fé é confiança, crença e conhecimento. Identicamente, como qualquer outro poder, a fé, a menos que não seja posta em prática – “A fé sem obras é morta” (Tg 2:17) –, se atrofia, tal como acontece com o músculo que não é exercitado. Devemos viver a nossa fé, testemunhá-la e nos esforçarmos por aprofundá-la.
Hoje, mais do que nunca, as pessoas discutem sobre Religião. Mesmo os que são hostis a ela admiram os que a cultuam, muitas vezes procurando o seu apoio, uma vez que uma pessoa de fé tem coragem, visão e paz – isso é justamente o que as pessoas procuram!
Oremos para que tenhamos sempre a mesma convicção e o entusiasmo que levou S. Tomé a exclamar: “Meu Senhor e Meu Deus.” (Jo 20:19).
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1986-Fraternidade Rosacruz-SP)
“Vocês precisam de paciência para que, depois de terem feito a vontade de Deus, possam receber a recompensa”[1].
Sem dúvida, S. Paulo viu a impaciência dos “Pequeninos”, como os Estudantes de hoje, ansiosos para “colher onde não haviam semeado” e se queixam de seu lento progresso. Primeiro a natureza e depois o espiritual, o crescimento do anterior e a analogia do superior. São necessários vinte e oito anos de vida terrestre para fazer da personalidade do ser humano um bebê primogênito; isto é, um indivíduo fisicamente adulto e seguro. É provável que um ser eterno e imortal possa desenvolver e definir um caráter cristão e uma profunda raiz espiritual em poucos anos?
O Espiritual só pode se desenvolver quando a Natureza cede, pois em um jardim a planta preferida floresce exatamente na proporção em que as ervas daninhas são arrancadas e o cultivo é restabelecido.
Nosso Salvador Cristo não prometeu transformar o ser humano. Ele prometeu “Poder” para se tornarem Filhos de Deus e “acreditar em Seu nome”. O poder de se tornar uma árvore ou flor perfeita está em uma semente, o pequeno começo do crescimento espiritual, está na “crença n’Ele”.
O jardineiro tem um trabalho a fazer: manter todas as ervas daninhas afastadas e cultivar a terra. A vida cresce na semente.
Quando alguém aceita a Cristo com o coração, ele dá a vida que crescerá para a perfeição espiritual para o cultivo. Os frutos do Espírito são todas as belas qualidades da alma que tornam uma vida nobre e útil, porém, não são vistas ao mesmo tempo produzidas em sua plenitude. A aparente mudança pode ser grande em relação à de um mundano – egoísta, mercenário, vaidoso e impuro – porém, leva tempo para desenterrar as velhas raízes e ervas daninhas, cujas sementes tendem a ter uma periodicidade de aparecer.
Muitos que se consideram firmemente estabelecidos no bem-estar, são pegos dormindo e derrubados por algum defeito do passado por falta de vigilância. A espiritualidade, em seus estágios iniciais, é facilmente desviada do coração por influências mundanas; ninguém precisa de uma amamentação mais prolongada para manter seu poder afetivo. O cérebro é o elo de conexão e os pensamentos mentais devem estar focados para alcançar seu ideal, a fim de se manter longe das muitas tentações que o mundo oferece, especialmente aos jovens.
Os Ensinamentos Rosacruzes apelam para os Cristãos que, de certa forma, se afastaram dos desejos da natureza e que, talvez, tenham sido plenamente experimentados e provados que estão carentes das qualidades que satisfazem a alma; contudo, a Natureza morre lentamente, as exigências da santidade são difíceis e, especialmente nos Cristãos com mais idade física, retroceder não é incomum. Muitos chegam a qualquer novo ensinamento para os obter “os pães e os peixes”, enquanto que um grande número se unem a uma igreja popular para curar seus males corporais e permanecer ali a fim de continuar recebendo as bênçãos da saúde. Esse motivo parece ser depreciativo para o crescimento da alma, mas, não se pode entrar em contato com a Espiritualidade sem sentir sua influência para a elevação; e assim, com o tempo, aqueles que chegam por razões egoístas podem se tornar seguidores sinceros da fé. Há muitas almas vacilantes indo de um culto a outro para encontrar descanso para as solas dos pés, e onde a Verdade for encontrada em maior medida, a grande multidão virá para o “pão da vida”. Elas podem ser muito sinceras, honestas, mas de modo alguns estão prontas para a Iniciação. As plantas que, às vezes, dão flores e frutos em abundância precisam ser transplantadas várias vezes antes de mostrarem seu verdadeiro vigor e, quando finalmente chegam ao lar permanente, ainda precisam esperar longos meses e até anos de desenvolvimento, antes que o fruto nasça. Somente a maturidade do tempo traz a produtividade total.
Analise as lágrimas de qualquer um dos verdadeiros Santos que se mantiveram na fé e terminaram o caminho para Deus; o caminho deles, certamente, não foi de rosas. Morrer diariamente para si mesmo, para as paixões da Natureza inferior, para a adoração material; sacrifícios diários na cruz do Corpo Denso, com olhos fixos no Senhor, com Cristo interno repleto no coração, com todos os presentes no altar na consagração à Humanidade. Os Cristãos são compostos de vários tipos e qualidades, parecido com os tipos das embarcações marítimas: alguns parecem apenas com barcos a remo amarrados à costa, com medo de se aventurar sozinhos; outros mais ousados, mas com medo de águas profundas; outros, então, como um navio veloz para passageiros, preparado para a viagem, bem equipado, o Capitão em seu posto, de olho na bússola. E mesmo assim, algumas vezes, batem em uma rocha ou falham em resistir a um vendaval, e afundam. Existem outros que parecem submarinos que exploram os segredos das profundezas.
Tais são os Adeptos na Fraternidade Rosacruz, talvez profundamente envolvidos nos segredos do governo, em missões importantes, guardiões avançados na pesquisa, difíceis de se encontrar, difíceis de destruir, vencedores do inimigo das almas. Depois, existem as aeronaves; essas são símbolos dos Irmãos Maiores, que navegam em outro elemento. Pois, Eles estão no ar, na atmosfera clara de um ar rarefeito, e enxergam além das brumas que escondem o passado e o futuro da nossa visão limitada. Esses tipos de pessoas não surgiram em um só dia. Há muito tempo de desenvolvimento entre o barco a remo frágil e o submarino ou a aeronave.
A paciência deve ter seu ciclo de trabalho terminado: a alma deve crescer de maneira ordenada, primeiro a folha, depois a espiga e depois a espiga cheia de milho. Um dia de cada vez, uma falha superada, um ato altruísta, um pensamento amoroso verdadeiramente universal; através de todos e de cada um de nossos passos no “Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz”. Não adianta se preocupar, não adianta se apressar; é uma daquelas situações onde é melhor fazer isso bem devagar, pois se você fizer isso muito depressa, você cometerá erros. Somente o tempo e a paciência podem curar a alma de sua incapacidade e levá-la à estatura total de “Uma pessoa em Cristo Jesus”[2]. A sequoia, a maior árvore do mundo, leva milhares de anos para atingir sua altura elevada, e as outras árvores de mais de cem anos parecem pequenas mudas delas, em comparação.
Estruturas fortes e permanentes avançam lenta e seguramente, contudo, são construídas para durar, suportar os vendavais, o estresse da vida. Aos Estudantes da Filosofia Rosacruz é muito bom o manter essas verdades, constantemente nas suas Mente (e não aumentar os encargos da sede de um Centro Rosacruz, escrevendo com espírito de crítica, de impaciência, como alguns que conheço. O escritor está longe, e mesmo assim, acaba entrando em contato com outros Estudantes que também demonstram essa falta de compreensão da vida). Os meios de crescimento, cultivo e poder da alma estão nas nossas mãos, em nossos lares e no ambiente ao nosso redor. Aqui e agora é o nosso lugar e hora para começar de novo, a cada dia abençoado para desenvolver um corpo espiritual, para preparar as glórias prometidas aos fiéis até o fim. “Você tem pouca força se cair no dia da adversidade”[3].
(Publicado na: Rays From The Rose Cross – janeiro/1916 – e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Hb 10:36
[2] N.T.: IICor 12:2
[3] N.T.: Pb 24:10
Esta é a sétima e última das sete Épocas que estamos passando, aqui na 4ª Revolução do Globo D do Período Terrestre.
Dentre vários conceitos que são nos ensinado sobre o Reino de Deus na Bíblia, temos esse ensinado por Cristo: “O Reino de Deus é semelhante a um mercador que procura pérolas preciosas. Quando encontra uma de grande valor, vende tudo que possui para comprá-la” (Mt 13:44-46).
Para os verdadeiros Cristãos a única Fortuna que se deveria buscar é aquela que “não tem dinheiro que pague”; a que nos leva a adorar somente a Deus (acima de tudo e unicamente Ele), pois o Reino de Deus é Celeste, uma vez que aqui na Região Química do Mundo Físico somos peregrinos, viajantes temporários e não levamos daqui nenhum bem material, portanto, somos celestes e não terrestre.
O próprio Cristo proclamou que: “O Reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17:21), esta passagem é de uma significância muito mais abrangente do que se supõe. Afinal, Reino de Deus significa o nosso Sistema Solar com todas as Leis de Deus funcionando perfeitamente e na mais impecável harmonia, sintonia e vibrações exatas para cada forma de vida que está evoluindo nesse Esquema de Evolução. E acrescentou: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (Jo 14:12). “Procurai o reino de Deus e Sua Justiça e todas as coisas ser-vos-ão dadas por acréscimo” (Mt 6:33).
Ora, se o Reino de Deus, com todas as suas benesses, está dentro de nós basta procurá-lo para que nossa vida seja vívida em toda a plenitude. Tudo depende de nós, de como nós agimos ou reagimos às situações. Porque o sentimento de solidariedade deve tornar-se universal, sendo o princípio básico no Reino de Deus.
S. Paulo, que era muito enfático em suas asserções, nos ensina que: “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”. Ele afirma que nós devemos nos transformar e sermos como Cristo, e se nós não podemos entrar no Reino em um corpo carnal, seria absurdo supor que o Rei da Glória usaria tal vestimenta, pesada e grosseira.
A Sua missão é emancipar a Humanidade das Leis que são as bases das Religiões de Raça e substitui-las pelo amor Crístico, para destruir “o reino dos homens” com todos os seus antagonismos, e construir sobre suas ruínas, “o Reino de Deus”. Portanto, cada um de nós precisa ser libertado dos grilhões das Religiões de Raça e de suas fortes reminiscências: Espírito de tribo, Espírito de nação, Espírito de família, superar o partidarismo religioso e o patriotismo, e aprender a dizer o que o incompreendido e caluniado Thomas Paine disse: “O mundo é minha Pátria e fazer o bem é minha Religião”.
No Reino de Deus não haverá a morte, e o nascimento de corpos, como hoje gerados não será mais necessário. Portanto, o casamento, o conflito de interesses devido à luxúria do sexo e do amor ao poder não mais existirão e o amor das almas será santificado pelo Espírito da Paz.
E todos que alcançarão o mérito de viver em plenitude na Época Reino de Deus obterão a vitória sobre a morte dando a vida em autossacrifício pelos outros. Só então vem a libertação da cruz com o grito glorioso proferido primeiro por Cristo, “Consummatum est”, ou seja: está consumado.
Se seguirmos os ensinamentos contidos na Bíblia (que foi nos fornecida pelos “Anjos do Destino que, estando acima de todo erro, dão a cada um e a todos exatamente o que necessita para o seu desenvolvimento”), fazendo tudo “como se fosse para o Senhor”, não importa que linha de trabalho honesto realizemos, estaremos também, ao mesmo tempo, procurando o Reino de Deus. Mas se somos apenas servos temporários, trabalhando por temor ou favor, não podemos esperar sucesso a longo prazo. Saúde, riqueza e felicidade podem nos servir por pouco tempo, mas fora dos fundamentos sólidos da Bíblia não pode haver uma vida em plenitude e nem uma realização espiritual verdadeira enquanto estamos vivendo aqui.
Que as rosas floresçam em vossa cruz