Frequentemente ouvimos Cristãos devotos se queixarem dos períodos de depressão. Às vezes, eles estão quase no sétimo céu de exaltação espiritual; quase veem o rosto de Cristo e sentem como se Ele estivesse guiando cada passo que dão. Então, sem qualquer aviso ou qualquer causa que consigam identificar, as nuvens se acumulam, o Salvador esconde o Seu rosto e o mundo se tornam sombrio por um período. Eles não conseguem trabalhar nem orar; o mundo não tem atrativo algum e o portão do céu parece fechado para eles; assim, a vida lhes parece sem valor enquanto a depressão espiritual perdura.
Naturalmente, a razão é que essas pessoas vivem sob suas emoções e, segundo a imutável Lei das Alternâncias, o pêndulo está destinado a oscilar tanto para um lado do ponto neutro quanto para o outro. Quanto mais brilhante a luz, mais profunda a sombra; quanto maior a exaltação, mais profunda é a depressão espiritual que a sucede.
Somente aqueles que, pela razão fria, refreiam suas emoções escapam dos períodos de depressão — mas também nunca experimentam a bem-aventurança celestial da exaltação. É justamente esse derramar de si mesmo em fervorosa devoção que fornece ao Cristão Místico a energia dinâmica para se projetar nos Mundos invisíveis, onde ele se torna um com o ideal espiritual que o tem chamado e despertado em sua alma o poder de se elevar até Ele — assim como o Sol formou o olho com o qual o percebemos.
O filhote cai muito antes de aprender a usar suas asas com segurança e o Aspirante no caminho do Misticismo Cristão pode se elevar até o próprio trono de Deus inúmeras vezes e cair no mais profundo abismo do desespero infernal. Contudo, em algum momento, ele vencerá o mundo, desafiará a Lei das Alternâncias e se elevará pelo poder do Espírito ao “Pai dos Espíritos”, livre das armadilhas da emoção, pleno de uma Paz que excede todo entendimento.
Mas esse é o fim alcançado somente após o Gólgota; o Batismo Místico é apenas o início da carreira ativa do Cristão Místico, quando ele se torna profundamente impregnado do tremendo fato da unidade de toda a Vida e imbuído de um sentimento de fraternidade por todas as criaturas, de modo que, doravante, ele pode não apenas enunciar, mas praticar os Ensinamentos que o próprio Cristo nos deu que conhecemos como Sermão da Montanha.
Se as experiências espirituais do Cristão Místico não o levassem além disso, ainda assim seriam a mais maravilhosa aventura do mundo e a magnitude do acontecimento está além das palavras, com consequências apenas vagamente imagináveis. A maioria dos estudantes das filosofias superiores acredita na Fraternidade da Humanidade por uma convicção mental de que todos emanamos da mesma Fonte divina, como os raios emanam do Sol; mas há um abismo de profundidade e largura inconcebíveis entre essa fria concepção intelectual e a saturação batismal do Cristão Místico, que a sente no coração e em cada fibra do seu ser com tamanha intensidade impensável. Isso o enche de um amor ansioso e ardente, como o expresso nas palavras do Cristo: Ó, Jerusalém; ó, Jerusalém, quantas vezes quis eu te reunir debaixo das minhas asas[1] — um amor protetor, cheio de anseio e cuidado que nada pede para si, exceto o privilégio de nutrir, proteger, guardar.
Se ao menos um tênue reflexo de tal sentimento universal de fraternidade estivesse difundido entre a Humanidade nestes dias sombrios, que paraíso seria a Terra! E não este inferno onde os homens e mulheres levantam a mão contra seu irmão ou sua irmã para matá-lo ou matá-la com a espada, por meio da rivalidade ou competição objetivando destruir sua moral e degradá-lo e degradá-la sob as marcas do cativeiro industrial ou do açoite da necessidade. Não teríamos guerreiros nem prisioneiros, mas um mundo feliz e satisfeito, vivendo em paz e harmonia, aprendendo as lições que nosso Pai Celestial tenta nos ensinar nesta condição material. O motivo de toda a miséria no mundo pode ser explicado porque acreditamos na Bíblia com o intelecto, mas não com o Coração.
Quando emergimos das águas do Batismo — o Dilúvio Atlante — para a “Era do Arco-íris”, das estações alternadas, também nos tornamos presa das emoções mutáveis que nos lançam para cá e para lá no mar da vida… A fé fria, contida pela razão e sustentada pela maioria dos Cristãos autodeclarados, pode conceder alguma medida de paciência e equilíbrio mental que sustenta durante as provações da vida; mas quando a maioria alcançar a fé viva do Cristão Místico — que ri da razão por que é sentida pelo Coração — então a “Era das Alternâncias” terá passado. O arco-íris cairá com as nuvens e o ar que agora compõe a atmosfera; haverá então um novo céu de puro Éter onde receberemos o Batismo do Espírito e haverá Paz (Jerusalém).
Ainda estamos na “Era do Arco-íris” e sujeitos as suas Leis; assim, podemos compreender que, como o “Batismo” do Cristão Místico ocorre em um momento de exaltação espiritual, ele deve necessariamente ser seguido de uma reação. A tremenda magnitude da revelação o domina, ele não consegue assimilá-la nem conter em seu veículo carnal e por isso foge dos lugares frequentados pelos seres humanos: retira-se para a solidão, alegoricamente representada pelo deserto.
Tão envolvido ele está em sua sublime descoberta que, por algum tempo, em seu êxtase, contempla o tear da Vida, no qual os Corpos de tudo o que vive são tecidos — do menor ao maior, o rato e o ser humano, o caçador e a presa, o guerreiro e sua vítima… No entanto, para ele não estão separados nem apartados, pois também enxerga o único Fio divino de luz dourada da vida que a tudo permeia e tudo une[2]; mais ainda, ele ouve em cada ser a nota-chave flamejante, soando suas aspirações, dando voz a suas esperanças e temores, percebe que essa cor-sonora seja composta em forma do hino universal do Deus que se fez carne.
Mas o Cristão Místico que acaba de emergir do seu Batismo na Fonte da Vida recua imediatamente, horrorizado, diante da sugestão de usar seu poder recém-descoberto para um propósito egoísta. Foi precisamente a qualidade de alma da abnegação que o conduziu às águas de consagração na Fonte da Vida e ele sacrificaria tudo — até mesmo a própria vida — antes de usar seu novo poder para fugir de uma dor ou de um sofrimento. Acaso ele não viu a aflição do Mundo? Não a sente em seu grande Coração com tamanha intensidade que a fome imediatamente desaparece e é esquecida? Ele pode, quer e de fato usa esse maravilhoso poder livremente para alimentar os milhares que se reúnem para ouvi-lo — mas nunca para fins egoístas porque, assim, perturbaria o equilíbrio do mundo.
Mas ele não raciocina sobre isso; como já foi dito, ele não se guia pela razão, mas por uma diretriz muito mais segura: a voz interior que sempre orienta nos momentos em que uma decisão precisa ser tomada. O indivíduo “não vive só de pão, mas de toda palavra que procede de Deus”[3]. Eis outro Mistério: não há necessidade de participar desse pão terreno para aquele que tem acesso à Fonte da Vida.
Quanto mais nossos pensamentos estiverem centrados em Deus, menos nos importaremos com os chamados prazeres da mesa; ao alimentar nossos Corpos Densos de modo frugal, com alimentos simples e selecionados, obteremos uma iluminação do Espírito impossível para aquele que se entrega a uma dieta excessiva de alimentos grosseiros, que nutrem a natureza inferior, o “eu inferior”. Alguns santos utilizaram o jejum e a mortificação como meio de crescimento da alma, mas esse é um método equivocado por razões apresentadas em no artigo sobre O Jejum como um Fator para o Crescimento Anímico[4].
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, que compreendem a Lei e vivem de acordo com ela, usam alimento apenas em intervalos medidos em anos; para eles, a palavra de Deus é um pão vivo.
Ela também o é para o Cristão Místico e a tentação, em vez de provocar sua queda, conduz a alturas ainda maiores. Isso, a princípio, está inteiramente além da sua compreensão; a tremenda magnitude da descoberta o deslumbra e encobre, por isso ele não consegue imaginar o que é que vê e sente, pois não há palavras que o descrevam nem conceito que o abarque. Mas, pouco a pouco, começa a clarear em sua consciência que ele esteja na própria Fonte da Vida, contemplando — ou melhor, sentindo — cada pulsação dela; com essa compreensão ele atinge o clímax do seu êxtase.
Tão absorto esteve o Cristão Místico em sua bela aventura que as necessidades do Corpo foram completamente esquecidas até que o êxtase terminou; é, portanto, natural que a sensação de fome seja a primeira necessidade consciente ao retornar ao estado normal de consciência. Surge também, de forma natural, a voz da tentação: peça que estas pedras se transformem em pão[5].
Poucas passagens das Sagradas Escrituras são mais obscuras do que os versículos iniciais do Evangelho Segundo S. João: “No princípio era o Verbo […] e sem Ele nada do que foi feito se fez”. Mas um breve estudo da ciência do som logo nos familiariza com o fato de que som é vibração e diferentes sons moldam areia ou outros materiais leves em figuras de formas variadas.
O Cristão Místico pode ser completamente ignorante desse fato do ponto de vista científico, mas aprendeu na própria Fonte da Vida a entoar o Canto do Ser, que embala à existência tudo aquilo que um mestre músico assim deseje. Há uma tonalidade fundamental correspondente à pedra mineral e indigesta; porém uma modificação pode transformá-la no ouro com o qual podemos adquirir nossos meios para o sustento; outra nota-chave, peculiar ao Reino vegetal, pode convertê-la em alimento — fato conhecido por todos os Cristãos Ocultistas avançados que praticam encantamentos legitimamente para fins espirituais, mas nunca para proveito material.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – novembro/1916, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Mt 23:37 e Lc 13:34
[2] N.T.: Ecl 3:1-8
[3] N.T.: Mt 4:4 e Dt 8:3
[4] N.T.: O Jejum como um Fator para o Crescimento Anímico
Frequentemente o autor recebe perguntas em relação ao benefício ou desvantagem do jejum e, portanto, pode ser bom elucidar a origem e o fundamento dessa prática para que possamos determinar qual efeito, se houver, é exercido sobre o crescimento espiritual.
Nas Antigas Dispensações era exigido que os sacrifícios de bovinos e caprinos fossem feitos como expiação ao pecado praticado, pois o ser humano valorizava, então, seus bens materiais, muito mais do que nos dias de hoje, sentindo profundamente sua perda, quando forçado a abrir mão deles para tal finalidade.
Mesmo nos dias modernos, as indulgências são compradas e o Perdão dos Pecados anunciado a qualquer pessoa que doe uma quantia em dinheiro a algumas Igrejas Católicas e Protestantes, para a compra de todo os tipos de acessórios necessários ao serviço.
Mas, sempre houve um ensinamento esotérico, que está sendo promulgado exotericamente hoje, e esse ensinamento não aceita o sacrifício de um animal, dinheiro ou outras posses; contudo, exige que cada um faça um sacrifício de si mesmo. Isso foi ensinado aos Aspirantes na antiga Escola de Mistérios, quando eles eram preparados para o Ritual Místico de Iniciação. A eles foram explicados os mistérios do Corpo Vital – composto pelos quatro Éteres e funções de cada Éter: o Éter Químico, que é necessário para a assimilação; o Éter de Vida, que promove o crescimento e a propagação; o Éter de Luz ou Luminoso, que é o veículo da percepção sensorial; e o Éter Refletor, em que se armazena a memória.
Eles foram, cuidadosamente, instruídos nas funções dos dois Éteres inferiores em comparação com os dois Éteres superiores. Eles sabiam que as funções puramente animais do Corpo dependiam da densidade dos Éteres inferiores, e que os dois Éteres superiores, por sua vez, formavam o Corpo-Alma, o veículo do serviço e, naturalmente, eles aspiravam cultivar essa gloriosa vestimenta, pela renúncia e refreando as propensões das naturezas inferiores, assim como fazemos hoje.
Esses fatos eram mantidos em segredo das pessoas que não estavam no Caminho da Iniciação ou, melhor dizendo, assim deveriam ter permanecido. Mas, alguns neófitos, mesmo sendo excessivamente zelosos em alcançar a Iniciação, não importando os meios, esqueceram que é somente pelo serviço e altruísmo que a veste nupcial dourada é cultivada pelos dois Éteres superiores. Eles pensaram que a máxima oculta, “ouro no cadinho, impureza no fogo; ligeiro como o vento, alçar-se cada vez mais alto”, apenas significava que, enquanto a natureza inferior, a escória, tinha sido expulsa, e não importava a maneira, mas se tivessem encontrado um método fácil, eles teriam retido apenas o “ouro” composto pelos dois Éteres superiores, o Corpo-Alma, no qual eles poderiam, com certeza, acessar os Mundos invisíveis sem obstáculo ou embaraço. Eles concluíram que, como o Éter Químico é o agente de assimilação, poderia ser eliminado do Corpo Vital, privando o veículo físico da fome.
Eles também pensaram que, como o Éter da Vida é a via de propagação, poderiam privá-lo com uma vida celibatária. Seguindo esse método, concluíram, assim, que reteriam apenas os dois Éteres superiores e, portanto, praticavam todas as austeridades que se podia pensar, entre outras práticas, o jejum. Por esse processo o Corpo Denso perdia a saúde e a sua natureza passional ficava debilitada, pois, buscava a gratificação pelo exercício da função propagativa, sendo silenciado com a punição.
Dessa maneira, horrível, é verdade que a natureza inferior parecia estar submetida e, também, é verdade que, quando as funções corporais eram reduzidas a níveis bem baixos, as visões, ou melhor dizendo, as alucinações eram frequentemente a recompensa dessas pessoas equivocadas. Outros que ouviram falar de sua suposta santidade estavam ansiosos para imitá-los; assim, seu exemplo desviou milhares de almas da busca do verdadeiro Caminho.
Mas, o resultado obtido por essas pessoas desencaminhadas e seus seguidores está longe de ser o que se pretendia pelo treinamento na Escola de Mistérios. Antes de mais nada, ao Aspirante à vida superior foi ensinado que o Corpo Denso é o “Templo de Deus” e que profaná-lo, destruí-lo ou mutilá-lo de qualquer maneira é um grande pecado. A indulgência com o apetite é um pecado, uma prática contaminadora que traz consigo certa retaliação, mas não deve ter maior repreensão do que a prática de jejuar para o crescimento da alma.
Viver corretamente não é banquetear e nem jejuar, mas dar ao Corpo os elementos necessários para mantê-lo na forma adequada de saúde, força e eficiência como um instrumento do Espírito. Portanto, jejuar para o crescimento anímico é um pseudométodo que tem o efeito, exatamente o oposto daquilo que foi projetado para ser realizado, devido à falta de visão de seus criadores. “Eu sou a porta”, disse o Cristo, “se alguém não entra pela porta, esse é ladrão e salteador” (Jo 10:1).
Da mesma forma, com a prática do celibato para o crescimento anímico, ou da alma, a máxima enunciada no início desse parágrafo se aplica de forma idêntica. É repreensível quando homens e mulheres, feitos à imagem de Deus, se degradam pela indulgência da natureza passional a um estado inferior ao dos animais, porém, é igualmente repreensível quando aqueles que vivem de outra forma, tendo vidas boas e sagradas, se recusam a sacrificar suas aspirações para dar a uma alma que está à espera daquele Corpo e daquele ambiente que lhe atendam, e que tenha todo aquele tempo para o próprio desenvolvimento. Eles podem, pelo jejum, atenuar o Éter Químico, e, por suas vidas fanáticas e egoístas de celibatário, podem também eliminar o Éter da Vida em grande proporção, mas essas medidas nunca irão construir a “vestimenta dourada de casamento”, que é o ‘abre-te sésamo’ para a festa do “casamento místico”; na falta desse traje, alguns que conseguirem entrar sorrateiramente, por métodos ilegítimos como jejum, castigo e celibato, serão lançados nas trevas exteriores.
(Publicado na revista Rays from the Rose Cross em dezembro/1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[5] N.T.: Mt 4:3 e Lc 4:3
Podemos dizer que a principal característica dessa Época estava na constituição da atmosfera do nosso Campo de Evolução, no caso, a Terra. Pois do norte do Planeta Terra vinham os blocos de gelo da região boreal e do sul vinha o sopro ardente dos vulcões, que ainda estavam muito ativos. O continente atlante era o ponto de encontro dessas duas correntes e, consequentemente, a atmosfera estava sempre sobrecarregada por um nevoeiro espesso e pesado.
A água não era tão densa como agora, pois continha uma proporção maior de ar e de outros elementos gasosos em suspensão. Além disso, havia muita água suspensa na atmosfera pesada e nebulosa desse lugar que chamávamos de Atlântida. Nesse início da Época Atlante ainda não havia chuva e a atmosfera era uma névoa úmida e quente, através da qual o Sol parecia como uma de nossas lâmpadas incandescentes num dia de neblina; além disso, o fenômeno do arco-íris era uma impossibilidade de acontecer (já que se trata de um fenômeno ótico e meteorológico que se forma quando a luz branca solar entra em contato com as gotas de água na superfície, sofrendo os fenômenos de reflexão e refração da luz, que ocasionam a dispersão da luz em todas as suas sete tonalidades: vermelha, laranja, amarela, verde, azul, anil e violeta.). Assim, o arco-íris teve condições de aparecer na próxima Época – a presente Época Ária – quando a névoa se condensou em chuva, inundou as bacias da Terra e deixou a atmosfera clara, como descrita na história de Noé (relatada na Bíblia), e que com isso apontou o início dos ciclos da Lei das Alternâncias que trazem o que temos hoje, como o dia e a noite, o verão e o inverno.
Até meados da primeira parte da Época Atlante estávamos sob a orientação direta das Hierarquias Criadoras. Nós éramos incapazes de tomar iniciativas; as mudanças ocorriam mediante grandes cataclismos naturais planejados pelas Hierarquias Criadoras encarregadas da nossa evolução.
Uma das doze Hierarquias Criadoras ou Zodiacais, conhecida como os Senhores da Mente, irradiaram de si mesmo o germe da Mente para cada um de nós. O veículo Mente nos foi fornecida como um ponto focal entre nós, o Ego, e o nosso Tríplice Corpo, completando a nossa constituição que ficou, então, equipada para conquistar o mundo e gerar força anímica pelo seu esforço e experiência, tendo individualmente vontade própria e livre-arbítrio, exceto quando limitado pelas leis da natureza e por suas próprias ações anteriores.
Como o nosso – Ego – domínio era excessivamente débil e a nossa natureza passional (de desejos) muito forte, a Mente nascente uniu-se ao Corpo de Desejos, originando a astúcia, causa de todas as debilidades dos meados do último terço da Época Atlante. Portanto, a astúcia foi desenvolvida, produto da Mente não governada por nós. A astúcia une-se ao desejo sem ter em conta se esse é bom ou mau, ou se pode trazer alegria ou dor.
Até a segunda das três partes da Época Atlante ainda estávamos na fase “Involução” do Esquema de Evolução, ou seja, nós, o Ego – o Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui, ou o Tríplice Espírito, ainda estávamos tomando posse do nosso Tríplice Corpo. No final da segunda parte da Época Atlante alcançamos o nadir da materialidade, isto é, o ponto mais denso em matéria (na Região Química do Mundo Físico) que devemos passar em todo o atual Esquema de Evolução, ou seja: findamos a parte de “Involução” e começamos a subir na parte “Evolução” deste Esquema de Evolução.
A construção dos nossos olhos, como temos atualmente, começou na Época Lemúrica e progrediu, mas, até o final da Época Atlante, não havia o sentido da visão, como hoje o conhecemos.
No último terço da Época Atlante, o ponto do Corpo Vital uniu-se ao ponto correspondente do Corpo Denso. Desde esse momento obteve a plena visão e percepção do Mundo Físico. A maioria perdeu gradualmente a capacidade de perceber os Mundos superiores. Por isso, nossa consciência foi se focalizando no Mundo Físico, se bem que as coisas não apareceram com nitidez até a última parte da Época Atlante. Só então começamos a conhecer a morte como solução de continuidade que se produzia na consciência, ao passar para os Mundos superiores depois de morrermos, e quando retrocedíamos ao Mundo Físico para renascermos aqui.
O nosso cérebro e a nossa laringe foram construídos durante a última parte da Época Lemúrica e os primeiros dois terços da Época Atlante, até que nos convertemos em um ser pensante, que raciocina: completamente consciente no Mundo Físico.
Em meados do último terço da Época Atlante, começavam a surgir as nações separadas. Grupos de pessoas entre si notavam gostos e costumes semelhantes, abandonavam os antigos lugares e fundavam uma nova colônia. Porém, recordavam os antigos costumes e, no possível, seguiam-nos em seus novos lugares, criando ao mesmo tempo outros em harmonia com novas ideias e necessidades particulares.
No final da Época Atlante o Sol brilhou pela primeira vez sobre nós, tal como o conhecemos hoje. Podemos dizer que foi quando “nascemos pela primeira vez no mundo atual”. Foi quando contemplamos as montanhas e seus contornos, deparamos com a beleza das campinas, das criaturas que se moviam, dos pássaros, ou melhor, quando tomamos conhecimento de nós mesmos na Região Química do Mundo Físico.
Como em todas as Épocas, o alimento era escolhido especificamente para servir às necessidades. A atividade do pensamento esgota as células nervosas; mata, destrói e leva à decomposição. Por isso, o alimento do Atlante era, por analogia, constituído de carcaças mortas. Eles matavam para comer, razão pela qual a Bíblia diz que “Nimrod era um caçador poderoso”. Nimrod representa o ser humano da Quarta Época.
Depois da imersão da Atlântida – continente que existiu entre a Europa e a América, no lugar ocupado agora pelo Oceano Atlântico – os que se salvaram da destruição começaram a cultivar a videira e a fazer vinho, conforme conta a Bíblia na história de Noé. E Noé simboliza os remanescentes da Época Atlante, núcleo da quinta Raça e, portanto, nossos progenitores.
Noé cultivou a vinha e forneceu uma bebida alcoólica para estimular o ser humano dessa Época Atlante. Dessa forma, equipado com uma constituição heterogênea, com uma dieta apropriada à ocasião e leis divinas para guiá-lo, nos tornamos responsáveis por nossas próprias iniciativas na batalha da vida.
Essa Época é mencionada na Bíblia (Gn 1:24-27) como o Sexto dia da criação.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
Max Heindel afirma que nada faz o ser humano se voltar a Deus e orar com fervor como o sofrimento do Corpo Denso (enfermidade, dor, aflições e angústias).
Nesse caso, podemos perceber que por pior que seja o momento ou a fase, sempre, sempre essa situação desagradável conduzirá a pessoa para o bem, pois o mal trabalha para o bem (“o mal é o bem em gestação”) e a nossa vida aqui é regida pela Lei das Alternâncias, dia bom e dia mau, dia saudável e dia enfermo, dia feliz e dia triste, dia por cima e dia por baixo.
Toda doença ou enfermidade manifestada no Corpo Denso tem seu princípio na parte espiritual; a parte espiritual é a raiz, a causa, a fonte da doença ou da enfermidade. Não basta apenas o analgésico para curar a dor de cabeça. É preciso atuar na causa-raiz que não está na cabeça ou na parte do Corpo Denso. Focar aqui é remediar, jamais curar. Sim, é importante remediar, até para dar as mínimas condições à pessoa para conseguir, pela vontade própria, buscar a cura definitiva.
Cristo curava totalmente os doentes, pois não trabalhava apenas na cura da parte física. O método utilizado pelos antigos sacerdotes também buscava a cura definitiva dos doentes, pois eles se tornavam amigos dos pacientes e os ajudavam com sugestões, conselhos a respeito da parte espiritual do corpo do paciente. A consequência era o alívio temporário da dor física, assim como o analgésico tira a dor de cabeça e, por meio da reorientação da parte espiritual, a cura era definitiva já que havia uma mudança nos hábitos – dos maus hábitos, nos vícios – buscando cultivar os bons hábitos, praticar a virtude oposta àquele vício – e uma alteração nas ações, atitudes e nas obras executadas pelo paciente, em que, ao mesmo tempo que procurava servir amorosa e desinteressadamente aos outros em situações bem piores do que ele, também reformulava o seu próprio caráter, parando de se preocupar somente com as coisas materiais, se dedicando aos estudos e práticas espirituais Cristãs, e buscando, simultaneamente, aumentar a sua fé e alimentar seu Corpo de Desejos somente com desejos, emoções e sentimentos bons, superiores e alinhados às Leis de Deus: transmutando o hábito de buscar somente materiais das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo, para focar em escolher somente materiais das três Regiões superiores do Mundo do Desejo, para compor seus desejos, sentimentos e suas emoções. Todo esse processo é utilizado pela Cura Rosacruz!
Os nossos irmãos e as nossas irmãs profissionais da saúde, atualmente, trabalham na “cura momentânea”, na remediação, já que os “remédios” são elaborados somente com materiais da Região Química do Mundo Físico. E mesmo aqueles irmãos e aquelas irmãs que trabalham com outros métodos que não utilizam remédios, não conseguem levar a cura definitiva em todas as situações, em virtude de nem sempre conseguirem utilizar a Lei da Compatibilidade e da Receptividade Sistemática, além de muitas vezes não saberem trabalhar na parte vital do Corpo, que é formada de Éteres (Também tudo isso é utilizado na Cura Rosacruz). O papel desses irmãos e dessas irmãs é importantíssimo no processo de cura, pois o paciente tem que estar sem as dores (físicas e emocionais) na intensidade que garantam que ele continue tendo o controle de si mesmo e em condições físicas e psicológicas para tomar a decisão de querer buscar, por decisão sua e livre vontade, a cura definitiva.
Tenhamos sempre o entendimento de que a doença ou a enfermidade é uma manifestação da ignorância e a cura definitiva é uma demonstração do conhecimento aplicado, ou seja lição compreendida, vivida e aprendida.
Alguns exemplos das causas-raízes (lições a aprender) e as partes que podem estar afetadas ou doentes no Corpo Denso que, também, utilizamos no Processo da Cura Rosacruz:
| LIÇÃO A APRENDER | PARTE DO CORPO DENSO AFETADA/DOENTE |
| Avaliar, Analisar, Escolher o Bem | Fígado |
| Compreender, Firmar, Enraizar, Servir | Pés |
| Contatar, Comunicar Ser Livre | Pulmões |
| Capacidade de Amar Impessoal, Equilíbrio | Coração |
| Capacidade de Amar Pessoal, Aceitar Amor | Pâncreas |
| Corrigir a Si Mesmo, Não Se Justificar | Costas |
| Disposição para Receber, Aceitar | Boca |
| Discernir, ‘Enxergar’, Observar | Olhos |
| Entender, Agir, Fazer Acontecer | Mãos |
| Elaborar, Construir, Estudar com Afinco | Intestino Delgado |
| Flexibilidade, Adaptabilidade | Articulações |
| Força Vital (lidar com), Expressar Vitalidade | Sangue |
| Firmeza, Cumprimento de Leis e Normas | Ossos |
| Inconsciência (trabalhar com), Ambição | Intestino grosso |
| Liberdade, Poder | Cabelo |
| Movimentar, Flexibilizar, Atuar | Membros e/ou músculos |
| Não ter Medo, Temor, Falta de Fé | Pescoço |
| Não ser Agressivo, Não ter Raiva | Vesícula biliar |
| Não se Preocupar, Não ter Cobiça | Cabeça |
| Não ser Teimoso, Não Cristalizar | Coluna vertebral |
| Não ser Orgulhoso, Pretencioso, Superior | Coluna vertebral |
| Não ter Complexo de Inferioridade | Discos vertebrais |
| Não Querer fazer Mais do que se deve | Nervos vertebrais ciático |
| Obedecer, Escutar | Ouvidos |
| Pressão (Aprender a Suportar), Desapego | Bexiga |
| Parceria, Associação, Eliminação | Rins |
| Sentir, Absorver, Digerir, Assimilar, Dissolver | Estômago |
| Sexualidade, Sagrada Força Criadora | Órgãos genitais |
| Ser Submisso (naquilo que escolheu) | Coluna vertebral (corcunda) |
Que as rosas floresçam em vossa cruz