Um dos traços de união entre os Estudantes Rosacruzes é o desejo comum de ajudar o próximo. Um dos principais motivos de nossas Reuniões de Estudos é orar pelos necessitados e tentarmos, seriamente, seguir a advertência de Cristo para orarmos uns pelos outros. Os Rituais dos Serviços Devocionais que oficiamos têm esse conteúdo!
Há pessoas, porém, que sentem que suas preces não estão “produzindo resultados”; que não podem ajudar um ente querido necessitado, que compreendem o problema alheio, mas estão incapacitados de ajudar a resolvê-lo. Podem sentir também que existem condições além de sua capacidade, chegam a pensar que são dignos de pedir, quanto mais de receber a resposta tão esperada às suas preces. Percebem que suas preces não estão sendo respondidas como esperavam. Se alguém já passou por alguma destas experiências há sugestões que podem ser úteis.
Primeiro, vamos tentar definir a palavra “prece”. Basicamente prece é:
A oração mais conhecida no mundo Cristão é a Oração do Senhor (Pai-Nosso). Aprendemos na Fraternidade Rosacruz a mais sublime explicação para essas santas palavras. Esta prece foi ensinada por Cristo Jesus aos Apóstolos, para ser usada em benefício deles próprios, mas é usada por todos e, também, pelos Estudantes Rosacruzes como uma fórmula científica (porque é uma oração científica!) para a elevação e purificação dos Corpos e veículos que possuímos.
Usando o capítulo 17 do Evangelho Segundo de S. João[1] como base para fazer com que nossas preces se tornem mais eficientes, devemos ressaltar dez pontos:
1) Algumas pessoas que rezam fracassam porque são egoístas. Os 26 versículos deste capítulo podem ser divididos em 3 partes: os primeiros oito versículos constituem a prece de Cristo Jesus para Ele mesmo; os versículos 9 a19 são a Sua prece para Seus Discípulos; e os versículos 20 a 26 são para aqueles que irão acreditar n’Ele mais tarde – o que nos inclui.
Na primeira parte, Cristo Jesus estava rezando não só para Ele próprio, como também para a glorificação de Deus-Pai. “glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique”. “Eu te glorifiquei na Terra e terminando a obra que me deste para fazer”. Ele não procurou glória para Si, mas apenas que o Pai pudesse ser glorificado e Sua verdadeira essência revelada.
Ao orar pelos outros devemos ficar atentos para não glorificarmos a nós mesmos e a nossos desejos. Ocasionalmente podemos não nos aperceber de que nos tornamos ditadores ao procurar impor nossa vontade pessoal ou ao tentar forçar alguém a aceitar modelos pré-concebidos. Talvez estejamos rezando: “Faça-o enxergar as coisas do meu modo”, ao invés de: “Ajuda-me a encontrar a melhor solução”, ou: “Faze com que a luz da verdade ilumine sua Mente”, ou simplesmente: “Tuas vontades serão feitas, Pai”.
É fácil desviar as preces que fazemos para os outros, de modo a satisfazer o que nós queremos para eles ou pensamos que eles deveriam querer ou ter. É uma cilada contra a qual precisamos estar sempre de prontidão, especialmente quando se trata de pessoas muito chegadas a nós. Pode não ser difícil parecer que estamos conformados quando pedimos por aqueles que estão longe e não são tão íntimos, mas para aqueles com quem temos uma relação mais chegada, é muito difícil nos desvencilharmos do nosso Ego e tentarmos rezar para o bem dessa pessoa entregando-a a Deus, mesmo que seja contra o que gostaríamos que acontecesse. Portanto, se nossas preces parecem não produzir resultados, vamos examinar nossos motivos e talvez aí encontremos a razão para o fracasso.
2)Devemos sempre reconhecer a qualidade da liberdade no amor Crístico, mesmo quando vemos que alguém está cometendo o que consideramos um grande erro. Devemos dar liberdade a esta pessoa para que se desenvolva a sua maneira. Talvez vejamos alguém muito querido ou querida deixando-se levar para uma situação que sabemos irá causar-lhe sofrimento e queremos evitar que isto aconteça e que a pessoa sofra.
Porém, talvez, seja preciso, para que a pessoa aprenda experimentar certas provações e aflições, a fim de receber uma lição necessária. Talvez o engrandecimento da alma venha através desta experiência porque, infelizmente, aprendemos muito mais com nossas próprias experiências do que com conselhos.
Quando bebês, ao aprendermos a andar, tivemos muitas quedas. Se nossas mães nos tivessem carregado sempre em seus braços, certamente não teríamos tido tantas quedas, manchas roxas e choros, mas também não teríamos aprendido a andar. A mãe carinhosa, certamente quer proteger seu filho de quedas físicas, emocionais e espirituais, mas somente experimentando algumas dessas quedas e por meio da liberdade do poder tentar, acertar e fracassar sozinhos é que aprendemos a andar retos, tanto fisicamente como de outras maneiras.
Cristo Jesus nos ensinou: “Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno“[2]. Ele não rezou para que Seus queridos Apóstolos fossem tirados do mundo, mundo este cheio de desafios, provocações, frustrações e conflitos, mas que eles fossem protegidos do mal. Devemos deixar nossos entes queridos livres para encontrar o bem supremo, da maneira que for melhor para eles. Podemos rezar para que Cristo os conduza nos caminhos da honradez e probidade. O Cristo Interno deve reconhecer o Cristo daquele por quem rezamos e dar-lhe liberdade individual para fazer sua própria escolha.
3)Não devemos jamais implorar ou suplicar. Implorar supõe que estamos tentando superar uma relutância por parte de Deus. Não há necessidade de se implorar a Deus em nome de outra pessoa, uma vez que o seu bem-estar já é muito conhecido no coração de Deus-Pai.
Muitas referências nas Escrituras Sagradas afirmam esta verdade. “Nosso Pai conhece as coisas de que necessitamos, antes de as pedirmos” (Mt 6:8). “Não é da vontade do Pai que nós devamos morrer” (Mt 18:14). “É prazer do Pai dar-nos o Reino” (Lc 12:32). Podemos estar certos de que a vontade de Deus para nós é perfeição.
A prece de Cristo Jesus era: “Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim“. Nossas preces não mudam o que Deus pensa sobre nós. Ele já nos determinou perfeição. Não temos que negociar com Deus. A prece não muda Deus e não O impele a fazer o que Ele não almeja para nós. A prece nos coloca num estado de receptividade do bem que Deus já planejou para nós. Portanto, ao invés de implorar e suplicar, vamos reivindicar o que há de bom, já estabelecido em espírito. Cristo Jesus corajosamente rezou para o Pai: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estou, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo.” (Jo 17:24).
4)Devemos confirmar a verdade na fé, confiança e na gratidão. Quando Cristo Jesus ressuscitou Lázaro, Ele disse com plena fé e confiança: “Pai, Eu Vos agradeço por me teres ouvido e sei que sempre me ouvis” (Jo 11:41).
Nas duas ocasiões quando alimentou as multidões, Ele primeiro agradeceu pela dádiva que foi dada, muito embora ainda não tivesse sido manifestada no plano exterior. Agradecendo desta maneira, demonstra fé, confiança e desperta estas qualidades em outros, que, por sua vez, se tornam melhores canais pelos quais Deus pode fazer Sua obra.
5)Não volte atrás em suas preces! É de pouca valia orar com palavras positivas se, continuamente, estamos projetando um quadro negativo na tela da nossa Mente. Se visualizarmos e, deste modo, enfatizamos a parte negativa ou condição que precisa ser eliminada, estamos desfazendo todo nosso trabalho de orar. Você se lembra da Parábola da Casa Vazia (ou dos maus espíritos)[3]? Depois de estar completamente limpa, ela permaneceu vazia; os maus espíritos voltaram e trouxeram sete vezes piores espíritos com eles. Ideias sombrias e pessimistas sobre quem oramos devem ser eliminadas de nossa casa de pensamentos. Inclinações duvidosas, temores e ansiedade devem ser varridos com fortaleza e na nossa Mente só devemos colocar pensamentos firmes e positivos.
6)Devemos imaginar os perfeitos resultados da oração. Nossa faculdade de imaginar desempenha um importante papel no que diz respeito a “chamar” as condições desejadas.
Se rezamos pela saúde de alguém, vamos imaginá-lo sempre com boa saúde. Se rezamos pela paz de espírito, harmonia ou qualquer outra condição desejada, vamos imaginá-lo já gozando deste estado de espírito. “Está decidido: tu manterás a paz, sim, a paz, porque a ti foi ela confiada.” (Is 26:3). Fixando nossa atenção em Deus e na sua bondade, fortalecemos Sua presença e atividade.
Ao visualizarmos alguém circundado pela Luz de Cristo, estamos protegendo-o do mal e ajudando a antecipar a cura, seja de doenças ou enfermidades física, emocionais ou mentais. Desta maneira nos tornamos co-criadores com Deus e ajudamos a estabelecer o Reino dos Céus na Terra.
7)Não devemos colocar limites nas nossas preces ou orações. Com Deus nada é impossível; não há limitações em Deus. “Se me pedirdes algo em meu nome, eu o farei.” (Jo 14:14).
Cristo Jesus nos ensinou: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino!” (Lc 12:32). O desejo do Pai para conosco é o bem, nada a não ser o bem, de maneira que devemos ficar receptivos e abertos para todo o bem que o Pai tem reservado para nós. Poderá vir em bênçãos como um aguaceiro derramado das janelas do Céu.
8)A qualidade sentida, presente, de agora é eficiente na oração. A manifestação da resposta perfeita de Deus é possível agora mesmo, se houver fé e compreensão suficientes para chamá-la. “Acontecerá então que antes de me invocarem, eu já lhes terei respondido” (Is 65:24).
Deus está aqui, agora, e basta invocar Seu Amor e Poder de maneira correta, para recebermos respostas completas e perfeitas.
9)Devemos dar à oração um profundo sentido de alegria. “Agora, porém, vou para junto de ti e digo isso no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria.” (Jo 17:13).
Se estamos cientes da presença e poder de Deus, como Cristo Jesus estava, não deixaremos de ser agraciados com a felicidade.
A oração verdadeira é alegre, porque reflete a convicção que Deus está no comando de Seu mundo e que tudo está na ordem divina, apesar de toda a aparência em contrário.
10)Nossas Mentes e nossos Corpos devem estar limpos e puros. No Ritual do Serviço Devocional de Cura da Fraternidade Rosacruz encontramos estas palavras: “Se desejamos ser verdadeiros auxiliares no trabalho iniciado pelos Irmãos Maiores devemos converter nossos Corpos em instrumentos adequados e purificá-los por meio de uma vida pura, pois num vaso sujo não pode haver água pura e saudável, nem pode uma lente manchada dar uma imagem nítida. Também, não é possível irradiarmos uma força curadora pura e forte, se não mantivermos limpos e puros os nossos Corpos e as nossas Mentes.”.
Nem o puro e forte Poder de Cura pode ser emanado daqui a não ser que mantenhamos nossas Mentes e nossos Corpos limpos e puros. Quando Cristo Jesus subiu o Monte da Transfiguração, Ele levou consigo três de Seus Discípulos: S. Pedro, S. Tiago e S. João.
Enquanto estavam com Ele, os demais Discípulos foram abordados por um homem que pedia a cura de seu filho, possuído pelos maus espíritos. Eles tentaram, mas não conseguiram a cura. Quando Cristo Jesus, acompanhado de S. Pedro, S. Tiago e S. João retomou e curou o menino imediatamente.
Os Discípulos, desanimados pela inabilidade em demonstrar o poder da cura que Cristo Jesus havia ensinado, perguntaram o porquê. Sua resposta foi: “Este tipo de cura só acontece com prece e abstinência”. Que outra manifestação mais clara precisamos ter para nos certificarmos da necessidade de purificar os nossos Corpos e as nossas Mentes?
Devemos nos alimentar com pensamentos saudáveis e puros. Não podemos deixar nossas Mentes se fortalecerem com pensamentos negativos, nem permitir que sentimentos desta natureza nos guiem.
Assim como seguimos instruções de nossos Irmãos Maiores para um regime vegetariano, a fim de conservarmos nossos Corpos puros, vamos prestar atenção no que S. Paulo nos ensinou sobre a purificação da Mente: “Quanto aos mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é santo, tudo o que é amável, tudo o que é de bom nome, qualquer virtude, qualquer coisa digna de louvor da disciplina, seja isto objeto dos vossos pensamentos” (Fp 4:8).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.T.: 1Assim falou Cristo Jesus, e, erguendo os olhos ao céu, disse: “Pai, chegou a hora: glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique, 2e que, pelo poder que lhe deste sobre toda carne, ele dê a vida eterna a todos os que lhe deste! 3Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Cristo Jesus. 4Eu te glorifiquei na terra, concluí a obra que me encarregaste de realizar. 5E agora, glorifica-me, Pai, junto de ti, com a glória que eu tinha junto de Ti antes que o mundo existisse. 6Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e os deste a mim e eles guardaram a tua palavra. 7Agora reconheceram que tudo quanto me deste vem de ti, 8porque as palavras que me deste eu as dei a eles, e eles as acolheram e reconheceram verdadeiramente que saí de junto de ti e creram que me enviaste. 9Por eles eu rogo; não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus, 10e tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu, e neles sou glorificado. 11Já não estou no mundo; mas eles permanecem no mundo e eu volto a ti. Pai santo, guarda-os em teu nome que me deste, para que sejam um como nós. 12Quando eu estava com eles, eu os guardava em teu nome que me deste; guardei-os e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para cumprir-se a Escritura. 13Agora, porém, vou para junto de ti e digo isso no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria. 14Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os odiou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo. 15Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. 16Eles não são do mundo como eu não sou do mundo. 17Santifica-os na verdade; a tua palavra é verdade. 18Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19E, por eles, a mim mesmo me santifico, para que sejam santificados na verdade. 20Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim:21a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. 22Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um: 23Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim. 24Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estou, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo. 25Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci e estes reconheceram que tu me enviaste. 26Eu lhes dei a conhecer o teu nome e lhes darei a conhecê-lo, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles”.
[2] N.T.: Jo 17:15
[3] N.T.: 43Quando o espírito impuro sai do homem, perambula por lugares áridos, procurando repouso, mas não o encontra. 44Então diz: ‘Voltarei para a minha casa, de onde saí’. Chegando lá, encontra-a desocupada, varrida e arrumada. 45Diante disso, vai e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele, e vêm habitar aí. E, com isso, a condição final daquele homem torna-se pior do que antes. Eis o que vai acontecer a esta geração má.” (Mt 12:43-45). 24Quando o espírito impuro sai do homem, perambula em lugares áridos, procurando repouso, mas não o encontrando, diz: ‘Voltarei para minha casa, de onde saí’. 25Chegando lá, encontra-a varrida e arrumada. 26Diante disso, vai e toma outros sete espíritos piores do que ele, os quais vêm habitar aí. E com isso a condição final daquele homem torna-se pior do que antes”. (Lc 11-24-26)
Vamos ver como, astronomicamente, compreendemos o que é um Equinócio de Setembro.
Astronomicamente falando é um fenômeno que ocorre em um determinado dia todo o ano. Nesse dia, o dia e a noite têm exatamente a mesma duração – ou seja: quando o Equinócio de Setembro acontece, o dia possui 12 horas de dia (luz) e 12 horas de noite (escuridão).
Importante saber que por mais que sejam completamente opostos, os hemisférios norte e sul recebem a mesma quantidade de luz visível solar e a mesma intensidade de força espiritual solar, pois ficam no mesmo ângulo em direção à luz do Sol. Assim, o Equinócio de Setembro se inicia quando o Sol reflete sua luz mais fortemente nas regiões próximas à linha do Equador.
O Equinócio de Setembro (que ocorre entre o dia 22 ou 23 de setembro, dependendo do ano) marca a chegada de um estação do ano: a primavera – para o hemisfério sul – e o outono – para o hemisfério norte.
O Equinócio de Setembro, para o hemisfério sul, ocorre no momento exato em que o Sol atravessa da parte sul do Planeta (hemisfério sul) para a parte norte do Planeta (hemisfério norte), tendo como essa divisão da linha do Equador terrestre.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que é o momento em que Cristo inicia, novamente, o Seu sacrifício anual. Nesse momento a glória de Cristo toca a aura externa do Planeta Terra, e ocorre uma aceleração cósmica em todo o Planeta.
A data em que ocorre o Equinócio de Setembro é um tempo para o Estudante Rosacruz renovar sua dedicação para percorrer no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, a despeito de quaisquer vicissitudes e obstáculos que podem afetar seu caminhar.
É o melhor momento para estudar, meditar e aplicar o ensinamento Cristão fornecido por essa frase: “Então você entenderá o que é justo, direito e certo e aprenderá os caminhos do bem” (Pr 2:9).
A lição ensinada no Equinócio de Setembro é: distinguir, ou seja, separar aquilo que é real daquilo que é ilusão.
Aqui você encontra todo o material necessário para oficiar esse importantíssimo Ritual, HOJE:
Ritual do Serviço Devocional do Equinócio de Setembro – como oficiar e como participar
E aqui um livreto para você imprimir e ter na mão quando precisar:
Livreto: Ritual do Serviço Devocional do Equinócio de Setembro
Deus é Luz. Os mais potentes telescópios, que alcançam milhões de quilômetros no espaço, não encontram os limites da Luz. Porém, sabemos que se não fossem os olhos, com os quais percebemos a luz, e os ouvidos, que registram as vibrações do som, andaríamos na terra em eterna escuridão e silêncio. Assim, para perceber a Luz Divina – a única que pode iluminar a nossa obscuridade espiritual – e ouvir a voz do silêncio – a única que pode nos guiar – devemos cultivar nossos olhos e ouvidos espirituais. A oração, a verdadeira oração científica, é um dos métodos mais poderosos e eficazes para encontrar a graça diante do nosso Pai, e receber a imersão na luz espiritual que, alquimicamente, transforma o pecador em santo e o envolve com o manto dourado nupcial: o luminoso Corpo-Alma.
Todavia, não nos enganemos. A oração sozinha não pode fazer isto. A menos que nossa vida inteira, tanto desperta como no sono, seja uma oração para a iluminação e a santificação, nossas preces não alcançarão nunca, a Divina Presença, para trazer-nos o batismo do Seu poder. ‘Ora e Labora’: rogando a Deus e trabalhando; cumprindo o mandamento oculto a que todos os aspirantes devem obedecer; do contrário, não realizaremos grandes adiantamentos.
Nós, ocupados com os trabalhos do mundo, forçados a fazer coisas que nos parecem inferiores, sentimos amiúde, que por esse motivo estamos impedidos. Porém, se ‘fizermos todas as coisas, como se fossem para o Senhor’ e se formos ‘fiéis para com todas as coisas’, veremos que, com o tempo, se apresentarão oportunidades como nunca tínhamos sonhado.
Assim como a agulha magnética, momentaneamente afastada do norte por uma pressão externa, torna a voltar instantaneamente à sua posição natural, no momento em que se livra da pressão, nós também devemos cultivar tal anseio por nosso Pai. Tal desejo fará que se voltem, instantaneamente, nossos pensamentos para Ele, quando nosso trabalho diário no mundo foi executado, e ficamos em liberdade de agir, seguindo nosso próprio impulso. Agindo assim, a Luz da Sua presença e a doçura de sua voz nos, ensinarão e nos acariciarão, além das nossas mais ardentes esperanças.
Assunto que requer consideração é o lugar da oração. É de vital importância, por uma razão geralmente não conhecida, nem pelos Estudantes Rosacruzes. Cada oração falada, ou em meditação, cada canção de louvor, cada leitura das passagens das Escrituras, que ilustre e estimule, quando feita por um leitor cuidadosamente preparado, que ame e que viva o que lê, derrama sobre os fiéis e sobre o lugar da oração, a graça de Deus. Deste modo, com o tempo constrói-se uma igreja invisível em volta do edifício. Quando há uma pura e elevada congregação de devotos, faz-se tão bela que transcende todo o imaginável e ultrapassa toda descrição.
Este edifício invisível não é meramente um lugar maravilhoso, como um palácio de fadas, criação de sonho de um poeta. Não. É uma coisa vivente, vibrando com a força Divina, de imensa ajuda para os fiéis, porque os auxilia no ajuste das caóticas vibrações do mundo. Quando penetram numa verdadeira ‘Casa de Deus’, adotando a atitude própria para a oração, os fiéis são ajudados a elevarem-se em sua aspiração ao Trono da Graça Divina. Ao oferecerem sua prece e adoração, na súplica ao Pai, de uma nova benção espiritual, recebem a amorosa resposta: ‘Este é o meu Filho amado, em quem Me comprazo.’ (Mt 3:17).
Um lugar de adoração semelhante é essencial para o crescimento espiritual, por meio da oração científica. Aqueles que são afortunados para ter acesso a tal Templo deveriam sempre ocupar o mesmo lugar, porque desse modo, esse lugar fica saturado com suas vibrações individuais. Em tal ambiente, se adaptarão com mais facilidade do que em qualquer outra parte, e conseguirão melhores resultados.
Porém, estes lugares escasseiam, porque a oração científica precisa de um real santuário. Não pode haver nele, nem nos seus arredores, bisbilhotice, nem conversação profana, porque alteram as vibrações. As vozes devem ser baixas e as atitudes reverentes. Todos os assistentes devem saber que estão num lugar santo e agir coerentemente. Por tudo isto, nenhum lugar aberto ao público em geral poderá responder, convenientemente, às preces feitas.
Além disso, cada novo membro aumenta, enormemente, o poder de cada oração. Seu desenvolvimento pode comparar-se a uma progressão geométrica, se os fiéis estão na devida harmonia, e acostumados a oração em comum, sucedendo, precisamente o contrário, se não o estão. Para ser eficaz, os participantes devem ter as mesmas influências harmoniosas em seus horóscopos.
Quando o Astro adverso de um horóscopo se encontra no Ascendente de outro, estes dois seres não podem tirar proveito algum da oração em comum. Poderão dominar seus Astros e viver em paz, se são espíritos desenvolvidos; mas falta-lhes a harmonia básica, absolutamente essencial para a oração coletiva. A Iniciação removerá este obstáculo e somente ela poderá fazê-lo.
Uma máxima mística diz que: ‘todo desenvolvimento espiritual começa no Corpo Vital’. Esse, em densidade, é o mais próximo do Corpo Denso. Sua nota-chave é a repetição. É o veículo dos hábitos, consequentemente, algo difícil de modificar ou influenciar. Contudo, uma vez a mudança operada, e o habito adquirido pela repetição, sua manifestação torna -se, até certo ponto, automática.
Tal característica é, ao mesmo tempo, boa e má, no que se refere à oração. Com efeito, a impressão registrada nos Éteres deste veículo, impelirá o aspirante ao fiel cumprimento de suas devoções, nos momentos preciosos, ainda que tenha perdido interesse no exercício e suas preces sejam mera formalidade. Se não fosse essa tendência do Corpo Vital de formar hábitos, os Aspirantes não teriam consciência do perigo, no momento em que o verdadeiro amor começasse a desvanecer-se, ser-lhes-ia fácil conquistar a perda e permanecer no Caminho. Portanto, o Aspirante deve examinar-se cuidadosamente de vez em quando, para ver se possui as asas e a força que o elevam, segura e rapidamente, ao nosso Pai nos Céus.
As asas são duas: amor e aspiração. A força irresistível que as impulsiona é um anseio interno. Sem estes e sem a compreensão inteligente para dirigir a invocação, a prece é só um palavreado, enquanto bem realizada, é o método mais poderoso para o crescimento da alma.
As invocações usadas para pedir coisas materiais fazem parte da magia negra. Temos a promessa: “Procurai primeiro o Reino de Deus e Sua justiça, e todas as outras coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6: 33). Cristo indicou o limite do que poderíamos desejar quando, no Pai-Nosso, ensinou aos Discípulos: “O pão nosso de cada dia dai-nos hoje” (Lc 11:3).
Tanto a nosso respeito, como dos outros, devemos guardar-nos de ultrapassar este caminho na invocação científica.
Mesmo orando por bens e bênçãos espirituais, devemos evitar a manifestação de sentimentos egoístas em nossa prece, porque destruirão nosso crescimento anímico. Todos os Santos se abatem em dias de obscuridade e miséria, quando o Divino Amante oculta sua face.
Tudo depende da natureza e força da nossa devoção. Amamos a Deus por Ele mesmo, ou o amamos pelas alegrias que experimentamos na doce comunhão com Ele? Se é pela última, nosso afeto é tão egoísta como os sentimentos da multidão que o seguia na Palestina, porque Ele os alimentava. Ele tem de ocultar de nós a manifestação de Seu terno amor e cuidado, o que nos deve fazer cair de joelhos envergonhados e arrependidos.
Felizes de nós, se vencermos os defeitos de nossos caracteres e aprendermos a lição de uma fidelidade invariável, como a da agulha magnética, que assinala o polo Norte sem vacilar, a despeito da chuva, da tormenta ou das nuvens que a ocultam de sua estrela amada. Dissemos que não devemos orar por coisas materiais e devemos ter muito cuidado, mesmo nas orações por bens espirituais. Então, assalta-nos, logicamente, esta pergunta: qual deve ser o objetivo de nossa invocação? A resposta é: ‘Louvar e adorar’. Devemos repelir a ideia de dirigir-nos ao Pai Celestial para pedir-Lhe algo. Não nos desanimaria, se nossos filhos estivessem sempre pedindo coisas? Por certo, não cabe, em nossa Mente, que Deus se aborreça por nossos pedidos importunos; porém, tampouco devemos esperar que nos conceda o nosso mal. Por outro lado, quando damos graças e louvamos, colocamo-nos em situação favorável com a Lei da Atração, em estado receptivo, e podemos receber um novo banho do Espírito de Amor e de Luz e, deste modo, ficarmos mais perto do nosso ideal adorado.
(Trecho do Livro A Teia do Destino – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz-Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
“Muitas vezes vi-me impelido e ajoelhar-me por uma poderosa convicção de que não tinha outra parte aonde ir. Minha própria sabedoria, e aquela de tudo o que está ao meu derredor parecia insignificante para o dia.” (Abrahão Lincoln).
A oração científica é um dos métodos poderosos de perceber a luz que recebemos no Caminho dos nossos esforços para conseguir iluminação. “Deus é Luz” e na medida em que nos voltamos para Ele, em oração, a Luz brilhará e iluminará nossa obscuridade espiritual.
Os líderes que são responsáveis pelo Esquema da Evolução para a Onda de Vida humana, ou seja, pela nossa evolução, desejando nos ajudar, “instituíram a oração como um meio de produzir pensamentos elevados e puros para refinar nosso Corpo Vital”. Todos podemos trabalhar e orar nos auxiliando na escala da evolução.
Para nossa oração diária cada um deveria ter certo lugar fixo, onde pudesse se sentar em posição cômoda, os músculos relaxados, em quietude. Não sendo possível, devemos exercitar para criar um lugar tranquilo em nossa Mente, “uma câmara superior”. Nesse templo interno pedimos a nosso Pai por nossa transformação e iluminação, até conseguirmos formar o luminoso Traje Dourado de Bodas (o nosso Corpo-Alma) de nossa reunião (re-ligare – Religião ao sentido legítimo) com Ele.
Todavia, todos aprendemos na Filosofia Rosacruz – e ademais, sentimos internamente – esta verdade: “a oração por si só, por mais fervente que seja, não converterá o pecador num santo, a menos que nossos atos, nossa vida toda, seja uma constante oração”. Só então é possível “transformar a lagarta rastejante numa borboleta linda que busca as alturas”. “Orar e Trabalhar” é a conjugação oculta. Nós, que nos encontramos misturados na materialidade do mundo, muitas vezes sentimos a necessidade de ficar sós, em oração. Desejaríamos até nos isolar, definitivamente, em prece. Contudo, é-nos assegurado que se executamos nosso trabalho conscientemente e “fazemos todas as coisas em nome do Senhor”, nossa existência será uma grande oração e finalmente escutaremos Sua voz: “Muito bem, servo bom e fiel. Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do seu senhor!” (Mt 25:23).
(Publicado na Revista Rosacruz – abril/1968 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Quer nos apercebamos ou não, rituais são fatores constante em nossas vidas. Basta considerarmos o ciclo anual do amanhecer, do pôr-do-sol, de nossos hábitos pessoais, do despertar, do dormir, de nossas tarefas diárias.
Para alguns a palavra ” ritual” está ligada a cerimônia sem significado ou a monótonas atividades de rotina que precisam ser suportadas, mas não apreciadas.
Um ritual pode possuir tais conotações se assim o quisermos, isto é, se só o olharmos por esse prisma. Contudo, se avaliarmos um ritual sob sua luz verdadeira, como um instrumento espiritual, estaremos reconhecendo uma força valiosa para nosso próprio progresso.
Os Ensinamentos Rosacruzes nos ensinam que a repetição é essencial para o desenvolvimento e a espiritualização do Corpo Vital. Max Heindel disse: “A palavra-chave do Corpo Vital é a repetição”. Isto é facilmente compreendido quando consideramos que, embora o Corpo Vital tenha força para movimentar o Corpo Denso, tais movimentos são resultados de repetidos impulsos do mesmo tipo.
O Corpo Vital é ensinado a coordenar os movimentos do Corpo Denso de acordo com a vontade do Espírito. A criança não nada de maneira correta após seu primeiro esforço, nem o músico toca perfeitamente seu instrumento depois de uma aula. A repetição é necessária antes que os pés ou os dedos possam ser movimentados de acordo com a vontade do Espírito.
Max Heindel disse: “As escolas de ocultismo de todas as épocas relacionaram a mudança do Corpo Vital pelo trabalho de sua palavra-chave, que é a repetição. Por isto escreveram vários rituais que serviram à humanidade em estágios diferentes de seu desenvolvimento, cultivando assim o crescimento da alma, lentamente, mas com segurança.”.
Há os que reclamam que uma estrutura formalizada, continuamente repetida de qualquer serviço de culto e monótona e que ouvir ou dizer a mesma coisa, vezes seguidas, não estimula os participantes.
Estes não compreenderam que o Corpo de Desejos, a nossa natureza emocional, é que sempre procura algo novo.
A inconstante natureza de desejos oscila facilmente entre uma emoção e outra e, assim, é potencialmente destrutiva quando não controlada.
Os serviços de culto nos quais a oratória extravagante e hipnótica ou outros atrativos a natureza de desejos de muitos participantes que reagem ao emocionalismo do serviço e, momentaneamente, são levados pelo que acreditam ser as asas de um fervor religioso.
O efeito é, porém, puramente temporário e suas naturezas emocionais se renderão ao próximo atrativo que substituirá o estado de devoção com sentimentos completamente diferentes. Assim e que os serviços de culto não ritualizados, apesar de toda sua “inovação” ou “originalidade” não tem efeito duradouro sobre os participantes.
O efeito repetitivo da forma ritual do serviço devocional, trabalhando sobre o Corpo Vital, é duradouro, embora não cause uma impressão exterior tão dramática sobre o praticante.
Os Serviços do Templo e de Cura da Fraternidade Rosacruz são verdadeiros Exercícios Esotéricos e também são organizados seguindo linhas ritualísticas.
Aqui, também, formas distintas de trabalho devocional são observadas nos rituais diários, aos Domingos, nas datas de Lunação, nos rituais solares e, ainda, um ritual determinado para o Serviço de Cura, uma vez por semana, quando a Lua está em um Signo Cardeal ou Cardinal (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio).
O ato de descobrir o Símbolo Rosacruz – o que tem a rosa branca no centro e que é feito sempre depois do Hino de Abertura Rosacruz ou do Hino Astrológico e coberto antes do Hino de Encerramento Rosacruz – é uma das partes mais importantes do Ritual dos Serviços Devocionais, no Serviço do Templo e de Cura, e em todos outros Rituais dos Serviços (dos Equinócios e Solstícios e da Véspera de Natal) desde seu princípio.
O Símbolo incorpora, simbolicamente, todos os aspectos do “Eu superior” que o Aspirante espiritual está tentando desenvolver. A estrela dourada representa a vestimenta nupcial dourada, ou o Corpo-Alma que estamos tentando construir através de uma vida correta e de serviço altruísta. A cruz branca representa o Corpo Denso purificado. As sete rosas vermelhas representam o sangue limpo que é purificado através da alimentação, dos sentimentos, dos pensamentos e das ações corretas.
As repetidas oficiações dos Rituais dos Serviços – enquanto o Símbolo Rosacruz é descoberto e iluminado – têm um significado espiritual muito profundo.
Este belo e completo Símbolo, em todo o seu abrangente significado, “fala” ao Aspirante que sinceramente medita sobre ele e dele recebe um impulso encorajador e inspirador.
Uma força é gerada como uma tênue nevoa azul que emana do Símbolo e esta força emitida e observada é sentida por aqueles cujos olhos espirituais já se tenham aberto.
Os membros que não possam estar presentes a reuniões nas Sedes, podem, na privacidade de seus lares, oficiar a leitura dos Rituais dos Serviços, seguindo o ritual, na presença do Símbolo e gerarem força, numa união espiritual de vários carvões.
Sabemos de casos de cura conseguidos desta maneira, assim como sentimentos de consolo, harmonia e calma que foram restabelecidos através dos Rituais do Serviço do Templo e do Serviço de Cura realizados na privacidade de um lar.
A mensagem essencial do Serviço e Amor Divino, impessoal, o Amor, que pela primeira vez na Terra, foi pregado por Jesus Cristo – o Amor que é a nota chave do Cristianismo Esotérico é a meta de todo Aspirante espiritual.
Trechos da Bíblia, do Novo Testamento, de grande força como a Primeira Epístola de São João e a Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios (13:1-13) fazem parte do texto do Serviço.
O participante atento ao Ritual fica imbuído, pela repetição, desse impulso de amor verdadeiro, que fortificando seu Corpo Vital aumenta sua capacidade de servir.
Max Heindel disse: “para que o Ritual atinja seu efeito máximo e possamos crescer por meio dele é necessário estarmos em harmonia com ele”.
Unamos nossas preces. Formemos uma grande chama de amor, a chama da Verdadeira Comunhão Espiritual. Sirvamos amorosamente, desenvolvendo as nossas potencialidades divinas internas.
Que cada Aspirante à vida espiritual irradie de seu coração as qualidades divinas de Luz, Vida e Amor para que possa ouvir, através do próprio trabalho e esforço pessoal, a voz Silenciosa do Cristo Interno, sentindo, dentro de si, a Rosa Branca alcançada!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – 11/85 – Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP)