Para trabalharmos, conhecer, aprender a lidar e se desenvolver nesse Esquema de Evolução, tanto no que chamamos de Mundo visível como Mundos invisíveis temos que ter Corpos e veículos apropriados para funcionar em cada um deles.
Não nos foi possível desenvolver nossos poderes, enquanto não construíssemos os nossos três veículos inferiores, os Corpos: Denso (corpo físico), Vital e de Desejos. É deles que nós obtemos o alimento com o qual nutrimos e desenvolvemos nossos poderes potenciais.
Esse alimento-essência é chamado de Alma. Do Corpo Denso nós extraímos, automaticamente, a Alma Consciente, mediante a prática da ação reta em relação aos impactos externos, pelas experiências e observações. Esse pábulo ou alimento transmuta os poderes latentes do Espírito Divino (o veículo espiritual mais elevado em que nós nos manifestamos) em forças dinâmicas que se manifestam como vontade, inteligência, o princípio “Pai”, o poder de “fazer”, a força positiva do ser.
Do Corpo Vital extraímos o alimento-essência que chamamos de Alma Intelectual, também automaticamente, por meio do discernimento entre as coisas importantes, essenciais, reais da vida e as irreais, sem importância, não essenciais.
O que se chama de Alma Intelectual alimenta e transmuta em poderes dinâmicos as forças do Espírito de Vida (o segundo mais elevado veículo espiritual em que nós nos manifestamos), que são a imaginação, a intuição, o poder receptor, o poder de assimilar a natureza amorosa, a Sabedoria, o princípio “Mãe”.
Finalmente, pelo refreamento dos instintos animais, pela devoção aos sentimentos e desejos elevados e sublimes, pelas emoções geradas através da ação reta e por experiências purificadoras, nós, automaticamente, extraímos do Corpo de Desejos o alimento-essência conhecido como Alma Emocional.
Com ele alimentamos e desenvolvemos as potencialidades do Espírito Humano (o terceiro mais elevado veículo espiritual em que nós nos manifestamos; notem: manifestação tríplice, como Deus que nos criou): o poder criador (físico e mental), a fecundação, a expansão, a germinação e o crescimento; transformando-os em forças dinâmicas sob o domínio da nossa vontade.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)
Nós somos um Tríplice Espírito (Espírito Divino, de Vida e Humano), um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), que possuímos uma Mente, governando com ela o nosso Tríplice Corpo (Corpo Denso, Vital e de Desejos), que emanou de si mesmo para adquirir experiência. Esse Tríplice Corpo se converte em Tríplice Alma (Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional), da qual se nutre, elevando-se assim da impotência à onipotência. Ou seja: a Tríplice Alma é a quintessência do Tríplice Corpo.
O Espírito Divino emanou de si o Corpo Denso extraindo como fruto a Alma Consciente.
O Espírito de Vida emanou de si o Corpo Vital extraindo como fruto a Alma Intelectual.
O Espírito Humano emanou de si o Corpo de Desejos extraindo como fruto a Alma Emocional.
O Tríplice Espírito lançou uma tríplice sombra sobre o reino da matéria e desse modo o Corpo Denso foi evoluindo como contraparte do Espírito Divino, o Corpo Vital como réplica do Espírito de Vida, e o Corpo de Desejos como imagem do Espírito Humano.
Finalmente, e o mais importante de tudo, formou-se o degrau da Mente como enlace entre o Tríplice Espírito e seu Tríplice Corpo. Esse foi o começo da consciência individual e marca o ponto onde acaba a Involução de nós, o Ego, na matéria, e onde começa o processo evolutivo pelo qual extraímos da matéria as lições aprendidas em cada Região ou Mundo que vivemos. A Involução significa a cristalização do Espírito em Corpos distintos, mas a evolução depende da dissolução dos Corpos, da extração da substância da Alma deles e da amálgama alquímica dessa Alma com o Espírito.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
No Capítulo do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, que trata do Esquema de Evolução estudamos e aprendemos que: “os três e meio Períodos que faltam serão dedicados ao aperfeiçoamento destes veículos, e a expansão de nossa consciência em algo semelhante à onisciência”. Esta lição trata desta importante fase da evolução. Já caminhamos um grande percurso desde a consciência do transe profundo, do Período de Saturno ao estado de Consciência de Vigília atual, e estamos nos preparando para a elevada consciência espiritual que obteremos no Período de Vulcano. Este é o grande Plano Divino que nosso Criador, Deus, traçou para nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana.
Através das diferentes fases da Involução fomos guiados por Seres Elevados – as Hierarquias Criadoras –, de variados graus de poder, porém, hoje, no tempo atual, nos encontramos no Caminho de Evolução de desenvolvimento, e ampliando a Consciência de Vigília, cujo desenvolvimento está em nossas próprias mãos, dependendo de nossa iniciativa e diligência, a fim de que cresçamos ou permaneçamos estacionado. A escolha é nossa!
Como Estudantes Rosacruzes ativos, sinceros e humildes temos plena consciência de nossos muitos defeitos. Como crescer em graça e alcançar o crescimento anímico é o objetivo de nossos esforços diários, porque o crescimento anímico aumentará a nossa consciência. Frequentemente sentimos que não podemos nos concentrar e meditar à vontade, ou tão profundamente como desejaríamos, porque influências externas nos perturbam e, com facilidade, nos dizemos a nós mesmos: “O mundo é demasiado para nós”. É, então, que somos tentados a nos excluir, e nos permitir o desejo de fugir para a nossa individual “torre de marfim”; sabemos que, sem importar quão sedutor possa nos parecer este projeto, não é o caminho certo para nós.
Experiências anteriores nos têm demonstrado que o crescimento anímico não se acumula fugindo da vida e das nossas obrigações ou deveres para com a família, comunidade e sociedade no mundo. A consciência se produz pela guerra entre o Corpo de Desejos, que destrói, e o Corpo Vital, que constrói o nosso Corpo Denso. Renascemos para obter experiências, e essas só se podem alcançar pelo contato com nossos semelhantes, irmãos e irmãs, aqui na Região Química do Mundo Físico, por meio de ação e reação.
A razão para a edificação de nosso intrincado sistema de veículos eficientes, durante a parte desse Esquema de Evolução que chamamos de Involução, foi para obter esse nível de consciência própria, a Consciência de Vigília. Pelo uso destes veículos, conscientemente, durante nossa jornada evolucionária, conseguimos obter o Poder Anímico, que é o alimento que nós, um Tríplice Espírito precisamos. Desde o mero princípio, somos uma parte de Deus, e agora, como sempre, n’Ele “vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”, porém, temos que nos converter em um Espírito Virginal da Onda de Vida humana individualizado, consciente! Como tal, no devido tempo, devemos conhecer e assimilar a nossa própria história passada, nossas possibilidades atuais, e nossas futuras potencialidades.
Cristo nos ensinou por meio dessa advertência: “Sê tu, portanto, perfeito como teu Pai é perfeito nos Céus” (Mt 5:48). Ele compreendia que nenhum de Seus ouvintes possuía a perfeição de Deus no tempo em que Ele lhes falou, porém, sabia o que é possível ao ser humano conseguir. Por Suas palavras, Ele desejava impressionar e recordar a todos nós que, pelo esforço constante e exercício incansável da vontade, poderemos, ao final, alcançar a perfeição. Ele quis elevar os não sensitivos, porque Ele sabia que muitos de nós estavam e ainda estão adormecidos espiritualmente e temos que despertar, frequentemente, por dolorosas experiências quando renascidos aqui. Não precisa ser assim (o caminho do amor não gera dor), mas muitos de nós insiste em trilhar o caminho do sofrimento para se despertar espiritualmente!
Reunimos material para o nosso crescimento da alma por meio de nossas experiências diárias; como tratamos estes acontecimentos que enfrentamos em nossa existência diária, será nossa contribuição individual para com a vida.
Cada um de nós experimentou um meio ambiente distinto e se equipou com um Átomo-semente mais ou menos poderoso no começo da vida e, por conseguinte, a reação de cada um é diferente, individualizada, e assim enriquecerá a obra da vida.
Carecemos de poder suficiente apreciável sobre os sucessos com que temos de nos defrontar em nossa jornada desde o berço até o túmulo, porém, podemos determinar como reacionar ante eles. Temos liberdade em demonstrar, face aos problemas da vida, debilidade ou valor ao enfrentá-los.
Nesta luta divina, nos enriquecemos espiritualmente, e a quintessência deste crescimento anímico é extraído vida após vida, armazenando-se como poder vibratório. Este poder reunido por nós, o Ego – um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui como Tríplice Espírito –, durante muitas vidas, é o que sentimos quando nos colocamos em contato com nossos semelhantes, é o poder vibratório que, com frequência, cria imediatos gostos e aversões. O Poder Anímico obtido se imprime em nossa própria alma e sentimos o seu efeito.
Ricardo Wagner, em sua Ópera Parsifal[1], teve um esplêndido êxito ao nos dar um quadro novo, revitalizado da velha lenda que fala da nossa jornada através da vida, conforme enfrenta os perigos e domina as tentações. Finalmente, chega à conclusão de sua pesquisa com a alma enriquecida e a consciência expandida. Quando, pela primeira vez, Parsifal aparece em cena, é puro e sem malícia, e surpreendentemente inocente. Deseja ser de alguma utilidade no Castelo de Graal, porém, antes de fazer isto, tem que enfrentar as realidades da vida e do mundo com seus perigos, porque tem que aprender a discernir. Este é o único meio de nos demonstrar onde somos débeis.
Parsifal, em sua inocência, passa através de seus encontros com as donzelas astutas e a tentadora Kundry sem se prejudicar. Em seu doloroso encontro com ela, obtém novo conhecimento que resulta em uma maior consciência. Ele viaja através de todo o mundo, encontra sofrimentos e fadigas e, agora, quando chega de novo ao Castelo do Graal, está em condições de ajudar e seus esforços são aceitos prazerosamente, porque conseguiu se dominar.
Ele diz a seus amigos: “Vim através do erro e do sofrimento, através de muitos fracassos e incontáveis angústias”. Isto deveria dar a todos aqueles que procuram conseguir fazer o trabalho do mundo, e a todos aqueles desejosos de aprender, novo alento e a segurança de que nada se perde, e se ganha com o esforço sincero.
A essência de nossas experiências, vida após vida, se acumula e não se perde. O amor e o entendimento adquiridos farão nossa jornada, para o alto, mais feliz e mais proveitosa a todo aquele que tentar.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). É necessária uma compreensão da natureza da música para apreciar devidamente esta obra-prima que é Parsifal, de Richard Wagner, onde a música e os personagens estão interligados como em nenhuma outra produção musical moderna.
O Estudo Bíblico Rosacruz é fundamental para o Estudante Rosacruz a fim de ajudá-lo a equilibrar cabeça-coração, intelecto-coração, razão-devoção, ocultista-místico Cristão.
Sabemos que os eventos na vida de Cristo representam etapas sucessivas no Caminho da Iniciação para os Cristãos (Místicos e Ocultistas) que estão trilhando esse caminho, que na Fraternidade Rosacruz é o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
Nesse Estudo vamos detalhar a significância esotérica de mais um Milagre de Cura feito por Cristo-Jesus.
Para saber mais sobre esses assuntos é só clicar aqui: Estudos Bíblicos Rosacruzes: Algumas Significâncias Esotéricas sobre: “Homens de Pouca Fé” e “Quem é este a quem até os ventos e o mar obedecem?”
Você encontra mais material sobre Estudos Bíblicos Rosacruzes para o Evangelho Segundo S. Mateus aqui
A Ordem Rosacruz foi fundada especialmente para aqueles que possuidores de um alto grau de desenvolvimento intelectual, deixam de lado os reclamos (as queixas) do coração. Todo homem ou mulher que tenha sido abençoado com uma Mente investigadora, é de suprema importância receber toda informação que queira. Dessa forma aquietando a cabeça, o coração poderá falar.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que “o conhecimento intelectual é apenas um meio, não um fim em si mesmo. Daí o propósito da Ordem Rosacruz, antes de mais nada, satisfazer o Aspirante por meio do conhecimento de que tudo no Universo é razoável, o que poderá resultar num controle sobre o rebelde intelecto“.
E, também, aprendemos como se deve comportar o Estudante Rosacruz, nesse caso, ou seja, “quando, dessa forma, o Aspirante cesse de criticar e admita, embora provisoriamente, como verdadeiras as afirmações que não podem ser de imediato comprovadas, somente então o seu Treinamento Esotérico Rosacruz poderá ser efetivo para o desenvolvimento das faculdades superiores”.
Cremos que essas advertências dos Ensinamentos Rosacruzes, algumas vezes, são passadas por alto, pois os Estudantes Rosacruzes se fascinam de tal modo com o método de desenvolvimento por meio do Conhecimento Direto, que se esquecem do “Magno Mistério” que a Fraternidade Rosacruz advoga: “Cristo não disse: ‘Bem fizeste, tu, grande e erudito filósofo que conheces a Bíblia, a Cabala, toda Filosofia Rosacruz e toda a literatura misteriosa que revela as intrincadas operações da Natureza’; mas Ele disse sim: ‘Bem fizestes tu bom e fiel servo, entra no gozo de Teu Senhor… Porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber’ (Mt 25:35). Perceba: não notamos uma só palavra acerca de conhecimentos.
Em várias outras ocasiões somos advertidos que não devemos olhar o próximo “por cima dos ombros”, já que aquele que, devido ao seu pouco preparo intelectual serve, simples e humildemente, ou seja, pode compensar com amor àquela carência. Esses irmãos e irmãs são ativos servindo.
São os atos, as ações e obras de amor Crístico e bondade verdadeira que constroem o Corpo-Alma. O conhecimento é bom quando usado e compartilhado para benefício do próximo, pois quando conservamos para nós mesmos, nos colocamos novamente em tonalidade com o egoísmo, fomentado pelos Espíritos Lucíferos que instigam toda a classe de atividade mental concreta (contaminada pelo Corpo de Desejos), com a finalidade de obterem conhecimento, à medida que o obtemos. Entretanto, canalizando todo conhecimento que obtivermos para edificação de nossos irmãos e das nossas irmãs, transformamos uma armadilha mortal em uma sublime benção.
Aqueles que trabalham e servem aos demais do modo como ensinado pela Fraternidade Rosacruz: amorosa e desinteressadamente, o mais anônimo que puder, esquecendo os defeitos do irmão e da irmã que está servindo, focando toda a sua atenção na Divina Essência que está oculta em cada um de nós e que, portanto, é a base da Fraternidade, então não necessitam que sejam impulsionados para a prática de boas ações, obras e bons atos. Necessitando-se de um estímulo extra se têm maior responsabilidade! Assim, se pergunte sempre: você está vivenciando esses Ensinamentos Rosacruzes?
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Há passagens na Bíblia, especialmente nos Evangelhos, em que se observarmos mais atentamente veremos algo muito mais transcendente do que Cristo Jesus produzindo uma de suas maravilhas.
Aqui seguem dois exemplos bem contundentes:
No Evangelho Segundo S. Mateus 8:23-27 estudemos o seguinte trecho:
“Então, entrando Ele no barco seus Discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto Cristo Jesus dormia. Mas os Discípulos vieram acordá-Lo clamando: ‘Salva-nos, pereceremos’. Acudiu-lhes então Cristo Jesus: ‘Por que sois tímidos, homens de pequena fé?’. E levantando-se repreendeu os ventos e o mar e fez-se grande bonança. E maravilharam-se os homens dizendo: ‘Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?’”
E no mesmo Evangelho (14:22-33), estudemos esse trecho:
“Logo a seguir compeliu Jesus os Discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto Ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde lá estava Ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os Discípulos ao verem-no andando por sobre as águas ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma. E tomados de medo gritaram, mas Cristo Jesus imediatamente lhes falou: ‘Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais’. Respondendo-lhe Pedro disse: ‘Se és tu Senhor, manda-me ir ter contigo por sobre as águas’. E Ele disse: ‘Vem’. E Pedro descendo do barco andou sobre as águas e foi ter com Cristo Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo e começando a submergir, gritou: ‘Salva-me Senhor’. E, prontamente Cristo Jesus estendendo a mão tomou-o e lhe disse: ‘Homem de pequena fé, porque duvidastes?’. Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram dizendo: ‘Verdadeiramente és Filho de Deus’”.
Aqui Cristo Jesus não estava literalmente dominando os elementos próprios do Mundo Físico, tais como a tempestade, os ventos e as ondas fortíssimas. Na realidade, estas passagens do Novo Testamento relatam experiências ocorridas em outra dimensão. Na literatura Rosacruz a água simboliza as emoções e o Mundo do Desejo.
À natureza da água lembra muito o Mundo do Desejo, cuja substância se encontra em constante movimento. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que a permanência no Mundo do Desejo requer muito equilíbrio e discernimento do Estudante Rosacruz. Quando faltam essas qualidades ocorre justamente o pânico que sobressaltou S. Pedro no capítulo 14, nos versículos 22-33 do Evangelho acima.
S. Pedro deixou o barco (simbolizando o Corpo Denso) e se aventurou-se no Mundo do Desejo, logicamente, utilizando seu Corpo de Desejos. Porém, ainda não conseguia se manter-se equilibrado e com o nível de discernimento necessário para lá permanecer sereno, tendo assim que receber a ajuda de Cristo. “Caminhar sobre as águas” é dominar os elementos do Mundo do Desejo.
Pois, também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a lei que rege a matéria da Região Química do Mundo Físico é a inércia, a tendência a permanecer em status quo. É necessária certa soma de energia para vencer essa inércia, para fazer com que um material qualquer, por exemplo um corpo, em repouso se mova ou para deter um que esteja em movimento. Tal coisa não acontece com a matéria componente do Mundo do Desejo. Em si própria é quase vivente, está em movimento incessante, fluídico. Pode tomar formas inimagináveis com inconcebível facilidade e rapidez brilhando ao mesmo tempo com milhares de cores coruscantes sem termos de comparação com qualquer coisa que conhecemos neste estado físico de consciência. Desta ligeira descrição pode-se deduzir quão difícil será para o neófito que acaba de abrir os olhos internos, encontrar o equilíbrio no Mundo do Desejo. É um manancial de toda espécie de perturbações e perplexidades.
Outro importante ensinamento que aprendemos na Filosofia Rosacruz é que a característica principal dos Globos lunares, quando vivíamos no Período Lunar, pode ser descrita como ‘umidade’. Os Cientistas ocultistas chamam “água” aos Globos do Período Lunar e descrevem sua atmosfera como se fosse névoa ígnea.
Também aprendemos que cada dia da semana corresponde a um dos Períodos e é regido por um Astro em particular. À segunda-feira corresponde ao Período Lunar e é regida pela Lua que exerce decisiva influência sobre as águas, os fluídos, as marés e afins.
Por outro lado, o domínio das emoções representa uma transição de um estado de consciência para outro. Por exemplo, os israelitas para entrar na Terra Prometida, primeiro tiveram de atravessar o Mar Vermelho e depois o Rio Jordão.
Cruzar as águas é uma vitória sobre as emoções, sobre si próprio. Se você supera alguma dificuldade, “você cruzou o Jordão”.
Outro exemplo nesse sentido é a Arca de Noé que, esotericamente interpretada, representa um estado de consciência mais elevado, uma vitória sobre a comoção e insegurança causadas por grandes transformações. O dilúvio é uma alegoria do desaparecimento da Atlântida. Os sobreviventes simbolizam um tipo superior de Humanidade, capaz de responder positivamente às necessidades evolutivas da Época Ária.
Aprendemos que as Épocas contêm em si mesmas espirais evolutivas menores, que são as Eras. As Eras são algumas dessas espirais. O ser humano da Era de Peixes é emotivo por excelência. Eis porque esta Era está intimamente ligada ao elemento Água: o batismo com água nas Igrejas cristãs, a água benta, a emotividade que envolve a devoção.
Na próxima Era — que é a Era de Aquário — essas características serão modificadas. O ser humano aquariano será mais racional. A atmosfera mais seca e elétrica que predominará ensejará o fortalecimento da atividade intelectual. A representação astrológica de Aquário consiste em “um homem”, o aguador, despejando a água do seu cântaro.
Num futuro mais distante ainda, às emoções serão totalmente sublimadas e amalgamadas à constituição espiritual do ser humano. Isso foi anunciado no Capítulo 21 do Livro do Apocalipse: “Vi novo Céu e nova Terra, pois o primeiro Céu e a primeira Terra passaram e o mar já não existe”. Temos, portanto, uma árdua tarefa pela frente!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/abril – 1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Costumamos receber cartas de Estudantes Rosacruzes, nas quais se queixam de que se encontram desamparados nos estudos que fazem da Filosofia Rosacruz; que suas esposas ou esposos, filhos, conhecidos ou até demais parentes não só antipatizam, como são antagônicos aos ensinamentos dessa Filosofia Rosacruz, apesar dos esforços que dispendem para interessá-los, e ao mesmo tempo, para obterem cooperação e liberdade para seguir com as suas inclinações. Esse atrito é causa de certa infelicidade, proporcional aos distintos temperamentos e, por isso, nos rogam que lhes aconselhemos sobre o modo de converter tais pessoas e vencer esse antagonismo.
Por meio de correspondência particular tivemos o prazer de ajudar a mudar as condições de não poucos lares, quando nossas sugestões foram seguidas devidamente. Entretanto, sabemos que aqueles que por esse motivo mais profundamente sofrem, são aqueles que se calam e, portanto, resolvemos dedicar-lhes curto espaço de tempo para discutir o assunto.
Foi dito, de fato, mas muito verdadeiramente, que “um ligeiro conhecimento é perigoso”, e isso se aplica ao significado dos Ensinamentos Rosacruzes; portanto, o principal é sabermos se temos um conhecimento suficiente para sustentarmos uma atitude apropriada e, então, eu vos faço uma pergunta: O que são esses Ensinamentos Rosacruzes que com tanto afã procura inculcar nos outros, e qual o seu objetivo? Será tornar conhecidas as gêmeas Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento? Elas por si só explicam muitos dos problemas da vida e é um grande consolo quando a temível segadora apareça em vossa casa e arrebate a algum ser querido, porém, não esqueça de que existem muitas pessoas que não tem necessidade de nenhuma explicação, pois são de uma constituição tal que não se acham preparadas para receber o que lhes queiramos transmitir.
É natural que agimos com maior vantagem quando temos consciência das Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento e seus propósitos, mas atentemos ao fato de que essas leis trabalham para o bem geral, embora a Humanidade tenha ou não conhecimento disso; portanto, esse conhecimento não é essencial. As pessoas não sofrerão grandes penas por não adotarem a nossa doutrina, e poderão, talvez, escapar da desvantagem de possuírem um “conhecimento muito limitado”.
Na Índia, onde essas verdades são conhecidas e cridas por milhões de pessoas, o povo faz muito pouco esforço para adquirir o progresso material, por saberem que tem tempo ilimitado para obterem o que quiserem e porque sabem que os que não fizerem nesta vida terão que fazer na futura; assim é que muitos ocidentais, ao abraçarem a doutrina do renascimento, caíram na indolência, deixando de ser úteis à comunidade e deturpando, assim, os chamados ensinamentos elevados.
Se seus amigos ou parentes não se interessam por esses ensinamentos, deixai-os tranquilos; converter a outrem não é essencial sob o ponto de vista Rosacruz, pois o Guardião do Umbral não leva em consideração o conhecimento de ninguém, admitirá a alguns que desconheçam completamente o assunto e baterá a porta no rosto de outros que passaram suas vidas lendo, estudando e ensinando os ensinamentos das Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento.
De maneira que, se as doutrinas das Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento não são essenciais, o que diremos do conhecimento da complexa constituição do ser humano?
Seria essencial saber que nós não somos meramente um Corpo visível (esse Corpo Denso), senão que temos um Corpo Vital que o carrega de vitalidade, um Corpo de Desejos que consome essa vitalidade durante o dia, uma Mente para guiar os nossos esforços por canais razoáveis e que somos Espíritos Virginais a Onda de Vida humana envoltos como Ego em um tríplice véu (ou seja: manifestado aqui por meio de um Tríplice Espírito)?
Seria também essencial saber que o Corpo Denso é a contraparte material do Espírito Divino; que o Corpo Vital é a contraparte do Espírito de Vida; e que o Corpo de Desejos é a contraparte do Espírito Humano, e que a Mente é o elo entre o Tríplice Espírito e o Tríplice Corpo?
Não, esse conhecimento não é essencial. Tais conhecimentos, quando usados de modo apropriado, são uma vantagem, mas poderão se tornar em desvantagem para aqueles que tenham “um conhecimento muito limitado”.
Muitos vivem meditando sobre as “coisas superiores”, enquanto os “seres inferiores” gemem na miséria diante de suas portas; muitos sonham, dia e noite, na hora em que tenham de sair de seus Corpos em voos da alma, como “Auxiliares Invisíveis” para remediarem os sofrimentos, as enfermidades e tristezas alheias, não sendo, porém, capazes de gastar cinco minutos para consolar um pobre abandonado em um hospital ou para levar uma flor, uma palavra de consolo a alguém que dela necessite. Novamente declaro que: o Guardião do Umbral admitirá aquele que fez o que pode e não ao que muito sonhou e nada fez para aliviar os sofrimentos de seus semelhantes.
Se conseguir que alguém estude os Ensinamentos Rosacruzes sobre a morte e a vida que há depois dela, concluirá que também seria muito importante saber algo sobre o Cordão Prateado que permanece sem se partir, aproximadamente durante três dias e meio depois que abandonamos o nosso Corpo Denso, e que o Corpo Denso deve permanecer em ambiente de tranquilidade, enquanto o Panorama de Vida recém-finda está sendo gravado no Corpo de Desejos, a fim de servir de árbitro na nossa passagem pelos Mundos invisíveis.
Achará, também, razoável que soubessem tudo o que se relaciona com a nossa estada no Purgatório e que como os maus atos, as más obras e ações da vida aqui reagem sobre nós lá, como dor, a fim de criar a nossa consciência e nos manter afastados de ditos atos, ditas ações e obras, nas vidas futuras
Igualmente, desejará fazê-lo aprender como os nossos bons atos, nossas boas obras e ações se transmutam em virtudes nas vidas futuras, conforme a Filosofia Rosacruz ensina; entretanto, se você se surpreende com a asserção de que o conhecimento das grandes Leis gêmeas (Leis de Consequência (ou Causa e Efeito) e do Renascimento) não é essencial, muito você se escandalizará, porque também não é essencial que conheça a nossa constituição nem tríplice, nem sétupla e nem decupla, tal como a Filosofia Rosacruz ensina e muito lhe poderá entristecer ao lhe afirmar que os Ensinamentos Rosacruzes, em relação à morte e a nossa passagem pelos Mundos invisíveis não são, também, necessários para o propósito que pretendemos levar avante.
Realmente, não importa que seus parentes ou amigos compreendam, creiam ou não em tais coisas; porém, pelo que diz respeito a sua morte, pode escrever aos vossos familiares que deixem o seu Corpo Denso em paz e que não permitam ruídos durante o período apropriado; todos, naturalmente, assim farão, mormente levando em conta certa superstição em respeitar a “última vontade dos moribundos”; e se ocorrer o falecimento de um seu parente ou amigo estará presente, a fim de que com o seu conhecimento possa ajudá-lo, convenientemente. Portanto, não se preocupe por se recusarem a receber os Ensinamentos Rosacruzes.
Mas, dirá o Estudante Rosacruz: “Se o conhecimento dessas coisas que parecem ter um tão grande valor prático não é necessário, é de se supor que o estudo dos Períodos, Revoluções, Mundos, Globos, etc. se encontram nas mesmas condições, e isso destrói tudo o que foi ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, e nada restará daquilo que aprendemos e aceitamos com toda fé!”.
Que nada reste dos Ensinamentos Rosacruzes? … pois a verdade é que tais Ensinamentos são somente a casca que tem de ser removida, a fim de ser saboreado o fruto. Com certeza você leu o livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz muitas vezes e se sente orgulhoso em conhecer o “mistério do mundo”, porém leu o mistério que se oculta em cada uma de suas linhas e nas entrelinhas? Esse é o grande e essencial Ensinamento, aquele que interessará aos seus amigos e parentes, o qual quando aprendido deverá ser dado a eles. O Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz predica em cada uma de suas linhas o evangelho do serviço!
Afinal, todos hão de concordar que por nossa causa a Deidade manifestou o universo; as Hierarquias Criadoras foram – e algumas delas continuam – sendo nossos servidores, os Luminosos Espíritos diante do Trono, cujos ígneos Corpos vemos girando através do espaço, trabalharam conosco por muito tempo, nos servindo e, por sua vez, Cristo veio nos trazer os impulsos espirituais de que carecíamos, sendo significativa a parábola: “Muito bem, bom e fiel servo, entra no gozo do teu Senhor; pois tive fome e me alimentaste, tive sede e me deste de beber” (Mt 25:21).
Note: não há nessa Parábola nem uma só palavra sobre o conhecimento! Todo o seu significado gira em torno da fé e do serviço. Nisso existe uma profunda e oculta razão: o serviço constrói o Corpo-Alma, o glorioso Traje Nupcial, sem o qual nenhum ser humano poderá entrar no Reino dos Céus, designado ocultamente por: Nova Galileia.
De modo que se seguirmos com o nosso trabalho “servindo mais a cada dia que passa”, não importa que saibamos ou não como se processam as coisas, o luminoso Corpo-Alma cresce ao nosso redor e a sua luz nos ensinará tudo quanto concerne aos Mistérios ocultos, sem que seja preciso recorrer a livros – por esse meio, aprendemos os Ensinamentos Rosacruzes de tal maneira que ultrapassa aquilo que os livros nos poderiam oferecer. No devido tempo a nossa visão interna se despertará e nos mostrará o Caminho para o Templo da Ordem Rosacruz.
Assim, se você quer ensinar aos seus amigos, parentes, conhecidos e até desconhecidos, por mais céticos que sejam, eles crerão em você se você pregar o “evangelho do serviço”. Mas o seu discurso de teor religioso ou moral deve ser prática; deve se converter em um servidor de todos se quiser que creiam em você; se quer que o sigam, deve guiá-los, pois de outro modo, terão o direito de duvidar da sua sinceridade. Lembra-se que “sois uma cidade sobre uma montanha” (Mt 5:14-15) e que quando declarar qualquer coisa terão o direito de julgá-la pelos seus frutos; portanto: fale pouco e faça muito.
Atente para que muitos gostam de discutir tais coisas à mesa (durante as refeições), esquecendo que a carne animal sangrenta que se acha ante seus olhos; há muitos que fazem do seu estômago um deus e preferem estudar gastronomia, em vez da Bíblia, estando sempre dispostos a discorrer com seus amigos sobre o último prato em moda.
Conheci um indivíduo que dirigia um centro esotérico, cuja esposa tinha aversão pelo estudo do ocultismo e pela dieta vegetariana. Tal indivíduo advertiu sua esposa que se alguma vez cozinhasse carne animal ou contaminasse as panelas e prato com alimentos carnívoros seria posta na rua com todo o vasilhame, acrescentando que se ela pensava em torná-lo um porco, que fosse tomar as suas refeições em um restaurante. É de se admirar que tal senhora tivesse aversão pela crença de seu marido e nada quisesse saber dela? Desse caso pode se tirar uma boa lição, embora seja um caso extremo.
Muito digno de louvores foi o procedimento de Maomé, pois a sua primeira discípula foi a sua esposa, e muitos volumes se escreveriam sobre a bondade e consideração que o profeta dispensava em seu lar. Tal exemplo faria muito bem em seguir se quisermos adquirir amigos que nos sigam na vida superior, pois embora os sistemas religiosos difiram em sua parte externa o centro deles todos é amor.
(Publicado na Revista Rosacruz – dezembro/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Com a ajuda de nossa mãe, do nosso pai e dos Anjos do Destino nos preparamos para um novo nascimento no Mundo Físico.
E toda nossa estada aqui na Terra é para colher os frutos que semeamos em vidas passadas e, consequentemente, para semear outras que nos irão proporcionar experiências futuras para os próximos renascimentos.
Nós, Egos, chegamos aqui nessa mais uma vida na Terra construindo as seguintes ferramentas como veículos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.
Contudo, podemos dizer que a consciência da utilização desses veículos por nós, o Ego, aqui se dá por etapas: isto é, os veículos vão nascendo aos poucos aqui.
E a finalidade desse processo gradual é para que possamos assimilar o máximo em cada etapa e se preparar para a colheita na vida futura.
De posse desses maravilhosos instrumentos nós podemos utilizá-los para evoluir e aperfeiçoá-los, mas a qualidade desse desenvolvimento dependerá da qualidade do trabalho em que esses veículos serão empregados por nós para ganhar experiências em cada vida. Afinal, já sabemos que a verdadeira finalidade da vida não é a obtenção da felicidade, mas a conquista de experiências que desenvolverão os poderes espirituais latentes em cada um de nós.
Nascemos completamente dependentes dos nossos pais e responsáveis e somos guiados por eles durante muitos anos.
Por isso lemos no Livro do Eclesiástico capítulo 7 versículos 27-28: “Honra teu Pai de todo o coração e não esqueça as dores do parto de tua mãe. Lembra-te de que por eles foste gerado: como lhes retribuirás o quanto te deram?”.
Depois do nosso nascimento aqui, nossos veículos estão interpenetrados, mas nenhuma de suas forças positivas é ativa, mas elas continuam a se desenvolver.
É sabido que a vida progride em ciclos de sete em sete anos, desde o nascimento até a morte.
Do zero aos sete anos se dá a preparação para o nascimento do Corpo Vital e, portanto, nós, o Ego, não temos total domínio dele. O sangue utilizado no nosso Corpo Denso é o que foi armazenado na Glândula Timo, quando ainda estávamos no útero da mãe; ou seja, esse sangue é o da mãe. O domínio sobre ele só será possível com a fabricação dos corpúsculos vermelhos do sangue por nós, o Ego.
O Corpo Vital vai crescendo e dando a vitalidade que nós necessitamos no interior de nossa proteção cósmica (também chamado de Corpo Vital macrocósmico).
Nesse período estamos abertos para sermos ensinados e instruídos e não temos a iniciativa para julgar antecipadamente e muito menos para emitir opiniões. Porque durante esses primeiros sete anos nós somos “todos olhos e ouvidos”, absorvendo, sem críticas, tudo o que é nos ensinado e mostrado, constituindo-se esse setenário o mais importante na formação do nosso caráter. Pois a nossa natureza interna é sensível e inocente. Assim, a imitação e o exemplo são as palavras-chaves para a nossa educação nesse período. Imitação por nossa parte e exemplo por parte dos nossos pais, para que imitemos o que é bom.
Nesse período, quando nos deparamos com algo desconhecido somos bastante humildes para perguntar e admitir a nossa ignorância no assunto. Estamos sempre prontos a aprender!
Existe uma passagem na Bíblia que ilustra bem esse ponto. No Evangelho Segundo São Marcos capítulo 10, versículos 14-15 lemos: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais; porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo, todo o que não receber o Reino de Deus com a mentalidade de uma criança, nele não entrará”. Isso mostra também que nesse período somos dotados de uma fé infantil, pois acreditamos e vivenciamos tudo o que nos é ensinado.
Em torno do sétimo ano de vida, o Corpo Vital, atingindo seu nível de perfeição suficiente, nasce. Esse é o período em que os pais e educadores poderão ajudar os filhos na formação e desenvolvimento das afeições, dos hábitos, da consciência, do caráter, da memória e do temperamento. É nesse período que passamos a observar mais, e com isso acabamos por aprender a discernir o certo do errado e a cultivar ideais elevados.
As palavras-chaves para esse período na nossa educação são discipulado e autoridade. Contudo, essa autoridade deve ser passada pelos pais com confiança, sinceridade e amor; dessa maneira, podemos considerar nossos pais como sendo os mais corretos e estamos aptos ao aprendizado do discipulado. E nesse momento os pais devem estar prontos a dar uma vida de bons exemplos a seus filhos, já que é mediante a observação e veneração a eles que mais aprendemos. Retornemos à Bíblia no Eclesiástico capítulo 14, versículo 22: “Feliz o ser humano que persevera na sabedoria, que se exercita na prática da justiça, e que, em seu coração pensa no olhar de Deus que tudo vê”.
Por volta dos 14 anos nasce o Corpo de Desejos. A palavra-chave para a educação nesse período é a compreensão e o amor. É o período da puberdade, em que se inicia a nossa fase de autoafirmação e passamos, então, a ter identidade própria. Com isso o sentimento do “eu” começa a se expressar completamente, por ser o sangue inteiramente produzido e dominado por nós, o Ego.
Nesse período, devido à produção de sangue quente pelo Éter de Luz, nós, o Ego, acumulamos muita força sexual no sangue que se desenvolve e governa o coração. É por isso que, muitas vezes, encontramos alguém dizer que alguns jovens “perderam a cabeça” ou que alguns são de temperamento “fervente”. É visto, nesse período, que a ira, a paixão e, muitas vezes, a ansiedade do jovem acabam por elevar a temperatura do sangue e se não houver um controle, poderão prejudicar a atuação do Ego sobre seus veículos. Necessário faz-se que os pais tenham muita paciência com seus filhos para que eles possam transpor esse período até, por volta dos 21 anos, quando nasce a Mente, idade que chamamos de maioridade.
Com o controle da Mente, o Corpo Denso não fica com o sangue nem muito quente nem frio. Com a Mente completa-se a ligação de todos os nossos veículos, incluindo os Éteres superiores, que são o Luminoso e o Refletor e, assim, estamos capacitados para ter controle sobre nossas aspirações e desejos, freando a natureza dos desejos.
Daqui para frente cabe a nós, o Ego, trilharmos o nosso caminho, uma vez que o caráter já está formado. Precisando apenas exercer nossa vontade. É muito importante a educação que os pais dão a seus filhos nesse tempo, sem cobrança ou sem esperar nada em troca e não julgando ser sua propriedade para retribuir os favores dados a eles anteriormente. Pois os filhos que são educados com amor, assistência, atenção, confiança e afeto, certamente, retornarão reconhecendo o valor dos pais ou responsáveis.
Agora estamos prontos para aspirar e desenvolver o que resume o lema da Fraternidade Rosacruz: “uma Mente pura, um Coração nobre e um Corpo são”.
Comecemos lembrando o que a Escola Rosacruz ensina, como máxima fundamental, que “todo desenvolvimento oculto começa no Corpo Vital”.
Há de ter uma particular atenção à parte do Corpo Vital formado pelos dois Éteres superiores que, desenvolvidos e trabalhados, formarão o Corpo-Alma. Trabalho esse que tem início com a prática dos bons hábitos e para isso é essencial utilizar-se da palavra-chave desse veículo que é “repetição”.
No Evangelho Segundo São Mateus, capítulo 7, versículo 24 lemos: “Aquele que ouve minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um ser humano prudente, que edificou sua casa sobre a rocha”. O fator essencial na realização desses ideais é a prática da persistência na meta escolhida. E jamais devemos trabalhar com nossos esforços ocasionalmente, pois isto não leva a nenhum propósito definido e a desistência fica sempre mais próxima!
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o maior perigo que ameaça o Aspirante nesse Caminho de Espiritualidade é que fique preso na rede do egoísmo, e sua única salvaguarda é o cultivo da fé, devoção e a irradiação de amor sem restrições.
Precisamos estar então alertas em relação a nossas atitudes mentais ou novas ideias para que não julguemos somente com o intelecto, mas deixemos, também, o nosso coração tomar parte nessa decisão.
Se tem algo que pode ser destacado como de utilização sempre presente é a adaptabilidade, que é um fator expressivo no Caminho de Evolução.
Existem certos hábitos antigos que deveremos analisar sob diversos ângulos e admitir as mudanças necessárias para vencermos o convencionalismo.
Se estamos neste Caminho de Evolução para a frente e para cima é necessário que façamos inovações: que edifiquemos melhor nosso Templo do Espírito, pois Deus opera continuamente para nosso bem.
Muitas de nossas fraquezas são forças mal dirigidas e devemos, então, mudar o eixo dessas forças recusando pensamentos maus, como medo, temor, ansiedade e outros similares e nos orientar para a verdade que nos é mostrada dentro de nós.
Todavia, se acaso cairmos em tentação, devemos compreender e aceitar esses desafios ou provações de nosso eu inferior e vendo nessas oportunidades uma maneira de nos livrarmos desses maus hábitos para sempre. Aprendamos pela dor e sofrimento, mas, de fato, aprendamos!
As provações são sinais de progresso, pois durante nossas vidas anteriores contraímos dívidas sob a Lei de Causa e Efeito (ou a Lei de Consequência) e hoje estamos ajustando as dívidas antigas, pagando-as uma a uma. Contudo, uma coisa é certa: o futuro deve ser decidido agora para que deixemos de gerar dívidas, o que trará, como consequência lógica, menos sofrimento e dores possíveis e evoluiremos cada vez mais rápido, com segurança, indo ao encontro de Cristo.
Lembremos: “O único fracasso é deixar de lutar”.
Uma indicação importantíssima para a formação dos ideais superiores no Corpo Vital são os Exercícios Esotéricos Rosacruzes: noturno de Retrospecção e matutino Concentração. Outra indicação e o orar utilizando as orações científicas, dentre elas: a Oração do Senhor, o Pai-Nosso. Devemos orar, mas não para obter auxílio material ou passar em exame na escola ou faculdade. Isto é barganha, e barganha espiritual não existe; é ilusão, é a nossa astúcia, reminiscente da Época Atlante.
A oração ajuda nossos veículos a evoluírem com segurança. Portanto, por meio da oração temos um método de produzir pensamentos puros e, assim, agir principalmente sobre o Corpo Vital. Por isso que o Apóstolo S. Paulo nos ensinou que devemos “orar sem cessar”.
O Caminho de Espiritualidade – também chamado de Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz – é aberto a todos, mas para trilhá-lo é preciso eliminar os maus hábitos, o comodismo, a inércia, enfim tudo que é prejudicial no progresso em favor do nosso Cristo Interno.
Contudo, somente o sacrifício de nós mesmos não é suficiente; é preciso fazê-lo em prol da Humanidade, por meio do serviço amoroso e desinteressado aos demais, focando sempre na divina essência que há em cada irmão, em cada irmã, que é a base da Fraternidade, tão preconizada por Cristo!
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
O Filho, o Cristo Cósmico, é o mais elevado Iniciado do Período Solar, habitando o Sol Central e guiando os Planetas em suas órbitas por um Raio que emana d’Ele, o qual se torna o Espírito habitante de cada Planeta.
O mais elevado Iniciado do Período Solar evoluiu até o ponto em que se uniu ao Segundo Aspecto do Deus Trino e, portanto, Ele é o Deus-Filho. Este é o Cristo Cósmico, e um Raio que emana d’Ele foi o que ocupou o Corpo Denso e Vital de Jesus, quando teve que “estar entre nós, aqui”!
Quando o Salvador Cristo Jesus foi crucificado, Seu Corpo foi transpassado em cinco lugares… Quando o sangue fluiu desses centros, o grande Cristo Espírito Solar foi libertado do veículo físico de Jesus e se encontrou na Terra. Os veículos planetários já existentes foram permeados por Ele com Seus próprios veículos e, num piscar de olhos, difundiu Seu próprio Corpo de Desejos sobre o Planeta, o que Lhe permitiu, desde então, trabalhar sobre a Terra e sua Humanidade a partir de dentro do Planeta Terra.
O Solstício de Junho e Solstício de Dezembro, juntamente com o Equinócio de Março e o Equinócio de Setembro, formam pontos críticos ou pontos de retorno na vida do grande Espírito da Terra. Ele habita nossa Terra parte do ano e depois se retira para os Mundos superiores… Durante julho e agosto, enquanto o Sol está em Câncer e Leão, Ele está reconstruindo Seu veículo do Espírito da Vida, que Ele trará novamente aqui e com ele rejuvenescerá a Terra e os Reinos da vida que evoluem nela… No Equinócio de Setembro, quando o Sol passa de Virgem para Libra, o Espírito de Cristo, retornando à nossa Terra, toca sua atmosfera… Ele chega ao centro da Terra à meia-noite de 24 de dezembro. Lá Ele permanece por três dias e então começa a se retirar. Essa retirada se completa na Páscoa. Da Páscoa até o Solstício de Junho, Ele passa pelos Mundos superiores e chega ao Mundo do Espírito Divino, o Trono do Pai, justamente no dia do Solstício de Junho, todos os anos.
Nós, coletivamente, somos os Espíritos da Terra. Um dia, devemos guiar o veículo que criamos. Jeová nos guiou de fora por meio de Leis Jeovísticas, mas como isso não foi suficiente para nos levar ao ponto de individualização em que seremos capazes de cuidar de nós mesmos, Cristo veio como Salvador e está nos ajudando até que chegue o tempo em que teremos desenvolvido em nós mesmos uma natureza amorosa que seja suficiente para sustentar a Terra.
(por Max Heindel – Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro de 1947 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
O respeito do ser humano pelo ser humano, como semelhante centelha espiritual, deixa muito a desejar ou é muito insuficiente.
Nunca o mundo precisou tanto de amor como nos atuais tempos de materialismo, tão perigoso ao nosso normal desenvolvimento interno. Por isso, o mais deplorável na hora presente é o desânimo dos seres humanos de boa vontade.
Profissionais de Saúde e irmãos e irmãs dedicados à educação estudam as causas dos problemas sociais, mas não podem perscrutar profundamente o problema, enquanto não considerarem o ser humano em sua integralidade, como ser humano complexo, composto de um Corpo Denso (que vemos com a nossa visão física) e com outros veículos que compõe a parte não visível à visão física (Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente), ou seja: uma parte material e uma parte espiritual.
A menos que sejamos alimentados em todos os aspectos, haverá fome de algum lado: haverá deficiências, haverá doenças e enfermidades jamais sonhadas pelos materialistas ou por aqueles que acham que só tratando o Corpo Denso é suficiente ou, ainda, que só tratando a partir do Corpo Denso (de “fora para dentro”) é mais do que suficiente, é a solução!
Porque a “função faz o órgão” e a negligência de certos aspectos, justamente os mais complexos e elevados da natureza humana, trará consequências desastrosas!
A técnica moderna, em vez de servir ao ser humano, veio escravizá-lo, em benefício de alguns. As máquinas, os equipamentos, as tecnologias avassalaram os “operários”, reduzindo-os a peças, cujos movimentos são estudados para cada vez mais produzir. As vidas egoístas e intensas das grandes cidades ilham os seres humanos num círculo vicioso pouco edificante. Assemelha-se a uma indústria de neuróticos. Os hospitais de doenças nervosas ou chamadas psicológicas se multiplicam. Contam as estatísticas que, dentre as pessoas com cursos superiores, os que mais se suicidam são os profissionais de saúde; e dentre eles os profissionais especialistas em saúde mental!
Estudos periódicos indicam alarmante o número das pessoas que morrem de enfarte nervoso, antes dos 50 anos. Na Europa, justamente nos países mais adiantados ocorrem os maiores índices de suicídios. Por quê? Se o objetivo do ser humano fosse meramente material, se o ser humano fosse apenas um conjunto orgânico que se desfaz na morte, por que essa angústia?
A resposta é simples: estão esquecendo o ser humano real! As criaturas andam famintas de amor, de apreciação, de estímulo, de criatividade, de motivação! O ser humano precisa ser compreendido em sua inteireza. De novo surge, do fundo das idades, a Esfinge gigantesca e repete o desafio: “ou me decifras, ou te devoro”! De novo, o Cristo dentro de nós – o Cristo Interno – inquire a nossa consciência: “Tu me amas? Então, apascenta as minhas ovelhas!” (Jo 21:15).
O Cristianismo Esotérico tem uma tremenda responsabilidade, um grande dever: divulgar, por todos os meios ao seu alcance, os aspectos integrais do ser humano e o modo de torná-lo realmente feliz, realizado, segundo não o ponto de vista material que é imediatista, porém, segundo um ponto de vista amplo, que atente todos os veículos do ser humano e não só ao presente, como ao futuro.
“Não só de pão vive o homem” (Mt 4:4). O dia em que se ensejarem a cada ser humano os meios e motivações de crescimento interior, se ver à que eles hão de florescer a dimensões jamais sonhadas, em todos os aspectos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1975 – Fraternidade Rosacruz-SP)