Pouco antes de me ter sentado para estudar numa dessas tardes, premi o botão elétrico e imediatamente a luz inundou o quarto. Apanhei o livro e abrindo-o deparei com um trecho que tratava do trabalho executado pelos Adeptos – seres humanos que alcançaram as nove Iniciações Menores e, pelo menos, a primeira Iniciação Maior – que podem pronunciar a Palavra Criadora.
Veio-me então à Mente o desejo de tornar-me idêntico a eles, servir como fazem os Irmãos Maiores, levando a luz à consciência da Humanidade.
O que deveria fazer para tornar-me igual a eles?
Pensativamente contemplei a lâmpada próxima a mim: a pressão sobre o botão não a criou; ele meramente pôs o dispositivo (a lâmpada) apta a transmitir a luz, contatando-o com certos dispositivos (arames, ligações, cabos) os quais transportam a energia elétrica gerada pela fonte central (dínamo). O que seria se a lâmpada fosse feita de madeira? Quando eu premisse o botão poderia inundar de luz o meu quarto? Poderá o meu ser físico, tal como agora é, transmitir a luz de Deus?
Se as linhas elétricas fossem defeituosas, a minha pressão sobre o botão poderia proporcionar luz perfeita em meu quarto? Terei eu uma conexão apropriada com a fonte de energia espiritual para torná-la usável? Ou o que daria se o dínamo funcionasse imperfeitamente? Para que serviriam os arames, os cabos, as ligações, as lâmpadas ou outros quaisquer dispositivos para a produção da luz, se o dínamo não produzisse energia? Estarei em uma célula no grande Corpo de Deus, produzindo e libertando a energia para as mais altas funções de meus veículos?
Essa autopesquisa conduziu-me a uma revisão sobre o procedimento oculto ensinado pela Filosofia Rosacruz para o aperfeiçoamento de si mesmo no sentido de se tornar um “canal consciente” para o trabalho daqueles Elevadíssimos Seres, de modo a poder aplicar-me com renovado zelo no trabalho indispensável ao crescimento da alma. O moto “Serviço amoroso, altruísta e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade” me veio à Mente como linha de conduta para ser sempre observada e lembrada. Ao mesmo tempo recordei-me de certas instruções específicas para a espiritualização de nossos veículos e, consequentemente, do crescimento da alma. O que me ocorreu vai a seguir:
A Filosofia Rosacruz ensina que nós, o Ego, somos um Tríplice Espírito que possuímos uma Mente através da qual governamos o nosso Tríplice Corpo, os quais emanou de si mesmo para obtermos experiências. Esse Tríplice Corpo transmutamos na Tríplice Alma, da qual nos nutrimos a fim de sair da impotência para a onipotência: o Espírito Divino emana de si mesmo o Corpo Denso, extraindo como pábulo a Alma Consciente; o Espírito de Vida emana o Corpo Vital, extraindo a Alma Intelectual; o Espírito Humano emana o Corpo de Desejos, extraindo a Alma Emocional.
Nosso problema como Aspirantes à vida superior é então planejar e controlar nossas atividades diárias de modo que, por meio delas, possamos extrair maior quantidade de poderes conscientes, intelectuais e emocionais, de nossos Corpos. Uma vez que nossos veículos estão intimamente interrelacionados, a melhora de um, automaticamente gera a melhora dos demais. Porém, certas atividades afetam determinado Corpo mais definidamente do que os outros.
O Corpo Denso é um maravilhoso instrumento mecanizado para a ação no plano material; é por meio das experiências que obtemos por seu intermédio, pelas nossas retas ações em relação aos impactos externos e pela observação acurada que o transmutamos em Alma Consciente. Quanto mais ativos formos e mais retas forem nossas ações, maior crescimento de Alma Consciente alcançaremos. Basicamente, para a reta ação tornam-se necessários a higiene, o exercício, o ar fresco, uma dieta simples constante de alimento integral, bem como o altruísmo, o desejo de ajudar e a boa vontade. Em relação à observação correta ensina-nos a Filosofia Rosacruz: é da mais alta importância ao nosso desenvolvimento que observemos os fatos e as cenas em nosso redor acuradamente. Do contrário as impressões em nossa memória consciente não coincidirão com os registros automáticos subconscientes. O ritmo do Corpo Denso perturba-se na proporção da falta de acuidade de nossa observação durante o dia. Na proporção em que aprendemos a observar acuradamente, ganharemos em saúde e longevidade e necessitaremos menos de descanso e de sono. O Aspirante à vida superior, sistematicamente, deve tudo observar, tirar guia mais seguro e certo em qualquer mundo. Ao praticarmos esse método de observação, devemos sempre ter em Mente que ele deve ser usado apenas para reunir fatos e não com o propósito de criticismo, pelo menos o acre criticismo. A crítica construtiva que assinala defeitos e dá os meios de remediá-los é a base do progresso.
O Corpo Vital, o veículo do hábito, é o armazém da Memória Consciente e Subconsciente, é composto de quatro Éteres: o Éter Químico, o Éter de Vida, o Éter de Luz e o Éter Refletor.
Os dois primeiros constituem a matriz na qual o Corpo Denso é construído. A repetição é a nota-chave desse Corpo Vital. Daí o valor da repetição dos impactos espirituais do estudo, dos sermões, da conferência e leituras. Também a Arte e a Religião são de primeira importância no refinamento do Corpo Vital, bem como o cultivo da memória, da discriminação particularmente efetivos na geração da Alma Intelectual.
A memória liga as experiências passadas às as experiências presentes e os sentimentos por elas engendradas, criando “simpatia” e a “antipatia” que de outro modo não poderiam existir.
O Discernimento é a faculdade por meio da qual distinguimos aquilo que não é importante, não essencial, separando o real da ilusão, o duradouro do evanescente.
Na vida comum pensamos de nós mesmos como se fôssemos o Corpo. O Discernimento orienta-nos no sentido de que somos Espíritos e que os nossos Corpos são temporariamente lugares residenciais, instrumentos de uso. Pelo Discernimento aprendemos a considerar o Corpo como um servo na medida em que se torna dócil às nossas ordens. Assim considerando, veremos ser possível fazermos muitas coisas que de outro modo pareciam impossíveis.
Os dois Éteres superiores do Corpo Vital, o Luminoso e o Refletor, são os que compõem o nosso Corpo-Alma e em cada vida são renovados por meio do “serviço amoroso, altruísta e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade”. A quinta essência desses atos, do bem, deles extraídos, determina a qualidade dos átomos estacionários prismáticos de que são compostos os dois Éteres inferiores na vida seguinte. Esse Corpo-Alma é a parte do Corpo Vital que o Aspirante imortaliza como Alma Intelectual.
O Corpo de Desejos é nosso veículo dos desejos, das emoções e dos sentimentos. Durante o estado de vigília ele se encontra constantemente em luta com o Corpo Vital. O Corpo Vital constrói e suaviza, ao passo que o Corpo de Desejos cristaliza e destrói. Por meio da devoção persistente aos suaves ideais da vida superior, dominamos nossos instintos animais, eliminando os traços indesejáveis do hábito e do caráter resultantes da geração e do desenvolvimento da alma emocional. A importância do cultivo da faculdade da devoção, dificilmente enfatizada por muitas pessoas, deve ser considerada, assim é que um dos melhores sistemas de desenvolvimento desse poder é a retrospecção, o exercício noturno ensinado pela Fraternidade Rosacruz, por meio do qual nos lembramos em ordem inversa dos acontecimentos do dia, cuidadosamente louvando e reprovando quando é devido.
Uma explosão temperamental é detrimento para o crescimento da alma; é a dissipação em larga escala da energia que pode ser proveitosamente usada. Tal fato envenena o Corpo, deixa-o alquebrado, e impede enormemente o seu desenvolvimento. O Aspirante à vida superior deve sistematicamente controlar todas as tentativas do Corpo de Desejos, o que poderá ser feito pela concentração em altos ideais, que fortalece o Corpo Vital e é muito mais eficiente do que as orações comuns usadas nas igrejas. Quando ditada pela devoção pura e altruísta a altos ideais, a oração é muito mais superior do que a fria concentração.
Em nossos esforços para transmutar o Corpo de Desejos em poder de Alma, devemos também nos lembrar de que o nosso veículo Espírito Humano, que está correlacionado com o Corpo de Desejos, é contraparte do Espírito Santo – a força criadora na Natureza, a qual o Aspirante à vida superior deve aprender a usar nos processos superiores mentais e emocionais para regeneração. Ao vivermos castamente, a força sexual criadora sobe, pelo trabalho mental e espiritual, refinamos e eterizamos nossos Corpos Densos, e ao mesmo tempo fortalecemos nossos veículos superiores. Dessa maneira alargamos materialmente nossa vida e aumentamos nossas oportunidades de crescimento de alma, avançando em graus definidos.
É-nos ensinado que a Mente é o elo entre nós, Ego, e os nossos Corpos, sendo também real que a Mente é o instrumento mais importante que possuímos. Um dos principais alvos da nossa evolução durante este período é aprender a controlar o pensamento, o que será conseguido por meio do exercício do princípio da nossa força de vontade. Possuindo a prerrogativa divina da livre volição, podemos treinar habitualmente a pensar como quisermos. Dessa forma, se persistentemente continuarmos em nossos esforços de espiritualização de nossos Corpos pela reta ação, de sentimento e de pensamento, tempo virá no qual seremos auxiliares altruístas de nosso próximo e guardiães do poder do pensamento. Tendo-nos, então, adaptado ao uso desse tremendo poder para o bem de todos, indiferentes ao interesse próprio, estaremos aptos a formar ideias acuradas que se cristalizarão em coisas úteis. Por meio da laringe perfeita falaremos a Palavra Criadora e assim atingiremos ambicionado lugar na escada evolucionária.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1967-Fraternidade Rosacruz-SP)
Lendo atentamente o Evangelho Segundo São João, o Evangelista, que foi Discípulo de S. João, o Batista, somos gradativamente absorvidos pela admiração da desenvoltura e sublimidade do seu trabalho. Ao iniciá-lo, coloca como primeiro título a grande boa nova, já na expressiva frase: “A Encarnação do Verbo”. Essa Encarnação representa o ponto de intercessão entre duas Eras (a de Áries e a de Peixes). A primeira delas, em que vigorava a lei — “o olho por olho e dente por dente” –, representada por Moisés. A segunda é representada por Cristo-Jesus, o “Cordeiro que tirou o pecado do mundo” e purificou o Corpo de Desejos da Terra. Ademais, pôs ao alcance da Humanidade todos os meios de que ela necessitava para sua salvação; vejam, então, a extraordinária importância que tem esse glorioso Ser para todos nós. É de tal autoridade, como bem salienta S. João, o Evangelista, que se sentirmos por Ele uma profunda gratidão durante as 24 horas do dia, ainda será pouco. Aliás, a melhor maneira de manifestarmos nossa gratidão é servirmos diligentemente, colaborando de coração no formoso trabalho iniciado pelos Irmãos Maiores.
Durante a primeira dessas Eras, consubstanciada no Antigo Testamento, sobretudo no último livro do Pentateuco, quem errasse seria punido, pois não havia perdão e tudo se acertava com a espada da justiça. O Cristo, ao contrário, embora cumprindo a Lei, é a tônica do amor através do qual une tudo o que existe ou venha a existir, e não só aqui no Planeta Terra, mas também nos demais do nosso Sistema Solar, sem excetuar outros Sistemas Solares no Universo. Ele é o Amor que tudo liga, transforma e vivifica.
Lá, no primeiro capítulo, no primeiro versículo, diz-nos S. João: “No princípio era o Verbo, o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus”. Notem bem como ele mostra, entre outras coisas, de maneira concisa, cujo vigor ultrapassa toda expectativa, a nossa origem Divina. Ele transformou o Verbo na Causa primeira de tudo. D’Ele é que saiu tudo aquilo que veio ou vem à existência e, para Ele, tudo volta, como disse bem S. Agostinho, que assim se expressou: “De Deus viemos, para Deus voltaremos”.
Prosseguindo, afirma S. João, o Evangelista, no versículo 2°: “Ele estava, no princípio, com Deus”. S. João, para facilitar nosso entendimento, reforça aqui o que disse no versículo anterior. Vindo de Deus, Cristo-Jesus é, evidentemente, Deus feito ser humano.
Referindo-se ao Verbo, comenta S. João, no 3° versículo: “Tudo foi feito por Ele e nada do que foi feito se fez sem Ele”. Vemos aqui, mais uma vez, S. João, o Evangelista, mostrar, com extraordinária exuberância, nossa origem divina. Insiste ele e com toda a razão ser o Verbo a gênese de tudo aquilo que existe. Vivendo o amor permanentemente e conhecendo bem a natureza humana é que S. João supunha conveniente insistir nesse e em outros pontos.
Continuando a leitura, vamos para o 4° versículo que, reportando-se ao Verbo, esclarece: “A vida estava Nele e a vida era a Luz dos homens”. De fato, aquela vida que estava n’E é a nossa Luz, o Cristo Interno que habita em cada um de nós. É a Centelha divina que nos impulsiona constantemente às coisas superiores, os eventos do Espírito. Com isso realizamos também uma sutilização de nossos veículos, as ferramentas do Ego, ampliando o seu campo de atividade.
Dando continuidade à leitura do Evangelho Segundo S. João, encontramos no versículo 5°, ainda no capítulo l°, que se tornou nosso, o seguinte: “A Luz resplandeceu nas trevas e as trevas não prevaleceram”. Realmente, porque essa Luz infinita espanca as trevas.
Trevas da ignorância e más qualidades que são desfeitas pelo amor, sabedoria e atividade nas boas coisas.
É por ela, na verdade, que surgem os desentendimentos, malquerenças e inimizades. Conforme aprendemos nos nossos Estudos de Filosofia Rosacruz, utilizando o livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz: “Se Buda, grande e sublime, foi a Luz da Ásia, pode-se afirmar que Cristo é a Luz do Mundo”.
(Pulicado na Revista Serviço Rosacruz de julho/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Algumas lições antigas da Fraternidade Rosacruz chamam a Mente de “O Mensageiro de Deus”. Sua importância na atual fase de desenvolvimento é indiscutível, embora ainda se encontre no seu estágio mineral de evolução.
O grande valor da Mente, como um “Mensageiro de Deus” a nós, é facilmente compreendido pelo fato de que os Estudantes Rosacruzes trabalham focando no seu Corpo Denso; os Probacionistas no Corpo Vital; os Discípulos no Corpo de Desejos e os Irmãos Leigos no Corpo Mental. Os últimos trabalham com a Mente, se esforçando por transmutar os pensamentos de sensualidade, avareza, egoísmo, violência e materialismo em pensamentos de amor, benevolência, compaixão, altruísmo, aspiração espiritual, devolvendo-os ao mundo para estimular todas as manifestações do bem.
Os Estudantes Rosacruzes, fieis aos ditames de seu coração, se esforçam por fazer a vontade de Deus, conforme a sentem. Entendem que nesta época de profundo racionalismo, em que a Mente predomina sobre o Coração, é necessário alcançar uma compreensão intelectual de Deus. Portanto, se lhes oferece, por meio da Filosofia Rosacruz, uma gama de conhecimentos científicos, lógicos e completos. Desse modo creem em seu Coração aquilo que o intelecto (a razão) sancionou e passam a viver uma vida religiosa Cristã Esotérica.
Quando nos desviamos do original Esquema de Evolução, sob a influência dos Espíritos Lucíferos, os Senhores de Vênus tiverem de se esforçar por prover o amor em vez da luxúria. Ao mesmo tempo os Senhores de Mercúrio apelaram àqueles que haviam desenvolvido alguma capacidade mental por meio dos sagrados ensinamentos, para que nos tornássemos menos egoístas.
Os Senhores de Mercúrio eram, originalmente, Hierofantes dos Mistérios Menores, aos quais estamos harmonizados como membros de uma associação de Cristãos Místicos. Iniciaram os mais avançados seres humanos, tornando-os reis e governantes, para o bem de todos e não para o autoengrandecimento.
Astrologicamente, Mercúrio é o nosso educador mental. Sendo assim, é o Planeta da razão, considerado mitologicamente o “Mensageiro dos Deuses”. O símbolo de Mercúrio expressa a característica da Mente como um elo ou mensageiro entre nós, o Ego, e o Corpo em nossas manifestações.
Para interpretar com crescente clareza a mensagem de Deus devemos purificar a Mente, cultivando um interesse cada vez maior por assuntos religiosos e intelectuais de natureza abstrata. Uma Mente capaz de entender matemáticas, Esquema de Evolução, Astrologia Rosacruz e Música elevada pode se elevar à Região do Mundo do Pensamento Abstrato sem estar aprisionada ao plano das sensações e desejos. Assim podemos sobrepor-nos à existência concreta que obscurece a verdade.
Não esqueçamos: a lógica é o melhor guia em qualquer Mundo, e ela nos preservará do orgulho intelectual, tornando-nos justos, porque “quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Investigamos a evolução dos Átomos-semente através dos três Períodos Mundiais involucionários e todo o presente Período Terrestre, até seu final. O que sucederá a esses Átomos-semente nos períodos subsequentes: o Período de Júpiter, o Período de Vênus e o Período de Vulcano?
A primeira Iniciação Maior fornece o estado de consciência que será alcançado, pela Humanidade comum, ao final do Período Terrestre; a segunda Iniciação Maior, o que todos alcançaremos ao final do Período de Júpiter; a terceira Iniciação Maior fornece a extensão de consciência que será alcançada ao final do Período de Vênus; a última Iniciação Maior confere ao Iniciado o poder e a omnisciência que toda a Humanidade alcançará somente ao final do Período de Vulcano.
No final de cada Período, o Corpo que tenha chegado à perfeição, é convertido em suas forças essenciais e agregado ao seguinte veículo superior. Assim é como, no final do Período Terrestre, as forças do Corpo Denso aperfeiçoado serão agregadas ao Corpo Vital, o que tem, então, todos os seus próprios poderes mais os do Corpo Denso. Estes poderes amalgamados serão agregados ao Corpo de Desejos, no final do Período de Vênus e estes, por sua vez, serão agregados à Mente ou, o que já será, Corpo Mental, no final do Período de Vulcano.
Cada Corpo foi nos fornecido como um “germe”, que era também um “pensamento-forma”. São as forças arquetípicas de cada Corpo, elevadas à perfeição, as que são os poderes de cada Átomo-semente que são agregados ao seguinte veículo superior, quando termina esse Grande Dia de Manifestação.
Paralelamente a esse desenvolvimento, observamos o pleno florescimento do Tríplice Espírito e de seus três aspectos: o Espírito Divino, o Espírito de Vida e o Espírito Humano (os três juntos constituem o Ego).
Durante a Involução, as Hierarquias Criadoras nos ajudaram a pôr em atividade o Tríplice Espírito, o Ego, a construir o Tríplice Corpo e adquirir o elo da Mente. Agora, no “sétimo dia” (para usar a linguagem da Bíblia), “Deus descansa”. Devemos trabalhar pela nossa própria salvação. Nós, o Tríplice Espírito, devemos completar o trabalho e a execução do Plano de Deus. O Espírito Humano, que foi despertado durante a Involução, no Período Lunar, será o mais proeminente dos três aspectos de nós, o Ego, na evolução do Período de Júpiter, que é o Período correspondente no arco ascendente da espiral. O Espírito de Vida, que foi posto em atividade no Período Solar, manifestará sua principal atividade no correspondente período de Vênus e, as particulares influências do Espírito Divino serão as mais fortes no Período de Vulcano, porque foi vivificado no correspondente Período de Saturno.
Todos os nossos três aspectos são ativos, todo o tempo, durante a Evolução, mas o aspecto espiritual de cada um será desenvolvido nestes Períodos particulares, porque o trabalho a ser feito é seu trabalho especial. Assim como o polo negativo do Tríplice Espírito era o que estava ativo durante Involução, agora é o polo positivo o que está ativo durante a Evolução, à medida que nós, o Ego, ascendemos à Divindade, saindo da materialidade.
A Tríplice Alma é também, durante este tempo que nós, o Ego, estamos evolucionando e saindo da matéria, assimilada pelo Tríplice Espírito.
Quando o Corpo Denso for plenamente aperfeiçoado e suas forças agregadas ao Corpo Vital, a “Alma Consciente” será assimilada pelo Espírito Humano. Isto não é instantâneo. Dura por todo o ciclo do “Dia” de Júpiter e é apenas na sétima Revolução do Período de Júpiter, quando a Alma Consciente é, assim, assimilada pelo seu progenitor, o Espirito Divino.
Sob a Lei de Analogia e a causa de que a evolução se acelere à medida que se aproxima o final, a Alma Intelectual é assimilada pelo Espírito de Vida, na sexta Revolução do Período de Vênus. A Alma Intelectual é a essência do Corpo Vital e sua assimilação pelo Espírito de Vida requer todas as seis revoluções do Período de Vênus.
Finalmente, na quinta Revolução do último Período, o de Vulcano, em que o então Corpo Mental será aperfeiçoado, a Alma Emocional será assimilada pelo Espírito Humano, na Região do Pensamento Abstrato.
Esta assimilação da essência do Corpo de Desejos nutre o terceiro aspecto do Tríplice Espírito, conduzindo-o até a perfeição e, o processo de assimilação requer todos as primeiras cinco Revoluções do Período de Vulcano.
Restam duas Revoluções mais, deste Período, nas quais nós, o Ego, assimilaremos, na Mente, todos os poderes do Tríplice Corpo e, as essências anímicas também serão completamente assimiladas ao Tríplice Espírito. Conforme cada Globo Mundial se dissolve no caos, o aspecto do Espírito correspondente a esse Globo é atraído pelo mais elevado dos três aspectos, o Espírito Divino.
No final do Período de Júpiter, o Espírito Humano será absorvido pelo Espírito Divino. No final do Período de Vênus, o Espírito de Vida será absorvido pelo Espírito Divino. E, ao final do Período de Vulcano, o Corpo Mental aperfeiçoado, incorporando todas as maravilhosas glórias assimiladas durante os passados sete Dias Mundiais, será absorvida pelo Espírito Divino.
Note que não existe contradição entre estas e outras afirmações que dizem a Alma Emocional será absorvida pelo Espírito Humano, na quinta Revolução do Período de Vulcano, porque o último estará, então, dentro do Espírito Divino.
Depois disto, vem o grande intervalo de atividade subjetiva, durante o qual nós, o Ego, que agora temos absorvido em nós mesmo todos os três aspectos, ou poderes e todos os frutos da evolução se fundirão em Deus, de Quem viemos, para reemergirmos na aurora de outro Grande Dia, como um de Seus gloriosos colaboradores.
Durante nossa passada evolução, nossas possibilidades latentes têm sido transmutadas em poderes dinâmicos. Temos adquirido o Poder Anímico e uma Mente Criadora, como fruto da nossa peregrinação através da matéria.
Temos avançado da impotência à Onipotência, da inconsciência à Onisciência.
Isto é, quando reemergirmos da união com a Divindade, apareceremos como um deus-auxiliar, capaz de projetar no espaço, na Substância Raiz Cósmica, os Átomos-semente, as ideias germinais e suas forças arquetípicas e pensamentos-forma, pertencentes a um novo Esquema de Evolução, como membro de uma Celestial Hierarquia, como a que nos ajudou em nossa própria evolução “desde o barro até Deus”.
Assim, do mesmo modo em que as Hierarquias Criadoras são nossos verdadeiros progenitores, cuja “semente” foi o modelo de nossa evolução, nós, por nossa vez, chegaremos a ser os progenitores divinos de novas Ondas de Vida, em novos sistemas evolucionários, quando emergirmos naquela aurora cósmica, sobre as asas do poder e da sabedoria, para ajudar a inaugurar um novo mundo – uma galáxia, um universo – e o fazer flutuar como uma rosa que se abre corrente abaixo nas ondas do espaço.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Um colega de serviço vivia repetindo, em voz alta, esta frase: “eu nada sei, só sei que nada sei”. Ouvia-o e cada vez me punha a meditar, ponderando, entre mim, que, sendo ele espiritualista, havia de ter um lado positivo nessa afirmação, uma advertência que o pusesse alerta contra o personalismo pretensioso que enfeia tantas pessoas. Mas um dia, durante o lanche, provoquei uma troca de ideias sobre o assunto. E por muitos dias continuamos, em episódios, o exame da questão, julgando de interesse pô-lo aqui para análise e ampliado, por parte dos leitores. Queremos falar de humildade num ponto de vista mais elevado e não pelo mal-entendido ponto de vista, segundo o qual a humildade é sinônimo de capacho ou de subserviência a poderes sociais ou econômicos.
Somos um ser complexo. Como Espírito, centelha de Deus, que nos faz semelhante à Deus-Pai, trazemos uma longa jornada de experiências, em que passamos por estágios de consciência equivalentes aos minerais, vegetais, animais, em que adquirimos nosso Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos correspondentes aos nossos veículos de expressão em cada Mundo. Atingindo o estado de Humanidade, no início da Época Atlante, tivemos nosso Corpo de Desejos dividido em duas partes: sentimentos elevados e sentimentos inferiores. Essa parte inferior do Corpo de Desejos foi juntada à Mente recém-adquirida, constituindo os dois, uma “alma animal”, a Personalidade, uma parte de nós voltada para a Região Concreta do Mundo do Pensamento, Mundo do Desejo e Mundo Físico.
Nesse tempo sofremos a influência passional dos Anjos decaídos ou Espíritos Lucíferos. Tais Espíritos não podiam alcançar a evolução natural da Onda de Vida dos Anjos, de que se haviam afastado e por isso restava-lhes trabalhar sobre o incipiente cérebro humano, induzindo a paixão (pois o cérebro está ainda ligado ao Corpo de Desejos). Desenvolvemos os primeiros trabalhos da Mente, sob a forma primitiva da astúcia e ao ingressar na presente Época Ária começamos a exercitar a Razão.
Ao falar assim, referimo-nos às pessoas que vivem no lado ocidental, pois ainda há irmãos e irmãs em estágios primitivos de consciência exercitando a astúcia e com um Corpo de Desejos superior muito reduzido e de pouca expressão altruística. Acresce notar que essa ação dos Espíritos Lucíferos, pelo nosso abuso sexual – por livre e espontânea vontade –, pelo egoísmo e outras formas passionais que insistimos em manifestar nas nossas vidas aqui, nos embruteceu a nossa sensibilidade e os nossos Corpos, fazendo-nos perder a visão espiritual e acreditar apenas na realidade deste Mundo material em que, provisoriamente, estamos.
Recebemos a primeira ajuda: as Religiões de Raça, Jeovísticas, como o objetivo de nos ajudar a controlar o nosso Corpo de Desejos que insistíamos em encher somente com materiais das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo. Mas usamos essa ajuda para induzir a nós mesmos a divisão e ao egoísmo, embora tais Religiões tenham disciplinado relativamente o nosso Corpo de Desejos com a ação restritora das Leis Mosaicas.
Como insistimos no erro, chegando a um estado evolutivo extremamente perigoso, arriscando a perdermos (uma grande maioria de nós) a oportunidade de continuar evoluindo nesse atual Esquema de Evolução, recebemos uma segunda ajuda. Conhecemos como a vinda da Religião do Filho – a Religião Cristã –, cuja expressão, Cristo, inaugurou uma nova fase evolutiva, onde o Cristo implantou o Seu Plano de Salvação e se tornou o Espírito Planetário da Terra. Só que, também devido a nós mesmos, a Religião Cristã ainda não foi implantada como deve ser, ou seja, o altruísmo (que foi introduzido e ensinado por Cristo) não virá senão quando os últimos vestígios de egoísmo tenham desaparecido, com as formas inferiores de expressão. E isso depende somente de cada um de nós, exercendo o livre arbítrio, ou seja: de dentro para fora.
Esta digressão é necessária para compreendermos que nós atualmente, quando renascidos aqui, nos embrutecemos até onde os nossos Corpos nos permitirem. Somos o que pensamos, o que sentimos, o que percebemos. Aqui estamos limitados pelo grau de aperfeiçoamento dos nossos veículos o Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.
Nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) sim, nos esforçamos para isso através da Mente, o foco entre o Ego e os nossos veículos e por isso simbolizada por Mercúrio, o Mensageiro dos Deuses. Mas estamos limitados, nessa expressão, pela condição dos nossos veículos que construímos (com o nível de evolução que chegamos até a última vida aqui) e usamos.
Disso tudo inferimos que nós sabemos algo! Nós temos dentro de nós mesmos uma bagagem imensa de experiências passadas, que vão formando a nossa Tríplice Alma. Chamamos a essa bagagem, a Memória ou Mente Superconsciente, a que temos acesso apenas pelo desenvolvimento dos Éteres superiores e contato com o Mundo do Espírito de Vida, via alcançando as Iniciações, preconizadas pela Fraternidade Rosacruz.
Mas essa forma de memória não nos vem pela Mente, senão pelo Coração. Cristo está trabalhando sobre toda a Terra e afetando os nossos Corpos humanos para lograr uma transformação do nosso Coração, formando estrias para, através dele, afetar todo o nosso Corpo Denso e dar mais livre expressão à nós, o Ego, ainda prisioneiro nas grades de nossas limitações.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, compreendendo profundamente esse plano Crístico, ensinam aos Estudantes Rosacruz – a partir de um certo nível no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz – a conquistar o equilíbrio entre a Mente e o Coração, condicionando as possibilidades daquele, aos ditames deste. É um plano de libertação que possibilitará ao Estudante Rosacruz se livrar da consciência atual, muitas vezes mais próximas da consciência animal, para a Consciência de um indivíduo, onde o Ego dirige seus veículos, exprimindo ambos a mesma coisa, como a citada fonte dos evangelhos, de que não fIui ao mesmo tempo água doce e salgada. Os místicos buscam apenas esta fonte de pureza pelo Coração. Os ocultistas desenvolvem a Mente. A Ordem Rosacruzes busca unir as nossas expressões pelo equilíbrio perfeito entre Mente e Coração.
Afinal, sabemos ou não sabemos? Está claro que sim, mas nosso conhecimento ainda é passível de muita cautela, porque sofre interferências várias e deturpa, muitas vezes, os nossos reais propósitos.
Um Estudante Rosacruz não diz: “eu nada sei, eu sou um pobre diabo, um imprestável, um ignorante”. Tampouco diz: “eu tudo sei, eu tudo posso”, como ensinam algumas escolas espiritualistas pregadoras de afirmações e negações. Afinal, como aprendemos na Fraternidade Rosacrduz: “de que valeria a uma bolota de carvalho, sendo semente, dizer: eu sou um carvalho? Ela será um carvalho, sob condições favoráveis de desenvolvimento, mas por enquanto não é, apesar de todas suas afirmações; assim é o ser humano em relação à perfeição divina”.
A afirmação deve ser feita em silenciosa convicção, na interna vontade, para estendermos aos atos os nossos propósitos, depois de haver afetado o subconsciente. Não de forma negativa, renunciando, de princípio, às possibilidades divinas latentes e poderes adquiridos. Que efeito podemos esperar, desse modo, sobre nós?
Não gostamos de extremos. Tudo é relativo (pois só Deus é absoluto!) e, conhecendo amplamente os diversos fatores que fazem de cada um de nós essa realidade atual, buscamos aperfeiçoá-lo, sabendo que não somos nada e nem tudo, mas que caminhamos para a perfeição a que nos destina o Criador, pondo-nos todos os recursos para isso, inclusive ajuda externa.
A verdadeira humildade, pois, está na consciência dessa relatividade evolutiva, que nos põe no nosso devido lugar, no qual não se justificam orgulhos nem personalismos, embora estes nos assaltem nas repetidas tentações, por forças dos vícios de origem, ainda não sublimados.
Forçoso é reconhecer: a verdade tem muitos degraus e o acesso aos superiores pressupõe havermos passado pelos inferiores, as verdades parciais, mas nem por isso desprezíveis, pois são as partes e fundamentos do todo almejado.
Para concluir, não dizemos “eu nada sei, só sei que nada sei”, mas sim: “sou uma semente de Deus e posso me converter na própria árvore e estatura de Deus. Estou trabalhando para isso, orando e vigiando, fazendo fielmente os Exercícios Esotéricos Rosacruzes de Observação, Discernimento, de Retrospecção, de Concentração e oficiando os Rituais dos Serviços Devocionais diariamente, que me ensinam, cada vez mais, a conhecer minha própria natureza, a fim de transubstanciá-la na força anímica que me permitirá o retorno consciente ao que realmente sou, um Ego, e através deste, a Deus”.
“Quem se humilha será exaltado” (Mt 23; 12), mas quando a humildade é bem compreendida. Reduzir-se, anular-se é negar as possibilidades divinas latentes e descrer em nós mesmos, o Ego. E sendo nós um Ego (e não os nossos Corpos, especialmente, como muito acham, o Corpo Denso), como podemos falar de nós como se fossemos os Corpos e suas limitações? Somos isto sim, prisioneiros conscientes, trabalhando pela libertação das invisíveis grades e cadeias que, simbolicamente, prendiam Prometeu ao Cáucaso[1]. Mas seremos também Hércules[2], o “super-homem” e nos libertaremos destas condições, mediante o esforço perseverante e racional, passo a passo, pois a Natureza não dá saltos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: da mitologia grega: foi um defensor da humanidade, conhecido por sua astuta inteligência. Roubou o fogo dos deuses e o deu aos homens. Isto assegurou a superioridade dos homens sobre os outros animais. Todavia o fogo era exclusivo dos deuses. Como castigo a Prometeu, Zeus ordenou a Hefesto que o acorrentasse no cume do monte Cáucaso.
[2] N.R.: nome em latim dado pelos antigos romanos ao herói da mitologia grega Héracles, filho de Zeus.
Resposta: Responder a essa pergunta exigiria muitos volumes, mas podemos dizer que, do ponto de vista do ocultista, há quatro classes de insanidade ou demência.
A insanidade ou demência é sempre causada por uma ruptura na cadeia dos veículos entre o Ego e o seu veículo Corpo Denso. Essa ruptura pode ocorrer entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, ou entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, entre o Corpo de Desejos e a Mente, ou entre a Mente e o Ego. A ruptura pode ser completa ou apenas parcial.
Quando a ruptura acontece entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, ou entre esse e o Corpo de Desejos, temos pessoas com deficiência intelectual extrema. Quando a ruptura ocorre entre o Corpo de Desejos e a Mente, o Corpo de Desejos violento e impulsivo domina e temos o maníaco delirante. Quando a ruptura se dá entre o Ego e a Mente, a Mente domina os outros veículos e temos o maníaco astuto, que pode enganar a pessoa que está cuidando dele, fazendo-a acreditar que é perfeitamente inofensivo, enquanto trama algum plano ardiloso e diabólico. Então, ele pode repentinamente revelar sua mentalidade perturbada e causar uma catástrofe terrível.
Há uma causa de insanidade ou demência que talvez seja bom explicar, pois às vezes é possível evitá-la. Quando o Ego está se preparando nos Mundos invisíveis para um novo renascimento aqui, são-lhe mostradas as várias classes de renascimentos disponíveis, com os eventos principais em um Panorama da Vida. Ele vê a vida vindoura nos seus maiores e mais importantes acontecimentos, como um filme rodando diante da sua visão. Então, geralmente, é-lhe dada a opção de escolha dentre as várias “vidas” apresentadas. Ele vê, nesse momento, as lições que precisa aprender, o destino que gerou para si em vidas passadas, e qual a parte desse destino terá que liquidar em cada um dos renascimentos oferecidos. Então, ele faz a sua escolha e é guiado pelos Anjos do Destino até o país e a família onde viverá sua vida vindoura.
Essa vista panorâmica se desenrola diante dele no Terceiro Céu, onde ele, o Ego, está sem nenhum dos seus Corpos e se sente espiritualmente acima das sórdidas considerações materiais. Ele é muito mais sábio do que aparenta quando renasce aqui na Terra, onde se torna cego pela carne até um ponto inconcebível. Mais tarde, quando a concepção ocorre e o Ego está prestes a entrar no útero materno, aproximadamente no décimo oitavo dia após esse acontecimento, ele entra em contato com o molde etérico do seu novo Corpo Denso, que foi criado pelos Anjos do Destino para fornecer a informação essencial que imprimirá no Ego as tendências necessárias para cumprir seu destino.
Ali, o Ego vê novamente as imagens da sua vida vindoura, da mesma forma que uma pessoa que está se afogando percebe as imagens da sua existência passada num lampejo. Nesse momento, o Ego já está parcialmente cego a respeito da sua natureza espiritual, de modo que, se a vida vindoura parecer difícil ou penosa, frequentemente ele reluta em penetrar no útero e estabelecer as conexões cerebrais apropriadas. Ele pode tentar se retirar rapidamente e, então, em vez do Corpo Vital e do Corpo Denso ficarem concêntricos, como deveriam ser, o Corpo Vital, formado de Éter, pode ser parcialmente projetado acima da cabeça do Corpo Denso. Nesse caso, a conexão entre os centros sensoriais do Corpo Vital e do Corpo Denso é interrompida, resultando em formas graves de oligofrenia[1] ou deficiência intelectual (ou “deficiência de desenvolvimento”), epilepsia[2], dança de São Vito[3] e outros distúrbios nervosos semelhantes.
A relação desarmoniosa entre os pais, que por vezes existe, é frequentemente a gota d’água que leva o Ego a sentir que não pode entrar em tal ambiente. Por essa razão, é fundamental enfatizar aos futuros pais que, durante o período de gestação, é da maior importância que tudo seja feito para manter a mãe em um estado de contentamento, satisfação e harmonia. Pois é uma tarefa muito árdua para o Ego passar pelo útero; exige o máximo de todas as suas sensibilidades, e as condições desarmoniosas no lar em que está entrando são, naturalmente, uma fonte adicional de desconforto, a qual pode resultar no terrível estado de coisas mencionado acima.
(Pergunta nº 44 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Grau máximo de oligofrenia. Os indivíduos portadores possuem o menor grau de desenvolvimento intelectual.
[2] N.T.: é uma desordem neurológica crônica caracterizada por descargas elétricas anormais e excessivas no cérebro, causando crises repetidas.
[3] N.T.: Coreia reumática de Sydenham (do grego khorea, dança) ou a dança de São Vito é um distúrbio neurológico que afeta a coordenação motora de 20 a 40% dos portadores de febre reumática, mais frequente entre meninas e/ou crianças e adolescentes. A descrição mais famosa da doença foi feita em San Vito, Itália, em 1686, por Sydenham no livro Schedula Monitoria.
Resposta: A Conferência Nº 4 do livro Cristianismo Rosacruz – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz[1] trata de sonhos, sono, hipnotismo, mediunidade e insanidade. Ou seja, versa sobre as condições anormais da consciência, e nessa Conferência foi fornecida uma explicação muito abrangente dessas várias condições, com exceção do sonambulismo, que, no entanto, se assemelha muito aos sonhos. Não podemos dar uma explicação tão completa aqui, mas basta dizer que, durante o dia, o Corpo Denso, ao qual chamamos de “indivíduo”, é envolvido por uma atmosfera áurica composta de seus veículos mais sutis, assim como a gema de um ovo é envolvida pela clara. Esses veículos sutis interpenetram o Corpo Denso e são as fontes de poder e de percepção sensorial. São suas atividades que fatigam o Corpo Denso, de modo que à noite ele, por assim dizer, entra em colapso e os veículos sutis se retiram dele, deixando-o indefeso, adormecido sobre o leito. Quando essa separação se completa, há o sono sem sonhos.
Contudo, por vezes, o Ego fica tão absorto nos assuntos referentes ao Mundo Físico que tem grande dificuldade em se desvencilhar do Corpo Denso. Pode, então, ficar meio dentro e meio fora do corpo. Assim, a ligação normal entre o Ego e o cérebro é interrompida, mas não completamente rompida. Sob essas circunstâncias, o Ego vê as coisas do Mundo Físico, e isso explica aqueles sonhos fantásticos e tolos que às vezes temos. Em tal condição, o Corpo Denso pode se debater no leito. Pode até a falar e gesticular e dessa condição é apenas um passo para o sonambulismo, onde o Ego obriga o veículo a sair do leito e vagar, às vezes sem rumo, mas outras vezes com um propósito definido em vista.
Se nos lembrarmos de que, quando o Ego está fora do seu veículo físico, durante as horas em que o Corpo Denso permanece dormindo sobre o leito, o Espírito se movimenta com a mesma facilidade pela janela ou pela parede como que se atravessa uma porta aberta. Quando percebemos que ele não pode ser queimado pelo fogo nem afogado na água, nem despencar de um telhado, podemos facilmente compreender que, inconsciente do fato de que seu veículo físico está com ele, pode tentar sair por uma janela. Se a janela estiver aberta, naturalmente o Corpo Denso cai no solo e se machuca gravemente ou não, de acordo com a altura da queda. Todos nós podemos andar sobre uma tábua estreita quando ela está próxima ao solo, mas se a mesma tábua for levantada a apenas alguns metros do solo, uma sensação de medo nos invade. Provavelmente cairíamos de uma tábua muito larga se ela estivesse colocada a centenas de metros acima do solo, mas, quando o Corpo Denso é manipulado pelo Espírito, de fora, ele próprio está inconsciente e, portanto, não sente medo. Consequentemente, ele caminha impunemente por onde consegue se firmar, e o único perigo é que o adormecido acorde – que o Ego retorne ao seu veículo e assuma a posição normal. Então, o medo, quase inevitavelmente, provocará a queda, qualquer que seja a posição perigosa em ele se encontre, e haverá, em consequência, ferimentos mais ou menos graves.
Quanto à solução do problema, sugerimos a prática do relaxamento consciente do Corpo Denso. É o Corpo de Desejos que mantém o controle sobre o Corpo Denso, e durante o relaxamento, esse Corpo de Desejos aprende a soltar e deixar o Corpo Denso inerte, de modo que, se um braço ou uma perna forem erguidas, caiam imediatamente sobre o leito. Essa prática, com o tempo, acabará com o sonambulismo, mas enquanto isso, se toalhas úmidas forem colocadas no chão, pois elas provavelmente terão o efeito de despertar a pessoa no momento em que ela sair do leito. Os veículos superiores são de natureza semelhante à eletricidade, e sabemos que a água tem um maravilhoso efeito de atração excelente em relação à corrente elétrica. Da mesma forma, quando os pés do Corpo Denso tocarem as toalhas molhadas colocadas no chão, os veículos mais sutis são atraídos para a posição central em relação ao Corpo Denso e a consciência será restabelecida. Desta forma, o Corpo Denso é despertado e o perigo do sonambulismo, durante algum tempo, é evitado.
(Pergunta nº 130 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: CONFERÊNCIA IV – SONO, SONHOS, TRANSE, HIPNOTISMO, MEDIUNIDADE E INSANIDADE
Vimos que o ser humano é um organismo muito complexo, compondo-se de:
1) Corpo Denso, que é seu instrumento de ação;
2) Corpo Vital, o veículo da “vitalidade” que torna possível a ação;
3) Corpo de Desejos, de onde parte o desejo que impele à ação;
4) Mente, um freio sobre os impulsos, que dá propósito à ação;
Que são instrumentos do Ego[1], que atua colhendo experiências de seus atos.
O propósito da vida é transformar os poderes latentes do Ego em energia dinâmica para que possa controlar perfeitamente seus veículos e agir por sua vontade. Sabemos que, por enquanto, o Ego ainda não conseguiu esse domínio, caso contrário não haveria luta em nosso íntimo entre o Espírito e a carne, como se costuma dizer, uma luta que, na realidade, se trava entre o Espírito e o Corpo de Desejos. Esta “luta” é o que desenvolve o músculo espiritual, assim como a luta Corporal desenvolve o músculo físico. É muito fácil mandar os outros fazerem isto ou aquilo, mas impor obediência a si próprio é a tarefa mais difícil do mundo. Na verdade, diz que “o ser humano que conquista a si mesmo é maior do que aquele que conquista uma cidade”. Goethe, o grande poeta Iniciado, nos dá a razão disto nestes versos:
De todo o poder que mantém o mundo agrilhoado
O ser humano se liberta quando o autocontrole houver conquistado.
Tal ser humano está acima de todas as leis, quer humanas quer divinas – não que ele as desobedeça, mas justamente o contrário, pois sua total obediência a elas torna-as todas supérfluas, do mesmo modo que a lei “não furtarás” é desnecessária a todo aquele que aprendeu a respeitar a propriedade alheia.
O pecado ou a atitude contrária à vontade de Deus ou às Leis da Natureza existia antes de toda Lei, e S. Paulo aprecia muito bem sua benéfica ação quando diz que “a lei é o feitor que nos conduz a Cristo, porque sem a `Lei´ não conheceríamos o pecado”[1].
Todas as vezes que violamos uma das Leis da Natureza, tal transgressão, como uma causa, traz-nos a correspondente retribuição como efeito. Se comemos em demasia ou indevidamente, o resultado pode ser uma indigestão. Se o distúrbio for mais sério, talvez seja necessário a Natureza queimá-lo por meio de uma febre. Se pecamos contra as leis da moralidade, podemos esperar o ostracismo social como correspondente retribuição ao erro nos planos morais. Mas o ser humano que usa levianamente seus poderes mentais é o pior e o mais perigoso, porque glutão pode ser, sob outros aspectos, uma pessoa admirável e digna de todo respeito, que praticamente não prejudica ninguém, a não ser a si mesmo. A pessoa imoral, os desordeiros e bisbilhoteiros vulgares são cancros sociais, perigosos para todos. Mas podem ser isolados e evitados, minimizando-se assim os perigos de seu contato. Podem também se arrepender e até regenerar-se. Porém, o mais insidioso de todos os males é aquele que se refere ao plano mental de ação em que o ser humano, sob a máscara da perfeita respeitabilidade e muitas vezes sob o disfarce da benevolência, pode dominar a vida do semelhante, dirigir-lhe a vontade e ainda assim continuar parecendo impecável, não raro sendo até considerado por suas vítimas um amigo e benfeitor.
Deste modo, sem nenhum risco de prisão, ele alcança o seu objetivo, seja este dinheiro ou engrandecimento pessoal.
Sua transgressão é raramente castigada na mesma vida em que a cometeu, mas, nas vidas posteriores, ele encontra uma expiação na forma de idiotice congênita, portanto sem oportunidade para arrepender-se e ser perdoado como acontece quando o arrependimento é acompanhado de regeneração. O crime do hipnotizador é de fato um aspecto daquilo que a Bíblia chama de “pecado contra o Espírito Santo” – a maldade espiritual mais perigosa à sociedade.
O Espírito Santo é o princípio criador da Natureza, e a força sexual criadora no ser humano é a sua expressão direta. A mesma força expressa-se através dos órgãos geradores para gerar um novo Corpo e através do cérebro para manifestar novos pensamentos que depois se cristalizam em “coisas”.
Quando alguém se torna vítima de um hipnotizador, deixa de ser senhor de si próprio e perde a faculdade de pensar por si mesmo, subjugado que fica pelas sugestões do hipnotizador, que na realidade são ordens, já que a vítima não tem outra alternativa senão obedecer.
Por conseguinte, uma vez que o hipnotizador interfere na expressão da faculdade criadora de pensamentos de sua vítima, cuja finalidade é uma expressão direta do Espírito Santo, comete um pecado contra este.
Para esclarecer melhor e reforçar as descrições de condições anormais tais como existem no sonho, transe, hipnotismo, mediunidade, obsessão e insanidade, começaremos com uma explanação das condições do ser humano nos estados normais de vigília e sono, sob o ponto de vista oculto.
O Estado de Vigília
Neste estado, todos os veículos do ser humano acham-se confinados dentro do mesmo espaço. Assim como os ossos, a carne e os vários líquidos do organismo estão confinados dentro da pele, também todos os Corpos do ser humano mantêm-se juntos dentro de uma espécie de nuvem ovalada, que envolve totalmente o Corpo visível desde acima da cabeça até abaixo dos pés. Não importa a posição que assuma, o Corpo Denso sempre permanece no centro dessa Aura, do mesmo modo que a gema está sempre no centro do ovo. A Aura envolve o Corpo Denso humano como a clara envolve a gema do ovo. Mas isso não é tudo, porque essa Aura, composta dos veículos sutis do ser humano, não somente envolve o Corpo Denso como compenetra cada partícula deste, de maneira um tanto semelhante ao sangue permeando todo o Corpo Denso.
Vemos assim que tais Corpos estão mais perto de nós do que nossas mãos e pés, e ainda que tão invisíveis quanto nossa respiração, nem por isso são menos reais ou menos necessários. Durante a vida, o ser humano normalmente não pode separar-se deles e, a não ser que estejam todos juntos, ele não pode se mover nem agir conforme faz na vida diária.
Durante o estado de vigília, há uma constante guerra entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos. Os apelos e impulsos do segundo instigam constantemente o Corpo Denso, impelindo-o à ação para gratificar esses desejos apesar dos danos que podem resultar ao último. É o Corpo de Desejos que incita o bebedor a saturar seu organismo com bebidas alcoólicas, a fim de que a combustão química do espírito do álcool eleve as vibrações do Corpo Denso a tal ponto que este se torne dócil instrumento a qualquer impulso baixo, no que desperdiça grandes parcelas de suas reservas de energia.
O Corpo Vital, pelo contrário, não tem outro interesse senão o de preservar o veículo denso. Por meio do baço, ele especializa energia solar incolor que permeia o espaço e, mediante estranho processo químico, transforma-a em eflúvio vital solar de formosa cor rosa-pálido, espalhando-a a seguir por todo o sistema, em cada nervo e fibra do organismo. O Corpo Vital cuida sempre de economizar a energia que armazena no Corpo Denso. E trabalha constantemente na reconstrução dos tecidos danificados ou destruídos pelas poderosas investidas do dominador Corpo de Desejos.
O eflúvio vital solar tem função idêntica à da eletricidade num sistema telegráfico, pois mesmo que este sistema seja constituído de fios que ligam entre si diversas estações com telegrafistas operantes, seria, no entanto, totalmente ineficaz se não houvesse a corrente elétrica circulante que transportasse as mensagens. Assim também acontece com o Corpo Denso: só é útil quando o eflúvio vital solar lhe percorre os nervos. Quando isso cessa – no todo ou em parte – dizemos que o Corpo está de certo modo imprestável. Notamos esse efeito, mas não vemos sua causa no Mundo material.
Temos em nosso Corpo dois sistemas nervosos: o voluntário e o involuntário. O primeiro é dirigido diretamente pelo Corpo de Desejos e comanda os movimentos do Corpo Denso; tende a obstruir e destruir e é refreado pela Mente apenas em parte. O sistema nervoso involuntário tem seu vantajoso e particular terreno no Corpo Vital e governa os órgãos digestivos e respiratórios que reconstroem e restauram o Corpo Denso.
Essa guerra entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos é o que produz a consciência no Mundo Físico. Mas, se a Mente não atuasse como um freio sobre o Corpo de Desejos, nossas horas de vigília seriam muito mais curtas, e bem mais curtas também nossas vidas, porque o Corpo Vital e sua benéfica atuação logo seriam vencidos pelo desenfreado Corpo de Desejos, como mostra a exaustão que se segue a uma explosão de ira. A ira é um estado em que o ser humano, “perdendo o controle”, permite ao Corpo de Desejos dominar livremente.
Apesar de todos os seus esforços, o Corpo Vital gradualmente vai perdendo terreno à medida que o dia passa. Os venenos resultantes dos tecidos destruídos acumulam-se e impedem o fluxo de eflúvio vital solar. Então, os movimentos tornam-se cada vez mais lentos e, em consequência, o Corpo visível mostra sinais de exaustão. Por fim, o Corpo Vital entra, por assim dizer, em colapso; o eflúvio vital solar cessa de circular pelos nervos em quantidade suficiente para manter o equilíbrio do Corpo Denso. Aí, este se torna inconsciente e, portanto, impróprio ao uso do Espírito. Isto é o sono.
Muitos pensam que o sono é um estado passivo ou negativo. Nada mais incorreto. Se assim fosse, o Corpo físico (o Corpo Denso) despertaria tão cansado quanto estava quando adormeceu. Ou melhor, nunca mais despertaria, pois foi sua incapacidade para receber eflúvio vital solar (por estar obstruído com toxinas deteriorantes) que o levaram a dormir. E se o único efeito desse estado fosse uma negativa cessação de desgaste de energia, as condições permaneceriam em status quo, e o Corpo continuaria dormindo. Às vezes, acontecem casos que chegam a durar semanas e até meses. Aos que assim dormem, diz-se que estão em “transe”. Para que tal estado seja mantido por algum tempo sem que resulte em morte, o Corpo Vital não deve suspender inteiramente suas funções: precisa, até certo ponto, efetuar a digestão.
O que faz então do sono um estado restaurador? No próprio termo “restaurador” está implícita uma atividade. Se um prédio vai ser restaurado, é necessário que seus moradores o desocupem, cessando já aí o desgaste pelo uso. Mas não é o bastante. Os operários precisam reparar os danos consequentes do uso do edifício. Somente quando este trabalho tenha sido feito, estará a restauração completa e o prédio pronto para ser reocupado por seus moradores.
O mesmo ocorre com o templo do Ego – nosso Corpo Denso – quando fica exausto. Nessas ocasiões, é preciso que o Ego, a Mente e o Corpo de Desejos se retirem, deixando o Corpo Vital totalmente à vontade para que possa Restaurar o tom do Corpo Denso. Assim, quando o Corpo Denso adormece, há uma separação. O Ego e a Mente, revestidos pelo Corpo de Desejos, retiram-se dos dois Corpos que interpenetravam – o vital e o denso – permanecendo estes na cama enquanto os veículos superiores flutuam próximo e sobre o Corpo adormecido.
Inicia-se aí o processo de restauração. Em qualquer combate no Mundo Físico, os ferimentos nunca acontecem só a uma das partes contendoras. O vencedor também sempre recebe algumas lesões. Quanto mais feroz a luta e quanto mais valentes os lutadores, mais ferimentos de ambos os lados. A mesma coisa se dá com os Corpos vital e de desejos em seu combate: o Corpo de Desejos ganha todas as vezes, muito embora suas vitórias sejam sempre derrotas, já que ele é forçado a abandonar o campo de batalha e o prêmio, o Corpo Denso, nas mãos do vencido Corpo Vital, retirando-se a seguir para Restaurar sua própria harmonia desfeita.
Quando se retira do Corpo adormecido, o Corpo de Desejos penetra num oceano de força e harmonia chamado Mundo do Desejo. Ali, o Ego revive os acontecimentos do dia, mas na ordem inversa, isto é, dos efeitos para as causas, deslindando o emaranhado do dia e formando imagens verdadeiras que substituem as falsas impressões devido às limitações da vida no Corpo físico. E, como as harmonias do Mundo do Desejo compenetram o Corpo de Desejos, e a Sabedoria e a Verdade substituem o erro, este recobra seu ritmo e tom. O tempo necessário para tal restauração varia, dependendo de quão ilusória, impulsiva e extenuante tenha sido a vida nesse dia.
Então, e só então, inicia-se o trabalho de restauração dos veículos deixados no leito. O Corpo de Desejos restaurado começa a reanimar o Corpo Vital, inundando-o de energia rítmica. Este, por seu turno, começa a trabalhar sobre o Corpo Denso, eliminando os produtos do desgaste, principalmente através do sistema nervoso simpático. Como resultado, o Corpo Denso fica restaurado e outra vez repleto de vida. É quando o Corpo de Desejos, a Mente e o Ego reentram nele pela manhã, fazendo-o despertar.
Sonhos
Acontece, porém, às vezes, que nos absorvemos e nos interessamos tanto pelos assuntos mundanos que, mesmo após o Corpo Vital ter entrado em colapso e tornado o Corpo Denso inconsciente, não podemos fazer nossa Mente deixá-lo para iniciar o trabalho de restauração. O Corpo de Desejos adere como se fosse sombria mortalha, é talvez retirado parcialmente pelo Ego e começa a ruminar os acontecimentos do dia naquela posição.
É evidente que tal condição é anormal. Primeiramente, porque a relação apropriada entre os diferentes veículos é rompida pelo colapso do Corpo Vital. Depois, porque a posição relativa dos veículos superiores se desconectou parcialmente os centros dos sentidos do último, e o resultado inevitável são aqueles sonhos confusos em que os sons e visões do Mundo do Desejo confundem-se com os acontecimentos da vida diária de modo mais absurdo e grotesco.
Às vezes, quando algum acontecimento do dia agitou sobremaneira o Corpo de Desejos, e este já se desligou dos veículos inferiores para se entregar à atividade restauradora, através da retrospecção, pode acontecer que um penoso incidente daquele dia surja, e o Corpo de Desejos veja a solução. Então, ele volta repentinamente ao Corpo Denso a fim de imprimir as ideias no cérebro, levando, portanto, o veículo denso a acordar bruscamente. Em raros casos, porém, ele é capaz de recordar a solução que parecia tão clara no Mundo do Desejo, e, ainda que consiga imprimi-la no cérebro, geralmente ela é esquecida ao amanhecer.
Sabendo disso, muitas pessoas, ao se recolherem, deixam papel, lápis e luz ao alcance da mão. E por tal precaução, são frequentemente recompensadas ao se encontrarem pela manhã com a solução de seus problemas sem nem mesmo precisarem rever seus escritos. É uma boa ideia a ser seguida.
Sob tais condições, em que a separação dos veículos não é completa, fica evidente que a perda de energia prossegue e que a restauração é impedida. O Corpo Denso revolve-se sobre o leito em casos extremos e, em consequência, levanta-se pela manhã com uma certa sensação de cansaço depois de um sono repleto de sonhos e pouco reparador devido à separação imperfeita dos veículos.
Mas nem todos os sonhos são confusos. Aqueles, por exemplo, que nos apontam soluções lógicas a certos problemas, ou aqueles premonitórios que nos advertem de um perigo iminente, muitas vezes nos possibilitam evitar ou prevenir um desastre. Tais sonhos ocorrem geralmente um pouco antes do despertar e, também, só quando tenha havido uma completa separação dos veículos, pois só nesta última condição é possível haver lógica no sonho, ou melhor, é possível ao Ego perceber no Mundo do Desejo o desastre iminente e transmiti-lo com clareza ao cérebro. Para que tais sonhos prossigam na noite seguinte, ajuda muito ir deitar-se com este último pensamento: “Quero saber isto e vou me recordar de tudo ao amanhecer”. Se for este o último pensamento antes de dormir, as respostas virão e serão lembradas ao despertar.
Ocupar o tempo citando exemplos para provar o valor dos sonhos seria desperdiçá-lo numa conferência. A imprensa diária frequentemente cita casos de escapadas providenciais atribuídas a avisos por sonhos. Os arquivos da Sociedade de Pesquisas Psíquicas podem fornecer abundantes evidências a quem queira sem maiores dificuldades.
É característica dos Corpos invisíveis do ser humano só atuarem sob os ditames da Vontade. Cada impulso para agir que venha de dentro origina-se na vontade do próprio indivíduo, ao passo que o incentivo à ação proveniente de fontes externas, geralmente chamado de “circunstâncias”, origina-se na vontade alheia. A diferença entre o ser humano de forte caráter, seja bom ou mau, e o ser humano fraco reside no fato de que o primeiro é impelido por sua própria vontade, agindo por si mesmo, o que, a despeito das circunstâncias eventuais, capacita-o a dirigir sua vida conforme decida.
Por outro lado, o fraco, o carente de vontade, é apenas um desamparado joguete das circunstâncias, dominado pela vontade dos outros, um náufrago desgarrado no mar da vida.
Controlar outras pessoas pelo poder da vontade é um assalto mental, ato mais condenável até que um assalto físico. A essa agressão mental chamamos “hipnotismo”. Um ser humano robusto pode, com um tapinha amigável, induzir outro a satisfazê-lo, ou pode espancá-lo até torná-lo inconsciente. O vendedor hipnotizador também aplica a exata força para induzir o cliente a comprar algo que ele não quer ou não pode comprar, e ilude-se a si próprio denominando isso de negócio legal.
Por mais nociva e difundida que seja essa prática, seus efeitos posteriores, no entanto, nem se aproximam daqueles resultantes da prática de submeter-se “pacientes” ao sono hipnótico. A enormidade desse crime só é mais bem apreciada quando se podem ver os efeitos sobre os Corpos invisíveis da vítima.
Nenhuma pessoa de forte vontade pode ser dominada por um hipnotizador a ponto de ser posta a dormir, e ninguém que mantenha uma atitude mental positiva pode ser subjugado. Daí que ele, de início, solicite à vítima confiante conservar-se perfeitamente negativa e desejosa de ser posta a dormir. Os passes do hipnotizador são então endereçados à cabeça, atingindo a cabeça do Corpo Vital e deslocando-a da física. A esta altura, a cabeça etérea “cai” como uma grossa dobra em volta do pescoço do paciente, semelhante a uma gola de um suéter.
Desta maneira, a ligação que existe entre o Ego e o Corpo Denso é cortada, como no sono, e os veículos superiores se retiram. Mas a condição agora é diferente daquela do estado de sono. A cabeça do Corpo Vital não se encontra no devido lugar envolvendo e compenetrando a cabeça física. Esta agora é compenetrada pelo éter do Corpo Vital do hipnotizador que, deste modo, consegue o domínio sobre a vítima.
Se conhecêssemos um meio de “interceptar a linha”, teríamos a chave da relação entre o hipnotizador e sua vítima, pelo menos até certo ponto. Se alguém dispõe de uma linha telefônica particular entre o próprio lar e seu escritório, e outro alguém faz uma ligação de escuta entre os dois pontos, poderá o segundo interceptar qualquer conversa, como poderá ainda fazer-se passar pelo negociante, emitindo ordens, etc. O hipnotizador faz algo assim. Intercepta a linha de comunicação entre o Ego e o Corpo da sua vítima pela interposição de parte de si mesmo na linha. Assim, ele pode forçar o Ego a sair para os Mundos invisíveis e obter tanto quanto possível qualquer informação que deseje ou pode obrigar aquele Corpo a práticas fúteis ou até a atos criminosos.
Mas isso ainda não é o pior do hipnotismo. O mais grave perigo para a vítima reside neste fato: uma vez que parte do Corpo Vital do hipnotizador foi introduzida no dela, tal parte não pode ser expulsa dali completamente ao despertar. Sempre uma pequena parcela do Corpo Vital fica aderida ao Corpo da vítima, formando um núcleo através do qual o hipnotizador nela pode ingressar mais vezes e submetê-la mais facilmente daí por diante. Em cada uma dessas ocasiões, esse núcleo sofre um acréscimo de tal modo que, pouco a pouco, a pobre vítima fica totalmente desamparada, sujeita à vontade do seu dominador, independentemente da distância, até que a morte de um dos dois rompa a ligação.
Esse remanescente do Corpo Vital do hipnotizador é também um repositório de ordens a serem executadas no futuro, e que implicam na realização de certos atos em determinado dia e hora. Quando chega esse tempo, o impulso é liberado à semelhança de um despertador. Então, a vítima deve executar a ordem, mesmo que seja um assassinato, sem saber sequer que está sendo influenciada por alguém. O hipnotismo é, portanto, o maior dos crimes sobre a Terra e o maior dos perigos para a sociedade.
Alega-se, às vezes, que o hipnotismo pode ser usado beneficamente para curar o alcoolismo e outros vícios, e isto, sob o ponto de vista material, é prontamente admitido e aceito. Mas, sob o prisma do conhecimento oculto, o argumento está longe de ser verdadeiro. Como todos os outros desejos, a ansiedade por bebidas alcoólicas reside no Corpo de Desejos, sendo dever do Ego dominá-la pela sua própria força de vontade. Eis porque ele se encontra nesta Escola da Experiência chamada vida. E ninguém pode processar esse crescimento moral em seu lugar, do mesmo modo que ninguém pode digerir o alimento que ele ingere. Não se pode burlar a Natureza. Cada um deve resolver seus próprios problemas, corrigir suas próprias falhas por sua própria vontade. Se um hipnotizador dominar o Corpo de Desejos de um bêbado, o Ego desse viciado terá de aprender sua lição numa próxima existência, caso morra antes do hipnotizador. Se, porém, este morrer primeiro, o viciado certamente voltará a beber, pois, em tais casos, a parte do Corpo Vital do hipnotizador que sustava aquele desejo inferior voltará à origem, anulando-se então a cura. Portanto, a única maneira de se dominar permanentemente um vício é pela aplicação da própria vontade.
Com a morte de um hipnotizador, todas as suas vítimas ficam livres e nenhuma outra sugestão posterior poderá influenciá-las.
Mediunidade ou qualquer Pessoa que se submete a ser Controlada, Parcial ou Totalmente por Outra Entidade, Humana ou Elemental
Para que se compreenda a mediunidade, é necessário saber que na morte efetua-se a mesma separação de Corpos como no sono, só que de modo permanente. Os chamados mortos possuem Ego, Mente e Corpo de Desejos, e muitas vezes permanecem conscientes do Mundo exterior que acabam de deixar, ainda por algum tempo. Alguns se apegam à vida terrena e não podem ajustar suas Mentes ao aprendizado de novas lições. A esses chamamos “Espíritos apegados à Terra”. Tais Espíritos, impossibilitados de funcionar no Mundo visível sem um Corpo, aproveitam-se vantajosamente do fato de que nem todos os Espíritos estão confinados com o mesmo rigor à prisão do Corpo Denso. Aqueles que se acham mais fortemente aderidos aos seus Corpos são os materialistas. E aqueles cujos liames não os prendem tão fortemente são os “sensitivos”, capazes, até certo ponto, de responder às vibrações espirituais. As pessoas de caráter positivo, caso se desenvolvam, podem sensibilizar-se por sua própria vontade, tornando-se assim ocultistas exercitados. Os de vontade fraca só se podem desenvolver com a ajuda de outros e de maneira negativa. Estes são presas dos Espíritos apegados à Terra, os quais, denominando-se a si mesmos “Guias espirituais”, desenvolvem suas vítimas como “médiuns de transe”, ou como “médiuns materializantes” se as conexões entre os Corpos denso e vital das vítimas são fracos.
O controle desses Espíritos Apegados à Terra é, sob vários aspectos, idêntico ao dos hipnotizadores, salvo no fato de que os primeiros são invisíveis às suas vítimas e sobre estas exercem maior poder, já que são vistos como “seres superiores”, “anjos” sem maldade, que visam apenas proporcionar a felicidade e ministrar sabedoria de modo abnegado.
Na realidade, não existe nenhum poder transformador na morte. O pecador não se transforma em santo nem o ignorante se converte num Salomão por haver morrido. E é simplesmente chocante para o Clarividente voluntário e treinado desenvolvido ver as imposições desses desclassificados Espíritos sobre as suas ingênuas vítimas, tão inexperientes que não conseguem distinguir o verdadeiro caráter dos impostores, e vão aceitando suas duvidosas frases como sublime sabedoria. É verdade que, apesar de tudo, eles têm ocasionado algum bem provando a realidade da existência post-mortem, mas é certo também que têm prejudicado muito mais os médiuns.
O “modus operandi” do invisível controlador consiste simplesmente em expulsar os veículos superiores dos ditos inferiores do passivo médium (ou qualquer pessoa que se submete a ser controlado, parcial ou totalmente por outra entidade, humana ou elemental), tomar-lhe o lugar e assumir o controle. Quando o abandona, leva consigo uma parcela de seu Corpo Vital para usar posteriormente como uma chave ou alavanca.
Em alguns casos, não satisfeito em tomar emprestado um Corpo, o Espírito chega a roubar algum, mantendo seu dono fora dele permanentemente. Podemos ver o mesmo Corpo, mas com uma alma que tem hábitos e gostos diferentes. Isto é conhecido como obsessão, que pode ser identificada pelo fato de a íris não reagir nem à luz nem à distância pelas suas contrações ou dilatações, porque o olho é a janela da alma e somente seu dono pode controlá-lo verdadeiramente. Em consequência, os olhos dos médiuns sob controle permanecem sempre fechados ou mostram um olhar vidrado.
Existem certos meios de se afastar um Espírito obsessor, devolvendo-se o Corpo ao seu dono, mas isto não pode ser revelado publicamente.
Vimos que, no estado de vigília, os Corpos Denso e Vital estão envolvidos e interpenetrados por uma espécie de nuvem de forma ovalada, constituída pelo Corpo de Desejos e pela Mente. Estes veículos são todos concêntricos e formam os elos de uma cadeia. A interpolação de um com outro, de tal maneira que os centros sensoriais de um coincidam com os centros sensoriais do outro, é o capacita o Ego a dirigir seu complexo organismo e a realizar de modo ordenado os processos vitais que conhecemos como razão, linguagem e ação. Se há um desajuste em qualquer parte, o Ego ver-se-á tolhido correspondentemente em sua expressão. Esse equilíbrio perfeito é saúde; o oposto é doença.
A doença adquire muitas formas. Uma delas apresenta-se como insanidade mental que também se classifica em diferentes tipos. Onde a conexão entre os centros sensoriais do Corpo Denso e do Corpo Vital se dá obliquamente, quando, por vezes, a cabeça do Corpo Vital sobressai da cabeça densa ao invés de situar-se concentricamente a esta, fica o Corpo Vital desentrosado tanto dos veículos superiores quanto do Corpo Denso. Temos então o idiota dócil. Quando o Corpo denso e Corpo Vital acham-se entrosados, mas existe ruptura entre o Corpo Vital e Corpo de Desejos, as condições são semelhantes. Mas, quando o rompimento se dá entre o Corpo de Desejos e a Mente, temos o maníaco desvairado que é mais incontrolável que um animal selvagem, pois este ao menos é governável por seu Espírito-Grupo. Neste caso, todas as tendências animais são seguidas cegamente.
Quando a ruptura ocorre entre o Ego e a Mente, a última encarrega-se dos outros três veículos e aí temos a astúcia consumada que caracteriza certa classe de insanos. Os de tal categoria saberão ocultar muito bem seus maléficos propósitos e ludibriar a todos para poder vingar-se de uma ofensa apenas imaginária ou para realizar algum desejo inferior, até que a vítima caia em seu poder. Então, a natureza brutal do Corpo de Desejos entregar-se-á totalmente a alguma horrenda atrocidade ou poderá a Mente dominar o Corpo de Desejos e exercitar sua diabólica astúcia em lenta tortura, antes que o Corpo de Desejos se liberte, pondo fim aos sofrimentos da vítima, talvez de modo brutal, porém bem mais misericordioso que o prolongamento das torturas.
A lição que nos fica da matéria acima é que devemos sempre manter-nos senhores de nós mesmos e nunca, sob nenhum pretexto, permitirmos que qualquer agente externo nos hipnotize ou controle. O autodomínio é nossa meta e não o domínio sobre os outros.
Pouca gente imagina a possibilidade de uma relação entre a cura e o Perdão dos Pecados. Aliás, quase ninguém sequer cogita dessa realidade que é o Perdão dos Pecados.
Para começar, veja o que S. João relata no seu Evangelho (5:6-9): “Jesus, vendo-o deitado e sabendo que já estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: ‘Queres ficar curado?’. Respondeu-lhe o enfermo: ‘Senhor, não tenho quem me jogue na piscina, quando a água é agitada; ao chegar, outro já desceu antes de mim’. Disse-lhe Jesus: ‘Levanta-te, toma o teu leito e anda!’. Imediatamente o homem ficou curado. Tomou o seu leito e se pôs a andar.”.
Mas, como se define o pecado?
Objetivamente podemos afirmar que é uma ação contrária à lei. Se você pensou que estamos falando da Lei de Moisés, os Dez Mandamentos, pensou corretamente. A Lei, em verdade, é algo muito mais amplo e profundo do que o decálogo recebido por Moisés na montanha. É tão importante que o Cristo asseverou categoricamente que não viera revogá-la, mas cumpri-la. Ele a observou, mas propôs dois mandamentos que a abrangem e transcendem: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a Si mesmo.
Do ponto de vista esotérico, o pecado é uma transgressão a uma Lei da Natureza que é uma Lei de Deus. As Leis da Natureza se harmonizam e mantêm o equilíbrio no Cosmos. Toda vez que alguém as transgrida provoca um desequilíbrio e em consequência uma reação em forma de sofrimento e/ou dor. Portanto, a dor e/ou o sofrimento é uma maneira de aprendermos a lição da harmonia. S. Paulo, em sua Epístola aos Gálatas (6:7), afirmou: “O que o homem semear, isso mesmo ele colherá”.
A luz do ocultismo, se cometemos um erro somos inexoravelmente penalizados? Realmente não. O Perdão dos Pecados é um fato. Entretanto, há pré-requisitos para que ele opere. Um deles é a vontade aliada à iniciativa. Há necessidade de ação que se manifeste através do arrependimento, reforma e restituição.
Primeiro, o arrependimento. S. João Batista não pregou filosofias ou doutrinas. Sua mensagem era o arrependimento dos pecados cometidos. Era um meio de preparar as pessoas para o Cristianismo. Sabia que o Cristo ofereceria a Graça, o Perdão dos Pecados, mas isto depende da transformação da consciência de cada um. Arrependimento é uma mudança da Mente e do Coração em relação ao ato pecaminoso. Porém, o remorso exagerado é nocivo, debilitando as correntes do Corpo de Desejos e afetando as Glândulas Endócrinas. Vemos, então, como tudo depende de um processo interno.
Em segundo, a reforma íntima, pois só o arrependimento não é suficiente para o recebimento da Graça. Quem para no arrependimento fica apenas na intenção. É necessária uma ação efetiva, dinâmica, que se consubstancie na reforma de caráter. Isso ocorre quando transmutamos nossos maus hábitos nas virtudes opostas. Reforma íntima significa restauração, renovação e reconstrução. Envolve discernimento (e só conseguimos fazer isso se praticarmos cotidianamente o Exercício Esotérico Rosacruz de Observação e o seu complemento, o do Discernimento). É uma prova de valor e paciência. Quando nos transformamos internamente tudo se modifica em nossa vida.
Em terceiro, a restituição que é quando prejudicamos alguém devemos promover a restituição, a compensar, de alguma forma, o mal que lhe fizemos. Se não pudemos reparar, pela ausência do prejudicado ou outra razão qualquer, podemos fazê-lo servindo a outra pessoa. Eis porque a tônica da Fraternidade Rosacruz — serviço — tem um cunho libertador. O serviço focado na Divina Essência do irmão ou da irmã, prestado de uma forma amorosa e desinteressada (portanto, o mais anônimo possível) nos envolve na consciência da unidade. Através dele nos sentimos unos com toda a criação, nos tornando incapazes de ferir, ofender ou prejudicar qualquer ser vivo.
Libertamo-nos dos pecados quando em nossa consciência admitimos ter errado e nos propomos a não mais repetir a falta cometida. A evolução é fundamentalmente uma questão de consciência. O desenvolvimento dessa consciência ocorre principalmente através do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Quando estudamos o Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, descobrimos “que talvez esse seja o mais importante Ensinamento Rosacruz”.
O Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção nos oferece uma visão objetiva de nós mesmos. A constância e sinceridade com que é praticado acaba por limpar o nosso Átomo-semente do Corpo Denso das gravações indesejáveis ali impressas ensejando, assim, a evitar o sofrimento purgatorial. Se praticamos com fidelidade Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, partindo decididamente para: o arrependimento, a reforma e a restituição, demonstraremos ter aprendido as lições nesse renascimento aqui, não necessitando fazê-lo futuramente. Isto é o Perdão dos Pecados!
O ensinamento alusivo ao Carma, ensinado pelas escolas orientais, não satisfaz plenamente as necessidades humanas de quem escolheu nascer no ocidente! Os princípios Cristãos abrangem tanto a Lei de Causa e Efeito como o Perdão dos Pecados e satisfaz plenamente todas as necessidades que precisamos.
Esse ato volitivo começa com o Corpo Vital. Na Oração do Senhor (o Pai-Nosso) encontramos uma oração exclusiva para o Corpo Vital: “Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Através da repetição se forma a Alma Intelectual, importante no processo de criação de bons hábitos.
Um bom hábito é não reagir emocionalmente diante de uma situação ou circunstância desequilibrante ou de uma provocação. Se não reagirmos emocionalmente não estaremos implicados na questão e em suas consequências, além do que tudo isso diz respeito à nossa saúde. O pecado ou transgressão afeta a saúde.
Cristo deixou bem claro que o que quer que aconteça no exterior tem sua origem no padrão existente na Mente da pessoa. Se analisarmos todas as Curas efetuadas por Cristo verificaremos que três são as condições para que se realizem: 1) Não pecar mais; 2) Ter bom ânimo; 3) Ter fé. Portanto, tudo depende do estado de consciência de cada um, principalmente o Perdão dos Pecados e a saúde física, mental e emocional.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – janeiro/fevereiro/1988-Fraternidae Rosacruz-SP)
“Há alguns anos, uma senhora idosa, velha conhecida da autora, passou para o Reino dos Céus. Tinha alcançado uma idade avançada e sua vida havia sido pura e altruísta; por causa de um corpo frágil, tinha passado muitos anos sentada tranquilamente em meditação.
Quando veio a falecer poderia ser comparada a um fruto muito maduro, que não pode mais manter-se preso à árvore; portanto, o rompimento do Cordão Prateado, que comumente leva três dias e meio, no seu caso, levou menos de três horas.
Durante sua última doença e no seu delírio, ela pedia uma bengala que tinha pertencido a seu marido, o qual já havia passado a uma vida mais elevada vinte anos antes; ela habituou-se a usar essa bengala, desde então. Morreu com a bengala, segurando-a firmemente com ambas as mãos e os parentes ficaram relutantes em separá-la de algo que tanto tinha amado em vida, de tal modo que a bengala foi cremada com seu corpo. Pouco tempo após seu desaparecimento, ela voltou para uma visita a autora; vê-la, foi, na verdade, uma visão magnífica.
Seu Corpo de Desejos consistia somente dos braços, mãos e a cabeça e ela segurava a bengala (que tinha o aspecto tão natural como qualquer bengala de madeira poderia ter) com ambas as mãos. Ela parecia uma leve pena branca tentando levantar voo, porém, presa por uma pedra. Era tão etérea que, se não fosse pela bengala que segurava firme com as duas mãos e que era como um peso a retê-la, teria passado pelo Purgatório no Mundo do Desejo em poucos dias.
Quando pedimos a ela que largasse a bengala, segurou-a com força, dizendo: “Não, eu preciso ficar mais um pouco”. A tristeza de uma de suas filhas mantinha-a presa à Terra.
Ela queria muito consolar a filha, mas depois de cerca de seis semanas tornou-se impossível para ela continuar.
A bengala etérica foi vista depois na sua casa, em seu lugar favorito, quebrada em três pedaços, onde ela a havia deixado antes de passar para os planos superiores”.
(Livreto Apegados à Terra – de Augusta Foss Heindel – Traduzido pelos Irmãos e pelas Irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
Quando nós, o Ego, entramos pela primeira vez na posse de nossos veículos, na Época Lemúrica, não possuíamos cérebro, nem laringe. Para suprir essa deficiência, metade da força sexual criadora, anteriormente empregada na propagação, foi dirigida para cima, a fim de construirmos aqueles órgãos. Pelo primeiro, se poderiam produzir a manifestação do pensamento e da razão aqui e, pelo segundo, comunicar aos outros tal pensamento. Desse modo, vemos que o pensamento é criador, por derivar da força sexual criadora.
Igualmente, é criadora a voz, isto é, a palavra falada, pela mesma razão, tem o poder de criar, porque tem sua origem na força sexual criadora. Daí deduzimos que, ao conservarmos a força sexual criadora teremos maior quantidade de poder aproveitável no processo de raciocínio e, do mesmo modo, nossas Mentes serão muito mais poderosas do que as das pessoas que malbaratam a força sexual criadora. Essa força, não obstante, deve ser empregada em trabalho construtivo, mental ou físico, ou transmutada ao serviço amoroso e desinteressado aos outros. De outro modo causaria perturbação. Se permanecer meramente recalcada, produzirá, com o tempo, desordens e padecimentos mentais, emocionais e nervosos.
O ato de pensar é um processo muito complicado. Envolve, não somente o emprego do cérebro físico, mas, também, o do cérebro etérico, o Corpo de Desejos e a Mente. O processo é o seguinte: como Egos, funcionamos diretamente na Região do Pensamento Abstrato, dentro das nossas auras. Daqui, observamos as impressões lançadas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital, por meio da cadeia de veículos e suas faculdades, chamados os cinco sentidos físicos.
Essas impressões, junto com os sentimentos, desejos e emoções por elas gerados no Corpo de Desejos, são imaginadas na Mente. Dessas imagens mentais, formamos nossas conclusões acerca das coisas observadas. Tais conclusões são as Ideias.
Pelo poder da vontade, nós, como Egos, projetamos uma ideia através da Mente. Aí, toma forma concreta, como pensamento-forma, ao atrair ao seu redor matéria mental da Região do Pensamento Concreto. O pensamento é o poder que usamos para fazer imagens e pensamentos-formas, de acordo com as ideias interiores. O pensamento-forma, em geral, envolve-se em matéria de desejo, obtida do Corpo de Desejos, recebendo um influxo de vida. Este pensamento-forma composto fica, então, capaz de agir sobre o cérebro etérico, impulsionando a força vital através dos centros cerebrais e dos nervos, levando-a até aos músculos voluntários, para gerar a ação. Por conseguinte, o pensamento é a mola real de toda a atividade humana.
Os efeitos do temor e de inquietação sobre o Corpo de Desejos são muito prejudiciais para nosso desenvolvimento anímico. Na inquietação, as correntes de desejo não se desenvolvem em grandes linhas curvas, tal como se realiza em condições normais, mas enchem o Corpo de Desejos de redemoinhos, e só redemoinhos, em casos extremos. Esta última condição impede a pessoa de tomar uma resolução que poderia corrigir a causa de seu temor e de sua inquietude. Tal estado pode se comparar ao da água a ponto de congelar-se, sob a ação de uma temperatura muito baixa. O temor, que se expressa em ceticismo, cinismo e pessimismo, pode comparar-se à água, quando congelada, porque os Corpo de Desejos das pessoas, que habitualmente abrigam esses pensamentos, estão imóveis e nada pode alguém fazer, ou dizer, que possa alterar essa condição.
Cada vez que alguém abriga um desses pensamentos, ajuda a congelar as correntes do Corpo de Desejos e a formar uma armadura azul-acinzentada, em que se encerra, privando-se, muitas vezes, do amor e da simpatia de todo mundo.
Daí, vem a necessidade de nos esforçarmos para sermos alegres e otimistas, mesmo em circunstâncias adversas, sob pena de criarmos severas condições no futuro.
A Mente Subconsciente é fator muito importante no nosso desenvolvimento. Em cada respiração, o ar que inspiramos leva consigo um exato e detalhado quadro do que nos rodeia. O mais ligeiro sentimento, ou emoção, é transmitido aos pulmões, donde passa ao sangue. O sangue é o mais elevado produto do Corpo Vital. Os quadros nele contidos imprimem-se nos átomos negativos do Corpo Vital, para servirem como árbitros do nosso destino, no estado post-mortem. Quando uma pessoa cria um pensamento-forma, de natureza construtiva ou destrutiva, e projeta-o no mundo, efetua o seu trabalho, de acordo com a sua natureza, ou, então, gasta inutilmente sua energia em vã tentativa. Em qualquer dos casos, retorna ao seu criador, trazendo consigo a indelével recordação da viagem. Seu êxito, ou fracasso, imprime-se nos átomos do Éter Refletor e forma parte do arquivo da vida e ação do pensador, arquivo que, por vezes, chamamos Mente Subconsciente.
O pensamento destrói tecidos no Corpo Denso. É bem sabido, pela Ciência, que os pensamentos negativos, destrutivos, tais como medo, angústia, sexualidade e sensualidade, destroem o poder de resistência do Corpo Denso, expondo-o a doenças e enfermidades. Uma pessoa de natureza boa e jovial, ou devotadamente religiosa, que tem fé e confia na providência divina, não cria, com frequência, pensamentos negativos. Como resultado, possui uma vitalidade maior e melhor saúde do que as sujeitas à inquietude. Por meio de pensamentos de amor, benevolência e bondade, despertando qualidades semelhantes nos outros, atraímos pessoas que possuem as ditas qualidades.
Esse sutil e potente poder do pensamento pode ser empregado, também, para curar as doenças e enfermidades. Por outra parte, por meio do pensamento abstrato, estamos capacitados a nos elevar do Mundo material e a entrar em contato com Deus.
Se emitimos pensamentos de otimismo, de bondade, de benevolência, de utilidade e de serviço, esses pensamentos, gradualmente, colorirão a nossa atmosfera, de tal modo que chegará a expressar fielmente essas qualidades e virtudes. E, como nossos Corpos são constituídos por nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), eles se tornam a expressão da nossa atitude mental.
Nossos pensamentos reagem sobre o nosso Corpo Denso e sobre o nosso meio ambiente, trazendo-nos saúde e bem-estar material.
Isso ilustra o poder criador do pensamento. É um meio de provar a verdade proferida por Cristo: “Se procuramos o Reino de Deus e sua justiça, todas as demais coisas serão acrescentadas” (Mt 6:33).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1975-Fraternidade Rosacruz-SP)