Arquivo de tag Bíblia

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: No Apocalipse, S. João diz: “Não haverá mais mar”. O que isso significa?

Resposta: Significa exatamente o que é dito, pois a Terra está passando por inúmeros estágios evolutivos que proporcionam as condições necessárias para o nosso desenvolvimento. Houve a era de escuridão, durante a qual o material do nosso Planeta se aglutinou em um estado de fermentação e germinação que gerava calor; assim, em certo momento, quando foi proferido o decreto criador: “Faça-se a luz”, essa matéria se transformou em uma nebulosa ígnea e luminosa, girando em torno do seu eixo e aquecendo a atmosfera circundante, a qual, por sua vez, era resfriava pelo contato com o espaço exterior. Desse modo, foi gerada a umidade, que precipitou sobre o Planeta incandescente, fazendo com que se desprendesse um vapor – uma neblina ígnea.

Durante éons, esse processo de evaporação e condensação continuou até que a Terra formou uma crosta sólida e se tornou o que conhecemos como terra firme, de onde subia uma névoa – fato também mencionado na Bíblia. Esse vapor se resfriou e se condensou, precipitando sobre a Terra como um dilúvio que, por fim, limpou a atmosfera e estabeleceu as condições atmosféricas prevalecentes até hoje. No passado, possuíamos Corpos adaptados para viver nos variados ambientes da Terra e, atualmente, nossos veículos físicos são compostos em grande parte por água, assim como são os Corpos Densos dos animais e das plantas. No entanto, a Bíblia diz que “a carne e o sangue” não podem herdar o Reino de Deus. Somos informados que deixaremos o Corpo Denso e seremos arrebatados nos ares; além disso, como você mencionou: “não haverá mais mar“. Assim, as condições gerais nos sãos apresentadas, e há muitos indícios de que, embora essas mudanças estejam ocorrendo lentamente, elas certamente virão. Os cientistas começam agora a reconhecer o fato de que a Terra está perdendo umidade. Lemos num artigo publicado na revista “Literary Digest”: “Muitas autoridades reconhecem o fato de que a Terra está perdendo lentamente sua umidade. Segundo C. F. von Hermann[1], em artigo publicado na Revista Science (New York), a maneira como isso ocorre é parcialmente explicada pela ação de descargas elétricas que decompõe o vapor. Um dos gases componentes, o hidrogênio, é muito leve e sobe até as camadas superiores da atmosfera terrestre, de onde acaba sendo expelido. A longo prazo, essa perda de hidrogênio resulta em perda de água. A decomposição da umidade terrestre, com sua consequente perda definitiva, também é provocada por outros agentes, notadamente o efeito dos raios luminosos da faixa superior do espectro. Von Hermann cita o Dr. Karl Stoeckel, autor que escreveu para a publicação na Revista Umschau, afirmando: ‘Acredita-se que os raios ultravioleta da luz solar, ao incidirem sobre o vapor d’água suspenso nas camadas inferiores da atmosfera terrestre, decompõem uma pequena parte dele, produzindo hidrogênio, que ascende a grandes altitudes’.”

Sobre isso, o Sr. von Hermann comenta o seguinte: “Creio que não se havia apontado antes que a superfície da Terra deve estar perdendo hidrogênio continuamente devido à decomposição do vapor de água causada por cada descarga de raio. Pickering e outros identificaram as linhas de hidrogênio no espectro dos raios, e as principais obras de meteorologia mencionam o fato de que as descargas elétricas decompõem certa quantidade de água… O hidrogênio formado por cada raio sobe rapidamente para a alta atmosfera e perde-se para o espaço. Considerando a frequência de tempestades durante o verão em ambos os hemisférios — e a ocorrência constante delas nas regiões equatoriais —, essa perda de hidrogênio não pode ser considerada insignificante. Enquanto as condições na Terra permitirem a ocorrência de tempestades, o lento processo de dessecação do planeta deverá continuar.”

Assim, os ensinamentos da Bíblia são confirmados em todos os pontos essenciais à medida que a ciência avança. Os fatos descobertos demonstram a precisão com que o passado e o presente foram descritos. Isso nos dá motivos para crer que os acontecimentos futuros também estarão em harmonia com as verdades ensinadas na Bíblia.

(Pergunta nº 80 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: “Is the Earth Drying Up?” (A Terra está secando?) — Este segmento de divulgação científica resumiu explicitamente o artigo de von Hermann publicado na *Science* para explicar como o gás hidrogênio escapa para as camadas superiores da atmosfera. (November 22, 1913 – Volume: Vol. 47, No. 21) – Charles F. von Herrmann (c. 1897-1905): inicialmente meteorologista na Estação Experimental Agrícola estadual, von Herrmann tornou-se diretor do Serviço de Clima e Culturas do *Weather Bureau* (Serviço Meteorológico) na Carolina do Norte, compilando registros de observação e resumos mensais de toda a região do Atlântico Sul.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Relação entre a Água e as Emoções

Há passagens na Bíblia, especialmente nos Evangelhos, em que se observarmos mais atentamente veremos algo muito mais transcendente do que Cristo Jesus produzindo uma de suas maravilhas.

Aqui seguem dois exemplos bem contundentes:

No Evangelho Segundo S. Mateus 8:23-27 estudemos o seguinte trecho:

“Então, entrando Ele no barco seus Discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto Cristo Jesus dormia. Mas os Discípulos vieram acordá-Lo clamando: ‘Salva-nos, pereceremos’. Acudiu-lhes então Cristo Jesus: ‘Por que sois tímidos, homens de pequena fé?’. E levantando-se repreendeu os ventos e o mar e fez-se grande bonança. E maravilharam-se os homens dizendo: ‘Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?’”

E no mesmo Evangelho (14:22-33), estudemos esse trecho:

“Logo a seguir compeliu Jesus os Discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto Ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde lá estava Ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os Discípulos ao verem-no andando por sobre as águas ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma. E tomados de medo gritaram, mas Cristo Jesus imediatamente lhes falou: ‘Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais’. Respondendo-lhe Pedro disse: ‘Se és tu Senhor, manda-me ir ter contigo por sobre as águas’. E Ele disse: ‘Vem’. E Pedro descendo do barco andou sobre as águas e foi ter com Cristo Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo e começando a submergir, gritou: ‘Salva-me Senhor’. E, prontamente Cristo Jesus estendendo a mão tomou-o e lhe disse: ‘Homem de pequena fé, porque duvidastes?’. Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram dizendo: ‘Verdadeiramente és Filho de Deus’”.

Aqui Cristo Jesus não estava literalmente dominando os elementos próprios do Mundo Físico, tais como a tempestade, os ventos e as ondas fortíssimas. Na realidade, estas passagens do Novo Testamento relatam experiências ocorridas em outra dimensão. Na literatura Rosacruz a água simboliza as emoções e o Mundo do Desejo.

À natureza da água lembra muito o Mundo do Desejo, cuja substância se encontra em constante movimento. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que a permanência no Mundo do Desejo requer muito equilíbrio e discernimento do Estudante Rosacruz. Quando faltam essas qualidades ocorre justamente o pânico que sobressaltou S. Pedro no capítulo 14, nos versículos 22-33 do Evangelho acima.

S. Pedro deixou o barco (simbolizando o Corpo Denso) e se aventurou-se no Mundo do Desejo, logicamente, utilizando seu Corpo de Desejos. Porém, ainda não conseguia se manter-se equilibrado e com o nível de discernimento necessário para lá permanecer sereno, tendo assim que receber a ajuda de Cristo. “Caminhar sobre as águas” é dominar os elementos do Mundo do Desejo.

Pois, também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a lei que rege a matéria da Região Química do Mundo Físico é a inércia, a tendência a permanecer em status quo. É necessária certa soma de energia para vencer essa inércia, para fazer com que um material qualquer, por exemplo um corpo, em repouso se mova ou para deter um que esteja em movimento. Tal coisa não acontece com a matéria componente do Mundo do Desejo. Em si própria é quase vivente, está em movimento incessante, fluídico. Pode tomar formas inimagináveis com inconcebível facilidade e rapidez brilhando ao mesmo tempo com milhares de cores coruscantes sem termos de comparação com qualquer coisa que conhecemos neste estado físico de consciência. Desta ligeira descrição pode-se deduzir quão difícil será para o neófito que acaba de abrir os olhos internos, encontrar o equilíbrio no Mundo do Desejo. É um manancial de toda espécie de perturbações e perplexidades.

Outro importante ensinamento que aprendemos na Filosofia Rosacruz é que a característica principal dos Globos lunares, quando vivíamos no Período Lunar, pode ser descrita como ‘umidade’. Os Cientistas ocultistas chamam “água” aos Globos do Período Lunar e descrevem sua atmosfera como se fosse névoa ígnea.

Também aprendemos que cada dia da semana corresponde a um dos Períodos e é regido por um Astro em particular. À segunda-feira corresponde ao Período Lunar e é regida pela Lua que exerce decisiva influência sobre as águas, os fluídos, as marés e afins.

Por outro lado, o domínio das emoções representa uma transição de um estado de consciência para outro. Por exemplo, os israelitas para entrar na Terra Prometida, primeiro tiveram de atravessar o Mar Vermelho e depois o Rio Jordão.

Cruzar as águas é uma vitória sobre as emoções, sobre si próprio. Se você supera alguma dificuldade, “você cruzou o Jordão”.

Outro exemplo nesse sentido é a Arca de Noé que, esotericamente interpretada, representa um estado de consciência mais elevado, uma vitória sobre a comoção e insegurança causadas por grandes transformações. O dilúvio é uma alegoria do desaparecimento da Atlântida. Os sobreviventes simbolizam um tipo superior de Humanidade, capaz de responder positivamente às necessidades evolutivas da Época Ária.

Aprendemos que as Épocas contêm em si mesmas espirais evolutivas menores, que são as Eras. As Eras são algumas dessas espirais. O ser humano da Era de Peixes é emotivo por excelência. Eis porque esta Era está intimamente ligada ao elemento Água: o batismo com água nas Igrejas cristãs, a água benta, a emotividade que envolve a devoção.

Na próxima Era — que é a Era de Aquário — essas características serão modificadas. O ser humano aquariano será mais racional. A atmosfera mais seca e elétrica que predominará ensejará o fortalecimento da atividade intelectual. A representação astrológica de Aquário consiste em “um homem”, o aguador, despejando a água do seu cântaro.

Num futuro mais distante ainda, às emoções serão totalmente sublimadas e amalgamadas à constituição espiritual do ser humano. Isso foi anunciado no Capítulo 21 do Livro do Apocalipse: “Vi novo Céu e nova Terra, pois o primeiro Céu e a primeira Terra passaram e o mar já não existe”. Temos, portanto, uma árdua tarefa pela frente!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/abril – 1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Existe algum lugar, seja no Antigo ou no Novo Testamento da Bíblia, onde se tenha dito aos seres humanos, para se casarem e depois viverem como irmão e irmã, em qualquer momento ou sob qualquer condição? E, se isto não está na Bíblia, por que vocês ensinam isso?

Resposta: Os Semitas Originais constituíam a quinta das Raças Atlantes. Eles emergiram da Atlântida submersa, conforme narrado de diversas formas nas histórias de Noé e Moisés. Destinaram-se a uma Terra Prometida – não a pequena e insignificante Palestina, mas a Terra inteira, como está constituída atualmente. Essa Terra lhes foi prometida porque o Planeta passava pelas transformações habituais quando uma nova Raça está prestes a assumir o seu domínio. Dilúvios haviam destruído a civilização atlante e, nas vastidões de Gobi, na Ásia Central, vagava o núcleo das atuais Raças arianas (da Época Ária).

Na época em que tal núcleo estava destinado a se tornar uma Raça que povoaria o mundo, a procriação dos filhos era, naturalmente, uma consideração primordial. Por isso, via-se como dever de todos gerar um grande número de filhos e ser extremamente fecundos. Mas, não estamos vivendo mais nesses tempos; o mundo está bem povoado, e os Egos que reencarnam aqui são atendidos sem a necessidade de esforços especiais de procriação. Nunca defendemos o celibato geral, nem que as pessoas devessem se casar e depois viver como irmãos; mas ensinamos que as pessoas casadas devem, de acordo com as circunstâncias, ajudar a perpetuar a Raça humana. Isto é, se marido e esposa estiverem fisicamente, moral e mentalmente aptos, e se possuírem um lar onde um Ego em processo de renascimento aqui possa obter a oportunidade de renascer e adquirir experiência, eles devem se oferecer como um sacrifício vivo no altar da Humanidade e doar a substância de seus Corpos para fornecer um veículo a esse Ego, convidando-o para o lar deles, como convidariam um hóspede querido, gratos por poderem fazer por ele o que outros lhes fizeram. Contudo, uma vez realizado o ato de concepção, devem se abster de novas relações sexuais, até que se sintam novamente aptos a gerar o corpo para outra criança. Esse é o ensinamento dos Rosacruzes sobre a relação ideal entre marido e esposa. Eles sustentam que a função sexual criadora não deve ser utilizada para fins sensuais, mas sim para a perpetuação da Raça humana, para a qual foi naturalmente destinada. Essa é uma condição ideal e pode estar além do alcance da maioria das pessoas no momento atual – tal como a recomendação de amar os nossos inimigos –, mas, se não tivermos ideais elevados, não faremos progresso algum.

(Pergunta nº 21 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Exatidão Científica da Bíblia

Se há um Deus eterno e onipotente, é razoável nos esforçar por descobrir se Ele tem se comunicado conosco. Certos livros pretendem ser escritos inspirados. Mas entre eles, e ultrapassando a todos na grandeza de sua revelação e na sublime elevação de sua moral, está a Bíblia. Ousadamente S. Paulo, o grande apóstolo, fornece o testemunho: “Toda a Escritura é divinamente inspirada.” (IITm 3:16), e a Bíblia deve permanecer ou cair pelos resultados dos testes sobre a genuidade de seus reclamos. A declaração é por demais importante para ser considerada levianamente. Ou este livro é a Palavra viva de Deus vivo ou é o maior embuste que pode haver. Há muitas maneiras de provar os reclamos da Escritura. Deus mesmo tem em Suas páginas feito muitos desafios diretos aos incrédulos e aos que “voluntariamente ignoram”, mas presentemente só poderemos considerar um deles: a Exatidão Cientifica da Palavra de Deus.

Vivemos na época em que muitos de nós exigem provas objetivas para tudo aquilo que aceitam como verdade. Poderá a Bíblia suportar tais provas? As descobertas da Ciência material que têm mudado tantas das filosofias, por tanto tempo aceitas pela Humanidade: sairá a Bíblia incólume?

Notemos, antes de tudo, que a Bíblia não é um compêndio de Ciência. Pretende ser uma declaração de Deus a nós e uma manifestação de Sua vontade para com as Suas criaturas, e como tal se poderia dizer que qualquer inexatidão científica em nada diminuiria seu real valor.

Entretanto, se é a Palavra eterna de um Deus onipotente, mesmo Suas alusões aos fenômenos naturais devem estar em harmonia com todas as verdades científicas demonstráveis.

Tudo o que reclamamos é o direito de usar este livro como linguagem figurada, como nós o fazemos, em vez de estrita fraseologia dos compêndios de ciência, pois, todos nós sabemos o que se quer dizer ao ser usada a expressão: “O Sol levanta-se no Oriente e põe-se no Ocidente”. Atualmente esta ocorrência poderia ser cientificamente expressa em termos da rotação da Terra. Não há, por certo, discrepância ou contradição alguma em tais expressões.

Um ponto importante e digno de ser salientado é que este velho livro, que data de cerca de três mil e quinhentos anos atrás, excluiu todos os absurdos científicos que se encontram em todos os outros escritos antigos – e em muitos outros escritos, também que não são ainda tão velhos.

Consideremos, primeiramente, alguns fatos a respeito da Terra. Para os antigos, a Terra era o centro do universo (Teoria de Ptolomeu). Supunham-na apoiada sobre uma espécie qualquer de fundamentos fixos. Para muitos deles era plana. Para os entendidos daqueles dias a Bíblia deve ter parecido muito contrária à ciência, pois que figura nos apresenta ela a respeito da Terra? Em primeiro lugar, a Bíblia nos conta, definidamente, que a Terra não é centro do universo. No Livro de Jó, capítulo 26 e versículo 14, falando dos céus ornados (estrelados), o que inclui a nossa Terra, declara que são apenas as “orlas de Seus caminhos[1], ou podemos dizer: estas são apenas “os limites de Suas obras”.

Quanto à Terra ser suportada por fundamentos fixos, é-nos dito: “O norte estende sobre o vazio; suspende a Terra sobre o nada.” (Jo 26:7). Mais tarde é sobre esta questão feita a seguinte pergunta, no Livro de Jó capítulo 38 e versículo 6: “Onde se encaixam suas bases, ou quem assentou sua pedra angular?”. A forma da Terra é claramente descrita no Livro de Isaias, capítulo 40 e versículo 22: “Ele é o que está assentado sobre o globo da Terra”. Mais de 2.000 anos antes de Torricelli[2], o discípulo de Galileu[3], demonstra que a atmosfera exerce pressão e inventa o barômetro, como já declarado no Livro de Jó capítulo 28 e versículos 24 e 25: “Porque Ele vê as extremidades da Terra… deu peso ao vento.”. Sete quilos por polegada quadrada, a pressao atmosférica sobre a Terra é estimada em quinhentos milhões de toneladas.

E a Bíblia já se havia, mais de uma vez, antecipado as descobertas à ciência. O tempo não nos permitiria de maneira alguma tocar nas surpreendentes provas da exatidão histórica da Bíblia encontradas nas descobertas arqueológicas.

Mas as próprias pedras afirmam hoje a historicidade de Belsazar[4], dos heteus[5], da queda de Jericó[6], e de muitas outras histórias tão triunfalmente desdenhadas pelos críticos de poucos anos.

Algumas das declarações feitas pelos chamados “homens da ciência” não se têm provado dignas de crédito, e nos permiti asseverar, confidencialmente, que ainda não foi provada nenhuma verdade científica que não esteja em harmonia com a verdade bíblica.

Permiti-nos dizer isto em conclusão: houve tempos, em que divergiam a Bíblia e as teorias da chamada Ciência material. Mas onde isto se deu, não foi a Bíblia que mudou de posição para produzir a harmonia. A maior dificuldade de hoje é a do cientista que pratica a Ciência material se manter em dia. Pessoas que não se especializaram nesta classe de estudos podem-se achar advogando teorias já abandonadas por seus companheiros mais progressistas.

Voltemos ao nosso texto: “A Tua Palavra é a verdade desde o princípio” (Sl 119:160), e reconheçamos em nossa alma que o honesto indagador da Verdade sempre achará perfeita harmonia na Palavra inspirada e na luminosa obra do Grande Criador.

Tenhamos perfeita confiança para aceitar a ambas, como nosso guia e bordão nesta vida e, como nossa certeza, da vida por vir.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: “Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos.” (Jo 26:14)

[2] N.R.: Evangelista Torricelli (1608–1647) foi um físico e matemático italiano, famoso por inventar o barômetro e por formular o Teorema de Torricelli e a Equação de Torricelli. Discípulo de Galileu, ele provou a existência do vácuo e demonstrou que a pressão atmosférica é o que suporta colunas de líquidos.

[3] N.R.: Galileu Galilei (1564–1642) foi um polímata italiano, frequentemente chamado de “pai da ciência moderna”. Ele revolucionou a física, a astronomia e fundou o método científico experimental. Seus estudos desafiaram dogmas antigos e provaram a teoria heliocêntrica, onde a Terra e outros planetas giram em torno do Sol.

[4] N.R.: Belsazar foi o último corregente e rei da Babilônia antes da queda do império para os persas em 539 a.C. Filho do rei Nabonido, ele governava o império na ausência do pai e ficou amplamente conhecido pelo relato bíblico do “banquete de Belsazar”, no qual uma mão misteriosa escreveu uma sentença na parede.

[5] N.R.: Os heteus (também chamados de hititas) foram um povo poderoso e numeroso da Antiguidade. Eles formaram um grande império na região da Ásia Menor (atual Turquia) entre 1900 e 1200 a.C.. Conhecidos por dominar a tecnologia do ferro e pela forte organização militar, também são citados na Bíblia como habitantes da terra de Canaã.

[6] N.R.: é um famoso relato do Antigo Testamento (Livro de Josué). Após atravessar o rio Jordão, o povo de Israel, liderado por Josué, sitiou a cidade cananeia que tinha grandes muralhas. Por ordem divina, eles rodearam a cidade por sete dias tocando trombetas e, no último dia, deram um grande grito, fazendo as paredes desmoronarem.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Artigos Publicados: Cartas de Max Heindel

Carta de Max Heindel: “Almas Perdidas” e Atrasadas
Carta de Max Heindel: A Amizade como um ideal
Carta de Max Heindel: A Astrologia como um Auxílio na Cura de uma Pessoa Doente ou Enferma
Carta de Max Heindel: A Atitude Otimista e a Fé no Bem Final
Carta de Max Heindel: A Batalha que se trava internamente
Carta de Max Heindel: A Carne Animal e as Bebidas Alcoólicas
Carta de Max Heindel: A Concentração no Trabalho Rosacruz
Carta de Max Heindel: A Desvantagem em Dispersar as Nossas Forças
Carta de Max Heindel: A Dívida de Gratidão do Mestre
Carta de Max Heindel: A Epigênese e a Lei de Causa e Efeito
Carta de Max Heindel: A Epigênese e o Destino Futuro
Carta de Max Heindel: A Era de Aquário e a Nova Aliança
Carta de Max Heindel: A Fraternidade Rosacruz, um Centro Espiritual
Carta de Max Heindel: A Guerra Mundial e a Fraternidade Universal
Carta de Max Heindel: A Guerra: uma Operação para remover a Catarata Espiritual
Carta de Max Heindel: A Iniciação não pode ser alcançada por meio de Exercícios Respiratórios
Carta de Max Heindel: A Iniciativa e a Liberdade Pessoal
Carta De Max Heindel: A Lei do Êxito para os Assuntos Espirituais
Carta de Max Heindel: A Mensagem Mística do Natal
Carta de Max Heindel: A Necessidade de Difundir os Ensinamentos Rosacruzes
Carta de Max Heindel: A Necessidade pela Devoção
Carta de Max Heindel: A Nobreza de Todo Trabalho
Carta de Max Heindel: A Palavra-Chave dos Ensinamentos Rosacruzes
Carta de Max Heindel: A Profunda Angústia, Tristeza e o Sofrimento Atuais e a Paz Futura
Carta de Max Heindel: A Próxima Época no Ar
Carta de Max Heindel: A Pureza Geradora: o Ideal para você que nasceu no Ocidente
Carta de Max Heindel: A Razão das Provas que assolam o Estudante Ocultista
Carta de Max Heindel: A Razão por Haver Tantos Cultos Diferentes
Carta de Max Heindel: A Sacralidade das Experiências Espirituais
Carta de Max Heindel: Ajustando os Ensinamentos à Compreensão dos Outros
Carta de Max Heindel: Aprimorando e Melhorando as Nossas Oportunidades
Carta de Max Heindel: Arcos Descendentes e Ascendentes da Evolução
Carta de Max Heindel: Aumentando a Vida do Arquétipo
Carta de Max Heindel: Regendo Nossas Estrelas
Carta de Max Heindel: Concentração no Trabalho Rosacruz
Carta de Max Heindel: Construindo para a Vida Futura
Carta de Max Heindel: Cristo e sua Segunda Vinda
Carta de Max Heindel: Curando os Doentes
Carta de Max Heindel: Descida da Vida de Cristo a partir de Setembro
Carta de Max Heindel: Desejo – Uma Faca de Dois Gumes
Carta de Max Heindel: Deus – A Fonte e a Meta da Existência
Carta de Max Heindel: Domando os Membros Insubordinados
Carta de Max Heindel: Exercícios Diários para o Cultivo da Alma
Carta de Max Heindel: Fraternidade Rosacruz, um Centro Espiritual
Carta de Max Heindel: Guardiões Invisíveis à Humanidade
Carta de Max Heindel: Início dos Trabalhos para a Construção do Primeiro Edifício em Mount Ecclesia
Carta de Max Heindel: Instrutores Espirituais: Verdadeiros e Falsos
Carta de Max Heindel: Maçonaria Mística, Co-Maçonaria e Catolicismo
Carta de Max Heindel: Meios Antinaturais para Obter Espiritualidade: quais são?
Carta de Max Heindel: Métodos Orientais e Ocidentais de Desenvolvimento
Carta de Max Heindel: Movimentos Cíclicos do Sol
Carta de Max Heindel: Nossa Responsabilidade em Divulgar a Verdade
Carta de Max Heindel: O Amor, a Sabedoria e o Conhecimento
Carta de Max Heindel: O Batismo de Água e do Espírito
Carta de Max Heindel: O Consumo de Carne Animal e o Uso de Peles, Couros e de outras partes dos Animais
Carta de Max Heindel: O Corpo Vital de Jesus
Carta de Max Heindel: O Crescimento Anímico por meio da Ação
Carta de Max Heindel: O Desenvolvimento do Coração e a Iniciação
Carta de Max Heindel: O Equilíbrio é de Grande Ajuda nos Momentos de Estresse
Carta de Max Heindel: O Espírito de Cristo e a Panaceia Espiritual
Carta de Max Heindel: O Inventário Espiritual durante a Estação Santa
Carta de Max Heindel: O Medo Desnecessário da Morte
Carta de Max Heindel: O Pão e o Vinho Místicos
Carta de Max Heindel: O Papel do Mal no Mundo
Carta de Max Heindel: O Papel dos Estimulantes na Evolução
Carta de Max Heindel: O Poder Interno e a Responsabilidade que o Acompanha
Carta de Max Heindel: O Processo de Constituição Legal e os Planos Futuros da Fraternidade
Carta de Max Heindel: O Propósito da Guerra e a Nossa Atitude para com ela
Carta de Max Heindel: O que o Discípulo pode esperar do Mestre
Carta de Max Heindel: O Sacrifício e o Progresso Espiritual
Carta de Max Heindel: O Significado Cósmico da Páscoa
Carta de Max Heindel: O Sufrágio Feminino e a Igualdade Moral
Carta de Max Heindel: O Trabalho do Espírito de Raça
Carta de Max Heindel: O Valor em se rever as Lições Passadas
Carta de Max Heindel: O Vício do Egoísmo e o Poder do Amor
Carta de Max Heindel: O Voto Feminino e a Igualdade Moral
Carta de Max Heindel: Onde devemos procurar a verdade e como devemos reconhecê-la
Carta de Max Heindel: Os Auxiliares Invisíveis e o seu Trabalho nos Campos de Batalha
Carta de Max Heindel: Os Esforços Extenuantes da Alma Aspirante diante das Dificuldades
Carta de Max Heindel: Os Espíritos de Raça e a Nova Raça
Carta de Max Heindel: Os Reais Heróis do Mundo
Carta de Max Heindel: Páscoa, uma Promessa de Vida Recém-construída e Bem Desenvolvida
Carta de Max Heindel: Por que o que Busca a Verdade deve viver no Mundo?
Carta de Max Heindel: Preparativos para a Mudança para Mount Ecclesia
Carta de Max Heindel: Prosperidade Espiritual para o Ano Novo
Carta de Max Heindel: Regendo Nossas Estrelas
Carta de Max Heindel: Retardatários na Evolução
Carta de Max Heindel: Sacrifício – Um Fator de Progresso Espiritual
Carta de Max Heindel: Serviço aos Outros Durante o Próximo Ano
Carta de Max Heindel: Serviço Altruísta aos Outros
Carta de Max Heindel: Servindo onde melhor estivermos preparados para servir
Carta de Max Heindel: Todo Desenvolvimento Oculto começa no Corpo Vital
Carta de Max Heindel: Tolerância com a Crença dos Outros
Carta de Max Heindel: Um Apelo à Pureza
Carta de Max Heindel: Um Apelo pela Igreja
Carta de Max Heindel: Um Método para Discernir a Verdade da sua Imitação
Carta de Max Heindel: Um Tribunal Interno da Verdade
Carta de Max Heindel: O Valor dos Sentimentos Retos

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Qual é o ponto de vista dos Ensinamentos Rosacruzes em relação à criação do mundo em sete dias?

Resposta: Existem duas histórias da criação na Bíblia. Uma começa no primeiro versículo do primeiro capítulo e termina no terceiro versículo do segundo capítulo do Livro do Gênesis[1]. Outra narrativa começa no quarto versículo[2].

Essas duas histórias da criação parecem divergir bastante em vários pontos. O primeiro relato afirma que no princípio a Terra era coberta de água; o segundo afirma que era seca. O primeiro nos informa que o ser humano foi criado por último; a segunda versão diz que ele foi a primeira criatura, etc. Essas discrepâncias parecem irreconciliáveis ​​e proporcionam ao cético grande satisfação quando ele as relata com um sorriso de pena arrogante pelos pobres tolos ignorantes que acreditam em tamanha tolice. No entanto, os dois relatos não são realmente incongruentes; eles são complementares e estão em harmonia com os fatos científicos. O primeiro relato trata origem da Forma, o segundo capítulo da evolução da consciência. A Forma humana, como está constituída atualmente, é a obra-prima da evolução, construída sobre a base de todas as Formas inferiores que a precederam. A Vida que é o Espírito, o pensador, não tem começo nem fim, é eterna como o próprio Deus, e essa Vida existia antes de todas as Formas, como conta a segunda história da criação.

Quanto ao tempo em que se diz que essa criação da forma ocorreu, os Ensinamentos Rosacruzes não ensinam nem acreditam que ela tenha sido realizada em sete dias de vinte e quatro horas cada, mas em nosso esquema de manifestação sete grandes transformações da Terra são necessárias para facilitar a plena evolução da autoconsciência e do poder da Alma pelos Espíritos em evolução. Três Períodos e meio foram gastos na obtenção de veículos; o restante será necessário para a evolução da consciência.

O versículo inicial da Bíblia afirma que, no princípio, a Terra era escura e sem forma definida. Isso ocorreu durante o Período de Saturno, quando a névoa ígnea incipiente se formava a partir da substância primordial do espaço.

O terceiro versículo nos informa que Deus disse “Haja luz”, uma passagem que tem sido alvo de escárnio por demonstrar a ignorância dos autores e a inconsistência do relato com os fatos científicos; pois, diz o zombador: “Se o Sol e a Lua só foram criados no quarto dia, como poderia haver luz antes disso?”. Não estamos lidando com o mundo como ele é hoje, uma massa sólida. Isso, é claro, seria escuro sem uma fonte externa de luz, mas naquela época a Terra era um mundo em formação e, de acordo com a Teoria Nebular, deve haver primeiro o estágio de calor escuro ao qual demos o nome de Período de Saturno. Mais tarde, a névoa se acende e se torna luminosa; a luz está dentro e não depende de um Sol e de uma Lua externos. Este segundo estágio no desenvolvimento do nosso Planeta é chamado de Período Solar.

Em seguida, somos informados de que Deus disse: “Haja uma expansão nas águas, para separar águas de águas.”. A palavra aqui traduzida como “expansão” é traduzida como “firmamento” na versão autorizada, mas usamos o texto massorético, que foi traduzido por tradutores de conhecimento, que não estavam sujeitos a um decreto real como aquele que dificultou os tradutores do Rei Jaime. O uso do termo “expansão” harmoniza a Bíblia com a Teoria Nebular, pois, quando uma névoa de fogo aparece no espaço, a umidade é gerada pelo contato dessa massa aquecida com o espaço circundante, que é frio. Essa umidade se aquece e se expande em vapor, que se desloca para fora do núcleo incandescente, é resfriado e condensado, e gravita de volta para a fonte de calor. Assim, a expansão das águas separou as águas das águas, com a umidade densa permanecendo mais próxima do núcleo incandescente e o vapor do lado de fora. Essa fase na consolidação da Terra é chamada de Período Lunar.

A ebulição contínua da água ao redor do núcleo incandescente finalmente causou uma incrustação e surgiu terra seca. Dizem que “Deus chamou a terra seca de Terra”.

Durante a primeira parte do Período atual, o Período Terrestre, a Terra era tão escura quanto no Período de Saturno. Existiam apenas substâncias minerais. Esta fase é chamada de Época Polar.

O Período Solar ardente encontra sua réplica na Época Hiperbórea, que é descrita nos versículos 11-19[3] como o tempo em que as plantas foram geradas e a Terra se tornou um Planeta iluminado externamente pelo Sol e pela Lua. Isso encerra o trabalho descrito como tendo sido realizado no quarto grande dia no desenvolvimento da nossa Terra.

Na Época Lemúrica temos uma recapitulação das condições durante o Período Lunar, um núcleo ardente e uma atmosfera de névoa de fogo, também a gênese dos graus inferiores dos animais, descrita na história bíblica como o trabalho do quinto dia.

Na Época Atlante os mamíferos vertebrados e o ser humano foram formados, como descrito sob o título do sexto dia, e quando o ser humano se tornou um ser racional na atual Época Ária, os Deuses descansaram para deixá-lo realizar sua própria salvação sob as gêmeas Lei do Renascimento e Lei da Consequência.

(Pergunta nº 79 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: (Gn 1:1-31 e Gn 2:1-3) Capítulo 1: No princípio, Deus criou o céu e a Terra. Ora, a Terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um vento de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: “Haja luz” e houve luz. Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz e as trevas. Deus chamou à luz “dia” e às trevas “noite”. Houve uma tarde e uma manhã: primeiro dia. Deus disse: “Haja um firmamento no meio das águas e que ele separe as águas das águas”, e assim se fez. Deus fez o firmamento, que separou as águas que estão sob o firmamento das águas que estão acima do firmamento, e Deus chamou ao firmamento “céu”. Houve uma tarde e uma manhã: segundo dia. Deus disse: “Que as águas que estão sob o céu se reúnam numa só massa e que apareça o continente” e assim se fez. Deus chamou ao continente “Terra” e à massa das águas “mares”, e Deus viu que isso era bom. Deus disse: “Que a Terra verdeje de verdura: ervas que deem semente e árvores frutíferas que deem sobre a terra, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente” e assim se fez. A terra produziu verdura: ervas que dão semente segundo sua espécie, árvores que dão, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia. Deus disse: “Que haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que eles sirvam de sinais, tanto para as festas quanto para os dias e os anos; que sejam luzeiros no firmamento do céu para iluminar a Terra” e assim se fez. Deus fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro para governar o dia e o pequeno luzeiro para governar a noite, e as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a Terra, para governarem o dia e a noite, para separarem a luz e as trevas, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: quarto dia. Deus disse: “Fervilhem as águas um fervilhar de seres vivos e que as aves voem acima da terra, sob o firmamento do céu” e assim se fez. Deus criou as grandes serpentes do mar e todos os seres vivos que rastejam e que fervilham nas águas segundo sua espécie, e as aves aladas segundo sua espécie, e Deus viu que isso era bom. Deus os abençoou e disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a água dos mares, e que as aves se multipliquem sobre a terra”. Houve uma tarde e uma manhã: quinto dia. Deus disse: “Que a terra produza seres vivos segundo sua espécie: animais domésticos, répteis e feras segundo sua espécie” e assim se fez. Deus fez as feras segundo sua espécie, os animais domésticos segundo sua espécie e todos os répteis do solo segundo sua espécie, e Deus viu que isso era bom. Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança, e que eles dominem sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”. Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou. Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a Terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra”. Deus disse: “Eu vos dou todas as ervas que dão semente, que estão sobre toda a superfície da terra, e todas as árvores que dão frutos que dão semente: isso será vosso alimento. A todas as feras, a todas as aves do céu, a tudo o que rasteja sobre a terra e que é animado de vida, eu dou como alimento toda a verdura das plantas” e assim se fez. Deus viu tudo o que tinha feito: e era muito bom. Houve uma tarde e uma manhã: sexto dia.

Capítulo 2: Assim foram concluídos o céu e a Terra, com todo o seu exército. Deus concluiu no sétimo dia a obra que fizera e no sétimo dia descansou, depois de toda a obra que fizera. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nele descansou depois de toda a sua obra de criação.

[2] N.T.: Capítulo 2: Gn (2:4-7) Essa é a história do céu e da terra, quando foram criados. A experiência da liberdade. O paraíso — No tempo em que Iahweh Deus fez a terra e o céu, não havia ainda nenhum arbusto dos campos sobre a terra e nenhuma erva dos campos tinha ainda crescido, porque Iahweh Deus não tinha feito chover sobre a terra e não havia homem para cultivar o solo. Entretanto, um manancial subia da terra e regava toda a superfície do solo. Então Iahweh Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida e o homem se tornou um ser vivente.

[3] N.T.: Gn 1:11-19 – Deus disse: “Que a terra verdeje de verdura: ervas que deem semente e árvores frutíferas que deem sobre a terra, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente” e assim se fez. A terra produziu verdura: ervas que dão semente segundo sua espécie, árvores que dão, segundo sua espécie, frutos contendo sua semente, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: terceiro dia. Deus disse: “Que haja luzeiros no firmamento do céu para separar o dia e a noite; que eles sirvam de sinais, tanto para as festas quanto para os dias e os anos; que sejam luzeiros no firmamento do céu para iluminar a terra” e assim se fez. Deus fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro para governar o dia e o pequeno luzeiro para governar a noite, e as estrelas. Deus os colocou no firmamento do céu para iluminar a terra, para governarem o dia e a noite, para separarem a luz e as trevas, e Deus viu que isso era bom. Houve uma tarde e uma manhã: quarto dia.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Artigos Publicados: Estudos Bíblicos Rosacruzes – Novo Testamento

“Deus é Luz”
“Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida” – para quem serve essa sentença?
“Morro Todos os Dias!”
“Paz na Terra e Boa Vontade entre os Homens”
“Vigiar e Orar”: Você Pratica no Seu Dia a Dia?
“Vós Sois Meus Amigos”: fomos ensinados a praticar essa frase no nosso cotidiano
A Água Viva lhe mostra: Você sofre porque quer, teme porque quer
A Astrologia e a Páscoa
A “Bíblia” na Nova Era – O Livro dos Atos
A Cada Dia Seus Cuidados
A Criança Prodigiosa
A Crucifixão: compreensão esotérica revela que essa experiência é uma consumação gloriosa do Caminho da Cruz
A Cura e o Perdão dos Pecados
A Dádiva da Graça
A Divina Essência Oculta Dentro de Você e o Que Fazer Com Ela
A Estação da Alegria
A Estação da Primavera
A Fé Cega e a Razão Santa
A Fé e o Mundo Material
A Fé sem Obras é Morta: o Exercitamento Incessante da Vontade
A Ilha de Patmos
A Imaculada Conceição
A importância de alcançar o autocontrole para cura das doenças como a hanseníase
A importância de ver o bem repetindo a frase: “Tudo Posso n’Aquele que Me Fortalece”
A Iniciação Cristã Mística
A Interpretação Esotérica da Parábola do Semeador
A Língua: tenha cuidado com ela
A Luz do Mundo: onde, de fato, ela está?
A Misericórdia e a Piedade
A Misericórdia, a Piedade, a Paz e o Amor
A Missão de Maria
A Mulher Vestida de Sol
A Oração do Senhor – o Pai-Nosso
A Oração Necessária, mas Não Suficiente
A Oração: como devemos orar e para que devemos orar
A Origem do Cristianismo Esotérico: Essênios, Iniciações e Christian Rosenkreuz
A Origem do Tabernáculo: a primeira Igreja da Humanidade
A Originalidade do Cristianismo
A Palavra Criadora
A Páscoa e a Unidade com Deus
A Religião Cristã e as outras Religiões
A Renovação e Consagração
A Revelação de João, O Evangelista
A Revelação de São João, o Divino – A Visão de Patmos
A Revelação de São João, o Divino: a Besta que saiu do Mar
A Sagrada Família e as Três Classes Sociais que existiam naquele tempo
A Segunda Vinda de Cristo
A Significância Esotérica da “Parábola da Rede”
A Significância Esotérica de que o Tabernáculo no Deserto era uma sombra das coisas boas que viriam
A Sombra da Cruz: Recebemos Nossa Cruz em Proporção as Nossas Forças
A Substituição dos Festivais que celebravam o Sol pela Celebração do Natal
A Tentação e a Sua Importância no Discernimento do Bem e do Mal
A Transfiguração e o Exorcismo
A Última Ceia e o Lavapés: o domínio dos poderes espirituais
A Unidade de Cada Um com Todos
A Virgem Maria e os Evangelhos
A Vitória que vence o Mundo: a Nossa Fé!
Almas perdidas ou atrasadas na evolução?
Amor a Deus
Análise do Pai Nosso, a Oração do Senhor
As Bem-aventuranças – Apresentação – Introdução
As Chaves do Reino dos Céus
As Manifestações da Luz de Cristo
As Núpcias do Cordeiro
As Quatro Marias
As Raízes do Amor Segundo o Apóstolo
As Tentações no Deserto e como correlacionamos com as nossas do dia a dia
As Três Cidades Que Hospedaram o Cristo
Astrologia e Religião
Buscando a Verdade no Mundo dos Efeitos e das Causas
Cada um tem a sua Besta
Canais da Ação Divina: Não Procurar fazer Valer a sua Vontade, mas sim a Vontade de Deus
Carregai os Fardos Uns dos Outros…
Carregue Sua Cruz Com Classe
Chamados a serem Santos
Como aumentar a nossa fé nos livrando do nosso espírito mercenário
Como Combater o Bom Combate
Companheirismo
Cristianismo: o que é e o que deixa de ser
Diferenças entre Exoterismo e Esoterismo
Domingo de Ressurreição – uma interpretação esotérica
Duas Formas de Caridade
Em Busca da Paz
Embora Cristo tenha nascido mil vezes…
Entendendo a Doutrina do Perdão dos Pecados
Entendendo a nossa situação antes e durante o tempo da primeira vinda de Cristo: o Povo Escolhido – Semelhanças com alguns aspectos atuais
Essênios – Os Precursores de Cristo
Estudos Bíblicos Rosacruzes: Significância Esotérica de alguns pontos – Evangelho Segundo S. Mateus
Evidências do Renascimento na Bíblia
Existe alguma citação na Bíblia que sustente a teoria do Renascimento?
Fatos Interessantes sobre a Bíblia
Fé: a confiança n’Ele
Jesus e Sua Sublime Missão
Jesus pertence à Nossa Humanidade
Levantar o Morto: o caso de Tabita que quer dizer Dorcas
Luz Mística: Maria a mãe de Jesus – o exemplo de um alto Iniciado que veio como mulher
Luz: o Presente do Espírito Santo
Maria e Marta
Maria, Mãe de Jesus: um Iniciado de alto grau
Milagres de Ressuscitação ou Ressurreição?
Na Busca de Cristo: quem você acha que Ele realmente é?
Não dê esmolas diante de outras pessoas
Não se detenha na Comemoração Histórica do Natal
O “Novo Homem”
O “Filho do Homem” e o “Filho da Viúva”
O “Pão e o Vinho” Místicos
O Apocalipse – Uma Introdução
O Apóstolo em Cada Um
O Bebê de Belém
O Bom Pastor e as Ovelhas desse e de Outros Apriscos
O Caminho para Frente e para Cima alinhado ao Cristianismo Esotérico
O Céu dentro de Nós
O Consolador: saber quem é para não fazermos confusões e não usar no nosso dia a dia
O Crescimento Espiritual por meio do servir ao irmão e à irmã
O Discípulo André se correlaciona com o Signo de Touro
O Discípulo Felipe se correlaciona com Signo de Sagitário
O Discípulo Mateus se correlaciona com o Signo de Aquário
O Discípulo Natanael se correlaciona com o Signo de Câncer
O Discípulo Pedro se correlaciona com o Signo de Peixes
O Discípulo Simão se correlaciona com o Signo de Capricórnio
O Discípulo Tiago, irmão de João, se correlaciona com o Signo de Áries
O Discípulo Tomé se correlaciona com o Signo de Gêmeos
O Equilíbrio entre os Dois Polos
O Evangelho Segundo S. João: os Cinco Primeiros Versículos
O Evento Anunciação no Caminho de Preparação e Iniciação Cristã
O Evento Imaculada Concepção no Caminho de Preparação e Iniciação Cristã
O Evento Sagrado Nascimento no Caminho de Preparação e Iniciação Cristã
O Filho Pródigo – uma Faceta Interpretativa
O Getsemani de Cada Um de Nós
O Grande Mistério do Gólgota
O Livro sem Prefácio
O Mandamento dos Ricos: “a Deus ou a Mamon”?
O Metal que soa ou o Sino que tine
O Milagre dos Peixes
O Mistério da Imaculada Conceição (Concepção)
O Natal e Nós
O Poder da Nossa Palavra
O Poder da Páscoa: você entende o que ocorre nesse momento todo o ano?
O Poder de “ordenar aos demônios”
O Poder Que Flui Através de Nós
O Reino dos Céus: de que lado você está?
O Ser Humano, o Lírio, a Páscoa
O Significado da Ressurreição de Lázaro: um marco
O Significado da Sentença “Eu não vim trazer a Paz, mas uma Espada” proferida por Cristo
O Significado Esotérico de: “não a paz, mas sim a espada”
O Significado Esotérico do Tempo do Advento antes da Noite Santa
O Significado Oculto da Sexta-feira, conhecida como “da Paixão”
O Simbolismo de Natal e como devemos aproveitar esse momento único no ano
O Templo de Deus: o mais valioso instrumento do ser humano
O Uso da Oração do Estudante Rosacruz e as Obras
O Verbo: quando Deus envia Seu poder na forma de som
Oitava e Nona Bem-Aventuranças
Onde encontro, na Bíblia, algum argumento ou passagem sobre a imperecibilidade da Alma?
Observando os Sacramentos Cristãos atraímos o Raio do Cristo
Os Céus Proclamam a Glória de Deus: conheça isso e utilize no seu dia a dia
Os Dois Caminhos: a porta estreita e a porta larga – o que você escolhe?
Os Doze Poderes de uma Pessoa Crística
Os Fariseus e os Saduceus
Os Fogos de São João
Os Mistérios dos Céus: Sete Parábolas e suas Correlações com os Períodos Evolutivos
Os Pastores Iniciados
Os Quatro Evangelhos Segundo: São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João
Os Quatro Graus para Chegarmos a Deus
Os Sacramentos Cristãos
Os Sacramentos Cristãos: Exercícios reais espirituais ou disciplinas de grande poder
Os Salvos dos Períodos de Tribulação
Os Três Graus do Discipulado – Parte I – Grau Mestre – São Tiago, São João e São Pedro
Os Três Graus do Discipulado – Parte II – Grau Fraternidade – Santo André
Os Três Graus do Discipulado – Parte II – Grau Fraternidade – São Felipe
Os Três Graus do Discipulado – Parte II – Grau Fraternidade – São Mateus
Os Três Graus do Discipulado – Parte II – Grau Fraternidade – São Natanael ou Bartolomeu
Os Três Graus do Discipulado – Parte II – Grau Fraternidade – São Tomé ou Tomás
Os Três Homens Sábios
Os Três Reis Magos
Os Verdadeiros Presentes de Natal, Seus Símbolos e o maior Presente de todos
Panorama da Bíblia: quem a escreveu e por quanto tempo
Páscoa: o Amanhecer de um Alegre Dia
Possessão Demoníaca
Pregar o Evangelho
Primeira Bem-Aventurança: “Felizes os mendigos de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”
Quarta Bem-Aventurança: “Felizes os famintos e sequiosos de perfeição, porque eles serão satisfeitos”
Quem é o “O cego vê e o surdo ouve” e quem não é
Quem eram os Saduceus e os Fariseus
Quinta Bem-Aventurança: “Felizes os misericordiosos, porque eles obterão misericórdia”
Recolhimento ao “Deserto”: você sabe onde está o seu?
Sabedoria Ocidental: a tomada de juramentos
Salvação – Quem são os Salvos?
São Francisco e os Estigmas ou Estigmatas
São João Batista, o Precursor
São Tiago e São João – Os filhos do trovão
Se nascemos em sexos alternados, porque a última encarnação de João Batista foi Elias?
Segunda Bem-Aventurança: “Felizes os que choram, porque serão consolados”
Sem Calvário não pode haver Ressurreição
Será que almejar ideais elevadíssimos é presunção?
Sete Razões ou Motivos para a necessidade da vinda de Cristo pela Primeira Vez entre Nós
Sétima Bem-Aventurança: “Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”
Sexta Bem-Aventurança: “Felizes os limpos de coração, porque eles verão Deus”
Sigamos o Caminho de Cristo e não mais o dos Espíritos de Raça
Significância Esotérica da palavra “Amém” ou “Amén”
Terceira Bem-Aventurança: “Felizes os mansos, porque eles herdarão a Terra”
Todo o Cristão ora, mas nem todos sabem orar
Um Alerta sobre quando estudamos a Bíblia
Um Período de Depressão
Uma Análise Esotérica dos Quatro Motivos que nos leva a agir e as Correlações Positivas com a Oração do Senhor, o Pai-Nosso
Uma Delineação do Caminho Iniciático: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida – ninguém vem ao Pai senão por Mim”
Uma Interpretação do que é Verbo, expresso por S. João Evangelista
Uma Lenda Sobre a Fraternidade
Zaqueu, o Publicano

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Se Deus criou o ser humano à Sua imagem e semelhança, supostamente perfeito, por que foram necessárias as diferentes Épocas anteriores à “Queda de Adão e Eva”?

Resposta: O consulente está sob uma compreensão errônea. A Bíblia diz que Deus viu sua obra, e que ela era “boa”, mas não perfeita. Se fosse perfeita, não haveria mais nada a fazer, e a evolução teria sido supérflua. A Onda de Vida humana não se tornou definitivamente “humana” até a última parte da Época Lemúrica, quando o Espírito começou a habitar os Corpos dele. A Humanidade daquela Época, “Adão e Eva”, era muito diferente da nossa Humanidade atual. Ela também foi produtos da evolução, pois não existe criação instantânea. Esses seres haviam progredido através de estágios de desenvolvimento semelhantes a plantas e aos animais, partindo do Reino mineral em que se originaram, e não se tratava de um único par, como geralmente se entende pelos religiosos ortodoxos, mas sim de uma Humanidade composta por indivíduos masculinos e femininos na época mencionada na Bíblia. Diz-se que Ele criou o homem e a mulher; além disso, não era a primeira vez que o ser humano estava na Terra, ou que a Terra era povoada, como se pode ver em Gênesis 1:28[1], onde lhes foi ordenado que saíssem e repovoassem a Terra, mostrando que a Terra havia sido a morada de certos outros seres humanos antes do advento daqueles que são chamados “Adão e Eva”. Josephus[2] afirma que Adão significa “terra vermelha” e o termo hebraico “Admah”, do qual Adão deriva, significa “solo firme”; isso descreve muito bem o estado da Terra. Adm (como consta no texto hebraico) não veio à Terra até que ela se solidificasse e se tornasse firme, mas veio antes que a Terra esfriasse completamente como está agora, e por isso a Terra estava realmente em um estado vermelho e incandescente naquele momento. Ele já havia estado aqui antes. Durante as Épocas anteriores à Lemúrica, os Espíritos pairavam sobre a Terra incandescente e ajudavam a moldá-la como a conhecemos hoje. Os Espíritos humanos estavam, naquela época, aprendendo lições com as quais não temos interesse atualmente. Estávamos inconscientes naquele momento, mas realizávamos o trabalho tão bem quanto, por exemplo, nossos órgãos digestivos executam as operações químicas necessárias à digestão e assimilação, embora não tenhamos consciência desses processos em nossa Mente consciente. Deve ficar claro, no entanto, que, assim como o trabalho das crianças no jardim de infância e no ensino fundamental é a base fundamental para os ensinamentos posteriores do ensino médio e da faculdade, as Épocas anteriores foram os alicerces de nossas condições atuais. Elas foram tão necessárias quanto aprender o alfabeto antes de tentarmos ler.

(Pergunta nº 84 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: “Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra…”

[2] N.T.: Flávio Josefo, ou apenas Josefo (em latim: Flavius Josephus; 37 ou 38-ca. 100), também conhecido pelo seu nome hebraico Yosef ben Mattityahu (“José, filho de Matias” – Matias é variante de Mateus) e, após se tornar um cidadão romano, como Tito Flávio Josefo (latim: Titus Flavius Josephus), foi um historiador e apologista judaico-romano, descendente de uma linhagem de importantes sacerdotes e reis, que registrou in loco a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., pelas tropas do imperador romano Vespasiano, comandadas por seu filho Tito, futuro imperador. As obras de Josefo fornecem um importante panorama do judaísmo no século I.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Ordem Rosacruz aceita a Bíblia como se fosse a “Palavra de Deus” do início ao fim?

Resposta: Certamente que não, e particularmente não na interpretação extremamente restrita de algumas pessoas que pensam que o livro que temos hoje é o único genuíno já dado à Humanidade. No máximo, poderia ser um dos livros de Deus, pois existem muitos outros escritos sagrados que merecem reconhecimento e não podem ser descartados sumariamente por alguns espertinhos como aqueles que relegaram os chamados livros apócrifos ao esquecimento literário.

Em primeiro lugar, é importante relembrar que o Antigo Testamento foi escrito em hebraico em diferentes épocas e por inúmeros autores, e que nenhuma compilação desses escritos foi feita antes de Esdras. Desses escritos hebraicos, não existe hoje um único fragmento sequer. Já em 280 a.C., o hebraico havia sido abandonado, no que diz respeito à escrita das Escrituras, e a Septuaginta, ou tradução grega, era de uso geral. Essa era a única Bíblia existente na época do nascimento de Cristo. Posteriormente, alguns dos escritos hebraicos foram compilados e cotejados pelos massoretas, uma seita que existiu por volta de 700 d.C. Este é o texto mais completo e preciso.

A tradução inglesa mais utilizada hoje em dia é a Versão do Rei Jaime[1], mas Sua Majestade não estava tão interessada na precisão da tradução quanto na paz, e a lei que autorizou a tradução da Bíblia proibiu os tradutores de traduzir quaisquer passagens de forma que interferissem nas crenças existentes. Isso foi feito para evitar qualquer levante ou dissensão em seu reino, e dos quarenta e sete tradutores, apenas três eram estudiosos de hebraico e dois deles morreram antes que os Salmos fossem traduzidos. Vários livros foram descartados como apócrifos, e palavras foram completamente desvirtuadas de seu significado original para se adequarem à superstição da época. Martinho Lutero[2], na Alemanha, traduziu o texto latino, que por sua vez havia sido traduzido do grego, aumentando assim as chances de transmitir significados errôneos de diversas maneiras. Acrescente-se a isso o fato de que, no hebraico antigo, os sinais vocálicos são omitidos e não há divisão em palavras, de modo que, inserindo-se sinais vocálicos de maneiras diferentes, palavras e frases com significados completamente distintos podem ser obtidas a partir de praticamente qualquer frase. Diante desses fatos, fica evidente que as chances de obtermos uma versão precisa do que foi originalmente escrito eram, de fato, muito pequenas.

Além disso, não era intenção dos autores originais fazer da Bíblia um “Livro de Deus” aberto, como bem se pode ver pela seguinte citação do Zohar[3]: “Ai daquele que vê na Torá[4] (a lei, a Bíblia) apenas recitações simples e palavras comuns, porque se na verdade ela contivesse apenas isso, ainda hoje seríamos capazes de compor uma Torá mais digna de admiração. Mas não é assim; cada palavra na Torá contém um significado elevado e um mistério sublime… As recitações da Torá são as vestes da Torá… Ai daquele que usa esta veste da Torá pela própria Torá… Os simples prestam atenção apenas às vestes e recitações da Torá; eles não conhecem outra coisa, não veem o que está oculto sob a veste; os homens mais instruídos não prestam atenção à veste, mas àquilo que ela envolve”…

Em outras palavras, eles não se atentam à letra, mas apenas ao espírito. E, assim como num campo semeado com batatas não existem apenas os vegetais, mas também o solo onde estão escondidos, na Bíblia as pérolas da verdade oculta estão escondidas em vestes muitas vezes feias ou repugnantes. O Ocultista que se capacitou a possuir essas pérolas recebeu a chave e as vê claramente. Para os outros, elas permanecem obscuras até que também tenham trabalhado para obter essa chave. Assim, embora a história das peregrinações dos filhos de Israel e a relação de um certo Deus com eles sejam parcialmente verdadeiras, há também um significado espiritual muito mais importante do que essa história material. Mesmo que os Evangelhos contenham os principais contornos da vida de um indivíduo chamado Jesus, eles são fórmulas de Iniciação que mostram as experiências pelas quais todos devem passar no caminho para a verdade e a vida.

Esse caminho foi previsto pelas diversas pessoas que escreveram a Bíblia e que, portanto, foram Profetas e Clarividentes, mas apenas na medida em que isso era possível em seu tempo e época. Uma nova era exigirá uma nova Bíblia, uma nova palavra.

(Pergunta nº 78 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: A Bíblia do Rei Jaime (ou Tiago), também conhecida como Versão Autorizada do Rei Jaime, é uma tradução inglesa da Bíblia realizada em benefício da Igreja Anglicana, sob ordens do rei Jaime I no início do século XVII.

[2] N.T.: Martinho Lutero (1483-1546) foi um padre, teólogo, autor, compositor de hinos, professor e ex-frade agostiniano alemão. Lutero foi a figura seminal da Reforma Protestante e suas crenças teológicas formam a base do Luteranismo.

[3] N.T.: O Zohar (“esplendor” ou “radiante”) é o trabalho fundamental da literatura cabalista e do misticismo judaico. Trata-se de uma coleção de comentários místicos sobre a Torá (os cinco livros de Moisés), escritos parcialmente em aramaico e hebraico medieval. O Zohar contém uma teosofia cabalista, que trata da natureza de Deus, da cosmogonia, da cosmologia, da alma, do pecado, da redenção, do bem e do mal, do “eu verdadeiro”, da luz de Deus, e da relação entre a energia universal e o ser humano. A sua exegese escriturística é considerada uma forma esotérica de literatura rabínica, conhecida como Midrash, elaborada a partir da Torá. O Zohar é escrito principalmente no que hoje é descrito como sendo um estilo cripto, obscuro, de aramaico. O aramaico, a língua do dia a dia de Israel no período do Segundo Templo, foi a língua original de grandes seções dos livros bíblicos de Daniel e de Esdras: é a principal língua do Talmude.

[4] N.T.: A Torá é o livro sagrado do judaísmo. O Pentateuco, literalmente “cinco partes ou seções”, é composto pelos cinco primeiros livros da Bíblia. Entre os judeus é chamado de Torá, uma palavra da língua hebraica com significado associado ao ensinamento, instrução, ou literalmente Lei, uma referência à primeira secção do Tanakh, os primeiros cinco livros da Bíblia hebraica. O Pentateuco é, para os Cristãos, a totalidade dos cinco primeiros livros da Bíblia. Para os judeus, esses cinco livros constituem a Torá. Eles apresentam a história do povo de Israel desde a criação do mundo até a morte de Moisés.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: A Teoria Nebular não explica a existência do Universo de uma maneira muito mais “científica” do que as histórias da criação na Bíblia?

Resposta: A teoria nebular foi rejeitada por Herbert Spencer porque, assim como a Bíblia, postula uma Causa Primeira.

Resumidamente, a teoria é a seguinte: em algum momento, surgiu no espaço uma névoa de fogo, espontaneamente. Dentro dessa névoa, correntes elétricas começaram a se formar, também espontaneamente, e sob o impacto dessas correntes, a névoa ígnea assumiu uma forma esférica, girando com intensa rapidez. A força centrífuga fez com que ela lançasse um anel que se desintegrou; os fragmentos se coalesceram e formaram um Planeta orbitando a massa central. Assim, diferentes Planetas foram criados um após o outro. Eles esfriaram gradualmente e, por fim, o Sistema Solar se completou. Em pelo menos um desses Planetas, surgiu, espontaneamente, a Vida, ou protoplasma[1], que gradualmente evoluiu através das diferentes classes de Radiados, Moluscos, Articulados e Vertebrados, florescendo finalmente no ser humano, que é a Inteligência suprema do Cosmos, senhor de tudo o que contempla.

O cientista diz isso com ar sábio, e pode acrescentar: “Não vê como é simples e razoável? Se não, deixe-me lhe fazer uma demonstração.”. Ele pode então pegar uma bacia cheia de água e derramar um pouco de óleo na superfície, a água representando o espaço e o óleo a névoa de fogo. Em seguida, pega uma agulha e começa a mexer o óleo, imitando as correntes geradas na névoa de fogo, e sob sua agitação o óleo tomará uma forma esférica. Gradualmente, a esfera se expandirá no equador, um anel se desprenderá e se transformará em um Planeta que orbitará seu núcleo primário, e o cientista dirá triunfante: “Viu? Não vê como é natural? Não há a menor necessidade do seu Deus!”.

Só nos intriga que os seres humanos que possuem uma Mente capaz de conceber esta esplêndida demonstração possam, ao mesmo tempo, ser tão obtusos a ponto de não a perceberem: eles próprios tomam o lugar de Deus, que idealizou e trouxe à existência o Universo conforme os cientistas conceberam sua demonstração e a executaram. Deus, por seu poder, preserva nosso universo e move os Planetas assim como o cientista move seu Planeta de óleo, e se Deus cessasse sua atividade por um único instante, o Cosmos se resolveria instantaneamente em um caos conglomerado, assim como o Sol e o Planeta de óleo deixariam de existir no momento em que o cientista interrompesse sua operação.

Portanto, longe de refutar a afirmação bíblica de que Deus é o Criador e sustentador do Cosmos, a Teoria Nebular demonstra a necessidade da intervenção divina de forma bastante completa e, quando compreendida corretamente, não há diferença essencial entre a concepção científica e a religiosa.

(Pergunta nº 156 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: O protoplasma é a substância viva, incolor e viscosa que compõe o interior das células, abrangendo o citoplasma (com organelas) e o núcleo. Essencial para a vida, é uma mistura complexa de água, proteínas, lipídios, carboidratos e íons, onde ocorrem as reações metabólicas. Apresenta propriedades de irritabilidade, condutibilidade e contratilidade.

Idiomas