Resposta: Em uma passagem, a Bíblia nos instrui a orar sem cessar[1]. Em outra, Cristo rejeita a prática, dizendo que não devemos imitar aqueles que acreditam ser ouvidos por causa de suas muitas palavras. Naturalmente, não pode haver contradição entre as palavras de Cristo e as de Seus Discípulos; portanto, devemos reformular nossas ideias sobre a oração, de modo a poder orar sempre sem, contudo, recorrer a uma expressão verbal ou mental prolixa. Emerson[2] disse:
“Embora você nunca tenha dobrado os joelhos,
Suas preces são enviadas ao céu a cada hora.
E, sejam elas feitas para o bem ou para o mal,
Ainda assim são registradas e respondidas.”
Em outras palavras, todo ato é uma oração que, sob a Lei de Causa e Efeito, nos traz os resultados adequados. Recebemos exatamente o que queremos. A expressão em palavras é desnecessária, mas a ação constante em uma determinada direção revela o que desejamos – mesmo que nós mesmo não o percebamos – e, com o tempo (mais ou menos longo, conforme a intensidade do nosso desejo) se concretiza aquilo pelo que assim oramos.
As coisas assim obtidas ou alcançadas podem não ser aquilo que realmente e conscientemente desejamos. De fato, às vezes podemos receber algo de que preferíamos estar livres – algo que consideramos uma desgraça, um flagelo –, mas o ato da oração nos trouxe isso e devemos conservá-lo até que possamos legitimamente nos livrar dele. Se lançamos uma pedra para o ar, o ato não se completa até que a reação traga a pedra de volta ao solo. Nesse caso, o efeito sucede a causa com tamanha rapidez que não é difícil associar os dois.
No entanto, se dermos corda em um despertador à corda, a energia fica armazenada na mola até que um determinado mecanismo a libere. Surge então o efeito – o som da campainha – e, embora possamos ter estado mergulhados no sono mais profundo, a reação ou o desenrolar da mola ocorreu do mesmo modo. Da mesma forma, atos que esquecemos acabarão, mais cedo ou mais tarde, produzindo seus resultados inevitavelmente; assim, o ato da oração é atendido.
No entanto, existe a verdadeira oração mística – aquela em que encontramos Deus face a face, tal como Elias O encontrou. Não O encontramos no tumulto do mundo, no vento, no terremoto ou no fogo; mas, quando tudo está em quietude, a voz silenciosa fala conosco a partir do nosso interior. Contudo, o silêncio exigido para essa experiência não é um mero silêncio de palavras. Não há sequer as imagens interiores que habitualmente passam diante de nós na meditação, nem pensamentos; todo o nosso ser assemelha-se a um lago calmo e cristalino. Nele, Deus Se reflete, e vivenciamos a unidade que torna desnecessária a comunicação – seja por palavras ou de qualquer outra forma. Sentimos tudo o que Deus sente. Ele está mais próximo do que nossas mãos e nossos pés.
Cristo nos ensinou a dizer: “Pai nosso que estais nos céus”, etc. Esta oração é a mais sublime que possa ser expressa em palavras; contudo, a oração de que falo pode, no instante da união, se manifestar na única palavra não dita: “Pai”. O devoto, quando verdadeiramente imerso em espírito de oração, não vai além disso. Ele não faz pedidos; pois, que utilidade teriam? Acaso não possui a promessa: “O Senhor é meu Pastor, não me faltará”[3]? Não lhe foi dito para buscar primeiro o Reino de Deus, e que todas as outras coisas lhe seriam acrescentadas[4]? Talvez sua atitude possa ser mais bem compreendida se recorrermos à imagem de um cão fiel que olha, com devoção silenciosa, para o rosto de seu dono, com toda a sua alma transbordando amor através do olhar. Da mesma forma – embora, naturalmente, com intensidade muito maior –, o verdadeiro Místico se volta para o Deus interno e se derrama em adoração silenciosa. Assim, podemos orar incessantemente, no íntimo, enquanto trabalhamos como servos zelosos no Mundo externo; pois lembremo-nos sempre de que não se espera que passemos a vida apenas sonhando. Ao mesmo tempo em que oramos ao Deus interno, devemos também trabalhar para o Deus externo.
(Pergunta nº 166 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: ITss 5:17
[2] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803–1882) foi filósofo, ensaísta, poeta e conferencista norte-americano, reconhecido como o fundador e principal expoente do transcendentalismo, um movimento cultural e filosófico do século XIX nos Estados Unidos.
[3] N.T.: Sl 23:1
[4] N.T.: Mt 6:33
Resposta: Sim, não há dúvida que todas as estrelas do universo exercem alguma influência sobre os seres humanos, e alguns astrólogos levam em conta as posições de várias estrelas fixas ao levantar um horóscopo. A nosso ver, isso não passa de perda de tempo e esforço, pois a Mente humana comum já é suficientemente desafiada ao tentar equilibrar as influências recíprocas de Casas, Signos e Aspectos dos Astros, de modo a interpretar com precisão a mensagem completa das estrelas revelada por esses fatores fundamentais.
Pode-se afirmar, contudo, no tocante às Plêiades, que elas constituem um dos três pontos nebulosos do Zodíaco que, segundo se constatou, exercem influência perniciosa sobre o sentido da visão sob certas configurações do horóscopo envolvendo o Sol ou da Lua em relação a Saturno, Marte, Urano e Netuno.
(Pergunta nº 109 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Em todas as Religiões antigas, os quatro festivais solares que marcam os pontos equinociais e solsticiais do Sol no Zodíaco sempre foram considerados períodos sagrados. Portanto, ao abordar este estudo, não estamos aprendendo uma nova fé, mas apenas reaprendendo uma muito antiga.
No antigo Egito, esses festivais eram celebrados com grande pompa e esplendor; em procissões impressionantes, os sacerdotes carregavam os livros sagrados de astrologia. Esses sacerdotes ensinavam que tanto Libra quanto Escorpião eram Signos do “Equinócio de Setembro”. As almas, segundo a crença deles, desciam através da serpente para serem regeneradas no “Equinócio de Março” pelo poder do Cordeiro — o que, notamos, guarda grande semelhança com o nosso atual ensinamento Cristão.
No Egito, a origem do mal também era atribuída ao “Equinócio de Setembro”. Como estavam no hemisfério norte, acreditava-se que, assim como essa estação inaugurava o frio e a escuridão do inverno, ela também trazia a tentação e o pecado ao ser humano.
Todos os povos adoraram um deus cuja força e fraqueza eram vistas como simbolizadas pela luz e pela escuridão, bem como pela alternância entre calor e frio, marcadas pela passagem do Sol pelos doze Signos do Zodíaco.
Hércules foi reverenciado por séculos antes do estabelecimento do Império Grego; seus doze trabalhos descrevem com precisão a passagem do Sol pelos doze Signos do Zodíaco.
O mesmo ocorre com a história de Jacó e seus doze filhos[1], conforme apresentada na Bíblia. O “Equinócio de Setembro” era celebrado pelos antigos hebreus e é mencionado no Antigo Testamento como a Festa dos Tabernáculos ou a Festa da Colheita[2].
Nas Escrituras Cristãs, também observamos a referência de Ezequiel às donzelas de Israel que choravam e olhavam para o norte à espera do retorno de Tamuz, o deus solar sírio[3].
Astrologicamente, o assassinato de Hiram Abiff também é uma história relacionada ao “Equinócio de Setembro”. Os três assassinos são Libra, Escorpião e Sagitário. Hiram representa o Sol, que é ressuscitado no “Equinócio de Março” pela palavra do Mestre — ou seja, o Sol em Áries.
Muitas histórias ocultistas desses autores abordaram os festivais solares sob uma perspectiva puramente astronômica. Interpretar seu significado espiritual e Cristão é a tarefa da nossa Escola de Misticismo Cristão, a Fraternidade Rosacruz. O Cristo é uma figura cósmica, e Sua vida está delineada nestes festivais solares. A Iniciação é um processo cósmico de desenvolvimento. O ser humano é um epítome de Deus. “Assim como é em cima, é embaixo”.
Todo ser humano é um Cristo em formação, e as estrelas contêm uma biografia antecipada de nossas próprias vidas. O despertar do Cristo Interno constitui a consumação perfeita do nosso atual estágio de evolução.
Na época do “Equinócio de Março”, que a Igreja cristã celebra como a Páscoa, o Sol cruza o equador, passando das latitudes austrais para as boreais. A Ordem Rosacruz reconhece esse evento como o momento da Grande Libertação, quando o Espírito Solar — o Cristo — é libertado de seu aprisionamento na Terra.
No “Solstício de Junho”, quando o Sol atinge o ponto mais alto de sua declinação boreal, ele se encontra em Câncer, o grande Signo feminino ou de Água. É então que o Espírito Crístico alcança o trono do Pai e banha-se no êxtase de Sua vibração. O Sol passa, então, para Leão, o grande Signo masculino e de Fogo. Para os Cristãos Místicos, este é, de fato, um período sagrado.
Durante os meses de julho e agosto — ou enquanto o Sol transita de Câncer para Leão —, o Espírito Crístico funde os princípios do Fogo e da Água no Corpo Espírito de Vida renovado, radiante e glorioso, que Cristo está construindo como Sua dádiva à Terra para a Noite Santa, ou seja, a época do “Solstício de Dezembro”. É sobre esse grande Corpo de luz, provido pelo Cristo, que todas as quatro Ondas de Vida que evoluem neste Planeta — mineral, vegetal, animal e humana — são sustentadas ao longo do ano. S. Paulo enunciou uma profunda verdade oculta ao dizer: “N’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”[4].
À medida que o Sol entra em Virgem, esse grande Raio de vida descendente toca as esferas superiores da Terra. Místicos e pessoas sensíveis percebem uma compaixão terna e envolvente — uma beleza divina e etérea que permeia toda a Natureza — quando o Sol ingressa neste signo da Mãe Divina, Virgem. Nesta estação, toda a Natureza é impregnada pelo amor avassalador e pela glória sublime de Seu grande sacrifício anual pela Humanidade.
Nas palavras de Longfellow, é o momento em que o ar se enche “de uma luz mágica e onírica” e quando o grande Sol contempla a Terra “com o olhar do amor, através dos vapores dourados que o cercam.”[5]
Na Igreja Cristã, lamentamos, oramos e O louvamos porque Ele morreu uma vez por nós na cruz. Nessa concepção mais ampla do Cristianismo que aqui consideramos, passamos a compreender que Ele se sacrifica por nós anualmente e que deve continuar a fazê-lo até que tenhamos aprendido a desenvolver os poderes do Cristo em nós mesmos, ou seja, o Cristo Interno. Somente dessa forma podemos auxiliar em Sua libertação final e completa.
Quando o Sol entra em Libra, esse raio da Vida Crística toca definitivamente a superfície da Terra. É esse grande influxo que o Cristão Místico observa com tanta reverência no “Equinócio de Setembro”.
Eventos importantes na vida de Cristo estão em perfeita harmonia com os significados espirituais desses grandes pontos de virada das estações. Nas santas alegrias da Anunciação, encontramos um paralelo com os segredos da nova vida do “Equinócio de Março”. No santo mistério da Imaculada Conceição, o Sol toca a atmosfera da Terra no “Equinócio de Setembro” e, no “Solstício de Dezembro”, celebramos o Santo Nascimento, ou a época do Natal.
Libra é o local de prova ou a roda de equilíbrio. Saturno, que está Exaltado em Libra, coloca a Terra sob o domínio das trevas e, também, faz com que sejamos provados ao máximo. Mas, como Vênus — o Planeta do amor — também rege Libra, descobrimos que, na divina providência da infinita misericórdia e sabedoria de Deus, também é providenciado um meio de escape para cada tentação trazida pelo Grande Provador.
À medida que o Sol passa do “Equinócio de Março” para o “Equinócio de Setembro”, ou de Áries para Libra, a Vida Crística atua através dos veículos superiores da Terra.
À medida que o Sol passa do “Equinócio de Setembro” para o “Equinócio de Março”, ou de Libra para Áries, a Vida Crística atua através dos Estratos físicas ou materiais do Planeta. Ao meditarmos em espírito de oração sobre essas verdades espirituais sublimes, encontramos um significado novo, mais profundo e mais santo na bênção final de Cristo, proferida pouco antes da Ascensão, quando Ele disse: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:20).
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro-outubro de 1997 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: 1Jacó chamou seus filhos e disse: “Reuni-vos, eu vos anunciarei o que vos acontecerá nos tempos vindouros. 2Reuni-vos, escutai, filhos de Jacó, escutai Israel, vosso pai: 3Rúben, tu és meu primogênito, meu vigor, as primícias de minha virilidade, cúmulo de altivez e cúmulo de força, 4impetuoso como as águas: não serás colmado, porque subiste ao leito de teu pai e profanaste minha cama, contra mim! 5Simeão e Levi são irmãos, levaram a cabo a violência de suas intrigas.6Que minha alma não entre em seu conselho, que meu coração não se una ao seu grupo, porque na sua cólera mataram homens, em seu capricho mutilaram touros. 7Maldita sua cólera por seu rigor, maldito seu furor por sua dureza. Eu os dividirei em Jacó, eu os dispersarei em Israel. 8Judá, teus irmãos te louvarão, tua mão está sobre a cerviz de teus inimigos e os filhos de teu pai se inclinarão diante de ti. 9Judá é um leãozinho: da presa, meu filho, tu subiste; agacha-se, deita-se como um leão, como leoa: quem o despertará? 10O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de chefe de entre seus pés, até que o tributo lhe seja trazido e que lhe obedeçam aos povos. 11Liga à vinha seu jumentinho, à cepa o filhote de sua jumenta, lava sua roupa no vinho, seu manto no sangue das uvas, 12seus olhos estão turvos de vinho, seus dentes brancos de leite. 13Zabulon reside à beira-mar, é marinheiro sobre os navios, tem Sidônia a seu lado. 14Issacar é um jumento robusto, deitado no meio dos cerrados. 15Ele viu que o repouso era bom, que a terra era agradável, baixou seu ombro à carga, e sujeitou-se ao trabalho escravo. 16Dã julga seu povo, como cada tribo de Israel. 17Dã é uma serpente sobre o caminho, uma cerasta sobre a vereda, que morde os talões do cavalo e o cavaleiro cai para trás! 18Em tua salvação eu espero, ó Iahweh! 19Gad, guerrilheiros o guerrilharão e ele guerreia e os fustiga. 20Aser, seu pão é abundante, ele oferece manjares de rei. 21Neftali é uma gazela veloz que tem formosas crias.22José é um rebento fecundo perto da fonte, cujas canas ultrapassam o muro. 23Os arqueiros o exasperaram, atiraram e o aborreceram. 24Mas seu arco foi quebrado por um poderoso, foram rompidos os nervos de seus braços pelas mãos do Poderoso de Jacó, pelo Nome da Pedra de Israel, 25pelo Deus de teu pai, que te socorre, por El Shaddai? que te abençoa: Bênçãos dos céus no alto, bênçãos do abismo deitado embaixo, bênçãos das mamas e do seio, 26bênçãos dos espinhos e das flores, bênçãos das montanhas antigas, atração das colinas eternas, que elas venham sobre a cabeça de José, sobre a fronte do consagrado entre seus irmãos! 27Benjamim é um lobo voraz, de manhã devora uma presa, até à tarde reparte o despojo”. 28Todos estes formam as tribos de Israel, em número de doze, e eis o que lhes disse seu pai. Ele os abençoou: a cada um deu uma bênção que lhe convinha. (Gn 49:1-28)
[2] N.T: “E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo, será a Festa dos Tabernáculos ao Senhor, por sete dias.” (Lv 23:33-34)
[3] N.T.: Levou-me à entrada da porta da Casa do SENHOR, que está no lado norte, e eis que estavam ali mulheres assentadas chorando a Tamuz. (Ez 8:14)
[4] N.T.: At 17:28
[5] N.T.: do poema Evangeline — Um Conto de Acádia, um clássico épico de Henry Wadsworth Longfellow
Pergunta: O que o primeiro despertar traz?
Resposta: Traz ao Espírito o som da música.
Pergunta: Por que não ouvimos a música das esferas durante nossa vida na Terra?
Resposta: Porque estamos tão imersos nos pequenos ruídos e sons do nosso ambiente limitado que somos incapazes de ouvi-la, mas o cientista ocultista ouve.
Pergunta: O que o ocultista sabe a respeito da música das esferas?
Resposta: Ele sabe que os doze Signos do Zodíaco e os sete planetas formam a caixa de ressonância e as cordas da lira de sete cordas de Apolo. Ele sabe que, se uma única discórdia viesse a macular a harmonia celeste desse grandioso instrumento, haveria uma destruição da matéria e um colapso dos Mundos.
Pergunta: Que ilustração você pode dar do poder da vibração rítmica?
Resposta: Quando soldados atravessam uma ponte, recebem a ordem de quebrar o passo; caso contrário, sua marcha rítmica poderia, com o tempo, despedaçá-la.
Pergunta: Que história da Bíblia se refere a esse fato?
Resposta: O toque da trombeta de chifre de carneiro enquanto marchavam ao redor das muralhas da cidade de Jericó.
Pergunta: Quando a nota-chave de uma estrutura é emitida, o que pode acontecer?
Resposta: Se ela for suficientemente prolongada, poderá despedaçar a parede ou a estrutura.
Pergunta: Existe alguma conexão entre tom e cor?
Resposta: Muitas pessoas sabem que existe uma íntima conexão entre tom e cor, porque quando uma determinada nota é tocada, uma cor específica aparece simultaneamente.
Pergunta: Cor e som estão presentes ambos no Segundo Céu?
Resposta: Estão, mas o tom é o originador da cor. Por isso se diz que este é particularmente o mundo do tom e é esse tom que constrói todas as formas no Mundo Físico.
Pergunta: O músico pode ouvir alguns tons musicais em diferentes partes da natureza?
Resposta: Pode, como no vento na floresta, no som das ondas na praia ou no de muitas águas.
Pergunta: O que esses tons combinados produzem?
Resposta: Produzem um todo que é a nota-chave da Terra — o seu tom.
Pergunta: O que essa nota-chave produz?
Resposta: Assim como figuras geométricas são criadas ao passar o arco de um violino sobre a borda de uma placa, as formas que vemos ao nosso redor são figuras sonoras cristalizadas das forças arquetípicas que atuam sobre os Arquétipos no Mundo Celestial.
Pergunta: O tempo no Mundo Celestial é uma existência inativa, sonhadora ou ilusória?
Resposta: O trabalho realizado pelo ser humano nos Mundos celestiais é multifacetado. É um tempo da maior e mais importante atividade na preparação para a próxima vida, assim como o sono é uma preparação ativa para o trabalho do dia seguinte.
Pergunta: O que é realizado nos Mundos celestiais?
Resposta: Aqui, a quintessência dos três Corpos é incorporada ao Tríplice Espírito.
Pergunta: Como isso é realizado no Corpo de Desejos?
Resposta: A quantidade de trabalho do ser humano durante sua vida, purificando seus desejos, sentimentos e suas emoções, será fundida ao Espírito Humano, proporcionando assim uma Mente melhorada no futuro.
Pergunta: Como o Corpo Vital é trabalhado nessa conexão?
Resposta: A quantidade de trabalho que o Espírito de Vida realiza sobre ele, transformando e espiritualizando, será fundida a este Espírito para assegurar um Corpo Vital e um temperamento melhores nas vidas futuras.
Pergunta: E aquilo que é feito aqui pelo Corpo Denso?
Resposta: A quantidade de trabalho realizado pelo Corpo Denso que o Espírito Divino salvou por meio da ação correta será integrada a ele e trará ambiente e oportunidades melhores nas próximas vidas.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Resposta: Significa exatamente o que é dito, pois a Terra está passando por inúmeros estágios evolutivos que proporcionam as condições necessárias para o nosso desenvolvimento. Houve a era de escuridão, durante a qual o material do nosso Planeta se aglutinou em um estado de fermentação e germinação que gerava calor; assim, em certo momento, quando foi proferido o decreto criador: “Faça-se a luz”, essa matéria se transformou em uma nebulosa ígnea e luminosa, girando em torno do seu eixo e aquecendo a atmosfera circundante, a qual, por sua vez, era resfriava pelo contato com o espaço exterior. Desse modo, foi gerada a umidade, que precipitou sobre o Planeta incandescente, fazendo com que se desprendesse um vapor – uma neblina ígnea.
Durante éons, esse processo de evaporação e condensação continuou até que a Terra formou uma crosta sólida e se tornou o que conhecemos como terra firme, de onde subia uma névoa – fato também mencionado na Bíblia. Esse vapor se resfriou e se condensou, precipitando sobre a Terra como um dilúvio que, por fim, limpou a atmosfera e estabeleceu as condições atmosféricas prevalecentes até hoje. No passado, possuíamos Corpos adaptados para viver nos variados ambientes da Terra e, atualmente, nossos veículos físicos são compostos em grande parte por água, assim como são os Corpos Densos dos animais e das plantas. No entanto, a Bíblia diz que “a carne e o sangue” não podem herdar o Reino de Deus. Somos informados que deixaremos o Corpo Denso e seremos arrebatados nos ares; além disso, como você mencionou: “não haverá mais mar“. Assim, as condições gerais nos sãos apresentadas, e há muitos indícios de que, embora essas mudanças estejam ocorrendo lentamente, elas certamente virão. Os cientistas começam agora a reconhecer o fato de que a Terra está perdendo umidade. Lemos num artigo publicado na revista “Literary Digest”: “Muitas autoridades reconhecem o fato de que a Terra está perdendo lentamente sua umidade. Segundo C. F. von Hermann[1], em artigo publicado na Revista Science (New York), a maneira como isso ocorre é parcialmente explicada pela ação de descargas elétricas que decompõe o vapor. Um dos gases componentes, o hidrogênio, é muito leve e sobe até as camadas superiores da atmosfera terrestre, de onde acaba sendo expelido. A longo prazo, essa perda de hidrogênio resulta em perda de água. A decomposição da umidade terrestre, com sua consequente perda definitiva, também é provocada por outros agentes, notadamente o efeito dos raios luminosos da faixa superior do espectro. Von Hermann cita o Dr. Karl Stoeckel, autor que escreveu para a publicação na Revista Umschau, afirmando: ‘Acredita-se que os raios ultravioleta da luz solar, ao incidirem sobre o vapor d’água suspenso nas camadas inferiores da atmosfera terrestre, decompõem uma pequena parte dele, produzindo hidrogênio, que ascende a grandes altitudes’.”
Sobre isso, o Sr. von Hermann comenta o seguinte: “Creio que não se havia apontado antes que a superfície da Terra deve estar perdendo hidrogênio continuamente devido à decomposição do vapor de água causada por cada descarga de raio. Pickering e outros identificaram as linhas de hidrogênio no espectro dos raios, e as principais obras de meteorologia mencionam o fato de que as descargas elétricas decompõem certa quantidade de água… O hidrogênio formado por cada raio sobe rapidamente para a alta atmosfera e perde-se para o espaço. Considerando a frequência de tempestades durante o verão em ambos os hemisférios — e a ocorrência constante delas nas regiões equatoriais —, essa perda de hidrogênio não pode ser considerada insignificante. Enquanto as condições na Terra permitirem a ocorrência de tempestades, o lento processo de dessecação do planeta deverá continuar.”
Assim, os ensinamentos da Bíblia são confirmados em todos os pontos essenciais à medida que a ciência avança. Os fatos descobertos demonstram a precisão com que o passado e o presente foram descritos. Isso nos dá motivos para crer que os acontecimentos futuros também estarão em harmonia com as verdades ensinadas na Bíblia.
(Pergunta nº 80 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: “Is the Earth Drying Up?” (A Terra está secando?) — Este segmento de divulgação científica resumiu explicitamente o artigo de von Hermann publicado na *Science* para explicar como o gás hidrogênio escapa para as camadas superiores da atmosfera. (November 22, 1913 – Volume: Vol. 47, No. 21) – Charles F. von Herrmann (c. 1897-1905): inicialmente meteorologista na Estação Experimental Agrícola estadual, von Herrmann tornou-se diretor do Serviço de Clima e Culturas do *Weather Bureau* (Serviço Meteorológico) na Carolina do Norte, compilando registros de observação e resumos mensais de toda a região do Atlântico Sul.
Há passagens na Bíblia, especialmente nos Evangelhos, em que se observarmos mais atentamente veremos algo muito mais transcendente do que Cristo Jesus produzindo uma de suas maravilhas.
Aqui seguem dois exemplos bem contundentes:
No Evangelho Segundo S. Mateus 8:23-27 estudemos o seguinte trecho:
“Então, entrando Ele no barco seus Discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto Cristo Jesus dormia. Mas os Discípulos vieram acordá-Lo clamando: ‘Salva-nos, pereceremos’. Acudiu-lhes então Cristo Jesus: ‘Por que sois tímidos, homens de pequena fé?’. E levantando-se repreendeu os ventos e o mar e fez-se grande bonança. E maravilharam-se os homens dizendo: ‘Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?’”
E no mesmo Evangelho (14:22-33), estudemos esse trecho:
“Logo a seguir compeliu Jesus os Discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto Ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde lá estava Ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os Discípulos ao verem-no andando por sobre as águas ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma. E tomados de medo gritaram, mas Cristo Jesus imediatamente lhes falou: ‘Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais’. Respondendo-lhe Pedro disse: ‘Se és tu Senhor, manda-me ir ter contigo por sobre as águas’. E Ele disse: ‘Vem’. E Pedro descendo do barco andou sobre as águas e foi ter com Cristo Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo e começando a submergir, gritou: ‘Salva-me Senhor’. E, prontamente Cristo Jesus estendendo a mão tomou-o e lhe disse: ‘Homem de pequena fé, porque duvidastes?’. Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram dizendo: ‘Verdadeiramente és Filho de Deus’”.
Aqui Cristo Jesus não estava literalmente dominando os elementos próprios do Mundo Físico, tais como a tempestade, os ventos e as ondas fortíssimas. Na realidade, estas passagens do Novo Testamento relatam experiências ocorridas em outra dimensão. Na literatura Rosacruz a água simboliza as emoções e o Mundo do Desejo.
À natureza da água lembra muito o Mundo do Desejo, cuja substância se encontra em constante movimento. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que a permanência no Mundo do Desejo requer muito equilíbrio e discernimento do Estudante Rosacruz. Quando faltam essas qualidades ocorre justamente o pânico que sobressaltou S. Pedro no capítulo 14, nos versículos 22-33 do Evangelho acima.
S. Pedro deixou o barco (simbolizando o Corpo Denso) e se aventurou-se no Mundo do Desejo, logicamente, utilizando seu Corpo de Desejos. Porém, ainda não conseguia se manter-se equilibrado e com o nível de discernimento necessário para lá permanecer sereno, tendo assim que receber a ajuda de Cristo. “Caminhar sobre as águas” é dominar os elementos do Mundo do Desejo.
Pois, também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a lei que rege a matéria da Região Química do Mundo Físico é a inércia, a tendência a permanecer em status quo. É necessária certa soma de energia para vencer essa inércia, para fazer com que um material qualquer, por exemplo um corpo, em repouso se mova ou para deter um que esteja em movimento. Tal coisa não acontece com a matéria componente do Mundo do Desejo. Em si própria é quase vivente, está em movimento incessante, fluídico. Pode tomar formas inimagináveis com inconcebível facilidade e rapidez brilhando ao mesmo tempo com milhares de cores coruscantes sem termos de comparação com qualquer coisa que conhecemos neste estado físico de consciência. Desta ligeira descrição pode-se deduzir quão difícil será para o neófito que acaba de abrir os olhos internos, encontrar o equilíbrio no Mundo do Desejo. É um manancial de toda espécie de perturbações e perplexidades.
Outro importante ensinamento que aprendemos na Filosofia Rosacruz é que a característica principal dos Globos lunares, quando vivíamos no Período Lunar, pode ser descrita como ‘umidade’. Os Cientistas ocultistas chamam “água” aos Globos do Período Lunar e descrevem sua atmosfera como se fosse névoa ígnea.
Também aprendemos que cada dia da semana corresponde a um dos Períodos e é regido por um Astro em particular. À segunda-feira corresponde ao Período Lunar e é regida pela Lua que exerce decisiva influência sobre as águas, os fluídos, as marés e afins.
Por outro lado, o domínio das emoções representa uma transição de um estado de consciência para outro. Por exemplo, os israelitas para entrar na Terra Prometida, primeiro tiveram de atravessar o Mar Vermelho e depois o Rio Jordão.
Cruzar as águas é uma vitória sobre as emoções, sobre si próprio. Se você supera alguma dificuldade, “você cruzou o Jordão”.
Outro exemplo nesse sentido é a Arca de Noé que, esotericamente interpretada, representa um estado de consciência mais elevado, uma vitória sobre a comoção e insegurança causadas por grandes transformações. O dilúvio é uma alegoria do desaparecimento da Atlântida. Os sobreviventes simbolizam um tipo superior de Humanidade, capaz de responder positivamente às necessidades evolutivas da Época Ária.
Aprendemos que as Épocas contêm em si mesmas espirais evolutivas menores, que são as Eras. As Eras são algumas dessas espirais. O ser humano da Era de Peixes é emotivo por excelência. Eis porque esta Era está intimamente ligada ao elemento Água: o batismo com água nas Igrejas cristãs, a água benta, a emotividade que envolve a devoção.
Na próxima Era — que é a Era de Aquário — essas características serão modificadas. O ser humano aquariano será mais racional. A atmosfera mais seca e elétrica que predominará ensejará o fortalecimento da atividade intelectual. A representação astrológica de Aquário consiste em “um homem”, o aguador, despejando a água do seu cântaro.
Num futuro mais distante ainda, às emoções serão totalmente sublimadas e amalgamadas à constituição espiritual do ser humano. Isso foi anunciado no Capítulo 21 do Livro do Apocalipse: “Vi novo Céu e nova Terra, pois o primeiro Céu e a primeira Terra passaram e o mar já não existe”. Temos, portanto, uma árdua tarefa pela frente!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/abril – 1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Os Semitas Originais constituíam a quinta das Raças Atlantes. Eles emergiram da Atlântida submersa, conforme narrado de diversas formas nas histórias de Noé e Moisés. Destinaram-se a uma Terra Prometida – não a pequena e insignificante Palestina, mas a Terra inteira, como está constituída atualmente. Essa Terra lhes foi prometida porque o Planeta passava pelas transformações habituais quando uma nova Raça está prestes a assumir o seu domínio. Dilúvios haviam destruído a civilização atlante e, nas vastidões de Gobi, na Ásia Central, vagava o núcleo das atuais Raças arianas (da Época Ária).
Na época em que tal núcleo estava destinado a se tornar uma Raça que povoaria o mundo, a procriação dos filhos era, naturalmente, uma consideração primordial. Por isso, via-se como dever de todos gerar um grande número de filhos e ser extremamente fecundos. Mas, não estamos vivendo mais nesses tempos; o mundo está bem povoado, e os Egos que reencarnam aqui são atendidos sem a necessidade de esforços especiais de procriação. Nunca defendemos o celibato geral, nem que as pessoas devessem se casar e depois viver como irmãos; mas ensinamos que as pessoas casadas devem, de acordo com as circunstâncias, ajudar a perpetuar a Raça humana. Isto é, se marido e esposa estiverem fisicamente, moral e mentalmente aptos, e se possuírem um lar onde um Ego em processo de renascimento aqui possa obter a oportunidade de renascer e adquirir experiência, eles devem se oferecer como um sacrifício vivo no altar da Humanidade e doar a substância de seus Corpos para fornecer um veículo a esse Ego, convidando-o para o lar deles, como convidariam um hóspede querido, gratos por poderem fazer por ele o que outros lhes fizeram. Contudo, uma vez realizado o ato de concepção, devem se abster de novas relações sexuais, até que se sintam novamente aptos a gerar o corpo para outra criança. Esse é o ensinamento dos Rosacruzes sobre a relação ideal entre marido e esposa. Eles sustentam que a função sexual criadora não deve ser utilizada para fins sensuais, mas sim para a perpetuação da Raça humana, para a qual foi naturalmente destinada. Essa é uma condição ideal e pode estar além do alcance da maioria das pessoas no momento atual – tal como a recomendação de amar os nossos inimigos –, mas, se não tivermos ideais elevados, não faremos progresso algum.
(Pergunta nº 21 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Se há um Deus eterno e onipotente, é razoável nos esforçar por descobrir se Ele tem se comunicado conosco. Certos livros pretendem ser escritos inspirados. Mas entre eles, e ultrapassando a todos na grandeza de sua revelação e na sublime elevação de sua moral, está a Bíblia. Ousadamente S. Paulo, o grande apóstolo, fornece o testemunho: “Toda a Escritura é divinamente inspirada.” (IITm 3:16), e a Bíblia deve permanecer ou cair pelos resultados dos testes sobre a genuidade de seus reclamos. A declaração é por demais importante para ser considerada levianamente. Ou este livro é a Palavra viva de Deus vivo ou é o maior embuste que pode haver. Há muitas maneiras de provar os reclamos da Escritura. Deus mesmo tem em Suas páginas feito muitos desafios diretos aos incrédulos e aos que “voluntariamente ignoram”, mas presentemente só poderemos considerar um deles: a Exatidão Cientifica da Palavra de Deus.
Vivemos na época em que muitos de nós exigem provas objetivas para tudo aquilo que aceitam como verdade. Poderá a Bíblia suportar tais provas? As descobertas da Ciência material que têm mudado tantas das filosofias, por tanto tempo aceitas pela Humanidade: sairá a Bíblia incólume?
Notemos, antes de tudo, que a Bíblia não é um compêndio de Ciência. Pretende ser uma declaração de Deus a nós e uma manifestação de Sua vontade para com as Suas criaturas, e como tal se poderia dizer que qualquer inexatidão científica em nada diminuiria seu real valor.
Entretanto, se é a Palavra eterna de um Deus onipotente, mesmo Suas alusões aos fenômenos naturais devem estar em harmonia com todas as verdades científicas demonstráveis.
Tudo o que reclamamos é o direito de usar este livro como linguagem figurada, como nós o fazemos, em vez de estrita fraseologia dos compêndios de ciência, pois, todos nós sabemos o que se quer dizer ao ser usada a expressão: “O Sol levanta-se no Oriente e põe-se no Ocidente”. Atualmente esta ocorrência poderia ser cientificamente expressa em termos da rotação da Terra. Não há, por certo, discrepância ou contradição alguma em tais expressões.
Um ponto importante e digno de ser salientado é que este velho livro, que data de cerca de três mil e quinhentos anos atrás, excluiu todos os absurdos científicos que se encontram em todos os outros escritos antigos – e em muitos outros escritos, também que não são ainda tão velhos.
Consideremos, primeiramente, alguns fatos a respeito da Terra. Para os antigos, a Terra era o centro do universo (Teoria de Ptolomeu). Supunham-na apoiada sobre uma espécie qualquer de fundamentos fixos. Para muitos deles era plana. Para os entendidos daqueles dias a Bíblia deve ter parecido muito contrária à ciência, pois que figura nos apresenta ela a respeito da Terra? Em primeiro lugar, a Bíblia nos conta, definidamente, que a Terra não é centro do universo. No Livro de Jó, capítulo 26 e versículo 14, falando dos céus ornados (estrelados), o que inclui a nossa Terra, declara que são apenas as “orlas de Seus caminhos”[1], ou podemos dizer: estas são apenas “os limites de Suas obras”.
Quanto à Terra ser suportada por fundamentos fixos, é-nos dito: “O norte estende sobre o vazio; suspende a Terra sobre o nada.” (Jo 26:7). Mais tarde é sobre esta questão feita a seguinte pergunta, no Livro de Jó capítulo 38 e versículo 6: “Onde se encaixam suas bases, ou quem assentou sua pedra angular?”. A forma da Terra é claramente descrita no Livro de Isaias, capítulo 40 e versículo 22: “Ele é o que está assentado sobre o globo da Terra”. Mais de 2.000 anos antes de Torricelli[2], o discípulo de Galileu[3], demonstra que a atmosfera exerce pressão e inventa o barômetro, como já declarado no Livro de Jó capítulo 28 e versículos 24 e 25: “Porque Ele vê as extremidades da Terra… deu peso ao vento.”. Sete quilos por polegada quadrada, a pressao atmosférica sobre a Terra é estimada em quinhentos milhões de toneladas.
E a Bíblia já se havia, mais de uma vez, antecipado as descobertas à ciência. O tempo não nos permitiria de maneira alguma tocar nas surpreendentes provas da exatidão histórica da Bíblia encontradas nas descobertas arqueológicas.
Mas as próprias pedras afirmam hoje a historicidade de Belsazar[4], dos heteus[5], da queda de Jericó[6], e de muitas outras histórias tão triunfalmente desdenhadas pelos críticos de poucos anos.
Algumas das declarações feitas pelos chamados “homens da ciência” não se têm provado dignas de crédito, e nos permiti asseverar, confidencialmente, que ainda não foi provada nenhuma verdade científica que não esteja em harmonia com a verdade bíblica.
Permiti-nos dizer isto em conclusão: houve tempos, em que divergiam a Bíblia e as teorias da chamada Ciência material. Mas onde isto se deu, não foi a Bíblia que mudou de posição para produzir a harmonia. A maior dificuldade de hoje é a do cientista que pratica a Ciência material se manter em dia. Pessoas que não se especializaram nesta classe de estudos podem-se achar advogando teorias já abandonadas por seus companheiros mais progressistas.
Voltemos ao nosso texto: “A Tua Palavra é a verdade desde o princípio” (Sl 119:160), e reconheçamos em nossa alma que o honesto indagador da Verdade sempre achará perfeita harmonia na Palavra inspirada e na luminosa obra do Grande Criador.
Tenhamos perfeita confiança para aceitar a ambas, como nosso guia e bordão nesta vida e, como nossa certeza, da vida por vir.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: “Eis que isto são apenas as orlas dos seus caminhos.” (Jo 26:14)
[2] N.R.: Evangelista Torricelli (1608–1647) foi um físico e matemático italiano, famoso por inventar o barômetro e por formular o Teorema de Torricelli e a Equação de Torricelli. Discípulo de Galileu, ele provou a existência do vácuo e demonstrou que a pressão atmosférica é o que suporta colunas de líquidos.
[3] N.R.: Galileu Galilei (1564–1642) foi um polímata italiano, frequentemente chamado de “pai da ciência moderna”. Ele revolucionou a física, a astronomia e fundou o método científico experimental. Seus estudos desafiaram dogmas antigos e provaram a teoria heliocêntrica, onde a Terra e outros planetas giram em torno do Sol.
[4] N.R.: Belsazar foi o último corregente e rei da Babilônia antes da queda do império para os persas em 539 a.C. Filho do rei Nabonido, ele governava o império na ausência do pai e ficou amplamente conhecido pelo relato bíblico do “banquete de Belsazar”, no qual uma mão misteriosa escreveu uma sentença na parede.
[5] N.R.: Os heteus (também chamados de hititas) foram um povo poderoso e numeroso da Antiguidade. Eles formaram um grande império na região da Ásia Menor (atual Turquia) entre 1900 e 1200 a.C.. Conhecidos por dominar a tecnologia do ferro e pela forte organização militar, também são citados na Bíblia como habitantes da terra de Canaã.
[6] N.R.: é um famoso relato do Antigo Testamento (Livro de Josué). Após atravessar o rio Jordão, o povo de Israel, liderado por Josué, sitiou a cidade cananeia que tinha grandes muralhas. Por ordem divina, eles rodearam a cidade por sete dias tocando trombetas e, no último dia, deram um grande grito, fazendo as paredes desmoronarem.