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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Oração: Um Lugar Reservado para Orar

Todo lar deve ter um lugar para orar que pode ser também o lugar para oficiar os Rituais dos Serviços Devocionais da Fraternidade Rosacruz. Houve um tempo, nas gerações anteriores, em que isso era um costume na maioria dos lares. Mas hoje, em quantos lares existe tal lugar reservado? Max Heindel enfatiza fortemente a importância de certos pré-requisitos para a construção de tal lugar, e sabiamente explica as leis operacionais para que possamos seguir com entendimento as regras que ele estabelece.

Primeiro, ele recomenda que o Estudante Rosacruz garanta um lugar constante para orar e oficiar os Rituais, pois cria-se em torno dele a egrégora. Agora, é claro, isso não significa que aqueles que precisam se deslocar de um lugar para outro devam suspirar e dizer: “Isso, então, não é para mim”. Ocorre apenas que nossas meditações repetitivas constroem o que tem sido tão apropriadamente chamado de “vibrações superlativamente espirituais”. Portanto, a cada mudança, o Estudante Rosacruz deve começar novamente a lançar as bases vibratórias, em vez de ser capaz de construir sobre aquelas já lançadas.

Em algum lugar, então, na residência em que moramos, deve haver um espaço reservado para tal. Um canto de um cômodo. Ou talvez tenhamos a sorte de ter um cômodo pequeno que não mais seja necessário. Seja ele pequeno ou grande, deve ser um lugar reservado.

Vamos a um exemplo: um pequeno canto de um cômodo de pouca circulação, protegido por duas paredes e uma lateral de uma cômoda. Portanto, fica bem escondido de qualquer um que entre no cômodo. Uma mesa neste canto pode ajudar. No centro, de preferência no lado oeste e ao fundo, está o Símbolo Rosacruz emoldurado que fica encoberto (só é descoberto quando se oficia um Ritual do Serviço Devocional – desde a Saudação Rosacruz até o fim da leitura da Oração Rosacruz). Diretamente à sua frente está a Bíblia sempre aberta no início do Evangelho Segundo S. João.

Quando estamos em casa e nossos deveres nos mantêm próximos a esse ambiente, somos lembrados do que ele representa. Em outros dias, quando estamos em outros lugares, se pararmos por um instante, vem à mente a “imagem” daquele ambiente próprio para a oração e ofício dos Rituais e seu significado, e por mais um instante nossas Mentes estão voltados àquele simbolismo. Podemos orar, em qualquer lugar, a qualquer hora, pois Deus está em todas as Suas criações, mas ter um ambiente reservado, em torno do qual nossas orações constroem um templo suprafísico de Amor e Aspiração, é da maior importância para o Estudante Rosacruz que busca diariamente essa comunhão divina com Deus, nosso Criador.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/1947 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Bíblia Cristã está em comum acordo com os Ensinamentos Rosacruzes

Com o passar o tempo nos deparamos com muitos Estudantes Rosacruzes, que ao entrarem em contato com os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, ficam tão entusiasmados ou maravilhados com a explicação tão clara e compreensível sobre Deus, sobre a origem do ser humano, sobre a criação do universo, e muitas outras “descoberta”, que alguns deles, analisando intelectualmente estes Ensinamentos, caem na ideia incorreta de achar que o estudo da Bíblia não é mais necessário e acabam colocando este maravilhoso livro de lado.

Na verdade, eles podem até pensar que os ensinamentos contidos na Bíblia podem estar até desatualizados, dado que todos temos o livre-arbítrio; contudo, isto é um grande erro e como prova conclusiva, escreveremos aqui o que está escrito no Ritual do Serviço Devocional do Templo da Fraternidade Rosacruz: “A Bíblia foi dada ao Mundo Ocidental pelos Anjos do Destino que, estando acima de todos os erros, dão a cada um e a todos exatamente o que necessitam para o seu desenvolvimento. Por conseguinte, se procurarmos a Luz, encontrá-la-emos na Bíblia”.

Sabemos que Max Heindel escreveu o Conceito Rosacruz do Cosmos ditado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz para, também, tornar mais fácil a nossa compreensão dos ensinamentos da Bíblia. Assim, torná-la mais facilmente compreensíveis em muitas de suas passagens difíceis de compreender.

Estudando o Conceito Rosacruz do Cosmos aprendemos que “Deve-se também notar que os que originalmente escreveram a Bíblia não pretenderam dar a verdade de maneira a poder tê-la quem quisesse. Nada estava mais distante de sua Mente do que a ideia de escrever ‘um livro aberto de Deus’.”. Notemos que os nossos irmãos e as nossas irmãs Iniciados de vários graus (desde a primeira Iniciação Menor até à quarta Iniciação Maior) têm a capacidade de poder ler a Bíblia de uma forma abrangente e totalmente entendida. Afinal, é lógico que teria sido necessário muito menos habilidade para escrever a Bíblia claramente do que para ocultar o seu significado. Mas, no devido tempo e para quem trabalhar firmemente por meio da espiritualidade (e não da intelectualidade) a informação será prestada, retirando-a daqueles que não conquistaram o direito a sua posse.

Um outro ponto que devemos destacar aqui sobre a Bíblia é a questão do Antigo Testamento. Também, estudando o livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz aprendemos: “…se examinarmos o primeiro capítulo do Gênesis, tal como aparece nas melhores traduções que possuímos, veremos que expõe o mesmo Esquema de Evolução explicado na parte anterior desta obra, Esquema que se harmoniza perfeitamente com as informações ocultistas relativas aos Períodos, às Revoluções, Raças, etc. O resumo que se encontra nesse capítulo é, necessariamente, condensado e brevíssimo, mencionando-se um Período inteiro numas poucas palavras”.

E com relação ao Novo Testamento, estudando a mesma obra, aprendemos: “Os Ensinamentos Cristãos do Novo Testamento pertencem particularmente aos seres humanos que evoluem no mundo ocidental.” (…) “Os espíritos de todos os países da Terra que se esforçam em seguir os ensinamentos de Cristo, conscientemente ou não, renascem ali, no propósito de que as condições apropriadas ao seu desenvolvimento lhes serem dadas”.

Muitas informações valiosas podem ser compreendidas e assimiladas estudando a Bíblia em conexão com os tópicos discutidos no Conceito Rosacruz do Cosmos. À luz do que foi dito acima, é completamente evidente que nenhum Estudante Rosacruz deveria descartar a Bíblia, mas, ao contrário, deveria fazer um estudo mais profundo dela, esforçando-se seriamente para descobrir a luz espiritual que nela se encontra.

Que as rosas floresçam em vossa cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: É comumente assumido que cada Alma individual teve um começo, mas, mesmo assim, é constituída de forma que seja imperecível. Essa ideia foi questionada por alguém que acredita que a morte põe fim a tudo, e eu gostaria de encontrar algum argumento, ou passagens da Bíblia para que eu possa convencê-lo de que ele está errado. Você poderia me ajudar, por favor?

Resposta: Embora existam várias maneiras de demonstrar que a morte não seja o fim de tudo, tememos que nenhum argumento seja capaz de convencer alguém que não esteja disposto a aceitar a verdade. Você se lembra da parábola de Cristo sobre o homem rico e Lázaro, que morreram e, quando o homem rico desejou que Lázaro fosse autorizado a voltar dos mortos para avisar seus irmãos, Cristo disse: “Se não ouvem Moisés e os profetas, não acreditarão ainda que alguém ressuscite entre os mortos[1]?

E isso é exatamente o que acontece. Já ouvimos alguns, assim chamados, cientistas dizerem que não se convenceriam da vida após a morte, mesmo que realmente vissem um fantasma, pois, tendo concluído pela razão e pela lógica, de forma completamente satisfatória para si mesmos, que fantasmas não existem, concluiriam que estivessem sofrendo de alucinação, caso se de fato vissem um fantasma.

Também não é possível apresentar declarações da Bíblia. A palavra “imortal” não aparece de forma alguma no Antigo Testamento. Naquela época, dizia-se: “morrendo, morrerás[2] e uma vida longa era oferecida como recompensa pela obediência. Tampouco essa palavra é encontrada nos quatro Evangelhos, mas nas Epístolas de S. Paulo[3], onde ela aparece seis vezes. Na primeira passagem, fala-se de Cristo, que trouxe à luz a imortalidade por meio do Evangelho. Em outra, ele nos diz que “este corpo mortal precisa revestir-se da imortalidade[4]. Na terceira ele deixa claro que essa imortalidade é concedida àqueles que a buscam. Na quarta, fala sobre nosso estado, “quando este corpo mortal se revestir da imortalidade[5]. Na quinta, declara que “Somente Deus possui a imortalidade[6] e a sexta passagem é uma adoração ao Rei eterno, imortal e invisível. Assim, a Bíblia de forma nenhuma ensina que a Alma seja imortal; no entanto e ao contrário, afirma enfaticamente: “A Alma que pecar, essa morrerá[7]. Se a Alma fosse inerente e intrinsecamente imperecível, isso seria uma impossibilidade.

Também não podemos provar a imortalidade da Alma pela Bíblia, usando passagens como a do Evangelho Segundo S. João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Se confiarmos nessa passagem para provar que a Alma seja sem fim, dotada de vida interminável, devemos também aceitar as passagens que afirmam que as Almas estejam condenadas ao tormento eterno, como defendem algumas das seitas ortodoxas.

Mas, na verdade, essas passagens não provam uma vida de bem-aventurança ou tormento sem fim. Se você consultar o dicionário grego de Liddell e Scott[8], verá que o termo traduzido como “eterno” ou “para sempre”, na Bíblia, é a palavra grega aionian, que significa “por um curto período”, “uma era”, “um tempo limitado”, “um tempo de vida”. Então você perceberá isso com facilidade no caso do escravo Onésimo, sobre quem S. Paulo escreve a Filemom: “Porque provavelmente ele se separou de ti por algum tempo para que o mantivesse para sempre[9]. Esse “para sempre” (aionian) só poderia significar os poucos anos da vida de Onésimo na Terra, e não uma duração infinita.

Então, qual é a solução? A imortalidade é apenas um produto da imaginação, e é incapaz de ser provada? De forma nenhuma, mas é necessário diferenciar claramente entre Alma e Espírito. Essas duas palavras são frequentemente tomadas como sinônimos, mas não são. Na Bíblia, temos a palavra hebraica ruach e a palavra grega pneuma, ambas significando Espírito, enquanto a palavra hebraica neshamah e a palavra grega psique significam Alma. Além dessas, temos a palavra hebraica nephesh, que significa sopro, mas foi traduzida como vida em alguns lugares, e como alma em outros, para a conveniência dos tradutores da Bíblia.

É isso que gera confusão. Por exemplo, é dito no Livro do Gênesis que Javé ou Jeová formou “o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego[10] (nephesh), então “o homem se tornou (nephesh chayim) um ser que respira”, mas não uma Alma vivente. A respeito da morte, lemos no Livro do Eclesiastes 3,19-20, e em outros trechos, que não há diferença entre o homem e o animal: “assim como morre um, morre o outro, pois todos têm um mesmo fôlego (nephesh novamente), de modo que o homem não tem superioridade sobre o animal”. “Todos vão para o mesmo lugar”. Mas há uma distinção muito clara feita entre o Espírito e o Corpo, pois é dito que “quando o Cordão de Prata se rompe, então o Corpo retorna ao pó de onde foi tirado e o Espírito volta a Deus, Que o deu[11]. A palavra “morte” nunca está associada ao Espírito e a doutrina da imortalidade do Espírito é ensinada de modo flagrante pelo menos uma vez na Bíblia; em no Evangelho Segundo S. Mateus 11:14, onde o Cristo disse a respeito de João Batista: “Este é Elias”. O Espírito que animou o Corpo de Elias renasceu como João Batista; portanto, ele necessariamente sobreviveu à morte física e foi capaz de continuar sua existência.

Para os ensinamentos mais profundos e definitivos sobre este assunto, devemos, no entanto, recorrer ao ensinamento místico; aprendemos no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, que os Espíritos Virginais foram enviados para o deserto do Mundo como Raios de Luz da Chama Divina, que é o Nosso Pai Celestial, e primeiro passaram por um processo de Involução na matéria, cada Raio cristalizando-se em um Tríplice Corpo.

Então a Mente foi dada e se tornou o ponto de apoio sobre o qual a Involução se transforma em Evolução e a Epigênese, a habilidade criativa, divina e inerente ao Espírito interior, na alavanca pela qual o Tríplice Corpo é espiritualizado na Tríplice Alma e amalgamado com o Tríplice Espírito, sendo a Alma o extrato da experiência que nutre o Espírito, que vai da ignorância à onisciência, da impotência à onipotência e assim, finalmente, torna-se semelhante ao seu Pai Celestial.

É impossível para nós, com nossas capacidades atualmente limitadas, conceber a magnitude dessa tarefa, mas podemos compreender que estamos muito, muito longe da onisciência e da onipotência, de modo que isso necessariamente exija muitas vidas; portanto, vamos para a Escola da Vida como a criança vai para a escola. Assim como há noites de descanso entre os dias de aula das crianças, também há noites de morte entre nossos dias na Escola da Vida. A criança retoma seus estudos a cada dia exatamente de onde parou no dia anterior; da mesma forma, nós, ao renascer, retomamos as lições da vida exatamente de onde paramos em nossa existência anterior.

Se for feita a pergunta: “por que não lembramos nossas existências anteriores, se de fato as tivemos?”, a resposta é simples. Atualmente, não lembramos sequer o que fizemos há um mês, um ano ou alguns anos, como poderíamos lembrar algo muito mais distante no tempo? Tínhamos um cérebro diferente que estava sintonizado com a consciência da vida anterior. No entanto, existem pessoas que se lembram de suas existências passadas, e cada vez mais estão mostrando essa faculdade, pois ela está latente dentro de cada ser humano.

Mas, como S. Paulo diz muito apropriadamente no capítulo quinze da Primeira Carta aos Coríntios: “Se os mortos não ressuscitam, então nossa fé é vã e somos, de todos os homens, os mais miseráveis”. Portanto, o neófito que passou pela porta da Iniciação é levado ao leito de uma criança que está morrendo. Ele vê o Espírito se desprender do Corpo Denso material e é instruído a observá-lo nos Mundos invisíveis até que busque um novo Corpo Denso para renascer.

Com esse propósito, geralmente é escolhida uma criança que esteja destinada a renascer dentro de um ou dois anos; assim, em um tempo relativamente curto, o neófito pode ver por si mesmo como um espírito atravessa o portal da morte e entra novamente na vida física através do útero. Então ele tem a prova. A Razão e a devem ser suficientes para aqueles que não estejam preparados para pagar o preço pelo Conhecimento Direto — preço, esse, que não pode ser comprado com ouro; o pagamento é feito com o sangue da vida.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – maio /1916 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: Lc 16:19-31

[2] N.T.: Gn 2:17

[3] N.T.: 1Tm 6:16; 1Tm 1:17; 1Cor 15:53; 1Cor 15:54; 2Cor 4:16; Rm 6:23

[4] N.T.: 1Cor 15:53

[5] N.T.: 1Cor 15:54

[6] N.T.: 1Tm 6:16

[7] N.T.: Ez 18:20

[8] N.T.: A Greek–English Lexicon, muitas vezes referida como Liddell & Scott, Liddell-Scott-Jones, ou LSJ, é uma obra lexicográfica padrão da língua grega antiga.

[9] N.T.: Fm 1:15

[10] N.T.: Gn 2:7

[11] N.T.: Ecl 12:6-7

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Se a mulher é uma emanação do homem, conforme a história da “Costela de Adão”, ela será reabsorvida no retorno final à unidade, perdendo sua Individualidade na divindade masculina?

Resposta: A “história da costela”[1] é um daqueles exemplos de flagrante ignorância por parte dos tradutores da Bíblia, que não possuíam conhecimento oculto ao lidar com a língua dos hebreus que, na escrita, não era dividida em palavras e não possuía pontos vocálicos. Inserindo vogais em pontos diferentes e dividindo as palavras de forma diferente, vários significados para o mesmo texto podem ser obtidos em muitos lugares.

Este é um caso em que uma palavra apontada de uma forma se lê “tsad” e de outra forma “tsela”. Os tradutores da Bíblia leram a história de que Deus havia tirado algo do lado de Adão (“tsela”) e ficaram intrigados quanto ao que era, e por isso, talvez, pensaram que lhe teria feito menos mal tirar uma costela (“tsad”), daí a história tola.

O fato é que nós, inicialmente, éramos como os Deuses, “feito à sua imagem e semelhança”, macho e fêmea, um hermafrodita e, posteriormente, um dos seus lados nos foi retirado, dividindo-nos em dois sexos: masculino e feminino. Pode-se dizer ainda que o primeiro órgão a se desenvolver como o é agora foi o órgão feminino, tendo o lado feminino sempre existido em tudo antes do masculino, que surgiu depois, e, de acordo com a Lei de Evolução, que “o primeiro será o último”, o feminino permanecerá um sexo distinto por mais tempo do que o masculino e, portanto, o pesquisador está completamente equivocado em sua suposição. É o masculino que será absorvido pelo feminino.  Mesmo agora, vê-se que o órgão masculino está se contraindo gradualmente em sua base e finalmente deixará de existir. Quanto à perda da Individualidade, tal coisa é impossível; é justamente o propósito da evolução que nos tornemos indivíduos, autoconscientes e separados durante a evolução, autoconscientes e unidos durante os interlúdios entre as manifestações.

(Pergunta nº 18 do Livro “Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: 18Iahweh Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda”.19Iahweh Deus modelou então, do solo, todas as feras selvagens e todas as aves do céu e as conduziu ao homem para ver como ele as chamaria: cada qual devia levar o nome que o homem lhe desse. 20O homem deu nomes a todos os animais, às aves do céu e a todas as feras selvagens, mas, para o homem, não encontrou a auxiliar que lhe correspondesse. 21Então Iahweh Deus fez cair um torpor sobre o homem, e ele dormiu. Tomou uma de suas costelas e fez crescer carne em seu lugar. 22Depois, da costela que tirara do homem, Iahweh Deus modelou uma mulher e a trouxe ao homem. 23Então o homem exclamou: “Esta, sim, é osso de meus ossos e carne de minha carne! Ela será chamada ‘mulher’, porque foi tirada do homem!”. 24Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne. 25Ora, os dois estavam nus, o homem e sua mulher, e não se envergonhavam. (Gn 2:18-25)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Cada Dia Seus Cuidados

Aprendemos nos Estudos Bíblicos Rosacruzes que “a cada dia basta o seu cuidado[1]. Devemos compreender isso como: “não fazer planos e mais planos”?

Sim, devemos! Contudo, devemos interpretar devidamente os Ensinamentos Cristãos. Se eles não servissem para imediata aplicação na vida prática, seriam inúteis. Não é possível que os princípios tenham podido subsistir através de mais de vinte séculos, se não portassem bom senso e sabedoria aplicáveis à vida de todos os dias.

Ninguém colhe antes de plantar. E plantando, ninguém pode abreviar a colheita, além das possibilidades naturais. E dentro dos recursos naturais a terra nos dará os frutos correspondentes à sementeira e aos cuidados no cultivo. Se houver geada, ou seca ou chuva demasiada, será isso por circunstância imprevista e independente dos cuidados atuais, mas não injusta. Terá uma ligação com o passado.

Igualmente se passa na seara interna e social. Devemos cuidar do “aqui e agora”. O ontem já passou. O amanhã ainda não chegou. Pensar no passado é perder o presente; pensar no futuro é querer vivê-lo duas vezes: uma, antecipada e hipoteticamente; outra, quando o vivermos realmente. A primeira vez foi inútil.

Se vivermos realmente bem o dia de hoje, estamos de acordo com a Bíblia e vida prática. Seguramente virão os frutos correspondentemente bons. Mas não basta plantar; é preciso cultivar, cuidar, proteger, para que a semente atinja o objetivo. Isso se aplica a qualquer campo de atividades: moral, artístico, técnico, intelectual, sentimental. A negligência do cultivo é que originou o brocardo: “a felicidade é fácil de ser conquistada, mas difícil de ser conservada”.

Se, apesar de nossos esforços presentes, a adversidade nos fustiga e dificulta, há uma explicação lógica: ou representam consequências de ações erradas do passado, ou de erros presentes, por ignorância. Nesse caso deve o agricultor estudar, aqui e agora, como melhorar. Como consequência de causas passadas, pode a terra estar cansada; pode estar cheia de formigueiros que não foram erradicados; pode não servir para a planta que ali está e sim a outra, a menos que a preparemos quimicamente, havendo vantagem; pode haver falhas presentes ou então como a chuva, seca, de imprevistos fatores, pode ser o que chamamos “má sorte”, “azar”, “desgraça”, mas que realmente tem sua explicação: efeito inevitável de causas erradas, que devemos pagar sem murmúrio e nem desânimo quanto ao futuro.

Afinal, sempre e sempre nos lembremos: “Não penseis no que haveis de comer ou vestir; olhai os lírios dos campos. Nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles; olhai os passarinhos dos céus: não fiam, não entesouram, mas o Pai celestial os alimenta. E se Deus não deixa faltar à erva do campo e aos pássaros, quanto mais a vós, homens, que sois muito mais do que eles?” (Mt 6:25-34).

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.R.: Mt 6:34

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Razão por Haver Tantos Cultos Diferentes

Dezembro de 1913

O pensamento central da lição do mês passado, e o que devemos ponderar devidamente, é a razão da existência de tantos cultos diferentes, cada um com seu próprio credo e com a ideia que somente ele tem a verdade[1]. A causa disto, como se constata na lição do mês passado, se baseia no fato de que o Ego[2] se limitou a si mesmo ao penetrar em um veículo que o separa de todos os outros. Devido a essa limitação, o Ego é incapaz de apreciar a absoluta e universal verdade e, consequentemente, somente as Religiões que ensinam apenas verdades parciais puderam ser oferecidas.

As guerras e discórdias geradas no mundo pelas influências segregacionistas dos credos, também, não são desprovidas de benefícios, pois se todos tivessem a mesma opinião sobre a grande questão: “O que é a verdade?”, não haveria empenho em buscar a luz ou o conhecimento; e a verdade não produziria em nós a forte impressão deixada pela luta travada por aquilo que acreditamos. Por outro lado, a militância das Igrejas mostra àqueles que, como pioneiros, agora estão adotando uma visão mais ampla – que reconhece que ninguém possui mais do que um raio de toda a verdade no presente e que olham para o futuro em busca de ampliação da habilidade de sua capacidade – que algum dia eles não mais verão através de um espelho obscuramente, mas conhecerão como também são conhecidos[3].

Sabendo que há uma razão cósmica para os credos, não devemos nem tentar impor nossas ideias àqueles que ainda estão limitados pelo espírito do convencionalismo, nem imitar o espírito missionário militante das Igrejas, mas como afirma a Bíblia, devemos dar as pérolas do nosso conhecimento somente àqueles que estão cansados de se alimentar das cascas, dos restos e que anseiam pelo verdadeiro “pão da vida”.

Discorrer sobre assuntos relacionados a esse conhecimento superior podem ajudar aqueles que estão despertados da letargia espiritual, infelizmente tão comum em nossos dias. Mas argumentar nunca adiantará nada, pois aqueles que estão em um clima argumentativo não se convencem de nada que dizemos. A compreensão da verdade, a única capaz de quebrar as barreiras da limitação que geram o credo, deve vir de dentro e não de fora.

Portanto, embora devamos estar sempre prontos para responder às perguntas formuladas por aqueles que desejam saber alguma coisa, e estar prontos para dar a razão da nossa fé, também devemos estar atentos para não impor nossa opinião aos outros; para que, tendo escapado de um grilhão, não fiquemos presos a outro, pois a liberdade é a herança mais preciosa da alma. Por isso os Irmãos Maiores que atuam no ocidente não aceitarão nenhum Estudante que não esteja livre de todos os outros vínculos, e eles zelam para que o Estudante não se apegue a eles ou a qualquer outra pessoa. Só assim o Anel de Nibelungo e o anel dos deuses podem ser dissolvidos[4]. Que todos nós nos esforcemos para viver à altura desse ideal de liberdade absoluta e, ao mesmo tempo, é claro, tomando cuidado para não infringir os direitos dos outros.

(Pergunta nº 37 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Carta nº 36: Métodos Orientais e Ocidentais de Desenvolvimento – Novembro de 1913

Frequentemente, recebemos solicitações de auxílio de pessoas que, infelizmente, pertenciam a sociedades onde elas se submetiam ao domínio dos espíritos de controle que, no momento, os assombram e os perseguem chegando ao ponto de se tornarem um fardo na vida delas. Também recebemos solicitações de auxílio de pessoas que frequentaram sociedades onde ensinavam exercícios de respiração hindus. A impaciência de ingressar nos Mundos invisíveis leva muitas pessoas a praticarem estes exercícios, cuja natureza perigosa desconhecem, quando percebem é tarde demais e aí experimentam problemas tano na saúde física como na espiritual. Então, vem até nós a procura de alívio que, felizmente, conseguimos fornecer a todos que se aplicaram, até mesmo aqueles que estavam à beira da insanidade.

E é por isso que a literatura da Fraternidade Rosacruz está repleta de advertências sobre o evitar todos os exercícios respiratórios tais como preconizados pelas escolas orientais, os quais são impróprios às pessoas que vivem no lado ocidental do Planeta. É com muita e profunda tristeza que ouvimos falar de um Estudante que está, agora, doente como consequência desses tipos de exercícios respiratórios. Portanto, cremos que será conveniente afirmarmos, mais uma vez, a diferença entre os métodos oriental e ocidental, para que fique bem claro o porquê é sensato evitar tais exercícios.

Em primeiro lugar, é necessário ter a percepção clara de que a evolução do espírito e a evolução da matéria andam de mãos dadas. O espírito evolui renascido em veículos densos de matéria e trabalhando com o material encontrado no Mundo Físico. Assim, o espírito progride e, também, a matéria está sendo aprimorada porque o espírito trabalha sobre ela. Naturalmente, os espíritos mais avançados atraem para si material mais refinado do que aqueles que estão atrasados no caminho da evolução, e os átomos nos corpos de pessoas mais altamente evoluídas são mais sensíveis do que as daquelas que existentes em povos primitivos.

Entretanto, os átomos das pessoas que vivem no ocidente respondem às ondas vibratórias que ainda não foram contatadas por aquelas pessoas que habitam em corpos orientais. Os exercícios respiratórios são usados para despertar os átomos adormecidos do aspirante oriental, e o trajeto enérgico desse tratamento se faz necessário para aumentar o tom de vibração. O índio americano ou o bosquímano[1] podem executar esses exercícios impunemente durante vários anos, contudo, é uma questão totalmente diferente quando uma pessoa, com um corpo altamente sensibilizado como o ocidental, segue tal tratamento. Os átomos de seu corpo já foram sensibilizados pela evolução natural; e quando esta pessoa recebe um ímpeto adicionado de exercícios respiratórios, os átomos simplesmente se rebelam, e se torna extremamente difícil trazê-los ao devido repouso novamente.

Aqui pode ser útil mencionar que o autor teve uma experiência pessoal nesse assunto. Anos atrás, quando ele começou a trilhar o Caminho espiritual e estava imbuído da impaciência que é a característica comum a todos os buscadores sedentos pelo conhecimento, ele leu sobre os exercícios respiratórios publicados por Swami Vivekananda[1] e começou a seguir as suas instruções, na esperança de que, após dois dias, o Corpo Vital se separaria do Corpo Denso. Isso produziu uma sensação como deslizar no ar, não sendo possível manter os pés em terreno sólido e todo o Corpo parecia vibrar num tom altíssimo. O bom senso o resgatou. Os exercícios foram interrompidos, porém, foram duas semanas para que recuperasse a condição normal de andar firmemente no chão e cessassem as vibrações anormais.

Na parábola, foi dito que alguns foram rejeitados porque não tinham o traje nupcial. A menos que nós desenvolvamos, primeiramente, o Corpo-Alma, qualquer outra tentativa de entrar nos Mundos invisíveis resultará em um desastre; e qualquer instrutor que diz ter a capacidade para conduzir as pessoas aos reinos invisíveis não é confiável. Existe apenas um caminho – paciente persistência em fazer o bem.

(Cartas aos Estudantes – nº 36 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel)

[2] N.T.: nós, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui.

[3] N.T.: ICor 13:12

[4] N.T.: aqui se trata de um assunto que é estudado com total profundidade no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz sobre a obra de Richard Wagner, chamada “Der Ring des Nibelungen” (Anel de Nibelungo).

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um “Sinal” dos Irmãos Maiores

Certa noite, por volta desta época e no ano passado, tivemos convidados para o jantar. Após o término da refeição nós fomos à biblioteca para discutir diferentes tópicos de interesse, quando então introduzi o assunto do Renascimento. Fiquei bastante chocada ao descobrir que pensavam ser o mesmo que a transmigração, onde, devido a ações ruins, uma alma é forçada a entrar em um corpo animal! Meu marido e eu mencionamos todas as citações que conhecíamos da Bíblia para falar do assunto. Então, a conversa mudou para Cristo Jesus — quem ou o que Ele era. Já estávamos lendo e refletindo sobre isso há algum tempo, mas foi somente um pouco depois disso que começamos o estudo do livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz. Digo isso para explicar o que se segue.

Ao ser questionada sobre a minha opinião, eu, em minha ignorância, declarei o que na época considerava verdadeiro. Disse que acreditava que Jesus fosse uma alma como nós que, através de muitas vidas de superação do eu inferior, havia se distanciado muito do restante da Humanidade, e que Deus, por isso, o havia escolhido para ser o nosso Grande Mestre. Perguntaram novamente se eu acreditava que Ele foi o maior de todos os enviados para nos guiar, e eu disse que não tinha certeza, porque imaginava que nunca tivéssemos ficado sem Grandes Luzes para nos mostrar o Caminho.

Bem, isso foi tudo o que dissemos sobre o assunto e, pouco depois, eles se levantaram para ir embora; meu marido insistiu para levá-los de carro para casa, pois a distância era considerável. Sabendo que levariam meia hora a quarenta minutos antes do seu retorno, tranquei todas as janelas e portas, pois estava sozinha em casa, então fui até a cozinha para lavar as melhores porcelanas e copos que usamos no jantar. Foi enquanto eu estava debruçada sobre a pia, lavando a louça às pressas, que algo estranho aconteceu. A única maneira de descrever isso é compará-lo a um filme em uma tela, mas a tela e a imagem estavam dentro da minha cabeça. Vi um homem entrar pela porta do corredor na cozinha, atravessá-la em minha direção e estender totalmente a mão e o braço direitos, como se fosse colocá-los no meu ombro. Ele não falou, mas me deu a impressão de que eu tivesse falado uma grande inverdade sobre o Cristo.

Aparentemente, ele parecia ter 40 anos, com cabelos e olhos escuros em um rosto muito gentil e bondoso. Na época, pareceu que suas roupas fossem apenas as convencionais, comuns no dia-a-dia, embora eu não tenha prestado muita atenção a isso, pois estava muito entretida, observando o seu rosto. Eu me virei rapidamente porque tinha certeza de que ele estava ao meu lado, mas como não sou Clarividente eu não consegui ver.

Pouco depois o meu marido retornou e eu imediatamente lhe contei isso; ambos concordamos que eu provavelmente disse algo errado sobre um assunto muito sério, e que algum dos Irmãos Maiores, ocasional e gentilmente, alertaram sobre isso. Quanto à imagem dele na minha cabeça, nenhum de nós jamais tinha ouvido falar de tal coisa naquela época. Evidentemente, nunca ocorreu ao meu marido me acusar de ter sofrido alucinação, como muitos teriam feito. Nunca tive alucinação em toda a minha vida e ele sabe que eu sou uma mulher sensata e prática. Além disso, ele se interessa e se dedica aos nossos estudos, assim como eu.

Pouco tempo depois, iniciamos o estudo dos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz, e imaginem a minha surpresa e alegria ao me deparar com esta afirmação: os Irmãos Maiores têm o poder de nos fazer ver uma imagem, em nossas Mentes, de tudo o que eles desejam que nós compreendamos. Então, em outro dia agitado, encontrei no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz o que eu havia dito de errado e me arrependi. Agora conheço os fatos da diferença entre Jesus – um ser humano – e Cristo – um Arcanjo –, embora não possa dizer com sinceridade que já a tenha assimilado; mas espero que isso aconteça com o tempo.

Bem, aí está; a única coisa que não entendo, supondo que a solução acima esteja correta e imaginando que esteja, é que se passou mais de uma hora entre o momento em que fiz a declaração incorreta e o aviso, se é que possamos chamar assim, contudo, não perca tempo tentando explicar isso, por favor, porque eu sei que também descobrirei o significado em algum momento.

Concluindo, a lição que aprendi é que os Irmãos Maiores observam não apenas nossos erros, mas também nossas vitórias, grandes ou pequenas, por isso devemos proteger cada pensamento, palavra ou ação, quando tivermos provado nossa coragem e formos considerados dignos, Aqueles que observam saberão e nos ajudarão, de boa vontade e livremente, a ir mais longe.

(de Augusta Foss Heindel, Publicado no Echoes from Mount Ecclesia – fevereiro /1918 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

“Vigiar e Orar”: Você Pratica no Seu Dia a Dia?

Vamos refletir sobre o poder de “Orar e Vigiar” e para que isso se aplica no nosso desenvolvimento espiritual.

A Bíblia é, ao mesmo tempo, um livro aberto e fechado, isto é, guarda em cada citação, no mínimo sete gradações de verdade igualmente válidas, segundo o nível de consciência da pessoa que a estuda. Conduz, por assim dizer, o Estudante Rosacruz, de porta em porta, à compreensão cada vez mais profunda do trecho em exame. E esse despertar nos vem de diversos modos, ora como um lampejo iluminador, ora numa percepção de outro ângulo por algo que lemos ou ouvimos. De toda a maneira é sempre um despertar interno, um abrir de consciência que nos leva, dali adiante, a perceber todas as outras coisas um pouco mais profundamente. Mas esse despertar não nos vem da Mente, senão do pensador: a Mente é um veículo nosso, um Ego ou Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui, que através dela reflete as nossas conclusões.

Quanto mais nos abrimos como Espíritos Virginais manifestados aqui como Egos humanos que somos, mais fielmente escutamos internamente. Quanto mais abrimos mão de “nossas ideias, de nossos pontos de vista”, tanto mais ouvimos a novidade que vem de dentro de nós, que nos renova a percepção e nos liberta do círculo vicioso dos conceitos pessoais.

Meditemos, por exemplo, sobre a exortação “Orai e Vigiai” (Mt 26:41). O alcance da compreensão de cada um de nós está limitado pelo que se entende por orar e por vigiar. Uns acham que orar é recitar fórmulas pré-estabelecidas e que tais palavras têm um poder mágico, independentemente do nível de consciência de quem pronuncia essas palavras. Outros usam afirmações e negações de verdades fixadas por outrem ou redigidas mentalmente por eles. Outros, ainda, “conversam” honesta e sentidamente com Deus.  E ainda outros nada pensam, nada dizem; simplesmente buscam Deus em seu íntimo, na convicção de que isso basta para preencher o verdadeiro sentido de oração.

São degraus, eles todos respeitáveis. Uns mais eficientes que outros. No entanto, muitos pedem e não recebem, porque não sabem pedir. Não é que Deus faça distinções e exija normas. É que muitos de nós não se endereça a Deus, não sai de si mesmo ao encontro de Deus. Não é que devemos vencer a relutância de Deus. A verdade é que devemos vencer a nossa própria relutância. Relutamos e não saímos de nós mesmos: quando oramos para ser visto pelos outros como um devoto; quando falamos muito e bonito, para satisfazer a nossa própria vaidade intelectual. Mas Deus não vê a embalagem, senão o conteúdo… a intenção.

A nosso ver, a mais alta forma de oração é o contato com o Cristo Interno. E até que o consigamos, é a busca, em nosso íntimo, de nossa centelha divina: fechamos “nosso aposento” e O buscamos, dizendo simplesmente: “Senhor, aqui está o teu servo (a natureza humana); fala que eu escuto; enche meu vaso” (ISm 3:10).

Isto pode ser feito em qualquer lugar. Quando temos de esperar alguma coisa, aproveitemos um minuto e façamo-lo. Porém, na tranquilidade e com tempo é melhor. Então podemos nos relaxar, meditar sobre algo elevado, edificante, e depois, naquela atitude de escuta, de calma expectativa, com a Mente e as emoções esvaziadas, esperamos que Deus se comunique conosco.

Quem já recebeu uma centelha que seja dessa mensagem divina, pode comprovar que a verdadeira direção humana vem de sua Fonte Divina. E passa a buscá-la em todas as oportunidades e circunstâncias, quer como um namorado saudoso que não vê a hora de reencontrar a amada, quer como uma namorada saudosa que não vê a hora de reencontrar o amado, quer como um esposo preocupado que se vai desabafar e aconselhar com a esposa ou um amigo (ou amiga) prudente, quer como uma esposa preocupada que se vai desabafar e aconselhar com o esposo ou um amigo (ou amiga) prudente.

Vigiar é se manter num estado de consciência em que seja possível ser dirigido por Deus. É uma questão de sintonia, como uma “chave de onda” de rádio, que nos liga com a faixa de onda correspondente. É claro, pois, que para Deus conversar conosco devemos ter equilíbrio emocional, emoções e pensamentos construtivos. As águas revoltas, como que despedaçam a imagem do céu; só no espelho tranquilo de um lago podemos ver refletidas as estrelas do firmamento. Assim também Deus se mira e fala em nós. A falta de controle emocional, os pensamentos negativos, as piadas maliciosas e mentiras com as quais condescendemos, no que chamamos “interesses e imposições comerciais”, debilitam e acabam por destruir o que de bom temos em nós.

“Vigiar e orar” é isto. Não pense que pelo simples fato de se ingressar numa Escola esotérica como a Fraternidade Rosacruz, por honesta e eficiente que seja, em estudando, ouvindo, respondendo-lhe às lições dos Cursos de Filosofia, Bíblico e/ou Astrologia de formação, conseguimos grande avanço. Por esse engano é que muitos antigos Estudantes Rosacruzes chegam a desanimar e até desistem de trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. O estímulo e a orientação vêm de fora, por amor de quem nos deseja elevar. Mas o proveito vem de dentro, de nossa assimilação e prática da verdade. Não é a verdade objetiva que nos liberta, mas a compreensão, a vivência da verdade, a apropriação da verdade e sua expressão prática na vida cotidiana.

Podem objetar que isto seja impossível. Não é fácil realmente, mas é possível. Disse o Cristo aos apóstolos, que os lançaria ao encontro das pessoas comuns, como ovelhas no meio de lobos e, por isso, que “fossem mansos como as pombas, porém prudentes como as serpentes” (Mt 10:16).

O valor e o progresso nos advêm desses pequenos méritos diários. Herói não é o que realiza num gesto denodado um ato grandioso; é o que vence as pequenas provas de todos os dias e persiste no bem, até chegar, degrau e degrau, àquele objetivo de todo Estudante Rosacruz a espiritualidade: o encontro consigo mesmo, a entrega de sua vida ao “Eu superior”, a cujos pés deporemos os despojos de nossas batalhas, como o fez Abrahão e Melquisedeque, porque então, o Cristo interior será nosso “Rei e Sumo Sacerdote” (Hb 7:2-4 e 7:10).

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1971-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Dez Mandamentos são Indicações Conducentes à Consciência Crística – Primeiro Mandamento

O povo judeu esperava o Messias e não o reconheceram em Cristo; ainda o esperam e nisto mostram sua carência e desamparo.

Os Cristãos populares aceitam que o Cristo veio e cumpriu Seu Plano Salvador num ministério de três anos entre nós. Depois nos deixou como paráclito, como consolador, o Espírito Santo, que nos preparará para a segunda Vinda, “nas nuvens”. Como não entendem o sentido profundo destas afirmações, revelam também sua carência.

A realização Cristã é interna, pessoal, intransferível. Enquanto encararmos a Bíblia (particularmente o Novo Testamento) como algo externo, estaremos protelando nossa realização. S. Paulo foi bem claro: “Deveis inscrever as Leis na tábua de carne de vosso coração” (IICor 3:3). É um convite para que cada ser humano seja uma Lei em si mesmo.

Cristo não veio revogar a Lei e os Profetas, senão complementá-los com a nova Lei do Amor (ou da Graça), que Ele exprimiu no Evangelho Segundo S. Mateus 22:37-40: “Ele respondeu: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. No Evangelho Segundo S. João, 1:17, aprendemos: “Porque a Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.”.

S. João Batista veio como precursor, pregar a metanoia (mal traduzida por “arrependimento dos pecados”). Metanoia significa transcender o intelecto, ou melhor ir além da mente concreta e vivenciar a mente abstrata. Por quê? A mente concreta está comprometida, desde que se uniu ao Corpo de Desejos, em meados da Época Atlante, formando uma espécie de “alma animal”, que nos dá a ilusão de vivermos separados e à parte do Espírito. Embora não possamos viver sem Ele, esta ligação com a natureza de desejos nos concentra na persona e desvirtua os intentos do Cristo Interno.

A Mente Abstrata é a fonte da ideia pura do Espírito Humano; e o plano em que funciona o paráclito, o consolador prometido. Devemos aprender a funcionar plenamente nesse plano mental abstrato – o mais elevado de nosso atual campo evolutivo – antes de podermos reencontrar o Cristo Interno – que funciona no Espírito de Vida, além da Mente Abstrata. Lembremos que o Cristo disse: “Não podes seguir-me agora aonde vou, mas me seguirás mais tarde.” (Jo 13:36).

A maioria da Humanidade é incapaz de se abstrair porque não formou a Mente Abstrata. A Filosofia Rosacruz indica aos Estudantes como eficazes meios: a meditação em assuntos elevados, a música pura, a matemática, a astrologia espiritual – no desenvolvimento da Mente Abstrata, impessoal e verdadeira, que nos põe acima dos condicionamentos da Personalidade. Nela podemos compreender e viver a lei espiritual. Dela podemos acompanhar as manhãs da natureza inferior, aprendendo a ser mais alertas, compreensivos, prudentes e não resistentes conosco mesmos, no trabalho de uma inteligente transfiguração. Só então, podemos “inscrever a Lei na tábua de carne de nosso coração”, ou seja, praticá-la espontaneamente, através do serviço amoroso altruísta, que por si constitui a síntese ensinada por Cristo.

Até lá estaremos sob o efeito doloroso da Lei e não podemos nos considerar autênticos Cristãos, pois ainda não vivemos estes princípios. O sofrimento e as limitações do mundo aí estão a testemunhar eloquentemente que ainda não aprendemos a viver em harmonia com as Leis do Universo. Há muita gente que se denomina Cristã. Mas não se trata de uma aceitação superficial. Gandhi aceitava e reverenciava o Cristo dos Evangelhos, mas recusava o Cristo ensinado pelas Igrejas. São bem distintos. Sabemos que mal estamos engatinhando no Cristianismo, cuja expressão mais pura e formosa nos virá na Era de Aquário, a iniciar-se daqui a uns 600 anos. A Fraternidade Rosacruz promulga esse Cristianismo Esotérico as almas atualmente preparadas. Ele nos leva a busca e consciente encontro do Cristo interno, através do “Corpo-Alma” (que S. Paulo chamou “soma psuchicon” numa de suas Epístolas). Este novo veículo de expressão é a chave de entrada na “Nova Época”, a Época Nova Galileia, que nos espera e se forma por um método definido de espiritualização da criatura. Constitui-se dos dois Éteres Superiores[1], quando estes estejam devidamente desenvolvidos e possam desligar-se dos dois Éteres inferiores, para cumprir sua função sensorial nos voos da alma.

Até agora estivemos peregrinando no deserto evolutivo (aridez interna da condição humana comum, carente), armando e desarmando as tendas de nossos corpos (renascimentos) nesta escalada pela imensa “escada de Jacó[2], numa abertura gradual de consciência, como bem exprimiu S. Paulo: “Morro todos os dias; Despojai-vos do velho ser com seus vícios e revesti-vos do novo ser, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem d’Aquele que vos criou; Em Cristo só há virtude o que importa é ser uma nova criatura.” (ICo 15:31; Col 3:10; Gl 6:15).

Cristo não veio, como se supõe, para salvar a Humanidade. Ele purificou nosso Globo conspurcado pelas transgressões humanas, possibilitando-nos material mais elevado, mental, emocional e físico, que assegure a evolução nos renascimentos. Deste modo indireto é que Ele nos ajudou; além do impulso altruístico que Ele comunica aos que Lhe estejam afins nos períodos do Natal à Páscoa. A rigor, a tarefa de Cristificação é individual e interna.

Há uma razão profunda para que a Bíblia enfeixe o Antigo e o Novo Testamento: sem superarmos, conscientemente, a primeira e a segunda Dispensações (Jeovísticas), não podemos atuar dinamicamente nas novas Dispensações, a terceira e a quarta (Cristãs).

Max Heindel descreve os passos da evolução religiosa, através da qual se foi aprimorando nossa concepção de Deus e descortinando-se nosso entendimento da verdade universal.

Primeiramente concebemos um Deus terrível, vingativo, cruel, ciumento, cuja ira aplacava com sacrifícios sangrentos. Só tal Deidade imporia respeito à incipiente Humanidade. Depois nosso conceito de Deus se ampliou um pouco e concebeu-se o “Deus dos Exércitos[3] que impunha derrotas e propiciava vitórias sobre o inimigo; que punia, arrasando rebanhos e plantações e premiava, multiplicando-os. Daí que se Lhe oferecessem sacrifícios no templo, com objetivos egoístas. Era o “Deus de Israel[4]. Mais tarde veio o Deus dos “Cristãos populares” – aqueles que praticam o Cristianismo Popular – que pela primeira vez promete um céu após a morte, aos bons, mas continua ameaçando com castigos na Terra e tormentos no inferno – ou em um lugar chamado purgatório –, os transgressores. Agora já estamos concebendo um Deus que se manifesta por Leis justas, não interferindo diretamente no livre arbítrio humano; o ser humano, por seus atos, é que suscita consequências boas ou más, em virtude da ação das Leis Divinas. Vamos tomando consciência de nossa natureza e da natureza de Deus, agindo por dever, até que possamos fazê-lo espontaneamente, por Amor Crístico. Isso é parte do Cristianismo Esotérico.

Estes passos da evolução religiosa estão descritos simbolicamente na Bíblia e correspondem à história humana até nossos dias:

  1. Perdemos a condição inocente e protetora do Paraíso. Fomos embrutecendo pelo materialismo até que perdemos a consciência interna e sentíamos saudades de Deus, um vácuo indefinível, uma falta daquela antiga ligação com as Hierarquias Divinas. O íntimo nos acusava de faltas. As condições evolutivas eram mui adversas e a consciência mui obscura.
  2. Passamos ao jugo do Faraó do Egito (escravos de nossa Personalidade, que é egoísta e viciosa). Sofríamos as limitações de uma vida material duríssima (quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, transitava pelo Signo Zodiacal de Touro e até a primeira parte pelo Signo Zodiacal de Áries). Só mesmo o caráter e resistência passiva de Touro (boi Ápis) nos possibilitava suportar as vicissitudes dessa época de violência e egoísmo.
  3. Aí fomos libertados por Moisés e passamos a peregrinar no deserto, durante os simbólicos quarenta anos (período indeterminado de tempo, “período de preparação”) rumo a Terra Prometida de “leite e mel[5]. Moisés e o impulso evolutivo que nos leva a algo mais. No deserto, muitas vezes, nos sentíamos inclinados a retornar ao passado, que se nos afigurava mais seguro do que a livre aventura de um porvir incerto fundia com o ouro de nossas possibilidades internas o bezerro de ouro já ultrapassado. Mas o irresistível impulso interno (Moisés) nos renascia, mostrando-nos que a nova Dispensação de Áries (o Cordeiro) nos esperava. E contava como a “vara de Aarão” transformada em serpente (sabedoria de Áries) havia devorado as serpentes dos sábios do Faraó (Dispensação de Touro), revelando, assim, sua superioridade. Com muita dificuldade chegamos à Terra Prometida e, fato expressivo, Moises não pode entrar nela com seu povo, porque atribuiu a si os méritos de seus prodígios e liderança, em vez de atribui-los ao Divino; condescendendo com a Personalidade, foi castigado. É um bom símbolo: a Lei que Moisés havia recebido na Montanha para orientação de seu povo, não pode por si mesmo, levar à realização espiritual. A Lei é preciso ser complementada pelo Amor. Sua missão terminava ali. Assim com nosso desenvolvimento interno a Mente, sozinha, inclina a vaidade, à pretensão, à ambição. Mas unida ao coração, gera a Sabedoria.
  4. Entramos na Terra Prometida e, com o Advento da Dispensação de Peixes chegou o Cristianismo, cujo precursor, S. João Batista (renascimento do mesmo Ego que havia animado Moisés e Elias) veio pregar a metanoia, de modo a alcançarmos a verdade interna (Mente Abstrata) e compreensivamente corrigirmos a intenção causal, para que nossos pensamentos, sentimentos, nossas palavras, ações, obras e nossos atos sejam conforme a Lei. E, quanto aos hábitos, “com paciência ganharemos nossas almas[6], compreendendo os vícios gravados e persistindo no Bem, a pouco e pouco as trevas da noite ir-se-ão dissipando, para que surja a alva. Por enquanto estamos sofrendo as justas e automáticas reações da Lei. Mas, na medida de nossa espiritualização, a Lei se vai convertendo em colaboradora nossa, como bem observou Max Heindel: “antes era o Espírito Santo como Lei corretiva, um Deus terrível e implacável; no futuro o Consolador prometido, que revela as bênçãos dos céus aqueles que vivem em harmonia com o Universo”.

É importante, pois, conhecermos a Lei conducente à Graça. Se a conhecemos bem e a vivemos, ela nos será o Paráclito. Lembremos que o jovem rico (internamente prendado) foi interrogado por Cristo se cumpria a Lei[7]. Ele disse que sim, mas em realidade só a cumpria no aspecto literal, como veremos pelo sentido esotérico do Decálogo. Se a compreendemos e vivemos realmente, estaremos aptos a nos consagrarmos com segurança ao “serviço amoroso e altruísta (portanto, o mais anônimo possível), focado na divina essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, ao irmão e à irmã do nosso lado”, sem os vícios de seu mau entendimento.

O DECÁLOGO

Eis o Decálogo dado a Moisés na “montanha”:

  1. Não terás outros deuses diante de mim;
  2. Não farás para ti imagem de escultura nem alguma semelhança do que tenho criado. Não te encurvarás a elas nem as servirás;
  3. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
  4. Lembra-te do dia do sábado e santifica-o, porque é o dia do Senhor teu Deus;
  5. Honra teu pai e tua mãe para que se prolonguem os dias na terra que o Senhor teu Deus te deu;
  6. Não matarás;
  7. Não adulterarás;
  8. Não furtarás;
  9. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo; e
  10. Não cobiçarás coisa alguma de teu próximo: nem a casa, nem a mulher, nem o servo ou a serva, nem o boi ou jumento.

Este decálogo figura no Livro do Êxodo (20:3-17).

(*) quer aprender mais sobre esse assunto? Acesse aqui: Os Dez Mandamentos – Por um Estudante


[1] N.R.: Éteres Luminoso e Refletor

[2] N.R.: Gn 28:10-19

[3] N.R.: Sl 46:7 e 89:8

[4] N.R.: Is 37:16

[5] N.R.: Ex 33:3

[6] N.R.: Lc 21:19

[7] N.R.: “Aí alguém se aproximou dele e disse: “Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?”. Respondeu: “Por que me perguntas sobre o que é bom? O Bom é um só. Mas se queres entrar para a Vida, guarda os mandamentos”. Ele perguntou-lhe: “Quais?”. Cristo Jesus respondeu: “Estes: Não matarás, não adulterarás, não roubarás, não levantarás falso testemunho; honra pai e mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Disse-lhe então o moço: “Tudo isso tenho guardado. Que me falta ainda?”. Jesus lhe respondeu: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e segue-me”. O moço, ouvindo essa palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens.” (Mt 19:16:22)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Seria sempre um grande risco colocar a tentação no caminho de uma pessoa cujo horóscopo indica Mercúrio ou Netuno com Aspecto adverso com Saturno, apesar de haver influências que contrabalancem essas provas?

Resposta: É esse exatamente o motivo pelo qual estamos aqui, para enfrentarmos a tentação. Você já percebeu que a tentação é um das maiores bençãos que podemos ter, porque se permanecermos firmes em fazer o bem, então venceremos e adquirimos definitivamente uma virtude? Se não o fizermos, sofreremos as consequências e aprenderemos por meio da dor que nos será infligida.

Há na Bíblia um exemplo elucidativo. Em determinada passagem, lemos que o Rei Davi foi tentado por Satanás a numerar seu povo[1] e, quando ele o fez, certas coisas terríveis aconteceram com ele; um grande número de pessoas morreu de peste. Em outro trecho, lemos que Deus tentou Davi a numerar seu povo[2] e, em seguida, disse: “Eu vou puni-lo. Eu te proponho três coisas; escolhe uma, e eu a executarei por ti. (…) Que queres que te aconteça: que três anos de fome caiam sobre a tua terra, ou que andes três meses fugindo do teu inimigo que te perseguirá, ou que durante três dias a peste caia sobre o teu país[3] e Davi disse: “Deixai antes que eu caia nas mãos de Deus Jeová[4]. Então, milhares de filhos de Israel foram ceifados pelo Anjo da morte. Esses dois relatos são idênticos. Um afirma que foi Satanás que tentou Davi, e o outro diz que foi Deus Jeová. À primeira vista parece ser muito, muito estranho que Deus-Jeová tenha tentado Davi, ou lhe ordenasse fazer uma determinada coisa para em seguida castigá-lo por ter obedecido sua ordem. Entretanto, se formos analisar o caso mais atentamente, veremos que se trata simplesmente de um caso semelhante ao do professor que incita seu aluno a fazer algo errado ou lhe armando uma cilada, com o objetivo de verificar se determinada lição foi ou não aprendida. Satanás na Bíblia não significa um monstro que anda por aí com chifres e cauda, ​​mas significa um adversário. Cristo chamou Pedro de “Satanás”[5], quando Pedro disse: “Deus não o permita, Senhor! Isso jamais te acontecerá![6] Ele era um adversário. No exame, o professor é um adversário do Estudante. Deus Jeová disse a Davi: “Vá e conte seus homens porque haverá uma luta com os moabitas”, e Ele esperava que Davi dissesse: “Qual é a utilidade de contar o povo de Israel, os homens não contam. É você, Senhor, que conta. É em você que confiamos, não em nossa própria força.”. Se ele tivesse aprendido a fazer isso, então ele teria aprendido sua lição. Em vez disso, ele foi e numerou Israel e talvez ele tenha pensado: “Bem, eu acho que seremos capazes de acabar com esses moabitas, e eu não acho que precisamos tanto do Senhor de qualquer maneira.”. Deus Jeová teve que mostrar a ele e aos israelitas que eles não eram adequados para confiar em si mesmos — que eles precisavam d’Ele – e em uma noite ele cortou muitos milhares e os reduziu a um punhado. Então Ele disse: “Agora, eu sairei e lutarei por vocês, e vocês saberão que fui eu quem lhes dei a vitória.”. Assim, a tentação é para o bem, para testar se somos fortes o suficiente em caráter e se aprendemos nossa lição. Então, se uma pessoa coloca um copo de bebida alcoólica diante de você ou o tenta de alguma outra forma, não importa. Se alguém é fraco o suficiente para ser tentado, ele tem uma lição a aprender a esse respeito.

(Pergunta número 127 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: ICro 21:1-2

[2] N.T.: 2Sm 24:1

[3] N.T. 2Sm 24:13

[4] N.T.: 2Sm 24:14

[5] N.T.: Mt 16:23

[6] N.T.: Mt 16:22

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