Uma história oculta que nos mostra como ocorrem as relações provocadas pelo destino entre pessoas. Como as discórdias da vida realmente se resolveram na harmonia do grande contraponto da vida. Suas tristezas e angústias profundas vão sendo glorificadas, pois o amor – o amor verdadeiro, o amor superior e maior, o amor Crístico – glorifica todas as coisas.
Quer saber mais sobre o assunto? Leia aqui: Relações Provocadas pelo Destino entre Pessoas: Cidadã dos Dois Mundos
Quer ver o restante? Clique aqui: Relações Provocadas pelo Destino entre Pessoas – Por um Estudante – Fraternidade Rosacruz
Oferecemos essas leituras de horóscopos de crianças para ajudar os pais e responsáveis a educar seus filhos, para ajudar os jovens a encontrar seu lugar no mundo e para ajudar os Estudantes Rosacruzes dedicados à Astrologia Rosacruz com lições práticas.
Além disso, em se tratando de um horóscopo de criança, essa mensagem é sempre boa de se repetir: “Se você é um pai ou uma mãe, o horóscopo ajudará você a detectar as más intenções em seu filho ou sua filha e ensinará você como é melhor “prevenir do que remediar”.
Também mostrará a você os pontos positivos nele ou nela, de modo que você possa ajudar a formar, a partir do seu filho ou filha, um homem ou uma mulher bem melhor, com o Ego que lhe foi confiado.
O horóscopo lhe revelará fraquezas sistemáticas e permitirá que você proteja a saúde do seu filho ou da sua filha; mostrará quais talentos existem e como a vida pode ser vivida em toda a sua plenitude.
Portanto, a mensagem dos Astros que estão em marcha é tão importante que você não pode se dar o luxo de ignorar isso tudo.
Quer um exemplo? É só acessar aqui: Menina de Personalidade Forte, Encantadora, Idealista
Se quiser ter mais exemplos que poderão lhe auxiliar na educação das crianças acesse aqui
Com que frequência repetimos estas palavras, mas quão pouco refletimos sobre elas ou as compreendemos. No atual estágio de evolução, é muito mais fácil conceber “Meu Pai” e sentir a união entre “meu Pai e eu”. Mas dizer “Nosso Pai” de forma verdadeira é algo tão imensa que se treme só de pensar.
“Nosso”, sendo o plural de “meu”, significa que o “meu” se funde no “nosso”; que a minha Personalidade já não existe como uma unidade isolada das demais, mas que cada um e todos nós estamos abrangidos pela palavra “nosso”. Portanto, ao nos dirigirmos ao Autor do nosso ser — n’Ele em quem literalmente vivemos e nos movemos — como “Nosso Pai”, expressamos tacitamente a nossa crença de que Ele é o Pai de todos nós, como uma Humanidade unida; Pai também daqueles a quem, infelizmente e com demasiada frequência, detestamos ou desprezamos, demonstrando assim que somos todos irmãos.
Neste tempo de guerras, em que as paixões se desenfrearam, paremos para recordar que, na expressão “Nosso Pai”, estão incluídos os nossos supostos inimigos; que eles são tão preciosos para Ele quanto nós, e que são Seus filhos tanto quanto nós. Embora denunciemos e repudiemos atos de crueldade e opressão, venham de quem vierem, saibamos distinguir entre o Ego e a Personalidade. É esta última que peca, por ter assumido o controle. Quando ela for superada, o Ego brilhará em todo o seu esplendor e poderemos, então, dizer do fundo do coração, tal como fez o Cristo: “Nosso Pai”.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de dezembro de 1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Alguém que tenha experimentado alguma vez o que foi chamado de “a graça da concentração criativa” não poderá se sentir indiferente pela perda de tempo nas ocupações e passatempos sem sentido, que geralmente fazem perder uma parte de energia mental. Se no passado essa pessoa encontrou algum prazer na preguiça e inatividade mental, provavelmente, continuará agindo assim por mais algum tempo.
Hábitos antigos são difíceis de mudar, mas a sua consciência, estimulada pela lembrança da elevação espiritual e da realização resultante de seus momentos de concentração criativa, irá lhe causar uma inquietação cada vez maior. Começará a sentir que é, na verdade, um pecado contra o que realmente a pessoa é, o Ego, se deixar sucumbir pela indolência mental, desperdiçar seus talentos intelectuais e levar, mesmo que parcialmente, uma existência improdutiva, atendendo a sua Personalidade.
Uma das razões para nossa curta permanência neste Mundo Físico é que devemos desenvolver a força criadora e a capacidade que temos dentro de nós. Quando percebemos o que podemos conseguir com esta força criadora e que grande capacidade latente existe em nós, não ficaremos mais satisfeitos em deixar que outros nos distraiam continuamente, que pensem por nós (e nós podemos pensar até melhor!) e que fiquemos parados vendo a vida passar. Vamos querer, cada vez mais, participar ativamente nos pensamentos construtivos e originais, dedicando tantos momentos quantos forem possíveis a isto, e experimentar a alegria e exaltação que nos vem quando tais pensamentos são traduzidos em ações e nos trazem seus frutos.
Nossa ideia original de “descanso”, muitas vezes envolve: se sentar por longo tempo diante da televisão ou de um computador ou de um celular à mão assistindo programas e outras coisas fúteis; leitura literária de valor duvidoso, que exige pouca ou nenhuma resposta mental; assistir a filmes e/ou vídeos de segunda classe ou qualquer outro tipo de atividade mundana e passiva.
O que parece tarefa difícil de início: concentração, estudo ou pensamento criador, quando tomamos consciência por um esforço determinado da vontade, se torna fácil, mais natural e até familiar. Com o tempo, o esforço desenvolvido da vontade para estas atividades será mínimo e a antiga tendência para as atividades improdutivas e passivas mudarão, e até sentiremos um sentimento agudo de desagrado por tarefas desta natureza.
Isto de maneira alguma implica na necessidade de uma pessoa se tornar “escrava mental” ou levar uma vida exclusivamente contemplativa, para experimentar elevação espiritual da concentração criadora. Muito longe disso! Os resultados da concentração criativa devem resultar em ação e obra criadora e é este o verdadeiro significado que deve nortear os que assim se concentram. Devemos reservar algum tempo a esta atividade, mas certamente uma vida vivida exclusivamente “pensando”, sem nada ou pouco “fazer” não preencherá o propósito de nossa existência na Terra, ao contrário: nos atrasará na Evolução!
O descanso é um fator importante nas nossas vidas, mas os períodos de descanso devem ser intercalados com períodos de concentração criativa e atividades criadoras, o que é muito necessário para a maioria das pessoas, porque estamos no estágio do desenvolvimento mental (já que a nossa Mente está no primeiro estágio de desenvolvimento de um veículo: o estágio mineral, pois nem Corpo ainda é!).
Há, porém, muito poucos que podem sustentar continuamente um alto grau de atividade mental ininterrupta e intensiva, ou uma atividade duplamente mental e física, sem o alívio e o relaxamento de ocupações menos exigentes.
O descanso físico, contudo, não precisa ser passivo, parado, assim como o descanso mental não quer dizer que a Mente não vá ser usada.
Por exemplo, no descanso mental, uma pessoa pode fazer uma literatura ou assistir algo menos sério, mas que seja ao mesmo tempo, estimulante para a Mente. Tratados filosóficos podem ser postos de lado em favor de livros ou vídeos de viagem, artigos sobre a Natureza, animais ou qualquer outro tipo de assuntos de interesse particular.
Esses livros ou vídeos são mentalmente estimulantes e oferecem à Mente uma variação de tipos de leitura e de visualizações. O descanso combinado com o estímulo mental é também obtido através de atividades como passeios ao ar livre, o contato com a Natureza, contemplando-a e meditando sobre ela, ter os olhos e os ouvidos abertos, tentando aprender enquanto passeamos, escutar uma boa música, fazer visitas a museus e ter conversas elevadas e construtivas com amigos onde praticamos os Exercícios Esotéricos Rosacruzes de Observação e do Discernimento. Todos esses passatempos e muitos outros são muito mais produtivos, e exercem uma atividade mental muito maior, do que permanecer na inércia, que é tido como “descanso” por muitas pessoas. Um dos piores defeitos que podemos ter é o da preguiça mental e autoindulgência. A Mente é o veículo mais recentemente adquirido, dos quatro que possuímos e, como tal, é o menos desenvolvido.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que a Mente é o instrumento mais importante que temos; um instrumento especial na obra da criação. A laringe espiritualizada e perfeita determinará e falará a Palavra Criadora, mas a Mente aperfeiçoada decidirá quanto à forma particular e volume de vibração. A Imaginação será a faculdade espiritualizada que dirigirá a criação.
É um sublime ideal, sem dúvida, mas estamos ainda está longe de obter este desenvolvimento mental, de atingir seu auge, sua finalidade.
Também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a Mente da maioria de nós é como uma peneira, um crivo. Os pensamentos se filtram através dos cérebros da maioria de nós da mesma forma que a água atravessa a peneira. Estes pensamentos são bons, maus e indiferentes, sendo estes últimos em grande maioria. A imaginação não retém nenhum deles, o suficiente para poder conhecer sua natureza, e assim alimentamos a ideia de que não podemos impedir que nossos pensamentos fossem como são. Por causa disto, muitas pessoas se acostumam a pensar negligentemente, o que os torna incapazes de se concentrarem num determinado assunto ou dominá-lo. É difícil alcançar isto, mas quando se consegue o controle do pensamento, a pessoa que conquistou isto tem certamente em sua mão a chave-mestra do êxito, em qualquer empreendimento.
Por tudo isto é óbvio concluir que a Mente precisa se desenvolver cada vez mais. Perdemos tempo ocupando-a com pensamentos vagos e indignos, ao invés de exercitá-la condignamente para aumentar sua força e seu potencial. Eis aqui o motivo que leva a muitas pessoas precisarem de muitas vidas de esforço mental controlado para desenvolver a Mente!
Não parece razoável, então, que ajudemos ativamente este processo, de todas as maneiras possíveis, em lugar de impedir e até recusar o trabalho contínuo de estimular e exercitar a Mente?
Projetá-la também numa situação nova e desafiadora e trabalhar sobre as forças criadoras latentes, que finalmente poderão se manifestar?
Conservar a Mente ocupada em canais construtivos de serviço ao irmão ou à irmã que está ao seu lado é a única maneira de ajudá-la a evoluir até aquele ponto de perfeição criativa para a qual está destinada. Todas as vezes que nos permitimos ficar indolentes mentalmente ou arquitetamos pensamentos destrutivos ou vagos, em lugar de pensamentos construtivos, e se possível criativos, estamos segurando e atrasando bastante o desenvolvimento de nossa Mente. Além disso, quando nos deixamos levar por certos tipos de atividade mental negativa, mais difícil será para nós recomeçar a usar a Mente em propósitos dignos e válidos. Preguiça mental que se disfarça sobre a forma de distração ou descanso, é muito agradável às naturezas inferiores (inclusive elementais e até irmãos e irmãs que partiram e que estão Apegados à Terra e que, assim, obsidiam total ou parcialmente) que não desistirão de esse proceder facilmente, uma vez que já o hábito se instalou.
Muitas vezes, durante o dia, quando estamos ocupados nas tarefas de rotina, porém necessárias, a Mente pode estar sendo exercitada. Períodos de afazeres domésticos, jardinagem, tempo gasto no transporte indo ou vindo do trabalho, momentos de espera para algum compromisso ou algo parecido, tudo pode ser utilizado em benefício da Mente, pois são ótimos momentos para executarmos três Exercícios Esotéricos Rosacruzes de Concentração, Observação e do Discernimento.
A grande maioria das pessoas tem no fundo de suas Mentes, vagas ideias de projetos, de realizações, de condutas que se apresentam como possibilidades para considerações futuras “quando tivermos tempo”. Muitos de nós temos tempo e até mais tempo do que imaginamos, e deveríamos usá-la na consideração destes novos esquemas: colocar os planos em atividade e usar o tempo que temos sabiamente.
Se utilizarmos, de maneira correta, todos os momentos que temos a nossa disposição, a nossa Mente será capaz de grandes coisas. A atividade construtiva mental, intermeadas por períodos de repouso mental, que também é de natureza construtiva, moldará e transformará com firmeza a nossa Mente, em instrumento de força e poder inacreditáveis.
A graça (dádiva) da concentração criativa deve ser adquirida através de atividade e exercício mental apropriados. Uma vez obtida esta graça, acharemos nossas vidas mais ricas e desenvolvidas, e ficaremos surpreendidos em ver o tempo que desperdiçamos, quando fugimos de fazer este esforço mental.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
No Caminho da Espiritualidade os Ensinamentos Rosacruzes são como um farol, uma luz que ilumina os nossos passos, dando-nos segurança, firmeza e coragem para enfrentar as tentações que nos impedem de se desenvolver espiritualmente fornecidas pelo Mundo material em que nascemos e vivemos aqui.
Porém ao iniciar esse caminho é fundamental que o Estudante Rosacruz atenda ao chamado bíblico: “transformar o ‘velho homem’ em um ‘novo homem’”. O que representa essa transformação? Deixar de lado todos os hábitos mesquinhos, egoístas, ambiciosos, corrigir todos os grandes e pequenos defeitos de nossa Personalidade e cultivar sentimentos de bondade, tolerância e uma permanente disposição de servir amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) o irmão e a irmã ao nosso lado, focando esse serviço na Divina Essência oculta em cada um de nós (que é a base da Fraternidade).
Enfim, aprender a cultivar a autoanálise e o domínio próprio, interrogando a própria consciência. Tudo nessa vida é transitório, e só um caráter íntegro, uma consciência tranquila e um coração cheio de amor são a verdadeira felicidade.
Sem essa transformação, sem este cultivo maravilhoso do amor Crístico, os mais profundos conhecimentos filosóficos perdem o valor essencial da objetividade.
O grande chamado que, pessoalmente, sentimos para trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz foi precisamente esse objetivo na simples e profunda pergunta de Max Heindel: “de que servirá uma filosofia que não nos torne melhores homens e mulheres?”.
É de valor básico que nos tornemos melhores seres humanos, para bem assimilar e difundir fundamentalmente pelo exemplo de nossas vidas, os valiosos Ensinamentos Rosacruzes.
Não se iludam os Estudantes Rosacruzes pensando que se aprofundando no estudo da Filosofia Rosacruz, sem que ao mesmo tempo reformem seus sentimentos, emoções, desejos e hábitos negativos, alcancem aquela firmeza, segurança e coragem de pessoa iluminada pela luz dos Ensinamentos Rosacruzes — esse farol de valor inestimável.
Sem isso, de pouco ou nada lhes servirão os melhores conhecimentos filosóficos, nas primeiras provas que a vida lhes traga. Ao contrário, com esse cultivo do bem e do amor Crístico alicerçados nos Ensinamentos Rosacruzes prova alguma os abaterá.
Cultivemos em nós a sinceridade, a humildade, a bondade e o desejo de que nossas vidas sejam vidas úteis no meio em que vivamos. Como bem colocar Max Heindel: “O único remédio para os males do mundo são o amor e a compaixão”.
Ajudemos a melhorar os “males do mundo” melhorando a nós próprios, aprendendo a amar e a dar graças a Deus pelo Caminho encontrado.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Embora sejamos em realidade Espíritos, nossa atual condição humana de seres separados pela insensibilidade de corpos cristalizados pelas transgressões as Leis de Deus não nos permitem manter contato consciente e direto com nossa real natureza, enquanto estamos renascidos aqui. Sentimos uma profunda necessidade de superar essa separação e anular a angústia que ela nos provoca.
A solução é o amor, o verdadeiro amor – que nos une aos semelhantes, à Criação e a Deus – que é o amor Crístico!
As almas amadurecidas buscam o amor e não o encontram no exterior. É quando a Religião não se satisfaz mais com as fórmulas simples das Religiões que preconizam o Cristianismo Exotérico ou Popular.
Para dar mais amplo e racional entendimento do amor e da fé surgiu a Fraternidade Rosacruz. Ela preconiza o desenvolvimento paralelo da Mente e do Coração e mostra como isto é possível. O estudo da Filosofia Rosacruz nos previne contra os perigos do intelectualismo frio e pretencioso e nos revela, igualmente, as inconveniências do amor cego. Ela nos ensina o Cristianismo Esotérico.
Em realidade, o amor Crístico é algo que deve ser cultivado. Um estudo dos aspectos teóricos e práticos do amor Crístico iluminará, em muitos de nós, pontos obscuros e dúbios e ressaltará erros na maneira de pensar e agir, acerca desse fundamental problema.
O amor Crístico é uma arte. Porém, a maioria das pessoas tem a convicção de que é uma sensação agradável que se experimenta por acaso, algo em que se “cai” quando se tem sorte.
Vemos que todos o perseguem. Está sempre em voga. Mas quase ninguém pensa haver alguma coisa, a respeito do amor Crístico, que deva ser aprendida. Por que o povo pensa assim? Se atentarmos bem, há três premissas com que, consciente ou inconscientemente, isoladas ou combinadas buscam sustentar esse sofisma, origem de tantas desilusões.
A primeira premissa é esta: a maioria das pessoas pensa que o amor Crístico é mais uma questão de reunirmos recursos pessoais de atração, isto é, sermos requisitados, amáveis, admirados e não propriamente que devamos amar.
Na busca desse alvo, os seres humanos procuram o poder, a fama, a riqueza como meios de atração exterior e transitório. Muitos até advogam que “Deus nos criou para sermos ricos aqui”; portanto se somos ricos aqui sabemos amar, porque alcançamos o objetivo! Ambos os sexos cultivam maneiras agradáveis, conversações interessantes, prestativas, modéstia, inofensiva. Bem analisados, tais meios são os mesmos que hoje se empregam para “conquistar amigos e influenciar pessoas”. Isso que a maioria de nossa cultura considera ser amável é, essencialmente, uma mistura de ser popular e despertar atração física. Nada mais. Longe, bem longe, do amor Crístico.
A segunda premissa, por trás dessa atitude de que nada há a aprender a respeito do amor Crístico, é a ideia de que o amor Crístico é mais uma questão de termos sorte de achar uma pessoa que nos ame e pela qual sejamos amados. Não é, pois, uma faculdade que devamos desenvolver em nós. Tal atitude tem muitas razões enraizadas no desenvolvimento da sociedade moderna. Uma dessas razões é a grande mudança ocorrida com relação à escolha do “objeto do amor” (uma pessoa, uma família ou no máximo, um grupo escolhido). Muitos acham que o amor Crístico é o que se chama de amor romântico, que atualmente se confunde com atração sexual e que leva a paixão. Inclusive, nesse caso, nem se usa “Crístico” e, ainda bem”
Grande número de pessoas anda a procura desse dito “amor romântico”, da experiência pessoal de amor que acabe levando ao casamento ou a “viver juntos”. Mas esse novo conceito de liberdade no amor, na verdade, acentua a importância do “objeto do amor” em detrimento da importância da função, ou seja, da faculdade do verdadeiro amor que se deve cultivar, o amor Crístico. Os divórcios e separações aí estão a atestá-lo. Ainda neste parágrafo convém ressaltar outro aspecto da cultura contemporânea: a ideia de um contrato em que se faz uma troca mutuamente favorável. Cada um, em vez de amar, procura tirar um “lucro” na transação matrimonial, ou seja, uma boa soma de qualidades que sejam populares e muito procuradas no mercado da Personalidade. O que torna especificamente uma pessoa atraente depende da moda da época, quer física, quer mentalmente. Numa cultura em que prevalece a orientação mercantil, e em que o êxito material é o valor predominante, pouca razão há para surpresa no fato de seguirem as relações de amor humano os mesmos padrões de troca que governam os mercados de utilidades e de trabalho.
A terceira e última premissa que leva a ideia de nada haver para ser aprendido a respeito do amor Crístico, consiste na confusão entre a experiência inicial de cair “enamorado” ou “enamorada” e o permanecer no amor. Se duas pessoas estranhas uma à outra, como todos somos, subitamente derrubam os muros que as separam e se sentem próximas, se sentem uma só, esse momento de unidade é uma das mais jubilosas e excitantes experiências da vida, para quem tem estado isolado, fechado em si, sem amor. Mas raramente é duradoura. As duas pessoas se tornam bem conhecidas, sua intimidade perde cada vez mais o caráter miraculoso e seu antagonismo, suas decepções, seu mútuo fastio acabam por matar tudo quanto restava da excitação inicial. Ou seja, longe do amor Crístico!
O amor Crístico é exatamente o amor que Cristo nos ensinou, na Sua primeira vinda aqui entre nós e nos deixou todo um ensinamento de como devemos praticá-lo. O amor Crístico é aquele que nos faz se converter a nós mesmos em um canal mais perfeito para a recepção e disseminação desse sentimento e junto com a harmonia em todas as variadíssimas experiências da vida, sejam alegres ou tristes, exaltadas ou deprimentes. É um sentimento que faz com que cada pensamento nosso irradia o amor Crístico; cada palavra que proferimos vibra com amor Crístico; cada ato que fazemos é embelezado pelo amor Crístico.
Nós alcançamos o ápice de prática desse amor quando a Personalidade se torna subordinada a nós, o Ego (o Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui); quando a nossa natureza inferior – relacionada completamente com a vida pessoal que é efêmera – é subjugada e substituída por esse amor Crístico, de natureza superior, como, inclusive evidenciou S. João em seu Evangelho.
Afinal, é pelo amor Crístico (por cada um e por todos) que se baseia o serviço do sacrifício. Pois, ao contrário do que algumas correntes populares de ensinamentos indicam, o caminho do verdadeiro desenvolvimento espiritual não consiste em atrair para si mesmo o máximo de bens materiais, mas na realização da verdade de que “o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao próximo – focado na Divina Essência oculta de cada um (que é a base da Fraternidade) – é o caminho mais curto, mais seguro e o mais agradável que nos conduz a Deus”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Iago: O bom nome de um homem ou de uma mulher, meu senhor,
é a joia imediata de sua alma.
Quem rouba minha bolsa rouba lixo; é algo, é nada;
foi minha, é dele e foi escrava de milhares;
mas aquele que me furta meu bom nome
rouba-me aquilo que não o enriquece
e me torna verdadeiramente pobre.
(Otelo[1], Ato III, Cena III).
Encontramos no mundo cotidiano da construção civil duas classes de trabalhadores qualificados. Uma classe aprendeu a erguer estruturas de pedra, aço e madeira que são maravilhas em tamanho, beleza e durabilidade. A outra classe, maravilhosamente proficiente em seu trabalho, ocupa-se ativamente em demolir a obra dos construtores. Ambas são necessárias no mundo do progresso humano para que estruturas novas e melhores possam ser colocadas sobre os locais das antigas.
Por toda a Natureza podem ser encontradas em operação forças de caráter semelhante; as forças de construção sempre construindo, desde a menor célula até um Sistema Solar; e as forças destrutivas constantemente em ação, desintegrando as formas e devolvendo sua substância a seus constituintes primordiais. Essas atividades opostas são responsáveis por todos os fenômenos neste plano material e em todos os planos da consciência. Estão enraizadas na Lei Cósmica e são indispensáveis, imutáveis.
Os trabalhadores que desejamos considerar neste artigo são aqueles engajados na construção de um grande Templo; aqueles que constroem e ajudam outros a construir e aqueles que constroem, mas agiriam como agentes de destruição. “Não sabem vocês que são o Templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (ICor 3:16).
Estudamos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz que, lá no alvorecer do desenvolvimento humano, quando as Centelhas da Chama Divina iniciaram sua conquista deste Mundo Físico, o Grande Arquiteto do nosso Esquema de Evolução, Deus o Criador, providenciou para cada Centelha separada uma Morada. Essa morada desenvolveu-se durante três Períodos e meio de progresso até se tornar um ser composto de Corpos e veículos espirituais e físicos, que é sétuplo, e que é ocupado por cada membro da família humana. Esta é a ferramenta de trabalho a ser usada por cada Centelha Espiritual na aquisição de domínio e maestria sobre os Reinos mineral, vegetal, animal e, finalmente, sobre si mesma.
Assim, aprendemos que a família humana é composta de um agregado feito de Espíritos Virginais, tendo cada Espírito um invólucro composto de Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano: eis o que chamamos de Ego. Esse Ego ou Individualidade controla, ou está aprendendo a controlar, através de incontáveis renascimentos, a Personalidade, que é composta de substância de desejo, etérica e química. A Individualidade tríplice está ligada à Personalidade tríplice pelo elo da Mente. Esse corpo sêxtuplo (três “Corpos” inferiores e três “veículos” espirituais) é, assim, o templo de um Espírito residente que é, em verdade, sagrado.
O primeiro fenômeno aparente naquele remoto passado manifestou-se como caráter. Os Espíritos Virginais, como agora, não eram igualmente adaptáveis ao seu novo ambiente. Alguns eram ativos, outros passivos e hoje os classificamos como pioneiros e retardatários, respectivamente. Ao longo do incomensurável intervalo que se interpôs, cada Espírito Virginal individual esteve ocupado em desenvolver o maior atributo do ser humano: o caráter. Hoje, a posição do ser humano no mundo é determinada por seu caráter. É seu bom nome que ele estima acima de todas as coisas.
Ele aprendeu a discernir e a formar concepções do bem e do mal. Tendo aprendido, é responsável por seus atos; assim, é seu privilégio, e somente seu, destruir suas concepções errôneas para abrir caminho para as novas. Como Espírito Virginal residente dentro dos seus veículos, o ser humano contém dentro de si as forças necessárias de construção e destruição, de modo que aqueles que atacam seu caráter são invasores de solo sagrado. Violam uma Lei da Natureza; são, de fato, vândalos espirituais, destruidores de seres humanos.
Nosso Criador, Deus, providenciou Leis que governam tanto seres humanos quanto deuses. Está decretado na Lei Cósmica que “Tudo o que o homem semear, isso também colherá” (Gl 6:7). O caráter é a colheita, o fruto das muitas safras de experiência semeadas e colhidas pelo Aspirante à vida superior. É a própria quintessência do ser humano. É o “Templo que não foi feito por mãos.” (Hb 9:11) e é, assim, inviolável.
Somos então levados à conclusão de que os destruidores de caráter, aqueles seres humanos mais jovens, evolutivamente falando, que difamam seus colaboradores, associados ou conhecidos, estão demolindo um grande “Templo” que está em processo de construção. Eles dão expressão a uma grande força que poderia ser usada para propósitos úteis, mas que utilizam erroneamente para destruição gratuita. Dívidas do Destino (muitas que serão do tipo Destino Maduro) são assim contraídas e deverão ser expiadas.
Não é tão espantoso encontrarmos na família humana seres humanos que cometam graves erros. Todos estão buscando experiência e progredindo, aprimorando seus veículos e construindo caráter mediante essas experiências.
Como Espíritos diferenciados dentro do Criador (e não do Criador, Deus), as Leis de Deus garantem que devamos retornar à Fonte do nosso ser levando conosco os frutos da nossa peregrinação. Leis de Deus semelhantes operam em todos os planos inferiores. O impulso do ataque ao caráter vem do reino da emoção, do desejo. Semelhante a um cometa, tal impulso percorre assim toda a gama das emoções humanas, viajando através das correntes fétidas e nocivas das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo, reunindo força em sua jornada até que, pela ação da imutável Lei Cósmica, retorna ao criador desse impulso.
Que se ataque pessoas, se quiser; movimentos religiosos, escolas de filosofia ou qualquer atividade organizada. São apenas coisas transitórias. A calma luz da razão logo dissipará as marcas do ataque daqueles tipos de seres humanos. O dano é reparável. Mas o caráter do ser humano é verdadeiramente a “joia imediata de sua alma”. Solte a seta pessoal da imputação venenosa e falsa e ela viajará com a velocidade da luz. Torna-se um monstro de muitas cabeças, algo hediondo e vicioso que obtém alimento e encontra alojamento em demasiados corações humanos.
Ganhando força devido à pronta hospitalidade, logo alcança seu alvo humano, envenenando, mutilando, destruindo, expondo ao ridículo e ao desprezo a infeliz vítima. E assim esses seres humanos, vândalos da reputação, entram diariamente em campo, buscando destruir. Certamente deve haver alguma armadura protetora que resguarde o inocente e torne o ser humano imune a esses caçadores antinaturais.
Há, de fato, uma armadura maravilhosa que podemos usar para afastar essas setas traiçoeiras e pontiagudas de ódio, inveja ou vingança. Outra grande Lei Cósmica pode ser invocada. Nenhum ser humano é tão humilde nem tão elevado que não possa usar seu poder protetor. É a Lei do Amor Crístico; aquela grande força construtiva que capacita cada indivíduo a usar o material de ideais despedaçados, esperanças destruídas e reputações arruinadas para construir, a partir daí, uma “mansão nos Céus” (Jo 14:2).
Cristo nos ensinou que: “Na casa do meu Pai há muitas moradas” (Jo 14:2-3). Ao longo das eras essa Lei do Amor operou, mas foi através do Cristo Jesus que ela foi fornecida pela primeira vez a todos nós. Ela suplanta a Regra da Lei das Religiões de Raça. Por meio do sacrifício na Cruz, Cristo Jesus implantou em toda a Humanidade o germe do amor fraternal, o amor Crístico. É uma influência transformadora. Quando desenvolvida — e seu desenvolvimento agora é possível em cada um de nós —, irradiamos em todas as direções essa força maravilhosa.
Brilhantemente luminosa, ela irradia constantemente, dia e noite, pensamentos de amor e caridade para todos. Nenhuma seta de inveja ou ódio pode persistir nesse “Fogo Vivo”; no entanto, carregadas de pensamentos de compaixão e auxílio, elas retornam em seu voo orbital à sua fonte, setas vivas de amor que consumirão o lixo de pensamentos e objetivos pervertidos. E assim vemos como é impossível realmente destruir. Apenas conseguimos mudar a forma. O arqueiro vândalo encontra a força destrutiva transmutada pelo Amor e usada para melhorar o Templo Vivo dentro do qual habita o Espírito de Deus.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Otelo, o Mouro de Veneza (no original, Othello, the Moor of Venice) é uma peça de teatro de William Shakespeare escrita por volta do ano 1603. A história gira em torno de quatro personagens: Otelo (um general mouro que serve o reino de Veneza), sua esposa Desdêmona, seu tenente Cássio, e seu suboficial Iago. Por causa dos seus temas variados — racismo, amor, ciúme e traição – continua a desempenhar relevante papel para os dias atuais.
Nós, ao nascermos, mais uma vez aqui, não estamos formados ainda. Sabemos, à luz da Ciência e da Filosofia Rosacruz, que desenvolvemos o nosso Corpo Denso até por volta dos sete anos. Então nasce o nosso Corpo Vital e é desenvolvido até cerca dos catorze anos, em que a puberdade marca o nascimento do nosso Corpo de Desejos. Desenvolvemos o nosso Corpo de Desejos até perto dos 21 anos, quando nasce a nossa Mente e aí somos considerados (não sem razão, portanto) pelas leis civis, como cidadão, capaz de exercer nossos deveres e direitos.
Nesse desenvolvimento, há a chamada idade perigosa, que medeia entre os catorze anos e vinte anos. É quando nós, como um jovem, começamos a formar nosso próprio sangue, começamos a mostrar nossa verdadeira natureza, inteiramente pessoal, distinta dos nossos pais e demais ascendentes (porque a hereditariedade afeta apenas a parte física!). A nossa Mente ainda não se formou e sob os impulsos do Corpo de Desejos, nós, um jovem, sentimos a íntima necessidade de autoafirmação, começamos a reagir contra as ordens dos pais e dos responsáveis. Julgamo-nos donos do nosso nariz, como se costuma dizer. É uma idade difícil. Se os nossos pais ou responsáveis não conquistaram a nossa confiança e o nosso amor de filho ou de filha, pelo exemplo e pela coerência de atitudes, amorosas e justas, terão dificuldade conosco nessa fase de nossa educação.
O mesmo ocorre, por exemplo, no desenvolvimento de qualquer coisa, inclusive da Fraternidade Rosacruz. Max Heindel, profundo e inteligente como era, previu isso. Disse ele que, em seu desenvolvimento, como qualquer outra organização, a Fraternidade Rosacruz teria problema quando seus Estudantes Rosacruzes estivessem passando a “maturidade espiritual”. É inevitável.
O Estudante Rosacruz, sentindo seu avanço, a influência que vai exercendo em seu meio ambiente imediato, a facilidade que vai tendo na compreensão de tudo, graças às “chaves” que recebeu na Fraternidade Rosacruz corre o imenso risco de começar a se envaidecer. Ele mesmo não percebe isso; é um sentimento perigoso, sutil, insinuante, com feições de legítimo, mas, no fundo, é pura vaidade.
Daí Max Heindel chamar a esse nível, onde ocorre mais esse risco, de Probacionista, ou seja, “aquele em que se é provado”. Não provas dramáticas contra dragões e perigos horripilantes, quixotescos. Não, provas sutis, segundo o ponto fraco de cada um.
Max Heindel comparou a ascensão do Aspirante à vida superior a uma torre de igreja, larga na base e que vai estreitando à medida que sobe, até que há um ponto suportando a cruz. No caminho da regeneração, também, tudo é definido no começo. Muitas coisas são permitidas, porque a medida da instrução é o que o Estudante Rosacruz pode aprender e não o que a Escola Fraternidade Rosacruz pode ensinar. Mas, à medida que ele avança, as relatividades aumentam em tudo e o rigor de consciência desperta a tortura em cada desvio. Então, a diferença entre o bem e mal é sutil. Ele já não responde facilmente como antes. Há muitos fatores a considerar. É como o fio da lâmina de uma navalha.
Mas, se o Estudante Rosacruz não for cuidadoso e prudente na observação de si mesmo poderá, facilmente, escorregar de um lado para outro, entre o fanatismo e a indiferença; pode interpretar como legítima sua vontade de mudar as coisas e, como o jovem do nosso exemplo acima, passa a criticar os pais ou os responsáveis chamando-os de antiquados, de prepotentes, atrasados, ignorantes e outros adjetivos afins.
É uma fase; uma “idade” perigosa. Foi por isso que surgiram ramificações por aí, com nomes de “Rosacruz”, “independentes” como o mocinho carente de mentalidade e equilíbrio e, principalmente, carente de um elo superior, no caso a Ordem Rosacruz, que está na Região Etérica do Mundo Físico.
É certo que os Irmãos Maiores, como educadores sapientíssimos, sabem compreender tudo isto e ajudam seus “filhos” a vencer as provas; mas fornecem muito mais possibilidades aos que exercitam sua Epigênese dentro do ideal traçado. Liberdade mal orientada é Epigênese desperdiçada, se bem que as consequências evidenciam o erro e reconduzem ao caminho.
Isto ocorre em todas as organizações, grupos, equipes e centros de estudos. Já vivemos estas experiências, mas temos a felicidade de compreender nossa adolescência e a sabedoria de nossos pais e responsáveis, simbolicamente, aqui: Cristo, os seus auxiliares que são os Irmãos Maiores, e que se expressam por meio dos Ensinamentos Cristãos, pedagogicamente detalhados como Ensinamentos Rosacruzes.
Este problema, esta prova de se julgar cerceado em sua liberdade, de querer ser diferente, é natural da adolescência, mas não traz maiores consequências quando os pais ou responsáveis souberam educar seus filhos.
Em nosso caso, sob a orientação da Escola Fraternidade Rosacruz sabemos que ela respeita acima de tudo o livre arbítrio de cada um e procura emancipar os Estudantes Rosacruzes de toda limitação de sua Personalidade e das dependências externas (sejam de pessoas ou de “coisas”) para que seja um “perfeito cidadão do mundo e um pregador do bem”. Logo, se existe esta impressão, é interna, é pessoal, da vaidade, da Personalidade que se vê acuada, ameaçada e luta por seu reino, como Herodes ao tempo em que nasceu o menino Jesus. Um é o reino do mundo e o outro o Reino dos Céus. Este deve conquistar aquele, mas a luta custará à vida de muitos ideais, de muitos esforços.
Suscitamos este tema por vários motivos: primeiro porque é sempre atual; segundo, porque já temos muitos Probacionistas que precisam ficar alertas contra as armadilhas da natureza inferior que cada um temos; terceiro, porque é preciso compreender que o movimento Fraternidade Rosacruz não é uma Escola de cegos guiando cegos, sem lastro iniciáticos, senão que, reúne princípios superiores, inalteráveis ao nosso esforço Crístico, é só estudar com atenção o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz para ter uma prova disso.
Ao mesmo tempo, por trás de toda atividade individual ou em grupos, há uma ajuda esclarecida, há um observador consciente que nos respeita a liberdade, que nos estimula, que nos compreende como um “pai” maravilhoso, um pedagogo incomparável, que são os Irmãos Maiores; quarto, porque a “Fraternidade Rosacruz” não são sedes, prédios, salas, nem “diretorias”, “conselhos” e outros “cargos” que porventura sejam criados. A Fraternidade Rosacruz é algo interno, vivente, que se forma com a aspiração, com o esforço, com o pensamento convergente, harmonioso, concordante de todos os Estudantes Rosacruzes ativos e sinceros, na consecução de um Ideal superior, qual seja, a elevação de mundo à altura de Cristo, nosso único Ideal.
Isso não quer dizer que a Sede Mundial da Fraternidade Rosacruz, em Mount Ecclesia, não tenha um efeito especial, como fulcro físico. Tem sim! Max Heindel, Iniciado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, escolheu aquele lugar não por acaso, mas porque sabia se tratar de um dos sete centros de irradiação espiritual, do Planeta Terra, de modo a favorecer a difusão dessa nova tônica do movimento Cristão Esotérico pelo mundo inteiro, de forma que não seria possível com apenas os recursos de seus Estudantes Rosacruzes. Além do mais, conforme Max Heindel o testemunhou, a Sede Mundial corresponde a um Arquétipo previamente formado nos planos mentais pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, com o propósito de alimentar o corpo de nosso ideal até o tempo previsto na Era de Aquário. Além do que podem ver nossos olhos físicos, além do que nossos limitados sentidos de neófitos, há uma força espiritual mantenedora da Fraternidade Rosacruz, que precisa do esforço de cada Estudante Rosacruz ativo e sincero, mas que não depende apenas de nós para sua sobrevivência.
Afinal, a Sede Mundial, fundada por Max Heindel, sob orientação direta dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, corresponde a um moderno Tabernáculo com missão especial para o Ideal de Aquário e o Cristianismo Esotérico, a Religião do futuro.
Realmente assim é. Não importa o “nome dos pedreiros”, a construção continua seguindo as linhas traçadas previamente por um Arquétipo. Nenhum esforço errado poderá subsistir.
Encerramos com S. Paulo, apóstolo: “Eu plantei; Apolo regou; mas era Deus quem fazia crescer. Assim, pois, aquele que planta nada é; aquele que rega nada é; mas importa tão-somente Deus, que dá o crescimento. Aquele que planta e aquele que rega são iguais entre si; mas cada um receberá seu próprio salário, segundo a medida do seu trabalho. Nós somos cooperadores de Deus, e vós sois a seara de Deus, o edifício de Deus..” (ICor 3:6-9). “Quanto ao fundamento, ninguém pode colocar outro diverso do que foi posto: Cristo. Se alguém sobre esse fundamento constrói com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, a obra de cada um será posta em evidência. O Dia torná-la-á conhecida, pois ele se manifestará pelo fogo e o fogo provará o que vale a obra de cada um.” (ICor 3:11-13).
Sejamos, pois, sempre como células ativas, tecidos vivos, órgãos normais no corpo da Fraternidade Rosacruz, sem jamais inquirir, como células, a que a outra faz; o propósito da Fraternidade Rosacruz é o desenvolvimento individual, para que o corpo cresça em eficiência, como Deus cresce com o pequenino acréscimo de nossa evolução individual. Deus é Amor. O amor une e edifica. “Quem vive em amor vive em Deus e Deus nele.” (IJo 4:16).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Como indicado no Livro: Mensagem das Estrelas, Capítulo XVIII, A Doutrina da Delineação em Poucas Palavras (para acessá-lo clique aqui), Max Heindel utilizou a técnica da combinação das palavras-chave de todos os outros Astros e Aspectos da Tabela que consta naquele capítulo para fazer as interpretações desses horóscopos e sugere que os Estudantes Rosacruzes também o façam. Nas palavras dele: “Isso os capacitará a uma boa leitura de qualquer horóscopo, mesmo com pouca prática. Para mais demonstrações práticas desse método sugerimos aos Estudantes que examinem os horóscopos de crianças publicados nos Livros Interpretações Astrológicas de Temas de Criança. Esses horóscopos constituem uma fonte de ensino que nenhum Estudante Rosacruz desejoso de se aperfeiçoar na ciência estelar pode dispensar. As palavras-chave proporcionarão o que foi dito a respeito da natureza geral dos Astros sob consideração; isso ele poderá combinar com a natureza dos Signos e das Casas em que os Astros estão, caso queira uma interpretação completa.”.
Essas interpretações astrológicas dos horóscopos feitas por Max Heindel, mensageiro dos Irmãos Maiores da Rosacruz e fundador da Fraternidade Rosacruz, foram publicadas primeiramente na Revista da Fraternidade Rosacruz, Rays from the Rose Cross, durante os anos de 1921 a dezembro de 1929.
Não foram impressas anteriormente em formato de livro, mas a base espiritual de sua apresentação, juntamente com sua clareza e concisão, as fez merecedoras de uma audiência maior.
Acreditamos que todos os Estudantes de Astrologia irão achar o estudo dessas vinte e oito delineações de um valor especial para aprender a interpretar corretamente os diferentes Aspectos dos Astros, assim como a sintetizar o mapa como um todo.
O conselho sábio dado aos pais das crianças representadas é outro recurso valioso dessas leituras.
“Se você é um pai ou uma mãe o horóscopo ajudará você a detectar as más intenções em seu filho ou sua filha e ensinará você como é melhor “prevenir do que remediar”. Também mostrará a você os pontos positivos nele ou nela, de modo que você possa ajudar a formar, a partir do seu filho ou filha, um homem ou uma mulher bem melhor, com o Ego que lhe foi confiado. O horóscopo lhe revelará fraquezas sistemáticas e permitirá que você proteja a saúde do seu filho ou da sua filha; mostrará quais talentos existem e como a vida pode ser vivida em toda a sua plenitude. Portanto, a mensagem dos Astros que estão em marcha é tão importante que você não pode se dar o luxo de ignorar isso tudo.”
Max Heindel
Oceanside CA, Setembro de 1915
1. Para fazer download ou imprimir:
2. Para estudar no próprio site:
INTERPRETAÇÕES ASTROLÓGICAS DE TEMAS DE CRIANÇAS
Por
Max Heindel
VOLUME 7
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
1ª Edição em Inglês, Rays from the Rose Cross 1921 a 1929 editada por The Rosicrucian Fellowship
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Esse é o sétimo volume das interpretações astrológicas dos horóscopos feitas por Max Heindel, mensageiro dos Irmãos Maiores da Rosacruz e fundador da Fraternidade Rosacruz. Elas foram publicadas primeiramente na Revista da Fraternidade Rosacruz, Rays from the Rose Cross, durante os meses de janeiro de 1921 a dezembro de 1929.
Não foram impressas anteriormente em formato de livro, mas a base espiritual de sua apresentação, juntamente com sua clareza e concisão, as fez merecedoras de uma audiência maior. Acreditamos que todos os Estudantes de Astrologia irão achar o estudo dessas vinte e oito delineações de um valor especial para aprender a interpretar corretamente os diferentes Aspectos dos Astros, assim como a sintetizar o mapa como um todo. O conselho sábio dado aos pais das crianças representadas é outro recurso valioso dessas leituras.
“Se você é um pai ou uma mãe o horóscopo ajudará você a detectar as más intenções em seu filho ou sua filha e ensinará você como é melhor “prevenir do que remediar”. Também mostrará a você os pontos positivos nele ou nela, de modo que você possa ajudar a formar, a partir do seu filho ou filha, um homem ou uma mulher bem melhor, com o Ego que lhe foi confiado. O horóscopo lhe revelará fraquezas sistemáticas e permitirá que você proteja a saúde do seu filho ou da sua filha; mostrará quais talentos existem e como a vida pode ser vivida em toda a sua plenitude. Portanto, a mensagem dos Astros que estão em marcha é tão importante que você não pode se dar ao luxo de ignorar isso tudo.”
Max Heindel
Oceanside CA, Setembro de 1915
LESLIE RALPH W. – NASCIDO EM 1 DE ABRIL DE 1903 ÀS 6:40 AM
LONDRES, INGLATERRA

Este jovem tem o Signo sólido e persistente de Touro no Ascendente. Os taurinos tendem a buscar seu próprio conforto em todos os momentos e nada deve impedi-los de satisfazer suas necessidades corporais. Este jovem tem Vênus no Signo que rege, Touro, e na cúspide do Ascendente, em Quadratura com Saturno, poderosamente situado na 10ª Casa e em Aquário, um dos Signos que ele rege. Este Aspecto dominará a vida do jovem. Como Vênus é o Planeta da beleza e da arte, um Vênus com Aspectos benéficos ama coisas belas e organizadas; mas quando Saturno aflige, ele traz à tona o aspecto inferior de Vênus e o nativo tende a se deixar levar por hábitos desleixados e descuidados e a desperdiçar seu tempo sonhando acordado; também a remoer decepções, pois esta Quadratura tende a trazer muitas decepções, especialmente em assuntos amorosos.
A Lua está em Exaltação em Touro na 1ª Casa, mas infelizmente não possui Aspectos; portanto, não lhe será de muita ajuda, pois este Astro plástico e vacilante, quando sem Aspectos, apenas cria um sentimento de inquietação e descontentamento e não o ajudará a expressar o que está latente no horóscopo.
Mas encontramos o opulento e benevolente Júpiter no Signo que rege, Peixes, na 11ª Casa, em Sextil com Vênus. Vênus também exerce uma influência muito forte e está no Signo que rege, Touro, indicando que este jovem enfrentará uma luta entre os três Planetas: Júpiter, Vênus e Saturno, todos em seus próprios Signos (ou seja, Signos que eles regem) e formando os Aspectos de Vênus em Quadratura com Saturno e Vênus em Sextil com Júpiter, um equilíbrio entre o bem e o mal. Saturno, por estar em um Signo Fixo e elevado acima de Júpiter, que está em um Signo negativo (Peixes), terá a maior força. Contudo, toda nuvem tem seu lado bom, e encontramos o Sol, autoritário, no Signo em que está em Exaltação, Áries, fazendo um Sextil com Saturno. Isso ajudará, em certa medida, a equilibrar a balança a favor de Júpiter e a manifestar a influência benéfica de Vênus. O jovem pode contribuir para fortalecer esse equilíbrio, pois conhecimento é poder, e se conhecermos nossos pontos fracos, podemos superá-los desenvolvendo nossos pontos fortes.
Quanto às qualidades mentais, encontramos Mercúrio, o Planeta que rege a mentalidade, em Detrimento em Peixes e na 12ª Casa, onde Mercúrio está enfraquecido; também em Quadratura com Urano na 8ª Casa, no Signo emocional de Sagitário. Mercúrio em Peixes proporciona ao nativo a preguiça, e a indiferença; ele não deseja trabalhar em atividades mentais, mas tende a fazer com que o outro o faça por ele. Com essa configuração, o jovem não fará o esforço mental necessário para se qualificar para uma vocação que exija esforço mental. Ele encontrará mais sucesso no uso da voz, que deve ser cultivada.
O Sol, em Exaltação no Signo marcial de Áries na 12ª Casa, está em Oposição a Marte em Libra, na 6ª Casa, a do trabalho, e isso proporcionará a ele dificuldades com os empregadores; ele demonstrará facilmente ressentimento em relação ao seu empregador. O Sol na 12ª Casa também indica autodestruição; ele será seu próprio pior inimigo e muito propenso a pensar que é ele quem está sendo abusado, quando na verdade pode estar brilhando por conta própria.
HELEN E.G. – NASCIDA EM 21 DE AGOSTO DE 1918 ÀS 3:20 PM
TORONTO, ONTÁRIO, CANADÁ

Temos aqui o horóscopo de uma jovem que certamente será um enigma para os pais e alguém muito difícil de lidar. Com o Signo nobre, ambicioso e elevado de Leão no Ascendente, e o Planeta do amor e da beleza, Vênus, em Conjunção com o Ascendente — bem como com o Planeta da devoção e da música, Netuno —, oferece à Helen uma Personalidade extremamente encantadora.
Seus ideais tendem a serem elevados, e tende a ver a vida através das lentes maravilhosamente coloridas do amor e do idealismo. No entanto, encontramos o pessimista e sombrio Saturno em Conjunção com o Sol — fonte da vida — em seu próprio Signo de Leão; Saturno também aparece na 1ª Casa, em Oposição à Lua na 7ª Casa e a Urano no Signo que é Regente, Aquário. Como esses Astros (Saturno, Sol, Lua e Urano) se afligem mutuamente a partir de Signos Fixos e posições angulares — e sendo que o Sol e Urano estão em seus Regentes —, eles serão muito poderosos, e a influência deles se fará sentir acima da de todos os outros Astros. Esta nativa tende a viver um conflito entre duas naturezas: uma, conferida pela Lua e por Urano — inquietos e emocionais — em oposição aos Astros do orgulho e da melancolia, o Sol e Saturno; a outra, conferida pelos Planetas idealistas Vênus e Netuno, posicionados no Ascendente. Esses últimos Planetas formam uma Quadratura com Marte, o planeta do impulso, que se encontra forte no Signo que rege, Escorpião, e na 4ª Casa.
Aqui, encontramos a mãe em uma posição diferente daquela observada no horóscopo analisado anteriormente. Independentemente do que a mãe sugira, a filha tende a insistir em fazer as coisas à sua própria maneira. Helen, com seu alto idealismo, têm dificuldades em se adequar às noções mais materiais e mundanas da mãe; à medida que a criança crescer, poderão surgir atritos entre elas. Contudo, se a mãe agir com sabedoria e recorrer ao amor e à persuasão em vez da força (recurso ao qual a mãe de Escorpião tende a recorrer), ela poderá ter mais sucesso com essa criança de Personalidade forte e obstinada. Com Helen, não há espaço para meios-termos. Ela tende a ter vontade própria e tenderá a segui-la, a menos que a mãe seja muito diplomática e, por meio do afeto, a conduza a agir conforme os desejos maternos. Caso contrário, ela poderá desenvolver uma natureza saturnina.
Encontramos Júpiter, o Planeta da opulência, no signo de Câncer — o Signo natural da 4ª Casa, que representa o lar — em Trígono com Marte na 4ª Casa (que representa a mãe); tudo isso indica que Helen tende a ser muito generosa e amorosa no ambiente doméstico, se tiver a oportunidade para tal. A mãe deve permitir que a menina a veja como uma companheira e amiga, evitando recorrer aos métodos frequentemente utilizados pelos pais — como dizer: “Você é minha filha, eu sou sua autoridade e você deve me obedecer”. Ela não deve forçá-la a se submeter a situações que lhe sejam desagradáveis. A próxima geração de almas aquarianas não se submeterá mais à imposição autoritária nem aceitará ser conduzida à força, mas, através do amor, pode ser levada a realizar qualquer coisa.
Se, em algum momento, Helen sofrer com adenoides ou amígdalas inchadas, jamais permita que os médicos realizem uma cirurgia; em vez disso, cuide atentamente de sua alimentação.
Após atingir a puberdade, esses problemas tenderão a serem superados. Vênus está em Conjunção com Netuno no Signo Fixo de Leão e em Quadratura com Marte em Escorpião. Esses Planetas, quando com Aspectos adversos em Signos Fixos, tendem a atuar de forma contraditória, e Touro — que rege a garganta — pode apresentar problemas. Após a puberdade, podem surgir dificuldades relacionadas a cólicas menstruais intensas.
Recomendamos que ela aprenda a tocar instrumentos de corda, pois a Conjunção de Vênus e Netuno em Leão confere grande amor e aptidão para a música, especialmente para a harpa ou o violino.
Em Publicação…
Um colega de serviço vivia repetindo, em voz alta, esta frase: “eu nada sei, só sei que nada sei”. Ouvia-o e cada vez me punha a meditar, ponderando, entre mim, que, sendo ele espiritualista, havia de ter um lado positivo nessa afirmação, uma advertência que o pusesse alerta contra o personalismo pretensioso que enfeia tantas pessoas. Mas um dia, durante o lanche, provoquei uma troca de ideias sobre o assunto. E por muitos dias continuamos, em episódios, o exame da questão, julgando de interesse pô-lo aqui para análise e ampliado, por parte dos leitores. Queremos falar de humildade num ponto de vista mais elevado e não pelo mal-entendido ponto de vista, segundo o qual a humildade é sinônimo de capacho ou de subserviência a poderes sociais ou econômicos.
Somos um ser complexo. Como Espírito, centelha de Deus, que nos faz semelhante à Deus-Pai, trazemos uma longa jornada de experiências, em que passamos por estágios de consciência equivalentes aos minerais, vegetais, animais, em que adquirimos nosso Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos correspondentes aos nossos veículos de expressão em cada Mundo. Atingindo o estado de Humanidade, no início da Época Atlante, tivemos nosso Corpo de Desejos dividido em duas partes: sentimentos elevados e sentimentos inferiores. Essa parte inferior do Corpo de Desejos foi juntada à Mente recém-adquirida, constituindo os dois, uma “alma animal”, a Personalidade, uma parte de nós voltada para a Região Concreta do Mundo do Pensamento, Mundo do Desejo e Mundo Físico.
Nesse tempo sofremos a influência passional dos Anjos decaídos ou Espíritos Lucíferos. Tais Espíritos não podiam alcançar a evolução natural da Onda de Vida dos Anjos, de que se haviam afastado e por isso restava-lhes trabalhar sobre o incipiente cérebro humano, induzindo a paixão (pois o cérebro está ainda ligado ao Corpo de Desejos). Desenvolvemos os primeiros trabalhos da Mente, sob a forma primitiva da astúcia e ao ingressar na presente Época Ária começamos a exercitar a Razão.
Ao falar assim, referimo-nos às pessoas que vivem no lado ocidental, pois ainda há irmãos e irmãs em estágios primitivos de consciência exercitando a astúcia e com um Corpo de Desejos superior muito reduzido e de pouca expressão altruística. Acresce notar que essa ação dos Espíritos Lucíferos, pelo nosso abuso sexual – por livre e espontânea vontade –, pelo egoísmo e outras formas passionais que insistimos em manifestar nas nossas vidas aqui, nos embruteceu a nossa sensibilidade e os nossos Corpos, fazendo-nos perder a visão espiritual e acreditar apenas na realidade deste Mundo material em que, provisoriamente, estamos.
Recebemos a primeira ajuda: as Religiões de Raça, Jeovísticas, como o objetivo de nos ajudar a controlar o nosso Corpo de Desejos que insistíamos em encher somente com materiais das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo. Mas usamos essa ajuda para induzir a nós mesmos a divisão e ao egoísmo, embora tais Religiões tenham disciplinado relativamente o nosso Corpo de Desejos com a ação restritora das Leis Mosaicas.
Como insistimos no erro, chegando a um estado evolutivo extremamente perigoso, arriscando a perdermos (uma grande maioria de nós) a oportunidade de continuar evoluindo nesse atual Esquema de Evolução, recebemos uma segunda ajuda. Conhecemos como a vinda da Religião do Filho – a Religião Cristã –, cuja expressão, Cristo, inaugurou uma nova fase evolutiva, onde o Cristo implantou o Seu Plano de Salvação e se tornou o Espírito Planetário da Terra. Só que, também devido a nós mesmos, a Religião Cristã ainda não foi implantada como deve ser, ou seja, o altruísmo (que foi introduzido e ensinado por Cristo) não virá senão quando os últimos vestígios de egoísmo tenham desaparecido, com as formas inferiores de expressão. E isso depende somente de cada um de nós, exercendo o livre arbítrio, ou seja: de dentro para fora.
Esta digressão é necessária para compreendermos que nós atualmente, quando renascidos aqui, nos embrutecemos até onde os nossos Corpos nos permitirem. Somos o que pensamos, o que sentimos, o que percebemos. Aqui estamos limitados pelo grau de aperfeiçoamento dos nossos veículos o Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.
Nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) sim, nos esforçamos para isso através da Mente, o foco entre o Ego e os nossos veículos e por isso simbolizada por Mercúrio, o Mensageiro dos Deuses. Mas estamos limitados, nessa expressão, pela condição dos nossos veículos que construímos (com o nível de evolução que chegamos até a última vida aqui) e usamos.
Disso tudo inferimos que nós sabemos algo! Nós temos dentro de nós mesmos uma bagagem imensa de experiências passadas, que vão formando a nossa Tríplice Alma. Chamamos a essa bagagem, a Memória ou Mente Superconsciente, a que temos acesso apenas pelo desenvolvimento dos Éteres superiores e contato com o Mundo do Espírito de Vida, via alcançando as Iniciações, preconizadas pela Fraternidade Rosacruz.
Mas essa forma de memória não nos vem pela Mente, senão pelo Coração. Cristo está trabalhando sobre toda a Terra e afetando os nossos Corpos humanos para lograr uma transformação do nosso Coração, formando estrias para, através dele, afetar todo o nosso Corpo Denso e dar mais livre expressão à nós, o Ego, ainda prisioneiro nas grades de nossas limitações.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, compreendendo profundamente esse plano Crístico, ensinam aos Estudantes Rosacruz – a partir de um certo nível no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz – a conquistar o equilíbrio entre a Mente e o Coração, condicionando as possibilidades daquele, aos ditames deste. É um plano de libertação que possibilitará ao Estudante Rosacruz se livrar da consciência atual, muitas vezes mais próximas da consciência animal, para a Consciência de um indivíduo, onde o Ego dirige seus veículos, exprimindo ambos a mesma coisa, como a citada fonte dos evangelhos, de que não fIui ao mesmo tempo água doce e salgada. Os místicos buscam apenas esta fonte de pureza pelo Coração. Os ocultistas desenvolvem a Mente. A Ordem Rosacruzes busca unir as nossas expressões pelo equilíbrio perfeito entre Mente e Coração.
Afinal, sabemos ou não sabemos? Está claro que sim, mas nosso conhecimento ainda é passível de muita cautela, porque sofre interferências várias e deturpa, muitas vezes, os nossos reais propósitos.
Um Estudante Rosacruz não diz: “eu nada sei, eu sou um pobre diabo, um imprestável, um ignorante”. Tampouco diz: “eu tudo sei, eu tudo posso”, como ensinam algumas escolas espiritualistas pregadoras de afirmações e negações. Afinal, como aprendemos na Fraternidade Rosacrduz: “de que valeria a uma bolota de carvalho, sendo semente, dizer: eu sou um carvalho? Ela será um carvalho, sob condições favoráveis de desenvolvimento, mas por enquanto não é, apesar de todas suas afirmações; assim é o ser humano em relação à perfeição divina”.
A afirmação deve ser feita em silenciosa convicção, na interna vontade, para estendermos aos atos os nossos propósitos, depois de haver afetado o subconsciente. Não de forma negativa, renunciando, de princípio, às possibilidades divinas latentes e poderes adquiridos. Que efeito podemos esperar, desse modo, sobre nós?
Não gostamos de extremos. Tudo é relativo (pois só Deus é absoluto!) e, conhecendo amplamente os diversos fatores que fazem de cada um de nós essa realidade atual, buscamos aperfeiçoá-lo, sabendo que não somos nada e nem tudo, mas que caminhamos para a perfeição a que nos destina o Criador, pondo-nos todos os recursos para isso, inclusive ajuda externa.
A verdadeira humildade, pois, está na consciência dessa relatividade evolutiva, que nos põe no nosso devido lugar, no qual não se justificam orgulhos nem personalismos, embora estes nos assaltem nas repetidas tentações, por forças dos vícios de origem, ainda não sublimados.
Forçoso é reconhecer: a verdade tem muitos degraus e o acesso aos superiores pressupõe havermos passado pelos inferiores, as verdades parciais, mas nem por isso desprezíveis, pois são as partes e fundamentos do todo almejado.
Para concluir, não dizemos “eu nada sei, só sei que nada sei”, mas sim: “sou uma semente de Deus e posso me converter na própria árvore e estatura de Deus. Estou trabalhando para isso, orando e vigiando, fazendo fielmente os Exercícios Esotéricos Rosacruzes de Observação, Discernimento, de Retrospecção, de Concentração e oficiando os Rituais dos Serviços Devocionais diariamente, que me ensinam, cada vez mais, a conhecer minha própria natureza, a fim de transubstanciá-la na força anímica que me permitirá o retorno consciente ao que realmente sou, um Ego, e através deste, a Deus”.
“Quem se humilha será exaltado” (Mt 23; 12), mas quando a humildade é bem compreendida. Reduzir-se, anular-se é negar as possibilidades divinas latentes e descrer em nós mesmos, o Ego. E sendo nós um Ego (e não os nossos Corpos, especialmente, como muito acham, o Corpo Denso), como podemos falar de nós como se fossemos os Corpos e suas limitações? Somos isto sim, prisioneiros conscientes, trabalhando pela libertação das invisíveis grades e cadeias que, simbolicamente, prendiam Prometeu ao Cáucaso[1]. Mas seremos também Hércules[2], o “super-homem” e nos libertaremos destas condições, mediante o esforço perseverante e racional, passo a passo, pois a Natureza não dá saltos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: da mitologia grega: foi um defensor da humanidade, conhecido por sua astuta inteligência. Roubou o fogo dos deuses e o deu aos homens. Isto assegurou a superioridade dos homens sobre os outros animais. Todavia o fogo era exclusivo dos deuses. Como castigo a Prometeu, Zeus ordenou a Hefesto que o acorrentasse no cume do monte Cáucaso.
[2] N.R.: nome em latim dado pelos antigos romanos ao herói da mitologia grega Héracles, filho de Zeus.