Na Fraternidade Rosacruz é oferecida a Cura Rosacruz guiada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, utilizando os Auxiliares Invisíveis como instrumentos para restaurar e curar doenças e enfermidades físicas, emocionais e mentais. O trabalho é realizado de acordo com os mandamentos de Cristo Jesus: “Preguem o Evangelho e curem os enfermos”.
Este trabalho sagrado é realizado em estrita conformidade com os Ensinamentos de Cristo, enfatizando tanto a iluminação espiritual quanto a cura física.
Quer saber mais sobre o assunto? Leia aqui: Princípios Ocultos de Saúde e Cura: Causas das Deficiências Mentais
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Desde o momento em que suas pálpebras de bebê se abriram pela primeira vez para este mundo maravilhoso de beleza ao seu redor, ela foi o ídolo de corações amorosos — pais afetuosos, irmãos dedicados, amigos leais. Ela parecia ter sido criada para a felicidade — para amar e ser amada.
Seu corpo fora moldado pela mão de um artista, bela de rosto e forma, acompanhada de uma natureza profunda, ardente, verdadeira e, acima de tudo, aquele poder misterioso, o magnetismo pessoal, que inconscientemente atrai e mantém cativos todos os corações dentro do alcance do seu círculo. Apesar de tudo isso, ela viveu sua vida, no verdadeiro sentido, sozinha — contudo, não totalmente sozinha; ela vivia em um reino ideal feito por ela própria, pois ela nasceu já uma artista e musicista nata — uma idealista.
Em grande parte do tempo ela habitava a “Solidão da Alma” e quando em companhia, embora fosse muito sociável, sua conversa raramente dava qualquer indício do jardim encantado no qual vivia e construía seus castelos de ar.
Em um dia de verão, tendo a Mãe Terra coberta de verde como seu leito, sombreada pelos ramos pendentes do seu carvalho gigante e favorito, lar de um pássaro zombeteiro que derramava sua melodia fluida, ela permanecia deitada e sonhadora, observando as grandes nuvens ondulantes, brancas e felpudas como bancos de neve flutuando através do espaço azul, ilimitado e impenetrável, enquanto sua alma se esforçava intensamente para penetrar nos mistérios além dele.
No silêncio do crepúsculo místico, quando o grilo entoava seu canto melancólico e as miríades de estrelas cintilantes surgiam sobre o escuro dossel púrpura lá em cima, como diamantes espalhados por uma mão invisível, todo o seu ser se lançava em anseio por aquele “Algo” — indefinível, porém insistente, que ela soube intuitivamente ser sua herança divina.
As vibrações harmoniosas de som da Natureza eram para ela como uma música das esferas celestiais: o tamborilar das gotas prateadas de chuva, o tilintar do riacho murmurante, o vento suspirante, o mar com seu som, o rugido da catarata, as reverberações profundas do trovão… Tudo isso era, para ela, notas da Orquestra Eterna.
O mundo inteiro era, para ela, a Galeria de Arte de Deus. Toda a beleza da Natureza, suas montanhas enevoadas e veladas de púrpura, suas poderosas florestas com sua estranha melodia sussurrante, o mar entrelaçado com os raios cintilantes do luar, o glorioso pôr do Sol com o céu em chamas carmesins, douradas e púrpuras, desvanecendo-se nos tons opalinos de rosa, âmbar e lavanda — ah, tudo falava à sua alma do Infinito, do Desconhecido, pois “é da nebulosa terra de sombras do desconhecido que os Anjos vêm trazendo alimento às almas dos seres humanos”.
Da riqueza de sua natureza interior ela deu ao mundo incontáveis obras-primas de grandeza, beleza e emoção intensa, ajudando muitos a trazer à expressão seus poderes artísticos latentes; mediante seu toque mágico, vibrante com a melodia, ela encantava seus ouvintes, que eram balançados como juncos pela brisa de verão.
Assim, sua donzelice e jovem feminilidade terminaram com uma nota ocasional de tristeza e desapontamento mesclada ao seu “Salmo da Vida”[1]. Mas à medida que o tempo avançava, um a um ela via cada sonho e ideal da sua brilhante manhã acabar, cada castelo no ar se desfez, cada esperança acalentada ela viu murchar sob o sol escaldante do Saara e, por fim, as nuvens e sombras da aflição a envolveram até que não restasse sequer o mais tênue filete prateado; — como um mergulhador humano, ela havia sondado as mais íntimas profundezas da amargura mental e da angústia; havia sorvido “o cálice de absinto e fel” até as suas borras mais amargas… Um desespero negro se instalou nela como um sudário; verdadeiramente, ela se tornara uma mulher “de dores e familiarizada com a angústia e o sofrimento profundos”[2]. Seu sofrimento físico, muitas vezes, quase rompeu o Cordão Prateado e a alma, atormentada e aprisionada, ansiava e rezava pelo “Mensageiro Sombrio” que lhe concederia libertação. Mas tal fim não estava destinado a ela. As Leis de Deus operam perfeitamente. O que uma alma aprende, nada no Universo pode extrair dela.
Por meio da orientação de poderes invisíveis, ela foi conduzida a um Curador Auxiliar Invisível onde, tanto sua cura espiritual quanto a etérica foram realizadas (de modo que a parte física ela conseguiu restaurar) — uma foi chamada de “cura milagrosa”, pois essa alma havia sido uma errante afastada da Casa do Pai, tateando cegamente na escuridão em busca do Caminho que a levaria aos portais do seu Lar Celestial, ansiando por se reunir com o grande Espírito Divino do qual é uma Centelha, desejando o amor do Pai como “a agulha magnética anseia pela pedra-ímã que a atrai”; e quando o Portal fechado se abriu de par em par, uma torrente de luz brilhante e dourada irrompeu, envolvendo-a com sua glória sobrenatural — “a Luz reivindicou o que Lhe pertencia”, marcando um momento de profunda transcendência espiritual. A intensidade dessa iluminadora Luz de Amor era tão avassaladora que o próprio ar vibrava com ela, seu cérebro e nervos, seu sangue e músculos, todo o seu ser estremecia em uníssono com ela. Então se seguiu o êxtase devoto, o voo ascendente do Espírito aos Reinos espirituais, “vendo e comungando com o indizível”, onde veio a ela a plena percepção de que era um Ego (ou seja, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) —, que ela era parte de Deus, que não poderia haver morte e que ela havia alcançado a unidade com essa Fonte Divina de todo ser, onde lhe foram revelados os mistérios da Vida e do Ser, o propósito da dor e do sofrimento. Com esse conhecimento vieram a exaltação moral, a elevação intelectual e um sentimento indescritível de júbilo.
Após o desvanecer dessa maravilhosa visão, ao retornar ao mundo objetivo, permaneceu aquele raio de Luz, firme, raro e inefável, “além de todos os sinais, descrição ou linguagem”. Uma paz e alegria infinitas encheram o seu coração; ambições mundanas, cuidados e ansiedades morreram à luz da gloriosa verdade que lhe fora revelada e em seu lugar nasceu o desejo constante e o poder dinâmico de conduzir outros ao Caminho da Vida que ela encontrou: “ir adiante e levar sua paz consigo” para que também pudessem conhecer a alegria e a “paz que excede todo entendimento”[3] — para cumprir aquilo “para o qual ela fora enviada”.
Ao lançar um olhar retrospectivo sobre as tristezas e angústias profundas, decepções e experiências terríveis da sua vida passada, ela as reconheceu como degraus, apenas um meio para um fim: prepará-la e conduzir a uma vida ainda mais elevada – inspirá-la a algo ainda mais nobre e melhor em sua obra futura, melhor do que tudo em seu passado. Ela é capaz de considerar aquilo que parecia sofrimento interminável e intolerável como algo de curta duração, quando visto à luz de uma eternidade sem fim; ela se regozija na gloriosa vitória que finalmente foi sua ao atravessar o mar de amargura — sendo a vitória não apenas para esta vida, mas para toda a eternidade. Esse olhar retrospectivo que analisa o passado sombrio também serve para inspirá-la com a mais suprema reverência e amor pelo Ser Onipotente que tornou possível a uma alma alcançar as alturas às quais ela chegou e saber que, apesar da sublimidade presente nisso, é apenas uma seção da glória que virá.
Sua alma de artista compreende plenamente que o fascínio reside não na beleza do pôr do Sol, mas na beleza invisível que ele desperta interiormente; não nas harmonias ouvidas, mas nos sobretons inaudíveis; que por trás de todas as belas e grandiosas “ilusões” da Natureza encontramos os fatos mais profundos e mais doces que somente o amor e a inspiração podem apreender. Eles são as Mãos que acenam e a Voz que suplica que todos devam ver e ouvir antes de sentir, de conhecer o Amor plenamente satisfatório que desejam — antes que a União Eterna seja consumada.
À medida que o tempo passava, ela chegou à compreensão de que estivera sob um dos “Sete Espíritos diante do Trono” — uma das grandes e exaltadas Inteligências Espirituais que são Ministros de Deus e Se esforçam para cumprir a vontade d’Ele, sempre visando ao mais elevado e último bem — Saturno, “o Espírito da Negação: o Poder que ainda opera para o bem, embora planeje o mal”. Ele é, primeiro, “o provador” que retarda, dificulta, obstrui, prende, restringe, castiga e exige ao máximo paciência, tolerância, resistência, autocontrole e submissão, sem outro propósito senão a obtenção da perfeição por todos os seres humanos e todas as coisas.
Ele é o Executor do mandamento do Mestre: “Sede perfeitos como vosso Pai no Céu é perfeito”[4]. Portanto, na realidade, sua missão é a mais elevada de todos os “Anjos Estelares” ligados ao Mundo Físico, pois Ele finalmente conduz toda alma humana à verdadeira humildade e ao estado no qual tudo o que é material é removido para que os poderes latentes do “Eu Superior” (Individualidade) possam atravessar a ponte feita por Ele mesmo (Saturno) e caminhar em direção à Personalidade — aquele estado em que a vontade pessoal se rende à Vontade Divina —, reconhecendo a Vontade do Pai como o Amor supremo que tudo abrange e atrai todos os seres humanos para Si, dizendo: “Seja feita a Tua vontade”[5].
Ele então se torna o “Iniciador.” Ele é o Deus que nos faz ter o controle de tudo (especialmente o autocontrole), pois é o Regente de Capricórnio, o Signo do bode, e “estar no controle” implica Iniciação, consiste na tentação até o limite de tudo o que podemos suportar, provas que exigem o máximo da nossa resistência e, naturalmente, a superação, a sublimação.
Ele dissipou as névoas que a faziam “ver como por um espelho, obscuramente”[6]; as ilusões e desilusões deste mundo desapareceram como se tocadas por um dedo mágico; ela é capacitada a olhar além das falhas e limitações da Personalidade de cada ser humano e a ver o “Ser Perfeito” interior — o Espírito em sua beleza e perfeição divinas; a sentir aquela simpatia amorosa e compaixão semelhante à de Cristo, que sente as dores, angústias e os sofrimentos de toda criatura vivente; ao errante ela desejaria proteger e resguardar “como a galinha ajunta seus pintinhos debaixo das asas”[7], — sentindo aquele amor universal que irradia espontaneamente tanto para o santo quanto para o pecador, príncipe ou camponês; dando livremente, de bom grado, “sem dinheiro e sem preço”[8] da sua abundância — pois “dai, e dar-se-vos-á: uma boa medida, recalcada, sacudida e transbordante, vos darão; porque com a medida que usardes, vos medirão a vós.”[9].
As experiências pelas quais ela passou manifestaram para ela a Inteligência Cósmica, fazendo dela a mensageira do Deus de Sabedoria e Luz, uma reveladora dotada de grandes poderes espirituais e discernimento, uma líder no grande coro do mundo, sempre pronta a ajudar os outros a encontrar a harmonia e a beleza da canção de suas próprias vidas — e ajudá-los a cantá-la.
Ela é, agora e verdadeiramente, “uma serva de todos”[10]: investindo sua vida em “dar um copo de água fresca”[11], uma palavra de consolo, uma mão que eleva, uma mensagem útil em serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) à Humanidade.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil
[1] N.T.: Poema Salmo da Vida de Henry Wadsworth Longfellow
Não me digas em tristes versos
Que a vida é apenas um sonho vazio!
Pois a alma que adormece está morta,
E as coisas não são o que parecem.
A vida é real! A vida é sincera!
E a sepultura não é o seu alvo;
“Pó és e ao pó voltarás”
Não foi dito a respeito da alma.
Nem alegria nem tristeza
É o nosso destino ou fim traçado;
Mas agir para que cada amanhã
Nos encontre mais longe do que hoje.
A arte é longa, e o tempo é passageiro,
E os nossos corações, embora fortes e valentes,
Ainda, como tambores abafados, batem
Marchas fúnebres rumo ao túmulo.
No amplo campo de batalha do mundo,
No acampamento da vida,
Não sejas como o gado mudo e conduzido!
Sê um herói na luta!
Não confies no Futuro, por mais agradável que seja!
Deixa o Passado morto enterrar os seus mortos!
Age — age no Presente vivo!
Com o coração no peito e Deus no alto!
A vida dos grandes homens nos lembra
Que podemos tornar nossas vidas sublimes,
E, ao partir, deixar para trás
Pegadas nas areias do tempo;
Pegadas que talvez um outro,
Navegando pelo solene mar da vida,
Um irmão náufrago e desolado,
Ao ver, recobre o ânimo.
Vamos, então, agir e lutar,
Com o coração preparado para qualquer destino;
Sempre alcançando, sempre perseguindo,
Aprender a trabalhar e a esperar.
[2] N.T: Is 53:3
[3] N.T.: Fp4:7
[4] N.T.: Mt 5:48
[5] N.T.: Mt 6:10 e Lc 22:42
[6] N.T.: ICor 13:12
[7] N.T.: Mt 23:37 e Lc 13:34
[8] N.T.: Is 55:1
[9] N.T.: Lc 6:38
[10] N.T.: Mc 9:35
[11] N.T.: Mt 10:42 e Mc 9:41
Saibamos ou não, concordemos ou não, mas somos Espíritos, partes integrantes de Deus, que é Espírito também, Fonte de todo o Amor e de todo o Bem. N’Ele não existe um só vestígio de mal. Por essa razão, não podemos atribuir-Lhe nossos sofrimentos, como tantas pessoas o fazem.
Desde que completamos nossa instrumentação com a Mente, com a razão, começamos a nos dirigir sozinhos. O livre-arbítrio e a experiência passaram a ser os dois fatores para a nossa evolução e elevação. É bom pensar muito bem nisso!
Se existe qualquer dificuldade ou sofrimento em nossa vida, não atribuamos a Deus. Antes, devemos encará-los como desafios à perfeição que um dia deveremos alcançar, segundo nos ensinado por Cristo: “Sede perfeitos como vosso Pai Celestial” (Mt 5:48). Se o leitor é pai, não deseja que seu (sua) filho (a) se torne maior ainda que você? E para isso não deve ele aprender a fazer as coisas sozinho?
“Mas devemos ter assistência, como a que damos a nossos filhos” – poderá responder.
Sim, recebemos, desde que as desejemos. Quem procura, encontra.
Temos inúmeras provas disso. Um dia encontramos, como por acaso, a Fraternidade Rosacruz, e nela nos ofereceram um manancial de razões que nos transformaram o viver e nos tornaram possível suportar muita coisa que nada tem a ver com Deus, senão com nossas próprias falhas. Desde então as fomos corrigindo. Consideramos essa uma correta orientação, uma perfeita assistência. Dá-nos meios para que nós mesmos nos corrijamos.
Uma causa única existe para nossos males: é o desvio às Leis de Deus, mantenedoras da harmonia do Universo. Muita gente, presa de sofrimento e dificuldades por esse mundo afora, já ouviu falar nisso, porém, de uma forma insatisfatória. Suas dúvidas continuaram e as perguntas surgem naturalmente: se somos partes de Deus, que é o Supremo Amor e Bem, em Quem não há sequer o menor vestígio de mal, por que sofremos, então? Por que tantas dificuldades em nossa vida? Que Pai é esse que se compraz com nossos sofrimentos?
Quando alguém procura a causa de seus sofrimentos já é um importante passo para encontrar sua solução.
No íntimo de seu ser reconhece que deve haver uma causa. E há mesmo. Poderíamos desfiar uma série delas, as mais importantes e prováveis a cada caso. Mas cada indivíduo é um mundo à parte. Suas condições internas são singulares. O modo como recebe as coisas, também. Por isso o conhecer isso por meio dos Ensinamentos Rosacruzes e a maravilhosa Filosofia Rosacruz se consegue chegar a “sua” causa.
Tudo ali se faz no sincero intuito de elevar a Humanidade, por meios Cristãos e seguros e sem objetivos comerciais.
Importante frisar que na Fraternidade Rosacruz não há esforço de proselitismo. Mas tudo que se aprender é para que o Estudante Rosacruz encontre por si mesmo o que precisa. Para isso há os cursos gratuitos (inclusive todo o material) para se capacitar (sem estudos constantes é impossível evoluir em uma Escola, como o é a Fraternidade Rosacruz). Com certeza, o Estudante Rosacruz encontra respostas a todas as perguntas que lhe suscite o íntimo, sejam de ordem material ou espiritual. Nela você encontrará tudo o que deseja saber a respeito de Deus, da criação e de sua própria evolução.
Afinal, como nos ensinou S. Tiago: “se sua vida carece ainda de esclarecimento, procure-o” (Tg 1:5).
Afinal, a Filosofia Rosacruz ensina que Deus está em todo lugar e principalmente no coração de quem esteja sinceramente pondo em prática os princípios Cristãos.
E conforme esses princípios mesmos é que tudo que a Fraternidade Rosacruz oferece é de graça, pois de graça recebemos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz –outubro/1966-Fraternidade Rosacruz-SP)
Médicos alemães e americanos trabalham atualmente na investigação dos fatores psíquicos que desempenham um papel importante, até mesmo decisivo como causa do infarto do miocárdio. Depois de se terem analisado conscientemente todos os fatores físicos, tais como o excesso de peso, a hiperpressão, falhas da alimentação, nível elevado de colesterina ou o abuso do cigarro, impõe-se cada vez mais nitidamente a convicção de que os fatores psicológicos e sócio-médicos têm de ser tomados em linha de conta nos antecedentes de um infarto e na situação propícia a um infarto.
É cada vez mais evidente, no segundo plano da chamada “doença dos managers”, aparecerem tensões psíquicas invulgares e extraordinárias, na maioria dos casos reações psíquicas inconscientes e fracassos ou a impossibilidade de realizar determinados projetos. Segundo as mais recentes investigações, o infarto do miocárdio não é causado por excesso de trabalho, mas por um determinado conflito resultante da discrepância entre os objetivos estabelecidos e os resultados atingidos efetivamente. O êxito, o fracasso ou reconhecimento dos méritos e o seu desprezo são as mais fortes vivências psíquicas. Esse resultado da análise psicológica não data dos nossos dias. No entanto, adquiriu muito maior importância na atual estrutura sociológica, na qual os êxitos e as realizações adquiriram muito maior peso na aferição do valor do indivíduo.
O especialista de medicina interna da Universidade de Munster, na Westefália, Professor Werner Hauss, declarou recentemente no Congresso Berlinense de Promoção Médica que “o ser humano suporta o êxito ou os trabalhos coroados de êxito em ordens de grandeza simplesmente inconcebíveis”. Por outro lado, os trabalhos seguidos de decepções conduziriam frequentemente a toda uma série de males e doenças. O Professor Paul Christian, de Heidelberg, complementou essas asserções com uma análise precisa e exata da chamada “frustração”, dos perigosos abalos psíquicos que tão frequentemente são a consequência de fracassos. Segundo esse especialista, o fracasso efetivo ou imaginado é “a solicitação psíquica mais insuportável que nós conhecemos”. Se um indivíduo de grande vitalidade e ambição sofre a frustração em consequência de fracassos, pode ser originado um processo capaz de conduzir até mesmo à morte. Os fracassos induzem frequentemente o indivíduo a redobrar esforços, sendo o abalo psíquico da frustração ainda mais forte se o indivíduo em questão não atingir o objetivo em vista. Os mais recentes inquéritos organizados na Alemanha por médicos indicam efetivamente que cerca de 40% das vítimas de infarto do miocárdio tinham sofrido reveses e fracassos, sentindo-se finalmente incapazes de superarem o conflito psíquico.
O estudo consciencioso das causas psíquicas do infarto do miocárdio levou à convicção que existem indivíduos com uma autêntica predisposição psíquica ao infarto. Os indivíduos com a tendência para o infarto correspondem ao tipo pícnico e atlético. São extrovertidos, realistas, concentrados no seu êxito individual, sempre dispostos a agir e “ávidos de estímulos”. Se essas qualidades atingirem o limite do patológico, o perigo de um infarto é ainda maior. Frequentemente, o indivíduo predisposto ao infarto é também um neurótico, designado pelos psicólogos, de “histérico negativo”. Quando surgem quaisquer males ou doenças, esse indivíduo não as quer conhecer, negando-se até mesmo a consultar um médico. As estatísticas provam que 42 por cento dos pacientes que sofreram, de vez em quando, do coração e foram, finalmente, vítimas de um infarto do miocárdio, não tinham consultado previamente um médico. (Recortes dos meios de comunicação).
Ora, e o que é a frustração? O sentimento de malogro, a decepção pelo fracasso, o recalque inibitório por não suceder algo que se esperava ardentemente ou por que tenha lutado muito e não tenha chegado ao desejado resultado. Isso é comum. Bem entendido, é comum a nós. Se estamos bem-preparados espiritualmente não nos deixaremos levar pela frustração ou outros fatores negativos semelhantes. E, por bem-preparados queremos significar, não o espiritualista ilustrado, intelectualizado, senão o amadurecido, aqueles que fundamentaram uma razão superior para todas as coisas, que concilia a experiência e a observação com as Leis de Deus, os que tem fé incondicional no amor e justiça de Deus.
Todos nós comprometemos parcialmente nossa liberdade com as dívidas do passado (que nada mais são do que lições que insistimos em não aprender) ainda não regeneradas. Se não chegamos a um resultado, em nossos esforços, é porque, para o nosso próprio bem não era justo o que pretendíamos, ou porque não fizemos os esforços naturais que nos tornariam dignos de sua posse ou ainda porque estamos resgatando algo que anteriormente infligimos a outrem. De toda maneira, o malogro não deve desesperar ninguém. Aprendemos mais com nossos fracassos do que com nossos êxitos, desde que saibamos extrair-lhes a lição que nos destinavam. E essas lições, escolhidas por nós mesmos com a ajuda dos Anjos do Destino ainda no Terceiro Céu antes dessa vida terrestre aqui, não pode encerrar vingança nem justificar desonestidade. No complexo mecanismo das relações humanas, há sempre um propósito superior: o de nos ensinar a integração numa verdadeira fraternidade.
Ainda que a lição, amarga para nós, tenha vindo por intermédio de um semelhante nosso, que agiu com má-fé, precisamos compreender que ele apenas foi um instrumento, para ensinar-nos a prudência, para fazer-nos sentir algo que no passado forçamos outrem a experimentar, para provar-nos a convicção nos ideais superiores e a força de nosso amor.
Idealismo que se esboroa ao primeiro impacto de revés é idealismo puramente intelectual, justaposto, não assimilado, não interiorizado. E a maneira de chegar a sentir e viver realmente o ideal é ir sublimando essas manifestações negativas, pela razão, é persistir no estudo e compreensão das Leis de Deus que a Fraternidade Rosacruz oferece.
Avaliem, pois, a importância dos Ensinamentos Rosacruzes. Tais Ensinamentos vieram a disposição de todos mercê da previdência e do amor daqueles que anteviam esse estado de coisas, no progressista mundo ocidental. Eles anteviram a insuficiência do Cristianismo popular – ou exotérico – no preparo interno dos que se deixam engolfar pela ambição, dos que se escravizam pela máquina e invenções modernas, cujo fito imaturo ainda é o de enriquecer minorias em detrimentos de legítimos direitos da maioria. Mas a transição e mudança de coisas devem provir do nosso interior: de dentro para fora. Quando as internas necessidades humanas reclamam condições melhores, elas naturalmente vêm!
Outra conclusão importante que podemos tirar da notícia acerca da causa mais frequente do infarto é a influência e inegável ação dos pensamentos e das emoções sobre a nossa saúde.
Depreendemos, também, que a mesma influência e ação negativas são verdadeiras quanto à nossa felicidade. Aquele que alberga sentimentos, emoções e pensamentos pessimistas, rancorosos ou desonestos está, em primeiro lugar, conspurcando a si mesmo, comprometendo seu destino, manchando o Templo Divino do seu Corpo Denso, rasgando a trilha de hábitos daninhos que se alargarão pelo repetir, em estradas desoladoras de sofrimentos — a consequência lógica assegurada pela Lei de Causa e Efeito.
A Fraternidade Rosacruz franqueia amorosa e desinteressadamente a todos os de bom senso, a filosofia da felicidade, o entendimento de que só a Verdade, a Beleza e a Bondade, harmoniosamente conjugadas na ação humana, podem restituir-nos os direitos e vivências superiores que nós, como Espíritos, Filhos de Deus, temos de um dia alcançar. Resta-nos escolher se pelo caminho da dor, ou pela observação e consonância voluntária às Leis de Deus.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1967 – Fraternidade Rosacruz–SP)
Um deus pode amar sem cessar:
Mas, sob as leis da alternância, nós, mortais, desejamos em medida mutável
Nossa parte de dor assim como de prazer.
— Tannhauser
Quando Tannhauser, impelido por sua paixão profana pela nobre, pura e virtuosa Elizabeth, vagou pelas montanhas e foi atraído para a caverna de Vênus como o aço por um ímã, não apenas lhe foi permitido, mas também incentivado a satisfazer seus desejos sensuais até o limite; naturalmente, sua alma logo se saciou da paixão e ele rezou para ser libertado da deusa Vênus e autorizado a retornar à Terra. No curso da sua súplica, ele profere a verdade expressa no início do nosso artigo: que, em seu estágio atual de desenvolvimento, o ser humano necessita tanto da alegria quanto da tristeza para sua evolução adequada.
Na Mente filosófica esse sentimento desperta assentimento imediato, porque, embora todos sejamos humanos o bastante para ansiar pela alegria e temer a tristeza, não podemos, após reflexão adequada, deixar de perceber que uma vida de alegria constante, sem a menor tristeza, seria absolutamente insípida e sem cor. É a justa combinação de luz e sombra que confere beleza a um quadro ou paisagem e um arranjo semelhante de tristeza e alegria é necessário para dar vigor à vida e torná-la digna de ser vivida.
Do ponto de vista astrológico, a luz e a sombra da vida são fornecidas pela posição e pelos Aspectos de Júpiter e Saturno no momento do nascimento, juntamente a suas Progressões e Trânsitos em relação ao horóscopo de qualquer pessoa.
O regozijo vem de Júpiter, o Planeta da benevolência e do otimismo, que nos concede os favores dos deuses na medida em que tenhamos merecido suas dádivas. Por outro lado, Saturno, o Planeta do pessimismo e da obstrução, é o dispensador dos desfavores em incorremos por meio daquelas ações que são desarmônicas com as Leis de Deus; como ainda somos ignorantes no agir em harmonia com o grande Plano divino do Universo, não é de se admirar que o açoite de Saturno seja necessário para nos trazer de volta à linha, quando nos afastamos do caminho da virtude.
Mas é um sinal profundamente significativo do amor do nosso Pai o fato de Júpiter percorrer três vezes o horóscopo, formando Aspectos e trazendo oportunidades para o bem, para cada revolução de Saturno, o que nos traz as experiências ofertadas pelos Aspectos adversos por aqueles que carecem de compreensão.
Que bênção maravilhosa é a Astrologia Rosacruz espiritual, que nos oferece uma visão do Esquema, Caminho e Obra de Evolução, pelo qual todos nós estamos sendo lentamente educados da ignorância à onisciência!
Saturno é um dos principais fatores nesse processo de iluminação. Para aqueles que não conhecem a Astrologia Rosacruz espiritual pode parecer que a tristeza e a angústia profundas lhes sobrevenham sem qualquer razão ou motivo que possa ser descoberto; assim, muitas vezes invejam aqueles que são, aparentemente, mais afortunados; contudo, uma vez que aprendem a buscar a luz por meio da Astrologia Rosacruz espiritual, toda a perspectiva da vida se transforma.
Torna-se então evidente que estamos aqui não para o prazer, mas para a experiência; por mais tristes ou desastrosas que essas experiências possam ser, o verdadeiro Estudante Rosacruz de Astrologia as acolhe e procura descobrir a razão sob o ponto de vista astrológico, bem como as lições a serem aprendidas.
Além disso, ele extrai consolo do conhecimento de que os Aspectos adversos, que produzem os efeitos desastrosos, são apenas transitórios e que, no tempo devido — que ele pode calcular com precisão — o açoite de Saturno desaparecerá e o raio benéfico de Júpiter voltará a dissipar a melancolia saturnina e a curar a dor. Esse conhecimento naturalmente lhe proporciona coragem para perseverar nos dias de provação e o mantém em uma atitude mental esperançosa, aguardando o momento em que a tribulação terminará.
Quando vivemos na ignorância do grande Plano de Deus e não temos concepção das ministrações cíclicas de tristeza e angústia profundas e alegria trazidas à nossa vida por Saturno e Júpiter, respectivamente, para o nosso bem, tendemos a ficar excessivamente exaltados ou eufóricos quando Júpiter derrama sobre nós os bons dons dos deuses — saúde, riqueza, amigos, sucesso, prosperidade — e a ficar indevidamente abatidos quando, sob o açoite de Saturno, somos privados de tudo o que torna a vida digna de ser vivida; mas, quando o Livro da Vida nos é aberto pela ciência sagrada da Astrologia Rosacruz e nele reconhecemos o propósito benevolente de Deus e Seus ministros, gradualmente aprendemos a manter o equilíbrio, de modo que, quando os regozijos de Júpiter chegam ao nosso caminho, não ficamos excessivamente alegres, mas as recebemos com espírito moderado e aprendemos a nos considerar administradores de todas as coisas boas que assim são colocadas em nossas mãos.
Aprendemos que devemos utilizá-las, não para nossos próprios interesses ou propósitos egoístas, mas para o bem de todos, e que um dia nos será exigida uma prestação de contas, onde teremos que demonstrar como usamos os bens do nosso Senhor. Por outro lado, o chicote de Saturno não será aplicado por muito tempo, nem com frequência, àquele que se dedica ao autoexame – por meio da prática constante do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção – para notar no que está falhando e encontrar o erro que causa tribulação e sofrimento.
Essa lição certamente será encontrada pelo buscador sincero e, quando for descoberta, o regozijo por ter encontrado uma valiosa pérola de conhecimento superará amplamente a dor envolvida em aprender a lição; ao longo dos anos será desenvolvida a mais preciosa de todas as posses da alma: a equanimidade que eleva o ser humano que a possui acima do mar revolto das emoções, conduzindo ao reino da paz eterna que excede todo entendimento. Quando chega a esse ponto em seu desenvolvimento, Saturno não terá o poder de movê-lo, nem Júpiter ou quaisquer outros Espíritos Planetários, porque ele terá aprendido a governar seus Astros e regular seu destino de acordo com sua própria vontade divina
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – janeiro/1917, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Na Fraternidade Rosacruz é oferecida a Cura Rosacruz guiada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, utilizando os Auxiliares Invisíveis como instrumentos para restaurar e curar doenças e enfermidades físicas, emocionais e mentais. O trabalho é realizado de acordo com os mandamentos de Cristo Jesus: “Preguem o Evangelho e curem os enfermos”.
Este trabalho sagrado é realizado em estrita conformidade com os Ensinamentos de Cristo, enfatizando tanto a iluminação espiritual quanto a cura física.
Nesse livro há as informações necessárias e suficientes para se compreender o que é a doença ou enfermidade, porque ela ocorre e o que fazer para ser curado, por meio da Cura Rosacruz.
Há 2 meios de você acessar esse Livro:
1.Em formato PDF (para download):
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P2
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P3
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P4
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P5
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P6
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.2-Corpo Vital-P1
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.2-Corpo Vital-P2
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.3-Corpo Vital e a Mente
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PREFÁCIO
Esta compilação de material sobre a saúde e a cura do organismo humano, considerada do ponto de vista oculto, oferece aos interessados em alcançar e manter a saúde um verdadeiro tesouro de informações valiosas. Max Heindel, um Clarividente treinado e investigador dos Mundos suprafísicos, dedicou muito tempo e esforço para apurar a causas reais dos distúrbios físicos e mentais, conforme reveladas no reino da causa, os planos superiores ou suprafísicos, e este volume contém os frutos de seu trabalho. Ele incorpora algumas das verdades mais preciosas a respeito da origem, das funções e dos cuidados adequados dos veículos do ser humano, encontradas em publicações impressas, e aqueles que que se dedicam à verdadeira arte da cura acharão esse livro uma adição indispensável as suas bibliotecas.
Cristo admoestou aos Seus discípulos: “Pregai o Evangelho e curai os enfermos”[1]. Manter a saúde, uma vez conquistada ou recuperada, requer o conhecimento do “Evangelho” ou das Leis de Deus e é, portanto, à Luz de ambas as partes do Mandamento do Grande Mestre, que este livro é dedicado aos aflitos da Humanidade. Que o conteúdo de suas páginas – permeado pelo amor e pela compreensão compassiva do Coração místico do autor – seja o meio de trazer novo consolo e alívio a inúmeros corações aflitos e Corpos em sofrimento, bem como acelerar o dia para a geração de veículos humanos cada vez mais pertos da perfeição.
PARTE I – O SER HUMANO E SEUS VEÍCULOS
CAPÍTULO I – O CORPO DENSO
Introdução
A ciência oculta ensina que o ser humano é um ser complexo que possui:
(1) Um Corpo Denso, que é o instrumento visível que ele usa aqui neste Mundo Físico para buscar e carregar; o Corpo que normalmente consideramos como o ser humano completo.
(2) Um Corpo Vital, que é feito de Éter e permeia o Corpo Denso visível, assim como o Éter permeia todas as outras formas, exceto que os seres humanos especializam uma quantidade maior do Éter universal do que outras formas. Esse Corpo Vital é o nosso instrumento para especializar a energia vital do Sol.
(3) Um Corpo de Desejos, que é a nossa natureza emocional. Este veículo mais sutil permeia tanto o Corpo Vital quanto o Corpo Denso. É visto, pela visão do Clarividente, como se estendendo cerca de quarenta centímetros para fora do nosso Corpo Denso visível, que está localizado no centro desta nuvem ovoide, assim como a gema está no centro do ovo.
(4) A Mente, que é um espelho, refletindo o Mundo exterior e permitindo que o Ego transmita seus comandos como pensamentos e palavras e, também, para compelir à ação.
O Ego é o Tríplice Espírito que utiliza esses veículos para adquirir experiência na Escola da Vida.
O Corpo Denso foi o primeiro veículo construído e, portanto, possui um enorme período de evolução anterior. Encontra-se em seu quarto estágio de desenvolvimento e alcançou um grau de eficiência grandioso e maravilhoso. Com o tempo, alcançará a perfeição, mas mesmo atualmente é o veículo mais bem organizado do ser humano. É um instrumento maravilhosamente construído e deve ser reconhecido como tal por todos que pretendem ter algum conhecimento da constituição humana.
O germe do Corpo Denso foi dado pelos Senhores da Chama durante a primeira Revolução do Período de Saturno, o primeiro dos Sete Grandes Dias de Manifestação, de acordo com os Ensinamentos Rosacruzes. Esse germe foi desenvolvido durante o restante das seis primeiras Revoluções, recebendo a capacidade de desenvolver os órgãos dos sentidos, particularmente o ouvido. Portanto, o ouvido é o órgão mais desenvolvido que possuímos.
Na primeira metade da Revolução de Saturno do Período Solar, ou seja, o segundo dos Sete Grandes Dias de Manifestação, os Senhores da Chama se ocuparam em realizar certos aprimoramentos a serem feitos no germe do Corpo físico. Tornou-se necessário alterar o germe, de forma a permitir a interpenetração por um Corpo Vital, bem como a capacidade de desenvolver as glândulas e um canal alimentar. Isso foi feito pela ação conjunta dos Senhores da Chama e dos Senhores da Sabedoria.
Na primeira Revolução de Saturno do Período Lunar[2], o terceiro dos Sete Grandes Dias de Manifestações, os Senhores da Sabedoria cooperaram com os Senhores da Individualidade para reconstruir o germe do Corpo Denso. Este germe já desenvolvera órgãos sensoriais embrionários, órgãos digestivos, glândulas, etc., e era interpenetrado por um Corpo Vital em início de desenvolvimento. Claro, não era visível nem sólido como o é atualmente, mas, de uma forma rudimentar era de certa forma organizado. No Período Lunar foi necessário reconstruí-lo e torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos, bem como desenvolver um Sistema Nervoso, músculos, cartilagens e um esqueleto rudimentar. Essa reconstrução foi a obra da Revolução de Saturno do Período Lunar. Esses seres lunares não eram tão puramente germinais quanto nos Períodos anteriores. Para o Clarividente treinado, eles aparecem suspensos por cordões na atmosfera de névoa ígnea, como o embrião pendurado na placenta pelo cordão umbilical. Correntes, que forneciam certa espécie de nutrição, fluíam para dentro e para fora da atmosfera por meio desses cordões.
Quando a Terra surgiu do Caos, no início do Período Terrestre, ela estava inicialmente no estágio vermelho-escuro, que conhecemos como a Época Polar. Nessa ocasião a Humanidade desenvolveu, pela primeira vez, um Corpo Denso, cujo germe havia sido dado pelos Senhores da Chama durante a primeira Revolução do Período de Saturno. Não era, então, nada parecido com o nosso veículo atual, é claro. Quando a condição da Terra se tornou ígnea, como na Época Hiperbórea, o Corpo Vital foi adicionado e o ser humano se tornou semelhante a uma planta, isto é, ele tinha os mesmos veículos que as nossas plantas têm hoje e, também, possuía uma consciência semelhante, ou melhor inconsciência, aquela que temos no “Sono sem Sonhos”, quando o Corpo Denso e o Corpo Vital permanecem na cama.
Naquele tempo, na Época Hiperbórea, o Corpo do ser humano era como um enorme saco de gás, flutuando fora da Terra incandescente, e expelindo esporos semelhantes às plantas, que cresciam e eram usados por outros Espíritos humanos que vinham ao Mundo. O ser humano era bissexual, um hermafrodita.
Na Época Lemúrica, quando a Terra havia esfriado um pouco e algumas ilhas ou crostas começavam a se formar em meio a mares ferventes, o Corpo Denso humano também havia se solidificado um pouco e se tornado mais parecido com o que é atualmente. Era semelhante a um macaco, com um tronco curto, braços e pernas enormes, os calcanhares projetados para trás e quase nenhuma cabeça, pois a parte superior da cabeça estava quase totalmente ausente. O ser humano vivia em uma atmosfera de vapor que os ocultistas chamam de névoa-ígnea e não tinha pulmões, mas respirava por meio de “tubos”. Ele possuía um aparelho branquial que ainda se observa no embrião humano, enquanto passa pela fase pré-natal, que corresponde àquela Época. Ele não tinha sangue quente e vermelho, pois naquela fase não tinha um Espírito individualizado. Ele tinha um órgão semelhante a uma bexiga em seu interior, que ele inflava com o ar quente para ajudá-lo a saltar sobre os enormes abismos que se abriam quando as erupções vulcânicas destruíam a terra em que ele vivia. Da parte de trás da cabeça se projetava um órgão que agora se retraiu para dentro da cabeça e é chamado pelos profissionais que trabalham com anatomia de Glândula Pineal, ou impropriamente o terceiro olho, embora jamais fosse realmente um olho, mas um órgão localizador de sensação. O Corpo Denso era então desprovido de sensibilidade, mas quando o ser humano se aproximava demasiado de uma cratera vulcânica, aquele órgão registrava o calor e o impelia a fugir antes que seu Corpo fosse destruído.
[1] N.T.: Mt 10:7-8
[2] N.T.: Toda primeira Revolução de um Período chamamos de Revolução de Saturno daquele Período, pois ela sempre será uma recapitulação, em um estado superior, das atividades feitas no Período de Saturno.
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CORPO DENSO – EVOLUÇÃO DA ÉPOCA LEMÚRICA À ÉPOCA ÁRIA
Naquela Época, o Corpo Denso já estava tão solidificado que era impossível para o ser humano continuar a se propagar por esporos, sendo necessário que ele desenvolvesse um órgão para manifestar o pensamento, um cérebro. A força sexual criadora que agora usamos para construir ferrovias, navios a vapor, etc., no Mundo exterior, era então usada internamente para a construção de órgãos. Como todas as forças, era positiva e negativa. Um polo era voltado para cima para construir o cérebro, deixando o outro polo disponível para a criação de outro Corpo Denso. Assim, o ser humano não era mais uma unidade criadora completa. Cada um possuía apenas metade da força sexual criadora e, portanto, era necessário que buscasse seu complemento fora de si mesmo.
Na última parte da Época Lemúrica, a forma do ser humano ainda era bastante plástica. O esqueleto estava formado, mas o próprio ser humano tinha grande poder para moldar a carne de seu próprio Corpo Denso e a dos animais ao seu redor.
Nessa Época, quando nascia aqui, o ser humano podia ouvir e sentir, mas sua percepção da luz veio mais tarde. O Lemuriano ou a Lemuriana não tinha olhos. Possuía dois pontos sensíveis que eram afetados pela luz do Sol, que brilhava fracamente através da atmosfera ígnea da antiga Lemúrica, mas foi somente perto do fim da Época Atlante que ele adquiriu a visão como a temos hoje.
Sua linguagem consistia em sons semelhantes aos da Natureza. O suspiro do vento nas imensas florestas que cresciam em grande exuberância naquele clima super tropical, o murmúrio do riacho, o uivo da tempestade, o estrondo da cachoeira, o rugido do vulcão — tudo isso eram para ele vozes dos Deuses dos quais ele sabia descender.
Nada sabia sobre o nascimento de seu Corpo Denso. Não podia vê-lo nem ele nem qualquer outra coisa, mas percebia seus semelhantes. Era, no entanto, uma percepção interna, como a nossa percepção de pessoas e coisas em sonhos, mas com esta importantíssima diferença: sua percepção onírica era clara e racional.
Mas quando “seus olhos se abriram” (como conta a história da “Queda do Homem”) e sua consciência se voltou para os fatos do Mundo Físico, as condições se alteraram. A propagação era dirigida, não por Anjos, mas pelo próprio ser humano, que desconhecia o funcionamento das forças do Sol e da Lua. Sua consciência se concentrou no Mundo Físico, embora as coisas não lhe aparecessem com contornos claramente definidos até a última parte da Época Atlante. Ainda assim, ele gradualmente conheceu a morte devido à ruptura ocorrida em sua consciência quando esta foi transferida para os Mundos superiores na morte e retornou ao Mundo Físico no renascimento.
No entanto, o que foi dito sobre a iluminação dos Lemurianos e Lemurianas se aplica apenas a uma pequena parcela daqueles que viveram na última parte daquela Época e que se tornaram a semente para as sete Raças Atlantes. A maior parte dos Lemurianos e das Lemurianas era animalesca e as Formas por eles habitadas degeneraram nos selvagens e antropoides superiores dos dias atuais.
Na Época Atlante, que se seguiu à Época Atlante, o ser humano era muito diferente de tudo o que existe na Terra atualmente. Ele tinha uma cabeça, mas quase nenhuma testa; seu cérebro não possuía desenvolvimento frontal; a cabeça se inclinava quase abruptamente para trás a partir de um ponto logo acima dos olhos. Comparado com a nossa Humanidade atual, ele era um gigante; seus braços e pernas eram muito mais longos em proporção ao seu Corpo do que os nossos. Em vez de andar, ele se movia por meio de uma série de saltos rápidos, não muito diferentes dos do canguru. Tinha olhos pequenos que piscavam e seu cabelo era de seção redonda. Esta última peculiaridade, se nenhuma outra, distingue os descendentes das Raças Atlantes que permanecem conosco até os dias atuais. Seus cabelos eram lisos, brilhantes, pretos e de seção redonda. O cabelo de um ser humano da Época Ária, embora possa diferir na cor, é sempre de seção oval. As orelhas do ser humano da Época Atlante ficavam muito mais para trás na cabeça do que as do ser humano da Época Ária.
Os veículos superiores dos primeiros seres humanos atlantes não eram dispostos em uma posição concêntrica em relação ao Corpo Denso, como são os nossos atualmente. O Espírito não era exatamente um Espírito residente interiormente; estava parcialmente fora, portanto, não podia controlar seus veículos com tanta facilidade como se habitasse inteiramente dentro. A cabeça do Corpo Vital ficava fora e ocupava uma posição muito acima da cabeça física. Há um ponto entre as sobrancelhas e cerca de um centímetro e meio abaixo da superfície da pele, que tem um ponto correspondente no Corpo Vital. Quando esses dois pontos se alinham, como acontece no ser humano hoje, eles formam a sede do Espírito que nele reside interiormente.
Devido à distância entre esses dois pontos, os poderes de percepção ou visão de um ser humano atlante eram muito mais aguçados nos Mundos internos do que no denso Mundo Físico, obscurecido por sua atmosfera de névoa espessa e densa.
Com o passar do tempo, porém, a atmosfera foi se tornando mais clara; ao mesmo tempo, o ponto mencionado no Corpo Vital se aproximou cada vez mais do ponto correspondente no Corpo Denso, unindo-se a ele no último terço da Época Atlante.
Os Rmoahals foram a primeira das Raças Atlantes. Eles tinham pouca memória, e essa pouca memória estava relacionada com as sensações. Eles se lembravam de cores e tons e, assim, até certo ponto, desenvolveram o Sentimento. Com a memória, vieram aos atlantes os rudimentos de uma linguagem. Eles desenvolveram palavras e deixaram de usar meros sons, como os Lemurianos, dando nomes às coisas.
Os Tlavatlis foram a segunda Raça Atlante. Já começavam a sentir seu valor como seres humanos distintos. Tornaram-se ambiciosos; exigiam que suas obras fossem lembradas. A memória tornou-se um fator na vida da comunidade. Assim começou o culto aos ancestrais.
Os Toltecas foram a terceira Raça Atlante. Inauguraram a monarquia e a sucessão hereditária, originando o costume de honrar os homens pelos feitos de seus ancestrais. A experiência passou a ser altamente valorizada e a memória foi desenvolvida em grande escala.
No terço médio da Atlântida, encontramos o início de nações separadas. Com o tempo, os Reis se embriagaram com o poder e começaram a usá-lo de forma corrupta, para fins egoístas e engrandecimento pessoal, em vez de para o bem comum.
Os Turânios Originais foram a quarta Raça Atlante. Eles eram especialmente vis em seu egoísmo abominável, erguendo templos onde os Reis eram adorados como deuses.
Os Semitas Originais foram a quinta e mais importante das sete Raças Atlantes, porque neles encontramos o primeiro germe da qualidade corretiva do pensamento. Portanto, a Raça Semita Original tornou-se a “Raça-semente” para as sete Raças da Época Ária. Eles foram os primeiros a descobrir que o “cérebro” é superior aos “músculos”. Durante a existência dessa Raça, a atmosfera da Atlântida começou a se clarear definitivamente, e o ponto mencionado anteriormente no Corpo Vital entrou em correspondência com seu ponto correspondente no Corpo Denso. A combinação de eventos forneceu ao ser humano a capacidade de ver objetos claramente, com contornos nítidos e bem definidos; mas também resultou na perda da visão referente aos Mundos internos.
Os Acádios foram a sexta e os Mongóis a sétima das Raças Atlantes. Eles desenvolveram ainda mais a faculdade do pensamento, mas seguiram linhas de raciocínio que se desviavam cada vez mais da tendência principal da vida em desenvolvimento. À medida que as densas neblinas da Atlântida se condensavam cada vez mais, a quantidade crescente de água inundou gradualmente o continente, destruindo a maior parte da população e as evidências de sua civilização.
A Ásia Central foi o berço das Raças Arianas, que descendem dos Semitas Originais. De lá surgiram as diferentes Raças. É desnecessário descrevê-las aqui, pois as pesquisas históricas já revelaram suficientemente suas principais características.
CORPO DENSO – O CÉREBRO E O SISTEMA NERVOSO
Durante a Revolução de Saturno do Período Terrestre, o Corpo Denso recebeu a capacidade de formar um cérebro e se tornar um veículo para o germe da Mente, que seria adicionado posteriormente. O impulso foi dado à construção da parte frontal do cérebro. O cérebro e o sistema nervoso são a expressão mais elevada do Corpo de Desejos. Eles evocam imagens do Mundo exterior, mas na formação de imagens mentais, o sangue traz o material para as imagens; portanto, quando o pensamento está ativo, o sangue flui para a cabeça.
No ser humano, o cérebro é a ligação entre o Espírito e o Mundo exterior. Ele não pode conhecer nada do Mundo exterior, exceto por meio do cérebro. Os órgãos dos sentidos são meros portadores de impactos externos para o cérebro, e o cérebro é o instrumento que interpreta e coordena esses impactos. O Ego, auxiliado pelos Anjos, construiu o cérebro para reunir conhecimento do Mundo Físico. Quando o Ego assumiu a posse de seus veículos, tornou-se necessário usar parte da força sexual criadora para a construção de um cérebro e uma laringe. Os Espíritos Lucíferos são os instigadores de toda a atividade mental, por meio da parte da força sexual criadora que é conduzida para cima para atuar no cérebro. Assim, a entidade em evolução obteve a consciência cerebral do Mundo exterior ao custo de metade de seu poder criador.
Os fisiologistas observam que certas áreas do cérebro são dedicadas a atividades mentais específicas, e os frenologistas levaram esse ramo da ciência ainda mais longe. Ora, sabe-se que o pensamento degrada e destrói os tecidos nervosos. Isso e todos os outros resíduos do Corpo são substituídos pelo sangue. Quando, através do desenvolvimento do Coração em um músculo voluntário, a circulação do sangue finalmente passar para o controle absoluto do Espírito de Vida unificador, então estará dentro do poder desse Espírito reter o sangue das áreas da Mente dedicadas a propósitos egoístas. Como resultado, esses centros de pensamento específicos irão se atrofiar gradualmente.
O conhecimento cerebral, com seu egoísmo concomitante, foi adquirido pelo ser humano ao custo do poder de criar a partir de si mesmo. Ele comprou seu livre-arbítrio ao custo da dor e da morte; mas quando o ser humano aprender a usar seu intelecto para o bem da Humanidade, ganhará poder espiritual sobre a vida e, além disso, será guiado por um conhecimento inato tão superior à consciência cerebral atual quanto esta é superior à consciência animal mais inferior. O cérebro é, na melhor das hipóteses, apenas uma forma indireta de obter conhecimento e será substituído pelo contato direto com a Sabedoria da Natureza, que o ser humano, sem qualquer cooperação, poderá então usar para a criação de novos Corpos.
No Período Lunar, foi necessário reconstruir o Corpo Denso para torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos e, também, capaz de desenvolver um sistema nervoso, os músculos, as cartilagens e um esqueleto rudimentar. Essa reconstrução foi obra da Revolução de Saturno do Período Lunar.
A reconstrução do Corpo Denso na Revolução de Saturno do Período Terrestre deu o primeiro impulso à divisão incipiente do sistema nervoso, que desde então se tornou aparente em suas subdivisões: o voluntário[1] e o simpático[2]. Este último foi o único previsto no Período Lunar. O sistema nervoso voluntário (que transformou o Corpo Denso de um mero organismo reagindo a estímulos externos em um instrumento extraordinariamente adaptável, capaz de ser guiado e controlado por um Ego interno) só foi adicionado no atual Período Terrestre.
Quando ocorreu a divisão do Sol, da Lua e da Terra, no início da Época Lemúrica, a porção mais avançada da Humanidade em formação experimentou uma divisão do Corpo de Desejos em uma parte superior e uma inferior. O restante da Humanidade experimentou a mesma divisão no início da Época Atlante. Essa parte superior do Corpo de Desejos se tornou uma espécie de alma animal. Ela construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal e os músculos voluntários, controlando assim a parte inferior do Tríplice Corpo até que a ligação com a Mente fosse estabelecida.
Parte do sistema muscular involuntário[3] é controlada pelo sistema nervoso simpático.
O assento do Espírito Humano está primeiramente na Glândula Pineal e, secundariamente, no cérebro e no sistema nervoso cérebro-espinhal[4], que controla os músculos voluntários.
[1] N.T.: também conhecido como sistema nervoso somático, faz parte do sistema nervoso periférico e controla conscientemente as ações do corpo, como mover músculos esqueléticos (braços, pernas, tronco) e o rosto. Ele transmite informações sensoriais ao cérebro e envia comandos motores para realizar movimentos intencionais, além de gerenciar reflexos rápidos.
[2] N.T.: é uma divisão do sistema nervoso autônomo (O SNA é uma rede neural periférica que regula processos fisiológicos involuntários e automáticos, garantindo a homeostase (equilíbrio interno). Ele controla órgãos internos, músculos lisos e glândulas, agindo sem controle consciente em funções como frequência cardíaca, digestão, respiração e temperatura.) que prepara o corpo para situações de estresse, emergência ou esforço físico, conhecida como resposta de “luta ou fuga”. Ele aumenta a frequência cardíaca, dilata pupilas e vias aéreas, e libera energia armazenada, enquanto inibe funções digestivas.
[3] N.T.: é composto por músculos que funcionam autonomamente, sem controle consciente, sendo controlados pelo sistema nervoso autônomo. Inclui o músculo liso (órgãos internos, vasos sanguíneos) e o músculo estriado cardíaco (coração). Essencial para funções vitais como digestão, circulação sanguínea e batimentos cardíacos.
[4] N.T.: É a parte central do sistema nervoso, compreende o encéfalo e a medula espinhal, protegidos por ossos (crânio e coluna) e meninges. Funciona como o centro de controle do corpo, processando informações, coordenando reflexos e transmitindo sinais motores e sensoriais através de 31 pares de nervos espinhais.
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O SANGUE
O estudo do sangue é muito profundo, abrangente e de suprema importância, seja qual for o ponto de vista que o analisemos. Lúcifer estava decididamente certo quando disse que “o sangue é uma essência muito peculiar”. Ele constrói o Corpo Denso desde o momento em que o Átomo-semente é depositado no óvulo até a ruptura do Cordão Prateado, que encerra a existência material, sendo um dos produtos mais elevados do Corpo Vital e a principal fonte de nutrição para todas as partes do Corpo Denso. É o veículo direto do Ego, tendo injetado nele cada pensamento, sentimento ou emoção transmitido aos pulmões.
Na infância e até os quatorze anos a medula óssea vermelha não produz todos os corpúsculos sanguíneos. A maioria deles é suprida pela Glândula Timo, que é o maior no feto e diminui gradualmente à medida que a faculdade individual de produção de sangue se desenvolve na criança em crescimento. A Glândula Timo contém, por assim dizer, um suprimento de corpúsculos sanguíneos fornecido pelos pais e, consequentemente, a criança, que extrai seu sangue dessa fonte, não percebe sua individualidade. Somente quando o sangue é produzido pela criança é que ela se reconhece como “Eu”, e quando a Glândula Timo se reduz quase desaparecendo, aos quatorze anos, o sentimento do “Eu” atinge sua plena expressão, pois então o sangue é produzido e dominado inteiramente pelo Ego. O que se segue esclarecerá a ideia e sua lógica:
Deve-se lembrar que a assimilação e o crescimento dependem do trabalho dos fatores que atuam ao longo do polo positivo do Éter Químico do Corpo Vital. Este é liberado em torno dos sete anos, juntamente com o equilíbrio do Corpo Vital. Somente o Éter Químico está totalmente maduro nessa época; as outras partes precisam de mais amadurecimento. Aos quatorze anos, o Éter de Vida do Corpo Vital, que tem a ver com a propagação, está totalmente maduro. No período dos sete aos quatorze anos de idade, a assimilação excessiva armazenou uma quantidade de força que se dirige aos órgãos sexuais e está pronta quando o Corpo de Desejos é liberado.
Essa força sexual é armazenada no sangue durante o terceiro dos sete períodos de idade e, nesse tempo, o Éter Luminoso, que é a via para o calor do sangue, é desenvolvido e controla o coração. O Corpo Denso não está nem muito quente nem muito frio. Na primeira infância, o sangue frequentemente atinge uma temperatura anormal. Durante o período de crescimento excessivo, ocorre frequentemente o inverso, mas na juventude impetuosa e desenfreada, a paixão e o temperamento muitas vezes expulsam o Ego, superaquecendo o sangue. Chamamos isso, muito apropriadamente, de ebulição ou transbordamento de temperamento e descrevemos o efeito como fazendo com que a pessoa “perca a cabeça” ou se torne incapaz de pensar. É exatamente isso que acontece quando a paixão, a raiva ou o temperamento superaquecem o sangue, levando o Ego para fora do Corpo. O Ego está fora de seus veículos, e estes estão funcionando como se estivessem em movimento, desprovidos da influência orientadora do pensamento, cuja função é, em parte, frear os impulsos. Somente o ser humano que se mantém calmo e não permite que o excesso de calor o expulse pode pensar corretamente.
Como prova da afirmação de que o Ego não pode funcionar no Corpo Denso quando o sangue está muito quente ou muito frio, chamaremos a atenção para o fato bem conhecido de que o calor excessivo causa sonolência e, se levado além de certo ponto, expulsa o Ego, deixando a pessoa inconsciente. É somente quando o sangue está na temperatura normal ou próxima dela que o Ego pode usá-lo como veículo de consciência.
O rubor intenso da vergonha é uma evidência da maneira como o sangue é impulsionado para a cabeça, superaquecendo o cérebro e paralisando os processos de expressão do pensamento. O medo é um estado em que o Ego quer se proteger de algum perigo externo. Ele então impulsiona o sangue para o centro e empalidece, porque o sangue saiu da periferia do Corpo Denso e perdeu calor, paralisando assim a expressão do pensamento. Na febre, o excesso de calor causa delírio.
A pessoa com sangue em plena forma, embora o sangue não esteja muito quente, é ativa no Corpo e na Mente, enquanto a pessoa anêmica é sonolenta. Em uma, o Ego tem melhor controle; na outra, o Ego tem menos controle. Quando o Ego quer expressar o pensamento, ele impulsiona o sangue na temperatura adequada. O calor afeta o cérebro. Quando uma refeição pesada concentra a atividade do Ego no trato digestivo, o ser humano não consegue expressar o pensamento; ele fica sonolento.
Os antigos nórdicos e os escoceses reconheciam que o Ego está no sangue. Nenhum estranho podia se associar a eles como parente até que tivesse “misturado sangue” com eles e, assim, se tornado um deles.
Nos descendentes das famílias patriarcais – Adão, Matusalém, etc. – o sangue que corria em suas veias continha as imagens de tudo o que havia acontecido com seus diferentes ancestrais, e essas imagens estavam constantemente diante da visão interior de cada um, pois eles não tinham visão externa naquela Época. Atualmente, o sangue de cada indivíduo contém apenas imagens de suas próprias experiências individuais, e a Mente Subconsciente tem acesso a elas. Até o início do casamento fora da família, os indivíduos eram governados por um Espírito de Família (um Anjo), que entrava no sangue por meio do ar inspirado e ajudava cada Ego a controlar seus veículos. Quando o casamento fora da família começou, os Egos haviam chegado a um ponto na evolução da autoconsciência em que podiam depender de si mesmos e deixaram de ser autômatos guiados por Deus e se tornarem indivíduos autogovernados. Quanto maior a mistura de sangue, menos o Ego residente no interior dos seus Corpos pode ser influenciado pelos Espíritos da Raça ou de Família. O sangue puro nos deu assistência ancestral quando precisávamos. O sangue misto proporciona independência de ajuda externa. Um Deus (criador) deve ser independente.
O calor do sangue é a base de partida do Ego, e os Espíritos de Lúcifer de Marte auxiliam na manutenção desse calor dissolvendo o ferro, um metal marciano, em nosso sangue para atrair oxigênio, um elemento solar.
O calor adequado para a verdadeira expressão do Ego não está presente até que a Mente nasça da Mente Concreta macrocósmica, quando o indivíduo tem cerca de 21 anos de idade. A lei estatutária também reconhece essa como a idade mínima em que o ser humano é considerado apto a exercer o direito de voto.
Na Onda de Vida animal o sangue é fluido e nucleado. Os núcleos, centros da vida, são a base estratégica de um Espírito-Grupo. Regula seus processos vitais e os guiam através dos núcleos. Durante a primeira parte do período gestacional, o sangue do feto também é nucleado pela vida da mãe, e ela regula o processo de construção do Corpo Denso, mas assim que o Ego entra no Corpo da mãe, ele começa a afirmar sua Individualidade e resiste à formação de células sanguíneas nucleadas. As células antigas desaparecem gradualmente, de modo que, quando o Cordão Prateado é conectado no momento da vivificação e o Ego é atraído para dentro de seu Corpo Denso, todos os núcleos desaparecem, e ele é o autocrata absoluto de seu novo veículo, uma herança mais preciosa do que qualquer outra posse terrena; e, quando usado corretamente, é nosso meio de gerar poder da alma e acumular tesouros no céu. Quando abandonamos este veículo aos controles do Espírito, prejudicamos seriamente nossa evolução superior e cometemos um grande pecado.
Assim, o sangue é o veículo particular do Ego, e assim como nos éons passados de desenvolvimento cristalizamos a matéria para formar nosso Corpo Denso, também está destinado que agora devemos eterizar nossos veículos para que possamos elevar a nós mesmos e ao mundo dos reinos da materialidade para o espiritual. Naturalmente, portanto, o Ego visa primeiro tornar o sangue gasoso, e para a visão espiritual, esse sangue vermelho e sem núcleo não é um fluido, mas um gás. Não é argumento contra essa afirmação o fato de que, quando furamos a pele, o sangue sai como um líquido. Quando abrimos a válvula de escape de uma caldeira a vapor, o gás também se condensa em líquido, mas se construirmos um modelo de máquina a vapor de vidro e observarmos como o vapor funciona ali, veremos apenas o pistão se mover para frente e para trás, impulsionado por um agente invisível, o vapor vivo. Da mesma forma, assim como o vapor vivo diretamente da caldeira é invisível e gasoso, também o sangue vivo no corpo humano é um gás, e quanto mais elevado o estado de desenvolvimento de qualquer Ego, mais etérico ele consegue tornar o sangue.
Quando, pelos processos vitais, o alimento atinge o estado alquímico mais elevado, o processo de condensação começa e o gás sanguíneo é transformado em tecido nos vários órgãos para substituir o que foi desperdiçado ou destruído pelas atividades do Corpo. O baço é a porta de entrada do Corpo Vital; ali a força solar que abunda na atmosfera circundante entra em um fluxo constante para nos auxiliar nos processos vitais, e ali também a guerra entre o Corpo de Desejos e o Corpo Vital é travada com mais ferocidade. Pensamentos de preocupação, medo e raiva interferem no processo de evaporação no baço, resultando em uma partícula de plasma, que é imediatamente capturada por um elemental do pensamento que forma um núcleo e se incorpora nele. Então, começa então a viver uma vida de destruição, coalescendo com outros resíduos e elementos em decomposição onde quer que se formem, transformando o Corpo Denso em um ossuário em vez do Templo de um Espírito vivo que habita nele. Podemos, portanto, dizer que cada glóbulo branco que foi tomado por uma entidade externa é para o Ego uma oportunidade perdida. Quanto mais dessas oportunidades perdidas houver no Corpo, menos o Corpo estará sob o controle do Ego; portanto, encontramos essas oportunidades em maior número em todas as doenças do que quando a pessoa está saudável. Pode-se dizer também que a pessoa de natureza jovial e alegre, ou aqueça que é devotamente religiosa e tem fé e confiança absolutas na providência e no amor divinos, registrará muito menos oportunidades perdidas ou glóbulos brancos do que aqueles que estão sempre preocupados e aflitos.
Assim, o sangue é a única parte do Corpo que realmente pertence a nós. A medida em que controlamos todo o sangue depende da capacidade do Ego de se expressar através do Corpo. É somente através dos glóbulos vermelhos que o Ego consegue atuar. Sempre que nos permitimos ser negativos, produzimos glóbulos brancos, que não são, como vimos, “os policiais do organismo”, como a ciência pensa agora, mas sim destruidores.
Quando o sangue circula pelas artérias que estão profundas no Corpo, ele é um gás, como foi demonstrado; mas a perda de calor perto da superfície do Corpo faz com que ele se condense parcialmente, e nessa substância o Ego está aprendendo a formar cristais minerais. A ciência descobriu recentemente que o sangue de diferentes pessoas possui cristais diferentes, de modo que agora é possível distinguir o sangue de um negro ou uma negra do sangue de um branco ou uma branca; mas chegará o dia em que se perceberá uma diferença ainda maior; pois assim como há uma diferença nos cristais formados pelas diferentes raças, também há uma diferença nos cristais formados por cada pessoa individualmente.
Analisando a questão de outro ângulo, podemos observar que, quando o sangue é batido com um bastão, ele se separa em três substâncias distintas: o soro ou substância aquosa que está sob o Signo de Câncer, regido pela Lua (Hierarquia Lunar); a matéria corante vermelha que é a substância marciana gerada sob Escorpião; e, mais importante de todas, a fibrina, ou matéria fibrosa que se encontra sob o terceiro Signo de Água, Peixes. Quando o esqueleto estava fora da nossa carne, a consciência era embotada, como a de um crustáceo. Ao sairmos da estrutura óssea, alcançamos um grau muito mais elevado de consciência e, ao espiritualizarmos esse esqueleto interno por meio do sangue, extraímos a essência de tudo o que aprendemos em Épocas passadas e a transformamos em poder anímico utilizável no Período de Júpiter. Interferir nesse trabalho é um crime contra a alma.
Como a mulher possui o Corpo Vital positivo, ela amadurece mais cedo que o homem, e as partes que permanecem semelhantes às plantas, como o cabelo, crescem mais e ficam mais exuberantes. Naturalmente, o Corpo Vital positivo gerará mais sangue do que o Corpo Vital negativo, possuído pelo homem; portanto, temos na mulher uma pressão sanguínea maior, que é necessário aliviar pelo fluxo periódico, e quando essa pressão diminui no período do climatério, há um segundo crescimento na mulher, particularmente bem expresso nas características de desaceleração natural do metabolismo, à perda de massa muscular e ao aumento de gordura abdominal que geralmente começam por volta dos 40 anos devido a alterações hormonais, particularmente à redução do estrogênio.
Os impulsos do Corpo de Desejos impulsionam o sangue pelo organismo em velocidades variáveis, de acordo com a intensidade das emoções. A mulher, tendo excesso de sangue, trabalha sob uma pressão muito maior do que o homem e, embora essa pressão seja aliviada pelo fluxo periódico, há momentos em que é necessário ter uma saída extra; então, as lágrimas da mulher, que são sangramento branco, atuam como uma válvula de segurança para remover o excesso de fluido. Os homens, embora possam ter emoções tão fortes quanto as mulheres, não são propensos às lágrimas porque não têm mais sangue do que podem usar confortavelmente.
O sangue agora tem uma constituição diferente do que era nas Eras anteriores da evolução humana. O Espírito de Cristo foi visto descendo sobre o Corpo Denso e Corpo Vital de Jesus no Batismo. O próprio Jesus, o Espírito, deixou aqueles dois Corpos e recebeu a missão de servir às igrejas, enquanto seus dois Corpos eram usados para o ensino direto do Cristo, e seu sangue era preparado como uma chave para o Reino de Deus.
Quando alguém morre, o sangue venoso, com suas impurezas, adere fortemente à carne e, portanto, o sangue arterial que flui é distintamente mais puro do que seria em outras circunstâncias. Sendo eterizado pelo grande Espírito Crístico, o sangue purificado de Jesus transbordou pelo mundo, purificou a Região Etérica do egoísmo em grande medida e deu ao ser humano uma melhor oportunidade de atrair para si materiais que lhe permitirão formar propósitos e desejos altruístas.
AS GLÂNDULAS DE SECREÇÃO INTERNA
É bem sabido pelo Astrólogo Rosacruz que o Corpo Denso tem atrás de si um imenso período de evolução e que esse esplêndido organismo é o resultado de um lento processo de desenvolvimento gradual que ainda continua e tornará cada geração melhor que a anterior, até que, em um futuro longínquo, alcance um estágio de perfeição que hoje não nos é dado sequer imaginar. Os Estudantes de ocultismo também sabem que, além do Corpo Denso, o ser humano possui outros veículos sutis, ainda não percebidos pela grande maioria, embora todos possuam em si um sexto sentido latente, pelo qual, com o tempo, reconhecerão essas camadas mais sutis da alma.
O Cientista Ocultista se refere a esses veículos mais sutis como: o Corpo Vital – formado de Éteres –, o Corpo de Desejos – formado por matéria de desejos, a matéria da qual elaboramos nossos desejos, sentimentos e nossas emoções – e com a adição da “capa” da Mente e do Corpo Denso, estes completam o que podemos denominar de Personalidade, a qual é a parte evanescente distinta do Espírito imortal[1] que usa esses veículos para sua expressão. Esses veículos mais sutis interpenetram o Corpo Denso, da mesma forma que o ar interpenetra a água, e têm domínio particular sobre certas partes dele, porque o próprio Corpo Denso é como uma cristalização desses veículos mais sutis, da mesma maneira e segundo o mesmo princípio as substâncias fluídicas do corpo de um caracol se cristalizam gradualmente na concha dura e pedregosa que ele carrega nas costas. Para os propósitos desta dissertação, podemos dizer, de forma geral, que as partes mais moles de nossos Corpos, que comumente chamamos “carne”, podem ser divididas em duas classes: as Glândulas e os músculos.
O Corpo Vital teve sua origem no Período Solar. A partir desse momento, cristalização nesse veículo desenvolveu o que hoje chamamos de Glândulas, e até hoje elas, juntamente com o sangue, são as manifestações especiais do Corpo Vital dentro do Corpo Denso. Portanto, pode-se dizer que as Glândulas, como um todo, estão sob a regência do Sol, que é o doador de Vida, e do grande benéfico Júpiter. São funções do Corpo Vital construir e restaurar o tônus muscular, quando os músculos estão tensos e cansados pelo trabalho imposto pelo inquieto Corpo de Desejos que, por sua vez, teve a sua origem no Período Lunar. Os músculos são, portanto, regidos pela errante Lua, que é o ponto de apoio dos Anjos, ou seja, a Humanidade do Período Lunar e, também, pelo impulsivo e turbulento Marte, onde habitam os chamados “Anjos Caídos”, os Espíritos de Lúcifer[2]. Ou seja, como um todo, pois o Estudante Rosacruz deve observar cuidadosamente que as Glândulas, individualmente, e certos grupos musculares também estão sob a regência de outros Astros. É como quando dizemos que todos os que vivem nos Estados Unidos são cidadãos daquele país, mas alguns estão sujeitos particularmente às leis da Califórnia, outros às do Maine, etc.
Conhecemos o aforismo hermético que diz “Assim como é em cima, é embaixo”, que é a chave mestra de todos os mistérios, e assim como existem na Terra – o macrocosmo – inúmeros lugares ainda não descobertos, também no microcosmo do Corpo encontramos muitas coisas desconhecidas que são como um livro selado para os exploradores Científicos. Entre essas coisas, destaca-se um pequeno grupo das chamadas Glândulas “sem ducto”[3], sete no total, a saber:
Estas Glândulas despertam grande e particular interesse para os Cientistas Ocultistas, e podem ser chamadas, em certo sentido, de as “Sete Rosas” sobre a Cruz do Corpo Denso, pois estão intimamente ligadas ao desenvolvimento oculto da Humanidade. Quatro delas – a Glândula Timo, a Glândula Baço e as Glândulas Suprarrenais – estão relacionadas à Personalidade. A Hipófise e a Glândula Pineal estão particularmente correlacionadas com o lado espiritual da nossa natureza e a Glândula Tiroide forma o elo entre elas. A regência astrológica de cada uma é a seguinte:
A Glândula Baço é a porta de entrada das forças solares especializadas em cada ser humano e circula pelo Corpo como o fluido vital, sem o qual nenhum ser pode viver. Esta Glândula é, portanto, regida pelo Sol. As duas Glândulas Suprarrenais estão sob a regência de Júpiter, o grande benéfico, e exercem um efeito calmante, tranquilizante e suavizante, quando as atividades emocionais da Lua, de Marte ou Saturno destroem o equilíbrio. Quando a mão obstrutiva de Saturno desperta as emoções de melancolia, oprimindo o coração, as secreções das Glândulas Suprarrenais são levadas pelo sangue até o coração e atuam como um poderoso estimulante em seu esforço de manter a circulação, enquanto o otimismo jovial luta contra as preocupações saturninas ou contra o impulso de Marte, que agita o Corpo de Desejos em emoções turbulentas de raiva, tornando os músculos tensos e trêmulos, dissipando todas as energias do organismo. Então as secreções das Glândulas Suprarrenais entram em ação, liberando o glicogênio do fígado em uma medida mais abundante do que o normal para lidar com a emergência até que o equilíbrio seja novamente alcançado, e da mesma forma durante qualquer outro estresse ou tensão. Foi o conhecimento deste fato oculto levou os antigos astrólogos a colocarem os rins sob a regência de Libra, a Balança, e para evitar confusão de ideias, podemos dizer que os próprios rins desempenham um papel importante na nutrição do Corpo Denso, estando sob a regência de Vênus, o Regente de Libra. No entanto, Júpiter rege as Glândulas Suprarrenais, com as quais estamos agora particularmente envolvidos.
Tanto Vênus como sua oitava superior, Urano, regem as funções de nutrição e crescimento, mas de maneiras diferentes e para propósitos distintos. Vênus rege a Glândula Timo, Glândula que serve de elo entre os pais e os filhos até que esses últimos atinjam a puberdade. Esta Glândula está localizada atrás do esterno[6], ou osso do peito. Ela atinge o seu maior tamanho durante a vida pré-natal e na infância, período em que o crescimento é intenso e rápido. Nessa fase o Corpo Vital da criança realiza um trabalho seu trabalho mais eficaz, pois ela não está sujeita às paixões nem às paixões e emoções geradas pelo Corpo de Desejos que nasce por volta dos quatorze anos de idade. Contudo, durante os anos de crescimento, a criança não consegue produzir glóbulos vermelhos sanguíneos, como o adulto, pois o Corpo de Desejos ainda não nascido nem organizado não serve como canal para as forças metabólicas que assimilam o ferro dos alimentos e os transmutam em hemoglobina. Para compensar essa falta, a Glândula Timo armazena uma essência espiritual extraída dos pais, e com essa essência, fornecida pelo amor dos pais, a criança é capaz de realizar a alquimia do sangue temporariamente, até que seu Corpo de Desejos se torne dinamicamente ativo. Então, a Glândula Timo se atrofia e a criança extrai de seu próprio Corpo de Desejos a força marciana necessária. A partir desse momento, em condições normais, Urano, que é a oitava superior de Vênus e regente da Glândula Hipófise, assume a função do crescimento e da assimilação, da seguinte maneira:
É sabido que todas as coisas, incluindo nossa alimentação, irradiam continuamente pequenas partículas que fornecem um índice da coisa de onde emanam, incluindo sua qualidade. Assim, quando levamos o alimento à boca, diversas dessas partículas invisíveis entram pelo nariz e, por meio da estimulação do trato olfativo, nos informam se o alimento que estamos prestes a ingerir é adequado ou não, alertando-nos para descartar alimentos com odor desagradável. Mas, além das partículas que nos atraem ou repelem o alimento por sua ação no trato olfativo através do olfato, há outras que penetram no osso esfenoidal[7], atingem a Glândula Hipófise e iniciam a alquimia uraniana, pela qual uma secreção é formada e injetada na corrente sanguínea. Isso favorece a assimilação através do Éter Químico, afetando, assim, o crescimento e o bem-estar normais do Corpo Denso humano durante a vida. Às vezes, essa influência uraniana sobre a Glândula Hipófise é excêntrica e, portanto, responsável por crescimentos estranhos e anormais, que produzem as infelizes anomalias da Natureza que ocasionalmente encontramos.
Mas, além de ser a causa dos impulsos espirituais que geram as manifestações físicas de crescimento mencionadas anteriormente, Urano, atuando através da Glândula Hipófise, também é responsável pelas fases espirituais de crescimento que auxiliam o ser humano desperto em seus esforços para penetrar através do véu dos Mundos invisíveis. Neste trabalho, contudo, ele é associado a Netuno, regente da Glândula Pineal e, portanto, será necessário, para elucidar adequadamente, que estudemos simultaneamente as funções da Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, e a da Glândula Pineal, que está sob regência de sua oitava superior, Netuno.
Que a Glândula Tiroide está sob a regência de Mercúrio, o Planeta da razão, se torna evidente quando compreendemos o efeito que a degeneração dessa Glândula tem sobre a Mente, como demonstrado nas doenças do cretinismo[8] e do mixedema[9]. As secreções dessa Glândula são tão necessárias para o bom funcionamento da Mente quanto o Éter o é para a transmissão da eletricidade, ou seja, no plano físico da existência, onde o cérebro transmuta o pensamento em ação. O contato com os Mundos invisíveis e a expressão neles dependem da capacidade funcional da Glândula Pineal, que é inteiramente espiritual e, portanto, regida pela oitava superior de Mercúrio, Netuno, o Planeta da espiritualidade, que opera conjuntamente com a Glândula Hipófise, regida por Urano.
Os Cientistas perderam muito tempo especulando sobre a natureza e a função destes dois pequenos corpos – a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal – sem nenhum resultado, principalmente porque, como Mefistófeles diz, sarcasticamente, ao jovem que queria estudar ciências com Fausto:
“Quem quiser conhecer as coisas vivas e as manusear,
Procura primeiro o Espírito vivente que as anima e o expulsa;
Fica, então com fragmentos sem Vida
Porque lhes falta o Espírito Vital que as unia”.
Ninguém pode, realmente, observar as funções fisiológicas de nenhum órgão nas condições existentes nos laboratórios ou nas mesas de operações, nem na sala de vivissecção ou dissecação. Para chegar a uma compreensão adequada, é necessário ver esses órgãos exercendo suas funções fisiológicas no Corpo vivo, e isso só pode ser feito por meio da visão espiritual. Há vários órgãos que estão se atrofiando ou se desenvolvendo. Os primeiros mostram o caminho que já percorremos durante nossa evolução passada, enquanto os últimos são os indicadores, apontando para o nosso desenvolvimento futuro. Mas ainda existe outra classe de órgãos que não estão nem se degenerando nem se desenvolvendo: eles estão simplesmente adormecidos (espiritualmente) no momento presente. Os fisiólogos[10] acreditam que a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal estão se atrofiando porque encontram esses órgãos mais desenvolvidos em algumas formas inferiores de vida, como nos vermes, mas, na verdade, estão completamente equivocados. Alguns deles suspeitam que a Glândula Pineal está, de alguma forma, conectada com a Mente, porque contém certos cristais após a morte, e a quantidade era muito menor nas pessoas mentalmente pouco desenvolvidas do que nas pessoas com mentalidade normal. Essa conclusão é correta, mas o Clarividente sabe queo canal espinhal[11] do ser vivo não está cheio de fluido; que o sangue não é líquido e que esses órgãos não têm cristais, enquanto o Corpo Denso está vivo.
Essas afirmações são feitas com pleno conhecimento de que o sangue e a essência espinhal são líquidos quando extraídos do Corpo Denso, vivo ou morto, e que o conteúdo da Glândula Hipófise e da Glândula Pineal apresenta aspecto cristalizado quando o cérebro é dissecado. No entanto, a razão é semelhante àquela que faz com que o vapor extraído de uma caldeira se condense imediatamente ao entrar em contato com a atmosfera, e que o metal derretido fundido extraído de um forno de fundição se cristalize imediatamente ao ser retirado dele.
Todas essas substâncias são essências puramente espirituais quando se encontram dentro do Corpo; elas são etéricas e a substância que se encontra na Glândula Pineal, quando vista por meio da visão espiritual, aparece como luz. Além disso, quando um Clarividente contempla a Glândula Pineal de outra pessoa que também está exercendo suas faculdades espirituais, esta luz apresenta um brilho intenso e uma iridescência semelhante, mas que transcende em beleza, o mais maravilhoso espetáculo das luzes da Aurora Boreal[12]. Pode-se também dizer que as funções desse órgão parecem ter mudado ao longo da evolução humana. Durante as Épocas anteriores à nossa estadia atual na Terra, quando o Corpo Denso era uma coisa grande e flácida na qual o Espírito ainda não havia penetrado, mas estava presente apenas como uma sombra, havia uma abertura no topo do Corpo e a Glândula Pineal estava dentro dela. Era então um órgão de orientação, dando um senso de direção. À medida que o Corpo Denso se condensava, tornava-se cada vez menos capaz de suportar o calor intenso que prevalecia naquela Época, e a Glândula Pineal alertava quando o Corpo Denso se aproximava demasiado de uma das muitas crateras de vulcões e de erupções ativas que então irrompiam a fina camada de Terra, permitindo assim que o Espírito o guiasse para longe desses lugares perigosos. Era um órgão de orientação que operava pelo tato, mas o tato, desde então se distribuiu por toda a pele do Corpo Denso. Isso indica ao Cientista Ocultista que um dia os sentidos da audição e da visão também serão distribuídos de forma semelhante, de modo que veremos e ouviremos com todo o nosso Corpo e, assim, nos tornaremos ainda mais sensíveis nesses aspectos do que somos agora.
Desde então, a Glândula Pineal e a Glândula Hipófise se tornaram temporariamente adormecidos (espiritualmente) para tornar o ser humano alheio aos Mundos invisíveis enquanto aprende as lições proporcionadas pelo Mundo material. A Glândula Hipófise tem manifestado a influência uraniana esporadicamente em crescimentos físicos anormais, produzindo aberrações e monstruosidades de vários tipos, enquanto Netuno, atuando também de forma anormal através da Glândula Pineal, tem sido responsável pelo crescimento espiritual anormal de curandeiros, feiticeiros e Clarividentes involuntários quando dominados por espíritos de controles, que sempre produzem prejuízo espiritual àqueles. Quando despertadas para atividades normais, essas duas Glândulas Endócrinas abrirão a porta dos Mundos internos de maneira sã e segura, mas, nesse ínterim, a Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, o Planeta da razão, contém as secreções necessárias para dar equilíbrio ao cérebro.
No futuro, as Glândulas Endócrinas estão destinadas a desempenhar um papel proeminente; seu desenvolvimento acelerará grandemente a evolução, pois seus efeitos são principalmente mentais e espirituais. Estamos nos aproximando da Era de Aquário; o Sol, portanto, está começando a transmitir as vibrações altamente intelectuais desse Signo, o de Aquário, o que explica as intuições, premonições e transmissões telepáticas agora tão prevalecentes. Em última análise, esses fenômenos se devem ao despertar da Glândula Hipófise, regido por Urano, que é o regente de Aquário, e isso se tornará mais manifesto com o decorrer dos anos.
[1] N.T.: o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui de forma tríplice, como Deus que nos criou.
[2] N.T.: Também chamados de Espíritos Lucíferos.
[3] N.T.: Também chamadas de Glândulas de secreção interna ou Glândulas endócrinas que secretam hormônios diretamente na corrente sanguínea.
[4] N.T.: Também chamada de Corpo Pituitário ou Glândula Pituitária.
[5] N.T.: também conhecida como Conarium, Epífise Cerebral ou simplesmente Pineal.
[6] N.T.: O esterno (com “s”) é um osso plano e vertical localizado na linha média anterior do tórax, crucial para proteger órgãos vitais como o coração e pulmões, além de fixar as costelas.
[7] N.T.: O osso esfenoidal (ou esfenoide) é um osso ímpar e central na base do crânio, com formato semelhante a um morcego ou borboleta de asas abertas. Considerado a “pedra angular” da base craniana, ele se articula com quase todos os ossos do crânio.
[8] N.T.: O cretinismo é uma condição grave resultante do hipotireoidismo congênito não tratado ou deficiência severa de iodo durante a gestação e primeira infância. Caracteriza-se por retardo mental irreversível, baixa estatura (nanismo), características faciais grosseiras e disfunção motora. O diagnóstico precoce via teste do pezinho é crucial para evitar danos permanentes.
[9] N.T.: O mixedema é um edema (inchaço) duro e elástico da pele e tecidos moles, causado por hipotireoidismo grave e prolongado. Caracteriza-se pelo acúmulo de substâncias (glicosaminoglicanos) na derme, resultando em inchaço na face, pálpebras, língua e, às vezes, pernas. O coma mixedematoso é a complicação extrema, sendo uma emergência médica com alta mortalidade.
[10] N.T.: ou fisiologistas são profissionais da saúde especializado no estudo das funções, mecanismos e processos biológicos do corpo humano, visando otimizar o desempenho físico, saúde e bem-estar. Eles analisam dados funcionais, como cardiovasculares e musculares, para criar programas de treinamento, prevenir lesões e auxiliar na recuperação de atletas e pacientes.
[11] N.T.: O canal espinhal (ou vertebral) é uma cavidade no centro da coluna vertebral que acomoda a medula espinhal e as raízes nervosas. Ele percorre da cervical à lombar, protegido pelas vértebras.
[12] N.T.: A aurora boreal é um fenômeno luminoso natural no céu noturno, formado por partículas solares que interagem com o campo magnético e os gases da alta atmosfera terrestre nos polos. Visível em altas latitudes (Ártico) entre setembro e abril, especialmente de novembro a março, exibe luzes dançantes, comumente verdes, mas também roxas e vermelhas.
O SISTEMA LINFÁTICO
O Sistema Linfático é tubular e está um tanto associado aos capilares que unem as circulações venosa e arterial, terminando nas grandes veias próximas do coração. A linfa que flui por seus canais vai numa direção: o centro da circulação – o coração. Podemos considerar este sistema como uma espécie de pequenos desaguadouros do Corpo Denso, porque na realidade, recolhe a água suja dos tecidos, depois de banhá-los na linfa que transporta. Se compararmos os canais a tubulações de drenagem que recolhem a água suja, podemos considerar os gânglios linfáticos, que se encontram ao longo desses canais, como comportas, nas quais a linfa tem que se deter e ser filtrada antes de passar à corrente sanguínea venosa.
Estes gânglios estão situados nos cotovelos, nas axilas, nos espaços poplíteos, nas virilhas e especialmente na parte anterior do pescoço (a parte que fica fronteira à vértebra cervical) no abdômen entre as pregas do mesentério que fixa o intestino delgado a coluna vertebral e no peito entre os pulmões, espaço este conhecido como mediastino.
Cada um dos vasos linfáticos passa por um ou mais destes gânglios no seu caminho para as veias. As células linfáticas, como as demais existentes no Corpo, não possuem paredes celulares, movendo-se como a medusa na água. Quando a inflamação, em qualquer de suas formas, ataca o Corpo Denso, todos os líquidos venenosos passam aos canais linfáticos.
Os gânglios podem adoecer devido à natureza venenosa da linfa que se filtra por eles. O Sistema Linfático é de ação tríplice: recolhe a linfa dos tecidos, o “quilo” dos intestinos (depois de elaborado pelo processo da digestão) e, por meio dos gânglios linfáticos, cria as células linfáticas que são semelhantes aos corpúsculos brancos do sangue.
CAPÍTULO II – CORPO VITAL
EVOLUÇÃO E PROPÓSITO GERAL
O Corpo Vital é o segundo dos mais antigos veículos que temos, tendo seu germe original nos fornecido pelos Senhores da Sabedoria no Período Solar. Na Revolução Solar do Período Lunar[1], ele foi modificado para torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos e, também, para acomodar ao sistema nervoso, músculos, esqueleto, etc.
Durante a Revolução Solar do Período Terrestre, o Corpo Vital foi reconstruído para acomodar a Mente germinal. Ele foi moldado, nessa Revolução, mais à semelhança do Corpo Denso, sendo sua organização atual a mais eficiente, seguida a do Corpo Denso.
Uma reconstrução adicional foi efetuada na Época Hiperbórea do Período Terrestre, quando os Senhores da Forma apareceram, com os Anjos, e revestiram o Corpo Denso do ser humano, então um objeto em forma de saco, com um Corpo Vital.
O Corpo Denso é construído na matriz do Corpo Vital durante a vida antenatal e, com uma única exceção, é uma cópia exata, molécula por molécula, do Corpo Vital. Ao longo da vida, o Corpo Vital é o construtor e restaurador do Corpo Denso, tendo a tendência de abrandar e construir. Sua principal expressão é o sangue e as Glândulas, assim como no Sistema Nervoso Simpático[2], que ganhou acesso ao domínio do Corpo de Desejos quando esse começou a desenvolver o Coração em um músculo voluntário.
O Corpo Vital interpenetra o Corpo Denso e se estende além da sua periferia cerca de quatro centímetros. A sua contextura pode ser grosseiramente comparada aos quadros formados por centenas de pequenos pedaços de madeira encaixados uns nos outros, mostrando inúmeros pontos ao observador. Esses pontos do Corpo Vital penetram nos centros ocos dos átomos densos, os imbuindo de força vital, o que os faz vibrar a uma taxa superior à do mineral da Terra, que não estão assim animados nem acelerados.
[1] N.T.: Sempre a 2ª Revolução de um Período.
[2] N.T.: Também chamado por alguns especialistas de sistema ortossimpático ou sistema toracolombar, é uma das duas divisões do sistema nervoso autônomo (SNA), sendo a outra o sistema nervoso parassimpático. É parte do sistema nervoso autônomo, responsável pelas respostas de “luta ou fuga” em situações de estresse, perigo ou emergência. Ele prepara o corpo para atividade física intensa, aumentando a frequência cardíaca, a respiração e a pressão arterial, enquanto inibe funções digestivas.
CAPÍTULO II – CORPO VITAL – OS ÉTERES E SUAS FUNÇÕES
Ao analisamos o ser humano, descobrimos que nele os quatro Éteres (Éter Químico, Éter de Vida, Éter Luminoso – ou Éter de Luz – e Éter Refletor) atuam dinamicamente ativos no Corpo Vital altamente organizado. Por meio da atividade do Éter Químico, ele é capaz de assimilar alimentos e crescer; as forças atuantes no Éter de Vida permitem a propagação da espécie; as forças que atuantes no Éter Luminoso proporcionam calor ao Corpo Denso, atuam sobre o Sistema Nervoso e os músculos, fazendo com que possamos receber através dos sentidos as informações do Mundo exterior; e o Éter Refletor permite ao Espírito controlar seus veículos por meio do pensamento. Este Éter também armazena as experiências passadas, em forma de memória. Os Éteres Químico e de Vida formam a matriz para nossos Corpos Densos. Cada molécula do Corpo Denso está imersa em uma malha de Éter que a permeia e a infunde com Vida. Por meio destes Éteres se realizam as diversas funções corporais (como por exemplo, a respiração, etc.) e a densidade e a consistência dessas matrizes de Éter determinam o bom ou mau estado de saúde. Os átomos do Éter Químico e do Éter de Vida, reunidos em torno do Átomo-semente nuclear, localizado no Plexo Celíaco[1], têm forma prismática. Estão todos dispostos de tal maneira que, quando a energia solar permeia no Corpo pelo baço, o raio refratado é o vermelho. Esta é a cor do aspecto criador da Trindade, ou seja, Jeová, o Espírito Santo, que rege a Lua, o Astro da fecundação. Por conseguinte, o fluído vital do Sol que permeia no Corpo Denso pelo baço adquire uma tonalidade rosa pálida, ficam tintos de cor de rosa pálido, muitas vezes observada pelos Clarividentes, quando percorrem os nervos, como a eletricidade percorre os fios de uma instalação elétrica. Assim carregados, o Éter Químico e o Éter de Vida são as vias da assimilação que preservam o indivíduo e de fecundação, que perpetua a Onda de Vida humana.
Durante a vida, cada átomo prismático vital penetra um átomo físico e o faz vibrar. Para visualizar essa combinação, imagine uma cesta feita de arame enrolado em forma de pera com paredes de arame espiralado que se estendem obliquamente de um polo ao outro. Esse é o átomo físico; ele tem forma muito parecida com à da Terra, e o átomo prismático vital é inserido a partir do topo, que é a parte mais larga e corresponde ao Polo Norte da Terra. Assim, a ponta do prisma penetra o átomo físico no ponto mais estreito, que corresponde ao Polo Sul da Terra, e o conjunto se assemelha a um pião girando e bamboleando, vibrando intensamente. Dessa forma, nosso Corpo se enche de Vida e se torna capaz de movimento.
O Éter de Luz e o Éter Refletor são vias de consciência e de memória. No indivíduo comum eles estão um tanto atenuados e não tomaram ainda forma definida; elas interpenetram o átomo da mesma forma que o ar interpenetra uma esponja, e formam uma leve atmosfera áurica ao redor de cada átomo.
A ciência física já determinou que os átomos em nosso Corpo Denso estão em constante mudança, de modo que toda a matéria que atualmente compõem o nosso veículo terá desaparecido em poucos anos, mas é sabido que as cicatrizes e outras imperfeições se conservam da infância à velhice. A razão para isso é que os átomos prismáticos etéricos que compõem o nosso Corpo Vital permanecem inalterados desde que nascemos até morrermos. Eles estão sempre na mesma posição relativa – isto é, os átomos prismáticos etéricos que fazem vibrar os átomos físicos nos dedos dos pés ou das mãos não chegam às mãos, pernas ou qualquer lugar do Corpo, mas permanecem exatamente no mesmo lugar onde foram colocados no princípio. Uma lesão nos átomos físicos implica em uma impressão semelhante nos átomos prismáticos etéricos. A nova matéria física que se modela sobre eles continua a assumir a forma e a textura semelhantes às originais.
As observações anteriores se aplicam apenas aos átomos prismáticos etéricos que correspondem aos sólidos e líquidos no Mundo Físico, pois assumem e conservam uma forma definida. Mas, além disso, cada ser humano, nesse estágio de evolução, possui uma certa quantidade de Éter de Luz e de Éter Refletor, que são os veículos da percepção sensorial e da memória, misturados em seu Corpo Vital. Podemos dizer que o Éter de Luz corresponde aos gases do Mundo Físico; talvez a melhor descrição que se possa dar ao Éter Refletor seja chamá-lo de hiper-etérico. É uma substância vácua de cor azulada, que lembra em aparência o núcleo azulado da chama de gás. Parece transparente e revela tudo que o contém, mas, no entanto, esconde todos os segredos da Natureza e da Humanidade. Nela se encontra um registro da Memória da Natureza. O Éter de Luz e o Éter Refletor são de natureza exatamente oposta à dos estacionários átomos prismáticos etéricos. São voláteis migratórios. Por menor que seja a quantidade que um indivíduo possua desse material, trata-se de um acréscimo, um fruto, derivado de suas experiências vitais. Dentro do Corpo estes dois Éteres se misturam com a corrente sanguínea e, quando aumentam de volume como consequência do serviço prestado e do sacrifício fraterno na Escola da Vida, de modo que não possa mais ser contido no Corpo Denso, se manifesta externamente como um Corpo-Alma de cores ouro e azul.
O azul representa o mais elevado tipo de espiritualidade, portanto, é o menor em volume e pode ser comparado ao núcleo azul da chama de gás, enquanto a cor dourada forma a maior parte e corresponde à luz amarela que circunda o núcleo azul da citada chama de gás. A cor azul não aparece fora do Corpo Denso, exceto nos maiores verdadeiros santos – geralmente, apenas o amarelo é observável ali. Na morte, esta parte do Corpo Vital é gravada no Corpo de Desejos com o Panorama da Vida que contém. A quintessência de toda a nossa experiência de vida é, então, finalmente impressa no Átomo-semente como consciência ou virtude que, nos induzirá a evitar o mal e a fazer o bem nas próximas vidas. Assim, a qualidade do Átomo-semente é alterada de vida para vida. A quintessência do bem extraída da parte migratória do Corpo Vital em uma vida determina a qualidade dos átomos de Éteres prismáticos estacionários da vida seguinte. O mais elevado em uma vida se converte no inferior da vida seguinte e assim, aos poucos, subimos a escada da Evolução em direção à divindade.
A partir do exposto, ficará evidente que o Corpo Vital é um veículo de hábitos; todos os pais sabem que durante os primeiros sete anos de vida, na infância, quando esse veículo está em gestação, as crianças formam um hábito após outro. A repetição é a tônica do Corpo Vital, e os hábitos dependem da repetição. É diferente com o Corpo de Desejos, o veículo dos sentimentos e das emoções, que estão sempre mudando a cada instante; embora se diga que o Éter que forma o nosso Corpo-Alma está em constante movimento e se mistura com a corrente sanguínea, esse movimento é relativamente lento em comparação com a rapidez das correntes do Corpo de Desejos; podemos dizer que o Éter se move com a velocidade de um caracol, comparada com a velocidade da luz.
Quando o Ego está a caminho do renascimento, passando pela Região do Pensamento Concreto, pelo Mundo do Desejo e pela Região Etérica, ele vai juntando uma certa quantidade de material de cada um deles. A qualidade desse material é determinada pelo Átomo-semente, segundo o princípio de que “semelhante atrai o semelhante”. A quantidade de cada uma dessas matérias dependerá da necessidade do Arquétipo que tenhamos construído para nós mesmos no segundo Céu. Com o total dos átomos prismáticos etéricos que o Espírito tiver reunido para seu uso, os Anjos do Destino e seus agentes construirão uma forma etérica que será colocada no útero materno e que aos poucos se irá revestindo de matéria física até construir o Corpo Denso da criança nas vésperas do renascimento.
Apenas uma pequena porção do Éter apropriado por um determinado Ego é utilizada, e o restante constituirá uma reserva que permanecerá fora do Corpo Denso. Por essa razão o Corpo Vital da criança se sobressai muito mais além da periferia do Corpo Denso do que o de um adulto. Durante o período de crescimento, esse estoque de átomos etéricos vai sendo utilizado para vitalizar as secreções dentro do Corpo Denso até que, ao atingir a idade adulta, o Corpo Vital apenas sobressai de dois e meio a quatro centímetros do Corpo Denso.
A Escola de Sabedoria Ocidental ensina como máxima fundamental que “todo desenvolvimento oculto começa no Corpo Vital”. A parte do Corpo Vital formada pelos dois Éteres superiores, o Éter de Luz e o Éter Refletor, é o que poderemos chamar de Corpo-Alma, ou seja, está mais intimamente ligado ao Corpo de Desejos e a Mente e, também, é mais receptivo aos impulsos do Espírito do que os outros dois Éteres. É o veículo do intelecto e responsável por tudo o que faz do ser humano um ser da Onda de Vida humana. Nossas observações, nossas aspirações, nosso caráter, etc., se devem à obra do Espírito nestes dois Éteres superiores, que se tornam mais ou menos luminosos conforme a natureza do nosso caráter e dos nossos hábitos. Além disso, assim como o Corpo Denso assimila as partículas de alimento e, portanto, ganha em massa, os dois Éteres superiores assimilam nossas boas ações durante a vida e, assim, também aumentam de volume. De acordo com nossas ações nessa vida presente, aumentamos ou diminuímos aquilo que trouxemos conosco ao nascer. Esta é a razão pela qual os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental afirmam que todo desenvolvimento místico começa com o Corpo Vital.
[1] N.T.: Também chamado de Plexo Solar (vulgarmente conhecido como “boca do estômago”), um dos principais plexos responsáveis pela inervação de órgãos da porção retrodiafragmática do sistema digestório, principalmente do estômago, intestinos, glândulas anexas (fígado e pâncreas) e ainda contribui para a inervação do baço.
CAPÍTULO III – O CORPO DE DESEJOS E A MENTE
Na terceira Revolução do Período Lunar, os Senhores da Individualidade irradiaram de si mesmos a substância que ajudou os seres humanos, que evoluíam inconscientemente, a apropriar e construir um Corpo de Desejos germinal. Eles também o ajudaram a incorporar esse Corpo de Desejos germinal ao Corpo Vital e ao Corpo Denso que já possuía. Esse trabalho foi se realizando durante toda a terceira e quarta Revoluções do Período Lunar.
A antagônica “vontade inferior”, ou vontade do Corpo, é uma expressão da parte superior do Corpo de Desejos. Quando ocorreu a divisão do Sol, da Lua e da Terra, na primeira parte da Época Lemúrica, a porção mais avançada da Humanidade em formação experimentou uma divisão do Corpo de Desejos em uma parte superior e outra inferior. O restante da Humanidade experimentou a mesma divisão na primeira parte da Época Atlante.
Essa parte superior do Corpo de Desejos se tornou em uma espécie de alma animal. Ela construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal[1] e os músculos Voluntários[2], controlando assim a parte inferior do Tríplice Corpo até que a conexão da Mente fosse estabelecida. Então a Mente se fundiu com a alma animal e se tornou corregente do ser humano.
Durante a vida do ser humano, o Corpo de Desejos não tem a mesma forma que seus Corpos Denso e Vital. Essa forma só é assumida depois da morte. Durante a vida, o Corpo de Desejos tem a aparência de um ovoide luminoso que, durante as horas de estado de vigília, envolve completamente o Corpo Denso, como a clara envolve a gema de um ovo. Estende-se de 30 a 40 centímetros além da superfície do Corpo Denso, nos indivíduos comuns. A matéria do Corpo de Desejos humano é composta de material do Mundo do Desejo e está em movimento incessante de rapidez inconcebível. Não há nele um lugar fixo para nenhuma partícula, como no Corpo Denso. A matéria que se encontra em um dado momento na cabeça pode estar nos pés no momento seguinte e vice-versa. Não há órgãos no Corpo de Desejos, como os há no Corpo Denso e no Corpo Vital, mas existem centros de percepção que, quando ativos, se parecem como vórtices, permanecendo sempre na mesma posição relativa com respeito ao Corpo Denso. Na maioria das pessoas, são meros redemoinhos e não têm utilidade como centros de percepção. Podem ser despertados em todos, porém, os diversos métodos de despertamento produzem resultados diferentes. O Corpo de Desejos está radicado na posição referencial do fígado e nasce por volta dos quatorze anos de idade.
No Clarividente Involuntário, desenvolvido segundo padrões impróprios e negativos, esses vórtices giram da direita para a esquerda, ou no sentido contrário ao dos ponteiros de um relógio – no sentido anti-horário.
No Corpo de Desejos dos Clarividentes Voluntários, devidamente treinados, eles giram no mesmo sentido que os ponteiros do relógio – no sentido horário – brilhando com esplendor excepcional, que supera em muito a luminosidade do Corpo de Desejos comum. Esses centros fornecem aos Clarividentes Voluntários os meios para percepção das coisas do Mundo do Desejo, e ele vê e investiga o que quiser, enquanto nas outras pessoas Clarividentes Involuntários, cujos centros giram da direita para a esquerda, são como um espelho que reflete o que se passa diante dela.
Num futuro muito distante, o Corpo de Desejos do ser humano se tornará tão definitivamente organizado quanto os Corpos Denso e Vital. Quando esse estágio for alcançado, todos teremos o poder de funcionar no Corpo de Desejos como agora funcionamos no Corpo Denso.
A Mente
Na Época Atlante do Período Terrestre, os Senhores da Mente irradiaram de si mesmos para o nosso ser o núcleo da matéria a partir do qual agora buscamos construir uma Mente organizada. Foi fornecido ao ser humano a fim de lhe dar propósito à ação, mas como o Ego era extremamente débil e a natureza de desejos muito forte, a Mente nascente se juntou com o Corpo de Desejos; a faculdade da astúcia foi o resultado e foi causa de toda a maldade do terço intermediário da Época Atlante.
A Mente, sendo o último dos veículos fornecido para o ser humano, ainda não é sequer um Corpo. É simplesmente uma ligação, um envoltório para o uso do Ego como ponto focal. É, no entanto, o instrumento mais importante possuído pelo Espírito, e é seu instrumento especial na obra da criação. Nós mesmos, como Egos, funcionamos diretamente na substância sutil da Região do Pensamento Abstrato, que especializamos na periferia da nossa aura individual. De lá, observamos as impressões feitas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital por intermédio dos sentidos, juntamente com os sentimentos e emoções gerados por elas no Corpo de Desejos e refletidos na Mente.
A partir dessas imagens mentais formulamos nossas conclusões, na substância da Região do Pensamento Abstrato, acerca dos assuntos de elas abordam. Essas conclusões são as ideias. Mediante o poder da vontade, projetamos uma ideia através da Mente, onde a ideia toma forma concreta como pensamento-forma, atraindo para si matéria mental da Região do Pensamento Concreto. A imagem pode ser projetada em qualquer destas três direções:
Quando o trabalho concebido para tal pensamento-forma é concluído, ou sua energia é gasta em vãs tentativas de alcançar seu objetivo, gravita de volta para seu criador, trazendo consigo o registro indelével de sua jornada.
Em nosso estágio atual de evolução, dizemos que a Mente nasce aos vinte e um anos de idade, mas o auge da capacidade mental só é atingido por volta doa quarenta e nove anos.
A Mente é o meio focalizador pelo qual as ideias concebidas pela imaginação do Espírito são projetadas sobre o universo material. Inicialmente, são apenas pensamentos-formas, mas, quando o desejo de realizar as possibilidades imaginadas leva o ser humano a trabalhar no Mundo Físico, elas se tornam o que chamamos de “realidades” concretas.
Atualmente, porém, a Mente não está focada de forma a permitir ao ser humano produzir uma imagem clara e verdadeira daquilo que o Espírito imagina. Não é focada. Produz imagens nebulosas e turvas. Daí a necessidade de experimentação para demonstrar as inadequações da primeira concepção e gerar novas imaginações e ideias até que a imagem produzida pelo Espírito na substância mental seja reproduzida na substância física.
Na melhor das hipóteses, somos capazes de moldar, através da Mente, apenas imagens relacionadas à Forma, porque a Mente humana só surgiu no Período Terrestre e, portanto, está atualmente em seu estágio “mineral” de desenvolvimento. Consequentemente, em nossas operações, estamos confinados às Formas, com os minerais. Podemos imaginar maneiras de trabalhar com as Formas minerais dos três Reinos inferiores, mas pouco ou nada podemos fazer com os Corpos viventes. Podemos, de fato, enxertar um ramo vivo em uma árvore viva, ou uma parte viva de um animal em outro, ou de um ser humano em outro, mas não é com a Vida que estamos trabalhando: é apenas com a Forma. Estamos criando condições diferentes, mas a Vida que já animava a Forma é a mesma que continua subsistindo. Trabalhar com a Vida está além do poder humano, até que sua Mente tenha sido vivificada.
No Período de Júpiter, a Mente será vivificada até certo ponto e o ser humano poderá imaginar Formas que viverão e crescerão, como as plantas.
No Período de Vênus, quando sua Mente adquirir a capacidade de sentir, ele poderá criar coisas vivas que cresçam e tenham sentimentos, como os animais.
E, finalmente, quando alcançar a perfeição, no final do Período de Vulcano, ele será capaz de “imaginar” a existência de criaturas que viverão, crescerão, sentirão e pensarão.
[1] N.T.: O cérebro e a medula espinhal formam o sistema nervoso cérebro-espinhal ou Sistema Nervoso Central (SNC), o centro de comando do Corpo Denso. Eles processam informações, controlam funções vitais, movimentos e sensações.
[2] N.T.: Os músculos voluntários, ou músculos estriados esqueléticos, são aqueles que se contraem de acordo com a nossa vontade consciente. Eles estão conectados aos ossos por meio de tendões e são responsáveis por quase todos os movimentos do nosso Corpo Denso.
Segunda Parte – DOENÇA E ENFERMIDADE
CAPÍTULO IV – AS CAUSAS GERAIS DAS DOENÇAS E ENFERMIDADES
Introdução
A doença e enfermidade é realmente um fogo, o fogo invisível que é o Pai tentando dissolver e quebrar as condições cristalizadas que acumulamos em nossos Corpos. Reconhecemos a febre como um fogo, mas os tumores, como cânceres e todas as outras doenças são, na verdade, realmente os efeitos desse fogo invisível, que tenta purificar o organismo e libertá-lo das condições que criamos ao transgredir as Leis da Natureza.
Podemos dizer, ainda, que a doença e enfermidade é uma manifestação da ignorância, o único pecado, e que a cura[1] é uma demonstração do conhecimento aplicado, que é a única salvação. Cristo é a personificação do Princípio de Sabedoria e, na mesma proporção em que o Cristo se forme em nós, alcançaremos a saúde. Portanto, o Curador ou a Curadora deve ser uma pessoa espiritualizada e se esforçar para imbuir em seu (sua) paciente com elevados ideais espirituais, para que esse (essa) possa, finalmente, aprender a obedecer às Leis de Deus que governam o Universo e, assim, alcançar a saúde permanente tanto na vida atual, como nas vidas futuras.
O Antigo Testamento começa com o relato de como o ser humano foi desviado pela falsa Luz dos Espíritos Lucíferos, dando origem a todas as grandes tristezas e profundos sofrimentos no mundo; termina com a promessa de que o Sol da Retidão e da Justiça surgirá, trazendo a Cura em suas asas. E no Novo Testamento encontramos o Sol da Retidão e da Justiça, a verdadeira Luz, que veio para salvar o mundo, e o primeiro fato que é declarado a respeito d’Ele é que Ele é de Concepção Imaculada.
Agora, esse ponto deve ser compreendido completamente: é a mácula luciferiana da paixão que trouxe: o sentimento de grande tristeza e profunda angústia, o pecado e o sofrimento ao mundo. Quando o poder criador é empregado para gratificar os sentidos, seja por meio do vício solitário ou em conjunto com outra pessoa, com ou sem casamento legalizado, esse é o pecado que não pode ser perdoado; ele deve ser expiado. A Humanidade, como um todo, está sofrendo as consequências desse pecado. Os Corpos debilitados e com doenças e enfermidades que vemos ao nosso redor foram desgastados por séculos de abusos, e enquanto não aprendermos a subjugar nossas paixões, não poderá haver a verdadeira saúde entre a Onda de Vida humana.
Antes da impregnação do Corpo de Desejos com esse princípio demoníaco, a concepção era imaculada e um sacramento. Os seres humanos caminhavam na presença dos Anjos, puros e sem se envergonharem. O ato da fertilização era tão casto como o é da flor. Portanto, quando aconteceu o desvio dessa conduta, ou seja, quando o mal foi feito, imediatamente o mensageiro, ou o Anjo, cingiram os seres humanos com folhas para imprimir neles o ideal que teriam que aprender a viver, nomeadamente, como a planta. Sempre que somos capazes de realizar o ato da geração de maneira pura, casta e sem paixão, como a planta faz, ocorre uma concepção imaculada e nasce um Cristo, capaz de curar todos os sofrimentos da Humanidade, capaz de vencer a morte e de estabelecer a imortalidade, uma luz verdadeira para guiar a Humanidade para longe do fogo-fátuo da paixão; por meio do autossacrifício pela compaixão.
Este é, portanto, o grande ideal pelo qual nos esforçamos: purificarmo-nos da mácula do egoísmo e da busca por interesses pessoais. Por isso, consideramos o Emblema Rosacruz como um ideal. As sete rosas vermelhas simbolizam o sangue purificado; a rosa branca representa a pureza da vida; e a estrela dourada e radiante simboliza a influência inestimável para a saúde, o auxílio e a elevação espiritual que emana de cada servo da Humanidade.
Até que a fé em Cristo nos ilumine desde o nosso interior, não compreendemos e nem seguimos as Leis da Natureza e, consequentemente, contraímos doenças e enfermidades por nossa ignorância ao transgredi-las. Empregando as palavras de Emerson[2], podemos dizer que uma pessoa que está doente é um malandro no ato de ser apanhado em flagrante; ele violou as Leis da Natureza. Por essa razão é necessário que o Evangelho de Cristo seja pregado; que cada um de nós aprenda a amar a Deus com todo o nosso coração e toda a nossa alma, e ao nosso próximo como a nós mesmos, pois todos os problemas do mundo, quer reconheçamos isso ou não, provém de um só e único fato: nosso egoísmo. Se as funções digestivas estão comprometidas, qual é a causa? Não será que sobrecarregamos nosso organismo, por estamos com raiva e esgotamos as nossas forças nervosas tentando obrigar a outros a servir os nossos fins egoístas, e nos sentimos ressentidos por não o termos conseguido? Em todos os casos, o egoísmo é a principal causa da maioria das doenças e enfermidades; o egoísmo é o pecado supremo motivador da ignorância.
[1] N.T.: aqui, advindo do inglês “healing” (a cura definitiva) e não de “curing” (o remediar, a cura ilusória).
[2] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803- 1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense. O transcendentalismo é, para Emerson, um esforço de introspecção metódica para se chegar além do “eu” superficial ao “eu” profundo, o espírito universal comum a toda a espécie humana.
Causas das Deficiências Mentais
As deficiências que afetam a Humanidade podem ser divididas em duas grandes classes: mentais e físicas. Os problemas mentais são particularmente atribuíveis ao abuso da função criadora sexual, quando são congênitos, com uma exceção que observaremos mais tarde. A mesma condição se aplica em caso de comprometimento da faculdade da fala. Isso é razoável e fácil de entender. O cérebro e a laringe foram construídos com metade da força sexual criadora do ser humano pelos Anjos, de modo que o ser humano que, antes da aquisição destes órgãos, era bissexual e capaz de criar apenas a partir de si mesmo, perdeu essa faculdade quando estes órgãos foram criados e agora depende da cooperação de outro de polaridade ou sexo oposto, a fim de gerar um novo veículo físico para um Espírito que chega para renascer aqui.
Quando usamos a visão espiritual para observar o ser humano na Memória da Natureza, durante o tempo em que ele ainda estava em formação, descobrimos que onde quer que exista agora um nervo, houve primeiro uma corrente de desejo; que o cérebro em primeiro lugar, ele mesmo era feito de substância de desejo e, também, o era a laringe. Foi o desejo quem primeiro enviou um impulso motor através do cérebro e criou essas correntes nervosas, para que o Corpo Denso pudesse ser movido e obter para o Espírito qualquer gratificação indicada pelo desejo. A fala também é usada com o propósito de obter um objeto ou fim desejado. Através destas faculdades o ser humano obteve certo domínio sobre o mundo, e se ele pudesse simplesmente passar de um Corpo para outro, não haveria fim para o abuso do seu poder de satisfazer todos os caprichos e desejos. Mas, sob a Lei de Consequência, ele leva consigo ao novo Corpo, faculdades e órgãos semelhantes aos que deixou no anterior, na vida precedente aqui.
Quando a paixão destrói o Corpo Denso em uma vida, essa experiência fica estampada no Átomo-semente do Corpo Denso. Na próxima “descida” para um renascimento aqui será, portanto, impossível para o Espírito reunir material de melhor qualidade com o qual possa construir um cérebro de construção estável. Geralmente, ele nasce aqui sob um dos Signos Comuns e, também, os quatro Signos Comuns estão nos ângulos do horóscopo; pois através destes Signos o desejo apaixonado tem dificuldade em se expressar. Assim, o poderoso impulso que anteriormente governava seu cérebro e que poderia ser usado com o propósito de rejuvenescer está ausente; ele, assim renascido, não tem incentivo na vida e, portanto, se torna indefeso, desamparado ou incapaz – um pedaço de madeira no oceano da vida – muitas vezes insano ou demente.
Mas o Espírito não é insano ou demente; ele vê, conhece e tem um grande desejo de usar o Corpo, embora isso possa ser uma impossibilidade, pois muitas vezes não consegue nem mesmo enviar um impulso correto ao longo dos nervos. Os músculos do rosto e do corpo não estão, portanto, sob o controle da sua vontade. Isso explica a falta de coordenação que torna o insano ou demente, muitas vezes, uma visão tão lamentável. E assim o Espírito aprende uma das lições mais difíceis da vida, a saber, que é pior que a morte estar preso a um Corpo Denso vivo e ser incapaz de encontrar expressão através dele, porque a força do desejo necessária para realizar as funções do pensamento, da fala e do movimento foram gastas em uma vida iníqua, perversa, maligna ou ímpia em uma vida anterior e deixou o Espírito sem a energia necessária para operar seu atual instrumento corporal.
Embora as deficiências mentais, quando congênitas, sejam geralmente atribuíveis ao abuso da função sexual criadora numa vida passada, há pelo menos uma notável excepção a esta regra: quando um Espírito, que tem uma vida especialmente dura diante de si “desce” para renascer aqui e ao entrar na matriz do útero, sente ou percebe o Panorama de Vida – que contém os principais acontecimentos que passará – e considera essa existência como demasiada dura para ser suportada, às vezes, tenta fugir da Escola da Vida. Neste momento, os Anjos do Destino ou Relatores ou seus agentes já fizeram a conexão entre o Corpo Vital e os centros dos sentidos do cérebro do embrião em formação; portanto, o esforço do Espírito para escapar do ventre materno é frustrado, mas a ruptura dada pelo Ego perturba a conexão entre os centros dos sentidos etérico e físico, de modo que o Corpo Vital não fica concêntrico com o Corpo Denso, fazendo com que a cabeça etérica se estenda acima do crânio físico. Assim é impossível ao Espírito utilizar o Corpo Denso; está ligado a um Corpo Denso “irracional” que não pode usar, e a incorporação é praticamente desperdiçada.
Encontramos também casos em que um grande choque, mais tarde na vida, faz com que o Espírito se esforce para fugir com os veículos invisíveis. Como resultado, uma ruptura semelhante é aplicada aos centros dos sentidos etéricos no cérebro, e o choque perturba a expressão mental. Todo mundo, provavelmente, já sentiu uma sensação semelhante ao receber um susto; um impulso como se algo tentasse sair do Corpo Denso; esses são o Corpos Vital e o Corpo de Desejos, que são tão rápidos em sua ação que um trem expresso é como um caracol, em comparação. Eles veem e sentem o perigo e ficam assustados antes que o susto seja transmitido ao Corpo Denso inerte e lento no qual estão ancorados, e que impede sua fuga sob tensão normal.
Mas às vezes, como foi dito, o susto e o choque são suficientemente para dar-lhes tal impulso que os centros dos sentidos etéricos fiquem perturbados. Isso acontece com mais frequência com pessoas nascidas sob Signos Comuns, que são os mais frágeis do Zodíaco. Entretanto, assim como um ligamento que foi esticado e rompido pode gradualmente recuperar relativa elasticidade, também nestes casos é mais fácil restaurar as faculdades mentais do que naqueles casos em que a insanidade ou demência congênita, trazida de vidas passadas, causou conexão inadequada.
Quando ligamos o ferro elétrico e ele não funciona, examinamos a resistência, o fio ou os fusíveis. Não desesperamos diante do ferro, exclamando: “Ó eletricidade, por favor, desça ao meu ferro e faça-o funcionar”.
Sabemos muito bem que embora o mundo todo esteja cheio daquela força misteriosa a que chamamos de eletricidade, somente aquela porção que flui ao encontro da resistência do ferro é que o faz funcionar.
O mesmo princípio se aplica à energia criadora de Deus. Todo o universo está cheio dela, mas apenas a porção que flui através de nosso ser realmente nos beneficia.
Muitas vezes tentamos fazer essa energia criadora operar em nós por meio de preces e pedidos a Deus para que faça isto ou aquilo. E como Ele não faz nem uma coisa e nem outra, nós concluímos que não há valor na oração, uma vez que Deus age como entende, sem consultar aos nossos desejos. Em outras palavras, duvidamos da disposição ou da habilidade divina em realmente produzir em nossas vidas os resultados que desejamos. Não duvidamos de nossa própria habilidade em chegarmos à Sua presença e nos enchermos d’Ela, mas sim de Sua Disposição em se chegar a nós e encher-nos d’Ele.
Deus está tanto dentro de nós como em nosso redor. Afinal, Ele é onisciente, onipotente e onipresente. Ele é a Fonte de toda a Vida, o Criador do Universo com as inimagináveis profundidades interastrais. Mas Ele é também a vida que habita em nós. E, assim como todo o mundo cheio de eletricidade não iluminará uma casa a menos que a casa esteja preparada para receber eletricidade, assim a vida infinita e eterna de Deus não nos pode ajudar, a menos que estejamos preparados para receber aquela vida em nós mesmos. Somente a quantidade de Deus que pode caber em nós, a nosso proveito, operará.
“O Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17:21), disse Cristo-Jesus. E a Luz Interna que em nós habita, o lugar secreto da Consciência do Altíssimo em nossos corações é que constituem o Reino de Deus em sua manifestação terrena. Aprender a viver no Reino dos Céus é aprender a acender a luz de dentro de nós.
Devemos aprender que Deus não é um soberano irracional e impulsivo, que quebra suas próprias Leis de Deus à vontade. Logo que aprendemos que Deus faz coisas por nosso intermédio e não para nós, o assunto se torna tão simples e impressivo como o nascer do Sol.
“Mas Deus é onipotente!”, dizem alguns. “Ele pode fazer o que quiser!”. Certamente, mas Ele criou um mundo que se rege por Leis de Deus e Ele não gosta de quebrar essas suas Leis de Deus!
Ele pode produzir viçosas respostas à nossa oração, se nós adaptarmos os tabernáculos terrestres de nossa habitação às Suas Leis de Amor e Fé, de forma que se estabeleçam os pré-requisitos da oração respondida.
Algum dia o mundo virá a entender esse fato da mesma forma que hoje entende o milagre das ondas sonoras, pois, os milagres de uma geração são os lugares comuns da geração seguinte.
Algum dia nós entenderemos os princípios científicos que subjazem aos poderes milagrosos de Deus, e aceitaremos Sua intervenção com tanta naturalidade como aceitamos o rádio.
Muitos verdadeiros milagres sempre ocorrem! E nenhum deles quebram as Leis Deus. O que ocorrem é que muitas das Leis de Deus nós ainda não conhecemos. Sempre que ocorre é uma superimposição duma Lei de Deus mais alta da vida sobre outra mais baixa. Foi, portanto, o cumprimento das Leis da Natureza, que nada mais são do que as Leis de Deus. Se se pensa sobre o milagre não como a quebra das leis de Deus, mas como o uso que Ele mesma faz de Suas Leis, então o mundo está cheio de milagres.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Uma pessoa quando se predispõe a estudar os Ensinamentos Rosacruzes por meio da Fraternidade Rosacruz já desenvolveu a sua consciência ao ponto de, pelo livre arbítrio, escolher um rumo para suas ideias, portanto, para o seu modo de pensar e agir.
Nesse ponto de transição, em que a consciência insatisfeita com o que aprendeu até ali, necessita de esclarecimentos mais amplos, ele entra num mar de dúvidas porque aquilo que já aprendeu ficou gravado atrapalhando o novo aprendizado até que, depois, por si mesmo, ele perceba a lógica nas novas lições e acomode nelas a corrente de suas ideias.
Acontece que, desde séculos passados, o ambiente religioso é o mesmo nestes lados ocidentais. Durante anos e anos duas Religiões exotéricas que não se unem, mas graças a Deus não se perseguem mais, vem prevalecendo no continente europeu e no continente americano, sujeitando a sociedade e embaraçando a expansão de ideias livres, ideias individuais.
Dessa maneira a pessoa que chega ao ponto de libertar a sua Mente e conduzi-la pelo seu livre arbítrio, fica receosa como um pássaro que, engaiolado por muito tempo, no momento de sua liberdade, tem medo do espaço infinito. Quando vê aberta a portinha da gaiola, não tem coragem de arriscar um voo.
O hábito é uma segunda natureza e milhares e milhares de pessoas vem se habituando, desde criança, no ambiente familiar e ambiente geral de uma só ordem de ideias, até que sua Mente desenvolvida em outros assuntos, por força das necessidades da vida, chega a um ponto de curiosidade e descontentamento e se põe a procurar novas diretrizes, novos horizontes. Chega a hora, então, de procurar outras Religiões, outras Filosofias Cristãs, de ler livros, até ali desconhecidos, de procurar lugares de ensinamentos até então ignorados, e considerados absurdos, mudar de pontos de vista, de adquirir novos conhecimentos.
Nessa altura, muitas pessoas temerosas de abandonar tradições, de mudar de corrente, sempre igual de ideias que influiu durante tantos anos na própria vida, compreendendo ao mesmo tempo, que essas ideias já não satisfazem mais, vacila tanto para dar novo rumo a sua mentalidade que acabam estacionando no seu modo de pensar, sem concordar plenamente com a que já aprendeu e sem vontade de aprender novas razões. Quantas pessoas deixam de progredir na vida, moral ou material, pela força do hábito!
Essa preguiça de natureza mental deve ser afastada desde logo, porque geralmente ela dura bastante e, muitas vezes, quando chega a passar por efeito de um impulso, provocada pela experiência, pelo sofrimento, já se perdeu muito tempo, ou mesmo o melhor do tempo.
É natural, pois, que quando se encontre num estado de transição de ideias, mormente se tratando de questões espirituais, se esbarre com muita dúvida; porém é necessária afastá-la desde logo e para se conseguir isso é preciso pesquisar, examinar.
No caso da espiritualidade Cristã, é preciso verificar se as lições aprendidas, ou melhor, se as lições que se está aprendendo, são enquadradas na realidade da vida de todos os dias, e se podem ser observadas em você mesmo ou nos outros. Para isso é preciso pensar, procurar dentro do próprio pensamento fatos ou coisas que se relacionem com o que se está aprendendo. É preciso usar a memória, recorrer a lembranças e, também, observar nos fatos presentes, a relação entre a vida real e a espiritualidade.
A espiritualidade Cristã não é mais nada que a nossa própria vida estudada na sua essência, nas suas bases fundamentais, na sua evolução e sua finalidade.
Ora, estudando a nossa própria consciência nos seus foros mais íntimos, e estudando, ao mesmo tempo, os acontecimentos da vida exterior, quese relacionam particularmente conosco de modo direto ou indireto, dando-nos pesares ou prazeres, alegrias ou tristezas, verificamos que tudo o que nos aconteceu e nos acontece está em harmonia com a nossa natureza particular, com a nossa capacidade, com a nosso entendimento, com o nosso grau de inteligência; por isso mesmo que se diz que Deus dá o frio conforme a roupa.
Verificaremos também que se os acontecimentos da nossa vida são diferentes dos acontecimentos das vidas dos outros, muito embora as situações sociais, financeiras, condições de saúde, de família e outras, sejam equivalentes, é porque a nossa natureza íntima, também é diferente, porque os nossos Mundos internos têm o seu feitio e o seu desenvolvimento particular, que não encontramos exatamente iguais em mais ninguém. É por isso que muitas pessoas, em ocasiões de raiva, de desespero, mesmo de coragem, de sacrifício, convencida de sua natureza exclama: “eu sou assim”. Está certo! Cada um é assim do seu modo peculiar e não muda, senão por força da evolução espiritual. O Mundo exterior repete continuamente a mesma série de cenas, as mesmas histórias, os mesmos fatos, garantido pelas espirais dentro de espirais. Nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) somos que, conservando o nosso feitio fundamental, as nossas linhas características, vai modificando a nossa expressão por efeito do desenvolvimento que vamos realizando. Quando recordamos certas épocas do nosso passado, certos ambientes, lugares e fatos, sentimos saudades de tudo o que se ligava a esses fatos, a paisagem, o céu, a rua, as pessoas – a verdade nos faz saudades, não propriamente essas coisas e sim o nosso estado interno desse tempo. Sentimos saudades de nós mesmos, de nossa alma mais animada, de nossas emoções mais leves, ligeiras, de nossos pensamentos cheios de entusiasmo e esperanças.
O céu não mudou! Por toda a parte há, como antes, paisagens encantadoras, variadas, objetos interessantes, pessoas agradáveis, moda bonita. Nós, por efeito de nossas experiências, mudamos os sentimentos e a mentalidade, e por isso mesmo olhamos as coisas e os fatos por outro prisma. Nós, o Ego, arredamos alguns dos véus que nos encobrem e enxergamos tudo com mais realidade, mais clareza. Do mesmo modo recordamos com mais realismo as nossas tolices passadas, erros de toda a espécie, disparates e até dureza de coração e ficamos admirados de termos praticado tais atos. Isso vem mostrar que vamos clareando aos poucos e continuamente, ampliando a nossa mentalidade, apurando os nossos sentimentos e por isso mesmo éque nossa memória traz à tona, muitas vezes, atos que praticamos, bobagens, até sem importância e que por nada neste mundo seríamos capazes de praticar de novo, porque a nossa consciência não mais aceita. Será porque de lá para cá, cultuamos a nossa inteligência, lemos muito, aprendemos mais coisas? Em parte, sim. Digo em parte apenas, porque muitas pessoas têm uma cultura intelectual comprovada, capaz de resolver grandes e graves problemas financeiros e políticos, questões internacionais importantíssimas, técnicos aperfeiçoados, magistrados, que sabendo tanta coisa são fechados no orgulho, no egoísmo, na vaidade, que vivem para si somente, ignorando o resto da coletividade formada, entretanto, por seus semelhantes. Torno a dizer que a espiritualidade Cristã é o estudo da nossa própria vida por meio do desenvolvimento dos nossos Mundos internos. Por meio desse desenvolvimento percebemos que temos aprendido já muita coisa; que já conseguimos abrandar um pouco o coração; que ganhamos caminho, e que fomos muito mais atrasados. Já cometemos uma infinidade de erros mais graves dos que cometemos hoje e devemos seguir adiante, quer queiramos ou não.
Devemos desenvolver infinitamente o nosso aprendizado, visto que se estamos adiantados, à vista do estado espiritual em que já estivemos, estamos atrasados, à vista do grau de adiantamento a que temos de chegar.
O nosso aprendizado não é fácil, no ponto de desenvolvimento em que estamos, porque eledepende, em boa parte, do domínio das nossas emoções, o que quer dizer do cultivo dos nossos desejos e emoções, o que depende de muita força de vontade por nossa parte. A nossa luta de todos os dias está empenhada com uma coletividade dos mais variados graus de adiantamento espiritual, portanto, estamos, a cada instante, em choque com forças exteriores. Essas forças exteriores estão, por sua vez, em harmonia com a Lei de Causa e Efeito ou Lei de Consequência, portanto, é dentro dela mesmo que temos de agir, para vencer. Para agir com pessoas de todos os graus de adiantamento, evitando o mais possível os choques, é preciso que se tenha seriedade de espírito e isso só se consegue com conhecimento e amor aos semelhantes, sejam eles de qualquer estágio de aprendizado.
Quando se chega a compreender que, só podemos dar aquilo que temos, e quanto menos temos para dar mais infeliz somos, mais caminho temos que andar, de modo que, nossos amigos, as ideias de vingança, o desejo de desforra são provas de falta de conhecimento, de pouco ou nenhum raciocínio. Somos auxiliares mútuos no cumprimento da Lei da Causa e Efeito e de Consequência e conforme as nossas qualidades, somos portadores de alegrias ou de tristezas aos nossos semelhantes.
Essas questões e todas as outras que se relacionam diretamente com o cultivo dos sentimentos, com o desenvolvimento da consciência, com o aperfeiçoamento do caráter fazem parte integrante do aprendizado espiritual e o melhor exercício que se pode fazer é a prática das boas ações, obras e bons atos.
O domínio próprio, o autodomínio, exercitado diretamente, só pelo esforço da vontade, naturalmente, tem os melhores resultados, porém, não está ao alcance de todos, porque é muito difícil conter o nosso Corpo de Desejos. Há outro exercício mais brando, por isso mesmo mais demorado que chega também a um resultado satisfatório. É o trabalho de se procurar, conscientemente, em todos os fatos, em todas as coisas ou em todas as pessoas que nos desagradam, o lado bom, apreciável, a virtude que existe sempre e que muitas vezes, se oculta atrás de uma aparência má ou feia, ou seja: o bem que está lá, sempre. Aliá, sempre que fazendo isso conseguimos vencer uma aversão, estamos educando as nossas emoções e desejos.
Sempre que, ao julgarmos, nos demos ao trabalho de procurarmos a causa que o motivou, estaremos exercitando o raciocínio, portanto o abrandamento das emoções. Esses trabalhos repetidos apresentam geralmente resultados positivos. Há Estudantes Rosacruzes que, com o desejo de adiantar depressa se propõem a exercitar a domínio próprio por meios extremados, geralmente acima de suas forças, fora de suas capacidades, chegando a pouco ou nenhum resultado, porque ou se cansam e abandonam o exercício na metade, ou se aniquilam prejudicando a saúde. O domínio próprio tem de ser praticado dentro do princípio da relatividade, exercitar gradativamente e no seu meio termo. “Devagar é que se chega ao longe”. Quando se está subindo uma escada para se chegar ao cimo, seguramente, tem-se de prestar atenção em cada degrau que se está pisando, para nele não falsear o passo, nem pisar muito firme, com risco de torcer o pé.
Não adianta a preocupação antecipada com o que está lá em cima, no patamar, porque só chegando lá é que se pode compreender, e nem adianta também saltar degrau, porque, então, não se fica conhecendo bem a escada, e nela pode haver coisas de utilidade que venham a fazer falta mais tarde. O trabalho de examinar o que se está fazendo é de grande proveito e utilidade no presente e para o futuro; isso em qualquer exercício. Nos estudos na Fraternidade Rosacruz esse cuidado é indispensável por se tratar de questões de ordem superior, que determinam o nosso progresso em linhas mais retas ou explicando melhor, de modo mais direto.
Uma vez que se queira dar às ideias um rumo seguro, que se deseje dar à Mente mais largueza e mais claridade é justo que se empregue atenção em tudo o que diz respeito às lições que se vai aprendendo, que se examinem com a própria consciência os trabalhos indicados.
Os Ensinamentos Rosacruzes têm, como uma das finalidades mais em vista, levar o Estudante Rosacruz a libertar as suas ideias a ponto de resolver por si só, com o auxílio único de sua própria consciência, todos os problemas de sua vida. Ideias livres não querem dizer anarquismo, quando são orientadas na espiritualidade Cristã.
Todo Estudante Rosacruz sabe que a verdadeira liberdade é a obediência às Leis de Deus e o exato cumprimento de todos os deveres. Que a nossa consciência só pode se desenvolver pelo conhecimento dessas coisas e que entre todos os nossos deveres o mais elevado é a estima, o respeito espontâneo, solícito aos direitos dos nossos semelhantes. É o reconhecimento da semelhança estabelecida no fundo de nossa natureza, pelo princípio que é o mesmo para todos.
O medo de pensar e agir livremente pode desaparecer, uma vez que o Estudante Rosacruz conheça o verdadeiro conceito da liberdade, que compreenda que o direito é um resultado do dever cumprido, portanto, quem cumpre, voluntariamente, seus deveres morais, materiais e espirituais está agindo com liberdade e segurança e está se aproximando da espiritualidade, e só consegue se espiritualizar em verdade, quem compreender este axioma ocultista: “Há apenas um único poder na Terra como nos Céus e este poder é o do Bem”.
Ora se a verdadeira espiritualidade é a que se apoia inteiramente no “Bem”, por que duvidar, vacilar, quando a consciência inquieta, insatisfeita reclama diretrizes mais claras, mais lógicas, na corrente das ideias? Quando, imperiosa, pede razão? Por que se demorar na decisão? Sujeição do ambiente ou da força do hábito? A nossa consciência é a iluminadora de nossas ações e quando ela chega a encaminhar a pessoa para os estudos espiritualistas, é porque é chegado o momento dela entrar para o caminho mais curto de sua evolução. É chegada a hora dela agir por si mesma, guiada somente pelo seu Cristo Interno.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro/1964 – Fraternidade Rosacruz–SP)
Um filósofo certa vez afirmou: “a paciência é a maior das virtudes”. A verdade é que tal virtude, sendo bem cultivada, nos levará a alcançar outras qualidades espirituais.
O Estudante Rosacruz encontra na paciência uma dura prova, principalmente quando começa a dar os primeiros passos dentro dos sublimes Ensinamentos Rosacruzes por meio do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Notadamente, os jovens, com a alma ávida de novos conhecimentos e experiências e, talvez devido a uma má orientação anterior, sentem um desejo ardente de rasgar véus que envolvem mistérios e desenvolver qualidades psíquicas, desconhecendo que o essencial é o crescimento espiritual, pois psiquismo não é espiritualidade.
O passo mais importante a ser dado pelo Aspirante à vida superior é conservar a Mente pura, arejada, livre de pré-conceitos que entravam o progresso espiritual; um Coração nobre, justo, sensitivo, porém condizente com a situação de quem procura analisar os fatos dentro de um prisma racional e lógico; um Corpo são, através de um regime alimentar adequado e hábitos salutares, bem como estabelecer, como dínamo a impressioná-lo em suas atividades diárias, o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e a irmã que está ao seu lado. O resto virá por acréscimo.
Mesmo no decorrer do estudo da Filosofia Rosacruz nem tudo nos apresenta claro e compreensível de um dia para outro. Nem todos possuem a mesma capacidade de assimilação de conhecimentos, pois tal capacidade constitui uma bagagem adquirida em existências passadas, conforme o maior ou menor empenho de cada um. Não obstante, é necessário perseverar e perseverar sempre. Mesmo que levemos muito tempo para entender algum tópico das lições, e que isto não seja motivo para esmorecimentos e desistência. Cada um deve sobrepor-se as próprias fraquezas e dificuldades, porque é desta conquista da natureza inferior que se removem os obstáculos e as limitações esvaem-se. Estas são criações do próprio ser humano, através de um modo negativo de viver, de pensar e agir.
O estudo constante, a participação em reuniões de estudos Rosacruzes sempre que possível, a prática constante do Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, o viver leal e sincero de conformidade com os ideais rosacruzes constituem fatores positivos, que propiciam o vislumbre de horizontes mais amplos.
É evidente que o estudo e a demonstração das Leis de Deus que regem os Mundos suprafísicos não implicam em compreensão imediata, pois a Natureza não dá saltos e se muitas vezes não entendemos nem aquilo que é perceptível aos nossos sentidos físicos, quanto mais o que é âmbito mais sutil!
Mas, se tivermos paciência, tudo virá no devido tempo e conseguiremos o almejado, pois, o espírito de harmonia e a unidade de propósito muito nos auxiliarão; assim, constituirão uma força que beneficiará, fortalecerá e sustentará a cada um de nós.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz outubro/1966-Fraternidade Rosacruz -SP)