Desde o momento em que suas pálpebras de bebê se abriram pela primeira vez para este mundo maravilhoso de beleza ao seu redor, ela foi o ídolo de corações amorosos — pais afetuosos, irmãos dedicados, amigos leais. Ela parecia ter sido criada para a felicidade — para amar e ser amada.
Seu corpo fora moldado pela mão de um artista, bela de rosto e forma, acompanhada de uma natureza profunda, ardente, verdadeira e, acima de tudo, aquele poder misterioso, o magnetismo pessoal, que inconscientemente atrai e mantém cativos todos os corações dentro do alcance do seu círculo. Apesar de tudo isso, ela viveu sua vida, no verdadeiro sentido, sozinha — contudo, não totalmente sozinha; ela vivia em um reino ideal feito por ela própria, pois ela nasceu já uma artista e musicista nata — uma idealista.
Em grande parte do tempo ela habitava a “Solidão da Alma” e quando em companhia, embora fosse muito sociável, sua conversa raramente dava qualquer indício do jardim encantado no qual vivia e construía seus castelos de ar.
Em um dia de verão, tendo a Mãe Terra coberta de verde como seu leito, sombreada pelos ramos pendentes do seu carvalho gigante e favorito, lar de um pássaro zombeteiro que derramava sua melodia fluida, ela permanecia deitada e sonhadora, observando as grandes nuvens ondulantes, brancas e felpudas como bancos de neve flutuando através do espaço azul, ilimitado e impenetrável, enquanto sua alma se esforçava intensamente para penetrar nos mistérios além dele.
No silêncio do crepúsculo místico, quando o grilo entoava seu canto melancólico e as miríades de estrelas cintilantes surgiam sobre o escuro dossel púrpura lá em cima, como diamantes espalhados por uma mão invisível, todo o seu ser se lançava em anseio por aquele “Algo” — indefinível, porém insistente, que ela soube intuitivamente ser sua herança divina.
As vibrações harmoniosas de som da Natureza eram para ela como uma música das esferas celestiais: o tamborilar das gotas prateadas de chuva, o tilintar do riacho murmurante, o vento suspirante, o mar com seu som, o rugido da catarata, as reverberações profundas do trovão… Tudo isso era, para ela, notas da Orquestra Eterna.
O mundo inteiro era, para ela, a Galeria de Arte de Deus. Toda a beleza da Natureza, suas montanhas enevoadas e veladas de púrpura, suas poderosas florestas com sua estranha melodia sussurrante, o mar entrelaçado com os raios cintilantes do luar, o glorioso pôr do Sol com o céu em chamas carmesins, douradas e púrpuras, desvanecendo-se nos tons opalinos de rosa, âmbar e lavanda — ah, tudo falava à sua alma do Infinito, do Desconhecido, pois “é da nebulosa terra de sombras do desconhecido que os Anjos vêm trazendo alimento às almas dos seres humanos”.
Da riqueza de sua natureza interior ela deu ao mundo incontáveis obras-primas de grandeza, beleza e emoção intensa, ajudando muitos a trazer à expressão seus poderes artísticos latentes; mediante seu toque mágico, vibrante com a melodia, ela encantava seus ouvintes, que eram balançados como juncos pela brisa de verão.
Assim, sua donzelice e jovem feminilidade terminaram com uma nota ocasional de tristeza e desapontamento mesclada ao seu “Salmo da Vida”[1]. Mas à medida que o tempo avançava, um a um ela via cada sonho e ideal da sua brilhante manhã acabar, cada castelo no ar se desfez, cada esperança acalentada ela viu murchar sob o sol escaldante do Saara e, por fim, as nuvens e sombras da aflição a envolveram até que não restasse sequer o mais tênue filete prateado; — como um mergulhador humano, ela havia sondado as mais íntimas profundezas da amargura mental e da angústia; havia sorvido “o cálice de absinto e fel” até as suas borras mais amargas… Um desespero negro se instalou nela como um sudário; verdadeiramente, ela se tornara uma mulher “de dores e familiarizada com a angústia e o sofrimento profundos”[2]. Seu sofrimento físico, muitas vezes, quase rompeu o Cordão Prateado e a alma, atormentada e aprisionada, ansiava e rezava pelo “Mensageiro Sombrio” que lhe concederia libertação. Mas tal fim não estava destinado a ela. As Leis de Deus operam perfeitamente. O que uma alma aprende, nada no Universo pode extrair dela.
Por meio da orientação de poderes invisíveis, ela foi conduzida a um Curador Auxiliar Invisível onde, tanto sua cura espiritual quanto a etérica foram realizadas (de modo que a parte física ela conseguiu restaurar) — uma foi chamada de “cura milagrosa”, pois essa alma havia sido uma errante afastada da Casa do Pai, tateando cegamente na escuridão em busca do Caminho que a levaria aos portais do seu Lar Celestial, ansiando por se reunir com o grande Espírito Divino do qual é uma Centelha, desejando o amor do Pai como “a agulha magnética anseia pela pedra-ímã que a atrai”; e quando o Portal fechado se abriu de par em par, uma torrente de luz brilhante e dourada irrompeu, envolvendo-a com sua glória sobrenatural — “a Luz reivindicou o que Lhe pertencia”, marcando um momento de profunda transcendência espiritual. A intensidade dessa iluminadora Luz de Amor era tão avassaladora que o próprio ar vibrava com ela, seu cérebro e nervos, seu sangue e músculos, todo o seu ser estremecia em uníssono com ela. Então se seguiu o êxtase devoto, o voo ascendente do Espírito aos Reinos espirituais, “vendo e comungando com o indizível”, onde veio a ela a plena percepção de que era um Ego (ou seja, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) —, que ela era parte de Deus, que não poderia haver morte e que ela havia alcançado a unidade com essa Fonte Divina de todo ser, onde lhe foram revelados os mistérios da Vida e do Ser, o propósito da dor e do sofrimento. Com esse conhecimento vieram a exaltação moral, a elevação intelectual e um sentimento indescritível de júbilo.
Após o desvanecer dessa maravilhosa visão, ao retornar ao mundo objetivo, permaneceu aquele raio de Luz, firme, raro e inefável, “além de todos os sinais, descrição ou linguagem”. Uma paz e alegria infinitas encheram o seu coração; ambições mundanas, cuidados e ansiedades morreram à luz da gloriosa verdade que lhe fora revelada e em seu lugar nasceu o desejo constante e o poder dinâmico de conduzir outros ao Caminho da Vida que ela encontrou: “ir adiante e levar sua paz consigo” para que também pudessem conhecer a alegria e a “paz que excede todo entendimento”[3] — para cumprir aquilo “para o qual ela fora enviada”.
Ao lançar um olhar retrospectivo sobre as tristezas e angústias profundas, decepções e experiências terríveis da sua vida passada, ela as reconheceu como degraus, apenas um meio para um fim: prepará-la e conduzir a uma vida ainda mais elevada – inspirá-la a algo ainda mais nobre e melhor em sua obra futura, melhor do que tudo em seu passado. Ela é capaz de considerar aquilo que parecia sofrimento interminável e intolerável como algo de curta duração, quando visto à luz de uma eternidade sem fim; ela se regozija na gloriosa vitória que finalmente foi sua ao atravessar o mar de amargura — sendo a vitória não apenas para esta vida, mas para toda a eternidade. Esse olhar retrospectivo que analisa o passado sombrio também serve para inspirá-la com a mais suprema reverência e amor pelo Ser Onipotente que tornou possível a uma alma alcançar as alturas às quais ela chegou e saber que, apesar da sublimidade presente nisso, é apenas uma seção da glória que virá.
Sua alma de artista compreende plenamente que o fascínio reside não na beleza do pôr do Sol, mas na beleza invisível que ele desperta interiormente; não nas harmonias ouvidas, mas nos sobretons inaudíveis; que por trás de todas as belas e grandiosas “ilusões” da Natureza encontramos os fatos mais profundos e mais doces que somente o amor e a inspiração podem apreender. Eles são as Mãos que acenam e a Voz que suplica que todos devam ver e ouvir antes de sentir, de conhecer o Amor plenamente satisfatório que desejam — antes que a União Eterna seja consumada.
À medida que o tempo passava, ela chegou à compreensão de que estivera sob um dos “Sete Espíritos diante do Trono” — uma das grandes e exaltadas Inteligências Espirituais que são Ministros de Deus e Se esforçam para cumprir a vontade d’Ele, sempre visando ao mais elevado e último bem — Saturno, “o Espírito da Negação: o Poder que ainda opera para o bem, embora planeje o mal”. Ele é, primeiro, “o provador” que retarda, dificulta, obstrui, prende, restringe, castiga e exige ao máximo paciência, tolerância, resistência, autocontrole e submissão, sem outro propósito senão a obtenção da perfeição por todos os seres humanos e todas as coisas.
Ele é o Executor do mandamento do Mestre: “Sede perfeitos como vosso Pai no Céu é perfeito”[4]. Portanto, na realidade, sua missão é a mais elevada de todos os “Anjos Estelares” ligados ao Mundo Físico, pois Ele finalmente conduz toda alma humana à verdadeira humildade e ao estado no qual tudo o que é material é removido para que os poderes latentes do “Eu Superior” (Individualidade) possam atravessar a ponte feita por Ele mesmo (Saturno) e caminhar em direção à Personalidade — aquele estado em que a vontade pessoal se rende à Vontade Divina —, reconhecendo a Vontade do Pai como o Amor supremo que tudo abrange e atrai todos os seres humanos para Si, dizendo: “Seja feita a Tua vontade”[5].
Ele então se torna o “Iniciador.” Ele é o Deus que nos faz ter o controle de tudo (especialmente o autocontrole), pois é o Regente de Capricórnio, o Signo do bode, e “estar no controle” implica Iniciação, consiste na tentação até o limite de tudo o que podemos suportar, provas que exigem o máximo da nossa resistência e, naturalmente, a superação, a sublimação.
Ele dissipou as névoas que a faziam “ver como por um espelho, obscuramente”[6]; as ilusões e desilusões deste mundo desapareceram como se tocadas por um dedo mágico; ela é capacitada a olhar além das falhas e limitações da Personalidade de cada ser humano e a ver o “Ser Perfeito” interior — o Espírito em sua beleza e perfeição divinas; a sentir aquela simpatia amorosa e compaixão semelhante à de Cristo, que sente as dores, angústias e os sofrimentos de toda criatura vivente; ao errante ela desejaria proteger e resguardar “como a galinha ajunta seus pintinhos debaixo das asas”[7], — sentindo aquele amor universal que irradia espontaneamente tanto para o santo quanto para o pecador, príncipe ou camponês; dando livremente, de bom grado, “sem dinheiro e sem preço”[8] da sua abundância — pois “dai, e dar-se-vos-á: uma boa medida, recalcada, sacudida e transbordante, vos darão; porque com a medida que usardes, vos medirão a vós.”[9].
As experiências pelas quais ela passou manifestaram para ela a Inteligência Cósmica, fazendo dela a mensageira do Deus de Sabedoria e Luz, uma reveladora dotada de grandes poderes espirituais e discernimento, uma líder no grande coro do mundo, sempre pronta a ajudar os outros a encontrar a harmonia e a beleza da canção de suas próprias vidas — e ajudá-los a cantá-la.
Ela é, agora e verdadeiramente, “uma serva de todos”[10]: investindo sua vida em “dar um copo de água fresca”[11], uma palavra de consolo, uma mão que eleva, uma mensagem útil em serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) à Humanidade.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil
[1] N.T.: Poema Salmo da Vida de Henry Wadsworth Longfellow
Não me digas em tristes versos
Que a vida é apenas um sonho vazio!
Pois a alma que adormece está morta,
E as coisas não são o que parecem.
A vida é real! A vida é sincera!
E a sepultura não é o seu alvo;
“Pó és e ao pó voltarás”
Não foi dito a respeito da alma.
Nem alegria nem tristeza
É o nosso destino ou fim traçado;
Mas agir para que cada amanhã
Nos encontre mais longe do que hoje.
A arte é longa, e o tempo é passageiro,
E os nossos corações, embora fortes e valentes,
Ainda, como tambores abafados, batem
Marchas fúnebres rumo ao túmulo.
No amplo campo de batalha do mundo,
No acampamento da vida,
Não sejas como o gado mudo e conduzido!
Sê um herói na luta!
Não confies no Futuro, por mais agradável que seja!
Deixa o Passado morto enterrar os seus mortos!
Age — age no Presente vivo!
Com o coração no peito e Deus no alto!
A vida dos grandes homens nos lembra
Que podemos tornar nossas vidas sublimes,
E, ao partir, deixar para trás
Pegadas nas areias do tempo;
Pegadas que talvez um outro,
Navegando pelo solene mar da vida,
Um irmão náufrago e desolado,
Ao ver, recobre o ânimo.
Vamos, então, agir e lutar,
Com o coração preparado para qualquer destino;
Sempre alcançando, sempre perseguindo,
Aprender a trabalhar e a esperar.
[2] N.T: Is 53:3
[3] N.T.: Fp4:7
[4] N.T.: Mt 5:48
[5] N.T.: Mt 6:10 e Lc 22:42
[6] N.T.: ICor 13:12
[7] N.T.: Mt 23:37 e Lc 13:34
[8] N.T.: Is 55:1
[9] N.T.: Lc 6:38
[10] N.T.: Mc 9:35
[11] N.T.: Mt 10:42 e Mc 9:41
Saibamos ou não, concordemos ou não, mas somos Espíritos, partes integrantes de Deus, que é Espírito também, Fonte de todo o Amor e de todo o Bem. N’Ele não existe um só vestígio de mal. Por essa razão, não podemos atribuir-Lhe nossos sofrimentos, como tantas pessoas o fazem.
Desde que completamos nossa instrumentação com a Mente, com a razão, começamos a nos dirigir sozinhos. O livre-arbítrio e a experiência passaram a ser os dois fatores para a nossa evolução e elevação. É bom pensar muito bem nisso!
Se existe qualquer dificuldade ou sofrimento em nossa vida, não atribuamos a Deus. Antes, devemos encará-los como desafios à perfeição que um dia deveremos alcançar, segundo nos ensinado por Cristo: “Sede perfeitos como vosso Pai Celestial” (Mt 5:48). Se o leitor é pai, não deseja que seu (sua) filho (a) se torne maior ainda que você? E para isso não deve ele aprender a fazer as coisas sozinho?
“Mas devemos ter assistência, como a que damos a nossos filhos” – poderá responder.
Sim, recebemos, desde que as desejemos. Quem procura, encontra.
Temos inúmeras provas disso. Um dia encontramos, como por acaso, a Fraternidade Rosacruz, e nela nos ofereceram um manancial de razões que nos transformaram o viver e nos tornaram possível suportar muita coisa que nada tem a ver com Deus, senão com nossas próprias falhas. Desde então as fomos corrigindo. Consideramos essa uma correta orientação, uma perfeita assistência. Dá-nos meios para que nós mesmos nos corrijamos.
Uma causa única existe para nossos males: é o desvio às Leis de Deus, mantenedoras da harmonia do Universo. Muita gente, presa de sofrimento e dificuldades por esse mundo afora, já ouviu falar nisso, porém, de uma forma insatisfatória. Suas dúvidas continuaram e as perguntas surgem naturalmente: se somos partes de Deus, que é o Supremo Amor e Bem, em Quem não há sequer o menor vestígio de mal, por que sofremos, então? Por que tantas dificuldades em nossa vida? Que Pai é esse que se compraz com nossos sofrimentos?
Quando alguém procura a causa de seus sofrimentos já é um importante passo para encontrar sua solução.
No íntimo de seu ser reconhece que deve haver uma causa. E há mesmo. Poderíamos desfiar uma série delas, as mais importantes e prováveis a cada caso. Mas cada indivíduo é um mundo à parte. Suas condições internas são singulares. O modo como recebe as coisas, também. Por isso o conhecer isso por meio dos Ensinamentos Rosacruzes e a maravilhosa Filosofia Rosacruz se consegue chegar a “sua” causa.
Tudo ali se faz no sincero intuito de elevar a Humanidade, por meios Cristãos e seguros e sem objetivos comerciais.
Importante frisar que na Fraternidade Rosacruz não há esforço de proselitismo. Mas tudo que se aprender é para que o Estudante Rosacruz encontre por si mesmo o que precisa. Para isso há os cursos gratuitos (inclusive todo o material) para se capacitar (sem estudos constantes é impossível evoluir em uma Escola, como o é a Fraternidade Rosacruz). Com certeza, o Estudante Rosacruz encontra respostas a todas as perguntas que lhe suscite o íntimo, sejam de ordem material ou espiritual. Nela você encontrará tudo o que deseja saber a respeito de Deus, da criação e de sua própria evolução.
Afinal, como nos ensinou S. Tiago: “se sua vida carece ainda de esclarecimento, procure-o” (Tg 1:5).
Afinal, a Filosofia Rosacruz ensina que Deus está em todo lugar e principalmente no coração de quem esteja sinceramente pondo em prática os princípios Cristãos.
E conforme esses princípios mesmos é que tudo que a Fraternidade Rosacruz oferece é de graça, pois de graça recebemos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz –outubro/1966-Fraternidade Rosacruz-SP)
Médicos alemães e americanos trabalham atualmente na investigação dos fatores psíquicos que desempenham um papel importante, até mesmo decisivo como causa do infarto do miocárdio. Depois de se terem analisado conscientemente todos os fatores físicos, tais como o excesso de peso, a hiperpressão, falhas da alimentação, nível elevado de colesterina ou o abuso do cigarro, impõe-se cada vez mais nitidamente a convicção de que os fatores psicológicos e sócio-médicos têm de ser tomados em linha de conta nos antecedentes de um infarto e na situação propícia a um infarto.
É cada vez mais evidente, no segundo plano da chamada “doença dos managers”, aparecerem tensões psíquicas invulgares e extraordinárias, na maioria dos casos reações psíquicas inconscientes e fracassos ou a impossibilidade de realizar determinados projetos. Segundo as mais recentes investigações, o infarto do miocárdio não é causado por excesso de trabalho, mas por um determinado conflito resultante da discrepância entre os objetivos estabelecidos e os resultados atingidos efetivamente. O êxito, o fracasso ou reconhecimento dos méritos e o seu desprezo são as mais fortes vivências psíquicas. Esse resultado da análise psicológica não data dos nossos dias. No entanto, adquiriu muito maior importância na atual estrutura sociológica, na qual os êxitos e as realizações adquiriram muito maior peso na aferição do valor do indivíduo.
O especialista de medicina interna da Universidade de Munster, na Westefália, Professor Werner Hauss, declarou recentemente no Congresso Berlinense de Promoção Médica que “o ser humano suporta o êxito ou os trabalhos coroados de êxito em ordens de grandeza simplesmente inconcebíveis”. Por outro lado, os trabalhos seguidos de decepções conduziriam frequentemente a toda uma série de males e doenças. O Professor Paul Christian, de Heidelberg, complementou essas asserções com uma análise precisa e exata da chamada “frustração”, dos perigosos abalos psíquicos que tão frequentemente são a consequência de fracassos. Segundo esse especialista, o fracasso efetivo ou imaginado é “a solicitação psíquica mais insuportável que nós conhecemos”. Se um indivíduo de grande vitalidade e ambição sofre a frustração em consequência de fracassos, pode ser originado um processo capaz de conduzir até mesmo à morte. Os fracassos induzem frequentemente o indivíduo a redobrar esforços, sendo o abalo psíquico da frustração ainda mais forte se o indivíduo em questão não atingir o objetivo em vista. Os mais recentes inquéritos organizados na Alemanha por médicos indicam efetivamente que cerca de 40% das vítimas de infarto do miocárdio tinham sofrido reveses e fracassos, sentindo-se finalmente incapazes de superarem o conflito psíquico.
O estudo consciencioso das causas psíquicas do infarto do miocárdio levou à convicção que existem indivíduos com uma autêntica predisposição psíquica ao infarto. Os indivíduos com a tendência para o infarto correspondem ao tipo pícnico e atlético. São extrovertidos, realistas, concentrados no seu êxito individual, sempre dispostos a agir e “ávidos de estímulos”. Se essas qualidades atingirem o limite do patológico, o perigo de um infarto é ainda maior. Frequentemente, o indivíduo predisposto ao infarto é também um neurótico, designado pelos psicólogos, de “histérico negativo”. Quando surgem quaisquer males ou doenças, esse indivíduo não as quer conhecer, negando-se até mesmo a consultar um médico. As estatísticas provam que 42 por cento dos pacientes que sofreram, de vez em quando, do coração e foram, finalmente, vítimas de um infarto do miocárdio, não tinham consultado previamente um médico. (Recortes dos meios de comunicação).
Ora, e o que é a frustração? O sentimento de malogro, a decepção pelo fracasso, o recalque inibitório por não suceder algo que se esperava ardentemente ou por que tenha lutado muito e não tenha chegado ao desejado resultado. Isso é comum. Bem entendido, é comum a nós. Se estamos bem-preparados espiritualmente não nos deixaremos levar pela frustração ou outros fatores negativos semelhantes. E, por bem-preparados queremos significar, não o espiritualista ilustrado, intelectualizado, senão o amadurecido, aqueles que fundamentaram uma razão superior para todas as coisas, que concilia a experiência e a observação com as Leis de Deus, os que tem fé incondicional no amor e justiça de Deus.
Todos nós comprometemos parcialmente nossa liberdade com as dívidas do passado (que nada mais são do que lições que insistimos em não aprender) ainda não regeneradas. Se não chegamos a um resultado, em nossos esforços, é porque, para o nosso próprio bem não era justo o que pretendíamos, ou porque não fizemos os esforços naturais que nos tornariam dignos de sua posse ou ainda porque estamos resgatando algo que anteriormente infligimos a outrem. De toda maneira, o malogro não deve desesperar ninguém. Aprendemos mais com nossos fracassos do que com nossos êxitos, desde que saibamos extrair-lhes a lição que nos destinavam. E essas lições, escolhidas por nós mesmos com a ajuda dos Anjos do Destino ainda no Terceiro Céu antes dessa vida terrestre aqui, não pode encerrar vingança nem justificar desonestidade. No complexo mecanismo das relações humanas, há sempre um propósito superior: o de nos ensinar a integração numa verdadeira fraternidade.
Ainda que a lição, amarga para nós, tenha vindo por intermédio de um semelhante nosso, que agiu com má-fé, precisamos compreender que ele apenas foi um instrumento, para ensinar-nos a prudência, para fazer-nos sentir algo que no passado forçamos outrem a experimentar, para provar-nos a convicção nos ideais superiores e a força de nosso amor.
Idealismo que se esboroa ao primeiro impacto de revés é idealismo puramente intelectual, justaposto, não assimilado, não interiorizado. E a maneira de chegar a sentir e viver realmente o ideal é ir sublimando essas manifestações negativas, pela razão, é persistir no estudo e compreensão das Leis de Deus que a Fraternidade Rosacruz oferece.
Avaliem, pois, a importância dos Ensinamentos Rosacruzes. Tais Ensinamentos vieram a disposição de todos mercê da previdência e do amor daqueles que anteviam esse estado de coisas, no progressista mundo ocidental. Eles anteviram a insuficiência do Cristianismo popular – ou exotérico – no preparo interno dos que se deixam engolfar pela ambição, dos que se escravizam pela máquina e invenções modernas, cujo fito imaturo ainda é o de enriquecer minorias em detrimentos de legítimos direitos da maioria. Mas a transição e mudança de coisas devem provir do nosso interior: de dentro para fora. Quando as internas necessidades humanas reclamam condições melhores, elas naturalmente vêm!
Outra conclusão importante que podemos tirar da notícia acerca da causa mais frequente do infarto é a influência e inegável ação dos pensamentos e das emoções sobre a nossa saúde.
Depreendemos, também, que a mesma influência e ação negativas são verdadeiras quanto à nossa felicidade. Aquele que alberga sentimentos, emoções e pensamentos pessimistas, rancorosos ou desonestos está, em primeiro lugar, conspurcando a si mesmo, comprometendo seu destino, manchando o Templo Divino do seu Corpo Denso, rasgando a trilha de hábitos daninhos que se alargarão pelo repetir, em estradas desoladoras de sofrimentos — a consequência lógica assegurada pela Lei de Causa e Efeito.
A Fraternidade Rosacruz franqueia amorosa e desinteressadamente a todos os de bom senso, a filosofia da felicidade, o entendimento de que só a Verdade, a Beleza e a Bondade, harmoniosamente conjugadas na ação humana, podem restituir-nos os direitos e vivências superiores que nós, como Espíritos, Filhos de Deus, temos de um dia alcançar. Resta-nos escolher se pelo caminho da dor, ou pela observação e consonância voluntária às Leis de Deus.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1967 – Fraternidade Rosacruz–SP)
Um deus pode amar sem cessar:
Mas, sob as leis da alternância, nós, mortais, desejamos em medida mutável
Nossa parte de dor assim como de prazer.
— Tannhauser
Quando Tannhauser, impelido por sua paixão profana pela nobre, pura e virtuosa Elizabeth, vagou pelas montanhas e foi atraído para a caverna de Vênus como o aço por um ímã, não apenas lhe foi permitido, mas também incentivado a satisfazer seus desejos sensuais até o limite; naturalmente, sua alma logo se saciou da paixão e ele rezou para ser libertado da deusa Vênus e autorizado a retornar à Terra. No curso da sua súplica, ele profere a verdade expressa no início do nosso artigo: que, em seu estágio atual de desenvolvimento, o ser humano necessita tanto da alegria quanto da tristeza para sua evolução adequada.
Na Mente filosófica esse sentimento desperta assentimento imediato, porque, embora todos sejamos humanos o bastante para ansiar pela alegria e temer a tristeza, não podemos, após reflexão adequada, deixar de perceber que uma vida de alegria constante, sem a menor tristeza, seria absolutamente insípida e sem cor. É a justa combinação de luz e sombra que confere beleza a um quadro ou paisagem e um arranjo semelhante de tristeza e alegria é necessário para dar vigor à vida e torná-la digna de ser vivida.
Do ponto de vista astrológico, a luz e a sombra da vida são fornecidas pela posição e pelos Aspectos de Júpiter e Saturno no momento do nascimento, juntamente a suas Progressões e Trânsitos em relação ao horóscopo de qualquer pessoa.
O regozijo vem de Júpiter, o Planeta da benevolência e do otimismo, que nos concede os favores dos deuses na medida em que tenhamos merecido suas dádivas. Por outro lado, Saturno, o Planeta do pessimismo e da obstrução, é o dispensador dos desfavores em incorremos por meio daquelas ações que são desarmônicas com as Leis de Deus; como ainda somos ignorantes no agir em harmonia com o grande Plano divino do Universo, não é de se admirar que o açoite de Saturno seja necessário para nos trazer de volta à linha, quando nos afastamos do caminho da virtude.
Mas é um sinal profundamente significativo do amor do nosso Pai o fato de Júpiter percorrer três vezes o horóscopo, formando Aspectos e trazendo oportunidades para o bem, para cada revolução de Saturno, o que nos traz as experiências ofertadas pelos Aspectos adversos por aqueles que carecem de compreensão.
Que bênção maravilhosa é a Astrologia Rosacruz espiritual, que nos oferece uma visão do Esquema, Caminho e Obra de Evolução, pelo qual todos nós estamos sendo lentamente educados da ignorância à onisciência!
Saturno é um dos principais fatores nesse processo de iluminação. Para aqueles que não conhecem a Astrologia Rosacruz espiritual pode parecer que a tristeza e a angústia profundas lhes sobrevenham sem qualquer razão ou motivo que possa ser descoberto; assim, muitas vezes invejam aqueles que são, aparentemente, mais afortunados; contudo, uma vez que aprendem a buscar a luz por meio da Astrologia Rosacruz espiritual, toda a perspectiva da vida se transforma.
Torna-se então evidente que estamos aqui não para o prazer, mas para a experiência; por mais tristes ou desastrosas que essas experiências possam ser, o verdadeiro Estudante Rosacruz de Astrologia as acolhe e procura descobrir a razão sob o ponto de vista astrológico, bem como as lições a serem aprendidas.
Além disso, ele extrai consolo do conhecimento de que os Aspectos adversos, que produzem os efeitos desastrosos, são apenas transitórios e que, no tempo devido — que ele pode calcular com precisão — o açoite de Saturno desaparecerá e o raio benéfico de Júpiter voltará a dissipar a melancolia saturnina e a curar a dor. Esse conhecimento naturalmente lhe proporciona coragem para perseverar nos dias de provação e o mantém em uma atitude mental esperançosa, aguardando o momento em que a tribulação terminará.
Quando vivemos na ignorância do grande Plano de Deus e não temos concepção das ministrações cíclicas de tristeza e angústia profundas e alegria trazidas à nossa vida por Saturno e Júpiter, respectivamente, para o nosso bem, tendemos a ficar excessivamente exaltados ou eufóricos quando Júpiter derrama sobre nós os bons dons dos deuses — saúde, riqueza, amigos, sucesso, prosperidade — e a ficar indevidamente abatidos quando, sob o açoite de Saturno, somos privados de tudo o que torna a vida digna de ser vivida; mas, quando o Livro da Vida nos é aberto pela ciência sagrada da Astrologia Rosacruz e nele reconhecemos o propósito benevolente de Deus e Seus ministros, gradualmente aprendemos a manter o equilíbrio, de modo que, quando os regozijos de Júpiter chegam ao nosso caminho, não ficamos excessivamente alegres, mas as recebemos com espírito moderado e aprendemos a nos considerar administradores de todas as coisas boas que assim são colocadas em nossas mãos.
Aprendemos que devemos utilizá-las, não para nossos próprios interesses ou propósitos egoístas, mas para o bem de todos, e que um dia nos será exigida uma prestação de contas, onde teremos que demonstrar como usamos os bens do nosso Senhor. Por outro lado, o chicote de Saturno não será aplicado por muito tempo, nem com frequência, àquele que se dedica ao autoexame – por meio da prática constante do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção – para notar no que está falhando e encontrar o erro que causa tribulação e sofrimento.
Essa lição certamente será encontrada pelo buscador sincero e, quando for descoberta, o regozijo por ter encontrado uma valiosa pérola de conhecimento superará amplamente a dor envolvida em aprender a lição; ao longo dos anos será desenvolvida a mais preciosa de todas as posses da alma: a equanimidade que eleva o ser humano que a possui acima do mar revolto das emoções, conduzindo ao reino da paz eterna que excede todo entendimento. Quando chega a esse ponto em seu desenvolvimento, Saturno não terá o poder de movê-lo, nem Júpiter ou quaisquer outros Espíritos Planetários, porque ele terá aprendido a governar seus Astros e regular seu destino de acordo com sua própria vontade divina
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – janeiro/1917, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Na Fraternidade Rosacruz é oferecida a Cura Rosacruz guiada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, utilizando os Auxiliares Invisíveis como instrumentos para restaurar e curar doenças e enfermidades físicas, emocionais e mentais. O trabalho é realizado de acordo com os mandamentos de Cristo Jesus: “Preguem o Evangelho e curem os enfermos”.
Este trabalho sagrado é realizado em estrita conformidade com os Ensinamentos de Cristo, enfatizando tanto a iluminação espiritual quanto a cura física.
Nesse livro há as informações necessárias e suficientes para se compreender o que é a doença ou enfermidade, porque ela ocorre e o que fazer para ser curado, por meio da Cura Rosacruz.
Há 2 meios de você acessar esse Livro:
1.Em formato PDF (para download):
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P2
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P3
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P4
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P5
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P6
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.2-Corpo Vital-P1
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.2-Corpo Vital-P2
Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.3-Corpo Vital e a Mente
2.Para ler no próprio site:
************************************************************************
Para ler e estudar no próprio site:
PREFÁCIO
Esta compilação de material sobre a saúde e a cura do organismo humano, considerada do ponto de vista oculto, oferece aos interessados em alcançar e manter a saúde um verdadeiro tesouro de informações valiosas. Max Heindel, um Clarividente treinado e investigador dos Mundos suprafísicos, dedicou muito tempo e esforço para apurar a causas reais dos distúrbios físicos e mentais, conforme reveladas no reino da causa, os planos superiores ou suprafísicos, e este volume contém os frutos de seu trabalho. Ele incorpora algumas das verdades mais preciosas a respeito da origem, das funções e dos cuidados adequados dos veículos do ser humano, encontradas em publicações impressas, e aqueles que que se dedicam à verdadeira arte da cura acharão esse livro uma adição indispensável as suas bibliotecas.
Cristo admoestou aos Seus discípulos: “Pregai o Evangelho e curai os enfermos”[1]. Manter a saúde, uma vez conquistada ou recuperada, requer o conhecimento do “Evangelho” ou das Leis de Deus e é, portanto, à Luz de ambas as partes do Mandamento do Grande Mestre, que este livro é dedicado aos aflitos da Humanidade. Que o conteúdo de suas páginas – permeado pelo amor e pela compreensão compassiva do Coração místico do autor – seja o meio de trazer novo consolo e alívio a inúmeros corações aflitos e Corpos em sofrimento, bem como acelerar o dia para a geração de veículos humanos cada vez mais pertos da perfeição.
PARTE I – O SER HUMANO E SEUS VEÍCULOS
CAPÍTULO I – O CORPO DENSO
Introdução
A ciência oculta ensina que o ser humano é um ser complexo que possui:
(1) Um Corpo Denso, que é o instrumento visível que ele usa aqui neste Mundo Físico para buscar e carregar; o Corpo que normalmente consideramos como o ser humano completo.
(2) Um Corpo Vital, que é feito de Éter e permeia o Corpo Denso visível, assim como o Éter permeia todas as outras formas, exceto que os seres humanos especializam uma quantidade maior do Éter universal do que outras formas. Esse Corpo Vital é o nosso instrumento para especializar a energia vital do Sol.
(3) Um Corpo de Desejos, que é a nossa natureza emocional. Este veículo mais sutil permeia tanto o Corpo Vital quanto o Corpo Denso. É visto, pela visão do Clarividente, como se estendendo cerca de quarenta centímetros para fora do nosso Corpo Denso visível, que está localizado no centro desta nuvem ovoide, assim como a gema está no centro do ovo.
(4) A Mente, que é um espelho, refletindo o Mundo exterior e permitindo que o Ego transmita seus comandos como pensamentos e palavras e, também, para compelir à ação.
O Ego é o Tríplice Espírito que utiliza esses veículos para adquirir experiência na Escola da Vida.
O Corpo Denso foi o primeiro veículo construído e, portanto, possui um enorme período de evolução anterior. Encontra-se em seu quarto estágio de desenvolvimento e alcançou um grau de eficiência grandioso e maravilhoso. Com o tempo, alcançará a perfeição, mas mesmo atualmente é o veículo mais bem organizado do ser humano. É um instrumento maravilhosamente construído e deve ser reconhecido como tal por todos que pretendem ter algum conhecimento da constituição humana.
O germe do Corpo Denso foi dado pelos Senhores da Chama durante a primeira Revolução do Período de Saturno, o primeiro dos Sete Grandes Dias de Manifestação, de acordo com os Ensinamentos Rosacruzes. Esse germe foi desenvolvido durante o restante das seis primeiras Revoluções, recebendo a capacidade de desenvolver os órgãos dos sentidos, particularmente o ouvido. Portanto, o ouvido é o órgão mais desenvolvido que possuímos.
Na primeira metade da Revolução de Saturno do Período Solar, ou seja, o segundo dos Sete Grandes Dias de Manifestação, os Senhores da Chama se ocuparam em realizar certos aprimoramentos a serem feitos no germe do Corpo físico. Tornou-se necessário alterar o germe, de forma a permitir a interpenetração por um Corpo Vital, bem como a capacidade de desenvolver as glândulas e um canal alimentar. Isso foi feito pela ação conjunta dos Senhores da Chama e dos Senhores da Sabedoria.
Na primeira Revolução de Saturno do Período Lunar[2], o terceiro dos Sete Grandes Dias de Manifestações, os Senhores da Sabedoria cooperaram com os Senhores da Individualidade para reconstruir o germe do Corpo Denso. Este germe já desenvolvera órgãos sensoriais embrionários, órgãos digestivos, glândulas, etc., e era interpenetrado por um Corpo Vital em início de desenvolvimento. Claro, não era visível nem sólido como o é atualmente, mas, de uma forma rudimentar era de certa forma organizado. No Período Lunar foi necessário reconstruí-lo e torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos, bem como desenvolver um Sistema Nervoso, músculos, cartilagens e um esqueleto rudimentar. Essa reconstrução foi a obra da Revolução de Saturno do Período Lunar. Esses seres lunares não eram tão puramente germinais quanto nos Períodos anteriores. Para o Clarividente treinado, eles aparecem suspensos por cordões na atmosfera de névoa ígnea, como o embrião pendurado na placenta pelo cordão umbilical. Correntes, que forneciam certa espécie de nutrição, fluíam para dentro e para fora da atmosfera por meio desses cordões.
Quando a Terra surgiu do Caos, no início do Período Terrestre, ela estava inicialmente no estágio vermelho-escuro, que conhecemos como a Época Polar. Nessa ocasião a Humanidade desenvolveu, pela primeira vez, um Corpo Denso, cujo germe havia sido dado pelos Senhores da Chama durante a primeira Revolução do Período de Saturno. Não era, então, nada parecido com o nosso veículo atual, é claro. Quando a condição da Terra se tornou ígnea, como na Época Hiperbórea, o Corpo Vital foi adicionado e o ser humano se tornou semelhante a uma planta, isto é, ele tinha os mesmos veículos que as nossas plantas têm hoje e, também, possuía uma consciência semelhante, ou melhor inconsciência, aquela que temos no “Sono sem Sonhos”, quando o Corpo Denso e o Corpo Vital permanecem na cama.
Naquele tempo, na Época Hiperbórea, o Corpo do ser humano era como um enorme saco de gás, flutuando fora da Terra incandescente, e expelindo esporos semelhantes às plantas, que cresciam e eram usados por outros Espíritos humanos que vinham ao Mundo. O ser humano era bissexual, um hermafrodita.
Na Época Lemúrica, quando a Terra havia esfriado um pouco e algumas ilhas ou crostas começavam a se formar em meio a mares ferventes, o Corpo Denso humano também havia se solidificado um pouco e se tornado mais parecido com o que é atualmente. Era semelhante a um macaco, com um tronco curto, braços e pernas enormes, os calcanhares projetados para trás e quase nenhuma cabeça, pois a parte superior da cabeça estava quase totalmente ausente. O ser humano vivia em uma atmosfera de vapor que os ocultistas chamam de névoa-ígnea e não tinha pulmões, mas respirava por meio de “tubos”. Ele possuía um aparelho branquial que ainda se observa no embrião humano, enquanto passa pela fase pré-natal, que corresponde àquela Época. Ele não tinha sangue quente e vermelho, pois naquela fase não tinha um Espírito individualizado. Ele tinha um órgão semelhante a uma bexiga em seu interior, que ele inflava com o ar quente para ajudá-lo a saltar sobre os enormes abismos que se abriam quando as erupções vulcânicas destruíam a terra em que ele vivia. Da parte de trás da cabeça se projetava um órgão que agora se retraiu para dentro da cabeça e é chamado pelos profissionais que trabalham com anatomia de Glândula Pineal, ou impropriamente o terceiro olho, embora jamais fosse realmente um olho, mas um órgão localizador de sensação. O Corpo Denso era então desprovido de sensibilidade, mas quando o ser humano se aproximava demasiado de uma cratera vulcânica, aquele órgão registrava o calor e o impelia a fugir antes que seu Corpo fosse destruído.
[1] N.T.: Mt 10:7-8
[2] N.T.: Toda primeira Revolução de um Período chamamos de Revolução de Saturno daquele Período, pois ela sempre será uma recapitulação, em um estado superior, das atividades feitas no Período de Saturno.
________________________________________________________________________________________________________________
CORPO DENSO – EVOLUÇÃO DA ÉPOCA LEMÚRICA À ÉPOCA ÁRIA
Naquela Época, o Corpo Denso já estava tão solidificado que era impossível para o ser humano continuar a se propagar por esporos, sendo necessário que ele desenvolvesse um órgão para manifestar o pensamento, um cérebro. A força sexual criadora que agora usamos para construir ferrovias, navios a vapor, etc., no Mundo exterior, era então usada internamente para a construção de órgãos. Como todas as forças, era positiva e negativa. Um polo era voltado para cima para construir o cérebro, deixando o outro polo disponível para a criação de outro Corpo Denso. Assim, o ser humano não era mais uma unidade criadora completa. Cada um possuía apenas metade da força sexual criadora e, portanto, era necessário que buscasse seu complemento fora de si mesmo.
Na última parte da Época Lemúrica, a forma do ser humano ainda era bastante plástica. O esqueleto estava formado, mas o próprio ser humano tinha grande poder para moldar a carne de seu próprio Corpo Denso e a dos animais ao seu redor.
Nessa Época, quando nascia aqui, o ser humano podia ouvir e sentir, mas sua percepção da luz veio mais tarde. O Lemuriano ou a Lemuriana não tinha olhos. Possuía dois pontos sensíveis que eram afetados pela luz do Sol, que brilhava fracamente através da atmosfera ígnea da antiga Lemúrica, mas foi somente perto do fim da Época Atlante que ele adquiriu a visão como a temos hoje.
Sua linguagem consistia em sons semelhantes aos da Natureza. O suspiro do vento nas imensas florestas que cresciam em grande exuberância naquele clima super tropical, o murmúrio do riacho, o uivo da tempestade, o estrondo da cachoeira, o rugido do vulcão — tudo isso eram para ele vozes dos Deuses dos quais ele sabia descender.
Nada sabia sobre o nascimento de seu Corpo Denso. Não podia vê-lo nem ele nem qualquer outra coisa, mas percebia seus semelhantes. Era, no entanto, uma percepção interna, como a nossa percepção de pessoas e coisas em sonhos, mas com esta importantíssima diferença: sua percepção onírica era clara e racional.
Mas quando “seus olhos se abriram” (como conta a história da “Queda do Homem”) e sua consciência se voltou para os fatos do Mundo Físico, as condições se alteraram. A propagação era dirigida, não por Anjos, mas pelo próprio ser humano, que desconhecia o funcionamento das forças do Sol e da Lua. Sua consciência se concentrou no Mundo Físico, embora as coisas não lhe aparecessem com contornos claramente definidos até a última parte da Época Atlante. Ainda assim, ele gradualmente conheceu a morte devido à ruptura ocorrida em sua consciência quando esta foi transferida para os Mundos superiores na morte e retornou ao Mundo Físico no renascimento.
No entanto, o que foi dito sobre a iluminação dos Lemurianos e Lemurianas se aplica apenas a uma pequena parcela daqueles que viveram na última parte daquela Época e que se tornaram a semente para as sete Raças Atlantes. A maior parte dos Lemurianos e das Lemurianas era animalesca e as Formas por eles habitadas degeneraram nos selvagens e antropoides superiores dos dias atuais.
Na Época Atlante, que se seguiu à Época Atlante, o ser humano era muito diferente de tudo o que existe na Terra atualmente. Ele tinha uma cabeça, mas quase nenhuma testa; seu cérebro não possuía desenvolvimento frontal; a cabeça se inclinava quase abruptamente para trás a partir de um ponto logo acima dos olhos. Comparado com a nossa Humanidade atual, ele era um gigante; seus braços e pernas eram muito mais longos em proporção ao seu Corpo do que os nossos. Em vez de andar, ele se movia por meio de uma série de saltos rápidos, não muito diferentes dos do canguru. Tinha olhos pequenos que piscavam e seu cabelo era de seção redonda. Esta última peculiaridade, se nenhuma outra, distingue os descendentes das Raças Atlantes que permanecem conosco até os dias atuais. Seus cabelos eram lisos, brilhantes, pretos e de seção redonda. O cabelo de um ser humano da Época Ária, embora possa diferir na cor, é sempre de seção oval. As orelhas do ser humano da Época Atlante ficavam muito mais para trás na cabeça do que as do ser humano da Época Ária.
Os veículos superiores dos primeiros seres humanos atlantes não eram dispostos em uma posição concêntrica em relação ao Corpo Denso, como são os nossos atualmente. O Espírito não era exatamente um Espírito residente interiormente; estava parcialmente fora, portanto, não podia controlar seus veículos com tanta facilidade como se habitasse inteiramente dentro. A cabeça do Corpo Vital ficava fora e ocupava uma posição muito acima da cabeça física. Há um ponto entre as sobrancelhas e cerca de um centímetro e meio abaixo da superfície da pele, que tem um ponto correspondente no Corpo Vital. Quando esses dois pontos se alinham, como acontece no ser humano hoje, eles formam a sede do Espírito que nele reside interiormente.
Devido à distância entre esses dois pontos, os poderes de percepção ou visão de um ser humano atlante eram muito mais aguçados nos Mundos internos do que no denso Mundo Físico, obscurecido por sua atmosfera de névoa espessa e densa.
Com o passar do tempo, porém, a atmosfera foi se tornando mais clara; ao mesmo tempo, o ponto mencionado no Corpo Vital se aproximou cada vez mais do ponto correspondente no Corpo Denso, unindo-se a ele no último terço da Época Atlante.
Os Rmoahals foram a primeira das Raças Atlantes. Eles tinham pouca memória, e essa pouca memória estava relacionada com as sensações. Eles se lembravam de cores e tons e, assim, até certo ponto, desenvolveram o Sentimento. Com a memória, vieram aos atlantes os rudimentos de uma linguagem. Eles desenvolveram palavras e deixaram de usar meros sons, como os Lemurianos, dando nomes às coisas.
Os Tlavatlis foram a segunda Raça Atlante. Já começavam a sentir seu valor como seres humanos distintos. Tornaram-se ambiciosos; exigiam que suas obras fossem lembradas. A memória tornou-se um fator na vida da comunidade. Assim começou o culto aos ancestrais.
Os Toltecas foram a terceira Raça Atlante. Inauguraram a monarquia e a sucessão hereditária, originando o costume de honrar os homens pelos feitos de seus ancestrais. A experiência passou a ser altamente valorizada e a memória foi desenvolvida em grande escala.
No terço médio da Atlântida, encontramos o início de nações separadas. Com o tempo, os Reis se embriagaram com o poder e começaram a usá-lo de forma corrupta, para fins egoístas e engrandecimento pessoal, em vez de para o bem comum.
Os Turânios Originais foram a quarta Raça Atlante. Eles eram especialmente vis em seu egoísmo abominável, erguendo templos onde os Reis eram adorados como deuses.
Os Semitas Originais foram a quinta e mais importante das sete Raças Atlantes, porque neles encontramos o primeiro germe da qualidade corretiva do pensamento. Portanto, a Raça Semita Original tornou-se a “Raça-semente” para as sete Raças da Época Ária. Eles foram os primeiros a descobrir que o “cérebro” é superior aos “músculos”. Durante a existência dessa Raça, a atmosfera da Atlântida começou a se clarear definitivamente, e o ponto mencionado anteriormente no Corpo Vital entrou em correspondência com seu ponto correspondente no Corpo Denso. A combinação de eventos forneceu ao ser humano a capacidade de ver objetos claramente, com contornos nítidos e bem definidos; mas também resultou na perda da visão referente aos Mundos internos.
Os Acádios foram a sexta e os Mongóis a sétima das Raças Atlantes. Eles desenvolveram ainda mais a faculdade do pensamento, mas seguiram linhas de raciocínio que se desviavam cada vez mais da tendência principal da vida em desenvolvimento. À medida que as densas neblinas da Atlântida se condensavam cada vez mais, a quantidade crescente de água inundou gradualmente o continente, destruindo a maior parte da população e as evidências de sua civilização.
A Ásia Central foi o berço das Raças Arianas, que descendem dos Semitas Originais. De lá surgiram as diferentes Raças. É desnecessário descrevê-las aqui, pois as pesquisas históricas já revelaram suficientemente suas principais características.
CORPO DENSO – O CÉREBRO E O SISTEMA NERVOSO
Durante a Revolução de Saturno do Período Terrestre, o Corpo Denso recebeu a capacidade de formar um cérebro e se tornar um veículo para o germe da Mente, que seria adicionado posteriormente. O impulso foi dado à construção da parte frontal do cérebro. O cérebro e o sistema nervoso são a expressão mais elevada do Corpo de Desejos. Eles evocam imagens do Mundo exterior, mas na formação de imagens mentais, o sangue traz o material para as imagens; portanto, quando o pensamento está ativo, o sangue flui para a cabeça.
No ser humano, o cérebro é a ligação entre o Espírito e o Mundo exterior. Ele não pode conhecer nada do Mundo exterior, exceto por meio do cérebro. Os órgãos dos sentidos são meros portadores de impactos externos para o cérebro, e o cérebro é o instrumento que interpreta e coordena esses impactos. O Ego, auxiliado pelos Anjos, construiu o cérebro para reunir conhecimento do Mundo Físico. Quando o Ego assumiu a posse de seus veículos, tornou-se necessário usar parte da força sexual criadora para a construção de um cérebro e uma laringe. Os Espíritos Lucíferos são os instigadores de toda a atividade mental, por meio da parte da força sexual criadora que é conduzida para cima para atuar no cérebro. Assim, a entidade em evolução obteve a consciência cerebral do Mundo exterior ao custo de metade de seu poder criador.
Os fisiologistas observam que certas áreas do cérebro são dedicadas a atividades mentais específicas, e os frenologistas levaram esse ramo da ciência ainda mais longe. Ora, sabe-se que o pensamento degrada e destrói os tecidos nervosos. Isso e todos os outros resíduos do Corpo são substituídos pelo sangue. Quando, através do desenvolvimento do Coração em um músculo voluntário, a circulação do sangue finalmente passar para o controle absoluto do Espírito de Vida unificador, então estará dentro do poder desse Espírito reter o sangue das áreas da Mente dedicadas a propósitos egoístas. Como resultado, esses centros de pensamento específicos irão se atrofiar gradualmente.
O conhecimento cerebral, com seu egoísmo concomitante, foi adquirido pelo ser humano ao custo do poder de criar a partir de si mesmo. Ele comprou seu livre-arbítrio ao custo da dor e da morte; mas quando o ser humano aprender a usar seu intelecto para o bem da Humanidade, ganhará poder espiritual sobre a vida e, além disso, será guiado por um conhecimento inato tão superior à consciência cerebral atual quanto esta é superior à consciência animal mais inferior. O cérebro é, na melhor das hipóteses, apenas uma forma indireta de obter conhecimento e será substituído pelo contato direto com a Sabedoria da Natureza, que o ser humano, sem qualquer cooperação, poderá então usar para a criação de novos Corpos.
No Período Lunar, foi necessário reconstruir o Corpo Denso para torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos e, também, capaz de desenvolver um sistema nervoso, os músculos, as cartilagens e um esqueleto rudimentar. Essa reconstrução foi obra da Revolução de Saturno do Período Lunar.
A reconstrução do Corpo Denso na Revolução de Saturno do Período Terrestre deu o primeiro impulso à divisão incipiente do sistema nervoso, que desde então se tornou aparente em suas subdivisões: o voluntário[1] e o simpático[2]. Este último foi o único previsto no Período Lunar. O sistema nervoso voluntário (que transformou o Corpo Denso de um mero organismo reagindo a estímulos externos em um instrumento extraordinariamente adaptável, capaz de ser guiado e controlado por um Ego interno) só foi adicionado no atual Período Terrestre.
Quando ocorreu a divisão do Sol, da Lua e da Terra, no início da Época Lemúrica, a porção mais avançada da Humanidade em formação experimentou uma divisão do Corpo de Desejos em uma parte superior e uma inferior. O restante da Humanidade experimentou a mesma divisão no início da Época Atlante. Essa parte superior do Corpo de Desejos se tornou uma espécie de alma animal. Ela construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal e os músculos voluntários, controlando assim a parte inferior do Tríplice Corpo até que a ligação com a Mente fosse estabelecida.
Parte do sistema muscular involuntário[3] é controlada pelo sistema nervoso simpático.
O assento do Espírito Humano está primeiramente na Glândula Pineal e, secundariamente, no cérebro e no sistema nervoso cérebro-espinhal[4], que controla os músculos voluntários.
[1] N.T.: também conhecido como sistema nervoso somático, faz parte do sistema nervoso periférico e controla conscientemente as ações do corpo, como mover músculos esqueléticos (braços, pernas, tronco) e o rosto. Ele transmite informações sensoriais ao cérebro e envia comandos motores para realizar movimentos intencionais, além de gerenciar reflexos rápidos.
[2] N.T.: é uma divisão do sistema nervoso autônomo (O SNA é uma rede neural periférica que regula processos fisiológicos involuntários e automáticos, garantindo a homeostase (equilíbrio interno). Ele controla órgãos internos, músculos lisos e glândulas, agindo sem controle consciente em funções como frequência cardíaca, digestão, respiração e temperatura.) que prepara o corpo para situações de estresse, emergência ou esforço físico, conhecida como resposta de “luta ou fuga”. Ele aumenta a frequência cardíaca, dilata pupilas e vias aéreas, e libera energia armazenada, enquanto inibe funções digestivas.
[3] N.T.: é composto por músculos que funcionam autonomamente, sem controle consciente, sendo controlados pelo sistema nervoso autônomo. Inclui o músculo liso (órgãos internos, vasos sanguíneos) e o músculo estriado cardíaco (coração). Essencial para funções vitais como digestão, circulação sanguínea e batimentos cardíacos.
[4] N.T.: É a parte central do sistema nervoso, compreende o encéfalo e a medula espinhal, protegidos por ossos (crânio e coluna) e meninges. Funciona como o centro de controle do corpo, processando informações, coordenando reflexos e transmitindo sinais motores e sensoriais através de 31 pares de nervos espinhais.
____________________________________________________________________________________________________________
O SANGUE
O estudo do sangue é muito profundo, abrangente e de suprema importância, seja qual for o ponto de vista que o analisemos. Lúcifer estava decididamente certo quando disse que “o sangue é uma essência muito peculiar”. Ele constrói o Corpo Denso desde o momento em que o Átomo-semente é depositado no óvulo até a ruptura do Cordão Prateado, que encerra a existência material, sendo um dos produtos mais elevados do Corpo Vital e a principal fonte de nutrição para todas as partes do Corpo Denso. É o veículo direto do Ego, tendo injetado nele cada pensamento, sentimento ou emoção transmitido aos pulmões.
Na infância e até os quatorze anos a medula óssea vermelha não produz todos os corpúsculos sanguíneos. A maioria deles é suprida pela Glândula Timo, que é o maior no feto e diminui gradualmente à medida que a faculdade individual de produção de sangue se desenvolve na criança em crescimento. A Glândula Timo contém, por assim dizer, um suprimento de corpúsculos sanguíneos fornecido pelos pais e, consequentemente, a criança, que extrai seu sangue dessa fonte, não percebe sua individualidade. Somente quando o sangue é produzido pela criança é que ela se reconhece como “Eu”, e quando a Glândula Timo se reduz quase desaparecendo, aos quatorze anos, o sentimento do “Eu” atinge sua plena expressão, pois então o sangue é produzido e dominado inteiramente pelo Ego. O que se segue esclarecerá a ideia e sua lógica:
Deve-se lembrar que a assimilação e o crescimento dependem do trabalho dos fatores que atuam ao longo do polo positivo do Éter Químico do Corpo Vital. Este é liberado em torno dos sete anos, juntamente com o equilíbrio do Corpo Vital. Somente o Éter Químico está totalmente maduro nessa época; as outras partes precisam de mais amadurecimento. Aos quatorze anos, o Éter de Vida do Corpo Vital, que tem a ver com a propagação, está totalmente maduro. No período dos sete aos quatorze anos de idade, a assimilação excessiva armazenou uma quantidade de força que se dirige aos órgãos sexuais e está pronta quando o Corpo de Desejos é liberado.
Essa força sexual é armazenada no sangue durante o terceiro dos sete períodos de idade e, nesse tempo, o Éter Luminoso, que é a via para o calor do sangue, é desenvolvido e controla o coração. O Corpo Denso não está nem muito quente nem muito frio. Na primeira infância, o sangue frequentemente atinge uma temperatura anormal. Durante o período de crescimento excessivo, ocorre frequentemente o inverso, mas na juventude impetuosa e desenfreada, a paixão e o temperamento muitas vezes expulsam o Ego, superaquecendo o sangue. Chamamos isso, muito apropriadamente, de ebulição ou transbordamento de temperamento e descrevemos o efeito como fazendo com que a pessoa “perca a cabeça” ou se torne incapaz de pensar. É exatamente isso que acontece quando a paixão, a raiva ou o temperamento superaquecem o sangue, levando o Ego para fora do Corpo. O Ego está fora de seus veículos, e estes estão funcionando como se estivessem em movimento, desprovidos da influência orientadora do pensamento, cuja função é, em parte, frear os impulsos. Somente o ser humano que se mantém calmo e não permite que o excesso de calor o expulse pode pensar corretamente.
Como prova da afirmação de que o Ego não pode funcionar no Corpo Denso quando o sangue está muito quente ou muito frio, chamaremos a atenção para o fato bem conhecido de que o calor excessivo causa sonolência e, se levado além de certo ponto, expulsa o Ego, deixando a pessoa inconsciente. É somente quando o sangue está na temperatura normal ou próxima dela que o Ego pode usá-lo como veículo de consciência.
O rubor intenso da vergonha é uma evidência da maneira como o sangue é impulsionado para a cabeça, superaquecendo o cérebro e paralisando os processos de expressão do pensamento. O medo é um estado em que o Ego quer se proteger de algum perigo externo. Ele então impulsiona o sangue para o centro e empalidece, porque o sangue saiu da periferia do Corpo Denso e perdeu calor, paralisando assim a expressão do pensamento. Na febre, o excesso de calor causa delírio.
A pessoa com sangue em plena forma, embora o sangue não esteja muito quente, é ativa no Corpo e na Mente, enquanto a pessoa anêmica é sonolenta. Em uma, o Ego tem melhor controle; na outra, o Ego tem menos controle. Quando o Ego quer expressar o pensamento, ele impulsiona o sangue na temperatura adequada. O calor afeta o cérebro. Quando uma refeição pesada concentra a atividade do Ego no trato digestivo, o ser humano não consegue expressar o pensamento; ele fica sonolento.
Os antigos nórdicos e os escoceses reconheciam que o Ego está no sangue. Nenhum estranho podia se associar a eles como parente até que tivesse “misturado sangue” com eles e, assim, se tornado um deles.
Nos descendentes das famílias patriarcais – Adão, Matusalém, etc. – o sangue que corria em suas veias continha as imagens de tudo o que havia acontecido com seus diferentes ancestrais, e essas imagens estavam constantemente diante da visão interior de cada um, pois eles não tinham visão externa naquela Época. Atualmente, o sangue de cada indivíduo contém apenas imagens de suas próprias experiências individuais, e a Mente Subconsciente tem acesso a elas. Até o início do casamento fora da família, os indivíduos eram governados por um Espírito de Família (um Anjo), que entrava no sangue por meio do ar inspirado e ajudava cada Ego a controlar seus veículos. Quando o casamento fora da família começou, os Egos haviam chegado a um ponto na evolução da autoconsciência em que podiam depender de si mesmos e deixaram de ser autômatos guiados por Deus e se tornarem indivíduos autogovernados. Quanto maior a mistura de sangue, menos o Ego residente no interior dos seus Corpos pode ser influenciado pelos Espíritos da Raça ou de Família. O sangue puro nos deu assistência ancestral quando precisávamos. O sangue misto proporciona independência de ajuda externa. Um Deus (criador) deve ser independente.
O calor do sangue é a base de partida do Ego, e os Espíritos de Lúcifer de Marte auxiliam na manutenção desse calor dissolvendo o ferro, um metal marciano, em nosso sangue para atrair oxigênio, um elemento solar.
O calor adequado para a verdadeira expressão do Ego não está presente até que a Mente nasça da Mente Concreta macrocósmica, quando o indivíduo tem cerca de 21 anos de idade. A lei estatutária também reconhece essa como a idade mínima em que o ser humano é considerado apto a exercer o direito de voto.
Na Onda de Vida animal o sangue é fluido e nucleado. Os núcleos, centros da vida, são a base estratégica de um Espírito-Grupo. Regula seus processos vitais e os guiam através dos núcleos. Durante a primeira parte do período gestacional, o sangue do feto também é nucleado pela vida da mãe, e ela regula o processo de construção do Corpo Denso, mas assim que o Ego entra no Corpo da mãe, ele começa a afirmar sua Individualidade e resiste à formação de células sanguíneas nucleadas. As células antigas desaparecem gradualmente, de modo que, quando o Cordão Prateado é conectado no momento da vivificação e o Ego é atraído para dentro de seu Corpo Denso, todos os núcleos desaparecem, e ele é o autocrata absoluto de seu novo veículo, uma herança mais preciosa do que qualquer outra posse terrena; e, quando usado corretamente, é nosso meio de gerar poder da alma e acumular tesouros no céu. Quando abandonamos este veículo aos controles do Espírito, prejudicamos seriamente nossa evolução superior e cometemos um grande pecado.
Assim, o sangue é o veículo particular do Ego, e assim como nos éons passados de desenvolvimento cristalizamos a matéria para formar nosso Corpo Denso, também está destinado que agora devemos eterizar nossos veículos para que possamos elevar a nós mesmos e ao mundo dos reinos da materialidade para o espiritual. Naturalmente, portanto, o Ego visa primeiro tornar o sangue gasoso, e para a visão espiritual, esse sangue vermelho e sem núcleo não é um fluido, mas um gás. Não é argumento contra essa afirmação o fato de que, quando furamos a pele, o sangue sai como um líquido. Quando abrimos a válvula de escape de uma caldeira a vapor, o gás também se condensa em líquido, mas se construirmos um modelo de máquina a vapor de vidro e observarmos como o vapor funciona ali, veremos apenas o pistão se mover para frente e para trás, impulsionado por um agente invisível, o vapor vivo. Da mesma forma, assim como o vapor vivo diretamente da caldeira é invisível e gasoso, também o sangue vivo no corpo humano é um gás, e quanto mais elevado o estado de desenvolvimento de qualquer Ego, mais etérico ele consegue tornar o sangue.
Quando, pelos processos vitais, o alimento atinge o estado alquímico mais elevado, o processo de condensação começa e o gás sanguíneo é transformado em tecido nos vários órgãos para substituir o que foi desperdiçado ou destruído pelas atividades do Corpo. O baço é a porta de entrada do Corpo Vital; ali a força solar que abunda na atmosfera circundante entra em um fluxo constante para nos auxiliar nos processos vitais, e ali também a guerra entre o Corpo de Desejos e o Corpo Vital é travada com mais ferocidade. Pensamentos de preocupação, medo e raiva interferem no processo de evaporação no baço, resultando em uma partícula de plasma, que é imediatamente capturada por um elemental do pensamento que forma um núcleo e se incorpora nele. Então, começa então a viver uma vida de destruição, coalescendo com outros resíduos e elementos em decomposição onde quer que se formem, transformando o Corpo Denso em um ossuário em vez do Templo de um Espírito vivo que habita nele. Podemos, portanto, dizer que cada glóbulo branco que foi tomado por uma entidade externa é para o Ego uma oportunidade perdida. Quanto mais dessas oportunidades perdidas houver no Corpo, menos o Corpo estará sob o controle do Ego; portanto, encontramos essas oportunidades em maior número em todas as doenças do que quando a pessoa está saudável. Pode-se dizer também que a pessoa de natureza jovial e alegre, ou aqueça que é devotamente religiosa e tem fé e confiança absolutas na providência e no amor divinos, registrará muito menos oportunidades perdidas ou glóbulos brancos do que aqueles que estão sempre preocupados e aflitos.
Assim, o sangue é a única parte do Corpo que realmente pertence a nós. A medida em que controlamos todo o sangue depende da capacidade do Ego de se expressar através do Corpo. É somente através dos glóbulos vermelhos que o Ego consegue atuar. Sempre que nos permitimos ser negativos, produzimos glóbulos brancos, que não são, como vimos, “os policiais do organismo”, como a ciência pensa agora, mas sim destruidores.
Quando o sangue circula pelas artérias que estão profundas no Corpo, ele é um gás, como foi demonstrado; mas a perda de calor perto da superfície do Corpo faz com que ele se condense parcialmente, e nessa substância o Ego está aprendendo a formar cristais minerais. A ciência descobriu recentemente que o sangue de diferentes pessoas possui cristais diferentes, de modo que agora é possível distinguir o sangue de um negro ou uma negra do sangue de um branco ou uma branca; mas chegará o dia em que se perceberá uma diferença ainda maior; pois assim como há uma diferença nos cristais formados pelas diferentes raças, também há uma diferença nos cristais formados por cada pessoa individualmente.
Analisando a questão de outro ângulo, podemos observar que, quando o sangue é batido com um bastão, ele se separa em três substâncias distintas: o soro ou substância aquosa que está sob o Signo de Câncer, regido pela Lua (Hierarquia Lunar); a matéria corante vermelha que é a substância marciana gerada sob Escorpião; e, mais importante de todas, a fibrina, ou matéria fibrosa que se encontra sob o terceiro Signo de Água, Peixes. Quando o esqueleto estava fora da nossa carne, a consciência era embotada, como a de um crustáceo. Ao sairmos da estrutura óssea, alcançamos um grau muito mais elevado de consciência e, ao espiritualizarmos esse esqueleto interno por meio do sangue, extraímos a essência de tudo o que aprendemos em Épocas passadas e a transformamos em poder anímico utilizável no Período de Júpiter. Interferir nesse trabalho é um crime contra a alma.
Como a mulher possui o Corpo Vital positivo, ela amadurece mais cedo que o homem, e as partes que permanecem semelhantes às plantas, como o cabelo, crescem mais e ficam mais exuberantes. Naturalmente, o Corpo Vital positivo gerará mais sangue do que o Corpo Vital negativo, possuído pelo homem; portanto, temos na mulher uma pressão sanguínea maior, que é necessário aliviar pelo fluxo periódico, e quando essa pressão diminui no período do climatério, há um segundo crescimento na mulher, particularmente bem expresso nas características de desaceleração natural do metabolismo, à perda de massa muscular e ao aumento de gordura abdominal que geralmente começam por volta dos 40 anos devido a alterações hormonais, particularmente à redução do estrogênio.
Os impulsos do Corpo de Desejos impulsionam o sangue pelo organismo em velocidades variáveis, de acordo com a intensidade das emoções. A mulher, tendo excesso de sangue, trabalha sob uma pressão muito maior do que o homem e, embora essa pressão seja aliviada pelo fluxo periódico, há momentos em que é necessário ter uma saída extra; então, as lágrimas da mulher, que são sangramento branco, atuam como uma válvula de segurança para remover o excesso de fluido. Os homens, embora possam ter emoções tão fortes quanto as mulheres, não são propensos às lágrimas porque não têm mais sangue do que podem usar confortavelmente.
O sangue agora tem uma constituição diferente do que era nas Eras anteriores da evolução humana. O Espírito de Cristo foi visto descendo sobre o Corpo Denso e Corpo Vital de Jesus no Batismo. O próprio Jesus, o Espírito, deixou aqueles dois Corpos e recebeu a missão de servir às igrejas, enquanto seus dois Corpos eram usados para o ensino direto do Cristo, e seu sangue era preparado como uma chave para o Reino de Deus.
Quando alguém morre, o sangue venoso, com suas impurezas, adere fortemente à carne e, portanto, o sangue arterial que flui é distintamente mais puro do que seria em outras circunstâncias. Sendo eterizado pelo grande Espírito Crístico, o sangue purificado de Jesus transbordou pelo mundo, purificou a Região Etérica do egoísmo em grande medida e deu ao ser humano uma melhor oportunidade de atrair para si materiais que lhe permitirão formar propósitos e desejos altruístas.
AS GLÂNDULAS DE SECREÇÃO INTERNA
É bem sabido pelo Astrólogo Rosacruz que o Corpo Denso tem atrás de si um imenso período de evolução e que esse esplêndido organismo é o resultado de um lento processo de desenvolvimento gradual que ainda continua e tornará cada geração melhor que a anterior, até que, em um futuro longínquo, alcance um estágio de perfeição que hoje não nos é dado sequer imaginar. Os Estudantes de ocultismo também sabem que, além do Corpo Denso, o ser humano possui outros veículos sutis, ainda não percebidos pela grande maioria, embora todos possuam em si um sexto sentido latente, pelo qual, com o tempo, reconhecerão essas camadas mais sutis da alma.
O Cientista Ocultista se refere a esses veículos mais sutis como: o Corpo Vital – formado de Éteres –, o Corpo de Desejos – formado por matéria de desejos, a matéria da qual elaboramos nossos desejos, sentimentos e nossas emoções – e com a adição da “capa” da Mente e do Corpo Denso, estes completam o que podemos denominar de Personalidade, a qual é a parte evanescente distinta do Espírito imortal[1] que usa esses veículos para sua expressão. Esses veículos mais sutis interpenetram o Corpo Denso, da mesma forma que o ar interpenetra a água, e têm domínio particular sobre certas partes dele, porque o próprio Corpo Denso é como uma cristalização desses veículos mais sutis, da mesma maneira e segundo o mesmo princípio as substâncias fluídicas do corpo de um caracol se cristalizam gradualmente na concha dura e pedregosa que ele carrega nas costas. Para os propósitos desta dissertação, podemos dizer, de forma geral, que as partes mais moles de nossos Corpos, que comumente chamamos “carne”, podem ser divididas em duas classes: as Glândulas e os músculos.
O Corpo Vital teve sua origem no Período Solar. A partir desse momento, cristalização nesse veículo desenvolveu o que hoje chamamos de Glândulas, e até hoje elas, juntamente com o sangue, são as manifestações especiais do Corpo Vital dentro do Corpo Denso. Portanto, pode-se dizer que as Glândulas, como um todo, estão sob a regência do Sol, que é o doador de Vida, e do grande benéfico Júpiter. São funções do Corpo Vital construir e restaurar o tônus muscular, quando os músculos estão tensos e cansados pelo trabalho imposto pelo inquieto Corpo de Desejos que, por sua vez, teve a sua origem no Período Lunar. Os músculos são, portanto, regidos pela errante Lua, que é o ponto de apoio dos Anjos, ou seja, a Humanidade do Período Lunar e, também, pelo impulsivo e turbulento Marte, onde habitam os chamados “Anjos Caídos”, os Espíritos de Lúcifer[2]. Ou seja, como um todo, pois o Estudante Rosacruz deve observar cuidadosamente que as Glândulas, individualmente, e certos grupos musculares também estão sob a regência de outros Astros. É como quando dizemos que todos os que vivem nos Estados Unidos são cidadãos daquele país, mas alguns estão sujeitos particularmente às leis da Califórnia, outros às do Maine, etc.
Conhecemos o aforismo hermético que diz “Assim como é em cima, é embaixo”, que é a chave mestra de todos os mistérios, e assim como existem na Terra – o macrocosmo – inúmeros lugares ainda não descobertos, também no microcosmo do Corpo encontramos muitas coisas desconhecidas que são como um livro selado para os exploradores Científicos. Entre essas coisas, destaca-se um pequeno grupo das chamadas Glândulas “sem ducto”[3], sete no total, a saber:
Estas Glândulas despertam grande e particular interesse para os Cientistas Ocultistas, e podem ser chamadas, em certo sentido, de as “Sete Rosas” sobre a Cruz do Corpo Denso, pois estão intimamente ligadas ao desenvolvimento oculto da Humanidade. Quatro delas – a Glândula Timo, a Glândula Baço e as Glândulas Suprarrenais – estão relacionadas à Personalidade. A Hipófise e a Glândula Pineal estão particularmente correlacionadas com o lado espiritual da nossa natureza e a Glândula Tiroide forma o elo entre elas. A regência astrológica de cada uma é a seguinte:
A Glândula Baço é a porta de entrada das forças solares especializadas em cada ser humano e circula pelo Corpo como o fluido vital, sem o qual nenhum ser pode viver. Esta Glândula é, portanto, regida pelo Sol. As duas Glândulas Suprarrenais estão sob a regência de Júpiter, o grande benéfico, e exercem um efeito calmante, tranquilizante e suavizante, quando as atividades emocionais da Lua, de Marte ou Saturno destroem o equilíbrio. Quando a mão obstrutiva de Saturno desperta as emoções de melancolia, oprimindo o coração, as secreções das Glândulas Suprarrenais são levadas pelo sangue até o coração e atuam como um poderoso estimulante em seu esforço de manter a circulação, enquanto o otimismo jovial luta contra as preocupações saturninas ou contra o impulso de Marte, que agita o Corpo de Desejos em emoções turbulentas de raiva, tornando os músculos tensos e trêmulos, dissipando todas as energias do organismo. Então as secreções das Glândulas Suprarrenais entram em ação, liberando o glicogênio do fígado em uma medida mais abundante do que o normal para lidar com a emergência até que o equilíbrio seja novamente alcançado, e da mesma forma durante qualquer outro estresse ou tensão. Foi o conhecimento deste fato oculto levou os antigos astrólogos a colocarem os rins sob a regência de Libra, a Balança, e para evitar confusão de ideias, podemos dizer que os próprios rins desempenham um papel importante na nutrição do Corpo Denso, estando sob a regência de Vênus, o Regente de Libra. No entanto, Júpiter rege as Glândulas Suprarrenais, com as quais estamos agora particularmente envolvidos.
Tanto Vênus como sua oitava superior, Urano, regem as funções de nutrição e crescimento, mas de maneiras diferentes e para propósitos distintos. Vênus rege a Glândula Timo, Glândula que serve de elo entre os pais e os filhos até que esses últimos atinjam a puberdade. Esta Glândula está localizada atrás do esterno[6], ou osso do peito. Ela atinge o seu maior tamanho durante a vida pré-natal e na infância, período em que o crescimento é intenso e rápido. Nessa fase o Corpo Vital da criança realiza um trabalho seu trabalho mais eficaz, pois ela não está sujeita às paixões nem às paixões e emoções geradas pelo Corpo de Desejos que nasce por volta dos quatorze anos de idade. Contudo, durante os anos de crescimento, a criança não consegue produzir glóbulos vermelhos sanguíneos, como o adulto, pois o Corpo de Desejos ainda não nascido nem organizado não serve como canal para as forças metabólicas que assimilam o ferro dos alimentos e os transmutam em hemoglobina. Para compensar essa falta, a Glândula Timo armazena uma essência espiritual extraída dos pais, e com essa essência, fornecida pelo amor dos pais, a criança é capaz de realizar a alquimia do sangue temporariamente, até que seu Corpo de Desejos se torne dinamicamente ativo. Então, a Glândula Timo se atrofia e a criança extrai de seu próprio Corpo de Desejos a força marciana necessária. A partir desse momento, em condições normais, Urano, que é a oitava superior de Vênus e regente da Glândula Hipófise, assume a função do crescimento e da assimilação, da seguinte maneira:
É sabido que todas as coisas, incluindo nossa alimentação, irradiam continuamente pequenas partículas que fornecem um índice da coisa de onde emanam, incluindo sua qualidade. Assim, quando levamos o alimento à boca, diversas dessas partículas invisíveis entram pelo nariz e, por meio da estimulação do trato olfativo, nos informam se o alimento que estamos prestes a ingerir é adequado ou não, alertando-nos para descartar alimentos com odor desagradável. Mas, além das partículas que nos atraem ou repelem o alimento por sua ação no trato olfativo através do olfato, há outras que penetram no osso esfenoidal[7], atingem a Glândula Hipófise e iniciam a alquimia uraniana, pela qual uma secreção é formada e injetada na corrente sanguínea. Isso favorece a assimilação através do Éter Químico, afetando, assim, o crescimento e o bem-estar normais do Corpo Denso humano durante a vida. Às vezes, essa influência uraniana sobre a Glândula Hipófise é excêntrica e, portanto, responsável por crescimentos estranhos e anormais, que produzem as infelizes anomalias da Natureza que ocasionalmente encontramos.
Mas, além de ser a causa dos impulsos espirituais que geram as manifestações físicas de crescimento mencionadas anteriormente, Urano, atuando através da Glândula Hipófise, também é responsável pelas fases espirituais de crescimento que auxiliam o ser humano desperto em seus esforços para penetrar através do véu dos Mundos invisíveis. Neste trabalho, contudo, ele é associado a Netuno, regente da Glândula Pineal e, portanto, será necessário, para elucidar adequadamente, que estudemos simultaneamente as funções da Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, e a da Glândula Pineal, que está sob regência de sua oitava superior, Netuno.
Que a Glândula Tiroide está sob a regência de Mercúrio, o Planeta da razão, se torna evidente quando compreendemos o efeito que a degeneração dessa Glândula tem sobre a Mente, como demonstrado nas doenças do cretinismo[8] e do mixedema[9]. As secreções dessa Glândula são tão necessárias para o bom funcionamento da Mente quanto o Éter o é para a transmissão da eletricidade, ou seja, no plano físico da existência, onde o cérebro transmuta o pensamento em ação. O contato com os Mundos invisíveis e a expressão neles dependem da capacidade funcional da Glândula Pineal, que é inteiramente espiritual e, portanto, regida pela oitava superior de Mercúrio, Netuno, o Planeta da espiritualidade, que opera conjuntamente com a Glândula Hipófise, regida por Urano.
Os Cientistas perderam muito tempo especulando sobre a natureza e a função destes dois pequenos corpos – a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal – sem nenhum resultado, principalmente porque, como Mefistófeles diz, sarcasticamente, ao jovem que queria estudar ciências com Fausto:
“Quem quiser conhecer as coisas vivas e as manusear,
Procura primeiro o Espírito vivente que as anima e o expulsa;
Fica, então com fragmentos sem Vida
Porque lhes falta o Espírito Vital que as unia”.
Ninguém pode, realmente, observar as funções fisiológicas de nenhum órgão nas condições existentes nos laboratórios ou nas mesas de operações, nem na sala de vivissecção ou dissecação. Para chegar a uma compreensão adequada, é necessário ver esses órgãos exercendo suas funções fisiológicas no Corpo vivo, e isso só pode ser feito por meio da visão espiritual. Há vários órgãos que estão se atrofiando ou se desenvolvendo. Os primeiros mostram o caminho que já percorremos durante nossa evolução passada, enquanto os últimos são os indicadores, apontando para o nosso desenvolvimento futuro. Mas ainda existe outra classe de órgãos que não estão nem se degenerando nem se desenvolvendo: eles estão simplesmente adormecidos (espiritualmente) no momento presente. Os fisiólogos[10] acreditam que a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal estão se atrofiando porque encontram esses órgãos mais desenvolvidos em algumas formas inferiores de vida, como nos vermes, mas, na verdade, estão completamente equivocados. Alguns deles suspeitam que a Glândula Pineal está, de alguma forma, conectada com a Mente, porque contém certos cristais após a morte, e a quantidade era muito menor nas pessoas mentalmente pouco desenvolvidas do que nas pessoas com mentalidade normal. Essa conclusão é correta, mas o Clarividente sabe queo canal espinhal[11] do ser vivo não está cheio de fluido; que o sangue não é líquido e que esses órgãos não têm cristais, enquanto o Corpo Denso está vivo.
Essas afirmações são feitas com pleno conhecimento de que o sangue e a essência espinhal são líquidos quando extraídos do Corpo Denso, vivo ou morto, e que o conteúdo da Glândula Hipófise e da Glândula Pineal apresenta aspecto cristalizado quando o cérebro é dissecado. No entanto, a razão é semelhante àquela que faz com que o vapor extraído de uma caldeira se condense imediatamente ao entrar em contato com a atmosfera, e que o metal derretido fundido extraído de um forno de fundição se cristalize imediatamente ao ser retirado dele.
Todas essas substâncias são essências puramente espirituais quando se encontram dentro do Corpo; elas são etéricas e a substância que se encontra na Glândula Pineal, quando vista por meio da visão espiritual, aparece como luz. Além disso, quando um Clarividente contempla a Glândula Pineal de outra pessoa que também está exercendo suas faculdades espirituais, esta luz apresenta um brilho intenso e uma iridescência semelhante, mas que transcende em beleza, o mais maravilhoso espetáculo das luzes da Aurora Boreal[12]. Pode-se também dizer que as funções desse órgão parecem ter mudado ao longo da evolução humana. Durante as Épocas anteriores à nossa estadia atual na Terra, quando o Corpo Denso era uma coisa grande e flácida na qual o Espírito ainda não havia penetrado, mas estava presente apenas como uma sombra, havia uma abertura no topo do Corpo e a Glândula Pineal estava dentro dela. Era então um órgão de orientação, dando um senso de direção. À medida que o Corpo Denso se condensava, tornava-se cada vez menos capaz de suportar o calor intenso que prevalecia naquela Época, e a Glândula Pineal alertava quando o Corpo Denso se aproximava demasiado de uma das muitas crateras de vulcões e de erupções ativas que então irrompiam a fina camada de Terra, permitindo assim que o Espírito o guiasse para longe desses lugares perigosos. Era um órgão de orientação que operava pelo tato, mas o tato, desde então se distribuiu por toda a pele do Corpo Denso. Isso indica ao Cientista Ocultista que um dia os sentidos da audição e da visão também serão distribuídos de forma semelhante, de modo que veremos e ouviremos com todo o nosso Corpo e, assim, nos tornaremos ainda mais sensíveis nesses aspectos do que somos agora.
Desde então, a Glândula Pineal e a Glândula Hipófise se tornaram temporariamente adormecidos (espiritualmente) para tornar o ser humano alheio aos Mundos invisíveis enquanto aprende as lições proporcionadas pelo Mundo material. A Glândula Hipófise tem manifestado a influência uraniana esporadicamente em crescimentos físicos anormais, produzindo aberrações e monstruosidades de vários tipos, enquanto Netuno, atuando também de forma anormal através da Glândula Pineal, tem sido responsável pelo crescimento espiritual anormal de curandeiros, feiticeiros e Clarividentes involuntários quando dominados por espíritos de controles, que sempre produzem prejuízo espiritual àqueles. Quando despertadas para atividades normais, essas duas Glândulas Endócrinas abrirão a porta dos Mundos internos de maneira sã e segura, mas, nesse ínterim, a Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, o Planeta da razão, contém as secreções necessárias para dar equilíbrio ao cérebro.
No futuro, as Glândulas Endócrinas estão destinadas a desempenhar um papel proeminente; seu desenvolvimento acelerará grandemente a evolução, pois seus efeitos são principalmente mentais e espirituais. Estamos nos aproximando da Era de Aquário; o Sol, portanto, está começando a transmitir as vibrações altamente intelectuais desse Signo, o de Aquário, o que explica as intuições, premonições e transmissões telepáticas agora tão prevalecentes. Em última análise, esses fenômenos se devem ao despertar da Glândula Hipófise, regido por Urano, que é o regente de Aquário, e isso se tornará mais manifesto com o decorrer dos anos.
[1] N.T.: o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui de forma tríplice, como Deus que nos criou.
[2] N.T.: Também chamados de Espíritos Lucíferos.
[3] N.T.: Também chamadas de Glândulas de secreção interna ou Glândulas endócrinas que secretam hormônios diretamente na corrente sanguínea.
[4] N.T.: Também chamada de Corpo Pituitário ou Glândula Pituitária.
[5] N.T.: também conhecida como Conarium, Epífise Cerebral ou simplesmente Pineal.
[6] N.T.: O esterno (com “s”) é um osso plano e vertical localizado na linha média anterior do tórax, crucial para proteger órgãos vitais como o coração e pulmões, além de fixar as costelas.
[7] N.T.: O osso esfenoidal (ou esfenoide) é um osso ímpar e central na base do crânio, com formato semelhante a um morcego ou borboleta de asas abertas. Considerado a “pedra angular” da base craniana, ele se articula com quase todos os ossos do crânio.
[8] N.T.: O cretinismo é uma condição grave resultante do hipotireoidismo congênito não tratado ou deficiência severa de iodo durante a gestação e primeira infância. Caracteriza-se por retardo mental irreversível, baixa estatura (nanismo), características faciais grosseiras e disfunção motora. O diagnóstico precoce via teste do pezinho é crucial para evitar danos permanentes.
[9] N.T.: O mixedema é um edema (inchaço) duro e elástico da pele e tecidos moles, causado por hipotireoidismo grave e prolongado. Caracteriza-se pelo acúmulo de substâncias (glicosaminoglicanos) na derme, resultando em inchaço na face, pálpebras, língua e, às vezes, pernas. O coma mixedematoso é a complicação extrema, sendo uma emergência médica com alta mortalidade.
[10] N.T.: ou fisiologistas são profissionais da saúde especializado no estudo das funções, mecanismos e processos biológicos do corpo humano, visando otimizar o desempenho físico, saúde e bem-estar. Eles analisam dados funcionais, como cardiovasculares e musculares, para criar programas de treinamento, prevenir lesões e auxiliar na recuperação de atletas e pacientes.
[11] N.T.: O canal espinhal (ou vertebral) é uma cavidade no centro da coluna vertebral que acomoda a medula espinhal e as raízes nervosas. Ele percorre da cervical à lombar, protegido pelas vértebras.
[12] N.T.: A aurora boreal é um fenômeno luminoso natural no céu noturno, formado por partículas solares que interagem com o campo magnético e os gases da alta atmosfera terrestre nos polos. Visível em altas latitudes (Ártico) entre setembro e abril, especialmente de novembro a março, exibe luzes dançantes, comumente verdes, mas também roxas e vermelhas.
O SISTEMA LINFÁTICO
O Sistema Linfático é tubular e está um tanto associado aos capilares que unem as circulações venosa e arterial, terminando nas grandes veias próximas do coração. A linfa que flui por seus canais vai numa direção: o centro da circulação – o coração. Podemos considerar este sistema como uma espécie de pequenos desaguadouros do Corpo Denso, porque na realidade, recolhe a água suja dos tecidos, depois de banhá-los na linfa que transporta. Se compararmos os canais a tubulações de drenagem que recolhem a água suja, podemos considerar os gânglios linfáticos, que se encontram ao longo desses canais, como comportas, nas quais a linfa tem que se deter e ser filtrada antes de passar à corrente sanguínea venosa.
Estes gânglios estão situados nos cotovelos, nas axilas, nos espaços poplíteos, nas virilhas e especialmente na parte anterior do pescoço (a parte que fica fronteira à vértebra cervical) no abdômen entre as pregas do mesentério que fixa o intestino delgado a coluna vertebral e no peito entre os pulmões, espaço este conhecido como mediastino.
Cada um dos vasos linfáticos passa por um ou mais destes gânglios no seu caminho para as veias. As células linfáticas, como as demais existentes no Corpo, não possuem paredes celulares, movendo-se como a medusa na água. Quando a inflamação, em qualquer de suas formas, ataca o Corpo Denso, todos os líquidos venenosos passam aos canais linfáticos.
Os gânglios podem adoecer devido à natureza venenosa da linfa que se filtra por eles. O Sistema Linfático é de ação tríplice: recolhe a linfa dos tecidos, o “quilo” dos intestinos (depois de elaborado pelo processo da digestão) e, por meio dos gânglios linfáticos, cria as células linfáticas que são semelhantes aos corpúsculos brancos do sangue.
CAPÍTULO II – CORPO VITAL
EVOLUÇÃO E PROPÓSITO GERAL
O Corpo Vital é o segundo dos mais antigos veículos que temos, tendo seu germe original nos fornecido pelos Senhores da Sabedoria no Período Solar. Na Revolução Solar do Período Lunar[1], ele foi modificado para torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos e, também, para acomodar ao sistema nervoso, músculos, esqueleto, etc.
Durante a Revolução Solar do Período Terrestre, o Corpo Vital foi reconstruído para acomodar a Mente germinal. Ele foi moldado, nessa Revolução, mais à semelhança do Corpo Denso, sendo sua organização atual a mais eficiente, seguida a do Corpo Denso.
Uma reconstrução adicional foi efetuada na Época Hiperbórea do Período Terrestre, quando os Senhores da Forma apareceram, com os Anjos, e revestiram o Corpo Denso do ser humano, então um objeto em forma de saco, com um Corpo Vital.
O Corpo Denso é construído na matriz do Corpo Vital durante a vida antenatal e, com uma única exceção, é uma cópia exata, molécula por molécula, do Corpo Vital. Ao longo da vida, o Corpo Vital é o construtor e restaurador do Corpo Denso, tendo a tendência de abrandar e construir. Sua principal expressão é o sangue e as Glândulas, assim como no Sistema Nervoso Simpático[2], que ganhou acesso ao domínio do Corpo de Desejos quando esse começou a desenvolver o Coração em um músculo voluntário.
O Corpo Vital interpenetra o Corpo Denso e se estende além da sua periferia cerca de quatro centímetros. A sua contextura pode ser grosseiramente comparada aos quadros formados por centenas de pequenos pedaços de madeira encaixados uns nos outros, mostrando inúmeros pontos ao observador. Esses pontos do Corpo Vital penetram nos centros ocos dos átomos densos, os imbuindo de força vital, o que os faz vibrar a uma taxa superior à do mineral da Terra, que não estão assim animados nem acelerados.
[1] N.T.: Sempre a 2ª Revolução de um Período.
[2] N.T.: Também chamado por alguns especialistas de sistema ortossimpático ou sistema toracolombar, é uma das duas divisões do sistema nervoso autônomo (SNA), sendo a outra o sistema nervoso parassimpático. É parte do sistema nervoso autônomo, responsável pelas respostas de “luta ou fuga” em situações de estresse, perigo ou emergência. Ele prepara o corpo para atividade física intensa, aumentando a frequência cardíaca, a respiração e a pressão arterial, enquanto inibe funções digestivas.
CAPÍTULO II – CORPO VITAL – OS ÉTERES E SUAS FUNÇÕES
Ao analisamos o ser humano, descobrimos que nele os quatro Éteres (Éter Químico, Éter de Vida, Éter Luminoso – ou Éter de Luz – e Éter Refletor) atuam dinamicamente ativos no Corpo Vital altamente organizado. Por meio da atividade do Éter Químico, ele é capaz de assimilar alimentos e crescer; as forças atuantes no Éter de Vida permitem a propagação da espécie; as forças que atuantes no Éter Luminoso proporcionam calor ao Corpo Denso, atuam sobre o Sistema Nervoso e os músculos, fazendo com que possamos receber através dos sentidos as informações do Mundo exterior; e o Éter Refletor permite ao Espírito controlar seus veículos por meio do pensamento. Este Éter também armazena as experiências passadas, em forma de memória. Os Éteres Químico e de Vida formam a matriz para nossos Corpos Densos. Cada molécula do Corpo Denso está imersa em uma malha de Éter que a permeia e a infunde com Vida. Por meio destes Éteres se realizam as diversas funções corporais (como por exemplo, a respiração, etc.) e a densidade e a consistência dessas matrizes de Éter determinam o bom ou mau estado de saúde. Os átomos do Éter Químico e do Éter de Vida, reunidos em torno do Átomo-semente nuclear, localizado no Plexo Celíaco[1], têm forma prismática. Estão todos dispostos de tal maneira que, quando a energia solar permeia no Corpo pelo baço, o raio refratado é o vermelho. Esta é a cor do aspecto criador da Trindade, ou seja, Jeová, o Espírito Santo, que rege a Lua, o Astro da fecundação. Por conseguinte, o fluído vital do Sol que permeia no Corpo Denso pelo baço adquire uma tonalidade rosa pálida, ficam tintos de cor de rosa pálido, muitas vezes observada pelos Clarividentes, quando percorrem os nervos, como a eletricidade percorre os fios de uma instalação elétrica. Assim carregados, o Éter Químico e o Éter de Vida são as vias da assimilação que preservam o indivíduo e de fecundação, que perpetua a Onda de Vida humana.
Durante a vida, cada átomo prismático vital penetra um átomo físico e o faz vibrar. Para visualizar essa combinação, imagine uma cesta feita de arame enrolado em forma de pera com paredes de arame espiralado que se estendem obliquamente de um polo ao outro. Esse é o átomo físico; ele tem forma muito parecida com à da Terra, e o átomo prismático vital é inserido a partir do topo, que é a parte mais larga e corresponde ao Polo Norte da Terra. Assim, a ponta do prisma penetra o átomo físico no ponto mais estreito, que corresponde ao Polo Sul da Terra, e o conjunto se assemelha a um pião girando e bamboleando, vibrando intensamente. Dessa forma, nosso Corpo se enche de Vida e se torna capaz de movimento.
O Éter de Luz e o Éter Refletor são vias de consciência e de memória. No indivíduo comum eles estão um tanto atenuados e não tomaram ainda forma definida; elas interpenetram o átomo da mesma forma que o ar interpenetra uma esponja, e formam uma leve atmosfera áurica ao redor de cada átomo.
A ciência física já determinou que os átomos em nosso Corpo Denso estão em constante mudança, de modo que toda a matéria que atualmente compõem o nosso veículo terá desaparecido em poucos anos, mas é sabido que as cicatrizes e outras imperfeições se conservam da infância à velhice. A razão para isso é que os átomos prismáticos etéricos que compõem o nosso Corpo Vital permanecem inalterados desde que nascemos até morrermos. Eles estão sempre na mesma posição relativa – isto é, os átomos prismáticos etéricos que fazem vibrar os átomos físicos nos dedos dos pés ou das mãos não chegam às mãos, pernas ou qualquer lugar do Corpo, mas permanecem exatamente no mesmo lugar onde foram colocados no princípio. Uma lesão nos átomos físicos implica em uma impressão semelhante nos átomos prismáticos etéricos. A nova matéria física que se modela sobre eles continua a assumir a forma e a textura semelhantes às originais.
As observações anteriores se aplicam apenas aos átomos prismáticos etéricos que correspondem aos sólidos e líquidos no Mundo Físico, pois assumem e conservam uma forma definida. Mas, além disso, cada ser humano, nesse estágio de evolução, possui uma certa quantidade de Éter de Luz e de Éter Refletor, que são os veículos da percepção sensorial e da memória, misturados em seu Corpo Vital. Podemos dizer que o Éter de Luz corresponde aos gases do Mundo Físico; talvez a melhor descrição que se possa dar ao Éter Refletor seja chamá-lo de hiper-etérico. É uma substância vácua de cor azulada, que lembra em aparência o núcleo azulado da chama de gás. Parece transparente e revela tudo que o contém, mas, no entanto, esconde todos os segredos da Natureza e da Humanidade. Nela se encontra um registro da Memória da Natureza. O Éter de Luz e o Éter Refletor são de natureza exatamente oposta à dos estacionários átomos prismáticos etéricos. São voláteis migratórios. Por menor que seja a quantidade que um indivíduo possua desse material, trata-se de um acréscimo, um fruto, derivado de suas experiências vitais. Dentro do Corpo estes dois Éteres se misturam com a corrente sanguínea e, quando aumentam de volume como consequência do serviço prestado e do sacrifício fraterno na Escola da Vida, de modo que não possa mais ser contido no Corpo Denso, se manifesta externamente como um Corpo-Alma de cores ouro e azul.
O azul representa o mais elevado tipo de espiritualidade, portanto, é o menor em volume e pode ser comparado ao núcleo azul da chama de gás, enquanto a cor dourada forma a maior parte e corresponde à luz amarela que circunda o núcleo azul da citada chama de gás. A cor azul não aparece fora do Corpo Denso, exceto nos maiores verdadeiros santos – geralmente, apenas o amarelo é observável ali. Na morte, esta parte do Corpo Vital é gravada no Corpo de Desejos com o Panorama da Vida que contém. A quintessência de toda a nossa experiência de vida é, então, finalmente impressa no Átomo-semente como consciência ou virtude que, nos induzirá a evitar o mal e a fazer o bem nas próximas vidas. Assim, a qualidade do Átomo-semente é alterada de vida para vida. A quintessência do bem extraída da parte migratória do Corpo Vital em uma vida determina a qualidade dos átomos de Éteres prismáticos estacionários da vida seguinte. O mais elevado em uma vida se converte no inferior da vida seguinte e assim, aos poucos, subimos a escada da Evolução em direção à divindade.
A partir do exposto, ficará evidente que o Corpo Vital é um veículo de hábitos; todos os pais sabem que durante os primeiros sete anos de vida, na infância, quando esse veículo está em gestação, as crianças formam um hábito após outro. A repetição é a tônica do Corpo Vital, e os hábitos dependem da repetição. É diferente com o Corpo de Desejos, o veículo dos sentimentos e das emoções, que estão sempre mudando a cada instante; embora se diga que o Éter que forma o nosso Corpo-Alma está em constante movimento e se mistura com a corrente sanguínea, esse movimento é relativamente lento em comparação com a rapidez das correntes do Corpo de Desejos; podemos dizer que o Éter se move com a velocidade de um caracol, comparada com a velocidade da luz.
Quando o Ego está a caminho do renascimento, passando pela Região do Pensamento Concreto, pelo Mundo do Desejo e pela Região Etérica, ele vai juntando uma certa quantidade de material de cada um deles. A qualidade desse material é determinada pelo Átomo-semente, segundo o princípio de que “semelhante atrai o semelhante”. A quantidade de cada uma dessas matérias dependerá da necessidade do Arquétipo que tenhamos construído para nós mesmos no segundo Céu. Com o total dos átomos prismáticos etéricos que o Espírito tiver reunido para seu uso, os Anjos do Destino e seus agentes construirão uma forma etérica que será colocada no útero materno e que aos poucos se irá revestindo de matéria física até construir o Corpo Denso da criança nas vésperas do renascimento.
Apenas uma pequena porção do Éter apropriado por um determinado Ego é utilizada, e o restante constituirá uma reserva que permanecerá fora do Corpo Denso. Por essa razão o Corpo Vital da criança se sobressai muito mais além da periferia do Corpo Denso do que o de um adulto. Durante o período de crescimento, esse estoque de átomos etéricos vai sendo utilizado para vitalizar as secreções dentro do Corpo Denso até que, ao atingir a idade adulta, o Corpo Vital apenas sobressai de dois e meio a quatro centímetros do Corpo Denso.
A Escola de Sabedoria Ocidental ensina como máxima fundamental que “todo desenvolvimento oculto começa no Corpo Vital”. A parte do Corpo Vital formada pelos dois Éteres superiores, o Éter de Luz e o Éter Refletor, é o que poderemos chamar de Corpo-Alma, ou seja, está mais intimamente ligado ao Corpo de Desejos e a Mente e, também, é mais receptivo aos impulsos do Espírito do que os outros dois Éteres. É o veículo do intelecto e responsável por tudo o que faz do ser humano um ser da Onda de Vida humana. Nossas observações, nossas aspirações, nosso caráter, etc., se devem à obra do Espírito nestes dois Éteres superiores, que se tornam mais ou menos luminosos conforme a natureza do nosso caráter e dos nossos hábitos. Além disso, assim como o Corpo Denso assimila as partículas de alimento e, portanto, ganha em massa, os dois Éteres superiores assimilam nossas boas ações durante a vida e, assim, também aumentam de volume. De acordo com nossas ações nessa vida presente, aumentamos ou diminuímos aquilo que trouxemos conosco ao nascer. Esta é a razão pela qual os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental afirmam que todo desenvolvimento místico começa com o Corpo Vital.
[1] N.T.: Também chamado de Plexo Solar (vulgarmente conhecido como “boca do estômago”), um dos principais plexos responsáveis pela inervação de órgãos da porção retrodiafragmática do sistema digestório, principalmente do estômago, intestinos, glândulas anexas (fígado e pâncreas) e ainda contribui para a inervação do baço.
CAPÍTULO III – O CORPO DE DESEJOS E A MENTE
Na terceira Revolução do Período Lunar, os Senhores da Individualidade irradiaram de si mesmos a substância que ajudou os seres humanos, que evoluíam inconscientemente, a apropriar e construir um Corpo de Desejos germinal. Eles também o ajudaram a incorporar esse Corpo de Desejos germinal ao Corpo Vital e ao Corpo Denso que já possuía. Esse trabalho foi se realizando durante toda a terceira e quarta Revoluções do Período Lunar.
A antagônica “vontade inferior”, ou vontade do Corpo, é uma expressão da parte superior do Corpo de Desejos. Quando ocorreu a divisão do Sol, da Lua e da Terra, na primeira parte da Época Lemúrica, a porção mais avançada da Humanidade em formação experimentou uma divisão do Corpo de Desejos em uma parte superior e outra inferior. O restante da Humanidade experimentou a mesma divisão na primeira parte da Época Atlante.
Essa parte superior do Corpo de Desejos se tornou em uma espécie de alma animal. Ela construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal[1] e os músculos Voluntários[2], controlando assim a parte inferior do Tríplice Corpo até que a conexão da Mente fosse estabelecida. Então a Mente se fundiu com a alma animal e se tornou corregente do ser humano.
Durante a vida do ser humano, o Corpo de Desejos não tem a mesma forma que seus Corpos Denso e Vital. Essa forma só é assumida depois da morte. Durante a vida, o Corpo de Desejos tem a aparência de um ovoide luminoso que, durante as horas de estado de vigília, envolve completamente o Corpo Denso, como a clara envolve a gema de um ovo. Estende-se de 30 a 40 centímetros além da superfície do Corpo Denso, nos indivíduos comuns. A matéria do Corpo de Desejos humano é composta de material do Mundo do Desejo e está em movimento incessante de rapidez inconcebível. Não há nele um lugar fixo para nenhuma partícula, como no Corpo Denso. A matéria que se encontra em um dado momento na cabeça pode estar nos pés no momento seguinte e vice-versa. Não há órgãos no Corpo de Desejos, como os há no Corpo Denso e no Corpo Vital, mas existem centros de percepção que, quando ativos, se parecem como vórtices, permanecendo sempre na mesma posição relativa com respeito ao Corpo Denso. Na maioria das pessoas, são meros redemoinhos e não têm utilidade como centros de percepção. Podem ser despertados em todos, porém, os diversos métodos de despertamento produzem resultados diferentes. O Corpo de Desejos está radicado na posição referencial do fígado e nasce por volta dos quatorze anos de idade.
No Clarividente Involuntário, desenvolvido segundo padrões impróprios e negativos, esses vórtices giram da direita para a esquerda, ou no sentido contrário ao dos ponteiros de um relógio – no sentido anti-horário.
No Corpo de Desejos dos Clarividentes Voluntários, devidamente treinados, eles giram no mesmo sentido que os ponteiros do relógio – no sentido horário – brilhando com esplendor excepcional, que supera em muito a luminosidade do Corpo de Desejos comum. Esses centros fornecem aos Clarividentes Voluntários os meios para percepção das coisas do Mundo do Desejo, e ele vê e investiga o que quiser, enquanto nas outras pessoas Clarividentes Involuntários, cujos centros giram da direita para a esquerda, são como um espelho que reflete o que se passa diante dela.
Num futuro muito distante, o Corpo de Desejos do ser humano se tornará tão definitivamente organizado quanto os Corpos Denso e Vital. Quando esse estágio for alcançado, todos teremos o poder de funcionar no Corpo de Desejos como agora funcionamos no Corpo Denso.
A Mente
Na Época Atlante do Período Terrestre, os Senhores da Mente irradiaram de si mesmos para o nosso ser o núcleo da matéria a partir do qual agora buscamos construir uma Mente organizada. Foi fornecido ao ser humano a fim de lhe dar propósito à ação, mas como o Ego era extremamente débil e a natureza de desejos muito forte, a Mente nascente se juntou com o Corpo de Desejos; a faculdade da astúcia foi o resultado e foi causa de toda a maldade do terço intermediário da Época Atlante.
A Mente, sendo o último dos veículos fornecido para o ser humano, ainda não é sequer um Corpo. É simplesmente uma ligação, um envoltório para o uso do Ego como ponto focal. É, no entanto, o instrumento mais importante possuído pelo Espírito, e é seu instrumento especial na obra da criação. Nós mesmos, como Egos, funcionamos diretamente na substância sutil da Região do Pensamento Abstrato, que especializamos na periferia da nossa aura individual. De lá, observamos as impressões feitas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital por intermédio dos sentidos, juntamente com os sentimentos e emoções gerados por elas no Corpo de Desejos e refletidos na Mente.
A partir dessas imagens mentais formulamos nossas conclusões, na substância da Região do Pensamento Abstrato, acerca dos assuntos de elas abordam. Essas conclusões são as ideias. Mediante o poder da vontade, projetamos uma ideia através da Mente, onde a ideia toma forma concreta como pensamento-forma, atraindo para si matéria mental da Região do Pensamento Concreto. A imagem pode ser projetada em qualquer destas três direções:
Quando o trabalho concebido para tal pensamento-forma é concluído, ou sua energia é gasta em vãs tentativas de alcançar seu objetivo, gravita de volta para seu criador, trazendo consigo o registro indelével de sua jornada.
Em nosso estágio atual de evolução, dizemos que a Mente nasce aos vinte e um anos de idade, mas o auge da capacidade mental só é atingido por volta doa quarenta e nove anos.
A Mente é o meio focalizador pelo qual as ideias concebidas pela imaginação do Espírito são projetadas sobre o universo material. Inicialmente, são apenas pensamentos-formas, mas, quando o desejo de realizar as possibilidades imaginadas leva o ser humano a trabalhar no Mundo Físico, elas se tornam o que chamamos de “realidades” concretas.
Atualmente, porém, a Mente não está focada de forma a permitir ao ser humano produzir uma imagem clara e verdadeira daquilo que o Espírito imagina. Não é focada. Produz imagens nebulosas e turvas. Daí a necessidade de experimentação para demonstrar as inadequações da primeira concepção e gerar novas imaginações e ideias até que a imagem produzida pelo Espírito na substância mental seja reproduzida na substância física.
Na melhor das hipóteses, somos capazes de moldar, através da Mente, apenas imagens relacionadas à Forma, porque a Mente humana só surgiu no Período Terrestre e, portanto, está atualmente em seu estágio “mineral” de desenvolvimento. Consequentemente, em nossas operações, estamos confinados às Formas, com os minerais. Podemos imaginar maneiras de trabalhar com as Formas minerais dos três Reinos inferiores, mas pouco ou nada podemos fazer com os Corpos viventes. Podemos, de fato, enxertar um ramo vivo em uma árvore viva, ou uma parte viva de um animal em outro, ou de um ser humano em outro, mas não é com a Vida que estamos trabalhando: é apenas com a Forma. Estamos criando condições diferentes, mas a Vida que já animava a Forma é a mesma que continua subsistindo. Trabalhar com a Vida está além do poder humano, até que sua Mente tenha sido vivificada.
No Período de Júpiter, a Mente será vivificada até certo ponto e o ser humano poderá imaginar Formas que viverão e crescerão, como as plantas.
No Período de Vênus, quando sua Mente adquirir a capacidade de sentir, ele poderá criar coisas vivas que cresçam e tenham sentimentos, como os animais.
E, finalmente, quando alcançar a perfeição, no final do Período de Vulcano, ele será capaz de “imaginar” a existência de criaturas que viverão, crescerão, sentirão e pensarão.
[1] N.T.: O cérebro e a medula espinhal formam o sistema nervoso cérebro-espinhal ou Sistema Nervoso Central (SNC), o centro de comando do Corpo Denso. Eles processam informações, controlam funções vitais, movimentos e sensações.
[2] N.T.: Os músculos voluntários, ou músculos estriados esqueléticos, são aqueles que se contraem de acordo com a nossa vontade consciente. Eles estão conectados aos ossos por meio de tendões e são responsáveis por quase todos os movimentos do nosso Corpo Denso.
Segunda Parte – DOENÇA E ENFERMIDADE
CAPÍTULO IV – AS CAUSAS GERAIS DAS DOENÇAS E ENFERMIDADES
Introdução
A doença e enfermidade é realmente um fogo, o fogo invisível que é o Pai tentando dissolver e quebrar as condições cristalizadas que acumulamos em nossos Corpos. Reconhecemos a febre como um fogo, mas os tumores, como cânceres e todas as outras doenças são, na verdade, realmente os efeitos desse fogo invisível, que tenta purificar o organismo e libertá-lo das condições que criamos ao transgredir as Leis da Natureza.
Podemos dizer, ainda, que a doença e enfermidade é uma manifestação da ignorância, o único pecado, e que a cura[1] é uma demonstração do conhecimento aplicado, que é a única salvação. Cristo é a personificação do Princípio de Sabedoria e, na mesma proporção em que o Cristo se forme em nós, alcançaremos a saúde. Portanto, o Curador ou a Curadora deve ser uma pessoa espiritualizada e se esforçar para imbuir em seu (sua) paciente com elevados ideais espirituais, para que esse (essa) possa, finalmente, aprender a obedecer às Leis de Deus que governam o Universo e, assim, alcançar a saúde permanente tanto na vida atual, como nas vidas futuras.
O Antigo Testamento começa com o relato de como o ser humano foi desviado pela falsa Luz dos Espíritos Lucíferos, dando origem a todas as grandes tristezas e profundos sofrimentos no mundo; termina com a promessa de que o Sol da Retidão e da Justiça surgirá, trazendo a Cura em suas asas. E no Novo Testamento encontramos o Sol da Retidão e da Justiça, a verdadeira Luz, que veio para salvar o mundo, e o primeiro fato que é declarado a respeito d’Ele é que Ele é de Concepção Imaculada.
Agora, esse ponto deve ser compreendido completamente: é a mácula luciferiana da paixão que trouxe: o sentimento de grande tristeza e profunda angústia, o pecado e o sofrimento ao mundo. Quando o poder criador é empregado para gratificar os sentidos, seja por meio do vício solitário ou em conjunto com outra pessoa, com ou sem casamento legalizado, esse é o pecado que não pode ser perdoado; ele deve ser expiado. A Humanidade, como um todo, está sofrendo as consequências desse pecado. Os Corpos debilitados e com doenças e enfermidades que vemos ao nosso redor foram desgastados por séculos de abusos, e enquanto não aprendermos a subjugar nossas paixões, não poderá haver a verdadeira saúde entre a Onda de Vida humana.
Antes da impregnação do Corpo de Desejos com esse princípio demoníaco, a concepção era imaculada e um sacramento. Os seres humanos caminhavam na presença dos Anjos, puros e sem se envergonharem. O ato da fertilização era tão casto como o é da flor. Portanto, quando aconteceu o desvio dessa conduta, ou seja, quando o mal foi feito, imediatamente o mensageiro, ou o Anjo, cingiram os seres humanos com folhas para imprimir neles o ideal que teriam que aprender a viver, nomeadamente, como a planta. Sempre que somos capazes de realizar o ato da geração de maneira pura, casta e sem paixão, como a planta faz, ocorre uma concepção imaculada e nasce um Cristo, capaz de curar todos os sofrimentos da Humanidade, capaz de vencer a morte e de estabelecer a imortalidade, uma luz verdadeira para guiar a Humanidade para longe do fogo-fátuo da paixão; por meio do autossacrifício pela compaixão.
Este é, portanto, o grande ideal pelo qual nos esforçamos: purificarmo-nos da mácula do egoísmo e da busca por interesses pessoais. Por isso, consideramos o Emblema Rosacruz como um ideal. As sete rosas vermelhas simbolizam o sangue purificado; a rosa branca representa a pureza da vida; e a estrela dourada e radiante simboliza a influência inestimável para a saúde, o auxílio e a elevação espiritual que emana de cada servo da Humanidade.
Até que a fé em Cristo nos ilumine desde o nosso interior, não compreendemos e nem seguimos as Leis da Natureza e, consequentemente, contraímos doenças e enfermidades por nossa ignorância ao transgredi-las. Empregando as palavras de Emerson[2], podemos dizer que uma pessoa que está doente é um malandro no ato de ser apanhado em flagrante; ele violou as Leis da Natureza. Por essa razão é necessário que o Evangelho de Cristo seja pregado; que cada um de nós aprenda a amar a Deus com todo o nosso coração e toda a nossa alma, e ao nosso próximo como a nós mesmos, pois todos os problemas do mundo, quer reconheçamos isso ou não, provém de um só e único fato: nosso egoísmo. Se as funções digestivas estão comprometidas, qual é a causa? Não será que sobrecarregamos nosso organismo, por estamos com raiva e esgotamos as nossas forças nervosas tentando obrigar a outros a servir os nossos fins egoístas, e nos sentimos ressentidos por não o termos conseguido? Em todos os casos, o egoísmo é a principal causa da maioria das doenças e enfermidades; o egoísmo é o pecado supremo motivador da ignorância.
[1] N.T.: aqui, advindo do inglês “healing” (a cura definitiva) e não de “curing” (o remediar, a cura ilusória).
[2] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803- 1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense. O transcendentalismo é, para Emerson, um esforço de introspecção metódica para se chegar além do “eu” superficial ao “eu” profundo, o espírito universal comum a toda a espécie humana.
Causas das Deficiências Mentais
As deficiências que afetam a Humanidade podem ser divididas em duas grandes classes: mentais e físicas. Os problemas mentais são particularmente atribuíveis ao abuso da função criadora sexual, quando são congênitos, com uma exceção que observaremos mais tarde. A mesma condição se aplica em caso de comprometimento da faculdade da fala. Isso é razoável e fácil de entender. O cérebro e a laringe foram construídos com metade da força sexual criadora do ser humano pelos Anjos, de modo que o ser humano que, antes da aquisição destes órgãos, era bissexual e capaz de criar apenas a partir de si mesmo, perdeu essa faculdade quando estes órgãos foram criados e agora depende da cooperação de outro de polaridade ou sexo oposto, a fim de gerar um novo veículo físico para um Espírito que chega para renascer aqui.
Quando usamos a visão espiritual para observar o ser humano na Memória da Natureza, durante o tempo em que ele ainda estava em formação, descobrimos que onde quer que exista agora um nervo, houve primeiro uma corrente de desejo; que o cérebro em primeiro lugar, ele mesmo era feito de substância de desejo e, também, o era a laringe. Foi o desejo quem primeiro enviou um impulso motor através do cérebro e criou essas correntes nervosas, para que o Corpo Denso pudesse ser movido e obter para o Espírito qualquer gratificação indicada pelo desejo. A fala também é usada com o propósito de obter um objeto ou fim desejado. Através destas faculdades o ser humano obteve certo domínio sobre o mundo, e se ele pudesse simplesmente passar de um Corpo para outro, não haveria fim para o abuso do seu poder de satisfazer todos os caprichos e desejos. Mas, sob a Lei de Consequência, ele leva consigo ao novo Corpo, faculdades e órgãos semelhantes aos que deixou no anterior, na vida precedente aqui.
Quando a paixão destrói o Corpo Denso em uma vida, essa experiência fica estampada no Átomo-semente do Corpo Denso. Na próxima “descida” para um renascimento aqui será, portanto, impossível para o Espírito reunir material de melhor qualidade com o qual possa construir um cérebro de construção estável. Geralmente, ele nasce aqui sob um dos Signos Comuns e, também, os quatro Signos Comuns estão nos ângulos do horóscopo; pois através destes Signos o desejo apaixonado tem dificuldade em se expressar. Assim, o poderoso impulso que anteriormente governava seu cérebro e que poderia ser usado com o propósito de rejuvenescer está ausente; ele, assim renascido, não tem incentivo na vida e, portanto, se torna indefeso, desamparado ou incapaz – um pedaço de madeira no oceano da vida – muitas vezes insano ou demente.
Mas o Espírito não é insano ou demente; ele vê, conhece e tem um grande desejo de usar o Corpo, embora isso possa ser uma impossibilidade, pois muitas vezes não consegue nem mesmo enviar um impulso correto ao longo dos nervos. Os músculos do rosto e do corpo não estão, portanto, sob o controle da sua vontade. Isso explica a falta de coordenação que torna o insano ou demente, muitas vezes, uma visão tão lamentável. E assim o Espírito aprende uma das lições mais difíceis da vida, a saber, que é pior que a morte estar preso a um Corpo Denso vivo e ser incapaz de encontrar expressão através dele, porque a força do desejo necessária para realizar as funções do pensamento, da fala e do movimento foram gastas em uma vida iníqua, perversa, maligna ou ímpia em uma vida anterior e deixou o Espírito sem a energia necessária para operar seu atual instrumento corporal.
Embora as deficiências mentais, quando congênitas, sejam geralmente atribuíveis ao abuso da função sexual criadora numa vida passada, há pelo menos uma notável excepção a esta regra: quando um Espírito, que tem uma vida especialmente dura diante de si “desce” para renascer aqui e ao entrar na matriz do útero, sente ou percebe o Panorama de Vida – que contém os principais acontecimentos que passará – e considera essa existência como demasiada dura para ser suportada, às vezes, tenta fugir da Escola da Vida. Neste momento, os Anjos do Destino ou Relatores ou seus agentes já fizeram a conexão entre o Corpo Vital e os centros dos sentidos do cérebro do embrião em formação; portanto, o esforço do Espírito para escapar do ventre materno é frustrado, mas a ruptura dada pelo Ego perturba a conexão entre os centros dos sentidos etérico e físico, de modo que o Corpo Vital não fica concêntrico com o Corpo Denso, fazendo com que a cabeça etérica se estenda acima do crânio físico. Assim é impossível ao Espírito utilizar o Corpo Denso; está ligado a um Corpo Denso “irracional” que não pode usar, e a incorporação é praticamente desperdiçada.
Encontramos também casos em que um grande choque, mais tarde na vida, faz com que o Espírito se esforce para fugir com os veículos invisíveis. Como resultado, uma ruptura semelhante é aplicada aos centros dos sentidos etéricos no cérebro, e o choque perturba a expressão mental. Todo mundo, provavelmente, já sentiu uma sensação semelhante ao receber um susto; um impulso como se algo tentasse sair do Corpo Denso; esses são o Corpos Vital e o Corpo de Desejos, que são tão rápidos em sua ação que um trem expresso é como um caracol, em comparação. Eles veem e sentem o perigo e ficam assustados antes que o susto seja transmitido ao Corpo Denso inerte e lento no qual estão ancorados, e que impede sua fuga sob tensão normal.
Mas às vezes, como foi dito, o susto e o choque são suficientemente para dar-lhes tal impulso que os centros dos sentidos etéricos fiquem perturbados. Isso acontece com mais frequência com pessoas nascidas sob Signos Comuns, que são os mais frágeis do Zodíaco. Entretanto, assim como um ligamento que foi esticado e rompido pode gradualmente recuperar relativa elasticidade, também nestes casos é mais fácil restaurar as faculdades mentais do que naqueles casos em que a insanidade ou demência congênita, trazida de vidas passadas, causou conexão inadequada.
Causas de Deficiências Físicas:
Com relação a anormalidades e deformidades físicas, a regra parece ser que, assim como a indulgência física da paixão reage sobre o estado mental, o abuso das faculdades mentais em uma vida leva à deficiência física em existências posteriores. Uma máxima oculta diz: “uma mentira no Mundo do Desejo é tanto assassina quanto suicida”. Os Ensinamentos Rosacruzes dos Irmãos Maiores, apresentados no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, explicam que, sempre que um acontecimento ocorre, um certo pensamento-forma é na Região Concreta do Mundo do Pensamento registra o incidente e, também, uma forma de desejos é criada no Mundo do Desejo. Cada vez que o evento é mencionado ou comentado, um novo pensamento-forma é criado e uma nova forma de desejos é criada no Mundo do Desejo, que se funde com a original e a fortalece, desde que ambas estejam em sintonia com a mesma vibração. Mas se uma inverdade for dita sobre o que acontece, então as vibrações da original e as da reprodução não são idênticas: elas se chocam e se destroem mutuamente. Se o desejo (e, consequentemente, o pensamento) bom e verdadeiro for suficientemente forte, ele vencerá e destruirá as formas de desejos (e, também, o pensamento-forma) baseadas na mentira, e o bem vencerá o mal; mas onde os desejos (e o correspondente pensamento-forma) mentirosos e maliciosos forem mais fortes, eles poderão vencer a forma de desejo (e o correspondente pensamento-forma) verdadeiro da ocorrência e, assim, destruí-lo. Depois, entrarão em conflito entre si, e todos serão aniquilados mutuamente. Todas as coisas, em última análise, cooperam para o bem.
Assim, uma pessoa que vive uma vida pura, esforçando-se para obedecer às Leis de Deus e buscando sinceramente a verdade e a retidão, criará pensamento-formas ao seu redor de natureza correspondente; sua Mente seguirá caminhos que harmonizam com a verdade; e quando chegar a hora, no Segundo Céu, de criar o Arquétipo para sua vida vindoura, ela prontamente, intuitivamente, por força do hábito da vida passada, se alinhará com as forças do direito e da verdade. Essas linhas, sendo incorporadas ao seu Corpo, criarão harmonia nos veículos vindouros, e a saúde será, portanto, sua porção normal na vida vindoura. Aqueles que, por outro lado, tiveram, na vida passada, uma visão distorcida das coisas, demonstraram desrespeito pela verdade e exerceram astúcia, extremo egoísmo e descaso pelo bem-estar dos outros, estão fadados, no Segundo Céu, a ver as coisas de maneira oblíqua também, porque essa é sua linha de pensamento habitual. Portanto, o Arquétipo construído por eles incorporará linhas de erro e falsidade; Consequentemente, quando o Corpo nasce, apresentará fraqueza em vários órgãos, senão em toda o organismo corporal.
Mais uma vez, alertamos os Estudantes para que não tirem conclusões precipitadas dessas regras provisórias. Não é nossa intenção insinuar que todos aqueles que possuem um Corpo aparentemente saudável tenham sido exemplos de virtude em suas vidas passadas, e que aqueles que sofrem de uma deficiência ou outra tenham sido um vagabundo ou um inútil. Nenhum de nós é capaz de dizer, no momento presente, “toda a verdade e nada além da verdade”. Somos enganados porque nossos sentidos são ilusórios. Uma rua longa parece se estreitar à distância, quando, na verdade, ela é tão larga a um quilômetro de distância quanto o local onde estamos. O Sol e a Lua parecem muito maiores quando próximos ao horizonte do que quando estão no zênite; mas, na verdade, sabemos que eles não aumentam de tamanho ao descerem em direção ao horizonte, nem diminuem ao ascenderem ao meio do céu. Assim, estamos constantemente levando em consideração e corrigindo ilusões sensoriais; da mesma forma, com tudo o mais no mundo. O que parece ser verdade nem sempre o é, e o que é verdade hoje em relação às condições de vida pode mudar amanhã. Portanto, é impossível para nós conhecermos a verdade última sob as condições evanescentes e ilusórias da existência física.
É somente quando entramos nos Mundos espirituais e, particularmente, na Região Concreta do Mundo do Pensamento, que as verdades eternas podem ser percebidas; portanto, devemos necessariamente cometer erros repetidamente, mesmo apesar de nossos esforços mais sinceros para sempre conhecer e dizer a verdade. Por essa razão, é impossível para nós construirmos um veículo completamente harmonioso. Se isso fosse possível, tal Corpo seria realmente imortal, e sabemos que a imortalidade “na carne” não é o desígnio de Deus. S. Paulo nos ensina que “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”[1].
Mas sabemos que, ainda hoje, apenas uma pequena porcentagem está disposta a viver tão próxima da verdade quanto a compreende, a confessá-la e proclamá-la diante dos outros por meio do serviço e de uma vida justa e íntegra. Podemos apenas imaginar que tais pessoas deviam ser raras nos tempos antigos, quando o ser humano ainda não havia desenvolvido o altruísmo que chegou a este Planeta com o advento de nosso Senhor e Salvador, Cristo Jesus.
Os padrões de moralidade eram muito mais baixos naquela época, e o amor pela verdade quase insignificante na maior parte da Humanidade, que estava absorta em seus esforços para acumular o máximo de riqueza, poder ou prestígio possível. Portanto, eram naturalmente inclinados a desconsiderar os interesses alheios, e mentir não parecia de forma alguma repreensível, às vezes até mesmo meritório. Os Arquétipos eram constantemente repletos de fraquezas, e as funções orgânicas do Corpo hoje são seriamente afetadas como resultado disso, particularmente porque os Corpos das pessoas que nascem no lado ocidental desse Planeta, estão se tornando mais tensos e mais sensíveis à dor devido à crescente consciência do Espírito.
[1] N.T.: ICor 15:50
CAPÍTULO V – CAUSAS ESPECÍFICAS DE DOENÇAS
Insanidade[1]:
Do ponto de vista do ocultista, existem quatro espécies de insanidade. A insanidade sempre é causada pela ruptura da cadeia de veículos entre o Ego e o Corpo Denso. Essa ruptura pode ocorrer entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, entre o Corpo de Desejos e a Mente, ou entre a Mente e o Ego. A ruptura pode ser completa ou apenas parcial.
Quando a ruptura ocorre entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, ou entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, temos o caso de deficiência intelectual. Quando a ruptura ocorre entre o Corpo de Desejos e a Mente, o Corpo de Desejos violento e impulsivo domina e temos o maníaco delirante. Quando a ruptura é entre o Ego e a Mente, a Mente domina os demais veículos e temos o maníaco astuto[2], que podem enganar as pessoas que, porventura, estão vigiando-o, fazendo-as acreditar que é completamente inofensivo até que tenham arquitetado algum plano diabólico e astuto. Então ele pode subitamente manifestar sua mentalidade perturbada e causar uma catástrofe terrível.
Há uma causa de insanidade que talvez seja bom explicar, pois às vezes é possível evitá-la. Quando o Ego regressa dos Mundos invisíveis para o novo renascimento, são-lhe mostrados diversos renascimentos disponíveis. O Ego contempla sua próxima vida em seus grandes e gerais eventos, como um filme passando diante de seus olhos. Então, geralmente, lhe é dado a escolha entre diferentes vidas. Nesse momento, o Ego percebe as lições que precisa aprender, o destino que criou para si em vidas passadas e qual parte desse destino terá que liquidar em cada um dos renascimentos oferecidos. Então, faz sua escolha e, em seguida, é guiado pelos agentes dos Anjos do Destino até o país e a família onde viverá sua próxima existência aqui.
Esta visão panorâmica lhe é contemplada no Terceiro Céu, onde o Ego se encontra despido dos seus Corpos e da Mente e se sente espiritualmente acima de todas as sórdidas considerações materiais. É muito mais sábio, então, do que aparenta ser na Terra, onde está “cegado pela carne”, em um grau inconcebível. Mais tarde, quando a concepção ocorre e o Ego penetra no útero materno, ou seja, por volta do décimo oitavo dia depois da concepção, ele entra em contato com o molde etérico do seu novo Corpo Denso, formado pelos Anjos do Destino, para conferir ao cérebro a formação que imprimirá no Ego as tendências necessárias para cumprir seu destino.
Ali, o Ego vê novamente as imagens de sua próxima vida, como a pessoa que se afoga percebe as imagens de sua vida passada em um relâmpago. Nesse momento, o Ego já está parcialmente cego para sua natureza espiritual, de maneira que, se sua próxima vida lhe parecer difícil, muitas vezes ele se retrairá, evitando entrar no útero e estabelecer as conexões cerebrais adequadas com o futuro Corpo. Ele pode tentar se retirar rapidamente e, então, em vez do Corpo Denso e do Corpo Vital ficarem concêntricos, a cabeça do Corpo Vital pode ser parcialmente projetada acima da cabeça do Corpo Denso. Nesse caso, as conexões entre os centros sensoriais do Corpo Vital e o Corpo Denso ficam desajustadas ou simplesmente não se estabelecem e o resultado é a deficiência intelectual, a epilepsia, a dança de São Vito[3] ou outros distúrbios nervosos semelhantes.
As relações inarmônicas entre os pais, que às vezes existem, é frequentemente a gota d’água que leva o Ego a sentir que não pode entrar em tal ambiente. Portanto, é fundamental enfatizar aos futuros pais que, durante o período gestacional, é da maior importância que tudo seja feito para manter a mãe em um estado de contentamento e harmonia. Pois é uma tarefa muito árdua para o Ego passar pelo útero; exige o máximo de suas sensibilidades, e condições inarmônicas no lar em que está entrando são, naturalmente, uma fonte adicional de desconforto, que pode resultar no terrível estado de coisas mencionado acima.
A Magia Negra, em suas formas menores, tais como o hipnotismo, geralmente é causa de idiotismo congênito em uma vida futura. O hipnotizador priva sua vítima do livre uso do Corpo e sob a Lei de Consequência se verá vinculado a algum Corpo com um cérebro mal conformado que impedirá sua devida expressão. Mas nem por isso devemos concluir que todos os casos de idiotismo congênito sejam devidos a essas más práticas por parte de Ego em uma vida passada, porque existem outras causas que também podem provocar o idiotismo congênito.
As drogas e os exercícios respiratórios tais como os que são praticados pelos estudantes do Oriente, têm um efeito terrivelmente destruidor sobre o Corpo, pelo que o seu emprego é absolutamente indesejável. São muitas as pessoas que atualmente se encontram no manicômio ou afetadas de tuberculose, devido aos exercícios respiratórios. Nada diremos dos efeitos das drogas, pois são bem conhecidos. Os átomos dos Corpos dos ocidentais foram altamente sensibilizados durante o transcurso da evolução e os exercícios que um Oriental pode empregar impunemente porque o seu Corpo carece dessa alta sensibilidade, provocariam uma catástrofe no Corpo de um Ocidental, causando uma desusada movimentação dos seus átomos, os quais dificilmente poderão retornar à sua condição normal.
[1] N.T.: O termo insanidade utilizado aqui se refere à condição mental caracterizada pela perda da capacidade de raciocínio lógico, falta de sensatez ou comportamentos considerados anormais.
[2] N.T.: Exemplos: Psicopata calculista, Maníaco calculista, Manipulador lunático, Louco ardiloso.
[3] N.T.: um nome histórico e popular para a Coreia de Sydenham, uma doença neurológica que causa movimentos involuntários, espasmódicos e descontrolados.
Mediunidade[1]:
Quando uma pessoa se torna médium para um Espírito desencarnado entrar em seu Corpo Denso, como no caso do “médium em transe”, em que um Espírito toma posse do seu Corpo Denso e o utiliza como o próprio dono faria, há pouco ou nenhum dano causado, desde que o Espírito controlador não abuse de seu privilégio. De fato, existem casos em que os Espírito controladores tem uma melhor noção de como cuidar de um Corpo Denso do que o próprio dono, podendo até melhorar a saúde desse Corpo. Mas Espíritos de natureza ética elevada, geralmente, não controlam um médium; são mais os Espíritos apegados à Terra e os de natureza inferior, como, por exemplo, alguns indígenas e outros de natureza semelhante, que obtém controle sobre as pessoas mediúnicas e, quando em posse do Corpo Denso, podem usá-lo para satisfazer suas paixões mesquinhas por bebidas alcoólicas ou sexuais. Assim causam perturbações ao organismo e deterioração do instrumento físico.
No caso do médium materializador, podemos dizer que a influência é sempre prejudicial. O Espírito materializador entra em transe com a vítima e então extrai o Éter do Corpo Vital através do baço, pois a diferença entre o médium materializador e a pessoa comum reside no fato de que a conexão entre o Corpo Vital e o Corpo Denso é extremamente frouxa, de modo que é possível extrair esse Corpo Vital em grande medida. O Corpo Vital é o veículo pelo qual as correntes solares que nos infundem vitalidade são especializadas. Privado do princípio vitalizante, o Corpo materializado, durante o processo de materialização, por vezes encolhe para quase metade do seu tamanho habitual; a carne se torna flácida e a centelha vital enfraquece consideravelmente. Quando a sessão termina e o Corpo Vital é reintegrado, o médium desperta e retorna a consciência normal. Ele então experimenta uma sensação de exaustão extrema e, por vezes, infelizmente, recorre à bebida alcoólica para reavivar as forças vitais. Nesse caso, naturalmente, a saúde logo se deteriora e o médium acaba em ruína física e mental. De qualquer modo, a mediunidade deve ser evitada, pois, além desse perigo para o Corpo Denso, existem outras considerações muito mais graves relacionadas aos Corpos sutis e, particularmente, com ao estado “post-mortem”.
[1] N.T.: Um dos tipos mais comuns e perigosos da prática de Clarividência Involuntária, também chamada de Clarividência negativa, onde quem pratica só pode ver e/ou ouvir o que se lhe apresenta e que, no melhor dos casos, pouco mais tem além da mera faculdade negativa. Eles são incapazes de obter informações reais dos Mundos invisíveis. No Corpo de Desejos de um Clarividente involuntário, os vórtices do Corpo de Desejos giram da direita para a esquerda, ou seja, na direção oposta à dos ponteiros de um relógio. É um indivíduo que possui uma frouxidão entre o Corpo Vital e o Corpo Denso. Tal indivíduo não escolhe ter acesso a tais Mundos, mas simplesmente por conta dessa frouxidão ele entra em contato com a Região Etérica do Mudo Físico, onde as formas e informações são nebulosas, eles não visualizam claramente. Podemos dizer: “vê quando não quer ver e quando vê não sabe o que tem que fazer”.
A obsessão é um estado em que um Espírito desencarnado toma posse permanente do Corpo Denso de alguém, após desalojar o seu legítimo proprietário. Contudo, às vezes, pessoas que adquiriram o hábito de tomar bebidas alcoólicas até se embriagar ou outro vício pior, tentam se justificar alegando estarem obsidiadas[1]. Sempre que alguém faz tal afirmação a respeito de si mesmo pode-se ter quase certeza de que não passa de uma desculpa; pois um ladrão que roubou algo aqui no Mundo material não sai por aí contando às pessoas sobre o seu roubo, nem uma entidade obsessora sai por aí proclamando o fato. É certo que tal entidade não se importa com o que se pensa da pessoa cujo Corpo ela roubou; portanto, não há razão para que ela revele o ocorrido e corra o risco de ser exorcizada.
Existe um meio infalível de saber se uma pessoa está realmente obsidiada: o diagnóstico do olho. “Os olhos são a janela da alma”[2] , e apenas o verdadeiro dono do Corpo Denso é capaz de contrair e dilatar a íris – ou a pupila – do olho; assim, se levarmos uma pessoa que afirma estar obsidiada (ou que suspeitamos que o esteja) a um ambiente escurecido, veremos que a pupila não se dilatará se ela estiver sob obsessão. A pupila tampouco se contrairá ao ser exposta à luz solar, nem se dilatará ao se pedir que a pessoa olhe um objeto distante, nem se contrairá ao se solicitar a leitura de letras miúdas. Em suma, a pupila não reage nem à luz, nem à distância quando a pessoa está obsidiada; contudo, existe também uma doença chamada ataxia locomotora[3], na qual a pupila responde à luz, mas reage à distância.
Ninguém que mantenha uma atitude mental positiva pode jamais sofrer uma obsessão, pois, enquanto afirmamos a nossa Individualidade, ela é forte o suficiente para afastar quaisquer influências externas. No entanto, em qualquer tipo de reunião ou encontro de pessoas em que os participantes adotam uma postura passiva – como por exemplo em “sessões espíritas” ou “sessões de espiritismo”, a prática de observar bolas de cristal e outros métodos de evocação de espíritos afins – existe sempre um grande perigo. A melhor maneira de evitar a obsessão é manter essa atitude positiva; qualquer pessoa com tendência à passividade deve evitar tais tipos de reuniões ou encontros. De qualquer modo, essa é uma prática condenável, pois aqueles que já partiram têm o seu próprio trabalho a realizar nos planos espirituais, e não devem ser trazidos de volta para cá.
No momento da morte, quando o Átomo-semente que se encontra na posição referencial do coração – que contém todas as experiências da vida passada em um quadro panorâmico –, se liberta, o Espírito[4] abandona o Corpo Denso, levando consigo os Corpos mais sutis. Ele então paira sobre o Corpo Denso – agora morto, como o denominamos – por um período que varia de algumas horas até três dias e meio. O fator determinante para a duração desse tempo é a fortaleza, o vigor, a robustez e energia do Corpo Vital, o veículo que constitui o Corpo-Alma mencionado na Bíblia. Ocorre, então, uma reprodução pictórica da vida – um panorama em ordem inversa, da morte ao nascimento –, e as imagens são gravadas no Corpo de Desejos por meio do Éter Refletor desse Corpo Vital. Durante esse período, a consciência do Espírito está concentrada no Corpo Vital (ou, pelo menos, deveria estar) e, portanto, não há qualquer sensação a esse respeito. A imagem impressa no veículo do sentimento e da emoção – o Corpo de Desejos – constitui a base para o sofrimento subsequente no Purgatório, decorrente das más ações, e para o desfrute no Primeiro Céu, resultante do bem praticado na vida passada.
Investigações mais recentes revelaram o fato adicional de que ocorre outro processo durante esses dias importantes que se seguem à morte. Ocorre uma separação no Corpo Vital, semelhante àquela produzida pelo processo de Iniciação. A parte desse veículo que pode ser denominada “alma” se une com os veículos superiores e constitui a base da consciência nos Mundos invisíveis, depois da morte. A parte inferior, que é descartada, retorna ao Corpo Denso e paira sobre o túmulo, na grande maioria dos casos, conforme afirmado no Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz. Essa separação do Corpo Vital não ocorre da mesma maneira em todas as pessoas, mas depende da natureza da vida vivida e do caráter da pessoa que está partindo. Em casos extremos, essa divisão difere consideravelmente do padrão normal. Esse ponto importante foi evidenciado em muitos casos de suposta obsessão espiritual investigado em Mount Ecclesia; de fato, foram esses casos que levaram às descobertas abrangentes e surpreendentes, resultantes de nossas pesquisas mais recentes sobre a natureza da obsessão que afligia as pessoas que nos procuraram. Como seria de esperar, naturalmente, a divisão nesses casos revelava uma preponderância do mal; buscou-se, então, verificar se não haveria também outra categoria de pessoas nas quais ocorresse uma divisão diferente, com preponderância do bem. É um prazer registrar que isso foi constatado e, após ponderar e comparar os fatos descobertos, a descrição a seguir parece retratar corretamente as condições e as razões para tal fenômeno:
O Corpo Vital tem por objetivo reconstruir o Corpo Denso, enquanto nossos desejos e nossas emoções o desgastam. É o conflito entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos que gera a consciência no Mundo Físico e que endurece os tecidos, fazendo com que o Corpo tenro da criança se torne gradualmente rígido e contraído na pessoa idosa, culminando na morte. A moralidade ou imoralidade de nossos desejos e nossas emoções atua de maneira semelhante no Corpo Vital. Quando a devoção a ideais elevados é o motor da ação, quando se permitiu que a natureza devocional se expressasse livre e frequentemente ao longo dos anos – e, particularmente, quando isso foi acompanhado pelos Exercícios Científicos de Retrospecção e Concentração –, quantidade de Éter Químico e de Éter de Vida diminui gradualmente à medida em que os apetites animais desaparecem, sendo substituída por uma quantidade crescente de Éter de Luz e Éter Refletor. Consequentemente, a saúde física dessas pessoas não é tão robusta entre as pessoas que seguem o caminho superior, quanto aquelas cuja entrega à natureza inferior atraem o Éter Químico e o Éter de Vida – na proporção da extensão e da natureza de seu vício –, em detrimento, parcial ou total, dos dois Éteres superiores.
Desse fato decorrem várias consequências muito importantes relacionadas à morte. Visto que é o Éter Químico que mantém as moléculas do Corpo únicas em seus lugares e as conserva ali durante a vida, quando resta apenas uma quantidade mínima desse material, a desintegração do veículo físico após a morte deve ser muito rápida. O autor não pôde verificar isso pessoalmente, pois é difícil encontrar pessoas de elevada inclinação espiritual que tenham falecidas recentemente; no entanto, tal conclusão parece correta à luz do relato bíblico de que o Corpo Denso de Cristo Jesus não foi encontrado no sepulcro quando as pessoas foram procurá-lo. Como já mencionamos anteriormente a esse respeito, Cristo espiritualizou o Corpo Denso de Jesus a tal ponto – tornando-o tão vibrante – que era quase impossível manter as partículas coesas durante Seu ministério. Como também já foi dito, uma vida mundana aumenta a proporção dos Éteres inferiores no Corpo Vital em relação aos Éteres superiores. Por outro lado, quando se leva uma vida considerada “pura” e se evita excessos, a saúde física é mais robusta do que a do Aspirante à vida superior; isso ocorre porque a atitude deste último perante a vida constrói um Corpo Vital composto principalmente dos Éteres superiores. Ele ama o “pão da vida”[5] mais do que o sustento físico e, por isso, seu instrumento físico se torna cada vez mais tenso, sensível e delicado; uma condição de sensibilidade que favorece grandemente os propósitos do Espírito, mas que representa uma dificuldade do ponto de vista físico.
Na maioria da Humanidade há tal preponderância de egoísmo e de desejo de tirar o máximo proveito da vida física – segundo sua própria visão – que as pessoas vivem ocupadas ou lutando pela sobrevivência, ou acumulando posses e cuidando de bens materiais; consequentemente, dispõem de pouquíssimo tempo ou disposição para empreender com o cultivo da alma, tão necessário ao verdadeiro sucesso na vida.
Por isso, é tão pouco o que perdura na vida da maioria, e a evolução é tão assustadoramente lenta, que – até que se seja capaz de contemplar o ato da morte a partir das Regiões superiores da Região Concreta do Mundo do Pensamento e, por assim dizer, olhar para baixo – não parece restar nada do Corpo Vital. Este Corpo parece retornar intacto ao Corpo Denso e pairar sobre a sepultura, desintegrando-se simultaneamente com ele. Na realidade, porém, uma parte crescente adere aos veículos superiores e os acompanha ao Mundo do Desejo, servindo de base para a consciência e para a vivência no Purgatório e no Primeiro Céu; essa parte geralmente persiste até que o ser humano entre no Segundo Céu e se una às Forças da Natureza ali existentes, em seus esforços para criar para si um novo ambiente. Nessa altura, ela já terá sido absorvida pelo Espírito – ou quase totalmente –, e qualquer resquício de natureza material que ainda reste desaparecerá rapidamente.
No entanto, existem pessoas de natureza tão maligna que se comprazem em uma vida gasta de vícios e práticas degeneradas – uma vida brutal – e que sentem prazer em infligir dor às pessoas. Às vezes, chegam a cultivar artes ocultas com fins maléficos, visando obter maior poder sobre suas vítimas. Consequentemente, suas práticas diabólicas e imorais resultam no endurecimento do Corpo Vital delas.
Em casos extremos nos quais a natureza animal predominou – onde não houve expressão da alma na vida terrena anterior –, a divisão do Corpo Vital mencionada anteriormente não pode ocorrer no momento da morte, pois não existe uma linha divisória. Se, nessas circunstâncias, o Corpo Vital retornasse ao Corpo Denso para ali se desintegrar gradualmente, as consequências de uma vida tão perversa não seriam tão abrangentes; infelizmente, porém, ocorre um entrelaçamento tão forte entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos que impede a separação. Vimos que, quando um ser humano vive predominantemente segundo sua natureza superior, seus veículos espirituais são nutridos em detrimento dos veículos inferiores. Inversamente, quando sua consciência está centrada nos seus veículos inferiores, estes se fortalecem imensamente. É preciso compreender que a vida do Corpo de Desejos não se encerra com a partida do Espírito; ele conserva uma vida e uma consciência residuais. O Corpo Vital também é capaz de perceber sensações, ainda que de forma tênue, durante alguns dias após a morte em casos comuns (e daí o sofrimento causado pelos embalsamentos, autópsias, etc. que se fazem logo após o falecimento da pessoa), contudo, quando uma vida de baixo teor moral o endureceu e lhe conferiu grande vigor, ele mantém uma tenaz ligação com a vida e a capacidade de se nutrir de odores de alimentos e bebidas alcoólicas. Por vezes, como um parasita, chega a vampirizar as pessoas com quem entra em contato.
Assim, um ser humano perverso pode viver por muitos e muitos anos, despercebido em nosso próprio meio e, no entanto, tão próximo a ponto de estar mais perto de nós do que as nossas mãos e os nossos pés. Ele é muito mais perigoso do que o criminoso comum, pois é capaz de incitar outros de índole semelhante a práticas criminosas ou degeneradas, sem receio de ser descoberto ou punido pela lei.
Tais seres são, portanto, uma das maiores ameaças imagináveis à sociedade. Eles enviaram inúmeras vítimas para as prisões; destruíram lares e causaram uma quantidade inacreditável de infelicidades. Eles sempre abandonam suas vítimas quando estas caem nas garras da lei. Deleitam-se com o profundo sofrimento e a grande angústia de suas vítimas, sendo isso parte de seu plano diabólico. É surpreendente, ao pesquisar a Memória da Natureza do passado, constatar quão prevalecente eram essas condições de entrelaçamento entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos em séculos e até nos milênios anteriores. Compreendemos, naturalmente – de maneira um tanto abstrata –, que quanto mais retrocedemos na história da Humanidade, mais selvagens encontramos o ser humano; contudo, o fato de que em nossa própria era histórica tal selvageria fosse tão comum e brutal, e de que a força fosse a medida absoluta e incontestável do direito, constituiu, no mínimo, um grande choque para o autor. Ensina-se que o egoísmo e o desejo foram deliberadamente estimulados sob o regime de Jeová para incentivar a ação. Com o passar do tempo, isso endureceu de tal maneira o Corpo de Desejos que, quando ocorreu o advento de Cristo, quase não havia vida celestial entre as pessoas que viviam naquela época.
Os Espíritos apegados à Terra, como mencionados anteriormente, gravitam em direção às Regiões inferiores do Mundo do Desejo – que interpenetra o Éter – e mantém contato constante e estreito com as pessoas na Terra que estão em condições mais favoráveis para auxiliá-los em seus propósitos malignos. Geralmente, eles permanecem nessa condição de ligação com a Terra por cinquenta, sessenta ou setenta e cinco anos, mas foram encontrados casos extremos em que tais indivíduos permaneceram assim por séculos.
Quando o Espírito deixa o Corpo de Pecado – como chamamos a esse Corpo, em contraste com o Corpo-Alma – para ascender ao Segundo Céu, ele não se desintegra tão rapidamente quanto ao invólucro comum deixado para trás pelas pessoas comuns; isso ocorre porque a consciência nele contida é intensificada por sua composição dual: sendo constituído tanto por um Corpo Vital quanto por um Corpo de Desejos, ele possui uma consciência individual ou pessoal notável. Embora incapaz de raciocinar, manifesta uma astúcia primitiva que cria a ilusão de possuir uma presença espiritual, como um Ego, permitindo-lhe levar uma existência separada por muitos séculos. Enquanto isso, o Espírito que partiu ingressa no Segundo Céu; contudo, como não realizou na Terra nenhum trabalho que gerasse o desejo ou o merecimento de uma permanência prolongada ali ou no Terceiro Céu, ele permanece apenas o tempo suficiente para criar um novo ambiente para si mesmo, renascendo então muito mais cedo do que o habitual – impelido a satisfazer os seus anseios por coisas materiais que o atraem tão fortemente.
Quando o Espírito retorna à Terra, esse Corpo de Pecado é naturalmente atraído por ele e, geralmente, permanece ao seu lado durante toda a vida na condição de um demônio. Investigações comprovaram que essa classe de criaturas desprovidas de alma era muito comum nos tempos bíblicos; foi a elas que o nosso Salvador se referiu como demônios, sendo elas as causas de diversas obsessões e enfermidades físicas, conforme registrados na Bíblia.
Além das entidades já mencionadas – que habitam um Corpo de Pecado criado por elas mesmas e, assim, sofrem inteiramente as consequências de seus próprios atos durante o período de expiação –, foram identificadas duas outras classes, semelhantes em certos aspectos, porém diferentes em outros. Além das Hierarquias Divinas e das quatro Ondas de Vida de Espíritos, que atualmente evoluem no Mundo Físico por meio dos Reinos mineral, vegetal, animal e humano, existem também outras Ondas de Vida que se manifestam nos diversos Mundos invisíveis. Entre elas, há certas classes de Espíritos sub-humanos, chamados elementais. Ocorre, por vezes, de um desses elementais tomar posse do Corpo de Pecado de algum ser humano pertencente, por exemplo, a uma tribo selvagem, conferindo-lhe, assim, uma inteligência adicional. Quando o Espírito que gerou esse Corpo de Pecado renasce, a atração natural os reúne; contudo, devido à presença do elemental que anima o Corpo de Pecado, esse Espírito se diferencia dos demais membros; torna-se muito diferente dos demais membros da tribo, passando a atuar como curandeiro ou em função semelhante. Os Espíritos elementais, ao animarem os Corpos de Pecado desses tipos de seres humanos, também atuam sobre pessoas que participam de reuniões ou sessões onde se põem em condição passiva, como por exemplo, os médiuns, como espíritos controladores; tendo obtido domínio sobre tais pessoas durante a vida, quando essas morrem, tais espíritos controladores elementais as expulsam dos veículos que contém a experiência delas. Dessa forma, a evolução, por exemplo do médium pode sofrer um atraso de eras, pois não existe poder capaz de obrigar esses Espíritos a abrir mão do controle, uma vez que o tenham assumido sobre tal Corpo. Portanto, embora a mediunidade possa não produzir maus efeitos aparentemente nocivos durante uma vida, existe um perigo extremamente grave, após a morte, para a pessoa que permite que outro ser tome posse de seu Corpo.
[1] N.T.: Forma mais tradicional e etimológica, vinda do latim obsidere.
[2] N.T.: Essa frase é uma expressão popular atribuída ao polímata renascentista Leonardo da Vinci.
[3] N.T.: Hoje, a Ciência já descobriu que a ataxia locomotora (perda de coordenação motora/equilíbrio) e pupilas que não reagem à luz direta, mas se contraem ao focar em objetos próximos (conhecida como dissociação luz-perto) — formam um quadro altamente sugestivo do Sinal de Argyll Robertson. Ou seja, há uma perda do reflexo fotomotor, onde a pupila não diminui de tamanho quando um feixe de luz é direcionado diretamente aos olhos. Mas, há a manutenção do reflexo de acomodação, ou seja, a pupila se contrai adequadamente quando a pessoa muda o foco visual para um objeto próximo.
[4] N.T.: Aqui se refere ao que realmente somos: o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida manifestado aqui nesse Esquema de Evolução.
[5] N.T.: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim nunca mais terá fome; quem crê em mim nunca mais terá sede.” (Jo 3:35)
A Histeria, Epilepsia, Tuberculose e o Câncer
Constatou-se que a histeria, a epilepsia, a tuberculose e o câncer resultam de tendências erráticas de uma vida passada. Observou-se que, embora muitos dos indivíduos tivessem sido — nas vidas passadas investigadas — quase maníacos na satisfação de sua lascívia, possuíam, ao mesmo tempo, uma natureza profundamente devota e religiosa. Nesses casos parece que o Corpo Denso gerado na vida atual parecia ser normalmente saudável, sendo a incapacidade de natureza puramente mental; por outro lado, quando a entrega à natureza passional vinha acompanhada de um caráter vil e de um cruel descaso pelo próximo, o resultado manifestado era a epilepsia[1], juntamente com o raquitismo[2], a histeria[3] e a deformidade corporal[4]. Frequentemente, surgia o câncer[5], especialmente no fígado ou nas mamas.
A esse respeito, contudo, desejamos alertar novamente os Estudantes Rosacruzes para que não tirem conclusões precipitadas, como se essas fossem regras rígidas e imutáveis. O número de investigações realizadas — embora muito grande e representando uma tarefa árdua para um único pesquisador — é insuficiente para ser realmente conclusivo em questões que envolvem milhões de seres humanos. Elas estão, no entanto, em consonância com os ensinamentos que encontramos no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz transmitidos pelos Irmãos Maiores sobre os efeitos do materialismo no surgimento do raquitismo (o amolecimento de uma parte do Corpo Denso que deveria ser rígida) e da tuberculose[6] (que endurece tecidos do Corpo Denso que deveriam ser macios e flexíveis). O câncer produz um efeito essencialmente semelhante; e quando consideramos que o Signo de Câncer é regido pela Lua — o luminar da geração — e que a esfera lunar está sob a influência de Jeová (o Deus da geração, cujos Anjos anunciam e presidem o nascimento, como exemplificado nos casos de Isaac, Samuel, João Batista e Jesus), percebemos facilmente que o abuso da função sexual criadora pode causar tanto o câncer quanto a insanidade, nas suas formas mais variadas.
[1] N.T.: é um distúrbio neurológico crônico caracterizado por crises recorrentes, provocadas por descargas elétricas anormais no cérebro. Os sintomas variam de lapsos de atenção a convulsões intensas.
[2] N.T.: é o amolecimento e enfraquecimento dos ossos. Isso leva a sintomas como atraso no crescimento, fraqueza muscular e deformidades ósseas, como pernas arqueadas.
[3] N.T.: condição psicopatológica marcada por explosões emocionais intensas, perda de autocontrole e sintomas físicos sem causa médica aparente (como paralisias ou cegueiras).
[4] N.T.: alterações físicas reais (congênitas ou adquiridas) ou ao Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), uma condição psiquiátrica em que a pessoa enxerga defeitos mínimos ou imaginários na própria aparência, causando sofrimento intenso, isolamento e busca obsessiva por procedimentos.
[5] N.T.: doença é caracterizada pelo crescimento desordenado de células anormais que podem invadir tecidos e se espalhar pelo corpo.
[6] N.T.: doença infecciosa e transmissível. Ela afeta principalmente os pulmões, mas pode atingir outros órgãos, como ossos, rins e meninges.
Comprometimento da Visão
Quanto à falta da visão ou às deficiências visuais, sabe-se há muito tempo, entre os pesquisadores, que isso é consequência de extrema crueldade em vidas passadas.
Investigações recentes trouxeram a informação adicional de que grande parte dos problemas oculares atualmente prevalecentes entre as pessoas se deve ao fato de que nossos olhos estão mudando; eles estão, de fato, se tornando receptivos a uma oitava de visão mais elevada do que anteriormente, pois o Éter que envolve a Terra está se tornando mais denso e o ar mais rarefeito. Isto é particularmente verdadeiro em certas partes do mundo, como no sul da Califórnia, entre outras. É digno de nota, nesse contexto, que a Aurora Boreal[1] está se tornando mais frequente e mais poderosa em seus efeitos sobre a Terra. Nos primeiros anos da Era Cristã[2], esse fenômeno era quase desconhecido; porém, com o decorrer do tempo conforme a onda Crística, que penetra na Terra durante parte do ano, infunde cada vez mais a Sua própria vida ao globo terrestre inerte, e os Raios Vitais Etéricos se tornam visíveis em determinados intervalos. Mais tarde, eles se tornaram cada vez mais numerosos e agora começam a interferir nas atividades elétricas, particularmente, na telegrafia, cujos serviços ficam, por vezes, completamente prejudicados por causa dessas faixas radiantes.
Vale ressaltar também que as perturbações se restringem aos fios que correm de leste para oeste. As radiações ou linhas de força dos Espíritos-Grupo das plantas irradiam em todas as direções, do centro da Terra à periferia e daí para o exterior, passando pelas raízes das plantas e das árvores, subindo por elas até suas copas.
As correntes dos Espíritos-Grupo dos animais, por outro lado, circundam a Terra. As correntes comparativamente fracas e invisíveis geradas pelos Espíritos-Grupo das plantas e os raios de força extremamente poderosos gerados pelo Espírito de Cristo, que agora se tornam visíveis como Aurora Boreal, têm sido, até o momento, de natureza semelhante à da eletricidade estática; já as correntes geradas pelos Espíritos-Grupo dos animais, que circundam a Terra, podem ser comparadas à eletricidade dinâmica, que conferiu à Terra seu poder de movimento em épocas passadas. Agora, porém, as correntes de Cristo estão se tornando cada vez mais vigorosas, e sua eletricidade estática está sendo liberada. O impulso etérico que elas proporcionam inaugurará uma nova Era, e os órgãos sensoriais que a Humanidade possui atualmente deverão se adaptar a essa mudança. Em vez dos raios etéricos que emanam de um objeto trazerem uma imagem refletida para a retina dos nossos olhos, o chamado “ponto cego” será sensibilizado; assim, olharemos através do olho e veremos diretamente o próprio objeto, em vez da imagem projetada em nossa retina. Então, não veremos apenas a superfície do objeto observado, mas seremos capazes de ver também através delas, como fazem agora aqueles que desenvolveram a visão etérica.
Com o decorrer do tempo, à medida que Cristo, por meio de Sua atuação benéfica, atrai cada vez mais Éter interplanetário para a Terra, tornando o Corpo Vital dela mais luminoso, caminharemos em um mar de lua; e, quando aprendermos a abandonar nossos caminhos de egoísmo e egocentrismo por meio do contato constante com essas vibrações benéficas de Cristo, nós também nos tornaremos luminosos. Nesse estágio, o olho, tal como está constituído atualmente, não nos servirá mais; por isso, ele já começa a mudar, e estamos vivenciando o desconforto inerente a todo processo de reconstrução.
[1] N.T.: A aurora boreal é um fenômeno luminoso que ocorre no céu noturno próximo ao Ártico (Polo Norte). Exibe padrões dinâmicos de luzes brilhantes que aparecem como cortinas, raios, espirais ou cintilações que cobrem todo o céu.
[2] N.T.: A Era Cristã (ou Era Comum) é o sistema de datação que divide a história a partir do suposto nascimento de Jesus Cristo. Os anos são contados em ordem crescente com a sigla d.C. (depois de Cristo). O período anterior é contado em ordem decrescente como a.C. (antes de Cristo).
Neurose de Guerra ou Trauma de Guerra (Transtorno de Estresse Pós-traumático)
Descobriu-se, ao examinar várias pessoas com saúde normal, que cada um dos átomos prismáticos que compõem os Éteres inferiores irradiava de si mesmo as linhas de força que punham em rotação o átomo físico no qual estava inserido, conferindo vitalidade a todo o Corpo Denso. A tendência conjunta de todas essas unidades de força é em direção à periferia do Corpo Denso, onde constituem o que foi chamado de “Fluido Ódico”[1], também designado por outros nomes. Quando a pressão atmosférica exterior diminui devido à permanência em grandes altitudes, manifesta-se uma tendência ao nervosismo, pois a força etérica interna precipita-se para fora sem controle e, se o indivíduo não fosse capaz de interromper parcialmente esse fluxo de energia solar mediante um esforço de vontade para superar a dificuldade, ninguém poderia viver em tal lugar.
Ouvimos falar do Neurose de Guerra ou Trauma de Guerrae sabemos que muitas pessoas, sem apresentar sequer o menor ferimento, foram encontradas até mortas no campo de batalha. De fato, vimos e conversamos com pessoas que haviam perdido os sentidos dessa maneira, mas não sabiam explicar por que isso resultara em morte. Todas negavam ter sentido medo e afirmavam unanimemente que haviam perdido a consciência de repente e, um momento depois, encontrado em sua condição atual.
Diferenciavam-se de seus companheiros pelo fato de não apresentarem um único arranhão no Corpo. Nossa ideia preconcebida — de que teria sido um medo momentâneo diante de um perigo iminente que, embora não percebido conscientemente, causara o óbito — impediu uma investigação completa; contudo, os resultados observados das consequências de uma queda nos levaram a acreditar que algo semelhante poderia ocorrer nesse caso; essa suposição estava correta.
Certa noite, algum tempo atrás, enquanto viajava para um local em um país distante onde eu tinha uma missão a cumprir, ouvi um grito. Embora a voz humana só possa ser ouvida no ar, existem harmônicos que são percebidos nos reinos espirituais a distâncias superiores às percorridas por mensagens sem fio. O grito, porém, vinha de perto, e cheguei ao local num instante, mas não a tempo de prestar a ajuda necessária. Encontrei um homem deslizando por um barranco inclinado e desprovido de vegetação — com cerca de três metros e meio de largura e que, como se constatou posteriormente, era quase liso, sem qualquer fenda onde ele pudesse apoiar os dedos. Salvá-lo teria exigido a materialização de ambas as mãos e ombros, mas não havia tempo. Em um instante, ele havia deslizado pela borda do precipício saliente e estava caindo em direção ao fundo do cânion — uma queda de, provavelmente, uns 300 metros.
Impelido por um sentimento natural de solidariedade, segui-o e, durante o trajeto, observei o fenômeno que constitui a base deste artigo: quando o Corpo Denso atingiu uma velocidade considerável, os Éteres que compõem o Corpo Vital começaram a escapar; assim, quando o Corpo Denso se chocou contra as rochas lá embaixo, transformando-se em uma massa dilacerada, restava nele pouquíssimo Éter — se é que restava algum. Gradualmente, porém, os Éteres se reuniram, tomaram forma e pairaram, juntamente com os veículos mais sutis, sobre o cadáver mutilado; contudo, o homem se encontrava em estado de torpor, incapaz de perceber ou compreender sua nova condição.
Assim que vi que não havia mais como ajudá-lo, segui meu caminho; mas, ao refletir sobre o ocorrido, percebi que algo incomum havia acontecido e que era meu dever descobrir se os Éteres se desprendiam dessa maneira em todas as pessoas que sofriam quedas e, em caso afirmativo, porque isso ocorria. Em tempos passados, isso teria sido difícil de verificar, mas o advento das máquinas voadoras tem feito muitas vítimas. Foi, portanto, fácil constatar que, quando um Corpo Denso em queda atinge certa velocidade, os Éteres superiores se desprendem desse Corpo Denso, e a pessoa que cai perde a consciência. Ao atingir o solo, o Corpo Denso fica dilacerado, mas a vítima pode recuperar a consciência assim que o Éter se reorganiza. Ela então começa a sofrer as consequências físicas da queda. Se a queda prossegue após a saída dos Éteres superiores, o aumento da velocidade desloca os Éteres inferiores, restando apenas o Cordão Prateado ligado ao Corpo. Esse Cordão Prateado se rompe no momento do impacto com o solo, e o Átomo-semente segue para o ponto de ruptura, onde permanece retido da maneira habitual.
Com base nesses fatos, chegamos à conclusão de que é a pressão atmosférica normal que mantém o Corpo Vital dentro do Corpo Denso. Quando nos deslocamos a uma velocidade anormal, a pressão é removida de algumas partes do Corpo e se forma um vácuo parcial, fazendo com que os Éteres deixem o Corpo Denso e fluam para esse vácuo. Os dois Éteres superiores, que estão mais frouxamente ligados, são os primeiros a se desprender e deixar a pessoa inconsciente, após terem projetado o Panorama da Vida num relance. Então, se a queda continua a aumentar a pressão do ar à frente do Corpo Denso e o vácuo atrás, os Éteres inferiores — mais firmemente ligados — também são forçados a sair, e o Corpo Denso já está morto antes de atingir o solo.
Quando um projétil de grande porte atravessa o ar, ele cria um vácuo atrás de si devido à enorme velocidade com que se desloca; se uma pessoa estiver dentro dessa zona de vácuo durante a passagem do projétil, ela sofrerá efeitos cuja intensidade dependerá de sua própria natureza e de sua proximidade com o centro de sucção. Sua situação é, na verdade, o inverso daquela de uma pessoa em queda livre: ela permanece imóvel enquanto um corpo em movimento remove a pressão atmosférica e permite que os Éteres se desprendam. Se a quantidade de Éter deslocada for comparativamente pequena — composta apenas pelo terceiro e quarto Éteres, que regem a percepção sensorial e a memória —, a pessoa provavelmente sofrerá apenas uma perda temporária de memória e a incapacidade de sentir ou de se mover. Essa incapacidade desaparecerá quando os Éteres extraídos forem novamente reintegrados ao Corpo Denso — um processo muito mais difícil do que aquele que ocorre quando o Corpo Denso sucumbe e a reorganização ocorre sem a participação desse veículo.
[1] N.T.: Ou força ódica, é uma energia vital universal proposta no século XIX. O barão Karl Ludwig von Reichenbach deu o nome de “Od” a essa suposta força, inspirado na palavra sânscrita que significaria “o que penetra tudo”. É associado a fenômenos do magnetismo animal e ao fluido vital espiritual. Manifesta-se em radiações luminosas visíveis a pessoas sensitivas.
Esclerose ou Endurecimento das Artérias
Nossos Corpos vão se enrijecendo gradualmente, desde a infância até a velhice, devido às substâncias calcárias existentes na maioria dos alimentos com os quais habitualmente nos nutrimos. Essa matéria calcária se deposita principalmente nas paredes das artérias e veias, causando o que a medicina denomina arteriosclerose ou endurecimento das artérias. As artérias de uma criança pequena são extremamente macias e elásticas, como um tubo de borracha; porém, à medida que avançamos pela infância e juventude em direção à velhice, as paredes das artérias se tornam mais rígidas em consequência dos depósitos calcários deixados pelo sangue em circulação. Com o tempo, podem se tornar tão rígidas e inelásticas quanto um cano. As artérias se tornam então quebradiças e podem se romper, causando hemorragia e até a morte. Por isso, diz-se com razão que uma pessoa é tão velha quanto suas artérias. Se conseguirmos limpar as artérias e os capilares dessa matéria terrosa, poderemos prolongar gradualmente a vida e a utilidade do nosso Corpo.
Do ponto de vista ocultista, naturalmente, pouco importa se vivemos ou morremos, pois para nós a morte não implica no aniquilamento, mas apenas a transferência da consciência para outras esferas. No entanto, quando conduzimos um veículo através dos anos improdutivos da infância e superamos os anos impetuosos da juventude, chegando à idade da maturidade – momento em que realmente começamos a adquirir experiência –, quanto mais prolongarmos esse tempo de vivência, mais poderemos aprender. Por esta razão, prolongar a vida do Corpo tem o seu valor.
Para alcançar esse resultado, devemos primeiramente selecionar alimentos que contenham a menor quantidade possível das substâncias calcárias responsáveis pelo endurecimento das artérias e dos capilares. Tais alimentos são, essencialmente, as hortaliças verdes e todas as frutas. Em seguida, é importante tentar eliminar a matéria calcária já absorvida — se isso for possível —, embora a ciência ainda não tenha descoberto nenhum alimento ou medicamento capaz de produzir tal efeito com certeza. Banhos elétricos[1] têm se mostrado extremamente benéficos, porém não totalmente satisfatórios. O leitelho[2] é o melhor agente para eliminar essa substância terrosa, seguido pelo suco de uva. Se consumidas continuamente e em quantidades generosas, essas substâncias podem melhorar consideravelmente a condição de endurecimento das artérias.
[1] N.T.: O banho elétrico era um tratamento médico do século XIX no qual se utilizavam aparelhos de alta tensão para eletrizar pacientes, fazendo com que uma carga elétrica se acumulasse em seus corpos. Nos Estados Unidos, esse processo ficou conhecido como “franklinização”, em homenagem a Benjamin Franklin. O método tornou-se amplamente conhecido depois que Franklin o descreveu em meados do século XVIII. O tratamento com banho elétrico era indolor, mas fazia com que o paciente se aquecesse e suasse, além de provocar um aumento na frequência cardíaca. Também fazia com que os pelos se arrepiassem. O banho elétrico podia constituir um tratamento por si só, ou servir como a primeira etapa de um tratamento mais amplo. Um procedimento comum consistia em extrair faíscas do paciente após a carga elétrica, especialmente da coluna vertebral. A intenção era, muitas vezes, gerar uma “brisa estática” — um vento de ar ionizado sobre a pele. Alternativamente, o objetivo podia ser inalar o ar ionizado como uma forma de ozonioterapia.
[2] N.T.: Também chamado de leite de manteiga ou buttermilk é um líquido levemente ácido que sobra do batimento da nata para fazer manteiga ou que é preparado pela fermentação do leite.
CAPÍTULO VI – HEREDITARIEDADE E A DOENÇA OU ENFERMIDADE
Infelizmente, as pessoas parecem atribuir seus traços negativos à hereditariedade, culpando os pais por suas falhas, ao mesmo tempo em que se creditam todo o mérito pelo que têm de bom. O próprio fato de distinguirmos entre o que é herdado e o que é intrinsecamente nosso demonstra que a natureza humana possui duas vertentes: a vertente da Forma e a vertente da Vida.
Somos atraídos por certas pessoas em virtude das leis de causalidade e de associação. A mesma lei que leva músicos a buscarem a companhia uns dos outros em salas de concerto, jogadores a se reunirem em hipódromos ou salões de bilhar, e pessoas de índole estudiosa a frequentarem bibliotecas, é a que faz com que indivíduos de tendências, características e gostos semelhantes nasçam na mesma família. Quando ouvimos alguém dizer: “Ah, sim, sei que sou extravagante, mas não consigo evitar; é algo de família”, trata-se da Lei de Associação em ação; e quanto mais cedo reconhecermos que — em vez de usar a hereditariedade como desculpa para nossos maus hábitos — devemos procurar superá-los e cultivar virtudes, tanto melhor será para nós.
O ser humano é essencialmente Espírito e chega a este mundo dotado de uma natureza mental e moral que lhe pertence exclusivamente, recebendo de seus pais apenas a matéria necessária para a constituição do Corpo Denso. Assim, embora a hereditariedade seja verdadeira, em primeiro lugar, apenas no que diz respeito à matéria do Corpo Denso e não às qualidades da alma, que são inteiramente individuais, o Ego que chega também realiza um certo trabalho sobre seu Corpo Denso, incorporando nele a quintessência de suas qualidades físicas passadas. Nenhum Corpo Denso é uma mistura exata das qualidades de seus pais, embora o Ego esteja restrito ao uso dos materiais retirados dos Corpos Densos do pai e da mãe. Portanto, um músico aprende onde pode obter o material para construir a mão esbelta e a orelha delicada, com suas Fibras de Corti[1] sensíveis e seu ajuste preciso dos três canais semicirculares[2]. A organização desses materiais, no entanto, está, na medida mencionada, sob o controle do Ego.
No feto, na parte inferior da garganta, logo acima do esterno ou osso do peito, existe uma Glândula chamada Timo, que atinge seu maior tamanho durante o período de gestação e que atrofia gradualmente à medida que a criança cresce, desaparecendo completamente por volta dos quatorze anos, muitas vezes quando os ossos já estão completamente formados. A Ciência tem se intrigado bastante com a função dessa glândula, e poucas teorias foram propostas para explicá-la. Entre essas teorias, uma delas é a de que ela fornece o material para a produção dos glóbulos vermelhos até que os ossos da criança estejam devidamente formados, para que ela possa produzir seus próprios glóbulos vermelhos. Essa teoria está correta.
Nos primeiros anos, o Ego que habita o Corpo infantil não detém o pleno domínio, e reconhecemos que a criança não é responsável por seus atos — pelo menos não antes dos sete anos, limite que posteriormente foi estendido até os quatorze anos. Durante esse período, não recai sobre a criança qualquer responsabilidade legal por suas ações; e isso é correto, pois o Ego, residindo no sangue, só pode funcionar adequadamente em um sangue produzido por si mesmo. Assim, quando — como ocorre no Corpo infantil — o suprimento sanguíneo é fornecido pelos pais por meio da Glândula Timo, a criança ainda não é senhora de si mesma. É por isso que, nos primeiros anos, as crianças não se referem a si mesmas tanto como “Eu”, mas se identificam com a família; são a “menina do papai” ou o “menino da mamãe”. A criança pequena dirá “Maria quer isto” ou “João quer aquilo”, mas, assim que atingem a puberdade e começam a produzir seus próprios glóbulos sanguíneos, ouvimos o menino ou a menina dizer: “’Eu’ farei isto” ou “’Eu’ farei aquilo”. A partir desse momento, começam a afirmar sua própria identidade e a se desvincular da família.
Visto que o sangue — assim como o Corpo Denso — é herdado dos pais ao longo da infância, as tendências a doenças também são transmitidas; não a doença em si, mas a tendência. Após os quatorze anos, quando o Ego residente já começou a produzir seus próprios glóbulos sanguíneos, depende em grande parte do próprio indivíduo se essas tendências se manifestarão ou não como realidades concretas em sua vida.
[1] N.T.: As fibras do órgão de Corti (ou fibras basilares) ficam na cóclea, dentro do ouvido interno. Elas formam a base estrutural que suporta as células ciliadas responsáveis por transformar vibrações de som em sinais elétricos para o cérebro. O órgão foi nomeado em homenagem ao anatomista italiano Marquês Alfonso Giacomo Gaspare Corti (1822–1876), que conduziu a pesquisa microscópica do sistema auditivo dos mamíferos e o descobriu em 1850.
[2] N.T.: Os canais semicirculares são três tubos ocos localizados no ouvido interno que formam parte do sistema vestibular. Eles detectam os movimentos de rotação e a aceleração angular da cabeça, enviando sinais ao cérebro para manter o equilíbrio e a postura do Corpo Denso.
CAPÍTULO VII – EFEITOS DAS BEBIDAS ALCOÓLICAS E DO USO DO TABACO
A carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins) e as bebidas alcoólicas têm a tendência de tornar o ser humano feroz e de desviar sua visão espiritual dos Mundos superiores, concentrando-o no atual plano material. Por isso a Bíblia nos ensina que no princípio da era do arco-íris[1] – o momento em que começamos a viver em uma atmosfera de ar puro e límpido, tão diferente da atmosfera nebulosa da Atlântida de que se fala no segundo Capítulo do Gênesis – Noé produziu o vinho pela primeira vez. O desenvolvimento material ocorreu em consequência da atual concentração de nossas energias no mundo material, resultado do consumo de carne animal e das bebidas alcoólicas.
O primeiro milagre de Cristo foi converter a água em vinho. Ele havia recebido o Espírito Universal no Batismo e não necessitava de estimulantes artificiais. Cristo transformou a água em vinho para dá-lo às pessoas menos evoluídas que o rodeavam. Mas nenhuma pessoa, enquanto beber quaisquer bebidas alcoólicas poderá herdar o Reino de Deus. A razão esotérica é a seguinte: enquanto os éteres inferiores vibram em sintonia com os Átomos-sementes no Plexo Celíaco[2] e no Coração — mantendo assim vivo o Corpo Denso —, os Éteres superiores vibram em sintonia com a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal. Ao ingerir esse espírito falso e rebelde — fermentado fora do Corpo Denso e diferente do espírito fermentado internamente a partir do açúcar —, esses órgãos ficam temporariamente entorpecidos e incapazes de vibrar na frequência dos Mundos superiores; assim, devido a abusos seculares, o ser humano deixou de atuar nos Mundos superiores. Devido ao abuso cometido durante séculos, o ser humano deixou de atuar nos Mundos superiores. Se ele consome bebida alcoólica em excesso, os órgãos mencionados podem ser levemente despertados, fazendo com que ele veja as Regiões inferiores do Mundo do Desejo e todas as coisas malignas ali existentes; isso ocorre na doença conhecida como delirium tremens[3]. É isso que ocorre no chamado “delirium tremens”. Em suma, visto que a evolução da alma depende da aquisição dos dois Éteres superiores — dos quais se tece a bela veste nupcial — e como esses Éteres estão em sintonia com os órgãos mencionados (da mesma forma que os Éteres inferiores estão sintonizados com o Átomo-semente no Coração[4] e o Átomo-semente no Plexo Celíaco[5]), compreenderá facilmente os efeitos letais da bebida alcoólica e das drogas para o ser humano espiritualizado. Para esclarecer melhor, cito um episódio da vida real.
Há um velho ditado: “Uma vez maçom, sempre maçom”. Isso significa que, quando alguém recebe a iniciação da Ordem Maçônica e, em virtude disso, torna-se maçom, não pode renunciar a sua condição; pois não pode abrir mão do conhecimento e dos segredos que adquiriu, assim como alguém que frequenta uma universidade não pode devolver o aprendizado recebido naquela instituição. Portanto, “uma vez maçom, sempre maçom”; e da mesma forma, uma vez aluno ou Irmão Leigo ou Irmã Leiga de uma Escola de Mistérios, sempre aluno e ou Irmão Leigo ou Irmã Leiga dessa mesma Escola. Contudo, embora isso seja verdade — e retornemos, vida após vida, ligados à mesma Ordem a que estivemos filiados em existências anteriores —, podemos, em uma determinada vida, nos conduzir de tal maneira que nos seja impossível tomar consciência disso em nosso cérebro físico. Assim, conforme mencionei, citarei para o benefício de todos os Estudantes Rosacruzes um caso muito pertinente.
Quando fui admitido no Templo da Ordem Rosacruz, na Alemanha, me surpreendi ao ver um homem que eu conhecera na Costa do Oceano Pacífico; isto é, eu o vira algumas vezes, mas nunca havíamos conversado. Naquela época, ele parecia ocupar uma posição social muito superior à minha no meio em que ambos circulávamos, e eu jamais tivera contato pessoal com ele. No entanto, ele me cumprimentou calorosamente ali e parecia compreender perfeitamente sua ligação com a referida sociedade, o significado do nosso encontro naquele local, e assim por diante. Por isso, ao retornar aos Estados Unidos, eu esperava obter muitas informações desse irmão, caso tivesse a felicidade de encontrá-lo aqui, no Ocidente. Ao chegar à cidade onde ele residia, soube por amigos em comum que ele me aguardava e ansiava por nosso encontro. Assim, quando finalmente encontrei o cavalheiro, dirigi-me imediatamente a ele e apertei-lhe a mão. Ele também pareceu reconhecer-me e chamou-me pelo nome. Tudo indicava que ele sabia de tudo o que havia ocorrido enquanto ambos estávamos fora do Corpo Denso. Além disso, ele me dissera no Templo da Ordem Rosacruz que se lembrava de tudo o que lhe acontecia quando estava fora do Corpo Denso; é claro que acreditei nisso, pois ele pertencia a um grau muito superior ao primeiro, no qual eu acabara de ser admitido.
No dia do nosso encontro presencial, após alguns instantes de conversa, disse algo que o fez fitar-me com um olhar vazio. Eu havia mencionado um incidente ocorrido durante nossa reunião no Templo da Ordem Rosacruz, e ele demonstrou claramente não saber absolutamente nada a respeito. No entanto, eu já havia dito tanto que me vi forçado a continuar, sob pena de parecer tolo; então, disse-lhe que ele havia afirmado lembrar-se de tudo. Ele negou isso e, ao final da entrevista, me pediu encarecidamente que tentasse descobrir por que, sendo um Irmão Leigo da Ordem Rosacruz, ele não conseguia recordar o que acontecia durante sua ausência do Corpo Denso. Eu sabia que ele estivera presente em várias cerimônias do Templo da Ordem Rosacruz. Ele participava, mas, em seu cérebro físico, ele desconhecia totalmente o que havia ocorrido. O mistério foi elucidado pouco depois, quando soube por ele — já fora do Corpo Denso — que fumava cigarros[6] e usava drogas que entorpeciam seu cérebro a tal ponto que lhe tornavam impossível trazer consigo qualquer lembrança de suas experiências psíquicas. Quando lhe comuniquei isso enquanto ele estava no Corpo Denso, ele se esforçou bravamente para abandonar o hábito, o qual reconhecia possuir.
Este caso ilustra o cuidado que devemos ter em manter hábitos puros; em considerar, em tudo, este nosso Corpo Denso como o Templo de Deus e evitar profaná-lo, assim como evitaríamos profanar uma Casa de Deus feita de pedra e argamassa — a qual não é nem um milionésimo tão sagrada quanto o Corpo Denso com o qual fomos dotados.
O cérebro, em particular, é o instrumento grandioso e essencial por meio do qual realizamos nosso trabalho no Mundo Físico; portanto, obviamente não devemos utilizar substâncias tóxicas ou drogas que o perturbem e, assim, impeçam o progresso que almejamos.
[1] N.T.: Refere-se à Época Ária.
[2] N.T.: Também conhecido como Plexo Solar, por causa de suas fibras nervosas radiantes, é uma complexa rede de nervos localizada no abdômen, perto de onde o tronco celíaco, a artéria mesentérica superior e as artérias renais se ramificam da aorta abdominal. Está atrás do estômago e da bolsa omental, e na frente da crura do diafragma, ao nível da primeira vértebra lombar. O plexo é formado em parte pelos nervos esplâncnicos maior e menor de ambos os lados e por fibras dos troncos vagais anterior e posterior. O plexo celíaco propriamente dito consiste nos gânglios celíacos com uma rede de fibras interconectadas. Os gânglios aorticorrenais são frequentemente considerados parte dos gânglios celíacos e, portanto, parte do plexo.
[3] N.T.: É a forma mais grave da síndrome de abstinência alcoólica. Trata-se de uma emergência médica com risco de morte, caracterizada por confusão mental severa, alucinações (geralmente visuais), tremores fortes e aceleração intensa das funções do Corpo Denso (como batimentos cardíacos rápidos e febre), ocorrendo dias após parar de consumir bebidas alcoólicas.
[4] N.T.: É o Átomo-semente do nosso Corpo Denso.
[5] N.T.: É o Átomo-semente do nosso Corpo Vital.
[6] N.T.: Cigarros é um dos usos que se faz do Tabaco, que por sua vez é o nome comum de várias plantas do gênero Nicotiana, da família Solanaceae, e o termo geral para qualquer produto preparado a partir das folhas curadas dessas plantas. Conhecem-se 79 espécies de tabaco, mas a principal cultura comercial é a N. tabacum. A variante mais potente, N. rustica, também é utilizada em alguns países. As folhas de tabaco secas são usadas principalmente para fumar em cigarros e charutos, bem como em cachimbos e narguilés. Também podem ser consumidas como rapé, tabaco de mascar, tabaco de imersão e snus. O tabaco contém o alcaloide estimulante altamente viciante nicotina, bem como alcaloides harmala. Devido à ampla disponibilidade e legalidade do tabaco, a nicotina é uma das drogas recreativas mais utilizadas. O uso do tabaco é causa ou fator de risco para muitas doenças mortais, especialmente aquelas que afetam o coração, o fígado e os pulmões, bem como muitos tipos de câncer. Em 2008, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o uso do tabaco como a maior causa isolada de morte evitável no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco mata mais de 8 milhões de pessoas todos os anos em todo o mundo, incluindo cerca de 1,3 milhão de não fumantes expostos ao fumo passivo.
Terceira Parte
CURA
CAPÍTULO VIII
ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DA CURA
É voz corrente que “A vida do ser humano é curta e cheia de sofrimento”[1]. Entre tantas vicissitudes da vida, nenhuma nos afeta tão profundamente quanto a perda da saúde. Podemos perder a nossa posição econômico-financeira ou os amigos com relativa serenidade, mas quando nos falta a saúde e a morte nos ameaça, até os mais fortes vacilam; aos reconhecermos a impotência humana, sentimo-nos mais inclinados a buscar socorro no Poder Divino, mais do que em qualquer outra ocasião. Por isso, a profissão de conselheiro espiritual sempre esteve intimamente ligada à cura. Entre os povos primitivos, os sacerdotes eram também os “curandeiros”. Na antiga Grécia, Esculápio[2] era procurado, particularmente, por aqueles que necessitavam curar as doenças deles. A Igreja seguiu seus passos. Certas ordens católicas deram continuidade ao esforço de aliviar a dor ao longo dos séculos que separaram aquela época da atualidade.
Em tempos de doença, o “bom padre” vinha como representante de nosso Pai Celestial; o que lhe faltava em habilidade técnica era compensado pelo amor e pela compaixão – caso fosse, de fato, um sacerdote verdadeiro e santo – e pela fé que o ofício sacerdotal despertava na pessoa doente ou enferma. Seus cuidados com tal pessoa não começavam no leito, nem terminavam com a recuperação dela. A gratidão da pessoa doente ou enferma para com aquele que a tratou somava-se à veneração sentida pelo conselheiro espiritual; consequentemente, a capacidade do sacerdote de ajudar e elevar a pessoa que ele tratou como paciente aumentava imensamente, criando-se um vínculo mais estreito do que seria possível, onde as funções de conselheiro espiritual e de profissional de saúde estivessem separadas.
É evidente que a medicina atingiu um grau de eficiência que não teria sido alcançado sem a dedicação a esse objetivo específico. As salvaguardas das leis sanitárias[3] e a eliminação de insetos transmissores de doenças são testemunhos monumentais do valor dos métodos científicos modernos. Assim, pode parecer que tudo vai bem e que não há necessidade de mais esforços. Mas, na realidade, enquanto a Humanidade como um todo não desfrutar de saúde perfeita, não haverá questão mais importante do que: como podemos alcançar e manter a saúde perfeita?
Além da medicina e cirurgia convencionais, que dependem exclusivamente de meios físicos para tratar doenças, surgiram outros sistemas baseados inteiramente na cura mental. É costume de organizações que defendem a “cura pela Mente”[4], a “cura natural”[5] e métodos semelhantes, realizar reuniões de relatos de experiências e publicar periódicos com depoimentos de adeptos gratos que se beneficiaram de seus tratamentos; se os profissionais da medicina convencional fizessem o mesmo, não faltariam depoimentos semelhantes sobre a eficácia de seus métodos.
A opinião de milhares de pessoas tem grande valor, mas não prova nada, pois outros milhares podem sustentar um ponto de vista oposto. Ocasionalmente, uma única pessoa pode estar certa enquanto o resto do mundo está errado, como quando Galileu[6] afirmou que a Terra se move. Hoje, o mundo inteiro aderiu à opinião pela qual ele foi perseguido como …um herege. Sustentamos que, sendo ser humano um ser composto, as curas são bem-sucedidas na medida em que remediam defeitos nos planos físico, moral e mental do ser.
[1] N.T.: Jó 14:1
[2] N.T.: Asclépio (conhecido na Roma Antiga como Esculápio) é o deus da medicina, da cura e do rejuvenescimento na mitologia grega. Filho de Apolo e da mortal Corônis, ele foi criado pelo centauro Quíron, que lhe ensinou a arte de curar. O seu culto disseminou-se por uma vasta região da Europa, pelo norte da África e pelo Oriente Próximo, sendo homenageado com inúmeros templos e santuários, que atuavam como hospitais.
[3] N.T.: As salvaguardas das leis sanitárias formam o conjunto de normas, princípios e restrições legais criado para proteger a saúde da população, prevenir riscos de doenças e garantir a segurança de produtos, serviços e ambientes. No Brasil, elas orientam as ações do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
[4] N.T.: A “Cura pela Mente” considera que a Mente influencia de forma direta a saúde física por meio de respostas neurobiológicas, redução do estresse e ativação do sistema imunológico. É um processo gradual que exige apoio profissional, como a psicoterapia ou acompanhamento psiquiátrico, combinado com hábitos diários de autocuidado, como sono regular, atividade física, fortalecimento de laços sociais e autocompaixão.
[5] N.T.: A cura natural refere-se ao uso de recursos como plantas medicinais, mudanças na alimentação e hábitos de vida saudáveis para prevenir e tratar doenças. Embora tratamentos integrativos auxiliem no bem-estar, há que ter cautela contra falsas promessas de curas milagrosas.
[6] N.T.: Galileo di Vincenzo Bonaulti de Galilei (1564–1642), mais conhecido como Galileu Galilei, foi um astrônomo, físico e engenheiro florentino, às vezes descrito como polímata.[3] Frequentemente é referenciado como “pai da astronomia observacional”, “pai da física moderna”, “pai do método científico” e “pai da ciência moderna”.
Remediar ou Curar Definitivamente
Como a grande maioria das pessoas não faz distinção entre a “cura física” (remediar) e a cura integral (cura definitiva), convém explicar a diferença, que reside principalmente na cooperação — ou na falta dela. Uma pessoa pode empreender a tarefa de “curar” outra por meio de massagens ou medicamentos; em ambos os casos, o paciente permanece passivo, como o barro sendo moldado pelo oleiro. Não há dúvida de que, com tal tratamento, o problema pode “desaparecer” e a pessoa recuperar a saúde, mas trata-se apenas de um alívio temporário: ela não compreendeu a causa subjacente de sua doença ou enfermidade nem entendeu que essa foi consequência da violação das Leis da Natureza ou Leis de Deus; por isso, é muito provável que volte a cometer os mesmos erros, fazendo com que a doença retorne. A “cura” (remediar) é um processo físico. A cura integral (cura definitiva) é radicalmente diferente; nela, exige-se sempre que o (a) doente coopere, tanto espiritual quanto fisicamente, com o curador.
Para esclarecer isso, nada melhor do que observar a vida e a obra de nosso Grande Líder, o Cristo. Quando as pessoas vinham a Ele para serem curadas, não esperavam um tratamento físico, mas sabiam que o alívio viria por meio do poder do Espírito. Elas depositavam n’Ele uma confiança ilimitada; e vemos que isso era essencial nos episódios registrados no décimo terceiro capítulo do Evangelho de S. Mateus, onde se relata que Ele esteve entre as pessoas com quem Jesus — o proprietário original do Corpo Denso e Corpo Vital — havia convivido em sua juventude. Eles viam apenas o homem exterior: “Não é este Jesus, o filho de José? Seus irmãos não estão conosco?”[1], etc. Eles acreditavam que nada de grandioso poderia vir de Nazaré e, segundo a fé deles, assim lhes aconteceu, pois lemos que “Ele não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.”[2].
Mas a “fé sem obras é morta”[3], e em todos os casos em que Cristo curava alguém, essa pessoa precisava fazer algo; ela tinha de cooperar ativamente com o Grande Curador antes que a cura pudesse se concretizar. Ele dizia: “Estende a mão”[4], e quando o homem o fazia, a mão era curada; a outro: “Levanta o teu leito e anda”[5], e ao fazê-lo, a enfermidade desaparecia; ao cego: “Vai e lava-te no tanque de Siloé”[6]; ao leproso: “Apresenta-te ao sacerdote, oferece as tuas dádivas”[7], etc. Em todos os casos, havia uma cooperação ativa por parte daquele que seria curado, o que auxiliava o Curador. Eram exigências simples, mas, tais como eram, precisavam ser cumpridas para que o espírito de obediência pudesse auxiliar a obra do Curador. Quando Naamã procurou Eliseu, imaginando que o profeta sairia com grande demonstração de magia e cerimônia para remover as manchas de lepra de seu corpo, acabou se decepcionando[8]. E quando o profeta lhe mandou dizer: “Vai e lava-te sete vezes no rio Jordão”[9], ele se enfureceu a ponto de exclamar: “Não temos nós grandes rios na Assíria? Por que deveria eu ir lavar-me no Jordão? Que absurdo!”[10]. Faltava-lhe o espírito de submissão, absolutamente necessário para que a obra se realizasse; pode-se afirmar com segurança que, se ele tivesse persistido nessa atitude, não teria recebido a cura de sua enfermidade. Da mesma forma, nenhum daqueles que foram curados pelo Cristo teria sido beneficiado se não tivesse obedecido e feito o que lhe foi ordenado. Esta é uma Lei da Natureza absolutamente certa. É a desobediência que traz a doença. A obediência — quer envolva banhar-se no Jordão ou estender a mão — demonstra uma mudança de mentalidade; assim, o indivíduo coloca-se em condições de receber o bálsamo curador que pode vir por meio do Cristo ou de um Curador, de um tipo ou de outro, conforme o caso. Fundamentalmente, em todos os casos, a Força Curadora provém de nosso Deus-Pai Celestial, que é o Grande Médico.
Estes são os três grandes fatores na cura: primeiro, o poder, vindo de nosso Deus-Pai nos Céus; em seguida, o Curador; e, terceiro, a Mente obediente do paciente, sobre a qual o Poder Curador do Pai pode atuar por intermédio do Durador, de modo a dissipar todas as doenças e enfermidades físicas.
Compreendamos, agora, que todo o universo está permeado pelo poder de Deus-Pai, sempre disponível para curar todos os males, de qualquer natureza — essa é a grande certeza.
O Curador é o foco, o veículo através do qual o poder é transmitido ao Corpo Vital do paciente. Se ele for um instrumento adequado — consagrado, harmonioso e verdadeira e profundamente em sintonia com o infinito —, não haverá limites para as obras maravilhosas de Deus-Pai que poderão ser realizadas por seu intermédio, sempre que a oportunidade apresentar um paciente com a Mente devidamente receptiva e obediente.
[1] N.T.: Mt 13:55
[2] N.T.: Mt 13:58
[3] N.T.: Tg 2:18
[4] N.T.: Mt 12:13
[5] N.T.: Jo 5:8
[6] N.T.: Jo 9:7
[7] N.T.: Mt 8:4 e Lc 5:14
[8] N.T.: IIReis 5
[9] N.T.: IIReis 5:10
[10] N.T.: IIReis 5:12
CAPÍTULO IX
O MÉTODO DE CURAR DEFINITIVAMENTE DA FRATERNIDADE ROSACRUZ
Porque os Rosacruzes Curam:
Entre todas as tolices e absurdos falaciosos que circularam a respeito dos Rosacruzes ao longo dos séculos passados, existe uma grande verdade: “Os membros da Ordem Rosacruz visam curar os enfermos e possuem meios superiores para realizar esse propósito benevolente”. Ordens religiosas anteriores buscaram o progresso espiritual através da mortificação e do abuso do Corpo Denso, mas os Rosacruzes demonstram o mais terno cuidado para com esse instrumento. Há duas razões para as suas atividades de cura. Como todos os outros seguidores sinceros de Cristo, eles aguardam ansiosamente pelo “Dia do Senhor”. Eles sabem que Lúcifer, a falsa Luz da Lemúria, implantou a paixão — inaugurando a procriação no pecado e causando sofrimento, dor e morte — e que Cristo, a verdadeira Luz da vindoura Época Nova Galileia, inaugurou a Imaculada Conceição e pregou o evangelho da redenção do pecado pelo Amor. O celibato é conveniente para os aspirantes no Oriente, visto que aquelas Raças inferiores estão destinadas a desaparecer em breve; contudo, é contrário ao plano de evolução para o Ocidente, pois aqui deve surgir uma nova Raça, sendo, portanto, a pureza na geração a palavra de ordem para o Discípulo nesta parte do mundo. Uma nova Raça deve ser trazida à existência pelo poder do amor; assim, cessarão os males que atualmente afligem a Humanidade devido a gerações de procriação impulsionada pela paixão. Até mesmo a morte será finalmente vencida na Nova Dispensação, pois a pureza etérica dos Corpos tornará desnecessária a renovação física.
Embora a Bíblia contenha muitas informações precisas sobre essa Época, um ponto permanece envolto em mistério insolúvel: “Quanto àquele dia, ninguém o conhece, nem mesmo os Anjos do céu, nem o Filho”[1]. Desde que o Evangelho foi pregado pela primeira vez, Cristãos de todas as épocas anseiam pelo dia em que os Filhos da Luz se manifestarão. Somente o Pai — o Iniciado Supremo entre os Senhores da Mente — é capaz de prever o momento em que a Mente separatista e egoísta cederá lugar ao espírito de amor, unificador e capaz de autonegação. Um ponto, porém, é muito claro: será tão impossível viver sob as condições do Novo Céu e da Nova Terra sem possuir o Corpo devidamente constituído — chamado na Bíblia de “Vestes Nupciais”[2] — quanto foi impossível para os atlantes degenerados, que careciam de pulmões para respirar, sobreviverem quando ocorreu a mudança atmosférica.
É um fato científico que o estado do sangue afeta a Mente, e vice-versa. Um Corpo são é, portanto, indispensável para uma Mente sã. Somente uma Mente sã pode transcender a paixão; somente um Corpo são pode gerar outro igualmente puro. Os Rosacruzes têm buscado curar o Corpo para que ele possa abrigar uma Mente sã e um amor puro, pois cada concepção realizada nessas condições representa um passo em direção ao “Dia do Senhor”, pelo qual todos nós ansiamos tão ardentemente. Essa é a razão das atividades de cura e o significado do nosso lema: “Uma Mente Sã, um Coração nobre, um Corpo São”.
Em diversas obras, consta que os membros da Ordem faziam um voto de curar os outros gratuitamente. Essa afirmação é um tanto confusa. Os Irmãos Leigos e as Irmãs Leigas faziam um voto de servir a todos, da melhor maneira possível e sem cobrar nada. Esse voto incluía a cura, é claro, no caso de pessoas como Paracelso, que tinha talento para isso; pelo método combinado de remédios físicos aplicados sob Aspectos astrológicos favoráveis e aconselhamento espiritual, ele obteve grande sucesso. Outros não eram destinados à cura, mas trabalhavam em outras áreas, porém todos tinham algo em comum: nunca cobravam por seus serviços e trabalhavam em segredo, sem alarde de trombetas ou tambores.
Cristo deu dois mandamentos aos seus mensageiros: “Preguem o Evangelho” (da Era vindoura) e “Curem os enfermos”[3]. Um é tão obrigatório quanto o outro e, pelas razões já expostas, tão necessário. Para cumprir o segundo mandamento, os Irmãos Maiores desenvolveram um sistema de cura que combina os melhores pontos das diversas escolas de hoje com um método de diagnóstico e tratamento tão preciso quanto simples, e assim um grande passo foi dado para elevar a arte da cura “das areias da experimentação à rocha do conhecimento exato”[4].
É uma razão verdadeira, boa e válida quando dizemos que queremos ajudar os outros por amor a Cristo. Ele agora está sepultado na Terra, gemendo, sofrendo e aguardando a libertação. A dor e a doença são causadas pela transgressão das leis da vida, portanto, cristalizam o Corpo Denso, exercem um domínio mais firme sobre o Corpo Vital e retardam o dia da nossa libertação, bem como o d’Ele. Ao ajudar os enfermos a alcançar a saúde e ao ensiná-los a viver em harmonia com as Leis da Vida[5] para que possam mantê-la, estamos apressando o dia de Sua vinda. Que Deus abençoe nossos esforços e fortaleça nossas mãos nesta Boa Obra.
[1] N.T. Mt 24:36 e Mc 13:32
[2] N.T.: o Corpo-Alma
[3] N.T.: Lc 9:2
[4] N.T.: uma metáfora poética e filosófica que descreve a jornada desse método de cura. Ilustra a transição de algo instável e em constante mudança para algo sólido, seguro e comprovado. Ou seja, transforma dúvidas e testes práticos em verdades científicas estabelecidas.
[5] N.T.: que são as Leis de Deus.
Nosso sistema de Cura não é assunto inteiramente espiritual. Utilizamos meios físicos sempre que é possível. Às vezes enviamos nossos pacientes a um profissional de saúde, para que obtenha alívio rápido, mediante certo tratamento que não poderíamos proporcionar por outros meios. Além disso, a dieta dos pacientes merece nossa maior atenção, porque como o Corpo Denso é formado de substâncias físicas, na realidade estamos lhe dando remédios quando empregamos os alimentos adequados. Mas, além disso, o trabalho de Curar definitivamente é efetuado pelos Irmãos Maiores, por intermédio de um grupo de Auxiliares Invisíveis a quem estão instruindo.
Estes Auxiliares Invisíveis são os Probacionistas que durante o dia se esforçam por viver uma vida de retidão e serviço sempre amoroso, desinteressado e se possível, anônimo, preparando-se para alcançar o privilégio de serem utilizados como instrumentos pelos Irmãos Maiores, durante a noite. Estes Probacionistas são reunidos em grupos, de acordo com os seus temperamentos e suas capacidades. Estão sob a orientação de outros Probacionistas que são profissionais de saúde, trabalhando todos sob a direção dos Irmãos Maiores que são naturalmente, os Espíritos que animam toda a obra.
A maneira de formar e selecionar um grupo de Auxiliares Invisíveis se baseia nos eflúvios dos seus Corpos Vitais. Os primeiros eflúvios são obtidos quando o Probacionista assina o seu formulário e é renovado diariamente, quando faz suas anotações no formulário correspondente. Enquanto se mantiver fiel e levar uma vida de pureza e serviço amoroso e desinteressado, constituirá um elo inquebrantável entre ele e os Irmãos Maiores. Cada grupo de curadores é composto, geralmente, de doze Probacionistas, além do seu instrutor e em geral, são escolhidos na mesma localidade, porque a noite chega ao mesmo tempo para todos eles. Não seria razoável agrupar um que viva na Austrália com outro que residisse no Alasca, porque enquanto um estava dedicado ao seu trabalho diário, o outro estaria dormindo. Mas as pessoas residentes na maioria das localidades da América do Norte ou do Sul têm as mesmas horas de repouso e estes Probacionistas podem ser agrupados de acordo com os seus Signos Ascendentes, de maneira que formem um círculo completo.
Emprega-se o mesmo método para encontrar aqueles que escreveram a um Centro Rosacruz que tenha Departamento de Cura pedindo ajuda para selecionar os Probacionistas que serão treinados para trabalharem como Auxiliares Invisíveis. Aos que solicitarem ajuda, pede-se que escrevam uma carta com “caneta tinteiro com tinta líquida a base de Nanquim ou por meio da pena mosquitinho que deve ser mergulhada em um recipiente com tinta líquida à base de Nanquim e não por meio de caneta esferográfica, hidrográfica, com Nanquim em tubetes esponjosos e muito menos à lápis”. Desta forma o papel fica impregnado por uma certa quantidade da substância do seu Corpo Vital que é extraída da carta pelos Irmãos Maiores. Isto proporciona um índice exato do estado do indivíduo de quem procede e que atua como verdadeiro “abre-te sésamo” para os Auxiliares Invisíveis que forem encarregados de determinado caso. Graças a esse processo feito cuidadosamente por quem solicita auxílio para a Cura, os Auxiliares Invisíveis têm acesso ao Corpo do doente, e um número considerável de pacientes que solicitaram o nosso auxílio escreveram dizendo que sentiam os Auxiliares Invisíveis trabalhando no interior e no exterior de seus Corpos. Conforme mude o estado do paciente, muda igualmente o registro. Por isso se pede que escrevam com “caneta tinteiro com tinta líquida a base de Nanquim ou por meio da pena mosquitinho que deve ser mergulhada em um recipiente com tinta líquida à base de Nanquim” algumas palavras todas as semanas, remetendo-as ao Centro Rosacruz que tenha Departamento de Cura. Desta maneira os Irmãos Maiores estão em contato contínuo com o seu estado e podem dirigir inteligentemente o trabalho de restauração de sua saúde.
Este trabalho jamais cessará. Continua ininterruptamente porque o Sol está sempre ausente de alguma parte do globo e os Probacionistas dessa parte estão em atividade em seu trabalho de cura definitiva e prestando auxílio durante as horas de repouso dos seus Corpos.
Anatomicamente o ser humano pertence aos mamíferos, cujos corpúsculos sanguíneos não são nucleados. Os núcleos que se encontram no sangue dos animais inferiores são o ponto de apoio dos Espíritos-Grupo, mas os animais superiores estão tão adiantados no caminho da individualização, que seu sangue está livre desta influência. No feto, onde a mãe atua como um “Espírito-Grupo” nas primeiras semanas, ela nucleia o sangue, mas logo que o Ego começa a atuar, a primeira coisa que faz é desintegrar esses corpúsculos sanguíneos nucleados, e quando ocorre o nascimento não resta nenhum corpúsculo nucleado. O Ego é dono do seu veículo; herança que ninguém pode disputar-lhe sob nenhum pretexto. Fazê-lo seria magia negra, saiba-o ou não a pessoa, e mesmo que uma intenção bondosa possa exercer certo efeito mitigante em outra direção, o fato subsiste, não obstante, de que a pessoa se coloca em terreno perigoso quando procura intrometer-se no sangue de alguém que não o deseje e cujo auxílio não tenha sido solicitado.
Há apenas uma exceção a esta regra. As crianças até a idade da puberdade são, por assim dizer, parte de seus pais, porque ainda têm armazenada na Glândula Timo uma essência sanguínea dos pais que ela emprega para produzir o seu próprio sangue durante a infância, enquanto o Corpo de Desejos vai sendo gerado. Conforme transcorra o tempo, o suprimento da Glândula Timo vai se tornando cada vez menor e a criança alcança a realização de sua própria Individualidade. Quando a Glândula Timo “desaparece”, o Corpo de Desejos já alcançou a maturidade suficiente para permitir-lhe tomar parte na alquimia da transmutação do esqueleto Saturnino no veículo Jupteriano, que assim incorpora a essência do atual Corpo Denso. Toda interferência no sangue paralisa este processo. Por isso os pais só podem agir em nome da criança até a puberdade, fornecendo-lhe o Éter que permite o trabalho do Auxiliar Invisível.
O maior inconveniente com que tropeçamos em nossa obra curativa procede da negligência dos pacientes. Nossos pedidos são muito simples. Só pedimos que nos escrevam uma vez por semana, com “caneta tinteiro com tinta líquida a base de Nanquim ou por meio da pena mosquitinho que deve ser mergulhada em um recipiente com tinta líquida à base de Nanquim”, de modo que os eflúvios que procedem da mão ao escrever, possam prover os Auxiliares Invisíveis com uma chave de admissão ao organismo do paciente. Mas por simples que seja esta regra, são muitos os que deixam de cumpri-la. Temos em mãos o caso de uma pessoa que durante muitos anos tivera uma vértebra deslocada que foi curada com o nosso tratamento, embora procurasse muitos osteopatas, quiropratas e outros que tentaram em vão colocá-la no devido lugar. Este pobre homem passava a maior parte do tempo deitado, com dores, completamente incapaz de trabalhar. O tratamento dos nossos Auxiliares Invisíveis ajustou sua vértebra que ainda está no lugar. O homem ficou maravilhado e pode voltar ao trabalho. Estava, porém, tão entusiasmado com a ideia de que já estava completamente curado, que descuidou de nos escrever semanalmente, de modo que nossos Auxiliares Invisíveis tivessem oportunidade de manter a vértebra em seu lugar um tempo suficientemente grande para não mais se deslocar. Mais tarde recebemos uma carta que demonstrava que tínhamos razão ao pedir-lhe que escrevesse regularmente. Nessa carta dizia: “Faz algum tempo escrevi que já me sentia curado e que deixaria de escrever-lhes semanalmente. Agora vejo que cometi um grande erro. Desde que suspendi as cartas, minhas costas têm doído e estou ficando novamente curvado, embora a vértebra esteja no seu lugar. Parece-me que estou pedindo demais ao rogar que novamente vos ocupeis de mim, mas não imaginava a influência dos Auxiliares Invisíveis e quanto dependia deles”.
A Panaceia Espiritual:
Na vinda de Cristo à Terra, encontramos uma analogia com a administração da Panaceia Espiritual, segundo a lei “Assim como em cima, é embaixo”. Em cada pequena célula do Corpo Denso humano existe uma vida celular separada, mas acima disso está o Ego, que dirige e controla todas as células para que atuem em harmonia. Durante certas doenças prolongadas, o Ego fica tão concentrado no sofrimento que deixa de vivificar plenamente as células; assim, a doença física gera inatividade mental e pode se tornar impossível se livrar da doença sem um impulso especial para dissipar a névoa mental e reiniciar as atividades celulares. É isso que a Panaceia Espiritual faz. Assim como a Vida Crística, ao irromper no Gólgota, começou a dissipar a couraça de medo gerada pela Lei[1] inexorável que pairava sobre a Terra como um manto fúnebre, e como conduziu milhões de seres humanos ao caminho da paz e da boa vontade, da mesma forma, quando a Panaceia é aplicada, a Vida Crística concentrada nela contida percorre o Corpo do paciente e infunde em cada célula um ritmo que desperta o Ego aprisionado de sua letargia, restituindo-lhe a vida e a saúde.
Para descrever a Panaceia Espiritual, será relatada uma experiência do autor: numa noite memorável, no Templo da Ordem Rosacruz, foi-lhe mostrada uma substância com a qual o Espírito Universal podia combinar-se tão prontamente quanto grandes quantidades de amônia se combinam com a água. Três esferas estavam suspensas, uma acima da outra, no centro do Templo; a esfera do meio situava-se aproximadamente a meia distância entre o piso e o teto. Ela era muito maior do que as outras duas, que pendiam uma acima e outra abaixo dela. Dentro da grande esfera central havia um recipiente menor, contendo vários pacotes preenchidos com aquela substância. Quando os Irmãos se posicionaram e a harmonia de determinada música preparou o ambiente, de repente os três globos começaram a brilhar com as três cores primárias: azul, amarelo e vermelho. O autor pôde ver claramente como, durante a entoação da fórmula, o recipiente que continha os pacotes mencionados passou a brilhar com uma essência espiritual que antes não estava presente. Alguns desses pacotes foram posteriormente utilizados pelos Irmãos com sucesso imediato. Diante deles, as partículas cristalizantes que envolviam os centros espirituais do paciente dispersavam-se como por encanto, e a pessoa enferma despertava para a consciência de saúde física e bem-estar.
[1] N.T.: Lei das Religiões de Raça
CAPÍTULO X
A CIÊNCIA DA NUTRIÇÃO
Princípios Gerais
Se começarmos pelo veículo denso, considerando os meios físicos de que dispomos para aperfeiçoá-lo e convertê-lo no melhor instrumento possível para o Espírito, além de considerarmos os meios espirituais que conduzem ao mesmo fim, teremos que incluir também os demais veículos; portanto seguiremos este método.
O primeiro estado visível do embrião humano é uma pequena substância globular, de consistência polposa ou gelatinosa, semelhante à albumina ou clara de ovo. Neste glóbulo polposo aparecem várias partículas de matéria mais sólida. Elas aumentam gradualmente de volume e densidade até se porem em contato umas com as outras. Os diferentes pontos de contato vão se modificando lentamente, em articulações ou juntas e, assim, se forma gradualmente uma estrutura de matéria sólida: um esqueleto.
Durante a formação dessa estrutura, a substância polposa que rodeia se acumula e muda de forma, até que por fim alcança o grau de organização que conhecemos como feto. Este cresce, se torna mais firme e mais plenamente organizado, até que chega o momento do nascimento, quando se inicia a fase da infância.
O mesmo processo de consolidação que começou com a primeira etapa visível da existência continua a seguir. O ser humano passa por diferentes fases: infância, adolescência, juventude, adulta, maturidade, velhice e, por fim, chega à transformação chamada morte.
Cada uma destas fases é caracterizada por um grau crescente de rigidez e solidez.
Há um aumento gradual na densidade e firmeza dos ossos, tendões, das cartilagens, dos ligamentos, tecidos, das membranas, e até mesmo da substância do estômago, do fígado, dos pulmões e outros órgãos. As articulações tornam-se rígidas e ressecadas. Começam a estalar e ranger ao serem movimentadas, porque o líquido sinovial, que as lubrifica e amacia, diminui em quantidade e se torna muito espesso e viscoso para desempenhar essa função.
O coração, o cérebro, todo o sistema muscular, a medula dorsal, os nervos, os olhos, etc., participam do mesmo processo de solidificação, tornando-se cada vez mais rígidos. Milhões e milhões de diminutos vasos capilares, que se ramificam e difundem como os ramos de uma árvore por todo o Corpo Denso, vão secando gradualmente se obstruem e se transformam em fibras sólidas, deixando de ser permeáveis ao sangue.
Os grandes vasos sanguíneos, tanto as artérias como as veias, endurecem, perdem a elasticidade, encolhem-se e tornam-se incapazes de conduzir a quantidade de sangue necessária. Os fluidos corporais ficam espessos e tornam-se pútridos, carregados de substâncias terrosas. A pele murcha, enruga e seca. O cabelo cai por falta de óleo. Os dentes cariam e caem, por falta de gelatina. Os nervos motores começam a secar e os movimentos do Corpo Denso tornam-se desajeitados e lentos.
Os sentidos falham; a circulação sanguínea é retardada, o sangue estagna e coagula nos vasos. O Corpo Denso vai perdendo suas capacidades cada vez mais. Antes era elástico, saudável, alerta, flexível, ativo e sensível; depois torna-se rígido, lento e insensível. Finalmente, morre de velhice.
Surge, naturalmente, a pergunta: qual é a causa desta ossificação gradual do Corpo Denso, que leva a rigidez, decrepitude e a morte?
Do ponto de vista puramente físico, os químicos parecem unânimes de que isso é devido ao aumento, principalmente, do fosfato de cálcio (matéria óssea), do carbonato de cálcio (giz comum) e do sulfato de cálcio (gesso), com um pouco de magnésio e uma quantidade insignificante de outras substâncias terrosas.
A única diferença entre o Corpo Denso de um idoso e o de uma criança é a maior densidade, resistência e rigidez do primeiro, causadas pela maior proporção de substâncias calcárias e terrosas que entram na sua composição. Os ossos de uma criança compõem-se de três partes de gelatina por uma de matéria terrosa. No de um idoso, essa proporção é inversa. Qual a fonte deste acúmulo mortal de substâncias sólidas?
Parece axiomático que todo o Corpo Denso é nutrido pelo sangue e que tudo o que está contido no Corpo Denso, qualquer que seja a sua natureza, esteve primeiro no sangue. Análises demonstram que o sangue tem substâncias terrosas da mesma espécie dos agentes solidificantes. E observem: o sangue arterial contém maior quantidade dessas substâncias terrosas do que o sangue venoso.
Isto é de suma importância. Mostra que, a cada ciclo, o sangue deposita substâncias terrosas. Portanto, é o veículo comum que obstrui o organismo. Mas seu suprimento de matéria terrosa precisa ser reabastecido, caso contrário não poderia continuar a fazer isso. De onde ele renova sua carga mortal? Só pode haver uma resposta para essa pergunta: dos alimentos e das bebidas; não há absolutamente nenhuma outra fonte.
Os alimentos e as bebidas que nutrem o Corpo Denso devem ser, ao mesmo tempo, a fonte primária das substâncias terrosas e calcárias que o sangue vai depositando em todo o organismo, causando decrepitude e, finalmente, a morte. Para sustentar a vida física é necessário que comamos e bebamos, mas como há muitas espécies de alimentos e bebidas, cabe a nós, à luz dos fatos acima, averiguar, se possível, quais tipos contêm a menor quantidade possível dessa substância destrutiva. Se pudermos encontrar tais alimentos, podemos prolongar nossas vidas e, do ponto de vista oculto, é desejável viver o maior tempo possível em cada Corpo Denso, particularmente depois que ter começado a trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. São necessários anos para educar cada Corpo Denso em que moramos, durante a infância e a juventude, até que nós, o Ego – o que realmente somos –, possamos ao menos obter algum controle sobre o Corpo Denso, que quanto mais tempo mantivermos um Corpo Denso que se tornou receptivo aos nossos – do Ego – impulsos, tanto melhor. Portanto, é de suma importância que o Aspirante à vida superior consuma alimentos e bebidas que depositem o mínimo de substâncias endurecedoras e, ao mesmo tempo, mantenham os órgãos excretores ativos.
A pele e o sistema urinário[1] são os salvadores do ser humano, evitando-lhe uma morte prematura. Se não fosse por esses eles que a maior parte da matéria terrosas proveniente dos alimentos é eliminada, ninguém viveria mais de dez anos.
Estima-se que a água de nascente comum, não destilada, contenha carbonato e outros compostos de cálcio em tal quantidade que o volume médio consumido diariamente por uma pessoa — sob a forma de chá, café, sopa, etc. — formaria, ao longo de quarenta anos, um bloco sólido de giz ou mármore do tamanho de um ser humano. É também, digno de nota que embora o fosfato de cálcio seja encontrado na urina dos adultos, ele não é encontrado na das crianças, porque nestas, a rápida formação óssea que esse sal seja retido. Durante o período da gestação, há muito pouca substância terrosa na urina da mãe, porque quase toda ela é empregada na formação do feto. Em circunstâncias normais, porém, a matéria terrosa é bastante evidente na urina dos adultos, e a isso que devemos o fato de a vida física alcançar a duração que tem atualmente.
A água não destilada, quando ingerida, é a pior inimiga do ser humano, mas usada externamente, se torna sua melhor amiga. Ela mantém os poros da pele abertos, facilita a circulação sanguínea e previne a estagnação que cria as condições ideais para a deposição do fosfato de cálcio — substância terrosa e letal.
Harvey[2], o descobridor da circulação sanguínea, afirmou que a saúde denota uma circulação livre, enquanto a doença de uma circulação sanguínea obstruída.
O banho de imersão é um grande aliado na manutenção da saúde do Corpo Denso e deve ser utilizado constantemente pelo Aspirante à vida superior. A transpiração – tanto a sensível quanto a insensível[3] – elimina mais substâncias terrosas do Corpo Denso do que qualquer outro processo.
Enquanto houver combustível e o fogo for mantido livre de cinzas, ele continuará queimando. Os rins desempenham um papel importante na eliminação das cinzas do Corpo Denso; no entanto, apesar da grande quantidade de matéria terrosa expelida pela urina, em muitos casos permanece o suficiente para formar areia e cálculos renais até na bexiga, causando terríveis sofrimentos e, muitas vezes, até a morte.
Que ninguém se iluda pensando que a água contém menos minerais formadores de cálculos por ter sido fervida. O depósito que se forma, por exemplo, no fundo de uma chaleira é deixado pela água que evaporou e escapou na forma de vapor. Se esse vapor fosse condensado, obteríamos água destilada, um importante aliado para manter o Corpo Denso de uma pessoa jovem.
Não há absolutamente nenhuma substância terrosa na água destilada[4], nem na água pura da chuva, da neve ou do granizo (exceto o que possa ser coletado em contato com telhados, poluídas, etc.); por outro lado, o café, o chá ou a sopa preparados com água comum — não importa por quanto tempo sejam fervidos — não ficam livres dessas partículas minerais. Pelo contrário: quanto mais tempo são fervidos, mais carregados de resíduos se tornam. Aqueles que sofrem de doenças do trato urinário não devem beber nada além de água destilada.
De modo geral, pode-se dizer, sobre os alimentos sólidos que ingerimos, que os vegetais frescos e as frutas maduras[5] contêm a maior proporção de nutrientes e a menor quantidade de substâncias terrosas.
Uma alimentação adequada, fornecida no momento certo e nas condições ideais, não apenas cura, mas também previne doenças.
Existe a crença popular de que o açúcar[6], ou qualquer substância sacarina, é prejudicial à saúde em geral — e aos dentes em particular —, causando cáries e a consequente dor de dente. Isso só é verdade em certas circunstâncias. O consumo é prejudicial em certos quadros, como a biliosidade[7] e a dispepsia[8], ou se mantido na boca por muito tempo como um doce; porém, se usado com moderação quando se goza de boa saúde — aumentando-se a quantidade gradualmente à medida que o estômago se habitua ao seu uso —, revela-se muito nutritivo. Um exemplo que a história registra era a saúde dos trabalhadores na lavoura de cana-de-açúcar que melhorava consideravelmente, durante a época da colheita, apesar do aumento do trabalho. Isso é atribuído unicamente à predileção deles pelo doce caldo da cana. Os mesmos resultados se podem dizer de cavalos, vacas e outros animais nessas localidades, que apreciavam muito o xarope residual que lhes é fornecido. Eles engordam na época da colheita, e sua pelagem se torna lisa e brilhante. Cavalos alimentados com cenouras cozidas por algumas semanas adquirem uma pelagem sedosa, graças aos sucos sacarinos desse vegetal. O açúcar é um item nutritivo e benéfico da dieta e não contém absolutamente nenhum resíduo mineral (cinzas).
As frutas constituem uma dieta ideal. De fato, elas foram desenvolvidas pela árvore para atrair animais e seres humanos, levando-os a consumi-las e, assim, disseminar as sementes — tal como as flores atraem as abelhas para um propósito semelhante.
As frutas frescas contêm água da mais pura e excelente qualidade, capaz de permear o organismo de maneira maravilhosa. O suco de uva é um solvente particularmente extraordinário. Ele fluidifica e estimula o sangue, abrindo caminho em capilares que já estavam ressecados e obstruídos — desde que o processo não tenha avançado demais. Por meio de um tratamento à base de suco de uva não fermentado, pessoas com olhos encovados, pele enrugada e tez abatida tornam-se mais robustas, coradas e cheias de vida. A maior permeabilidade permite que nós, o Ego, nos manifestemos mais livremente e com energia renovada.
Considerando o Corpo Denso sob um ponto de vista puramente físico, ele é o que poderíamos chamar de uma fornalha química, sendo o alimento o combustível. Quanto mais o Corpo Denso é exercitado, mais combustível ele requer. Seria insensatez alguém mudar uma dieta comum, que o nutriu adequadamente por anos, e adotar um novo método sem refletir devidamente sobre qual seria o mais adequado aos seus objetivos. Simplesmente eliminar carnes animais[9] da dieta habitual de quem as consome prejudicaria, sem dúvida, a saúde da maioria das pessoas.
O único caminho seguro é experimentar e estudar bem a questão, exercendo o devido discernimento. Não se podem estabelecer regras fixas, pois a alimentação é uma questão tão individual quanto qualquer outra característica. Tudo o que se pode fazer é descrever a influência geral de cada elemento químico, permitindo que o Aspirante à vida superior desenvolva seu próprio método.
Também não devemos permitir que a aparência de uma pessoa influencie nosso julgamento sobre o estado de sua saúde. Existem noções gerais aceitas sobre a aparência de uma pessoa saudável, mas não há razão válida para julgar com base nisso. Bochechas rosadas podem indicar saúde em um indivíduo e doença em outro. Não existe uma regra específica para identificar a boa saúde, exceto a sensação de conforto e bem-estar experimentada pelo próprio indivíduo, independentemente da aparência.
A água é o grande solvente.
O nitrogênio, ou proteína, é o elemento essencial para a formação dos tecidos corporais, mas contém certa quantidade de matéria terrosa.
Os carboidratos, ou açúcares, são as principais fontes de energia.
As gorduras geram calor e armazenam reservas de energia.
As cinzas são minerais, de natureza terrosa, e obstruem o organismo. Não precisamos temer não as obter em quantidade suficiente para a formação dos ossos; pelo contrário, todo cuidado é pouco para ingerir a menor quantidade possível.
A caloria é a unidade básica de calor. Em meio quilo de castanhas-do-brasil, por exemplo, quando compradas no mercado, 49,6 por cento do total é desperdício (cascas), mas os 50,4 por cento restantes contêm 1.485 calorias. Isso significa que cerca de metade do que é comprado é desperdício, mas a parte restante contém a quantidade de calorias mencionada. Para obtermos o máximo de energia possível dos nossos alimentos, devemos prestar atenção ao número de calorias que eles contêm, pois é delas que extraímos a energia necessária para realizar nossas atividades diárias.
O chocolate é o alimento mais nutritivo que possuímos; por outro lado, o cacau, em sua forma em pó, é o mais perigoso de todos os alimentos, contendo três vezes mais cinzas do que a maioria dos outros e dez vezes mais do que muitos deles. É um alimento poderoso e, ao mesmo tempo, um veneno potente, pois sobrecarrega o organismo mais rapidamente do que qualquer outra substância.
Naturalmente, será necessário algum estudo inicial para garantir a melhor nutrição, mas isso compensa em termos de saúde e longevidade, além de assegurar a liberdade de movimento do Corpo Denso, possibilitando o estudo e a dedicação a coisas mais elevadas. Com o tempo, a pessoa se familiarizará tanto com o assunto que não precisará mais dedicar-lhe atenção especial.
É importante lembrar que nem todas as substâncias químicas contidas em cada alimento estão disponíveis para utilização pelo organismo, pois existem certas partes que o corpo não assimila.
Quanto aos vegetais, digerimos apenas cerca de 83 por cento das proteínas, 90 por cento das gorduras e 95 por cento dos carboidratos.
Quanto às frutas, assimilamos cerca de 85 por cento das proteínas, 90 por cento das gorduras e 90 por cento dos carboidratos.
O fósforo é o elemento específico por meio do qual o Ego é capaz de expressar o pensamento e influenciar o Corpo Denso. É também um fato que a proporção e a variação dessa substância correspondem ao estado e ao estágio de inteligência do indivíduo. Indivíduos com deficiência intelectual profunda possuem muito pouco fósforo; pensadores perspicazes possuem muito; e, no reino animal, o grau de consciência e inteligência é proporcional à quantidade de fósforo contida no cérebro.
É, portanto, de grande importância que o Aspirante à vida superior, que pretende utilizar seu Corpo Denso para trabalhos mentais e espirituais, forneça ao seu cérebro a substância necessária para esse fim. A maioria dos vegetais e frutas contém certa quantidade de fósforo, mas é um fato curioso que a maior proporção esteja contida nas folhas, que geralmente são descartadas. Ele é encontrado em quantidades consideráveis em uvas, cebolas, sálvia, feijões, cravo-da-índia, abacaxis, nas folhas e talos de muitos vegetais e, também, no caldo de cana-de-açúcar, mas não no açúcar refinado.
A tabela a seguir mostra as proporções de ácido fosfórico em alguns alimentos:
Em 1.000 partes de:
| Cevada seca | 210 partes |
| Feijões, favas, ervilhas | 292 partes |
| Beterrabas | 167 partes |
| Folhas de beterraba | 690 partes |
| Trigo mourisco | 170 partes |
| Cenouras secas | 395 partes |
| Folhas de cenoura | 963 partes |
| Linhaça | 880 partes |
| Talos de linho | 118 partes |
| Chirívia (Pastinaga)[10] | 111 partes |
| Folhas de chirívia (Pastinaga) | 1784 partes |
| Ervilhas frescas | 190 partes |
Em conclusão, que o Aspirante à vida superior escolha alimentos de fácil digestão, pois quanto mais facilmente a energia do alimento for extraída, mais tempo o organismo terá para se recuperar antes que seja necessário repor as reservas. O leite nunca deve ser bebido da mesma forma que se bebe um copo de água. Ingerido assim, forma no estômago uma grande massa de coalho, bastante resistente à ação dos sucos gástricos. Deve ser bebido aos poucos, em pequenos goles, pois assim formará no estômago muitos glóbulos pequenos, que são facilmente assimilados. As frutas cítricas são antissépticos poderosos, e os cereais, particularmente o arroz, são antitóxicos de grande eficiência.
Tendo explicado, do ponto de vista puramente material, o que é necessário para o Corpo Denso, passaremos a considerar o assunto sob o aspecto oculto, levando em conta o efeito sobre os dois Corpos invisíveis que interpenetram o Corpo Denso.
A principal sede do Corpo de Desejos reside nos músculos e no Sistema Nervoso Cerebrospinal[11], como já foi demonstrado. A energia manifestada por uma pessoa sob forte excitação ou ira é um exemplo disso. Nesses momentos, todo o sistema muscular fica tenso, e nenhum trabalho árduo é tão exaustivo quanto um “ataque de raiva”. Isso pode deixar o Corpo Denso prostrado por semanas. Percebe-se, assim, a necessidade de aprimorar o Corpo de Desejos mediante o controle do temperamento, poupando o Corpo Denso do sofrimento decorrente da ação descontrolada do Corpo de Desejos.
Sob uma perspectiva oculta, toda a consciência no Mundo Físico resulta da luta constante entre o Corpo de Desejos e o Corpo Vital. Sua principal expressão manifesta-se no sangue e nas glândulas, bem como no Sistema Nervoso Simpático, tendo penetrado na fortaleza do Corpo de Desejos (os sistemas muscular e o Sistema Nervoso Voluntário) quando começou a transformar o Coração em um músculo voluntário.
A tendência do Corpo de Desejos é endurecer; por sua vez, ele invadiu o domínio do Corpo Vital, apoderando-se da Glândula Baço e produzindo os glóbulos brancos — que não são os “policiais do organismo”, como a Ciência acredita atualmente, mas sim destruidores. Ele utiliza o sangue para transportar esses minúsculos destruidores por todo o Corpo Denso. Eles atravessam as paredes das artérias e veias sempre que se sente irritação, e especialmente em momentos de grande ira. Então, o fluxo de forças no Corpo de Desejos faz com que as artérias e veias se dilatem, abrindo caminho para a passagem dos glóbulos brancos para os tecidos corporais, onde formam a base para a matéria terrena que mata o Corpo Denso.
Recebendo a mesma quantidade e o mesmo tipo de alimento, a pessoa de disposição serena e jovial viverá mais, desfrutará de melhor saúde e será mais ativa do que aquela que se preocupa ou perde a calma. Esta última produzirá e distribuirá pelo corpo mais glóbulos brancos destrutivos do que a primeira. Se um cientista analisasse os Corpos Densos dessas duas pessoas, constataria que havia consideravelmente menos matéria terrena no Corpo Denso da pessoa de índole bondosa do que no daquela propensa a irritações e reclamações.
Essa destruição ocorre constantemente; não é possível impedir a entrada de todos os destruidores, nem essa é a intenção. Se o Corpo Vital tivesse domínio irrestrito, ele construiria incessantemente, empregando toda a energia para esse fim. Não haveria consciência nem expressão do pensamento. É porque o Corpo de Desejos restringe e endurece as partes internas que a consciência se desenvolve.
Houve um tempo, num passado muito remoto, em que expelíamos as concreções — tal como fazem os moluscos —, deixando o Corpo Denso macio, flexível e sem ossos; mas, naquela época, possuíamos apenas a consciência embotada e tênue parecida com as os moluscos têm hoje. Antes que pudéssemos progredir, tornou-se necessário reter as concreções; verifica-se que o estágio de consciência de qualquer espécie é proporcional ao desenvolvimento de sua estrutura óssea interna. O Ego precisa de ossos sólidos com a medula vermelha semilíquida para poder produzir os glóbulos vermelhos necessários à sua expressão. Esse é o grau mais elevado de desenvolvimento do Corpo Denso.
[1] N.T.: é responsável por filtrar o sangue, produzir, transportar, armazenar e eliminar a urina, mantendo o equilíbrio interno do Corpo Denso.
[2] N.T.: O médico inglês William Harvey descobriu que o coração funciona como uma bomba que faz o sangue circular pelo Corpo Denso em um circuito fechado.
[3] N.T.: A perda de líquidos pelo Corpo Denso ocorre de duas formas principais: a perda insensível (que não percebemos e que é a evaporação contínua de água pelas vias respiratórias e difusão direta através da pele, e que é composta de água (vapor de água)) e a perda sensível (que é visível e regulada e que é a secreção ativa de líquido pelas glândulas sudoríparas, e que é composta de água combinada com eletrólitos (principalmente sódio e cloreto)). Ambas são fundamentais para a regulação da temperatura e o equilíbrio de fluidos do organismo.
[4] N.T.: Atualmente, a água purificada por osmose reversa ou destilada é a que tem menos substância terrosa ou minerais dissolvidos, pois o processo remove praticamente todos os sólidos da água.
[5] N.T.: Obviamente orgânicos, sem pesticidas ou outros elementos externos.
[6] N.T.: Trata-se do açúcar mascavo, o tipo mais natural extraído da cana, que é o que havia na época em que o livro foi escrito.
[7] N.T.: Quadro em que há excesso ou alteração da bílis (líquido produzido pelo fígado que ajuda na digestão), podendo causar náuseas, vômitos ou problemas no fígado.
[8] N.T.: popularmente conhecida como má digestão ou indigestão, é um conjunto de sintomas de desconforto ou dor na parte superior do abdômen (exemplos: gastrite, úlcera, refluxo ou infecção pela bactéria Helicobacter pylori, ou, ainda, estresse ou sensibilidade gástrica).
[9] N.T.: de mamíferos, aves, peixes, répteis, anfíbios, frutos do mar e afins.
[10] N.T.: também chamado de Pastinaca ou Cherovia. Parece uma cenoura, mas é mais rústico e menos firme, tendo um formato cónico. Tom creme-esbranquiçado e um sabor a anis doce. É um legume de antigamente que está a ser recuperado pelas novas gerações.
[11] N.T.: é o conjunto de órgãos que formam o Sistema Nervoso Central (SNC), composto pelo encéfalo (cérebro, cerebelo e tronco encefálico) e pela medula espinal.
Quando ligamos o ferro elétrico e ele não funciona, examinamos a resistência, o fio ou os fusíveis. Não desesperamos diante do ferro, exclamando: “Ó eletricidade, por favor, desça ao meu ferro e faça-o funcionar”.
Sabemos muito bem que embora o mundo todo esteja cheio daquela força misteriosa a que chamamos de eletricidade, somente aquela porção que flui ao encontro da resistência do ferro é que o faz funcionar.
O mesmo princípio se aplica à energia criadora de Deus. Todo o universo está cheio dela, mas apenas a porção que flui através de nosso ser realmente nos beneficia.
Muitas vezes tentamos fazer essa energia criadora operar em nós por meio de preces e pedidos a Deus para que faça isto ou aquilo. E como Ele não faz nem uma coisa e nem outra, nós concluímos que não há valor na oração, uma vez que Deus age como entende, sem consultar aos nossos desejos. Em outras palavras, duvidamos da disposição ou da habilidade divina em realmente produzir em nossas vidas os resultados que desejamos. Não duvidamos de nossa própria habilidade em chegarmos à Sua presença e nos enchermos d’Ela, mas sim de Sua Disposição em se chegar a nós e encher-nos d’Ele.
Deus está tanto dentro de nós como em nosso redor. Afinal, Ele é onisciente, onipotente e onipresente. Ele é a Fonte de toda a Vida, o Criador do Universo com as inimagináveis profundidades interastrais. Mas Ele é também a vida que habita em nós. E, assim como todo o mundo cheio de eletricidade não iluminará uma casa a menos que a casa esteja preparada para receber eletricidade, assim a vida infinita e eterna de Deus não nos pode ajudar, a menos que estejamos preparados para receber aquela vida em nós mesmos. Somente a quantidade de Deus que pode caber em nós, a nosso proveito, operará.
“O Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17:21), disse Cristo-Jesus. E a Luz Interna que em nós habita, o lugar secreto da Consciência do Altíssimo em nossos corações é que constituem o Reino de Deus em sua manifestação terrena. Aprender a viver no Reino dos Céus é aprender a acender a luz de dentro de nós.
Devemos aprender que Deus não é um soberano irracional e impulsivo, que quebra suas próprias Leis de Deus à vontade. Logo que aprendemos que Deus faz coisas por nosso intermédio e não para nós, o assunto se torna tão simples e impressivo como o nascer do Sol.
“Mas Deus é onipotente!”, dizem alguns. “Ele pode fazer o que quiser!”. Certamente, mas Ele criou um mundo que se rege por Leis de Deus e Ele não gosta de quebrar essas suas Leis de Deus!
Ele pode produzir viçosas respostas à nossa oração, se nós adaptarmos os tabernáculos terrestres de nossa habitação às Suas Leis de Amor e Fé, de forma que se estabeleçam os pré-requisitos da oração respondida.
Algum dia o mundo virá a entender esse fato da mesma forma que hoje entende o milagre das ondas sonoras, pois, os milagres de uma geração são os lugares comuns da geração seguinte.
Algum dia nós entenderemos os princípios científicos que subjazem aos poderes milagrosos de Deus, e aceitaremos Sua intervenção com tanta naturalidade como aceitamos o rádio.
Muitos verdadeiros milagres sempre ocorrem! E nenhum deles quebram as Leis Deus. O que ocorrem é que muitas das Leis de Deus nós ainda não conhecemos. Sempre que ocorre é uma superimposição duma Lei de Deus mais alta da vida sobre outra mais baixa. Foi, portanto, o cumprimento das Leis da Natureza, que nada mais são do que as Leis de Deus. Se se pensa sobre o milagre não como a quebra das leis de Deus, mas como o uso que Ele mesma faz de Suas Leis, então o mundo está cheio de milagres.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de janeiro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Uma pessoa quando se predispõe a estudar os Ensinamentos Rosacruzes por meio da Fraternidade Rosacruz já desenvolveu a sua consciência ao ponto de, pelo livre arbítrio, escolher um rumo para suas ideias, portanto, para o seu modo de pensar e agir.
Nesse ponto de transição, em que a consciência insatisfeita com o que aprendeu até ali, necessita de esclarecimentos mais amplos, ele entra num mar de dúvidas porque aquilo que já aprendeu ficou gravado atrapalhando o novo aprendizado até que, depois, por si mesmo, ele perceba a lógica nas novas lições e acomode nelas a corrente de suas ideias.
Acontece que, desde séculos passados, o ambiente religioso é o mesmo nestes lados ocidentais. Durante anos e anos duas Religiões exotéricas que não se unem, mas graças a Deus não se perseguem mais, vem prevalecendo no continente europeu e no continente americano, sujeitando a sociedade e embaraçando a expansão de ideias livres, ideias individuais.
Dessa maneira a pessoa que chega ao ponto de libertar a sua Mente e conduzi-la pelo seu livre arbítrio, fica receosa como um pássaro que, engaiolado por muito tempo, no momento de sua liberdade, tem medo do espaço infinito. Quando vê aberta a portinha da gaiola, não tem coragem de arriscar um voo.
O hábito é uma segunda natureza e milhares e milhares de pessoas vem se habituando, desde criança, no ambiente familiar e ambiente geral de uma só ordem de ideias, até que sua Mente desenvolvida em outros assuntos, por força das necessidades da vida, chega a um ponto de curiosidade e descontentamento e se põe a procurar novas diretrizes, novos horizontes. Chega a hora, então, de procurar outras Religiões, outras Filosofias Cristãs, de ler livros, até ali desconhecidos, de procurar lugares de ensinamentos até então ignorados, e considerados absurdos, mudar de pontos de vista, de adquirir novos conhecimentos.
Nessa altura, muitas pessoas temerosas de abandonar tradições, de mudar de corrente, sempre igual de ideias que influiu durante tantos anos na própria vida, compreendendo ao mesmo tempo, que essas ideias já não satisfazem mais, vacila tanto para dar novo rumo a sua mentalidade que acabam estacionando no seu modo de pensar, sem concordar plenamente com a que já aprendeu e sem vontade de aprender novas razões. Quantas pessoas deixam de progredir na vida, moral ou material, pela força do hábito!
Essa preguiça de natureza mental deve ser afastada desde logo, porque geralmente ela dura bastante e, muitas vezes, quando chega a passar por efeito de um impulso, provocada pela experiência, pelo sofrimento, já se perdeu muito tempo, ou mesmo o melhor do tempo.
É natural, pois, que quando se encontre num estado de transição de ideias, mormente se tratando de questões espirituais, se esbarre com muita dúvida; porém é necessária afastá-la desde logo e para se conseguir isso é preciso pesquisar, examinar.
No caso da espiritualidade Cristã, é preciso verificar se as lições aprendidas, ou melhor, se as lições que se está aprendendo, são enquadradas na realidade da vida de todos os dias, e se podem ser observadas em você mesmo ou nos outros. Para isso é preciso pensar, procurar dentro do próprio pensamento fatos ou coisas que se relacionem com o que se está aprendendo. É preciso usar a memória, recorrer a lembranças e, também, observar nos fatos presentes, a relação entre a vida real e a espiritualidade.
A espiritualidade Cristã não é mais nada que a nossa própria vida estudada na sua essência, nas suas bases fundamentais, na sua evolução e sua finalidade.
Ora, estudando a nossa própria consciência nos seus foros mais íntimos, e estudando, ao mesmo tempo, os acontecimentos da vida exterior, quese relacionam particularmente conosco de modo direto ou indireto, dando-nos pesares ou prazeres, alegrias ou tristezas, verificamos que tudo o que nos aconteceu e nos acontece está em harmonia com a nossa natureza particular, com a nossa capacidade, com a nosso entendimento, com o nosso grau de inteligência; por isso mesmo que se diz que Deus dá o frio conforme a roupa.
Verificaremos também que se os acontecimentos da nossa vida são diferentes dos acontecimentos das vidas dos outros, muito embora as situações sociais, financeiras, condições de saúde, de família e outras, sejam equivalentes, é porque a nossa natureza íntima, também é diferente, porque os nossos Mundos internos têm o seu feitio e o seu desenvolvimento particular, que não encontramos exatamente iguais em mais ninguém. É por isso que muitas pessoas, em ocasiões de raiva, de desespero, mesmo de coragem, de sacrifício, convencida de sua natureza exclama: “eu sou assim”. Está certo! Cada um é assim do seu modo peculiar e não muda, senão por força da evolução espiritual. O Mundo exterior repete continuamente a mesma série de cenas, as mesmas histórias, os mesmos fatos, garantido pelas espirais dentro de espirais. Nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) somos que, conservando o nosso feitio fundamental, as nossas linhas características, vai modificando a nossa expressão por efeito do desenvolvimento que vamos realizando. Quando recordamos certas épocas do nosso passado, certos ambientes, lugares e fatos, sentimos saudades de tudo o que se ligava a esses fatos, a paisagem, o céu, a rua, as pessoas – a verdade nos faz saudades, não propriamente essas coisas e sim o nosso estado interno desse tempo. Sentimos saudades de nós mesmos, de nossa alma mais animada, de nossas emoções mais leves, ligeiras, de nossos pensamentos cheios de entusiasmo e esperanças.
O céu não mudou! Por toda a parte há, como antes, paisagens encantadoras, variadas, objetos interessantes, pessoas agradáveis, moda bonita. Nós, por efeito de nossas experiências, mudamos os sentimentos e a mentalidade, e por isso mesmo olhamos as coisas e os fatos por outro prisma. Nós, o Ego, arredamos alguns dos véus que nos encobrem e enxergamos tudo com mais realidade, mais clareza. Do mesmo modo recordamos com mais realismo as nossas tolices passadas, erros de toda a espécie, disparates e até dureza de coração e ficamos admirados de termos praticado tais atos. Isso vem mostrar que vamos clareando aos poucos e continuamente, ampliando a nossa mentalidade, apurando os nossos sentimentos e por isso mesmo éque nossa memória traz à tona, muitas vezes, atos que praticamos, bobagens, até sem importância e que por nada neste mundo seríamos capazes de praticar de novo, porque a nossa consciência não mais aceita. Será porque de lá para cá, cultuamos a nossa inteligência, lemos muito, aprendemos mais coisas? Em parte, sim. Digo em parte apenas, porque muitas pessoas têm uma cultura intelectual comprovada, capaz de resolver grandes e graves problemas financeiros e políticos, questões internacionais importantíssimas, técnicos aperfeiçoados, magistrados, que sabendo tanta coisa são fechados no orgulho, no egoísmo, na vaidade, que vivem para si somente, ignorando o resto da coletividade formada, entretanto, por seus semelhantes. Torno a dizer que a espiritualidade Cristã é o estudo da nossa própria vida por meio do desenvolvimento dos nossos Mundos internos. Por meio desse desenvolvimento percebemos que temos aprendido já muita coisa; que já conseguimos abrandar um pouco o coração; que ganhamos caminho, e que fomos muito mais atrasados. Já cometemos uma infinidade de erros mais graves dos que cometemos hoje e devemos seguir adiante, quer queiramos ou não.
Devemos desenvolver infinitamente o nosso aprendizado, visto que se estamos adiantados, à vista do estado espiritual em que já estivemos, estamos atrasados, à vista do grau de adiantamento a que temos de chegar.
O nosso aprendizado não é fácil, no ponto de desenvolvimento em que estamos, porque eledepende, em boa parte, do domínio das nossas emoções, o que quer dizer do cultivo dos nossos desejos e emoções, o que depende de muita força de vontade por nossa parte. A nossa luta de todos os dias está empenhada com uma coletividade dos mais variados graus de adiantamento espiritual, portanto, estamos, a cada instante, em choque com forças exteriores. Essas forças exteriores estão, por sua vez, em harmonia com a Lei de Causa e Efeito ou Lei de Consequência, portanto, é dentro dela mesmo que temos de agir, para vencer. Para agir com pessoas de todos os graus de adiantamento, evitando o mais possível os choques, é preciso que se tenha seriedade de espírito e isso só se consegue com conhecimento e amor aos semelhantes, sejam eles de qualquer estágio de aprendizado.
Quando se chega a compreender que, só podemos dar aquilo que temos, e quanto menos temos para dar mais infeliz somos, mais caminho temos que andar, de modo que, nossos amigos, as ideias de vingança, o desejo de desforra são provas de falta de conhecimento, de pouco ou nenhum raciocínio. Somos auxiliares mútuos no cumprimento da Lei da Causa e Efeito e de Consequência e conforme as nossas qualidades, somos portadores de alegrias ou de tristezas aos nossos semelhantes.
Essas questões e todas as outras que se relacionam diretamente com o cultivo dos sentimentos, com o desenvolvimento da consciência, com o aperfeiçoamento do caráter fazem parte integrante do aprendizado espiritual e o melhor exercício que se pode fazer é a prática das boas ações, obras e bons atos.
O domínio próprio, o autodomínio, exercitado diretamente, só pelo esforço da vontade, naturalmente, tem os melhores resultados, porém, não está ao alcance de todos, porque é muito difícil conter o nosso Corpo de Desejos. Há outro exercício mais brando, por isso mesmo mais demorado que chega também a um resultado satisfatório. É o trabalho de se procurar, conscientemente, em todos os fatos, em todas as coisas ou em todas as pessoas que nos desagradam, o lado bom, apreciável, a virtude que existe sempre e que muitas vezes, se oculta atrás de uma aparência má ou feia, ou seja: o bem que está lá, sempre. Aliá, sempre que fazendo isso conseguimos vencer uma aversão, estamos educando as nossas emoções e desejos.
Sempre que, ao julgarmos, nos demos ao trabalho de procurarmos a causa que o motivou, estaremos exercitando o raciocínio, portanto o abrandamento das emoções. Esses trabalhos repetidos apresentam geralmente resultados positivos. Há Estudantes Rosacruzes que, com o desejo de adiantar depressa se propõem a exercitar a domínio próprio por meios extremados, geralmente acima de suas forças, fora de suas capacidades, chegando a pouco ou nenhum resultado, porque ou se cansam e abandonam o exercício na metade, ou se aniquilam prejudicando a saúde. O domínio próprio tem de ser praticado dentro do princípio da relatividade, exercitar gradativamente e no seu meio termo. “Devagar é que se chega ao longe”. Quando se está subindo uma escada para se chegar ao cimo, seguramente, tem-se de prestar atenção em cada degrau que se está pisando, para nele não falsear o passo, nem pisar muito firme, com risco de torcer o pé.
Não adianta a preocupação antecipada com o que está lá em cima, no patamar, porque só chegando lá é que se pode compreender, e nem adianta também saltar degrau, porque, então, não se fica conhecendo bem a escada, e nela pode haver coisas de utilidade que venham a fazer falta mais tarde. O trabalho de examinar o que se está fazendo é de grande proveito e utilidade no presente e para o futuro; isso em qualquer exercício. Nos estudos na Fraternidade Rosacruz esse cuidado é indispensável por se tratar de questões de ordem superior, que determinam o nosso progresso em linhas mais retas ou explicando melhor, de modo mais direto.
Uma vez que se queira dar às ideias um rumo seguro, que se deseje dar à Mente mais largueza e mais claridade é justo que se empregue atenção em tudo o que diz respeito às lições que se vai aprendendo, que se examinem com a própria consciência os trabalhos indicados.
Os Ensinamentos Rosacruzes têm, como uma das finalidades mais em vista, levar o Estudante Rosacruz a libertar as suas ideias a ponto de resolver por si só, com o auxílio único de sua própria consciência, todos os problemas de sua vida. Ideias livres não querem dizer anarquismo, quando são orientadas na espiritualidade Cristã.
Todo Estudante Rosacruz sabe que a verdadeira liberdade é a obediência às Leis de Deus e o exato cumprimento de todos os deveres. Que a nossa consciência só pode se desenvolver pelo conhecimento dessas coisas e que entre todos os nossos deveres o mais elevado é a estima, o respeito espontâneo, solícito aos direitos dos nossos semelhantes. É o reconhecimento da semelhança estabelecida no fundo de nossa natureza, pelo princípio que é o mesmo para todos.
O medo de pensar e agir livremente pode desaparecer, uma vez que o Estudante Rosacruz conheça o verdadeiro conceito da liberdade, que compreenda que o direito é um resultado do dever cumprido, portanto, quem cumpre, voluntariamente, seus deveres morais, materiais e espirituais está agindo com liberdade e segurança e está se aproximando da espiritualidade, e só consegue se espiritualizar em verdade, quem compreender este axioma ocultista: “Há apenas um único poder na Terra como nos Céus e este poder é o do Bem”.
Ora se a verdadeira espiritualidade é a que se apoia inteiramente no “Bem”, por que duvidar, vacilar, quando a consciência inquieta, insatisfeita reclama diretrizes mais claras, mais lógicas, na corrente das ideias? Quando, imperiosa, pede razão? Por que se demorar na decisão? Sujeição do ambiente ou da força do hábito? A nossa consciência é a iluminadora de nossas ações e quando ela chega a encaminhar a pessoa para os estudos espiritualistas, é porque é chegado o momento dela entrar para o caminho mais curto de sua evolução. É chegada a hora dela agir por si mesma, guiada somente pelo seu Cristo Interno.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro/1964 – Fraternidade Rosacruz–SP)
Um filósofo certa vez afirmou: “a paciência é a maior das virtudes”. A verdade é que tal virtude, sendo bem cultivada, nos levará a alcançar outras qualidades espirituais.
O Estudante Rosacruz encontra na paciência uma dura prova, principalmente quando começa a dar os primeiros passos dentro dos sublimes Ensinamentos Rosacruzes por meio do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Notadamente, os jovens, com a alma ávida de novos conhecimentos e experiências e, talvez devido a uma má orientação anterior, sentem um desejo ardente de rasgar véus que envolvem mistérios e desenvolver qualidades psíquicas, desconhecendo que o essencial é o crescimento espiritual, pois psiquismo não é espiritualidade.
O passo mais importante a ser dado pelo Aspirante à vida superior é conservar a Mente pura, arejada, livre de pré-conceitos que entravam o progresso espiritual; um Coração nobre, justo, sensitivo, porém condizente com a situação de quem procura analisar os fatos dentro de um prisma racional e lógico; um Corpo são, através de um regime alimentar adequado e hábitos salutares, bem como estabelecer, como dínamo a impressioná-lo em suas atividades diárias, o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e a irmã que está ao seu lado. O resto virá por acréscimo.
Mesmo no decorrer do estudo da Filosofia Rosacruz nem tudo nos apresenta claro e compreensível de um dia para outro. Nem todos possuem a mesma capacidade de assimilação de conhecimentos, pois tal capacidade constitui uma bagagem adquirida em existências passadas, conforme o maior ou menor empenho de cada um. Não obstante, é necessário perseverar e perseverar sempre. Mesmo que levemos muito tempo para entender algum tópico das lições, e que isto não seja motivo para esmorecimentos e desistência. Cada um deve sobrepor-se as próprias fraquezas e dificuldades, porque é desta conquista da natureza inferior que se removem os obstáculos e as limitações esvaem-se. Estas são criações do próprio ser humano, através de um modo negativo de viver, de pensar e agir.
O estudo constante, a participação em reuniões de estudos Rosacruzes sempre que possível, a prática constante do Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, o viver leal e sincero de conformidade com os ideais rosacruzes constituem fatores positivos, que propiciam o vislumbre de horizontes mais amplos.
É evidente que o estudo e a demonstração das Leis de Deus que regem os Mundos suprafísicos não implicam em compreensão imediata, pois a Natureza não dá saltos e se muitas vezes não entendemos nem aquilo que é perceptível aos nossos sentidos físicos, quanto mais o que é âmbito mais sutil!
Mas, se tivermos paciência, tudo virá no devido tempo e conseguiremos o almejado, pois, o espírito de harmonia e a unidade de propósito muito nos auxiliarão; assim, constituirão uma força que beneficiará, fortalecerá e sustentará a cada um de nós.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz outubro/1966-Fraternidade Rosacruz -SP)
O Ecos de um Centro Rosacruz tem como objetivo informar as ATIVIDADES PÚBLICAS realizadas pelos Estudantes Rosacruzes, bem como fornecer material de estudo sobre os assuntos que foram objetos de exposições, publicações e em Reuniões públicas de Estudos durante o mês anterior.
*********************
1.Para acessar a Edição digital (com a formatação e as figuras em melhor qualidade)
clique aqui: Ecos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil – Outubro de 2025
2. Para acessar somente os textos (sem a formatação e as figuras) é só ler aqui:






As Reuniões de Estudos abertas ao público ocorrem na nossa Sede própria situada na Avenida Francisco Glicério, 1326 – Centro – Conj. 82 – Campinas – SP – Brasil, aos domingos às 16 h e/ou às 17 h. Em seguida temos a oficiação do Ritual do Serviço Devocional do dia.
Se você quiser participar presencialmente é só nos avisar antecipadamente pelo WhatsApp: 55 19 99185-4932 ou pelo e-mail: fraternidade@fraternidaderosacruz.com
É uma oportunidade ímpar de você estar estudando com pessoas que têm o mesmo ideal Rosacruz!
Para esse mês de NOVEMBRO de 2025, aqui estão as Reuniões que teremos:
Nesse Calendário você encontra:
1- Os DIAS de Ofícios de cada Ritual do Serviço Devocional que qualquer um pode oficiar
2- Os melhores períodos para Tratamentos de Saúde usando a Astroterapia e Astrodiagnose Rosacruz
3- Os melhores períodos que ajudam você a assimilar melhor os resultados dos seus Estudos Espirituais
4- Os melhores períodos que ajudam você a executar as Atividades Materiais
5- Os assuntos que nós estudaremos nas nossas Reuniões Públicas Dominicais de Estudos (tanto com participação local como remota) no Centro Rosacruz em Campinas-SP-Brasil
6- As datas que ocorrerão as Reuniões reservadas Dominicais de Estudos também no Centro Rosacruz em Campinas-SP-Brasil
7- Os assuntos que você poderá utilizar para a sua reflexão e para os Exercícios Esotéricos Rosacruzes (seja pelo Trabalho do Cristo nesse Período, seja pelo Trânsito do Sol pelas Hierarquias Criadoras)
**** Informações adicionais sobre esse Calendário você encontra no nosso site: https://fraternidaderosacruz.com/category/sobre-a-fraternidade/atividades-presenciais-do-mes/
Reuniões de Estudos
Dia 05/10 –
| 16H – Reunião Pública: Estudos Bíblicos Rosacruzes: Evangelho Segundo S. Mateus-Cap. 8: Cura de um Leproso 17H – Reunião Pública: Filosofia Rosacruz: Cap. XIV – Análise Oculta do Gênesis: Mescla do Sangue no Casamento-Clarividências |
Dia 12/10 –
| 16H – Reunião Reservada: Astrologia Espiritual Rosacruz 17H – Reunião Pública: Filosofia Rosacruz: Cap. XIV – Análise Oculta do Gênesis-“A Queda do Homem”: Espíritos Lucíferos-“Comer o Fruto” |
Dia 19/10 –
| 16H – Reunião Reservada: Estudante Regular 17H – Reunião Pública: Filosofia Rosacruz: Cap. XV – Cristo e Sua Missão-Evolução da Religião: Cristianismo-Altruísmo-“Vibrações” |
Dia 26/10 –
| 16H – Reunião Reservada: Probacionista 17H – Reunião Pública: Filosofia Rosacruz: Cap. XV – Cristo e Sua Missão-Evolução da Religião: 4 graus que nos levam a Deus-Perdão |
Filosofia, Estudos Bíblicos e Astrologia Rosacruzes que estão sendo feitos pelos Estudantes Rosacruzes por esse Centro Rosacruz
Respostas às dúvidas dos leitores
via e-mail, no site, nas redes sociais
Oficiação dos Rituais do Serviço Devocional
incluindo Hino de Abertura, do Signo do mês solar e Hino de Encerramento
Continuação dos tratamentos de saúde para os irmãos e as irmãs inscritas no Departamento de Cura desse Centro Rosacruz
Aproveitemos o mês e unamos os Ensinamentos Rosacruzes de Filosofia, Bíblia e Astrologia Rosacruz para praticarmos durante TODOS OS DIAS DE NOVEMBRO. Esse mês solar de NOVEMBRO, que vai de 23 de OUTUBRO a 21 de NOVEMBRO, corresponde à Hierarquia Zodiacal de Escorpião.
Escorpião é o Signo misterioso do Zodíaco. Possui dois símbolos: um escorpião, com um aguilhão da morte em sua cauda, e uma águia que pode voar mais perto do Sol que nenhuma outra ave. Esses dois símbolos representam dois aspectos, amplamente divergentes desse Signo: sob a influência do escorpião o ser humano pode descer às profundidades da degradação; sob a influência da águia, sua natureza inferior é transmutada, de modo que pode alcançar grandes alturas espirituais.
Escorpião é um Signo de tremendo poder. Suas forças atuam em uma faixa que vai desde as fases mais íntimas da degeneração, até as fases mais excelsas da regeneração. Quando alguém aprende a se sintonizar perfeitamente com os poderes de Escorpião, se converte em um operador de milagres, tanto no plano físico como no espiritual.
Hierarquia Criadora – Escorpião é a Hierarquia Criadora dos Senhores da Forma. Esta Hierarquia é a mais ativa no atual Período Terrestre. O Período Terrestre é, eminentemente, o Período da Forma. Aqui, a parte material da evolução está em seu grau mais elevado, ou mais pronunciado. Em contrapartida, o Espírito está mais abandonado e coibido. A Forma é o fator mais dominante, daí o predomínio dos Senhores da Forma.
O padrão cósmico que essa Hierarquia está trabalhando para estabelecer na Terra é a obtenção por meio da transmutação da matéria em Espírito. Por meio desse processo as essências sublimadas da Mente e do Corpo emergem com as forças do Espírito.
Atividades do Cristo – Quando o Sol entra em Escorpião, o sublime Cristo alcança o Mundo do Desejo. Então, ocorre uma aceleração cósmica.
Lentamente, durante novembro e dezembro, o raio do Cristo penetra nos diversos planos internos do Planeta, até alcançar o centro da Terra, no Natal. Pela visão superior, o raio do Cristo é dourado, como o Sol espiritual do qual emana.
Atividades do Aspirante à vida superior – Transmutação é a palavra-chave dominante de Escorpião.
Esse é um tempo propício para que o discípulo trabalhe na purificação da sua natureza inferior e, assim, se torna mais habilitado para auxiliar os Seres Superiores em seus trabalhos de purificação da camada astral (N.T.: o Mundo do Desejo) da Terra. Um esforço suplementar é, então, feito para torna-lo um servidor consciente mais eficiente tanto nos planos internos como nos externos da vida.
Em estágios evolutivos anteriores do desenvolvimento humano, a Hierarquia de Escorpião, que preside o mês zodiacal de novembro, auxiliou o despertar do Ego (N.T.: o Espírito Virginal manifestado, nós) no ser humano (N.T.: nos seus Corpos: Denso, Vital e de Desejos) e, fazendo isso lançou o ser humano na estrada da individualização. Durante o presente estágio de evolução humana o discípulo, trabalhando sob a orientação dos Senhores da Individualidade (Libra) e dos Senhores da Forma (Escorpião), está aprendendo a substituir a sua capacidade de fazer valer a própria opinião diante de outras pessoas, pela humildade e pelo sacrifício pessoal do “eu” pelo impessoal “nós”; em outras palavras, atualmente vive-se o ideal de “O MAIOR BEM PARA O MAIOR NÚMERO”.
No Corpo Denso – o centro físico correlacionado com Escorpião é o sistema reprodutor.
Dentre os 12 Apóstolos – S. João, o Amado, é o Discípulo correlacionado com Escorpião. A transmutação foi a nota chave de sua vida. Progrediu tanto na divina ciência da transmutação da matéria em Espírito que nunca conheceu a morte.
Passagem da Bíblica correlacionada – procure utilizar a seguinte frase ao fazer os Exercícios Esotéricos de Concentração durante o dia e o de Meditação: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.” (Mt 5:8). Faça isso em cada um dos dias em que Escorpião enfoca seu ritmo sobre a Terra, e os significados ocultos dessa passagem lhe aclarará a Mente e o Coração sobre sua significância esotérica.
A fim de nunca esquecermos e até como forma de imensa gratidão, nos lembremos sempre que: “A Bíblia foi nos dada pelos Anjos do Destino que estando acima de todo o erro nos dão exatamente o que necessitamos para o nosso desenvolvimento”.
Hoje vamos estudar um dos inumeráveis Milagres que Cristo fez durante a Sua primeira vinda aqui. Antes de estudá-lo veremos que podemos dividir as características dos milagres descritos na Bíblia (tanto no Antigo como no Novo Testamento) em quatro tipos:
->Primeiro tipo é na verdade Alegorias, ou seja, não considerados como registros de observações científicas.
Alguns exemplos que podemos citar:
– História de Sansão e Dalila
– e a História da mulher de Ló: olhando para trás se tornou em estátua de sal
->Um segundo tipo são os considerados extraordinários no momento em que ocorreram, mas não contradizem realmente as leis científicas conhecidas.
Alguns exemplos que podemos citar:
– O fogo queimou o sacrifício de Elias (depois de encharcado com água por 3 vezes)
– Rebelião de Coré – Saiu fogo da parte de Iahweh e consumiu os 250 homens que ofereciam o incenso
->Um terceiro tipo são aqueles que aparentam contradizer as leis científicas conhecidas, mas que uma explicação para essa contradição pode ser que as condições tenham variado, com padrões de operação diferentes dos anteriores.
Alguns exemplos que podemos citar:
– sangue comum entre os membros da nação, tribo e/ou família: maior poder do Espírito de Raça
– Patriarcas anteriores ao dilúvio (Adão, Set, Enós, Cainã, Malaleel, Jared, Henoc, Matusalém, Lamec, Noé e os demais) alcançando idades elevadas
->E, por fim, um quarto tipo pode ser porque, naquele momento, a lei científica não era conhecida…e muitas até hoje não são conhecidas por todos.
E aqui se encaixam os Milagres de Cura, que é o que se refere o trecho que acabamos de ler da Bíblia.
Vamos estudar o trecho da Bíblia conhecido como “A Cura de um Leproso” por Cristo (Mt 8-1:4):
“Ao descer da montanha, seguiam-no multidões numerosas, quando de repente um leproso se aproximou e se prostrou diante dele, dizendo: ‘Senhor, se queres, tens poder para purificar-me’. Ele estendeu a mão e, tocando-o disse: ‘Eu quero, sê purificado’. E imediatamente ele ficou livre da sua lepra. Jesus lhe disse: ‘Cuidado, não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e apresenta a oferta prescrita por Moisés, para que lhes sirva de prova’”.
Para entender melhor esse 4º tipo de milagre, os milagres de cura, compreendamos o Ciclo Virtuoso que perseguimos nas descobertas tanto na Ciência Material como na Ciência Oculta:
1-A todo momento estamos pesquisando, observando, descobrindo “coisas novas”.
2-E cada vez que conseguimos uma “nova descoberta”, vamos obtendo mais compreensões sobre as leis que regem o Universo – o mundo que nos rodeia, desde o microcosmo até o macrocosmo.
3-Aos poucos, muitas coisas que até então eram consideradas milagres são tidas como em harmonia com as leis oriundas das “novas descobertas”. Só que a partir de novo nível, mais observações são feitas, o que originam novos fenômenos sem explicação. Isso leva a buscarmos novas explicações.
4-E, assim, o ciclo virtuoso recomeça!
Agora, vamos entender como se manifesta uma doença que tem a sua matriz no Corpo de Desejos.
Resumidamente, esses tipos de doenças são consumptivos, ou seja, “consomem” o Corpo Denso.
Alguns exemplos: câncer, AIDS, hanseníase e tuberculose pulmonar.
Ou seja, todas estão ligadas à fragilidade do Corpo de Desejos que não pode fazer seu trabalho no Corpo Denso. Uma das possíveis causas-raízes são as tendências materialistas que colocamos em ação e que podem chegar até:
– negar quaisquer partes que não seja comprovada materialmente ou, ainda,
– que pela insistência em utilizar desejos, emoções e/ou sentimentos para conquistar as coisas materiais e viver dependentes exclusivamente delas.
Outra possível causa-raiz que gera o efeito nessa vida é o abuso da força sexual criadora em vidas passadas, remontadas desde à Época Lemúrica e/ou Época Atlante e que vida após vida se repete. Isso pode causar o endurecimento de certas partes do nosso Corpo Denso e que deveriam ser flexíveis, cartilaginosas ou moles, como os tecidos que não são ossos, como os músculos, fáscias, gordura, tendões, ligamentos, vasos sanguíneos e nervos e, ainda, pele, mamas, glândulas, couro cabeludo e afins.
Como exemplo dessa doença para essa segunda causa-raiz citemos aqui a Lepra, também chamada de Hanseníase, Morfeia, Mal de Hansen ou Mal de Lázaro. A hanseníase corrompe o Corpo; compromete os nervos; tira a sensibilidade da pele. O doente corre o risco de se autodestruir sem perceber!
Vejamos como o irmão ou a irmã com hanseníase era considerado durante a 1ª e 2ª Dispensação.
Peguemos um exemplo que aparece no Livro de Levítico, na Bíblia, Capítulo 13, Versículos 45-46: “O leproso portador desta enfermidade trará suas vestes rasgadas e seus cabelos desgrenhados; cobrirá o bigode e clamará: “Impuro! Impuro!”. Enquanto durar a sua enfermidade, ficará impuro e, estando impuro, morará à parte; sua habitação será fora do acampamento”.
Note uma coisa interessante: naquele tempo o diagnóstico da lepra não estava a cargo dos médicos e sim dos sacerdotes. E, durante a Dispensação que vemos descrita no Antigo Testamento, a Lepra era conhecida como “o dedo de Deus”. O que quer disso isso? Que “a função que você usa mal torna-se sua inimiga”.
Afinal, note que a lepra era mais considerada como impureza, do que doença. Em outras palavras, era considerada evidência de pecado. E isso era traduzido e aceito como corrupção tanto da carne como do espírito. Na maioria das vezes, tida como uma expressão de um castigo divino ao leproso, pois era entendida como desobediência da Leis Jeovísticas, pois vivíamos como se a Lei Jeovística fosse a reguladora da relação entre nós e o nosso próprio Corpo.
Na Bíblia, em Levítico, nos capítulos de 12 a 14, temos as minuciosas indicações sobre o diagnóstico da doença. Algumas dessas indicações eram de que, com certeza, a pessoa estava com lepra: ulceração, afundamento da pele e pelos esbranquiçados. Hoje sabemos que esse não é o diagnóstico correto, não é?
Uma vez identificado o leproso, este tinha:
1-Que deixar o local onde residia
2-Se recolher a um lugar previamente designado (longe da cidade e acabavam nas beiras das estradas)
3-Cobrir a boca com um pano e anunciar, alto e bom som, que era impuro, todas as vezes que alguém estava se aproximando (outras vezes, nessa impossibilidade, tinha que tocar um sino)
Também só o sacerdote é que tinha a autoridade para constatar a cura. Se assim ele o fizesse, o leproso ainda tinha que praticar uns rituais (de sacrifícios e atividades) antes que fosse promovido e ser reintroduzido na comunidade.
Agora, já na Dispensação Cristã vamos ver como o próprio Cristo efetuou o Milagre de Cura de um leproso.
Já dá para perceber que Cristo utilizou a cura por meio da Sua mão, estendo-a e tocando com ela o leproso. Note a presença dos 3 fatores indispensáveis para que a cura definitiva (que utilizamos atualmente na Cura Rosacruz) pudesse ocorrer:
1º O poder curador ou a força curadora onipresentemente de Deus-Pai
2º O curador (para uma cura definitiva) que é o foco, o veículo por cujo intermédio se infunde a energia no Corpo Vital do paciente. Se for um instrumento adequado, consagrado, harmonioso, real e bem harmonizado com o Infinito, não há limites para as obras maravilhosas que Deus realizará por intermédio do Curador, quando a oportunidade se apresentar a um paciente suficientemente receptivo e de Mente obediente.
3º O ânimo obediente do paciente, pois é somente nesse paciente obediente e animado que pode agir o Poder Curador de Deus-Pai por intermédio da pessoa que é o Curador, de tal forma que dissipe todas as doenças e enfermidades no Corpo Vital. Essa é uma Lei da Natureza absolutamente certa. A desobediência produz a doença ou enfermidade. A obediência mostra a mudança de ânimo e a pessoa ficará em situação de receber o bálsamo que pode vir por intermédio do Cristo ou por intermédio de outra pessoa, de qualquer forma o Curador.
Se faltar um ou mais desses três fatores não há cura definitiva.
Veja, sempre presente, a cooperação ATIVA do paciente. É a relação da sentença: “A Fé sem Obras é Morta”, que lemos na Epístola de São Tiago, Cap. 2, Versículo 20, e os trabalhos da cura definitiva.
Para isso note que todos os casos em que Cristo curou alguém, essa pessoa tinha que fazer alguma coisa, ou seja, tinha que cooperar com o Grande Médico, antes que a cura se efetuasse no paciente.
Alguns exemplos: “Estende a tua mão“, e quando a pessoa assim fazia, sua mão ficava curada. Dizia a outro: “Toma o teu leito e anda“, e quando isso era feito, desaparecia a enfermidade. Ao cego mandou: “Vai e banha-te no lago de Siloé“, ao leproso: “Vai ao sacerdote e oferece o teu donativo“, etc.
E depois, nesse caso, cumpra a lei que existe que era o que Moisés estabeleceu em um ritual para esse caso (Lv 14:2-32): ao ficar purificado, deveria oferecer em sacrifício:
– Para o rico eram uma ovelha e dois cordeiros
– Para o pobre eram um cordeiro e duas pombas
E, assim, se tivesse sido purificado pelos sacerdotes, o ex-leproso era aceito na sociedade. Em todos os casos havia necessidade da cooperação ativa da parte daquele que desejava ser curado. Eram simples pedidos, mas tais como eram, tinham que ser atendidos e a obediência auxiliava o trabalho do Curador.
Aqui são somente algumas significâncias esotéricas desse trecho. Como visitaremos novamente esses trechos em outros Evangelhos teremos a oportunidade de nos aprofundar mais. E pensemos bem em como nos capacitar para aplicar esses conhecimentos nos fornecidos diretamente por Cristo.
Para saber mais, assista a 25ª Reunião de Estudos Rosacruzes da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil em:
__________________________________________________________________________________________
Estudemos alguns Termos Rosacruzes que aparecem no texto sob estudo:
A fim de nivelarmos a informação, definimos a palavra “Clarividência” de uma pessoa na Fraternidade Rosacruz como a faculdade, geralmente considerada uma percepção extrassensorial, de obter conhecimento sobre algo (um evento, objeto, pessoa ou local) e/ou de funcionar nos Mundos invisíveis (a partir da Região Etérica do Mundo Físico) sem depender dos sentidos físicos dessa Região Química.
Para conseguirmos compreender qual é o conceito do Termo Rosacruz de Clarividência involuntária e, também, porque muitos de nós tem uma atração por ela, achando até que está se desenvolvendo espiritualmente praticando-a, vamos ver onde ela surgiu e porque foi usada.
Para isso temos que contextualizá-la por meio do Esquema de Evolução que já estudamos aqui.
É ensinado pela Filosofia Rosacruz que nosso Esquema de Evolução é levado através de cinco dos sete Mundos ou estados da matéria (Mundo Físico, do Desejo, do Pensamento, do Espírito de Vida e do Espírito Divino), em sete grandes Períodos de Manifestação (Períodos de Saturno, Solar, Lunar, Terrestre, de Júpiter, Vênus e Vulcano) durante os quais nós, o Espírito Virginal da Onda de Vida humana, criados como chispas divinas, nos tornamos, primeiro, um ser humano e depois, um Deus, exatamente à imagem e semelhança de Deus que nos criou.
Como já estudamos em Reuniões de Estudos passadas, durante os Períodos de Saturno, Solar e Lunar e na metade passada do atual Período Terrestre, nós construímos, inconscientemente, nossos diferentes veículos sob a direção de exaltados Seres, as Hierarquias Criadoras, os quais guiaram nosso progresso, nos despertando gradualmente, até adquirirmos nosso estado atual de consciência de vigília. Essa parte do Esquema de Evolução é chamado “Involução”.
Desde o tempo presente até o fim do Período de Vulcano, nós, que agora somos a Humanidade, estamos aperfeiçoando nossos veículos e expandindo nossas consciências nos cinco Mundos por nosso próprio esforço, vontade e responsabilidade. Essa parte do Esquema de Evolução é chamado “Evolução”.
Atualmente estamos no Período Terrestre e trabalhando com matérias dos 3 Mundos.
E nesse Período Terrestre estamos transitando pelo Globo D.
Um Globo formado totalmente por material da Região Química do Mundo Físico, ou seja: pelos Sólidos, Líquidos e Gasosos.
E já passamos por 3 vezes, ou seja, por 3 Revoluções completas e estamos na metade da 4ª Revolução.
Conforme vamos descendo em densidade de matéria, vamos nos obscurecendo em relação a sutilização da matéria, ou seja, se torna difícil funcionar conscientemente nos Mundos invisíveis aos nossos 5 sentidos físicos.
Por que tem que ser assim? Porque temos que ser especialistas em materiais sólidas, líquidas e gasosas da Região Química do Mundo Físico. Para isso, precisamos ter Corpos extremamente eficazes nessa Região e junto disso, foco, dedicação e aprendizagem.
Como também já vimos, essa metade da 4ª Revolução é o momento evolutivo onde a densidade da matéria alcança o seu máximo para nós.
E quando isso ocorre em um Esquema de Evolução, é necessário dividir esse ponto de densidade máxima em vários outros pontos.
No atual caso, cada ponto desse é chamado de Época.
Começando com a Época onde a densidade da matéria é menos densa, depois aumenta de densidade, até atingir o seu máximo e depois vai diminuindo novamente.
Ou seja, a Época Polar foi onde a densidade da matéria era a menos densa. A Época Atlante foi onde a densidade da matéria era a mais densa de todas as outras, e a Época Reino de Deus será onde a densidade da matéria será igual à que foi a Época Polar.
Ou seja, foi na Época Atlante que tivemos todas as condições para conquistar a Região Química e nos tornarmos especialistas em todos os materiais dessa Região.
Quem de nós conseguiu e é consciente disso, está passo e passo com esse Esquema de Evolução.
Quem de nós conseguiu e não é, o não quer ser, e está consciente disso, está em vários níveis de atraso esse Esquema de Evolução.
Quem não conseguiu, está em vários níveis de atraso nesse Esquema de Evolução.
Atualmente, a imensa maioria de nós está na Época Ária, ou seja, já passamos o ambiente onde a densidade da matéria química foi a mais densa de todas, a Época Atlante.
Agora que já sabemos onde estamos em relação à densidade de matéria química, vamos focar na Época Lemúrica que é aqui que vamos ver como a Clarividência involuntária foi, pela primeira vez, usada.
Há um ponto no rosto de todos nós bem aqui entre os dois arcos supraciliares.
Ele está a mais ou menos 1,5 cm de profundidade a partir da nossa pele.
Esse ponto é chamado raiz do nariz.
É o assento do nosso Espírito interno, o Santo dos Santos no Templo do Corpo Denso, fechado para todos menos para o residente do Corpo, o Ego, que nele habita.
O Clarividente voluntário e treinado pode ver, com maior ou menor acuidade, segundo sua capacidade e exercitamento, todos os diferentes Corpos que formam a Aura humana, mas esse ponto, esse lugar, está oculto para ele.
O ser mais evoluído não pode erguer o véu do Ego, nem mesmo da mais humilde e menos desenvolvida criatura.
Sobre a Terra, isso e somente isso, é tão sagrado que está completamente a salvo de toda e qualquer intromissão.
Esse ponto, a “raiz do nariz” no Corpo Denso tem um correspondente na “raiz do nariz” no Corpo Vital.
Desde a Época Lemúrica até a segunda fase da Época Atlante, esses 2 pontos não estavam no mesmo lugar correspondente.
O ponto do Corpo Vital estava um pouco acima do ponto correspondente no Corpo Denso.
As consequências foram:
-Isso criou uma frouxidão natural entre esses 2 Corpos
-Os veículos superiores (nosso Corpo de Desejos, Mente e até o Tríplice Espírito) não estavam, em relação ao Corpo Denso, na posição concêntrica
-Nós não éramos um “espírito interno”, totalmente residente nos Corpos, porque estávamos parcialmente fora dos nossos Corpos.
-Essa separação desses dois pontos nos proporcionava à percepção de poder muito mais agudo nos Mundos internos, invisíveis do que na Região Química do Mundo Físico, que chamamos de Mundo exterior, ainda obscurecida para nós.
-Não percebíamos claramente as linhas de um objeto ou pessoa, mas via sua Alma, e de uma vez percebia seus atributos, fossem ou não benéficos para ele.
-Sabíamos logo das disposições, amigáveis ou agressivas, de um outro ser humano ou animal que nós observávamos, nos tornamos conhecedores pela percepção espiritual; como devíamos tratar os demais e como podíamos escapar dos perigos.
Com esse foco mais para os Mundos invisíveis, tínhamos que receber as lições das Hierarquias Criadoras para que pudéssemos aprender e evoluir aqui. Mas tais Hierarquias não conseguem fazer isso a partir da Região Química do Mundo Físico, ou seja, do Mundo exterior. Somente dos Mundos internos.
Como, então faziam? Para isso vamos ver como giravam os vórtices dos nossos Corpos de Desejos. Ou seja, como se comportavam os centros sensíveis do Corpo de Desejos, pois dependem de como se comportam, e isso está relacionado ao sentido em que os vórtices giram, temos domínio sobre o que desejamos e o que não desejamos.
Como não sabíamos nada sobre o Mundo exterior, era apresentado quadros de material de pensamento (Arquétipos), de desejos e até etéricos sobre a Formas do Mundo exterior, totalmente independentes da nossa vontade.
E para que as Hierarquias Criadoras pudessem ter esse controle de apresentarmos os centros sensíveis do nosso Corpo de Desejos, giravam em sentido inverso ao movimento dos ponteiros do relógio analógico. Ou seja, seguia negativamente o movimento da Terra que gira sobre seu eixo naquela direção.
Conclusão: A frouxidão natural entre o Corpo Denso e o Corpo Vital e o sentido anti-horário do giro dos vórtices, proporcionaram a todos nós sermos Clarividentes Involuntários, enquanto estávamos renascidos aqui; via e percebia quando não queria ver nem perceber (porque não tinha controle) e quando via ou percebia não sabia o que fazer, pois era orientado sempre de fora.
Mas notem bem: Já a usamos quando DEVERÍAMOS usar e sob a orientação das Hierarquias Criadoras, ou seja: risco nenhum corríamos!
Para conseguirmos compreender qual é o conceito do Termo Rosacruz de Clarividência voluntária e, também, porque muito poucos entre nós tem uma atração por ela, não entendendo ainda que só por meio dela é que se desenvolve espiritualmente, por meio de um treinamento esotérico, vamos ver o que ela é e como podemos desenvolvê-la.
Primeiro de tudo, saibamos que da 3ª fase da Época Atlante até agora, todos os nossos Corpos se tornaram concêntricos no ponto da raiz do nariz, relativos a cada um. O nosso Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.
Algumas consequências que nos interessam aqui:
-Desde esse momento obtivemos a plena visão e percepção da Região Química do Mundo Físico
-A maioria de nós perdeu gradualmente a capacidade de perceber os Mundos invisíveis ou Mundos espirituais
-Na maioria de nós o Corpo Vital se ligou muito firmemente ao Corpo Denso
-Ou seja, a frouxidão entre os dois Corpos, para essa maioria de pessoas, não há mais
Resultado: tais pessoas estão inconscientes de tudo que não sejam as vibrações contatadas por meio dos cinco sentidos físicos.
E a questão da frouxidão dos 2 Corpos, agora concêntricos, antes de Cristo, só era possível para grupos especialmente preparados para tal, separados pelo Espírito de Raça em cada Raça, ex.: Levitas, Brâmanes, Druidas e outros. Depois de Cristo (que rasgou o “véu do Templo”), tornou-se possível para quem quiser, desde que busque o desenvolvimento para isso.
Conclusão: hoje entre nós há 2 grupos:
1º grupo de pessoas: aquelas pessoas que estão inconscientes de tudo que não seja as vibrações contatadas por meio dos cinco sentidos
2º grupo de pessoas: aquelas pessoas, chamadas de sensitivas, que possuem frouxidão entre os 2 Corpos, e que podem se tornar conscientes de tudo que sejam vibrações contatadas por meio dos nossos sentidos suprafísicos
No 2º grupo de pessoas também há uma divisão entre nós, atualmente.
Chamemos de Grupo 2a as que ainda não se submergiram firmemente na matéria (não atingiram o Nadir da Materialidade, estão na fase “Involução” ainda), por exemplo, a maioria dos hinduístas, indianos, enfim nossos irmãos e nossas irmãs orientais e que lá vivem, que possuem certo baixo grau de Clarividência ou são sensíveis às manifestações da Natureza.
Chamemos de Grupo 2b as pessoas sensitivas que já atingiram o Nadir da Materialidade, já estão na fase “Evolução” desse Esquema de Evolução.
Essas pessoas aqui chamadas de sensitivas receberam isso por “dom de Deus”? Não, né? Foi por mérito, resultados de esforços para adquirir essa qualidade em vidas passadas!
Só que nesse Grupo 2b também há outra subdivisão, aqui nascida pela livre e espontânea vontade de cada um de nós e não por orientação divina.
Chamemos de Grupo 2b-1 as pessoas que, por vontade própria, desenvolvem os poderes vibratórios dos órgãos relacionados atualmente com o Sistema Nervoso voluntário ou Sistema Nervoso somático (SNS). Convertem-se, por treinamento, em Clarividentes voluntários ou positivos treinados. Os centros sensíveis do Corpo de Desejos produzem vórtices que giram intensamente na direção dos ponteiros de um relógio analógico. Eles exercem a faculdade da Clarividência à vontade, como desejam.
Chamemos de 2b-2 as pessoas que, de vontade fraca, desenvolvem de maneira passiva por meio do Plexo Celíaco (ou Solar) e outros órgãos únicos atualmente com Sistema Nervoso involuntário.
Elas recebem ajuda de outros, novamente, despertam o Plexo Solar e desenvolvem um estado de consciência dos planos interiores, como imagem refletida num espelho (como fazíamos nas Épocas Lemúrica e Atlante).
Os Centros sensíveis do Corpo de Desejos produzem vórtices que giram intensamente na direção contrária dos ponteiros de um relógio analógico.
Elas não têm controle sobre suas faculdades de Clarividência. Retrocederam!
São os Clarividentes involuntários ou negativos
Muitas vezes, são vítimas de espíritos inferiores, apegados à terra, que, dizendo-se “Guias”, desenvolvem suas vítimas, como “espíritos de transe” ou “espíritos de controle”.
De nenhum modo é recomendável assistir a sessões espíritas, ou demonstrações hipnóticas, porque existe o perigo de algum espírito inferior se apegar a nós, causando muitos incômodos e até atrasos na nossa evolução.
Podemos resumir assim:
A Clarividência voluntária ou positiva é quando a pessoa é capaz, à sua vontade, de ver e investigar os Mundos internos, onde é senhor de si mesmo e sabe o que está fazendo.
Esse tipo de Clarividência é desenvolvido através de uma vida pura e de serviço, e a pessoa precisa ser cuidadosamente treinada para saber usá-la, para que ela seja verdadeiramente eficaz e útil. Mais difícil de se desenvolver, porque nunca a fizemos!
A Clarividência involuntária ou negativa é quando as visões dos Mundos internos são apresentadas a uma pessoa independente de sua vontade; ela vê o que lhe é dado ver e não pode, de maneira alguma, controlar esta visão. Esta Clarividência é perigosa, deixando a pessoa aberta para ser dominada por entidades desencarnadas que, se puderem, fazem com que a vida da pessoa, neste Mundo e no próximo, não lhe pertença inteiramente. Esse ilusório “poder” é intermitente, isto é, algumas vezes podem “ver” e outras vezes, sem nenhuma razão aparente, falham totalmente.
Mais fácil de desenvolver, porque é só uma revivificação do que fizemos nas Épocas Lemúrica e Atlante!
Para saber mais, assista a 242ª Reunião Dominical-Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil em:
__________________________________________________________________________________________
Podemos encontrar em alguma literatura falando sobre esta classe de Seres no singular. Mas, os Espíritos Lucíferos são uma classe de Seres (no plural) pertencente a Onda de Vida dos Anjos no Período Lunar, que se rebelaram e foram os atrasados desta Onda de Vida, e são conhecidos como Anjos Caídos.
E por serem atrasados da Onda de Vida dos Anjos, não puderam adquirir experiências seguindo o Esquema de Evolução da Onda de Vida Angélica. Uma vez que se encontravam a meio caminho entre o ser humano, que tem cérebro, e os Anjos que não necessitam de cérebro, mas mesmo assim, no Período Lunar estavam muito além da grande massa que atualmente constitui os mais avançados da nossa Onda de Vida humana. Estes Espíritos Lucíferos não desenvolveram tanto quanto os Anjos, que eram a Humanidade pioneira do Período Lunar, entretanto, estavam mais avançados do que a nossa Humanidade atual.
E neste Período estavam, por assim dizer, em uma situação muito séria, pois, o único caminho que puderam encontrar para se expressarem e adquirir conhecimento evolutivo, era por meio de um ‘órgão interno’, já que eles não podiam e nem sabiam como funcionar em um Corpo Denso (pois são Anjos!).
Então, a saída que encontraram foi usar o cérebro físico do ser humano e trabalhar por meio dele. Com isto encontraram a válvula de escape para se fazerem compreender e desenvolver, por meio de nós que éramos dotados de um cérebro, algo que estava fora do poder dos Anjos ou de Jeová.
E isto só foi possível na última parte da Época Lemúrica, pois naquela Época nós, enquanto Espíritos Virginais da Onda de Vida humana, não podíamos ver o Mundo Físico, tal como o vemos atualmente, pois estávamos inconscientes do Mundo exterior. Para nós, Ego, o Mundo do Desejo era muito mais real, pois tínhamos a consciência do sono com sonhos do Período Lunar, uma consciência pictórica interna.
E diante desta situação que nos encontrávamos lá na Época Lemúrica, os Espíritos Lucíferos não encontraram nenhuma dificuldade em se manifestarem a essa nossa consciência interna e, assim, nos ajudaram a nos voltar para a forma exterior, ou seja, para a Região Química. Notemos bem que os Espíritos Lucíferos não conhecem a Região Química, pois como Anjos, o mais inferior entre as densidades que conseguiram atingir foi a Região Etérica.
Com isso, eles nos ensinaram como podíamos deixar de ser simplesmente o escravo dos poderes exteriores, e como poderíamos nos converter em nosso próprio dono e senhor, parecendo-nos com os deuses, isto é, “conhecendo o bem e o mal”. Então, nos fizeram compreender que não devíamos ter apreensão quanto à morte do Corpo, já que possuíamos a capacidade de formar novos Corpos a qualquer hora, sem necessidade da intervenção dos Anjos.
Mas, é claro que, todas essas coisas os Espíritos Lucíferos nos ensinaram com o único propósito, que é, fazer com que dirigíssemos a nossa consciência ao exterior, para fora e, desta maneira, eles podiam aproveitar e adquirir conhecimentos à medida que nós também íamos adquirindo conhecimento.
Vejam que os Espíritos Lucíferos atingiriam seu objetivo inicial que era “abrir os nossos olhos”, a fim de que pudéssemos nos concentrar na Região Química Mundo Físico. Com isso, nos tornamos ciente dos Corpos, tanto do nosso como dos demais ao nosso redor, e nos ensinaram como podíamos conquistar a morte, criando novos Corpos. E depois disso a morte não poderia mais nos atrapalhar, uma vez que Jeová, teria o poder de criar à vontade.
Mas, antes que fossemos iluminados pelos Espíritos Lucíferos não conhecíamos as enfermidades, nem dor, nem morte. Só que agora com essas experiências o resultado se tornou para nós dor e sofrimento, que é o emprego ignorante da faculdade propagadora, bem como do abuso na gratificação dos sentidos da função sexual, que tem por única finalidade a perpetuação das espécies e não a gratificação dos desejos sensuais, seja qual for o prisma pelo qual se examine a questão em si.
Se continuássemos sendo um autômato guiado por Deus, não teríamos conhecido, até hoje, nem a enfermidade, nem a dor, nem a morte, mas também não teríamos obtido a consciência cerebral e a inestimável bênção da emancipação das influências e direção alheias proporcionada pelos Espíritos Lucíferos, os “dadores da luz” e com isso iniciamos a evolução de nossos poderes espirituais que um dia, vai nos permitir construir Corpos com tanta sabedoria como os Anjos e também de outros Seres que nos guiaram antes de exercitar nossa vontade.
Os Espíritos Lucíferos abriram o entendimento para este mundo e nos ensinaram a empregar a obscura visão para obter conhecimento do Mundo Físico, o qual estavam eles destinados a conquistar.
Desde esse tempo, hoje duas forças (originadas a partir da força sexual criadora) agem nos Espíritos Virginais da Onda de Vida humana, são elas:
– A dos Anjos, se dirige para baixo, para a propagação e, por meio do Amor, forma novos seres na matriz e, os Anjos são, portanto, os perpetuadores da Raça.
– E a outra força é a dos Espíritos Lucíferos, os investigadores de todas as atividades mentais. Dirige para cima, para o trabalho cerebral, a outra parte da força sexual.
Mas não pensem que todos nós seguimos este caminho. Na última parte da Época Lemúrica, somente uma pequena parcela de nós, os Lemurianos, recebemos a iluminação concedida pelos Espíritos Lucíferos. E essa parcela de Espíritos Virginais da Onda de Vida humana é que se tornou a Semente para as sete Raças Atlantes. A maior parte dos Lemurianos ainda era animalesca e as formas habitadas por eles degeneraram nos selvagens antropoides dos dias atuais.
E não devemos esquecer que “todas as coisas no Mundo trabalham para o bem, no Reino de Deus. Mesmo aquilo que é mal transmuta-se, por meio de sutilíssima alquimia espiritual, em trampolim para um bem maior”.
Para terminar esta Terminologia, cabe aqui uma pequena explicação para entendermos qual era a missão de Jeová. Ele era responsável em conduzir a Humanidade para a frente e para cima, até que os seres humanos estivessem prontos para receber mais um passo em sua ascensão em direção a Deus, mas, na época da “Queda do Homem”, os Espíritos Lucíferos intervieram e começaram a participar do desenvolvimento do ser humano. E foi sob a orientação dos Espíritos Lucíferos que a Humanidade tomou em suas próprias mãos, assuntos dos quais não tinha conhecimento real — como por exemplo a propagação.
Como resultado da nossa ignorância das Leis Cósmicas, foi necessário tomar medidas severas para controlar a natureza inferior. E isso foi feito por Jeová, que ajudou o ser humano a obter controle sobre a Mente e o Corpo de Desejos, dando leis e decretando punição por nossas transgressões. Podemos citar aqui, o temor a Deus, quando confrontado com os desejos da carne. Foi assim que o pecado se manifestou no Mundo, pois a lei produz o pecado; a lei é separatista e, além disso, o ser humano deve aprender a fazer o “que é certo, independente do medo”.
Portanto, Cristo veio para ensinar ao Mundo que o Amor é superior à lei. Esse Amor perfeito expulsa todo o medo e emancipará a Humanidade de casta, raça e nação.
O Capítulo 3:1-24 do Gênesis, registra a “Queda do homem”. Nesse registro, afirma-se que a serpente tentou a mulher a comer do fruto da “Árvore do Conhecimento”.
Os Ensinamentos Rosacruzes mostram que esta afirmação é puramente simbólica e que “comer o fruto” é meramente um símbolo do ato gerador, e por isso, Jeová declara que, as consequências deste ato, traria à mulher um parto de seus filhos com dor e sofrimento.
No final da Época Lemúrica, a nossa consciência estava ainda focada quase inteiramente ao plano espiritual e, toda vez que renascíamos como mulher, e exercíamos a Imaginação, dávamos um passo à frente, até que descobrimos a forma física e, aprendemos por meio de investigações posteriores e com uma imaginação treinada, que às vezes quando renascíamos como homem perdia o Corpo Físico e este se desintegrava. Enquanto, a mulher em sua imaginação via o homem, exatamente da mesma forma que no Mundo Espiritual, mas o fato era que toda perda do Corpo Denso do homem preocupava enquanto mulher, e com isso crescia a busca delas por mais informações.
E é neste ponto que entra os Espíritos Lucíferos para ajudar a mulher mostrando que era fácil resolver este enigma na ajuda daqueles que renasciam como homens. E mostrava que a mulher deveria exercer a função criadora independentemente dos Anjos e, dessa forma, podia prover Corpos quando estes estivessem perdidos, escapando assim da morte.
Agindo de acordo com o conselho dado a ela pelos Espíritos Lucíferos, a mulher garantiu a cooperação do ser humano e, assim, nos arrogamos ao direito de usar a força sexual indiscriminadamente.
E devido o abuso da força sexual criadora (para sentir o prazer material) cristalizou o Corpo Denso e endureceu o Coração humano e, aí fomos exilados do Jardim do Éden, isto é, da Região Etérica do Mundo Físico, e em hipótese nenhuma devemos entender isto como uma punição por nossa desobediência, mas, sim, como uma proteção necessária.
Jeová sabia que estávamos agora com a atenção voltada para a roupagem física e envolvidos por ‘revestimento de pele’ e separados uns dos outros, e que mesmo percebendo a morte, não tínhamos ainda sabedoria para refrear as paixões e regular a relação sexual pelas posições dos Astros, então, o abuso da função produziria o parto com dor.
Naquela época, a nossa força de vontade era tão grande que houve um certo receio de Jeová, que comêssemos da “Árvore da Vida”.
Aproveitamos então para perguntar: E o que é a ‘Árvore da Vida’? – É a “faculdade de regeneração da força vital”.
Se, naquela época tivéssemos descoberto o segredo da renovação de nosso Corpo Vital, seríamos capazes de criar um Corpo e vitalizá-lo para sempre. O que teria sido ainda pior. Caso isso fosse concretizado, seríamos imortais de fato e, jamais teríamos sido capazes de aperfeiçoar o nosso Corpo Denso, que naquela época era o mais primitivo. A evolução do Ego depende da evolução dos seus veículos. Se não pudesse obter novos e mais perfeitos veículos por meio de sucessivas mortes e renascimentos, se teria estagnado. É máxima oculta que diz: “quanto mais frequentemente morremos, melhor poderemos viver”.
Então, realmente não haveria morte, mas também não haveria evolução, visto que nós não sabíamos e ainda não sabemos, como construir um Corpo perfeito. Isso teria sido a maior calamidade. Atualmente a morte não é uma maldição, mas uma benção, quando chega naturalmente, pois nos liberta de um ambiente que, de certa forma, nós superamos e, de um Corpo que nos prende, a fim de que possamos ter uma nova chance em um Corpo novo e melhor para aprendermos novas lições.
Assim, quando o ser humano se arrogou o poder de gerar a qualquer momento, ele foi exilado da Região Etérica do Mundo Físico para que não se apoderasse do segredo de vitalizar os Corpos imperfeitos que gerava e tornasse a evolução impossível.
E hoje estamos aqui na Região Química do Mundo Físico para aprendermos a conhecer o mundo material e, em consequência de repetidos abusos sexuais. Fixamos nossa atenção aqui, e o uso crescente do Corpo de Desejos inferior endureceu o Corpo Denso, com isso começamos a precisar de alimento e abrigo.
E assim tivemos que seguir aprendendo a pensar e agir para suprir as nossas necessidades através da fome, do frio, da dor, das tristezas etc., e gradualmente seguimos aprendendo que a sabedoria é dor cristalizada. E que podemos encarar toda essa dor com calma e extrair as lições que cada uma delas contêm, sabendo que as lições são minas de sabedoria para o crescimento e desenvolvimento Anímico, pois, por meio dessas lições aprendemos a ordenar nossas vidas corretamente e, aprendemos a cessar o pecado, pois a ignorância é pecado, e o conhecimento aplicado é a salvação, a única salvação.
Portanto, devemos aprender a fazer o uso correto da força sexual para construir um órgão que nos dará a chave para os Mundos superiores, e nos ajudará a criar por meio do Pensamento Abstrato. Se assim agirmos, a tristeza e a dor cessarão e teremos entrado no caminho para a Cidade da Paz, a Nova Jerusalém, construindo o nosso Corpo-Alma.
Resumo do que vimos sobre os Espíritos Lucíferos:
-São Seres atrasados na Evolução da Onda de Vida dos Anjos do Período Lunar.
-Como precisavam de um cérebro para evoluir, encontraram esta saída quando ajudaram a Humanidade a abrir os olhos, simbolizados por Adão e Eva, para que conhecêssemos tanto o bem quanto o mal, e focarmos nossa consciência na Região Química do Mundo Físico.
-Mostraram para os seres humanos que podiam ser criadores de Corpos e o uso ignorante da força criadora indiscriminadamente que foi o principal responsável pela dor, doença e tristeza.
-Essa liberdade e o gratificar dos sentidos, sem a direção dos Anjos, foram o que se considera o “pecado original”, resultando na saída do Jardim do Éden e que marca o início da jornada da Humanidade através do sofrimento e da experiência no Mundo Físico. Lembrando que muitos irmãos e irmãs não sofreram a ‘Queda’.
-Os Espíritos Lucíferos não são vistos como demônios, mas como um grupo de Anjos que atrasou seu próprio progresso na sua Onda de Vida, e que agora busca evoluir através da experiência da Humanidade terrestre.
-E hoje temos que nos preparar para regressar ao ‘Jardim do Éden’, hoje conhecida como a Nova Jerusalém com toda esta nossa experiencia adquirida aqui.
Para saber mais, assista a 243ª Reunião Dominical-Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil em:
Também chamado de Cristianismo popular é preconizado pelas Igrejas Cristãs (por exemplo: Religião Católica e Religiões Protestantes). Advoga, de modo geral, que Cristo, o Filho de Deus, veio à Terra há quase dois mil anos, para se tornar o Salvador espiritual da Onda de Vida humana, por meio da crença das doutrinas que enunciou e por viver uma vida de acordo com elas. Também afirma que os nossos pecados contra as leis de Cristo são perdoados e apagados sob certas condições, as quais são promulgadas desde tempo considerável, sob diferentes denominações.
Para contextualizar isso vamos detalhar, resumidamente, as Dispensações.
Na Primeira Dispensação, por meio do medo e do temor, adoramos a Deus a Quem começamos a pressentir, e para agradá-Lo fazemos sacrifícios físicos (inclusive humanos), como fazem, por exemplo, os fetichistas atualmente.
Na Segunda Dispensação aprendemos a olhar a Deus como um Doador de todas as coisas e a esperar d’Ele benefícios materiais, agora e sempre. Sacrificamos por avareza (muitas vezes do nosso “melhor bem material”), esperando que o Senhor nos dê cem por um, ou para nos livrarmos do castigo imediato, como pragas, guerras, etc.
Na Terceira Dispensação aprendemos a adorar a Deus com orações e a viver a vida em bondade, a cultivar a fé num Céu onde obteremos recompensas no futuro, e a nos abster do mal, para que possa nos livrar do castigo futuro do inferno. Aqui está o Cristianismo Exotérico ou Popular!
Na Quarta Dispensação chegamos a um ponto em que podemos agir bem sem pensar na recompensa ou no castigo, simplesmente porque “é justo agir retamente. Amamos o bem por ser o bem, e procuramos ordenar nossa conduta de acordo com esse princípio, e sem termos em conta nosso benefício ou desgraça presente, ou os resultados dolorosos em algum tempo futuro.
Para que toda pessoa (que pretenda viver como um (uma) Aspirante à vida superior) que tem a fortuna ou o mérito de possuir uma Mente esquadrinhadora, consiga receber todas as informações que ela deseje, a fim de que “o coração possa falar quando a cabeça esteja satisfeita”. Pois, os Ensinamentos Rosacruzes nos mostram que o conhecimento intelectual é um meio para chegar ao fim, não é a própria finalidade.
É por isso que o Cristianismo Esotérico oferecido pelos Ensinamentos Rosacruzes visa, primeiramente, satisfazer o (a) Aspirante à vida superior provando que tudo é razoável no Universo, para que triunfe sobre o rebelde intelecto.
E para que isso se torne um fato inquestionável, os Ensinamentos Rosacruzes sempre recordam a ele (ela) que a lógica é o guia mais seguro em todos os Mundos. Portanto, o que não seja lógico não pode existir no Universo.
Quando deixar de criticar e se dispuser a aceitar provisoriamente, como “verdade provável”, afirmações que não pode constatar de imediato, então, e somente então, desenvolverá as faculdades superiores, pelo Treinamento Esotérico, ou seja: “as verdades prováveis” ser tornarão “verdades provadas”.
Deixando de ser uma simples “pessoa de fé”, passará ao Conhecimento Direto investigando e trabalhando nos Mundos invisíveis (todos acima da Região Química do Mundo Físico).
O Cristianismo Esotérico está relacionado à quarta Dispensação ou ao quarto grau de nossa reaproximação ou nosso relacionamento com Deus.
Esse quarto grau é composto por um comportamento onde podemos agir bem sem pensar na recompensa ou no castigo, simplesmente porque “é justo agir retamente”.
Amamos o bem por ser o bem e procuramos ordenar a nossa conduta de acordo com esse princípio, sem ter em conta nosso benefício ou nossa desgraça presente, ou os resultados dolorosos em algum tempo futuro.
Pouquíssimos indivíduos encontram-se nesse quarto grau de experiência religiosa. Não é fácil conceituá-la de uma forma clara, por não estar associado a uma ideia antropomórfica de Deus, nem a um dogma.
Daí, a pessoa experimenta a totalidade da existência como uma unidade, guiada pelo conhecimento Esotérico, pela Arte, pela Ciência e pela Intuição. Para ela a Religião tem, ao mesmo tempo, um sentido cósmico e interior.
O Universo é o Templo onde se cultua o Ser Absoluto, como também o nosso íntimo. Esse sentido cósmico da Religião é percebido por uns poucos iluminados, cujas vidas servem de estímulo a que outros, por seus próprios meios, busquem a Senda da Luz.
Os Ensinamentos Rosacruzes fornecem tudo que precisamos para alcançarmos esse grau superior.
De modo geral, esse será alcançado por todas as pessoas que desenvolverem o suficiente para viverem na Sexta Época, a Nova Galileia, quando a Religião Cristã unificadora abra os Corações de todos que estejam preparados, assim como o entendimento está agora sendo aberto.
Observemos bem que o Cristianismo Esotérico, em seu aspecto global, não contradiz as doutrinas básicas preconizadas pelo Cristianismo Popular, porém mostra mais exatamente o que realmente sucede.
Cristo é um grande Ser, de elevado desenvolvimento espiritual, a mais alta expressão Arcangélica, isto é, o mais elevado Iniciado da Onda de Vida que evolucionava como a “Humanidade” no longínquo Período Solar, há muitos e muitos milhões de anos.
Cristo veio à Terra a fim de nos influenciar espiritualmente, irradiando Suas vibrações de Luz e de Amor, do interior do Globo terrestre. Desde então, continuamente nos envolve das mais altas influências espirituais.
Ambos começaram com a primeira vinda do Cristo. Daqueles que adotaram o Cristianismo ainda quando Cristo estava entre nós; aqueles irmãos e aquelas irmãs pioneiros que cultivavam a parte espiritual de suas vidas quando renascidos aqui em inúmeros renascimentos antes da vinda de Cristo, sendo fiéis às vigentes Leis de Deus (Leis do Deus de Raça, Jeová), desde a presença de Cristo entre nós já abraçaram o Cristianismo Esotérico.
Já os demais abraçaram o Cristianismo Popular e foram “moldando-o” aos seus interesses. Nisso, muitas vezes, descaracterizaram o Cristianismo Popular, por isso que dizemos que o Cristianismo Popular atual, que permanecerá até se apagar todo o sentimento de Raça, não é, sequer, uma sombra da verdadeira Religião de Cristo, o Cristianismo Esotérico
Para saber mais, assista a 244ª Reunião Dominical-Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil em:
Se pesquisarmos em um dicionário encontraremos que a palavra “altruísmo” significa a preocupação e ação em benefício dos outros, sem esperar retribuição ou benefício pessoal. Essa atitude desinteressada e empática pode envolver gestos de bondade, solidariedade e generosidade, motivada por uma consideração genuína pelo bem-estar alheio, que pode ser instintiva ou uma prática moral.
Também podemos achar até as suas características que envolve:
– Foco nos outros: A ação é direcionada para ajudar e melhorar a vida de outra pessoa ou seres sencientes.
– Desinteresse: A motivação não é a recompensa pessoal ou um benefício futuro, mas uma consideração desinteressada.
– Empatia e compaixão: A base do altruísmo é a capacidade de sentir e compreender os sentimentos do outro, motivando a ação de ajuda.
– Sacrifício pessoal: Em algumas situações, praticar o altruísmo pode exigir um sacrifício de recursos, tempo ou bem-estar pessoal em prol do outro.
Já na Bíblia conseguimos outra definição quando aprendemos que altruísmo é o Amor sacrificial (é um amor que se sacrifica por outros, como no exemplo de Cristo Jesus que deu sua vida para salvar a Humanidade). e desinteressado pelo próximo, priorizando as necessidades dele acima das próprias, ou seja, não buscando o próprio bem, mas o bem dos outros, colocando suas necessidades e interesses antes dos seus. Exemplificado por Cristo Jesus, por meio do Mandamento de “amar o próximo como a si mesmo” é central para essa prática. E isso se manifesta em atitudes de humildade, servidão e cuidado mútuo.
O oposto do Altruísmo é o egoísmo!
Agora para os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental está ligado diretamente à divina natureza de Cristo.
E é por isso que o Altruísmo substituirá o patriotismo. O egoísmo vai sendo corroído lenta mas seguramente pelo Altruísmo. Sob a continuidade do impacto do Amor de Deus, dentro do ser humano, se desperta e aumenta a potência da força de igual natureza, o Altruísmo. É gratificante constatarmos a prática do altruísmo e quanto este, para dignificação da Humanidade, vem aumentando!
Importantíssimo notar que o Altruísmo é a única maneira de compreender, sentir, aplicar e praticar no dia a dia enquanto renascido aqui, e se a pessoa é Cristã. Se adota o Cristianismo Popular só o consegue praticá-lo superficialmente, mas na maioria dos casos para no “amor venusiano”. Se adota o Cristianismo Esotérico, com a prática e a repetição consegue praticá-lo em sua plenitude!
Vamos ver como as Hierarquias Criadoras nos ajudam chegar à prática do Altruísmo.
A Hierarquia Zodiacal de Aquário (os Anjos) representa a Água da Vida – a eternidade que só se consegue comendo da Árvore da Vida, que nada mais é do que funcionar conscientemente na Região Etérica do Mundo Físico, e se libertar da Roda de Nascimentos e Mortes aqui – , que provém justamente do coração (regido pela Hierarquia Zodiacal de Leão, os Senhores da Chama), que nos ajuda a transformar em essência de pureza (qualidade nos oferecida pela Hierarquia Zodiacal de Virgem, os Senhores da Sabedoria) e que nos mostra como elevar ao Altruísmo (qualidade nos oferecida pela Hierarquia Zodiacal de Aquário, os Anjos), fechando o ciclo virtuoso.
Assim, praticar o Altruísmo é uma expressão da consciência de Cristo (alcançarmos a Consciência Crística), o impulso puro e nobre do bem.
Vejamos como o conceito de “Amor” chega ao conceito de “Altruísmo” pela ajuda dos Planetas.
Conhecemos Vênus como a “Deusa do Amor”.
Mas, pela Astrologia Rosacruz, sabemos que Vênus representa, na verdade, as razões para o amor, a beleza na forma, no som, tato, na visão, no olfato, ritmo, na cor e chega próxima, embora não atinja os aspectos espirituais desses sentidos.
Vênus se aproxima-se da paixão, mas não a atinge.
O amor nos oferecido por Vênus nos deixa satisfeitos por poder dar motivo para isto.
Pois o conceito de Amor (que não é “amor”, mas é assim dito popularmente) passional ou sensual é nos oferecido pelo oposto (veja o símbolo de um e de outro) por Marte.
Assim, percebam que Vênus atrai o conceito de Amor através dos encantos dos sentidos.
Já Urano nos oferece o conceito de Amor por canais etéricos.
Notem que Urano também nos oferece uma atração “de sentir”, mas é um “sentimento” ou sentido num plano mais elevado do que aquele de Marte ou Vênus.
É fácil ver o porquê Urano representa o Amor superior, demonstrado através do altruísmo e é o verdadeiro Planeta do Amor.
Seu Amor é o que está acima da razão, sem restrição de forma, cor, tato, visão ou som. Urano começa onde Vênus termina.
Por isso é que o Altruísmo é sua qualidade ideal.
Portanto o Altruísmo de Urano é a nossa consciência em expansão ou o fruto da essência espiritual das qualidades de Vênus.
Quando Max Heindel falava acerca de Cristo, usava, habitualmente, o termo ALTRUÍSMO.
Essa qualidade nobilíssima, fundamental à evolução humana, encontra-se indissociavelmente ligada à divina natureza do maior dos Arcanjos.
Um estudo, mesmo à ligeira, da Antiguidade Clássica, revela como o “direito da força” regia o relacionamento entre as pessoas e principalmente entre os povos. Predominava a “lei do mais forte”, com a sobrevivência dos mais aptos em detrimento dos mais débeis.
Aos últimos, caso lograssem escapar à morte, só restava uma alternativa: submissão incondicional, quando não, o cativeiro.
Todas essas distorções do sentimento humano — a crueldade, a opressão e a injustiça — têm suas raízes no egoísmo.
O sentimento de posse exclusiva, a luta pelo interesse próprio sem levar em consideração os demais, os preconceitos, encontram-se num extremo diametralmente oposto ao Altruísmo.
O interesse pessoal, mesmo desenvolvido inconscientemente, desempenhou um importante papel durante a chamada “Involução”.
De outra forma não teríamos avançado tanto, de um modo geral.
Todos os esforços do passado concentraram-se na formação de veículos para que o Espírito pudesse utilizá-los em seu progresso, gigantesca escalada de Chispa Divina, a Chama Criadora.
O egoísmo, tal como o conhecemos, não se manifestara, até o surgimento da nevoenta atmosfera Atlante.
Começamos, daí em diante, a perceber-nos como seres separados.
Tal não ocorria anteriormente, quando nossa consciência estava enfocada nos planos internos.
Procuramos, então, fazer valer nossos desejos estritamente pessoais.
Tornamo-nos avaros. Era espantosa nossa avidez em possuir bens materiais, porque, sob o regime de Jeová, essas “posses” convertiam-se em sinais externos de que estávamos vivendo consoante Suas Leis.
Essa situação, contudo, chegou a extremos perigosos, capazes de comprometer nossos passos evolutivos. Afinal, se em “Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”, se constituímos células divinas de Seu Grande Corpo Macrocósmico, não poderíamos viver tanto tempo apartados e inconscientes dessa grande realidade.
Uma providência seria tomada pelas Hierarquias Divinas, ao assegurar-nos uma ajuda efetiva por intermédio do Cristo, o Senhor do Amor.
As grandes transformações, porém, ocorrem lentamente.
O Altruísmo encontrava-se em estado latente na Humanidade, até o momento em que Cristo obteve acesso ao coração da Terra, quando Seu sangue fluiu no Gólgota. A partir desse magnífico evento, a semente do princípio altruísta começou a germinar no interior do ser humano.
Gradativamente passamos a ampliar nossa área de interesse, para incluir mais alguém, mantendo-nos alertas quanto às necessidades de outrem.
Do sentimento tribal ou de clã, tão comum nos tempos antigos, avançou-se para um espírito nacional. As tribos, superando diferenças decorrentes de suas peculiaridades, serenaram suas querelas, conseguindo organizar-se em nações. O interesse coletivo passou a sobrepujar, dessa maneira, o sentimento individualista ou de grupos minoritários. Todos os esforços deveriam convergir para o bem-estar comum.
O altruísmo, tal como uma planta, germina, desponta e cresce lentamente. Mas é certo que produzirá frutos. Por seu intermédio o Cristo nascerá dentro de cada um de nós, fazendo irradiar Sua Luz. Então, andaremos na Luz, como Ele na Luz está.
Os Espíritos Lucíferos apareceram como “Dadores de Luz”, aquele que mostrou o Caminho do Conhecimento.
Incitaram-nos a tomar em nossas mãos o domínio do uso da força sexual criadora.
Incitaram – ou seja; tentaram – em nós a exercitarmos o egoísmo, a ambição, o abuso da força criadora e a conhecer a morte.
Criaram um ponto de contato – que eles tanto necessitavam para seu desenvolvimento.
Esse ponto é o lado esquerdo, ou o Hemisfério esquerdo, do nosso cérebro.
Esse lado tende para o egoísmo. Aí está assentado os Anjos Lucíferos, aí está a Babilônia.
Por isso estudamos na Bíblia que Babilônia havia se convertido em uma abominação, e a chamavam de prostituta, provocando guerras, perturbações e desolações em todos os povos da Terra.
O hemisfério cerebral oposto, direito, recebe o nome de “Nova Jerusalém”.
Babilônia (de Babel) significa “confusão”, e Jerusalém (Jer-u-salém) quer dizer “ali haverá paz”.
Uma outra “Luz do Mundo”, um “Brilhante Luzeiro da Manhã”, a chamada Noiva.
Também está sobre sete colinas. Mas não há nenhum rio fluente, e sim um Mar de Cristal.
Tem como rei um outro dador de luz. É a cidade da paz, cujas portas nunca se fecham.
Dentro dela está a Árvore da Vida. Não existe noite e nem iluminação externa. A luz é interior.
Essa cidade não é uma cidade desse Mundo, mas sim uma cidade que veio do Céu.
Sabemos que utilizamos muito pouco o hemisfério direito do nosso cérebro.
Também sabemos que o coração está se movendo lentamente da esquerda para a direita.
E, também, que se trata de um órgão que possui fibras musculares cruzadas, tipo este que está sob o controle da nossa vontade.
Entretanto, não podemos controlá-, ainda. Aos poucos, com as nossas ações altruísticas, de serviço, de amor desinteressado, de Fraternidade Universal, de utilização apropriada da força sexual criadora, estamos construindo mais fibras cruzadas no coração, de modo que, a devido tempo, poderemos controlá-lo.
Quando isso ocorrer, poderemos recusar enviar o sangue para o Hemisfério esquerdo de nosso cérebro, a Babilônia, aí a cidade de Lúcifer, cairá.
Então, poderemos enviar o sangue para o Hemisfério direito do cérebro e teremos construído a Nova Jerusalém, a cidade da Paz (Jer-u-salém — ali haverá paz).
Os cientistas, admitiam o fato de certas áreas cerebrais serem o centro de determinadas atividades mentais.
E Max Heindel se enraíza no assunto, esclarecendo que certas regiões do cérebro constituem a base de atividades mentais egoístas, ao passo que outras sediam atividades altruístas, nobres e refinadas. Não é difícil deduzir que as primeiras predominam.
As outras são ativas apenas numa minoria, justamente a elite espiritual da Humanidade.
Encontramos, também, na literatura Rosacruz, que as áreas destinadas a atividades de ordem inferior, encontram-se, em sua maior parte, localizadas no hemisfério cerebral esquerdo.
O hemisfério oposto é aquele capaz de abrigar a sede de atividades ligadas à verdadeira natureza do Espírito.
Há pouco tempo lemos sob o título: “Ciência Estuda o Cérebro Dividido”, onde o articulista principia afirmando que nos últimos anos a ciência médica tem obtido notáveis progressos na investigação do cérebro humano, estabelecendo as diferentes e complexas funções de suas duas partes.
A Neurologia sempre se preocupou mais com o lado esquerdo do cérebro chamado hemisfério dominante, que controla o pensamento, a linguagem e a mão direita. Agora, parece que o lado direito, considerado mudo, carente de expressão é essencial para que a pessoa reconheça indícios emocionais e perceba em três dimensões. Entre várias descobertas científicas, capazes de corroborar as afirmações da ciência oculta, podemos destacar as seguintes extraídas do artigo mencionado:
1. O hemisfério direito parece ser o responsável pelas emoções, por manipular formas geométricas abstratas, cantar canções líricas, distinguir ritmo, etc.
2. Foram aplicados testes em quatro pacientes que perderam o lado direito. Intelectualmente mostraram-se normais, mas apresentaram problemas de ordem emocional, pois pareciam não ter sentimentos de piedade para consigo mesmos.
3. O hemisfério esquerdo nos dá a capacidade de raciocinar e ainda de enganar a nós mesmos.
4. Anos de investigações do cérebro tem confirmado que o lado esquerdo contém o centro da fala e da linguagem que proporciona ao ser humano a capacidade de expressar seus sentimentos com palavras. O lado direito contém mecanismos neurológicos que interpretam a música e nos permitem compreender conceitos tridimensionais e distinguir emoções.
5. A hemisferotomia, isto é, operações do cérebro, é um dos meios de investigação cerebral.
Vemos, portanto, como os cientistas já admitem a diferença de função entre os dois hemisférios. E, no futuro, quando o coração se converter em um músculo voluntário, e a circulação permanecer sobre o domínio do Espírito de Vida, este impedirá o fluxo de sangue aos centros cerebrais destinados a propósitos inferiores. O ser humano, dessa forma, expressará unicamente as qualidades nobres do Espírito. Será dado, talvez, o passo maior para a concretização da Fraternidade Universal, e o primeiro para vivermos na Nova Jerusalém. Ali, somente ali haverá paz.
O que é vibrações por segundo? A frequência de uma vibração é o número de vibrações completas por segundo.
Ou seja, temos o espetro eletromagnético que é o intervalo completo de todas as possíveis frequências da radiação eletromagnética.
Outro dado importante é que nós só conseguimos ouvir frequências entre, em torno de, 20 a 20 mil vibrações por segundo.
Um cachorro tem ouvidos bem mais sensíveis, capazes de escutar sons de até 40 mil vibrações por segundo.
Os campeões em audição são os morcegos, golfinhos e baleias, que conseguem ouvir até 150 mil vibrações por segundo.
O ser humano duas categorias: abaixo dos 20 Hz – infrassom; acima de 20.000 Hz – ultrassom.
O ultrassom é toda vibração com frequência superior à percepção auditiva humana.
Quando fazemos vibrar um de dois diapasões afinados exatamente no mesmo tom, o som induzirá a mesma vibração no outro.
Esse vibrará fracamente, a princípio, mas continuando a golpear o primeiro, o segundo diapasão emitirá um som cada vez mais alto, até atingir um volume de som igual ao primeiro.
Isto ocorre mesmo com os diapasões a vários pés de distância.
Ainda que um deles esteja encerrado numa caixa de cristal, o som penetra através do vidro e faz o instrumento emitir um som igual.
No violino toda vez que se toque a nota, sente-se nesse lugar a mesma vibração. Essa nota ou som é a Nota chave da pessoa a quem afeta. Se for tocada lenta e suavemente, descansa e repousa o Corpo, tonifica os nervos e restaura a saúde. Se, ao contrário, é tocada alto e longamente, matará a pessoa tão certamente quanto uma bala de uma pistola.
Em primeiro lugar notem: os dois diapasões estavam afinados no mesmo tom. Não fora assim, poderíamos golpear um deles até rompê-lo, que o outro permaneceria mudo. Fixemos isto claramente: a vibração pode ser induzida em outro diapasão, mas só por um do mesmo tom. De modo semelhante, qualquer coisa ou ser só pode ser afetado, como foi dito, pela Nota chave que lhe é particular.
Sabemos que aquela força altruística existe; sabemos que tem menor expressão num povo pouco civilizado do que num de elevado padrão social; e que falta quase totalmente nas Raças inferiores. Logicamente, conclui-se que em tempo recuado, faltava por completo.
Desta conclusão surge a pergunta: que ou quem a induziu?
Sem dúvida, a Personalidade material nada tem a ver com ela. Essa parte da natureza humana sente-se até mais à vontade sem a despertada força altruística. Logo, o ser humano devia possuir latente essa força do Altruísmo, dentro de si. De outra maneira não a poderia ter despertado. Ainda mais, deve ter sido despertada por uma força da mesma espécie – uma força similar que já estivesse ativa – tal como a do primeiro diapasão que, “depois” que foi tocado, induziu a vibração no segundo.
Além disso, as vibrações do segundo diapasão tornavam-se cada vez mais fortes sob os contínuos golpes dados no primeiro, e a caixa de cristal que encerrava o segundo não era obstáculo algum à indução do som. Assim também, sob a continuidade do impacto do Amor de Deus, dentro do ser humano, se desperta e aumenta a potência da força de igual natureza, o Altruísmo.
Lembremos sempre que a Vontade melódica do Pai, unindo-se com o Amor harmônico do Cristo, tem o poder de produzir uma ativa vibração rítmica, cuja força não pode ser detida e nem seu objetivo desviado, pois é essa mesma energia manifestada pelo Deus de nosso Sistema Solar, que trouxe tudo o que É como criação, e tem o poder de levar tudo ao Caos a qualquer momento se Ele assim o desejar.
Portanto, é absolutamente impossível para qualquer das criações de Deus, das mais avançadas em Suas Ondas de Vida até as mais jovens em evolução, definitivamente frustrar o pleno desenvolvimento de Seus planos, pois eles são tão eternos e inabaláveis em Seus processos como o é Deus em Si mesmo.
Para saber mais, assista a 245ª Reunião Dominical-Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil em:
Na nossa vida adquirimos hábitos, como na forma de pensar, de agir, de sentir, manifestar nossas emoções e por aí vai. E junto vem a saúde ou a doença, que dependem dessa capacidade ao criarmos esses hábitos. Lembremo-nos que a ativação de toda doença ou enfermidade é causada pela transgressão das Leis de Deus. Se não as transgredimos, a doença ou enfermidade permanece latente. Por quê? Porque só há duas formas de aprendermos as lições, que nada mais são do que adquirir experiências, enquanto estamos em mais uma vida terrestre: pelo amor ou pela dor.
Vamos relembrar a diferença entre remediar e curar. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que remediar é um processo físico. Já curar é radicalmente diferente porque, neste caso, se exige que o paciente coopere espiritual e fisicamente com quem cura, tendo uma fé inexorável.
Para deixar isso mais claro, nada melhor do que estudar a vida e as obras de Cristo, na Sua primeira vinda aqui entre nós. Quando estudamos os Ensinamentos Bíblicos Rosacruzes aprendemos que as pessoas iam a Ele para serem curadas não esperavam ser submetidas a nenhum tratamento físico. Elas tinham confiança ilimitada n’Ele, o que era absolutamente essencial. E aqui temos um evento onde se diz que Cristo foi para o meio das pessoas entre as quais Jesus havia morado em sua juventude. Tais pessoas não viam mais do que o ser humano exterior, Jesus, e diziam: “Não é este Jesus o filho de José? Não estão conosco seus irmãos?” Elas acreditavam que nada de grandioso poderia sair de Nazaré, e as coisas foram feitas de acordo com a sua fé, pois lemos que “ali não fez grandes obras devido à falta de fé”.
Ah! Mais Cristo curou todo mundo? Logicamente que não! Como um elevado Ser, Ele via nos veículos invisíveis (aos olhos físicos) que aquela pessoa já tinha aprendido a lição que foi a causa da doença ou enfermidade, e, portanto, já estava merecedora de ser curada; afinal: “lição aprendida, ensino suspenso”!
E, assim, aprendemos ao estudar os Ensinamentos Bíblicos Rosacruzes, que desde sempre houve a necessidade dos três fatores no processo de curar: primeiro, o Poder de Cura ou a Força de Cura de Deus, nosso Criador, sempre abundante, pois “n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”; a seguir, o Curador – o foco, o veículo por cujo intermédio se infunde a energia no Corpo Vital do paciente. Se for um instrumento adequado, consagrado, harmonioso, real e bem harmonizado com o Infinito, não há limites para as obras maravilhosas que Deus realizará por seu intermédi, e por fim, o paciente suficientemente receptivo – que quer ser realmente curado – e de Mente obediente.Ter boa saúde então, depende de cada um de nós, individualmente!
Muitos Estudantes e simpatizantes da Fraternidade Rosacruz escrevem ou chegam aos Centros já querendo informações de como ser “Iniciados (as)”.
A ideia geral que se tem da Iniciação é que ela consiste numa cerimônia por meio da qual uma pessoa se tornará membro de uma sociedade secreta, que ela é concedida a qualquer pessoa, pagando o preço estabelecido.
Muitas das chamadas “ordens fraternais de Iniciação” e a maioria das pseudo-ocultistas, assim procedem, porém é absolutamente errado pensar que se consegue a Iniciação aos vários graus nas verdadeiras Ordens Fraternais, tal como a Ordem Rosacruz, pagando.
Não há chave de ouro para abrir as portas da Iniciação!
Aqui só prevalece o mérito.
A Iniciação na Ordem Rosacruz é uma experiência totalmente interna, absolutamente independente de qualquer cerimônia externa.
Quando uma pessoa vive uma vida de pureza e serviço amoroso, desinteressado e anônimo aos seus irmãos e irmãs, considerando a divina essência oculta em cada um, cotidianamente, ela acumula dentro dela, algumas forças dinâmicas.
A pessoa usa com muita eficácia seu Corpo-Alma, também se torna um Auxiliar Invisível Consciente, com uma abrangência muito grande, capaz de ajudar eficazmente a tratar os doentes, os enfermos, os aflitos, os moribundos e as Almas do Purgatório.
É esta a transformação, aos poucos, e o desenvolvimento destas potências, que é a Iniciação. Ela transforma inteiramente a vida da pessoa; dá-lhe uma confiança que antes não possuía.
Geralmente o (a) candidato (a) à Iniciação não tem consciência de que é um (uma) candidato (a), e leva sua vida normalmente, servindo seus semelhantes por dias e anos, até que um dia um Instrutor (um Hierofante dos Mistérios Menores da Ordem Rosacruz no Ocidente) aparece em sua vida, pois sabe que esta pessoa já está pronta. Ela, com certeza, estava sendo observada.
Esse Hierofante mostra ao (à) candidato (a) suas faculdades latentes, mostra como despertar a energia estática, convertendo-a em poderes dinâmicos.
É um processo seguro, sem alardes, festas ou cerimônias.
A Iniciação na Fraternidade Rosacruz dá ao Aspirante a oportunidade de desenvolver suas faculdades e poderes superiores, num curto espaço de tempo, isso através dos Exercícios Esotéricos ensinados na Filosofia Rosacruz, com os quais adquirem a expansão de consciência.
A grande maioria das pessoas alcançará também essa expansão de consciência, porém seguindo o lento processo da evolução.
Muitas pessoas querem a Iniciação a qualquer custo, e muitas vezes acabam caindo nas mãos de charlatães, de aproveitadores, de mentirosos.
A Fraternidade Rosacruz dá o passo a passo, através do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Nela o Aspirante à vida superior, o Estudante fiel, verdadeiro, persistente, adquire o “Conhecimento Direto”.
Após a morte aqui no Mundo Físico, todos passam pelo Purgatório, localizado nas três Regiões inferiores do Mundo do Desejo. Na Fraternidade Rosacruz aprendemos um método que, se executado de maneira correta, deixa de ser necessário passar pelo Purgatório!
Agora quem passa por lá? Pessoas pobres ou ricas, pessoas importantes (renomadas) ou anônimas, jovens ou velhos, quem “cuidou da parte espiritual” e quem não cuidou.
Lembramos aqui que ricos, falamos daquelas pessoas que afortunadas, agiam com indiferença para com seus irmãos e suas irmãs que estavam com fome, com sede, frio, sem posses, precisando de um remédio, de um ombro amigo, e que deles não recebiam nada, nem mesmo um olhar, que dirá uma ajuda.
Lembremo-nos sempre: nada há de errado em ser uma pessoa rica! A pessoa pode ser rica, claro, mas quando não é capaz de se sensibilizar com a indigência alheia, é sinal de que algo dentro dela vai muito mal. É triste isso.
Afinal, se a pessoa se diz Cristã, então, pela lógica, só é válido e aceitável não amar o próximo se são pessoas materialistas, que acham que a vida acaba com a morte do Corpo Denso.
Ao deixarmos o Mundo Físico, todos somos iguais ao entrar no Purgatório.
Todos estaremos na mesma condição; erradicando os maus hábitos, sofrendo exatamente o que fez ao outro ou a outra sofrer, com sua indiferença, impaciência, desonestidade, crueldade, intolerância, enfim, todo mal que fez a outrem.
De nada adiantará argumentar que “foi um descuido, um deslize, falta de atenção, eu não sabia”.
No Purgatório ficaremos, após a morte do Corpo Denso (Corpo Físico), por um período que dependerá das más ações que fizemos na vida que terminou. Mas normalmente passamos lá um terço do tempo de vida que vivemos aqui, quando ainda estávamos renascidos no Mundo Físico.
As más ações são expiadas pelo sofrimento, e ele irá se manifestar a nós, na próxima vida, como Consciência. A Consciência (a “voz da consciência”) nos irá encorajar a não repetirmos os erros do passado. Mas a decisão sempre será nossa, se repetirmos, mostramos que não aprendemos pelo amor, e precisaremos aprender que o “caminho do transgressor” (das Leis de Deus) é duro”.
No Purgatório sofremos muito mais por não termos mais o Corpo Denso, para amenizar qualquer tipo de sofrimento.
Procuremos então desde já nos melhorar fazendo todas as noites o Exercício Esotérico de Retrospecção, adiantando assim nosso Purgatório.
Procuremos também tomar muito cuidado com as nossas ações diárias.
Tratar nossos irmãos e nossas irmãs com indiferença, com desdém, é grave, é dívida.
Maltratar pessoas que não têm o mínimo para viver, se achar melhor que as outras pessoas, pisar nos outros para subir de posição, não ter olhos nem ouvidos para com os irmãos e as irmãs que passam privações e fome, é estar desde já criando um Purgatório sofrido e dívidas para a próxima vida.
Todos sem exceção, somos filhos e filhas do mesmo Pai, do mesmo Deus.
Hoje há muitas pessoas entre nós que buscam a qualquer custo a famosa “independência financeira” ou, no mínimo, uma posição financeira que a pessoa entende que é suficiente, segura e cômoda para se ter uma vida definida como “classe média”. E aí? Aí “Descansa, come, bebe, aproveita.”
E o “aproveita” aqui tem distintos conceitos: prazeres da vida, acúmulo e mais acúmulo de conhecimento intelectual, ou uma “vida simples em uma casinha de campo” e afins.
É um modo de pensar, pois acham que a vida vai longe (como se a vida nunca terá um fim neste mundo e todas as coisas que podem pôr um fim na vida só acontecem sempre na “casa do vizinho”, nunca na da pessoa); aliás que só existe essa vida aqui (ou mesmo que já chegou à conclusão de que há outra, aquela será de “glórias, desfrutes e eterna alegria”). Ledo engano!.
E saber que muitos que se definem como Aspirantes à vida superior também mantém esse ritmo vida, usando a astúcia atlante para se convencer e convencer quem está ao seu lado, enquanto fingem que “cuidam da parte espiritual”. Já a definição de “cuidar” é pura ilusão!
É um direito das pessoas pensarem e agirem assim? Sim, claro! O livre arbítrio meu e dos outros devem ser respeitados! Mas, se a pessoa optou, por livre e espontânea vontade, se desenvolver espiritualmente trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, há de ser alertada. Pois a Lei de Consequência age em igual proporção em todos; a cada causa, colhe-se um efeito. Alguns advindos de causas em vidas passadas que se ativadas, gerarão efeitos benéficos ou adversos, e outras advindas dessa mesma vida e que podem ainda serem colhidas como efeitos benéficos ou adversos. E, sempre, inquestionavelmente, a responsabilidade pela causa é da própria pessoa. Nunca será de outrem ou da “situação”, “circunstância”, algo fora da pessoa!
Nossa vida não é mais ter como foco na Região Química do Mundo Físico (isso já mudou a milhares de anos atrás, na segunda metade da Época Atlante!), esse “mundo material”, e nem acumular, adquirir somente coisas materiais (e muito menos gastar o que se deve administrar para “passar as experiências que foram escolhidas com o objetivo de evoluir aqui, colher na próxima vida celeste e renascer em uma vida mais evoluída”).
Buscar a Deus, ser Cristão, saber de onde viemos, por que estamos aqui, para onde vamos ao deixar esta vida, são tipos de decisões que atualmente, no momento desse Esquema de Evolução que estamos passando, é o que mais importa!
Nossa vida não é do berço ao túmulo e não acaba ao morrermos aqui. Há sim, muita vida nos Mundos espirituais.
Nossa passagem por aqui é muito curta perto do que passamos lá (em torno de 70 a 100 anos aqui contra em torno de 1000 anos lá!).
Saibamos fazer bom uso do nosso tempo, dos nossos bens e recursos, não esquecendo jamais viver a nossa espiritualidade no dia a dia (e não “cuidar da parte espiritual”!) e não deixando de conviver. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o “ajuste de contas” significa: a qualidade da estada no Purgatório e no Primeiro Céu, assim que morrermos, mais uma vez, aqui!
******************************************************************************************
Quer ver mais postagens diárias de lindos e práticos textos nas nossas Redes Sociais?
É só acessar aqui: https://www.facebook.com/fraternidaderosacruz e
https://www.facebook.com/FraternidadeRosacruzCampinas/ e
https://www.instagram.com/frc_max_heindel
1. Pergunta: Força Criativa, Criadora, a Força Sexual, que foi utilizada para a construção do cérebro e da laringe, habilitando o ser humano à linguagem e comunicação, à expressão do pensamento e memória aqui , nesse tema, os pecados não expiáveis que seriam os do mau uso da Força Sexual, este pecado, além do uso inapropriado do sexo para gratificação dos prazeres pessoais, envolveria também o mal uso da palavra, sugestão, pensamentos destrutivos e tudo que envolve essa Força Criadora (órgãos de procriação)? Ou é específico ao ato sexual? Porque se a palavra e o pensamento criam, quais são os pecados não expiáveis?
Resposta: Com a constituição de Corpos e veículos que nós temos hoje, o tipo de gasto da força sexual criadora, que não tem como usá-la mais, é somente quando a expulsamos do nosso Corpo Denso, por meio da relação sexual ou da masturbação. Já a expressão por meio do mal uso da palavra, sugestão, desejos, emoções e/ou pensamentos destrutivos, a força sexual criadora continua dentro do nosso Corpo Denso. Assim o pecado pelo mal uso da palavra, sugestão, desejos, emoções e/ou pensamentos destrutivos são expiáveis, especialmente para o Estudante Rosacruz que, sabiamente, recorre ao Exercício Esotérico noturno de Retrospecção para essa expiação (ou seja: apagamento de tais pecados do Átomo-semente do Corpo Denso).
2.Pergunta: Procuro desenvolver o meu lado Místico, devocional, “Coração” a fim de tentar equilibrar o meu forte, prazeroso, mais fácil de se dedicar, meu lado Ocultista, razão, que me leva ao intelectualismo e que, muitas vezes, me faz sentir incompetente e faltando um pedaço. Frequente uma igreja Cristã, mas não consigo ver nessa ação a suficiência que preciso para atender a esse equilíbrio. O que vocês me sugerem?
Resposta: Sem dúvida, “ir à igreja” é necessário, mas longe de ser suficiente!
Na Fraternidade Rosacruz é-nos ensinado várias maneiras para nos ajudar no atingimento desse importantíssimo equilíbrio, sem o qual o Estudante Rosacruz não é um Estudante Rosacruz, mas sim uma “tentativa”:
Se for somente pelo lado intelectual, arrisca-se a “fundar uma Rosacruz” para atender seus “anseios”, ou se tornar um intelectual que “acha que sabe” ou, ainda, a desistir e se achar um “ocultista”, dando palestras, escrevendo por aí e se satisfazendo com a fama mundana e, algumas vezes, até com a fortuna que cobra.
Se for somente pelo lado místico, arrisca-se a fazer da “Fraternidade Rosacruz” uma igrejinha e lá vai colocar até imagens de santos ou de “Jesus” ou até um crucifixo e se apega adorando (muitas vezes até idolatrando) a figura de Max Heindel ou do Emblema (pois não entende o que é o Símbolo) Rosacruz. E se envolve na emoção, nas lágrimas e naquela pieguice de “se está indo tudo bem, é porque está agradando a essas coisas”, e “se alguma coisa não está indo bem, é porque não está fazendo direito”.
Então o que fazer?
Sugerimos 3 AÇÕES cotidianas, persistentes, difíceis, mas não impossíveis, para praticar na sua vida:
1) Focar cada noite em melhor fazer o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção como se deve. SE feito de forma correta, ele é um perfeito instrumento de prática de julgamento usando o equilíbrio “cabeça-coração”. Note: no início, a maioria o faz como um exercício de memória, portanto, intelectual e usa a astúcia para se justificar. Assim, bem diferente do que Max Heindel descreve, né? SE estiver fazendo tal Exercício corretamente, o Exercício Esotérico Rosacruz matutino de Concentração será feito de maneira tranquila, fácil e com grande satisfação. Está aqui um bom termômetro para você saber se está ou não fazendo o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção como se deve.
2) Estudar a Bíblia, por meio dos Ensinamentos Rosacruz, já que o “Conceito” é conhecido como o “Cristianismo Místico”. Para isso muito o ajudará o fazer o Curso Bíblico Rosacruz. Temos, também, no nosso site muito material especificamente da aplicação do Ensinamentos Rosacruzes para compreendermos e praticarmos os Ensinamentos Bíblicos (https://fraternidaderosacruz.com/category/misticismo/) e no nosso canal do Youtube (https://www.youtube.com/playlist?list=PLEXN-V28CRa2OYF29oYyfZf9BMqNJXR63)
3) Durante a sua presença na missa, Religião Católica, ou no culto de uma igreja Protestante séria (pois há muitas que não são, não é?) procure identificar a prática de Liturgias do Cristianismo Exotérico (sabendo separar o que é “dogma” do que é a prática do Cristianismo Exotérico real e verdadeiro) para compreender como esse vai levando as pessoas ao Cristianismo Esotérico (o estudos dos Livros o ajudarão muito nisso e na prática devocional na sua vida cotidiana: Iniciação Antiga e Moderna – https://fraternidaderosacruz.com/category/livros-digitalizados/max-heindel/iniciacao-antiga-e-moderna/ – Coletâneas de um Místico – https://fraternidaderosacruz.com/category/livros-digitalizados/max-heindel/coletaneas-de-um-mistico/ – Cartas aos Estudantes – https://fraternidaderosacruz.com/category/sobre-a-fraternidade/cartas-max-heindel/ – Como Conheceremos Cristo quando Voltar – https://fraternidaderosacruz.com/category/livros-digitalizados/max-heindel/como-conheceremos-cristo-quando-voltar/ – A Bíblia: O Maravilhoso Livro das Épocas, por Corinne Heline – https://fraternidaderosacruz.com/category/livros-digitalizados/corinne-heline/a-biblia-o-maravilhoso-livro-das-epocas/ – Os Milagres de Cura de Cristo-Jesus, por Corinne Heline – https://fraternidaderosacruz.com/category/livros-digitalizados/corinne-heline/os-milagres-de-cura-de-cristo-jesus/ – O Mistério dos Cristos, por Corinne Heline – https://fraternidaderosacruz.com/category/livros-digitalizados/corinne-heline/os-misterios-dos-cristos/ – As Sete Igrejas do Apocalipse, por F. Ph. Preuss – https://fraternidaderosacruz.com/category/livros-digitalizados/f-ph-preuss/as-sete-igrejas-do-apocalipse/ – O Testamento de S. João Batista, por F. Ph. Preuss – https://fraternidaderosacruz.com/category/livros-digitalizados/f-ph-preuss/o-testamento-de-joao-batista/ – As Bem-aventuranças, por um Estudante – https://fraternidaderosacruz.com/category/livros-digitalizados/um-estudante/as-bem-aventurancas/ – Os Dez Mandamentos, por um Estudante – https://fraternidaderosacruz.com/category/livros-digitalizados/um-estudante/os-dez-mandamentos/ – A Imitação de Cristo, por Thomas de Kempis (livro sugerido por Max Heindel) – https://fraternidaderosacruz.com/category/livros-digitalizados/tomas-de-kempis/ )
Note a quantidade de material que a Fraternidade Rosacruz disponibiliza para ajudar ao Estudante Rosacruz “desenvolver” o lado Místico, o lado Devocional!!
Pena que pouquíssimos Estudantes Rosacruzes se dedicam a isso, mas, os poucos que se dedicam fiel e sinceramente, avançam a passos largos no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz e alcançam o Discipulado!
3.Pergunta: Todos nós estamos aqui evoluindo, morrendo e nascendo várias vezes tendo várias vidas. E qual o caminho final de tudo isso? Qual o objetivo de tanta evolução? Se tornar alguém tão evoluído quanto Jesus?
Resposta: Conforme estudamos nos Ensinamentos Rosacruzes o atual “objetivo”, que é o próximo passo, nesse Esquema de Evolução para nós, a Onda de Vida humana, é viver conscientemente na Região Etérica do Mundo Físico, por meio de um veículo que todos estamos construindo, o Corpo-Alma, o “soma psuchicon” (que S. Paulo descreve). Isso porque estamos na direção “para frente e para cima”. Assim, a próxima Região que devemos “conquistar”, trabalhando tão conscientemente lá, como trabalhamos nessa Região Química do Mundo Físico, é a Região Etérica do Mundo Físico. Graças à Deus, já há muitos irmãos e muitas irmãs que vivem conscientemente lá tanto quanto aqui. E na Fraternidade Rosacruz, quando você trilha o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz fornece-se todo um Treinamento Esotérico para o Estudante Rosacruz desenvolver o Corpo-Alma.
4.Pergunta: Os animais têm algum tipo de carma para cumprir, uma vez que alguns têm tantas doenças, abandonos (caso de animais domésticos), vítimas de caça e contrabando (animais silvestres)?
Resposta: Caro irmão, “carma” é uma desinência da Sabedoria Oriental que não considera a questão da Doutrina Cristã do “Perdão dos Pecados”. Para nós, que preconizamos os Ensinamentos da Sabedoria OCIDENTAL, estamos sob a égide do Destino Maduro, onde a utilização da Doutrina Cristã do “Perdão dos Pecados” está à nossa disposição para usarmos, conforme o próprio Cristo nos ensinou.
Não, os animais não têm responsabilidade e nem consequência alguma sobre isso tudo, pois estão sendo orientados pelos Espíritos-Grupo. As doenças que eles têm são resultados de exposição à ambientes hostis (muitos deles criados por nós) e de alimentação errada (também criadas por nós).
Sobre “abandono” também é culpa nossa, que trata animais como uma “posse material” que como tal usa e jogo fora.
Sobre caça: também é culpa nossa (pois muitos insistem em comer carne animal e utilizar as partes deles para vestuário, adereços e até para remédios, cremes, etc.).
Sobre contrabando: também é culpa nossa, que trata animais como uma “posse material” que como tal usa, vende, e ainda ganha dinheiro com isso.
Até mesmo para quem não come carne, mas ainda se alimenta do leite, ovos e derivados (que não deixa de ser também uma enorme crueldade). Fico muito triste vendo tudo isso, e não sei, vendo o lado deles, o que pensar.
Sobre comer “carne animal”. Se você É um Estudante Rosacruz ativo e quer se desenvolver trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, logicamente, tem que tratar seu Corpo Denso com a melhor alimentação possível atual (pois todo trabalho de benfeitoria em um nosso Corpo resulta em resultados benéficos em todos os outros). A compaixão dos animais trabalha para melhorar o nosso Corpo de Desejos.
E aqui, nada adianta não comer carne animal, mas continuar utilizando tênis, cintos e outros itens de vestuários feitos por partes dos corpos deles (como couro e pele) ou utilizar produtos que sacrificam animais para serem testados ou até usados (alimentos de cor vermelha utilizando corante carmim, taurina feita de líquido de testículos de animais e muitos outros, que é só pesquisar para conhecer).
Sobre consumo do alimento IMPORTANTÍSSIMO para o Estudante Rosacruz, o leite, bem como ovos e mel:
Quando falamos do consumo de ovos, leites e mel é claro que estamos falando do consumo de produtos advindos dos nossos irmãos menores onde o tratamento que é dado a eles é o que deve ser dado a um irmão ou a uma irmã em evolução.
Assim, SE você tiver condições de adquirir ovos advindos de galinhas que são tratadas como deve ser tratado um ser em evolução (e, graças à Deus, hoje em dia já há essa possibilidade, é só procurar quem cria com esse método respeitoso) será muito melhor.
Assim, SE você tiver condições de adquirir leite advindos de vacas, ovelhas, cabritas, búfalas que são tratadas como deve ser tratado um ser em evolução (e, graças à Deus, hoje em dia já há essa possibilidade, é só procurar quem cria com esse método respeitoso), ótimo.
Assim, SE você tiver condições de adquirir mel advindos de abelhas que são tratadas como deve ser tratado um ser em evolução (e, graças à Deus, hoje em dia já há essa possibilidade, é só procurar quem cria com esse método respeitoso, ótimo.
Então, e só então, você deve consumir.
Caso contrário, é óbvio que não tem como compactuar com essa indústria horrenda que você detalhou acima.
Ou seja: não há motivo que justifique o consumo, não é?
Seria uma hipocrisia da parte de um Estudante Rosacruz consumir sob tais condições de produção!
Graças à Deus a quantidade de irmãos e irmãs que já compreenderam como se deve cuidar de um ser animal em evolução e o ajudá-lo a nos servir por meio da sua produção natural (respeitando inclusive os limites de produção de cada um), tem aumentado consideravelmente.
Estar na Órbita de Influência da Era de Aquário promove essa consciência em muitos irmãos e muitas irmãs em tratar esses seres animais como devem ser tratados para ajudá-los a evoluir nesse Esquema de Evolução.
5.Pergunta: Se as Ondinas têm um Corpo feito de Éter de Vida, então por que são mortais, tendo uma vida que dura vários milhares de anos?
Resposta: O Esquema de Evolução dos Elementos da Natureza, de onde as Ondinas é um deles, é bem diferente do nosso. O fato de terem somente um Corpo formado somente por um Éter, o de Vida, não quer dizer que possuam a imortalidade. Só quer dizer que devido a não ter o desgaste que nós, seres humanos temos no nosso Corpo Denso e que faz com que a nossa expectativa de vida aqui não passe de dois dígitos, elas têm um Corpo Vital formado somente por um Éter que lhe permite viver no Mundo Físico por milhares de anos. Para nós seres humanos possuir a imortalidade no Mundo Físico (onde a Região Etérica faz parte) é necessário ter um Corpo formado pelos quatro Éteres, e não ter mais nenhuma dívida de destino para ser paga, além de ter, no mínimo, alcançado o grau de Adepto, na Ordem Rosacruz.
As Reuniões de “Cura Rosacruz” são realizadas na Pro-Ecclesia (Chapel) da The Rosicrucian Fellowship quando a Lua está em torno dos 15 graus de um dos quatro Signos Cardeais ou Cardinais do Zodíaco (Áries, Câncer, Libra ou Capricórnio).
O horário é 18h30, horário local.
Por que fazer as Reuniões de Cura Rosacruz, com o ofício do Ritual do Serviço Devocional de Cura quando a Lua transita pelos Signos Cardeais ou Cardinais?
Porque a virtude dos Signos Cardeais ou Cardinais (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio) é a energia dinâmica que eles infundem em cada coisa ou empreendimento iniciado sob sua influência e, portanto, os pensamentos de cura dos Auxiliares Visíveis e Invisíveis em todo o Mundo, são dotados de poder adicional quando lançados em suas missões de misericórdia sob essa influência cardinal.
Se você gostaria de participar deste trabalho, nas Datas de Cura sente-se em silêncio quando o relógio em seu local de residência apontar para a hora local indicada: 18h30 ou em qualquer horário que melhor seja, desde que seja todos os dias no mesmo horário (pois a “coleta” é feita 24 horas por dia em todos os lugares do mundo – e a todo momento sempre é 18h30 em algum lugar da Terra), oficie o 𝗥𝗶𝘁𝘂𝗮𝗹 𝗱𝗼 𝗦𝗲𝗿𝘃𝗶ç𝗼 𝗗𝗲𝘃𝗼𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 𝗱𝗲 𝗖𝘂𝗿𝗮.
Esse Ritual é dividido em três partes bem distintas:
1ª –Preparação – composto por músicas e textos que visam preparar o ambiente, separando o ambiente externo (de onde vem o Estudante) do interno (para o interior do Estudante);
2ª – Concentração – é o clímax do Ritual, onde o Estudante se dedica a se concentrar com toda a sua dedicação, foco, disposição e vontade na Cura, como é feita pela Fraternidade Rosacruz: o Poder Curador de Deus Pai – abundante e sempre presente, pois n’Ele vivemos, nos movemos e temos o nosso ser; o Curador – um ser humano, selecionado utilizando as Leis Divinas de Semelhança e da Receptividade Sistemática, que será o ponto focal de transmissão do excesso do seu fluído vital, à noite, para o paciente; e o Paciente (que NÃO tem que ser nominado em hipótese alguma, pois a Cura será feita por quem deve ser curado, por quem já aprendeu a lição que a doença e o sofrimento está apontando), colaborativo, participativo, que tenha muita fé e que também está disposto a ajudar aos outros que também estão sofrendo tanto quanto ou até mais que ele;
3ª – Saída – composto de música e admoestação de saída que visam preparar o Estudante para internalizar tudo o que aqui falou, ouviu, participou e se concentrou, recebendo toda a força espiritual gerada durante a oficiação do Ritual, a fim de aplicá-la no seu dia a dia, se esforçando para o cumprir no tema concentrado: a sua participação no processo de Cura Rosacruz.
“Se podes?”, disse Cristo-Jesus. “Tudo é possível àquele que crê.” (Mc 9:23)
…recorra ao Método de Cura Rosacruz, já utilizado por milhares de pessoas.
O processo começa com o preenchimento de um Formulário que deve ser preenchido com caneta à base de tinta nanquim LÍQUIDA.
As instruções detalhadas se encontram aqui: https://fraternidaderosacruz.com/category/cura/formulario-para-solicitacao-de-auxilio-de-cura-fraternidade-rosacruz/
**Se você conhece alguém que esteja doente e quer ajudá-lo (a), comece por oficiar o Ritual do Serviço Devocional de Cura nas Datas de Cura. As instruções detalhadas se encontram aqui:
A Fraternidade Rosacruz representa uma oportunidade de importância muito grande na vida de um Aspirante à vida superior, um aceno para uma vida mais ampla e feliz, somente alcançada por aqueles que atingem o conhecimento de si mesmos e do mundo, de forma superior e espiritualizada e aplicam esses conhecimentos em uma nova maneira de viver.
Em tudo e para tudo, na nossa vida existe uma hora e, quando menos esperamos ela chega. O Senhor é o agricultor e Ele sabe quando os frutos se acham maduros para se desprender, para trabalhar por si mesmos, para alimentar os outros daquilo que Ele nos deu e depois deixarmos as sementes que germinarão árvores da mesma qualidade, num mesmo mundo profuso de teorias e carente de exemplos.
A Filosofia Rosacruz, em sua simplicidade cristalina, é algo tão extraordinário e revolucionador na nossa vida interna que se entendida mesmo e praticada nos transforma radicalmente o nosso caráter e, no dizer de S. Paulo, o apóstolo, nos transmuta “de um homem velho num homem novo, em novidade de espírito” (Rm 7:21). Mas nós complicamos de tal modo nossa vida e nossas necessidades, e nos achamos tão escravizados em nossas obrigações, que não encontramos tempo para aquilo que poderia curar nossos males e a nossa infelicidade. Ademais, muitos de nós dá tanto valor as apresentações complexas e empoladas que, muitas vezes, menospreza as obras simples, sem pensar que a solução da vida não está nos textos misteriosos, mas na prática pura e simples das virtudes Cristãs. De que vale saber definir brilhantemente o amor se não o sentimos em nosso coração e na relação com nossos semelhantes?
Assim, a Filosofia Rosacruz é a oportunidade para você obter o conhecimento de maneira clara e lógica, “de onde você veio, porque está aqui no mundo e para onde vai depois da chamada morte”. Fornece o conhecimento da Obra de Evolução para os diversos Reinos de Vida de modo a, racionalmente, levá-lo a compreender a Obra de Deus no Mundo e uma vez satisfeita sua Mente, possa começar a fazer seu Coração se manifestar numa fé ativa e exemplar. De fato, só o conhecimento superior, aliado ao sentimento, faz o Cristão completo. Só a fé não basta; geralmente se desvirtua em fanatismo. Por outro lado, o conhecimento sem o amor mais facilmente ainda degenera em pretensão intelectual.
O amor é uma poderosa força que deve ser orientada pela razão. O frio intelecto deve se orientar pelo calor do sentimento para que atinja seu objetivo de iluminação exterior. São dois instrumentos que se completam; dois caminhos que se encurtam numa reta de realização, quando harmonizados dentro de nós.
O livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”, obra básica da Filosofia Rosacruz exposta por Max Heindel sob a orientação de elevadíssimos Seres que chamamos de os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, encerra uma valiosíssima mensagem místico ocultista. Nele você encontrará orientação para desenvolver, mediante a prática sincera, as potencialidades que Deus guardou na Arca Sagrada de seu ser, em sentimentos e intelectualidade. Ele, o Senhor, vem e bate à porta de seu coração. Mas como naquela pintura de Warner Sallman – (1892-1968), pintor americano –, Ele bate, mas não abre, porque o ferrolho está por dentro. Nós, com o sagrado livre arbítrio é que devemos decidir se abrimos ou não ao Senhor que vem nos convidar para unir ombros com aqueles que já levam a vida a sério.
A Filosofia Rosacruz é uma mensageira Aquariana, uma nova ordem de ideias que predominará na futura Era de Aquário, a iniciar-se aproximadamente daqui a 600 anos. E como tudo no plano de Deus é preparado, esta mensagem é lançada ao ar. Cada um de nós é comparado a um rádio transmissor e receptor. Se estivermos afinados com a onda do futuro sentiremos um mágico “toque” nas “válvulas” do nosso Coração e de nossa Mente e abrirá nossas portas e virá juntar-se a nós na sementeira.
A mensagem continua no ar para que possa ser captada a qualquer instante por qualquer pessoa. A liberdade é sagrada. Ademais, num mundo cheio de materialismo são poucos os preparados. Aí está o mérito. Se a pessoa sente que gostaria de se desenvolver espiritualmente por meio do Conhecimento Direto promovido pela Fraternidade Rosacruz, venha e veja, sem compromisso nenhum. A obra Rosacruz é impessoal. Ela objetiva formar caracteres, novos seres humanos que definam o destino do mundo, segundo o plano de amor e sabedoria do Criador. Pratica a máxima Cristã: “dar de graça o que se recebeu de graça”, assim não há cobrança financeira de nada: mensalidades, taxas, cursos, seminários, congressos e materiais necessários. Na Fraternidade Rosacruz não se dão Iniciações, ainda que se queira pagar bem, porque, honestamente, ali se mostra que elas resultam do preparo interno e dependem quase exclusivamente do esforço individual, além do que temos que ser Iniciados nos Mundos invisíveis e não aqui, no Mundo visível aos sentidos físicos.
A participação da Fraternidade Rosacruz é orientar cada Aspirante à vida superior para que alcance a realização interior com segurança, sem perigo, risco e no menor tempo possível. Tais preceitos não se guardam como segredos, mas são expostos claramente nas obras da Fraternidade Rosacruz, para que cada um tenha o direito de segui-los. Não nos iludamos com os mistérios. Não julgamos honesto estabelecer atmosfera de mistério, apenas para satisfazer a tendência humana de valorizar o difícil e proibido. Difícil é o que não sabemos, mas todos têm o direito de alcançá-lo. Proibido deve ser apenas o imoral, o que vai contra as Leis da Natureza que são as Leis de Deus, mas nossa consciência é que deve repudiá-lo.
Note que a Filosofia Rosacruz procura fazer de cada ser humano uma lei em si mesmo, não discordante, senão, uníssona a Lei universal. Uma vontade, uma inteligência, um coração, próprios em sua maneira de expressão, mais coerente com o propósito do Grande Arquiteto. Uma célula de consciência própria no Corpo de Deus. Um detalhe precioso e expressivo do Quadro da Natureza.
Aqui, na Fraternidade Rosacruz, está a chave com que uma pessoa tem acesso aos mistérios, segredos ou conhecimentos oculto de seu ser. Uma vez que se desvende, conhecerá seus semelhantes e o Grande Corpo de que todos fazem parte, a cuja imagem e semelhança fomos feitos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1966 – Fraternidade Rosacruz – SP)