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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Amor e Colaboração

A vida é inexpressiva e vazia se vivemos apenas para nós mesmos. Ela perde seu sentido maior se vivida introvertidamente. Segregar-se, não participar, é excluir-se da harmonia universal. Quem não colabora com o mundo aliena-se dele. Quem não ajuda a seu semelhante encontra-se afastado do sistema de leis suprafísicas que regem o progresso humano. No Universo só cresce, só se desenvolve quem ajuda, quem colabora, quem serve aos demais, consciente ou inconscientemente, mas sempre amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) focando na Divina Essência oculta que há em todos nós e que é a base da Fraternidade.

Dentro de nós, vez por outra esta revista dirige apelos, nos exortando a disseminar os Ensinamentos Rosacruzes, especialmente por meio da vida que vivemos. Não é para se fazer pela simples necessidade de ajuda na tarefa de disseminar os Ensinamentos Rosacruzes. Não! É verdade que a Obra Rosacruz carece de um número maior de trabalhadores para alcançar maior expressão na comunidade. Ainda há muita coisa por ser feita. A consecução de seus elevados objetivos exige, a cada dia, maiores recursos humanos. A seara é imensa!

Não importa o grau de cultura: toda pessoa de boa-vontade encontra, na Fraternidade Rosacruz, setores onde possa empregar suas aptidões. Todos podem fazer alguma coisa para, no mínimo, disponibilizar tais Ensinamentos para que, se tiver alguém procurando, ter fácil acesso.

No transcurso de diversos renascimentos vimos aumentando nosso cabedal de conhecimentos, além de desenvolver qualidades. Temos acumulado, por meio de experiências as mais variadas, uma dose considerável de energia e capacidades. Cabe-nos, agindo de conformidade com as Leis de Deus dirigi-las a finalidades construtivas.

Somos, inerentemente, seres ativos, face ao princípio divino de movimento-atividade – característica do Espírito Santo – palpitando em cada um de nós. A inércia e inutilidade não existem na Natureza. Ao órgão que não se emprega não resta outro caminho senão o da atrofia.

Diariamente nossa capacidade de ação é testada nos mais variados desafios. São estímulos necessários. Quanto a isso não pode haver meio termo nem omissão: ou agimos construtivamente e progredimos ou paramos e retrocedemos. Eis aí o verdadeiro conceito de mocidade e de idoso (a): no sentido interno quem desiste e para, morre para a existência, cuja finalidade é o desenvolvimento a graus ainda inconcebíveis para o entendimento humano, das faculdades herdadas do Criador.

O indivíduo consciente e sincero esforça-se ao máximo por harmonizar e aperfeiçoar tudo o que esteja ao seu alcance. Sabe muito bem que ao retardar o cumprimento de seu dever ou negligenciar suas tarefas, negligencia a si mesmo.

Quanto mais produzimos, construtiva e legitimamente, tanto mais crescemos em todos os sentidos.

A Fraternidade Rosacruz constitui uma oportunidade de cooperação no sentido de erigir um mundo melhor. Sua tônica é servir. Todavia, requer-se uma corajosa disposição para trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.

Os desafios surgem em momentos inesperados; caso o Estudante Rosacruz não esteja alerta, poderá sentir abalado o seu idealismo. Trilhar essa vereda íngreme não é empresa das mais fáceis, mas espiritualmente é edificante.

O Estudante Rosacruz não raro poderá até perguntar-se se vale a pena tanto sacrifício. Fernando Pessoa, o grande poeta místico, responde:

“Valeu a pena?

Vale sempre a pena.

Se a alma não for pequena”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Aplique os Princípios Espirituais

Como Aspirantes à vida superior no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, deveríamos sempre encontrar uma forma de aplicar os Ensinamentos Rosacruzes em nossas vidas diárias. Isto não significa, necessariamente, alardear convicções ou tentar converter nossos amigos e familiares. Estamos falando da capacidade de levar os tais às pequenas coisas, de modo a dignificá-lo na nossa vida cotidiana.

Tomemos, por exemplo, uma passagem do Ritual do Serviço Devocional do Templo: “Para atingirmos essa realização, esforcemo-nos por esquecer, diariamente, os defeitos dos nossos irmãos, procurando servir à divina essência neles oculta, o que é a base da fraternidade“. Poderíamos questionar-nos a respeito desses Ensinamentos Rosacruzes procurando encontrar uma maneira de levá-los à prática.

Primeiramente, o que significa para nós “divina essência” recôndita em cada um de nós? Se pudermos defini-la, teremos compreendido a base daquele Ritual. A divina essência, assim expressa, é o Cristo Interno: “Não sou eu quem vive, mas o Cristo vive em mim” (Gl 2:20). Esta é uma força de amor Crístico e coesão, assim como as forças cósmicas mantêm harmonia em nosso Sistema Solar e a Terra em sua órbita. Pensemos nisto por um momento. Temos dentro de nós uma fagulha da Fraternidade Universal. Essa consciência constituirá, certamente, um fator de mudanças em nosso relacionamento com os demais.

Alguns dirão, não obstante: “Eu trato com pessoas de caráter débil ou de Mente estreita. Como posso valer-me dessa compreensão para equacionar certos problemas?”. “O misticismo é um formoso sonho, mas enfrento problemas reais com pessoas reais”. Isso reflete uma compreensão errônea acerca dos assuntos espirituais. Certamente a vida apresenta seus percalços e temos de encará-los. Poderemos optar pelo caminho mundano, reagindo negativamente, pagando o mal com o mal, etc. Ou, então, afirmar: “Este é o meu destino. Eu o mereço pelo que fiz em vidas passadas”. Ambas as atitudes são inconvenientes ao extremo!

Para o Aspirantes à vida superior, a solução é agir conforme preceitua o Ritual do Serviço Devocional do Templo, buscando o Cristo Interno. Se tivermos problemas com alguém, peçamos ajuda ao Cristo Interno. Podemos dirigir-nos ao templo interior, solicitando auxílio além da experiência externa. Então, quando enfrentarmos o indivíduo ou a situação teremos fortaleza interior ou a informação necessária com as quais poderemos manejar a dificuldade. Ao mesmo tempo, e isto não é fácil, esforcemo-nos   por comunicar-nos com o Cristo Interno na outra pessoa. Não nos preocupemos com seu aspecto pouco atraente. Procuremos apenas a divina essência. Sintamos a força Crística dentro de nós, tratando de irradiá-la nesse contato, apelando para o Cristo Interno em nosso semelhante. Não é necessário dizer alguma coisa, porém, isto influenciará o resultado.

Talvez devamos mudar nossos pontos de vista. Estamos procurando a verdade, não só para os demais, mas para nós mesmos. A Vontade do Cristo pode não se conformar com nossos desejos pessoais. Contudo, se formos receptivos, isto em si mesmo, ajudará a resolver o problema.

Sugerimos aos Aspirantes à vida superior a tentarem uma experiência. Tomem um incidente complicado ou ponha-se em contato com a pessoa complicada, tratando de comunicar-se com o Cristo Interno. Procure ver qual o efeito produzido sobre o problema. Provavelmente, você também concluirá que os princípios espirituais podem e devem ser aplicados na vida diária, ajudando assim a todos os interessados.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1983 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Dedicação ao Ideal

Muitos Estudantes Rosacruzes ativos – que estão trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, que começa como Estudante Preliminar e vai até Irmão Maior – se faz a seguinte pergunta, de vez em quando: “Tenho contribuído, dentro de minhas possibilidades, para o engrandecimento da obra Rosacruz, vivenciando-a no meu cotidiano e auxiliando quem também está a procura de uma Escola como essa?

Em verdade, somente a nossa consciência pode nos alertar para o papel que nos cumpre desempenhar dentro da Fraternidade Rosacruz, avaliando nossos talentos e, concomitantemente, indicando qual nossa aplicação dentro da frase que sempre repetimos quando oficiamos o Ritual do Serviço Devocional do Templo: “ser colaborador consciente na obra dos Irmãos Maiores a serviço da Humanidade”. É um campo carente de obreiros. Depende muito de nossa dedicação para se consolidar como precursora da Era de Aquário, já que ela é um Arauto dessa Era que bate às nossas portas.

A Fraternidade Rosacruz é um ideal muito mais grandioso do que possamos imaginar. Ela não é como alguns pensam, apenas uma “comunidade filosófico-espiritualista”, como outras existentes por aí, orientando e instruindo os interessados através de livros, informações digitais, folhetos, conferências e outros meios afins.

A missão, o programa e a estrutura da Fraternidade Rosacruz formam um conjunto cuja profundidade se encontra além da compreensão comum.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, por meio da Fraternidade Rosacruz, outorgaram ao mundo algo extraordinário: a Filosofia Rosacruz, ou seja, uma filosofia elucidativa dos mais intrincados problemas que afligem a cada um que busca respostas a elas. Lógica em sua linha de pensamento, guardando irrepreensível coerência em sua temática, a Filosofia Rosacruz resiste a todo e qualquer argumento em contrário. Mas há que estudá-la a vida toda para não chegar a conclusões equivocadas!

Os Ensinamentos Rosacruzes colocam ao nosso alcance um cabedal de conhecimentos, cuja beleza mal pode ser expressa em palavras. Tais princípios atendem perfeitamente as exigências de uma época, onde o racionalismo e o espírito inquiridor ante empírico repelem tudo o que não se enquadra em seus domínios. São atualíssimos, abrindo, ao mesmo tempo, perspectivas maravilhosas para o nosso futuro progresso. Eis então as possibilidades dessa Filosofia Rosacruz!

Se verdadeiramente sentimos que ela veio preencher algo em nossas vidas, propiciando uma visão mais ampla do mundo, por que não trabalhamos em prol de sua divulgação?

Sozinhos, pouco ou nada poderemos fazer. Mas, havendo união de esforços, as possibilidades de êxito serão bem maiores. Mesmo num grupo pequeno, a harmoniosa concatenação de talentos gera prodígios.

Nunca será demasiado repetir: o ser humano isolado é uma impossibilidade. Reiteramos sempre o que repetimos quando oficiamos o Ritual do Serviço Devocional do Templo: “um só carvão não produz fogo. Mas quando se juntam vários carvões, o calor latente em cada um deles pode produzir chama, irradiando luz e calor”.

Defendemos, justificamos e enaltecemos com fervor o trabalho em equipe ou em grupo, através do qual se alcança um máximo rendimento em tempo mínimo, mediante o aproveitamento racional das qualidades e aptidões de cada um em função do todo.

Pois, como aprendemos na Fraternidade Rosacruz: “Devemos aprender a lição do trabalho para um propósito comum, sem lideranças. Cada qual, igualmente induzido pelo espírito de amor que lhe vem do íntimo, deve empenhar-se pela elevação física, moral e espiritual da humanidade à altura de Cristo – o Senhor e a Luz do mundo”.

Afinal, ninguém sabe tudo! Um Estudante Rosacruz ativo reconhece suas limitações pessoais. Já sabe que se tiver ambição para se tornar líder se tornará um indivíduo inadaptado para a mais elevada forma de trabalho em grupo; por isso nunca tem o desejo de se destacar. Já aprendeu que se fundirmos e focalizarmos os atributos do nosso coração, o conhecimento e as energias espirituais de muitas pessoas pertencentes a um grupo e devidamente preparados, podem exercer um poder espiritual quase ilimitado na tarefa que o grupo precisa executar.

E para se trabalhar em grupo ou em equipe entende que precisa exercitar o seu impulso amoroso de dar, com renúncia de si mesmo, sem egoísmo; pois já assimilou o conhecimento de que sem o sacrifício o trabalho de grupo é praticamente impossível. Que deve se sobrepor à sua Personalidade, e que agindo assim fica mais fácil exercitar a dedicação ao serviço, o que resulta no crescer em consciência quanto aos propósitos comuns. Que é um ótimo ambiente para praticar no grupo ou equipe o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta nos irmãos, nas irmãs e em nós – que é a base da Fraternidade. Esta é a magna chave do crescimento anímico, do crescimento da sua Alma. Entende a necessidade de recusar tudo o que seja danoso aos interesses do grupo ou da equipe (para isso aplica toda a sua sinceridade, lealdade, coerência). E, ainda, procura trabalhar em íntima cooperação mental e espiritual com os membros do grupo ou da equipe.

E, assim, em grupo ou equipe vai se dedicando ao Ideal Rosacruz e tendo oportunidades para se tornar um “colaborador consciente na obra dos Irmãos Maiores a serviço da Humanidade”.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz – fevereiro/1983 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Significado para: “Buscai, primeiro, o Reino de Deus”

Nunca é demais ressaltar a importância de estarmos em Deus a cada instante. Só Ele pode resolver os nossos problemas, da forma como devem ser resolvidos. Só Ele nos poderá orientar para o certo, nos iluminar em nossas atividades, para acertarmos o maior número de vezes possível.

Porém, é preciso que não se confunda esta entrega com inércia, supondo que, ao colocarmos nas mãos de Deus os nossos problemas possamos descansar na cômoda impressão de termos transferido, também, a Ele as nossas tarefas. Longe disto. Nossos deveres nós não os podemos negligenciar, até pelo contrário, quanto mais ativos nos mantivermos procurando dar de nós a cada momento do dia, tanto mais estaremos nos tornando merecedores da Sua confiança e do Seu merecimento. Sim, porque para estar em Deus, é preciso merecer Deus.

Como repetimos todas as vezes que oficiamos o Ritual do Serviço Devocional de Cura da Fraternidade Rosacruz que: “num vaso sujo não pode haver água pura e saudável, nem pode uma lente manchada dar uma imagem nítida“. Da mesma maneira, se não nos tornarmos merecedores de Deus, nem cumprirmos bem todas as nossas tarefas, com sinceridade e pureza, nem procurando ajudar sempre com isenção de ânimo, nem nos tornando um elemento útil e de boa vontade no contexto geral, nossas portas internas manter-se-ão fechadas ao ingresso d’Ele.

É claro que: “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” (At 17:28). E esta asserção não invalida o que foi dito acima. O caso é que nem todas as pessoas são sensíveis à presença de Deus nelas. E é a essa sensibilidade, a esse contato que deve ser empreendido constantemente, que nos referimos antes. Estar em Deus é, pois, ter consciência da presença de Deus em nós. E sóabriremos a nossa consciência para senti-Lo cada vez mais próximo, sempre que estivermos atentos para não perder nenhuma oportunidade de realizar o Bem. Porque o Bem é o reflexo de Deus, e realizando o Bem estaremos realizando Deus, atraindo mais força d’Ele, maior contato, mais luz e, consequentemente, maior ajuda d’Ele.

Na verdade, quanto mais nos elevamos e mais puro nos tornamos, menos necessidade terá de nos preocuparmos em pedir auxílio à Deus. Porque o fato de se realizar n’Ele já nos coloca em condições de não precisar pedir, pois, tendo a Ele em nós nada mais necessitaremos; já teremos tudo.

É por isso que o próprio Cristo nos ensinou ao proferir: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33). É isso. O Reino de Deus está em nós, dentro de nós, e é só precisamos tomar consciência disto. Esse acréscimo quer dizer: todos os nossos desejos, intenções se realizarão, inclusive a aspiração de bem Servir, segundo a disciplina de “Buscai o Reino de Deus…”

Eis porque a Filosofia Rosacruz nos orienta a procurarmos aumentar a nossa consciência pelo serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e a irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, e que é a prática dos Ensinamentos Cristãos que Cristo Jesus deixou e que os Irmãos Maiores nos transmitiram por meio dos Ensinamentos Rosacruzes detalhados na Fraternidade Rosacruz.

Sabemos que, para isto, não nos serão necessários grandes exercícios! Dois são os mais importantes: o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção e o Exercício Esotérico Rosacruz matutino de Concentração. O resultado da persistência em fazer tais exercícios vai nos ajudando na realização da prática das coisas boas, que vamos descobrindo por meio dos referidos Exercícios e de nosso tipo Serviço detalhado acima no mundo.

Aliás, a prática constante do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção vai mudando nosso caráter e, automaticamente, nosso destino, por isso dizemos que caráter é igual a destino! Eis aqui uma explicação lógica das palavras de Cristo: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”

Assim, o que é exigido de nós estará sempre dentro das nossas possibilidades, pois seremos nós mesmos, com o nosso esforço no bem viver, que delinearemos as bases do nosso progresso e, consequentemente, do nosso merecimento. Quanto mais trabalharmos para acertar o pé no mundo em que vivemos, tanto mais despertaremos nossa consciência Crística, crescendo internamente, construindo nosso Cristo Interno, colocando-nos, assim, em posição de atrair para nós tudo àquilo que deverá ser nosso, tanto espiritual como material.

Por isso, nosso cuidado maior não deveria ser com as “coisas materiais”, mas com o nosso preparo interno, porque só esse preparo, essa vivência da espiritualidade Cristã que buscamos e realizamos em nós coloca-nos em condições de receber tudo o mais que Deus sabe que necessitamos.

Tomemos nota: quanto mais nos elevarmos, tanto menos falta vamos sentindo das coisas materiais e tanto mais nos vamos aproximando da nossa herança divina.

Não vá agora, alguém, por outro lado, sentir-se inibido pensando que, se por fazer algum pedido a Deus, estará com isso provando a sua incapacidade de estar n’Ele. Pensar assim seria fruto de nosso orgulho, porque é preciso uma boa dose de humildade para admitir as nossas limitações. O que deve servir-nos de escopo é o fato de sabermos que agindo sempre no bem, estaremos em progressivo desenvolvimento para aquele estado de graça, que nos coloca em posição de desenvolver cada vez mais o Cristo Interno.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz” – outubro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Em Defesa dos Reinos Inferiores

As árvores de todos os tamanhos são Formas de manifestação no Mundo Físico dos mais adiantados Espíritos da Onda de Vida vegetal, ainda não individualizados, e por esta razão evoluindo sob a custódia de Espíritos-Grupo.

Poetas e prosadores cantam a beleza e exaltam sobremaneira os benefícios que auferimos a custo das árvores. Afinal, a cópia do Universo é toda serenidade, beleza e harmonia. Os ecologistas se destacam, atualmente, como vanguardeiros na luta pela preservação do verde. Não só exaltam a magnitude da proteção ao Reino vegetal como propõem as mesmas atenções a todos os Reinos da Natureza.

A Fraternidade Rosacruz também se manifesta a respeito em seus profundos ensinamentos, dando um enfoque todo especial ao tema. A Vida no Mundo Físico se expressa por meio da Forma, sendo mister que essa só aprimore para aquela manifestar-se com mais desenvoltura. Nossa ação é importante no aperfeiçoamento de tudo quanto nasce, cresce e se transforma na face da Terra. Partindo do princípio de que somos representantes de um Reino superior ao mineral, vegetal e animal, assumimos a responsabilidade de contribuir para a manifestação da Vida através daqueles Reinos em ascensão constante.

A diligência e o esmero empregados no trabalho executado com os minerais determinam suas possibilidades de evolução. O Reino vegetal, nós o sabemos, é extremamente dadivoso. Contudo, quando se fala em proteção aos Reinos inferiores, nossa atenção volta-se para o Reino animal, talvez a maior vítima da ignorância humana.

Sob o pretexto de obter alimentos, o ser humano dedica-se a matança dos mais elevados representantes da escala animal. E o faz com isenção plena de compaixão, às vezes com frieza e sadismo deploráveis. Não temos o direito de restringir a vida a seres prestes a individualizar-se. Se necessitarmos de alimentos, os mais adequados a nossa constituição encontram-se no Reino vegetal, pródigo em variedade e qualidade. Os Ensinamentos Rosacruzes afirmam: toda partícula alimentar ingerida contém vida. Antes que ela possa ser agregada ao nosso organismo pelo processo da assimilação, é necessário que a dominemos e sujeitemos. Isso trará harmonia ao nosso Corpo Denso. Quanto mais individualizada for à partícula, tanto mais difícil se tornará sua assimilação.

O animal possui Corpo de Desejos. Cada célula componente de seu Corpo Denso possui uma alma individual, compenetrada pelas suas paixões, emoções e desejos. Eis porque a carne animal (mamíferos, aves, peixes, anfíbios, crustáceos, frutos do mar e afins), como alimento, requer intenso esforço orgânico no processo da assimilação. Inclusive a própria constituição da arcada dentária humana não a recomenda a preparar tal tipo de alimento para ser trabalhado pelo aparelho digestivo.

Seremos coerentes com a nossa condição de seres racionais procurando alimentos no Reino vegetal. Menos individualizados e amplamente adequados as nossas necessidades, substituem com inúmeras vantagens, os elementos oriundos da dieta carnívora, principalmente pela facilidade com que são assimilados.

Analisando os fatos à luz da Ciência Oculta, não nos causa estranheza que inúmeras doenças e enfermidades venham afligindo a Humanidade. As consequências só podem ser funestas quando os atos humanos colidem com as Leis da Natureza, as Leis de Deus. Estas regem a conservação da vida, da espécie e da saúde. Muitas debilidades orgânicas poderiam ser sanadas pela adoção da dieta vegetariana.

Alguém pode objetar estas considerações afirmando que também truncamos o desenvolvimento de um vegetal tirando-lhe a vida para usá-lo como alimento. Porém, isso pode ser esclarecido. Quando a fruta está madura, realizou o seu propósito de servir como matriz para o amadurecimento da semente. Se não é utilizada como alimento, apodrece e perde-se. Além disso, está destinada a servir de alimento ao animal e ao ser humano, proporcionando-se, assim, a semente, oportunidade de crescimento ao espalhar-se em solo fértil. Deste modo não se arrebata a vida, mas ampliam-se as possibilidades de que ela se manifeste.

Além do que foi elucidado, também há razões de ordem moral. Os Ensinamentos Rosacruzes apelam para a razão e sentimento das pessoas, no sentido de que seja observada a primeira lei da Ciência Oculta: “Não matarás”. Cada um deve compenetrar-se de sua responsabilidade como protetor dos mais fracos, inspirando-se nas belas lições de Max Heindel e nas piedosas palavras de Ella Wheeler Wilcox: “Eu sou o defensor do meu irmão e lutarei a sua luta; falarei a palavra em nome do animal e da ave, até que o mundo saiba o que deve fazer”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1982, Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Sobre a origem dos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz

Embora a palavra “Rosacruz” seja usada por diversas organizações, a Fraternidade Rosacruz não tem nenhuma ligação com quaisquer delas.

Nos anos 1907-08, após ser provado na sinceridade de seus propósitos e desprendimento no desejo de ajudar ao próximo, Max Heindel foi escolhido, pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, para difundir publicamente os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental na Região Química do Mundo Físico, ajudando, deste modo, a preparar a Humanidade para a Era da Fraternidade Universal que se aproxima, a Era de Aquário, na qual já estamos na “Órbita de Influência”. E por meio de intensa autodisciplina e devoção ao serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) aos irmãos e às irmãs e focando na Divina Essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, ele alcançou a condição de Irmão Leigo na exaltada Ordem Rosacruz.

Sob a direção dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, gigantes espirituais da Onda de Vida humana, Max Heindel escreveu o “Conceito Rosacruz do Cosmos”, um livro que, tendo marcado época, se converteu no que é agora o manual-guia de ocultismo do Mundo Ocidental. Pelo seu próprio desenvolvimento espiritual ele era capaz de verificar por si mesmo muito daquilo de que estudamos no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, bem como também era capaz de adquirir conhecimento adicional direto – sem nenhum anteparo seja de pessoa física ou qualquer material –, que mais tarde incorporou às suas numerosas obras.

Uma das condições básicas para que os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental fossem transmitidos a Max Heindel era a de que nenhum remuneração financeira (direta ou indiretamente) lhes fosse estipulado. Esta condição foi por ele fielmente observada até ao fim de sua vida, e continua sendo-o cuidadosamente por aqueles que dirigem os trabalhos da Fraternidade Rosacruz.

Assim, embora os livros da Fraternidade Rosacruz sejam vendidos – a preço de custo –, todos os Cursos de capacitação (incluindo todo o material e os livros em formato digital) e os Serviços de Auxílio à Cura do Departamento de Cura da Fraternidade Rosacruz sempre são e serão gratuitos. Os Estudantes da Fraternidade Rosacruz não pagam inscrição, taxas, mensalidades ou quaisquer outra denominação que signifique remuneração financeira. A única coisa que se exige do Estudante Rosacruz ativo, que está trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz é a sua fidelidade aos Ensinamentos Rosacruzes, a sua persistência, perseverança, disciplina e aplicação do que aprendeu na sua vida aqui!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1984 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Terra de Ninguém

Na terminologia de guerra, “Terra de Ninguém” significa a faixa de terreno situada entre a linha mais avançada de trincheiras dos exércitos em combate; uma área que ninguém pode atravessar, vindo de qualquer um dos lados, sem ser alvejado; onde os mortos permanecem e de onde, se possível, os feridos são retirados furtivamente durante a noite.

Ela sonhava, mas sabia que estava acordada e fora de seu Corpo Denso. Ao seu redor havia uma luz brilhante, e ela estava com sua mãe muito amada, que havia partido muitos anos antes. A mãe vestia uma túnica resplandecente e seu rosto irradiava luz. Elas conversavam sobre certos pontos dos Ensinamentos Rosacruzes quando a Sonhadora começou a ler em voz alta um poema intitulado “Terra de Ninguém”; à medida que prosseguia na leitura daquela descrição sublime, visões belíssimas se descortinavam, e o poema parecia transformar-se gradualmente em realidade. Sua mãe, tomando-a pela mão, conduziu-a a uma esfera de luz indescritível, onde reinavam a felicidade e a bem-aventurança perfeitas. Ela disse: “Esta é a ‘Terra de Ninguém’, e recebe esse nome porque não pertence a nenhum ser humano, raça ou nação em particular. Aqui, todos são irmãos.”. Elas permaneceram juntas no limiar e contemplaram o cenário; a Sonhadora viu miríades de seres, todos vestidos como sua mãe e com o mesmo amor radiante transparecendo em seus rostos, enquanto uma voz lhe dizia: “Aqui somos todos um, embora tenhamos vindo de todas as nações e países da Terra. Não existem inimigos aqui”.

Enquanto observava, a Sonhadora viu pessoas que, assim como ela, estavam no limiar contemplando aquela multidão gloriosa, mas que retornavam à Terra para suas atividades cotidianas. À medida que se aproximavam de seus corpos, pareciam esquecer o que haviam visto. Ela perguntou à mãe a razão disso, e ela respondeu: “É porque ainda não aprenderam o que é necessário para permanecer aqui”. Então, a Sonhadora começou a sentir-se atraída para baixo, em direção ao seu próprio corpo, embora contra a vontade dela. Ela disse: “Diga-me, mãe, o que devo fazer para ficar aqui? Não quero ir embora”. A mãe respondeu: “Você deve voltar e cumprir seu dever diário; ainda não é hora de você permanecer aqui. “Você deve voltar e cumprir seu dever diário; ainda não é hora de permanecer aqui. Mas leve o Cristo consigo e viva n’Ele e para Ele; assim, você terá sempre livre acesso a esta esfera gloriosa onde tudo é amor, paz e serenidade.”

Enquanto a Sonhadora retornava ao seu corpo, sua mãe lhe dirigiu um sorriso radiante de despedida e seguiu para aquela região gloriosa. Mas a Sonhadora, ao abrir os olhos para este mundo, soube que não fora um sonho, e sim que lhe fora concedido o grande privilégio de ver além do véu e trazer consigo essa lembrança.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de dezembro de 1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Sociedade Aquariana

Os ensinamentos promulgados pela Fraternidade Rosacruz mencionam a aproximação de uma nova Era, à medida que a Sol, em seu movimento precessional caminha do Signo de Peixes para o Signo de Aquário.

O Sol entrou na órbita de influência aquariana em meados do século passado. A cada 72 anos ele se aproxima um grau do Signo de Aquário, regido por Urano. Sua influência, cuja palavra-chave é a originalidade e renovação, faz-se sentir nas conquistas espaciais, no estudo e aproveitamento das energias solar e atômica, no avanço das telecomunicações e muitas outras áreas tecnológicas, filosóficas, religiosas e afins. Estas descobertas estão transformando o mundo e nos conduzindo a um futuro inimaginável, saibamos ou não.

Algumas passagens das Sagradas Escrituras aludem, esotericamente, a nova Era.

As Eras são fases cíclicas do progresso humano, predominando, em cada uma delas, características marcantes. Oferece ambientes e experiências adequados ao desenvolvimento da Humanidade. O Antigo Testamento relata, veladamente, as transições entre várias dessas etapas.

Ao final da Era de Touro, há uns quatro mil anos (contando com a base de tempo atual: 1 ano como 365 dias), o “povo escolhido” empreendeu a fuga do Egito, terra onde o boi Ápis era cultuado. Neste êxodo foram conduzidos por Moisés, cuja cabeça, em antigas gravuras aparece adornada com cornos de carneiro. Essa forma de representá-lo indica tratar-se do precursor da Era de Áries, durante a qual, na manhã de Páscoa, o Sol tingia de vermelho as portas das casas, semelhante a sangue de carneiro.

Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrava na órbita de influência de Peixes, S. João Batista submergia as pessoas nas águas do Jordão. O Cristo chamava a seus Discípulos de “pescadores de homens” (Mt 4:18). O peixe (o ictus dos latinos) era um símbolo do Cristianismo. Explica-se, assim, porque a mitra dos bispos assemelha-se a uma cabeça de peixe. Olhando o futuro através da perspectiva do passado, evidencia-se o alvorecer de uma nova Era. É razoável supor-se que um estágio mais avançado de Religião substituirá o presente, revelando-nos ideais mais nobres do que nosso atual conceito de Religião Cristã.

Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o trabalho de preparação para a Era de Aquário já se iniciou. Como se trata de um Signo do Ar, científico e intelectual, depreende-se que a Religião aquariana deverá alicerçar-se em bases racionais, sendo capaz de resolver o enigma da vida e da morte de tal forma a satisfazer a Mente e o Coração.

Aquário é representado por um homem derramando água de seu cântaro, simbolizando o desaparecimento da umidade pela predominância de uma atmosfera mais seca e etérica.

O ser aquariano, por certo, derramará toda a água viva de sua sabedoria, chegando a um adiantamento inconcebível, produzido pelo contato direto de sua Mente com os raios do Cristo Cósmico.

Na próxima Era não haverá mais guerras, porque o nosso desenvolvimento espiritual o tornará um verdadeiro templo de amor. Segundo a Astrologia espiritual Rosacruz e os Ensinamentos Rosacruzes novas forças e energias serão descobertas. Serão, entretanto, utilizadas em benefício de todos, ao contrário do que ocorre nos dias atuais.

Em Aquário, uma Humanidade mais nobre povoará a Terra. A sociedade aquariana, em termos sociais, científicos e espirituais deverá atingir tal estágio evolutivo, que para a limitada consciência pisciana pareceria mera ficção.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Os Frutos da Vivência Cristã

É deveras gratificante avaliar como o trabalho desenvolvido pela Fraternidade Rosacruz vem rendendo “frutos” apreciáveis em todo o mundo! Nosso júbilo não se deve exclusivamente ao crescimento gradativo do número de Estudantes Rosacruzes. Há um fator mais importante, merecedor de maior destaque: são os resultados obtidos mediante a aplicação, no quotidiano, dos Ensinamentos Rosacruzes fielmente, como temos documentado nos livros da Fraternidade Rosacruz, particularmente os de autoria de Max Heindel e Augusta Foss Heindel.

Frequentemente ouvimos expressões de admiração e gratidão emitidas por Estudantes Rosacruzes. Fazem questão de realçar o papel importante que a Filosofia Rosacruz desempenhou e continua a desempenhar em suas vidas, por estimulá-los a uma reforma interior – base de todo e qualquer progresso. A descoberta do Cristianismo Esotérico, como preconizado pela Fraternidade Rosacruz.

Alguns relembram seu passado sofrido, suas dificuldades de relacionamento, quando no lar ou no trabalho viviam em constante atrito com as pessoas que os cercavam. Relatam as danosas consequências desse negativismo: inimizades, perda de valiosas oportunidades de ascensão profissional, lares quase desfeitos, frustrações. Com entusiasmo narram transformações operadas após o conhecimento da Fraternidade Rosacruz. Aprenderam a ser mais compreensivos em relação às falhas alheias. Tornaram-se mais vigilantes com as próprias.

Notaram como as coisas, ao seu redor, se modificaram. Aquele estado de franca “beligerância” ou de “paz armada”, para com os outros, converteu-se em entendimento. A vida assumiu um novo significado.

Outros Estudantes Rosacruzes frisam, e suas palavras deixam escapar o calor de uma sincera gratidão, a melhora de sua saúde como a suprema graça alcançada na Cura Rosacruz.

Recordam, às vezes com os olhos umedecidos, o quanto padeceram presos a doenças e enfermidades.

Depois de adotarem um regime alimentar mais natural – isento de carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins), bebidas alcoólicas e estimulantes – puderam realmente desfrutar de uma vida mais plena e feliz.

Inicialmente encontraram uma certa dificuldade para livrar-se dos maus hábitos. Não era para menos. Os hábitos perniciosos, se mantidos durante anos, criam raízes, tornam-se “de casa”, passam a integrar nossa própria natureza. Erradicá-los demanda tempo e muita perseverança.

Com o passar dos anos, porém, constataram a transformação para melhor. Hoje gozam de boa saúde e proclamam essa verdade.

Há aqueles que se sentiam profundamente infelizes com suas vidas: alguns reveses, principalmente financeiros, roubaram-lhes a autoconfiança. Tornaram-se inseguros, indecisos.

As oportunidades que lhes surgiam amedrontavam-nos ao invés de estimulá-los à ação.

Viam os colegas de trabalho como rivais oportunistas ou competidores. Os parentes, estes pareciam escarnecer de seus fracassos, levando-os a um desespero maior. Com o tempo deixaram-se prostrar num lamentável estado de apatia, desânimo e imobilismo. Eis que por intermédio de alguém, ou por algum outro meio, entraram em contato com a Fraternidade Rosacruz. Inscrevem-se, iniciando o trilhar do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, se capacitam por meio dos Cursos, estudam incansavelmente e começam a enxergar uma realidade até então desconhecida: somos uma célula integrante do macrocósmico Corpo de Deus.

Fomos dotados de todos os atributos divinos! Possuímos esses atributos divino em forma latente e por meio da peregrinação pelas várias etapas da evolução nos tornaremos onisciente. Somos herdeiros de todas as promessas celestiais. De forma alguma renascemos para ser obrigatoriamente infelizes, pobres coitados sujeitos aos caprichos do destino.

Pelo contrário. Nosso futuro é grandioso. Os sofrimentos atuais nada mais são do que os frutos da nossa ignorância, e uma gama de lições a serem aprendidas. Assim, o conhecimento das Leis de Deus e sua justa aplicação traduzida em pureza, amor e serviço nos ensejam, aqui e agora, mudar nossa vida para melhor.

Afinal: “o único pecado é a ignorância”.

E, como aprendemos na Filosofia Rosacruz: “o único fracasso é deixar de lutar”. E “a única salvação é o conhecimento aplicado”.

Dessa maneira, muitos se encontraram na Fraternidade Rosacruz.

Afirmam ter descoberto a “fórmula mágica” responsável pela benéfica transformação ocorrida em suas vidas. “Fórmula mágica”? Mas a Filosofia Rosacruz não é um conjunto de verdades antiquíssimas em novas roupagens?

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1976 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Caminho mais Curto

Em nosso formoso “Ritual do Serviço Devocional do Templo” repetimos essa alegação muito definida: “O serviço amoroso e desinteressado para com os outros é o caminho mais curto, mais seguro e mais agradável que conduz a Deus”.

Sim, ouvimos este ensinamento todas as vezes que oficiamos tal Ritual, frequentemente em nossos lares, gostando de pensar em nós como quem serve todos os dias.

Contudo, quantas vezes paramos para considerar o que também aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes: que não é somente o serviço que é necessitado? Estudamos em palavras que não deixam dúvidas: a qualidade especial do serviço que nos conduz adiante nesse Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.

Consideremos os meios variáveis de serviço. Há o que poderíamos chamar de “serviço comercial” ou trabalho prestado com o propósito de colher uma vantagem correspondente. Tudo muito bem e valioso na sua maneira, mas, lamentavelmente, insuficiente na exigência espiritual.

Depois, há o serviço prestado não tanto para obter recompensa, porém, como um senso de dever ou necessidade, o cumprimento de uma obrigação àqueles que servíamos talvez. Ainda que isto seja muito estimável, não significando que diminui o mérito, contudo, ainda não preenche totalmente o requisito da exigência espiritual.

E, depois, aí há o mais elevado espécie de serviço, o “amoroso, desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), ao irmão e à irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade” exemplar, além do qual exige muita persistência, perseverança e disciplina para pode chegar a essa condição de desenvolvimento.

Repare, pois, o significado dos dois adjetivos. Primeiro, o mais elevado serviço, o “amoroso”. Na nossa ansiedade de servir, e talvez na nossa ansiedade de alcançar o nosso próprio desenvolvimento, tantas vezes passamos por cima do “amoroso” e, contudo, isso é a palavra-chave do nosso “Ritual do Serviço Devocional do Templo”.

Temos, às vezes, curiosidade, o que significa a palavra exatamente? A palavra “amor” é tão abusada que é difícil impedir que se torne confuso.

O conceito comum, como tendo algo que ver somente com o sexo, naturalmente não necessita consideração.

Outra opinião errada do amor, como algo impotente, débil e ingênuo se aproxima do inexato! Infelizmente está nesta conexão que tantas imagens tentando retratar o Mestre, Cristo Jesus, mostram-No como débil e ineficaz, ao passo que exatamente o contrário é o caso. Ele era forte e vigoroso (poderoso), sensível e benévolo, sim, mas estas últimas características são realmente sinônimas de poder e coragem. É por isso que quando designamos a palavra “amor” nos Ensinamentos Rosacruzes, fixamos no adjetivo que reforça o real significado dessa palavra: o amor Crístico!

O poeta Tennyson, no “In Memoriam”[1] demonstra isso claramente na seguinte parte:

“Poderoso Filho de Deus,

Amor imortal

A quem nós, que não cheguemos a ver Sua Face

Pela fé e unicamente pela fé, concebemos.

Crendo aonde não podemos provar”.

Sim, o amor Crístico é o cume de poder benévolo. Se nos detemos a considerar, acharemos que mesmo nos mecanismos que dizemos brandura segue de mãos dadas com força. Pense na onda de poder num motor de alta potência, tão macio, tão silencioso, todavia, tão irresistível.

Nós, que desejamos nos expressar apropriadamente, esquecemos às vezes isto, dando assim, a impressão de afirmação própria, quando estamos meramente tentando expressar o poder do amor Crístico?

Talvez a palavra melhor que podemos usar é “compaixão”, nas ocasiões quando Cristo Jesus se dedicou para curar os doentes ou enfermos e os sofredores, quando Ele derramou o poder do Seu amor, Ele “tinha compaixão deles” (ou seja: Ele sentia a união entre o sentimento de empatia pela dor do outro e a vontade ativa de ajudar a diminuir esse sofrimento).

E depois esta outra palavra: abnegação. E aqui queremos dizer: a renúncia voluntária e completa dos nossos próprios interesses, desejos ou nossas vontades em favor de outra pessoa. É o oposto exato do egoísmo, pois representa uma forma profunda de altruísmo e desprendimento pessoal.

Não, não é fácil esquecer-se completamente de si mesmo (que é a prática da abnegação). Gostamo-nos de se sentir virtuosos, tirar pouco mérito pelo que fazemos.

Bem, podemos de bom grado entendê-lo, desde que nós somos ainda humanos. Mas, precisamos eventualmente elevar-nos acima mesmo disso até o ponto aonde o nosso serviço é prestado, sem pensarmos conscientemente em nós, sem mesmo o sentimento que estamos fazendo “algo bom”.

Quando vimos que tem algo que ser feito, fazemo-lo! É quase uma tragédia que o esquecimento próprio é confundível tão frequentemente com “desinteresse”. Desinteresse é bom, muito bom – mas tantas vezes participa do sentimento de sacrifício próprio ou glorificação de si mesmo – não é mesmo?

Nós todos já sofremos nas mãos de pessoas realmente boas que se tornaram tão agressivamente desinteressadas ou considerarmo-las tão “interessadamente desinteressadas”, boas pessoas que talvez ainda não se elevaram até o ponto onde possa esquecer-se de si mesmo nas suas boas ações.

Sejamos pacientes com elas; elas têm as melhores intenções e, não há dúvida, elas fazem um total considerável de benefícios. Todavia, se nós colocamos os nossos pés no “mais curto, mais seguro e mais agradável caminho que nos conduz a Deus” precisamos caminhar mais um pouco, mais alto e nos esforçar para se esquecer de nós mesmo totalmente no nosso servir.

Reconhecemos que a Oração, a oficiação dos Rituais dos Serviços Devocionais Rosacruzes e a prática dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes são todos extremamente valiosos, mas também reconhecemos que por si mesmos não são suficientes sem o “serviço amoroso esquecendo-se de si próprio”. E nunca esquecemos que por ser o “amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), ao irmão e à irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade, o caminho mais curto e mais seguro que nos conduz a Deus, contudo, ao mesmo tempo seja lembrado a nosso encorajamento também, que é o caminho “mais agradável” que nos leva diretamente à Deus.

Oxalá aprendamos segui-lo mais amorosamente, mais desinteressadamente e, sobretudo, mais alegremente! Afinal, o “único fracasso é deixar de tentar”.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – maio/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: In Memoriam A.H.H. é um longo poema escrito pelo poeta inglês Alfred Tennyson, terminado em 1849. Escrito ao longo de 17 anos, é considerado como um reflexo da sociedade vitoriana da época, discutindo muitos dos temas polêmicos da altura, que começavam então a ser questionados. Trata-se da obra em que Tennyson atinge o auge da musicalidade dos seus versos, e em que a sua experiência poética se completa, sendo considerada uma das grandes obras poéticas da Grã-Bretanha do século XIX.

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