Uma história oculta que nos mostra como ocorrem as relações provocadas pelo destino entre pessoas. Como as discórdias da vida realmente se resolveram na harmonia do grande contraponto da vida. Suas tristezas e angústias profundas vão sendo glorificadas, pois o amor – o amor verdadeiro, o amor superior e maior, o amor Crístico – glorifica todas as coisas.
Quer saber mais sobre o assunto? Leia aqui: Relações Provocadas pelo Destino entre Pessoas: É preciso uma tempestade ou uma crise
Quer ver o restante? Clique aqui: Relações Provocadas pelo Destino entre Pessoas – Por um Estudante – Fraternidade Rosacruz
É deveras gratificante avaliar como o trabalho desenvolvido pela Fraternidade Rosacruz vem rendendo “frutos” apreciáveis em todo o mundo! Nosso júbilo não se deve exclusivamente ao crescimento gradativo do número de Estudantes Rosacruzes. Há um fator mais importante, merecedor de maior destaque: são os resultados obtidos mediante a aplicação, no quotidiano, dos Ensinamentos Rosacruzes fielmente, como temos documentado nos livros da Fraternidade Rosacruz, particularmente os de autoria de Max Heindel e Augusta Foss Heindel.
Frequentemente ouvimos expressões de admiração e gratidão emitidas por Estudantes Rosacruzes. Fazem questão de realçar o papel importante que a Filosofia Rosacruz desempenhou e continua a desempenhar em suas vidas, por estimulá-los a uma reforma interior – base de todo e qualquer progresso. A descoberta do Cristianismo Esotérico, como preconizado pela Fraternidade Rosacruz.
Alguns relembram seu passado sofrido, suas dificuldades de relacionamento, quando no lar ou no trabalho viviam em constante atrito com as pessoas que os cercavam. Relatam as danosas consequências desse negativismo: inimizades, perda de valiosas oportunidades de ascensão profissional, lares quase desfeitos, frustrações. Com entusiasmo narram transformações operadas após o conhecimento da Fraternidade Rosacruz. Aprenderam a ser mais compreensivos em relação às falhas alheias. Tornaram-se mais vigilantes com as próprias.
Notaram como as coisas, ao seu redor, se modificaram. Aquele estado de franca “beligerância” ou de “paz armada”, para com os outros, converteu-se em entendimento. A vida assumiu um novo significado.
Outros Estudantes Rosacruzes frisam, e suas palavras deixam escapar o calor de uma sincera gratidão, a melhora de sua saúde como a suprema graça alcançada na Cura Rosacruz.
Recordam, às vezes com os olhos umedecidos, o quanto padeceram presos a doenças e enfermidades.
Depois de adotarem um regime alimentar mais natural – isento de carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins), bebidas alcoólicas e estimulantes – puderam realmente desfrutar de uma vida mais plena e feliz.
Inicialmente encontraram uma certa dificuldade para livrar-se dos maus hábitos. Não era para menos. Os hábitos perniciosos, se mantidos durante anos, criam raízes, tornam-se “de casa”, passam a integrar nossa própria natureza. Erradicá-los demanda tempo e muita perseverança.
Com o passar dos anos, porém, constataram a transformação para melhor. Hoje gozam de boa saúde e proclamam essa verdade.
Há aqueles que se sentiam profundamente infelizes com suas vidas: alguns reveses, principalmente financeiros, roubaram-lhes a autoconfiança. Tornaram-se inseguros, indecisos.
As oportunidades que lhes surgiam amedrontavam-nos ao invés de estimulá-los à ação.
Viam os colegas de trabalho como rivais oportunistas ou competidores. Os parentes, estes pareciam escarnecer de seus fracassos, levando-os a um desespero maior. Com o tempo deixaram-se prostrar num lamentável estado de apatia, desânimo e imobilismo. Eis que por intermédio de alguém, ou por algum outro meio, entraram em contato com a Fraternidade Rosacruz. Inscrevem-se, iniciando o trilhar do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, se capacitam por meio dos Cursos, estudam incansavelmente e começam a enxergar uma realidade até então desconhecida: somos uma célula integrante do macrocósmico Corpo de Deus.
Fomos dotados de todos os atributos divinos! Possuímos esses atributos divino em forma latente e por meio da peregrinação pelas várias etapas da evolução nos tornaremos onisciente. Somos herdeiros de todas as promessas celestiais. De forma alguma renascemos para ser obrigatoriamente infelizes, pobres coitados sujeitos aos caprichos do destino.
Pelo contrário. Nosso futuro é grandioso. Os sofrimentos atuais nada mais são do que os frutos da nossa ignorância, e uma gama de lições a serem aprendidas. Assim, o conhecimento das Leis de Deus e sua justa aplicação traduzida em pureza, amor e serviço nos ensejam, aqui e agora, mudar nossa vida para melhor.
Afinal: “o único pecado é a ignorância”.
E, como aprendemos na Filosofia Rosacruz: “o único fracasso é deixar de lutar”. E “a única salvação é o conhecimento aplicado”.
Dessa maneira, muitos se encontraram na Fraternidade Rosacruz.
Afirmam ter descoberto a “fórmula mágica” responsável pela benéfica transformação ocorrida em suas vidas. “Fórmula mágica”? Mas a Filosofia Rosacruz não é um conjunto de verdades antiquíssimas em novas roupagens?
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1976 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Em nosso formoso “Ritual do Serviço Devocional do Templo” repetimos essa alegação muito definida: “O serviço amoroso e desinteressado para com os outros é o caminho mais curto, mais seguro e mais agradável que conduz a Deus”.
Sim, ouvimos este ensinamento todas as vezes que oficiamos tal Ritual, frequentemente em nossos lares, gostando de pensar em nós como quem serve todos os dias.
Contudo, quantas vezes paramos para considerar o que também aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes: que não é somente o serviço que é necessitado? Estudamos em palavras que não deixam dúvidas: a qualidade especial do serviço que nos conduz adiante nesse Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
Consideremos os meios variáveis de serviço. Há o que poderíamos chamar de “serviço comercial” ou trabalho prestado com o propósito de colher uma vantagem correspondente. Tudo muito bem e valioso na sua maneira, mas, lamentavelmente, insuficiente na exigência espiritual.
Depois, há o serviço prestado não tanto para obter recompensa, porém, como um senso de dever ou necessidade, o cumprimento de uma obrigação àqueles que servíamos talvez. Ainda que isto seja muito estimável, não significando que diminui o mérito, contudo, ainda não preenche totalmente o requisito da exigência espiritual.
E, depois, aí há o mais elevado espécie de serviço, o “amoroso, desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), ao irmão e à irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade” exemplar, além do qual exige muita persistência, perseverança e disciplina para pode chegar a essa condição de desenvolvimento.
Repare, pois, o significado dos dois adjetivos. Primeiro, o mais elevado serviço, o “amoroso”. Na nossa ansiedade de servir, e talvez na nossa ansiedade de alcançar o nosso próprio desenvolvimento, tantas vezes passamos por cima do “amoroso” e, contudo, isso é a palavra-chave do nosso “Ritual do Serviço Devocional do Templo”.
Temos, às vezes, curiosidade, o que significa a palavra exatamente? A palavra “amor” é tão abusada que é difícil impedir que se torne confuso.
O conceito comum, como tendo algo que ver somente com o sexo, naturalmente não necessita consideração.
Outra opinião errada do amor, como algo impotente, débil e ingênuo se aproxima do inexato! Infelizmente está nesta conexão que tantas imagens tentando retratar o Mestre, Cristo Jesus, mostram-No como débil e ineficaz, ao passo que exatamente o contrário é o caso. Ele era forte e vigoroso (poderoso), sensível e benévolo, sim, mas estas últimas características são realmente sinônimas de poder e coragem. É por isso que quando designamos a palavra “amor” nos Ensinamentos Rosacruzes, fixamos no adjetivo que reforça o real significado dessa palavra: o amor Crístico!
O poeta Tennyson, no “In Memoriam”[1] demonstra isso claramente na seguinte parte:
Amor imortal
A quem nós, que não cheguemos a ver Sua Face
Pela fé e unicamente pela fé, concebemos.
Crendo aonde não podemos provar”.
Sim, o amor Crístico é o cume de poder benévolo. Se nos detemos a considerar, acharemos que mesmo nos mecanismos que dizemos brandura segue de mãos dadas com força. Pense na onda de poder num motor de alta potência, tão macio, tão silencioso, todavia, tão irresistível.
Nós, que desejamos nos expressar apropriadamente, esquecemos às vezes isto, dando assim, a impressão de afirmação própria, quando estamos meramente tentando expressar o poder do amor Crístico?
Talvez a palavra melhor que podemos usar é “compaixão”, nas ocasiões quando Cristo Jesus se dedicou para curar os doentes ou enfermos e os sofredores, quando Ele derramou o poder do Seu amor, Ele “tinha compaixão deles” (ou seja: Ele sentia a união entre o sentimento de empatia pela dor do outro e a vontade ativa de ajudar a diminuir esse sofrimento).
E depois esta outra palavra: abnegação. E aqui queremos dizer: a renúncia voluntária e completa dos nossos próprios interesses, desejos ou nossas vontades em favor de outra pessoa. É o oposto exato do egoísmo, pois representa uma forma profunda de altruísmo e desprendimento pessoal.
Não, não é fácil esquecer-se completamente de si mesmo (que é a prática da abnegação). Gostamo-nos de se sentir virtuosos, tirar pouco mérito pelo que fazemos.
Bem, podemos de bom grado entendê-lo, desde que nós somos ainda humanos. Mas, precisamos eventualmente elevar-nos acima mesmo disso até o ponto aonde o nosso serviço é prestado, sem pensarmos conscientemente em nós, sem mesmo o sentimento que estamos fazendo “algo bom”.
Quando vimos que tem algo que ser feito, fazemo-lo! É quase uma tragédia que o esquecimento próprio é confundível tão frequentemente com “desinteresse”. Desinteresse é bom, muito bom – mas tantas vezes participa do sentimento de sacrifício próprio ou glorificação de si mesmo – não é mesmo?
Nós todos já sofremos nas mãos de pessoas realmente boas que se tornaram tão agressivamente desinteressadas ou considerarmo-las tão “interessadamente desinteressadas”, boas pessoas que talvez ainda não se elevaram até o ponto onde possa esquecer-se de si mesmo nas suas boas ações.
Sejamos pacientes com elas; elas têm as melhores intenções e, não há dúvida, elas fazem um total considerável de benefícios. Todavia, se nós colocamos os nossos pés no “mais curto, mais seguro e mais agradável caminho que nos conduz a Deus” precisamos caminhar mais um pouco, mais alto e nos esforçar para se esquecer de nós mesmo totalmente no nosso servir.
Reconhecemos que a Oração, a oficiação dos Rituais dos Serviços Devocionais Rosacruzes e a prática dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes são todos extremamente valiosos, mas também reconhecemos que por si mesmos não são suficientes sem o “serviço amoroso esquecendo-se de si próprio”. E nunca esquecemos que por ser o “amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), ao irmão e à irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade, o caminho mais curto e mais seguro que nos conduz a Deus, contudo, ao mesmo tempo seja lembrado a nosso encorajamento também, que é o caminho “mais agradável” que nos leva diretamente à Deus.
Oxalá aprendamos segui-lo mais amorosamente, mais desinteressadamente e, sobretudo, mais alegremente! Afinal, o “único fracasso é deixar de tentar”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – maio/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: In Memoriam A.H.H. é um longo poema escrito pelo poeta inglês Alfred Tennyson, terminado em 1849. Escrito ao longo de 17 anos, é considerado como um reflexo da sociedade vitoriana da época, discutindo muitos dos temas polêmicos da altura, que começavam então a ser questionados. Trata-se da obra em que Tennyson atinge o auge da musicalidade dos seus versos, e em que a sua experiência poética se completa, sendo considerada uma das grandes obras poéticas da Grã-Bretanha do século XIX.
Sabemos que há vários recursos que a Fraternidade Rosacruz utiliza para promover os Ensinamentos Rosacruzes, a fim de que o Aspirante à vida superior que está buscando tais Ensinamentos consiga encontrá-lo na forma de maior fidelidade possível, conforme fornecido pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.
Desde que a Fraternidade Rosacruz foi fundada aqui na Região Química do Mundo Físico a quantidade de Estudantes Rosacruzes ativos já passou para além de alguns milhões no mundo; são irmãos e irmãs que aderiram aos Ensinamentos Rosacruzes e estão trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
O crescimento atual da Fraternidade Rosacruz é normal e constante; além disso, a condição de Estudante Rosacruz ativo não é algo meramente formal, obtido mediante algum pagamento em espécie financeira, mas sim algo que envolve pessoas que se dedicam de coração à Obra Rosacruz — caso contrário, não conseguem permanecer como Estudantes Rosacruzes ativos; viram simpatizantes, por livre e espontânea vontade!
Como a Fraternidade Rosacruz é uma Escola aquariana há, naturalmente, dificuldades de muitas pessoas em se manterem firmes no Caminho. Muitas porque ainda estão acostumadas ao modo da Era de Peixes de se aprender em uma Escola! Assim, solicitam a filiação e permaneceram na Fraternidade Rosacruz por algum tempo, mas que, ao perceberem a necessidade de estudar, trabalhar, persistir, ter disciplina, ter Cristo como o único Ideal de vida e aplicar no dia a dia os Ensinamentos Rosacruzes desistem de trilhar o Caminho. Isso nada mais é do que a compreensão da veracidade da máxima Cristã: “muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”. A proporção de “grãos do Evangelho” que caem à beira do caminho é muito grande, pois multidões de pessoas, embora prontas para se entreter com o “oculto”, os “mistérios”, os “poderes”, a “fama”, ainda não estão preparadas para “tomar a Cruz e seguir o Cristo” no caminho da realização espiritual por meio do Cristianismo Esotérico, como preconiza a Fraternidade Rosacruz. Existem organizações, escolas, associações e outras denominações em nossa própria linha de atuação – ocultismo e misticismo – que possuem listas de membros imensas, compostas por qualquer pessoa que consigam aliciar para suas fileiras — vítimas relutantes que pagam uma “taxa” (seja lá como se denomine, mas sempre é financeira) apenas por ser a saída mais fácil, mas não fornece o Cristianismo Esotérico e nem há algum Irmão Maior da Ordem Rosacruz fornecendo tais ensinamentos!
A filiação à Fraternidade Rosacruz difere — e muito — nesse aspecto: aqueles que se associam não conseguem permanecer se não viverem a vida Cristã Esotérica, em certa medida. Nenhum ser humano atua como juiz para determinar se isso ocorre ou não; o veredito se baseia na própria negligência do Estudante.
A Fraternidade Rosacruz pratica fielmente a máxima Cristã: “dar de graça o que de graça recebeu”. Se há cobrança pelos livros editados em papel, essa quantia é a exata para cobrir os custos de publicação e envio.
Ao Estudante Rosacruz ativo, em qualquer lugar do mundo em que esteja, sempre deve “escutar” a voz de Cristo que ressoa no coração dele: “Filho, não busco a tua dádiva, mas a ti mesmo”, e o Estudante Rosacruz ativo deve sempre responder: “Senhor, estou pronto para fazer o que o Senhor quiser — não por uma semana, não por um mês, não por um ano, mas por toda a minha vida”.
(Por Max Heindel – Publicado no Echoes from Mount Ecclesia de 10 de janeiro de 1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Estudando a História, podemos conhecer que na antiga Grécia, a Religião, a Arte e a Ciência eram ensinadas conjuntamente. Mas, aprendemos na Fraternidade Rosacruz as razões pelas quais se tornou necessário, para melhor desenvolvimento de cada uma delas, que fossem separadas durante algum tempo.
A Religião reinou suprema na chamada “idade negra” – a Idade Média. Durante esse tempo a Religião escravizou a Arte e a Ciência, atando-as de pés e mãos.
Mas depois, veio o período do Renascimento, e a Arte logo se prostituiu a serviço da Religião. Finalmente veio a Ciência moderna e com uma gestão extremamente rígida, opressora e inflexível subjugou a Religião.
Foi justamente na Idade Média, em detrimento do mundo que a Ciência ficou escravizada pela Religião. Nesse período, a ignorância e a superstição causaram males sem contas; apesar disso, abrigávamos doces ideais espirituais, e tínhamos esperança numa vida melhor e mais elevada.
Porém, comparativamente, é muito mais desastroso que a Ciência esteja sufocando a Religião, porque até a esperança corre o risco de se evaporar, diante do materialismo e o agnosticismo.
Tal estado de coisas não pode continuar. É inevitável a reação, pois do contrário a desordem dominaria no Cosmos. Para evitar essa calamidade, é indispensável que sejam novamente unidas a Religião, a Ciência e a Arte, em uma expressão mais elevada do Bom, do Verdadeiro e do Belo, do que anteriormente tinham.
Os acontecimentos futuros projetam sua sombra para frente, mostrando as consequências. Assim, quando as Hierarquias Criadoras, que são responsáveis pelo andamento desse Esquema de Evolução, perceberam certa tendência para o ultra materialismo que surgiria no Mundo ocidental, tomaram certas medidas para neutralizar e transmutá-lo ao devido tempo.
Elas não procuram, como pode fazer supor, matar a Ciência que ora floresce, do modo como esta procurou matar a Religião. Elas sabem que o Bem resultará no fim de tudo isso, quando então uma Ciência avançada se haja convertido de novo em harmoniosa colaboradora da Religião.
Uma Religião espiritual não pode, indubitavelmente, colaborar com uma Ciência materialista, do mesmo modo como a água não se mistura com azeite. Assim, oportunas medidas são tomadas para se espiritualizar a Ciência e tornar científica a Religião.
No século XIII, um ser humano muito elevado espiritualmente, que tem por nome simbólico de Christian Rosenkreuz, apareceu na Europa e iniciou sua obra, fundando a misteriosa Ordem dos Rosacruzes, a fim de lançar luz sobre a mal-entendida Religião Cristã, e para explicar o mistério da vida e do Ser, sob um ponto de vista da Ciência, em harmonia com a Religião.
Nas passadas centúrias, os Rosacruzes vinham trabalhando secretamente, mas, ao princípio do século XX, chegou finalmente a hora de levar a público um ensinamento definido, lógico e consequente, a respeito da nossa origem, evolução e nosso desenvolvimento futuro e, também, o do mundo, conciliando os aspectos científico e espiritual. Ou seja: trazer os Ensinamentos Rosacruzes para a Região Química do Mundo Físico, trazendo o Cristianismo Rosacruz. E isso foi executado com a fundação da Fraternidade Rosacruz.
Todo o Ensinamento Rosacruz está apoiado, fundamentado e baseado na razão e na lógica. Se estudarmos afincamente, com disciplina e persistentemente os Ensinamentos Rosacruzes aprendemos que eles satisfazem a nossa Mente, fornecendo claras explicações a ela e possuem respostas para todas as nossas perguntas.
Expõem uma solução razoável para todos os mistérios, mas, e este é um “mas” muito importante: o Cristianismo Rosacruz não considera a compreensão intelectual de Deus como um fim em si mesmo.
Longe disto; quanto maior o intelecto, tanto maior existe o perigo de que fracasse. Em consequência, os Ensinamentos Rosacruzes são fornecidos, de modo científico, unicamente para que possamos crer e comecemos a viver uma vida religiosa, no sentido literal, ou seja o de religar (re-ligare), isto é, ligar de novo nós a nossa essência espiritual eterna.
Só assim, identificados por esse elo comum, poderemos formar a futura e verdadeira Fraternidade.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro de 1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Há muitos anos os ensinamentos dos Irmãos Maiores foram publicados, pela primeira vez, no livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz. Desde então, nossa literatura ampliou-se bastante. Parece-nos oportuno fazer um levantamento do nosso trabalho para avaliar como estamos empregando os talentos a nós confiados.
Em primeiro lugar, devemos averiguar a razão de ingressarmos na Fraternidade Rosacruz. A principal razão baseia-se na insatisfação. Não encontrávamos as respostas adequadas para nossas perguntas sobre os enigmas fundamentais da vida e da morte em outras instituições.
Todos procuram a luz, mas alguns agem como ilustra uma parábola bíblica. Narra-se a história de um homem que vendo uma pérola de grande valor vendeu todas as posses para comprar a joia. A pérola simboliza o conhecimento do Reino dos Céus[1]. Em outras palavras, alguns dentre nós estão tão determinados a encontrar a luz, e ficam tão radiantes quando a encontram, que dedicam toda a vida, pensamentos e disposição a essa tarefa.
A rede de compromissos assumidos impossibilita a maioria de gozar deste grande privilégio. No entanto, estamos imersos numa teia de relações: se recebemos ajuda somos obrigados, pela lei da compensação, a dar algo em reciprocidade. Intercâmbio e circulação preenchem todos os espaços e promovem a vida. A estagnação conduz à morte.
Não é possível ingerir alimento físico e retê-lo no organismo. O processo de eliminação é fundamental para manter o equilíbrio e a saúde afastando a doença e a morte. Da mesma maneira, não podemos impunemente nos fartar com uma alimentação mental. Devemos compartilhar nosso tesouro com os outros e empregar os conhecimentos adquiridos nas obras do mundo. Caso contrário, corremos o risco de estagnação no pântano da especulação metafísica.
Nos anos que se seguiram desde a publicação do livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz, os Estudantes dispuseram de bastante tempo para conhecer e praticar seus ensinamentos. Não há expediente para desculpas, alegando ignorância ou falta de tempo para compenetrar-se no estudo. Não podem usar como pretexto insuficiência ou incapacidade pessoal para divulgar seu conteúdo.
Mesmo aqueles que têm pouco tempo disponível para estudar, devido aos deveres desempenhados no mundo, deveriam estar agora suficientemente posicionados “para dar um sentido à sua fé”[2], como S. Paulo nos exortou a fazê-lo. Mesmo que não consigamos mostrar a luz a todos que solicitam, devemos praticá-la na intimidade, em gratidão aos Irmãos Maiores e de maneira impessoal a toda Humanidade. O desenvolvimento de nossa própria alma depende do grau de participação e empenho no fortalecimento do movimento ao qual estamos ligados. Portanto, é conveniente que compreendamos detalhadamente qual a missão da Fraternidade Rosacruz.
Isto está inteira e claramente elucidado no capítulo introdutório do livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz. Em resumo, sua missão concentra-se em proporcionar uma explicação sobre as questões da vida capaz de contemplar tanto as necessidades da Mente como do Coração. Com a finalidade de remover as confusões inerentes a duas classes de pessoas: os eclesiásticos e os cientistas. Ambos seguem tateando nas trevas pela carência de um conhecimento unificador e podem ser muito beneficiados com nossa literatura.
Designamos eclesiásticos todos os que são guiados por uma sincera devoção ou bondade natural, pertençam ou não a alguma igreja. No âmbito dos cientistas incluímos os que encaram a vida de um ponto de vista puramente mental, sejam atuantes ou não no campo da ciência.
É propósito e objetivo do livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz ampliar o campo de ação espiritual de um número sempre crescente dessas duas classes que pressentem, com maior ou menor clareza, a falta de algo de grande importância em sua concepção da existência.
Devemos lembrar o episódio do Rei Davi. Quando desejou construir um templo a Deus foi-lhe negado esse privilégio[3]. Isso por ter empunhado armas como guerreiro de sua tribo. Sempre houve organizações a combater outras organizações. Apontando erros e buscando meios de destruir as rivais, guerreando tanto quanto Davi o fez outrora. Com essa atitude, não se conquista a permissão para construir o templo que é feito de pedras vivas de homens e mulheres. Esse templo ao qual o personagem Manson se refere com tão belas palavras no livro “O Servo da Casa” (The Servant in the House)[4].
Portanto, quando tentamos divulgar as verdades dos Ensinamentos Rosacruzes, devemos sempre ter em mente que não podemos impunemente depreciar a Religião de quaisquer outros nem os antagonizar. Não é nossa missão lutar contra seus erros. Eles infalivelmente manifestar-se-ão no devido tempo.
Quando Davi morreu Salomão reinou em seu lugar. Este teve uma visão de Deus em sonho e Lhe pediu sabedoria! Foi-lhe dada oportunidade de pedir o que bem quisesse, e Salomão pediu sabedoria para guiar seu povo. Na verdade, foi esta a resposta recebida:
“Porque em teu coração pediste sabedoria, porque não pediste riquezas ou vida longa ou vitória sobre os teus inimigos ou qualquer coisa semelhante, mas pediste sabedoria, ser-te-á concedida essa sabedoria e muito mais do que isso.”[5].
Portanto, devemos seguir o exemplo de Salomão e orar sinceramente por sabedoria. Mas, é importante dispor de critérios para reconhecê-la. Portanto convém comentar o que é a verdadeira sabedoria.
Diz-se, e é verdade, que saber é poder. Saber, embora não seja nem o bem nem o mal em si mesmo, pode ser usado tanto para um como para o outro fim. O gênio apenas mostra a propensão para o saber, mas o gênio pode também ser bom ou mau. Falamos de um gênio militar, dotado de maravilhoso conhecimento sobre táticas de guerra. Tal homem, porém, não pode ser verdadeiramente bom, pois está destinado a ser impiedoso e destrutivo ao manifestar sua genialidade.
Um guerreiro, seja ele Napoleão ou um simples soldado, nunca poderá ser sábio, porque deliberadamente deve esmagar todos os bons sentimentos. Vale lembrar-se do coração como símbolo dos mais nobres sentimentos. Um governante sábio tem um grande coração, assim como tem uma inteligência superior. Tem o coração e o intelecto em harmonioso equilíbrio para promover o desenvolvimento de seu povo.
Mesmo o mais profundo conhecimento sobre assuntos Religiosos ou ocultos não é sabedoria, como nos ensina São Paulo no seu magnífico 13º Capítulo da Primeira Epístola S. Paulo aos Coríntios: “Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, se não tiver amor, nada serei”.
Somente quando o conhecimento se mesclar com o amor poderá realmente se converter em sabedoria. Amor-Sabedoria é a expressão do princípio Crístico, o segundo aspecto da Divindade Trina.
Deveríamos ser muito cautelosos para compreender e discernir corretamente. Só assim podemos eleger caminhos vantajosos para alcançar um determinado objetivo e evitar ciladas que causam atrasos e angústia. Podemos optar por um caminho de sofrimento no presente visando futuras realizações, mas não é necessariamente sinônimo de sabedoria. Conhecimento, prudência, discrição e discriminação são próprios da Mente. Em si mesmo, todos são tentações do mal. Cristo na Oração do Senhor nos ensinou a pedir: “Livrai-nos do mal”. As faculdades inatas da Mente devem ser temperadas com a qualidade inata do coração, o amor. Dessa mescla resulta a sabedoria.
Se lermos o 13º Capítulo da Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios[6], substituindo a palavra caridade ou amor pela palavra sabedoria, entenderemos o significado dessa grande qualidade e a desejaremos ardentemente.
Portanto, é missão da Fraternidade Rosacruz divulgar uma doutrina capaz de unir o intelecto com o coração. Esta é a única verdadeira sabedoria. Nenhum ensinamento genuinamente sábio pode prescindir de um destes elementos. Do mesmo modo, não podemos fazer soar um acorde musical com apenas uma corda. Assim como a natureza humana é complexa, também os ensinamentos que contribuem para esclarecer, purificar e elevar esta mesma natureza devem ter aspectos múltiplos. Cristo seguiu este princípio quando nos legou aquela prece magnífica que, em suas sete estrofes, atinge a nota-chave de cada um dos sete veículos do ser humano e os agrupa nesse magistral acorde de perfeição mais conhecido e popularizado como Oração do Senhor (Pai-Nosso).
Mas, como transmitiremos ao mundo essa maravilhosa doutrina que recebemos de nossos Irmãos Maiores? A resposta a esta pergunta é: Agora e sempre vivendo a vida.
Diz-se, para o eterno mérito de Maomé, que sua esposa foi sua primeira discípula. Com toda certeza não foram apenas seus ensinamentos, mas a vida que vivia no lar, dia a dia, ano após ano, que conquistou a confiança de sua companheira, de tal modo que ela não hesitou em depositar em suas mãos seu destino espiritual.
É relativamente fácil permanecer diante de estranhos que desconhecem nossas mazelas e para quem nossos defeitos não são visíveis, e pregar por uma ou duas horas cada semana. Mas é muito diferente pregar vinte e quatro horas por dia dentro do lar, como Maomé deve ter feito vivendo a vida.
Para obtermos o mesmo êxito de Maomé devemos principiar pelo exemplo na própria casa. Demonstrar aos irmãos mais próximos, no exercício do cotidiano, os ensinamentos que norteiam nossa existência. Isso é realmente sabedoria. Diz-se que a caridade começa em casa. Esta é a palavra que deveria ser traduzida por “amor” no 13º Capítulo da Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios. Mude isto também para sabedoria e leia: a disseminação da sabedoria começa em casa. Que seja este o nosso lema através dos anos.
Vivendo a vida em nosso lar, promoveremos nosso ideal, de forma mais eficaz do que por qualquer outro método. Muitas pessoas céticas se converteram à Fraternidade Rosacruz através da conduta de seus maridos, esposas ou familiares. Possam os demais segui-los.
(Dropes do Livro Ensinamentos de um Iniciado publicado na Revista Serviço Rosacruz de Junho/1965 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: O Reino dos Céus é ainda semelhante a um negociante que anda em busca de pérolas finas. Ao achar uma pérola de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra. (Mt 13:45-46)
[2] N.R.: Hb 11:1 e IICor 5:7
[3] N.R.: — 2Davi mandou reunir os estrangeiros que se achavam na terra de Israel, e depois designou talhadores para trabalharem as pedras para a construção da casa de Deus. 3Davi arranjou também muito ferro para os cravos dos batentes das portas e para os ganchos, bem como uma quantidade incalculável de bronze 4e troncos de cedro sem conta, pois os sidônios e os tírios tinham enviado a Davi troncos de cedro em abundância. 5Depois Davi disse: “Meu filho Salomão é jovem e franzino; e esta casa que ele deve construir para Iahweh deve ser magnífica, deve ter renome e glória em todas as terras. Farei para ele os preparativos”. Assim Davi, antes de morrer, fez grandes preparativos; 6em seguida chamou seu filho Salomão e ordenou-lhe que construísse uma casa para Iahweh, o Deus de Israel. 7Davi disse a Salomão: “Meu filho, estava nos meus planos construir uma casa para o nome de Iahweh meu Deus. 8Mas a palavra de Iahweh me foi dirigida: ‘Tu derramaste muito sangue e travaste grandes batalhas; tu não construirás uma casa ao meu nome, pois derramaste muito sangue sobre a terra, diante de mim. 9Eis que te nasceu um filho; ele será um homem de paz e dar-lhe-ei a paz com todos os seus inimigos ao redor, pois Salomão será o seu nome e é em seus dias que darei a Israel paz e tranquilidade. 10Ele construirá uma casa a meu nome; será para mim um filho e eu serei para ele um pai; firmarei para sempre o trono de sua realeza sobre Israel.’ 11Ó meu filho, que Iahweh esteja contigo agora e te faça concluir com êxito a construção da casa de Iahweh teu Deus, como ele o disse a teu respeito. 12Que ele te dê, no entanto, perspicácia e discernimento, que ele te dê suas ordens sobre Israel para que observes a Lei de Iahweh teu Deus! 13Só prosperarás se observares e puseres em prática os estatutos e as normas que Iahweh prescreveu a Moisés para Israel. Sê forte e corajoso! Não temas, nem te amedrontes! 14Eis que, mesmo sendo pobre, pude reservar para a casa de Iahweh cem mil talentos de ouro, um milhão de talentos de prata, e uma quantidade de bronze e de ferro que não se pode avaliar. Preparei também madeira e pedras e tu ainda acrescentarás mais. 15Haverá a teu dispor uma multidão de operários: talhadores, escultores, carpinteiros, toda espécie de artesãos de todos os ofícios. 16Quanto ao ouro, à prata, ao bronze e ao ferro, existem em quantidade incalculável. Avante! Mãos à obra e que Iahweh esteja contigo”. 17Davi ordenou então a todos os oficiais de Israel que ajudassem seu filho Salomão: 18 “Iahweh, vosso Deus, não está convosco? Pois ele vos deu o descanso por toda parte, já que entregou nas minhas mãos os habitantes da terra e a terra foi submetida a Iahweh e a seu povo. 19Agora, aplicai vosso coração e vossa alma na procura de Iahweh, vosso Deus. Ide, construí o santuário de Iahweh vosso Deus, a fim de conduzirmos para esta casa construída em nome de Iahweh a Arca da Aliança de Iahweh e os objetos sagrados de Deus”. (1Cro 22)
[4] N.R.: de Charles Rann Kennedy (1871-1950): foi um escritor anglo-americano
[5] N.R.: 2Cr 1:11-12
[6] N.T.: 1Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos Anjos, se eu não tivesse o amor, seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine.2Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse o amor, eu nada seria. 3Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse o amor, isso nada me adiantaria. 4O amor é paciente, o amor é prestativo, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. 5Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. 6Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. 7Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8O amor jamais passará. Quanto às profecias, desaparecerão. Quanto às línguas, cessarão. Quanto à ciência, também desaparecerá.9Pois o nosso conhecimento é limitado, e limitada é a nossa profecia. 10Mas, quando vier a perfeição, o que é limitado desaparecerá. 11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei homem, fiz desaparecer o que era próprio da criança. 12Agora vemos em espelho e de maneira confusa, mas, depois, veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas, depois, conhecerei como sou conhecido. 13Agora, portanto, permanecem fé, esperança, amor, estas três coisas. A maior delas, porém, é o amor.
No Caminho da Espiritualidade os Ensinamentos Rosacruzes são como um farol, uma luz que ilumina os nossos passos, dando-nos segurança, firmeza e coragem para enfrentar as tentações que nos impedem de se desenvolver espiritualmente fornecidas pelo Mundo material em que nascemos e vivemos aqui.
Porém ao iniciar esse caminho é fundamental que o Estudante Rosacruz atenda ao chamado bíblico: “transformar o ‘velho homem’ em um ‘novo homem’”. O que representa essa transformação? Deixar de lado todos os hábitos mesquinhos, egoístas, ambiciosos, corrigir todos os grandes e pequenos defeitos de nossa Personalidade e cultivar sentimentos de bondade, tolerância e uma permanente disposição de servir amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) o irmão e a irmã ao nosso lado, focando esse serviço na Divina Essência oculta em cada um de nós (que é a base da Fraternidade).
Enfim, aprender a cultivar a autoanálise e o domínio próprio, interrogando a própria consciência. Tudo nessa vida é transitório, e só um caráter íntegro, uma consciência tranquila e um coração cheio de amor são a verdadeira felicidade.
Sem essa transformação, sem este cultivo maravilhoso do amor Crístico, os mais profundos conhecimentos filosóficos perdem o valor essencial da objetividade.
O grande chamado que, pessoalmente, sentimos para trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz foi precisamente esse objetivo na simples e profunda pergunta de Max Heindel: “de que servirá uma filosofia que não nos torne melhores homens e mulheres?”.
É de valor básico que nos tornemos melhores seres humanos, para bem assimilar e difundir fundamentalmente pelo exemplo de nossas vidas, os valiosos Ensinamentos Rosacruzes.
Não se iludam os Estudantes Rosacruzes pensando que se aprofundando no estudo da Filosofia Rosacruz, sem que ao mesmo tempo reformem seus sentimentos, emoções, desejos e hábitos negativos, alcancem aquela firmeza, segurança e coragem de pessoa iluminada pela luz dos Ensinamentos Rosacruzes — esse farol de valor inestimável.
Sem isso, de pouco ou nada lhes servirão os melhores conhecimentos filosóficos, nas primeiras provas que a vida lhes traga. Ao contrário, com esse cultivo do bem e do amor Crístico alicerçados nos Ensinamentos Rosacruzes prova alguma os abaterá.
Cultivemos em nós a sinceridade, a humildade, a bondade e o desejo de que nossas vidas sejam vidas úteis no meio em que vivamos. Como bem colocar Max Heindel: “O único remédio para os males do mundo são o amor e a compaixão”.
Ajudemos a melhorar os “males do mundo” melhorando a nós próprios, aprendendo a amar e a dar graças a Deus pelo Caminho encontrado.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Ninguém pode se sentir feliz vivendo somente para si. Quem assim encaminha sua existência mal pode prever os desditosos resultados de tão triste semeadura. Não nos espanta saber que a sociedade moderna é um imenso agrupamento de pessoas acometidas de diversas formas de neurose. A neurose é uma doença; é um mal provocado por uma vivência centrada no egoísmo. O neurótico, além de egoísta, tende a ser egocêntrico (eu+centro). Isto é, a se colocar no centro de todas as coisas, como se fosse a pessoa mais importante do mundo. Isso, obviamente, gera conflitos e lhe traz sérios aborrecimentos. O indivíduo acaba por se sentir isolado, solitário, incompreendido. Na verdade, ele se tornou incapaz de praticar o amor Crístico.
Os três grandes males ou pecados da nossa época: o egoísmo, a impaciência ante as restrições e o orgulho intelectual nada mais são que expressões neuróticas. A vida moderna, se a pessoa não orar e vigiar, tende a atirá-la na turbulenta correnteza da competição e do hedonismo. São muitas as ciladas e sutis suas aparências. Para quem se deixou envolver pelos condicionamentos sociais, ou se há muito se acomodou ao ritmo e embalo da nossa colorida civilização, tudo isso parece normal. A anomalia consiste em não agir conforme esses parâmetros.
Como proceder, então, diante desse quadro pouco edificante?
Os Ensinamentos Rosacruzes preconizam uma vivência equilibrada: “Viver no mundo, mas não ser do mundo.” (Jo 17:15-16), é uma boa filosofia de vida. O Estudante Rosacruz entende que não deve se isolar só porque as condições do meio onde vive são incompatíveis com seus princípios. Alienar-se é um erro grave. A reparação deverá ser feita no devido tempo. Fugir às responsabilidades é passar ao longo de experiências valiosíssimas. Evitar pessoas incapazes de falar a sua linguagem espiritual ou impotente para se libertar de uma mentalidade materialista não lhe trará benefício algum. Saber se relacionar sem perder sua identidade ou autenticidade é um indício de crescimento espiritual.
Ao Estudante Rosacruz cabe cultivar algumas habilidades. Deve ser flexível e tolerante para com os defeitos alheios, mas vigilante para consigo mesmo. Em suma, é bom aceitar as pessoas como elas são, sem, entretanto, se deixar abalar em suas convicções.
No convívio espiritual cabe-lhe fazer valer suas qualidades e competência isento, porém, de qualquer intenção de competir. Sem pretensões descabidas, trabalha honestamente, confiando na justiça de Deus (não na “justiça dos homens”) que fornece a cada um segundo seu merecimento. Se a ascensão profissional sobrevier como fruto de seus esforços, saberá entendê-la como um meio de fazer o bem e não um fim em si mesmo. Infelizmente as pessoas, em sua maioria, subverteram o sentido das coisas.
O Estudante Rosacruz se esforça por ser um exemplo no meio em que vive. Cuida, entretanto, de que isso não o torne vaidoso. À medida que avança no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz as armadilhas se revestem de sutilezas; as falhas de caráter assumem ares de virtude, e o tombo acaba por se tornar perigosíssimo.
O Estudante Rosacruz está sempre atento em viver no Mundo material, mas cultiva seu mundo interior, tendo sempre presente que o “Reino de Deus está dentro de si mesmo.” (Lc 17:21) governa todos os seus passos. Por falar em passos, ele evita viver apressadamente, como aqueles que correm desesperadamente atrás de algo que nem sabem definir o que seja. Trabalha para viver e não para morrer. A serenidade nunca está com pressa, jamais é impaciente e com falta de tempo. Segundo Goethe, “a felicidade não é um prazer transitório, mas a longevidade de um poder secreto”.
Se o mundo adora a sofisticação, o Estudante Rosacruz ruma em sentido contrário: prefere a simplicidade. É mister redescobrir a simplicidade – simplicidade no viver, simplicidade nas atitudes com relação ao mundo e a outras pessoas. Os prazeres simples trazem mais duradouros benefícios. As simples qualidades Cristãs de amor e bondade, embora nem sempre apreciadas em nossa avançada sociedade tecnológica, são ainda as melhores fontes de felicidade.
Tudo isso é muito importante, mas a suprema meta do Estudante Rosacruz é a consagração de sua vida a servir a Humanidade. Os elevados e compassivos seres, que regem nossa evolução, dentre os quais se destacam os Irmãos Maiores, necessitam, em sua missão benfeitora de obreiros, de Auxiliares Visíveis conscientes aqui na Região Química do Mundo Físico. Quanto mais o Estudante Rosacruz se conscientiza do alcance dessa necessidade, mais disposto estará a servir. Compreende que é um privilégio participar desse plano de redenção, mormente dedicando seus esforços a Obra Rosacruz. Os Irmãos Maiores se regozijam quando o Aspirante à vida superior, superando as limitações do egoísmo, expressa o Amor Crístico, cultivando um sentimento impessoal e universal de solidariedade.
O Estudante Rosacruz, assim, terá dado o primeiro passo ao assumir a condição de Auxiliar Visível e, posteriormente, Auxiliar Invisível inconsciente. Com o decorrer do tempo as faculdades internas dele florescerão a níveis sequer imagináveis, ensejando-lhe se converter em um Auxiliar Invisível consciente. Terá, então, o passo além do véu.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho de 1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Segundo um velho ditado, “só árvore que dá frutos é que leva pedrada”. Isso nos faz lembrar o Estudante Rosacruz ativo, cuja aspiração a ideais superiores coloca-o em posição singular junto aos que vivem ao seu redor.
E não poderia ser de outra maneira! Seu esforço em viver a vida conforme com as Leis de Deus produz frutos a seu devido tempo. Sua conduta difere da pessoa que não vivencia a espiritualidade Cristã esotérica na vida aqui, porque a aquisição de conhecimentos implica numa séria responsabilidade em vivenciar tais Ensinamentos Rosacruzes. Não se exige que o Estudante Rosacruz ativo se converta num santarrão fanatizado; aliás figura, às vezes, antipática e, às vezes, motivo até de zombaria. Não, não é assim. Tudo deve obedecer a um processo natural, cujo cerne é uma transformação gradativa do íntimo do Estudante Rosacruz. Não deve, por isso, o Estudante Rosacruz ativo fugir do convívio social, já que o relacionamento pessoal é uma valiosa fonte de experiências. No relacionamento pessoal diário o Estudante Rosacruz ativo encontra meios de testar seu progresso teórico, além de oportunidades para ajudar seus semelhantes.
Mas, nesse convívio diário, o Estudante Rosacruz ativo deve se manter coerente com os princípios e valores que, consciente ou voluntariamente adotou. Se exigida sua presença num evento social, não lhe cabe se omitir. Nada, entretanto, o obrigará a se comportar mundanamente. Não lhe é necessário ingerir bebidas alcoólicas, nem saborear alimentos cárneos. Nada pode compeli-lo a fumar, muito menos a manter conversações frívolas ou maliciosas. Deve, isso sim, marcar sua presença positivamente por meio de diálogos edificantes, alegres – mas não ruidosos – estimulando sempre o bem, toda vez que necessário.
De uma coisa pode estar certo o Estudante Rosacruz ativo: com o decorrer do tempo ele passará a ser mais e mais observado. Sua vida será examinada constantemente. Seu posicionamento filosófico-espiritualista poderá ser veementemente questionado, quando sua conduta se mostrar incoerente com suas ideias. Aquelas pessoas que não vivenciam a espiritualidade Cristã esotérica na vida aqui, incapazes de um esforço maior de autorregenerarão, não perdoam a vivência de um Estudante Rosacruz ativo, porque ela ressalta demais suas falhas de caráter. E se convivem no lar, no trabalho ou em outro setor qualquer da comunidade, o contraste entre os dois estilos de vida envergonha e irrita a pessoa que não vivencia a espiritualidade Cristã esotérica na vida aqui. Daí estar sempre pronta a agredir ou caluniar quem optou pelo desenvolvimento espiritual esotérico nessa vida aqui.
O Estudante Rosacruz ativo, na vontade de servir e colaborar na elevação do próximo, estará sempre propenso a divulgar os Ensinamentos Rosacruzes que abraçou. E o fará sempre com a melhor das intenções. Seguramente prestará uma valiosa ajuda à Humanidade. Acautele-se, porém. Cuide de que sua vida seja um exemplo prático de suas ideias, porque, se resvalar, não faltará quem lhe atire pedras.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que não se nos julga pela Filosofia que difundimos, mas sim pela vida que levamos. Observa-se o tratamento que dispensamos ao nosso conjugue, filhos, vizinhos, parentes, nossa conduta nos negócios, nossa conversação, seja ela de natureza espiritual, divertida ou frívola. Atenta-se para nossas companhias, para o ambiente que frequentamos, para o bem que fizemos ou deixamos de fazer.
Nossas falhas não são desculpadas e, o que é pior, julgam nossa Religião Cristã Esotérica (como preconizada pela Fraternidade Rosacruz) pelos efeitos produzidos em nossa vida.
Portanto, cabe ao Estudante Rosacruz ativo ter a certeza de uma coisa: ele está sendo diuturnamente observado. Se quiser divulgar os Ensinamentos Rosacruzes, faça-o. Mas, o Estudante Rosacruz ativo nunca deve esquecer de que “um exemplo vale mais que mil palavras”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Para começarmos a compreender o real valor de dar e receber, é necessário nos esforçarmos para não cair na tentação de produzirmos “pensamentos negativos” que nada mais é do que nossos pensamentos contaminados por desejos e/ou emoções inferiores (esses formados de material das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo).
Afinal, nem sempre é fácil nos livrarmos desses “pensamentos negativos”. Sabemos que não devemos combatê-los diretamente, pois tanto a antipatia quanto a simpatia tendem a atrair um pensamento ou ideia para nós; a força mental adicional que projetamos para combater “pensamentos negativos” acaba por mantê-los vivos e trazê-los à nossa Mente com mais frequência — da mesma forma que uma discussão pode levar alguém de quem não gostamos a nos abordar por puro despeito. Em vez de lutar, portanto, adotemos a tática da Indiferença (um dos dois sentimentos que usamos quando trabalhamos com a quarta Região do Mundo do Desejo), retirando o nosso Interesse (o outro sentimento que usamos quando trabalhamos com a quarta Região do Mundo do Desejo). Se deixarmos de reforçar uma reação negativa a uma pessoa ou situação, ela acabará por se dissipar. Da mesma forma se, ao surgirem “pensamentos negativos” em nossa Mente, invocarmos a indiferença e voltarmos nossa atenção para algo bom e ideal, perceberemos em pouco tempo que nos livramos desses “pensamentos negativos”, restando apenas os bons pensamentos que desejamos cultivar.
Para evitar “pensamentos negativos” e mantê-los fora de nossa Mente, praticamos a substituição de pensamentos. É uma lei da física que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. De modo semelhante, dois pensamentos não podem ocupar a Mente simultaneamente. Quando somos perturbados por “pensamentos negativos” de qualquer espécie, é aconselhável substituí-los por outro pensamento e concentrar-nos nele de forma tão positiva que o “pensamento negativo” não encontre espaço mental. Essa é uma estratégia simples e eficaz; basta praticá-la para obter os resultados desejados. Ou seja: “pensamentos negativos” são eliminados da Mente pelo mesmo processo; pois ao substituir o “pensamento negativo” por um pensamento construtivo o respectivo desejo e/ou emoção inferior é eficazmente excluído.
A substituição de pensamentos deve estar em sintonia com o que realmente somos: um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui por meio de Corpos e Veículos, que são somente nossas ferramentas), que envia constantemente mensagens à nossa Mente consciente. Florescemos quando cultivamos a crença e a confiança na nossa capacidade interna de transformar a nossa vida. E podemos ampliar essa influência benéfica se ouvirmos e obedecermos às sugestões e orientações nascidas dentro de nós. Isso chamamos de Cristo Interno, que nos ajuda, de “dentro para fora” a reger os nossos Corpos e Veículos! Podemos conversar com o nosso Cristo Interno e manter diálogos íntimos e sinceros com Ele. Ao orar, criamos um destino novo e positivo, ajudando a neutralizar e compensar algumas das dívidas de anos e vidas anteriores. À medida que criamos pensamentos-formas construtivos, eles serão materializados por nós, da maneira e na medida que nós julgarmos sábios. Podemos expressar interiormente nossos ideais e ambições e, então, deixar sua materialização a cargo do nosso Cristo Interno. No entanto, não devemos cometer o erro de exigir isto ou aquilo, nem nutrir desejos que interfiram na vontade alheia. Sempre que tentamos mudar o outro por razões puramente pessoais e buscamos impor nossa vontade à dele, estamos agindo de forma egoísta — o que constitui uma forma incipiente de magia negra.
A vontade própria é amor-próprio, e o amor-próprio é uma forma de ódio ao próximo. Isso não significa que devamos atender à vontade de outra pessoa se isso implicar injustiça para conosco ou para com outrem; contudo, devemos procurar sacrificar inclinações e vantagens pessoais para acolher as ideias dos outros, satisfazendo assim o senso de equidade deles, estabelecendo uma cooperação amistosa e cumprindo nossos ideais Cristãos.
À medida que centramos nossa vida no desenvolvimento do nosso Cristo Interno — afirmando a crença e a fé de que o Cristo produzirá um resultado perfeito em nossa existência —, todo medo e ansiedade em relação ao futuro desaparecerão gradualmente, e nos tornaremos confiantes, serenos e tranquilos. Prosperaremos ao agir com base no conhecimento da Lei Cósmica do Dar e Receber. E, quando quisermos transformar ações equivocadas, praticamos a confissão ao Eu Superior que chamamos de Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção.
Essas práticas dos Ensinamentos Rosacruzes detalhadas acima, nos leva a conclusão sábia de que é um engano muito difundido que diz que dar é “desistir” de alguma coisa, é ficar despojado de algo, é sacrificar-se. Aqueles que não têm uma orientação neste sentido, os que não produzem para os outros, sentem o dar como um empobrecimento – porque é doloroso dar, precisa-se dar, a virtude de “dar”, para eles, é um ato de sacrifício, são os “não produtivos”.
Para uma pessoa de caráter “produtivo”, o “dar” tem um significado totalmente diferente; “dar” é uma expressão de força maior. No ato de dar experimentamos a nossa verdadeira força, a nossa verdadeira riqueza, o nosso verdadeiro poder. Esta experiência de elevada espiritualidade e vitalidade nos enche de alegria, regozijo e estímulo.
Dar é mais agradável do que receber, não por orgulho, mas porque no ato de dar está a expressão da nossa vida.
(Traduzido da Revista “Rays from the Rose Cross” novembro-dezembro/2001 pelos irmãos e irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)