O amor Crístico é uma força ativa em nós; uma força que irrompe pelas paredes que nos separam dos nossos semelhantes, que nos une aos outros; o amor Crístico nos leva a superar o sentimento de isolamento e de separação nos permitindo, porém, ser nós mesmos e retermos a nossa integridade. No amor Crístico, ocorre o paradoxo de que dois seres sejam um e, contudo, permaneçam dois.
Ao dizermos que o amor Crístico é uma atividade, enfrentamos uma dificuldade que reside na significação ambígua desta palavra. Por “atividade”, no emprego moderno do termo, queremos, normalmente, nos referir a uma ação que produz mudança numa situação existente, por meio de gasto de energia. Assim, somos considerados em atividade quando fazemos negócios, estudamos, trabalhamos ou nos dedicamos a esportes. Todas estas atividades têm isto em comum; dirigem-se para um alvo exterior a ser alcançado. O que não se leva em conta é a motivação da atividade.
Vejamos, por exemplo, uma pessoa impelida a incessante trabalho por um sentimento de profunda insegurança e solidão; ou por outra, impulsionada pela ambição ou pela avidez por dinheiro. Em todos esses casos a pessoa é escrava de uma paixão, e sua atividade é de fato uma “passividade” porque ela é impelida; é a paciente e não o “sujeito”.
De outro lado, uma pessoa que se assente calma e contemplativa sem outro alvo que não o de se experimentar e a sua unidade com o mundo, é considerada como “passiva”, porque não está “fazendo” coisa alguma.
No entanto, esta atitude de meditação concentrada é a mais alta atividade que existe, uma atividade da alma; só possível sob condições de independência e liberdade interiores.
Um conceito moderno de atividade se refere ao uso de energia para consecução de metas externas, o outro conceito também moderno de atividade se refere ao uso dos poderes inerentes em nós, sem que importe a produção de qualquer mudança exterior. Note aqui os afetos ativos e passivos, “ações” e “disposições”. No exercício de um afeto ativo, somos livres, somos “senhores” do nosso afeto; no exercício de um afeto passivo, somos impelidos, e objetos de motivações de que nós próprios não temos consciência. Assim, virtude e poder são uma só e a mesma coisa. A inveja, o ciúme, a ambição, qualquer espécie de cobiça são paixões, criadas por nós quando usamos materiais das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo. Já o amor Crístico é uma ação, a uma prática nossa, que pode ser exercida com liberdade e nunca como resultado de uma compulsão!
O amor Crístico é uma atividade, e não um afeto passivo; é um “erguimento” e não uma “queda”. De modo mais geral o caráter ativo do amor Crístico pode ser descrito afirmando-se que o amor Crístico, antes de tudo, consiste em “dar, e não em receber”.
Que é “dar”? Embora pareça simples a resposta a esta pergunta, ela, em verdade, é cheia de ambiguidades e complexidades. O equívoco mais vastamente espalhado é o que entende que dar é “abandonar” alguma coisa, ser privado de algo, sacrificar. A pessoa cujo caráter não se desenvolveu além da etapa da orientação receptiva, explorativa ou amealhadora, experimenta o ato de dar dessa maneira. O caráter mercantil deseja dar, mas, só em troca de receber; dar sem receber, para ele, é ser defraudado. Aqueles cuja principal orientação é não produtiva sentem que dar é um empobrecimento. A maioria dos indivíduos desse tipo, portanto, recusa dar.
Alguns fazem do ato de dar uma virtude, para eles, reside no próprio ato de aceitação do sacrifício. Para eles, a norma de que é melhor dar do que receber significa que é melhor sofrer privação do que experimentar alegria.
Para o caráter produtivo dar tem um sentido inteiramente diverso. Dar é a mais alta expressão da potência. No próprio ato de dar, nós pomos a prova nossa força, nossa riqueza, nosso poder. Essa experiência de elevada vitalidade e potência nos enche de regozijo. Provamo-nos com superabundante pródigo, cheio de vida e, portanto, como regozijante.
Não é difícil reconhecer a validez desse princípio aplicando-o a vários fenômenos específicos. Na esfera das coisas materiais, dar significa ser rico. “Não é rico quem muito tem, mas quem muito dá”. O avaro que ansiosamente receia perder alguma coisa é, psicologicamente falando, uma pessoa pobre, a empobrecida, não importa quanto possua.
Quem é capaz de dar de si, este sim é rico. Põe-se à prova como quem pode conceder de si aos outros. Só quem for privado de tudo quanto vá além das mais simples necessidades da existência será incapaz de gozar o ato de dar coisas materiais. Mas a experiência diária mostra que aquilo que alguém considera como necessidade mínima depende tanto de seu caráter quanto de suas posses efetivas. É bem sabido que os pobres são mais inclinados a dar do que os ricos. Não obstante a pobreza além de certo ponto pode tornar impossível dar, e assim é degradante, não só pelo sofrimento que causa diretamente, mas pelo fato deprivar o pobre da alegria de dar.
A mais importante esfera de dar, entretanto, não é das coisas materiais, mas está no reino especificamente humano. Que dá uma pessoa à outra? Dá de si mesma, do que tem de mais precioso, dá se sua vida. Isto não quer necessariamente dizer que sacrifique sua vida por outrem, mas, que lhe dê aquilo que em si tem vivo: dê-lhe de seu regozijo, de seu interesse, de sua compreensão, de seu conhecimento, de seu humor, de sua tristeza – de todas as expressões e manifestações daquilo que vive em si.
Dando assim de sua vida, enriquece a outra pessoa; valoriza na pessoa que recebe o sentimento da vitalidade ao valorizar o seu próprio sentimento de vitalidade.
Não dá a fim de receber; dar é, em si mesmo, requintada alegria. Mas, ao dar, não pode deixar de levar alguma coisa à vida da outra pessoa, e isso que é levado a vida se reflete de volta ao doador; ao dar verdadeiramente não pode deixar de receber o que lhe é dado de retorno.
Dar implica fazer da outra pessoa também um doador e ambos compartilham da alegria de haver trazido algo à vida. No ato de dar, algo nasce, e ambas as pessoas envolvidas são gratas pela vida que para ambas nasceu.
Com relação especificamente ao amor Crístico, isso significa: o amor é uma força que produz amor. Só se pode trocar amor por amor, confiança por confiança. Se queremos nos regozijar com a arte, devemos ser uma pessoa de sensibilidade e preparo artístico; se queremos ter influência sobre outras pessoas, deveremos ser uma pessoa que tenha sobre outras pessoas influência realmente estimuladora e promotora.
Cada uma de nossas relações com o semelhante e com a natureza deve ser uma expressão definida de nossa vida real, individual, correspondente ao objeto de nossa vontade. Se amamos sem atrair amor Crístico, isto é, se nosso amor Crístico é tal que não produz amor Crístico, se através de uma expressão de vida como pessoa amante não fazemos de nós mesmos uma pessoa amada, então nosso amor Crístico é impotente, é um infortúnio.
Mas não é só no amor Crístico que dar significa receber. O professor é ensinado por seus alunos; o ator é estimulado por sua audiência; o psicanalista é curado por seu cliente – contando que não se tratem uns aos outros como objetos, mas se relacionam uns com os outros produtiva e genuinamente.
Quase não é necessário acentuar o fato de que a capacidade de dar depende do desenvolvimento do caráter da pessoa. Pressupõe o alcançamento de uma orientação predominantemente produtiva; nessa orientação a pessoa superou a dependência, a onipotência narcisista, o desejo de explorar os outros, ou de amealhar, e adquiriu fé em seus próprios poderes humanos; coragem de confiar em suas forças para atingir seus alvos. No mesmo grau em que faltem essas qualidades é ela temerosa de se dar e, portanto, de amar como Cristo: o amor Crístico!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Uma história oculta que nos mostra como ocorrem as relações provocadas pelo destino entre pessoas. Como as discórdias da vida realmente se resolveram na harmonia do grande contraponto da vida. Suas tristezas e angústias profundas vão sendo glorificadas, pois o amor – o amor verdadeiro, o amor superior e maior, o amor Crístico – glorifica todas as coisas.
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No Caminho da Espiritualidade os Ensinamentos Rosacruzes são como um farol, uma luz que ilumina os nossos passos, dando-nos segurança, firmeza e coragem para enfrentar as tentações que nos impedem de se desenvolver espiritualmente fornecidas pelo Mundo material em que nascemos e vivemos aqui.
Porém ao iniciar esse caminho é fundamental que o Estudante Rosacruz atenda ao chamado bíblico: “transformar o ‘velho homem’ em um ‘novo homem’”. O que representa essa transformação? Deixar de lado todos os hábitos mesquinhos, egoístas, ambiciosos, corrigir todos os grandes e pequenos defeitos de nossa Personalidade e cultivar sentimentos de bondade, tolerância e uma permanente disposição de servir amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) o irmão e a irmã ao nosso lado, focando esse serviço na Divina Essência oculta em cada um de nós (que é a base da Fraternidade).
Enfim, aprender a cultivar a autoanálise e o domínio próprio, interrogando a própria consciência. Tudo nessa vida é transitório, e só um caráter íntegro, uma consciência tranquila e um coração cheio de amor são a verdadeira felicidade.
Sem essa transformação, sem este cultivo maravilhoso do amor Crístico, os mais profundos conhecimentos filosóficos perdem o valor essencial da objetividade.
O grande chamado que, pessoalmente, sentimos para trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz foi precisamente esse objetivo na simples e profunda pergunta de Max Heindel: “de que servirá uma filosofia que não nos torne melhores homens e mulheres?”.
É de valor básico que nos tornemos melhores seres humanos, para bem assimilar e difundir fundamentalmente pelo exemplo de nossas vidas, os valiosos Ensinamentos Rosacruzes.
Não se iludam os Estudantes Rosacruzes pensando que se aprofundando no estudo da Filosofia Rosacruz, sem que ao mesmo tempo reformem seus sentimentos, emoções, desejos e hábitos negativos, alcancem aquela firmeza, segurança e coragem de pessoa iluminada pela luz dos Ensinamentos Rosacruzes — esse farol de valor inestimável.
Sem isso, de pouco ou nada lhes servirão os melhores conhecimentos filosóficos, nas primeiras provas que a vida lhes traga. Ao contrário, com esse cultivo do bem e do amor Crístico alicerçados nos Ensinamentos Rosacruzes prova alguma os abaterá.
Cultivemos em nós a sinceridade, a humildade, a bondade e o desejo de que nossas vidas sejam vidas úteis no meio em que vivamos. Como bem colocar Max Heindel: “O único remédio para os males do mundo são o amor e a compaixão”.
Ajudemos a melhorar os “males do mundo” melhorando a nós próprios, aprendendo a amar e a dar graças a Deus pelo Caminho encontrado.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Ninguém pode se sentir feliz vivendo somente para si. Quem assim encaminha sua existência mal pode prever os desditosos resultados de tão triste semeadura. Não nos espanta saber que a sociedade moderna é um imenso agrupamento de pessoas acometidas de diversas formas de neurose. A neurose é uma doença; é um mal provocado por uma vivência centrada no egoísmo. O neurótico, além de egoísta, tende a ser egocêntrico (eu+centro). Isto é, a se colocar no centro de todas as coisas, como se fosse a pessoa mais importante do mundo. Isso, obviamente, gera conflitos e lhe traz sérios aborrecimentos. O indivíduo acaba por se sentir isolado, solitário, incompreendido. Na verdade, ele se tornou incapaz de praticar o amor Crístico.
Os três grandes males ou pecados da nossa época: o egoísmo, a impaciência ante as restrições e o orgulho intelectual nada mais são que expressões neuróticas. A vida moderna, se a pessoa não orar e vigiar, tende a atirá-la na turbulenta correnteza da competição e do hedonismo. São muitas as ciladas e sutis suas aparências. Para quem se deixou envolver pelos condicionamentos sociais, ou se há muito se acomodou ao ritmo e embalo da nossa colorida civilização, tudo isso parece normal. A anomalia consiste em não agir conforme esses parâmetros.
Como proceder, então, diante desse quadro pouco edificante?
Os Ensinamentos Rosacruzes preconizam uma vivência equilibrada: “Viver no mundo, mas não ser do mundo.” (Jo 17:15-16), é uma boa filosofia de vida. O Estudante Rosacruz entende que não deve se isolar só porque as condições do meio onde vive são incompatíveis com seus princípios. Alienar-se é um erro grave. A reparação deverá ser feita no devido tempo. Fugir às responsabilidades é passar ao longo de experiências valiosíssimas. Evitar pessoas incapazes de falar a sua linguagem espiritual ou impotente para se libertar de uma mentalidade materialista não lhe trará benefício algum. Saber se relacionar sem perder sua identidade ou autenticidade é um indício de crescimento espiritual.
Ao Estudante Rosacruz cabe cultivar algumas habilidades. Deve ser flexível e tolerante para com os defeitos alheios, mas vigilante para consigo mesmo. Em suma, é bom aceitar as pessoas como elas são, sem, entretanto, se deixar abalar em suas convicções.
No convívio espiritual cabe-lhe fazer valer suas qualidades e competência isento, porém, de qualquer intenção de competir. Sem pretensões descabidas, trabalha honestamente, confiando na justiça de Deus (não na “justiça dos homens”) que fornece a cada um segundo seu merecimento. Se a ascensão profissional sobrevier como fruto de seus esforços, saberá entendê-la como um meio de fazer o bem e não um fim em si mesmo. Infelizmente as pessoas, em sua maioria, subverteram o sentido das coisas.
O Estudante Rosacruz se esforça por ser um exemplo no meio em que vive. Cuida, entretanto, de que isso não o torne vaidoso. À medida que avança no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz as armadilhas se revestem de sutilezas; as falhas de caráter assumem ares de virtude, e o tombo acaba por se tornar perigosíssimo.
O Estudante Rosacruz está sempre atento em viver no Mundo material, mas cultiva seu mundo interior, tendo sempre presente que o “Reino de Deus está dentro de si mesmo.” (Lc 17:21) governa todos os seus passos. Por falar em passos, ele evita viver apressadamente, como aqueles que correm desesperadamente atrás de algo que nem sabem definir o que seja. Trabalha para viver e não para morrer. A serenidade nunca está com pressa, jamais é impaciente e com falta de tempo. Segundo Goethe, “a felicidade não é um prazer transitório, mas a longevidade de um poder secreto”.
Se o mundo adora a sofisticação, o Estudante Rosacruz ruma em sentido contrário: prefere a simplicidade. É mister redescobrir a simplicidade – simplicidade no viver, simplicidade nas atitudes com relação ao mundo e a outras pessoas. Os prazeres simples trazem mais duradouros benefícios. As simples qualidades Cristãs de amor e bondade, embora nem sempre apreciadas em nossa avançada sociedade tecnológica, são ainda as melhores fontes de felicidade.
Tudo isso é muito importante, mas a suprema meta do Estudante Rosacruz é a consagração de sua vida a servir a Humanidade. Os elevados e compassivos seres, que regem nossa evolução, dentre os quais se destacam os Irmãos Maiores, necessitam, em sua missão benfeitora de obreiros, de Auxiliares Visíveis conscientes aqui na Região Química do Mundo Físico. Quanto mais o Estudante Rosacruz se conscientiza do alcance dessa necessidade, mais disposto estará a servir. Compreende que é um privilégio participar desse plano de redenção, mormente dedicando seus esforços a Obra Rosacruz. Os Irmãos Maiores se regozijam quando o Aspirante à vida superior, superando as limitações do egoísmo, expressa o Amor Crístico, cultivando um sentimento impessoal e universal de solidariedade.
O Estudante Rosacruz, assim, terá dado o primeiro passo ao assumir a condição de Auxiliar Visível e, posteriormente, Auxiliar Invisível inconsciente. Com o decorrer do tempo as faculdades internas dele florescerão a níveis sequer imagináveis, ensejando-lhe se converter em um Auxiliar Invisível consciente. Terá, então, o passo além do véu.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho de 1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A atual onda de violência e terrorismo que vem se propagando através do globo em proporções crescentes deve constituir tema de meditação para todas as pessoas de boa vontade, em particular, para o Estudante Rosacruz.
A paz tem sido uma aspiração maior entre os seres humanos. Foram criados instituições e mecanismos para preservá-la ou fazê-la reinar onde o conflito só espalhou miséria e desolação. Entretanto, as guerras entre classes ou grupos étnicos se sucedem a intervalos cada vez menores.
Necessária se torna a união de todos para fazer frente a essa avalanche de violência. Que fiquem de lado todas as diferenças e os ideais de paz se sobreponham a quaisquer outros interesses.
A questão a considerar é, pois: como conter a violência sem lançar mão da violência? Certamente uma atitude passiva diante da crise atual só contribuirá para agravamento da situação. Muitos movimentos respondem a esta pergunta afirmando que a violência externa é um reflexo do estado de conflito interno em que vive a maioria das pessoas. E vai além; para contê-la faz-se necessária uma transformação interior no ser humano, uma nova atitude de respeito e amor para com todos as seres vivos.
O único antídoto para a violência é a não violência. Somente a ação altruísta e desinteressada, ação fruto do amor por todos os seres será capaz de promover uma transformação para melhor. Temos vários exemplos na vida de vários seres humanos de como é possível lutar pelos ideais de amor, paz e harmonia sem precisar lançar mão da violência. Todos esses exemplos de vida pregavam a não violência, não como uma condição física, mas, uma atitude mental de amor, a ausência total de pensamentos desarmoniosos. A não violência, em sua forma ativa, é a boa vontade para com tudo que vive: é perfeito amor Crístico!
É muito cômodo criticar o terrorismo e a violência. Contudo, se ficamos apenas nessa atitude, pouco ou nada realizaremos em prol da paz. Cabe a cada um se questionar para saber até que ponto não é, também, responsável pelo atual estado de violência. De nada adianta nos declararmos pacifistas e continuarmos a educar nossos filhos dentro de um espírito competitivo, inculcando-lhes toda sorte de preconceitos ideológicos e religiosos. As nossas crianças têm sido educadas para vencer na vida a qualquer preço, sem considerar os direitos e as necessidades dos demais.
Sem falarmos dos maus hábitos de pais, responsáveis, homens e mulheres que alimentam desejos, emoções e sentimentos de violência ao praticarem ou torcerem em todas as espécies de lutas (seja lá o nome que as dê), justificando em vários casos como “terapia”, “descarregar o estresse”, “autodefesa”, “desenvolver a disciplina”, “manter a força de vontade”, “orientação médica” e tantos outros, onde podemos refutar a todos com uma única questão: onde Cristo, nos seus ensinamentos, sugeriu ou indicou isso?
E muitos, quando não partem para agir por meio daquele tipo, adoram ficar horas e horas em jogos eletrônicos que estimulam inúmeros tipos de violência. E aqui a justificativa é pior ainda: “mas não se mata ninguém”, “não se fere ninguém”, “desenvolve-se a rapidez de raciocínio” e outros afins. São irmãos e irmãs que ainda não entenderam que as emoções, os sentimentos, desejos e pensamentos-formas que eles alimentam são até piores do que os maus hábitos de luta corporal! Novamente: onde Cristo, nos seus ensinamentos, sugeriu ou indicou isso?
E o que dizer de irmãos e irmãs que acham que andarem armados (com arma de fogo ou as chamadas armas brancas) é para “ter mais segurança nesse mundo violento”. Novamente aqui tais irmãos e irmãs estão alimentando a violência cada vez mais. Novamente: onde Cristo, nos seus ensinamentos, sugeriu ou indicou isso?
Assim, nossa civilização, dos quais muitos se dizem Cristãos, tem sido um exemplo deplorável de conflitos, contrastando com os ensinamentos do meigo nazareno, Cristo Jesus.
Também, é lamentável serem investidos muitos milhões em trabalhos missionários visando a cristianizar os chamados povos pagãos, quando entre nós medra o anticristo nas mais variadas formas de sectarismo.
Se quisermos paz devemos rever nossas atitudes na vida cotidiana, buscando introduzir mais amor, tolerância e compreensão no nosso relacionamento, adotando a postura da não violência. Pode não parecer tarefa fácil. Pode parecer distante, uma impraticável utopia, mas não é inviável, desde que comecemos a agir, aqui e agora.
Afinal, não tem como ser um Estudante Rosacruz ativo, trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, mantendo tais hábitos acima detalhados, onde a violência é o centro deles.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Embora sejamos em realidade Espíritos, nossa atual condição humana de seres separados pela insensibilidade de corpos cristalizados pelas transgressões as Leis de Deus não nos permitem manter contato consciente e direto com nossa real natureza, enquanto estamos renascidos aqui. Sentimos uma profunda necessidade de superar essa separação e anular a angústia que ela nos provoca.
A solução é o amor, o verdadeiro amor – que nos une aos semelhantes, à Criação e a Deus – que é o amor Crístico!
As almas amadurecidas buscam o amor e não o encontram no exterior. É quando a Religião não se satisfaz mais com as fórmulas simples das Religiões que preconizam o Cristianismo Exotérico ou Popular.
Para dar mais amplo e racional entendimento do amor e da fé surgiu a Fraternidade Rosacruz. Ela preconiza o desenvolvimento paralelo da Mente e do Coração e mostra como isto é possível. O estudo da Filosofia Rosacruz nos previne contra os perigos do intelectualismo frio e pretencioso e nos revela, igualmente, as inconveniências do amor cego. Ela nos ensina o Cristianismo Esotérico.
Em realidade, o amor Crístico é algo que deve ser cultivado. Um estudo dos aspectos teóricos e práticos do amor Crístico iluminará, em muitos de nós, pontos obscuros e dúbios e ressaltará erros na maneira de pensar e agir, acerca desse fundamental problema.
O amor Crístico é uma arte. Porém, a maioria das pessoas tem a convicção de que é uma sensação agradável que se experimenta por acaso, algo em que se “cai” quando se tem sorte.
Vemos que todos o perseguem. Está sempre em voga. Mas quase ninguém pensa haver alguma coisa, a respeito do amor Crístico, que deva ser aprendida. Por que o povo pensa assim? Se atentarmos bem, há três premissas com que, consciente ou inconscientemente, isoladas ou combinadas buscam sustentar esse sofisma, origem de tantas desilusões.
A primeira premissa é esta: a maioria das pessoas pensa que o amor Crístico é mais uma questão de reunirmos recursos pessoais de atração, isto é, sermos requisitados, amáveis, admirados e não propriamente que devamos amar.
Na busca desse alvo, os seres humanos procuram o poder, a fama, a riqueza como meios de atração exterior e transitório. Muitos até advogam que “Deus nos criou para sermos ricos aqui”; portanto se somos ricos aqui sabemos amar, porque alcançamos o objetivo! Ambos os sexos cultivam maneiras agradáveis, conversações interessantes, prestativas, modéstia, inofensiva. Bem analisados, tais meios são os mesmos que hoje se empregam para “conquistar amigos e influenciar pessoas”. Isso que a maioria de nossa cultura considera ser amável é, essencialmente, uma mistura de ser popular e despertar atração física. Nada mais. Longe, bem longe, do amor Crístico.
A segunda premissa, por trás dessa atitude de que nada há a aprender a respeito do amor Crístico, é a ideia de que o amor Crístico é mais uma questão de termos sorte de achar uma pessoa que nos ame e pela qual sejamos amados. Não é, pois, uma faculdade que devamos desenvolver em nós. Tal atitude tem muitas razões enraizadas no desenvolvimento da sociedade moderna. Uma dessas razões é a grande mudança ocorrida com relação à escolha do “objeto do amor” (uma pessoa, uma família ou no máximo, um grupo escolhido). Muitos acham que o amor Crístico é o que se chama de amor romântico, que atualmente se confunde com atração sexual e que leva a paixão. Inclusive, nesse caso, nem se usa “Crístico” e, ainda bem”
Grande número de pessoas anda a procura desse dito “amor romântico”, da experiência pessoal de amor que acabe levando ao casamento ou a “viver juntos”. Mas esse novo conceito de liberdade no amor, na verdade, acentua a importância do “objeto do amor” em detrimento da importância da função, ou seja, da faculdade do verdadeiro amor que se deve cultivar, o amor Crístico. Os divórcios e separações aí estão a atestá-lo. Ainda neste parágrafo convém ressaltar outro aspecto da cultura contemporânea: a ideia de um contrato em que se faz uma troca mutuamente favorável. Cada um, em vez de amar, procura tirar um “lucro” na transação matrimonial, ou seja, uma boa soma de qualidades que sejam populares e muito procuradas no mercado da Personalidade. O que torna especificamente uma pessoa atraente depende da moda da época, quer física, quer mentalmente. Numa cultura em que prevalece a orientação mercantil, e em que o êxito material é o valor predominante, pouca razão há para surpresa no fato de seguirem as relações de amor humano os mesmos padrões de troca que governam os mercados de utilidades e de trabalho.
A terceira e última premissa que leva a ideia de nada haver para ser aprendido a respeito do amor Crístico, consiste na confusão entre a experiência inicial de cair “enamorado” ou “enamorada” e o permanecer no amor. Se duas pessoas estranhas uma à outra, como todos somos, subitamente derrubam os muros que as separam e se sentem próximas, se sentem uma só, esse momento de unidade é uma das mais jubilosas e excitantes experiências da vida, para quem tem estado isolado, fechado em si, sem amor. Mas raramente é duradoura. As duas pessoas se tornam bem conhecidas, sua intimidade perde cada vez mais o caráter miraculoso e seu antagonismo, suas decepções, seu mútuo fastio acabam por matar tudo quanto restava da excitação inicial. Ou seja, longe do amor Crístico!
O amor Crístico é exatamente o amor que Cristo nos ensinou, na Sua primeira vinda aqui entre nós e nos deixou todo um ensinamento de como devemos praticá-lo. O amor Crístico é aquele que nos faz se converter a nós mesmos em um canal mais perfeito para a recepção e disseminação desse sentimento e junto com a harmonia em todas as variadíssimas experiências da vida, sejam alegres ou tristes, exaltadas ou deprimentes. É um sentimento que faz com que cada pensamento nosso irradia o amor Crístico; cada palavra que proferimos vibra com amor Crístico; cada ato que fazemos é embelezado pelo amor Crístico.
Nós alcançamos o ápice de prática desse amor quando a Personalidade se torna subordinada a nós, o Ego (o Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui); quando a nossa natureza inferior – relacionada completamente com a vida pessoal que é efêmera – é subjugada e substituída por esse amor Crístico, de natureza superior, como, inclusive evidenciou S. João em seu Evangelho.
Afinal, é pelo amor Crístico (por cada um e por todos) que se baseia o serviço do sacrifício. Pois, ao contrário do que algumas correntes populares de ensinamentos indicam, o caminho do verdadeiro desenvolvimento espiritual não consiste em atrair para si mesmo o máximo de bens materiais, mas na realização da verdade de que “o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao próximo – focado na Divina Essência oculta de cada um (que é a base da Fraternidade) – é o caminho mais curto, mais seguro e o mais agradável que nos conduz a Deus”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Aquele que deseja servir como Auxiliar Invisível deve, durante o dia, cultivar uma atitude benevolente e, à noite, ao se deitar, depois de feito o Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, rogar ao Adorável Espírito de Cristo, que enquanto o seu Corpo Denso repousar dormindo, lhe seja concedida a graça de cooperar na seara espiritual em benefício dos seus semelhantes.
Agora, para isso, é importantíssimo compreender os termos Rosacruzes: Alma e Corpo-Alma e como desenvolvê-los. Assim:
Vemos, pois, que a Alma se atrofia quando deixamos de alimentá-la, e que as ações bondosas, pensamentos de amor Crístico e serviço aos irmãos e às irmãs são o alimento para o crescimento dela. A ação tem três principais campos de operação, ainda que ela derivasse seu poder do que realmente somos, o Ego, por raios de energia. A ação no plano mental é o pensamento abstrato, a ação na natureza emocional é o sentimento, a emoção e o desejo, a ação na natureza física é movimento e a ação com o propósito de alcançar todas as relações da vida. O propósito de cada ato, seja mental, emocional ou físico, é induzido pelos pares de opostos como o amor e o ódio, altruísmo e egoísmo, generosidade e avareza, atividade e indolência etc., e seu fruto é incorporado na Alma, como consciência, que nos avisa em tempo de tentação ou nos provê do dinamismo para tudo quanta é Bom, Reto e Altruísta.
Há em todos nós duas naturezas inteligentes e distintas, chamadas o “Eu Superior” e o “eu inferior”, ou Individualidade e Personalidade, respectivamente. O “Eu Superior” ou Individualidade é o que realmente somos, um Ego que nos manifestamos de forma tríplice: um Tríplice Espírito – Espírito Divino, Espírito de Vida e Espírito Humano, alimentado pela Tríplice Alma – Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional, respectivamente. Enquanto a Personalidade, ou “eu inferior” é o que achamos que somos realmente – mas não somos –, é composta dos três Corpos: Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos. O Elo entre a Individualidade e a Personalidade é o veículo Mente. Quando respondemos ao impulso do “Eu Superior”, renunciamos ao que nos é cômodo e útil a favor do que é proveitoso a muitos. Antepomos o Serviço de Deus a todos os valores materiais. Buscamos em todas as coisas e em tudo os valores eternos. Porém, respondemos ao impulso do “eu inferior”, a renúncia nos é desagradável, preferimos mais receber ao que dar, cuidar mais dos bens materiais e transitórios do que dos espirituais, e o resultado é um grande obstáculo ao nosso desenvolvimento espiritual.
Sim, é algo bastante deplorável se encontrar com algum irmão ou alguma irmã, fracassado ou fracassada – que perdeu todos os seus Átomos-sementes – em um estado de inércia durante inconcebíveis milhões de anos, até que, em um novo Esquema, Obra e Caminho de Evolução chegue ao estado de se unir ao ciclo evolutivo e prosseguir em sua tarefa.
Conforme aprendemos na Filosofia Rosacruz por meio do Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, unicamente três quintas partes do número total de Espíritos Virginais que começaram a evolução no Período de Saturno passarão o ponto crítico da próxima Revolução e continuarão até ao fim. Por fim, sempre nos lembremos: a finalidade da Fraternidade Rosacruz é nos mostrar o caminho da iluminação para nos ajudar a construirmos nosso Corpo-Alma e desenvolvermos as potências de nossa Alma que nos permitirão entrar conscientemente no Reino de Deus por meio do Conhecimento Direto. É uma longa tarefa, porém se continuarmos com fé e persistente perseverança alcançaremos o nosso Divino Objetivo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1983 – Fraternidade Rosacruz– SP)
Além do elemento de “dar”, o caráter ativo do amor Crístico se torna evidente no fato de implicar, sempre, certos elementos básicos comuns. São eles: cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento.
Que o amor Crístico implica cuidado é mais do que evidente, por exemplo, no amor de uma mãe pelo filho ou pela filha. Nenhuma afirmativa sobre seu amor Crístico nos impressionaria como sincera, se a víssemos sem cuidado para com a criança, se se desleixasse em alimentá-la, banhá-la, dar conforto físico; ao passo que seu amor nos impressiona se a vemos cuidar do filho ou da filha. O caso não difere mesmo quanto ao amor por animais ou flores. Se uma mulher nos diz que ama as flores e vemos que ela se esquece de regá-las, não acreditamos em seu amor pelas flores. O amor Crístico é ocupação ativa e positiva pela vida e pelo crescimento daquilo que amamos. Onde falta esse zelo positivo e ativo não há amor Crístico.
O cuidado suscita outro aspecto do amor Crístico: o da responsabilidade. Hoje em dia, muitas vezes se entende a responsabilidade como denotando dever, algo imposto de fora a alguém. A responsabilidade, porém, em seu verdadeiro sentido é ato inteiramente voluntário; é a resposta que damos as necessidades, expressas ou não expressas, de outro ser humano. Ser “responsável” significa ter de “responder”, estar pronto para isso. Essa responsabilidade, por exemplo, no caso da mãe e do filho ou da filha, se refere, principalmente, ao cuidado das necessidades físicas e, conforme a criança vai crescendo, inclui-se outras necessidades: emocionais, psíquicas e espirituais. No amor Crístico entre pessoas, se refere, principalmente, às necessidades emocionais e espirituais da outra pessoa.
A responsabilidade poderia facilmente se corromper em dominação e possessividade se não houvesse um terceiro elemento do amor Crístico, o respeito. Respeito não é medo e temor; denota, de acordo com a raiz da palavra (respicere – olhar para), a capacidade de ver uma pessoa tal como ela é, ter conhecimento de sua Individualidade (o que realmente somos!) e não somente do que se pensa que é: Personalidade (aliás nunca se chegará ao amor Crístico para com outra pessoa, focando na Personalidade). Respeito significa a ocupação de que a outra pessoa cresça e se desenvolva, principalmente espiritualmente, como é. Assim, o respeito implica ausência de exploração. “Quero que a pessoa amada cresça e se desenvolva por si mesma, por seus próprios modos e não para o fim de me servir”. “Se o amor que sinto por outra pessoa é Crístico, me sinto um com ela, tal como é não como eu necessito que seja para objeto de meu interesse”. É claro que o respeito só é possível se eu mesmo alcancei a independência; se puder me levantar e caminhar sem precisar de “muletas”, sem ter o dominar e explorar qualquer outro. O respeito só existe na base da liberdade!
Mas não é possível respeitar uma pessoa sem conhecê-la. O cuidado e a responsabilidade seriam cegos, se não fossem guiados pelo conhecimento. O conhecimento, por sua vez, seria vazio se não fosse motivado pelo cuidado e pelo zelo. Há muitas camadas de conhecimento; o conhecimento, que é uma camada do amor Crístico, é aquele que não fica na periferia, mas penetra até o âmago. Só é possível quando podemos transcender o cuidado por nós mesmos e ver a outra pessoa em seus próprios termos. Podemos saber, por exemplo, que uma pessoa está encolerizada, ainda que ela não o mostre abertamente; mas podemos conhecê-la mais profundamente do que isso; sabemos então que ela está ansiosa e preocupada, que se sente só, que se sente culpada. Sabemos então, que sua cólera é apenas a manifestação de algo mais profundo, e vemo-la como ansiosa e preocupada, isto é, como pessoa que sofre em vez de como a que se encoleriza.
O conhecimento tem mais uma relação – mais fundamental – como o problema do amor Crístico. A necessidade básica de fusão com outra pessoa de modo a transcender a prisão da própria separação se relaciona muito de perto com outro desejo especialmente humano, o de conhecer “o segredo do ser humano”. Se a vida em seus aspectos meramente biológicos é um milagre e um segredo, o ser humano, em seus aspectos espirituais, é um segredo insondável para si mesmo e para seus semelhantes. Nós nos conhecemos e, contudo, mesmo apesar de todos os esforços que possamos fazer, não nos conhecemos. Conhecemos nosso semelhante e, contudo, não o conhecemos, porque não somos uma coisa, nem o nosso semelhante é uma coisa. Quanto mais penetramos nas profundezas de nosso ser, ou do ser de outrem, tanto mais nos escapa o alvo do conhecimento. Não podemos, todavia, evitar o desejo de penetrar no segredo da alma do ser humano, no mais interno núcleo do que “ele” é.
Há um meio passivo de conhecimento desesperado, através do completo poder sobre a outra pessoa. É como a criança que apanha alguma coisa e a quebra a fim de conhecê-la para saber como é dentro. O outro caminho ativo é praticar o amor Crístico. O amor Crístico é penetração ativa na outra pessoa, em que nosso desejo de conhecer é destilado pela união. No ato da fusão a conhecemos, conhecemo-nos também e conhecemos a todos – o conhecimento do que é vivo, pela experiência da união – e não por qualquer conhecimento que nosso pensamento possa dar.
O amor Crístico é o único meio completo de conhecimento. No ato de praticar o amor Crístico para com outra pessoa, me encontro, me descubro, nos descobrimos, descubro o ser humano verdadeiro!
A ardente aspiração de nos conhecermos e de conhecer nossos semelhantes encontrou a expressão na sentença délfica: “conhece-te a ti mesmo”, como indicação de que é obrigatório para uma pessoa conhecer completamente os mistérios de sua própria natureza (sua Individualidade), que é muito mais profunda do que se aparenta (sua Personalidade).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Que o mundo de hoje está trabalhando de maneira nova com a luz é inquestionável. Continuamos a aprender como a ciência física está tendo uma tremenda experiência com o desenvolvimento do poder da luz, inclusive para as maravilhas LASER (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation – amplificação da luz por emissão estimulada de radiação) que, embora capaz de projetar um feixe na Lua distante, também pode ser usado para realizar a cura delicada de um órgão interno do Corpo Denso como, antes, só era possível por meio de cirurgia via bisturi.
No entanto, embora não possamos questionar que o mundo está experimentando uma vasta liberação de luz, podemos e questionamos a maneira como respondemos a essa experiência, porque, ao enfrentarmos o grande poder da luz, devemos também enfrentar o fato de que qualquer poder, incluindo o da luz, se canalizado incorretamente ou mal direcionado, será um desastre em potencial. Mesmo a própria luz do conhecimento muitas vezes conduz apenas ao desespero e à destrutividade, enquanto a luz do amor, por si só, frequentemente contribui apenas com a soma total da instabilidade emocional e da loucura humana. É evidente que até mesmo o poder da luz requer um agente direcionador seguro, se for para servir à intenção divina.
Essa direção segura está disponível através do Cristo que, como mediador entre a Humanidade e o Mundo da Luz, libera a luz e dirige na extensão de onda da Sabedoria (o conhecimento temperado com amor) de tal maneira que ela pode ser verdadeiramente efetiva na vida espiritual da Humanidade. Todo o ensino de Cristo, durante Sua encarnação, aponta nessa direção. Ele ensinou, sempre, que os Ritos da Páscoa, marcando a conclusão de um ciclo de objetividade no plano físico, nunca eram o fim, mas o início de uma experiência nova, especial e mais profunda, bem como de um relacionamento aprofundado com Ele, por meio de uma liberação divina conhecida em termos da Trindade como o Aspecto de Luz de Deus: Deus-Espírito Santo.
Quando, por meio do uso correto do poderoso impulso do Amor Crístico, que é o poder transformador da vida humana, tivermos respondido a tudo que o Cristo trouxe à Terra e reconhecermos esse poder como o aspecto do Amor de Deus, então será possível entrarmos no estado exaltado prometido por Cristo, a Iluminação de Fogo. Nas palavras da Bíblia, “Todos os livros do mundo não poderiam conter o que poderia ser dito…” (Jo 21:25) sobre um verdadeiro contato da alma com a própria natureza de Deus como Luz. Para todos os que buscam essa iluminação divina com reverência e sinceridade, a Luz do Espírito Santo concede três grandes graças de consciência:
A primeira dessas três graças é o autoconhecimento. “Homem, conhece-te a ti mesmo” é um conselho antigo. Os Iniciados da antiguidade afirmavam que Deus, o Incognoscível, Se tornou conhecível na medida em que nós, uma criação à imagem e semelhança de Deus, nos tornamos realmente conhecido por nós mesmos. A Luz do Espírito Santo serve para aumentar esse conhecimento. Ela abre caminho para a Iluminação. Os Estudantes Rosacruzes que se dedicam aos Estudos Bíblicos Rosacruzes reconhecem essa Luz como o Espírito interior da Verdade, o Santo Consolador, o paráclito predito por Cristo. Seja qual for o nome, todos podem reconhecê-lo como um aspecto do Ser interior que atua como professor e orientador. Quando aquele orientador interior é fervoroso e reverentemente, chamado para iluminar o caminho e a resposta da “Voz do silêncio” é ouvida e amorosamente obedecida, a Luz do Espírito Santo Se torna potentemente operativa na experiência diária do nível humano. Com a elevação da consciência acompanhando a percepção que surge desse conhecimento de primeira mão da atividade do Espírito Santo, segue-se a espiritualização progressiva, ou o Cristianismo, da nossa Mente, que é a meta suprema para a realização da atual Humanidade.
A segunda grande graça da Luz do Espírito Santo é o entendimento. É a Luz que ilumina o caminho da experiência, revelando as leis que o governam e os propósitos por trás dele. É a Luz que nos mostra onde estamos, por que é o que devemos fazer a respeito. Esse ensino é a base da cena comovente do Novo Testamento na qual o Cristo chorou por Jerusalém. Sua tristeza não era só pela cidade que estava diante de Seus olhos físicos, mas pelo que Sua visão interior considerava o grande centro da Humanidade. Foi a esse centro inclusivo, que chamamos de Onda de Vida humana, que Ele disse tristemente: “Não Me vereis mais até que abençoes todas as coisas que vêm em Meu nome” (Mt 23:39 e Lc 13:35). Com efeito, Ele estava aqui dizendo: “A partir de agora, até que Eu volte, sua tarefa é usar a Luz para me encontrar nos fenômenos da existência do plano físico, para Me ver em cada experiência, para Me encontrar em todas essas coisas. Não posso voltar até que vocês façam isso, porque vocês não vão Me conhecer a menos que tenham aprendido a Me ver — na vida”. Sob a tutela do Espírito Santo, aprendemos a abençoar todas as experiências vividas, percebendo que elas vêm em nome do Cristo e para fins de desenvolvimento da alma. Então, ele não pede mais para ser aliviado da experiência, não importa o quanto ela seja dolorosa, mas aprende a dizer, como Jacó: “Não vou deixar você ir até que me abençoe com a sua bênção” (Gn 32:26). Então, também ele pode falar, igual a Jacó, no amanhecer do novo dia: “Eu vi Deus face a face nesta experiência e minha vida foi preservada” (Gn 32:30). Assim, poderemos falar quando da noite da alma.
A terceira graça do Espírito Santo a nós é o sentimento de totalidade. É a Luz que revela Deus, a Natureza e nós como o tecido perfeito da existência universal. É a Luz que abre visões para o Reino de Deus externado na Natureza e conscientemente cooperativo dentro do “Reino do Homem”. É a Luz na qual experimentamos a nossa divindade essencial: de fato e verdade, em Deus “nós vivemos, nos movemos e temos o nosso ser” (At 17:28).
O Espírito Santo é Deus em manifestação, é Deus em forma. A Natureza constitui Seu Corpo cósmico. Na temporada de verão, que representa o meio-dia da Sua atividade Criativa, a evidência da Sua obra está em toda parte. Todos os Reinos da natureza estão soando Sua nota de criação e é especialmente nesse momento, quando a expansão da luz física tem sua maior potência que, pela beleza terrena assim revelada, também encontramos dentro de nós a capacidade de se expandir e entrar em uma unidade abrangente com o Cosmos.
Essas verdades foram provadas por grandes pessoas do passado. Foi assim com Moisés. Como o portador de luz para as Mentes dos seres humanos, o Espírito Santo falou a Moisés através da sarça ardente para revelar o Plano de Deus à Onda de Vida humana e dar a Lei que governaria o Plano. No entanto, havia mais na revelação. As palavras “Moisés, tira as sandálias, pois o lugar em que estás é solo sagrado” (Ex 3:5) foram usadas para indicar algum local sagrado; um antigo santuário, talvez. No entanto, tirar as sandálias, na linguagem dos Mistérios, significa remover as limitações do entendimento, feitas por nós, para que a Luz do Espírito revele a verdade. Aquele que experimentou a iluminação do Fogo espiritual obtém uma revelação sobre a vivência da Terra e tudo que nela vive, que lhe permite saber que todo terreno, em todos os lugares, é o Corpo de uma entidade espiritual, sendo, portanto, sagrado, um santuário, a morada de Deus.
Foi assim com o profeta Esdras [1]. Na época do Solstício de Junho o profeta jazia de bruços no Campo de Ardath, um deserto rochoso “onde não cresciam flores”, e chorava por causa da esterilidade da existência terrena. Então o Arcanjo Uriel veio a ele como Mestre e Emissário do Espírito Santo, revelando a ele o propósito da vida e o significado da experiência de tal modo que o campo antes tão estéril se tornou um campo de flores. Esdras foi capaz de “comer das flores onde nenhuma flor crescia”. Ele foi capaz de colher o florescimento do espírito no terreno pedregoso da experiência. Contudo, novamente havia mais, porque Uriel ensinou a Esdras a vastidão da Sabedoria Antiga, a magnitude do plano para o ser humano e sua própria parte nele; Esdras foi transformado. Ele enxugou as lágrimas e começou a trabalhar — seu trabalho era transcrever os livros do Antigo Testamento, dando a ele, em grande parte, sua forma atual.
As verdades com as quais estamos lidando também se tornaram impulsos vivos e criativos na vida dos Discípulos de Cristo. Reunidos em união com o Cristo Místico e Interno, Sua promessa foi cumprida. Em um Batismo de Fogo eles receberam do Espírito Santo. Então foram também transformados de mortais assustados em imortais que nada poderiam deter ou amedrontar. Também foram elevados acima da limitação humana para contemplar o passado, o presente e o futuro do plano. Eles viram, pela primeira vez, o propósito do Cristo e a parte que interiormente foram chamados a levar adiante.
Para alguém chegar a tal consciência, mesmo que em menor medida, é necessário olhar para a vida de maneira nova e diferente. A pessoa então fica entre todas as dualidades da experiência humana — noite e dia, dor e alegria… — mas, não escolhe qualquer uma, rejeita nenhuma, mas aprende, na Luz, a encontrar a base da realidade espiritual em ambas. E essa consciência da base espiritual da vida permite ao Espírito humano colher seu próprio florescimento do seu próprio deserto rochoso de Ardath.
Em tal consciência, também, a Luz do Espírito Santo torna-Se uma luz LASER individual, cortando todas as barreiras em todos os mundos: as barreiras da ignorância, crueldade e do medo, autocriadas entre os seres humanos, grupos, as nações e os outros reinos . Só pode haver um resultado de tal conhecimento: conhecer a unidade da vida só pode trazer a compreensão de que somos os “irmãos guardiões” e que não pode haver pensamento, desejo, emoção, sentimento, palavra, ato, obra ou ação que não afete, para o bem ou para o mal, todos os seres vivos.
Viver com tal consciência é saber que, assim como o Fogo do Céu, emanando como o calor do verão, acelera o ventre da Natureza e libera a vida em fruição, assim também, quando esse mesmo Fogo divino toca o nosso coração, ele é retirado de suas limitações anteriores para viver uma nova vida e liberdade por meio de uma compreensão mais profunda da beleza essencial da existência humana, em uma reverência mais profunda pela vida e um parentesco alegre com cada criatura viva. É então que sente, como o poeta que “a Terra está abarrotada de Céu e cada feixe de luz está em chamas junto a Deus” [2].
(Publicado na Revista New Age Interpreter – do segundo trimestre de 1964 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
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[1] Esdras foi um escriba e sacerdote que liderou um grupo de judeus que retornou do exílio na Babilónia e restaurou a prática religiosa em Jerusalém, sendo considerado uma figura essencial na organização e restauração da lei de Deus entre o povo. O Livro de Esdras narra a história desse retorno e a reconstrução do Templo, e Esdras é a figura central do seu ministério.
[2] Da poetisa Elizabeth Barrett Browning
Os Cursos Rosacruzes de Cristianismo Místico
Cristo ensinou à multidão por parábolas, mas explicou os Mistérios aos Seus discípulos.
S. Paulo deu leite às crianças, mas alimento aos fortes.
Max Heindel, fundador e líder da Fraternidade Rosacruz, esforça-se para seguir os passos dos citados acima e oferecer aos Estudantes interessados e devotados um ensinamento mais profundo do que aquele promulgado em público sobre o Cristianismo.
Para esse propósito, ele elaborou “Cursos por correspondência” sobre Cristianismo Místico. A pessoa interessada pode ser admitida, primeiro, como uma Estudante do Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, mas o avanço nos graus mais profundos depende do mérito da pessoa. Esse avanço é somente para aquelas que foram testadas e consideradas verdadeiras interessadas em aprender e aplicar os Ensinamentos Rosacruzes. Daí podem partir para Cursos mais avançados sobre Filosofia Rosacruz e Estudos Bíblicos Rosacruzes, além dos de Astrologia Espiritual Rosacruz, já que a Astrologia é uma ciência espiritual e uma fase da Religião. Como sempre, todos os Cursos são gratuitos, inclusive todo o material em formato digital, pois a Fraternidade Rosacruz segue a máxima oculta Cristã: “Dar de graça o que de graça recebeu”.
Por que Você deve Estudar Astrologia Rosacruz
Há um lado da Lua que nunca vemos, mas essa metade oculta é um fator tão poderoso na criação do fluxo e refluxo, quanto a parte da Lua que é visível. Da mesma forma, há uma parte invisível do ser humano que exerce uma poderosa influência na vida, e assim como as marés são medidas pelo movimento do Sol e da Lua, também as eventualidades da existência são medidas pelos Astros que circulam, que podem, portanto, ser chamadas de “Relógio do Destino”, e o conhecimento de sua importância é um poder imenso, pois para o Astrólogo Rosacruz competente um horóscopo revela todos os segredos da vida.
Assim, quando você fornece a um Astrólogo a data, o horário e o local do seu nascimento, você lhe dá a chave para o seu íntimo, e não há segredo que ele não possa descobrir. Perceba o altíssimo risco que se corre!
Esse conhecimento pode ser usado para o bem ou para o mal, para ajudar ou prejudicar, de acordo com a natureza da pessoa. Somente um amigo experiente deve ser confiável com esta chave para sua Alma, e ela nunca deve ser dada a alguém vil o suficiente para prostituir uma Ciência Espiritual em busca de ganho material.
Para um profissional de saúde, a Astrologia Rosacruz é inestimável no diagnóstico de doenças e na prescrição de remédios, pois revela a causa oculta de todas as doenças e enfermidades.
Se você é pai ou mãe, o horóscopo o ajudará a detectar o mal latente em seu filho ou sua filha, e lhe ensinará como aplicar a prevenção com a máxima precisão. Ele também lhe mostrará os pontos positivos, para que você possa fazer da Alma confiada aos seus cuidados, um homem ou uma mulher melhor. Ele revelará fraquezas sistemáticas e o capacitará a proteger a saúde de seu filho ou da sua filha; mostrará quais talentos existem, e como a vida pode ser vivida com o máximo de utilidade. Portanto, a mensagem dos Astros em marcha é tão importante que você não pode se dar ao luxo de ignorá-la.
Para ajudar aqueles que desejam se ajudar, mantemos Cursos de Astrologia Rosacruz por correspondência, e on-line, aberto a todos os Estudantes Rosacruzes que já passaram pelo primeiro nível do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, o do Estudante Preliminar, mas não se engane, não ensinamos adivinhação; se é isso que você procura, não temos nada para você.
Nossas Lições São Sermões
Elas incorporam os mais elevados princípios morais e espirituais, juntamente com o mais elevado sistema de ética. Por exemplo, quando estamos nos aplicando e nos dedicando aos cálculos para o levantamento de um horóscopo por meio da Astrologia Rosacruz (e isso o fazemos com toda dedicação, paciência, persistência, todo cuidado e amor Crístico), nunca olhamos para esse sem sentir que estamos em uma presença sagrada, face a face com uma Alma imortal, e nossa atitude é de oração por luz para guiar essa Alma corretamente.
Por mais que esses Cursos aparentam serem fáceis, simples e até enfadonhos, não se engane! Intelectualmente podem até parecer, mas mexem com o íntimo da pessoa de uma maneira que intelectualmente não se acha explicação, mas misticamente sim. Tanto que aqueles que encaram tais Cursos somente pela parte intelectual…empacam, desanimam e desistem. Sem colocar o coração (que não pode ser “duro”), a humildade, a paciência, persistência, perseverança e capricho, algo que aparenta ser tão fácil torna-se quase impossível para a pessoa. Dúvidas? Experimente!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de julho/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)
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