Aqui está a ótima obra de um trabalho histórico-jornalista que demandou 50 anos (com algumas pausas) de pesquisa, organização, datilografia e digitação feita por um Probacionista holandês, Ger Westenberg, que nos enviou os originais em holandês dessa 2ª EDIÇÃO e nos autorizou a tradução para o português e a publicação.
Nessa 2ª EDIÇÃO há complementos, correções e revisões que enriquecem de sobremaneira a 1ª EDIÇÃO.
Trata-se da história da Fraternidade Rosacruz, desde seus primórdios, ainda no século XIII, até os tempos de Max Heindel, o representante da Ordem Rosacruz do Século 20, focando aqui na sua biografia desde o seu nascimento.
O nome Rosacruzes parece mexer com a imaginação de muitas pessoas. Existem muitos grupos que utilizam esse nome em seu brasão para grande confusão dos forasteiros. Portanto, dediquei um capítulo à história da Ordem Rosacruz e um resumo das organizações mais importantes onde o nome Rosacruzes aparece de uma ou outra forma, com no final uma visão esquemática de onde se originaram. E porque a Fraternidade Rosacruz é a única que leva à Ordem Rosacruz, na Região Etérica do Mundo Físico.
A Ordem Rosacruz é uma das 7 Escolas de Mistérios Menores de Iniciação que foi especialmente desenvolvida para os Ocidentais com Religião Cristã.
Há 4 meios de você acessar esse Livro:
1. Em formato PDF (para download):
2. Em forma audiobook ou audiolivro:
Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz – por Ger Westenberg – 2ª Edição – audiobook
3. Em forma de videobook ou videolivro no nosso canal do Youtube: https://www.youtube.com/@fraternidaderosacruzcampinasbr/featured
aqui:
Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz – por Ger Westenberg – 2ª Edição – videobook
4. Para estudar no próprio site:
MAX HEINDEL E A FRATERNIDADE ROSACRUZ
2ª EDIÇÃO
Por Ger Westenberg
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido do holandês e Revisado de acordo com:
MAX HEINDEL EN THE ROSICRUCIAN FELLOWSHIP
DOOR: Ger Westenberg
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Com autorização do Autor: Ger Westenberg, que nos enviou os originais.
www.fraternidaderosacruz.com
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Por GER WESTENBERG
Escrever esta biografia sobre Max Heindel, que era o representante da Ordem Rosacruz do Século 20, não foi um trabalho simples.
A primeira tentativa foi difícil: datilografar 133 páginas em formato A4 no ano de 1968, divulgado por meio de 120 cópias. Faltavam, ainda, muitas informações como, por exemplo, sobre sua juventude. Nos arquivos de Copenhagen não encontrei informações, nem mesmo que ele havia morado lá. Isto mudou quando o Mapa Natal de Max Heindel foi refeito e percebido que a posição da Lua não se encontrava na latitude norte de Copenhagen, mas, situava-se na região de Aarhus.
Sr. Rickelt, o arquivista da Prefeitura de Aarhus, durante seu tempo livre, fez muitas pesquisas sobre a adolescência de Max Heindel, cujos resultados estão contidos no capítulo 2. Com essas informações também foi possível continuar a pesquisa na Escócia. A filha mais velha de Max Heindel, Wilhelmina Grasshoff, nos passou informações complementares e forneceu 3 fotos do pai, mãe e 4 filhos. Nos arquivos de Berlim haviam poucas informações porque durante a guerra de 1940-45 com os bombardeios na cidade, se perdeu muito material arquivado. Nos EUA a busca foi difícil, porque sem uma informação específica é difícil conseguir achar alguma coisa. Porém, mesmo assim, consegui juntar informações, graças à ajuda benevolente de pessoas de lá.
Sou muito agradecido às pessoas que tinham informações autênticas e que me passaram; como a sobrinha da Sra. Augusta Foss Heindel, Sra. Olga Borsum Crellin, que me forneceu um relatório curto, mas completo da família Foss, juntamente com algumas fotos. O Sr. George Schwenk de Ojai, que por muitos anos foi amigo da Sra. Augusta Foss Heindel, me passou muitas informações em primeira mão, como também o Sr. e Sra. Barkhurst, que por volta de 1920 se afiliaram à Fraternidade Rosacruz, e em 1982 não só me passaram informações como também um material exclusivo sobre os exercícios espirituais e também uma cópia datilografada de “Memoirs of Max Heindel and the Rosicrucian Fellowship” da qual possuíam o original, escritos pela Sra. Augusta Foss Heindel em 1941. Ela mesma publicou uma versão simplificada no Echoes em 1948 com o título “The Early History of the Rosicrucian Fellowship”.
O manuscrito original foi doado pela família Barkhust pouco antes de morrer, à Fraternidade, que em 1997 publicou sob o título “Memórias sobre Max Heindel e a Fraternidade Rosacuz”.
Nesses 50 anos, com algumas pausas, trabalhando nesta biografia, muitas outras pessoas me forneceram informações e dados importantes. Seus nomes estão nas notas de Rodapé juntamente com o material onde aparecem.
Sobre o desenvolvimento Rosacruz na Holanda recebi muitas informações do Sr. Jaap Kwikkel que foi um dos primeiros afiliados da Holanda e testemunha de muitos acontecimentos. Também conheci a Sra. A. van Warendorp, que introduziu os estudos na Holanda, mas infelizmente já não estava mais acessível (intelectualmente).
Os últimos anos dediquei-me a fazer um esboço do movimento Teosófico na Alemanha, quando Heindel em 1907/08, passou 5 meses por lá.
Também relatei a relação entre Steiner e Heindel, e o desenvolvimento espiritual de Steiner até 1912, e naturalmente sobre algumas concordâncias e diferenças em suas visualizações que em primeira instância poderiam ter sido negligenciados, mas que são muito importantes; bem como encontrar a passagem em que Steiner numa Palestra em 11/10/1915 em Dornach cita, pessoalmente, não ser um representante dos Rosacruzes, onde a ideia de alguns de que a Antroposofia era uma metamorfose do ensinamento Rosacruzes se demonstrou errônea.
O nome Rosacruzes parece mexer com a imaginação de muitas pessoas. Existem muitos grupos que utilizam esse nome em seu brasão para grande confusão dos forasteiros. Portanto, dediquei um capítulo à história da Ordem Rosacruz e no Adendo 13 tem um resumo das organizações mais importantes onde o nome Rosacruzes aparece de uma ou outra forma, com no final uma visão esquemática de onde se originaram.
No início de 1600 os manifestos dos Rosacruzes de Fama Fraternitus R.C., de Confessio Fraternitatis R.C. e o Assertio Fraternitatis R.C., trouxeram muita comoção. No Adendo 1 traduzi novamente para o Holandês.
A Ordem Rosacruz é uma das 7 Escolas de Mistérios Menores de Iniciação que foi especialmente desenvolvida para os Ocidentais com Religião Cristã. O último capítulo foi dedicado à preparação e ao processo de Iniciação.
Laag-Soeren, julho 2003
Sumário
PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO.. 7
Capítulo 1 – A Origem da Ordem Rosacruz.. 8
Capítulo 2 – De Carl Grasshoff à Max Heindel.. 47
Capítulo 3 – A Teosofia na Alemanha nos idos de 1900. 62
Capítulo 4 – Max Heindel na Alemanha.. 67
Capítulo 5 – Mensageiro dos Rosacruzes. 81
Capítulo 6 – Expansão da Fraternidade Rosacruz.. 90
Capítulo 7 – Aquisição de um Terreno para a Sede Central.. 106
Capítulo 8 – Construtor – Material e Espiritual.. 124
Capítulo 9 – Mais Atividades de Construção.. 136
Capítulo 10 – Ainda Mais Atividades de Construção.. 151
Capítulo 11 – Destaques Espirituais e o Falecimento de Max Heindel 162
Capítulo 12 – Augusta Foss Heindel como Sucessora de Max Heindel.. 180
Capítulo 13 – Disputa pelo Poder.. 200
Capítulo 14 – Finalmente Paz.. 217
Capítulo 15 – Em Direção a um Novo Ciclo.. 232
Capítulo 16 – Método Ocidental de Iniciação.. 250
ADENDO 1 – OS MANIFESTOS ROSACRUZES: FAMA, CONFESSIO e ASSERTIO.. 277
FAMA FRATERNITATIS R. C. ou os rumores da Fraternidade, da muito louvável Ordem Rosa Cruz 277
CONFESSIO FRATERNITATIS R.C. – Confissão a Fraternidade Rosacruz aos Estudiosos da Europa 299
Adendo 3 – FLORENCE MAY HOLBROOK.. 323
Adendo 4 – Carta de Max Heindel para C.W. Leadbeater, 1904. 327
Adendo 5 – A Família FOSS. 331
Adendo 6 – ALMA VON BRANDIS. 336
Adendo 7 – Rudolf Steiner.. 339
Adendo 8 – DIFERENÇAS IMPORTANTES ENTRE OS ENSINAMENTOS DE MAX HEINDEL E DE RUDOLF STEINER.. 353
Adendo 9 – Troca de cartas entre Max Heindel, Laura Bauer e Hugo Vollrath 368
Adendo 13 – Rosacruzes e “Rosacruzes”. 455
BIBLIOGRAFIA: LIVROS ESCRITOS. 485
COMPOSTOS DOS TRABALHOS DE MAX HEINDEL.. 494
POR AUGUSTA FOSS HEINDEL.. 499
DE OUTROS ESCRITORES E DE ASTROLOGIA ROSACRUZ.. 501
OUTRAS PUBLICAÇÕES DA FRATERNIDADE ROSACRUZ.. 503
Desde a primeira edição de 2003 consegui juntar à biografia muitas imagens e informações. Por exemplo, informações sobre a chegada de Max Heindel em Nova York; seu segundo casamento; sua estadia em Boston e muitos outros detalhes foram introduzidos no texto.
Também foram acrescentadas mais fotos como uma foto da adolescência de Max Heindel com seu irmão e mãe; da casa onde Max Heindel e sua segunda esposa, Louisa Anna Petterson, moravam em Roxbury[1] e uma foto da Alma Von Brandis que pagou a viagem de Max Heindel para a Alemanha.
Fiz uma revisão nos Aspectos astrológicos. Também recalculei todos os mapas natais e onde necessário fiz correções e, portanto, posso encerrar essa biografia.
Sou agradecido a todas as pessoas que me forneceram informações e fotos. Seus nomes aparecem nos rodapés das biografias.
Laag-Soeren, abril de 2.014
A Fraternidade Rosacruz foi fundada em 1911 por Max Heindel – nome que foi usado por Carl Louis Fredrik Grasshoff, nos Estados Unidos. Ele foi incumbido, por um dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, de tornar público parte de seus ensinamentos, que antes eram conhecidos e divulgados apenas num círculo fechado e de forma simbólica. Para entendermos melhor é conveniente contarmos a história e o objetivo da Ordem Rosacruz.
A origem da Ordem Rosacruz, conforme Max Heindel, se inicia no passado distante, no início da Era Terrestre, mas seu arquétipo já se manifesta 3 períodos antes do nosso Período Terrestre[2].
No início do nosso desenvolvimento, no Período de Saturno, o “calor” era o único elemento e a humanidade, que naquela época tinha uma consciência semelhante aos minerais, formavam uma unidade.
No Período Solar, formou-se mais um elemento: o “ar” que se juntou ao elemento fogo do Período anterior. Isto se revelou, então, como chamas e o mundo escuro se transformou numa bola flamejante. A humanidade tinha uma consciência semelhante à das plantas, atualmente, e ainda formava uma unidade.
No Período Lunar a bola flamejante tocou no espaço frio e se desenvolveu o vapor: “água”. Uma parte dos Anjos atuais, que eram a humanidade daquele período, tinham preferência pela água, enquanto outra parte dava preferência ao fogo. A constante mudança em evaporação e condensação da humidade que envolvia o núcleo quente, formou uma crosta em volta do núcleo. Era intensão de Jeová formar esta “terra vermelha”, que na Bíblia foi chamado de “ADAM”, em formas que pudessem encarcerar e extinguir os espíritos no fogo. Para este fim, Ele pronunciou o fiat criador, e os protótipos do peixe, da ave e de todo o ser vivente apareceram, incluindo mesmo a primitiva forma humana. Ele queria que todos os seres viventes obedecessem à sua vontade. Contudo, uma parte dos Anjos se rebelou contra esta ideia. Eles tinham uma preferência muito grande pelo fogo para aceitarem a água e se recusaram a criarem formas. Portanto, privaram-se de uma oportunidade de evoluir através das linhas convencionais e se tornaram atrasados.
Porque se recusaram a obedecer a Jeová, eles precisavam tentar encontrar o desenvolvimento por conta própria; para isto escolheram como líder Lúcifer.
No início do Período Terrestre, quando vários Planetas foram formados para dar oportunidade de desenvolvimento aos diversos grupos de Espíritos Virginais, os Anjos trabalharam, juntamente com Jeová, nos diversos Planetas e Luas, enquanto os Espíritos Lucíferos, também denominados Anjos Caídos, ficaram no Planeta Marte.
O representante dos Anjos da Lua na Terra, que estão sob a liderança de Jeová, é o Anjo Gabriel. O Anjo Samael é o representante dos Anjos que estão sob a liderança de Lúcifer.
Desta forma surgiu, naquele fraco início do dia cósmico, uma rixa entre as Hierarquias do fogo e as Hierarquias da água; entre os descendentes de Caim e os de Abel, respectivamente, Seth.
A Maçonaria nos mostra – ainda conforme Max Heindel – que existem pontos comuns e pontos divergentes com a história da Bíblia. Esta tradição conta que Jeová criou Eva. Que o Anjo lucífero Samael se juntou a ela, mas foi expulso por Jeová e forçado a abandoná-la antes do nascimento de seu filho Caim, que se tornou o Filho da Viúva. Depois Jeová criou Adão para se tornar o esposo de Eva. Desta união nasceu Abel.
Desde o início deste Período Terrestre já existiram 2 tipos de seres humanos. O primeiro, meio divino, gerado pelo Anjo lucífero Samael, repleto da força condutora marciana; batalhador, inovador e possuidor da força da iniciativa, relutante à coerção e autoridade, tanto da humanidade quanto da divindade. O segundo, gerado por seres humanos com pais humanos, vive pela fé e não por ação, eles não sentem urgência ou inquietação. São mansos e dóceis, uma postura que agradou muito a Jeová, porque ele vigia escrupulosamente o seu direito de criador. Por isto a oferta de Abel que foi conseguida sem dificuldade ou iniciativa própria foi aceita por ele, com satisfação, e a oferta de Caim foi desdenhada, porque foi feita por ele por seu caráter divino como criador, relacionado ao de Jeová.
Então Caim matou Abel. Contudo, com isto ele não destruiu a linhagem obediente de Jeová. Porque na Bíblia está escrito que Adão conheceu novamente a Eva e ela gerou Seth, que tinha as mesmas características de Abel.
Por se dedicarem com zelo aos assuntos terrenos os filhos de Caim se espalharam pelo mundo e, desta maneira conquistaram, o poder. Eles são os líderes da indústria e os mestres da política.
Os filhos de Seth, que buscam a liderança de Deus, se tornaram o portal para a sabedoria divina e espiritual; eles formam o Sacerdócio.
Jeová deu a Salomão, um descendente de Seth, a ordem para construir um Templo conforme o plano dado a Davi. Contudo, Salomão não tinha a capacidade de transformar o plano divino em formas físicas e por isso solicitou ajuda ao Rei de Tiro, um descendente de Caim, que se chamava Hiram Abiff, o filho da Viúva. Nele todas as artes e ofícios dos filhos de Caim afloraram completamente. Ele sobrepujava todos os outros no manejo com o trabalho na matéria. Sem Hiram Abiff, o Mestre de Obras, o plano de Jeová teria permanecido um sonho. Para a construção do Templo, a perspicácia dos filhos de Caim era tão necessária quanto o projeto espiritual dos filhos de Seth. Portanto, ambos os grupos juntaram todas as suas forças durante a construção do Templo.
Esta foi a primeira tentativa de unificar as duas linhagens. Contudo, por traição dos filhos Seth esse plano divino de reconciliação frustrou. Eles tentaram abafar o fogo usado por Hiram Abiff com sua arma natural a água. Quase obtiveram sucesso.
O Templo de Salomão era a coroação de ambos os lados, uma personificação da espiritualidade elevada dos ideais desses líderes, os filhos de Seth, unido às habilidades excepcionais dos seres humanos de ação, os filhos de Caim.
Salomão estava satisfeito, mas a mente de Hiram não estava. Ele havia feito uma peça de inigualável habilidade, mas o projeto não estava em suas mãos. Ele foi apenas o mestre de obras do arquiteto invisível Jeová, que trabalhava por intermédio de Salomão. Ele foi impelido por uma força esmagadora a incluir algo no Templo que sobrepujaria em beleza e importância a todo o resto. Por este esforço espiritual nasceu o desejo de construir o Mar Fundido.
Quando Hiram havia quase terminado de construir o Templo, ele começou a fundir os vasos. O ponto principal era o grande lavatório, o lavabo da purificação onde todos os sacerdotes deveriam mergulhar, antes de poderem servir a Deus. Este lavatório, juntamente com todas as outras embarcações menores, Hiram fundiu com bom resultado.
Mas existe uma grande diferença entre o lavatório e o Mar Fundido, que deveria ser inserido conforme o plano de Hiram. Se não fosse fundido corretamente o lavatório não funcionaria para a operação de limpeza. Esse trabalho deveria ser a Obra de Arte de Hiram.
Se ele tivesse sido bem-sucedido nessa empreitada, este trabalho estaria acima da humanidade e ele seria considerado divino, assim como Elohim Jeová. Porque seu pai divino Samael havia garantido a Eva, que ela se tornaria igual a Deus se ela comesse da árvore do conhecimento.
Por séculos seus ancestrais trabalharam no mundo e pela sua experiência conseguiram construir uma obra, onde Jeová se escondia atrás do Véu e só conversava com seus sacerdotes, os filhos de Seth. Os filhos de Caim eram proibidos de entrar no Templo, que eles mesmos construíram. Da mesma forma que seu pai Caim foi expulso do Jardim do Éden, o Paraíso.
Hiram sentia tudo isto como um escândalo e injusto, e buscava um meio de que os filhos de Caim pudessem rasgar o Véu do Templo para abrir caminho para todos. Para atingir este objetivo enviou mensageiros para todas as partes do mundo para juntarem todos os tipos de metais existentes. Com seu martelo ele pulverizou todos os metais e os colocou num forno incandescente, para tirar todo o conhecimento possível, durante o processo alquímico. Desta forma o conhecimento de cada metal impuro iria se juntar e formar o conhecimento de sublimação espiritual e de incomparável força. Como esta sublimação seria totalmente pura e transparente, se pareceria com um mar de vidro. Todos que ali se banhassem teriam juventude eterna. Nenhum filósofo poderia se igualar a ele em sabedoria. Esse conhecimento faria com que ele conseguisse levantar o Véu invisível e contatar as Hierarquias superiores, pessoalmente.
Contudo, os trabalhadores inaptos, que Hiram fora incapaz de iniciar nos graus superiores, conspiraram para deitar Água no recipiente moldado para receber o Mar, porque eles sabiam que os filhos do fogo não sabiam lidar com esse elemento aquoso. Desta forma, frustrando o acalentado projeto de Hiram e estragando sua Obra-prima, eles aspiravam vingar-se do Mestre.
Quando Hiram, com toda a confiança, tirou o tampão do cadinho, o fogo líquido escorreu e se encontrou com a água. Enquanto os dois elementos cozinhavam e lutavam entre si houve um estrondo trovejante que estremeceu Céus e Terra.
Todos, exceto Hiram, esconderam seus rostos da devastação medonha. Então Hiram ouviu do meio do fogo furioso um chamado do seu antepassado Tubal Caim, que implorou que ele pulasse dentro do Mar Fundido. Hiram mergulhou cheio de confiança e enquanto ele foi submergindo pelo fundo dissolvido do lavabo, foi conduzido pelas nove camadas da Terra até o Centro onde se encontrou com seu antepassado que o instruiu em como misturar água com fogo e entregou um novo martelo e uma nova palavra que o ajudaria a atingir este objetivo. Caim disse a Hiram que ele estava destinado a morrer sem realizar suas expectativas. Contudo, que nasceriam muitos filhos da Viúva que iriam manter seus feitos vivos na memória. Finalmente viria um que seria maior que ele. Hiram não iria acordar até que o Leão de Judá o despertasse com sua garra poderosa. Caim também falou que ele teve agora o batismo de fogo, mas que Ele, o Cristo, iria batizá-lo com água e espírito; ele e todo filho da Viúva que vier até Ele. Este, maior que Salomão, irá construir uma nova cidade e um novo Templo onde o povo da Terra poderá adorá-Lo. Os filhos de Caim e de Seth irão encontrar lá o mar de vidro.
Quando Hiram retornou novamente à superfície da Terra e queria ir embora, os traidores o atacaram e feriram mortalmente. Entretanto, antes de morrer ele guardou o martelo e o disco onde havia escrito a palavra. Ele ficou dormindo até que renasceu como Lázaro, o filho da Viúva de Naim.
Neste mesmo período Salomão renasceu como Jesus de Nazaré para se tornar a ferramenta do altruísta, unificador Espírito de Cristo. O batismo de água que João, em sua capacidade de representante de Jeová, O fez passar, libertou-O. Naquele momento ele (Jesus) entregou seu corpo para que o Espírito de Cristo descesse nele e se reagrupou ao lado do novo Líder, Cristo, com o objetivo de terminar com a divisão entre os filhos de Seth e os filhos de Caim.
De Jesus foi dito que ele era um tekton[3], um filho de Deus, o grande Arche Tekton, o construtor primal.
Quando Lázaro é despertado da morte pela garra do Leão – o Leão de Judá, Cristo – o disco foi reencontrado e também o novo martelo, na forma de uma cruz, enquanto no disco havia o símbolo misterioso de uma rosa. Nestes dois símbolos se encontram o grande mistério da vida, a mistura do fogo e da água, como é demonstrado pelo fino líquido que nasce do solo e sobe pela haste e o cálice virado para cima, que se transforma nas cores fulgurantes das pétalas que surgiram na pureza da luz do sol, mas que até hoje são protegidas pelos espinhos dos Espíritos Lucíferos de Marte. Por esta razão Hiram toma seu lugar entre os imortais, sob o novo nome simbólico de
CHRISTIAN ROSENKREUZ
No final do século XIII Christian Rosenkreuz fundou a Ordem Rosacruz. O local onde está a Ordem não pode ser revelado publicamente, para que curiosos não atrapalhem o trabalho realizado lá. O que pode ser dito é que o Templo, como é chamado este local, fica na Erzgebirge (Montanhas de Erz), em Saksen, na Alemanha[4].
Max Heindel fala que a “casa”, onde os Irmãos Maiores moram, faz pensar em pessoas abastadas, mas discretas. Na cidade onde vivem parecem ter uma posição importante, mas utilizam essa posição apenas como disfarce, para justificar sua presença e para não despertar perguntas sobre quem ou o que eles são, ou que tenha algo incomum com eles.
Fora daquela casa e por dentro daquela casa fica o que eles chamam de Templo. Este é etérico e difere das nossas construções comuns. Este Templo pode ser comparado com a Aura do Templo de Cura de Oceanside[5] que é etérico e bem maior que o prédio em si.
Este Templo dos Rosacruzes sobrepõe tudo e não pode ser comparado a nenhuma outra coisa, mas circula e penetra a casa onde os Irmãos Maiores moram. A casa é tão permeada por espiritualidade que a maioria das pessoas não se sentiria confortável[6].
Assim como as outras Escolas de Mistérios, a dos Rosacruzes também se formou em base etérica. Assim como precisamos de 12 esferas para cobrir uma décima terceira, de mesmo tamanho, para esta não ser vista, existem 12 Signos do Zodíaco que circundam nosso Sistema Solar, 12 tons e semitons que formam a oitava, assim também é na Ordem Rosacruz que tem 12 Irmãos Maiores mais um décimo terceiro, que é a Cabeça da Ordem e fica invisível aos olhos da humanidade. Mesmo as Irmãs e Irmãos Leigos nunca o veem, mas nos serviços noturnos no Templo todos sentem sua presença quando ele entra no Templo, que é o sinal para o início da cerimônia[7].
Os números: 1, 5 e 7 também têm um significado cósmico. Assim existem 7 Escolas de Mistérios Menores, no qual os Rosacruzes fazem parte, e 5 de Mistérios Maiores. Todas fazem parte de um cabeça central que é chamado “O Libertador”.
A Ordem Rosacruz é destinada para os Ocidentais, enquanto as outras 6 escolas são destinadas para as raças do Sul e do Oriente. As 5 Escolas de Mistérios Maiores são constituídas pelos graduados nas Escolas Menores.
Dos 12 Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz – todos possuem Corpo Denso, o corpo físico – existem 7 que saem ao mundo quando houver necessidade, atuando como pessoas entre as pessoas, ou em seus veículos invisíveis. Os outros 5 Irmãos Maiores nunca abandonam o Templo. Embora eles tenham um Corpo Denso, todo seu trabalho é feito nos Mundos Suprafísicos. Os 12 Irmãos Maiores são ajudados em seu trabalho por Irmãs e Irmãos Leigos, pessoas estas que moram em diversos lugares no mundo ocidental, mas que conseguem deixar seus corpos físicos de forma consciente, acompanhar os Serviços no Templo e participar das Atividades Espirituais no Templo, porque eles, cada um de uma forma especial, foram instruídos na Iniciação por um dos Irmãos Maiores[8].
Ficará claro que isto só poderá ser confirmado por alguém que consegue ler na “Memória da Natureza”, que fica na quarta Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento[9], onde existe um registro de tudo o que aconteceu na Terra, e para isto só estão aptos os Iniciados das Escolas Menores. Este historiador, que não é um Iniciado, terá que se orientar pelo que está escrito nos arquivos e nas bibliotecas.
A seguir faço um resumo da história dos Rosacruzes que pode ser lida por completo nas obras citadas. Embora não seja um seguidor da Ordem, Simon Studion é citado, visto a grande influência de seu livro Naometria sobre Tobias Hess.
Simon Studion nasceu em 6 de março de 1543 entre 6 e 7 horas da manhã em Urach[10]. Em 1561 ele foi inscrito como estudante de teologia em Tubingen. Seu professor de ética M.S. Heyland não era apenas um excelente matemático, mas também era conhecido como astrônomo e astrólogo. Studion estudou com ele, também, cálculo místico. Em 14 de fevereiro de 1565 ele se formou Teólogo e teve a triste notícia de que não poderia ser Teólogo porque gaguejava[11]. Dois meses depois em 14 de abril de 1565 ele conseguiu um emprego no internato de Stuttgart. Em fevereiro de 1572 ele se tornou Professor na Escola Latina em Marbach, próximo a Neckar onde ficou até se aposentar em 1605.
Em janeiro de 1566 ele se casou com Anna Dietrich e tiveram 5 filhos. A partir de 1570 ele foi reconhecido como Poeta de Latim, e em Württenberg, considerado o fundador do Museu de História Antiga Romana que começou em Marbach. Ele mesmo juntou peças antigas em 2 carroças cheias que formaram a base da coleção de antiguidades de Stuttgart. Studion também escreveu um livro sobre seus achados com gravuras e fez um calendário histórico para Württenberg. O propósito de seu material histórico era destinado para o que ele considerava seu trabalho de vida, um livro com teses e previsões no qual havia começado em 1592. Os boatos sobre este fato chegaram de forma mutilada à corte de Stuttgart, onde foi dito que ele estava escrevendo um livro contra o Papa. Por esta razão em janeiro de 1593 ele foi chamado para uma audiência pela Igreja. Mesmo que sua declaração não tenha sido convincente, ele não foi mais incomodado.
O sucessor de Ludwig, Duque Friedrich, tinha uma grande preferência por ocultismo e alquimia e Studion esperava que se interessasse muito por seu trabalho, que ele chamou Naometria, ou seja: geometria do templo. Por volta de 1600 havia na Alemanha muitas previsões de final dos tempos, que trazia muita angústia. Studion queria, com seu livro, trazer um baluarte aos sinais, demonstrando uma solução e prenunciando a salvação.
Studion sabia de um grupo que se chamava “Crucesignati”, que havia se reunido em 1586 em Luneburg e havia inaugurado a Fraternidade Evangélica. Studion queria organizar um encontro em Konstanz, seguindo este exemplo, como um concílio de reforma. Ali se tomariam precauções para o esperado julgamento divino. Studion esperava que o reino dos mil anos chegaria em 1621. Contudo, antes disso, iriam nascer 3 testemunhas, dos quais o primeiro nasceu em 1483 que, naturalmente, foi Martin Luther; a segunda testemunha viria em 1543, que era ele; e em 1593 Elias Artista, o alquimista, iria aparecer como o grande Anticristo.
Studion baseava seus cálculos nos do abade Joachim de Fiore que viveu de 1130 a 1202. Ele o chama, constantemente, de testemunha chave.
A Naometria atraiu a atenção do Duque Friedrich, principalmente porque continha material histórico e profecias, proveitosas favoráveis a si. De qualquer forma o trabalho circulava e também caiu nas mãos de estudantes em Tübingen.
A entrega do manuscrito ao Duque Friedrich ocorreu num período ruim, por causa da má experiência com o falso fabricante de ouro Georg Honauer, que foi preso e executado em 1597.
O Duque perguntou ao Studion se ele, com seu conhecimento de história, poderia escrever a história de Württemberg. Assim foi escrita a história, enquanto o seu filho o substituiu na escola.
Para ter a atenção do Duque para o seu ideal, Studion escreveu, no Prefácio do seu livro de história que se chamava Ratio Nominis, uma dedicatória copiosa onde ele lembrava o Duque de seu livro principal, que o havia entregue na primavera de 1596.
O Conde Palatino Phillip Ludwig Von Neuberg ficou muito interessado na Naometria, e pretendia imprimir com gravuras de cobre. Talvez Studion tenha entendido, durante a negociação, que seu trabalho estava confuso em vários pontos. Portanto está justificado que em 1601 ele foi liberado pelo Duque de dar aulas para reescrever sua obra, o que durou até 1604. A dedicatória de 205 páginas ao Duque Friedrich, do livro de 1790 páginas, foi datada de 9 de novembro de 1604. O novo Naometria é uma melhoria muito importante pela divisão em capítulos e uma tabela de conteúdo, mas apesar disso os cálculos e a profecia obscureciam o real propósito do trabalho.
Em 19 de fevereiro de 1605, o Duque Friedrich mandou que Studion e sua esposa se mudassem para Maulbronn e que ele ganharia uma aposentadoria. O seu filho também foi realocado. Studion também ganhou um valor de 30 florins dos cofres da Igreja, que demonstra que o Duque não se esqueceu do seu trabalho de historiador. Pouco depois, Studion deve ter falecido, uma vez que era conhecido como beberrão, ficava doente e tinha um caráter difícil. Seu mapa se encontra no Adendo 12.
Max Heindel nos informa, em dois lugares diferentes, que a Ordem Rosacruz foi fundada no século XIII[12].
O famoso historiador holandês Dr. Adolf Santing escreve que o Epitáfio de Christian Rosenkreuz no Fama foi escrito em Latim do século XIII[13].
As tentativas de Luther em 1517 de limpar a Igreja Católica Romana de abuso, na verdade, só causaram uma separação, sem de fato mudar algo. Assim, no início do século XVII, as Igrejas ainda eram soberanas e estavam divididas em 2 grupos: católicos e protestantes. Este último, os Luteranos e Calvinistas, eram tão intolerantes ao pensamento divergente quanto os católicos.
Também, quanto à ciência, as Igrejas só aceitavam aquilo que encaixasse no interesse delas. Pesquisadores científicos eram forçados a rever sua forma de pensar, sendo ameaçados de prisão e várias vezes eram proibidos de publicar algo[14].
Um grupo de pessoas, em torno de Tobias Hess (1568-1614), fizeram um chamado em nome dos Rosacruzes aos líderes, clero e estudiosos da Europa, para fazerem uma reforma completa no campo da religião, política e ciência. Por volta de 1610 seu manuscrito chamado Fama Fraternitatis Roseae Crucis circulava com um chamado à reação.
A primeira resposta veio do Austríaco Adam Haslmayr (1562 – depois de 1630) que publicou, em 1612, uma resposta ao exemplar que ele leu em 1610, nomeado Antwort an die lobwurdige bruderschaft der Theosophen Von Rosencreutz[15].
Adam Haslmayr nasceu no dia 10 de novembro de 1562, em Bozen, Tyrol[16]. De profissão era organista, contador imperial e Professor de Latim na Escola Paroquial.
Depois da Primeira Guerra Mundial (1919/20) o sul do Tirol se tornou território Italiano e o nome de Bozen trocado para Bolzano. Veja seu horóscopo no Adendo 12.
No início de 1585 ele se casa com Anna Pruckhreiter de Bozen[17]. Em Bozen tiveram 5 filhos e 2 filhas, dos quais o primeiro foi Christoph Sigismund que nasceu em 10 de outubro de 1591.
Ele foi professor de latim em St. Pauls-Eppan até que, em 23 de março de 1588, ele se torna professor em Bozen.
Em 1592 foi publicado em Ausburg o livro Newe Teutsche Gesang – um canto de 4 a 6 vozes do qual existe um exemplar no museu britânico[18].
Um ano depois, em 15 de agosto de 1593, o Arquiduque Ferdinand entregou-lhe uma carta dizendo que ele podia usar um brasão de família – um galo bravo voador ou uma pequena galinha do bosque com um ramo de aveleira no bico – e foi assim que se tornou nobre[19].
Em 1586, Haslmayr ganhou um livro de Paracelsus, Philosophia Sagax do seu amigo Lorenz Lutz. Esse livro impressionou o católico Haslmayr, despertou seu ultraje, mas também iniciou um lento processo de transformação. Assim ele escreveu que em 1594, 6 anos depois, ele se converteu à nova religião Paracelsista “Sancta Theophrastica”.
Por consequência disto, em 1603 ele escreve seu primeiro de muitos tratados, com várias ideias paracelsistas que iam contra a Igreja Católica e que ele entregou ao Arqueduque Maximilian de Tirol. Por causa disso foi chamado a depor em Imsbruck e, como consequência, foi demitido da Escola Paroquial de Bozen em 10 de setembro, do qual ele ganhou uma pequena aposentadoria.
Depois de 15 anos como professor e contador imperial, e muitos anos de organista, ele se muda com sua família, da qual só 3 filhos ainda estavam vivos, para Schwaz, onde ele sobrevive como contador, tradutor de textos sobre alquimia, químico e médico espagírico.
Em 1610 ele se muda para Heiligen Kreuz, uma cidadezinha na região de Salbad Hall, um pouco ao ocidente de Imsbruck onde trabalha como contador imperial, traduz alguns livros do latim para o Alemão para o Prefeito e dá aulas de espagiria[20] (18) para seus filhos.
Em 1611 ele entra em dificuldades novamente porque o médico da cidade de Solbad Hall, Hippolytus Guarinoni (1571-1654) o denuncia às autoridades em Imsbruck. Ele recebe em 28 de janeiro de 1611 uma notificação por escrito. Assim surgiu no final de janeiro, início de fevereiro seu “Unterthemige Verantwortung” onde Haslmayr cita o Fama Fraternitatis R.C. pela primeira vez e também é o documento mais antigo arquivado que menciona os Rosacruzes.
Em 1611 Haslmayr escreve uma carta, juntamente com seu amigo Benedictus Figulus (1567-1624?), que conhece desde 1607, ao médico Dr. Karl Widemann (1555-1637)[21].
Em seguida Widemann convida Haslmayr para visitá-lo em Augsburg. Esta visita ocorreu no início de julho de 1611 e é o início de uma amizade para uma vida inteira.
Guarinoni havia escrito um livro impressionante Die Greuel der Verwustung menschlichen Geschlechts[22] (Ingolstad, 1610), onde ele liquida com Paracelsus e seus seguidores. Haslmayr não resistiu em difamar este livro sempre que tivesse oportunidade e em outubro de 1611 escreveu Apologia em defesa de Paracelsus contra o “médico fajuto, enganador e fazedor de bebidas” Guarinoni, onde ele cita textos do Fama Fraternitatis mais de uma vez e também os Rosacruzes com textos como: O que os teósofos do R.C. não irão dizer no futuro sobre textos tão anticristãos, ridículos e criminosos?
Como dito antes por Adam Aslmayr que havia lido um exemplar de Fama Fraternitatis e formulou sua resposta[23], e enviou, em dezembro de 1611, juntamente com uma cópia do Fama, através do Widermann para o Sr. August Von Anhalt (1572-1653) em Zerbst, que publicou, em pequena escala, o Antwort an die lobwurdige Bruderschafft der Theosophen Von Rosen Creutz NN de Haslmayr, em março de 1612. É a primeira reação ao Fama, e o primeiro documento onde aparece o nome: Fraternidade Rosacruz. Haslmayr estava consciente que com a publicação de sua “resposta” iria causar muita irritação e esta publicação não ficou sem consequências.
Apesar de ter sido avisado por Widemann e de ter conversado sobre algumas rotas de fuga, Haslmayr não o ouviu. Erradamente ele achou que o Arqueduque Maximilian de Tirol ainda o protegeria e entregou sua Epístola da oratória (Epístola de exortação) para a corte de Tirol, na esperança de ser autorizado a ir para França, na região de Montpellier, à procura de uma Rosacruz. Contudo, as coisas ocorreram de forma muito diferente. Maximilian já havia dado ordens de prendê-lo no Presídio. Assim ele foi detido por acusação de ter ideias perniciosas e heréticas e concepções perigosas e que espalhava escritos maliciosos e venenosos[24].
Ele foi transferido para Gênova, Itália, onde, no dia 31/10/1612, exatamente no seu 50º aniversário, foi entregue ao alemão Adrian Von Sittinghause, que, conforme o próprio Haslmayr, o prendeu no Presídio de St. George. “Aqui tive que tirar todas as minhas roupas, rasparam a barba e o cabelo, tive que colocar as roupas de presidiário e me colocaram uma corrente no tornozelo, o que me fez sentir um cachorro acorrentado”[25].
Apesar dos apelos da esposa e dos amigos não conseguiram liberá-lo. Contudo, com o auxílio do Diretor Adrian Von Sittinghause, em Gênova, ele conseguiu antecipar sua soltura, depois de 4 anos e meio, no dia 1º de junho de 1617. Ele foi para a casa do amigo Dr. Karl Widemann, o médico de Ausburg, que o recebeu em sua casa. Durante sua estada na prisão, Widemann havia sustentado sua família.
Após seu retorno da Itália e sua mudança para Ausburg, no início de 1618, Haslmayr participou de uma furiosa controvérsia Rosacruz e escreveu vários tratados que, na maioria, se perderam. Em 1615 sua esposa faleceu. O último sinal de vida dele foi um comentário de Widemann: “abril 1618, quando ele estava aqui”[26].
Fora o conhecido manuscrito da Fama, que fazia parte da Biblioteca de Christoph Besold, e que hoje se encontra na Biblioteca de Salzburg, o Dr. Gilly conseguiu encontrar mais 3 manuscritos da Fama[27]. Na capa do exemplar de Besold está escrito: Fama Fraternitatis oder Bruderschafft dess Hochloblichen Ordens Roseae Crucis. An die Haupter, Stande und Gelehrten Europae. Neste manuscrito não aparecem os erros dos outros 3 e nem da primeira impressão de Kassel em 1614. O manuscrito também contém frases, que tanto os outros copiadores quanto a impressão de Kassel, não perceberam. Este não só ampliou as passagens, mas também os tornou legíveis. Infelizmente faltam algumas páginas neste manuscrito.
Tobias Hess foi batizado no sábado dia 10/02/1568 em Neurenberg e faleceu em 4 de dezembro de 1614 em Tubingen[28]. Ele estudou direito em Erfurt, Jena, Altdorf e Tubingen, onde se formou doutor em direito público e privado em 1592. Na sexta-feira 21/10/158 ele se casou com Agnes Kienlin (19/2/1568 – 8/1/1632) e depois no 20º domingo da trindade em 1588[29] foi celebrada a cerimônia religiosa do matrimônio. Esta união foi abençoada com 12 filhos[30], dos quais o primogênito foi Johan Conrad, nascido em 9 de junho de 1591.
Hess praticou por um tempo a advocacia, mas depois se ocupou com a arte da cura conforme Paracelso, botânica e alquimia. Ao seu grupo de amigos íntimos pertenciam o nobre Austríaco Abraham Holzel, o Pastor Emérito Johann Vischer, o futuro Teólogo Johann Valentin Andreae, o irmão deste Johann Ludwig Andreae e o jurista Christoph Besold[31]. O Johann Valentin Andreae já conhecia Hess a muito tempo, pois este visitava os pais dele juntamente com seu pai, que faleceu em 1601, para fazer experimentos de alquimia. Também conheceu em 1606 fora ele e Johann Ludwig a irmã Margarethe. Mais tarde foi o único que conseguiu curar o Andreae de um problema no joelho.
Em 1605 a Faculdade de Teologia de Tubingen resolveu ouvir a opinião de Hess, que tinha uma grande predileção pela Naometria de Simon Studion, sobre Quiliasmo[32], e sobre a propagação da nova ideia sobre “tertio século” – o terceiro período do espírito, que começaria depois da queda, que se aproximava, do papado[33].
Neste círculo surgiu por volta de 1608[34], no primeiro decênio do século 17[35], o Fama e também o Confessio, que é citado 3 vezes no Fama[36]. Que Hess era a força motriz por trás disto e que Johann Valentin Andreae fazia parte deste grupo não era segredo nem para os que apoiavam ou eram contra o movimento.
No ano do falecimento de Hess, 1614 o Conde Moritz Von Hessen-Kassel (1572-1632) autorizou a impressão em Kassel do Fama[37], onde inclusive o “Antwort” de Haslmayr estava incluso, com o aviso que este foi aprisionado pelos Jesuítas (pelo médico da cidade de Hall, Hippolytus Guarinoni (1571-1654)), onde ficou por 4 anos e meio. Para uma história da vida deste primeiro manifestante das ideias dos Rosacruzes e seus fiéis seguidores indico sua biografia[38].
Johann Valentin Andreae (1586-1654) era de uma família tradicional de Teólogos Luteranos e nasceu em Herrenberg. Ele tinha uma saúde fraca. Seu pai faleceu no dia 19 de agosto de 1601[39]. E três semanas depois a família decidiu se mudar para Tubingen; Andreae tentou saltar da carruagem e caiu fazendo suas pernas entraram pelos raios de uma das rodas. A consequência disto foi que suas pernas torceram e pelo resto de sua vida ele andou manco. Ele entrou para a Faculdade de Artes de Tubingen em 1602 juntamente com seus dois irmãos, iniciando uma temporada extralonga de estudos, que foram interrompidas diversas vezes por investigações pessoais e devido as suas longas viagens. Ele só terminaria seus estudos em 1614.
No período de 1608 e 1612 ele conheceu o estudante de Direito Besold que deixou sua Biblioteca de 3870 livros[40] à sua disposição e também fez um contato mais próximo de Tobias Hess, que antigamente, já fazia experimentos de alquimia juntamente com o pai de Andreae. Os amigos sempre foram muito importantes para Andreae. De cada visita e encontro ele fazia anotações considerando que mantinha contato por carta com 300 pessoas. Bem cedo já ficou claro sua predileção por línguas e suas qualidades literárias. De seus muitos trabalhos o “Scheikundig huwelijk: Christiani Rosencreutz. Anno 1459”[41], que foi publicado de forma anônima em 1616, foi seu trabalho mais conhecido. Sua vida inteira ele, por medo, como mostra claramente seu horóscopo[42], tentou se manter afastado dos Rosacruzes, e até os menosprezava publicamente. Em 25 de fevereiro de 1614 ele começou sua profissão como ajudante de Pastor em Vaihingen perto de Stuttgart. Em 12 de agosto de 1614 ele se casa com Agnes Elisabeth Groniger com a qual teve nove filhos. Em 1618 começou a Guerra dos 30 anos. Por causa da Guerra sua casa queimou, primeiramente, em 19 de outubro de 1618 e depois em 20 de setembro 1634, onde se perdeu muitas obras de arte e manuscritos. Em 7 de outubro de 1641 Andreae se tornou doutor em Teologia. Após um infarto cerebral em 22 de maio ele chegou a falecer em Stuttgart no dia 7 de julho de 1654.
O Fama Fraternitatis R.C. e o Confessio Fraternitatis R.C. surgiram anonimamente. Trouxeram grande agitação porque entre 1614 e 1623 apareceram mais de 300 publicações tanto contra quanto a favor dos Rosacruzes.
Quanto aos autores do Fama e do Confessio circulavam todos os tipos de boatos e suposições. O Filólogo Prof. Dr. Richard Kinast (1892-1976) está convencido que há indícios de serem dois autores diferentes, mas não o Johann Valentin Andreae[43]. Andreae também não diz ter escrito nem o Fama nem o Confessio. Em sua biografia apenas diz ter escrito Chymische Hochzeit (Casamento Químico), mas este último trabalho não é considerado Rosacruzes pelos companheiros de época e também não o é conforme Van Dulmen e outros[44]. A ideia de que é um trabalho Rosacruz só surgiu séculos mais tarde[45].
Gilly diz em seu Cimelia Rhodostaurotica: “Apenas em seu “Indiculus Librorum de 1642” Andreae reconhece que foi o único autor do Theca e diz isso no Vita com as seguintes palavras: ‘Prodiere simul Axiomata Besoldi theologica, mihi inscripta, cum Theca gladii Spiritus, Hesso imputata, plane mea’”. (Ao mesmo tempo surgiu o Axioma theologica de Besold, atribuído a mim, com o Theca gladii spiritus (Bainha da espada espiritual), atribuído a Hess, mas é de minha plena autoria).
A publicação conjunta contém dois conjuntos de frases, dos quais o primeiro escrito por Besold foi atribuído à Andreae, e o segundo considerado um trabalho de Tobias Hess, mas que na verdade era de Andreae. Com esta última confissão Andreae não só assume ter escrito Theca, mas se implica como autor do Confessio Fraternitatis R.C.[46].
Em 1616 apareceu anonimamente em Strasburgo a obra Theca gladii spiritus: sententias quasdam breves, vereque philosophicas continens (Bainha da espada espiritual: contendo alguns breves e verdadeiros aforismos filosóficos) e começa com: Saudações ao leitor. Das anotações de Tobias Hess – um homem piedoso e muito dotado de todas as literaturas, que agora tem seu domicílio entre os santos – retiramos estes aforismos[47]. Este trabalho que consiste 800 em aforismos, contém 20 (nr 177-197) frases do Confessio, mas nenhuma, conforme Martin Brecht, do Fama, mas sim de livros posteriores de Andreae[48]. Porque no Theca aparecem 20 frases que também estão no Confessio, assim considera Brecht, e Gilly[49] concorda com isto, o Confessio foi escrito do Andreae.
Em 1610 já circulavam cópias do Fama, que foi impresso em 1614. Como já foi dito tem três referências ao Confessio que também já circulavam manuscritos[50] e foi impresso em 1615. Andreae diz que os 800 aforismos que estão no Theca vieram de anotações do Hess, porém mais tarde em seu Vita escreve que o Theca é de sua autoria.[51] Para mim isto não é uma prova convincente de que Andreae escreveu o Confessio, uma opinião que Van Dulmen também compartilha. ‘Porque’, assim diz ele, ‘não é certeza que Theca é um trabalho de Andreae; em minha opinião a ideia principal partiu de Hess, e também é conhecido que Andreae em outros escritos cita abundantemente outros autores. Usando como base a construção de Brecht acredito ser Hess o autor, a quem também o Confessio corresponde mais do que ao Andreae[52].
Sobre o fato que Andreae não pode ter sido o autor do Confessio, o Wolf-Dieter Otte diz o seguinte: ‘Pelo seu (de Andreae) tom positivo sobre a mística teologia e de pansofia de Gutmann, Khunrath e Sperber quando ele escreveu Mythologia Christiana (1619) e posteriores, que não existe dúvida. Permanece a divergência entre a pansofia Khunrath na Mythologia Christiana e o negativismo ‘Amphistheatralischen Histrio’ do Confessio. Ambos os escritos simplesmente não podem pertencer ao mesmo autor. Quem ainda considerar Johann Valentin Andreae como autor de Confessio terá se explicar esta controvérsia de forma convincente[53].
Van Dulmen escreve: ‘Para Andreae o Fama Fraternitatis era uma farsa, a Fraternidade Rosacruz uma invenção e todo o movimento Rosacruz uma baboseira’. E mais a frente: “Em seu trabalho De curiositatis pernicie syntagma (1620) Andreae chama a Fraternidade Rosacruz um pequeno truque de magia para os curiosos de seu tempo, uma armadilha e uma rasteira para os incautos”[54].
Como exemplo da riqueza de citações de Andreae de seus outros trabalhos como o Casamento Químico, veja a dissertação de Regine Frey-Jaun[55].
Outra publicação que pode ser considerado um terceiro trabalho dos Rosacruzes[56] é o Assertio Fraternitatis R.C. que surgiu em setembro de 1614, em Hagenau, escrito em versos em Latim e que consistia de 8 páginas não numeradas. Apareceu em 1614 em Frankfurt, assinado com B.M.I.
Deste surgiu uma tradução em alemão escrito em proza, em 1616 em Danzig. Também em 1616 o Assertio foi publicado na edição do Fama de Kassel (pág. 284-296) por um impressor anônimo, mas em outro dialeto.
Em 1618 foi publicado uma versão em rimas em Neuenstadt com o titulo Ara Feideris Theraphici F.R.C. der Assertio Fraternitatis R.C. etc.
Como o Assertio Fraternitatis R.C. também apareceu anonimamente muitos seguidores de Gerst, um arquivista de Ulm, que faleceu no século XIX, considera um trabalho do professor Suíço de Teologia Raphael Egli (1559-1622) sem terem qualquer prova a este respeito[57].
Resumindo podemos dizer que é certeza que o Fama e o Confessio foram concebidos no círculo íntimo de Tobias Hess e que praticamente certo é o autor de ambos; também é certo que Andreae, apesar de que em 1610 ter apenas 24 anos, pertencia a este grupo, mas considerando as controvérsias não é o autor do Fama nem do Confessio. Também é certo que Andreae escreveu o Casamento Químico, mas este não foi considerado um trabalho dos Rosacruzes pelos seus contemporâneos. Quem foi o autor de Assertio, com a iniciais B.M.I. , não é conhecido, mas estudando seu conteúdo percebemos que era alguém que sabia do que estava falando.
Para não interromper o texto de nossa história, estes três manuscritos – o Fama, Confessio e Asserio – estão no Adendo 1[58]. Quanto ao horóscopo de Johann Valentin Andreae veja adendo 12[59]. A história continua com a descrição de alguns, muito conhecidos e ligados aos Rosacruzes.
Daniel Mogling (1596-1635) – alias Theophilus Schweighardt en Valentinus de Valentia – descende de uma família de eruditos de Wurttemberg[60]. O seu avô a quem foi nomeado, nasceu em Tubingen em 1546. Era prof. Dr. em Medicina. Seu filho mais velho Johann Rudolf, nascido em 15-11-1570 em Tubingen, que também era Dr. em Medicina e médico da cidade de Boblingen, é o pai do nosso Daniel Mogling[61] o terceiro com o mesmo nome.
Seu pai faleceu em 03-01-1597 em consequência de uma infecção que pegou enquanto combatia uma epidemia em Boblingen. A mãe de Daniel, Anna Maria, que perdeu dois maridos no período de 3 anos, se casou logo depois, em 18 de junho de 1597 pela terceira vez, com Ludwig Baltz. Neste mesmo ano seu avô foi nomeado seu tutor e com seu falecimento seu filho mais velho Johann Ludwig, que também era Prof. Dr. em Medicina.
Em Abril de 1611 Daniel se inscreveu na universidade de Tubingen e em 1616 foi estudar medicina em Altdorf. Em 1617 ele estava muito ocupado com sua ‘pansophica studia’, o que quer dizer medicina, matemática, astronomia; e o problema da máquina do movimento perpétuo (moto-contínuo, ou perpetuum móbile) e a alquimia. O aparecimento do Fama Fraternitatis R.C. e do Confessio Fraternitatis R.C. em 1614 e 1615 trouxe grande agitação no mundo científico e Daniel também se sentiu chamado a entrar neste debate literário.
Mogling era conhecido de Andreae e Besold. Em sua publicação Pandora sextae aetatis em 1617 sob o pseudônimo Theophilus Schweighardt, Mogling observa que desde muito gostaria de ter enviado uma carta à Fraternidade, instigado pelo Fama. Em 1618 aparece seu Rosa Florescensens sob o pseudônimo Florentinus de Valentia, como reação aos escritos de zombaria de F.C. Menapius, ou Irenaeus Agnostus, pseudônimos de um colega de Altdorf, de Mogling, chamado Friedrich Grick. Pelo que sabemos ele descende de Wesel, pertencente ao município de Kleef e ganhava seu sustento entre outros como professor particular dos filhos patrícios de Nuremberg, Hieronymus e Christian Scheurl[62]. No Rosa Florescenses o Mogling usou pela primeira vez a palavra ‘pansophie’, antes do que Comenius: ‘Eis o Ergon Fratrum, o trabalho preliminar do Regnum Dei e da ciência superior, por eles (os Rosacruzes) chamada pansofia’[63]. Como complemento ao seu Pandora ele escreve em meio período, no início de março de 1617, para Caspar Tradel, Dr. em Direito, seu Speculium Sophicum Rhodostauroticum[64], sob o pseudônimo Theophilus Schweighardt. Neste trabalho aparecem umas 3 gravuras, das quais duas do Templo dos Rosacruzes. Para a descrição desta gravura veja Adendo 10[65].
Grick continuou atacando Mogling, apesar deste não reagir mais aos seus escritos. Por isto Grick decidiu na Páscoa de 1619 dar uma resposta ele mesmo sob o pseudônimo de F.G. Menapius[66].
No dia 1 de janeiro de 1619 Mogling se inscreveu novamente na Universidade e em 8 de março de 1621 se formou Dr. em Medicina. Em 2 de junho ele foi admitido como médico em Butzbach com a referência que seria útil também em matemática, especialmente em observações astronômicas. Um ano depois, no dia 30 de maio de 1622, ele se casa com Susanna Peszler, em Neurenberg, com a qual teve pelo menos 3 filhos. Ele faleceu no dia 29 de agosto de 1635 em Butzbach por conta de uma peste, apenas 2 meses antes de seu melhor amigo, Wilhelm Schickard (1592-1635) matemático e orientalista em Tubingen.
O Estadista Inglês Francis Bacon, que ao final de sua carreira foi nomeado Barão de Verulam e Visconde de Albans, parece ter estudado muito bem o Fama e o Confessio. A impressão que estes escritos tiveram sobre ele aparece em seu New Atlantis, escrito entre 1622 e 1624. A primeira frase: ‘Saímos navegando do Peru’, também aparece no Confessio[67]. A primeira das seis regras do Fama é curar os enfermos de forma gratuita, aparece também na casa dos estrangeiros em New Atlantis.
A informação, que mensageiros eram enviados a Bensalem para viajar pelo mundo e se informar sobre o desenvolvimento das ciências, corre de forma paralela ao Fama, onde os Irmãos, após terem se informado o suficiente, se separavam e iam para diversos Países fazer contato com os estudiosos. A descrição de Bacon sobre os estudiosos da casa de Salomão, é uma explanação sobre um esboço sobre o estudo da Fraternidade Rosacruz e do Fama. Onde a Fraternidade se estabeleceu, não é dito. No Confessio é citado no capítulo V: ‘Com sua nuvem Ele nos encobriu, que não poderá ser feito mal algum a seus servos. Por esta razão não podemos mais ser vistos por olhos humanos, a não ser aqueles que tem olhar de águia’. E no final do Fama está escrito: ‘Também o nosso edifício, mesmo que milhares de pessoas o tenham visto de perto, se manterá virgem, intacta, despercebida e totalmente escondida’. Também Bacon diz no final de seu trabalho de Tirsan de Salomão: ‘porque aqui estamos no seio de Deus, um país desconhecido’[68].
Michael Maier (1568-1622), nasceu no verão de 1568, numa família luterana de Kiel, na Província de Sleeswijk-Holstein, então dinamarquês e hoje território alemão[69]. Seu pai Peter foi um próspero bordador de ouro à serviço do cavaleiro real e governador dinamarquês Heinrich Von Rantzau (1526-1598). Por causa de sua inteligência o menino foi para a escola aos cinco anos. Por volta de 1584, quando Michael tinha 16 anos seu pai faleceu, mas com ajuda financeira ele conseguiu terminar seus estudos.
Após dois anos de ensino médio na cidade de Kiel ele se inscreveu, em fevereiro de 1587, na universidade de Rostock. Ele estudou principalmente Ciências, matemática, astronomia, grego e latim. Michael voltou, provavelmente por falta de dinheiro, sem o diploma para casa de sua mãe Anna e sua irmã em 1591, onde por um ano inteiro se dedicou à alquimia. Provavelmente com o conselho e ajuda financeira do amigo Matthias Canaris e sua família, ele decidiu, no verão de 1592, voltar a estudar na universidade de Frankfurt, no Oder. No dia 12 de outubro o jovem de 24 anos se formou doutor em Física[70]. Ele ficou um ano em Frankfurt e depois voltou para casa para, sistematicamente, estudar alquimia. Depois ele viajou para Danzig, Riga, Dorpat e algumas ilhas no Mar Báltico para, finalmente, chegar na Rússia. Após retornar a Kiel ele imediatamente iniciou uma viagem para Pádua, onde se inscreveu como estudante de Medicina no dia 4 de dezembro de 1595. Aqui foi coroado poeta laureatus caesareus [poeta imperial laureado] e visitou Bologna, Florence, Siena e Roma.
Em julho 1596 aconteceu em Pádua um incidente desagradável quando Maier entrou em conflito com um colega de Hamburgo e este se feriu seriamente. Ele foi a julgamento pelo Conselho dos Estudiosos alemães e foi condenado a pagar os custos e pedir desculpas. No dia seguinte ele fugiu escondido de Pádua para Bazel na Suíça. Aqui ele continuou seus estudos e se formou em 4 de novembro de 1596 como doutor em Medicina escrevendo uma tese sobre epilepsia. Depois retornou a sua casa.
Novamente ele viajou para os estados Bálticos e, provavelmente, abriu um consultório médico em Danzig. Aqui ele encontrou alojamento na casa de um anfitrião interessado em química e entrou em contato com alquimistas. Ele ficou rico quando encontrou um hipocondríaco asmático incurável que o empregou. Quando Danzig foi atingido pela epidemia da peste, eles fugiram para uma fazenda do anfitrião, onde eles fizeram experimentos de alquimia e Maier pode estudar a biblioteca de seu empregador por dois anos. O motivo do retorno dele para casa deve ter sido porque seu anfitrião recebeu um talco amarelo, que foi preparado por um Inglês alguns anos antes, e graças ao qual os sintomas desapareceram como por encanto. É quase certo que ele tenha recebido uma amostra do “aureum potabile”, ouro bebível, produzido pelo médico alquimista londrino Francis Anthony (1550-1623).
Em 1609 Maier entrou em contato com o Imperador Rudolf II (1552-1612), em Praga, um centro de alquimia. Em 19 de setembro 1609 ele se tornou médico da corte e em 29 de setembro ganhou o título de nobreza como Conde, mas a falta de dinheiro e o atraso nos pagamentos do seu salário o forçaram a partir. Ele viajou de Leipzig para Kassel e lá ofereceu seus serviços ao Conde Moritz van Hessel-Kassel, mas foi em vão.
No final de 1611 ele viajou para a Inglaterra, onde ficou por quatro anos. Aqui ele se dedicou, como anteriormente, à alquimia. Ele trabalhou junto com o médico alquimista Francis Anthony. Em 1613 Maier ouviu, pela primeira vez, sobre a existência da secreta fraternidade, uma tal de ‘fraternitas R.C.’ onde viu a personificação de seus ideais e expectativas da história natural. Que Maier encontrou o representante Inglês da Ordem Rosacruz Robert Fludd, como alguns escritores sugerem, mas não comprovam, é muito improvável. Em 1616 ele volta à terra firme da Europa novamente e viajou, via Colônia, para Frankfurt onde chegou em torno de agosto.
Seu livro, Jocus Severus (1617), escrito na Inglaterra, ele dedicou, durante sua viagem da Inglaterra para Boemia, “aos verdadeiros amantes da alquimia na Alemanha, conhecidos e desconhecidos, e em especial à Ordem Alemã que até agora se manteve secreta e que, com base no Fama Fraternitatis e no Confessio, pudemos admirar e ter em grande estima”.
Em Frankfurt ele ficou doente com a febre quartã (malária), que ele provavelmente pegou na Itália. Por isto teve a oportunidade de visitar a feira bienal do livro onde aprendeu mais sobre os Rosacruzes. Lá ele morou perto dos editores Johann Theodor de Bry e Lucas Jennis, que publicaram a maioria de suas obras até sua morte. No passado ele se dedicou à alquimia e a partir daqui ele se tornou um defensor da Ordem Rosacruz.
No verão de 1617 Maier se casou e em abril de 1618 ele diz que sua esposa pode dar à luz a qualquer momento. O nome de sua esposa não foi mencionado, nem se o parto correu bem.
Logo depois de abril de 1618 Maier foi trabalhar para o Conde Moritz van Hessel-Kassel (1572-1632), também chamado por Moritz, o sábio, como “médico e alquimista por nascimento”. Maier faleceu em Magdeburg no verão de 1622 de malária.
No seu Silentium post clamores (Silêncio após a tormenta) de 1617 Maier explica porque a Ordem obriga ao silêncio àqueles que a ela se candidatam. Que a Ordem é uma escola de mistérios, como na antiguidade as de Eleusis e Órfis. Que o Fama e o Confessio ‘não contêm nada contrário à razão, contra a natureza, a experiência ou da possibilidade das coisas’. Que os Irmãos seguravam a Rosa como um prêmio futuro, mas que eles impunham a todos que ingressassem a cruz. E da mesma forma que os Pitagóricos e os Egípcios, os Rosacruzes exigem um voto de silêncio e segredo. Os ignorantes a consideram-na uma fantasia, mas isto veio dos cinco anos de provas onde eles desenvolvem os iniciantes, antes de serem admitidos aos mistérios maiores[71].
Seu Themis Aurea de 1616, explica as seis leis áureas ou regras da Fraternidade que são citados no Fama[72]. Nesse livro Maier menciona que a medicina composta, que os Rosacruzes administram aos doentes é, como de fato era, a medula do grande mundo (macrocosmo). É o fogo que Prometeu roubou do Sol. Contudo, é necessário um fogo quádruplo para levar esta medicina à perfeição. Os Irmãos, contudo, são da opinião que existe uma força natural e uma predestinação, que é influenciada pelos corpos celestes.
Robert Fludd (1574-1637) – nascido no início de janeiro de 1574 em Milgate House, na província de Bearsted, no condado de Kent (Inglaterra). Após obter seu título em letras, dos 24 aos 30 anos estudou medicina. Depois viajou pela França, Espanha, Itália e Alemanha[73]. Fludd escreveu muitos livros, preenchidos com maravilhosas gravuras alquímicas. Em 1616 ele publicou em Leiden, na Holanda, sua Apologia Compendiária.
“Fraternitatem de Rosea Cruce suspiciones et infamiae maculis aspersam, veritas quasi Fluctibus abluens et abstergens”, uma pequena defesa da Fraternidade, que um ano depois também em Leiden foi publicado em formato mais completo com o título “Tractatus apologeticus integritatem Societatis de Rosea Cruce defendens”. Fludd viveu a vida inteira de forma casta porque considerava o desejo sexual a queda do ser humano.
Aos 22 anos Fludd era perito em astrologia natal e horária. Assim lemos em seu Utrisque Cosmi Historia, Tractatus Secundus o seguinte:
“Enquanto eu trabalhava na fase final do meu tratado de música não deixei o meu quarto por praticamente uma semana. Numa terça veio um rapaz de Magdalen me fazer uma visita e jantou comigo no meu quarto. No domingo seguinte fui convidado por um amigo da cidade para jantar. Enquanto me trocava para a ocasião não consegui encontrar o meu precioso cinto e bainha de espada, avaliados em 10 moedas de ouro francesas. Perguntei a todos na universidade se haviam visto meu cinto. Portanto, fiz um mapa da hora em que percebi sua falta, e me levou a observar, pela posição de Mercúrio e outros Aspectos, que o ladrão seria um jovem, morador do leste, enquanto o objeto roubado devia estar agora no sul. Enquanto pensava sobre isto lembrei da visita da terça, cujo prédio universitário ficava à leste de St. John. Depois enviei meu criado para conversar com o jovem que havia acompanhado meu visitante da terça-feira. Com palavras severas e ameaças ele conseguiu que o jovem confessasse que roubou os objetos e levou para um local que eu conhecia, nas redondezas da Igreja de Cristo, onde as pessoas ouvem música e se relacionam com mulheres. Isto confirmou minhas suspeitas que o local estava ao sul de St. John. E porque Mercúrio estava na Casa de Vênus, isto confirmou que estava associado à música e mulheres. Logo após, este jovem foi levado à presença de seu companheiro e ele se jogou ao chão. Ele jurou que cometeu o crime e implorou ao meu criado para não dizer nada. Ele prometeu devolver o cinto e a espada no dia seguinte. Ele cumpriu o prometido e recebi meus bens de volta, embrulhados em dois belos pergaminhos. Acontece que a casa de música perto da Igreja de Cristo era o lar de um receptador de bens roubados que tinha saqueado muitos estudantes corruptos, que se perdem com glutonaria e mulheres. Meu amigo me implorou para parar com o estudo de astrologia e disse que eu não poderia resolver este crime sem o auxílio de forças demoníacas. Eu agradeci seu conselho”[74].
Jacob Böhme[75] (1575-1624) nasceu na região de Alt-Seidenberg perto de Gorlitz, filho de agricultores simples e pobres. Não consegui descobrir a data de seu nascimento.
Não existe nenhum retrato feito de Jacob Böhme durante sua vida, a não ser uma descrição de seu amigo e pupilo Abraham Von Frankenberg. A sua condição física era fraca e ele parecia doente, ele era baixo de estatura e sua testa era curta, têmporas fundas, nariz encurvado, olhos cinzas quase azul celeste, uma barba curta e fina, uma voz tímida e carinhosa, ele era moderado nos gestos, modesto com as palavras, de conduta dócil, paciente e bondoso[76].
Aos 24 anos ele se casa e adquire direitos civis em Gorlitz onde se estabeleceu como sapateiro. Entre 1600 e 1606 o casal ganhou 5 filhos. Em 1612 ele escreveu Aurora do amanhecer avermelhado. Deste foram espalhadas cópias. Ele usava o nome ‘Philosophus Teutonicus’ e também era conhecido como ‘vidente’. A partir de então sua vida foi dificultada pelo pastor luterano Gregor Richter.
Em 1613, aos 38 anos, ele vendeu sua sapataria e inicia com a esposa uma loja de linhas. Naquele mesmo ano ele é proibido de escrever. Contudo, em 1619 ele volta a escrever. Mesmo em seu leito de morte ele precisou responder umas perguntas sobre sua fé para um clérigo. Este pastor se recusou a enterrá-lo, e só o fez após ser obrigado pelo administrador da cidade.
Joachim Morsius (1593-1644) que idolatrava os Rosacruzes conheceu o alquimista Balthasar Walter, o qual lhe falou do extraordinário mestre sapateiro de Gorlitz que entendia todas as artes (conhecimentos) dos Rosacruzes[77].
Johann Georg Gichtel (1638-1710)[78], nasceu em Regensburg, Alemanha, era um grande admirador e seguidor de Böhme. Ele estudou teologia e direito e trabalhava como advogado. Mais tarde quando conheceu os mundos espirituais ele fundou um movimento esotérico. Por volta de 1670 ele foi banido da igreja e sua propriedade foi confiscada e ele se refugiou na Holanda onde permaneceu os 40 anos restantes de sua vida. Sua notoriedade se deve ao fato de ter sido o primeiro a editar uma coletânea dos escritos de Böhme em 1682, em Amsterdam. As cartas de Gichtel aos amigos foi publicado em 5 volumes. De interesse especial é seu pequeno livro publicado: Theosophia practica, que foi compilado em 1696 pelo seu amigo Johann Georg Graber que completou com comentários sobre as ilustrações especiais. Em 1722 foi ampliado. O livro contém 5 gravuras coloridas, da qual a segunda ilustra os centros do Corpo de Desejos. Gichtel manteve estas gravuras em segredo desde 1695 até sua morte, e somente 10 anos após sua morte em 1723, elas foram publicadas. O teosófo C. W. Leadbeater (1854-1934) conhecia estas gravuras e insere uma gravura retirada de uma edição francesa em seu livro The Chakras[79].
O médico holandês Joannes Baptista van Helmont (1579?-1644) foi batizado no dia 22/01/1579 em Bruxelas como o mais novo de sete filhos de uma família nobre e católica romana[80].
Ele tinha 15 anos quando termina seus estudos de filosofia em Leuven e 20 quando se formou doutor em medicina. Em 1609 ele se casa com a aristocrata Marguerite van Ranst. Eles se mudam para Vilvoorde onde constituem uma família com 3 filhos. O do meio é um rapaz, Franciscus Mercurius, que após o falecimento do pai em 30 de dezembro de 1644, publica seus escritos.
Van Helmont foi o primeiro que descobriu a interligação do estômago com os outros órgãos.
Na história da química ele é considerado o descobridor dos gases. Em seu Ortus Medicinae – publicado em Amsterdam em 1648 – ele escreve em seu 14º tratado, pág. 73, parágrafo 29: ‘Este vapor, que eu chamei de gás, não está longe do Caos, sobre o qual os antigos falavam’ e no 20º tratado, pág. 106, parágrafo 14 ele escreve: ‘Ele até hoje desconhecido espírito eu chamei de gás’[81]. No Conceito Rosacruz do Cosmos, cap 11, Max Heindel explica que o Caos é considerado o Espírito de Deus, que penetra e permeia todas as partes do infinito. Tal como a antiga máxima: ‘O Caos é a sementeira do Cosmos’.
Também van Helmont teve dificuldades porque ele apoiou Rudolf Goclenius de Jonge (1572-1621) que foi acusado de idolatria e magia. Goclenius foi contratado por Moritz Von Hessen-Kassel como professor de química, matemática e medicina em Marburg. Defendia os ensinamentos de Paracelso e também se dedicava à cabala. Van Helmont escreveu um folheto em defesa do seu amigo Goclenius que foi publicado sem o seu conhecimento. Seguiu então uma investigação e em 1623 os membros da faculdade de medicina de Leuven designaram este trabalho como um panfleto monstruoso. A Inquisição espanhola em 1625 considerou 27 declarações com suspeita de feitiçaria. O tribunal eclesiástico católico romano de Mechelen decidiu processá-lo em 1627 e o intimou a repetir suas alegações em público no que ele concordou. Durante uma audiência em março de 1634, referente as anotações dele, Van Helmont também foi questionado sobre os Rosacruzes; se ele ao usar os termos “Irmãos” se referia aos Irmãos da Rosacruz. Ele respondeu que não os conhecia, e os considerava uma alucinação. Acima de tudo ele se declarava Católico Romano. Ele ficou com tanto medo que negava tudo e todos que antes havia defendido[82].
Jan Amos Komensky (1592-1670), melhor conhecido sob seu nome latinizado Iohannes Amos Comenius, nasceu no dia 28 de março em Nivnicky (Nivnice) na Moravia do Oeste, na República Tcheca[83].
Era membro da Comunidade dos Irmãos Morávios, e mais tarde bispo, um movimento dissidente dos Hussitas, e tornou-se conhecido como um dos grandes pedagogos do seu tempo. Por causa do controle que os Habsburgos (Católico Romano) tinham sobre a República Tcheca ele foi obrigado a fugir. De seus muitos livros aqui é interessante mencionar o livro: Het labyrint der wereld en Het paradijs des harten (O labirinto dos mundos e o paraíso dos corações)[84]. Foi escrito em 1623 e publicado pela primeira vez na Polônia em 1631. Conta a história de um peregrino que encontra diversos tipos de pessoas. Assim é o Cap. 13: ‘O peregrino conhece os Rosacruzes’. Na margem está escrito: “Fama fraternitatis anno 1612, latine AC germanice edita”, no latim (incorreto) e publicado na Alemanha.
Portanto ele também tinha um manuscrito do Fama publicado em 1614. Comenius faleceu no dia 25 de novembro de 1670, em Amsterdam.
No Cap. III e no Cap. XI do Conceito Rosacruz do Cosmos, Max Heindel cita Johann Wolfgang Von Goethe (1749-1832) como um Iniciado.
Sua ligação com os Rosacruzes aparece de forma especial em seu poema Die Geheimnisse, ein Fragment que foi escrito em 1784/85 e publicado em 1816. O poema, que ao todo contém 44 versos, cada um com 8 linhas, devem ter mais 2 ou provavelmente 3 versos a serem incluídos[85]. O poema conta a história de um candidato à iniciação, chamado Marcus. Goethe resumiu o poema da seguinte forma: Um jovem neófito, perdido numa região montanhosa, descobriu por fim, em um vale encantador, um belo edifício que o leva a suspeitar ser a residência de homens devotos e misteriosos. Encontrou aí doze cavaleiros, que após terem suportado uma vida tumultuada, na qual os problemas, o sofrimento e o perigo se sucederam uns aos outros, tomaram sobre si o dever de, por fim, viver aqui e servir a Deus secretamente. O décimo terceiro, que eles consideram seu líder, está a ponto de partir: de que maneira, permanece oculto. Contudo, durante os últimos dias começou a contar a história de sua vida, à qual o, recém-chegado, neófito faz uma breve alusão em termos calorosos. Uma misteriosa aparição noturna, de jovens festivos, que se apressam a iluminar o jardim com tochas indicam o final[86]. O nono verso deste poema, onde o irmão Marcus está diante da porta olhando o emblema dos Rosacruzes, diz:
Er fuhlet, was dort fur Heil entsprungen,
Den Glauben fuhlt er einer halben Welt;
Doch von ganz neuem Sinn wird er durchdrungen,
Wie sich das Bild ihm hier Augen stellt:
Es steht das Kreuz mit Rosen dicht umschlungen,
Wer bat dem Kreuze Rosen zugestellt?
Es schwillt der Kranz, um recht von allen Seiten
Das schroffe Holz mit Weichheit zu begleiten.
“De novo sente a redenção que daí irrompeu,
E sente em si próprio a fé de meio mundo;
Mas eis que um novo sentido lhe invade a alma,
Perante a cena que aos seus olhos se oferece:
Rosas abraçam em profusão a cruz!
Quem terá à cruz rosas acrescentado?
A coroa parece vicejar de todos os lados
Como que a trazer brandura ao rude madeiro”[87].
Max Heindel cita o Conde Saint Germain, que no século 18 mantinha relações diplomáticas com o Governo Francês com o objetivo de impedir a Revolução Francesa (1789-1794), uma reencarnação de Cristian Rosenkreuz[88].
A primeira prova de sua presença é uma carta que apareceu em Haia em 1735, que ele enviou de lá em 22 de novembro para o físico britânico Hans Sloane (1660-1753), cuja carta está no Museu Britânico, onde contém uma cópia no livro de Cooper-Oakley[89]. Sobre ele foi dito: ‘M. de St. Germain não comia carne, não bebia vinho e vivia conforme regras de vida muito rígidas’[90]. E mais: ‘ Ele parece ter 50 anos, não é gordo nem magro, tem um belo semblante intelectual, veste-se de forma simples, mas com bom gosto; ele usa os diamantes mais lindos em caixa de rapé, relógio e fivelas’[91]. Sua personalidade é envolvida em muitas anedotas. No registro da Igreja de Eckernforde no norte da Alemanha está escrito o seguinte: ‘Falecido em 27 de fevereiro, enterrado em 2 de março de 1784 o assim chamado Conde de St. Germain, um túmulo situado na Igreja Nicolai na sepultura nº 1; 30 anos de tempo para consumpção completa: 10 Reichsthaler[92], para abertura do mesmo: 2 Reichsthaler, no total: 12 Reichsthaler[93].
No início do século XX a Ordem Rosacruz estava procurando um candidato ideal para divulgar uma parte de seu conhecimento com o objetivo de parar o crescimento do materialismo. Para isto foi escolhido o dinamarquês Carl Louis Fredrik Grasshoff, que se mudou para a América e lá assumiu o nome de Max Heindel e cuja vida e trabalho serão descritos nos próximos capítulos.
Vamos descrever a vida e trabalho de Carl Louis Fredrick Grasshoff que mais tarde, quando emigra aos Estados Unidos, muda seu nome para Max Heindel. Nasceu no início da manhã no domingo de 23 de julho às 4:32 AM em Aarhus na Dinamarca[94]. Seu pai, Frantz Louis Grasshoff, que em 1838 vislumbrou a luz da vida em Berlim, Alemanha, provavelmente veio para a Dinamarca com o exército Prussiano durante a guerra Alemã-Dinamarquesa em 1864[95]. Ali ele conheceu a dinamarquesa Anna Sorine Withen, filha do tamanqueiro Chresten Petersen Bregnetfeld Withen e sua esposa Mette Kirstine Petersen. Anna nasceu no dia 7 de fevereiro de 1842 em Frederiksgae em Aarhus. Frantz L. Grasshoff casou com ela no dia 7 de março de 1865 na Catedral de Aarhus[96].
A menos de cinquenta metros da Catedral de Aarhus, o padeiro mestre Grasshoff tinha uma padaria Vienense. Esta ficava na rua Kannikegade 2, naquele tempo também chamado de Kjodtorvet. Para aquisição desta padaria ele teve ajuda financeira do seu padrasto Volker[97] de Berlim. No andar superior da mesma ficava uma moradia de madeira. Neste endereço nasceu Carl Louis Fredrik, batizado no dia 15 de outubro de 1865 na Catedral Luterana e seu irmão, Louis Julius August no dia 20 de junho de 1867[98].
Depois de um período difícil nesta padaria – porque em 13 de setembro de 1866 foi concedido uma moratória no pagamento da hipoteca, o que normalmente significa a fase anterior de uma falência – parece que mais tarde as coisas começaram a melhorar. Porque não somente em 16 de novembro é retirada a moratória de pagamento, mas também Grasshoff abre uma segunda padaria no dia 1 de abril de 1868, em Horsens, uma cidadezinha a uns 42 km ao sul de Aarhus[99]. No dia 8 de abril acontece um acidente. Quando ele estava trabalhando com um aprendiz, logo cedo, próximo de uma caldeira à vapor, esta explodiu. Ele foi ferido, não apenas pelos fragmentos que voaram por toda a padaria, como atravessaram a porta de um estabelecimento do outro lado da rua, mas também teve sérias queimaduras, sendo levado às pressas ao hospital. O aprendiz apenas queimou os dois braços[100]. Naquela mesma tarde, após sofrer por 10 horas, Frantz Grasshoff faleceu de seus ferimentos, na jovem idade de 30 anos. Na terça-feira, dia 14 de abril, às 12 horas ele foi enterrado em Aarhus, onde o decano Boesen fez uma cerimônia de despedida consoladora[101].
A jovem viúva Grasshoff e seus dois filhos entram num período bem difícil. Ao repassar a Padaria de Horsens e vender a de Aarhus, eles são obrigados a se mudarem. No início de 1869 eles foram morar na rua Frekeriksgade 9, onde a Sra. Grasshoff sustenta a casa higienizando luvas quimicamente. No final daquele ano a família se muda para Sonder Allee 21, trabalhando como cabelereira para sustentar a casa. No dia 22 de novembro de 1870 eles mudam, novamente, para Mejgade 9 e dentro de seis meses houve nova mudança para Badstuegade 11[102].
Um ano e meio depois, no dia 6 de novembro de 1872, a família deixa Aarhus – provavelmente pelo nascimento eminente de Anna Emilie Larsen, que nasceu 3 semanas depois, no dia 26 de novembro de 1972 – eles se mudam para a Paróquia de Frederiksberg em Kopenhagen. Esta menina mais tarde se tornará uma atriz de teatro famosa e faleceu no dia 20 de janeiro de 1955[103].
Muitos anos depois Anna Grasshoff conheceu seu segundo marido, Fritz Nicolaj Povelsen, com quem se casou em 15 de junho de 1886[104].
Muito rápido depois da mudança para Copenhague, quando Carl tinha, aproximadamente, oito anos, ele teve um acidente quando estava indo com uns amigos a caminho da escola. Naquele tempo em Copenhague existiam muitos canais com beiradas altas de madeira que canalizavam a água para diversas partes da cidade. Os meninos gostavam de saltar esses canais, mas em determinadas partes estes canais eram ligeiramente largos. O jovem Carl sempre queria conseguir tudo um pouquinho melhor que os amigos, mesmo que estes fossem mais velhos. Quando chegaram numa destas partes mais largas, o Carl também ia saltar, quando com seu pé esquerdo atingiu o solo do outro lado com seu calcanhar virado ao contrário. Com isto seu pé torceu e causou uma dor muito intensa. Mesmo atrasado ele foi à escola e lá ficou com dor o dia inteiro. Naquela noite ele também teve muita dor, mas, não teve coragem de contar à sua mãe porque no dia anterior ao acorrido ele havia matado a aula com os amigos. No dia seguinte ele desmaiou na escola e seu pé estava tão inchado que tiveram de cortar seu sapato para tirá-lo.
Como consequência deste acidente ele ficou dezesseis meses acamado. Cirurgiões retiraram vários estilhaços de osso de seu pé, furaram seu calcanhar e inseriram canudos para retirar a enorme quantidade de pus que se formou lá dentro.
Quando ele, finalmente, foi autorizado a sair da cama, ele ainda precisou usar as muletas por seis meses e, por dez anos após o incidente, ele usou uma bota especial com tiras de aço para apoiar sua perna. Somente depois disso teve força suficiente, em seu pé, para andar sem estes apoios. Contudo, de um lado do pé o ferimento não sarava; lá ficou um ponto dolorido e com abertura de aproximadamente 20 cm de comprimento e 1,5 cm de largura, que o Carl tinha, de manhã e à noite, que fazer o curativo. Somente após trinta anos, depois que ele já tinha adotado o vegetarianismo há 6 meses é que o ferimento se curou[105].
A vida em casa se tornou difícil e, por isto, Carl decidiu deixar sua família e tentar a sorte na Inglaterra. Ele partiu de navio para Glasgow, onde desembarcou por volta de 1884[106]. Aqui ele encontrou um emprego numa tabacaria e morava na rua Argyle Street 438[107].
Tempos depois ele conhece sua futura esposa, Catharine Dorothy Luetjens Wallace, que trabalhava numa litografia. Ela nasceu em 4 de janeiro de 1869 em Glasgow e era filha ilegítima do construtor de caldeiras James Barr e Mary Anne Wallace[108]. Carl Grasshoff mal havia completado vinte anos quando, em 15 de dezembro de 1885, casou-se com a jovem de dezesseis anos[109]. Logo após eles deixam Glasgow e se mudam para Liverpool.
Deve ter sido neste período que o Carl comprou um exemplar da revista London Light e leu o poema ‘uma oração’ de Florence Holbrook[110]. Este poema o influenciou tanto que nunca mais o esqueceu.
Provavelmente influenciado pelo padrasto de Cathy, Henry Robinson, marinheiro mercante, Carl resolveu seguir a mesma profissão[111]. Durante o nascimento de sua primeira filha, Wilhelmina Catherine Anna, no dia 5 de novembro de 1886, falecida em 1 de abril de 1980 em Sudbury, Massachussets, ele já trabalhava na marinha mercante[112].
Dois anos depois, no dia 6 de novembro de 1888 nasceu a segunda filha, Louisa Charlotte[113]. Ela faleceu no dia 9 de julho 1960 em Reading, Massachussets. Após o nascimento dela, Carl decidiu voltar com sua família para Copenhague onde, em 5 de novembro de 1889, nasceu sua terceira filha, Nellie[114].
Uma quarta criança, desta vez um menino chamado Frank, nasceu em 15 de janeiro de 1891[115]. Durante a segunda Guerra mundial ele mudou seu nome para Frank Gordon[116].
Sobre o tempo em que Carl Grasshoff viveu em Copenhague a sua filha Wilhelmina me contou o seguinte:
“Eu me lembro que meu pai trabalhava com seu irmão Louis numa empresa de importação. Quando éramos crianças, nós vivíamos muito bem. Na Dinamarca nós tínhamos uma casa grande e empregados na casa, possuíamos telefone pelo qual eu, como criança, tinha muito interesse. Nós também tínhamos um macaco que tinha seu próprio quarto. Também tínhamos o nosso quarto de brinquedos.
O irmão do meu pai era casado. O nome da sua esposa era Yrsa. Eles tiveram um filho, Alexander, que se mudou para os EUA logo antes da primeira guerra mundial.
Tia Anna casou-se com Jorgen. Eles tiveram dois filhos, Edith e Sigaard. Sigaard faleceu na primeira guerra mundial. Tia Anna era atriz e morava na Dinamarca.
No período que meu pai esteve ausente, sua mãe, nossa avó, cuidou de nós. Para nossos cuidados ele deixou um dinheiro com ela e o que restou do dinheiro foi enviado de volta a ele quando nós fomos para os EUA”[117].
O casamento com Cathy ficou atribulado de tal forma que Carl e ela decidiram se separar. Cathy foi morar num quarto alugado, em Copenhague mesmo, e Carl queria ir para os EUA para construir um novo futuro lá[118]. Os quatro filhos ficaram, temporariamente, em Copenhague, e foram cuidados pela sua avó paterna. Foi em 1893 que Carl partiu para os EUA[119].
A primeira exigência era encontrar um trabalho, que ele acabou encontrando como corretor de seguros e, mais tarde, como mecânico da Companhia de Eletricidade de Nova York. Alguns anos mais tarde Max Heindel morava em Somerville, Massachusetts, em uma cidade próxima a Boston[120]. Lá ele trabalhava como corretor de seguros e mais tarde como mecânico em uma cervejaria[121]. Em 10 de abril de 1895 ele se casa novamente com uma dinamarquesa oito anos mais velha que ele, chamada Louisa Anna Peterson. Ela tinha quatro filhos de um casamento anterior, três filhas e um filho, dos quais o mais velho era casado[122]. Apenas o caçula tinha idade próxima a dos filhos de Max Heindel.
No dia 7 de setembro de 1898 os quatro filhos de Max Heindel partem de Copenhague com o S. S. Island para USA e se juntaram a seu pai com sua segunda esposa[123].
Também este segundo casamento não satisfez as expectativas do Max Heindel, portanto, se seguiu outra separação. Max e seus filhos se mudaram para Hillside Street 156 em Roxbury, também próximo de Boston, mas ao sul[124]. O trabalho também não estava fácil. Assim corre a história que ele trabalhou por um tempo como engenheiro num navio a vapor que navegava nos grandes rios. Seu último navio afundou, mas Max Heindel conseguiu nadar até a margem. Após este incidente ele parou de navegar e foi trabalhar como engenheiro consultor para aquecimento e refrigeração.
Neste período ele, provavelmente, se associou a Sociedade Quakers[125]. No início do século vinte a Califórnia era vista como o Eldorado, porque foi encontrado ouro lá. Também Carl Louis Fredrik Grasshoff, usando seu novo nome Max Heindel, resolveu tentar a sorte[126].
Em 1903, ele partiu para Los Angeles, enquanto seus filhos permaneciam em Roxbury. Ali ele trabalhou, por um tempo, como engenheiro, mas a adversidade o seguiu e a fome e privações eram seus companheiros diários. Quando ele caminhava, tristemente, pelas ruas de Los Angeles, em dezembro de 1903, ele viu o anúncio de uma palestra sobre reencarnação, que seria proferida pelo teósofo Charles W. Leadbeater[127]. Para passar o tempo, que para ele pesava como chumbo em seus ombros, e atraído pela promessa que qualquer pessoa possuía capacidade de clarividência, Max Heindel decide assistir a palestra. Na porta estava Augusta Foss, que na época já fazia parte da Sociedade Teosófica, a quatro anos. Ela o leva para um lugar e observa que ele é manco de uma perna. Na tarde seguinte Max Heindel vai para a biblioteca da Sociedade com o objetivo de emprestar um livro do Leadbeater, chamado “Plano Astral”. Lá ele encontra novamente a Augusta Foss, que estava ajudando a bibliotecária recebendo os novatos que viessem por causa da Palestra da noite anterior. O livro desejado não se encontrava lá e por isto ele emprestou os livros “Carma” e “Reencarnação” de Annie Besant.
Durante uma conversa com a Augusta Foss, ela percebe que ele, Heindel, mora perto da casa onde ela mora com a mãe. Ela o convida para visitá-la, o que Max Heindel aceita. A consequência disto é que ele passa diariamente na casa dela, formando uma amizade muito forte entre ele, Augusta Foss e a mãe inválida, que também se interessa por assuntos esotéricos.
Max Heindel escreve, no dia 15 de janeiro de 1904, uma carta ao Sr. Leadbeater, dizendo que ele, no início, queria ser clarividente por questões pessoais, mas lendo o livro da Sra. Besant ele aprendeu, que os poderes ocultos devem ser usados em prol da humanidade[128]. Após participar da segunda de uma série de Palestras do Sr. Leadbeater, Max Heindel, figurativamente, devora a Teosofia e ele também a coloca em prática. Ele para de fumar, não bebe mais álcool e se torna vegetariano. Ele também tenta dominar seus pensamentos e desejos mundanos e sempre falar a verdade. Ele fez uma transformação radical.
Augusta Foss era filha de William Foss e Anna Right e nasceu no dia 27 de janeiro de 1865 às 17:15 h, 18 km ao sul de Mansfield, Ohio[129]. William Foss era de Mogendorf, a este de Koblenz, Alemanha, onde nasceu no dia 6 de março de 1853 e, aos 22 anos se mudou para EUA. Seu nome era escrito Voss. Anna Marie Right nasceu em Neuwied, no dia 4 de junho de 1827, ao norte de Koblenz. Eles se casaram no dia 6 de junho de 1855 e tiveram sete filhos, todos nascidos perto de Mansfield. Augusta era a penúltima. A família Foss se mudou para Los Angeles nos anos oitenta e construíram uma casa em cima do morro em 1885, na South Bunkerhill Avenue, 315.
Augusta Foss, de família luterana, começou a estudar ocultismo e astrologia em 1898. O Sr. Hansen escreveu na Revista Rays from Rose Cross sobre este último, o seguinte: ‘Em 1898 ela se interessou pela primeira vez sobre astrologia e pagou 10 dólares por um curso de um tal de professor Baker. O bom senhor com certeza dominava o assunto, mas, assim diz a Sra. Augusta Foss Heindel: “Ele tinha Vênus na primeira Casa e tudo que recebemos pelos nossos 10 dólares foi um período legal e uma lista de Planetas com suas divisões em Sextis e Quadraturas[130].
Inicialmente ela foi membro dos Hermetistas e, aproximadamente, dois anos dos Teosofistas. Lá ela era ativa como recepcionista e depois como assistente da biblioteca.
Rapidamente Max Heindel também se associou à Loja Teosófica, onde por três anos foi um membro bem ativo; nos anos de 1904 e 1905 era vice-presidente. No tempo em que Max Heindel foi associado muitos membros demonstraram interesse por astrologia, inclusive Max Heindel. Augusta Foss os ajudou nos estudos.
Neste período ele apresentou duas Palestras pela Sociedade Teosófica em Los Angeles sobre a Madame Blavatsky e a Doutrina Secreta. Essas anotações foram, posteriormente, transformadas em livro pelo Sr. Manly Palmer Hall e publicado pela primeira vez em 1933 pela imprensa Phoenix Press em Los Angeles[131]. Também em outros lugares ele profere palestras e o Sr. Jinarãjadãsa escreve o seguinte: ‘Eu devo muito ao Max Heindel. Quando eu o conheci em Tacoma, Washington, ele era palestrante da Sociedade Teosófica e ele me contou que apresentava as palestras com uso de slides. Isto para mim era uma novidade e por solicitação minha e para me informar melhor, ele me levou ao seu quarto e me mostrou os slides e como ele com sua lanterna mágica ou projetor de slides fazia com que aparecessem numa tela branca em formato maior. Eu vi novas possibilidades de demonstrar diagramas e na minha volta para Chicago desenvolvi diversos diagramas que ficaram maravilhosos para transformar em slides. Estes diagramas, juntamente com outros retirados de livros, formaram o trabalho “First Principles of Theosophy”[132].
Pelo intenso trabalho que Max Heindel fazia para desenvolver seu imenso desejo de conhecimento oculto, ele acabou ficando muito doente no verão de 1905. Sua cardiopatia foi tão intensa que por meses sua vida ficou por um fio. Por ter ficado, algumas vezes, por até dois dias sem comer nada o seu corpo estava totalmente debilitado.
Na Sociedade Teosófica Max Heindel conheceu uma senhora pela qual ele desenvolveu sentimentos especiais. Ela se chamava Alma Von Brandis[133]. Ela nasceu em Chicago, no dia 24 de julho de 1859, era filha de um osteopata e morava em Los Angeles. Ela tinha planos de ir para a Europa para visitar sua família. No momento que o navio partiu, Max Heindel teve sua primeira experiência fora do corpo, que ele descreve da seguinte forma: “Quando falo de experiência espirituais, talvez não seja errado dizer que uma vez foi capturado por uma câmera fotográfica. Este fato ocorreu quando eu estava numa cama de hospital, me recuperando de uma cardiopatia provocada por um longo período de estudos fervorosos e muito trabalho. Antes deste momento nunca havia tido experiências psíquicas, mas numa manhã de domingo, quando minha querida amiga [Alma Von Brandis] partiu para a Europa, eu me vi em pé ao lado da cama, vendo meu corpo deitado que estava relaxado e dormindo. Contudo, eu não tive medo; parecia que estava tudo em ordem.
Depois, estimulado pelo desejo de ver minha amiga, que foi o motivo de minha libertação de meu corpo, percorri os 32 km até ao Porto de San Pedro, onde me encontrei com minha amiga a bordo do navio. O navio estava ao ponto de partir e neste momento um amigo em comum tirou uma foto. Quando o filme foi revelado, meu rosto estava claramente visível com uma barba de algumas semanas, que eu havia adquirido no hospital”[134].
Max Heindel continua: “Meus estudos, aspirações e um exercício praticado por um longo tempo, que eu imaginava ter inventado, mas que percebi, depois, que havia trazido do passado; isto tudo fez com que fosse possível, durante esta doença, por um curto período, sair do meu corpo e depois retornar novamente. Eu não sabia como havia feito, e não estava em estado de fazer novamente por espontânea vontade. Um ano mais tarde fiz, por coincidência, novamente”[135].
Após esta doença severa, no outono de 1905, Max Heindel deixou a Sociedade Teosófica e, em abril de 1906 ele iniciava seu primeiro ciclo de palestras. Em sua viagem ao Norte, onde proferia palestras sobre Cristianismo Místico e Astrologia, ele acabou chegando em São Francisco, onde ele acreditava ter um grande terreno a ser trabalhado. Contudo, algo dentro dele dizia para não ficar. Ele decidiu obedecer à esta intuição e partiu. No dia seguinte de sua partida, em 18 de abril de 1906, São Francisco sofreu um imenso abalo sísmico e um incêndio que devastou parte da cidade. Daqui Max Heindel foi para Seattle.
Max Heindel conta um fato onde não somente demonstra seu estado físico, mas também o que um estilo de vida vegetariano pode trazer como consequência. “Numa manhã, aproximadamente três anos após passar para uma vida vegetariana, tive um acidente e perdi uma unha pela raiz. Se isto tivesse acontecido quando eu ainda não era vegetariano teria sangrado muito, porque então meu sangue não coagulava e qualquer simples machucado sangrava longamente. Nesta ocasião perdi somente algumas gotas de sangue que coagularam rapidamente e, portanto, só necessitei de um pequeno curativo, que foi retirado mais tarde para não atrapalhar na datilografia. Normalmente quando perdemos uma unha o local infecciona, mas isto não aconteceu. A pele sarou dentro de alguns dias e durante os seis meses que levou para crescer uma nova unha, excetuando as primeiras horas, eu consegui usar meu dedo normalmente[136].
Após uma série de Palestras em Seattle, Max Heindel precisou ficar, novamente, um tempo hospitalizado, devido a uma falha nas válvulas cardíacas. Depois disto ele foi para Duluth, onde conseguiu muito sucesso com seus cursos.
Durante sua viagem pela Europa a Sra. Alma Von Brandis assistiu a palestras do Dr. Rudolf Steiner. Steiner, que no início de 1902 se tornou membro da Sociedade Teosófica e mais tarde naquele ano se tornou Secretário Nacional da Alemanha, se declarava ser um iniciado da Ordem Rosacruz[137]. Ela se tornou membro junto de Steiner e insistiu para que Heindel fosse para Viena para ouvir uma Palestra de Steiner. Contudo, devido à sua doença em Seattle ele não estava em condições de responder, e nem estava disposto a abandonar sua turnê de sucesso. Também não tinha condições financeiras para empreender uma viagem destas.
No outono de 1907 Dra. Alma Von Brandis retornou aos EUA e se encontrou com Max Heindel em Duluth. Porque ela já estava a meses tentando convencer Max Heindel, por escrito, a ir para a Europa desta vez veio tentar pessoalmente. Pela oferta dela, de pagar os custos da viagem, ela, finalmente, conseguiu convencê-lo. Com esta oportunidade, Max Heindel aproveitou para primeiro visitar sua família na Dinamarca e, depois, foi para Berlim.
Para colocar os acontecimentos da Alemanha no devido lugar devemos, primeiro, detalhar a organização do Movimento Teosófico, assim como a posição de Rudolf Steiner. Não é tarefa simples porque a organização do Movimento Teosófico na Alemanha, no início do século vinte, era muito complicada.
O início disto tudo ocorreu em 17 de novembro de 1875, em Nova York, quando Sra. H. P. Blavatsky, H. S. Olcott, W.Q. Judge e outros treze fundaram o Movimento Teosófico em Nova York. O objetivo do Movimento era: formar o Centro de uma Fraternidade Universal, sem diferenciar: raça, crença, sexo, casta ou cor de pele; estudar as religiões antigas e modernas, filosofias e ciências e pesquisar as inexplicáveis leis da natureza e os poderes psíquicos do ser humano[138]. Ela foi a escritora de Isis sem Véu (1877) e A Doutrina Secreta (1888). Em 1879 a Sede Central se mudou de Nova York para a Índia, em Bombay; em 1882 foi adquirido uma propriedade em Adyar, uma cidade perto de Madras e lá foi construída a Sede definitiva do Movimento Teosófico ‘Adyar Theosophical Society’[139].
No dia 27 de julho de 1884, à noite, às 19:06 horas, na cidade de Elberfeld na Alemanha, sob supervisão do Coronel H. S. Olcott, foi fundada a ‘Theosophischen Sozietat Germania’, com dr. Wilhem Hubbe Schleiden (1846-1916) como presidente. Contudo, após dois anos e meio, no dia 31 de dezembro de 1886, ela foi novamente extinguida[140]. Contudo, Hubbe Schleiden continuou trabalhando no mesmo espírito que o Movimento Teosófico, e em 1886 fundou a revista Sphinx. Quando ele percebeu que grupos em diversas cidades começavam a se formar ele decidiu fundar em 1892 a Sociedade Teosófica em Berlim e no dia 3 de novembro de 1893 a primeira ‘Roda Esotérica’[141]. Como constantemente surgiam novos associados, decidiram formar uma estrutura oficial e na presença de Olcott no dia 29 de junho de 1894 fundaram a ‘Sociedade Alemã de Teosofia’ como ramo da Teosofia Europeia[142]. O Presidente era Hugo Goring e logo depois Julius Engel que, em 1899, foi substituído por Sophie, Condessa Von Brockdorff[143]. A Presidência Nacional era de Hubbe Schleiden e Theodor Reuss (1855-1923). Com o decorrer do tempo a Condessa assumiu a dianteira, ao lado do Movimento Teosófico Alemão, apesar de Berlim ser apenas uma loja Teosófica, mesmo tempo muitos associados. Julius Engel sentiu isto como uma limitação inibidora de sua atividade que ele se retirou da Presidência Nacional e em 1899 fundou a loja de Charlottenburg. Também em outras cidades alemãs surgiram lojas depois de 1894.
O rompimento com a Sede Mundial trouxe consequências na Alemanha[144]. Katherine Augusta Tingley (1851-1926), a substituta de William Quan Judge (1851-1896) que rompeu com Adyar, viajava por sua tournée Teosófica em 1896, também pela Europa. Por sua influência, Paul Raatz fundou em 24 de junho de 1896 uma ramificação dela em Berlim com o médico Dr. Franz Hartmann (1838-1912) como Presidente. Este, por sua vez se afastou de Tingley e no dia 3 de setembro de 1897 fundou em Munique a ‘Fraternidade Internacional Teosófica’[145] que se apresentava como ‘Sociedade Teosófica Alemã’[146] e em 1898 estabeleceu sua Sede Central em Leipzig[147].
Em meados de setembro de 1900 o quase quarentão Steiner foi convidado a palestrar na casa do Conde e da Condessa Von Brockdorff em Berlim, sobre o recém falecido Nietzsche. No Adendo 7, referente Steiner, será explicado profundamente como Steiner se filiou à Teosofia. Aqui relato a relação de Steiner com os outros Teósofos.
Steiner se associou ao Movimento Teosófico no dia 11 de janeiro de 1902 e no dia 17 de janeiro se tornou Presidente da Loja de Berlim; no dia 20 de outubro se tornou Secretário Geral da Alemanha e no dia 23 de outubro se inscreveu na Escola Esotérica (Steiner tinha planos de fundar uma Roda Secreta de Rosacruzes). Klatt escreve o seguinte sobre isto: ‘Ele [Steiner] introduziu a escola ocultista dos Rosacruzes dentro do ramo alemão do Movimento Teosófico, e com isto semeou a base da ruptura que ocorreu em 1912/13. Na verdade … já era conhecido este interesse extraordinário de Steiner pelo Rosacruzes antes mesmo dele ser Secretário Geral do Movimento Teosófico da Alemanha. Prova disto é uma carta dele datada de 14 de agosto de 1902 para Hubbe Schleiden. Com ele, Steiner também havia conversado pessoalmente sobre o Rosacruzes como mostram anotações de Hubbe Schleiden para Deinhard. Neste exemplo iriam formar uma roda secreta dentro do ramo da Alemanha. Sobre isto Hubbe Schleiden escreve em sua carta, datada de 15 de outubro de 1903 para Deinhard: Precisam ser pessoas refinadas e muito cultas – uma roda silenciosa de ‘Rosacruzes’, para os de fora, desconhecidos, e sem serem reconhecidos, trabalhando em prol da humanidade e espalhando sementes’[148].
Muitos associados reclamam que Steiner não cita suas fontes de informação, porque isto era uma regra entre os Teósofos. Assim escreve, por exemplo, Max Gysi (1874-1946) no dia 14 de setembro de 1904 para Hubbe Schleiden: ‘O Sr. pode esclarecer em que tradição secreta o Dr. Steiner se baseia para fazer afirmações nas três últimas edições do Luzifer-Gnosis sobre: Como adquirir consciência nos mundos superiores? ’. Uma resposta para esta pergunta Klatt encontrou entre os pertences de Hubbe Schleiden numa carta de Georg Bruno Haucks para Felix Knoll datada de 26 de abril de 1915[149]. Lá ele escreve sobre Steiner e sua revista Luzifer: ‘Ele foi o primeiro a escrever na revista sobre “como adquirir consciência nos mundos superiores” e com isto penetrou nos ensinamentos de Blavatsky/Besant, sem informar as fontes de referência. Tudo o que ele disse e escreveu podemos ler nos escritos de ambos de forma mais clara, simples e bonita’.
Haucks, que ouviu Steiner em Berlim, escreve no dia 8 de fevereiro de 1914 para Hubbe Schleiden: ‘Eu vi como o Dr. Steiner explica as doutrinas antigas, como se fossem descobertas por ele, sem citar as fontes da literatura teosófica; e os pesquisadores como Leadbeater, Besant, etc. são ignorados de forma angustiante; nunca mencionando hierarquias ocultas e se vangloriando que é o “Místico Alemão e descobridor dos mundos espirituais”[150].
Para finalizar uma carta de Hubbe Schleiden datada de 22 de fevereiro de 1907 para seu amigo Ludwig Deinhard (1847-1917): ‘O que nos vinte anos atrás aprendemos, na verdade não era melhor do que ele [Steiner] agora ensina. Na verdade, ninguém sabe de onde ele tira sua sabedoria, que não é indiana, porque o específico Cristianismo Germânico se opõe, e não é Rosacruciana Cabalística, porque mistura as ideias indianas da teosofia moderna, enquanto ‘Sfinx’ [Sra. Blavatsky] cita sempre suas fontes[151].
Hugo Von Gizycki escreve no dia 11 de janeiro de 1909, entre outros, para Hubbe Schleiden: ‘Eu só ouvi Steiner três ou quatro vezes, mas desisti de suas Palestras. Aquilo que ele trazia só podia ter sido visto por um clarividente e com certeza por clarividência. Contudo, não vi nele um clarividente, porque ele não trazia nada além do que eu já sabia, que já me havia sido ensinado pela doutrina oculta indiana, de H.P.B. [H. P. Blavatsky]. E o público que observei eram pessoas ignorantes e sem discernimento, mas principalmente totalmente ignorantes no sentido espiritual. Steiner não dava as fontes de onde tirava suas informações, portanto o público adorava-o cegamente e o considerava um profeta’[152].
Assim estavam as condições e a situação em que Heindel encontrou a Alemanha, descrito por seus contemporâneos.
Quando Max Heindel chegou em Berlim, em novembro de 1907, e encontrou moradia foi necessário se inscrever na polícia, mesmo sendo tempos de paz. Isto significa que precisou entregar seus documentos e responder uma enorme lista de perguntas pessoais a funcionários que pareciam não amistosos[153]. Seu objetivo era, por cinco meses, estudar intensivamente os ensinamentos de Steiner, apoiado por Alma Von Brandis. Ela se filiou à linha Teosófica de Steiner em 1906. Steiner, apesar de ser Representante Superior do Movimento Teosófico de Adyar na Alemanha, também dizia ser dos Rosacruzes. Justamente este último era o motivo de Max Heindel ter ido para a Alemanha, novamente sob seu nome de nascimento, Grasshoff. Assim como Steiner, Heindel também esteve associado ao Movimento Teosófico de Adyar[154] e, como associado, foi Vice-Presidente da loja de Los Angeles e estudou a teosofia profundamente. Para saber o que era especificamente os ensinamentos dos Rosacruzes, nas informações de Steiner que estavam disponíveis, existiam uns sete livros, complementados com dois estudos, que surgiram mais tarde e eram considerados da Escola Esotérica; pelo que Max Heindel conseguiu se informar na época[155]. Nada mais lógico que Max Heindel fosse assistir suas palestras e participasse das duas turmas da Escola Esotérica de Steiner. Assim escreve Paula[156] para seu pai adotivo dr. Wilhelm Hubbe Schleiden, jurista e empresário (1846-1916) no dia 5 de janeiro de 1911: ‘No número de outubro do Hochland eu li o artigo contra Steiner. Driessen[157] deve ter te entregado. Eu achei interessante, o americano, que na verdade se chama Grasshoff, se saiu muito bem. Ele se inscreveu no mesmo período que eu. Ele, na verdade, é um traidor, não é mesmo? Porque ele tornou público muitas informações que ele deveria ter mantido em segredo’[158].
Pelas indicações dadas nas cartas de Gunther Wagner[159], assim menciona Klatt, podemos deduzir, que Steiner deve ter sido admitido ao Serviço Misraim, na segunda seção da Escola Esotérica no outono de 1907[160]. Steiner diz que os símbolos utilizados em seu Serviço Misraim também são encontrados na maçonaria, mas que estes não conseguem entender e explicar a profundidade destes símbolos porque os mesmos não podem ser compreendidos fora dos templos ocultistas[161]. Por este motivo, Steiner aboliu o nome FM (freemason) ou maçonaria do seu templo e diz que este ritual oculto deveria ser indicado com as letras MD (Mizraim Dienst)[162]. Por este mesmo motivo Max Heindel também diz que ele não era maçom[163].
Na carta de 11 de janeiro de 1911, portanto, três dias depois, Paula escreve para seu pai adotivo: ‘Grasshoff é americano, não o considerei judeu, mas é insuportável. Você leu seu livro? Muitas vezes ele palestrou aqui em inglês sobre Astrologia e se baseava, principalmente, na Doutrina Secreta de Blavatsky. Também já fazia Palestras na América e era muito amigo da Alma Von Brandis’[164].
Max Heindel diz que por cinco meses, do início de novembro de 1907 até final de maio de 1908, acompanhou intensivamente os ensinamentos de Steiner que naquele período esteve raramente em Berlim[165]. Max Heindel esteve pessoalmente com Steiner umas seis vezes e em três ocasiões ele pede explicações sobre: a) discrepâncias em seu livro Theosophie; b) discrepâncias em seu livro Alaska Chronik; c) o desconhecimento fisiológico de Steiner durante uma palestra em que ele apontou na parte de trás da cabeça quando falava da hipófise, que deveria estar localizada lá – uma divergência que sua clarividência deveria ter revelada para ele[166]. Em todas as ocasiões Steiner se desculpava e dava razão aos comentários de Max Heindel na presença de testemunhas. Durante sua última conversa com Steiner, Max Heindel contou que estava escrevendo um livro sobre ocultismo; um compêndio sobre os ensinamentos do Oriente e do Ocidente. Neste momento Steiner diz a Max Heindel que se fosse utilizar ensinamentos que foram trazidos por ele deveria citá-lo como fonte de informação; Max Heindel concorda com isto.
Em 1906 Alma Von Brandis se associou a Steiner. Trazendo Max Heindel até a Alemanha, ela esperava conseguir convencê-lo a ser o representante de Steiner na América[167]. Max Heindel, por outro lado, tinha esperanças que Steiner o pudesse auxiliar a seguir o caminho da espiritualidade. Contudo, concluiu que isto não seria o caso e Max Heindel ficou desanimado. Em desespero ele contou a Alma Von Brandis que queria voltar à América. Quando ele disse a ela que considerava sua ida à Alemanha como perda de tempo, surgiu uma discussão acalorada entre os dois, que fez com que seus caminhos se afastassem, definitivamente.
Depois Heindel retornou a seu quarto de hotel, abatido e desencorajado. Com a sensação de ter ido para a Europa e deixado um terreno frutífero nos Estados Unidos da América; somente para descobrir que não havia encontrado o que procurava. Entretanto preparou seu retorno aos Estados Unidos da América. Em suas próprias palavras: “Quando me sentei em uma cadeira, avaliando meu desapontamento, tive a sensação que havia mais alguém presente e que vinha em minha direção. Olhei para cima e contemplei Aquele que, a partir deste momento, se tornou meu Mestre. Lembro-me envergonhado, de como rispidamente lhe perguntei quem o havia enviado e o que queria, porque estava muito decepcionado e hesitei bastante antes de aceitar seu auxílio sobre os pontos que me trouxeram à Europa. Durante os dias seguintes meu novo amigo apareceu várias vezes em meu quarto, enquanto respondia minhas perguntas e me ajudava a resolver os problemas que anteriormente me deixavam intrigado. Contudo, porque minha clarividência não estava bem desenvolvida e nem sempre sob meu controle, eu estava bem cético a tudo isto. Não poderia ser ilusão? Eu falei sobre esta questão com um amigo. As respostas às minhas perguntas, conforme eram dadas pela visão, eram claras, concisas e muito lógicas. Eram diretas e muito além de qualquer concepção que eu fosse capaz de imaginar, daí concluímos que a experiência deveria ser real”.
Alguns dias depois meu novo amigo me contou que a Ordem da qual ele fazia parte tinha uma solução completa para o enigma do Universo, muito mais completa do que qualquer outro ensinamento. Que gostariam de compartilhar este ensinamento comigo, na condição que eu a guardaria como um segredo absoluto. Neste momento me virei com raiva dele e disse: ‘Agora vejo sua intenção real. Não, se tu possuis o que dizes e se isto é a verdade, será bom que todos o saibam. A Bíblia nos proíbe esconder a Luz, e não desejo beber da fonte enquanto tantas pessoas estão famintas para solucionar seus problemas, como eu agora’. Após isto meu visitante partiu e permaneceu ausente. Deduzi que ele era um representante dos Irmãos das Trevas.
Aproximadamente um mês depois, eu estava convencido que não encontraria mais iluminação na Alemanha e reservei a passagem no navio de retorno à Nova York. Como estava muito cheio, eu precisaria esperar mais um mês para poder partir.
Quando retornei ao meu quarto, após ter comprado a passagem, estava lá meu desprezado Mestre e novamente me propôs o ensinamento na condição de mantê-la em segredo. Desta vez minha recusa deve ter sido mais enfática do que da primeira vez, mas ele não partiu. Em vez disto ele me disse: ‘Fico feliz em ouvir sua recusa, meu irmão, e espero que sempre seja tão enfático em divulgar nossos ensinamentos, sem nenhum temor nem parcialidade, como foi nesta recusa. Esta é a real condição para receber os ensinamentos’.
Pouco importa como me foram dadas indicações de qual trem e em que estação deveria tomar para ir a um local do qual nunca havia ouvido antes. Lá encontrei o Irmão Maior em seu Corpo Denso, fui levado ao Templo e recebi as principais indicações dos conhecimentos contidos em nossa literatura. O que importa, é que se eu tivesse concordado em manter segredo, eu logicamente seria desconsiderado como propagador dos Irmãos Maiores e eles teriam que procurar outro candidato[168].
Foi durante o mês de abril e início de maio de 1908 que Max Heindel passou por esta prova. Apenas mais tarde foi contado a ele que o candidato que eles haviam considerado primeiramente era Dr. Rudolf Steiner, que estava em treinamento durante alguns anos, mas não havia passado na prova porque ele não poderia ser um líder para os Ensinamentos Ocidentais, e nem tão pouco para os Orientais. Max Heindel também estava sendo observado por alguns anos pelos Irmãos Maiores da Rosacruz como próximo candidato, se o primeiro falhasse. Depois foi contado a ele que os Ensinamentos deveriam ser divulgados antes de finalizar o primeiro decênio [9 de abril de 1910][169].
Ele foi informado como chegar ao Templo onde receberia suas instruções. Max Heindel escreve sobre isto: ‘Para chegar naquele lugar me foi orientado ir a uma determinada Estação de Berlim na manhã seguinte e comprar uma passagem para um lugar da qual eu nunca havia ouvido antes, pegar o trem que partiria numa determinada hora. Portanto, na manhã seguinte fui àquela determinada Estação e comprei a passagem e percebi que o trem partia exatamente no horário que meu visitante havia mencionado. Após chegar ao meu destino[170] me encontrei com o Irmão Maior[171], em seu Corpo Denso, e fui levado por Ele para o local onde o Templo se localiza, mas não materialmente e sim etericamente, e, portanto, invisível para as pessoas na redondeza, que não estão conscientes que a Grande Escola de Mistérios Ocidental se encontra em seu meio. No momento que o Irmão Maior estava no meu quarto e me deu as instruções de como chegar lá eu não estava dormindo e, também, não estava em condições de controlar minha visão espiritual ou de deixar meu Corpo Denso, conscientemente. Estas habilidades foram despertadas durante minha primeira Iniciação, que aconteceu pouco depois no Templo. Contudo, nestes momentos o Irmão Maior se materializava de tal forma que eu o pudesse ver’[172].
Max Heindel permanece no Templo pouco mais de um mês, em contato direto com e sob a supervisão do Irmão Maior que o transmite a maior parte dos ensinamentos que estão no Conceito Rosacruz do Cosmos.
A primeira versão do livro, que foi escrita enquanto ele estava no Templo, foi escrita em alemão. O Mestre o informou que eram apenas linhas gerais. A atmosfera pesada da Alemanha era boa o suficiente para transmitir as ideias esotéricas na consciência do candidato. Contudo, foi dito a ele que o manuscrito de 350 páginas não o satisfaria mais quando chegasse na atmosfera elétrica da América e que ele iria reescrever o livro inteiramente[173].
Em seu entusiasmo ele duvidou disto. E considerava que possuía uma mensagem maravilhosa e completa. Contudo, as previsões do Irmão Maior se confirmariam.
Finalizando, Max Heindel diz: ‘Ao deixar o Templo, os Irmãos Maiores me deram um aviso na despedida: tente nunca atrair dinheiro, nem mesmo para a construção da Ecclesia ou do Centro de Cura. Prédios são mortos, mesmo que sejam lindos. Portanto, se empenhe em conseguir o apoio de homens e mulheres íntegros para que este trabalho possa recompensar suas vidas. Porque somente desta forma poderá ser uma parte viva neste mundo. Se se mantiver a estas regras, aparecerão no momento certo, quando for necessário, os prédios nas condições necessárias. Contudo, se você fizer este ensinamento servir o Mamon, a Luz irá sumir e o movimento irá falhar’[174].
Quando Max Heindel recebeu a maior parte do conhecimento do Irmão Maior, que se tornou o Conceito Rosacruz do Cosmos, ele destruiu o manuscrito inacabado do livro que havia comentado com Dr. Steiner. Contudo, porque o Conceito Rosacruz do Cosmos confirmava os ensinamentos de Steiner, Heindel considerou que deveria fazer uma dedicatória a Steiner ao invés de ser um plagiador. Havia pouco perigo, porque um plagiador sempre tem menos informação do que o autor do qual rouba suas ideias. Em comparações com trabalhos publicados anteriormente demonstra que o Conceito Rosacruz do Cosmos contém muito mais informações[175].
O Conceito Rosacruz do Cosmos também foi recebido pelos Teósofos com muito entusiasmo. Também encontrou seu caminho para a Sra. Laura Bauer-Ficker (1874-1934), professora numa escola primária em Viena. No dia 30 de novembro de 1910 ela escreveu uma carta para Max Heindel onde solicita permissão para traduzir o livro para o Alemão, que foi concedido a ela[176].
Na carta de 14/16 de outubro de 1911 Heindel solicita que ela deixe um espaço em branco na parte “Uma palavra ao Sábio” para que ele possa incluir um agradecimento a ela. Neste texto parece que ela utilizou o pseudônimo S. Von der Wiesen. Quando a tradução estava finalizada foi oferecida ao Max Altmann, em Leipzig, para publicação. Porque ele publicava os livros de Steiner, então, escreveu uma carta ao mesmo, que por sua vez no dia 29 de janeiro de 1911, de seu quarto do Royal Hotel de Dusseldorf escreve para Marie Von Sievers: ‘… Altmann escreveu, que foi oferecido a ele publicar o livro de Heindel’[177]. Contudo, ele conseguiu convencer Altmann a não publicar o livro de Heindel. Portanto, Vollrath, também de Leipzig, teve a proposta de publicar o livro como: O Conceito Rosacruz do Cosmos; em dez lições escritas, pelo preço de 12 marcos[178].
Hugo Vollrath (1877-1943), que também era chamado por Walter Heilmann ou dr. Johannes Walther, tinha uma reputação péssima. Desta forma escreveu Deinhard em uma carta para Driessen no dia 31/08/1916: ‘Considero Vollrath um caso patológico de alguém que está sempre reclamando’[179]. Quando Vollrath foi destituído do cargo de secretário da Ordem da Estrela em novembro de 1911, ele considerava-se, ainda, secretário do que ele chamava de a Estrela da União, e distribuía cartões de sociedade com a assinatura falsa de Krishnamurti[180]. Antes de 1914 ele sempre se nomeou doutor, o que foi comprovado ser errôneo. Dr. Korsch[181] (173), um advogado de Dusseldorf, conseguiu provar após anos de pesquisa, que os papéis, que comprovariam isto, eram falsificados[182]. Portanto, é muito compreensível que Max Heindel, com um editor deste calibre, fosse confrontado com surpresas desagradáveis.
A base dos ensinamentos de Steiner era: a Teosofia de Adyar e os elementos ocidentais, que foram ensinados a ele por um Irmão Maior da Ordem Rosacruz. A base de Max Heindel também era: a Teosofia de Adyar, um estudo intensivo de cinco meses do ensinamento de Steiner e o conhecimento direto que recebeu do Irmão Maior e escreveu em um manuscrito de 350 páginas.
Chegando aos Estados Unidos da América ele quis reescrever o manuscrito. Max Heindel ainda estava convencido que Steiner divulgava os ensinamentos Rosacruzes aos alemães e que ele, Max Heindel, havia recebido os ensinamentos para divulgar aos que falavam inglês[183].
Onde era apropriado em seu livro, Max Heindel usava, com consciência tranquila, os exemplos e citações de Steiner. E porque não; se partiam da mesma fonte e eram utilizadas para o mesmo fim? Max Heindel havia prometido a Steiner que iria divulgá-lo como fonte.
Isto Max Heindel fez dedicando seu livro a Steiner. Porque ele tinha plena convicção que ambos estavam em posição de igualdade e enviou a Steiner uma cópia assinada e esperava por uma reação positiva de Steiner, que nunca veio. Max Heindel deve ter perguntado ao seu Mestre, o Irmão Maior, qual era a real posição de Steiner e recebeu como resposta que ele havia sido escolhido como o mensageiro, mas não foi considerado digno porque ele misturava o ocultismo do Oriente com o do Ocidente. Steiner deve ter compreendido, após receber o livro de Heindel, que este foi escolhido como representante da Ordem Rosacruz. Max Heindel compreendeu, após ter sido informado pelo Mestre da real posição de Steiner, que sua dedicatória a Steiner havia sido um erro e tentou em sua 2ª Edição em 1910 corrigir isto. Abaixo podemos ver a dedicatória do manuscrito em inglês, a dedicatória da primeira edição e a re-dedicatória da segunda edição[184].
No manuscrito:
Dedicated to my esteemed teacher and valued friend Dr. Rudolf Steiner and to my more than friend Dr. Alma von Brandis, in grateful recognition of the inestimable for soul-growth they have exercised in my life.
Na 1ª Edição novembro de 1908:
To my valued friend, DR. RUDOLF STEINER, in grateful recognition, of much valuable information received; and to my friend DR. ALMA VON BRANDIS, in heartfelt appreciation of the inestimable influence for soul-growth she has exercised in my life.
Na 2ª Edição, de 1910:
IN RE DEDICATION
From the beginning of November 1907, to the end of March 1908, the writer devoted his time to the investigation of the teachings of Dr. Steiner, who was absent from Berlin nearly all the time. In the last of about six personal interviews with Dr. S. the writer mentioned that he had commenced a book along occult lines; a compendium of the teachings of the East and the West.
Dr. S. then urged that, if any of the teachings promulgated by him were used he ought to be mentioned as authority and source of information. In consequence the writer agreed to dedicate the work of Dr. Steiner.
During January, February and March 1908, the Elder Brother, whom the writer now knows and reveres as Teacher, came at times clothed in his vital body and enlightened the writer on various points. In April and May, after unwittingly passing a test, the writer was invited to journey to the estate on which is found the Temple of the Rosy Cross.
There he met the Elder Brother in his dense body; there he was given the far-reaching, synthetic philosophy embodied in the present work – which in the opinion of many old students in England, on the Continent and in America, embodies everything that has been taught in public of esoterically in the past, besides much more that has never before been printed.
Therefore, the unfinished manuscript for the book mentioned to Dr. Steiner was destroyed, but as the later and more complete teaching given by the Elder Brother corroborated the teachings of Dr. S. along main lines, it was thought better to dedicate the book to Dr. S. than seem a plagiarist invariably gives less than the authority from whom he steals, and it will be found that in any case where previous works are compared with the present, this book will in all cases give more information.
The dedication has therefore been mistake; it has led many people who merely glanced at the book to infer that it embodies the teachings of Dr. S. and that he is responsible for the statements made herein. Such inference is obviously unfair to Dr. S. and a careful perusal of pages 8 and 9 will show that it was never intended to convey such an idea. The writer does not see how to convey the true idea in a dedicatory sentence, hence has decided to withdraw the same, with an apology to Dr. S. for any annoyance he may be caused by the hasty conclusion concerning his responsibility for the Rosicrucian Cosmo-Conception[185].
Ainda preciso comentar o seguinte: além do exemplar enviado por Max Heindel[186] do Conceito Rosacruz do Cosmos, ao qual Steiner nunca reagiu, ele também possuía uma segunda edição[187] que, a propósito, é praticamente igual à primeira edição, excetuando pequenas alterações, e uma adição sobre Iniciação começando na pág. 519 até pág. 529, onde as páginas 519 até 523 da primeira edição foram incluídas. Na primeira edição esta parte foi ampliada em mais 10 páginas e incluída um registro. Steiner reagiu detalhadamente ao surgimento do livro – em cinco momentos diferentes[188] – entre 1913 e 1922. Seu tom ficou cada vez mais amargo, porque Rudolf Steiner deve ter percebido que ele não poderia ser o representante da Teosofia, nem dos Rosacruzes; em 2 de fevereiro de 1913 fundou a Sociedade Antroposófica, um movimento, que conforme Rudolf Steiner, “era muito mais abrangente que os Rosacruzes e que toda a Teosofia”[189].
Max Heindel chegou à cidade de Nova York com pouquíssimo dinheiro, mas com muita motivação. Ele alugou um pequeno quarto no sétimo e último andar de uma pensão. Quando ele já estava a algumas semanas na cidade percebeu que o Irmão Maior tinha razão. O estilo da escrita do livro já não o agradava mais e ele começou a reescrevê-lo. Durante os meses mais quentes do verão de 1908, ele ficou neste quarto quente escrevendo em sua máquina de escrever Blickensderfer, das 7 horas da manhã até 9 ou 10 horas da noite sem sair para fora, nem mesmo para comer. Toda manhã o leiteiro colocava um litro de leite na porta de seu quarto. Isto, com um pouco de bolachas de trigo quebradas, era seu alimento até 9 horas da noite. Nesta hora ele saía para comer, uma refeição que normalmente era composta apenas de verduras. Após uma pequena caminhada pelas ruas quentes de Nova York, ele retornava ao seu trabalho até depois da meia noite. Com o tempo o calor ficou insuportável e ele decidiu se mudar para Buffalo, ainda no Estado de Nova York, onde ele finalizou a datilografia no dia 24 de agosto de 1908[190]. O próximo problema era a impressão de seu livro e onde encontrar os meios financeiros para tanto.
Por causa do calor ele teve dificuldades para fazer Palestras ou Cursos em Buffalo e resolveu se mudar para Columbus, Ohio, onde ele, na noite de 14 de novembro 1908, fez sua primeira Palestra e um tempo depois fundou seu primeiro Centro. Mary E. Rath Merill, artista plástica, e a filha dela, Allene, o ajudaram com os desenhos dos diagramas para o Conceito. Aqui ele começou a espalhar o ensinamento usando um Stereopticon[191]: um par de projetores usados simultaneamente, fazendo uma imagem sumir enquanto a outra é formada.
Depois de cada Palestra ele distribuía aos ouvintes, gratuitamente, das vinte apresentações do Cristianismo Rosacruz, para que pudessem estudar em casa. Ele mesmo ficava até altas horas da noite passando no mimeógrafo[192] estas apresentações.
Armado de martelo, um pacote de pregos no bolso e uma pilha de folhetos de propaganda de 20 por 25 cm, embaixo do braço, ele andava, diariamente, quilômetros para afixar a propaganda onde aparecessem aos olhos do público. Ele escrevia seus próprios artigos para jornais e levava aos editores que muitas vezes reagiam de forma preconceituosa em relação a este novo ensinamento. Contudo, por sua personalidade cativante ele normalmente vencia suas objeções e, às vezes, conseguia até uma página inteira para seu artigo.
A maior preocupação de Max Heindel era como ele poderia publicar o Conceito Rosacruz do Cosmos. A pequena colaboração que ele recebia pelas Palestras mal dava para alimentá-lo e providenciar um abrigo.
Finalmente, ele conseguiu guardar o suficiente para ir a Seattle, no estado de Washington, onde havia feito muitos amigos desde 1906. Após o final da última das 20 palestras em Columbus, ele se mudou para Seattle, com dinheiro suficiente para um assento no trem, porque uma acomodação para dormir era muito cara.
Max Heindel tinha uma grande amiga em Portland, Oregon, a Mildred Kyle, para quem ele havia enviado uma cópia do livro. Ela estava entusiasmada sobre este trabalho maravilhoso e começou a dar aulas, utilizando este conhecimento. Quando ela recebeu a cópia ela contatou dois corretores experientes para ajudá-la na leitura e correção. Ela encorajou-o a voltar para a Costa Oeste. Ela também prometeu a Max Heindel que quando ele finalizasse o trabalho, ela encontraria dez amigas que se interessariam em doar cem dólares cada uma para a publicação.
Um dos amigos que Max Heindel tinha em Seattle era o Corretor de Imóveis William M. Patterson. No verão de 1906 Max Heindel havia prenunciado um acidente de trem. ‘Vi que ele faria uma viagem por diversão em agosto de 1909 e que teria um acidente durante esta viagem, mas que ele não se machucaria neste acidente. Contudo, também vi que um mês depois – em setembro de 1909 – faria uma longa viagem em consequência de um evento literário importante. Naquele tempo eu não poderia nem suspeitar o quanto eu estaria envolvido com esta questão. Neste meio tempo eu fui para a Alemanha, onde ganhei a encomenda de divulgar os ensinamentos dos Rosacruzes no mundo Ocidental. Após escrever o Conceito Rosacruz do Cosmos e as vinte Palestras[193], fui novamente para Seattle, durante a Exposição Alaska Yukon Pacific em 1909. Lá encontrei novamente o Senhor Patterson; em agosto, quando terminei a sessão de Palestras, ele me convidou para ir ao Parque Yellowstone. Após esta viagem agradável e uma pausa para descanso, ele sugeriu ir para Chicago para lá publicar o Conceito Rosacruz do Cosmos. Eu estava totalmente tomado pelo trabalho literário e recusei o convite de ir ao Parque Yellowstone, portanto o senhor Patterson foi sozinho. Entre Gardner Junction e o Parque, o trem descarrilou e todos os passageiros caíram de seus assentos, mas ninguém se machucou.
Após seu retorno, fomos juntos para Chicago, onde o Conceito Rosacruz do Cosmos foi publicado. O prenúncio de três anos antes foi correto. Preciso comentar que ambos havíamos esquecido o prenúncio, até que depois, quando o Senhor Patterson estava buscando alguns papéis e encontrou o horóscopo com o prenúncio’.[194]
O senhor Patterson ajudou não só com a mediação e financiamento da impressão, mas também foi revisor, juntamente com a Sra. Jessie Brewster e Kingsmill Commander.
Quando o Sr. Patterson leu o manuscrito, seu primeiro pensamento foi que o conteúdo seria muito avançado para aquela época. Ele aconselhou Max Heindel a esperar uns vinte anos para que o mundo estivesse maduro para a mensagem. Contudo, quando ele ouviu os planos das pessoas de Portland, ele imediatamente se prontificou a financiar a impressão e também de levar Max Heindel até Chicago. Isto aconteceu quando o Sr. Patterson retornou de sua viagem em outubro. Contudo, Max Heindel precisava primeiro terminar suas apresentações em Seattle. Ele estava muito ocupado porque a Exposição atraía muitas pessoas para a cidade. Max Heindel realizou vinte Palestras no Evergreen Hall do Prédio Arcade e também deu alguns cursos. Dr. George Bush manobrava o Stereopticon.
Durante sua última Palestra Max Heindel anunciou que no dia 8 de agosto de 1909 haveria um encontro especial. Naquela tarde haviam muitas pessoas e foram feitas muitas perguntas entusiasmadas, e Max Heindel solicitou aos presentes que se juntassem a ele para divulgar os ensinamentos. Quase todo mundo concordou, Max Heindel tirou seu relógio do bolso e anotou a hora, 15:00 horas, e comentou que naquele momento estava inaugurando a “Fraternidade Rosacruz”, ou palavras neste contexto[195]. Sobre isto o Sr. Moe me escreveu: ‘Oh, nós estávamos com aproximadamente cinquenta pessoas e o Sr. Heindel fundou um bom Centro para nós. O Sr. Heindel nos deixou logo em seguida. Um ano depois ele retornou e nos deu novo ânimo. Dois anos depois o Sr. Heindel retornou novamente com a Sra. Augusta Foss Heindel’.[196]
O escritório central da Fraternidade Rosacruz, que era chamado na época de Rosicrucian Fellowship Auditorium, ficava na 812 Sixth Avenue em Seattle. Durante sua estadia em Seattle, Max Heindel escreveu seu terceiro livro, Astrologia Científica Simplificada, uma brochura de 40 páginas.
Quando as Palestras de Seattle terminaram, Max Heindel e seu amigo William Patterson foram para Chicago, com a Versão datilografada do Conceito Rosacruz do Cosmos e as vinte apresentações do Cristianismo Rosacruz. Eles ficaram algum tempo em Chicago, enquanto M. A. Donahue & Co, imprimisse 2500 exemplares do Conceito Rosacruz do Cosmos.
Mas antes que o manuscrito pudesse ser entregue para publicação, Max Heindel precisava datilografar de novo tudo porque este exemplar estava repleto de anotações com quatro cores diferentes de lápis, que os corretores haviam colocado. Isto foi feito na pequena e velha máquina Blickensderfer. Jessie Brewster e Kingsmill Commander também ajudaram na correção.
Sobre este acontecimento Max Heindel diz o seguinte: ‘O Conceito Rosacruz do Cosmos foi publicado no final de novembro de 1909, aproximadamente quatro meses antes do início do novo decênio [9 de abril de 1910]. Amigos ajudaram a deixá-lo pronto para impressão e fizeram um ótimo trabalho. Contudo, eu precisava, naturalmente, corrigir tudo antes de entregá-lo para impressão. Depois lia as provas de impressão, os corrigia e devolvia e relia quando os erros haviam sido corrigidos. Eu li depois de serem colocados nas páginas e dava orientações aos grafistas onde deveriam colocar as imagens, e assim por diante. Todas estas semanas, levantava de manhã às seis horas e batalhava até meia noite, uma, duas ou três da madrugada, em meio ao barulhento e movimentado Chicago, até ao limite que meus nervos aguentavam. Mesmo assim consegui manter-me concentrado e ainda consegui inserir novos pontos dentro do Conceito Rosacruz do Cosmos. Contudo, sem o apoio dos Irmãos Maiores eu, com certeza, teria esmorecido. Era o trabalho deles e eles me ajudaram em todo o processo. Mesmo assim eu estava um caco quando finalizamos esta tarefa’.[197]
Depois deixamos todos os exemplares (2500 livros) do Conceito Rosacruz do Cosmos – excetuando 500 exemplares que levamos para Seattle – na casa de uma Sra. que comandava uma editora de livros da Teosofia, chamada Independent Book Co., na rua E. van Burenstreet 18-26. Esta mulher tinha dívidas, e ela utilizou os exemplares do Conceito para liquidar estas dívidas com outras editoras. Quando, aproximadamente, meio ano depois veio o pedido de enviar mais livros para Seattle, perceberam que a primeira edição já estava esgotada. Foi solicitada uma segunda edição com urgência na gráfica, mas o financiamento era um grande problema. Augusta Foss conseguiu dar uma pequena entrada. A demanda era tão grande que durante a impressão já havia encomendas de duas livrarias.
O Senhor Heindel escreveu em uma carta no dia 23 de dezembro de 1910 para a Sra. L. Bauer em Veneza: ‘Acabo de finalizar um registro de 64 páginas, que será impresso no próximo mês e vendido separadamente para aqueles que compraram a primeira e segunda edição do C.R.C.’[198]. A terceira edição possuía este índex da pág. 543 até 597, portanto 54 páginas. Na página não numerada 543 da primeira e segunda edições está escrito: ‘The Rosicrucian Cosmo Conception, 544 páginas, 12mo, com 25 diagramas e ilustrações, algumas em quatro cores; uma linda capa com o Símbolo (em vermelho, preto e dourado). Bordas douradas sobre vermelho. Encadernação superforte e durável, publicado sem lucro para o escritor … $ 1,00 e frete de $ 0,15’.
E aqui também: The Rosicrucian Christianity Series. O preço destas [20] Palestras é, cada, $ 5 cents acrescido de $ 1 cent de frete’.
Na próxima página desta segunda edição: ‘Simplified, Scientific Astrology, primeira parte, de Max Heindel: ‘Este é um manual completo. Contém todas as tabelas que são necessárias para aprender a calcular um horóscopo; mais 20 ilustrações. Preço 35 c. com frete 40 c.
Estava escrito, junto, que estes livros poderiam ser comprados na Rosicrucian Fellowship, P.O. Postal 1802, Seattle, Washington; 202 East Beck Street, Columbus, Ohio; Blanchard Hall, Los Angeles, Califórnia.
Pode parecer uma catástrofe perder 2000 livros para alguém que tinha poucos meios, isto se confirmou não ser o caso. Ao contrário, porque esta senhora já estava ligada aos novos pensamentos por muitos anos, Teosofia e outros movimentos similares, e distribuía livros entre eles que ela retirava de grandes Editoras. Ela os convenceu a pegar o Conceito que naquele tempo ainda era desconhecido. Desta forma ela formou uma demanda que fez distribuir os Ensinamentos Rosacruzes por muitas partes do mundo.
Max Heindel partiu de Chicago e foi para Seattle; logo depois já saiu de lá em direção a Yakima, no estado de Washington, onde fez Palestras e fundou um Centro. Um dos que estavam lá presentes era Bessie Boyle Campbell, e conta o seguinte: ‘Me lembro do Max Heindel quando o encontrei pela primeira vez na porta de uma sala de Conferências … Quando lá cheguei estavam o Sr. e a Sra. Swigart e o Sr. Heindel. Eu achei que ele se parecia muito com um Padre, apesar de estar vestido como um homem de negócios. Depois pensei que sua grande personalidade me fez pensar que era um Padre. Mais tarde, numa aula em círculo menor, ele nos contou que ele foi um Padre Católico Romano uns 300 anos antes, quando encarnado na França, … na sala velha onde ele deu sua primeira Palestra, os ouvintes eram alguns mendigos, que por causa do frio e neve entraram … Durante suas Palestras ele, às vezes, contava piadas, mas em outros momentos ele era muito sério. Ele tinha grande compaixão por todos que sofriam’.[199]
Em um dos livrinhos de anotações da Sra. Warendorp[200], uma irmã holandesa, estava escrito o seguinte: ‘ Em sua vida anterior Max Heindel era um monge que escrevia livros sobre misticismo. Aqueles trabalhos não agradavam a ordem da qual fazia parte e a consequência foi inimizade com os irmãos. A Senhora Heindel era filha de um Italiano rico, que deixou sua família e foi ajudar os pobres e doentes com ervas. Ela leu os livros do monge e o aconselhou a fugir porque sua vida corria perigo. Ela arrumou um cavalo com o qual o monge fugiu. A Ordem enviou cães sangrentos atrás do monge, que o trucidaram. Durante esta vida, Max Heindel tinha muito medo de cachorros’.
Para concluir uma passagem da carta do Sr. George Schwenk: ‘Senhora Heindel me contou que o Sr. Heindel acreditava que todos os que estavam ativos com a Fraternidade Rosacruz, também estiveram ativos com ele na Igreja Católica 300 anos atrás’.[201]
Depois de Yakima, Heindel foi para Portland, onde também deu Palestras e fundou um Centro.
Em novembro de 1909, Max Heindel deixou Seattle[202] para continuar seu trabalho em Los Angeles. Naturalmente ele fez, primeiro, uma visita a Augusta Foss que, depois que ele havia deixado Seattle e partido para suas palestras ao norte (isso antes de sua viagem à Berlim) não havia visto mais Max Heindel por dois anos, e estava com medo que ele a tivesse esquecido. Ela ficou muito surpresa quando ele apareceu. Max Heindel contou para ela que agora ele representava a Ordem Rosacruz, que havia escrito um livro e que se preparava para fazer apresentações em Los Angeles. Ela contou que teve uma gravíssima pneumonia dupla, como consequência de uma pesada gripe que pegou no dia 21 de janeiro de 1909[203]. Isto levou-a à beira da morte, no dia 28 do mesmo mês. À 1:00 hora da madrugada, ela saiu de seu corpo e se viu deitada na cama, onde os gritos das enfermeiras que a tentavam reanimar fizeram com que voltasse à vida. A doença fez com que sua resistência caísse e, com os pulmões afetados, ela não tinha mais condições de sair de casa à noite. Por este motivo deixou de frequentar o Movimento Teosófico.
Mas quando ela ouviu que Max Heindel pretendia dar palestras, imediatamente ofereceu sua ajuda. Algumas casas adiante da casa dela, Max Heindel alugou um quarto. E após aceitar a proposta de ajuda da senhorita Augusta Foss, seu estoque de livros e outros materiais de estudos foram colocados na garagem da casa dela.
Max Heindel alugou o grande Blanchard Hall, o mesmo salão onde em 1903 ele havia ouvido o ciclo de Palestras de Leadbeater. Havia lugar para 1300 pessoas. Aí veio para ela a grande surpresa. Antes de conhecer Max Heindel, ela havia estudado Astrologia por quatro anos. Quando ele passou uma tarde inteira na casa dela, ele perguntou a ela se no mapa dele mostrava se ele seria bom palestrante. Naquele tempo ele ainda falava com um forte sotaque dinamarquês, e ela acreditava que isto seria um grande obstáculo. Então ela respondeu que ele poderia ser um ótimo autor, mas que fazer palestras talvez não fosse seu ponto forte. Contudo, o conhecimento que ele trazia à luz do dia e as perguntas que ele respondia de improviso foram uma surpresa total para ela. Ele era outra pessoa.
Três noites por semana Max Heindel dava Palestra para 800 pessoas ou mais, e nas outras duas noites ele dava cursos tanto dos Ensinamentos Rosacruzes quanto de astrologia. Sua primeira turma de astrologia, em Los Angeles, era de 125 alunos. No dia 27 de fevereiro de 1910, um grupo muito entusiasmado formou o Centro. Max Heindel preparou professores que estavam em condições de dar continuidade aos ensinamentos quando ele partisse, porque ele havia prometido aos amigos de Portland[204] e Seattle que retornaria, assim que seu trabalho em Los Angeles tivesse terminado.
Para economizar os altos custos de propaganda e dar o máximo de divulgação possível, Max Heindel encomendou centenas de cartazes do tamanho de 20 por 25 cm e mandou imprimir neles os endereços das salas, datas e títulos das Palestras. Como havia feito em Columbus[205], saía toda manhã, armado de martelo, pregos e, embaixo do braço, os cartazes que espalhava por diversas regiões da cidade. O dia inteiro ele caminhava com sua perna esquerda manca e machucada, por vários quilômetros, para a noite estar no palco ou na sala de aula. Contudo, isto parece que teve sucesso, porque em pouco tempo, as salas estavam repletas, principalmente após sua primeira Palestra[206]. Amigos levavam amigos, fazendo com que faltasse lugar para sentar. Por isso ele começou a entregar cartões a todos que entravam. Estes cartões davam a garantia de ter lugar para sentar na próxima Palestra. O grande interesse fez com que Max Heindel também fizesse Palestras e aulas aos domingos à tarde. Isto continuou até 17 de março de 1910. No dia seguinte ele queria partir para Seattle e Portland para lá dar algumas aulas de novo. Na noite anterior à sua partida, ele orientou a Sra. Clara Gidding a dar continuidade nos Ensinamentos Rosacruzes, uma amiga que já havia trabalhado com ele em anos anteriores, em Los Angeles. Na noite seguinte ele anunciou que a senhorita Augusta Foss iria continuar com as aulas de Astrologia, dizendo que ela havia sido a professora dele neste quesito. Para estes cursos haviam 125 alunos inscritos.
Na manhã seguinte ele ficou muito doente, em consequência de seus problemas cardíacos e foi levado ao Hospital Angelus[207]. Aqui ele permaneceu beirando a morte por algumas semanas. Durante esta doença, Max Heindel alcançou sua segunda Iniciação e conta o seguinte sobre isto: “Na noite de 9 de abril, quando a Lua Nova estava em Áries, meu Mestre entrou em meu quarto e disse que naquela noite iniciava-se o novo decênio”[208], e que seria meu privilégio conhecer um novo método de Cura durante os próximos 10 anos. A Fraternidade iria providenciar os ajudantes para este novo trabalho. Esta foi a primeira indicação que recebi de que um serviço desta forma era planejado. “Na noite anterior, o meu trabalho, com o recém-inaugurado Centro de Los Angeles, havia terminado. Seis das sete noites eu havia caminhado e dado Palestras e, também, várias tardes, desde a minha experiência em Chicago. Eu fiquei doente e havia me retirado para me recuperar. Eu sabia quão perigoso é deixar o corpo conscientemente quando se está doente, porque o Corpo Vital está extremamente enfraquecido, e o Cordão Prateado pode ser rompido mais facilmente. Em tais situações a morte provocaria as mesmas consequências que o suicídio, por isto o Auxiliar Invisível é aconselhado a permanecer com seu Corpo Denso quando está adoecido. Contudo, por solicitação do meu Mestre, eu estava em condições de deixar meu Corpo Denso e fazer uma viagem astral para o Templo. Foi deixado um guarda para cuidar de meu corpo adoecido.
Como já foi dito anteriormente em nossa literatura, são 9 os graus de Mistérios Menores de qualquer Escola na Terra, e a Ordem Rosacruz não é exceção. A primeira Iniciação é equivalente ao Período de Saturno, e os exercícios relacionados a ela são realizados à meia noite dos sábados. A segunda Iniciação é equivalente ao Período Solar, e o Rito especial é realizado à meia noite dos domingos. A terceira Iniciação é relacionada ao Período Lunar, e é realizado à meia noite da segunda-feira e, assim, sucessivamente com as primeiras sete Iniciações. Cada Iniciação equivale a um Período e seu rito é realizado no dia específico. A oitava Iniciação é realizada nas noites de Lua Cheia e Lua Nova, e a nona Iniciação tem seu ritual nas noites dos Solstícios de Dezembro e Junho. Quando um Discípulo se torna Irmão ou Irmã Leigo (a), ele (a) recebe o convite para participar do Rito que acontece aos sábados à meia noite. A próxima Iniciação lhes dá o direito de participar dos Ritos que acontecem aos domingos e, assim, sucessivamente. Devo salientar que embora todos os Irmãos e Irmãs Leigos (as) tenham livre acesso ao Templo em seu Corpo Vital, em qualquer dia, eles serão impedidos de participar dos Rituais aos quais ainda não fazem parte. Não há um guarda visível na porta e que pede a Palavra Chave para cada um que chegar. Contudo, em volta do Templo existe um muro invisível, mas impenetrável para aqueles que não receberam a Palavra de Passe. Este muro é diferente a cada noite, para que um estudante que por acidente ou por esquecimento, tente entrar no Templo quando estiver ocorrendo um Rito acima de seu grau de Iniciação, irá experimentar como se batesse com a cabeça contra uma muralha espiritual e que esta experiência é tudo, menos agradável.
Como eu falei, a oitava Iniciação tem seus Ritos nas noites de Lua Nova e Lua Cheia, e todos, inclusive eu, que ainda não chegaram nesta Iniciação, são impedidos de participar do Rito da Meia Noite. Porque não são Ritos Simbólicos, onde qualquer um que pagar algumas peças de dinheiro possa participar. Eles exigem um desenvolvimento espiritual, muito acima do meu atualmente, um desenvolvimento que em algumas vidas ainda não atingirei, mesmo que não me falte esforço, vontade e aspiração.
Está claro que naquela noite de Lua Nova em 1910, quando meu Mestre veio me buscar, não foi para me levar àquele Rito da Oitava Iniciação, mas para uma reunião diferente. Mesmo que esta reunião fosse realizada quando na Califórnia já era noite, o Rito com a diferença horária com a Alemanha, já havia ocorrido horas antes, tanto, que quando cheguei ao Templo com o meu Mestre, o sol já estava alto no céu.
Quando entramos no Templo tive primeiro uma reunião somente com o meu Mestre, onde ele explicou o trabalho da Fraternidade, conforme os Irmãos Maiores gostariam que isto fosse desenvolvido.
A base desta conversa foi me desonerar o máximo possível quanto a organização, ou pelo menos deixá-la o mais simples possível. Foi comentado que por melhor que fosse a intenção no começo, a vaidade das pessoas é atingida, e para a maioria, a tentação fica muito grande e acaba acontecendo disputa por posições e poder. Quando a livre iniciativa dos associados é ferida ou influenciada aí o objetivo da Ordem Rosacruz – que é criar independência e autoconfiança – será perdido. Leis e regras são restritivos e, portanto, devem ser mínimos. O Mestre pensava que seria possível fazer tudo sem regra nenhuma.
Foi conforme esta linha de pensamento que imprimi em nosso papel carta o cabeçalho: ‘Uma Associação Internacional de Cristãos Místicos’. Pois existe uma diferença enorme em uma associação que é totalmente voluntária e uma organização que prende seus sócios por juramentos, promessas e coisas do tipo. Os Probacionistas sabem que a promessa que fazem é uma promessa a eles mesmos e não à Ordem Rosacruz. A mesma preocupação da total liberdade pessoal é encontrada em toda a Escola de Mistérios do Ocidente. Nós não temos Mestres; eles são nossos amigos e Professores e nunca exigem – sob nenhuma condição – obediência a qualquer regra que seja. No máximo eles nos advertem, nos deixando livres para seguir ou não tal conselho.
Posso dizer aqui, que a linha geral de não organizar, foi seguida nos Centros de: Columbus, Seattle e Los Angeles. Contudo, desde então continuei nesta linha tentando passar os ensinamentos a pessoas diversas de um Centro Mundial, preferencialmente do que fundar Centros em diversos estados. Em alguns lugares, grupos de estudantes demonstraram interesse em se juntar para estudar ou formar um elo espiritual. Para este fim toda a ajuda é disponibilizada. Contudo, como foi dito, não fiz mais esforços para formar Centros de Estudos; deixo aos estudantes fazerem aquilo pelo qual se sentem chamados.
O novo Trabalho de Cura, do qual falarei mais à frente, exigiria um local fixo para a Sede Central. Porque vivemos num mundo físico, sob condições materiais, me parece necessário que a Sede Central seja uma Pessoa Jurídica reconhecida conforme as leis do país onde for constituída, para que aquilo que seja necessário ao trabalho, permaneça disponível para a humanidade, após os atuais líderes terem deixado esta vida terrena. Com uma Sede Central não poderemos deixar de ter regras e uma organização. Contudo, a Fraternidade, em geral, deve permanecer livre de regras para que o crescimento anímico possa perdurar pelo maior tempo possível. Na verdade, é triste imaginar que enquanto isto são minhas intenções, a Fraternidade Rosacruz seguirá o caminho de todas as outras Instituições. Irá se prender a regras e terá disputas de poder que irão cristalizá-la e fará com que caia em pedaços. Contudo, aí teremos o consolo de que nos destroços dela irá nascer algo maior e melhor, como nasceu em cima de construções que já responderam ao seu destino e, agora, estão no caminho da decadência.
Após a reunião citada acima, entramos no Templo, onde os doze Irmãos Maiores estavam reunidos. Estava arranjado de forma diferente que da outra vez, mas por falta de espaço[209] não me permite uma explicação mais detalhada. Eu mencionarei apenas três esferas ou bolas que estava ao centro do Templo, penduradas uma acima da outra, a bola do meio, aproximadamente, a meia distância do chão e do teto. Esta esfera era bem maior do que as outras duas penduradas acima e abaixo da mesma[210].
Dentro da esfera maior havia um pequeno recipiente, que continha alguns pacotes preenchidos por uma substância, onde o Espírito Universal poderia ser misturado tão facilmente quanto uma quantidade de amoníaco com água. Quando os Irmãos Maiores se posicionaram de uma determinada forma, e após a harmonia de uma determinada música ter preenchido o ambiente, as três esferas, de repente, começaram a fluir nas três cores primárias: azul, amarelo e vermelho. Para minha concepção ficou claro que após dizer a palavra mágica, o recipiente com os pacotes foi preenchido por uma essência espiritual que fez as esferas brilharem. Alguns pacotes foram utilizados com muito sucesso pelos Irmãos Maiores. Como por encanto, as partes cristalizadas que preenchiam o centro do Corpo Vital do paciente, se partiam e o doente acordava com a consciência de estar saudável e bem”[211].
“Além da visão física, há outras formas de visão: a visão etérica ou raio-X; a visão da cor, que nos abre o Mundo do Desejo, a visão tonal que revela a Região do Pensamento Concreto, conforme é explanado detalhadamente no livro ‘Os Mistérios Rosacruzes’. Meu desenvolvimento da visão espiritual da última região mencionada era, naquele momento, muito insuficiente. De fato, quanto melhor for a nossa saúde, mais firmes estamos ancorados em nosso Corpo Denso e maior dificuldade teremos de entrar em contato com os reinos espirituais. Pessoas que dizem que nunca em suas vidas ficaram doentes revelam, desta forma, que estão muito bem sintonizadas com o mundo material e, portanto, menos capacitadas para ingressar nos reinos espirituais. Isto era para mim, também, o caso até 1905, apesar de ter sofrido dores atrozes minha vida inteira, como consequência de uma cirurgia realizada na perna esquerda na minha infância. A ferida só cicatrizou quando passei a viver uma vida vegetariana e a dor passou. Contudo, em todos os anos anteriores minha saúde era de tal forma, que ninguém poderia ver em meu rosto que eu sentia dor. No geral gozava de boa saúde. É importante comentar que quando eu sofria algum acidente, do corte saía muito sangue e não coagulava, e, portanto, eu perdia sempre muito sangue. Contudo, dois anos de alimentação sem carne a perda de uma unha inteira numa manhã, mal fez perder algumas gotas de sangue. Naquela mesma tarde eu já estava em condições de datilografar normalmente. Quando a unha nova nasceu não houve nenhuma ulceração.
O crescimento do meu lado espiritual causou uma desarmonia em meu Corpo Denso: ficou mais sensível para as condições do ambiente. O resultado foi um esgotamento. Isto foi mais intensificado por minha, já citada, persistência, que me manteve de pé por meses a mais do que se eu tivesse me dado o direito de descansar. Com a consequência que a morte esteve perto. Porque a morte é a permanente ruptura do elo entre o Corpo Denso e o Corpo Vital. Na aproximação desse estado especial de transição, na iminência de ocorrer o desligamento da matéria, podemos receber instruções sobre a ciência de retirar-se do corpo. Goethe, o grande poeta alemão, recebeu sua primeira Iniciação quando seu corpo se achava debilitado e à beira da morte.
Eu ainda não havia progredido o suficiente no caminho espiritual. Contudo, a dedicação aos estudos, aspirações e um exercício praticado por muito tempo, e que naquela época acreditava tê-lo inventado, mas agora já sei, vem de tempos remotos, contribuíram para que pudesse abandonar o meu corpo, por um curto espaço de tempo e regressar logo em seguida. Não sei como fazia isso, e nem podia fazê-lo voluntariamente. Contudo isto não vem ao caso.
Um ponto relevante que quero ressaltar é que uma perturbação de uma perfeita saúde é necessária antes que seja possível permanecer em balanço nos Mundos Espirituais. Quanto mais forte e vigoroso for o Corpo Denso, mais drástico terá de ser o método para debilitá-lo. Depois seguem-se anos de saúde oscilante até que se tenha condições de viver bem, tanto no Mundo Físico com saúde, enquanto adquire a capacidade de atuar nos reinos superiores.
Assim aconteceu comigo. A sobrecarga de trabalho tanto físico como mental, sem trégua até hoje, tem deixado o meu Corpo Denso longe de um estado saudável. Amigos me alertaram e tenho tentado considerar suas preocupações. Contudo, o trabalho precisa ser feito. Até que venha ajuda, eu preciso continuar trabalhando, sem me preocupar com a saúde. A Sra. Augusta Foss Heindel, como em tudo, também me apoia neste ponto. Nesta condição precária de saúde desenvolvi uma capacidade crescente de funcionar no mundo espiritual.
Como já afirmei, minha visão tonal era mediana e, principalmente, limitada às subdivisões inferiores da Região do Pensamento Concreto. Uma pequena ajuda dos Irmãos Maiores, naquela noite, permitiu-me entrar em contato com a quarta região, o lar dos Arquétipos. Lá aprendi e compreendi as lições relativas ao mais alto elevado ideal da Fraternidade Rosacruz e também sobre sua missão na Terra.
Vi nossa Sede Mundial, e uma multidão de pessoas vindas de todas as partes do mundo para receber os ensinamentos. E vi muitos partirem de lá para levar alento aos sofredores. Enquanto neste mundo é necessário fazer investigações para descobrir alguma coisa, lá o tom, que cada arquétipo possui quando tocado com o conhecimento espiritual, dá a característica do que representa. Portanto, naquela noite, adquiri uma visão que não consigo descrever em palavras, porque o mundo em que vivemos é baseada no tempo, enquanto no reino superior dos Arquétipos, tudo é um eterno AGORA”[212].
Durante esta segunda Iniciação, os Irmãos Maiores disseram à Heindel que deveria ser construído uma Sede Central e uma Ecclesia ou Templo, onde se alcançaria uma panaceia espiritual. Dois ingredientes foram revelados ao Max Heindel, mas o terceiro deveria ser formado conforme a vida dos Probacionistas, pois era de conteúdo espiritual.
Max Heindel, ainda no hospital, deveria pedir auxílio de um médico para obedecer aos regulamentos do hospital. Contanto que sua doença estivesse alcançando uma crise, ele não se desesperou. Ele sabia que sua situação não se alteraria até que viesse a Lua Nova. Ele estava tranquilamente esperando, porque sua Mente estava tão exaurida que não conseguiria trabalhar. Ele acreditava que a Lua faria tudo acontecer na hora certa.
Mas os médicos não estavam satisfeitos sobre sua condição física, e três deles estavam em volta de sua cama conversando sobre sua situação, acreditando que seu paciente estivesse fora de consciência. Contudo, ele ouviu que os três médicos acreditavam que ele não alcançaria a manhã do dia seguinte. Quando Max Heindel ouviu isto, começou a trabalhar nele mesmo a tal ponto, que o edema que estava alcançando seu coração, dentro de poucas horas, desapareceu. Quando, como de costume, Augusta Foss veio lhe fazer uma visita à 1 hora da tarde, ele perguntou se ela poderia levá-lo numa cadeira de rodas ao jardim, para tomar um pouco de ar fresco. Quando eles estavam lá sentados, numa sombra embaixo de uma maravilhosa magnólia em flor, ele ficou bem melhor. Dois médicos que passavam ficaram surpreendidos de ver seu paciente sorridente e em boa saúde.
Max Heindel pediu a Augusta Foss para alugar um quarto para ele perto da casa dela, porque ele poderia deixar o hospital dentro de alguns dias. Ela morava onde na época era conhecido como Bunker Hill District, de Los Angeles.
Após deixar o hospital e seguir de bonde até seu novo quarto, ele publicou um anúncio no jornal para um estenógrafo[213] com a intenção de utilizar o espaço da Fraternidade, que ficava a algumas quadras abaixo, para ditar um livro. Ele mesmo viu que não seria possível assim surpreender seus amigos e alunos desta forma. Portanto solicitou a Augusta se ela teria um quarto livre na casa que ele poderia usar para ditar o seu livro.
Um antigo colega de quarto de Max Heindel, Carl Oscar Borg, que depois se tornou um conhecido pintor de quadros de paisagens, havia alugado o quarto da frente da casa dela. Naquele momento ele estava numa turnê para se inspirar, portanto Max Heindel conseguiu consentimento para usar aquele quarto. Então, Heindel comprou uma máquina de escrever e contratou um estenógrafo.
Enquanto dava suas Palestras, ele reuniu perguntas de seus ouvintes por escrito e com estes no bolso, ele andava pelo quarto de um lado a outro, ditando as respostas sem consultar qualquer trabalho ou fazer qualquer pesquisa. Esse quarto ficava a uns três metros da calçada e por sua voz alta e forte, muitas vezes, atraía várias pessoas que ficavam ali, parados ouvindo. Uma das ouvintes era a idosa mãe de Augusta Foss, que tinha a idade de 84 anos e gostava de sentar na varanda para poder ouvir Max Heindel. O livro que o Max Heindel ditou foi a primeira parte do “ Perguntas e Respostas”. Quando o livro estava finalizando, Max Heindel fez planos para fazer uma viagem ao Norte, que ele foi obrigado a adiar por causa de sua doença.
Neste meio tempo a segunda edição do Conceito Rosacruz do Cosmos estava pronto, e o manuscrito do “Perguntas e Respostas” [214], um livro com 428 páginas, estava nas mãos da gráfica.
O dia anterior à sua partida aconteceu um maravilhoso evento. No dia 10 de agosto de 1910, Max Heindel se casa pela terceira vez em Santa Ana, desta vez com Augusta Foss[215].
Ela estava com medo de deixar sua mãe idosa, que já havia tido um pequeno derrame, por isto o casamento foi feito em segredo. No dia seguinte Max Heindel partiu para Seattle, de barco, enquanto a Sra. Augusta Foss Heindel permaneceu em Los Angeles. Após ter se despedido de seu marido no porto, ela alugou um carro para retornar a Los Angeles. Aos poucos ela foi se conscientizando onde havia se metido e que agora o trabalho dele também se tornou o dela. Portanto ela parou numa loja e comprou uma máquina de escrever Underwood de segunda mão. No dia seguinte ela escreveu uma carta para seu marido nesta máquina e não conseguia encontrar uma única letra maiúscula.
Quando Heindel desceu do navio recebeu a carta dela. Quanto ele não riu dela! Em sua carta expressa que ela recebeu no dia seguinte, ele explicou como ela fazia para encontrar as letras maiúsculas.
Max Heindel não havia consultado seu Mestre quanto ao fato de seu casamento, e não sabia como isto influenciaria os planos dos Irmãos Maiores. Contudo, durante sua viagem, o Mestre veio sorridente até ele, e aqui trazemos a carta de Max Heindel datada de 21 de agosto de 1910 para sua esposa[216]: “O Mestre me parabenizou, e disse que ele gostaria de algum dia também receber você no Templo como filha. Ele me chamou de filho, o que nunca havia feito antes, e Ele estava mais carinhoso do que nunca”.
No dia do trabalho (1 de setembro de 1910), ele escreveu para sua esposa: “Eu me senti tão entusiasmado com o que meu Mestre falou, que ele gostaria de te receber como filha no Templo. É o meu maior desejo poder ver este dia, quando pudermos estar juntos lá e receber a benção dos Irmãos Maiores”[217].
O Mestre contou a ele que sua esposa esteve por alguns anos sob a observação e orientação deles, mesmo que ela não soubesse disso; e que este casamento espiritualmente iria se confirmar muito útil, e serviria como uma garantia para sua saúde física.
Max Heindel estava planejando viajar para os Estados do Norte e depois seguir pela rota para o Oeste. Contudo, após ter estado por seis semanas em Seattle, Yakima[218] e Portland dando Palestras, ele novamente teve problemas com seu coração e foi obrigado a interromper sua viagem.
A Sra. Augusta Foss Heindel preparou uma de suas casas de praia de Ocean Park[219] para aguardar o retorno de seu marido adoentado. A sua mãe idosa foi deixada aos cuidados de outra filha.
Por volta de 22 de novembro, Max Heindel chegou tão adoentado nesta casa de três cômodos, que ele desmaiou. Durante três meses ele foi cuidado por sua esposa dia e noite.
Em Seattle, Max Heindel havia comprado uma pequena impressora de segunda mão. Esta impressora estava pronta para uso e a Sra. Augusta Foss Heindel recebeu de seu marido – enquanto este estava apoiado por travesseiros em sua cama – orientações de como manejá-la. Apesar da Sra. Augusta Foss Heindel ser habilidosa por natureza, não foi fácil para ela. As letras devem ser colocadas de forma espelhada para que no papel apareça de forma correta. Após as corretas instruções, ela estava em condições de, ainda em novembro, imprimir a primeira Carta aos Estudantes nesta máquina.
Antes de Heindel deixar Seattle para retornar ao sul, o Secretário, William M. Patterson, havia falado aos amigos de Columbus, Seattle, Yakima, Duluth, Portland e Los Angeles, que Max Heindel iria começar um Curso por escrito a partir da Sede Central de Ocean Park, Caixa Postal 866. Com esta informação houveram muitas reações. Pode se concluir que a Sra. Augusta Foss Heindel esteve bem ocupada neste período. Ela cuidava de seu marido doente, tinha que limpar a casa, cuidar da comida, colocar as letras, imprimir as folhas, escrever todos os envelopes aos cursistas e estudantes e, ainda, responder muitas cartas.
Neste período a Fraternidade Rosacruz foi denominada: “Uma Associação Internacional de Cristãos Místicos”, e o lema: “Mente pura, coração nobre e corpo são” foi inserido.
O médico disse à Sra. Augusta Foss Heindel, após visitar seu marido, que ele provavelmente não alcançaria o final do ano seguinte. Contudo, esta notícia desencorajadora ela não aceitou, porque ela sentia que esta doença era mais uma lição que seu marido deveria passar. Ele estava a ponto de passar por sua terceira Iniciação.
Apesar de Heindel estar doente por três meses, também havia dias em que ele, vestido de roupão, conseguia se sentar e escrever algumas coisas. Levado por um espírito indomável, ele fazia planos de escrever seu quinto livro: Os Mistérios dos Rosacruzes[220]. Também, agora, ele colocou no jornal uma vaga para estenógrafo a quem ele ditaria o livro.
Até este momento ninguém estava ciente da presença de Max Heindel em Ocean Park. Contudo, sua voz alta e forte chamou a atenção de várias pessoas que passavam por ali e também dos vizinhos. Ao lado de Max Heindel morava um médico que, após ter lido o Conceito Rosacruz do Cosmos, procurou estreitar relacionamentos, apesar de que ele tinha pouquíssimo tempo disponível para contatos sociais.
Em meados de fevereiro de 1911, Max Heindel recebeu a visita do seu amigo do peito William M. Patterson e esposa, que insistiram em fazer a compra de um terreno para uma futura Sede Central. Também desta vez, como no momento da publicação do Conceito Rosacruz do Cosmos e dos 20 folhetos do Cristianismo Rosacruz, ele estava disposto a ajudar financeiramente.
Após um tempo de procura, encontraram um pedaço de terra de 16 hectares num morro, ao norte de Los Angeles, entre Brentwood Park e Hollywood. Um lugar muito lindo com vista sobre todo o vale e o mar. O Sr. Patterson sugeriu comprar esta terra; ele queria doar 4 hectares para a Sede Central e manter o resto para si, como um investimento imobiliário, para poder vender para associados.
Após assinarem o contrato de compra e venda e terem pago um valor de US$ 100,00, como adiantamento, descobriram que era exigido a assinatura dos quatro herdeiros antes de registrarem no cartório. Demorou dois meses para que o herdeiro, que morava na Europa, respondesse.
Nesse meio tempo chegou aos ouvidos do corretor de imóveis de que havia planos de se construir um Centro de Cura neste local, fazendo com que por milhas em torno do terreno, os preços das terras duplicassem. Isto chegou aos ouvidos dos dois herdeiros que moravam nos estados do Leste, que então se recusaram a vender, não sabendo que a subida dos preços se devia ao fato da provável venda da terra deles para a Fraternidade Rosacruz. Após isso se tornou impossível comprar um pedaço de terra na região de Los Angeles, sem que os corretores percebessem e por conta disto subissem o preço.
Quando em maio retomaram a busca por uma terra, foi decidido entrar na próxima cidade de forma discreta e comprar a terra de forma incógnita. Sra. Augusta Foss Heindel sugeriu irem para San Diego, pois ela, anos atrás, ficou admirada pelas lindas árvores e pelo ambiente. Quando compraram as passagens, o Sr. e a Sra. Patterson pediram para fazer conexão em San Juan Capistrano, onde ficava uma velha missão, e em Oceanside. Queriam procurar um pedaço de terra nestas duas cidades. Fazer conexão em San Juan Caprino não era possível, mas em Oceanside não havia restrições.
Quando, numa manhã de domingo, chegaram na Estação de Trem de Oceanside foram recebidos por um menino pequeno e cheio de sardas de aproximadamente 10 anos, chamado Tommy Draper. Além dele não havia ninguém na Estação. ‘Olá, o que os senhores querem? ’, foi seu comprimento sorridente. Max Heindel, que tinha um apreço por crianças, respondeu a este pequeno escoteiro, que ele gostaria de comprar um pedaço de terra, e perguntou se ele poderia vender algum. A resposta surpreendente foi um dedo apontando para um homem grisalho, que estava do outro lado da Estação saindo de um lote vazio, dizendo: ‘Lá vem o homem que pode vendê-lo ao senhor’.
Descobriram que o Sr. Chauncey Hayes era o único corretor de imóveis daquela cidadezinha[221]. Após terem contado a ele o que procuravam, ele acenou para um homem que não estava longe na abertura da porta de um estábulo, chamado Couts. Quando este homem chegou perto, foi perguntado a ele se poderia acompanhar o grupo à terra da ‘Reserva’. O Dr. Couts se retirou e voltou um pouco depois com uma carruagem puxada por dois cavalos, chamado “surrey”. Após uns vinte minutos chegaram ao topo do morro, que dava uma vista maravilhosa sobre o vale San Luis Rey.
Eles estavam num terreno plano coberto de Artemísia, uma verdadeira selva, com uma área de 16 hectares. Apesar de ao norte se destacarem dois reservatórios de água feios, que forneciam a água de Oceanside, a vista era muito linda. Ao Nordeste montanhas e ao sudeste o oceano, assim como os Irmãos Maiores haviam mostrado à Max Heindel. “Este é o lugar” exclamou Max Heindel.
Em 1886 a Califórnia viveu um período que ficou conhecido como ‘o boom do papel’. O fato era que muitos terrenos mudavam de dono no papel, mas nunca em realidade, porque em alguns anos os preços implodiram e os compradores podiam pagar um pouco mais do que a entrada.
A terra que eles resolveram comprar era um desses terrenos de papel, onde haviam estradas, mas não existiam casas e que o banco havia tomado por falta de pagamento. Oceanside estava morto e não tinha meios financeiros para vender este terreno por falta de água potável; o distrito inteiro tinha paralisado. A Sra. Augusta Foss Heindel viu imediatamente a segurança desta escolha, e percebeu que ninguém iria comprar uma terra numa cidadezinha tão morta e seca – onde não existia mercado ou algo que pudesse ser produzido nesta terra.
Os Heindel tomaram o trem da tarde para San Diego e a Sra. Augusta Foss Heindel convenceu o marido a ir ao cinema para se distraírem à noite. Durante o filme Heindel falou: ‘Estou preocupado se o terreno ainda não foi vendido’ e ‘devíamos ter dado uma entrada para ter certeza que não será vendido’.
Na segunda de manhã eles tomaram o primeiro trem para Oceanside e pagaram cem dólares para segurar a compra, até que os papéis estivessem prontos. Max Heindel fez isso porque tinha prometido ao seu amigo William Patterson que iria ajudar na compra do terreno. A compra foi efetivada no dia 3 de maio de 1911, às 15h30m, quando o Sr. Patterson pagou os primeiros mil dólares, e deu ordens para assinar os documentos. Os outros quatro mil dólares seriam pagos em quatro parcelas anuais.
Para termos uma visão justa de Mount Ecclesia – assim foi batizada por Max Heindel, como uma logo marca indicando o local na Alemanha onde o Templo está localizado – segue aqui uma descrição transcrita do Echoes. ‘Com o objetivo de tornar prático ao público nossos ensinamentos e cura, compramos um pedaço de 16 h hectares de terras, na cidadezinha de Oceanside, 145 km ao sul de Los Angeles. É um dos lugares mais lindos no ensolarado sul da Califórnia, situada numa planície alta. De Mount Ecclesia, como chamamos a nossa Sede Central, temos uma vista sem obstáculos sobre o maravilhoso e azul Oceano Pacífico. A oeste fica, a 120 km a ilha San Clemente. Com frequência vemos ao horizonte a silhueta de navios passando. A 46 km ao sul aparece La Jolla, uma cidade vizinha de San Diego, a cidade mais ao sul do espaçoso reino do Tio Sam.
129 km ao norte de Mount Ecclesia vemos a querida ilha Catalina com sua água cristalina, e seus maravilhosos jardins submarinos, tão estranhos e fantásticos que sobrepõe nossa imaginação e contos de fadas.
Exatamente abaixo de Mount Ecclesia fica o sorridente vale de San Luis Rey, com seus frutíferos campos verdes, sua histórica e velha Missão. Um pouco a frente ficam os morros com suas milagrosas brincadeiras de sombra e luz. Depois as montanhas com seus contornos acidentados. Mais ao Oeste vemos os picos cobertos de neve das montanhas San Bernardino, Greyback e San Jacinto. O primeiro fica a 160 km, e o último a 120 km da costa.
Portanto a nossa vista de Mount Ecclesia tem 240 km de leste a oeste, da montanha de San Jacinto até a ilha San Clemente, e 190 km de norte a sul, de Catalina à La Jolla.
O clima é tão agradável quanto a vista, e inacreditável para aqueles que nunca moraram aqui. Durante o inverno podemos usar roupas leves e arejadas. E apesar de a água de nosso tanque aquecido pelo sol ficar tão quente que quebraria um copo, nós não chegamos a transpirar nos dias mais quentes do verão, porque a brisa do mar que vem todos os dias das 10 h às 17 h sobre Mount Ecclesia, resfriando a atmosfera e preenchendo nossos pulmões com fortalecedor ozônio, refrescante do peito arfante do Oceano Pacífico. É um elixir de vida frutífero. Por isto este local nos dá condições extraordinárias para a cura que provavelmente não tenha outro igual’[222].
Em setembro de 1911, Max Heindel e sua esposa fizeram uma tournée pela costa Oeste, onde Heindel fez palestras em San Francisco, Sacramento, Seattle e Yakima. Ele estava feliz em poder dizer no palco, que a Fraternidade havia adquirido um pedaço de terra em Oceanside para construir a Sede Central.
Aproximadamente um mês após esta viagem, a Sra. Augusta Foss Heindel recebeu visitas em Ocean Park enquanto seu marido estava em Los Angeles, aproximadamente 30 km de distância. Eram duas damas e um cavalheiro que tinham interesse pela casa de praia e queriam comprá-la. Para a Sra. Augusta Foss Heindel esta casinha, onde agora era a Sede Central – com uma casinha menor aos fundos – representava uma fonte de renda e ela não estava disposta a vendê-la. Talvez porque ela não soubesse aonde ir com todos os livros e manuscritos, que a 11 meses estavam guardados lá. A oferta era muito tentadora e tão acima do que ela achava que a casa valia, que ela pediu aos visitantes um tempo para poder pensar no assunto, e conversar com seu marido porque não iria vender sem o consentimento dele.
Dentro de uma hora Max Heindel chegou em casa, e a primeira coisa que ele disse foi: ‘Oi, você tem a chance de vender esta casa e qual é a oferta? ’ Quando ele ouviu o valor atraente ele respondeu: ‘Bem-querida, esta é a oportunidade que estávamos esperando. Irá nos trazer aquilo que precisamos para construir em Oceanside!’.
A venda foi fechada e os compradores pagaram $ 2.000 à vista, enquanto para o resto foi fechado uma hipoteca, com a condição de que os Heindel iriam sair da casa em 10 dias e entregar as chaves.
Com a ajuda da Estenógrafa e uma dama que havia chegado a poucos dias em Portland – Sra. Ruth Beach e Rachel Cunningham – imediatamente começaram a empacotar as coisas e preparar toda a mudança para Oceanside. Enquanto isto Max Heindel foi para Oceanside alugar uma casa.
Na manhã de 27 de outubro de 1911, eles partiram da casinha na praia para Oceanside. As senhoras Beach e Cunningham, foram de trem, enquanto o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel seguiram num carro pequeno de dois lugares, um Franklin, que eles reformaram[223]. Este carro foi comprado por $ 300, um valor que foi pago com o dinheiro da venda das casinhas. O carro estava supercarregado na parte traseira com máquinas de escrever e malas. No início da manhã, às 5:00 h, o Sr. e Sra. Augusta Foss Heindel estavam prontos para partir.
Quando eles chegaram em Whittier, uma cidadezinha a 50 km de Los Angeles, caiu uma tremenda chuva. Como o carro era aberto por cima, eles ficaram felizes em encontrar uma palmeira grande onde podiam se abrigar. Depois de finalizada a tempestade, ligaram novamente o carro. Entretanto já era início de tarde. O azar era que a estrada entre Whittier e Fullerton havia sido recém plainada e não havia outra estrada. Então eles foram obrigados a seguir com um carro muito pesado por uma estrada de terra solta que com a chuva tinha virado um barreiro. Quando com muito custo eles haviam andado alguns km, Bedelia[224], como Max Heindel havia apelidado o carro, se recusava a continuar. Não havia como conseguir movimento no veículo, de tal maneira que não sobrou alternativa aos Heindel de ir buscar ajuda. Quando a Sra. Augusta Foss Heindel havia caminhado por volta de 1,5 km ela viu uma fazenda. Após explicar a situação, o fazendeiro estava disposto a puxar o carro até Fullerton contra um certo pagamento. O pequeno carro dos Heindel foi acoplado ao carro do fazendeiro, que os arrastou até Fullerton, onde colocaram o carro defeituoso numa oficina. Eles precisavam alcançar Oceanside decididamente naquele dia, pois havia sido comunicado aos associados que no dia seguinte, sábado 28 de outubro de 1911, às 12h40, a terra da nova Sede Central seria inaugurada. Correndo eles pegaram em cima da hora, o trem que já estava a ponto de partir. Você pode imaginar o que um dia assim significa para um homem com problemas no coração.
Quando eles estavam no trem, Heindel mostrou à sua esposa um lindíssimo arco-íris duplo, que estava do lado oeste, e a extremidade ao sul parecia estar exatamente sobre Oceanside[225]. ‘Olhe’, falou Max Heindel, ‘o que o futuro nos reserva, apesar deste dia cheio de dificuldades!’.
Após o anoitecer eles chegaram em Oceanside, uma cidade com aproximadamente 600 habitantes. Heindel havia alugado alguns dias antes, uma casa de quatro cômodos. Estava mobiliado de forma simples. No chão haviam esteiras e tinha camas de beliches. Pelo fato da casa ter estado vazia por uns tempos, os Heindel foram recebidos por pulgas e ratos.
No dia seguinte, sábado, 28 de outubro, o Sr. e Sra. Augusta Foss Heindel estavam acompanhados das Sras. Beach e Cunningham, na Estação de Oceanside, e aguardavam os associados que chegariam no trem das 12h00. Quando o trem finalmente chegou à Estação, desceram dele os três associados de Los Angeles: Rudolf Miller, John Adams e George Cramer; William Patterson de Seattle e Annie R. Atwood de San Diego. Usando duas carruagens da única estalagem que havia em Oceanside, partiram nove pessoas para a ‘planície’ para inaugurar a terra. Para este fim trouxeram de Ocean Park uma pá e uma cruz preta onde nos três braços superiores haviam pintado com letras douradas: C.R.C., as iniciais de Christian Rosenkreuz.
Exatamente às 12h40 horário do Pacífico, iniciou-se a Cerimônia. Max Heindel descreveu este acontecimento em sua 12ª Carta aos Estudantes, e na aula de estudantes de novembro de 1911 da seguinte forma: ‘Era nossa intenção não fazermos nenhuma demonstração ou formalidade. Queríamos economizar cada gasto inútil, porque nossas fontes nem agora são suficientes para terminar a parte interna dos prédios. E por hora devemos deixar isto inacabado, até que as condições melhorem. Era meu plano ir lá sozinho e em pensamento fazer uma cerimônia. Contudo, não ter a companhia de nenhum amigo nesta solenidade para poder se alegrar comigo, nem mesmo minha querida companheira de vida, Sra. Augusta Foss Heindel, me pareceu tão frio, triste e solitário.
Por ser um evento tão importante para a Fraternidade Rosacruz, achei melhor convidar os membros para que pudessem estar presentes. Este pensamento se tornou cada vez mais forte, portanto resolvi questionar o Mestre a respeito. Como ele concordou de forma calorosa, resolvemos organizar o evento de forma simples, mas também apropriada, e comunicamos os amigos das redondezas. Fizemos uma grande cruz [aprox. 2,75 m] no formato do nosso emblema e pintamos em letras douradas C.R.C. nos três braços superiores. Os senhores sabem que estas três letras simbolizam o nome do nosso Maior representante, e nosso emblema significa ‘Cristão Rosa Cruz’, que inclui um pensamento de beleza e vida superior, tão diferente da melancolia da morte, pela qual a cruz preta normalmente é associada.
Decidimos colocar esta cruz juntamente com uma trepadeira de rosa no chão, no mesmo momento em que colocávamos a primeira pedra para a construção, para que ambas simbolizassem a verdejante vida dos diferentes reinos, que se encaminham às esferas superiores pelo caminho em espiral de evolução.
No dia 27 de outubro, minha esposa e eu, partimos para Oceanside, cansados do trabalho extenuante de empacotar tudo para a viagem. Começou a primeira chuva da estação e nós estávamos preocupados com a consequência disto na Cerimônia. Contudo, quando olhamos para as montanhas que se escondiam atrás das nuvens ao oeste, vimos o maior e mais lindo Arco-íris duplo que jamais vimos antes e cuja extremidade sul finalizava exatamente sobre Mount Ecclesia.
Nossa responsabilidade em auxiliar milhares de corações exaustos, a carregarem suas dificuldades de forma mais corajosa e com mais força, parecia muitas vezes superar nossas forças. Mesmo assim sempre foram renovadas por olharmos internamente; e desta vez parecia que toda a natureza queria nos animar dizendo: ‘Mantenha-se firme, lembre-se que não é seu o trabalho, mas sim de Deus. Confie plenamente N´Ele; Ele vos mostrará o caminho. ’
Portanto juntamos nossas mãos e renovamos nossa coragem, para com forças novas darmos continuidade ao belíssimo trabalho, de onde Mount Ecclesia será o ponto central.
O dia em que a Cerimônia foi realizada, era um dia ideal na Califórnia; o sol brilhava num céu sem nuvens. Para onde nós olhássemos de Mount Ecclesia, parecia que mar, vales e montanhas estavam sorrindo. Tanto os cooperadores como os sócios presentes estavam extasiados pela beleza deslumbrante do local da Sede. Os presentes eram: Annie R. Atwood de San Diego, Ruth E. Beach de Portland, Rachel M. Cunningham, Rudolph Miller e John Adams de Los Angeles, George Cramer de Pittsburg, William M. Patterson de Seattle, minha esposa e eu.
No momento estipulado, eu coloquei a primeira pedra no chão. Todos ajudaram a fazer o buraco para a cruz, que foi colocada por William Patterson[226]. Minha esposa plantou a roseira, que foi irrigada por todos os presentes. Que ela possa crescer e florescer para enfeitar a simplicidade da cruz, e possa inspirar a pureza da vida que irá apagar todos os pecados passados, não importa quão obscura a vida possa ter sido. ’
Discurso de Max Heindel quando colocou ao solo a primeira pedra da construção de Mount Ecclesia:
‘Cristo disse: “Onde dois ou mais estiverem presentes em Meu nome, Eu estarei no meio deles”. Essa declaração era a expressão da mais profunda sabedoria divina, assim como todos os Seus ensinamentos. Ela se apoia sobre uma lei da natureza, tão imutável como o próprio Deus.
Quando os pensamentos de dois ou três focalizam-se sobre qualquer objeto ou pessoa determinada, gera-se um poderoso pensamento-forma. Resultado da bem definida projeção de suas mentes conjuntamente ajustadas para o propósito almejado. Seus efeitos ulteriores, dependerão da afinidade entre os pensamentos e a natureza do alvo que os recebe. Pois, para gerar uma correspondência vibratória sobre a nota soada por um diapasão, é necessário outro diapasão afinado no mesmo tom.
Se forem projetados pensamentos e preces de natureza inferior e egoísta, apenas criaturas inferiores e egoístas responderão a eles. Essa espécie de oração nunca chegará até Cristo, como a água não pode subir montanha acima. Ela gravita em torno de demônios ou elementais; criaturas totalmente indiferentes às sublimes aspirações manifestadas pelos que estão reunidos em nome de Cristo.
Estamos aqui reunidos hoje, neste lugar, com a finalidade de assentar a pedra fundamental para a construção da Sede de uma Associação Cristã. Tão certo como a gravidade atrai uma rocha em direção ao centro da terra, o fervor de nossas unidas aspirações atrairá a atenção do Fundador de nossa fé (Cristo). Estamos confiantes que Ele está entre nós. Com a mesma certeza na qual diapasões com a mesma afinação vibram em uníssono, também o augusto Cabeça da Ordem Rosacruz (Christian Rosenkreuz) empresta sua presença nessa solene ocasião, quando a Sede da Fraternidade Rosacruz está tendo início.
O Irmão Maior inspirador deste movimento está presente e visível, pelo menos para alguns de nós. Somando o número dos presentes nesta maravilhosa ocasião, todos diretamente engajados no projeto, temos como resultado o número perfeito, 12. Isto é, há três Guias Invisíveis que estão além do estágio da humanidade comum, e nove membros da Fraternidade Rosacruz. Nove é o número de Adão, ou humanidade. Destes nove membros, cinco (número ímpar masculino) são homens, e quatro (número par feminino) são mulheres. O número três, relativo aos Guias Invisíveis, apropriadamente representa a Divindade assexuada.
O número dos que atenderam ao convite não foi programado pelo orador. Os convites para tomar parte desta cerimônia foram enviados a muitas pessoas, mas apenas nove compareceram. E, como não acreditamos no acaso, a presença deve ter sido conduzida de acordo com os desígnios de nossos Guias Invisíveis.
Esse sincronismo também revela a força espiritual por trás deste movimento. Como prova evidente desse argumento, observemos a extraordinária expansão dos Ensinamentos Rosacruzes. Nos últimos anos disseminaram-se por todas as nações da Terra. Despertam aprovação, admiração e amor nos corações das pessoas das mais variadas classes e condições, especialmente entre os homens.
Enfatizamos isto por ser um fato notável. Todas as outras organizações religiosas compõem-se majoritariamente por mulheres. Entretanto, os homens são maioria entre os membros da Fraternidade Rosacruz. Também é significativo que os membros da área médica sejam mais numerosos em relação às demais profissões, e em seguida encontram-se os Ministros das igrejas. Isso demonstra a crescente conscientização da estreita relação entre desenvolvimento espiritual e saúde. A fraqueza do corpo reflete a fraqueza da alma. Muitos estão se esforçando para compreender essas relações e, assim, garantir melhor assistência aos enfermos.
Demonstra que os orientadores espirituais, cuja tarefa consiste em zelar pela saúde das almas, estão também empenhados em socorrer mentes exigentes e inquiridoras. Dessa forma podem recuperar o vigor da fé, por vezes já muito empobrecida, das mentes inquietas que anseiam por explicações consistentes sobre os mistérios espirituais.
Explicações não sustentadas pela razão, que apelam para máximas inquestionáveis e dogmas inflexíveis, abrem totalmente as comportas para o mar agitado do ceticismo. Afastam aqueles que procuram a luz através do porto seguro da Igreja. Lamentavelmente arrasta-os para a escuridão do desespero materialista.
A Fraternidade Rosacruz recebeu o abençoado privilégio de poder atender às necessidades dos irmãos que buscam sinceramente a verdade. Com entusiasmo procuram a luz, guiados pelo intelecto. São incapazes de acreditar por imposição e aceitar explicações incompatíveis com a razão. Contudo, quando podem compreender que o conjunto de dogmas e doutrinas apresentadas pela Igreja, está em fundamental harmonia com as leis da natureza, então, muitos retornam mais fortalecidos à sua congregação. Enriquecidos pela luz, convertem-se nos melhores e mais ativos membros. Compartilham alegria e entusiasmo com seus companheiros.
Qualquer movimento para perdurar deve possuir três qualidades divinas: Sabedoria, Beleza e Força.
Ciência, arte e religião, cada um possui, por sua natureza, uma dessas correspondentes qualidades. O objetivo da Fraternidade Rosacruz é uni-las em um conjunto harmonioso. A religião deve ser tanto científica como artística. Todas as Igrejas devem se unir numa só grande Irmandade Cristã. Presentemente, o relógio do destino, marca um momento auspicioso para o início das atividades da construção da Sede. Então, vamos erigir um centro visível de onde os Ensinamentos Rosacruzes possam irradiar uma benéfica influência. Seu propósito é elevar o bem-estar de todos que estão físicas, mental e moralmente enfermos.
Agora, cavemos a primeira pá de terra no local da construção, acompanhada de uma prece de Sabedoria, para guiar esta grande escola no caminho certo. Cavemos o solo uma segunda vez, com uma súplica ao Mestre Artista, pelo direito de introduzir aqui, a Beleza da vida superior, de tal maneira a torná-la atrativa para toda humanidade. Rasguemos o solo pela terceira e última vez, nesta cerimônia, suspirando uma prece pela Força; para que assim, com serenidade e diligência, sejamos dignos de prosseguir no bom e perseverante trabalho de converter este lugar num prodigioso fator de elevação espiritual, superando o resultado dos seus antecessores.
Já escavado o local do primeiro prédio, continuemos agora plantando o maravilhoso símbolo da Vida e do Ser, o emblema da Escola de Mistérios Ocidentais. Agora descreveremos seu simbolismo. A cruz representa a matéria. As rosas envolvendo e rodeando o tronco, sugerem a vida em evolução subindo cada vez mais alto através da cruz.
Cada um de nós, os nove membros, participará deste trabalho de escavação, para este primeiro e mais importante elemento distintivo de Mount Ecclesia. Vamos fixá-lo numa posição onde os braços apontem um para Leste e outro para Oeste, enquanto o Sol meridional projeta-o inteiramente em direção Norte. Assim, ele estará alinhado com as correntes espirituais que vitalizam as formas dos quatro reinos de vida: mineral, vegetal, animal e humano.
Sobre os braços, na parte superior da cruz, podemos divisar três letras douradas, “C.R.C.”, Christian Rosenkreuz, as iniciais do Augusto Chefe da Ordem.
O simbolismo da cruz está parcialmente elucidado aqui como também em nossa literatura. Contudo, seriam necessários volumes para dar uma explicação completa. Vamos lançar o olhar para adiante, vejamos o significado da lição oferecida por este maravilhoso emblema.
Quando vivíamos na densa atmosfera aquosa da antiga Atlântida, estávamos submetidos a leis completamente diferentes das que vigoram hoje. Quando deixávamos o corpo, não o percebíamos, pois, nossa consciência estava mais focalizada no mundo espiritual do que nas densas condições da matéria. Nossa vida não sofria quebras de continuidade: ‘Não percebíamos nem o nascimento nem a morte’.
Ao emergirmos para as condições aéreas da Época Ária, o mundo atual, nossa consciência do mundo espiritual desvaneceu-se, e a percepção da forma tornou-se mais proeminente. Teve início uma existência dupla. Cada fase bem delimitada e diferenciada. O nascimento e a morte demarcavam seus limites. Numa etapa o espírito vivia em liberdade no reino celestial. Na outra encontrava-se aprisionado no corpo terrestre. Essa etapa pode ser considerada como a morte virtual do Espírito. Assim está também simbolizado na mitologia grega, nas figuras de Castor e Pólux, os gêmeos celestiais.
Já foi elucidado em diversos pontos de nossa literatura, como o espírito livre ficou emaranhado na matéria pelas maquinações dos Espíritos Lucíferos. Cristo classificou-os de falsas luzes. Isso ocorreu na ígnea Lemúrica. Portanto, Lúcifer pode ser chamado o Gênio da Lemúrica.
O efeito da intervenção dos Anjos Lucíferos ganhou maior transparência na Época de Noé, abrangendo o final da Época Atlante e o início da presente Época Ária.
O arco-íris não podia ganhar forma sob as condições atmosféricas da Lemúrica. Entretanto, inaugurou o céu cristalino da Época de Noé, coloriu o fundo azul e elevou-se acima das nuvens. Imprimiu nas alturas uma inscrição mística proclamando o início dos ciclos alternantes, enchente e vazante, verão e inverno, nascimento e morte. Durante a vigência desta era, o espírito perdeu sua ampla liberdade e devia permanecer confiando num corpo mortal.
Agora os corpos são gerados sob a influência da paixão satânica engendrada por Lúcifer. O espírito empreende repetidas tentativas de regresso à Casa Paterna, no anseio de permanecer no seu verdadeiro lar celestial. Contudo, é frustrado pela lei dos ciclos alternantes, pois, ao livrar-se de um corpo pela morte será novamente conduzido ao renascimento quando o ciclo se completar.
Engano e ilusão não podem perdurar eternamente. Nasceu entre nós, então, o Redentor para purificar o sangue cheio de paixão e para pregar a verdade, que nos libertará deste corpo de morte. Veio para instaurar a Imaculada Concepção, em harmonia com a evolução dos conhecimentos sobre a ciência genética e a erradicação das deformações físicas. Profetizou uma nova era, um novo Céu e uma nova Terra, onde Ele, a verdadeira Luz, será o novo Gênio. A humanidade encontrará a plena realização de seus anseios nessa nova era onde florescerão a virtude e o amor.
Tudo o que dissemos e o nosso caminho evolutivo, estão representados na cruz de rosas diante de nós. Na rosa a seiva de vida está inativa no inverno e ativa no verão. Ela bem ilustra o efeito da lei dos ciclos alternantes. A tonalidade da flor e seus órgãos reprodutores, lembram o nosso sangue. No entanto, sua seiva flui com pureza e sua semente é gerada imaculadamente, sem paixões.
Quando também alcançarmos tal pureza, tão bem simbolizada, estaremos libertos da cruz da matéria. As futuras condições etéricas do novo milênio já estarão presentes.
A aspiração da Fraternidade Rosacruz é abreviar os dias para celebrarmos a chegada desse feliz momento, quando a tristeza, a dor, o pecado e a morte desaparecerão. Estaremos, enfim, redimidos das fascinantes, porém escravizantes, ilusões da matéria. Despertaremos para a suprema verdade da realidade do Espírito. Que Deus frutifique nossos esforços e antecipe esse dia[227].
Após esta cerimônia todos voltaram para a casa em Oceanside, onde consumiram um almoço leve e depois os convidados logo foram embora.
Anos depois, em 1917, Jim Heath, um repórter de San Diego Union, contou a Max Heindel, que ele esteve presente na Cerimônia de Inauguração da terra e do plantio da cruz, e que parecia como se estivessem plantando um pedaço de madeira no deserto[228].
Na segunda-feira, 30 de outubro de 1911, Max Heindel se deixou levar, pelo cocheiro, juntamente com alguns marceneiros para a Fraternidade, a uns 2 km de distância[229].
No dia seguinte apareceu, como primeiro membro para ajudar, Rollo Smith, que esteve, por um tempo, na lista de cura[230]. Um tempo depois, Charles Warmholz também se ofereceu para ajudar na construção.
Enquanto os homens passavam o dia inteiro no campo, as três mulheres se concentravam na casinha sobre as muitas cartas e encomendas. Enquanto isso, vieram de Ocean Park as cartas com as encomendas da primeira edição do livro Os Mistérios dos Rosacruzes e da terceira edição do Conceito Rosacruz do Cosmos. Como houve atrasos na publicação dos mesmos havia se acumulado encomendas por três meses.
Era um quebra cabeça guardar os quatro mil exemplares na casinha de quatro cômodos, ainda mais porque lá também moravam quatro pessoas. As caixas pesadas contendo os livros foram guardadas num ranchinho que era acoplado a casa através de um corredor. Uma a uma as caixas foram abertas pelas damas e os livros amontoados e preparados para envio. Quando uma grande parte já estava empacotada, foram levados por uma carroça, puxada por um cavalo já bem velho e sarnento, para o escritório de expressos do correio que ficava junto ao correio normal. A Sra. Augusta Foss Heindel se sentava ao lado do cocheiro num assento alto da carroça para ajudar a descarregar os pacotes no escritório do correio na Estação de Santa Fé.
As pessoas de Oceanside não estavam acostumadas a ver esta quantidade de pacotes que chegavam e saíam pelo correio e, curiosas, foram pesquisar. Em Oceanside moravam poucos estranhos e os que moravam lá não eram bem-vindos. A cidadezinha foi fundada por duas famílias que se casavam entre si, e todos que não faziam parte de uma destas duas famílias não eram bem-vindos. Seu estado de espírito foi tipificado pela resposta de um dos donos da loja mais importante da cidade quando foi perguntado: ‘E, senhor X, o senhor não acha bom que venham estranhos para se fixarem na cidade?’. O empresário respondeu: ‘Ah, não. Não desejamos estranhos em nosso meio. É tão bom quando todo mundo conhece todo mundo; isto nos dá a sensação de sermos uma grande família’.
Neste meio tempo Bedelia ficou arrumada, e Max Heindel, vestido com seu conjunto Manchester marrom de US$ 10, acompanhado de Rollo Smith, com seus lanches do almoço no bolso, foram buscá-la e voltaram para Mount Ecclesia. Rollo Smith fez a maioria dos móveis. Assim ele fez as mesas e cadeiras para o escritório e as mesas do refeitório; todas de madeira vermelha. A mesa do quarto do Sr. e Sra. Augusta Foss Heindel também foi feito desta madeira vermelha de árvore de sequoia.
Dentro de 28 dias o primeiro prédio estava parcialmente pronto para moradia, portanto no sábado dia 25 de novembro, mas eles já se mudaram no dia 22 de novembro. O madeiramento ainda não estava pintado e só tinha janelas nos quartos de dormir, o resto do prédio ainda estava aberto, sem portas ou janelas. Quando à noite, a lua brilhava por entre as janelas sem cortinas, os coiotes ou lobos da planície faziam a sua serenata. Às vezes, eram de 15 a 20 que entoavam sua melodia chorosa em direção à lua. Apesar destes animais dificilmente atacarem um humano davam um prejuízo enorme entre os animais pequenos.
O Sr. Smith conseguiu ficar tempo suficiente para terminar as obras mais urgentes, mas rapidamente foi solicitado a voltar para casa, pois sua esposa havia adoecido.
Sobre Rollo Smith lemos na carta aos estudantes de 1º de maio de 1938 o seguinte: “Ele [Smith] era um Probacionista avançado que desde o primeiro início se envolveu com o trabalho da construção. Quando o prédio estava quase pronto, pode ficar em um dos quartos do andar superior. Uma certa manhã, durante o café da manhã, ele estava muito perturbado, e quando perguntado se ele estava doente, ele respondeu que durante toda a noite ele passou um tempo horrível com um demônio que não o deixava dormir. Ele estava com muito medo e brigou com todas as forças contra ele. Ele achou que era um elemental. Max Heindel imediatamente tomou a palavra e contou que era o Guardião do Umbral, e que ele, Max Heindel, tentou chamar sua atenção para dizer para não ter medo, mas o Smith por temor estava cego para qualquer tipo de ajuda. Então Smith perguntou quais eram as consequências de seu temor, de sua luta e de não querer reconhecer seu Guardião. O Sr. Heindel respondeu que ele havia deixado passar a oportunidade de enfrentar seu Guardião e que nesta vida ele não o incomodaria mais[231].
Todas as portas e janelas foram colocadas e, das sobras da madeira vermelha, ainda foram feitos alguns móveis simples para a cozinha e sala de jantar.
O prédio estava dividido da seguinte forma: na parte Oeste estavam dois quartos separados por grandes guarda-roupas. As camas foram feitas de tal forma que ficavam em cima de pés de 10 cm que dobráveis tinham rodinhas de dois lados e, durante o dia, podiam ser empurrados para dentro do armário. À noite estes quartos eram usados pelo Sr. e Sra. Augusta Foss Heindel como quartos de dormir e durante o dia eram sua sala de estar e onde recebiam os visitantes e realizavam seus trabalhos de escrita. Para se tomar um banho precisavam, primeiro, esquentar a água num fogão à gasolina, pois nesta região ainda não havia gás ou eletricidade. Na parte do meio do prédio ficavam a sala de jantar e a cozinha. Por fim, em cima ficavam mais cinco quartos que continham cada um uma cama, uma mesa de lavar e uma pia. O Sr. Smith havia feito todos os móveis da madeira da sequoia vermelha.
Os móveis foram pintados de marrom com a sobra da tinta que foi usada no lado de fora da casa.
Quando na segunda-feira seguinte iria ser dado início na colocação dos postes de telefone, houve um problema. A telefônica havia sido solicitada a colocar uma ligação telefônica lá, mas isto só seria possível com uma ligação rural. Eles mesmos deveriam colocar os postes e comprar a fiação, que depois seriam ligados a uma linha que seria dividida com outros quatro produtores rurais. Um dos produtores se recusou a deixar a Fraternidade fazer uso desta linha. Contudo, no final conseguiram tirar suas preocupações e fazer a ligação da linha telefônica.
E, novamente a Bedelia, o carro, estava em manutenção. O que causava muitos incômodos, pois, por exemplo, o verdureiro se recusava a fazer entrega em local tão distante.
O prédio que foi construído numa encosta, tinha do lado inferior um espaço ideal para armazenagem e assim foi decidido deixar a Bedelia embaixo do prédio. O carro não tinha motor de partida e para o coração de Heindel não era ideal ter de fazer a ligação manual. Não sobrava alternativa para a Sra. Augusta Foss Heindel do que caminhar até Oceanside e fazer suas compras no verdureiro. Por 10 cents de dólar o motorista do correio estava disposto a levar as compras dela no carro quando fosse levar o correio. Podiam buscar leite num vizinho. Conseguir o alimento certo que fosse vegetal não era muito fácil. Portanto a Sra. Augusta Foss Heindel decidiu comprar sementes de melão, pepinos e outros vegetais, que ela plantou em um espaço sombreado onde a umidade não diminuísse tão rápido. Na Califórnia chove bastante no inverno, mas no inverno de 1911/12 a Califórnia sofreu com uma seca. Por meses não caiu uma gota de água, com a consequência que aquela safra falhou.
À nordeste de Mount Ecclesia haviam dois tanques (reservatórios) que continham a água de Oceanside. Contudo, por causa da seca estes tanques estavam bem vazios, portanto Mount Ecclesia não tinha agua para encher um balde, quando se abria a torneira. Para terminar com esta situação de carência Max Heindel, após pensar alguns dias sobre o problema, decidiu colocar um tanque de 50 galões, aproximadamente 190 litros, que ficava ligado por canos ao registro central. Tendo um tanque no piso inferior, que através de uma bomba levava a outro tanque no piso superior.
Na primavera quando já havia chovido algumas vezes, a Sra. Augusta Foss Heindel semeou novamente tomates e cenouras, onde a terra era mais produtiva. Quando as sementes brotaram parecia que as ervas daninhas queriam sufocá-las, obrigando a Sra. Augusta Foss Heindel a limpar os canteiros. Porque a mão direita dela estava inchada, e quase sem forças por causa do trabalho de datilografia, embrulhar pacotes e fazer faxina, ela só conseguia usar a mão esquerda. Quando Max Heindel passou por lá não aguentou o que viu e resolveu oferecer ajuda. Como morador de cidade que nunca viu uma horta primeiramente foi necessário explicar a ele o que era tomate e cenouras e o que eram as ervas daninhas. Por causa de seu coração ele não podia arquear muito para frente e por isto resolveu sentar numa caixa. Contudo, ele arrancava mais cenouras e tomates do que ervas daninhas e ele mesmo chegou à conclusão que ele mais atrapalhava do que ajudava e que era melhor parar com isso. Contudo, felizmente chegou outra ajuda.
O Secretário Charles Swigert, de Yakima, veio fazer uma visita e tirou todas as ervas daninhas. Depois as plantinhas teriam que ser replantadas (espaçadas).
Um vizinho foi contratado que preparou um pedaço de terra num lugar onde a encosta era bem íngreme. Depois as plantinhas foram replantadas e irrigadas. Contudo, uma decepção os aguardava na manhã seguinte: só havia duas cenouras solitárias sobrando, o resto havia sido comido por coelhos. Para proteção, colocaram um alambrado de aproximadamente 90 cm de altura.
A falta de água foi resolvida plantando na beira da encosta para que durante a noite a água fosse descendo devagar por entre as leiras. O resultado foi uma boa safra de verduras.
Do quarto do Sr. Heindel podia se ver o jardim e o Vale de San Luis Rey. Quando numa manhã ele estava se vestindo, ele chamou sua esposa em seu quarto para olhar pela janela. Eles viram uma enorme lebre, chamado Jack Rabbit, que é muito visto no Norte dos Estados Unidos, sentado no jardim. A lebre é muito maior que os coelhos selvagens, e também não é comum e, portanto, não esperavam esta visita. Novamente as cenouras foram comidas. A Sra. Augusta Foss Heindel desceu as escadas rapidamente, pegou uma lasca de madeira embaixo da casa para espantar a lebre. A lebre estava assustada demais para pular por cima do alambrado e levou uma baita surra. Deduziram que ela havia aprendido a lição, mas não, na manhã seguinte ela estava novamente na horta. Para acabar de vez com esta praga decidiram arrumar um cachorro que protegeria a horta.
Dois sobrinhos da Sra. Augusta Foss Heindel pegaram um cachorro na rua em Los Angeles. Era um cãozinho branco muito simpático com um olhar que fazia derreter qualquer coração. Ele foi chamado ‘Smart’, esperto, e este nome tinha tudo a ver com ele. Ele perseguia os coelhos morro abaixo no meio do matagal, mas nunca pegava nenhum. Depois retornava cheio de picões que ele não conseguia tirar. Por isto a Sra. Augusta Foss Heindel precisava tirá-los e dar banho nele. Sua maior alegria, que ele nunca deixava passar, era o passeio noturno com seus donos. Mais tarde Smart acabou se tornando uma praga ao invés de uma ajuda, por isto em 1913 ele foi adotado por uma das estudantes do curso de verão, Sra. Kittie Skdmore Cowen e foi levado para Mountain Home, em Idaho.
No dia antes da Páscoa as duas ajudantes deixaram a Sede Central, portanto o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel ficaram sozinhos. Foi um dia lindo e ensolarado de Páscoa. Após a cerimônia religiosa passaram o resto da manhã pintando e lixando os móveis e, à tarde, se dedicaram as pendências do escritório.
Em março de 1912 contrataram um jardineiro para que Mount Ecclesia pudesse ficar autossuficiente em frutas e verduras. O jardineiro formou um pomar e começou a cuidar do jardim. Foram plantadas uvas e rosas. Também começou o plantio de uma fileira de eucaliptos, para dar uma visão mais amigável.
Diversos tipos de flores começaram a enfeitar os caminhos e também o círculo onde se encontrava o emblema da inauguração. Uma fileira de gerânios floriu rapidamente, porque na Califórnia os gerânios crescem como ervas daninhas. Os tomates também cresceram bem e deram uma grande safra.
Os Probacionistas de Seattle, Washington, fizeram, em 1912, um emblema iluminado que foi enviado por trem para a Sede Central.
No final do outono o Mestre solicitou que Heindel iniciasse, no verão de 1913, uma escola de verão. Visto que só havia um prédio, com no total sete quartos, precisaria ser feito muita coisa para realizar o evento.
Neste meio tempo, já era 13 de dezembro de 1912, O Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel haviam decidido formar uma pessoa jurídica para dar uma segurança nas propriedades e dar continuidade à Mount Ecclesia. Para esta finalidade o advogado Payne, com três assistentes, veio de San Diego para elaborar o Contrato Social. Desta forma foi decidido que o nome seria ‘The Rosicrucian Fellowship’ e o objeto social um colégio ou escola para os estudos da Filosofia Rosacruz.
Neste período foram colhidos os tomates maduros e também os verdes e cuidadosamente colocados num banco embaixo da casa. Na horta havia verduras suficientes para passar o inverno. Contudo, mais uma travessura os aguardava.
No dia 2 de janeiro de 1913 a temperatura caiu tanto que a Califórnia viveu sua noite mais fria, desde 1848. Os canos de água congelaram tanto do banheiro quanto das pias e também todas as verduras na horta, excetuando uma fileira de ervilhas que ficou em flor. As videiras, roseiras, e gerânios também morreram todas, e os tomates embaixo da casa viraram pedras de gelo. Tudo deveria ser plantado novamente e porque havia pouca água, isto foi uma situação desanimadora. Contudo, logo após esta geada se seguiram algumas boas chuvas que deixaram o solo pronto para novo plantio.
No mês de janeiro também foi impressa a primeira lição do curso de astrologia.
De Oceanside chegou a notícia que a única gráfica e editora da cidade não poderia mais imprimir as lições, porque o dobrar e grampear tomava muito tempo. Por isto Max Heindel decidiu assumir ele mesmo esta parte. Primeiramente foi utilizado a impressora velha para isto, mas porque era um método muito ultrapassado, o Sr. e Sra. Augusta Foss Heindel foram para Los Angeles e compraram, em parcelas, uma pequena impressora Gordon que funcionava com pedais.
Quando, alguns meses mais tarde, a impressora chegou perceberam que ela não passava pela porta. De qualquer forma que Heindel e o rapaz da entrega tentassem, eles não conseguiram fazê-la entrar e, portanto, por falta de opção, ficou do lado de fora.
Na manhã seguinte Max Heindel estava sentado na varanda pensando em como conseguir colocar a máquina para dentro, enquanto sua esposa cuidava do café da manhã. A única solução seria deixar vir de Oceanside um marceneiro que tirasse a porta do lugar, para poder colocar a impressora. Enquanto Max Heindel pensava na solução chegou da estrada um mendigo e perguntou se havia algo para ele comer lá. Quando ele foi convidado a esperar pelo café da manhã na varanda ele olhou atentamente para a impressora. ‘Nossa, o Sr. tem uma Gordon novinha. Já trabalhei na fábrica dessa impressora’. Então, Max Heindel contou sua dificuldade e o homem sorriu. ‘Mas isto é simples’, ele disse, ‘se soltar este parafuso e tirar aquela alavanca, ela entrará facilmente pela porta’. Após o café da manhã o homem ajudou a colocar a impressora no lugar e deixá-la pronta para funcionar.
O fato de preparar a impressão, imprimir, dobrar e grampear as lições mensais e carta aos estudantes dava muito trabalho. Isto, também, porque usavam a impressora para imprimir outros folhetos e literaturas da Fraternidade.
Após terem trabalhado alguns meses com essa impressora apareceu em Mount Ecclesia um rapaz que gostaria de ajudar, por alguns meses, em troca de moradia e comida. Martin Hill, assim era seu nome, e Max Heindel decidiram colocar um motor embaixo da impressora, no andar de baixo. Fizeram um buraco no chão, por onde o fio passava para a impressora. Para fazer funcionar a impressora, agora, só precisava ligar o motor no andar inferior.
Quando, num certo dia, os dois homens estavam trabalhando no andar inferior, Max Heindel chamou sua esposa para ver se ela também queria ver o gato lindo que estava lá. O gato lindo era, na verdade, um gambá que ainda não havia espalhado seu perfume pelo local. Quando os homens ouviram da Sra. Augusta Foss Heindel que aquele gato era um gambá, eles não sabiam quão rápido sumir de lá. Nos primeiros anos estes gambás, que durante a noite ficavam na parte inferior da casa, eram realmente uma praga.
‘Bedelia’, que estava embaixo da casa, precisava de uma revisão completa, e também de um motor de partida. Para fazer este trabalho na Sede Central precisaram chamar um mecânico. Após alguns dias ele foi substituído por um colega de Los Angeles e o serviço foi finalizado, rapidamente.
No dia seguinte, logo cedo, os Heindel saíram com seu carro novinho para Los Angeles, para poderem fazer as compras. Contudo, pela centésima vez o mecanismo deu defeito, fazendo com que passassem a maior parte do dia na beira da estrada. Precisamos pensar que naquele tempo entre Los Angeles e San Diego ainda não havia asfalto e a estrada era poeirenta e tão estreita que dois carros mal podiam se ultrapassar. No final da tarde chegaram em Los Angeles.
Após uma noite de descanso, fizeram as compras na manhã seguinte e a viagem de volta iniciou às 14 horas. O carro estava carregado com temperos, verduras e pequenas coisas para a impressão do material. Contudo, a sessenta e cinco km de Mount Ecclesia, a Bedelia começou a reclamar de novo e parou. Tentativas de Max Heindel de encontrar o defeito falharam; o motor não ligou mais. Um carro grande, tipo perua, para turistas parou e ofereceu para puxá-los por uma corda. Após prender a corda no carro, partiram. Max Heindel estava atrás do volante. O motorista da perua não percebeu que o carro pequeno não conseguia fazer todas as curvas na mesma velocidade que a dele, com a consequência que Bedelia saiu da estrada e se prendeu entre dois morrinhos. Pelo fato da parte superior do carro ser aberta, Max Heindel foi arremessado para fora e caiu em cima de um monte de feno que aliviou sua queda. Por meia hora ele esteve lá, inconsciente. Quando Max Heindel acordou, ele conseguiu ir rapidamente em direção à Perua. Ao anoitecer chegaram em Mount Ecclesia, agradecidos de estarem vivos. O braço do Max Heindel estava luxado e ele precisou ficar alguns dias acamado para se recuperar da queda. No dia seguinte a Sra. Augusta Foss Heindel tomou o trem até Capistrano para dar fim aos destroços da Bedelia.
No capítulo anterior foi dito que os Irmãos Maiores da Rosacruz falaram a Max Heindel em novembro para fazer uma Escola de Verão. Na Carta aos Estudantes de março de 1913 este plano foi pronunciado aos membros, e que aqueles que tivessem interesse iriam receber um prospecto com mais detalhes, se assim o solicitassem. No prospecto estava escrito que no dia 4 de junho de 1913 iria abrir a Escola de Verão e todos que gostariam de participar deveriam se inscrever imediatamente e pagar uma taxa de inscrição de US $ 5. Informando que ficariam alojados em barracas.
Quarenta e um estudantes responderam pelo correio. Dentre eles, Rollo Smith foi o primeiro que se propôs a vir antes e ajudar gratuitamente na construção. Contudo, a compra do material era um quebra-cabeças. No banco só havia US $ 85, acrescentado de US $ 205 pago pelos estudantes. Com este dinheiro precisavam comprar: barracas, camas de acampamento, colchões e roupas de cama. Também precisariam de uma cozinha.
Sra. Augusta Foss Heindel tinha um parente que trabalhava como vendedor numa empresa de barracas em Los Angeles e ele estava disposto a garantir o pagamento junto à empresa que trabalhava, se dessem um crédito de 60 dias para a compra de 20 barracas, 40 camas de exército com colchões e 50 cadeiras dobráveis.
Com a ajuda de uma amiga, que coordenava o setor de entregas de um supermercado grande, também conseguiram um crédito de 60 dias para a compra de lençóis, fronhas e cobertores. Neste supermercado também compraram as mesas e material de cozinha. Alguns membros de Los Angeles fizeram os acolchoados no escritório. Antes disso tudo era pago à vista, mas agora tudo dependia do pagamento de US $ 25 que cada participante teria que pagar para alojamento e alimentação.
O primeiro e único prédio estava construído numa encosta e possuía um grande espaço abaixo da construção, onde Bedelia ficava. Este espaço, Rollo Smith transformou em cozinha. As paredes e piso foram feitos de madeira rústica. Compraram um fogão à óleo de segunda mão onde fariam a comida dos 46 presentes. Foi muito agradável que, Fred Carter, um jovem enfermeiro que fez um curso de culinária vegetariana no Centro de Saúde de Battle Creek, se ofereceu para cozinhar de graça. Assim tudo foi se encaixando da melhor forma.
Mount Ecclesia fica a aproximadamente 2 km de Oceanside. Porém, o gás, eletricidade e gelo faltavam. Para a iluminação utilizaram gasolina crua e para o fogão, purificada. Tudo ficou pronto para a Escola de Verão.
No dia 25 de maio[232], exatamente uma semana antes da abertura da Escola de Verão, Max Heindel disse a sua esposa que o Mestre lhe contou que precisariam iniciar com encontros de Probacionistas, e perguntou se ela naquela noite conseguiria fazer um emblema. Um marceneiro havia feito duas cruzes. Um deles ela pintou de preto de um lado e do outro lado branco com uma borda preta. Contudo, Max Heindel disse que agora precisaria ser inteiramente branco, com sete rosas vermelhas e algumas brancas. Portanto ela pintou a outra cruz de branco e pegou três rosas brancas. No escritório dela, que também servia como quarto e como sala de visitas, seria, então, a reunião às 20:00 horas. Ela colocou a cruz branca sobre uma estrela dourada que ela pintou numa cortina azul. Heindel sugeriu colocar as três rosas brancas por dentro do círculo de rosas vermelhas artificiais que vieram de Los Angeles.
O nome “The Rosicrucian Fellowship” numerologicamente dá nove e assim como na inauguração do solo, também esta noite, havia nove pessoas presentes. Dessas nove pessoas algumas estavam lá para ajudar na Escola de Verão: M. Mason, Alice Gurney, Sr. Phillip Grell, Flora Kyle, Rollo Smith, Fred Carter, Eugene Miller e o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel. Eles estavam sentados em um círculo em volta do emblema. Após uma pequena concentração as três rosas brancas começaram a se mexer. Uma escorregou um pouco para baixo, mas durante a descida foi segurada por uma folha da segunda. Aí esta segunda rosa começou a mexer como se um dedo invisível a tocasse, até que esta ficou pendurada a uma folha da terceira rosa. Assim ficou a mais bonita das rosas brancas no centro do emblema e sobre a cruz.
As duas rosas brancas que escorregaram, não caíram na mesa, mas ficaram alguns centímetros abaixo dos braços da cruz. A vibração no quarto ficou tão forte que alguns ficaram paralisados. Max Heindel queria se levantar para falar, mas estava tão emocionado que a voz o abandonou e as lágrimas saltaram em seus olhos. Todos os presentes estavam convencidos que o décimo terceiro Irmão Maior, Christian Rosenkreuz, estava presente em seu Corpo Vital. Após algumas palavras de Max Heindel todos se retiraram em silêncio.
Em junho de 1913 iniciou a edição de uma revista nova, chamada Echoes from Mount Ecclesia. Na primeira edição, que continha 700 palavras aproximadamente, Heindel escreveu o porquê do nome “Echoes from Mount Ecclesia”: “Apesar dos estudantes estarem espalhados pelo mundo todo, não estão ligados por um juramento ou promessa no que se refere a seu envolvimento com a Fraternidade Rosacruz, todos se unem numa força imensa de querer construir um Templo da alma ‘sem o ruído de um martelo’, que é a verdadeira Ecclesia (Igreja). Portanto, olham para Mount Ecclesia como um foco físico que leva todos a desejarem ser iguais ao Cristo, o amigo dos seres humanos. Todos desejam ter notícias da Sede Central, principalmente no que se refere ao Curso em desenvolvimento para a Filosofia e a Cura, que está a ponto de começar. As cartas e lições mal tem espaço para os ensinamentos, por isso, esta revista será para as notícias. Guarde-as! Depois de alguns anos, quando tivermos grandes jornais e Revistas, será uma lembrança valiosa dos primeiros tempos.
Muitos acreditam que aqueles que se dedicam às coisas espirituais são parasitas, que não fazem nada, além de meditarem e levitarem nos mundos espirituais. Se estas pessoas pudessem ouvir os barulhos de nossas máquinas – o bater das prensas, os toques das máquinas de escrever, onde ainda se acrescenta o barulho dos martelos dos marceneiros – iriam perceber logo que a parte terrena de construir um Templo é o oposto tanto da preguiça como do silêncio. Para um sonhador preguiçoso, Mount Ecclesia é o último lugar na Terra. A todos, de Max Heindel até o mais recém-chegado aguarda aqui trabalho duro, do nascer ao pôr do sol. Trabalhamos fisicamente e espiritualmente e não conseguimos fugir do ‘barulho’ e, portanto, chamamos esta revista de Echoes. Algum dia poderá ser uma ferramenta muito útil no crescimento espiritual do mundo, porque o Sr. H. (Heindel) pretende publicar um jornal diário que contenha notícias do mundo todo, tanto boas quanto ruins, com a ‘lição espiritual’ que cada notícia contém, mas sem a ‘etiqueta’ de pregação, que é tão repugnante. Pensamos que vestindo o ponto de vista do bom senso, podemos soar o Eco em milhares de corações. Para realizar este plano será exigido tantas pessoas, quanto tempo e dinheiro, mas será realizado”[233].
Pouco antes de abrir a Escola de Verão, Max Heindel passou por dificuldades com alguns visitantes. Após eles partirem ele teve um forte ataque cardíaco. De princípio sua esposa pensou que ele a deixaria de vez. Contudo, após um tempo em que ela cuidou muito bem dele, se recuperou. A primeira reação dela para ele foi: ‘Amor, o que eu teria feito se você tivesse me deixado? ’. Ele a olhou com um sorriso carinhoso e respondeu: ‘Amor, se eu tivesse partido você teria continuado, mas se você me deixasse; sem você eu não conseguiria dar conta’[234]. Este ataque cardíaco foi o precedente para sua quarta Iniciação que aconteceu por volta de 6 de julho de 1913.
Na quarta-feira, 4 de junho de 1913, a primeira Escola de Verão se iniciou. Os 41 integrantes foram alojados em barracas. Cada barraca continha duas camas, um tapete de grama e uma pequena penteadeira com um espelho. Um lampião e duas cadeiras de acampamento completavam o mobiliário. Para tomar um banho precisavam caminhar 2 km por uma estrada empoeirada até o oceano.
À tarde e à noite eram dados os cursos. Alice Gurney ajudava Max Heindel a ministrar as aulas de Filosofia; senhorita Elizabeth MacDuffee de Filadélfia dava aula de anatomia; e Sra. Fannie Rockwell orientava no curso de iniciação de Astrologia. Max Heindel dava aulas de Filosofia e de Astrologia avançada e dava um curso onde respondia perguntas. Todas as aulas eram ministradas na grande Tenda-Refeitório. Para cada curso arrastavam as mesas de fabricação própria para os cantos. A lona fina, que protegia o refeitório, refletia a intensa luminosidade do sol californiano nos olhos. A brisa do oceano, que iniciava por volta das 11:00 horas, era tão intensa que fazia a lona bater e fazia tanto barulho que teriam que fazer um telhado de verdade. Rollo Smith fez uma esquadria e os voluntários martelaram as tábuas contra ela; assim o sofrimento acabou logo!
Mas no mês quente de julho surgiu outra dificuldade: ao norte de Mount Ecclesia ficavam dois reservatórios de água de Oceanside. Contudo, toda vez que precisavam de água em Mount Ecclesia, seja para cozinhar ou para molhar as plantas, esta água parava de chegar. Após muitas solicitações, a Prefeitura de Oceanside ainda se recusava a encher os tanques em volume suficiente para que também a Fraternidade Rosacruz ganhasse sua parte. Portanto, num certo dia, 40 estudantes foram juntamente com um advogado participar da reunião da Câmara para dar seu voto por mais água. O pedido teve sucesso reprimido; o antagonismo geral contra estranhos não diminuiu.
A falta de água forçou Mount Ecclesia a providenciar sua própria reserva. O Probacionista F. H. Kennedy, que era diretor do ‘Moline Plow Company’ em Stockton na Costa do Pacífico, doou uma instalação que conseguia bombear 30 litros de água por minuto do poço. Heindel encontrou um homem, Frank English, que estava disposto a cavar um poço. No vale, 72 m abaixo, em um terreno de 6.100 m², o poço foi construído no canto. Para alegria de todos foi encontrado água a uma profundidade de 12 m. No topo do morro foi feito um reservatório, com muros de cimento. Depois deveriam transferir a água deste reservatório para outro tanque, que ficaria a 6 m de altura para poder dar pressão suficiente para abastecer a cozinha e o banheiro. Naturalmente que esta construção foi pesada para a situação financeira, mas agora eles tinham água.
Às vezes, Max Heindel precisava percorrer esses 72 m de descida íngreme e difícil acesso por três vezes no dia para inspecionar a bomba.
A alegria de ter uma instalação própria de água durou pouco. Pela pouca profundidade do poço e a proximidade do oceano, a água tinha alto teor alcalino, portanto o crescimento das plantas estava difícil. Em poucos meses os morangos, alfaces e todas as plantas sensíveis morreram. A água era inadequada para consumo e só poderia ser utilizada para regar as plantas mais fortes e tomar banho. Portanto, solicitaram novamente ao Conselho da Câmara para melhorar o abastecimento de água da cidade. Esta questão trouxe um problema sério com a Prefeitura. A Prefeitura exigia que os acessos aos reservatórios da cidade continuassem livres. Porque por esta estrada precisava passar todos os dias um velho em sua carroça puxado por um cavalo para verificar o nível da água. Max Heindel queria fechar esse acesso porque o gado que pastava no vale passava pelo terreno da Fraternidade e destruía as verduras e plantas. Contudo, todas as manhãs o velho deixava a passagem aberta, nem se importando com a solicitação de fechar. Esse problema perdurou até novembro de 1918, mas sobre isso falarei depois.
Como dito anteriormente, Max Heindel tinha planos de construir um Centro de Cura desde 1911. Um projeto desses exigia muito capital e funcionários de nível profissional. Portanto, para alcançar este objetivo Max Heindel desenvolveu o seguinte projeto. No Echoes de 10 de agosto de 1913 está escrito o seguinte sobre o projeto:
“No dia 6 de agosto [1913 às 14:00 horas] colocamos a base para nosso Centro de Cura. Max Heindel disse nesta ocasião: ‘Se falamos do Centro de Cura do qual eu sonhei, fica difícil nos soltarmos da ideia de prédios imponentes, contendo todas as facilidades modernas. Um dia este sonho se tornará realidade, mas enquanto isto a humanidade sofre e fisicamente não fazemos nada para cuidar dos doentes. Isto não me veio à mente até que o Irmão Maior me aconselhou a construir umas casinhas pequenas, começar pequeno e seguir a mesma forma que foi tão bem-sucedida no início da Fraternidade Rosacruz, portanto, remar com os remos que temos, ao invés de esperar por aquilo que pensamos que precisamos ou desejamos. Desta forma poderemos começar ajudando alguns pacientes. Quando os tivermos ajudado, eles seguirão seu caminho, e contentes irão contar a outros que estão sofrendo, que a seu tempo virão e nos dará o privilégio de ajudar a seguir a Vontade de Cristo … Ajudando os doentes a recobrarem a saúde e por ensiná-los a viver em harmonia com as leis da natureza, apressamos o dia da volta do Cristo. Que Deus abençoe nossas tentativas e fortaleça nossas mãos pelo trabalho realizado’[235].
Seguindo o conselho do Irmão Maior descrito acima, no dia 4 de julho de 1914, construíram três casinhas. Estas foram usadas por algum tempo como um Centro de Cura. Mais tarde houve a necessidade de oferecer estadia aos trabalhadores e a ideia do Centro de Cura foi temporariamente posta de lado.
Após a Escola de Verão havia vários estudantes que gostariam de ficar. E para alocar estas pessoas foram construídas algumas casas.
Nas barracas fizeram piso de madeira no lugar das lonas para proteger os integrantes da Escola de Verão do frio. Max Heindel decidiu usar estes pisos de, aproximadamente, 3,65 por 5,25 metros para piso das casinhas. Com a ajuda dos estudantes colocaram as fundações e depois carregaram estes pisos pelos morros e colocaram no lugar. Colocaram dois pisos encostados e com a ajuda de Rollo Smith fizeram três casinhas, cada um com dois quartos.
Em junho de 1913 Mount Ecclesia possuía abelhas e uma vaca, chamada Josie. Contudo, como aumento da população houve a necessidade de adquirir mais uma vaca. Em Oceanside as vacas eram escassas, portanto o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel alugaram uma charrete com cavalo e percorreram a vizinhança para achar uma boa vaca, e finalmente encontraram uma “holstein”[236] que estava à venda. O animal, que era o preferido da fazendeira, não queria ir com eles, portanto colocaram feno na parte traseira da charrete para atrair a vaca a segui-los até em casa. Após percorrerem a metade dos 19 km da estrada, a vaca se recusou a continuar andando porque o feno havia acabado. O pesado animal ficava berrando alto fazendo o cavalo parar. Por isso, Max Heindel ficou na charrete conduzindo o cavalo e a Sra. Augusta Foss Heindel andava atrás tocando a vaca. Exaustos da viagem chegaram ao anoitecer em Mount Ecclesia. Ela foi chamada Josefine homenageando a grande, famosa vaca leiteira do ‘State Agriculture College’ do Missouri, na esperança que ela a igualasse. Também em julho, o Sr. Joel Hawkins comprou a terceira vaca no vale de San Luis Rey, chamada Bessie, uma vaca já premiada mais de uma vez.
Até aquele momento os rituais eram feitos na parte frontal do prédio que servia como refeitório. Este quarto, de 3,65 por 4,25 metros, ficou muito pequeno e por conselho do Mestre decidiram construir outro prédio que servisse exclusivamente para os rituais. Um dos membros de Nova York, senhorita Frances Lyon, que tinha alguma experiência em desenho artístico e arquitetônico, se ofereceu para assumir os custos por sua conta. Ela também comprou nas redondezas terras e construiu uma casa para ela e a mãe, viúva de um Pastor Episcopal. Esta pequena senhora era totalmente contra que a filha quisesse se mudar para Mount Ecclesia. Para protegê-la decidiu ir junto. Contudo, depois de um mês esta senhora se tornou uma entusiástica seguidora do Ensino Rosacruz, não apenas disposta, mas desejando passar o resto de sua vida em Mount Ecclesia.
O plano de construir uma capela estava apenas sendo vinculado quando um construtor, o Probacionista William Koening, apareceu. Ele era o homem que iria comandar a construção da Pequena Capela.
No dia 27 de novembro de 1913 iniciaram as obras da Pro Ecclesia[237]. Se tornou uma construção pequena, aproximadamente 5 por 11 metros, dando lugar para 75 pessoas, construída no estilo Mourisco-Espanhol. O esboço era de Max Heindel, e Frances Lyon desenvolveu o desenho. Ela e o Sr. Stewart Louis Vogt fizeram os enfeites de dentro e pintaram o emblema.
Por US $ 23 compraram um órgão de segunda mão e numa noite de Natal, 24 de dezembro de 1913, a Capela estava pronta para ser inaugurada.
Na inauguração estavam presentes 36 membros, cabalisticamente novamente o número 9, e Max Heindel disse o seguinte: ‘Estamos aqui reunidos para inaugurar a primeira construção, que será exclusivamente para Deus, conforme o ensinamento Rosacruz. Esta construção será de auxílio inestimável pelo qual não conseguiremos agradecer o suficiente. Mesmo que nossos corações se derretam a Deus com amor e agradecimento por esta capela, tão linda por sua simplicidade, não podemos esquecer as palavras ditas quando colocada a primeira pedra. Porque é um amontoado de pedras mortas e madeira sem vida. Deus não mora em prédios feitos pelas mãos humanas. Caso queiramos encontrar a Deus, precisamos fazer dentro e em volta deste local, o Templo invisível e espiritual que tão lindamente foi pintado por Kennedy no The Servant in the House[238]. Assim como Manson diz: ‘Algumas pessoas nunca conseguirão ver’. Contudo, é algo vivo, e somente em algo vivo assim pode a fé viva – se precisamos viver neste mundo – morar e fazer parte no trabalho do Cristo; que por nós está, agora, gemendo e labutando, esperando nossa manifestação como Filhos de Deus.
‘Quando entramos’, diz Manson, ‘ouve-se o ruído de uma linda canção …, se tiver ouvidos’. Para os sensitivos espirituais todos os Templos têm um som vibrante, uma harmonia espiritual que se espalha por uma grande área, fortalecendo tudo de bom em todos que a circundam. Contudo, apenas quando aprendemos a cantar músicas de amor em nosso coração, e não somente com os lábios, será ouvida esta poesia de Mount Ecclesia. Portanto, é necessário que todos aprendamos a cantar de tal forma – se um dia pudermos nós mesmos ouvir esta música – que ela possa se espalhar pelo mundo e reconfortar as almas sofredoras, sem que elas percebam de onde está vindo.
‘Em breve você mesmo verá a Igreja, um mistério iminente de muitas formas e sombras que do nada pulam do piso ao teto… Não é obra de um construtor comum’, diz Manson, e mais à frente: ‘Ainda assim é construção’.
Isso é a verdade. Porque mesmo vendo a construção física acabada, que chamamos Casa de Deus, como terminamos a construção deste Prédio, a obra do verdadeiro Templo, que não é construída pelas mãos, mas, por diversas obras de amor e amizade, deve ser trabalhada constantemente.
Este monte de material físico, que juntamos aqui, já começa a se deteriorar. Contudo, a Igreja invisível, construída por obras imortais, cresce sem ruído, pois dia a dia juntamos novas ações de amor àquelas que já existem.
Não nos deixemos enganar; este trabalho não é apenas alegria. Da mesma forma que Manson fala: ‘Às vezes o trabalho entra em escuridão profunda e às vezes sob luz tão intensa que cega. Agora sob uma inexprimível angústia, depois com um grande gargalhada e aclamações heroicas como o grito do trovão’.
Existem tantos dias como noites da alma. Não é sempre Domingo de Ramos, quando o mundo aclama o portador das boas novas; mas cada um tem, de tempos em tempos, seu próprio Getsemani. O que tiraríamos de crédito se trabalhássemos duramente sempre rodeados com os sorrisos de aprovação. Ou quando sentimos dentro de nós a maravilhosa sensação de paz, que acontece quando fazemos o trabalho de Deus com grandes passos e com vigor inquebrantável, satisfeitos e contentes, guiados por um estimulante impulso interior?
Mas não podemos esperar que estejamos vivendo sempre em tais circunstâncias. E é durante a noite que a crucificação surge para nós, quando os amigos próximos parecem ter nos abandonados, nos deixando no jardim do Getsemani, que devemos nos demonstrar trabalhadores fiéis, olhar para o Pai, preparados para qualquer oferta que Ele nos peça e dizer: “Que seja feita a Vossa vontade”.
É uma característica para esta noite da Alma que a força interior ao trabalho geralmente falha. Portanto, não sentimos o desejo de servir a Deus, mas somos inclinados a seguir pelo caminho mais largo. Devemos pensar que por sermos fiéis até o final, nós estaremos em condições de um dia dizer: “Está consumado”. Que cada um de nós possamos ser Auxiliares Visíveis e construtores de Templos, para que, quando tivermos esgotado as possibilidades do nosso ambiente atual, possamos merecer uma esfera mais ampla de sermos úteis como Auxiliares Invisíveis da Humanidade’[239].
O texto a seguir foi ditado por Max Heindel e copiado no Echoes de janeiro de 1914:
‘A Pro Ecclesia foi construída no chamado Estilo Missão, com três sinos acima da entrada, assim como em diversas Missões da Califórnia. O telhado também tem a bonita telha curva das Missões, e as janelas são num desenho de losango muito artístico. Como está situada no ponto mais alto de Mount Ecclesia, pode ser vista a quilômetros de distância e é notada por todos os que passam. Pela Mission Avenue, a Avenida que passa pela nossa Sede Central, passa muitos carros, pois, é uma das rodovias principais da Califórnia.
A acústica da Pro Ecclesia é muito boa. Cada palavra pronunciada, mesmo em tom silencioso, pode ser bem ouvida por todos. A ressonância do órgão é de tal forma que deve ser ouvida atentamente para que se possa dar o devido valor. O teto é pintado de um tom bem claro de creme, e todo o madeiramento foi acabado com uma cor natural. Portanto o esquema de cores é muito bonito e discreto e, portanto, um calmante para os nervos.
A iluminação é indireta. A luz entra pelo teto e reflete até no salão, se espalhando suavemente sem o efeito brilhante, que incomoda tanto na luz artificial. O púlpito está situado a oeste. Um nicho no meio da parede do lado oeste onde fica o emblema Rosacruz, que foi feito com uma linda estrela num fundo azul e uma cruz branca com sua beirada preta e as rosas vermelhas-sangue. Este emblema é aberto somente durante os rituais e está sempre coberta por uma cortina. Esta cortina tem o seguinte ditado: ‘Deus é Luz; quando andamos na Luz como Ele na Luz está, seremos fraternais uns com os outros’.
Durante os rituais a luz do corredor fica apagada e o Emblema é iluminado por todos os lados com luz indireta.
Em frente desta cortina tem um aparador com uma linda Bíblia, que nos foi cedida por um estudante. Acima deste nicho tem a inscrição ‘Christian Rose Cross’. Ao lado esquerdo deste nicho tem uma cópia da pintura de Hofman do Cristo jovem, feito de forma muito artística pela Gertrude Jarret, uma de nossas muito apreciadas auxiliares de escritório. Acima desta imagem está escrito: ‘Vós sois meus amigos’. Ao lado direito também tem uma imagem do Cristo, ajoelhado no Getsemani, no início de sua Paixão. Acima desta imagem tem a inscrição: ‘Aguardando o dia da libertação’. Esta linda imagem é de Stewart Vogt, um artista famoso, membro da Fraternidade. Ambas as imagens demonstram o amor dos estudantes. Também preciso mencionar que muitas atividades de construção foram feitas pelos estudantes na sede Central.
Portanto, este prédio foi feito com amor, na forma mais ampla da palavra, e é por esta razão que o valor é inestimável, do que quando o trabalho é feito apenas por trabalhadores em base comercial. Naturalmente será mais fácil construir o Templo invisível e espiritual, desta forma’[240].
Em dezembro foi construída uma estrada principal chamada ‘Ecclesia Drive’. O Sr. Stewart Louis Vogt, um membro de Cincinnati, Ohio – a mesma pessoa que ajudou a enfeitar a Pro Ecclesia – fez o projeto desta estrada e comprou as primeiras quatro palmeiras. Pouco tempo depois o Sr. E.W. Ogden de Knoxville, Tennessee, veio fazer uma visita a Mount Ecclesia e ofereceu 74 lindas palmeiras. Para plantar estas palmeiras, que mediam entre 1,80 m e 3 m de altura, precisavam fazer buracos com dinamite. Contudo, no dia 9 de dezembro estavam 78 palmeiras lindamente plantadas ao lado desta estrada, dando um novo visual ao terreno’.
Em janeiro de 1914 foi construída, em Mount Ecclesia, uma casinha de três quartos. Era destinada para Dr. Partridge, sua esposa, filho e filha.
Porque o Sr. Dean Rockwell havia sido escolhido como membro do Conselho Administrativo e devia cuidar de serviços organizacionais, fizeram para o Max Heindel um escritório no andar de cima, para poder trabalhar sem ser interrompido. Nos meses de fevereiro e março Max Heindel estava ocupado com a correção da brochura escrita pela Sra. Annet C. Rich de Seattle com o título: “Cristo ou Buda? ”. Ao mesmo tempo estava corrigindo “Os sete raios do Rosacruz”, que fala sobre “Maçonaria e Catolicismo”, o qual, naquele momento, havia se esgotado a primeira edição. Uma Palestra que ele havia dado no Centro de Los Angeles também estava sendo reescrita e ganhou o título de: “Como reconheceremos Cristo quando Ele Voltar? ”.
Nestes meses o membro William Koenig, arquiteto de San Francisco, desenvolveu um projeto para um prédio onde pudessem ter exposições de literatura, teatro e música. O projeto era de tal forma que poderia ser ampliado futuramente. No projeto deveria constar um salão que tivesse lugar para cento e cinquenta pessoas, uma biblioteca e uma sala de aulas. A sala de aula era construída de tal forma que com algumas movimentações poderia se transformar num palco.
Como era difícil contratar um estenógrafo compraram, no dia 1º de março, alguns ditafones[241]. Eram aparelhos que funcionavam manualmente, mas em contrapartida ficavam disponíveis dia e noite.
Antes do amanhecer do dia 12 de abril os membros da redondeza chegaram de carro para participar da primeira celebração de Páscoa em Mount Ecclesia. A descrição foi transcrita do Echoes de maio de 1914:
Celebração de Páscoa em Mount Ecclesia
“Na manhã de Páscoa era importante para todos nós em Mount Ecclesia levantarmos antes do nascer do sol. Depois fomos para a Pro Ecclesia onde tivemos a Cerimônia da manhã. A leitura, que estava programada para esta ocasião, era a história da Bíblia que narrava a Ressureição.
Após a cerimônia nos juntamos diante do círculo que ficava em frente à Administração, onde três anos antes havia sido plantada a cruz, antes de começar qualquer outra coisa em Mount Ecclesia. A cruz havia sido pintada novamente e estava linda em sua nova roupagem. Também havia rosas recém-colhidas do jardim das abelhas que foram trançadas em uma linda coroa e foi pendurada em volta do símbolo. A estrela de cinco pontas dentro do círculo estava resplandecente com as margaridas do Egito, que formavam o fundo amarelo para completar o símbolo. A roseira, que foi plantada juntamente com a Cruz, estava também em flor. Para esta ocasião estava tudo preparado para que pudéssemos começar imediatamente a reimplantar a cruz, que havia sido retirada do local para ser pintada.
Quando a cerimônia havia terminado, Max Heindel falou o seguinte: ‘Conforme a lenda, Adão levou três estacas da Árvore da Vida com ele, quando teve que sair do Paraíso. Seth, seu filho, plantou estas três estacas e elas cresceram. Mais tarde uma delas foi usada para fazer o cajado de Aarão, com o qual ele fez milagres perante o Faraó. O outro foi levado ao Templo de Salomão com o objetivo de fazer um pilar com ele, ou usar para alguma outra coisa. Contudo, não conseguiram encontrar um lugar para o mesmo; não se encaixava em nenhum lugar e por isto foi usado como ponte sobre um riacho que ficava do lado de fora do Templo. A terceira estaca foi usada para fazer a Cruz de Cristo, na qual Ele sofreu por nós e foi libertado, entrou na Terra e se tornou o Espírito do nosso Planeta, onde Ele ainda suspira e sofre até o dia da libertação. Nesta lenda se esconde um profundo significado.
A primeira estaca representa a força espiritual, desempenhada pelas Hierarquias Divinas nos dias em que a humanidade vivia sua infância e, para seu benefício, era dominada por outros.
A segunda estaca seria utilizada no Templo de Salomão. Ninguém sabia avaliar seu valor, excetuando a Rainha de Sabá. Para ela não foi encontrada um lugar adequado, porque o Templo de Salomão era a perfeição da arte e do ofício e num ambiente materialista não se dá valor às coisas espirituais. Os filhos de Caim conquistam sua evolução pelas obras e não conseguem utilizar forças espirituais. Portanto foi utilizada como uma ponte sobre um riacho. Sempre existem almas, os verdadeiros maçons místicos, que tinham condições de transformar esta ponte – que ia do visível ao invisível. Que conseguiam atravessar esta ponte para regressar ao Jardim do Éden, ao Paraíso.
Foi a terceira estaca da árvore que formou a Cruz do Cristo. Ao subir nesta Cruz, Ele se libertou da existência física e entrou em esferas superiores. Da mesma forma que nós também desenvolveremos nossa força espiritual – quando tomarmos a nossa cruz e O seguirmos – e entraremos em uma esfera de maior de utilidade nos mundos invisíveis.
Possamos todos nós almejar para que dia a dia possamos ser encontrados ajoelhados, subjugados e unidos à cruz de Cristo; para que um dia, não muito distante, possamos subir em nossa própria cruz e conquistar a nossa gloriosa libertação, a Ressurreição da vida da qual Cristo foi e é o primeiro fruto.
Esta é a verdadeira mensagem da Páscoa. Todos devemos perceber que somos Cristos em formação, se o Cristo realmente nasceu dentro de nós, Ele nos mostrará o caminho para a Cruz onde poderemos alcançar e avançar da Árvore do Conhecimento, que trouxe a morte, até a Árvore da Vida no Corpo Vital que trouxe a imortalidade. ”’
No dia 1º de junho de 1914 iniciou a segunda Escola de Verão. Também desta vez foram ministradas palestras sobre a Filosofia Rosacruz, astrologia, expressão, anatomia e oratória, e também sobre as peças de Wagner e Goethe. Havia 300 slides para ilustrar os cursos de Astrologia, anatomia e os grandes mestres.
Na terça-feira dia 23 de junho, quando a Lua estava no Signo de Câncer, fizeram o primeiro Ritual de Cura e, assim, sucessivamente quando a Lua entrava num Signo Cardinal (Áries, Câncer, Libra e Capricórnio).
A cozinha e refeitório, improvisados, estavam em estado deplorável e, portanto, em outubro começaram a construção de um restaurante, que continha uma cozinha e um refeitório. Era um prédio térreo, sem piso superior, à prova de fogo e com lugar para 100 pessoas. A ideia era um restaurante tipo “self-service”, onde as pessoas podiam pegar uma bandeja com a comida numa abertura de janela e após consumir a comida devolvia a bandeja com o prato e talheres em outra janela.
No dia 26 de novembro este prédio estava pronto e foi inaugurado. Esta data é especial porque neste dia também foi feita a pedra fundamental da futura Ecclesia ou Templo e também foi hasteada a bandeira com o Símbolo da Fraternidade, que foi oferecida pelos membros do Centro de Los Angeles. O texto a seguir foi retirado do Echoes de dezembro de 1914:
“Era um dia bonito e às 11:00 horas nos juntamos em frente ao novo refeitório, preparados para hastear a bandeira com o Símbolo da Fraternidade e Max Heindel disse:
‘Apesar de sermos poucos em quantidade, muitos olhos estão voltados nesta direção esta manhã e um acontecimento muito importante está para acontecer. Seiscentos anos antes do Cristianismo iniciou-se uma onda de esforço espiritual na costa da Ásia. O Confucionismo começou a iluminar os problemas das pessoas que ali viviam naquela época. Para eles era o primeiro passo para mais conhecimento, pois este era destinado para a raça asiática. Então, de outra forma, esse esforço espiritual se moveu em direção a Leste sobre a Península do Hindustão[242] e a Pérsia para a Galileia, onde vestiu o robe do Cristianismo atual e foi difundida sobre o mundo ocidental. Contudo, toda religião teve sempre seu lado escondido. Leite para os fracos e alimento sólido para os fortes era e ainda é a regra em todo lugar. Os símbolos místicos que estes ensinamentos mais profundos davam seguiram seu fluxo em seu caminho ao Ocidente. Seiscentos anos atrás o mais avançado ponto de Mistérios ao Leste foi fixado na Alemanha. A Ordem Rosacruz começou a ensinar aos poucos que, então, estavam maduros para isto. Agora, o então implantado posto da Ordem, quase terminou seu trabalho, para o quanto é possível avançar naquele ponto. Eles enviaram um ponto mais avançado para a costa do Oceano Pacífico. Aqui no ponto mais ocidental do nosso continente foi constituída a Fraternidade Rosacruz como um centro exotérico para preparar o caminho para a Ordem Rosacruz. E em certo dia, nós não sabemos quando, mas talvez seja quando o Sol, por Precessão, entrar no Signo de Aquário [em torno de 2600 D.C.] a Irmandade irá nos seguir e se estabelecer por aqui. Esta é a última mudança no continente atual. Qual movimento espiritual também possa se instalar, terá seu início em um novo ciclo e em outro continente, para de lá seguir para o Leste e Sul. Portanto, estamos agora ao final do ciclo e ao início de um novo ciclo.
Chegamos ao momento de hastear a bandeira da Fraternidade Rosacruz, que é o símbolo mais alto e mais espiritual na terra: a linda cruz branca com suas rosas vermelhas, sua estrela dourada e o fundo azul celeste. As cores primárias em seu incomparável relacionamento – representando o Pai, o Filho e o Espírito Santo – irão tremular até que seu trabalho tenha terminado e uma forma mais alta se inicie. Que Deus permita que uma multidão possa se apoiar na bandeira e lutar contra as forças mais inferiores, e almejar a vida mais elevada, para trazer luz e cura ao mundo daqueles que agora gemem de dor e sofrimento’. Então a bandeira foi hasteada”.
Em Mount Ecclesia já haviam chegado algumas pequenas doações para construir o Centro de Cura. O Sr. George Wiggs, um membro de Chicago, iniciou um fundo. Como reação a isto, Max Heindel decidiu colocar a pedra fundamental. Ele continua seu discurso neste mesmo dia 26 de novembro da seguinte forma:
“Bem, apesar de confiarmos que um dia a escuridão, a tristeza e o sofrimento irão acabar e que chegará o glorioso reino de mil anos, o Reino do Cristo do qual a Bíblia fala e que na realidade a fé sem obras é morta. Nós, construtores de Templos, devemos realizar nosso trabalho para que estes ideais, pelo qual nós esperamos, se realizem. Por isto, nos reunimos hoje para um acontecimento importante: colocar a pedra fundamental, o primeiro pedaço de cimento, para que o último Templo material possa ser construído neste continente, que agora é povoado pela humanidade. Preste atenção no que digo: o último Templo material. Porque para a nossa atual condição de desenvolvimento é necessário ter um Templo que seja palpável, antes de construirmos o verdadeiro Templo em volta, feito dos corações humanos do qual já falamos tantas vezes antes. Um dia, como dito anteriormente, quando o Sol por precessão atingir Aquário [em torno de 2600 D.C.], a Ordem Rosacruz irá seguir. Eles também construirão um Templo aqui, um Templo com uma força muito maior do que nós esperamos um dia poder construir. Neste local o trabalho dos Rosacruzes irá continuar o que agora acontece no Templo na Alemanha. Talvez o Templo seja transportado para cá. Não tenho certeza disso. Contudo, aquela construção é inteiramente etérica.
Nós que não temos condições de ver a Igreja como ela aparece para a espiritualidade somos obrigados, primeiro, a formar uma construção material como moldura para o verdadeiro prédio espiritual que depois se torna uma força para o mundo. Se nós construirmos este prédio palpável de forma bonita e inspiradora, a inspiração que tirarmos deste prédio servirá de espelho para o prédio invisível e espiritual. Assim o prédio físico servirá para formar o prédio espiritual.
Se nós compreendêssemos as regras das forças cósmicas estaríamos em condições de ver como os Irmãos Maiores, e não seria necessário primeiro construir um prédio material e esperar um tempo para que a matéria seja alocada em suas posições. Contudo, poderíamos começar imediatamente a trabalhar construindo da forma correta. Iríamos ser imediatamente uma força poderosa para o bem no mundo para a rápida libertação do Cristo. Na verdade, como não conseguimos fazer isto, devemos nos empenhar ao máximo para fazer tudo o que é possível. Isto é, colocar linhas e princípios cósmicos em forma material para que todos que entrarem em seus portais sejam inspirados. Assim cada um de nós irá ajudar a formar o Templo Vivo e invisível, que é a verdadeira Igreja.
Nesta manhã nos reunimos para implantar a primeira pedra, a pedra que representa todas as cartas e todos os documentos, juntamente com os escritos e a literatura que temos até hoje aqui na Fraternidade Rosacruz. Mais tarde isto será a motivação para a construção deste prédio e o porquê de permanecer em pé. Permita Deus que esta pedra logo possa ser seguida por muitas outras. Que logo possamos começar e estar em condições de construir a verdadeira Sede Central de Mount Ecclesia.
A Bíblia nos conta da visita dos Reis Magos ao nosso Libertador. A lenda nos complementa dizendo que Gaspar, Belquior e Baltasar – os nomes destes sábios – pertencem às três raças que existiam na Terra. É muito interessante dizer isto, porque neste momento importante também estão presentes representantes das raças Lemúrica, Atlante e Ária.
A presença das diferentes raças no nascimento de Jesus foi esclarecedora para não ter preconceitos e provar que a Religião que Ele veio trazer é Universal. Como agora, inesperadamente e até o momento presente não foi notado a presença das três grandes raças em Mount Ecclesia, para prenunciar que este grande movimento também será universal, trazendo uma mensagem alegre, de uma compreensão melhor e uma sensação justa de fraternidade a todos que vivem na Terra.
Os membros foram, então, para um lugar onde havia areia e cimento e todos juntos, homens e mulheres, ajudaram a misturar o cimento e trazer a uma forma que estava enfeitada com folhas de palmeira e fizeram uma pedra que deverá ser o canto da Ecclesia quando nela for começada”.
A Companhia Elétrica de Oceanside era uma central pequena de energia e fornecia energia de baixa tensão para Mount Ecclesia três vezes ao dia. Isto era uma situação complicada, pois trazia muitos custos extras com ela. Assim a iluminação era feita por lâmpadas de óleo, os ditafones tinham motores que eram ligados de forma manual e a impressora era abastecida por um motor a gasolina. Contudo, em novembro de 1914 isto mudou. O Sr. F. H. Kennedy, o doador da bomba da água, ofereceu a Mount Ecclesia um motor à dínamo, para que pudessem construir uma própria central de energia. Max Heindel era um engenheiro experiente que, no início de 1900 quando chegou, trabalhou na Central Elétrica de Nova York. A instalação foi feita na parte subterrânea onde durante a primeira Escola de Verão serviu como refeitório, mas naquele momento estava sendo usado como depósito. Foi feito um quadro central com portas laterais. Max Heindel mesmo colocou os fios, porque em Oceanside morava apenas um eletricista amador e não havia dinheiro para chamar um profissional de San Diego.
Em dezembro as lâmpadas de óleo foram substituídas por lâmpadas elétricas e os ditafones, que deviam ser ligados manualmente, foram substituídos por aparelhos mais modernos. No dia 24 de dezembro Mount Ecclesia tinha um mar de luzes com energia da própria central.
Em fevereiro de 1915 não podiam mais ser colocadas as letras em Los Angeles para serem impressas em Mount Ecclesia. Era impossível fazer este serviço manualmente na Sede Central e, portanto, compraram uma máquina de composição.
A pequena revista Echoes from Mount Ecclesia, que estava sendo distribuída gratuitamente a dois anos, se tornou maior, mas os custos altos de postagem que se seguiram se tornaram um peso muito grande. Portanto, na edição de maio, como experimento, saiu um comunicado que a assinatura anual custaria US$ 1,00. A revista continha 43 páginas numeradas e o nome mudou para Rays from the Rose Cross.
Por causa do barulho a impressora foi transferida para a área sob a casa, e em junho compraram também uma prensa cilíndrica.
Durante a primeira Guerra Mundial (1914-1918) não houve Escolas de Verão em Mount Ecclesia e também não houve atividades para fora. Contudo, foram dadas aulas e Palestras aos soldados que estavam em Kamp Kearny – aproximadamente 32 km de Oceanside – e depois alguns soldados se tornaram membros da Fraternidade.
Durante os anos de Guerra, Mount Ecclesia teve dificuldades financeiras. Na Europa muitos estudantes foram obrigados a parar com a ajuda financeira, a venda dos livros diminuiu e os preços subiram.
Mesmo assim no dia 4 de julho houve festa. A última parcela de US$ 1000,00 havia sido paga e no dia 4 de julho o documento da hipoteca foi queimado, enquanto Max Heindel fazia a seguinte palestra intitulada: “Nossa Associação, seu progresso e florescimento”.
A casa onde os Heindel moravam era muito barulhenta e atrapalhava Max Heindel em seus afazeres. Ao mesmo tempo era de fácil acesso aos visitantes. Por isso fizeram uma casinha de três quartos ao pé do morro onde Max Heindel podia trabalhar sem ser incomodado.
Do livro ‘Mensagem das Estrelas’, que era pequeno e costurado, havia aparecido duas publicações. Contudo, nesta casinha ao pé do morro este trabalho foi revisto e ampliado. À noite, quando a Sra. Augusta Foss Heindel se juntava ao marido – após passar o dia recebendo os visitantes, fazendo os trabalhos de escritório, orientado os cozinheiros e jardineiros – ela ouvia o que seu marido havia colocado no ditafone. Isto era então discutido e a Sra. Augusta Foss Heindel depois complementava com seu conhecimento. O resultado foi um livro de 700 páginas.
Um dos trabalhadores que se juntou à Fraternidade Rosacruz através de uma agência de empregos foi Alfred Adams. Um homem de meia idade com uma saúde fraca, mas simpático, agradável e eficiente. Com o tempo melhorou sua saúde e ele se interessou mais pelos ensinamentos. Apesar de ter sido admitido para fazer a administração geral ele acabou ficando em Mount Ecclesia. De contador e estenógrafo ele chegou a gerente em 1919, quando Max Heindel faleceu. Neste tempo ele se tornou um grande apoio para a Sra. Augusta Foss Heindel até 17 de março de 1931, quando ele faleceu de um problema cardíaco aos 72 anos. Com o passar dos anos havia 8 funcionários no escritório. Eles não sabiam dos ensinamentos Rosacruzes e a maior parte do dia era usada para instruir e gerenciar estas pessoas.
Após reescrever o “Mensagem das Estrelas”, o livro “Astrologia Científica Simplificada” foi revisto. Este livrinho pequeno e costurado, Max Heindel havia escrito em 1909 quando estava morando em Seattle. Após a conclusão o livro ficou com 198 páginas e foi impresso em 1916.
No dia 13 de março a mãe de Max Heindel faleceu[243]. Ele escreve o seguinte sobre isto: “Alguns meses atrás, quando minha mãe – que morava em Copenhague, Dinamarca – faleceu, recebi cartas, do meu irmão e da minha irmã cartas, cheias de dor pela ‘perda’. Para mim ocorreu exatamente o oposto”.
“Eu a visitava, algumas vezes por ano, em meu Corpo Vital, por alguns instantes, mas eu não tinha coragem de me materializar ou de falar com ela, pois, poderia produzir um choque; que poderia resultar na morte, como consequência deste encontro. Além do mais, o uso tão egoísta dessa faculdade é estritamente proibido. Ou seja: eu estava longe da minha mãe, enquanto meu irmão e minha irmã estavam sempre convivendo com ela. Quando a morte veio, isto mudou: ela não estava mais em condições de se mostrar presente para eles; não podia conversar com eles ou confortá-los e dizer que não estava ‘morta’, como eles acreditavam. Contudo, ela aprendeu logo que bastava um simples PENSAR em mim, que já levava a vir para a Califórnia; e depois que ensinei a ela um determinado sinal, ela tinha acesso imediato a mim, a qualquer momento. Agora que ela está morta para o meu irmão e a minha irmã, ela está viva para mim, que tenho o privilégio de ajudá-la nesta difícil transição, mesmo vivendo ainda neste mundo. Por isto eu não sinto a dor da perda”[244].
Mas o falecimento se torna difícil se as pessoas que estão em volta o impedem, e isto foi provocado pela meia irmã de Max Heindel. Max Heindel nos conta o seguinte a respeito disto: “Esta classe [pessoas falecidas onde seu Corpo Vital e seu Corpo de Desejos estão tão interlaçados devido a sua maldade que são forçados a permanecerem nas regiões inferiores dos mundos invisíveis] pode ser encontrada por muitos anos após seu falecimento. É um fato curioso que essas pessoas, às vezes, são procuradas por antigos amigos, que já faleceram, porque necessitam de ajuda para entrar em contato com o Mundo do Físico. Eu lembro de um caso assim, que aconteceu alguns anos atrás, quando uma parente idosa [a mãe de Max Heindel] estava a ponto de falecer. Ela queria muito ver seu [2º] marido que tinha falecido alguns anos antes. Contudo, ele já alcançara o Primeiro Céu, seus membros e seu corpo já se haviam dissipado, ficando apenas a cabeça. Portanto, dificilmente ele poderia mostrar-se a ela quando da sua chegada, e muito menos influir nas condições de seu passamento, que não eram inteiramente do seu agrado. Certas coisas estavam sendo feitas a fim de retardar a separação do Espirito e da carne, o que ocasionou uma tremenda angustia à pessoa moribunda. Em sua ansiedade como marido, ele apelou para um amigo cuja união entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos permitia manifestar-se mais facilmente. Este Espírito pegou uma pesada bengala num canto do quarto e com um forte golpe arrancou um livro das mãos da filha da agonizante, o que apavorou de tal forma os presentes, que estes pararam com as lamentações, permitindo que a mãe passasse para o além”[245].
Na primavera de 1916 a antiga máquina de impressão foi substituída por uma mais moderna. Desta forma foi permitido dar um formato maior à revista Rays from the Rose Cross. À princípio Max Heindel tinha a ideia de escrever um jornal diário Rosacruz, mas, devido à Guerra muitos membros foram enviados para lá, onde alguns morreram. Também subiram os preços dos maquinários, papéis e similares, enquanto os salários dos tipógrafos eram muito altos. E como não havia membros que pudessem assumir esta função, este desejo ficou sem ser realizado.
Na última página da edição de maio de 1916 Max Heindel escreveu: “Contestando o Simbolismo! No lado interno da capa se encontra um símbolo antigo dos Rosacruzes que os Irmãos Maiores chamam de CADINHO. Usando a imagem, durante a meditação, poderá entender-se o seu significado … Quando publicarmos as descrições que merecerem prêmio, eu escreverei mais sobre este símbolo”.
Esta imagem também aparece nas edições de junho até outubro. Contudo, poucas pessoas parecem ter reagido ao convite, pois Max Heindel escreve na edição de setembro de 1916 na página 160: “Eu me pergunto se os estudantes perceberam o convite para a contestação de ‘símbolos’, pois, só recebemos algumas respostas e a data final de 1º de agosto já passou”.
Na edição de outubro de 1916, na página 169, Max Heindel escreve o seguinte: “A seguinte explicação do símbolo Rosacruz da contracapa feita por um estudante é, até o momento, a mais valiosa tentativa que recebemos. Eu confio que possa incentivar outros a cavar na mina dos mistérios escondidos e encontrar mais tesouros”. Para não interromper a biografia, esta explicação está no Adendo 10. Parece que Max Heindel não achou necessário ele mesmo escrever sobre o assunto como havia anunciado.
No vale San Luis Rey, aproximadamente uns 60 metros abaixo de Mount Ecclesia, fica a linha do trem de Santa Fé, que vai de Fallbrook até Bonsall. O vale tinha uma plantação de beterrabas do tipo para fazer açúcar que quando colhidas eram transportadas até os vagões, por trilhos laterais, e depois transportados até a fábrica de açúcar. Contudo, como consequência de uma enchente os trilhos, com suas ramificações, foram levados pelas águas, assim como fazendas, árvores e vegetação. Era horrível ver como barracões, galinheiros, cavalos, vacas e casas foram levados pelas águas turbulentas. Todas as pontes entre Los Angeles e San Diego foram levadas pela água. Oceanside parecia uma ilha e ninguém conseguia chegar até ela. Também não era possível enviar uma mensagem, pois todas as linhas telefônicas e de telegrama foram rompidas. Cinco pessoas faleceram com esta enchente e demorou três semanas para que Mount Ecclesia recebesse correspondência de novo.
Houve necessidade de um curso por escrito da Filosofia Rosacruz, porém, devido a muitas atividades Max Heindel não conseguia encontrar uma chance de iniciar o curso. Portanto ele se dirigiu a Sra. Kittie Skidmore Cowen que morava em Montana Home, em Idaho, que escrevia artigos baseado no Cosmo[246] para a revista Rays. Ele pediu que montasse um curso de 12 lições com perguntas. No início de 1917 este curso, introdutório no ensinamento Rosacruz, ficou pronto.
Para se tornar membro o aspirante deve primeiro terminar este curso, para que a pessoa saiba onde está se associando.
Em março de 1917 a poetisa Ella Wheeler Wilcox visitou Mount Ecclesia. Na Rays de maio de 1917 Max Heindel escreveu o seguinte:
“Autora Encontrada!
Em sua visita a Mount Ecclesia, ela me contou em uma conversa que era a autora deste maravilhoso poema:
Um barco navega para leste e outro para oeste,
Empurrados pelo mesmo vento;
É a posição das velas e não o sopro do vento
Que determina a direção em que eles vão.
Assim como os ventos do mar, são os caminhos do destino,
Onde o sol reaparece após a tempestade.
É a ação da alma que determina a meta
E não a calmaria nem a luta.
Alguns anos atrás encontrei esta poesia sem que o autor estivesse mencionado. Eu o citei com frequência, e muitas vezes me desculpando por não saber quem era o autor. Portanto, fiquei muito feliz em saber quem era o autor e a Sra. Wilcox também me contou a história de como chegou a ideia do poema. Ela contou que estava velejando de Nova York para Boston e enquanto estava sentada ao deck com o marido este comentou: ‘Não é interessante Ella, que vemos os barcos indos para as duas direções e todos são impulsionados pelo mesmo vento? ’. E a Sra. Wilcox reagiu, dizendo: ‘Oh, Robert, que tema interessante para um poema! Dê-me rápido um pedaço de papel para que eu possa escrever’. E em dez minutinhos ela escreveu este poema. ‘Isto’, assim falou ela, ‘aconteceu aproximadamente uns 20 anos atrás e foi publicada pela primeira vez no Munsey´s Magazine’.
Também é interessante saber que o Sr. Wilcox é o ‘pai’ de várias ideias espirituais que a Sra. Wilcox tão lindamente transformou em poemas.
Conforme disse ela, o casamento deles era a união perfeita, uma amizade forte entre duas almas, que somente aqueles que tiveram o privilégio de vivenciar podem apreciar. Não é uma pena que uma união ideal assim seja uma exceção e não uma regra? Talvez fosse interessante saber que a Sra. Wilcox há alguns anos estuda os ensinamentos Rosacruzes e aprecia muito o Conceito Rosacruz do Cosmos. Ela contou que combinou com o marido algum tempo antes dele falecer de ler um capítulo do livro todas as noites antes de irem dormir. Contudo, devido partida dele, este plano nunca foi realizado. O que a deixou com remorsos, porque esses ensinamentos seriam de maravilhoso proveito para o seu o marido na vida post-mortem”.
Pouco antes da Sra. Wilcox falecer, em 1919, foi publicado seu livro: “The Worlds and I”. Aqui está escrito que ela nasceu em 1855 em uma fazenda no Wisconsin, como a caçula de quatro filhos. A condição física dela na adolescência deixava a desejar, mas o desenvolvimento mental, emocional e espiritual era satisfatório. Em idade bem jovem ela começou a escrever poemas. Quando obteve seu diploma do ensino médio ela já era conhecida como poetisa em sua cidade natal. Com aproximadamente 28 anos ela se casou com Robert Wilcox. Eles tiveram um filho, que faleceu logo após o nascimento. Após o casamento entraram em contato com a Teosofia e já aderiram ao movimento. Durante toda a sua vida mantiveram interesse por assuntos psíquicos e espirituais. Pouco depois do casamento prometeram um ao outro que aquele que falecesse primeiro iria tentar voltar para se comunicar com o outro – se isto fosse possível; mas eles não duvidavam desta possibilidade. Em 1916 Robert Wilcox faleceu, após 30 anos de união e companheirismo com sua esposa. Ela sofreu muito, e esse sofrimento ficou cada vez mais forte conforme as semanas iam passando e ela não recebia uma mensagem dele. Ela visitou médiuns famosos em todo o país e alguns “sábios” de várias religiões e filosofias. Ela ficou em um retiro Teosófico e isto ajudou a acalmar, enquanto bons amigos a aconselharam a não confiar cegamente no espiritismo. Neste período ela foi para a Califórnia, porque havia ouvido dizer que lá as energias espirituais são mais fortes. Ainda em busca de ajuda em sua tristeza, fez uma visita a Max Heindel, não entendendo porque ainda não havia tido um contato do Robert. Ela descreve o encontro com Heindel da seguinte forma: “Durante uma conversa com Max Heindel, um líder da Filosofia Rosacruz na Califórnia, ele deixou claro para mim as consequências do meu sofrimento. Ele me garantiu que encontraria com o espírito do meu marido assim que aprendesse a controlar meu sofrimento. Eu respondi que me parecia estranho que o Todo Poderoso Deus não enviasse uma luz a uma alma sofredora para confortá-la quando mais precisava. Max Heindel me perguntou: ‘Você já esteve perto de um lago transparente e viu as árvores refletidas na água? E você já jogou uma pedra naquela água e viu como ficou turbulenta e deixou de refletir a imagem? Mesmo assim acima da água esperavam a luz e as árvores para se refletirem novamente, quando a água se acalmasse. Desta mesma forma Deus e a alma do seu marido estão esperando você se acalmar para poderem se mostrar a você’”.
Depois desta conversa ela retornou para casa e passou horas em oração e meditação. Após alguns meses as palavras de Max Heindel se tornaram em realidade’[247].
Os escritórios ficaram tão lotados, que foi necessário fazer um prédio separado para esta atividade. No dia 13 de março de 1917, às 14:00 horas (02:00 PM), após uma pequena cerimônia feita por nove Probacionistas, foi dado início à construção. Contudo, na metade perceberam que financeiramente não conseguiriam continuar e isto só seria possível se conseguissem arrumar uns mil dólares.
Em San Diego não foi possível fazer um empréstimo diretamente. A Sra. Augusta Foss Heindel, que fazia a administração financeira para sua mãe, esperava poder fazer um empréstimo dando os bens dela em garantia, mas para isto necessitava da autorização de sua irmã. Este foi concedido, resolvendo, assim, este problema e o prédio da administração pode ser finalizado.
O prédio da administração foi feito em alvenaria. Quando ficasse pronto teria um andar superior com uma área de 446 m². A intenção era colocar a sala de impressão no piso inferior e os escritórios em cima. Neste andar superior também iria ficar um quarto grande – separado em dois por meio de um biombo – para servir como quarto de dormir para o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel. Isto para que Max Heindel não precisasse mais se cansar subindo e descendo para o bangalô ao pé do morro. Neste quarto não havia água, mas se fossem até à recepção havia uma torneira. Para tomar um banho precisavam ir por fora, até a torneira no refeitório. Quando o prédio ficou pronto Max Heindel conseguia chegar na sala de impressão, ao refeitório e comparecer aos rituais na capela, descendo apenas alguns lances de escada, o que antes custava um esforço enorme para ele.
Em maio o Sr. F. H. Kennedy veio fazer uma visita em Mount Ecclesia. Quando chegou à porta de entrada do escritório perguntou por Max Heindel. O pessoal o encaminhou à sala de impressão. Como de costume a máquina de linotipo estava quebrada. O Sr. Kennedy entrou na sala de impressão, que ainda estava na parte inferior do primeiro prédio. Lá ele viu Max Heindel deitado sob a máquina, enquanto o suor banhava seu rosto. O Sr. Kennedy cumprimentou seu amigo com um sorriso e um olhar de compaixão.
Após conversarem um tempinho, o Sr. Kennedy voltou para o escritório da Sra. Augusta Foss Heindel. Ela disse que nunca havia visto o rosto de alguém tão transtornado como o do Sr. Kennedy naquele momento. As lágrimas brilhavam em seus olhos pelo jeito que havia visto Max Heindel, e doía nele o fato de um homem tão culto ser forçado a deitar embaixo de uma máquina para fazer a manutenção necessária. Havia um rapaz mais jovem, mas ele não tinha o menor conhecimento de encaixar as letras e muito menos de fazer a manutenção. O Sr. Kennedy perguntou à Sra. Augusta Foss Heindel o endereço de alguém que fosse membro e que pudesse vir para Mount Ecclesia para ajudar na impressão. Ela conhecia apenas uma pessoa que tinha um pequeno conhecimento de tipografia. Contudo, era um homem pobre, pai de família com cinco filhos. Seu endereço foi anotado e o Sr. Kennedy tomou imediatas providências para trazer este homem com sua família para lá. Contudo, para que isto fosse possível precisava primeiro mandar construir uma casa [que mais tarde foi chamada de Ecclesia Cottage] e garantir um salário de um ano para ele.
Em junho de 1917 o novo prédio administrativo estava pronto. O Sr. Phillip Grell e a família vieram justamente em tempo de ajudar na mudança e instalar as máquinas na sala de impressão. Seu conhecimento, de fato, do trabalho e da manutenção das máquinas era muito pouco. E também não entregava um trabalho muito limpo. Após oito meses a família Grell deixou Mount Ecclesia e Max Heindel deitava novamente embaixo das máquinas.
Como agora havia mais espaço na sala de impressão compraram uma impressora maior e foi possível aumentar o tamanho da revista mensal. Tinham salas de depósito onde os livros ficavam bem guardados, sem ficarem misturados e amontoados. Portanto, eles mesmos começaram a encapar, em pequena escala, os livros.
Durante os anos da guerra [1914-1918] era muito difícil conseguir funcionários. O Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel iam pessoalmente para Los Angeles para procurar cozinheiros, ajudantes de cozinha, estenógrafos, jardineiros e auxiliares de impressão. Financeiramente isto também era inviável porque as viagens para Los Angeles aconteciam de uma a duas vezes por quinzena e eram caras no transporte e estadia em hotel. As pessoas que vinham desta forma nunca ficavam muito tempo, porque a vida no campo para eles era muito chata e o vegetarianismo não era desejável. Praticamente a cada três meses tinha um cozinheiro novo, que primeiro devia ser ensinado no vegetarianismo e logo depois partia. O mesmo problema acontecia com os ajudantes de impressão, que ou levavam bebida forte e perdiam o controle ou não se adaptavam a vida fora da cidade.
No dia 15 de julho de 1917 o casal Heindel saiu de férias[248]. Esta foi a primeira vez desde que a Fraternidade foi fundada há sete anos. Eles partiram no domingo à noite após o ritual no Pro Ecclesia. Eles entraram no ‘Carita’, um carro modelo Overland. Com este carro foram pelas estradas, que já haviam percorrido em outra ocasião. Pela linda San Luis Rey, passando pela velha Missão Franciscana, por sobre o Red Mountain e pelo lago Elsinore. Contudo, esta estrada não era a mesma de antes. Havia paz e alegria no ar, calma e sossego, um bálsamo para seus corpos e mentes cansados. Algo, interiormente, tinha mudado: eles se sentiam jovens, riam, brincavam e cantavam como crianças.
De Elsinor, sobre o asfalto lisinho, fizeram o percurso até Colton, a fonte principal de cimento da Califórnia. Depois para Riverside com seus laranjais imensos, onde o ar ficava impregnado com o cheiro de sua florada que ficava ao lado das frutas douradas. Isto é com toda a certeza uma região de muita beleza. Isto não era por causa das construções, apesar de serem em sua maioria muito artísticas e bonitas, mas pela natureza. Porque toda esta região do Sul da Califórnia é por direito um paraíso frutífero com suas lindas palmeiras, belíssimas magnólias, laranjeiras douradas e a profusão de flores variadas que alegravam à vista para onde se olhasse.
Cinquenta anos antes [aproximadamente 1870] não havia nenhuma árvore nesta região. A região entre Los Angeles e San Bernardino tinha o nome The Sixty Mile Desert [o deserto de 90 km], um terreno de caça para os colonizadores que moravam na redondeza.
De Riverside não fica longe ir para Redlands, uma cidadezinha turística. Aqui eles passaram pela famosa ‘smily heights’ situada numa montanha fina a uma altura de 150 m, que divide a região em dois vales amplos rodeados por montanhas de todos os lados. Quando se passa por esta costa, que tem vários pedaços com apenas 60 m de largura, não precisavam sair do carro para ter uma vista ampla sobre os dois vales com suas laranjeiras e outros pomares frutíferos, que se espalhavam até a encosta da montanha.
Eles visitaram San Bernardino, a cidade mais antiga da região, e um centro mineiro. Contudo, bastante desapontados, retornaram à costa procurando um pouco de ar mais fresco.
Neste ponto a Califórnia é única, pois mesmo sabendo onde se está pode se encontrar todas as temperaturas que desejar, tanto no verão como no inverno, e também não precisa ir longe para isso. Em Mount Ecclesia, por exemplo, é agradavelmente refrescante. Se quiser um lugar mais quente basta ir para o lago Elsenore a uns 70 km de Oceanside. Para brincar de jogar bolas de neve pode se ir, numa manhã de inverno, saindo de Los Angeles com um carrinho elétrico, para Mount Lowe a 1800 m acima do nível do mar. Ou, na volta, passar por Pasadena onde chapéu de palha e camisetas são o traje do dia. Ou para Venice-by-the-Sea, onde o oceano é azul, o sol brilha na praia e o visitante é convidado a dar um mergulho refrescante.
O retorno foi por Los Angeles e um de seus distritos mais belos, Hollywood. Depois subiram por Cohengue e logo já passavam pelo vale frutífero de San Fernando para as montanhas que os afastavam da costa. Universal City foi o primeiro ponto que chamou a atenção deles. Lá eles viram como os artistas faziam as filmagens. Imitações de castelos antigos espalhados pelas colinas para dar cor às histórias do tempo dos cavaleiros. Um contraste imenso entre o mundo velho e o novo formavam os caubóis que cavalgavam entre as colinas e o gado. Seguindo em frente passaram pelas cidades floridas como Lankershim, Van Nuys e Owensmouth do seu lado direito, aquecidas ao sol entre os bosques com frutas.
No princípio foi o ouro que atraiu as pessoas até Califórnia. Apesar de nesta região ter muitos minerais, isto se anula com a abundância dos grãos dourados, que é produzida nas grandes fazendas. Ou das frutas douradas: laranjas, limões e toranjas; ou o petróleo, que tem mais valor que o ouro.
A caminho de Santa Bárbara eles passaram por uma estrada longa, íngreme e cheia de curvas – chamada Conejo Grade – em direção à costa, onde, após um tempo, alcançaram Ventura, uma cidade importante do petróleo. Saindo de lá, seguiram pela rodovia, num comprimento de 38 km beirando o oceano. Neste trecho o ponto mais interessante para eles foi Summerland, assim chamado por ter sido um refúgio espiritual. Depois encontraram petróleo. Ao invés de subirem a região etérica dos Anjos, as pessoas foram cavar, com ganância e mãos pretas, no reino de Plutão para trazerem a substância viscosa para cima e alimentarem as fábricas.
Em Santa Barbara eles procuraram um lugar para ficar, pois queriam ficar um tempo lá, porque tinham ouvido falar muito desta redondeza.
A sobrinha deles, Olga [Borsum Crellin], os acompanhou nesta viagem e queria ser a motorista. Ela já havia tido algumas aulas no Maxwell que era usado para levar as correspondências para o correio de Oceanside. Rapidamente ela descobriu os segredos para dirigir a Carita, e Max Heindel achava isso cada vez mais fácil. Entre os trajetos curtos e longos períodos de descanso os dias passaram voando, proporcionando nova energia para voltar a Oceanside.
Em 1917 era impossível, para os astrólogos, conseguirem a Efemérides Inglesa, sendo que muitos fizeram essa queixa em Mount Ecclesia. Num dia quando Max Heindel e sua esposa estavam passando pelos trabalhos diários como de costume, Max Heindel disse a ela: “Bem, querida, o que mais nos falta? Será que você e eu, com nosso conhecimento de astrologia e matemática e nossa gráfica, não poderíamos fazer uma Efemérides Americana? ”.
Com este objetivo adquiriram o Nautical Almanac americano e francês e passaram as noites calculando as Efemérides. Max Heindel calculava as longitudes e sua esposa as declinações. Na revista de fevereiro de 1918 foi comunicado que as Efemérides tinham sido impressas; e no dia 10 de fevereiro que a Tabela de Casas para as longitudes de 47-48 e 49-60 graus estavam prontas, e iriam calcular as Efemérides a partir de 1860.
Com a publicação das Efemérides e da Tabela de Casas houve uma procura maior pelo livrinho Astrologia Científica Simplificada e cresceu o interesse pelo estudo de astrologia.
Em maio de 1918 Max Heindel tinha planos de instalar uma encadernadora de livros e começou a comprar as máquinas necessárias. O plano era ir de carro para San Francisco e lá visitar as lojas com máquinas de segunda mão. Depois de Bedelia, eles tinham comprado outro carro de segunda mão, um Paige de 7 lugares, espaçoso e grande. Para esta viagem convidaram duas senhoras, Dra. Ruth Woods e Sra. Mary L. Lyon. Max Heindel dirigia o carro, pois ele tinha medo que sua esposa fizesse estragos no mesmo. Depois de uma semana eles retornaram a Mount Ecclesia, após conseguirem encontrar uma máquina a custo muito reduzido. O casal Heindel e o Sr. Grell instalaram a máquina, e logo depois o Sr. Grell e família deixaram Mount Ecclesia.
Depois de algum tempo o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel conseguiram encontrar um homem e uma mulher para a sala de impressão, por meio da agência de empregos, que já vieram imediatamente com eles no retorno para Mount Ecclesia. Eram ótimos funcionários que entendiam muito bem do tipógrafo e da máquina de encadernação. Infelizmente o homem era um alcoólatra e depois de alguns meses deixaram Mount Ecclesia.
Novamente, colocaram um anúncio para um tipógrafo. Neste anúncio foi colocado o endereço da irmã da Sra. Augusta Foss Heindel, que morava em Los Angeles. Neste endereço Max Heindel encontrou um tipógrafo de confiança, o Sr. N. W. Caswell. Juntamente com a jovem senhora Ethel Lanning deram seguimento ao trabalho na sala de impressão. Após alguns anos eles se casaram, e permaneceram trabalhando na sala de impressão.
Como mencionado anteriormente, em 1913, começaram os problemas com o fornecimento da água. Os problemas se complicaram com o não fechamento do portão para os reservatórios, fazendo com que o gado que pastava no vale, se espalhasse por Mount Ecclesia e acabava com a plantação lá. Max Heindel não queria começar uma disputa jurídica. E somente em 1918 a Administração conseguiu uma intimação judicial proibindo Max Heindel de fechar o portão e impedir a passagem. A intimação veio num sábado à tarde e ordenava o comparecimento ao tribunal na segunda-feira seguinte pela manhã. Max Heindel ligou para o advogado em San Diego solicitando que o defendesse.
Naquela segunda às 10:00 horas o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel estavam no tribunal, mas o advogado não apareceu. Max Heindel precisou ir ao escritório dele para chamá-lo. Quando ele lá chegou ouviu a voz do seu conselheiro na sala ao lado. A secretária disse que o Sr. Adam Thompson havia saído da cidade. Ouvindo isto Max Heindel retornou ao tribunal, onde sua esposa o encorajou que ele mesmo fizesse sua defesa. O Juiz estava ciente que o Sr. Thompson havia saído da cidade e quando sua causa veio à tona pareceu estar a favor de Max Heindel, que venceu o processo contra a cidade de Oceanside. O Juiz não gostava da Administração, porque deram a entender que haviam comprado o advogado.
O fechamento das estradas que estava no terreno como o caminho que dava para os reservatórios ainda não havia totalmente finalizado quando chegou o Sr. Graves no escritório para trabalhar lá. Hiram Graves tinha sido detetive e tinha vários amigos em Oceanside e logo deixou perceber que muitas coisas, no que se referia à Administração da Cidade, não estavam em ordem. Ele juntou provas e os trouxe à tona, fazendo com que fossem obrigados a se retirar. Com isto escolheram novos representantes que estava muito disposto a compensar as falhas do passado, fazendo com que este caso finalmente se resolvesse em novembro de 1918.
Na sala de impressão também se trabalhava à noite para prepararem vários anos de Efemérides. Também foi empenhado muito trabalho nos escritos do Livro Mensagem das Estrelas,pois estava escrito na revista que já estava disponível.
Sem conversar antes sobre isto com sua esposa, Max Heindel foi até o advogado em San Diego em novembro e passou os direitos autorais dos livros e gravuras que estavam em seu nome para os de sua esposa.
Numa noite, no início de dezembro de 1918, durante os cálculos das Efemérides de 1920, Max Heindel insistiu com sua esposa que ela fizesse todos os cálculos da Efeméride sozinha. Ela estranhou isto, pois era costume que ela calculava as declinações e ele as longitudes. Então, ela perguntou: “Querido, porque você quer que eu faça todo o trabalho sozinha? Você está pensando em me abandonar? ”. Max Heindel respondeu: “Que nada querida, apenas quero poder dizer para as pessoas que você fez o cálculo totalmente sozinha. Quero que se orgulhem de você”. Isto a preocupou, porque ele também começou a organizar todos os seus papéis.
Depois que a família Grell havia deixado a Sede Central houve um período difícil, e não sobrou alternativa para Max Heindel a não ser ele mesmo fazer a manutenção. Ele estudou a encadernadora até conhecer minuciosamente o mecanismo. Para ter mais experiência ele mesmo manuseou a máquina no final de novembro.
Max Heindel estava começando a se animar, novamente, com o assunto da impressão, quando a impressora quebrou e, por isso, teve que procurar um profissional que entendesse disso. Parecia que todos os homens habilidosos tinham falecido na guerra. Por isto o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel foram, numa quarta-feira dia 1º de janeiro em seu Paige, chamado Carita, para Los Angeles na tentativa de encontrar um novo tipógrafo. Eles conseguiram encontrar um casal. O homem era um experiente tipógrafo e a mulher tinha conhecimento na encadernadora.
Na sexta, dia 3 de janeiro às 5:00 horas da manhã, eles partiram de Los Angeles para parar no mercado e comprar verduras. Com o bagageiro lotado com verduras e outras coisas que já haviam comprado antes, chegaram ao final da tarde, famintos e cansados, na Sede Central.
No sábado, dia 4 de janeiro, tinha festa em Mount Ecclesia; festejaram o “Ano Novo” atrasado. Alguns amigos da redondeza também estavam lá, portanto, a biblioteca estava repleta de rostos felizes. Max Heindel também estava bem animado e cantou com sua voz forte, profunda e melodiosa algumas canções. Uma música que ele gostava bastante se chamava Ben Bolt[249]. Ele também cantou uma música conhecida dos marinheiros, Where are you going, my pretty maid, uma balada antiga que ele regia gesticulando[250]. Ele contou histórias e acontecimentos engraçados e surpreendeu os presentes com sorvete e bolo que havia comprado em Oceanside.
Domingo dia 5 de janeiro Max Heindel estava silencioso e pensativo, mas estava em bom estado de saúde. Sua atenção estava voltada para as lições dos estudantes. À noite ele fez uma palestra na Pro Ecclesia.
Também, na segunda-feira dia 6 de janeiro ele estava silencioso, mas em paz e feliz. Ele organizou os papéis em sua escrivaninha e fez anotações referente ao estoque da sala de impressão. Ele também queria que sua esposa estivesse com ele em seu escritório e, muitas vezes, pediu a ela para se sentar e conversar com ele. Quando ela disse que não queria atrapalhá-lo em seu trabalho ele respondeu: “Eu acho muito gostoso ter você aqui comigo e quando você me visita”.
Por volta das 16:00 horas Max Heindel havia escrito uma carta para a agência de correios para que entregassem uma vez ao dia as correspondências em Mount Ecclesia. Com esta carta ele foi ao escritório de sua esposa para mostrar a ela. Por volta de 16:30 horas, enquanto sua esposa lia a carta, ele estava se apoiando na escrivaninha dela com uma mão e, de repente, caiu ao chão, atacado por um mal súbito. Foi um tombo estranho, pois parecia que mãos invisíveis o seguravam e suavemente o colocavam no tapete. Quando a Sra. Augusta Foss Heindel se inclinou sobre ele, ouviu suas últimas palavras: “Comigo está tudo bem, querida”.
Ele perdeu a consciência e foi carregado ao seu quarto, que era ao lado do escritório da Sra. Augusta Foss Heindel. Enquanto ela ficou com ele, os funcionários foram para a Pro Ecclesia fazer o Ritual de Cura, para ele. Às 20:25 horas ele ainda abriu seus olhos e sorriu para sua esposa e, logo depois, faleceu.
Seu corpo foi deixado, durante três dias e meio, sem gelo e sem embalsamar, no escritório. Misteriosamente o corpo não demonstrava mudanças externas, e as bochechas mantinha sua cor natural, rosada como se em vida. Alguns amigos acreditavam que Max Heindel não tinha falecido. Sra. Augusta Foss Heindel tomou a decisão de que se não houvesse mudança até chegaram ao crematório de San Diego, ela deixaria o corpo por mais alguns dias no porão. Contudo, isto não foi necessário, porque quando fizeram o ritual na Pro Ecclesia, Max Heindel apareceu para sua esposa e garantiu a ela que tudo estava em ordem. Depois, o corpo foi cremado e suas cinzas enterradas junto às raízes da roseira, ao pé da Cruz.
Podemos comparar as pessoas com as ondas do mar: quando no mar uma onda se quebra e retorna, sempre se segue outra para tomar o seu lugar. Não faz diferença se a pessoa é ou não importante, sempre haverá outra pessoa que tome seu lugar para que o trabalho continue fluindo. Assim após o falecimento de Max Heindel sua esposa ganhou a liderança e foi apoiada pelo Sr. Alfred Adams.
Em novembro de 1918 Max Heindel tinha ido para San Diego para passar os direitos autorais dos livros e gravuras para sua esposa por meio de uma doação judicial. Quando após o falecimento de Max seu testamento foi oficialmente reconhecido, ficou claro que ele havia comprado a terra antes da Fraternidade se tornar uma pessoa jurídica. No documento estava escrito que ele administrava a terra para a Fraternidade. Contudo, quando este foi analisado e o testamento legitimado, o Juiz declarou que as terras da Fraternidade pertenciam a Sra. Augusta Foss Heindel, como herdeira, usando o fato que quando o testamento foi assinado a Fraternidade ainda não era uma Pessoa Jurídica.
Na primavera de 1919 vieram algumas pessoas, que já eram membros há algum tempo, para Mount Ecclesia. Eram: o Sr. W. J. Darrow, Contador, membro do Centro de Nova York, que ajudou na construção de um tanque de compostagem – mais tarde ele ajudou no escritório e na revista mensal; Sra. Netty Lytle, de Seattle: ajudou no setor da cozinha e mais tarde se tornou secretária esotérica; Sra. Mary B. Roberts, de Nova York: cuidou das atividades domésticas; Sra. Margareth Wolff: ficou com liderança do Setor de Cura e após seu falecimento foi substituída pela Sra. Roberts; um rapaz, Joseph Hoheisel, membro de Chicago e bom mecânico de automóveis – era o único que conseguia dirigir e fazer a manutenção da Paige; e Sam Erret[251] – ele, em especial, foi um achado que por muitos anos cuidou da sala de impressão, em particular da nova máquina de encadernação, a de dobrar e costurar livros que dava muitos problemas. Em Oceanside não havia ninguém que soubesse lidar com máquinas tão complicadas. Contudo, com a chegada do Sr. Erret isto ficou em ordem. Ele era quem deixava as coisas rodando.
O cachorrinho branco, chamado Smart, que Max Heindel havia adquirido em 1913 para espantar os coelhos da horta e mais tarde foi adotado pela Sra. Kitty Skidmore Cohen, uma estudante que veio na primeira Escola de Verão, voltou para Mount Ecclesia em 1919. A Sra. Cohen ficou viúva e decidiu retornar para permanecer na Sede Central e trouxe Smart com ela[252]. Ele dividia seu tempo entre os dois quartos, da Sra. Cohen e da Sra. Augusta Foss Heindel. Ele sempre permaneceu fiel à sua primeira dona, principalmente depois de uma experiência que ele teve quando a Sra. Cohen ficou umas semanas fora. Um vizinho tinha um buldogue muito agressivo que ficava acorrentado em seu quintal e onde Smart o atacou para pegar um pouco de ração. Após essa briga com o animal maior o Smart saiu muito machucado, e foi levado como uma massa sangrenta para o quarto da Sra. Augusta Foss Heindel. Uma enfermeira que estava de visita ajudou a cuidar dos ferimentos do pobre coitado, e enfaixar sua pata traseira quebrada. Depois disso a Sra. Augusta Foss Heindel cuidou dele; ele até podia ficar num cesto ao lado da cama dela durante a noite. Numa manhã ele estava andando sobre duas patas pelo quarto dela e foi engraçado de ver. Em pouco tempo ele ficou bom de novo. Smart ainda ficou alguns anos com eles e de repente sumiu.
Em novembro de 1919 mais um livro foi publicado. Foi a nova edição do livrinho: Astrologia Científica Simplificada.
A terra que foi comprada por Heindel consistia em 40 acres, aproximadamente 16 hectares, mas não chegava até a rodovia. Por volta de 1920 veio um novo fazendeiro como vizinho, que estava com problemas financeiros. Ele vendeu um pedaço de suas terras à Fraternidade que ficava exatamente entre rodovia e a Fraternidade. Assim a Fraternidade ganhou uma estrada diretamente até a ‘Highway to the Stars’, que vai até o famoso observatório Mount Palomar.
Após a compra deste pedaço de terra, alguns membros do conselho insistiram com a Sra. Augusta Foss Heindel para passar os 16 hectares que estavam no nome dela para o nome da Fraternidade. Mesmo o advogado desaconselhando, ela consentiu.
Em maio de 1920, Max Heindel apareceu para sua esposa e disse que, conforme solicitado pelo Mestre, era tempo de construir a Ecclesia ou Templo[253]. Enquanto Max Heindel vivia, alguns estudantes já haviam iniciado um fundo para a construção do Templo. Contudo, após juntarem alguns mil dólares, a maioria parou de contribuir. Quando em maio foi anunciado esta mensagem, o dinheiro começou a fluir de novo. Com isto o Sr. Lester Cramer, um arquiteto de Nova York, foi convidado a vir para Oceanside. Alguns anos antes ele também já havia estado em Mount Ecclesia e havia feito o desenho para o Templo, conforme indicações de Max Heindel.
No dia 29 de junho de 1920, numa quinta-feira bem cedo pela manhã, as pessoas começaram a chegar de carro de San Diego, Los Angeles e até da longínqua Sacramento. Alguns convidados já haviam chegado domingo e segunda-feira. Como não havia moradia suficiente, eles foram colocados em barracas.
No total eram 65 pessoas que, às 11:45 horas, se juntaram no ‘Ecclesia Point’ para inaugurar o terreno do Templo. Após cantar o hino de abertura, a Sra. Augusta Foss Heindel deu uma pequena introdução, dando ênfase a este sagrado passo.
Exatamente às 12:00 horas a Sra. Augusta Foss Heindel, os Discípulos, Probacionistas e Estudantes retiraram, cada um, uma pá de terra do local.
Após esta cerimônia a Sra. Augusta Foss Heindel falou sobre a construção do Templo de Cura que deveria ser construído em volta do Templo Simbólico, a Ecclesia.
As semanas que seguiram a inauguração do terreno foram de intensa atividade cavando buracos, preenchendo com concreto – misturando cimento, pedras, areia e água – até fazerem a fundação. Quase um mês depois, no dia do aniversário de Max Heindel, dia 23 de julho, exatamente ao meio dia, colocaram a pedra fundamental do Templo. Max Heindel já tinha feito a pedra no dia 26 de novembro de 1914. Na pedra foi colocada uma caixa com dizeres da Fraternidade. A Sra. Augusta Foss Heindel proferiu as seguintes palavras:
“Amigos, hoje estamos reunidos para dar continuidade ao que nosso querido líder, Max Heindel, começou no dia 26 de novembro de 1914. Naquele momento nos reunimos para fazer a pedra fundamental que hoje colocamos no lugar. O Templo é um símbolo físico que, quando nós entrarmos nele, nos dará um exemplo do que nós, como construtores do Templo Divino, tentamos alcançar. Nós conhecemos o uso simbólico do instrumento de construção. O pedreiro é descrito como aquele que mistura o cimento, coloca os tijolos e trabalha com as ferramentas que são de sua profissão. Dessa forma o prédio se constrói.
Nós também somos pedreiros (phree messen), usando outro material. Nós construímos com o material que os Irmãos Maiores nos fornecem e que nós acabamos de colocar nesta caixa, a gloriosa mensagem que nos foi passada pelos Irmãos Maiores por meio desse grande espírito cujo aniversário homenageamos hoje: nasceu em 23 de julho de 1865 e que era predestinado a dar uma visão mais ampla ao mundo, e que jamais foi transmitida anteriormente, dos ensinamentos de Cristo. Uma religião que será a pedra angular da nova raça que surgirá na Era de Aquário. Esse mensageiro nos contou que este será o último Templo Físico a ser construído sob orientação dos Irmãos Maiores.
A humanidade irá chegar a um estado de desenvolvimento, e, agora, está trabalhando com o objetivo de alcançá-lo, para que possa adorar no Templo verdadeiro: o Templo de Deus, não feito por mãos humanas, eterno nos Céus, que não foi feito com pedras, tijolos e argamassa, mas de corações amorosos, e com a sublimação de nossas naturezas inferiores para sermos pedras vivas.
É um privilégio ser um dos trabalhadores, ser uma das pedras vivas, escolhidos a obedecer aos últimos mandamentos do Cristo: ‘Pregar o Evangelho e curar os enfermos’. Este último mandamento já foi esquecido pela humanidade a muitos, muitos anos. Nós anunciamos o Evangelho, mas fizemos [com isto] apenas a primeira parte do mandamento que Ele deu a seus Discípulos. Na Igreja fracassamos em curar os enfermos. Havia uma divisão entre a ciência e a religião. Esta divisão originou o materialismo atual. Restabelecer esta divisão, a reaproximação da ciência com a religião é o que nós, trabalhadores e seguidores dos ensinamentos da Fraternidade Rosacruz, tentamos colocar em prática. Nós colocamos a pedra angular de um enorme e futuro trabalho. Os poucos de nós que agora aqui estão mal percebem o que isto vai significar para a humanidade. Muitos anos após nós termos abandonado estes corpos mortais, o conteúdo desta caixa continuará existindo. As vibrações que serão construídas junto com este prédio serão sentidas até os confins do mundo.
Dizem que quando Salomão construiu o Templo de Jerusalém, as vibrações de toda a cidade se purificaram e mudaram. Nós estamos nas mãos de Saturno, num ambiente cristalizado. Para nós era importante aprendermos nossas lições, porque nos encontramos neste mundo cristalizado e, portanto, necessitamos usar de cimento visível. Contudo, com este trabalho atingimos um estado onde será inútil lutarmos por mais tempo, pois o fundamento está colocado. Hoje colocamos esta pedra fundamental, que com seu conteúdo permanecerá intacto por muitos anos.
Amigos, vamos sair hoje daqui, novamente imbuídos de nos tornarmos instrumentos mais puros, melhores e limpos, onde possamos transmitir os Ensinamentos dos Rosacruzes ao mundo.
Nós estamos aqui, porque fomos escolhidos neste imenso trabalho de Cristo. Estamos aqui para prepararmos este Templo Invisível, usando o Templo visível apenas como instrumento de trabalho. Nós ainda não deixamos nossos corpos físicos, mas estamos nos preparando para encontrar o Cristo. Porque Ele prometeu que em seu retorno ‘Iremos encontrá-lo no Céu’. O que isto significa? Que precisamos preparar o ‘Traje Dourado de Bodas’, o Corpo-Alma onde todos nós possamos encontrar o Cristo em seu retorno.
Amigos, vamos cada um com uma pá cobrir esta pedra de cimento, com uma prece de agradecimento e pedir por forças, pureza e conhecimento para que possamos ser instrumentos para dar continuidade neste trabalho e podermos divulgar ao mundo a mensagem da Fraternidade, sabendo que Cristo é a verdadeira Pedra Angular”[254].
Rollo Smith também estava, novamente, presente na construção do Templo. Durante a construção as doações eram frequentes, o que garantia que os salários dos pedreiros fossem pagos à vista; conclusão: o trabalho fluiu rapidamente. O objetivo era terminar o templo antes do início do segundo decênio [18 de abril de 1920].
Para alojar os trabalhadores extras, compraram barracas de exército. Neles foram colocados pisos de madeira para que pudessem ser habitados durante todo o inverno.
Também foram ministrados cursos: Sra. Arline D. Cramer dava aulas da Filosofia Rosacruz e Sra. Margaret Wolff curso de Astrodiagnose. Também havia aulas de Astrologia e Expressão.
No Echoes de novembro está escrito que 5500 exemplares do Conceito Rosacruz do Cosmos, 5000 exemplares de Astrologia Científica Simplificada e 4000 exemplares de A teia do Destino foram impressos e encadernados.
As lições mensais que Max Heindel havia enviado aos estudantes, também, foram impressos em forma de livro, com os títulos: A Teia do Destino e Interpretação Mística do Natal, enquanto que o Livro Maçonaria e Catolicismo estava pronto para ser impresso.
Financeiramente, 1920 foi um ano difícil, pois em comparação a 1918 os preços triplicaram. Em 1918, por exemplo, a capa de um livro custava 7 centavos de dólar e uma resma de papel 11³/4 de centavos; e em 1920 a capa do livro custava 20 centavos e uma resma de papel 31¹/4 de centavos.
No dia 24 de dezembro os Discípulos e Probacionistas se reuniram no Templo às 22:30 horas para a inauguração do Templo e o Ritual da Lua Cheia. Depois disto o coral cantou, às 23:45 horas, ‘Venham todos reunidos’ enquanto os membros e visitantes saíam da Pro Ecclesia em direção ao Templo.
A Sra. Frances Ray tocou no pequeno harmônio[255] – pois não havia dinheiro para comprar um órgão grande – Parsifal, ‘a Marcha dos Cavaleiros do Graal’. Depois as pessoas cantaram ‘Noite Feliz’ com as palavras que Max Heindel colocou nesta melodia, onde se seguiu a história bíblica desta noite. Durante a leitura foram mostrados slides por cima do harmônio, em sua maioria reproduções dos grandes mestres. Depois a Sra. Louise D´Artell cantou com uma voz linda de contralto[256] ‘Abram as portas do Templo’. Logo após a Sra. Augusta Foss Heindel falou sobre o objetivo do trabalho e a necessidade de envolvimento pessoal; seguida por uma maravilhosa seleção musical na flauta pelo Sr. Moro, onde todos se prepararam para a prece silenciosa que foi acompanhada pelo solo na cítara de Eugene Miller. Depois disto todos cantaram ‘Oh, pequena cidade de Belém’, seguido da palavra de fechamento da Sra. Augusta Foss Heindel e as pessoas se retiraram em silêncio, enquanto a organista tocava suavemente.
O Templo ainda não estava inteiramente pronto, porque a encomenda das janelas, que já havia sido feita em setembro, ainda não tinha sido entregue. Contudo, chegou alguns dias após o Natal. Então foram colocados os lindos vitrais, e também a iluminação central de teto.
O Sr. Camille Lambert, um artista de Lille, França, enviou doze quadros a óleo para Mount Ecclesia para serem colocadas nas doze paredes acima dos vitrais. Estes quadros representam os doze Signos do Zodíaco. O Signo de Leão, que foi colocado acima do Altar, é um maravilhoso nascer do Sol com um esplêndido e pacífico leão que está deitado vigiando atentamente. Touro tem um lindo touro numa pastagem com árvores a florir na primavera. O Signo de Aquário, o aguadeiro, fica acima da porta de entrada.
Os bancos são de um branco puro. Nas extremidades laterais e no centro está o símbolo de um Signo em dourado. Cada Probacionista ou Discípulo deve se sentar no banco onde marca seu Signo solar. Estes bancos devem manter o mesmo lugar enquanto estiverem dentro do Templo. A grande cadeira de braços, onde a pessoa que vai fazer a leitura se senta, tem acima no encosto, um leão pintado de dourado. O piso é pintado de linóleo verde e o tapete marrom fica no piso do altar.
Alguns homens que ajudaram na construção do Templo ficaram tão entusiasmados com Mount Ecclesia que queriam permanecer lá. Contudo, havia uma falta grande de acomodações, tanto para funcionários como para visitantes, e também não havia dinheiro para construir mais. Havia sobras de madeira das estalagens que foram usadas para fazer o teto da Ecclesia. Por isto foi decidido que na casa “Ecclesia Cottage”, onde primeiramente a família Grell havia morado, iria ser construído mais um andar. O piso e a fundação eram firmes o bastante para tal.
Este andar foi finalizado pelo lado de dentro com painéis de madeira e na parte exterior com telhas que cobriam a maioria das tábuas reutilizadas. Depois ligaram o encanamento da água e assim esta casa tinha, no andar de baixo, seis quartos para os cavalheiros e no andar de cima sete quartos para as damas.
Nesse meio tempo o trabalho continuava, mas um ponto fraco que permanecia eram as acomodações. Como os funcionários aumentavam em número e a quantidade de visitantes, também, aumentava constantemente, precisava ser feito alguma coisa para fornecer a estas pessoas uma acomodação decente. Novamente foi solicitado o auxílio do Sr. Lester A. Cramer, que desenvolveu um alojamento moderno com vinte quartos, dos quais oito tinham banheira no quarto. A construção de um prédio assim demandava altos custos e, também, existia o medo de não se conseguir finalizar a obra. Felizmente o banco de Oceanside estava disposto a emprestar US$ 7.000,00, que foram liquidados em dois anos.
Em julho de 1922, a Sra. Maria Lange, de Los Angeles, faleceu com a idade de sessenta e oito anos. Devido a sua saúde ela tinha se mudado para Mount Ecclesia no início de 1920, onde permaneceu até falecer; ela trabalhava nas atividades domésticas[257].
Na quinta-feira, dia 7 de agosto de 1923 às 16:24 horas, foi inaugurado o terreno ao lado do Ecclesia Cottage. O Prédio – de princípio denominado ‘dormitório’, depois Guest Hall e por fim Rose Cross Lodge – foi construído de forma simples, ‘estilo missionário’ e tinha as medidas de 10,67 por 25 metros. Tinha um andar superior e foi feito com tijolos vazados que foram rebocados do lado de dentro e de fora. O custo total foi de US$ 15.000,00. No primeiro andar foi construído uma marquise, que por causa do tamanho serviria como sala de reunião para os encontros. Antes disso o refeitório era utilizado para este fim, mas parecia atrapalhar aqueles que trabalhavam na cozinha.
Neste período Mount Ecclesia recebia a eletricidade, gás e água da ‘San Diego Gas and Electric Company’ e as dificuldades neste setor ficaram para sempre no passado. Também o fornecedor de gelo, o verdureiro e padeiro estavam dispostos a entregar os produtos em Mount Ecclesia. Uma outra melhoria foi a estrada que, da Rodovia, vinha até a Sede Central.
Neste mesmo ano de 1923, o vizinho do lado leste do terreno vendeu alguns pedaços de terra. Para proteger Mount Ecclesia daquele lado, de outros vizinhos, conseguiram comprar, por um preço bem baixo, um lindo bosque de eucaliptos com o tamanho de 4 acres e meio.
No mesmo tempo foi construído do lado nordeste do Templo uma casa-germinada, cada uma com três quartos e uma garagem embaixo. Ganhou o nome de ‘Temple Cottage’ e era destinada aos casais: Swigart e Wilson. O Sr. Swigart e sua esposa Perl vinham de Yakima, Washington. Ele se tornou diretor geral, enquanto sua esposa ajudava no setor de cura.
Alguns meses antes o Sr. e Sra. Wilson chegaram. Harry Wilson, no setor financeiro, e Vera como secretária central. Após o falecimento do Sr. Swigart, em 1929, ele foi substituído pelo Sr. Wilson, que faleceu em 1939.
Em 1923, a Sra. Lida West, membro do Centro de Long Beach, começou a transcrever todos os livros da Fraternidade para o Braille, que foi oferecida de forma gratuita para os cegos e deficientes visuais dos Estados Unidos da América.
Em 1924, foi comprado uma nova impressora. Era uma impressora Stonemetz, com a finalidade especial de imprimir o Rays from the Rose Cross.
Também, em 1924, o Sr. Charles D. Cooper escreveu para a Sede Central uma carta onde incluía um cheque no valor de US$ 100,00, com o objetivo de comprar um órgão de tubos para o Templo. A chegada desta carta foi anunciada na revista de novembro, com a solicitação do mesmo para que os membros e amigos se juntassem a este projeto.
Um ano depois, em setembro de 1925, a Sra. Augusta Foss Heindel foi para vinte grandes cidades ao norte, leste e oeste, para dar cursos e Palestras. Pouco antes de sua partida, Max Heindel apareceu para ela e disse que assim que fosse financeiramente possível precisavam começar a construção de uma escola infantil, para que fosse inaugurada antes de 1930[258].
Em 1925, aumentou mais um pouco o terreno de Mount Ecclesia. Este se ligava ao pedaço adquirido em 1923, do bosque de eucaliptos. Neste mesmo ano foi montado – devido a intenso pedido – um curso complementar de 14 lições dos Ensinamentos Rosacruzes; alguns anos depois ainda foram acrescidos mais 7 lições neste curso.
Alguns anos antes já haviam iniciada a impressão das lições que, mensalmente, Max Heindel enviava aos estudantes. Estas lições foram compiladas em cinco livros diferentes, a saber: A Teia do Destino [1920]; Ensinamentos de um Iniciado [1927]; Coletâneas de um Místico [1922]; Os Mistérios das Grandes Óperas [1921]; Maçonaria e Catolicismo [1914], e uma brochura: A Interpretação Mística do Natal [1920].
Na revista de janeiro de 1926 foi anunciado que o Livro Cartas aos Estudantes também iria ser publicado no formato de livro, enquanto uma brochura de 24 páginas, das mãos da Sra. Augusta Foss Heindel, chamado: Evolução no ponto de vista Rosacruz, também publicado.
Na primavera de 1926 o Sr. E. W. Ogden doou à Sede Central um canteiro de cactos que foi comprado por ele e o Sr. Charles Swigard, em Pasadena.
Devido ao fato do Sr. Heindel ter aparecido para sua esposa em agosto de 1925 com a solicitação de que a Escola infantil fosse construída assim que fosse financeiramente possível, ela procurou os meios para conseguir isto[259]. Uma doação do casal J. C. Jenssen fez com que a construção fosse possível. Em setembro de 1926 a Escola Infantil foi inaugurada e oferecia lugar para vinte crianças entre a idade de quatro e sete anos. No início havia tanto interesse, que foi feita uma lista de espera, mas depois, quando no início da década de trinta chegou a crise, o interesse diminuiu; por este motivo a Escola foi fechada em 31 de março de 1931. Pouco depois da inauguração da escola a Sra. Augusta Foss Heindel partiu por dez meses, até 21 de julho de 1927, para dar cursos e palestras em diversos centros da América do Norte.
Na primavera de 1927 foram construídas duas casinhas para acomodar estudantes que vinham para Mount Ecclesia durante a Escola de Verão, oferecendo acomodação mais barata que na Rose Cross Lodge. Essas casinhas foram construídas ao longo de uma estradinha lateral que saía da Ecclesia Drive e circundava o jardim. Naquele tempo tinham incluindo as construções grandes e pequenas, construídas desde a inauguração, um total de trinta e dois prédios.
Um dos membros, o Sr. J. C. Stroebel, diretor da Estação de Rádio W. W. V. A. em West Virginia, ofereceu, na primavera de 1928, um tempo gratuito para a Fraternidade, para dar conhecimento aos ensinamentos em escala maior. O Presidente do Centro de Nova York, o Sr. Theodore Heline, deu uma apresentação na rádio do dia 15 a 19 de abril às 12:00 horas e às 19:30 horas. Era o mesmo Heline que depois se casou com uma membra da Fraternidade Rosacruz: Corinne Smith Dunklee[260]. Durante a vida de Max Heindel essa jovem senhora escreveu lindos artigos bíblicos. Por conselho de Max Heindel ela escreveu, mais tarde, com ajuda do marido, um curso bíblico sistemático em formato de livro[261].
No dia 23 de julho de 1965, em homenagem ao centenário do nascimento de Max Heindel, foi feito um banquete em Mount Ecclesia, onde a Sra. Heline fez uma homenagem a Max Heindel. Aqui segue a maior parte de seu discurso: “Prezados amigos, meu coração canta porque posso estar com vocês aqui hoje neste evento e posso fazer minha pequena homenagem ao nosso querido Max Heindel. Eu quero contar a vocês sobre o primeiro dia que estive com esse homem maravilhoso. Para contar isso preciso brevemente contar a minha história. Talvez vocês já desconfiaram que, devido ao meu sotaque, nasci no interior do Sul e sempre vivi lá. Eu era filha única e em minha juventude adorava a minha querida mãe. Ela sempre foi a minha fada-princesa. Ela era muito fraca e eu sempre tive medo de perdê-la um dia. Por isto eu tomei a decisão que se ela se fosse, eu tiraria a minha vida e a seguiria. Vocês entendem que eu não sabia nada sobre Renascimento e da Lei de Causa e Consequência. Eu procurava por respostas as perguntas que não sabia formular. Eu não sabia exatamente o que estava procurando e, portanto, não tinha a menor ideia de onde encontrar a resposta. Como vocês sabem o Sul é muito ortodoxo e conservador. Contudo, eu sabia que em algum lugar encontraria respostas mais corretas sobre as perguntas da vida e morte, do que a ortodoxia me dava, e estava convencida a encontrar estas respostas. Neste meio tempo minha mãe foi ficando cada vez mais fraca e eu tinha um medo constante de perdê-la. Alguns meses antes da sua última doença uma amiga me ligou e contou que havia encontrado um novo livro maravilhoso e estava convencida que era exatamente o que eu estava procurando todo esse tempo. Naquela mesma tarde fui à casa dela, e como vocês devem desconfiar, o livro era ‘O Conceito Rosacruz do Cosmos’.
Quando vi a imagem da Rosacruz na capa e li que nós mesmos, pela nossa vida pessoal, devemos aprender a transformar a rosa vermelha em branca, eu sabia que finalmente havia encontrado a mim mesma. Naquela noite, antes de ir dormir, a encomenda para este livro maravilhoso estava na caixa do correio, a caminho de Oceanside. Contei os dias para a chegada da encomenda e justamente neste período o médico veio dizer que minha mãe deveria fazer uma operação muito perigosa. Por isto eu vivia todos os dias com este livro. Eu dormia com ele embaixo do meu travesseiro, pois este livro parecia ser o único consolo que eu encontrava nesta vida.
Após a cirurgia o médico me contou que não havia mais esperança; que ela viveria mais alguns meses.
Eu permaneci fiel a meu livro. Então veio num certo dia um pensamento estranho em minha cabeça. Eu deveria tirar a minha vida e seguir a minha mãe, como eu havia planejado todos esses anos, ou deveria ir para Oceanside e dedicar a minha vida aos ensinamentos de Max Heindel? A pergunta já continha sua resposta. Eu tomei a decisão e dez dias após o falecimento da minha mãe eu tomei o trem, ‘O Conceito Rosacruz do Cosmos’ embaixo do meu braço, a caminho da Califórnia e de Max Heindel. Ele parecia ser o único consolo na face da terra para a minha tristeza.
Oh! Eu gostaria de descrevê-lo de forma justa de como eu o vi naquele primeiro dia aqui em Mount Ecclesia. Ele veio de braços abertos em minha direção e seu rosto atraente estava iluminado de ternura, simpatia e compaixão. Vocês devem saber que eu nunca havia tido contato pessoal com ele. Eu só o conhecia através do seu livro. Vocês conseguem entender minha surpresa e perplexidade quando ele pegou minhas mãos e ternamente disse: ‘Minha criança, estive muitas vezes com você, tanto durante o dia quanto à noite, durante esta prova tão difícil que você acabou de deixar para trás. Eu sabia que quando terminasse, você viria até mim. De agora em diante você sempre trabalhará neste meu projeto’.
Isto, amigos, foi um dia muito importante na minha vida. Este foi o dia que me entreguei inteiramente à vida espiritual e ao Ensinamento Rosacruz. Era meu direito conhecer este homem tão sábio e ser instruída sob sua liderança. Eu sempre considerei estes cinco anos como os mais bonitos e espiritualmente frutíferos anos da minha vida. Eu gostaria de estar em condições de descrever este homem maravilhoso, como eu o conheci. Quando penso em suas qualidades admiráveis; a qualidade que eu mais admirava nele era sua total humildade. Enquanto ele sempre, onde possível, queria ajudar e ser útil, ele sempre manteve a pessoa de Max Heindel apagada. Enquanto eu observava esta sua total dedicação a uma vida simples, eu pensava muito nas palavras de Cristo: ‘De mim mesmo eu nada sou; é o Pai que faz as obras! ’.
Queridos amigos, eu acredito que Max Heindel demonstrava a simbiose perfeita do místico e do prático. As tarefas menos importantes e mais simples ele realizava com tanto entusiasmo e alegria. Se fosse necessário ele descia e ia até no estábulo para ordenhar a vaca; porque, como vocês sabem, nós tínhamos naquele tempo em Mount Ecclesia somente um estábulo e uma vaca. Ele colhia o mel, porque nós tínhamos abelhas. Ele subia nos postes de telefone para consertar um fio quebrado. Ele plantava flores no jardim, tirava ervas daninhas e buscava as verduras. Ele fazia todas as coisas simples com a mesma atenção e espírito do que quando ia para o escritório, a sala de aula ou suas Palestras, para lá partilhar sua sabedoria. Ou talvez quando ia ao encontro de seu Mestre que o orientava em seu grande trabalho.
Normalmente era seu hábito aos sábados à noite ir à biblioteca para ter um encontro de “Perguntas e Respostas”. Lá tinha uma mesa enorme que ocupava toda a largura da sala e os estudantes se amontoavam naquela mesa, com Max Heindel, em pé em frente, respondendo às perguntas. Cada estudante podia fazer uma pergunta e devia ser por escrito. Então, Max Heindel juntava as perguntas e ia respondendo uma por uma. Por observá-lo atentamente me parecia que ele sempre sabia intuitivamente quem havia feito a pergunta e ele falava diretamente para a pessoa que havia feito a pergunta. No período que eu participei desses encontros maravilhosos ele nunca fez um erro quanto a identificação da identidade de quem fez a pergunta. Ele era sempre cuidadoso e atencioso para nunca ir a pergunta seguinte sem ter certeza que aquele que fez a pergunta estava totalmente satisfeito com a resposta. Foi durante um desses encontros esclarecedores, que eu percebi, pela primeira vez, a importância que as cores e a música iriam tomar no mundo, para preparar a chegada da nova Era. Max Heindel havia anunciado que estes encontros de perguntas e respostas iriam durar uma hora. Esta hora se estendia muitas vezes para duas, duas e meia, às vezes, três horas. Eram horas tão estimulantes, que parecia que o tempo voava.
Amigos, eu gostaria de poder dizer a vocês o que Mount Ecclesia significava para Max Heindel, do jeito que eu o conheci. Quanto ele amava este lugar. Ele conhecia o destino que estava planejado para seu trabalho. Em seu tempo havia um banco embaixo do Emblema Rosacruz iluminado. Era seu costume ir lá todas as noites antes de se deitar, ficar sentado lá por alguns minutos ou uma hora em meditação ou oração, espalhando amor e bênçãos e agradecendo este solo sagrado, e a todos que aqui moravam e tão fielmente cumpriam seu trabalho.
Eu gostaria de poder descrever o alívio em seu iluminado rosto quando ele olhava com tanta dedicação e admiração para o Emblema Rosacruz iluminado, que significava tanto para ele. Nunca o incomodava o fato de nos contar as coisas maravilhosas que estão predestinadas à Mount Ecclesia.
Muitas vezes ele falava da panaceia, da qual os Irmãos da Rosacruz são os guardiões da fórmula, que discípulos merecedores poderão utilizar para curar e confortar muitos que virão do mundo todo para este local.
Ele nos contava sobre seu sonho de um lindo teatro Grego, em pensamento construído no vale abaixo da Capela, onde poderão ser apresentadas obras com mensagens espirituais e verdades ocultas como as grandes obras de Shakespeare e outros inspiradores clássicos.
Ele também via o tempo em que Mount Ecclesia teria sua própria orquestra, de estudantes que ficariam aqui. E que neste mesmo teatro iriam apresentar obras dos mestres compositores, em especial Beethoven e Wagner, pois ele sabia que eram grandes Iniciados musicais. Ele também falou que aqui teriam aulas de Iniciação Musical.
Max Heindel gostava de falar dos Irmãos Maiores e de como eles, estudando a Memória da Natureza, podiam ver séculos atrás e ver como era o mundo. Foi por esta razão, como vocês sabem, que O Conceito Rosacruz do Cosmos foi divulgado”[262].
Em 1928 o harmônio, que era o órgão utilizado no Templo, estava difícil de ser tocado, por estar muito velho. O assim chamado ‘fundo do órgão’, que foi iniciado pelo Sr. Charles D. Cooper em novembro de 1924, tinha US$ 3.800,00, e, portanto, foi decidido comprar outro órgão com este dinheiro. No início de março foi comprado por US$ 4.000,00, em Santa Monica, na “Artcraft Organ Co.” um órgão, que o organista Francis Ray indicou. Demorou quatro semanas para o órgão ser montado no local e na Sexta-feira Santa, dia 6 de abril de 1928, o órgão estava pronto para ser inaugurado.
Em agosto de 1928 surgiu o livro ‘Astrodiagnose, um guia para a Cura’ escrito por Max Heindel e sua esposa. Max Heindel também foi mencionado nesta obra como autor, porque o livro foi escrito baseado em material diagnosticado por ele. Sua esposa preencheu apenas com o conhecimento dela do horóscopo, que ela utilizava para este fim. O ‘Conceito Rosacruz do Cosmos’, que logo após seu surgimento já extrapolou as divisas dos Estados Unidos da América foi, ao correr dos anos, traduzido para vários idiomas, assim como outras obras da Fraternidade. Isto teve como consequência que em Mount Ecclesia chegavam com frequência solicitações de cursos por escrito tanto da Filosofia quanto de Astrologia na língua do solicitante. Por este motivo foram contratadas secretárias internacionais e em 1925 eram cinco: duas espanholas, uma holandesa, uma alemã e uma francesa.
[1] N.T.: Boston, EUA
[2] N.T.: Trecho dos primeiros 4 capítulos do Livro Maçonaria e Catolicismo de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz
[3] N.T.: Mt 13:55 e Mc 6:3 – tekton na Bíblia é traduzido como carpinteiro.
[4] Essa conclusão foi tirada do Assertio Fraternitatis R.C. quam Rosae vocant a quodam fraternitatis eius sócio carmine expressa, assinado por B.M.I. Frankfurt 1.614, dados que aparecem nas anotações de Max Heindel e pesquisa própria.
[5] N.T.: Fraternidade Rosacruz em Oceanside, Califórnia, chamado Mount Ecclesia.
[6] N.T.: Max Heindel – Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas Vol. 2 – Pergunta nº 134
[7] N.T.: Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Cap. XIX.
[8] N.T.: Do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – “O Cristão Rosacruz” – Max Heindel
[9] N.T.: Do Diagrama 2 do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel
[10] Todas as informações são de Walter Hagen, “Magister Simon Studion”, em Max Miller e Robert Uhland – Schwabische debensbiderband 6, Stuttgart 1.957, pág. 86-100.
[11] A interdição do acesso às ordens sacerdotais a quem tenha certos defeitos físicos é comum tanto às principais Igrejas Cristãs como à Maçonaria. As antigas Constituições desta última, em língua francesa, enumeram os sete interditos da letra B, ou as sete categorias de pessoas que não são passíveis de Iniciação: (1) Gago; (2) Bastardo; (3) Zarolho; (4) Estrábico; (5) Coxo; (6) Corcunda; (7) Libertino, devasso.
[12] N.T.: Veja os Livros: Filosofia Rosacruz Perguntas e Respostas – Volume 1 – Pergunta nº 126 e Conceito Rosacruz do Cosmos – Cap. XIX.
[13] A.A. Santing. “De historische Rozenkruisers en hun verband met de vrymetselary” (NT: A história dos Rosacruzes e sua relação com a Maçonaria) uma revista trimestral de 5 de abril de 1930 até 1932. Depois impresso em forma de livro com o título: De historische Rozenkruisers per A.A. W Santing, Amsterdam sem ano pág. 108.
[14] Para uma visão completa daquele tempo veja: Die Utopie einer Christlichen Gesellschaft; Johann Valentin Andreae (1586-1654) parte 1. Stuttgart – Bad Canmstatt 1978, pág. 15-22. Também G.H.S. Snoek. De Rosenkruisers in Nederland; principalmente no início do século 17, pág. 5-8.
[15] Gilly, Carlos. Adam Haslmayr; Der erste Verkunder der Manifeste der Resenkreuze (NT: o primeiro manifesto dos Rosacruzes conhecido), Amsterdam: em de Pelikaan, 1994, pág. 32. Ver também: Cimelia Rodostanrotica; Der Rosenkreuzer im Spiegelder zwischen 1610 und 1660 enstandenen Handschriften und Drucke, catálogo de uma exposição da Biblioteca Philosophica Hermetica, Amsterdam e a Duke August Library in Wolfenbuttel: em de Pelikaan, 1995. Isso foi arranjado por Dr. Carlos Gilly, bibliotecário da primeira biblioteca mencionada, que desde 1985 trabalha numa “Bibliografia dos Rosacruzes”, multipartida, que compreenderá cerca de 1700 títulos, e este catálogo pode ser considerado o seu precursor.
[16] O próprio Haslmayr diz que no seu quinquagésimo aniversário ele se tornou presidiário do Presídio de St. Georgii. Isto foi no dia 31 de outubro de 1612, portanto, ele nasceu no dia 31/10/1562, conforme o calendário Juliano, o sistema antigo. Veja Gilly, Cimelia Rhodostaurotica, pág. 34. Conforme o novo sistema, o Calendário Gregoriano, o sistema atual era 10 dias depois, portanto, em 10 de novembro de 1562. A Áustria começou a utilizar o novo sistema por volta de 1584. Veja C.C. de Glopper-Zijderland, In tijd gemeten; Inleiding tot de chronologie (NT: A medição do tempo; Prefácio até cronologia), Den Haag 1999, pág. 17.
[17] Estas informações adicionais são de Schneider, Walter. “Der Schlern”, I. Innsbruck, 1996, Adam Haslmayr, ein Bozener Schulmeister, Musiker und Theosoph, PP. 42-51.
[18] Britisch Museum, London NR 19 JY 62
[19] J. Siebmachers großes und allgemeines Wappenbuch, IV, 5, rewritten by A. von Starkenfels, Nuremberg: 1904, pág. 105.
[20] N.T.: A arte espagiria significa: arte hermética, alquimia, arte de separar e unificar.
[21] Veja uma biografia curta em: Paulus, Julian “Alchemie und Paracelsus um 1600, Siebzig Portrats” em Telle, Joachim. Analecta Paracelsica, Stuttgart: Franz Steiner, 1994, PP. 335-342. Ainda: Hoppe, Gunther. “Zwischen Ausburg und Anhalt. Der rosenkreuzerische Briefwechsel dês Augsburger Stadtarztes Carl Wiedemann mit dem Plotzkauer Fursten August Von Anhalt” in Historische Verein fur Schwaben, Band 90, Augsburg 1997, pp. 125-157.
[22] N.T.: A abominação da devastada raça humana
[23] Antwort an die lobwurdige Bruderschafft der Theosophen Von Rosen Creutz N.N. von Adam Haslmayr – Resposta muito apreciada à Fraternidade de Teosóficos dos Rosacruzes.
[24] Gilly, Adam Haslmayr. Pág. 60
[25] Gilly, Adam Haslmayr. Pág. 34
[26] Gilly, Adam Haslmayr. Pág. 159
[27] Biblioteca Universitária Salzburg, MS MI 463, pág. 1-35, numa coletânea de informações R.C. das antigas possessões do advogado Christoph Besold. Como dito acima, infelizmente, faltam algumas páginas do manuscrito que, comparados com a primeira impressão da versão do Fama de 1615 de Kassel, correspondem às págs. 8 (parcialmente), 9-12 e 13 (parcialmente) e 33 (parcialmente) até 38 (parcialmente). Este texto contém frases e a forma correta de se escrever algumas palavras, conforme Gilly, Johann Valentim Andreae 1586-1986, catálogo de uma apresentação na Biblioteca Philosophica Hermetica, Amsterdam 1986, pág. 25-29. Veja, também, Pleun van der Kooij, Fama Fraternitatis. Het oudste manifest der Rozenkruisers Broderschap, bewerkt aan de hand van teruggevonden manuscripten, ontstaan voor 1614 (NT: o manifesto mais antigo da Fraternidade Rosacruz, trabalhado conforme manuscritos antigos encontrados e escritos antes de 1614), Haarlem 1998, pág. 11.
[28] Veja Julian Paulus, “Alchemie und Paracelsismus um 1600, Siebzig Portrats” in Joachim Telle, Analecta Paracelsica, Stuttgart 1994, pag 364. Também: Gilly, Cimelia Rhodostaurotica, pag 46-47. Também: Richard van Dulmen, Die Utopie einer christlichen Gesellschaft, Johann Valentin Andreae (1586-1654), Stuttgart-Bad Cannstatt 1978, pag 56-58. E Pleun van der Kooij, Fama Fraternitatis, pag 19. A Igreja Católica Romana no Sul da Alemanha começou a seguir o calendário Gregoriano à partir de 14/11/1583. O novo sistema ou calendário atual. Os protestantes somente em 15/11/1699. Hess, Andreae e Mogling eram luteranos. As datas do século 16 e 17 devem ser considerados 10 dias depois. Para evitar confusões todas as datas foram transpostas para o calendário atual.
[29] O 20º domingo da trindade é o 20º domingo após Pentecostes e coincide com 11 de outubro (respectivamente 21 de outubro no sistema atual) veja C.C. de Glopper-Zuiderland, In tijd gemeten (N.T.: Medindo no tempo), pág. 66-72.
[30] Julian Paulus, Alchemie und Paracelsismus um 1600, pag. 364 fala “funf sohne und funf tochter” (N.T.: cinco filhos e cinco filhas), portanto, 10 crianças. Aqui ele cita a certidão de óbito de Tobias Hess. Contudo, numa página do arquivo da Biblioteca Universitária de Tubingen que me foi fornecida pelo Dr. Gilly em 9/1/2000 com a constituição familiar de Hess, são citados 12 filhos com nome e datas de nascimento e falecimento, 6 rapazes e 6 garotas.
[31] Hans Schick, Die Geheime Geschichte der Rosenkreuzer, Ansata-Verlag, Schwarzenburg, Suíça 1980, pág. 107. É uma tese defendida em Estrasburgo em março de 1942, publicado em Berlim com o título Das altere Rosenkreuzertum; ein Beitrag zur Entstehungsgeschichte der Freimaurerei. Em 1984 apareceu uma edição fac-símile em Bremen-Huchting. Veja também, Utopie einer christlichen Gesellschafft pág. 56-59 e Paulus, Alchemie und Paracelsismus um 1600, pág. 364.
[32] N.T.: Quiliasmo: o mesmo que “milenarismo”. É a crença de que haverá no futuro, de acordo com o Apocalipse, um período dourado de 1000 anos que será regido por um governo divino.
[33] Brecht, Martin “Quiliasmus in Wurttenberg im 17, Jahrhundert” In Augsgewahlte Aufsatze, Band 2: Pietismus, Stuttgart: Calwer Verlag 1997, pág. 124 em diante.
[34] Gilly, Cimelia Rhodostaurotica, pág. 1
[35] Max Heindel precisava divulgar o conhecimento da Filosofia Rosacruz dentro do primeiro decênio do século 20. Veja Heindel, Leeringen van een Ingewijde (N.T.: Ensinamentos de um Iniciado), Haarlem 1931, pág. 115, 117.
[36] Fama Fraternitatis R.C., Kassel 1615, in Adolf Santing. De manifesten der Rozenkreusers, Amesfoort 1930, pág. 22, 26 e 29.
[37] Heiner Borggrefe, “Moritz der Gelehrte als Rosenkreuzer und die General-reformation der gantzen Welt” em: Moritz der Gelehrte; Ein Renaissancefurst in Europa. Begleitpublikation aus Anlass der Ausstellung in Lemgo, 1997 und Kassel 1998, pág. 339-344. Heiner Borggrefe, “Die Rosenkreuzer und ihr Umfeld” em: Moritz, etc. pág. 345-356. Bruce Th Moran, “Moritz von Hessen und die Alchemie” em: Moritz etc. pág. 357-360. Heiner Borggrefe, “Alchemie und Medizin” em: Moritz etc. pág. 361-369.
[38] Gilly, Adam Haslmayr. Veja também: Gilly, Cimelia Rhodostaurotica, pág. 30-39. Veja para a biografia de Guaranoni: Anton Dorrer, Franz Grass, Gustav Sauser und Karl Schadelbauer, “Hippolytus Guarinonius (1571-1654). Zur 300 Wiederkehr seines Todestag, Mit 17 Abbildungen” em: Schlern-Schriften, nr. 126, Herausgeber R. Klebelsberg, Innsbruck 1954.
[39] Da mesma forma que ocorreu com Tobias Hess também com Andreae e todas as outras datas foram transpostas para o Calendário Gregoriano, o novo estilo ou calendário atual.
[40] R. van Dulmen, Utopie, pág. 59
[41] N.T.: Casamento químico: Cristian Rosenkreuz. Ano 1459
[42] Veja o Adendo 12, Mapas Natais
[43] R. Kienast, Johann Valentin Amdreae und die vier echten Rosenkreutzer-Schriften, Leipzig 1926, pág. 139-142.
[44] R. Dulmen, Utopie. Pág. 65. Veja para melhor análise de Chymische Hochzeit: Regine Frey-Jaun, Die Berufung dês Turbutters, Zur “Chymische Hochzeit Christiani Rosencreutz” vom Johann Valentin Andreae (1586-1654), Bern 1989 e Heleen M. E. de Jong. ‘The Chymical Wedding in the Tradition of Alchemy’ em Das Erbe dês Christian Rosenkreutz, Johann Vanlentin Andreae 1586-1986 und Manifeste der Rosenkreuzerbruderschaft 1614-1616, Vortrage gehalten anlasslich des Amsterdamer Symposiums 18-20 November 1986, Amsterdam 1988, pág. 115-142.
[45] Em 1781 F. Nicolai de Berlim publicou uma coletânea com o Fama, Confessio e Chymische Hochzeit. ‘Nicolai escreve em seu Versuch uber die Beschuldigungen, welche dem Tempelherrn-Orden gemacht worden, und uber dessen Geheimniss, etc. (Berlim 1782) que Andreae é o autor de Allgemeine Reformation, o Fama e o Chymische Hochzeit e quando em 1799 apareceu a tradução em alemão feita por Seybold do Vita (autobiografia) de Andreae, onde reconhece que foi o autor de Chymische Hochzeit, confirmando assim as suposições de Nicolai. Veja Santing, Historische Rozenkruisers, pág. 95. A partir daí o Chymische Hochzeit também é considerado um manifesto dos Rosacruzes.
[46] Gilly, Cimelia Rhodostaurotica, pág. 49
[47] Tradução em holandês do original em Latim retirado da Biblioteca Philosophica Hermetica de Amsterdam.
[48] Martin Brecht, ‘Recht und Programm eines Reformes zwischen Reformation um Moderne’ em: Ausgewahlte Aufsatze, Band 2, Pietismus, Stuttgart 1979, pág. 47-48 e as notas 44-48 pág. 105: Conforme o livro de Andreae: De Christiani Cosmoxeni genitura Judicium, 1615, em 2 e 705-733. Seu Invitationes Fraternitatis Christi, parte 1, 1617 pág. 475-501 e 2, 1618, pág. 117-167. Seu Menippus, 1617, na última parte ‘Institutio mágico pro curiosis’ pag 237-279, no Theca pag 518-560, e também no seu Veri christianismi solidaeque philosophiae libertas, 1618, pág. 367-452.
[49] Gilly, Cimelia Rhodostaurotica, pág. 49.
[50] Gilly, Cimelia, pág. 73 diz que August Von Anhalt recebeu de Karl Widemann uma cópia do manuscrito do Confessio em agosto de 1614 que pertencia a M.L.H. Borggrefe, ‘Moritz der Gelehrte als Rosenkreuzer und die Generalreformation der gantzen weiten Welt’ ´prova na pág. 341 que M.L.H. também M.L.z.H. são as iniciais de ‘Moritz Landgravius Hassus’, Moritz Von Hessen, também chamado de Moritz o sábio. A conclusão que o Confessio circulava como manuscrito, foi deduzido por Santing em Manifesten, pág. 25-26, pelo fato que Gotthardus Arthusius de Danzig, mestre no Gymnasium (Escola Secundária) de Frankfurt escreveu seu ‘Antwort’ (NT: Resposta) datado do ‘finais de novembro de 1614’. Contudo, também pode ser, como diz Santing, o que naquele tempo acontecia, que o ano seguinte era registrado na página de título ou que Arthusius viu as provas de impressão do Kassel de 1915.
[51] Gylli, Cimelia, pág. 49
[52] R.van Dulmen, Utopie, pág. 224, anotação 16.
[53] Wolf-Dieter Otte, ‘Ein Einwand gegen Johann Valentinn Andreaes Verfasserschaft der Confessio Fraternitatis R.C.’ in Wolfenbutteler Beitrage; Aus den Schatzen der Herzog August Bibliothek, Herausgegeben Von Paul Raabe, Band 3, Frankfurt am Main 1978, pág. 103.
[54] R. van Dulmen, Utopie, pág. 93
[55] Regine Frey-Jaun, Die Berufung der Turbuters. Zur ‘Chymischen Hochzeit Crhiani Rosencreutz’ von Johann Valentin Andreae (1586-1654), Bern 1989.
[56] Adolf Santing diz no De historische Rozenkruisers, pág. 99-100, que o Assertio é um verdadeiro manuscrito dos Rosacruzes
[57] As informações sobre o Assertio vieram de: Santing, De Historische Rozenkruizers, pág. 267-270. Veja para Raphael Egli(nus): Manuel Bachmann e Thomas Hofmeier, Geheimniste der Alchemie, Bazel/ Muttenz 1999, pág. 233-242. Catálogo com o mesmo nome guardado em Basel, St. Gallen e Amsterdam na Biblioteca Philosophica Hermetica.
[58] Veja Adendo 1: Fama Fraternitatis R.C., Confessio Fraternitatis R.C. e Assertio Fraternitatis R.C.
[59] Veja Adendo 12: Mapas Natais, o mapa natal de Andreae.
[60] As informações bibliográficas vieram de Ulrich Neumann, ‘Olim, da die Rosen-Creutzerij noch florist, Theophilus Schweighart gennant, Wilhelm Schickards Freund und Briefpartner Daniel Mogling (1696-1635) em Friedrich Seck, Heraugsgeber, Zum 400. Geburtstag von Wilhelm Schickard, Sigmaringen 1995, pág. 93-115. Veja também Neue Deutsche Biographie, Band 7, pág. 613-614.
[61] Daniel foi batizado em 4 de maio de 1596. Também aqui todas as datas foram atualizadas pelo sistema atual, ou seja, calendário gregoriano.
[62] Neumann, Daniel Mogling, pág. 103,104
[63] R. van Dulmen, Utopie, pág. 227, anotação 21
[64] Neumann, Daniel Mogling, pág. 104
[65] Adendo 10, Símbolos, veja: a Het Collegium Fraternitatis
[66] [Pseudo] Theophilus Schweighardt [Friedrich Grick] Menapius, Rosae Crucis, Das ist Bedencken […], Z. pl. [Nurnberg] 1619. Veja Neumann, Olim, da die RosenCreutzerij noch florist, Theophilus Schweigart genannt, pág. 107.
[67] Confessio, Kassel 1615, pág. 80
[68] Francis Bacon, Het Nieuwe Atlantis. Traduzido, introduzido e providenciado com anotações por A.S.C.A. Muijer, Baarn 1988. Veja Santing, De historische Rozenkruisers, pág. 76 e Frances A. Yates, The Rosicrucian Enlightenment, Londres e Boston 1972, pág. 125-129.
[69] Karin Figala, Ulrich Neumann, ‘Ein Fruher Brief Michael Maiers (1568-1622) an Heinrich Rantzau (1526-1598), Einfuhrung, lateinischer Originaltext und deutsche Ubersetzing’ in Festschrift fur Helmut Gericke (Reihe ‘Boethius’, Band 2) Stuttgart 1985, pág. 327-357. Veja também Neue Deutsche Biographie, Dl. 15, pág. 703-704 e K. Figala e U. Neumann, ‘Author, cui nome Hermes Malavici. New Light on the bibliography of Michael Maier (1569-1622)
[70] Maier era luterano, portanto protestante. Como Maier circulava tanto em ambiente protestante como católico não ficou claro qual o calendário utilizado por ele. Portanto as datas, neste caso, não foram alteradas.
[71] J.B. Craven, Count Michael Maier, Dortor of Philosophy and of Medicine, Alchimist, Rosicrucian Mystic, 1568-1622. Life and Writings, Kirkwall 1910, reprinted 1968, London, pág. 65-67.
[72] Michael Maier, Laws of the Fraternity of the Rosie Crosse (Themis Aureae), Fac-símile reimpresso do original em inglês da edição de 1656, Los Angeles 1976; Craven, M. Maier, pág. 98-104.
[73] William H. Huffman, Robert Fludd and the end of the Renaissance, London en New York 1988, pág. 4-14. Veja também J. B. Craven, Dotor Robert Fludd (Robert du Fluctibus), The English Rosicrucian, Life and Writtings, Kirkwall 1902, reprint z.p. [Amsterdam] z.j.
[74] Robert Fludd, alias de Fluctibus, Utrisque Cosmi Historia , Tractatus secundus, DE NATURAE SIMIA SEU Technica macrocosmi historia. Oppenheim, 1618. Tratado 2, capítulo 6, parte 1. O texto em inglês pode ser encontrado em: Jocelyn Godwin, Robert Fludd, Boulder 1979, pag 6. A tradução francesa da segunda edição é de Pierre Piobb, Robert Fludd, Etude Du Macrocosme, Traite d´Astrologie Generale (De Astrologia), Paris 1907, onde o texto se encontra no livro 6, pág. 258-260.
[75] N.T.: por vezes grafado como Jacob Boehme
[76] Abraham Von Frankenberg, ‘Ausfuhrlicher Bericht’, em J. Böhme, Samtliche Schriften, Band 10, Stuttgart 1961, pág. 20-21, 27
[77] Will-Erich Peuckert, Die Rosenkreuzer, Jena 1928, pág. 288. Para uma descrição completa e documentada veja: Ernst-Heinz Lemper, Jakob Bohme, Leben und Werk, Berlim 1976. Também Gerhard Wehr, Jakob Bohme, Rohwohlt, Reinbek perto de Hamburgo 1971.
[78] Johann Georg Gichtel, Theosophia Practica (1º edição 1696), Swarzenburg 1979, com um prefácio de Agnes Klein. Prefácio pag 7-8. Veja também: Bernard Gorceix, Johann Georg Gichtel, Theosophe d´Amsterdam, Bordeaux 1974.
[79] C. W. Leadbeater, De chakra´s, Amsterdam z.j., pág. 40
[80] Seu batismo foi registrado, mas seu nascimento é incerto. Veja: Le Folklore Brabançon, 13º ano, nr 75-76. Dez 1933 e fev 1934. Número dublo inteiramente devotado a J.B. Helmont. Paul Neve de Mevergnies, Jean Baptiste van Helmont, philosophe par Le feu. Faculte de Philosophie et Lettres, Luik 1935.
[81] J.B. Helmont, Ortus Medicinae, Amsterdam 1648
[82] Snoek, Rozenkruisers, pag 96-100. Outra literatura consultada: M. Louis Stroobant, M. Nauwelars, M. Behaeghel, “J. B. van Helmont”, em Le Folklore Brabançon, dezembro 1933 e fevereiro 1934. Walter Pagel, Jo. Bapt. Von Helmont, Einfubrung in die philosophische Medizin dês Barocks, Berlim 1930. Paul Neve de Mevergnies, Jean-Baptiste von Helmont; Philosophe par le feu, Paris e Luik 1935.
[83] Veja para as datas: Milada Blekastad, Comenius Versuch eines Umrisses vom Leben, Werk und Schicksal des Jan Amos Komensky. Oslo 1969, pág. 16.
[84] Rozekruis Pers, Haarlem 1993. Literatura consultada: Milada Blekastad, Comenius.
[85] Ver a edição de Weimar, 1980, volume 16, pág. 436-437.
[86] Sammtlichte Werke de Goethe, em quarenta volumes. Segundo volume. Stuttgart e Augsburg: F. G. Cotta, 1855, pág. 360-363.
[87] A tradução portuguesa segue a tradução direta do alemão feita por Raul Guerreiro, um dos fundadores do Centro Rosacruz da Fraternidade Rosacruz em São Paulo, SP, Brasil.
[88] Max Heindel, Conceito – Cap. XIX – Existem várias biografias do Conde de St. Germain, como: Isabel Cooper-Oakley, The Comte de St. Germain, Londres, 1912, reeditado em 1927. Gustav Berthold Volz, Der Graf Von Saint-Germain, Paris, 1982. Jean Overton Fuller, The Comte de Saint Germain; last Scion of the House of Rakockzy, Londres, 1988.
[89] Cooper-Oakley, após a introdução
[90] Idem, pág. 5
[91] Idem, pág. 7
[92] N.T.: moeda padrão do antigo Sacro Império Romano-Germânico
[93] Idem, pág. 135
[94] Cartas do Sr. Peter Litrup, 6/11/1972 e 12/03/1975, funcionário do arquivo de Aarhus – Landsarkivet for Norrejylland, te Viborg – Arquivo de nascimentos da Catedral Luterana de Aarjus. Veja mais no livro “Mensagem das Estrelas, horóscopo nº 3 e Adendo nº 2” de Max Heindel.
[95] Landsarkivet for Norrejylland te Viborg. Não havia mais informações em: Geheimes Staatsarchiv Preussischer Kulturbesitz em Berlim; het Evangelisches Zentralarchiv em Berlim; e no Berliner Stadt Bibliothek em Berlim.
[96] Veja nota 96.
[97] Veja nota 97
[98] Veja nota 96. Ele faleceu em 18 de janeiro de 1929 em Copenhague, na Aboulevarden 29.
[99] Veja nota 96.
[100] Veja nota 96.
[101] Veja nota 97.
[102] Veja nota 97.
[103] Carta de Staden Kobenhavns statistiske kontor, folkeregistret, Kobenhavn. O último endereço de Anna Emilie foi Godshabsvej 83, Kopenhagen.
[104] Veja nota 18. Sra. Grasshoff faleceu em 13 de março de 1916 em Kopenhagen.
[105] Revista: Rays from the Rose Cross, março de 1966, pág. 38. Ensinamentos de um Iniciado, Londres 1955, pág. 153. Manuscrito da Sra. Heindel: Memoirs of Max Heindel and the Rosicrucian Fellowship, Oceanside, 1941.
[106] Veja nota 105. A data precisa não foi encontrada.
[107] The Corporation of Glasgow, Registration of births, deaths and marriages, Glasgow. Certidão retirada do cartório de Registros, datada de 22 de outubro de 1970, do casamento entre Charles Grasshoff e Catharine Wallace.
[108] Veja nota 109. Certidão retirada do cartório de Registros datada de 21 de outubro de 1970. O nascimento da Cathy foi às 9 horas da manhã.
[109] Veja nota 109.
[110] Veja Adendo 3: Florence Holbrook.
[111] Veja nota 100: – Cunard Line Limited, Southampton, England, carta de 12 de julho de 1968. ‘Nós pesquisamos todos os nossos arquivos, mas não encontramos nenhum homem comestes dois nomes [Grasshoff/Heindel] que serviu esta companhia como engenheiro conforme descrito pelo senhor. Uma das regras de nossa companhia é que os oficiais devem ser britânicos e, portanto, pode ser o caso de o Sr. Grasshoff/Heindel ter mudado seu nome para assumir a nacionalidade britânica, isto seria necessário se fosse trabalhar em nossa empresa na categoria de Engenheiro ou Eletricista Chefe. Provavelmente encontrará mais informações sobre este homem escrevendo para Summerset House em Londres’.
– Home Office, Londres, datado de 16 de agosto de 1968. ‘Fizemos uma busca profunda nas informações de naturalização, mas uma busca pelo nome britânico de uma pessoa sob o nome de [Grasshoff/Heindel] entre os anos de 1844-1914 não trouxe nenhuma informação.
– Board of Trade, General Register and Record Office of Shipping and Seaman, Cardiff, England. Carta de 17 de novembro de 1967. ‘Sentimos muito informar que não encontramos dados sobre Carl Louis von Grasshoff em nossos registros de Oficiais Engenheiros Certificados’.
– E uma carta de 14 de junho de 1968. Nossos registros de Oficiais Certificados foram pesquisados e infelizmente não encontramos nenhuma informação sobre Max Heindel’.
[112] Superintendent Registrar´s Office, Liverpool. Certidão datada de 8 de outubro de 1970 do nascimento de Wilhelmina Catherina Anna Grasshoff.
[113] Veja nota 109 para o nascimento de Louisa Charlotte Grasshoff. Ela faleceu em 9 de julho de 1960 em Reading, por trombose no cérebro, conforme informações do Reading Public Library, Massachusetts, USA datado de 2 de janeiro de 1970.
[114] Veja nota 14 para este nascimento. Nellie faleceu em 26 de fevereiro de 1951, em Reading, devido a um entupimento da artéria coronária, conforme um escritor do Reading Public Library, datado de 2 de janeiro de 1970.
[115] Veja nota 14 para informações das certidões de nascimento.
[116] Cartas da Sra. Wilhelmina Grasshoff e do Sr. Frank Crawford Reed, de Sudbury, Massachusetts, datado de 19 de junho de 1970 e dezembro de 1971.
[117] Veja nota 118.
[118] Lansarkivet for Sjaelland m.m., Kobenhavn; o arquivista Niels Rickelt comunicou no dia 1 de novembro de 1968 o seguinte: ‘Cathy Grasshoff, nascida Wallace, nasceu no dia 4 de janeiro de 1869 em Glasgow. Em 1897 aparece seu nome pela primeira vez como ‘esposa abandonada’. Seus endereços em Copenhague foram: 1897 1-9 de Korsgade 47 para Bangertsgade 5 em Sorensen. 1897 18-7 para Mollegade 3º andar a direita com Ruttgers. 1898 1-11 Jaegergade 10. Ela faleceu no dia 14 de outubro de 1902 no Hospital Frederiks com o endereço Jaegergade 10. A divisão da herança está no registro de heranças de Copenhague sob o nº 1900-2 afd K prot. 1ª pág. 529 nr. 912 e pág. 311. ‘A falecida morava junto com um trabalhador Carl Larsen, que, após o falecimento, saiu do apartamento. Ele pagou os custos do funeral e por isto ficou com os poucos móveis e a poupança no valor de 25 Kronen. No final do relatório consta o seguinte: (traduzido): O companheiro (Carl Larsen) acredita que o marido da falecida, Carl Grasshoff, está nos EUA’.
[119] The Boston Public Library, Census 1900 para Carl Grasshoff, via Sr. Ricardo Bianca de Mello do Brasil.
[120] Veja também nota 120, Engineering Societies Library, New York, 26 de agosto de 1968: ‘Sentimos muito dizer que não possuímos nenhuma informação a este respeito’. – Sra. Heindel; “The Birth of the Rosicrucian Fellowship; The History of Its Inception, Oceanside, dezembro de 1923, pág. 4. ‘ Entre os anos de 1895 e 1901 ele trabalhou como engenheiro consultor na cidade de Nova York’. [A primeira publicação surgiu em 1 de dezembro de 1923 e foi reeditada no Echoes de maio de 1952 até janeiro de 1953. As citações nas primeiras páginas contêm muitos erros, conforme consta de fontes oficiais].
[121] Veja nota 118.
[122] The Boston Public Library, Casamentos 10 de abril de 1895; e Censo de 1 de junho de 1900, via Sr. Ricardo Bianca de Mello, Brasil. Veja, também, nota 118.
[123] Veja nota 14. “The above children [Wilhelmina, Louisa, Nellie and Frank] went to New York on the S. S. (Significa Steam Schip; navio a vapor) Island the 7th of September 1898”.
[124] Veja nota 118.
[125] Conforme informações do Sr. J. Darrow e do próprio Max Heindel. O Sr. Theodore Heline escreveu isto em novembro de 1970.
[126] Clerk of San Diego County, San Diego, C.A., Deputy Clerk Barbara J. Kiya informou no dia 6 de novembro de 1969, cópia do testamento de Max Heindel e Augusta Foss Heindel onde se encontra esta informação.
[127] Sra. Augusta Foss Heindel, ‘The early History of the Rosicrucian Fellowship’, em Echoes from Mount Ecclesia, 1 de janeiro de 1948 até 1 fevereiro 1952.
[128] C. Jinarãjadãsa, ‘How Max Heindel came to Theosophy’, in The Theosophist Vol. 70, Nº 7, april 1949, pag 17 – “Letter from Max Heindel to Mr. C. W. Leadbeater on January 15, 1904”. Veja, também, Adendo 4: Carta de Max Heindel para Leadbeater, 1904.
[129] Carta da Sra. Olga Borsum Crellin, Venice, Califórnia em 9 de janeiro de 1970 – Veja também Adendo 5 – Sobre a casa da família Foss; veja: Leo Politi, Bunker Hill, Los Angeles; reminiscences of bygone days; Best West Publications, Palm Desert, Califórnia 1969 [3ª impressão], pág. não numerada. O livro contém outra foto da casa com uma curta descrição. O comentário que Max Heindel tenha escrito sobre astronomia é incorreta.
[130] Thomas G. Hansen, ‘Zodiacal Hierarchies’ na Rays from the Rose Cross, fevereiro 1981, pág. 72.
[131] Max Heindel, Blavatsky and The Secret Doctrine, Including an introduction by Mandy P. Hall, and a Biographical Skets of Max Heindel. 2nd ed., Santa Monica, Califórnia 1972.
[132] Veja nota 130. O Sr. Jinarãjadãsa palestrava em Chicago em 1909. A primeira edição de seu livro foi em 1921.
[133] Veja Adendo 6: Alma Von Brandis.
[134] Revista: Rays from Rose Cross, janeiro de 1916, pág. 18. Max Heindel fala aqui na terceira pessoa, que foi modificado na primeira pessoa do singular. Assim será todas as vezes subsequentes.
[135] Max Heindel, Livro: Teachings of an Iniciate, Oceanside 1955, pág. 154.
[136] Revista Rays from the Rose Cross, março de 1916, pág. 38,39.
[137] Veja capítulo 4.
[138] Sylvia Cranston & Carey Williams, assistente de pesquisa: A vida extraordinária e a influência de HELENA BLAVATSKY fundadora do movimento moderno teosófico. Den Haag 1995, pág. 28
[139] Idem, pág. 195 e 224.
[140] Norbert Klatt, Theosophie und Anthroposophie, Neue Aspekte zu ihre Geschichte, oGottingen 1993, pág. 61-64
[141] Klatt, pág. 64.
[142] Deutsche Theosophische Gesellschaft, (D.T.G.)
[143] Klatt, pág. 65.
[144] Klatt, pág. 66.
[145] Internationale Theosophische Verburderung, (I.T.V.)
[146] Theosophische Gesellschaft in Deutschland, (T.G.in D.)
[147] Veja descrição completa em Klatt, 61-67.
[148] Klatt, pág. 71-72.
[149] Klatt, pág. 83. Veja, também, The Inner Group Teachings of H.P. Blavatsky, Compiled and Annotated by Henk J. Spierenburg, San Diego 1995.
[150] Klatt, pág. 84.
[151] Klatt, pág. 87-88.
[152] Klatt, pág. 83-84.
[153] Max Heindel, do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Volume II.
[154] Emmet A. Greenwalt, California Utopia, Point Loma 1897-1942. San Diego 1978, pág. 121.
[155] Veja Adendo 7: Rudolf Steiner.
[156] Pauline Martha Styczek, (1868-1945), professora de ensino para crianças. Ela foi adotada como filha por Hubbe Schleiden, em 1908.
[157] Clemens Heinrich Ferdinand Driessen, (1857-1941), Juiz de Aalten (Holanda), advogado em Schenklengsfeld e, a partir de 1901, em Witzenhausen.
[158] Norbert Klatt: Theosophie und Anthroposophie, Neue Aspekte zur ihre Geschichte, Gottingen 1993, pág. 111, anotação 422.
[159] Gunther Karl Wagner, 1842-1930, químico, fundador da Pelikan Werke em Hannover.
[160] Klatt, pág. 11, nota 422.
[161] Zur Geschichte und aus den Inhalten der erkenntniskultischen Abteilung der Esoterischen Schule Von 1904, [GA 265], Dornach 1987, pág. 93/94.
[163] Max Heindel, Livro Maçonaria e Catolicismo.
[164] Klatt, pág. 111, note 422.
[165] Max Heindel, Conceito Rosacruz do Cosmos 2ª Edição, Chicago 1910 na re-dedicatória. Para verificação ver: Christoph Lindenberg, Rudolf Steiner, Eine Chronik, 1861-1925, Verlag Freies Geistesleben, Stuttgart 1988; pág. 263-269, novembro 1907 a março 1908.
[166] Carta de Max Heindel para Sra. Laura Bauer, datada de 14/16 de outubro de 1911. Veja Adendo 9: Troca de cartas entre Max Heindel, Laura Bauer e Hugo Vollrath.
[167] Informações recebidas oralmente de Irene Murray e Gene Sande, em abril de 1984.
[168] Max Heindel, Livro Ensinamentos de um Iniciado, Capítulo XX.
[169] Max Heindel, Livro Ensinamentos de um Iniciado, Capítulo XX.
[170] A tradição oral diz que uma carruagem aguardava Heindel na Estação. Informado por telefone pelo Sr. Harry Gelbfarb, no início de outubro de 2000.
[171] Ann Barkhurst, que em 1920 chegou à Fraternidade e que é muito bem informada, fala na Revista Rays from the Rose Cross, de abril de 1963, pág. 190-191 que o Irmão Maior que orientou Max Heindel se chamava George.
[172] Revista Rays from the Rose Cross, janeiro 1916, pág. 17.
[173] Boletim Echoes de Mount Ecclesia – The Rosicrucian Fellowship, junho 1914.
[174] Boletim Echoes de Mount Ecclesia – The Rosicrucian Fellowship, julho 1913.
[175] Veja re-dedicatória nas páginas adiante.
[176] Veja Adendo 9: Troca de cartas entre Heindel, Laura Bauer e Hugo Vollrath.
[177] Steiner, Marie, Rudolf Steiner, Marie Von Sivers, Briefwechsel und Dokumente, 1901-1925, [GA 262], Dornach 1967, pág. 123.
[178] Veja entre outros: Dr. Franz Hartmann, Ein Abenteuer unter Rosenkreuzern, Leipzig, a última (advertência) pág.: ‘Die Weltanschauung der Rosenkreuzer. In zehn Unterrichtsbriefe Von Max Heindel. Preis M. 12’
[179] Klatt, pág. 109.
[180] Klatt, pág. 113.
[181] Hans Hinrich Taeger, (Hrsg): Internationales Horoskope Lexikon, Freiburg i. Br. 1992, Band 2, pág. 873: ‘Hubert Korsch, 1883-1943, jurista, astrólogo, editor. Zenith (1930-1938)’
[182] Ellic Howe, Urania´s Children. The Strange World of the Astrologers, Londres 1967, pág. 115
[183] Max Heindel, Livro Coletâneas de um Místico, Capítulo I
[184] De fotocópia do texto original escrito à mão em Inglês. O original está na The Rosicrucian Fellowship
Headquarters, em Oceanside, CA, USA.
[185] N.T.: (traduzido para o português)
No manuscrito:
Dedicado ao meu estimado professor e valioso amigo, Dr. Rudolf Steiner e à minha mais que amiga, Dra. Alma Von Brandis, com reconhecida gratidão pela inestimável influência de crescimento anímico que exerceram na minha vida.
Na 1ª Edição: de novembro de 1909:
Ao estimado amigo, DR RUDOLF STEINER, com reconhecida gratidão pela valiosa informação recebida; e à minha amiga, Dra. Alma Von Brandis, com sentido agradecimento pela inestimável influência de crescimento anímico que exerceu na minha vida.
Na Re-dedicatória da 2ª Edição em 1910:
EM RE DEDICATÓRIA
“Do início de novembro de 1907 até final de marco de 1908, o escritor dedicou seu tempo à investigação dos ensinamentos do Dr. Steiner, que esteve ausente de Berlim praticamente todo o período. No último de seis contatos pessoais com Dr. S. o escritor mencionou que havia começado um livro sobre ocultismo; um compêndio sobre os ensinamentos do Oriente e do Ocidente.
Dr. S. exigiu que se algum dos ensinamentos por ele divulgados fosse usado, ele teria que ser mencionado como autoridade e fonte de informação. Consequentemente o escritor concordou em dedicar seu trabalho ao Dr. Steiner.
Durante janeiro, fevereiro e março de 1908, o Irmão Maior, a quem o escritor agora conhece e reverência como Mestre, apareceu algumas vezes em seu Corpo Vital e iluminou o escritor em vários pontos. Em abril e maio, após passar num teste – sem ter conhecimento do fato – o escritor foi convidado a viajar a um lugar onde se encontra o Templo da Ordem Rosacruz.
Lá ele encontrou o Irmão Maior em Corpo Denso, lá o conhecimento mais abrangente, filosófico sintético, presente neste livro – que na opinião de muitos estudantes da Inglaterra, do Continente e da América, engloba tudo o que foi ensinado publicamente sobre esoterismo no passado, além disso, muitos ensinamentos nunca antes publicados.
Portanto o manuscrito mencionado ao Dr. Steiner foi destruído, mas como o ensinamento mais completo dado pelo Irmão Maior complementa os ensinamentos do Dr. S. em muitas linhas, foi considerado melhor dedicar o livro ao Dr. S. do que parecer um plagiador. Para tanto havia pouco perigo porque um plagiador sempre tem menos informação do que o autor do qual rouba suas ideias, e será demonstrado que em comparação com trabalhos publicados anteriormente, este livro contém muito mais informações.
A dedicatória foi, portanto, um erro; induziu muitas pessoas que meramente lhe deram uma vista de olhos a deduzir que continha os ensinamentos do Dr. S., e, que este era o responsável pelo que aí estava escrito. Esta conclusão é obviamente injusta para o Dr. S. e uma leitura cuidadosa das páginas 8 e 9, demonstram que nunca houve a intenção de transmitir esta ideia. “O escritor não vê como transmitir em uma dedicatória a ideia real, portanto, decidiu retirar a mesma, com um pedido de desculpas ao Dr. S. por qualquer inconveniente que lhe possa ser causado pelas conclusões precipitadas relativamente à sua responsabilidade no Conceito Rosacruz do Cosmos”.
[186] Veja Adendo 9: a carta a Sra. Bauer datada de 14/16 de outubro de 1911.
[187] Isto se deduz do que Rudolf Steiner escreveu na pág. 305 em Die Verantwortung des Menschen fur die Weltentwicklung, Dornach, 1989. Veja também Adendo 7: Rudolf Steiner.
[188] Veja Adendo 7: Rudolf Steiner.
[189] Rudolf Steiner, Von Jesus zu Christus, [GA 131] Karlsruhe 6-10-1911, Dornach 1988.
[190] Nas anotações não publicadas de Max Heindel lemos o seguinte: ‘Na Alemanha e no navio, atravessando o Oceano Atlântico, fiz um esquema do Conceito Rosacruz do Cosmos. Em Nova York comecei a escrever, com a intenção de lá permanecer até finalizar o trabalho e encontrar um editor, para poder permanecer lá enquanto estivesse sendo impresso. O barulho desta cidade me forçou a sair de Nova York e me mudar para os arredores silenciosos dos Pitorescos Parques Nacionais em Buffalo. Lá terminei de escrever no dia 24 de agosto de 1908 e enviei cópias para diversos editores. A Broadway Publishing Co., de Nova York, se propôs a fazer a impressão. A proposta era mais do que satisfatória, mas o valor da venda estava muito alto. Portanto solicitei uma qualidade mais econômica’.
[191] Um projetor de slides que tem 2 lentes, normalmente uma em cima da outra. Apareceu em meados no século XIX.
[192] Equipamento que produz cópias a partir de matriz perfurada (estêncil) afixada em torno de pequena bobina de entintamento interno e acionada por tração manual ou mecânica.
[193] Max Heindel, Livro Cristianismo Rosacruz. Oceanside, CA, 1939.
[194] Boletim Echoes de Mount Ecclesia – The Rosicrucian Fellowship, setembro 1956, pág. 35.
[195] Veja para o Horóscopo da Constituição no Adendo 12, horóscopos.
[196] Carta do Sr. Edwin Moe de Seattle, datada de 7 de setembro de 1959.
[197] Max Heindel, do Livro Ensinamentos de um Iniciado, cap. 20.
[198] Veja Adendo 9: Cartas entre Max Heindel, Laura Bauer e Hugo Vollrath.
[199] Revista: Rays from the Rose Cross, outubro de 1955, pág. 482.
[200] Agatha Zegwaard (1882-1970), professora de Inglês, casada com o professor de matemática Martinus van Warendorp; começou a estudar os ensinamentos Rosacruzes em 1 de outubro de 1916. Por volta de 1920 ela inaugurou o primeiro Centro em Amsterdam – Holanda. Veja mais informações no Adendo 12.
[201] O Senhor George Schwenk (1896-1972) Sr., Ojai, CA numa carta datada de 15 de junho de 1968.
[202] N.R.: cidade portuária e sede do Condado de King, no estado norte-americano de Washington
[203] Max Heindel e Augusta Foss: Livro Astrodiagnose e Astroterapia, um guia de saúde. Cap. XI – uma lição como guia.
[204] N.R.: Cidade no noroeste dos Estados Unidos, no estado do Oregon.
[205] N.R.: Columbus é a capital do estado norte-americano do Ohio.
[206] 29 de novembro 1909.
[207] N.R.: em Los Angeles
[208] Max Heindel, Livro Ensinamentos de um Iniciado, cap. 20.
[209] ‘Falta de espaço’ logicamente não faz sentido. Max Heindel não queria ou não podia dar maiores explicações a respeito.
[210] Max Heindel, Livro Ensinamentos de um Iniciado, cap. 20 e 21.
[211] Max Heindel, Livro Ensinamentos de um Iniciado, cap. 22.
[212] Max Heindel, Livro Ensinamentos de um Iniciado, cap. 21
[213] N.T.: indivíduo que sabe estenografia ou que a pratica profissionalmente; taquígrafo, braquígrafo, logógrafo
[214] Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – de Max Heindel.
[215] Na certidão de casamento está escrito segundo casamento; mas foi considerado o segundo casamento como Max Heindel, na América.
[216] Boletim Echoes de Mount Ecclesia – The Rosicrucian Fellowship, março 1948.
[217] Boletim Echoes de Mount Ecclesia – The Rosicrucian Fellowship, abril 1948.
[218] Cidade localizada no estado norte-americano de Washington
[219] Região censo-designada localizada no estado norte-americano de Washington
[220] Livro Mistérios Rosacruzes – Primeira Edição, Chicago, 1911.
[221] Retirado do livro Oceanside, Crest of the Wave, Oceanside 1988, pág. 29 e 30 de Langdon Sullly e Taryn Bigelows. ‘Juiz J. Chauncey Hayes nasceu em Los Angeles em 1 de junho de 1852. Ele se mudou para San Luis Rey quando tinha 15 anos e, interrompendo apenas no período que estudou no Colégio de Santa Clara, passou os próximos 66 anos estimulando e desenvolvendo San Diego Country. Como único corretor de imóveis na região de Oceanside, ele vendia as parcelas de terras. Tinha pouca coisa que Hayes não sabia fazer. Ele era corretor de imóveis e A. J. Meyers o fundador da cidade. Anos depois ele foi banqueiro, editor do jornal local, agente cartorário, secretário geral da cidade, advogado, fornecedor de água e, por vinte anos, Juiz de Paz. Ele faleceu entre 1933/34 ’.
[222] Echoes from Mount Ecclesia, 10 de janeiro de 1914, nº 8, pág. 1 e 2.
[223] O Sr. A.H. Amick, o redator de Air Cooled News, a revista de Clube H.H. Franklin, escreveu para mim em 1972 que o modelo 1903 era o único que não tinha motor de partida. Pela amigável ajuda do Sr. Amick, recebi do médico Dr. George S. Boyer de Allentown, Pensilvânia, também sócio do Clube H. H. Franklin, no dia 15 de maio de 1972 a foto do carro dele de 1903 restaurado.
[224] O Sr. Heindel tinha n o costume de dar nomes de campeões para as coisas. As vacas foram nomeadas com nomes de vacas famosas, e o Franklin foi chamado de ‘Bedelia’ um carro francês de três rodas leves. Duas ‘Bedelias’ conquistaram o primeiro lugar em sua classe no Grand Prix em Le Mans, França, em 1912. A velocidade máxima era 110 km/h conforme Hans Kuipers em Old Racers, parte 2, Deventer 1967.
[225] Os Americanos consideram ver um Arco-íris como um sinal de sorte.
[226] Veja figura 62. Atrás da foto não tem os nomes. O Sr. Charles Weber escreveu em uma carta datada de 17 de maio de 2002, que a Sra. Marie-José Clerc contou a ele, que ela soube que o homem com o aparelho auditivo devia ter sido o Sr. Patterson e este está ao lado de Heindel. Com a ajuda de um mapa astrológico, indica que é o segundo homem depois de Heindel, o qual aparece a cabeça por cima da cruz.
[227] Max Heindel, do Livro: Ensinamentos de um Iniciado, Cap. 19
[228] Veja também a página de capa do Jornal San Diego Union, de 30 de outubro de 1911, seção 2, pág. 1, coluna 1, de Union-Tribune Publishing Co, San Diego.
[229] N.T.: Esses textos também podem ser encontrados no livro: Memórias sobre Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz de Augusta Foss Heindel
[230] Veja seu horóscopo no Adendo 12.
[231] Título: Anjo ou Satanás?
[232] Esta data provavelmente não está correta. A Escola de Verão foi iniciada em 4 de junho; uma semana antes seria dia 28. Contudo, os encontros de Probacionistas são sempre na véspera da Lua Cheia ou Nova. A Lua Nova era no dia 4 de junho, portanto, a Reunião deve ter sido no dia 3 de junho.
[233] Echoes from Mount Ecclesia, 10 de junho de 1913, nr 1, pág. 1-2.
[234] Echoes, janeiro 1951.
[235] Echoes, 10 de agosto de 1913, nº 3, pág. 4.
[236] N.T.: também referido como Holstein-Frísia e popularmente conhecido como Gado Holandês, é uma raça de gado bovino.
[237] Echoes dezembro de 1913
[238] Charles Rann Kennedy: O Servo na Casa, uma peça em 5 atos, Amsterdam 1926.
[239] Echoes, janeiro de 1914, pág. 3-4
[240] Echoes, janeiro 1914, pág. 1-2.
[241] N.T.: é um aparelho fonográfico com fins comerciais, inventado por Thomas Edison, que grava em tubos de cera o ditado de cartas, que devem ser reproduzidas por datilografia.
[242] N.T.: região peninsular do Sul da Ásia onde se situam os estados da Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão. Esta região do sul da Ásia foi historicamente conhecida por Hindustão ou Indostão, nomenclatura hoje apenas utilizada no contexto da história da relação entre os povos europeus e o subcontinente.
[243] Staden Kobenhavns Statistiske Kontor, Folkeregistret, numa carta de 14 de outubro de 1970.
[244] Revista: Rays from the Rose Cross, julho 1916, pág. 73-74.
[245] Max Heindel do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Parte I; pergunta 47.
[246] Cosmo: na abreviação do Livro The Rosicrucian Cosmo-Conception; em Português: O Conceito Rosacruz do Cosmos.
[247] Revista: Rays from the Rose Cross, julho 1959, pág. 11. Ela nasceu no dia 5 de novembro de 1850 e faleceu de câncer no dia 30 de outubro de 1919.
[248] Veja: Revista Rays de setembro 1917, pág. 198 e seguintes.
[249] N.T.: O poema Ben Bolt foi composto por Thomas Dunn English (1819-1902) em 1842, de Filadélfia. Foi musicado, em 1848, por Nelson Kneass (1823-1868 ou 1869), um compositor de Filadélfia.
[250] Veja o Adendo 11.
[251] O Sr. Paul R. Grell, filho de Phillip Grell escreveu para o autor em 1989 que o havia conhecido pessoalmente e que seu nome se escrevia Erret e não Ehret. Veja a Revista Echoes, fevereiro de 1951, pág. 2.
[252] Ela faleceu no dia 16 de abril de 1951 após uma doença que durou por meses, está escrito na Rays de junho de 1951, pág. 243-245. Seu nascimento não é conhecido.
[253] Revista Rays, abril de 1931, pág. 222
[254] Que o leitor entenda que foi traduzido diretamente do texto em inglês. Que o texto é confuso, provavelmente, devido às emoções da Sra. Heindel, no dia do aniversário de seu marido recém-falecido.
[255] N.T.: Um harmônio ou harmónio é um instrumento musical de teclas, cujo funcionamento é muito similar ao de um órgão, mas sem os tubos que caracterizam este último.
[256] N.T.: Tipo de voz feminina mais baixo e pesado, com menor tessitura e também a mais rara.
[257] Veja: Rays setembro de 1922, pág. 199
[258] Veja: Rays from the Rose Cross, abril de 1931, pág. 222.
[259] Veja: Rays from the Rose Cross, abril de 1931, pág. 222
[260] Corinne Smith nasceu no dia 13 de agosto de 1882 às 15:15 L.M.T. em Atlanta, Fulton County, Georgia 33.44.56 N; 84.23.17 W. Os dados do nascimento me foram fornecidos pelo Sr. e Sra. Barkhurst.
[261] Estes seis livros, denominados New Age Bible Interpretation, estão disponíveis na Sede Central.
[262] Revista Rays from the Rose Cross, outubro de 1965, pág. 435 e seguintes
Antes mesmo da construção da Sede Central, Max Heindel tinha intenção de construir um Sanitarium[1]. No dia 6 de agosto de 1913 este plano foi iniciado em pequena escala. Com este objetivo foram construídas três casinhas, cada uma com dois quartos. Contudo, logo estas casinhas tiveram que servir para alojar pessoas que trabalhavam em Mount Ecclesia. Demorou até abril de 1929 para que, sob direção da Sra. Augusta Foss Heindel, e pelo Membros da Curadoria[2], fosse nomeado um comitê para avaliar a possibilidade de construir um Sanitarium.
O desenho mostra uma parte central com espaço para o escritório de administração, uma recepção, quatro quartos de tratamento, uma cozinha, um refeitório e no andar superior acomodação para os enfermeiros. Esta ala central continha em ambos os lados os alojamentos para pacientes, tendo oito quartos privativos e quatro quartos coletivos com capacidade para quatro camas cada. Cada ala era circundada por terraços em três lados. O desenho continha a primeira parte onde poderiam ficar vinte e quatro pacientes. Esta primeira parte foi desenhada de tal forma que facilmente poderia ser ampliada, se as condições assim exigissem.
Era intenção que o Sanitarium fosse administrado conforme as terapias naturais com atenção especial para fisioterapia, hidroterapia, luz e eletroterapia e massagem. Contudo, também osteopatia e tratamentos quiropráticos, banhos de sol, etc. Tudo isto baseado no método Rosacruz de Cura.
Um instituto que segue estas regras é, comparativamente falando, mais barato que um Sanitarium que tenha setor cirúrgico e médicos caros no quadro de funcionários. Foi feita uma estimativa que com a construção e a garantia de funcionamento pelo primeiro ano seria necessário um valor de US$ 50.000,00. A comissão acreditava que não seria ajuizado começar com menos da metade deste capital em mãos.
O local que planejavam construir o Sanitarium era entre Carey Road e Ecclesia Drive, onde também havia espaço para crescer de ambos os lados, conforme mostra o desenho[3].
No dia 11 de dezembro de 1929, às 10:46 horas, fizeram a pedra angular para o Sanitarium. Como é mostrado no desenho seria um bloco de cimento de aproximadamente 60 cm de comprimento, 40 cm de largura e 40 cm de altura. Visto por cima haveria uma abertura no centro de aproximadamente 40 cm de comprimento, 30 cm de largura e 18 cm de profundidade. Esse espaço era destinado a colocar uma caixinha de cobre onde ficariam as informações sobre o Sanitarium. No ato de fazer esta pedra estavam presentes 99 pessoas, que, durante a Cerimônia, ouviram o discurso do Sr. Prentiss Tucker.
Em janeiro de 1931 foi editado um pequeno jornal mensal chamado The Mount Ecclesia Herald. Os membros recebiam o jornal gratuitamente e os não membros podiam se abonar no jornal por um valor de 50 centavos de dólar ao ano. Foi considerado um jornal familiar onde todas as notícias que não cabiam na Rays seriam publicadas. Apesar de todo o entusiasmo o Herald [Heraut] teve vida curta. No número de dezembro de 1932 está escrito que o jornal existe pela graça dos leitores e que os meios financeiros acabaram, e que também os funcionários diminuíram pela metade. Provavelmente em março de 1933 foi publicado o último número. Abaixo do nome do jornal está escrito: ‘Quando tivermos alguma informação importante, especialmente para os estudantes, faremos pelo Herald. Ainda não estamos em condições de fazer o Herald [Heraut] ser publicado regularmente, mas faremos isso de tempos em tempos, conforme as circunstâncias assim pedirem’.
Na Rays from the Rose Cross está escrito que no dia 6 de janeiro de 1932 iniciaram as obras do Sanitarium. Contudo, que devido à falta de dinheiro, começaram apenas na primeira parte.
“No domingo à tarde do dia 7 de fevereiro de 1932 às 12:00 horas, a Pedra Fundamental foi colocada. Estavam presentes mais de 125 pessoas, entre os quais o Prefeito Martin e outros notáveis de Oceanside, e alguns maçons. O Diretor da Fraternidade, Juiz Carl A. Davis, liderou o encontro e fez a abertura. Depois houve diversos discursos pelas seguintes pessoas: Mary Roberts, a líder do Setor de Cura, Dr. J. A. Balsey, do Centro de Los Angeles e o Sr. William Albert, do Centro de San Diego. Logo após o arquiteto, Lester A. Cramer, ajudado por alguns maçons, colocou a pedra fundamental, que depois foi cimentada”.
Através dos jornais Rays e do Herald de 1932 vemos que a construção seguia rapidamente. Na Rays de julho de 1932, pág. 389, tem uma imagem do prédio quase acabado. Abaixo está escrito: “Em reunião extraordinária do Conselho de Mount Ecclesia realizada em 4 de junho, foi definido que a abertura oficial do Sanitarium será em dezembro. Esperamos que até lá e talvez antes disto, toda a mobília, com todos os equipamentos, incluindo funcionários, estejam concluídos. O prédio está praticamente pronto. Os terraços foram deixados para depois, pois não são necessários no início. Dentro de algumas semanas o acabamento será feito, incluindo o plantio do jardim. O prédio está bonito tanto por dentro como por fora. O lado de fora foi rebocado e pintado com tinta branca, a entrada principal de pedra artificial com pilares; arquitrave, friso e cornija. Os instrumentos e artigos hospitalares mais modernos serão adquiridos. Tem um sistema elétrico de chamada para os enfermeiros, e postos de enfermagem, uma cozinha hospitalar, etc.
O setor de obstetrícia ainda não está pronto, porque foi projetado para o futuro quando o médico e a enfermeira-chefe assim decidirem que é o momento. Na construção do prédio usamos US$ 21.000 e temos, aproximadamente, US$ 5.000 para o mobiliário, aparelhos fisioterápicos e reserva.
O médico e a enfermeira-chefe que irão assumir o comando já foram escolhidos; seus nomes serão divulgados em futuro próximo. Esperamos que alguns Centros queiram mobiliar um quarto específico. Estes quartos serão nomeados aos doadores. Também pensamos que alguns Centros queiram instalar as ‘camas de caridade’, pois virão pessoas que não possuem as possibilidades financeiras de pagarem seu tratamento e devemos tomar providências para isto. O Instituto inicia com uma reserva mínima e, portanto, não poderá dar tratamento gratuito, pelo menos, no começo, a não ser que isto seja possibilitado por meio de doações. Solicitamos a nossos membros e amigos, bem como aqueles não ligados a algum Centro, que façam agora e até o dia da inauguração, em dezembro, suas orações e meditações em direção ao Centro para que o arquétipo da inauguração possa ser realizado, o que será uma ajuda muito grande para fazer deste Instituto um sucesso após sua abertura. Por favor, não se esqueçam disto, porque é muito importante.
O material de propaganda, incluindo os preços para internação, tratamento e etc., ficarão prontos no verão e no outono serão enviadas informações a todos os estudantes, que tenham endereços de contato, para que possam se envolver, seja no encaminhamento de pacientes. Essas atitudes são muito apreciadas e necessárias de fato. A Instituição deverá se sustentar sozinha, pois não poderá ser financiado pelas doações que são utilizados para o trabalho em geral da Fraternidade.
As reservas atuais não serão suficientes, a não ser que seja complementada com doações, ou que nós consigamos pacientes suficientes para cobrir os custos e manter a Instituição funcionando. Por isso solicitamos a colaboração de todos, tanto por orações como por apoio material”.
Provavelmente foi devido à crise mundial e também o esgotamento das reservas, o motivo para que o Sanitarium não fosse inaugurado na data prevista em dezembro. Somente no Natal de 1938, portanto, sete anos depois, houve a inauguração, mas sobre isto escreverei mais à frente.
Além das dificuldades financeiras em Mount Ecclesia também havia dificuldades espirituais que, em 1931, chegaram a um clímax. Para dar a imagem completa da situação retornaremos a 1910. Naquele momento Max Heindel foi avisado pelo seu Mestre que: “por mais que as intenções sejam boas no início, assim que houver posições e poder, a vaidade das pessoas será tocada e, para muitos, a tentação será demais”[4].
Ainda durante a vida de Max Heindel já havia pessoas de olho nos direitos autorais dos livros dele. Por este motivo ele fez o testamento. Quando este foi aberto em 1919 apareceu que a Sra. Augusta Foss Heindel era a herdeira dele, também das terras da Fraternidade. Alguns membros do conselho insistiram com ela de fazer uma doação do terreno para a Fraternidade. Apesar do advogado da Sra. Augusta Foss Heindel aconselhá-la a manter o terreno em seu nome enquanto ela vivesse, ela aceitou fazer a doação, porque ela tinha toda a confiança no conselho.
No dia 10 de janeiro de 1913 Max Heindel fundou uma Corporação, conforme as leis da Califórnia, pois ele considerava que seria a melhor forma de proteger os direitos autorais e posses materiais da Fraternidade contra os apelos da família de sua primeira esposa. Os Membros da Curadoria[5] tinham o controle e seus sucessores eram nomeados por ELES MESMOS e não por VOTAÇÃO. Eles não tinham responsabilidade nenhuma de seus atos perante os outros Membros. Se ocorresse cristalização, ou Membros duvidosos entrassem nesse comitê, não poderiam ser removidos por Probacionistas. Sra. Augusta Foss Heindel se arrependeu logo de não ter seguido o conselho de seu advogado.
Após o falecimento de Max Heindel, o Sr. Alfred Adams estava ao lado da Sra. Augusta Foss Heindel no comitê. Após o falecimento do Sr. Kennedy e da Sra. Lyon, ambos Membros da Curadoria, empossaram dois novos em seus lugares. Após a escolha destes novos Membros houve desarmonia em Mount Ecclesia. Numa tentativa de retornar a harmonia acrescentaram mais dois Membros, para dar um total de sete. Contudo, a harmonia não se restabeleceu.
Em 1926 foi construída a Escola Infantil, e alguns dos Membros da Curadoria não concordavam com isto. Eles queriam primeiro construir o Sanitarium. Sra. Augusta Foss Heindel escreveu sobre isto em uma carta aberta datada de 13 de maio de 1931:
“Naquele tempo o espírito de trabalho contrário se mostrou de forma brutal. Desde outubro de 1929 um Membro da Curadoria [Pearl Williams] ganhou uma influência dominante sobre dois outros Membros. Apesar de ser um Membro fiel e eu mesma tentar impedir, foi feita uma autorização de US$ 50.000 para a construção do Sanitarium. Eu fui contra devido ao fato que o mundo todo estava atravessando uma crise financeira. Além disso, eu sabia que somente alguns doentes poderiam tirar proveito disto, enquanto em todos os lugares havia uma falta de professores e palestrantes. Para podermos instruí-los necessitávamos de mais salas de aula, assim como espaço no escritório e quartos para que pudéssemos alojá-los aqui na Sede Central. Assim surgiu uma divisão na Curadoria e desde este momento três Membros fizeram de tudo que estivesse em seu poder para me oprimir”.
Numa carta escrita em 1930, pelo Juiz Carl A. Davis e o Sr. Starret, Membros da Curadoria, foi oferecida à Sra. Augusta Foss Heindel um valor anual de US$ 2.500,00, mas ela não aceitou esta oferta.
No dia 17 de março de 1931 o Sr. Alfred Adams faleceu com a idade de 72 anos, o Membro de confiança que apoiou a Sra. Augusta Foss Heindel, após o falecimento de seu marido. A partir deste momento as dificuldades ficaram maiores. Um mês depois, em abril de 1931, a Sra. Augusta Foss Heindel declarou, na reunião da Curadoria, que ela não enviaria mais suas cartas e lições de Mount Ecclesia, e também não teria mais nenhuma participação ativa nos trabalhos. Ela iria continuar da Curadoria, mas agora não mais como Presidente e também não ficaria mais morando em Mount Ecclesia. A função de presidência foi assumida por Carl A. Davis.
Provavelmente, em maio a Sra. Augusta Foss Heindel ficou doente. Tão doente, que por quatro dias esteve entre a vida e a morte. No mês que ela se restabeleceu, em junho de 1931 ela decidiu não retornar a Mount Ecclesia. Ela alugou uma casa em Oceanside, onde a Associação por ela fundou e estabeleceu o Centro: Max Heindel’s Rose Cross Philosophies.
No dia 13 de julho de 1931 a Sra. Augusta Foss Heindel denunciou a Fraternidade perante a Justiça Federal de San Diego por usarem os direitos autorais sem permissão. O resultado disto foi que em outubro eles assinaram um contrato para regularizar esta controvérsia sobre os direitos autorais. Aqui ficou definido que ambos os lados discordavam sobre quem tinha os direitos autorais e que a Sra. Augusta Foss Heindel já havia constituído outra Associação para divulgar os ensinamentos. Foi decidido que a Fraternidade teria uma licença “irrefutável, irrevogável direito e autorização” para publicar, vender, etc. todos os livros, e que a Sra. Augusta Foss Heindel, durante sua vida, seria a proprietária dos escritos, e após o falecimento dela seriam de posse da Fraternidade. Nenhum dos dois lados poderia dar procuração para outra instituição, sem a autorização do outro. Com a exceção que a Sra. Augusta Foss Heindel poderia dar uma procuração a uma instituição fundada por ela mesma. A Fraternidade deveria pagar um valor de US$ 125,00 por mês, de forma vitalícia, para a Sra. Augusta Foss Heindel. Se ela terminasse o litígio com a Fraternidade, antes de 15 de janeiro de 1934, o valor subiria para US$ 208,33 por mês. Após isto foram tomadas medidas para mediação e foi avisado a todos os membros da Fraternidade que a questão estava solucionada.
Em 9 de outubro de 1934 foi assinado um outro acordo entre ambos os lados, no qual foram mantidos vários pontos do contrato de 1931: Que a Sra. Augusta Foss Heindel formou uma Associação chamada de ‘Max Heindel Rose Cross Philosophies’ que distribui os ensinamentos e tem 2050 membros; que a Fraternidade, após a ruptura, continua suas atividades com 4500 membros; que cada qual tem ativos; que a Sra. Augusta Foss Heindel e seus membros estão convidados a retornarem à Fraternidade. Isto foi aceito e ambas as partes decidiram se unirem novamente, e por consideração pagaram US$ 1,00 um ao outro, para compensar os prejuízos. Ficou decidido que a Sra. Augusta Foss Heindel transferia seus livros e outros equipamentos para a Fraternidade, por um valor acordado.
O contrato de 1931 foi prorrogado, com a exceção que a Sra. Augusta Foss Heindel não poderia mais ceder os direitos autorais a nenhuma outra instituição. O valor mensal pago para a Sra. Augusta Foss Heindel ficou estipulado em US$ 125,00 por mês. Além disso, ela teria direito a morar em Mount Ecclesia, sem custo, e seria a Presidente do Conselho e Editor Chefe da Revista mensal, e, ainda, assinaria todas as lições e cartas em nome da Fraternidade.
Também foi divulgado que: ‘Todas as partes têm o mesmo pensamento sobre a questão, que a separação foi um grande equívoco por uma grande parte das pessoas, que prejudicou e atrasou o andamento do trabalho. Para todos os envolvidos ficou claro que a repetição das condições desta separação deveria ser evitada no futuro devido ao fato de que Max Heindel foi escolhido pelos Irmãos Maiores da Ordem, para passar estas lições à humanidade e que a Sra. Augusta Foss Heindel dedicou anos de sua vida ajudando com a construção desta instituição. A ela foi garantido, com este acordo, que se ela não fizesse mais parte do trabalho no futuro e se retirasse desta responsabilidade seria ainda ‘Presidente Emérita’ e que o pagamento mensal, sua estadia e manutenção iria continuar enquanto ela vivesse. Que ela iria trabalhar juntamente com a Fraternidade para que os ensinamentos possam ser divulgados por todo o mundo da melhor forma”.
No dia 25 de dezembro, em homenagem ao retorno da Sra. Augusta Foss Heindel à Mount Ecclesia foi feita uma festa ‘encontro de boas-vindas e retorno a casa’. Depois a Sra. Augusta Foss Heindel foi nomeada Chairman e o Juiz Carl A. Davis manteve sua posição de Diretor e Presidente.
Não apenas na Sede Central, mas em outros lugares do mundo os membros tentaram chegar ao poder. Contudo, não iremos nos aprofundar nisto.
Quando Mary Hanscom, a pequena ajudante da Sra. Augusta Foss Heindel, caminhava pelo terreno num dia de 1935, ela encontrou um animal que se comportava de forma muito estranha. Era um cachorro, que estava petrificado, no meio do caminho. Seus olhos estavam marejados de sangue e seu corpo tenso de medo. Mary precisou conversar docemente com ele várias vezes até que ele teve coragem de reagir ao seu chamado amigável. Ele foi levado para os fundos do refeitório e alimentado. Ele devorava a comida, pois, o animal estava faminto. Após lhe darem um banho e escovarem, ele aparentou ser um cachorro bonito, e parecia com um misto de cão policial e airedale terrier[6]. Contudo, o cão estava doente e precisava ser operado de uma hérnia, o que foi realizado em 1936. Os custos desta cirurgia foram divididos entre os funcionários. Este querido cão de guarda foi chamado Plato, pois era muito esperto, bastava um pensamento para fazê-lo entender. Ele faleceu nos anos quarenta.
Mary Hanscom era artista. Ela pintou a figura do “auxiliar invisível”. Os rostinhos foram tirados de fotos de bebês de funcionários de Mount Ecclesia. Ela também esculpiu os dois painéis da porta do Templo. Ela faleceu no início dos anos oitenta.
No dia 5 de setembro de 1936 a Sra. Gertrude Smith, de Canandaigua, Nova York, perdeu a vida dela num acidente de carro e deixou para a Fraternidade um valor considerável, que deveria ser utilizado integralmente para o Sanitarium. O Setor de Cura havia trazido muito alívio para ela e em agradecimento ela queria concretizar o ideal de Max Heindel, e construir um grande Sanitarium. Demorou mais de um ano para que o dinheiro fosse repassado à Fraternidade.
Em março de 1937 deram início ao curso Bíblico, que quando finalizou continha 28 lições. É um curso por escrito baseado nos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental.
Quando a Sra. Augusta Foss Heindel, no final de 1934, saiu de Oceanside e retornou para Mount Ecclesia, ela foi morar na casinha no pé do morro, conhecida como ‘The Heindel Cottage’, onde já havia morado com seu marido. Contudo, em 1937, a então saudável e ativa Sra. Augusta Foss Heindel de 72 anos, tornou-se um tanto difícil para ela subir e descer algumas vezes a ladeira que a separava do escritório e do refeitório. Por isso ela deixou construir, com suas economias, ao leste de Rose Cross Lodge, uma casinha branca. Esta casinha tinha quatro quartos e uma sala de estar grande. Em junho de 1937 esta casinha ficou pronta e, então, se mudou para lá. Com a inauguração ela ganhou dos trabalhadores de Mount Ecclesia um conjunto de persianas que ela desejava. Sua antiga moradia serviu para outros trabalhadores.
Em março de 1938 compraram uma nova impressora. Era um equipamento caro, o mais novo Heidelberg com injeção de tinta automático. Também em 1938 foi publicado: Princípios Ocultos de Saúde e de Cura, de Max Heindel.
Além do Sanitarium também havia necessidade de um Departamento de Cura, um espaço separado onde as cartas e solicitações dos pacientes pudessem ser recebidos e organizados por Signo Solar. Em abril foi iniciado a construção do mesmo. Contudo, também fizeram os preparativos para a construção do Sanitarium, do qual a grande maioria já havia sido construída em 1932. O primeiro passo foi reformar o prédio agradável que ficava no canto do terreno, que antes era a Escola Infantil, como alojamentos para os enfermeiros, que trabalhariam para o Sanitarium.
No dia 6 de julho de 1938 foi reiniciado a construção do prédio do Sanitarium que foi possibilitado pelo legado da Sra. Gertrude Smith. Agora havia dois prédios a serem construídos, sendo que o Departamento de Cura deveria ser o primeiro a ficar pronto. Isto se tornou possível em agosto. No sábado, dia 27 às 11 horas, houve a abertura oficial e os membros podiam visitar o prédio.
O Departamento de Cura foi construído no formato de uma cruz. No centro, onde os braços se encontram tem uma pequena capela redonda e no telhado foi inserido um vitral, com o desenho da estrela de cinco pontas, e no centro dela tem cinco rosas vermelhas. Composta de doze salas para as secretárias, e cada uma representa um Signo do Zodíaco. Os pedidos de cura e as cartas dos pacientes são separados por signo solar.
Também foi trabalhado com muito empenho no Sanitarium e as pessoas esperavam poder inaugurá-lo em dezembro. Realmente isto pareceu possível, e no domingo dia 25 de dezembro de 1938, de manhã às 10:00 horas, depois de terem se passado sete anos do início da obra, o Sanitarium foi inaugurado. Na Rays de 1938 e 1939 está escrito o seguinte sobre o prédio: “O Sanitarium é um prédio de um andar. A parte que foi construída em 1932, mas não finalizada e que tem o formato de uma cruz, foi ampliada. Pelo fato das leis estaduais não permitirem que em ambos os lados de Hospitais e Sanatórios tenha um declive, não será possível fazermos as asas da cruz como havíamos planejado. Mesmo assim seguiremos o desenho original da paisagem.
No piso térreo são os escritórios para recebimento e administração, as salas de tratamento – como de hidroterapia, massagem, música e cor, e ultravioleta, e o setor de coordenação física e a sala de Raio X, um laboratório de metabolismo e laboratório geral. Também há uma Capela onde poderá ter os rituais diários; um refeitório para os pacientes e também visitantes, e uma cozinha para o preparo das dietas. Os setores para diagnóstico médico e Astrodiagnose também ficam no piso inferior.
O piso superior tem quartos individuais e de duas pessoas para os pacientes, alguns com chuveiro, outros com banheira. Esses quartos olham para o oceano ao sul e ao norte para as montanhas de San Jacinto. Neste andar também tem uma biblioteca para os pacientes. Os três terraços com tetos solares são confortáveis e tem vista para Oeste, Sul e Leste”[7].
Durante a inauguração a Sra. Augusta Foss Heindel fez um discurso. Depois a Sra. Dorothy Whitelock descreveu as coisas práticas e o Juiz Carl A. Davis finalizou com uma prece. Dr. L. B. Rogers foi nomeado diretor do Sanitarium. Antes disto ele havia sido, por seis anos, diretor do Hospital de Hollywood e, antes ainda do Hospital São Francisco em São Francisco. Contudo, ele ficou apenas até julho de 1938, por meio ano, e depois o casal Patton-Sheppard ganhou a direção. Dr. Charles Sheppard, e sua esposa Dra. Elsa Patton Sheppard eram cirurgiões e haviam trabalhado em Portland, Oregon.
No dia 29 de janeiro de 1939 a Sra. Mary B. Roberts, que por dez anos havia trabalhado no setor de Cura, faleceu. Alguns dias depois o Sr. Stewart Louis Vogt, de Cincinnati, Ohio, que depois foi morar em Oceanside, também faleceu de ataque cardíaco no hospital local. Este homem era um artista que desenhou o ‘Ecclesia Drive’, o caminho que vai para o Templo, ele também ajudou a pintar o interior do Pro-Ecclesia e fez a pintura do que fica do lado direito: ‘Cristo ajoelhado no Getsemani’.
Durante a Escola de Verão o Sr. Lynn Vivian doou para a Sede Central 100 pés de laranja e toranja, que foi plantado por um dos estudantes da Escola de Verão, o Sr. Karl Stebbinger.
Em 1939 o refeitório também foi restaurado e aumentado e foram comprados novos equipamentos, entre os quais um refrigerador.
Em 1940 os estatutos foram modificados, para poder incluir que a associação seria regida conforme as leis de associações – “non-profit college incorporation Law” – o que significa que a associação não tiraria proveito financeiro de sua constituição. O nome, que em 1935 tinha mudado para ‘The Rosicrucian College’ voltou a ser ‘The Rosicrucian Fellowship’ e, novamente, foi tomada a decisão de ser uma igreja ou organização religiosa que divulga os ensinamentos Rosacruzes.
Um dos desejos de Max Heindel era ter sua própria orquestra. Este desejo também se realizou porque em novembro de 1940 Mount Ecclesia tinha sua própria orquestra, da qual Ernst R. George era o dirigente.
Em dezembro de 1940, o Sr. Charles D. Cooper, que foi membro da fraternidade por 42 anos, faleceu. Ele conheceu Max Heindel pessoalmente e assistia suas Palestras. Ele iniciou, em 1924, o fundo para o órgão de tubos e a tela de projeção.
No dia 28 de fevereiro de 1941, o Dr. Leon Patrick foi recepcionado com uma festa juntamente com sua esposa, porque a partir de 1º de março ele seria o novo diretor do Sanitarium. O Dr. Patrick tinha graduação de M.D. do ‘Californisch Eclectic Medical College’ de Los Angeles e uma graduação de D. O. no ‘Los Angeles College of Osteopathic Physicians and Surgeons’. No ‘Los Angeles Country Hospital’ ele era assistente cirurgião. Ele tinha vinte anos de experiência em Orange, Califórnia, e fez uma boa reputação como médico, nutrólogo e escritor.
Quando, em fevereiro de 1942, a Sra. Augusta Foss Heindel se afastou da posição de Presidente do Conselho houve novamente divisão e as dificuldades retornaram. No dia 16 de abril os membros de Non-sectarian Church, Weaver, Munson e Grow, começaram um processo judicial em San Diego. O processo era contra a Fraternidade Rosacruz. Eles representavam quinhentos membros e queriam uma explicação, que eles e outros membros tinham o direito de participar da escolha dos Membros da Curadoria e tentavam conseguir uma devolução de US$ 41.936,56, dizendo que os Membros da Curadoria[8] desfalcaram do Sanitarium no período de 1939-1942. O Juiz declarou que eles, como seguidores da “Fellowship”, tinham o direito de verificar a contabilidade, mas devido ao fato de não serem membros da ‘The Rosicrucian Fellowship’ não poderiam participar das eleições da Curadoria, e que o afastamento da Sra. Augusta Foss Heindel como Presidente era um ato legal.
Entre os dois partidos não existia divergência de opiniões sobre a melhor forma de divulgar os ensinamentos. A questão era somente sobre quem tinha o direito de usar a propriedade e ensinar a filosofia. Juntamente com o direito de usar a propriedade estão os direitos de incluir novos membros, receber as colaborações destes membros e da venda dos livros.
Em janeiro, alguns seguidores da Sra. Augusta Foss Heindel queriam constituir uma Organização Religiosa, o que foi realizada em 6 de julho de 1944. Então, a Sra. Augusta Foss Heindel fundou a “The Rosicrucian Fellowship Non-Sectarian Church”. Três meses depois, no dia 7 de outubro, a Sra. Augusta Foss Heindel declarou que o contrato, mencionado anteriormente, com “The Rosicrucian Fellowship” havia sido cancelado.
No dia 12 de janeiro de 1946 Mount Ecclesia ganhou uma linha de ônibus para Oceanside. O ônibus passava a cada quarenta e cinco minutos das seis da manhã até à meia noite. Isto foi uma grande melhoria, pois os visitantes não dependiam mais somente de táxis e os moradores de Mount Ecclesia também conseguiam chegar mais facilmente na cidade.
Em muitos aspectos a Sra. Augusta Foss Heindel passou por um período de adversidades. Assim no dia 21 de maio de 1943 ela teve um sério acidente de carro e ficou por três semanas no hospital, enquanto alguns membros assumiram a tarefa esotérica dela.
Apesar de não haver melhoramentos no relacionamento, a Sra. Augusta Foss Heindel continuou vivendo em Mount Ecclesia. Não apenas nas condições emocionais, mas também nas físicas ela tinha dificuldades, pois após o acidente não houve uma melhora completa e ela vivia com dor constante no ferimento dos quadris. Por isto ela caminhava com dificuldade e ela se movimentava em Mount Ecclesia com o auxílio de uma cadeira motorizada. A dor permaneceu até seu falecimento, em 9 de maio de 1949.
No Echoes de junho de 1949 lemos o seguinte: “Mais de quarenta anos esta alma corajosa direcionou todos os seus pensamentos e ações à divulgação dos ensinamentos. Nós, que ficamos para trás, não podemos lamentar egoisticamente sobre a sua libertação de um corpo que no correr dos anos foi se tornando flagelado pela dor, apesar de estarmos tristes de perder seus sábios conselhos, seu toque suave, e a coragem intrépida da nossa ‘mãe’ Heindel”.
Após a cremação, em San Diego, as cinzas foram enterradas ao pé da Cruz do Fundador em Mount Ecclesia.
Após a partida da Sra. Augusta Foss Heindel, no dia 9 de maio de 1949, a liderança ficou com os Discípulos e Probacionistas. Isto significa que nada mudou e que as controvérsias continuavam existindo.
No dia 20 de junho de 1952, após 7 anos, o Juiz se pronunciou sobre o caso que foi iniciado em 1945. A deliberação foi que a ‘Non-Sectarian Church’ teria o direito de:
Ambas as partes, que tinham plena convicção de estarem agindo corretamente, pareciam, no verão de 1952, estarem dispostos a iniciar negociações para uma fusão. As chances pareciam favoráveis. Contudo, quando, em agosto, um dos antigos membros da Curadoria [Pearl Williams], que era um dos instigadores contra a Sra. Augusta Foss Heindel, reapareceu, as esperanças foram por água abaixo. Ela tenta convencer o Conselho a reabrir o processo judicial. Contudo, isso não é feito.
Porque os membros americanos não viam como chegar a um acordo, os Centros Europeus, no inverno de 1952, decidiram enviar o Sr. Lachambre, Presidente do Centro de Paris, para a Sede Central, como representante deles com o objetivo de ajudar a encontrar a união. O Sr. Lachambre era advogado e conhecia as Leis da França e também as da Califórnia. No início de março de 1953 o Sr. Lachambre partir em direção a Mount Ecclesia para permanecer lá por quinze dias. Após sua chegada solicitou um encontro com ambas as partes, que ficou marcada para dia 8 de março. No início desta importante reunião o Sr. Lachambre pediu o auxílio dos Irmãos Maiores da Rosacruz. As vibrações eram tão fortes que ele não conseguiu proferir nenhuma palavra, e por isto, iniciaram com um minuto de silêncio.
Sua proposta era dissolver os dois grupos, determinar uma comissão de arbitragem que daria seguimento às questões em andamento e depois constituir uma nova Fellowship. Desta forma a confusão que o nome ‘Church’ [Igreja] iria se desfazer e a palavra ‘Corporation’ [Corporação] que provocou as complicações, também iria se desfazer.
Foi instituída uma comissão de arbitragem sendo: 2 integrantes da Corporação, o senhor Omar D. Dodson e a senhorita Perl Williams; 2 integrantes da Non-Sectarian Church, senhora Helen E. Cash e o senhor L. Johnson e como 5º integrante: o senhor Lachambre. O relatório da comissão de arbitragem foi elaborado no dia 15 de março em reunião geral dos Discípulos e Probacionistas [somente os que tinham direito a voto], 34 no total, que foram desta forma: 28 votos a favor, 1 contra (a presidente da Corporação, Perl Williams) e 5 abstinências.
Depois disso enviaram uma carta para todos os Discípulos e Probacionistas solicitando seu voto. Enquanto isto o senhor Lachambre voltou a Europa e pessoalmente comunicou aos Centros Europeus o ocorrido.
Infelizmente, pelo menos por enquanto, a fusão não se concretizou. Novamente a Corporação solicitou a revisão ao Juiz, mas este se recusou a rever sua decisão.
Neste meio tempo foi contratado um novo diretor para o Sanitarium, Dr. Raymond H. Houser D.C. Seu nome aparece pela primeira vez na Rays de julho de 1954, portanto sua contratação deve ter ocorrido em maio de 1954.
Aproximadamente dois anos após a tentativa de unificação do Sr. Lachambre, parece que em agosto de 1955 que ambas as partes manifestaram desejo de se reunificar, pelo menos conforme anunciado no Echoes de novembro de 1955. Parece que o primeiro passo foi dado pela Non-Sectarian Church. No Echoes de março de 1956 está escrito que um avanço positivo da reunificação com a Corporação estava agendado.
E no Echoes de abril de 1956 foi notificado que em 25 de março de 1956, às 12:00 horas, seria a assinatura da fusão. A Corporação seria fechada e a Non-Sectarian Church continuaria existindo enquanto seu nome se modificaria para: “The Rosicrucian Fellowship”.
No Echoes de maio foi reimpresso um artigo do jornal de Oceanside, o ‘Blade-Tribune’, e a última página do Echoes citado foi dedicado aos acontecimentos deste 25 de março:
“No domingo, dia 25 de março de 1956 às 11:00, horas iniciou-se o encontro dos administradores da Corporation, os administradores do Non-Sectarian Church e os advogados de ambos os grupos. Havia muitos membros presentes, que se encontravam no Sanitarium, na recepção e perto das janelas do lado de fora para tentar ver e ouvir o desenrolar dos fatos. O Sr. Dodson, presidente da Corporação, abriu o evento e logo passou a palavra para o Sr. Frank Bowman, Presidente da Non-Sectarian Church. Senhorita Pearl Williams fez a cerimônia de abertura e logo após o Sr. Bowman solicitou que cada integrante do Conselho da Corporação e da Non-Sectarian Church falasse umas palavras. Cada um disse o seu ponto de vista sobre a importância da assinatura dos papéis da unificação.
Astrologicamente, o melhor horário para a assinatura era exatamente às 11:57 horas. Conforme esta hora se aproximava a tensão aumentava. O horário foi observado com todo o cuidado e exatamente às 11:57 horas as assinaturas se iniciaram. Os Senhores Bowman e Dodson assinaram os primeiros papéis que depois foram entregues a Sra. Scarborough e o Sr. Robinson, os secretários dos respectivos grupos, que acrescentaram suas assinaturas. Também era necessário assinarem todas as cópias necessárias o que foi feito o mais rapidamente possível. As assinaturas tomaram exatamente dois minutos e finalizaram às 11:59 horas.
O Prefeito de Oceanside, o Sr. Richardson, fez um pronunciamento aos presentes. Ele fez uma bela explanação do relacionamento de Oceanside com a Rosicrucian Fellowship. Logo após o evento foi finalizado.
Após um almoço na Cafeteria [antes chamada de Refeitório] houve um momento de confraternização onde todos participaram. Foi servido sorvete com bolo apreciado por todos. Na lateral da Cafeteria tem uma torre onde fica pendurado o sino. Todos se reuniram lá e o primeiro de dois atos simbólicos foi realizado. Foi o enterro do machado. Fizeram um buraco fundo onde colocaram um machado, que foi muito bem enterrado lá no fundo. A ideia era, futuramente, fazer uma placa de reconhecimento, para marcar para sempre que as dificuldades na Sede Central fazem parte do passado[9].
Logo depois foi realizado o segundo ato simbólico. Na entrada do terreno, abaixo da placa do ‘The Rosicrucian Fellowship’ tem duas estátuas, representando leões, cada um de um lado da entrada. O Sr. Bowman colocou suas roupas de trabalho e começou a pintar os leões. Ele declarou que estava fazendo este ato simbólico para mostrar que ninguém é bom demais para trabalhar, pois estamos aqui todos juntos com o mesmo objetivo: trabalhar pela Fraternidade para dar ao mundo um verdadeiro conceito espiritual, e fazer que a visão de Max Heindel tenha um final bem-sucedido. Os leões ficaram bem mais bonitos; que eles nunca mais fiquem maculados.
Isto fechou os acontecimentos do dia. Um dia que nunca mais esqueceremos, um dia de valor histórico na história da Fraternidade”.
Aqui a controvérsia duradoura chegou ao final definitivo, que devem ter custado, para ambas as partes, mais de US$ 100.000,00, em custos processuais.
Em dezembro de 1957 foi colocado um órgão novo na Pro-Ecclesia, pois o antigo estava em tal estado que necessitava ser substituído. Não era um órgão de tubos, mas era um Hammond[10], um órgão elétrico no valor de US$ 1360,00. Foi pago US$ 600,00 à vista e o restante em valores mensais.
Para irrigar para os gramados, flores, arbustos e árvores compraram uma nova tubulação. Esta tem um comprimento de 120 m, saindo do ponto central. Esta tubulação foi uma doação dos amigos de Porto Rico.
Após esta ligação da tubulação de água foi colocada uma rede de esgotos saindo da parte que foi comprada de 1,2 ha do bosque de eucaliptos, na parte baixa do terreno, que ainda não fazia parte quando Heindel comprou o terreno. Esta rede de esgotos vai do Centro de Cura, para o Cottage do Templo até Carey Road. O cano tem um diâmetro de 20 cm. Os custos foram orçados por US$ 4000,00 e a mão de obra ficaria US$ 300,00. Em 1961, quando o trabalho foi finalizado, constataram que os custos totais ficaram em US$ 7.500,00. Praticamente todos os prédios foram ligados a esta rede de esgotos, exceto Heindel Cottage, a biblioteca e cinco casinhas, que estavam construídas num nível do terreno muito baixo.
Também, em janeiro, uma das estudantes aposentadas doou um ônibus de 12 lugares para substituir o velho. Isto em homenagem ao seu falecido marido.
No Echoes de junho de 1960 foi anunciado que Heindel Cottage, a casinha onde o Sr. e a Sra. Augusta Foss Heindel moraram um tempo, não estava mais em condições de moradia, mas seria reformado para servir de museu. Nesta casinha Heindel escreveu as lições aos Estudantes, que mais tarde formaram alguns livros.
O museu iria conter a escrivaninha de Heindel e outros objetos que lembravam ele e a esposa. Assim que fosse possível a casa e os arredores seriam reformados. No Echoes de março de 1962 está citado que Heindel Cottage foi demolida em fevereiro, apesar da dor no peito e algumas lágrimas de antigos funcionários.
Após a fusão houve um período tranquilo no que se refere à parte espiritual, mas financeiramente estava muito difícil. Em primeiro lugar havia uma dívida muito alta perante a justiça. Em segundo lugar era necessário muito dinheiro para fazer a manutenção dos prédios e terrenos. Em terceiro lugar havia o aumento constante do material, maquinário para a impressão e distribuição; e por último os custos de impostos que subiram muito. Por estas razões, em novembro de 1959, foi enviado aos membros com direito a voto uma solicitação de autorização para arrendar alguns acres de terra, um pouco mais de um hectare. A maioria votou a favor.
Em 1960, a Califórnia necessitou de um pedaço de terra para duplicar a Mission Avenue e a Fraternidade receberia uma compensação pelo Estado. Juntamente com isto veio a notícia que Mount Ecclesia ficaria isenta do pagamento de impostos sobre o patrimônio.
Mas em meados de 1961 a Fraternidade recebeu o comunicado que todos os prédios deveriam seguir as normas do “Oceanside Code Requirement”, as leis orgânicas de Oceanside às quais novos e velhos prédios construídos deveriam seguir. Isto significava um valor considerável em manutenção e reformas, pois antes desta Lei Mount Ecclesia tinha controle próprio sobre seus prédios, esgoto, eletricidade etc. Agora não podiam mais fazer tudo sozinhos, pois deveriam ser feitos por empreiteiras registradas ou pessoas diplomadas.
Devido à falta de moradia o Conselho de Mount Ecclesia, no dia 14 de outubro de 1961, decidiu que qualquer Probacionista que assim quisesse poderia construir (no máximo cinco) casinha, atrás do Edifício da Biblioteca – que era o primeiro prédio. Com a construção destas casinhas seria demolida Ecclesia Cottage.
Depois de ter sido feito a rede de esgoto no bosque dos eucaliptos e alguns membros se prepararem para construir algumas casinhas lá, a cidade de Oceanside recusou a autorizar qualquer nova construção, enquanto não estivessem todos os outros prédios de Mount Ecclesia conforme a nova Lei do Município e do Estado; ou que fossem demolidos. Rapidamente ficou claro que isto traria um enorme gasto. Contudo, antes desta proibição já tinham começado as obras. Com a ajuda de boas doações e empréstimos de associados puderam fazer os pagamentos.
Mas em junho de 1962 ficou claro que – para fazer as devidas restaurações, incluindo a demolição e reconstrução de alguns prédios – seria necessária mais ajuda financeira. Novamente, veio a ideia de arrendar os 3 acres, 1,2 hectare de terra no canto onde Carey Road e Mission Avenue se cruzam. Após uma pesquisa descobriram que se arrendassem este pedaço de terra iriam perder o direito de não pagar o Imposto sobre Patrimônio, enquanto que se fosse vendido isto não aconteceria. Portanto foi enviado aos associados, com direito a voto, uma carta explicativa e solicitando seu voto, onde mais da metade se manifestou favorável. O advogado de Mount Ecclesia recebeu a ordem do Conselho para conseguir autorização do Supremo Tribunal para negociar com uma refinadora uma área de 1.350 m² para construção de um Posto de Abastecimento e 3 acres ao lado de Carey Road para empreiteiros locais.
A venda de 1.350 m² ao Hancock Oil Co., rendeu US$ 35.000,00 menos 10% de comissão. No contrato de compra e venda tinha uma cláusula que o posto de gasolina não poderia ter uma oficina de conserto junto. Os empreiteiros compraram 2 acres pelo valor de US$ 30.000,00.
No dia 13 de janeiro de 1962 a Sra. Ethel Caswell, que foi funcionária da gráfica e setor de redação por muitos anos, faleceu. Ela ajudou Heindel a tipografar o Livro “Mensagem das Estrelas” e vários outros livros. Ela era casada com Ned Caswell, que conheceu em Mount Ecclesia. Com alguns intervalos, eles moraram por anos seguidos em Mount Ecclesia.
Alguns dias depois, no dia 18 de janeiro de 1962, Esther Kristina Kjellberg faleceu. Em 1927 ela foi diretora da Escola Infantil e em 1932 ela se tornou estudante. Mais tarde ela foi secretária dos departamentos: sueco, alemão e francês.
Nem todos os prédios podiam ser restaurados a ponto de satisfazerem a Lei, ou os custos eram tão altos, que economicamente era inviável. Por esta razão, em fevereiro de 1962, Heindel Cottage foi demolida, a casinha que Heindel e sua esposa haviam morado. Em julho de 1962 a biblioteca, o primeiro prédio construído em Mount Ecclesia, também foi demolido.
No dia 26 de janeiro de 1963 o Conselho decidiu destinar a parte ao norte da Guest House[11] e ao leste do – logo depois demolido – Temple Cottage para construção de casas. Seria permitido a alguns Probacionistas construírem neste local, mas após seu falecimento as casas seriam de propriedade de Mount Ecclesia para servir de moradia aos funcionários.
Também seria definida, pelo Estado, a parte do terreno que ficaria disponível para a duplicação da Rodovia. Esta linha vai de um determinado ponto na entrada da Carey Road, até o caminho que vai até o bosque dos eucaliptos e a antiga entrada. Amic Street, o antigo caminho que vai até o bosque de eucaliptos, deveria permanecer, mas seria prolongada até onde agora é terreno da Fraternidade. A Rodovia seria duplicada, o que significa que seria construída uma nova entrada.
No dia 1º de junho de 1963 o Conselho decidiu parar de usar o ônibus. Com isto houve uma economia anual de US$ 500,00 em seguro e manutenção. Após ser avaliado por um corretor local o ônibus foi vendido para um dos funcionários.
Em meados de 1963, Ecclesia Cottage foi demolida. Em setembro de 1964 a impressora Stonemetz foi substituída por uma Kelly de segunda mão. A partir de outubro até final de dezembro de 1964 a Fraternidade produziu uma série de doze “quinze minutos” de emissão de rádio na estação XEMO[12]. As emissões eram aos domingos, às 15:45 horas. No futuro esperavam também aparecer na TV.
No dia 7 de novembro de 1964 o Conselho se reuniu, principalmente para decidir sobre a oferta de US$ 35.345,00 feita pelo Departamento Estadual de Rodovias pelo pedaço de terras de Mount Ecclesia, que o departamento necessitava para duplicar a Mission Avenue. O caso já estava nas mãos do advogado da Fraternidade, que já havia feito uma cotação por um corretor de imóveis para definir se o preço estava de acordo com o mercado. Apesar do contrato ainda não estar assinado, o Conselho estava de acordo que o máximo possível do valor deveria ser utilizado para construir uma nova biblioteca, pois a antiga deveria ser demolida. O novo prédio seria de um único piso e teria espaço para a biblioteca, local para aulas e local para Palestras. Um prédio assim seria usado durante o ano todo, mas em especial para as Escolas de Verão e em ocasiões especiais, como, por exemplo, encontros de música ou apresentações.
Na reunião de 9 de janeiro de 1965 foi decidido aceitar a oferta de US$ 35.345,00 do Departamento Estadual de Rodovias. Também foi aceita a oferta de vender os livros do New Age sobre a Bíblia, escritos pela Sra. Corinne Smith Heline. Seria feito um acordo com o Sr. e Sra. Heline, da New Age Press, onde a Fraternidade se comprometia, no futuro, imprimir e distribuir estes livros juntamente com os da Fraternidade. Como na Fraternidade as interpretações da Bíblia tomam um lugar tão importante, isto foi considerado um acordo muito favorável e teve grande apoio. Durante cinco anos a Sra. Heline foi uma das estudantes de Max Heindel e suas interpretações das leituras sagradas eram baseadas no Conceito Rosacruz do Cosmos e outros livros escritos por Max Heindel. São três livros sobre o Antigo Testamento, três livros sobre o Novo Testamento e um sétimo livro: “Os Mistérios de Cristos”.
No final de 1964, início de 1965, foram construídas cinco casinhas para membros. No lugar onde antes estava Valley View Lodge, beirando o bosque dos eucaliptos, foi construído uma casinha com quatro quartos para quatro pessoas, com uma garagem no andar inferior.
Logo seria construído, onde antes havia casinhas, perto da Cafeteria, três alojamentos para solteiros, contendo: quarto, banheiro, chuveiro e cozinha. Entre a Cafeteria e estes alojamentos ainda tinha lugar para, no futuro, se construir mais casinhas, que teriam, como vantagem, a bela vista para o Templo e para as montanhas de San Jacinto.
Na primavera de 1966 o Estado começou a duplicar a Mission Avenue. No pedaço de terra que foi vendido as árvores foram leiloadas e as moitas removidas. A entrada também seria demolida, pois não era possível removê-la. Já havia desenhos para a nova entrada aproximadamente no mesmo local, mas um pouco mais distante da Avenida. Para aqueles que visitam o terreno ficaria praticamente igual ao que quando Max Heindel lá vivia, com o Prédio da Administração à esquerda e à direita o Emblema da Fraternidade iluminada. A nova entrada ficou pronta em janeiro de 1967.
No Echoes de setembro de 1967 está escrito que no outono os desenhos do novo Auditório ficariam prontos. O prédio seria destinado, principalmente, para apresentações musicais, teatrais e para recepções, etc.
Em fevereiro de 1968 a casinha atrás do Rose Cross Lodge, onde a Sra. Augusta Foss Heindel viveu seus últimos anos, foi demolida. Um incêndio na cozinha, provavelmente ocasionado por um curto circuito, destruiu parte da casinha e a parte sanitária já deixava a desejar há algum tempo. Por conselho da Seguradora o Conselho decidiu que era melhor demolir, pois reformá-la, conforme as leis atuais, seria muito caro.
No lugar onde esteve Templo Cottage foi construída uma casa nova. Num futuro próximo pretendiam construir mais uma casa ao lado. Também iriam começar logo com a plantação de uma cerca viva de oleandros[13] beirando Amick Street e Mission Avenue.
Mas o plantio foi adiado até aproximadamente abril de 1970, pois deveria primeiro ser colocados tubos, para irrigar esta área. Foi definido por plantar uma espécie de Pittosporum[14], porque formam uma cerca fechada e tem flores com um cheiro que lembra as laranjeiras.
Por volta de fevereiro de 1968 foi adquirida uma nova impressora, chamada ‘kwickprint’. Foi uma doação de dois Probacionistas. Desta forma ficou mais barato para imprimir em cores, os panfletos e outros materiais.
No Echoes de agosto de 1968 foi anunciado um novo livro com o título: O Cordão Prateado e o Átomo-semente. Este livrinho de 50 páginas é uma compilação das lições dos estudantes baseados nos escritos de Max Heindel. Contém algumas ilustrações interessantes, feitas de slides que foram usadas por Max Heindel e seus estudantes, antigamente.
Aproximadamente um ano depois, em julho de 1969, dois novos livros ficaram prontos para distribuição gratuita: A Força do Pensamento, uma compilação retirada de livros de Max Heindel. O segundo se chamava O Planeta Plutão.
Apesar das brochuras divergirem em cor e tamanho, todos os livros da Fraternidade são costurados com fios verdes e impressos com o emblema e letras nas cores vermelho e dourado. Este era um plano do Max Heindel. Dois livros com exatamente o mesmo formato, costura e emblema irão chamar mais atenção e interesse. Uma fileira inteira desta forma iria chamar mais atenção ainda. Sobre o significado dos símbolos nos livros, a Sra. Lizzie Graham escreveu na Rays de janeiro de 1919, na página 358[15].
No Echoes de março de 1971 foi anunciado uma nova publicação: é um livro contendo 100 páginas com horóscopos interpretados por Max Heindel, que foram publicados primeiramente na Rays. Estas explanações não haviam sido publicadas antes.
Na segunda-feira dia 15 de fevereiro de 1971, às 6:00 horas um dos antigos Probacionistas e colaboradores, Theodore Heline, foi libertado de seu corpo mortal.
Naquele momento ele estava internado no Hospital de Oceanside, onde estava internado a alguns dias.
Ele nasceu em 1883 em Marcus, Iowa, onde ele cresceu e se tornou ator de peças de Shakespeare. Já na juventude ele se interessou por assuntos ocultistas e em 1921, quando morava em Nova York, ele conheceu os Ensinamentos Rosacruzes. Em 1922 se tornou estudante e numa visita à Sede Central conheceu Corinne Smith Dunklee, Kitty Cowen, Mary Roberts e outros que lá trabalhavam ativamente. Em 1925 ele se tornou Probacionista e dedicou alguns anos dando aulas no Centro da Fraternidade, palestrando e dando entrevista em estações de Rádio. Em 1932 ele voltou a visitar a Sede Central, e iniciando com a edição de agosto ele foi, por um ano, redator da Revista: Rays from the Rose Cross. Neste período ele fez amizade com Corinne Smith, que trabalhava como assistente na redação, e logo depois se casaram. Após se mudarem para Los Angeles, ambos dedicaram seu tempo a escrever, fazer palestras, divulgar e publicar os livros da “New Age Bible Interpretation”. Em 1965 eles se mudaram para Oceanside onde viveram até o falecimento do Sr. Heline em 1971. Logo depois a Sra. Heline se mudou para Glendale, na Califórnia, e de lá para Santa Monica, onde faleceu em 26 de julho de 1975.
Os escritos de Theodore Heline descrevem sobre a explicação das peças de Shakespeare e sobre a visão ocultista sobre os negócios do Mundo e outros assuntos; dão um testemunho de sua habilidade como escritor, a sua intensa aproximação aos mistérios ocultos, e a sua dedicação como aspirante espiritual.
Em 1971 e 1972 foram divulgadas mais algumas publicações, como um cartão gráfico que dava as posições de: Saturno, Urano, Netuno e Plutão entre os anos de 1800 e 2000. Uma série de desenhos dos Signos do Zodíaco, em preto e branco. Um panfleto para distribuição gratuita com o título: Retrospecção e Concentração. Um livro de, aproximadamente, 60 páginas que contém todos os diagramas do Conceito, e uma brochura com quarenta e uma páginas com o título: A Morte e a Vida depois Dela e uma brochura com o título: Retardamento Mental.
Em 1972 surgiram mais publicações, onde a principal delas é o Conceito em Braille.
Em junho de 1972 adquiriram uma impressora offset. Para dar uma dimensão da quantidade de livros vendidos naquele ano, seguem aqui alguns números: The Rosicrucian Cosmo Conception: 4.646 exemplares; New Age Vegetarian Cookbook: 4.437 exemplares; Tables of Houses: 15.947 exemplares; Ephemerides: 4.437 exemplares e formulários de horóscopos: 286.000 exemplares.
De tempos em tempos são necessários concertos e manutenções. Assim, na primavera de 1971 pintaram, novamente, a Cafeteria e fizeram as manutenções necessárias na Entrada Principal. No verão de 1973, no Prédio da Administração e, em outubro de 1974, o antigo Sanitarium, que virou Casa de Hóspedes. Contudo, o acontecimento maior foi na quinta-feira dia 12 de novembro de 1974, às 12:45 horas, quando colocaram a primeira pá no chão para a construção do novo Prédio da Administração, exatamente a oeste do anterior que foi construído em 1917. Em tempo recorde de três meses, no dia 18 de fevereiro de 1975, ele foi inaugurado.
No prédio inteiro tem carpete em tons de azul, enquanto os funcionários podiam escolher a cor das paredes e cortinas. Principalmente tons pastel entre o verde claro e amarelo.
No Echoes de maio de 1975 está escrito: “O Conselho de Administração tomou a decisão de um dos passos mais importantes para a Fraternidade desde a compra desta terra feita por Max Heindel. Foi enviado à Comissão de Planejamento da Cidade de Oceanside um plano de desenvolvimento geral. Tudo o que o Conselho de Administração sugeriu foi aceito. Isto significa que todas as construções no futuro podem continuar sem serem bloqueadas pelo Município.
Cada centímetro do terreno tem um plano para que qualquer desenvolvimento ocorra de forma ordenada e estética. O plano será executado nos próximos dez a quinze anos.
Já estamos felizes com o novo prédio da administração, e agora, que ainda cheira a novo e estamos mobiliando, já começamos com a construção dos apartamentos dos funcionários. Deve ser uma construção com um andar superior, com seis quartos individuais, quitinetes e um banheiro. Terá um terraço ao norte onde poderão se sentar e observar a paisagem”.
O novo prédio da administração foi uma doação do Sr. Gene Franzman. O Sr. David Johnson me escreveu: “Este prédio foi uma doação de um amigo meu, o Sr. Gene Franzman. Ele era Probacionista e participava do Conselho de Administração, morava em Mount Ecclesia e trabalhava na Biblioteca da Fraternidade Rosacruz. Ele doou milhares de dólares para construir este prédio e morava dentro dele até que se mudar para San Diego. Ele era músico de profissão e empregou seu dinheiro da aposentadoria neste prédio para os funcionários. Ele tinha 90 anos quando faleceu em San Diego. Nos anos 70 e 80 ele trabalhava na Sede Central. Eu o conheci em Tucson, quando nós seguíamos os cursos do Rosacruz nos anos de 1967-1969. Ele se interessou tanto pelos ensinamentos que ele comprou uma igreja velha e a doou ao Centro, até que em 1970 ele deixou o Arizona. Como o número de estudantes diminuiu a igreja voltou para Gene, que a vendeu por volta de 1971. Naquele tempo ele se mudou para a Sede Central levando com ele o dinheiro da venda para construir este prédio”[16].
O Echoes de maio de 1975 continua: “Com o tempo será construído mais um prédio para os funcionários. Também tem espaço para mais trinta e duas casas ou chalés. Finalmente será construída uma nova biblioteca, um prédio para educação, uma de uso multifuncional – que poderá servir como local de aulas – e cafeteria ou uma combinação de ambas com portas dobráveis que quando necessário poderá aumentar o tamanho. Pense que tudo isto já está autorizado pelo Município e o alvará de construção já foi concedido. O Município solicitou que colocássemos encanamentos para água com 15 cm de diâmetro para melhorar a defesa contra incêndios. Logicamente faremos isto com prazer. Também foi decidido fazer uma nova entrada.
A parte exterior não foi esquecida. Com este plano que prevê todas as obras futuras, assim como onde se localizarão estradas e prédios, também é possível determinar o local de todas as árvores e o paisagismo. Incluindo aqui um parque para meditação, onde as pessoas podem ir para curtir a tranquilidade e a natureza. Também haverá, para os que tiverem mais disposição, um centro de recreação, uma quadra de tênis e basquete”.
Numa determinada noite, perto do final de abril de 1975, houve um incêndio no depósito, separado da grande parte central no prédio antigo da administração. Os bombeiros cobriram todas as máquinas de impressão e papéis para evitar danos de inundação. Isso foi feito com sucesso, como ficou claro na manhã seguinte quando todas as máquinas funcionaram normalmente. Felizmente todos os escritórios já haviam mudado para o prédio novo quando este incêndio aconteceu. É preciso pouca imaginação para saber o que aconteceria se ainda estivessem no prédio antigo.
Em março de 1976 foi construído um prédio anexo ao norte da Administração, porque a encadernadora e expedição necessitavam de mais espaço, e também para a estocagem dos livros.
Em 1963 Oceanside havia declarado que Rose Cross Lodge estava inabitável e depois disto foi se deteriorando cada vez mais, portanto, no verão de 1977 tomou-se a decisão de demolir o prédio. Em outubro as estradas asfaltadas no terreno ganharam uma nova camada de asfalto conforme as normas.
No Echoes de fevereiro de 1982 foi declarado que no quarto escuro da gráfica havia sido instalado uma nova câmera vertical. Este aparelho moderno permitia imprimir fotos tanto em preto e branco, quanto coloridas na Rays. Esta nova câmera podia fazer fotos de 7,5 cm até 50 X 60 cm.
Em setembro de 1981 iniciou em Mount Ecclesia o período do computador. Todos os dados dos membros efetivos, simpatizantes, doadores e os que compravam livros foram inseridos num computador de dez milhões de bytes.
No sábado, dia 2 de setembro de 1978, faleceu um rico senhor de Portland, Oregon, aos 92 anos, chamado Fred Meyer. O Sr. Meyer, que conheceu Max Heindel em meados de 1909, sempre fez doações para a Sede Central e após seu falecimento ele deixou US$ 200.000,00 para a Fraternidade, o valor mais alto do seu testamento. Conforme os dados do tribunal ele deixou um milhão de dólares para sua família e funcionários enquanto os outros US$ 48 milhões eram para formar um fundo de caridade. Este fundo era para fins religiosos, caridade, pesquisa, literatura e educacionais e dos quais uma parte era dirigida à Fraternidade Rosacruz. A Fraternidade não tinha conhecimento disto, até que um repórter do Blade-Tribune, no sábado dia 9, os comunicou disto, pois não haviam sido comunicados pelo executor do testamento de Oregon.
Em junho de 1982 veio uma doação de US$ 100.000,00 que deveria ser aplicada conforme algumas condições em um documento anexo que foi enviado no dia 14 de junho. A Associação Beneficente de Fred Meyer informou a Fraternidade Rosacruz que poderia haver uma doação regular para financiar projetos, prioritariamente no noroeste dos Estados Unidos.
Após analisarem cuidadosamente diversas ideias o Conselho de Administração decidiu aplicar os US$ 100.000,00 da seguinte forma:
No Echoes de fevereiro de 1983 foi anunciado que: “este ano, durante o encontro da Escola de Inverno, abriremos o ‘The Rosicrucian Fellowship Museum’ distribuído por três recintos na Casa de Hóspedes. Durante muitos anos juntamos várias peças utilizadas pelo Sr. e Sra. Augusta Foss Heindel e de outros pioneiros que trabalharam em Mount Ecclesia. Contudo, até pouco tempo não havia espaço para montar um Museu. Agora isto ficou possível. O Museu será aberto para membros e amigos da Fraternidade”.
Em fevereiro de 1983 foi colocada uma nova placa perto da entrada, que era vista a distância por quem caminhava e pelos carros que passavam na rodovia.
Em março a Fraternidade ganhou de presente da Jackson & Perkins Company de Medford, Oregon, 180 roseiras. Estas foram plantadas perto do Templo e do Departamento de Cura.
Em junho de 1983 decidiram publicar um ‘jornal de visão e introvisão espiritual’, chamado Mystic Light. Foi pensado em um jornal de qualidade com oito páginas, que conteria um artigo de Max Heindel, um artigo sobre astrologia e outros artigos que seriam para estimular tanto a Mente quanto o Coração. O preço da anuidade era US$ 10,00 e para dois anos US$ 18,00. Era intenção que uma parte desta publicação do Mystic Light fosse enviado pelo computador para milhares de pessoas que tivessem interesse em receber desse modo.
Isto durou até dezembro de 1983. Por questões financeiras e técnicas precisaram parar com a publicação. Contudo, Rays from the Rose Cross, que desde janeiro de 1982 era publicado a cada dois meses, voltou a ser mensal e encadernado em formato novo e chamativo.
No início de 1984 foram escritos alguns livros para crianças: O Horóscopo da Sua Criança – parte 1 e 2, de Max Heindel, e Histórias Aquarianas para Crianças.
Uma nova jardinagem, desenvolvida por paisagista, incluindo projeto de irrigação, foi colocada na primavera de 1986, em frente à Casa de Hóspedes. Todo este trabalho foi realizado pelos membros e funcionários da Fraternidade.
No outono de 1986 a Fraternidade ganhou outra doação de US$ 100.000,00 do Fundo Fred Meyer de Portland. Esta doação foi utilizada para fazer um novo sistema de distribuição de água.
No verão de 1987 o Centro New Age Bible de Santa Barbara ponderou sobre o fato de deixar a Fraternidade imprimir os livros de Corinne Heine. Aceitaram a oferta, porque a Sra. Heline havia sido estudante de Max Heindel.
Em janeiro de 1989 foi anunciado um novo livro. Foi escrito por Robert Lewis e o título era: “The Sacred Word and its Creative Overtones”. O escritor tenta, com a ajuda da música, colocar uma conexão entre a religião e a ciência através da música. Em abril foram impressos 1500 exemplares.
Na primavera de 1987 faleceram algumas pessoas que eram membros por muitos anos. Eram: Hede Deen, que foi secretária de Alemão por dezesseis anos e que era membro ativo no Centro de Nova York antes de se mudar para a Sede Central em 1960.
Pearl Williams veio em 1928 para a Sede Central e alguns anos depois retornou e permaneceu lá o resto de sua vida. Em verdade ela cobriu todas as funções em Mount Ecclesia. Senhorita Williams começou como secretária de Espanhol e por muitos anos foi redatora da Rays, Presidente e mais tarde Membro do Conselho.
Richard Parson se associou a Fraternidade Rosacruz no início dos anos trinta e trabalhou lá por vários anos. Ele e sua esposa Roma voltaram para a região de Oceanside em 1974. Richard Parson esteve no Conselho, fazia palestras durante as Escolas de Inverno e Verão e era tesoureiro, quando faleceu no início da manhã de Páscoa.
Um ano depois em maio de 1988, Hans Mader faleceu, deixando sua esposa Frieda. Por mais de quinze anos foi funcionário em Mount Ecclesia.
No verão de 1987 a sala da História, situada na ala norte da Casa de Hóspedes, ficou totalmente pronta. Esta sala continha muitas fotos, livros, manuscritos e artigos sobre o crescimento de Mount Ecclesia durante os anos que se passaram.
O jornal mensal Rays from the Rose Cross voltou a ser bimestral em janeiro-fevereiro de 1988. O conteúdo mudou de 48 para 64 páginas.
Em 1988 Oceanside comemorou seu centenário. Em homenagem a esta festa, a Historical Society de Oceanside fez um lindo livro de capa dura. Neste livro tem uma página inteira sobre a história de Mount Ecclesia e uma página dupla com a foto colorida do Templo de Cura.
A Cruz original, que foi plantada no dia 28 de outubro de 1911, foi totalmente renovada na primavera de 1991. Também o emblema iluminado – que foi inicialmente doado por Probacionistas de Seattle, Washington, transportado por trem em 1912 para a Sede Central – foi lindamente reproduzido, colocaram lâmpadas novas e uma estrela reluzente.
Também o topo do Templo de Cura foi trazido abaixo. Ele praticamente caiu em pedaços quando foi colocado na mesa que estava pronta para sua reforma. Após estudo cuidadoso e de olho no desenho original, este também foi substituído e colocado novamente em cima do Templo. Simbolicamente este emblema representa a Terra na próxima Era. Com suas nove luzes circundantes representam a condição do ser humano com o Traje de Bodas desenvolvido e substituindo o Cristo como espírito planetário.
A Cidade de Oceanside fez uma nova lei no dia 24 de abril de 1991 sobre terremotos, com o objetivo de proteger os moradores e propriedades de Oceanside. Relatórios científicos sobre possíveis terremotos na Califórnia de amplitude catastrófica originaram esta nova Lei.
A Prefeitura declarou que três prédios de Mount Ecclesia eram inseguros. Para contestar até que ponto a Prefeitura tinha razão os proprietários poderiam fazer seu próprio relatório. Isto significava que a Sede Central, assim como vários moradores de Oceanside, deveria contratar um engenheiro e os serviços de laboratório, para fazerem os relatórios que demonstravam que os prédios já continham aço suficiente em suas construções para contestar as exigências da Prefeitura. Se a Sede Central não fizesse isto dentro do tempo determinado teria apenas duas opções: ou demolir os prédios ou conseguir o valor necessário para deixar os prédios em condições adequadas conforme as exigências da Lei de Terremotos. Um engenheiro, que tinha as qualificações exigidas, fez um orçamento de US$ 11.000,00 para fazer os testes nestes prédios.
Foi comunicado aos membros em março-abril de 1992 que um pedaço das terras conhecido como ‘the Carpenter Property’ havia sido vendida. Era localizada na parte do pé do morro onde se localiza Mount Ecclesia. Este pedaço já estava arrendado a muito tempo para um Ferro Velho e estava na lista de impostos de patrimônio. O Conselho nunca considerou este pedaço de terra como pertencente a Mount Ecclesia.
No Echoes de março-abril de 1993 foi anunciado que a Sede Central adquiriu um sistema de Computador no valor de US$ 12.000,00 para substituir o velho sistema Micro V.
No Echoes de julho-agosto de 1994 foi anunciado que a restauração do Templo ficou pronta, com uma nova cúpula e topo. Os profissionais que trabalharam na reconstrução do metal contaram que perceberam que saía uma energia “elétrica” dela o que eles acharam muito interessante e incomum.
A Capela e a Cafeteria também ganharam nova pintura. Em dezembro também ficaram prontas as novas instalações de irrigação e o asfalto das estradas.
Em fevereiro de 1995 foi concedido o direito de inscrever o Templo de Mount Ecclesia como Monumento Histórico dos Registros Estaduais da Califórnia. O Templo foi construído em 1920, portanto, setenta e cinco anos antes.
Em julho de 1997 foi anunciado um novo livro chamado “Memoirs about Max Heindel and The Rosicrucian Fellowship”. Augusta Foss Heindel escreveu este livro em 1941 e foi, mais ou menos, publicado em quarenta e nove edições no Echoes, iniciando em 01 de janeiro de 1948. A publicação foi possibilitada por uma doação. O livro contém 125 páginas e com noventa fotos preto-branco e oito fotos coloridas.
Novo também era o livro Echoes from Mount Ecclesia 1913-1919, que foi possibilitado por uma doação em fevereiro de 1998. O Echoes tem 608 páginas e cinquenta e uma fotos históricas em preto-branco; à maioria diferente das que estão no Memoirs.
Em março de 2001 o administrador do website da Fraternidade começou com a publicação dos relatórios das reuniões da Curadoria, tanto o Executivo quanto o Esotérico que se tornou uma fonte de muita informação, incluindo os livros de Max Heindel e os panfletos da Fraternidade Rosacruz. Na reunião de março de 2002 foi decidido que estes relatórios seriam disponibilizados para os que tivessem a senha, mas os documentos legais, como o Estatuto e regulamento interno estariam disponibilizados para todos. Também foi decidido publicar no Echoes um relatório periódico da situação financeira. Para economizar nos custos de correio o Conselho decidiu diminuir o tamanho do Echoes, que continha oito páginas e também fotos coloridas.
No dia 13 de julho de 2002 Kenneth Ray deixou de ser o paisagista do terreno para se dedicar a um jardim especial como memória de Max e Augusta Heindel.
No verão de 2002 houve nova crise econômica que também foi sentida por Mount Ecclesia. No Echoes foi anunciado que no dia 15 de julho o Conselho enviaria uma carta para os 7000 membros dizendo que apesar de todas as tentativas de diminuir os custos ainda seria obrigado a vender ou arrendar uma parte das terras compradas (1,8 ha) em 1928. Por insistência dos Irmãos Maiores a Fraternidade nunca pediu dinheiro para se associar, fornecer informações ou promover o ensino. Tudo é financiado com doações, legados ou no lucro da venda dos livros, o aluguel dos quartos para funcionários ou visitantes, e a receita do Restaurante. A Fraternidade sempre ficou na beira do sustento, de modo que uma crise econômica causa consequências catastróficas para uma instituição que nunca focou no material.
No Echoes de jan-fev 2003 está escrito que do total de 5527 membros apenas 13% moram nos EUA. Mais adiante que 25% dos membros falam inglês e que do total de membros apenas 20% fazem aportes mensais.
No outono de 2003 Elizabeth Ray e seu marido Kenneth deixaram suas funções como secretária esotérica e jardineiro e se mudaram para Wisconsin.
Vemos pelo mundo que existem três grandes tentações que a maioria das pessoas consegue resistir com dificuldade: dinheiro, poder e sexo. Durante a candidatura da Curadoria em 2003 o Sr. Francisco Nacher de Madri, Espanha, conseguiu convencer uns vinte Probacionistas do Centro de Los Angeles para votarem nele. O resultado foi catastrófico. Dentro de pouquíssimo tempo aquela Curadoria demitiu alguns trabalhadores eficientes e confiáveis e em seu lugar colocaram outras pessoas. A Curadoria demitiu Charles Weber sem aviso prévio, suspendeu-o de ser membro pelo prazo mínimo de 5 anos e tirou-o da casa onde morava, acusando-o de “injúria e difamação de Max e Augusta Heindel”.Pelo fato de demitir Charles Weber a revista Rays from the Rose Cross deixou de ser publicada. Pela primeira vez em 91 anos desde que Max Heindel em junho de 1913 publicou seu primeiro Echoes from Mount Ecclesia, a Fraternidade Rosacruz não tinha mais jornal periódico dos Ensinamentos Ocidentais Ocultos. As flores e plantas tropicais do jardim secaram e morreram e o mato tomou conta. Pouco depois Mary Reed, da contabilidade, foi demitida e ninguém a substituiu.
Quando a situação foi comunicada aos membros através de e-mail, estes expressaram sua indignação parando com as contribuições voluntárias. Para obter dinheiro a Curadoria vendeu, em junho de 2004, quatro palmeiras enormes. Mais tarde estas palmeiras foram reconhecidas sendo plantadas ao longo da Rodovia. Em 2007 foi comunicado que todas estas palmeiras que vieram das Ilhas Canárias sofriam de uma doença incurável e que iriam sucumbir a isto.
Como consequência da insatisfação, Nadine de Galzain entregou uma petição ao Tribunal no dia 29 de abril de 2004, por má administração. No dia 1º de junho de 2004 o Tribunal enviou o Juiz aposentado David Moon para montar uma Comissão de arbitragem em Mount Ecclesia. Por força da Lei a Curadoria vigente foi desfeita e uma nova Curadoria temporária foi instituída com três membros de cada lado, para dar continuidade até que um definitivo fosse escolhido, o que aconteceria em 25 de fevereiro de 2005. O prazo de início da nova Curadoria seria dia 09 de abril de 2005.
Conforme o julgamento do Tribunal no dia 1º de junho de 2004, que entrou em vigor no dia 1º de julho de 2004, foi definido o seguinte: Os três escolhidos que tiverem mais votos ficarão na Curadoria por três anos. Os três que se seguirem em número de votos ficarão por dois anos na Curadoria e o restante permanecerá por um ano.
Esta Curadoria Temporária assinou um acordo em dezembro de 2004 que o Projetista Dan Jensen teria o direito de arrendar uma parte do terreno por 99 anos e lá construir um condomínio de flats.
No Echoes de abril de 2005 tem a boa notícia que a Fraternidade recebeu uma doação de US$ 13.000,00 em debêntures. Em um e-mail datado de 29 de dezembro de 2005 para a Curadoria está escrito: “Doação para a Fraternidade Rosacruz no valor de US$ 15.000,00.
Na carta tem, entre outros, o seguinte:
“É bom recebermos, mas, agora temos que dar. A Sede Central foi novamente atacada por Marie José Clerc, que fez um processo contra a Fraternidade e a maioria da Curadoria de 2004, e que neste ano em julho iniciou mais uma vez entrou com uma ação contra a Fraternidade e sete dos Membros da Curadoria. Como consequência destas ações na justiça foi e está sendo dispendido muito tempo e dinheiro em custas judiciais.
O objetivo principal de ambas as ações é destituir a Curadoria escolhida legalmente com base em tecnicidades obscuras e de menor importância.
…. Ainda que a Fraternidade possa usar esta doação onde melhor lhe convier, é desejo do doador que seja considerado preferencialmente o uso do dinheiro como se segue:
Sinceramente, um doador anônimo”.
Também foi anunciado neste Echoes de abril de 2005 que em janeiro de 2005 foi recebido um legado de uma herança de um velho membro no valor de US$ 93.000,00, o que significava que teria dinheiro suficiente para pagar todas as dívidas.
Charles Weber colocou de julho a dezembro 52 números do Rays from the Rose Cross que ele mesmo havia editado em seu website. No final de dezembro foi enviado a ele uma carta do advogado da Curadoria, ordenando que fossem retirados imediatamente esses Rays do seu website e que também não poderia utilizar o emblema Rosacruzes, consequentemente estes números foram retirados.
Na reunião extraordinária de 22 de outubro de 2006, Renate Shoemacker foi escolhida como Presidente substituindo Virgilio Rodriguez; Louis Blanco ficou Vice-Presidente, no lugar de Danielle Chavalarias, e Alexandra Porter substituiu a Danielle Chavalarias, como Presidente da Curadoria; com isso duas pessoas malquistas nesta história saíram de cena. Elas foram os líderes que tentaram vender uma grande parte das terras de Mount Ecclesia e ofereceram um contrato de arrendamento para um empreiteiro por 99 anos para construir flats. Montaram um contrato, sem o conhecimento dos membros da Fraternidade. Membros das famílias Chavalarias, Rodriguez e Manimat foram intimados a deixar suas moradias até 31 de dezembro. Daniella Chavalarias e Virgilio Rodriguez mantiveram suas posições como Membros da Curadoria. No outono de 2006 haviam apenas dez funcionários pagos trabalhando em Mount Ecclesia, dos quais três não eram membros, e mais cinco voluntários, dos quais quatro não eram membros. Dois voluntários eram pagos por um programa de subsídio para funcionários antigos de entidades sem fins lucrativos. Em janeiro de 2007 os funcionários registrados em Mount Ecclesia recebiam US$ 8,00 por hora, o salário mínimo da Califórnia.
O autor recebeu uma notícia de Marie-José Clerc, que no dia 5 de dezembro de 2006 ela ouviu o seguinte:
“- Que o caso judicial só seria finalizado quando ela assinasse os últimos documentos que foram enviados por e-mail.
– O acordo foi assinado e enviado para San Diego para ser registrado. Portanto, atingi meu objetivo principal: defender as terras da Fraternidade.
– Até este momento a ação judicial custou US$ 16.000,00. Ainda assim, terei de pagar os custos do Tribunal, mais alguns mil dólares”.
No Echoes de julho-setembro de 2007, Alexandra Porter, a Presidente da Curadoria, cita alguns pontos financeiros que estão programados. Como segundo ponto ela comenta a doença das palmeiras das Ilhas Canárias. Ela escreve que trinta Palmeiras das Ilhas Canárias estão infectadas desde 2004, e das quais sete já morreram. A Curadoria decide vender a maioria das palmeiras para a Junglescape Company, que também retiraria as palmeiras doentes para cobrir os custos. No início de novembro Ken Ray manda uma reação à Curadoria, por e-mail, com cópia a vários membros, que nos últimos quatro a cinco anos só morreram 5 palmeiras devido a doença Fusarium Wilt. Que não existe remédio contra esta doença, mas que com um cuidado especial poderia prolongar a vida das palmeiras infectadas por vários anos. Um membro havia deixado um especialista inspecionar as palmeiras e este não havia encontrado sinais da doença. Todas as árvores retiradas, excetuando as cinco mortas, foram vendidas. O empreiteiro que retirou as plantas comentou com um membro que elas não estavam doentes. Se conforme o Membro da Curadoria, Luis Blanco, foram retiradas 62 palmeiras, das quais cinco estavam mortas, significa que foram vendidas 57 por um preço médio de US$ 3.500,00 significando uma receita de US$ 199.500,00, descontando os custos das árvores mortas. Em julho foram vendidas mais, no mínimo, dez árvores.
No Echoes de julho-setembro de 2008 tem um demonstrativo financeiro do último trimestre, de março-maio 2008. Aqui aparece que a Sede Central finalmente gastou menos, US$ 50.819,00, do que arrecadou: US$ 67.846,08. Isto parece uma notícia muito boa, mas é realmente assim?
Por alguns anos já estava economizando o máximo. Está se trabalhando com falta de funcionários, não fazem mais cursos e também não estão mais imprimindo livros em Inglês ou Espanhol. Sob a liderança de Alexandra Porter vários membros americanos foram expulsos com uma atitude positiva. Cursos e Escolas de Verão não são mais organizados. No tempo de Max Heindel os Probacionistas e Estudantes recebiam lições mensais com uma carta anexa. Sra. Augusta Foss Heindel deu continuidade a isto. Mais tarde só havia uma carta mensal aos Probacionistas e Estudantes. Desde 2006 estas cartas se tornaram trimestrais. Portanto, não há motivo nenhum para contentamento. No dia 5 de julho de 2008 foi escolhido um novo Conselho com o Sr. Edgar Anderson como Presidente, o Sr. Jim Noel como Vice-Presidente, Sra. Madeline Burgess como tesoureira e o Sr. Jean de Galzain como secretário. A Srta. Alexandra Porter foi forçada a deixar a Sede Central e não poderá mais exercer nenhuma função lá. Com esta alteração chegou ao fim vários anos de má administração e podemos esperar que 2009 será um ano festivo para relembrar que um século atrás – no dia 8 de agosto de 1909 – The Rosicrucian Fellowship foi fundada e em novembro deste mesmo ano The Rosicrucian Cosmo Conception foi publicado.
Para os membros americanos da Fraternidade a situação sempre foi totalmente diferente do que dos outros membros. Muito rapidamente após a fundação da The Rosicrucian Fellowship os livros em Inglês de Max Heindel foram traduzidos para holandês, francês, alemão, italiano, português, espanhol e outras línguas e nos diversos Centros vendidos aos membros que tivessem interesse. Por este motivo, e porque os interessados podiam conseguir as lições em sua própria língua, a relação com Mount Ecclesia era mais uma formalidade do que uma necessidade.
Nos Estados Unidos os livros eram impressos e distribuídos pela Sede Central e que também poderiam ser comprados em livrarias. Apesar dos Centros nos Estados Unidos, a Sede Central permaneceu realizando uma função central. A forma como os americanos consideram Mount Ecclesia é, portanto, totalmente diferente do que, por exemplo, os europeus a veem. De fato, os Centros Europeus são autônomos e independentes da Sede Central, e por isso se sentem, financeiramente falando, menos responsáveis do que pelo próprio Centro. Também estão menos interessados pelo que acontece na Sede Central, porque também não tem a visão sobre o que acontece. Com a vinda do computador muita coisa mudou. Pela internet os trabalhos de Max Heindel foram traduzidos para muitas línguas, entre as quais: inglês e espanhol, ficando disponíveis para muitas pessoas. Membros e interessados começaram a trocar informações e também os membros americanos foram estimulados a fazerem sua parte. Além dos livros de Heindel em inglês, que se encontram na Internet, nove membros se dedicaram a redigitar a revista Rays from the Rose Cross e o jornal Echoes from Mount Ecclesia, que foram escritos sob a orientação de Max Heindel, fizeram um novo formato, mas tentaram manter o mais próximo possível do original. Para isto podemos agradecer, citando em ordem alfabética: Antonio Ferreira, Jamis Lopez, Margie Petit, Alexandra Porter, Elizabeth Ray, Jorge Rey e Lynne Ross que digitaram os textos e Allen Edwall pela informação técnica e Charles Weber pela formatação. Max Heindel considerava o Rays como um meio muito importante para divulgar os Ensinamentos Ocultos do Ocidente. A este desejo foi dado ouvidos através da Internet. Sem dúvida alguma, muitas outras iniciativas neste sentido serão tomadas no futuro. Até que ponto a Sede Central pode e quer dar sua colaboração para isto está fora de perspectiva. Ela é apenas um auxílio que tem o direito de existir enquanto cumprir com a sua função. As pessoas não devem se apoiar nisto. Max Heindel mesmo disse: “A Fraternidade Rosacruz não é apoiada e nem animada pelos Irmãos Maiores. Eles me deram os ensinamentos, com a condição que eu os espalharia com os meus melhores meios. Eles declararam que iriam também ajudar outros que se prontificaram a este objetivo. Pesquisadores destes ensinamentos se juntaram para um bem comum. Contudo, não existe nenhuma linha totalmente definida, nem organização fixa, e também não há intenção de formar uma, mas as pessoas podem adquirir este conhecimento onde acharem melhor”[17]. A Sede Central também não é uma obrigatoriedade para os membros e cada um faz as coisas à sua maneira, e aquilo que está ao seu alcance, de uma forma que no passar dos séculos, sempre foi trabalhado. Uma instituição como a Sede Central não pode funcionar sem regras, prédios e pessoas e para isto necessita de dinheiro. Contudo, aqui também estão suas restrições. Max Heindel também fala: “Nós não podemos deixar de ter uma organização na Sede Central. Contudo, a sociedade deve se manter livre disto, para que possamos ter o maior crescimento anímico possível e uma longa existência possa ser assegurada. É triste pensar que mesmo sendo este nosso ideal, a Fraternidade Rosacruz irá seguir o mesmo caminho que qualquer outra organização. Ela irá se prender a leis e abuso de poder irá fazer com que cristalize e caia em pedaços. Temos como consolo que em seus destroços algo maior e melhor irá nascer como em outras construções que já atingiram seus objetivos e agora estão em estado de declínio”[18].
Mas Heindel também nos diz que “um dia … no futuro, provavelmente quando o Sol estiver em Aquário[19], a Ordem Rosacruz nos seguirá. Ela também irá construir um Templo aqui, muito mais influente que nós um dia esperamos conseguir construir. O trabalho que agora é feito no Templo dos Rosacruzes, que está situado na Alemanha, irá prosseguir; talvez este Templo será realocado. O escritor [Heindel] não sabe com certeza, mas aquela estrutura é totalmente etérica”[20].
O futuro distante irá determinar onde será este lugar. Talvez seja no lugar que tenha o mesmo nome onde o Templo que hoje está na Montanha de minério, em Saksen, na Alemanha.
Mount Ecclesia fica a aproximadamente 3,5 km de Oceanside. Saindo da Estação deve se andar pela Main Street que se torna a State Highway 76. Antigamente esta estrada se chamava Mission Avenue. Perto da entrada tem uma bifurcação. A antiga Mission Avenue agora se chama Amick Street. A partir da entrada principal, ao lado de 2, 7 e 8 fica a Ecclesia Drive. A parte curta e reta a seguir se chama Temple Drive. A parte entre Ecclesia Drive e Temple Drive, onde tem algumas casas, se chama Melody Lane. O pinheiro em frente a 10 e 12 foi plantado por Max Heindel.
Na Figura 102, o mapa de Oceanside, pode se ver quase acima olhando da esquerda para a direita uma linha preta escura; esta é a Rodovia 76. Onde a curva dobra para baixo fica ao norte, nesta curva da Rodovia, Mount Ecclesia.
A maioria das pessoas pensa na “Iniciação” como uma cerimônia específica, muitas vezes pagando um valor expressivo, de uma ou outra Sociedade. Aqui não é assim. Aqui queremos dizer algo bem diferente, uma experiência interna com consciência absoluta que o candidato adquire a capacidade de entrar nos mundos espirituais conscientemente, em qualquer momento que ele ou ela desejar.
Max Heindel descreve a Iniciação da seguinte forma: “Quando chega o momento [da Iniciação] o candidato esteve cultivando internamente certas faculdades, acumulando certos poderes para servir e ajudar, dos quais é quase sempre inconsciente ou não sabe como usar corretamente. A tarefa do iniciador é, então, muito simples: mostra ao candidato as faculdades latentes, os poderes adormecidos, e inicia-o no seu uso, explicando-lhe ou demonstrando-lhe, pela primeira vez, como o candidato pode despertar essa energia estática, convertendo-a em poder dinâmico”[21].
Iniciação, portanto, é o resultado final de um processo espiritual curto ou longo no qual o ser humano com sua própria força entra nos mundos espirituais com a mesma consciência que se vive no Mundo Físico; também o candidato desenvolve a clarividência, mesmo que este último ainda não esteja sob seu controle.
Faz muita diferença se o candidato seguir o Método Ocidental da Escola de Pensamento Rosacruz ou de uma das outras seis Escolas dos Mistérios Menores. O Método Ocidental de Iniciação é baseado no Cristianismo e ensina o candidato desde o princípio a ficar sobre seus próprios pés e ser independente de outros. O candidato tem um Mestre que é mais considerado como um amigo, um orientador. Esse método também é para construir o Corpo Vital. Este Corpo Vital é uma cópia exata do Corpo Denso, que o interpenetra, mas estende-se uns 4 cm do Corpo Denso. O Corpo Vital tem em sua composição material da Região Etérica e é constituído por 4 Éteres:
Éter Refletor – memória
Éter de Luz – percepção sensorial
Éter de Vida – propagação
Éter Químico – assimilação e eliminação
O método oriental de Iniciação é baseado no Hinduísmo ou Budismo. O candidato tem um Mestre a quem deve obediência sem questionamento. Por eles o Corpo Vital é visto como algo insignificante, pois eles consideram que não pode ser desenvolvido como um corpo de consciência. Eles acreditam que devem desenvolver o Corpo de Desejos. O Corpo de Desejos tem o formato de um ovoide e interpenetra o Corpo Denso e estende-se em uns 40 a 50 cm. Não contém órgãos como o Corpo Vital. O Corpo de Desejos é composto de vórtices e ainda está em um estágio rudimentar[22].
Em seu livro Maçonaria e Catolicismo, Max Heindel descreve o caminho do Ocultismo Cristão ou Esotérico[23], guiado pelo seu conhecimento, em contrapartida do Cristão Místico[24] que é guiado pela sua fé. Ambas as formas são unilaterais e um dia terão de ser unificadas. Por este motivo a Fraternidade Rosacruz aconselha fortemente e tenta equilibrar o pensar e sentir e unificá-los.
Existem sete Escolas de Mistérios Menores que correspondem aos sete raios em que a humanidade está dividida. Cada Escola ou Ordem corresponde a um destes sete raios que podem ser comparados às sete cores do espectro. De fato, é nossa “Estrela-Pai”[25] que nos faz escolher de nosso interior para uma determinada forma de desenvolvimento pelo qual Max Heindel observa: ‘Em geral podemos dizer que todas as pessoas do Ocidente pertencem a Escola do Ocidente dos Rosacruzes e que elas cometem um engano quando vão a outra Escola – que pertence ou se orienta em base do Ensinamento Oriental[26]. As Escolas de Mistérios de cada Religião contêm as necessidades de seus membros pela raça ou povo que consideram elas como um ensinamento maior para levar seus praticantes para uma esfera maior, pelo menos se elas viverem a vida com esse intuito.
Todas estas sete Escolas dos Mistérios Menores compõem-se de doze irmãos, chamados Irmãos Maiores, e um décimo terceiro, que é o “cabeça”, e um número não determinado de Irmãos e Irmãs Leigos. Cada uma destas escolas tem nove graus. Se o Irmão ou Irmã Leigo passou pelas nove Iniciações ele (a) pode ser admitido em uma das cinco Escolas de Mistérios Maiores. Após a primeira das quatro Iniciações Maiores o candidato passa a ser chamado de Adepto. Após o Adepto ter passado as quatro Iniciações Maiores ele se encontra com o “Cabeça Central”, também chamado de “O Libertador”. Então o Adepto se torna um Irmão Maior.
Os “Cabeças” das sete Escolas de Mistérios Menores formam a Loja Branca enquanto os Hierofantes das 5 Escolas de Mistérios Maiores formam o Conselho Central[27].
Vamos descrever agora como a Fraternidade Rosacruz, como escola representante da Ordem Rosacruz, trabalha. Quando Max Heindel fala do ‘Mestre’ ele quer dizer um dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz que tem uma atenção especial para a Fraternidade Rosacruz. A Fraternidade Rosacruz é formada por todos os membros, que moram espalhados por todo o mundo. A Sede Central em Oceanside foi chamada à vida para espalhar o Ensinamento por meio de livros e lições. Não é um organismo que tenha autoridade sobre seus membros.
Após a fundação da Ordem, no final do século XIII, potenciais Iniciados foram inspirados pessoalmente pelos Irmãos Maiores. Os Iniciados a seu modo indicavam outros que liam seus escritos de como seguir o caminho. Pelo fato da Igreja Católica Romana, e depois as outras Igrejas Cristãs, não aceitarem outra opinião que não fosse a sua, como foi escrito no Capítulo 1, era perigoso demais falar publicamente a sua opinião. Por esta razão isto ocorria às escondidas, através de símbolos alquímicos. Apesar de serem homens que escreviam estes textos, não significa que não havia mulheres que eram iniciadas. Contudo, o Iniciado que puder escolher virá em corpo feminino ou masculino, e é inclinado a escolher este último; pois aí terá um Corpo Denso positivo e um Corpo Vital negativo.
No início de 1600 o tempo parecia maduro para dar mais conhecimento à Ordem e seus Ensinamentos, e a partir de 1900 parecia necessário que se espalhasse de forma aberta e clara. Desde aquele momento Max Heindel falou, de forma clara, o que este ensinamento abrange e todo aquele que tiver interesse pode se associar para aprendê-lo, apesar de que é também possível através de auto estudo adquirir este conhecimento.
Quando o candidato decide se associar é preciso completar doze lições[28], baseadas no Conceito Rosacruz do Cosmos. O objetivo é que aí o candidato tenha conhecimento dos objetivos e metas da Fraternidade antes de dar o próximo passo.
Quando estas doze lições foram finalizadas o candidato pode se cadastrar como Estudante Regular. Neste período, que dura dois anos, é esperado que ele se aprofunde mais nos Ensinamentos Rosacruzes. Se houver interesse após estes dois anos o candidato pode se candidatar a Probacionista.
Este é o primeiro momento que o candidato à Iniciação, mesmo sendo inconsciente, entra em contato com um dos Irmãos Maiores. Um deles era o Mestre, que Max Heindel comenta. Para o momento do compromisso de Probacionista o candidato mesmo faz uma escolha entre duas até quatro opções de horário que são calculados astrologicamente a partir de seu mapa natal.
Depois de ter escolhido o momento mais propício, o futuro Probacionista, na presença do (não visível) Irmão Maior, faz um juramento a SI MESMO, NÃO à Ordem Rosacruz. Esta promessa inclui se tornar vegetariano (inclui aqui não comer carne animais: mamíferos, aves, peixes ou outros tipos quaisquer), não usar couro, penas e nem peles animais ou qualquer outra parte dos corpos de animais, bebidas alcóolicas, cigarros, qualquer tipo de fumo ou drogas lícitas ou ilícitas; e tentar viver a vida de acordo com os princípios promulgados pela Religião Cristã. No exato momento em que o candidato lê o juramento em voz alta, na privacidade de seu quarto, o Irmão Maior está presente, embora invisível para o candidato. O Irmão Maior não só atua como testemunha, mas durante a leitura do juramento a mão direita do Mestre está sobre a do candidato, fazendo com que os seus Éteres se misturem, e permitindo a este, até certo ponto, vibrar de acordo com aquele simultaneamente. Se o Probacionista efetua fielmente os seus exercícios diários, mantém a sua ligação com o Mestre, por meio do seu relatório mensal que dever ser feito a tinta permanente – não esferográfica – o que ajuda a manter este vínculo.
Também aqueles que não são membros, mas conscientemente buscam viver a vida superior, ou aqueles que inconscientemente o fazem, como, por exemplo, os eruditos, os comerciantes, ou aqueles que administram um empreendimento, estão no caminho do desenvolvimento espiritual e encontrarão o caminho para o Templo, conforme diz Max Heindel. Pois, apesar da Fraternidade Rosacruz ser um instrumento especial da Ordem Rosacruz para o crescimento anímico e um dos Irmãos Maiores dedicar atenção especial a ela, a Fraternidade não tem a exclusividade, conforme diz Max Heindel.
Depois segue um período de no mínimo cinco anos onde o candidato deve continuar se desenvolvendo e que também será provado. As provas são necessárias para dar a chance de melhorar seus pontos fracos. Sobre estes cinco anos de provas que o Michael Maier já falava em 1617[29].
O candidato deve tentar levantar seu nível vibratório e isto acontece através de purificação de seu Corpo Vital. Para auxiliá-lo nesta tarefa o Probacionista é aconselhado a fazer dois exercícios que no Conceito Rosacruz do Cosmos estão descritos como Retrospecção e Concentração[30].
O exercício de Retrospecção, que Pitágoras[31] já conhecia, é feito antes de dormir. É uma retrospectiva em ordem contrária dos acontecimentos do dia que passou. Aqui o candidato se julga a si mesmo. Sentindo arrependimento ou alegria sobre os acontecimentos, vivendo assim aqui na terra o Purgatório e o Primeiro Céu. Desta forma, após a morte sobra mais tempo para se trabalhar nos mundos espirituais.
O exercício de Concentração é realizado ao acordar. Sem fazer movimentos desnecessários, inicia-se fazendo uma meditação sobre algum assunto, que pode ter como consequência o aparecimento de imagens do Mundo do Desejo e assim aumentar a compreensão deste determinado objeto: uma visão clarividente, pode-se dizer.
O próximo passo é separar os dois Éteres superiores dos dois Éteres snferiores[32]. Os dois Éteres inferiores são necessários para manter o Corpo Denso e por isso devem permanecer sempre com o Corpo Denso, senão traria a morte como consequência. Os dois Éteres superiores – por São Paulo chamados de Corpo-Alma[33], e no Evangelho Segundo São Mateus 22:11-12 de Traje de Bodas – servem como veículo nos Mundos espirituais. Após cinco anos o candidato pode pessoalmente pedir este exercício ao Irmão Maior. Quando Max Heindel era vivo, este questionamento era feito a ele, e Max Heindel, por sua vez, pedia ao Irmão Maior. O Sr. e a Sra. Barkhurst se filiaram à Fraternidade em 1922 e guardaram tudo sobre o discipulado do que ouviram nestes longos anos. Em 1984 eles me passaram estas informações. Neste dossiê do casal Barkhurst eu acrescentei uma carta da Sra. Juanita M. Owen de Los Angeles para o Sr. F.H.C. Kreiken de Den Haag, datada de 28 de agosto de 1960. Nesta carta tem o seguinte: ‘Uma pessoa que recebeu seu exercício de discipulado de Max Heindel em Seattle me contou como aconteceu. Ele tinha dois quartos num hotel e levava uma pessoa de cada vez para seu quarto. Ali ele fazia o mapa natal e enquanto fazia a estrela ele a virava para o Mestre e conversava em voz alta com ele. Este o mostrava como fazer a estrela de cinco pontas, iniciando num ponto determinado e não voltando neste ponto até que a estrela estivesse completa. Ela mesma não conseguia naturalmente ver o Mestre, já que este estava em seu Corpo Vital, mas Max Heindel se virava para ele e falava em voz alta’.
Quando em 1911 a Fraternidade Rosacruz tinha sua própria Sede Central os Discípulos recebiam suas lições em casa. Um exemplo disto é uma carta que Max Heindel escreveu para o Sr. J. H. M. Laurenze, 812, South Figueroa Street, Los Angeles. Max Heindel já tinha contato com ele há muito tempo e avisou o Sr. Laurenze de um acidente de trem que ele não seria ferido. Veja mais informação: Conceito Rosacruz do Cosmos, Cap. 16; Cristianismo Rosacruz, Cap. 10; Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I, pergunta 153; Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II, pergunta 117:
“Oceanside, Califórnia, 8 de dezembro de 1908.
Prezado Sr. Laurenze,
Recebi seu pedido para instrução individual, e verifico que já enviou os doze boletins mensais requeridos. Por isto estou feliz em repassar ao Irmão Maior, depois que você fizer o que Ele solicita.
Durante o último ano você foi ensinado, por meio dos exercícios noturnos, a julgar a si mesmo e eu espero que em seu comportamento tenha mais a elogiar do que a censurar. Para testar seu julgamento o Mestre quer que você lhe escreva uma carta na qual irá contar de forma sincera o que você acha de seus atos. Você deve se julgar por cada ato de louvor de ajuda ao próximo e pelo seu crescimento espiritual no último ano, e também se censurar onde foi negligente.
Não tenha escrúpulos para falar de suas boas ações, e deixe a modéstia à parte. Também não deve se julgar mais pesadamente do que seus defeitos o merecem. Escreva como se estivesse falando de outra pessoa, totalmente imparcial. Pois, o objetivo não é informar o Mestre, Ele já sabe, mas ele quer lhe testar até que ponto seu julgamento pessoal tem pré-julgamentos. Ele terá o mesmo tratamento se você diminuir seus louvores ou se supervalorizar seus defeitos.
O Mestre tem dois motivos para este julgamento de si mesmo. O primeiro é que o Mundo do Desejo é extremamente enganador. Portanto é necessária uma percepção absoluta da verdade. Se pudermos AQUI julgar-nos o nosso envolvimento com outros, LÁ teremos menos problemas com desilusões.
Se o Irmão Maior nos inicia nos mundos invisíveis é para nos dar mais possibilidades de ajudar outras pessoas do que quando estamos confinados pelas nossas condições atuais. É lógico que, se não utilizarmos nossas chances AQUI, provavelmente também não sejamos úteis LÁ. Se AQUI não ajudamos e sermos atenciosos com os outros, provavelmente LÁ também nós esqueceremos de ajudar. A carta que nós escrevemos ao Mestre irá nos mostrar em quais pontos podemos melhorar.
Quando escrevo sobre “ajudar outros” quero dizer, principalmente, por meio de serviço. Quem é rico pode escrever um cheque volumoso para a caridade, e ainda assim ser um cidadão indesejado. Um pobre pode ajudar um vizinho com algumas moedas e conquistar grandes tesouros no céu. O tamanho da doação não importa. O que importa é se damos de uma carteira recheada ou de um coração recheado, pois com a mesma medida que nós medimos seremos medidos.
Outra pergunta que devemos responder, se conseguimos diminuir nossas faltas: somos menos impacientes em relação à nossa família? Somos melhores pais e mães que antes? Somos menos exigentes tanto no trabalho quanto em casa? Somos mais leais em relação ao nosso patrão? Etc.
Nos assuntos espirituais nós nos sentimos realmente interessados nas coisas superiores? Realmente abandonamos a satisfação dos desejos inferiores? Alguns param de comer carne por motivos egoístas de saúde; isto deve ser para o Discípulo algo de pouca importância. Ele deve parar esta prática por compaixão as pobres criaturas que são torturadas, e depois sacrificadas, para satisfazer as necessidades dos comedores de carne. Os estimulantes têm um efeito degenerativo ao nosso sistema nervoso: Você já os superou?
Quanto ao trabalho para a Fraternidade Rosacruz: você colaborou com uma pedrinha para a causa? Nós não queremos dizer apenas em dinheiro – cada um que se dedica de coração não irá esquecer esta parte – mas também com ajuda pessoal. O que você fez para espalhar o conhecimento dos Rosacruzes? Você ainda é uma pessoa que consegue se desenvolver independentemente, que não está presa a alguma outra ordem?
Da mesma forma que um navio é preparado para navegar os oceanos soltando as cordas que o prendem ao cais, assim também o Discípulo é preparado a soltar as amarras físicas por meio de um exercício que será dado pelo Mestre. Se um capitão inexperiente conduzir o navio irá bater nos rochedos. Apenas quando o candidato estiver em condições de conduzir seu próprio navio, ele terá menos chance de naufragar nas ilusões do Mundo do Desejo. O capitão será testado para ter certeza que é alguém de confiança para conduzir o navio e, provavelmente, não se tornar uma ameaça para outros navios. O (a) candidato (a) também é questionado a provar que é uma pessoa de confiança antes que o Irmão Maior confie a deixá-lo (a) navegar sozinho (a), desimpedido pelo Corpo Denso.
Queira, por favor, ler esta carta diariamente, até o dia 22 de dezembro. Naquele dia escreva sua carta ao Mestre. Conte a ele o que tem feito para merecer instruções individuais. Não se sinta intimidado, pois não é esperado que sejas um santo, mas sim que mostre que tem feito o melhor que pode.
Escreva sua carta em duplicidade, mantenha uma cópia consigo e guarde esta carta consigo para que possa ler várias vezes o que escreveu. Mande o original, num envelope selado para mim. Eu o enviarei ao Mestre. A resposta poderá levar meses para ser enviada pois se espera o momento mais propício astrologicamente. Portanto, mantenha a tranquilidade, continue seus exercícios. Assim que eu receber instruções eu o encaminharei para você.
Sinceramente,
Max Heindel”
Após o falecimento de Max Heindel a Sra. Augusta Foss Heindel assumiu esta função. Ela não era iniciada e por aconselhamento de outros fez algumas alterações e mesmo assim, consequências danosas não deixaram de acontecer. Sobre o exercício do Discípulo, Max Heindel fala o seguinte: “Os raios de Sol são absorvidos pelo espírito humano, que tem seu acento na parte central da testa; os dos Astros são absorvidos pelo cérebro e pela medula espinhal, enquanto os raios da Lua penetram nosso corpo através do baço. Estes raios são tricolores. Nos raios da Lua que nos fornece a força vital, é o feixe azul a vida do Pai, que causa a germinação; o raio amarelo é a vida do Filho, que é o princípio ativo da nutrição e crescimento, e o raio vermelho é a vida do Espírito Santo que estimula à ação, e espalha a energia que foi acumulada pelo raio amarelo. Este princípio é principalmente ativo na propagação.
Os vários reinos absorvem esta força vital de forma diferente, conforme sua constituição. Os animais têm 28 nervos espinhais[34]. Eles estão sintonizados com o mês lunar de 28 dias e são dependentes do Espírito-Grupo, que lhes infunde os raios dos Astros necessários para desenvolver a consciência. Eles [os animais] não têm a menor capacidade de absorver os raios solares diretamente.
O ser humano está num estado de transição: tem 31 pares de nervos espinhais[35] que o sintonizam com o mês solar. Contudo, os nervos da cauda equina (literalmente cauda de cavalo), ao final da nossa espinha, ainda são muito subdesenvolvidos para servir como entrada do raio espiritual solar. Na medida em que desenvolvemos nossa força criadora, elevando nossos pensamentos, desenvolvemos estes nervos e despertamos os poderes do espírito. Sem a liderança de um Mestre é perigoso experimentar este desenvolvimento. O leitor é aconselhado a não tentar seguir alguma instrução em livros publicados ou métodos conseguidos em troca de dinheiro, porque estes exercícios normalmente levam à demência”.
Max Heindel diz que nunca devemos temer que o Mestre se esqueça de alguém, e isto ficou claro para mim quando na manhã do dia 10 de julho de 1987 às 7:00 horas o Mestre em seu Corpo Vital me mostrou o exercício no meu corpo.
Nas últimas duas páginas de Iniciação Antiga e Moderna, Max Heindel resume o exercício do discipulado da seguinte forma: “Este estágio do desenvolvimento do místico, exige uma reversão do percurso normalmente seguido pela força criadora, que é descendente, para a dirigir no sentido inverso, fazendo-a ascender. Fluirá então para cima, ao longo da medula espinhal, cujos três segmentos são regidos, respectivamente, pela Lua, Marte e Mercúrio. Na medula espinhal onde os raios de Netuno ascendem o fogo regenerador espiritual, que fará vibrar a glândula pituitária e a glândula pineal, levando-as a uma vibração maior. Esta vibração fará despertar a visão Etérica. E, repercutindo nos seios da face queima a ligação com o Corpo Denso. O sagrado fogo espiritual que desperta este centro da sua milenar letargia, começa a vibrar em direção aos outros centros da estrela estigmatizada de cinco pontas, que são a cabeça, as mãos e os pés. Também eles são vitalizados, e todos os veículos se iluminam [separando os dois Éteres superiores, o Corpo-Alma] o “Dourado Manto Nupcial”. Então num esforço final, o grande vórtice do Corpo de Desejos, localizado no fígado, liberta-se da energia marciana contida nesse veículo e impulsiona para cima o veículo sideral, que se projeta através do crânio (Gólgota) e ascende, então, para as esferas mais sublimes”[36].
Após ter passado por uma prova que acontece de forma inconsciente, o Irmão Maior faz o exercício no corpo do candidato para o discipulado, numa manhã, logo ao acordar. Esse exercício deve ser feito todas as manhãs uma ou mais vezes, conforme o tempo disponível, a partir de então. Pois, da mesma forma que um esportista treina e alimenta seu corpo regularmente, o candidato à Iniciação faz os exercícios espirituais e cuida para que tanto seu corpo espiritual quanto seu Corpo Denso ganhem a alimentação necessária.
Após um determinado tempo, e também após passar por uma determinada prova que para cada pessoa é diferente[37], chega o momento em que o candidato pode ser iniciado no primeiro grau dos Mistérios Menores. Contudo, antes que esta Iniciação possa ocorrer, o candidato encontra, no Umbral dos Mundos Espirituais, um demônio, construído por ele mesmo, e chamado “Guardião do Umbral”. Esta criatura é a somatória de todas as más ações cometidas nas vidas passadas e ainda não redimidas. O candidato deve primeiro reconhecer que este monstro é parte dele (a) mesmo (a) e prometer dissolvê-lo o mais rápido possível. Para um homem este monstro tem a forma de uma mulher, e para uma mulher a de um homem. Bulwer Lytton dá uma boa descrição das características físicas deste Guardião do Umbral em seu romance Zanoni[38]. Max Heindel dá uma explicação bem detalhada do significado esotérico do Guardião do Umbral no terceiro capítulo do livro A Teia do Destino, onde cita o seguinte: “O verdadeiro Guardião do Umbral é um ser Elemental que é a soma de todos os maus pensamentos e ações durante toda a nossa evolução. Este Guardião guarda a entrada para os mundos invisíveis e desafia o nosso direito de entrar neles. Este Elemental deve ser redimido ou transmutado. Nós devemos gerar a força de vontade de tal forma que possamos enfrentá-lo e dominá-lo antes de podermos entrar nos Mundos Invisíveis de forma consciente[39].
Apenas uma vez na vida o candidato tem a chance de ver e enfrentar este Elemental. Se isto, por qualquer razão, não for conseguido, deverá esperar uma próxima vida antes de ter a chance de enfrentá-lo novamente. Um exemplo disto já foi mencionado no capítulo oito, quando Rollo Smith encontrou este Guardião e não conseguiu enfrentá-lo. Aqui segue novamente o texto deste acontecimento que está descrito na lição dos Estudantes de maio de 1938: “Ele, Smith, era um Probacionista bem desenvolvido que desde o início ajudou nas construções. Quando o primeiro prédio estava quase pronto [por volta de novembro de 1911] ele podia ocupar um quarto no andar superior. Numa certa manhã, durante o café da manhã, ele estava muito abatido. Quando perguntaram se ele estava doente Smith respondeu que havia passado uma noite terrível com um demônio que não o queria deixar dormir. Ele estava com muito medo e brigou com o monstro com todas as suas forças. Ele achou que era um Elemental. Max Heindel então falou que era seu Guardião do Umbral e que ele, Max Heindel, tentou chamar sua atenção para dizer para não ter medo, mas que Smith ficou cego pelo medo e não aceitou sua ajuda. Então Smith perguntou quais eram as consequências de seu medo, por ter lutado e se recusado a reconhecer o Guardião. O Sr. Heindel respondeu, que ele perdeu a chance de vencer o Guardião e que nesta vida não o incomodaria mais”[40].
Até aqui, em grandes linhas, a descrição de um processo que leva vários anos, às vezes uma vida ou até mais, antes do candidato chegar ao momento de sua primeira Iniciação, que depende do desejo do candidato e do destino que lhe é reservado para esta vida. Assim como diz na Bíblia: “São muitos os convidados, mas poucos os escolhidos” (Mt 22:14).
No final, todos chegaremos à perfeição[41], e todos, estando conscientes disto ou não, seguimos o caminho em espiral para cima. Aqueles que querem ir mais rápido tentam encurtar o caminho, procurando um atalho. Desta forma o candidato segue um caminho íngreme para cima, que é bem difícil de seguir. As qualidades que devemos adquirir nos mostra Cristo Jesus por sua forma de viver. As duas qualidades principais são altruísmo e serviço. Contudo, se a pessoa auxilia alguém e pensa em depois ser retribuído, já não existe mais o altruísmo. Outro seria se a pessoa se sentir ofendida porque aquele que ajudou não a agradece. Isto significa que o candidato irá cair muitas vezes, mas na mesma quantidade de vezes terá que se levantar para seguir adiante, e isto requer coragem e persistência. Max Heindel descreve, em seu trabalho, vários dilemas nos quais o candidato irá confrontar, e conforme for seguindo o caminho ficarão cada vez mais sutis. Também parece que o candidato será colocado em prova cada vez mais e de forma inconsciente antes de dar o próximo passo. Cada pessoa ganhou o livre arbítrio e precisa usá-lo. Max Heindel diz, com insistência, que o Irmão Maior desde o princípio faz questão de deixar o candidato em seus próprios pés. Por isto todos os exercícios são feitos de forma individual e nunca em grupo. Os resultados conquistados desta forma são também pessoais que podem ser utilizados a qualquer momento.
Quando o candidato alcança um ponto é uma arte não retroceder e esta chance existe; daqui a pouco mostrarei um triste exemplo disto.
O que Max Heindel fala sobre Iniciação está descrito em seus livros, principalmente nos capítulos 16 e 17 do Conceito Rosacruz do Cosmos. É impossível dar todas as facetas disto em uma biografia. Contudo, algumas questões serão iluminadas, que conforme o tempo vai passando ficarão mais difíceis de acessar ou poderão se perder.
Max Heindel tentou verificar se determinados pontos teriam uma chave astrológica. Algumas vezes ele as encontrava, mas outras vezes não[42]. Já foi falado que para determinar o momento em que o candidato faz seu juramento de Probacionista é calculado com base em seu Mapa Natal. São dados, ao Candidato, duas ou até quatro datas propícias onde ele (a) possa escolher o que for mais conveniente para fazer o juramento a si próprio, na presença do Mestre, que está invisível, mas, às vezes, perceptível. Aqui se procura uma posição da Lua em graus e minutos e sua correspondência com o Sol do Mapa Natal. Muitas vezes a Lua encontra-se no mesmo Signo do Sol, na sua Triplicidade, ou então em um Signo pelo qual existe afinidade. Assim um Signo de Fogo tem afinidade com Signos de Ar, também com um de Terra, mas nunca com um de Água. O horário é arredondado para quinze minutos e pela luz, pelo menos no que se refere à Europa, entre 6:00 e 22:30 horas, horário do Meio da Europa. Se a Lua está no seu fluxo lunar negativo ou positivo não importa. Dois de meus conhecidos fizeram uma escolha num horário que foi calculado de forma errada. Um deles fez um procedimento errado durante o processo e foi corrigido pelo Mestre. Podemos nos perguntar se faz sentido o cálculo do melhor horário. A resposta me parece confirmatória. O que transparece é que do cálculo da progressão do candidato o MC[43] estava harmônico com o Sol, ao Regente da 8ª Casa ou do co-Regente da 8ª Casa. Caso o Ascendente primário não faça Aspecto, pode ser que esteja em desarmonia com o Sol ou Marte. O Sol progredido está harmônico com Saturno, ou o Regente da 8ª Casa. O Astro progredido da 8ª Casa está harmônico com o Ascendente, ou o Regente do Ascendente ou com a Lua. O Astro progredido da 8ª Casa estava em harmonia com um Astro da 12ª Casa, ou do Sol, ou não fazia Aspecto.
A solicitação para o discipulado, no tempo de Max Heindel, sempre acontecia perto do Natal, mas o momento que o candidato podia começar com os exercícios acontecia em qualquer dia do ano conforme mostram as informações[44]. Porque a Sra. Augusta Foss Heindel trouxe algumas mudanças nos exercícios, e eu apenas tenho as informações da Sra. Barkhurst e minha própria data, não consigo tirar nenhuma regra geral. Foi encontrado que o Ascendente primário fazia um Aspecto harmônico com o Sol, o Sol Progredido fazia um Aspecto harmônico com a cúspide da 8ª Casa e também Aspecto harmônico com o Ascendente e o Regente da 8ª Casa, às vezes, harmônico com a cúspide da 12ª Casa.
Encontrar os dados sobre Rollo Smith (oficialmente Ralph) não foi uma tarefa fácil. Nos EUA, Rollo não é um nome raro, e Smith é um sobrenome muito comum. Felizmente obtive ajuda de Norman Schwenk nesta busca. Primeiramente parecia que moravam dois Rollo Smith em Los Angeles. Em sua Certidão de Casamento[45], datada de 17 de junho de 1903, o procurado Smith diz que naquele momento estava com 35 anos e que nasceu em Ohio; e sua esposa Pearl Blythe, que ela tinha 21 anos e nasceu em Texas. Daqui tiramos que ele nasceu por volta de 1867/68. Durante o Censo de 1910[46] foi declarado que Rollo Smith tinha 41 anos, Pearl 28 anos, que estavam casados há seis anos e não tinham filhos. Conforme esta informação Rollo Smith também devia ter nascido por volta de 1867/68.
No ‘The Hemet News’ de 10 de janeiro de 1930 tem a seguinte notícia:
ANÚNCIO DE FUNERAL DE RALPH SMITH
No domingo às 11:45 horas será realizado na Capela do Kingham Funeral Company uma cerimônia para Ralph Smith, 68 anos, que faleceu quinta-feira às 10:30 horas em sua casa na North Franklin Street. O Sr. Smith já sofria de tuberculose a mais de 20 anos. Por 19 anos ele foi um fiel membro da Fraternidade Rosacruz. A Cerimônia será ministrada por J. H. Exon.
Quando faleceu, em 9 de janeiro de 1930, ele, conforme o jornal, tinha 68 anos. Portanto ele deveria ter nascido por volta de 1862 e ser cinco anos mais velho do que considerado anteriormente, conforme sua certidão de óbito[47]. Um conhecido, do qual não é possível ler o nome e endereço na Certidão de Óbito, declarou que Rollo Smith nasceu em 9 de novembro de 1862 em Clarkville, no Município de Clinton em Ohio. Que ele era divorciado, seu pai se chamava Sidney e sua mãe Saun, que era comerciante de profissão e faleceu de tuberculose.
No livro Mensagem das Estrelas e Astrodiagnose não encontramos seu horóscopo. Foi questionado diversas vezes, durante vários anos para a Sede Central em Oceanside, onde poderia encontrar seu horóscopo, sem resultado.
Na foto de grupo vemos que Smith é alto, magro o que faz pensar em um Ascendente de Aquário ou Gêmeos. No Adendo 12 o Mapa Natal é o resultado usando as progressões de sua data de casamento e de óbito.
Na Revista Rays from the Rose Cross de maio de 1916 na página 9 e 10 tem uma pergunta que está no Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, volume II, pergunta 138[48] e cuja história também se encontra no Livro Princípios Ocultos de Saúde e Cura, capítulo 7. Na citado Rays de maio de 1916 tem, nas páginas 16 e 17, a descrição de dois mapas de um casal, onde após pesquisas chega-se à conclusão que o Sr. X é a mesma pessoa que o Dr. W. Seu Mapa também está no Adendo 12. Deixamos agora o próprio Max Heindel falar e fazemos um resumo do que está escrito nas fontes acima:
“Uma vez um Estudante e Irmão Leigo de uma Escola de Mistérios, sempre será Estudante e Irmão Leigo”. Falarei de um caso que demonstra isto. Muitos anos atrás vi numa reunião de ocultismo [Teosofia] na Costa do Oceano Pacífico [Los Angeles] um homem que chamarei de X. Ele era visivelmente rico e importante, enquanto eu era pobre e insignificante, portanto, habitávamos lugares diferentes e não nos conhecíamos. Anos depois, quando fui levado para o Templo, na Alemanha, após minha Iniciação, eu encontrei alguns Irmãos Leigos, dentre os quais o Sr. X. Conversamos por um tempo sobre assunto de interesse de ambos. Ele me contou onde morava e que gostaria de me receber, como convidado, o que também era do meu interesse. Quando voltei à América eu estava bem ansioso para encontrá-lo em seu Corpo Denso, já que ele poderia ensinar a mim e explicar muitas coisas, já que eu, um jovem neófito, ainda não tinha condições de trazer para minha consciência física as minhas experiências espirituais.
Quando um ano depois eu cheguei à cidade do Sr. X, amigos em comum me contaram que ele me aguardava e desejava muito me conhecer. Imagine que eu conhecia o Sr. X, mas ele, o Sr. X, nunca havia se encontrado comigo fisicamente. Quando nos encontramos caminhamos um em direção ao outro, como velhos amigos, e nos cumprimentamos. Ele parecia também me reconhecer e me chamou pelo nome. Tudo mostrava que ele sabia o que havia acontecido quando ambos estávamos fora do corpo. Pois, no Templo ele havia me contado que ele se lembrava de tudo o que acontecia com ele fora do corpo. Isto eu acreditei logicamente, pois ele tinha um grau muito mais elevado do que eu, que havia chegado ao primeiro há pouco. Algum tempo depois eu disse algo que fez ele me olhar interrogativamente, pois eu havia mencionado algo que aconteceu enquanto estávamos no Templo. Ele deixou claro que não sabia do que eu estava falando. Eu já havia dito tanto, que deveria contar o resto para não ser considerado um louco. Eu contei então que ele garantiu que se lembrava de tudo, o que ele negou.
No final de nossa conversa ele me pediu para com urgência descobrir que se ele era um Irmão Leigo da Ordem Rosacruz, porque ele não se lembrava do que acontecia fora do corpo.
Eu sabia que ele estava presente em vários Rituais do Templo; ele havia participado. Ainda assim em seu Corpo Denso ele não se lembrava de absolutamente nada do que acontecia fora do seu corpo.
Um tempo depois de perguntar e pesquisar descobriu-se que em uma vida anterior ele havia conquistado a admissão ao Templo. Contudo, o uso dos cigarros, álcool e uso de drogas nesta vida haviam adormecido tanto seus sentidos que para ele era impossível trazer à consciência física as experiências dos mundos invisíveis.
Quando estava de novo em meu Corpo Denso e contei isto a ele, ele fez um esforço grande para se livrar destes maus hábitos. Após um tempo ele percebeu que não conseguia ficar sem os cigarros, álcool e as drogas.
Fora de seu corpo ele ainda pode ir e vir para onde quiser e ainda participar junto com os outros Iniciados da Ordem. Contudo, em seu corpo ele está debilitado devido a seu cérebro doentio. Parece-me que levará várias vidas vivendo da forma correta para que ele esteja novamente em estado de formar um cérebro sensitivo que permita as transmissões espirituais”.
No mesmo exemplar da Rays de maio de 1916[49] tem a descrição do mapa do Sr. X, que é chamado de Sr. W, e sua esposa. Acima do artigo tem os dois mapas com o título ‘O laço que une’. Que aqui se fala da mesma pessoa fica claro rapidamente pela descrição de Max Heindel sobre o mapa. Assim ele diz o seguinte:
“O homem tem tanto a fisionomia de Libra quanto de Escorpião. Marte e Mercúrio o fazem maior do que um típico escorpiano e Mercúrio faz a fronte mais escura. A Oposição de Netuno e Marte faz sua pele ser flácida. Todo o Signo de Sagitário está na 2ª Casa, portanto Júpiter é seu Regente, que está em Trígono com o Sol. Também Vênus está na 2ª Casa e este é um dos Aspectos mais favoráveis no que se refere às finanças em todo o Zodíaco. Podemos, portanto, considerar que, quaisquer que sejam os problemas nesta família, a causa não será a falta de dinheiro, o que em muitas vezes é a questão. A profissão deste homem é dada pelo Ascendente Escorpião com o Sol e Marte nele. Marte é o Regente da 6ª Casa, que dá o tipo de trabalho. Ele é médico, cirurgião, mas é estranho um homem de uma profissão tão estudada com os dois indicadores da Mente – isto quer dizer a Lua e Mercúrio – sem Aspectos. Quanto à Mente tem que haver alguma coisa errada e este é o fato. Isto mostra que a Mente vai para esta direção [da doença]. Fora isto, a Quadratura de Urano e Vênus mostra que ele tem um caráter muito nervoso e Netuno em Touro, o Regente da garganta, mostra que ele toma seu próprio remédio… algo que todos os médicos sabem ser muito perigoso. Ele, portanto, é viciado em morfina. Ele já foi internado algumas vezes em uma clínica, mas nesta parte ele é doente mental”.
Este homem nasceu em 1882. Quando Max Heindel o conheceu na Teosofia, em 1904, ele tinha aproximadamente 22 anos, em 1908, 26 anos.
Aqui o resultado, ao que se refere à Iniciação que foram tirados dos Mapas, está no Adendo 12. O momento da prova ou o momento em que a Iniciação ocorre, ou não, logo depois, é possível verificar em várias pessoas. Assim Steiner falhou quando colocou a Teosofia acima dos Ensinamentos Rosacruzes, e isto foi em 20 de outubro de 1902[50]. Max Heindel diz, ele mesmo, que foi ‘provado’ em abril e maio de 1908[51]. E também cita e descreve a data e os acontecimentos onde ele recebeu suas Iniciações. O momento da prova de Rollo Smith foi aproximadamente 25 de novembro de 1911.
Após analisar as progressões no que se refere à Iniciação destes mapas, podemos concluir o seguinte:
Rudolf Steiner: Prova por volta de 20-10-1902, quando ele se tornou Secretário Geral da Sociedade Teosófica da Alemanha. Mercúrio progredido a 149:58 do MC (Meio do Céu ou 10ª Casa); Vênus progredido 149:40 do Ascendente (ASC); Marte progredido 105:09 de Vênus; Urano progredido 72:24 do MC (vai para 72) e 72:26 no ponto médio de Mercúrio/Netuno. Saturno progredido, a 156:29 de Mercúrio, é o Guardião do Umbral, o provador, e Mercúrio, que é o Regente da 8ª Casa da Iniciação, e Netuno é o Planeta dos Mundos espirituais e da Iniciação.
Rollo Smith: esteve diante de seu Guardião do Umbral, que impede a passagem para os Mundos Espirituais, um dos últimos dias em que ajudava Max Heindel na sua primeira construção. Isto deve ter acontecido por volta de 24 de novembro de 1911. Naquela data havia as seguintes progressões: o Ascendente primário, Touro 12:04:16 estava, então, 40:16 da Lua e 139:51 de Saturno. Saturno progredido em Sagitário 5:16:00 estava no Ascendente, que deve ser considerado de forma bem ampla, mas o Sol progredido em Sagitário 6:53:21 estava a 84:29 de Netuno e 90:06 de Marte, portanto praticamente em Quadratura (desarmônico).
Max Heindel:
1ª Iniciação, aproximadamente, em 20 de maio de 1908: Arco primário 2:41:40; Hora Sideral primária 3:17:24. Ascendente primário Virgem 3:11:45 em Semi-Sextil (harmônico) com o ponto médio Ascendente/Sol em 3:27. A cúspide da 8ª Casa, Áries, 4:02:35 está a 40:09 de Plutão. Os Planetas Progredidos: Sol em Virgem 11.25.18 estava a 35.51 da Lua. A Lua 18.55.10 estava a 167.13 do ponto médio da Lua/Ascendente; Mercúrio Progredido em Virgem 18:05:27, retrógrado, estava a 44:38 do ponto médio do Sol/Ascendente e 12:15 de Marte. Vênus Progredido em Leão 1:05:26 estava a 19:53 de Mercúrio. Marte Progredido 2:56:27 estava em Sextil exato (harmônico) com o ponto médio Sol/Lua.
2ª Iniciação em 9 de abril de 1910: Arco primário 2:48:18; Hora Sideral primária 3:24:02. O MC primário de Touro 23:23:58 está 71:57 da Lua. O Ascendente Virgem 4:19:59 estava a 143:43 de Netuno. Cúspide da 8ª casa Áries 5:17:25 estava a 119:43 da Lua e 105:15 de Júpiter. Os Astros Progredidos: O Sol em Virgem 13:15:05, nada. A Lua em Peixes 17:20:36, nada. Mercúrio em Virgem 16:16:15 estava a 74:46 de Urano e 155:42 de Netuno. Vênus Progredido em Leão 3:15:42 estava em Conjunção com o ponto médio Sol/Ascendente (está 3:27) e 17:42 de Mercúrio. Marte Progredido em Libra 4:09:50 estava a 20:01 de Saturno.
3ª Iniciação, aproximadamente, 22 de novembro de 1910: (portanto apenas 7 meses depois da 2ª Iniciação); Arco primário 2:50:33; Hora Sideral 3:26:17. O Ascendente primário Virgem 4:39:11, estava então 79:55 de Vênus e 144:05 de Netuno. A Cúspide da 8ª casa, Áries 5:42:52 estava em Trígono (harmônico) com a Lua 5:34:23 em Leão. O Sol Progredido 13:51:17 em Virgem estava 20:40 de Saturno e 96:11 de Júpiter. A Lua Progredida 26:18:56 em Peixes estava 159:31 de Marte e 96:17 de Júpiter. Vênus Progredido 3:58:43 em Leão estava então a 80:12 de Saturno e 79:50 de Plutão. Marte Progredido 4:34:03 em Balança estava, portanto a 140:26 de Plutão.
4ª Iniciação, aproximadamente, 6 de julho de 1913: Arco primário 2:59:59; Hora Sideral 3:35:43. Ascendente Primário, Virgem 6:11:56, estava então 47:59 de Saturno. A Cúspide da 6ª casa, Sagitário 28:31, estava 72:03 de Netuno. O Sol Progredido, 15:24:01 Virgem, estava 39:43 do Ascendente em 75 graus de Urano. Urano Progredido, Câncer 3:30:46, estava então no ponto médio Sol/Ascendente, Leão 3:28:03, enquanto o Saturno em trânsito estava a 54:26 do Ascendente, 83:34 de Marte e 47:59 da Lua.
No que se refere às provas, que antecedem a primeira Iniciação serão citados aqui somente as Progressões que se aplicam a situação:
STEINER: Regente da 8ª Casa, Mercúrio, está desarmônico com a 10ª Casa. Vênus, Regente da 12ª Casa está desarmônico com o Ascendente. Marte, Regente do Ascendente, está desarmônico com Vênus que é Regente da 12ª Casa. Urano que é Regente da 4ª Casa, está harmônico com a 10ª Casa e harmônico com o ponto médio entre Mercúrio e Netuno. Saturno, o provador, está harmônico com o ponto médio de Mercúrio e Netuno.
SMITH: O Ascendente primário está harmônico com Saturno, o provador. O Sol, que está na 8ª Casa, está harmônico com Netuno, e desarmônico com Marte, que é o Regente da 8ª Casa.
MAX HEINDEL: Seu Ascendente está harmônico com o ponto médio Ascendente/Sol. A cúspide da 8ª Casa está harmônico com Plutão, que é o Regente da 10ª Casa. O Sol está harmônico com o ponto médio entre Lua e Ascendente. Mercúrio está desarmônico com o Sol e o ponto médio entre Sol e o Ascendente. Mercúrio, do Ascendente está harmônico com Marte. Vênus, que é Regente da 4ª Casa, está harmônico com Mercúrio. Marte, por fim está harmônico com o ponto médio entre Sol e Lua.
REGRA: A 8ª Casa simboliza o Mundo espiritual; a 12ª Casa a Iniciação, assim como Netuno. O Ascendente significa o Corpo Denso e a 10ª Casa também está envolvido com o desenvolvimento Espiritual. Pode ser que isto seja apenas com Steiner e Max Heindel, pois iria significar uma manifestação pública. Pode se concluir que sempre faz parte: o Regente da 8ª Casa ou Astro ali localizado, ou a Cúspide da 8ª Casa. Aspectos com a 10ª Casa ou Netuno. A 12ª Casa, ou Astro na 12ª Casa com o Ascendente. O Ascendente, o Regente do Ascendente ou o Astro no Ascendente com Saturno.
Sempre tem uma relação com o Ascendente, a 8ª Casa e 12ª Casa, talvez também com a 10ª Casa, e com Saturno, o provador. Isto também é visto na 2ª e 3ª Iniciação de Max Heindel.
Aos Líderes, classes[53] e estudiosos da Europa.
Nós, Irmãos da Ordem Rosacruz, oferecemos a todos que leem este, nosso Fama em mente Cristã, nosso cumprimento, amor e oração.
O único sábio e misericordioso Deus nestes últimos dias derramou abundantemente a Sua graça e clemência sobre a Humanidade, conduzindo-nos cada vez mais ao conhecimento perfeito de Seu Filho, Jesus Cristo, e da natureza, para que possamos justificadamente bendizer o tempo venturoso em que vivemos. Não só nos revelou a metade até então desconhecida e oculta do mundo, mas também muitas obras e criaturas da natureza, jamais vislumbradas anteriormente. Além disto, favoreceu a emergência de seres humanos de grande sabedoria para renovar, transformar e aperfeiçoar todas as artes (tão maculadas e imperfeitas de nossa época)[54], para que o ser humano possa finalmente compreender sua própria nobreza e dignidade, e por que é chamado de Microcosmos, e até onde se estende seu conhecimento da natureza.
O mundo inculto não ficará muito satisfeito com isto, preferindo zombar e escarnecer. Também o orgulho e a vaidade dos eruditos são tão grandes que não conseguirão entrar em acordo. Se pudessem se reunir e examinar a multiplicidade de revelações brindadas ao nosso século, poderiam compilar um Livro sobre a Natureza ou um método perfeito de todas as Artes. Porém, tamanha é a oposição entre eles que se mantêm ao curso antigo e temem abandoná-lo, estimando ao Papa, a Aristóteles e Galeno; se tais autores que tinham apenas uma pequena amostra de conhecimentos em lugar da clara e manifestada Luz e Verdade estivessem vivos, agora deixariam com alegria suas falsas doutrinas. Porém, aqui há demasiada debilidade para semelhante grande obra. Ainda que em teologia, física e matemática a verdade se manifeste por si mesma, o velho inimigo se mostra com sutileza e artimanhas, quando obstaculiza todo bom propósito com seus instrumentos e criaturas vacilantes.
Visando uma reforma geral, o muito piedoso e altamente iluminado Pai, nosso Irmão C.R.C., um alemão, o chefe e fundador da nossa Fraternidade, trabalhou muito durante muito tempo para realizar uma reforma tão grande.
Devido a sua pobreza (embora descendesse de pais nobres), aos cinco anos de idade foi posto em um convento, onde aprendeu os idiomas: grego e latim. Ainda em sua fase de crescimento, por seu próprio desejo e pedido, se associou a um Irmão P. a. L., que decidira viajar para a Terra Santa.
Apesar do Irmão P.a. L. jamais ter chegado a Jerusalém, pois faleceu na Ilha de Chipre, nosso Irmão C.R.C., também não retornou, mas continuou sua viagem e seguiu para Damasco, com a intenção de alcançar Jerusalém.
Todavia, devido a fadiga do corpo provocada pela longa viagem, prolongou a sua estada naquela cidade e, graças à sua perícia em Medicina, foi bem acolhido entre os turcos.
Por acaso, ele ouviu falar dos sábios de Damcar[55] na Arábia, das maravilhas de que eles eram capazes, e das revelações que lhes haviam sido feitas sobre toda a natureza. Tal notícia despertou o espírito nobre e culto do Irmão C.R.C., que se interessou, bem menos por Jerusalém do que por Damcar. Também não conseguiu refrear seu desejo, e se colocou ao serviço dos mestres árabes, sendo negociada uma determinada soma para conduzi-lo a Damcar.
Chegou a Damcar com apenas 16 anos, e tinha uma estatura característica da Alemanha. Como ele mesmo testemunha, os sábios o receberam não como um desconhecido, mas como alguém que há muito era esperado. Chamaram-no pelo seu nome, e revelaram-lhe certos segredos do seu período no Monastério, sobre os quais ele só podia ter conjeturado e isto o surpreendeu. Ali ele aprendeu melhor o idioma árabe; e, assim, no ano seguinte, traduziu o Livro M. para o latim clássico, que depois carregou consigo. Nesta cidade desenvolveu sua Medicina e sua Matemática, de que o mundo teria justo motivo para se alegrar, se houvesse mais amor e menos inveja.
Decorridos três anos, tornou a embarcar com a devida aprovação, no Sinus Arabicus para o Egito, onde apesar de não permanecer por muito tempo, aprendeu algo mais sobre plantas e criaturas. Depois navegou todo o Mar Mediterrâneo e chegou a Fez, no Marrocos, para onde os árabes o tinham enviado.
Deveríamos nos envergonhar diante da atitude benevolente desses homens sábios, que ainda que distantes compartilhavam as mesmas ideias, desprezando todos os libelos, e compartilhando a sua ciência benevolentemente através do selo do segredo.
Anualmente, os árabes e os africanos enviam emissários uns aos outros, procurando compartilhar uns com os outros as suas artes, e conhecer seus resultados; se tivessem a felicidade de descobrir coisas melhores, ou então, suas experiências teriam enfraquecido suas razões. A cada ano algo era esclarecido, pelo qual a Matemática, a Medicina e a Magia (na qual os de Fez, no Marrocos, eram muito hábeis) eram corrigidas.
Atualmente, a Alemanha não carece de homens eruditos, magos, cabalista, médicos e filósofos, mas falta amor e bondade entre eles, e a grande maioria monopoliza tais segredos em proveito próprio.
Na cidade de Fez, nosso Irmão C.R.C. entrou em contato com os chamados Habitantes Elementares, que lhe revelaram muitos de seus segredos. Igualmente poderíamos nós os seres humanos recolher muitas coisas se houvesse uma unidade semelhante, e um desejo de investigar e compartilhar os segredos existentes em redor de nós e dentro de nós mesmos.
Sobre Fez, ele confessava frequentemente; que a magia por eles praticada não era, todavia, pura e que sua Cabala fora profanada por sua religião; porém apesar disto ele sabia como fazer um bom uso dos conhecimentos que eles possuíam e encontrou ainda um melhor fundamento para sua fé; em tudo de acordo com a harmonia do mundo e maravilhosamente dentro dele em todos os períodos do tempo.
Por isso ele reconhecia que em cada semente de qualquer classe existe interiormente uma árvore inteira e boa, ou então frutos; assim de forma semelhante está incluído dentro do pequeno corpo do ser humano um grande e completo mundo cuja religião, saúde, partes do corpo, natureza, linguagem, palavras e trabalhos estão de acordo, simpatizando, em igual melodia com DEUS, o Céu e Terra. Aquilo que não está de acordo com isto é erro, falsidade e do Diabo, que é a única causa primeira, média e última de hostilidades, cegueira e obscuridade no mundo. Também alguém pode examinar várias e até mesmo todas as pessoas sobre a face da terra e descobrir que o bom e o justo está sempre em harmonia consigo mesmo, porém que tudo o resto é manchado por milhares de equivocadas falsidades.
Após dois anos em FEZ, nosso Irmão C.R.C. viajou em um veleiro com muitas coisas valiosas para a Espanha, alimentando a esperança de poder compartilhar as experiências proveitosas de suas viagens com os ilustres homens da Europa, que o acolheriam com alegria, e passariam a ordenar e dirigir seus estudos de acordo com aquelas bases firmes e eficazes. Por conseguinte, debateu com os alumbrados eruditos da Espanha, mostrando-lhes os erros de suas Artes, como deveriam ser corrigidos, e de onde colheriam o verdadeiro indício do erro no futuro, e em que ponto deveria concordar com as fontes do passado; e também como os erros da Igreja e de toda a Philosophia Moralis deveriam ser reformadas. Ele lhes mostrou ainda novas plantas, novos frutos e animais, os quais estavam de acordo com o que ensinava a filosofia antiga e propôs para eles, uma nova axiomática[56], com a qual tudo podia ajustar-se completamente.
Porém, para eles tudo isso era motivo de zombaria. E por ser algo novo para eles, temiam que, se agora tivessem que aprender coisas novas e reconhecer seus muitos anos de erros, aos quais já estavam acostumados e com os quais havia ganho tanto dinheiro, sua fama de sábio poderia sucumbir-se. Aqueles que amam a inquietude poderiam muito bem responder.
Ouvia sempre a mesma antífona que lhe era entoada também por outras nações, e sua emoção foi tanto maior porque ocorria ao contrário de suas expectativas e por estar disposto a comunicar graciosamente todas as suas artes e segredos aos eruditos; se pelo menos aspirassem empenhar-se para haurir no conjunto das faculdades, das ciências, das artes, em toda a natureza, uma axiomática precisa e infalível. Tal axiomática, como um globo, devia orientar-se de acordo com um centro único, e seria utilizada pelos sábios, como era costume entre os árabes, como uma regra. Deveria existir na Europa uma sociedade que possuísse bastante ouro e pedras preciosas que poderia conceder aos reis, para suas utilidades imprescindíveis e objetivos lícitos. Tal sociedade também se encarregaria da educação dos príncipes, que aprenderiam tudo o que Deus concedeu aos humanos de saber, a fim de habilitá-los, em todas as ocasiões de necessidade, a dar um conselho àqueles que dele precisassem, tal qual os oráculos pagãos.
Na verdade, devemos reconhecer que o mundo já estava gerando uma grande reviravolta, e sentia as dores do parto. Engendrava também gloriosos e virtuosos homens que rompiam com as trevas e a barbárie, deixando-nos um rastro a seguir. Eram a ponta do triângulo de fogo[57], o brilho de cujas chamas não cessam de aumentar e que, indubitavelmente, iluminará o último incêndio que abrasará o mundo.
Outrossim, um destes Theophrastus[58] (Paracelso), o fora por tendência e vocação, embora não tivesse aderido à nossa Fraternidade, lera zelosamente o livro M, iluminando e aguçando sua genialidade. Também foi interceptado em sua marcha por uma multidão confusa de homens eruditos e pseudo-sábios. Nunca pode transmitir em paz sua meditação sobre a natureza, precisando consagrar mais espaço em suas obras para desacreditar os imprudentes do que para revelar-se em toda a sua completude. Todavia, encontramos, nele, profundamente, a harmonia que comentamos. Indubitavelmente, teria comunicado aos homens de ciência, se fossem mais dignos, uma arte superior às sutis vexações. Assim buscou uma vida livre e reservada, distante dos prazeres e da insensatez mundana.
Porém, não esqueçamos nosso Amado Pai, Irmão C.R.C. que após duras e penosas viagens, constatando que suas verdadeiras instruções não foram aceitas, regressou à Alemanha, país que amava cordialmente. Neste país, ainda que pudesse ter se vangloriado com sua arte, especialmente com a transmutação dos metais[59], estimava muito mais o Céu, seus habitantes e a humanidade, do que glórias e pompas mundanas.
Entretanto, construiu para si uma confortável morada onde meditava e refletia sobre Filosofia e suas viagens, sintetizando tudo num verdadeiro memorial. Nesta casa envolveu-se por muito tempo com pesquisas matemáticas e construiu muitos instrumentos de precisão, dos quais poucos foram para nós conservados, conforme compreenderão mais adiante.
Após cinco anos, tornou a aspirar a reforma nas artes e nas ciências. Duvidando da possibilidade de qualquer outra ajuda e de qualquer outro apoio, de espírito assíduo, pronto e perseverante, ele decidiu empreendê-la por sua conta, na companhia de um pequeno número de adjuntos e colaboradores. Para lograr este fim convidou três Irmãos de seu antigo convento (que ele amava tanto); o Irmão G.V., o Irmão J.A. e o Irmão J.O., cujos conhecimentos, ultrapassavam o saber daquela época. Tais Irmãos prestaram um juramento supremo de fidelidade, diligência e silêncio, rogando-lhes que registrassem cuidadosamente por escrito todas as instruções que lhes transmitisse, a fim de que os futuros membros, cuja admissão deveria efetuar-se depois graças a uma revelação particular, não se equivocassem a respeito de uma letra sequer.
Desta maneira teve início a Fraternidade dos Rosacruzes, com apenas quatro pessoas, que desenvolveram a linguagem e escrita mágicas, com um grande dicionário, o qual ainda usamos diariamente para louvar e glorificar a Deus, extraindo daí uma grande sabedoria. Escreveram também a primeira parte do Livro Mysterium. Porém, devido ao seu trabalho ser excessivamente árduo, a grande afluência de enfermos em busca de cura começava a estorvá-los e ainda que seu novo edifício (chamado Sancti Spiritus) já estava concluído, resolveram ampliar sua confraria e para este fim foram escolhidos como novos membros o primo-irmão do Fra. Rosa-Cruz, um pintor de talento, Fr. B., seus secretários, G.G. e P.D., todos de nacionalidade alemã, com exceção de I.A.; no total, oito membros, todos virgens que fizeram o voto do celibato. Eles deviam escrever um livro onde deviam registrar todas as aspirações, desejos e esperanças que a humanidade jamais foi susceptível de alimentar.
Ainda que livremente reconheçamos que o mundo tenha evoluído bastante nos últimos cem anos, estamos seguros que nossa axiomática não será superada até o final do mundo e que também o mundo em suas eras futuras não verá nada diferente, porque nossa rota[60] abarca tanto o dia em que Deus pronunciou “Fiat” (Faça-se) quanto o dia em que Ele pronunciou pereat (Pereça). Por isto não precisamos nos preocupar com o Diabo. O relógio de Deus marca com precisão cada minuto, quando nossos relógios escassamente marcam as horas precisas.
Também cremos firmemente que nossos irmãos e nossos pais se houvessem vivido nesta época haveriam tratado com mais rigor ao Papa, a Mahomet (Islam), e aos escritores, artistas e sofistas; não simplesmente com suspiros desejando o fim da miséria.
Estes oito Irmãos catalogaram e ordenaram todas as coisas de forma harmônica. Não se demandava então outro trabalho de grande vulto. Cada qual havia sido bem instruído, estando qualificado para ministrar os segredos de sua arte e filosofia. Ainda que desejassem compartilhar por mais tempo a companhia uns dos outros, haviam combinado, a princípio, que deveriam separar-se e dirigir-se a vários países distintos; não apenas para compartilhar sua axiomática com outros homens ilustres, senão para que eles próprios, noutros países, observassem algo ou algum equívoco, devendo comunicá-los uns aos outros.
Seu acordo era o seguinte:
Comprometeram-se mutuamente a observar esses seis artigos. Cinco Irmãos partiram para diversas partes. Somente permaneceram os Irmãos B. e D. com o Pai, Fra. R.C. durante um ano inteiro. Quando, ao cabo de um ano, eles também partiram, J.O. e seu primo ficaram junto dele, para que assim em todos os dias de sua vida tivesse a companhia de dois de seus Irmãos.
E, por mais maculada que estivesse a Igreja, sabemos que os Irmãos nela pensavam e aspiravam profundamente pela purificação da mesma.
Todos os anos se reuniam com alegria e faziam uma coletânea completa do que haviam feito. Havia um grande júbilo entre eles, em compartilhar o relato verídico e sem artifícios de todas as maravilhas e milagres que Deus não cessou de espalhar pelo mundo. Todos podem estar certos que pessoas como estas, cujo encontro era obra da máquina celeste, escolhidas pelo espírito mais sábio que viveu em séculos, viveram entre eles e em sociedade na mais perfeita concórdia, na mais total discrição, o mais caridosamente possível.
Vivendo tal estilo de vida, ainda que suas existências transcorressem livres de dores e enfermidades não podiam viver por mais tempo que o determinado por Deus.
O primeiro Irmão desta augusta Fraternidade que morreu, e isto ocorreu na Inglaterra, foi o Irmão J.O., tal como o Irmão C. há tempos havia-lhe predito. Ele era muito culto e conhecia com profundidade a Cabala, como demonstra o livro H., de sua autoria. Na Inglaterra era muito famoso, pois havia curado o jovem Conde Earl de Norfolk que sofria de lepra. Os Irmãos decidiram que o lugar de seus enterros devia permanecer secreto, até onde fosse possível. Atualmente não sabemos nada do que sucedeu a alguns deles, mas, o posto que desempenhado por eles era ocupado por um sucessor competente. Porém, confessaremos publicamente por essas dádivas para a glória de Deus, que seja qual for o segredo que tenhamos aprendido no livro M. (ainda que nossos olhos contemplem a imagem e configuração de todo o mundo), não nos foram revelados nossos infortúnios, nem a hora da morte, que somente é conhecida pelo próprio Deus, o qual desta maneira nos conservaria num estado contínuo de preparação. Esta questão será tratada mais explicitamente em nosso Confessio na qual também enunciaremos as 37 causas pelas quais revelamos agora nossa Fraternidade, fazendo a oferta livre, espontânea e gratuita de mistérios tão profundos, e a promessa de mais ouro do que o fornecido pelas duas Índias ao rei da Espanha: porque a Europa está grávida, e ela vai dar à luz um robusto rebento que seus padrinhos cobrirão de ouro.
Após a morte do Irmão J.O., o Irmão R.C. não cessou suas atividades, e assim que pôde convocou os demais Irmãos, e supomos que foi nesta época que foi feita a sua tumba. Embora nós, os mais jovens, ignorássemos até então, absolutamente, a data da morte do nosso bem-amado Pai R.C., e não estivéssemos de posse a não ser dos nomes dos fundadores e de todos aqueles que os sucederam até nós, soubemos, todavia, guardar em memória um mistério que A., o sucessor de D., o último representante da segunda geração, que viveu com muitos dentre nós, confiou a nós, representantes da terceira geração, num misterioso discurso sobre os cento e vinte anos.
Confessamos, aliás, que após a morte de A. nenhum de nós conseguiu o menor detalhe a respeito de R.C. e sobre seus primeiros irmãos, exceto o que é relatado em nossa Biblioteca Filosófica, entre outras, nossa Axiomática, obra capital para nós, o Rota Mundi, a obra mais sábia, e Proteus[61], a mais útil. Não sabemos, portanto, com certeza se os representantes da segunda geração possuíam a mesma sabedoria que os da primeira, e se tiveram acesso a todos os mistérios.
Contudo, lembremos ainda ao atento leitor que foi Deus quem preparou, aprovou e ordenou o que aprendemos aqui mesmo, sobre a sepultura de Fr.C., e que proclamamos agora publicamente. Nós lhe somos tão fielmente dedicados que não tememos a revelação, numa obra impressa, de nossos nomes de batismo, de nossos pseudônimos, de nossas assembleias, de tudo o que se deseja saber de nós, contando que, em contrapartida, as pessoas se dirijam a nós, com modéstia, e que as respostas sejam cristãs.
Agora vem o verdadeiro e fundamental relato do altamente iluminado homem de Deus, Fra. C.R.C., que é o seguinte:
Após a morte física de A., na Gallia Narbonensis[62], sucedeu-o nosso amado Irmão N.N., que adotou seu nome, após vir a nosso encontro para fazer o solene juramento de fidelidade e segredo, nos informando confidencialmente que A. lhe havia assegurado, que esta Fraternidade não permaneceria tão oculta, mas que seria benéfica, útil e recomendável a toda a nação alemã; que de forma alguma envergonhava-se de seu estado[63].
No ano seguinte após N.N. haver concluído seu aprendizado, planejou viajar, munido de tão respeitável viático e da bolsa de um Fortunato, todavia, sendo um bom arquiteto idealizou restaurar e modernizar esta morada para torná-la mais adequada aos propósitos da Irmandade. Nesta reforma, interessou-se por uma placa memorial que havia sido fundida em bronze (messing)[64] e sobre a qual estava inscrito os nomes dos primeiros membros da Ordem e algumas outras inscrições. Pretendia deslocá-la para uma câmara mais conveniente, pois onde ou quando Fra. C.R.C., nosso amado pai e fundador havia morrido ou em que país fora enterrado fora conservado em segredo pelos Irmãos que nos antecederam sendo por nós desconhecido.
Na placa mencionada estava cravado um grande prego, maior que os outros; assim quando foi arrancada com força, trouxe consigo uma grande pedra proveniente da parede fina, o rebote de uma porta escondida, destapando-a. Então derrubamos com alegria e esperanças o resto da parede, desobstruindo a porta. Sobre a porta estava escrito em caracteres de grande formato: post 120 annos patebo (após 120 anos serei aberto), seguido da data antiga.
Demos graças a Deus e, aspirando consultar em primeiro lugar, a Rota, nossa obra sobre os Ciclos, detivemos nosso trabalho.
Mas tornamos a nos referir à nossa Confessio Fraternitatis[65], pois o que aqui publicamos é para auxiliar aqueles que são dignos, contudo para os indignos (segundo a vontade de Deus) ela terá pouca utilidade. Da mesma forma como nossa porta se abriu de modo maravilhoso ao cabo de tantos anos, na Europa, uma porta também deverá se abrir, logo que o muro de tijolos seja afastado: ela já é visível; são muitos os que as esperam com intensidade.
Na manhã seguinte abrimos a porta, e aos nossos olhos surgiu uma galeria abobadada de sete lados e cantos, cada um deles medindo, aproximadamente, 1,5 metros de largura por 2,5 metros de altura. Embora o Sol jamais brilhasse dentro dela, estava iluminada com uma outra luz, a qual aprendera a fazê-lo com o próprio Sol, e estava situada na parte superior e no centro do teto. No meio, e em vez de lápide, havia um altar redondo coberto por uma chapa de bronze, tendo nela gravado: A.C.R.C hoc universi compendium vivus mihi sepulcrum feci (Este compêndio do universo, construí durante minha existência para ser meu túmulo).
A volta do primeiro círculo, ou borda, constava: Jesus mihu omnia (Jesus é meu tudo). No centro viam-se quatro figuras encerradas em círculos, cujas inscrições eram as seguintes:
Estava tudo claro e resplandecente como também os sete lados e os dois heptágonos; então, reunidos, ajoelhamo-nos e rendemos graças ao único, sábio e poderoso Deus, que nos ensinara mais do que poderia haver descoberto todas as mentes humanas e então glorificamos seu Santo Nome.
A galeria foi dividida em três partes: a superior ou teto, a parede ou lado e o piso ou chão. Em relação ao teto, não nos deteremos muito por enquanto, porém estava dividido em triângulos, dispostos nos sete lados até o centro luminoso, porém o que nele estava contido , vós, se de acordo com a vontade de Deus aspireis pertencer a nossa Fraternidade, contemplareis com seus próprios olhos; contudo cada lado ou parede estava subdividido em dez figuras, cada qual com suas várias estampas e sentenças particulares, conforme fielmente exibido e explicado no Concentratum (Compendium) , aqui em nosso livro.
O piso também estava dividido em triângulos, porém devido estar descrito nele o poder e a regência dos governantes inferiores (os Astros) não podemos descrever isto por recear o abuso de um mundo cheio de maldade e afastado de Deus. Porém, aqueles que estão previstos e têm o antídoto celestial, que sem medo pisam e destroem a cabeça da velha e maligna serpente que nos nossos dias está muito presente.
Cada lado ou parede possuía uma porta ou armário onde estavam diversos objetos especialmente todos os nossos livros que de todas as formas já possuímos. Entre eles estava o Vocabulário de THEOP: PAR.HO. (Teofrastus Paracelsus de Hohenheim) e com os quais, sem artifícios, estudamos diariamente. Também encontramos o Itinerariom e Vitam (O livro de viagem e Biografia de C.R.C.), dos quais muito deste relato é baseado. Em outro armário estavam espelhos de várias virtudes, como noutro lugar havia pequenos sinos, lâmpadas acesas e mais que tudo havia maravilhosos cantos artificiais que foram construídos com o objetivo de que se algo chegasse a suceder com a Ordem ou a Fraternidade, acabando-se depois de centenas de anos, poderia tudo restaurar-se novamente por meio desta única abóbada.
Como até aquele momento ainda não havíamos percebido os restos mortais do corpo de nosso cuidadoso e sábio pai, removemos o altar a um dos lados e levantamos uma forte placa de bronze. Encontramos um corpo perfeitamente conservado, intacto e sem deterioração alguma. Artificiosamente parecia como se estivesse vivo com todos seus ornamentos. Em sua mão portava um livro de pergaminho, com letras douradas, chamado T (296), que depois da Bíblia, é nosso maior tesouro e compreensivelmente não está sujeito ao julgamento do mundo. Ao final deste livro acha-se o seguinte:
Elogium: Granum Pectori Jesus Insitum
C. Ros. C. ex nobili atque splendida Germaniae R.C. familia oriundus, vir sui seculi divinis revelationibus subtilissimis imaginationibus, indefessis laboribus ad coelestia, atque humana mysteria ; arcanave admissus postquam suam (quam Arabico, & Africano itineribus Collegerat) plusquam regiam, atque imperatoriam Gazam suo seculo nondum convenientem, posteritati eruendam custo divisset et jam suarum Artium, ut et nominis, fides acconjunctissimos herides instituisset, mundum minutum omnibus motibus magno illi respondentem fabricasset hocque tandem preteritarum, praesentium, et futurarum, rerum compendio extracto, centenario major non morbo (quem ipse nunquam corpore expertus erat, nunquam alios infestare sinebat) ullo pellente sed spiritu Dei evocante, illuminatam animam (inter Fratrum amplexus et ultima oscula) fidelissimo creatori Deo reddidisset, Pater dilectissimus, Fra: suavissimus, praeceptor fidelissimus amicus integerimus, a suis ad 120 annos hic absconditus est.
Tradução:
Uma semente foi plantada no peito de Jesus
C. Ros. C. originou-se na nobre e famosa família alemã da R.C.; um homem aceito nos mistérios e segredos do céu e da terra através das revelações divinas, cogitações sutis e da persistente labuta de sua vida. Em suas viagens pela Arábia e África, reuniu um tesouro ultrapassando o dos Reis e Imperadores; não o achando, porém, adequado para a sua época, conservou-o secreto para ser descoberto pela posterioridade, e nomeou os herdeiros leais e fiéis de suas artes, e também de seu nome. Edificou um microcosmo correlacionado em todos os movimentos ao macrocosmo, e finalmente redigiu este compêndio das coisas passadas, presentes e futuras. Em seguida, tendo já ultrapassado um centenário, embora não atribulado por nenhuma enfermidade, que jamais sofrera em seu próprio corpo e tampouco permitirá que outros a sofressem, mas chamado pelo Espírito de Deus, entre os últimos amplexos de seus irmãos, entregou sua alma iluminada a Deus seu Criador. Um pai amado, um Irmão afetuoso, um Mestre leal, um Amigo sincero, aqui permaneceu oculto por seus discípulos durante 120 anos.
Haviam assinado, logo abaixo:
Secundi Circuli. (Do segundo círculo):
Ao final estava escrito o seguinte:
Ex Deo Nacimur, in Jesu Morimur, per Spiritum Sanctum Reviviscimus
(De Deus nascemos, em Jesus morremos, pelo Espírito Santo revivemos)
O Irmão C.R.C. nasceu em 1378 e viveu 106 anos. Assim, morreu em 1484. Sua tumba foi descoberta 120 anos depois, ou seja, no ano 1604.
Nessa época já havia morrido os Irmãos O. e D., porém, onde se encontrará o lugar de suas sepulturas? Não duvidamos que o mais velho dos irmãos, no instante de seu sepultamento, foi objeto de cuidados especiais e que também teria tido uma sepultura secreta.
Também esperamos que o nosso exemplo estimulará outros irmãos, a procurar com mais cuidado pelos nomes que revelamos com tal finalidade, e a encontrar o local de suas tumbas. Célebres e apreciados, geralmente, por sua arte médica, nas mais antigas gerações, eles podem talvez, com efeito, contribuir para ampliar nosso Gaza[66], ou pelo menos para compreendê-lo melhor.
Quanto ao Minutum Mundom (pequeno mundo), nós o encontramos conservado noutro pequeno altar. Realmente mais admirável do que possa ser imaginado por qualquer homem de discernimento. Todavia nós não o descreveremos enquanto não tiver creditado um voto de confiança a nossa Fama Fraternitatis. Em seguida tornamos a cobrir o túmulo com as placas, e sobre elas colocamos o altar e tornamos a fechar a porta, fechando todos os nossos selos, antes de decifrar algumas obras, baseando-nos nas diretrizes de nossa Rota – nosso tratado sobre os ciclos – (entre outros, sobre o livro M. Hoh[67], cujo autor é o doce M.P., e que é útil como um tratado de atividades domésticas). Em seguida, segundo o nosso costume, separamo-nos novamente, deixando nossas joias a seus herdeiros naturais. E assim aguardamos a resposta e julgamento dos eruditos e dos não eruditos sobre as nossas revelações.
Ainda que conheçamos a amplitude de uma reforma geral divina e humana que contentará tanto os nossos desejos quanto as esperanças de todos os seres humanos, não é mau, com efeito, que o Sol, antes de seu despertar, projete no céu uma luminosidade mais clara ou escura; que alguns se anunciem e se reúnam para promover nossa irmandade pelo seu número e pelo prestígio do cânon filosófico idealizado e ditado pelo nosso Pai C., ou mesmo para deleitar-se com humildade e amor de nossos alienáveis tesouros, curando as misérias deste mundo e não lidando com tanta cegueira com as maravilhas divinas.
Porém, para que cada Cristão também possa apreciar a nossa piedade e probidade, professamos publicamente o conhecimento de Jesus Cristo nos termos claros e nítidos em que Ele, nesta época tem sido proclamado na Alemanha e onde certas províncias famosas o mantêm e o proclamam atualmente contra todos os entusiastas, heréticos e falsos profetas. Nós também celebramos os Sacramentos instituídos pela primeira Igreja reformada, com as mesmas fórmulas e cerimônias.
Na política reconhecemos o Império Romano e a IV Monarquia[68], como nosso regente e como regente dos cristãos.
Apesar do conhecimento que possuímos em relação às mudanças que irão ocorrer e de nossa profunda aspiração em divulgá-las àqueles que são instruídos por Deus, eis nosso manuscrito, que está em nosso poder. Nenhum ser humano nos colocará fora da lei, nem nos entregará aos indignos, sem a permissão do Deus único.
Colaboraremos secretamente com esta causa benéfica segundo a Vontade divina. Porque nosso ouro não é cego como acreditam e profetizam os pagãos, porém, Ele é a joia da Igreja e a Honra do Templo.
Nossa filosofia não é tampouco nenhuma novidade: ela é conforme a que herdou Adão após a queda e que foi praticada por Moisés e Salomão. Ela não questiona ou refuta diferentes teorias porque a verdade é única, sucinta, sempre idêntica a ela própria, pois, adequando-se a Jesus em todas as suas partes e em todos os seus membros, ela é a imagem do Pai como Jesus é seu retrato, é um equívoco dizer que o que é verdadeiro em Filosofia é falso em Teologia. O que Platão, Aristóteles e Pitágoras estabeleceram, o que Enoch, Abraão, Moisés e Salomão confirmaram, naquilo que está em concordância com a Bíblia, o grande livro das maravilhas, corresponde e descreve uma esfera, ou um globo em que todas as partes estão equidistantes do centro, ciência em que trataremos mais profundamente na Conferencia Cristã.
Quanto ao que se refere em nossa época ao enorme sucesso da arte ímpia e maldita dos fazedores de ouro, que incita de forma muito singular uma multidão de lisonjeadores evadidos das prisões e maduros para o cadafalso a cometer grandes vilezas abusando da boa-fé e da ingenuidade de muitos indivíduos, a ponto de alguns acreditarem em sua probidade, que a transmutação metálica é o ápice e o cimo da Filosofia, que é necessário dedicar-se completamente a ela e que a fabricação de massas e de lingotes de ouro agrada de forma especial a Deus – mediante preces irrefletidas, mediante expressões doentias e inúteis, eles esperam conquistar um Deus cuja onisciência penetra em todos os corações, eis o que proclamamos publicamente: tais concepções são falsas. Testificamos que para os verdadeiros filósofos, a fabricação de ouro não é senão um “parergon”, um trabalho preliminar, de pouca importância, um entre milhares de outros tantos os que têm em seu repertório, e que são muito mais importantes.
Assim afirmamos as palavras de nosso bem-amado Pai C.R.C.: phy:aurum nici quantum aurum (Oh! Ouro, nada mais do que ouro!). Aquele a cujos olhos toda a natureza se revela não se deleita por poder fabricar ouro e domesticar demônios, mas segundo as palavras de Cristo: se alegra por contemplar o céu abrir-se, os Anjos do Senhor subir e descer, e seu nome inscrito no Livro da Vida.
Também testificamos que sob o nome de Chymia (Alquimia) foram apresentados muitos livros e ilustrações no Contumeliam Gloriae Dei (para a Glória de Deus), como os denominaremos em sua devida época, dando aos puros de coração um Catálogo, ou registro deles.
E rogamos a todos os homens de ciência que redobrem sua prudência à leitura destes livros: o inimigo não cessa de semear seu joio, até encontrar alguém mais forte que os extirpe.
Assim, de acordo com a vontade e pensamentos do nosso Pai C.R.C., nós seus Irmãos pedimos novamente aos sábios e eruditos de toda a Europa que leiam estas nossas Fama, traduzidos em cinco idiomas, y Confessio, em latim, e que, se lhes aprouver, poderão deliberar considerando essa nossa oferta, e julgarem a época atual com todo o desvelo, e declararem a sua opinião por impresso, seja como uma Communicatio consilio, ou sigulatim (conjuntamente ou isoladamente).
Ainda que neste momento não tenhamos mencionado nossos nomes e reuniões, as opiniões de todos, não importa a língua que professem, chegarão com certeza até as nossas mãos. E todos aqueles que indicarem seu nome receberão uma resposta de alguma forma, ou pessoalmente ou, se tiverem algum problema com isto, por escrito. Proclamamos que aquele que nutra a nosso respeito seriedade e cordialidade, ao dirigir-se a nós será por isso beneficiado em corpo e alma; todavia aquele que seja falso em seu coração, ou os ambiciosos de riquezas, não nos causará nenhum mal, mas atrairá para si a ruína e a destruição absoluta.
Em relação a nossa morada, ainda que cem mil pessoas tenham dela se aproximado e quase a contemplado de perto, permanecerá para sempre intocável, indestrutível e oculta para o mundo perverso. Sub Umbra Alarum Tuarum Jehova (À sombra de Tuas Asas, oh! Jeová).
OS IRMÃOS DA FRATERNIDADE ROSACRUZ
Estimado leitor,
Aqui, caro leitor, deverá encontrar, incorporado em nossa Confessio, trinta e sete razões sobre o nosso propósito e intenção, as quais, se for de teu agrado, poderá procurá-las e compará-las em conjunto, levando em conta dentro de ti mesmo se elas são suficientes para te atrair. Em verdade, é nossa maior preocupação induzir qualquer pessoa a acreditar naquilo que ainda não é aparente, mas quando isso for revelado no total resplendor do dia, suponho que estaremos envergonhados de tais questionamentos.
Como agora, de fato, podemos chamar o Papa de anticristo, sem receio de punição capital, assim, certamente, sabemos que o que aqui mantemos secreto, no futuro será trovejado em alta voz. Deseje conosco, caro leitor, de todo coração, que isso ocorrerá rapidamente.
A Fraternidade da Rosacruz
Capítulo 1
Não considere apressadamente, ó mortais, o que vocês tenham ouvidos sobre à nossa do Fama R.C. sobre nossa Fraternidade; não acredite, nem obstinadamente duvide. É Jeová quem, vendo como o mundo está desabando em ruínas, e perto de seu fim, de fato o apressou novamente para seu início, invertendo o curso da Natureza e, assim, o que até aqui tem sido buscado com grande esforço e com trabalho diário Ele deverá deixar exposto para aqueles que não pensam em tal coisa, oferecendo-o ao desejoso e forçando-o ao relutante, para que ele possa se tornar para os bons aquilo que suavizará os problemas da vida humana e romperá a violência dos golpes inesperados da Fortuna, mas para o ímpio se tornará aquilo que aumentará seus pecados e suas punições.
Nós acreditamos que tenhamos suficientemente revelado para você no Fama a natureza de nossa Ordem, na qual seguimos a vontade de nosso mais excelente Pai, nem possamos ser por qualquer pessoa suspeita de heresia, nem de qualquer tentativa contra a comunidade, nós, por meio disto, de fato condenamos o Oriente e o Ocidente (significando o Papa e Maomé) por suas blasfêmias contra Nosso Senhor Jesus Cristo, e oferecemos ao chefe principal do Império Romano nossas preces, segredos e grandes tesouros de ouro. Contudo, por causa dos eruditos, pensamos melhor em adicionar algo mais a isto, e dar uma melhor explanação, se houver qualquer coisa demasiadamente profunda, oculta e assentada na obscuridade no Fama, ou por alguma razão não conseguiu ser traduzido adequadamente em alguma língua, por meio do que esperamos que os eruditos estejam mais afeitos a nós, e mais dispostos a aprovar nosso desígnio.
Capítulo 2
Concernente ao aperfeiçoamento e acréscimos da filosofia temos – tanto quanto no momento é necessário – declarado que a mesma está doente; ou melhor, embora muitos (não sei como) debatem que ela esteja sadia e forte; para nós é certo que ela dá seu último suspiro.
Mas, como usualmente, até no mesmo lugar onde surge uma nova doença, a Natureza descobre um remédio contra a mesma, assim, em meio a tantas enfermidades da filosofia, de fato aparecem os meios corretos, e que são para nossa Pátria, suficientemente oferecidos, pelos quais ela poderá se tornar sadia novamente, e poderá parecer nova ou renovada para um mundo renovado.
Não existe para nós, entretanto, nenhuma outra filosofia daquela que é a mais importante de todas as faculdades, ciências e artes, a qual (se contemplarmos nossa época) contém muito da Teologia e da Medicina, mas pouco da Jurisprudência; a qual pesquisa o Céu e a Terra através de primorosa análise, ou, para dela falar com brevidade, a qual de fato manifesta suficientemente o ser humano Microcosmos, a respeito do que, se alguns dos mais bem dispostos na multidão dos eruditos responderem ao nosso fraternal convite, deverão encontrar dentre nós muitas outras e maiores maravilhas do que aquelas em que de fato até agora acreditavam, se maravilhavam e professavam.
Capítulo 3
Se nós declaramos brevemente nosso propósito acerca disso significa que devemos trabalhar cuidadosamente para que a surpresa de nosso desafio possa lhe ser tomada, para mostrar claramente que tais segredos não são frivolamente estimados por nós, e para não propagar amplamente uma opinião entre os incultos de que a narrativa que diz respeito a esses segredos é uma tolice. Pois não é absurdo supor que muitos estejam confundidos pelo conflito de pensamentos que é ocasionado por nossa inesperada afabilidade, para os quais (até agora) são desconhecidas as maravilhas da Sexta Época, ou que, em razão do curso retrógrado do mundo[70], não conseguem ver nem o futuro e nem o passado. Preenchidos pelas preocupações de seu tempo vivem de nenhuma outra maneira no mundo a não ser como pessoas cegas, que, à luz, nada discernem a não ser o que podem tocar.
Capítulo 4
Nossa opinião, sobre a primeira parte, é que as meditações de nosso pai Cristian acerca de todos os assuntos que a partir da criação do mundo foram inventados, produzidos e propagados pela engenhosidade humana, através da revelação de Deus, ou através do serviço dos Anjos ou dos Espíritos, ou através da sagacidade do entendimento, ou através da experiência da longa observação são tão grandes, que se todos os livros perecessem, e pelo consentimento de Deus todo-poderoso todos os escritos e todo saber se perdessem, ainda assim, a posteridade seria capaz de lançar uma nova base para as ciências e de erigir uma nova cidadela pelo arco triunfal da verdade; o que talvez seja fácil de fazer, como se alguém começasse a lançar abaixo e destruir o velho edifício em ruínas, e então aumentar o pátio de entrada, trazendo depois luz para dentro dos aposentos privativos, mudando então as portas, as escadarias e outras coisas de acordo com nossa intenção.
Como conceitos tão exaltados poderiam parecer a nós tão humildes? Não nos foram oferecidas para apenas tomarmos conhecimento? Não foram intencionadas como ornamento de seu tempo? Não gostaríamos de encontrar a Paz, na única verdade, que os mortais tanto buscam por caminhos tortuosos ou labirintos, se Deus realmente quisesse que o sexto candelabro acendesse apenas para nós? Não nos seria suficiente não temer nem a fome, pobreza, doenças, nem a idade? Não seria algo excelente sempre viver como se você tivesse vivido desde o começo do mundo, e fosse ainda viver até o fim dele? Viver igualmente em um lugar em que nem os povos que habitam além do Ganges pudessem ocultar qualquer coisa, nem aqueles que vivem no Peru pudessem ser capazes de manter seus desígnios em segredo de ti? Igualmente ler em um único livro para discernir, compreender e lembrar de tudo o que em outros livros (que até aqui existiram, existem agora, e daqui para frente deverão surgir) esteve, está e deverá ser aprendido a partir deles? Igualmente tocar e cantar de forma que em vez de pedras rochosas você pudesse extrair pérolas, em vez de animais selvagens, espíritos, e em vez de Plutão[71], você pudesse acalmar os poderosos príncipes do mundo?
Ó mortais, os desígnios de Deus são diferentes e também é diferente seu benefício. Em benefício de vós foi decretado que se aumentasse e se expandisse o número de nossa Fraternidade neste tempo, o que com muita alegria empreendemos, pois obtivemos até aqui este grande tesouro sem nossos méritos, sim, sem qualquer esperança ou expectativa. O mesmo, pretendemos com tal fidelidade colocar em prática, de forma que nem a compaixão, nem a piedade por nossos próprios filhos (que alguns de nós na Fraternidade, tem) deverão nos mover, uma vez que sabemos que estas coisas boas inesperadas não podem ser herdadas, nem promiscuamente conferidas.
Capítulo 5
Se, agora, houver alguém que, por outro lado, reclame de nossa discrição – considerando a segunda parte, [da primeira frase do capítulo 3] – de que oferecemos nossos tesouros tão espontânea e indiscriminadamente, e de que em vez disso não damos maior consideração aos devotos, aos sábios ou às pessoas principescas do que às pessoas comuns, com ele não estamos de nenhuma maneira zangados. Pois, a acusação não é sem importância, mas, além disso, afirmamos que de nenhuma forma fizemos de nossos segredos propriedade comum, ainda que eles ressoem em cinco línguas dentro dos ouvidos dos incultos. Tanto porque, como bem sabemos, eles não farão juízos grosseiros, como também porque o valor daqueles que deverão ser aceitos em nossa Fraternidade não será medido por sua curiosidade, mas pela regra e padrão de nossas revelações.
Mil vezes os indignos poderão clamar, mil vezes se apresentarem, contudo, Deus ordenou a nossos ouvidos que eles não ouvissem nenhum deles, e circundou a nós, Seus servidores, de tal forma com Suas nuvens, que contra nós nenhuma violência pode ser feita; pelo que agora não mais somos contemplados por olhos humanos a menos que tenham recebido força emprestada de uma águia.
O Fama tinha que ser publicado na língua mãe de todos, para que estes não fossem privados do conhecimento dele, os quais (embora sejam iletrados) Deus não excluiu da felicidade desta Fraternidade, que é dividida em graus; como aqueles que vivem em Damcar, que têm uma ordem política muito diferente dos outros árabes; pois lá de fato governam apenas pessoas de discernimento, os quais, com a permissão do rei, fazem leis particulares, de acordo com cujo exemplo o governo também deverá ser instituído na Europa (de acordo com a descrição estabelecida por nosso Pai Cristian), quando ocorrerá aquilo que deve preceder.
Quando nossa Trombeta ressoar a plena voz e com nenhuma prevaricação de significado; quando, a saber, aquelas coisas sobre as quais alguns poucos agora sussurram e obscurecem com enigmas, abertamente preencherão a Terra, mesmo como após muitos secretos aborrecimentos de pessoas pias contra a tirania do papa, e após tímida reprovação, ele com grande violência e através de uma grande investida foi derrubado de seu assento e pisoteado copiosamente; cuja queda final está reservada para uma época em que ele deverá ser rasgado em pedaços com garras, e um gemido final deverá encerrar seu zurro de jumento, o que, como sabemos, já está manifesto para muitos homens eruditos na Alemanha, conforme as suas indicações e secretas congratulações prestam testemunho.
Capítulo 6
Vale a pena relatar e proclamar o que aconteceu durante todo o tempo desde o ano de 1378, o ano quando nosso Pai Cristian nasceu, até agora, quais alterações no mundo ele viu nesses cento e seis anos de sua vida, o que ele deixou para ser empreendido por nossos Pais e por nós após sua feliz morte.
A brevidade, que de fato observamos, não permitirá neste momento fazer um relato detalhado disso; é suficiente para aqueles que não desprezam nossa proclamação, termos tocado nisso, para desta forma preparar o caminho para sua maior associação e união conosco. Verdadeiramente, para quem é permitido contemplar, ler e a partir daí ensinar a si mesmo aqueles grandes caracteres que o Senhor Deus inscreveu no mecanismo do mundo, e que Ele repete através das mutações dos Impérios, e com base neste conhecimento, se desenvolve, sem sombra de dúvida, mesmo não estando consciente disto, já é um dos nossos. E como sabemos que ele não negligenciará nosso convite, assim, de maneira semelhante, juramos de nosso lado que ele não será iludido. Prometemos ainda que a retidão e as esperanças de nenhum ser humano deverão enganar aquele que se fizer conhecido para nós sob o selo do sigilo e desejar nossa familiaridade. Contudo, para o falso e para os impostores, e para aqueles que buscam outras coisas que não a sabedoria, testemunhamos publicamente por estas dádivas, não podemos, em nosso prejuízo, ser a eles revelados, nem sermos por eles conhecidos sem a vontade de Deus, mas eles deverão certamente ser participantes daquela terrível cominação mencionada no Fama, e seus desígnios ímpios deverão cair para trás sobre suas próprias cabeças, enquanto nossos tesouros deverão permanecer intocados, até que o Leão surja e os reclame como seu direito, receba-os e os empregue para o estabelecimento de seu reino.
Capítulo 7
Então, nós mortais devemos estar seguros de uma coisa: Deus decretou para o mundo antes de seu fim, o que atualmente em consequência disso deverá suceder, um influxo de verdade, luz, e grandeza tal como Ele ordenou que deveria acompanhar Adão ao partir do Paraíso e abrandar a miséria do ser humano. Pelo que deverá cessar toda falsidade, escuridão e escravidão que pouco a pouco, com a revolução do grande globo, se infiltrou nas artes, nas obras e na governança dos seres humanos, obscurecendo a maior parte delas.
De lá surgiu essa inumerável diversidade de opiniões, falsidades e heresias que tornam a escolha difícil para os seres mais sábios, vendo que por um lado, foram estorvados pela reputação dos filósofos e por outro, a verdade das descobertas os colocam em dúvida. Se, portanto, todas estas coisas, como cremos, puderem ser definitivamente removidas, e em vez delas uma única e mesma regra for instituída, então, realmente restarão agradecimentos para eles que se esforçaram nisso, mas o resultado de tão grande obra deverá ser atribuído à bem-aventurança de nossa época.
Como agora confessamos que as muitas elevadas inteligências através de seus escritos serão um grande auxílio para esta Reforma que está por vir, assim de maneira nenhuma arrogamos a nós esta glória, como se tal obra fosse somente imposta a nós, mas testemunhamos com nosso Cristo Salvador que tão logo as pedras se ergam e ofereçam seu serviço, não haverá então falta de executores do desígnio de Deus.
Capítulo 8
Para fazê-Lo conhecido, Deus enviou mensageiros à frente que deveriam testemunhar Sua vontade, a saber, algumas novas estrelas que apareceram em Serpentarius e Cygnus[72] (303), cujos poderosos sinais de um grande Conselho demonstraram como para todas as coisas que a engenhosidade humana descobre, Deus invoca seu conhecimento oculto. Igualmente o Livro da Natureza, que embora permaneça aberto verdadeiramente diante de nossos olhos, pode ser lido somente por muito poucos, menos ainda compreendido.
Como na cabeça humana há dois órgãos de audição, dois de visão e dois de olfato, mas apenas um de fala, e sendo inútil esperar a fala a partir dos ouvidos, ou a audição a partir dos olhos, assim existiram épocas que o ser humano via, outras que ouvia, outras ainda que sentia o cheiro e o sabor. Agora, resta que em um curto tempo que se aproxima velozmente, distinção deva igualmente ser dada à língua, para que o que anteriormente viu, ouviu e sentiu o cheiro deva finalmente falar, depois que o mundo tiver superado a intoxicação de seu envenenado e entorpecido cálice, e com um coração aberto, de cabeça descoberta e pés descalços vá feliz e alegremente adiante para encontrar o sol se erguendo pela manhã.
Capítulo 9
Do mesmo modo que Deus espalha esses caracteres e letras, em Suas Sagradas Escrituras, igualmente Ele os imprime muitíssimo manifestadamente na maravilhosa obra da criação, nos Céus, na Terra, e em todos os animais, da mesma forma que o matemático prevê os eclipses, nós prognosticamos os obscurecimentos da igreja, e quanto tempo eles deverão durar.
Tomamos emprestado dessas letras nossa escrita mágica e, por conseguinte construímos para nós mesmos uma nova linguagem, na qual a natureza das coisas também é expressa. De forma que não é de se admirar que não sejamos tão eloquentes em outras línguas, muito menos neste latim. Pois sabemos que de maneira nenhuma estão em conformidade com aquela de Adão e Enoch, mas que foi contaminado pela confusão de Babel.
Capítulo 10
Nós não podemos de mencionar que, embora ainda existam algumas penas de águia[73] em nosso caminho, as quais de fato obstruem nosso propósito, de fato exortamos ao exclusivo, único, assíduo e contínuo estudo das Sagradas Escrituras. Aquele que extrai todo seu prazer desta forma, deverá saber que preparou para si mesmo uma excelente maneira de entrar em nossa Fraternidade. Pois este é o teor total de nossas Leis, que como não há nenhum aspecto naquele grande milagre do mundo que não esteja relacionado à memória, assim estão mais próximos e são mais parecidos conosco aqueles que de fato fazem da Bíblia a regra de sua vida, o fim de todos os seus estudos e o compêndio do mundo universal.
Destas pessoas exigimos não que isso devesse estar continuamente em sua boca, mas que deveriam apropriadamente aplicar sua verdadeira interpretação a todas as épocas do mundo. Não é nosso costume assim depreciar o oráculo divino, pois, embora haja inumeráveis comentadores do mesmo, alguns aderem às opiniões de seu grupo, alguns zombam da Escritura como se ela fosse um tablete de cera, para ser utilizado indiferentemente pelos teólogos, filósofos, doutores e matemáticos.
Em vez disso, somos testemunhas que desde o começo do mundo não foi oferecido ao ser humano um mais excelente, admirável e benéfico livro do que a Bíblia Sagrada. Abençoado é aquele que a possui, mais abençoado é aquele que a lê, mais abençoado de todos é aquele que verdadeiramente a estuda profundamente e a compreende, pois está mais relacionado com Deus aquele que tanto a compreende quanto a obedece.
Capítulo 11
O que nós dizemos com horror, devido à aversão aos impostores, contra a transmutação dos metais e a medicina suprema do mundo, desejamos ser assim compreendidos que esta tão grande dádiva de Deus, nós de nenhuma maneira desprezamos, mas como ela nem sempre traz consigo o conhecimento da Natureza, embora esse conhecimento produza tanto isso quanto um número infinito de outros milagres naturais, é correto que estejamos antes determinados a obter o conhecimento da filosofia, nem tentemos obter excelente aptidão com a tintura dos metais antes de obtê-la com a observação da natureza.
Deve necessariamente ser insaciável aquele que nem a pobreza, nem a doença, nem o perigo podem mais alcançar, que, como alguém elevado acima de todos os humanos, dominou aquilo que de fato angustia, aflige e atormenta os outros. Alguém assim, contudo se voltará novamente para coisas vãs, construirá prédios, fará guerras e tiranizará, porque possui suficiente ouro e uma fonte inesgotável de prata.
Deus julga de uma maneira completamente diferente, exaltando o humilde e lançando o orgulhoso na obscuridade; ao silente ele envia seus Anjos para com eles conversar, mas, os tagarelas ele os dirige ao deserto, que é o julgamento devido ao impostor romano que agora despeja suas blasfêmias de boca aberta contra Cristo, e que não ainda em plena luz do dia, através do que a Alemanha detectou suas cavernas e passagens subterrâneas, não para de mentir, para que por meio disso possa completar a medida de seu pecado e ser considerado digno do machado.
Portanto, um dia ocorrerá que a boca dessa víbora deverá ser cerrada, e sua tripla coroa deverá ser reduzida a nada, acerca dessas coisas trataremos mais completamente quando nos encontrarmos.
Capítulo 12
Concluindo nosso Confessio, devemos seriamente adverti-lo que descarte, se não todos, pelo menos a maioria dos livros imprestáveis de pseudo-alquimistas. Para eles é um jogo de abuso da Santíssima Trindade a coisas vãs, ou enganar os seres humanos com símbolos e enigmas monstruosos, ou lucrar com a curiosidade dos crédulos. Nossa época de fato produz muitos desses, um dos maiores sendo um ator de palco[74], um homem com suficiente engenhosidade para a fraude.
O inimigo da felicidade humana se mistura com a boa semente, para desta forma, tornar a verdade mais difícil de ser acreditada, que em si mesma é simples e despojada, enquanto a falsidade é orgulhosa, arrogante e colorida com um brilho de aparente sabedoria divina e humana.
Fuja dessas coisas, você que é sábio, e recorra a nós, que não buscamos seu dinheiro, mas o oferecemos de muito boa vontade nossos grandes tesouros. Não andamos a caça de seus bens com tinturas mentirosas inventadas, mas desejamos torná-lo coparticipante de nossos bens. Não rejeitamos as parábolas, mas o convidamos às simples e claras explicações de todos os segredos. Não buscamos ser recebidos por você, mas o convidamos para nossas casas e palácios mais do que majestosos. Através de nenhum impulso próprio, mas (para que você não desconheça) como que forçados a isto pelo Espírito de Deus, comandados pelo testamento de nosso mais excelente Pai, e impelidos pela ocasião deste momento presente.
Capítulo 13
Vocês, mortais, para quem Deus irradia uma luz similar àquela que Ele gera e vendo que sinceramente reconhecemos Cristo, execramos o papa, nos entregamos à verdadeira filosofia, levamos uma vida digna, e diariamente chamamos, suplicamos, e convidamos muitos mais para nossa Fraternidade, para os quais a mesma Luz de Deus igualmente se mostrou?
Não considera que, tendo ponderado acerca dos dons que estão em você, tendo medido sua compreensão da Palavra de Deus, e tendo avaliado as imperfeições e inconsistências de todas as artes, poderá finalmente no futuro deliberar conosco acerca da remediação delas, cooperar na obra de Deus e ser útil para a constituição de sua época?
Em cuja obra estes proveitos se seguirão, de forma que todos esses bens que a Natureza dispôs em todas as partes da Terra deverão totalmente em algum momento lhe serão dados, como ponto central entre o Sol e a Lua. Então deverá ser você capaz de expulsar do mundo todas aquelas coisas que obscurecem o conhecimento humano e retarda a ação, tal como descrito pelo caminho circular[75].
Capítulo 14
Você, contudo, para quem é suficiente ser útil apenas por curiosidade de qualquer prática, ou que está deslumbrado com o brilho do ouro, ou que embora agora íntegro, poderia ser desviado por inesperadas grandes riquezas para uma vida efeminada, ociosa, luxuosa e pomposa, não disturbe nosso silêncio sagrado com o seu clamor.
Mas, pense que embora haja um remédio que poderia curar totalmente todas as doenças, aqueles que, contudo, Deus deseja testar ou punir não deverão ser favorecidos com tal oportunidade, de forma que se fôssemos capazes de enriquecer e instruir o mundo todo, e liberá-lo de inumeráveis tribulações, nós, contudo, nunca nos manifestaríamos para qualquer ser humano, a menos que a Deus isso favorecesse. Isto estará tão longínquo daquele que contra a vontade de Deus pensa em ser um coparticipante de nossas riquezas, que mais rapidamente perderá sua vida nos buscando, do que atingirá a felicidade por nos encontrar.
FRATERNIDADE ROSACRUZ
Ao leitor: Quem quer que seja você, que duvida da Ordem dos Irmãos da Rosacruz; leia isto, e que lendo este poema[77] ficará convencido.
Frankfurt[78], da gráfica de Johannes Bringer, 1614
Muitos duvidam da existência dos Irmãos da Rosacruz. Eles não querem acreditar no Fama, que foi espalhado por toda a Terra e assim torna conhecido o trabalho de nossos irmãos por toda a parte. Contudo, aquele que não quer acreditar na pura verdade não poderá ver, apesar de ser uma tarde ensolarada. Veja, eu que estou escrevendo sou um dos Irmãos. Eu faço parte, apesar de pequena, desta piedosa Irmandade. Nossa Ordem existe escondida, no interior da Alemanha, mas também é conhecida no exterior. Esta Ordem é recentemente – muito poucos a formavam inicialmente – formada por dez homens, grandes em conhecimento e habilidades. Porque a Ordem tem novas regras e por isso, você poderia dizer que é uma nova Ordem. Muitos querem participar da nossa comunidade, mas poucos o conseguem, e ainda com dificuldade. Nós escolhemos apenas aqueles, que passaram por um longo período de provas, aqueles que passaram pela sua própria justiça. A Ordem os prende por fortes disposições, para que sempre cumpram suas promessas com fidelidade. Um amigo pode, se quiser, ser nosso companheiro, sendo ele merecer de nossa amizade. Nós vivemos em um convento. E quando nosso Pai o fundou há muito tempo lhe deu o nome de ‘Espírito Santo’. Com o passar dos anos ela mudou, mas ainda assim nossas memórias o guardam bem. Aqui vivemos juntos com vestes sagradas. A autoridade do Papa já não repousa mais sobre nós, como antigamente. Somos rodeados por bosques e propriedades: um rio conhecido corre lentamente perto de nossa propriedade. Não longe de nós fica uma cidade conhecida que nos fornece tudo que necessitamos. Com toda a liberdade vivemos aqui, em nosso terreno. Mesmo assim nós não somos totalmente conhecidos, nem pelos vizinhos. Apesar de diariamente pessoas virem à nossa porta para mendigar, todos, sempre, partem com uma rica esmola; sim, mesmo aqueles que sofrem com uma doença séria são, muitas vezes, ajudados com nossa assistência médica. Por este motivo toda a redondeza nos quer bem e ninguém iria danificar nossas posses. Quase citei o lugar onde vivemos, mas por motivos óbvios não irei traí-lo. Para que não fiquemos desconhecidos do mundo, viajamos muito pelas regiões do mundo e retornamos. Acabei de concluir minha terceira viagem e permaneço na não insignificante Hagenau[79].
Chuva e neblina me mantiveram aqui, portanto, não consigo prosseguir minha viagem planejada. Dentro de um ano terei completado esta viagem, a mim atribuída, onde visitarei determinados povos e regiões. Neste meio tempo serão enviadas várias cartas aos Irmãos, em sinais secretos, contando o que descobrimos, nos diversos lugares. Quando viajamos não incomodamos ninguém. Aqueles, dos quais podemos utilizar de sua hospitalidade por uma noite, compensamos sempre com muita gratidão, com presentes e dinheiro, para que bons anfitriões sempre queiram fazer algo mais por nós. Ricos quiseram carregar este fardo e também pobres, que são recompensados com a devida assistência, até que os Irmãos enfim, por razões fundadas, mereçam o descanso para em seguida continuarem sua vida em paz.
Nós gostamos de aprender. Para adquirirmos conhecimento procuramos, secretamente, por tudo o que há de bom. Assim não acontece nada na Europa que nossos olhos não vejam claramente. Todos os novos livros, que possam ser publicados, onde quer que seja, chegam por meio dos vendedores de livros em nossas mãos. Nós executamos vários tipos de artes, tanto para nossa aprendizagem, como para transformar o ócio em: pensar, falar e escrever. Também temos bastante tempo para aprender línguas; sim, gostamos de ouvir uma língua diferente. Com os franceses, italianos, espanhóis, poloneses e outros povos conversamos em sua própria língua. Acima de tudo deixamos nos guiar por observar atenciosamente a natureza, que nos ensina muito, também porque fazemos experiências. O que uma cabeça inteligente descobre é observado minuciosamente pelos nossos Irmãos. Temos muito em nossa posse, que foi obtido de antepassados em árduo trabalho, que se poderia exceder a compreensão dos outros. Às vezes me inspiro na antiga arte da poesia e incluo, para me manter ocupado, mais palavras. Vivemos conforme regras acordadas entre nós, e uma paz abençoada nos une em amor fraternal. Somos todos, um em espírito e um em vontade, e nossos corações batem em unanimidade piedosa. Se ninguém sabe algo, mas logo os outros sabem, nenhum entende isso como sua propriedade exclusiva. Diariamente o nosso líder nos chama em determinada hora e diz que cada um de nós deve trazer uma ideia ao centro. Sobre isso rapidamente são discutidos os prós e os contras; o que é bom e imediatamente é reforçado por todos e o que é mau, rejeitado. Então, cada um conta o que viu, leu, pensou e ouviu, sendo um de cada vez, para depois registrar, minuciosamente, em um livro para que os descendentes possam tomar conhecimento. O Pai reconhece uma competência específica para um determinado trabalho que precisa ser feito. Aí um irmão vai executar o trabalho com zelo e obedientemente o que foi especificado para ele. Contudo, aos outros Irmãos eles podem pedir conselho; que não os deixam na mão, mas os ajudam tanto quanto podem com palavras e ações. Sim, também tem para eles uma biblioteca muito bem equipada disponível e que contém milhares de livros. Nenhum esforço, por mais pesado e cuidadoso que possa ser, nos cansa. Cada um realiza a tarefa que lhe foi incumbida. Não nos falta nada, tudo está disponível em abundância, porque nós nos satisfazemos com muito pouco, cuidamos de nosso corpo de uma forma consistente com a natureza. Por isto somos saudáveis e temos uma vida longa. No entanto, se as condições e desgaste nos forçarem a uma questão legítima, você verá que tudo será resolvido de uma forma discreta e digna. Ah, se todas as pessoas que desejam viver em comunidade se portassem de forma semelhante. Com certeza iriam melhorar em benevolência e amor. Não iriam mais cometer tantos erros e nem ações vergonhosas. Nós criticamos de forma injusta, e o que falamos, mesmo sendo bom, é compreendido de forma errônea. Por todos os lados somos caluniados. Nós sabemos isto, mas deixamos de lado. Ele, quem disse a todos os cantos sobre as nossas artes mágicas, se enganam e não sabem nada sobre nossa vida. Eu não nego que, às vezes, fazemos coisas que surpreende as pessoas, mas tudo isto acontece conforme as leis da natureza. Por exemplo, o que fazemos com a química é estudado por nós todos os dias. Se alguém pensa que isto se dá com a ajuda do diabo, ai! Quanto ele se engana com isto. Pois esta forma [de trabalhar] é, para nós, limpeza da alma e das mãos, de preferência, que possa servir, solenemente, à Deus. Nós vivemos uma vida cheia de respeito à Deus; somos obedientes a todas as pessoas. O que mais você quer? Nosso colégio é uma forma de academia, com desejo à ciência, repleto de santa piedade. Virá um tempo em que a utilidade de nossa Ordem será consciente, em todos os lugares da Terra onde o povo de Deus está. Nós fazemos grandes coisas que, no tempo certo, serão admiradas, e que apenas pela sua utilidade irão provar sua confiança. Nós não somos gastrônomos ou nuvens imóveis, mas em nosso descanso nos reforçamos trabalhando duro. E este trabalho tem como objetivo o bem comum e serve no mais alto grau em louvor ao Cristo. Contudo, não quero esconder que abusaram do nome de nossos Irmãos, e divulgaram algumas coisas, dizendo que é de nossa autoria; mas nós negamos isto. Quem ler estes textos atenciosamente logo perceberá o engano, pois não correspondem com o nosso Fama. Talvez alguém tenha se dito um Irmão, enquanto não faz parte de nosso círculo. Assim, há algum tempo um impostor em Neurenberg[80] disse muitas coisas falsas perante a população, até que foi desmascarado como ladrão e enganador; foi pendurado, como uma carga triste, a uma cruz. Um outro exemplo: em Augsburg prenderam um vagabundo, que foi flagelado e lhe tiraram as orelhas. Aqui também acrescento que o povo fala mal dos Rosacruzes, pois assim nos chamamos, homenageando nosso primeiro Pai, e dizem que é uma seita. Com que nome ele, nosso primeiro Pai era chamado, nós queremos manter em segredo – e temos motivos para isto – e não vamos traí-lo. Quem também invente fábulas sobre nosso nome, não se fazem por merecer. Parem de perturbar aqueles que moram em outros lugares; as falsidades são trazidas à luz, com pequenas indicações com grandes prejuízos para os falsários. Seja cuidadoso ao acreditar o que se fala sobre nós, se não quiser ser enganado. Porque, afinal, quem não sabe que tudo está cheio de astúcia e que um enganador coloca em todos os lugares seus males. Também a Ordem Jesuíta nos coloca emboscadas e espreita dia e noite por nossa moradia. Quando conseguimos escapar a estes olhares sanguinários destes lobos, precisamos nos manter por dias a fio cautelosamente escondidos. Santo Deus proteja e preserve nosso grupo enquanto eles O adoram corretamente e faz o trabalho ficar agradável. Afastam de nós os inimigos ferozes e furiosos, para que eles não consigam prejudicar os muito bons. Realmente, queremos ficar conhecidos no mundo todo e esperamos que isto possa ser realizado em breve. Contudo, muitas coisas impedem este desejo. Por enquanto é aconselhável continuar sendo desconhecidos, mas que aqui e lá tenhamos muitos amigos entre os quais nossa virtude e confiabilidade sejam conhecidas. Assim nós, enquanto eles não nos conhecem, entramos em contato com os estudiosos. Filósofos, médicos, teólogos e que fazem a química, os conhecem bem. Se eu divulgar seus nomes, ah! Qual valor teria o meu livro. Enquanto você não quer ser acusado por um veredito mais pesado, negando a mim e meus amados do Rosacruz. Contudo, o que eu faço? Para que as pessoas não digam que fiz algo não permitido, coloco aqui minha caneta e levanto minha mão da mesa. B.M.I. o mais novo Irmão da Rosacruz escreveu isto, enquanto ele estava em Hagenau, onde permaneceu alguns dias devido a chuva constante, 22 de setembro no ano de Cristo 1614.
Adendo 2 – Certidão de Nascimento de Max Heindel
Max Heindel escreve, no Livro Cristianismo Rosacruz, Conferência nº 17 – O Mistério do Santo Graal: ‘O verso a seguir apareceu alguns anos atrás na Revista London Light, e foram guardados por mim como um tesouro’. Com a ajuda da: British Library, in Londres, Biblioteca da Universidade de Washington, Seattle, e Biblioteca da Universidade de Chicago, Illinois, foi possível encontrar a autora do Poema abaixo e sua biografia.
Florence May Holbrook nasceu em 1860 em Peru, no Estado Illinois, EUA, sendo filha de um Juiz Edmund S. Holbrook e de Anna Case Holbrook. Ele foi um dos pioneiros na região de Peru e fez parte do desenvolvimento da Cidade. Ele recebeu muito dinheiro como Corretor de Imóveis, igualmente seus dois irmãos que também eram pioneiros em Peru. Entre 1862 e 1865 a família se mudou de Peru.
Florence teve sua educação em Peru, Joliet e Chicago, incluindo um curso na Universidade de Chicago onde se formou em Literatura em 1879. Foi professora entre 1879 e 1889 na Escola Secundária de Oakland em Chicago, onde, nos últimos três anos, foi diretora. Também foi Diretora da Escola Primária Forestville, em Chicago, de 1889 a 1924, onde tinha um grupo de 27 professores e tinham mais de mil e trezentos alunos; e, por algum tempo, no Colégio de Phillips Junior, em Chicago. Como Pacifista ela foi uma das integrantes em 1917 do Navio da Paz de Henry Ford que viajou à Europa. Também insistiu com os Americanos que quando encontrasse alguém pronunciar a palavra ‘paz’ ao invés do coloquial “hello” ou “howdy”.
Após a Primeira Guerra Mundial ela viajou à Europa e, em 1929, ela foi à Rússia em viagem de estudos, juntamente com a Comissão John Dewey.
Ela era muito conhecida na Literatura Educacional em seus dias. Seus trabalhos mais conhecidos são: Book of Nature´s Mith; Round the year in Mith and Song; Northland Heroes; Elementary Geography; The Hiawatha Alphabet e uma dramatização de Hiawatha. Após uma doença de vários meses ela faleceu em casa, em Chicago, no dia 30 de setembro de 1932.
O Poema: A PRAYER, tem 6 estrofes. Pode ser encontrado em Al Bryants Sourcebook of Poetry, Zondervan Publishing House, Grand Rapids 1968, pág. 547, mas faltam as estrofes 4 e 6.
O mesmo Poema, mas com outro título: Understanding (Compreensão), foi publicado anonimamente em Poems that Touch the Heart, por A. L. Alexander (compilador), 1956, pág. 372. Contudo, aí faltam as estrofes 5 e 6.
O texto completo foi publicado por Max Heindel no livro mencionado acima, e diz o seguinte:
A PRAYER
Not more of light I ask, O God,
But eyes to see what is:
Not sweeter songs, but ears to hear
The present melodies:
Not more of strength, but how to use
The power that I possess:
Not more of love, but skill to turn
A frown to a caress:
Not more of joy, but how to feel
Its kindling presence near,
To give to others all I have
Of courage and of cheer.
Not other gifts, dear God, I ask,
But only sense to see
How best these precious gifts to use
Thou hast bestowed on me.
Give me all fears to dominate,
All holy joys to know;
To be the friend I wish to be,
To speak the truth I know.
To love the pure, to seek the good,
To lift with all my might
All souls to dwell in harmony,
In freedom´s perfect light.
ORAÇÃO ROSACRUZ
Não te pedimos mais luz, ó Deus.
Senão olhos para ver a luz que já existe;
Não te pedimos canções mais doces,
Senão ouvidos para ouvir as presentes melodias;
Não te pedimos mais força,
Senão o modo de usar o poder que já possuímos;
Não mais Amor, senão habilidade
Para transformar a cólera em ternura;
Não mais alegria, senão como sentir
Mais próxima essa inefável presença,
Para dar aos outros tudo o que já temos
De entusiasmo e coragem.
Não te pedimos mais dons, amado Deus,
Mas apenas senso para perceber
E melhor usar os dons preciosos
Que já recebemos de Ti.
Faze que dominemos todos os temores,
Que conheçamos todas as santas alegrias,
Para que sejamos os Amigos que desejamos ser,
Para transmitir a Verdade que conhecemos;
Para que amemos a pureza,
Para que busquemos o Bem,
E, com todo o nosso poder, possamos elevar
Todas as Almas, a fim de que vivam em
Harmonia e na Luz de uma Perfeita Liberdade.
A foto de Florence May Holbrook – fornecida pela Universidade de Washington Libraries, Seattle, Washington, EUA – é originalmente do Educational History of Illinois, enviada por John Williston Cook: The Henry O Shepard Company, Illinois 1912.
As informações vieram de:
The British Library escreveu para o autor em 8 de fevereiro de 1983: “O Periódico chamado London Light, nº 1, volume 1, de 28 de agosto de 1880, tem como subtítulo: ‘Um período ilustrado sobre: política, teatro, música, comédia, esporte e sociedade’”.
O exemplar de posse da Biblioteca do Jornal tem doze páginas, que contém assuntos de interesse comum ao público em geral. Relatórios sobre a sociedade, militares e casamentos, juntamente com histórias curtas. Os editores eram as Sras. Allingham & Holloway, 108 Shoe Lane, Fleet Street, London, E.C.
| Tradução em português: Los Angeles, Califórnia, 15 de janeiro de 1904. Ao Sr. C. W. Leadbeater Prezado Sr.: Antes que o Sr. deixe a Califórnia, gostaria de agradecê-lo pelas suas Palestras, pois tirei muito proveito de todas elas. Curiosidade me levou a assistir a primeira palestra; sua declaração de que todo ser humano tem dentro de si o poder da clarividência – que, assim eu pensava, poderia ser de grande utilidade para mim – me fez ir assisti-la. A segunda Palestra assisti na esperança de conseguir alguma informação de como desenvolver essa capacidade tão desejada. Contudo, quando o Sr. disse, em sua segunda Palestra, que este poder não poderia ser usado para benefício próprio – eu falei internamente – que bem faria a um ser humano se não puder tirar proveito próprio disto. No dia seguinte pedi na biblioteca o livro Astral Plane, este era o plano que eu queria descobrir para onde as pessoas poderiam ir, para com vantagem para elas mesmas, poder descobrir os segredos dos outros. Não consegui este livro. A bibliotecária não tinha um, nem para empréstimo e nem para venda. Mas consegui o Karma e o Reincarnation com a Sra. Besant. Quando terminei de ler estes trabalhos, entendi porque as qualidades ocultas devem ser utilizadas com respeito, como meio de ajudar a humanidade e não para ganhos pessoais. Eu vi que tinha um lugar neste grande plano cósmico, e isto tudo se tornou tão real para mim, que não necessitava de mais nenhuma prova. Acreditei em cada palavra que li. Estava, então, totalmente mudado quanto a forma de mentalidade do que nas duas primeiras Palestras, quando assisti sua Palestra sobre Reencarnação. Desde então, eu literalmente devorei a Teosofia. E também a coloquei em prática na minha vida parando de usar álcool e tabaco, apesar de até pouco tempo não saber, que era uma das prescrições de Buda, mas pior que isto; eu era um sensualista e um mentiroso. E eu nunca tomei consciência de que poderia fazer algo a respeito. E que meus pensamentos poderiam causar danos e que eu poderia bani-los. Contudo, quando descobri que poderia controlar meus pensamentos, comecei com um objetivo claro à minha frente. E me alegro em dizer que em minhas horas de vigília estou praticamente livre destes pensamentos. Quando puder dizer o mesmo de minhas horas de sono estarei realmente feliz. Contudo, não duvido, que com a persistência, isto tudo será eliminado. Especialmente porque a alguns dias iniciei a prática de viver com alimentação vegetariana, após ter lido seus argumentos em Glimpses of Occultism. Espero que minha longa carta não o tenha entediado. Pois, apesar do tamanho não contém um décimo do que gostaria de dizer, se eu pudesse encontrar as palavras para me expressar. É maravilhoso, que mal posso realizar, que eu pensava ser apenas um verme vivendo hoje e, como eu acreditava estaria morto para toda a eternidade quando viesse a falecer, que viverei eternamente. Pode imaginar que eu me sinto grato e sinto a necessidade de expressar a minha gratidão a você que abriu meus olhos para o alto e nobre destino à minha frente? Quero agradecer novamente e desejar uma boa viagem. Sinceramente, Max Heindel | Original em Inglês: Los Angeles, Cal., Jan. 15. 1904 Mr. C.W. Leadbeater: Dear Sir. Before you leave California I desire to thank you for your lectures, all of which I have attended with great benefit to myself. Curiosity drew me to hear your first lecture; your statement that every man had in him clairvoyant faculties – which I reasoned would benefit me personally – prompted me to attend. Your 2nd lecture, in the hope of getting some information on how to develop this much desired and desirable power and when in your 2nd lecture you said that this faculty should not be used for selfish purposes. – I sneered inwardly – what good would it do a man if he did not use it to his own interests. The next day I applied for the Astral Plane at the library, that was the plane I wanted to find out about where one could go and, with advantage to himself, learn other people’s secrets. However, I did not get it – the librarian had none to loan or for sale; they were all out. But I got Mrs Besant’s Karma and Reincarnation and when I had read them I understood why occult powers must be used reverently as a help to humanity and not for personal gain. I saw that I had a place in this great cosmic scheme and it seemed all so real to me that I needed no argument. I believed every word I read and it was in a frame of mind very different indeed from what it had been at the first two lectures that I presented myself at your lecture on Reincarnation. I have since then been literally devouring Theosophy and I have put in practice in my life by discontinuing the use of intoxicants and tobacco, though I did not know until the other day that that was one of the Buddha’s precepts, but worse than that I was a sensualist and a liar and I never had any idea that I could help it or that my thoughts did any harm or that I could banish them, but when I found out that I could control my thoughts I set out with a steady purpose and rejoice to say that my waking hours are very nearly free from obscene thoughts; if I could but say the same of my sleeping hours I would be happy indeed but I have no doubt that by persistent effort I shall soon have it entirely obliterated, specially as I have started a few days ago to live on a vegetable diet after reading your argument in Glimpses of Occultism. I hope my long letter has not tired you, for long as it is it does not cover a tenth of what I would like to say if I could find words to express myself. It is wonderful I can scarcely realize it that I who thought myself a mere earthworm living today and as I believed dead for all eternity when I died, that I am to live forever. Do you wonder that I feel grateful and feel the need of expressing my gratitude to you who opened my eyes to the high and noble destiny in front of me? Once more, I thank you and wish you god speed. Yours truly Max Heindel |
Retirado de: The Theosophist, ano 70, nº 7, abril de 1949, pág. 17 até 19.
Solicitado uma cópia da carta original ao arquivo da Sociedade Teosófica de Adyar, Madras em 1983 e novamente em 1991, e também à Sociedade Teosófica da Austrália, em Sydney, em 1996, infelizmente não trouxeram resultados. A carta não foi encontrada.
[Traduzido do Inglês]
Sra. Olga B. Crellin
822 Pacific Avenue
Venice, California 90291
9 de janeiro 1970.
Ao Sr. Ger Westenberg
Galjoenstraat 51
Zaandam, Nederland
Prezado Sr. Westenberg,
Eu sou Olga Borsum Crellin, a sobrinha da Sra. Augusta Foss Heindel, e moro em 822 Pacific Avenue, Venice, California.
Augusta Foss Heindel nasceu em Mansfield, Ohio, no dia 27 de janeiro de 1865, às 20:35 horas. Ela se casou com Max Heindel no dia 10 de agosto de 1910. Ela faleceu no dia 9 de maio de 1949, em Oceanside. Ela era filha de William e Anna Richt Foss. Ela tinha cinco irmãs e um irmão. Eles eram:
Anna Marie (nascida em 24 de maio de 1857; falecida em 16 de janeiro de 1859).
Henriette Foss Knoth (nascida em 8 de março de 1859; falecida em 20 de outubro de 1914).
Catherine Foss Borsum (nascida em 19 de janeiro de 1861; falecida em 30 de janeiro de 1949).
Anna Magdaline Foss (nascida em 21 de setembro de 1862; falecida em 14 de junho de 1946).
John Henry Foss (nascido em 8 de julho de 1867; falecido em 2 de agosto de 1933).
Louisa Foss Brockway (nascida em 28 de novembro de 1869; falecida em 19 de junho de 1946).
Todos nasceram em Mansfield, Ohio. Nos anos de 1880 se mudaram para Califórnia.
O pai da Sra. Augusta Foss Heindel nasceu em Morgendorf [81], Nassau, na Alemanha. Ele nasceu no dia 6 de março de 1831 e faleceu no dia 18 de janeiro de 1896, em Los Angeles. Ele se mudou para a América em 1853, quando tinha 22 anos. Seu nome era escrito inicialmente como Voss[82]. A mãe dela nasceu no dia 4 de junho de 1827, como Anna Marie Richt, em Neuwid[83] Alemanha. Ela faleceu em 2 de maio de 1912 em Los Angeles. Se casou com William Foss em 6 de julho de 1855.
Anna Foss faleceu em Los Angeles; Henriette Knoth e Henry Foss em Santa Monica; Augusta Heindel em Oceanside; Catherine Borsum, em Venice e Louisa Brockway, em Los Angeles. A primeira Anna Marie faleceu como criança em Mansfield, Ohio.
A casa da família ficava em 315 South Bunker Hill Avenue, em Los Angeles, Califórnia. William e Anna moraram lá até o falecimento, assim como sua filha Anna Magdaline. Uma foto e pintura da casa estão no livro de Leo Politis ‘Bunker Hill Los Angeles’, juntamente com uma descrição: reminiscences of bygone days [lembranças de dias passados], publicado por Desert-Southwest, Inc. em 1964. Uma segunda edição deste livro, em maio de 1965, tem uma descrição corrigida da casa de William Foss.
Espero que isto o possa ajudar.
Atenciosamente,
Olga Borsum Crellin
Artigo do jornal: ‘Town and Country Review’, [data desconhecida], “Biographical Sketches” [página 30]: “A vida de Augusta Foss Heindel (Sra. Max Heindel) ”, do arquivo de Harry Gelbfarb. O Oceanside Public Library informou no dia 4 de abril de 2007 que eles não possuíam o jornal, mas que no New York Public Library havia uma microfilmagem do mesmo.
“A dezoito quilômetros ao sul da cidade de Mansfield, Ohio, havia uma cabana feita de toras, abandonada por vários anos, à venda. Esta cabana ficava no meio de um pomar de macieiras numa fazenda afastada. Ninguém queria comprar ou alugar a propriedade porque as pessoas falavam que havia fantasmas que a assombravam. Em 1860 um casal corajoso comprou a fazenda. William Foss e sua esposa Anna Marie Right e seus três filhos pequenos não tinham medo de fantasmas. A saúde precária dele moveu estas pessoas da cidade para a vida no campo. No ano após o início da Guerra Civil, para estes dois inexperientes era muito difícil assumir esta responsabilidade de agricultores. Para manter a pobreza longe o marido trabalhava numa ferraria nas proximidades e, às vezes, passava dias fora de casa para trabalhar em sua profissão de veterinário, enquanto sua esposa, de temperamento forte e enérgica, ficava sozinha cuidando da fazenda. Anna Foss nunca reclamava sobre a vizinhança, pois em tudo ela via a beleza. Quando terminava sua longa jornada diurna ela passava suas noites solitárias sentada na varanda olhando as estrelas ou lendo, à luz de uma vela feita por ela mesma, no único livro que possuía: a Bíblia. Para ela parecia que o livro e as estrelas traziam uma mensagem misteriosa.
No dia 27 de janeiro de 1865 nasceu sua quarta filha. Como um raio de sol Augusta Foss entrou nesta família. Ela estava sempre feliz, saudável e personalidade adorável. Era uma criança incomum, esta filha, que nasceu nestas condições. Ela cresceu com uma ânsia incomum para pesquisar o mistério da vida e da existência. Na escola se destacava em todas as classes. Seu pai, de origem alemã, achou que sua filha era inteligente demais e dava importância demais a seus livros para ser uma boa dona de casa. Por isto, aos catorze anos foi tirada da escola para ajudar sua mãe com o preparo da comida e a limpeza da casa. Quando ela completou vinte anos a saúde do pai dela piorou drasticamente o que fez a família decidir se mudar para a Califórnia. Lá a vida se abriu para a Augusta quando foi trabalhar no comércio para sustentar a si e seus pais. Durante o dia ela trabalhava como vendedora e à noite ela se fazia perguntas como: porque estamos aqui? De onde viemos? E para onde vamos? Isto fez com que se associasse ao Hermetismo, onde conheceu a astrologia e a teosofia.
Augusta Foss era ativa na comunidade de Oceanside, onde morou desde 1911. Ela era membro do comitê de Planejamento, Presidente do Clube de Beleza, membro de honra do Clube de Senhoras do Comércio, o Clube das Senhoras de Oceanside, da liga dos escritores do Ocidente, o Bosque de Peter Pan e escrevia muitos artigos para revistas de astrologia e ocultismo”.
De seu testamento sabemos que Alma Von Brandis nasceu no dia 24 de julho de 1859, em Chicago, Illinois. Por causa de um incêndio que devastou Chicago em 1871, o Chicago Historical Society não pode fornecer o momento exato de seu nascimento, mas sim por outra fonte de informação dos registros da Igreja. Fora a foto que me foi enviada em fevereiro de 2012, o genealogista Chris Aprato de Los Angeles me forneceu vários documentos em 2003, onde consta que o nome de solteira dela era Wunsche (Wuensche).
O pai dela era o farmacêutico Charles Wunsche, que nasceu em 1826, em Saksen, Alemanha. Lá ele se casou com Dorotte, nascida em 1816 em Hannover. Eles tiveram um filho, August O., que foi eletricista em Chicago e uma filha, chamada Alma. Alma se casou no dia 4 de maio de 1886 em Los Angeles com Gottfried Von Brandis, que nasceu na Alemanha em 1852. Ele era comerciante que tinha uma bicicletaria, por um tempo teve um varejo em artigos de decorações de interiores e era vendedor de seguros. Ele faleceu em 18 de fevereiro de 1904, aos 52 anos, em South Pasadena, de nefrite crônica.
A Faculdade Estadual de Qualidade da Competência Médica [The California State Board of Medical Quality Assurance] confirmou que ela era uma osteopata reconhecida em 1905, na Califórnia. Alma Von Brandis se tornou membro da Sociedade Teosófica de Los Angeles em 1904. No verão de 1905 ela foi à Europa e assistiu palestras do Dr. Steiner. Ela ficou muito impressionada pelos ensinamentos de Steiner, que naquele tempo dizia fazer parte da Ordem Rosacruz, e insistiu para que Heindel fosse para Viena conhecê-lo. Contudo, devido a seu problema no coração e falta de interesse, Max Heindel não se interessou. Em 1907 ela voltou à América e conseguiu convencê-lo. Pagou sua viagem e ambos partiram para a Europa. Em 1908 esta amizade sincera foi desfeita.
Seu testamento foi feito em 12 de setembro de 1946 em Los Angeles. Ela declarou ser viúva e não ter filhos, irmãos, irmãs ou outros parentes próximos. Faith Verhaar, proprietária da casa e amiga, iria cuidar do serviço de funeral e cremação. O Security-First National Bank de Los Angeles era o responsável para executar o testamento. Seus escritos deveriam ser entregues para a Sra. Steiner-von Sievers, em Dornach.
O Sr. Norman Macbeth de Springfield Valley, no estado de New York, que a conheceu pela primeira vez em 1945, me informou por carta datada em 15 de setembro de 1983, o seguinte: ‘Por volta de 1948 ela contratou o Sr. Arnold Wadler para trabalharem juntos nas anotações que ela fazia, enquanto trabalhava com Rudolf Steiner. Ele chegou a conclusão que os papéis estavam terrivelmente misturados e na maioria ilegíveis, e ela também não tinha mais lucidez o suficiente para contar-lhe algo confiável. Ela tinha uma amizade com um ou dois membros da Sociedade Antroposófica de Los Angeles, mas nunca participava de reuniões. Por volta de 1948, a Sra. Brandis fez seu testamento deixando tudo para a Sociedade. Entretanto, pouco depois ela refez o testamento deixando tudo para a dona da casa. Quando ela faleceu seus pertences foram avaliados em poucos mil dólares, que foi dividido ao meio, em comum acordo entre a Sociedade e a dona da casa. Seus papéis não foram guardados e pelo que entendi poucos anos antes de sua morte se perderam ou foram destruídos’. Ela faleceu em 16 de novembro de 1950, aos 91 anos de idade de pneumonia, em Los Angeles.
No nr. 264 da coletânea de trabalhos de Rudolf Steiner: Zur Geschichte und aus den Inhalten der ersten Abteilung der Esoterische Schule 1904-1914 [sobre a história e o conteúdo da primeira parte da Escola Esotérica 1904-1914], Dornach 1984, lemos na pág. 449: ‘Alma Von Brandis (data de nascimento e morte desconhecidos). Membro da Sociedade Alemã desde 1906 e estudante esotérica de Rudolf Steiner. Morou primeiramente em Berlim e depois na América e por um tempo também em Dornach. No ano de 1919 ela doou, juntamente com amigos americanos, um valor considerável em dinheiro para a continuação dos trabalhos do grupo de plásticos e madeiras’.
Aqui segue a dedicatória de um dos livros de capa vermelha de primeira edição do The Rosicrucian Cosmo-Conception, feita por Max Heindel, oferecida a Alma Von Brandis. Depois este livro foi do Sr. Ernst Esch, morador de Amorbach, Alemanha. Ele faleceu em 1968. Sua viúva deu o livro em 2004 ao marido de sua sobrinha, Ronald R. Kistner de Kirchhain, Alemanha, que a seu tempo doou o livro para a Sra. Elizabeth C. Ray, moradora de Sun Prrie, Wisconsin, USA.
Tradução:
À
Minha querida amiga
Dra. Alma Von Brandis
Uma oferta de agradecimento
Thanksgiving 1909 [Dia Nacional de Ação de Graças, na 4ª quinta-feira de novembro]
Max Heindel.
Rudolf Joseph Lorenz Steiner nasceu no dia 25 de fevereiro de 1861, em Donji-Kraljevec. Naquele tempo ficava na Hungria; agora na Croácia. No dia 27 ele foi batizado; ele faleceu em 30 de março de 1925, em Dornach na Suíça. Ele era doutor em filosofia e estudou Goethe e Nietzsche.
Ele estudou em Viena e conheceu, durante suas viagens para lá, um homem chamado Felix Koguzki (1833-1909). Este colecionava ervas nas montanhas que desidratava e vendia aos farmacêuticos de Viena. Ele era correto, possuía um ‘quarto repleto de literatura de misticismo-ocultismo’, e possuía, conforme Steiner, um ‘conhecimento dos tempos primitivos’, que ele passou para Steiner[84]. Com ele aprendeu muitos segredos da natureza. Ele é considerado o que auxiliou, inicialmente, o desenvolvimento ocultista de Steiner; naquele tempo Steiner devia ter uns 19 anos.
Por volta dos seus 21 anos, próximo do inverno de 1881/82, ele conheceu a pessoa que ele considera seu mestre. Sobre a identidade desta pessoa Steiner é muito reservado. Apenas em cinco[85] locais é feito um comentário, de forma resumida, que sintetizou assim: ‘Felix foi de certa forma apenas o precursor de outra pessoa, que funcionou como um agente intermediário para atingir a alma do jovem [Steiner] – que já tinha pé firme no mundo espiritual – que ativou as coisas regulares e sistemáticas, que as pessoas devem conhecer do mundo espiritual. Ele utilizou os trabalhos de Fichte para dar forma a algumas reflexões, de onde resultou a semente do livro De Wetenschap van de geheimen der ziel[86], que ele [Steiner] escreveu posteriormente… ‘e todas as coisas que cresceram para o De Wetenschap van de geheimen der ziel foram, naquele tempo, discutidos em conexão com as proposições de Fichtes. Um homem de profissão incomum e considerado tão insignificante quanto Felix … Era um desses homens poderosos que, desconhecidos para o mundo, vivem sob uma ou outra profissão para cumprirem com uma missão’. Para a pergunta do jovem Steiner de como devemos espiritualizar as coisas materiais, ele respondeu que para vencer o inimigo devemos primeiro compreendê-lo’.
Em Viena havia uma loja da Sociedade Teosófica, onde Steiner passou algum tempo no verão de 1880 para conhecer seus ensinamentos; ele tinha então 19 anos.
No verão de 1882, com 21 anos, Steiner ganhou a incumbência de publicar os escritos científicos de Goethe; em 1886 foi procurado, pela Editora Weimar, para fazer a publicação dos trabalhos completos de Goethe. No dia 30 de setembro de 1890 ele se torna funcionário do Goethe e Arquivo de Pintores, em Weimar.
Em 1891 ele se torna Doutor em Filosofia com a Tese: Die Grundfrage der Erkenntnistheorie mit besonderer Rucksicht auf Fichtes Wissenschaftslehre [A questão básica da epistemologia com especial referência à teoria da ciência de Fichte].
No verão de 1892, quando tinha 31 anos, ele se mudou de um lugar sombrio de dois quartos, onde morou por dois anos, para o piso térreo da casa de uma viúva chamada Eunike e seus cinco filhos, para auxiliá-la na educação. Rapidamente surgiu uma amizade profunda com uma mulher, oito anos mais velha que ele, Anna Eunike Schultz (1853-1911). No dia 31 de outubro de 1899 os dois se casaram[87].
Na primavera de 1894 Steiner tinha 33 anos, quando, então, ele fez contato com a irmã de Friedrich Nietzsche, Elisabeth Forster-Nietzsche, para escutar a opinião dele, o que resultou em um livro no ano seguinte, Friedrich Nietzsche, ein Kampfer gegen seine Zeit (Friedrich Nietzsche, um lutador contra o tempo).
Em 1896 finaliza o trabalho de Steiner na obra de Goethe e Arquivo de Pintores; no ano seguinte ele deixa Weimar e se muda para Berlim.
Em meados de setembro de 1900, Steiner tem, então, quase 40 anos, quando, por incumbência dos Teósofos de Berlim, foi solicitado pela Sra. Swiebs para fazer uma Palestra sobre Nietzsche, no dia 22 de setembro, falecido em 25 de agosto, na casa do Conde e Condessa von Brockdorff, na rua Kaiser Friedrichstrasse 54ª, onde também ficava a Biblioteca da Teosofia. Daqui originou uma série de Palestras no inverno, que prosseguiram nos invernos de 1901/02. Isto levou a ser convidado a assumir a liderança da Sociedade Teosófica de Berlim no final de 1901. Após aceitarem sua condição de que Marie von Sivers[88] estivesse a seu lado, Steiner também se associou à Sociedade Teosófica em Adyar[89], no dia 11 de janeiro de 1902. No dia 17 de janeiro de 1902 ele assumiu a presidência da Sociedade de Berlim.
Em 1902, na Alemanha, havia várias cidades onde existiam Lojas da Sociedade Teosófica em Adyar: Tingley e de Franz Hartmann, principalmente em Leipzig. Então Richard Bresch, um membro da Loja de Leipzig, sugeriu ao Conde Von Brockdorff o seguinte: ‘Agora que Dr. Steiner é Presidente do Centro de Berlim, ele também pode ser o Secretário Geral da Alemanha’. Steiner aceitou esta oferta e assim foi fundado, no dia 20 de outubro de 1902, a filial da Alemanha com cem integrantes e com ele como Secretário Geral[90]. Em comemoração à essa ocasião Annie Besant veio para Berlim, Rudolf Steiner e Marie von Sivers foram inscritos, por ela, no dia 23 de outubro de 1902 como alunos na Escola Esotérica[91]. Rapidamente[92] após a fundação, mas antes de ser oficialmente Diretor, em maio de 1904[93], Steiner foi solicitado a dar aulas de Esoterismo, para pessoas que já estavam inscritas na EST (Escola Esotérica de Teosofia). Steiner acreditava[94]que deveria trabalhar com simbolismo-cultual, isto como um meio prático para adquirir confiança no mundo astral ou de desejo. Marie von Sivers diz, em seu ensaio Era Rudolf Steiner Maçom[95], sobre uma pessoa, que tinha dado a impressão à Steiner, que ele sabia das coisas espirituais mais do que todos os Maçons. Particularmente, ela disse que se tratava de um tcheco. Que esta pessoa era ligada ao Memphis-Mizraim-Maçonaria fica claro no Mein Lebensgang. ‘Se a oferta, a partir da Sociedade, foi retraída, então, eu obtive o fornecimento do simbolismo-cultual, sem um ponto de conexão histórico’. Esta oferta deve ter ocorrido por volta de 1903/04, pois a partir de maio de 1904, iniciou-se uma forma de trabalhar com simbolismo-cultual por meio de suas Palestras[96].
Steiner afirma, enfaticamente, que não existe outra maneira de entrar nos mundos superiores a não ser pelas representações simbólicas. Literalmente ele diz: ‘Nas diversas correntes de ocultismo contemporâneas permanece, frequentemente, a opinião, como se houvesse em nosso tempo outro modo de atingir os mundos superiores além da utilização do imaginário e do simbólico[97].
Que Steiner escolhe a Maçonaria Egípcia de Yarker (1833-1913) não é surpreendente, porque Yarker participou da inauguração da Sociedade Teosófica em 1875 e a Sra. Blavatsky o nomeia Membro Honorário. Ele, por seu lado, a nomeia o mais alto grau da Maçonaria Egípcia, em homenagem ao livro dela Isis Ontsluierd (Isis revelada) em 1877. Também houve negociações conjuntas para instalar um ritual para a Sociedade Teosófica, mas este plano não se materializou[98].
No dia 24 de novembro de 1905 tanto Steiner como Marie von Sivers se associaram, pagando 45 Marcos, cada um, à Ordem John Yarkers Memphis e Mizraim[99]. O representante para a Alemanha era Theodor Reuss (1855-1923). No dia 3 de janeiro de 1906 Steiner fechou um acordo com ele sobre ‘as modalidades para formar uma oficina de trabalho independente’[100]. Esse acordo incluía, entre outros, que Steiner era aquele que determinaria quem poderia participar da Mystica Aeterna Kapittel; que Steiner deveria pagar para Reuss 40 marcos por cada novo integrante; que após o pagamento do 100º membro, Steiner ganharia a jurisdição sobre toda a Ordem[101]. O 100º membro se associou no final de maio de 1907 e, no dia 24 de junho a liderança do Rito Mizraim, na Alemanha, passou para Steiner. Isto durou até agosto de 1914, quando houve a eclosão da Primeira Guerra Mundial.
Numa carta para A. W. Sellin, datada de 15 de agosto de 1906, em Berlim, Steiner diz entre outros: ‘Este ritual não é outro, do que um espelho do que é o Mundo Superior. Este ritual não é outro do que é reconhecido pelo ocultismo desde 2300 anos e que foi preparado pelos Mestres da Rosacruz para os Europeus. Minhas fontes são apenas o ocultismo e o Mestre’.
Assim surgiu, na Escola Esotérica, uma segunda divisão, onde todos os membros pertenciam à primeira divisão, mas não o contrário. E também tinha uma terceira divisão na Escola Esotérica do qual temos conhecimento que lá só tinham doze estudantes provados (que passaram por provas) de Steiner[102].
O que Steiner entendia por Iniciação ele diz no Philosophie und Anthroposophie: ‘Iniciação significa nada menos que a habilidade da pessoa para subir cada vez mais degraus de conhecimento e por meio disto adquirir uma visão mais profunda da essência do Ser no Mundo’[103].
Assim como foi descrito no Capítulo 3, alguns membros da Teosofia estavam bastante críticos em relação ao que Steiner divulgava, pois isso não era nem teosófico e nem dos Rosacruzes, mas uma mistura. Também o fato de não informar suas fontes não foi bem aceito. Aqui também se acrescenta que, em 1909, apareceu o livro The Rosicrucian Cosmo Conception (O Conceito Rosacruz do Cosmos) de Max Heindel, que deixou Steiner irado, atestado nos cinco comentários citados detalhadamente de Steiner logo a seguir. Parece que este incidente, vendo seus comentários em 1913, 1914, 1917, 1918 e 1921, o perseguiu sua vida inteira – Steiner faleceu em 1925 – e o deixou amargurado. Steiner se conscientizou que não poderia ser representante nem da Teosofia e nem dos Rosacruzes e fica claro, primeiramente, quando ele funda a ‘Sociedade Antroposófica’, e em segundo com seu comentário: ‘Nosso movimento, que inclui uma área muito mais ampla que a dos Rosacruzes, deve simplesmente ser caracterizado como o espírito de comunidade do século XX’[104]. E em terceiro e último, um comentário que Steiner fez em uma Palestra, feita em Dornach no dia 11 de outubro de 1915: ‘Também me aconteceu que uma fraternidade ocultista, um dia, me fez uma proposta de me envolver com a propagação de uma mensagem ocultista tipo Rosacruciana; eu a deixei sem resposta, apesar de ser um movimento Ocultista muito respeitado. Preciso dizer isto para demonstrar que conosco existe um caminho independente que encaixa nos tempos atuais’[105].
O Rito Mizraim, que foi proibido em agosto de 1914 devido à Primeira Guerra Mundial, provavelmente não teve o efeito que Steiner esperava, porque depois da Guerra, em 1918, não voltou a ser praticado.
Abaixo segue os cinco comentários, citados anteriormente, de Steiner:
“Houve… um anúncio de uma livraria com as seguintes palavras: ‘Dr. Steiner já deu um início na Alemanha, mas por sua representação com direção plutocrática e autocrática devido a sua unilateralidade não é possível desenvolver seu progresso social e mental. Por isto foi necessário encontrar uma forma mais moderna e popular, que torna possível, estes tesouros antigos, ficarem menos dogmáticos, de livre acesso e sem tutela clerical, se tornarem acessíveis para a opinião geral. Estas aulas escritas da Pesquisa dos Rosacruzes dão uma visão geral dos Ensinamentos Rosacruzes e do Conceito Rosacruz do Cosmos. A origem de seu surgimento se deu em solo alemão. Por ter uma atmosfera muito mais propícia, os Ensinamentos Rosacruzes foram elaborados na Califórnia’.
É necessário que fiquem atentos, que abram os olhos e como teosóficos não fiquem dormindo. Aqui se aconselha para ver o que realmente foi elaborado na Califórnia. Que se possa, se assim quiser, fazer um julgamento justo, enquanto eu leio aqui uma carta de alguém que abriu seus olhos.
‘Prezado Senhor. Posso me atrever a me dirigir ao Senhor com uma, ou talvez mais perguntas? Primeiramente quero comunicar, que estou aqui por pouco tempo e minha moradia é Salina, Kansas, USA. Lá, duas amigas e eu deixamos, um tempo atrás, nos enviar um livro recomendado pela uma biblioteca esotérica de Washington, DC, que se chama: Rosicrucian Cosmo-Conception or Christian Occult Science, de Max Heindel. Na introdução, nos chamou a atenção pela forma notável que o Sr. Max Heindel se refere ao nome Rudolf Steiner, qual ensinamento, em linhas gerais, se compara ao seu ensinamento, etc., etc. Em resumo, a introdução me deu, e também às minhas amigas, indicação para ler seu livro Teosofia e Iniciação e seus resultados. É um mistério para nós que algumas frases inteiras do Cosmo-Conception, quase palavra por palavra, com frases que se encontram em seu livro. Assim, nos veio a seguinte ideia: O Sr. Heindel por acaso tirou do Sr. os ensinamentos que ele tenta divulgar na América, especificamente na Califórnia? ’.
Esta é uma carta de alguém que pesquisa os fatos e chega a uma conclusão. Isto deve ser respondido por mim com o fato que o Max Heindel, sob outro nome, como Grashoff, esteve entre nós, acompanhou e anotou tudo de muitas das minhas palestras. E realmente é assim, que iniciou na Alemanha uma direção, e depois de uma forma notável foi encontrada por Max Heindel uma forma mais moderna…
Depois esta pessoa foi embora e de seu modo, transformou as minhas palestras, e a trouxe como algo novo a público.
Nós passamos por coisas excêntricas. Nosso trabalho é considerado plutocrático, autocrático e é proposto que a atmosfera etérica da Califórnia as fez amadurecer, e ser transmitida de uma forma totalmente diferente. Provavelmente irão traduzir este livro de Max Heindel para o Alemão e me enfrentar com palavras que são minhas; por isto, solicito que pesquisem as coisas de forma mais profunda”.
“Mas com isto também veio à luz, partindo de um lugar, de onde as pessoas ficaram muito ferozes contra o encolhido, errado, repreensivo, e nosso ensinamento foi falsificado sem nosso conhecimento. Um homem, que veio da América, após várias semanas e meses, tomou conhecimento dos nossos ensinamentos, copiou-os e depois, em forma diluída, levou para a America e lá divulgou uma Teosofia Rosacruciana, que copiou de nós. Ele mesmo disse, que aprendeu muito conosco, depois foi chamado ao encontro do Mestre e aprendeu mais com ele. Este profundo conhecimento, que ele aprendeu nas não publicadas palestras, ocultou a informação que aprendeu de nós. Que algo assim aconteça na América … as pessoas podem ficar como o velho Hillel[107] e ser indulgente; não podemos nos despojar disto, mesmo que isto volte para a Europa. Num lugar onde as pessoas mais se viraram contra nós, foi feita uma tradução, e sem o nosso conhecimento foi levado para a América. E esta tradução foi introduzida da seguinte forma: ‘É verdade, uma filosofia Rosacruz foi trazida à luz na Europa, mas de uma maneira intolerante, jesuítica. E isso só poderia prosperar, ainda mais, no ar puro da Califórnia’”.
“Isto me faz pensar em outra situação, isto [o acontecido] é apenas uma miniatura daquilo. O fato mais genial é este, que um senhor, que vivia na América, mas é um bom Europeu, e foi chamado por um velho membro para vir à Alemanha e por aqui ficou e assistiu todas as possíveis palestras, ainda com todo o zelo, tentou pegar todas as anotações possíveis de palestras anteriores, pedindo para este e aquele. Após ter guardado bem tudo o que conseguiu juntar partiu para a América. Lá ele disse, que esteve aqui, que me conheceu, mas que não conseguiu satisfazer suas perguntas e queria se aprofundar mais. Por isto pode se encontrar com ele mais coisas, que ainda não existe em meus livros. Pois quando ele havia esgotado tudo o que conseguiu adquirir comigo, ele foi chamado por um Mestre, que mora em algum lugar dos Alpes da Transilvânia. Este deve ter ensinado muito a ele, que ele acrescentou a seu livro. Na verdade, tudo o que ele acrescentou a seu livro veio do que ele ouviu e copiou das minhas palestras! Então, o livro foi denominado O Conceito Rosacruz do Cosmos. Surgiu na América e chamou muito a atenção; este livro, que era um resumo de tudo que ele ouviu de mim, e daquilo que o Mestre dos Alpes da Transilvânia o contou. As pessoas não precisavam controlar o que era meu; não poderiam, pois foi falado em nossas palestras mais restritas. Não foi suficiente que este livro surgiu em inglês-americano, mas também houve uma Editora Alemã que traduziu este livro e publicou como Weltanschauung der Resonkreuzer. O editor é dr. Vollrath”.
“Em nossa Sociedade se junto um certo Sr. Grasshoff. Ele seguiu, por um tempo longo, nossas palestras em várias cidades: estava presente em todas. Pode se levantar a pergunta de porque este homem foi aceito. Veja bem, não é possível excluir determinadas pessoas, ainda mais quando são apresentadas por pessoas de confiança. Deveria se poder antecipar os tempos! Imagine que entra um Sr. Grasshoff, e eu diria: ‘Não podemos aceitá-lo. Contudo, porque não? Bem, porque você no futuro irá trair nossa Sociedade’. Isso não pode ser dito assim, pois, isto só aconteceria no futuro, e ainda não aconteceu. – Portanto estas pessoas são aceitas na Sociedade; isto fala por si.
Este Sr. Grasshoff assistiu todas as palestras que ele conseguiu assistir. Ele emprestava todas as anotações que foram feitas pelos membros. Ele copiava tudo. O que as pessoas não queriam emprestá-lo ele conseguia através de sua pessoa de confiança [Alma von Brandis] que o introduziu. Depois, passado algum tempo, ele voltou para a América, de onde veio e escreveu um lindo livro. Neste livro ele colocou tudo em seu devido lugar o que ele havia ouvido em todas as palestras, e o que havia encontrado nos livros; também o que havia compilado das palestras restritas. Contudo, não foi isto que ele disse. Ele escreveu uma introdução para o livro onde explicou tudo: Eu ouvi isto do Dr. Steiner, mas senti que ainda não estava pronto. Então recebi a incumbência de visitar um Mestre nos Alpes da Transilvânia e este Mestre, então, me ensinou o mais profundo, o que ainda me faltava. Contudo, como já disse, antes de tudo, o que contém neste livro saiu de minhas palestras e livros e, também, das anotações que outros membros forneceram a ele.
Este livro surgiu na América. Contudo, o que aconteceu? Este livro – tinha o título Rosicrucian Cosmo-Conception, até o título era roubado! – Surgiu na América. Agora, as pessoas podem dizer: ‘Ah, isto é a América; as pessoas não podem esperar algo diferente de lá longe’. Contudo, apareceu uma Editora aqui na Alemanha, dirigida por alguém chamado Hugo Vollrath. Este estava disposto a traduzir o livro para o alemão e publicar em lições diversas. E acrescentaram uma introdução, que uma parte do conteúdo também veio à luz na Alemanha, mas, necessitava amadurecer na América, mais precisamente na atmosfera da Califórnia! Um escândalo desses não seria possível na vida literária daqui. Eu contei estas coisas em palestras públicas. É um escândalo que deveria ser publicado em todos os lugares, se tivesse sido examinado com o devido cuidado que deveria ter sido. Eu gostaria de juntar o nome das pessoas que sabem disto! Poucos se interessam por isto. Desta forma, na verdade estes fatos podem voltar a se repetir”.
“Assim, por exemplo, viveu entre nós uma pessoa… boa, como ele se chamava naquele tempo? Em seus livros ele dizia ser Max Heindel, mas aqui tinha outro nome, Grasshoff ele se chamava. Este homem copiou tudo que podia de minhas palestras e dos livros. Disto ele escreveu algo místico, um livro Rosicrucian Cosmo-Conception. Depois ele incluiu numa segunda edição, também o que estava em meu ciclo de palestras e que ele havia copiado como anteriormente. Então ele contou a seus compatriotas lá na América, que ele realmente havia adquirido o primeiro nível aqui, mas para atingir o segundo, ele esteve nas profundezas da Hungria, com um Mestre. Dele, ele declarou então, recebeu o conhecimento, que na realidade apenas foi copiado do ciclo de palestras que ele conseguiu, pela astúcia e que é puro plágio! Alguns de vocês deve se lembrar que, então, aconteceu algo engraçado, que isto foi retraduzido para o alemão, com a observação que algo parecido poderia ter na Europa também, mas que era melhor recebido quando surge embaixo do sol da América”.
Para finalizar uma citação de uma carta de Steiner, provavelmente no final de fevereiro de 1911, enviada para Eduard Selander em Helsinki:
“Pois, existem realmente motivos para perigo, quando [publicar ao mundo exterior o que foi divulgado em um ciclo de Palestras] isto não pode acontecer. Eu só relato este perigo devido ao que aconteceu nos últimos tempos, do lado americano, uma grande parte de minhas comunicações teosóficas foram publicadas, simplesmente de forma inédita e não autorizada. Isto não é um problema, apesar de ser plágio. Isto me deixa indiferente, por mim as pessoas podem plagiar tanto quanto quiserem. No que se refere à teosofia, nem chega perto. O que realmente incomoda, é que minhas comunicações foram de tal maneira modificadas e a visão tão distorcida que é escandaloso. Se eu não puder publicar as coisas como realmente devem ser, então sim, será uma grande perda. Também fica a dúvida, que nem todos os nossos teósofos conseguem discernir e que na Europa Ocidental tenham teósofos que consideram verdadeira esta forma distorcida”[108].
Antes de Max Heindel ir para a Alemanha, por causa de sua fome espiritual, por seu longo vínculo com a Sociedade Teosófica e por seu afinco nos estudos dos escritos Teosóficos, ele tinha conhecimento profundo de seus ensinamentos. Da mesma forma que as pessoas citadas no capítulo 3 tinham conhecimento para formarem uma opinião, o próprio Max Heindel também estava em condições de formar sua opinião. Esta opinião ele deu a Alma von Brandis quando disse que sua ida à Alemanha para conhecer os ensinamentos de Rudolf Steiner havia sido sem êxito.
Max Heindel foi abençoado com um ótimo raciocínio e uma memória excelente. Seu intuito de escrever um livro sobre o ocultismo do Oriente e do Ocidente fez com que juntasse a maior quantidade de material possível. Uma comparação do livro Conceito Rosacruz do Cosmos de Heindel com os trabalhos e palestras de Steiner até maio de 1908 – uma pesquisa feita pelo Senhor Charles Weber[109] – demonstra que existem várias passagens que também tem nos escritos de Steiner – literalmente ou similarmente. Contudo, são passagem dos escritos de Steiner que não são de Steiner. Alguns exemplos: A lenda dos Maçons – a história de Hiram Abiff e a construção do Templo de Salomão – Max Heindel descreve em Maçonaria e Catolicismo; Steiner em Die Tempellegende und die Goldene Legende [GA 93]. Esta história pode ser encontrada na Bíblia [IICr 2-9]; na maçonaria, e nos trabalhos de Charles William Heckethorn Secret Societies of All Ages and Contries[110], London, 1875. A versão em alemão surgiu em Leipzig em 1900[111]. Aqui também tem a descrição dos mistérios escandinavos e dos Druidas. Steiner possuía este livro. Em GA 93, na pág. 358 está escrito: ‘O livro, que se encontra na biblioteca de Rudolf Steiner, possuía anotações feitas por ele, e provavelmente foi utilizado por ele em suas palestras’.
Max Heindel diferencia Estudantes, Probacionistas e Discípulos. Esta divisão também se encontra em Steiner. Sua origem está na Teosofia, entre outros no The Inner Groupteachings of H. P. Blavatsky to her personal pupils[112] (1890-1891), Henk J. Spierenburg, San Diego, 2ª Edição de 1995.
E quanto ao exercício noturno – que é encontrado tanto em Max Heindel e Steiner – este se origina de Pitágoras. Em 1904 foi Florence M. Firth, que depois surgiu sob o pseudônimo de Dion Fortune, e editou novamente o De Gulden Verzen van Pythagoras[113], com uma introdução de Annie Besant. Versos 40 até 46: ‘Não deixe que o sono sele seus olhos após ter se deitado, até que tenha revisado todos os seus atos do dia. Onde agi de forma errada? O que eu fiz? O que deixei de fazer? Se durante esta pesquisa descobrir o que fez de errado, se repreenda seriamente sobre isto. E se tiver feito algo de bom, então, se rejubile. Faça todas estas coisas de forma rigorosa, meditem bem sobre elas; você deve se amar de todo o seu coração. Elas te levarão ao caminho da virtude piedosa’[114]. Existe uma grande diferença, na verdade. Os Rosacruzes fazem o exercício de trás para frente – da noite para o amanhecer – para que a pessoa veja, primeiramente, as consequências e depois a causa.
Devemos ter em mente que tanto Steiner quanto Max Heindel se baseiam na literatura Teosófica; que Steiner tinha informações sobre o Rosacruzes por meio do seu contato com o Irmão Leigo que ele chama de ‘Mestre’; e que Max Heindel também teve acesso à fonte dos Rosacruzes por meio do Irmão Maior no Templo, que fica ao pé das Montanhas Erz. Estas informações, colocadas de forma organizada na América, parecem, quando olhadas de forma superficial, com os ensinamentos de Steiner; o próprio Max Heindel diz isso em sua 2ª Edição do Conceito Rosacruz do Cosmos. Estudando minuciosamente observa-se que existem grandes diferenças[115].
Se for correto, como Max Heindel diz, que Steiner não poderia ser representante da Ordem Rosacruz, porque ele misturava as orientações Oriental e Ocidental e que Max Heindel foi aceito, devem aparecer provas sobre isto[116]. Neste ponto teria sido mais fácil se as anotações feitas em Alemão do Manuscrito que Max Heindel escreveu no Templo estivessem disponíveis.
Como apologia, seguem aqui alguns exemplos:
“Eu”, a primeira pessoa do singular, a persona, vem da palavra Grega egó e do Latim ego, como está descrito no Groot Woordenboek der Nederlandse Taal[117]. O Filósofo alemão Gotlieb Fichte (1762-1814) partiu de uma ‘consciência’, o eu consciente, o ego. Contudo, aqui não considera como sinônimo de ‘pensamento’, a ‘inteligência’. No The Theosophie des Rosenkreuzers[118] de Steiner está descrito os sete aspectos e nove estágios da pessoa. Abaixo traduzidos, com as denominações dadas por Max Heindel no Conceito Rosacruz do Cosmos[119]. Observe que a Constituição do Ser Humano, por Max Heindel, utiliza sete e dez!
| Rudolf Steiner | Max Heindel | Rudolf Steiner | Max Heindel |
| 1 Corpo Físico | Corpo Denso | 10 ——— | Mente |
| 2 Corpo Etérico/Vital | Corpo Vital | 9 Homem Espiritual | Espírito Divino |
| 3 Corpo Astral | Corpo de Desejos | 8 Espírito de Vida | Espírito de Vida |
| 4 o EU | Mente | 7 Próprio Espírito | Espírito Humano |
| 5 Próprio Espírito | Espírito Humano | 6 Alma Consciente | Alma Consciente |
| 6 Espírito de Vida | Espírito de Vida | 5 Alma Intelectual | Alma Intelectual |
| 7 Homem Espiritual | Espírito Divino | 4 Alma Emocional | Alma Emocional |
| 3 Corpo Astral | Corpo de Desejos | ||
| 2 Corpo Vital | Corpo Vital | ||
| 1 Corpo Físico | Corpo Denso |
Sobre isto Steiner ainda cita o seguinte: “O ‘Eu’ fica no Espírito, só depois começa o trabalho nos corpos”.
Max Heindel considera a Mente como um elo, um foco ou um espelho do Triplo Espírito, o EGO. No Diagrama 5[120] Max Heindel ainda escreve: ‘O ser humano é um Espírito Tríplice que possui uma Mente, com o qual governa um Tríplice Corpo, que emanou de si mesmo, para adquirir experiência. Este Tríplice Corpo se transmuta em uma Tríplice Alma da qual se alimenta, elevando-se, por esta forma, da impotência à onipotência’.
No livro citado[121] Steiner diz sobre o caminho Rosacruz: ‘Este é um caminho que foi indicado pelo fundador do movimento esotérico Rosacruz, denominado, exteriormente, como Christian Rosenkreuz. Este não é um caminho não-Cristão; é apenas um caminho Cristão conforme as relações modernas, que fica, na verdade, entre o Cristão e o caminho da Yoga. … O caminho puramente Cristão é um caminho difícil para o ser humano atual; por isto este caminho dos Rosacruzes foi instituído para este ser humano, que precisa viver nos tempos atuais’[122].
Em sua Palestra de 1907 Steiner diz o seguinte: ‘Mas o estudante Rosacruz ganhou e continua ganhando suas determinadas instruções, e ele tinha que respirar de uma determinada maneira, em um determinado ritmo e ter formas bem detalhada de pensamento. Assim, seu modo de respirar é modificado’[123].
Max Heindel diz o seguinte: ‘O método [da Fraternidade Rosacruz] é definido, cientifico e religioso. Eles foram pensados pela Escola Ocidental da Ordem Rosacruz e por isto são particularmente adequados para os ocidentais’[124].
Max Heindel, em seu livro Cristianismo Rosacruz publicado em 1909, avisa exatamente dos perigos de exercícios respiratórios para o desenvolvimento espiritual[125].
No Capítulo 18 do Conceito Rosacruz do Cosmos, Max Heindel explana sobre os dez estratos da Terra; isto quer dizer: o coração da Terra e nove estratos em volta dele. Além de falar de cada um dos nove estratos, que envolvem o coração ou o centro da Terra, Max Heindel também conecta esses nove estratos às nove Iniciações de Mistérios Menores. E tem mais quatro Iniciações nos Mistérios Maiores, que também são descritas no Capítulo 18.
No Vor dem Tore der Theosophie de 1906, Steiner dá uma exposição da constituição da Terra. Ele dá uma constituição de nove camadas, da qual a nona é chamada de Centro da Terra. Portanto, uma camada a menos do que a de Max Heindel. Apesar de ambos darem praticamente o mesmo nome a cada camada e também o mesmo significado, Steiner fala da nona camada, que ele chama de Centro: ‘O Centro da Terra: é essencialmente o que, pela influência dele nasce a magia negra na Terra. Daqui sai o espírito do mal’[126].
Max Heindel fala do décimo estrato, o Centro: ‘O Centro do Ser do Espírito da Terra: nada mais pode ser dito presentemente a respeito, salvo que é a semente primeira e última de tudo quanto existe tanto dentro como sobre a Terra, e corresponde ao Absoluto’[127].
Max Heindel fala que o fogo espiritual sobe através da espinha, faz com que a hipófise e a epífise entrem em vibração originando, assim, a clarividência, e atingindo o seio frontal queima a conexão com o Corpo Denso e depois atinge os centros das mãos e dos pés. Depois, com um último impulso, quando a grande espiral do Corpo de Desejos no fígado for liberada, a energia marciana, que a continha, empurra o veículo sideral através do crânio para cima, para sair para os Mundos Invisíveis.
O Cordão Prateado, diz Max Heindel, prende o Espírito ao seu Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e Mente por meio de seu Átomo-semente que fica no coração, plexo solar, fígado e seio da face, respectivamente. Se este Cordão se romper na ponta do coração, este cessa de bater. Assim que o panorama da vida passada for gravado no Corpo de Desejos o Cordão Prateado irá se romper no ponto dos dois seis. A parte inferior do Corpo Vital voltará ao Corpo Denso, e só depois disto o ser humano estará realmente morto[128].
Steiner diz, em sua Palestra de 29 de dezembro de 1903, em Berlim: ‘O que prende o Corpo Astral com o Corpo Físico e seus órgãos, e o que os conduz novamente de volta? Existe um tipo de ligação, que é uma união entre o material físico e astral. Isto é chamado de fogo kundalini[129]. Se você tiver uma pessoa dormindo, então consegue seguir no Mundo Astral este Corpo Astral. Você tem uma conexão de Luz para lá, que é onde fica o Corpo Astral. Assim este lugar sempre será encontrado. Se o Corpo Astral se afasta, então o fogo kundalini ficará cada vez mais fino’[130].
Destas palavras tiramos que Steiner apelida o Cordão Prateado como um fogo espinhal. Conforme o antropósofo Sr. A. Dooyes de Bussum, que me indicou este texto, é a única vez que Steiner cita o Cordão Prateado.
Em 1911 Steiner diz: ‘Em sentido mais restrito o movimento Rosacruz teve seu início no Século XIII. Então, esses poderes trabalhavam com muita força e desde aquele tempo existe uma corrente que diz que Christian Rosenkreuz continua trabalhando nos mundos espirituais. … isto agora aparece no movimento Teosófico. Em sua última discussão exotérica o próprio Christian Rosenkreuz disse isto’[131].
Na mesma Palestra: ‘Assim vem do Corpo Vital de Christian Rosenkreuz uma grande força que pode trabalhar em nossa alma e em nosso espírito. É nossa função conhecer esta força. E como Rosacruzes nós apelamos a esses poderes[132]’.
Também em 1911 Steiner diz: ‘Nosso movimento, que é muito mais amplo que o Rosacruzes, deve simplesmente ser a Ciência Espiritual do Presente, como ciência com orientação Antroposófica do Século Vinte’[133].
Devido à grande procura pelo Conceito Rosacruz do Cosmos na América, a 3ª Edição surgiu em novembro de 1911 com um índice e uma revisão ampliada do capítulo 19. Onde está escrito: ‘No Século XIII surgiu, na Europa, um Mestre muito elevado cujo nome simbólico é Christian Rosenkreuz – Cristão; Rosa; Cruz’.
Max Heindel diz: ‘[J.B.] van Helmont não se intitulou um Rosacruz; nenhum verdadeiro Irmão faz isto publicamente’[134].
Ele continua nas páginas 429/430: ‘Para evitar más interpretações desejamos esclarecer aos estudantes que não somos Rosacruzes pelo fato de estudarmos seus ensinamentos, nem tampouco nossa admissão ao Templo qualifica-nos a adotarmos esse título … Os graduados nas várias escolas de Mistérios Menores escalam as cinco escolas de Mistérios Maiores. … Os Irmãos da Rosacruz estão entre estes compassivos seres, de modo que é um sacrilégio arrastar o nome Rosacruz no lodo, usando-o como título próprio, quando nada mais somos do que estudantes de suas elevadas doutrinas’.
Max Heindel continua: ‘Os Irmãos Maiores aprendem que Christian Rosenkreuz tem um Corpo Denso … apesar do escritor [Max Heindel] ter conversado pessoalmente com os Irmãos Leigos de alto grau, nunca um deles disse que viu Christian Rosenkreuz. Nós todos sabemos que ele é o 13º integrante da Ordem e com sua entrada no Templo a sua presença é sentida, mas não se vê ou o ouve, isto conforme informaram as pessoas às quais o escritor teve a coragem de perguntar’[135].
Para concluir, Max Heindel diz em 1915: ‘A Fraternidade Rosacruz é a precursora da Era de Aquário. Ela divulga a Sabedoria da Religião Ocidental conforme formulado pelos Irmãos Maiores da Rosacruz e editado por Max Heindel no Conceito Rosacruz do Cosmos’[136].
Steiner separa dois Guardiões do Umbral, a saber: um pequeno e um grande Guardião[137]. O pequeno Guardião que se encontra na porta do Mundo Espiritual, conforme Steiner, nosso sósia, também chamado o ‘sétimo ser’. Também o encontramos quando morremos fisicamente. Ele também se manifesta entre a morte e o novo nascimento, mas aí não consegue afligir o ser humano. Sua função é cuidar para que a pessoa não seja extraviada no Mundo Espiritual. Após o encontro com o pequeno Guardião, encontramos o Grande Guardião no Umbral. Este impulsiona o estudante a continuar a trabalhar energicamente. Ele se torna um exemplo para ser seguido e se transforma finalmente na figura do Cristo.
Max Heindel diz: ‘O verdadeiro Guardião do Umbral é um ser elemental que é uma composição de todos os nossos pensamentos e ações negativas, de toda a nossa evolução, que não transmutamos e criamos nas regiões invisíveis’[138]. E em outro lugar: ‘Este sempre aparece como um ser do outro sexo, porque todas as nossas tentações e o mal que fazemos, tudo o que é condenável, do nosso lado escondido vem de nós’[139].
Em Aus der Akasha Forschung. Das Funfte Evangelium[140], Steiner dá sua orientação sobre Jesus. Ele distingue um Jesus do Evangelho de Lucas, o assim chamado Jesus de Nathan, uma alma primordial que viveu apenas uma única vez na Terra e teve como pais José e Maria[141]. E, outro Jesus do Evangelho de Mateus, o assim chamado Jesus de Salomão que viveu mais vezes na Terra e também teve como pais José e Maria. Neste último Jesus, o ‘EU’ de Zaratustra estava encarnado, por isto quando tinha aproximadamente doze anos rapidamente conseguia absorver tudo o que os outros à sua volta sabiam. A mãe deste Jesus de Salomão faleceu, assim como o pai do Jesus de Nathan, quando este tinha 24 anos. Os José e Maria que permaneceram se casaram e os dois Jesus se fundiram em um Jesus que, por volta dos trinta anos, recebeu o Espírito de Cristo.
No Capítulo 15 e 19 do Conceito Rosacruz do Cosmos Max Heindel escreve que Jesus pertence à nossa onda de vida, por volta do tempo que é descrito nos Evangelhos, foi filho único de José e Maria, após muitas vidas na Terra, foi regenerado e é o mais elevado de nossa humanidade. Próximo em estatura espiritual é Lázaro, que no final do Século XIII nasceu como Christian Rosenkreuz. Durante o batismo no Jordão Cristo desceu ao corpo de Jesus e trabalhou por aproximadamente três anos em seu corpo como Cristo Jesus. Por isto Jesus se tornou o mais alto Iniciado da onda de vida humana e depois vem Lázaro que foi Iniciado por Cristo quando ‘ressuscitou dos mortos’.
Para finalizar esta somatória: Steiner distingue dois lugares onde fica a ‘Memória da Natureza’, que ele chama de ‘Akashico’. Ele diz: ‘Enquanto o Akashico é encontrado no devachan [Região Divina] ele se estica para baixo até o Mundo Astral [Desejos], fazendo com que aqui, frequentemente, tenha imagens do Akashico como um tipo de fata Morgana espelhado. Contudo, estas imagens são muitas vezes inconsistentes e pouco confiáveis…’[142].
Max Heindel diz que há três lugares onde se encontra a ‘Memória da Natureza’[143]. A primeira na 7ª Região do Mundo Físico, o Éter Refletor, onde os médiuns e iniciantes ‘veem’. A 2ª Região fica na 4ª Região do Mundo do Pensamento Concreto. Aqui os Iniciados ‘veem’. A 3ª encontra-se na 7ª Região do Mundo do Espírito de Vida. Aqui só os Adeptos e Irmãos Maiores conseguem ‘ver’. Veja o diagrama 2 para ter uma visão sobre estas regiões[144].
No Adendo 7 foram transcritas cinco citações onde Steiner se refere à Max Heindel. Embora eles falem por si, mais alguns comentários: ‘O Templo dos Rosacruzes se encontra na Alemanha, ao pé das Montanhas Erz. Max Heindel, portanto, não saiu da Alemanha. Como Steiner chega aos Alpes da Transilvânia, que fica no meio da Romênia, é desconhecido’.
O Conceito Rosacruz do Cosmos nunca teve grandes alterações. Na segunda edição apenas em um lugar, no capítulo 19, foram acrescentadas seis páginas – sobre atuação na Iniciação. Em três lugares na terceira edição onde no subtítulo foi alterado de ‘Ciência Oculta Cristã’ para ‘Cristianismo Místico’ e ‘pesquise todas as coisas – Paulo’ foi alterado para ‘Sua Mensagem e Missão: Mente Pura, Coração Nobre e Corpo São’; o último capítulo foi novamente ampliado com 4 páginas; e foi acrescentado um índice. Max Heindel nunca, como Steiner reivindica, acrescentou coisas depois que foram ensinadas em sua Escola Esotérica. O que foi ensinado lá para Max Heindel em seu período na Alemanha pode ser lido em dois livros[145].
Steiner diz que até o título ele copiou dele. Aqui ele quer dizer seu livro chamado Kosmogonie, em Inglês seria ‘Cosmogony’ o que é bem diferente de ‘Cosmo-Conception’.
Em três lugares Max Heindel diz que Steiner não foi escolhido como mensageiro da Ordem Rosacruz.
Primeiramente: ‘Um mensageiro provou em 1905 que não era de confiança’[146].
Em Segundo: ‘Para divulgar os ensinamentos, composto de tal forma que satisfaz tanto a Mente quanto o Coração, deveria ser encontrado e preparado um mensageiro. Deveria possuir algumas qualidades especiais. O primeiro escolhido falhou ao passar por uma prova após terem sido investidos vários anos em seu preparo para um determinado serviço…. Sua segunda escolha para um enviado recaiu sobre o escritor [Max Heindel], apesar dele mesmo não saber disto… Três anos depois quando ele foi para a Alemanha… os Irmãos da Ordem Rosacruz o colocaram à prova para ver se ele seria um mensageiro de confiança para divulgar os ensinamentos que eles estavam dispostos a confiá-lo’[147].
E em sua carta para a Sra. Bauer, datada de 14/16 de outubro de 1911: ‘Desde que o Dr. Steiner se tornou Secretário Geral da Sociedade Teosófica[148], ele deixou de ter relacionamento com os Rosacruzes. Antes deste tempo ele recebia algumas orientações de um Irmão Leigo, assim como eu desde então, e ele nunca teve contato direto com os Irmãos Maiores e nesta vida ele nunca terá este contato…’[149].
Que Steiner não irá conseguir isto nesta vida, vem do fato que a pessoa só passa pela prova uma vez a cada vida, e respectivamente se encontra com o Guardião do Umbral. Para maiores informações veja o último capítulo deste livro: MÉTODO OCIDENTAL DE INICIAÇÃO.
Em suas primeiras Lições aos Estudantes parece que Max Heindel ainda não sabia nem da posição de Steiner e nem da dele mesmo. Diz ele – isto se passou quando ele no verão de 1908 deixou o Templo na Alemanha: ‘A este respeito [não desperdiçar os dons espirituais para ganhos materiais] recebi dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz a Missão Especial de Mensageiro ao Mundo da Língua Inglesa’[150]. Então, ele ainda devia ver Steiner como o mensageiro para os que falavam Alemão[151]. Somente depois ele recebeu informações sobre isto. Inicialmente foi dito a ele que os Irmãos já o observavam há alguns anos como possível mensageiro, caso o primeiro falhasse. Max Heindel considerou alguns anos literalmente e achou que era em 1907, o ano em que foi para a Alemanha. Contudo, algum tempo depois ele ouviu como realmente foi. Que Steiner não foi considerado ineficaz em 1905, mas quando foi escolhido como Secretário Geral da Teosofia, e isto ocorreu em 20 de outubro de 1902.
[O original está em inglês]
Viena, 30 de novembro de 1910.
The Rosicrucian Fellowship
Seattle, Washington, USA
PO Box 105
Prezados Srs.
Há vários anos sou muito interessada no tema dos Rosacruzes. A, aproximadamente, uma semana recebi um comunicado sobre o anúncio do livro Conceito Rosacruz do Cosmos de Max Heindel. Eu foquei no título e solicitei à minha livraria para encomendar o livro. Dentro de alguns dias devo recebê-lo. Contudo, eu gostaria de poder traduzir este livro para o alemão, para que meus compatriotas possam aproveitar esta informação. Por esta razão solicito as condições para poder traduzi-lo, na esperança de que suas condições sejam admissíveis para a publicação na Alemanha.
Aguardo sua resposta favorável o mais rápido possível.
Atenciosamente,
Laura Bauer
Viena, XIX/I. Iglaseegasse 13, Áustria
Laura Bauer
Iglasseegasse 13
Viena
[O original está em Inglês]
20 de dezembro de 1910.
Cara Senhora,
Sua carta do dia 30, com a solicitação de traduzir o Conceito Rosacruz do Cosmos para o alemão, chegou às minhas mãos. Esta autorização eu a dou com prazer, mas com a condição de que me seja enviada uma cópia do manuscrito, para que eu possa fazer sugestões de algumas denominações. Por exemplo: O Corpo Vital deve ser traduzido como ‘Lebensleib’ e o Éter Vital como ‘Lebensether’.
Quanto aos direitos de publicação; eu não estou interessado no dinheiro, como a senhora pode perceber comparando o livro com o seu preço. Eu aceito um diminuto valor do lucro, mas a Editora deve aceitar publicar um livro bom por um preço razoável para que possa ser acessível às pessoas de baixa renda. Se o livro for muito caro, muitas almas famintas ficarão sem e, então, o seu trabalho e o meu não farão todo o bem que poderia.
Acabo de fazer um registro de 64 páginas, que será publicado no próximo mês e poderá ser vendido separadamente para aqueles que já adquiriram a primeira ou segunda edição do Conceito Rosacruz do Cosmos. Solicitarei uma terceira edição, onde acrescentarei um índice. Portanto será possível para a senhora fazer a primeira edição no alemão, igual à terceira do americano, traduzindo cada página numa folha separada. A Página 20 será igual nas duas línguas e terá, nos dois livros, as mesmas palavras e a paginação será na mesma sequência tanto no índice americano quanto no alemão, para que, quando em trabalhos futuros indicar uma determinada página, um estudante alemão possa buscar, na versão alemã do Conceito Rosacruz do Cosmos, a mesma página mencionada que foi sugerida no artigo.
Eu confio que se fizer o trabalho que pretende realizar, estas orientações lhe serão úteis.
Seu, em fraternidade,
Max Heindel
[O original é em inglês]
Viena, 26 de janeiro de 1911.
Prezado Senhor,
Antes que minha segunda carta pudesse chegar até você, já havia recebido sua resposta amigável. Fiquei muito feliz com o conteúdo. Esta é a língua de um verdadeiro Rosacruz; sua carta e seu trabalho confirma isto, quanto mais eu leio, mais valioso se torna para mim. Eu quero traduzi-lo. Eu já havia conversado com um Editor alemão[153] antes de escrevê-lo a primeira carta. Eu contei então que havia enviado uma carta ao senhor e coloquei as minhas condições para aceitar. Ontem recebi a resposta dele de que não está interessado em publicar o livro porque temia os custos. Na mesma noite escrevi para o meu Editor[154], com quem eu sempre faço parceria, e ofereci minha tradução. Nosso preço acordado é 16 páginas por 25 marcos.
O trabalho que inclui 542 páginas, sem o índice (na qual o senhor agora está trabalhando) totaliza, sem a diagramação, 850 marcos. Como gostaria de seguir seu exemplo ofereci minha tradução por 650 marcos, incluindo os diagramas, que eu mesma posso desenhar, porque tenho boas habilidades em desenho. Não sei como é o mercado americano e se este preço é razoável para um Editor americano.
Como escrevi ontem só receberei a resposta dentro de alguns dias. Contudo, não gostaria de deixá-lo esperando por tanto tempo. Eu gostaria de pedir, prezado senhor, se o meu Editor alemão também estiver apreensivo quanto aos custos, se o senhor conseguiria encontrar um Editor para publicar a versão em alemão, pois tenho certeza que aí, também, devem existir editores alemães. Talvez o senhor possa cuidar disso já que eu não conheço o mercado americano.
Então gostaria de fazer mais uma proposta. Não seria mais fácil para o senhor me dar o direito de traduzir todos os seus trabalhos? Pelo fato de estar tão interessada em todos os seus trabalhos penso que poderemos, de forma excelente e proveitosa, trabalhar juntos, já que há diferenças no modo e nos sentimentos quando suas obras são apresentadas em alemão.
Espero, prezado senhor, que o senhor não encontre muitos problemas com a minha tradução, e que a enviarei sem falta. Se meu próprio conhecimento for falho, eu tenho um conhecido próximo que, tem conhecimento e tem habilidade com estes termos.
Eu mal posso contar como me sinto feliz que, por meio do seu trabalho, eu possa estar em condições de trabalhar com algo da linha dos Rosacruzes. Dentro de alguns dias enviarei a resposta do meu Editor.
Espero ter conseguido expressar em inglês o que quero dizer,
Sua, muito devotadamente,
Laura Bauer.
[PS] Meu primeiro Editor solicitou o valor exato que o senhor deseja receber. Provavelmente, o segundo Editor também irá questionar isto. Por gentileza, poderia me passar esta informação?
Laura Bauer, Viena, XIX/1, Iglaseegasse 13.
Em agosto de 1911 a Sra. Bauer enviou as primeiras cem páginas de sua tradução para Max Heindel, que ele recebeu na primeira semana de outubro. Algumas semanas depois, no dia 19 de setembro de 1911, ela enviou uma segunda remessa, acompanhada de uma carta, onde consta o seguinte, entre outros: ‘De um estudante do Dr. Rudolf Steiner ouvi uma objeção, feita contra o emblema da rosa cruz, na parte superior do seu trabalho, o mesmo que está no cabeçalho das cartas enviadas pelo senhor; que a grinalda de rosas está de cabeça para baixo, e que as pessoas dizem que a ponta apontando para baixo é sinal de magia negra. Para dirimir diferenças de opinião sobre o assunto, quando fizermos a publicação em alemão, espero que o senhor não tenha objeção se virarmos a grinalda e colocarmos a rosa no lado de cima’.
A resposta de Max Heindel para ela foi a seguinte:
14 de outubro de 1911.
16 de outubro de 1911.
Prezada Sra. Bauer,
As primeiras 100 páginas do manuscrito eu recebi uma semana atrás e nesta manhã terminei a revisão. Por meio desta envio-as de volta. Hoje já chegou a segunda remessa e a retornarei o mais breve possível, mas estou muito ocupado com o início das construções de nossa nova sede e outras atividades, portanto é difícil encontrar tempo para fazer tudo o que deve ser feito.
Deixe-me parabenizá-la com a tradução. Achei que a senhora o fez de forma brilhante, em especial quanto ao poema de Sir Launfal[155]. Eu solicito que a última frase da página 9 e todas as da página 10 a senhora deixe sem traduzir. Então usarei esta página para fazer uma declaração de reconhecimento pelo seu trabalho, pois sou da opinião que os alemães precisam saber que eles devem muito agradecer o seu trabalho.
Quando escrevi o livro[156], era meu objetivo usar apenas as palavras mais simples do inglês e sempre usar a mesma palavra para o mesmo significado. A mesma ideia eu gostaria que fosse utilizada com o idioma alemão e fiz melhoramentos neste sentido, com a qual eu espero que a senhora seja gentil de aceitar. A senhora sabe que não é a ‘letra’ que importa e sim o espírito ou significado da frase. Pelo resto percebi que os cristãos aceitam melhor ‘Wiedergeburt’[157] do que ‘Reinkarnation’[158]. Shakespeare diz: ‘Se a rosa tivesse outro nome, ainda assim teria o mesmo perfume’. Eu sou do tipo que me adapto aos costumes gerais, pelo menos enquanto não forem contra os meus princípios. Por favor, utilize ‘Wiedergeburt’, onde isto for possível.
‘Samenatom’[159] é bom, mas me parece que ‘Keimatom’[160] expressa melhor a ideia de ‘Sprießungsfähigkeit’[161], e que é o princípio básico.
‘Leib’, ‘Träger’ e ‘Körper’[162] são preferíveis do que ‘Vehikel’[163], pelo fato desta denominação ser mais compreensível para as pessoas.
‘Bildende Urkräfte’[164], conforme a senhora usou duas vezes, é uma ótima tradução para Forças Arquetípicas; por favor, utilize em todos os lugares onde aparecem.
Nós falamos de ‘Floresta Virgem’ quando a senhora escreve ‘Ur-wald’[165] e da mesma forma dizemos ‘Espíritos Virginais’ como ‘Ur-geister’.
Sua expressão ‘Äther-Zone’[166] é realmente uma expressão melhor do que ‘Äther-region’[167]; mas a não ser que utilizemos em todo o contexto e retiremos totalmente a palavra ‘Region’, eu acredito que é melhor não alterar, para não confundir a forma de pensar do estudante utilizando duas expressões.
Sua expressão ‘Verstand’[168] é talvez a melhor forma de expressar ‘mind’, mas, então, devemos traduzir ‘Intellectual Soul’ como ‘Verstandes-seele’[169] para evitar confusão.
Na página 63 do livro fiz uma correção, pois emitia uma alegação negativa à profissão médica e soava negativamente sobre sua elaboração. A senhora perceberá que na 3ª Edição foi colocado a mesma ideia, mas com outras palavras que irão atrair o apoio e a benevolência dos médicos.
Em relação ao que o aluno do Dr. Rudolf Steiner disse: não me importo nem um pouco! Desde que ele se tornou Secretário Geral da Teosofia o Dr. Rudolf Steiner não tem mais relação nenhuma com os Rosacruzes[170]. Antes deste tempo, ele recebia alguma orientação de um Irmão Leigo, assim como eu tenho recebido; desde então ele nunca esteve em contato com os Irmãos Maiores e nunca mais irá conseguir isto durante esta vida, porque seu desejo excessivo à posição e poder o fez abandonar os ensinamentos ocidentais e a largar o trabalho pioneiro que eu estou fazendo agora para destituir da Sra. Besant – que apenas no nome é cabeça de uma organização e absolutamente não tem controle sobre sua ‘escola interna’. Quando publiquei a primeira edição do Conceito, ainda não tinha total conhecimento de sua posição, e seu ciúme fez com que esquecesse totalmente das normas gerais de cortesia de um cavalheiro. Pois ele nunca me agradeceu pela versão autografada do livro que enviei a ele.
Portanto não aceitarei nenhuma alteração no símbolo, em especial dar uma concessão às ideias de um homem que absolutamente não tem conhecimento da Ordem da qual ele, falsamente, se diz membro. ‘Ninguém pode servir a dois senhores’, disse Cristo, e quando ele [Dr. Rudolf Steiner] aceitou o ensinamento hindus da Teosofia, e tentou misturá-la com o conhecimento superficial da Sabedoria Ocidental, que ele havia aprendido do Irmão Leigo citado anteriormente, ele se lançou no oceano da especulação. Em três ocasiões em que eu pude questionar sobre: 1º, sobre contradições em seu livro Theosofie; em 2º, em uma contradição sobre seu Akasha Kroniek e; em 3º, sobre seu desconhecimento de fisiologia comum, que foi repetido várias vezes numa palestra onde ele apontava para a parte de trás da cabeça toda vez que falava da hipófise, como se ficasse lá, sendo que sua clarividência deveria mostrar a ele este equívoco. Em todas estas ocasiões ele se desculpou perante mim diante de várias pessoas por seu equívoco, confirmando sua absoluta inconfiabilidade. Acima disso ele avisou a mim e a outros que ele não é responsável pelo que seus estudantes dizem. Se o símbolo for modificado por causa do que um de seus estudantes disse, o Dr. Rudolf Steiner, provavelmente, iria declarar que está incorreto e por isso repito que não aceitarei nenhuma alteração.
Eu acredito que não teremos problemas em conseguir a autorização para traduzir o poema de Lowell e fico feliz que queira traduzir tudo isto. Eu irei verificar tudo o mais rápido possível. Se eu esquecer, por favor, lembre-me novamente.
Ao que se refere a traduzir outros trabalhos, penso que provavelmente deixarei a seus cuidados, mas vamos primeiro terminar este livro, para que eu possa ver como o Editor irá fazer seu trabalho.
Com os melhores cumprimentos,
Max Heindel
A primeira versão de Die Weltanschauung der Rosenkreuzer foi publicada pelo ‘Theosophisches Verlagshaus’ em Leipzig, Alemanha. Sem data, mas foi em outubro de 1912. No final da Introdução ‘Aan de goed verstaander’[171] traduzido erradamente como ‘Ein Wort na den Weisen’[172] Max Heindel escreveu na pág. 10: ‘Para finalizar esta introdução, aproveito para apreciar o trabalho de tradução, que eu corrigi e melhorei no aspecto dos termos técnicos, para que fossem usados os mesmos termos que os Irmãos Maiores – a quem devo todo o meu conhecimento – me ensinaram originalmente na Alemanha. Eu sinto a necessidade de agradecer a maravilhosa tradução dos poemas; ela conseguiu manter o espírito, quanto as palavras e o ritmo, uma obra de arte de difícil realização’.
Max Heindel
Abaixo do ‘Credo ou Cristo’ do Die Weltanschauung der Rosenkreuzers lemos o pseudônimo da Sra. Bauer: S. von Wiesen; em holandês S. van der Weiden. Não muito distante do próprio nome que significa Agricultor.
Laura Bauer-Ficker nasceu no dia 27 de janeiro de 1874, em Viena, Áustria. Ela era Católica Romana, separada e mãe de ‘alguns’ filhos e trabalhava como professora em uma escola primária. Faleceu no dia 6 de fevereiro de 1934, aos 60 anos, de edema pulmonar e encefalomalacia. No dia 9 de fevereiro de 1934 ela foi enterrada em Dobling em Viena em sepultura própria[173].
Hugo Vollrath era proprietário do ‘Theosophisches Verlagshaus’ [Editora Teosófica] em Leipzig, Alemanha. Ele se tinha dado um título de Doutor ilegalmente e se chamava Walter Heilmann e Dr. Johannes Walther. Ele adquiriu uma má reputação por causa de falsificação e fraude.
A partir do primeiro momento que ele foi indicado para publicar o Conceito Rosacruz do Cosmos em alemão, ele começa a pechinchar o preço. Primeiramente a Sra. Bauer pediu 25 marcos pela tradução das 16 páginas, o que para 542 páginas chegava a 850 marcos, sem incluir os diagramas. Contudo, ela acaba concordando com 650 marcos e Vollrath tenta tirar mais 50 marcos de Max Heindel, mas não consegue.
Da Editora Inglesa Fowler & Co, assim como da Francesa e Holandesa, Max Heindel recebe, como royalty, 50 exemplares por 1000 livros publicados, e ainda 45% de desconto.
Após ter conseguido permissão de Max Heindel, na carta datada de 23 de dezembro de 1910, para traduzir o Conceito para o alemão, a Sra. Bauer pergunta em sua próxima carta, datada de 26 de janeiro de 1911, se pode ter o direito de traduzir os próximos livros, mas Max Heindel ainda quer esperar um pouco mais.
No dia 30 de janeiro de 1912 a Sra. Augusta Foss Heindel escreve para a Sra. Bauer que no dia 2 de junho de 1911 Max Heindel tinha recebido uma carta do Sr. Vollrath onde ele pergunta se ele pode publicar o livro Conceito Rosacruz do Cosmos. É dada a autorização à Vollrath para publicar 2000 exemplares, entretanto: a execução, o preço e a data de publicação deveriam ser acertados com a Sra. Bauer. No entanto, eles ainda não haviam recebido nenhum exemplar como prova de que havia sido publicado. Max Heindel tinha direito a um royalty de 100 exemplares, mas Vollrath só queria enviar 10. E também queria dividir o livro em 10 partes, vendendo por 1 marco cada parte, ou todo o livro por 10 marcos, o que deixou Max Heindel furioso. A situação piorou quando Vollrath alegou que tinha até 25 de março de 1912, para lançar o livro no mercado e enviar à Max Heindel os 10 exemplares.
Quando a Sra. Augusta Foss Heindel, em sua carta datada de 19 de julho de 1912 à Vollrath, ameaça procurar outro Editor – que já havia demonstrado interesse – se Vollrath não publicar os livros imediatamente. Ele responde em 5 de agosto de 1912 que a Sra. Bauer já está corrigindo a prova do livro, e que é esperado que o Conceito seja publicado em novembro, o que parece ter acontecido no final de outubro de 1912. Contudo, Max Heindel não recebe nenhum exemplar como prova disto.
Em sua carta para Max Heindel, Vollrath reclama constantemente que não apenas a Sociedade Antroposófica, mas também ambas as organizações Teosóficas na Alemanha, reagiram de forma fulminante contra o livro e que ele mal consegue vender um exemplar.
Em sua carta de 9 de outubro de 1912, de Vollrath para Max Heindel, ele mostra um seu outro lado. Em uma carta em separado, fechada Vollrath diz que Heilmann tinha estabelecido um “Rosenkreuzer Gesellschaft” (Fraternidade Rosacruz), de acordo com o exemplo da Fraternidade Rosacruz. Também pergunta sob quais as condições para que membros possam se associar à Fraternidade. Ele também solicita o envio de outros livros de Max Heindel, para que ele possa traduzi-los. Ainda escreve que ele, Heilmann, fez um acordo com Vollrath para que as pessoas que não consigam pagar possam adquirir o Conceito por um preço reduzido.
No dia 29 de janeiro de 1913 a Sra. Augusta Foss Heindel escreve para Vollrath que se antes de 25 de março de 1913 ele não enviar exemplares, como prova de que o livro foi publicado, eles irão tomar medidas para bloquear o direito dele de publicar o Conceito.
Como prova que realmente foi publicado, Max Heindel finalmente recebe no dia 1º de março de 1913 os 10 exemplares prometidos. Contudo, não eram livros encadernados, conforme combinado. Vollrath havia separado o Die Weltanschauung der Rosenkreusers em 10 livrinhos separados, com capa de papel. Estes, ele vendia a 1,50 marcos cada, ou todos os 10 por 15 marcos. Em comparação: 15 marcos era equivalente a $ 4 dólares. Enquanto um livro encadernado americano (3ª edição) custava $ 1,50.
Em sua carta de 8 de abril de 1913, Max Heindel confirma o recebimento e conta que um estudante já traduziu, gratuitamente, alguns capítulos do livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas e, dentro de alguns meses, esperava estar completa toda a tradução. Ele oferece a Vollrath a autorização para publicar 2000 exemplares, encadernados conforme o modelo americano, que deveriam estar prontos dentro de um ano e que não poderiam custar mais do que $2 cada, e que deveria enviar 100 exemplares gratuitamente, sem custos de transporte.
Em sua carta datada de 29 de abril de 1915, Vollrath reclama pela enésima vez que o Conceito na Alemanha tem uma venda péssima e solicita autorização para publicar uma versão mais ‘popular’ e barata pelo preço de 6 marcos. Ele promete dar a Heindel 40% de desconto. Posteriormente fica claro que estes livros já haviam sido publicados fazia muito tempo e estavam sendo vendidos de forma completa.
Mais duas vezes ouvimos a Sra. Bauer: numa carta datada de 7 de maio de 1920 ela pede dinheiro à Sra. Augusta Foss Heindel para os filhos dela e para ela mesma. Sra. Augusta Foss Heindel a envia um cheque de $ 50 para auxílio.
Pela última vez, ouvimos dela em uma carta da Sra. Augusta Foss Heindel datada de 2 de fevereiro de 1921 onde ela responde a Sra. Bauer que assim como na Europa, também na América a situação econômica havia piorado. Que ela sentia muito que não poderia mais ajudá-la financeiramente porque a doação anterior havia sido feita de uma propriedade pessoal em Los Angeles, que agora ela não possuía mais. E que ela não poderia fazer uma doação do dinheiro recebido como auxílio voluntário dos membros. Para finalizar, Augusta Foss escreve que ela esperava que Vollrath fosse imprimir os outros livros de Heindel, apesar dele não ter sido correto em relação a eles. Excetuando a segunda edição do Conceito Rosacruz do Cosmos e A Mensagem das Estrelas, que já haviam sido traduzidos gratuitamente por um membro, e que já estavam nas mãos de outra Editora.
Como complemento ao seu Pandora, Mögling escreveu ‘no período de meio dia’, no início de março de 1617, para Caspar Tradel, Dr. em Direito, seu Speculum Sophicum Rhodostauroticum, sob o codinome Theophilus Schweighardt[174]. Neste trabalho tem três gravuras, dos quais dois representam o Templo dos Rosacruzes. A descrição do simbolismo destas gravuras foi descrita em sua maior parte por Wilhelm Begemann[175] e em parte por Peter Huijs[176].
No meio da parte superior está escrito ‘oriens’, o Leste, o lugar onde o sol nasce. Abaixo, numa nuvem com asas as letras hebraicas HVHJ para Jeová, sob quais asas a Fraternidade fica à sombra. Desta nuvem sai uma mão segurando uma corda, fixa em um prédio quadrado sobre quatro rodas, o Templo, no Fama denominado como ‘Sancti Spiritus’[177]. Entre duas rodas tem a palavra ‘moveamur’, que significa: vamos continuar. Do lado esquerdo da porta tem o desenho de uma rosa e do lado direito uma cruz. Acima das duas janelas redondas, encontram-se duas janelas quadradas, encostadas ao lado uma da outra. Na janela da esquerda encontra-se um homem apontando, com seu dedo indicador direito, para um globo. Desta janela saiu um pássaro com uma carta com a inscrição ‘ad I.D.C.’ que significa ‘Julianus de Campis’. Na janela da direita pode se ver alguns utensílios alquímicos. Desta janela também partiu um pássaro com uma inscrição ‘Nostro T.S.’, ‘Nosso Theophilus Schweighardt’, que parece ter sido aceito pela Ordem. Acima das duas janelas está escrito ‘Jesus nobis omnia’, Jesus é nosso tudo.
Do lado esquerdo das duas janelas quadradas tem uma janela redonda da qual se projeta um braço direito segurando uma espada. Acima da espada tem a palavra ‘cavete’, cuidado. Abaixo do braço está escrito: ‘Jul. de Campi.’, Julianus de Campis escreveu em 1615 uma Sendbrief oder Berricht An alle welche von der Neuen Bruderschafft des Ordens vom Rosen Creutz genannt, etwas gelesen, oder von andern per modum discursus der sachen beschaffenheit, vernommen, portanto uma ‘Carta ou recado para todos os que leram ou ouviram de outros por meio de uma conversa sobre a Nova Fraternidade, nominada Ordem Rosacruz, ou da natureza da coisa’.
Do lado direito do prédio tem uma ponte levadiça erguida pela metade. Abaixo dela está escrito ‘SI DIIS PLACET’, por favor Deus. A porta está aberta com uma brecha e acima dela está escrito ‘VENITE DIGNI’ ‘entrem quem são dignos’. Projetado de uma janela redonda do lado direito tem uma trombeta ressoa abaixo as letras C.R.F., Christian Rosenkreuz Frater, Irmão Cristão Rosacruz.
Nas torres nos cantos tem homens com uma folha de palmeira na mão direita; na antiguidade clássica significava vitória, e na mão esquerda um escudo com as letras hebraicas de Jeová.
No telhado tem uma cúpula oitavada guarnecida de asas. Acima dela tem um campanário, com um sino pendurado dentro dela.
Acima do Templo tem escrito ‘Collegium Fraternitatis’ e o ano 1618. Collegium significa um grupo de pessoas com as mesmas intenções ou interesses e que para isto formam um corpo, que aqui se chama ‘Fraternidade’.
Nos dois cantos superiores brilham as estrelas em Serpentarius, a Serpente, e Cygna, o Cisne, e abaixo escrito ‘VIDEAMINI’, mostre-se agora. A Constelação da Serpente tem o ano de 1604. Naquele ano Kepler descobriu uma nova estrela no extremo inferior da Serpente, que faz parte desta Constelação; em 1602 já haviam descoberto uma estrela nova na Constelação do Cisne. Conforme a predição no Fama, 1604 também foi o ano em que o túmulo de Christian Rosenkreuz foi encontrado pelos Irmãos, descrito na pág. 114 da primeira edição.
No meio da parte inferior tem a palavra ‘occidens’, o Oeste ou terra da noite onde ficam aqueles a quem o Fama se dirige. Estes são os Chefes de Estado e estudiosos da Europa, dos quais a maioria não vê e nem compreende do que se trata. Assim anda o poder do mundo, na forma de um soldado, diante do edifício. O cavaleiro nobre tem a cabeça totalmente virada. O caminhante estudioso ou mascate à esquerda, com seu conhecimento como sobrecarga em suas costas, tem seu chapéu de tal forma na cabeça que não consegue ver o edifício.
Apenas três pessoas percebem o edifício. A pessoa em baixo ajoelhada, à direita, e tem sua esperança, sua âncora, fincada em Deus. Ele vê o edifício como complemento de sua viagem à sua frente. Toda a presunção está longe dele, porque ele diz: ‘ignorantiam meam agnosco’, eu reconheço minha ignorância. E ele implora: ‘Juva Pater’, ajude-me Pai.
A segunda pessoa que percebe o edifício é o homem, abaixo à esquerda, que está segurando uma corda e sendo puxado para cima do ‘puteus opinionum’, poço das opiniões, onde ‘per multa discrimina rerum’, ele caiu devido a várias causas.
A terceira pessoa que percebe o edifício é o homem, à direita, onde está escrito ‘Festina Lente’, apresse-se lentamente, tenha calma, mas jogou este aviso ao vento e caiu.
Do lado esquerdo no meio tem a Arca de Noé em cima do monte Ararat, conforme descrito na Bíblia, no Livro do Gênese, Capítulo 8, de onde voam duas pombas. No texto do livro mostra que aqui há uma comparação. Assim como Noé deixou voar as pombas para receber o recado, assim também o candidato para Iniciação deve enviar sua carta e esperar até que ele ou ela receba a resposta.
De ‘septentrio’, o Norte, à esquerda, um pássaro voa em direção aos Irmãos e também de ‘meridies’, o Sul, à direita, com cartas e inscrições ‘Ad Fratres’, aos Irmãos, e ‘Fratri’ Irmãos.
Do lado esquerdo do Templo tem uma casa, com as letras maiúsculas escritas ‘NOTA’. Esta palavra tem muitos significados. Assim como ‘colocar sua atenção em algo’, ou como ‘indicação’. Contudo, também significa ‘criptografia’. Talvez aqui signifique o que Max Heindel disse, a saber, que ‘os Irmãos moram em uma casa, mas fora desta casa e dentro desta casa e através desta casa, tem o que as pessoas chamam de Templo’[178].
O templo fica perto de uma cidade, circundada por bosques, e à esquerda do Templo corre um rio, que está descrito no Assertio.
A figura 109 é um símbolo antigo dos Rosacruzes que os Irmãos Maiores chamam de ‘O Cadinho’. Nas publicações de maio até outubro de 1916 da revista Rays from the Rose Cross este símbolo estava no lado interno da capa. Era o assunto de uma competição para explicar seu significado. Em outubro foi publicada a explicação, fornecida por um dos estudantes.
A declaração significativa de ‘O Cadinho’ – um verdadeiro recipiente para derretimentos – parece advir de uma máxima antiga: ‘Per ignem ad lucem’ (através do fogo à luz). O significado deste velho símbolo Rosacruz é tanto microcósmico como macrocósmico, assim como demonstra a junção das estrelas de cinco e seis pontas. A junção de cinco e seis mostra o décimo primeiro Signo do Zodíaco, que representa Era de Aquário, e uma junção dos Estados Unidos da América que mostra a transição para uma nova Era.
As sete pontas do Cadinho podem simbolizar os Períodos; a constituição Setenária do ser humano; o espectro de cores visíveis; a escala musical; ou as Sete Hierarquias que estavam presentes no início do Período Terrestre e que estão descritas no Conceito Rosacruz do Cosmos (diagrama 9).
Quando nós somamos a estas sete (7) pontas piramidais, os dois (2) triângulos internos, lembrando das 2 Hierarquias sem nome, temos o total de nove (9) ou o ‘número da humanidade (144), que é o número dos Anjos’ da revelação, que em hebreu significa ADM ou Adão; e na tradução grega do Velho Testamento, o Septuaginta, dos 12 vezes 6 tradutores tribais e os 72 dias necessários para fazer a tradução. O número da humanidade também é encontrado no total das linhas de divisórias internas.
Um bom nome para ‘O Cadinho’, considerando numericamente, é “Acre de Deus”[179]. Um olhar sobre as figuras que compõem esta medida de superfície em varas quadradas (160) e os pés quadrados (43.560) abre o resultado de 7 e 9. E o título não é enterrado na terra para alcançar o seu renascimento.
Como o pentagrama, ‘O Cadinho’ também é um esboço do ser humano – braços cruzados e pernas aqui manifestando o Andrógino para o espírito – uma reconciliação das leis opostas, ou paz na unidade. Observe o seu lugar no círculo celeste com a cabeça em Áries, o ombro esquerdo e direito em Touro-Peixes, as mãos em Câncer-Capricórnio, e os pés em Virgem-Escorpião. Como um todo, que é indicação para Aquário como indicado pela sua estrutura serrilhada.
A rosa selvagem perfumada, com suas potências mágicas, substituiu a espada flamejante do Jardim do Éden. A flor pode denotar a Rosa de Natal (Helleborus Niger), às vezes, chamada da erva de Cristo, que mais tarde dá lugar à Pasque Flower[180], ou a Estrela de Lírio de Belém, formas de plantas que não são apenas significativas no nome, mas cuja disposição das partes florais segue a ordem do cinco e seis. Ou, se preferir, deixe a flor aberta com o seu coração virado para o sol, símbolo da flor do casamento místico sobre a Árvore da Vida (prenúncio de frutos de ouro), não muito diferente daquele emblema da pureza da flor de laranjeira, um primo da rosa.
Referindo-se ao recinto delimitado pelo hexágono, no centro da qual está colocado o coração cruzado no cálice; sua forma não faz recordar uma das celas do grupo dos favos formado por aquela criatura do ar, Hymenopterous[181], Apis mellifica[182]? Estas denominações clássicas da abelha doméstica pareceram interessante em conexão com a orientação do regente de Touro [Vênus] e a Lua na oitava esfera em Escorpião, marcando as fases do passado e condições atuais que devem ser substituídas pelos ideais de serviços Mercúrio-Júpiter, intuitivamente percebido por muitos. Dentro da área do Número Seis Perfeito, os elementos carbonizados tornam-se o cristal tingido de azul – ou rosa diamante – e os metais mais básicos submetidos a uma sublimação similar. Os desejos naturais e emoções conflitantes são transmutadas na unificação do amor Crístico. O tronco ereto é o estandarte[183], o alcance da chama que indica para o céu.
Ao estudar este símbolo, lembra-se do Caduceu na sua polaridade eletromagnética. Podemos identificar ainda mais a tocha ou vara, com a vara de Aarão que floresceu.
Agora, por um momento, virando a figura de cabeça para baixo, você vai discernir a cabeça de bode como do Sátiro[184] e seu atributo Tirso[185] da equipe de Baco. Nesta posição, a planta é invertida, a tocha virada, revelando o ser humano em seu estado não regenerado – um deus caído.
Novamente na posição vertical – a partir de ângulos diversos – ‘O Cadinho’ apresenta várias superfícies refletoras ou espéculos como exemplificado quando o pássaro de Júpiter quer ver sua imagem no espelho. Marte como um reflexo para trás e fase inferior de Vênus, com o ideal de Saturno espelhado em Júpiter, um planeta por sua vez que aumenta a energia dinâmica e bruta de Marte para a maior motivação do que Vênus eleva e ilumina as sombras de Saturno. A Mente incipiente (Saturno) e a luz da razão (Mercúrio) têm uma relação, como também os símbolos generativos Marte e da Lua. Marte-Mercúrio mostra o ponto que a divisão do Período Terrestre mais definitivamente indicado no Caduceu – um processo emancipador do animal para a alma intelectual – de servidão a autodomínio, como explicado na Filosofia Rosacruz. Mercúrio e a Lua (significadores da Mente) estão em proximidade. E a Lua (a Mente inferior instintiva) representa uma revolução com o mesmo nome, na última parte do qual, a humanidade do Período de Saturno dotado da parte superior do Corpo de Desejos do ser humano em formação com o núcleo de uma personalidade separada. A Lua reflete os raios do Sol (sua oitava) e Mercúrio executa um serviço semelhante que está sendo designado como o Sol físico portador da Luz.
Além dos Astros em vista, Urano e Netuno são, respectivamente, simbolizados pelo coração crucificado da Terra (afeição altruísta) e a tocha acesa (consciência cósmica) ou Divindade. O deus da guerra, semeador discordante no espaço, e o Ceifador Cronos ou TEMPO, são a ocasião em ambos os lados da câmara de aço desse vaso alquímico, caso contrário o campo hexagonal de simpatia e antipatia correlacionada com o Sexto Estrato da Terra (Veja Conceito Rosacruz do Cosmos – Diagrama 18).
O Mensageiro dos Deuses, Mercúrio e nosso satélite que vagueia, a Lua, estão devidamente posicionados nos instrumentos de movimento, os pés. As luzes caídas na figura são obviamente o Astro Lucífero (Marte) e a oitava esfera (Lua), enquanto o refletor mais exaltado é Mercúrio apesar da sua posição serviente.
Misturando as auras nesta atmosfera ensanguentada (ou ar), vemos os Espíritos Lucíferos marciais (reforçados pelas Forças das Trevas) dispostos contra as Legiões Lunares sob a Deus de Raça Jeovístico, e dentro da esfera de influência dos Mercurianos (Iniciadores): promovendo a mais importante ajuda para permitir ao Ego a aliar-se à sua natureza superior e, assim, manter o equilíbrio de poder.
Os Astros que difundem mais luz do Sol em nosso ser – o amor (Vênus) e a benevolência (Júpiter) – estão perto do trono da estrela do dia: radiante Vênus e com proporções generosas Júpiter, cujos nomes são dados para os próximos Períodos evolutivos – Júpiter seguinte ao Terrestre. Como focos, eles transmitem à humanidade receptiva, as ondas de sabedoria radioativas, e são liberadas enfrentando um pentágono (o caldeireiro do Cadinho) correspondente na terminologia Rosacruz ao Quinto ou Estrato Germinal da Terra (a Região do Pensamento Abstrato) em que queima a chama do criativo Espírito Humano – uma chama que é alimentada e vitalizada pelo altar – ou óleo essencial da planta.
Preeminente, acima de todos, o Sol, uma expressão física do Deus Trino no nosso Sistema Solar, acelerando em seu curso em espiral, a própria evolução e uma emanação de V-U-L-C-A-N-O (como os místicos dizem), a fonte invisível de vida – e LUZ.
[1] N.T.: Ou Sanatorium: se refere a um centro médico para tratamento de doenças diversas não contagiosas.
[2] N.T.: Board of Trustees
[3] Retirado do Rays from the Rose Cross, dezembro de 1929, pág. 598.
[4] Max Heindel no Livro Ensinamentos de um Iniciado, Cap. II
[5] N.T.: Board of Trustees
[6] N.T.: airedale terrier, oriunda do Reino Unido, é a maior raça entre os cães do tipo terrier.
[7] Rays, novembro 1938, pág. 515; fevereiro 1939, pág. 92.
[8] N.T.: Board of Trustees
[9] Nunca foi feito esta placa de reconhecimento
[10] Órgão eletromecânico desenvolvido e construído por Laurens Hammond.
[11] O antigo Sanitarium
[12] XEMO, que se designava a si própria como: “O grande farol Cristão da costa do Pacífico”, uma estação de Rádio que tinha orientação religiosa, que alcançava de Tijuana, Baja Califórnia, México e todo o sul da Califórnia.
[13] O oleandro (Nerium oleander), também conhecido como loendro, loandro, aloendro, loandroda-índia, alandro, loureiro-rosa, adelfa, espirradeira, cevadilha ou flor-de-são-josé, é uma planta ornamental extremamente tóxica. Suas flores podem ser brancas, róseas ou vermelhas. É uma planta pouco exigente se tratando de temperatura e umidade.
[14] Gênero que agrupa cerca de 200 espécies de fanerógamas da família Pittosporaceae. São árvores e arbustos que crescem de 2–30 m de altura.
[15] Veja o Adendo 10: O Símbolo da Capa dos Livros.
[16] Esta informação me foi passada por e-mail no dia 27 de janeiro de 2007 pelo Sr. David B. Johnson.
[17] Do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I, pergunta 180 – Max Heindel.
[18] Do Livro Ensinamentos de um Iniciado – Capítulo XXI – Max Heindel.
[19] Conforme cálculos de Max Heindel, no Livro Astrologia Cientifica Simplificada, a Era de Peixes começou aproximadamente a 498 A.c. e a Era de Aquário iniciará aproximadamente 2.156 anos depois, portanto, por volta de 2.654. Esta data foi calculada pela International Astronomical Union em 1929 em Leiden – Holanda, também por volta de 2600.
[20] Echoes, dezembro de 1914
[21] N.T.: Do Capítulo XIX, Iniciação do Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos de Max Heindel
[22] O desenvolvimento e características do Corpo Vital e do Corpo de Desejos estão explicados em dois livros de Max Heindel: The Vital Body (O Corpo Vital) e The Desire Body (O Corpo de Desejos).
[23] Na primeira e segunda edição do ‘Conceito Rosacruz do Cosmos’ tem o título The Rosicrucian Cosmo Conception or Occult Christianity (1909 e 1910) e 3ª (1911) e outras edições como subtítulo: Mystic Christianity. De fato, a última é errônea, mas foi escolhida a palavra Mística porque naquele tempo, e hoje ainda, com a palavra ocultismo imediatamente se pensa em espiritismo, uma forma negativa de desenvolvimento. Por isto aqui utilizo a palavra ‘esotérico’ como sinônimo de ocultismo.
[24] Max Heindel, no Livro: Iniciação Antiga e Moderna, Parte 2 – Capítulo: 1 e 7.
[25] Max Heindel, no Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas Volume II – Pergunta 156.
[26] Idem, pág. 441
[27] Veja capítulos 18 e 19 do Livro O Conceito Rosacruz do Cosmos para mais detalhes.
[28] NT: é o Curso Preliminar de Filosofia
[29] Michael Maier, Silentium post Clamores etc., Frankfrut 1617, citado por J. B. Craven em Count Michael Maier, Kirkwall 1910, pág. 67. “Igualmente aos Pitagóricos, os Rosacruzes também pedem um juramento de silêncio e segredo. Os ignorantes consideram isto uma ficção; mas isto vem dos cinco anos de provas onde aqueles, mesmo que candidatos especiais, são submetidos antes de serem admitidos aos mistérios maiores …”.
[30] Max Heindel, Conceito Rosacruz do Cosmos. Veja também de Max Heindel, Cristianismo Rosacruz, Conferência 11.
[31] Dion Fortune [sinônimo de Florence M. Firth]: Os versos dourados de Pitágoras, vers. 40-46; veja Adendo 8.
[32] Max Heindel, do Livro: Coletâneas de um Místico, Capítulo 1.
[33] I Coríntios 15:44-46
[34] ‘O número de nervos espinhais nos mamíferos é muito variável’. Escreveu o Prof. Dr. Wensing do Grupo de Investigadores de Morfologia de Utrecht, Holanda em junho de 1983. ‘Todos os mamíferos têm sete vértebras cervicais e oito nervos cervicais, a quantidade de vértebras torácicas e, portanto, os nervos torácicos variam muito. O cavalo, por exemplo, tem 18 nervos torácicos enquanto muitos outros animais têm 13 e o ser humano tem 12. Também a quantidade de nervos lombares e sagrados varia. Assim os carnívoros têm 7, o cavalo e o bovino 6, e o ser humano tem 5 nervos lombares. O número de nervos e ossos do sacro é 5 no ser humano, 4 nos bovinos e cavalos e 3 nos carnívoros. A quantidade de nervos e ossos da cauda é considerável em muitos animais. Conclusão: no ser humano o número de nervos raquidianos não é notavelmente grande. Outros mamíferos têm mais de 31-33 (dependendo das vértebras do cóccix) nervos raquidianos do que encontrados nos seres humanos. O cavalo, por exemplo, tem mais de 40 nervos espinhais’.
[35] Max Heindel, no Livro: Os Mistérios Rosacruzes
[36] O mesmo texto é encontrado no Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Volume II, pergunta 78.
[37] Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Volume II
[38] Sir Edward Bulwer Lytton, Zanoni, Amsterdam, 1924, pág. 249-250.
[39] Max Heindel, no Livro: A Teia do Destino.
[40] Chamado: Anjo ou demônio?
[41] Max Heindel, no Livro Cristianismo Rosacruz, Conferência nº 9, primeira página
[42] Max Heindel, no livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Volume II
[44] O dossiê do Sr. e Sra. Barkhurst.
[45] Mariage License of the County of Los Angeles; datada de 23 de junho de 1903.
[46] Thirteenth Census of the United States: 1910 – Population; for the township or other division of county: ‘San Antonio Township’, district 336, Location 522, number of family 528. (2 de maio de 1910).
[47] Certification of Vital Record; State of California; Department of Health Service; County of Riverside, City Hemet certificate 80-001120, local registered No 4 Full Name: Rollo Smith.
[48] A pergunta 25 é sobre o mesmo assunto.
[49] Rays from the Rose Cross, May 1916, páginas: 16 e 17. “The tie that binds”.
[50] Veja Adendo 9 a carta para Sra. Bauer, datada de 14-16 de outubro de 1911. ‘Desde que ele assumiu como Secretário Geral da Sociedade Teosófica perdeu sua relação com os Rosacruzes’.
[51] Livro Conceito Rosacruz do Cosmos, 2ª Edição, 1910
[52] Traduzido da versão de Kassel 1615: foi utilizado a tradução para Holandês de 1617, ambos impressos por Adolf Santing, Os Manifestos dos Rosacruzes, Amersfoort 1930; a versão revisada e acrescentada do texto em Alemão de Kassel 1914 com tradução para o Holandês por Pleun van der Kooij em: Fama Fraternitaties, Haarlem 1998.
[53] Naquela época havia 4 ‘classes’: nobreza, clero, burgueses e camponeses.
[54] Toda a Ciência naquela época era chamada de ‘arte’.
[55] R. Kienast escreve em seu livro: Johann Valentin Adreae und die vier echten Rosenkreutzer-Schriften, Leipzig 1926, pág 113,114, que Damcar, naquela época era escrito como Damar, fica em Iémen, um pouco ao sul de Sana e perto de Orthelius na Carta 113 e Carta Mercator 3c [duas cartas do início do século 17]. Adolf Santing no De Manifesten der Rozenkruisers, Amersfoort 1930, pag 58, acrescenta que Ortelius é um pseudônimo de Abraham Wortels e Mercator de Gerard Kremer. Gilly em Cimelia Rhodostaurotica, pág 80, acrescenta que uma famosa Carta Marina de Martin Waldseemuller, Strassburg 1516, tem escrito a palavra Damar. ‘Em tempos depois’, fala Santing, ‘o nome se muda para Dsemar, Dsimar e Damar’. Agora, 2009, se chama Dhamar, situado no Iémen, 14.33.03 N. Br. e 44.23.31 O.I.
[56] Pode ser traduzido como máximas.
[57] Os Signos do Zodíaco podem ser divididos pela Astrologia em 4 grupos de 3 Signos, denominados: Fogo, Terra, Ar e Água. Aqui se fala da Conjunção de Júpiter e Saturno no triângulo de fogo que são os Signos de: Áries, Leão e Sagitário.
[58] Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus Von Hohenheim (1493-1541) que se nomeou depois Paracelsus. Assim, Paracelso ou Paracelsus é o pseudônimo de Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim; ele foi um médico, alquimista, físico, astrólogo e ocultista suíço-alemão.
[59] Através da alquimia podia transmutar um metal nobre em, por exemplo, ouro.
[60] Rota Mundi, a roda do Mundo; uma cronologia harmoniosa do mundo em forma de uma tabela do tempo artística na qual todos os fatos históricos ocorridos estavam desenhados como também as profecias das que ainda virão. Isto foi descrito pela primeira vez por Raimundus Lullis (1235-1315) em seu Ars Magna.
[61] Deus Grego que conhecia o futuro, mas só revelava seu conhecimento se fosse forçado a isto.
[62] Gallia Narbonensis era uma província Romana no Sudeste da França. Narbona é hoje a cidade Narbonne.
[63] N.T.: A Alemanha, naquela época, era protestante e sofria o ataque dos exércitos católicos que vinham do Sul da Europa.
[64] Messing é uma junção de cobre e zinco. Quando tem de 30-40% de zinco é chamado de cobre amarelo; com no máximo 15% é chamado de cobre vermelho.
[65] No Fama o Confessio é mencionado três vezes; essa é a segunda vez.
[66] ‘Tesouro’, conforme a tradução holandesa de 1617. Veja Santing, De Manifesten der Rozenkruizers, pág. 228, linha 10 de cima.
[67] Mystische Hochzeit, O casamento místico.
[68] A IV Monarquia, era na época a Alemanha, Borgondia, Lombardia e Sicília com a liderança pelo Ksar Alemão, conforme Ir. A. A. W. Santing, com uma nota pessoal na pág. 121 em seu livro: De Manifesten der Rozenkruizers, Amersfoort 1930.
[69] Traduzido da Edição em Latim de Kassel 1615. Aqui foi usado: 1- A tradução em Holandês do Latim de E. Tinga, 1953/54; 2- A tradução em Alemão do Latim de Dr. F. Sander 1955; 3- A tradução em Alemão do Latim de K. Wurffel, 1978; 4- A tradução em Alemão do Latim de Karl Krane, 1978; todos conhecidos do Sr. P. van der Kooij. 5- A compilação em Holandês de P. van der Kooij, 1984.
[70] Precessão dos Equinócios; na Astrologia elas determinam as Eras, por exemplo, a próxima será a Era de Aquário em 2.360.
[71] Aqui, o senhor das profundezas
[72] A Serpente e o Cisne – A constelação de Serpentarius e Cygnus. Em 1602 foi encontrada uma nova estrela no Cisne e em 1604, Kepler descobriu uma nova estrela no pé da Serpente.
[73] Gilly diz em Joh. Valentin Andreae, Katalog einer Ausstellung, Amsterdam 1986, pág. 61: ‘As penas de águia, escritas no Confessio Fraternitatis, simbolizam naturalmente a Dinastia Austríaca, o que quer dizer principalmente a Monarquia Espanhola, como único e último pilar de apoio ao papado decadente. Veja também o livro apócrifo Ezra IV, capítulo 11 e 12.
[74] Aqui se refere ao médico Alemão de Hannover, Heinrich Khunrath (1560-1605) e seu livro: Amphiteatrum Sapientiae Solius Verae, Christiano-Kabbalisticum, Divino-Magicum, nec non Physico-Chymicum, que em 1609 apareceu em Hanau.
[75] Epiciclos e excêntricos (astronômicos).
[76] Traduzido da versão em Latim de Frankfort 1614. Aqui foi usada a tradução em holandês do Latim de A. A. W. Santing de seu De historische Rozenkruisers, Amsterdam [1977]. 2 Tradução do alemão Assertio oder Betatigung der Fraternitat R.C., Danzig 1616.
[77] O Assertio foi escrito originalmente como um poema em Latim.
[78] Frankfurt am Main, Frankfurt sobre o Meno ou Francoforte do Meno, mais conhecida simplesmente como Frankfurt ou Francoforte, é uma cidade alemã
[79] Aproximadamente 30 km ao norte de Strasbourg ou Estrasburgo, agora francesa, antigamente território alemão.
[80] Nurenberg, Nuremberga ou Nurembergue é uma cidade independente alemã.
[81] Morgendorf perto de Koblenz 50.29 N.B., 7.46.30 O.L. Nassau perto de Koblenz 50.18 N.B., 7.36 O.L.
[82] N.T.: Aquele S esquisito do alemão que parece um B.
[83] Neuwied perto de Koblenz 50.26 N. Br., 7.28 O.L.
[84] Rudolf Steiner, Beelden uit mijn jeugd (Imagens da minha adolescência), Zeist 1991, pág. 23. Rudolf Steiner, Mein Lebensgang (Minha jornada de vida) [GA 28] Dornach 1982, pág. 61.
[85] F. Rittelmeyer, Mein lebensbegegnung mit Rudolf Steiner (Início da minha vida com Rudolf Steiner), 1928, 10ª edição, 1983, pág. 103; Rudolf Steiner/Marie Steiner-von Sievers, Briefwechsel und Dokumente (Rudolf Steiner/Marie Steiner-von Sievers, troca de cartas e documentos) 1901-1925 [GA 262], Dornach 1967, Aufzeichnungen Rudolf Steiners geschrieben fur Edouard Schrure in Barr im Elsass, setembro de 1907, pág. 7, 8; Beitrage zur Rudolf Steiner Gesamtausgabe. Zur Kindheit und Jugend Rudolf Steiner. (Contribuições para despesas totais de Rudolf Steiner. Para a infância e juventude Rudolf Steiner) Nº 83/84, Dornach, Ostern 1984; Rudolf Steiner, Beelden uit mijn jeugd, (Imagens da minha juventude) Zeist 1991, pág. 23, 24; Rudolf Steiner, Briefe Band II (Rudolf Steiner, Coletânea de cartas) 1890-1925, Dornach 1987, pág. 50, carta nr. 269 para Friedrich Eckstein, Weimar, [fim] novembro 1890; Rudolf Steiner, Het Kristendom als mystiek feit (O Cristianismo como fato místico) e De mysterien van de oudheid (Os mistérios da antiguidade), com introdução de Eduard Schuré, Amsterdam 1912, página da introdução XV.
[86] Die Geheimwissenschaft im Umriss (A Ciência Secreta em esboço), Leipzig 1910, GA 13.
[87] O trabalho cooperativo intenso entre Steiner e Marie von Sivers foi o motivo dela se afastar de Steiner, na primavera de 1904, mas não se divorciou dele. Veja Christoph Lindenberg: Rudolf Steiner, Reinbek [rororo], 3ª edição 1994, edição de bolso, pág. 62.
[88] Marie von Sivers, também escrito como Sievers (1867-1948). Steiner se casa com ela no dia 24 de dezembro de 1914. Ela faleceu no dia 27 de dezembro de 1948.
[89] Norbert Klatt, Theosophie und Anthroposophie (Teosofia e Antroposofia), pág. 75.
[90] Hella Wiesberger, Rudolf Steiner esoterische Lehrtatigkeit (Ensinamento Esotérico de Rudolf Steiner), Dornach 1997, pág. 10 e 107.
[91] Rudolf Steiner, Mein Lebensgang (Minha jornada de vida), [GA 28], Dornach 1982, Capítulo 32, pág. 103.
[92] Wiesberger, pág. 11 e 107.
[93] Wiesberger, pág. 108.
[94] Wiesberger, pág. 239.
[95] Citado de Wiesberger, pág. 169.
[96] Veja Rudolf Steiner, Die Tempellegende und die Goldene Legende (A legenda do Templo e a legenda Dourada), [GA 93] Dornach 1982, 9 de dezembro de 1904, pág. 91 e seguintes.
[97] Rudolf Steiner: Mythen und Sagen. Okkulte Zeichen und Symbole (Mitos e Lendas. Sinais e Símbolos Ocultos), [GA 101], Keulen 29-12-1907, Dornach 1987, pág. 242.
[98] Wiesberger, pág. 170/1 e 280/1.
[99] Em: Zur Geschichte und aus den Inhalten der Erkenntniskultischen Abteilung der Esoterischen Schule (Sobre a história e os conteúdos da Escola Esotérica de conhecimento – Departamento de culto) 1904-1914, [GA 265], Dornach 1987, tem na pág. 79 uma cópia do recibo.
[100] Wiesberger, pág. 169.
[101] Zur Geschichte, etc., pág. 68.
[102] Wiesberger, pág. 23.
[103] Philosophie und Anthroposophie, GA 35, 24-10-1908.
[104] Rudolf Steiner, Von Jesus zu Christus (De Jesus para Cristo), [GA 11], Karlsruhe 6-10-1911, Dornach 12, pág. 58.
[105] Rudolf Steiner, Die okkulte Bewegung im neunzehnten Jahrundert, mit ihre Beziehung zur Weltkultur. (O movimento oculto no século XIX, com a sua relação com a cultura mundial.) [GA 254] Treze Palestras ministradas em Dornach entre 10 de outubro a 7 de novembro de 1915, Dornach 1986, pág. 49.
[106] N.T.: Rudolf Steiner, a partir da pesquisa Akasha. O Quinto Evangelho. Dezoito palestras, ou realizadas entre 1913-1914 em vários Estados, Dornach, 1922)
[107] N.T.: O ancião
[108] Rudolf Steiner/Marie Sivers, Briefwechsel und Dokumente (NT: Rudolf Steiner/Marie Sivers, Troca de cartas e documentos) 1901-1925, [GA 262] Dornach 1967, pág. 302.
[109] Charles Weber, The Heindel-Steiner Connection (N.T.: A Conexão Max Heindel-Steiner), Oceanside, California, 2ª Edição 2000.
[110] N.T.: Sociedades Secretas de todas as Épocas e Países
[111] C.W.Heckethorn, Geheime Gesllschaften, Geheimbund und Geheimlehren (N.T.: Sociedades secretas, estados secretos e ensinamentos secretos), Leipzig 1900; em 1997 surgiu uma réplica da edição de 1900, em Stuttgart.
[112] N.T.: Os Ensinamentos de grupos internos de H. P. Blavatsky para seus alunos pessoais
[113] N.T.: Os versos dourados de Pitágoras
[114] De Gulden Verzen van Pythagoras en andere Pythagoreesche fragmenten, uitgezocht em gerangschikt door Florence M. Firth, Amsterdam 1921, pág. 9. Título original The Golden Verses of Pythagoras and other Pythagorean Fragments, selected and translated by Florence M. Firth, London 1905. (N.T.: Os versos dourados de Pitágoras e outros fragmentos Pitagóricos, selecionados e organizados por Florence M. Firth).
[115] Os leitores aqui interessados são indicados ao trabalho de H. J. Spierenburg, um Teósofo de Den Haag, que fez uma pesquisa muito ampla entre outros sobre as denominações das Regiões Cósmicas e Hierarquias com as denominações feitas por A.A. Bailey, Dr. A. Besant, H.P. Blavatsky, F.L. Gardner, M. Heindel, C. Jinarajadasa, Dr. G. de Purucker, A.P. Sinnet, Dr. R. Steiner, K. Tingley e os cabalistas. Veja mais em três artigos dele: Dr. Steiner over Helena Petrovna Blavatsky, em Teosofia de outubro de 1985; Dr. Rudolf Steiner over de Mahatma´s, parte I e parte II, em Teosofia, de maio 1986 e agosto 1986. E Dieter Ruggeberger, Theosophie und Anthroposophie im Licht der Hermetik (N.T.: Teosofia e Antroposofia na luz da Hermética), Wuppertal 1999.
[116] Max Heindel, Leeringen van een Ingewijde (N.T.: Ensinamentos de um Iniciado), Haarlem 1931, pág. 115. E na carta à Sra. Bauer datada de 14/16 de outubro de 1991; veja: Adendo 9. Veja também: Rudolf Steiner, Vor dem Tore der Theosophie (N.T.: Ante os Portões da Teosofia), [Tb 659 & GA 95]. Dornach 1991 – Edição de bolso – pág. 49.
[117] Van Dale, Groot woordenboek der Nederlandse Taal (N.T.: O Grande Dicionário da Língua Holandesa), Utrecht 1999.
[118] Rudolf Steiner, Die Theosophie des Rosenkreuzers, Vierzehn Vortrage, gehalte in Munchen vom 22. Mai bis 6. Juni 1907 (N.T.: Teosofia dos Rosacruzes, catorze palestras; realizou-se em Munique de 22 de maio até 06 de junho de 1907), [GA 90], Dornach 1962, pág. 30-31.
[119] Diagramas 4 e 5 (em todas as Edições) do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Fraternidade Rosacruz.
[120] N.T.: do Livro: O Conceito Rosacruz do Cosmos – Fraternidade Rosacruz
[121] N.T.: Die Theosophie des Rosenkreuzers
[122] Rudolf Steiner, Die Theosophie des Rosenkreuzers, pág. 151
[123] Rudolf Steiner, Die Erkenntnis des Ubersinnlichen in unserer Zeit und deren Bedeutung fur das heutige Leben. (N.T.: O conhecimento do suprassensível em nosso tempo e sua importância para a vida contemporânea) [GA 55], Dornach 1959, pág. 199
[124] Max Heindel, Sprokkelingen van een mysticus (N.T.: Livro Coletâneas de um Místico), Haarlem 1934, pág. 219.
[125] Max Heindel, Rozekruiserschristendom (N.T.: Cristianismo Rosacruz), Rotterdam mesmo ano, introdução 11, pág. 4-7.
[126] Na 14ª Palestra, Stuttgart, 4 de setembro de 1906. Edição de bolso nº 659, 1991, pág. 147. Em uma Palestra, dada quatro meses antes, no dia 21 de abril de 1906 em Munique, sobre ‘o interior da Terra’, Steiner explica primeiro as sete camadas da Terra. Quando ele as explicou, em relação às sete Iniciações (nos Mistérios Menores), ele fala que existem mais duas camadas. A 8ª ‘fragmentada’. ‘Nesta região é onde está todas as coisas que são discordantes, tudo o que é imoral, todo o descontentamento. Tudo lá se separa. É o oposto do amor. Se o Mago Negro consegue entrar lá – e do que está dentro de seu alcance – então, o mal nele ficará ainda maior … A nona e última camada é, como se fosse, a moradia do Espírito Planetário’ – R. Steiner, Das christlische Mysterium (Os Mistérios Cristãos), [GA 97], Dornach 1981, pág. 279-282.
[127] Livro: O Conceito Rosacruz do Cosmos, Capítulo 18.
[128] Veja: Iniciação Antiga e Moderna, as últimas duas páginas; Conceito Rosacruz do Cosmos, Capítulo III e Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Parte I, pergunta nº 113 – Max Heindel, O Cordão Prateado e o Átomo-semente, Capítulo 4.
[129] N.T.: Kundaliní é uma energia física, de natureza neurológica, concentrada na base da coluna; O termo é feminino, deve ser sempre acentuado e com pronúncia longa no í final. Muitos por a considerarem sagrada, grafam o nome com “K” maiúsculo.
[130] Uber die astrale Welt und das Devachan (Sobre o mundo astral e o Devachan), [GA 88], Dornach 1999, pág. 237-238.
[131] Rudolf Steiner, Das esoterische Christentum und die geistige Fuhrung der Menschheit (N.T.: Cristianismo Esotérico e a liderança espiritual da humanidade), [GA 130], Dreiundzwanzig Einzelvortrage aus dem Jahren 1911 und 1912, gehalten in verschiedenen Stadten (N.T.: Vinte e três palestras individuais a partir de 1911 e 1912, realizada em diferentes cidades), Dornach 1995, Das rosenkreuzerische Christentum (O Cristianismo Rosacruz), Neuchatel, 27 de setembro de 1911, pág. 58.
[132] A mesma fonte citada no item anterior, pág. 57.
[133] Em: Rudolf Steiner, Von Jesus zu Christus (N.T.: De Jesus para Cristo), [GA 131], Ein Zyklus von zehn Vortragen mit einem vorangehenden offentlichen Vortrag gehalte in Karlsruhe vom 4. bis 14. Oktober 1911 (N.T.: Um ciclo de dez palestras com uma palestra pública anterior realizada em Karlsruhe outubro 04-14, 1911), pág. 58.
[134] Max Heindel, De Wereldbeschouwing der Rozenkruisers (N.T.: Conceito Rosacruz do Cosmos), Den Haag 2000, pág. 209.
[135] Max Heindel, De Wijsbegeerte der Rozenkruisers in Vragen en Antwoorden deel 2 (NT: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, volume 2), Den Haag 1990, pág. 201.
[136] Max Heindel, De Wijsbegeerte der Rozenkruisers in Vragen en Antwoorden deel 2 (NT: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, volume 2), Den Haag 1990, pág. 410.
[137] Rudolf Steiner, Wie erlangt man Erkenntnisse der hoheren Welten (N.T.: Como saber o conhecimento dos mundos superiores). [GA 10] 1903/04. Os últimos dois capítulos. E Rudolf Steiner, De wetenschap van de geheimen der ziel (N.T.: A Ciência dos segredos da Alma), [Tb 601] Capítulo 5.
[138] Max Heindel, Het web van het lot (N.T.: A Teia do Destino), Amsterdam 1928, Capítulo 3, pág. 21.
[139] Max Heindel, Vragen en Antwoorden (N.T.: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas), Volume 2, pág. 404.
[140] N.T.: A partir de pesquisas Akasha. O Quinto Evangelho
[141] Palestras dadas em 1913, em Kristiana [GA 148]
[142] Die Theosophie des Rosenkreuzers, Pág. 43.
[143] Max Heindel, Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Volume 2, pergunta 66.
[144] No Livro: Conceito Rosacruz do Cosmos.
[145] Rudolf Steiner, Zur Geschikte und aus den Inhalten der ersten Abteilung der Esoterische Schule, 1904-1914. (N.T.: Sobre a história e os conteúdos da Escola Esotérica, 1904-1914 Primeira Divisão) [GA 264] Dornach 1984. E: Zur Geschikte und aus den Inhalten der erkenntniskultischen Abteilung der Esoterische Schule, 1904-1914. (N.T.: Sobre a história e os conteúdos da Escola Esotérica, 1904-1914 de conhecimento Departamento de culto) [GA 265], Dornach 1987.
[146] Do Livro Ensinamentos de um Iniciado – Max Heindel.
[147] Max Heindel, De mysterien van het Rozenkruis (N.T.: Os Mistérios Rosacruzes), Amsterdam 1926, pág. 6.
[148] Isto foi em 20 de outubro de 1902.
[149] Veja esta carta no Adendo 9 – Troca de cartas entre Max Heindel, Laura Bauer e Hugo Vollrath.
[150] Max Heindel, Sprokkelingen van een mysticus (N.T.: Coletâneas de um Místico), Haarlem 1934, pág. 13.
[151] Veja Adendo 9, a carta para a Sra. Bauer, datada de 14/16 de outubro de 1911
[152] Uma cópia das 2 cartas datadas 23-12-1910 e 14/16-10-1911 já estavam em meu poder, mas no dia 24-12-2002 recebi do Sr. Charles Weber, de Oceanside, cópias da troca completa de cartas.
[153] Max Altmann em Leipzig, o editor de Steiner que, após conversar com Steiner sobre isto, foi obrigado a se retirar. Veja capítulo 4 para mais informações.
[154] Hugo Vollrath, em Leipzig.
[155] N.T.: Escrito por James Russell Lowell (1819-1891) foi um poeta romântico, crítico, satírico, escritor, diplomata e abolicionista dos Estados Unidos da América.
[156] The Rosicrucian Cosmo-Conception, ou O Conceito Rosacruz do Cosmos.
[157] N.T.: Renascimento
[158] N.T.: Reencarnação
[159] N.T.: Átomo-semente
[160] N.T.: Átomo de germe
[161] N.T.: habilidade de brotar
[162] N.T.: Carne, Transporte, Corpo
[163] N.T.: Veículo
[164] N.T.: Forças Construtoras
[165] N.T.: Selva
[169] N.T.: Alma Intelectual
[170] No dia 20 de outubro de 1902
[171] N.T.: Ao bom entendedor
[172] N.T.: Uma Palavra ao Sábio
[173] Uma cópia dos dados originais me foi dada pelo Sr. A. G. Gstaltner, Jr. de Viena.
[174] U. Neumann, Daniel Mogling, pág. 104.
[175] W. Begemann, ‘Bemerkungen zu einigen Rosenkreuzerschriften’ in Felix Seckt (Herausgeber), Zirkelcorrespondenz unter den Johannis-Logenmeister der Grossen Landesloge der Freimaurer von Deutschland, (N.T.: ‘Comentários sobre alguns escritos Rosacruzes’ em Felix Seckt (Editor), Correspondência circular entre Johannis- Mestre da Loja do Grande National Lodge dos Maçons da Alemanha), Berlin 1896, Heft 4, pág. 249-299.
[176] P. F. W. Huijs, ‘Compêndio dos Escritos Rosacruzes em Imagens’, uma introdução, de John van Schaik, De Rozekruisers ontsluierd, (N.T.: Rosacruzes desvendados) Zeist 1994, pág. 88-91.
[177] Fama Fraternitatis R.C. etc, Kassel 1615, pág. 102.
[178] Veja: Max Heindel, no Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas parte II, pergunta 134.
[179] N.T.: Acre de Deus é um termo em Inglês para um cemitério, especificamente terra de enterro. A palavra vem do Alemão Gottesacker (Campo de Deus) uma designação antiga para um cemitério. A utilização de “acre” não está relacionada com a unidade de medição “acre” e pode ser de qualquer tamanho. No início do século 17, o termo foi usado como uma tradução do alemão, mas até o final do século, ela foi aceita como um termo em Inglês.
[180] N.T.: nome comum de flores pertencentes à família da Pulsatilla.
[181] N.T.: A ordem Hymenoptera é um dos maiores grupos dentre os insetos, compreendendo as vespas, abelhas e formigas.
[182] N.T.: a abelha-europeia
[183] N.T.: Labarum: a bandeira de Constantino o Grande, com a coroa, a cruz e o nome de Jesus enfeitado.
[184] N.T.: Sátiro na mitologia grega, era um ser da natureza com o corpo metade humano e metade bode. Equivale ao fauno da mitologia romana.
[185] N.T.: Um tirso era um bastão envolvido em hera e ramos de videira e encimado por uma pinha.
“Quando investigamos o significado de qualquer mito, lenda ou símbolo de valor oculto é absolutamente necessário entendermos que, assim como todo objeto do mundo tridimensional deve ser examinado de todos os ângulos para dele obtermos uma compreensão completa, igualmente todos os símbolos têm também certo número de aspectos. Cada ponto de vista revela uma fase diferente das demais, e todas merecem igual consideração.
“Visto em toda sua plenitude, este maravilhoso símbolo contém a chave da evolução passada do ser humano, sua presente constituição e desenvolvimento futuro, mais o método de sua obtenção. Quando ele se apresenta com uma só rosa no centro simboliza o espírito irradiando de si mesmo os quatro veículos: os Corpos Denso, Vital, de Desejos e a Mente significando que o espírito entrou em seus instrumentos, convertendo-se em Espírito Humano interno. Contudo, houve um tempo em que essa condição ainda não havia sido alcançada, um tempo em que o Tríplice Espírito pairava acima dos seus veículos, incapaz de neles entrar. Então a cruz erguia-se sem a rosa, simbolizando as condições prevalecentes no começo da terça parte da Época Atlante. Houve também um tempo em que faltava o madeiro superior da cruz. A constituição humana era, pois, representada pela Tau (T), isto na Época Lemúrica, quando o ser humano só dispunha dos Corpos Denso, Vital e de Desejos e carecia da Mente. O que predominava, então, era a natureza animal. O ser humano seguia os seus desejos sem reserva. Anteriormente ainda, na Época Hiperbórea, só possuía os Corpos Denso e Vital, faltando o de Desejos. Então o ser humano, em formação, era análogo às plantas: casto e sem desejos. Nesse tempo sua constituição não podia ser representada por uma cruz; era simbolizada por uma coluna reta, um pilar (I).
“Este símbolo foi considerado fálico, indicando a libertinagem do povo que o venerava. Por certo é um emblema de geração, mas geração não é absolutamente sinônimo de degradação. Longe disso. O pilar é o madeiro inferior da cruz, símbolo do ser humano em formação, quando era análogo às plantas. A planta é inconsciente de toda paixão ou desejo e inocente do mal. Gera e perpetua sua espécie de modo tão puro, tão casto, que propriamente compreendida, é um exemplo para a decaída e luxuriosa humanidade, a qual deveria venerá-la como um ideal. Aliás, o símbolo foi dado às raças primitivas com esse objetivo. O Falo e o Yona, empregados nos Templos de Mistério da Grécia, foram dados pelos Hierofantes com esse espírito. No frontispício do templo colocavam-se as enigmáticas palavras: “Ser humano, conhece a ti mesmo”. Este lema, bem compreendido, é análogo ao da Rosacruz, pois mostra as razões da queda do ser humano no desejo, na paixão e no pecado, e dá a chave de sua liberação do mesmo modo que as rosas sobre a cruz indicam o caminho da libertação.
“A planta é inocente, porém, não virtuosa. Não tem desejos nem livre escolha. O ser humano tem ambas as coisas. Pode seguir seus desejos ou não, conforme queira, para aprender a dominar-se.
“Enquanto foi como as plantas, um hermafrodita, ele podia gerar por si, sem cooperação de outrem; mas ainda que fosse tão inocente e tão casto como as plantas, ele era também como elas: inconsciente e inerte. Para poder avançar, necessitava que os desejos o estimulassem e uma Mente o guiasse. Por isso, a metade de sua força criadora foi retida com o propósito de construir um cérebro e uma laringe. Naquele tempo o ser humano tinha a forma arredondada. Era curvado para dentro, semelhante a um embrião, e a laringe atual era, então, uma parte do órgão criador, aderiu à cabeça quando o corpo tomou a forma ereta. A relação entre as duas metades pode-se ver ainda hoje na mudança de voz do rapaz, expressão do polo positivo da força geradora, ao alcançar a puberdade. A mesma força que constrói outro corpo, quando se exterioriza, constrói o cérebro quando retida. Compreende-se isso claramente ao sabermos que o excesso sexual conduz à loucura. O pensador profundo sente pouquíssima inclinação para as práticas amorosas, de modo que emprega toda sua força geradora na criação de pensamentos, ao invés de desperdiçá-la na gratificação dos sentidos.
“Quando o ser humano começou a reter a metade de sua força criadora para o fim já mencionado, sua consciência foi dirigida para dentro, para construir órgãos. Ele podia ver esses órgãos, e empregou a mesma força criadora, então sob a direção das Hierarquias Criadoras, para planejar e executar os projetos dos órgãos, assim como agora a emprega no mundo externo para construir aeroplanos, casas, automóveis, telefones, etc. Naquele tempo o ser humano era inconsciente de como a metade daquela força criadora se exteriorizava na geração de outro corpo.
“A geração efetuava-se sob a direção dos Anjos, que em certas épocas do ano, agrupavam os humanos aptos em grandes templos, onde se realizava o ato criador. O ser humano era inconsciente desse fato. Seus olhos ainda não tinham sido abertos, e embora fosse necessária a colaboração de uma parceira, que tivesse a outra metade ou o outro polo da força criadora indispensável à geração, cuja metade ele retinha para construir órgãos internos, em princípio não conhecia sua esposa. Na vida ordinária o ser humano estava encerrado dentro de si, pelo menos no que tangia ao Mundo Físico. Isto, porém, começou a mudar quando foi posto em íntimo contato, como acontece no ato gerador. Então, por um momento, o espírito rasgou o véu da carne e Adão conheceu sua esposa. Deixou de conhecer-se a si mesmo, quando sua consciência se concentrou mais e mais no mundo externo, perdendo ele sua percepção interna, a qual não poderá ser readquirida plenamente enquanto necessitar da cooperação de outro ser para criar, e não tenha alcançado o desenvolvimento que lhe permita utilizar, de novo e voluntariamente, toda sua força criadora. Então voltará a conhecer-se a si mesmo, como no tempo em que atravessava o estágio análogo ao vegetal, mas com esta importantíssima diferença: usará sua faculdade criadora conscientemente, e não será restringido a empregá-la só na procriação de sua espécie, mas poderá criar o que quiser. Outrossim, não usará os seus atuais órgãos de geração: a laringe, dirigida pelo espírito, falará a palavra criadora através do mecanismo coordenador do cérebro. Assim, os dois órgãos, formados pela metade da força criadora, serão os meios pelos quais o ser humano se converterá finalmente em um criador independente e autoconsciente.
“Mesmo presentemente, o ser humano já modela a matéria pela voz e pelo pensamento ao mesmo tempo, como vimos nas experiências científicas em que os pensamentos criaram imagens em placas fotográficas, e noutras em que a voz humana criou figuras geométricas na areia (em cima de uma placa de vidro), etc. Em proporção direta ao altruísmo que demonstre, o ser humano poderá exteriorizar a força criadora que retiver. Isto lhe dará maior poder mental e o capacitará a utilizar-se de tal poder na elevação dos demais, ao invés de tentar degradá-los e sujeitá-los à sua vontade. Aprendendo a dominar-se, cessará de tentar dominar aos outros, salvo quando o fizer temporariamente para o bem deles, jamais para fins egoísticos. Somente aquele que se domina está qualificado para orientar aos demais e, quando necessário, é competente para julgá-los no modo que melhor lhes convenha.
“Vemos, portanto, que, a seu devido tempo, o atual modo passional de geração será substituído por um método mais puro e mais eficiente que o atual. Isto também está simbolizado pela Rosacruz, em que a rosa se situa no centro, entre os quatro braços. O madeiro mais comprido representa o corpo; os dois horizontais, os dois braços; e o madeiro curto superior representa a cabeça. A rosa está colocada no lugar da laringe.
“Como qualquer outra flor, a rosa é o órgão gerador da planta. Seu caule verde leva o sangue vegetal, incolor e sem paixão. A rosa de cor vermelho-sangue mostra a paixão que inunda o sangue da raça humana, embora na rosa propriamente dita o fluido vital não seja sensual, mas sim casto e puro. Ela é, por conseguinte, excelente símbolo dos órgãos geradores em seu estado puríssimo e santo, estado que o ser humano alcançará quando haja purificado e limpo seu sangue de todo desejo, quando se tenha tornado casto e puro, análogo a Cristo.
“Por isso os Rosacruzes esperam, ardentemente, o dia em que as rosas floresçam na cruz da humanidade; por isso os Irmãos Maiores saúdam a alma aspirante com as palavras de saudação Rosacruz: “Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz”; e é por este motivo que essa saudação é usada nas reuniões dos Núcleos da Fraternidade pelo dirigente, ocasião em que os Estudantes, Probacionistas e Discípulos presentes respondem à saudação dizendo: “E na vossa também”.
“Ao falar de sua purificação, São João (IJo 3: 9) diz que aquele que nasce de Deus não pode pecar, porque guarda dentro de si a sua semente. Para progredir é absolutamente necessário que o aspirante seja casto. Todavia, deve-se ter bem presente que a castidade absoluta não é exigida enquanto o ser humano não tenha alcançado o ponto em que esteja apto para as Grandes Iniciações, e que a perpetuação da raça é um dever que temos para com o todo. Se estivermos aptos: mentalmente, moralmente, fisicamente e financeiramente, podemos executar o ato da geração, não para gratificar a sensualidade, mas como um santo sacrifício oferecido no altar da humanidade. Tampouco deve ser realizado austeramente, em repulsiva disposição mental, mas sim numa feliz entrega de si mesmo, pelo privilégio de oferecer a algum amigo que esteja desejando renascer, um corpo e ambiente apropriados ao seu desenvolvimento. Desse modo estaremos também o ajudando a cultivar o florescimento das rosas em sua cruz”[2].
Sobre os símbolos nos livros, a senhorita Lizzie Graham escreveu, na Rays de janeiro de 1919 na página 358, o seguinte: “Quantas vezes não olhamos para a capa do Conceito Rosacruz do Cosmos e as outras publicações e percebemos que é um bom projeto e bem singular. E nos perguntamos quem o desenvolveu e se tem algum significado. O que segue são os pensamentos de alguém que, por várias vezes, tentou interpretá-lo.
Do lado inferior da capa tem duas flores-de-lis, simbolizando a Trindade Divina: Pai, Filho e Espírito Santo. Contudo, como na Época aqui proposta somente o Pai e o Espírito Santo estavam ativos, temos apenas duas folhas da flor pintadas de vermelho e, portanto, indicando energia.
Vemos os seres criados como duas linhas subindo, por um tempo, com dois Corpos ativos, os Corpos Denso e Vital. Contudo, depois de um tempo o Corpo de Desejos é acrescentado, representado pelo vermelho das linhas que sobem[3].
Apesar das linhas parecerem iguais, elas são totalmente diferentes. A do lado esquerdo, em nossa literatura conhecidos como os filhos de Caim, estão repletos de energia positiva e são os artesãos no mundo, os maçons, que abrem o seu caminho através da vida ultrapassando os obstáculos, pois sabem que isso reforça o caráter. Eles trabalham com o intelecto, demonstrado pela lâmpada que tem nove raios saindo da chama, que escolheram o caminho positivo, por meio do estudo esotérico.
O outro lado desenvolve o lado coração da vida. A chama divina tem apenas oito raios, um caminho negativo (passivo). Eles, que seguem este caminho, querem um líder, alguém para seguir, alguém para adorar. Eles são as pessoas da Igreja e que obedecem aos ensinamentos de seus líderes.
As linhas de vida seguem para cima, lado a lado, até que chega um ponto em que os sábios e os amorosos que lideram a nossa evolução decidem que, para continuar esta evolução, é necessário unir as duas linhas, e tem o plano de conseguir isto por meio da construção de um Templo, para os crentes, pelos artesãos e que as duas linhas irão se unir em um místico mar fundido. Podemos ver este impulso maravilhoso pelo cálice que em ambos os lados sobe, preenchido com o vermelho do vinho da vida. Pode se ler esta história na construção do Templo do Rei Salomão. Este plano foi frustrado pela traição dos filhos de Seth que ficam do lado direito. A seguir eles se afastaram um do outro mais do que em qualquer tempo antes.
Um estado grave é demonstrado pelo fato de alguns caírem no materialismo. Contudo, a raça humana continua vivendo e progredindo, o crente e o cientista, o místico e o ocultista, cada um seguindo seu caminho, independente do outro, até que foi atingido um estado tal de materialismo que os líderes espirituais viram um grande perigo para o futuro. Para impedir que o plano de desenvolvimento fosse frustrado, foi permitido a destruição em massa de corpos dos seres humanos. Veja a ruptura em ambos os lados. Contudo, este desastre tem o efeito desejado; vemos, agora, uma grande força e ambos os lados se viram novamente em direção um do outro, onde logo conseguirão se unir.
Embaixo vemos mais um símbolo, tão pequeno que pode ser negligenciado facilmente. Aqui está uma cruz preta pequena, que representa o Corpo Denso. Numa ampliação da cabeça da cruz vemos um coração. Coração e Cabeça se reconciliaram, e a consequência pode ser vista no feixe de propagação, no Corpo-Alma resultante.
Mas, outro símbolo está bem no meio, a Rosacruz. O braço inferior representa a vida vegetal, que recebe o alimento pela raiz. Um dia, fomos como as plantas. Os braços que cruzam são o símbolo de nossa passagem pelo estágio animal, com sua espinha horizontal. O braço superior representa a Mente que é a característica do ser humano, e a linda estrela simboliza o Dourado Manto Nupcial que nos tornará divinos”.
Como a Sede Central recebeu algumas perguntas de porque a rosa branca não está desenhada na versão do Emblema da Fraternidade que aparecem nos livros, cartas, envelopes e etc., foi explicado na edição do Echoes de julho de 1985: “A rosa branca simboliza pureza de coração e também a laringe com a qual o ser humano, quando estiver puro, falará a palavra criadora; é a parte mais sagrada do emblema. Ela atrai e emite uma força que deve ser admirada com muito respeito. Por esta razão consideramos inadequado imprimir a rosa branca na versão do emblema que é utilizado em produtos materiais, comerciais e anexos dos trabalhos da Fraternidade. O emblema que permanece na Capela e no Templo em Mount Ecclesia, que contém a rosa branca, é coberto por uma cortina que a tira da vista, e apenas durante algumas ocasiões como nos rituais do templo e de cura. O emblema na Capela do Setor de Cura, que também contém uma rosa branca, está constantemente descoberto. Contudo, esta capela é visitada apenas por pessoas que sinceramente e conscientemente rezam pela sua cura, ou por aqueles que urgentemente pedem por auxílio espiritual”.
Where are you going my pretty Maid?[4]
Celebrated
English Ditty
Of the olden time
With
New symphony & accompaniment
By
R. Gaythorne
London composed by I. Nathan.
W. Marshall & Co.
7 Prince St.
Oxford Circus. W.
‘Where are you going, my pretty maid?
Where are you going, my pretty maid?’
‘I´m going a milking’, ‘sir’, she said,
‘sir’, she said, ‘sir’, she said.
‘I´m going a milking’, ‘sir’ she said.
‘Shall I come with you, my pretty maid?
Shall I come with you, my pretty maid?’
‘Oh, yes, if you please’, kind ‘sir’, she said.
‘sir’, she said, ‘sir’, she said.
‘Oh, yes, if you please’, kind ‘sir’, she said.
‘What is your father, my pretty maid?
What is your father, my pretty maid?’
‘My father ´s a farmer’, ‘sir’, she said.
‘sir’, she said, ‘sir’, she said.
‘My father ´s a farmer’, ‘sir’, she said.
‘Shall I marry you, my pretty maid?
Shall I marry you, my pretty maid?’
‘Oh, yes, if you please, kind sir’, she said.
‘sir’, she said, ‘sir’, she said.
‘Oh, yes, if you please, kind sir’, she said.
‘And what is your fortune, my pretty maid?
And what is your fortune, my pretty maid?’
‘My face is my fortune, sir’, she said,
‘sir’, she said, ‘sir’, she said.
‘My face is my fortune, sir’, she said.
‘Then I can´t marry you, my pretty maid,
Then I can´t marry you, my pretty maid.’
‘Nobody axed you, sir’, she said,
‘sir’, she said, ‘sir’, she said.
‘Nobody axed you, sir’, she said.
TRADUÇÃO
Para onde está indo, minha querida menina?
“Para onde está indo, minha querida menina?”
“Para onde está indo, minha querida menina?”
“Eu vou tirar leite, senhor”, disse ela.
“Senhor”, ela disse, “senhor”, ela disse
“Posso ir com você, minha querida menina?
Posso ir com você, minha querida menina?”
Claro, se o senhor assim quiser, senhor, disse ela.
O que o seu pai faz, minha querida menina?
Meu pai é fazendeiro, senhor, disse ela.
Posso me casar com você, minha querida menina?
Com certeza, se o senhor assim quiser, senhor, disse ela.
E qual é a sua fortuna, minha querida menina?
Meu rosto é a minha fortuna, senhor, disse ela.
Então não poderei me casar com você, minha querida menina.
Ninguém pediu isto, senhor, disse ela.
BEN BOLT[5] Or Oh! Don´t you remember
A
Ballad
Ent. Sta. Hall
London
Published by R. Mills,
140 New Bond St.
Oh! Don´t you remember sweet Alice, Ben Bolt,
Sweet Alice with hair so brown;
She wept with delight when you gave her a smile,
And trembled with fear at your frown:
In the old churchyard, in the valley, Ben Bolt,
In a corner obscure and alone,
They have fitted a slab of granite so grey,
And sweet Alice lies under the stone.
Oh! Don´t you remember the wood, Ben Bolt,
Near the green sunny slope of the hill;
Where oft we have sung ‘neath its wide spreading shade,
And kept time to the click of the mill:
The mill has gone to decay, Ben Bolt,
And a quiet now reigns all around,
See the old rustic porch with it roses so sweet,
Lies scatter´d and fallen to the ground.
Oh! Don´t you remember the school, Ben Bolt,
And the master so kind and true;
And the little nook by the clear running brook,
Where we gather´d the flow´rs as they grew:
On the master´s grave grows the grass, Ben Bolt,
And the running little brook is now dry,
And of all the friends, who were school mates then,
There remain Ben, but you and I.
TRADUÇÃO
BEN BOLT
Ou
Oh, você não se lembra?
Uma balada
Oh, você não se lembra da doce Alice, Ben Bolt,
A doce Alice dos cabelos castanhos?
Ela chorou de alegria quando você lhe deu um sorriso,
E tremia de medo de seu olhar severo:
No antigo cemitério, no vale, Ben Bolt,
Em um canto escuro e sozinho,
Colocaram uma laje de granito tão cinza,
E Alice se encontra sob aquele granito.
Oh! Você não se lembra do bosque, Ben Bolt,
Perto da encosta verde da colina ensolarada;
Onde várias vezes cantamos em sua sombra tão ampla,
E marcávamos o tempo com o clique do moinho:
O moinho está em decadência, Ben Bolt,
E agora domina o silêncio por toda parte,
O antigo portão rústico com suas rosas
Agora está caído no chão.
Oh! Você não se lembra da escola, Ben Bolt,
E o mestre tão amável e sincero
E o pequeno recanto junto ao rio de águas límpidas
Onde nós colhíamos as flores, que cresciam lá?
Na sepultura do mestre cresce a grama, Ben Bolt,
E o riozinho agora está seco
E de todos os amigos, que foram colegas de escola,
Somos nós Ben, os únicos que sobramos.
Aqui segue alguns mapas natais de pessoas e acontecimentos presentes nesta biografia, pelo que eu primeiramente focalizo ao leitor que é conhecedor de Astrologia[6].
Deve se notar que foi utilizado o sistema de Casas de Campanus, que Plutão é conhecido como pertencente à Áries, e é utilizado 35 Aspectos, onde o funcionamento é demonstrado da melhor forma possível. Estes Aspectos estão fundados no trabalho de Johannes Kepler ‘A Harmonia do Mundo’, livro 4, capítulo 5[7].
A Lua foi calculada para sua posição exata (eliminação da paralaxe); os Mapas de: Studion, Hess, Haslmayr, Andreae e Fludd foram calculados com o ajuste do tempo, o que é necessário para aquele período, e as datas foram transformadas para o calendário gregoriano ou tempo moderno.
Na tabela acima estão exibidos: os graus, símbolos, operação + ou – e a órbita. Os símbolos dos Aspectos, para os que não existiam, foram desenvolvidos por mim. As progressões e eventuais correções do momento do nascimento foram calculados pela chave: 1 ano tropical ou solar é igual a 1 dia solar.
Adendo 12 – Mapas Natais: Simon Studion
Simon Studion nasceu, pelo calendário antigo, no dia 6 de março de 1543, entre 6 e 7 horas em Urach, 48.30.00 N.Br. e 9.24.12 O.L. Conforme nosso tempo moderno isto foi 10 dias depois, portanto, no dia 16 de março de 1543. Oficialmente o calendário antigo ou Juliano terminou em 15 de outubro de 1582. Então entrou o calendário gregoriano, ou moderno, porque o antigo estava 10 dias atrasado. Embora nem todos os países fizesse a mudança para o calendário moderno, todos os programas de computador calculam automaticamente os nascidos antes de 15 de outubro de 1582 para o calendário moderno. Isto significa que para Simon Studion devemos inserir a data conforme o calendário antigo, e também suas progressões.
Para calcular a data exata do nascimento foram utilizadas as seguintes informações:
Adendo 12 – Mapas Natais: Tobias Hess
Em seu elogio a Tobias Hess – um homem sem igual-imortal[12] – Johann Valentin Andreae escreveu sobre seu amigo Tobias Hess: ‘É preciso imaginar um homem de postura ereta, com uma testa sem rugas, olhos vivos, nariz afilado, um rosto amigável, mãos delicadas, membros poderosos e sempre cheio de movimento’. Ele nasceu em 10 de fevereiro de 1568[13], em Neurenberg. Seu pai era Frederik Hess, senador em Neurenberg. Ele estudou direito e seguiu esta profissão por um tempo. Ele também aprendeu Hebreu, Grego e Latim e se dedicava à poesia, história, mecânica e matemática. Ele também tentou construir um movimento perpétuo. Sua mãe despertou nele o interesse pela medicina, por meio de seu farmacêutico. Ele também se tornou um excelente teólogo. Ele tinha uma memória louvável e citava páginas inteiras da Bíblia, tanto em Alemão quanto em Latim. ‘Nesse meio tempo sua Casa se tornou bem povoada, graças à fertilidade de sua esposa’, conforme Andreae, pois ele teve 12 filhos. Ele tinha diversos problemas com as autoridades, tanto por suas ideias quanto pelas práticas ilegais dos métodos de cura de Paracelso. Apesar de até o fim estar bem mentalmente, ele fica acamado. Ele permanece muito tempo doente, se definha totalmente e acaba falecendo no dia 4 de dezembro de 1614.
O Senhor Gilly fez todo o possível para descobrir se em algum lugar estava mencionado o horário de nascimento, infelizmente não conseguiu descobrir. Ele conseguiu me enviar as informações sobre Hess e sua família que se encontravam nos arquivos da Biblioteca da Universidade de Tübingen.
Não foi encontrada nenhuma gravura de Tobias Hess; a descrição acima de Andreae faz pensar em um Ascendente de Signo de Ar. De seu casamento é falado que não era feliz. Tendo Aquário como Ascendente tem o regente da Casa 7 na 1, o que indica uma esposa dominante. Tentamos corrigir seu mapa com auxílio dos acontecimentos. Isto parece especulativo para os céticos, mas os Astros e seus Aspectos sugerem muito sobre este homem especial. Tendo Sagitário no MC com Júpiter nele demonstra seu interesse em estudar direito, enquanto o regente (naquela época co-regente) de Aquário em Virgem demonstra interesse em medicina; e com Marte na 6ª Casa, a prática para isso. O Sol na primeira Casa demonstra que ele não tinha medo. A 9ª Casa é a dos processos, ações judiciais. O regente desta, Marte na 6ª Casa (160 graus) está harmônico com o Ascendente demonstrando que ele como advogado estava pronto para lutar. Também mostra que por meio de seu trabalho, praticar a medicina sem autorização, também teria problemas com a justiça.
Andreae descreve Hess como uma pessoa muito pacífica, sempre disposto a ajudar outras pessoas e tido como alguém que perdoava seus oponentes. Aqui acrescentamos Netuno harmônico ao Ascendente que traz a ideia de que ele era um Irmão Leigo da Ordem Rosacruz e, igualmente a Max Heindel, tinha uma mensagem a trazer por meio do Fama Fraternitatis RC e do Confessio Fraternitatis RC. Se Hess escreveu totalmente sozinho ou com a ajuda de Andreae e outros, sobre isto os historiadores não são unânimes. Contudo, o que todos concordam é que Hess era o ponto central em todo caso.
Tobias Hess nasceu no dia 10 de fevereiro de 1568 em Neurenberg, que fica 49:47:10 LN e 11:04:40 LE. O horário do nascimento é desconhecido. Conforme as descrições pessoais de Andreae, Aquário pode ser seu Ascendente. Então Sagitário estaria no MC o que encaixa muito bem, tanto para um advogado quanto um médico. Se isto é certo vai aparecer nas Progressões. Como o tempo, naquela época, era determinado por meio de um relógio de sol, devemos aplicar corretores de horário. Considerando um nascimento às 7:12:04 LMT encontramos as seguintes Progressões para umas quatro ocasiões onde as datas são conhecidas:
Após encontrar estas progressões seu nascimento deve ter sido às 7:12:04 LMT, gerando o Mapa Natal acima. Isto coincide com um GMT de 6:27:46 e uma Hora Sideral de 16:29:16.
Adendo 12 – Mapas Natais: Adam Haslmayr
Adam Haslmayr nasceu no dia 31 de outubro de 1562, conforme o calendário antigo em Bozen no Tirol, que hoje se chama Bolzano, 46.29.13 NL e 11.23.09 LL Conforme nosso calendário o nascimento foi 10 dias depois, portanto, em 10 de novembro de 1562, Áustria, onde o Sul do Tirol pertencia então, mudou para o calendário novo por volta de 1584.
Encontrar o horário do nascimento de Haslmayr é dificultado porque não existe nenhuma gravura dele, e também não há uma descrição de sua personalidade. Apenas sabemos que ele foi organista por profissão, professor, contador e praticava o método de cura de Paracelso.
Para determinar o horário do nascimento foram usados os seguintes dados:
Adendo 12 – Mapas Natais: Johann Valentin Andreae
Johann Valentin Andreae nasceu, conforme nosso tempo atual ou calendário Gregoriano, no dia 27 de agosto de 1586, em Herrenberg 48.35.25 NL, 8.52.15 EL. Conforme sua autobiografia Vita, foi entre as 6 e 7 horas. Este mesmo horário encontramos na Bíblia da Família e no registro do Batismo. Schick diz que Andreae tinha contato por escrito com Johannes Kepler[14]. O desenho do Mapa Natal no Collectaneorum mathematicum de Andreae foi, provavelmente, calculado por Kepler, e, portanto, para 6:30 h[15].
Para determinar a hora correta foram utilizados os seguintes acontecimentos, todos calculados conforme o calendário Gregoriano, que são dez dias depois porque Württemberg só mudou para o Calendário Gregoriano em 1700.
Mais duas considerações:
Adendo 12 – Mapas Natais: Carl Louis Fredrik Grasshoff (Max Heindel)
Conforme o registro do batismo de Aarhus na Dinamarca, Carl Grasshoff – que na América mudou seu nome para Max Heindel – nasceu no dia 23 de julho de 1865. Não foi indicado um horário, mas isto pode ser tirado de seu próprio cálculo de Mapa Natal, que se encontra no Mensagem das Estrelas, traduzido para o holandês com o título Astrologiehandkboek; de boodschap der sterren[16] e também Handboek voor astrologie[17], mapa natal número 3. Para o correto cálculo de suas três Iniciações, foi utilizado, primeiramente, as informações dos acontecimentos abaixo para o cálculo da hora exata de seu nascimento. Para tanto foram utilizados:
O resultado destas correções dá a hora de nascimento em 4:32:08 LMT, 3:51:20 GMT e 00:35:44 ST; uma hora que é praticamente a mesma que o próprio Max Heindel utilizou. Seu Mapa Natal é o demonstrado acima.
Baseado neste Mapa, acertado pelo horário, segue então o cálculo das progressões durante suas Iniciações, dos quais infelizmente nem todas as datas são conhecidas.
1ª Iniciação: aproximadamente em 20 de maio de 1908 – Arco primário: 2:41:40; Hora Sideral (ST) progredida: 3:17:24; Ascendente primário Virgem 3:11:45 Semisextil Ascendente/Sol = 3:27; Cúspide 8: Áries 4:02:35 estava 40:09 em Plutão. Os Astros progredidos: Sol em Virgem 11:25:18, estava 35:51 com a Lua. A Lua 18:55:10 estava 167:13 de Lua/Ascendente; Mercúrio progredido em Virgem 18:05:27, Retrógrado, estava 44:38 Sol/Ascendente e 12:15 de Marte. Vênus progredido em Leão 1:05:26 estava 19:53 de Mercúrio. Marte progredido 2:56:27 estava em exato Sextil de Sol/Lua.
2ª Iniciação: aproximadamente, em 19 de abril de 1910 – Arco primário 2:48:18; Hora Sideral (ST) progredida 3:24:02. O MC primário em Touro 23:23:58, estava 71:57 com a Lua. O Ascendente Virgem 4:16:59, estava 143:43 com Netuno. Cúspide 8, Áries 5:17:25 estava 119:43 com Lua e 105:15 com Júpiter. Os Astros progredidos: Sol em Virgem 13:15:05, nada. Lua em Peixes 17:20:36, nada. Mercúrio em Virgem 16:16:15, estava 74:46 com Urano e 155:42 com Netuno. Vênus primário em Leão 3:15:42 estava em Conjunção com Sol/Ascendente. (3:27) e 17:42 Mercúrio. Marte primário em Libra 4:09:50 estava 20:01 com Saturno.
3ª Iniciação: aproximadamente 22 novembro de 1910 (portanto apenas 7 meses após a 2ª Iniciação) – Arco primário: 2:50:33; Hora Sideral (ST): 3:26:17. O Ascendente primário em Virgem, 4:39:11, estava a 79:55 de Vênus e 144:05 de Netuno. A Cúspide da 8ª Casa, Áries 5:42:52, estava em Trígono com a Lua (5:34:23 Leão. O Sol primário (13:51:17 Virgem) estava 20:40 de Saturno e 96:11 de Júpiter. A Lua primária (26:18:56 Peixes) estava 159:31 de Marte e 96:17 de Júpiter. Vênus primário (3:58:43 Leão) estava 80:12 de Saturno e 79:50 de Plutão. Marte primário, finalmente, estava 4:34:03 Libra, portanto 140:26 de Plutão.
4ª Iniciação: aproximadamente 6 de julho de 1913 – Arco primário: 2:59:59; Hora Sideral (ST): 3:35:43. O Ascendente primário: Virgem 6:11:56, estava 47:56 Saturno. A cúspide da 6ª Casa, Capricórnio 28:31, estava 72:03 de Netuno. O Sol primário, 16:24:01 Virgem, estava 39:43 com o Ascendente e 75 graus com Urano. Urano primário, Peixes 3:30:46, estava Semisextil com o ponto médio de Sol/Ascendente (Leão 3:28:03), enquanto Saturno, em trânsito, estava 54:26 com Ascendente, 83:34 com Marte e 47.59 com a Lua.
Adendo 12 – Mapas Natais: Cathy Wallace
Conforme o ‘Registro de Nascimentos do Distrito de Clyde’ Cathy Wallace nasceu no dia 4 de janeiro de 1869, às 9:00 h GMT na Carrick Street 63, em Glasgow, 55:51:29 NL; 4:15:58 WL. Como de conhecimento geral, naquele tempo, os horários de nascimento eram arredondados e muito duvidosos. Por este motivo corrigimos o Mapa Natal dela utilizando as seguintes informações:
Adendo 12 – Mapas Natais: Augusta Foss
Ela nasceu no dia 27 de janeiro de 1865, às 17:15:37 LMT (Hora Local), 22:45:40 GMT e 1:44:29 Hora Sideral, a 18 km ao Sul de Mansfield (Bellville?), no Estado de Ohio (40:37:12 N.L. e 82:30:39 W.L.. O Mapa Natal dela está no Livro Astrodiagnose e Astroterapia, Capítulo XI. Neste capítulo a Sra. Heindel, como se chama posteriormente, descreve as progressões de um resfriado que ela pegou e que se tornou uma pneumonia dupla. Uma situação muito crítica, dado que o médico britânico Dr. Alexander Fleming ainda tinha que descobrir a penicilina em 1929. Ela cita como causa disto a progressão da Lua em Virgem (28:26) em Quadratura com Urano (25:55) em Gêmeos, em uma órbita bem ampla. Como a Lua caminhava quase 11:49 por ano, ou 1 grau por mês, a duração foi, aproximadamente, de 2 meses e meio. Depois ela cita Marte Progredido 21:01 em Gêmeos em Quadratura com Vênus em Peixes à 22:32. Marte, então, caminhava 1 grau por ano, o que significa uma duração de 1 ano e meio. O Mapa também não está calculado de forma correta; por exemplo: Mercúrio está conforme os cálculos dela em Capricórnio à 13:44, que deveria ser 13:09. Por isto o Mapa será corrigido considerando os seguintes acontecimentos.
Adendo 12 – Mapas Natais: Rudolf Joseph Lorenz Steiner
Rudolf Steiner nasceu no dia 25[18] de fevereiro de 1861 em Donji-Kraljevec, antigamente na Hungria, hoje na Croácia em 45:59:02 L.N. e 15.43.37 L.E. Allan Leo publicou em A Thousand and One Notable Nativities[19] os dados no nascimento de Steiner e cita Marie von Sivers como fonte de informação. Na Croácia tem três cidades com o nome Kraljevec, mas a revista Rudolf, da Antroposofia de junho de 2011, fornece na pág. 14 seu local de nascimento e também a casa. Em 1861 valia o LMT (Hora Local). O Mapa Natal foi corrigido utilizando os seguintes acontecimentos e Aspectos.
Os seis acontecimentos descritos foram utilizados para calcular a hora exata do nascimento, o que confirma ser 23:15:00 LMT, com 22:08:24 GMT e ST 9:37:59. O que dá o Mapa Natal acima.
Ainda uma sucinta explicação: Anna Eunike, a primeira esposa, é indicada por Vênus. O Ascendente e Vênus indicam o casamento. Vênus Progredido em Quincúncio com o MC mostra que o casamento, com uma mulher mais velha naquele tempo, deve ter dado um rebuliço. O segundo casamento com Marie von Sievers é indicado pelo Ascendente Progredido, Sagitário 107:57 com Mercúrio, que está na 5ª Casa, namoro, e é Regente da 7ª Casa, casamento. A destruição com o incêndio no Réveillon é demonstrada bem significativamente por MC Progredido 167:42 com Marte, fogo. Para o falecimento olhamos para a 8ª Casa, com seus Regentes Mercúrio e Lua. Naquele momento Marte, Regente do Ascendente, estava em Quadratura com Lua; o Ascendente Progredido em Quadratura com Mercúrio/Netuno. Steiner falou que ele foi envenenado3. De qualquer forma, Netuno simboliza o secreto e o veneno.
Os Irmãos Maiores da Rosacruz provaram Steiner. Max Heindel diz que Steiner falhou na prova quando ele escolheu ser o Secretário Geral da Sociedade Teosófica na Alemanha, e isto aconteceu em 20 de outubro de 19024. Naquele dia haviam muitos Aspectos progredidos ativos, mas se destaca o Aspecto Ascendente Progredido 105:45 de Mercúrio e 108:45 de Netuno. Vênus em Quincúncio com Ascendente, mas principalmente Saturno Progredido (Virgem 3:14:33 R) 106:45 com o ponto médio de Mercúrio e Netuno. Saturno é o Guardião do Umbral, o provador, e Mercúrio, que pertence a 8ª Casa do ocultismo, e Netuno é o Astro dos Mundos Espirituais e da Iniciação.
Adendo 12 – Mapais Natais: Fraternidade Rosacruz – SEDE MUNDIAL – Fundação da Fraternidade Rosacruz
A Fraternidade Rosacruz foi fundada durante uma Palestra de Max Heindel no domingo à tarde, 8 de agosto de 1909, às 15.00.00 PST em Seattle, WA, EUA, 47:36:23 N. L., 122:19:51 O.L. A GMT era então 23:00:00 e a ST 11:57:54.
Adendo 12 – Mapais Natais: Fraternidade Rosacruz – Compra do Terreno, em Oceanside, Califórnia, EUA
O terreno, onde pouco tempo depois se encontraria a Sede Central da Fraternidade Rosacruz, Mount Ecclesia, foi comprada no dia 3 de maio de 1911 às 15:30 horas PST, que é 23:30:00 GMT e ST 6:23:27; no banco de Oceanside, 33:11:45 N. L. e 117:22:43 W.L.
Adendo 12 – Mapais Natais: Fraternidade Rosacruz – Cerimônia de Inauguração de Mount Ecclesia
No dia 28 de outubro de 1911 às 12:40 PST (20:40:00 GMT e 15:14:55 ST) o terreno foi inaugurado ficando uma Cruz. Mount Ecclesia fica à 33:11:45 N.L. e 117:22:43 W.L.
Adendo 12 – Mapas Natais: Rollo Smith
Conforme sua certidão de óbito[20], Ralph Smith nasceu no dia 9 de novembro de 1862 em Clarksville, no Município de Clinton, em Ohio (39:24:05 N.L e 83:58:53 O.L.). Naquele tempo não havia o costume de se anotar o horário do nascimento. Na foto de grupo, Rollo se destaca bem acima das outras pessoas. Ele era bem comprido e magro, sofreu por mais de 20 anos de tuberculose, do que faleceu no dia 9 de janeiro de 1930. De resto era de conhecimento que ele tinha a profissão de marceneiro; mais tarde se tornou empresário e que se casou no dia 17 de junho de 1903. Seu Mapa Natal não aparece nem na Mensagem das Estrelas e nem no Astrodiagnose e também não consta dos arquivos de Mount Ecclesia. Para o cálculo de seu horário de nascimento existem apenas dois eventos conhecidos.
O Resultado dá o Mapa acima com uma LMT de 13:00:00, GMT de 18:35:56 e Hora Sideral de 16:14:42.
Rollo Smith enfrentou seu Guardião do Umbral, que barra o acesso aos Mundos Espirituais, em um dos últimos dias em que ajudava Max Heindel com a construção do primeiro Prédio. O que deve ter sido por volta de 24 de novembro de 1911. Arco Primário 3:31:15. Então estavam ativas as seguintes progressões: Ascendente Primário, Touro, em 12:04:16, estava então a 40:16 da Lua e 139:51 de Saturno. Saturno Progredido, Libra 5:16:00, estava 132:34 do Ascendente, o que deve ser considerado de forma ampla, mas o Sol Progredido em Capricórnio 6:53:21 estava 84:29 de Netuno e 90:06, portanto quase exato em Quadratura com Marte.
Adendo 12 – Mapas Natais: Sr. X, alias Dr. W
Este Mapa, com sua descrição, está publicado na Rays from Rose Cross de maio de 1916, nas páginas 16 e 17. Com o recálculo aparecem alguns erros de distração. Quando o Mapa é calculado para 38 N.L, e 94 O.L. às 6:00 LMT, dá uma GMT de 12:16:00 e uma Hora Sideral de 8:26:57, e aparece que no cálculo feito na Rays from Rose Cross houve um erro de soma na posição da Lua que foi arredondado não para 00:41 e sim para 00:51, e com Marte não com 17:20, mas está 17:30. Na 11ª e 12ª Casas, conforme o sistema de Placidus, nunca pode ter 0 grau com a Hora Sideral e Latitude Norte. Arredondando deveria ser na 7 Virgem na 11ª Casa (Libra) e na 12ª Casa.
Calculando o Mapa novamente conforme Campanus e corrigindo a Lua para Parallax fica conforme acima. A posição geográfica mostra que ele nasceu na região de Hutchinson, Kansas, EUA, que fica ao norte de Wichita.
No Ascendente está 29:46 Libra, com o Regente Vênus. Este faz um Aspecto (harmônico) de 165 graus com Júpiter, que está em Câncer. Júpiter, por sua vez, está em Trígono com o Ascendente, o que demonstra o interesse, entre outros, pela profissão de médico. Contudo, também Escorpião está no Ascendente, com seu Regente Marte nele e o Sol, o que demonstra interesse em cirurgias. O Aspecto harmônico (164:53) entre Vênus e Júpiter, que está em Câncer, faz com que a pessoa goste de comer bem, portanto este homem tinha uma postura “rechonchuda”, conforme Max Heindel escreve. Contudo, este Aspecto também dá, com Vênus, que está na 2ª Casa, a das Finanças, com o Sol também harmônico, que o homem tinha abundância em dinheiro.
Netuno é o Astro que simboliza os Mundos espirituais. Netuno harmônico com Mercúrio (156 graus) demonstra poder espiritual neste homem. Netuno está adverso com o Ascendente, o que demonstra seu vício em estimulantes e anestésicos fazendo com que ele não conseguisse lembrar o que acontecia à noite, quando ele deixava seu Corpo. Netuno também está em Oposição à Marte, o Regente do Ascendente. Uma Oposição é um aspecto de escolha entre o bem e o mal. Se Netuno estivesse em Quadratura com Marte, com certeza, este homem teria se sentido atraído para a magia negra. Por sorte, este não é o caso, mas sim é um sinal de que este homem precisa tomar muito cuidado para não escorregar para este lado.
Adendo 12 – Mapas Natais: um Guardião do Umbral
Este Horóscopo número 2, do Livro Mensagem das Estrelas, considerando o assunto único, merece ser comentado aqui. Resumidamente Max Heindel diz: “Este Horóscopo demonstra um dos estados mentais mais marcantes que eu já encontrei. No outono de 1910 um amigo me contou uma história triste de um jovem que estava entravado em sua cama, ficava deitado de bruços e apoiado nos cotovelos, olhando fixamente para um canto de seu quarto, como que hipnotizado enquanto seu corpo tremia e ele soluçava e gemia. Atendendo ao pedido do meu amigo fui visitar o infeliz jovem e vi que o objeto que atraía tanto sua atenção, com a mesma força que uma serpente enfeitiça um pássaro para depois devorá-lo, era um elemental, tão terrível, como nunca havia visto antes. Parecia uma massa gelatinosa e disforme, com vários pontos onde havia olhos verdes enormes. Em intervalos de alguns segundos saía algo pontiagudo de pontos inesperados, parecendo espadas, que perfuravam o jovem. Depois, mesmo o monstro não tendo boca para poder rir, parecia convulsionar de prazer pela dor e pavor que provocava. Em outro momento parecia que um dos olhos se transformava em uma tromba que se aproximava do jovem e fixava seu olhar com uma força vinculativa e intensidade aterrorizante”.
“De pé ao lado da cama, enviei uma corrente de força para a base do crânio da pobre vítima e o atraí para mim com muita força para tentar quebrar o encantamento. Contudo, o demônio tinha a consciência do jovem tão forte em seu poder que havia o risco de romper a ligação entre a alma e o Corpo. Por isto parei com a minha tentativa de ajudá-lo, apoiado pela minha inexperiência de lutar com o elemental em seu próprio terreno. Contudo, naquela noite os Irmãos Maiores me aconselharam a ser cuidadoso e pesquisar primeiro a natureza do monstro antes de tomar qualquer ação. Pesquisando na ‘Memória da Natureza’ trouxe à luz que numa vida anterior o espírito do jovem havia sido um Iniciado da Ordem Jesuíta. Que então ele era um fanático fervoroso, muito cruel e insensível, mas muito impessoal, com nenhum outro objetivo em sua vida a não ser servir à Ordem. Sacrificava, sem qualquer escrúpulo, a saúde, a riqueza, a reputação ou a vida de outros para que a Ordem fosse beneficiada. Ele mesmo teria se imolado de livre vontade, pois era sincero até o âmago de sua alma. O amor era tão estranho à sua natureza quanto o ódio, mas o sexo tinha um poder desmedido sobre ele. Isto dilacerava sua alma forte, embora nunca o tenha dominado. Era demasiado orgulhoso para mostrar sua paixão, mesmo para quem o pudesse satisfazê-la. E assim desenvolveu o vício secreto. Não se deve pensar que ele se tornou um escravo daquele vício. Ele, o espírito imortal, lutava contra sua natureza inferior com preces, castigos, jejuns e todos os outros meios concebíveis. Às vezes, achava que havia dominado, porém, quando menos esperava, o animal dentro dele se reanimava e a guerra se travava mais violenta do que nunca. Muitas vezes ele ficou tentado a mutilar-se, mas desprezava este método por considerá-lo indigno de um homem, especialmente quando esse homem havia tomado os votos do sacerdócio. Finalmente sucumbiu ao esforço. O vigor da virilidade foi seguido do período da meia-idade, com saúde delicada. Dores constantes aumentavam seu sofrimento mental, e a compaixão surgiu do sofrimento. Não era mais indiferente às torturas das vítimas do Santo Ofício. Sendo por natureza fanática e entusiasta em qualquer sentido que despendesse energias, o pêndulo logo oscilou para o outro extremo. À semelhança de São Paulo, lutou para proteger aqueles a quem ele próprio havia perseguido anteriormente, o que lhe valeu reprovação do Santo Ofício. Finalmente, com o corpo alquebrado, mas com o espírito corajoso, caiu vítima da tortura que infligira a muita gente”.
“Pela sinceridade de sua natureza, e pela última parte de sua vida, ele conquistou o direito de ser admitido em uma Escola de Mistérios, e preparou-se para o privilégio de trabalhar como Auxiliar Invisível em vidas futuras. A Lei de Associação levou-o a renascer no seio de uma família americana, de que antes fora amigo, dela recebendo uma constituição nervosa adequada ao elevado grau vibratório requerido para sua experiência. Ele se tornou vítima da corporificação demoníaca de seus antigos atos, a terrível criatura conhecida pelos místicos como ‘Guardião do Umbral’. Pelo qual o neófito deve passar para poder entrar conscientemente nos Mundos invisíveis. Esta pavorosa forma extraiu o seu ser dos atos cruéis cometidos pelo homem em sua vida passada. Alimentou-se das maldições de suas vítimas torturadas e saturou-se com o odor do sangue e suor delas, como é costume dos elementais. Era um monstro, no pleno sentido da palavra. A morte de seu progenitor deixou-o latente, mas, no novo horóscopo estava marcado o tempo para retribuição no relógio do destino”.
Para finalizar Heindel diz: “Com tantos bons Aspectos [em seu horóscopo] para ajudá-lo, é provável que ele não sucumba, de forma que quando o Sol progredido alcançar o Aspecto de Conjunção com Júpiter radical no horóscopo, e quando a Lua tiver saído da Quadratura com o Sol radical, uma condição evidentemente melhor pode ser esperada. Entretanto, o jovem deverá lutar sozinho contra o demônio criado por ele mesmo. Se o vício secreto não tivesse exaurido a vitalidade em sua vida anterior, o nascimento sob um Signo mais forte ter-lhe-ia proporcionado maior poder de resistência física e vitória mais certa”[22].
Então, este jovem de dezessete anos, nasceu no dia 3 de abril de 1893, às 9:00 CTS, o que resulta em uma GMT de 14:57:00 e uma Hora Sideral de 21:45:38. Ele nasceu em 43:00 N. L. e 90.50 W. L., o que confere com Dodgeville, um pouco ao leste de Madison, no Estado do Wisconsin.
Adendo 12 – Mapas Natais: Agatha van Warendorp-Zegwaard
Agatha Zegwaard nasceu, conforme a Certidão, no dia 24 de agosto de 1882 às 21:00 horas LMT em Nieuwer-Amstel, então chamada de Amstelveen, localizada em 52:18:24 N. L e 4:51:16 L.L. Isto dá um GMT de 20:40:35 e Hora Sideral de 19:12:04.
Ela era professora de inglês e se casou no dia 25 de julho de 1907, em Amsterdam, com Marinus van Warendorp que era professor de matemática e nascido em 21 de junho de 1877, às 2:00 horas LMT, em ´s-Gravendeel. Conforme era costume na época de um casal de professores, apenas um deles poderia continuar lecionando.
No dia 1 de setembro de 1910 a Senhora Van Warendorp se tornou vegetariana. Juntamente com uma amiga ela lia livros em inglês, mas queria parar com isso. O último livro em inglês que decidiram ler juntas, iniciando no dia 1 de outubro de 1916, foi O Conceito Rosacruz do Cosmos. Um ano depois a Senhora Van Warendorp se tornou membro da Rosicrucian Fellowship; no dia 2 de junho de 1919 ela se tornou Estudante Regular e adquiriu o direito de iniciar um Centro de Estudos[23].
Em 1913, quatro anos após o surgimento na América, a holandesa e teosofista, Senhorita A.J.J. Hattinga Raven, já havia traduzido o The Rosicrucian Cosmo-Conception para o holandês[24]. Apesar de já terem holandeses como membros da Sede Central, ainda não existia um Centro de Estudos[25].
Por volta de 1920, a data exata não é conhecida, ela iniciou um Grupo de Estudos em Amsterdam. Este Grupo de Estudos, que mais tarde se tornou um Centro, ficava na Overtoom 534. Senhora Van Warendorp liderava, com o apoio de seu marido. A relação com os membros era muito amigável; eles as chamavam de ‘moeke en onkel’ (NT: mãezinha e tio). Os primeiros membros da Holanda foram: André Peters, Klaas Wout e Jaap Kwikkel e o alemão Hugo Petzold, que em 1921 se filiou ao Centro de Amsterdam. Lá ele seguia as lições em holandês[26]. Em 1925 ele retornou a Dusseldorf e junto com Adolf Brinkmeyer – que até então era o único membro da Alemanha – Wilhelm Teich e Ernst Huser, fundaram o primeiro Centro da Alemanha.
No dia 14 de fevereiro de 1955 o Sr. Van Warendorp faleceu de leucemia. No início dos anos vinte a Senhora Van Warendorp começou com experimentos de contemplação de cristais o que resultou em uma confusão mental e ataques epiléticos. Quando eu a conheci em 1956, onde ela morava com a família Brohm na Vogelenzangstraat 45 em Amsterdam, não era mais possível ter uma conversa normal com ela. Ela faleceu no dia 14 de janeiro de 1970.
Por volta de abril/maio de 1924 os irmãos Jan e Wim Leene, que moravam em Haarlem, se filiaram para estudarem os Ensinamentos Rosacruzes sob a liderança da Sra. Van Warendorp. O mais velho Zwier Willem Leene nasceu no dia 7 de maio de 1892 às 15:30 horas em Haarlem; ele faleceu no dia 9 de março de 1938 de um ataque cardíaco. Seu irmão mais novo Jan Leene, também nasceu em Haarlem, no dia 16 de outubro de 1896, às 20:00 horas; ele faleceu no dia 17 de julho de 1968 por atrofiamento das forças. O pai deles, Hendrik Leene, que era comissionário, e sua mãe, Elsina Arp, moravam então em Korte Heerenstraat 18 em Haarlem[27].
A quantidade de associados do Centro de Amsterdam, tanto quanto dos outros Centros pelo País, cresceu rapidamente. Por isto foi decidido em 1925 fazer uma Editora com uma Livraria anexa, que ficava na Alberdingk Thijmstraat 4, em Amsterdam. No dia 15 de fevereiro de 1928 esta deixou de existir. Em seu lugar surgiu, na mesma data, a ‘Publicatie-Bureau van het Rozekruisersgenootschap’ (NT: Serviço das Publicações da Fraternidade Rosacruz), situado na Engelszstraat 11, em Haarlem. O segundo departamento era a Redação da Revista mensal, iniciada em dezembro de 1927: Het Rozekuis. Este departamento ficava em Kleverlaan 90, em Haarlem. Como terceiro departamento o ‘Abonnement em Advertentie administratie HET ROZEKRUIS’ (NT: Administração de Assinaturas e Anúncios da ROSACRUZ), situada em Kweektuinstraat 18, em Haarlem. Neste tempo havia na Holanda quatro Centros: Amsterdam, Haia, Haarlem (por volta de 1927, Kleverlaan 90, sob liderança de Jan Leene e seu irmão Wim[28]) e Baarn.
Em dezembro de 1929 a Senhora Van Warendorp precisou ser internada no hospital por causa de uma infecção nos rins e os irmãos Leene assumiram a liderança do Centro de Amsterdam, em 1930. Quando a Senhora Van Warendorp, após algumas semanas, retornou do hospital, os irmãos se recusaram em devolver a administração, que havia levado para Haarlem. Sobre esta questão a Sra. Augusta Foss Heindel foi questionada e esta deu seu apoio aos irmãos Leene.
Como dito anteriormente, havia um Centro em Haarlem, situado na Kleverlaan 90, depois na Hedastraat 36 e em 31 de agosto de 1929 na Bakenessergracht 13, onde mais tarde foram adquiridos mais prédios na Bakenessergracht, onde hoje ainda existe a Lectorium Rosicrucianum.
Pelo trabalho intenso que isto trazia consigo e porque o atacado em têxtil, que os irmãos haviam herdado do pai, não rendia mais, Jan Leene e, mais tarde, também o Wim, decidiram se dedicar exclusivamente ao trabalho da Fraternidade e também se sustentavam através dela. As propriedades no Centro de Haarlem e os planos de ampliação fizeram com que se formasse uma empresa jurídica. Assim em 1933 foi que surgiu a ‘Max Heindel Stichting’ (NT: Fundação Max Heindel).
Em 1919, logo após o falecimento de Max Heindel, que foi sucedido por sua esposa, surgiram dificuldades na Sede Central da Rosicrucian Fellowship e se formaram dois partidos. Cada um dos partidos tentava convencer os membros, tanto nos Estados Unidos da América quanto fora dela, que tinham o direito tanto à distribuição quanto à literatura. Em outubro de 1934 houve uma tentativa de finalizar a questão, pois, se esse problema realmente piorasse, implicaria em dificuldades para o quase autônomo Centro de Haarlem. Portanto foi decidido pelos membros que o Sr. Damme, Presidente do Centro de Haia, como representante da Holanda, fosse aos Estados Unidos da América.
Da Sede Central de Oceanside foi enviada uma carta no dia 25 de janeiro de 1935 para todos os Estudantes, Probacionistas e Discípulos da Holanda e também àqueles que seguiam o Curso Preliminar[29]. Nesta continha, entre outros, o seguinte:
“O Sr. C.L.J. Damme, Presidente do Centro de Haia, que neste momento visita a Sede Central, nos trouxe um relatório verbal e por escrito da situação atual da Holanda e ele nos deixa levando as seguintes instruções:
É desejo da Sede Central e do Conselho Administrativo, que o Sr. C.L.J. Damme leve um relatório completo da situação atual da Sede Central.
O Conselho Administrativo também o incumbiu de fazer uma Reunião Geral onde ele pode repassar o Relatório da Sede Central. Nós solicitamos a todos os nossos amigos a ouvirem este convite e colocar de lado todos os sentimentos de divisão. Isto se refere a todos os Estudantes, Probacionistas e Discípulos[30]. Nesta grande reunião que será no Centro de Haarlem na Bakenessergracht 13, o Sr. Damme tem a incumbência de trazer a solicitação da Sede Central e nos relatar a reação dos presentes.
Nós definimos o dia 5 de abril de 1935, às 8 horas, para esta Conferência no local citado acima.
Ao Sr. Damme foi passada uma lista completa de todos os membros da língua holandesa para que ele possa enviar uma cópia desta carta para todos os amigos que tem amor pelos nossos ensinamentos”.
O Centro de Haarlem também enviou, em janeiro de 1935, a todos os membros de língua holandesa do Rosicrucian Fellowship onde estava escrito, entre outros, o seguinte:
“Dando ouvidos a uma solicitação interna por volta do Natal [1934], anunciamos que a Fundação da Sede Central da Fraternidade Rosacruz da Holanda como primeiro passo decidiu se decentralizar definitivamente da The Rosicrucian Fellowship”.
As três figuras líderes deste ato foram os senhores J. Leene, seu irmão Z.W. Leene e o Sr. C.L.L. Damme. Numa carta aos membros datada de 27 de março de 1935 escreveram, entre outros, o seguinte:
“À Sede Central da Holanda foi solicitado uma ajuda internacional para salvar a Fellowship de uma queda. Cada Estudante e Probacionista deve se filiar a nós sem demora para o serviço de limpeza, que se tornou possível pelo mandato que o Conselho Holandês da Ordem Rosacruz na qual a liderança esotérica será temporariamente concentrada na Holanda”.
Algumas semanas antes, no dia 11 de março, a Fellowship dirigiu uma carta aos membros de língua holandesa onde estava escrito que o Centro de Haarlem NÃO a representava e que agia por iniciativa própria e, provavelmente, estavam iniciando um movimento separatista, o que se tornou fato. Pois, no dia 25 de setembro de 1935 o Centro de Haarlem ganhou, por Decreto Real, o reconhecimento de seus estatutos e, portanto, direitos reconhecidos. Os membros que permaneceram fiéis à Fellowship queriam tomar medidas para brigar juridicamente contra o nome ‘Fraternidade Rosacruz’ – que Jan Leene continuou usando – mas a Sra. Augusta Foss Heindel os desaconselhou a fazê-lo. Portanto existiam dois movimentos na Holanda: The Rosicrucian Fellowship e separada dela ‘Rozekruisers genootschap’ (NT: Fraternidade Rosacruz).
Jan Leene, alias John Twine, Jan van Rijckenborgh
Conforme o Registro Civil Jan Leene nasceu no dia 16-10-1896, às 20 horas AMT em Haarlem, 52:22:54 N. L. e 4:38:00 L.L. O Ascendente estava então em Gêmeos, 29:51, no limite com Câncer. A hora do nascimento foi corrigida utilizando os seguintes acontecimentos:
O nome ‘Rosacruzes’ não é protegido. Ele teve um poder de atração irresistível sobre muitas pessoas e ainda tem. Existem, portanto, várias organizações que utilizaram o nome ‘Rosacruzes’. Para alguém de fora fica difícil saber a qual tipo de movimento ele se refere. Por esta razão segue aqui um pequeno resumo das principais organizações que utilizam o nome Rosacruzes em seu brasão.
Esta é a Escola de Mistérios Ocidental da Rosacruz, que foi fundada por CHRISTIAN ROSENKREUZ por volta de 1290 no centro da Alemanha, que após ter trabalhado em silêncio por três séculos, divulgou mundialmente sua existência por volta de 1600 através do Fama Fraternitatis R.C., o Confessio Fraternitatis R.C. e o Assertio Fraternitatis R.C., conforme descrito detalhadamente no Capítulo 1.
Max Heindel escreve: “No século XIII um elevado instrutor espiritual, usando o simbólico nome Christian Rosenkreuz – Cristão Rosacruz – apareceu na Europa para iniciar esse trabalho. Fundou a misteriosa Ordem dos Rosacruzes objetivando lançar uma luz oculta sobre a mal-entendida Religião Cristã, e para explicar o mistério da Vida e do Ser do ponto de vista científico, em harmonia com a Religião.
Muitos séculos decorreram desde o seu nascimento como Christian Rosenkreuz, o Fundador da Escola de Mistérios Rosacruzes, cuja existência é, por muitos, considerada um mito. Todavia, seu nascimento como Christian Rosenkreuz marcou o princípio de uma nova era na vida espiritual do mundo ocidental. Esse Ego excepcional tem estado, desde então, em contínuas existências físicas, num ou noutro dos países europeus. Toda vez que seus sucessivos veículos perdem sua utilidade, ou as circunstâncias tornam necessária uma mudança de campo em suas atividades, toma um novo Corpo. Ainda mais, hoje em dia está encarnado. É um Iniciado de grau superior, ativo e potente fator em todos os assuntos do Ocidente, se bem que desconhecido para o mundo.
Trabalhou com os alquimistas séculos antes do advento da ciência moderna. Foi ele que, por um intermediário, inspiraram as, agora mutiladas, obras de Bacon[31]. Jacob Boehme[32] e outros receberam dele a inspiração que tão espiritualmente iluminou suas obras. Nos trabalhos do imortal Goethe[33] e nas obras-primas de Wagner[34] encontramos a mesma influência. Todos os espíritos intrépidos, que se recusam subordinar-se a qualquer ciência ou religião ortodoxa, que fogem das escravidões e procuram penetrar nos domínios espirituais sem pretensões de glória ou de vaidade, tiram sua inspiração da mesma fonte, como fez e faz o grande espírito que animou Christian Rosenkreuz.
Seu próprio nome é a Corporificação da maneira e dos meios pelos quais o ser humano atual é transformado em Divino ‘Super Ser Humano’”[35].
Uma organização de alquimistas. Também eles se tornaram conhecidos do público através de um livro intitulado: Die Warhaffte und volkommene Bereitung des Philosophischen Steins, Der Bruderschaft aus dem Orden des Gülden – und Rosen-Creutzes, etc.[36], Breslau 1710 (2ª Edição 1714), por S. R. uma abreviação do nome de ordem de Sincerus Renatus [o renascido sincero], pseudônimo do pastor Silesiano Samuel Richter de Hattmoansdorf, perto de Landshut, na Alemanha, que era seguidor de Paracelsus e Boëhme. O livro não foi escrito pelo próprio Richter, mas por um ‘Professor de Arte’ como ele o chama, mas que permanece anônimo. Carlos Gilly descobriu que os estatutos, contidos ali, são uma tradução de um manuscrito datado de 1678 de Andreas Segura, Osservationi inviolabili da osservarsi dalli Fratelli dell’ Aurea Croce o vero dell” Aurea Rosa Precedeni La solita professione. Eles não são de origem alemã, mas sim italiana[37]. Os Rosacruzes Dourados consideram sua origem dos antigos alquimistas, que, conforme eles, já se reuniam em algum tipo de associação. Entre eles era obrigatório o sigilo. A posição social dos candidatos não era relevante, apesar de procurarem um maior respeito. Eles tinham nove graus e 52 regras. O livro é um tratado da alquimia. Eles queriam continuar em silêncio, individualmente, com o objetivo de conseguir “a fabricação do pó vermelho de projeção”, ou a chamada “pedra da sabedoria”. Isto através do êxtase ou pesquisa experimental. Na liderança estava um imperador ou czar, e os membros estavam divididos entre estudantes-herdeiros e irmãos[38].
A História de sua Ordem está impressa no prefácio do Compass der Weisen, Berlim, 1779. Este inicia com Adão e continua com Noé, Enoc, Moisés, Hermes, etc., da qual a Constitutions (1723) de James Andersons (Pastor e Maçom 1678-1739) utilizou como exemplo. O Prefácio fala da história dos Rosacruzes e de Christian Rosenkreuz: ‘Todos os meus Irmãos mais velhos sabem, que Christian Rosenkreuz é na verdade um de nossos mais importantes irmãos, mas não era o fundador de nossa ordem. Esta já foi fundada há milhares de anos antes de Rosenkreuz nascer’.
À cabeça estava o Superior Desconhecido. A célula matriz era denominada ‘o círculo’, que era constituído de 9 membros. Seus membros eram divididos em nove graus. O objetivo era fazer ouro e eles trabalhavam em grupos. Eles desenvolviam receitas alquímicas que vieram do Superior Desconhecido[39].
Em sua juventude iniciou a escrita de seus poemas, peças de teatro e romances. Em 1797 fundou uma revista política, L´Invisible, que sobreviveu por 107 números, graças a um anel mágico, conforme d´Olivet, que o fazia ficar invisível para observar o trabalho do legislador e as intrigas do palácio real. Em 1800 ele se apaixonou, mas dois anos depois a jovem senhorita faleceu. Ele pensou em suicídio, até que recebeu a visita de sua falecida amada. Em seu manuscrito ele relata como este choque o levou a buscar o ocultismo. Em 1805 ele se casou com a diretora da escola de meninas que tinha três filhos. Contudo, parece que o espírito da primeira amada assombrava este casamento. Em 1811 ele curou, por meio da hipnose, Rodolpho Grival que em sua vida inteira havia sido surdo-mudo. Em 1813 ele publicou sua tradução de “Os Versos Dourados” de Pitágoras, e acrescentou comentários. Outro trabalho dele é denominado A Recuperação da Língua Hebraica, onde ele desenvolveu suas ideias sobra a língua original. Em 1824 ele escreveu sua obra prima, Histoire philosophique du genre humain [História Filosófica do Gênero Humano].
Finalmente Fabre d´Olivet se ‘reconectou’ com o espírito de sua amada, e inspirado por ela ele funda em 1824 o Universal Theodoxical Cult, uma ordem com ritos próprios, graus e parâmetros.
Em 19 de outubro de 1824 ele declarou, em um de suas reuniões, que sua amada Julie havia renascido e estava no corpo de uma menina de doze anos e passou o resto de sua vida procurando por ela[40]. Seus livros inspiraram Josephin Péladan[41].
Ele fundou, em 1858, na Philadelphia, a Ordem Templária dos Rosacruzes. Randolph pode ter sido filho de uma dançarina negra e de um médico branco da Virgínia. Contudo, também existe a história que seu pai era um empresário importante que se casou com uma linda mulher de Madagascar e que pertencia à família Real de Madagascar. E outra história que ele era um filho ilegítimo de um aventureiro branco da Virgínia e da mais bonita do que virtuosa negra. Seu verdadeiro pai nunca se identificou. Com cinco anos ele se tornou órfão e foi criado por sua meia irmã. Ele gostava do mar; primeiro ele foi camareiro num navio, mais tarde se tornou proprietário de um navio. Ele fez longas viagens. Ele escreveu alguns romances, entre os quais Master Passion e Asrotis. Em 1840 ele se filiou à ‘Hermetic Brotherhood of Luxor’, defensores do espiritismo, que então se difundia na América. Na Guerra Civil ele se aliou ao Norte. Seus dados heroicos chamaram a atenção até de Abraham Lincoln. Após algumas viagens pela França, Eliphas Levi lhe concedeu o mais alto grau do Fraternitas Rosae Crucis. Por esse meio, ele se relacionou com Papus. Randolph fundou o Hermetic Brotherhood of Light na América. Em 1868 ele se desligou e fundou seu próprio círculo mágico Eulis Brotherhood, que foi fortemente influenciado pelo O.T.O. [OrdoTempli Orientis; Ordem Templária do Oriente][42] e logo atraiu muitos seguidores. Excetuando a influência por Levi e Kenneth R. Mackenzie, ele também foi influenciado pelo romance Rosacruciano The Salamandrine, de Charles Mackay, que foi publicado em 1852. Suas visualizações ele descreveu no manuscrito Magia Sexualis, que somente em 1931 foi traduzido para o francês, e em 1972 surgiu uma impressão em holandês. Conforme o título sugere o assunto é magia sexual. Sobre sua morte em 1875 existem duas versões: a primeira que durante um experimento mágico ele teve um choque de retorno (o que quer que isso possa significar); a outra é que ele tentou, através de uma maneira mágica, atirar em sua inimiga mortal Sra. Blavatsky, o que com o conhecimento dela teve um efeito contrário e provocou sua própria morte[43].
Podia haver no máximo 144 membros e todos deveriam ser maçons. Membros Honorários eram, entre outros, Kenneth R. H. Mackenzie, Hargrave Jennings (1817-1890), Edward Bulwer Lytton (1813-1873)[45], escritor de Zanoni (1842); Eliphas Levi, pseudônimo do ex-padre Alphonse Beverly Constant (1810-1875), escritor de livros sobre magia, Pascal Beverly Randolph[46], praticante de magia sexual; Arthur Edward Waite (1857-1942); Dr. med. William Wynn Wetscott (1848-1925), F. Leigh Gardner (1857-19?); Theodor Reuss (1855-1923).
Um grupo de alemães Rosacruzes fictício, sob a liderança de Anna Sprengel, que forneceu todo o material para ele. Os membros eram: Dr. med. William Robert Woodman (1828-1891), Samuel Liddell MacGregor Mathers (1856-1918), o poeta William Butler Yeates (1865-1939), Aleister Crowley (1875-1947), praticante de magia negra; Arthur Machen (1863-1947), poeta e escritor de histórias de fantasmas; Bram Stoker (1847-1912), escritor de Drácula[48].
Kellner nasceu em Viena, onde tinha uma enorme fábrica de químicos. Ele pesquisava principalmente a celulose, um produto que extraído da lignina[49], chamado lignosulfato, era usado para tratamento de tuberculose. Seu amigo Franz Hartmann utilizava em sua clínica. Kellner era membro de várias vertentes. Provavelmente também da Hermetic Brotherhood of Luxor e ele deve ter sido iniciado no lado “esquerdo” (magia negra) do tantrismo. Sua morte prematura em 1905 em seu laboratório, em casa, é atribuída às práticas mágicas e alquímicas. Nos anos de 1890 ele planejou, juntamente com alguns amigos (entre eles Franz Hartmann e Theodor Reuss), formar uma organização secreta conforme a ideia da tradição mágica dos rosacruzes e dos maçons místicos. Assim, em segredo, no dia 1 de setembro de 1901 fundaram a Ordem dos Templários Oriental. Parece que até o dia de sua morte ele foi o líder da Ordem. Ele também cuidou da base financeira. E para a ordem externa Reuss e Hartmann devem ter utilizado, para este fim, o Memphis-Mizraim-Ritus de Yarker da Grã-Bretanha, de forma ampliada. Kellner também entrou neste Rito e atingiu o mais alto grau (90º ou 95º). Primeiramente após o falecimento de Kellner e após Reuss assumir o O.T.O., este se tornou público em 1906. Kellner foi sucedido por Carl Albert Theodor Reuss (1855-1923), com o pseudônimo de Merlin Peregrinus[50]. Ele nasceu em Augsburg, onde seu pai era negociante, depois de ter gerenciado uma loja de miudezas. Reuss finalizou seu curso de farmacêutico, mas se tornou cantor de ópera e deve ter conhecido Richard Wagner e suas crenças místicas em 1873 e, através de Wagner, deve ter sido apresentado a Ludwig II, o Rei de Beieren (sobre isto faltam comprovações históricas). Por razões desconhecidas Reuss perdeu sua voz (provavelmente por falta de talento) e ele se tornou jornalista, político e escritor.
Aos 21 anos, durante sua estadia em Londres, ele se tornou maçom da Pilger Loge, mas pela sua linha política de esquerda, foi expulso quatro anos depois, com idade de 25. Ele trabalhou (não durante a Guerra de 1914-18) como correspondente externo e redator de diversos jornais ingleses e alemães. Excetuando seu interesse na linha esquerda radical ele tinha interesse em movimentos esotéricos – e igualmente a Annie Besant, da Inglaterra, que também era da Esquerda Radical – ele se tornou membro da Teosofia em 1885, após um encontro com a Sra. Blavatsky. Em 1896 ele esteve presente na inauguração do Movimento Teosófico na Alemanha, sob liderança de Franz Hartmann como Vice-Presidente. Reuss fez renascer nos anos 1890 a Ordem dos Illuminaty do Século 18 e tentava reunir todas as direções, inclusive Rosacruzes sob o mesmo teto e fundou, com auxílio de amigos, em 1901, a Grosse Freimaurerloge von Deutschland des Illuminaten-Ordens. Na virada do século Reuss havia se tornado membro na Inglaterra da Societas Rosicruciana in Anglia (SRIA), e maçom de alto grau (Royal-Arch) no sistema do John Yarker (1833-1913), cujos ritos Reuss incluiu no OTO. Existem muitas conexões cruzadas invisíveis. Por exemplo: Yarker e o Movimento Teosófico. Yarker conheceu a Sra. Blavatsky na América, em 1879. Quando ela tornou Yarker Membro Honorário (Honorary Fellow) da Associação dela, Yarker em contrapartida deu a ela, após Isis Revelada, o título de ‘princesa coroada’, o grau mais elevado para membros femininos do Memphis-Mizraim-Ritus. Por volta de 1905 Steiner se tornou membro. Alguns outros membros eram Crowley, Papus e Spencer Lewis.
Esse havia lido livros de Eliphas Levi e o Le vice suprême de Péladan e sua aproximação com o ocultismo era para ele uma revelação. Ele conheceu Péladan e seu irmão, o médico Adrien, que tinha contato com os Hermetistas em Toulouse, que se auto denominavam um grupo Rosacruz. Juntamente com seu secretário Oswald Wirth ele adquiriu uma maravilhosa coleção de livros esotéricos e manuscritos. Para ‘abrir’ seu espírito ele usava morfina e cocaína e desta forma entrou no ‘caminho da esquerda’ da magia negra, sobre a qual ele escreveu vários livros.
Na direção desta organização tinha um conselho com doze membros onde, entre outros, o Papus (pseudônimo de Gérard Analect Vincent Encausse, 1865-1919), J. Péladan e, mais tarde, Marc Haven (pseudônimo do médico Dr. Emmanuel Lalande, 1868-1926) e Paul Sédir (pseudônimo de Yvon Le Loup, 1871-1926) fizeram parte. Eles tinham graus universitários e títulos de doutor[51].
Ele se distanciou dela em 1890 porque ele achava o grupo muito oriental, anticatólico Romano e de magia negra, e fundou, juntamente com seus seguidores em março de 1892, a Ordre de La Rose-Croix Du Temple et Du Gral, de onde surgiu a Ordre de La Rose-Croix Catholique. Péladan se tornou o Imperador. Uma organização parecida foi apareceu pelo médico alquimista Lapasse em Toulouse em 1850. O Salão Rosacruz, estabelecido por Péladan, em Paris, em março de 1892, se tornou um ponto de encontro de escritores e artistas, como o compositor Erik Satie (1866-1925), que se distanciou do grupo mais tarde. Péladan escreveu alguns livros onde tentou juntar, em um único ensinamento, as ideias cabalísticas, bramânicas, islamíticas, cristãs e filosóficas. Ele era um admirador de Wagner, praticava magia sexual e, em 1908, se entregou para o Catolicismo Místico[53].
Ele recebe instruções de um Irmão Leigo da Ordem até o período de outubro de 1902, mas decidiu no dia 20 de outubro de 1902 se tornar Secretário Geral da Alemanha do Movimento Teosófico, pelo qual a Ordem se distanciou dele e decidiram testar outro candidato. Contudo, também a Teosofia mostrou sua mistura dos ensinamentos Orientais com os Ocidentais. Por este motivo Steiner fundou, em 1913, o Movimento Antroposófico. Através do símbolo dos Maçons da Ordem Memphis-Mizraïm de John Yarker, e com Theodor Reuss (1855-1923), como representante na Alemanha, Steiner tinha a ideia, em 1903/4, que os membros podiam atingir a Iniciação e fez um acordo com Reuss, em 1906. Contudo, este método aparentava não trazer resultado, porque após a Guerra (1918), o Rito Mizraïm, que foi proibido durante a Guerra, não foi mais reintroduzido[54].
Baseado em: Fratres Roseae et Aureae Crucis ou Rosacruzes Dourado de 1710 e a Escola de Mistérios do Egito (aprox. 1500 a.C., o período de Tutmosis III); o O.T.O., uma iniciação no ‘Grupo Rosacruz’ de Toulouse; graus adquiridos no Rito Escocês (Maçonaria), o Teósofo Dr. Harvey Spencer Lewis (1883-1936) fundou, em 1916, o Antiquus Arcanus Ordo Rosae Rubeae et Aureae Crucis (Ancient Mystical Order Rosae Crucis; AMORC), em San José, Califórnia, de onde ele foi o primeiro Imperador[55]. Este é um movimento humanitário que tenta dar ao ser humano, enquanto encarnado, saúde, felicidade e paz. Tenta passar conhecimento sobre psicologia e ciências naturais.
Reuben Swinburne Clymer (1878-1966) fundou em, aproximadamente, 1920, perto de Quakertown o grupo: Fraternitas Rosae Crucis (FRC) de Rosicrucian Fraternity na America.
Ele tirou seu sistema de Pascal Beverly Randolph[56].
No dia 25 de setembro de 1935 o Centro da Fraternidade Rosacruz de Haarlem conquistou por Decreto Real reconhecimento de seu Estatuto e também seu direito de existência e, assim, Jan Leene (pseudônimo John Twine e Jan van Rijckenborgh), seu irmão Zwier Wim Leene e o Sr. C.L.J. Damme fundaram Het Rozekruisers Genootschap. Este nome era utilizado pela Fraternidade na língua holandesa desde seu início, mas nunca haviam registrado. Foi cogitado brigar na justiça pelo nome, mas por conselho da Sra. Augusta Foss Heindel desistiram da ideia. Com o passar do tempo este nome teve alterações: em 1936 ‘Orde der Manicheeën’ (Ordem dos Maniqueus); em 1941 Jacob Boëhme gezelschap (Companhia de Jacob Boëhme); em 1946 Lectorium Rosicrucianum, Geestesschool van het Gouden Rozekruis (Escola Espiritual da Rosacruz Dourada).
Jan Leene trabalhava junto com Hendrikje Huizer (Sra. Henry Stok-Huyzer), que nasceu às 3:00 horas (a.m.) no dia 5 de fevereiro de 1902 em Rotterdam na Slotboomstraat[57]. Ela usava o pseudônimo Catharose de Petri. À procura de vestígios restantes de Katharen ela viajou diversas vezes para o Sul da França. Em 1956 Jan van Rijckenborgh e Catharose de Petri encontraram o Sr. Antonin Gadal, que se auto denominava último patriarca dos Katharen através dos séculos que mantinham a sequência em segredo. O Sr. Gadal passou a mestria ao Sr. Van Rijkenborgh e o Diaconato a Sra. De Petri[58]. Após o falecimento do Sr. Jan Leene/Jan van Rijkenborgh, no dia 17 de julho de 1968, a liderança espiritual passou a ser da Sra. Stok/Catharose de Petri, o que durou até seu falecimento no dia 10-09-1990. Desde 22 de março de 1970 a administração diária está numa ‘Liderança Espiritual Internacional’ de sete senhores de diversos países Europeus, juntamente com a Sra. E.T. Hamelink-Leene, a filha do Sr. Jan Leene.
Jan Leene vem de uma família de Protestantes; seu pai era de uma vertente de protestantes e sua mãe de outra[59]. O Teólogo Prof. Dr. A. H. de Hartog teve grande influência sobre ele, o pai do escritor Jan de Hartog. Este era um pensador livre e através dele conheceu os trabalhos de Jacob Boëhme. Os Ensinamentos Rosacruzes de Max Heindel também o atraíram. Ele pensava, entretanto, que devia ir além. Ele foi muito influenciado pela Hermetismo e abraçou os trabalhos da teósofa Alice Ann Bailey (1880-1949). Os ensinamentos dos Katharen já foram mencionados, mas também os Gnósticos estão misturados em seus ensinamentos. Jan Leene faleceu em 1968[60].
| 1865 | 23/julho | Nascimento de Carl Louis Grasshoff em Aarhus |
| 15/outubro | Batizado na Catedral Luterana de Aarhus | |
| 1867 | 20/julho | Nascimento de Louis Julius August, irmão de Carl |
| 1868 | 8/abril | Falecimento do seu pai por uma explosão na padaria |
| 1872 | 6/novembro | Mudança para Copenhague |
| 26/novembro | Nascimento de Anna Emilie, meia-irmã de Carl | |
| 1873 | aproximadamente | Acidente quando pulava por sobre uma calha |
| 1884 | aproximadamente | Mudança para Glasgow, Escócia, trabalhando em loja de tabaco |
| 1885 | 15/dezembro | Casamento com Cathy Wallace, nascida em 4/1/1868; mudança para Liverpool |
| 1886 | 15/junho | Sra. Grasshoff casa com Fritz Povelsen |
| 5/novembro | Nascimento da filha Wilhelmina; Carl se torna marinheiro | |
| 1888 | 6/novembro | Nascimento da filha Louise |
| aproximadamente dezembro | Mudança para Copenhague | |
| 1889 | 5/novembro | Nascimento da filha Nelly |
| 1891 | 15/janeiro | Nascimento do filho Frank |
| 1893 | Carl se muda sozinho para a América e começa trabalhando em uma Central Elétrica em Nova York. Depois se muda para Somerville perto de Boston onde primeiro é corretor de seguros e mais tarde mecânico de uma cervejaria | |
| 1895 | 10/abril | Carl se casa com Louisa Anna Peterson que é oito anos mais velha, dinamarquesa e com quatro filhos |
| 1898 | 7/setembro | Seus quatro filhos partem de Copenhague em direção à América. |
| 1899 | aproximadamente | Separação; Carl se muda com os quatro filhos para Roxbury |
| 1903 | Carl vai para Los Angeles em busca de emprego e muda seu nome para Max Heindel | |
| dezembro | Assiste palestras de Leadbeater em Los Angeles; se torna membro do Movimento Teosófico; se torna vegetariano; amizade com Augusta Foss, nascida em 27/01/1865 em Mansfield, Ohio | |
| 1904/5 | Vice-Presidente do Movimento Teosófico em Los Angeles | |
| 1905 | Verão | Ficou muito doente; amiga Alma von Brandis vai para Europa |
| Após se recuperar da doença Heindel deixa o Movimento Teosófico | ||
| 1906 | abril | Própria tournée de palestras sobre Cristianismo Místico e Astrologia |
| 1907 | Outono | Max Heindel vai junto com Alma von Brandis para a Europa |
| 1908 | abril | Briga com Alma von Brandis |
| abril/maio | Max Heindel passa por sua prova pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz | |
| Primeira Iniciação; escreve o Conceito Rosacruz do Cosmos | ||
| Verão | Retorno à América e reescreve o manuscrito do Conceito | |
| setembro | Max Heindel se muda para Buffalo e termina o seu manuscrito | |
| novembro | Fundação do Primeiro Centro Rosacruz em Buffalo | |
| 1909 | Verão | Viagem por Seattle |
| 8/agosto | Fundação da ‘The Rosicrucian Fellowship’ às 15:00 horas. | |
| Max Heindel e William Patterson vão para Chicago para impressão do Conceito e Cristianismo Rosacruz | ||
| novembro | Publicação do The Rosicrucian Cosmo-Conception e as Palestras de Cristianismo Rosacruz. Palestras, e fundação do Centro em Yakima | |
| 1910 | Impressão de Astrologia Científica Simplificada | |
| Viagem para Portland, Palestras e Fundação de um Centro | ||
| fevereiro | Viagem a Los Angeles; visita a Augusta Foss | |
| 27/fevereiro | Fundação do Centro de Los Angeles | |
| abril | Max Heindel fica seriamente doente; 2ª Iniciação em 9/abril. Escreve Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas, Vol. I | |
| 10/agosto | 3º Casamento com Augusta Foss em Santa Ana. Max Heindel escreve Os Mistérios dos Rosacruzes | |
| novembro | Estabelecimento da Sede Central em Ocean Park. Heindel fica seriamente doente. Aproximadamente em 22/novembro tem a 3ª Iniciação | |
| 1911 | fevereiro | Planeja a aquisição de um terreno para Sede Permanente em Los Angeles |
| 3/maio | Aquisição de 40 acres (16 ha) às 15:30 horas em Oceanside | |
| Os Mistérios dos Rosacruzes de Max Heindel é publicado | ||
| 28/outubro | Primeira estaca no solo às 12:40 horas e plantaram a Cruz. | |
| 30/outubro | Início das obras no primeiro prédio | |
| 1912 | Primavera | Instalação própria de água. |
| Probacionistas de Seattle, Washington, fazem um emblema iluminado para a sinalização e transportam por trem para a Sede Central. | ||
| 13/dezembro | The Rosicrucian Fellowship se torna Pessoa Jurídica | |
| 1913 | 3/junho | Primeiro Encontro de Probacionistas (Não em 25/maio?) |
| Mudança da Cruz de preta para branca | ||
| 4/junho | Primeira Escola de Verão | |
| Junho | Início da Publicação do Echoes | |
| aproximadamente 6/julho | Max Heindel tem a 4ª Iniciação. | |
| 6/agosto | Fabricada a pedra fundamental do Sanatório (Centro de Cura) | |
| 27/novembro | Início da obra da Pro-Ecclesia; esta fica pronto em 24/dezembro. | |
| 24/dezembro | Inauguração da Pro-Ecclesia | |
| 1914 | 12/abril | Primeira Celebração de Páscoa em Mount Ecclesia |
| 23/junho | Primeiro Ritual de Cura. Publicação de: “Como reconheceremos Cristo em seu retorno?” e “Maçonaria e Catolicismo” | |
| 26/novembro | Inauguração do Restaurante; Colocação da Pedra Fundamental da Ecclesia ou Centro de Cura; Central de energia própria | |
| 1915 | julho | Pagamento da última parcela da hipoteca do terreno |
| Verão | Construção do Heindel’s Cottage. Nova Edição de Mensagem das Estrelas e Astrologia Científica Simplificada; Publicada em 1916 | |
| 1916 | 13/março | Falecimento da mãe de Max Heindel. |
| maio | Início da publicação de Rays from the Rose Cross | |
| 1917 | março | Max Heindel se encontra com a poetisa Ella Wheeler Wilcox |
| 13/março | Início da construção da nova administração. Finalizado em junho | |
| maio | Início da construção da Ecclesia Cottage | |
| 15/julho | Viagem de Férias. Cálculo das Efemérides e das Tabelas de Casas. | |
| 1918 | maio | Planejamento de Instalações de Encadernadora de livros. Na Rays é Publicado As últimas horas de um espião. |
| 1919 | 6/janeiro | Max Heindel faleceu de ataque cardíaco às 20:25 horas. Sra. Augusta Foss Heindel é a sucessora. |
| 1920 | 29/janeiro | Às 11:45 horas a primeira estaca colocada no chão do Centro de Cura. |
| Publicado O Significado Místico do Natal e A Teia do Destino. | ||
| 23/julho | Colocação da Pedra Angular feita por Max Heindel em 25/11/1914. | |
| 1921 | Impresso Os Mistérios das Grandes Óperas | |
| 1922 | 24/dezembro | Inauguração do Templo. Publicação de Contos de um místico. |
| 1923 | 7/agosto | Início da construção da Rose Cross Lodge; aquisição de 4,5 acres (20 ha) terras de um vizinho |
| 1/dezembro | Publicado o livro da Sra. Augusta Foss Heindel O surgimento da Fraternidade Rosacruz, em inglês. | |
| 1924 | março/abril | Novo sistema de eletricidade |
| novembro | Aquisição de um órgão para o Templo | |
| 1925 | Planejamento de construção de uma escola para crianças; ficou pronto em setembro/1926 e fechou em março de 1931. Depois o prédio se chamou West Hall. | |
| setembro | Sra. Augusta Foss Heindel faz uma tournée de palestras em 20 grandes capitais nos Estados do Nordeste e Oeste. Aquisição de mais um pedaço de terra. | |
| 1926 | janeiro | Publicação de Evolução sob o ponto de vista de um Rosacruzes da Sra. Augusta Foss Heindel. Em inglês e holandês: Cartas aos Probacionistas de Max Heindel e em inglês Ensinamentos de um Iniciado. |
| 1928 | agosto | Astro-diagnose da Sra. Augusta Foss Heindel é publicado em inglês e o livro de Max Heindel Princípios ocultos de saúde e cura. |
| 1929 | 11/dezembro | Colocada a pedra fundamental do Sanatório. |
| 1931 | abril | Sra. Augusta Foss Heindel se retira da função de Presidente e se muda para Oceanside. Publicado em inglês Iniciação Antiga e Moderna de Max Heindel. |
| maio | Sra. Augusta Foss Heindel fica muito doente. | |
| junho | Sra. Augusta Foss Heindel funda a ‘Max Heindel Rose Cross Fellowship’. | |
| 1932 | 6/janeiro | Início da construção do Sanatório; a abertura foi no Natal de 1938. |
| 1933 | Duas Palestras de Max Heindel de 1905 publicadas: Sra. Blavatsky e o Ensinamento Oculto e Explicação Mística da Páscoa. | |
| 1934 | 25/dezembro | As partes fazer as pazes e a Sra. Augusta Foss Heindel volta para a Sede Central |
| Ela manda construir uma casa que fica pronta em junho de 1937. | ||
| 1937 | Da coletânea de trabalhos de Max Heindel surge Espíritos e Forças Naturais. | |
| 1938 | abril | Início da construção do Setor de Cura |
| Retomada da construção do Sanatório que foi iniciado em 1932. | ||
| 27/agosto | Inauguração do Setor de Cura | |
| 25/dezembro | Inauguração do Sanatório | |
| 1939 | Pela primeira vez publicado, em inglês, e em forma de livro as Palestras sobre Cristianismo Rosacruz de Max Heindel. | |
| 1940 | Da coletânea de trabalhos de Max Heindel surge Os Mistérios das Glândulas endócrinas. | |
| 1941 | Sra. Augusta Foss Heindel escreve Lembranças de Max Heindel e da Fraternidade Rosacruz, que foi publicado em 1997. | |
| 1942 | fevereiro | Sra. Augusta Foss Heindel foi retirada de suas funções. |
| 1943 | 21/maio | Sra. Augusta Foss Heindel tem um acidente de automóvel e se torna cadeirante. |
| 1944 | 6/julho | ‘The Rosicrucian Fellowship Non-Sectarian Church’ fundada por Sra. Augusta Foss Heindel e seus seguidores em janeiro de 1943 foi reconhecida como Pessoa Jurídica. |
| 1947 | Publicado o Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas Volume II | |
| 1949 | 9/maio | Falecimento da Sra. Augusta Foss Heindel |
| 1950 | Da coletânea de trabalhos de Max Heindel surge o Corpo Vital e Arquétipos. | |
| 1951 | Entre 1951 e 1971 foram publicadas sete partes de Histórias Aquarianas para crianças. | |
| 1953 | Da coletânea de trabalhos de Max Heindel surge o Corpo de Desejos. | |
| 1956 | 25/março | Final do conflito; às 12:00 horas é enterrado o machado de luta. |
| 1959 | janeiro | Doação de um ônibus para 12 lugares para a Sede Central |
| 1960 | A Sede Central é isentada de pagar o IPTU | |
| 1961 | Membros podem construir casas no terreno da Sede Central | |
| 1962 | fevereiro | A Heindel’s Cottage é demolida. |
| Verão | Venda de 2,3 acres de terra | |
| 1963 | Existem planos de duplicar a rodovia e fazer uma nova entrada, que fica pronta entre 1965/67. | |
| Verão | Demolida a Ecclesia Cottage | |
| 1964 | novembro | Construção de 5 casas |
| 1965 | Da coletânea de trabalhos de Max Heindel surge Visão Etérica e o que Ela revela. | |
| 1968 | Da coletânea de trabalhos de Max Heindel surge Cordão Prateado e Átomo-semente. | |
| 1968/72 | São publicados diversos livros. | |
| 1971 | Falecimento de Theodore Heline aos 87 anos | |
| Publicação de O Horóscopo de seu filho, de Max Heindel, em duas partes e A morte e a vida após. | ||
| 1974 | 12/novembro | Início da construção do prédio da Administração, finalizada em 18/2/75. |
| 1975 | 26/junho | Falecimento da Sra. Corinne Heline. |
| 1976 | março | O prédio da Administração é ampliado. |
| 1978 | 2/setembro | Doação do Sr. Fred Meyer de Portland no valor de $ 200.000. |
| 1982 | Verão | Instalação de três painéis solares para aquecimento da água |
| Aquisição do primeiro computador | ||
| 1983 | janeiro | Abertura do ‘Museu Rosicrucian Fellowship’ |
| fevereiro | Colocado uma nova placa na entrada. | |
| junho | Surge o primeiro número do jornal Mystic Light, mas em dezembro do mesmo ano parou de ser editado por dificuldade financeira. | |
| 1986 | abril | Impresso o livro de Robert C. Lewis: The Sacred World and its Creative Overtones |
| Outono | Mais uma doação do Fred Meyers Fonds no valor de $100.000 para Nova tubulação de água. | |
| 1987 | Verão | A Fellowship decide publicar os livros de Corinne Heline |
| Também o Quarto de ‘Antiguidades’ ficou pronto. | ||
| 1988 | A cidade de Oceanside comemora seu centenário. | |
| 1991 | 24/abril | Oceanside emite uma Lei de Terremotos; Mount Ecclesia deve demolir três prédios devido esta Lei e realizar algumas obras de manutenção de alto custo. |
| 1992 | abril | Venda de um terreno situado na baixada |
| 1993 | Primavera | Substituição do computador velho. |
| 1994 | Verão | A restauração do Centro de Cura ficou pronto. |
| 1995 | fevereiro | Oceanside declara o prédio de 75 anos do Centro de Cura como Monumento Histórico |
| 1997 | Verão | Publicação de Memórias de Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz, escrito pela Sra. Augusta Foss Heindel em 1941, que contém 90 fotos históricas. |
| Os livros de Max Heindel também são colocados em CD-ROM e também um programa de astrologia e as efemérides de 1900-2000. | ||
| 1998 | fevereiro | Publicado Echoes from Mount Ecclesia de 1913-1919 que contém 51 fotos do passado. |
| 2001 | março | O administrador da website começou a publicar num site oficial os Relatórios das Reuniões e também os livros de Max Heindel e panfletos. |
| 2002 | 7/março | A diretoria decide proteger os Relatórios por uma senha de proteção, mas os documentos legais como Ata de Constituição e Regulamentos Internos ficaram disponíveis. Também é decidido publicar um resumo Financeiro regularmente. |
| 2/abril | A diretoria decide economizar nos custos de correio e decide diminuir o Echoes de oito para no máximo quatro páginas. | |
| 13/julho | Kenneth Ray decide deixar de ser jardineiro para dedicar todo o seu Tempo desenvolvendo um jardim em homenagem a Max e Augusta Heindel. | |
| Verão | Devido a problemas financeiros são implementadas medidas drásticas de economia. A diretoria analisa a possibilidade de vender ou alugar 1.8 ha de terras adquiridas em 1925. | |
| 2003 | outubro | Kenneth e Elizabeth Ray se demitem das funções de jardineiro e Secretária esotérica. |
| Outono | Um golpe do espanhol Francisco Nacher resultou em demissão imediata e expulsão de Charles Weber no dia 24/novembro, que durante 9 anos havia sido o redator da Rays e também responsável pela manutenção do jardim. Também foram retiradas mais dez pessoas de suas funções e a publicação da Rays foi descontinuada. | |
| junho | Nadine de Galzain entra com um processo contra a Fraternidade. | |
| Diretoria foi dissolvida legalmente e foi nomeado um Juiz para fazer mediação; foi nomeada uma comissão intermediária. A Diretoria vendeu quatro grandes palmeiras que foram retiradas em 8/6. | ||
| julho | Por maioria dos votos os membros aprovaram o novo regulamento. | |
| dezembro | Mount Ecclesia recebe uma doação de $ 12.000. | |
| 2005 | janeiro | Mount Ecclesia recebe uma herança de $ 93.800. |
| fevereiro | No dia 28/fevereiro é escolhida uma nova Diretoria que assumiria a função em abril. O prazo é de um, dois ou três anos, dependendo da quantidade de votos. | |
| dezembro | Entre julho e dezembro Charles Weber publica as 52 edições da Rays, editados por ele em seu Site pessoal. No final de dezembro a Diretoria ordenou que fosse imediatamente retirado do site e que ele deixasse de usar a logomarca, o que ele obedeceu. | |
| 2006 | julho | Alguns membros digitam o Echoes e a Rays de 1913-1919 e publicam na Internet. |
| 22/outubro | A Diretoria retira Danielle Chavalarias e Virgilio Rodriguez de suas funções de Presidente e Vice-Presidente. Membros das famílias Chavalarias, Rodriguez e Manimat são retirados de suas funções e solicitados a deixar suas moradias até dezembro. D. Chavalarias e V. Rodriguez permaneceram membros da Diretoria. | |
| Outono | A equipe de Mount Ecclesia era de 10 funcionários pagos (dos quais 3 não eram membros) e 5 voluntários, dos quais 2 recebem subsídio. | |
| 5/dezembro | Marie-José Clerc declarou que a ação contra a Diretoria não foi receptiva e que ela atingiu seu objetivo assinando um acordo, a saber a proteção das terras contra arrendamento ou venda. | |
| 2007 | Verão | A presidente Alexandra Porter e a Comissão decidem vender as 5 palmeiras que estavam mortas por causa de Fusarium Wilt para cobrir as despesas com a retirada delas. |
| 2008 | Primavera | A Presidente demite alguns funcionários de confiança, se recusa a fazer a Escola de Verão e proíbe alguns membros a fazerem cursos ou Palestras em Mount Ecclesia. A constante contenção de custos faz com que tenham poucos funcionários, não conseguem mais dar cursos e acaba o estoque de livros em Inglês e Espanhol para vender. |
| 5/julho | É escolhida uma nova Diretoria onde, entre outros, Edgar Anderson é Presidente e Jim Noel Vice-Presidente enquanto Alexandra Porter é mandada embora, fazendo com que um novo caminho seja trilhado. | |
| N.T.: | ||
| 2009 | Comemorado o Centenário da The Rosicrucian Fellowship | |
| 2011 | 3/17 julho | Comemorado o Centenário de Mount Ecclesia, celebrado de três modos: 1.) A Aquisição do terreno, em 3 de maio de 2011; 2.) O Centenário da Escola de Verão, em julho de 2011; 3.) A Centésima Consagração das terras à Grande Obra dos Irmãos Maiores da Rosa Cruz, de 28 a 30 de outubro de 2011. Reconsagraremos as terras pelos próximos cem anos à Grande Obra de promover os Ensinamentos Rosacruzes para ajudar no desenvolvimento espiritual da humanidade. |
| 2011 | 28 outubro | Comemorado o Centenário do Dia do Fundador: plantação de 2 palmeiras em frente à Casa de Hóspedes |
| 2012 | 28 outubro | Dia do Fundador: plantação de 28 palmeiras, 16 árvores frutíferas e vários arbustos |
| 2013 | Comemoração dos 700 anos de fundação da Ordem Rosacruz. Max Heindel nos disse em uma palestra proferida em 10 de dezembro de 1914 (Echoes 19) que uma onda de desenvolvimento espiritual foi iniciada na Ásia Oriental cerca de 600 anos antes de Cristo, influenciando todas as religiões, antes de chegar à Galileia onde tomou a forma presente da Religião Cristã, que se espalhou no Mundo Ocidental para prover os símbolos místicos que explicariam seus mistérios mais profundos aos pioneiros que estão trilhando o caminho em direção ao oeste. Cerca de 700 anos atrás, um posto avançado dos Mistérios Cristãos foi então fixado nos Éteres sobre a Alemanha, onde a Ordem da Rosa Cruz foi fundada em 1313, e começou a ensinar aos pioneiros que já estavam prontos. Quando Max Heindel hasteou a Bandeira Rosacruz sobre Mount Ecclesia, na fronteira mais ocidental do Novo Mundo (Costa do Pacífico), ele compartilhou a notícia que a Fraternidade Rosacruz tinha sido criada como o Centro Exotérico encarregado de preparar a transferência da Ordem Rosacruz em direção ao oeste. Ele disse que quando o Sol atingisse Aquário, em cerca de 480 anos, a própria Ordem realocar-se-ia em algum ponto da vizinhança. À medida que lemos sobre outros movimentos Rosacruzes e grupos metafísicos, podemos reconhecer a influência da Ordem a partir do início dos anos 1300. Contudo, a Fraternidade Rosacruz é a única associação com a missão específica de preparar pioneiros para o trabalho do Pai, do Filho e do Espírito Santo e para a Iniciação à Vida Eterna. | |
| 2013 | 27 fevereiro | O Centro Rosacruz de Los Angeles, EUA, celebra 100 anos. O Centro de Los Angeles teve início em 27 de fevereiro de 1913. Foi o primeiro Centro na Califórnia onde Max Heindel, ele mesmo, fez várias conferências antes de fundar Mount Ecclesia. Os Irmãos Maiores lhe disseram que ali não seria a Sede da Associação, embora suas conferências fossem sempre assistidas por um auditório cheio. Desde então, nesse magnífico Centro, muitos seguidores continuaram esse grande trabalho, por meio de serviços, aulas e oficinas, sempre se esforçando em disseminar os Ensinamentos |
| 2013 | junho | O Echoes From Mount Ecclesia celebra 100 anos. Em junho de 1913, Max Heindel fez o primeiro registro dos acontecimentos em Mount Ecclesia nas páginas do boletim que ele denominou “The Echoes From Mount Ecclesia”. Essa tradição de compartilhar as notícias da Sede e do mundo com nossos membros continuou ininterrupta até os dias de hoje. Lembremos as palavras de Max Heindel: “Embora o corpo de estudantes da FR esteja espalhado pelo mundo, livre de juramentos ou promessas no que diz respeito à sua vinculação com a Fraternidade, a força titânica de uma ardente aspiração nos une em um mesmo propósito: construir, sem o ruído de martelos, o Templo da Alma que é a verdadeira Igreja. Por conseguinte, todos olham para Mount Ecclesia como o foco físico das forças que objetivam elevar todos à estatura de Cristo, o “Amigo do Homem”, e todos estão ansiosos por notícias sobre as atividades da Sede, particularmente em relação à Escola de Filosofia e de Cura pronta a ser aberta. Há pouco espaço nas cartas e lições para conter os Ensinamentos. Portanto, este boletim será dedicado a notícias”. |
| 2014 | junho | Substituição da linha principal de gás, de 70 anos atrás, que se rompeu. |
| 2015 | dezembro | Novos Estatutos foram votados. |
| 2016 | agosto | Construída a sala que foi batizada como Sala de Conferências Max Heindel (sala multiuso, adicionando duas portas e uma parede, para uso em cursos, oficinas, seminários e aulas e também como um local para atividades de levantamento de fundos, venda de livros usados e outras), depois que o canto noroeste de nossa Loja de Livros de 4.000 pés quadrados foi esmagado por um antigo pinheiro, que foi arrancado do solo por uma violenta ventania. |
Senhora Blavatsky e a Doutrina Secreta
Cartas aos Probacionistas
Cartas aos Estudantes
Como reconheceremos Cristo em seu retorno?
As últimas horas de um espião
Ensinamentos de um Iniciado
Mistérios das Grandes Óperas
Os Mistérios dos Rosacruzes
Significação Mística do Natal
Iniciação Antiga e Moderna
Palestras do Cristianismo Rosacruz
A Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas 1
A Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas 2
Ensinamentos de um Iniciado
Maçonaria e Catolicismo
Algumas questões da primeira parte do Conceito Rosacruz do Cosmos de Max Heindel
Visão Etérica e o que ela revela
O Mistério das Glândulas Endócrinas
Interpretação Mística da Páscoa
Espíritos e Forças da Natureza
Princípios Ocultos de Saúde e Cura
Arquétipos
Princípios dos Rosacruzes para a Educação Infantil
A Escala Musical e o Esquema de Evolução
A Missão de Nosso Senhor Jesus Cristo
O Cordão Prateado e os Átomos-sementes
Aprisionados à Terra
Evolução sob o Ponto de Vista dos Rosacruzes
O Surgimento da Fraternidade Rosacruz
Memórias de Max Heindel e a Fraternidade Rosacruz
Histórias Aquarianas para Crianças
Na Terra dos Mortos que Vivem
Rex e Zendah
Echoes de Mount Ecclesia 1913-1919
Manual dos Rituais da Fraternidade Rosacruz
Cantos de Luz
Livro de Culinária Vegetariana da Nova Era
Rays from the Rose Cross [Raios da Rosacruz]
Saladas e Menus Vegetarianos
Registro total dos livros de Max Heindel
Anotações Científicas
Lições da Escola Dominical da Fraternidade Rosacruz
Rituais de Solstícios e Equinócios
ASTROLOGIA
Astrodiagnose, um Manual de Cura
Astrologia e as Glândulas Endócrinas
Ajudas Astrológicas
A Mensagem das Estrelas
O Horóscopo de seu Filho, parte 1
O Horóscopo de seu Filho, parte 2
Sistema de Palavras-Chave
Estudos de Astrologia
Astrologia Científica Simplificada
Efemérides Científica Simplificada
Tabela de Casas Científica Simplificada
F I M
[1] Com um fundo de azul celeste, na parede ocidental, encontra-se uma estrela dourada de cinco pontas, e cada ponta contém treze raios. Nela está fixada uma cruz branca, com uma guirlanda contendo sete rosas vermelhas. No centro da cruz, uma rosa branca. Somente durante os rituais o emblema é aberto. Em outros momentos é mantido coberto por uma cortina.
[2] Texto Retirado do Livro: Conceito Rosacruz do Cosmos, O Simbolismo da Rosacruz, de Max Heindel.
[3] Algumas palavras nestes parágrafos foram escritas no singular e foram alteradas para o plural.
[4] N.T.: Canção popular tradicional ou canção de ninar conhecida no Reino Unido. De acordo com o Dicionário Oxford de Citações (5º ed. 1999), uma impressão inicial do texto está contida em Archaeoligica Cornu-Britannica (1790) por William Pryce. O cenário musical por Isaac Nathan, da melodia habitual para esta canção, antecede 1864, o ano da sua morte. É possível que Nathan tenha composto a melodia, no entanto, poderia ser um arranjo de uma melodia preexistente.
[5] N.T: Escrita pelo americano Nathaniel Parker Willis (1806-1867) e musicada pelo americano Thomas Dunn English (1819-1902).
[6] Os cálculos astrológicos foram executados com o auxílio do programa Astrolab 3.008 de Ole Eshuis, Amsterdam.
[7] Este livro surgiu primeiramente em latim com o título Harmonice Mundi em Linz em 1619. Uma tradução para o Alemão feita por Max Caspar surgiu em 1940 como banda 6 do Gesammelte Werken von Johannes Kepler. Uma re-edição surgiu com o título: Was die Welt im Innersten Zusammenhalt. Antworten aus Kepler Schriften. Mit einer Einleitung, Erlauterungen und Glossar. Herausgegeben von Fritz Krafft, Wiesbaden 2005 [ISBN 3-86539-015-3]. Uma tradução em inglês surgiu como: The Harmony of the World, by Johannes Kepler, traduzido por E.J. Aiton; A.M. Duncan; J.V. Field; em Philadelphia em 1997 [ISBN 0-87169-209-0]. É o quarto livro, capítulo 5 denominado: ‘Sobre os efeitos dos aspectos influentes e seus graus em número e ordem de influência’.
[8] N.T.: Meio do Céu – cúspide da 10ª Casa
[9] N.T.: Naometria (“medição do templo”) é um livro de profecias atribuídas a Simon Studion e publicado em 1604. Suas duas mil páginas cobrem previsões baseadas em numerologia que incluem a destruição do Papado. Foi dedicado a Frederico I, duque de Württemberg.
[10] N.T.: LMT (Local Mean Time) – Tempo Médio Local é uma forma de tempo solar que corrige as variações de tempo aparente local; a formação de uma escala de tempo uniforme a uma longitude específica. Esta medição do tempo foi utilizada, para o uso diário, durante o século 19, antes de que os fusos horários fossem introduzidos, a partir do final do século 19; ele ainda tem alguns usos na astronomia e navegação.
[11] N.T.: GMT ou TMG é um acrônimo para Greenwich Mean Time, que, em português, significa Hora Média de Greenwich (mais comumente chamado de Hora de Greenwich), e que é conhecido como o marcador oficial de tempo. O fuso horário é contabilizado a partir do meridiano de Greenwich: para oeste, o fuso é negativo; para leste, será positivo.
Assim, num lugar do planeta onde o fuso-horário é GMT-02:00, o horário GMT será diminuído de 2 horas. Desta forma, 17h GMT numa região GMT-02:00 será 15h no horário local desta região. No dia 1 de Janeiro de 1972, o GMT foi substituído pelo UTC, como referencial de tempo universal.
[12] Johann Valentin Andreae, Memorialia, benevolentium honori, amori et condolentiae data. Argentorati, sumptibus haeredum Lazari Zetneri, Anno M.DC.XIX. Tobiae Hessi, viri incomparabilis, immortalitas, MDCXIX. A tradução em holandês foi fornecida pela Bibliotheca Philosophica Hermetica em Amsterdam.
[13] Isto é conforme o calendário Gregoriano ou atual; conforme o calendário Juliano é 10 dias antes. Isto também vale para o século XVII.
[14] Hans Schick, Die geheime Geschichte der Rosenkreuzer (A História Secreta dos Rosacruzes), Schwarzenberg CH 1980, pág. 116.
[15] J.V. Andreae, Collectaneorum mathematicum decades XI, Tubingen 1614, figura 42 (e não 36 como J.W.. Montgomery em Cross and Crucible, Den Haag 1973, escreveu em sua nota de rodapé 120 da pág. 51).
[16] N.T.: Manual de Astrologia: A Mensagem das Estrelas
[17] N.T.: Manual de Astrologia
[18] Steiner não nasceu no dia 27, neste dia ele foi batizado. Veja entre outros: Christoph Lindenberg; Rudolf Steiner, Rowohlt pocket, nr. 1090, Stutgart 1988, pág. 8.
[19] Londres, mesmo ano, 3ª Edição, pág. 42 sob o nr. 753. Leo informa que recebeu o momento do nascimento de von Sievers e também referência seu livro How to judge a Nativity, parte 2, 388 e 247. Este livro mais tarde foi intitulado como The Art of Synthesis, Londres 1912. Na pág. 206-211 tem o Mapa de Steiner e descrição, calculado para 27 de fevereiro de 1861.
[20] Do Estado da Califórnia, departamento de Health and Services, County of Riverside, ato 3355 (Com agradecimentos a Norman Schwenk).
[21] Do Estado da Califórnia, County of Los Angeles, Marriage License nr 1337 (Com agradecimentos a Norman Schwenk).
[22] Do Livro Mensagem das Estrelas, horóscopo número 2, de Max Heindel e Augusta Foss Heindel. Veja também o livro A Teia do Destino, parte 3 e 4, de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
[23] As informações sobre Martinus van Warendorp são do Registro de Cidadãos de Amsterdam, do Registro de Cidadãos de s-Gravendeel e do Serviço Central de Genealogia em Haia. As informações de Agatha Zegwaard são, para o nascimento e falecimento, do Cartório de Amstelveen e Bussum. A data em que se tornou vegetariana, associação, etc. foram retirados de seu caderno de anotações, que estavam na posse de Jaap Kwikkel, que eu recebi posteriormente ao seu falecimento e que depois foram doados à Biblioteca Philosophica Hermetica em Amsterdam. Muitos dados eu recebi do Sr. Jaap Kwikkel e também retirei de sua biografia denominada Herinneringen (NT: Lembranças), escrito em Nijverdal de 1986-1988. Datilografado em 442 páginas em formato A4 e distribuído com algumas cópias somente para os filhos. Seu filho Michel me permitiu fazer uma cópia. Aqui são importantes: páginas 141-153: Membro dos Rosacruzes; pág. 208-215: As intrigas de Jan Leene; páginas 308-310: Senhora Van Warendorp. Jaap Kwikkel nasceu em 23-03-1896 às 1:15 horas conforme sua mãe, às 4:00 horas conforme os dados do Registro e conforme ele mesmo às 3:00 horas em Zaandam, onde ele possuía uma loja de ervas. Ele faleceu no dia 1-12-1990 no meio da tarde em Nijverdal.
[24] O título era: Rozenkruizers Cosmologie, of Mystiek Christendom (NT: Cosmologia dos Rosacruzes ou Cristianismo Místico) traduzido do Inglês por A. J. J. Hattinga Raven, editado em 1913 por: N.V. Editora Teosófica, Amsteldijk 79, Amsterdam. A 2ª Edição de 1924 foi publicada pela mesma Editora, mas se chamava então “Gnosis”, situada em Celebesstraat 65, em Amsterdam. O proprietário era o Sr. W. Symons. Mais tarde a Editora se mudou para o Voltaplein 1.
[25] Quando o Centro da The Rosicrucian Fellowship de Amsterdam se tornou um charter (com certificado de reconhecimento) não é conhecido. Existiam alguns pequenos grupos que se denominavam “The Rosicrucian Fellowship”, mas não eram filiados e tiveram uma existência curta. Veja Ferdinand Maack, “Das Rosenkreuz”, A. A. W. Santing, Notities bij de geschiedenis der R + Cr beweging in de 20e eeuw (NT: Anotações da história de R + Cr no início do Século 20), Hamburg 1923, pág. 15-16. Jaap Kwikkel, Herinneringen, Nijverdaal 1988, pág. 142, 153. Rays from the Rose Cross, julho de 1921, pág. 119.
[26] Veja também: 1927-1967, 40 Jahre Rosenkreuzer-Bewegung in Deutschland (NT: 1927-1967, 40 anos do Movimento Rosacruzes na Alemanha). Eine Denkschrift der Rosenkreuzer-Gemeinschaft, Deutsche Zentralstelle Darmstadt, Fruhjahr 1967 (NT: um pensamento da Comunidade Rosacruz, Central Alemã em Darmstad, no ano de 1967), Pág. 3.
[27] Dados de nascimento fornecidos pelo Cartório de Registros de Haarlem. Veja também a genealogia Leene/Leenties, levantada por Jan Jans Leenties, 25 de março de 2002 na internet.
[28] Jan e Wim foram, em 1924, seguir as lições, o que durou meio ano. Após terem feito isto se tornaram “Estudantes Regulares” o que durou 2 anos. Depois puderam se tornar Probacionistas. Isto deve ter ocorrido por volta de 1927/28. Como Probacionista pode iniciar um Centro de Estudos.
[29] Todas as cartas sobre esta questão estão em meu arquivo pessoal.
[30] O fato de citar os Estudantes é uma exceção, porque apenas os Probacionistas e Discípulos têm direito a voto.
[31] N.T.: Francis Bacon (1561-1626) – político, filósofo e ensaísta inglês.
[32] N.T.: por vezes grafado como Jacob Boëhme (1575-1624) – filósofo e místico luterano alemão
[33] N.T.: Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) – autor e estadista alemão que também fez incursões pelo campo da ciência natural
[34] N.T.: Wilhelm Richard Wagner (1813-1883) – maestro, compositor, diretor de teatro e ensaísta alemão
[35] Max Heindel, no Livro: Conceito Rosacruz do Cosmos, Cap. XIX
[36] NT: O Warhaffte e preparação perfeita da Pedra Filosofal, A Irmandade da Ordem do florim – e Rosa Cruzes, etc.
[37] Catálogo da Exposição Magia, alchemia, scienza dal ‘400 al ‘700 L´influsso di Ermete Trismegisto em maio de 2002 em Veneza, parte 2, págs. 225-228. Este manuscrito (BN codex XII – E – 30 ff. 226r-242v), que se encontra na Bibliotheca Nazionale em Nápoles, é descrito por Gilly no mesmo catálogo sob o número 87, pág. 221-224.
[38] Adolf A.W. Santing, ‘Os Rosacruzes históricos e sua conexão com os maçons’ em Bouwstenen, ano 5, nr. 1, abril de 1930 até ano 7, nr. 4, julho de 1932. Também foi reeditado sob o título: ‘Os Rosacruzes Históricos’, pela Editora W.N. Schors, Amsterdam mesmo ano [1977], pág. 130-162.
[39] Idib, pág. 195-254. Veja também Karl R. H. Frick, Die Erleuchleten, Graz 1973, pág. 419-424.
[40] Karl R.H. Frick, Licht und Finsternis II, pág. 402-404, 429-430.
[41] Veja item 10.
[42] Veja item 9.
[43] Frick, Licht und Finsternis II, Pág. 429-437.
[44] Frick, Licht und Finsternis II, pág. 346.
[45] No que se refere a Bulwer Lytton não existe arquivo histórico de filiação à maçonaria e nem a qualquer grupo de Rosacruzes. Parece não ter tido nada contra ser membro honorário da SRIA. Veja Frick, Licht und Finsternis II, Pág. 350.
[46] Veja item 5.
[47] Frick, Licht und Finsternis II, pág. 355.
[48] Literatura: Licht und Finsternis II, pág. 452-355; Ellic Howe, The Magicians of the Golden Dawn, Oxford 1972; R.A. Gilbert, The Golden Dawn; Twilight of the Magicians, Welling-borough, Northamptonshire 1983 e R.A. Gilbert, The Golden Dawn Scrapbook; The Rise and Fall of a Magical Order, York Beach 1997.
[49] N.T.: A lignina é uma macromolécula tridimensional amorfa encontrada nas plantas terrestres, associada à celulose.
[50] Literatura: Helmut Moller e Ellic Howe, Merlin Peregrinus; Von Untergrund des Abendlandes, Wurzburg 1986. Karl R.H. Frick, Licht und Finsternis II, pág. 462-475.
[51] Frick, Licht und Finsternis II, pág. 391, 393.
[52] Veja item 10.
[53] Frick, Licht und Finsternis II, pág. 393.
[54] Veja para uma explicação completa Adendo 7.
[55] H. Spencer Lewis, Rosicrucian Questions and Answers; with complete history of the Rosicrucian Order, San Jose 1954, Capítulo 8. A Ordem foi fundada no Canadá.
[56] Christopher McIntosch, The Rosicrucians, Northamptonshire 1987, pág. 135.
[57] Dados de nascimento adquiridos no Registro Civil de Rotterdam, com agradecimentos ao Sr. F. Vermeulen.
[58] Konrad Dietzfelbinger, Die Geistesschule des Goldenen Rosenkreuzes – Lectorium Rosicrucianum; eine spirituelle Gemeinschaft der Gegenwart (A escola de pensamento do Rosacruz Dourado – Lectorium Rosicrucianum; uma comunidade espiritual da presença), Andechs 1999, pág. 96 e Antonin Gadal, Op Weg naar de heilige Graal (A Caminho do Santo Graal), Haarlem 1960, pág. 148.
[59] Entrevista com Henk Leene, o filho de Jan Leene, em 24 de agosto de 1998 em Oz, França por Frans Smit.
[60] Veja também o Adendo 12 ‘Agatha van Warendorp-Zegwaard’.
Aqui temos uma história oculta sobre o relacionamento entre pessoas provocado justamente pelo destino e que as fazem aprenderem lições conjuntas que enriquecem a vida aqui e ajudam a evoluir espiritualmente nessa vida.
1. Para fazer download ou imprimir:
2. Para estudar no próprio site:
Relações Provocadas pelo Destino entre Pessoas: Uma História Oculta
Por um Estudante
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido, Compilado e Revisado de acordo com:
Links of Destiny
1ª Edição em Inglês, 1916 a 1917, in The Rays from The Rose Cross – The Rosicrucian Fellowship
pelos Irmãos e pelas Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
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CAPÍTULO I – ESCOLA DE TIJOLOS VERMELHOS
Os tons amarelados de um pôr do sol dourado iluminavam o céu do oeste e banhavam, em um esplendor momentâneo, a modesta rua da vila. As pequenas e humildes moradias resplandeciam na glória da transformação, enquanto o suave brilho âmbar repousava sobre elas. Ao passar, lançou um raio trêmulo de luz sobre as janelas da velha escola de tijolos vermelhos, na estrada principal — e então desapareceu lentamente sobre as colinas cobertas de faias e bordos que coroavam o horizonte.
O desgastado estrado de madeira captou o último lampejo de esplendor, e Ralph Remington, sentado à sua mesa, ergueu os olhos cansados para encontrar o brilho dourado. Um halo de luz repousava sobre sua cabeça, trazendo certa paz ao seu espírito solitário. Ao ouvir a música crepuscular da natureza, em seu fim pianíssimo [muito suave], ele quase se esqueceu dos fardos que carregava e que, poucos momentos antes, pareciam tão pesados.
O bálsamo aromático dos pinheiros entrava pelas janelas abertas, misturando-se suavemente ao perfume da rosa silvestre e da roseira-brava. Com o murmúrio do riacho límpido, que corria sobre as pedras brancas e lisas, vinham aromas deliciosos do vale dos fetos, onde a Natureza revelava alguns de seus segredos maravilhosos a quem quisesse ouvir.
O mestre-escola inspirou longas e profundas respirações do ar perfumado e sentiu-se momentaneamente revigorado. Então voltou-se novamente para os papéis sobre sua mesa e concentrou a consciência nos problemas de seus alunos. Continuou trabalhando, indiferente ao que o cercava, enquanto o longo dia de verão chegava ao fim. As aves deixaram de esvoaçar e o laborioso zumbido das abelhas se dissolveu num indistinto e sonolento murmúrio.
As inúmeras formas de vida trêmula da floresta cessaram instintivamente sua agitação inquieta. A paz pairava sobre a paisagem: o dia chegara ao fim. Formas estranhas e fantásticas surgiam gradualmente do crepúsculo que se adensava, acumulando-se nos cantos e entre os rudes bancos de madeira.
Mesmo assim, Ralph Remington permanecia sentado à sua mesa, de cabeça baixa, aparentemente alheio à escuridão que se adensava. Em retrospecção, revivia os anos passados — exteriormente sereno, discreto, convencional, mas, por dentro, movendo-se entre tempestades e conflitos até o desfecho. Suas provações começavam a assumir forma concreta e uma crise parecia aproximar-se.
De repente, a sombra de uma figura apareceu na porta e uma voz metálica enviou vibrações discordantes através da quietude da noite.
— Ainda aqui, é? Fui até a Villa para te ver! Sonhando, Ralph? Bem, sonhos não levam ninguém a lugar algum! Uh — este é um lugar fantasmagórico!
Repentinamente despertado do seu devaneio, Ralph Remington levantou-se e aproximou-se do intruso com a mão estendida: “Boa noite, Horace!”.
Por um momento, ficaram em silêncio, observando-se mutuamente. Então, Horace Rathburn perguntou, com um tom que irritava os ouvidos do homem de coração gentil à sua frente: “Então, você já considerou a minha proposta?”.
— Isso teria sido um gasto desnecessário de força mental, Horace! Minha resposta para você naquela noite foi definitiva.
— Posso então inferir que você não usará sequer a influência que possui para garantir o objetivo proposto? É um pedido pequeno — e mesmo assim traria resultados altamente benéficos para todas as partes!
— Isso não é algo para nós decidirmos. Os principais envolvidos no caso são os únicos que têm interesse.
— Uma posição tola para assumir, Ralph Remington! Você influencia sua filha em tudo e a natureza dela é uma réplica da sua: você é seu modelo, em resumo; mas quando chega o momento mais importante da vida dela, também da sua, você se afasta e a deixa à deriva, entregue a um simples capricho, um devaneio! É melhor você reconsiderar o assunto!
— O tempo em que os pais decidiam os destinos dos filhos já passou. Marozia possui, de maneira incomum, as finas e aguçadas intuições femininas. O julgamento dela será a voz decisiva neste assunto, assim como em outras questões que a envolvem!
Havia uma firmeza silenciosa na voz de Ralph Remington que Horace Rathburn compreendia bem. No entanto, a persistência era sua característica mais marcante.
— Marque bem isto, Ralph! Não estou com disposição para continuar sendo enganado! A felicidade do meu filho está em jogo e agora será guerra até a morte, a menos que você ceda! Ralph Remington permaneceu em silêncio.
O estalar da brita sob seus pés, enquanto caminhavam entre pinheiros e cicutas, o canto dos grilos e o coaxar dos sapos no pântano distante eram os únicos sons que quebravam a quietude da noite. Horace Rathburn não suportava o silêncio. Era um homem de ação, e algo precisava ser dito ou feito a cada momento de vigília, não importando a natureza do que fosse dito ou feito. Sonhos, como ele chamava os silêncios da alma — eram totalmente supérfluos.
— Você ouviu, Ralph? Guerra até a morte! A menos que você ceda.
— Você já me viu ceder quando um princípio estava em jogo?
Horace Rathburn lembrou-se imediatamente de várias ocasiões no passado em que a vontade inflexível de Ralph Remington, empregada em favor do que era certo, havia frustrado seus planos perversos — e a lembrança não era nada agradável. Ele se contraiu e se remexeu levemente sob o olhar direto e penetrante que lhe era lançado na penumbra. Então, mudou seu método de ataque.
— Um belo subterfúgio esse: mandar sua filha para a escola em Utica, tendo uma escola preparatória aqui em Unadilla, da qual o meu ilustre colega, Ralph Remington, é o… ah… hm… diretor!
— Poupe seu sarcasmo, Horace Rathburn! A ocasião não justifica seu esforço.
— Mais uma vez, então, você recusa o meu pedido? Tem coragem de recusá-lo, sabendo o que isso significa para sua filha em termos de um futuro brilhante?
— Eu me recuso a interferir, de qualquer forma, nos direitos e prerrogativas da minha filha. Além disso, não quero que ela seja incomodada, sequer minimamente, por quaisquer sugestões ao retornar para casa. Esse é um assunto sagrado demais para ser invadido de forma tão impiedosa, especialmente depois do tom mercenário que você acabou de adotar.
— Então, entendo que você está dizendo que permitirá que ela faça o que quiser, mesmo que isso leve à miséria?
— Sua linguagem é exagerada, Horace. Pessoas de inteligência e instrução raramente se tornam miseráveis! Elas podem ganhar o próprio sustento.
— Então modifique, se quiser. O que pensará, quando ver a bela Marozia Remington trabalhando para ganhar o próprio sustento?
Uma súbita e bela luz irradiou do expressivo rosto de Ralph Remington, enquanto ele erguia a mão no gesto solene e forense que o caracterizava quando sua alma estava na arena, lutando pelo certo contra forças visíveis ou invisíveis.
— Isso não seria o pior dos males! Mil vezes melhor que ela fosse até mesmo uma miserável do que uma noiva infeliz. Nenhum jugo é tão opressor quanto o jugo matrimonial, quando une duas pessoas que vivem em planos diferentes. Seu filho é materialista, minha filha é idealista. Seria apenas mais um caso de união malformada e é sempre o idealista quem sofre. Claude não perceberia a disparidade, mas isso destruiria Marozia. Somente a verdadeira união de almas pode trazer felicidade a um casamento assim.
— Humm! Um sentimento um tanto esfarrapado e gasto, parece-me! Muito mais adequado à era da cavalaria do que a esta! Eu lhe digo, Ralph — seu tom mudou rapidamente para o de um promotor quase solícito, cuja simpatia se expande de forma diretamente proporcional ao desinteresse crescente da vítima em potencial — você e eu já estamos na ladeira descendente da colina e para nós isso não importa tanto, mas eu posso ver as marcas de dedo na parede!
— Deixe-me dizer algo como um velho amigo. O dinheiro será o poder dominante. Em menos de uma década, você verá que ele será o deus supremo. Inteligência não terá mérito; na verdade, será um obstáculo! Cultura, educação, linhagem: tudo estará em desvalorização. O amor será confirmado como aquilo que todas as pessoas sensatas já consideram, mera loucura ou tolice sentimental, adequada apenas para jovens imaturos e garotas tolas. Marozia é sensata demais para desperdiçar todas as suas chances de progresso em troca de um sentimento tolo como o que você expressou. Eu conheço algo do seu calibre mental e ambição de se destacar por meio de esforços intelectuais. Você sabe que isso não pode ser feito sem dinheiro… ou o seu equivalente, a influência!
— Horace, eu me recuso a continuar discutindo sobre esse nobre sentimento e não vejo razão para prolongar esta conversa.
— Bem, pode ser que haja uma ou duas razões do meu lado!
Tirou de um bolso interno um embrulho. O caminho de cascalho sob as cicutas fundia-se, naquele ponto, à rua da aldeia e, na penumbra, Ralph Remington viu o brilho malévolo nos olhos que estavam fixos nele. Um sapo preencheu a pausa com seu coaxar gutural. Ralph estremeceu ao erguer o olhar para a beleza serena dos céus. A voz metálica soou áspera em seus ouvidos sensíveis. As palavras seguintes ecoaram com a precisão cortante de quem está seguro de sua posição.
— Com base nos dados que tenho, sei que o estado de suas finanças está longe de ser satisfatório, para dizer o mínimo. Eu lhe ofereci a oportunidade de recuperar sua fortuna arruinada e colocar sua filha em uma posição condizente com seu caráter e conquistas. Você desprezou minhas propostas. Está vendo estas notas? Estão vencidas!
À luz que se projetava do correio da aldeia, Horace Rathburn pôde ver o efeito desse último golpe. Sua vítima pareceu atordoada por um momento. Ele não imaginara que as coisas tivessem chegado a tal crise.
— O que significa isso, Horace?
— Ah, eu as comprei, simplesmente.
— Isso é um jogo de extorsão… ou o quê?
— Dê o nome que você quiser. Tenho certeza da minha posição legal nesse assunto. Além disso, não me importo sequer um pouco. Agora você vai aceitar minhas condições!
Seu modo havia se tornado, de repente, intolerável. Havia nele uma insolência fria e arrogante que representava um insulto imensurável para o homem de grande alma que caminhava ao seu lado. Um apito estridente lhes feriu os ouvidos, quando o trem da noite contornou uma curva das colinas.
— Vou dar um tempo razoável para você pensar, mas você sabe qual é a alternativa. Boa noite.
CAPÍTULO II – Conexões do Destino
A velha carruagem, que levara Marozia Remington da sua casa até Utica, fora agora substituída pela ferrovia. A aldeia primitiva, colocada assim em comunicação direta com a cidade de Nova York, recebera da grande metrópole certas importações não totalmente condizentes com seu caráter rural. Seu antigo encanto residia em sua simplicidade rústica. Habitantes cansados da cidade fugiam para lá durante os quentes meses de verão a fim de descansar e recuperar as forças entre as colinas azuladas. Desde que a ferrovia estendera seus ramais da linha principal para todos os ricos assentamentos agrícolas e povoados vizinhos, chalés e vilas começaram a brotar às margens dos lagos límpidos de águas azuis. Ricos nova-iorquinos haviam previsto as vantagens desse local como estância de veraneio. Ainda estava em sua fase embrionária. Até então, era pouco mais do que um sonho na Mente de Horace Rathburn e de um ou dois outros empreendedores e capitalistas. Esses homens olhavam para o futuro e viam possibilidades nesse lugar.
Nessa fase de transição, a aldeia começava a crescer desajeitada, como uma camponesa que se enfeita com bugigangas e joias de vidro e finge sofisticação. Havia perdido o antigo encanto e ainda não adquirira o mais refinado, o da verdadeira cultura. Para Marozia, que estava repleta do entusiasmo infantil de uma viajante que retorna, a vulgaridade meio oculta ainda não se tornara aparente. Ela prendeu a respiração com um arrepio de deleite quando o trem, que a levava de volta para casa, contornou uma curva e visões cintilantes de azul e verde desfilaram diante dos seus olhos. Ora margeava um lago azul, ora atravessava uma muralha de rocha — então, outra abertura na cadeia de bosques ondulantes revelava sua aldeia natal, em sua pitoresca simplicidade, aos pés das colinas. No crepúsculo que se adensava, ela pôde distinguir ao longe a Farmington Villa, erguida no cume de uma das colinas de Beachwood, e estremeceu de emoção diante daquela visão. Enfim, ela estava em casa — e ali estava seu pai, na estação, à sua espera. Com a ansiedade de uma criança ela se lançou para encontrá-lo, mas recuou de súbito quando viu o seu rosto.
— Oh, por que eu o deixei, pai? — ela exclamou com algo na voz que parecia um soluço contido. — Por que eu o deixei?
Ele sorriu ternamente ao pousar a mão sobre os cabelos dela com seu antigo toque carinhoso.
— Isso não lhe fez mal, querida? — disse ele, em tom de pergunta e afirmação, enquanto seus olhos gentis repousavam sobre o rosto dela.
— Não, mas você… você, pai! Você sofreu e eu posso ver isso. Emagreceu muito também! Oh, pai, por que eu fui embora?
— Por que você não deveria ter ido? — ele perguntou com um sorriso terno, meio curioso.
— Porque você precisava de mim aqui.
— De fato, querida, não sou um tirano ridículo o suficiente para mantê-la em casa, afastada da escola, apenas para atender às minhas necessidades imaginárias.
Ela percebeu que ele tremia, como de fraqueza, quando ela segurou seu braço. Ela procurou a carruagem e o velho cavalo da família. Ele leu em seu olhar a pergunta silenciosa e disse em tom mais baixo.
— Vendi o cavalo e a carruagem no mês passado. Você se sente capaz de caminhar, minha filha?
Ele virou o rosto para que ela não percebesse a emoção estampada ali.
— Você sabe que costumávamos caminhar muitas vezes, você e eu, minha menina, e será como nos velhos tempos outra vez. Mas tem certeza de que não está cansada demais? — acrescentou ele, com profunda solicitude na voz.
— Só estou cansada de ficar sentada. Estou ansiosa para caminhar!
Mesmo assim, ela se perguntava por que motivo ele vendeu o velho cavalo da família.
Uma multidão curiosa os observava enquanto se afastavam e passavam pela agência dos correios da vila. “Agência dos correios” era o nome que ostentava, mas como muitos exemplares da espécie humana, exibia uma aparência que não conseguia sustentar. Uma vez lá dentro, suas limitações eram dolorosamente aparentes. Ocupava apenas um pequeno canto de uma loja, que ostentava uma placa que dizia “Mercearia e Miudezas Yankee” em grandes letras pretas na frente outrora imaculada. Agora, cinza com as tempestades de muitos anos.
A multidão heterogênea de desocupados naquela hora utilizava barris de melaço e açúcar, além de caixas de sabão, como assentos, enquanto se sentava para entalhar pedaços de madeira e se entregava às costumeiras fofocas da aldeia. Diferia apenas, em relação àquelas espalhadas durante os chás dos círculos de costura das mulheres, nos adjetivos e nas exclamações.
O respeito pela nossa frequentemente mutilada língua inglesa e pelas leis do esteticismo impedem um relato literal da discussão que surgiu naquela noite sobre o retorno de Marozia Remington de Utica. O consenso geral parecia ser de que a educação para as mulheres fosse inteiramente supérflua e, nesse caso, pouco menos do que criminosa, considerando a arruinada situação financeira dos Remingtons. Rube Slater parecia ser o presidente do conclave de desocupados e seu discurso de abertura à assembleia começou da seguinte forma.
— Bem, eu acho que a Marozia Remington carrega a cabeça um tiquinho alto demais, considerando as coisas!
Enquanto falava, dois filetes amarronzados escorriam pelos cantos de sua boca grande, seguiam caminho tortuoso pelo queixo enrugado e, por fim, perdiam-se entre a barba rala e avermelhada que o adornava.
Zeke Ketchum tinha de fonte bastante confiável que “ela” havia retornado justamente nesse momento para entrar em competição com as irmãs Watson e outras moças do condado a fim de conquistar o prêmio matrimonial da temporada — Claude Rathburn, filho do promotor e capitalista.
Havia uma ligeira diferença na formulação entre os membros do “conselho da aldeia”, mas todos concordavam em um ponto, a saber: que os Remingtons eram excessivamente aristocráticos e precisavam ser rebaixados alguns “graus”.
Marozia e seu pai, completamente inconsciente aos comentários que despertavam, subiram pela longa rua da aldeia e desapareceram de vista. A antiga “casa de reuniões” erguia-se diante de seu semicírculo de abrigos para carroças, rígida, cinzenta e sóbria — em marcado contraste com a pequena igreja gótica do outro lado do caminho.
Mais adiante, passaram pela antiga escola vermelha, aninhada entre os abetos e pinheiros, depois pelo moinho semiarruinado com sua enorme roda d’água que se erguia negra e espectral na luz que se desvanecia. Seguiram pela “estrada da colina”. Marozia notou que tudo lhe parecesse ainda mais primitivo do que antes, depois do seu ano de vida na cidade — e, no entanto, amava mais. O amor tem o dom de idealizar todos os defeitos.
Houve um tempo em que ela sentia apenas um desprezo intolerável por seu ambiente na aldeia. Agora, idealizava sua simplicidade arcadiana. Sentia-se feliz ao caminhar de braço dado com o pai pela estrada pedregosa. O mesmo e velho sapo que havia tomado posse do seu tronco no pântano anunciou sua presença. Sua voz era patriarcal e ele praticamente bramia. Marozia soltou uma risadinha divertida e lançou um olhar furtivo ao pai. A expressão em seu rosto a surpreendeu. Suas próximas palavras foram ditas em tom menor.
— Essas criaturas não têm a menor noção de que seus esforços de expressão soam como uma nota dissonante na música do Universo. Eu me pergunto se a nossa música afeta do mesmo jeito as Inteligências superiores de outros mundos! Os sapos têm seus noturnos e nós, nossas sinfonias; lá em cima, nos mundos tonais, toda a nossa música pode parecer rudimentar! Nossa própria vida, com todas as suas elevadas aspirações, pode ser uma dissonância na harmonia universal.
O sapo respondeu em seu baixo profundo e ambos sorriram.
— Que angustiante! — ele disse, e ela instintivamente soube que seu pai estivesse sofrendo.
Sua simpatia intuitiva nunca precisou de detalhes verbais.
Ela tentou, em meio a uma brincadeira meiga e bem-humorada, dissipar a melancolia, mas depois insistiria em sua determinação de conhecer a causa.
Sua Mente analítica jamais descansava e obedecia ao indício do sexto sentido adivinhatório para compreender a causa subjacente dos eventos.
Agora, era necessário mudar o curso dos pensamentos dele com o seu brilho mágico.
— Não foi meu pai quem falou. Ele teria falado da seguinte forma: se nossos sentidos fossem suficientemente aguçados, poderíamos perceber a harmonia subjacente até mesmo no coaxar de um sapo!
Sua alma emergiu de repente das trevas. O sorriso terno dela e o leve tremor em sua voz revelaram sua simpatia abrangente. As palavras eram apenas uma brincadeira. Um sorriso sereno, luminoso como a luz, pairava sobre as marcas do cansaço.
— Ah, perdoe o meu pequeno deslize filosófico, Marozia, minha filha! Na verdade, nossa vida é grandiosa e bela, mesmo com seu canto fúnebre de dor. Todos os tons são necessários, até mesmo aquilo que chamamos de dissonâncias, para compor a música das esferas. É apenas uma questão de ajuste, combinação. Mesmo assim, a nossa Terra, com sua multiplicidade de tons, toca apenas um acorde na poderosa harmonia do Universo.
— Falou como meu querido pai! — exclamou a jovem com terna paixão. — Ele podia ver o brilho delicado de seu sorriso na penumbra, que lutava por atravessar a densa folhagem.
— Não existe lado sombrio quando vemos de forma abrangente, com clareza suficiente; ainda assim… — Ele se interrompeu de repente e a velha sombra voltou a se insinuar em seu rosto. — É o agora e o aqui que mais nos afeta, apesar de toda a nossa bela filosofia. Por uma pequena nota falsa, ou um gesto em falso, todo o ritmo se desfaz: ao menos nesta vida. É preciso haver unidade de objetivo e propósito, harmonia: uma união verdadeira!
Uma alma menos intuitiva que a de Marozia teria questionado, ou em silêncio se espantado com a transição abrupta. Ela compreendia o hábito de seu pai de devanear em tom rítmico. Sabia que sua Mente tivesse mudado rapidamente de opinião e estivesse contemplando outra fase do seu problema. Sabia que ele tivesse problemas a resolver e que, com sua ampla e abrangente simpatia, pudesse compreender muitas coisas que não lhe haviam ocorrido de fato pela via da experiência. Seus devaneios continuaram…
— Podemos teorizar sobre a beleza abstrata, mas são as simples experiências humanas do dia a dia que determinam a ventura ou a desventura. A felicidade ou a miséria doméstica talvez não dependam tanto de condições ideais, mas sim do enlace. Viver em planos diferentes, ter interesses muito distantes é uma tortura inconcebível para aquele que aspira mais alto — e se torna ainda mais intolerável com o passar dos anos! — Ainda assim, ela permaneceu em silêncio.
— Marozia! — Sua voz estava tão vibrante de profunda tristeza que ela se voltou e olhou para ele.
Não podia distinguir-lhe os traços, pois a luz que se filtrava pela mata já era demasiado tênue para revelar mais do que contornos indistintos. — Marozia!
— Sim, querido pai. — Um arrepio percorreu o seu coração.
Ele hesitou. Através da multiplicidade de emoções conflitantes e do esforço multidimensional que o consumia, não conseguia trazer à tona para ela o tema que desejava abordar. Só pôde vacilar fracamente, percebendo, ao pronunciá-las, a fútil inadequação das palavras.
— Espero que, quando chegar o momento, minha filha escolha o verdadeiro companheiro.
— Mas por que preciso escolher, pai? Só preciso de você!
Seu olhar era tão claro e direto quanto o de uma criança.
Ele leu seu coração e soube que ainda estivesse intacto.
Chegaram à Villa e a Sra. Remington estava na varanda para cumprimentar Marozia. Sua cordialidade era tão forçada que se aproximava da efusividade artificial. O semblante do Sr. Remington se carregou de nuvens e ele entendeu o rosto fascinante e sombrio que sorriu por cima do ombro da esposa; Claude Rathburn avançou com graça despreocupada para cumprimentar Marozia.
Como indicado no Livro: Mensagem das Estrelas, Capítulo XVIII, A Doutrina da Delineação em Poucas Palavras (para acessá-lo clique aqui), Max Heindel utilizou a técnica da combinação das palavras-chave de todos os outros Astros e Aspectos da Tabela que consta naquele capítulo para fazer as interpretações desses horóscopos e sugere que os Estudantes Rosacruzes também o façam. Nas palavras dele: “Isso os capacitará a uma boa leitura de qualquer horóscopo, mesmo com pouca prática. Para mais demonstrações práticas desse método sugerimos aos Estudantes que examinem os horóscopos de crianças publicados nos Livros Interpretações Astrológicas de Temas de Criança. Esses horóscopos constituem uma fonte de ensino que nenhum Estudante Rosacruz desejoso de se aperfeiçoar na ciência estelar pode dispensar. As palavras-chave proporcionarão o que foi dito a respeito da natureza geral dos Astros sob consideração; isso ele poderá combinar com a natureza dos Signos e das Casas em que os Astros estão, caso queira uma interpretação completa.”.
Essas interpretações astrológicas dos horóscopos feitas por Max Heindel, mensageiro dos Irmãos Maiores da Rosacruz e fundador da Fraternidade Rosacruz, foram publicadas primeiramente na Revista da Fraternidade Rosacruz, Rays from the Rose Cross, durante os anos de 1921 a dezembro de 1929.
Não foram impressas anteriormente em formato de livro, mas a base espiritual de sua apresentação, juntamente com sua clareza e concisão, as fez merecedoras de uma audiência maior.
Acreditamos que todos os Estudantes de Astrologia irão achar o estudo dessas vinte e oito delineações de um valor especial para aprender a interpretar corretamente os diferentes Aspectos dos Astros, assim como a sintetizar o mapa como um todo.
O conselho sábio dado aos pais das crianças representadas é outro recurso valioso dessas leituras.
“Se você é um pai ou uma mãe o horóscopo ajudará você a detectar as más intenções em seu filho ou sua filha e ensinará você como é melhor “prevenir do que remediar”. Também mostrará a você os pontos positivos nele ou nela, de modo que você possa ajudar a formar, a partir do seu filho ou filha, um homem ou uma mulher bem melhor, com o Ego que lhe foi confiado. O horóscopo lhe revelará fraquezas sistemáticas e permitirá que você proteja a saúde do seu filho ou da sua filha; mostrará quais talentos existem e como a vida pode ser vivida em toda a sua plenitude. Portanto, a mensagem dos Astros que estão em marcha é tão importante que você não pode se dar o luxo de ignorar isso tudo.”
Max Heindel
Oceanside CA, Setembro de 1915
1. Para fazer download ou imprimir:
2. Para estudar no próprio site:
INTERPRETAÇÕES ASTROLÓGICAS DE TEMAS DE CRIANÇAS
Por
Max Heindel
VOLUME 7
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
1ª Edição em Inglês, Rays from the Rose Cross 1921 a 1929 editada por The Rosicrucian Fellowship
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Esse é o sétimo volume das interpretações astrológicas dos horóscopos feitas por Max Heindel, mensageiro dos Irmãos Maiores da Rosacruz e fundador da Fraternidade Rosacruz. Elas foram publicadas primeiramente na Revista da Fraternidade Rosacruz, Rays from the Rose Cross, durante os meses de janeiro de 1921 a dezembro de 1929.
Não foram impressas anteriormente em formato de livro, mas a base espiritual de sua apresentação, juntamente com sua clareza e concisão, as fez merecedoras de uma audiência maior. Acreditamos que todos os Estudantes de Astrologia irão achar o estudo dessas vinte e oito delineações de um valor especial para aprender a interpretar corretamente os diferentes Aspectos dos Astros, assim como a sintetizar o mapa como um todo. O conselho sábio dado aos pais das crianças representadas é outro recurso valioso dessas leituras.
“Se você é um pai ou uma mãe o horóscopo ajudará você a detectar as más intenções em seu filho ou sua filha e ensinará você como é melhor “prevenir do que remediar”. Também mostrará a você os pontos positivos nele ou nela, de modo que você possa ajudar a formar, a partir do seu filho ou filha, um homem ou uma mulher bem melhor, com o Ego que lhe foi confiado. O horóscopo lhe revelará fraquezas sistemáticas e permitirá que você proteja a saúde do seu filho ou da sua filha; mostrará quais talentos existem e como a vida pode ser vivida em toda a sua plenitude. Portanto, a mensagem dos Astros que estão em marcha é tão importante que você não pode se dar ao luxo de ignorar isso tudo.”
Max Heindel
Oceanside CA, Setembro de 1915
LESLIE RALPH W. – NASCIDO EM 1 DE ABRIL DE 1903 ÀS 6:40 AM
LONDRES, INGLATERRA

Este jovem tem o Signo sólido e persistente de Touro no Ascendente. Os taurinos tendem a buscar seu próprio conforto em todos os momentos e nada deve impedi-los de satisfazer suas necessidades corporais. Este jovem tem Vênus no Signo que rege, Touro, e na cúspide do Ascendente, em Quadratura com Saturno, poderosamente situado na 10ª Casa e em Aquário, um dos Signos que ele rege. Este Aspecto dominará a vida do jovem. Como Vênus é o Planeta da beleza e da arte, um Vênus com Aspectos benéficos ama coisas belas e organizadas; mas quando Saturno aflige, ele traz à tona o aspecto inferior de Vênus e o nativo tende a se deixar levar por hábitos desleixados e descuidados e a desperdiçar seu tempo sonhando acordado; também a remoer decepções, pois esta Quadratura tende a trazer muitas decepções, especialmente em assuntos amorosos.
A Lua está em Exaltação em Touro na 1ª Casa, mas infelizmente não possui Aspectos; portanto, não lhe será de muita ajuda, pois este Astro plástico e vacilante, quando sem Aspectos, apenas cria um sentimento de inquietação e descontentamento e não o ajudará a expressar o que está latente no horóscopo.
Mas encontramos o opulento e benevolente Júpiter no Signo que rege, Peixes, na 11ª Casa, em Sextil com Vênus. Vênus também exerce uma influência muito forte e está no Signo que rege, Touro, indicando que este jovem enfrentará uma luta entre os três Planetas: Júpiter, Vênus e Saturno, todos em seus próprios Signos (ou seja, Signos que eles regem) e formando os Aspectos de Vênus em Quadratura com Saturno e Vênus em Sextil com Júpiter, um equilíbrio entre o bem e o mal. Saturno, por estar em um Signo Fixo e elevado acima de Júpiter, que está em um Signo negativo (Peixes), terá a maior força. Contudo, toda nuvem tem seu lado bom, e encontramos o Sol, autoritário, no Signo em que está em Exaltação, Áries, fazendo um Sextil com Saturno. Isso ajudará, em certa medida, a equilibrar a balança a favor de Júpiter e a manifestar a influência benéfica de Vênus. O jovem pode contribuir para fortalecer esse equilíbrio, pois conhecimento é poder, e se conhecermos nossos pontos fracos, podemos superá-los desenvolvendo nossos pontos fortes.
Quanto às qualidades mentais, encontramos Mercúrio, o Planeta que rege a mentalidade, em Detrimento em Peixes e na 12ª Casa, onde Mercúrio está enfraquecido; também em Quadratura com Urano na 8ª Casa, no Signo emocional de Sagitário. Mercúrio em Peixes proporciona ao nativo a preguiça, e a indiferença; ele não deseja trabalhar em atividades mentais, mas tende a fazer com que o outro o faça por ele. Com essa configuração, o jovem não fará o esforço mental necessário para se qualificar para uma vocação que exija esforço mental. Ele encontrará mais sucesso no uso da voz, que deve ser cultivada.
O Sol, em Exaltação no Signo marcial de Áries na 12ª Casa, está em Oposição a Marte em Libra, na 6ª Casa, a do trabalho, e isso proporcionará a ele dificuldades com os empregadores; ele demonstrará facilmente ressentimento em relação ao seu empregador. O Sol na 12ª Casa também indica autodestruição; ele será seu próprio pior inimigo e muito propenso a pensar que é ele quem está sendo abusado, quando na verdade pode estar brilhando por conta própria.
Em Publicação…
Como indicado no Livro: Mensagem das Estrelas, Capítulo XVIII, A Doutrina da Delineação em Poucas Palavras (para acessá-lo clique aqui), Max Heindel utilizou a técnica da combinação das palavras-chave de todos os outros Astros e Aspectos da Tabela que consta naquele capítulo para fazer as interpretações desses horóscopos e sugere que os Estudantes Rosacruzes também o façam. Nas palavras dele: “Isso os capacitará a uma boa leitura de qualquer horóscopo, mesmo com pouca prática. Para mais demonstrações práticas desse método sugerimos aos Estudantes que examinem os horóscopos de crianças publicados nos Livros Interpretações Astrológicas de Temas de Criança. Esses horóscopos constituem uma fonte de ensino que nenhum Estudante Rosacruz desejoso de se aperfeiçoar na ciência estelar pode dispensar. As palavras-chave proporcionarão o que foi dito a respeito da natureza geral dos Astros sob consideração; isso ele poderá combinar com a natureza dos Signos e das Casas em que os Astros estão, caso queira uma interpretação completa.”.
Essas interpretações astrológicas dos horóscopos feitas por Max Heindel, mensageiro dos Irmãos Maiores da Rosacruz e fundador da Fraternidade Rosacruz, foram publicadas primeiramente na Revista da Fraternidade Rosacruz, Rays from the Rose Cross, durante os anos de 1918 e 1919.
Não foram impressas anteriormente em formato de livro, mas a base espiritual de sua apresentação, juntamente com sua clareza e concisão, as fez merecedoras de uma audiência maior.
Acreditamos que todos os Estudantes de Astrologia irão achar o estudo dessas vinte e oito delineações de um valor especial para aprender a interpretar corretamente os diferentes Aspectos dos Astros, assim como a sintetizar o mapa como um todo.
O conselho sábio dado aos pais das crianças representadas é outro recurso valioso dessas leituras.
“Se você é um pai ou uma mãe o horóscopo ajudará você a detectar as más intenções em seu filho ou sua filha e ensinará você como é melhor “prevenir do que remediar”. Também mostrará a você os pontos positivos nele ou nela, de modo que você possa ajudar a formar, a partir do seu filho ou filha, um homem ou uma mulher bem melhor, com o Ego que lhe foi confiado. O horóscopo lhe revelará fraquezas sistemáticas e permitirá que você proteja a saúde do seu filho ou da sua filha; mostrará quais talentos existem e como a vida pode ser vivida em toda a sua plenitude. Portanto, a mensagem dos Astros que estão em marcha é tão importante que você não pode se dar o luxo de ignorar isso tudo.”
Max Heindel
Oceanside CA, Setembro de 1915
1. Para fazer download ou imprimir:
Interpretações Astrológicas de Temas de Crianças – Vol. VI – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz
2. Para estudar no próprio site:
INTERPRETAÇÕES ASTROLÓGICAS DE TEMAS DE CRIANÇAS
Por
Max Heindel
VOLUME 6
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
1ª Edição em Inglês, Rays from the Rose Cross 1919 a 1920 editada por The Rosicrucian Fellowship
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Esse é o sexto volume das interpretações astrológicas dos horóscopos feitas por Max Heindel, mensageiro dos Irmãos Maiores da Rosacruz e fundador da Fraternidade Rosacruz. Elas foram publicadas primeiramente na Revista da Fraternidade Rosacruz, Rays from the Rose Cross, durante os meses de janeiro de 1919 a julho de 1920.
Não foram impressas anteriormente em formato de livro, mas a base espiritual de sua apresentação, juntamente com sua clareza e concisão, as fez merecedoras de uma audiência maior. Acreditamos que todos os Estudantes de Astrologia irão achar o estudo dessas vinte e oito delineações de um valor especial para aprender a interpretar corretamente os diferentes Aspectos dos Astros, assim como a sintetizar o mapa como um todo. O conselho sábio dado aos pais das crianças representadas é outro recurso valioso dessas leituras.
“Se você é um pai ou uma mãe o horóscopo ajudará você a detectar as más intenções em seu filho ou sua filha e ensinará você como é melhor “prevenir do que remediar”. Também mostrará a você os pontos positivos nele ou nela, de modo que você possa ajudar a formar, a partir do seu filho ou filha, um homem ou uma mulher bem melhor, com o Ego que lhe foi confiado. O horóscopo lhe revelará fraquezas sistemáticas e permitirá que você proteja a saúde do seu filho ou da sua filha; mostrará quais talentos existem e como a vida pode ser vivida em toda a sua plenitude. Portanto, a mensagem dos Astros que estão em marcha é tão importante que você não pode se dar ao luxo de ignorar isso tudo.”
Max Heindel
Oceanside CA, Setembro de 1915
ÍNDICE
KATHRYN L. – NASCIDA EM 10 DE JUNHO DE 1910 ÀS 9:45 PM… 6
KARL ROBERT M. – NASCIDO EM 25 DE MAIO DE 1916 ÀS 3:20 PM… 9
JUNE NAOMA S. – NASCIDA EM 3 DE JUNHO DE 1915 ÀS 2:50 PM… 12
GEORGE RAYMOND ON – NASCIDO EM 14 DE JULHO DE 1916 ÀS 12:15 PM… 15
GEORGE NEWTON K. – NASCIDO EM 12 DE JUNHO DE 1905 ÀS 10:00 AM… 18
FREDERICK HENRY J. – NASCIDO EM 5 DE JULHO DE 1911, ÀS 3:15 PM… 20
CEDRIC G. – NASCIDO EM 27 DE AGOSTO DE 1913 ÀS 9:44 PM… 23
EDUARDO GERARDO McP. – NASCIDO EM 30 DE MAIO DE 1913 ÀS 6:00 PM… 26
CARLEEN H. G. – NASCIDA EM 17 DE NOVEMBRO DE 1917 ÀS 2:30 AM… 29
BERTHA F. MCM. – NASCIDA EM 4 DE SETEMBRO DE 1916 ÀS 2:20 AM… 31
LAVONA L.D. – NASCIDA EM 2 DE NOVEMBRO DE 1912 ÀS 12:40 AM… 34
JACK McN. – NASCIDO EM 10 DE AGOSTO DE 1913 ÀS 12:30 AM… 38
EDITH E. F. – NASCIDA EM 7 DE OUTUBRO DE 1900 ÀS 9:13 PM… 40
FREDERICK D.W. OGDEN – NASCIDO EM 26 DE OUTUBRO DE 1912, ÀS 8:15 AM… 43
HELEN M.T. – NASCIDA EM 11 DE ABRIL DE 1918 ÀS 3:20 PM… 46
ELLEN J. – NASCIDA EM 7 DE FEVEREIRO DE 1917 ÀS 6:00 PM… 49
CLIFFORD ERNEST H. – NASCIDO EM 29 DE NOVEMBRO DE 1918 ÀS 5:00 PM… 51
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KATHRYN L. – NASCIDA EM 10 DE JUNHO DE 1910 ÀS 9:45 PM
EM SOMERSET, KY., EUA
Aqui temos uma jovem com uma estranha e muito infeliz combinação de Planetas. O não convencional e irresponsável Urano em Capricórnio no Ascendente, com o combativo, discordante e impulsivo Marte em Oposição na 7ª Casa e esse último em Conjunção com Netuno, Netuno sendo muito poderoso – em Exaltação – no Signo aquoso de Câncer. Isso lhe proporciona uma Mente mais teimosa, obstinada e errática; proporciona uma disposição para trilhar o seu próprio caminho e para passar por cima de qualquer um que tente interferir com ela. Ela é propensa a falar muito bruscamente, e até cruelmente quando irritada, e sempre inquieta, querendo mudança ou diversão.
Essas configurações proporcionam uma disposição para ela nunca seguir ninguém, mas sempre querer liderar. Se for para esse lado trará muito sofrimento e tristeza para si mesma, por sua não convencionalidade. Essas configurações, também, tendem a ela se importar pouco com a opinião dos outros, pois Urano, no Signo saturnino de Capricórnio, proporciona a ela ideias estranhas de vestimenta e, também, estranhas nas suas ações e atitudes. Naturalmente, tais configurações proporcionam a ela muita popularidade, justamente por causa desse temperamento estranho, sendo muito direta e contundente em seu discurso. Marte, o Regente da 10ª Casa, em Oposição a Urano, proporciona a ela uma tendência a impelir a se comportar de tal maneira que poderá resultar em calúnia sobre si mesma, embora não merecida.
Ela deve ser ensinada, desde criança, a agir com discrição; ensine-a também a falar com bondade e amor e sempre se ater à verdade. No entanto, Mercúrio em Aspecto benéfico com Urano e Marte proporciona a ela uma diplomacia suficiente para superar alguns dos impulsos dos Planetas na 1ª e 7ª Casa, pois essas configurações proporcionarão a ela muita rapidez e brilhantismo mental, absorção de conhecimento sem esforço e, estando Mercúrio no Signo lento e determinado de Touro, a ajuda a não parar no problema mais difícil até que o domine.
Há, também, um lado bom nesse horóscopo, mas isso será revelado e desenvolvido mais tarde na vida, isto é, depois que Kathryn tiver sofrido com sua natureza impulsiva e inquieta, pois o casamento lhe tende a lhe trazer muita desarmonia e infelicidade. O primeiro casamento tende a ser muito malsucedido e a separação é quase certa, mas e se houver o segundo casamento aí ela terá a oportunidade de ser mais bem sucedida. A Lua magnética e imaginativa no Signo de Leão, o coração, em Quadratura com Vênus proporcionará a ela problemas durante o namoro. Agora, a Lua em Sextil com Júpiter na 8ª Casa e o segundo casamento proporcionará a ela grande benefício financeiro e, também, a ajudará a desenvolver o caráter.
O ponto forte de Kathryn é a originalidade. Ajude-a a expressar isso por meio da música e do canto. Sob inspiração, ela pode improvisar. Infelizmente, o Sol, sem nenhum Aspecto, proporcionará a ela pouca ajuda para trazer à tona o que está dentro dela. Portanto, os pais ou os responsáveis por ela devem fazer tudo ao seu alcance para lhe dar essa assistência, para que ela possa usar os talentos latentes. Afinal se ela puder perceber que construirá os corpos e veículos que ela usará nas vidas futuras, que o ontem dela é um trampolim para o amanhã dela, cabe a nós ajudarmos tais crianças, como ela, a trazer à tona e fortalecer todas as suas possibilidades latentes para que elas possam construir bons alicerces. Se tais crianças não podem usá-los nesta vida, a alma tem isso para levar consigo para as vidas futuras, e os pais perdem uma oportunidade valiosa quando negligenciam um filho. Mesmo que o talento seja fraco, pelo cuidado e atenção, este pode ser trazido à tona e fortalecido, possibilitando que aquela alma se expresse algum tempo, mesmo que seja em uma vida a seguir.
Quanto à saúde, deve-se cuidar dela na puberdade, pois ela tem a tendência a sofrer com a menstruação restrita e má circulação. Também Marte e Netuno em Câncer lhe proporcionarão um apetite muito voraz e estranho, um desejo por líquidos, e ela pode comer e beber em excesso, especialmente café ou chá, e uma pessoa com Urano afligido no Ascendente ficaria muito nervosa e a ação do coração pode sofrer.
KARL ROBERT M. – NASCIDO EM 25 DE MAIO DE 1916 ÀS 3:20 PM
EM ALBANY, ORE, EUA
Aqui temos um amável e brilhante menino, com o Signo de Libra, cujo Regente é Vênus, o Planeta do amor, no Ascendente, e o perspicaz e hábil Mercúrio, também no Signo que é Regente, o Signo de Gêmeos na 9ª Casa, em Trígono com o original e inventivo Urano, também no Signo que é Regente, o Signo de Aquário. Tanto Mercúrio quanto Urano estão em Sextil com Júpiter na 7ª Casa. Essas posições e esses Aspectos benéficos proporcionam a Karl uma Mente muito brilhante e inventiva, com tendência à originalidade em seus pensamentos.
Infelizmente Mercúrio e Urano estão, ambos, Retrógrados, e a Lua estando em Quadratura a Mercúrio proporcionarão a Karl uma maior dificuldade em realizar tudo mentalmente, pois a Mente dele tende a ser inquieta, e aconselhamos os pais a ensinarem-no o exercício de concentração e encorajá-lo a terminar tudo o que começar. Os Aspectos benéficos mencionados acima proporcionarão a ele grande habilidade com os dedos, rapidez em digitar, a montar qualquer coisa, a operar instrumentos que exijam destreza manual ou a realizar qualquer trabalho em que venha a utilizar seus dedos ágeis. O Regente da 6ª Casa, Júpiter, estando bem-aspectado na 7ª Casa em Áries, fornecerá a Karl a habilidade de ser venturoso com o público, de ter uma maneira agradável e suave de conhecê-los, e de ter muito sucesso no trabalho mercantil, como vendedor, especialmente de vestuário feminino.
Marte em Quadratura ao Sol a partir do Signo Fixo de Leão e Vênus afligido pela Conjunção de Saturno em Câncer, proporcionará a Karl circulação sanguínea restrita e, se houver tensão no Corpo Denso dele, haverá a tendência a problemas cardíacos. Mas o maior perigo está em Saturno e Vênus em Câncer. Ele deve ser ensinado na moderação de sua alimentação. Não permitam que ele adquira o hábito de comer doces e sobremesas com suas refeições. Ensine-o a ser muito comedido em sua alimentação. Isso lhe poupará muito desconforto físico, pois quando o estômago está sobrecarregado e a circulação sanguínea está lenta, a ação do coração também fica prejudicada.
Sol em Sextil com Netuno e Urano em Sextil com Júpiter proporciona a Karl facilidade em se apegar, naturalmente, aos ensinamentos religiosos, especialmente na forma esotérica avançada. Esses Aspectos benéficos facilitarão profundamente o interesse no trabalho humanitário, bondoso e benevolente, e aconselhamos os pais, ou responsáveis, fornecer a ele um treinamento religioso, pois o que ele tem de bom e melhor será expresso através da 9ª Casa – Religião.
JUNE NAOMA S. – NASCIDA EM 3 DE JUNHO DE 1915 ÀS 2:50 PM
EM COLUMBUS, OHIO, EUA
Encontramos aqui uma jovem que tem um dos Signos Cardinais no Ascendente, o símbolo retratado no calendário como a Balança, e assim que uma balança de pratos pende para um lado e para outro, uma parte bate para cima e para a luz, depois desce até o fundo, assim também o libriano, como um pêndulo, se equilibra entre alegrias e tristezas, indo até a mais intensa alegria e o mais intenso regozijo e depois descendo até o fundo da profunda tristeza e do profundo desespero. Não há meio caminho com o libriano, ele quer ir ao limite em tudo. Esse é o Signo onde o Sol cruza do hemisfério norte para o hemisfério sul. O libriano tem duas naturezas distintas, uma regida por Vênus, que é o Regente desse Signo, e aqui também o sombrio, pessimista e sério Saturno está em Exaltação. Os temperamentos do libriano são rápidos e curtos, mas não guardam ressentimentos, perdoam prontamente e esquecem. Assim também se comportam em suas vocações: eles se apegam um hobby e se entregam a ele com todo o seu coração e alma, e logo se cansam, e vai atrás se apegar em outra coisa.
E aqui encontramos essa jovem com o Sol no versátil e mutável Signo de Gêmeos, em Trígono com o errático e inquieto Urano. Esse posicionamento e Aspecto proporciona a June o desejo de mudar de uma coisa para outra e, por isso, deve ser ensinada a pegar um pensamento, segurá-lo e resolvê-lo até terminar. Os pais podem fazer muito para levar essas crianças a um estado de espírito mais firme e estável. Aqui encontramos cinco Astros em Signo de Água, e sete Astros estão em Signos negativos, portanto essa jovem será fortemente influenciada por seus ambientes e associações. Esses posicionamentos também proporcionam a ela uma Mente muito influenciável. A Lua está no Signo de Água de Peixes. Essa posição da Lua proporcionará a June uma mentalidade preguiçosa, não desejando se esforçar. Mas Marte está com Aspectos benéficos (em Sextil com Saturno e Mercúrio) e no Signo determinado e persistente de Touro. Saturno e Mercúrio estão em Conjunção no Signo Cardinal de Câncer no Meio do Céu, ajudarão a Lua e, portanto, proporcionarão à June uma mentalidade brilhante, ativa e persistente (assim, cabe a ela escolher: isso ou manifestar uma Mente preguiçosa). Enquanto Saturno equilibrará e manterá o indisciplinado Marte sob sujeição, ainda será uma ajuda maravilhosa para June. Ela pode realizar tudo o que ela se propõe a fazer. Marte expressa seu lado mais cruel quando no Signo bestial de Touro e June pode derivar para uma mentalidade fria, dura e cristalizada, pois a combinação de Marte e Saturno, quando regem a Mente tende a cristalizar, e o coração deve ser desenvolvido, a natureza do amor fortalecida, para que eles equilibrem isso. June poderá ser bem-sucedida como professora, principalmente em um orfanato ou em alguma instituição. Se ela se dedicasse à dietética ou à ciência doméstica, seria muito bem-sucedida.
Com Vênus em Touro em Quadratura a Urano, aconselhamos os pais a tomarem muito cuidado com June, pois na puberdade, ela poderá ter problemas com períodos menstruais irregulares e dolorosos. Além disso, à medida que ela se tornar mulher, há o perigo de que ela seja abusada ou se envolva com associações indesejáveis.
Com Saturno e Mercúrio em Conjunção no Signo de Câncer, embora não estando com Aspectos adversos, há uma tendência à indigestão nervosa. June costuma ser muito estudiosa, muito persistente em suas atividades mentais e, a menos que seja cuidadosa em sua alimentação, Saturno retarda a digestão, e quando uma tensão é colocada no sistema nervoso, haverá falta de fluido necessário para ajudar na digestão. Ensine-a a mastigar bem a comida, a mastigar com muito cuidado e devagar e ela pode nunca sentir o menor efeito de Saturno em Câncer.
Ensine-a a comer com moderação e comida simples, pois com Marte e Vênus em Touro proporciona a ela um desejo de querer degustar, de querer doces e coisas boas para comer, de gostar demais dos prazeres da mesa.
GEORGE RAYMOND ON – NASCIDO EM 14 DE JULHO DE 1916 ÀS 12:15 PM
SAN DIEGO, CALIFORNIA, EUA
Aqui temos outro libriano muito amável, gentil e simpático, com o Regente, o harmonioso Vênus, em Câncer no Meio do Céu, em Conjunção com o eloquente e intelectual Mercúrio e em Sextil com o reverente e opulento Júpiter no artístico e musical Signo de Touro.
Essas configurações proporcionam à George sempre olhar para o lado brilhante e esperançoso da vida, de um modo sempre alegre, honrado e honesto, com uma profunda natureza amorosa. Mas Saturno e Sol em Conjunção em Câncer lhe proporcionará um desejo a ter elogios e lisonjas, desejando ser apreciado. Se não lhe disserem o quão bem ele fez uma coisa, ele ficará desanimado, e ele está propenso a ser muito egoísta e, por isso, é bom vocês, pais, verificarem isso, caso contrário, isso pode se tornar dominante e torná-lo arrogante e pretencioso. Mas há tanta coisa boa nesse jovem que vai contrabalançar a referida falta. Marte em Sextil com Saturno e Sol no Meio do Céu proporcionará a ele grande habilidade executiva, persistência, mentalidade rápida, e facilidades em se erguer na vida, em ser autodidata, em ter muito tato, premeditação e organização. Essas configurações favorecem a ele trabalhar em órgãos públicos, especialmente em áreas que lidem com agricultura ou química. Favorece, também, lidar com tudo o que lida com a arrecadação de alimentos ou distribuição de alimentos, também em posições de gerência ou de atividades em restaurantes ou cafeterias.
Mas aconselhamos os pais a ensinarem-no a seguir um método adequado de alimentação, pois Saturno em Câncer, em Oposição à Lua, proporcionará a ele gostos e desgostos estranhos quanto à comida, despertando o desejo em comer o que queira e a qualquer hora, e em tomar bebidas alcoólicas. Agora, Marte e Sol em Sextil proporcionará a ele uma grande capacidade de resistir às doenças e até de superara-las.
A Conjunção de Vênus e Mercúrio ambos em Sextil com Júpiter, no segundo Signo de Touro, proporcionarão a ele facilidade para atrair recursos financeiros, ser muito frugal e cuidadoso com esses recursos financeiros, mas há uma tendência à especulação. Ele deve evitar investir seu dinheiro em grandes corporações, especialmente aquelas que são frequentemente organizadas com a intenção de fraudar. Pois esse tipo de investimento atrairá a atenção de George e ele tende a, depois de economizar seu dinheiro, investir dessa maneira e, portanto, aumentando o risco de perder tais recursos financeiros.
GEORGE NEWTON K. – NASCIDO EM 12 DE JUNHO DE 1905 ÀS 10:00 AM
EM WOODSTOCK, N.B., EUA
No momento do nascimento de George, os últimos graus de Leão estão ascendendo, lhe fornecendo as características do próximo Signo, Virgem, com o Regente Mercúrio no Signo que ele rege, Gêmeos, em Elevação e em Quadratura com Saturno.
Essa aflição proporcionará a George uma natureza muito sarcástica e crítica, mas com o harmonioso, alegre e suave Vênus no Signo que ele rege, Touro,
no Meio do Céu e, também, com o opulento e cumpridor da lei Júpiter no mesmo Signo na cúspide do Meio do Céu, ele pode superar todas as tendências adversas da Quadratura de Mercúrio e Saturno. Pois com Vênus em Sextil com Saturno e com o oculto, profético, inspirador e musical Netuno, George pode realizar muito por meio das boas influências trazidas enquanto jovem pelos pais dele, se eles desenvolverem as qualidades da 9ª Casa; isto é, a Religião e as aspirações mais elevadas, e proporcionarem a ele um treinamento musical, um cultivo da voz e encorajá-lo a cantar em, por exemplo, um coral na igreja. Esses Aspectos benéficos fornecem a ele uma voz musical e, também, poderá se expressar a partir de uma posição social pública. O Trígono do vital e digno Sol com a magnética Lua no Signo da 7ª Casa, Libra – as balanças de prato –, lhe proporcionará facilidades de se expor diante do público.
Ensinem George a ser o mais verdadeiro e honesto em todos os momentos, pois com Mercúrio e Saturno em Quadratura, e o egoísta, apaixonado e impulsivo Marte em seu próprio Signo, Escorpião, Retrógrado e em Oposição a Vênus, a natureza inferior poderá ser ressaltada e ser um grande prejuízo para ele, especialmente devido a Urano na 5ª Casa em Oposição a Netuno, que lhe fornecerá a propensão a cultivar más companhias. “Vinho, mulheres e música” pode ser seu lema. E cabe aos pais terem cuidado com o treinamento desse menino, pois Netuno em Câncer afligido por Urano, lhe proporcionará desejos para bebedeira, pois os amigos dele serão seus maiores inimigos.
FREDERICK HENRY J. – NASCIDO EM 5 DE JULHO DE 1911, ÀS 3:15 PM
EM SYDNEY, AUSTRÁLIA
Aqui temos o horóscopo de um jovem que tem o Signo que rege o raciocínio rápido, que é o hábil e intelectual Signo de Gêmeos no Ascendente, com o Regente, Mercúrio, em combustão com o Sol. Os raios quentes do Sol, quando a três graus de Mercúrio, queimam a força desse Planeta intelectual, especialmente porque temos o Sol ígneo no Signo frio e aquoso de Câncer.
Mas, o que auxilia aqui Mercúrio influenciar o jovem é Saturno no Signo determinado, impassível e fixo de Touro, em Sextil com Mercúrio. Isso proporcionará a ele a profundidade e o equilíbrio à mentalidade. Mas, também, lhe proporcionará gosto por elogios e crédito por tudo o que fizer, e se os pais desejam encorajar Frederick a fazer um trabalho mental, deve lhe mostrar apreço. Isso lhe proporcionará muita perseverança em seu trabalho intelectual, apesar da Conjunção entre Sol e Mercúrio, pois tanto Câncer quanto Touro são lentos, persistentes e determinados, quando se propõem a fazer alguma coisa.
Aquelas configurações lhe proporcionarão um desejo de sempre querer liderar seus amigos e se não puder liderar, não seguirá. Também, tais configurações lhe proporcionará um humor tão divertido e espirituoso que facilmente atrairá amigos para ele, especialmente uma classe que gosta de música e arte. Mas há um outro lado dele. Se os amigos, que ele atraiu, não o elogiarem ou lhe derem crédito por sua sagacidade, ou se o ofenderem de alguma forma, isso pode fazer com que o comportamento do Frederick se torne vingativo e implacável. Ele é muito propenso a se associar a corporações, pois tem Netuno na Casa do dinheiro – a 2ª Casa – em Quadratura com Marte e em Oposição a Urano, o que lhe proporcionará a fazer investimentos espúrios, o que, provavelmente, o levaria a perdas, se não fosse por Saturno no cauteloso, impassível e persistente Touro, em Sextil com Netuno. Isso lhe proporcionará a cautela e a solução que necessita, mas ele deve sempre evitar os conselhos de amigos em seus investimentos.
As configurações acima proporcionarão a ele um gosto pelo lar e se torna muito triste se a desarmonia o cercar justamente no lar. Uma sugestão aqui é os pais convidar os amigos dele para casa, entretê-los com música e arte. Isso porque a Conjunção de Lua e Júpiter em Escorpião lhe proporcionará a capacidade de ser um anfitrião generoso. Os pais podem fazer muito, pois ele é naturalmente generoso, de coração aberto e bondoso, e isso se expressará no lar.
As configurações acima proporcionarão a ele, também, um apreço pelas crianças, e uma forte influência sobre elas. Isso lhe facilita ser bem-sucedido como professor, educador ou até enfermeiro em um hospital.
CEDRIC G. – NASCIDO EM 27 DE AGOSTO DE 1913 ÀS 9:44 PM
EM BUTTE, MONTANA, EUA
Aqui temos um menino com Signos Fixos e Cardinais nos quatro ângulos, o que lhe proporciona grande força de vontade e persistência, com o hábil e perspicaz Mercúrio no Signo de Fogo de Leão em seu lar natural, a 5ª Casa, em Sextil ao cauteloso, deliberado, econômico e diplomático Saturno e o construtivo Marte, no ágil Signo de Gêmeos, que rege os braços e as mãos.
Isso proporciona a Cedric um talento maravilhoso para as artes mecânicas; ele tem habilidades para fazer qualquer coisa com ferramentas; tem capacidade para ser um engenheiro esplêndido ou um professor de artes mecânicas e, também, tem a capacidade de dominar muito bem a arte de impressão em uma editora. Aquelas configurações também lhe proporciona uma Mente profunda com muita premeditação, pois Saturno auxilia a manutenção do equilíbrio do Aspecto entre Marte e Mercúrio.
A Conjunção de Saturno e Marte em um Signo mercurial proporciona a ele uma tendência à crueldade na fala, se alguém tentar contrariá-lo, pois ele quer o seu próprio caminho, e se ofendido pode se tornar rancoroso e vingativo.
As configurações descritas no início desse texto lhe proporcionarão uma esplêndida capacidade de ganho, mas tende a se tornar muito ganancioso, a menos que responda à boa influência de Júpiter em Capricórnio na 9ª Casa em Trígono com o Sol em Virgem na 5ª Casa. Isso lhe proporcionará um estado de espírito muito religioso, mas um tanto conservador e ortodoxo. Também lhe fornece uma grande confiança por parte dos seus superiores ou empregadores e lhe proporciona facilidades em ser fiel e leal a eles. Infelizmente a Lua não está fazendo Aspectos, embora esteja em seu próprio Signo na 3ª Casa.
Também, Urano está em sua própria Casa, em Aquário, na 10ª Casa sem Aspectos. Essa configuração indica que ele receberá pouca ajuda dos dois Planetas ocultos. Devido a Vênus e Netuno estarem em Conjunção no quarto Signo, Câncer – o lar – ele respira uma atmosfera espiritual, e os pais podem fazer muito para desenvolver o que há de melhor nesse jovem, por meio do amor e de um treinamento religioso. Aconselhamos que o cerquem com música, mas devem ser advertidos contra a livre indulgência em boas coisas para comer e beber, doces, etc. para alguém com Mercúrio em Aspecto com Marte e Saturno, no Signo agitado de Gêmeos, o que poderá ter problemas com os pulmões e o coração, se o estômago não for cuidado, pois tosses e resfriados são frequentemente os meios pelos quais o corpo elimina as impurezas; um resfriado é, muitas vezes, uma válvula de segurança. Essas configurações proporcionarão a ele gostos peculiares em relação à alimentação e, com Netuno em Conjunção com Vênus, o Regente de Touro, a garganta, esse menino deve ter cuidado com doenças venéreas à medida que se torna adulto; deve ser ensinado a viver com pureza e advertido contra o perigo de cair em excessos.
EDUARDO GERARDO McP. – NASCIDO EM 30 DE MAIO DE 1913 ÀS 6:00 PM
EM CIDADE DO MÉXICO, MÉXICO
Eduardo nasceu quando o jovial Signo de Sagitário estava no ângulo oriental, o Ascendente. Sagitário, geralmente, proporciona aos nativos uma natureza gentil e benevolente, sempre prontos para ajudar quando necessário, generosos ao extremo. Mas esse menino tem o Regente de sua 1ª Casa, Júpiter, no Signo saturnino de Capricórnio na 2ª Casa, regendo suas finanças, e Júpiter está em Quadratura com o combativo, discordante e apaixonado Marte e a frívola Lua da 5ª Casa, a Casa de prazeres e especulações. Esses dois Aspectos adversos fornece uma compensação e até a eliminação do lado bom de Sagitário e, ainda, um foco voltado para o lado material, o que pode redundar em uma natureza mais gananciosa, com uma disposição em ganhar dinheiro, embora que com os Aspectos acima ele não seja capaz de reter esses recursos financeiros, e esses podem se esvair por entre seus dedos, como resultado de uma vida desenfreada. A gratificação dos sentidos, prazeres, o gosto pelas bebidas alcoólicas, por mulheres e por música tendem a ser a causa dessa perda financeira. Ninguém além de Eduardo apreciará o gasto dos seus próprios recursos financeiros. Há, também, uma grande tendência dele se voltar para o jogo ou para a especulação, através dessa Quadratura na 5ª Casa e, especialmente, com Mercúrio, o Regente da Mente, no Signo que ele é Regente, Gêmeos, na 7ª Casa em Conjunção com o cauteloso, deliberado e diplomático Saturno e o determinado e aventureiro Sol. Essa configuração proporciona a ele uma Mente ativa e alerta e uma capacidade de se esforçar para investir o dinheiro dele de uma maneira que trará a ele grandes retornos. Também lhe proporcionará ganhos financeiros rápidos, perspicácia em finanças, mas uma forte tendência para perder novamente devido às condições da 5ª Casa. Portanto, é bom que os pais observem essa tendência em se voltar ao jogo ou a bebidas alcoólicas, pois também encontramos Vênus em Áries na 5ª Casa, em Quadratura com Netuno em Câncer na 8ª Casa.
Outro ponto fraco do qual gostaríamos de alertar os pais é que a Lua e Marte em Conjunção em Áries estão em Quadratura com Júpiter, mostrando uma tendência à mentira e à procrastinação. Ensine-o a ser honesto e sincero em todos os momentos, pois lembre-se de que vocês têm uma grande responsabilidade por esse menino. À medida que ele amadureça, essa tendência deve ser superada por meio de um treinamento muito cuidadoso. Ele é um menino extraordinariamente brilhante e deveria aprender matemática, pois tem uma Mente muito aguçada, capaz de resolver os problemas mais profundos, pois com o perspicaz e hábil Mercúrio no Signo que ele é Regente, Gêmeos, em Conjunção com os metódicos Saturno e Sol, os três Astros em Trígono com Urano em sua própria Casa, Aquário, da 3ª e da 7ª Casa, essa é uma configuração maravilhosa para a mentalidade, e Eduardo seria bem-sucedido como um esplêndido professor de matemática. Em algum momento ele poderá escrever um livro sobre o assunto acima mencionado e, se o fizer, a publicação será aceita pelas editoras e lhe proporcionará um grande retorno financeiro.
Alertamos os pais contra o esforço da visão, pois com essa Mente matemática o menino pode ser muito estudioso, se vocês puderem interessá-lo em algo que seja do seu agrado mental, pois encontramos Mercúrio, Saturno e Sol em Oposição à estrela fixa Antares, que tem influência direta sobre os olhos. Além disso, a configuração acima tem um efeito sobre os capilares dos pulmões, mostrando falta de oxigenação, e ele deve ser ensinado a respirar profundamente e andar com o peito para fora, pois os sagitarianos tendem a se curvar, suas mãos e seus braços tendem a ser muito pesados e eles têm um andar curvado peculiar e sentam-se eretos com os ombros e a cabeça para trás, respiram profundamente para que os pulmões sejam bem desenvolvidos e expandidos, e vocês podem evitar muitos problemas para ele no futuro.
CARLEEN H. G. – NASCIDA EM 17 DE NOVEMBRO DE 1917 ÀS 2:30 AM
EM DULUTH, MINNESOTA, EUA
Carleen tem o Signo de Libra no Ascendente, e os librianos são muito dedicados às pessoas mais próximas e queridas. Isso, junto com o Regente do Ascendente, Vênus, na 4ª Casa, em Trígono com o demonstrativo e impulsivo Marte, fornece a essa jovem facilidade em expor o que quer e sociabilidade no lar dela. Proporciona a ela uma capacidade para falar muito, pois Marte no Signo mercurial de Virgem adora conversar, e com o Sol em Escorpião em Quadratura com Urano do Signo Aquário, também com Mercúrio interceptado em Sagitário em Oposição a Júpiter em Gêmeos, Retrógrado e Interceptado e em Quadratura com Marte, ela terá muito a dizer e, portanto, recorrerá à imaginação dela e nem sempre expressará a verdade. Os pais devem ficar atentos para que ajudá-la a nunca contar uma história que não seja verdadeira.
Eles devem corrigi-la com bondade e amor e lhe contar pequenas histórias sobre o que pode ser o resultado de menininhas contando coisas que não são bem assim. Não foquem demais no mal, mas diplomaticamente leve-a a ter cuidado para que o que ela falar também ser a verdade. É muito perigoso dizer a uma criança que ela é travessa e está mentindo. Os pais mal percebem que a criança é uma esponja perfeita e absorve todas as sugestões, sejam elas boas ou más. Constantemente lembrá-la de que é travessa, com o tempo, imprimirá a sugestão sobre ela e fará disso parte da natureza dela. Nunca reconheça que o mal vem dela; ela é sempre boa, mas “aquela que vem de vez em quando com a nossa Carleen é safada e mamãe e papai não querem que Carleen fique com ela”. E com o tempo a criança realmente tentará ser boazinha e fará o possível para não ser tão travessa.
Essa garotinha será muito sensível e impressionável. Júpiter na 9ª Casa em Sextil com o inspirador Netuno em Leão, também Saturno no Signo de Leão em Oposição com Urano e esse em Sextil com a Lua, proporciona a essa criança capacidades de desenvolvimento espiritual negativo e verá coisas que os outros não veem e, portanto, quando ela contar o que ela vê, tente fazer com que ela explique claramente e não a acuse de mentira. Os pais devem ter muito cuidado para tentar descobrir se o que a criança conta é realmente o que ela viu em outros Mundos, os invisíveis. Ela nunca deve ser levada a lugares onde se utilizam de incorporações de espíritos desencarnados (seja parcial ou total), pois com Urano em Oposição a Saturno, em Quadratura com o Sol, há uma tendência ao desenvolvimento anormal ou ser presa de obsessão.
BERTHA F. MCM. – NASCIDA EM 4 DE SETEMBRO DE 1916 ÀS 2:20 AM
EM SAN FRANCISCO, CALIFORNIA, EUA
Essa jovem, certamente, será um problema, um estudo profundo, um mistério para os pais e amigos dela. Isso porque Netuno, o Planeta tão pouco compreendido, em Leão no Ascendente, fornece ao nativo um comportamento um tanto estranho, alguém que adora viver apartado dos demais. Essa configuração proporciona a ela um Corpo pequeno, com rosto redondo, com uma tez muito pálida, especialmente devido a Saturno estar acima do Ascendente, o que proporciona uma forma menos atarracada do que o esperado na média, por Netuno estar em Leão. Essa configuração proporciona a ela um Corpo mais esbelto e um cabelo mais escuro.
Bertha não será popular por causa dos segredos dela, pois Vênus e Saturno e a Conjunção com a Cauda do Dragão em Câncer, interceptados na 12ª Casa, em Quadratura com Marte na 4ª Casa, fornecerá a ela uma condição um tanto desagradável no lar. Tais configurações também proporcionam a ela uma manutenção em se fixar nas próprias opiniões e uma natureza muito egoísta em relação a irmãs, aos irmãos e pais. Essa mesma tendência também se expressará em suas amizades, já que o afligido Vênus também rege a 11ª Casa, bem como a 4ª Casa.
Netuno, no Signo impulsivo e amoroso de Leão, proporciona a ela uma tendência à expressão e ao desejo de ser amiga de toda a humanidade, mas Saturno, Vênus e a Cauda do Dragão interceptados na 12ª Casa ofuscam este Netuno com um manto de reserva e sigilo, fazendo se manifestar duas naturezas distintas, com uma luta constante entre as duas, deixando-a muito infeliz e inquieta às vezes; ou seja, uma sensação tal qual um cachorro que está acorrentado e limitado, uma inquietação interior e infelicidade que, às vezes, vai ser difícil de superar.
Agora, já que apresentamos os pontos fracos da disposição e do corpo dela, nos empenharemos em apresentar o outro lado — o que há de bom em Bertha. Encontramos Netuno, o Planeta da divindade, das vibrações mais sutis, das ideias visionárias e impraticáveis (do ponto de vista mundano) no Signo de Leão, o coração, o que fornece a esta jovem um amor maravilhoso pela humanidade. Isso pode não ser expresso até anos posteriores, depois que ela sofreu e o lado do coração foi desenvolvido. Netuno em Sextil com Mercúrio na 3ª Casa, a Casa da Mente, e Mercúrio em Sextil com a Lua em Sagitário, outro Signo da Religião, o Signo natural da 9ª Casa, proporciona a ela ser extraordinariamente brilhante. Aqui encontramos oportunidades maravilhosas de desenvolvimento oculto e espiritual. Se a Mente dessa jovem for treinada de acordo com essas linhas, ela expressará o que há de mais elevado. Vênus e Saturno em Câncer na 12ª Casa proporcionará a ela uma atração para o silêncio, porque ela desejará ficar sozinha. Isso é muito bom para quem tem inclinação para os ensinamentos superiores, pois é necessário ficar sozinho e meditar em silêncio.
Mas é absolutamente necessário para seu desenvolvimento que ela tenha completa harmonia no lar, embora com Marte na 4ª Casa em Quadratura com Saturno e Vênus haja indícios de desarmonia, brigas e dissensões. Também encontramos Júpiter elevado na 10ª Casa no Signo musical de Touro, em Trígono ao Sol em Virgem: outra indicação de benevolência e amor pela humanidade. Portanto, cabe aos pais ou responsáveis cercá-la com a maior harmonia e tentar desenvolver a natureza espiritual de Bertha para que ela tenha a oportunidade de expressar o que há de mais elevado dentro dela.
Quanto à saúde, desaconselhamos o excesso de doces, pois com Vênus, Saturno e a Cauda do Dragão em Conjunção no Signo de Câncer, o estômago, em Quadratura com Marte em Libra, indica-se excesso de comida, isto é, a comida será muito rica e indigesta para quem tem Saturno em Câncer, e a vida simples é aconselhável.
LAVONA L.D. – NASCIDA EM 2 DE NOVEMBRO DE 1912 ÀS 12:40 AM
EM PUEBLO, COLORADO, EUA
Aqui temos uma marcante Personalidade dupla que fará de Lavona uma séria responsabilidade para seus pais ou responsáveis, que devem se esforçar para reprimir as características indesejáveis e trazer à tona os esplêndidos traços de caráter revelados como o outro lado da natureza dela. Primeiro de tudo, há o afetuoso, harmonioso, artístico, adorável e suave Vênus em Conjunção com o obediente às leis, o conservador, reverente, otimista, opulento e benevolente Júpiter, que está fortemente fortalecido em seu próprio Signo, Sagitário, Signo que rege. Este é Esse Aspecto também lhe fornecerá uma Mente liberal, tolerante com as opiniões dos outros – mesmo quando ela for radicalmente diferente –, apreciadora dos prazeres, das viagens, festas e capaz de aproveitar a vida ao máximo. Também lhe proporcionará um talento para a música, que deve ser cultivado, e favorece o acúmulo de riquezas financeiras para que sempre haja os meios para fazer o que ela deseja.um dos melhores Aspectos da gama astrológica, fornecendo um sucesso geral pelas características que confere. É uma boa indicação de um casamento bem-sucedido e feliz, de prestígio social e do respeito de todos com quem a pessoa entra em contato; proporciona uma disposição jovial, otimista, generosa e de grande coração, e fornecendo a ela uma tendência a ser hospitaleira até certo ponto, interessada e ativa em medidas filantrópicas.
Esse Aspecto também lhe fornecerá uma Mente liberal, tolerante com as opiniões dos outros – mesmo quando ela for radicalmente diferente –, apreciadora dos prazeres, das viagens, festas e capaz de aproveitar a vida ao máximo. Também lhe proporcionará um talento para a música, que deve ser cultivado, e favorece o acúmulo de riquezas financeiras para que sempre haja os meios para fazer o que ela deseja.
A emocional e magnética Lua está em Trígono com Vênus e Júpiter; isso lhe proporcionará uma natureza gentil, afetuosa e simpática, uma Personalidade envolvente e uma atração pelo sexo oposto, um magnetismo poderoso, ideais elevados e uma imaginação frutífera, uma franqueza e honestidade de coração aberto que conquistará o respeito de todos dentro da esfera social dela.
O perspicaz, versátil, eloquente e hábil Mercúrio está em Trígono com o oculto, profético, inspirador e devocional Netuno e, também, em Sextil com o independente, original, amante da liberdade e inventivo Urano. Esses Aspectos proporcionarão a ela esplêndido poder de raciocínio, de independência e de originalidade, preferindo ter seu próprio pensamento sobre todos os assuntos e eles, provavelmente, a colocarão em contato com o ocultismo, de tal maneira que deixará uma marca duradoura em sua vida.
Todas essas são características esplêndidas e se for possível para vocês, pais ou responsáveis, apresentá-las, vocês terão uma pessoa que se fará sentir em seu ambiente e que será um crédito para vocês em todos os aspectos da vida. Mas, naturalmente, onde há uma luz forte, há também uma sombra profunda, e descobrimos que o outro lado de sua natureza também é fortemente marcado. É indicada pela negativa, sonhadora, visionária, insípida, frívola e vacilante Lua, em Quadratura com o preguiçoso, sem ambições e covarde Sol, e com o egoísta, discordante, destrutivo e temperado Marte.
Com relação a isso, podemos também notar que Mercúrio, o Planeta da expressão, está em Escorpião; assim, tudo o que ela disser será dito com considerável força. Ela tem um temperamento muito forte e quando isso é despertado, Mercúrio em Escorpião “pica como uma víbora”. Se permitir que essa tendência cresça sem ser controlada, ela terá uma língua muito mordaz quando estiver em um acesso de raiva, de modo que nessas ocasiões fará inimigos ferrenhos e perderá o respeito daqueles que gostariam de ser seus amigos. Portanto, é da maior importância que vocês se esforcem, desde o início, para controlar seu temperamento e ensinar-lhe o autocontrole. Essas configurações também proporcionam a ela uma extremada temeridade nos empreendimentos dela, quando estiver nesse estado de espírito, portanto, sujeita a acidentes e ferimentos de natureza grave; por isso vocês têm uma responsabilidade muito grande e só esperamos que a realize plenamente, tome as devidas precauções e, assim, vença o mal e fomente o bem.
Com relação à saúde, descobrimos que o significador, a Lua, está em Quadratura com o Sol e Marte.
Isso diminui a vitalidade geral e a torna suscetível a febres e queixas inflamatórias. É necessário, portanto, mantê-la vestida com roupas quentes, principalmente nos ombros e no peito, pois Saturno, o Planeta do frio, está em Gêmeos, a região que governa essas partes; mas não dê a ela uma dieta que seja muito quente. Deixe-a fazer bastante exercício e viver tanto quanto possível ao ar livre, para que se torne insensível à vida ao ar livre. Se vocês prestarem atenção nisso desde a infância, é provável que ela se torne forte, sã e vigorosa, apesar dessa aflição.
JACK McN. – NASCIDO EM 10 DE AGOSTO DE 1913 ÀS 12:30 AM
EM GEORGETOWN, GUIANA
Os astrólogos atribuíram a Gêmeos uma natureza inquieta, e com a natureza mercurial encontramos essa mutabilidade. Neste horóscopo natal, que vamos ler, encontramos uma configuração maravilhosa. Marte, o Planeta da energia dinâmica, está ascendendo em Gêmeos no grau exato do Ascendente, em Trígono com o inventivo Urano em sua própria Casa, Aquário, e na 9ª Casa, e em Sextil com o Regente do Ascendente, Mercúrio, na 3ª Casa que rege a escrita; Mercúrio também está em Trígono com a Lua na 6ª Casa que rege o serviço por meio do trabalho. Isso proporciona a Jack oportunidade de deixar sua marca no mundo e, também, em algum momento da vida, a possibilidade de fazer um trabalho maravilhoso por meio da escrita. Encontramos Saturno na 1ª Casa, em Sextil com o vital e aventureiro Sol, que está no Signo que rege, Leão, o Signo natural das publicações na 5ª Casa; o Sol também está na 3ª Casa, que rege a escrita. Com todos os Aspectos benéficos acima, encontramos uma pessoa que tem um talento maravilhoso para escrever. Com a presença de todos esses Aspectos, Jack poderia permitir que a impulsividade o dominasse e, com isso, não conseguiria produzir algo, mas o sério e cauteloso velho pai Saturno, que está próximo do Ascendente, lhe proporciona auxílio para que a sua Mente seja mais profunda e mais séria; essa posição de Saturno proporciona a Jack firmeza e um maravilhoso poder de expressão. Os pais dele deveriam fornecer a esse menino todas as oportunidades de desenvolver esse lado da sua natureza. Jack tem a tendência de se voltar naturalmente ao misticismo e, algum dia, poderá até a ser capaz de escrever em linhas ocultistas. A escrita de cenários lhe proporciona a oportunidade de exercitar a sua capacidade literária e, também, de expressar algumas das suas ideias intuitivamente místicas.
Aqueles Aspectos benéficos também lhe proporcionam uma saúde acima da média, mas com Vênus em Câncer em Oposição a Júpiter será bom que os pais lhe ensinem a moderação no comer e no beber.
Jack não se sente à vontade em seguir a alguém, mas tem a tendência a ser um líder. O inquieto Gêmeos e o dinâmico Marte no Ascendente em Aspectos benéficos com Urano e Mercúrio lhe proporcionam o poder de estimular outros a fazerem coisas; também lhe facilitam exercer poderes maravilhosamente persuasivos e ser um político nato, mas sempre pela melhoria pública e pela melhoria do serviço público. Marte, com Aspectos benéficos, e Regente da 6ª Casa e Corregente da 11ª Casa proporcionam a ele ideais elevados e com amigos e amigas prontos para segui-lo; e, também, amigos e colegas de trabalho tendem a ser leais a ele e a estarem prontos para cumprir as ordens dele.
EDITH E. F. – NASCIDA EM 7 DE OUTUBRO DE 1900 ÀS 9:13 PM
EM RICHMOND HILL, L. I., NEW YORK, EUA
Aqui temos outro horóscopo com um Signo mercurial no Ascendente – Gêmeos –, mas de um tipo muito diferente. Os dois horóscopos anteriores tinham a mistura de Marte e Mercúrio, proporcionando energia e impulso, enquanto essa jovem tem o Planeta sonhador e místico de Netuno no Ascendente em Gêmeos, e uma Oposição entre Netuno e Saturno que está em Sagitário e na 7ª Casa, o que proporciona ao corpo mais receptivo as impressões pelos sentidos advindos do ambiente externo.
Ela é romântica e uma grande amante da arte e da ciência, pois encontramos Netuno em Sextil com Vênus, o Planeta da música e da arte, no Signo de Leão. Netuno também está em Trígono com Mercúrio, o Regente do Ascendente, na 5ª Casa. O Sol está no Signo da voz – Libra –, também na 5ª Casa, em Sextil com Urano, o que proporciona um talento para a música e para a oratória. Essa jovem deveria estar perante o público como professora e oradora, pois o Regente da 7ª e da 10ª Casas, Júpiter, está na 6ª Casa e em Conjunção com o Planeta inspirador Urano, e ambos estão em Trígono com a Lua, na 11ª Casa, também fazendo um Trígono com o ambicioso e enérgico Marte na 2ª Casa, a Casa das finanças. Isso mostra que o dinheiro de Edith advirá das atividades regidas pelas 5ª, 7ª e 10ª Casas, locais de atividades que envolvem o entretenimento e o público.
Com esse horóscopo místico aconselhamos essa jovem a dedicar as suas energias ao trabalho espiritual; as qualidades netunianas e uranianas deveriam ser desenvolvidas. Ao se expressar por meio das suas inspirações, ela poderia influenciar muitos a viverem vidas melhores e mais puras, e poderia ser um poder para a elevação da Humanidade, já que o Regente da 9ª Casa, Urano, é o Planeta com Aspecto mais forte de todos. Seus amigos também lhe providenciarão grande ajuda, pois o Trígono da Lua e de Marte com Urano é formado por três Signos de Fogo, a saber: Áries, Leão e Sagitário. Isso proporcionará uma inspiração maravilhosa e, ao seguir a vocação de conferencista e professora de conhecimento místico, ela satisfará o anseio inquieto de mudança de cenário que vem de Netuno em Gêmeos no Ascendente.
Edith tem um horóscopo maravilhosamente afortunado e isso proporcionará a ela perfeita liberdade para realizar seus planos. Seu futuro dependerá da energia investida em seus estudos. Ela pode melhorar ou estragar sua vida, pois há muitas poucas aflições. Netuno em Oposição a Saturno e Marte em Quadratura com Mercúrio são os únicos dois Aspectos adversos, e são compensados por muitos Trígonos e Sextis que são Aspectos benéficos.
Uma tendência à impulsividade na fala é mostrada com Marte e Mercúrio em Quadratura em Leão e Escorpião, respectivamente, e há, também, uma tendência a tosses e resfriados, pois Netuno afligido em Gêmeos apresenta má oxigenação dos pulmões. Aconselhamos que ela procure respirar corretamente, expanda o peito e durma em um quarto com bastante ar fresco. Com Saturno na 7ª Casa, afligido pela Oposição de Netuno, o casamento apresentará muitas dificuldades.
FREDERICK D.W. OGDEN – NASCIDO EM 26 DE OUTUBRO DE 1912, ÀS 8:15 AM
EM UTAH, EUA
Esse jovem tem o Signo marcial de Escorpião no Ascendente com o Regente, Marte, em seu próprio Signo e acima do Ascendente na 12ª Casa; Marte também está em Conjunção com o Sol. Isso proporcionará a Frederick uma abundância de energia que, se usada na direção certa, trará muitos benefícios. Mas há um grande perigo nesse horóscopo, pois encontramos a vacilante Lua no seu Signo de Exaltação, Touro (quanto maior a força do Astro, mais poderosa é a sua influência, seja para o bem ou para o mal) e em Oposição ao dinâmico Marte, que também é poderoso em sua própria Casa.
Esses Astros com Aspectos adversos predominarão na vida, e Frederick tende a ser seu pior inimigo, já que a 12ª Casa é a casa da autodestruição.
Mercúrio em Escorpião proporciona impulso na fala. Frederick tem esse Planeta sem Aspecto no Ascendente e, portanto, não será restringido por outros Planetas. Ele tende a ser bastante falante e terá muitas ideias, mas tenderá a não as executar. Essa condição proporciona a ele dificuldades para manter amigos, pois falará muito, mas sua conversa tende a ser dispersa e não objetiva. O Sol na 12ª Casa e em Escorpião fornece a ele a atração de muitos amigos, mas também proporciona dificuldades em mantê-los. Também esses amigos tendem não ser fiéis a ele, mas tendem a buscar a amizade dele para adquirir vantagens nos prazeres mundanos, pois com a Lua em Touro (a garganta), ele tende a apreciar as coisas boas para comer e beber. Assim, seus amigos tendem a buscar sua companhia para se divertirem a custas deles, pois ele tende a ser dotado de uma bela voz e poderá entretê-los com música.
Existem, no entanto, outros Aspectos nesse horóscopo que, se cultivados, compensarão os Aspectos adversos acima mencionados. Netuno está em Câncer – um Signo em que esse Planeta está Exaltado (portanto, fortalecido). A Lua está em seu Signo de Exaltação, Touro, e Urano está muito próximo do Signo que rege, Aquário, em Trígono com o diplomático e perseverante Saturno e em Sextil com Vênus.
Marte e Júpiter também estão nos Signos que são Regentes (Escorpião e Sagitário, respectivamente). Este número de Planetas fortíssimos em suas influências pode, até certo ponto, contrabalançar as Quadraturas e Oposições, e se os pais desenvolverem o lado humanitário dele, as qualidades uranianas, então a estabilidade de Saturno compensará o impulso de Mercúrio, Marte e Lua.
Frederick tende a ser muito hábil com as mãos e os dedos, e hábil com máquinas, mas de tipo pequeno; os pequenos trabalhos de um relógio o atrairiam e ele se sairia bem como joalheiro ou relojoeiro.
Netuno em Câncer (o estômago) em Oposição a Urano fornecem problemas no estômago. Com a Lua em Touro afligida pela Oposição do Sol e de Marte e da 12ª Casa, é bom vigiar esse menino para que não adquira um hábito secreto que prejudicaria sua saúde. Além disso, esses Aspectos, se não controlados, trarão problemas com relações sexuais mais tarde na vida. Se ele tiver problemas com as tonsilas ou adenoides, não permita de forma alguma uma cirurgia, pois esse problema é apenas o resultado de uma tendência à inflamação da garganta, quando o estômago está fora de ordem ou ele recebe muita comida rica em nutrientes, comida forte (pesada), comida que enche rápido e/ou comida calórica.
HELEN M.T. – NASCIDA EM 11 DE ABRIL DE 1918 ÀS 3:20 PM
EM ESPANOLA, WASHINGTON, EUA
Temos aqui uma jovem com o Signo mercurial e intelectual de Virgem no Ascendente, com Marte na Cúspide da 1ª Casa e em Trígono com o Regente Mercúrio, na 9ª Casa em Touro. Isso lhe proporciona uma Mente muito rápida, persistente e perspicaz. Marte em Signo mercurial fornece impulso, mas com o Planeta mental, Mercúrio, no Signo lento, persistente e fixo de Touro, fornece à Helen um apego tenaz aos estudos e uma disposição para não desistir até que tenha dominado o problema em que se encontra interessada.
Também encontramos o Regente Mercúrio em Sextil com o harmonioso e artístico Planeta Vênus em Peixes na 6ª Casa. Aqui Vênus está em Exaltação, portanto, forte no Signo jupiteriano de Peixes, e proporciona um grande amor pela harmonia; também com Mercúrio e a Lua no Signo da garganta, os pais deverão dar à Helen oportunidade de desenvolver a voz, tanto no canto como na elocução. Júpiter na Cúspide do Meio do Céu no Signo de Gêmeos lhe proporcionará habilidade manual; já Júpiter em Sextil com Saturno e Netuno no Signo Fixo de Leão lhe proporcionará facilidades em trabalhar com os braços e as mãos. Esses Aspectos também fornecem a Helen capacidades para tocar música instrumental e muita inspiração para isso. Seus talentos poderão ser muito admirados por seus amigos, mas isso não necessariamente lhe trará benéficos financeiros por seus talentos, pois encontramos o Regente da 2ª Casa das finanças, Vênus, em Quadratura o Meio do Céu e, também, com Júpiter, Regente da 7ª Casa.
Além disso, Mercúrio, o Regente do Ascendente e da Mente, está em Quadratura com Netuno e Saturno, os Regentes da 7ª e 5ª Casas, respectivamente, o que proporciona talentos maravilhosos a esta jovem, mas também fornecem dificuldades em apresentá-los ao público.
O Regente, Mercúrio, que está em Quadratura com Saturno, o Planeta obstrutivo, proporciona a ela a descoberta de que ela própria é a sua pior inimiga; e por isso ela tende a não se esforçar mentalmente e tende a desejar depender da ajuda de seus amigos; mas esses Aspectos fornecem amigos traiçoeiros, e que tendem a não lhe dar a assistência e, portanto, lhe causando perdas financeiras. Marte no Signo mercurial de Virgem proporciona a ela muita rapidez e impulsividade no discurso, e uma maneira de falar afiada, rápida e severa. Também Marte em Quadratura com Júpiter no Meio do Céu, fornece a ela dificuldades em ser popular e isso pode lhe causar muitas críticas, justamente pelo seu estilo rápido de falar.
Deve colocar seu talento musical ao serviço do poder de cura, o que lhe experimentará maior eficácia. Como enfermeira num hospital, ela poderia usar a sua música para ajudar e curar os doentes. Como organista de uma igreja, Júpiter em Gêmeos, na 9ª Casa, em Sextil com Netuno e Saturno no 5º Signo de Leão, a tornaria muito bem-sucedida.
Quanto à saúde, com o Signo negativo de Virgem no Ascendente e Marte neste Signo em Quadratura com Júpiter, a circulação arterial tende a ficar restrita; e com quatro Planetas nos Signos Fixos de Touro e Leão traz a tendências a problemas durante seus períodos menstruais, devido a essa circulação restrita e, às vezes, por correlação direta um pequeno problema na garganta.
ELLEN J. – NASCIDA EM 7 DE FEVEREIRO DE 1917 ÀS 6:00 PM
EM WINIFRED, MONTANA, EUA
Essa jovem senhorita tem o Signo real de Leão, o Signo do coração, no Ascendente. A natureza amorosa das pessoas de Leão é muito forte. Encontramos a Lua, que indica as pessoas comuns, as massas, na cúspide do Ascendente e em Trígono com o opulente e benevolente Júpiter em Áries, na 9ª Casa. O Regente do Ascendente, o Sol, está em Conjunção com Urano, o Regente da 6ª e 7ª Casas, Essencialmente Dignificado em Aquário e, também, em Conjunção com Marte, o Planeta da Energia Dinâmica, e Regente da 4ª e da 9ª Casas.
Esses três Astros mencionados estão em Conjunção na 6ª Casa, a Casa que rege o trabalho, e no Signo humanitário de Aquário. Isso proporciona a Ellen um profundo interesse pelo bem-estar das pessoas comuns, aquelas que lutam na sujeição, sofrem na pobreza, e o seu coração ficará cheio de compaixão.
Mercúrio está interceptado na 5ª Casa, no Signo saturnino de Capricórnio, e os únicos Aspectos que faz são a Oposição a Saturno, interceptado na 11ª Casa, e a Conjunção com Vênus. Isso fornece a Ellen, uma predisposição para não se dedicar, prontamente, ao trabalho mental; pois isso gera no cérebro um cansaço rápido e aconselharíamos os pais a não forçá-la a estudar. À medida que ela se torne adulta, encoraje-a no trabalho de serviço social, mas deve-se tomar cuidado para que ela não desenvolva tendências radicais, pois com a Conjunção de Marte e Urano, ela pode querer lutar pelos direitos daqueles que ela sente que não estão sendo tratados com consideração. Se ela puder ser ensinada a trabalhar através do benevolente Júpiter e perceber que mais pode ser realizado “por meio do amor do que da força”, e assim desenvolver a diplomacia e a paciência, ela poderá ser de grande valor na elevação da Humanidade.
Saturno Retrógrado e interceptado em Câncer, na Casa dos amigos, em Oposição a Mercúrio e Vênus, na Casa dos prazeres e desejos mundanos, proporciona a Ellen amigos que nunca serão de grande benefício; portanto, seus amigos tenderão a ser traiçoeiros e poderão causar perdas por meio de especulações.
Na saúde, alertaríamos os pais quanto à sua dieta, pois com Saturno em Câncer ela deveria ser ensinada a mastigar bem os alimentos; Saturno tem uma influência restritiva sobre os sucos estomacais e, portanto, é necessário que as glândulas salivares da boca forneçam grande parte dos fluidos para a digestão. Gostaríamos também de alertar os pais para nunca permitirem que os médicos operem as tonsilas ou as adenoides, pois isso interferiria muito na sua saúde durante a puberdade.
CLIFFORD ERNEST H. – NASCIDO EM 29 DE NOVEMBRO DE 1918 ÀS 5:00 PM
LONDRES, INGLATERRA
Aqui temos um jovem menino com o perspicaz e intelectual Signo de Gêmeos no Ascendente, com o Regente Mercúrio na 7ª Casa em Sextil com o inventivo e mental Planeta Urano, que tem grande poder no Meio do Céu e no Signo no qual ele é Regente, Aquário. Mercúrio também faz um Trígono com o racional e reservado Saturno, e um Sextil com a Lua em Libra, que denota uma tendência científica. Essa configuração de Astros é maravilhosamente forte para a matemática e pesquisa científica. Com Saturno e Urano em Signos Fixos e Angulares e, também, Mercúrio na 7ª Casa, no Signo de Fogo de Sagitário, isso proporciona uma Mente profunda, perspicaz, clara e ativa. Ele poderá ter muito sucesso como professor de matemática e, em algum momento da sua vida ele pode deixar sua marca escrevendo sobre os dois assuntos acima. Se assim o for, seus livros terão aceitação das editoras, pois vemos que a Lua, Regente da 2ª Casa, que dentre outros rege o assunto finanças, está na 5ª Casa, que dentre outros rege o assunto publicações, e no sétimo Signo de Libra, o público. Com Saturno, o Planeta do pessimismo na 4ª Casa, que dentre outros rege o assunto lar, em Oposição a Urano, o Planeta do impulso na 10ª Casa, como essas duas Casas representam os pais, há indicações de desarmonia e muita crítica no lar. Isso pode interferir nas oportunidades do menino e poderá vir a ser perigoso para a sua saúde, pois como Saturno está no Signo de Leão, o coração, e Urano em Aquário, o Signo dos nervos, o coração e o sistema nervoso estarão em desarmonia.
Há, também, outro grupo de Astros com Aspectos bem fortalecidos e que terão uma boa influência na vida de Clifford. Encontramos o inspirador e musical Netuno em Leão, o Signo do coração na 3ª Casa em Trígono com o Sol, Regente de Leão, e Vênus, o Planeta da harmonia. Estes dois últimos Planetas estão na 6ª Casa, que dentre outros rege o assunto trabalho, que proporcionam a Clifford um talento para a música. O efeito desses Aspectos oferece a Clifford a capacidade de improvisar e compor músicas. A influência da mãe o ajudará a desenvolver esse talento, enquanto o pai, que é de um tipo mais intelectual, desejará que menino entre em atividades científicas e intelectuais. Os pais não serão capazes de chegar a um acordo sobre uma escolha vocacional para o filho, mas se eles permitirem que o próprio filho escolha por si mesmo, eles não vão errar.
Encontramos Júpiter, o Planeta que rege o sangue arterial, no Signo de Câncer, que rege o estômago, em Oposição ao inflamatório Marte na 8ª Casa. Isso demonstra que se Clifford tem a tentação da gula presente na sua vida (Júpiter em Câncer proporciona a tendência a comer e em grandes quantidades, ainda mais sendo afligido por Marte) e isso tender a haver problemas no estômago. Isso, também, poderá ser agravado com a Oposição de Saturno e Urano, onde o coração sofreria como resultado dessa prática.
LILLIAN B. S. – NASCIDO EM 6 DE MARÇO DE 1913 ÀS 11:12 AM
BLANCHARD, IDAHO, USA
Lillian tem o Signo de Câncer no Ascendente, com a Lua, Regente da Vida, na cúspide do Meio do Céu. Isso lhe confere uma natureza muito inquieta. Proporciona desejos de mudanças e prazeres. Tendência a que se negar o que ela anseia, cede à melancolia canceriana, devido à Lua estar Elevada e em Sextil com Vênus, o Planeta do prazer, que está no Signo que rege, Touro, e na 11ª Casa, a dos amigos, sendo também Regente da 5ª Casa, que rege, dentre outros, os teatros e locais de diversão. Essa jovem tende a ansiar por uma vida pública e a prosperar com elogios e atenção do público. Isso poderá torná-la muito popular, especialmente entre as mulheres. Suas amigas tendem a ser muito fiéis a ela e, se assim o for, buscarão sua companhia.
As crianças com Ascendente em Câncer tendem a ser reservadas e sensíveis, preferindo o ambiente doméstico, mas com Lillian esse não será o caso, pois tendo Mercúrio no Signo marcial e perspicaz de Áries, na 10ª Casa, em Sextil com o alerta e original Urano, e em Sextil com Saturno, lhe proporcionará uma Mente brilhante.
A Lua, na cúspide do Meio do Céu, em Sextil com Vênus, a “deusa da música”, no Signo que rege, Touro, proporcionará a Lillian um talento maravilhoso para a música, especialmente para a harpa ou um instrumento de cordas; e suas amigas estarão prontas para ajudá-la a apresentar esse talento ao público. Tende a fazer apresentações em público em algum momento e a atrair pessoas muito acima de sua posição social, que estarão dispostas a ajudá-la. Júpiter na 7ª Casa, em Sextil com o Sol na 10ª Casa, proporciona a se casar com um homem de destaque.
Urano em Conjunção com Marte e em Sextil com Mercúrio, e a Lua no Meio do Céu, em Sextil com Vênus, proporcionará a ela anseios por atenção e bajulação. Já o Sextil da Lua com Vênus lhe fornecerá a ser atraente para o sexo oposto. Mas Vênus em Quadratura com Urano proporcionará a ela grande perigo de se desviar do caminho certo ou de ser explorada por alguém do sexo oposto. No entanto, o sério, sóbrio e cauteloso Saturno, em Sextil com Mercúrio e em Trígono com Urano, lhe será de grande auxílio e atuará como um “anjo da guarda” para protegê-la do Aspecto adverso mencionado acima.
Já lemos diversos horóscopos onde os Aspectos adversos de Vênus e Urano eram muito proeminentes e esses Planetas estavam próximos ao Meio do Céu, mas onde um Trígono de Saturno com Urano ou Vênus salvou a moça de um destino dessa natureza. Portanto, é sempre sábio avaliar o horóscopo sob diferentes perspectivas e não concluir precipitadamente que uma mulher está destinada ao fracasso apenas por encontrarmos Vênus e Urano em Quadratura. Procure pelo “anjo da guarda”, que geralmente é um Aspecto benéfico de Saturno ou do Sol.
A vida dessa moça tende a ser repleta de experiências muito interessantes. É proporcionada a ela uma certa liberdade financeira, mas nunca lhe faltará nada.
Também, as configurações acima oferecem a ela alguns problemas na puberdade, já que, com o sangue venoso afetado pela Quadratura de Urano com Vênus, podem ocorrer cólicas e alguns distúrbios durante o período menstrual.
IRENE SUSIE L. – NASCIDA EM 4 DE DEZEMBRO DE 1914 ÀS 12:15 AM
BEAU DESERT, AUSTRÁLIA
Esta menina é abençoada com uma disposição maravilhosamente doce, com o Signo de Peixes no Ascendente, amante da paz, do romantismo e dos sonhos, e o Regente da Vida, Júpiter, em Conjunção com o Ascendente. Júpiter é o regente da Personalidade desta criança. Isso lhe proporciona bom humor e regozijo, e atrai muitos amigos do tipo intelectual e sofisticado, pois Urano está no Regente, ou seja, no Signo que o rege, Aquário, e na 11ª Casa, que rege os amigos, e está em Sextil com o magnânimo Sol, na 9ª Casa e próximo ao Meio do Céu.
Mercúrio, o Planeta da razão, também está na 9ª Casa em Conjunção com o Sol e em Trígono com sua oitava superior, Netuno, o Planeta da devoção e da harmonia, que está situado no Signo amante da música, Leão, e na 5ª Casa, que rege os teatros e locais de diversão. Também encontramos Vênus, a “deusa da música”, na 10ª Casa, em Sextil com a Lua. Isso proporcionará a essa menina talentos musicais e poderá um dia se apresentar em público em concertos. Ela também teria talento como organista em uma igreja. Mercúrio, Regente da 7ª Casa, a pública, está em Trígono com Netuno na 5ª Casa e também no 5º Signo, Leão, e o Sol, co-regente da “casa do prazer”, está elevado próximo ao Meio do Céu.
Todos esses indícios apontam para um trabalho público e de natureza musical. Aconselhamos os pais a darem a esta criança uma educação nessa área, especialmente em órgão de igreja, pois a 9ª Casa, que rege as Igrejas, está bem fortificada. Com Urano tão fortemente posicionado, ela encontrará muitos amigos entre pessoas do teatro, e com o Sextil com o Sol, o fascínio dos holofotes, com seus muitos perigos, será muito forte. Mas, caso ela siga uma vocação teatral, Júpiter, seu Regente de Vida, em Trígono com o sério e bem equilibrado Saturno, a protegerá de qualquer frivolidade.
Netuno afligido por uma Quadratura com a Lua em Escorpião, o Signo que rege os órgãos reprodutores, pode causar-lhe alguns problemas na puberdade.
Com Saturno em Câncer, aconselhamos uma dieta vegetariana simples. Ensine-a a mastigar bem os alimentos, pois Saturno restringe os fluidos no estômago que auxiliam a digestão.
F I M
O mundo está experimentando as convulsões que inevitavelmente acompanham a passagem da Humanidade de uma Era para outra, quando o Velho cede lugar ao Novo.
Em uma forma de arte de beleza incomparável, Wagner traça o processo com discernimento profético, revelando as forças que levam à dissolução da velha Ordem e as que estão trabalhando sob os destroços externos, preparando o terreno para um amanhã melhor e mais brilhante.
1. Para fazer download ou imprimir:
Livro: O Ciclo do Anel de Richard Wagner – por Corinne Heline – Fraternidade Rosacruz
2. Para estudar no próprio site:
O CICLO DO ANEL DE RICHARD WAGNER
Por
Corinne Heline
Fraternidade Rosacruz
Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido de acordo com:
1ª Edição em Inglês, 1961, Part III from book: Esoteric Music of Richard Wagner: Richard Wagner’s Ring Cycle – Issued by New Age Interpreter
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP
www.fraternidaderosacruz.com
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
ÍNDICE
Introdução aos Pioneiros da Nova Era
PARTE IV – DIE GOTTERDAMMERUNG
O Ciclo do Anel de Wagner será apresentado pelo menos três vezes nesta temporada pela Companhia Metropolitana de Ópera de Nova York[1]. Essas produções têm muito mais a oferecer do que entretenimento e prazer estético. Elas são um comentário profundo sobre os tempos em que vivemos. Neste século, o mundo está experimentando as convulsões que inevitavelmente acompanham a passagem da Humanidade de uma Era para outra, quando o Velho cede lugar ao Novo. Em uma forma de arte de beleza incomparável, Wagner traça o processo com discernimento profético, revelando as forças que levam à dissolução da velha Ordem e as que estão trabalhando sob os destroços externos, preparando o terreno para um amanhã melhor e mais brilhante.
A seguir, procuramos chamar a atenção do leitor para as características mais salientes dos dramas musicais, vistas do ângulo de sua história, significado evolucionário e cósmico.
Nos quatro dramas musicais que compõem o que se tornou conhecido como o Ciclo do Anel, Wagner previu o conflito que está destruindo o século XX, uma agitação que tem sua origem na insegurança econômica e uma perda cada vez maior de valores espirituais. Wagner também aponta para uma conclusão centrada na nova Ordem mundial que substituirá o caos existente. A Nova Era estará centrada em igualdade e bem universal, enquanto a velha estava situada no bem de um judeu, independentemente do bem-estar das massas.
Richard Wagner foi um prenúncio verdadeiro e dedicado da Nova Era. Tanto sua vida como sua arte gloriosa carregam a impressão do idealismo da Nova Era. No ano de 1848, ele foi exilado da Alemanha por causa de suas ideias radicais e atividades revolucionárias; ainda assim, a mensagem que deixou pode aparecer em qualquer periódico liberal de hoje.
“Vemos ou cheiramos nisto a doutrina do comunismo? Somos tão tolos ou perversos que declaramos que a necessária redenção da raça humana da escravidão mais grosseira e imoral que foi usada para estruturar o materialismo é o mesmo que colocar em prática a doutrina mais absurda e sem sentido, o comunismo? Não vemos que nesta doutrina de uma divisão matematicamente igual de propriedades e ganhos há uma tentativa impensada de se resolver o problema? Mas vamos, assim, descrever o problema como absurdo e sem sentido? Cuidado!”.
“O resultado de trinta e três anos de paz mostra a sociedade humana hoje em tal estado de ruína e pauperismo que até o final deste ano veremos ao seu redor as figuras medonhas da fome pálida! Tomemos cuidado, antes que seja tarde demais! Não demos esmolas, mas reconheçamos o direito, o direito humano concedido por Deus, ou nós poderemos viver o dia em que a Natureza, violada e zombada, vai se erguer em vingança brutal. Então seu clamor selvagem de vitória poderá anunciar o comunismo; e se durar apenas um breve período, porque é impossível que seus princípios prevaleçam, essa regra temporária seria o suficiente para destruir, talvez por muito tempo, todas as conquistas de uma civilização com dois mil anos de idade. Você supõe que eu lhe esteja ameaçando? Não, estou avisando!”.
No ato de abertura do primeiro drama musical do Ciclo, O Ouro do Reno, o brilho cintilante e derretido do ouro é visto flutuando livremente nas águas do rio Reno. Sua massa de beleza dourada simboliza a consciência do Bem. O anão Alberich — que, com seus gigantes, tipifica a Ordem antiga — tira o ouro das águas e o converte em um Anel, simbolizando assim o confinamento ou limitação do Bem. Entretanto, para fazer isso, ele precisa renunciar ao amor. Em outras palavras, deve sacrificar o bem da Humanidade em geral ao engrandecimento de poucos.
Wotan, pai dos deuses, representa a mente das massas de uma Ordem cujos poderes estão diminuindo como resultado de seu mau uso. Sua esposa Fricka caracteriza as regras e regulamentos rígidos pelos quais essa Ordem foi mantida. Sua casa, o magnífico castelo gótico de Valhalla, a fortaleza da Ordem, foi construída para eles pelos gigantes. Wotan se alegra em seu trabalho — pois os de um estado passageiro não podem conceber algo superior a si mesmos e esperam com confiança uma existência eterna.
Desejando aumentar seu poder, Wotan, por astúcia e insinuações, apanha o Anel de Alberich. Antes de abandoná-lo, no entanto, o anão o amaldiçoa: “A morte será a porção de quem o possuir. Ele nunca conhecerá felicidade ou alegria, porém será consumido pelo cuidado e pela ansiedade; enquanto quem não o possuir será dilacerado pela inveja. Quem é dono do Anel se tornará seu escravo até o dia em que for devolvido a sua liberdade no rio Reno”. Podemos notar os efeitos trágicos dessa maldição quase todos os dias, nas manchetes de nossos jornais.
A turbulência mundial é o resultado de um conflito entre duas classes, os “que têm” e os “que não têm”. Desigualdades trágicas podem ser vistas em todas as nossas grandes cidades, onde a minoria vive de luxo, enquanto números incontáveis suportam as condições de pobreza das favelas. Situação semelhante é mantida em toda a América do Sul; nos países do Oriente Próximo e do Extremo Oriente isso, agora, atrai atenção geral. Uma civilização construída sobre essas desigualdades não pode e não vai durar. A consciência da Nova Era não permitirá que aqueles que possuem uma riqueza fabulosa gastem centenas de milhares de dólares em uma noite de prazer egoísta, quando milhões de outros seres humanos quase morrem de fome.
Dois temas musicais, o Amor de Golã e a Maldição do Ouro, estão entre os mais poderosos de todo o Ciclo do Anel. No final de O Ouro do Reno, Wotan e os deuses retornam a Valhalla, significando o apego mental das massas ao padrão estabelecido pela Ordem antiga. Há, no entanto, um raio de luz que se manifesta nesse retorno: eles devem voltar pela ponte do arco-íris. O arco-íris é simbólico e representa um novo dia cheio de beleza e luz. É uma promessa para o futuro. Isso está bem descrito na requintada Música do Arco-íris.
Enquanto Wotan refaz seus passos em direção a Valhalla, um brilho enevoado surge da terra; sob sua luz pode-se discernir a forma de Erda, deusa da terra e mãe dos três destinos: passado, presente e futuro. Seu tema musical é uma expressão da Sabedoria Antiga. Ela representa a Lei imutável e inescapável de Consequência, descrita biblicamente na Epístola de S. Paulo aos Gálatas no versículo 7 do capítulo 6: “Tudo que o homem semear, isso também ele ceifará”. Erda emite um aviso a Wotan: “Fuja do anel amaldiçoado. Há ruína sem fim para você, em seu poder. Tudo que foi, eu conheço. Tudo que será, eu também conheço. Erda, a eterna, convoca-lhe. Tudo que existe chegará ao fim. A noite cairá sobre os deuses. Eu lhe aviso: desista do Anel”.
Quando a primeira cena de A Valquíria acontece, uma tempestade terrível atinge a floresta e curva as árvores poderosas. No centro do palco, há uma pequena cabana, a casa de Hunding e sua bela esposa, a jovem Sieglinde. À porta da cabana chega um estranho que está ensopado de chuva: é Siegmund, o Andarilho. Ele entra e se joga perto da lareira, diante de um fogo aberto. Quando Sieglinde aparece, ele pede abrigo noturno contra os elementos furiosos, dizendo a ela que foi atacado por inimigos que pegaram sua espada e, então, ele se perdeu.
Logo surge Hunding, sombrio, grosseiro, desconfiado. Quando descobre que o estrangeiro esteja em guerra contra seus parentes, imediatamente declara sua inimizade, jurando que, embora a hospitalidade seja concedida durante a noite, no dia seguinte eles devam se enfrentar em combate.
Hunding tipifica a convenção. Ele mantém as regras e regulamentos da Ordem antiga, demonstrando animosidade imediata em relação a tudo que pertença à Nova Ordem. Siegmund e Sieglinde são pioneiros do Novo Dia; portanto, há reconhecimento instantâneo um do outro, de seus ideais e objetivos comuns.
Quando Hunding se recolhe, Sieglinde retorna e pede a Siegmund que fuja enquanto ainda há tempo. Ele responde que seu nome seja Infortúnio e ela diz que ele não possa trazer mais tristeza à casa do que já existe ali. O preço do pioneirismo é sempre o ridículo, o mal-entendido e a perseguição.
Sieglinde informa ao estranho que, na noite de seu casamento forçado com Hunding, outro desconhecido enfiou uma espada no coração do grande carvalho diante da porta, prevendo que, quando um herói alcançasse o poder para retirar a espada, chamada Nothung, sua escravidão terminaria. Cheio de entusiasmo, Siegmund corre ao local e retira facilmente a arma mágica, quando Sieglinde grita: “Seu nome não é mais Infortúnio, pois agora você é o Vitorioso. Veja”, ela continua, “a tempestade acabou e a primavera chegou!”. De mãos dadas, eles caminham em direção às belezas da floresta.
A espada, que desempenha um papel muito importante em todo o Ciclo do Anel, caracteriza a verdade em sua pureza original. Ela pode ser usada bem e sabiamente apenas por aqueles que possuem a mente iluminada e dedicada. E de toda a música magnífica em A Valquíria, nenhuma é mais requintada do que a Canção do Amor e a Canção da Primavera, ouvidas nesta primeira cena.
Provavelmente as mais familiares e amadas de todas as músicas de Wagner, essas composições o tornaram imortal. As Valquírias são donzelas ousadas que, em corcéis de fogo, correm pelo ar para reunir os guerreiros que tiveram mortes de herói e carregá-los até o Valhalla. A música delas eleva nosso espírito a uma altura que transcende as limitações de tempo e espaço. É verdadeiramente “música infinita”.
Brunilde, a líder das Valquírias, simboliza o espírito da verdade. Suas simpatias vão imediatamente para Siegmund e Sieglinde, embora Wotan e Frika exijam que durante o próximo combate ela deva prestar assistência a Hunding. Ela se recusa e, na passagem alta da montanha onde a batalha acontece, é vista pairando sobre Siegmund para lhe proteger dos golpes de Hunding. O sucesso de Siegmund está quase garantido, quando surge um tremendo trovão e Wotan aparece no ar, acima de Hunding. O deus quebra a espada de Siegmund, deixando-o indefeso contra o golpe final de Hunding. Segue um silêncio ofegante, enquanto Siegmund está morrendo. É como se o próprio batimento cardíaco do universo estivesse quieto e toda a natureza prendesse a respiração, aguardando um evento sinistro.
Brunilde assenta a chorosa Sieglinde sobre seu corcel e corre para a floresta. Ela então sussurra para a donzela de coração partido: “Mantenha seu rosto sempre em direção ao leste. Seja sempre corajosa e ousada, pois você carrega em seu coração alguém que trará nova luz aos homens. O mundo ainda está preso à Ordem antiga, mas no horizonte surge um brilho de promessa”. O espírito da verdade não declarou, assim, que Siegfried, filho de Siegmund e Sieglinde, seja o portador da luz de um novo dia?
Depois que Brunilde esconde Sieglinde na floresta, ela volta e enfrenta Wotan, que está irado. De forma lamentosa, diz a ele que, ao ajudar Siegmund em vez de Hunding, estivesse vivendo mais perto de sua própria natureza superior do que ele mesmo. Wotan, de forma relutante, admite a acusação.
É significativo notar que em O Ouro do Reno os dois gigantes, Fafner e Fasolt, mantêm Freia, deusa do amor e beleza, em cativeiro e se recusam a deixá-la ir até que esteja tão completamente coberta de ouro que não possam vê-la.
Wotan diz a Brunilde que, por causa de sua desobediência, ele lançará um feitiço sobre ela — o que significa que a verdade não possa funcionar da maneira ideal, se o mundo estiver preso à antiga Ordem. Ele acrescenta que ela deva dormir em uma montanha alta, cercada por fogo mágico, para que apenas um herói possa despertá-la. Enquanto ela afunda no sono profundo, três vezes Wotan golpeia a pedra com sua lança, enquanto exclama: “Durma até que alguém chegue para despertar quem é mais livre do que eu”. Ao pronunciar essas palavras, o tema de Siegfried, anunciando musicalmente o libertador que está por vir, é ouvido na orquestra.
Na beleza celestial e mágica de sua Música do Fogo, Wagner deu livre reinado a seu gênio. É a música de um fogo sobrenatural que não queima, porém exalta; o fogo celestial do espírito que produz luz, não calor.
Wagner sempre se referiu a Siegfried como “o homem do futuro”. Todo o alto idealismo com o qual ele dotou a “Nova Ordem das Eras” ele concentrou em Siegfried, seu amado herói.
Dois dos números mais bonitos da ópera são o Filho da Floresta, tema musical de Siegfried, e a Canção da Espada. Em Filho da Floresta, Wagner uniu a beleza da infância ao encanto e harmonia da primavera. Canção da Espada é uma expressão alegre e brilhante do espírito de coragem e liberdade.
Quando Sieglinde morre, ela deixa Siegfried na floresta e coloca ao seu lado os dois pedaços de Nothung, a espada quebrada do seu pai. Aqui ele é descoberto por Mime, irmão do anão Alberich que renunciou ao amor para transformar o ouro do Reno em um anel. Fasolt e Fafner, os dois gigantes que possuíram o Anel pela última vez e um tesouro de ouro resultante, imediatamente começam a brigar por sua posse. Um mata o outro, após o que o vencedor coloca o tesouro dentro de uma caverna e se transforma em um enorme dragão que fica de guarda dia e noite. Essa é uma imagem adequada do egoísmo e da ganância que animam a velha Ordem, qualidades que mantêm a maior parte do mundo em escravidão.
Reconhecendo a magia possuída por Nothung, Mime planeja segurar Siegfried até que ele tenha idade suficiente para consertar a arma — pois o anão se vê matando o dragão e, assim, possuindo o Anel.
Siegfried cresce como um filho da natureza, no meio da floresta encantadora. Ele é capaz de domar animais selvagens porque não tem medo. Pela mesma razão, é fácil para ele refazer a espada quebrada. Quando isso é feito, ele decide matar o dragão e não tem dificuldade em eliminar o monstro que, morrendo, avisa sobre a traição de Mime. Tendo sido avisado, quando Mime lhe oferece uma bebida envenenada, o jovem também mata o falso e deixa seu corpo ao lado do dragão.
Tal ação delineia um passo importante no Caminho do Discipulado. Mime e o dragão simbolizam os aspectos mais baixos da natureza de desejos do homem. Alguns desejos devem ser eliminados completamente, como Mime foi; outros podem ser transmutados em qualidades mais elevadas da natureza espiritual do homem, como o dragão que auxilia Siegfried. A paixão então se torna compaixão, a intolerância cede à tolerância, o ódio se transforma em amor, o egoísmo é vencido pela abnegação e o espírito de competição é transmutado no de cooperação.
Depois que Siegfried mata o dragão, descobre que se apoderou de muitos segredos da natureza. Ele agora pode entender a linguagem dos pássaros. Assim, à medida que um discípulo refina e sensibiliza suas faculdades puramente humanas, as capacidades superiores tornam-se operacionais, especialmente a intuição. Ele aprende a ouvir sua voz mansa e a seguir sua orientação implicitamente. Na ópera, um passarinho conta a Siegfried que no topo de uma montanha distante jaz uma bela donzela que ele esteja destinado a despertar.
Wotan, a Mente de massa da antiga Ordem, está ciente da vinda de Siegfried. Temendo que seu poder sobre o mundo diminua, ele pede a Erda, deusa da Terra, que lhe diga como parar a “roda rolante”. Ela responde, perguntando por que motivo ele não obtém esse conhecimento de Brunilde, aquela que possui toda a verdade e toda a sabedoria. Wotan é forçado a confessar que, como Brunilde patrocinou uma nova Ordem de eventos, em vez de permanecer leal à antiga, ele a fez dormir. Erda responde tristemente: “Você deveria ser o defensor da verdade; contudo, foi falso, patrocinando o que é injusto e desleal”. Ela então prevê o declínio do seu poder e a chegada de uma nova Era.
Quando Siegfried finalmente chega ao pé da montanha, ele encontra seu caminho barrado pela lança de Wotan. Com sua espada mágica, ele quebra a lança do deus e se vê livre para atravessar. A aparência de Wotan é sempre acompanhada pelos temas de Escravidão e Sono Eterno (cristalização). No início da ópera, o poder de Wotan, a Ordem antiga, é maior. Nesse encontro, no entanto, a Nova Era se aproxima rapidamente, de modo que o poder de Siegfried, a Nova Ordem, permite que ele seja vitorioso.
Em uma carta escrita por Wagner, ele declarou: “Depois que se separou de Brunilde, Wotan na verdade nada mais é do que um espírito apagado; seu objetivo mais alto pode ser apenas deixar as coisas seguirem seu curso, abraçando seu próprio caminho, não mais interferindo definitivamente; por esse motivo, também ele se tornou o ‘Andarilho’. Dê uma boa olhada nele! Ele se assemelha a nós como um fio de cabelo; ele é a soma do intelecto do presente, enquanto Siegfried é o homem do futuro, o homem que desejamos, o homem que queremos e não podemos fazer; ele é o homem que deve se criar mediante a nossa aniquilação”.
Siegfried começa, de forma exultante, a subida da montanha junto da incomparável Música do Fogo. Wagner não estava descrevendo o fogo que queima; a saber, as ilusões e fantasias do mundo material. Ele descreveu o fogo espiritual que inspira, ilumina e exalta. O Caminho do Discipulado, comum a todas as religiões em todo o mundo, leva os aspirantes ao topo da montanha para ficar de frente com o próprio espírito da verdade, pois todas as religiões apontam o caminho para esse mesmo objetivo.
Siegfried passa ileso pelas chamas para se ajoelhar ao lado da Brunilde, adormecida, e a beija nos lábios, quando ela acorda e o aclama como “Senhor da Vida e do Mundo”. De modo contente, ele se dirige a ela como sua estrela e juntos, de mãos dadas, sonham com a nova e mais nobre Ordem, que está por vir.
A mais alta conquista de todos os verdadeiros discípulos é a imortalidade consciente. É nesse clímax que Brunilde e Siegfried cantam seu requintado dueto de amor, onde suas vozes flutuam para cima em êxtase, parecendo até mesmo tocar os reinos celestes:
“Amor iluminado
Rindo da morte”
O caos do mundo atual é motivado, em grande parte, pela terrível desigualdade entre os seres humanos. Isso provocou inquietação, o descontentamento das pessoas e contínuas revoltas entre nações e povos. O Planeta Terra está muito atrasado em relação ao desenvolvimento programado para ele. Hoje, deveria haver um Mundo Unido, manifestando harmonia, abundância e paz permanente.
Ao longo dos tempos, grandes apóstolos surgiram, tentando espalhar um evangelho de fé e liberdade. Na maioria das vezes, encontraram o ridículo, a perseguição e a morte. Richard Wagner foi um desses pioneiros da Nova Era. Ele usou seu gênio para esclarecer a Humanidade sobre a causa encoberta na crescente turbulência mundial e a cura para ela. Toda a sua mensagem pode ser encontrada no Ciclo do Anel.
Quando alguém é escolhido para executar um serviço abrangente, ele é guiado ao topo da montanha da inspiração para receber sua comissão. Muitas vezes ela é fornecida em uma visão ou por mensagem direta. Em seguida, ele deve ser experimentado e testado, antes de receber a função de mensageiro confiável. Mesmo o Senhor Cristo, Aquele que mostrou o caminho à Humanidade, teve que descer entre os seres humanos, está para realizar Seu maior ministério.
E assim aconteceu com Siegfried. Brunilde lhe dá lições de sabedoria sobre as alturas da inspiração; depois, ela o envia para as estradas e caminhos para proclamar as glórias do Novo Dia. Nesta missão, ele vai ao castelo onde vive o rei Gunther e sua irmã, Gutrune, com o mau Hagen, filho do anão Alberich. Hagen preparou Gunther e Gutrune para a vinda de Siegfried, contando-lhes sobre a gloriosa Brunilde e como ela treinou Siegfried para a função que lhe foi destinada. Além disso, Hagen sugere ao rei que ninguém menos que Brunilde seja a companheira adequada para ele; enquanto que, de Gutrune, extrai a promessa de exercer todos os seus artifícios femininos para ajudar a alcançar o fim desejado de conquistar Siegfried por si mesma.
A maldição do Anel ainda se mantém, embora esteja agora na posse de Siegfried. Hagen planeja afastar os jovens da proteção mágica de Brunilde e, assim, livrar-se de sua interferência, ficando livre para obter o Anel. “Então”, ele exclama alegremente, “eu serei o mestre do mundo inteiro!”. Hagen é um antigo conceito familiar que dominou ditadores em todas as épocas. Eles acreditavam que, se pudessem reprimir todo o reconhecimento dos valores espirituais e sufocar os fogos da liberdade, poderiam governar o mundo por meio de suas proezas humanas. Tal é o sonho daqueles que obteriam o poder dentro de uma ordem mundial em rápida desintegração.
Siegfried entra na presença de Gutrune, que lhe dá um copo de hidromel no qual Hagen jogou a “droga do esquecimento”. Enquanto leva a xícara aos lábios, um passarinho avisa sobre o seu conteúdo envenenado, mas ele não lhe dá atenção. Bebe e perde instantaneamente toda a memória da bela donzela que o espera no topo da montanha, porque sob o feitiço da poção ele se apaixona pela mulher sensual e atrativa que está diante dele. Quando Hagen lhe pergunta se entende a linguagem dos pássaros, ele responde, rindo: “Agora que escuto o riso das mulheres, não consigo mais ouvir os passarinhos”.
Não podemos servir a dois senhores ao mesmo tempo. Devemos fazer uma escolha entre a natureza superior e a inferior. Todos os que alcançam um lugar de destaque, riqueza ou liderança são confrontados com o teste sutil de fazer a escolha entre ganho pessoal e autoengrandecimento, por um lado, ou serviço disposto e auto apagamento, por outro. “Todo aquele que for chefe entre vós, que seja seu servo” é uma advertência sussurrada através dos tempos. Infelizmente, poucos têm sido aqueles que, em lugares altos, foram sábios o bastante e fortes o suficiente para cumpri-la.
Siegfried não apenas esquece Brunilde como, sob o disfarce de Gunther, ele a procura e leva ao vale. Lá, ela é forçada a se casar com o verdadeiro Gunther, enquanto ele próprio está casado com Gutrune. Hagen se alegra com o sucesso do seu esquema maligno. Em seguida, ele organiza uma caçada para o entretenimento de Gutrune e Siegfried, durante a qual mata este.
A Jornada do Reno e a Marcha Funeral de Siegfried são dois dos maiores números musicais que destacam o Crepúsculo dos Deuses. Ambos são compostos de vários temas que descrevem os eventos da vida de Siegfried desde o nascimento até a morte, quando estes se desenrolam diante do seu olhar moribundo, em ordem inversa. (Esta fase da ópera foi abordada em detalhes no livreto Esoteric Music Based on the Musical Seership of Richard Wagner – Corinne Heline).
O esquife onde Siegfried foi posto é colocado no grande salão do castelo, com o Anel ainda brilhando em sua mão. Hagen o reivindica por si próprio. Quando Gunther proíbe que o pegue, ele puxa sua espada e mata seu companheiro de conspiração. Brunilde tira o Anel do dedo de Siegfried e o coloca por conta própria, dizendo: “Agora tomo minha herança por conta própria! Ó, Anel fatal, eu te pego na minha mão para que possa jogar fora. Irmãs Sábias das Águas, filhas sorridentes do Reno, devolvo o que a vós pertence. Levem para vós: as chamas limparão o Anel e a maldição será lavada no rio”.
Hagen pula no rio, gritando: “O Anel é meu! O Anel é meu! Mas ele está muito atrasado. As Donzelas do Reno já recuperaram o Anel. Dois dos espíritos da água o pegam e seguram sob as ondas, enquanto o terceiro devolve o Anel a seu devido lugar. Pela última vez, a música amaldiçoada soa debilmente e não é mais ouvida. As Donzelas do Reno nadam, enquanto cantam alegremente. O ouro do Reno novamente flui livre, porque não está mais sob a maldição do Anel.
A atual Era de materialismo está centrada no eu e meu: tem sido egocêntrica. A Nova Era estará centrada no “nós e nosso”: será altruísta. A Velha enfatizou a individualidade separatista; a Nova enfatizará a unidade coletiva. Chegará o dia em que a ganância e sua inevitável dor não existirão mais. Uma consciência mundial do Todo-Bem prevalecerá, mais uma vez, entre os seres humanos, como aconteceu quando estavam em paz e sem pecado.
Brunilde declara que acenderá a tocha com a qual queimará o esquife de Siegfried entre as torres do Valhalla, o reduto da Antiga Ordem. Então ela o faz. As chamas e a música aumentam cada vez mais, até a Terra parecer uma massa trêmula e crescente de labaredas com sons que sobem até se perderem entre as estrelas. A fumaça se afasta lentamente e as águas do Reno rastejam sobre as brasas fumegantes.
Wotan, o deus de um dia que acabou, olha tristemente para a destruição de Valhalla. Ele percebe que a Ordem Antiga está morta e que ele era o responsável por sua morte. Ele reconhece que seu poder começou a diminuir quando lançou o feitiço do sono em Brunilde (a verdade) e recorda a acusação de Erda, Deusa da Terra: “Tu deverias ser o defensor da verdade, mas foi falso e patrocinou o que é injusto e desleal”. Enquanto observa as brasas moribundas do seu adorado Valhalla, ele murmura consigo mesmo: “Eu não sou mais um servidor; eu sou apenas um observador”.
No entanto, é apenas um modo de vida e não a própria vida que chega ao fim — um modo que foi tão impedido por obstáculos de chegar ao progresso construtivo que o terreno precisou ser limpo para que uma estrada mais ampla pudesse ser construída.
Neste ponto, temos o motivo da promessa: alto, puro, exultante, acima do tumulto das formas estrondosas: é a Redenção pelo Amor, sem dúvida a música mais transcendente e magnífica de todo o Ciclo. É tão pungente e requintada que tira bastante do fôlego do ouvinte. É a melodia que canta no coração de todo pioneiro que trabalha pela liberdade e irmandade; a mesma música que soou no coração daqueles seres humanos corajosos que assinaram a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América em 1776. De fato, é a música que foi cantada por Anjos acima da pequena cidade de Belém, na noite em que nasceu o Abençoado Emancipador, porque é a palestra musical da “Nova Ordem das Eras”, centrada na Paternidade de Deus e na irmandade dos seres humanos.
Richard Wagner dedicou seu trabalho à grande mensagem do Ciclo do Anel com estas palavras: “Meu precioso conhecimento eu lego ao mundo. Não é mais ouro, nem pompa, casas ou tribunais, nem magnificência nobre, nem o engano dos tratados sombrios, nem a lei hipócrita de maneiras duras; entretanto, apenas uma coisinha tão valiosa nos dias bons quanto nos maus — e isso é o Amor”.
F I M
[1] N.T.: em 1961
Na Fraternidade Rosacruz é oferecida a Cura Rosacruz guiada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, utilizando os Auxiliares Invisíveis como instrumentos para restaurar e curar doenças e enfermidades físicas, emocionais e mentais. O trabalho é realizado de acordo com os mandamentos de Cristo Jesus: “Preguem o Evangelho e curem os enfermos”.
Este trabalho sagrado é realizado em estrita conformidade com os Ensinamentos de Cristo, enfatizando tanto a iluminação espiritual quanto a cura física.
Nesse livro há as informações necessárias e suficientes para se compreender o que é a doença ou enfermidade, porque ela ocorre e o que fazer para ser curado, por meio da Cura Rosacruz.
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Princípios Ocultos de Saúde e Cura – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz – C.1-Corpo Denso-P2
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PREFÁCIO
Esta compilação de material sobre a saúde e a cura do organismo humano, considerada do ponto de vista oculto, oferece aos interessados em alcançar e manter a saúde um verdadeiro tesouro de informações valiosas. Max Heindel, um Clarividente treinado e investigador dos Mundos suprafísicos, dedicou muito tempo e esforço para apurar a causas reais dos distúrbios físicos e mentais, conforme reveladas no reino da causa, os planos superiores ou suprafísicos, e este volume contém os frutos de seu trabalho. Ele incorpora algumas das verdades mais preciosas a respeito da origem, das funções e dos cuidados adequados dos veículos do ser humano, encontradas em publicações impressas, e aqueles que que se dedicam à verdadeira arte da cura acharão esse livro uma adição indispensável as suas bibliotecas.
Cristo admoestou aos Seus discípulos: “Pregai o Evangelho e curai os enfermos”[1]. Manter a saúde, uma vez conquistada ou recuperada, requer o conhecimento do “Evangelho” ou das Leis de Deus e é, portanto, à Luz de ambas as partes do Mandamento do Grande Mestre, que este livro é dedicado aos aflitos da Humanidade. Que o conteúdo de suas páginas – permeado pelo amor e pela compreensão compassiva do Coração místico do autor – seja o meio de trazer novo consolo e alívio a inúmeros corações aflitos e Corpos em sofrimento, bem como acelerar o dia para a geração de veículos humanos cada vez mais pertos da perfeição.
PARTE I – O SER HUMANO E SEUS VEÍCULOS
CAPÍTULO I – O CORPO DENSO
Introdução
A ciência oculta ensina que o ser humano é um ser complexo que possui:
(1) Um Corpo Denso, que é o instrumento visível que ele usa aqui neste Mundo Físico para buscar e carregar; o Corpo que normalmente consideramos como o ser humano completo.
(2) Um Corpo Vital, que é feito de Éter e permeia o Corpo Denso visível, assim como o Éter permeia todas as outras formas, exceto que os seres humanos especializam uma quantidade maior do Éter universal do que outras formas. Esse Corpo Vital é o nosso instrumento para especializar a energia vital do Sol.
(3) Um Corpo de Desejos, que é a nossa natureza emocional. Este veículo mais sutil permeia tanto o Corpo Vital quanto o Corpo Denso. É visto, pela visão do Clarividente, como se estendendo cerca de quarenta centímetros para fora do nosso Corpo Denso visível, que está localizado no centro desta nuvem ovoide, assim como a gema está no centro do ovo.
(4) A Mente, que é um espelho, refletindo o Mundo exterior e permitindo que o Ego transmita seus comandos como pensamentos e palavras e, também, para compelir à ação.
O Ego é o Tríplice Espírito que utiliza esses veículos para adquirir experiência na Escola da Vida.
O Corpo Denso foi o primeiro veículo construído e, portanto, possui um enorme período de evolução anterior. Encontra-se em seu quarto estágio de desenvolvimento e alcançou um grau de eficiência grandioso e maravilhoso. Com o tempo, alcançará a perfeição, mas mesmo atualmente é o veículo mais bem organizado do ser humano. É um instrumento maravilhosamente construído e deve ser reconhecido como tal por todos que pretendem ter algum conhecimento da constituição humana.
O germe do Corpo Denso foi dado pelos Senhores da Chama durante a primeira Revolução do Período de Saturno, o primeiro dos Sete Grandes Dias de Manifestação, de acordo com os Ensinamentos Rosacruzes. Esse germe foi desenvolvido durante o restante das seis primeiras Revoluções, recebendo a capacidade de desenvolver os órgãos dos sentidos, particularmente o ouvido. Portanto, o ouvido é o órgão mais desenvolvido que possuímos.
Na primeira metade da Revolução de Saturno do Período Solar, ou seja, o segundo dos Sete Grandes Dias de Manifestação, os Senhores da Chama se ocuparam em realizar certos aprimoramentos a serem feitos no germe do Corpo físico. Tornou-se necessário alterar o germe, de forma a permitir a interpenetração por um Corpo Vital, bem como a capacidade de desenvolver as glândulas e um canal alimentar. Isso foi feito pela ação conjunta dos Senhores da Chama e dos Senhores da Sabedoria.
Na primeira Revolução de Saturno do Período Lunar[2], o terceiro dos Sete Grandes Dias de Manifestações, os Senhores da Sabedoria cooperaram com os Senhores da Individualidade para reconstruir o germe do Corpo Denso. Este germe já desenvolvera órgãos sensoriais embrionários, órgãos digestivos, glândulas, etc., e era interpenetrado por um Corpo Vital em início de desenvolvimento. Claro, não era visível nem sólido como o é atualmente, mas, de uma forma rudimentar era de certa forma organizado. No Período Lunar foi necessário reconstruí-lo e torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos, bem como desenvolver um Sistema Nervoso, músculos, cartilagens e um esqueleto rudimentar. Essa reconstrução foi a obra da Revolução de Saturno do Período Lunar. Esses seres lunares não eram tão puramente germinais quanto nos Períodos anteriores. Para o Clarividente treinado, eles aparecem suspensos por cordões na atmosfera de névoa ígnea, como o embrião pendurado na placenta pelo cordão umbilical. Correntes, que forneciam certa espécie de nutrição, fluíam para dentro e para fora da atmosfera por meio desses cordões.
Quando a Terra surgiu do Caos, no início do Período Terrestre, ela estava inicialmente no estágio vermelho-escuro, que conhecemos como a Época Polar. Nessa ocasião a Humanidade desenvolveu, pela primeira vez, um Corpo Denso, cujo germe havia sido dado pelos Senhores da Chama durante a primeira Revolução do Período de Saturno. Não era, então, nada parecido com o nosso veículo atual, é claro. Quando a condição da Terra se tornou ígnea, como na Época Hiperbórea, o Corpo Vital foi adicionado e o ser humano se tornou semelhante a uma planta, isto é, ele tinha os mesmos veículos que as nossas plantas têm hoje e, também, possuía uma consciência semelhante, ou melhor inconsciência, aquela que temos no “Sono sem Sonhos”, quando o Corpo Denso e o Corpo Vital permanecem na cama.
Naquele tempo, na Época Hiperbórea, o Corpo do ser humano era como um enorme saco de gás, flutuando fora da Terra incandescente, e expelindo esporos semelhantes às plantas, que cresciam e eram usados por outros Espíritos humanos que vinham ao Mundo. O ser humano era bissexual, um hermafrodita.
Na Época Lemúrica, quando a Terra havia esfriado um pouco e algumas ilhas ou crostas começavam a se formar em meio a mares ferventes, o Corpo Denso humano também havia se solidificado um pouco e se tornado mais parecido com o que é atualmente. Era semelhante a um macaco, com um tronco curto, braços e pernas enormes, os calcanhares projetados para trás e quase nenhuma cabeça, pois a parte superior da cabeça estava quase totalmente ausente. O ser humano vivia em uma atmosfera de vapor que os ocultistas chamam de névoa-ígnea e não tinha pulmões, mas respirava por meio de “tubos”. Ele possuía um aparelho branquial que ainda se observa no embrião humano, enquanto passa pela fase pré-natal, que corresponde àquela Época. Ele não tinha sangue quente e vermelho, pois naquela fase não tinha um Espírito individualizado. Ele tinha um órgão semelhante a uma bexiga em seu interior, que ele inflava com o ar quente para ajudá-lo a saltar sobre os enormes abismos que se abriam quando as erupções vulcânicas destruíam a terra em que ele vivia. Da parte de trás da cabeça se projetava um órgão que agora se retraiu para dentro da cabeça e é chamado pelos profissionais que trabalham com anatomia de Glândula Pineal, ou impropriamente o terceiro olho, embora jamais fosse realmente um olho, mas um órgão localizador de sensação. O Corpo Denso era então desprovido de sensibilidade, mas quando o ser humano se aproximava demasiado de uma cratera vulcânica, aquele órgão registrava o calor e o impelia a fugir antes que seu Corpo fosse destruído.
[1] N.T.: Mt 10:7-8
[2] N.T.: Toda primeira Revolução de um Período chamamos de Revolução de Saturno daquele Período, pois ela sempre será uma recapitulação, em um estado superior, das atividades feitas no Período de Saturno.
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CORPO DENSO – EVOLUÇÃO DA ÉPOCA LEMÚRICA À ÉPOCA ÁRIA
Naquela Época, o Corpo Denso já estava tão solidificado que era impossível para o ser humano continuar a se propagar por esporos, sendo necessário que ele desenvolvesse um órgão para manifestar o pensamento, um cérebro. A força sexual criadora que agora usamos para construir ferrovias, navios a vapor, etc., no Mundo exterior, era então usada internamente para a construção de órgãos. Como todas as forças, era positiva e negativa. Um polo era voltado para cima para construir o cérebro, deixando o outro polo disponível para a criação de outro Corpo Denso. Assim, o ser humano não era mais uma unidade criadora completa. Cada um possuía apenas metade da força sexual criadora e, portanto, era necessário que buscasse seu complemento fora de si mesmo.
Na última parte da Época Lemúrica, a forma do ser humano ainda era bastante plástica. O esqueleto estava formado, mas o próprio ser humano tinha grande poder para moldar a carne de seu próprio Corpo Denso e a dos animais ao seu redor.
Nessa Época, quando nascia aqui, o ser humano podia ouvir e sentir, mas sua percepção da luz veio mais tarde. O Lemuriano ou a Lemuriana não tinha olhos. Possuía dois pontos sensíveis que eram afetados pela luz do Sol, que brilhava fracamente através da atmosfera ígnea da antiga Lemúrica, mas foi somente perto do fim da Época Atlante que ele adquiriu a visão como a temos hoje.
Sua linguagem consistia em sons semelhantes aos da Natureza. O suspiro do vento nas imensas florestas que cresciam em grande exuberância naquele clima super tropical, o murmúrio do riacho, o uivo da tempestade, o estrondo da cachoeira, o rugido do vulcão — tudo isso eram para ele vozes dos Deuses dos quais ele sabia descender.
Nada sabia sobre o nascimento de seu Corpo Denso. Não podia vê-lo nem ele nem qualquer outra coisa, mas percebia seus semelhantes. Era, no entanto, uma percepção interna, como a nossa percepção de pessoas e coisas em sonhos, mas com esta importantíssima diferença: sua percepção onírica era clara e racional.
Mas quando “seus olhos se abriram” (como conta a história da “Queda do Homem”) e sua consciência se voltou para os fatos do Mundo Físico, as condições se alteraram. A propagação era dirigida, não por Anjos, mas pelo próprio ser humano, que desconhecia o funcionamento das forças do Sol e da Lua. Sua consciência se concentrou no Mundo Físico, embora as coisas não lhe aparecessem com contornos claramente definidos até a última parte da Época Atlante. Ainda assim, ele gradualmente conheceu a morte devido à ruptura ocorrida em sua consciência quando esta foi transferida para os Mundos superiores na morte e retornou ao Mundo Físico no renascimento.
No entanto, o que foi dito sobre a iluminação dos Lemurianos e Lemurianas se aplica apenas a uma pequena parcela daqueles que viveram na última parte daquela Época e que se tornaram a semente para as sete Raças Atlantes. A maior parte dos Lemurianos e das Lemurianas era animalesca e as Formas por eles habitadas degeneraram nos selvagens e antropoides superiores dos dias atuais.
Na Época Atlante, que se seguiu à Época Atlante, o ser humano era muito diferente de tudo o que existe na Terra atualmente. Ele tinha uma cabeça, mas quase nenhuma testa; seu cérebro não possuía desenvolvimento frontal; a cabeça se inclinava quase abruptamente para trás a partir de um ponto logo acima dos olhos. Comparado com a nossa Humanidade atual, ele era um gigante; seus braços e pernas eram muito mais longos em proporção ao seu Corpo do que os nossos. Em vez de andar, ele se movia por meio de uma série de saltos rápidos, não muito diferentes dos do canguru. Tinha olhos pequenos que piscavam e seu cabelo era de seção redonda. Esta última peculiaridade, se nenhuma outra, distingue os descendentes das Raças Atlantes que permanecem conosco até os dias atuais. Seus cabelos eram lisos, brilhantes, pretos e de seção redonda. O cabelo de um ser humano da Época Ária, embora possa diferir na cor, é sempre de seção oval. As orelhas do ser humano da Época Atlante ficavam muito mais para trás na cabeça do que as do ser humano da Época Ária.
Os veículos superiores dos primeiros seres humanos atlantes não eram dispostos em uma posição concêntrica em relação ao Corpo Denso, como são os nossos atualmente. O Espírito não era exatamente um Espírito residente interiormente; estava parcialmente fora, portanto, não podia controlar seus veículos com tanta facilidade como se habitasse inteiramente dentro. A cabeça do Corpo Vital ficava fora e ocupava uma posição muito acima da cabeça física. Há um ponto entre as sobrancelhas e cerca de um centímetro e meio abaixo da superfície da pele, que tem um ponto correspondente no Corpo Vital. Quando esses dois pontos se alinham, como acontece no ser humano hoje, eles formam a sede do Espírito que nele reside interiormente.
Devido à distância entre esses dois pontos, os poderes de percepção ou visão de um ser humano atlante eram muito mais aguçados nos Mundos internos do que no denso Mundo Físico, obscurecido por sua atmosfera de névoa espessa e densa.
Com o passar do tempo, porém, a atmosfera foi se tornando mais clara; ao mesmo tempo, o ponto mencionado no Corpo Vital se aproximou cada vez mais do ponto correspondente no Corpo Denso, unindo-se a ele no último terço da Época Atlante.
Os Rmoahals foram a primeira das Raças Atlantes. Eles tinham pouca memória, e essa pouca memória estava relacionada com as sensações. Eles se lembravam de cores e tons e, assim, até certo ponto, desenvolveram o Sentimento. Com a memória, vieram aos atlantes os rudimentos de uma linguagem. Eles desenvolveram palavras e deixaram de usar meros sons, como os Lemurianos, dando nomes às coisas.
Os Tlavatlis foram a segunda Raça Atlante. Já começavam a sentir seu valor como seres humanos distintos. Tornaram-se ambiciosos; exigiam que suas obras fossem lembradas. A memória tornou-se um fator na vida da comunidade. Assim começou o culto aos ancestrais.
Os Toltecas foram a terceira Raça Atlante. Inauguraram a monarquia e a sucessão hereditária, originando o costume de honrar os homens pelos feitos de seus ancestrais. A experiência passou a ser altamente valorizada e a memória foi desenvolvida em grande escala.
No terço médio da Atlântida, encontramos o início de nações separadas. Com o tempo, os Reis se embriagaram com o poder e começaram a usá-lo de forma corrupta, para fins egoístas e engrandecimento pessoal, em vez de para o bem comum.
Os Turânios Originais foram a quarta Raça Atlante. Eles eram especialmente vis em seu egoísmo abominável, erguendo templos onde os Reis eram adorados como deuses.
Os Semitas Originais foram a quinta e mais importante das sete Raças Atlantes, porque neles encontramos o primeiro germe da qualidade corretiva do pensamento. Portanto, a Raça Semita Original tornou-se a “Raça-semente” para as sete Raças da Época Ária. Eles foram os primeiros a descobrir que o “cérebro” é superior aos “músculos”. Durante a existência dessa Raça, a atmosfera da Atlântida começou a se clarear definitivamente, e o ponto mencionado anteriormente no Corpo Vital entrou em correspondência com seu ponto correspondente no Corpo Denso. A combinação de eventos forneceu ao ser humano a capacidade de ver objetos claramente, com contornos nítidos e bem definidos; mas também resultou na perda da visão referente aos Mundos internos.
Os Acádios foram a sexta e os Mongóis a sétima das Raças Atlantes. Eles desenvolveram ainda mais a faculdade do pensamento, mas seguiram linhas de raciocínio que se desviavam cada vez mais da tendência principal da vida em desenvolvimento. À medida que as densas neblinas da Atlântida se condensavam cada vez mais, a quantidade crescente de água inundou gradualmente o continente, destruindo a maior parte da população e as evidências de sua civilização.
A Ásia Central foi o berço das Raças Arianas, que descendem dos Semitas Originais. De lá surgiram as diferentes Raças. É desnecessário descrevê-las aqui, pois as pesquisas históricas já revelaram suficientemente suas principais características.
CORPO DENSO – O CÉREBRO E O SISTEMA NERVOSO
Durante a Revolução de Saturno do Período Terrestre, o Corpo Denso recebeu a capacidade de formar um cérebro e se tornar um veículo para o germe da Mente, que seria adicionado posteriormente. O impulso foi dado à construção da parte frontal do cérebro. O cérebro e o sistema nervoso são a expressão mais elevada do Corpo de Desejos. Eles evocam imagens do Mundo exterior, mas na formação de imagens mentais, o sangue traz o material para as imagens; portanto, quando o pensamento está ativo, o sangue flui para a cabeça.
No ser humano, o cérebro é a ligação entre o Espírito e o Mundo exterior. Ele não pode conhecer nada do Mundo exterior, exceto por meio do cérebro. Os órgãos dos sentidos são meros portadores de impactos externos para o cérebro, e o cérebro é o instrumento que interpreta e coordena esses impactos. O Ego, auxiliado pelos Anjos, construiu o cérebro para reunir conhecimento do Mundo Físico. Quando o Ego assumiu a posse de seus veículos, tornou-se necessário usar parte da força sexual criadora para a construção de um cérebro e uma laringe. Os Espíritos Lucíferos são os instigadores de toda a atividade mental, por meio da parte da força sexual criadora que é conduzida para cima para atuar no cérebro. Assim, a entidade em evolução obteve a consciência cerebral do Mundo exterior ao custo de metade de seu poder criador.
Os fisiologistas observam que certas áreas do cérebro são dedicadas a atividades mentais específicas, e os frenologistas levaram esse ramo da ciência ainda mais longe. Ora, sabe-se que o pensamento degrada e destrói os tecidos nervosos. Isso e todos os outros resíduos do Corpo são substituídos pelo sangue. Quando, através do desenvolvimento do Coração em um músculo voluntário, a circulação do sangue finalmente passar para o controle absoluto do Espírito de Vida unificador, então estará dentro do poder desse Espírito reter o sangue das áreas da Mente dedicadas a propósitos egoístas. Como resultado, esses centros de pensamento específicos irão se atrofiar gradualmente.
O conhecimento cerebral, com seu egoísmo concomitante, foi adquirido pelo ser humano ao custo do poder de criar a partir de si mesmo. Ele comprou seu livre-arbítrio ao custo da dor e da morte; mas quando o ser humano aprender a usar seu intelecto para o bem da Humanidade, ganhará poder espiritual sobre a vida e, além disso, será guiado por um conhecimento inato tão superior à consciência cerebral atual quanto esta é superior à consciência animal mais inferior. O cérebro é, na melhor das hipóteses, apenas uma forma indireta de obter conhecimento e será substituído pelo contato direto com a Sabedoria da Natureza, que o ser humano, sem qualquer cooperação, poderá então usar para a criação de novos Corpos.
No Período Lunar, foi necessário reconstruir o Corpo Denso para torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos e, também, capaz de desenvolver um sistema nervoso, os músculos, as cartilagens e um esqueleto rudimentar. Essa reconstrução foi obra da Revolução de Saturno do Período Lunar.
A reconstrução do Corpo Denso na Revolução de Saturno do Período Terrestre deu o primeiro impulso à divisão incipiente do sistema nervoso, que desde então se tornou aparente em suas subdivisões: o voluntário[1] e o simpático[2]. Este último foi o único previsto no Período Lunar. O sistema nervoso voluntário (que transformou o Corpo Denso de um mero organismo reagindo a estímulos externos em um instrumento extraordinariamente adaptável, capaz de ser guiado e controlado por um Ego interno) só foi adicionado no atual Período Terrestre.
Quando ocorreu a divisão do Sol, da Lua e da Terra, no início da Época Lemúrica, a porção mais avançada da Humanidade em formação experimentou uma divisão do Corpo de Desejos em uma parte superior e uma inferior. O restante da Humanidade experimentou a mesma divisão no início da Época Atlante. Essa parte superior do Corpo de Desejos se tornou uma espécie de alma animal. Ela construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal e os músculos voluntários, controlando assim a parte inferior do Tríplice Corpo até que a ligação com a Mente fosse estabelecida.
Parte do sistema muscular involuntário[3] é controlada pelo sistema nervoso simpático.
O assento do Espírito Humano está primeiramente na Glândula Pineal e, secundariamente, no cérebro e no sistema nervoso cérebro-espinhal[4], que controla os músculos voluntários.
[1] N.T.: também conhecido como sistema nervoso somático, faz parte do sistema nervoso periférico e controla conscientemente as ações do corpo, como mover músculos esqueléticos (braços, pernas, tronco) e o rosto. Ele transmite informações sensoriais ao cérebro e envia comandos motores para realizar movimentos intencionais, além de gerenciar reflexos rápidos.
[2] N.T.: é uma divisão do sistema nervoso autônomo (O SNA é uma rede neural periférica que regula processos fisiológicos involuntários e automáticos, garantindo a homeostase (equilíbrio interno). Ele controla órgãos internos, músculos lisos e glândulas, agindo sem controle consciente em funções como frequência cardíaca, digestão, respiração e temperatura.) que prepara o corpo para situações de estresse, emergência ou esforço físico, conhecida como resposta de “luta ou fuga”. Ele aumenta a frequência cardíaca, dilata pupilas e vias aéreas, e libera energia armazenada, enquanto inibe funções digestivas.
[3] N.T.: é composto por músculos que funcionam autonomamente, sem controle consciente, sendo controlados pelo sistema nervoso autônomo. Inclui o músculo liso (órgãos internos, vasos sanguíneos) e o músculo estriado cardíaco (coração). Essencial para funções vitais como digestão, circulação sanguínea e batimentos cardíacos.
[4] N.T.: É a parte central do sistema nervoso, compreende o encéfalo e a medula espinhal, protegidos por ossos (crânio e coluna) e meninges. Funciona como o centro de controle do corpo, processando informações, coordenando reflexos e transmitindo sinais motores e sensoriais através de 31 pares de nervos espinhais.
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O SANGUE
O estudo do sangue é muito profundo, abrangente e de suprema importância, seja qual for o ponto de vista que o analisemos. Lúcifer estava decididamente certo quando disse que “o sangue é uma essência muito peculiar”. Ele constrói o Corpo Denso desde o momento em que o Átomo-semente é depositado no óvulo até a ruptura do Cordão Prateado, que encerra a existência material, sendo um dos produtos mais elevados do Corpo Vital e a principal fonte de nutrição para todas as partes do Corpo Denso. É o veículo direto do Ego, tendo injetado nele cada pensamento, sentimento ou emoção transmitido aos pulmões.
Na infância e até os quatorze anos a medula óssea vermelha não produz todos os corpúsculos sanguíneos. A maioria deles é suprida pela Glândula Timo, que é o maior no feto e diminui gradualmente à medida que a faculdade individual de produção de sangue se desenvolve na criança em crescimento. A Glândula Timo contém, por assim dizer, um suprimento de corpúsculos sanguíneos fornecido pelos pais e, consequentemente, a criança, que extrai seu sangue dessa fonte, não percebe sua individualidade. Somente quando o sangue é produzido pela criança é que ela se reconhece como “Eu”, e quando a Glândula Timo se reduz quase desaparecendo, aos quatorze anos, o sentimento do “Eu” atinge sua plena expressão, pois então o sangue é produzido e dominado inteiramente pelo Ego. O que se segue esclarecerá a ideia e sua lógica:
Deve-se lembrar que a assimilação e o crescimento dependem do trabalho dos fatores que atuam ao longo do polo positivo do Éter Químico do Corpo Vital. Este é liberado em torno dos sete anos, juntamente com o equilíbrio do Corpo Vital. Somente o Éter Químico está totalmente maduro nessa época; as outras partes precisam de mais amadurecimento. Aos quatorze anos, o Éter de Vida do Corpo Vital, que tem a ver com a propagação, está totalmente maduro. No período dos sete aos quatorze anos de idade, a assimilação excessiva armazenou uma quantidade de força que se dirige aos órgãos sexuais e está pronta quando o Corpo de Desejos é liberado.
Essa força sexual é armazenada no sangue durante o terceiro dos sete períodos de idade e, nesse tempo, o Éter Luminoso, que é a via para o calor do sangue, é desenvolvido e controla o coração. O Corpo Denso não está nem muito quente nem muito frio. Na primeira infância, o sangue frequentemente atinge uma temperatura anormal. Durante o período de crescimento excessivo, ocorre frequentemente o inverso, mas na juventude impetuosa e desenfreada, a paixão e o temperamento muitas vezes expulsam o Ego, superaquecendo o sangue. Chamamos isso, muito apropriadamente, de ebulição ou transbordamento de temperamento e descrevemos o efeito como fazendo com que a pessoa “perca a cabeça” ou se torne incapaz de pensar. É exatamente isso que acontece quando a paixão, a raiva ou o temperamento superaquecem o sangue, levando o Ego para fora do Corpo. O Ego está fora de seus veículos, e estes estão funcionando como se estivessem em movimento, desprovidos da influência orientadora do pensamento, cuja função é, em parte, frear os impulsos. Somente o ser humano que se mantém calmo e não permite que o excesso de calor o expulse pode pensar corretamente.
Como prova da afirmação de que o Ego não pode funcionar no Corpo Denso quando o sangue está muito quente ou muito frio, chamaremos a atenção para o fato bem conhecido de que o calor excessivo causa sonolência e, se levado além de certo ponto, expulsa o Ego, deixando a pessoa inconsciente. É somente quando o sangue está na temperatura normal ou próxima dela que o Ego pode usá-lo como veículo de consciência.
O rubor intenso da vergonha é uma evidência da maneira como o sangue é impulsionado para a cabeça, superaquecendo o cérebro e paralisando os processos de expressão do pensamento. O medo é um estado em que o Ego quer se proteger de algum perigo externo. Ele então impulsiona o sangue para o centro e empalidece, porque o sangue saiu da periferia do Corpo Denso e perdeu calor, paralisando assim a expressão do pensamento. Na febre, o excesso de calor causa delírio.
A pessoa com sangue em plena forma, embora o sangue não esteja muito quente, é ativa no Corpo e na Mente, enquanto a pessoa anêmica é sonolenta. Em uma, o Ego tem melhor controle; na outra, o Ego tem menos controle. Quando o Ego quer expressar o pensamento, ele impulsiona o sangue na temperatura adequada. O calor afeta o cérebro. Quando uma refeição pesada concentra a atividade do Ego no trato digestivo, o ser humano não consegue expressar o pensamento; ele fica sonolento.
Os antigos nórdicos e os escoceses reconheciam que o Ego está no sangue. Nenhum estranho podia se associar a eles como parente até que tivesse “misturado sangue” com eles e, assim, se tornado um deles.
Nos descendentes das famílias patriarcais – Adão, Matusalém, etc. – o sangue que corria em suas veias continha as imagens de tudo o que havia acontecido com seus diferentes ancestrais, e essas imagens estavam constantemente diante da visão interior de cada um, pois eles não tinham visão externa naquela Época. Atualmente, o sangue de cada indivíduo contém apenas imagens de suas próprias experiências individuais, e a Mente Subconsciente tem acesso a elas. Até o início do casamento fora da família, os indivíduos eram governados por um Espírito de Família (um Anjo), que entrava no sangue por meio do ar inspirado e ajudava cada Ego a controlar seus veículos. Quando o casamento fora da família começou, os Egos haviam chegado a um ponto na evolução da autoconsciência em que podiam depender de si mesmos e deixaram de ser autômatos guiados por Deus e se tornarem indivíduos autogovernados. Quanto maior a mistura de sangue, menos o Ego residente no interior dos seus Corpos pode ser influenciado pelos Espíritos da Raça ou de Família. O sangue puro nos deu assistência ancestral quando precisávamos. O sangue misto proporciona independência de ajuda externa. Um Deus (criador) deve ser independente.
O calor do sangue é a base de partida do Ego, e os Espíritos de Lúcifer de Marte auxiliam na manutenção desse calor dissolvendo o ferro, um metal marciano, em nosso sangue para atrair oxigênio, um elemento solar.
O calor adequado para a verdadeira expressão do Ego não está presente até que a Mente nasça da Mente Concreta macrocósmica, quando o indivíduo tem cerca de 21 anos de idade. A lei estatutária também reconhece essa como a idade mínima em que o ser humano é considerado apto a exercer o direito de voto.
Na Onda de Vida animal o sangue é fluido e nucleado. Os núcleos, centros da vida, são a base estratégica de um Espírito-Grupo. Regula seus processos vitais e os guiam através dos núcleos. Durante a primeira parte do período gestacional, o sangue do feto também é nucleado pela vida da mãe, e ela regula o processo de construção do Corpo Denso, mas assim que o Ego entra no Corpo da mãe, ele começa a afirmar sua Individualidade e resiste à formação de células sanguíneas nucleadas. As células antigas desaparecem gradualmente, de modo que, quando o Cordão Prateado é conectado no momento da vivificação e o Ego é atraído para dentro de seu Corpo Denso, todos os núcleos desaparecem, e ele é o autocrata absoluto de seu novo veículo, uma herança mais preciosa do que qualquer outra posse terrena; e, quando usado corretamente, é nosso meio de gerar poder da alma e acumular tesouros no céu. Quando abandonamos este veículo aos controles do Espírito, prejudicamos seriamente nossa evolução superior e cometemos um grande pecado.
Assim, o sangue é o veículo particular do Ego, e assim como nos éons passados de desenvolvimento cristalizamos a matéria para formar nosso Corpo Denso, também está destinado que agora devemos eterizar nossos veículos para que possamos elevar a nós mesmos e ao mundo dos reinos da materialidade para o espiritual. Naturalmente, portanto, o Ego visa primeiro tornar o sangue gasoso, e para a visão espiritual, esse sangue vermelho e sem núcleo não é um fluido, mas um gás. Não é argumento contra essa afirmação o fato de que, quando furamos a pele, o sangue sai como um líquido. Quando abrimos a válvula de escape de uma caldeira a vapor, o gás também se condensa em líquido, mas se construirmos um modelo de máquina a vapor de vidro e observarmos como o vapor funciona ali, veremos apenas o pistão se mover para frente e para trás, impulsionado por um agente invisível, o vapor vivo. Da mesma forma, assim como o vapor vivo diretamente da caldeira é invisível e gasoso, também o sangue vivo no corpo humano é um gás, e quanto mais elevado o estado de desenvolvimento de qualquer Ego, mais etérico ele consegue tornar o sangue.
Quando, pelos processos vitais, o alimento atinge o estado alquímico mais elevado, o processo de condensação começa e o gás sanguíneo é transformado em tecido nos vários órgãos para substituir o que foi desperdiçado ou destruído pelas atividades do Corpo. O baço é a porta de entrada do Corpo Vital; ali a força solar que abunda na atmosfera circundante entra em um fluxo constante para nos auxiliar nos processos vitais, e ali também a guerra entre o Corpo de Desejos e o Corpo Vital é travada com mais ferocidade. Pensamentos de preocupação, medo e raiva interferem no processo de evaporação no baço, resultando em uma partícula de plasma, que é imediatamente capturada por um elemental do pensamento que forma um núcleo e se incorpora nele. Então, começa então a viver uma vida de destruição, coalescendo com outros resíduos e elementos em decomposição onde quer que se formem, transformando o Corpo Denso em um ossuário em vez do Templo de um Espírito vivo que habita nele. Podemos, portanto, dizer que cada glóbulo branco que foi tomado por uma entidade externa é para o Ego uma oportunidade perdida. Quanto mais dessas oportunidades perdidas houver no Corpo, menos o Corpo estará sob o controle do Ego; portanto, encontramos essas oportunidades em maior número em todas as doenças do que quando a pessoa está saudável. Pode-se dizer também que a pessoa de natureza jovial e alegre, ou aqueça que é devotamente religiosa e tem fé e confiança absolutas na providência e no amor divinos, registrará muito menos oportunidades perdidas ou glóbulos brancos do que aqueles que estão sempre preocupados e aflitos.
Assim, o sangue é a única parte do Corpo que realmente pertence a nós. A medida em que controlamos todo o sangue depende da capacidade do Ego de se expressar através do Corpo. É somente através dos glóbulos vermelhos que o Ego consegue atuar. Sempre que nos permitimos ser negativos, produzimos glóbulos brancos, que não são, como vimos, “os policiais do organismo”, como a ciência pensa agora, mas sim destruidores.
Quando o sangue circula pelas artérias que estão profundas no Corpo, ele é um gás, como foi demonstrado; mas a perda de calor perto da superfície do Corpo faz com que ele se condense parcialmente, e nessa substância o Ego está aprendendo a formar cristais minerais. A ciência descobriu recentemente que o sangue de diferentes pessoas possui cristais diferentes, de modo que agora é possível distinguir o sangue de um negro ou uma negra do sangue de um branco ou uma branca; mas chegará o dia em que se perceberá uma diferença ainda maior; pois assim como há uma diferença nos cristais formados pelas diferentes raças, também há uma diferença nos cristais formados por cada pessoa individualmente.
Analisando a questão de outro ângulo, podemos observar que, quando o sangue é batido com um bastão, ele se separa em três substâncias distintas: o soro ou substância aquosa que está sob o Signo de Câncer, regido pela Lua (Hierarquia Lunar); a matéria corante vermelha que é a substância marciana gerada sob Escorpião; e, mais importante de todas, a fibrina, ou matéria fibrosa que se encontra sob o terceiro Signo de Água, Peixes. Quando o esqueleto estava fora da nossa carne, a consciência era embotada, como a de um crustáceo. Ao sairmos da estrutura óssea, alcançamos um grau muito mais elevado de consciência e, ao espiritualizarmos esse esqueleto interno por meio do sangue, extraímos a essência de tudo o que aprendemos em Épocas passadas e a transformamos em poder anímico utilizável no Período de Júpiter. Interferir nesse trabalho é um crime contra a alma.
Como a mulher possui o Corpo Vital positivo, ela amadurece mais cedo que o homem, e as partes que permanecem semelhantes às plantas, como o cabelo, crescem mais e ficam mais exuberantes. Naturalmente, o Corpo Vital positivo gerará mais sangue do que o Corpo Vital negativo, possuído pelo homem; portanto, temos na mulher uma pressão sanguínea maior, que é necessário aliviar pelo fluxo periódico, e quando essa pressão diminui no período do climatério, há um segundo crescimento na mulher, particularmente bem expresso nas características de desaceleração natural do metabolismo, à perda de massa muscular e ao aumento de gordura abdominal que geralmente começam por volta dos 40 anos devido a alterações hormonais, particularmente à redução do estrogênio.
Os impulsos do Corpo de Desejos impulsionam o sangue pelo organismo em velocidades variáveis, de acordo com a intensidade das emoções. A mulher, tendo excesso de sangue, trabalha sob uma pressão muito maior do que o homem e, embora essa pressão seja aliviada pelo fluxo periódico, há momentos em que é necessário ter uma saída extra; então, as lágrimas da mulher, que são sangramento branco, atuam como uma válvula de segurança para remover o excesso de fluido. Os homens, embora possam ter emoções tão fortes quanto as mulheres, não são propensos às lágrimas porque não têm mais sangue do que podem usar confortavelmente.
O sangue agora tem uma constituição diferente do que era nas Eras anteriores da evolução humana. O Espírito de Cristo foi visto descendo sobre o Corpo Denso e Corpo Vital de Jesus no Batismo. O próprio Jesus, o Espírito, deixou aqueles dois Corpos e recebeu a missão de servir às igrejas, enquanto seus dois Corpos eram usados para o ensino direto do Cristo, e seu sangue era preparado como uma chave para o Reino de Deus.
Quando alguém morre, o sangue venoso, com suas impurezas, adere fortemente à carne e, portanto, o sangue arterial que flui é distintamente mais puro do que seria em outras circunstâncias. Sendo eterizado pelo grande Espírito Crístico, o sangue purificado de Jesus transbordou pelo mundo, purificou a Região Etérica do egoísmo em grande medida e deu ao ser humano uma melhor oportunidade de atrair para si materiais que lhe permitirão formar propósitos e desejos altruístas.
AS GLÂNDULAS DE SECREÇÃO INTERNA
É bem sabido pelo Astrólogo Rosacruz que o Corpo Denso tem atrás de si um imenso período de evolução e que esse esplêndido organismo é o resultado de um lento processo de desenvolvimento gradual que ainda continua e tornará cada geração melhor que a anterior, até que, em um futuro longínquo, alcance um estágio de perfeição que hoje não nos é dado sequer imaginar. Os Estudantes de ocultismo também sabem que, além do Corpo Denso, o ser humano possui outros veículos sutis, ainda não percebidos pela grande maioria, embora todos possuam em si um sexto sentido latente, pelo qual, com o tempo, reconhecerão essas camadas mais sutis da alma.
O Cientista Ocultista se refere a esses veículos mais sutis como: o Corpo Vital – formado de Éteres –, o Corpo de Desejos – formado por matéria de desejos, a matéria da qual elaboramos nossos desejos, sentimentos e nossas emoções – e com a adição da “capa” da Mente e do Corpo Denso, estes completam o que podemos denominar de Personalidade, a qual é a parte evanescente distinta do Espírito imortal[1] que usa esses veículos para sua expressão. Esses veículos mais sutis interpenetram o Corpo Denso, da mesma forma que o ar interpenetra a água, e têm domínio particular sobre certas partes dele, porque o próprio Corpo Denso é como uma cristalização desses veículos mais sutis, da mesma maneira e segundo o mesmo princípio as substâncias fluídicas do corpo de um caracol se cristalizam gradualmente na concha dura e pedregosa que ele carrega nas costas. Para os propósitos desta dissertação, podemos dizer, de forma geral, que as partes mais moles de nossos Corpos, que comumente chamamos “carne”, podem ser divididas em duas classes: as Glândulas e os músculos.
O Corpo Vital teve sua origem no Período Solar. A partir desse momento, cristalização nesse veículo desenvolveu o que hoje chamamos de Glândulas, e até hoje elas, juntamente com o sangue, são as manifestações especiais do Corpo Vital dentro do Corpo Denso. Portanto, pode-se dizer que as Glândulas, como um todo, estão sob a regência do Sol, que é o doador de Vida, e do grande benéfico Júpiter. São funções do Corpo Vital construir e restaurar o tônus muscular, quando os músculos estão tensos e cansados pelo trabalho imposto pelo inquieto Corpo de Desejos que, por sua vez, teve a sua origem no Período Lunar. Os músculos são, portanto, regidos pela errante Lua, que é o ponto de apoio dos Anjos, ou seja, a Humanidade do Período Lunar e, também, pelo impulsivo e turbulento Marte, onde habitam os chamados “Anjos Caídos”, os Espíritos de Lúcifer[2]. Ou seja, como um todo, pois o Estudante Rosacruz deve observar cuidadosamente que as Glândulas, individualmente, e certos grupos musculares também estão sob a regência de outros Astros. É como quando dizemos que todos os que vivem nos Estados Unidos são cidadãos daquele país, mas alguns estão sujeitos particularmente às leis da Califórnia, outros às do Maine, etc.
Conhecemos o aforismo hermético que diz “Assim como é em cima, é embaixo”, que é a chave mestra de todos os mistérios, e assim como existem na Terra – o macrocosmo – inúmeros lugares ainda não descobertos, também no microcosmo do Corpo encontramos muitas coisas desconhecidas que são como um livro selado para os exploradores Científicos. Entre essas coisas, destaca-se um pequeno grupo das chamadas Glândulas “sem ducto”[3], sete no total, a saber:
Estas Glândulas despertam grande e particular interesse para os Cientistas Ocultistas, e podem ser chamadas, em certo sentido, de as “Sete Rosas” sobre a Cruz do Corpo Denso, pois estão intimamente ligadas ao desenvolvimento oculto da Humanidade. Quatro delas – a Glândula Timo, a Glândula Baço e as Glândulas Suprarrenais – estão relacionadas à Personalidade. A Hipófise e a Glândula Pineal estão particularmente correlacionadas com o lado espiritual da nossa natureza e a Glândula Tiroide forma o elo entre elas. A regência astrológica de cada uma é a seguinte:
A Glândula Baço é a porta de entrada das forças solares especializadas em cada ser humano e circula pelo Corpo como o fluido vital, sem o qual nenhum ser pode viver. Esta Glândula é, portanto, regida pelo Sol. As duas Glândulas Suprarrenais estão sob a regência de Júpiter, o grande benéfico, e exercem um efeito calmante, tranquilizante e suavizante, quando as atividades emocionais da Lua, de Marte ou Saturno destroem o equilíbrio. Quando a mão obstrutiva de Saturno desperta as emoções de melancolia, oprimindo o coração, as secreções das Glândulas Suprarrenais são levadas pelo sangue até o coração e atuam como um poderoso estimulante em seu esforço de manter a circulação, enquanto o otimismo jovial luta contra as preocupações saturninas ou contra o impulso de Marte, que agita o Corpo de Desejos em emoções turbulentas de raiva, tornando os músculos tensos e trêmulos, dissipando todas as energias do organismo. Então as secreções das Glândulas Suprarrenais entram em ação, liberando o glicogênio do fígado em uma medida mais abundante do que o normal para lidar com a emergência até que o equilíbrio seja novamente alcançado, e da mesma forma durante qualquer outro estresse ou tensão. Foi o conhecimento deste fato oculto levou os antigos astrólogos a colocarem os rins sob a regência de Libra, a Balança, e para evitar confusão de ideias, podemos dizer que os próprios rins desempenham um papel importante na nutrição do Corpo Denso, estando sob a regência de Vênus, o Regente de Libra. No entanto, Júpiter rege as Glândulas Suprarrenais, com as quais estamos agora particularmente envolvidos.
Tanto Vênus como sua oitava superior, Urano, regem as funções de nutrição e crescimento, mas de maneiras diferentes e para propósitos distintos. Vênus rege a Glândula Timo, Glândula que serve de elo entre os pais e os filhos até que esses últimos atinjam a puberdade. Esta Glândula está localizada atrás do esterno[6], ou osso do peito. Ela atinge o seu maior tamanho durante a vida pré-natal e na infância, período em que o crescimento é intenso e rápido. Nessa fase o Corpo Vital da criança realiza um trabalho seu trabalho mais eficaz, pois ela não está sujeita às paixões nem às paixões e emoções geradas pelo Corpo de Desejos que nasce por volta dos quatorze anos de idade. Contudo, durante os anos de crescimento, a criança não consegue produzir glóbulos vermelhos sanguíneos, como o adulto, pois o Corpo de Desejos ainda não nascido nem organizado não serve como canal para as forças metabólicas que assimilam o ferro dos alimentos e os transmutam em hemoglobina. Para compensar essa falta, a Glândula Timo armazena uma essência espiritual extraída dos pais, e com essa essência, fornecida pelo amor dos pais, a criança é capaz de realizar a alquimia do sangue temporariamente, até que seu Corpo de Desejos se torne dinamicamente ativo. Então, a Glândula Timo se atrofia e a criança extrai de seu próprio Corpo de Desejos a força marciana necessária. A partir desse momento, em condições normais, Urano, que é a oitava superior de Vênus e regente da Glândula Hipófise, assume a função do crescimento e da assimilação, da seguinte maneira:
É sabido que todas as coisas, incluindo nossa alimentação, irradiam continuamente pequenas partículas que fornecem um índice da coisa de onde emanam, incluindo sua qualidade. Assim, quando levamos o alimento à boca, diversas dessas partículas invisíveis entram pelo nariz e, por meio da estimulação do trato olfativo, nos informam se o alimento que estamos prestes a ingerir é adequado ou não, alertando-nos para descartar alimentos com odor desagradável. Mas, além das partículas que nos atraem ou repelem o alimento por sua ação no trato olfativo através do olfato, há outras que penetram no osso esfenoidal[7], atingem a Glândula Hipófise e iniciam a alquimia uraniana, pela qual uma secreção é formada e injetada na corrente sanguínea. Isso favorece a assimilação através do Éter Químico, afetando, assim, o crescimento e o bem-estar normais do Corpo Denso humano durante a vida. Às vezes, essa influência uraniana sobre a Glândula Hipófise é excêntrica e, portanto, responsável por crescimentos estranhos e anormais, que produzem as infelizes anomalias da Natureza que ocasionalmente encontramos.
Mas, além de ser a causa dos impulsos espirituais que geram as manifestações físicas de crescimento mencionadas anteriormente, Urano, atuando através da Glândula Hipófise, também é responsável pelas fases espirituais de crescimento que auxiliam o ser humano desperto em seus esforços para penetrar através do véu dos Mundos invisíveis. Neste trabalho, contudo, ele é associado a Netuno, regente da Glândula Pineal e, portanto, será necessário, para elucidar adequadamente, que estudemos simultaneamente as funções da Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, e a da Glândula Pineal, que está sob regência de sua oitava superior, Netuno.
Que a Glândula Tiroide está sob a regência de Mercúrio, o Planeta da razão, se torna evidente quando compreendemos o efeito que a degeneração dessa Glândula tem sobre a Mente, como demonstrado nas doenças do cretinismo[8] e do mixedema[9]. As secreções dessa Glândula são tão necessárias para o bom funcionamento da Mente quanto o Éter o é para a transmissão da eletricidade, ou seja, no plano físico da existência, onde o cérebro transmuta o pensamento em ação. O contato com os Mundos invisíveis e a expressão neles dependem da capacidade funcional da Glândula Pineal, que é inteiramente espiritual e, portanto, regida pela oitava superior de Mercúrio, Netuno, o Planeta da espiritualidade, que opera conjuntamente com a Glândula Hipófise, regida por Urano.
Os Cientistas perderam muito tempo especulando sobre a natureza e a função destes dois pequenos corpos – a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal – sem nenhum resultado, principalmente porque, como Mefistófeles diz, sarcasticamente, ao jovem que queria estudar ciências com Fausto:
“Quem quiser conhecer as coisas vivas e as manusear,
Procura primeiro o Espírito vivente que as anima e o expulsa;
Fica, então com fragmentos sem Vida
Porque lhes falta o Espírito Vital que as unia”.
Ninguém pode, realmente, observar as funções fisiológicas de nenhum órgão nas condições existentes nos laboratórios ou nas mesas de operações, nem na sala de vivissecção ou dissecação. Para chegar a uma compreensão adequada, é necessário ver esses órgãos exercendo suas funções fisiológicas no Corpo vivo, e isso só pode ser feito por meio da visão espiritual. Há vários órgãos que estão se atrofiando ou se desenvolvendo. Os primeiros mostram o caminho que já percorremos durante nossa evolução passada, enquanto os últimos são os indicadores, apontando para o nosso desenvolvimento futuro. Mas ainda existe outra classe de órgãos que não estão nem se degenerando nem se desenvolvendo: eles estão simplesmente adormecidos (espiritualmente) no momento presente. Os fisiólogos[10] acreditam que a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal estão se atrofiando porque encontram esses órgãos mais desenvolvidos em algumas formas inferiores de vida, como nos vermes, mas, na verdade, estão completamente equivocados. Alguns deles suspeitam que a Glândula Pineal está, de alguma forma, conectada com a Mente, porque contém certos cristais após a morte, e a quantidade era muito menor nas pessoas mentalmente pouco desenvolvidas do que nas pessoas com mentalidade normal. Essa conclusão é correta, mas o Clarividente sabe queo canal espinhal[11] do ser vivo não está cheio de fluido; que o sangue não é líquido e que esses órgãos não têm cristais, enquanto o Corpo Denso está vivo.
Essas afirmações são feitas com pleno conhecimento de que o sangue e a essência espinhal são líquidos quando extraídos do Corpo Denso, vivo ou morto, e que o conteúdo da Glândula Hipófise e da Glândula Pineal apresenta aspecto cristalizado quando o cérebro é dissecado. No entanto, a razão é semelhante àquela que faz com que o vapor extraído de uma caldeira se condense imediatamente ao entrar em contato com a atmosfera, e que o metal derretido fundido extraído de um forno de fundição se cristalize imediatamente ao ser retirado dele.
Todas essas substâncias são essências puramente espirituais quando se encontram dentro do Corpo; elas são etéricas e a substância que se encontra na Glândula Pineal, quando vista por meio da visão espiritual, aparece como luz. Além disso, quando um Clarividente contempla a Glândula Pineal de outra pessoa que também está exercendo suas faculdades espirituais, esta luz apresenta um brilho intenso e uma iridescência semelhante, mas que transcende em beleza, o mais maravilhoso espetáculo das luzes da Aurora Boreal[12]. Pode-se também dizer que as funções desse órgão parecem ter mudado ao longo da evolução humana. Durante as Épocas anteriores à nossa estadia atual na Terra, quando o Corpo Denso era uma coisa grande e flácida na qual o Espírito ainda não havia penetrado, mas estava presente apenas como uma sombra, havia uma abertura no topo do Corpo e a Glândula Pineal estava dentro dela. Era então um órgão de orientação, dando um senso de direção. À medida que o Corpo Denso se condensava, tornava-se cada vez menos capaz de suportar o calor intenso que prevalecia naquela Época, e a Glândula Pineal alertava quando o Corpo Denso se aproximava demasiado de uma das muitas crateras de vulcões e de erupções ativas que então irrompiam a fina camada de Terra, permitindo assim que o Espírito o guiasse para longe desses lugares perigosos. Era um órgão de orientação que operava pelo tato, mas o tato, desde então se distribuiu por toda a pele do Corpo Denso. Isso indica ao Cientista Ocultista que um dia os sentidos da audição e da visão também serão distribuídos de forma semelhante, de modo que veremos e ouviremos com todo o nosso Corpo e, assim, nos tornaremos ainda mais sensíveis nesses aspectos do que somos agora.
Desde então, a Glândula Pineal e a Glândula Hipófise se tornaram temporariamente adormecidos (espiritualmente) para tornar o ser humano alheio aos Mundos invisíveis enquanto aprende as lições proporcionadas pelo Mundo material. A Glândula Hipófise tem manifestado a influência uraniana esporadicamente em crescimentos físicos anormais, produzindo aberrações e monstruosidades de vários tipos, enquanto Netuno, atuando também de forma anormal através da Glândula Pineal, tem sido responsável pelo crescimento espiritual anormal de curandeiros, feiticeiros e Clarividentes involuntários quando dominados por espíritos de controles, que sempre produzem prejuízo espiritual àqueles. Quando despertadas para atividades normais, essas duas Glândulas Endócrinas abrirão a porta dos Mundos internos de maneira sã e segura, mas, nesse ínterim, a Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, o Planeta da razão, contém as secreções necessárias para dar equilíbrio ao cérebro.
No futuro, as Glândulas Endócrinas estão destinadas a desempenhar um papel proeminente; seu desenvolvimento acelerará grandemente a evolução, pois seus efeitos são principalmente mentais e espirituais. Estamos nos aproximando da Era de Aquário; o Sol, portanto, está começando a transmitir as vibrações altamente intelectuais desse Signo, o de Aquário, o que explica as intuições, premonições e transmissões telepáticas agora tão prevalecentes. Em última análise, esses fenômenos se devem ao despertar da Glândula Hipófise, regido por Urano, que é o regente de Aquário, e isso se tornará mais manifesto com o decorrer dos anos.
[1] N.T.: o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui de forma tríplice, como Deus que nos criou.
[2] N.T.: Também chamados de Espíritos Lucíferos.
[3] N.T.: Também chamadas de Glândulas de secreção interna ou Glândulas endócrinas que secretam hormônios diretamente na corrente sanguínea.
[4] N.T.: Também chamada de Corpo Pituitário ou Glândula Pituitária.
[5] N.T.: também conhecida como Conarium, Epífise Cerebral ou simplesmente Pineal.
[6] N.T.: O esterno (com “s”) é um osso plano e vertical localizado na linha média anterior do tórax, crucial para proteger órgãos vitais como o coração e pulmões, além de fixar as costelas.
[7] N.T.: O osso esfenoidal (ou esfenoide) é um osso ímpar e central na base do crânio, com formato semelhante a um morcego ou borboleta de asas abertas. Considerado a “pedra angular” da base craniana, ele se articula com quase todos os ossos do crânio.
[8] N.T.: O cretinismo é uma condição grave resultante do hipotireoidismo congênito não tratado ou deficiência severa de iodo durante a gestação e primeira infância. Caracteriza-se por retardo mental irreversível, baixa estatura (nanismo), características faciais grosseiras e disfunção motora. O diagnóstico precoce via teste do pezinho é crucial para evitar danos permanentes.
[9] N.T.: O mixedema é um edema (inchaço) duro e elástico da pele e tecidos moles, causado por hipotireoidismo grave e prolongado. Caracteriza-se pelo acúmulo de substâncias (glicosaminoglicanos) na derme, resultando em inchaço na face, pálpebras, língua e, às vezes, pernas. O coma mixedematoso é a complicação extrema, sendo uma emergência médica com alta mortalidade.
[10] N.T.: ou fisiologistas são profissionais da saúde especializado no estudo das funções, mecanismos e processos biológicos do corpo humano, visando otimizar o desempenho físico, saúde e bem-estar. Eles analisam dados funcionais, como cardiovasculares e musculares, para criar programas de treinamento, prevenir lesões e auxiliar na recuperação de atletas e pacientes.
[11] N.T.: O canal espinhal (ou vertebral) é uma cavidade no centro da coluna vertebral que acomoda a medula espinhal e as raízes nervosas. Ele percorre da cervical à lombar, protegido pelas vértebras.
[12] N.T.: A aurora boreal é um fenômeno luminoso natural no céu noturno, formado por partículas solares que interagem com o campo magnético e os gases da alta atmosfera terrestre nos polos. Visível em altas latitudes (Ártico) entre setembro e abril, especialmente de novembro a março, exibe luzes dançantes, comumente verdes, mas também roxas e vermelhas.
O SISTEMA LINFÁTICO
O Sistema Linfático é tubular e está um tanto associado aos capilares que unem as circulações venosa e arterial, terminando nas grandes veias próximas do coração. A linfa que flui por seus canais vai numa direção: o centro da circulação – o coração. Podemos considerar este sistema como uma espécie de pequenos desaguadouros do Corpo Denso, porque na realidade, recolhe a água suja dos tecidos, depois de banhá-los na linfa que transporta. Se compararmos os canais a tubulações de drenagem que recolhem a água suja, podemos considerar os gânglios linfáticos, que se encontram ao longo desses canais, como comportas, nas quais a linfa tem que se deter e ser filtrada antes de passar à corrente sanguínea venosa.
Estes gânglios estão situados nos cotovelos, nas axilas, nos espaços poplíteos, nas virilhas e especialmente na parte anterior do pescoço (a parte que fica fronteira à vértebra cervical) no abdômen entre as pregas do mesentério que fixa o intestino delgado a coluna vertebral e no peito entre os pulmões, espaço este conhecido como mediastino.
Cada um dos vasos linfáticos passa por um ou mais destes gânglios no seu caminho para as veias. As células linfáticas, como as demais existentes no Corpo, não possuem paredes celulares, movendo-se como a medusa na água. Quando a inflamação, em qualquer de suas formas, ataca o Corpo Denso, todos os líquidos venenosos passam aos canais linfáticos.
Os gânglios podem adoecer devido à natureza venenosa da linfa que se filtra por eles. O Sistema Linfático é de ação tríplice: recolhe a linfa dos tecidos, o “quilo” dos intestinos (depois de elaborado pelo processo da digestão) e, por meio dos gânglios linfáticos, cria as células linfáticas que são semelhantes aos corpúsculos brancos do sangue.
CAPÍTULO II – CORPO VITAL
EVOLUÇÃO E PROPÓSITO GERAL
O Corpo Vital é o segundo dos mais antigos veículos que temos, tendo seu germe original nos fornecido pelos Senhores da Sabedoria no Período Solar. Na Revolução Solar do Período Lunar[1], ele foi modificado para torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos e, também, para acomodar ao sistema nervoso, músculos, esqueleto, etc.
Durante a Revolução Solar do Período Terrestre, o Corpo Vital foi reconstruído para acomodar a Mente germinal. Ele foi moldado, nessa Revolução, mais à semelhança do Corpo Denso, sendo sua organização atual a mais eficiente, seguida a do Corpo Denso.
Uma reconstrução adicional foi efetuada na Época Hiperbórea do Período Terrestre, quando os Senhores da Forma apareceram, com os Anjos, e revestiram o Corpo Denso do ser humano, então um objeto em forma de saco, com um Corpo Vital.
O Corpo Denso é construído na matriz do Corpo Vital durante a vida antenatal e, com uma única exceção, é uma cópia exata, molécula por molécula, do Corpo Vital. Ao longo da vida, o Corpo Vital é o construtor e restaurador do Corpo Denso, tendo a tendência de abrandar e construir. Sua principal expressão é o sangue e as Glândulas, assim como no Sistema Nervoso Simpático[2], que ganhou acesso ao domínio do Corpo de Desejos quando esse começou a desenvolver o Coração em um músculo voluntário.
O Corpo Vital interpenetra o Corpo Denso e se estende além da sua periferia cerca de quatro centímetros. A sua contextura pode ser grosseiramente comparada aos quadros formados por centenas de pequenos pedaços de madeira encaixados uns nos outros, mostrando inúmeros pontos ao observador. Esses pontos do Corpo Vital penetram nos centros ocos dos átomos densos, os imbuindo de força vital, o que os faz vibrar a uma taxa superior à do mineral da Terra, que não estão assim animados nem acelerados.
[1] N.T.: Sempre a 2ª Revolução de um Período.
[2] N.T.: Também chamado por alguns especialistas de sistema ortossimpático ou sistema toracolombar, é uma das duas divisões do sistema nervoso autônomo (SNA), sendo a outra o sistema nervoso parassimpático. É parte do sistema nervoso autônomo, responsável pelas respostas de “luta ou fuga” em situações de estresse, perigo ou emergência. Ele prepara o corpo para atividade física intensa, aumentando a frequência cardíaca, a respiração e a pressão arterial, enquanto inibe funções digestivas.
CAPÍTULO II – CORPO VITAL – OS ÉTERES E SUAS FUNÇÕES
Ao analisamos o ser humano, descobrimos que nele os quatro Éteres (Éter Químico, Éter de Vida, Éter Luminoso – ou Éter de Luz – e Éter Refletor) atuam dinamicamente ativos no Corpo Vital altamente organizado. Por meio da atividade do Éter Químico, ele é capaz de assimilar alimentos e crescer; as forças atuantes no Éter de Vida permitem a propagação da espécie; as forças que atuantes no Éter Luminoso proporcionam calor ao Corpo Denso, atuam sobre o Sistema Nervoso e os músculos, fazendo com que possamos receber através dos sentidos as informações do Mundo exterior; e o Éter Refletor permite ao Espírito controlar seus veículos por meio do pensamento. Este Éter também armazena as experiências passadas, em forma de memória. Os Éteres Químico e de Vida formam a matriz para nossos Corpos Densos. Cada molécula do Corpo Denso está imersa em uma malha de Éter que a permeia e a infunde com Vida. Por meio destes Éteres se realizam as diversas funções corporais (como por exemplo, a respiração, etc.) e a densidade e a consistência dessas matrizes de Éter determinam o bom ou mau estado de saúde. Os átomos do Éter Químico e do Éter de Vida, reunidos em torno do Átomo-semente nuclear, localizado no Plexo Celíaco[1], têm forma prismática. Estão todos dispostos de tal maneira que, quando a energia solar permeia no Corpo pelo baço, o raio refratado é o vermelho. Esta é a cor do aspecto criador da Trindade, ou seja, Jeová, o Espírito Santo, que rege a Lua, o Astro da fecundação. Por conseguinte, o fluído vital do Sol que permeia no Corpo Denso pelo baço adquire uma tonalidade rosa pálida, ficam tintos de cor de rosa pálido, muitas vezes observada pelos Clarividentes, quando percorrem os nervos, como a eletricidade percorre os fios de uma instalação elétrica. Assim carregados, o Éter Químico e o Éter de Vida são as vias da assimilação que preservam o indivíduo e de fecundação, que perpetua a Onda de Vida humana.
Durante a vida, cada átomo prismático vital penetra um átomo físico e o faz vibrar. Para visualizar essa combinação, imagine uma cesta feita de arame enrolado em forma de pera com paredes de arame espiralado que se estendem obliquamente de um polo ao outro. Esse é o átomo físico; ele tem forma muito parecida com à da Terra, e o átomo prismático vital é inserido a partir do topo, que é a parte mais larga e corresponde ao Polo Norte da Terra. Assim, a ponta do prisma penetra o átomo físico no ponto mais estreito, que corresponde ao Polo Sul da Terra, e o conjunto se assemelha a um pião girando e bamboleando, vibrando intensamente. Dessa forma, nosso Corpo se enche de Vida e se torna capaz de movimento.
O Éter de Luz e o Éter Refletor são vias de consciência e de memória. No indivíduo comum eles estão um tanto atenuados e não tomaram ainda forma definida; elas interpenetram o átomo da mesma forma que o ar interpenetra uma esponja, e formam uma leve atmosfera áurica ao redor de cada átomo.
A ciência física já determinou que os átomos em nosso Corpo Denso estão em constante mudança, de modo que toda a matéria que atualmente compõem o nosso veículo terá desaparecido em poucos anos, mas é sabido que as cicatrizes e outras imperfeições se conservam da infância à velhice. A razão para isso é que os átomos prismáticos etéricos que compõem o nosso Corpo Vital permanecem inalterados desde que nascemos até morrermos. Eles estão sempre na mesma posição relativa – isto é, os átomos prismáticos etéricos que fazem vibrar os átomos físicos nos dedos dos pés ou das mãos não chegam às mãos, pernas ou qualquer lugar do Corpo, mas permanecem exatamente no mesmo lugar onde foram colocados no princípio. Uma lesão nos átomos físicos implica em uma impressão semelhante nos átomos prismáticos etéricos. A nova matéria física que se modela sobre eles continua a assumir a forma e a textura semelhantes às originais.
As observações anteriores se aplicam apenas aos átomos prismáticos etéricos que correspondem aos sólidos e líquidos no Mundo Físico, pois assumem e conservam uma forma definida. Mas, além disso, cada ser humano, nesse estágio de evolução, possui uma certa quantidade de Éter de Luz e de Éter Refletor, que são os veículos da percepção sensorial e da memória, misturados em seu Corpo Vital. Podemos dizer que o Éter de Luz corresponde aos gases do Mundo Físico; talvez a melhor descrição que se possa dar ao Éter Refletor seja chamá-lo de hiper-etérico. É uma substância vácua de cor azulada, que lembra em aparência o núcleo azulado da chama de gás. Parece transparente e revela tudo que o contém, mas, no entanto, esconde todos os segredos da Natureza e da Humanidade. Nela se encontra um registro da Memória da Natureza. O Éter de Luz e o Éter Refletor são de natureza exatamente oposta à dos estacionários átomos prismáticos etéricos. São voláteis migratórios. Por menor que seja a quantidade que um indivíduo possua desse material, trata-se de um acréscimo, um fruto, derivado de suas experiências vitais. Dentro do Corpo estes dois Éteres se misturam com a corrente sanguínea e, quando aumentam de volume como consequência do serviço prestado e do sacrifício fraterno na Escola da Vida, de modo que não possa mais ser contido no Corpo Denso, se manifesta externamente como um Corpo-Alma de cores ouro e azul.
O azul representa o mais elevado tipo de espiritualidade, portanto, é o menor em volume e pode ser comparado ao núcleo azul da chama de gás, enquanto a cor dourada forma a maior parte e corresponde à luz amarela que circunda o núcleo azul da citada chama de gás. A cor azul não aparece fora do Corpo Denso, exceto nos maiores verdadeiros santos – geralmente, apenas o amarelo é observável ali. Na morte, esta parte do Corpo Vital é gravada no Corpo de Desejos com o Panorama da Vida que contém. A quintessência de toda a nossa experiência de vida é, então, finalmente impressa no Átomo-semente como consciência ou virtude que, nos induzirá a evitar o mal e a fazer o bem nas próximas vidas. Assim, a qualidade do Átomo-semente é alterada de vida para vida. A quintessência do bem extraída da parte migratória do Corpo Vital em uma vida determina a qualidade dos átomos de Éteres prismáticos estacionários da vida seguinte. O mais elevado em uma vida se converte no inferior da vida seguinte e assim, aos poucos, subimos a escada da Evolução em direção à divindade.
A partir do exposto, ficará evidente que o Corpo Vital é um veículo de hábitos; todos os pais sabem que durante os primeiros sete anos de vida, na infância, quando esse veículo está em gestação, as crianças formam um hábito após outro. A repetição é a tônica do Corpo Vital, e os hábitos dependem da repetição. É diferente com o Corpo de Desejos, o veículo dos sentimentos e das emoções, que estão sempre mudando a cada instante; embora se diga que o Éter que forma o nosso Corpo-Alma está em constante movimento e se mistura com a corrente sanguínea, esse movimento é relativamente lento em comparação com a rapidez das correntes do Corpo de Desejos; podemos dizer que o Éter se move com a velocidade de um caracol, comparada com a velocidade da luz.
Quando o Ego está a caminho do renascimento, passando pela Região do Pensamento Concreto, pelo Mundo do Desejo e pela Região Etérica, ele vai juntando uma certa quantidade de material de cada um deles. A qualidade desse material é determinada pelo Átomo-semente, segundo o princípio de que “semelhante atrai o semelhante”. A quantidade de cada uma dessas matérias dependerá da necessidade do Arquétipo que tenhamos construído para nós mesmos no segundo Céu. Com o total dos átomos prismáticos etéricos que o Espírito tiver reunido para seu uso, os Anjos do Destino e seus agentes construirão uma forma etérica que será colocada no útero materno e que aos poucos se irá revestindo de matéria física até construir o Corpo Denso da criança nas vésperas do renascimento.
Apenas uma pequena porção do Éter apropriado por um determinado Ego é utilizada, e o restante constituirá uma reserva que permanecerá fora do Corpo Denso. Por essa razão o Corpo Vital da criança se sobressai muito mais além da periferia do Corpo Denso do que o de um adulto. Durante o período de crescimento, esse estoque de átomos etéricos vai sendo utilizado para vitalizar as secreções dentro do Corpo Denso até que, ao atingir a idade adulta, o Corpo Vital apenas sobressai de dois e meio a quatro centímetros do Corpo Denso.
A Escola de Sabedoria Ocidental ensina como máxima fundamental que “todo desenvolvimento oculto começa no Corpo Vital”. A parte do Corpo Vital formada pelos dois Éteres superiores, o Éter de Luz e o Éter Refletor, é o que poderemos chamar de Corpo-Alma, ou seja, está mais intimamente ligado ao Corpo de Desejos e a Mente e, também, é mais receptivo aos impulsos do Espírito do que os outros dois Éteres. É o veículo do intelecto e responsável por tudo o que faz do ser humano um ser da Onda de Vida humana. Nossas observações, nossas aspirações, nosso caráter, etc., se devem à obra do Espírito nestes dois Éteres superiores, que se tornam mais ou menos luminosos conforme a natureza do nosso caráter e dos nossos hábitos. Além disso, assim como o Corpo Denso assimila as partículas de alimento e, portanto, ganha em massa, os dois Éteres superiores assimilam nossas boas ações durante a vida e, assim, também aumentam de volume. De acordo com nossas ações nessa vida presente, aumentamos ou diminuímos aquilo que trouxemos conosco ao nascer. Esta é a razão pela qual os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental afirmam que todo desenvolvimento místico começa com o Corpo Vital.
[1] N.T.: Também chamado de Plexo Solar (vulgarmente conhecido como “boca do estômago”), um dos principais plexos responsáveis pela inervação de órgãos da porção retrodiafragmática do sistema digestório, principalmente do estômago, intestinos, glândulas anexas (fígado e pâncreas) e ainda contribui para a inervação do baço.
CAPÍTULO III – O CORPO DE DESEJOS E A MENTE
Na terceira Revolução do Período Lunar, os Senhores da Individualidade irradiaram de si mesmos a substância que ajudou os seres humanos, que evoluíam inconscientemente, a apropriar e construir um Corpo de Desejos germinal. Eles também o ajudaram a incorporar esse Corpo de Desejos germinal ao Corpo Vital e ao Corpo Denso que já possuía. Esse trabalho foi se realizando durante toda a terceira e quarta Revoluções do Período Lunar.
A antagônica “vontade inferior”, ou vontade do Corpo, é uma expressão da parte superior do Corpo de Desejos. Quando ocorreu a divisão do Sol, da Lua e da Terra, na primeira parte da Época Lemúrica, a porção mais avançada da Humanidade em formação experimentou uma divisão do Corpo de Desejos em uma parte superior e outra inferior. O restante da Humanidade experimentou a mesma divisão na primeira parte da Época Atlante.
Essa parte superior do Corpo de Desejos se tornou em uma espécie de alma animal. Ela construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal[1] e os músculos Voluntários[2], controlando assim a parte inferior do Tríplice Corpo até que a conexão da Mente fosse estabelecida. Então a Mente se fundiu com a alma animal e se tornou corregente do ser humano.
Durante a vida do ser humano, o Corpo de Desejos não tem a mesma forma que seus Corpos Denso e Vital. Essa forma só é assumida depois da morte. Durante a vida, o Corpo de Desejos tem a aparência de um ovoide luminoso que, durante as horas de estado de vigília, envolve completamente o Corpo Denso, como a clara envolve a gema de um ovo. Estende-se de 30 a 40 centímetros além da superfície do Corpo Denso, nos indivíduos comuns. A matéria do Corpo de Desejos humano é composta de material do Mundo do Desejo e está em movimento incessante de rapidez inconcebível. Não há nele um lugar fixo para nenhuma partícula, como no Corpo Denso. A matéria que se encontra em um dado momento na cabeça pode estar nos pés no momento seguinte e vice-versa. Não há órgãos no Corpo de Desejos, como os há no Corpo Denso e no Corpo Vital, mas existem centros de percepção que, quando ativos, se parecem como vórtices, permanecendo sempre na mesma posição relativa com respeito ao Corpo Denso. Na maioria das pessoas, são meros redemoinhos e não têm utilidade como centros de percepção. Podem ser despertados em todos, porém, os diversos métodos de despertamento produzem resultados diferentes. O Corpo de Desejos está radicado na posição referencial do fígado e nasce por volta dos quatorze anos de idade.
No Clarividente Involuntário, desenvolvido segundo padrões impróprios e negativos, esses vórtices giram da direita para a esquerda, ou no sentido contrário ao dos ponteiros de um relógio – no sentido anti-horário.
No Corpo de Desejos dos Clarividentes Voluntários, devidamente treinados, eles giram no mesmo sentido que os ponteiros do relógio – no sentido horário – brilhando com esplendor excepcional, que supera em muito a luminosidade do Corpo de Desejos comum. Esses centros fornecem aos Clarividentes Voluntários os meios para percepção das coisas do Mundo do Desejo, e ele vê e investiga o que quiser, enquanto nas outras pessoas Clarividentes Involuntários, cujos centros giram da direita para a esquerda, são como um espelho que reflete o que se passa diante dela.
Num futuro muito distante, o Corpo de Desejos do ser humano se tornará tão definitivamente organizado quanto os Corpos Denso e Vital. Quando esse estágio for alcançado, todos teremos o poder de funcionar no Corpo de Desejos como agora funcionamos no Corpo Denso.
A Mente
Na Época Atlante do Período Terrestre, os Senhores da Mente irradiaram de si mesmos para o nosso ser o núcleo da matéria a partir do qual agora buscamos construir uma Mente organizada. Foi fornecido ao ser humano a fim de lhe dar propósito à ação, mas como o Ego era extremamente débil e a natureza de desejos muito forte, a Mente nascente se juntou com o Corpo de Desejos; a faculdade da astúcia foi o resultado e foi causa de toda a maldade do terço intermediário da Época Atlante.
A Mente, sendo o último dos veículos fornecido para o ser humano, ainda não é sequer um Corpo. É simplesmente uma ligação, um envoltório para o uso do Ego como ponto focal. É, no entanto, o instrumento mais importante possuído pelo Espírito, e é seu instrumento especial na obra da criação. Nós mesmos, como Egos, funcionamos diretamente na substância sutil da Região do Pensamento Abstrato, que especializamos na periferia da nossa aura individual. De lá, observamos as impressões feitas pelo Mundo exterior sobre o Corpo Vital por intermédio dos sentidos, juntamente com os sentimentos e emoções gerados por elas no Corpo de Desejos e refletidos na Mente.
A partir dessas imagens mentais formulamos nossas conclusões, na substância da Região do Pensamento Abstrato, acerca dos assuntos de elas abordam. Essas conclusões são as ideias. Mediante o poder da vontade, projetamos uma ideia através da Mente, onde a ideia toma forma concreta como pensamento-forma, atraindo para si matéria mental da Região do Pensamento Concreto. A imagem pode ser projetada em qualquer destas três direções:
Quando o trabalho concebido para tal pensamento-forma é concluído, ou sua energia é gasta em vãs tentativas de alcançar seu objetivo, gravita de volta para seu criador, trazendo consigo o registro indelével de sua jornada.
Em nosso estágio atual de evolução, dizemos que a Mente nasce aos vinte e um anos de idade, mas o auge da capacidade mental só é atingido por volta doa quarenta e nove anos.
A Mente é o meio focalizador pelo qual as ideias concebidas pela imaginação do Espírito são projetadas sobre o universo material. Inicialmente, são apenas pensamentos-formas, mas, quando o desejo de realizar as possibilidades imaginadas leva o ser humano a trabalhar no Mundo Físico, elas se tornam o que chamamos de “realidades” concretas.
Atualmente, porém, a Mente não está focada de forma a permitir ao ser humano produzir uma imagem clara e verdadeira daquilo que o Espírito imagina. Não é focada. Produz imagens nebulosas e turvas. Daí a necessidade de experimentação para demonstrar as inadequações da primeira concepção e gerar novas imaginações e ideias até que a imagem produzida pelo Espírito na substância mental seja reproduzida na substância física.
Na melhor das hipóteses, somos capazes de moldar, através da Mente, apenas imagens relacionadas à Forma, porque a Mente humana só surgiu no Período Terrestre e, portanto, está atualmente em seu estágio “mineral” de desenvolvimento. Consequentemente, em nossas operações, estamos confinados às Formas, com os minerais. Podemos imaginar maneiras de trabalhar com as Formas minerais dos três Reinos inferiores, mas pouco ou nada podemos fazer com os Corpos viventes. Podemos, de fato, enxertar um ramo vivo em uma árvore viva, ou uma parte viva de um animal em outro, ou de um ser humano em outro, mas não é com a Vida que estamos trabalhando: é apenas com a Forma. Estamos criando condições diferentes, mas a Vida que já animava a Forma é a mesma que continua subsistindo. Trabalhar com a Vida está além do poder humano, até que sua Mente tenha sido vivificada.
No Período de Júpiter, a Mente será vivificada até certo ponto e o ser humano poderá imaginar Formas que viverão e crescerão, como as plantas.
No Período de Vênus, quando sua Mente adquirir a capacidade de sentir, ele poderá criar coisas vivas que cresçam e tenham sentimentos, como os animais.
E, finalmente, quando alcançar a perfeição, no final do Período de Vulcano, ele será capaz de “imaginar” a existência de criaturas que viverão, crescerão, sentirão e pensarão.
[1] N.T.: O cérebro e a medula espinhal formam o sistema nervoso cérebro-espinhal ou Sistema Nervoso Central (SNC), o centro de comando do Corpo Denso. Eles processam informações, controlam funções vitais, movimentos e sensações.
[2] N.T.: Os músculos voluntários, ou músculos estriados esqueléticos, são aqueles que se contraem de acordo com a nossa vontade consciente. Eles estão conectados aos ossos por meio de tendões e são responsáveis por quase todos os movimentos do nosso Corpo Denso.
Segunda Parte – DOENÇA E ENFERMIDADE
CAPÍTULO IV – AS CAUSAS GERAIS DAS DOENÇAS E ENFERMIDADES
Introdução
A doença e enfermidade é realmente um fogo, o fogo invisível que é o Pai tentando dissolver e quebrar as condições cristalizadas que acumulamos em nossos Corpos. Reconhecemos a febre como um fogo, mas os tumores, como cânceres e todas as outras doenças são, na verdade, realmente os efeitos desse fogo invisível, que tenta purificar o organismo e libertá-lo das condições que criamos ao transgredir as Leis da Natureza.
Podemos dizer, ainda, que a doença e enfermidade é uma manifestação da ignorância, o único pecado, e que a cura[1] é uma demonstração do conhecimento aplicado, que é a única salvação. Cristo é a personificação do Princípio de Sabedoria e, na mesma proporção em que o Cristo se forme em nós, alcançaremos a saúde. Portanto, o Curador ou a Curadora deve ser uma pessoa espiritualizada e se esforçar para imbuir em seu (sua) paciente com elevados ideais espirituais, para que esse (essa) possa, finalmente, aprender a obedecer às Leis de Deus que governam o Universo e, assim, alcançar a saúde permanente tanto na vida atual, como nas vidas futuras.
O Antigo Testamento começa com o relato de como o ser humano foi desviado pela falsa Luz dos Espíritos Lucíferos, dando origem a todas as grandes tristezas e profundos sofrimentos no mundo; termina com a promessa de que o Sol da Retidão e da Justiça surgirá, trazendo a Cura em suas asas. E no Novo Testamento encontramos o Sol da Retidão e da Justiça, a verdadeira Luz, que veio para salvar o mundo, e o primeiro fato que é declarado a respeito d’Ele é que Ele é de Concepção Imaculada.
Agora, esse ponto deve ser compreendido completamente: é a mácula luciferiana da paixão que trouxe: o sentimento de grande tristeza e profunda angústia, o pecado e o sofrimento ao mundo. Quando o poder criador é empregado para gratificar os sentidos, seja por meio do vício solitário ou em conjunto com outra pessoa, com ou sem casamento legalizado, esse é o pecado que não pode ser perdoado; ele deve ser expiado. A Humanidade, como um todo, está sofrendo as consequências desse pecado. Os Corpos debilitados e com doenças e enfermidades que vemos ao nosso redor foram desgastados por séculos de abusos, e enquanto não aprendermos a subjugar nossas paixões, não poderá haver a verdadeira saúde entre a Onda de Vida humana.
Antes da impregnação do Corpo de Desejos com esse princípio demoníaco, a concepção era imaculada e um sacramento. Os seres humanos caminhavam na presença dos Anjos, puros e sem se envergonharem. O ato da fertilização era tão casto como o é da flor. Portanto, quando aconteceu o desvio dessa conduta, ou seja, quando o mal foi feito, imediatamente o mensageiro, ou o Anjo, cingiram os seres humanos com folhas para imprimir neles o ideal que teriam que aprender a viver, nomeadamente, como a planta. Sempre que somos capazes de realizar o ato da geração de maneira pura, casta e sem paixão, como a planta faz, ocorre uma concepção imaculada e nasce um Cristo, capaz de curar todos os sofrimentos da Humanidade, capaz de vencer a morte e de estabelecer a imortalidade, uma luz verdadeira para guiar a Humanidade para longe do fogo-fátuo da paixão; por meio do autossacrifício pela compaixão.
Este é, portanto, o grande ideal pelo qual nos esforçamos: purificarmo-nos da mácula do egoísmo e da busca por interesses pessoais. Por isso, consideramos o Emblema Rosacruz como um ideal. As sete rosas vermelhas simbolizam o sangue purificado; a rosa branca representa a pureza da vida; e a estrela dourada e radiante simboliza a influência inestimável para a saúde, o auxílio e a elevação espiritual que emana de cada servo da Humanidade.
Até que a fé em Cristo nos ilumine desde o nosso interior, não compreendemos e nem seguimos as Leis da Natureza e, consequentemente, contraímos doenças e enfermidades por nossa ignorância ao transgredi-las. Empregando as palavras de Emerson[2], podemos dizer que uma pessoa que está doente é um malandro no ato de ser apanhado em flagrante; ele violou as Leis da Natureza. Por essa razão é necessário que o Evangelho de Cristo seja pregado; que cada um de nós aprenda a amar a Deus com todo o nosso coração e toda a nossa alma, e ao nosso próximo como a nós mesmos, pois todos os problemas do mundo, quer reconheçamos isso ou não, provém de um só e único fato: nosso egoísmo. Se as funções digestivas estão comprometidas, qual é a causa? Não será que sobrecarregamos nosso organismo, por estamos com raiva e esgotamos as nossas forças nervosas tentando obrigar a outros a servir os nossos fins egoístas, e nos sentimos ressentidos por não o termos conseguido? Em todos os casos, o egoísmo é a principal causa da maioria das doenças e enfermidades; o egoísmo é o pecado supremo motivador da ignorância.
[1] N.T.: aqui, advindo do inglês “healing” (a cura definitiva) e não de “curing” (o remediar, a cura ilusória).
[2] N.T.: Ralph Waldo Emerson (1803- 1882) foi um famoso escritor, filósofo e poeta estadunidense. O transcendentalismo é, para Emerson, um esforço de introspecção metódica para se chegar além do “eu” superficial ao “eu” profundo, o espírito universal comum a toda a espécie humana.
Causas das Deficiências Mentais
As deficiências que afetam a Humanidade podem ser divididas em duas grandes classes: mentais e físicas. Os problemas mentais são particularmente atribuíveis ao abuso da função criadora sexual, quando são congênitos, com uma exceção que observaremos mais tarde. A mesma condição se aplica em caso de comprometimento da faculdade da fala. Isso é razoável e fácil de entender. O cérebro e a laringe foram construídos com metade da força sexual criadora do ser humano pelos Anjos, de modo que o ser humano que, antes da aquisição destes órgãos, era bissexual e capaz de criar apenas a partir de si mesmo, perdeu essa faculdade quando estes órgãos foram criados e agora depende da cooperação de outro de polaridade ou sexo oposto, a fim de gerar um novo veículo físico para um Espírito que chega para renascer aqui.
Quando usamos a visão espiritual para observar o ser humano na Memória da Natureza, durante o tempo em que ele ainda estava em formação, descobrimos que onde quer que exista agora um nervo, houve primeiro uma corrente de desejo; que o cérebro em primeiro lugar, ele mesmo era feito de substância de desejo e, também, o era a laringe. Foi o desejo quem primeiro enviou um impulso motor através do cérebro e criou essas correntes nervosas, para que o Corpo Denso pudesse ser movido e obter para o Espírito qualquer gratificação indicada pelo desejo. A fala também é usada com o propósito de obter um objeto ou fim desejado. Através destas faculdades o ser humano obteve certo domínio sobre o mundo, e se ele pudesse simplesmente passar de um Corpo para outro, não haveria fim para o abuso do seu poder de satisfazer todos os caprichos e desejos. Mas, sob a Lei de Consequência, ele leva consigo ao novo Corpo, faculdades e órgãos semelhantes aos que deixou no anterior, na vida precedente aqui.
Quando a paixão destrói o Corpo Denso em uma vida, essa experiência fica estampada no Átomo-semente do Corpo Denso. Na próxima “descida” para um renascimento aqui será, portanto, impossível para o Espírito reunir material de melhor qualidade com o qual possa construir um cérebro de construção estável. Geralmente, ele nasce aqui sob um dos Signos Comuns e, também, os quatro Signos Comuns estão nos ângulos do horóscopo; pois através destes Signos o desejo apaixonado tem dificuldade em se expressar. Assim, o poderoso impulso que anteriormente governava seu cérebro e que poderia ser usado com o propósito de rejuvenescer está ausente; ele, assim renascido, não tem incentivo na vida e, portanto, se torna indefeso, desamparado ou incapaz – um pedaço de madeira no oceano da vida – muitas vezes insano ou demente.
Mas o Espírito não é insano ou demente; ele vê, conhece e tem um grande desejo de usar o Corpo, embora isso possa ser uma impossibilidade, pois muitas vezes não consegue nem mesmo enviar um impulso correto ao longo dos nervos. Os músculos do rosto e do corpo não estão, portanto, sob o controle da sua vontade. Isso explica a falta de coordenação que torna o insano ou demente, muitas vezes, uma visão tão lamentável. E assim o Espírito aprende uma das lições mais difíceis da vida, a saber, que é pior que a morte estar preso a um Corpo Denso vivo e ser incapaz de encontrar expressão através dele, porque a força do desejo necessária para realizar as funções do pensamento, da fala e do movimento foram gastas em uma vida iníqua, perversa, maligna ou ímpia em uma vida anterior e deixou o Espírito sem a energia necessária para operar seu atual instrumento corporal.
Embora as deficiências mentais, quando congênitas, sejam geralmente atribuíveis ao abuso da função sexual criadora numa vida passada, há pelo menos uma notável excepção a esta regra: quando um Espírito, que tem uma vida especialmente dura diante de si “desce” para renascer aqui e ao entrar na matriz do útero, sente ou percebe o Panorama de Vida – que contém os principais acontecimentos que passará – e considera essa existência como demasiada dura para ser suportada, às vezes, tenta fugir da Escola da Vida. Neste momento, os Anjos do Destino ou Relatores ou seus agentes já fizeram a conexão entre o Corpo Vital e os centros dos sentidos do cérebro do embrião em formação; portanto, o esforço do Espírito para escapar do ventre materno é frustrado, mas a ruptura dada pelo Ego perturba a conexão entre os centros dos sentidos etérico e físico, de modo que o Corpo Vital não fica concêntrico com o Corpo Denso, fazendo com que a cabeça etérica se estenda acima do crânio físico. Assim é impossível ao Espírito utilizar o Corpo Denso; está ligado a um Corpo Denso “irracional” que não pode usar, e a incorporação é praticamente desperdiçada.
Encontramos também casos em que um grande choque, mais tarde na vida, faz com que o Espírito se esforce para fugir com os veículos invisíveis. Como resultado, uma ruptura semelhante é aplicada aos centros dos sentidos etéricos no cérebro, e o choque perturba a expressão mental. Todo mundo, provavelmente, já sentiu uma sensação semelhante ao receber um susto; um impulso como se algo tentasse sair do Corpo Denso; esses são o Corpos Vital e o Corpo de Desejos, que são tão rápidos em sua ação que um trem expresso é como um caracol, em comparação. Eles veem e sentem o perigo e ficam assustados antes que o susto seja transmitido ao Corpo Denso inerte e lento no qual estão ancorados, e que impede sua fuga sob tensão normal.
Mas às vezes, como foi dito, o susto e o choque são suficientemente para dar-lhes tal impulso que os centros dos sentidos etéricos fiquem perturbados. Isso acontece com mais frequência com pessoas nascidas sob Signos Comuns, que são os mais frágeis do Zodíaco. Entretanto, assim como um ligamento que foi esticado e rompido pode gradualmente recuperar relativa elasticidade, também nestes casos é mais fácil restaurar as faculdades mentais do que naqueles casos em que a insanidade ou demência congênita, trazida de vidas passadas, causou conexão inadequada.
Causas de Deficiências Físicas:
Com relação a anormalidades e deformidades físicas, a regra parece ser que, assim como a indulgência física da paixão reage sobre o estado mental, o abuso das faculdades mentais em uma vida leva à deficiência física em existências posteriores. Uma máxima oculta diz: “uma mentira no Mundo do Desejo é tanto assassina quanto suicida”. Os Ensinamentos Rosacruzes dos Irmãos Maiores, apresentados no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, explicam que, sempre que um acontecimento ocorre, um certo pensamento-forma é na Região Concreta do Mundo do Pensamento registra o incidente e, também, uma forma de desejos é criada no Mundo do Desejo. Cada vez que o evento é mencionado ou comentado, um novo pensamento-forma é criado e uma nova forma de desejos é criada no Mundo do Desejo, que se funde com a original e a fortalece, desde que ambas estejam em sintonia com a mesma vibração. Mas se uma inverdade for dita sobre o que acontece, então as vibrações da original e as da reprodução não são idênticas: elas se chocam e se destroem mutuamente. Se o desejo (e, consequentemente, o pensamento) bom e verdadeiro for suficientemente forte, ele vencerá e destruirá as formas de desejos (e, também, o pensamento-forma) baseadas na mentira, e o bem vencerá o mal; mas onde os desejos (e o correspondente pensamento-forma) mentirosos e maliciosos forem mais fortes, eles poderão vencer a forma de desejo (e o correspondente pensamento-forma) verdadeiro da ocorrência e, assim, destruí-lo. Depois, entrarão em conflito entre si, e todos serão aniquilados mutuamente. Todas as coisas, em última análise, cooperam para o bem.
Assim, uma pessoa que vive uma vida pura, esforçando-se para obedecer às Leis de Deus e buscando sinceramente a verdade e a retidão, criará pensamento-formas ao seu redor de natureza correspondente; sua Mente seguirá caminhos que harmonizam com a verdade; e quando chegar a hora, no Segundo Céu, de criar o Arquétipo para sua vida vindoura, ela prontamente, intuitivamente, por força do hábito da vida passada, se alinhará com as forças do direito e da verdade. Essas linhas, sendo incorporadas ao seu Corpo, criarão harmonia nos veículos vindouros, e a saúde será, portanto, sua porção normal na vida vindoura. Aqueles que, por outro lado, tiveram, na vida passada, uma visão distorcida das coisas, demonstraram desrespeito pela verdade e exerceram astúcia, extremo egoísmo e descaso pelo bem-estar dos outros, estão fadados, no Segundo Céu, a ver as coisas de maneira oblíqua também, porque essa é sua linha de pensamento habitual. Portanto, o Arquétipo construído por eles incorporará linhas de erro e falsidade; Consequentemente, quando o Corpo nasce, apresentará fraqueza em vários órgãos, senão em toda o organismo corporal.
Mais uma vez, alertamos os Estudantes para que não tirem conclusões precipitadas dessas regras provisórias. Não é nossa intenção insinuar que todos aqueles que possuem um Corpo aparentemente saudável tenham sido exemplos de virtude em suas vidas passadas, e que aqueles que sofrem de uma deficiência ou outra tenham sido um vagabundo ou um inútil. Nenhum de nós é capaz de dizer, no momento presente, “toda a verdade e nada além da verdade”. Somos enganados porque nossos sentidos são ilusórios. Uma rua longa parece se estreitar à distância, quando, na verdade, ela é tão larga a um quilômetro de distância quanto o local onde estamos. O Sol e a Lua parecem muito maiores quando próximos ao horizonte do que quando estão no zênite; mas, na verdade, sabemos que eles não aumentam de tamanho ao descerem em direção ao horizonte, nem diminuem ao ascenderem ao meio do céu. Assim, estamos constantemente levando em consideração e corrigindo ilusões sensoriais; da mesma forma, com tudo o mais no mundo. O que parece ser verdade nem sempre o é, e o que é verdade hoje em relação às condições de vida pode mudar amanhã. Portanto, é impossível para nós conhecermos a verdade última sob as condições evanescentes e ilusórias da existência física.
É somente quando entramos nos Mundos espirituais e, particularmente, na Região Concreta do Mundo do Pensamento, que as verdades eternas podem ser percebidas; portanto, devemos necessariamente cometer erros repetidamente, mesmo apesar de nossos esforços mais sinceros para sempre conhecer e dizer a verdade. Por essa razão, é impossível para nós construirmos um veículo completamente harmonioso. Se isso fosse possível, tal Corpo seria realmente imortal, e sabemos que a imortalidade “na carne” não é o desígnio de Deus. S. Paulo nos ensina que “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”[1].
Mas sabemos que, ainda hoje, apenas uma pequena porcentagem está disposta a viver tão próxima da verdade quanto a compreende, a confessá-la e proclamá-la diante dos outros por meio do serviço e de uma vida justa e íntegra. Podemos apenas imaginar que tais pessoas deviam ser raras nos tempos antigos, quando o ser humano ainda não havia desenvolvido o altruísmo que chegou a este Planeta com o advento de nosso Senhor e Salvador, Cristo Jesus.
Os padrões de moralidade eram muito mais baixos naquela época, e o amor pela verdade quase insignificante na maior parte da Humanidade, que estava absorta em seus esforços para acumular o máximo de riqueza, poder ou prestígio possível. Portanto, eram naturalmente inclinados a desconsiderar os interesses alheios, e mentir não parecia de forma alguma repreensível, às vezes até mesmo meritório. Os Arquétipos eram constantemente repletos de fraquezas, e as funções orgânicas do Corpo hoje são seriamente afetadas como resultado disso, particularmente porque os Corpos das pessoas que nascem no lado ocidental desse Planeta, estão se tornando mais tensos e mais sensíveis à dor devido à crescente consciência do Espírito.
[1] N.T.: ICor 15:50
Causas de Deficiências Físicas:
Insanidade[1]:
Do ponto de vista do ocultista, existem quatro espécies de insanidade. A insanidade sempre é causada pela ruptura da cadeia de veículos entre o Ego e o Corpo Denso. Essa ruptura pode ocorrer entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, entre o Corpo de Desejos e a Mente, ou entre a Mente e o Ego. A ruptura pode ser completa ou apenas parcial.
Quando a ruptura ocorre entre os centros cerebrais e o Corpo Vital, ou entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos, temos o caso de deficiência intelectual. Quando a ruptura ocorre entre o Corpo de Desejos e a Mente, o Corpo de Desejos violento e impulsivo domina e temos o maníaco delirante. Quando a ruptura é entre o Ego e a Mente, a Mente domina os demais veículos e temos o maníaco astuto[2], que podem enganar as pessoas que, porventura, estão vigiando-o, fazendo-as acreditar que é completamente inofensivo até que tenham arquitetado algum plano diabólico e astuto. Então ele pode subitamente manifestar sua mentalidade perturbada e causar uma catástrofe terrível.
Há uma causa de insanidade que talvez seja bom explicar, pois às vezes é possível evitá-la. Quando o Ego regressa dos Mundos invisíveis para o novo renascimento, são-lhe mostrados diversos renascimentos disponíveis. O Ego contempla sua próxima vida em seus grandes e gerais eventos, como um filme passando diante de seus olhos. Então, geralmente, lhe é dado a escolha entre diferentes vidas. Nesse momento, o Ego percebe as lições que precisa aprender, o destino que criou para si em vidas passadas e qual parte desse destino terá que liquidar em cada um dos renascimentos oferecidos. Então, faz sua escolha e, em seguida, é guiado pelos agentes dos Anjos do Destino até o país e a família onde viverá sua próxima existência aqui.
Esta visão panorâmica lhe é contemplada no Terceiro Céu, onde o Ego se encontra despido dos seus Corpos e da Mente e se sente espiritualmente acima de todas as sórdidas considerações materiais. É muito mais sábio, então, do que aparenta ser na Terra, onde está “cegado pela carne”, em um grau inconcebível. Mais tarde, quando a concepção ocorre e o Ego penetra no útero materno, ou seja, por volta do décimo oitavo dia depois da concepção, ele entra em contato com o molde etérico do seu novo Corpo Denso, formado pelos Anjos do Destino, para conferir ao cérebro a formação que imprimirá no Ego as tendências necessárias para cumprir seu destino.
Ali, o Ego vê novamente as imagens de sua próxima vida, como a pessoa que se afoga percebe as imagens de sua vida passada em um relâmpago. Nesse momento, o Ego já está parcialmente cego para sua natureza espiritual, de maneira que, se sua próxima vida lhe parecer difícil, muitas vezes ele se retrairá, evitando entrar no útero e estabelecer as conexões cerebrais adequadas com o futuro Corpo. Ele pode tentar se retirar rapidamente e, então, em vez do Corpo Denso e do Corpo Vital ficarem concêntricos, a cabeça do Corpo Vital pode ser parcialmente projetada acima da cabeça do Corpo Denso. Nesse caso, as conexões entre os centros sensoriais do Corpo Vital e o Corpo Denso ficam desajustadas ou simplesmente não se estabelecem e o resultado é a deficiência intelectual, a epilepsia, a dança de São Vito[3] ou outros distúrbios nervosos semelhantes.
As relações inarmônicas entre os pais, que às vezes existem, é frequentemente a gota d’água que leva o Ego a sentir que não pode entrar em tal ambiente. Portanto, é fundamental enfatizar aos futuros pais que, durante o período gestacional, é da maior importância que tudo seja feito para manter a mãe em um estado de contentamento e harmonia. Pois é uma tarefa muito árdua para o Ego passar pelo útero; exige o máximo de suas sensibilidades, e condições inarmônicas no lar em que está entrando são, naturalmente, uma fonte adicional de desconforto, que pode resultar no terrível estado de coisas mencionado acima.
A Magia Negra, em suas formas menores, tais como o hipnotismo, geralmente é causa de idiotismo congênito em uma vida futura. O hipnotizador priva sua vítima do livre uso do Corpo e sob a Lei de Consequência se verá vinculado a algum Corpo com um cérebro mal conformado que impedirá sua devida expressão. Mas nem por isso devemos concluir que todos os casos de idiotismo congênito sejam devidos a essas más práticas por parte de Ego em uma vida passada, porque existem outras causas que também podem provocar o idiotismo congênito.
As drogas e os exercícios respiratórios tais como os que são praticados pelos estudantes do Oriente, têm um efeito terrivelmente destruidor sobre o Corpo, pelo que o seu emprego é absolutamente indesejável. São muitas as pessoas que atualmente se encontram no manicômio ou afetadas de tuberculose, devido aos exercícios respiratórios. Nada diremos dos efeitos das drogas, pois são bem conhecidos. Os átomos dos Corpos dos ocidentais foram altamente sensibilizados durante o transcurso da evolução e os exercícios que um Oriental pode empregar impunemente porque o seu Corpo carece dessa alta sensibilidade, provocariam uma catástrofe no Corpo de um Ocidental, causando uma desusada movimentação dos seus átomos, os quais dificilmente poderão retornar à sua condição normal.
[1] N.T.: O termo insanidade utilizado aqui se refere à condição mental caracterizada pela perda da capacidade de raciocínio lógico, falta de sensatez ou comportamentos considerados anormais.
[2] N.T.: Exemplos: Psicopata calculista, Maníaco calculista, Manipulador lunático, Louco ardiloso.
[3] N.T.: um nome histórico e popular para a Coreia de Sydenham, uma doença neurológica que causa movimentos involuntários, espasmódicos e descontrolados.
Para compreender como se tece e destece a “Teia do Destino” será necessário que partamos do seu início; para perceber que os primeiros fatos fundamentais da existência são a continuidade da vida e que a ação é a expressão desta mesma vida em manifestação.
No momento exato em que o espírito executa sua primeira ação ele gera uma causa que, forçosamente, há de produzir um efeito correspondente.
Isso é uma absoluta necessidade a fim de que o equilíbrio do Universo possa ser mantido.
Para que se possa efetuar investigações necessárias com o objetivo de compreender como se tece e destece a “Teia do Destino”, é necessário possuir a faculdade de sair, por livre e espontânea vontade própria, do Corpo físico e funcionar fora dele, no Corpo-Alma, formado pelos dois Éteres superiores, estando também revestido pelo Corpo de Desejos e pela Mente.
Vamos ver, nesse livro, como isso se dá e como há outras condições na teia do destino.
Há 4 meios de você acessar esse Livro:
1. Em formato PDF (para download):
A Teia do Destino – como se Tece e Destece – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz
2. Em forma audiobook ou audiolivro:
A Teia do Destino – Como se Tece e Destece – Max Heindel – audiobook
3. Em forma de videobook ou videolivro no nosso canal do Youtube: https://www.youtube.com/c/TutoriaisEstudosFraternidadeRosacruzCampinas/featured
aqui:
A Teia do Destino – Como se Tece e Destece – Max Heindel – videobook
4. Para estudar no próprio site:
Como se tece e destece
Também:
O Efeito Oculto das Nossas Emoções
A Oração – uma Invocação Mágica
Métodos Práticos de se Alcançar o Sucesso
Por
Max Heindel
(1865-1919)
Uma Série de Lições sobre o Lado Oculto da Vida, Mostrando as Forças Ocultas que Moldam o Nosso Destino
Fraternidade Rosacruz
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido e Revisado de acordo com:
1ª Edição em Inglês, editada por Augusta Foss Heindel, em 1920
1ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz Rio de Janeiro – Guanabara – Brasil
2ª Edição em Português, editada pela Fraternidade Rosacruz São Paulo – SP – Brasil
Pelos Irmãos e Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
A série de dezessete lições impressas nesse volume é parte das noventa e nove lições mensais enviadas pelo autor a seus Estudantes, durante os últimos anos de sua vida no corpo. Elas são, agora, publicadas pela primeira vez em forma de livro.
Uma série já foi publicada sob o título “Maçonaria e Catolicismo”, como é visto por trás do cenário.
Esses livros contêm os tesouros inestimáveis das últimas investigações desse grande místico, e levam uma mensagem de amor Cristão impregnada de sabedoria divina, que somente um Iniciado nos mais profundos mistérios poderia nos transmitir.
Esperamos que essas lições sejam o meio de reintegrar muitas pessoas de volta à Deus e de fortalecer sua reverência e seu amor por Cristo.
Os Santos Sacramentos, Cristo e Sua Missão, A Significância Oculta das Óperas de Wagner e outros assuntos muito interessantes serão publicados mais tarde.
Augusta Foss Heindel
ÍNDICE
PREFÁCIO DA SEGUNDA EDIÇÃO DE 1920. 3
PARTE I – INVESTIGAÇÃO ESPIRITUAL – O CORPO-ALMA.. 6
PARTE II – CRISTO INTERNO – A MEMÓRIA DA NATUREZA.. 12
PARTE III – “O GUARDIÃO DO UMBRAL” – ESPÍRITOS APEGADOS À TERRA.. 19
PARTE IV – “O CORPO DO PECADO” – POSSESSÃO POR DEMÔNIOS AUTOCRIADOS – ELEMENTAIS. 27
PARTE V – OBSESSÃO DO SER HUMANO E DOS ANIMAIS. 32
PARTE VI – A CRIAÇÃO DO AMBIENTE – GÊNESE DAS DEFICIÊNCIAS MENTAIS E FÍSICAS. 37
OS EFEITOS OCULTOS DAS NOSSAS EMOÇÕES. 52
PARTE I – A FUNÇÃO DO DESEJO.. 52
PARTE IV – A NATUREZA DOS ÁTOMOS ETÉRICOS – A NECESSIDADE DA ESTABILIDADE.. 68
PARTE V – OS EFEITOS DO REMORSO OS PERIGOS DO EXCESSO DE BANHOS. 73
A ORAÇÃO: UMA INVOCAÇÃO MÁGICA.. 79
PARTE I – A NATUREZA DA ORAÇÃO E A PREPARAÇÃO PARA A ORAR.. 79
Preparação para a Oração – Ora et Labora. 80
PARTE II – AS ASAS E O PODER – A INVOCAÇÃO – O CLÍMAX.. 85
MÉTODOS PRÁTICOS PARA ALCANÇAR O SUCESSO BASEADOS NA CONSERVAÇÃO DA FORÇA SEXUAL.. 90
Embora muitos esclarecimentos e muita informação foram fornecidos sobre esse assunto no “Conceito Rosacruz do Cosmos” e em outras nossas obras, temos recebido muitas cartas de Estudantes nos pedindo mais esclarecimentos sobre alguns pontos, tais como obsessão, mediunidade, insanidade, condições anormais do caráter, etc. Isso tem dado ao autor uma motivação para investigar o assunto mais profundamente que antes. A máxima que diz que “a prática leva à perfeição” pode se aplicar, com a mesma propriedade, tanto aos reinos espirituais como para as coisas físicas. Assim, esperamos que a luz derramada sobre estes assuntos, nas páginas que se seguem, possa ajudar o Estudante a perceber, com mais clareza, as causas que produzem os efeitos observados nessa vida.
A fim de que possamos compreender perfeitamente o problema, será necessário que partamos do seu início; para perceber que os primeiros fatos fundamentais da existência são a continuidade da vida e que a ação é a expressão desta mesma vida em manifestação. No momento exato em que o Espírito executa sua primeira ação ele gera uma causa que, forçosamente, há de produzir um efeito correspondente. Isso é uma absoluta necessidade a fim de que o equilíbrio do Universo possa ser mantido. Se esta ação for física, isto é, realizada pelo Espírito em um Corpo Denso, a reação deverá ser, forçosamente, também física. Se é assim de fato, é evidente que devemos renascer neste Mundo, de tempos em tempos, pois é um fato comprovado que, quando geramos causas nesse Mundo, na existência diária, e essas causas não apresentam uma reação adequada, e, também, quando não nos é possível colher o que tivermos semeado, devemos necessariamente voltar em um Corpo novo; do contrário, a lei seria invalidada. Se a Lei de Causa e Efeito é verdadeira, então o renascimento periódico é uma consequência lógica de absoluta necessidade. Assim, pois, tanto se o compreendermos ou não, tanto se nos agrade ou não, estamos encerrados dentro de um círculo e, devido as nossas próprias ações do passado, constrangidos a que estas ajam e reajam sobre nós, até que desenvolvamos uma força superior à que agora nos subjuga. O que é esta força, Goethe, o grande místico alemão, nos revela em poucas palavras:
“De todas as forças que encadeiam o mundo,
o ser humano se liberta quando adquire o domínio de si mesmo”.
E, como o conhecimento é poder, é evidente que quanto mais completo seja o nosso conhecimento, em relação a cada detalhe e não superficial ou parcial, de como operam as leis gêmeas de Consequência e do Renascimento, mais facilmente encontraremos o caminho da libertação, mais facilmente nós encontraremos o caminho da libertação, e também melhor saberemos como ajudar aos demais.
A ciência deve ser muito elogiada pelo talento, pela paciência e a persistência que ela exibe na invenção de instrumentos para descobrir os segredos da natureza. Porém, enquanto isso se consegue com êxito no que concerne à matéria, os segredos da vida e do Espírito são um livro fechado para o sábio, segundo diz Mefistófeles, com fina ironia ao Estudante que bate à porta de Fausto, solicitando admissão a sua escola:
“Qualquer pessoa que quiser conhecer e tratar com alguma coisa viva,
Busque, primeiro, o Espírito vital que a anima.
Pois tem somente em suas mãos fragmentos inertes,
A ele falta, ai!, o alento do Espírito vital”.
Há somente um instrumento adequado para investigar as coisas do Espírito, e este, é o próprio Espírito. Assim como é necessário preparar um ser humano para a pesquisa científica aqui no mundo material, também é necessário um longo e lento processo para adaptá-lo às investigações do Mundo espiritual. Do mesmo modo como o cientista deve pagar o preço de seu conhecimento com meses e anos de trabalho constante e tenaz, o investigador místico também deve sacrificar muitos anos de sua vida para compreender e se capacitar a respeito das suas investigações espirituais.
Como você sabe, o que agora é o nosso Corpo Denso foi o primeiro veículo que o ser humano adquiriu como pensamento-forma, tendo sobre si um imenso período de evolução e organização até chegar ao que é agora, ou seja, o esplêndido instrumento que tão bem lhe serve conquanto seja pesado, difíci1 de governar e de agir com ele. O veículo adquirido logo após, foi o Corpo Vital, que também atravessou um longo período de desenvo1vimento, até se condensar e tomar consistência etérica. O terceiro veículo, o Corpo de Desejos, foi adquirido, relativamente, muito mais tarde, achando-se ainda em estado fluídico. Por último, o ser humano tomou posse da Mente, que é apenas uma nuvem informe e não merece ainda o nome de veículo, servindo, entretanto, de união ou de laço entre os três veículos mencionados e o Espírito.
Estes três veículos, o Corpo Denso (o físico), o Corpo Vital e o de Desejos ligados à Mente, são os instrumentos do Espírito em sua evolução. E, ao contrário da crença geral, a habilidade do Espírito para investigar os planos superiores, não depende tanto dos Corpos mais sutis, como depende do mais denso de todos. A prova dessa asserção é evidente e está ao alcance de nossas mãos, e, sem dúvida alguma, todo aquele que quiser tentar com seriedade, poderá confirmá-la por si mesmo. E terá resultados imediatos se seguir certas determinações para mudar as condições de sua Mente. Suponhamos que uma pessoa formou certos hábitos de pensamento que ele não gosta. Talvez, após uma experiência religiosa, ele percebe que, a despeito de todos seus desejos, esses hábitos de pensamentos não o deixam. Porém, se ele decidir limpar completamente a Mente de forma que só contenha pensamentos bons e puros, ele poderá conseguir o que pretende simplesmente recusando admitir pensamentos impuros. Notará então que, depois de uma ou duas semanas de esforços, sua Mente está, notadamente, mais pura do que quando começou tal esforço; que isso se mantém se preferir e procurar gerar pensamentos de caráter religioso nela. Até uma Mente a mais anormal ou degenerada pode ser totalmente purificada em poucos meses de esforço. Este resultado já foi comprovado por muitos que fizeram isso, e, qualquer pessoa que o deseja e seja suficientemente tenaz para tentá-lo pode ter a mesma experiência e gozará de uma Mente pura e limpa, em muito pouco tempo.
Entretanto, enquanto os nossos pensamentos purificados nos fazem avançar consideravelmente no caminho da perfeição, as emoções e os desejos do nosso Corpo de Desejos não são dominados com tanta facilidade, por ser este veículo muito mais desenvolvido do que a Mente. Enquanto a Mente regenerada está pronta a aceitar a ideia de que devemos amar a nossos inimigos, a natureza passional e emocional do Corpo de Desejos anseia pela vingança, com todas as suas forças, aferrando-se ao “olho por olho e dente por dente”. Algumas vezes até depois de anos e anos de luta, quando supomos que a serpente adormecida foi realmente dominada e que nós temos, finalmente, obtido o domínio sobre isso e, que isso não poderá mais transtornar a nossa paz, inesperadamente ela desperta, desvanecendo as nossas esperanças; e, arrebatada por um acesso de raiva, pode morder-nos, clamando vingança por qualquer agravo real ou imaginário. Então, será necessário empregar todo o poder da natureza superior para dominar esta parte rebelde do nosso ser. Isso, acha o escritor, é o espinho da carne sobre o qual São Paulo suplicou ao Senhor três vezes e recebeu a resposta: “Minha graça é suficiente para ti”[1]. Certamente se necessita toda a graça que se possa conceber, para vencer e, como uma vigilância permanente é o preço da segurança, vamos “vigiar e orar”[2].
O Corpo de Desejos é o responsável por todas as nossas ações, quer sejam boas, más ou indiferentes. Por esta razão, os filósofos orientais prescreveram algumas instruções a seus discípulos com o objetivo de matar o desejo, ensinando-os a se absterem de agir, bem ou mal, dentro do possível, com o objetivo de se libertarem da lei do nascimento e da morte. Porém, esses mesmos arroubos que constituem tão séria ameaça quando nos dominam, podem ser muito eficazes para o serviço, se forem conduzidos sob nossa própria orientação. Jamais pensaríamos em tirar o gume de uma faca, pois ela nada cortaria. O temperamento do Corpo de Desejos deve ser controlado, mas nunca, de nenhum modo, ser morto. O poder dinâmico do movimento e da ação nos Mundos invisíveis está armazenado no Corpo de Desejos e, a menos que este permaneça intacto não podemos nos controlar, do mesmo modo que um transatlântico, cujas máquinas estiverem funcionando mal, não poderia enfrentar os embates numa tempestade. Existem certas sociedades que ensinam métodos negativos de desenvolvimento, e uma de suas primeiras instruções para o aluno é afrouxar o maxilar e se tornar perfeitamente negativo. Qualquer pessoa que se dirigir do Mundo material ao Mundo espiritual equipada com tais métodos estará como uma tábua abandonada em pleno oceano, ao sabor das ondas, joguete de toda a espécie de correntes. E, como acontece aqui, existem, nos Mundos internos, seres que nada tem de bondosos e que estão dispostos a se aproveitarem de quem se aventure ao seu Mundo sem estar devidamente preparado para se proteger deles. Vemos, assim, que é de primordial importância sujeitar nossos desejos ao domínio do Espírito aqui nesse mundo e reforçar o Corpo de Desejos antes de tentarmos penetrar nos Mundos internos. Aqui está, em grande medida, mantido sob controle pelo fato de que ele é interpolado dentro do Corpo Denso e, portanto, não pode nos jogar de um lado para outro, da mesma forma quando se liberta da prisão física.
Porém, ainda assim, o governo do Corpo de Desejos, mesmo sendo difícil de conseguir, não servirá para tornar o ser humano consciente nos Mundos invisíveis. Isso porque o Corpo de Desejos ainda não evoluiu até o ponto em que possa servir como um instrumento de consciência. Na grande maioria dos seres humanos se encontra, ainda, em estado informe e nebuloso. Existem nele somente uma quantidade de vórtices como centros de sentidos ou centros de consciência; esses não estão suficientemente desenvolvidos para que possam servir a um propósito, sem qualquer ajuda extra. Portanto, é necessário trabalhar sobre e educar o Corpo Vital para que possa ser utilizado nos voos da alma. Este veículo, como já sabemos, é composto de quatro Éteres. É pela ação deste Corpo que podemos manipular o mais denso dos nossos veículos, o Corpo Denso, que geralmente supomos constituir o ser humano, como um todo. Os Éteres Químico e de Vida formam a matriz dos nossos Corpos físicos. Cada molécula do Corpo Denso está submersa numa rede de Éter que a interpenetra e lhe infunde vida. É por meio destes Éteres que as funções do corpo, tais como a respiração e outras, se realizam, e, a consistência e densidade destas matrizes de Éter determinam o estado da nossa saúde. Porém, a parte do Corpo Vital formada pelos dois Éteres Superiores, o Éter Luminoso e o Refletor, constituem o que em nossa doutrina denominamos de CORPO-ALMA; isto é: é mais intimamente ligado com o Corpo de Desejos e com a Mente e é mais sensível ao contato espiritual do que os dois Éteres inferiores. É o veículo do intelecto, responsável por tudo o que faz o ser humano verdadeiramente um ser humano. Nossas observações, aspirações, caráter, etc., são devidos ao trabalho do Espírito sobre os Éteres Superiores que se tornam mais ou menos luminosos de acordo com a natureza de nosso caráter e de nossos hábitos. Assim como o Corpo Denso assimila partículas de alimento, ganhando sustância física, os Éteres Superiores também assimilam as boas ações durante a vida, aumentando, consequentemente, de volume. Desta forma, em harmonia com os nossos atos durante a vida terrestre, aumentamos ou diminuímos a bagagem que trazemos ao nascer. Se tivermos nascido com um caráter doce, expressado pelos Éteres Superiores, não nos será fácil mudar esta condição, porque o Corpo Vital já se consolidou durante os milhares de anos em que tem durado a sua evolução. Por outro lado, se temos sido preguiçosos e negligentes, se fomos muito indulgentes com os hábitos considerados prejudiciais, se formamos um mau caráter em nossas vidas passadas, também nos será muito difícil dominar devido à natureza do Corpo Vital, e serão necessários vários anos de esforço constante. Para mudar a sua estrutura. Esta é a razão dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental afirmarem que todo desenvolvimento místico começa com o Corpo Vital.
Há muitas pessoas que associam espiritualidade com um grande show de emocionalismo, mas, como vimos no capítulo anterior, esta ideia não tem nenhum fundamento; ao contrário, o tipo de espiritualidade que é desenvolvida e associada à natureza emocional do Corpo de Desejos é extremamente enganadora; esse é um dos tipos que é gerada em reuniões de revivificação, onde o emocionalismo é elevado ao seu mais alto grau, provocando em uma pessoa grande fervor religioso, que logo se desfaz e a deixa exatamente como era antes, para desconsolo dos revivalistas e outras pessoas empenhadas nos trabalhos evangélicos. Mas, o que mais podiam esperar? Eles se propõem a salvar as almas ao som de tambores e cornetas, com cânticos rítmicos revivificantes, com invocações feitas em um tom de voz que se eleva e abaixa em ondas harmônicas, e que têm sobre o Corpo de Desejos o mesmo poder efetivo das tormentas que encrespam o mar e depois se acalmam. O Corpo Vital é muito mais consistente, e ele é afetado somente quando a conversão se firma e permanece no homem ou na mulher durante toda a vida. Aqueles que possuem verdadeira espiritualidade não se consideram salvos em um só dia, nem se sentem no sétimo céu de êxtase, para, em seguida, se sentirem deprimidos e miseráveis pecadores incapazes de serem perdoados; isso porque a sua religião não está apoiada sobre a natureza emocional que provoca tais reações, mas sim enraizada no Corpo Vital, que é o veículo da razão, sempre firme e persistente no caminho escolhido. Assim como as formas novas são propagadas por meio do segundo Éter do Corpo Vital, o “EU SUPERIOR”, o CRISTO INTERNO é formado por intermédio desse mesmo veículo de geração, o Corpo Vital, em seus aspectos mais elevados, incorporados nos dois Éteres superiores.
No entanto, da mesma forma que uma criança necessita de nutrição ao nascer neste mundo, assim também o Cristo, que nasce internamente, é como uma bebê e precisa ser nutrido para que alcance o desenvolvimento característico de adulto. E como o Corpo Denso cresce mediante a assimilação contínua de matérias pertencentes à Região Química – sólidos, líquidos e gases – assim também, à medida que o Cristo cresce, os dois Éteres superiores aumentam em volume e formam uma nuvem luminosa em torno do homem ou da mulher suficientemente esclarecidos, que olham em direção do céu; isso revestirá o peregrino com uma luz tão brilhante, que ele, na verdade, “caminha na luz”. Por meio dos exercícios dados pela Escola Ocidental de Mistérios dos Rosacruzes, se torna possível, com o tempo, separar os dois Éteres superiores e, então, o ser humano poderá sair de seu Corpo Denso, deixando-o momentaneamente revestido e vitalizado somente pelos dois Éteres inferiores; ele é, então, o que nós chamamos de um Auxiliar Invisível.
Há vários graus de visão espiritual. Um deles habilita o ser humano a ver o Éter, normalmente invisível, com as miríades de seres que habitam esse reino. Outros e mais elevados graus lhe proporcionam a faculdade de ver o Mundo do Desejo e até o Mundo do Pensamento, permanecendo, não obstante, no seu Corpo Denso. Entretanto, essas faculdades, ainda que valiosas quando se exercem sob o controle da vontade humana, não são suficientes para se ler na “Memória da Natureza” com absoluta exatidão. Para que isto seja possível e, também, para que se possa efetuar investigações necessárias com o objetivo de compreender como se tece e destece a “Teia do Destino”, é necessário possuir a faculdade de sair, por livre e espontânea vontade própria, do Corpo Denso e funcionar fora dele, no Corpo-Alma, o qual já dissemos é formado pelos dois Éteres superiores, estando também revestido pelo Corpo de Desejos e pela Mente. Desse modo, o investigador se achará na posse total de suas faculdades; ele sabe tudo que conheceu no Mundo Físico e tem a habilidade de trazer novamente à consciência física, as coisas que aprendeu fora. Quando ele obtém essa capacidade, deve aprender também a se examinar, para compreender as coisas que vê do lado de fora, para que fica claro o seguinte: não é suficiente ser capaz de abandonar o Corpo para entrar em outro mundo e ver o que lá existe; nós não nos tornamos oniscientes por esse fato, nem sabemos o uso de tudo, ou como tudo funciona aqui nesse mundo físico, só porque vivemos aqui, dia após dia, ano após ano. Necessita-se de muito estudo e aplicação para se familiarizar com os fatos dos Mundos invisíveis, da mesma maneira que com os fatos do mundo em que estamos vivendo com nossos Corpos físicos. Por isso, o livro, a “Memória da Natureza”, não é fácil de ser lido à primeira ou à segunda tentativa, porque, da mesma forma que uma criança necessita empregar muito tempo para aprender a ler nos livros escolares, muito esforço e tempo são necessários para aprender a decifrar essa maravilhosa película.
É um fato conhecido, por todos Estudantes de ciência, que a história da Terra está escrita em caracteres inconfundíveis sobre as rochas e geleiras; sobre cada pedra se encontra algum sinal que guia o investigador treinado a decifrar sua mensagem concernente ao desenvolvimento da Terra nas épocas passadas e é maravilhoso ler nos livros que tratam deste assunto, o modo como os investigadores científicos são capazes de reconstruir a história, se valendo desses muitos indícios. Da mesma forma, é sabido que cada movimento individual que fazemos, deixamos, atrás de nós, vestígios que podem ser reconhecidos, ainda que sejam invisíveis a nós mesmos. A grande capacidade dos índios em perseguir e descobrir amigos ou inimigos através da selva virgem, guiados por arbustos quebrados etc., segundo citações de Fenimore Cooper[3] e de outros, é superada extraordinariamente pelos cientistas atuais, os quais são capazes de identificar criminosos pelas impressões digitais. As façanhas aparentemente fantásticas de Sherlock Holmes estão comprovadas mediante as atuais experiências de averiguação criminal. Os movimentos da humanidade de hoje podem ser reproduzidos, graças à câmara cinematográfica, mesmo depois que se tenham transcorridos muitos anos da morte de seus verdadeiros atores; e, assim, iluminados pelas últimas descobertas, podemos preparar nossas Mentes para aceitar a ideia de que existe um registro automático de cada vida humana e também das vidas de comunidades, preservado, no que podemos chamar, por falta de melhor denominação, na Memória da Natureza. Essa nos mostra os estados de evolução alcançados por todos os seres viventes e proporciona aos ministros de Deus, os Anjos Relatores, a perspectiva necessária de nos ajudar no esforço para alcançarmos a sabedoria, o conhecimento e o poder; eis os motivos pelos quais estas lições são necessárias para nosso avanço no Caminho. No que se refere ao indivíduo, este registro começa no momento exato em que ele emite sua primeira respiração, prosseguindo até que o último sopro de vida tenha esvaziado as artérias do sangue. Nós sabemos que todo o universo vibra com vida, que cada objeto emite, constantemente, ondas vibratórias que revelam sua natureza e sua presença. Também sabemos que, quando um recém-nascido efetua sua primeira respiração, as condições fisiológicas do coração se modificam, o forame oval é fechado e o sangue é forçado a circular através do coração e dos pulmões. Dessa forma, entra em contato com o ar que tem a imagem do ambiente que o cerca. Então, o sangue, que é o veículo do Ego, absorve pelos pulmões essa imagem completa do mundo exterior. Quando passa através do ventrículo esquerdo do coração, imprime os acontecimentos sobre o diminuto Átomo-semente situado no ápice, o que corresponde a um filme da câmera fotográfica. Não devemos duvidar de ser possível se imprimir tão grande quantidade de imagens sobre uma superfície tão pequena. Quando consideramos que a imagem da Lua, que vemos em nossa retina, é menor do que cinco centésimas partes de cada centímetro de diâmetro, concluímos que uma pequena imagem pode ser muito clara, pois mesmo dentro desse pequeno espaço notamos na Lua, a olho nu, grande número de montanhas e vales. A imagem de um homem, à distância de trinta e um metros, segundo fonte autorizada, não chega à centésima parte de um centímetro e, no entanto, nessa diminuta imagem podemos distinguir a expressão do rosto, o traje do homem, etc. Analogamente, existe sobre esse pequeno Átomo-semente uma imagem de todas as ações realizadas, de todas as cenas em que tomamos parte durante a nossa vida, desde o nascimento até a morte. George du Maurier[4] e Jack London[5] descrevem em “Peter Ibbetson” e em “The Star Rover”, como um prisioneiro pode reviver as ocorrências de sua infância, se vendo a si mesmo, a seus companheiros de brinquedo, a seus pais, a todo o seu ambiente pela reprodução do registro etérico de sua vida infantil, e até de vidas passadas. Qualquer um que conheça o segredo de como se colocar em contato com tais imagens, pode encontrar e ler a vida das pessoas com as quais mantém contato, como está provado pelos médiuns. Porém, enquanto se pode ler os acontecimentos recentes e atuais com relativa facilidade, se torna, gradualmente, mais difícil fazê-lo à medida que retrocedem. Isso porque os registros gravados no Éter são pouco nítidos, quando comparados com os que se encontram nos planos superiores, e, por isso, se desvanecem gradualmente.
Quando um vidente observa uma pessoa que está para adoecer, percebe que o Corpo Vital vai se tornando mais tênue, e quando este atinge um ponto de fragilidade em que já não é possível sustentar o Corpo Denso, os sintomas da enfermidade começam a se manifestar. Da mesma forma, antes de se constatar o restabelecimento físico, o Corpo Vital começa a adquirir mais densidade, e aí começa o período de convalescença. Sabemos que as vítimas de acidentes não sofrem tanto quando acabam de ser acidentadas, como vão sofrer logo depois; isso acontece porque o Corpo Vital, no momento do acidente, permanece ileso e, portanto, o efeito total não se nota até que esse veículo se tenha tornado mais tênue e incapaz de manter o processo vital. Assim, podemos ver que existem mudanças no Éter de um ser humano e, de acordo com o axioma místico “Como é em cima, assim é embaixo” e vice-versa, existem também mudanças no Éter planetário, que constitui o Corpo Vital do Espírito Terrestre. Como a Memória consciente dos acontecimentos recentes, que é intensa no ser humano, esmaece gradualmente, assim também o registro etérico, que é o aspecto mais inferior da Memória da Natureza, esmaece com o tempo.
Na subdivisão mais elevada da Região do Pensamento Concreto, justamente na linha divisória entre o Espírito puro e a matéria, se efetua uma impressão das coisas e dos acontecimentos deste mundo mais límpida e duradoura que a do registro etérico; porque, enquanto as ocorrências inscritas nesse registro etérico se desvanecem em manchas no decurso de algumas centenas de anos, e até os acontecimentos importantes podem durar somente mil ou dois mil anos, o registro impresso na subdivisão mais elevada da Região do Pensamento Concreto permanece durante o Período Terrestre. Enquanto as imagens gravadas no Éter Refletor podem ser lidas por alguém destituído de treinamento, mas que possui um pouco de visão espiritual, é necessário passar por várias Iniciações antes que seja possível, a quem quer que seja, ler as imagens conservadas na elevada Região citada acima. Compreenderemos facilmente a relação que existe entre este registro e o impresso no Éter e, também, entre as recordações absolutamente permanentes inscritas no Mundo do Espírito de Vida, se examinarmos o Diagrama N° 1 do “Conceito Rosacruz do Cosmos”[6].
Paracelso chama o registro feito no Éter de Luz Sideral, e Eliphas Levi, o grande cabalista, fala dessas gravações como as que estão conservadas na Luz Astral. Esta é uma definição verídica, pois, mesmo que não tenha nada a ver com as estrelas, como se poderia interpretar pelo seu nome, as impressões se acham na Região Etérica, fora da atmosfera da Terra. O médium ou a vítima hipnótica, que abandona o corpo por um método negativo sob controle alheio, levita por essas regiões tão naturalmente como nosso Corpo Denso gravita na Terra.
Como já dissemos no “Conceito Rosacruz do Cosmos” com referência à constituição de nosso Planeta, o caminho da Iniciação passa através da Terra, da periferia ao centro, um estrato de cada vez, e, mesmo que nossos Corpos físicos sejam impelidos naquela direção pela força de gravidade, sua densidade evita que a trespassemos, assim como eficazmente faz a força de levitação que repele a classe despreparada, citada acima, dos recintos sagrados. Somente quando, pelo poder de nosso próprio Espírito, nós tenhamos deixado o nosso Corpo Denso, instruídos por, e em consequência da reta maneira de viver, seremos capazes de ler o registro etérico com proveito. Em um ponto mais avançado do progresso, o “estrato aquoso” da Terra será aberto ao Iniciado, que se colocará num estado conveniente para ler o registro dos acontecimentos passados, impressos permanentemente na substância vivente da Região das Forças Arquetípicas[7], onde o tempo e espaço praticamente não existem, e onde tudo é um eterno Aqui e Agora.
Enquanto estivermos estudando este Livro “A Teia do Destino, Como se Tece e Destece”, será conveniente dedicarmos alguma atenção ao misterioso “Guardião do Umbral”, um assunto que é tão mal compreendido. Nossas investigações sobre as vidas passadas de um grupo de pessoas que solicitaram auxílio da Fraternidade Rosacruz para se livrar da assim chamada obsessão, provaram que seus problemas são devidos a uma fase que foi chamada, equivocadamente por investigadores anteriores, de “O Guardião do Umbral”. Quando esses casos são examinados simplesmente por meio da visão espiritual ou pela leitura dos registros etéricos, se pode cair, facilmente, em semelhante erro, ou seja, confundir tal aparição com o verdadeiro Guardião do Umbral. Porém, assim que analisamos esses casos nos registros imperecíveis que se encontram na Região das Forças Arquetípicas[8], o assunto se esclarece imediatamente, e as conclusões tiradas dessas investigações podem ser assim resumidas:
No momento da morte, quando o Átomo-semente no coração é interrompido, e que contém todas as experiências da vida que acaba de findar em um quadro panorâmico, o Espírito abandona o Corpo Denso, levando consigo os veículos mais sutis. Ele flutua, então, sobre o Corpo Denso, que agora está morto, como assim dizemos, por um período de tempo que varia de algumas horas até três dias e meio. O fator determinante desta variação de tempo é o vigor do Corpo Vital, o veículo que constitui o Corpo-Alma[9] de que fala a Bíblia. Há, em seguida, uma reprodução pictórica da vida, um panorama em ordem inversa, desde a morte até o nascimento, e as imagens são impressas sobre o Corpo de Desejos, por meio do Éter Refletor neste Corpo Vital. Durante esse tempo a consciência do Espírito está concentrada no Corpo Vital, ou pelo menos deveria ser assim, e por isso nada sente deste processo. A imagem que foi impressa sobre o veículo do sentimento e da emoção, o Corpo de Desejos, é a base do subsequente sofrimento no Purgatório, em consequência das más ações, e também a base do regozijo que sentiremos no Primeiro Céu, em virtude do bem praticado na vida passada.
Esses foram os pontos principais que o autor pôde observar pessoalmente acerca da morte, na época em que lhe foi dado conhecer os primeiros ensinamentos, e quando foi levado, com a ajuda do Mestre, a presenciar as reproduções panorâmicas das vidas de pessoas que estavam atravessando as portas da morte, mas investigações posteriores vieram revelar um fato adicional, isto é, que existe outro processo em ação nos dias importantes que se seguem à morte. Uma divisão se realiza no Corpo Vital, semelhante à do processo de Iniciação. Uma grande parte deste veículo, que pode ser chamado “alma”, se une aos veículos superiores e forma a base da consciência nos Mundos invisíveis, depois da morte. A parte inferior, que é descartada, volta ao Corpo Denso e flutua sobre a tumba, na maioria dos casos, como já foi explicado no “Conceito Rosacruz do Cosmos”. Essa separação do Corpo Vital não é a mesma em todas as pessoas, mas depende da natureza da vida vivida e do caráter de quem estiver passando para o além. Em casos extremos, essa divisão varia muitíssimo dos considerados casos normais. Esse ponto importante nos levou a pensar, em muitos casos que foram investigados pela Sede Mundial, em suposta obsessão de Espíritos; de fato, foram esses casos que desenvolveram descobertas assombrosas e de alcance extraordinário, efetuadas em nossas investigações mais recentes, relativas à natureza da obsessão sofrida pelas pessoas que nos procuraram. Como seria esperado, logicamente, a divisão, em tais casos, indicou uma preponderância do mal; efetuaram-se, então, grandes esforços para descobrir se havia outra classe de pessoas com uma divisão diferente, em que se manifestasse a preponderância do bem. É uma satisfação reconhecer que assim acontece e, depois de analisarmos os casos descobertos e confrontá-los uns com os outros, podemos fazer uma descrição correta das condições observadas e suas razões:
O Corpo Vital procura sempre construir o Corpo Denso, ao passo que os nossos desejos e emoções o destroem. É a luta entre o Corpo Vital e o Corpo de Desejos que produz a consciência no Mundo Físico e que endurece os tecidos, de modo que o Corpo tenro da criança vai se tornando, com os anos, cada vez mais rígido e encolhe na velhice, seguindo-se a morte. A moralidade ou imoralidade dos nossos desejos e emoções atuam de maneira semelhante sobre o Corpo Vital. Quando a devoção aos ideais elevados é a mola principal de ação, onde a natureza devocional pôde se manifestar durante anos, livre e frequentemente, e, sobretudo, quando isso foi acompanhado dos exercícios científicos indicados aos Probacionistas da Fraternidade Rosacruz, há uma diminuição gradual da quantidade dos Éteres Químicos e de Vida, à medida que os apetites animais desaparecem, e se manifesta um aumento progressivo dos Éteres Luminoso e Refletor. Como consequência, a saúde física não é tão robusta entre os que seguem o caminho superior, como entre aqueles em que a satisfação das paixões inferiores atrai os Éteres Químico e o de Vida, conforme a extensão e a natureza dos vícios, com exclusão parcial ou total dos dois Éteres superiores.
Várias consequências muito importantes relacionadas com a morte acompanham esse acontecimento. Como é o Éter Químico que consolida as moléculas do Corpo Denso, para que permaneçam em seus respectivos lugares e as conservam nele durante toda a vida, quando existe somente um mínimo desse material, a desintegração do veículo físico, depois da morte, com certeza é muito rápida. Isso o autor não pôde comprovar porque foi muito difícil encontrar seres humanos de vocação espiritual elevada que tivessem falecido na ocasião, mas parece que deve ser assim pelo fato registrado na Bíblia referente ao Corpo de Cristo, que não foi achado na tumba quando o povo foi buscá-Lo. Como já dissemos em relação a este assunto, Cristo espiritualizou o Corpo de Jesus tão altamente, tornando-o tão vibrante, que lhe era quase impossível conservar as partículas no lugar durante o seu ministério. Esse fato já era do conhecimento do autor por meio dos ensinamentos dos Irmãos Maiores e das investigações feitas, por ele mesmo, na Memória da Natureza, porém, a conexão desse fato sobre a morte e a existência “post-mortem”, não era, até então, do seu conhecimento, até recentemente.
O verdadeiro “Guardião do Umbral” é uma entidade elemental criada nos planos invisíveis por todos os maus pensamentos e obras que não se transmutaram durante todo o período passado de nossa evolução. Este “guardião” está guardando a entrada dos Mundos invisíveis e desafia nosso direito para neles penetrar. Esta entidade deve ser, finalmente, redimida ou transmutada. De nossa parte, devemos gerar equilíbrio e força de vontade suficientes para enfrentá-lo, antes que possamos entrar, conscientemente, nos Mundos suprafísicos.
Como já dissemos, uma vida mundana aumenta a proporção dos Éteres inferiores do Corpo Vital, em prejuízo dos mais elevados. Da mesma forma, uma pessoa que leva unicamente uma assim chamada “vida pura” e sem excessos, tem uma saúde melhor do que a do Aspirante à vida superior, pois as atitudes do último constroem um Corpo Vital composto, principalmente, dos Éteres superiores. Ele ama o “pão da vida” mais do que o sustento físico e, portanto, o seu instrumento se torna cada vez mais flexível, nervoso e delicado, uma condição sensível que, gradualmente, impulsiona para as coisas do Espírito, mas que se torna uma tarefa difícil, do ponto de vista físico.
Na maior parte das pessoas há uma tal preponderância de egoísmo e um desejo de extrair o máximo da vida que, ou estão empenhados em afastar as adversidades de sua porta ou se acham acumulando posses e cuidando delas, e assim elas têm muito pouco tempo ou inclinação para se dedicarem à cultura da alma, tão necessária ao verdadeiro sucesso na vida. Muitas vezes, o autor as ouvia dizerem que se elas pagassem o ministro para estudar a Bíblia durante os seis dias e no sétimo dia lhes fazer um resumo, então teriam tudo que é necessário para adquirirem um bilhete para o céu. Elas se filiam às igrejas, fazem as coisas normalmente consideradas nobres e retas; no resto do tempo se divertem. Consequentemente, é tão pouco os que persistem, em cada vida, e a evolução é tão desesperadamente lenta que, até que possam ver o ato da morte das regiões superiores do Mundo do Pensamento Concreto e, por assim dizer, olhar para baixo, parece que nada se salva do Corpo Vital. Esse Corpo parece que retorna completo ao Corpo Denso, flutuando sobre a tumba até se desintegrar simultaneamente com o último. Na verdade, uma grande parte adere aos veículos superiores e segue com eles até o Mundo do Desejo, onde formará a base da consciência, durante a passagem pelo Purgatório e pelo Primeiro Céu, geralmente permanecendo aí até que o ser humano entre no Segundo Céu e se una às forças da natureza, no esforço de criar, para si mesmo, um novo ambiente. Nessa ocasião, já foi absorvido ou quase totalmente absorvido pelo Espírito, e qualquer coisa que ali permaneça, de natureza material, desaparecerá rapidamente. Desse modo, a personalidade da vida passada se desvanece e o Espírito não voltará a encontrá-la em suas vidas futuras nessa Terra.
Entretanto, existem pessoas de natureza tão perversa que apreciam a vida gasta em vícios e práticas degeneradas, vidas brutais, e até se deleitam em fazer sofrer. Algumas vezes, chegam a cultivar artes ocultas com propósitos malignos, para poderem ter maior domínio sobre suas vítimas. Suas artes demoníacas, suas práticas imorais resultam no endurecimento do seu Corpo Vital.
Em tais casos extremos, em que a vida animal predominou; quando na vida terrena precedente não houve expressão de alma, a divisão do Corpo Vital, de que falamos antes, não pode ocorrer com a morte, uma vez que não existe linha divisória. Assim, se o Corpo Vital gravitasse de volta ao Corpo Denso e ali se desintegrasse gradualmente, o efeito de uma vida perversa não teria consequências tão sérias, mas, infelizmente, em tais casos existe uma algema interna entre os Corpos Vital e o de Desejos, que evita a separação. Temos observado que quando um ser humano vive quase exclusivamente uma vida superior, seus veículos espirituais são alimentados em detrimento do inferior. Pelo contrário, quando sua consciência está enfocada nos veículos inferiores, ele os fortalece imensamente. Devíamos entender que a vida do Corpo de Desejos não se acaba com a partida do Espírito, pois permanece um resíduo de vida e de consciência. O Corpo Vital também é capaz de sentir levemente as coisas durante alguns dias após a morte (daí o sofrimento causado pelo embalsamento, pelas autópsias etc. logo após a morte), porém, quando uma vida grosseira o endureceu e o robusteceu grandemente, ele possui uma tenacidade para se aferrar à vida, e uma habilidade para se nutrir dos odores dos alimentos e das bebidas alcoólicas. Algumas vezes, tal como um parasita, se alimenta das pessoas com quem se põe em contato, como se fosse um vampiro.
Assim, um ser humano que é mau pode viver, invisivelmente, entre nós durante muitos e muitos anos, e tão junto que estará mais perto do que nossas mãos e nossos pés. Ele é muito mais perigoso do que um criminoso em Corpo Denso, porque tem meios para impelir outras pessoas a praticarem atos puníveis, degenerados e criminosos, sem que tenha medo de ser detido e castigado pela lei.
Semelhantes seres são, portanto, uma das maiores ameaças para a sociedade. São culpados de terem causado a prisão de muitos, de dissolver muitos lares e do haver provocado uma quantidade incrível de infelicidades. Sempre abandonam as suas vítimas quando estas caem nas garras da justiça. Saboreiam a dor e a desgraça delas, constituindo isso parte do seu esquema diabólico. Há outras classes que se deleitam em adotar uma postura “angélica” nas sessões espíritas. Eles também encontram vítimas lá e ensinam a elas práticas imorais. Os denominados “Poltergeist”[10], que se comprazem em quebrar pratos, derrubar mesas, levantar os chapéus das cabeças de uma plateia que se deleita, e fazer outras brincadeiras dessa natureza, também estão incluídos nesta classe. A força e a densidade do Corpo Vital de tais seres lhes facilitam essas manifestações físicas muito mais do que para aqueles que ultrapassaram o Mundo do Desejo; de fato, os Corpos Vitais desta classe de Espíritos são tão densos que quase se aproximam do estado físico, e constitui um mistério para o autor que as pessoas que foram enganadas por tais entidades não as tenham visto. Se pudessem ver seus rostos perversos e assustadores, a ilusão de que fossem anjos logo se dissiparia.
Existe ainda outra classe de Espíritos que pertencem a esta mesma categoria e que se apegam às pessoas que procuram desenvolvimento espiritual fora da linha espiritualista, sugerindo serem mestres individuais, e dão às suas vítimas uma série de ensinamentos tolos e sem sentido. Eles jogam com a credulidade de suas vítimas de uma maneira inacreditável e, mesmo que guardem suas intenções secretas durante anos, algum dia se mostrarão com sua verdadeira aparência. Por conseguinte, nunca será demais repetir que não devemos aceitar de ninguém, seja visível ou invisível, ensinamentos que não se amoldem, ainda que no grau mais sutil, à nossa mais elevada concepção de ética. É muito perigoso confiarmos em pessoas deste mundo e lhes dar nossa total confiança; nós sabemos disso por experiência e agimos de acordo com nossos princípios. Portanto, nós devemos ser mais cuidadosos quando a questão se refere aos assuntos da alma e não confiar tão importante matéria, como é o nosso bem-estar espiritual, às mãos de alguém que não podemos, pelo menor, ver ou julgar, adequadamente. Há muitos Espíritos que não têm aptidão para fazer grande mal às suas vítimas, se contentando em rondá-las durante anos, sem resultados particularmente nefastos. Contudo, a autoconfiança é a virtude essencial a ser cultivada neste estágio de nossa evolução; a máxima mística: “Se és Cristo, ajuda-te”, deve ressoar constantemente nos ouvidos daqueles que desejam encontrar e seguir o verdadeiro caminho. Por isso, devemos conduzir sempre a nossa vida sem medo e sem ajuda de qualquer Espírito.
Quando se pesquisa o passado na Memória da Natureza é espantoso encontrar o quanto tem prevalecido, através de séculos e de milênios, esta ligação dos Corpos Vital e o de Desejos. Nós percebemos, logicamente, de uma forma abstrata, que quanto mais regredimos na história dos seres humanos, mais selvagens os encontramos, contudo, na própria história atual, a selvageria tem sido tão comum e tão brutal que seu poder tem representado a medida indiscutível do que seja o certo, e essa verificação constitui para o autor uma experiência chocante. Já disse que o egoísmo e o desejo foram decididamente estimulados, sob o regime de Jeová, para dar incentivo à ação. Isso com o transcurso do tempo endureceu de tal modo o Corpo de Desejos que, quando o advento de Cristo aconteceu, não existia quase ideia da vida celestial no seio da humanidade daquela época, mas o autor, pessoalmente, não havia percebido o significado desse fato, até que deu início às recentes investigações da “A Teia do Destino”.
Os povos antigos não se contentavam em fazer somente todo o mal possível na vida e seguir adiante, mas eles tinham também que matar seus cavalos de guerra, colocar suas armas em seus esquifes, fazendo tudo para que se conservassem ali, porque o Éter desses instrumentos de guerra que lhes havia pertencido durante a vida, exercia uma atração sobre eles e era um meio de mantê-los presos à esfera terrestre. Isso os permitia assombrar, porque, na verdade, eles vagavam pelos castelos por muitos e muitos anos e, logicamente, essas entidades não pertenciam somente à classe dos ricos ou de guerreiros, mas de outras classes também. Em caso de brigas sangrentas, nas quais as pessoas se matavam uns aos outros, os fantasmas incitavam seus familiares vivos para que os vingassem, permanecendo a seu lado e os ajudando a finalizar os feitos sangrentos. Dessa forma, se perpetuava a maldade, e o mundo permanecia em constante agitação, com sangue e luta; ainda essa condição não se dissipou, inteiramente, em nossos dias, no chamado tempo moderno. Quando morre uma pessoa que manteve em seu coração ódio e maldade, estes sentimentos entrelaçam os Corpos de Desejos e o Vital, a convertendo numa séria ameaça para a comunidade que ninguém que não investigou pode imaginar. Portanto, mesmo que não houvesse outras razões, a pena de morte devia ser abolida, para que não se mantivessem sobre a comunidade essas entidades de características tão perigosas, capazes de incitar os seres humanos moralmente fracos, a seguir as suas pegadas.
Os Espíritos apegados à Terra, como já foi dito, gravitam nas regiões inferiores do Mundo do Desejo, o qual interpenetra o Éter, e ficam em constante e estreito contato com pessoas da Terra que estão em situação mais semelhantes para ajudá-los nos seus maus desígnios. Permanecem nessa situação durante cinquenta, sessenta ou setenta e cinco anos, porém, têm-se visto casos extremos em que tais pessoas permanecem assim durante séculos. Com referência às descobertas do autor até o presente, parece que não há limite para o que eles possam fazer, ou quando deixarão de fazê-lo. Porém, vão amontoando sobre si uma carga horrorosa de pecados, a qual não poderão escapar sem sofrimento, pois o Corpo Vital reflete e grava profundamente no Corpo de Desejos um registro de tais maldades, e quando, finalmente, abandonam a vida errática e entram na existência purgatorial, eles encontram a retribuição e o castigo que merecem. O seu sofrimento será, naturalmente, de uma duração proporcional ao tempo em que permaneceram em suas práticas perniciosas depois da morte do Corpo Denso – o que vem provar mais uma vez que, “os moinhos de Deus moem devagar, mas moem extraordinariamente bem”.
Quando o Espírito abandonou o Corpo de Pecado, como chamaremos este veículo para contrastá-lo com o Corpo-Alma, a fim de ascender ao Segundo Céu, ele não se desintegra tão rapidamente como acontece com o invólucro deixado para trás, como acontece, normalmente, com as pessoas; isso porque, nele, a consciência se acha aumentada por uma dupla composição, isto é, sendo composto de um Corpo Vital e de um Corpo de Desejos tem uma consciência individual ou pessoal muito marcante. Não pode raciocinar, mas existe uma astúcia inferior que faz com que pareça ter o aspecto de um Espírito, um Ego, e isso lhe facilita viver uma vida separada por muitos séculos. Entretanto, o Espírito que partiu entra no Segundo Céu, porém, não tendo efetuado nenhum trabalho na Terra que o faça merecer uma prolongada estada ali ou no Terceiro Céu, permanece nesses lugares somente o tempo suficiente para criar um novo ambiente para si e, então, renasce muito antes do tempo normal, para satisfazer seu desejo de coisas materiais que tão intensamente o atraem.
Quando o Espírito retorna à Terra, seu Corpo de Pecado é atraído, naturalmente, para ele e, geralmente, permanece a seu lado toda a sua vida, como um demônio. As investigações demonstraram que esta classe de criaturas sem alma existiu em abundância nos tempos bíblicos e foi a elas que o nosso Salvador se referia como demônios, sendo a causa de diversas obsessões e enfermidades corporais a que se refere a Bíblia. A palavra grega “daimon” os descreve com precisão. Ainda hoje, numa parte do sul da Europa e do Oriente, eles perturbam, sendo que esta situação aflitiva se encontra mais agravada na Sicília, Córsega e Sardenha. Tribos inteiras da África, nas quais prevalece a prática da magia Vodu, têm esses espectros horrorosos; os indígenas dos Estados Unidos da América e os negros do Sul desse país estão, também, sujeitos a eles.
Infelizmente, o mal não está só confinado a essas chamadas raças inferiores ou atrasadas. Mesmo aqui, entre os habitantes que chamamos de países civilizados, no norte da Europa e nas Américas do Norte e do Sul, vemos que possessões demoníacas estão longes de não ser frequentes, mesmo que, logicamente, sua forma não seja de natureza tão miserável como nos casos acima citados, em que a ação demoníaca é acompanhada, frequentemente, de práticas abomináveis e repulsivas.
Em certa época, o autor esteve muito apreensivo com o efeito que a guerra poderia ter no entrelaçamento do Corpo Vital e o de Desejos, pensando que pudesse produzir o nascimento de legiões de monstros que afligiriam as futuras gerações. No entanto, é com grande alegria que reafirmo que não devemos temer por isso. Somente quando o ser humano é, premeditadamente, mau e vingativo, e persistentemente nutrem esse desejo, sentimento e propósito focado em alguém; somente quando tais desejos e emoções são cultivados, estimulados e mantidos é que produzem o endurecimento do Corpo Vital e criam uma ligação interna entre esses veículos. Sabemos, pelos registros da grande guerra, que as tropas não alimentam tais sentimentos umas contra as outras, contudo os adversários se relacionam como amigos, entrando, muitas vezes, em contato e se confraternizando. Ainda que a guerra seja responsável por uma tremenda mortalidade, e, em consequência, acarretando uma deplorável mortalidade infantil em idade futura, não pode ser acusada pelas doenças terríveis engendradas pela obsessão, nem pelos crimes sugeridos por esses demoníacos Corpos de Pecado.
Os Corpos de Pecado abandonados, a que nos referimos anteriormente, habitam, de preferência, as regiões mais inferiores do Éter e se condensam muito próximo à linha da visão física. Algumas vezes, podem fazer uso de alguns constituintes do ar, tornando-se perfeitamente visíveis para as pessoas a quem costumam molestar, embora suas vítimas tenham sempre muito cuidado para evitar que alguém perceba essa presença demoníaca à sua volta, isto é, pelo menos no mundo ocidental; parece não haver tal sutileza na parte sul da Europa.
Seguindo investigações anteriores, o autor tentou várias experiências com Espíritos que se encontravam nos reinos superiores do Éter e que acabavam de morrer e, também com pessoas que haviam estado no Mundo do Desejo, por um tempo curto ou longo, e que estavam quase prontos para passar para o Primeiro Céu. Muitos Espíritos que haviam partido desta vida procuraram cooperar, bondosamente, sobre o assunto. O objetivo destas experiências era determinar até que ponto lhes seria possível se revestirem nos materiais das regiões etéricas inferiores e mesmo das regiões gasosas. Foi comprovado que aqueles que acabavam de morrer podiam aguentar facilmente as vibrações etéricas inferiores, e, embora sendo seres de bom caráter, não se sentiam satisfeitos em lá permanecer mais tempo do que o necessário, pois aquela situação lhes era desconfortável. Porém, ao fazer a experiência com Espíritos vindos das sucessivas regiões superiores do Mundo de Desejo e do Primeiro Céu, notamos que se tornou cada vez mais difícil para eles se envolverem no Éter ou penetrar nele. A opinião geral foi que sentiram uma sensação semelhante a descida ao interior de um poço profundo, chegando até à asfixia. Também se comprovou que foi absolutamente impossível às pessoas do Mundo Físico avistá-los. Tentamos, por todos os meios de sugestão, dar uma sensação da nossa presença às pessoas congregadas em salões que visitávamos, mas não percebemos resposta às nossas manifestações, embora, em alguns casos, as formas que condensamos parecessem ao autor tão escuras como as das pessoas físicas cuja atenção desejávamos atrair. Colocamos nossos elementos experimentais entre as pessoas físicas e a luz, mas, mesmo assim, não obtivemos nenhum êxito, tanto com aqueles que procediam das regiões superiores, como com os que acabavam de morrer e podiam permanecer, durante um tempo considerável, na posição e na densidade que lhes foram dadas.
Além disso, entre as entidades já mencionadas anteriormente, e que moram em um Corpo de Pecado construído por elas mesmas e, por isso, sofrem intensamente durante o período de expiação, encontramos duas classes que, em certo sentido, são iguais entre si, embora, em outros, sejam completamente diferentes. Além das Hierarquias Divinas e das quatro ondas de vida dos Espíritos que se acham agora evoluindo no Mundo Físico, por meio dos reinos mineral, vegetal, animal e humano, existem outras ondas de vida que se manifestam nos vários Mundos invisíveis. Entre elas há certa classe de Espíritos sub-humanos que são chamados elementais. Ocorre, algumas vezes, que um desses elementais se apossa do Corpo de Pecado de alguém de uma tribo selvagem, e, deste modo, acrescenta a tal ser, uma inteligência extra. No renascimento daquele Espírito que gerou esse Corpo de Pecado, a atração natural os une; porém, devido ao elemental que anima o Corpo de Pecado, o Espírito se torna diferente dos outros membros da tribo e daí o vermos atuando entre os seus como curandeiro ou outras ocupações semelhantes. Estes Espíritos elementais que animam os Corpos de Pecado dos indígenas, também atuam como Espíritos de controle sobre o médium e, alcançando poder sobre ele durante a vida, quando este morre, estes Espíritos de controle elementais expulsam-no dos veículos que contém a sua experiência de vida e, como consequência, o Espírito do médium pode se atrasar em sua evolução durante eras, porque não há poder capaz de obrigar os elementais a abandonar suas presas sobre quem obtiveram total controle. Portanto, mesmo que a mediunidade não produza efeito maléfico visível no curso de uma vida, existe um grande perigo, depois da morte, para a pessoa que permitiu que seu corpo fosse assim possuído. O espiritismo prestou ao mundo um serviço necessário. Foi provavelmente o principal meio para provar o materialismo absoluto da ciência, e trouxe consolo a milhares de almas sofredoras que lamentavam a perda de seus entes queridos; fez, também, com que muitos céticos acreditassem numa existência superior. Não temos intenção de menosprezar os militantes deste credo, mas não podemos deixar de emitir nossa advertência, pois acreditamos ser um dever apontar o enorme perigo em que se encontram aqueles que, habitualmente, permitem ser controlados por Espíritos que não podem ver e de quem absolutamente nada sabem.
É um fato curioso como os elementais sub-humanos, algumas vezes, agregam-se a determinadas pessoas, a uma família ou até as sociedades religiosas; mas em tais casos, tem-se visto que os veículos usados por eles não consistem em um Corpo de Pecado endurecido, composto pela ligação dos Corpos Vital e de Desejos, mas tais veículos são obtidos por meio da mediunidade praticada por uma pessoa normalmente de bom caráter, e o Éter desse veículo estava em estado de desintegração. Para preservar e prolongar o seu domínio sobre tal veículo, pedem àquele a quem servem, que lhes ofereçam regularmente alimento e lhes queimem incenso; ainda que não possam, naturalmente, assimilar o alimento físico, podem e vivem dos vapores e do cheiro que eles exalam, assim como da fumaça do incenso.
Essa é mais uma ilustração de que os motivos, por mais puros que sejam, não nos protegerão quando agimos contra as leis de Deus, assim como não podemos deixar de queimar as mãos se as pusermos no fogo, não importa a razão porque o fizemos. Entretanto, temos observado que quando um médium se deixa dominar por motivos puros ou por uma elevada devoção religiosa, é muito difícil a essas entidades malignas sustentarem a possessão do Corpo Vital por muito tempo; cansam-se depressa do esforço e vão procurar outra vítima mais de acordo com a sua natureza. Sabe-se que no sul da Europa e no Oriente distante existem elementais que se apossam dos Corpos Vitais de uma família por gerações seguidas, deixando um Corpo por outro, realizando certos serviços para a família, como compensação pelo alimento que lhes é dado regularmente. Alguns desses elementais são demasiado malignos para se satisfazerem com simples alimentos e exigem sangue, até sangue humano, sendo responsáveis por tribos como as dos caçadores de cabeças das Filipinas e a dos estranguladores da Índia, que cometem assassinatos como um rito religioso. Isso, também, é a base do Culto aos Antepassados no Oriente.
Estes elementais, assim como os corpos de pecado que não são animados por uma inteligência externa, são denominados “OS GUARDIÃES DO UMBRAL”, devido ao fato de que quando a pessoa, por quem este demônio foi originalmente gerado, renasce esse demônio se agrega a ela e se torna um tentador e um Espírito do mal para ele em toda sua vida. Frequentemente se verifica que uma pessoa, que em uma vida gerou tal demônio, mas aprendeu as lições na existência purgatorial, e quando renasce se esforça com o máximo empenho para viver uma vida pura, honesta e decente, ainda assim encontrará ao seu lado esse Corpo de Pecado para atrapalhá-la. Muitas pessoas torturadas desse modo eram tão sinceras em seus desejos de reforma que entraram para mosteiros e praticaram mortificações severas em seus Corpos, acreditando que o demônio que as rodeava e de cuja presença estavam conscientes, era o próprio diabo ou um dos seus emissários.
Diz-se, na verdade, que o menino é o pai do homem. Similarmente, nossas existências anteriores são progenitoras de nossa vida presente e futura. E é muito certo que, pelo menos nesse sentido, “os pecados dos pais recaiam sobre os filhos”. Não podemos negar a justiça desse fato, pois, as crueldades praticadas pelas pessoas que deram origem a formação dos corpos de pecado foram, geralmente, da natureza mais atroz que se possa imaginar.
Você, provavelmente, já ouviu falar que quando um cachorro buldogue prende uma vítima com seus dentes, não quer largá-la. Isso implica em dizer que o animal tem o poder de fazer o que quiser. O mesmo não acontece com uma cobra; seus dentes são virados para o fundo da boca e, uma vez que os tenha enterrado na carne de sua vítima, não pode desprendê-los e terá, forçosamente, que engolir a presa. Por curioso que nos pareça, acontece algo semelhante com a obsessão.
Lembram-se que o autor tem dito sempre que os Espíritos de controle estão do lado de fora do Corpo de sua vítima e por detrás dela, manipulando o órgão da voz ou todo o Corpo, segundo o caso, através do cerebelo e da medula oblongada, onde a chama da vida arde com um som duplo e sibilante, composto de dois tons que indicam a resistência do Corpo às manipulações do intruso. Nossas últimas investigações, entretanto, revelaram o fato de que o Espírito de controle que atua pelo lado de fora da vítima, é da classe dos argutos que se acautelam para não serem apanhados numa armadilha. Enquanto estão fora podem abandonar a presa a qualquer momento, e permitem que suas vítimas sigam a própria vida como desejarem, como eles também o fazem. Porém, existem outros Espíritos que não são tão sagazes, que são talvez mais arrojados ou que estão ansiosos por penetrar no mundo material e por isso põem de lado qualquer precaução. Penetrando no Corpo de suas vítimas, acham-se quase na mesma situação de uma presa nos dentes de uma cobra; o Corpo de suas vítimas os mantêm firmemente presos e não podem se livrar em circunstâncias normais. Nesses casos, a obsessão se torna permanente e a personalidade da vítima se transforma totalmente.
Se o Espírito obsessor for uma entidade elemental ou sub-humana, que não é capaz de usar a Mente ou a laringe, uma vez que esses órgãos foram as últimas aquisições humanas, a pessoa assim obsidiado se converte num lunático irremediável, não raro de natureza perversa, cuja faculdade de linguagem frequentemente se torna danificada. É quase impossível desalojar tal entidade, uma vez que ela tenha entrado. Investigações de vidas anteriores indicam que tal aflição é geralmente o resultado de um desejo de fugir às experiências da vida, pois, aqueles que estão obsidiados, frequentemente, foram suicidas em uma existência anterior. Tiveram um Corpo que desprezaram e, em uma vida posterior, a mentalidade se debilitou como resultado de alguma doença física, de um grande choque ou mesmo de uma obsessão. Em quaisquer desses casos, o Espírito foi expulso do seu Corpo, pairando à sua volta ansioso por possuí-lo, mas incapaz de fazê-lo devido à falta da Mente, por meio da qual poderia focar o pensamento sobre o cérebro, ou devido à obsessão de uma entidade alheia.
A dor e o desapontamento são causas frequentes do suicídio, e, muitas vezes, uma grande tristeza foi o motivo para arruinar a Mente; entretanto, o Espírito é capaz de compreender e enfrentar a situação, ainda que não seja capaz de usar seus veículos devido ao escasso foco da Mente. Porém, no caso que se tenha desejado fugir da situação pelo suicídio, o indivíduo aprende, pela maneira já descrita, a conhecer o valor de um Corpo e de suas ligações, não havendo no futuro causa suficiente para decidi-lo a romper o Cordão Prateado. Algumas vezes, a dor vem para tentar uma pessoa que cometeu suicídio em vida anterior; e, quando ele resiste à prova, mostra que já está imune à tentação. Sob o mesmo princípio, o alcoólatra de vidas anteriores é tentado a beber para testar sua estabilidade de caráter, ao rejeitar conscientemente a bebida.
É curioso como a perpetração do suicídio em uma vida e consequente sofrimento post-mortem ao tempo em que ainda existe o arquétipo, frequentemente gera no suicida um medo mórbido da morte na próxima vida, assim, quando a morte chega, no decurso normal, os suicidas parecem frenéticos depois de abandonar o Corpo e tão ansiosos de voltar ao mundo material que, com frequência, cometem o crime da obsessão da forma mais tola e irrefletida. Entretanto, como nem sempre há pessoas negativas sujeitas à obsessão (e ainda que as houvesse, não é fácil à pessoa que acaba de morrer, e que procura uma oportunidade de voltar, encontrar alguém que a possa abrigar), uma coisa estranha e horrível acontece: o Espírito expulsa o verdadeiro possuidor de um Corpo animal e passa a animar este veículo. Acha-se, assim, na horrorosa contingência de viver uma existência pura e simplesmente animal. Se o animal está sujeito a crueldades por parte do dono, o Espírito humano obsessor sofre como sofreria o Espírito animal; se o animal é sacrificado para prover alimento, o ser humano, dentro dele, vê e compreende os preparativos para o abate, vendo-se obrigado a passar pelas horrorosas experiências relacionadas com isso. Casos dessa natureza não são tão raros como se poderia supor; ao contrário, ocorrem frequentemente, como uma visita a alguns dos grandes matadouros da América do Norte, onde o autor tomou conhecimento disso; e compreendeu a situação, chegando à mais dolorosa convicção da necessidade de educar o ser humano com respeito à grande verdade de que a morte, assim como o nascimento, é somente um acontecimento frequente na vida eterna do Espírito imortal.
Uma fé total nessa doutrina eliminaria incontáveis misérias da humanidade, e devemos fazer tudo que esteja ao nosso alcance para ajudar a divulgar este Evangelho de Vida.
Algumas vezes, também, um ser humano perverso incorpora um animal feroz e sente um prazer diabólico em aterrorizar uma comunidade. Quando Cristo andou na Terra, casos de obsessão animal por Espíritos humanos aconteciam diariamente, e os exemplos registrados na Bíblia não são, em absoluto, mitos ou loucuras para aqueles que são dotados de visão espiritual e capazes de ler na Memória da Natureza, pois veem que essas coisas ocorreram realmente; com efeito, os antigos videntes que observaram essa entrada de pessoas de caráter baixo e vil nos Corpos de animais, ao abandonarem seu próprio Corpo na morte, pensavam que isso era o curso normal da natureza, ao invés de ser uma condição anormal. Daí terem formulado a doutrina da Transmigração.
É um fato evidente, depois de uma simples observação, que enquanto os animais atuam de modo semelhante, sob as mesmas circunstâncias, por estarem sendo guiados por um Espírito-Grupo, o ser humano não age assim. Na humanidade há tantas espécies quantos são os indivíduos, sendo que cada um é uma lei em si mesmo; e ninguém pode predizer as ações de um ser humano, ou como um outro agirá em circunstâncias análogas; o mesmo indivíduo pode agir distintamente, e provavelmente o fará, diante de condições idênticas e em ocasiões diferentes. Por essa razão, é muito difícil tratar ou elucidar devidamente um assunto como o da “A Teia do Destino”, quando nós, seres humanos, ainda possuímos Mentes presentemente com capacidade reduzida. Para compreender totalmente esse assunto precisaríamos da sabedoria de grandes seres como são os Anjos do Destino, que têm a seu cargo este intrincado departamento da vida.
No entanto, não se deve pensar que o autor esteja dando, nesse livro, uma ideia superficial de como se faz ou desfaz o destino. Cada ato de cada indivíduo produz uma determinada vibração no universo, que incide sobre ele e sobre os outros ao seu redor; e simples Mente humana não pode ver ou calcular os resultados dessas ações e reações que se produzem em poucos meses, anos ou vidas. Tivemos a oportunidade de ver, graças ao quadro geral impresso em nossa Mente quando desenvolvíamos este tema, o modo de classificar as causas geradas no passado, segundo se nos apresentam, e seus efeitos na vida atual. No decurso desse estudo investigamos centenas de pessoas e, em alguns casos, retrocedemos três, quatro e até mais vidas, com o objetivo de chegar à raiz da questão e determinar como as ações do passado reagem para criar as atuais condições de nossas vidas presentes. Embora tenhamos feito o melhor possível, pedimos aos Estudantes que não considerem isso como uma conclusão definitiva sobre o assunto, mas antes como um início, que confiamos possa ajudá-los a resolver determinados problemas.
No que concerne ao ambiente, parece-nos que as pessoas que são de natureza difícil de conviver com outras e que têm diante de si uma vida árdua, nascem frequentemente entre estranhos, dos quais não receberão simpatia e onde seus sofrimentos não despertarão, nas pessoas do mesmo sangue, nenhum sentimento de apoio apreciável; às vezes, ficam órfãs, ou são abandonadas pelos pais, ou fogem de casa na tenra idade. Quando é esse o caso, essa alma, muitas vezes, anseia pelo afeto que ela recusou dar aos outros em vidas anteriores. Também vimos casos em que determinados indivíduos cometeram atrocidades no passado e levaram a desonra e a vergonha a seus familiares, os quais sofreram muito devido ao grande amor que dedicavam a esses depravados. Quando tal alma errante se dispõe a se emendar e purgar os erros do passado, encontrar-se-á em um ambiente totalmente hostil, com fome e sede por um amor que desprezou anteriormente; então isso lhe causa agora uma vida tão difícil. Se o ser humano não aprendeu a lição em uma só vida, muitas outras vidas com experiências semelhantes lhe ensinarão a ser amável com aqueles que o amam, bem como a agir correta e honestamente com os outros.
Também observamos que, muitas vezes, uma alma que viveu erradamente em vidas passadas, não teve uma assistência bondosa por parte de sua família, que lhe devia ter dado atenção, apoio e amor. Naturalmente, a falta deste ambiente afetivo não foi uma justificativa para os seus erros perante a lei, e a pessoa foi obrigada a expiá-los em vidas posteriores. No entanto, em tais casos, os papéis foram, normalmente, trocados; a família, que em vidas passadas a repudiou, agora a amou profundamente e, então, sentiu intensamente toda a mágoa e todo sofrimento que ela teve que passar por conta de seu passado. Assim, a família também expiou suas ações do passado dando a pessoa o que faltou em simpatia e bondade.
Esses são casos extremos, e, naturalmente, não podemos tirar conclusões definitivas de casos pouco nítidos, pois quanto mais nebulosos eles forem, mais fácil será tabulá-los. A lei aplicada nos casos extremos também se aplica aos de menor importância, com as modificações necessárias às diferenças de ambiente.
Os fatos relatados acima indicam, de forma clara, que somos realmente os guardiães de nossos irmãos e que convém que todos nós exteriorizemos muita simpatia e bondade aos desafortunados, tanto da nossa família como aos demais. Mesmo que vendo as coisas superficialmente e olhando a vida somente sob o ponto de vista da nossa encarnação atual, pode parecer que não temos responsabilidade alguma pelas ações de nossos infelizes familiares; no entanto, se pudéssemos ver mais amplamente o sentido da vida, ver por trás do véu, provavelmente descobriríamos que nós mesmos os ajudamos a se afundarem na degradação.
Frequentemente ouvimos a expressão que uma pessoa é o “pesadelo” em uma certa família; e nós podemos, muito de perto, sempre considerarmos que essa pobre alma é uma estranha entre gente estranha, devendo estar ali por algum desajuste praticado no passado. O “sangue é mais espesso que a água”, diz um velho provérbio; na verdade, o laço de sangue não traz consequências, a menos que as pessoas de uma família estejam unidas entre si pelo amor ou pelo ódio do passado, os quais determinam as verdadeiras relações da vida atual. Uma alma pode nascer em determinada família, pode se sentar à sua mesa, ter o direito legítimo de herança e ser, entretanto, tão estranha a ela como qualquer mendigo que lhe chegue à porta pedindo um prato de comida. Recordemos que Cristo disse: “Eu estava faminto e vós Me destes de comer; Eu estava sedento e Me destes de beber; Eu era um estranho e Me admitistes ao vosso lado”[11]. Depois: “Tudo o que fizestes em favor do menor de meus irmãos, a Mim mesmo o fizestes”[12]. Quando nós encontrarmos tal tipo de alma, “estranha”, solitária e estrangeira em seu meio ambiente, é nosso dever, como cristãos, imitar o exemplo de nosso Senhor; nós devemos nos esforçar para que essa alma estrangeira se sinta em casa e aplique seus conhecimentos pelo amor de Cristo, sem tomar em conta suas excentricidades.
As deficiências que afetam a humanidade podem ser divididas em duas grandes classes: mentais e físicas. As perturbações mentais, quando congênitas, são especialmente consequências do abuso da força criadora, com uma só exceção que veremos depois. Pode-se incluir no caso as debilidades dos órgãos vocais. Isso é lógico e compreensível. O cérebro e a laringe foram construídos com a metade da força criadora pelos Anjos, assim, o ser humano, que antes da aquisição desses órgãos era bissexual e capaz de criar por si mesmo, sozinho, perdeu essa faculdade quando esses órgãos foram criados e, agora, depende da cooperação de alguém do outro sexo ou polaridade oposta, a fim de gerar um veículo novo para um Espírito que renasce.
Quando usamos a visão espiritual para observar um ser humano na Memória da Natureza, durante a época em que ainda estava em formação, vemos que, onde quer que agora exista um nervo, existia antes uma corrente de desejos; que pelo próprio cérebro foi feito, de início, de substância de desejos, bem como a laringe. Foi o desejo que primeiramente enviou um impulso motivador por meio do cérebro e criou tais correntes nervosas para que o Corpo pudesse se mover e dar ao Espírito qualquer gratificação que fosse indicada pelo desejo. A linguagem, da mesma forma, é utilizada com o propósito de obter um objeto ou alcançar uma finalidade desejada. Por meio dessas faculdades, o ser humano alcançou certo domínio sobre o mundo e, se pudesse voar de um Corpo a outro, não teria fim o abuso de seu poder para satisfazer qualquer capricho ou desejo. Porém, sob a Lei de Consequência, ele leva com ele, em um Corpo novo, as faculdades e órgãos semelhantes àqueles que utilizou em Corpos precedentes.
Quando a paixão arruinou o Corpo em uma vida, isso fica gravado no Átomo-semente. Na descida para o próximo renascimento é impossível para este Espírito juntar material puro com o qual possa organizar um cérebro de construção estável. Nesse caso, renasce geralmente sob um dos Signos Comuns[13] e, muitas vezes, os quatro Signos Comuns se acham nos ângulos; porque, através de tais Signos, o desejo passional encontra dificuldade para se manifestar. Em consequência, este poderoso impulso que anteriormente regeu seu cérebro e que poderia ser usado agora com o propósito de renovação, acha-se ausente; ele tem falta de incentivo na vida e, com isso, se converte em um inútil, uma tábua sobre o oceano da vida, e, frequentemente, um insano.
Porém, o Espírito não é insano; ele vê, conhece e tem um desejo veemente de utilizar seu Corpo, embora ser uma impossibilidade, pois, muitas vezes, não pode nem sequer enviar um impulso adequado aos seus nervos. Os músculos do rosto e do corpo não estão sob o controle de sua vontade. Isso é devido à falta de coordenação que faz com que o maníaco tenha tão lamentável aspecto. Assim, o Espírito aprende uma das mais duras lições da vida, pois é muito pior do que a morte se achar sujeito a um Corpo vivo e ser incapaz de se expressar por meio dele. Isso porque a força de desejos necessária para realizar o pensar, o falar e o se mover, foi arruinada em uma vida de depravação no passado, deixando o Espírito sem a energia necessária para manipular seu atual instrumento.
Ainda que as incapacidades mentais, quando congênitas, sejam em geral produzidas pelo abuso da função criadora em vidas passadas, há uma notável exceção a essa regra, como nos casos mencionados no “Conceito Rosacruz do Cosmos” e em outras partes de nossa literatura, e descritos a seguir: quando um Espírito que tem diante de si uma vida particularmente penosa está prestes a renascer, e sente, no momento de entrar no útero materno, que o panorama da vida futura que lhe é exibido naquele momento marca uma existência dura e infeliz demais para ser suportada, algumas vezes tenta fugir à escola da vida. Nessa ocasião, os Anjos do Destino, ou seus agentes, já fizeram no feto em formação as conexões necessárias entre o Corpo Vital e os centros sensoriais do cérebro; portanto, o esforço do Espírito para fugir do útero materno é frustrado, mas, o deslocamento produzido pela torção dada pelo Ego, altera a conexão entre os centros sensoriais etéricos e físicos, daí o Corpo Vital não ficar em posição concêntrica com o físico, fazendo com que a cabeça etérica sobressaia do crânio físico. Resulta disto a impossibilidade do Espírito usar seu veículo denso, achando-se ligado a um corpo sem Mente que não poderá utilizar, e o renascimento será inútil.
Temos casos em que uma grande comoção durante a vida faz com que o Espírito tente escapar do Corpo com os veículos invisíveis. Como consequência da torção, se produzem emoções iguais nos centros sensoriais etéricos do cérebro e esse choque desorganiza a expressão mental. Provavelmente todos já devem ter experimentado uma sensação semelhante ao receber um susto; há uma agitação como se algo se esforçasse para escapar do Corpo Denso; se trata do Corpo de Desejos e do Corpo Vital, que são tão velozes em seus movimentos, que um trem expresso comparado a eles pareceria uma lesma. Estes Corpos sentem o perigo e se enchem de temor antes que o medo se transmita ao inerte e lento Corpo Denso, ao qual estão ligados e do qual não podem fugir em condições normais.
Às vezes, como já dissemos, o susto e o choque são suficientemente fortes e podem atuar com tal impulso que os centros sensoriais etéricos se desorganizam. Isso ocorre mais frequentemente com as pessoas que nasceram sob Signos Comuns, que são os mais fracos do Zodíaco. Tal como um ligamento que foi distendido e rompido pode recuperar gradualmente uma relativa elasticidade, assim também é mais fácil restaurar as faculdades mentais nesses casos do que naqueles onde a insanidade congênita, acarretada por vidas passadas, ocasionou uma conexão indevida.
Comprovou-se que a histeria, a epilepsia, a tuberculose e o câncer são o resultado de tendências errôneas de uma vida passada. Observou-se que muitos indivíduos, que haviam sido quase maníacos na satisfação de sua lascívia em vidas anteriores, possuíam ao mesmo tempo uma natureza altamente devota e religiosa; e em tais casos, parece que o Corpo Denso gerado na vida presente era de saúde normal, havendo unicamente incapacidade mental; enquanto que em outros casos onde a indulgência com a natureza passional estava unida a um caráter maligno e a um grande desrespeito aos semelhantes, a epilepsia, o raquitismo, a histeria e uma deformação corporal foram os resultados desses erros, assim como o câncer, em especial no fígado e no seio.
Nessa conexão, entretanto, sentimos o dever de advertir os Estudantes que não tirem conclusões apressadas de que as manifestações citadas anteriormente representem regras fixas e inflexíveis. As muitas investigações levadas a efeito, embora tenham sido árduas para um só investigador, são ainda escassas para que sejam conclusivas e onde estão envolvidos milhões de seres humanos. De qualquer modo, estão em harmonia com os ensinamentos contidos no “Conceito Rosacruz do Cosmos” ministrados pelos Irmãos Maiores, que exemplificaram os efeitos do materialismo como produtor do raquitismo, isto é, o amolecimento de uma parte do corpo que deveria ser dura e da tuberculose que endurece tecidos que deviam permanecer moles e flexíveis. O câncer é essencialmente semelhante em seus efeitos; e quando consideramos que o signo de Câncer é regido pela Lua, o Astro da geração, estando a esfera lunar sob o controle de Jeová, o Deus da reprodução, cujos Anjos anunciam e presidem o nascimento, como nos casos de Isaac, Samuel, João Batista e Jesus, nós compreendemos facilmente que o abuso das funções geradoras pode causar tanto o câncer como a insanidade nas mais variadas formas.
Portanto, com respeito às anormalidades e deformidades físicas, parece ser regra geral que, assim como a indulgência física com as paixões atua sobre o estado mental, os abusos dos poderes mentais em uma vida conduzem à incapacidade física em existências posteriores. Uma máxima oculta diz que “uma mentira é ao mesmo tempo assassina e suicida no Mundo do Desejo”. Os ensinamentos dos Irmãos Maiores, contidos no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, explicam que sempre que um incidente ocorre, um determinado pensamento-forma gerado no Mundos invisíveis registra o acontecimento. Cada vez que se fala e se comenta o caso, cria-se uma nova forma de pensamento que se funde com o original e o robustece, desde que ambos possuam a mesma vibração. Se não se diz a verdade acerca do sucedido, então as vibrações do original e da reprodução não serão idênticas e o resultado é que investem uma contra a outra, destruindo-se mutuamente. Se o pensamento-forma verdadeiro e bom for suficientemente forte, conseguirá o domínio da situação e aniquilará os pensamentos-forma baseados na mentira; consequentemente, o bem vencerá o mal. Ao contrário, se os mais fortes forem os pensamentos mentirosos e maliciosos, estes podem vencer o pensamento-forma verdadeiro, destruindo-o. Depois haverá discórdia entre eles e, um a um, todos serão aniquilados.
Deste modo, a pessoa que leva uma vida pura, se esforçando por obedecer às leis de Deus e lutando ardentemente pela verdade e pela justiça criará pensamentos-forma de natureza semelhante; sua Mente trilhará caminhos em harmonia com a verdade; e quando chegar o momento de criar seu próprio arquétipo para a vida futura, essa pessoa, pela força do hábito adquirido em sua vida terrestre anterior, estará pronta, e, intuitivamente, colocar-se-á com as forças da retidão e da verdade. Tais linhas, uma vez somadas ao seu Corpo, criarão harmonia nos novos veículos e a saúde será a consequência natural em sua próxima vida. Por outro lado, aqueles que formaram uma visão distorcida das coisas em suas vidas anteriores, que desprezaram a verdade, exercitando a astúcia, o egoísmo exagerado e a desconsideração pelo bem-estar dos outros, se acham impelidos, no Segundo Céu, a ver também as coisas de modo oblíquo, já que este é o seu habitual modo de pensar. Consequentemente, o arquétipo construído por eles incorporará linhas de erro e de falsidade; e, consequentemente, ao renascer, vários órgãos de seu Corpo serão fracos, quando não todo o seu organismo.
Novamente advertimos aos leitores que não tirem conclusões apressadas destas regras experimentais. Não é nossa intenção insinuar que todo aquele que possua um Corpo aparentemente sadio tenha sido um exemplo de virtude em sua vida passada, nem que aquele que sofre alguma anomalia ou incapacidade física foi um crápula ou um inútil. Nenhum de nós está capacitado atualmente para dizer “a verdade completa e nada mais que a verdade”. Podemos nos enganar porque nossos sentidos são ilusórios. Uma rua longa aparenta ser mais estreita à distância, quando em realidade tem a mesma largura, tanto no lugar onde estamos colocados como a um quilômetro de distância. O Sol e a Lua parecem muito maiores quando estão próximos do horizonte do que quando se encontram no zênite, porém, nós sabemos que, na realidade, não aumentam de tamanho ao descer no horizonte, nem diminuem chegar no zênite. Na verdade, estamos sempre retificando e corrigindo a ilusão de nossos sentidos e também em referência a muitas outras coisas do mundo. O que nos parece certo nem sempre o será, e o que hoje é verdade com respeito às condições da vida, poderá mudar amanhã. É impossível conhecermos a verdade final sob as condições evanescentes e ilusórias da existência física.
Somente quando entramos nos reinos superiores, especialmente na Região do Pensamento Concreto, é que nos apercebemos das verdades eternas; eis porque é natural que uma ou outra vez nos equivoquemos, apesar de nossos mais sinceros esforços em colocar-nos sempre em condições de conhecer e dizer só a verdade. Por tal razão, nos é impossível construir um veículo totalmente harmonioso. Se fosse possível, tal Corpo seria realmente imortal, e nós sabemos que a imortalidade na carne não é o desígnio de Deus, pois segundo São Paulo: “A carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus”[14].
Contudo, nós sabemos que, atualmente, apenas um número muito reduzido de pessoas está disposto a viver em harmonia com a verdade, a confessá-la e professá-la diante dos outros, por meio do serviço e de uma vida inofensiva e reta. Nós, também, entendemos que isso aconteceu com muito poucos ao retrocedermos na história, quando o ser humano não havia ainda desenvolvido o altruísmo iniciado em nosso Planeta com o advento de nosso Senhor e Salvador, Cristo Jesus. Nesse tempo, os padrões de moralidade eram muito inferiores e o amor à verdade quase insignificante, para a maior parte da humanidade, a qual estava focada em acumular riquezas e adquirir tanto poder e prestígio quanto fosse possível. Eles desconsideravam os interesses dos demais e dizer uma mentira não parecia um ato censurável, pelo contrário, muitas vezes era admitida como meritória. Consequentemente, os arquétipos estavam cheios de fraquezas, e as funções orgânicas do Corpo atual estão prejudicadas em um grau bastante elevado, porque, particularmente, os Corpos ocidentais estão se tornando mais sensíveis à dor devido ao crescimento da consciência do Espírito.
A assimilação dos frutos de cada vida passada acontece antes que o Espírito renasça e, consequentemente, o caráter gerado é totalmente formado e se expressa de imediato na sutil e móvel matéria mental da Região do Pensamento Concreto, onde o arquétipo do Corpo Denso é construído. Se o Espírito que procura renascer é amante da música, tentará construir um ouvido perfeito, com os canais semicirculares devidamente situados e com o tímpano mais delgado e sensível à vibração; tentará construir dedos compridos e finos com os quais possa executar os acordes celestes captados por seus ouvidos. Se não aprecia a música, e, em sua vida anterior fechou os ouvidos aos acordes da alegria ou ao pranto da dor, e desejou se afastar da companhia dos demais, isto fará com que se esqueça de construir o arquétipo de seu ouvido e, como consequência, esse órgão será defeituoso em proporção ao grau de negligência exercida em sua existência anterior.
De maneira similar ocorre com os outros sentidos; aquele que bebe de uma fonte de conhecimento e se esforça em compartilhar seu saber com os que o rodeiam, estabelece as bases para adquirir a faculdade da oratória em sua vida futura, porque o desejo de comunicar seu conhecimento vai induzi-lo a prestar atenção especial à formação e fortalecimento de seu órgão vocal, quando estiver construindo o arquétipo de seu futuro corpo. Por outro lado, aqueles que se esforçam para ganhar acesso aos mistérios da vida por simples curiosidade ou para satisfazer o orgulho de seu próprio intelecto, deixam de construir o órgão adequado para sua expressão e ficam sujeitos a debilidades na voz ou a impedimentos da palavra. Deste modo, vem-lhes o reconhecimento de que a expressão é um bem valioso. Embora o cérebro de um indivíduo, assim afligido, não possa compreender a lição, o Espírito aprende que somos considerados somente pelo uso que fazemos de nossos talentos e que devemos pagar a dívida, algum dia, em algum lugar, se descuidarmos de transmitir a palavra de Vida para iluminar nossos irmãos e irmãs no caminho, sempre que estivermos, pelo conhecimento, qualificados para isso.
Com respeito à cegueira ou distúrbios do órgão da visão, é de longa data que os investigadores sabem que é o efeito de extrema crueldade praticada em vidas passadas. Investigações recentes vieram demonstrar que muitas afecções dos olhos, agora comum entre os seres humanos, são devidas ao fato de que nossos olhos estão mudando; esses órgãos, de fato, estão se tornando mais sensíveis a uma oitava superior da visão, porque o Éter que rodeia a Terra está se tornando mais denso e o ar mais rarefeito. Isto é verdade principalmente como o sul da Califórnia e outros certos lugares do mundo. É digno de nota saber que a Aurora Boreal está se tornando cada vez mais frequente e seus efeitos mais poderosos sobre a Terra. Nos primórdios da Era Cristã, esse fenômeno era quase desconhecido, mas, com o decorrer do tempo, com a onda de Cristo descendo para o interior da Terra durante uma parte do ano, infundindo mais e mais Sua própria vida na amortecida e pesada massa terrestre, os Raios Etéricos Vitais vão se tornando cada vez mais visíveis. Posteriormente, eles se tornaram mais e mais numerosos e, agora, já começam a interferir com as atividades elétricas, especialmente com o telégrafo que, por vezes, não funciona bem, devido a essas correntes de irradiação.
É, também, digno de se observar que tais distúrbios estão limitados aos fios que vão para leste e oeste. Se o leitor quiser recorrer ao “Conceito Rosacruz do Cosmos”, no capítulo II – Os Quatro Reinos[15], poderá entender que existem raios ou linhas de força dos Espíritos-Grupo dos vegetais que irradiam em todas as direções desde o centro da Terra até a periferia e depois para fora, passando através das plantas ou árvores, subindo até suas copas.
Já as correntes de força dos Espíritos-Grupo animais, por outro lado, rodeiam a Terra. As correntes relativamente fracas e invisíveis geradas pelos Espíritos-Grupo dos vegetais e os poderosos raios de força gerados pelo Espírito de Cristo, agora se tornando visíveis como a Aurora Boreal, têm sido até aqui quase da mesma natureza que a eletricidade estática, enquanto as correntes, geradas pelos Espíritos-Grupo animais que circundam a Terra, podem ser comparadas à eletricidade dinâmica que deu à Terra seu poder de movimento em épocas passadas. Atualmente, as correntes de Cristo estão se tornando cada vez mais poderosas e sua eletricidade estática está sendo liberada. O impulso etérico que elas dão inaugurará uma nova era, e os órgãos dos sentidos que o ser humano possui hoje deverão se adaptar à tal mudança. Em lugar dos raios etéricos que emanam de um objeto trazerem à retina a imagem refletida, o chamado “ponto cego” será sensibilizado e veremos através do olho diretamente sobre a própria imagem, em vez desta se refletir sobre a nossa retina. Assim, não somente veremos a superfície do objeto, como também seremos capazes de ver através dele, da mesma forma que fazem os que já têm cultivada a visão etérica.
À medida que o tempo passa e Cristo, com Seus benéficos ensinamentos, atrai cada vez mais e mais Éter interplanetário para a Terra, tornando o Corpo Vital da Terra mais luminoso, nós estaremos caminhando como se andássemos sobre um mar de luz e quando aprendermos a abandonar nossos modos egoístas e egotistas, por meio do constante contato com estas vibrações benéficas de Cristo, também nós nos tornaremos luminosos. Então, o olho, tal como está constituído atualmente, não nos será de utilidade alguma, assim é que está começando a mudar e estamos experimentando os incômodos inerentes a toda reconstrução. Com referência à Aurora e aos seus efeitos sobre nós, podemos dizer que estes raios são irradiados para todas as partes da Terra, a qual é o Corpo de Cristo, desde o centro a periferia, mas, nos pontos povoados do mundo, tais raios são absorvidos pela humanidade, da mesma forma que os raios dos Espíritos-Grupo dos vegetais são absorvidos pela flor. Estes raios constituem o “impulso interno”, que está lenta, mas seguramente impelindo a humanidade a adotar uma atitude altruísta. São os raios fecundantes que fertilizam a nossa alma e, algum dia, se manifestará a Imaculada Concepção e o Cristo nascerá dentro de cada um de nós. Quando todos estivermos perfeitamente impregnados por esses raios, a luz de Cristo começará a se irradiar de nós. Então, caminharemos na luz como Ele na Luz está, e seremos fraternais uns com os outros.
Para terminar estas lições, diremos algumas palavras sobre o destino coletivo:
Além do destino individual gerado por nós mesmos em cada vida, existe também um destino coletivo, ao qual estamos sujeitos por sermos membros de uma comunidade ou nação. É bem sabido que as comunidades, algumas vezes, atuam como um todo, tanto para o bem como para o mal, e é compreensível que estas ações coletivas tenham também um efeito coletivo em vidas futuras sobre os membros de tais comunidades ou nações que tomaram parte nelas. Observou-se que, quando tais atos são maus, a dívida assim contraída é geralmente liquidada no curso dos chamados acidentes de grandes proporções. Também já se explicou que não existem acidentes, salvo nos casos em que o ser humano, que tem prerrogativa divina de iniciar causas novas, intervenha na vida de outros, produzindo mudanças em suas condições, ou quando, por negligência, tira a vida de um semelhante. Isso sim, em muitos casos, constitui um acidente. Porém, os grandes cataclismos como os que presenciamos na Sicília, o terremoto em São Francisco, a Grande Guerra Europeia, etc. não são acidentes, mas atos causais da comunidade envolvida ou o resultado de tais atos em vidas anteriores. Conhecendo a lei de mortalidade infantil, podemos compreender por que centenas de milhares de pessoas, vítimas da Grande Guerra, ao passarem dos campos de batalha para o além, não puderam gravar o panorama da vida que findou e, por isso, precisam morrer durante a infância na próxima existência, e como poderá acontecer esta espantosa mortalidade de crianças no futuro, senão por meio de alguma epidemia ou algum cataclismo? Baseados em tal hipótese, podemos ver no terremoto da Sicília, na destruição de São Francisco, na “epidemia” de fome da Irlanda e da Índia e em outras catástrofes nacionais similares a ação do destino vinda do passado, trazendo, à cada nação, os frutos de suas vidas ações passadas, como uma comunidade.
O que foi dito é simplesmente uma indicação de como se faz e desfaz o destino. Por favor, lembremos que as poucas centenas de casos examinados não podem dar base adequada para um ponto de vista geral da ação da Lei, e o Estudante está exposto a encontrar incongruências em casos individuais acerca do que foi dito. Algumas questões indubitavelmente se apresentarão em relação a esse, àquele ou a outro caso específico, e enquanto é relativamente fácil investigar casos individuais e especificar que causas em uma vida produziram certos efeitos em outra vida da mesma pessoa, é diferente quando procuramos estabelecer uma lei geral, como vimos tentando fazer nessa obra. Para desempenhar essa missão de forma perfeita, são necessários conhecimentos e sabedoria super-humanos, e o presente esforço pode talvez ser considerado um caso de ímpeto tolo, onde até os Anjos teriam medo de pôr as mãos. Pessoalmente, o autor conquistou mais conhecimentos do que tem sido capaz de comunicar e confia que estas revelações possam servir de alguma utilidade ao Estudante, no que se refere ao grande mistério da vida.
Que esses estudos na “Teia do Destino” possam suscitar em cada Estudante um intenso desejo de viver, dia após dia, de modo a contribuir para que haja mais paz na Terra e boa vontade entre os seres humanos.
Aqueles que estão familiarizados com o estudo deste assunto, conhecem os desastrosos efeitos que um sentimento agudo de medo ou de ansiedade que produz sobre o Corpo Denso. Sabemos como essas emoções alteram a digestão, interferem no metabolismo, na eliminação dos detritos e, em suma, transtornam todo o sistema, com o resultado que, em alguns casos, a pessoa se vê forçada a ficar de cama por maior ou menor espaço de tempo, conforme a importância da crise e do poder de resistência de sua constituição. Contudo, existe um efeito oculto que pode ser tão sério ou até pior, e que geralmente não é compreendido, e, portanto, pode ser um benefício considerável estudar o efeito oculto do equilíbrio e da paixão, da ira e do amor, do pessimismo e otimismo.
Do estudo do “Conceito Rosacruz do Cosmos”, aprendemos que nosso Corpo de Desejos foi gerado no Período Lunar. Se você deseja obter uma imagem mental do modo que as coisas se pareciam, veja a figura do feto, como mostrado em qualquer livro de anatomia. Nele há três partes principais: a placenta, que está cheia do sangue da mãe; o cordão umbilical, que conduz esta corrente vital, e o feto, que é nutrido, desde o estado embrionário até o amadurecimento, por aquela corrente. Imagine, agora, naqueles tempos idos, o firmamento com uma imensa placenta da qual pendiam bilhões de cordões umbilicais, cada um com seu apêndice fetal. Por toda a família humana, então em formação, circulava a única essência universal do desejo e da emoção, gerando em todos, os impulsos necessários para a ação, que agora se manifesta em todas as fases do trabalho do mundo. Estes cordões umbilicais e apêndices fetais eram moldados de uma úmida substância de desejos pelas emoções dos Anjos Lunares, enquanto as correntes ígneas de desejos que se esforçavam em animar a vida latente da Humanidade, então em formação, eram geradas pelos ígneos e marcianos Espíritos Lucíferos. A cor da primeira e lenta vibração que eles puseram em movimento, naquela matéria emocional de desejos, foi o vermelho.
Enquanto aquela coloração de movimento (pois assim é realmente esta corrente constante, esta eterna intranquilidade que, sem pausa e sem paz, impulsiona os seres humanos) se achava circulando em nosso interior, o Planeta em que nós habitávamos também circundava um sol, que não deve ser confundido com o atual dador da luz, mas compreendido como uma passada encarnação da substância que compõe nosso atual universo solar, e nós, por sua vez, circundávamos o globo sobre o qual morávamos, da luz às trevas, do calor ao frio. Deste modo, éramos trabalhados por fora e por dentro, num esforço para excitar nossa consciência adormecida. E houve uma resposta, pois, ainda que nenhum dos Espíritos parcialmente separados, habitando uma bolsa fetal individual, pudessem sentir aqueles impactos, apesar de serem muito fortes, as sensações acumuladas de bilhões de Espíritos semelhantes eram sentidas como um som do universo, um grito cósmico – a primeira nota da harmonia das esferas – tocada em uma única corda. Entretanto, foi bastante expressiva e adequada aos impulsos latentes e às aspirações da incipiente raça humana daqueles dias distantes.
Desde então, esta natureza de desejos tem evoluído; o ígneo e marciano substrato de paixão e as bases aquosas lunares da emoção se tornaram capazes de numerosas combinações. Da mesma forma que o pensamento sulca o cérebro com circunvoluções e o rosto com linhas, também as paixões, os desejos e as emoções vêm mudando a matéria móvel de desejos em linhas curvas, em espirais, redemoinhos, corredeiras e vórtices que parecem uma torrente no momento em que essa se acha na maior agitação – sendo muito raro ficarem num descanso relativo. Essa matéria de desejos, em sucessivos períodos de sua evolução, foi respondendo a cada uma das sete vibrações astrais emanadas do Sol, de Vênus, de Mercúrio, da Lua, de Saturno, de Júpiter e Marte. Durante aquele tempo, cada Corpo de Desejos individual tem sido tecido sob um único modelo e, como a lançadeira do tempo corre incessantemente de um lado para outro sobre o tear do destino, este modelo está sendo aumentado, embelezado e melhorado, mesmo que não possamos percebê-lo. Assim como o tecelão realiza seu trabalho no avesso do tapete, estamos também tecendo o desenho supremo, sem compreender realmente e sem ver a sublime beleza do mesmo, porque ainda se encontra oposto a nós o lado oculto da natureza.
Porém, para que possamos compreender melhor, tomemos alguns destes emaranhados fios de paixão e emoção para vermos o efeito que têm neste modelo que Deus, o Mestre Fiandeiro, deseja que teçamos.
Os mitos antigos sempre espalham um brilho luminoso sobre os problemas da alma e nós podemos, com proveito, levar em consideração certa parte da lenda maçônica. Os maçons são uma sociedade de construtores, “tektons” em grego – a mesma sociedade a que pertenciam José e Jesus, pois a eles a Bíblia grega chamava de “tektons” – construtores – e não carpinteiros, segundo a versão ortodoxa. Os maçons, sob Salomão, foram os construtores deste templo místico projetado por Deus, o Grande Archetekton ou Mestre Construtor, construído sem ruído de martelo, a respeito do qual o personagem Manson fala na maravilhosa peça “O Servente da Casa”[16]. Este nos diz que “o templo não é um monte de pedras mortas e vigas insignificantes, mas é uma coisa vivente. Quando você entra nele, ouve um som, um som como o de um vigoroso poema cantado, isto é, se você tem ouvidos; se você tem olhos, poderá agora ver o próprio templo, um mistério de formas e sombras indistintas, projetando-se verticalmente do solo à cúpula. Ele está ainda sendo construído e reconstruído; às vezes, a obra segue sob escuridão profunda, outras vezes, sob luz ofuscante”. Todo verdadeiro maçom sabe o que significa esse templo e se esforça por construí-lo. A antiga lenda maçônica nos conta que quando Hiram Abiff, o mestre de obras encarregado da construção do templo de Salomão, um edifício de Deus construído sem ruído de martelo, estava terminando os preparativos para executar sua obra mestra, o “mar fundido”, ele reuniu material de todos os recantos da Terra, pondo-os em um forno ardente, porque era um descendente de Caim, um filho do fogo, o qual, por sua vez, era um filho de Lúcifer, o Espírito do fogo. Hiram se propunha a fazer uma liga de metais de claridade cristalina, capaz de refletir toda a sabedoria do mundo. Porém, segundo diz a história, houve entre os trabalhadores alguns traidores – espiões do Filhos de Seth – os quais, por meio de Adão e Eva, eram descendentes do Deus lunar Jeová, que tinha afinidade pela água e odiava o fogo. Esses traidores jogaram água na matriz no qual o mar fundido, a Pedra Filosofal, ia ser moldado. No momento do encontro do fogo com a água se produziu uma grande explosão. Hiram Abiff, o mestre de obras, sendo incapaz de harmonizar os elementos em luta, assistiu com indescritível aflição a erupção destruidora de sua obra mestra. Enquanto se achava observando a luta dos Espíritos da água e do fogo, Tubal Caim, seu antecessor, apareceu e o convidou a se atirar na massa fervente. Foi, então, levado ao centro da Terra, onde encontrou seu primeiro antecessor, Caim, que lhe deu uma palavra nova e um novo martelo que o tornariam capaz, uma vez que se tornasse proficiente no seu uso, de misturar os elementos antagônicos e extrair deles a Pedra Filosofal, a mais alta aquisição humana possível.
Há nessa história simbólica mais sabedoria do que a que podemos obter em livros que dizem respeito ao desenvolvimento da alma humana. Se o Estudante ler nas entrelinhas e meditar sobre as diversas expressões simbólicas, ganhará muito mais do que podemos dizer, uma vez que a verdadeira sabedoria é gerada interiormente e a missão dos livros é apenas dar um indício.
Desde aqueles dias distantes, os Anjos lunares se encarregaram, principalmente, do aquoso e úmido Corpo Vital, composto dos quatro Éteres e que se relaciona com a propagação e nutrição das espécies, enquanto os Espíritos de Lúcifer se encarregaram, especialmente, do seco e ígneo veículo de desejos. A função do Corpo Vital é a de construir e manter o Corpo Denso, enquanto que a do Corpo de Desejos envolve a destruição dos tecidos. Assim, há uma guerra constante entre os Corpos de Desejos e Vital, e é essa guerra no céu que produz a nossa consciência física na Terra. Durante inumeráveis vidas temos atuado em todos os tipos de climas e de lugares e, de cada vida, extraímos certa quantidade de experiência, reunida e armazenada como força vibratória nos Átomos-sementes de nossos diversos veículos. Por conseguinte, cada um de nós é um construtor, construindo o templo do Espírito imortal sem ruído de martelo; cada um de nós é um Hiram Abiff reunindo material para o desenvolvimento da alma e jogando-o no forno da experiência de nossa própria vida, para ali manipulá-lo mediante o fogo da paixão e do desejo. Devagar, mas seguramente bem feito, todo o material está sendo expurgado em cada existência purgatorial e a quintessência do crescimento da alma está sendo extraída através de muitas vidas. Dessa maneira, cada um de nós está se preparando para a Iniciação – nos preparando, quer o saibamos ou não, a aprender a amalgamar as paixões do fogo com as mais suaves e gentis emoções. O novo martelo, com o qual o mestre trabalhador dirige seus subordinados, é agora uma cruz de sofrimento e a nova palavra é o autocontrole.
Vejamos agora como o Corpo de Desejos se modifica sob a ação de variados sentimentos, desejos, paixões e emoções, para que possamos aprender a construir, sabiamente e bem, o templo místico que vamos habitar.
Ao estudarmos uma das ciências físicas, seja anatomia ou arquitetura, que tratam de coisas tangíveis, nossa tarefa é facilitada pelo fato de termos palavras com que descrever as coisas de que tratamos, mas ainda assim, o quadro mental que envolve o significado de uma palavra é diferente para cada indivíduo. Ao falar de uma “ponte”, alguém pode mentalizar uma ponte construída em ferro no valor de um milhão de dólares e outra pessoa pensará numa simples prancha atravessando um córrego. A dificuldade que sentimos em produzir impressões adequadas do que queremos dizer, aumenta logo que tentamos exprimir ideias referentes às forças intangíveis da natureza, tal como a eletricidade. Medimos a intensidade da corrente em volts, o volume em ampères e a resistência dos condutores em ohms, porém, na realidade, tais termos servem somente para encobrir a nossa ignorância sobre a matéria. Todos sabemos o que é um quilo de café, porém, os maiores cientistas do mundo não têm uma concepção mais acurada do que sejam os volts, ampères e ohms – sobre os quais tão sabiamente discorrem – do que a de um Estudante de uma escola que escuta esses termos pela primeira vez.
Não nos surpreendemos quando os assuntos suprafísicos são frequentemente descritos em termos vagos e desorientadores, pois não possuímos palavras, em qualquer linguagem física, para descrever claramente esses assuntos, e temos de confessar a nossa impotência e perplexidade por não encontrarmos termos adequados para expressar-nos a respeito deles. Se fosse possível projetar sobre uma tela cinematográfica, os quadros em cores do Corpo de Desejos e mostrar como esse incansável veículo muda de contorno e de cor conforme as emoções, nem assim seria compreensível para aquele que não é capaz de ver essas coisas por si mesmo. Isso porque os veículos de qualquer ser humano diferem dos demais na medida em que respondem a certas emoções. Aquilo que induz alguém a sentir um intenso amor, ódio, raiva, medo ou qualquer outra emoção, pode deixar um outro absolutamente insensível.
Inúmeras vezes, o autor observou as multidões para estabelecer comparações a este respeito, e encontrou sempre algo surpreendentemente novo e diferente do que havia observado antes. Certa ocasião, um demagogo se esforçava em incitar um sindicato de trabalhadores à greve; ele mesmo se achava vivamente exaltado e, ainda que a cor básica laranja escuro fosse perceptível naquele momento, estava quase obscurecida por uma cor escarlate de matiz mais brilhante e o contorno de seu Corpo de Desejos era quase como o de um porco-espinho com as pontas eriçadas. Existia um potente elemento de oposição naquela reunião e, à medida que falava, podia-se distinguir claramente as duas facções pelas cores de suas respectivas auras. Um grupo de homens mostrava o escarlate da raiva, porém, no outro grupo, esta cor estava mesclada com o cinza, a cor do medo. Era também digno de nota o fato de que, ainda que os homens da cor cinza estivessem em maioria, os outros eram ressaltados, porque cada medroso se acreditava sozinho ou pelo menos com poucos defensores e, por conseguinte, temia defender sua própria opinião. Se alguém que pudesse perceber esta condição estivesse presente, e tivesse se dirigido a cada um que manifestava em sua aura os sinais de dissensão, e assegurado que eles eram a maioria, o curso das coisas caminharia em direção oposta. Muitas vezes isso acontece nos assuntos humanos, já que, atualmente, a maioria das pessoas é incapaz de ver além da superfície do Corpo Denso e, desta maneira, perceber a verdadeira condição de pensamentos e de sentimentos dos demais.
Noutra ocasião, o autor foi a uma reunião de revivificação, onde milhares de espectadores estavam presentes para ouvir um orador de reputação nacional. No princípio da reunião era evidente, pelo estado das auras das pessoas, que a maior parte delas tinha vindo com o único propósito de passar alguns momentos agradáveis e ver algo divertido. Os pensamentos, sentimentos e emoções da vida comum de cada um eram plenamente visíveis, se bem que, em alguns, a cor azul escuro revelasse uma atitude de preocupação; era como se tivessem sofrido alguma desilusão na vida e estivessem muito apreensivos. Ao aparecer o orador, deu-se um curioso fenômeno: sabemos que os Corpos de Desejos estão usualmente num estado de movimento constante, porém, naquele momento, toda aquela vasta audiência reteve a respiração em atitude de expectativa, e as cores variadas dos Corpos de Desejos individuais cessaram, e uma cor básica, laranja, foi perfeitamente perceptível, por alguns momentos; logo depois, cada um voltou às suas atividades emocionais anteriores, enquanto o prelúdio estava sendo tocado. Em seguida, começou o cântico de hinos e esse fato revelou o valor e o efeito da música, pois todos se uniram, cantando as mesmas palavras e no mesmo tom, e pareciam ser envolvidos pelas mesmas vibrações rítmicas em seus Corpos de Desejos, tornando-os, momentaneamente, quase um ser único. Um bom número deles estava sentado em atitude céptica, se recusando a cantar e a se unir aos demais. À visão espiritual pareciam como homens de aço, vestindo uma armadura daquela cor, e, de cada um deles, sem exceção, desprendia-se uma vibração que expressava mais do que poderiam dizer por palavras: “Deixem-me em paz, vocês não me comoverão”. Algo interior os havia arrastado até ali, porém sentiam-se mortalmente amedrontados de entregar-se e, por conseguinte, toda a sua aura expressava a cor acinzentada do medo, que é uma armadura da alma contra interferências externas.
Terminado o primeiro canto, a unidade de cor e a vibração desapareceram quase imediatamente e cada um revestiu-se de sua atmosfera habitual de pensamentos e, se nada mais tivesse sido feito, cada pessoa teria voltado à sua vida interior habitual. Porém, o evangelista, ainda que incapaz de ver isso, por experiência sabia que seu auditório ainda não estava preparado, e, por conseguinte, uma sucessão de cânticos se elevaram com acompanhamento de palmas, bater tambores e gesticulações do líder, ajudado por um coral treinado. Isso reuniu outra vez as almas dispersas em um laço de harmonia; gradualmente, as pessoas foram dominadas pelo fervor religioso e se estabeleceu a unidade necessária para o trabalho seguinte. Pela música, pelas palmas do regente e pelo apelo dos cânticos, aquela vasta audiência se havia transformado em uma só. Os homens de aço, os céticos de tom cinzento, que se acreditavam demasiado sábios para serem enganados (quando, em realidade, sua emoção era realmente medo) eram agora uma parte insignificante naquela vasta congregação. Todos os outros estavam afinados, da mesma forma que as diversas cordas de um grande instrumento, e o evangelista que se erguia diante deles era um soberbo artista tocando com as emoções. Incitava-os do riso às lágrimas, do pesar à vergonha. Grandes ondas de cores correspondentes pareciam cobrir toda a assistência em um quadro magnífico e assombroso. Vieram, a seguir, as invocações de costume: “Levantai para receber Jesus”; a solicitação para os “que se lamentam”, etc., e cada um desses chamados extraía de toda a audiência uma resposta emocional determinada, mostrada plenamente nas cores dourada e azul. Seguiram-se mais cânticos, mais palmas e gesticulações que, momentaneamente, trouxeram a unidade e deram àquela assembleia uma experiência parecida com o sentimento de fraternidade universal e a realidade da Paternidade de Deus. As únicas pessoas sobre quem a música não surtiu efeito foram os indivíduos revestidos da armadura azul de aço do medo. Esta cor parece ser impenetrável a qualquer emoção e, ainda que o sentimento experimentado pela grande maioria fosse relativamente fugaz, as pessoas se beneficiaram com a revivificação, excetuando aqueles homens de aço.
Pelo que o autor pôde aprender, a sensação interna do medo de se render à emoção – o medo é saturnino em seus efeitos e irmão gêmeo da preocupação – parece exigir um choque, o qual afastará de seu ambiente aquela pessoa que o experimentar e o transportará para um novo lugar, em novas condições, antes que as antigas condições possam ser dominadas.
A preocupação é uma condição na qual as correntes de desejos não circulam em grandes linhas curvas em alguma parte do Corpo de Desejos, porque o veículo está cheio de redemoinhos – só redemoinhos, em casos extremos. A pessoa assim afetada não se esforça por atuar em coisa alguma; vê calamidades onde não existem e, em vez de gerar correntes que a levem à ação para evitar o que lhe produz medo, alimenta pensamentos inquietantes que produzem um redemoinho em seu Corpo de Desejos e, em consequência, ela nada faz. Essa condição de preocupação no Corpo de Desejos pode ser comparada à água que está próxima do congelamento sob uma temperatura baixa; o medo, que se expressa como ceticismo, cinismo e pessimismo, pode ser comparado a esta mesma água quando já congelada, porque o Corpo de Desejos dessas pessoas está quase sem movimento e nada do que se possa dizer ou fazer terá poder de alterar essa condição. Para usar uma expressão comum que traduz exatamente essa condição, diremos que estão “presos em uma concha” e essa concha saturnina deverá ser rompida antes que se possa chegar a esses indivíduos e ajudá-los em seu deplorável estado.
Essas emoções saturninas de medo e de preocupação são comumente causadas pela apreensão dos que sofrem dificuldades econômicas ou sociais. “Talvez tenha prejuízo nesse investimento que acabo de fazer, pois pode baixar a cotação ou até desvalorizar-se totalmente; posso perder meu emprego e me encontrar subitamente na miséria; tudo o que empreendo parece dar errado; meus vizinhos falam mal de mim e tratam de prejudicar minha posição social; meu marido (ou esposa) não se preocupa mais comigo; meus filhos se mostram displicentes comigo”; e uma centenas de outras sugestões parecidas se apresentam sempre à sua Mente. Ele deveria se lembrar que, cada vez que um desses pensamentos é gerado e introduzido em seu interior, estará ajudando a congelar as correntes de seu Corpo de Desejos e a construir ao seu redor, uma concha de aço de cor azul em que pessoa, que habitualmente alimenta o medo e a preocupação, se encontrará, algum dia, encerrada e isolada do amor, da simpatia e da ajuda de todos. Por conseguinte, devemos nos esforçar por ser alegres, ainda que em circunstâncias adversas, a menos que queiramos correr o risco de permanecer em tristes condições aqui e na vida futura.
“É muito fácil estar contente
Quando a vida flui como uma canção,
Mas o ser humano digno e valente
É aquele que sorri,
Quando tudo é provação”[17].
No início da Grande Guerra[18] as emoções na Europa foram se tornando horríveis, primeiro entre os chamados “vivos” e depois entre os que foram mortos – quando despertavam. Esse despertar levava muito tempo devido às detonações dos grandes canhões e, conforme a Guerra corria, mais tempo ainda. Toda a atmosfera dos países envolvidos fervia em correntes de ira e ódio, igual a uma nuvem vermelha-escura que pairasse sobre os seres humanos e sobre a região. Depois, apareceram faixas negras semelhantes a mortalhas, que parecem se gerar sempre em crises de desastres súbitos, quando a razão não trabalha e o desespero domina o coração. Isso, sem dúvida, ocorreu quando os povos envolvidos perceberam que aquela catástrofe era de tal magnitude, que eles não eram capazes de compreender o que estava acontecendo. Os Corpos de Desejos da maioria giravam em alta velocidade, em grandes ondas de pulsações rítmicas que falavam mais alto do que as palavras: “Matar, matar, matar”. Quando dois ou três indivíduos ou uma multidão se encontravam e começavam a discutir sobre a guerra, as pulsações rítmicas, indicando o firme propósito de agir e desafiar, cessavam e os pensamentos e sensações de excitação gerados pela discussão ou conversa tomavam a forma de projeções cônicas, que rapidamente cresciam a uma altura de quinze a vinte centímetros, então, estouravam e emitiam uma língua de fogo. Alguns indivíduos geravam grande número dessas estruturas vulcânicas de uma só vez, outros geravam uma ou duas ao mesmo tempo. Enquanto prosseguia a discussão e quando uma dessas bolhas estourava, aparecia outra em alguma parte do Corpo de Desejos, e as chamas que delas emergiam iam colorir de escarlate a nuvem sobre a região entorno. Quando uma multidão se desagregava ou os amigos se separavam, depois de uma discussão, o borbulhar e as erupções diminuíam e se tornavam menos frequentes, cessando, finalmente, para dar lugar de novo às grandes pulsações rítmicas acima mencionadas.
Essas condições são agora muito raras, se é que são vistas ainda; a ira explosiva para com o inimigo, conforme foi demonstrado, já é uma coisa do passado, pelo menos no que concerne à grande maioria. A cor alaranjada básica da aura dos povos ocidentais é novamente visível, e tanto os oficiais como os seres humanos parecem que se fixaram na guerra como se fosse um jogo; cada um anseia superar o outro e excedê-lo em astúcia. A guerra não é mais do que um canal para a sua habilidade; porém, alguns dos Irmãos Leigos da Ordem Rosacruz creem que a condição de ira voltará a aparecer em uma forma modificada, quando cessarem as hostilidades ativas e começarem as negociações de paz.
A esta forma de emoção podemos chamar de ira abstrata e difere amplamente do que se observa no caso de duas pessoas que se enraivecem entre si, na vida privada, quer comecem a brigar fisicamente ou não. Vistas do lado oculto da natureza, há hostilidades antes que os golpes sejam desferidos. Formas de desejos, em formatos de adagas pontudas, se projetam umas contra as outras como lanças, até que a fúria que as gerou se esgote. Nos casos de ira envolvendo o patriotismo não existem um inimigo pessoal e, por conseguinte, as formas de desejos são mais bruscas e explodem sem abandonar o indivíduo que as gerou.
Os “homens de aço”, tão comuns na vida privada, onde a preocupação por mil e uma coisas, que nunca ocorrem, cristalizam uma armadura ao seu redor, permitindo que o velho Saturno os aprisione, estavam e estão totalmente ausentes. No entanto, o autor crê na hipótese de que a tensão de seu meio-ambiente os forçou a se alistarem e o choque deve ter rompido a concha; então, a familiaridade com o perigo chegou a agradá-los. É certo que essas pessoas se beneficiaram grandemente com a guerra, pois nenhum estado é tão obstrutor para o desenvolvimento da alma do que o medo e a preocupação constante. É um fato igualmente notável que, embora os seres humanos arrastados pela guerra sofram pavorosas privações, a maior parte deles está cultivando um matiz azul celeste pálido que significa esperança, otimismo e um nascente sentimento religioso, dando um toque altruísta ao caráter. Isso vem indicar que aquele sentimento de fraternidade universal, que não reconhece distinção de credo, cor ou nação, está crescendo no coração humano.
No começo da guerra, os Corpos de Desejos dos combatentes giravam a uma espantosa velocidade, e se notava que, enquanto as pessoas que morriam por enfermidade, velhice ou acidentes comuns recobravam sua consciência em curto lapso de tempo, variando de poucos minutos a alguns dias, os mortos na guerra permaneciam na inconsciência por várias semanas e, ainda que pareça estranho, os que foram estraçalhados despertavam muito mais depressa do que os milhares que sofreram somente ferimentos insignificantes. Esse enigma não foi decifrado por muitos meses. Antes de estudarmos as causas que motivavam esse fenômeno, devemos nos recordar que nos primeiros tempos de guerra, quando as pessoas que morriam cheias de ira e despertavam nos Mundos invisíveis, queriam reiniciar suas pelejas com o inimigo, e até que o grande trabalho educativo iniciado pelos Irmãos Maiores e seus Auxiliares Invisíveis produzisse frutos, essas pessoas peregrinavam errantes pelo espaço com seus corpos mutilados e cheios de amargura, sentindo a falta dos seres queridos deixados para trás. Agora, tais acontecimentos são extremamente raros e prontamente solucionados, pois todos aprenderam que o pensamento criará um novo braço, membro ou rosto; o ódio patriótico desapareceu e os “inimigos” que sabem falar a língua do outro, frequentemente, se confraternizam, com proveito para ambos. A nuvem vermelha de ódio está desaparecendo, o véu negro do desespero acabou; não há explosões vulcânicas de paixão, nem nos vivos nem nos mortos, e, até onde o autor pôde ler os sinais dos tempos na aura das nações, existe um propósito determinado por fim a esse jogo. Mesmo nos lares despojados de vários membros, isso parece ser aceito. Existe uma saudade profunda pelos amigos que foram para o além, mas não há ódio pelos inimigos terrenos. Essa saudade é compartilhada pelos amigos invisíveis, e muitos estão atravessando o véu, pois a intensidade de sua saudade desperta no “morto” o poder de se manifestar, atraindo uma quantidade de Éter e gás que, frequentemente, é extraída do Corpo Vital de um amigo “sensitivo”, da mesma maneira que os Espíritos materializantes usam o Corpo Vital de um médium em transe. Deste modo, os olhos cegos pelas lágrimas são, muitas vezes, abertos por um coração saudoso, de maneira que os seres queridos, agora no Mundo espiritual, são vistos novamente face a face, coração a coração. Este é um método da natureza para cultivar o sexto sentido que, futuramente, capacitará todos a saber que o ser humano é um Espírito imortal e que a continuidade da vida é um fato na natureza.
Para compreender a lentidão com que os mortos durante a guerra recobravam a consciência no Mundo espiritual, devemos antes de tudo empreender um estudo mais apurado dos quatro Éteres, como descrito no “Conceito Rosacruz do Cosmos”.
Os átomos dos Éteres Químico e de Vida, reunidos em torno do núcleo do Átomo-semente[19], situado no Plexo Celíaco, têm a forma de prismas. Todos estão situados de tal maneira que, quando a energia solar penetra em nosso Corpo, através do baço, o raio refratado é vermelho. Essa é a cor do aspecto criador da Trindade, chamado Jeová, o Espírito Santo, que rege a Lua, o Astro da fecundação. Por conseguinte, o fluido vital que vem do Sol e que penetra no corpo humano por meio do baço, toma a cor rosa pálida, frequentemente notado pelos videntes, quando o fluído corre ao longo dos nervos, como a eletricidade corre pelos fios de um sistema elétrico. Assim carregados, os Éteres Químico e de Vida são as avenidas da assimilação, que preservam o indivíduo, e da fecundação, que perpetuam a raça.
Durante a vida, cada átomo vital prismático penetra em um átomo físico e o faz vibrar. Para se ter uma ideia dessa combinação, imaginemos um cesto de arame em forma de pera, cujas paredes de arame torcido em espiral correm obliquamente de polo a polo. Esse é o átomo físico; sua forma é aproximadamente a da nossa Terra; e o átomo vital prismático se introduz por cima, o qual é a parte mais larga e corresponde ao polo norte da Terra. Desta maneira, a ponta do prisma penetra no átomo físico pelo seu ponto mais estreito, que corresponde ao polo Sul de nossa Terra, e o todo se parece a um pião girando, balançando e vibrando. Desse modo, nosso Corpo adquire vida e é capaz de se movimentar (É conveniente notar que nossa Terra é, de modo semelhante, permeada por um corpo cósmico de Éter, e que aquelas manifestações a que chamamos Aurora Boreal e Aurora Austral são correntes etéricas circundando a Terra, do polo ao Equador, como fazem as correntes dos átomos físicos).
Os Éteres de Luz e Refletor são avenidas de consciência e de memória. São um pouco atenuados nos indivíduos comuns e ainda não tomaram uma forma definida; interpenetram o átomo como o ar interpenetra uma esponja, e formam uma ligeira atmosfera áurica no exterior de cada átomo.
Com a morte acontece uma separação; o Átomo-semente[20] se retira do ápice do coração ao longo do nervo saturnino pneumogástrico, através dos ventrículos, saindo pelo crânio (Gólgota). Todos átomos do Corpo Vital ficam libertos da cruz do Corpo Denso, pelo mesmo movimento em espiral que desprende cada átomo prismático de Éter do seu envoltório físico.
Esse processo se verifica com maior ou menor violência, conforme a causa da morte. Uma pessoa de idade, cuja vitalidade declinou lentamente, pode dormir e, ao despertar se achar do outro lado do véu sem a menor consciência de como ocorreu a mudança; uma pessoa devota e religiosa, que se preparou pela oração e meditação para ingressar no além, poderá se desligar facilmente; aqueles que morrem de frio encontram o que o autor acredita ser a mais fácil das mortes por acidente, seguindo-se à do afogado.
Porém, quando um indivíduo é jovem e saudável, especialmente se inclinado ao ateísmo e irreligiosidade, o átomo etérico prismático se acha tão estreitamente envolvido pelo átomo físico, que requer um puxão considerável para se separar do Corpo Vital. Quando a separação do Corpo Denso dos veículos superiores foi efetuada e o indivíduo morre, como dissemos, os Éteres de Luz e Refletor são separados dos átomos prismáticos. É essa matéria, como se descreve no “Conceito”, que molda as imagens da vida passada e as grava no Corpo de Desejos, o qual, então, começa a sentir tudo que havia de dor ou prazer na vida. A parte do Corpo Vital composta de átomos prismáticos dos Éteres Químico e de Vida retorna ao Corpo Denso, flutuando sobre a sepultura e se desintegrando sincronicamente com ele.
Agora chegamos ao âmago da nossa explanação. O Éter é matéria física e enquanto os que morreram por armas menores em combates de menor importância podem, algumas vezes, serem vistos perambulando, aturdidos, mas conscientes, as aterradoras detonações dos grandes canhões, tão extensamente usados, têm o efeito de transformar inteiramente os átomos etéricos prismáticos e destroçar (não esparramar) o invólucro áurico dos Éteres de Luz e Refletor, que são a base do sentido da percepção e da memória. Até que isto seja explicado dentro da sua relatividade original, o ser humano permanece aturdido, numa condição comatosa que perdura, muitas vezes, por semanas. Sob tais condições, essa matéria sutil etérica não pode ser utilizada para a formação das imagens da vida passada – em sua grande parte está congelada.
Quando o Ego caminha para o renascimento através da Região do Pensamento Concreto, do Mundo do Desejo e da Região Etérica, toma certa quantidade de material de cada uma delas. A qualidade desse material é determinada pelo Átomo-semente, baseado no princípio de que o “semelhante atrai o semelhante”. A quantidade depende do volume da matéria necessária pelo arquétipo construído por nós mesmos no Segundo Céu. Os Anjos do Destino e seus agentes constroem uma forma etérica utilizando a quantidade de átomos etéricos prismáticos apropriados por um determinado Espírito, que, então, é colocada no útero da mãe e, gradualmente, envolvida de matéria física, formando o Corpo visível da criança recém-nascida.
Somente uma pequena porção de Éter apropriado para um determinado Ego é assim utilizada, e o restante do Corpo Vital da criança, ou melhor dizendo, o material com o qual este veículo será posteriormente feito, fica fora do Corpo Denso. Por esta razão, o Corpo Vital de uma criança sobressai da periferia do Corpo Denso muito mais do que o do adulto. Durante o período do crescimento, essa reserva de átomos etéricos é aplicada para vitalizar os acréscimos dentro do Corpo, até que, quando for atingida a idade adulta, o Corpo Vital sobressai somente 2,5 a 4 centímetros da periferia do Corpo Denso.
A ciência física confirmou que os átomos em nosso Corpo Denso estão mudando constantemente, de maneira que todo o material que compõe nosso veículo no presente desaparecerá dentro de poucos anos; contudo, é um fato conhecido que as cicatrizes e outras manchas de nascença se mantêm da infância à velhice. A razão disso é que os átomos etéricos prismáticos, que compõem nosso Corpo Vital, permanecem imutáveis do berço ao túmulo. Estão sempre na mesma posição relativa – isto é, os átomos etéricos prismáticos que fazem vibrar os átomos físicos nos dedos dos pés ou das mãos nunca chegam às mãos, às pernas ou a qualquer outra parte do Corpo, pois permanecem exatamente no mesmo lugar em que foram colocados a princípio. Uma lesão nos átomos físicos implica numa impressão idêntica nos átomos etéricos prismáticos. A nova matéria física, modelada sobre eles, continua a tomar forma e textura semelhantes à que possuíam originalmente.
As observações precedentes se aplicam somente aos átomos etéricos prismáticos, que correspondem aos sólidos e aos líquidos no Mundo Físico, pelo fato de adotarem uma certa forma definida que eles preservam. Além disso, cada ser humano nesse estado de evolução possui também determinada quantidade de Éteres de Luz e Refletor, que são os veículos dos sentidos da percepção e da memória, mesclados em seu Corpo Vital. Podemos dizer que o Éter de Luz corresponde aos gases de nosso Mundo Físico; talvez a melhor descrição que podemos fazer do Éter Refletor é lhe dar o nome de hiper-etérico. É uma substância vazia, de cor azulada, semelhante em aparência ao núcleo azul de uma chama de gás. Parece transparente, como se revelasse tudo o que contém dentro dele, entretanto, esconde todos os segredos da natureza e da humanidade. Nele está contido um registro da Memória da Natureza. Os Éteres de Luz e Refletor são de natureza exatamente opostas aos estacionários átomos etéricos prismáticos. São voláteis e migratórios. Uma pessoa pode possuir pouco ou muito desse material, no entanto, ele constituirá sempre um fator de crescimento, como resultado de suas experiências na vida. Dentro do Corpo se mistura com a corrente sanguínea e, à medida que cresce por meio do serviço e do sacrifício da pessoa na escola da vida, e já não pode quase ser contido no Corpo, é visto do lado de fora como um Corpo-Alma azul e dourado. O azul revela o tipo mais elevado de espiritualidade e, por conseguinte, é o menor em volume e pode ser comparado ao núcleo azul de uma chama de gás, enquanto que a matiz dourada forma a maior parte e corresponde à luz amarela que circunda o núcleo da chama de gás. A cor azul não aparece no exterior do Corpo Denso, salvo nos casos dos maiores santos – somente o amarelo é geralmente observado nele. Com a morte essa parte do Corpo Vital é gravada no Corpo de Desejos com o panorama da vida que ela contém. A quintessência de toda a nossa experiência de vida se imprime, então, no Átomo-semente como consciência ou virtude, que nos levará a evitar o mal e a fazer o bem na próxima vida terrestre. É assim que se altera a qualidade do Átomo-semente de uma vida a outra. A quintessência do bem, extraída da parte migratória do Corpo Vital numa vida, determina a qualidade dos átomos etéricos prismáticos estacionários na próxima vida terrestre. O mais elevado em uma vida será o mais baixo na seguinte e, assim, gradualmente, nós nos elevamos pela escada da evolução até a divindade.
Do que foi dito, se torna evidente que o Corpo Vital é um veículo de hábitos; todos os pais deveriam saber que durante os sete primeiros anos da infância, quando esse veículo está sendo gestado, é que as crianças adquirem um hábito atrás do outro. A repetição é a nota-chave do Corpo Vital, assim como os hábitos dependem dessa repetição. Isto é diferente em relação ao Corpo de Desejos, pois ele é o veículo dos sentimentos e das emoções que estão variando constantemente; mesmo que se diga que o Éter que forma nosso Corpo-Alma está em constante movimento e se mistura com a corrente sanguínea, esse movimento é relativamente lento comparado com a rapidez das correntes do Corpo de Desejos; podemos até afirmar que o Éter se move como um caracol, comparado com a luz.
O que dissemos anteriormente pode ser assim resumido:
Não importa o que as pessoas falem de nós ou para nós; suas palavras carecem de poder intrínseco para ferir – é nossa própria atitude mental com relação ao que elas disseram que determina o efeito de suas palavras sobre nós, para o bem ou para o mal. São Paulo, ao se defrontar com a perseguição e calúnia, afirmou que “nenhuma destas coisas me comove”. Todos que esperam avançar espiritualmente, devem cultivar um estado de equilíbrio, pois, sem ele, o Corpo de Desejos correrá desenfreado ou se congelará, conforme a natureza das emoções geradas pelas relações com os demais, seja preocupação, raiva ou medo. Sabemos que o Corpo Denso é o nosso veículo de ação, que o Corpo Vital dá a ele o poder para agir, que o Corpo de Desejos fornece o incentivo para a ação e que a Mente foi dada como um freio para os impulsos. Aprendemos no Livro “O Conceito Rosacruz do Cosmos” que os pensamentos-forma, dentro e fora do nosso Corpo, estão sendo projetados continuamente sobre o Corpo de Desejos, em um esforço para despertar o sentimento que conduzirá à ação, e que a razão deve reger a natureza inferior, deixando que o Ego superior alcance a expressão de suas tendências divinas. Sabemos igualmente que um pensamento habitual tem o poder de modelar inclusive a matéria física, pois a natureza do sensualista é tão facilmente perceptível em seus aspectos vulgares e grosseiros, como são delicados e finos os de uma Mente espiritualizada. O poder do pensamento é ainda maior em sua potência para modelar as vestimentas mais sutis. Acabamos de ver como os pensamentos de medo e preocupação congelam o Corpo de Desejos da pessoa que seja indulgente com esse hábito, e é igualmente certo que cultivando um estado mental otimista, sob qualquer circunstância, podemos sintonizar nossos Corpos de Desejos a qualquer posição que quisermos. Depois de um tempo isto se tornará um hábito. Admitimos que é difícil sujeitar o Corpo de Desejos sob uma linha definida, porém, pode ser conseguido e essa tentativa deve ser feita por todos os que aspirem o avanço espiritual.
Quanto ao efeito dessa polarização, sob o ponto de vista oculto, podemos aprender muito sobre certos costumes das chamadas sociedades secretas. Como sabemos, tais organizações colocam sempre à porta um guardião com instruções para proibir a entrada daquele que não saiba a palavra-passe e os sinais, e isto surte muito bom efeito até com as pessoas que funcionam unicamente em seus Corpos físicos. No entanto, os chamados segredos dessas organizações não são, em hipótese alguma, segredos para aqueles que são capazes de entrar nesses lugares de reunião em seus Corpos Vitais. De forma muito diversa ocorre numa verdadeira ordem esotérica como, por exemplo, a dos Rosacruzes. Nenhum guardião impede a entrada ao Templo quando é celebrada a Missa Mística da Meia-noite, todas as noites da semana. A porta está escancarada para todos aqueles que aprenderam a pronunciar o “abre-te-sésamo”. Porém, esta não é uma senha falada; o Iniciado que deseja comparecer deve saber como sintonizar seu Corpo-Alma ao grau de vibração particular mantido naquela noite. No entanto, essa vibração difere todas as noites da semana, de maneira que aqueles que aprenderam a se harmonizar com a vibração mantida aos sábados à noite, quando se reúne o primeiro grau, tem sua entrada efetivamente barrada ao Templo quando se reúnem aqueles que executam seu trabalho aos domingos, na segunda-feira, na terça-feira etc., como qualquer outra pessoa comum.
A lei cósmica, sob a qual atua o que foi dito, tem também sua aplicação para o controle e efeito de nossos pensamentos, sentimentos e emoções. Bem disse São Paulo quando manifestou que nós somos o templo do Deus vivo (nosso “Eu Superior”). Também criamos uma aura sutil em torno de nós sob a salvaguarda das Divinas Hierarquias que regem os sete Astros: Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Saturno e Júpiter. O Universo, ou o grande mundo, é chamado misticamente a lira de sete cordas de Apolo. Nosso organismo individual, ou microcosmo, é uma réplica ou imagem de Deus, e devemos despertar em nós um eco dessa música das esferas. Muitos de nós aprendemos a responder bastante às vibrações saturninas de pesar, tristeza, medo e preocupação que congelam nossos Corpos de Desejos e seria um benefício duradouro se tratássemos de cultivar as vibrações espirituais do Sol, enchendo nossas vidas de otimismo e de luz solar que dissipariam a tristeza e o desalento saturninos, impedindo que tais pensamentos penetrassem em nossa aura no futuro.
A primeira necessidade para o adiantamento é o estado de equilíbrio. Todos os que aspiram devem adotar o lema de São Paulo: “Nenhuma dessas coisas me comove”.
Como existem muitos Estudantes Rosacruzes que praticam os exercícios aconselhados pelos Irmãos Maiores para o desenvolvimento progressivo da alma, mas que ainda não se sentiram inclinados a penetrar no Caminho, nos parece conveniente considerar o efeito oculto das emoções geradas por esses exercícios.
No exercício de Retrospecção quando o Aspirante à vida superior revê os acontecimentos do dia em ordem inversa e chega a um incidente no qual injuriou alguém, deixou de ajudar outro ou não se comportou como crê ser o ideal de conduta, ele aprende a cultivar um intenso remorso pelo que fez de mal, com o objetivo de erradicar esse registro do Átomo-semente do coração, onde ficou impresso aquele ato e onde permanecerá até ser apagado pelo sofrimento no Purgatório, a menos que, previamente, tenha sido eliminado por outros meios, sendo um desses meios esse exercício de Retrospecção.
No Purgatório, o processo de purificação é efetuado pela força centrífuga da repulsão que arrasta e destroça a matéria de desejos, na qual o quadro é formado por cima de sua matriz de Éter, fora do Corpo de Desejos. Nessa ocasião, a alma sofre como fez sofrer os outros, por causa da condição própria das regiões inferiores do Mundo do Desejo, onde está localizado o Purgatório. Alguns videntes, incapazes de contatar as regiões superiores, falam do Mundo do Desejo como ilusório, e estão certos no tocante às regiões inferiores, porque ali todas as coisas aparecem invertidas como nós as vemos em um espelho. Essa particularidade não foi feita sem propósito – nada no Reino de Deus o é; todas as coisas servem a um fim sábio. Essa inversão coloca a alma daquele que errou na posição de sua vítima, de maneira que, quando se desenrola na tela uma cena da sua vida passada, em que fez mal a alguém, a alma não permanece apenas como simples espectadora contemplando a cena representada, mas se torna, naquele momento, a vítima do erro, sentindo a dor do injuriado, já que a força centrífuga de repulsão exercida para destruir o quadro do Corpo de Desejos do pecador, deve, ao menos, igualar ao ódio e à raiva da vítima que imprimiu a cena sobre o Átomo-semente no momento da ocorrência.
Durante a Retrospecção, o Aspirante se esforça por reproduzir essas condições; experimenta visualizar as cenas em que fez algo de errado, e o remorso que procura sentir deve, pelo menos, se igualar ao ressentimento sofrido por aquele que prejudicou. Produz-se, então, o mesmo efeito do apagar o registro da ofensa, como o faz a força centrífuga de repulsão que efetua a erradicação do mal no Purgatório, com o propósito de extrair dali a qualidade de alma que conhecemos com o nome de Consciência, e que age como um dissuasivo na hora da tentação. Assim usada, a emoção do remorso limpa profundamente e purifica o Corpo de Desejos das ervas daninhas e do joio, deixando livre o terreno e favorecendo o desenvolvimento de todas as virtudes que florescem no avanço espiritual e oferecem as maiores oportunidades para o serviço na vinha do Senhor.
Contudo, assim como a força latente da pólvora e substâncias explosivas similares podem ser utilizadas para impulsionar os maiores objetivos da civilização ou para levar a efeito os piores atos de barbarismo, também a emoção do remorso pode ser utilizada de tal maneira que passa a ser um obstáculo e um prejuízo para a alma, em vez de constituir um auxílio. Quando nos entregamos ao remorso diariamente e de hora em hora, estamos desperdiçando um poder imenso que pode ser utilizado para os mais nobres objetivos da vida, já que uma constante mania de se lastimar afeta o Corpo de Desejos, em uma maneira similar à que causam os banhos excessivos no Corpo Denso, como já descrevemos em “Vício de Excessiva Limpeza”, um artigo publicado em nossa revista “Rays from the Rose Cross”. Afirmou-se nesse artigo que a água tem grande afinidade com o Éter, absorvendo-o avidamente como se demonstrou em vários exemplos; afirmou-se também que ao tomar um banho em condições normais, expulsamos boa quantidade de Éteres venenosos e miasmáticos de nosso Corpo Vital, desde que permaneçamos na água por pouco tempo. Depois de um banho, o Corpo Vital enfraquece ligeiramente e, por conseguinte, sentimos uma sensação de fraqueza, mas, se gozamos de boa saúde e não permanecemos demasiado tempo na água, aquela deficiência se modifica imediatamente em uma corrente de força que flui para o nosso Corpo por meio do baço. Quando esse influxo de Éter fresco tiver substituído a substância prejudicial levada pela água, sentimos novo vigor que atribuímos ao banho, sem nos darmos conta dos fatos como são detalhados aqui.
Entretanto, quando uma pessoa que não goze de perfeita saúde e adquire o hábito de se banhar todos os dias, inclusive duas ou três vezes por dia, extrai de seu Corpo Vital um excesso de Éter. A provisão que entra pelo baço diminui igualmente pela falta de tonificação do Átomo-semente colocado no plexo solar e pelo enfraquecimento do Corpo Vital. Dessa maneira, é impossível a tal pessoa se recuperar entre tão repetidas abluções e, em consequência, a saúde do Corpo Denso sofre; perde continuamente as forças e se predispõe a ser um inválido.
“Como é em cima assim é em baixo, e como é em baixo assim é em cima”, diz o aforismo hermético, explicando a grande lei da analogia que é a chave mestra de todos os mistérios. Ao utilizar a força centrífuga do remorso, durante o exercício noturno de Retrospecção, para erradicar de nossos corações as faltas cometidas, o efeito é semelhante à ação da água que remove o venenoso Éter miasmático de nossos Corpos Vitais durante o banho, deixando lugar para um influxo de Éter puro e saudável. Depois de queimarmos os erros cometidos no sacrifício do fogo do remorso, a substância tóxica assim extirpada deixa lugar para um influxo de matéria de desejos, que moralmente é mais saudável, e deixa terreno mais propício para praticarmos as ações nobres. Quanto mais exaustivamente nos purguemos pelo remorso, tanto maior será o vazio produzido e melhor será o grau de material novo que atrairemos para os nossos veículos mais sutis.
Contudo, por outro lado, se nos entregarmos ao remorso e aos pesares durante as horas de vigília, como fazem alguns, excederemos o nosso Purgatório e, ainda que esse tempo seja dedicado à extirpação do mal, a consciência de cada quadro volta, e este já foi extirpado pela força de repulsão. Aqui, devido a conexão entre os Corpos de Desejos e Vital, podemos reviver o quadro mentalmente tantas vezes quanto o desejarmos e, enquanto o Corpo de Desejos se dissolve gradualmente no Purgatório pela expurgação do panorama da vida, uma porção determinada é acrescida durante a existência no Mundo Físico para substituir a que se expulsou por meio do remorso. Quando nos entregamos ao remorso e ao pesar excessivos, se produz o mesmo efeito sobre o Corpo de Desejos que o banho excessivo sobre o Corpo Vital. Ambos os veículos ficam destituídos de força devido a excessiva limpeza profunda e, por esta razão, é tão perigoso para a saúde moral e espiritual se entregar, indiscriminadamente, aos sentimentos de pesar e remorso, como é fatal ao bem-estar físico o se banhar demasiado. O discernimento deve imperar em ambos os casos.
Quando nós praticamos o exercício de Retrospecção, devemos nos entregar ao sentimento de pesar e remorso com toda a nossa alma; devemos procurar verter lágrimas de fogo que queimem até o mais íntimo de nosso ser; devemos fazer o processo purificador da maneira mais profunda e completa possível, com o objetivo de poder crescer em graça até ao máximo possível. Porém, uma vez terminado o exercício, devemos fazer o mesmo que se faz no Purgatório – considerar os incidentes do dia liquidados e esquecê-los completamente, salvo em casos que necessitem restituição, desculpas ou atos subsequentes que a consciência nos aponte. Resgatada assim a dívida, nossa atitude deve ser de um inquebrantável otimismo. “Ainda que vossos pecados sejam escarlates, tornar-se-ão tão brancos como a neve”[21]. “Se Deus está conosco, quem estará contra nós?”[22]. Por aquela atitude morremos diariamente para a vida passada, para renascer a cada dia para caminhar em uma nova vida espiritual, já que nossos Corpos de Desejos são assim renovados e preparados para servir a um fim mais elevado na vida, do que o do dia anterior.
E porquanto nós discutimos sobre o pesar e o remorso aplicados ao problema do crescimento da alma, com seu efeito sobre os nossos Corpos sutis, podemos, vantajosamente, também mencionar o efeito do pesar voltado para outras direções. Há pessoas que vivem com o pesar como um companheiro agradável, levam-no para a cama a noite e despertam com ele pela manhã; levam-no ao trabalho, às compras ou à igreja; sentam-se com ele à mesa e tratam-no com cuidado como se fosse a coisa mais preciosa que possuíssem, e deixariam até de viver, mas não de manifestar seu pesar por essa, aquela ou outra coisa.
Como um vampiro que suga o Éter do Corpo Vital de sua vítima e se alimenta dele, os pensamentos perpétuos de pesar e de remorso, concernentes a determinados fatos, se tornam um elemental de desejo que age como um vampiro e extrai a vida da pobre alma a quem deu forma, e, em virtude da atração do semelhante pelo semelhante, alimenta a continuidade desse mórbido hábito de pesar.
Não será com nossos remorsos que ajudaremos os seres queridos que partiram dessa vida e, embora pensemos que os ajudamos com nossa fidelidade, na verdade, estamos prejudicando-os. Eles abandonaram a esfera atual de experiência e seguem adiante para outros reinos, onde existem outras lições a aprender, e nós os detemos em seu caminho com nossos pensamentos, porque eles nos sentem mais profundamente depois que passaram para o além, e nós temos que considerar um dever lhes dirigir pensamentos de carinho e amor, em lugar do pesar egoísta que os prejudica tanto quanto a nós. O pesar é destrutivo para o desenvolvimento espiritual, porque, enquanto o assim criado pensamento elemental permanece agarrado a nós como um vampiro, não podemos nos elevar pelo escarpado caminho.
Repugnantes como o abutre, que se alimenta de restos decompostos e hediondos dos mortos, são os vãos remorsos que vivem na mórbida contemplação do passado e de seus erros. É nosso dever expulsá-los de nosso ambiente mental como expulsaríamos de nosso lar o primeiro abutre que nele tentasse penetrar.
Ao invés disso, cultivemos sempre e em tudo, uma atitude de otimismo, pois todas as coisas trabalham juntas para o bem – Deus está no leme e nada pode sair realmente errado, e tudo sairá certo, dentro do tempo de Deus.
O assunto Oração deve merecer uma profunda atenção e estudo por todos aqueles que aspiram à espiritualidade, e confiamos que as explicações que se seguem possam ajudar nossos estudantes em seus esforços neste sentido.
Há uma só força no Universo, nomeada o Poder de Deus, que Ele enviou através do espaço em forma de uma Palavra; não uma simples palavra, mas o fiat criador, cuja vibração sonora amalgamou milhões de átomos caóticos em uma infinidade de figuras e de formas, desde a estrela do mar à estrela do firmamento, do micróbio ao ser humano, tudo o que constitui e habita o Universo. À medida que as sílabas e os sons dessa Palavra Criadora foram sendo emitidos, uns após outros no transcurso dos tempos, espécies foram sendo criadas e as mais antigas desenvolvidas, tudo de acordo com o pensamento e o plano concebido pela Mente Divina, antes que a força dinâmica da energia criadora fosse enviada para fora, para o abismo do espaço.
Isso, então, é a única fonte de poder na qual real, verdadeira e literalmente vivemos, nos movemos e temos o nosso ser, tão certo como os peixes vivem na água. Não podemos escapar ou nos afastar de Deus, do mesmo modo que o peixe não pode viver e nadar na terra seca. Não era um mero sentimento poético quando o salmista disse: “Para onde ir, longe do teu sopro? Para onde fugir, longe da tua presença? Se subo aos céus, tu lá estás; se me deito no túmulo, aí te encontro. Se tomo as asas da alvorada para habitar nos limites do mar, mesmo lá é tua mão que me conduz, e tua mão direita me sustenta.”[23].
Deus é Luz, e nem mesmo o mais potente telescópio moderno, que pode alcançar milhões de quilômetros no espaço, conseguiu descobrir os limites da luz. Contudo, nós sabemos que, se não tivéssemos olhos para perceber a luz e ouvidos que registrassem as vibrações do som, caminharíamos pela Terra em eterna escuridão e silêncio; similarmente, para perceber a Luz Divina, que sozinha pode iluminar nossa escuridão espiritual, e para ouvir a voz do silêncio, que é a única voz que poderá nos guiar, devemos cultivar nossa visão e audição espirituais; e a oração, a verdadeira oração científica, é um dos métodos mais poderosos e eficazes para encontrar graça diante de nosso Pai, e receber a imersão na luz espiritual, que transforma alquimicamente o pecador em santo e o envolve com o Dourado Manto Nupcial de Luz, o luminoso Corpo-Alma.
Preparação para a Oração – Ora et Labora
Devemos estar cientes de que a oração por si só não pode efetuar essa transformação. A menos que nossa vida inteira, tanto despertos como em sono, seja uma oração para a iluminação e santificação, nossas preces jamais penetrarão na Divina Presença, e nem trarão até nós um batismo do Seu Poder. “Ora et labora” – ora e trabalha – é um preceito oculto a que todos os aspirantes devem obedecer ou terão sucesso muito pequeno. Nesse sentido, uma antiga lenda de São Francisco de Assis confirmará o que dissemos. Ela demonstra a luz derramada sobre alguém cuja vida foi inteiramente consagrada ao serviço de Deus.
Um dia, São Francisco se aproximou de um jovem monge no mosteiro, com o convite: “Vem, irmão, vamos à cidade e a pregar ao povo”. O jovem monge aceitou o convite com entusiasmo, radiante com a perspectiva de um passeio com o santo padre, pois sabia que fonte de elevação espiritual isto seria. Caminharam para a vila, subindo e descendo por várias ruas e praças, absorvidos o tempo todo em uma interessante conversa espiritual, e finalmente regressaram ao mosteiro. Só então o jovem monge percebeu que haviam estado tão profundamente absorvidos na conversa que esqueceram por completo o objetivo de sua ida à vila. Delicadamente lembrou a omissão a São Francisco, ao que esse respondeu: “Filho, enquanto estávamos caminhando pelas ruas da vila, as pessoas nos observavam, ouvindo trechos da nossa conversa e constatando que falávamos do Amor de Deus e de Seu Filho querido, nosso Salvador; eles notaram nossas carinhosas saudações e as palavras de ânimo e de consolo aos aflitos que encontrávamos, e até o nosso traje lhes falava a linguagem e o chamado à religião; assim, estivemos pregando durante todo o tempo de nossa presença entre eles, de um modo mais efetivo do que se lhes tivéssemos discursado horas e horas em praça pública”. São Francisco não tinha outro pensamento senão Deus e fazer o bem em Seu nome, portanto, estava em grande harmonia com a vibração divina, e não nos devemos surpreender que quando ele fazia suas orações regulares se tornava um poderoso ímã para a Vida e Luz divinas, que se difundiam por todo o seu ser.
Nós que estamos empenhados no trabalho secular do mundo e forçados a fazer coisas que nos parecem mesquinhas, muitas vezes sentimos que estamos afastados e impedidos de sentir a Luz Divina; porém, se “fizermos todas as coisas como se fossem para o Senhor” e “formos fiéis nas coisas pequenas” veremos que, com o tempo, se apresentarão oportunidades como jamais havíamos sonhado. Assim como a agulha magnética, momentaneamente afastada do Norte por uma pressão externa, volta instantaneamente e ansiosamente à sua posição natural quando se liberta da pressão, também nós devemos cultivar tal anseio por nosso Pai, que fará com que nossos pensamentos se voltem imediatamente para Ele ao terminarmos nosso trabalho diário no mundo e ficarmos livres para agir segundo nossa própria inclinação. Devemos cultivar um sentimento similar ao que anima os jovens enamorados quando, depois de uma ausência, voltam a se encontrar e correm para se abraçarem em um êxtase de felicidade. Essa é uma preparação absolutamente essencial para a oração e, se voarmos em direção ao nosso Pai da maneira indicada, a Luz de Sua presença e a doçura de Sua voz nos ensinarão e nos animarão muito além de nossas mais ardentes esperanças.
O próximo ponto que requer consideração se refere ao lugar da oração, e isso é de vital importância por uma razão geralmente desconhecida, até mesmo pelos estudantes de ocultismo. Toda oração, quer falada ou não, todo canto de louvor e toda leitura das passagens da Sagrada Escritura que ensinam ou exortam, se são feitas por um leitor cuidadosamente preparado, que ama e vive o que lê, derrama e difunde a graça do Espírito tanto sobre aquele que ora, quanto sobre o lugar da oração. Desse modo, com o tempo, se constrói uma igreja invisível em torno da estrutura física, a qual, no caso de uma congregação de devotos se torna tão bela que transcende toda imaginação e dispensa descrição. O personagem Manson no livro “Servente da Casa”[24] nos dá um sutil vislumbre do que é isso, quando ele diz ao velho Bispo:
“Eu receio que você não considere esse templo de grande importância. Ele deve ser visto de certo modo e sob determinadas condições. Algumas pessoas nunca o veem na sua totalidade. Você deve compreender que ele não é um monte de pedras mortas e vigas insignificantes, mas é uma Coisa Vivente. Quando você entra nele, ouve um som, um som como o de um vigoroso poema cantado. Escute-o bem, e você aprenderá que esse som é feito pelo palpitar de corações humanos, de música não nominadas das almas dos seres humanos, isto é, se você tem ouvidos para ouvir. Se você tem olhos, logo verá o próprio templo, um enorme mistério de muitas formas e imagens, projetando-se verticalmente do solo à cúpula, a obra de um extraordinário construtor. Suas colunas se levantam como vigorosos troncos de heróis; a delicada matéria humana de homens e mulheres é modelada em torno de seus fortes e inexpugnáveis baluartes. Em cada pedra fundamental, rostos sorridentes de crianças; seus espantosos vãos e arcos são as mãos unidas dos companheiros e; em cima, nas alturas e espaços, acham-se inscritas as inumeráveis meditações de todos os idealistas do mundo. Ele se acha ainda em construção e a construção continua. Às vezes, a obra segue sob escuridão profunda – outras vezes, sob luz ofuscante – ora, sob o peso de indizível angústia, ora, com a música de sonoras risadas e aclamações heroicas como o ribombar do trovão. Às vezes, no silêncio da noite, se pode ouvir o suave martelar dos companheiros trabalhando na cúpula, os companheiros que chegaram no alto”.
Contudo, esse edifício invisível não é um lugar meramente fascinante como um castelo de fadas no sonho de um poeta; é, como disse Manson, uma coisa vivente, vibrante com a força divina de imensa ajuda para os fiéis, porque os auxilia no ajuste das caóticas vibrações do mundo que permeiam sua aura quando eles entram em uma verdadeira “Casa de Deus”, em atitude apropriada de oração. Desse modo, são ajudados a se elevarem em aspiração ao trono da graça divina, para oferecer ali seu louvor e adoração, solicitando do Pai uma nova efusão espiritual e recebendo a amorosa resposta: “Este é meu Filho amado em quem Me comprazo”[25].
Tal lugar de adoração é essencial ao crescimento espiritual pela oração científica, e aqueles que são tão afortunados para ter acesso a tal templo deveriam sempre ocupar o mesmo lugar nele, porque este fica impregnado com suas vibrações individuais e eles se adaptam àquele ambiente mais facilmente do que em qualquer outra parte e, consequentemente, lograrão melhores resultados.
No entanto, tais lugares são raros, porque para a oração científica é necessário um verdadeiro santuário. Não deve haver nele, nem em suas proximidades, qualquer rumor ou conversa profana, porque esses fatos alteram as vibrações; as vozes devem ser contidas e as atitudes reverentes; cada um deve ter em mente que está em um lugar sagrado e agir de acordo com ele. Por esta razão, nenhum lugar aberto ao público será apropriado.
Além disso, o poder da oração aumenta imensamente com cada nova pessoa que ali ora. O crescimento pode ser comparado a uma progressão geométrica, se os que ali oram estiverem devidamente harmonizados e habituados à oração coletiva; acontecendo exatamente o contrário se não o estiverem.
Talvez o seguinte exemplo esclareça esse princípio. Suponhamos que um certo número de músicos que jamais tenham tocado com juntos e que não possuam ainda domínio suficiente do seu instrumento fossem solicitados para tocar em um concerto; não é necessária uma imaginação perspicaz para compreender que seu primeiro esforço seria marcado por muita desarmonia, e o mesmo aconteceria se um amador se dispusesse a tocar com eles, ou mesmo com uma orquestra já formada, não importando quão sério e intenso fosse seu desejo, ele, inevitavelmente, estragaria a música. Idênticas condições científicas governam a prece coletiva; para que seja eficaz, os participantes devem estar igualmente preparados, como já explicamos no capítulo anterior; devem ter as mesmas influências harmoniosas em seus horóscopos. Quando um aspecto adverso em um tema astrológico se encontra no Ascendente do outro, estes dois seres não poderão tirar nenhum proveito da oração em comum; eles devem dominar seus Astros e viver em paz, se são almas evoluídas, mas carecem da harmonia básica, que é absolutamente essencial para a oração coletiva. Só a Iniciação remove esse obstáculo.
Ficou claro na primeira parte eu há determinadas razões ocultas que não aconselham a oração coletiva, exceto em circunstâncias especiais.
O conhecimento dessas dificuldades foi que levou Cristo a advertir seus Discípulos para que não fizessem suas preces diante de outras pessoas e os aconselhou que, quando necessitassem ou quisessem orar, se recolhessem a seus aposentos. Não podemos ter, individualmente, um edifício bonito e grande para as nossas devoções, nem o necessitamos; com muita frequência, a pompa e a exibição fazem com que afastemos os nossos corações de Deus. Porém, a maioria de nós pode, perfeitamente, dedicar uma pequena parte de nosso aposento para a devoção, o separando com uma cortina ou com um biombo do resto da habitação, ou ainda podemos transformar um cômodo em um santuário completo. Não importa o tipo das paredes que o separem; é a separação e a invisível Casa de Deus que construímos com nossas orações, e a graça divina que recebemos como resposta de nosso Pai que são importantes. Pode-se colocar na parede uma imagem de Cristo e o símbolo da Rosacruz, se o desejarmos, porém isso não é o essencial. O Olho que Tudo Vê é o preferido por alguns ocultistas avançados que conhecemos, como um símbolo do Pai. Porém, recordemos as palavras de Cristo: “O Pai e Eu somos um”, e mesmo não tendo uma imagem autêntica de Cristo, podemos utilizar a que tivermos, já que sabemos que os nossos pensamentos não se perderão por falta de autenticidade. Cristo é o Senhor dessa era; mais tarde, naturalmente, o Pai tomará este lugar, mas agora Cristo é o mediador dos povos.
Cremos ser desnecessário dizer que não importam as dimensões do lugar de oração, pois qualquer cômodo ou habitação do aspirante fiel acha-se compenetrado por uma atmosfera de santidade, pois todos os pensamentos que ele gerou legitimamente, depois de haver cumprido religiosamente suas obrigações com o mundo, provêm do Pai Celestial, assim que o lugar reservado ao santuário logo se encherá de supremas vibrações espirituais; entretanto, qualquer aspirante que pretenda seguir o método científico de oração deve procurar, antes de tudo, um lugar permanente de residência, porque, se se mudar de um lugar para outro, sofrerá uma perda importante e terá que voltar a formar as mesmas vibrações. O templo invisível que ele constrói se desintegra gradualmente quando a adoração cessa.
É uma máxima mística que “todo o desenvolvimento espiritual começa no Corpo Vital”. Esse é o mais próximo em densidade ao nosso Corpo Denso, sua nota-chave é a repetição, e é o veículo dos hábitos, sendo assim difícil de modificá-lo ou influenciá-lo, mas, uma vez que alguma mudança se tenha operado e um hábito tenha sido adquirido pela repetição, sua atuação se torna, até certo ponto, automática. Essa característica é boa e má com respeito a oração, porque a impressão registrada nos Éteres desse veículo impulsionará o aspirante ao fiel cumprimento de suas devoções nas datas marcadas, ainda que possa ter perdido o interesse no exercício e suas preces sejam meras fórmulas. Se não fosse por esse hábito formando tendências no Corpo Vital, os aspirantes não se fariam conscientes do perigo no momento exato em que o verdadeiro amor começasse a diminuir e não seria fácil recuperar a perda e permanecer no Caminho. Portanto, o aspirante deve se examinar cuidadosamente, de tempos em tempos, para ver se ainda possui as asas e o poder com os quais possa se elevar segura e rapidamente ao nosso Pai que está nos Céus. As asas são duas: Amor e Aspiração são seus nomes, e a força irresistível que as move é um intenso anseio. Sem eles e uma compreensão inteligente para dirigir a invocação, a prece é uma tagarelice, enquanto que bem realizada é o mais poderoso método conhecido para o crescimento da alma.
A posição do corpo importa pouco para a oração individual; a melhor é aquela que nos proporciona a concentração mais completa; mas, na oração coletiva, os ocultistas experientes têm o costume de permanecerem com a cabeça inclinada e as mãos enlaçadas de maneira apropriada. Isso forma um circuito magnético que une todos espiritualmente, desde o princípio dos exercícios. Em comunidades não tão avançadas, se observa que o canto de hinos feitos de pé, da maneira acima mencionada, produz um grande benefício, desde que todos participem.
Oração é uma palavra da qual se tem abusado tanto, que já não expressa, realmente, o exercício espiritual a que nos referimos. Como já dissemos, sempre que formos ao nosso santuário devemos ir como o amante que vai ao encontro de sua amada; nosso Espírito deve voar à frente de nosso lento corpo, em ansiosa antecipação das delícias que nos estão reservadas, e devemos esquecer tudo o mais para só dar lugar aos pensamentos de adoração que nos ocorrem no caminho. Isso é literalmente verdadeiro; o sentimento necessário para alcançar bons resultados é unicamente comparável àquele que impele o amante para a sua amada. “Como a corça bramindo por águas correntes, assim minha alma está bramindo por ti, ó meu Deus!”[26] é uma experiência real daquele que verdadeiramente é amante de Deus. Se não tivermos esse Espírito, podemos cultivá-lo por meio da oração, e uma das mais autênticas orações que deveríamos pronunciar constantemente, é a seguinte: “Aumenta meu amor por Ti, ó Deus, para que eu possa servir-Te melhor cada dia que passa. Faze que as palavras da minha boca e as meditações do meu coração sejam agradáveis à Tua presença, ó Senhor, minha Força e meu Redentor”[27].
As invocações usadas para pedir coisas temporais são magia negra; pois temos a promessa de: “Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas.”[28]. Cristo nos indicou o limite a que podíamos aspirar no Pai Nosso, quando ensinou Seus discípulos a dizer: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”. Tanto no que diz respeito a nós mesmos como aos demais, devemos nos resguardar de ultrapassar esse limite na invocação científica. Mesmo quando oramos por bênçãos espirituais, devemos evitar que se manifeste qualquer sentimento egoísta, o que destruiria o nosso crescimento anímico. Todos os santos nos testemunharam seus dias de obscuridade, e a consequente depressão, quando o divino Amante oculta a Sua face. Isso depende da natureza e da força da nossa devoção: amamos a Deus por Ele mesmo ou O amamos pelas alegrias que experimentamos na doce comunhão com Ele? Se for somente por este último motivo, nosso afeto é essencialmente tão egoísta como os sentimentos da multidão que O seguia pelo alimento que Ele havia fornecido, e agora, como naquele tempo, é necessário que Ele oculte de nós a manifestação de Seu terno amor e solicitude para que nos ajoelhemos envergonhados e arrependidos. Felizes somos nós se vencermos os defeitos de nosso caráter e aprendermos a lição de uma fidelidade firme, tal como a agulha magnética que aponta para o Norte sem vacilar, embora chova, haja tormenta ou o céu esteja coberto de nuvens negras que ocultam a visão da sua amada estrela.
Dissemos que não devemos orar por coisas temporais e que devemos ter muito cuidado até em nossas orações por dádivas espirituais; portanto, é autêntica esta pergunta: Qual deve ser o objetivo da nossa invocação? E a resposta é, geralmente, louvar e adorar. Devemos abandonar a ideia de que toda vez que nos dirigimos a nosso Pai Celestial devemos Lhe pedir alguma coisa. Não ficaríamos contrariados se os nossos filhos estivessem a todo momento nos pedindo coisas? Entretanto, não podemos imaginar que Deus se desgoste por nossas importunas petições, nem devemos esperar que Ele nos conceda tudo o que pedimos porque, muitas vezes, nos prejudicaria. Por outro lado, quando oferecemos ações de graças e orações, estamos nos colocando em situação favorável com a Lei de Atração, estamos em um estado receptivo no qual poderemos receber uma nova descida do Espírito do Amor e da Luz e, deste modo, ficaremos mais perto do nosso ideal adorado.
Não é necessário que a invocação, audível ou não, seja mantida durante todo o tempo da oração. Quando nas asas do Amor e da Aspiração, impelidos pela intensidade de nosso zelo, aproximamo-nos do Trono do nosso Pai, chegará o momento da doce, mas silenciosa comunhão, mais deliciosa do que qualquer outro estado ou condição; é algo análogo ao contentamento dos enamorados que ficam sentados horas e horas, um ao lado do outro, sem romper o silêncio, pois se acham em um estado que transcende, em muito, o estágio onde precisam da fala para se entreterem. Assim também é no clímax final, quando a alma descansa em Deus, com todos os desejos satisfeitos pela sensação de comunhão expressa pelas palavras de Cristo: “Meu Pai e Eu somos Um”[29]. Quando atingimos este clímax, a alma terá provado a quintessência da alegria, e não importa quão sórdido possa parecer o mundo ou quão triste seja o destino que tenhamos de enfrentar, o amor de Deus, que sobrepassa toda a compreensão, é uma panaceia para tudo.
Entretanto, este clímax final só é obtido em toda a sua plenitude em intervalos muito raros. Pressupõe não somente a intensidade de propósito, para se elevar ao divino, como também um fundo de reserva para permanecer fixo naquele ponto, o que a maioria de nós nem sempre consegue. É muito conhecido o ditado de que nada de valor se alcança sem esforço. Tudo o que o ser humano fez, o ser humano poderá fazer, e se começarmos a cultivar o poder da invocação ao longo de linhas científicas aqui especificadas, dia chegará em que colheremos resultados com os quais nem sequer sonhamos.
Que Deus nos Céus abençoe os nossos esforços!
É tão impossível alcançar um sucesso verdadeiro e duradouro sem viver em harmonia com as leis da vida, como é para o criminoso viver em paz na sociedade cujas leis ele desrespeitou. E, da mesma forma que ele é castigado, encarcerado e reprimido devido a seus hábitos predatórios, a natureza também nos castiga, encarcera e restringe quando desobedecemos às suas leis. Essa restrição se chama doença e é inimiga da felicidade, pois ninguém pode ser feliz, não importa quão rico seja ou que posição ocupe no mundo, quando se encontra fisicamente enfermo. Então, é preciso termos em conta que uma das condições vitais que deve ser adquirida pelo homem ou pela mulher que aspira a felicidade e o êxito na vida, em sua plenitude, é a saúde, incluindo o vigor, pois somente com boa saúde poderemos ser, suficientemente, otimistas, alegres e vigorosos para alcançar o sucesso que procuramos.
A Bíblia nos diz que a morte e a enfermidade vieram ao mundo por termos comido da “Árvore do Conhecimento” e ainda que, sob o ponto de vista materialista, isso possa parecer pueril, não desprezemos a história sem a estudarmos profundamente. Poderemos comprovar que se acha em perfeita harmonia com os fatos científicos mostrados atualmente. Consideremos, em primeiro lugar, o significado da Árvore do Conhecimento, por meio dos seguintes princípios: “Adão conheceu sua esposa e essa deu à luz a Abel”; “Adão conheceu sua esposa e essa deu à luz a Seth”, e as palavras de Maria ao Anjo: “Como poderei conceber, se não conheço nenhum homem?”. Por essas e por muitas outras observações semelhantes, se conclui evidentemente que a Árvore do Conhecimento era uma expressão simbólica do ato gerador. A humanidade foi, como diz a Bíblia, concebida em pecado e, portanto, sujeita à morte da qual não haveria maneira de escapar.
Devemos relembrar que a evolução é uma realidade na natureza; que o ser humano atual é o resultado de um passado distante e que o presente estado não é o ponto final de uma meta de perfeição, mas que existem maiores alturas à nossa frente. Assim, todos estamos em um estado de desenvolvimento perpétuo; não existem paradas ou descansos, pois o caminho é tão ilimitado como a idade do Espírito. O que somos hoje é o resultado do que fomos ontem, portanto, o que seremos amanhã, dependerá do modo como utilizarmos, atualmente, as nossas faculdades. Examinemos, pois, o passado, para que, ao conhecermos o que temos sido, alcancemos um vislumbre do que haveremos de ser.
De acordo com a Bíblia, a humanidade foi hermafrodita antes de ser separada em dois sexos distintos como homem e mulher. Ainda temos entre nós hermafroditas que, como pensamos atualmente, têm essa formação anormal para provar a verdade dessa afirmação Bíblica; e fisiologicamente, o órgão do sexo oposto se acha latente em todos nós. Durante o período em que o ser humano esteve assim constituído, a fecundação devia ocorrer dentro de si mesmo; isto não difere muito do que sucede com muitas plantas hoje em dia.
Vejamos, segundo nos diz a Bíblia, qual o efeito da autofecundação nos dias primitivos. Existem dois fatos principais que são muito significativos: o primeiro, havia gigantes na Terra naqueles dias; o segundo, os patriarcas viveram centenas de anos; e essas duas características, grande desenvolvimento físico e longevidade, muitas plantas as possuem atualmente. O tamanho das árvores e a duração de suas vidas são fatos maravilhosos; elas vivem séculos, enquanto o ser humano vive um número reduzido de anos. Daí nos ocorre perguntar: qual a razão da vida efêmera do ser humano e qual o remédio? Examinemos primeiro os motivos desta razão, e o remédio aparecerá.
É bem sabido pelos horticultores que as plantas param de crescer durante um florescimento muito prolífero. Uma roseira, ao florescer intensamente, pode morrer; por essa razão, o jardineiro sábio poda os brotos da planta para que a força se manifeste, parcialmente, em crescimento, em vez de dar somente flores. Desse modo, conservando a semente dentro de si mesma, guarda a força necessária para o crescimento e a longevidade. Esse é o segredo da altura e da longa vida das raças primitivas, como também é o segredo do tamanho e da longevidade das plantas atuais.
Que a essência criadora na semente é uma substância espiritual é evidente, quando comparamos a intrepidez e impetuosidade do touro e do garanhão, com a docilidade do boi e dos animais castrados. Além disso, sabemos que os libertinos e os degenerados se convertem em estéreis e fracos. Quando esses fatos se fixam em nossa consciência, não nos é difícil entender a verdade da Bíblia quando diz que o fruto da carne, que nos põe sob a lei do pecado e da morte, é antes de tudo e principalmente a fornicação, enquanto os frutos do Espírito, que conduzem à imortalidade, ainda segundo a Bíblia, são especialmente a continência e a castidade.
Consideremos também a criança e como a força criadora empregada internamente e para ela própria, produz um extraordinário desenvolvimento durante os primeiros anos, mas, na puberdade, o nascimento da paixão começa a dominar o desenvolvimento; então a força vital produz a semente com objetivo de alcançar o desenvolvimento e a expressão em outra direção, sendo que, desde aquele momento, termina o crescimento. Se continuássemos crescendo, como acontece na infância, seríamos gigantes, como o foram os divinos hermafroditas do passado.
A força espiritual gerada desde a puberdade e através da vida, pode ser usada com três propósitos: geração, degeneração ou regeneração. Depende de nós qual dos três métodos escolheremos; mas a escolha que fizermos terá uma influência importante sobre toda nossa vida, porque o uso dessa força não está confinado ao momento ou à ocasião em que é empregada. Abrange todos os momentos de nossa existência e determina a nossa atitude em cada uma das fases da vida entre nossos semelhantes; com a forma de como enfrentaremos os problemas da vida; se seremos capazes de agarrar as oportunidades ou as deixarmos escapar; se seremos saudáveis ou doentes; e se nós vivemos nossa vida com um propósito satisfatório; tudo isso depende da forma de usar nossa força vital. Esta força é a fonte de toda a existência, o elixir da vida.
A parte da força criadora que é legitimamente sacrificada, sobre o altar da paternidade e maternidade, é tão pequena que pode ser completamente desprezada nessas considerações. Não há razão, sob o ponto de vista espiritual ou físico, para que deva ser imposto o celibato em uma ordem religiosa, e nem essa imposição se encontra em qualquer passagem da Bíblia. A mera supressão da atração sexual não é virtude em si mesma; de fato pode até ser um vício muito sério, pois não há dúvida que milhares de pessoas que foram proibidas ou impedidas de buscar a satisfação natural, acabem caindo nos vícios mais inconfessáveis. Ainda que se abstenham do ato sexual, seus pensamentos serão de tal índole que as converterão em sepulcros caiados, horríveis por dentro, mesmo que externamente possam parecer puros e brancos. O próprio São Paulo, embora não na condição mencionada, disse: “É preferível se casar do que se abrasar”; essa expressão natural é, de longe, preferível ao estado acima descrito.
Embora existam poucas pessoas que defendam o abuso da função geradora, existem muitos indivíduos que, mesmo seguindo os preceitos espirituais em outros aspectos, mantém a crença de que a frequente satisfação dos desejos nos prazeres sexuais não é prejudicial; e existem outros que julgam que esse ato é tão necessário como qualquer outra função orgânica. Isso está errado por duas razões: primeiro, cada ato criador exige e consome uma certa dose de força e o organismo deve ser reabastecido com uma quantidade extra de alimento. Isso fortalece e aumenta o Éter Químico. Segundo, como a força propagadora atua por meio do Éter de Vida, esse constituinte do Corpo Vital também aumenta a cada gratificação dos sentidos. Deste modo, os dois Éteres inferiores do Corpo Vital se fortificam dirigindo a força criadora para baixo, para satisfazer o nosso prazer; e as ligações assim formadas e que oprimem os dois Éteres superiores que formam o Corpo-Alma, vão se tornando mais compactas e mais poderosas com o tempo. Como a evolução dos poderes anímicos e a faculdade de viajar em nossos veículos mais sutis dependem da separação que se efetua entre os Éteres inferiores e o Corpo-Alma, é evidente que frustramos o objetivo que temos em vista, retardando o desenvolvimento pela satisfação da natureza inferior.
Se dirigirmos novamente nossa atenção para o jardim, obteremos uma demonstração palpável e luminosa dos resultados em seguir o conselho do Apóstolo, quando disse: “guardai a semente dentro”, considerando as qualidades das diversas variedades de frutas sem semente. As frutas sem semente são maiores e de um sabor mais agradável do que as que possuem sementes, porque naquelas toda a seiva é empregada com o único propósito de tornar a fruta deliciosa e suculenta. Similarmente, se nós, em vez de desperdiçarmos nossa substância, vivermos castamente e dirigirmos a nossa força criadora para a regeneração, refinaremos e eterizaremos nossos Corpos físicos, ao mesmo tempo que fortaleceremos nosso Corpo-Alma. Desse modo, poderemos materialmente prolongar a nossa vida e, como consequência, aumentar nossas oportunidades para o crescimento anímico e avançar no Caminho de forma mais marcante.
Quando tivermos compreendido que o sucesso não consiste em acumulação de riquezas, mas no desenvolvimento anímico, se tornará evidente que a continência é um fator importante para o êxito na vida.
F I M
[1] N.T.: IICor 12:9
[2] N.T.: Mt 26:41
[3] N.T.: James Fenimore Cooper (1789-1851) foi um político e popular escritor dos Estados Unidos do início do século XIX.
[4] N.T.: George du Maurier (1834-1896) – cartunista e autor franco-britânico.
[5] N.T.: Jack London foi o pseudônimo de John Griffith Chaney (1876-1916), autor, jornalista e ativista social norte-americano, pioneiro no que era, então, o novo mundo das revistas comerciais de ficção.
[6] N.T.:
Diagrama 1 – O Mundo Material: um reflexo reverso dos Mundos Espirituais
[7] N.T.: nome da quarta divisão ou Região do Pensamento Concreto.
[8] N.T.: Quarta Região do Mundo do Pensamento
[9] N.T.: Também chamado de: Vestes de Bodas; Vestidos de Bodas, Veste Nupcial, Traje Nupcial. São Paulo chama de soma psuchicon (ICor 15:44).
[10] N.T.: do alemão: poltern (barulho), e geist (fantasma), também chamado por alguns parapsicólogos como Psicocinesia Recorrente Espontânea (em inglês: Recurrent Spontaneous Psychokinesis, RSPK), é um tipo de evento paranormal que se manifesta em um ambiente no qual existem ocorrências físicas, tais quais, chuva de pedras, movimentação, aparecimento e desaparecimento de objetos, sons, pirogenia, luzes, entre outras. Pode envolver até ataques físicos.
[11] N.T.: Mt 25:25
[12] N.T.: Mt 25:40
[13] N.T.: Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes
[14] N.T.: ICor 15:50
[15] N.T.: Leia a partir da seguinte sentença: “As relações das plantas, dos animais e do ser humano com as correntes de vida na atmosfera terrestre são representadas simbolicamente pela cruz…”
[16] N.T.: de Charles Rann Kennedy (1871-1950): foi um escritor anglo-americano.
[17] N.T.: do poema: Worth While de Ella Wheeler Wilcox (1850-1919), escritora e poeta estadunidense.
[18] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial (1914-1918)
[19] N.T.: Átomo-semente do Corpo Vital.
[20] N.T.: Átomo-semente do Corpo Denso.
[21] N.T.: Is 1:18
[22] N.T.: Rm 8:31
[23] N.T.: Sl 139:7-10
[24] N.T.: do livro: The Servant in the House por Charles Rann Kennedy
[25] Mt 3:17
[26] N.T.: Sl 42:2
[27] N.T.: Oração do Estudante Rosacruz
[28] N.T.: Mt 6:33
[29] N.T.: Jo 10:30
Aqui temos uma pequena, mais rica, explicação sobre o sétimo Plano Cósmico, onde nos encontramos no nosso Sistema Solar, o Reino de Deus, focando nos Astros que estão contidos nele e depois em outros sóis que compõe outros Sistemas Solares nesse Plano Cósmico.
Isso nada mais é do que o que Cristo nos ensinou: “Na casa do meu Pai há muitas moradas” (Jo 14:2).
1. Para fazer download ou imprimir:
A Casa do Nosso Pai – Por um Estudante – Fraternidade Rosacruz
2. Para estudar no próprio site:
A Casa do Nosso Pai
Por um Estudante
Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
Avenida Francisco Glicério, 1326 – conj. 82
Centro – 13012-100 – Campinas – SP – Brasil
Traduzido, Compilado e Revisado de acordo com:
Eulogy of Love
1ª Edição em Inglês, 1916, in The Rays from The Rose Cross – The Rosicrucian Fellowship
pelos Irmãos e pelas Irmãs da Fraternidade Rosacruz – Centro Rosacruz de Campinas – SP – Brasil
contato@fraternidaderosacruz.com
fraternidade@fraternidaderosacruz.com
Sumário
UMA PEQUENA ESTAÇÃO DE INTERESSe.. 12
NOSSO GRANDE VIZINHO PRÓXIMO.. 14
OS MEMBROS DISTANTES DE NOSSA FAMÍLIA.. 16
APENAS UM VISLUMBRE ATÉ AGORa.. 21
em espaços muito distantes. 22
UMA COMPARAÇÃO ENTRE O NOSSO SISTEMA SOLAR O SOL MAIS PRÓXIMO, ALPHA CENTAURI. 24
UMA VIAGEM PELO UNIVERSO: EXISTE UM LIMITE?. 26
_____________________________________________________________________________________________________________
No livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz estudamos o Diagrama 6 que nos mostram os sete Planos Cósmicos e os Mundos do sétimo Plano Cósmico, o mais denso.
No Diagrama, vemos que o sétimo Plano Cósmico é representado como sendo o maior de todos os outros Planos Cósmico. Isso assim parece porque é o Plano Cósmico com que estamos mais relacionados e, também, para indicar suas principais subdivisões, ou seja, os Mundos que o compõe.
Na realidade o sétimo Plano Cósmico ocupa menos espaço do que qualquer um dos outros seis Planos Cósmicos.
No entanto, não pensemos que ele tem dimensões mensuráveis por nós! Ao contrário, o sétimo Plano Cósmico é incomensuravelmente vasto!
Seu tamanho envolve milhões de Sistemas Solares semelhantes ao nosso, que são os Campos de Evolução de muitas categorias de seres, cujas condições são aproximadamente idênticas às nossas.
Perceba que no sétimo Plano Cósmico vemos Deus, o Arquiteto do nosso Sistema Solar, Fonte e Meta da nossa existência, que está na mais elevada divisão desse Plano. É o Seu Mundo, o Mundo de Deus.
Assim, o Reino de Deus inclui os sistemas de evolução que se processam em todos os Planetas do nosso Sistema Solar – Urano, Saturno, Júpiter, Marte, Terra, Vênus e Mercúrio, bem como seus satélites.
E o que vemos com os olhos físicos desses Planetas, nada mais são do que os Corpos Densos de grandes Inteligências Espirituais designadas Espíritos Planetários, que guiam essas evoluções. Eles são também chamados “os Sete Espíritos diante do Trono”. São Ministros de Deus, cada qual presidindo um determinado departamento do Reino de Deus – o nosso Sistema Solar, um “cômodo da Casa do Nosso Pai”.
Já o Sol é também o Campo de Evolução dos mais exaltados Seres do nosso Sistema Solar. Unicamente eles podem suportar as tremendas vibrações solares, e por meio delas progredir. O Sol é o mais aproximado símbolo visível de Deus de que dispomos, ainda que não seja senão um véu para Aquele que está por trás. O que seja esse “Aquele”, publicamente não se pode dizê-lo. Na figura abaixo temos o Diagrama 6, destacando o sétimo Plano Cósmico.

“Os céus declaram a glória de Deus; e o firmamento mostra a obra de Suas mãos.” (Sl 19:1). “Na casa do meu Pai há muitas moradas.” (Jo 14:2). A versão revisada admite a seguinte leitura: “Na casa do meu Pai há muitos lugares de morada”. Continuando este versículo, Cristo nos ensina: “Vou preparar um lugar para vocês”. O sentido do texto é que na Casa de Deus – isto é, no Universo de Deus – estão as “mansões” ou “lugares de habitação” nos quais devemos habitar, se formos considerados dignos de morar com Deus.
Este texto pode ser considerado astronômico; e como muitos outros, quanto maior for o nosso conhecimento da estrutura do universo, mais claramente veremos e compreenderemos o seu significado. Embora o próprio astrônomo compreenda apenas vagamente a esmagadora grandeza da Casa do Nosso Pai, sua concepção está muito acima da ideia do observador casual.
Embora ele fosse de fato um astrônomo ousado, que não se esquivaria da tarefa de explicar este e outros textos semelhantes, ainda assim ele pode, com algum grau de inteligência, direcionar a Mente do buscador sincero para caminhos que estão resplandecentes com a glória de Deus.
Pergunte a um astrônomo, que acredita em Deus, qual é o tamanho da Casa do Nosso Pai. Instantaneamente ele verá em sua imaginação incontáveis milhões de mundos, sistemas, constelações, aglomerados e agregações em nosso universo; ou melhor, no universo visível aos olhos físicos; e ele está razoavelmente certo de que, além deste, outros universos existem, universo após universo, infinito após infinito, indescritíveis em dimensões e duração, estendem-se por um espaço insondável e infinito… Faria isso até que sua imaginação ficasse atordoada e sua Mente cambaleante gritassem: “Pare!”. Pois a Mente finita encontra aqui o incompreensível e a vastidão impensável da Natureza que desafiam o astrônomo.
Muitas vezes ouvimos a palavra “universo”. Qual é o significado dessa palavra? Evidentemente de algo muito grande, pois geralmente é o grande ponto final, algo vasto e ilimitado. O que é o universo? Podemos entender isso? Examinemos este assunto e vejamos se podemos saber alguma coisa sobre a Casa do Nosso Pai, pois certamente é conveniente usar a Mente que Deus nos deu a graça de possuir para aumentar nosso conhecimento sobre a Sua glória. Além disso, não é um pecado não usarmos nossa inteligência para conhecer tudo que pudermos sobre o grande Mestre Construtor e Suas obras, que Ele tão convidativamente espalhou diante de nós?
Façamos na imaginação uma viagem de observação e vejamos por nós mesmos um pouco da Casa do Nosso Pai com seus muitos “lugares de morada”. Não temos tempo para detalhes, mas selecionamos imediatamente um ponto de partida. Para isso o astrônomo naturalmente se volta para o Sol, que é o grande centro de onde recebemos a luz e o calor que tornam o nosso Planeta Terra habitável para esse Mundo Físico que temos.
A questão da velocidade com que devemos viajar é mais difícil; mas assumindo que temos escolha neste assunto, em breve resolveremos este ponto tão importante. A velocidade da ferrovia, de um quilômetro por minuto, está totalmente fora de cogitação, pois nosso tempo é curto e a viagem é longa; além disso, queremos voltar a tempo de contar algo do que veremos. Existe a bala de canhão; ela viaja aproximadamente a trinta quilômetros por minuto! Mas isso também é muito lento. Temos luz? Sim, temos!
Viajaremos na velocidade inconcebível da própria luz; pois devemos viajar com velocidade infinita em uma jornada infinita e a luz viaja a 299.792.458 metros em um único segundo de tempo. Isso equivale a aproximadamente 300.000 quilômetros por segundo.
Temendo que o nosso desempenho incomum produza excitação indevida nos mundos que estamos prestes a visitar, enviaremos um mensageiro para anunciar a nossa vinda. Selecionaremos para esse propósito uma bala de canhão que viaja a uma velocidade de mais de 64.373,76 km por dia; e para que tenha bastante tempo, daremos um início de cem anos para ela. Como queremos ser perfeitamente justos em tudo o que fazemos nesta maravilhosa jornada, inclusive “começar de forma justa”, não partiremos do Sol, mas, sim, do centro desse vasto globo.
Enquanto estivermos em uma posição tão cômoda, descobriremos algo sobre as enormes dimensões do Sol. Ele é quase cento e dez vezes maior que a nossa Terra. Seu diâmetro é tão vasto que, se ele fosse uma concha, a Terra poderia ser colocada no centro e a Lua poderia viajar em sua órbita habitual; então estaria apenas a meio caminho entre a Terra e a superfície da nossa gigantesca estrela, sendo o seu diâmetro de, aproximadamente, 1.392.684 km.
A partir do centro do Sol nós direcionaremos a nossa excursão para a estrela fixa mais próxima, assumindo que todos os Planetas estão nessa direção; veremos quais serão as nossas experiências. Agora, então, tudo pronto, vamos!
Na prodigiosa velocidade em que estamos avançando, menos de três batidas do relógio e já nos encontraremos totalmente longe do Sol, a milhares de quilômetros em nosso caminho até o Planeta mais próximo, Mercúrio; em aproximadamente três minutos nós o alcançaremos. Mercúrio está a uma distância aproximada de 57.936.384 km do Sol e tem aproximadamente 4.828,032 km de diâmetro. Seu ano é igual a oitenta e oito dos nossos dias; portanto, suas estações duram apenas vinte e dois dias, se é que ele tem alguma estação; pois você deve lembrar que ele recebe uma grande quantidade de calor e luz do Sol, que para os mercurianos é duas vezes e meia maior do que é para nós, da Terra. Nossa tremenda velocidade nos transporta pelo “Mensageiro dos Deuses” tão rapidamente que não temos tempo de examiná-lo de perto; em menos de três minutos cruzaremos a órbita de Vênus!
Aqui encontraremos um mundo surpreendentemente semelhante ao nosso, em muitos aspectos. Vênus está apenas a 41.842.944 km mais perto do Sol do que nós; e como estamos a 149.668.992 km de distância, esta “mansão”, com mudanças muito moderadas nas condições de sua atmosfera, talvez seja tão habitável quanto a Terra para a vida que conhecemos.
Vênus tem apenas 321.869 km de diâmetro a menos do que a Terra (todas as distâncias aqui e dimensões são dadas em forma de números inteiros) e seu ano é igual a duzentos e vinte e cinco dos nossos dias; até onde os astrônomos sabem, a vida é tão provável em Vênus como no nosso Planeta. Mas se descobrirmos muito sobre ele, devemos contar aos astrônomos; pois estão muito ansiosos para saber mais sobre a condição de todos os Planetas.
Num instante Vênus fica para trás; olhando para trás, notamos que o Sol está ficando menor, enquanto à frente vemos duas estrelas brilhantes — ou o que aparenta ser estrelas —, uma das quais é maravilhosamente cintilante e a outra está próxima dela. Nós nos aproximamos delas com a velocidade da luz e elas logo fizeram uma oferta justa para rivalizar com o próprio Sol em brilho, pois a essa distância ele tem menos da metade do tamanho que o vimos em Mercúrio e nos dá menos de um quarto da luz e do calor que ele derrama naquele Planeta.
Em pouco mais de dois minutos alcançamos nossas duas estrelas e descobrimos que esse objeto maravilhoso é a Terra e que a estrela companheira é a Lua. Devemos ter cuidado aqui, pois se nos aproximarmos demais poderemos ser atraídos para sua superfície, como muitos meteoritos aventureiros (popularmente chamados de “estrelas cadentes”) que se aproximam demais. Mas nossa velocidade é nossa segurança. Podemos nos aproximar da superfície e a gravitação não será capaz de superar uma velocidade como a nossa.
Um sentimento de admiração reverencial toma conta de nós à medida que nos aproximamos deste pequeno ponto no grande Universo de Deus, ponto que chamamos de Terra. Aqui está um pequeno mundo, talvez o único em toda a Casa do Nosso Pai onde o pecado esteja fortalecido. Acredito que seja absolutamente único neste aspecto, em toda a extensão do Seu domínio. Acreditar no contrário é duvidar da sabedoria e do amor de Deus. Mas o pecado está aqui porque veio algum dia de alguma forma; mas ele é como uma planta que deve ser “arrancada pela raiz”, pois “não foi plantada pelo Pai”[1]. Então o Grande Sacrifício foi feito para que a Terra fosse reabastecida com seres dignos de serem chamados de filhos do grande Criador para que a Casa do Nosso Pai pudesse, novamente, se tornar limpa e o Universo pudesse ser restaurado como era quando veio das mãos do Grande Arquiteto. É difícil para mim acreditar que toda a Onda de Vida humana fosse digna de tal sacrifício; mas um Universo limpo é digno desse sacrifício.
Passamos pela Terra com relutância, pois aqui temos a história da vida e das provações do Filho de Deus; temos Sua promessa, Seu ensino, Seu exemplo; temos tudo que o coração do Cristão possa desejar. Aqui também está sendo encenado o grande drama do pecado e da justiça, da vida e da morte. Vemos a luta dos santos e nos perguntamos por que o julgamento demora tanto. Mas nem tudo o que vemos é negro e triste; pois Deus tem um povo aqui neste pequeno mundo. Os santos estão aqui; aqui estão aqueles que guardam todos os Mandamentos de Deus.
Os oito minutos em que nos é permitido ir do Sol à Terra já passaram e devemos partir rapidamente, se quisermos ver as dimensões gloriosas da Casa do Nosso Pai. Uma estrela brilhante surge à frente e em menos de quatro minutos nos encontramos em Marte. Nossa (aparente) estrela é o pequeno Planeta Marte, com duas pequenas luas de, aproximadamente, 8 e 11 quilômetros de diâmetro — na verdade, são pequenas mansões.
Encontramos um mundo com 6.437,376 km de diâmetro e os grandes telescópios, que deixamos para trás, podem mostrar claramente seu alto mar e continentes, seus polos nevados e suas regiões equatoriais nas quais a neve nunca aparece — tal como na nossa Terra. O dia marcial é um pouco mais longo que o nosso, mas seu ano é tão longo quanto seiscentos e oitenta e sete dos nossos dias. O Sol parece consideravelmente menor e a sua luz e calor são aproximadamente a metade que a Terra recebe, de acordo com os dados do nosso Planeta e nos quais devemos basear as nossas conclusões.
Depois de observarmos apressadamente os fatos acima, passamos pelo Planeta avermelhado e logo estamos percorrendo um grande número de pequenos mundos chamados asteroides. Aproximadamente setecentos foram descobertos desde o primeiro dia do século XIX e pode haver outros milhares que escaparam dos perspicazes astrônomos da Terra. Seu diâmetro médio é, provavelmente, inferior a quarenta quilômetros — mais mansões para bebês!
Acompanhar esses pequenos mundos tornou-se uma tarefa pesada e um grande incômodo para os astrônomos, que passam por várias dificuldades e colocar a atenção em cada um deles para entender o que é cada um, como se comportam, do que são feitos. Podemos ter a certeza de que esses “pequenos Planetas” fazem parte do grande Plano de Deus, caso contrário não estariam onde estão.
Não temos tempo, contudo, para procurar novos asteroides, pois estamos agora prestes a visitar o “gigante do Sistema Solar”, Júpiter. Levaremos mais de meia hora para alcançá-lo vindos de Marte, ou aproximadamente quarenta e quatro minutos desde o Sol. Teremos um pouco de tempo para procurar cometas, pois podemos encontrar um a qualquer momento na jornada dele de ida ao Sol ou de volta. No entanto, os cometas não são muito importantes e apenas foram mencionados para mostrar que não nos esquecemos desses visitantes terríveis. Mas Júpiter é digno da nossa maior admiração.
Balançando em uma órbita majestosa, exigindo doze dos nossos anos para um dos seus, ele segue seu caminho majestoso, um verdadeiro gigante. Seu diâmetro médio é de aproximadamente 140.012,93 km e ele tem o tamanho de mil, trezentos e nove mundos como o nosso, juntos. Ele tem oito luas[2], três das quais são maiores que a nossa; na verdade, uma delas é maior que Mercúrio e rivaliza com Marte em tamanho.
Também notamos que uma grande mudança ocorreu em nosso Sol; ele parece ter apenas um quinto do diâmetro, ou um vigésimo quinto da área, que tinha quando nós o vimos da Terra; ele fornece apenas um vigésimo quinto da quantidade de luz e calor para os jupiterianos, em relação a quanto recebemos na Terra.
Poderíamos encontrar aqui muitas coisas interessantes, se tivéssemos tempo de parar; mas a nossa tremenda velocidade nos faz percorrer Júpiter em um piscar de olhos; assim, antes de perceber nós já estamos atravessando o enorme abismo de mais de 650 milhões de quilômetros que separa as órbitas de Júpiter e do seu irmão mais velho, Saturno — a nossa próxima estação.
Saturno é o Planeta mais distante e facilmente visível a olho nu. Suas dimensões rivalizam com as de Júpiter. Seu diâmetro médio é de aproximadamente 119.091,46 km.
Embora seu dia e sua noite tenham apenas dez horas de duração, seu período (ano) é de vinte e nove e meio dos nossos anos, e seu volume é setecentas vezes maior que o da Terra. Ele tem nove luas[3] para lhe fazer companhia em sua vasta órbita, além do seu enorme sistema de anéis, cujo anel externo tem aproximadamente 273.588,48 km de diâmetro.
Não há algo parecido com ele no Sistema Solar presidido por aquele grande autocrata, o Sol, nem no universo, até onde sabemos; ele é ao mesmo tempo a maravilha e a admiração dos astrônomos. O Sol agora parece alarmantemente pequeno, enquanto a luz que ele envia para cá é de, aproximadamente, um octogésimo daquela recebida pela Terra. Não podemos demorar, por mais interessante que seja este “lugar de permanência”: iremos nos apressar para Urano.
Uma distância de quase 2.414.016 km separa esses dois Planetas e será necessária mais de uma hora e um quarto para nos levar até Urano, enterrado no espaço como está, a quase 2.896.819.200 km do Sol, do qual nos separamos recentemente. Vamos simplesmente nos acomodar confortavelmente para nosso voo através desta extensão poderosa.
Ué! O que é que foi isso? Ora, é o nosso mensageiro, a bala de canhão! Ela deixou o Sol há cem anos, embora tenha passado menos de uma hora e meia desde que partimos nas asas da luz. Isso é muito surpreendente — para qualquer um que seja um astrônomo. Em uma única batida do relógio do nosso mensageiro está 299.337,984 km atrás de nós e de agora em diante devemos passar despercebidos.
Quando tivermos cruzado esse grande abismo, descobriremos que Urano tem 51.499,008 km de diâmetro e é tão grande quanto sessenta e cinco Terras. Seu dia e sua noite têm em torno de 17 horas de duração Ele tem quatro luas[4] e são necessários oitenta e quatro dos nossos anos para ver sua idade aumentar um único ano. Não temos tempo para estudar a rotação axial maravilhosamente peculiar desse Planeta distante — para nosso pesar e o dos astrônomos na Terra, que estão tão interessados nele e sabem tão pouco sobre.
Outro mergulho poderoso e encontraremos a sentinela — o outro guarda, por assim dizer — Netuno. Descansaríamos aqui por alguns minutos se pudéssemos, pois estamos na fronteira do grande esquema de mundos.
Encontramos Netuno e vemos que ele é oitenta e cinco vezes maior que a Terra; são necessários cento e sessenta e quatro dos nossos anos para ter um dos anos dele. Ele tem apenas uma lua[5]. Sua vasta órbita tem 8.986.576.896 km de diâmetro.
Não queremos desencorajar o nosso amigo e mensageiro, a bala de canhão, mas ele levaria duzentos anos para cruzar a tremenda distância do Sol até Netuno; um trem viajando a 1,609 km por minuto — sem paradas — demoraria dez mil anos para percorrer essa órbita poderosa.
O astrônomo mostra pelo telescópio que Netuno existe e pensa ter provado que a Religião não sabe do que fala quando afirma que há sete Planetas no Sistema Solar.
O Místico, no entanto, aponta para a Lei de Bode (do astrônomo alemão Johann Elert Bode) como justificativa de sua afirmação de que Netuno não pertence realmente ao nosso Sistema Solar.
A Lei de Bode em astronomia não é mais que uma lei de números, uma lei das relações numéricas que existem entre os Planetas e o Sol do nosso Sistema Solar, pela qual as distâncias entre os Planetas e o Sol ocorrem segundo uma progressão numérica definida.
Max Heindel comenta a Lei de Bode no livro Astrologia Científica e Simplificada – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
Escrevemos em uma Tabela as colunas com o nome de todos os Planetas (incluindo Netuno).
Escrevemos na primeira linha uma Progressão geométrica de razão 2, começando com Zero em Mercúrio e assim por diante.
Escrevemos na segunda linha o resultado da multiplicação de cada parcela da primeira linha por 3.
Escrevemos na terceira linha uma constante “4”, começando com 4 em Mercúrio.
Escrevemos na quarta linha o resultado da soma da segunda linha com a terceira linha.
Por fim, Escrevemos na quinta linha o resultado obtido na quarta linha dividido por 10.
Agora vamos ver qual é a distância entre o Planeta e o Sol medida pela ciência em Unidades Astronômicas (que é um padrão adotado pela ciência, sendo que Uma Unidade Astronômica é a distância entre a Terra e o Sol, ou seja: 150 bilhões de metros):
Colocamos, de novo, o nome dos Planetas; em seguida a distância de cada Planeta ao Sol, medida em Unidades Astronômicas.
E, finalmente, a distância de cada Planeta ao Sol segundo a Lei de Bode. Veja que para os Planetas de Mercúrio a Urano os 2 valores batem. E comparando com a Lei de Bode vemos que só para Netuno que os valores não batem.
Netuno pertence a um Sistema Solar vizinho ao nosso! Tanto que suas influências são sentidas apenas por pessoas já com um nível de desenvolvimento Crístico elevado. Para as demais pessoas o que sobra é uma dificuldade enorme em não cair na tentação pelas influências adversas que esse Planeta propõe.
Depois de deixarmos Netuno, encontramos mais um Planeta, Plutão. Vemos que ele é cinco vezes menor que a Terra em diâmetro; são necessários cerca de duzentos e quarenta e oito dos nossos anos para ter um dos anos dele. Ele tem cinco luas.
Também aqui, o astrônomo mostra pelo telescópio que Plutão existe e pensa ter provado que a Religião não sabe do que fala quando afirma que há sete Planetas no Sistema Solar.
O Místico, no entanto, aponta para a Lei de Bode (do astrônomo alemão Johann Elert Bode) como justificativa de sua afirmação de que Plutão também não pertence realmente ao nosso Sistema Solar.
Como vimos acima, a Lei de Bode enuncia que “as distâncias entre os Planetas e o Sol ocorrem segundo uma progressão numérica definida.”
Assim se fizermos uma Tabela com essas dimensões e compararmos essa Tabela com uma outra que mostra a distância entre o Planeta e o Sol medida pela Ciência em Unidades Astronômicas (UA):
Fica fácil que como Netuno, para Plutão os valores não batem! Assim, como Netuno, Plutão pertence a um Sistema Solar vizinho ao nosso! Tanto que suas influências são sentidas apenas por pessoas já com um nível de desenvolvimento Crístico elevado. Para as demais pessoas o que sobra é uma dificuldade enorme em não cair na tentação pelas influências adversas que esse Planeta propõe.
Depois de deixarmos Plutão teremos passado pelo último dos Planetas, até onde sabemos; no máximo podemos apenas esperar encontrar um desses andarilhos celestes, um cometa, fazendo sua peregrinação regular, vindo do Sol ou indo para ele — pois todos os cometas periódicos devem visitá-lo em períodos regulares para relatar, por assim dizer, que ainda são fiéis e não o abandonaram por um dos seus poderosos vizinhos.
Ficamos completamente perplexos ao lidar com essas vastas dimensões; elas deixam de ter um significado e, para que não esqueçamos, ao lidar com as magnitudes gigantescas dos Planetas, é bom lembrar que o Sol é mais de setecentas vezes maior do que todos eles juntos. Nosso Sol agora nos causa preocupação, pois ele não nos mostra mais um disco, sendo apenas um ponto de luz; como Sol não o conhecemos.
Claro que ele é muito mais brilhante do que qualquer estrela que possamos ver, mas sua luz e calor são apenas uma nona centésima parte do que recebemos na Terra. Nesse ritmo, tememos perdê-lo completamente. Aproximadamente quatro horas e um quarto se passaram desde que deixamos o Sol e estamos tão longe que já começamos a ficar solitários!
Talvez, leitor, tenhamos viajado rápido demais para você. Talvez você se arrependa, pensando que viu a Casa de Deus. O quê! Esta é a Casa de Deus? Diremos que isso é digno d’Ele? — Não, não. Pois na Casa do Nosso Pai há “muitas moradas” e neste ponto ainda estamos na nossa soleira.
Vamos parar por um momento no membro mais externo da grande família do nosso Sol, antes de voarmos através do vasto abismo que nos separa do vizinho mais próximo do nosso Sol, Alpha Centauri[6], uma estrela que está apenas a metade da distância dos nossos quatro vizinhos mais próximos.
Olhando para trás, a Mente humana é sobrecarregada pela imensa magnitude dos Mundos pelos quais passamos; as enormes distâncias que se encontram entre eles são incompreensíveis para a Mente humana e nós nos encolhemos diante da eternidade do espaço diante de nós. Vasto como é o sistema compreendido dentro da órbita de Netuno e Plutão, eles são apenas como um grão de areia na costa deste oceano da eternidade no qual agora nós nos lançaremos.
Até agora temos contado o tempo da nossa jornada, voando na velocidade da luz como estamos, em segundos, minutos e horas. Mas agora isso não basta; precisamos lidar com dias, semanas, meses e anos, pois o nosso próximo ponto de parada exigirá mais de quatro anos para ser alcançado, enquanto as estrelas mais remotas exigirão séculos ou até milênios.
O Sistema Solar por si só já basta para declarar a glória de Deus e despertar nossos pensamentos lentos para contemplar Seu poder e Sua sabedoria onipotentes. Mas nenhum limite pode ser imposto à Casa do nosso Pai: a imponente grandeza, as incríveis agregações de milhares e milhares e milhões de sóis (pois cada estrela é um Sol), dispostos em pares, grupos e aglomerados, mantidos em seus lugares pelas grandes Leis de Deus, todos se movendo na mais perfeita harmonia, todos em seus lugares designados, não em estado de repouso, de estagnação, pois toda a natureza está em ação — pois as estrelas estão voando em seus caminhos designados com uma velocidade surpreendente. Nossa própria estrela, o Sol, está se movendo a cerca de 19 quilômetros por segundo em direção a um determinado ponto no céu, enquanto outras são conhecidas por terem velocidades de até 320 quilômetros ou mais em um único segundo.
Algumas se aproximam, outras se afastam, e outras ainda se movem em outras direções; contudo, tão vasto é o abismo entre nós que centenas, talvez milhares de anos, devem transcorrer antes que possamos detectar o menor aumento ou diminuição de sua luz a olho nu.
A olho nu, mesmo nas condições mais favoráveis, não conseguimos ver mais de cinco mil estrelas em todo o céu; mas nunca conseguimos ver mais da metade do céu de uma só vez, e nunca vemos as estrelas mais tênues perto do horizonte, de modo que talvez nunca vejamos duas mil ao mesmo tempo. Um bom binóculo aumentará esse número a um grau surpreendente, enquanto um bom telescópio — digamos, com um diâmetro de cinco polegadas ou mais — revelará milhões de estrelas das profundezas do espaço.
Na constelação de Hércules, há um pequeno ponto de luz, quase invisível até para o olho mais atento, aparentemente apenas um décimo do tamanho da Lua, e ainda assim, esse pequeno ponto é um aglomerado que Keeler[7] estimou conter quarenta mil sóis! Esses sóis podem ser menores ou mais fracos que o seu, mas podem superá-lo em tamanho e esplendor. Os astrônomos não podem afirmar nada a respeito neste caso, mas existem estrelas que são reconhecidamente muito mais brilhantes que a nossa, enquanto outras não são nem de perto tão grandes. Acredita-se que o nosso Sol não seja menor que a média das estrelas em tamanho e brilho.
Os astrônomos costumam lidar com distâncias incompreensíveis comparando a velocidade de trens, balas de canhão e coisas do gênero; mas, embora essas comparações possam nos dar alguma ideia do Sistema Solar, elas são inúteis quando lidamos com o espaço estelar.
Tentarei fazer uma comparação que possa nos trazer à mente, de forma clara, um desses vastos intervalos entre as estrelas — o que separa nossa estrela, o Sol, de nossa vizinha, Alfa Centauri. Essa estrela, embora seja a mais próxima de todas, está a cerca de quarenta milhões de quilômetros de distância. Imagine uma ferrovia ligando a Terra a essa estrela.
Sabemos que há uma estimativa que o total de ouro e prata em circulação no mundo é inferior a onze bilhões de dólares. À taxa de vinte quilômetros por centavo, essa quantia não nos levaria nem a milhares de milhões de milhões de quilômetros dessa estrela. Isso é absolutamente sem sentido para a Mente do leigo ou do astrônomo. A Mente humana falha nesse ponto tão completamente como se a distância fosse mil vezes maior. Podemos entender, mas não podemos compreendê-lo.
Para ilustrar, imaginemos o nosso Sol reduzido de um vasto globo com 1,4 milhões de quilômetros de diâmetro para uma esfera com 2,7 metros de diâmetro. Em seguida, imaginemos que todos os Planetas e todo o espaço se reduzissem exatamente às mesmas proporções; então a nossa Terra estaria a menos de 305 metros do Sol e teria apenas uma 2,6 centímetros de diâmetro, enquanto o nosso vizinho mais próximo, Alpha Centauri, estaria, nesta mesma escala, a quase 81 mil quilômetros de distância!
Outra forma de expressar o mesmo pensamento seria dizer que a distância do nosso Sol (ou da Terra) à estrela mais próxima é tantas vezes 81 mil quilômetros quanto o tamanho da nossa Terra em comparação com uma bola de gude de bom tamanho; ou, para cada bola de gude necessária para formar um Mundo tão grande quanto o nosso, Alpha Centauri está a 81 mil quilômetros de distância. Será que os céus começam a mostrar a Glória de Deus quando contemplamos o Seu tesouro?
Continuaremos nossa jornada agora, e novamente nas asas da luz estamos nos afastando a uma velocidade de 1,1 bilhão de quilômetros por hora. Algumas horas, e o último Planeta do Sistema Solar terá desaparecido de vista. Vemos apenas o nosso Sol, e neste ponto ele brilha mais do que qualquer outro corpo em todo o universo visível. Em cerca de dois anos e um quarto, estaremos no ponto intermediário, e então, se o nosso Sol e Alpha Centauri tiverem o mesmo tamanho e brilho, ambos parecerão iguais. A estrela brilhante Sirius, e todas as outras estrelas, parecerão mais ou menos como são vistas da Terra. Em pouco mais de quatro anos (medidas recentes indicam uma distância um pouco maior), estaremos no meio do sistema de Alpha Centauri.
Veríamos o nosso Sol como uma estrela de primeira magnitude, mas os Planetas seriam completamente invisíveis, mesmo no telescópio mais poderoso já construído pelo ser humano. Provavelmente, seria necessário um telescópio com 7,3 metros de diâmetro (e cerca de 152 metros de comprimento) para mostrar até mesmo o gigante Júpiter a essa distância. Sendo assim, podemos facilmente entender por que não conseguimos ver os Planetas orbitando seus sóis centrais.
Se a pergunta for feita, como então os astrônomos sabem da existência de outros mundos ao redor de outros sóis? Não posso dar uma explicação aqui, mas eles sabem disso sem vê-los! De fato, os companheiros de Sirius e Procyon foram descobertos anos antes de serem vistos, pelos movimentos (perturbações, como os astrônomos os chamam) de suas estrelas primárias brilhantes, e até mesmo as posições desses companheiros até então invisíveis foram calculadas corretamente!
Se continuássemos nossa jornada, veríamos o nosso Sol diminuir até se tornar um mero ponto de luz cintilante e, finalmente, desaparecer por completo.
Há uma crença crescente de que o Universo que vemos tem limites! Os astrônomos sempre defenderam que cada aumento na potência e na duração da exposição dos telescópios fotográficos acrescentasse muitas novas estrelas às já conhecidas; mas parece que em certas regiões as exposições longas acrescentam poucas estrelas e há muitos astrônomos muito eminentes acreditando que, em algumas direções, os telescópios fotográficos praticamente penetraram, se não realmente, no espaço vazio! Assim, o lamentoso Simon Newcomb[8] disse: “Essa coleção de estrelas que chamamos de Universo é limitada em extensão”.
Isso perturba completamente a antiga crença de um Universo contínuo e ininterrupto. Sabemos que o tempo nunca começou e nunca terminará; o mesmo deve ser verdade para o espaço. É impensável, então, que a “coleção de estrelas” que vemos ou quase podemos ver, por mais vasta que seja, inclua todo o espaço que está ocupado; não importa quão grande possamos conceber que essa “coleção” seja, ela é nada para o espaço, esteja ele ocupado ou desocupado.
Isso naturalmente nos leva à alta probabilidade, quando não há certeza, de outras agregações que não foram enumeradas e podem estar além dos números — um número infinito no espaço infinito, como um oásis no deserto. Isso não parece ser totalmente irracional; pois vemos entre as estrelas que conhecemos uma forte tendência a se aglomerar ou formar grupos. Observamos a olho nu as Plêiades[9], Orion[10] e outros grupos, enquanto o telescópio revela aglomerados e muitos enxames de estrelas em todas as direções. A Via Láctea é um exemplo em escala colossal.
A recente descoberta de Kapteyn[11] mostra que a grande maioria das estrelas tem uma forte preferência por se moverem em duas grandes correntes, em direção a e a partir de duas regiões quase opostas. Isso foi confirmado por vários outros astrônomos, utilizando materiais diferentes como movimentos estelares, mas obtendo resultados praticamente idênticos; e é geralmente aceito pelos astrônomos, o que parece confirmar a teoria de agrupamento sugerida acima.
Resumidamente e com efeito, é como se dois grandes aglomerados, que estão além do nosso poder de numeração, estivessem viajando no espaço “na estrada do Rei” e se encontrassem; as estrelas individuais de um grupo passam entre os membros do outro grupo e ambos os grupos, como um só, ocupam a mesma parte do espaço. Que encontro! Que passagem! Que possibilidades! Imediatamente imaginamos colisões, destruição e caos; mas quando pensamos que Deus está no comando o medo desaparece.
Voando em seus percursos ilimitados a muitos quilômetros em cada segundo de tempo, esses incontáveis milhões de sóis com seus Mundos[12] acompanhantes são milhões de anos desconhecidos passando entre si e além uns dos outros, em seu progresso majestoso — a marcha das eras. E depois? Irão eles vagar por outros aglomerados como os navios navegam no mar, ou através de outros grupos desconhecidos para nós, durante uma eternidade, indo para regiões do espaço e para distâncias nunca sonhadas pelo ser humano mortal? Deus está no comando.
Os astrônomos são frequentemente questionados sobre quantas estrelas existem no céu. Eles não sabem. Um eminente astrônomo inglês muito recentemente, em um discurso presidencial, disse sobre este assunto: “Talvez não seja excessivo imaginar que ainda hoje se possam contar mil milhões”. Um astrônomo e matemático francês, assumindo que um décimo da luz que recebemos à noite vem das estrelas (e podemos enxergar bem o suficiente para seguir estradas e distinguir objetos à noite sem a ajuda da Lua e, claro, pela luz das estrelas), por meio de cálculos, mostra que recebemos essa luz de nada menos do que 66 bilhões (66 mil milhões) de estrelas, não contando aquelas mais fracas do que a 17ª magnitude e nossos maiores telescópios nos mostrarão estrelas até a 18ª magnitude ou até menos. Há muito tempo o Senhor disse a Abraão: “Olha agora para o céu e conte as estrelas, se puder”[13]. O desafio ainda está aberto; mas “Ele conta o número das estrelas; Ele chama todas pelos seus nomes”[14]. Na verdade, “os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos” [15]; é só o tolo quem “diz no seu coração: Deus não existe”. Outros mundos são habitados? Os astrônomos não sabem; mas “vinde agora e raciocinemos juntos”. Sabemos que a Lua não tem atmosfera e que todos os seres vivos, tanto vegetais como animais, precisem de ar. O dia e a noite lá duram duas semanas e não há atmosfera para proteção contra o Sol escaldante, nem nuvens durante o dia que poderiam reter o calor e proteger do frio intenso da longa noite lunar. A vida como a conhecemos não pode existir na Lua. Em alguns Planetas isso nos parece problemático; Júpiter, por exemplo. Mas com os milhares de milhões de Mundos em mente, criados para algum propósito, devemos concluir que: ou a vida é natural e universal ou a vida na Terra é uma aberração fantástica. Mas isso é inconsistente com o bom senso. É um absurdo. Se esses inúmeros mundos não servem para algum tipo de vida, para que servem?
Nossos sonhos e concepções mais loucas do poder do Criador nos envergonham com sua insignificância. A realidade nos oprime, nossas Mentes e Corações adoecem com o conhecimento dessa infinidade de grandeza. Eis que este é o Deus do astrônomo! Totalmente atordoados e oprimidos pela grandeza e imensidão da Casa de nosso Pai, perplexos e desesperadamente abatidos pelo pensamento de nosso nada, lemos com nova compreensão as palavras do poeta hebreu.
“Quando considero os céus, obra dos Teus dedos, a Lua e as estrelas que ordenaste; o que é o ser humano, para que Te lembres dele? E o Filho do Homem, para que o visites?” (Sl 8:3-5). Mas que conforto é saber que nem mesmo um pardal pode cair na terra sem o Seu conhecimento (Mt 10:29-30), e que somos mais do que muitos pardais! Os caminhos de Deus não são os nossos caminhos; e depois dos pensamentos com os quais temos lidado, talvez percebamos mais plenamente o que significa quando Deus nos diz: “‘Os meus pensamentos não são os seus pensamentos, nem os seus caminhos são os Meus caminhos’, diz o Senhor. ‘Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os seus pensamentos’” (Is 55:8-9).
Quão estranho parece que aos seres humanos a quem Deus dotou com uma Mente para compreender esses poderosos problemas, possam ignorar levianamente ou desconsiderar completamente as Leis do Criador e o Sacrifício do Seu Filho pela frivolidade e pelo pecado que nos cercam em toda parte! Eles são loucos. “Pai, perdoe-os; porque não sabem o que fazem” (Lc 23:34).
Não posso fazer melhor do que citar as palavras do poeta alemão Richter, em seus pensamentos sublimes sobre esse assunto. “Deus chamou dos sonhos um homem no vestíbulo do Céu, dizendo: ‘Venha cá e veja a glória da Minha Casa’. E para os servos que estavam ao redor do Seu Trono, Ele disse: ‘Peguem-no e retirem dele suas vestes de carne; limpem sua visão e coloque um novo fôlego em suas narinas; toquem seu coração humano — o coração que chora e treme’. Foi feito; e com um poderoso Anjo para seu guia o ser humano estava pronto para sua viagem infinita; e dos terraços do Céu, sem som ou despedida, eles se afastaram para o espaço sem fim. Às vezes, com o voo solene da asa do Anjo, eles fugiam pela escuridão através do deserto da morte, que divide os mundos da vida; às vezes, eles varriam as fronteiras que estavam acelerando sob os movimentos proféticos de Deus. Então, a uma distância que é contada apenas no Céu, a luz ocorreu por um tempo através de um filme sonolento; por ritmo inalterável a luz varreu-lhes, eles, por ritmo inalterável, para a luz. Em um momento, a corrida dos Planetas estava com eles; em um momento, o arremesso de sóis estava ao seu redor.
“Então vieram eternidades de crepúsculo que revelaram, mas não foram reveladas. À direita e à esquerda, em direção a constelações poderosas que, por autorrepetições e respostas de longe, por contraposições construídas por portas triunfais cujas arquitraves e arcadas — horizontais e verticais — repousavam, elas, as eternidades subiam em altura — isso parecia fantasmagórico desde o infinito. Sem medida eram as arquitraves, além dos números eram as arcadas, além da memória, os portões. Dentro havia escadas que escalavam as eternidades abaixo; acima estava abaixo e abaixo estava acima para o ser humano despojado do corpo gravitacional; a profundidade foi engolida por uma altura intransponível, a altura foi engolida por uma profundidade insondável. De repente, enquanto rolavam do infinito ao infinito; de repente, enquanto se inclinavam sobre mundos abismais, um grito poderoso surgiu — que sistemas mais misteriosos, que mundos mais ondulados! — outras alturas e outras profundezas estavam chegando, estavam se aproximando, estavam próximas…
“Então o ser humano suspirou e parou, estremeceu e chorou. Seu coração sobrecarregado se pronunciou em lágrimas, e ele disse: ‘Anjo, não irei mais longe, pois o espírito do ser humano sofre com sua infinidade. Insuportável é a glória de Deus. Deixe-me deitar-se na sepultura e me esconder da perseguição do Infinito; pois o fim, eu vejo, não existe’. E de todas as estrelas ouvintes que brilhavam ao redor surgiu uma voz em coral: ‘O ser humano fala a verdade; final não há qualquer um do qual já tenhamos ouvido falar’. ‘Fim, não há um?’, o Anjo exigiu solenemente. ‘Será que realmente não há fim? É essa a tristeza que te mata?’. Mas nenhuma voz respondeu, para que ele mesmo pudesse responder. Então o Anjo ergueu suas mãos gloriosas para o Céu dos céus, dizendo: ‘Não há fim para o universo de Deus. Eis que também não há começo!”.
Terminemos a nossa jornada. Não estivemos longe. Não tive a intenção de ir muito além das nossas portas, por assim dizer; então, retornemos ao nosso pequeno lar atual que chamamos de Terra e deixemos que as lindas e cintilantes estrelas — as estrelas gentis, amáveis e amorosas, parecem-me, com seus mundos que as acompanham — girem e brilhem em espaço sem limites, enquanto uma nova luz — a luz do universo de Deus — brilha sobre Sua palavra e nos leva de volta ao tempo em que “no princípio Deus criou os céus e a terra” (Gn 1:1) ou quando as “estrelas da manhã cantam juntas” (Jo 38:7); assim, avançamos para o tempo em que haverá um “novo Céu e uma nova Terra” ( Ap 21:1) e os vencedores herdarão o Reino. Afinal: “Na casa do Meu Pai há muitas moradas” (Jo 14:2)
FIM
[1] N.T.: Mt 15:13
[2] N.T.: em 1916
[3] N.T.: em 1916. Em 2025: 145 luas conhecidas
[4] N.T.: em 1916. Em 2025: 27 luas conhecidas
[5] N.T.: Em 2025: 14 luas conhecidas
[6] N.T.: Alpha Centauri (α Centauri, α Cen) é o sistema estelar mais próximo do Sistema Solar, a uma distância de 4,37 anos-luz (1,34 parsecs) do Sol. Consiste de três estrelas unidas gravitacionalmente: o par Alpha Centauri A (também conhecida como Rigil Kentaurus) e Alpha Centauri B (também conhecida como Toliman), duas estrelas brilhantes e próximas no céu, e uma anã vermelha pequena mais afastada, Alpha Centauri C (também chamada de Proxima Centauri). A olho nu, os dois componentes principais são vistos como um ponto único de luz com magnitude aparente visual de -0,27, formando a estrela mais brilhante da constelação de Centaurus e a terceira mais brilhante do céu noturno, superada apenas por Sirius e Canopus. É visível de todo hemisfério sul, sendo circumpolar a sul do paralelo 29 S.
[7] N.T.: James Edward Keeler (1857-1900) foi um astrônomo estadunidense. Foi o primeiro a descobrir um pulsar, em 1899.
[8] N.T.: (1835-1909) foi um astrônomo e matemático americano-canadiano. Escreveu sobre economia e estatística, além de ser o autor de um livro de ficção-científica.
[9] N.T.: As Plêiades (Messier 45), conhecidas popularmente como sete-estrelo e sete-cabrinhas, são um grupo de estrelas na constelação do Touro. As Plêiades, também chamadas de aglomerado estelar (ou aglomerado aberto) M45, são facilmente visíveis a olho nu nos dois hemisférios e consistem de várias estrelas brilhantes e quentes, de espectro predominantemente azul. As Plêiades têm vários significados em diferentes culturas e tradições.
[10] N.T.: Orion ou Oríon é uma das oitenta e oito constelações modernas. O genitivo, usado para formar nomes de estrelas, é Orionis. Está localizada no equador celeste e, por este motivo, é visível em praticamente todas as regiões habitadas da Terra. A época mais favorável para sua observação se dá principalmente nas noites de verão no hemisfério sul, ou inverno no hemisfério norte, em dezembro e janeiro.
[11] N.T.: A Estrela de Kapteyn é uma anã vermelha a cerca de 12,83 anos-luz (3,93 pc) da Terra na constelação austral de Pictor. Com uma magnitude aparente visual de 8,85, é visível somente através de binóculos ou telescópios. É a estrela do halo galáctico mais próxima conhecida e, também, a segunda estrela com o maior movimento próprio de todo o céu, atrás da Estrela de Barnard. Em 2014, foi anunciada a descoberta de dois planetas orbitando a Estrela de Kapteyn.
[12] N.T.: Por exemplo: Mundo Físico, Mundo do Desejo, Mundo do Pensamento, Mundo do Espírito de Vida, como é o caso do nosso Sistema Solar.
[13] N.T.: Gn 15:5
[14] N.T.: Sl 147:4
[15] N.T.: Sl 19:1
Max Heindel, considerado por alguns o maior espiritualista ocidental do século XX, oferece um método simples e prático de levantar horóscopo utilizando a Astrologia Rosacruz, que traz a arte e o ofício para o domínio de qualquer pessoa que saiba fazer matemática básica. Você vai aprender a interpretar as Casas do Zodíaco, a lidar com fusos horários, a entender os Signos Ascendentes, a calcular as posições dos Astros, etc.
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Astrologia Científica e Simplificada – Introdução – O Valor Prático da Astrologia
Astrologia Científica e Simplificada – Capítulo III – Os Signos e as Casas – Parte 1
Astrologia Científica e Simplificada – Capítulo III – Os Signos e as Casas – Parte 2
Astrologia Científica e Simplificada – Capítulo IV – O Signo Ascendente e as Doze Casas – Parte 1
Astrologia Científica e Simplificada – Capítulo IV – O Signo Ascendente e as Doze Casas – Parte 2
Astrologia Científica e Simplificada – Capítulo IV – O Signo Ascendente e as Doze Casas – Parte 3
Astrologia Científica e Simplificada – Capítulo V – Como Calcular as Posições dos Astros – Parte 1
Astrologia Científica e Simplificada – Capítulo V – Como Calcular as Posições dos Astros – Parte 2
Astrologia Científica e Simplificada – Capítulo V – Como Calcular as Posições dos Astros – Parte 3
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Astrologia Científica e Simplificada – Capítulo VI – Os Aspectos
Astrologia Científica e Simplificada – Capítulo VII – Como fazer o Índice
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INTRODUÇÃO – O VALOR PRÁTICO DA ASTROLOGIA
Há um lado da Lua que nunca vemos; contudo, essa metade oculta é um fator tão poderoso em causar o fluxo e refluxo das marés da Terra, tanto quanto o é a parte visível da Lua. De maneira análoga, há uma parte invisível do ser humano que exerce uma poderosa influência na vida, e como as marés são medidas pelo movimento do Sol e da Lua, assim também, as possibilidades da existência são medidas pelos Astros que circulam, podendo, portanto, serem chamados de “Relógio do Destino”, e a importância desse conhecimento é de um poder imenso, pois para o astrólogo competente o horóscopo revela todos os segredos da vida.
Por conseguinte, quando você entrega a um astrólogo a data do seu nascimento, você deu a ele a chave do mais íntimo da sua alma, e não há segredo que ele não possa desvendar, pesquisando cuidadosamente. Esse conhecimento pode ser usado tanto para o bem como para o mal, tanto para ajudar como para prejudicar, de acordo com a natureza do astrólogo. Somente a um amigo considerado bom, fiel e experimentado deve ser confiado essa chave da sua alma, e nunca deve ser entregue a alguém que tenha condições suficientes para prostituir uma ciência espiritual por meio de ganhos materiais.
Para um ou uma profissional de saúde, a Astrologia Rosacruz é de valor inestimável no diagnóstico de doenças ou enfermidades e na prescrição de remédios, pois, ela revela a causa oculta de todos os distúrbios do corpo ou de todas as doenças e enfermidades. Essa fase da ciência é abordada no livro “A Mensagem das Estrelas”, que fornece muitos horóscopos para demonstrar como as indicações de várias doenças e enfermidades aparecem na escrita astral. O autor diagnostica, infalivelmente, por esse método, os distúrbios do corpo, as doenças e enfermidades dos pacientes de várias partes do mundo e o amor também iluminará o caminho para todos aqueles que almejam seguir os passos de Cristo como curadores dos enfermos e dos doentes.
Se você é um pai, uma mãe ou um responsável por uma criança, o horóscopo irá lhe ajudar a identificar o mal latente na criança e lhe ensinar a aplicar as medidas preventivas. Também lhe mostrará os aspectos bons, para que você possa ajudar essa criança, que foi confiada aos seus cuidados, a ser uma pessoa melhor. Revelará as fraquezas do organismo dela e habilitará você a preservar a saúde da criança; mostrará que talentos ela possui e como a vida pode ser vivida em sua plenitude. Portanto, a mensagem dos Astros em movimento é de máxima importância e, pelo que temos demonstrado sobre o grande perigo de se fornecer os dados de nascimento a qualquer pessoa, só nos resta uma saída: cada um de nós estudar pessoalmente essa ciência.
Esse livro e o método simplificado que ele contém para levantar um horóscopo, de maneira completamente científica, é publicado para possibilitar que qualquer pessoa que saiba somar e subtrair possa fazer todos os cálculos e atividades sozinha, em vez de confiá-los a outra pessoa. Desse modo, a pessoa obterá um conhecimento mais profundo das causas que atuam em sua vida, ao invés de confiar naquilo que qualquer astrólogo profissional desconhecido possa lhe oferecer.
CAPÍTULO I
OS PLANETAS: OS SETE ESPÍRITOS DIANTE DO TRONO
A Teoria Nebular explica com uma maravilhosa engenhosidade, do ponto de vista material, de como um Sistema Solar constituído do Sol e dos Astros pode ser formado a partir de uma névoa ígnea central, desde que essa névoa ígnea seja posta em movimento. Para alguém que não conhece sobre a névoa ígnea, pode julgá-la desnecessária como início de tudo, no entanto, como demonstrado por Herbert Spencer, que rejeitou a teoria nebular porque implica um Argumento da causa primeira[1], porém, não foi capaz de enunciar uma hipótese além dessa que é uma imperfeição questionável que reduz ou dificulta o convencimento, segundo ele. Assim, a teoria científica da origem de um Sistema Solar coincide com o ensino religioso de um Argumento da causa primeira, chame-a de Deus ou de qualquer outro nome, que é a inteligência superior que ordena o caminho das esferas em movimento, visando um fim e um objetivo definido. Talvez, nós não sejamos ainda capazes de perceber totalmente esse fim, mas em nosso planeta e a nossa volta, se observarmos não podemos deixar de notar que um desenvolvimento ordenado de todas as coisas rumo à perfeição, e pode se inferir que um processo semelhante de evolução deve estar em andamento em todos os demais Planetas, naturalmente variando em consonância com as diversas condições existentes em cada um deles.
O ensinamento místico sobre a formação de um Sistema Solar está de acordo com a Teoria Nebular que afirma que os anéis foram lançados da massa central do Sol formando, em sucessão, os vários Planetas, sendo que os mais distantes do Sol foram os primeiros a serem formados, enquanto Vênus e Mercúrio, os mais próximos do Sol, foram formados por último.
Por trás de cada ato existe um pensamento, e por trás de cada fenômeno visível há uma causa invisível. Portanto, na formação dos Planetas em um Sistema Solar, há uma razão espiritual para formação deles, bem como uma explicação material.
Podemos considerar a névoa ígnea central como a primeira manifestação visível do Deus Trino, o Senhor dos Exércitos[2], em Quem contém dentro de Seu Ser uma multidão de outros seres em diferentes estágios de desenvolvimento. As diversas necessidades desses seres exigem diferentes ambientes externos. Com a finalidade de proporcionar as condições apropriadas, vários Planetas foram lançados da massa central, sendo cada um diferentemente constituído e cada um tendo uma condição climática diferente dos demais. Contudo, eles estão todos no Reino de Deus, o Sistema Solar. “N’Ele vivem, se movem e têm o seu ser” no sentido mais literal, pois todo o Sistema Solar pode ser considerado como o corpo de Deus e os Planetas como os órgãos naquele corpo, animados por Sua Vida, movendo-se em Sua Força e de acordo com Sua Vontade.
Cada Planeta visível é a incorporação de uma grande e exaltada inteligência espiritual; essa é o ministro de Deus naquele departamento de Seu Reino, se esforçando para cumprir a Sua Vontade, focando no bem supremo[3], apesar do mal temporário.
Esses Espíritos Planetários exercem uma influência particular sobre os seres que evoluem no Planeta, que é a incorporação d’Eles, mas também exercem uma influência sobre os seres em evolução em outros Planetas, de acordo com o desenvolvimento alcançado por tais seres. Quanto mais baixo um ser se encontra na escala evolutiva, mais poderosos são os efeitos das influências planetárias; e quanto mais elevado, mais sábio e mais individualizado for um ser, mais capacitado estará em moldar o seu próprio curso e estará menos sujeitos às vibrações astrais. É por isso que a Astrologia Rosacruz nos ajuda, quando aplicada diariamente a nossa vida. Ela nos fornece um conhecimento das nossas fraquezas e as tendências para o mal em nossa natureza; ela nos mostra forças nossas qualidades ou nosso estado de ser forte, seja na capacidade de esforço ou na resistência e os momentos na nossa vida aqui mais propícios para o desenvolvimento de maior potência para o bem. Em todas as Religiões ouvimos falar dos Sete Gênios Planetários: o Hindu fala de Sete Rishi, a Persia de Sete Ameshapentas, o Maometano de Sete Arcanjos e a nossa Religião Cristã tem os seus Sete Espíritos diante do Trono.
[1] N.T.: O Argumento da causa primeira ou Argumento cosmológico é um raciocínio filosófico que visa buscar uma causa primeira (ou uma causa sem causa) para o Universo. Por extensão, esse argumento é frequentemente utilizado para a existência de um ser incondicionado e supremo, identificado como Deus.
A premissa básica é que, já que há um universo em vez de nenhum, ele deve ter sido causado por algo ou alguém além dele mesmo. E essa primeira causa deve ser Deus. Esse raciocínio baseia-se na lei da causalidade, que diz que toda coisa finita ou contingente é causada agora por algo além de si mesma.
Esse argumento é tradicionalmente conhecido como argumento a partir da causalidade universal, argumento da causa primeira, argumento causal ou o argumento da existência. Qualquer que seja o termo empregado, há três variantes básicas do argumento cosmológico, cada uma com distinções sutis, mas importantes: os argumentos da causa (causalidade), da essência (essencialidade), do devir (tornando-se), além do argumento da contingência. Esse raciocínio tem sido utilizado por vários teólogos e filósofos ao longo dos séculos, desde a Grécia Antiga com Platão e Aristóteles, passando pela Idade Média com São Tomás de Aquino.
[2] N.T.: Designação de Deus no Antigo Testamento (por exemplo em ISm 1:3)
[3] N.T.: o único bem que é desejável por si mesmo (como um fim em si mesmo) e não por causa de outra coisa (como um meio para algum outro fim).
O astrônomo moderno separa o aspecto espiritual da ciência celestial, a Astrologia, que ele expressa o seu desprezo como “uma superstição notória”, da fase material, a Astronomia, considerando oito Planetas iniciais[1] em nosso Sistema Solar – Netuno, Urano, Saturno, Júpiter, Marte, Terra, Vênus, Mercúrio. Ele demostra, por meio do telescópio, que os Planetas existem e com isso ele pensa que conseguiu provar que a Religião nada sabe a esse respeito quando afirma que existem sete Planetas no Sistema Solar. No entanto, o Místico ressalta a Lei de Bode[2] como que justificando a sua afirmação de que Netuno não pertence realmente ao nosso Sistema Solar[3].
A Lei é a seguinte: se escrevermos uma série de 4 e somamos 3 ao segundo, 6 ao terceiro, 12 ao quarto, etc., toda vez sempre dobrando o número adicionado, a série de números resultante será uma aproximação bem próxima às distâncias relativas dos Planetas ao Sol, com exceção de Netuno[4]. Assim, segue a ilustração:
| MERCÚRIO | VÊNUS | TERRA | MARTE | ASTERÓIDES | JÚPITER | SATURNO | URANO | NETUNO |
| 4 | 4 | 4 | 4 | 4 | 4 | 4 | 4 | 4 |
| – | 3 | 6 | 12 | 24 | 48 | 96 | 192 | 384 |
| 4 | 7 | 10 | 16 | 28 | 52 | 100 | 196 | 388 |
Se dividirmos essa série por 10 (dez) obtemos “1” para a distância da Terra ao Sol e, os outros números representam as distâncias dos outros Planetas em termos da distância da Terra. A proximidade com que essa lei simples estabelece a distância é mostrada da seguinte forma: sendo a coluna intitulada “Bode”, mostra as distâncias de acordo com essa Lei, enquanto a coluna intitulada “Distância” fornece os valores exatos em termos de distâncias da Terra.
| Bode | Distância | Bode | Distância | |||
| Mercúrio | 0,4 | 0,4 | Júpiter | 5,2 | 5,2 | |
| Vênus | 0,7 | 0,7 | Saturno | 10,0 | 9,5 | |
| Terra | 1,0 | 1,0 | Urano | 19,6 | 19,2 | |
| Marte | 1,6 | 1,5 | Netuno | 38,8 | 30,0 | |
| Asteroides | 2,8 | 2,6 | Plutão | 40,0 | 77,2 |
Assim, podemos ver que, com exceção dos valores encontrados para o caso de Netuno[5], os números representam, muito próximos, as distâncias proporcionais relativas do Sol, dos sete Planetas e até da camada de asteroides[6] que estão dentro de nosso Sistema Solar, mas falham definidamente quando aplicados a Netuno[7], sendo esse a externalização de um Grande Espírito das Hierarquias Criadoras que normalmente nos influenciam a partir do Zodíaco. Esse gênio planetário trabalha, especificamente, com aqueles que estão se preparando para a Iniciação[8] e, parcialmente, com aqueles que estudam Astrologia e a praticam em suas vidas diariamente, pois estes também estão se preparando para o caminho da realização espiritual. As cintilações das estrelas fixas que estão fora do nosso Sistema Solar são as pulsações dos impulsos espirituais enviados pelos guardiões dos Mistérios Maiores[9]; e os Mercurianos, os Deuses da Sabedoria, enviam impulsos similares referentes aos Mistérios Menores[10], razão pela qual, Mercúrio cintila como uma estrela fixa.
Os Planetas orbitam em torno do Sol[11] em variadas taxas de velocidades, os Planetas menores, que são os mais próximos do Sol, movem-se muito mais rapidamente do que os maiores que, além disso, descrevem círculos mais amplos.
| Mercúrio faz um período orbital[12] em torno do Sol em | 88 dias |
| Vênus faz um período orbital em torno do Sol em | 224,5 dias |
| Terra faz um período orbital em torno do Sol em | 365,25 dias |
| Marte faz um período orbital em torno do Sol em | 1 ano/322 dias |
| Júpiter faz um período orbital em torno do Sol em | 12 anos |
| Saturno faz um período orbital em torno do Sol em | 29,5 anos |
| Urano faz um período orbital em torno do Sol em | 84 anos |
| Netuno faz um período orbital em torno do Sol em | 165 anos |
| Plutão faz um período orbital em torno do Sol em | 248 anos |
A velocidade horária dos Planetas em suas órbitas é a seguinte:
| quilômetros por hora | |
| Mercúrio | 172.000 |
| Vênus | 124.000 |
| Terra | 105.000 |
| Marte | 85.000 |
| Júpiter | 47.000 |
| Saturno | 34.000 |
| Urano | 24.000 |
| Netuno | 19.000 |
| Plutão | 17.000 |
Além de girarem em suas órbitas ao redor do Sol, os Planetas também giram sobre seus eixos na mesma direção em que giram em suas órbitas; isto é, de Oeste para Leste. Esse movimento é chamado de rotação diurna[13].
O tempo estimado pela rotação diurna dos Planetas é o seguinte:
O Sol também gira em torno de um eixo, mas requer cerca de 608 horas ou 25 dias e 1/3 do dia para completar uma rotação.
O eixo de um Planeta pode ser perpendicular ou oblíquo à sua órbita. As atuais inclinações aproximadas dos eixos são as seguintes:[16]
A inclinação do eixo do Sol ao plano da eclíptica é de cerca de 7,5 graus.
As inclinações dos eixos acima não coincidem em todos os casos com os números determinados pela ciência física, nem endossamos seu ponto de vista de que essas inclinações permanecem praticamente inalteradas, salvo por um leve movimento oscilatório chamado Nutação[17]. Há um terceiro movimento extremamente lento dos Planetas, pelo qual, o atual Polo Norte da Terra, no futuro, como fez no passado, apontará diretamente para o Sol. Mais tarde estará na posição onde agora está o Polo Sul, e no devido tempo alcançará novamente a sua posição atual. Assim, o clima tropical e as épocas glaciais se sucedem em todos os pontos de cada Planeta.
Além disso, esse movimento gradual de, aproximadamente, de 50 segundos de espaço por século, pelo qual uma volta ao eixo da Terra se completa em, aproximadamente, dois milhões e meio de anos, também ocorreram mudanças repentinas numa época em que o que é agora o Polo Norte apontava diretamente para o Sol. O hemisfério sul se encontrava, então, continuamente na escuridão e frio.
As condições resultantes causaram, na última vez, uma melhoria muito grande e súbita em todo o nosso globo. Entretanto, desde essa época o Espírito, que anteriormente guiava a Terra de fora, penetrou dentro de sua esfera e tal acontecimento será impossível no futuro.
O Sr. Pierre Bezian, um mecânico francês, construiu um aparelho que demonstrava esse terceiro movimento. Ele disse ter recebido essa ideia de um estudo dos ensinamentos promulgados entre vários povos antigos, por meio de sacerdotes, que eram dotados de conhecimento místico, particularmente os Egípcios. Ele demonstrou como esse terceiro movimento explicava a flora e a fauna tropicais encontradas no gelado do norte, que não podem ser explicados de outra forma. Ele, também, demonstrou que durante o curso desse terceiro movimento, a inclinação do eixo de um Planeta se torna maior que os 90 graus e seu Polo Norte começa a apontar em direção ao sul, os satélites desse Planeta parecerão girar na direção oposta à dos satélites de outros Planetas, como é o caso dos satélites de Urano e Netuno; um fato que deixa os astrônomos perplexos e em busca de uma explicação.
Em relação a Urano e Netuno, o Sol também nasce no oeste e se põe no leste pela mesma razão: a inversão de seus polos.
Como uma última diferença entre os ensinamentos da ciência moderna e os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes, podemos observar que os astrônomos de hoje falam de Vênus e Mercúrio como Planetas inferiores, porque aparecem sempre próximos ao Sol; Vênus é visto apenas como uma “estrela da manhã ou da tarde”; Mercúrio raramente é visto, pois está muito próximo do Sol.
Os outros Planetas são chamados superiores, porque são vistos de todas as distâncias do Sol, mesmo se posicionando no ponto oposto do horizonte do Sol.
Essa denominação de inferior e superior, o místico teria um ponto de vista oposto, pois para ele é evidente que o Sol é a externalização da mais alta inteligência espiritual em nosso Sistema Solar. No início de nossa atual fase evolutiva, tudo o que está agora fora do Sol, estava dentro, mas nem todos os seres podiam continuar vibrar na elevadíssima taxa de vibração que era estabelecida ali; alguns ficaram para trás, cristalizaram-se e, com o tempo, tornaram-se um empecilho para outras classes. Com a cristalização, eles se dirigiram para os polos, onde o movimento é lento, mas gradualmente com o aumento da densidade deles, foram impelidos para o equador, onde o movimento é mais rápido e, consequentemente, foram expelidos do Sol pela força centrífuga.
Mais tarde, outros seres também não conseguiram se manter nesse movimento vibratório, ficando para trás e foram expelidos a uma distância apropriada para que as vibrações solares pudessem lhes fornecer a rapidez necessária ao desenvolvimento deles.
Os Espíritos mais avançados permaneceram mais tempo no Sol e, consequentemente, se a denominação inferior e superior é para ser aplicada, deveria ser usada de maneira inversa.
A fim de evitar qualquer mal-entendido, pode-se dizer que Júpiter foi expelido com um enorme volume de substância ígnea, porque os jupterianos alcançaram um grau elevadíssimo de desenvolvimento, onde precisavam tanto de altas vibrações como de autonomia. Júpiter é, portanto, em alguns aspectos, uma exceção à regra; um caso em que uma lei superior prevalece sobre uma inferior.
Concluindo, nós reiteramos que os Planetas do nosso Sistema Solar são externalizações visíveis dos Sete Espíritos diante do Trono de Deus, o Sol, e assim como nos é possível transmitir por telégrafo sem fio a força que move a chave do telégrafo, que acende uma lâmpada, que puxa uma alavanca, etc., assim também esses Grandes Espíritos exercem uma influência sobre os seres humanos, numa proporção ao nosso grau de individualidade. Se almejamos agir em harmonia com as Leis do Deus, nos elevemos acima de todas as leis e nos tornemos uma lei em nós mesmo; colaboradores de Deus e auxiliares na natureza. Isso é nosso privilégio, mas se deixarmos de viver de acordo com nossas mais elevadas possibilidades, isso será o nosso fracasso.
Esforcemo-nos, portanto, em saber o que podemos fazer e, acima de tudo, tomemos cuidado para não prostituir a Ciência dos Astros, colocando-a como mera adivinhação. O Ouro de Mamon[18] pode ser nosso se lutarmos por isto, mas a “paz de Deus que excede todo o entendimento”[19] nos trará um regozijo duradouro, se usarmos nosso conhecimento no serviço altruísta aos outros.
[1] N.T.: e Plutão depois de 1930.
[2] N.T.: A lei de Titius-Bode (às vezes denominado de Lei de Bode) é uma lei matemática que define, muito aproximadamente, as distâncias planetárias. Foi desenvolvida em 1766 por Johan Daniel Tietz (1729–1796), mais conhecido por seu nome latinizado Titius (pronuncia-se Tícius) e muito divulgada pelo astrônomo alemão Johann Elert Bode (1747–1826), diretor do Observatório de Berlim, que acabou definindo a sequência final, que hoje conhecemos como Lei de Titius-Bode.
[3] N.T.: e nem Plutão, depois de descoberto em 1930
[4] N.T.: e, também, de Plutão, depois de 1930.
[5] N.T.: e Plutão, depois de 1930.
[6] N.T.: situados entre a órbita do Planeta Marte e do Planeta Júpiter.
[7] N.T..: e a Plutão, depois de 1930.
[8] N.T.: no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz são os Estudantes Rosacruzes que estão, no mínimo, no grau de Discípulo.
[9] N.T.: Também denominadas Iniciações Maiores ou Iniciações Cristãs.
[10] N.T.: Também denominadas Iniciações Menores.
[11] N.T.: Conhecido como movimento de translação em torno do Sol.
[12] N.T.: O período orbital (também conhecido como período de revolução) é o tempo que um determinado objeto astronômico leva para completar uma órbita em torno de outro objeto e se aplica em astronomia geralmente a Planetas ou asteroides orbitando o Sol, para o nosso Sistema Solar. Depois de 1930, consideremos Plutão que faz um período orbital em torno do Sol de 248 anos.
[13] N.T.: O movimento diurno (ou rotação diurna) é um termo astronômico que se refere ao movimento aparente do Sol ao redor de um Planeta – no nosso Sistema Solar -, ou mais precisamente, movimento em torno dos dois polos celestes, ao longo de um dia. É causado pela rotação do Planeta em torno de seu eixo. Isso também resulta em observarmos que quase todas as estrelas parecem seguir um caminho de arco circular chamado círculo diurno.
[14] N.T.: Últimas observações científicas feitas através dos satélites artificiais na década de 90, pela NASA
[15] N.T.: Últimas observações científicas feitas através dos satélites artificiais na década de 90, pela NASA
[16] N.T.:
[17] N.T.: A Nutação é, na astronomia, uma pequena oscilação periódica do eixo de rotação da Terra com um ciclo de 18,6 anos, sendo causada pela força gravitacional da Lua sobre a Terra.
[18] N.T.: Mamon é um termo, derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes, mas nem sempre, personificado como uma divindade.
[19] N.T.: Fp 4:7
CAPÍTULO II
O TEMPO E O LUGAR COMO FATORES NO CÁLCULO DO HORÓSCOPO
Parte 1
Um horóscopo é simplesmente um mapa dos céus mostrando uma determinada posição dos Astros[1] e Signos Zodiacais em relação entre si e em relação à Terra. As constelações permanecem na mesma posição uma em relação à outra e, portanto, são chamadas de “estrelas fixas”, mas a Terra e os outros Astros mudam suas posições constantemente. Eles não retornam à mesma posição relativa antes de decorridos, aproximadamente, vinte e seis mil anos. Assim, todo horóscopo calculado de forma cientifica é absolutamente individual e mostra uma influência astral diferente daquela experimentada em qualquer outra vida iniciada numa época diferente. Por causa da rotação da Terra sobre o seu próprio eixo é acrescido um novo grau ao Zodíaco, a cada quatro minutos percorridos, assim mesmo os horóscopos de gêmeos podem diferir consideravelmente. Por isso, o Estudante Rosacruz deve perceber a importância da Hora como um fator preponderante em um horóscopo. Há, contudo, vários métodos para determinar a hora e erigir um horóscopo correto para quem não sabe a hora exata de seu nascimento, mas esse assunto pertence a um nível mais avançado deste estudo.
No entanto, a hora não é a mesma em todo o mundo. Quando o Sol nasce onde vivemos, ele se põe em outro lugar, e isso estabelece outra diferença nos horóscopos mesmo se calculados para crianças nascidas no mesmo horário, mas em lugares opostos do globo, pois se for meio-dia no local de nascimento de uma delas, o Sol estará elevado nos céus acima no globo terrestre, e no local de nascimento de outra criança seria meia-noite, mas com o Sol diretamente abaixo no globo terrestre. Sabemos que o efeito químico do raio solar tem variação de acordo com sua posição, de maneira que, quando a mudança é fisicamente perceptível, o efeito espiritual também deve diferir. Portanto, é evidente que a hora e o lugar são fatores básicos no cálculo de um horóscopo. Mas, primeiro mostraremos como determinar o lugar de nascimento e depois abordaremos a questão da hora.
O LUGAR
Geograficamente, a Terra está dividida por dois conjuntos imaginários de círculos. Um círculo que corre de leste para o oeste, a meio caminho entre os polos norte e sul, como ilustrado nos gráficos abaixo, é chamado de Equador.
Outros círculos, chamados Paralelos de Latitude, são imaginados, estendendo-se paralelamente ao Equador, sendo utilizados para medir a distância de qualquer lugar ao Norte ou ao Sul do Equador. Agora tomemos um atlas e olhemos o mapa da América do Norte. Ao longo das bordas direita e esquerda, você verá ver alguns números. Note que uma linha curva se estende desde o número 50 à direita até o número 50 à esquerda no mapa. Esse é o Paralelo 50 graus de latitude. Todas as cidades situadas ao longo dessa linha, na América, Europa ou Ásia estão equidistantes do Equador e, assim, podemos dizer que estão localizadas na “Latitude 50 graus Norte”.
Outra linha se estende do número 40 do lado esquerdo até o número 40 do lado direito. Podemos observar algumas das principais cidades sobre essa linha ou próximas a ela. São Francisco está um pouco mais ao sul; Denver está em cima da linha; Chicago e Nova York um pouco ao norte. Agora, tomemos o mapa da Europa. Há os números da direita e da esquerda, cujos círculos de conexão também são latitudes, e no número 40 você verá Lisboa (um pouco para baixo) e Madri (quase em cima). Prosseguindo para leste, Roma e Istambul aparecem um pouco ao norte (ou para cima) dessa linha.
Pode-se dizer, para fins de ensino elementar, que esses lugares estão no mesmo grau de latitude e, portanto, outro determinador deve ser usado para diferenciar a localização de cada um dos lugares.
Isso é feito dividindo a Terra longitudinalmente, de polo a polo, por outro conjunto de círculos imaginários chamados Meridianos de Longitude e que são mostrados na figura abaixo.
Todos os lugares ao longo desses círculos têm o meio-dia igual para todos, independentemente de quão distantes possam estar do Equador, ou de quão perto estejam do Polo Norte ou Sul.
Agora, olhemos novamente para o mapa da Europa. Lá você verá linhas numeradas traçadas da parte superior até a parte inferior do mapa. Essas são as linhas de longitude. Uma é numerada como “0”. Se você seguir essa linha, encontrará Londres e, perto dela, um lugar chamado Greenwich. Essa é a localização do maior observatório do mundo[2] e, para fins de cálculo astronômico, todos os pontos da Terra são considerados como sendo tantos graus a oeste ou a leste de Greenwich[3].
Assim, por Latitude obtemos a localização de um determinado lugar ao norte ou ao sul do Equador.
Por Longitude, designamos sua posição se é a leste ou a oeste de Greenwich.
Quando a localização de um ponto é estabelecida em termos de latitude e longitude, isso estabelece um determinado ponto fora de qualquer possibilidade de confusão com qualquer outro lugar e fornece ao astrólogo um dos fatores primordiais que são necessários para calcular um horóscopo científico: o lugar[4].
A latitude é o principal fator na localização dos Signos do Zodíaco por meio das “Tabelas das Casas”[5], as quais se aplicam a todos os lugares em um determinado grau de latitude. Essas tabelas são praticamente imutáveis como o são as estrelas fixas às quais se aplicam; elas permanecem as mesmas de ano para ano, e sua alteração é tão pequena que não é significativa no decorrer de toda uma vida.
A longitude é o fator principal em todos os cálculos relacionados aos Astros móveis. Para calcular suas posições no momento do nascimento de uma pessoa é necessário ter um almanaque astronômico do ano de nascimento. Esse recebe o nome de Efemérides pois registra a posição efêmera ou transitória dos Astros, conforme vistos pelo observatório de Greenwich diariamente ao meio-dia[6].
[1] N.T.: Sol, Lua e os Planetas (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão)
[2] N.T.: O autor se refere no início do século XX.
[3] N.T.: a oeste (ou seja, à sua esquerda – olhando o mapa de frente para você) ou a leste (ou seja, à sua direita)
[4] N.T.: Por exemplo: um lugar situado à 38º53’ de Latitude Norte e 77º de Longitude Oeste. Atualmente é mais fácil consultar na internet. É só pesquisar no seu navegador (Google Chrome, Mozilla Firefox, Safari e Microsoft Edge) colocando: o nome da cidade, estado e/ou país e acrescentar as palavras: latitude e longitude (para a Astrologia Rosacruz escolha sempre os valores expressos em graus, minutos e segundos – exe: 23º32’19” – e não expressos em pontos decimais depois dos graus – exe: 23,0256).
[5] N.T.: Aqui já há muitas cidades com suas respectivas latitudes e longitudes: Tabelas das Casas Científica e Simplificada – Latitude 1 a 66 Graus – The Rosicrucian Fellowship
[6] N.T.: para facilitar temos as Efemérides Rosacruzes, já levantadas para serem utilizadas na Astrologia Rosacruz. Aqui alguns exemplos: Efemérides Científica e Simplificada – Calculada para Meio-dia (Noon) Greenwich
A HORA
Um Dia Solar é o período de tempo que o Sol leva para se mover de um determinado Meridiano de longitude até retornar ao mesmo Meridiano no dia seguinte. Devido ao movimento variável da Terra em sua órbita e da obliquidade da eclíptica, o caminho do Sol, os dias solares não tem todos a mesma duração, mas como o propósito da vida social e civil necessitam de uma divisão uniforme, uma média foi adotada para todos os dias solares do ano, e isso leva o nome de Dia Solar Médio. Esse começa à meia-noite, quando o Sol está no nadir. Os relógios são regulados para mostrar seu início, seu fim e, também, suas divisões em 24 horas diárias. Há, portanto, uma diferença entre a hora Solar e a hora do relógio[1].
A partir do momento que o Sol se encontra mais perto da Terra (Periélio) – por volta de catorze dias após o Solstício de Dezembro (próximo do dia 4 de janeiro –, até o momento em que se encontra o mais distante da Terra (Afélio) – por volta do dia 4 de julho –, a hora do relógio está adiantada em relação à hora Solar. De 21 de junho a 24 de dezembro, o Sol está adiantado em relação ao relógio, ocorrendo a diferença maior, de 16 minutos, no início de novembro.
Quando o movimento desigual da Terra em sua órbita e a obliquidade da eclíptica atuam juntas, a diferença entre a hora Solar e a hora do relógio é a maior; mas, quatro vezes ao ano elas se igualam: 15 de abril, 15 de junho, 1º de setembro e 24 de dezembro.
Um Dia Sideral é o tempo que decorre entre a saída de uma estrela fixa, a um certo grau de longitude, até que ela retorne ao mesmo ponto no dia seguinte. Esse é o tempo exato de uma revolução[2] completa da Terra sobre seu eixo; e é o único movimento absolutamente uniforme observado nos céus, não tendo sofrido nenhuma alteração desde as primeiras observações registradas.
Devido ao movimento da Terra em sua órbita[3] em torno do Sol, um Dia Solar é mais longo do que um Dia Sideral, pois como o Sol se adianta mais para o leste durante o período de rotação diária da Terra sobre seu eixo, a Terra precisa girar um pouco mais em seu eixo para que um certo Meridiano se alinhe com o Sol. O Dia Solar é, portanto, cerca de quatro minutos mais longo que o Dia Sideral, porém, devido ao movimento variável da Terra em sua órbita e à obliquidade da eclíptica mencionada anteriormente, essa diferença também varia a cada dia.
Antigamente, a hora dos relógios de cada cidade ou cada pequena vila se diferenciavam das horas dos relógios de todos os outros lugares, uma vez que todos eles eram ajustados para a Hora Local, porém, isso causava muita confusão para as pessoas que viajavam; portanto, em 18 de novembro de 1883, a América adotou o que conhecemos por Hora Padrão[4]. Para as pessoas nascidas após aquela data é necessário se fazer uma correção, em que se converte a hora indicada pelos relógios em Hora Local Exata, pois essa é a hora utilizada para calcular um horóscopo. O diagrama ajudará os Estudantes Rosacruzes a entenderem o que é a Hora Padrão, como desfazer quaisquer confusões e como é elaborada a correção mencionada anteriormente.
Foi sugerido que, se o país fosse dividido em zonas horárias[5], em que cada uma teria cerca 15 graus de longitude de largura (por ser essa a distância que o Sol viaja em uma hora), e sendo todos os relógios de cada divisão acertados para uma hora uniforme, estabelecido por um Meridiano localizado no centro da zona horária correspondente, a confusão para os viajantes seria evitada.
Consequentemente, os Estados Unidos da América foi dividido em quatro dessas zonas por três linhas imaginárias, conforme está ilustrado no diagrama.
Na Zona Horária do Leste, os relógios são ajustados seguindo o Meridiano 75 graus, com 5 horas a menos da Hora de Greenwich.
Na Zona Horária Central, a hora é regulado pelo Meridiano 90 graus, que é 6 horas a menos da Hora de Greenwich.
Na Zona Horária das Montanhas, os relógios são regulados de acordo com o Meridiano 105 graus, que é 7 horas a menos da Hora de Greenwich.
Na Zona Horária do Pacífico, o horário é regulado para o Meridiano 120 graus, que é 8 horas a menos da Hora de Greenwich.
(Há uma quinta zona no extremo leste, compreendendo Maine, Nova Escócia, etc. Essa zona foi omitida para que nosso diagrama pudesse abranger um espaço maior.).[6]
Em todas as cidades localizadas no mesmo Meridiano padrão (veja o diagrama), tais como Filadélfia e Denver, a Hora Padrão é também a Hora Local Exata e nenhuma correção de horário é necessária para o cálculo dos horóscopos. Mas Detroit[7], que está posicionado na linha divisória entre a Zona Leste e a Zona Central, e que está a 7 graus a leste do Meridiano 90º e, portanto, seus relógios estão 28 minutos atrasados, pois quando assinalam meio-dia, de acordo com o Meridiano Padrão de 90º, a Hora Local Exata é de 28 minutos depois do meio-dia (12h28 P.M.[8]). Você verá que Chicago está um pouco a leste do Meridiano de 90 graus (em torno de 2 graus). Quando os relógios assinalam meio-dia, na verdade são 12h08 P.M. Os relógios de São Francisco assinalam meio-dia quando a Hora Local Exata é ainda 11h50 A.M., porque essa cidade está 2 graus e 30 minutos (2º30’) a oeste do Meridiano Padrão 120º. Assim, a correção se faz necessária.
A regra para obter a Hora Local Exata é a seguinte:
Para o Horário do Meridiano Padrão mais próximo:
Quando uma criança nasce, deve-se notar o momento exato em que ela respira pela primeira vez, já que este momento, e não a hora do parto, é a hora do nascimento do ponto de vista do astrólogo.
A razão pela qual se toma a hora da primeira inspiração que vem, geralmente, acompanhada de um choro, como o momento do nascimento se deve à condição química da atmosfera que muda a cada momento à medida que mudam as vibrações astrais. Notamos tal mudança na atmosfera de acordo com a posição do Sol no céu durante as diferentes horas do dia ou da noite. O ar noturno é diferente da atmosfera ao meio-dia. Essas não são mudanças repentinas, mas são provocadas por e para nós em níveis imperceptíveis. Nós, que somos mais insensíveis às mudanças contínuas, não as sentimos, mas a forma pouco sensível de uma criança recém-nascida é eminentemente suscetível à irrupção dessa primeira carga de ar em seus pulmões e, à medida que o oxigênio contido nessa carga se espalha por todo o corpo, em virtude da mistura com o sangue, cada átomo recebe uma impressão peculiar que se mantém ao longo da vida, embora os átomos mudem, da mesma forma que uma cicatriz se perpetua no corpo, apesar da mudança de átomos. Essa primeira impressão é a base física das idiossincrasias e características instáveis que fazem com que cada um de nós aja diferentemente sob as mesmas condições astrais; é a base das tendências da nossa natureza física e está em harmonia com nosso estágio de realização, conforme estabelecido pela Lei de Causa e Efeito, que nos proporciona em cada vida as faculdades desenvolvidas durante todas as nossas existências anteriores. Assim, não temos um determinado destino porque nascemos em um determinado momento, mas nascemos no momento em que os raios astrais nos fornecem as tendências para cumprir o destino gerado em vidas passadas.
Essa distinção é muito importante, pois marca a diferença entre o ponto de vista do astrólogo materialista e o conceito religioso da Astrologia.
Em março de 1918, o governo dos EUA aprovou o “Daylight Saving Act” (“horário de verão”), pelo qual todos os relógios deveriam ser adiantados uma hora à meia-noite anterior ao último domingo do mês de março, e depois atrasados uma hora à meia-noite anterior ao último domingo do mês de outubro. Esse Ato vigorou somente em 1918 e 1919. Portanto, todas as datas de nascimento registradas nesse período devem ter uma hora subtraída para obter a Hora Padrão.
[1] N.T.: a hora do relógio é também chamada de hora legal.
[2] N.T.: também chamada de rotação: cada giro da Terra em torno do seu próprio eixo define um dia.
[3] N.T.: Movimento de Translação
[4] N.T.: Embora se use também a expressão “Hora Padrão”, a denominação mais consagrada aqui no Brasil é “Hora Legal”.
[5] N.T.: As zonas horárias ou fusos horários são cada uma das vinte e quatro áreas em que se divide a Terra e que seguem a mesma definição de tempo
[6] N.T.: Note com bastante atenção, então, que os Meridianos padrões para o Estados Unidos são: 60o, 75o, 90o, 105o e 120o
Já no Brasil os Meridianos padrões são: 30o, 45o, 60o e 75o
[7] N.T.: Detroit adotou a Hora Padrão Leste a 15 de maio de 1915.
[8] N.T.: Em grande parte dos países de língua inglesa é costume especificar as horas do dia de um a doze, seguidas de AM ou PM conforme o período. Nesses países é necessário informar sempre o período a que se refere a hora indicada. Por exemplo, 15h corresponde a 3:00 PM.
AM e PM (podendo ser escrita em maiúsculas ou minúsculas, com ou sem pontos a seguir às letras) são duas siglas com origem no latim utilizadas para referir cada um dos dois períodos de 12 horas em que está dividido o dia: AM (Ante Meridiem) significa “antes do meio-dia” e PM (Post Meridiem) significa “após o meio-dia”.
AM é o período com início à meia-noite (00:00) e término às 11:59; PM é o período com início ao meio-dia (12:00) e término às 23:59. Assim, meio-dia se escreve como 12:00 PM e meia-noite se escreve como 12:00 AM.
CAPÍTULO 3 – OS SIGNOS E AS CASAS



Embora estejamos muitos milhões de quilômetros mais próximos do Sol[1] durante os meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março, seus raios transmitem menos calor do que nos meses de junho, julho, agosto e setembro, quando nos encontramos mais afastados dele[2] ; por conseguinte, é evidente que a distância não influência na transmissão dos raios de calor, mas à medida que o Sol se eleva ao nascer em direção ao zênite, seja no verão ou no inverno, o calor aumenta, sendo o máximo alcançado no meio do verão, quando os raios solares estão mais próximos do ângulo perpendicular, ocasião em que, consequentemente, se registram as temperaturas mais elevadas. Por isso, é evidente que o ângulo do raio[3] é o único fator determinante de sua influência.
A Astrologia trata com ângulos astrais e os efeitos deles observados na humanidade; e para determinar esses ângulos e tabular essas considerações, as estrelas fixas, ao longo da trajetória do Sol, foram divididas em grupos ou constelações, e a Terra, como vista a partir do lugar do nascimento de uma criança foi dividida em Casas. A grande maioria dos novos Estudantes Rosacruzes muitas vezes se confundem em diferenciar o que são Signos e o que são Casas, mas se memorizarem que os Signos são divisões dos Céus, e as Casas são divisões da Terra, não haverá nenhuma dificuldade. Os Signos influenciam determinadas partes do Corpo Denso; as Casas governam as condições da vida.
Como em qualquer outro círculo[4], o Zodíaco é dividido em 360 graus, de modo que cada um dos doze Signos tem 30 graus[5]. Os nomes e os símbolos deles são mostrados no diagrama acima. As partes do Corpo Denso governadas por esses Signos são as seguintes[6]:
| Signo | Parte do Corpo Denso |
| Áries | Cabeça |
| Touro | Cerebelo e Pescoço |
| Gêmeos | Braços e Pulmões |
| Câncer | Estômago |
| Leão | Coração e Medula Espinhal |
| Virgem | Intestinos |
| Libra | Rins |
| Escorpião | Órgãos Sexuais e Reto |
| Sagitário | Quadris e Coxas |
| Capricórnio | Joelhos |
| Aquário | Tornozelos |
| Peixes | Pés |
Essas doze constelações constituem o Zodíaco Natural e estão sempre nas mesmas posições relativas, mas devido ao movimento dos polos da Terra, o Sol cruza o equador num ponto ligeiramente diferente a cada ano no Equinócio de Março, e esse ponto de mudança é considerado na Astrologia como sendo o primeiro grau de Áries, o início do que chamamos de Zodíaco Intelectual. Esse Zodíaco muda a uma taxa, em média, de 50,1 segundos de ano para ano, 1 grau em 72 anos, 1 Signo em 2.156 anos, completando o círculo de 12 Signos em, aproximadamente, 25.868 anos. Esse movimento retrógrado é chamado de “Precessão dos Equinócios”.
Do ponto de vista materialista, parece não haver razão para essa alteração do Zodíaco, mas do ponto de vista do místico não é de modo algum arbitrária, ao contrário, é necessária e está em harmonia com o caminho espiral da evolução, seguido tanto pela estrela fixa quanto pela estrela do mar, observável em toda a natureza. Após a conclusão de cada ciclo, os Zodíacos Intelectual e Natural se ajustam (a última vez aconteceu em 498 d.C.), então começa um novo período mundial, uma nova fase de evolução, um ciclo da espiral mais elevado em que estamos sempre caminhando em direção a Deus. Mesmo sob o ponto de vista material é evidente que o caminho em espiral do Sistema Solar, observado pelos astrônomos, deve mudar o ângulo de incidência dos raios luminosos das estrelas fixas, e como o ângulo de incidência dos raios do Sol sobre nossa Terra possui o efeito de produzir as mudanças climáticas de verão e inverno, é razoável que uma mudança semelhante deve suceder-se à nossa mudança de posição em relação às estrelas fixas, o que pode ser responsável por mudanças graduais de condições, tais como estações de inverno menos frios e estações de verão menos quentes em algumas partes do mundo.
[1] N.T.: em torno de 147,1 milhões de quilômetros, atingindo o periélio por volta de catorze dias após o solstício de dezembro, próximo do dia 4 de janeiro.
[2] N.T.: em torno de 152,1 milhões de quilômetros, atingindo o afélio por volta de catorze dias após o solstício de junho, próximo do dia 4 de julho.
[3] N.T.: inclinação do eixo da Terra em relação ao Sol – 23,5 graus. Graças a ela, os raios solares incidem de forma diferente ao longo do ano.
[4] N.T.: como estudamos na geometria
[5] N.T.: invariavelmente
[6] N.T.: aqui são listadas somente a parte principal regida por cada Signo. Para uma lista completa consultar o Livro Astrodiagnose e Astroterapia.
Além do mais, observou-se que as condições climáticas dispõem de um impacto nítido em nossas características ou inclinações habituais ou, ainda, no nosso modo de responder às emoções – nos sentimos de maneira diferente tanto no verão como no inverno – e não pode essa mudança lenta em relação às estrelas fixas ser a causa dessa mudança na humanidade, que conhecemos por evolução? O místico afirma que sim. Assim como os raios do Sol, pela mudança do ângulo de incidência, suscitam as folhas e flores da planta em determinado momento, e em outro as fazem murchar, assim também os raios das estrelas fixas suscitam e produzem as maiores mudanças na flora e fauna; eles são responsáveis pela ascensão e queda das nações e pela mudança marcada pela sensibilidade excessiva e alterações de humor impulsivas que chamamos de civilização.
Indo mais longe com a analogia, o Zodíaco Natural é composto pelas constelações que são vistas nos céus, e o Zodíaco Intelectual começa sua mudança no exato ponto onde o Sol cruza o Equador no Equinócio de Março. Essa é a época em que a Natureza faz nascer tudo aquilo que ela germinou no ventre dela no inverno anterior. Assim, o horóscopo do mundo muda de ano para ano. “Como em cima, assim embaixo”, é a Lei da Analogia e os mesmos pontos salientes são observáveis na evolução do ser humano, do micróbio, da estrela do céu e da estrela do mar.
No mapa natal do ser humano temos, também, o que pode ser chamado de horóscopo natural, que é o mapa levantado e calculado segundo as regras da Astrologia, em que qualquer Signo pode estar no Ascendente ou na Primeira Casa. A mudança do Equinócio de Março corresponde ao primeiro grau de Áries, no Zodíaco Intelectual, assim, o Ascendente no horóscopo de qualquer ser humano também tem uma influência correspondente a esse grau. A Segunda Casa corresponde a Touro, a Terceira Casa a Gêmeos, e assim por diante, formando a contraparte do Zodíaco Intelectual no horóscopo do ser humano.
Assim como os raios do Sol se intensificam quando focalizados através de uma lente, do mesmo modo ocorre com a vida espiritual do Sol quando focalizada através das duas Casas de Marte[1] para trazer uma vida a partir dos Mundos invisíveis.
Câncer, o primeiro dos Signos de Água, era representado como um escaravelho (besouro) entre os antigos Egípcios, que era o emblema deles da alma, e os ocultistas sabem que o Átomo-semente do Corpo é implantado[2] quando o Sol da Vida (o Ego) está em Câncer, a esfera da Lua, o Astro da fecundação.
Quatro meses depois, quando o Sol da Vida passa pelo segundo Signos de Água, Escorpião, que está sob a regência de Marte, o Planeta da paixão e da emoção, o Cordão Prateado está vinculado, ligando o Corpo de Desejos aos veículos inferiores[3], e temos a ‘vivificação’ quando o feto principia a mostrar vida senciente. A essa altura, o Ego já dissolveu os corpúsculos sanguíneos nucleados através dos quais a vida da mãe já se manifestou naquele organismo crescente, e então pode começar a funcionar no fluido vital e manifestar sinais de vida separada no Corpo até que o Sol da Vida tenha completado o ciclo de vida dele e, novamente, alcance a mística Oitava Casa.
Oito meses depois que o Átomo-semente foi introduzido naquele ambiente apropriado, o Sol da Vida, o Espírito, entra em Peixes, o último dos Signos de Água do Zodíaco místico, o qual está sob o expansivo e benéfico raio de Júpiter. Sob essa benévola influência, as águas do parto se avolumam e rompem as paredes distendidas do útero, quando se completam, mais ou menos, os nove meses de gestação, lançando a alma recém-nascida no Oceano da Vida ao primeiro ponto de Áries, onde é aquecida e animada pela combinação dos raios de Marte, como Regente do Signo de Áries, e do Sol no Signo de Áries, onde o Sol está em Exaltação. Assim, ele é preparado para a batalha da existência pelo energético deus da guerra, e sua fonte de vida, seja ela grande ou pequena, é totalmente preenchida pelo Sol, do grande reservatório cósmico de energia vital.
AS CASAS
Num horóscopo o lugar do nascimento é sempre suposto estar no ponto mais alto da Terra. Ele é indicado por uma seta na figura abaixo e o ponto bem acima dele no céu é chamado de Meio-do-Céu. Como um observador no hemisfério norte precisa sempre olhar na direção sul para ver o Sol do meio-dia, segue que o leste fica à sua esquerda e o oeste à sua direita. Os astrólogos chamam o horizonte oriental de Ascendente, porque nesse ponto as estrelas nascem ou ascendem em direção ao Meio-do-Céu, e pela razão inversa chamam o horizonte ocidental de Descendente. Os raios de estrelas localizadas nesses pontos extremos incidem no lugar do nascimento em diferentes ângulos, portanto, a influência deles pode variar e, também, pode haver uma diferença considerável do efeito nos pontos intermediários entre o horizonte e o Meio-do-Céu, além do que, os Astros posicionados abaixo da Terra também exercem a capacidade de influenciar, embora não na mesma proporção de quando posicionados acima do lugar do nascimento. A influência dos Astros nos vários departamentos da vida tem sido observada como se segue:

| 1ª Casa | a condição física do Corpo como um todo ou das suas partes; a forma física do Corpo; o ambiente durante a infância; o lar na infância |
| 2ª Casa | as finanças |
| 3ª Casa | a literatura; as habilidades e os métodos de assuntos práticos (tecnologia, manufatura e artesanato); a inteligência prática (a capacidade de aplicar, usar e implementar o que a pessoa sabe); as jornadas de curta duração (viagens, processos curtos de aprendizagem ou de autodescoberta); irmãos e irmãs |
| 4ª Casa | o lar e as condições na fase de senilidade (quando estamos experimentando o processo patológico de envelhecimento) dessa vida |
| 5ª Casa | os meios de se divertir ou se entreter; os namoros; os filhos; as especulações (formar uma teoria ou conjectura sem evidência firme) |
| 6ª Casa | a saúde; empregados (as) ou funcionários (as); o trabalho que produz valor de uso (servir) e não somente valor de troca |
| 7ª Casa | as parcerias e sociedades; os casamentos e as uniões conjugais; as belas-artes (como pintura, escultura ou música) focadas, principalmente, com a criação de belos objetos; o público |
| 8ª Casa | as heranças (de coisas tangíveis: recursos financeiros, bens físicos, propriedades e coisas afins); a morte |
| 9ª Casa | a Religião; a filantropia; o idealismo; a justiça; as jornadas de longa duração (viagens, processos longos de aprendizagem ou de autodescoberta) |
| 10ª Casa | a profissão; a posição social (a posição da pessoa em uma dada sociedade ou cultura); a ambição (o desejo de alcançar um determinado fim e que requer determinação e árduo trabalho) |
| 11ª Casa | os amigos; as esperanças; os desejos |
| 12ª Casa | as prisões e os aprisionamentos; os hospitais; as angústias profundas, as tristezas, os arrependimentos; os problemas, as dificuldades |
[1] N.T.: que são a Primeira Casa (Áries) e Oitava Casa (Escorpião) num horóscopo natural.
[2] N.T.: O Átomo-semente do Corpo Denso é colocado na cabeça do espermatozoide do papai que irá fecundar o óvulo e o Átomo-semente do Corpo Vital é colocado no útero da futura mamãe.
[3] N.T.: Corpo Denso e Corpo Vital.
CAPÍTULO 4 – O SIGNO ASCENDENTE E AS DOZE CASAS
Para ilustrar como se levanta um horóscopo, nós, primeiro, levantaremos quatro horóscopos de quatro pessoas nascidas na cidade de Chicago – Estado de Illinois, EUA – em 2 de agosto de 1909, uma às 2h15 A.M., outra às 8h15 A.M., outra às 2h15 P.M e a última às 8h15 P.M., até o ponto de encontrarmos e inserirmos os Signos nas Cúspides das Casas. As Cúspides são as linhas divisórias entre duas Casas.
Localizando a cidade de Chicago no mapa[1], notamos que ela está situada próximo aos 42 graus de latitude norte e próximo dos 88 graus de longitude oeste de Greenwich.
Nosso primeiro passo é calcular a Hora Local Exata do Nascimento. Primeiramente, retornemos à regra fornecida no Capítulo 2 que diz: “para o Horário do Meridiano Padrão mais próximo, some quatro minutos para cada grau quando o lugar de nascimento estiver a leste do Meridiano correspondente a esse horário.
Se o lugar de nascimento estiver a oeste desse Meridiano, subtraia quatro minutos para cada grau em que estiver a oeste dele”.
A Hora do Meridiano Padrão mais próxima é a Hora Central aferida pelo meridiano 90 graus. Chicago localizada a 88 graus de longitude oeste, se encontra a 2 graus a leste do Meridiano 90 graus. Portanto, somamos duas vezes quatro, ou oito minutos, ao horário mostrado pelo relógio a fim de encontrar a Hora Local Exata. No caso do primeiro horário do nascimento, quando o relógio marcava 2h15 A.M., em 2 de agosto, a Hora Local Exata é, portanto, 2h23 A.M. Essa Hora Local Exata do Nascimento será usada em todos os cálculos subsequentes do horóscopo. Observe, no entanto, que essa correção da Hora Padrão para a Hora Local se aplica aos Estados Unidos da América para datas posteriores a 18 de novembro de 1883, quando a Hora Padrão foi adotada[2].
Agora procederemos para encontrar a Hora Sideral (abreviatura: H.S.[3]) do lugar e da hora do nascimento. Como ponto de partida para nossos cálculos tomemos a H.S. (Hora Sideral) de Greenwich ao meio-dia. A partir disso, podemos calcular a Hora Sideral no lugar e na hora de nascimento pela seguinte regra:
À Hora Sideral (H.S.) do meio-dia anterior à Hora Local Exata do nascimento (encontrado nas Efemérides) some:
Primeiro: 10 segundos de correção para cada 15 graus de longitude, se o lugar de nascimento ficar a oeste de Greenwich.
Segundo: intervalo entre o meio-dia anterior e o nascimento.
Terceiro: correção de 10 segundos para cada hora desse intervalo.
Seguindo a regra acima, consultemos novamente a Efemérides do ano de 1909, em que encontraremos a coluna intitulada Sideral Time (S.T. ou Hora Sideral). Como nossa primeira hora de nascimento é 2 de agosto com a Hora Local Exata de 2:23 A.M., notamos que o meio-dia anterior é 1º de agosto. Ao lado dessa data, encontramos a Hora Sideral (S.T.), como sendo 8 horas e 37 minutos, que colocamos assim:
| HORA SIDERAL – H.S. | HH MM SS |
| H.S. em Greenwich ao meio-dia anterior ao nascimento | 08:37:00 |
| Correção de 10 segundos para cada 15 graus de longitude Oeste do Lugar de nascimento (SOMAR) | 00:00:59 |
| Intervalo entre o meio-dia anterior (1º de agosto) e a Hora Local Exata do nascimento (2 de agosto às 2:23 A.M.) | 14:23:00 |
| Correção de 10 segundos por hora de intervalo entre o meio-dia anterior e a H.L.E. (2:23 A.M.) que é igual a 144 segundos ou 2 minutos e 24 segundos | 00:02:24 |
| Hora Sideral (H.S.) no lugar e hora do nascimento | 23:03:23 |
Quando o lugar de nascimento se encontra na longitude leste, a correção da longitude é subtraída. Se a criança tivesse nascido em 2 de agosto às 2:15 A.M., nos 42 graus de latitude norte, mas à 88 graus de longitude leste, a Hora Sideral seria calculada da seguinte forma:
| HORA SIDERAL – H.S. | HH MM SS |
| H.S em Greenwich ao meio-dia anterior ao nascimento | 08:37:00 |
| Correção de 10 segundos para cada 15 graus de longitude Leste do Lugar de nascimento (SUBTRAIR) | 00:00:59 |
| Resultado parcial | 08:36:01 |
| Intervalo entre o meio-dia anterior (1º de agosto) e a Hora Local Exata do nascimento (2 de agosto às 2:23 A.M.) | 14:23:00 |
| Correção de 10 segundos por hora de intervalo entre o meio-dia anterior e a H.L.E. (2:23 A.M.) que é igual a 144 segundos ou 2 minutos e 24 segundos | 00:02:24 |
| Hora Sideral (H.S.) no lugar e hora do nascimento | 23:01:25 |
Como as Casas são regulamentadas pela latitude, usa-se a mesma Tabela de Casas para a criança que nasce em Chicago.
Com o cálculo dessa Hora Sideral, voltamos à Tabela de Casas e procuremos a latitude do lugar de nascimento, 42 graus. Lá encontraremos uma coluna com o título SIDERAL TIME que é a nossa Hora Sideral (H.S.) para o nascimento de 23:03:23. E o mais próximo dessa hora é 23:04:46. De acordo com essa Hora Sideral encontraremos os vários graus dos Signos a serem colocados em nosso horóscopo.
Na primeira coluna sob a latitude 42º N acompanhamos até encontrar o número 15 que se encontra na mesma linha que corresponde à Hora Sideral que encontramos de 23:04:46s; e no topo da coluna encontramos o Signo de Peixes, e acima dele o número 10, significando que os 15º graus de Peixes devem ser colocados na Cúspide da 10ª Casa, conforme mostra o horóscopo abaixo:
Na coluna seguinte, seguindo a mesma linha da nossa Hora Sideral (Sideral Time), encontramos o número 20, seguindo a coluna para cima encontramos o Signo de Áries, e no topo está o número 11, significando que os 20 graus de Áries devem ser colocados na Cúspide da 11ª Casa.
Na terceira coluna, de acordo com a nossa Hora Sideral (Sideral Time), está o número 1, seguindo a coluna para cima encontramos o Signo de Gêmeos, e no topo está o número 12, significando que o 1º grau de Gêmeos deve ser colocado na Cúspide da 12ª Casa.
A coluna mais larga, que vem a seguir marca o Ascendente (ASC). Nela encontramos os algarismos 8:10 alinhados com a nossa Hora Sideral (H.S.), e o Signo de Gêmeos no topo, mas desconsideramos esse Signo porque o Signo de Câncer está colocado entre nossa linha e o topo e sempre pegamos o primeiro Signo acima de nossa linha. Assim, colocamos os 8 graus e 10 minutos de Câncer no Ascendente.
Prosseguindo em nossa linha, vemos o próximo número 27 na primeira coluna logo depois da coluna do ASC. No topo está o Signo de Câncer, novamente, e o número 2. Assim, colocamos os 27 graus de Câncer na Cúspide da 2ª Casa.
Na coluna da extrema direita encontramos o número 19, o Signo de Leão e o número 3 no topo da coluna. Portanto, vamos colocar os 19 graus de Leão na Cúspide da 3ª Casa.
Obtivemos, assim, números para seis de nossas Casas; agora nas seis Casas opostas colocamos os Signos e graus opostos das seis já encontradas.
Tendo os 15 graus de Peixes na 10ª Casa, colocamos os mesmos 15 graus no Signo oposto de Virgem, na Cúspide da 4ª Casa, que é oposta à 10ª Casa.
Áries nos 20 graus na 11ª Casa é o oposto de Libra nos 20 graus colocado na Cúspide da 5ª Casa.
Sagitário no 1º grau colocado na Cúspide da 6ª Casa, forma exatamente o oposto de Gêmeos em 1º grau da 12ª Casa.
O Ascendente é sempre oposto à 7ª Casa e Capricórnio colocado no Ascendente é o oposto de Câncer a 8º10’ na 7ª Casa.
Os 27 graus de Câncer na 2ª Casa serão apropriadamente opostos aos 27 graus de Capricórnio na 8ª Casa, e os 19 graus de Aquário colocado na 9ª Casa está em oposição aos 19 graus de Leão na 3ª Casa.
Assim, todas as cúspides das Casas estão preenchidas, mas devido à inclinação do eixo da Terra, alguns dos Signos podem estar Interceptados entre duas Cúspides, portanto, é necessário verificar se todos os doze Signos estão em nosso horóscopo antes de prosseguirmos. Começando por Áries, depois vemos Gêmeos a seguir. Notamos que Touro está ausente e, portanto, o colocamos em sua devida posição entre Áries e Gêmeos.
Quando um determinado Signo é interceptado, seu oposto também estará ausente. Portanto, podemos de imediato colocar Escorpião em sua devida posição entre Libra e Sagitário.
Constatamos, agora, que todos os doze Signos estão colocados em nosso horóscopo, dos quais Câncer e Capricórnio estão ocupando, cada um, duas Cúspides. Ao colocarmos, assim, os Signos em suas devidas posições em relação às Casas, aqui finalizamos essa parte, completando-a, e deixemo-la de lado, por enquanto, uma vez que este é o ponto até onde pretendíamos tratar do assunto no momento.
[1] N.T.: atualmente é mais fácil encontrar diretamente tanto a latitude como a longitude de uma localidade na internet, por meio de uma simples pesquisa.
[2] N.T.: Para os outros países há que consultar a partir de que data a Hora Padrão foi adotada. Por exemplo, no Brasil a Hora Padrão foi adotada em 1º de janeiro de 1914.
[3] N.T.: em inglês S.T. ou ST.
CAPÍTULO 4 – O SIGNO ASCENDENTE E AS DOZE CASAS
Calcularemos, agora, outro para uma pessoa nascida no mesmo dia e lugar, porém, seis horas mais tarde: em Chicago, na data de 2 de agosto, às 8h15 da manhã (A.M.).
Primeiro, nós precisamos calcular a Hora Local Exata do Nascimento (H.L.E.). Conforme visto acima, acrescentamos oito minutos à hora indicada pelo relógio, ou seja, 8h15 A.M. Isso resulta em 8h23, que é a Hora Local Exata do Nascimento.
Nossa regra para encontrar a Hora Sideral (H.S.) na hora e local do nascimento requer que observemos o seguinte:
| HORA SIDERAL – H.S. | HHMMSS |
| H.S. em Greenwich ao meio-dia anterior ao nascimento (1º de agosto), conforme indicado nas Efemérides | 08:37:00 |
| Correção de 10 segundos para cada 15 graus de longitude Oeste no local de nascimento (Chicago, 88º O) | 00:00:59 |
| Intervalo entre o meio-dia anterior (1º de agosto) e a hora do nascimento (2 de agosto as 8:23 A.M.) | 20:23:00 |
| Correção de 10 segundos para cada hora de intervalo (20:23) que é igual a 204 segundos ou 3 minutos e 24 segundos | 00:03:24 |
| Hora Sideral (H.S.) no local e hora do nascimento | 29:04:23 |
| Subtrair um ciclo de 24 horas | -24:00:00 |
| Hora Sideral (H.S.) no local e hora do nascimento | 05:04:23 |
Como um dia só pode ter 24 horas, então devemos subtrair 24 quando necessário e trabalhamos com o restante, nesse caso 05:04:23 que é a Hora Sideral em Chicago na data do nascimento. Procuremos no livro Tabela de Casas para a latitude de Chicago, que é 42º N, essa hora encontrada ou a mais próxima dela.
A hora mais próxima é 05:03:30, e seguindo a mesma linha encontramos os graus para as várias cúspides das nossas Casas. Na primeira coluna da latitude de 42º N seguindo a linha da Hora Sideral (H.S.) está o número 17. No topo da coluna está o Signo de Touro e o número 10. Mas, veja que entre o número 17 e o topo da coluna temos o símbolo do Signo de Gêmeos. Assim, colocamos os 17 graus de Gêmeos na cúspide da 10ª Casa.
Na próxima coluna à direita está o número 21. No topo da coluna, o Signo de Gêmeos e o número 11. Mas, veja que entre o número 21 e o topo da coluna temos o símbolo do Signo de Câncer, então colocamos os 21 graus de Câncer na cúspide da 11ª Casa.
A próxima coluna da direita tem o número 22. Logo no topo encontramos o Signo de Câncer e o número 12. Mas, veja que entre o número 22 e o topo da coluna temos o símbolo do Signo de Leão, assim, colocamos os 22 graus de Leão na cúspide da 12ª Casa.
A grande coluna marcada com Ascendente (ASC) tem o Signo de Leão no topo e na linha da Hora Sideral o número 18:56, então colocamos 18 graus e 56 minutos (18:56). Mas, veja que entre o número 18:56 e o topo da coluna temos o símbolo do Signo de Virgem; assim colocamos no Ascendente ou na 1ª Casa os 18:56 de Virgem do nosso horóscopo.
Ao lado da coluna do Ascendente na sua direita, veremos o número 14. Logo no topo encontramos o Signo de Virgem e o número 2. Mas, veja que entre o número 14 e o topo da coluna temos o símbolo do Signo de Libra, assim, colocamos os 14 graus de Libra na cúspide da 2ª Casa.
Na coluna da extrema direita encontramos o número 13. Logo no topo encontramos o Signo de Libra e o número 3. Mas, veja que entre o número 13 e o topo da coluna temos o símbolo do Signo de Escorpião, assim, colocamos os 13 graus de Escorpião na cúspide da 3ª Casa.
Já colocamos os seis Signos em suas respectivas Casas, agora podemos colocar os seis Signos opostos nas Casas opostas restantes como fizemos antes: veja que na cúspide da 10ª Casa temos Gêmeos a 17 graus, portanto, seu oposto é a 4ª Casa em Sagitário, onde colocaremos também os 17 graus. Seguindo, na cúspide da 11ª Casa temos Câncer a 21 graus, em seu oposto está a 5ª Casa em Capricórnio a 21 graus. Na cúspide da 12ª Casa está Leão a 22 graus e no seu oposto colocamos Aquário a 22 graus na 6ª Casa. Na próxima temos no Ascendente o Signo de Virgem a 18:56 e no seu oposto colocamos Peixes a 18:56 na cúspide da 7ª Casa. Na cúspide da 2ª Casa está Libra a 14 graus e em seu oposto na 8ª Casa vamos colocar Áries a 14 graus e, na cúspide da 3ª Casa temos Escorpião a 13 graus, portanto, no seu oposto vamos colocar Touro a 13 graus na 9ª Casa.
Agora todas as cúspides do horóscopo estão preenchidas e, a seguir contemos os Signos para sabermos se todos estão presentes ou se é necessário colocar algum que pode estar interceptado. Começamos por Áries e descobrimos que todos os doze Signos estão representados. Portanto, estando esta parte concluída, deixamo-la de lado, por enquanto.
Vamos, agora, erigir o horóscopo de uma pessoa nascida em Chicago em 2 de agosto às 2:15 P.M. A Hora Local Exata do nascimento é 8 minutos mais tarde, ou seja, 2:23 P.M. Vemos que o meio-dia anterior é de 2 de agosto e, assim, começamos nossos cálculos da seguinte forma:
| HORA SIDERAL – H.S. | HHMMSS |
| H.S. em Greenwich ao meio-dia anterior ao nascimento (2 de agosto) | 08:4:00 |
| Correção de 10 segundos para cada 15 graus de longitude Oeste no local de nascimento (88º O) | 00:00:59 |
| Intervalo entre o meio-dia anterior e a hora do nascimento (meio-dia às 2:23 P.M.) | 02:23:00 |
| Correção de 10 segundos para cada hora de intervalo | 00:00:24 |
| Hora Sideral (H.S.) no local e hora do nascimento | 11:05:23 |
Voltando à nossa Tabela de Casas para a latitude 42ºNorte, verificando a H.S. mais próxima de 11:05:23 será de 11:04:45.
Seguindo a linha da Hora Sideral, na coluna da latitude 42º N. está o número 15, colocando o dedo em cima desse número e correndo o dedo para cima veremos o Signo de Virgem e no topo da coluna está o número 10. Portanto, os 15 graus de Virgem vamos colocar na cúspide da 10ª Casa.
Na segunda coluna temos o número 16, colocando o dedo em cima desse número e correndo o dedo para cima veremos o Signo de Libra e no topo o número 11, assim, os 16 graus de Libra devem ser colocados na cúspide da 11ª Casa.
O número 10 está na terceira coluna, e logo acima o Signo de Escorpião e chegando ao topo observamos o número 12e colocamos os 10 graus de Escorpião na cúspide da 12ª Casa.
Na coluna mais larga vemos o número 29:16, e no topo encontramos o Ascendente (ASC) e, assim, colocamos no Ascendente o Signo de Escorpião.
Na coluna à direita da do Ascendente vemos o número 1 e acima dele está o Signo de Capricórnio e, no topo vemos o número 2. Portanto, colocamos 1 grau do Signo de Capricórnio na cúspide da 2ª Casa.
A coluna da extrema direita mostra o número 8 e um pouco acima encontramos o Signo de Aquário e no topo da coluna o número 3. Assim, colocamos 8 graus de Aquário na cúspide da 3ª Casa.
Agora, com as seis das nossas cúspides preenchidas, passemos a colocação dos Signos opostos e graus nas outras seis cúspides, conforme demonstrado detalhadamente nos dois primeiros horóscopos. Quando isso tenha sido feito, contamos os nossos Signos a partir de Áries para ver se todos estão representados dentro do horóscopo. Notamos o fato da ausência de Gêmeos e Sagitário, portanto, vamos inseri-los em seus devidos lugares – Gêmeos entre Touro e Câncer, Sagitário entre Escorpião e Capricórnio. Assim, completamos nosso horóscopo no que tange aos Signos e Casas, mas vamos parar por aqui para erigir a última de nossas quatro datas de exemplos para uma pessoa nascida em Chicago, 2 de agosto de 1909, às 8:15 P.M. A Hora Local Exata do lugar de nascimento é de 8 minutos mais tarde ao horário de nascimento, ou 8:23 P.M.
Como antes, notamos o:
| HORA SIDERAL – H.S. | HHMMSS |
| H.S. em Greenwich ao meio-dia anterior ao nascimento (2 de agosto) | 08:41:00 |
| Correção de 10 segundos para cada 15 graus de longitude Oeste no local de nascimento | 00:00:59 |
| Intervalo entre o meio-dia anterior e a hora do nascimento | 08:23:00 |
| Correção de 10 segundos para cada hora de intervalo entre o meio-dia anterior e o nascimento | 00:01:24 |
| Hora Sideral (H.S.) no local e hora do nascimento | 17:06:00 |
Com esta Hora Sideral, voltamos às Tabelas de Casas para a latitude do local de nascimento, 42º N, e encontramos a H.S..S.H. mais próxima de 17:06:00 que é 17:07:49.
Na primeira coluna sob latitude 42º N, encontramos o número 18. No topo dessa coluna está Sagitário e o número 10, portanto, vamos colocar os 18 graus de Sagitário na Cúspide da 10ª Casa.
Na segunda coluna encontramos o número 9. Capricórnio está logo acima e no topo da coluna está o número 11, dessa maneira, colocamos os 9 graus de Capricórnio na Cúspide da 11ª Casa.
A terceira coluna estreita tem o número 2 com o Signo de Aquário logo acima e no topo da coluna temos o número 12, assim, encontramos os 2 graus de Aquário que pode ser colocado na cúspide da 12ª Casa.
Na coluna mais larga está o número 7:8 do Signo de Peixes acima e no topo está o ASC (Ascendente), então colocamos 7:8 (7/8 sete graus e oito minutos) de Peixes na cúspide do Ascendente.
À direita da coluna larga encontramos o número 25; logo acima está Áries e no topo da coluna está o número 2, assim, podemos colocar 25 graus de Áries na cúspide da 2ª Casa.
A coluna da extrema direita tem o número 26 e o Signo de Touro está logo acima na coluna e no topo encontramos o número 3. Dessa maneira, vamos completar colocando os 26 graus de Touro na cúspide da 3ª Casa.
Havendo completado as seis cúspides, passemos ao preenchimento das seis cúspides opostas com os seus respectivos Signos.
Assim, temos 18 graus de Gêmeos na 4ª Casa em oposição a 18 graus de Sagitário na 10ª Casa. Temos 9 graus de Câncer na 5ª Casa em oposição a 9 graus de Capricórnio na 11ª Casa, e assim por diante. Quando todas as cúspides estiverem preenchidas, contamos os Signos para ver se todos os doze estão presentes; dessa maneira, verificamos que nosso horóscopo alcançou o mesmo estágio que o dos demais calculados anteriormente.
CAPÍTULO 4 – O SIGNO ASCENDENTE E AS DOZE CASAS

Esses horóscopos das quatro crianças nascidas na mesma cidade (Chicago), no mesmo dia e no mesmo ano (2 de agosto de 1909), mas, em horas diferentes, mostram graficamente que as pessoas podem nascer e nascem, sob a influência de todos os doze Signos em qualquer lugar, dia e ano.
Quando nós comparamos os quatro horóscopos que levantamos, podemos aprender várias lições importantes. Em primeiro lugar, podemos ver a inutilidade das afirmações que tantas vezes ouvimos: “Nasci no Signo de Touro” ou “Nasci no Signo de Escorpião”, o que simplesmente significa que a pessoa nasceu em maio ou novembro, quando o Sol transitava nesses Signos. Tal declaração expõe, ao mesmo tempo, que a pessoa se mostra ignorante da ciência da Astrologia e revela o fato de que, se ela tem o seu horóscopo em mãos, esse foi levantado por um astrólogo incompetente. Essas são, às vezes, as propagandas para atrair a atenção de quem quer ter um horóscopo seu: “adivinhamos tudo desde o seu berço até o seu túmulo” por uma quantia muito pequena. Mas, um Astrólogo consciencioso não pode dar um simples delineamento de caráter sem gastar, pelo menos, uma hora em cálculo e concentração focada e, fazer previsões que abrangem uma vida inteira exigiria vários dias de trabalho árduo. O Astrólogo científico pode afirmar que uma pessoa tem Touro ou Escorpião no Ascendente e, essa afirmação imediatamente mostra que foram feitos cálculos levando em consideração ano, mês, dia, hora e local do nascimento, o que torna o horóscopo absolutamente individual; enquanto o outro tipo de horóscopo (?) é determinado unicamente pelo mês em que a pessoa nasceu, sem levar em conta o dia, a hora ou até mesmo o ano.
Se um horóscopo pudesse ser levantado por tal método, ou melhor, sem nenhum método, certamente haveria na Terra somente doze tipos de pessoas e todas as nascidas no mesmo mês teriam o mesmo destino. Tal coisa, definitivamente, não é o caso; de fato, não há duas pessoas cujas experiências sejam exatamente iguais, e uma Astrologia que não faça tal distinção não pode ser uma ciência verdadeira.
O astrólogo científico solicita primeiro o ano de nascimento porque sabe que os Astros não entram nas mesmas posições relativas mais de uma vez em um Grande Ano Sideral[1]; assim, o horóscopo de uma criança levantado para 1909 não poderá ser duplicado por 25868 anos. Depois disso, ele pergunta o mês, porque disso dependerá a posição do Sol, que está em um Signo diferente a cada mês do ano.
O dia determina, particularmente, a posição da Lua, que transita de um Signo para outro a cada dois dias e meio; e a hora também é algo necessário para fixar a posição da Lua, já que ela se move, aproximadamente, 12 graus por dia.
Mesmo com todos esses dados, o horóscopo careceria de individualidade, pois se uma criança nascesse a cada segundo, isso significaria que 3600 pessoas nasceriam na mesma hora. Se pudermos reduzir esses dados para caber em dez minutos da hora real do nascimento, teríamos meios para calcular as posições relativa dos Astros, de tal modo que caberia apenas 600 das pessoas na Terra. Se acrescentarmos o último dado, o lugar de nascimento, que nos permite calcular o Signo Ascendente e o grau dele, então, teremos um horóscopo absolutamente individual, pois, de fato, raramente duas pessoas nascem no mesmo lugar, na mesma hora e no mesmo minuto. Mesmo os gêmeos nascem com intervalos de vinte minutos a várias horas e, podemos, prontamente, compreender que um dos gêmeos teria um grau diferente em seu Ascendente. E quando o final de um Signo é Ascendente para um dos gêmeos, geralmente, o outro nascerá sob o Signo seguinte como Ascendente. Como o Signo Ascendente é um dos principais significadores na moldagem do Corpo Denso, a aparência do segundo gêmeo pode ser totalmente diferente da do primeiro gêmeo.
Uma comparação dos Signos Ascendentes mostra uma aparente falta de uniformidade no movimento diurno da Terra. Às 2h15 A.M., o Signo de Câncer está ascendendo a 8º10’, enquanto, doze horas depois temos Escorpião no Ascendente a 29º16’, mostrando que o local de nascimento avançou apenas cerca de 141 graus nessas doze horas. Porém, para completar a volta toda no círculo ele deve percorrer 219 graus nas doze horas restantes. Mas, como a rotação diurna da Terra em seu eixo é uniforme, a falta de uniformidade no movimento observado acima se deve ao fato de que esse não é um movimento diurno verdadeiro. Essa condição é causada pela obliquidade da Eclíptica e a consequente divisão desigual destes últimos pelos planos que separam as Casas, sendo esses planos o do horizonte e do meridiano e quatro intermediários em intervalos de 30 graus. Por essa razão, certos Signos ascendem mais lentamente do que outros e, portanto, são chamados de Signos de Ascensão Longa, enquanto seus opostos são chamados de Signos de Ascensão Curta. Ficará evidente que a maioria das pessoas nascem sob os Signos de Ascensão Longa – Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião e Sagitário no Hemisfério Norte, e seus opostos no Hemisfério Sul.
[1] N.T: Ano Sideral é contado por meio do aparente movimento do Sol na abóbada celeste, em relação às 12 constelações zodiacais. O Sol percorre todo o Zodíaco em cerca de 25.868 anos.
CAPÍTULO 5 – COMO CALCULAR A POSIÇÃO DOS ASTROS
Como as Efemérides Rosacruzes são calculadas para Greenwich e para o momento em que o relógio do Observatório de Greenwich marca 12 horas (meio-dia), é necessário fazer correções para outros horários e lugares a leste ou oeste daquele ponto quando se deseja calcular os dados de um horóscopo.
Acrescentando-se à Hora Local Exata do nascimento quatro minutos por cada grau de longitude, se o local do nascimento fica a oeste de Greenwich, nós obtemos a Hora Média de Greenwich, como marcada pelo relógio do Observatório. Esse horário se escreve apenas pelas suas iniciais: H.M.G.
Podemos aplicar essa regra para calcular a H.M.G. para o horóscopo de 2 de agosto, às 8:15 A.M. em Chicago (EUA), que se situa nos 88 graus de longitude oeste:
| HH MM SS | ||
| Hora Local Exata do nascimento (como calculamos anteriormente) | 08:23:00 AM | De 2 de agosto |
| Correção de 4 minutos que vezes 88 graus é igual a 352 minutos | 05:52:00 | |
| Hora Média de Greenwich (H.M.G.) | 02:15:00 PM | De 2 de agosto |
Observe: multiplicando-se os graus de longitude oeste de Chicago (88 graus) por 4 minutos temos 352 minutos, que dividimos por 60, porque cada hora tem 60 minutos. Obtemos assim 5 horas e 52 minutos, que somamos à Hora Local Exata do nascimento, 8 horas e 23 minutos da manhã, e o resultado é 2 horas e 15 minutos da tarde, a qual é a H.M.G.
Isto quer dizer que no mesmo momento em que a criança nascia e os relógios de Chicago marcavam 8:15 da manhã (AM), o relógio do Observatório de Greenwich marcava 2:15 da tarde (PM).
Esse último horário é o que se deve usar para calcular as posições dos Astros (Sol, Lua e Planetas) e, para que se tenha em mente tão somente o mínimo indispensável de fatores, sugerimos que o principiante esqueça a Hora Local do nascimento, uma vez calculada a H.M.G.
Nas longitudes ocidentais a H.M.G. pode avançar no dia seguinte ao do nascimento, em virtude da soma dos 4 minutos por cada grau de longitude. Nos casos em que a longitude do lugar do nascimento é a leste de Greenwich, os 4 minutos por cada grau de longitude são subtraídos e, portanto, a H.M.G. pode retroceder para o dia que antecede ao do nascimento. Desse modo não falemos de data ou horário de nascimento, mas de data e horário H.M.G. [1]
O que precisamos fazer agora é achar o movimento dos Astros no dia H.M.G., que vai do meio-dia anterior à H.M.G. até ao meio-dia posterior à H.M.G. As posições dos Astros são fornecidas pelas Efemérides Rosacruzes[2].
Como a nossa H.M.G. é 2:15 A.M. do dia 2 de agosto de 1909, se queremos calcular o percurso diário do Sol anotamos a longitude dele ao meio-dia de 2 de agosto (meio-dia anterior à H.M.G.) e a do dia 3 de agosto (meio-dia posterior à H.M.G.). Como vamos subtrair, escrevamos em cima a posição do Astro no meio-dia seguinte, pois isso facilita a operação.
| HH MM SS | |
| A longitude do Sol ao meio-dia de 3 de agosto de 1909 (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | 10:28 |
| A longitude do Sol ao meio-dia de 2 de agosto de 1909 (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | 09:31 |
| Percurso do Sol no dia da H.M.G. | 00:57 |
O passo seguinte é achar o intervalo entre a H.M.G. e o meio-dia mais próximo, pois isto também é uma base para a nossa correção. No horóscopo que estamos utilizando a H.M.G. é 2:15 P.M. de 2 de agosto. O meio-dia mais próximo é, obviamente, às 12 horas A.M. do mesmo dia 2 de agosto, e o intervalo entre as 12:00 A.M. e as 2:15 P.M. é, assim, 2 horas e 15 minutos[3].
Tendo encontrado o percurso do Astro no dia H.M.G. e o intervalo entre a H.M.G. e o meio-dia mais próximo, nosso problema pode ser posto assim:
Se o Sol percorre 57 minutos de espaço em 24 horas, quanto ele percorre em 2 horas e 15 minutos? A resposta é: 5 minutos[4].
Esse método de trabalhar com correções pela simples proporção pode ser utilizado com vantagem quando o percurso do Astro é menor que 1 grau; nos casos de Vênus, Mercúrio e, particularmente, no caso da Lua, é muito mais rápido, muito mais seguro e muito mais exato fazer as correções por meio dos logaritmos. Nas últimas páginas das Efemérides Rosacruzes de qualquer ano se encontra uma Tabela de Logaritmos, que também pode ser encontrada no apêndice desse livro e seu uso é extremamente simples.
No alto dessa Tabela há uma sequência de números, de 0 a 23. Esses números tanto são para nos fornecer as horas como para nos fornecer os graus (já que ambos são divididos em 60 minutos); no lado esquerdo há uma coluna que nos fornecem os minutos (tanto para as horas como para os graus) com números de 0 a 59.
Se queremos achar o logaritmo de certo número que está em horas e minutos (ou em graus e minutos), simplesmente pomos nosso dedo indicador no número correspondente ao de horas (ou graus) desejados, daí descendo pela coluna até alcançarmos a linha correspondente aos minutos dados. No ponto em que a linha de minutos intercepta a coluna de horas (ou graus) temos o valor do logaritmo procurado.
Por exemplo, o percurso diário do Sol no horóscopo que estamos calculando é de 0 grau e 57 minutos. Pomos nosso indicador na coluna com o “0” no topo. Corremos o dedo página abaixo até alcançarmos a linha com o número “57” que representa os minutos. No ponto em que essa linha intercepta ou encontra a coluna do “0” vemos o número 1.4025, que é o logaritmo do percurso do Sol no dia H.M.G., que vai do meio-dia de 2 de agosto ao meio-dia de 3 de agosto.
De modo semelhante podemos achar o logaritmo do intervalo entre a H.M.G. e o meio-dia mais próximo. Neste caso, como calculamos acima, o intervalo é de 2 horas e 15 minutos. Corremos nosso indicador de cima para baixo na coluna encabeçada pelo número “2” e achamos o número 1.0280 na linha com o número “15”, na coluna dos minutos. Este é o logaritmo do intervalo: 1.0280.
O movimento diário de cada Astro difere do movimento diário de todos os outros Astros. Portanto, o percurso de cada um deles precisa ser calculado separadamente e o respectivo logaritmo precisa ser encontrado, mas o intervalo entre a H.M.G. e o meio-dia mais próximo se aplica igualmente no cálculo de todos os Astros, de forma que, uma vez determinado o intervalo, seu logaritmo pode ser usado no cálculo das posições de todos os Astros.
[1] N.T.: Exemplo: 1) uma pessoa que nasceu na data de 2 de agosto de 1909, às 8:15 P.M. em Chicago (EUA), que se situa nos 88 graus de longitude oeste. Calculando veremos que a HLE será 8:23 PM. E a HMG será 8:23 PM + 5:52 = 2:15 AM do dia 3 de agosto de 1909.
2) uma pessoa que nasceu na data de 31 de dezembro de 1909, às 8:15 P.M. em Chicago (EUA), que se situa nos 88 graus de longitude oeste. Calculando veremos que a HLE será 8:23 PM. E a HMG será 8:23 PM + 5:52 = 2:15 AM do dia 1 de janeiro de 1910.
[2] N.T.: Aqui a página com as Efemérides para o mês de agosto de 1909 com as longitudes dos Astros:

[3] N.T.: já que 02:15 PM é o mesmo que 14:15, pensemos assim, talvez facilite: 14:15 – 12:00 = 02:15.
[4] N.T.: é só aplicar a “regra de 3 simples”: 57 -> 60 então 5 -> x; x = 5,2 ou arredondando 5 minutos.
Continuando nossos cálculos:
| LOGARÍTMOS | |
| Logaritmo do Percurso do Sol no dia da H.M.G. (00:57) | 1.4025 |
| SOMA-SE ao Logaritmo do Intervalo | 1.0280 |
| Resultado é o Logaritmo da Distância Percorrida pelo Sol durante o Intervalo | 2.4305 |
O valor desse logaritmo em graus e minutos é determinado ao achar o mesmo valor na Tabela dos Logaritmos Proporcionais, ou o que seja mais próximo do Logaritmo da Distância Percorrida pelo Sol durante o Intervalo, calculado acima. No exemplo acima o logaritmo mais próximo é 2,4594[1]. Esse número está na coluna encabeçada pelo grau 0, e na mesma linha que tem o número 5 na coluna dos minutos, que é a primeira da esquerda. Por conseguinte, o valor correspondente do logaritmo é 0 grau e 5 minutos que é o Incremento de Correção. E assim obtemos o mesmo resultado para o nosso problema (Quando o Sol percorre 57 minutos em 24 horas, quanto percorrerá em 2 horas e 15 minutos?), tanto usando logaritmos quanto o método proporcional. Esse último pode parecer mais fácil ao principiante, mas uma vez determinado o Logaritmo do Intervalo, o método logarítmico será considerado mais fácil, rápido e mais preciso, pois as respostas obtidas pelos dois métodos nem sempre coincidem perfeitamente e, particularmente, no caso da Lua o método logarítmico deve ser usado.
Tendo encontrado a distância percorrida pelo Astro durante o intervalo entre a H.M.G. e o meio-dia mais próximo, para achar a posição do Astro na H.M.G. (que é o fim e objetivo de todos os nossos cálculos) devemos somar esse Incremento de Correção à longitude do Astro no meio-dia mais próximo ao dia H.M.G. Se essa H.M.G. for P.M., é porque neste caso o Astro foi além da posição mostrada nas Efemérides Rosacruzes.
Se, por outro lado, a H.M.G. for anterior ao meio-dia (A.M.) o Astro ainda não alcançou a posição indicada pelas Efemérides ao meio-dia, pelo que se faz necessário subtrair a distância percorrida no intervalo – o Incremento de Correção – da longitude do Astro dado pelas Efemérides no meio-dia mais próximo à H.M.G.
No caso presente a H.M.G. é posterior ao meio-dia (P.M.), portanto, nós somamos:
| SIGNO | GG MM | |
| Longitude do Sol no meio-dia mais próximo à H.M.G., 2 de agosto, como lido das Efemérides de agosto de 1909 | Leão | 09:31 |
| SOMA-SE ao Incremento de Correção | 00:05 | |
| Resultado é a Longitude do Sol à H.M.G. | Leão | 09:36 |
Essa é a posição do Sol que deve ser inserida no horóscopo.
Para conveniência do Estudante nós, agora, enunciaremos os passos da regra para encontrar as posições dos Astros, na devida ordem de cálculo:
6.a) Quando a H.M.G. é anterior ao meio-dia (A.M.), subtraia o Incremento de Correção da Longitude do Astro no meio-dia mais próximo à H.M.G., como lido das Efemérides do mês e do ano de nascimento.
6.b) Quando a H.M.G. é posterior ao meio-dia (P.M.), some o Incremento de Correção à Longitude do Astro no meio-dia mais próximo à H.M.G., como lido das Efemérides do mês e do ano de nascimento.
NOTA IMPORTANTE: Quando o Astro está Retrógrado, inverta-se as condições do item 6[7].
O resultado, em qualquer um dos casos acima, será a posição exata do Astro na H.M.G, e deve ser inserido no horóscopo, no seu devido lugar.
Essas regras são aplicadas no cálculo da posição de um Astro – o Sol –, mas como a H.M.G. (no caso, 2:15 P.M. de 2 de agosto) e o Logaritmo do Intervalo (1.0280) são os mesmos para todos os Astros, nós não precisamos calculá-los (nem a H.M.G e nem o Logaritmo do Intervalo), como vimos nos itens 1) e 2) acima. Assim, vamos começar nossos cálculos sobre a Lua e outros Planetas a partir do item 3) acima:
| SIGNO | HH MM SS | |
| A longitude da Lua ao meio-dia de 3 de agosto de 1909 (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | Peixes | 02:39 |
| A longitude da Lua ao meio-dia de 2 de agosto de 1909 (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | Aquário | 17:55 |
| Percurso da Lua no dia da H.M.G. | 14:44 |
O Estudante deve se lembrar que cada Signo tem 30 graus e que cada grau tem 60 minutos. Na subtração acima foi necessário tomar emprestado 1 grau[8] e somar seus 60 minutos aos 39, pois somente assim podemos tirar 55 do total de 99 minutos, conforme exigia a operação, sobrando ainda 44 minutos[9]. De modo semelhante, tomamos emprestado um Signo inteiro (30 graus) para acrescentá-lo ao 1 grau que sobrou de Peixes após tomar dele 1 grau para efetuar a subtração de minutos[10]. Portanto, subtraímos 31 de 17 graus, o que deixa um resto de 14 graus.
De acordo com o item 4) da nossa regra, fazemos:
| HH MM SS | |
| Logaritmo do Percurso da Lua no dia da H.M.G. (14:44) | 0.2119 |
| SOMA-SE ao Logaritmo do Intervalo | 1.0280 |
| Resultado é o Logaritmo da Distância Percorrida pela Lua durante o Intervalo | 1.2399 |
Aplicando a regra no seu item 5) que nos diz como achar o valor desse logaritmo, e em nossa Tabela de Logaritmos Proporcionais podemos verificar como o valor mais próximo o 1.2393. Acima dele, no topo da coluna, vemos o número 1, na extremidade esquerda está o número 23, significando isso que a Lua se deslocou 1 grau e 23 minutos durante o intervalo (entre a H.M.G. e o meio-dia mais próximo). Esse é, pois, o Incremento de Correção.
O item 6.b acima diz que devemos somar esse Incremento de Correção à Longitude da Luz no meio-dia mais próximo à H.M.G., como lido das Efemérides de agosto de 1909:
| SIGNO | GG MM | |
| Longitude da Lua no meio-dia mais próximo à H.M.G., 2 de agosto, como lido das Efemérides de agosto de 1909 | Aquário | 17:55 |
| SOMA-SE ao Incremento de Correção | 01:23 | |
| Resultado é a Longitude do Sol à H.M.G. | Aquário | 19:18 |
[1] N.T.: pois 2.4594 – 2.4305 = 0.0289 e 2.4305 – 2.3802 = 0.1503; assim 2.4594 está mais próximo de 2.4305 e esse que deve ser utilizado.
[2] N.T.: suponhamos que a longitude do lugar de nascimento é 88 graus oeste e a H.L.E. é 8:23 AM de 2 de agosto: Então, façamos 4 x 88 = 352 minutos ou 05:52. Como a longitude do lugar de nascimento é oeste, então somemos: 8:23 + 5:52 = 2:15 P.M de 2 de agosto. Esse é o valor da H.M.G.
[3] N.T.: se a H.M.G. é 2:15, então o valor do Logaritmo do Intervalo será, consultando a Tabela, de 1.0280.
[4] N.T.: Por exemplo, se o percurso do Astro no dia H.M.G. foi de 0 grau e 57 minutos, então vamos à Tabela de Logaritmos Proporcionais com esse valor e encontramos: 1.405 que é o Logaritmo do Percurso do Astro durante o dia H.M.G.
[5] N.T.: Se o Logaritmo do Percurso do Astro durante o dia H.M.G. é 1.405 e o Logaritmo do Intervalo é 1.0280, então o Logaritmo do Percurso do Astro durante o Intervalo é 2.4305.
[6] N.T.: Se o Logaritmo do Percurso do Astro durante o Intervalo é de 2.4305, então, vamos à Tabela de Logaritmos Proporcionais com esse valor e encontramos: 0 grau e 5 minutos (00:05).
[7] N.T.: 6.a) Quando a H.M.G. é anterior ao meio-dia (A.M.), SOME o Incremento de Correção da Longitude do Astro no meio-dia mais próximo à H.M.G., como lido das Efemérides do mês e do ano de nascimento.
6.b) Quando a H.M.G. é posterior ao meio-dia (P.M.), SUBTRAIA o Incremento de Correção à Longitude do Astro no meio-dia mais próximo à H.M.G., como lido das Efemérides do mês e do ano de nascimento.
[8] N.T. …do valor 02:39 e, assim, os 2 graus viraram 1 grau e os 39 minutos viraram 60 + 39 = 99 minutos. Com isso podemos escrever os 02:39 como 01:99.
[9] N.T.: fizemos a primeira parte da conta, começando pelos minutos: 99 – 55 = 44 minutos.
[10] N.T.: pois após a operação com os minutos, ao invés de 2 graus de Peixes, ficamos com 1 grau de Peixes. Tomando 30 graus emprestados, ficamos com 31 graus.
O movimento de Netuno, Urano, Saturno e Júpiter no dia H.M.G. do meio-dia de 2 de agosto ao meio-dia de 3 de agosto pode se ver numa consulta às Efemérides de agosto de 1909[1], em poucos minutos. Consequentemente, a distância que eles percorreram no intervalo é insignificante, pelo que se escreve no horóscopo as posições que eles têm no meio-dia mais próximo à H.M.G. de 2 agosto. Marte se moveu 15 minutos no dia H.M.G., portanto, podemos acrescentar 1 minuto para o deslocamento durante o intervalo à longitude (ou posição) dele em 2 de agosto, como mostrado nas Efemérides; assim, anotamos no horóscopo a posição de Marte como estando em Áries 03:58 (ou 3º58’).
Vênus precisará da correção logarítmica[2]:
| SIGNO | HH MM SS | |
| A longitude de Vênus ao meio-dia de 3 de agosto de 1909 (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | Virgem | 06:21 |
| A longitude de Vênus ao meio-dia de 2 de agosto de 1909 (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | Virgem | 05:09 |
| Percurso de Vênus no dia da H.M.G. | 01:12 |
| LOGARÍTMOS | |
| Logaritmo do Percurso de Vênus no dia da H.M.G. (01:12) | 1.3010 |
| SOMA-SE ao Logaritmo do Intervalo | 1.0280 |
| Resultado é o Logaritmo da Distância Percorrida por Vênus durante o Intervalo | 2.3290 |
O Incremento de Correção (o valor do logaritmo 2.3290 ou do valor mais próximo encontrado na Tabela de Logaritmos Proporcionais, que neste caso é 2.3133) é 00:07 (ou 00º07’).
| SIGNO | GG MM | |
| Longitude de Vênus no meio-dia mais próximo à H.M.G., 2 de agosto, como lido das Efemérides de agosto de 1909 | Virgem | 05:09 |
| SOMA-SE ao Incremento de Correção | 00:07 | |
| Resultado é a Longitude de Vênus à H.M.G. (e que será inserido no horóscopo) | Virgem | 05:16 |
Mercúrio também se moveu o suficiente para exigir cálculo de sua posição exata na H.M.G. do nascimento por meio da correção logarítmica:
| SIGNO | HH MM SS | |
| A longitude de Mercúrio ao meio-dia de 3 de agosto de 1909 – após a H.M.G. (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | Leão | 09:22 |
| A longitude de Mercúrio ao meio-dia de 2 de agosto de 1909 – antes da H.M.G. (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | Leão | 07:17 |
| Percurso de Mercúrio no dia da H.M.G. | 02:05 |
| LOGARÍTMOS | |
| Logaritmo do Percurso de Mercúrio no dia da H.M.G. (02:05) | 1.0614 |
| SOMA-SE ao Logaritmo do Intervalo | 1.0280 |
| Resultado é o Logaritmo da Distância Percorrida por Mercúrio durante o Intervalo | 2.0894 |
O Incremento de Correção (o valor do logaritmo 2.0894 ou do valor mais próximo encontrado na Tabela de Logaritmos Proporcionais, que neste caso é 2.0792) é 00:12 (ou 00º12’).
| SIGNO | GG MM | |
| Longitude de Mercúrio no meio-dia mais próximo à H.M.G., 2 de agosto, como lido das Efemérides de agosto de 1909 | Leão | 07:17 |
| SOMA-SE ao Incremento de Correção | 00:12 | |
| Resultado é a Longitude de Mercúrio à H.M.G. (e que será inserido no horóscopo) | Leão | 07:29 |
[1] N.T.: Efemérides de agosto de 1909, para o meio-dia, com as longitudes dos Astros:
[2] N.T.: A Tabela de Logaritmos Proporcionais:
Agora, vamos encontrar as posições da Cabeça do Dragão, ou Nodo Lunar, e da Cauda do Dragão. A longitude da Cabeça do Dragão em 2 de agosto, ao meio-dia mais próximo da H.M.G., encontrada na Efemérides de agosto de 1909, está em Gêmeos 13:47 (ou 13º47’). A Cauda do Dragão ocupa o ponto oposto, ou seja: Sagitário 13:47 (ou 13º47’). Essas posições devem ser anotadas no horóscopo.
Ainda resta outro fator para completar o horóscopo: a Parte da Fortuna[1],um ponto imaginário calculado a partir das longitudes do Sol, da Lua e do Ascendente. A conceituação da Parte da Fortuna está em saber que o corpo humano é produzido pelas forças lunares. No momento da concepção[2] pode ser matematicamente demonstrado que a Lua se encontrava no mesmo grau do Ascendente no nascimento, ainda que na ocasião do nascimento ela esteja numa longitude diferente. Pode-se dizer que numa dessas posições a Lua magnetizou o polo positivo, e em outra, magnetizou o polo negativo do Átomo-semente[3], o qual, à semelhança de um ímã, atrai para si as substâncias químicas que formam o Corpo Denso. As forças solares vitalizam o Corpo Denso, mas como esse sofre um processo constante de deterioramento, se faz necessário uma suspensão ou solução de nutrientes em estado adequado para absorção – um pábulo – a fim de reparar as perdas. Esse tipo de associação de nutrientes e todas as posses materiais são, portanto, astrologicamente falando, derivadas das influências combinadas do Sol e das duas posições da Lua mencionadas acima. Quando os Aspectos relativos à Parte da Fortuna com os outros Astros são benéficos, o sucesso e a prosperidade materiais são favorecidos; quando são adversos, podem ser esperadas dificuldades ao lidar com assuntos materiais. A natureza do Astro que está com algum Aspecto com a Parte da Fortuna, bem como o Signo e a Casa em que a Parte da Fortuna se encontra, são as fontes das quais podemos esperar uma coisa ou outra, nos mostrando, assim, para onde direcionar as nossas energias ou o que devemos evitar.
Os Signos do Zodíaco são contados a partir de Áries, que é o primeiro Signo, e são assim numerados:
| Nome | Número Equivalente | Nome | Número Equivalente | |
| Áries | 1 | Libra | 7 | |
| Touro | 2 | Escorpião | 8 | |
| Gêmeos | 3 | Sagitário | 9 | |
| Câncer | 4 | Capricórnio | 10 | |
| Leão | 5 | Aquário | 11 | |
| Virgem | 6 | Peixes | 12 |
Para encontrarmos a posição da Parte de Fortuna:
Some: a longitude do Ascendente (Signo, Grau e Minutos) com a longitude da Lua (Signo, Grau e Minutos);
Dessa soma, subtraia a longitude do Sol (Signo, Grau e Minutos);
O resultado é a longitude de Parte da Fortuna (Signo, Grau e Minutos).
Aplicando essa regra ao horóscopo que estamos levantando, anotamos os fatores envolvidos no cálculo da seguinte forma:
| SIGNO | Número Equivalente | HH MM SS | |
| A longitude do Ascendente | Virgem | 6 | 18:56 |
| A longitude do Sol | Leão | 5 | 09:36 |
| A longitude da Lua | Aquário | 11 | 19:18 |
Seguindo as regras acima, somamos:
| SIGNO | Número Equivalente | HH MM SS | |
| A longitude da Lua | Aquário | 11 | 19:18 |
| A longitude do Ascendente | Virgem | 6 | 18:56 |
| RESULTADO DA SOMA | 18 | 08:14 |
E, em seguida, subtrair:
| SIGNO | Número Equivalente | HH MM SS | |
| RESULTADO DA SOMA | 18 | 08:14 | |
| A longitude do Sol | Leão | 5 | 09:36 |
| Longitude da Parte da Fortuna | Peixes | 12 | 28:38 |
O 12º Signo é Peixes, portanto, a longitude da Parte da Fortuna no horóscopo é: Peixes em 28:38 (ou 28º38’).
No exemplo acima, o Estudante perceberá que quando somamos os graus da Lua e do Ascendente: 19 + 18 e mais 1 grau, tomado da soma dos minutos, o resultado foi “38”, mas como só existem 30 graus num Signo, então um Signo foi levado e somados aos outros Signos, do mesmo modo como somamos 60 minutos aos graus ou às horas.
Se, depois da subtração da longitude do Sol, houver mais que 12 signos, subtraímos o círculo total de 12 e ficamos com o que sobrar.
Também pode acontecer que a longitude do Signo onde está o Sol exceda as longitudes da Lua e a do Ascendente, sendo impossível se efetuar a subtração. Por exemplo, se a:
| SIGNO | Número Equivalente | HH MM SS | |
| A longitude do Ascendente | Áries | 1 | 25:55 |
| A longitude da Lua | Áries | 1 | 25:50 |
| RESULTADO DA SOMA | 3 | 21:45 |
Se o Sol está em Capricórnio, o 10º Signo, não podemos subtrair 10 de 3, portanto, somamos um ciclo de 12 Signos:
| SIGNO | Número Equivalente | HH MM SS | |
| RESULTADO DA SOMA | 3 | 21:45 | |
| Ciclo de 12 Signos | 12 | 00:00 | |
| RESULTADO DA SOMA | 15 | 21:45 | |
Então, podemos subtrair da Longitude do Sol:
| SIGNO | Número Equivalente | HH MM SS | |
| RESULTADO DA SOMA | 15 | 21:45 | |
| A longitude do Sol | Capricórnio | 10 | 29:55 |
| Longitude da Parte da Fortuna | Câncer | 4 | 21:50 |
Assim, o 4º Signo é Câncer, portanto, a longitude da Parte da Fortuna no horóscopo seria: Câncer em 21:50 (ou 21º50’).
Na subtração acima: 45 minutos menos 55, tomamos “emprestado” 1 grau, ou 60 minutos, e adicionamos aos 45 minutos e, então, dessa soma, 105 minutos, subtraímos os 55, restando, portanto, 50 minutos.
Vamos continuar a operação: repare que depois da operação acima não temos mais 21 graus (do RESULTADO DA SOMA), mas sim 20 graus, pois tomamos “emprestado” 1 grau para a subtração dos minutos. Assim, para subtrairmos 29 graus dos 20 graus, também tomamos “emprestado” 1 Signo dos 15 (do RESULTADO DA SOMA). Os 30 graus desse Signo somamos aos 20 graus, o que totaliza 50 graus. Agora sim, destes 50 graus subtraímos os 29 graus, restando 21 graus. Como dos 15 tomamos “emprestado” 1 Signo, sobraram 14 e, assim, subtraindo 10 desses 14 restaram 4. O 4º Signo é Câncer, por conseguinte, a longitude da Parte da Fortuna é Câncer 21:50 (ou 21º50’).
[2] N.T.: Na concepção, o óvulo maduro é fertilizado por um espermatozoide. A fertilização acontece quando o espermatozoide atinge o óvulo e consegue perfurar com sucesso a membrana externa dele.
[3] N.T.: Átomo-semente do Corpo Denso.
Agora faremos uma lista das Longitudes dos Astros como nós temos calculado, antes de inseri-los no horóscopo:
| Nome do Astro | Signo | Longitude | |
| Grau | Minutos | ||
| Sol | Leão | 9 | 36 |
| Lua | Aquário | 19 | 18 |
| Netuno | Câncer | 17 | 42 |
| Urano | Capricórnio | 18 | 15 M |
| Saturno | Áries | 23 | 13 |
| Júpiter | Virgem | 15 | 10 |
| Marte | Áries | 3 | 58 |
| Vênus | Virgem | 5 | 16 |
| Mercúrio | Leão | 7 | 29 |
| Parte da Fortuna | Peixes | 28 | 38 |
| Cabeça do Dragão | Gêmeos | 13 | 47 |
| Cauda do Dragão | Sagitário | 13 | 47 |
Os Astros podem ser inseridos no horóscopo.
Ao inserir os Astros, o Estudante Rosacruz deve considerar, de modo especial, dois pontos:
Primeiro – Que os Astros são inseridos nas próprias Casas onde calculamos e na devida ordem. Os Signos e os respectivos graus do Zodíaco seguem na direção indicada na ordem natural deles; consequentemente, começando por Áries 0º (que deve estar na 7ª Casa, já que Áries nos 14º está na cúspide da 8ª Casa), vemos que Marte está em Áries 3:58, portanto colocamo-lo na 7ª Casa mais próximo à cúspide da 8ª Casa do que da 7ª Casa. Como Áries nos 14º está na cúspide ou na linha que assinala a entrada na 8ª Casa, e Saturno está em Áries a 23:13, colocamos esse na 8ª Casa, e mais perto da cúspide dessa Casa do que da 9ª Casa. Assim, ambos os Planetas estão em relação adequada um com o outro e com as Casas, e eles estão colocados de tal maneira que, vendo-os não podemos nos enganar quanto ao Signo em que se encontram. Se Marte fosse colocado mais perto da cúspide da 7ª Casa, à primeira vista pareceria estar em Peixes, e Saturno posto mais perto da cúspide da 9ª Casa pareceria estar em Touro. Isso causaria um erro na leitura, o qual pode ser evitado com um cuidado mínimo. Se o Estudante observar cuidadosamente o método aqui utilizado para colocação dos Astros nesse horóscopo, nunca terá dúvidas quanto aos Signos em que os Astros estão ocupando.

Segundo – As posições dos Astros devem ser legíveis sem a necessidade de virar ou inclinar a Folha do Horóscopo, o que contraria as condições para uma boa concentração. Se as posições dos Astros nas 3ª, 4ª, 9ª e 10ª Casas forem anotadas conforme anotamos as de Netuno e Urano, tal inconveniente não existirá.
O horóscopo agora está levantado e está completo. A maioria dos astrólogos, agora, começa a interpretá-lo, mas que essa interpretação seja mais completa é necessário fazer um índice, tal como apresentamos no último capítulo desta parte.
Com o objetivo de familiarizar bem o Estudante com o modo de levantar um horóscopo, primeiramente vamos completar o horóscopo que levantamos parcialmente da data de 2 agosto às 8:15 P.M.[1], pois esse horóscopo oferece certas peculiaridades que vale a pena darmos atenção, conforme exporemos a seguir.
Para determinar a H.M.G. de 2 de agosto, somamos à Hora Local Exata de Nascimento (08:23:00 P.M.) os 4 minutos por cada um dos 88 graus (4 x 88) de Longitude oeste de Greenwich em que se situa o lugar do nascimento, que convertido temos 05:52:00, resultado a H.M.G que já cai no dia seguinte, 3 de agosto no horário de 02:15:00 A.M.
Colocando em uma tabela:
| HH MM SS | ||
| Hora Local Exata do nascimento (como calculamos anteriormente) | 08:23:00 PM | De 2 de agosto |
| Correção de 4 minutos que vezes 88 graus é igual a 352 minutos | 05:52:00 | |
| Hora Média de Greenwich (H.M.G.) | 02:15:00 AM | De 3 de agosto |
Aqui está um ponto importante. Quando acrescentamos 5 horas e 52 minutos às 08:23:00 P.M. levamos a H.M.G para o dia seguinte; isso significa que no mesmo instante em que essa criança nascia em Chicago, com os relógios marcando 8:15 da noite de 2 de agosto, o relógio do Observatório de Greenwich marcava 2:15 da madrugada de 3 de agosto. Assim, o meio-dia de 3 de agosto é o mais próximo da H.M.G., e o intervalo entre a H.M.G. (2:15 A.M.) e o meio-dia mais próximo é, portanto, 9 horas e 45 minutos, cujo logaritmo é 0,3912.
Executemos, agora, os cálculos e as operações matemáticas prescritas no início deste Capítulo V:
| HH MM | |
| A longitude do Sol ao meio-dia de 3 de agosto de 1909 (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | 10:28 |
| A longitude do Sol ao meio-dia de 2 de agosto de 1909 (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | 09:31 |
| Percurso do Sol no dia da H.M.G. | 00:57 |
| LOGARÍTMOS | |
| Logaritmo do Percurso do Sol no dia da H.M.G. (00:57) | 1,4025 |
| SOMA-SE ao Logaritmo do Intervalo | 0,3912 |
| Resultado é o Logaritmo da Distância Percorrida pelo Sol durante o Intervalo | 1,7937 |
O valor do logaritmo 1,7937, ou seja, o Incremento de Correção é 0 grau e 23 minutos.
| SIGNO | GG MM | |
| Longitude do Sol no meio-dia mais próximo da H.M.G. | Leão | 10:28 |
| SUBTRAIA do Incremento de Correção | 00:23 | |
| Resultado é a Longitude do Sol à H.M.G. | Leão | 10:05 |
Essa é a posição em que inserimos para o Sol no horóscopo, ou seja: 10 graus e 5 minutos do Signo de Leão.
Observe que no horóscopo anterior (o de 2 agosto às 8:15 A.M., em Chicago (EUA)) nós somamos o Incremento de Correção à longitude de cada Astro (Sol, Lua e Planetas), porque a H.M.G. era após ao meio-dia. No atual horóscopo (o de 2 agosto às 8:15 P.M., em Chicago (EUA)) a H.M.G. é antes do meio-dia, assim subtraímos do Incremento de Correção da longitude de cada Astro no meio-dia mais próximo da H.M.G., conforme determina o item 6.b da regra que usamos para calcular a posição exata do Astro na H.M.G.[2].
| SIGNO | HH MM | |
| A longitude da Lua ao meio-dia após à H.M.G. (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | Peixes | 02:39 |
| A longitude da Lua ao meio-dia antes da H.M.G. (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | Aquário | 17:55 |
| Percurso da Lua no dia da H.M.G. | 14:44 |
| HH MM | |
| Logaritmo do Percurso da Lua no dia da H.M.G. (14:44) | 0,2119 |
| SOMA-SE ao Logaritmo do Intervalo | 0,3912 |
| Resultado é o Logaritmo da Distância Percorrida pela Lua durante o Intervalo | 0,6031 |
O valor do logaritmo 0,6031, ou seja, o Incremento de Correção é 5 graus e 59 minutos.
| SIGNO | GG MM | |
| Longitude da Lua no meio-dia mais próximo da H.M.G. | Peixes | 02:39 |
| SUBTRAIA do Incremento de Correção | 05:59 | |
| Resultado é a Longitude da Lua à H.M.G. | Aquário | 26:40[3] |
Conforme fizemos no primeiro horóscopo, neste também podemos dispensar cálculos para as posições de Netuno, Urano e Saturno sem a correção (fornecida por meio do Incremento de Correção), e apenas anotando as longitudes de cada um deles no meio-dia mais próximo à H.M.G. O percurso de Marte no dia H.M.G. é de 15 minutos, e seu percurso durante o intervalo de 9 horas e 45 minutos[4] deve, portanto, ser aproximadamente 6 minutos[5]. subtraindo 6 minutos da posição de Marte em 3 de agosto (no meio-dia mais próximo à H.M.G.), a posição de Marte no horóscopo será Áries 04:06. Do mesmo modo, Júpiter requer uma correção de 4 minutos[6], ficando sua posição em Virgem 15:17.
[1] N.T.: Atente bem que no início do Capítulo V nós calculamos os dados para um horóscopo que levantamos parcialmente da data de 2 agosto às 8:15 A.M., em Chicago (EUA).
[2] N.T.: veja no início desse Capítulo V
[3] N.T.: Uma maneira prática de fazer essa conta de subtração (quanto a parcela superior é menor do que a parcela inferior). Repare que estamos em uma circunferência e lá medimos as distâncias em graus e minutos. Sabemos, também que cada Signo tem 30 graus (sempre). E aqui sabemos que depois de Aquário vem Peixes, ou, antes de Peixes vem Aquário:
Outro modo: considerando uma reta de 0º a 360º, segmentada de 30 em 30 graus (o tamanho invariável de cada Signo), e sabendo que Aquário vem depois de Peixes, podemos considerar o ponto 2:39º de Peixes como se fosse o ponto 32:39 de Aquário. Agora se fizermos a subtração 32:39 – 05:59 = 31:99 – 05:59 = 26:40.
[4] N.T.: que é o intervalo de tempo entre a H.M.G., que é 2h15 AM de 3 de agosto, e o meio-dia mais próximo da H.M.G., que é o meio-dia do próprio 3 de agosto: 12:00 – 02:15 = 11:60 – 02:15 = 9:45.
[5] N.T.: ou seja: entre o meio-dia mais próximo à H.M.G. e a própria H.M.G (intervalo de 9 horas e 45 minutos). Ora se Marte se movimenta 15 minutos de 2 a 3 de agosto (portanto, 24 horas), então quanto ele se deslocou em 9 horas e 45 minutos? Apliquemos a Regra de Três simples: 15 m – > 24 h assim como x <- 9h45m, ou seja: 9h45m x 15m = 9,75h x 15m = 146,3 e 146,3/24 = 6,1 minutos, arredondando para baixo: 6 minutos!
[6] N.T.: O percurso de Júpiter no dia H.M.G. é de 11 minutos. Assim, entre o meio-dia mais próximo à H.M.G. e a própria H.M.G, ou seja, o intervalo de 9 horas e 45 minutos. Ora se Júpiter se movimenta 11 minutos de 2 a 3 de agosto (portanto, 24 horas), então quanto ele se deslocou em 9 horas e 45 minutos? Apliquemos a Regra de Três simples: 11 m – > 24 h assim como x <- 9h45m, ou seja: 9h45m x 11m = 9,75h x 11m = 107 e 107/24 = 4,4 minutos, arredondando para baixo: 4 minutos!
| SIGNO | HH MM | |
| A longitude de Vênus ao meio-dia após à H.M.G. – 3 de agosto de 1909 (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | Virgem | 06:21 |
| A longitude de Vênus ao meio-dia antes à H.M.G. – 2 de agosto de 1909 (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | Virgem | 05:09 |
| Percurso de Vênus no dia da H.M.G. | 01:12 |
| HH MM | |
| Logaritmo do Percurso de Vênus no dia da H.M.G. (01:12) | 1,3010 |
| SOMA-SE ao Logaritmo do Intervalo | 0,3912 |
| Resultado é o Logaritmo da Distância Percorrida por Vênus durante o Intervalo | 1,6922 |
O valor do logaritmo 1,6922, ou seja, o Incremento de Correção é 0 graus e 29 minutos.
| SIGNO | GG MM | |
| Longitude de Vênus no meio-dia mais próximo da H.M.G. | Virgem | 06:21 |
| SUBTRAIA do Incremento de Correção | 00:29 | |
| Resultado é a Longitude de Vênus à H.M.G. | Virgem | 05:52[1] |
Mercúrio é o último Planeta que temos que calcular:
| SIGNO | HH MM | |
| A longitude de Mercúrio ao meio-dia após à H.M.G. – 3 de agosto de 1909 (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | Leão | 09:22 |
| A longitude de Mercúrio ao meio-dia antes à H.M.G. – 2 de agosto de 1909 (como fornecido pelas Efemérides Rosacruzes de 1909) | Leão | 07:17 |
| Percurso de Mercúrio no dia da H.M.G. | 02:05 |
| HH MM | |
| Logaritmo do Percurso de Mercúrio no dia da H.M.G. (01:12) | 1,0614 |
| SOMA-SE ao Logaritmo do Intervalo | 0,3912 |
| Resultado é o Logaritmo da Distância Percorrida por Mercúrio durante o Intervalo | 1,4526 |
O valor do logaritmo 1,4526, ou seja, o Incremento de Correção é 0 graus e 51 minutos.
| SIGNO | GG MM | |
| Longitude de Mercúrio no meio-dia mais próximo da H.M.G. | Leão | 09:22 |
| SUBTRAIA do Incremento de Correção | 00:51 | |
| Resultado é a Longitude de Mercúrio à H.M.G. | Virgem | 08:31[2] |
As posições da Cabeça do Dragão (<), ou Nodo Lunar, e da Cauda do Dragão (>) também precisam ser encontradas. Segundo as Efemérides, no dia 3 de agosto, o meio-dia mais próximo da H.M.G., a Cabeça do Dragão está em Gêmeos 13:44[3]. A Cauda do Dragão ocupa o ponto oposto, ou seja, de Sagitário 13:44.
Agora só resta calcular a Parte da Fortuna (ou Roda da Fortuna), e para tal dispomos os fatores do cálculo como segue:
| SIGNO | GG MM | |
| Longitude do Ascendente no 12º Signo | Peixes | 07:08 |
| Longitude do Sol no 5º Signo | Leão | 10:05 |
| Longitude da Lua no 11º Signo | Aquário | 26:40 |
Procedemos de acordo com a regra fornecida:
| Nº do SIGNO | GG MM | |
| Longitude do Ascendente no 12º Signo | 12 | 07:08 |
| Longitude da Lua no 11º Signo | 11 | 26:40 |
| SOMANDO OS DOIS | 23 | 33:48 |
| MENOS: | ||
| Longitude do Sol no 5º Signo | 5 | 10:05 |
| RESULTADO | 18 | 23:43 |
| Como passou de 12 (o máximo número de Signos, então SUBTRAIMOS: | 12 | |
| RESULTADO: Posição da Parte da Fortuna | 6 | 23:43 |
Ou: a Longitude da Parte da Fortuna é: Virgem em 23:43
Agora, façamos uma lista dos Astros (Sol, Lua e Planetas) e os Elementos astrológicos calculados, a fim de inseri-los no horóscopo:
| ASTRO ou ELEMENTO ASTROLÓGICO | SIGNO | GG MM |
| Sol | Leão | 10:05 |
| Lua | Aquário | 26:40 |
| Netuno | Câncer | 17:44 |
| Urano | Capricórnio | 18:13M |
| Saturno | Áries | 23:14 |
| Júpiter | Virgem | 15:17 |
| Marte | Áries | 04:06 |
| Vênus | Virgem | 05:52 |
| Mercúrio | Leão | 08:31 |
| Parte da Fortuna | Virgem | 23:43 |
| Cabeça do Dragão | Gêmeos | 13:44 |
| Cauda do Dragão | Sagitário | 13:44 |
Acabamos de erigir dois horóscopos, e uma comparação entre ambos revela o fato de que, embora sejam de duas pessoas nascidas na mesma cidade e no mesmo dia e ano, as características de uma pessoa são inteiramente opostas às da outra e, uma vez que o caráter é o determinador do destino, as vidas dessas duas pessoas deverão ser totalmente opostas.
Antes de podermos interpretar esses dois horóscopos é necessário que nós obtenhamos uma clara concepção das relações dos Astros (Sol, Lua e Planetas) entre si, dos Astros com os Signos do zodíaco, e dos Astros com as Casas, conforme se encontram em cada um dos dois horóscopos, e com esta finalidade nós faremos um índice que deve revelar esses relacionamentos num relance, de maneira que nossas mentes não possam ser embaraçadas pela matemática no momento de interpretarmos o horóscopo, mas sejam livres e concentradas no significado dos diferentes Aspectos astrológicos e nas posições dos Signos, Astros e Elementos astrológicos.
RETROGRADAÇÃO
Na página das Efemérides Rosacruzes, que tem uma amostra nesse livro[4], você encontrará nas colunas de Saturno, Urano e Marte uma letra “R” em maiúsculo. Esse símbolo tem o seguinte significado:
Os Planetas do nosso Sistema Solar se movem em uma única direção, do oeste para leste, mas suas órbitas em torno do Sol têm amplitudes variáveis, a mesma coisa se dando com as suas velocidades. A Terra desloca-se a uma velocidade de, aproximadamente, 108.000 quilômetros por hora e, ainda, sua circunferência da órbita – em torno do Sol – é tão grande que requer em torno de 365 dias para que ela contorne o Sol. Mercúrio descreve uma circunferência da órbita bem menor em volta do Sol, mas se desloca a uma velocidade de, aproximadamente, 180.000 quilômetros por hora, de modo que completa sua revolução em torno de 88 dias. A velocidade de Urano é de apenas, aproximadamente, 27.000 quilômetros por hora, mas sua órbita é tão grande que requer em torno de 84 anos para completá-la. Os demais Planetas mostram semelhantes variações de velocidade. Se eles se deslocassem em linha reta, os menores e mais rápidos logo deixariam para trás os mais pesados e mais lentos, mas como se movem em círculos, eles cruzam um ponto de observação repetidas vezes. Se tal ponto fosse central e estacionário, esse constante movimento para a frente dos Planetas, em suas respectivas órbitas, seria perceptível a todos os observadores, mas essa é a questão, não há ponto estacionário; toda partícula de Júpiter, o gigante do nosso Sistema Solar, à menor partícula de “poeira”, se move incessantemente em torno de um centro comum e, por conseguinte, às vezes um Planeta se desloca quase transversalmente ao curso de outro corpo em movimento, e isso fica parecendo, por algum tempo, que ele fica parado em sua órbita. Os astrônomos dizem que tal Planeta está Estacionário. Outras vezes, esse movimento oblíquo dos Planetas, em relação à posição da Terra em sua órbita, os faz parecer se moverem para trás no Zodíaco, e a esse movimento chamamos Retrógrado. Nas Efemérides vemos um símbolo parecendo com um “R” maiúsculo na linha do dia em que o Planeta começa, aparentemente, a retroceder, e essa retrogradação continua até onde se encontra um “D” maiúsculo, o qual indica que volta a se observar o movimento do Planeta para a frente.
Embora esse movimento retrógrado de um Planeta seja apenas aparente, ele tem um efeito muito real no que tange à influência exercida por tal Planeta, pois é o ângulo do seu raio que determina a influência de um Planeta. Os Planetas são focos que transmitem e intensificam as propriedades das estrelas fixas, de tal maneira que nos afetam em um grau muito maior do que quando não se acham focalizados sobre o ponto de observação, o lugar do nascimento.
Vamos supor que no momento do nascimento de uma criança observamos Saturno e por detrás dele, diretamente em linha com o nosso ponto de observação, vemos a estrela fixa Antares, que se acha próxima aos 8 graus de Sagitário; a criança então está propensa a sofrer afecções nos olhos, as quais são suficientemente graves mesmo que o Planeta se mova “direto” em sua órbita, como geralmente acontece, pois então Antares sairá de foco gradativamente, e Saturno não voltará a formar a Conjunção adversa com Antares antes de completar sua revolução em torno do Sol (que leva cerca de 29 anos). Se, por outro lado, vemos que no dia seguinte ao nascimento Saturno retrograda um pouco e ainda mais no dia seguinte, e desse modo por uma ou duas semanas, então também nesse caso Antares sai fora de foco, mas há essa diferença importante, que em vez de demorar 29 anos para formar a Conjunção adversa seguinte, Saturno pode se voltar a ficar “direto”, e forma a segunda Conjunção adversa com Antares, dentro de poucas semanas após o nascimento, e essa repetição do raio adverso pode agravar o defeito inato a tal ponto que a criança poderá se tornar cega. Assim, nós reiteramos que, mesmo sendo apenas aparente, o movimento retrógrado de um Planeta exerce uma influência muito real sobre os interesses humanos.
[1] N.T.: 06:21 – 00:29 = 05:81 – 00:29 = 05:52
[2] N.T.: 09:22 – 00:51 = 08:82 – 00:51 = 08:31
[3] N.T. Efemérides de Agosto de 1909 – Longitude dos Astros
[4] N.T.:

CAPÍTULO 6 – OS ASPECTOS
O círculo do Zodíaco, como qualquer outro círculo, é dividido em 360 graus. Dentro desse círculo os corpos celestes do nosso Sistema Solar se movem, ainda que seus movimentos estejam longe de ser uniformes, como mostrado no primeiro capítulo. Portanto, aqueles Astros que se deslocam mais lentamente são alcançados, ultrapassados e novamente ultrapassados pelos Astros mais rápidos.
Quando um Astro (Sol, Lua e Planetas) se encontra a certo número de graus de outro Astro dizemos que estão em Aspecto[1]:
| Tabela de Aspectos | |
| A Oposição | os Astros estão a 180 graus um do outro. |
| A Quadratura | os Astros estão a 90 graus um do outro. |
| O Sextil | os Astros estão a 60 graus um do outro. |
| O Trígono | os Astros estão a 120 graus um do outro. |
| A Conjunção | os Astros estão a 0 graus um do outro. |
O Aspecto Paralelo acontece quando dois Astros têm o mesmo grau de Declinação, não importando que um esteja ao norte (Declinação Norte) e outro ao sul (Declinação Sul) do Equador Terrestre. Isto será esclarecido nos cálculos que se seguirão mais tarde.
Dos Aspectos mencionados na Tabela anterior, a Oposição e a Quadratura dizemos que são adversos; o Sextil e o Trígono dizemos que são benéficos, enquanto a Conjunção e o Paralelo se classificam como indeterminados (benéficos ou adversos); se a Conjunção ou o Paralelo ocorrem entre os chamados Astros benéficos, eles possuem uma influência benéfica, mas se ocorrem entre os chamados Astros adversos, eles possuem uma influência adversa. Um horóscopo é considerado como trazendo alguma coisa boa não prevista como certa (ou seja: é um horóscopo auspicioso) se nele há mais Sextis e Trígonos do que Quadraturas e Oposições. Um horóscopo é considerado como não auspicioso se nele há mais Quadraturas e Oposições do que Sextis e Trígonos.
Tal ponto de vista é errado. No Reino do Pai não há o “mal”. O que parece ser “mal” é apenas o “bem” em formação. Quando um lapidador de joias lapida uma pedra preciosa, ele aplica o esmeril a cada um dos lados da pedra bruta, e a cada esmerilhada nós podemos ouvir um grito alto da pedra, como se estivesse sentindo uma dor. Entretanto, gradualmente, como consequência do processo de esmerilhamento rigoroso, a pedra preciosa adquire uma superfície lindamente polida, com inúmeras facetas capazes de receber, refletir e refratar a luz solar brilhante.
Deus e Seus Ministros — os Sete Espíritos Planetários diante do Trono — são os lapidários, e nós somos um diamante bruto. Para polir e revelar sua natureza espiritual são necessárias várias experiências. Tais experiências podem ser agradáveis ou não, conforme indiquem os comumente chamados Aspectos benéficos ou adversos. Mas, pode se dizer com segurança que as experiências adversas que nos chegam sob os chamados Aspectos adversos são tão potentes desenvolvedores de músculos espirituais, removendo muito do nosso egoísmo, servindo para nos tornar mais tolerantes e compassivos, do mesmo modo que o duro esmeril serve para remover a crosta áspera do diamante. Embora um horóscopo repleto de Quadraturas e Oposições possa indicar o que normalmente é chamado de uma vida difícil, tal horóscopo é infinitamente preferível (sob o ponto de vista espiritual) àquele que só tenha Aspectos “benéficos”, pois, enquanto esse último proporciona apenas uma existência insípida, o horóscopo “ruim” proporciona ação e uma qualidade agradavelmente excitante à vida em uma ou outra direção.
Além disso, como as “estrelas” não obrigam, mas apenas proporcionam tendências, cabe a nós, em grande medida, afirmar nossa Individualidade e transmutar o “mal” presente em “bem” futuro. Assim, trabalharemos em harmonia com as “estrelas” e as regemos pela obediência à Lei Cósmica.
A influência de um Aspecto entre os Planetas[2] no nascimento é sentida mesmo que eles não estejam exatamente a 0, 60, 90, 120 ou 180 graus um do outro; admite-se uma “Órbita de Influência”, por assim dizer, de 6 graus.
No horóscopo que serve de exemplo, abaixo, Saturno e Júpiter estão dentro da “Órbita de Influência”, porque um está a 1 grau de Áries e o outro está a 7 graus do mesmo Signo, Áries. Saturno estando a 1 grau de Áries, também está dentro “Órbita de Influência” dos Aspectos com Marte (3 graus) e Mercúrio (5 graus), mas não dentro da “Órbita de Influência” do Aspecto com o Sol, ou com a Lua e nem com Vênus, pois há mais de 6 graus de 1 grau (de Saturno) a 10, 12 e 14 graus do Sol, da Lua e de Vênus, respectivamente[3].
A razão espiritual para essa “Órbita de Influência” é a seguinte: além do corpo visível percebido por nossos sentidos[4], também possuímos veículos invisíveis chamados por S. Paulo de corpos espirituais, sendo que nós somos Espíritos. Quando tivermos desenvolvido a faculdade da visão espiritual, faculdade essa latente em todos nós, poderemos ver esses Corpos mais sutis[5] sobressaindo muito além do Corpo Denso que está localizado no centro dessa “aura”[6], do mesmo modo que a gema de um ovo está no centro desse ovo, rodeada de clara por todos os lados.
Antes que dois seres humanos entrem em contato físico próximos, suas “auras” se interpenetram; essa é a razão pela qual “sentimos a presença do outro”, às vezes antes de o percebermos por meio de nossos sentidos comuns[7].
“Como é em cima, assim é embaixo”. Somos feitos à imagem de Deus e de Seus Ministros, os Anjos-estelares. Cada Planeta tem Seus Mundos invisíveis[8] que sobressaem no espaço, além da esfera densa visível e perceptível pelo olho físico[9]. Quando essas “auras” planetárias entram em Aspecto, uma influência é sentida, embora ainda possam faltar 6 graus na formação de um Aspecto ou eles podem ter ultrapassado os 6 graus do Aspecto.
Para determinar rapidamente qual é o Aspecto que os Planetas formam entre si em um horóscopo, quando dentro das Órbitas de Influência, observemos as divisões dos Signos do Zodíaco:
Os Planetas em Signos Cardeais estão em Conjunção, Quadratura ou Oposição, se dentro da Órbita de Influência. Os Planetas em Signos Fixos também estão em Conjunção, Quadratura ou Oposição se dentro dessa Órbita de Influência, e o mesmo acontece com os Planetas em Signos Comuns. Uma rápida olhada no horóscopo revelará qual dos três Aspectos está formado.
Outra divisão do Zodíaco é: Signos de Fogo, Signos de Terra, Signos de Ar e Signos de Água:
Os Planetas em Signos de Fogo estão em Conjunção ou Trígono, se dentro da Órbita de Influência. Os Planetas em Signos de Terra estão em Trígono ou Conjunção; assim também estão os Planetas em Signos de Ar e de Água, conforme se vê no diagrama acima.
Essencialmente Dignificados e em Exaltação:
Diz-se que o Planeta “rege” ou está “Essencialmente Dignificado” em certos Signos onde a natureza essencial tanto do Planeta quanto do Signo concorda. Quando estão em Signos opostos – àqueles que estão Essencialmente Dignificados – diz-se que eles estão em “Detrimento” e, portanto, em desarmonia com o ambiente.
Os Planetas são mais poderosos em certos Signos do que em outros, pelo que se diz estarem “em Exaltação” quando colocados em tais Signos. Quando ocupam os Signos Opostos – àqueles que estão em Exaltação – eles estão em “Queda” e, portanto, comparativamente fracos.
A Tabela de Potências Astrais a seguir mostrará os Astros e os Signos nos quais eles são fortes ou fracos, de acordo com o exposto acima. Note-se que cada um dos Planetas, exceto Urano e Netuno, rege dois Signos, ao passo que o Sol e a Lua regem apenas um cada. Observe também que Urano e Saturno são co-Regentes de Aquário, e que Netuno e Júpiter são co-Regentes de Peixes.

Tabela de Potências Astrais
Graus Críticos:
A Tabela de Graus Críticos dos Signos a seguir mostra certos graus do Zodíaco que são designados como “Graus Críticos”. Quando um Astro se encontra dentro da Órbita de Influência de três graus de quaisquer desses pontos[10], tal Astro exercerá uma influência muito mais forte na vida do que de outra forma. Essa influência tenderá a aumentar a intensidade de uma “Exaltação”, como também a compensar a fraqueza resultante de um Astro estar “em Queda” ou “em Detrimento”. Também aumentará a força dos Aspectos desse Astro.
| Signos Cardinais | Signos Fixos | Signos Comuns |
| 1O 13O 26O | 9O 21O | 4O 17O |
| Áries | Touro | Gêmeos |
| Câncer | Leão | Virgem |
| Libra | Escorpião | Sagitário |
| Capricórnio | Aquário | Peixes |
Tabela de Graus Críticos dos Signos
Elevação:
Diz-se estar “Elevado” o Astro que está na 9ª ou 10ª Casa ou próximo a elas. Quanto mais próximo do Meio-do-Céu, mais Elevado se encontra. O Astro Elevado é muito mais poderoso, tanto quando está com Aspecto benéfico ou quando está com Aspecto adverso, do que quando colocado em um local mais baixo.
Ângulos:
Quando os Astros se encontram nos “Ângulos” do horóscopo (primeira, quarta, sétima e décima Casas), diz-se que estão Angulares ou Acidentalmente Dignificados. Quando assim posicionados, eles exercem uma influência maior tanto quando está com Aspecto benéfico ou quando está com Aspecto adverso do que quando localizados nas outras Casas.
Quando o Estudante tiver assimilado as informações acima, ele deve prosseguir para fazer uma Tabela ou um Índice de Relacionamento dos Astros, conforme o exemplo abaixo:

Tabela ou um Índice de Relacionamento dos Astros
[1] N.T.: São somente esses Aspectos astrológicos que a Astrologia Rosacruz considera como necessários e suficientes para uma completa interpretação astrológica utilizando o método da Astrologia Rosacruz. O motivo disso, o próprio Max Heindel e a própria Augusta Foss Heindel nos fornecem a explicação no Livro “A Mensagem das Estrelas”, que replicamos aqui: … uma galáxia completa de Aspectos que envolva bi-Quintil, Sesquiquadratura e outras insensatezes altissonantes e absurdas forem incluídas também, certamente o Astrólogo se perderá no labirinto matemático de tal modo que será incapaz de ler uma única sílaba da “mensagem das estrelas”. Durante o primeiro ano de seus estudos astrológicos, um dos autores, originalmente de natureza matemática, tinha o hábito de levantar horóscopos e tabular os Aspectos de forma tão maravilhosa e ousada que tais tabulações superavam o proverbial “enigma chinês”; eram verdadeiros “Nós Górdios”, pelos quais o destino de um ser humano ficava tão emaranhado em cada mapa que nem o autor daquela abominação, nem outra qualquer pessoa poderiam esperar desembaraçar dele a pobre alma envolvida. Possa ele ser perdoado, pois já se corrigiu e agora é extremamente cuidadoso no eliminar do horóscopo tudo o que não seja essencial, mas como estava envolvido pelo labirinto da matemática, sua experiência deve servir como uma advertência. Nossas Mentes, no melhor dos casos, são instrumentos frágeis para compreender o destino e, certamente, teremos uma grande oportunidade de ser bem-sucedidos se aplicarmos nosso conhecimento a fatores mais importantes e esses, geralmente, são os mais simples.
[2] N.T.: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão.
[3] N.T.: 8, 11 e 13 graus, respectivamente.
[4] N.T.: o Corpo Denso.
[5] N.T.: Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.
[6] N.T.: Corpo Vital e Corpo de Desejos.
[7] N.T.: visão, audição, olfato, paladar e tato.
[8] N.T.: Região Etérica do Mundo Físico, Mundo do Desejo e Mundo do Pensamento.
[9] N.T.: o Corpo Denso dele que nada mais é do que a Região Química do Mundo Físico.
[10] N.T.: Sol no 15o de Áries está em “Grau Crítico”, pois está a 2 graus da culminação do “Grau Crítico” 13 graus de Áries (15 – 13 = 2 graus), portanto dentro da “Órbita de Influência” de 3 graus.
CAPÍTULO 7 – COMO FAZER O ÍNDICE

Olhando para o horóscopo levantado para as 8:15 P.M., notamos que Saturno e Marte estão em Áries, um Signo Cardinal. Assim sendo, pomo-los no Índice na linha dos Signos Cardinais. Netuno está em Câncer, que é o Signo Cardinal seguinte, portanto, esse também vai para a linha dos Signos Cardinais. Libra, o terceiro Signos Cardinais, não tem Astro algum. Capricórnio é o último dos Signos Cardinais; Urano está em Capricórnio e quando o inseridos no Índice, nós completamos a lista dos Astros que, nesse horóscopo, estão situados nos Signos Cardinais.
O Signos Fixos são Touro, Leão, Escorpião e Aquário. Em Touro não há Astros. O Sol e Mercúrio estão em Leão, assim, os colocamos no Índice, na linha dos “Signos Fixos”. Em Escorpião não há Astros, mas a Lua está em Aquário. Ela é, então, inserida no Índice na linha dos “Signos Fixos”.
Nesse horóscopo os Signos Comuns de Gêmeos, Sagitário e Peixes não têm Astros, mas Virgem, outro Signo Comum, tem Júpiter e Vênus, os quais pomos na linha dos Signos Comuns, juntamente com a Parte da Fortuna.
Isso completa a nossa classificação dos Astros no que tange ao temperamento, e, para nos certificarmos de que pusemos todos no Índice, devemos contá-los: quatro estão em Signos Cardinais; três estão classificados como Signos Fixos e dois como Signos Comuns, perfazendo um total de nove Astros, além da Parte da Fortuna.
Está correto; então, vamos prosseguir do mesmo modo anotando os Astros nos Signos de Fogo. Colocamo-los no Índice. A seguir os de Signos de Terra, os Signos de Ar e os Signos de Água. Temos, portanto, nossa classificação de acordo com os Elementos e, novamente, para nos certificarmos de que anotamos todos os Astros, contamo-los de novo. Quatro estão em Signos de Fogo; três estão em Signos de Terra; um está em Signo de Ar e um em Signo de Água. O total perfaz nove, que está correto!
Em seguida anotamos os Astros que estão em Exaltação, etc.[1], conforme exige o Índice.
Agora estamos preparados para notar os Aspectos, e solicitamos de modo especial ao Estudante para seguirem o sistema que esboçamos aqui; pois ele não permite a omissão de nenhum Aspecto.
Ponha o dedo indicador da mão esquerda sobre o primeiro Astro à esquerda, na linha dos Signos Cardinais do Índice (nesse caso, Marte). Com a mão direita, ponha a ponta do lápis sobre o próximo Astro à direita, na mesma linha dos Signos Cardinais (nesse caso, Saturno). Observe no horóscopo se estes dois Astros estão dentro das esferas ou Órbitas de Influência um do outro (6 graus). A resposta aqui é não. Um está no 4º grau, o outro está no 23º grau. Portanto, eles não estão formando um Aspecto. Mantenha o dedo indicador da mão esquerda no mesmo lugar, mas desloque a ponta do lápis para a direita, até o Astro seguinte (aqui Netuno), e verifique igualmente se estão dentro das esferas ou Órbitas de Influência um do outro (6 graus) – novamente a resposta é não. Desloque, novamente, a ponta do lápis para a direita, até o último Astro na linha dos Signos Cardinais (Urano); examinando se ambos os Planetas, o do dedo indicador da mão esquerda e o da ponta do lápis na mão direita, formam aspecto entre si. Constatamos que não.
Assim, concluímos que o Planeta sob o nosso indicador esquerdo (Marte), não forma Aspectos com nenhum outro Astros em Signos Cardinais. Agora, então, movimentamos nosso indicador da mão esquerda para uma posição à direita (para Saturno), pomos a ponta do lápis sobre o próximo Planeta à direita daquele (em Netuno aqui) e, novamente, repetimos a pergunta: os dois Planetas, o do indicador da mão esquerda e o da ponta do lápis à direita (aqui Saturno e Netuno) estão dentro da Órbita de Influência de algum Aspecto? Uma olhada ao horóscopo mostra que eles formam; um está no 17º grau e o outro no 23º grau. Assim, eles estão em Aspecto. Nossa regra estabelece que os Astros em Signos Cardinais, Fixos ou Comuns podem formar Conjunções, Quadraturas ou Oposições, se estiverem em Órbita de Influência.
Uma olhada nas posições de Saturno e Netuno mostra que ambos não estão em Conjunção, nem estão em Oposição; devem, então, estarem em Quadratura um com outro. Assim sendo, desenhamos a figura de um quadrado e o símbolo de Saturno na linha de Netuno, no Índice; também desenhamos a figura de um quadrado e o símbolo de Netuno na linha de Saturno. Temos assim anotado este Aspecto.
Deixamos nosso indicador da mão esquerda sobre Saturno, mas movimentemos a ponta do lápis para a direita, até Urano. E repetimos a nossa questão: Estão ou não dentro da Órbita de Influência um do outro? A resposta é sim, e suas posições indicam que o Aspecto é uma Quadratura. Isso é anotado nas linhas de Saturno e Urano, conforme o fizemos no caso anterior. Temos, então, anotados todos os Aspectos de Saturno aos Astros a sua direita, e agora movemos o indicador da nossa mão esquerda para a direita (para Netuno e Urano) e repetimos a nossa questão se estão em Órbita de Influência. A resposta é sim. Netuno e Urano estão dentro da Órbita de Influência um do outro formando, assim, uma Oposição. Esse Aspecto é também anotado no Índice e completa os Aspectos de Netuno.
E assim anotamos, de um modo completo e sistemático, todos os Aspectos entre os Astros na linha Cardinal. O mesmo modo de proceder nós empregaremos com os Astros nas outras linhas, percorrendo invariavelmente cada linha da esquerda para a direita. Se esse método for seguido, nenhum Aspecto poderá ser esquecido de ser anotado.
Em se tratando de Astros em Signos de Fogo, de Ar, de Terra e de Água, lembramo-nos, naturalmente, que eles formam Trígonos ou Conjunções, se estiverem dentro da Órbita de Influência.
Para se obter os Sextis é necessário usar um método diferente. Comecemos com Marte (aqui no 4º grau de Áries), somemos 60 graus, o que resulta em 4 graus de Gêmeos[2]. Faça a pergunta: há algum Astro dentro da Órbita de Influência do 4º de Gêmeos? A resposta é não. Passemos o indicador da mão esquerda ao Planeta seguinte no horóscopo (Saturno). Ele está em 23º de Áries; somando 60 graus esses 23 graus, temos o 23º de Gêmeos. Aqui também não existe nenhum Astro dentro da Órbita de Influência. O indicador a mão esquerda é passado para o Astro seguinte (Netuno) no 17º de Câncer. Nós somando 60 graus, temos o 17º de Virgem. Façamos nossa pergunta: há algum Astro na Órbita de Influência neste ponto? A resposta é sim – Júpiter no 15º de Virgem. Então, Netuno e Júpiter estão em Sextil e anotamos no Índice, nas linhas de ambos os Astros.
Prosseguindo, movimentamos o indicador da mão esquerda por cada Astro no horóscopo; somando 60 graus e repetindo a nossa pergunta. Quando completarmos a volta ao círculo, teremos também anotado todos os Sextis, sem omitirmos nenhum.
A Cabeça do Dragão e a Cauda do Dragão exercem uma influência no horóscopo somente quando em Conjunção com um Astro ou com o Ascendente. Uma Órbita de Influência de apenas 2 graus ou, no máximo, até 3 graus, é permitida. A Cabeça do Dragão é considerada benéfica, sendo sua influência análoga à daquela do Sol em Áries, e seu efeito jupiteriano. A Cauda do Dragão é considerada adversa, sendo saturnina em qualidade e tendo uma influência semelhante à de Saturno em Libra. No caso presente, nem a Cabeça nem a Cauda do Dragão estão em Conjunção com algum Astro, pelo que não há Aspectos a anotar no Índice.
Mas ainda restam os Paralelos. Para determiná-los, precisamos consultar a página das Efemérides[3] para o mês do nascimento (no caso, agosto), que se encontra no fim desse livro[4]. No topo da página nós temos os nomes dos Astros: Netuno, Urano, Saturno, etc., embaixo de cada um deles sua Declinação para os dias do mês, que constam na coluna à esquerda.
Como nossa H.M.G. é na parte da manhã do dia 3 de agosto, anotamos no Índice as Declinações de 3 de agosto, ao lado de cada Astro.
Uma exceção é a Declinação da Lua, que requer uma correção logarítmica de acordo com a H.M.G. Essa correção é feita pelo mesmo método usado para se obter a Longitude (ou posição) da Lua. Assim, nós achamos a Declinação da Lua como 17 graus e 02 minutos (17:02).
A Declinação da Parte da Fortuna é a mesma do Sol quando esse se encontra no mesmo Signo e no mesmo Grau.
Aqui a Parte da Fortuna está em Virgem 23:43. Tome uma Efemérides de qualquer ano e veja quando o Sol passa ali. A data é 17 de setembro, e a Declinação do Sol nessa data é 2:25 (Efemérides de 1909). Esta é, pois, a Declinação da Parte da Fortuna. Caso se queira, as Declinações do Meio-do-Céu e do Ascendente podem ser determinadas do mesmo modo.
Anotadas todas as Declinações no Índice, ponha o indicador da mão esquerda sobre a Declinação de Netuno lá embaixo; a ponta do lápis sobre a Declinação mais próxima acima (Urano); se pergunte se elas estão dentro da Órbita de Influência de 1 grau e meio (01:30). A resposta é sim e, portanto, anote-as na coluna dos Aspectos Paralelos. Movimente a ponta do lápis para cima, notando, a cada passo, se as Declinações dos Astros sob o indicador da mão esquerda e a ponta do lápis estão dentro da Órbita de Influência (um grau e meio). Quando a ponta do lápis alcançar o topo da coluna, todos os Paralelos sob o dedo indicador da mão esquerda terão sido verificados e anotados. Então, movimente o indicador da mão esquerda para o Astro seguinte acima (Urano), e a ponta do lápis para a Declinação do próximo Astro sobre aquele; note se estão em Paralelo; movimente a ponta do lápis para cima para a Declinação seguinte, passo a passo, seguindo o mesmo método de partir debaixo para cima para achar a Declinação, do mesmo modo seguindo pela movimentação do dedo indicador da mão esquerda e da ponta do lápis da esquerda para a direita, para determinar as Conjunções, Quadraturas, Trígonos e Oposições.
Quando os Paralelos tiverem sido anotados, o Índice estará terminado; e se colocado abaixo do horóscopo, numa folha de papel, conforme mostrado na ilustração abaixo, o estudante terá, prontamente, à mão todos os meios para interpretar o Horóscopo sem precisar desviar sua atenção para o cálculo dos Aspectos. Desse modo se consegue uma maior concentração mental. Tampouco o processo de fazer o Índice é tão complicado quanto o processo de descrevê-lo; de fato, em si mesmo ele é simples, já que não envolve cálculos matemáticos, mas apenas o uso metódico e adequado do indicador da mão esquerda e a movimentação da ponta de um lápis para a direita ou para cima com a pergunta: os Astros na ponta do dedo indicador da mão esquerda e da ponta do lápis estão dentro da Órbita de Influência? Seguindo esse método o estudante nunca omitirá um Aspecto e será capaz de fazer um Índice completo entre 15 e 20 minutos.

Figura: Índice do Horóscopo de 2 de agosto de 1909, às 8:15 PM
Para um melhor desempenho, o estudante deve se esforçar por fazer o Índice do horóscopo levantado para 2 de agosto, 8:15:00 A.M.
Aspectos formados com o Ascendente, que representa o Corpo Denso, influem sobre a saúde. Aspectos formados com o Meio-do-Céu indicam a natureza das oportunidades que a pessoa pode ter para o avanço espiritual. Mas desde que raramente se conhece a hora exata do nascimento, e já que um pequeno erro nessa resulta em vários graus de diferença no Ascendente e no Meio-do-Céu, previsões baseadas nos Aspectos formados com esses pontos não são, provavelmente, dignas de confiança. Por isso deixamos de anotá-los no Índice.
___________
NOTA: Uma observação muito importante ao que foi exposto acima: Planetas nos últimos 6 graus de qualquer Signo devem ser comparados com todos os Planetas nos primeiros 6 graus dos outros Signos, pois esses podem formar Aspectos entre si, mesmo sem estarem enquadrados em qualquer das regras precedentes. Aqui alguns exemplos desses casos:
Marte em Áries 24:30 está em Conjunção com Vênus em Touro 00:30; Mercúrio em Touro 26:00 está em Sextil com Júpiter em Leão 02:00; Saturno em Gêmeos 27:00 está em Quadratura com Urano em Libra 02:00; Netuno em Câncer 28:00 está em Trígono com Marte em Sagitário 03:00; Vênus em Leão 29:30 está em Oposição a Mercúrio com Peixes 05:30.
OBSERVAÇÃO AOS ESTUDANTES:
Os capítulos precedentes descrevem as bases da Astrologia e ilustram, em detalhes, o método de erigir horóscopos. Indicam, também, os elementos da Ciência de interpretar um horóscopo. Uma grande quantidade de informações adicionais nesse sentido é fornecida na Enciclopédia Filosófica que vem a seguir. Mas o próximo volume dessa série, o livro A Mensagem das Estrelas – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz, é o livro-texto da Fraternidade Rosacruz sobre a Ciência da Interpretação Astrológica e da aplicação da Astrologia em nossa vida diária. Ele contém uma exposição completa dos métodos usados na interpretação do horóscopo radical, também usada na progressão de um horóscopo e nas previsões a partir desta. A Astrologia Médica e o Diagnóstico de Doenças são abordados de modo compreensível, como também o são o papel da Astrologia na evolução, na Natureza em geral e nos efeitos das vibrações astrais. Recomendamos esse livro a todos os que desejam se a
[1] N.T.: Essencialmente Dignificado (no Regente), Angulares, Graus Críticos e quem é o Regente do horóscopo.
[2] N.T.: Fica mais fácil se você olhar a roda astrológica dada no início desse Capítulo: se estamos em 4 graus de Áries e somarmos 30 graus, alcançaremos os 4 graus de Touro. Agora, se somarmos mais 30 graus, alcançaremos os 4 graus de Gêmeos.
[3] N.T.: que se refere às “Declinações dos Planetas”
[4] N.T.: e, também, aqui:

II PARTE
ENCICLOPÉDIA FILOSÓFICA DE ASTROLOGIA
Aflição:
Um Astro (Sol, Lua ou Planetas) está afligido quando está em Paralelo, em algumas Conjunções com, em Quadratura com ou em Oposição a: Marte, Saturno, Urano ou Netuno, ou quando em Quadratura ou Oposição a quaisquer outros Astros (veja Combustão).
Angular:
Diz-se que um Astro é angular quando ele está nos Ângulos de um horóscopo. Essa posição fortalece consideravelmente a influência do Astro para “o bem ou para o mal”, dependendo da natureza desse Astro e de seus Aspectos.
Ângulos:
É uma denominação que se dá às: 1ª Casa, 4ª Casa, 7ª Casa e 10ª Casa.
O Ângulo oriental com Áries, onde Marte é o Regente, sugere o Sol nascendo para as atividades materiais do dia. Como o Sol, significador do Espírito, está sob a cruz, significadora da matéria, mas ascendendo para ela, isso significa o começo da Vida no mundo material, e Marte, o Regente, representa a natureza do desejo, que atrai o Espírito para a existência material a fim de que ele possa conquistar a matéria.
O Ângulo meridional com Capricórnio, onde Saturno é o Regente, sugere o Sol cruzando o meridiano, como o faz ao meio-dia. O Sol percorreu metade da sua jornada prescrita pelo céu, portanto o semicírculo é omitido e o outro semicírculo é retido sob a cruz, no símbolo de Saturno. Portanto, Saturno denota persistência, habilidade mecânica, etc., e a 10ª Casa significa as realizações mundanas do ser humano.
O Ângulo ocidental com Libra em equilíbrio e onde as atividades materiais se voltam para o âmbito espiritual, divide o dia da noite, o movimentado verão do inativo inverno. Transforma as horas de vigília dedicadas à vida material ativa, na noite onde o ser humano contata os Mundos invisíveis. Portanto, o círculo – Espírito – está acima da cruz da matéria, a natureza do desejo foi conquistada, e o símbolo de Marte virado de cabeça para baixo, de tal maneira que se torna o símbolo de Vênus, o Planeta do amor que rege essa Casa, a qual é, também, a casa das uniões, das parcerias, a Casa que denota o mais próximo e querido para nós.
O Ângulo setentrional, com o Signo de Câncer, marca o momento em que o Sol está no seu ponto mais baixo. O Signo é simbolizado por dois sóis, com linhas de força projetando-se de cada um, mas em direções opostas. A linha do Sol que aponta para o leste indica a direção em que o Sol físico se move. O Sol cuja linha aponta para oeste indica o caminho para o qual se voltam as influências espirituais após o Sol físico haver cessado suas atividades. Esse Ângulo, portanto, é o Ângulo de mistério, do ocultismo e do lado obscuro e invisível da natureza humana; portanto, tem como seu Regente o luminar da noite: a Lua.
Ano Sideral:
É o período de tempo que decorre entre uma Conjunção do Sol com qualquer estrela fixa e seu retorno, outra vez, à mesma Conjunção.
Antares:
Ver “Estrelas fixas”.
Aparência Física:
O tipo físico é determinado por quatro fatores principais. Esses são: pelo Ascendente ou Signo Ascendente, que representa o Corpo Denso, pelo Regente do Ascendente, pelos Astros no Ascendente, ou seja, pelos Astros na 1ª Casa, particularmente quando estão no Signo que ocupa a cúspide dessa Casa, e pelo Signo onde está o Sol. Note-se, porém, que o Sol deve ter alguma Força Astral em questão de posição (p. exe.: Regente, Exaltado) e de Aspectos para evidencias as características físicas do seu Signo. Os elementos acima são organizados pela ordem de sua importância. Sua combinação determina se a uma pessoa tende a ser alta ou baixa, clara ou escura, e assim com todas as demais peculiaridades físicas. Para maiores detalhes sobre o assunto veja o livro “A Mensagem das Estrelas – Max Heindel e Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz”.
Ascelli:
Ver “Estrelas Fixas”.
Ascendente:
É o grau do Zodíaco que está no horizonte oriental em um determinado momento do tempo. Um novo grau desponta a cada quatro minutos, um novo Signo a cada duas horas aproximadamente, e os doze Signos despontam em todos os lugares da Terra a cada vinte e quatro horas. Qualquer que seja o Signo no Ascendente, é chamado Signo Ascendente. Ver “Hyleg”.
Ascensão:
Sob esse título podem ser agrupados: Signos de Ascensão Longa, Signos de Ascensão Curta, de Ascensão Reta e de Ascensão Oblíqua.
Os Signos de Ascensão Longa são: Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião e Sagitário.
Os Signos de Ascensão Curta são: Capricórnio, Aquário, Peixes, Áries, Touro e Gêmeos.
São assim chamados porque os Signos de Ascensão Longa se elevam lentamente nas latitudes setentrionais, despendendo muito mais tempo que as duas horas necessárias, se todos os doze Signos se elevassem a uma velocidade uniforme durante as vinte e quatro horas. Leão leva cerca de duas horas e quarenta e cinco minutos na Latitude 40 Norte, onde se situa Nova York-EUA, e Peixes e Áries, dois Signos de Ascensão Curta, levam somente uma hora e dez minutos. O motivo reside na obliquidade da Eclíptica[1]. O efeito disso é que, no Hemisfério norte, a maioria das pessoas nasce sob os Signos de Ascensão Longa.
No Hemisfério sul os Signos relacionados acima como de Ascensão Curta são Signos de Ascensão Longa, pelo que a maioria das pessoas deste hemisfério nascem sob os mesmos, enquanto os Signos setentrionais de Ascensão Longa elevam-se rapidamente no sul, sendo, portanto, relativamente poucas as pessoas que nascem sob os mesmos. Assim, as pessoas de hemisférios opostos são também opostas em suas naturezas internas, apresentando características diferentes.
A Ascensão Reta e a Ascensão Oblíqua são usadas no sistema astrológico geralmente em voga, exceto no cálculo das Casas, coisa com que a média dos Estudantes não se preocupa. A longitude é medida sobre a Eclíptica — ou caminho do Sol —, desde o primeiro grau de Áries, mas a Ascensão Reta é medida sobre o Equador equinocial ou Equador celestial.
[1] N.T.: Vamos a um exemplo para ajudar na compreensão: uma comparação dos Signos Ascendentes mostra uma aparente falta de uniformidade no movimento diurno da Terra. Por exemplo, às 2h15 A.M., o Signo de Câncer está ascendendo a 8º10’, enquanto, doze horas depois temos Escorpião no Ascendente a 29º16’, mostrando que o local de nascimento avançou apenas cerca de 141 graus nessas doze horas. Porém, para completar a volta toda no círculo ele deve percorrer 219 graus nas doze horas restantes. Mas, como a rotação diurna da Terra em seu eixo é uniforme, a falta de uniformidade no movimento observado acima se deve ao fato de que esse não é um movimento diurno verdadeiro. Essa condição é causada pela obliquidade da Eclíptica e a consequente divisão desigual destes últimos pelos planos que separam as Casas, sendo esses planos o do horizonte e do meridiano e quatro intermediários em intervalos de 30 graus. Por essa razão, certos Signos ascendem mais lentamente do que outros e, portanto, são chamados de Signos de Ascensão Longa, enquanto seus opostos são chamados de Signos de Ascensão Curta. Ficará evidente que a maioria das pessoas nascem sob os Signos de Ascensão Longa – Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião e Sagitário no Hemisfério norte, e seus opostos no Hemisfério sul.
Ascensão Curta:
Os Signos de Ascensão Curta são: Capricórnio, Aquário, Peixes, Áries, Touro e Gêmeos.
Assim, Peixes e Áries, dois Signos de Ascensão Curta, levam somente uma hora e dez minutos. O motivo reside na obliquidade da Eclíptica (para entendermos esse conceito. Vamos a um exemplo para ajudar na compreensão: uma comparação dos Signos Ascendentes mostra uma aparente falta de uniformidade no movimento diurno da Terra. Por exemplo, às 2h15 A.M., o Signo de Câncer está ascendendo a 8º10’, enquanto, doze horas depois temos Escorpião no Ascendente a 29º16’, mostrando que o local de nascimento avançou apenas cerca de 141 graus nessas doze horas. Porém, para completar a volta toda no círculo ele deve percorrer 219 graus nas doze horas restantes. Mas, como a rotação diurna da Terra em seu eixo é uniforme, a falta de uniformidade no movimento observado acima se deve ao fato de que esse não é um movimento diurno verdadeiro. Essa condição é causada pela obliquidade da Eclíptica e a consequente divisão desigual destes últimos pelos planos que separam as Casas, sendo esses planos o do horizonte e do meridiano e quatro intermediários em intervalos de 30 graus. Por essa razão, certos Signos ascendem mais lentamente do que outros e, portanto, são chamados de Signos de Ascensão Longa, enquanto seus opostos são chamados de Signos de Ascensão Curta. Ficará evidente que a maioria das pessoas nascem sob os Signos de Ascensão Longa – Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião e Sagitário no Hemisfério norte, e seus opostos no Hemisfério sul). O efeito disso é que, no Hemisfério norte, a maioria das pessoas nasce sob os Signos de Ascensão Longa.
No Hemisfério sul os Signos relacionados acima como de Ascensão Curta são Signos de Ascensão Longa, pelo que a maioria das pessoas deste hemisfério nascem sob os mesmos, enquanto os Signos setentrionais de Ascensão Longa elevam-se rapidamente no sul, sendo, portanto, relativamente poucas as pessoas que nascem sob os mesmos. Assim, as pessoas de hemisférios opostos são também opostas em suas naturezas internas, apresentando características diferentes.
Ascensão Longa:
Os Signos de Ascensão Longa são: Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião e Sagitário. São assim chamados porque os Signos de Ascensão Longa se elevam lentamente nas latitudes setentrionais, despendendo muito mais tempo que as duas horas necessárias, se todos os doze Signos se elevassem a uma velocidade uniforme durante as vinte e quatro horas. Leão leva cerca de duas horas e quarenta e cinco minutos na Latitude 40 Norte, onde se situa Nova York-EUA.
A razão disso é porque como a rotação diurna da Terra em seu eixo é uniforme, a falta de uniformidade no movimento observado acima se deve ao fato de que esse não é um movimento diurno verdadeiro. Essa condição é causada pela obliquidade da Eclíptica e a consequente divisão desigual destes últimos pelos planos que separam as Casas, sendo esses planos o do horizonte e do meridiano e quatro intermediários em intervalos de 30 graus. Por essa razão, certos Signos ascendem mais lentamente do que outros e, portanto, são chamados de Signos de Ascensão Longa.
Ascensão Oblíqua:
É quando a longitude é medida sobre a Eclíptica — ou caminho do Sol —, desde o primeiro grau de Áries.[1]
Ascensão Reta:
A Ascensão Reta é medida sobre o Equador equinocial ou Equador celestial.[2]
Aspectos:
A distância entre os Astros (Sol, Lua e Planetas) e que determinam se a influência deles será benéfica ou adversa.
A Quadratura tem 90 graus de distância entre dois Astros e a Oposição tem 180 graus. Estes Aspectos são chamados adversos.
O Sextil tem 60 graus e o Trígono tem 120 graus. Estes Aspectos são chamados benéficos.
A Conjunção ocorre quando dois Astros se encontram no mesmo grau do Zodíaco, enquanto o Paralelo é a posição de dois Astros no mesmo grau de Declinação, não importa se estejam ambos ao norte ou ao sul do Equador, ou mesmo um ao norte e o outro ao sul em termos de Declinação.
Tanto o Aspecto Conjunção como Paralelo são variáveis em suas influências benéficas ou adversas. Se ocorrem entre dois Astros benéficos (Sol, Vênus, Júpiter), então são Aspectos benéficos; ou se os Astros envolvidos são natureza variável (Lua e Mercúrio) que forma um Aspecto de Conjunção ou Paralelo com os Astros benéficos (Sol, Vênus, Júpiter), então a Conjunção ou o Paralelo também é benéfico; mas se o Sol, a Lua, Mercúrio, Vênus ou Júpiter formam Conjunção ou Paralelo com um dos Planetas adversos (Marte, Saturno, Urano ou Netuno[3]), então o Aspecto de Conjunção ou Paralelo é adverso; a Conjunção entre dois Planetas adversos (Marte, Saturno, Urano ou Netuno[4]) tem uma influência adversa mais forte, mas o Paralelo entre os dois Planetas adversos é extremamente forte em sua influência prejudicial. Por outro lado, é claro, que o Aspecto Paralelo entre dois Astros benéficos (Sol, Vênus, Júpiter) é extraordinariamente forte e afortunado.
Astrologia Heliocêntrica:
É um sistema introduzido por certos astrólogos modernos, em um esforço de adaptação ao conceito copernicano do Sistema Solar, que estabelece o Sol como centro desse Sistema. Isso, contudo, não é satisfatório, pois enquanto aqueles que praticam a Astrologia geocêntrica dispõem dos dados e das observações das épocas passadas para guiá-los, os partidários do sistema Astrologia Heliocêntrica dispõem principalmente de especulações.
Astrologia Horária:
É a ciência de interpretar como determinado assunto se manifestará, a partir de um horóscopo levantado para o momento no tempo em que a pergunta foi feita. A explicação disso, ou seja, a filosofia envolvida, é que a mesma influência astral que torna uma pessoa bastante ardentemente ou sinceramente desejosa para fazer a pergunta, também contém a resposta.
Portanto, se a pessoa que quer saber é o astrólogo, esse levanta um horóscopo para o momento em que pensou pela primeira vez em consultar os Astros. Se uma pessoa que não sabe fazer horóscopos se dirige pessoalmente para um astrólogo, esse levanta o horóscopo para o momento em que a pergunta lhe foi feita; e se a pergunta chega as suas mãos através do correio, ele levanta o horóscopo para o momento em que realmente leu a pergunta na carta. Isso é muito importante, pois se o horóscopo for erigido para um momento errado, a interpretação, certamente, será errada. Às vezes acontece que o assunto, que é objeto da pergunta, ainda não alcançou o amadurecimento necessário tal que a pergunta seja resolvida e uma resposta definitiva possa ser dada. Por conseguinte, a primeira coisa a fazer, após o horóscopo ser levantado, é verificar se o horóscopo é “radical” e se pode ser interpretado.
Se no Ascendente estiver algum Signo em seu 1º ou 2º graus ou se um dos três últimos graus de qualquer Signo estiver no Ascendente ou, ainda, se a Lua estiver nos últimos três graus de quaisquer Signo — ou fora de curso — a interpretação não será aconselhável, mas o interessado deve aguardar um momento mais favorável para fazer a pergunta novamente.
Quando Saturno está no Ascendente ou na 1ª Casa, ele sempre obstrui o assunto, e se ele estiver na 7ª Casa, o astrólogo falha na interpretação.
Se nenhum desses inconvenientes interferem, o horóscopo pode ser interpretado pelo seguinte método:
O Regente do Ascendente, os Astros na 1ª Casa, se houver, e a Lua representam a pessoa que perguntou. Em seguida, determine qual Casa rege o assunto da pergunta e, então, verifique se o Regente da Casa está com Aspecto (s) benéfico (s) com o Regente do Ascendente, com os Astros na 1ª Casa e com a Lua. Se estiver, o assunto chegará a uma resposta favorável, mas se os significadores acima estiverem com Aspectos adversos (Conjunções adversas, Quadraturas ou Oposições), ou não haverá resposta ou a resposta é muito superficial para ser considerada.
Mas, se outra pessoa vier até você com uma proposta, e você levantar um horóscopo para ajudá-la a formar uma ideia do que fazer, lembre-se que ELA é o motivo principal da questão e que, portanto, a Lua, o Ascendente e a 1ª Casa são seus significadores, ao passo que você é representado pela 7ª Casa e pelo Regente dessa Casa. Não importa que você mesmo faça a pergunta, a indagação sobre a qual você pergunta é dela; e a falta desse conhecimento tem sido uma pedra de tropeço para muitos que interpretaram erradamente.
A seguir, damos um resumo dos assuntos significados pelas Casas:
1ª Casa — Assuntos íntimos de natureza pessoal.
2ª Casa — Ganhos financeiros.
3ª Casa — Assuntos relativos a irmãos e irmãs, e as viagens curtas.
4ª Casa — Casas e terras, patrimônios e mudanças.
5ª Casa — Filhos, mensageiros e meios de comunicação.
6ª Casa — Empregados e doenças ou enfermidades.
7ª Casa — Casamento, parcerias, sociedades, ações jurídicas.
8ª Casa — Heranças e Legados.
9ª Casa — Viagens longas, condições e capacidades mentais.
10ª Casa — Posição social.
11ª Casa — Amigos, esperanças e desejos.
12ª Casa — Inimigos e dificuldades ou adversidades.
Os Astros que estão com Aspectos benéficos os seus significadores mostram onde você pode encontrar ajuda para obter o seu desejo, ao passo que os Astros que estão com Aspectos adversos indicam quais os obstáculos, e ao misturar esses augúrios você pode ficar sabendo o que esperar e como proceder. Estude essas regras cuidadosamente e preste a máxima atenção nelas. Então saberá como responder a todas as perguntas que possam ser feitas.
A Astrologia Horária também pode ser usada para se determinar o momento favorável para o início de um empreendimento importante, pois o ponto de partida de um empreendimento é seu nascimento, e as influências que então prevalecem serão determinantes poderosos de seu sucesso ou fracasso. Diz-se que o Astrônomo Real que lançou a pedra fundamental do Observatório de Greenwich se serviu desse método, e por certo essa Instituição tem sido muito útil e bem-sucedida.
A esse processo de se determinar o momento para o início de um empreendimento chamam “eleger”.
[1] N.T.: é um termo astronômico que se refere ao arco do equador que se encontra entre o ponto no Equinócio de Março e o ponto do equador que está no horizonte no mesmo momento que o Astro.
[2] N.T.: Ou seja: a Ascensão Reta é medida sobre o plano do equador e é o ângulo entre o plano do meridiano do Astro e o plano do meridiano do Equinócio de Março.
[3] N.T.: E, agora, também Plutão.
[4] N.T.: E, agora, também Plutão.
Benefícios:
O Sol, Vênus e Júpiter. Para um melhor esclarecimento dos termos “benéfico” e “adverso”, ver “Bem e Mal” (verbete abaixo). Lemos no “Capítulo VI – Os Aspectos” que a Oposição e a Quadratura dizemos que são adversos; o Sextil e o Trígono dizemos que são benéficos, enquanto a Conjunção e o Paralelo se classificam como indeterminados (benéficos ou adversos); se a Conjunção ou o Paralelo ocorrem entre os chamados Astros benéficos, eles possuem uma influência benéfica, mas se ocorrem entre os chamados Astros adversos, eles possuem uma influência adversa. Um horóscopo é considerado como trazendo alguma coisa boa não prevista como certa (ou seja: é um horóscopo auspicioso) se nele há mais Sextis e Trígonos do que Quadraturas e Oposições. Um horóscopo é considerado como não auspicioso se nele há mais Quadraturas e Oposições do que Sextis e Trígonos. Tal ponto de vista é errado. No Reino do Pai não há o “mal”. O que parece ser “mal” é apenas o “bem” em formação. Quando um lapidador de joias lapida uma pedra preciosa, ele aplica o esmeril a cada um dos lados da pedra bruta, e a cada esmerilhada nós podemos ouvir um grito alto da pedra, como se estivesse sentindo uma dor. Entretanto, gradualmente, como consequência do processo de esmerilhamento rigoroso, a pedra preciosa adquire uma superfície lindamente polida, com inúmeras facetas capazes de receber, refletir e refratar a luz solar brilhante. Deus e Seus Ministros — os Sete Espíritos Planetários diante do Trono — são os lapidários, e nós somos um diamante bruto. Para polir e revelar sua natureza espiritual são necessárias várias experiências. Tais experiências podem ser agradáveis ou não, conforme indiquem os comumente chamados Aspectos benéficos ou adversos. Mas, pode se dizer com segurança que as experiências adversas que nos chegam sob os chamados Aspectos adversos são tão potentes desenvolvedores de músculos espirituais, removendo muito do nosso egoísmo, servindo para nos tornar mais tolerantes e compassivos, do mesmo modo que o duro esmeril serve para remover a crosta áspera do diamante. Embora um horóscopo repleto de Quadraturas e Oposições possa indicar o que normalmente é chamado de uma vida difícil, tal horóscopo é infinitamente preferível (sob o ponto de vista espiritual) àquele que só tenha Aspectos “benéficos”, pois, enquanto esse último proporciona apenas uma existência insípida, o horóscopo “ruim” proporciona ação e uma qualidade agradavelmente excitante à vida em uma ou outra direção. Além disso, como as “estrelas” não obrigam, mas apenas proporcionam tendências, cabe a nós, em grande medida, afirmar nossa Individualidade e transmutar o “mal” presente em “bem” futuro. Assim, trabalharemos em harmonia com as “estrelas” e as regemos pela obediência à Lei Cósmica.
Bom e Mal:
“Bom” e “Mal” são termos que vemos aplicados, muitas vezes, aos Horóscopos, Aspectos e Astros, portanto nos parece necessário enfatizar que na realidade tudo é BOM. No Reino do Pai, o Universo, não pode haver nada permanentemente “mau”, e aquilo a que assim chamamos é, realmente, apenas o bem em formação ou bem em gestação.
Também pode-se dizer que um horóscopo não é necessariamente bom porque os Aspectos entre os Astros são Trígonos e Sextis. Às vezes é exatamente o contrário, pois é na luta da vida aqui que desenvolvemos a fortaleza; muito poucos são fortes o suficiente para suportar a prosperidade. É provável que em um horóscopo cheio de Aspectos benéficos esconda a armadilha da indolência, de modo que a pessoa não se esforça, e se torna como um pedaço de madeira à deriva no oceano da vida, ao passo que outra pessoa que tem o que chamamos de um horóscopo com muitos Aspectos adversos é despertada pelas condições adversas geradas pelas Quadraturas e Oposições, de tal modo que, por pura força de vontade conquista seus Astros e comanda o seu destino. Em tais casos, e há muitos, o horóscopo “mau” é certamente uma benção maior que um “bom”. De nada vale termos um automóvel se somos preguiçosos demais para conservá-lo lubrificado e limpo, pois ele nos causará uma série de problemas e, a menos que mantenhamos as rodas do destino lubrificadas por uma atenção constante às oportunidades da vida, o horóscopo não nos poderá ajudar, não importa quão “bom” seja. Mas se possuímos aquilo a que se chama um horóscopo “bom”, e fizermos a nossa parte, então ele se mostrará como uma carruagem triunfal[1] a nos conduzir pela estrada real da vida. E o melhor lubrificante se chama disponibilidade e seus sinônimos: ser solícito, ser amável, ser prestativo, ser agradável, ser útil. Quanto mais carregado de pessoas necessitadas e cansadas estiverem em seu automóvel, mais facilmente ele correrá.
E Saturno! Sim, é verdade que ele é responsável pela maioria dos golpes do destino, mas ele não pode nos dar nada que não tenhamos merecido, e o propósito dele não é a vingança, mas educação ou ensino. A partir do momento em que percebermos, do fundo do nosso coração, deixaremos de reclamar e perguntaremos: “Por que isso está acontecendo comigo, o que eu fiz para merecer isso?”. Então, buscando em espírito de oração a razão, para que possamos aprender a corrigir nossa conduta a esse respeito e assim escapar de provações semelhantes no futuro, nos aproximaremos mais do nosso Deus-Pai e aprenderemos a beijar a cruz. Assim, em vez de ser um mal consumado, as visitas de Saturno são oportunidades para corrigirmos nossos procedimentos errôneos e alcançarmos a Sabedoria.
Isso é semelhante com os outros chamados Planetas adversos. Presentemente, a influência deles nos parece má porque ainda não aprendemos a trabalhar em harmonia com eles, visando um bem mais elevado.
Mas mesmo hoje, os Aspectos de Saturno com a Lua e com Mercúrio fornecem profundidade à Mente e um poder de concentração, atributos decididamente bons. Marte em Aspecto com esses Planetas energiza a Mente e a torna mais alerta; Urano em Aspecto com eles fornece uma percepção espiritual àqueles que podem expressar essa faculdade, mas essas pessoas são muito poucas.
Por outro lado, os assim chamados Astros benéficos podem ser decididamente prejudiciais ao promoverem a autoindulgência – ou seja, aquela tendência de uma pessoa em desculpar os seus erros ou aceitar os seus defeitos com facilidade; assim é um comportamento que pode se tornar um vício e prejudicar a vida de quem o pratica – e, portanto, a denominação de “bom” ou “mau” é ambígua. O verdadeiro Estudante esotérico ou ocultista cultivará, cuidadosamente, esse modo de pensar em relação aos fatores da Astrologia, e sempre baseará sua interpretação e julgamento nessa concepção dos Astros e de seus Aspectos.
Um Planeta adverso bem-posicionado e com Aspectos pode ser de maior ajuda que um Astro benéfico fraco e com Aspectos adversos.
[1] N.T.: é um veículo usado em uma procissão triunfal, que é uma celebração de uma vitória ou conquista. Carruagens triunfais eram frequentemente retratadas na arte, como xilogravuras e gravuras.
Cadentes:
É o nome como é chamada a 3ª Casa, 6ª Casa, 9ª Casa e 12ª Casa e os Astros (Sol, Lua e Planetas) situados nessas Casas são, também, chamados de Cadentes. Essa posição enfraquece as influências desses Astros, assim que os benéficos não ajudam tanto e as adversidades não são tão danosas quando tais Astros estão situados em Casas Cadentes.
Casas:
As Casas são divisões da Terra, assim como os Signos são divisões dos Céus. O Zodíaco parece se mover à razão de 1 grau a cada 4 minutos, mas as Casas são consideradas estacionárias em relação ao lugar de nascimento.
O lugar de nascimento de uma pessoa é sempre considerado o ponto mais elevado na Terra. E daquele ponto partem quatro linhas imaginárias que são traçadas para os quatro pontos Cardeais — norte, sul, leste e oeste. Imagine uma linha traçada do lugar do seu nascimento para o ponto diretamente acima de sua cabeça, o ponto em que o Sol se encontra ao meio-dia. Este ponto seria exatamente o sul, e essa linha é considerada a cúspide da 10ª Casa, razão pela qual chama-se Meio-do-Céu. Se essa linha é prolongada através do centro da Terra, para o outro lado e daí pelo espaço afora, esta parte inferior apontaria para o ponto norte e formaria a cúspide da 4ª Casa, chamada Nadir, que é oposta à 10ª Casa.
Esses dois pontos são abrangidos pelos mesmos graus do Zodíaco em qualquer tempo, não importando se o lugar de nascimento está perto do polo ou do Equador. No último caso, podemos também imaginar uma linha traçada em ângulos retos – ou perpendicularmente – ao Meridiano (que é o nome que se dá à linha que vai do Meio-do-Céu ao Nadir), de leste a oeste, a qual formaria as cúspides das 1ª Casa e da 7ª Casa. Dividindo em três cada uma das quatro secções, teríamos doze compartimentos de igual tamanho, isto é, de 30 graus cada um.
Mas nem todos os lugares de nascimento estão no Equador, e devido à forma esférica da Terra e à inclinação do eixo da Terra, os tamanhos das Casas variam cada vez mais à medida que nos aproximamos dos polos, de tal forma que algumas Casas podem ter apenas 12 ou 15 graus enquanto outras podem ter mais de 60. No Capítulo 4, quando levantamos um horóscopo para um nascimento em Chicago, na data de 2 de agosto, às 8h15 da manhã (A.M.), obtivemos a seguinte divisão das Casas:

Vamos a alguns exemplos: 2ª Casa tem um tamanho de 29 graus. Já a 4ª Casa tem um tamanho de 34 graus. Já a 1ª Casa tem um tamanho de 26 graus e 4 minutos.
A razão desta divisão da Terra em Casas pode ser compreendida quando consideramos que os raios do Sol nos afetam de forma diferente pela manhã, ao meio-dia e à noite e, também, no verão e no inverno; e se estudamos a causa, veremos facilmente que é o ângulo em que o raio nos atinge ou atinge a Terra que produz as diferenças nos efeitos. Da mesma forma ocorre com os raios dos outros Astros: os Astrólogos observaram que uma criança nascida por volta do meio-dia, quando os raios solares incidem sobre o lugar do nascimento, a partir da 10ª Casa, tem mais oportunidade de progredir na vida – mantendo-se tudo o mais constante – do que uma criança nascida após o pôr-do-sol, pois essa última, geralmente, permanece subalterna. Por isso dizem que a 10ª Casa determina as honrarias e a posição social de uma pessoa, mas que a 6ª Casa, situada logo abaixo do horizonte ocidental, rege o serviço e os empregos. Por meio de observações e tabulações semelhantes, se descobriu que outros raios astrais afetam os diversos departamentos da vida, quando o raio é projetado através das outras Casas e, portanto, se diz que cada Casa “rege” determinados assuntos. Aqui está uma Tabela com os principais Assuntos regidos por cada Casa:
| 1ª Casa | a condição física do Corpo como um todo ou das suas partes; a forma física do Corpo; o ambiente durante a infância; o lar na infância |
| 2ª Casa | as finanças |
| 3ª Casa | a literatura; as habilidades e os métodos de assuntos práticos (tecnologia, manufatura e artesanato); a inteligência prática (a capacidade de aplicar, usar e implementar o que a pessoa sabe); as jornadas de curta duração (viagens, processos curtos de aprendizagem ou de autodescoberta); irmãos e irmãs |
| 4ª Casa | o lar e as condições na fase de senilidade (quando estamos experimentando o processo patológico de envelhecimento) dessa vida |
| 5ª Casa | os meios de se divertir ou se entreter; os namoros; os filhos; as especulações (formar uma teoria ou conjectura sem evidência firme) |
| 6ª Casa | a saúde; empregados (as) ou funcionários (as); o trabalho que produz valor de uso (servir) e não somente valor de troca |
| 7ª Casa | as parcerias e sociedades; os casamentos e as uniões conjugais; as belas-artes (como pintura, escultura ou música) focadas, principalmente, com a criação de belos objetos; o público |
| 8ª Casa | as heranças (de coisas tangíveis: recursos financeiros, bens físicos, propriedades e coisas afins); a morte |
| 9ª Casa | a Religião; a filantropia; o idealismo; a justiça; as jornadas de longa duração (viagens, processos longos de aprendizagem ou de autodescoberta) |
| 10ª Casa | a profissão; a posição social (a posição da pessoa em uma dada sociedade ou cultura); a ambição (o desejo de alcançar um determinado fim e que requer determinação e árduo trabalho) |
| 11ª Casa | os amigos; as esperanças; os desejos |
| 12ª Casa | as prisões e os aprisionamentos; os hospitais; as angústias profundas, as tristezas, os arrependimentos; os problemas, as dificuldades |
As divisões chamadas Casas são, às vezes, chamadas também de “Casas mundanas” para enfatizar que são divisões da Terra; e os Signos do Zodíaco também são vagamente chamados de “Casas” ou “Domicílios” dos Astros que os regem, como por exemplo: Virgem é a “Casa” de Mercúrio, Capricórnio é o “domicílio” de Saturno.
Astrologia Científica Simplificada – Parte 2 – Enciclopédia Filosófica de Astrologia-P.5
Casas Mundanas:
As divisões chamadas Casas são, às vezes, chamadas também de “Casas mundanas” para enfatizar que são divisões da Terra.
Casas Sucedentes:
As 2ª, 5º, 8ª e 11ª Casas são chamadas Casas Sucedentes, uma vez que elas “sucedem” ou se seguem aos “Ângulos”.
Cauda do Dragão:
É o Nodo Sul da Lua. Os Nodos são pontos na órbita de um Planeta onde ele cruza a eclíptica ou o curso do Sol. O ponto no qual ele cruza do sul para o norte é chamado Nodo ascendente ou Nodo Norte; o outro ponto em que ele cruza do norte para o sul é chamado Nodo descendente ou Nodo Sul.
Quando o Sol está a leste e cruza o Equador celeste do sul para o norte, em Setembro, Saturno (Satã) ou o adversário se ergue no Signo que está em Exaltação, Libra, pronto para dominar com sua mão fria e viscosa o dador de vida, o Sol, e conduzi-lo ao seu Nodo descendente, deixando o hemisfério norte em lamentações e morte. Portanto, o Nodo Sul[1] da Lua, chamado de Cauda do Dragão, é considerado saturnino em seus efeitos, e obstruí todas as coisas às quais esteja conectada.
Mas, quando o Sol está a leste e cruza o Equador celeste do sul para o norte, o Sol entra no Signo marciano, onde está em Exaltação, Áries, como um rei conquistador no Equinócio de Março, e toda a Natureza desperta para a vida, para o amor e para a atividades de outro ano. Por conseguinte, o ponto em que Lua cruza e entra na Declinação Norte[2] também está sujeita à benigna influência do dador de vida, o que se atribui à Cabeça do Dragão, que estimula e promove todas as coisas sob sua influência.
Combustão:
Qualquer Astro dentro de três graus de distância angular[3] do Sol é dito estar em combustão, ou queimado pelos raios do Sol. Se Mercúrio ou a Lua estiverem assim posicionados, isso enfraquece a Mente; se for Vênus ou Júpiter, os benéficos desses Planetas enfraquecem tanto que nem são sentidos; e se for um dos Planetas adversos (Marte, Saturno, Urano ou Netuno[4]), isso acentua o nível de adversidades.
Conjunção:
É o Aspecto em que dois Planetas estão dentro de uma Órbita de Influência de 6 graus um do outro e se o Sol ou a Lua estiverem envolvidos, dentro de uma Órbita de Influência de 8 graus um do outro.
Culminação:
Quando um Astro (Sol, Lua e Planetas) alcança o Zênite[5], dizemos que ele culmina, pois então alcança sua maior altitude e começa a descer para o Nodo Ocidental. Essa expressão também é usada quanto aos Aspectos. Quando um Astro entra na Órbita de Influência de outro, a princípio é fraco em sua influência; mas à medida que o Astro recorrente se aproxima do Aspecto exato[6], torna-se cada vez mais forte em sua influência até culminar no Aspecto exato, momento em que alcança sua potência de influência máxima. Daí em diante, quando os Astros começam a se afastar e o Aspecto vai, gradativamente, se dissolvendo, a influência correspondente vai enfraquecendo e, finalmente, cessa.
Cúspide:
É o grau em que uma Casa começa e é, também, o zero grau de um Signo. Quando o Sol deixa o trigésimo grau de Câncer e entra no zero grau e um minuto do Signo de Leão, diz-se que ele está na cúspide de Leão, o mesmo acontecendo em relação aos outros Signos. Se Áries a 10 graus está no Meio-do-Céu, ou seja, dividindo a linha entre a 9ª e 10ª Casas, e Netuno está em Áries a 9 graus e 55 minutos, então ele se posiciona na 9ª Casa sobre a cúspide da 10ª Casa. Se ele se posicionasse a 10 graus e 5 minutos de Áries, aí estaria na 10ª Casa e sobre a cúspide da 10ª Casa.
Como a influência dos Astros de movimento direto é sempre para frente no Zodíaco, o Astro sobre a cúspide de uma Casa sempre terá uma influência mais forte nos assuntos significados por essa Casa do que o Astro posicionado nos últimos graus dessa Casa.
Declinação:
É a distância de um Astro (Sol, Lua e Planetas) ao norte ou ao sul do Equador Celestial. A máxima Declinação Norte do Sol é 23 graus e 27 minutos, que ele alcança no Solstício de Junho, sendo que no Solstício de Dezembro o Sol alcança o grau correspondente, 23 graus e 27 minutos de máxima Declinação Sul. Marte, Mercúrio e a Lua alcançam 27 graus de Declinações Norte e, em raras ocasiões, Vênus alcança 28 graus, mas os outros Planetas (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno[7]) alcançam, aproximadamente, as mesmas Declinações Norte e Sul como as do Sol.
A Astronomia ensina que a Declinação do Sol é devido à inclinação do eixo da Terra.
Descendente:
É o Oposto do Ascendente[8], o ponto do horizonte ocidental onde o Sol e os Planetas se põem, por assim dizer, porque a partir daí os corpos celestes começam sua “descida” rumo ao nadir da esfera celeste.
Desventurosos ou Adversos:
São chamados os Planetas: Marte, Saturno, Urano e Netuno[9]. Esses Planetas que chamamos de adversos, presentemente, porque a influência deles nos parece “má”, pois, ainda não aprendemos a trabalhar em harmonia com eles, visando um bem mais elevado.
Mas mesmo hoje, os Aspectos de Saturno com a Lua e com Mercúrio fornecem profundidade à Mente e um poder de concentração, atributos decididamente bons. Marte em Aspecto com esses Planetas energiza a Mente e a torna mais alerta; Urano em Aspecto com eles fornece uma percepção espiritual àqueles que podem expressar essa faculdade, mas essas pessoas são muito poucas.
Outro exemplo é Saturno! Sim, é verdade que ele é responsável pela maioria dos golpes do destino, mas ele não pode nos dar nada que não tenhamos merecido, e o propósito dele não é a vingança, mas educação ou ensino. A partir do momento em que percebermos, do fundo do nosso coração, deixaremos de reclamar e perguntaremos: “Por que isso está acontecendo comigo, o que eu fiz para merecer isso?”. Então, buscando em espírito de oração a razão, para que possamos aprender a corrigir nossa conduta a esse respeito e assim escapar de provações semelhantes no futuro, nos aproximaremos mais do nosso Deus-Pai e aprenderemos a beijar a cruz. Assim, em vez de ser um mal consumado, as visitas de Saturno são oportunidades para corrigirmos nossos procedimentos errôneos e alcançarmos a Sabedoria.
Um Planeta adverso bem-posicionado e com Aspectos pode ser de maior ajuda que um Astro benéfico fraco e com Aspectos adversos.
Detrimento:
É o oposto de “Dignificação”.
Assim, se o Sol está Essencialmente Dignificado em Leão, então ele estará “em Detrimento” quando estiver em Aquário.
Já a Lua que está Essencialmente Dignificada no Signo de Câncer, estará “em Detrimento” quando estiver em Capricórnio.
Saturno que está Essencialmente Dignificado nos Signos de Capricórnio e Aquário, estará “em Detrimento” quando estiver em Câncer ou em Leão.
Já Júpiter que está Essencialmente Dignificado nos Signos de Sagitário e Peixes, estará “em Detrimento” quando estiver em Gêmeos ou em Virgem.
Marte que está Essencialmente Dignificado nos Signos de Áries e Escorpião, estará “em Detrimento” quando estiver em Libra ou em Touro.
Agora, Vênus que está Essencialmente Dignificado nos Signos de Touro e Libra, estará “em Detrimento” quando estiver em Escorpião ou em Áries.
E Mercúrio que está Essencialmente Dignificado nos Signos de Gêmeos e Virgem, estará “em Detrimento” quando estiver em Sagitário ou em Peixes.[10]
Dia Sideral:
É o tempo que decorre entre duas passagens sucessivas de uma estrela fixa sobre o meridiano de determinado lugar. Esse é o tempo exato de uma revolução[11] completa da Terra sobre seu eixo; e é o único movimento absolutamente uniforme observado nos céus, não tendo sofrido nenhuma alteração desde as primeiras observações registradas. Devido ao movimento da Terra em sua órbita[12] em torno do Sol, um Dia Solar é mais longo do que um Dia Sideral, pois como o Sol se adianta mais para o leste durante o período de rotação diária da Terra sobre seu eixo, a Terra precisa girar um pouco mais em seu eixo para que um certo Meridiano se alinhe com o Sol. O Dia Solar é, portanto, cerca de quatro minutos mais longo que o Dia Sideral, porém, devido ao movimento variável da Terra em sua órbita e à obliquidade da eclíptica mencionada anteriormente, essa diferença também varia a cada dia.
Dia solar:
É o tempo que o Sol leva para se mover de um determinado Meridiano de longitude até retornar ao mesmo Meridiano no dia seguinte. Devido ao movimento variável da Terra em sua órbita e da obliquidade da eclíptica, o caminho do Sol, os dias solares não têm todos a mesma duração, mas como o propósito da vida social e civil necessitam de uma divisão uniforme, uma média foi adotada para todos os dias solares do ano, e isso leva o nome de Dia Solar Médio. Esse começa à meia-noite, quando o Sol está no nadir. Os relógios são regulados para mostrar seu início, seu fim e, também, suas divisões em 24 horas diárias. Há, portanto, uma diferença entre a hora Solar e a hora do relógio[13]. Devido ao movimento da Terra em sua órbita[14] em torno do Sol, um Dia Solar é mais longo do que um Dia Sideral, pois como o Sol se adianta mais para o leste durante o período de rotação diária da Terra sobre seu eixo, a Terra precisa girar um pouco mais em seu eixo para que um certo Meridiano se alinhe com o Sol. O Dia Solar é, portanto, cerca de quatro minutos mais longo que o Dia Sideral, porém, devido ao movimento variável da Terra em sua órbita e à obliquidade da eclíptica mencionada anteriormente, essa diferença também varia a cada dia.
Dignidade Acidental:
Quando um Astro está posicionado em uma Casa Angular, seu efeito é muito mais poderoso do que quando se posiciona em Casas Sucedentes ou Cadentes. Nesse sentido, uma posição na 10ª Casa é mais forte em virtude da Elevação, a seguir a 1ª Casa, depois a 7ª Casa. A 4ª Casa é a mais fraca.
Dignificação
Diz-se que um Astro (Sol, Lua e Planetas) está em sua Dignificação, ou está “Essencialmente Dignificado”, ou está no Signo que rege – está no “Regente” –, quando ele está em certos Signos que concordam com ele em natureza, porque então o poder ou energia do Signo e o poder ou energia do Astro estão combinados. A influência do Astro se torna assim fortalecida. Inversamente, diz-se que um Astro está em Detrimento quando ele se encontra no Signo oposto ao que ele rege, pois então a natureza do Signo e a natureza do Astro são incompatíveis e antagônicos, resultando disso que a influência do Astro é enfraquecida em intensidade.
A Tabela abaixo mostra a Regência dos Astros nos vários Signos, de modo que um estudo dela trará o conhecimento do sistema e da filosofia envolvidos:

O Sol é centro de nosso Sistema Solar, o dador de vida e calor, e a Lua é (apenas no que tange à nossa Terra) a coletora e refletora dos vitalizantes raios solares. O Sol, sendo o dador de vida e calor, concorda essencialmente com a natureza do Signo de Leão. Assim, Leão, sendo um signo masculino de natureza ígnea, concorda essencialmente com a natureza do Sol, ao qual ajuda a dignificar e fortalecer, ou seja: o Sol está Essencialmente Dignificado em Leão.
O efeito da feminina Lua sobre as marés da Terra mostra sua inerente afinidade com a água, o que a faz concordar essencialmente com o Signo aquático e feminino de Câncer. Por causa disso o Signo Câncer é regido pela Lua, pelo que nele está a sua maior fortaleza, ou seja, a Lua está Essencialmente Dignificada no Signo de Câncer.
A palavra-chave do Sol é Vida, e a da Lua é Fecundação. O germe de vida, que emana do Sol, é plantado e regado pela Lua, que regula o período de gestação e faz nascer todas as coisas aqui. Saturno é o Planeta da obstrução e da deterioração, o ceifador com a ampulheta e a foice, que ceifa a vida dada pelo Sol e sustentada pela Lua, quando seu relógio indica o tempo em que os frutos das experiências da vida estão prontos para serem colhidos. Então, ele é o Planeta da morte aqui, circulando numa órbita situada nos limites do Sistema Solar, que é a fronteira do Caos, onde todas as coisas são dissolvidas e transmutadas, por alquimia espiritual, em texturas cada vez mais refinadas.
Portanto, Saturno concorda essencialmente com os Signos de Capricórnio e Aquário[15], os Signos ocupados pelo Sol durante os meses de dezembro e janeiro. Quando posicionado nesses Signos, a mão viscosa e fria de Saturno se faz sentir como uma poderosa força que esmaga a vida e a alegria, que cobre a vida com a sombra da morte.
Entre a órbita de Saturno e a órbita do Sol estão as órbitas dos outros Planetas, e quando postas na ordem de suas distâncias do Sol, com os Signos do Zodíaco colocados de tal modo que Leão e Câncer fiquem no centro com seus Regentes — Sol e Lua — e os Signos que Saturno rege, Capricórnio e Aquário, um em cada extremidade, então mostram que Júpiter, cuja órbita fica por dentro da órbita de Saturno, rege os dois Signos vizinhos aos Signos de Saturno, isto é: Sagitário e Peixes[16].
A órbita de Marte fica por dentro da órbita de Júpiter, portanto, ele rege, os signos vizinhos aos signos de Júpiter, ou seja: Áries e Escorpião[17].
A órbita de Vênus fica por dentro da órbita de Marte, portanto, ele está dignificado nos Signos vizinhos aos Signos de Marte, a saber: Touro e Libra[18].
Mercúrio, o Planeta mais próximo do Sol, rege os Signos situados entre os de Vênus e do Sol, a saber: Gêmeos e Virgem[19].
[1] N.T.: ou seja: quando a Lua entra na Declinação Norte (cruza o Equador celeste do norte para o sul).
[2] N.T.: cruza o Equador celeste do sul para o norte.
[3] N.T.: repare que está na Órbita de Influência do Aspecto Conjunção.
[4] N.T.: e, agora, também Plutão.
[5] N.T.: Também chamado Meio-do-Céu, é o ponto mais alto da abóbada celeste acima do lugar de nascimento, onde o Sol se encontra ao meio-dia.
[6] N.T.: 0 grau de separação entre os dois Astros envolvidos para a Conjunção; 60 graus para o Sextil; 90 graus para a Quadratura; 120 graus para o Trígono; 180 graus para a Oposição.
[7] N.T.: e, agora, também Plutão.
[8] N.T.: ou seja: cúspide da 7ª Casa.
[9] N.T.: e, agora, também Plutão.
[10] N.T.: Veja a Tabela que está no item “Dignificação” para ter uma visão completa.
[11] N.T.: também chamada de rotação: cada giro da Terra em torno do seu próprio eixo define um dia.
[12] N.T.: Movimento de Translação
[13] N.T.: a hora do relógio é também chamada de hora legal.
[14] N.T.: Movimento de Translação
[15] N.T.: Assim, Saturno está Essencialmente Dignificado tanto no Signo de Capricórnio, como no Signo de Aquário.
[16] N.T.: Assim, Júpiter está Essencialmente Dignificado tanto no Signo de Sagitário, como no Signo de Peixes.
[17] N.T.: Assim, Marte está Essencialmente Dignificado tanto no Signo de Áries, como no Signo de Escorpião.
[18] N.T.: Assim, Vênus está Essencialmente Dignificado tanto no Signo de Touro, como no Signo de Libra.
[19] N.T.: Assim, Mercúrio está Essencialmente Dignificado tanto no Signo de Gêmeos, como no Signo de Virgem.
Astrologia Científica Simplificada – Parte 2 – Enciclopédia Filosófica de Astrologia-P.6
Direções:
Quando uma criança nasce, ela é imersa em uma atmosfera carregada com vibrações astrais próprias daquele momento, as quais são impressas em cada átomo do organismo sensível pelo ar inalado da primeira respiração. Este batismo astral é a causa básica de todas as características e idiossincrasias da criança; ele proporciona certas tendências que permanecem por toda vida. Este é o Horóscopo Radical ou Radix que carregamos em nossos Corpos e, quer o saibamos ou não, é a raiz de todos os acontecimentos ou eventos da vida.
Mas os Astros (o Sol, a Lua e os Planetas) não permanecem estacionados nas posições que ocupavam no momento do nosso nascimento; o progresso deles é eterno, assim como o é do nosso Pai Celestial, e com o tempo eles formam outros Aspectos diferentes dos que formavam por ocasião do nascimento. Essas configurações progredidas são chamadas de Direções e marcam o momento na vida em que os acontecimentos ou eventos estão prestes a ocorrer.
As Direções são de dois tipos: Primárias e Secundárias.
As Direções Primárias são aquelas formadas entre os Astros progredidos e suas posições ao nascimento.
Se, por exemplo, o Sol estava em “0” grau de Áries e Júpiter estava nos 25 graus de Leão, por ocasião do nascimento de um indivíduo, então, como o Sol se desloca para frente do Zodíaco à razão de um grau por dia, ele estará em Trígono com Júpiter cerca de vinte e cinco dias após o nascimento.
O sistema de medição do tempo da Progressão astral em geral considera cada dia após o nascimento igual a um ano de vida. Assim sendo, um acontecimento muito afortunado ocorrerá a esse indivíduo no vigésimo quinto ano de sua vida.
Aspectos também podem ser formados entre dois Astros progredidos; para seguir o exemplo dado no último parágrafo, Júpiter progrediria um ou dois graus nos vinte e cinco dias. Estaria, então, em 26 ou 27 graus de Leão, de maneira que, e depois que o Sol tivesse passado pelo Trígono com Júpiter Radical, chegaria ao Trígono com Júpiter progredido, o que prolongaria a influência afortunada por vários anos, embora se deva ter em mente que os efeitos dos Aspectos entre dois Astros progredidos não são tão fortes quanto os das configurações entre um Astro progredido e outro Radical.
As Direções Secundárias são aquelas formadas pela Progressão da Lua em Aspectos com os Astros, especialmente os Astros Radicais. Esses Aspectos lunares são de vital importância, pois, a não ser que as Direções Primárias sejam apoiadas por Aspectos da Lua Progredida que sejam de natureza semelhante, não há influência alguma. Para ilustrar, sirvamo-nos do exemplo do Sol em Trígono com Júpiter. Se no momento em que esse Trígono culminou, a Lua Progredida estivesse nos 25 graus de Gêmeos, portanto em Sextil com o Sol e com Júpiter, isso teria proporcionado um impulso maravilhosamente favorável ao acontecimento significado pela Direção, mas se a Lua estivesse nos 25 graus de Touro, portanto em Quadratura com Júpiter, isso teria impedido o acontecimento e até causado problemas. Se não houvesse uma Direção Secundária lunar no momento, o acontecimento teria permanecido latente até que o próximo Aspecto da Lua Progredida o despertasse ou o debilitasse.
As Lunações (Luas Novas) também são os fatores poderosos no fortalecimento das Direções, especialmente se forem Eclipses (Veja “Lunações”, “Eclipses” e, também, “Trânsitos”).
Direções Primárias: (Ver “Direções e Trânsitos”.)
Direções Secundárias: (Ver “Direções e Trânsitos”.)
Direto:
Quando os Planetas se deslocam na ordem dos Signos (de Áries a Touro, etc.) eles são considerados que estão em movimento Direto, mas quando parecem se deslocar em sentido contrário à ordem dos Signos (de Áries para Peixes, etc.) eles são considerados que estão em movimento Retrógrados. Nas Efemérides, um “R” maiúsculo é posto no alto da página do mês, com os graus e minutos de Longitude do Planeta, no dia em que ele começa o movimento Retrógrado, e no topo de sua coluna quando esse movimento prossegue. Quando o Planeta volta a seu deslocamento em sentido direto, isso é indicado por um “D” maiúsculo, mas nas Efemérides não há “D’s” nos topos das colunas para indicar que os Planetas estão em movimento “direto”, pois este é o seu deslocamento natural. Os “R’s” são usados apenas para marcar que o movimento a que se referem é uma anomalia.
O Sol e a Lua estão sempre em movimento Diretos, eles nunca são Estacionários ou Retrógrados. Veja-se o verbete sobre Retrogradação.
Astrologia Científica Simplificada – Parte 2 – Enciclopédia Filosófica de Astrologia-P.7
Eclipses: (Ver “Lunações”)
Eclíptica:
O caminho ou trajetória do Sol por entre constelações do firmamento[1].
Efemérides:
Uma efeméride[2] é irmã gêmea do “almanaque” e fornece as longitudes e declinações geocêntricas do ano corrente. É absolutamente necessária em cálculos astrológicos. Mas assim como é necessário obter um novo “almanaque” para cada ano para ver quando a Lua é Nova e Cheia, quando é Páscoa ou Natal, etc., também é necessário ter uma efeméride para cada ano quando queremos levantar horóscopos para as pessoas. É verdade que os Planetas circulam em torno do Sol[3], mas cada um tem sua velocidade específica e não assumem a mesma posição relativa entre si que tinham enquanto você lia isto, até que um período chamado Grande Ano Sideral (25.868 anos comuns) tenha decorrido. Portanto, todos os horóscopos, até mesmo os horóscopos de gêmeos, diferem entre si, e é necessário ter uma Efeméride para o ano de nascimento de qualquer pessoa antes de poder levantar o horóscopo dela.
Eixo:
Se atravessarmos uma maçã pelo seu centro com uma agulha de tricô, esse seria o eixo da maçã, e sobre esse eixo a maçã poderia girar. O eixo da Terra é uma linha imaginária ao longo da qual a Terra gira, sendo que esse movimento da Terra, em seu eixo, produz os fenômenos conhecidos como dia e noite. O eixo da Terra sempre aponta para uma certa estrela na constelação da Ursa Menor, a qual por isso é chamada Estrela Polar[4]; a única no céu que parece nunca se mover. Contudo, ela não é completamente estacionária, mas possui um movimento vibratório excessivamente lento chamado Nutação[5], que faz com que a Estrela Polar mude ao longo dos milênios.
Elevação:
O zênite, o ponto ocupado pelo Sol ao meio-dia, é o ponto mais elevado no céu. Quanto mais perto desse ponto estiver um Astro (Sol, Lua e Planetas), mais elevado se diz que ele está. Assim, um Astro na 11ª Casa está mais elevado que outro que se situe na 12ª Casa, e o Astro que se encontre na 10ª Casa está acima de todos os outros Astros.
A Elevação é muito importante, pois aumenta consideravelmente a influência de um Astro seja beneficamente, seja adversamente. Se Marte, o Planeta da energia dinâmica, estiver Elevado no Signo em que é Regente, Áries, proporcionará a pessoa de um reservatório quase inesgotável de energia e de uma coragem indomável, o que será considerado insuficiente se Marte estiver em um Signo e posição fracas, tais como em Virgem e a 6ª Casa. O mesmo raciocínio e análise ocorre com os demais Signos e Astros.
Equador:
O Equador terrestre é uma linha imaginária em um plano, em ângulos retos ao eixo da Terra e na metade da distância entre os polos norte e sul. Assim, o Equador divide o globo terrestre em dois hemisférios: o norte e o sul. Se uma viga com centenas de milhões de quilômetros de comprimento fosse cravada na Terra, da linha do Equador em direção ao centro da Terra, a extremidade externa descreveria uma linha no firmamento, quando a Terra realiza seu movimento de rotação ao redor do seu eixo; esta linha imaginária é chamada Equador celeste, ou Equinocial. Esse último nome é dado porque quando o Sol alcança o ponto onde a Eclíptica ou a trajetória do próprio Sol cruza o Equador celeste temos os Equinócios, os períodos em que os dias têm a mesma duração das noites.
Equinocial: (ver sobre “Equador”)
Equinócio:
Os Equinócios ocorrem a 20 ou 21 de março, quando o Sol entra em Áries, e a 22 ou 23 de setembro, quando o Sol entra em Libra. Nessas ocasiões, os dias têm a mesma duração das noites em toda a Terra. Veja-se “Equador” e “Precessão dos Equinócios”.
Essencialmente Dignificado:
Um Astro está fortalecido ou está Essencialmente Dignificado quando ele está no Signo que concorda com sua própria natureza. Isso é completamente esclarecido no verbete “Dignificação”.
Estacionário:
Às vezes, os Planetas se movem obliquamente em relação à órbita da Terra, e de tal maneira que parecem estacionários, embora estejam, na verdade, sempre em movimento (ver sobre “Retrogradação”).
Estrelas Fixas:
As doze constelações do Zodíaco são compostas por um grande número de estrelas, e por todo o firmamento vemos aglomerados de corpos luminosos que parecem preservar a mesma posição em relação uns aos outros, diferindo nesse aspecto do Sol, da Lua e dos Planetas, que vemos se movendo entre os aglomerados de estrelas. Portanto, os aglomerados de estrelas que compõem as constelações zodiacais são chamados “Estrelas Fixas”. É sabido, contudo, que sua imobilidade só é aparente, em razão da grande distância que as separa de nós e que, na realidade, elas se deslocam no espaço a velocidades enormes.
Na Astrologia lidamos principalmente com as doze constelações de Estrelas Fixas que compõem o Zodíaco. Não há dúvida de que outras Estrelas Fixas exercem influência sobre os assuntos humanos, mas nossas Mentes ainda são muito fracas para compreender o significado completo dos Signos zodiacais, dos Astros e das Casas em todas as suas múltiplas combinações, de modo que, se tentarmos misturar isso com as outras Estrelas Fixas e seus Aspectos, certamente nos perderemos num labirinto. Recomenda-se ao Estudante considerar apenas as seguintes Estrelas Fixas: Plêiades, localizada nos 29º de Touro; Ascelli, nos 6º de Leão; e Antares, nos 8º de Sagitário. Observou-se que essas Estrelas Fixas exercem um efeito decididamente prejudicial aos olhos. Quando o Sol ou a Lua se estão num desses graus, e afligidos por um dos Planetas adversos[6], ou quando um dos adversos está num desses graus, e o Sol ou a Lua afligidos em qualquer parte do horóscopo, o resultado são problemas com os olhos.
[1][1] N.T.:
[2] N.T.: Nomeadamente, “efemérides astronômicas” é o termo usado por astrônomos e astrólogos um conjunto de tabelas que indicam a posição dos Astros para cada dia do ano.
[3] N.T.: Em um movimento chamado de Translação.
[4] N.T.: para o hemisfério norte.
[5] N.T.: A Nutação é, na astronomia, uma pequena oscilação periódica do eixo de rotação da Terra com um ciclo de 18,6 anos, sendo causada pela força gravitacional da Lua sobre a Terra.
[6] N.T.: Marte, Saturno, Urano, Netuno e Plutão
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Exaltação:
No item “Dignificação” é explicado que, quando um Astro está em um Signo de natureza similar, ele está fortalecido ou Dignificado, mas quando um outro Astro da mesma natureza do Regente entra naquele Signo combina as suas próprias qualidades com aquelas do Regente e do Signo, e se torna em Exaltação ou poderosamente fortalecido. Por exemplo, Áries é um Signo seco, ígneo. É regido por Marte, um Planeta seco, ígneo e quando o Sol, a fonte de calor e o provedor de Vida entra naquele Signo ele está em Exaltação a um grau superlativo de poder, e imediatamente a Vida começa a se manifestar em todos os departamentos da Natureza. O que se precisa sempre lembrado a respeito do que constitui em Exaltação é que ela necessita a combinação de três naturezas semelhantes. Escorpião é também um Signo marcial, mas é um Signo de Água e não em total concordância com a natureza do Sol, como Áries está; portanto, o Sol não poderia estar em Exaltação em Escorpião, como está em Áries.
Assim como o “Senhor da Vida e do calor”, o Sol, sempre se opõe a Saturno na Regência de seus Signos – Leão e Aquário –, assim também o frio e mortal Saturno se opõe ao Sol desde o seu Signo em Exaltação, Libra. Vênus e Marte são os Planetas da atração, sob o ponto de vista sexual e, como tudo que é gerado pelo sexo está sob o domínio da morte, Marte tem, portanto, uma Regência correta sobre Escorpião, o Signo da 8ª Casa, significadora da morte; ele também está adequadamente em Exaltação no Signo saturnino de Capricórnio, e Saturno, o “Senhor da Morte”, é justamente atribuído o estar em Exaltação em Libra, o Signo masculino cardeal de Vênus.
Câncer, o Signo úmido e feminino signo regido pela Lua, é vizinho a Leão, o Signo quente e seco regido pelo Sol. Portanto, é exigido pela Lei da Analogia que o Signo em Exaltação da Lua seja vizinho ao Signo em Exaltação do Sol, isto é, Touro. Vênus, o Planeta do Amor, oferece um caminho para a expressão das forças lunares da fecundação, e o Signo feminino e frutífero de Touro concorda inteiramente com essas tendências; portanto, esse Signo oferece a mais poderosa expressão das forças que atuam através da Lua, pela qual é tido corretamente como em Exaltação em Touro. Vênus nos une em laços de amor para a perpetuação da Onda de Vida humana, portanto, esse amor é essencialmente egoísta e, portanto, produtor do sofrimento e da angústia profundos. Quem muito amou, muito sofreu, daí Vênus, manchado de lágrimas, estar em Exaltação no Signo de Água da 12ª Casa, Peixes, o Signo do sofrimento e da angústia profundos. Aqui, pelo efeito purificador da dor profunda, o amor terreno e sensual é transmutado em Altruísmo sob o raio benéfico de Júpiter, o Regente desse Signo, pois não é a vontade de nosso Pai que soframos além do que podemos suportar, mas Ele, em cada tentação, proporcionará uma maneira de escapar.
No antigo Zodíaco egípcio, Câncer era simbolizado por um besouro ou escaravelho[1], o que para eles era o emblema da alma, e é uma verdade esotérica que todas as almas entram na vida terrestre através da esfera da Lua, Câncer. A concepção depende da posição da Lua e do ângulo dos raios dela. Sagitário – o Centauro – é o símbolo da aspiração, um homem sobressaindo do animal e apontando seu arco para o céu. Esse Signo é regido por Júpiter, o Planeta da benevolência, que agora é a sementeira onde nosso futuro lar está sendo preparado, e onde vamos morar algum dia, quando houvermos aprendido as lições do Período Terrestre e estivermos prontos para assumir um trabalho mais elevado do Período de Júpiter, conforme ensina o Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz.
Por conseguinte, assim como as forças solares refletidas através de Câncer e da Lua resultam em geração, do mesmo modo o raio espiritual do Sol refletido através de Câncer e Júpiter atua como um poder regenerador que fortalece a natureza psíquica e religiosa e, portanto, Júpiter é verdadeiramente considerado em Exaltação em Câncer.
Mercúrio é um Planeta de natureza variável; ele toma a cor e adota as características de qualquer Signo ou Astro (Sol, Lua e Planetas) com que esteja configurado; portanto, não tem afinidade particular com qualquer dos outros Astros ou Signos regidos pelos outros Astros e por isso deve buscar Exaltação em seus próprios Signos. E como Gêmeos é masculino, ele não está tão em harmonia com Mercúrio quanto o apático Signo negativo de Virgem, pelo que esse vem a ser o Signo de Exaltação de Mercúrio.[2]
Grande Ano Sideral: (Veja “Zodíaco Intelectual”)
Grau:
Um grau é a 360ª parte de um círculo. Cada um dos doze Signos do Zodíaco compreende 30 graus, e o movimento dos Astros (Sol, Lua e Planetas) através desses Signos é medido em graus e minutos de longitude[3], começando no primeiro grau de Áries.
O curso do Sol é chamado de eclíptica, sendo esta considerada a linha padrão do movimento celeste apenas no que diz respeito ao nosso Sistema Solar. O ziguezague dos Planetas ao longo da eclíptica vai, às vezes, um pouco ao norte do curso do Sol, outras vezes um pouco ao sul do curso do Sol. A distância de um Planeta ao norte ou ao sul do curso do Sol é chamada Latitude, sendo medida também em termos de graus e minutos.
Para um melhor esclarecimento acerca de graus de declinação, veja sobre “Declinação” e para o uso dos graus para medir a Ascensão Reta, veja: “Meio-do-Céu”.
O exposto acima estabelece o uso dos graus como uma unidade de medida para fixar as posições dos Astros na esfera celeste que contém as estrelas fixas; mas os graus também são usados em geografia para determinar a posição exata de cidades ou lugares na superfície da Terra[4]. Nesse caso, a Latitude é o que se conta em graus a partir do Equador da Terra, que é o grau 0, até os polos, que estão, respectivamente, a 90 graus norte e sul de Latitude.
A Longitude é a medida ao longo do Equador terrestre, 180 graus leste e 180 graus oeste a partir do Meridiano de Greenwich, o qual foi aceito como ponto inicial em 1884 pelos delegados de todas as principais nações, menos a França.
Para o efeito das distâncias, medidas em termos de Longitude na influência dos Astros, veja-se “Aspectos”.
Para a influência da Latitude e Declinação, no efeito dos Aspectos astrais “Latitude”.
[1] N.T.: Escaravelho é o nome comum, dado às várias espécies de insetos que pertence a um tipo de besouro.
[2] N.T: Segue uma Tabela com o Signo em que cada Astro está em Exaltação:
[3] N.T.: Longitude é uma das coordenadas geográficas, junto com a Latitude.
[4] N.T.: Assim, a Longitude e a Latitude são utilizadas para localizar qualquer ponto na superfície da Terra, juntamente com a Latitude, ou seja: a combinação da Latitude e Longitude permite determinar a localização exata de qualquer ponto na Terra, utilizando um sistema de coordenadas geográficas. Com o Planeta Terra é quase uma circunferência, você consegue identificar qualquer ponto por meio do par Longitude-Latitude. A Longitude vai de Leste a Oeste (de 0º a 180º de cada lado), considerando o grau 0 de Longitude o Meridiano de Greenwich, por convenção. Para facilitar a localização, utiliza-se a convenção de que a Longitude leste é positiva e a Longitude oeste é negativa. A Longitude também é fundamental para a determinação dos fusos horários, pois cada faixa de 15° de Longitude corresponde a uma hora de diferença no horário civil. A Latitude vai de Norte a Sul (0 a 90 graus (norte ou sul) de cada lado), considerando o grau 0 de Latitude o Equador terrestre, por convenção. Um exemplo: a cidade de São Paulo-SP-Brasil tem as coordenadas geográficas, na notação graus e minutos decimais: 23,5558° S, 46,6396° W, ou seja: a Latitude é 23.5558° S, onde “S” quer dizer Sul (abaixo do equador) e a Longitude é 46.6396° W, onde “W” quer dizer Oeste (em inglês) (à esquerda do Meridiano de Greenwich), ou ainda na notação graus, minutos e segundos: Latitude é 23º33’01” S, onde “S” quer dizer Sul (abaixo do equador) e a Longitude é 46º38’02” W, onde “W” quer dizer Oeste (em inglês) (à esquerda do Meridiano de Greenwich).
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Graus Críticos:
A Tabela de Graus Críticos dos Signos a seguir mostra certos graus do Zodíaco que são designados como “Graus Críticos”:
| Signos Cardinais | Signos Fixos | Signos Comuns |
| 1O 13O 26O | 9O 21O | 4O 17O |
| Áries | Touro | Gêmeos |
| Câncer | Leão | Virgem |
| Libra | Escorpião | Sagitário |
| Capricórnio | Aquário | Peixes |
Esses graus marcam, aproximadamente, o fim do percurso diário da Lua pelos doze Signos. A Lua gasta cerca de 27 dias e meio para percorrer todo o Zodíaco, numa média de 13 graus por dia, aproximadamente. Assim, começando no primeiro grau de Áries, o primeiro dia de percurso terminará no 13º grau desse Signo, o segundo terminará no 26º grau, assim por diante. Por conseguinte, os Graus Críticos são: o 1º, o 13º e o 26º dos Signos Cardeais; o 9º e o 21º dos Signos Fixos; o 4º e o 17º dos Signos Comuns[1].
Horas Planetárias:
Os Rosacruzes ensinam que os Planetas, o Sol e a Lua exercem domínio sobre os dias da semana, que representam os sete dias da criação (os Períodos desse Esquema de Evolução).
Sábado é o dia de Saturno e corresponde ao Período de Saturno.
Domingo é o dia do Sol e corresponde ao Período Solar.
Segunda é o dia da Lua e corresponde ao Período Lunar.
Terça é o dia do deus da guerra nórdica, Tyr, e corresponde à metade marciana do Período Terrestre.
Quarta é o dia do Mercúrio nórdico, Wotan, e corresponde à metade mercurial do Período Terrestre.
Quinta é o dia de Thor, o Júpiter nórdico, e corresponde ao Período de Júpiter.
Sexta é o dia de Freia, a Vênus nórdica, e corresponde ao Período de Vênus.
Além de regerem os dias da semana, os Astros (Planetas, Sol e Lua) também regem, ordenadamente, as horas do dia, e o sistema subjacente — a ordem e a ligação entre as regências dos dias e das horas — torna-se claro quando se nota que: o mesmo Astro que rege o dia é o que rege a primeira hora que se segue ao nascer do Sol nesse dia.
Começando pelo horário do nascer do Sol de domingo, que é regido pelo Sol, o horário seguinte é atribuído a Vênus, o terceiro a Mercúrio. A seguir vêm os horários da Lua, de Saturno, Júpiter e Marte. Então voltam novamente os horários regidos pelo Sol, por Vênus e pelos demais Astros na ordem acima: Sol, Vênus, Mercúrio, Lua, Saturno, Júpiter, Marte. Essa sucessão continua em sequência ininterrupta até a manhã do domingo seguinte, quando Marte rege o último horário da semana em sua própria ordem e o Sol abre a nova semana com seus raios benéficos.
Nessa disposição sucessiva iniciada no nascer do Sol do dia de domingo, a Lua rege o primeiro horário de segunda-feira, cujo horário é o vigésimo quinto desde o horário do Sol, que regeu o amanhecer de domingo.
Marte rege o primeiro horário de terça-feira, o qual é o vigésimo quinto horário da Lua, que regeu o amanhecer da segunda-feira.
É assim por diante, através dos outros dias da semana. Isso mostra como o método de denominar os dias pelos nomes dos Espíritos Planetários, que exercem domínio sobre eles, encaixa-se no sistema das “Horas Planetárias”, sendo que ambos se fundamentam no conhecimento esotérico.
Quando falamos em “Horas Planetárias” deve ficar entendido que essas horas nem sempre têm sessenta minutos de duração, mas que variam em grande medida com a época do ano e com o lugar em que se reside. Perto do Equador, a diferença é mínima; e ela aumenta à medida que avançamos para o norte, porque uma “Hora Planetária” é igual a um doze avos do período de tempo entre o pôr do sol de determinado dia e o nascer do Sol da manhã seguinte, ou é igual a um doze avos de determinado dia que começa ao nascer do sol e termina no pôr do sol.
Nos Equinócios, quando o dia e a noite têm igual duração, as “Horas Planetárias” também têm sessenta minutos, mas em pleno verão (no hemisfério norte) e na latitude 60 graus, onde o Sol nasce às 3.00 AM e põe-se às 8.00 PM. e que resulta num dia de 17 horas e numa noite de apenas 7 horas, as horas do dia têm 92 minutos, enquanto as horas da noite têm 27. Isso se inverte em dezembro, pois então o Sol não sai antes das 9:15 AM na latitude 60 graus norte e se põe às 2:45 PM., resultando disso que as “Horas Planetárias” do dia têm 27 minutos de duração, enquanto as horas da noite têm 92 minutos.
Para conveniência dos Estudantes, fornecemos no final desse livro seis tabelas, cada uma para dois meses do ano, e destinadas a todos os que vivem nas latitudes de 25 a 55 graus norte ou sul, que abrange praticamente todo o mundo civilizado. Elas são permanentes, e podem ser usadas por toda vida.
Para achar o Astro que rege determinado horário, olhe o relógio e consulte a tabela do mês seguinte em curso. Corra o dedo indicador na coluna da latitude desejada. Pare quando alcançar o primeiro horário posterior ao horário indicado pelo seu relógio. Volte o dedo uma linha acima. O número encontrado aí indica que o Regente Astral começa a reger nesse momento e continua a regência até o horário em que você parou o dedo inicialmente.
Os Regentes horários se encontram na intersecção da linha, que contém o horário que começam a reger, com a coluna daquele dia da semana.
Por exemplo, se queremos saber qual o Astro que, na latitude 40 e no mês de dezembro, rege as 2.00 PM de uma quinta-feira, corremos o dedo pela coluna do meio de latitude na tabela de dezembro, parando nas 2:18 PM, que é o primeiro horário depois daquela que desejamos. Então, retrocedemos uma linha para 1:32 PM, e daí para a esquerda, parando na coluna de quinta-feira. E aí encontraremos Marte, sabendo que esse Planeta rege das 1h32 às 2h18 PM, às quintas-feiras, durante dezembro e janeiro, nas latitudes de 35 a 45 graus.
A respeito do uso das “Horas Planetárias”, qualquer pessoa que tenha estudado a natureza e a influência dos vários Astros nos assuntos da vida pode de imediato formar uma opinião. As experiências e a observação tornarão qualquer pessoa eficiente na escolha do melhor horário para realizar o que deseja, com as melhores oportunidades de êxito. Muitas pessoas enlameiam a Ciência Divina da Astrologia pelo uso pervertido da influência desta para fins egoístas, esforçando-se para conseguir assim uma vantagem indevida, mas os Estudantes Rosacruzes não poderão encontrar nada na literatura Rosacruz sobre como proceder para tal propósito. Não estudamos o assunto sob esse ângulo, e ainda que soubéssemos o procedimento não o ensinaríamos. Mas, em certas ocasiões, as “Horas Planetárias” podem ser usadas de forma justa e benéfica; por isso tentaremos indicar aqui como elas podem ser úteis.
Suponha que queiramos ajudar um amigo a conseguir um emprego, e sabemos de um lugar apropriado para ele. Lembremo-nos de que o Sol é o significador dos que possuem autoridade, pelo que os horários do Sol favorecem transações com tais pessoas e pedidos de favores às mesmas; e você terá melhores chances de êxito se se candidatar nesses horários.
Mas, também é importante recordar que o Astro regente do primeiro horário de determinado dia é o principal Regente de todo esse dia, sendo os demais Astros apenas Regentes subsidiários com o Regente do dia. Tais Astros são enfraquecidos ou fortalecidos na proporção em que suas naturezas concordem ou discordem da natureza do Regente do dia. Portanto, se você selecionar um horário do Sol em um sábado, que é matizado com a obstrutiva influência de Saturno, suas chances de êxito não são tão boas quanto se você selecionar um horário do Sol em uma quinta-feira, que é toda matizada com o benevolente raio de Júpiter, o Regente do dia.
Ou, se você tiver a oportunidade, por dever, de argumentar com alguém que tem um temperamento exaltado, e que, você sabe, tende a se ressentir e dizer ou fazer algo que ambos desejam evitar, use o frio e úmido cobertor do horário de Saturno, se possível, para quebrantar e extinguir o espírito marcial. O risco de uma ruptura será então minimizado em grande medida, e ambos provavelmente se perguntarão, com a agradável lembrança, como tudo correu bem.
Ou, se for necessário estimular alguém que se tenha habituado à preguiça ou ociosidade e que, por isso mesmo, faz os outros sofrerem, e se parecer necessário, por assim dizer, acender uma fogueira debaixo dele para fazê-lo se movimentar, combine o fogo e a energia de Marte como Regente do dia com a influência dele como Regente do horário, conversando com a pessoa numa terça-feira. Se conseguir fazê-la dar o primeiro passo, é bem possível que ela o atenda.
Ao usar as “Horas Planetárias” nas linhas aqui apresentadas, e com o propósito do serviço altruísta, você pode proporcionar uma abundância de bênçãos aos outros e acumular para si mesmo muitos tesouros no céu, onde “nem a traça nem o mofo poderão estragá-lo”[2]; e vale a pena se lembrar que, por mais vantagem material que você possa obter com esse conhecimento, o ganho material, o poder, a posição, o dinheiro e todas as outras coisas pertinentes a este mundo são deixados para trás por ocasião da sua morte, e que somente nossas boas ações nos acompanham nessa hora. Portanto, não zombe, mas se quiser utilizar as influências astrais, use-as de tal modo que as mesmas só lhe tragam ganhos perenes e não apenas temporários.
[1] N.T.: Quando um Astro se encontra dentro da Órbita de Influência de três graus de quaisquer desses pontos (Sol no 15º de Áries está em “Grau Crítico”, pois está a 2 graus da culminação do “Grau Crítico” 13 graus de Áries (15 – 13 = 2 graus), portanto dentro da “Órbita de Influência” de 3 graus), tal Astro exercerá uma influência muito mais forte na vida do que de outra forma. Essa influência tenderá a aumentar a intensidade de uma “Exaltação”, como também a compensar a fraqueza resultante de um Astro estar “em Queda” ou “em Detrimento”. Também aumentará a força dos Aspectos desse Astro.
[2] N.T.: Mt 6:19-21: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem, e onde os ladrões arrombam e roubam; mas acumulai para vós outros tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde os ladrões não arrombam nem roubam; pois onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração”.
Astrologia Científica Simplificada – Parte 2 – Enciclopédia Filosófica de Astrologia-P.10
Horizonte:
Na Astrologia o lugar do nascimento sempre é considerado o ponto mais elevado da Terra, e o círculo principal visto dali é o horizonte. Esse pode ser sensível ou racional.
O horizonte sensível é o círculo que limita nossa visão, onde o céu e a terra parecem se encontrar.
O horizonte racional é aquele abaixo do horizonte sensível, no plano do centro da Terra.
Hyleg:
Um termo usado pelos antigos astrólogos árabes para designar os pontos do horóscopo onde se encontram os principais focos de vitalidade e saúde, ou seja: o Sol, a Lua e o Ascendente.
É preciso pouca argumentação para mostrar que o grande e glorioso reservatório de vida que chamamos de Sol é um fator importante no assunto saúde, e que o luminar menor, a Lua, também domina o assunto, pois ela coleta e reflete os raios solares. E é de conhecimento geral que ela está ligada de algum modo à gestação e ao parto; portanto, a Lua é a principal significadora de saúde no horóscopo de uma mulher, ao passo que o Sol exerce a mais forte influência no horóscopo de um homem. No entanto, ambos são importantes, pois se, no horóscopo de um homem, Saturno está em Quadratura com a Lua, ele sentirá as influências desse Aspecto, mas se a mesma configuração ocorre no horóscopo de uma mulher, ela sentirá as influências desse Aspecto muito mais; e, inversamente, Saturno em Quadratura com o Sol no horóscopo de uma mulher afetará sua saúde, mas não no mesmo grau que a de um homem, se tal Aspecto ocorrer no horóscopo dele.
A razão pela qual o Ascendente é considerado um fator de saúde e vitalidade não é tão evidente à primeira vista, mas quando percebemos que o Ascendente no nascimento é a posição da Lua no momento da concepção, então a razão se torna óbvia, pois a Lua é o Astro da fecundação, o foco e refletor das forças vitais do Sol e, se no momento da concepção, quando o Átomo-semente do Corpo Vital foi implantado, a Lua estava em um Signo fraco como Virgem, há uma carência fundamental de energia e vitalidade já no começo da vida terrestre, e uma consequente lassidão que afeta o indivíduo em todos os anos nessa sua existência terrestre.
Resumindo, o Sol, a Lua e Ascendente são todos importantes significadores de saúde e vitalidade para ambos os sexos, mas a posição e os Aspectos da Lua são mais importantes que os do Sol e do Ascendente para a mulher, enquanto a posição e os Aspectos do Sol são mais vitais para a saúde do homem do que os outros dois fatores.
Nos tempos modernos a palavra “Hyleg”, bem como a designação das partes vitais do horóscopo como locais “hylégicos”, de modo geral, não são mais utilizadas. O autor sempre se refere a essas partes como “significadores de saúde”, o que todos entendem, parecendo-nos insensato velar o assunto com termos misteriosos quando um bom e simples vocabulário pode transmitir muito melhor aquilo que queremos significar. Também deve ser entendido que para se interpretar qualquer assunto, seja ele saúde, riqueza, júbilo, dor, sofrimento, tristeza, ou qualquer outra coisa que possa acontecer, os significadores especiais fornecem apenas uma quantidade limitada de informações. Para obter um conhecimento realmente abrangente do horóscopo, cada assunto deve ser interpretado a partir de horóscopo como um todo.
Inclinação do Eixo:
Os eixos de todos os Planetas são inclinados em relação às suas órbitas. O eixo de um Planeta pode ser perpendicular ou oblíquo à sua órbita. As atuais inclinações aproximadas dos eixos são as seguintes[1]:

As inclinações dos eixos acima não coincidem em todos os casos com os números determinados pela ciência física, nem endossamos seu ponto de vista de que essas inclinações permanecem praticamente inalteradas, salvo por um leve movimento oscilatório chamado Nutação. Há um terceiro movimento extremamente lento dos Planetas, pelo qual, o atual Polo Norte da Terra, no futuro, como fez no passado, apontará diretamente para o Sol. Mais tarde estará na posição onde agora está o Polo Sul, e no devido tempo alcançará novamente a sua posição atual. Assim, o clima tropical e as épocas glaciais se sucedem em todos os pontos de cada Planeta.
Além disso, esse movimento gradual de, aproximadamente, de 50 segundos de espaço por século, pelo qual uma volta ao eixo da Terra se completa em, aproximadamente, dois milhões e meio de anos, também ocorreram mudanças repentinas numa época em que o que é agora o Polo Norte apontava diretamente para o Sol. O hemisfério sul se encontrava, então, continuamente na escuridão e frio.
Interceptado
Veja-se o tópico “Casas” antes de ler a definição de “Interceptado”. No item “Casas” afirma-se que, devido à forma quase esférica da Terra e à inclinação do eixo terrestre, algumas das Casas Mundanas nas latitudes do extremo norte têm apenas 12 ou 15 graus, enquanto outras têm 40, 50 e até 60 graus de tamanho. Mas, os Signos do Zodíaco têm sempre trinta graus e, portanto, nos casos em que uma Casa Mundana é muito grande em tamanho, um ou mesmo dois Signos inteiros podem estar incluídos dentro da amplitude de suas cúspides. No horóscopo de Erman C., nascido a 25 de janeiro de 1912 às 3:00 A.M., em Ogden, Iowa, EUA[2], temos o 24º grau de Sagitário na cúspide da 2ª Casa e o 11º grau de Aquário na cúspide da 3ª Casa. Assim, a 2ª Casa tem 47 graus de tamanho e inclui o todo o Signo de Capricórnio, com os Planetas Mercúrio e Urano, pelo que um astrólogo descreveria a situação dizendo que Capricórnio está “interceptado” na 2ª Casa. Ao falar dos Planetas nesse Signo interceptado, ele dirá que Mercúrio e Urano estão interceptados em Capricórnio na 2ª Casa.
Quando um Signo está interceptado em uma casa, o Signo oposto também o está na Casa oposta; consequentemente, vemos Câncer interceptado na 8ª Casa, com Netuno nessa Casa, no horóscopo citado.
A respeito da influência da Interceptação, descobrimos que, quando um Astro (Sol, Lua e Planetas) se encontra em algum Signo interceptado, sua influência é mantida em suspenso ou em estado latente até que, por Progressão, ele saia do Signo interceptado. Essa tendência pode ser em certa medida modificada por um Aspecto forte, ou por uma porção de outros Aspectos menores ou mais fracos, mas um Astro interceptado nunca tem o mesmo poder sobre a vida do que um Astro que não está em um Signo interceptado.
[2] N.T.: Do Livro: O Horóscopo de Sua Criança – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz

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Latitude:
Em astronomia, é a distância ao norte ou ao sul da Eclíptica – o caminho do Sol.
Em geografia, é a distância a que a cidade ou lugar se situa ao norte ou ao sul do Equador[1].
Nota – A distância dos corpos celestes ao norte ou ao sul do Equador celeste não é chamada latitude, mas sim DECLINAÇÃO. Quando o Sol está em seu extremo ponto ao norte, no Trópico de Câncer, não dizemos que ele está a 23 graus de Latitude norte, mas sim a 23 graus de Declinação norte. (Veja mais detalhes no verbete: “Declinação”.)
Logaritmos:
Foram originalmente inventados por Lord Napier para facilitar os cálculos aritméticos. Mais tarde, eles foram adaptados ao sistema decimal, sendo usados pelos astrônomos no cálculo das direções por arco[2]. Mas, para calcular as posições dos Astros pela Longitude e em relação ao dia de vinte e quatro horas faz-se necessário o uso de uma tabela especial que se encontra ao final de nossas Efemérides. No seu uso, a multiplicação é efetuada por soma e a divisão por subtração.
Longitude:
Em geografia, a Longitude é medida em termos de “a leste” ou “a oeste” do Meridiano de Greenwich, no Equador.[3]
Em astronomia, a Longitude dos Astros (Sol, Lua e Planetas) é medida sobre a Eclíptica – ou caminho do Sol –, partindo-se do primeiro ponto de Áries no Equinócio de Março. Quando a distância é calculada sobre o Equador celeste ou equinocial, então é chamada de Ascensão Reta.
Luminares:
São assim chamados o Sol e a Lua.
Lunação:
Uma Lunação é a Conjunção do Sol com a Lua, uma “Lua Nova”. Em nossas Efemérides, todas as Luas Novas, Luas Cheias e Eclipses são registrados claramente no topo das páginas.
Quando uma Lunação cai dentro dos 3 graus de um Aspecto de quaisquer dos Astros ou de outros pontos vitais do horóscopo Radical, isso tem efeito marcante nos acontecimentos durante o mês em curso, e poderá facilmente assumir a posição de um Aspecto da Lua Progredida que é necessário para frutificar as indicações astrais então em evidência. Mesmo independentemente das Direções Primárias, se uma Lua Nova ocorre em uma Conjunção fechada com um Planeta adverso, produzirá dificuldades em assuntos secundários e, inversamente, uma Lunação que acontece no lugar onde está Júpiter ou Vênus tornará as coisas agradáveis.
Quando uma Lua Nova resulta em um Eclipse solar, ela produz primeiramente o efeito costumeiro de uma Lunação durante o mês em curso, se estiver em Aspecto com qualquer dos Astros radicais e, secundariamente, efeitos semelhantes durante todos os meses do ano seguinte, sempre que os Aspectos da mesma natureza se formem com o local do Eclipse. Por exemplo, se o Eclipse ocorresse na 12ª Casa onde está o Signo de Leão, formando uma Quadratura com Marte em Escorpião, na 3ª Casa, então ele produziria inimizade entre irmãos e irmãs durante o mês de agosto, mês em que se deu o Eclipse. Em novembro, quando a Lunação ocorre em Escorpião, mais combustível será acrescentado ao fogo pela Quadratura com o lugar do Eclipse. Em fevereiro, quando o Sol formar uma Oposição ao lugar do Eclipse, mais problemas surgirão na mesma área e, também, em maio, quando ocorrer a última Quadratura. Por outro lado, se o Aspecto inicial do Eclipse é benéfico, mais benefícios serão experimentados durante os meses em que se formarem os Sextis e Trígonos.
O ciclo de Lunações é de dezenove anos; por exemplo: a 26 de julho de 1900 ocorreu uma Lunação no 3º grau de Leão, e no dia 26 de julho de 1919 ocorrerá uma outro lunação também no 3º grau de Leão. Assim sendo, o Estudante pode calcular as Lunações dos anos futuros com bastante exatidão para todos os propósitos práticos.
Os Eclipses também podem ser calculados, grosso modo, para os anos futuros, e de uma maneira semelhante, fácil e rápida, se o Estudante dispõe das Efemérides dos anos passados.
Durante seu curso mensal, a Lua ziguezagueia pela Eclíptica, de forma que nas Conjunções ou Luas Novas, geralmente, ela está alguns graus fora da Eclíptica. Sob tais condições temos apenas uma Lua Nova comum. Para haver um Eclipse solar total, a Lua precisa estar diretamente no caminho do Sol, conforme vista da Terra, e a Declinação do Sol e da Lua precisa ser praticamente a mesma; também a Lua não deve ter praticamente nenhuma Latitude.
Nunca ocorrem menos de dois Eclipses por ano, e eles são solares, nem acontecem mais de sete, mas esses números extremos acontecem muito raramente. O número usual de Eclipses é quatro: dois solares e dois lunares, e eles ocorrem geralmente aos pares de seis em seis meses. A Lua Cheia que antecede ou se segue a um Eclipse solar, normalmente, é um Eclipse lunar. Também se um par de Eclipses ocorre em fevereiro, espera-se outro par em agosto.
Considerando o que foi exposto acima, os Eclipses em qualquer ano podem ser determinados com bastante êxito pelas seguintes regras simples:
1) Do ano para o qual os Eclipses estão sendo calculados, subtraia 18. O ano resultante pode ser chamado “Ano Eclipse”.
2) Procure no “Ano Eclipse” as Luas Novas e Luas Cheias que sejam Eclipses. Anote apenas suas datas.
3) No ano anterior ao “Ano Eclipse”, anote as datas e posições zodiacais das Lunações que ocorrem cerca de onze dias após as datas obtidas no “Ano Eclipse”. Essas são as datas e os locais dos Eclipses no ano desejado.
Para comprovarmos essas regras simples e práticas aqui fornecidas, vamos imaginar que estamos no ano de 1910, e que queremos determinar o primeiro Eclipse solar a ocorrer em 1915. Servindo-se de uma Efemérides para o ano de 1897, que é dezoito anos anterior a 1915, nela procuramos o primeiro Eclipse solar.
Nós achamos um Eclipse solar em 1º de fevereiro de 1897.
Para determinar a data e o grau do Zodíaco no qual esse Eclipse irá cair em 1915, nós olhamos as informações das Efemérides para 1896, que é o ano anterior ao nosso “Ano Eclipse”, que é no caso 1897.
Nessas Efemérides verificamos que a primeira Lua Nova que ocorreu depois de 1º de fevereiro caiu na tarde de 13 de fevereiro, a 24 graus e 19 minutos de Aquário e, por isso, deduzimos que haverá um Eclipse solar no dia 13 de fevereiro de 1915, a 24 graus e 19 minutos de Aquário.
Concluídos nossos cálculos, ponhamos de lado nosso faz-de-conta de viver em 1910 e tomemos as Efemérides de 1915 para verificar se nossas regras deram o resultado correto; e verificamos que um Eclipse solar ocorreu na manhã de 14 de fevereiro de 1915, a 24 graus e 42 minutos de Aquário, comprovando que as regras deram um resultado essencialmente correto (Veja mais no verbete: “Trânsitos”).
Meio-do-Céu ou Zênite:
E o ponto no céu situado diretamente sobre a nossa cabeça. Ao meio-dia o Sol está no Meio-do-Céu, que geralmente se escreve M.C. (Veja o verbete: “Casas”).
Meridiano:
É um círculo imaginário traçado sobre a face da Terra entre os polos norte e sul. Como essa linha se estende diretamente do norte ao sul, todos os lugares nela situados têm o mesmo meio-dia (Veja o verbete: “Casas”).
Nadir ou Immum Coeli, escrito geralmente I.C.:
É o ponto no céu situado diretamente abaixo do local do nascimento e oposto a esse, no outro lado da Terra. É o ponto oposto ao Meio-do-Céu, e onde o Sol se encontra à meia-noite (Veja os verbetes: “Meio-do-Céu” e “Casas”).
Natividade:
O mesmo que “Horóscopo” e “Radix”; um mapa dos céus levantado para o momento do nascimento (Veja o verbete: “Diagrama”).
São grupamentos nebulosos de Astros, mundos em formação. Três deles são conhecidos por exercerem efeitos maléficos sobre a visão (V. “Estrelas fixas”).
Nodos: (Veja o verbete: “Cabeça do Dragão”)
Nutação:
Um movimento vibratório do eixo da Terra responsável pela Precessão dos Equinócios (Veja o verbete: “Zodíaco Intelectual”).
[1] N.T.: Um exemplo de Latitude é a do Rio de Janeiro, aproximadamente 22,9° S, que indica a sua posição 22,9 graus ao sul da Linha do Equador. Outros exemplos incluem a Latitude do Equador (0°), o Trópico de Capricórnio (23° 27′ S) e o Polo Norte (90° N).
[2] N.T.: Os logaritmos são uma ferramenta matemática fundamental usada até hoje em várias disciplinas, como álgebra, cálculo e física. Embora hoje sejam comuns em cálculos diários, sua invenção e aplicação tiveram um grande impacto na evolução da matemática e das ciências. A história dos logaritmos é fascinante, cheia de descobertas e inovações que transformaram a maneira como os cientistas e matemáticos abordaram problemas complexos.
Os logaritmos foram introduzidos por John Napier, um matemático escocês, no início do século XVII. Napier publicou seu trabalho “Mirifici Logarithmorum Canonis Descriptio” em 1614, onde descreveu uma nova forma de simplificar cálculos envolvendo multiplicação e divisão. A principal motivação de Napier era encontrar uma maneira de tornar os cálculos astronômicos mais rápidos e precisos, algo que era extremamente difícil de fazer manualmente na época, especialmente devido à limitação das ferramentas de cálculo.
Napier criou uma tabela de logaritmos, que permitia transformar multiplicações em somas e divisões em subtrações. Isso facilitava muito o trabalho de astrônomos, engenheiros e matemáticos, pois as operações aritméticas mais simples podiam ser feitas rapidamente com a ajuda dessas tabelas.
Embora Napier tenha sido o responsável por introduzir a ideia de logaritmos, foi outro matemático, Henry Briggs, um inglês, quem fez os primeiros ajustes significativos no conceito. Briggs, após conhecer o trabalho de Napier, percebeu que uma base mais conveniente para os logaritmos seria 10, ao invés da base “e” – chamado de logaritmo natural, que é uma operação matemática inversa da exponenciação que usa a constante matemática “e” (aproximadamente 2,71828) como base. É representado pela notação ln (por exemplo, ln(x)), que foi adotada mais tarde. Ele então propôs o logaritmo decimal, conhecido como logaritmos de base 10, uma abordagem que facilitava ainda mais os cálculos.
Com essa mudança, surgiram as tabelas de logaritmos decimais, que se tornaram extremamente populares entre os cientistas e engenheiros durante os séculos XVII e XVIII. Elas eram usadas para resolver equações, fazer cálculos astronômicos, entre outras aplicações.
A aplicação dos logaritmos começou a se expandir rapidamente após o trabalho de Napier e Briggs. No campo da astronomia, os logaritmos foram usados para simplificar cálculos relacionados ao movimento dos Planetas e das estrelas, além de facilitar a resolução de problemas sobre o tempo e a posição dos corpos celestes.
Na engenharia, os logaritmos ajudaram a realizar cálculos mais rápidos e precisos para a construção de máquinas, pontes e edifícios, onde as operações de multiplicação e divisão eram necessárias com frequência. A matemática financeira também se beneficiou com os logaritmos, pois eles permitiram cálculos mais rápidos e precisos de juros compostos, que eram essenciais para a economia da época.
Além disso, os logaritmos desempenharam um papel significativo no desenvolvimento do cálculo. Ao permitir que as equações exponenciais e as funções complexas fossem simplificadas, os logaritmos ajudaram matemáticos a avançar em áreas como a análise de séries e a integração.
Hoje em dia, os logaritmos continuam sendo uma ferramenta crucial na matemática, ciência e tecnologia. O desenvolvimento do logaritmo natural, que usa a base “e”, tornou-se uma das bases mais importantes para o cálculo e análise matemática, especialmente no estudo de funções exponenciais e em áreas como a física e a biologia.
O conceito de logaritmos também se estendeu para outros campos da ciência, como a informática, onde são usados para medir a complexidade de algoritmos, e na economia, para modelar crescimento e decaimento exponenciais.
[3] N.T.: Um exemplo de Longitude é a da cidade de São Paulo-SP, que é aproximadamente 46,6090° O (Oeste), indicando sua posição 46,6090 graus a oeste do Meridiano de Greenwich. Note, então, que a Longitude mede a distância de um ponto em relação a essa linha imaginária, variando de 0° a 180° para leste (E) ou para oeste (O).
Astrologia Científica Simplificada – Parte 2 – Enciclopédia Filosófica de Astrologia-P.12
Ocidentais:
Quando o Sol ou os Planetas passam do Zênite, do Meio-do-Céu ou da marca do Meio-Dia, eles começam a se pôr em direção ao horizonte ocidental; portanto, os Astros na 9ª, 8ª e 7ª Casas do horóscopo são chamados “Ocidentais”, ao passo que os Astros nas 12ª, 11ª e 10ª Casas, que se elevam ou estão ascendendo do horizonte oriental até o Meio-do-Céu, como o Sol faz pela manhã, são chamados “orientais”.
Mas quando o Sol se põe no lugar em que vivemos, ele desponta na outra parte do mundo representada pelas 6ª, 5ª ,4ª, 3ª, 2ª, e 1ª Casas do horóscopo, período em que é também oriental e ocidental em relação ao Meio-do-Céu de lá, que corresponde ao nosso Nadir. Quando o Sol desponta naquele horizonte oriental, que é nosso descendente, e cruza as 6ª, 5ª e 4ª Casas, é chamado oriental, e quando gradativamente declina em direção àquele horizonte ocidental, que vem a ser o nosso Ascendente, é chamado ocidental.
Portanto, os Astros nas 12ª, 11ª ,10ª, 6ª, 5ª e 4ª Casas são chamados orientais, enquanto os Astros nas outras seis Casas são chamados ocidentais.
Oposição:
Quando dois Astros (Sol, Lua e Planetas) estão no mesmo grau de Signos opostos, se diz que estão em “Oposição” (Veja os verbetes: “Aspectos” e “Órbita de Influência”).
Órbita:
O caminho de um Planeta em volta do Sol.
Órbita de Influência:
Os Astros formam Aspectos que influenciam os assuntos humanos quando estão no mesmo grau do Zodíaco, ou a um certo número de graus de distância. Mas descobriu-se que a influência é sentida mesmo quando os Astros não estão exatamente no número necessário de graus de distância. Assim, um Astro tem uma esfera sutil que o torna efetivo antes que um Aspecto exato seja formado e depois que ele se dissolve, e isso é chamado de “Órbita de Influência”.
(Veja mais nos verbetes: “Conjunção”, “Culminação”, “Graus Críticos”)
Oriental:
Veja o verbete: “Ocidental” para maiores detalhes.
Paralelo:
É o Aspecto formado entre dois Astros quando estão no mesmo grau de Declinação, seja ao Norte ou ao Sul do Equador celeste.
O Aspecto Paralelo se classifica como indeterminados (benéficos ou adversos); se o Paralelo ocorrer entre os chamados Astros benéficos, eles possuem uma influência benéfica, mas se ocorrem entre os chamados Astros adversos, eles possuem uma influência adversa.
Parte da Fortuna:
Também chamado de “Roda da Fortuna”. É um ponto no horóscopo que se opõe ou favorece as condições financeiras, de acordo com os Aspectos que receba dos Astros. Para comprovar se a “Parte da Fortuna” foi calculada corretamente, verifique se a distância do Sol à Lua é igual à distância do Ascendente à “Parte da Fortuna”.
A conceituação da Parte da Fortuna está em saber que o corpo humano é produzido pelas forças lunares. No momento da concepção[1] pode ser matematicamente demonstrado que a Lua se encontrava no mesmo grau do Ascendente no nascimento, ainda que na ocasião do nascimento ela esteja numa longitude diferente. Pode-se dizer que numa dessas posições a Lua magnetizou o polo positivo, e em outra magnetizou o polo negativo do Átomo-semente[2], o qual, a semelhança de um ímã, atrai para si as substâncias químicas que formam o Corpo Denso. Às forças solares vitalizam o Corpo Denso, mas como esse sofre um processo constante de deterioramento, se faz necessário uma suspensão ou solução de nutrientes em estado adequado para absorção – um pábulo – a fim de reparar as perdas. Esse tipo de nutrientes e todas as posses materiais são, portanto, astrologicamente falando, derivadas das influências combinadas do Sol e das duas posições da Lua mencionadas acima. Quando os Aspectos com a Parte da Fortuna com os outros Astros são benéficos, o sucesso e a prosperidade materiais são favorecidos. Quando os Aspectos com a Parte da Fortuna com os outros Astros são adversos, pode ser esperado dificuldades ao lidar com assuntos materiais. A natureza do Astro que está com algum Aspecto com a Parte da Fortuna, bem como o Signo e a Casa em que a Parte da Fortuna se encontra, são as fontes de onde podemos esperar uma coisa ou outra, nos mostrando onde dirigir as nossas energias ou o que devemos evitar.
Planetas:
São os corpos celestes dos Embaixadores de Deus, os quais circulam em torno do Sol.
Assim como o ser humano é feito à imagem de Deus, que é tríplice em manifestação, astrologicamente, o “Eu Superior” é representado por um círculo com um ponto central significando o aspecto espiritual mais elevado, o Espírito Divino, cuja faculdade é a Vontade. Portanto, o Sol se posiciona no horóscopo como a expressão mais elevada do “eu” individual. Ele denota a influência positiva que se manifesta no ser humano, seu caráter no mais elevado sentido da palavra.
O símbolo do Planeta Vênus é um círculo sobre uma cruz. Ele denota sabedoria, que não é mera intelectualidade, mas sim intuição e imaginação. Portanto, a natureza de Vênus é essencialmente amor, e é a influência consolidadora e que une na vida pela qual somos atraídos pelos outros para benefício mútuo; embora Vênus em si e por si não diga respeito a benefícios mútuos, é sua natureza atrair os outros, e o bem que vem através dele é apenas um incidente.
O Planeta Júpiter é simbolizado por um semicírculo sobre uma cruz. Ele denota o Espírito Humano, cuja faculdade é o pensamento abstrato. Portanto, o Planeta Júpiter representa a Mente superior, a Mente que não se atém às coisas materiais, e se expressa em pensamentos abstratos, como a Religião, a Filosofia e as Ciências Superiores.
Marte é o oposto de Vênus. É simbolizado por uma cruz sobre um círculo, de maneira que, enquanto é da natureza de Vênus o amor desinteressadamente e se doar aos outros, é da natureza de Marte o desejar para fins egoístas. Portanto, Marte denota a toda a energia emanada da natureza inferior, do Corpo de Desejos, do aspecto passional e emocional do ser humano, que leva a agir externamente no mundo, a superar obstáculos e a adquirir experiência.
Saturno é o oposto de Júpiter, tendo a cruz da matéria sobre o semicírculo, e denotando a mente “cerebral”. É ele quem fornece persistência aos impulsos de Marte, e simboliza a parte relativamente permanente da natureza inferior, aquela que foi avaliada e considerada útil. É, portanto, o símbolo dos Átomos-semente dos veículos inferiores do ser humano, onde estão armazenadas as experiências de todas as vidas passadas. Assim, Saturno denota a habilidade mecânica, castidade e justiça; a perseverança e as conquistas materiais que se converteram em virtudes pela sua influência purgadora. Saturno se apresenta como o ceifeiro das coisas que foram semeadas no Corpo e, como tal, surge frequentemente na vida para nos castigar pelo mal que cometemos; não de modo vandálico, mas para que possamos aprender as lições de como agir corretamente.
A Lua é o reflexo do Sol. Isso, juntamente com o Ascendente, denota a formação do Corpo Denso, ainda que particularmente ela simbolize o Corpo Vital, e o Ascendente seja o significador do Corpo Denso. Portanto, esses dois representam aquilo que é a ferramenta do ser humano em ação; a parte mais próxima da perfeição de sua natureza, mas que, ao mesmo tempo, a mais evanescente. A Lua é, portanto, a própria antítese do Sol. Esse último é uma estrela fixa, ao passo que a Lua é o mais migratório dos corpos celestes.
Os três últimos Astros acima nomeados são os significadores da natureza inferior do ser humano – a Personalidade –, em oposição à Individualidade, que é simbolizada pelo três primeiros Astros mencionados primeiro; e esses dois triângulos são conectados pelo Planeta significador da Mente concreta ou inferior, ou seja, Mercúrio. O símbolo desse Planeta contém em si todos os três constituintes do simbolismo planetário – o círculo, o semicírculo e a cruz –, demonstrando com isso que ele não possui natureza própria, mas sim que é um veículo para a expressão dos outros Astros.
Quando Mercúrio está com Aspectos benéficos em relação a Vênus, temos o tipo de Mente artística, poética, musical e literária. Pois é de Vênus que vêm as vibrações que se expressam em toda a arte.
Quando Mercúrio está com Aspectos benéficos em relação a Júpiter, temos a Mente filosófica e científica, o governante e o legislador, tanto na Igreja quanto no Estado, que trabalha para o bem de todos. Quando Mercúrio está com Aspectos benéficos em relação a Marte, temos o ser humano de ação; o ser humano que visa o desenvolvimento material dos recursos do mundo, de forma pequena ou grande, como o comerciante, o negociante, o intermediário, e todas as outras formas pelas quais os outros são explorados para benefício pessoal, pois Marte é, como já foi dito, a antítese de Vênus e a personificação do desejo egoísta.
Mercúrio com Aspectos com a Lua não tem importância, pois a própria Lua é um refletor; exceto quando está em um Aspecto adverso vindo de um Signo Cardinal ou quando está Elevado. Nesse caso, é capaz de produzir insanidade.
No exposto, apenas as naturezas essenciais dos Astros foram apresentadas. Quando com Aspectos benéficos por outro Astro, essas características naturais são realçadas no que diz respeito aos Astros benéficos, mas quando com Aspectos adversos, a natureza de Vênus, que é sabedoria, amor e ritmo, se tornará tolice, licenciosidade e preguiça; a filosofia, as tendências cumpridoras da lei, a misericórdia e as aspirações elevadas de Júpiter se transformarão em ilegalidade, desconsideração pelos outros e buscas inferiores; a espiritualidade elevada do Sol se expressará em si mesma como espíritos animalescos e na saúde física. Em relação aos Astros da natureza inferior, Aspectos benéficos com Marte direcionam os desejos para objetos construtivos e atividades bem reguladas, enquanto os Aspectos adversos são responsáveis pela expressão destrutiva da natureza do desejo. Saturno, quando com Aspectos benéficos, confere a habilidade mecânica e executiva capaz de direcionar a natureza do desejo. Mostra o ser humano inteligente e perseverante, capaz de lidar e conquistar obstáculos materiais; o organizador e promotor; o investigador científico, que segue as linhas materiais. Como é a antítese de Júpiter, será facilmente visto que, assim como Júpiter, com Aspectos benéficos, denota o filósofo de Mente elevada, o legislador digno, o sacerdote sincero e fervoroso, na verdade, todos os que têm aspirações elevadas e sublimes, Saturno, quando com Aspectos adversos, denota o sectário de Mente estreita e preso a credos, o materialista, o anarquista e o inimigo da sociedade, sejam da Igreja ou do Estado. Assim como Júpiter proporciona uma Mente elevada, expansiva e benevolente, Saturno, com Aspectos adversos, proporciona tendências sarcásticas, concretas e estreitas.
Urano: Além dos sete Astros já mencionados, dois outros estão nos influenciando, Urano, do nosso Sistema Solar, e Netuno. Pode-se dizer que Urano é a oitava superior de Vênus, tendo sua natureza em um grau muito mais sutil; suas atrações são tão espirituais que não podem ser sentidas pelo ser humano comum da maneira adequada e, portanto, ele responde mais prontamente ao lado adverso de Urano. É o Planeta que rege o Éter e, quando em Aspecto com Mercúrio, ou no Ascendente, ou com a Lua, produz um contato com a força que conhecemos como eletricidade. Suas operações são sempre muito repentinas e, à medida que a Humanidade responde ao seu lado adverso, como já foi dito, esses efeitos se manifestam particularmente na forma de desastre.
Netuno é a oitava superior de Mercúrio. Assim como Mercúrio é o portador da luz do Sol físico, Netuno é o portador da luz do Sol espiritual, chamado Vulcano entre os ocultistas, que é visto por trás do Sol visível. Naturalmente, portanto, ainda menos pessoas entre a Humanidade são capazes de responder as suas influências, exceto que produz um estado mental caótico quando forma Aspectos adversos. Quando está nas Casas Angulares e, particularmente, Elevado próximo ao Meio-do-Céu, produz Ocultistas e Místicos da mais alta qualidade; mas quando colocado em Casas Cadentes, traz a Clarividência involuntária ou negativa, na melhor das hipóteses, e frequentemente a insanidade. É a corda mais aguda da lira da alma de Deus e, portanto, a menos usada e a que desafina mais facilmente. Astrólogos são os mais afetados por ele, assim como os músicos que usam instrumentos de corda.
[1] N.T.: Na concepção, o seu óvulo maduro é fertilizado por um espermatozoide. A fertilização acontece quando o espermatozoide atinge o óvulo e consegue perfurar com sucesso a sua membrana externa.
[2] N.T.: Átomo-semente do Corpo Denso.
Astrologia Científica Simplificada – Parte 2 – Enciclopédia Filosófica de Astrologia-P.13
Planetas Inferiores:
Os astrônomos designam Vênus e Mercúrio dessa forma porque eles sempre permanecem muito próximos do Sol e nunca são vistos em partes do céu opostas a ele. A ideia, para os astrônomos, parece ser que esses Planetas estão em cordas condutoras, por assim dizer.
Aqui há uma última diferença entre os ensinamentos da ciência moderna e os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes sobre a causa de Vênus e Mercúrio serem denominados Planetas inferiores.
Essa denominação de inferior e superior, o místico teria um ponto de vista oposto, pois para ele é evidente que o Sol é a externalização da mais alta inteligência espiritual em nosso Sistema Solar. No início de nossa atual fase evolutiva, tudo o que está agora fora do Sol, estava dentro, mas nem todos os seres podiam continuar vibrando na elevadíssima taxa de vibração que era estabelecida ali; alguns ficaram para trás, cristalizaram-se e, com o tempo, tornaram-se um empecilho para outras classes. Com a cristalização, eles se dirigiram para os polos, onde o movimento é lento, mas gradualmente com o aumento da densidade deles, foram impelidos para o equador, onde o movimento é mais rápido e, consequentemente, foram expelidos do Sol pela força centrífuga.
Mais tarde, outros seres também não conseguiram se manter nesse movimento vibratório, ficando para trás e foram expelidos a uma distância apropriada para que as vibrações solares pudessem lhes fornecer a rapidez necessária ao desenvolvimento deles.
Os Espíritos mais avançados permaneceram mais tempo no Sol e, consequentemente, se a denominação inferior e superior é para ser aplicada, deveria ser usada de maneira inversa.
A fim de evitar qualquer mal-entendido, pode-se dizer que Júpiter foi expelido com um enorme volume de substância ígnea, porque os jupiterianos alcançaram um grau elevadíssimo de desenvolvimento, onde precisavam tanto de altas vibrações como de autonomia. Júpiter é, portanto, em alguns aspectos, uma exceção à regra; um caso em que uma lei superior prevalece sobre uma inferior.
Concluindo, nós reiteramos que os Planetas do nosso Sistema Solar são externalizações visíveis dos Sete Espíritos diante do Trono de Deus, o Sol, e assim como nos é possível transmitir por telégrafo sem fio a força que move a chave do telégrafo, que acende uma lâmpada, que puxa uma alavanca, etc., assim também esses Grandes Espíritos exercem uma influência sobre os seres humanos, numa proporção ao nosso grau de individualidade. Se almejamos agir em harmonia com as Leis do Deus, nos elevemos acima de todas as leis e nos tornemos uma lei em nós mesmos; colaboradores de Deus e auxiliares na natureza. Isso é nosso privilégio, mas se deixarmos de viver de acordo com nossas mais elevadas possibilidades, isso será o nosso fracasso.
Esforcemo-nos, portanto, em saber o que podemos fazer e, acima de tudo, tomemos cuidado para não prostituir a Ciência dos Astros, colocando-a como mera adivinhação. O Ouro de Mamon[1] pode ser nosso se lutarmos por isto, mas a “paz de Deus que excede todo o entendimento” (Fp 4:7) nos trará um regozijo duradouro, se usarmos nosso conhecimento no serviço altruísta aos outros.
Planetas Superiores:
Os Planetas Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno são assim chamados pelos astrônomos porque se movem em órbitas que os levam a partes do céu distantes do Sol. O termo é usado em contraste com o de “planetas inferiores”, aplicado a Vênus e Mercúrio, que sempre permanecem próximos do Sol.
Do mesmo modo que aprendemos sobre “Planetas Inferiores” aqui, também, há uma última diferença entre os ensinamentos da ciência moderna e os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes sobre a causa de Vênus e Mercúrio serem denominados Planetas inferiores.
Essa denominação de inferior e superior, o místico teria um ponto de vista oposto, pois para ele é evidente que o Sol é a externalização da mais alta inteligência espiritual em nosso Sistema Solar. No início de nossa atual fase evolutiva, tudo o que está agora fora do Sol, estava dentro, mas nem todos os seres podiam continuar vibrando na elevadíssima taxa de vibração que era estabelecida ali; alguns ficaram para trás, cristalizaram-se e, com o tempo, tornaram-se um empecilho para outras classes. Com a cristalização, eles se dirigiram para os polos, onde o movimento é lento, mas gradualmente com o aumento da densidade deles, foram impelidos para o equador, onde o movimento é mais rápido e, consequentemente, foram expelidos do Sol pela força centrífuga.
Mais tarde, outros seres também não conseguiram se manter nesse movimento vibratório, ficando para trás e foram expelidos a uma distância apropriada para que as vibrações solares pudessem lhes fornecer a rapidez necessária ao desenvolvimento deles.
Os Espíritos mais avançados permaneceram mais tempo no Sol e, consequentemente, se a denominação inferior e superior é para ser aplicada, deveria ser usada de maneira inversa.
A fim de evitar qualquer mal-entendido, pode-se dizer que Júpiter foi expelido com um enorme volume de substância ígnea, porque os jupiterianos alcançaram um grau elevadíssimo de desenvolvimento, onde precisavam tanto de altas vibrações como de autonomia. Júpiter é, portanto, em alguns aspectos, uma exceção à regra; um caso em que uma lei superior prevalece sobre uma inferior.
Concluindo, nós reiteramos que os Planetas do nosso Sistema Solar são externalizações visíveis dos Sete Espíritos diante do Trono de Deus, o Sol, e assim como nos é possível transmitir por telégrafo sem fio a força que move a chave do telégrafo, que acende uma lâmpada, que puxa uma alavanca, etc., assim também esses Grandes Espíritos exercem uma influência sobre os seres humanos, numa proporção ao nosso grau de individualidade. Se almejamos agir em harmonia com as Leis do Deus, nos elevemos acima de todas as leis e nos tornemos uma lei em nós mesmo; colaboradores de Deus e auxiliares na natureza. Isso é nosso privilégio, mas se deixarmos de viver de acordo com nossas mais elevadas possibilidades, isso será o nosso fracasso.
Esforcemo-nos, portanto, em saber o que podemos fazer e, acima de tudo, tomemos cuidado para não prostituir a Ciência dos Astros, colocando-a como mera adivinhação. O Ouro de Mamon[2] pode ser nosso se lutarmos por isto, mas a “paz de Deus que excede todo o entendimento” (Fp 4:7) nos trará um regozijo duradouro, se usarmos nosso conhecimento no serviço altruísta aos outros.
Plêiades:
Na Astrologia lidamos principalmente com as doze constelações de Estrelas Fixas que compõem o Zodíaco. Não há dúvida de que outras Estrelas Fixas exercem influência sobre os assuntos humanos, mas nossas Mentes ainda são muito fracas para compreender o significado completo dos Signos zodiacais, dos Astros e das Casas em todas as suas múltiplas combinações, de modo que, se tentarmos misturar isso com as outras Estrelas Fixas e seus Aspectos, certamente nos perderemos num labirinto. Recomenda-se ao Estudante considerar apenas as seguintes Estrelas Fixas: Plêiades, localizada nos 29º de Touro; Ascelli, nos 6º de Leão; e Antares, nos 8º de Sagitário. Observou-se que essas Estrelas Fixas exercem um efeito decididamente prejudicial aos olhos. Quando o Sol ou a Lua estão num desses graus, e afligidos por um dos Planetas adversos[3], ou quando um dos adversos está num desses graus, e o Sol ou a Lua afligidos em qualquer parte do horóscopo, o resultado são problemas com os olhos.
Precessão:
Um movimento retrógrado do Equinócio de Março, que é um fator muito importante nos assuntos humanos. Veja o verbete “Zodíaco Intelectual”.
[1] N.T.: Mamon ou Mamom é um termo, derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes, mas nem sempre, personificado como uma divindade.
[2] N.T.: Mamon ou Mamom é um termo, derivado da Bíblia, usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes, mas nem sempre, personificado como uma divindade.
[3] N.T.: Marte, Saturno, Urano, Netuno e Plutão
Astrologia Científica Simplificada – Parte 2 – Enciclopédia Filosófica de Astrologia-P.14
Quadratura:
Quando dois Astros estão a 90 graus de distância um do outro, diz-se que estão em Quadratura ou a um quarto, porque 90 graus correspondem um quarto do círculo. Este Aspecto é considerado “adverso”, já que os raios astrais se chocam em ângulo reto e, portanto, por assim dizer, tem objetivos “contrários” (Veja o verbete: “Aspectos”).
Queda:
Quando um Astro está no Signo oposto ao do Signo em que ele está em Exaltação, diz-se que está “em queda”, pois tal Signo, seu Regente e seu Astro em Exaltação são de natureza exatamente oposta. Assim, quando o glorioso Sol, que está em Exaltação em Áries, está no Signo oposto, Libra, onde domina o frio e sombrio Saturno, ele fica enfraquecido e, desse modo, afligido. Inversamente, quando Saturno está no Signo de Áries, o Signo onde o Sol está em Exaltação, ele se encolhe e se contraí sob os raios de calor. Quando o benéfico e amável Júpiter, em Exaltação em Câncer, está no Signo oposto de Capricórnio, Signo do mal-humorado Saturno e o Signo em que Marte está em Exaltação, certamente está afligido e em Queda. O mesmo ocorre com os outros Astros.
Radical:
Refere-se ao horóscopo ao nascimento (Veja verbete “Trânsitos”).
Radix:
Refere-se ao horóscopo ao nascimento (Veja verbete “Trânsitos”).
Recepção Mútua
Os Astros estão em “Recepção Mútua” quando cada um deles ocupa a Casa regida pelo outro, como Vênus em Áries e Marte em Touro. O efeito depende da harmonia ou concordância que exista entre as naturezas dos Astros. Quando Marte está nos Signos mercuriais Gêmeos ou Virgem, e Mercúrio nos Signos marciais Áries ou Escorpião, a energia dinâmica de Marte é infundida na organização mental da pessoa que, por isso mesmo, torna-se mentalmente mais alerta. Se esse estado de alerta vai se manifestar erraticamente ou de modo ordenado, isso naturalmente vai depender dos Aspectos; tudo o que a “Recepção Mútua” faz é fornecer energia. Se Saturno está em um dos Signos mercuriais, Gêmeos ou Virgem, e Mercúrio num dos Signos saturninos, Capricórnio ou Aquário, a mão restritiva de Saturno pousa sobre o volátil Mercúrio, resultando disso que a Mente ganha em profundidade e poder de concentração, mas se essa capacidade mental será usada para o bem ou vai ser usada para o mal, isso vai depender dos Aspectos, como no caso de Marte. Quando Vênus e Júpiter estão em “Recepção Mútua” e com Aspectos benéficos, isso suaviza maravilhosamente a estrada da vida. Em todos os lugares, a pessoa com essa configuração encontrará outras pessoas dispostas a ajudá-la, como também fará muitos amigos. Por outro lado, quando Saturno e Marte estão em “Recepção Mútua” e afligidos, essa pessoa infeliz encontrará por toda parte recusa, má acolhida e inimizade.
Não se deve jamais esquecer, porém, que nosso horóscopo mostra o que nos tornamos em vidas passadas, de maneira que a pessoa que possui uma configuração que atrai amigos deve ter sido gentil e prestativo, ao passo que aquele que revela o lado mesquinho da natureza humana e cria inimigos é, em si mesmo, egoísta e hostil. Mas se ele se esforçar para modificar seus maus hábitos e fizer algum sacrifício pelos outros, com o tempo ele também superará os aspectos indesejáveis, pois os Anjos Estelares não têm a intenção maliciosa de afligir ninguém. O aparente castigo é a Lei de Causa e Efeito atuando apenas para que dominemos e corrijamos nossas falhas, tornando-nos melhores. Algum dia todos seremos amorosos e amáveis e, então, não haverá mais influências adversas sobre nós.
Recorrer[1]:
Quando um Astro de curso rápido se aproxima de algum ponto em que pode formar um Aspecto com outro Astro de curso mais lento, diz-se que ele recorre a uma Quadratura, a um Trígono etc., desse Astro. Como o Astro recorrente deve ser mais veloz que aquele a quem recorre, é evidente que a Lua recorre seguidamente a Aspectos de todos os outros Astros a cada mês que percorre o Zodíaco, ao passo que Saturno, que leva 30 anos para completar o círculo, só pode recorrer a Urano, que leva 84 anos para completar o círculo, e a Netuno, que faz o mesmo em 165 anos.
Essa regra é válida quando os Astros se movem diretos no Zodíaco (de Áries para Touro, etc.), mas se o Astro de movimento mais lento estiver Retrógrado (movendo-se de Touro para Áries, etc.), ambos os Astros podem ser recorrentes ao Aspecto (Veja verbete: “Direto e Retrógrado”).
A influência dos Astros é sempre mais forte quando estão recorrendo, do que quando estão se separando.
Regente:
O Regente de um horóscopo é o Astro (Sol, Lua e Planetas) que exerce maior domínio e influência sobre a vida e ao qual o nativo responde mais prontamente. Normalmente, quando os demais fatores se igualam, o Senhor do Ascendente é o Regente. Mas se outro Astro for mais forte em termos de Elevação, Dignidade ou Exaltação, ou posicionamento em Ângulos e Aspectos, então, esse Astro é que deve ser considerado o Regente. Mas, para que isso seja válido, os Aspectos precisam ser próximos (ou fechados) e fortes, a despeito de serem benéficos ou adversos. Os Aspectos benéficos fornecerão um bom Regente, enquanto os Aspectos adversos fornecerão um Regente que trará dificuldades, sem que quaisquer dos casos afete o fato da regência. Quando dois Astros têm quase o mesmo poder e a mesma posição, eles devem ser classificados como Corregentes.
No caso de uma Casa, o Regente é o Senhor do Signo que está na cúspide dessa Casa. Quando há um Signo interceptado, o Senhor desse Signo também exerce regência parcial sobre a Casa, embora a esse respeito ele seja inferior ao Astro que rege o Signo na cúspide. Essa regência de um Signo interceptado é latente e só se manifesta quando, pela Progressão dos Ângulos, o Signo interceptado alcança a cúspide da Casa. Os Astros em sua Casa, se estiverem com Aspectos, normalmente exercem maior influência sobre os seus assuntos do que os Regentes dos Signos mencionados acima. Neste caso, tais Astros podem ser chamados Corregentes da Casa.
Retrogradação
Na página das Efemérides Rosacruzes, que tem uma amostra nesse livro[2], você encontrará nas colunas de Saturno, Urano e Marte uma letra “R”[3] em maiúsculo. Esse símbolo tem o seguinte significado:
Os Planetas do nosso Sistema Solar se movem em uma única direção, do oeste para leste, mas suas órbitas em torno do Sol têm amplitudes variáveis, a mesma coisa se dando com as suas velocidades. A Terra desloca-se a uma velocidade de, aproximadamente, 108.000 quilômetros por hora e, ainda, sua circunferência da órbita – em torno do Sol – é tão grande que requer em torno de 365 dias para que ela contorne o Sol. Mercúrio descreve uma circunferência da órbita bem menor em volta do Sol, mas se desloca a uma velocidade de, aproximadamente, 180.000 quilômetros por hora, de modo que completa sua revolução em torno de 88 dias. A velocidade de Urano é de apenas, aproximadamente, 27.000 quilômetros por hora, mas sua órbita é tão grande que requer em torno de 84 anos para completá-la. Os demais Planetas mostram semelhantes variações de velocidade. Se eles se deslocassem em linha reta, os menores e mais rápidos logo deixariam para trás os mais pesados e mais lentos, mas como se movem em círculos, eles cruzam um ponto de observação repetidas vezes. Se tal ponto fosse central e estacionário, esse constante movimento para a frente dos Planetas, em suas respectivas órbitas, seria perceptível a todos os observadores, mas essa é a questão, não há ponto estacionário; toda partícula de Júpiter, o gigante do nosso Sistema Solar, à menor partícula de “poeira”, se move incessantemente em torno de um centro comum e, por conseguinte, às vezes um Planeta se desloca quase transversalmente ao curso de outro corpo em movimento, e isso fica parecendo, por algum tempo, que ele fica parado em sua órbita. Os astrônomos dizem que tal Planeta está Estacionário. Outras vezes, esse movimento oblíquo dos Planetas, em relação à posição da Terra em sua órbita, os faz parecer se moverem para trás no Zodíaco, e a esse movimento chamamos Retrógrado. Nas Efemérides vemos um símbolo parecendo com um “R” maiúsculo na linha do dia em que o Planeta começa, aparentemente, a retroceder, e essa retrogradação continua até onde se encontra um “D” maiúsculo, o qual indica que volta a se observar o movimento do Planeta para a frente.
Embora esse movimento retrógrado de um Planeta seja apenas aparente, ele tem um efeito muito real no que tange à influência exercida por tal Planeta, pois é o ângulo do seu raio que determina a influência de um Planeta. Os Planetas são focos que transmitem e intensificam as propriedades das estrelas fixas, de tal maneira que nos afetam em um grau muito maior do que quando não se acham focalizados sobre o ponto de observação, o lugar do nascimento.
Vamos supor que no momento do nascimento de uma criança observamos Saturno e por detrás dele, diretamente em linha com o nosso ponto de observação, vemos a estrela fixa Antares, que se acha próxima aos 8 graus de Sagitário; a criança então está propensa a sofrer afecções nos olhos, as quais são suficientemente graves mesmo que o Planeta se mova “direto” em sua órbita, como geralmente acontece, pois então Antares sairá de foco gradativamente, e Saturno não voltará a formar a Conjunção adversa com Antares antes de completar sua revolução em torno do Sol (que leva cerca de 29 anos). Se, por outro lado, vemos que no dia seguinte ao nascimento Saturno retrograda um pouco e ainda mais no dia seguinte, e desse modo por uma ou duas semanas, então também nesse caso Antares sai fora de foco, mas há essa diferença importante, que em vez de demorar 29 anos para formar a Conjunção adversa seguinte, Saturno pode voltar a ficar “direto”, e forma a segunda Conjunção adversa com Antares, dentro de poucas semanas após o nascimento, e essa repetição do raio adverso pode agravar o defeito inato a tal ponto que a criança poderá se tornar cega. Assim, nós reiteramos que, mesmo sendo apenas aparente, o movimento retrógrado de um Planeta exerce uma influência muito real sobre os interesses humanos.
[1] N.T.: Também chamado de “aplicar” ou “aplicativo”; ou seja: Quando um Astro de curso rápido se aproxima de algum ponto em que pode formar um Aspecto com outro Astro de curso mais lento, diz-se que ele se aplica a uma Quadratura, a um Trígono etc., desse Astro.
[2] N.T.:

[3] N.T.: essa letra pode ser substituída por um símbolo: M
…Em Publicação
Revolução Orbital:
É a revolução de um Planeta em sua órbita ao redor do Sol. Os Planetas orbitam em torno do Sol[1] em variadas taxas de velocidades, os Planetas menores, que são os mais próximos do Sol, movem-se muito mais rapidamente do que os maiores que, além disso, descrevem círculos mais amplos.

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[1] N.T.: O período orbital (também conhecido como período de revolução) é o tempo que um determinado objeto astronômico leva para completar uma órbita em torno de outro objeto e se aplica em astronomia geralmente a Planetas ou asteroides orbitando o Sol, para o nosso Sistema Solar. Depois de 1930, consideremos Plutão que faz um período orbital em torno do Sol de 248 anos.
Senhor:
Diz-se que um Astro é “Senhor” dos Signos que rege, como por exemplo: Marte é o “Senhor” de Áries e de Escorpião; Vênus é a “Senhora” de Touro e Libra. A Tabela abaixo mostra os “Senhores” de cada Signo:

Separação:
Quando um Astro (Sol, Lua e Planetas) que formava um Aspecto com outro se move para a frente e, assim, vai desfazendo esse Aspecto, diz-se que está se separando daquele Aspecto.
Note que é o oposto de Recorrer[3] que é quando um Astro de curso rápido se aproxima de algum ponto em que pode formar um Aspecto com outro Astro de curso mais lento, diz-se que ele recorre a uma Quadratura, a um Trígono etc., desse Astro.
Sextil:
Quando dois Astros estão a 60 graus de separação um do outro se diz que estão em Sextil, e o termo se deve a que 60 graus constituem uma sexta parte do círculo que tem 360 graus. É considerado um Aspecto benéfico.
Significador:
Os Astros (Sol, Lua e Planetas), o Ascendente, o Meio-do-Céu, a Parte da Fortuna (ou Roda da Fortuna), a Cabeça e a Cauda do Dragão são chamados “Significadores”. Isso porque suas posições e seus Aspectos no horóscopo têm uma certa significância em relação com os assuntos da vida.
Signos:
Os Signos do Zodíaco são divisões dos céus, a partir do Equinócio de Março. Assim, os primeiros 30 graus são chamados Áries, os seguintes 30 graus Touro, depois Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes.
Como dissemos, esses Signos são medidos a partir do Equinócio de Março, um ponto variável, e não devem ser confundidos com as doze constelações de estrelas fixas do mesmo nome, tampouco devem ser confundidos com as doze Casas do horóscopo, as quais são divisões da Terra. (Veja os verbetes: “Zodíaco Intelectual” e “Casas”).
Signos de Água:
São assim chamados os Signos de: Câncer, Escorpião e Peixes. A água é o Solvente Universal e o Coagulante Universal no laboratório alquímico da Natureza.
Relembremos como o Sol da Vida, o Ego, atravessa as águas do parto nos três estágios simbolizados pelos Signos de Água: Câncer, o primeiro dos Signos de Água, era representado como um escaravelho (besouro) entre os antigos Egípcios, que era o emblema deles da alma, e os ocultistas sabem que o Átomo-semente do Corpo é implantado[4] quando o Sol da Vida (o Ego) está em Câncer, a esfera da Lua, o Astro da fecundação. Quatro meses depois, quando o Sol da Vida passa pelo segundo Signos de Água, Escorpião, que está sob a regência de Marte, o Planeta da paixão e da emoção, o Cordão Prateado está vinculado, ligando o Corpo de Desejos aos veículos inferiores[5], e temos a ‘vivificação’ quando o feto principia a mostrar vida senciente. A essa altura, o Ego já dissolveu os corpúsculos sanguíneos nucleados através dos quais a vida da mãe já se manifestou naquele organismo crescente, e então pode começar a funcionar no fluido vital e manifestar sinais de vida separada no Corpo até que o Sol da Vida tenha completado o ciclo de vida dele e, novamente, alcance a mística Oitava Casa. Oito meses depois que o Átomo-semente foi introduzido naquele ambiente apropriado, o Sol da Vida, o Espírito, entra em Peixes, o último dos Signos de Água do Zodíaco místico, o qual está sob o expansivo e benéfico raio de Júpiter. Sob essa benévola influência, as águas do parto se avolumam e rompem as paredes distendidas do útero, quando se completam, mais ou menos, os nove meses de gestação, lançando a alma recém-nascida no Oceano da Vida ao primeiro ponto de Áries, onde é aquecida e animada pela combinação dos raios de Marte, como Regente do Signo de Áries, e do Sol no Signo de Áries, onde o Sol está em Exaltação. Assim, ele é preparado para a batalha da existência pelo energético deus da guerra, e sua fonte de vida, seja ela grande ou pequena, é totalmente preenchida pelo Sol, do grande reservatório cósmico de energia vital.
Quando o Sol está no ponto máximo de sua declinação, no Signo psíquico de Água Câncer, denominado pelos antigos sacerdotes egípcios de a esfera da alma à espera de renascimento, ele está de fato no Trono do Pai, a Fonte da Vida. Ali ele extrai dessa fonte inexaurível novos suprimentos do elixir de vida para o próximo ano, começando imediatamente sua descida para trazer o tesouro ao mundo que o espera.
Mas para isso, ele deve atravessar primeiro o fogo do Signo que rege, Leão, e misturar o fogo com a água. Toda a vida manifestada depende do sucesso dessa façanha alquímica.
Em outubro, o Sol entra no segundo Signo de Água, Escorpião, onde os energéticos Espíritos Luciféricos de Marte se esforçam para amalgamar os dois elementos antagônicos, mas sem sucesso completo, pois o fogo da paixão e as águas da emoção fervilham, borbulham e espumam em guerra e conflito. Assim, a essência pura da vida recebida do nosso Pai Celestial se torna contaminada pela paixão ao ser arrastada pela influência de Escorpião, e para compensar essa contaminação ela é banhada no fogo da aspiração, quando o Sol alcança o Signo de Fogo Sagitário, pelo Natal.
Em março, a passagem do Sol pelo último dos Signos de Água,
Peixes, eleva a seiva das árvores e infla as sementes e os botões das flores, com o raio expansivo de Júpiter, até que estejam prontos para irromperem e desabrocharem, e quando o Sol da Vida entra em Exaltação de poder no Signo de Fogo Áries, ele emite o fiat criador, e toda a natureza irrompe em glorioso esplendor. A Chama da Vida Divina, germinada e gestada no ventre aquoso da Natureza, manifesta-se no mundo.
Signos de Ar:
São chamados Signos de Ar os Signos de: Gêmeos, Libra e Aquário. As influências deles são, sobretudo, mentais e intelectuais.
Signos Cardeais ou Cardinais:
Áries, o Signo oriental em que o Sol entra no Equinócio de Março; Câncer, onde o Sol atinge seu mais alto grau de Declinação Norte, no Solstício de Junho; Libra, o Signo ocidental onde o Sol entra na Declinação Sul, no Equinócio de Setembro; e Capricórnio, onde o Sol atinge a sua menor Declinação Sul, no Solstício de Dezembro.
Os Signos Cardeais são fomentadores, impulsionando a atividade em tudo o que é realizado sob as influências deles.
Signos Comuns:
São os Signos de: Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes. Estes Signos são flexíveis e vacilantes por natureza.
Signos de Corpos Duplos:
São assim chamados os Signos de: Gêmeos, Sagitário e Peixes. Assim chamados porque no Zodíaco pictórico Gêmeos é representado por um par de gêmeos, Sagitário por um Centauro (parte homem e parte cavalo) e Peixes é representado por dois peixes. Eles são de natureza dupla, vacilante, e é fato notório que os acontecimentos nas vidas das pessoas influenciadas preponderantemente por esses Signos se repetem. Essas pessoas tendem a se casarem várias vezes, as desgraças para elas nunca chegam sozinhas, mas as possibilidades de êxito também se repetem.
Signos de Fogo:
São os Signos de: Áries, Leão e Sagitário.
Signos de Terra:
São os Signos de: Touro, Virgem e Capricórnio.
Signos do Sul ou Meridionais:
Os Signos de: Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes são chamados Signos de Sul, porque quando o Sol transita por eles, eles se encontram ao sul do Equador celeste e, como um resultado, quem vive no Hemisfério Norte está na estação do inverno.
Signos Estéreis ou Infrutíferos:
São os Signos de: Gêmeos, Leão e Virgem.
Signos Femininos:
Os Signos femininos compreendem os seis Signos de números pares: Touro, o segundo Signo; Câncer, o quarto Signo, etc. Isso inclui os Signos de Terra (Touro, Virgem e Capricórnio) e os Signos de Água (Câncer, Escorpião e Peixes). Terra e Água são os dois atributos da “Mãe” Natureza. Com eles, ela é capaz de gerar, e por isso, os Signos que têm afinidade com esses elementos essenciais podem muito bem ser chamados “femininos”. Mesmo Virgem, essencialmente estéril, é talvez o mais importante dos Signos femininos, pois quando o Sol o cruza em setembro, a onda espiritual de vida rejuvenescente começa sua descida à Terra, onde se concentra no Natal para então começar a irradiar a vida germinal que brota e floresce na Páscoa.
Signos Férteis ou Frutíferos:
Câncer, Escorpião e Peixes, Signos que compreendem a Triplicidade da Água, são os veículos particulares da função fertilizante na Natureza. Quando a Lua está em algum desses Signos, ela despeja em especial prodigalidade a Água da Vida, o princípio fecundante, e é uma questão de observação: as sementes plantadas quando a Lua está nesses Signos frutificam mais abundantemente do que quando plantadas em condições menos favoráveis.
Signos Fixos:
Touro, Escorpião, Leão e Aquário são chamados de Signos “Fixos” porque, quando estão nos ângulos de um horóscopo e com muitos Astros neles, tendem a tornar a pessoa muito determinada e lhe proporcionam uma perseverança incomum, de modo que essa pessoa quase sempre pode conseguir fazer o que se propuser, desde que humanamente possível.
Signos Masculinos:
Áries, Gêmeos, Leão, Libra, Sagitário e Aquário são considerados Signos Masculinos. Tais Signos constituem a Triplicidade do Fogo (Áries, Leão e Sagitário) e a Triplicidade do Ar (Gêmeos, Libra e Aquário). Os Signos femininos constituem as Triplicidades da Terra e a Triplicidade da Água.
A Terra e Água são negativas e inertes, mas são influenciadas pelos elementos positivos. Os ventos agitam as águas dos oceanos e os fogos vulcânicos sacodem a Terra. Por isso, os Signos de Fogo e Signos de Ar são chamados masculinos (Veja o verbete: “Signos Femininos”).
Signos Móveis:
São os Signos: Áries, Câncer, Libra e Capricórnio (Veja o verbete: “Signos Cardeais ou Cardinais”).
Signos do Norte ou Setentrionais: São os Signos de: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem. São assim chamados porque o Sol está neles quando ele está acima da linha do Equador, durante os meses de março, abril, maio
[1] N.T.: Conhecido como movimento de translação em torno do Sol.
[2] N.T.: O período orbital (também conhecido como período de revolução) é o tempo que um determinado objeto astronômico leva para completar uma órbita em torno de outro objeto e se aplica em astronomia geralmente a Planetas ou asteroides orbitando o Sol, para o nosso Sistema Solar. Depois de 1930, consideremos Plutão que faz um período orbital em torno do Sol de 248 anos.
[3] N.T.: Também chamado de “aplicar” ou “aplicativo”; ou seja: Quando um Astro de curso rápido se aproxima de algum ponto em que pode formar um Aspecto com outro Astro de curso mais lento, diz-se que ele se aplica a uma Quadratura, a um Trígono etc., desse Astro.
[4] N.T.: O Átomo-semente do Corpo Denso é colocado na cabeça do espermatozoide do papai que irá fecundar o óvulo e o Átomo-semente do Corpo Vital é colocado no útero da futura mamãe.
[5] N.T.: Corpo Denso e Corpo Vital.
Astrologia Científica Simplificada – Parte 2 – Enciclopédia Filosófica de Astrologia-P.16
Símbolos:
Nos símbolos dos Astros é bom notar que eles são constituídos de um círculo, de um semicírculo e de uma cruz, agrupados de maneiras diferentes.

O círculo é o símbolo do Espírito, o semicírculo é o símbolo da Alma e a cruz representa a Matéria (o Corpo). Deste modo, os elementos da constituição humana – Espírito, Alma e Corpo – estão contidos nas partes componentes dos símbolos Astrais para mostrar ao Místico sua missão relativa à Humanidade. Essas partes simbólicas são agrupadas de diversas maneiras para indicar a natureza do Astro que elas representam e sua função na Grande Escola da Vida, escola em que Deus nos coloca sob a tutela dos Espíritos Planetários, que se esforçam para nos educar na Sabedoria Divina.
O Sol, conforme indica o seu símbolo, é o centro de todas as faculdades espirituais, a fonte de toda vida.
O símbolo da Lua é um semicírculo, mostrando que já completamos o arco da Involução[1], onde nossos Corpos foram construídos, e que agora a essência da experiência extraída desses veículos precisa ser transmutada em qualidades espirituais pela alquimia do crescimento anímico, de modo que possamos galgar o arco da Evolução[2].
O símbolo de Marte é a cruz acima do círculo, mostrando o ser humano não regenerado, em que a cruz da Personalidade[3] se sobrepõe ao círculo do Espírito. Contudo, ao subjugar a natureza superior, o caráter marciano gera a guerra e o conflito, durante os quais o ser humano necessariamente sofre, mesmo quando sai vitorioso. Assim, por meio das rejeições de uma maneira abrupta ou não suave, a natureza é suavizada gradualmente.
Vênus: quando a natureza marciana já tiver sofrido suficientemente, o círculo do Espírito se sobrepõe, gradualmente, à cruz da Personalidade e, então se torna o símbolo de Vênus, o Planeta do amor.
Saturno e Júpiter têm símbolos que são similarmente indicativos da maneira pela qual o crescimento anímico é fomentado. No símbolo de Saturno, a cruz da Personalidade está exaltada acima da marca da Alma, o semicírculo. O crescimento anímico é alcançado pelo serviço amoroso e desinteressado, mas o símbolo de Saturno mostra claramente que a pessoa sob sua regência está mais disposta a ser servida do que a servir, sendo egoísta e obstruindo o bem comum. Naturalmente, os outros se ressentem desse traço de caráter e, portanto, Saturno traz sofrimento e angústias profundas, dificuldades, apreensões e desapontamentos, tudo para nos ensinar que nunca poderemos realmente servir a nós mesmos pelo egoísmo, mas somente pelo sacrifício.
Júpiter: quando através de muito sofrimento e angústia profunda, compreendemos gradualmente que o egoísmo é como uma casca que envolve a Alma e nos isola dos outros, e começamos lentamente a cultivar a qualidade da benevolência e, aos poucos o semicírculo da Alma se eleva acima da cruz da matéria e se torna o símbolo de Júpiter, o filantropo e amigo do ser humano. E, então, significa alguém que ama a todos, alguém que é igualmente favorito dos deuses e dos seres humanos.
Mercúrio: embora sendo o menor no Reino de Deus, o Sistema Solar, não obstante Mercúrio é da maior importância em virtude de sua influência sobre o Corpo, a Alma e o Espírito, o que é mostrado no fato de que seu símbolo contém todas as partes componentes do simbolismo Astral, ou seja, o círculo, o semicírculo e a cruz. Isso é assim porque na Mente todos em conjunto estão ligados num único organismo físico espiritual chamado ser humano Sem Mercúrio isso não seria possível.
Mercúrio, contudo, é neutro, e depende de um Ego interno, representado pelo círculo colocado no centro, quer esse Ego use seus atributos divinos de escolha e livre arbítrio para aspirar os céus, em busca do crescimento anímico, simbolizado pelo emblema da Alma, o semicírculo, colocado acima do círculo do Espírito, ou se ele se curvará à cruz da Personalidade debaixo do círculo e se afundará no lamaçal do mundanismo. Nenhuma criatura tem tantas possibilidades divinas quanto o ser humano, nenhuma pode aspirar mais ao mais elevado e, inversamente, nenhuma pode cair tão baixo. Essa luta entre as naturezas superior e inferior pela supremacia, simbolizada pelo semicírculo e pela cruz, colocados acima e abaixo do círculo no símbolo de Mercúrio, foi muito bem interpretada por Goethe nos versos do seu imortal “Fausto”, onde o herói diz:
“Tu, por um único impulso, foste possuído,
permaneces inconsciente do outro.
Duas almas, infelizmente, residem em meu peito,
e lutam ali por um reinado indivisível.
Uma se lança à Terra, com desejo apaixonado,
e seus órgãos ainda se apegam a ela,
a outra aspira acima das névoas,
com ardor sagrado a esferas mais puras”.
Sistema Geocêntrico de Astrologia:
Quando Copérnico provou que a Terra e os outros Planetas giravam em torno do Sol, escarnecedores e céticos disseram que ele havia desacreditado o sistema da Astrologia, que considera a Terra como o centro em torno do qual o Sol, à Lua e os Planetas orbitam. Essa é uma ideia errada, que talvez possa ser demonstrada por uma ilustração. Continuamos a dizer que o Sol nasce, mesmo sabendo que é a Terra que se move, enquanto o Sol permanece estacionário; mas quer o Sol se mova em círculo ao redor da Terra, iluminando a seu tempo cada parte da sua superfície, quer a Terra gire em seu eixo e, assim, exponha uma após a outra suas partes aos raios do Sol estacionário, o efeito sobre a Terra é o mesmo, ou seja, recebemos a luz do Sol durante parte das vinte e quatro horas. Similarmente como ocorre com os outros Planetas, a Astrologia interpreta seus efeitos quando se encontram em determinadas posições em relação à Terra, independentemente de como chegaram lá. Além disso, é muito mais conveniente falar do ponto de vista geocêntrico e dizer: “O Sol nasce às seis”, do que dizer: “a rotação axial da Terra nos alinhará com os raios solares amanhã às seis horas”. Até mesmo o mais arrogante crítico contra a assim chamada falácia geocêntrica, provavelmente, se recusaria a aceitar seu próprio remédio desse modo.
[1] N.T.: É a primeira parte desse Esquema de Evolução, quando os Espíritos Virginais, descem até à matéria, por meio da cristalização dos nossos veículos (que se transformam em Corpos). O período de tempo dedicado à aquisição da autoconsciência, de si mesmo e à construção dos veículos através dos quais o espírito do ser humano se manifesta é denominado Involução. É a parte onde obtemos e construímos, inconscientemente e sob a orientação das Hierarquias Criadoras, os nossos veículos (Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente). Vai desde o início do Período de Saturno até a metade do Período Terrestre. Durante os Períodos Saturno, Solar e Lunar, e na última metade do atual Período Terrestre, os Espíritos Virginais construíram inconscientemente seus diferentes veículos sob a direção de Seres exaltados que guiaram seu Progresso e os despertaram gradativamente até adquirirem seu atual estado de consciência de vigília. Este período é denominado “Involução”.
[2] N.T.: Dentro de um Esquema de Evolução é a parte durante o qual nós desenvolvemos nossa própria consciência até alcançar o nível de onisciência divina. É a segunda parte desse Esquema de Evolução. Quando os Espíritos Virginais, se libertam da matéria, por meio da espiritualização dos Corpos e conversão deles em Almas. É a parte onde aperfeiçoamos nossos veículos (Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e Mente).
Desde os tempos atuais, até o final do Período de Vulcano, os Espíritos Virginais, que agora formam a nossa humanidade, aperfeiçoarão seus veículos e expandirão sua consciência para os cinco Mundos por seus próprios esforços. Este período é chamado de “Evolução”.
[3] N.T.: É a imagem refletida do Espírito, e a Mente é o espelho ou foco. Compõe-se do Corpo de Desejos, Corpo Vital e Corpo Denso.
No nosso estado atual de desenvolvimento, o Corpo de Desejos dirige a Personalidade muito mais do que nós, o Espírito.
Criamos uma Personalidade a cada novo renascimento aqui. A “persona”, o conjunto enganoso, provisório e em constante mudança formado pelas nossas sensações, emoções, sentimentos e modo de pensar. São os laços de sangue, as tradições, os elos do mundo, essas coisas mais fortes que algemas de aço, tudo a que o Cristo simbolicamente chamava de “o reino dos mortos”. A Personalidade é a nossa expressão aqui, de baixo para cima, o “homem invertido”, os valores instintivos, colorindo desordenadamente nosso modo de ser; é o amordaçamento de nós, o Espírito, e o nosso condicionamento às conveniências instintivas.
Astrologia Científica Simplificada – Parte 2 – Enciclopédia Filosófica de Astrologia-P.17
Solstício:
Essa palavra é composta de duas outras: “Sol”, o Sol, e “Sistere”, que é sustar, o termo descreve, portanto, perfeitamente o que acontece no Solstício, pois um Solstício é um ponto em que o Sol alcança a sua máxima Declinação e o ponto mais afastado do Equador celestial. Ali ele para ou permanece por três dias nos 23 graus de Declinação, antes de começar a descer em direção ao seu Nodo.
Há dois Solstícios. Um, o Solstício de Junho, que varia, dependendo do ano, entre 20 e 22 de junho, que é o dia mais longo do ano para o hemisfério norte, e o dia mais curto do ano para o hemisfério sul; o outro, é o Solstício de Dezembro, que varia, dependendo do ano, entre 21 e 22 de dezembro, que é o dia: mais curto do ano para o hemisfério norte e o dia mais longo do ano para o hemisfério sul.
Tabela de Casas:
É uma tabela calculada para mostrar que Signos e graus do Zodíaco se encontram em cada cúspide das doze Casas mundanas a qualquer hora de qualquer dia ou noite no ano.
A Tabela de Casas é sempre a mesma para determinado grau de latitude, e pode ser usada a vida inteira, já que lida com estrelas fixas, as quais não apresentam movimento considerável em uma centena de anos.
Trânsitos:
No momento em que uma criança nasce, as posições dos Astros (Sol, Lua e Planetas) mostram as tendências da sua vida. Essas posições constituem o “Radix”, de modo que tudo o que se refira a essa “Raiz” de todos os acontecimentos, se chama “radical”. Assim, “Júpiter radical” se refere à posição de Júpiter no nascimento de uma determinada pessoa.
Durante os vinte, trinta ou sessenta dias após o nascimento, os Astros se movem e formam certos Aspectos com as posições que ocupavam no momento do nascimento. Cada um desses dias corresponde a um ano de vida, de maneira que os Aspectos formados pela “progressão” no vigésimo dia após o nascimento, influenciarão na manifestação de acontecimentos no vigésimo ano. Os Aspectos formados no trigésimo quinto dia depois do nascimento determinarão as influências no trigésimo quinto ano, e assim por diante. A isso se chamam posições “progredidas” e Aspectos progredidos. Assim, se uma pessoa diz: “meu Sol progredido estará em Trígono com o meu Júpiter radical quando eu tiver quarenta anos”, ela está dizendo que quarenta dias após o seu nascimento, o Sol havia progredido para um Aspecto de Trígono com a posição de Júpiter no seu nascimento e que, portanto, esse Aspecto atuará no seu quadragésimo ano para trazer eventos de natureza afortunada, pois tanto o Aspecto quanto os Astros envolvidos são considerados benéficos.
Como a duração da vida, geralmente, não vai muito além dos setenta anos (salvo exceções)[1], as posições astrais depois dos setenta dias a partir do nascimento não têm um efeito marcante como o descrito no parágrafo acima, mas, mesmo assim, exercem uma influência considerável na vida do ser humano, de acordo com as suas naturezas. Mas, devido à rapidez do trânsito ocorrido, os efeitos são efêmeros, mesmo no caso dos Planetas mais lentos. Tais movimentos dos Astros são chamados “Trânsitos”.
Os Trânsitos são encontrados nas Efemérides para o ano em curso. Ou seja: se você quiser saber quais Astros transitavam pelas diferentes Casas do seu horóscopo em 1916, você só poderá determiná-los nas Efemérides daquele ano. Os Astros “radicais” e “progredidos” estão todos presentes nas Efemérides do ano em que você nasceu, mas os “Trânsitos” de 1920, por exemplo, só podem ser encontrados nas Efemérides de 1920.
As Lunações, ou Luas Novas, e os Eclipses estão entre Trânsitos os mais importantes. Uma Lunação é a Conjunção do Sol com a Lua, uma “Lua Nova”. Em nossas Efemérides, todas as Luas Novas, Luas Cheias e Eclipses são registrados claramente no topo das páginas.
Quando uma Lunação cai dentro dos 3 graus de um Aspecto de quaisquer dos Astros ou de outros pontos vitais do horóscopo Radical, isso tem efeito marcante nos acontecimentos durante o mês em curso, e poderá facilmente assumir a posição de um Aspecto da Lua Progredida que é necessário para frutificar as indicações astrais então em evidência. Mesmo independentemente das Direções Primárias, se uma Lua Nova ocorre em uma Conjunção fechada com um Planeta adverso, produzirá dificuldades em assuntos secundários e, inversamente, uma Lunação que acontece no lugar onde está Júpiter ou Vênus tornará as coisas agradáveis.
Quando uma Lua Nova resulta em um Eclipse solar, ela produz primeiramente o efeito costumeiro de uma Lunação durante o mês em curso, se estiver em Aspecto com qualquer dos Astros radicais e, secundariamente, efeitos semelhantes durante todos os meses do ano seguinte, sempre que os Aspectos da mesma natureza se formem com o local do Eclipse. Por exemplo, se o Eclipse ocorresse na 12ª Casa onde está o Signo de Leão, formando uma Quadratura com Marte em Escorpião, na 3ª Casa, então ele produziria inimizade entre irmãos e irmãs durante o mês de agosto, mês em que se deu o Eclipse. Em novembro, quando a Lunação ocorre em Escorpião, mais combustível será acrescentado ao fogo pela Quadratura com o lugar do Eclipse. Em fevereiro, quando o Sol formar uma Oposição no lugar do Eclipse, mais problemas surgirão na mesma área e, também, em maio, quando ocorrer a última Quadratura. Por outro lado, se o Aspecto inicial do Eclipse é benéfico, mais benefícios serão experimentados durante os meses em que se formarem os Sextis e os Trígonos.
O ciclo de Lunações é de dezenove anos; por exemplo: a 26 de julho de 1900 ocorreu uma Lunação no 3º grau de Leão, e no dia 26 de julho de 1919 ocorrerá uma outra Lunação também no 3º grau de Leão. Assim sendo, o Estudante pode calcular as Lunações dos anos futuros com bastante exatidão para todos os propósitos práticos.
Os Eclipses também podem ser calculados, grosso modo, para os anos futuros, e de uma maneira semelhante, fácil e rápida, se o Estudante dispõe das Efemérides dos anos passados.
Durante seu curso mensal, a Lua ziguezagueia pela Eclíptica, de forma que nas Conjunções ou Luas Novas, geralmente, ela está alguns graus fora da Eclíptica. Sob tais condições temos apenas uma Lua Nova comum. Para haver um Eclipse solar total, a Lua precisa estar diretamente no caminho do Sol, conforme vista da Terra, e a Declinação do Sol e da Lua precisa ser praticamente a mesma; também a Lua não deve ter praticamente nenhuma Latitude.
Nunca ocorrem menos de dois Eclipses por ano, e eles são solares, nem acontecem mais de sete, mas esses números extremos acontecem muito raramente. O número usual de Eclipses é quatro: dois solares e dois lunares, e eles ocorrem geralmente aos pares de seis em seis meses. A Lua Cheia que antecede ou se segue a um Eclipse solar, normalmente, é um Eclipse lunar. Também se um par de Eclipses ocorre em fevereiro, espera-se outro par em agosto.
Considerando o que foi exposto acima, os Eclipses em qualquer ano podem ser determinados com bastante êxito pelas seguintes regras simples:
1) Do ano para o qual os Eclipses estão sendo calculados, subtraia 18. O ano resultante pode ser chamado de “Ano Eclipse”.
2) Procure no “Ano Eclipse” as Luas Novas e as Luas Cheias que sejam Eclipses. Anote apenas suas datas.
3) No ano anterior ao “Ano Eclipse”, anote as datas e posições zodiacais das Lunações que ocorrem cerca de onze dias após as datas obtidas no “Ano Eclipse”. Essas são as datas e os locais dos Eclipses no ano desejado.
Para comprovarmos essas regras simples e práticas aqui fornecidas, vamos imaginar que estamos no ano de 1910, e que queremos determinar o primeiro Eclipse solar a ocorrer em 1915. Servindo-se de uma Efemérides para o ano de 1897, que é dezoito anos anterior a 1915, nela procuramos o primeiro Eclipse solar.
Nós acharemos um Eclipse solar em 1º de fevereiro de 1897.
Para determinar a data e o grau do Zodíaco no qual esse Eclipse irá cair em 1915, nós olhamos as informações das Efemérides para 1896, que é o ano anterior ao nosso “Ano Eclipse”, que é no caso o ano de 1897.
Nessas Efemérides verificamos que a primeira Lua Nova que ocorreu depois de 1º de fevereiro caiu na tarde de 13 de fevereiro, a 24 graus e 19 minutos de Aquário e, por isso, deduzimos que haverá um Eclipse solar no dia 13 de fevereiro de 1915, a 24 graus e 19 minutos de Aquário.
Concluídos nossos cálculos, ponhamos de lado nosso faz-de-conta de viver em 1910 e tomemos as Efemérides de 1915 para verificar se nossas regras deram o resultado correto; e verificamos que um Eclipse solar ocorreu na manhã de 14 de fevereiro de 1915, a 24 graus e 42 minutos de Aquário, comprovando que as regras deram um resultado essencialmente correto.
Os próximos em importância são os Trânsitos dos Astros superiores pelas Casas. Dentre as significâncias da 10ª Casa podemos citar honra social. Quando Júpiter transita por ela a cada doze anos, poderá haver oportunidades para ascenção social; quando é Saturno quem transita pela 10ª Casa, uma vez a cada trinta anos, fique atento a possíveis reveses e use sua força de vontade para superá-los; você poderá interpretar os Trânsitos dos demais Astros pelas outras Casas de maneira semelhante a esses exemplos dados.
Trígono:
Quando dois Astros estão separados por 120 graus um do outro, eles estão em Trígono, pois 120 graus é a terça parte de um círculo. Esse aspecto é considerado o mais harmonioso ou benéfico dentre todos os Aspectos.
Triplicidades:
Os Signos do Zodíaco são agrupados de diversas maneiras para mostrar algumas de suas qualidades. Um método os divide em quatro grupos de três Signos cada, sendo que cada grupo tem afinidade com um dos quatro Elementos. Assim, Áries, Leão e Sagitário são ditos Signos de Fogo. Touro, Virgem e Capricórnio são Signos de Terra. Gêmeos, Libra e Aquário são Signos de Ar. Câncer, Escorpião e Peixes são Signos de Água. Esses quatro constituem as quatro Triplicidades.
A Triplicidade do Fogo, ou tríade ígnea, tem o seu apogeu no ângulo oriental, Áries, onde o fogo criador começa a produzir um Corpo para o Espírito funcionar no Mundo material. O segundo ângulo dessa Triplicidade está na 5ª Casa, que denota a maneira pela qual a força sexual criadora será usada no plano físico para a procriação. É, portanto, a Casa dos filhos, ocupada pelo Signo de Fogo de Leão. A linha de força que parte do ângulo leste na direção oposta mostra o uso para que se faz da força sexual criadora na Mente. Portanto, é ocupada pelo Signo de Fogo de Sagitário e está localizada na 9ª Casa, que denota, entre outros assuntos, a Mente superior.
O Triplicidade de Terra tem a sua origem, o seu apogeu, no Signo Cardinal Capricórnio, que corresponde à 10ª Casa, a qual denota, entre outros assuntos, o ambiente externo, a posição profissional e social da pessoa; e como essa Triplicidade é de Terra, trata inteiramente dos assuntos materiais do nativo. Portanto, uma linha de força parte dela para a 6ª Casa, que está sob Virgem, um Signo dos negócios; logo essa Casa denota, entre outros assuntos, o serviço que se espera que a pessoa execute no mundo. Como esse serviço depende tanto da saúde física quanto da capacidade mental, esta Casa é também a Casa da doença. A outra linha de força, que parte de Capricórnio em direção ao terceiro Signo da Triplicidade de Terra, denota os ganhos que serão recebidos pelo serviço prestado, de acordo com a 6ª Casa, e na medida da capacidade significada pela 10ª Casa. Portanto, a 2ª Casa, regida pelo Signo de Touro, é a Casa das finanças; e como a liberdade de ação da pessoa depende, em certa medida, da sua condição financeira, essa Casa também é chamada Casa da Liberdade.
O apogeu da Triplicidade do Ar está no ângulo ocidental, ocupado pelo Signo Cardinal de Libra, que é regido pelo Planeta do amor, Vênus. Essa Triplicidade, portanto, diz respeito às diferentes uniões possíveis na vida humana. A 7ª Casa, de onde surge propriamente, denota a mais íntima de todas as uniões, o casamento. Dessa união, resultam outros relacionamentos e, portanto, uma linha de força vai da 7ª Casa para a 3ª Casa, ocupada por Gêmeos, os gêmeos. Essa Casa, portanto, denota, entre outros assuntos, irmãos e irmãs. A outra linha de força conecta a 7ª Casa com a 11ª Casa significando as uniões de amizade.
A Triplicidade de Água tem sua origem no ângulo norte ocupado pelo Signo Cardinal de Câncer, que é a Casa do mistério, denotando, entre outros assuntos, a última parte da vida, o ponto onde o Espírito se prepara para se retirar da existência material para assumir a atividade dos Mundos espirituais. Está, portanto, ligada à 8ª Casa, a Casa da morte, que é ocupada pelo Signo de Escorpião. É extremamente significativo que esta seja a Casa negativa de Marte, e que, portanto, rege os órgãos criadores. Aponta, da forma mais completa, a evanescência de tudo o que é criado no Mundo Físico. A outra linha de força que parte da 4ª Casa vai para o Signo de Peixes, que ocupa a 12ª Casa. Peixes, composto por dois semicírculos e um traço, representa bem a natureza dupla do ser humano, que já cumpriu seu papel no Mundo Físico, mas tem uma outra evolução a ser realizada nos Mundos invisíveis. Esta Casa, portanto, denota o confinamento no qual o Espírito percebe que está no final da vida, a tristeza e angústia profunda que sente e a autodestruição à qual às vezes é impelido.
Trópico:
“Tropikos” é uma palavra grega que tem significado relacionado à rotação, e os trópicos da Astronomia são o ponto de inflexão do Sol. No Solstício de Junho, o Sol alcança seu grau máximo de Declinação Norte no Signo de Câncer; esse é, portanto, o seu trópico, pois a partir desse ponto ele começa a voltar, descendo através do seu nodo ocidental para a Declinação Sul. E alcança o mais baixo ponto desse arco em dezembro, no Solstício de Dezembro e no Signo de Capricórnio. Esse é o outro trópico, pois ali ele inverte e inicia sua próxima ascensão em direção aos céus do norte.
Zênite:
O ponto mais alto do céu acima do local de nascimento, onde o Sol se encontra ao meio-dia, também chamado de Meio-do-Céu. Esse ponto é o mesmo para todas as latitudes em determinada Hora Sideral. Assim, se duas crianças nasceram na mesma Hora Sideral, uma no Alasca e a outra no México, ambas deveriam ter o mesmo grau do Zodíaco no Meio-do-Céu, mas seus Ascendentes e as outras cúspides seriam materialmente diferentes, fazendo com que os Astros se posicionassem em Casas diferentes e tornando suas vidas distintas em todos os outros aspectos. (Veja-se “Meio-do-Céu” e “Casas”).
Zodíaco:
É uma estreita faixa no céu que abrange cerca de 8 graus de cada lado da Eclíptica, o caminho do Sol, (Veja-se “Zodíaco Intelectual”).
Em ambos os lados da eclíptica ou do caminho do Sol há uma série de estrelas fixas que formam doze grupos ou constelações, chamadas de “Signos do Zodíaco”, não porque se assemelhem aos animais que supostamente representam, mas porque sua influência se desenvolveu ou ainda está empenhada em revelar em nós as principais características incorporadas no símbolo animal. A arrogância bombástica, a energia e a coragem que vêm de Áries não poderiam ser mais bem simbolizadas do que pelo carneiro, nem a força silenciosa, mas prodigiosa, e a persistência obstinada que vêm das Hierarquias divinas que trabalham conosco a partir da Constelação de Touro poderiam ser descritas de forma mais adequada do que pelo simbólico “Touro”. As características dos outros Signos devem ser interpretadas em termos semelhantes, pois o Zodíaco é o útero do Sistema Solar; e algum dia, quando nós e as miríades de outros seres que agora estão evoluindo em nosso Sistema Solar tivermos aprendido todas as lições desta fase da existência, também formaremos um Zodíaco e realizaremos um serviço semelhante aos outros, como as doze grandes Hierarquias Criadoras estão fazendo por nós.
Essas doze Constelações são chamadas de “Zodíaco Natural”; elas permanecem sempre nas mesmas posições relativas; pelo menos seu movimento é tão sutil que séculos se passam sem mudança apreciável em sua posição. Portanto, podemos usar uma Tabela de Casas a vida toda, mas precisamos ter acesso a Efemérides das posições dos Astros (Sol, Lua e Planetas) todos os anos.
Todos os anos, em torno de 21 de março, o Sol deixa o hemisfério sul, cruza o equador celeste e entra nos graus de latitude norte, onde permanece durante os meses de junho, julho, agosto e setembro. Mas, devido a um movimento vibratório dos polos da Terra, chamado de “Nutação” pelos astrônomos, o Sol cruza o equador celeste um pouco mais cedo (precede) do que no ano anterior, e como o dia e a noite têm a mesma duração no ponto em que o Sol cruza o equador celeste ou Equinócio, essa travessia precedente é chamada de “Precessão dos Equinócios”.
Se não houvesse a Precessão dos Equinócios, o Sol sempre entraria na Constelação de Áries no Equinócio de Março, mas, devido a esse movimento retrógrado de um grau em cerca de setenta e dois anos, o Equinócio de Março ocorre no primeiro grau de Peixes cerca de 2.156 anos depois. Após um período semelhante, ele recua para o primeiro grau de Aquário, e assim por diante, através do círculo dos doze Signos, em cerca de 25.868 anos. Na época em que o Sol estava em Touro, o Signo do “Touro”, no Equinócio de Março, os antigos egípcios adoravam o sagrado “Touro Ápis” e seus sacerdotes usavam o Símbolo de Uraeus ou Serpente, pertencente a Escorpião, o Signo da Serpente oposto a Touro, para indicar sua posse da sabedoria esotérica. Quando o Sol entrou em Áries pela Precessão dos Equinócios, tornou-se idolatria para o “povo escolhido” adorar o “Touro” ou bezerro de ouro; eles deixaram o “Egito” e depositaram sua fé no “cordeiro” ou “carneiro” que então foi “imolado”. Mas, de acordo com o símbolo esotérico de Libra, a balança da justiça, que está oposta a Áries, ele retornará como juiz. Em 498 d.C., o Sol estava no primeiro grau de Áries no Equinócio, e nos 1.418 anos que se passaram desde então, recuou dezenove graus e quarenta e dois minutos, de modo que em 1.916 o Sol cruza o equador em dez graus e dezoito minutos de Peixes, e em torno do ano de 2.658 estará na cúspide de Aquário. Durante os 2000 anos que se passaram desde que o Equinócio chegou à Órbita de Influência de Peixes, os peixes, os ritos religiosos exigiam que as pessoas se ungissem com a Água Pisciana na porta da Igreja. O serviço era realizado por um sacerdote, cujo chapéu era feito para lembrar a cabeça de um peixe[2], e eles eram ordenados a se abster de comer carne animal vermelha em certos momentos, e era-lhes ordenado que comessem peixe em vez disso. Eles também foram ensinados a adorar uma Virgem imaculada porque Virgem é o signo oposto a Peixes; e essa adoração continuará, embora em grau decrescente, até que o novo ideal incorporado no Signo de Aquário e seu Signo oposto, Leão, tenha substituído o Cristianismo ortodoxo, que tomou o lugar das Religiões anteriores.
Desde meados do século passado, a influência aquariana, focalizada pelo Equinócio, tem se feito sentir porque a Órbita de Influência do Sol é tão grande que toca a cúspide de Aquário e, como consequência, tivemos um despertar do pensamento sem precedentes e uma galáxia de invenções antes inimagináveis com as mais remotas possibilidades. Mas, com o passar dos anos, o Sol equinocial iluminará nossas Mentes de tal maneira que justificará nossos netos em falar disso como “a era das trevas”; e quando, em torno do ano de 2.658, a entrada efetiva do Sol em Aquário inaugurar uma nova Era, eles estarão justificados em pensar na Era de Peixes como nós pensamos no tempo Antes de Cristo.
Vemos, então, que existe um Zodíaco Natural composto pelos aglomerados de estrelas estacionárias, Áries, Touro, etc., e um Zodíaco mutável, que começa no ponto equinocial, independentemente de onde nas constelações ele ocorra; e os primeiros trinta graus a partir desse ponto são chamados de Áries, os trinta graus seguintes são chamados de Touro, e assim por diante. Este é o Zodíaco Intelectual[3].
Esta pode parecer uma forma arbitrária de divisão, mas é uma questão de observação que, embora o Equinócio realmente ocorra em Peixes, dez graus no momento atual, as atividades referentes aos meses de março e abril, atribuídas ao Sol em Áries começam imediatamente após o Equinócio. Há, no entanto, uma fusão de Áries e Peixes que explica certas mudanças evolutivas.
Observem bem que as doze constelações constituem o Zodíaco Natural e estão sempre nas mesmas posições relativas, mas devido ao movimento dos polos da Terra, o Sol cruza o equador num ponto ligeiramente diferente a cada ano no Equinócio de Março, e esse ponto de mudança é considerado na Astrologia como sendo o primeiro grau de Áries, o início do que chamamos de Zodíaco Intelectual. Esse Zodíaco muda a uma taxa, em média, de 50,1 segundos de ano para ano, 1 grau em 72 anos, 1 Signo em 2.156 anos, completando o círculo de 12 Signos em, aproximadamente, 25.868 anos. Esse movimento retrógrado é chamado de “Precessão dos Equinócios”.
Do ponto de vista materialista, parece não haver razão para essa alteração do Zodíaco, mas do ponto de vista do místico não é de modo algum arbitrária, ao contrário, é necessária e está em harmonia com o caminho espiral da evolução, seguido tanto pela estrela fixa quanto pela estrela do mar, observável em toda a Natureza. Após a conclusão de cada ciclo, os Zodíacos Intelectual e Natural se ajustam (a última vez aconteceu em 498 d.C.), então começa um novo período mundial, uma nova fase de evolução, um ciclo da espiral mais elevado em que estamos sempre caminhando em direção a Deus. Mesmo sob o ponto de vista material é evidente que o caminho em espiral do Sistema Solar, observado pelos astrônomos, deve mudar o ângulo de incidência dos raios luminosos das estrelas fixas, e como o ângulo de incidência dos raios do Sol sobre nossa Terra possui o efeito de produzir as mudanças climáticas de verão e inverno, é razoável que uma mudança semelhante deve suceder-se à nossa mudança de posição em relação às estrelas fixas, o que pode ser responsável por mudanças graduais de condições, tais como estações de inverno menos frios e estações de verão menos quentes em algumas partes do Mundo.
Além do mais, observou-se que as condições climáticas dispõem de um impacto nítido em nossas características ou inclinações habituais ou, ainda, no nosso modo de responder às emoções – nos sentimos de maneira diferente tanto no verão como no inverno – e não pode essa mudança lenta em relação às estrelas fixas ser a causa dessa mudança na Humanidade, que conhecemos por evolução? O místico afirma que sim. Assim como os raios do Sol, pela mudança do ângulo de incidência, suscitam as folhas e flores das plantas em determinado momento, e em outro as fazem murchar, assim também os raios das estrelas fixas suscitam e produzem as maiores mudanças na flora e fauna; eles são responsáveis pela ascensão e queda das nações e pela mudança marcada pela sensibilidade excessiva e alterações de humor impulsivas que chamamos de civilização.
Indo mais longe com a analogia, o Zodíaco Natural é composto pelas Constelações que são vistas nos céus, e o Zodíaco Intelectual começa sua mudança no exato ponto onde o Sol cruza o Equador no Equinócio de Março. Essa é a época em que a Natureza faz nascer tudo aquilo que ela germinou no ventre dela no inverno anterior. Assim, o horóscopo do mundo muda de ano para ano. “Como em cima, assim embaixo”, é a Lei da Analogia e os mesmos pontos salientes são observáveis na evolução do ser humano, do micróbio, da estrela do céu e da estrela do mar.
No mapa natal do ser humano temos, também, o que pode ser chamado de horóscopo natural, que é o mapa levantado e calculado segundo as regras da Astrologia, em que qualquer Signo pode estar no Ascendente ou na Primeira Casa. A mudança do Equinócio de Março corresponde ao primeiro grau de Áries, no Zodíaco Intelectual, assim, o Ascendente no horóscopo de qualquer ser humano também tem uma influência correspondente a esse grau. A Segunda Casa corresponde a Touro, a Terceira Casa a Gêmeos, e assim por diante, formando a contraparte do Zodíaco Intelectual no horóscopo do ser humano.
FIM
[1] N.T. No Brasil (dados de 2024), a expectativa de vida para os homens é de 73,3 anos e para as mulheres 79,9 anos.
[2] N.T.: Chamado de mitra.
[3] N.T.: Como dissemos acima, as doze constelações constituem o Zodíaco Natural e estão sempre nas mesmas posições relativas, mas devido ao movimento dos polos da Terra, o Sol cruza o equador num ponto ligeiramente diferente a cada ano no Equinócio de Março, e esse ponto de mudança é considerado na Astrologia como sendo o primeiro grau de Áries, o início do que chamamos de Zodíaco Intelectual. Esse Zodíaco muda a uma taxa, em média, de 50,1 segundos de ano para ano, 1 grau em 72 anos, 1 Signo em 2.156 anos, completando o círculo de 12 Signos em, aproximadamente, 25.868 anos. Esse movimento retrógrado é chamado de “Precessão dos Equinócios”.
Do ponto de vista materialista, parece não haver razão para essa alteração do Zodíaco, mas do ponto de vista do místico não é de modo algum arbitrária, ao contrário, é necessária e está em harmonia com o caminho espiral da evolução, seguido tanto pela estrela fixa quanto pela estrela do mar, observável em toda a natureza. Após a conclusão de cada ciclo, os Zodíacos Intelectual e Natural se ajustam (a última vez aconteceu em 498 d.C.), então começa um novo período mundial, uma nova fase de evolução, um ciclo da espiral mais elevado em que estamos sempre caminhando em direção a Deus. Mesmo sob o ponto de vista material é evidente que o caminho em espiral do Sistema Solar, observado pelos astrônomos, deve mudar o ângulo de incidência dos raios luminosos das estrelas fixas, e como o ângulo de incidência dos raios do Sol sobre nossa Terra possui o efeito de produzir as mudanças climáticas de verão e inverno, é razoável que uma mudança semelhante deve suceder-se à nossa mudança de posição em relação às estrelas fixas, o que pode ser responsável por mudanças graduais de condições, tais como estações de inverno menos frios e estações de verão menos quentes em algumas partes do mundo.
Além do mais, observou-se que as condições climáticas dispõem de um impacto nítido em nossas características ou inclinações habituais ou, ainda, no nosso modo de responder às emoções – nos sentimos de maneira diferente tanto no verão como no inverno – e não pode essa mudança lenta em relação às estrelas fixas ser a causa dessa mudança na humanidade, que conhecemos por evolução? O místico afirma que sim. Assim como os raios do Sol, pela mudança do ângulo de incidência, suscitam as folhas e flores da planta em determinado momento, e em outro as fazem murchar, assim também os raios das estrelas fixas suscitam e produzem as maiores mudanças na flora e fauna; eles são responsáveis pela ascensão e queda das nações e pela mudança marcada pela sensibilidade excessiva e alterações de humor impulsivas que chamamos de civilização.
Indo mais longe com a analogia, o Zodíaco Natural é composto pelas constelações que são vistas nos céus, e o Zodíaco Intelectual começa sua mudança no exato ponto onde o Sol cruza o Equador no Equinócio de Março. Essa é a época em que a Natureza faz nascer tudo aquilo que ela germinou no ventre dela no inverno anterior. Assim, o horóscopo do mundo muda de ano para ano. “Como em cima, assim embaixo”, é a Lei da Analogia e os mesmos pontos salientes são observáveis na evolução do ser humano, do micróbio, da estrela do céu e da estrela do mar.
No mapa natal do ser humano temos, também, o que pode ser chamado de horóscopo natural, que é o mapa levantado e calculado segundo as regras da Astrologia, em que qualquer Signo pode estar no Ascendente ou na Primeira Casa. A mudança do Equinócio de Março corresponde ao primeiro grau de Áries, no Zodíaco Intelectual, assim, o Ascendente no horóscopo de qualquer ser humano também tem uma influência correspondente a esse grau.
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