Categoria Cartas Max Heindel

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Artigos Publicados: Cartas de Max Heindel

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Carta de Max Heindel: A Carne Animal e as Bebidas Alcoólicas
Carta de Max Heindel: A Concentração no Trabalho Rosacruz
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Carta de Max Heindel: A Iniciação não pode ser alcançada por meio de Exercícios Respiratórios
Carta de Max Heindel: A Iniciativa e a Liberdade Pessoal
Carta De Max Heindel: A Lei do Êxito para os Assuntos Espirituais
Carta de Max Heindel: A Mensagem Mística do Natal
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Carta de Max Heindel: A Próxima Época no Ar
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Carta de Max Heindel: Aprimorando e Melhorando as Nossas Oportunidades
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Carta de Max Heindel: Regendo Nossas Estrelas
Carta de Max Heindel: Concentração no Trabalho Rosacruz
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Carta de Max Heindel: O Significado Cósmico da Páscoa
Carta de Max Heindel: O Sufrágio Feminino e a Igualdade Moral
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Carta de Max Heindel: O Vício do Egoísmo e o Poder do Amor
Carta de Max Heindel: O Voto Feminino e a Igualdade Moral
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Carta de Max Heindel: Prosperidade Espiritual para o Ano Novo
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Carta de Max Heindel: Sacrifício – Um Fator de Progresso Espiritual
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Carta de Max Heindel: Serviço Altruísta aos Outros
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Carta de Max Heindel: O Valor dos Sentimentos Retos

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Carta de Max Heindel: O Mito de Fausto e a Lenda Maçônica

Outubro de 1913

Na lição do mês passado terminamos a nossa análise do Mito de Fausto[1]; e ao revisá-lo como um todo, notamos que ele transmite a mesma ideia da lenda maçônica. De um lado, temos Fausto e Lúcifer; do outro, Margarida e os sacerdotes. Margarida demonstra a fé na Igreja, mesmo nas horas mais sombrias. Essa fé é o seu conforto e o seu amparo e, por fim, ela alcança o objetivo do Espírito. Ela alcança seu lar celestial pela fé. Seus pecados de omissão e comissão são devidos à ignorância; mas quando ela vê o poder maligno personificado no personagem de Lúcifer e lhe é oferecida a liberdade da prisão e da morte, ela se recusa a fugir em tal companhia; com isso ela se redimiu o suficiente para merecer um lugar no Reino celestial. Da mesma forma, uma ala da Igreja, os Filhos de Seth, hoje dependem da expiação, ao invés de suas próprias obras. Eles buscam a salvação por meio da fé, pois seus poderes para demonstrar por obras são pequenos.

Em Lúcifer e Fausto encontramos a réplica dos Filhos de Caim, que são construtivos, fortes e ativos no trabalho do mundo. O mesmo espírito que incutiu em Caim o desejo de fazer com que “duas folhas de relva crescessem onde antes havia apenas uma” – o instinto criador divino e independente que levou os Filhos de Caim, em todas as épocas, a continuar a obra do mundo – também é forte em Fausto; e o uso glorioso com ele faz dos poderes do mal – a saber, fazê-los construir uma nova terra, uma terra livre, onde um povo feliz e livre possa habitar em paz e regozijo –, nos oferece uma visão do que o futuro nos reserva.

Por meio de nossas próprias obras – ao canalizar as forças do mal para fazer o bem –, acabaremos por nos libertar das limitações tanto da Igreja quanto do Estado, que atualmente nos mantêm em servidão. Embora as convenções sociais e as leis terrenas sejam necessárias neste momento, para impedir que violemos os direitos alheios, chegará o dia em que o espírito nos animará e nos purificará – tal como o amor de Fausto por Helena o purificou e lhe deu o impulso para utilizar as forças luciferianas da maneira correta. Quando tivermos vencido o desejo de trabalhar em benefício próprio, quando nos gratificarmos pelo serviço que prestamos aos outros – assim como Fausto se regozijou ao contemplar, com o olhar de quem está à beira da morte, a terra que se emergia do mar –, então jamais precisaremos do caráter restritivo das leis e convenções terrenas, pois teremos transcendido tais normas ao cumprir integralmente todas as suas exigências. Somente dessa maneira poderemos alcançar a verdadeira liberdade. É muito fácil dizer aos outros o que devem ou não fazer, mas é muito difícil impor obediência a nós mesmos, ainda que concordemos intelectualmente com as normas convencionais. Como diz Goethe:

“De todo poder que o mundo em correntes retém,

O homem se liberta quando o autocontrole obtém.”.

O mito de Fausto nos diz que há tal estado utópico reservado para nós, quando tivermos conquistado nossa salvação ao utilizar as forças titânicas que habitam nosso interior para nos tornarmos verdadeiramente livres. Que todos nós nos empenhemos, por meio das nossas ações cotidianas, em apressar a chegada desse dia.

(Cartas aos Estudantes – nº 35 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Fausto (em alemão Faust) é um poema trágico do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, dividido em duas partes. Está redigido como uma peça de teatro com diálogos rimados, pensado mais para ser lido que para ser encenado. É considerado uma das grandes obras-primas da literatura alemã.

A criação da obra ocupou toda a vida de Goethe, ainda que não de maneira contínua. A primeira versão foi composta em 1775, mas era apenas um esboço conhecido como Urfaust (Proto-Fausto). Outro esboço foi feito em 1791, intitulado Faust, ein Fragment (Fausto, um fragmento) e, também, não chegou a ser publicado. A versão definitiva só seria escrita e publicada por Goethe no ano de 1808, sob o título Faust, eine Tragödie (Fausto, uma tragédia). A problemática humana expressada no Fausto foi retomada a partir de 1826, quando ele começou a escrever uma segunda parte. Esta foi publicada postumamente sob o título de Faust. Der Tragödie zweiter Teil in fünf Akten (Fausto. Segunda parte da tragédia, em cinco atos) em 1832.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Valor em se Revisar as Lições Anteriores

Agosto de 1917

Na Carta a seguir, há uma sugestão valiosa de um Estudante Rosacruz a qual sinto meu dever transmitir:

Ontem à noite, ao examinar a vasta correspondência que tive a felicidade de receber da Fraternidade Rosacruz ao longo de quase cinco anos, perguntei-me como outros Estudantes Rosacruzes e Probacionistas lidam com as Cartas mensais que eles recebem da Fraternidade Rosacruz. Em seguida, ocorreu-me que esse assunto deveria ser abordado em uma das cartas mensais. Não é meu desejo criticar as atitudes de outros Probacionistas, mas é muito provável que poucos Estudantes Rosacruzes e Probacionistas percebam plenamente a verdadeira mina de informações contida nessas cartas — informações que podem ser transformadas em tesouro celestial por meio da ação correta. Com que frequência, ao reler edições passadas, surgiram novas ideias e compreensões das quais eu não tinha consciência anteriormente! E que grande ajuda elas têm sido em tantas lutas interiores!

Pode-se afirmar, com razão, que nestas lições anteriores possuímos uma mina de ouro da qual se podem extrair muitos tesouros capazes de nos auxiliar a viver a vida. Temos aqui, de fato, um segundo Conceito Rosacruz do Cosmos. É deveras importante que Estudantes Rosacruzes e Probacionistas arquivem e preservem corretamente cada detalhe de sua correspondência com a Fraternidade Rosacruz, para que ela possa ser utilizada da melhor maneira possível na difusão da luz dos Irmãos Maiores. Talvez apenas uma dessas lições seja suficiente para ajudar um amigo ou uma amiga. Certamente, uma organização metódica desse material trará grandes benefícios.

Acredito ser pouco provável que a maioria dos Estudantes Rosacruzes e Probacionistas consiga compreender plenamente o imenso poder para o bem que reside nessas lições. Para aqueles de nós habituados a dados rigorosos e métodos científicos de pesquisa, essas lições serão de grande valia para ajudar a unir a Mente e o Coração. Elas contêm muitas preciosidades de pensamento que conduzirão à ação correta e à perseverança na prática do bem. Se os Estudantes Rosacruzes e Probacionistas mantiverem o pensamento voltado para a melhor forma de utilizar as cartas que recebem, isso será de grande ajuda e promoverá um maior crescimento da alma. Certamente, são as pequenas coisas que tornam possíveis as grandes realizações, e talvez isso incentive alguns membros a se dedicarem ao serviço.

Se os Estudantes Rosacruzes tiverem em mente que a repetição é a nota tônica do Corpo Vital, e que “todo desenvolvimento oculto começa pelo Corpo Vital”, compreenderão por que é tão proveitoso rever frequentemente as lições e cartas anteriores.

(Carta nº 81 do Livro “Cartas aos Estudantes” – de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Necessidade de Difundir os Ensinamentos Rosacruzes

Julho de 1915

Ao reler a lição mensal que acompanha essa carta – a qual sintetiza o resultado de investigações realizadas há algum tempo –, fui novamente impactado, e com redobrada intensidade, pelo fato de existirem ao nosso redor condições tão terríveis. Neste momento, em que os horrores da grande guerra[1] aumentam, em proporções sem precedentes, o número daqueles que transitam deste mundo para os Mundos invisíveis sob condições angustiantes, parece que um esforço adicional deveria ser empreendido para contrabalançar e minimizar esse mal. A Fraternidade Rosacruz é, ainda, apenas uma gota no oceano da Humanidade; contudo, se fizermos a nossa parte, conquistaremos uma oportunidade maior de servir.

Não há remédio para as condições atuais que se equipare ao conhecimento da continuidade da vida e do fato de que renascemos periodicamente sob a imutável Lei de Causa e Efeito. Se esses grandes fatos, com tudo o que implicam, pudessem ser transmitidos de forma convincente a um grande número de pessoas, esse fermento acabaria por atuar de tal maneira que transformaria as condições em todo o mundo. Um único homem, Galileu[2], mudou a perspectiva mundial sobre o Sistema Solar e, embora sejamos apenas alguns milhares, não seria possível exercermos influência sobre a opinião pública mundial, visto que sabemos ser isso a verdade?

Costuma-se dizer que as pessoas não se interessam por assuntos espirituais, que não se consegue a atenção delas; mas, na realidade, não é bem assim. Notem o caso de centenas de milhares de pessoas que foram ouvir Billy Sunday[3], o notável evangelista: muitas tenham sido movidas pela curiosidade ou ido para zombar e escarnecer, havia também milhares delas que nutriam um forte desejo por algo que talvez nem soubessem definir, mas que constituía a verdadeira motivação. Recentemente, houve um debate entre um evangelista de Nova York e um advogado sobre o tema: “Onde Estão os Mortos?”. Esse debate ocorreu em um grande auditório, com capacidade para milhares de pessoas, e estendeu-se por três dias. Todos os assentos estavam ocupados e, se bem me lembro, houve muitas pessoas que nem sequer conseguiram encontrar lugar para ficar de pé no recinto. Não; o mundo busca algo – busca-o com um coração faminto –, e cabe apenas a nós fazer a nossa parte, apresentando ao mundo a explicação racional da vida que nos chegou por meio dos Irmãos Maiores. É um grande privilégio, e certamente devemos aproveitá-lo.

Mas a questão é: como? Permita-me perguntar: o seu jornal não aceitaria publicar, ocasionalmente, um artigo sobre este assunto? Certamente há, na Fraternidade Rosacruz, várias pessoas capazes de escrever tais artigos. Poderia ser formado um comitê para receber os artigos e fornecê-los aos membros que os solicitassem — membros que concordassem em levá-los aos editores dos jornais de suas respectivas cidades e em procurar divulgar os Ensinamentos Rosacruzes por esse meio. Se um artigo for bem escrito, raramente é recusado quando há espaço disponível; afinal, os editores ficam muito satisfeitos em obter algo que julguem poder interessar ao público leitor, mesmo que eles próprios não simpatizem com o conteúdo.

Poderiam alguns dos Estudantes Rosacruzes, que sabem escrever bem, enviar pequenos artigos sobre “A Continuidade da Vida”? E aqueles que estiverem dispostos a providenciar a publicação desses artigos nos jornais de suas localidades poderiam escrever e registrar seus nomes, para que possamos dar andamento à iniciativa? Enviem suas comunicações sobre este assunto ao “Departamento de Publicidade”, em Mt. Ecclesia.

Espero que este apelo receba uma resposta entusiástica.

(Carta nº 56 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial

[2] N.T.: Galileo di Vincenzo Bonaulti de Galilei (1564-1642), mais conhecido como Galileu Galilei, foi um astrônomo, físico e engenheiro florentino, às vezes descrito como polímata. Frequentemente é referenciado como “pai da astronomia observacional”, “pai da física moderna”, “pai do método científico” e “pai da ciência moderna”.

[3] N.T.: William Ashley Sunday (1862-1935) era um atleta americano que, depois de ser um popular defensor da Liga Nacional de beisebol durante a década de 1880, se tornou o evangelista americano mais célebre e influente durante as duas primeiras décadas do século XX.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: A Epigênese e o Destino Futuro

Fevereiro de 1913

Ao estudarmos o livro “A Teia do Destino – Como se Tece e Destece – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz”, é conveniente – na verdade absolutamente necessário – mantermos diante dos nossos olhos e da nossa Mente o fato de que a vida não é apenas o desdobramento de causas desencadeadas em existências anteriores. Ao retornar para um novo nascimento nós, o Espírito, dispomos de um grau variável de livre-arbítrio – condicionado pela vida anteriormente vivida – para definir certos detalhes. Além disso, em vez de apenas desdobrar causas passadas em efeitos nós, o Espírito, geramos novas causas a cada passo, as quais atuam como sementes de experiências para as vidas futuras. Esse é um ponto fundamental. Trata-se de uma verdade evidente por si mesma; pois, se não fosse assim, as causas já desencadeadas teriam que se esgotar em algum momento, o que implicaria a cessação da existência. 

Assim, não somos absolutamente forçados a agir de determinada maneira, pelo fato de estarmos em um certo ambiente e de toda a nossa experiência passada ter criado em nós uma tendência para um certo fim. Com a prerrogativa divina do livre-arbítrio, o ser humano possui o poder da Epigênese – ou da iniciativa –, de modo que pode enveredar por um novo caminho a qualquer momento que deseje. Ele não consegue desvencilhar imediatamente da vida antiga – isso pode exigir muito tempo, talvez várias vidas –, mas, gradualmente, vai alcançando o ideal que outrora semeou.

Portanto, a vida progride não apenas pela Involução e Evolução[1], mas especialmente pela Epigênese. Esse ensinamento sublime da Religião da Sabedoria Ocidental dos Rosacruzes esclarece muitos mistérios que, de outra forma, não teriam solução lógica; entre eles, um que motivou o recebimento de muitas cartas em Mount Ecclesia. Aborda-se esse assunto com certa relutância, visto que o autor não aprecia falar sobre a guerra. A questão diz respeito à relação entre um soldado, uma mulher do lado inimigo violentada por ele e o Ego nascido de uma mãe que o odeia devido à maternidade indesejada.

A investigação de diversos casos revelou que se trata de uma nova experiência por parte dos Espíritos que retornam via renascimento aqui. Todos haviam sido incorrigíveis em seus renascimentos anteriores, e parecia que nada de bom resultaria em mantê-los ali, para o sofrimento e a angústia profunda daqueles com quem estavam ligados. As atuais condições de guerra[2], embora não tenham sido criadas com esse propósito, oferecem uma oportunidade de transferi-los para outro campo de ação, onde a nova mãe colhe, por meio dessa experiência, os frutos de erros que ela mesma semeou no passado.

Essa condição tampouco é exclusiva da guerra. Muitas vezes, meios semelhantes são utilizados em outras circunstâncias para que possamos colhamos o que semeamos, por intermédio de outros seres humanos que entram em nossas vidas para sofrer e nos causa sofrimento. Recordo-me de uma mãe que, anos atrás, me contou como se rebelara contra a maternidade; como, após atravessar a gravidez com ódio e raiva no coração, a criança nascera e ela se recusara até mesmo a olhá-la; mas, por fim, comoveu-se diante da fragilidade e desamparo do bebê, e a compaixão acabou se transformando em amor. O filho desfrutou de todas as vantagens que o dinheiro podia proporcionar, mas tais benefícios não foram suficientes para preservar seu equilíbrio mental; hoje, ele se encontra na cela de um hospital psiquiátrico, enquanto à mãe resta apenas a dor e a reflexão obre o que ela fez – ou deixou de fazer – durante o período em que aquele filho vinha ao mundo.

Por outro lado, há também ocasiões em que um Espírito, tendo encerrado um ciclo em um ambiente antigo, ingressa em uma nova esfera de atuação como um raio de luz e conforto para aqueles que, por suas ações passadas, estão aptos a receber tal bênção. Lembremo-nos, pois, de que, por mais degradado que uma pessoa possa estar, ele sempre possui o poder de semear o bem, devendo, contudo, aguardar o momento em que essa semente possa florescer em um ambiente propício. Cada um de nós, embora vinculado ao seu passado, é livre no que tange ao seu futuro.

(Do Livro: Carta nº 55 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: As duas partes do atual Esquema de Evolução

[2] N.T.: refere-se à Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Vício do Egoísmo e o Poder do Amor

Julho de 1914

Na última lição, vimos que o Senhor de Wartburg[1] pediu aos trovadores que descrevessem o amor[2]. Como todos nós aspiramos a desenvolver essa qualidade dentro de nós, talvez seja de suma importância que encaremos a questão de frente e vejamos qual é o nosso maior obstáculo, pois certamente não há dúvida de que todos nós carecemos lamentavelmente de amor.

Não importa o que possamos parecer aos outros, quando olhamos para dentro de nossos corações, nos envergonhamos, reconhecendo motivos que impulsionaram atos estimulados que os outros consideram ditados pelo amor aos nossos semelhantes. Ao analisarmos esses motivos, descobriremos que todos são ditados por uma única característica: o egoísmo. Além disso, essa é a única falha que jamais confessamos. Já ouvimos homens e mulheres se levantarem em público ou em particular e confessarem todos os seus pecados cometidos, exceto este único, o egoísmo. Sim, nós até nos enganamos, imaginando que nós mesmos não somos egoístas. Percebemos essa característica claramente nos outros, se formos bons observadores, mas não conseguimos enxergar “trave em nossos olhos”[3]. E enquanto não admitirmos essa grande falha e não nos esforçarmos seriamente para superá-la, não poderemos progredir no caminho do amor.

Thomas de Kempis[4] disse: “Prefiro sentir a contrição dentro de minha alma, a saber defini-la.”[5]; e podemos bem substituir a palavra amor por contrição. Se ao menos pudéssemos sentir o amor em vez de sermos capazes de defini-lo! Mas, o amor não pode ser conhecido por nós agora, exceto na medida em que nos purificamos do grande pecado do egoísmo. A vida é a nossa posse mais preciosa e, portanto, Cristo nos ensinou: “Ninguém tem maior amor <ou altruísmo> do que aquele que dá a vida por seus amigos.”[6].

Portanto, na medida em que cultivamos essa virtude do altruísmo, alcançaremos o amor, pois eles são sinônimos, como S. Paulo demonstrou naquele inimitável 13º capítulo da 1ª Epístola aos Coríntios[7]. Quando um irmão ou uma irmã pobre bate à nossa porta, nós lhe damos o mínimo que podemos? Se assim for, somos egoístas. Ou nós o ajudamos apenas porque nossa consciência não nos permitirá deixá-lo ir? Então também isso é egoísmo, pois não queremos sentir peso da consciência. Mesmo que dediquemos nossas vidas a uma causa, não surge o pensamento de que é o nosso trabalho? Muitas vezes escondo meu rosto de vergonha ao pensar nisso em relação à Fraternidade Rosacruz, e ainda assim, precisamos seguir em frente. Mas, não nos iludamos; lutemos contra o demônio do egoísmo e estejamos sempre vigilantes contra seus ataques subtis. Se o ouvirmos sussurrar que precisamos descansar e não podemos dar ao luxo de doar nossas forças pelos outros, ou se sentimos que não podemos nos esforçar de doar nossos bens materiais, que nos esforcemos para cultivar a virtude da generosidade. Na verdade, só retemos o que damos; nossos Corpos se decompõem e nossos bens ficam para trás, mas nossas boas ações permanecem conosco por toda a eternidade.

(Carta nº 44 do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Da obra Tannhäuser e o torneio de trovadores de Wartburg de Richard Wagner (1845). Baseada numa lenda medieval, conta a história de Tannhäuser, um menestrel que se deixa seduzir por uma mulher mundana, de nome Vênus, contrariando assim a defesa do torneio dos trovadores a que ele pertence de que o amor deve ser sublime e elevado. Quando Tannhäuser defende deliberadamente o amor carnal de Vênus, é reprimido pelos trovadores e consolado apenas por Isabel, uma virgem que o ama muito. É-lhe dito que sua única chance de perdão é dirigir-se ao Vaticano e rogar o perdão do Papa. Tannhäuser segue, então, com o torneio até Roma, mas de maneira autopunitiva: dormindo sobre a neve, enquanto os demais estão no alojamento; caminhando descalço sobre o chão quente, passando fome, e ainda com os olhos vendados, para não ver as belas paisagens da Itália. Ao chegar diante do papa, em vez de obter o perdão, ouve o papa dizer que é mais fácil o cajado que ele segura florescer do que ele obter o perdão dos pecados, tanto no céu quanto na terra. Odiando a igreja, Tannhäuser volta à Alemanha e Isabel sobe aos céus, rogando a Deus que interceda por ele. Os trovadores voltam com a notícia de que o cajado do papa floresceu, simbolizando que um pecador obteve no céu o perdão que não obteve na terra.

[2] N.T.: “Tal como, muitas vezes, em tempos de guerra, desafiamos a morte,

E lutamos como bons cavaleiros para manter a honra,

Assim vós Trovadores, tendes lutado e salvo a virtude

E mantido a verdadeira fé, com a doce voz de vosso canto.

Afina, agora, vossas harpas e compõe canções novas.

Descrevei o verdadeiro amor, para que o conheçamos a fundo;

E aquele que o fizer de modo mais nobre,

Receberá sua recompensa das mãos da princesa.”

Faz-se um sorteio para designar quem deve começar o certame e cabe a Wolfram principiar. Ele começa assim:

“Olhando para esta vistosa assembleia,

Como se dilata o coração o ao ver tão formosa cena!

Estes valentes campeões, sábios e gentis,

Qual robustas árvores de frondoso bosque;

E, florescendo a seu lado em doce perfeição,

Vejo uma coroa de formosas damas e donzelas.

Seu aspecto glorioso, cega o espectador;

Meu canto é mudo, ante visão tão rara.

Levanto os olhos a alguém cujo esplendor celeste

Brilha neste céu radiante com suave fulgor.

E, olhando este resplendor puro e terno,

Meu coração mergulha em orações e santos sonhos

E, então, a fonte de toda a delícia e poder

É revelada à minha alma atenta,

De cujas insondáveis profundezas me inunda uma chuva de alegria,

Um terno bálsamo que cura todos os pesares,

Oh! Que jamais me ocorra perturbar águas tão puras,

Nem agitá-las com selvagens desejos!

Quero adorar-te, ajoelhado, com alma devota.

Meu coração aspira viver e morrer por ti.

Não sei se estas débeis palavras poderão exprimir

O que senti do verdadeiro e terno amor”.

Ao findar o canto de Wolfram, Tannhauser começa como se saísse de um sonho. Levanta-se e canta:

“Eu também bebi daquela fonte de prazeres.

Suas águas, Wolfram, também eu as conheço.

Quem, que tenha vida, pode atrever-se a ignorá-la?

Escuta como demonstrarei suas virtudes:

Eu dela não me aproximaria, Se o desejo não me consumisse a alma;

Só por isso desejei que suas ondas me refrescassem

E restaurassem minha vida e meu coração.

Oh! Maré de alegria, permite que eu te possua!

Diante de ti fogem temores e dúvidas;

Deixa que teus êxtases insondáveis me bendigam.

Só por ti meu coração pulsa com violência.

Sinto-me possuído de esplendor ardoroso E quisera arder com eterno afã.

Digo-te, Wolfram, assim traduzo O que conheci do verdadeiro amor.”

[3] N.T.: Mt 7:3-5

[4] N.T.: Também conhecido como Tomás de Kempis, Tomás de Kempen, Thomas Hemerken, Thomas à Kempis, ou Thomas von Kempen (1379 ou 1380-1471), Monge e escritor alemão. Tomás de Kempis produziu cerca de quarenta obras representantes da literatura devocional moderna. Destaca-se o seu livro mais célebre, Imitação de Cristo, composto por quatro volumes, no qual apela a uma vida seguida no exemplo de Cristo, valorizando a comunhão como forma de reforçar a fé.

[5] N.T.: Do Livro Primeiro-Capítulo 1- parágrafo 3 do Livro Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

[6] N.T.: Jo 15:13

[7] N.T.: 1Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos Anjos, se eu não tiver amor, seria como o metal que soa ou como um sino que tine.2Ainda que eu tenha o dom da profecia, e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que tenha tamanha fé, a ponto de remover montanhas, se não tiver amor nada serei. 3E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres, e ainda que entregue o meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, isso nada disso me aproveitará. 4O amor é paciente, é benigno, o amor não é invejoso, não se ufana, não se ensoberbece, 5 não se conduz inconveniente, não busca os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; 6não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; 7tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8O amor nunca falha, mas se houver profecias, falharão; se houver ciência, desaparecerá; 9porque em parte conhecemos e em parte profetizamos. 10Quando, porém, vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. 11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei homem, fiz desaparecer o que era próprio da criança. 12Porque agora vemos por espelho, obscuramente, então veremos face a face; agora meu conhecemos em parte, então, conheceremos como somos conhecidos. 13Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, porém a maior destas virtudes é o amor.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Maçonaria Mística, Co-Maçonaria e Catolicismo

Abril de 1913

No final da lição do mês passado, algumas palavras foram ditas sobre homens e mulheres que praticam da Maçonaria Mística[1], e pode parecer a alguns que endossamos a Co-Maçonaria, mas esse não é, de forma alguma, o caso. Embora, por princípio, não falemos depreciativamente de nenhum movimento legítimo, sempre alertamos nossos Estudantes Rosacruzes contra as Religiões orientais, considerando-as perigosas para o mundo ocidental, embora perfeitamente adequada ao oriente. A Co-Maçonaria é um desdobramento de uma sociedade que promulgava o Hinduísmo. No inverno de 1899 a 1900, a atual líder dessa sociedade esteve em Roma, e uma das suas auxiliares encontrou, acidentalmente, os ritos maçônicos na biblioteca do Vaticano. Ela os copiou sem autorização e os entregou à sua superiora que, por sua vez, se encarregou de escrever um grau adicional. Esses são, agora, os ritos da Co-Maçonaria.

As afirmações anteriores são fatos que podemos comprovar; e deixamos os nossos que Estudantes Rosacruzes formem suas próprias conclusões quanto à eficácia ética e ao poder de formação da Alma possuído por um movimento baseado em ritos obtidos dessa maneira. Além disso, ainda que nós saibamos com certeza que os ritos vieram de Roma, duvidamos que a pessoa que os extraiu tenha escapado da vigilância que há naquela biblioteca. Acreditamos que ela tenha agido, inconscientemente, pelas mãos do Vaticano. Assim, a Co-Maçonaria é tanto hinduísta quanto católica em sua origem. Ela não é reconhecida pelas corporações maçônicas regulares, não importa o que seus fundadores afirmem.

No final da lição sobre Maçonaria e Catolicismo, resumimos os pontos referentes à sua relação cósmica a fim de extrair a essência do ensinamento; agora, para a palavra final – a quintessência do nosso argumento:

A palavra “franco-maçom” deriva do vocábulo egípcio phree messen, “Filhos da Luz”. Essas palavras eram originalmente empregadas para designar os construtores do Templo de Deus – a alma humana.

A palavra “católico” significa “universal”, e foi originalmente aplicada para diferenciar a abrangente Religião Mundial – o Cristianismo – das Religiões de Raça, como o Hinduísmo.

O sangue é o veículo do Espírito; sob o regime de Jeová e dos Espíritos de Lúcifer, ele foi contaminado pelo egoísmo. Tanto a Maçonaria Mística quanto o Catolicismo visam purificar o sangue e promover o altruísmo.

A Maçonaria Mística ensina o candidato a conquistar a sua própria salvação; o Catolicismo o deixa dependente do sangue de Jesus. Aqueles que usam o método positivo naturalmente se tornam almas mais fortes; portanto, a Maçonaria Mística (não a exotérica) deveria ser incentivada em vez do Catolicismo.

(Carta nº 29 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: A Maçonaria exotérica, que é apenas a parte externa da Maçonaria Mística, tem atraído atualmente o elemento masculino com seus veículos físicos positivamente polarizados, e os tem dirigido para a indústria e para a política, controlando, assim, o desenvolvimento material do mundo. Já as pessoas que constituíam o Sacerdócio, empregaram sua fórmula mágica sobre os Corpos Vitais positivos do elemento feminino para dominar o desenvolvimento espiritual. Enquanto as pessoas da Maçonaria e de movimentos afins, lutaram abertamente pelo poder temporal, o Sacerdócio tem lutado com muita força e até mais eficazmente, para manter seu controle sobre o desenvolvimento espiritual do elemento feminino. Para um observador comum pode parecer que não existe antagonismo entre estes dois movimentos na época atual. Mas, embora a Maçonaria de hoje não tenha mais o seu verdadeiro caráter místico antigo e o Catolicismo, pelo passar do tempo, tenha externamente perdido o seu brilho, a divergência está tão viva como sempre. Os esforços da Igreja não estão concentrados nas massas, como estão naqueles que procuram viver a vida superior a fim de ganhar a admissão ao Templo dos Mistérios e aprender como fazer a Pedra Filosofal. (Do Livro Maçonaria e Catolicismo – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Siegfried, o que Busca a Verdade

Fevereiro de 1913

Assim como damos livros ilustrados aos nossos filhos para transmitir lições morais que eles não conseguiriam compreender intelectualmente, assim também os Líderes Divinos da Humanidade infante usaram mitos para ensinar as grandes verdades espirituais que germinaram inconscientemente em nós ao longo dos séculos e séculos, mas que foram, sem dúvida, fatores poderosos na formação do progresso humano. Dificilmente se imaginaria que o mito de Fausto incorpora o grande problema da “Maçonaria e do Catolicismo”, e mostra sua solução final, mas veremos em futuras lições que isso é verdade. No momento, tomo apenas um ponto da grande epopeia nórdica, O Anel dos Nibelungos[1], para mostrar como o fato e realidade de que quem busca a verdade deve “abandonar pai e mãe”, como fizeram Jesus e Hiram Abiff, foi transmitida aos Filhos da Névoa (Niebel é névoa e Ungen significa filhos em alemão), que viviam na atmosfera nebulosa da Atlântida. Mais tarde, poderei abordar lenda com mais detalhes.

Wotan é o chefe dos deuses, que estão sempre em guerra com os gigantes. Eles construíram uma fortaleza chamada Valhalla, onde as Valquírias, filhas de Wotan, levam os fiéis caíram em batalha defendendo a fé. A verdade perdeu o seu aspecto universal quando os seus guardiães a cercaram e a limitaram. Mas, Wotan tem outros filhos que amam tanto a verdade, que fogem de Valhalla para serem livres. Eles estavam armados com uma espada chamada “Filho da Necessidade”[2] (representando a coragem do desespero), com a qual o rebelde sempre se arma contra credos e dogmas, abandona as convenções e sai em busca da verdade. Wotan envia seus asseclas atrás dos fugitivos e pede a Brunilde, a Valquíria, que representa o Espírito da Verdade, que os ajude a derrotá-los. Ela se recusa, e Wotan, que se tornou invisível, investe com sua espada contra o seu valente filho Siegmund, que é morto em luta desigual.

A Igreja dominante não vê com complacência a divisão de seus filhos. Ela chegaria ao ponto de prostituir o Espírito da Verdade para cumprir seus propósitos e, quando isso falha, usa meios sutis para atingir os seus fins. Suas intenções eram boas, mas ela degenerou. Quando Wotan coloca Brunilde, que estava em prantos diante dele, para dormir sobre uma rocha rodeada de fogo, ele lhe diz que ela não despertará até que aparecesse alguém mais livre do que ele. A verdade não pode ser encontrada numa Religião presa a credos; quem a busca deve estar livre da lealdade a qualquer pessoa.

Assim é Siegfried (que significa aquele que através da vitória conquista a paz), o filho do assassinado Siegmund e de sua esposa-irmã Sieglinda. Esta última morreu ao lhe dar à luz. Por isso, ele está livre de pai, de mãe e de todos os laços terrenos; sua única herança é uma espada quebrada, a Filho da Necessidade. Criado entre os Nibelungos (a Humanidade comum), ele sente sua divindade e se ressente das limitações de seu ambiente. Seu pai adotivo, Mime, é um ferreiro habilidoso; mas toda espada forjada por ele é quebrada pelo jovem gigante ao primeiro golpe. Muitas vezes Mime tentou forjar a espada Filho da Necessidade, mas fracassou; pois, nenhum covarde consegue fazer isso. Enquanto temermos a Igreja, a opinião pública ou qualquer outra coisa, não poderemos nos libertar.

A coragem do desespero vence o medo, e Siegfried finalmente forja a espada ele mesmo. Com ela, ele mata Fafner, o dragão do desejo que paira sobre os tesouros da Terra, e Mime, seu pai adotivo, a natureza inferior. Então, ele se torna absolutamente livre. Um pássaro, a voz da intuição, lhe fala de Brunilde, o belo Espírito da Verdade, que pode ser despertado por aquele que é destemido e livre. Siegfried segue o pássaro da intuição em sua jornada; mas Wotan, seu ancestral, busca impedi-lo com sua lança, representando o poder da crença[3] que um dia quebrou a espada na mão de Siegfried. Essa espada é mais forte desde que Siegfried a forjou, e a lança de Wotan é mais fraca desde o primeiro golpe, pois a crença sempre enfraquece quando atacada. Siegfried, o livre e destemido, quebra a lança de Wotan; e, abrindo caminho através do fogo até a rocha da Valquíria, ele envolve o belo Espírito da Verdade em um abraço amoroso e a desperta com um beijo.

Assim, o antigo mito revelava ao buscador da verdade o que era necessário fazer para encontrá-la. Devemos deixar para trás pai e mãe, credos, dogmas, convencionalismos, opiniões preconcebidas, e desejos mundanos; jamais devemos temer o conflito com as autoridades estabelecidas, mas devemos seguir a voz interna, mesmo que isso signifique enfrentar o fogo; então, e somente então, poderemos encontrar a verdade.

Portanto, os Rosacruzes insistem que todos aqueles que os procuram em busca de ensinamentos mais profundos devem estar livres de qualquer vínculo com uma escola religiosa, e o candidato não esteja vinculado por juramentos em nenhuma etapa. Quaisquer promessas que ele faça são feitas a si mesmo, pois a liberdade é bem mais precioso da alma, e não há crime maior do que aprisionar outros ser humana, seja de que forma for. Que todos nós permaneçamos fiéis a essa grande herança e resistamos valentemente a qualquer violação desse direito sagrado.

(Do Livro: Carta nº 27 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Um resumo com as ênfases nas partes esotéricas você encontra nesse livreto aqui: O Ciclo do Anel de Richard Wagner – Corinne Heline – Fraternidade Rosacruz

[2] N.T.: Nothung (do alemão Notung, “Filho da Necessidade”)

[3] N.T.: Dogma e crença são elementos-chave das tradições de fé para as Igrejas, definindo crenças fundamentais e a identidade coletiva. O dogma representa verdades autorizadas, imutáveis ​​e divinamente reveladas, enquanto crença ou credo é um resumo conciso dessas crenças fundamentais. O dogma é essencial à fé, enquanto os credos fornecem confissões formais e recitadas.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Retardatários na Evolução

Abril de 1912

A partir do ensinamento contido na lição do mês passado, vocês compreenderão que não há absolutamente qualquer fundamento em relação ao ponto de vista, como comumente acreditada, sobre almas perdidas. Não há uma só palavra na Bíblia que leve em si a ideia que costumamos atribuir à palavra “para sempre”. A palavra grega é aionian e significa “um período de tempo indefinido, uma era”, e quando lemos na Bíblia as palavras “eternamente e para sempre”, deveríamos interpretá-las “por séculos e séculos” ou “por muito, muito tempo”. Além disso, como é uma verdade da Natureza que “em Deus vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”[1], uma alma perdida significaria que uma parte de Deus estaria perdida e isso, é claro, é impensável.

Depois que escrevi a lição anterior, outro ponto me ocorreu, o qual ilustrará como os “perdidos” de um Período são tratados no próximo. Vocês se lembram de que falamos dos Espíritos de Lúcifer como retardatários do Período Lunar, e que afirmamos que eles não conseguiam encontrar um Campo de Evolução no Esquema atual Manifestação. Os Arcanjos habitam o Sol, os Anjos são responsáveis por todas as Luas, mas os Espíritos de Lúcifer eram incapazes de habitar em qualquer um dos luminares. Eles não podiam auxiliar na geração de Forma pura e altruísta como o fazem os Anjos, mas eram movidos pela paixão e por desejos egoístas, de modo que um lugar separado precisava ser encontrado para eles. Assim, foram colocados no Planeta Marte, fato bem conhecido pelos antigos astrólogos que atribuíam a Marte a Regência de Áries, que tem domínio sobre a cabeça[2] (lembrem-se, o cérebro é construído pela força sexual criadora subvertida) e, também, comprovaram que esse Planeta é o Regente de Escorpião, que governa os nossos órgãos reprodutores. Áries está na primeira Casa em um horóscopo natural e denota o princípio da vida; Escorpião está na oitava Casa, simbolizando a morte; nisso está contida a lição de que tudo o que é gerado pela paixão e pelo desejo está condenado à dissolução. Assim, Marte é, esotericamente e astrologicamente, “o diabo”; e Lúcifer, o líder entre os Anjos caídos, é verdadeiramente o adversário de Jeová, que dirige a força fecundante do Sol por meio da Lua.

Contudo, os Espíritos de Lúcifer estão auxiliando no processo de Evolução. Deles recebemos o ferro que, por si só torna possível viver numa atmosfera oxigenada. Eles foram e continuam sendo os agitadores do progresso material, e não temos o direito de anatematizá-los, amaldiçoá-los ou excomungá-los. A Bíblia nos proíbe expressamente de insultar os deuses. Conforme lemos na Epístola de S. Judas, nem mesmo o Arcanjo Miguel ousou insultar Lúcifer[3], e no Livro de Jó, este último é mencionado como um dos filhos de Deus[4]. O Embaixador de Marte na Terra, Samael[5], é o “Anjo da morte”, simbolizado por Escorpião, mas é também o “Anjo da vida” e da ação, simbolizadas por Áries. Se não fossem pelos impulsos marcianos, talvez não sentíssemos as angústias e tristezas profundas tão agudamente como as sentimos, mas também não conseguiríamos progredir na mesma proporção, e certamente “é melhor se desgastar do que se enferrujar”.

Assim, vemos como essas “ovelhas perdidas” de um momento anterior recebem as oportunidades de recuperar o seu atraso no atual Esquema de Evolução. Estão atrasadas, e como retardatárias, sempre parecerão más, mas não estão “perdidas para além da redenção”. Podem se salvar servindo-nos, provavelmente mediante a transmutação de Escorpião em Áries, quer dizer: da geração em regeneração.

(Do Livro: Carta nº 17 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: At 17:28

[2] N.T. Nossa cabeça é uma estrutura complexa composta por uma cápsula óssea (crânio) que protege o cérebro, sustentada por músculos, vasos sanguíneos e nervos.

[3] N.T.: “Contudo, nem mesmo o Arcanjo Miguel, quando estava disputando com o Diabo acerca do corpo de Moisés, ousou fazer acusação injuriosa contra ele.” (Jd 1:9)

[4] N.T.: “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se diante do Senhor, veio também o Diabo entre eles se apresentar diante do Senhor.” (Jo 2:1)

[5] N.T.: não confundir com o Anjo caído Samael, pois os Embaixadores de cada Planeta são Arcanjos.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Medo Desnecessário da Morte

Fevereiro de 1913

É realmente patético ver o sentimento de grande tristeza das pessoas enlutadas pela morte de alguém próximo e querido, e como, em casos extremos, dedicam o resto de suas vidas ao luto pela pessoa falecida. Vestem-se de roupas de cor pretas e consideram um sacrilégio à memória do falecido até mesmo sorrir, sem perceber que, com essa atitude, mantêm nas Regiões inferiores dos Mundos invisíveis a pessoa que dizem amar, onde tudo que não é bom prevalece, se move e permanece em contato direto com a parte mais inferior e egoísta da Humanidade. Isso não é uma mera fantasia, mas um fato concreto, demonstrável a qualquer um que tenha o mínimo de percepção física.

Uma das maiores bênçãos concedidas àqueles que estudam e acreditam nos Ensinamentos Rosacruzes é a libertação gradual do medo da morte e da sensação de que uma grande calamidade ocorreu quando alguém muito próximo e querido passa para os Mundos invisíveis. Uma bênção flui tanto para os chamados “vivos”, como para os chamados “mortos”, quando o Espírito que parte recebe o cuidado e a ajuda adequados durante a transição. Ele, então, é capaz de assimilar o Panorama da Vida, o que tornará a sua existência post-mortem plena e proveitosa, pois não será perturbado por uma grande tristeza e pesar, pelo luto e pelo choro histérico daqueles estão ainda renascidos aqui, ao seu redor. Durante os anos que se seguem, ele também pode ser auxiliado por suas orações.

Por outro lado, aqueles que estudam esses Ensinamentos Rosacruzes estão aprendendo a praticar essa atitude altruísta em relação à morte, tão necessária para o crescimento da Alma, porque eles percebem que, verdade, que a morte do Corpo Denso, no momento certo, é a maior bênção que pode acontecer com a Humanidade. Não há ninguém entre nós que tenho um Corpo Denso perfeito e, portanto, apropriado para vivermos nele para sempre. Na maioria dos casos, o passar dos anos revela cada vez mais os pontos fracos dos nossos veículos, cristalizando-os e endurecendo-os, de modo que se tornam um fardo cada vez maior do qual nos alegramos em nos livrar. Então, temos a esperança e a certeza de que receberemos um novo Corpo e um novo começo em um momento futuro, para que possam aprender mais das lições na Escola da Vida.

Esta é a época do ano[1] quando a Morte Mística, que todos celebramos, naturalmente direciona nossos pensamentos e os da Humanidade em geral para a questão da morte e do renascimento. Não há outro ensinamento além do Renascimento que seja de igual importância ou de valor similar. A Humanidade precisa disso neste momento mais do que nunca, devido a carnificina de crueldade e matança que se desenrolou nos últimos dois anos e meio na Europa[2]. Tão intimamente interligada está a família humana que, provavelmente, há poucas pessoas no mundo que não perderam algum parente nesse conflito titânico.

É ao mesmo tempo dever e privilégio daqueles que conhecem a verdade sobre a morte disseminá-la o máximo possível, entre aqueles que ainda estão na ignorância quanto aos fatos relacionados a esse evento. Portanto, eu exorto os Estudantes da Fraternidade Rosacruz a reconhecerem como administradores de tudo o que possuímos, tanto bens materiais quando mentais, e que é nosso dever, na medida do possível e de maneira diplomática e discreta, levar esses importantes fatos da vida e do ser ao conhecimento daqueles que ainda não os conhecem. Nunca podemos prever quando teremos a oportunidade de fazer o bem sem olhar a quem. É certo que, mais cedo ou mais tarde, esses Ensinamentos, temporariamente esquecidos, voltarão a ser conhecimento de toda a Humanidade, e devemos, sempre que possível, compartilhar a pérola do conhecimento que encontramos com os outros sempre que possível. Se negligenciamos isso, estaremos cometendo um pecado de omissão, pelo qual um dia teremos que responder.

Confio que você levará isso a sério e se dedicará a disseminar esse conhecimento, não somente quando o momento se oferecer, mas tomando a iniciativa e criando a oportunidade – porém, com toda a devida cautela para que o objetivo que temos em vista não seja frustrado pelo uso do método inadequado. Além disso, não é necessário rotular esse conhecimento. Exemplos bíblicos podem ser apresentados para mostra que essa doutrina era acreditada pelos anciãos de Israel, que enviaram mensageiros a João Batista perguntando se ele era Elias[3]. Também especulando se Cristo era Moisés, Jeremias ou outro dos Profetas também são evidências de sua crença. Cristo acreditava no Renascimento, pois afirmou definitivamente que João Batista era Elias. Essa doutrina foi enunciada por S. Paulo no capítulo 15 da Primeira Epístola aos Coríntios, bem como em outros trechos.

Você não pode prestar um serviço maior à Humanidade do que lhes ensinando essas verdades.

(Do Livro: Carta nº 77 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: próximo à Páscoa.

[2] N.T.: refere-se à Primeira Grande Guerra Mundial.

[3] N.T.: “Alguns dizem que o senhor é João Batista; outros, que é Elias; e outros, ainda, que é Jeremias ou um dos profetas” (Mt 16:14)

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