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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: O Medo Desnecessário da Morte

Fevereiro de 1913

É realmente patético ver o sentimento de grande tristeza das pessoas enlutadas pela morte de alguém próximo e querido, e como, em casos extremos, dedicam o resto de suas vidas ao luto pela pessoa falecida. Vestem-se de roupas de cor pretas e consideram um sacrilégio à memória do falecido até mesmo sorrir, sem perceber que, com essa atitude, mantêm nas Regiões inferiores dos Mundos invisíveis a pessoa que dizem amar, onde tudo que não é bom prevalece, se move e permanece em contato direto com a parte mais inferior e egoísta da Humanidade. Isso não é uma mera fantasia, mas um fato concreto, demonstrável a qualquer um que tenha o mínimo de percepção física.

Uma das maiores bênçãos concedidas àqueles que estudam e acreditam nos Ensinamentos Rosacruzes é a libertação gradual do medo da morte e da sensação de que uma grande calamidade ocorreu quando alguém muito próximo e querido passa para os Mundos invisíveis. Uma bênção flui tanto para os chamados “vivos”, como para os chamados “mortos”, quando o Espírito que parte recebe o cuidado e a ajuda adequados durante a transição. Ele, então, é capaz de assimilar o Panorama da Vida, o que tornará a sua existência post-mortem plena e proveitosa, pois não será perturbado por uma grande tristeza e pesar, pelo luto e pelo choro histérico daqueles estão ainda renascidos aqui, ao seu redor. Durante os anos que se seguem, ele também pode ser auxiliado por suas orações.

Por outro lado, aqueles que estudam esses Ensinamentos Rosacruzes estão aprendendo a praticar essa atitude altruísta em relação à morte, tão necessária para o crescimento da Alma, porque eles percebem que, verdade, que a morte do Corpo Denso, no momento certo, é a maior bênção que pode acontecer com a Humanidade. Não há ninguém entre nós que tenho um Corpo Denso perfeito e, portanto, apropriado para vivermos nele para sempre. Na maioria dos casos, o passar dos anos revela cada vez mais os pontos fracos dos nossos veículos, cristalizando-os e endurecendo-os, de modo que se tornam um fardo cada vez maior do qual nos alegramos em nos livrar. Então, temos a esperança e a certeza de que receberemos um novo Corpo e um novo começo em um momento futuro, para que possam aprender mais das lições na Escola da Vida.

Esta é a época do ano[1] quando a Morte Mística, que todos celebramos, naturalmente direciona nossos pensamentos e os da Humanidade em geral para a questão da morte e do renascimento. Não há outro ensinamento além do Renascimento que seja de igual importância ou de valor similar. A Humanidade precisa disso neste momento mais do que nunca, devido a carnificina de crueldade e matança que se desenrolou nos últimos dois anos e meio na Europa[2]. Tão intimamente interligada está a família humana que, provavelmente, há poucas pessoas no mundo que não perderam algum parente nesse conflito titânico.

É ao mesmo tempo dever e privilégio daqueles que conhecem a verdade sobre a morte disseminá-la o máximo possível, entre aqueles que ainda estão na ignorância quanto aos fatos relacionados a esse evento. Portanto, eu exorto os Estudantes da Fraternidade Rosacruz a reconhecerem como administradores de tudo o que possuímos, tanto bens materiais quando mentais, e que é nosso dever, na medida do possível e de maneira diplomática e discreta, levar esses importantes fatos da vida e do ser ao conhecimento daqueles que ainda não os conhecem. Nunca podemos prever quando teremos a oportunidade de fazer o bem sem olhar a quem. É certo que, mais cedo ou mais tarde, esses Ensinamentos, temporariamente esquecidos, voltarão a ser conhecimento de toda a Humanidade, e devemos, sempre que possível, compartilhar a pérola do conhecimento que encontramos com os outros sempre que possível. Se negligenciamos isso, estaremos cometendo um pecado de omissão, pelo qual um dia teremos que responder.

Confio que você levará isso a sério e se dedicará a disseminar esse conhecimento, não somente quando o momento se oferecer, mas tomando a iniciativa e criando a oportunidade – porém, com toda a devida cautela para que o objetivo que temos em vista não seja frustrado pelo uso do método inadequado. Além disso, não é necessário rotular esse conhecimento. Exemplos bíblicos podem ser apresentados para mostra que essa doutrina era acreditada pelos anciãos de Israel, que enviaram mensageiros a João Batista perguntando se ele era Elias[3]. Também especulando se Cristo era Moisés, Jeremias ou outro dos Profetas também são evidências de sua crença. Cristo acreditava no Renascimento, pois afirmou definitivamente que João Batista era Elias. Essa doutrina foi enunciada por S. Paulo no capítulo 15 da Primeira Epístola aos Coríntios, bem como em outros trechos.

Você não pode prestar um serviço maior à Humanidade do que lhes ensinando essas verdades.

(Do Livro: Carta nº 77 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: próximo à Páscoa.

[2] N.T.: refere-se à Primeira Grande Guerra Mundial.

[3] N.T.: “Alguns dizem que o senhor é João Batista; outros, que é Elias; e outros, ainda, que é Jeremias ou um dos profetas” (Mt 16:14)

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