Na Fraternidade Rosacruz é oferecida a Cura Rosacruz guiada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, utilizando os Auxiliares Invisíveis como instrumentos para restaurar e curar doenças e enfermidades físicas, emocionais e mentais. O trabalho é realizado de acordo com os mandamentos de Cristo Jesus: “Preguem o Evangelho e curem os enfermos”.
Este trabalho sagrado é realizado em estrita conformidade com os Ensinamentos de Cristo, enfatizando tanto a iluminação espiritual quanto a cura física.
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Resposta: Sim e não. Para entender a questão, é necessário retroceder na história da Humanidade. Houve um tempo em que a Humanidade era bissexual e capaz de gerar um Corpo Denso sem a ajuda de outro. Mas quando se tornou necessário construir o cérebro para que pudesse criar pelo pensamento e manifestá-lo no Mundo Físico, metade da força sexual criadora foi retida para construir um órgão físico para tal. Então, tornou-se necessário que cada um buscasse a cooperação de outro que expressasse o polo oposto da força sexual criadora que ele próprio tinha disponível para fins sexuais. Sem cérebro, e como “seus olhos não haviam sido abertos”[1], cada um estava, naturalmente, inconscientes no Mundo Físico e incapaz de se guiar. Portanto, os Anjos os reuniam em certas épocas do ano, quando as forças astrais eram propícias para a realização do ato gerador como um sacrifício religioso, pelo qual eles entregavam parte de seus Corpos para a geração de um veículo físico para outro Ego que precisava renascer. Nesse abraço íntimo, o Espírito primeiro penetrou o véu da carne e Adão “conheceu” sua esposa. Mais tarde, quando a consciência da Humanidade se voltou um pouco mais para o Mundo Físico e alguns entre eles começaram a perceber vagamente os Corpos dos quais agora temos tanta consciência, esses pioneiros começaram a pregar o evangelho do Corpo, dizendo aos outros que possuíam um Corpo Denso, pois a maioria então desconhecia esse instrumento, assim como nós hoje desconhecemos ter um estômago quando estamos saudáveis.
Então, percebeu-se que esses Corpos morriam, e surgiu entre os pioneiros a questão de como um Corpo assim poderia ser substituído. A solução foi dada ao ser humano por uma certa classe de Espíritos que eram remanescentes da evolução dos Anjos, semideuses, por assim dizer. Esses Espíritos Lucíferos, ou doadores de luz, iluminaram a Humanidade nascente a respeito de seus poderes de gerar um Corpo a qualquer momento. Mas esses Corpos não eram perfeitos naquela época, não são perfeitos hoje e, é claro, a geração sem levar em consideração as condições astrais produziu Corpos ainda inferiores aos que teriam sido gerados de outra forma, além do parto doloroso profetizado pelo Anjo.
Desde então, a função sexual criadora tem sido exercida irrestritamente pela Onda de Vida humana ignorante. Mas, pelo fato da morte, foi possível aos Anjos ensinar à Humanidade, entre a morte e um novo nascimento, como construir um Corpo que se aprimora gradualmente. Se o ser humano tivesse aprendido, naquele passado remoto, como renovar seu Corpo Vital, assim como foi ensinado a gerar um veículo denso à sua vontade, então a morte teria sido de fato uma impossibilidade e o ser humano teria se tornado imortal como os Deuses. Mas ele teria imortalizado suas imperfeições e tornado o progresso uma impossibilidade. É a renovação deste Corpo Vital que é expressa na Bíblia como “comer da Árvore da Vida”[2]. Na época de sua iluminação a respeito da geração, o ser humano era um ser espiritual cujos olhos ainda não estavam cegos pelo Mundo material, e ele poderia ter aprendido o segredo de vitalizar seu Corpo à vontade, frustrando assim a evolução. Assim, vemos que a morte, quando ocorre naturalmente, não é uma maldição, mas nossa maior e melhor amiga, pois nos liberta de um instrumento do qual não podemos mais aprender. Isso nos tira de um ambiente que já não nos serve mais, para que possamos aprender a construir um Corpo melhor em um ambiente de maior alcance, no qual possamos progredir mais em direção à perfeição.
Nessa peregrinação, chega finalmente o momento em que o ser humano está apto a possuir os poderes da vida. O Corpo que ele criou para si mesmo se torna puro e útil por muito mais tempo do que antes. Então, ele começa a buscar a pedra filosofal, o elixir da vida, ou qualquer outro nome que escolha usar. Os alquimistas almejavam fabricar esse veículo puro e sagrado, mas não por meio de um processo químico em laboratório, como supunha a multidão ignorante. A nomenclatura que dava cor a essa ideia tornou-se necessária porque eles viviam em uma época em que uma Igreja dominante e apóstata os teria levado à morte se a verdade fosse conhecida. Quando falavam em transmutar metais comuns em ouro, falavam a verdade não apenas do ponto de vista material, mas também do espiritual, pois o ouro sempre foi o símbolo do Espírito e esses alquimistas buscavam espiritualizar seus Corpos, que são de natureza mais vil.
Em todos os lugares, o símbolo puro e belo da transparência foi dado para designar o poder da pureza. No Antigo Testamento, ouvimos falar do Templo de Salomão[3], que foi “construído sem o som de martelo”. O ornamento mais belo ali era o mar de lava. Hiram Abiff, o mestre artesão, como sua conquista final, conseguiu fundir todos os metais da Terra em uma liga tão transparente quanto o vidro. No Novo Testamento, lemos sobre uma bela cidade que tinha em seu meio um mar de vidro. No Oriente, o iniciado almeja se tornar a alma diamante, pura e transparente. No Ocidente, a Pedra Filosofal é o símbolo da alma purificada extraída dos Corpos que foram transmutados e espiritualizados. A alma que peca, essa morrerá, mas a alma pura é imortalizada pelo elixir da vida, a “Árvore da Vida”, em um Corpo Vital que durará milênios como um veículo para o Espírito.
(Pergunta nº 86 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Gn 3:7
[2] N.T.: Gn 3:22
[3] N.T.: 15Hiram, rei de Tiro, enviou seus servos a Salomão, ao saber que este fora sagrado rei em lugar de seu pai; pois Hiram sempre tinha sido amigo de Davi. 16E Salomão mandou esta mensagem a Hiram: 17 “Bem sabes que Davi, meu pai, não pôde construir um templo para o Nome de Iahweh, seu Deus, por causa das guerras que o importunavam de todos os lados, até que Iahweh submetesse os inimigos a seus pés. 18Agora, porém, Iahweh meu Deus me deu tranquilidade por todos os lados: não tenho adversário nem infortúnio. 19Por isso resolvi construir um Templo ao Nome de Iahweh meu Deus, conforme o que disse Iahweh a Davi, meu pai: ‘Teu filho, que colocarei no trono e em teu lugar, é quem construirá um Templo para meu Nome.’ 20Ordena, pois, que cortem para mim cedros do Líbano; meus operários juntar-se-ão aos teus e eu pagarei o trabalho dos teus operários conforme pedires. Sabes, com efeito, que não há entre nós ninguém que entenda de corte de madeira como os sidônios”. 21Quando Hiram ouviu a mensagem de Salomão, ficou cheio de grande alegria e disse: “Bendito seja hoje Iahweh, que deu a Davi um filho sábio que governa este grande povo!”. 22E Hiram mandou responder a Salomão: “Recebi tua mensagem. Atenderei a todo o teu desejo referente às madeiras de cedro e de cipreste. 23Meus servos as descerão do Líbano até o mar e as farei transportar pelo mar, até o lugar que me indicares; ali, eu as desembarcarei e tu as receberás. Por tua vez, fornecerás víveres para minha casa, conforme eu desejar”. 24Hiram forneceu a Salomão madeiras de cedro e de cipreste na quantidade que ele quis, 25e Salomão pagou a Hiram vinte mil coros de trigo para o sustento de sua casa e vinte mil medidas de azeite virgem. Era isso que Salomão pagava a Hiram cada ano. 26Iahweh concedeu a Salomão a sabedoria, conforme lhe prometera; houve bom entendimento entre Hiram e Salomão e os dois fizeram uma aliança. 27O rei Salomão recrutou em todo o Israel mão-de-obra para a corvéia; conseguiu reunir trinta mil operários. 28Mandou-os para o Líbano, dez mil cada mês, alternadamente; eles passavam um mês no Líbano e dois meses em casa; Adoram era o mestre-de-obras. 29Salomão tinha ainda setenta mil carregadores e oitenta mil cortadores na montanha, 30sem contar os chefes dos prefeitos, em número de três mil e trezentos, que dirigiam os trabalhos e comandavam a multidão empenhada nas obras. 31O rei mandou extrair grandes blocos de pedra escolhida e lavrada, para construir os alicerces do Templo. 32Os operários de Salomão e os de Hiram e os giblitas cortaram e prepararam as madeiras e as pedras para a construção do Templo.
6— 1No ano quatrocentos e oitenta após a saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no quarto ano do reinado de Salomão sobre Israel, no mês de Ziv, que é o segundo mês, ele construiu o Templo de Iahweh. 2O Templo que o rei Salomão edificou para Iahweh tinha sessenta côvados de comprimento, vinte de largura e vinte e cinco de altura. 3O Ulam diante do Hekal do Templo tinha vinte côvados de comprimento no sentido da largura do Templo e dez côvados de largura no sentido do comprimento do Templo. 4Fez no Templo janelas oblíquas com grades. 5Encostado à parede do Templo, ele fez um anexo em torno do Hekal e do Debir, e fez aposentos laterais ao redor. 6O andar térreo tinha cinco côvados de largura, o intermediário seis côvados e o terceiro sete côvados, pois ele tinha feito encostas em torno do Templo do lado de fora, de modo que as vigas não se prendiam às paredes do Templo. 7(O Templo foi construído com pedras já talhadas; de modo que não se ouviu barulho de martelo, de cinzel, nem de qualquer outro instrumento de ferro no Templo, durante sua construção). 8A entrada para o andar inferior situava-se no ângulo direito do Templo e por meio de escadas em caracol subia-se ao andar intermediário e, deste, ao terceiro. 9Terminada a construção do Templo, cobriu-o com um teto de pranchões de cedro. 10E construiu um anexo a todo o Templo; tinha cinco côvados de altura e estava ligado ao Templo por traves de cedro. 11A palavra de Iahweh foi então dirigida a Salomão: 12”Quanto a esta casa que estás construindo, se procederes segundo os meus estatutos, se observares as minhas normas e seguires fielmente os meus mandamentos, eu cumprirei em teu favor a minha palavra, que dei a teu pai Davi, 13e habitarei no meio dos filhos de Israel e não abandonarei meu povo, Israel”. 14Salomão edificou o Templo e o concluiu.
15Forrou com placas de cedro o lado interno das paredes do Templo — desde o pavimento até as vigas do teto, revestiu com madeira o interior — e cobriu com tábuas de cipreste o assoalho do Templo. 16Construiu os vinte côvados a partir do fundo do Templo com tábuas de cedro, desde o pavimento até as vigas, e eles foram separados do Templo para formarem o Debir, ou Santo dos Santos. 17O Templo, isto é, o Hekal, diante do Debir, tinha quarenta côvados. 18No interior do Templo, o cedro era esculpido com flores e festões; tudo era de cedro e não se via pedra alguma. 19Salomão dispôs um Debir no interior do Templo, para nele colocar a Arca da Aliança de Iahweh. 20O Debir tinha vinte côvados de comprimento, vinte côvados de largura e vinte côvados de altura; revestiu-o de ouro puríssimo. Fez um altar de cedro 211 diante do Debir e o revestiu de ouro. 22Ele revestiu de ouro o Templo todo, que ficou inteiramente coberto de ouro.
23No Debir, ele fez dois querubins de oliveira selvagem..”. Ele tinha dez côvados de altura. 24Uma asa do querubim tinha cinco côvados e a outra asa do querubim também tinha cinco côvados, ou seja, de uma extremidade à outra das asas havia a distância de dez côvados. 25O segundo querubim tinha também dez côvados; ambos os querubins tinham a mesma dimensão e o mesmo formato. 26A altura de um querubim era de dez côvados, e essa também era a altura do outro. 27Colocou os querubins no meio da sala interior; tinham as asas estendidas, de sorte que a asa de um tocava uma parede e a asa do outro tocava a outra parede e suas asas se tocavam uma na outra, no meio da sala. 28Revestiu de ouro os querubins. 29Em todas as paredes do Templo, ao redor, tanto no interior como no exterior, mandou esculpir figuras de querubins, palmas e flores. 30Cobriu de ouro o pavimento do Templo, no interior e no exterior.
31Ele fez a porta do Debir com vigas de madeira de oliveira selvagem; seu enquadramento tinha cinco ângulos; 32os dois batentes eram de oliveira selvagem. Mandou esculpir neles figuras de querubins, palmeiras e flores e cobriu-as de ouro; mandou cobrir de ouro os querubins e as palmeiras. 33Da mesma forma, para a porta do Hekal, fez vigas de madeira de oliveira selvagem; seu enquadramento tinha quatro ângulos; 34os dois batentes eram de cipreste: tanto um como o outro tinham painéis giratórios. 35Mandou esculpir neles querubins, palmeiras e flores, revestidos de ouro ajustado sobre a escultura. 36Construiu o muro do pátio interior com três fileiras de pedra talhada e uma fileira de pranchões de cedro.
37No quarto ano, no mês de Ziv, foram lançados os alicerces do Templo; no décimo primeiro ano, no mês de Bui — oitavo mês —, o Templo foi concluído em todas as suas partes, conforme o projeto. Salomão levou sete anos para construí-lo.
7— 1Para construir seu palácio, Salomão levou treze anos, até seu completo acabamento. 2Construiu a Casa da Floresta do Líbano, com cem côvados de comprimento, cinquenta côvados de largura e trinta de altura, sobre quatro fileiras de cedro, com pranchões de cedro sobre as colunas”. 3Ela era revestida de cedro na parte superior até os pranchões que estavam sobre as colunas. 4Havia três fileiras de arquitraves, quarenta e cinco ao todo, ou seja, quinze em cada fileira, que se correspondiam três vezes. 5Todas as portas e as vigas tinham um enquadramento retangular, correspondendo-se frente a frente três vezes. 6Fez o vestíbulo das colunas, com cinquenta côvados de comprimento e trinta de largura… com um pórtico na frente. 7Fez o pórtico do trono, onde ele administrava a justiça, chamado pórtico do julgamento; era revestido de cedro desde o pavimento até o teto. 8Sua morada particular, no outro pátio, atrás do pórtico, era construída da mesma forma; Salomão fez também uma casa, semelhante a esse pórtico, para a filha de Faraó, que ele tinha desposado. 9Todos os edifícios eram feitos de pedras escolhidas, talhadas sob medida, serradas por dentro e por fora, desde os fundamentos até a madeira das cornijas”. — 10Tinham nos alicerces pedras selecionadas, enormes blocos de dez e de oito côvados, 11e em cima, pedras escolhidas, talhadas sob medida, e madeira de cedro —, 12e, do lado externo, o grande pátio era cercado por três fileiras de pedra talhada e por uma fileira de tábuas de cedro; assim também eram feitos o pátio interno do Templo de Iahweh e o pórtico do Templo.
13Salomão mandou chamar Hiran de Tiro, 14filho de uma viúva da tribo de Neftali e cujo pai era natural de Tiro e trabalhava em bronze. Era dotado de grande habilidade, talento e inteligência para executar qualquer trabalho em bronze. Apresentou-se ao rei Salomão e executou todos os seus trabalhos.
15Fundiu duas colunas de bronze; a altura de uma era de dezoito côvados e sua circunferência media-se com um fio de doze côvados; assim também era a segunda coluna. 16Fez dois capitéis de bronze fundido, colocando-os no topo das colunas; um capitel tinha cinco côvados de altura e a altura do outro era a mesma. 17c Fabricou duas redes para cobrir os dois rolos dos capitéis que encimavam as colunas, uma rede para cada capitel. 18aFez as romãs; havia duas fileiras de romãs em torno de cada rede, 19bquatrocentos ao todo, 20aplicadas no centro que ficava por detrás das redes; havia duzentas romãs em torno de um capitel, 18be o mesmo número em torno do outro. 19aOs capitéis que encimavam as colunas eram em forma de flores. 21Ergueu as colunas diante do pórtico do santuário; ergueu a coluna do lado direito, à qual deu o nome de Jaquin; ergueu a coluna da esquerda e chamou-a Booz.22 Assim ficou pronto o serviço das colunas.
23Fez o Mar de metal fundido, com dez côvados de diâmetro. Era redondo, tinha cinco côvados de altura; sua circunferência media-se com um fio de trinta côvados. 24Havia por baixo da borda coloquíntidas em todo o redor: rodeavam o Mar pelo espaço de trinta côvados, dispostas em duas fileiras e fundidas numa só peça com o Mar. 25Este repousava sobre doze touros, dos quais três olhavam para o norte, três para o oeste, três para o sul e três para o leste; o Mar se elevava sobre eles e a parte posterior de seus corpos estava voltada para o interior. 26Sua espessura era de um palmo e sua borda tinha a mesma forma que a borda de uma taça, como uma flor. Sua capacidade era de dois mil batos.
27Fez as dez bases de bronze, tendo cada uma quatro côvados de comprimento, quatro côvados de largura e três côvados de altura. 28Eis como foram feitas: tinham molduras que estavam entre as travessas. 29Sobre as molduras que estavam entre as travessas havia leões, touros e querubins, e sobre as travessas havia um suporte; abaixo dos leões e dos touros havia volutas à maneira de… 30Cada base tinha quatro rodas de bronze e eixos também de bronze; seus quatro pés tinham suportes, por baixo da bacia, e esses suportes eram fundidos… 31Seu encaixe, a partir do cruzamento dos suportes até o alto, tinha um côvado; seu encaixe era redondo, em forma de suporte de vaso; tinha um côvado e meio e sobre o encaixe, também, havia esculturas; mas os painéis eram quadrangulares e não redondos. 32As quatro rodas estavam sobre os painéis. Os eixos das rodas estavam no pedestal; a altura das rodas era de um côvado e meio. 33A forma das rodas era a mesma da de uma roda de carro: eixos, aros, raios e cubos, tudo era fundido. 34Havia quatro suportes, nos quatro ângulos de cada base: a base e seus suportes formavam uma só peça. 35Na parte superior da base havia um suporte de meio côvado de altura, de ferro circular; no topo da base havia esteios; os painéis formavam uma só peça com a base. 36Sobre os painéis das travessas e sobre as molduras mandou gravar querubins, leões e palmas… e volutas ao redor.37Assim fez as dez bases: todas fundidas da mesma maneira e do mesmo tamanho. 38Fez dez bacias de bronze, contendo cada uma quarenta batos; cada bacia tinha quatro côvados e repousava sobre uma das dez bases. 39Dispôs as bases, colocando cinco perto do lado direito do Templo e cinco perto do lado esquerdo do Templo; quanto ao Mar, colocara-o do lado direito do Templo, a sudoeste.
40Hiran fez os recipientes para as cinzas, as pás e as bacias para a aspersão. Ultimou toda a obra de que o encarregara o rei Salomão para o Templo de Iahweh: 41duas colunas; os dois rolos dos capitéis que estavam no alto das colunas; as duas redes para cobrir os dois rolos dos capitéis que estavam no alto das colunas; 42as quatrocentas romãs para as duas redes: as romãs de cada rede estavam em duas fileiras; 43as dez bases e as dez bacias sobre as bases; 44o Mar único e os doze touros debaixo do Mar; 45os recipientes para as cinzas, as pás, as bacias para a aspersão. Todos esses objetos que Hiran fez para o rei Salomão, para o Templo de Iahweh, eram de bronze polido. 46Foi na planície do Jordão que ele os fundiu, em terra argilosa, entre Sucot e Sartã; 47 por causa de sua enorme quantidade, não se pôde calcular o peso do bronze. 48Salomão depositou no Templo de Iahweh todos os objetos que mandara fazer: o altar de ouro e a mesa de ouro, sobre a qual estavam os pães da oblação; 49os candelabros, de ouro puríssimo, cinco à direita e cinco à esquerda, diante do Debir; as flores, as lâmpadas, as tenazes, de ouro; 50as bacias, as facas, as bacias para a aspersão, as taças e os incensórios, de ouro puríssimo; os gonzos para as portas da sala interior — é o Santo dos Santos — e do Hekal, de ouro. 51Assim ficou terminada toda a obra que o rei Salomão executou para o Templo de Iahweh; e Salomão mandou trazer o que seu pai Davi havia consagrado: a prata, o ouro e os utensílios, e colocou-os no tesouro do Templo de Iahweh.
8— 1Então Salomão congregou em Jerusalém os anciãos de Israel, para trasladar da Cidade de Davi, que é Sião, a Arca da Aliança de Iahweh. 2Todos os homens de Israel reuniram-se junto do rei Salomão, no mês de Etanim, durante a festa (este é o sétimo mês),3 e os sacerdotes carregaram a Arca 4e a Tenda da Reunião com todos os objetos sagrados que nela estavam.5O rei Salomão e todo o Israel com ele imolaram diante da Arca ovelhas e bois em quantidade tal que não se podia contar nem calcular. 6Os sacerdotes conduziram a Arca da aliança de Iahweh ao seu lugar, ao Debir do Templo, a saber, ao Santo dos Santos, sob as asas dos querubins. 7Com efeito, os querubins estendiam suas asas sobre o lugar da Arca, abrigando a Arca e seus varais. 8aEstes eram tão compridos que do Santo, diante do Debir, se podia ver sua extremidade, mas não se podiam ver de fora. 9Na Arca nada havia, exceto as duas tábuas de pedra, que Moisés, no Horeb, aí tinha colocado — a saber, as tábuas da Aliança que Iahweh concluíra com os filhos de Israel quando saíram da terra do Egito; 8baí elas ficaram até hoje.
10Ora, quando os sacerdotes saíram do santuário, a Nuvem encheu o Templo de Iahweh 11e os sacerdotes não puderam continuar o seu serviço, por causa da Nuvem: a glória de Iahweh enchia o Templo de Iahweh! 12Então disse Salomão: “Iahweh decidiu habitar a Nuvem escura. 13Sim, eu construí para ti uma morada, uma residência em que habitas para sempre”.
14Depois o rei se voltou e abençoou toda a assembleia de Israel e toda ela mantinha-se de pé. 15Ele disse: “Bendito seja Iahweh, Deus de Israel, que realizou por sua mão o que, com sua boca, prometera a meu pai Davi, dizendo: 16’Desde o dia em que fiz sair meu povo Israel do Egito, não escolhi uma cidade, dentre todas as tribos de Israel, para nela se construir uma casa onde estaria meu Nome, mas escolhi Davi para comandar Israel, meu povo! 17Meu pai Davi teve a intenção de construir uma casa para o Nome de Iahweh, Deus de Israel, 18mas Iahweh disse a meu pai Davi: ‘Planejaste edificar uma casa para meu Nome e fizeste bem. 19Contudo, não serás tu quem edificará esta casa, e sim teu filho, saído de tuas entranhas, é que construirá a casa para meu Nome.’ 20Iahweh realizou a palavra que dissera: sucedi a meu pai Davi e tomei posse do trono de Israel como prometera Iahweh, construí a casa para o Nome de Iahweh, Deus de Israel, 21e nela preparei um lugar para a Arca, na qual se acha a Aliança que Iahweh concluiu com nossos pais quando os fez sair da terra do Egito”.
22Em seguida, Salomão postou-se diante do altar de Iahweh, na presença de toda a assembleia de Israel; estendeu as mãos para o céu 23e disse: “Iahweh, Deus de Israel! Não existe nenhum Deus semelhante a ti lá em cima nos céus, nem cá embaixo sobre a terra; a ti, que és fiel à Aliança e conservas a benevolência para com teus servos, quando caminham de todo coração diante de ti. 24Cumpriste a teu servo Davi, meu pai, a promessa que lhe havias feito, e o que disseste com tua boca, executaste hoje com tua mão. 25E agora, Iahweh, Deus de Israel, mantém a teu servo Davi, meu pai, a promessa que lhe fizeste, ao dizer: ‘Jamais te faltará um descendente diante de mim, que se assente no trono de Israel, contanto que teus filhos atendam ao seu procedimento e caminhem diante de mim como tu mesmo procedeste diante de mim.’ 26Agora, pois, Deus de Israel, que se cumpra a palavra que disseste a teu servo Davi, meu pai! 27Mas será verdade que Deus habita com os homens nesta terra? Se os céus e os céus dos céus não te podem conter, muito menos esta casa que construí! 28Sê atento à prece e à súplica de teu servo, Iahweh, meu Deus, escuta o clamor e a prece que teu servo faz hoje diante de ti! 29Que teus olhos estejam abertos dia e noite sobre esta casa, sobre este lugar do qual disseste: ‘Meu Nome estará lá.’ Ouve a prece que teu servo fará neste lugar.
30”Escuta as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, quando orarem neste lugar. Escuta do lugar onde resides, no céu, escuta e perdoa. 31Se alguém pecar contra seu próximo e este pronunciar sobre ele um juramento imprecatório e o mandar jurar ante teu altar neste Templo, 32escuta do céu e age; julga teus servos: declara culpado o mau, fazendo recair sobre ele o peso de sua falta, e declara justo o inocente, tratando-o segundo sua justiça. 33Quando Israel, teu povo, for vencido diante do inimigo, por haver pecado contra ti, se ele se converter, louvar teu Nome, orar e suplicar a ti neste Templo, 34escuta no céu, perdoa o pecado de Israel, teu povo, e reconduze-o à terra que deste a seus pais. 35Quando o céu se fechar e não houver chuva por terem eles pecado contra ti, se eles rezarem neste lugar, louvarem teu Nome e se arrependerem de seu pecado, por os teres afligido, 36escuta no céu, perdoa o pecado de teu servo e de teu povo Israel — tu lhes indicarás o caminho reto que devem seguir — e rega com a chuva a terra que deste em herança a teu povo. 37Quando a terra sofrer a fome, a peste, a mela e a ferrugem; quando sobrevierem os gafanhotos ou os pulgões; quando o inimigo deste povo cercar uma de suas portas; quando houver qualquer calamidade ou epidemia, 38seja qual for a oração ou a súplica de qualquer um, que sente remorso de consciência, se ele erguer as mãos para este Templo, 39escuta no céu, onde moras, perdoa e age; retribui a cada um segundo seu proceder, pois conheces seu coração — és o único que conhece o coração de todos —, 40a fim de que te respeitem por todos os dias que viverem sobre a terra que deste a nossos pais.
41”Mesmo o estrangeiro, que não pertence a Israel, teu povo, se vier de uma terra longínqua por causa de teu Nome — 42porque ouvirão falar de teu grande Nome, de tua mão forte e de teu braço estendido —, se ele vier orar neste Templo, 43escuta no céu onde resides, atende todos os pedidos do estrangeiro, a fim de que todos os povos da terra reconheçam teu Nome e te temam como o faz Israel, teu povo, e saibam eles que este Templo que edifiquei traz o teu Nome. 44Se o teu povo sair à guerra contra seus inimigos, pelo caminho que o enviares e ele orar, voltado para a cidade que escolheste e para o Templo que construí para teu Nome, 45escuta no céu sua prece e sua súplica e faze-lhe justiça. 46Quando tiverem pecado contra ti — pois não há pessoa alguma que não peque —, e, irritado contra eles, os entregares ao inimigo e seus vencedores os levarem cativos para uma terra inimiga, longínqua ou próxima, 47se eles caírem em si, na terra para onde houverem sido levados, se arrependerem e te suplicarem na terra de seus vencedores, dizendo: ‘Pecamos, agimos mal, nós nos pervertemos’, 48se retornarem a ti de todo o coração e de toda a sua alma na terra dos inimigos que os tiverem deportado, e se orarem a ti voltados para a terra que deste a seus pais, para a cidade que escolheste e para o Templo que construí para o teu Nome, 49escuta do céu onde resides, 50perdoa a teu povo os pecados que cometeu contra ti e todas as revoltas de que foram culpados, faze-os encontrar graça diante de seus vencedores, de modo que tenham deles compaixão; 51pois são teu povo e tua herança, são os que fizeste sair do Egito, daquela fornalha de ferro.
52 “Que teus olhos estejam abertos para as súplicas de teu servo e de teu povo Israel, para ouvires todos os apelos que lançarem a ti. 53Pois foste tu que os separaste como tua herança, dentre todos os povos da terra, como declaraste por meio de teu servo Moisés, quando fizeste sair do Egito nossos pais, Senhor Iahweh!”. 54Quando Salomão acabou de dirigir a Iahweh toda essa prece e essa súplica, levantou-se do lugar onde estava ajoelhado, de mãos erguidas para o céu, diante do altar de Iahweh, 55e pôs-se de pé. Abençoou em alta voz toda a assembleia de Israel, dizendo: 56 “Bendito seja Iahweh, que concedeu o repouso a seu povo Israel, conforme todas as suas promessas; de todas as boas promessas que fez por meio de seu servo Moisés, nenhuma falhou! 57Que Iahweh, nosso Deus, esteja conosco, como esteve com nossos pais, que não nos abandone nem nos rejeite! 58Incline para ele nossos corações, a fim de que andemos em todos os seus caminhos e guardemos os mandamentos, os estatutos e as normas que ele prescreveu a nossos pais. 59Que estas palavras por mim pronunciadas em oração diante de Iahweh fiquem presentes dia e noite diante de Iahweh nosso Deus, para que faça justiça a seu servo e a Israel, seu povo, conforme as necessidades de cada dia. 60Assim, todos os povos da terra reconhecerão que somente Iahweh é Deus e que não há outro além dele, 61e o vosso coração pertencerá totalmente a Iahweh, nosso Deus, observando seus estatutos e guardando seus mandamentos como o fazeis agora”.
62O rei e todo o Israel com ele ofereceram sacrifícios diante de Iahweh. 63Salomão imolou, para o sacrifício de comunhão que ofereceu a Iahweh, vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas. Assim o rei e todos os filhos de Israel consagraram o Templo de Iahweh. 64No mesmo dia, o rei consagrou o interior do pátio que está diante do Templo de Iahweh; pois foi lá que ofereceu o holocausto, a oblação e as gorduras dos sacrifícios de comunhão, uma vez que o altar de bronze, que estava diante de Iahweh, era pequeno demais para conter o holocausto, a oblação e as gorduras dos sacrifícios de comunhão. 65Nesta ocasião, Salomão celebrou a festa, e todo o Israel com ele; houve uma grande assembleia, desde a Entrada de Emat até a Torrente do Egito, diante de Iahweh, nosso Deus, por sete dias. 66No oitavo dia despediu o povo; eles bendisseram o rei e voltaram para suas casas, alegres e de coração contente por todo o bem que Iahweh fizera a seu servo Davi e a Israel, seu povo.
9— 1Depois que Salomão acabou de construir o Templo de Iahweh, o palácio real e tudo o que tencionava realizar, 2Iahweh lhe apareceu uma segunda vez, como lhe aparecera em Gabaon. 3Iahweh lhe disse: “Ouvi a oração e a súplica que me dirigiste. Consagrei esta casa que construíste, nela colocando meu Nome para sempre; meus olhos e meu coração aí estarão para sempre. 4Quanto a ti, se procederes diante de mim como teu pai Davi, na integridade e retidão do coração, se agires segundo minhas ordens e observares meus estatutos e minhas normas, 5firmarei para sempre teu trono real sobre Israel, como prometi a Davi, teu pai, dizendo: ‘Jamais te faltará um descendente sobre o trono de Israel’; 6porém, se vós e vossos filhos me abandonardes, não observando os mandamentos e os estatutos que vos prescrevi e indo servir a outros deuses e prestar-lhes homenagem, 7então erradicarei Israel da terra que lhes dei; rejeitarei para longe de mim este Templo que consagrei a meu Nome e Israel será objeto de escárnio e de riso entre todos os povos. 8Este Templo tão sublime será para todos os transeuntes motivo de espanto; assobiarão e dirão: ‘Por que Iahweh tratou assim esta terra e este Templo?’ 9E responderão: ‘Porque abandonaram Iahweh, seu Deus, que fez sair seus pais da terra do Egito, porque aderiram a outros deuses e lhes prestaram homenagem e culto, por isso Iahweh fez cair sobre eles todas estas desgraças.’”
Resposta: Quando a Terra emergiu do caos, inicialmente se encontrava no estágio vermelho escuro conhecido como Época Polar. Ali, a Humanidade desenvolveu pela primeira vez um Corpo Denso, nada parecido com o nosso veículo atual, é claro. Quando a condição da Terra se tornou ígnea, como na Época Hiperbórea, o Corpo Vital foi adicionado e o ser humano se tornou semelhante a uma planta, ou seja, ele possuía os mesmos veículos que as nossas plantas têm hoje e, também, uma consciência semelhante, ou melhor, inconsciência, àquela que temos no sono sem sonhos, quando os Corpos Densos e Vitais são deixados sobre a cama.
Naquela época, na Época Hiperbórea, o Corpo Denso do ser humano era como um enorme saco de gás, flutuando fora da Terra ígnea, e expelindo esporos semelhantes a plantas, que então cresciam e eram usados por outras seres humanos que chegavam. Naquela época, o ser humano era bissexual, um hermafrodita.
Na Época Lemúrica, quando a Terra havia esfriado um pouco e ilhas de crosta começaram a se formar em meio a mares ferventes, o Corpo Denso do ser humano também havia se solidificado um pouco e se tornado mais parecido com o Corpo Denso que vemos hoje. Era semelhante ao de um animal antropoide inferior, com um tronco curto, braços e membros enormes, os calcanhares projetando-se para trás e quase nenhuma cabeça — pelo menos a parte superior da cabeça estava quase totalmente ausente. O ser humano vivia na atmosfera de vapor que os ocultistas chamam de nevoeiro de fumaça (partículas ou texturas de fumaça volumétrica iluminada pelo fogo) e não tinha pulmões, mas respirava por meio de tubos. Ele possuía um órgão semelhante a uma bexiga em seu interior, que inflava com ar aquecido para ajudá-lo a saltar enormes abismos quando erupções vulcânicas destruíam a terra em que vivia. Da parte de trás de sua cabeça projetava-se um órgão que agora foi retraído para dentro da cabeça e é chamado pelos anatomistas de Glândula Pineal, ou terceiro olho, embora nunca tenha sido um olho, mas um órgão localizado de sensibilidade. O Corpo Denso era então desprovido de sensações, mas quando o ser humano se aproximava demais de uma cratera vulcânica, o calor era registrado por esse órgão para alertá-lo antes que seu Corpo Denso fosse destruído.
Naquele momento, o Corpo Denso já estava tão solidificado que era impossível para o ser humano continuar a se propagar por esporos, sendo necessário que ele desenvolvesse um órgão de pensamento, um cérebro. A força sexual criadora que hoje usamos para construir ferrovias, navios a vapor, etc., no Mundo exterior, era então usada internamente para a construção de órgãos. Como todas as forças, ela era positiva e negativa. Um dos polos foi voltado para cima para construir o cérebro, deixando o outro polo disponível para a criação de outro Corpo Denso. Assim, o ser humano deixou de ser uma unidade criadora completa. Cada um possuía apenas metade da força sexual criadora e, portanto, era necessário que buscasse seu complemento fora de si.
Mas naquele momento, “seus olhos ainda não haviam sido abertos”[1], e os seres humanos daquele tempo não tinham consciência uns dos outros no Mundo Físico, embora estivessem bem conscientes e despertos nos Mundos espirituais. Portanto, sob a orientação dos Anjos, que eram particularmente capacitados para ajudá-los com relação à propagação, eles eram reunidos em grandes Templos em certas épocas do ano, quando as linhas de força que corriam entre os Astros (Sol, Lua e Planetas) eram propícias, e ali o ato criador era realizado como um sacrifício religioso. E quando esse homem primordial, Adão, entrou em contato sexual íntimo com a mulher, o Espírito por um instante penetrou a carne e “Adão conheceu (ou tomou consciência de) sua esposa”[2]; ele a sentiu fisicamente. É isso que a Bíblia registrou, usando essa expressão casta em todas as suas páginas, pois nos é dito que “Elcaná conheceu sua esposa Ana, e ela deu à luz Samuel”[3]. Mesmo no Novo Testamento, quando o Anjo vem a Maria dizendo-lhe que ela será a mãe do Salvador, ela responde: “Como isso será possível, visto que não conheço homem?”[4].
Pecado é a ação contrária à Lei de Deus, e enquanto a Humanidade se propagava sob a orientação dos Anjos, que compreendiam as linhas de força cósmicas, o parto era indolor, como o é agora entre os animais selvagens, que se reproduzem apenas na época apropriada do ano sob a orientação do Espírito-Grupo. Mas quando o ser humano, agindo sob o conselho de certos Espíritos que se encontram evolutivamente entre a humanidade e os Anjos, decidiu criar em qualquer época do ano, independentemente das linhas de força cósmicas, esse pecado, ou “comer do fruto da Árvore do Conhecimento”, causou o parto doloroso que o Anjo anunciou a Eva. Ele não a amaldiçoou, mas simplesmente declarou qual seria o resultado do uso ignorante e indiscriminado da força sexual criadora.
(Pergunta nº 85 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Gn 3:7
[2] N.T.: Gn 4:1
[3] N.T.: ISm 1:19-20
[4] N.T.: Lc 1:34
Desde o momento em que suas pálpebras de bebê se abriram pela primeira vez para este mundo maravilhoso de beleza ao seu redor, ela foi o ídolo de corações amorosos — pais afetuosos, irmãos dedicados, amigos leais. Ela parecia ter sido criada para a felicidade — para amar e ser amada.
Seu corpo fora moldado pela mão de um artista, bela de rosto e forma, acompanhada de uma natureza profunda, ardente, verdadeira e, acima de tudo, aquele poder misterioso, o magnetismo pessoal, que inconscientemente atrai e mantém cativos todos os corações dentro do alcance do seu círculo. Apesar de tudo isso, ela viveu sua vida, no verdadeiro sentido, sozinha — contudo, não totalmente sozinha; ela vivia em um reino ideal feito por ela própria, pois ela nasceu já uma artista e musicista nata — uma idealista.
Em grande parte do tempo ela habitava a “Solidão da Alma” e quando em companhia, embora fosse muito sociável, sua conversa raramente dava qualquer indício do jardim encantado no qual vivia e construía seus castelos de ar.
Em um dia de verão, tendo a Mãe Terra coberta de verde como seu leito, sombreada pelos ramos pendentes do seu carvalho gigante e favorito, lar de um pássaro zombeteiro que derramava sua melodia fluida, ela permanecia deitada e sonhadora, observando as grandes nuvens ondulantes, brancas e felpudas como bancos de neve flutuando através do espaço azul, ilimitado e impenetrável, enquanto sua alma se esforçava intensamente para penetrar nos mistérios além dele.
No silêncio do crepúsculo místico, quando o grilo entoava seu canto melancólico e as miríades de estrelas cintilantes surgiam sobre o escuro dossel púrpura lá em cima, como diamantes espalhados por uma mão invisível, todo o seu ser se lançava em anseio por aquele “Algo” — indefinível, porém insistente, que ela soube intuitivamente ser sua herança divina.
As vibrações harmoniosas de som da Natureza eram para ela como uma música das esferas celestiais: o tamborilar das gotas prateadas de chuva, o tilintar do riacho murmurante, o vento suspirante, o mar com seu som, o rugido da catarata, as reverberações profundas do trovão… Tudo isso era, para ela, notas da Orquestra Eterna.
O mundo inteiro era, para ela, a Galeria de Arte de Deus. Toda a beleza da Natureza, suas montanhas enevoadas e veladas de púrpura, suas poderosas florestas com sua estranha melodia sussurrante, o mar entrelaçado com os raios cintilantes do luar, o glorioso pôr do Sol com o céu em chamas carmesins, douradas e púrpuras, desvanecendo-se nos tons opalinos de rosa, âmbar e lavanda — ah, tudo falava à sua alma do Infinito, do Desconhecido, pois “é da nebulosa terra de sombras do desconhecido que os Anjos vêm trazendo alimento às almas dos seres humanos”.
Da riqueza de sua natureza interior ela deu ao mundo incontáveis obras-primas de grandeza, beleza e emoção intensa, ajudando muitos a trazer à expressão seus poderes artísticos latentes; mediante seu toque mágico, vibrante com a melodia, ela encantava seus ouvintes, que eram balançados como juncos pela brisa de verão.
Assim, sua donzelice e jovem feminilidade terminaram com uma nota ocasional de tristeza e desapontamento mesclada ao seu “Salmo da Vida”[1]. Mas à medida que o tempo avançava, um a um ela via cada sonho e ideal da sua brilhante manhã acabar, cada castelo no ar se desfez, cada esperança acalentada ela viu murchar sob o sol escaldante do Saara e, por fim, as nuvens e sombras da aflição a envolveram até que não restasse sequer o mais tênue filete prateado; — como um mergulhador humano, ela havia sondado as mais íntimas profundezas da amargura mental e da angústia; havia sorvido “o cálice de absinto e fel” até as suas borras mais amargas… Um desespero negro se instalou nela como um sudário; verdadeiramente, ela se tornara uma mulher “de dores e familiarizada com a angústia e o sofrimento profundos”[2]. Seu sofrimento físico, muitas vezes, quase rompeu o Cordão Prateado e a alma, atormentada e aprisionada, ansiava e rezava pelo “Mensageiro Sombrio” que lhe concederia libertação. Mas tal fim não estava destinado a ela. As Leis de Deus operam perfeitamente. O que uma alma aprende, nada no Universo pode extrair dela.
Por meio da orientação de poderes invisíveis, ela foi conduzida a um Curador Auxiliar Invisível onde, tanto sua cura espiritual quanto a etérica foram realizadas (de modo que a parte física ela conseguiu restaurar) — uma foi chamada de “cura milagrosa”, pois essa alma havia sido uma errante afastada da Casa do Pai, tateando cegamente na escuridão em busca do Caminho que a levaria aos portais do seu Lar Celestial, ansiando por se reunir com o grande Espírito Divino do qual é uma Centelha, desejando o amor do Pai como “a agulha magnética anseia pela pedra-ímã que a atrai”; e quando o Portal fechado se abriu de par em par, uma torrente de luz brilhante e dourada irrompeu, envolvendo-a com sua glória sobrenatural — “a Luz reivindicou o que Lhe pertencia”, marcando um momento de profunda transcendência espiritual. A intensidade dessa iluminadora Luz de Amor era tão avassaladora que o próprio ar vibrava com ela, seu cérebro e nervos, seu sangue e músculos, todo o seu ser estremecia em uníssono com ela. Então se seguiu o êxtase devoto, o voo ascendente do Espírito aos Reinos espirituais, “vendo e comungando com o indizível”, onde veio a ela a plena percepção de que era um Ego (ou seja, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) —, que ela era parte de Deus, que não poderia haver morte e que ela havia alcançado a unidade com essa Fonte Divina de todo ser, onde lhe foram revelados os mistérios da Vida e do Ser, o propósito da dor e do sofrimento. Com esse conhecimento vieram a exaltação moral, a elevação intelectual e um sentimento indescritível de júbilo.
Após o desvanecer dessa maravilhosa visão, ao retornar ao mundo objetivo, permaneceu aquele raio de Luz, firme, raro e inefável, “além de todos os sinais, descrição ou linguagem”. Uma paz e alegria infinitas encheram o seu coração; ambições mundanas, cuidados e ansiedades morreram à luz da gloriosa verdade que lhe fora revelada e em seu lugar nasceu o desejo constante e o poder dinâmico de conduzir outros ao Caminho da Vida que ela encontrou: “ir adiante e levar sua paz consigo” para que também pudessem conhecer a alegria e a “paz que excede todo entendimento”[3] — para cumprir aquilo “para o qual ela fora enviada”.
Ao lançar um olhar retrospectivo sobre as tristezas e angústias profundas, decepções e experiências terríveis da sua vida passada, ela as reconheceu como degraus, apenas um meio para um fim: prepará-la e conduzir a uma vida ainda mais elevada – inspirá-la a algo ainda mais nobre e melhor em sua obra futura, melhor do que tudo em seu passado. Ela é capaz de considerar aquilo que parecia sofrimento interminável e intolerável como algo de curta duração, quando visto à luz de uma eternidade sem fim; ela se regozija na gloriosa vitória que finalmente foi sua ao atravessar o mar de amargura — sendo a vitória não apenas para esta vida, mas para toda a eternidade. Esse olhar retrospectivo que analisa o passado sombrio também serve para inspirá-la com a mais suprema reverência e amor pelo Ser Onipotente que tornou possível a uma alma alcançar as alturas às quais ela chegou e saber que, apesar da sublimidade presente nisso, é apenas uma seção da glória que virá.
Sua alma de artista compreende plenamente que o fascínio reside não na beleza do pôr do Sol, mas na beleza invisível que ele desperta interiormente; não nas harmonias ouvidas, mas nos sobretons inaudíveis; que por trás de todas as belas e grandiosas “ilusões” da Natureza encontramos os fatos mais profundos e mais doces que somente o amor e a inspiração podem apreender. Eles são as Mãos que acenam e a Voz que suplica que todos devam ver e ouvir antes de sentir, de conhecer o Amor plenamente satisfatório que desejam — antes que a União Eterna seja consumada.
À medida que o tempo passava, ela chegou à compreensão de que estivera sob um dos “Sete Espíritos diante do Trono” — uma das grandes e exaltadas Inteligências Espirituais que são Ministros de Deus e Se esforçam para cumprir a vontade d’Ele, sempre visando ao mais elevado e último bem — Saturno, “o Espírito da Negação: o Poder que ainda opera para o bem, embora planeje o mal”. Ele é, primeiro, “o provador” que retarda, dificulta, obstrui, prende, restringe, castiga e exige ao máximo paciência, tolerância, resistência, autocontrole e submissão, sem outro propósito senão a obtenção da perfeição por todos os seres humanos e todas as coisas.
Ele é o Executor do mandamento do Mestre: “Sede perfeitos como vosso Pai no Céu é perfeito”[4]. Portanto, na realidade, sua missão é a mais elevada de todos os “Anjos Estelares” ligados ao Mundo Físico, pois Ele finalmente conduz toda alma humana à verdadeira humildade e ao estado no qual tudo o que é material é removido para que os poderes latentes do “Eu Superior” (Individualidade) possam atravessar a ponte feita por Ele mesmo (Saturno) e caminhar em direção à Personalidade — aquele estado em que a vontade pessoal se rende à Vontade Divina —, reconhecendo a Vontade do Pai como o Amor supremo que tudo abrange e atrai todos os seres humanos para Si, dizendo: “Seja feita a Tua vontade”[5].
Ele então se torna o “Iniciador.” Ele é o Deus que nos faz ter o controle de tudo (especialmente o autocontrole), pois é o Regente de Capricórnio, o Signo do bode, e “estar no controle” implica Iniciação, consiste na tentação até o limite de tudo o que podemos suportar, provas que exigem o máximo da nossa resistência e, naturalmente, a superação, a sublimação.
Ele dissipou as névoas que a faziam “ver como por um espelho, obscuramente”[6]; as ilusões e desilusões deste mundo desapareceram como se tocadas por um dedo mágico; ela é capacitada a olhar além das falhas e limitações da Personalidade de cada ser humano e a ver o “Ser Perfeito” interior — o Espírito em sua beleza e perfeição divinas; a sentir aquela simpatia amorosa e compaixão semelhante à de Cristo, que sente as dores, angústias e os sofrimentos de toda criatura vivente; ao errante ela desejaria proteger e resguardar “como a galinha ajunta seus pintinhos debaixo das asas”[7], — sentindo aquele amor universal que irradia espontaneamente tanto para o santo quanto para o pecador, príncipe ou camponês; dando livremente, de bom grado, “sem dinheiro e sem preço”[8] da sua abundância — pois “dai, e dar-se-vos-á: uma boa medida, recalcada, sacudida e transbordante, vos darão; porque com a medida que usardes, vos medirão a vós.”[9].
As experiências pelas quais ela passou manifestaram para ela a Inteligência Cósmica, fazendo dela a mensageira do Deus de Sabedoria e Luz, uma reveladora dotada de grandes poderes espirituais e discernimento, uma líder no grande coro do mundo, sempre pronta a ajudar os outros a encontrar a harmonia e a beleza da canção de suas próprias vidas — e ajudá-los a cantá-la.
Ela é, agora e verdadeiramente, “uma serva de todos”[10]: investindo sua vida em “dar um copo de água fresca”[11], uma palavra de consolo, uma mão que eleva, uma mensagem útil em serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) à Humanidade.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil
[1] N.T.: Poema Salmo da Vida de Henry Wadsworth Longfellow
Não me digas em tristes versos
Que a vida é apenas um sonho vazio!
Pois a alma que adormece está morta,
E as coisas não são o que parecem.
A vida é real! A vida é sincera!
E a sepultura não é o seu alvo;
“Pó és e ao pó voltarás”
Não foi dito a respeito da alma.
Nem alegria nem tristeza
É o nosso destino ou fim traçado;
Mas agir para que cada amanhã
Nos encontre mais longe do que hoje.
A arte é longa, e o tempo é passageiro,
E os nossos corações, embora fortes e valentes,
Ainda, como tambores abafados, batem
Marchas fúnebres rumo ao túmulo.
No amplo campo de batalha do mundo,
No acampamento da vida,
Não sejas como o gado mudo e conduzido!
Sê um herói na luta!
Não confies no Futuro, por mais agradável que seja!
Deixa o Passado morto enterrar os seus mortos!
Age — age no Presente vivo!
Com o coração no peito e Deus no alto!
A vida dos grandes homens nos lembra
Que podemos tornar nossas vidas sublimes,
E, ao partir, deixar para trás
Pegadas nas areias do tempo;
Pegadas que talvez um outro,
Navegando pelo solene mar da vida,
Um irmão náufrago e desolado,
Ao ver, recobre o ânimo.
Vamos, então, agir e lutar,
Com o coração preparado para qualquer destino;
Sempre alcançando, sempre perseguindo,
Aprender a trabalhar e a esperar.
[2] N.T: Is 53:3
[3] N.T.: Fp4:7
[4] N.T.: Mt 5:48
[5] N.T.: Mt 6:10 e Lc 22:42
[6] N.T.: ICor 13:12
[7] N.T.: Mt 23:37 e Lc 13:34
[8] N.T.: Is 55:1
[9] N.T.: Lc 6:38
[10] N.T.: Mc 9:35
[11] N.T.: Mt 10:42 e Mc 9:41
Em qualquer plano, à medida que ampliamos nossa capacidade, também se amplia nossa utilidade.
Se esta é uma verdade indiscutível para a vida terrena, o é mais ainda para a vida espiritual. Assim, podemos dizer que, se a cultura religiosa não torna alguém mais Cristão, também não é somente a vivência que sustenta o Cristianismo. A fé que reside apenas na vontade e no sentimento corre um grande risco. Em momentos de crise faltará sustentação do intelecto para dizer: não estou entendendo nem sentindo como gostaria, mas conheço o suficiente para tirar uma conclusão. Dificilmente uma fé sobreviverá sem a base sólida ou suficientemente sólida da doutrina.
A tônica dos Ensinamentos Rosacruzes é servir. Mas será que não corremos o risco de nos acomodarmos ao serviço amoroso e desinteressado que procuramos executar e muitas vezes realmente o executamos, esquecendo-nos de que se aumentássemos nosso conhecimento, por meio do estudo, dos Ensinamentos Rosacruzes poderíamos servir mais e melhor, reconhecendo realmente todas as oportunidades que se nos apresentam sem deixar passar alguma que, às vezes, nem percebemos serem oportunidades de serviço?
E se, aumentando nossa capacidade de servir nesse plano material aumentamos proporcionalmente nossa capacidade de servir nos planos internos, será que temos plena consciência da nossa responsabilidade ao nos contentarmos em permanecer na situação espiritual que julgamos ter, sem melhorar ou melhorando muito aquém do que poderíamos e deveríamos, já que temos o privilégio enorme de sermos chamados pelos Irmãos Maiores para colaborar com eles na redenção da Humanidade?
Temos a tendência em achar que, se fazemos o máximo pelos outros está tudo certo. Mas será que esse máximo que fazemos é realmente do que seríamos capazes se ampliássemos nossas capacidades, se estudássemos mais, se procurássemos colocar em nossos atos um embasamento maior de conhecimentos da Filosofia Rosacruz?
Tudo na natureza está na divina ordem: se não somos Auxiliares Visíveis, jamais chegaremos a Auxiliares Invisíveis. Se não trabalhamos pelos nossos irmãos e pelas nossas irmãs, aqui e agora, aqueles que, com palavras e gestos muitas vezes imploram nosso auxílio, que credenciais teríamos para trabalhar como Auxiliares Invisíveis? Se o Mundo Físico é o “baluarte da evolução”, temos de trabalhar nele, antes de trabalhar em outros Mundos. Deus respeita tanto nosso livre arbítrio que, se não servimos aqui e agora por nossa livre e espontânea vontade, onde praticamente tudo depende de nós, Ele não nos levará a servir no outro lado. Se não queremos servir aqui, quem garante que o queiramos do outro lado?
À medida que servimos, nos tornamos aptos a receber maiores e melhores oportunidades de serviço. Precisamos estar atentos a essas oportunidades e aproveitá-las todas, para formarmos o nosso Corpo-Alma, nosso dourado manto nupcial, pois não sabemos quando Cristo virá nos chamar para as bodas místicas.
No nosso Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção examinemos mais cuidadosamente o que deixamos de fazer e, se o que fizemos foi tão bem-feito como o deveria, por falta de capacidade nossa. E assim poderemos nos conhecer melhor e ampliar nossa capacidade para cada dia podermos ser de maior utilidade na “Vinha do Senhor”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1975 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Saibamos ou não, concordemos ou não, mas somos Espíritos, partes integrantes de Deus, que é Espírito também, Fonte de todo o Amor e de todo o Bem. N’Ele não existe um só vestígio de mal. Por essa razão, não podemos atribuir-Lhe nossos sofrimentos, como tantas pessoas o fazem.
Desde que completamos nossa instrumentação com a Mente, com a razão, começamos a nos dirigir sozinhos. O livre-arbítrio e a experiência passaram a ser os dois fatores para a nossa evolução e elevação. É bom pensar muito bem nisso!
Se existe qualquer dificuldade ou sofrimento em nossa vida, não atribuamos a Deus. Antes, devemos encará-los como desafios à perfeição que um dia deveremos alcançar, segundo nos ensinado por Cristo: “Sede perfeitos como vosso Pai Celestial” (Mt 5:48). Se o leitor é pai, não deseja que seu (sua) filho (a) se torne maior ainda que você? E para isso não deve ele aprender a fazer as coisas sozinho?
“Mas devemos ter assistência, como a que damos a nossos filhos” – poderá responder.
Sim, recebemos, desde que as desejemos. Quem procura, encontra.
Temos inúmeras provas disso. Um dia encontramos, como por acaso, a Fraternidade Rosacruz, e nela nos ofereceram um manancial de razões que nos transformaram o viver e nos tornaram possível suportar muita coisa que nada tem a ver com Deus, senão com nossas próprias falhas. Desde então as fomos corrigindo. Consideramos essa uma correta orientação, uma perfeita assistência. Dá-nos meios para que nós mesmos nos corrijamos.
Uma causa única existe para nossos males: é o desvio às Leis de Deus, mantenedoras da harmonia do Universo. Muita gente, presa de sofrimento e dificuldades por esse mundo afora, já ouviu falar nisso, porém, de uma forma insatisfatória. Suas dúvidas continuaram e as perguntas surgem naturalmente: se somos partes de Deus, que é o Supremo Amor e Bem, em Quem não há sequer o menor vestígio de mal, por que sofremos, então? Por que tantas dificuldades em nossa vida? Que Pai é esse que se compraz com nossos sofrimentos?
Quando alguém procura a causa de seus sofrimentos já é um importante passo para encontrar sua solução.
No íntimo de seu ser reconhece que deve haver uma causa. E há mesmo. Poderíamos desfiar uma série delas, as mais importantes e prováveis a cada caso. Mas cada indivíduo é um mundo à parte. Suas condições internas são singulares. O modo como recebe as coisas, também. Por isso o conhecer isso por meio dos Ensinamentos Rosacruzes e a maravilhosa Filosofia Rosacruz se consegue chegar a “sua” causa.
Tudo ali se faz no sincero intuito de elevar a Humanidade, por meios Cristãos e seguros e sem objetivos comerciais.
Importante frisar que na Fraternidade Rosacruz não há esforço de proselitismo. Mas tudo que se aprender é para que o Estudante Rosacruz encontre por si mesmo o que precisa. Para isso há os cursos gratuitos (inclusive todo o material) para se capacitar (sem estudos constantes é impossível evoluir em uma Escola, como o é a Fraternidade Rosacruz). Com certeza, o Estudante Rosacruz encontra respostas a todas as perguntas que lhe suscite o íntimo, sejam de ordem material ou espiritual. Nela você encontrará tudo o que deseja saber a respeito de Deus, da criação e de sua própria evolução.
Afinal, como nos ensinou S. Tiago: “se sua vida carece ainda de esclarecimento, procure-o” (Tg 1:5).
Afinal, a Filosofia Rosacruz ensina que Deus está em todo lugar e principalmente no coração de quem esteja sinceramente pondo em prática os princípios Cristãos.
E conforme esses princípios mesmos é que tudo que a Fraternidade Rosacruz oferece é de graça, pois de graça recebemos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz –outubro/1966-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: Sim. Muitas vezes, uma mãe que faleceu recentemente zela pelos seus filhos pequenos por um longo tempo, e há casos registrados em que mães salvaram seus bebês de perigos. Embora não soubessem conscientemente como se materializar, o amor pelos pequeninos e o intenso medo pela segurança deles fizeram com que as mães, nesses casos, atraíssem para si o material para que pudessem ser vistas pelas crianças. Aqueles que chamamos de mortos, geralmente, não se afastam da casa onde viveram, até muito tempo depois do funeral. Permanecem nos cômodos familiares e circulam entre nós, embora não os vejamos com a visão física. É claro, quando chega a hora de irem para o Primeiro Céu, não permanecem mais nas nossas casas, mas as visitam frequentemente. Quando entram no Segundo Céu, já não têm mais consciência dessa esfera física, no sentido de terem tidos lares, amigos ou parentes; devem então ser vistos mais como Forças da Natureza, enquanto estão no Segundo Céu, pois trabalham sobre a Terra e a Humanidade, da mesma maneira que as Forças da Natureza não assumem a forma humana.
Assim, é perfeitamente natural que eles velem por seus entes queridos por muito tempo após o falecimento, e muitas vezes foi observado por pessoas presentes no falecimento de uma mãe cujos filhos haviam falecido, alguns anos antes, que no momento da morte ela via os filhos à sua volta e exclamava: “Ora, ali estão o Joãozinho, e como ele cresceu!”, e assim por diante. As pessoas presentes ao redor da cama, provavelmente pensariam que se tratava de uma alucinação, mas não é, e se nota que um certo fenômeno sempre acompanha essas visões, a saber, quando uma pessoa morre, uma escuridão a envolve, que ela sente descendo sobre si. Muitas pessoas falecem sem voltar a ver o Mundo Físico. Essa é a transição de nossas vibrações e luz para as vibrações do Mundo do Desejo, e é semelhante à escuridão que se estendeu sobre a Terra por ocasião da crucificação. Com outras pessoas acontece que a escuridão se dissipa após um momento e, então, a pessoa se torna Clarividente, vendo tanto o Mundo Físico presente como o Mundo do Desejo, e lá, é claro, aparecem os entes queridos, que foram atraídos pela morte iminente, que é um nascimento nos Mundos espirituais.
Assim, podemos dizer que os mortos se interessam pelo nosso bem-estar por um longo período após terem morrido, mas é preciso lembrar que não há poder transformador na morte; que ela não lhes confere nenhuma habilidade especial para cuidar de nós, e que eles não têm meios de realmente influenciar nossos assuntos, de forma que não é exatamente correto considerá-los os nossos “anjos guardiões”. Eles são meramente espectadores interessados, com exceção de alguns poucos casos específicos em que um amor intenso os capacita a prestar algum pequeno serviço em caso de grande necessidade. Esse serviço, porém, nunca assumiria a forma de nos enriquecer ou qualquer coisa desse gênero, mas seria como um aviso de perigo ou algo parecido.
(Pergunta nº 64 do Livro: Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Vol. I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Resposta: O consulente está sob uma compreensão errônea. A Bíblia diz que Deus viu sua obra, e que ela era “boa”, mas não perfeita. Se fosse perfeita, não haveria mais nada a fazer, e a evolução teria sido supérflua. A Onda de Vida humana não se tornou definitivamente “humana” até a última parte da Época Lemúrica, quando o Espírito começou a habitar os Corpos dele. A Humanidade daquela Época, “Adão e Eva”, era muito diferente da nossa Humanidade atual. Ela também foi produtos da evolução, pois não existe criação instantânea. Esses seres haviam progredido através de estágios de desenvolvimento semelhantes a plantas e aos animais, partindo do Reino mineral em que se originaram, e não se tratava de um único par, como geralmente se entende pelos religiosos ortodoxos, mas sim de uma Humanidade composta por indivíduos masculinos e femininos na época mencionada na Bíblia. Diz-se que Ele criou o homem e a mulher; além disso, não era a primeira vez que o ser humano estava na Terra, ou que a Terra era povoada, como se pode ver em Gênesis 1:28[1], onde lhes foi ordenado que saíssem e repovoassem a Terra, mostrando que a Terra havia sido a morada de certos outros seres humanos antes do advento daqueles que são chamados “Adão e Eva”. Josephus[2] afirma que Adão significa “terra vermelha” e o termo hebraico “Admah”, do qual Adão deriva, significa “solo firme”; isso descreve muito bem o estado da Terra. Adm (como consta no texto hebraico) não veio à Terra até que ela se solidificasse e se tornasse firme, mas veio antes que a Terra esfriasse completamente como está agora, e por isso a Terra estava realmente em um estado vermelho e incandescente naquele momento. Ele já havia estado aqui antes. Durante as Épocas anteriores à Lemúrica, os Espíritos pairavam sobre a Terra incandescente e ajudavam a moldá-la como a conhecemos hoje. Os Espíritos humanos estavam, naquela época, aprendendo lições com as quais não temos interesse atualmente. Estávamos inconscientes naquele momento, mas realizávamos o trabalho tão bem quanto, por exemplo, nossos órgãos digestivos executam as operações químicas necessárias à digestão e assimilação, embora não tenhamos consciência desses processos em nossa Mente consciente. Deve ficar claro, no entanto, que, assim como o trabalho das crianças no jardim de infância e no ensino fundamental é a base fundamental para os ensinamentos posteriores do ensino médio e da faculdade, as Épocas anteriores foram os alicerces de nossas condições atuais. Elas foram tão necessárias quanto aprender o alfabeto antes de tentarmos ler.
(Pergunta nº 84 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: “Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra…”
[2] N.T.: Flávio Josefo, ou apenas Josefo (em latim: Flavius Josephus; 37 ou 38-ca. 100), também conhecido pelo seu nome hebraico Yosef ben Mattityahu (“José, filho de Matias” – Matias é variante de Mateus) e, após se tornar um cidadão romano, como Tito Flávio Josefo (latim: Titus Flavius Josephus), foi um historiador e apologista judaico-romano, descendente de uma linhagem de importantes sacerdotes e reis, que registrou in loco a destruição de Jerusalém, em 70 d.C., pelas tropas do imperador romano Vespasiano, comandadas por seu filho Tito, futuro imperador. As obras de Josefo fornecem um importante panorama do judaísmo no século I.
Oh, você, cujo olhar recai casualmente sobre esta página. Você, cujo interesse já foi despertado, leia atentamente este artigo — você está desperto? Cada momento da sua vida vibra com a alegria de viver ou você está com as massas, adormecido na existência monótona?
Se sua alma não for tocada em suas profundezas mediante o desabrochar de uma flor, você está adormecido. A menos que esteja moldando inteligentemente o curso da sua vida, está adormecido. Caso não perceba sua unidade com o Cosmos, então você está adormecido… E a mensagem deste artigo se resume a uma palavra: desperte! Eis algumas sugestões as quais, para você que está satisfeito em dormir durante toda uma vida, deveriam ser de valor inestimável. São ideias novas? De modo nenhum. Mas são os pensamentos-chave de hoje — da nova Era.
– “Eu não quero trabalhar”, diz o homem desempregado.
– “Ah, é mesmo?”, eu respondo, “então mova aquela pilha de areia para lá e, quando terminar, simplesmente cave e a recoloque onde a encontrou”.
– “E quanto dinheiro eu vou ganhar?”, pergunta o homem.
– “Ah, então você quer dinheiro e não trabalho!”.
– “Bem…”.
– “Aqui está uma nota de R$ 100,00; eu lhe darei, se você não gastar”, é minha resposta.
– “Mas eu quero comprar comida e carvão para minha família”, diz ele.
– “Então, meu amigo, você vê que não é dinheiro que você quer, nem comida ou carvão; mas, isto sim, a sensação de conforto que essas comodidades trazem”.
Para simplificar esse ponto, o homem estava, na verdade, pedindo felicidade. Como nós, mortais, gostamos de girar ao redor do assunto! O processo acima de buscar felicidade é como pedir um balde de água quando você tem uma torneira perfeitamente boa em sua própria cozinha. Por que não pegar um atalho e começar por si mesmo? Suponha, antes de tudo, que façamos um exame. Eu faço a pergunta — você fornece a resposta.
Fisicamente. Você carece de algo para estar em boa forma? Seu rosto reflete alegria: olhos brilhantes, faces coradas, cabeça erguida, cantos da boca voltados para cima?
Mentalmente. A Mente está alerta, atacando cada problema com entusiasmo e obtendo conclusões inteligentes? Quando você olha para um objeto, você realmente o vê ou, em outras palavras, seus poderes de observação estão ativos?
Emocionalmente. Sua alma é tocada pela majestade e a Glória dos Céus? Você se deleita com a sinfonia do movimento do oceano sobre a praia? Você sente, e não apenas fala, a Fraternidade do ser humano?
Moralmente. Você está vivendo à altura dos ideais estabelecidos dentro de você?
Algo do que foi mencionado acima lhe falta? Bem, não saia procurando por isso e pedindo aos outros. Está dentro de você mesmo! Desperte-o! Não há necessidade de ir mais longe. Você sabe melhor do que os outros o que lhe falta e sem dúvida já recebeu a sugestão de listar o que deseja expressar. É uma ideia excelente!
Tome, por exemplo, a virtude da paciência. Suponha que eu queira desenvolvê-la em meu temperamento, entre muitas outras. Eu a escreveria em uma folha de papel e então começaria a despertá-la. Como você atrairia a atenção de uma determinada pessoa, se ela estivesse em uma multidão? Ora, chamando o nome dela! Fomos ensinados que todos os poderes e qualidades de Deus estão latentes em nós; então a paciência está ali, aguardando expressão. Chame-a à manifestação!
Estes dias árduos de reconstrução necessitam de corações fortes e aplicação inteligente. Quantos de nós levantam a mão para moldar o nosso próprio ambiente? Somos escravos do nosso negócio; nossas ideias políticas ou econômicas não são nossas, mas fornecidas pela tendência que achamos que conhecemos.
Quantos pensamentos originais podemos reivindicar em um dia? E, ainda assim, originar é prerrogativa divina de cada um de nós: criar, praticar a Epigênese.
Se estamos apenas vegetando, podemos muito bem ser como a planta – um ser da Onda de Vida vegetal – cuja consciência é semelhante à do “sono sem sonhos”.
Se estamos apenas deixando a vida passar por nós mediante os sonhos, nossa consciência não é mais elevada que a de um animal – que é um ser da Onda de Vida animal e tem um nível de consciência de “sono com sonhos”.
Desperte! Por tempo demais permanecemos à beira da estrada, embalados pela indulgência dos sentidos, dedicando uma vida inteira aos meros acessórios da existência — adormecidos para o verdadeiro significado da vida: uma vida vibrante e criadora.
Venha comigo por uma colina, atrás de uma cidade. Estamos na primavera! Iremos, se você quiser, em uma hora matinal; naquela hora, logo após o nascer do Sol, quando, para aquele que está desperto, a natureza sussurra seus segredos. O primeiro benefício da nossa caminhada é físico; o ar puro e o passo rítmico põem a circulação em movimento e começamos a formigar à medida que sentimos seus efeitos revigorantes…
À medida que começamos a subir a colina, notamos em ambos os lados do caminho sinuoso evidências da primavera, pois os arbustos e árvores estão ganhando nova vida e, aqui ou ali, uma flor silvestre se manifesta. Nesses arredores não podemos deixar de sentir a unidade de toda a vida, o que é evidência do despertar das emoções mais elevadas. Por fim, alcançamos o cume — ficamos a princípio dominados pelo glorioso espetáculo. Por quilômetros diante de nós estende-se uma vista de campos verdes, encostas ondulantes e, além do braço prateado do mar pontilhado de ilhas, vislumbramos o contorno tênue de uma cadeia de montanhas escarpadas. Esse panorama maravilhoso, resplandecente ao Sol da manhã, pertence ao ser humano. É o seu atual Campo Evolução que chamamos de Terra!
Agora, volte-se e olhe em direção à cidade. Será possível que lá embaixo, naqueles pequenos cubículos que habitávamos ontem, os problemas da vida parecessem tão enormes, tão opressivos? Porque nossa própria alma já se expandiu e sentimos que podemos voltar para resolver nossos pequenos problemas em pouco tempo. Como gostamos de elevar nosso próximo até as alturas atuais da nossa consciência! É como se tivéssemos erguido nossas cabeças para fora da neblina e encontrado o Sol brilhando em esplendor. Se você, meu irmão ou minha irmã, tem amor pela Humanidade em seu coração, então leve consigo esta mensagem de desenvolvimento: “Eu elevarei meus olhos para os montes”. Elevarei meus pensamentos àquela consciência superior que me diz que todo poder está latente de nós — e nós nada mais temos a fazer senão despertar para nossa Filiação Divina, a fim de realizá-la em sua plenitude!
Por mais 2.000 anos as palavras da Epístola de S. João, “Amados, agora somos filhos de Deus” (IJo 3:2), têm vibrado em ouvidos surdos. Absorvido naquilo que muitos chamam de “ganhar a vida” ou desfrutar de si mesmo muitos têm falhado em captar essa maravilhosa mensagem. Quando ela realmente desponta na consciência de uma pessoa, ela vislumbra um futuro antes inimaginado.
Se somos Filhos de Deus, ou, na terminologia da nossa Filosofia, a Filosofia Rosacruz, “Centelhas da Chama Divina”, então temos uma inteligência que se manifesta nesta Terra.
O que é isso? Até nosso atual estágio de desenvolvimento, estivemos sob a orientação direta de Seres superiores. Agora, tendo alcançado a autoconsciência e estando de posse de um instrumento maravilhosamente construído em forma de Corpo Denso, é nossa responsabilidade, como indivíduos, realizar algum trabalho criativo e especializado.
Podemos imaginar um agricultor com um pedaço de terra para cultivar, afiando, dia após dia, o seu arado ou limpando suas várias ferramentas sem colocá-las em uso real para o propósito a que foram destinadas? No entanto, não é esse o caso hoje com a maior parte da Humanidade? De fato, é um erro muito grave negligenciar o instrumento: um trabalhador não esperaria os melhores resultados com ferramentas enferrujadas e desafiadas.
Olhe para dentro e veja se você realmente está desperto. Se sim, o que você tem feito? A responsabilidade é sua. Se você esconder o seu talento, não haverá recompensa. O prêmio é para o bom e fiel servo que multiplicou os talentos que lhe foram dados.
Pois o mundo precisa de almas esclarecidas e urgentemente. Talvez você tenha testado esses métodos, mas não tenha notado muita melhoria — o seu crescimento é lento. Aprenda com a Natureza. O broto cresce lenta e imperceptivelmente, mas cresce, quando lhe são dadas as condições adequadas.
Você descobrirá que o crescimento mais rápido ocorre quando a planta é exposta à luz do Sol. A alegria é o nosso Sol espiritual e o seu crescimento ou desenvolvimento será bastante mais rápido, se for continuamente nutrido com alegria e contentamento. Todas as coisas respondem ao chamado da alegria. A alegria o ajudará.
Portanto: acorde!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Fevereiro de 1913
Assim como damos livros ilustrados aos nossos filhos para transmitir lições morais que eles não conseguiriam compreender intelectualmente, assim também os Líderes Divinos da Humanidade infante usaram mitos para ensinar as grandes verdades espirituais que germinaram inconscientemente em nós ao longo dos séculos e séculos, mas que foram, sem dúvida, fatores poderosos na formação do progresso humano. Dificilmente se imaginaria que o mito de Fausto incorpora o grande problema da “Maçonaria e do Catolicismo”, e mostra sua solução final, mas veremos em futuras lições que isso é verdade. No momento, tomo apenas um ponto da grande epopeia nórdica, O Anel dos Nibelungos[1], para mostrar como o fato e realidade de que quem busca a verdade deve “abandonar pai e mãe”, como fizeram Jesus e Hiram Abiff, foi transmitida aos Filhos da Névoa (Niebel é névoa e Ungen significa filhos em alemão), que viviam na atmosfera nebulosa da Atlântida. Mais tarde, poderei abordar lenda com mais detalhes.
Wotan é o chefe dos deuses, que estão sempre em guerra com os gigantes. Eles construíram uma fortaleza chamada Valhalla, onde as Valquírias, filhas de Wotan, levam os fiéis caíram em batalha defendendo a fé. A verdade perdeu o seu aspecto universal quando os seus guardiães a cercaram e a limitaram. Mas, Wotan tem outros filhos que amam tanto a verdade, que fogem de Valhalla para serem livres. Eles estavam armados com uma espada chamada “Filho da Necessidade”[2] (representando a coragem do desespero), com a qual o rebelde sempre se arma contra credos e dogmas, abandona as convenções e sai em busca da verdade. Wotan envia seus asseclas atrás dos fugitivos e pede a Brunilde, a Valquíria, que representa o Espírito da Verdade, que os ajude a derrotá-los. Ela se recusa, e Wotan, que se tornou invisível, investe com sua espada contra o seu valente filho Siegmund, que é morto em luta desigual.
A Igreja dominante não vê com complacência a divisão de seus filhos. Ela chegaria ao ponto de prostituir o Espírito da Verdade para cumprir seus propósitos e, quando isso falha, usa meios sutis para atingir os seus fins. Suas intenções eram boas, mas ela degenerou. Quando Wotan coloca Brunilde, que estava em prantos diante dele, para dormir sobre uma rocha rodeada de fogo, ele lhe diz que ela não despertará até que aparecesse alguém mais livre do que ele. A verdade não pode ser encontrada numa Religião presa a credos; quem a busca deve estar livre da lealdade a qualquer pessoa.
Assim é Siegfried (que significa aquele que através da vitória conquista a paz), o filho do assassinado Siegmund e de sua esposa-irmã Sieglinda. Esta última morreu ao lhe dar à luz. Por isso, ele está livre de pai, de mãe e de todos os laços terrenos; sua única herança é uma espada quebrada, a Filho da Necessidade. Criado entre os Nibelungos (a Humanidade comum), ele sente sua divindade e se ressente das limitações de seu ambiente. Seu pai adotivo, Mime, é um ferreiro habilidoso; mas toda espada forjada por ele é quebrada pelo jovem gigante ao primeiro golpe. Muitas vezes Mime tentou forjar a espada Filho da Necessidade, mas fracassou; pois, nenhum covarde consegue fazer isso. Enquanto temermos a Igreja, a opinião pública ou qualquer outra coisa, não poderemos nos libertar.
A coragem do desespero vence o medo, e Siegfried finalmente forja a espada ele mesmo. Com ela, ele mata Fafner, o dragão do desejo que paira sobre os tesouros da Terra, e Mime, seu pai adotivo, a natureza inferior. Então, ele se torna absolutamente livre. Um pássaro, a voz da intuição, lhe fala de Brunilde, o belo Espírito da Verdade, que pode ser despertado por aquele que é destemido e livre. Siegfried segue o pássaro da intuição em sua jornada; mas Wotan, seu ancestral, busca impedi-lo com sua lança, representando o poder da crença[3] que um dia quebrou a espada na mão de Siegfried. Essa espada é mais forte desde que Siegfried a forjou, e a lança de Wotan é mais fraca desde o primeiro golpe, pois a crença sempre enfraquece quando atacada. Siegfried, o livre e destemido, quebra a lança de Wotan; e, abrindo caminho através do fogo até a rocha da Valquíria, ele envolve o belo Espírito da Verdade em um abraço amoroso e a desperta com um beijo.
Assim, o antigo mito revelava ao buscador da verdade o que era necessário fazer para encontrá-la. Devemos deixar para trás pai e mãe, credos, dogmas, convencionalismos, opiniões preconcebidas, e desejos mundanos; jamais devemos temer o conflito com as autoridades estabelecidas, mas devemos seguir a voz interna, mesmo que isso signifique enfrentar o fogo; então, e somente então, poderemos encontrar a verdade.
Portanto, os Rosacruzes insistem que todos aqueles que os procuram em busca de ensinamentos mais profundos devem estar livres de qualquer vínculo com uma escola religiosa, e o candidato não esteja vinculado por juramentos em nenhuma etapa. Quaisquer promessas que ele faça são feitas a si mesmo, pois a liberdade é bem mais precioso da alma, e não há crime maior do que aprisionar outros ser humana, seja de que forma for. Que todos nós permaneçamos fiéis a essa grande herança e resistamos valentemente a qualquer violação desse direito sagrado.
(Do Livro: Carta nº 27 do Livro “Cartas aos Estudantes” – Max Heindel-Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: Um resumo com as ênfases nas partes esotéricas você encontra nesse livreto aqui: O Ciclo do Anel de Richard Wagner – Corinne Heline – Fraternidade Rosacruz
[2] N.T.: Nothung (do alemão Notung, “Filho da Necessidade”)
[3] N.T.: Dogma e crença são elementos-chave das tradições de fé para as Igrejas, definindo crenças fundamentais e a identidade coletiva. O dogma representa verdades autorizadas, imutáveis e divinamente reveladas, enquanto crença ou credo é um resumo conciso dessas crenças fundamentais. O dogma é essencial à fé, enquanto os credos fornecem confissões formais e recitadas.