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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pureza: um Ideal a ser Diuturnamente Cultivado

Falar em pureza nos dias de hoje pode até parecer um contrassenso. Para o ser humano comum este tema será recebido com ironia. Não poderia ser outra a atitude predominante diante do bombardeio de apelos ao sexo e aos vícios desencadeados pelos meios de comunicação.

Não estamos exagerando ao afirmarmos que grande parte da população já está condicionada a tudo o que é degradante. E isso ocorre sob conivente complacência de quem deveria zelar para que tal não acontecesse.

Não pretendemos insinuar que as pessoas, em sua quase totalidade, são moralmente tíbias. Queremos crer que a maioria seja bem formada e intencionada. Mas a repetição contínua dos bombardeios apelativos acaba, fatalmente, por alcançar o subconsciente, findando por obscurecer as boas qualidades. Eis porque o vício se converte numa segunda natureza.

Com pesar notamos alguns indivíduos intelectualmente bem dotados, e outros até estudiosos do espiritualismo, conhecedores dos benefícios de uma vivência pura, se deixar dominar por vícios e maus hábitos de toda espécie.

Não basta conhecer a verdade e almejá-la. Entre compreender e almejar há uma grande distância. Os profissionais de saúde, em geral, conhecem muito bem a higiene e as enfermidades ou doenças. “Conhecem”. Acabam, porém, adoecendo e sofrendo tal como os ignorantes do assunto.

Muitos Estudantes Rosacruzes sabem discorrer brilhantemente acerca de temas transcendentes, mas, incoerentemente, vivem como pessoas comuns. Parecem encontrar-se muito distantes dos princípios que tanto alardeiam.

Por quê? Porque falta a reforma interior, capaz de atingir o subconsciente. Em primeiro lugar, não possuem a fibra e a coragem necessárias para encetarem uma transformação purificadora em seu íntimo. É mais fácil ceder e condescender. São teóricos do espiritualismo, nada além de teóricos.

Não só o Cristo, mas os nobres cavaleiros de nossos ideais estão ameaçados. Parsifal[1] continua lutando e sofrendo pelo mundo, sem poder usar a espada a seu favor. Amfortas continua sofrendo as dores do remorso. A flor aberta, na fachada do Templo de Salomão[2], espera pacientemente pelos puros de coração.

A realização da pureza antecede uma jornada de lutas e quedas. Os valorosos engolem o pó do caminho, mas não desistem. Lamentavelmente muitos ficam. As dores sempre encerram uma lição. Exercita-se a pureza na batalha diária da existência, em meio aos pequenos desafios da vida. Quem não se esforça e morre sem lutar não merece o “Valhala” das bem-aventuranças. Não pode desfrutar da verdade nem provar a sabedoria.

Como aprendemos na Fraternidade Rosacruz que na atualidade, a força sexual criadora (exceto a quantidade insignificante que é necessária para a propagação da Onda de Vida humana para renascer aqui em um Corpo Denso) deveria ser transmutada em Poder Anímico. Portanto, vamos continuar, insistentemente, no caminho da pureza, para que não nos vejamos em situação pior que irmãos e irmãs que abusam, renascimentos por renascimentos, da força sexual criadora.

Enfim, a pureza é um ideal a ser diuturnamente cultivado.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – outubro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)


[1] N.R.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). Foi sua última ópera completa. Wagner descreveu Parsifal não como uma ópera, mas como um Festival para a Consagração do Palco. A grafia de Parsifal feita por Wagner em vez do Parzival que ele usou até 1877 é informada por uma etimologia errônea do nome Percival derivando-a de uma origem supostamente persa, FalParsi significando “tolo puro”. A ópera se passa nas legendárias colinas do Monte Salvat, na Espanha, onde vive uma fraternidade de cavaleiros do Santo Graal. O mago negro Klingsor teria construído um jardim mágico povoado com mulheres que, com seus perfumes e trejeitos, seduziriam os cavaleiros e faria com que eles quebrassem seus votos de castidade, e teria ferido Amfortas, rei do Graal, com a lança que perfurou o flanco de Cristo, e todas as vezes em que Amfortas olha em direção ao Graal sente a ferida arder. Tal redenção só poderia ser realizada por um “inocente casto” (significado da palavra “Parsifal”). Este, em sua primeira aparição na ópera, surge ferindo um dos cisnes que purificavam a água do banho de Amfortas, e a todas as perguntas que os cavaleiros lhe fazem responde dizendo que não sabe de nada, nem ao menos seu nome.

Parsifal atravessa o jardim mágico de Klingsor e é seduzido pela amazona Kundry, que ora é uma fiel serva do Graal, ora é escrava de Klingsor. Ao beijá-la, sente os estigmas das feridas que afligiam Amfortas e, quando Klingsor atira a lança contra ele, a lança dá a volta em seu corpo, e todo o castelo mágico é destruído. Tempos depois, tendo os cavaleiros se convencido de que ele é o “inocente casto” que faria a salvação, Parsifal cura as feridas de Amfortas e o destrona, assumindo a nova condição de rei do Graal.

[2] N.R.: Refere-se ao símbolo do Querubim, com a flor aberta colocada sobre a porta do Templo de Salomão, que transmitia a mensagem para o Aspirante à Vida Superior de que a pureza é a chave com a qual, por si só, ele pode ter a esperança em abrir a porta que conduz a Deus; ou como Cristo se expressou: “Bem-aventurados os puros de Coração, porque eles verão a Deus.” (Mt 5:8).

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Conversa em Mount Ecclesia: como devo servir?

Quem quer que esteja acostumado a conviver com Estudantes Rosacruzes certamente já deve ter ouvido esta pergunta:

“Como devo servir?”. E, pela frequência com que essa pergunta é feita, poder-se-ia concluir que todas as oportunidades foram avidamente aproveitadas; mas confesso, com pesar, que não é bem assim.

Você se lembra daquela música Cristã muito apreciada, “Guia-me, Luz Bendita”[1], que contém o verso: “Eu amava escolher o meu próprio caminho”? É assim que agimos, a maioria de nós. Há apenas certas coisas que gostamos de fazer, e aquele velho clamor infantil — “Eu não quero” — nos vem aos lábios ou ao coração quando nos sugerem uma forma de serviço que não nos agrada.

Ou, às vezes, o grito nasce do medo: “Ah, eu não consigo fazer isso”, esquecendo-nos do nosso lema: “se andarmos na Luz, como Ele na Luz está, seremos fraternais uns com os outros”. Temos um poder muito maior do que se trabalhássemos sozinhos; e, por trás de tudo, está a força de Nosso Deus-Pai.

Se quisermos seguir a ordem do nosso Mestre, Cristo, devemos ser servos — ou aqueles que servem — de todos. Observe bem: servos, não escravos. O escravo é impelido ao trabalho pelo açoite; o verdadeiro servo serve por amor, como uma honra e um privilégio. Às vezes, ansiamos pela oportunidade de servir a uma grande personalidade, a um instrutor ou a um escritor; contudo, a alma do ser mais humilde da Terra é tão preciosa para Nosso Deus-Pai quanto qualquer outra, e a honra de servi-Lo é igualmente grande — e as oportunidades para isso surgem aos montes, todos os dias.

Mas voltemos à pergunta: “Como devo servir?” A Parábola dos Talentos[2], no capítulo 25 do Evangelho Segundo S. Mateus, ensina-nos que o serviço deve ser realizado com todos os talentos que Nosso Mestre, Cristo, nos concedeu. Nenhum talento ou dom pode ficar guardado; todos devem ser utilizados. Lemos no Livro do Gênesis que Deus nos deu Corpos — o “Primeiro Dom”. Depois, soprou neles o fôlego da Vida — o “Segundo Dom”. E, em seguida, o dom do movimento, da audição, da visão, do olfato, do paladar, do tato e muitos, muitos outros dons ou talentos para serem usados ​​a serviço do próximo. Mas a maior de todas as dádivas é a Vida Eterna, por meio de Seu Filho, Cristo. Se aceitarmos esses dons — ou talentos — um a um e os utilizarmos em sua plenitude a serviço de Cristo, não teremos motivo para fazer a pergunta com a qual começamos. As oportunidades surgirão em tal abundância que as horas, os dias e até mesmo a própria vida parecerão curtos demais.

Retomando a Parábola: aquele que usou todos os seus dez talentos recebeu mais — e assim acontecerá conosco; a visão, a audição e todas as outras faculdades serão ampliadas além da nossa compreensão. Além disso, novos dons nos serão concedidos. Mas não nos esqueçamos de como utilizar esses talentos: o serviço deve ser prestado ao próximo, amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) e focado na Divina Essência oculta em cada um de nós que é a base da Fraternidade. Afinal, perdemos aquilo que gastamos apenas conosco!

Imagine que, na próxima semana, cada um de nós se empenhe em utilizar, a cada dia, um talento em sua plenitude a serviço dos outros. Pode ser o nosso canto ou a nossa música; pode ser a costura ou o trabalho da terra; a agudeza da visão, a precisão da audição, o talento para a organização, para o amor Crístico ou para promover a harmonia no lar. Cada um deles certamente proporcionará um serviço repleto de alegria.

A resposta para a pergunta “Como devo servir?” só pode ser dada por você mesmo. Somente você sabe o que é capaz de fazer e até que ponto pode levar o seu “Templo Vivo” a corresponder aos seus reais anseios, a do Ego, o que realmente somos. Outros podem lhe oferecer sugestões, mas apenas você poderá dizer, ao final do dia, ao seu Corpo cansado: “Muito bem, servo bom e fiel“[3]. Sirvamos com todas as partes do templo: o cérebro, a voz, as mãos e os pés. O serviço realizado fora do Templo não tem tanto valor quanto a entrega de si mesmo. Podemos adaptar as palavras de Lowell[4], em “Visão de Sir Launfal” e dizer: “O serviço sem aquele que serve é vazio”. Talvez você pergunte: a quem devemos prestar serviço? Encontramos a resposta no Ritual Rosacruz do Serviço Devocional do Templo: “Serviço amoroso e desinteressado para com os outros” — isto é, para a Humanidade; mas a Humanidade tem duas faces: a física e a espiritual. A qual delas devemos servir? Prestamos muitos serviços no plano físico da vida, provendo alimento, vestuário, abrigo, lazer e assim por diante. Lemos que devemos “procurar servir a Divina Essência oculta em cada um de nós” do Templo físico; mas só podemos servir por meio do Templo físico porque a Divina Essência — o nosso aspecto espiritual— está oculta em nosso interior. Portanto, devemos alcançá-la por meio de nossos pensamentos, ou seja, do motivo subjacente ao ato de servir.

Se nossas vidas forem consagradas ao serviço deve ser prestado ao próximo, amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) e focado na Divina Essência oculta em cada um de nós que é a base da Fraternidade, atrairemos oportunidades da mesma forma que um ímã atrai limalha de ferro.

 (Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de dezembro de 1917 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: Guia-me, Luz Bendita, em meio à treva que me cerca,

Guia-me Tu!

A noite é escura e estou longe do lar,

Guia-me Tu!

Guarda os meus passos; não peço ver

O horizonte distante; um passo me basta.

Nem sempre fui assim, nem pedi que Tu

Me guiasses;

Eu amava escolher e ver o meu caminho; mas agora

Guia-me Tu!

Eu amava o dia resplandecente e, apesar dos medos,

O orgulho regia a minha vontade. Não te lembres dos anos passados!

Por tanto tempo o Teu poder me abençoou; certamente ainda

Me guiará.

Por charcos e pântanos, por rochedos e torrentes, até que

A noite se vá,

E com a manhã sorriam aqueles rostos de anjos,

Que amei há muito tempo e perdi por um breve instante!

[2] N.T.: 14Pois será como um homem que, viajando para o estrangeiro, chamou os seus próprios servos e entregou-lhes os seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro dois, a outro um. A cada um de acordo com a sua capacidade. E partiu. Imediatamente, 16o que recebera cinco talentos saiu a trabalhar com eles e ganhou outros cinco. 17Da mesma maneira, o que recebera dois ganhou outros dois. 18Mas aquele que recebera um só o tomou e foi abrir uma cova no chão. E enterrou o dinheiro do seu senhor. 19Depois de muito tempo, o senhor daqueles servos voltou e pôs-se a ajustar contas com eles. 20Chegando aquele que recebera cinco talentos, entregou-lhe outros cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me confiaste cinco talentos. Aqui estão outros cinco que ganhei’. 21Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’” 22Chegando também o dos dois talentos, disse: ‘Senhor, tu me confiaste dois talentos. Aqui estão outros dois talentos que ganhei’. 23Disse-lhe o senhor: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com o teu senhor!’ 24Por fim, chegando o que recebera um talento, disse: ‘Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste. 25Assim, amedrontado, fui enterrar o teu talento no chão. Aqui tens o que é teu’. 26A isso respondeu-lhe o senhor: ‘Servo mau e preguiçoso, sabias que eu colho onde não semeei e que ajunto onde não espalhei? 27Pois então devias ter depositado o meu dinheiro com os banqueiros e, ao voltar, eu receberia com juros o que é meu. 28Tirai-lhe o talento que tem e dai-o àquele que tem dez, 29porque a todo aquele que tem será dado e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem será tirado. 30Quanto ao servo inútil, lançai-o fora nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes!’

[3] N.T.: Mt 25:21

[4] N.T.: James Russell Lowell (1819-1891) – poeta romântico, crítico, satírico, escritor, diplomata e abolicionista americano.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Pergunta: Qual é a razão pela qual tantos Estudantes Rosacruzes desejam obter liberdade consciente em relação ao Corpo Denso? Não há muito trabalho a ser feito enquanto se atua no Corpo, sem tentar sair apenas para encontrar mais trabalho? E eles não poderiam trabalhar tão bem como Auxiliares Invisíveis inconscientes, sob a direção dos Irmãos Maiores?

Resposta: Atualmente, a maior parte da Humanidade se encontra confinada em seus Corpos Densos durante as horas de vigília, pelo fato de que certas lições podem ser aprendidas nesse estado — lições que só podem ser plenamente assimiladas se, na prática, todos os outros lugares e condições forem excluídos de sua consciência.

Chega um momento, porém, na vida de cada indivíduo, em que ele cresceu o suficiente em conhecimento e capacidade espiritual a ponto de ser necessário um campo de atuação mais amplo. O Corpo Denso passa então a ser um entrave que convém deixar, por vezes, para que ele possa adquirir mais conhecimento e servir de maneira mais abrangente, em condições menos restritivas. Quando essa situação surge na vida de um indivíduo, ele chama a atenção dos Irmãos Maiores; recebe instruções nos planos invisíveis e aprende a auxiliar no trabalho de Cura Rosacruz, enquanto está fora do Corpo Denso, durante o sono (desde que, naturalmente, tenha desenvolvido um Corpo-Alma para nele atuar). Com o tempo, quando a pessoa está pronta, aprende a se libertar do Corpo Denso à vontade, para poder viajar a longas distâncias em busca de mais aprendizado — sendo tudo isso apenas um meio para atingir um fim: ajudar e curar o próximo que está doente ou enfermo. Por isso, aqueles que são capazes de deixar o Corpo Denso são conhecidos como Auxiliares Invisíveis, cujo trabalho consiste em auxiliar tanto os vivos quanto os chamados mortos, onde quer que sua assistência seja necessária e sua capacidade adequada.

Poderíamos acrescentar que, quanto maior a liberdade, maior a responsabilidade. Um Auxiliar Invisível inconsciente não dispõe de um campo de atuação tão amplo quanto aquele que consegue deixar o corpo conscientemente, ou seja, um Auxiliar Invisível consciente; contudo, em suas atividades, ele é orientado por seres mais evoluídos e experientes. Aquele que consegue deixar o Corpo Denso conscientemente, à vontade, e decidir sua própria linha de ação, deve arcar com as consequências tanto de seus erros quanto de suas ações corretas.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de novembro de 1964 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

 

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Qualidades: o Exercício Esotérico de ver o bem em tudo

Quando, passeando Cristo Jesus e seus Discípulos passaram por um cão morto, em estado de putrefação, houve quem se preocupasse com o mau cheiro, e, não se contendo, comentou-o. Prontamente Cristo Jesus chamou a atenção dos Discípulos para a alvura dos dentes daquele animalzinho, fazendo com que vissem apenas o que nele havia de bom.

No fato que acabamos de descrever percebe-se com clareza, a profunda lição que Cristo dera aos Discípulos de todos os tempos e à Humanidade.

Feliz, portanto, de quem procura se compenetrar da sublime lição dada por Cristo Jesus. Vai gradativamente enxergando em seu próximo tão somente as qualidades. Com isto, a sua felicidade avulta, tendo em vista a possibilidade que alcança de fazer, em maior proporção, a felicidade dos outros. Esta realização é, sem dúvida, o que há de mais importante, não apenas no Mundo Físico.

Aprendemos na Fraternidade Rosacruz, em perfeita consonância com Cristo-Jesus, que devemos ver o bem em tudo. Aliás, entre os Estudantes Rosacruzes, felizmente, alguns só se compenetraram bem da lição conscientemente. Outros, atingiram certo ponto e continuam se esforçando. E, há ainda aqueles que estão iniciando a maravilhosa jornada.

Caminhando, pois, como ensinara Cristo, verificaremos, no correr dos dias, que Ele tinha e tem toda razão desaparecendo por completo, o “mau cheiro” que antes sentia, porventura nos fatos e pessoas.

Lembremo-nos, finalmente, de que a Bíblia Sagrada diz o seguinte: “Deus criou tudo e viu que tudo era bom”. É conveniente, portanto, meditar diariamente sobre isto.

(Publicado pela Revista Serviço Rosacruz – julho de 1966 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Conceito de Liderança na Fraternidade Rosacruz: “servo de todos”

O Método Rosacruz de desenvolvimento evidencia-se de todos aqueles propugnados pelas demais Escolas Filosóficas-Cristãs de preparação para as Iniciações, em um aspecto primordial: liberta o Estudante de toda influência externa, desde o início do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Embora seus membros constituam uma comunidade trabalhando em conjunto por um ideal comum, reconhecem que não há dois indivíduos iguais e, por conseguinte, o trabalho evolutivo processa-se individualmente.

A própria Iniciação, tão apregoada por outras Escolas, e o que é pior, erroneamente conceituada por muitos como sendo uma mera cerimônia externa, oficializando a admissão de um novo membro, mediante certo preço financeiro (direta ou indiretamente), é encarada de um modo diametralmente oposto pelas verdadeiras Irmandades Ocultas. Nestas, o requisito indispensável e essencial à Iniciação é o desenvolvimento interno obtido por meio de esforços persistentes. Cada passo dado pelo Aspirante à vida superior, mediante suas próprias forças, representa uma conquista inalienável. Ninguém evolui senão pelo próprio denodo. O crescimento espiritual processa-se de dentro para fora, pela “edificação do Templo sem ruídos de martelo”, e qualquer ensino ministrado fora desses princípios proporcionará um pseudodesenvolvimento.

Sujeitar-se incondicionalmente a alguém visando o crescimento anímico é dar um passo assaz temerário, via de regra findando em desilusão. Isto tem sido comprovado frequentemente, o que fundamenta nossa afirmação no sentido de que cada um deve construir o seu próprio alicerce espiritual.

Como fator que ratifica a emancipação dos Estudantes Rosacruzes surge o fato de que na Fraternidade Rosacruz tudo é feito espontaneamente, com isenção absoluta de coação. Roga-se apenas que sejam respeitados os regulamentos. Todos os trabalhos executados o são voluntariamente, sem qualquer ação coercitiva. O próprio Max Heindel mantinha-se dentro de um caráter de espontaneidade, sendo contrário a tudo que parecesse padronização rígida, a fim de que tal não viesse limitar as atividades individuais. A consciência de cada um deve determinar como contribuir.

Eis, portanto, porque a Fraternidade Rosacruz não incentiva a formação de líderes em seu próprio meio. A liderança pode anular o caráter de espontaneidade que se evidencia numa Obra. Mas, dos males advindo este seria o menor. O mais grave é a sujeição da maior parte a uma minoria ou a um só indivíduo, no que concerne ao lado puramente espiritual. Isso pode ser constatado em algumas organizações, onde o líder inculca suas ideias em estudantes que a ele se subordinam cegamente, num flagrante desrespeito ao seu livre arbítrio. O líder debilita e restringe a ação e o desenvolvimento dos demais, cujas energias aplicam a seu bel prazer.

Líder no sentido comum da palavra é aquele que, mercê de algumas qualidades o destacam na comunidade, coloca-se em posição de abjeta ascendência sobre os demais, agrilhoando-lhes a consciência, não raro chegando mesmo à prepotência.

Líder à luz dos mais elevados Ensinamentos Rosacruzes, embora num sentido teórico, é aquele que tendo avançado mais do que os outros, emprega seus talentos única e exclusivamente com o propósito de servi-los, jamais tolhendo-lhes a liberdade, e permanecendo, às vezes, quase que no anonimato. Seu caráter, seu trabalho, seu entusiasmo pelo ideal evidenciam-no como um exemplo a ser seguido.

Então, através desse prisma, o líder é o servo de todos!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1967 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Mente é o “Mensageiro de Deus”

Algumas lições antigas da Fraternidade Rosacruz chamam a Mente de “O Mensageiro de Deus”. Sua importância na atual fase de desenvolvimento é indiscutível, embora ainda se encontre no seu estágio mineral de evolução.

O grande valor da Mente, como um “Mensageiro de Deus” a nós, é facilmente compreendido pelo fato de que os Estudantes Rosacruzes trabalham focando no seu Corpo Denso; os Probacionistas no Corpo Vital; os Discípulos no Corpo de Desejos e os Irmãos Leigos no Corpo Mental. Os últimos trabalham com a Mente, se esforçando por transmutar os pensamentos de sensualidade, avareza, egoísmo, violência e materialismo em pensamentos de amor, benevolência, compaixão, altruísmo, aspiração espiritual, devolvendo-os ao mundo para estimular todas as manifestações do bem.

Os Estudantes Rosacruzes, fieis aos ditames de seu coração, se esforçam por fazer a vontade de Deus, conforme a sentem. Entendem que nesta época de profundo racionalismo, em que a Mente predomina sobre o Coração, é necessário alcançar uma compreensão intelectual de Deus. Portanto, se lhes oferece, por meio da Filosofia Rosacruz, uma gama de conhecimentos científicos, lógicos e completos. Desse modo creem em seu Coração aquilo que o intelecto (a razão) sancionou e passam a viver uma vida religiosa Cristã Esotérica.

Quando nos desviamos do original Esquema de Evolução, sob a influência dos Espíritos Lucíferos, os Senhores de Vênus tiverem de se esforçar por prover o amor em vez da luxúria. Ao mesmo tempo os Senhores de Mercúrio apelaram àqueles que haviam desenvolvido alguma capacidade mental por meio dos sagrados ensinamentos, para que nos tornássemos menos egoístas.

Os Senhores de Mercúrio eram, originalmente, Hierofantes dos Mistérios Menores, aos quais estamos harmonizados como membros de uma associação de Cristãos Místicos. Iniciaram os mais avançados seres humanos, tornando-os reis e governantes, para o bem de todos e não para o autoengrandecimento.

Astrologicamente, Mercúrio é o nosso educador mental. Sendo assim, é o Planeta da razão, considerado mitologicamente o “Mensageiro dos Deuses”. O símbolo de Mercúrio expressa a característica da Mente como um elo ou mensageiro entre nós, o Ego, e o Corpo em nossas manifestações.

Para interpretar com crescente clareza a mensagem de Deus devemos purificar a Mente, cultivando um interesse cada vez maior por assuntos religiosos e intelectuais de natureza abstrata. Uma Mente capaz de entender matemáticas, Esquema de Evolução, Astrologia Rosacruz e Música elevada pode se elevar à Região do Mundo do Pensamento Abstrato sem estar aprisionada ao plano das sensações e desejos. Assim podemos sobrepor-nos à existência concreta que obscurece a verdade.

Não esqueçamos: a lógica é o melhor guia em qualquer Mundo, e ela nos preservará do orgulho intelectual, tornando-nos justos, porque “quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1986 – Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Ordem Rosacruz, Fraternidade Rosacruz e suas Relações

A Ordem Rosacruz é uma Irmandade dedicada ao desenvolvimento das faculdades humanas, à exploração das leis mais profundas da Natureza e ao estabelecimento de uma Comunidade Cristã na Terra. Ela se encontra na Região Etérica do Mundo Físico onde tem o seu Templo: o Templo Rosacruz.

A Ordem Rosacruz tem o objetivo de lançar uma luz oculta sobre a mal-entendida Religião Cristã, e para explicar o mistério da Vida e do Ser do ponto de vista científico, em harmonia com a Religião.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz são seres humanos que passaram pelas nove Iniciações Menores e pelas quatro Iniciações Maiores ou Iniciações Cristãs.

A Ordem Rosacruz constitui uma Ordem Sagrada, mas atua externamente por meio de indivíduos e grupos. A Fraternidade Rosacruz é uma dessas Associações. Ela se encontra aqui na Região Química do Mundo Físico. Ela foi criada para tornar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental acessíveis a todos que buscam respostas lógicas e científicas para os Mistérios da vida e do ser.

A Fraternidade Rosacruz é uma escola e visa emancipar o indivíduo da dependência de fatores externos e alcançar, em vez disso, uma plena confiança no Deus interior.

A Fraternidade Rosacruz, como uma escola, existe com o propósito de informar os inquisidores e instruir os Estudantes Rosacruzes no trabalho preparatório para ingressar na Ordem Rosacruz.

A Ordem Rosacruz trabalha especificamente com os povos do Ocidente, e seus métodos de desenvolvimento espiritual são especialmente concebidos para atender às necessidades intelectuais e religiosas dessas pessoas.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz trabalham para promover um desenvolvimento equilibrado entre a Mente e o Coração – a razão e a intuição. Eles trabalham para restabelecer a unidade dos três campos do esforço humano: Arte, Religião e Ciência.

A Ordem Rosacruz foi fundada no século XIV por Christian Rosenkreuz, um mensageiro da Grande Fraternidade Branca dos Divinos Hierarcas que guiam a Humanidade no caminho da evolução.

A Ordem Rosacruz é uma das sete Escolas Menores de Mistérios do mundo. Seus doze Irmãos Maiores, juntamente com seu décimo terceiro membro, o Líder, não possuem organização material, de modo que seu trabalho é desconhecido para todos, exceto os Iniciados de vários graus, desde o primeiro da Iniciação Menor até o quarto da Iniciação Maior.

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Exemplo de como Encontrar o Ascendente em um Horóscopo sem o Horário de Nascimento, por meio da Astrologia Rosacruz

Um dos maiores problemas para muitos Estudantes Rosacruzes que estão estudando a Astrologia Rosacruz e começam a levantar o seu próprio horóscopo é não saberem o horário do seu nascimento – ou até o não ter certeza de que é exatamente o que tem em mãos –, e os apelos ao autor por ajuda para encontrar o Ascendente são muito frequentes, pois a falta de tempo impossibilita a sua resposta. Mas, às vezes, Estudantes que visitam o Mount Ecclesia o encontram à noite, quando ele está dando uma volta pelos jardins e não consegue alegar estar ocupado; talvez a descrição de alguns casos em que os Estudantes Rosacruzes foram colocados no caminho certo possa servir para mostrar o método de encontrar o Ascendente e ajudar outros a fazerem o trabalho por si mesmos.

Vamos abordar primeiro o caso da Senhora X, que nos abordou numa noite no início do verão. Estudantes Rosacruzes que sabem “a única coisa necessária” para obter a informação procurada provavelmente a haviam enviado, pois ela tinha consigo um “exemplo de um horóscopo” como o mostrado abaixo, que entregou ao autor quando solicitou a informação.

image Um Exemplo de como Encontrar o Ascendente em um Horóscopo sem o Horário de Nascimento, por meio da Astrologia Rosacruz

Tal horóscopo simplesmente mostra como os Astros (Sol, Lua e Planetas) estavam agrupados ao meio-dia de Greenwich no dia do seu aniversário. As posições dos Astros são meramente copiadas das Efemérides, da maneira mostrada pelo “exemplo de um horóscopo” da Sra. X como mostrado na figura acima. Desloquemos esse horóscopo rodando-o na posição dos Astros nas Casas e, consequentemente, alteraremos o seu significado em relação aos assuntos da vida. Ao fazer perguntas à Sra. X, pode-se encontrar, com mais ou menos dificuldade, uma posição que se encaixe nos fatos e eventos da vida.

O primeiro ponto no horóscopo de teste da Sra. X, que chamou a atenção do autor, foi Saturno em Sagitário, e ele perguntou: “Você já teve algum osso quebrado, particularmente o fêmur ou nessa região?”

– “Não, não o fêmur, mas o cóccix, e isso me deixou inválida por anos.”

A pista estava começando a ficar “quente”, como dizem as crianças; então desloquemos o “exemplo de um horóscopo” da Sra. X até colocar Saturno na 6ª Casa, onde ele causaria uma longa doença. Teríamos um horóscopo assim:

image-1 Um Exemplo de como Encontrar o Ascendente em um Horóscopo sem o Horário de Nascimento, por meio da Astrologia Rosacruz

Isso colocava Júpiter na 11ª Casa, onde proporcionaria à Sra. X bons e fiéis amigos; colocava o Sol, Mercúrio e Urano na 1ª Casa, onde lhe proporcionariam uma disposição alegre, embora um tanto peculiar. Colocava Vênus na 2ª casa, onde proporcionaria à Sra. X uma boa quantidade de recursos financeiros, que ela gastaria igualmente em roupas, e colocava Marte na 4ª casa, simbolizando um marido bastante dominador. Tendo notado essas indicações, retomamos nosso exame da Sra. X.

– “Qual é a índole do seu marido? Ele tende a ser um tanto brusco e, às vezes, bastante dominador?”

– “Não, meu marido é sempre gentil, paciente e muito gentil”, disse a Sra. X, e o autor começou a ver sua teoria vacilar, mas não estava pronto para mudar de posição ao primeiro sinal de erro. Ele concluiu que Marte estava em Libra, o Signo do gentil Vênus, e, também em Sextil com o Sol, que é o significador geral do casamento para a mulher, o que o atenuaria, e talvez a testemunha também estivesse influenciada por seu amor conjugal, o que a tornava cega aos fatos como eles pareceriam a outras pessoas. Ele, portanto, aplicou o teste de Vênus na 2ª Casa e perguntou:

– “Seu marido é generoso? Ele sempre cuida bem de você e lhe dá bastante dinheiro?”

– “Sim, ele sempre garante que eu tenha o que preciso, mas, no que diz respeito ao dinheiro real, ele sempre insiste em uma contabilidade rigorosa para saber como ele é gasto.”.

Isso também não condizia com o que o horóscopo, como assim sustentado, indicaria; ainda assim, era possível que houvesse circunstâncias atenuantes que modificassem nosso julgamento sobre o que Vênus traria, e quando descobrimos que Vênus estava em Quadratura com Júpiter, o Planeta da opulência, ainda sentíamos que nossa ideia de como o horóscopo deveria ser estava correta. A Sra. X tinha pele escura e olhos castanhos, então pensamos que o Sol em Câncer na 1ª Casa, com Mercúrio e Urano, justificaria nosso julgamento e perguntamos:

– “E quanto à sua disposição? Você é alegre, alerta, de natureza ensolarada e otimista, sempre inclinada a ver o lado bom das coisas?”

Então, nosso julgamento recebeu seu golpe mortal, pois ela respondeu com o mais enfático:

– “Não, é exatamente o contrário. Muitas vezes fico melancólica e imagino todo tipo de mal, e essa condição dura dias.”

Precisamos, portanto, encontrar outra posição que se ajuste aos fatos que descobrimos: anos de invalidez, um marido gentil e uma disposição sombria e melancólica. Esses fatos também devem coincidir com sua aparência pessoal. Então, começamos a girar lentamente a figura, lendo em silêncio enquanto avançávamos.

Leão no Ascendente com Vênus descreveria um tipo completamente diferente, e de disposição feliz. Um olhar de relance bastou para deixar isso claro.

Virgem poderia ter inclinação para a invalidez, mas isso traria Saturno para a 4ª Casa e não se harmonizaria com a gentileza do marido da Sra. X. Isso também estava fora de questão.

Libra ascendendo com Marte é tudo menos sombrio, então Libra não poderia ser o Ascendente.

Escorpião também é marcial demais para ser esmagado por pressentimentos; mas aí vem Sagitário com Saturno. É preciso uma influência saturnina para trazer uma disposição sombria e melancólica. Talvez seja esse o lugar! Mas também não pode ser, pois isso coloca Júpiter na 6ª Casa e nega a invalidez prolongada.

Capricórnio é um Signo saturnino, que traz uma disposição sombria e melancólica, e a Lua está lá, para fomentar todos os tipos de imaginações que, é claro, são matizadas pelo Signo. Isso se encaixa e, também, descreve a Sra. X. Saturno na 12ª Casa é uma boa indicação de longo confinamento. O Sol na 7ª Casa indica um bom marido para a Sra. X, e sua 8ª Casa é a 2ª Casa, que rege as finanças da vida. Vênus, o Planeta do amor, em Leão, o Signo do coração, indica que ele é generoso com a Sra. X, mas a Quadratura de Vênus com Júpiter também indica as restrições.

– “Este é o seu horóscopo da Sra. X! Você tem Capricórnio no Ascendente, e tudo o que precisa fazer é configurá-lo com o primeiro grau no Ascendente. Aos poucos, você poderá ver quantos eventos posteriores acontecem e adiantá-lo até que se encaixe no dia. Para cada dois dias de atraso, avance um grau. Você descobrirá que Marte é o Planeta mais pontual para se medir. Este trabalho levará algum tempo. Há uma chance de você cometer erros e adiantar demais o Ascendente, e terá que reajustar as coisas, mas finalmente você acertará!”.

– “A propósito, vejo que Vênus está na 8ª Casa, que significa legados, em Quadratura com Júpiter; você já chegou perto de receber um legado ou recebeu um depois de algum problema?”.

– “Sim, há algo sobre um legado, mas não consegui provar meu direito.”

– “Bem, então o horóscopo combina com você, Sra. X.”

– “Mas, Sr. Max Heindel, não tenho certeza se nasci em 21 ou 22 de julho.”

– “O quê? Você não sabe o dia? Bem, isso muda a Lua, que é o principal marcador de tempo, em doze ou mais graus, e isso vai atrapalhar todos os seus cálculos. Receio não poder ajudá-la nisso.”

Mas naquele momento notamos que Saturno estava a dez graus de Sagitário em Conjunção com Antares, a Estrela que afeta tão mal os olhos, como se as luzes estivessem enfraquecidas a sua volta. A Lua no “exemplo de um horóscopo” marcada para o dia 22 estava a 17 graus de Capricórnio, em Oposição exata a Urano. Também foi observado que o Sol estava se aproximando da órbita de Ascelli, outra nebulosa a seis graus de Leão. Se a Sra. X tivesse nascido no dia 21, nem o Sol nem a Lua estariam afligidos, e não haveria nada de errado com os olhos dela, mas se tivesse nascido no dia 22, não escaparia de problemas muito sérios. Ela não usava óculos e, como caminhávamos lado a lado, o autor não conseguia observar seus olhos, mas as aparências o levaram a acreditar que seus olhos eram bons e que, portanto, ela havia nascido no dia 21. Uma pergunta revelou o erro:

– “A senhora já teve algum problema com os olhos, Sra. X?”

– “Sim, perdi a visão de um olho.”

– “Então a senhora nasceu no dia 22”, disse o autor, e o sino da Capela Pro-Ecclesia, chamando-nos para o ofício do Ritual do Serviço Devocional, encerrou a conversa.

Apresentamos também o horóscopo como foi elaborado, para que os Estudantes possam ver melhor como o assunto finalmente se resolveu. Desde então, vários eventos da vida foram calculados a partir dele com precisão inquestionável.

image-2 Um Exemplo de como Encontrar o Ascendente em um Horóscopo sem o Horário de Nascimento, por meio da Astrologia Rosacruz

(de Max Heindel – Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de Novembro/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Os Auxiliares Invisíveis e o Trabalho Deles nos Campos de Batalha de uma Guerra

Outubro de 1914

Mais um mês se passou e ainda a guerra europeia[1] continua em toda a sua intensidade. Milhares e milhares de pessoas cruzam a fronteira para o reino invisível, e a angústia lá, assim como aqui, é sem precedentes na história do mundo. Como você aprendeu em nossa literatura, o Mundo do Desejo é o mundo da ilusão e da desilusão; e aquelas pobres pessoas que foram transferidas tão repentinamente para aquele reino com ferimentos terríveis sobre seus Corpos Densos, também imaginam (como é muito frequente no caso aqui de pessoas que sofreram acidentes) que as lesões do Corpo Denso ainda estão com elas, e elas sofrem intensamente lá com esses ferimentos imaginários, como sofreriam aqui. Isto é, claro, inteiramente desnecessário. Muitas dessas pessoas estão se dirigindo para lá com ferimentos terríveis em seus corpos, principalmente aqueles causados por explosões de projéteis e por baionetas. Certamente que é uma atividade fácil para os Auxiliares Invisíveis mostrarem a qualquer uma dessas pessoas que seus ferimentos são somente imaginários, mas quando há tantos milhares delas, a tarefa se torna gigantesca, e nossos Auxiliares Invisíveis estão tendo um período de atividade sem precedentes neste conflito avassalador.

Entretanto, não é tanto a angústia resultante dessas lesões corporais imaginárias que torna o trabalho mais difícil. A angústia mental – a preocupação por aqueles que foram deixados para trás, o medo dos pais em relação aos seus filhos pequenos e a tristeza das mães que ficaram sozinhas para criar uma família de crianças pequenas – é o obstáculo mais terrível para uma solução desse terrível estado de coisas que os Auxiliares Invisíveis precisam enfrentar, e é nesse ponto que eu gostaria de pedir a sua sincera cooperação.

O Presidente Wilson, dos Estados Unidos, instituiu o dia 4 de outubro como um dia de oração pela paz. É sempre bom nos unirmos a tais movimentos, porque os nossos pensamentos canalizados terão um efeito considerável e fortalecerão extraordinariamente o apelo global. Todo Estudante fervoroso deve dedicar este dia para a oração pela libertação do mundo dessa matança terrível. Nesse momento, seus pensamentos devem ser particularmente direcionados para confortar aqueles que estão nesse mundo e, também, para aqueles estão aflitos nos Mundos invisíveis devido a separação dos laços familiares. Cada um deve manter o pensamento de que, embora a guerra atual seja dolorosa, esse é apenas um incidente em um longo período de tempo que não tem princípio nem fim. Como Espíritos somos imortais, e essas coisas que agora nos parecem de tão grande importância, quando vistas do ponto de vista espiritual e quando considerarmos o fato de que somos realmente imortais, terão uma importância menor nesse momento do que agora parece ser nesse caso para nós. O que quer que aconteça, será incorporado à natureza espiritual como uma lição para nos dar um sentido de horror dessa carnificina que agora está devastando o mundo.

Vamos esperar, fervorosamente, que essa guerra seja a última que manchará a paz da terra; que, tendo aprendido essa custosa lição, a Humanidade destrua, de uma vez por todas, os arsenais de guerra e transforme “suas espadas em arados”[2]. Que essa ideia esteja na Mente de todos os Estudantes no dia 4 de outubro; mas como essa data está tão próxima que, provavelmente, essa carta não chegará a todos a tempo, pedimos a todos os Estudantes da Fraternidade Rosacruz que dediquem o domingo, dia 18, a oração pela paz. Nessa altura, todos os nossos Estudantes terão recebido essa mensagem e, novamente, nós estaremos unidos desde a manhã até a noite, nesse esforço para ajudar a restabelecer a paz no mundo. Que o Reino de Cristo, em breve, substitua o “reino dos homens”, pois esses, certamente, têm se mostrado governantes ineficientes.

(Cartas aos Estudantes – nº 47 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Refere-se à Primeira Guerra Mundial

[2] N.T.: Is 2:4

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Respeito à Mesa onde se alimenta e a Oração Científica antes das Refeições

É muito recomendável entre nós, Estudantes Rosacruzes, o hábito de orar às refeições. Compreendemos o simbolismo do “pão e do vinho” da Sagrada Ceia: tudo o que resulta como alimento sólido, líquido ou gasoso, do influxo de vida que Cristo deixa em cada ano de Seu sacrifício na Terra, é Seu “sangue que bebemos” e Seu “corpo que comemos”.

Daí a reverência por nós devidos à mesa, pois sabemos que dentro de um alimento, de propriedades químicas, há também a Vida, que é o próprio Cristo.

Eis porque devemos, em conjunto com nossa família, nos habituar a orar às refeições. E para completar o ambiente uma música suave e pura, enquanto todos comem em silêncio ou falando baixinho sobre coisas alegres ou elevadas.

São diversas vantagens ao mesmo tempo: calma ao comer, mastigar bem, reverência e gratidão pelo alimento, bom exemplo aos que nos visitam, formação religiosa dos filhos, dentre outras.

Cada um fará como melhor achar. Podem-se colocar uma música suave e pura (não emocional) uns 5 minutos antes das refeições. Se você estiver só, então, faça mentalmente tal oração, o mais discreto possível, de preferência sem ninguém ao seu redor atentar para esse ato (tudo o que você não precisa nesse momento é de pensamentos e desejos inferiores dirigidos a você!). Quando se está em família, recomenda-se aos filhos (uma vez mais, pois a repetição faz o hábito) para comer devagar, insalivando e mastigando bem, explicando a razão científica; faz-se a seguinte oração, pausadamente, acompanhada mentalmente pelos demais:

PRECE ÀS REFEIÇÕES

Nós Te agradecemos SENHOR, por esse alimento.

Por ele, em qualquer tempo e lugar, a Santa Ceia se repete novamente, pondo-nos em comunhão com TEU CORPO e TEU SANGUE.

Abençoa, pois, a nossa refeição e ajuda-nos a assimilar a vida, que é a TUA VIDA compenetrando tudo, bem como a santificá-la, empregando-a no que seja realmente verdadeiro, belo e bom a serviço da humanidade.

Também TE pedimos SENHOR, por todos os que abusaram de TUAS dádivas e hoje, sob a Lei de Causa e Efeito, não tem o que comer.

Assim seja!!

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