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porFraternidade Rosacruz de Campinas

Porque e Quando se Torna mais Fácil Servir

Ao terminar o Curso Preliminar de Filosofia Rosacruz, a maioria dos Estudantes sente um forte impulso para indagar: como se pode servir?

O serviço não é apenas um simples exercício da alma. É a responsabilidade assumida pela aquisição do conhecimento. Quando o neófito ou a neófita se acerca do que são os Ensinamentos Rosacruzes na prática do dia a dia, sente uma transformação total em si mesmo: há confusão, alegria, otimismo, entusiasmo, jovialidade, saúde da alma e do corpo, fortaleza… até convencer-se plenamente de que é um novo ser humano. Do entusiasmo e confusão passa a uma serenidade profunda, uma majestosa dignidade que o faz compreender o valor do Eu Superior como ente espiritual.

Se você quer “Servir”, há mil maneiras diferentes de fazê-lo, como melhor apraz a seu coração. Em sua profissão, no trato diário com os familiares, na empresa, no escritório ou na escola, os preceitos Rosacruzes encontram campo para serem vividos e empregados. Eles constituem um “código de elevada moral”.

Quer um exemplo que ajuda bastante? Se você quer servir, frequente um Grupo de Estudos ou Centro Rosacruz mais próximo de você (graças às “ferramentas” aquarianas, hoje você pode frequentar pessoalmente ou remotamente!). Cada Grupo de Estudos ou Centro Rosacruz têm pessoas que estão lá para estudar os Ensinamentos Rosacruzes e com esse foco fica mais fácil ajudar aqueles que pela primeira vez sentem o anseio de conhecer tais Ensinamentos, bem como é uma oportunidade para conhecer e conversar com pessoas com a mesma afinidade espiritual. Nele reúnem-se Estudantes Rosacruzes, que espontaneamente também trabalham para difundir tão sagrados conhecimentos. Já que a Fraternidade Rosacruz é uma Associação de Cristãos Místicos, e como toda verdadeira Associação todas as atividades são executadas por meio do trabalho voluntário, eles oferecem parte de seu tempo, digitalizando material, traduzindo, fazendo cópias, escrevendo, publicando, melhorando figuras e diagramas, organizando o que se precisa, executando atividades em várias áreas existentes e até proferindo conferências sobre Astrologia Rosacruz, Filosofia Rosacruz e Estudos Bíblicos Rosacruzes, atendendo aqueles que chegam em busca da Panaceia Espiritual. Reúnem-se em um dia da semana para orar em benefício dos doentes e enfermos do mundo todo, cumprindo assim os dizeres do nosso ritual: “Um só carvão não produz fogo, mas quando se juntam vários carvões…”.

A essa tarefa dedicam-se os mais esforçados, pois um ou uma Estudante Rosacruz desejoso ou desejosa de servir sabe que, para se tornar um (a) Auxiliar Visível atuante, deve reunir em si mesmo as condições expressas nos Ensinamentos Rosacruzes. Assim, logrará a realização de um serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã, focando na Divina Essência oculta em cada um deles – que é a base da Fraternidade.

A Fraternidade Rosacruz oferece só uma resposta ao Estudante: quem se adentrar no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz deve manter sua conduta sob vigilância, vivendo conforme as Leis Divinas, como preceituam os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.

Todo ou toda Estudante Rosacruz deve se conscientizar do seguinte: para chegar a um nível do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz – e dali para frente – nunca ingerirá bebidas alcoólicas, não fuma, nem come carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, répteis, frutos do mar e afins), pois sabe que a partir daquele nível conhece a importância da vibração de sua Nota chave e de como pode transmiti-la, não só por meio da palavra e do pensamento, como também da ação, obra ou do ato. A vibração emanada de uma simples carta ou conversa dele ou dela pode ser portadora de um oásis de paz para quem a recebe. Tal é o poder do ritmo e da vibração que alguém emite quando “vive a vida”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1976-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Prova do Pudim

É um ditado popular que a prova do pudim está em comê-lo, pois, por mais delicioso que pareça, o sabor é o que conta; portanto, é isso que determina o valor do pudim.

Da mesma forma, e por analogia, o valor de um Ensinamento Esotérico, como os da Fraternidade Rosacruz, reside no efeito que ele tem em nossas vidas, e isso só pode ser comprovado vivendo tal Ensinamento. O apelo de qualquer doutrina ao intelecto ou ao senso estético não tem mais valor do que a aparência do pudim, a menos que, pela prática real na vida diária, se mostre um fator de elevação, tornando aqueles que a praticam pessoas melhores e mais puras que, por suas vidas de nobreza, altruísmo e desempenho das pequenas coisas da vida conquistem o respeito de seus companheiros no lar, na comunidade ou no entorno onde vive.

Às vezes, envolve considerável sacrifício, do ponto de vista mundano, viver os Ensinamentos Esotéricos, e muitas vezes surge a pergunta na Mente daqueles que buscam uma âncora: “vale a pena comer o pudim; vale a pena o esforço, o custo para aprender e aplicar tais Ensinamentos?”

É sempre um encorajamento para aqueles que estão em dificuldades, saber como outros encontraram ajuda e conforto, como maus hábitos foram superados e como a vida assumiu um aspecto mais brilhante graças aos Ensinamentos Rosacruzes aplicados na prática diária.

Recebemos inúmeras correspondências de várias maneiras de Estudantes Rosacruzes de todo o mundo, testemunhando que foram muito ajudados em suas horas de necessidade; que foram capazes de encarar a tristeza sem medo ao se despedirem temporariamente de amigos que partiram para o além; que ficaram felizes com a libertação de sofredores da doença e da dor, certos de que o amor que os uniu aqui, os unirá em uma união mais estreita face a face.

Mas essas correspondências são privadas e contêm outros assuntos de natureza irrelevante; portanto, não podem ser usadas para publicação. Mas servem de fatos para afirmar que o esforço vale a pena, e que o resultado justifica o sacrifício, a persistência e a disciplina em estudar e aplicar os Ensinamentos Rosacruzes.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de julho/1916 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Fé e o Mundo Material

“A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, assim Eu também vos envio” (Jo 20:21). Na noite da Ressurreição, a primeira coisa a ser considerada por Cristo foi mandar os seus Discípulos ao mundo para testemunhar a fé. A nós, também Ele diz: “Assim como o Pai Me enviou, eu também vos envio”. Por que devemos ser enviados? O que temos nós, Cristãos que somos – Estudantes assíduos do Cristianismo Esotérico –, que nosso Senhor deseja que o mundo receba de nossa parte? Temos inúmeras coisas, a começar pela fé.

Nós somos testemunhas de Cristo – o fermento de Cristo na Sociedade. O mundo de hoje necessita da nossa fé. Não nos enganam como Estudantes Rosacruzes ou Aspirantes à vida superior, nos consideram religiosos! As pessoas esperam de nós a bondade e as demonstrações da nossa fé. Mesmo quando contestam nossos argumentos, dependem da calma e serena expressão da nossa fé nesta Era, a de Peixes, de vertiginosa confusão para muitos (especialmente, porque estamos na “Órbita de Influência” de Aquário, onde já temos mais lições à disposição para aprender. Só que se nem as lições da Era de Peixes muitos nem sequer tentaram aprender – além de muitas da Era de Touro e da Era de Áries também não – aí está uma das causas da ilusória confusão, aflição, dissimulação, falta de confiança). Cada um de nós é uma testemunha de Cristo. Cada um de nós pode fortalecer ou enfraquecer a fé daqueles que nos rodeiam.

O mundo atualmente é, na verdade, um paradoxo. Porque em nossa sociedade afluente – rica e tecnologicamente sofisticada – muitos de nós se sente deprimido. A despeito dos aparatos que poupam nosso trabalho, modelos que nos seduzem, medicação que nos sustentam, ainda assim muitos continuam na depressão urbana na forma de pobreza, preconceito, falsa propaganda e miríades de outras depressões sociais que levam ao uso de álcool, das drogas e à negação psicodélica da realidade. Somos testemunhas da injustiça, da violência, áspera competição, do impersonalismo, um terrível período que ocorre em nosso mundo.

O paradoxo induz a maioria de nós à ansiedade. Essa ansiedade com o sentimento de culpa, insegurança e frustração não está confinada apenas nas pessoas neuróticas e infelizes! Essa ansiedade no mundo em que vivemos também se encontra no lar e no coração de muita mais gente do que pensamos. Todos nós, mesmo nossas crianças, são contaminados pelo senso de insegurança, num mundo cuja vastidão os aniquila. O conhecimento se expandindo cada ano, conhecimento assinalado com citações sábias marcadas por aspas, deixa muitas pessoas confusas em relação aos seus valores pessoais e duvidando do seu relacionamento com Deus e com a eternidade. O firme apoio que Deus nos permite descobrir, no espaço e no tempo, a sua complexidade, entra em colapso, em confusão para o indivíduo. Mesmo que muitos insistam em manter a sua liberdade pessoal por razões egoístas, não se isolam da situação; embora mudem de status, ora de um ora de outro, permanece o medo de observar as necessidades em suas almas.

A palavra de ordem nesta época parece ser ”hostilidade”. Nossa idade é hostil à Humanidade; muitos são hostis uns com outros, sendo mesmo hostis consigo mesmo. Nessa condição, a fé é a única esperança que nos resta para um mundo melhor. Mantenhamos nossa fé; ela nos mantém ligados a Deus. A fé é confiança, crença e conhecimento. Identicamente, como qualquer outro poder, a fé, a menos que não seja posta em prática – “A fé sem obras é morta” (Tg 2:17) –, se atrofia, tal como acontece com o músculo que não é exercitado. Devemos viver a nossa fé, testemunhá-la e nos esforçarmos por aprofundá-la.

Hoje, mais do que nunca, as pessoas discutem sobre Religião. Mesmo os que são hostis a ela admiram os que a cultuam, muitas vezes procurando o seu apoio, uma vez que uma pessoa de fé tem coragem, visão e paz – isso é justamente o que as pessoas procuram!

Oremos para que tenhamos sempre a mesma convicção e o entusiasmo que levou S. Tomé a exclamar: “Meu Senhor e Meu Deus.” (Jo 20:19).

(Publicada na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1986-Fraternidade Rosacruz-SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Espiritualizando nossos lares, abençoando-os

Pode-se e deve-se formar uma atmosfera espiritual em nossos lares, devotando uns poucos momentos, todos os dias, a uma oração sincera de Ação de Graças e de Consagração, somando a isso a oficiação diária dos Rituais Rosacruzes Devocionais do Serviço (do Templo e de Cura). Assim fazendo, formaremos uma vibração que atrai seres invisíveis benéficos e co-trabalhadores para nosso meio familiar, auxiliando, assim, a torná-lo um lugar de: conforto, inspiração, força, repleto de amor Crístico e de paz, onde todos se sintam bem. As crianças que crescem em tais lares, de harmonia e de facilidade provenientes de uma vida devocional, são enormemente fortificadas para as experiências da vida, pois essas vibrações constroem em seus Corpos Vitais uma fortaleza espiritual.

Os Estudantes Rosacruzes, conhecedores do poder do pensamento, têm o grande privilégio e responsabilidade deempregar seus conhecimentos e seus dons mentais e emocionais para impregnarem seus lares, os lugares de trabalho e qualquer edifício em que entrem, com essas vibrações elevadas.

Atente-se bem: se ocupamos um cômodo num hotel ou numa casa que nos tenha hospedado, a primeira coisa que devemos fazer é transmitir ao local uma benção para todos os que já ali estiveram; depois devemos impregná-lo com pensamentos de paz e harmonia, a fim de que todos os que venham ali depois de nós sejam abençoados pelas emanações amorosas que deixamos. Se permanecemos nesse lugar, devemos sim oficiar diariamente os Rituais Rosacruzes Devocionais do Serviço (do Templo e de Cura), ainda que sozinhos e se assim o for o mais anônimo possível, em silêncio.

Qualquer pessoa sensitiva percebe isto ao entrar num lugar. Tão importante maneira Cristã de agir deverá ser compreendida, um dia, pela Humanidade inteira, quando se convença de que realmente “os pensamentos são coisas”.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – dezembro/1965 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Um Chamamento

No Ritual do Serviço Devocional de Cura da Fraternidade Rosacruz lemos: “um só carvão não produz fogo, mas quando se juntam vários carvões, o calor latente em cada um deles pode converter-se em chama irradiando luz e calor”.

O poder dos números é insignificante no Mundo Físico, quando o comparamos com esse poder nos Mundos espirituais. Aqui contamos um, dois, três, quatro, etc.; nos Mundos espirituais o poder aumenta ao quadrado: dois, quatro, oito, etc., para as primeiras doze pessoas que assistem a um serviço. A partir da décima terceira pessoa, número aumenta esse poder ao cubo: três, nove, vinte e sete, etc. elevando-os ao poder do universo espiritual.

Observamos, pois, quão importante pode ser a presença do mais insignificante de nós, quando se trata de acumular e multiplicar nossas aspirações espirituais para o serviço da Humanidade.

Para assegurarmos o auxílio de todos os Estudantes Rosacruzes sérios e lhes dar a oportunidade de ajudar, publicamos o documento intitulado “Datas de Cura”,  em que se tem todas as datas em que se deve oficiar o Ritual do Serviço Devocional de Cura, de maneira que cada um que esteja interessado, seja Probacionista, Estudante, paciente ou qualquer outra pessoa que queira, possa se recolher em seu lar, de preferência às 18h30 (se não puder, pode oficiar em outro horário, mas de preferência sempre no mesmo lugar), dirigindo seus pensamentos em amorosa compaixão em direção à rosa branca que fica no centro do Símbolo Rosacruz no Templo de Cura onde, nesses momentos, se descobre o Símbolo. O fortalecimento que se dá na soma de todos oficiando esse Ritual, lhes permitirá realizar um serviço maior em favor da Humanidade, pois, então, cada um de nós toma parte no trabalho!

O símbolo dos Auxiliares Invisíveis, no qual nos concentramos em Mount Ecclesia, é uma cruz branca, com sete rosas vermelhas e uma rosa branca e pura no centro, a dourada estrela radiante emanada da cruz e o fundo azul[1], estando tudo formosamente iluminado, um símbolo adequado da fulgência do Corpo-Alma em que viajam esses servidores.

Não é necessário fazer correções no tocante à hora, devido ao lugar de residências, porque o Sol irá recolhendo todas as aspirações em sua marcha, e quando os raios chegarem ao Templo de Cura da Fraternidade Rosacruz, no ângulo adequado, a influência será transmitida e se unirá com nossas aspirações que têm lugar a essa hora e nos ajudarão no trabalho.

Max Heindel nos diz que no passado, quando nossos esforços para socorrer aos doentes e enfermos se encontravam necessariamente restringidos aos Estudantes Rosacruzes que estavam lá em Mount Ecclesia, devido à carência de suficiente número de pessoas em nossas oficinas, muitas vezes faziam-nos esta pergunta: como podemos ajudar?

Este chamamento é a resposta a todos! Agora, existe uma legião de Auxiliares Invisíveis desenvolvidos, tanto entre os vivos como entre os “chamados” mortos, e contribuirão muitíssimo, no futuro, para afugentar a morte da face da Terra.

Conscientizemo-nos do glorioso privilégio que significa ser membro dessa legião; mantenhamos mais alto que em qualquer outra hora essa posição que pode ser-nos conferida, e esforcemo-nos para viver as exigências dessa tão nobre e elevada causa, para que, com o tempo se nos considere dignos de assumir maiores responsabilidades.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1982-Fraternidade Rosacruz-SP)


[1] N.R.: se quiser obter uma cópia desse Símbolo é só enviar um e-mail para fraternidade@fraternidaderosacruz.com com: seu nome completo; seu endereço completo com CEP; seu e-mail; seu dia e mês de nascimento e se é Estudante Rosacruz ou não. Enviaremos sem custo e com o maior prazer para você.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carregai os Fardos Uns dos Outros…

Quando a pergunta “Por que você estuda a Filosofia Rosacruz?” é feita, nove Estudantes Rosacruzes em cada dez responderão, de modo fundamental: “Porque ela resolve problemas para mim cuja solução nunca encontrei em outro lugar”. As perguntas são aquelas eternas questões que, mais cedo ou mais tarde, colocam-se a todos nós: De onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde vamos? Como pode um Deus de amor permitir que os seus filhos sofram de doença, pobreza e pecado, quando é onipotente e onisciente? Quem pode descrever a paz que entra na vida quando essas perguntas são respondidas de uma forma que satisfaz tanto a cabeça quanto o coração? Ou a alegria de saber, apesar da confusão e da aparente contradição superficial, que verdadeiramente “Deus está no Seu Céu e tudo está bem no mundo”?

Às vezes, porém, a satisfação completa da lógica e da razão tende a endurecer o coração e a represar as fontes de compaixão e simpatia que naturalmente se dirigiriam ao nosso irmão ou a nossa irmã em dificuldade. Quando aprendemos que a Lei de Causa e Efeito opera literalmente na vida de uma pessoa e em seu ambiente ou quando entendemos que a doença da qual ela sofre é parte da sua própria obra e, na verdade, é sua colheita tão verdadeiramente quanto a espiga de milho que ela colhe em seu milharal, temos a propensão de raciocinar assim: tudo isso é culpa dela mesma devido à sua própria ignorância, e sua salvação depende do seu próprio domínio da lição. Por que razão devo interferir no seu desenvolvimento, carregando o seu fardo? Por que tentar aliviá-la daquilo que foi provocado pela sua própria ignorância? Não permitirei assim que essa ignorância continue e, portanto, atrasarei o seu desenvolvimento, em vez de ajudar?

Esse raciocínio é friamente lógico e tem o sabor do pensamento deste mundo, mas não o da sabedoria divina. Devemos nos lembrar de que, embora a lógica e a razão tenham direito às considerações adequadas, elas não podem servir como único guia para o desenvolvimento espiritual. Devemos nos esforçar para obter um desenvolvimento global e elevar o nosso raciocínio mundano ao plano da sabedoria divina. Nesse desenvolvimento, tanto a simpatia de um coração amoroso deve ser satisfeita quanto a justiça exigida pela razão e pela lógica.

Os Anjos do Destino deram a todos os povos, em todos os tempos, uma luz adequada e suficiente para guiá-los em sua evolução e a nós ofereceram a Bíblia. Nela nos é dito claramente, em tom inequívoco: “carregai os fardos uns dos outros e assim cumprireis a Lei de Cristo. Pois cada um carregará o seu próprio fardo”[1]. Quando o Cristo nasce em nós, torna-se não apenas o nosso dever, mas também o nosso prazer, aprender a Sua Lei e aplicá-la a cada pensamento ou ato para que possamos crescer “até a estatura e a plenitude do Cristo”[2]. Como podemos então saber se estamos ou não interferindo no desenvolvimento do nosso irmão ou da nossa irmã e retardando o seu crescimento, quando carregamos com ele ou com ela, e por ele ou por ela, o seu fardo?

A “ovelha perdida”[3] que o Cristo veio procurar e salvar não é o indivíduo isolado que pode recorrer ao Crucificado para a salvação da alma dele. O sacrifício de Cristo foi pela Humanidade para salvá-la das suas trevas e da sua ignorância, e a ignorância e os pecados dos vários são a ignorância e os pecados de todos. Eu sou o guardião do meu irmão e da minha irmã porque a minha ignorância, tal como a dele ou a dela, é a causa da queda dele ou dela e eu também sou ignorante e pecador. Além disso, a salvação só se encontra em Cristo, que não veio para me salvar individualmente, mas a mim porque faço parte da Humanidade que estava e está perdida. A minha salvação não pode ser desfrutada na sua plenitude enquanto o que está perdido não for redimido. A minha vida está tecida e entrelaçada com a vida do meu irmão ou da minha irmã e, se a Luz raiou sobre mim, satisfazendo tanto o coração como a mente e me restituindo um Deus de amor e justiça, essa Luz revela também o fato de que o fardo do meu irmão ou da minha irmã não é mais individual do que a sua redenção.

Mas, o que significa a última parte do nosso texto: “Porque cada um deve carregar o seu fardo”? Não é isso uma contradição? Por que devo me preocupar com o problema do meu irmão ou da minha irmã, se no fim não posso carregá-lo? A resposta é que a única parte do fardo que podemos ajudar a carregar é o seu aspeto exterior — o alívio material. Apenas alguns de nós aprenderam a oferecer qualquer tipo de alívio a partir de um plano superior. Como somos propensos a engrandecer o material! Quando damos uma moeda para o mendigo ou lhe aliviamos a fome, pensamos que o ajudamos a suportar o seu fardo.

Quando nos compadecemos do nosso amigo ou da nossa amiga e ele ou ela segue o seu caminho com o coração mais leve e as forças renovadas, quanto vocês pensam que, na realidade, suportamos do seu fardo? Quando aliviamos o seu sofrimento, não estamos lidando em grande parte com o efeito, em vez da causa? Com que frequência procuramos cuidadosamente e em espírito de oração a causa do seu problema? Podemos, ou não, com mansidão e amor, mostrar para ele a Luz de tal forma que ele a possa compreender sem ser sobrecarregado pela nossa sabedoria superior ou oprimido pelo remorso?

Se tivermos feito tudo isso com humildade, não precisaremos que nos digam que “cada um deve carregar o seu fardo”. Há muito tempo enfrentamos nossas limitações e sentimos a nossa impotência. A origem de todo pecado é a ignorância e o seu único remédio é a sabedoria. A aquisição da sabedoria é um crescimento e o crescimento é um processo lento, puramente individual. Podemos ajudar nosso irmão ou nossa irmã a atravessar um caminho pedregoso, podemos firmar seus passos vacilantes e atar os pés que sangram, mas não podemos percorrer o caminho por ele. Cada um deve carregar o seu próprio fardo.

Não precisamos temer a interferência no desenvolvimento do nosso irmão ou da nossa irmã, quando lhe prestamos o nosso melhor serviço na sua hora de necessidade. Ao contrário, tenhamos medo é de negligenciar o serviço e retardar o nosso próprio crescimento. Nosso destino está entrelaçado com o dele ou com o dela; quando partilhamos o nosso pouco com ele ou com ela na sua hora de necessidade, aprendemos a tão necessária lição da confiança em Deus e não nos bens materiais ou no ambiente. Aprendemos, então, que o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) é o caminho mais curto e mais seguro que nos conduz a Deus e que “aquele que quiser ser o maior entre vós, que seja o servo de todos”[4].

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross outubro/1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: Gl 6:2-5

[2] N.T.: Ef 4:13-16

[3] N.T.: Mt 18:10-14 e Lc 15:1-7

[4] N.T.: Mc 10:43 e Mt 20:26

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Carta de Max Heindel: Movimentos Cíclicos do Sol

Dezembro de 1915

As notícias que diariamente a mídia falada e escrita transmitem, muitas vezes nas primeiras páginas em grandes manchetes, são as que parecem de importância e interesse vital para todos, mas são rapidamente esquecidas, e as mídias que as publicaram logo a apagam, arquivam ou, se for em papel, jogam fora ou queimam. Do mesmo modo, a canção que está hoje em voga e na cabeça de todos é rapidamente relegada ao arquivo do esquecimento. Até os seres humanos que são lançados, como meteoros, na ribalta da popularidade são esquecidos juntamente com os fatos que motivaram a sua rápida fama – por isso, citando Salomão: “Tudo é vaidade”[1].

Mas, entre as mudanças caleidoscópicas que alteram constantemente o cenário mundial em seus aspectos moral, mental e físico há certos eventos cíclicos que, ainda que sejam recorrentes na natureza deles, têm entre si uma causa permanente e uma estabilidade que distingue o método macrocósmico do microcósmico em conduzir os fatos.

Quando no hemisfério norte é a estação da primavera, na época da Páscoa, o Sol cruza o Equinócio de Março, a Terra desperta do seu repouso invernal e sacode a branca camada de neve que a cobriu, como se fosse um manto de pureza imaculada. A voz da natureza é ouvida quando os pequenos riachos murmuram ao deslizar suavemente pelas encostas das montanhas em direção ao oceano. Essa voz também é ouvida quando o vento sussurra a canção do amor por entre as folhas recém-brotadas nas árvores dos bosques, o que impulsiona o botão e também a flor que produz o pólen, e este é levado por meio de asas invisíveis ao companheiro que o espera. Essa voz é ouvida nas canções de amor quando do acasalamento dos pássaros, e nas chamadas dos animais às fêmeas deles. Ela ressoa em todas as manifestações da natureza até que o nascimento de novas vidas compense as destruídas pela morte.

Quando no hemisfério norte é a estação do verão, o Amor e a Vida trabalham demasiada, longa, extenuante e fatigantemente com coração regozijante, pois eles são os Senhores que batalham pela existência, enquanto o Sol está exaltado nos céus no máximo de sua força no Solstício de Junho. No entanto, o tempo prossegue e chega outro ponto decisivo com o Equinócio de Setembro. Acalma-se o canto nas florestas; cessa o chamamento amoroso dos animais e dos pássaros e a natureza retorna ao silêncio. A luz decai à medida que crescem as sombras da noite, até que, no Solstício de Dezembro, a Terra se prepara para o profundo sono dela, pois precisa da noite de repouso após as atividades extenuantes do dia precedente.

Mas, da mesma forma que a atividade espiritual do ser humano é maior enquanto o seu corpo está adormecido, assim também, podemos compreender pela Lei de Analogia que a chama espiritual na Terra é mais radiante nesta época do ano, e é esta a ocasião propícia para o melhor desenvolvimento da alma, para a investigação e estudo dos mais profundos mistérios da vida. Cabe-nos aproveitar essa oportunidade e utilizar o tempo da melhor maneira possível. Não precisamos ter pressa nem ansiedade, mas trabalhar paciente e devotadamente, sem esquecer que entre todas as coisas que mudam no mundo, esta onda grandiosa de luz espiritual permanecerá conosco nas estações de inverno pelos anos que virão. Será cada vez mais brilhante à medida que a Terra e nós próprios evoluirmos, atingindo graus mais elevados de espiritualidade. Estamos trabalhando como precursores para difundir os Ensinamentos Rosacruzes, que ajudarão a iluminar o mundo durante os séculos que se seguirão ao atual. Há uma lei que diz: “Receberás na proporção que deres”. Agora, essa estação do ano é a mais propícia para dar e receber, então, vamos nos assegurar que a nossa luz brilhe na grande árvore cósmica do Natal, para que seja vista pelos seres humanos e que possa atraí-los para as verdades que nós sabemos serem de importância vital no desenvolvimento dos nossos semelhantes.

Concluindo essa carta, eu quero agradecer a cada um dos Estudantes Rosacruzes por sua cooperação nos trabalhos do ano passado. E que possamos, juntos, fazer um trabalho melhor e mais proveitoso no próximo ano.

(Carta nº 61 do Livro “Cartas aos Estudantes” – de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)


[1] N.T.: Ecl 1:2

porFraternidade Rosacruz de Campinas

As Asas de Cura Rosacruz

No início do Antigo Testamento somos informados de como a Humanidade caiu de sua pureza primordial no pecado, na tristeza e na morte inerentes à existência física[1]; no final desse mesmo Testamento há a promessa de que, no devido tempo, o Sol da Justiça surgirá com cura em Suas asas para nos salvar da tristeza, do sofrimento e da morte engendrados por nossa injustiça.

O Novo Testamento nos mostra o divino Hierarca, Cristo, realizando milagres como nunca antes. Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem e assim por diante; sim, até a morte é vencida por esse grande Espírito em nome do Pai, que Ele proclama como o Grande Médico que cura todos os males. Além disso, Ele afirmou que “a obra que eu faço vós também a fareis e maior”[2]. Ele até enviou Seus Discípulos para curar e dos dois mandamentos dados por Ele a seus seguidores — pregar o evangelho e curar os enfermos — um é tão obrigatório quanto o outro.

A Fraternidade Rosacruz tem se empenhado em seguir ambos os mandamentos nos últimos anos. Os Probacionistas que, pelo serviço fiel na vida cotidiana, conquistaram o privilégio de se tornar Auxiliares Invisíveis realizam um trabalho maravilhoso e cartas de gratidão de pacientes de todo o mundo atestam sua eficiência. O trabalho é dirigido pelos Irmãos Maiores através da Fraternidade Rosacruz.

A fim de aumentar a eficiência desse trabalho, há anos desejamos construir a Ecclesia[3], onde a Panaceia Espiritual poderá ser preparada; mas, até agora não conseguimos realizar essa ambição, o que mostra claramente que não estamos prontos; porque se estivéssemos, se tivéssemos realmente conquistado o privilégio, os fundos certamente viriam.

Como então podemos merecer esse privilégio? Essa é a grande questão e a resposta não é incerta. Somente na medida em que utilizamos ao máximo as oportunidades, as faculdades e os talentos que são nossos é que podemos esperar receber maiores oportunidades, mais talentos e melhores faculdades. E agora inauguramos uma nova atividade pela qual toda a Fraternidade Rosacruz, e não só aqui na Sede Mundial, pode participar e nos ajudar neste grande trabalho de cura.

Vocês deveriam ter visto a rapidez com que todos trabalhamos, como nos demos as mãos e nos encaixamos para que tivéssemos a Pro-Ecclesia[4] pronta para o serviço de dedicação que aconteceu na Noite Santa. E por quê? Porque naquela noite o poder espiritual do Sol chega ao topo, derramando uma bênção sobre o ar.

De 25 de dezembro a 25 de junho as atividades físicas estão em ascensão, ganhando força gradativamente, o que culmina no Solstício de Junho; e, então, abençoa o ser humano fisicamente com as coisas necessárias para o seu sustento material. Durante esse período, as atividades espirituais são difíceis de iniciar e, portanto, esperamos em silêncio até que a oportunidade chegou recentemente e realizamos o primeiro Ritual Devocional do Serviço de Cura na terça-feira, 23 de junho, às dezoito horas e trinta minutos, quando a Lua estava no Signo Cardinal de Câncer.

E, no futuro, um Ritual Devocional do Serviço de Cura será realizado na Pro-Ecclesia, naquela hora de cada dia em que a Lua alcançar os 15 graus em um dos Signos Cardeais ou Cardinais[5]. Decidimos oficiar o Ritual Devocional do Serviço de Cura para aproveitar ao máximo a pequena Pro-Ecclesia e assim ganhar o privilégio de ter também a Ecclesia. Isso foi aprovado pelo Mestre e ele sugeriu que os Rituais do Serviço Devocional de Cura fossem oficiados quando a Lua estivesse nos Signos Cardeais. Mas, queremos dar um passo adiante em nossos esforços para garantir a eficiência; por isso, queremos acrescentar aos nossos esforços a ajuda de cada Estudante Rosacruz sério da Fraternidade Rosacruz.

Há uma passagem no Ritual Devocional do Serviço do Templo, que oficiamos nos serviços da Fraternidade Rosacruz que diz: “Um só carvão não produz fogo, mas, quando se juntam vários carvões, o calor latente em cada um deles pode converter-se em chama, irradiando luz e calor. De acordo com esta mesma Lei da Natureza, aqui estamos reunidos, irmanados pelas nossas aspirações espirituais para podermos acender e manter viva a chama da verdadeira Comunhão Espiritual.”.

O poder dos números é insignificante no mundo da existência física quando comparado com o seu poder no reino espiritual. Aqui os acréscimos ao poder de uma comunidade contam como um, dois, três, quatro…, mas lá o poder aumenta em uma proporção que pode ser comparada ao quadrado — dois, quatro, oito, dezesseis… — para cada 12 que ajudam no serviço espiritual. O 13º então aumentaria para outro reino superior do universo espiritual. Para fins de ilustração, podemos contar esse aumento pela potência de três: três, nove, vinte e sete…

Assim, você verá como até o mais fraco entre nós pode se tornar importante, quando reunimos nossas aspirações espirituais. Tampouco pode haver dúvida sobre a poderosa influência que terá sobre os doentes e enfermos. Para garantir a ajuda de todos os Estudantes Rosacruzes sérios e lhes dar o privilégio de ajudar, publicaremos no Echoes de Mount Ecclesia todos os meses as datas em que o Ritual Devocional do Serviço de Cura deve ser realizado[6]. Se cada Estudante Rosacruz se sentar em sua casa às dezoito horas e trinta minutos, oficiar o Ritual Devocional do Serviço de Cura e, no momento da Concentração, focar no Símbolo Rosacruz que também está aqui[7] em Mount Ecclesia, símbolo esse que também representa várias características presentes e necessárias no Auxiliar Invisível, será manifesto, o amor, a simpatia e a força assim dados a esses Estudantes Rosacruzes que os capacitarão a prestar um serviço muito maior à Humanidade; cada um, é claro, fazendo a sua parte nesse trabalho.

O Símbolo Rosacruz que deve ser colocado em frente ao Estudante Rosacruz que está oficiando o Ritual e no lado oeste – e que também aqui em Mount Ecclesia – tem a rosa branca e pura que é o símbolo do coração do Auxiliar Invisível; tem as sete rosas vermelho-sangue que representam o purificado sangue do Auxiliar Invisível; tem a cruz branca que nos lembra a pureza do Corpo Denso do Auxiliar Invisível; e tem a estrela dourada de cinco pontas que simboliza o Dourado Manto Nupcial – o Corpo-Alma – do Auxiliar Invisível, tecido através de uma vida pura.

Não será necessário fazer correções a tempo para o seu local de residência, pois o Sol recolhe todas as aspirações à medida que avança e quando os raios no ângulo adequado chegarem ao Mount Ecclesia a influência dirigida para cá certamente será transmitida e se unirá às nossas, que ocorrem neste momento, para nos ajudar no trabalho.

Outro ponto nos ocorre em que fomos negligentes no passado. Recebemos o mandamento de deixar nossa luz brilhar, mas a modéstia nos impediu de deixar claro que numerosas curas estão realmente sendo realizadas pelos Auxiliares Invisíveis da Fraternidade Rosacruz que, é claro, estão trabalhando como agentes do nosso Pai no Céu, sendo Ele o Grande Médico. Isso deve ser sempre lembrado. E para remediar esse defeito, decidimos publicar todos os meses alguns extratos de cartas de pacientes que receberam ajuda e foram curados. Até agora, desde que começamos o trabalho de cura, poucos, certamente não mais do que meia dúzia, permanecem teimosos; os outros receberam ajuda. Eis alguns exemplos:

Aqui está alguém que teve abscessos no peito. Foi curada em poucas semanas. Ela diz em uma de suas últimas cartas.

Em relação ao abscesso em meu peito, fico feliz em dizer que está cicatrizando bem. Sinto que você me ajudou maravilhosamente.

Atenciosamente, R.N.S.

NSC, também com um abscesso, escreve:

Toda semana vejo melhora no meu caso e sou muito grato por isso. Eu não tinha ideia de que poderia me sentir tão melhor em tão pouco tempo. Ficarei realmente feliz, se puder aprender a ajudar os outros como você está me ajudando.

O seguinte é um caso de obsessão, em que a pessoa escreve:

Estou muito melhor e me sinto uma pessoa bem diferente agora que estou totalmente livre da influência; cada vez mais grato por sua ajuda. – A.B.

A carta a seguir é de uma mãe que solicitou a cura de seu filho. Ela diz:

Meu relatório para Eva esta semana é tão encorajador como sempre. Sua cabeça está curada e a audição é boa. Sua saúde geral é esplêndida. Sinto-me muito feliz com a recuperação dela e sou muito grata a você. – Atenciosamente, E.G.S.

A maior desvantagem de nossa atividade de cura vem da negligência dos Pacientes. Nossos requisitos são muito simples. Pedimos apenas que escrevam uma vez por semana com caneta à base de tinta nanquim LÍQUIDA ou “pena mosquitinho” que você molha em um recipiente com tinta LÍQUIDA nanquim – para que os eflúvios etéricos, provenientes do Corpo Vital do Paciente durante a escrita possam fornecer ao Auxiliar Invisível uma chave de admissão no organismo do Paciente. Mas, por mais simples que seja essa regra, alguns não conseguem escrever, se esquecem, escrevem com outros tipos de canetas e até à lápis (!).

Aqui está o caso de uma pessoa que teve por muitos anos uma vértebra deslocada e que foi curada por nosso tratamento, embora osteopatas, quiropráticos e vários outros que tentaram imaginaram ser impossível substituir a vértebra. O pobre homem estava, portanto, com dores constantes e ficava na cama a maior parte do tempo, totalmente incapaz de trabalhar. O tratamento dos Auxiliares Invisíveis substituiu a vértebra e ela ainda está no lugar. O homem foi trabalhar e parecia maravilhoso. Mas, ficando tão entusiasmado com a ideia de que fosse totalmente livre, desconsiderou nossa instrução de continuar escrevendo para que nosso Auxiliar Invisível pudesse ter a chance de manter sua vértebra no lugar por um período de tempo suficiente até que permanecesse no local adequado. Agora vem a seguinte carta, mostrando que estávamos certos em pedir que ele fizesse isso e ele errou em não obedecer.

Ele diz.

Há pouco tempo escrevi que estava curado e interromperia minhas cartas semanais, mas agora vejo que cometi um grande erro. Desde então minhas costas doem quase o tempo todo e estou ficando com os ombros caídos novamente, embora a vértebra esteja no lugar onde estava a lesão. Parece que estou pedindo a muitos de vocês que assumam isso pela segunda vez, mas não percebi a influência que os Auxiliares Invisíveis tinham sobre mim e o quanto dependia deles.  – Muito sinceramente, R.P.P.

(Publicado no Echoes from Mount-Ecclesia de julho de 1914 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)


[1] N.T.: o que conhecemos como o evento chamado “A Queda do Homem”, tratado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos.

[2] N.T.: Jo 14:12

[3] N.T.: Templo de Cura da Fraternidade Rosacruz em Mount Ecclesia, Oceanside, EUA. Max Heindel lançou a pedra fundamental no dia 26 de novembro de 1914. Em maio de 1920, Max Heindel apareceu para sua esposa e disse que, conforme solicitado pelo Irmão Maior, era tempo de construir a Ecclesia ou Templo. No dia 29 de junho de 1920 foi iniciada a construção do Templo de Cura. No dia 24 de dezembro de 1920 foi inaugurado o Templo de Cura, às 22h30 com uma reunião em que participaram os Probacionistas e Discípulos da Fraternidade Rosacruz.

[4] N.T.: também chamada de Capela, foi inaugurada em 24 de dezembro de 1913

[5] N.T.: Áries, Câncer, Libra e Capricórnio

[6] N.T.: as “Datas de Cura” que são publicadas no nosso site www.fraternidaderosacruz.com aqui: https://fraternidaderosacruz.com/category/cura/datas-para-realizar-o-servico-de-cura/

[7] N.T.: e que atualmente está no Templo de Cura.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Que Posso Eu Fazer para Ajudar Eficazmente?

Qualquer Religião ou Filosofia é benéfica unicamente na medida em que a praticamos em nossas vidas diárias, e a capacidade de nossa compreensão é o grau em que traduzimos seus preceitos em ações. Não podemos todos ser reis, presidentes ou guias em nosso país ou esferas de atividades. Se, portanto, nossas circunstâncias são tais que não podemos ver nenhuma possibilidade, próxima ou distante de executar coisas de “importância”, então, que podemos fazer para colocar em prática nossas ideias dentro da nossa própria família, sociedade e da vida diária de trabalho?

Para nós, no mundo ocidental, podemos atribuir que a Religião ou Filosofia cujos ensinamentos estamos desejosos de aplicar, estão baseados ou conectados de  alguma forma com Cristo, de maneira que, antes de tentar responder nossa pergunta, seria bom que tratássemos de entender, tão brevemente como nos seja possível, exatamente porque veio Cristo e o que foi que Ele procurou fazer e logo, tendo-O como nosso ideal, podemos, como seus auxiliares, reajustar nossa pergunta inquirindo o que é que podemos fazer para continuar Sua obra.

A Filosofia Rosacruz nos ensina que Cristo veio preparar o caminho para a emancipação da Humanidade da diferenciação de Raça e Espírito de Família e reunir as Raças separadas em um vínculo de paz e boa vontade, unindo toda a família humana em uma Irmandade Universal ou Fraternidade, na qual todos voluntários e conscientemente sigam a Lei do Amor.

Cristo veio, portanto, preparar-nos para a liberdade do governo externo, para fortalecer nossa Individualidade e o desenvolvimento da confiança própria pelo exercício do livre arbítrio.

À primeira vista, parece que ao fazê-lo, Ele frustraria Seu próprio objetivo de unirmo-nos a uma Fraternidade Universal de Amor, uma vez que, quanto mais duramente nos convertamos em indivíduos, mais nos inclinamos a ver unicamente nossos próprios direitos e ignorar os dos outros. Tornamo-nos imbuídos com um sentido de separatividade onde nos sentimos distintos dos demais seres, vivendo todos em um mundo onde as condições são tais que devemos lutar por nossas próprias finalidades materiais, sem dar muita importância a se prejudicamos ou não aos demais neste processo. É este esforço para executar nossas próprias finalidades sem considerar os outros, o que nos traz todas as lutas em nossas famílias e sociedade, negócios e vida nacional.

Porém, com o desenvolvimento de nosso livre arbítrio, a ação e a reciprocidade de cada um no desenvolvimento, proporciona um sentimento de responsabilidade pelo qual aprendemos a reconhecer os direitos dos outros e confessar que, quando reclamamos direitos, queremos na realidade privilégios, porque não estamos preparados para assumir as responsabilidades que acompanham os direitos.

À medida que aprendamos a reconhecer os nossos semelhantes como indivíduos em estado de desenvolvimento, chegaremos à conclusão de que deve haver tolerância entre uns e outros e assim, gradualmente, obteremos a realização do ideal de Cristo representado onde todos felizes e conscientes seguem a Lei do Amor. É então, que começamos a perguntar a nós mesmos: onde posso adaptar-me, dentro do esquema das coisas? Que posso fazer para cooperar com a obra de Cristo e ajudar para que Seu ideal se realize? Uma vez que a forma ideal é que todos satisfeitos e conscientes sigam a Lei do Amor é evidente que qualquer coisa que façamos deve ser algo que ajudará a realizar o almejado e elevado estado de coisas.

Quando felizes e conscientes seguimos a Lei do Amor, como poderemos encontrar expressão em nossas vidas diárias? Seguramente no afeto e a ajuda imbuído com a simpatia que nasce da inteligência. Então, não é a prática diária destas coisas a resposta de nossa pergunta? Parece muito simples, porém quando tratamos de colocar em prática estas coisas, não são nem simples e nem fáceis.

Na vida em família, quando as pessoas não vivem em harmonia, é sempre tão simples e fácil reconhecer o ponto de vista do outro com objetivo de ter paciência e ajustar-se a si mesmo em vez de esperar sempre que o outro faça o ajuste necessário? Na vida de nossos negócios, é fácil permanecer paciente e atento contra as injustiças dos superiores, os zelos dos colegas, as desonestidades dos concorrentes e os transtornos gerais da vida diária? E em nossa vida nacional se o partido que está no poder não representa nossa classe particular de político, podemos refrear um pouco a crítica maldosa e dar, aos mesmos, um pouco de crédito aos ideais que fielmente se seguem?

O exemplo é sempre muito mais eficaz, que o predicar e qualquer movimento nessa direção o faz um pouco mais fácil para que outros façam o mesmo e, ao fazê-lo, o círculo só amplia; e estamos de fato ajudando ativamente na grande obra de Cristo, unindo as nações separadas em vínculo de paz e amor. Ao falar algumas palavras de simpatia para aliviar uma alma oprimida, ou dando um sorriso para infundir alegria a outra pessoa estamos cooperando na obra de Cristo!

Assim estaremos cumprindo um dos preceitos Rosacrucianos que diz que devemos nos esforçar cada dia para servir nossos semelhantes com amor, modéstia e humildade em qualquer oportunidade que se nos ofereça, e ao fazê-lo estamos cumprindo uma das advertências de Cristo quando disse: “O que for o maior entre vós, seja o servo de todos”. Se for a grandeza da alma que desejamos, ali está a promessa e o caminho.

Outro preceito nos diz que o silêncio é uma das maiores ajudas no crescimento anímico, portanto devemos procurar o ambiente de paz, equilíbrio e quietude. Ao praticar a benevolência, a reflexão, a simpatia e a inteligência estamos, de fato, criando tal ambiente, que levaremos conosco para onde quer que formos. Se nossa atitude habitual para com os demais é de uma inteligência simpática expressada em bondade de pensamento e ação, devemos levar paz em nosso íntimo e devemos adquirir equilíbrio, porque só assim não ficaremos facilmente transtornados pelo que os outros dizem ou fazem. Assim nos encontraremos em todas as situações com uma tranquilidade e paz internas que são mais efetivas que todos os ruídos do mundo.

Estaremos cumprindo ainda um terceiro preceito, no qual, enquanto desenvolvemos inteligência, simpatia e afeto, devemos necessariamente aprender a ser indulgentes e isto conduz ao controle de si mesmo que é um dos maiores passes para a própria segurança, que é virtude capital do aspirante espiritual.

Já nos foi dito em repetidas ocasiões, por meio da literatura Rosacruz e em nosso ritual, que “O serviço amoroso e desinteressado, que oferecemos a outros, é o caminho mais curto, mais seguro e mais alegre que conduz a Deus”. Como podemos oferecer serviço desinteressado a outros, a não ser que desenvolvamos a qualidade inestimável da inteligência? É estranho, porém certo, que se fazemos todos os dias as coisas ordinárias e simples, de uma maneira simpática, bondosa e inteligente, estamos fazendo a obra do Mestre e ajudando a cumprir nossa oração diária “Venha a nós o Vosso Reino”. Na realidade o Reino de Deus não pode vir a nós de outra maneira.

Volumes se têm escrito oferecendo soluções a todas as deficiências dos seres humanos quando temos a solução na simples sentença: “Amai-vos uns aos outros”. É tão simples, que em nossa perversidade, procuramos todas as classes de coisas complexas que, sendo muito humanas e materialistas, levam internamente a semente da sua própria destruição, enquanto o simples mandamentode Cristo leva dentro de si mesmo a semente de seu próprio êxito.

Poderia existir a horrível consequência de uma depressão econômica se o ser humano enfrentasse seu semelhante com inteligência e afeto? Poderia existir a fome, a miséria, a pobreza, a escravidão e todas estas coisas horríveis que resultam da manipulação do sistema do dinheiro para o benefício de alguns, se nos amássemos uns aos outros? Seguramente o remédio depende da nossa educação para usar o dinheiro e nosso poder para o bem-estar dos nossos semelhantes usando-o inteligentemente com boa vontade e simpatia.

Poderia existir a contenda política internacional e guerras, se os diretores das nações fossem um pouco mais compreensivos dos pontos de vista das outras nações e com desejo sincero de obter o bem-estar comum? Se todos nós que somos as unidades de nossas nações agíssemos com inteligência e amor, não somente para com o nosso povo, mas, também com todos os de outras nações, seguramente que seria uma arma de paz muito mais poderosa que todas as armas de guerra. É indiscutível que Cristo precisa de nossa ajuda para vencer Seu propósito, de unir todos nós, os seres humanos, e as nações que estão separados e os povos e diretores de nações devem colaborar nessa tarefa.

Então, por que não cooperarmos hoje, agora, expressando a todos os seres, onde quer que se encontre, a bondosa e simpática inteligência que com o tempo guiará a Fraternidade Universal, na qual todos, felizes e alegremente, seguirão a Lei do Amor?

(Traduzido da Revista “Rays From The Rose Cross” e publicado na Revista Serviço Rosacruz de setembro/1971-Fraternidade Rosacruz-SP) 

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Incomensuráveis Benefícios em Estudar a Filosofia Rosacruz

Nem todos os Estudantes Rosacruzes ponderam sobre os incomensuráveis benefícios que auferem estudando a Filosofia Rosacruz. Poucos se dão conta realmente da transformação operada em seu íntimo a partir do primeiro contato com os Ensinamentos Rosacruzes transmitidos ao mundo por Max Heindel. Mas, por quê? Talvez por falta de reflexão e atenção sobre o assunto. Há Estudantes Rosacruzes que negligenciam os Exercícios Esotéricos preconizados pela Escola Fraternidade Rosacruz, deixando passar uma grande oportunidade de caminhar um pouco mais na senda evolutiva. Ora, enquanto a humanidade avança lentamente, empurrada pela Lei de Consequência ou Lei de Causa e Efeito, a Escola de Mistérios do Ocidente – a Fraternidade Rosacruz – prescreve um método científico, prático, racional, perfeitamente adequado aos habitantes desta parte do Planeta Terra. Tal método engloba uma série de Exercícios Esotéricos e Rituais de Serviços Devocionais que, diligentemente postos em prática, trarão resultados positivos e seguros. Um desses exercícios é o Exercício Esotérico de Concentração, indispensável àqueles Aspirantes sinceros e desejosos de fazer algum progresso. Vários são os temas a serem utilizados nesse Exercício Esotérico, contudo, ressaltamos um: a transformação para melhor.

Sugerimos esse tema porquanto reconhecemos a necessidade de todos se conscientizarem da importância do trabalho realizado pela Fraternidade Rosacruz como disseminadora dos Ensinamentos Rosacruzes. Quantos esclarecimentos foram prestados por estas preciosidades espirituais! Quanta luz onde reinava as trevas! Quanto alívio e consolo onde havia dor! Quanta de onde pairava a dúvida! Quanta esperança onde o desespero parecia desfalecer a vontade!

Recordemos os nossos primeiros passos na Fraternidade Rosacruz. Sentíamo-nos insatisfeitos com as migalhas atiradas pelo mundo. Os seres e as coisas não transpareciam nenhum significado além do vulgar. A existência parecia-nos vazia. O sofrimento e a adversidade nos dilaceravam. Perguntemos a nós mesmos: Por que tanta mazela? Por que tantos contrastes? Qual a razão disso tudo? A vida terá algum significado? O mundo será algo mais que um todo assimétrico e desequilibrado? Afinal de contas: quem somos; de onde viemos e para onde vamos?

Um dia, contudo, por algum motivo ou por intermédio de alguém travamos conhecimento com a Filosofia Rosacruz e, consequentemente, com a Fraternidade Rosacruz. Então, nossas vidas tomaram um novo rumo. Se meditarmos convenientemente, verificaremos que realmente foi assim. Aquela insegurança de outrora foi gradualmente substituída por uma confiança inabalável no Poder Divino. Finalmente havíamos encontrado respostas convincentes às nossas dúvidas. Passamos a encarar a vida de um ângulo mais positivo, aceitando-a como uma experiência útil e bela, digna de ser vivida. Nosso caráter passou também por uma modificação. De seres indiferentes, egoístas, temperamentais, sensuais que éramos, passamos a cultivar o amor, o autodomínio, a caridade, a benevolência, a pureza. Embora ainda haja muita coisa a ser erradicada de nosso íntimo, já alimentamos a certeza de estarmos trilhando o caminho da verdade. Mais cedo ou mais tarde estaremos em condições de dar passos gigantescos. Então, diremos como São Paulo Apóstolo: “Não sou eu quem vive, mas Cristo em mim.” (Gl 2:20).

Se a Filosofia Rosacruz representa algo transcendentalmente importante em nossas vidas, por uma questão de coerência devemos contribuir para que ela seja difundida. Outros, como nós, necessitam de beber desta fonte sacrossanta.

(Por Gilberto A. V. Silos – Editorial da Revista Rosacruz – outubro/1972 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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