Resposta: Azul é a cor de Deus-Pai, que reina sobre todo o universo continuamente, desde o início até o fim da manifestação, onipresente em tudo o que vive, respira e tem existência própria. Vermelho ou escarlate é a cor de Deus-Espírito Santo, que gera os seres viventes. Quando a Vida assume uma expressão errônea, se restringida por um código de leis, o Espírito Santo se torna Jeová, o Legislador. Amarelo é a cor de Deus-Filho, Cristo, o Senhor do Amor que por esse Princípio divino transcende a lei e nos leva novamente de volta, em contato direto e harmonia com Deus-Pai.
Assim, você verá que, sob o antigo regime, era impossível incluir o amarelo e tornar as três cores primárias como símbolo do Templo. Naquele momento, Deus-Pai e Jeová reinavam. O azul e o escarlate, Suas cores, figuravam no Templo, e a púrpura, que é a cor resultante da mistura das duas cores primárias mencionadas anteriormente, também lá estavam, mostrando não apenas sua existência separada como também a sua unidade. Por último, havia o espaço em branco, emblemático do fato de que ainda algo permanecia sem se manifestar, e esse algo era a terceira cor, a amarela.
Desde o tempo de Cristo, a verdadeira Escola de Mistérios Ocidentais, a Ordem Rosacruz, têm como seu emblema as Rosas Vermelhas, símbolo da purificação da natureza de desejos; a estrela dourada, mostrando que Cristo nasce dentro do discípulo e irradia de suas cinco pontas, que representam a cabeça e os quatro membros. Isto se reflete no fundo azul, símbolo do Pai. Assim, demonstra-se que a manifestação de Deus, a unidade na Trindade, foi realizada.
Muitas vezes pensei que faltava alguma coisa na literatura da Fraternidade Rosacruz, ou seja, um livro devocional, e milhares dos nossos Estudantes Rosacruzes provavelmente sentiram o mesmo. Para suprir essa lacuna, muitos recorreram a livros de origem oriental, o que é uma prática desaconselhável e muito ruim. Há muitas vidas, quando nós, do Mundo ocidental, estávamos renascidos em Corpos orientais, numa época em que não havia o Mundo ocidental tal como o conhecemos hoje, essa espécie de coisas nos servia, mas atualmente já avançamos muito além e devemos, em vez disso, buscar orientação em nossos verdadeiros santos Cristãos no Caminho da Devoção. Meu livro de cabeceira especial tem sido A Imitação de Cristo de Thomas de Kempis. É realmente um livro maravilhoso. Não há uma só situação na vida que não encontre nele alguma referência adequada; e quanto mais o lemos, mais o admiramos. Você provavelmente sabe que os residentes em Mount Ecclesia se revezam, em ordem alfabética, nas leituras durante os ofícios dos Rituais do Serviço Devocional da manhã e da noite. Sempre que chega a minha vez, pego o livro de Thomas de Kempis e leio um capítulo, do começo ao fim. Depois, repetindo-o algumas vezes. Não há um único trecho cansativo em todo o livro, e seria muito proveitoso que os Estudantes Rosacruzes que sentem o desejo de algo que identifique sua devoção, escolherem essa pequena obra para leitura. Acredito que ele possa ser adquirido na maioria das livrarias do mundo.
(Pergunta nº 81 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
Resposta: Certamente que não, e particularmente não na interpretação extremamente restrita de algumas pessoas que pensam que o livro que temos hoje é o único genuíno já dado à Humanidade. No máximo, poderia ser um dos livros de Deus, pois existem muitos outros escritos sagrados que merecem reconhecimento e não podem ser descartados sumariamente por alguns espertinhos como aqueles que relegaram os chamados livros apócrifos ao esquecimento literário.
Em primeiro lugar, é importante relembrar que o Antigo Testamento foi escrito em hebraico em diferentes épocas e por inúmeros autores, e que nenhuma compilação desses escritos foi feita antes de Esdras. Desses escritos hebraicos, não existe hoje um único fragmento sequer. Já em 280 a.C., o hebraico havia sido abandonado, no que diz respeito à escrita das Escrituras, e a Septuaginta, ou tradução grega, era de uso geral. Essa era a única Bíblia existente na época do nascimento de Cristo. Posteriormente, alguns dos escritos hebraicos foram compilados e cotejados pelos massoretas, uma seita que existiu por volta de 700 d.C. Este é o texto mais completo e preciso.
A tradução inglesa mais utilizada hoje em dia é a Versão do Rei Jaime[1], mas Sua Majestade não estava tão interessada na precisão da tradução quanto na paz, e a lei que autorizou a tradução da Bíblia proibiu os tradutores de traduzir quaisquer passagens de forma que interferissem nas crenças existentes. Isso foi feito para evitar qualquer levante ou dissensão em seu reino, e dos quarenta e sete tradutores, apenas três eram estudiosos de hebraico e dois deles morreram antes que os Salmos fossem traduzidos. Vários livros foram descartados como apócrifos, e palavras foram completamente desvirtuadas de seu significado original para se adequarem à superstição da época. Martinho Lutero[2], na Alemanha, traduziu o texto latino, que por sua vez havia sido traduzido do grego, aumentando assim as chances de transmitir significados errôneos de diversas maneiras. Acrescente-se a isso o fato de que, no hebraico antigo, os sinais vocálicos são omitidos e não há divisão em palavras, de modo que, inserindo-se sinais vocálicos de maneiras diferentes, palavras e frases com significados completamente distintos podem ser obtidas a partir de praticamente qualquer frase. Diante desses fatos, fica evidente que as chances de obtermos uma versão precisa do que foi originalmente escrito eram, de fato, muito pequenas.
Além disso, não era intenção dos autores originais fazer da Bíblia um “Livro de Deus” aberto, como bem se pode ver pela seguinte citação do Zohar[3]: “Ai daquele que vê na Torá[4] (a lei, a Bíblia) apenas recitações simples e palavras comuns, porque se na verdade ela contivesse apenas isso, ainda hoje seríamos capazes de compor uma Torá mais digna de admiração. Mas não é assim; cada palavra na Torá contém um significado elevado e um mistério sublime… As recitações da Torá são as vestes da Torá… Ai daquele que usa esta veste da Torá pela própria Torá… Os simples prestam atenção apenas às vestes e recitações da Torá; eles não conhecem outra coisa, não veem o que está oculto sob a veste; os homens mais instruídos não prestam atenção à veste, mas àquilo que ela envolve”…
Em outras palavras, eles não se atentam à letra, mas apenas ao espírito. E, assim como num campo semeado com batatas não existem apenas os vegetais, mas também o solo onde estão escondidos, na Bíblia as pérolas da verdade oculta estão escondidas em vestes muitas vezes feias ou repugnantes. O Ocultista que se capacitou a possuir essas pérolas recebeu a chave e as vê claramente. Para os outros, elas permanecem obscuras até que também tenham trabalhado para obter essa chave. Assim, embora a história das peregrinações dos filhos de Israel e a relação de um certo Deus com eles sejam parcialmente verdadeiras, há também um significado espiritual muito mais importante do que essa história material. Mesmo que os Evangelhos contenham os principais contornos da vida de um indivíduo chamado Jesus, eles são fórmulas de Iniciação que mostram as experiências pelas quais todos devem passar no caminho para a verdade e a vida.
Esse caminho foi previsto pelas diversas pessoas que escreveram a Bíblia e que, portanto, foram Profetas e Clarividentes, mas apenas na medida em que isso era possível em seu tempo e época. Uma nova era exigirá uma nova Bíblia, uma nova palavra.
(Pergunta nº 78 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume I – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: A Bíblia do Rei Jaime (ou Tiago), também conhecida como Versão Autorizada do Rei Jaime, é uma tradução inglesa da Bíblia realizada em benefício da Igreja Anglicana, sob ordens do rei Jaime I no início do século XVII.
[2] N.T.: Martinho Lutero (1483-1546) foi um padre, teólogo, autor, compositor de hinos, professor e ex-frade agostiniano alemão. Lutero foi a figura seminal da Reforma Protestante e suas crenças teológicas formam a base do Luteranismo.
[3] N.T.: O Zohar (“esplendor” ou “radiante”) é o trabalho fundamental da literatura cabalista e do misticismo judaico. Trata-se de uma coleção de comentários místicos sobre a Torá (os cinco livros de Moisés), escritos parcialmente em aramaico e hebraico medieval. O Zohar contém uma teosofia cabalista, que trata da natureza de Deus, da cosmogonia, da cosmologia, da alma, do pecado, da redenção, do bem e do mal, do “eu verdadeiro”, da luz de Deus, e da relação entre a energia universal e o ser humano. A sua exegese escriturística é considerada uma forma esotérica de literatura rabínica, conhecida como Midrash, elaborada a partir da Torá. O Zohar é escrito principalmente no que hoje é descrito como sendo um estilo cripto, obscuro, de aramaico. O aramaico, a língua do dia a dia de Israel no período do Segundo Templo, foi a língua original de grandes seções dos livros bíblicos de Daniel e de Esdras: é a principal língua do Talmude.
[4] N.T.: A Torá é o livro sagrado do judaísmo. O Pentateuco, literalmente “cinco partes ou seções”, é composto pelos cinco primeiros livros da Bíblia. Entre os judeus é chamado de Torá, uma palavra da língua hebraica com significado associado ao ensinamento, instrução, ou literalmente Lei, uma referência à primeira secção do Tanakh, os primeiros cinco livros da Bíblia hebraica. O Pentateuco é, para os Cristãos, a totalidade dos cinco primeiros livros da Bíblia. Para os judeus, esses cinco livros constituem a Torá. Eles apresentam a história do povo de Israel desde a criação do mundo até a morte de Moisés.
Na Fraternidade Rosacruz é oferecida a Cura Rosacruz guiada pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, utilizando os Auxiliares Invisíveis como instrumentos para restaurar e curar doenças e enfermidades físicas, emocionais e mentais. O trabalho é realizado de acordo com os mandamentos de Cristo Jesus: “Preguem o Evangelho e curem os enfermos”.
Este trabalho sagrado é realizado em estrita conformidade com os Ensinamentos de Cristo, enfatizando tanto a iluminação espiritual quanto a cura física.
Nesse livro há as informações necessárias e suficientes para se compreender o que é a doença ou enfermidade, porque ela ocorre e o que fazer para ser curado, por meio da Cura Rosacruz.
Há 2 meios de você acessar esse Livro:
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Para ler e estudar no próprio site:
PREFÁCIO
Esta compilação de material sobre a saúde e a cura do organismo humano, considerada do ponto de vista oculto, oferece aos interessados em alcançar e manter a saúde um verdadeiro tesouro de informações valiosas. Max Heindel, um Clarividente treinado e investigador dos Mundos suprafísicos, dedicou muito tempo e esforço para apurar a causas reais dos distúrbios físicos e mentais, conforme reveladas no reino da causa, os planos superiores ou suprafísicos, e este volume contém os frutos de seu trabalho. Ele incorpora algumas das verdades mais preciosas a respeito da origem, das funções e dos cuidados adequados dos veículos do ser humano, encontradas em publicações impressas, e aqueles que que se dedicam à verdadeira arte da cura acharão esse livro uma adição indispensável as suas bibliotecas.
Cristo admoestou aos Seus discípulos: “Pregai o Evangelho e curai os enfermos”[1]. Manter a saúde, uma vez conquistada ou recuperada, requer o conhecimento do “Evangelho” ou das Leis de Deus e é, portanto, à Luz de ambas as partes do Mandamento do Grande Mestre, que este livro é dedicado aos aflitos da Humanidade. Que o conteúdo de suas páginas – permeado pelo amor e pela compreensão compassiva do Coração místico do autor – seja o meio de trazer novo consolo e alívio a inúmeros corações aflitos e Corpos em sofrimento, bem como acelerar o dia para a geração de veículos humanos cada vez mais pertos da perfeição.
PARTE I – O SER HUMANO E SEUS VEÍCULOS
CAPÍTULO I – O CORPO DENSO
Introdução
A ciência oculta ensina que o ser humano é um ser complexo que possui:
(1) Um Corpo Denso, que é o instrumento visível que ele usa aqui neste Mundo Físico para buscar e carregar; o Corpo que normalmente consideramos como o ser humano completo.
(2) Um Corpo Vital, que é feito de Éter e permeia o Corpo Denso visível, assim como o Éter permeia todas as outras formas, exceto que os seres humanos especializam uma quantidade maior do Éter universal do que outras formas. Esse Corpo Vital é o nosso instrumento para especializar a energia vital do Sol.
(3) Um Corpo de Desejos, que é a nossa natureza emocional. Este veículo mais sutil permeia tanto o Corpo Vital quanto o Corpo Denso. É visto, pela visão do Clarividente, como se estendendo cerca de quarenta centímetros para fora do nosso Corpo Denso visível, que está localizado no centro desta nuvem ovoide, assim como a gema está no centro do ovo.
(4) A Mente, que é um espelho, refletindo o Mundo exterior e permitindo que o Ego transmita seus comandos como pensamentos e palavras e, também, para compelir à ação.
O Ego é o Tríplice Espírito que utiliza esses veículos para adquirir experiência na Escola da Vida.
O Corpo Denso foi o primeiro veículo construído e, portanto, possui um enorme período de evolução anterior. Encontra-se em seu quarto estágio de desenvolvimento e alcançou um grau de eficiência grandioso e maravilhoso. Com o tempo, alcançará a perfeição, mas mesmo atualmente é o veículo mais bem organizado do ser humano. É um instrumento maravilhosamente construído e deve ser reconhecido como tal por todos que pretendem ter algum conhecimento da constituição humana.
O germe do Corpo Denso foi dado pelos Senhores da Chama durante a primeira Revolução do Período de Saturno, o primeiro dos Sete Grandes Dias de Manifestação, de acordo com os Ensinamentos Rosacruzes. Esse germe foi desenvolvido durante o restante das seis primeiras Revoluções, recebendo a capacidade de desenvolver os órgãos dos sentidos, particularmente o ouvido. Portanto, o ouvido é o órgão mais desenvolvido que possuímos.
Na primeira metade da Revolução de Saturno do Período Solar, ou seja, o segundo dos Sete Grandes Dias de Manifestação, os Senhores da Chama se ocuparam em realizar certos aprimoramentos a serem feitos no germe do Corpo físico. Tornou-se necessário alterar o germe, de forma a permitir a interpenetração por um Corpo Vital, bem como a capacidade de desenvolver as glândulas e um canal alimentar. Isso foi feito pela ação conjunta dos Senhores da Chama e dos Senhores da Sabedoria.
Na primeira Revolução de Saturno do Período Lunar[2], o terceiro dos Sete Grandes Dias de Manifestações, os Senhores da Sabedoria cooperaram com os Senhores da Individualidade para reconstruir o germe do Corpo Denso. Este germe já desenvolvera órgãos sensoriais embrionários, órgãos digestivos, glândulas, etc., e era interpenetrado por um Corpo Vital em início de desenvolvimento. Claro, não era visível nem sólido como o é atualmente, mas, de uma forma rudimentar era de certa forma organizado. No Período Lunar foi necessário reconstruí-lo e torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos, bem como desenvolver um Sistema Nervoso, músculos, cartilagens e um esqueleto rudimentar. Essa reconstrução foi a obra da Revolução de Saturno do Período Lunar. Esses seres lunares não eram tão puramente germinais quanto nos Períodos anteriores. Para o Clarividente treinado, eles aparecem suspensos por cordões na atmosfera de névoa ígnea, como o embrião pendurado na placenta pelo cordão umbilical. Correntes, que forneciam certa espécie de nutrição, fluíam para dentro e para fora da atmosfera por meio desses cordões.
Quando a Terra surgiu do Caos, no início do Período Terrestre, ela estava inicialmente no estágio vermelho-escuro, que conhecemos como a Época Polar. Nessa ocasião a Humanidade desenvolveu, pela primeira vez, um Corpo Denso, cujo germe havia sido dado pelos Senhores da Chama durante a primeira Revolução do Período de Saturno. Não era, então, nada parecido com o nosso veículo atual, é claro. Quando a condição da Terra se tornou ígnea, como na Época Hiperbórea, o Corpo Vital foi adicionado e o ser humano se tornou semelhante a uma planta, isto é, ele tinha os mesmos veículos que as nossas plantas têm hoje e, também, possuía uma consciência semelhante, ou melhor inconsciência, aquela que temos no “Sono sem Sonhos”, quando o Corpo Denso e o Corpo Vital permanecem na cama.
Naquele tempo, na Época Hiperbórea, o Corpo do ser humano era como um enorme saco de gás, flutuando fora da Terra incandescente, e expelindo esporos semelhantes às plantas, que cresciam e eram usados por outros Espíritos humanos que vinham ao Mundo. O ser humano era bissexual, um hermafrodita.
Na Época Lemúrica, quando a Terra havia esfriado um pouco e algumas ilhas ou crostas começavam a se formar em meio a mares ferventes, o Corpo Denso humano também havia se solidificado um pouco e se tornado mais parecido com o que é atualmente. Era semelhante a um macaco, com um tronco curto, braços e pernas enormes, os calcanhares projetados para trás e quase nenhuma cabeça, pois a parte superior da cabeça estava quase totalmente ausente. O ser humano vivia em uma atmosfera de vapor que os ocultistas chamam de névoa-ígnea e não tinha pulmões, mas respirava por meio de “tubos”. Ele possuía um aparelho branquial que ainda se observa no embrião humano, enquanto passa pela fase pré-natal, que corresponde àquela Época. Ele não tinha sangue quente e vermelho, pois naquela fase não tinha um Espírito individualizado. Ele tinha um órgão semelhante a uma bexiga em seu interior, que ele inflava com o ar quente para ajudá-lo a saltar sobre os enormes abismos que se abriam quando as erupções vulcânicas destruíam a terra em que ele vivia. Da parte de trás da cabeça se projetava um órgão que agora se retraiu para dentro da cabeça e é chamado pelos profissionais que trabalham com anatomia de Glândula Pineal, ou impropriamente o terceiro olho, embora jamais fosse realmente um olho, mas um órgão localizador de sensação. O Corpo Denso era então desprovido de sensibilidade, mas quando o ser humano se aproximava demasiado de uma cratera vulcânica, aquele órgão registrava o calor e o impelia a fugir antes que seu Corpo fosse destruído.
[1] N.T.: Mt 10:7-8
[2] N.T.: Toda primeira Revolução de um Período chamamos de Revolução de Saturno daquele Período, pois ela sempre será uma recapitulação, em um estado superior, das atividades feitas no Período de Saturno.
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CORPO DENSO – EVOLUÇÃO DA ÉPOCA LEMÚRICA À ÉPOCA ÁRIA
Naquela Época, o Corpo Denso já estava tão solidificado que era impossível para o ser humano continuar a se propagar por esporos, sendo necessário que ele desenvolvesse um órgão para manifestar o pensamento, um cérebro. A força sexual criadora que agora usamos para construir ferrovias, navios a vapor, etc., no Mundo exterior, era então usada internamente para a construção de órgãos. Como todas as forças, era positiva e negativa. Um polo era voltado para cima para construir o cérebro, deixando o outro polo disponível para a criação de outro Corpo Denso. Assim, o ser humano não era mais uma unidade criadora completa. Cada um possuía apenas metade da força sexual criadora e, portanto, era necessário que buscasse seu complemento fora de si mesmo.
Na última parte da Época Lemúrica, a forma do ser humano ainda era bastante plástica. O esqueleto estava formado, mas o próprio ser humano tinha grande poder para moldar a carne de seu próprio Corpo Denso e a dos animais ao seu redor.
Nessa Época, quando nascia aqui, o ser humano podia ouvir e sentir, mas sua percepção da luz veio mais tarde. O Lemuriano ou a Lemuriana não tinha olhos. Possuía dois pontos sensíveis que eram afetados pela luz do Sol, que brilhava fracamente através da atmosfera ígnea da antiga Lemúrica, mas foi somente perto do fim da Época Atlante que ele adquiriu a visão como a temos hoje.
Sua linguagem consistia em sons semelhantes aos da Natureza. O suspiro do vento nas imensas florestas que cresciam em grande exuberância naquele clima super tropical, o murmúrio do riacho, o uivo da tempestade, o estrondo da cachoeira, o rugido do vulcão — tudo isso eram para ele vozes dos Deuses dos quais ele sabia descender.
Nada sabia sobre o nascimento de seu Corpo Denso. Não podia vê-lo nem ele nem qualquer outra coisa, mas percebia seus semelhantes. Era, no entanto, uma percepção interna, como a nossa percepção de pessoas e coisas em sonhos, mas com esta importantíssima diferença: sua percepção onírica era clara e racional.
Mas quando “seus olhos se abriram” (como conta a história da “Queda do Homem”) e sua consciência se voltou para os fatos do Mundo Físico, as condições se alteraram. A propagação era dirigida, não por Anjos, mas pelo próprio ser humano, que desconhecia o funcionamento das forças do Sol e da Lua. Sua consciência se concentrou no Mundo Físico, embora as coisas não lhe aparecessem com contornos claramente definidos até a última parte da Época Atlante. Ainda assim, ele gradualmente conheceu a morte devido à ruptura ocorrida em sua consciência quando esta foi transferida para os Mundos superiores na morte e retornou ao Mundo Físico no renascimento.
No entanto, o que foi dito sobre a iluminação dos Lemurianos e Lemurianas se aplica apenas a uma pequena parcela daqueles que viveram na última parte daquela Época e que se tornaram a semente para as sete Raças Atlantes. A maior parte dos Lemurianos e das Lemurianas era animalesca e as Formas por eles habitadas degeneraram nos selvagens e antropoides superiores dos dias atuais.
Na Época Atlante, que se seguiu à Época Atlante, o ser humano era muito diferente de tudo o que existe na Terra atualmente. Ele tinha uma cabeça, mas quase nenhuma testa; seu cérebro não possuía desenvolvimento frontal; a cabeça se inclinava quase abruptamente para trás a partir de um ponto logo acima dos olhos. Comparado com a nossa Humanidade atual, ele era um gigante; seus braços e pernas eram muito mais longos em proporção ao seu Corpo do que os nossos. Em vez de andar, ele se movia por meio de uma série de saltos rápidos, não muito diferentes dos do canguru. Tinha olhos pequenos que piscavam e seu cabelo era de seção redonda. Esta última peculiaridade, se nenhuma outra, distingue os descendentes das Raças Atlantes que permanecem conosco até os dias atuais. Seus cabelos eram lisos, brilhantes, pretos e de seção redonda. O cabelo de um ser humano da Época Ária, embora possa diferir na cor, é sempre de seção oval. As orelhas do ser humano da Época Atlante ficavam muito mais para trás na cabeça do que as do ser humano da Época Ária.
Os veículos superiores dos primeiros seres humanos atlantes não eram dispostos em uma posição concêntrica em relação ao Corpo Denso, como são os nossos atualmente. O Espírito não era exatamente um Espírito residente interiormente; estava parcialmente fora, portanto, não podia controlar seus veículos com tanta facilidade como se habitasse inteiramente dentro. A cabeça do Corpo Vital ficava fora e ocupava uma posição muito acima da cabeça física. Há um ponto entre as sobrancelhas e cerca de um centímetro e meio abaixo da superfície da pele, que tem um ponto correspondente no Corpo Vital. Quando esses dois pontos se alinham, como acontece no ser humano hoje, eles formam a sede do Espírito que nele reside interiormente.
Devido à distância entre esses dois pontos, os poderes de percepção ou visão de um ser humano atlante eram muito mais aguçados nos Mundos internos do que no denso Mundo Físico, obscurecido por sua atmosfera de névoa espessa e densa.
Com o passar do tempo, porém, a atmosfera foi se tornando mais clara; ao mesmo tempo, o ponto mencionado no Corpo Vital se aproximou cada vez mais do ponto correspondente no Corpo Denso, unindo-se a ele no último terço da Época Atlante.
Os Rmoahals foram a primeira das Raças Atlantes. Eles tinham pouca memória, e essa pouca memória estava relacionada com as sensações. Eles se lembravam de cores e tons e, assim, até certo ponto, desenvolveram o Sentimento. Com a memória, vieram aos atlantes os rudimentos de uma linguagem. Eles desenvolveram palavras e deixaram de usar meros sons, como os Lemurianos, dando nomes às coisas.
Os Tlavatlis foram a segunda Raça Atlante. Já começavam a sentir seu valor como seres humanos distintos. Tornaram-se ambiciosos; exigiam que suas obras fossem lembradas. A memória tornou-se um fator na vida da comunidade. Assim começou o culto aos ancestrais.
Os Toltecas foram a terceira Raça Atlante. Inauguraram a monarquia e a sucessão hereditária, originando o costume de honrar os homens pelos feitos de seus ancestrais. A experiência passou a ser altamente valorizada e a memória foi desenvolvida em grande escala.
No terço médio da Atlântida, encontramos o início de nações separadas. Com o tempo, os Reis se embriagaram com o poder e começaram a usá-lo de forma corrupta, para fins egoístas e engrandecimento pessoal, em vez de para o bem comum.
Os Turânios Originais foram a quarta Raça Atlante. Eles eram especialmente vis em seu egoísmo abominável, erguendo templos onde os Reis eram adorados como deuses.
Os Semitas Originais foram a quinta e mais importante das sete Raças Atlantes, porque neles encontramos o primeiro germe da qualidade corretiva do pensamento. Portanto, a Raça Semita Original tornou-se a “Raça-semente” para as sete Raças da Época Ária. Eles foram os primeiros a descobrir que o “cérebro” é superior aos “músculos”. Durante a existência dessa Raça, a atmosfera da Atlântida começou a se clarear definitivamente, e o ponto mencionado anteriormente no Corpo Vital entrou em correspondência com seu ponto correspondente no Corpo Denso. A combinação de eventos forneceu ao ser humano a capacidade de ver objetos claramente, com contornos nítidos e bem definidos; mas também resultou na perda da visão referente aos Mundos internos.
Os Acádios foram a sexta e os Mongóis a sétima das Raças Atlantes. Eles desenvolveram ainda mais a faculdade do pensamento, mas seguiram linhas de raciocínio que se desviavam cada vez mais da tendência principal da vida em desenvolvimento. À medida que as densas neblinas da Atlântida se condensavam cada vez mais, a quantidade crescente de água inundou gradualmente o continente, destruindo a maior parte da população e as evidências de sua civilização.
A Ásia Central foi o berço das Raças Arianas, que descendem dos Semitas Originais. De lá surgiram as diferentes Raças. É desnecessário descrevê-las aqui, pois as pesquisas históricas já revelaram suficientemente suas principais características.
CORPO DENSO – O CÉREBRO E O SISTEMA NERVOSO
Durante a Revolução de Saturno do Período Terrestre, o Corpo Denso recebeu a capacidade de formar um cérebro e se tornar um veículo para o germe da Mente, que seria adicionado posteriormente. O impulso foi dado à construção da parte frontal do cérebro. O cérebro e o sistema nervoso são a expressão mais elevada do Corpo de Desejos. Eles evocam imagens do Mundo exterior, mas na formação de imagens mentais, o sangue traz o material para as imagens; portanto, quando o pensamento está ativo, o sangue flui para a cabeça.
No ser humano, o cérebro é a ligação entre o Espírito e o Mundo exterior. Ele não pode conhecer nada do Mundo exterior, exceto por meio do cérebro. Os órgãos dos sentidos são meros portadores de impactos externos para o cérebro, e o cérebro é o instrumento que interpreta e coordena esses impactos. O Ego, auxiliado pelos Anjos, construiu o cérebro para reunir conhecimento do Mundo Físico. Quando o Ego assumiu a posse de seus veículos, tornou-se necessário usar parte da força sexual criadora para a construção de um cérebro e uma laringe. Os Espíritos Lucíferos são os instigadores de toda a atividade mental, por meio da parte da força sexual criadora que é conduzida para cima para atuar no cérebro. Assim, a entidade em evolução obteve a consciência cerebral do Mundo exterior ao custo de metade de seu poder criador.
Os fisiologistas observam que certas áreas do cérebro são dedicadas a atividades mentais específicas, e os frenologistas levaram esse ramo da ciência ainda mais longe. Ora, sabe-se que o pensamento degrada e destrói os tecidos nervosos. Isso e todos os outros resíduos do Corpo são substituídos pelo sangue. Quando, através do desenvolvimento do Coração em um músculo voluntário, a circulação do sangue finalmente passar para o controle absoluto do Espírito de Vida unificador, então estará dentro do poder desse Espírito reter o sangue das áreas da Mente dedicadas a propósitos egoístas. Como resultado, esses centros de pensamento específicos irão se atrofiar gradualmente.
O conhecimento cerebral, com seu egoísmo concomitante, foi adquirido pelo ser humano ao custo do poder de criar a partir de si mesmo. Ele comprou seu livre-arbítrio ao custo da dor e da morte; mas quando o ser humano aprender a usar seu intelecto para o bem da Humanidade, ganhará poder espiritual sobre a vida e, além disso, será guiado por um conhecimento inato tão superior à consciência cerebral atual quanto esta é superior à consciência animal mais inferior. O cérebro é, na melhor das hipóteses, apenas uma forma indireta de obter conhecimento e será substituído pelo contato direto com a Sabedoria da Natureza, que o ser humano, sem qualquer cooperação, poderá então usar para a criação de novos Corpos.
No Período Lunar, foi necessário reconstruir o Corpo Denso para torná-lo capaz de ser interpenetrado por um Corpo de Desejos e, também, capaz de desenvolver um sistema nervoso, os músculos, as cartilagens e um esqueleto rudimentar. Essa reconstrução foi obra da Revolução de Saturno do Período Lunar.
A reconstrução do Corpo Denso na Revolução de Saturno do Período Terrestre deu o primeiro impulso à divisão incipiente do sistema nervoso, que desde então se tornou aparente em suas subdivisões: o voluntário[1] e o simpático[2]. Este último foi o único previsto no Período Lunar. O sistema nervoso voluntário (que transformou o Corpo Denso de um mero organismo reagindo a estímulos externos em um instrumento extraordinariamente adaptável, capaz de ser guiado e controlado por um Ego interno) só foi adicionado no atual Período Terrestre.
Quando ocorreu a divisão do Sol, da Lua e da Terra, no início da Época Lemúrica, a porção mais avançada da Humanidade em formação experimentou uma divisão do Corpo de Desejos em uma parte superior e uma inferior. O restante da Humanidade experimentou a mesma divisão no início da Época Atlante. Essa parte superior do Corpo de Desejos se tornou uma espécie de alma animal. Ela construiu o sistema nervoso cérebro-espinhal e os músculos voluntários, controlando assim a parte inferior do Tríplice Corpo até que a ligação com a Mente fosse estabelecida.
Parte do sistema muscular involuntário[3] é controlada pelo sistema nervoso simpático.
O assento do Espírito Humano está primeiramente na Glândula Pineal e, secundariamente, no cérebro e no sistema nervoso cérebro-espinhal[4], que controla os músculos voluntários.
[1] N.T.: também conhecido como sistema nervoso somático, faz parte do sistema nervoso periférico e controla conscientemente as ações do corpo, como mover músculos esqueléticos (braços, pernas, tronco) e o rosto. Ele transmite informações sensoriais ao cérebro e envia comandos motores para realizar movimentos intencionais, além de gerenciar reflexos rápidos.
[2] N.T.: é uma divisão do sistema nervoso autônomo (O SNA é uma rede neural periférica que regula processos fisiológicos involuntários e automáticos, garantindo a homeostase (equilíbrio interno). Ele controla órgãos internos, músculos lisos e glândulas, agindo sem controle consciente em funções como frequência cardíaca, digestão, respiração e temperatura.) que prepara o corpo para situações de estresse, emergência ou esforço físico, conhecida como resposta de “luta ou fuga”. Ele aumenta a frequência cardíaca, dilata pupilas e vias aéreas, e libera energia armazenada, enquanto inibe funções digestivas.
[3] N.T.: é composto por músculos que funcionam autonomamente, sem controle consciente, sendo controlados pelo sistema nervoso autônomo. Inclui o músculo liso (órgãos internos, vasos sanguíneos) e o músculo estriado cardíaco (coração). Essencial para funções vitais como digestão, circulação sanguínea e batimentos cardíacos.
[4] N.T.: É a parte central do sistema nervoso, compreende o encéfalo e a medula espinhal, protegidos por ossos (crânio e coluna) e meninges. Funciona como o centro de controle do corpo, processando informações, coordenando reflexos e transmitindo sinais motores e sensoriais através de 31 pares de nervos espinhais.
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O SANGUE
O estudo do sangue é muito profundo, abrangente e de suprema importância, seja qual for o ponto de vista que o analisemos. Lúcifer estava decididamente certo quando disse que “o sangue é uma essência muito peculiar”. Ele constrói o Corpo Denso desde o momento em que o Átomo-semente é depositado no óvulo até a ruptura do Cordão Prateado, que encerra a existência material, sendo um dos produtos mais elevados do Corpo Vital e a principal fonte de nutrição para todas as partes do Corpo Denso. É o veículo direto do Ego, tendo injetado nele cada pensamento, sentimento ou emoção transmitido aos pulmões.
Na infância e até os quatorze anos a medula óssea vermelha não produz todos os corpúsculos sanguíneos. A maioria deles é suprida pela Glândula Timo, que é o maior no feto e diminui gradualmente à medida que a faculdade individual de produção de sangue se desenvolve na criança em crescimento. A Glândula Timo contém, por assim dizer, um suprimento de corpúsculos sanguíneos fornecido pelos pais e, consequentemente, a criança, que extrai seu sangue dessa fonte, não percebe sua individualidade. Somente quando o sangue é produzido pela criança é que ela se reconhece como “Eu”, e quando a Glândula Timo se reduz quase desaparecendo, aos quatorze anos, o sentimento do “Eu” atinge sua plena expressão, pois então o sangue é produzido e dominado inteiramente pelo Ego. O que se segue esclarecerá a ideia e sua lógica:
Deve-se lembrar que a assimilação e o crescimento dependem do trabalho dos fatores que atuam ao longo do polo positivo do Éter Químico do Corpo Vital. Este é liberado em torno dos sete anos, juntamente com o equilíbrio do Corpo Vital. Somente o Éter Químico está totalmente maduro nessa época; as outras partes precisam de mais amadurecimento. Aos quatorze anos, o Éter de Vida do Corpo Vital, que tem a ver com a propagação, está totalmente maduro. No período dos sete aos quatorze anos de idade, a assimilação excessiva armazenou uma quantidade de força que se dirige aos órgãos sexuais e está pronta quando o Corpo de Desejos é liberado.
Essa força sexual é armazenada no sangue durante o terceiro dos sete períodos de idade e, nesse tempo, o Éter Luminoso, que é a via para o calor do sangue, é desenvolvido e controla o coração. O Corpo Denso não está nem muito quente nem muito frio. Na primeira infância, o sangue frequentemente atinge uma temperatura anormal. Durante o período de crescimento excessivo, ocorre frequentemente o inverso, mas na juventude impetuosa e desenfreada, a paixão e o temperamento muitas vezes expulsam o Ego, superaquecendo o sangue. Chamamos isso, muito apropriadamente, de ebulição ou transbordamento de temperamento e descrevemos o efeito como fazendo com que a pessoa “perca a cabeça” ou se torne incapaz de pensar. É exatamente isso que acontece quando a paixão, a raiva ou o temperamento superaquecem o sangue, levando o Ego para fora do Corpo. O Ego está fora de seus veículos, e estes estão funcionando como se estivessem em movimento, desprovidos da influência orientadora do pensamento, cuja função é, em parte, frear os impulsos. Somente o ser humano que se mantém calmo e não permite que o excesso de calor o expulse pode pensar corretamente.
Como prova da afirmação de que o Ego não pode funcionar no Corpo Denso quando o sangue está muito quente ou muito frio, chamaremos a atenção para o fato bem conhecido de que o calor excessivo causa sonolência e, se levado além de certo ponto, expulsa o Ego, deixando a pessoa inconsciente. É somente quando o sangue está na temperatura normal ou próxima dela que o Ego pode usá-lo como veículo de consciência.
O rubor intenso da vergonha é uma evidência da maneira como o sangue é impulsionado para a cabeça, superaquecendo o cérebro e paralisando os processos de expressão do pensamento. O medo é um estado em que o Ego quer se proteger de algum perigo externo. Ele então impulsiona o sangue para o centro e empalidece, porque o sangue saiu da periferia do Corpo Denso e perdeu calor, paralisando assim a expressão do pensamento. Na febre, o excesso de calor causa delírio.
A pessoa com sangue em plena forma, embora o sangue não esteja muito quente, é ativa no Corpo e na Mente, enquanto a pessoa anêmica é sonolenta. Em uma, o Ego tem melhor controle; na outra, o Ego tem menos controle. Quando o Ego quer expressar o pensamento, ele impulsiona o sangue na temperatura adequada. O calor afeta o cérebro. Quando uma refeição pesada concentra a atividade do Ego no trato digestivo, o ser humano não consegue expressar o pensamento; ele fica sonolento.
Os antigos nórdicos e os escoceses reconheciam que o Ego está no sangue. Nenhum estranho podia se associar a eles como parente até que tivesse “misturado sangue” com eles e, assim, se tornado um deles.
Nos descendentes das famílias patriarcais – Adão, Matusalém, etc. – o sangue que corria em suas veias continha as imagens de tudo o que havia acontecido com seus diferentes ancestrais, e essas imagens estavam constantemente diante da visão interior de cada um, pois eles não tinham visão externa naquela Época. Atualmente, o sangue de cada indivíduo contém apenas imagens de suas próprias experiências individuais, e a Mente Subconsciente tem acesso a elas. Até o início do casamento fora da família, os indivíduos eram governados por um Espírito de Família (um Anjo), que entrava no sangue por meio do ar inspirado e ajudava cada Ego a controlar seus veículos. Quando o casamento fora da família começou, os Egos haviam chegado a um ponto na evolução da autoconsciência em que podiam depender de si mesmos e deixaram de ser autômatos guiados por Deus e se tornarem indivíduos autogovernados. Quanto maior a mistura de sangue, menos o Ego residente no interior dos seus Corpos pode ser influenciado pelos Espíritos da Raça ou de Família. O sangue puro nos deu assistência ancestral quando precisávamos. O sangue misto proporciona independência de ajuda externa. Um Deus (criador) deve ser independente.
O calor do sangue é a base de partida do Ego, e os Espíritos de Lúcifer de Marte auxiliam na manutenção desse calor dissolvendo o ferro, um metal marciano, em nosso sangue para atrair oxigênio, um elemento solar.
O calor adequado para a verdadeira expressão do Ego não está presente até que a Mente nasça da Mente Concreta macrocósmica, quando o indivíduo tem cerca de 21 anos de idade. A lei estatutária também reconhece essa como a idade mínima em que o ser humano é considerado apto a exercer o direito de voto.
Na Onda de Vida animal o sangue é fluido e nucleado. Os núcleos, centros da vida, são a base estratégica de um Espírito-Grupo. Regula seus processos vitais e os guiam através dos núcleos. Durante a primeira parte do período gestacional, o sangue do feto também é nucleado pela vida da mãe, e ela regula o processo de construção do Corpo Denso, mas assim que o Ego entra no Corpo da mãe, ele começa a afirmar sua Individualidade e resiste à formação de células sanguíneas nucleadas. As células antigas desaparecem gradualmente, de modo que, quando o Cordão Prateado é conectado no momento da vivificação e o Ego é atraído para dentro de seu Corpo Denso, todos os núcleos desaparecem, e ele é o autocrata absoluto de seu novo veículo, uma herança mais preciosa do que qualquer outra posse terrena; e, quando usado corretamente, é nosso meio de gerar poder da alma e acumular tesouros no céu. Quando abandonamos este veículo aos controles do Espírito, prejudicamos seriamente nossa evolução superior e cometemos um grande pecado.
Assim, o sangue é o veículo particular do Ego, e assim como nos éons passados de desenvolvimento cristalizamos a matéria para formar nosso Corpo Denso, também está destinado que agora devemos eterizar nossos veículos para que possamos elevar a nós mesmos e ao mundo dos reinos da materialidade para o espiritual. Naturalmente, portanto, o Ego visa primeiro tornar o sangue gasoso, e para a visão espiritual, esse sangue vermelho e sem núcleo não é um fluido, mas um gás. Não é argumento contra essa afirmação o fato de que, quando furamos a pele, o sangue sai como um líquido. Quando abrimos a válvula de escape de uma caldeira a vapor, o gás também se condensa em líquido, mas se construirmos um modelo de máquina a vapor de vidro e observarmos como o vapor funciona ali, veremos apenas o pistão se mover para frente e para trás, impulsionado por um agente invisível, o vapor vivo. Da mesma forma, assim como o vapor vivo diretamente da caldeira é invisível e gasoso, também o sangue vivo no corpo humano é um gás, e quanto mais elevado o estado de desenvolvimento de qualquer Ego, mais etérico ele consegue tornar o sangue.
Quando, pelos processos vitais, o alimento atinge o estado alquímico mais elevado, o processo de condensação começa e o gás sanguíneo é transformado em tecido nos vários órgãos para substituir o que foi desperdiçado ou destruído pelas atividades do Corpo. O baço é a porta de entrada do Corpo Vital; ali a força solar que abunda na atmosfera circundante entra em um fluxo constante para nos auxiliar nos processos vitais, e ali também a guerra entre o Corpo de Desejos e o Corpo Vital é travada com mais ferocidade. Pensamentos de preocupação, medo e raiva interferem no processo de evaporação no baço, resultando em uma partícula de plasma, que é imediatamente capturada por um elemental do pensamento que forma um núcleo e se incorpora nele. Então, começa então a viver uma vida de destruição, coalescendo com outros resíduos e elementos em decomposição onde quer que se formem, transformando o Corpo Denso em um ossuário em vez do Templo de um Espírito vivo que habita nele. Podemos, portanto, dizer que cada glóbulo branco que foi tomado por uma entidade externa é para o Ego uma oportunidade perdida. Quanto mais dessas oportunidades perdidas houver no Corpo, menos o Corpo estará sob o controle do Ego; portanto, encontramos essas oportunidades em maior número em todas as doenças do que quando a pessoa está saudável. Pode-se dizer também que a pessoa de natureza jovial e alegre, ou aqueça que é devotamente religiosa e tem fé e confiança absolutas na providência e no amor divinos, registrará muito menos oportunidades perdidas ou glóbulos brancos do que aqueles que estão sempre preocupados e aflitos.
Assim, o sangue é a única parte do Corpo que realmente pertence a nós. A medida em que controlamos todo o sangue depende da capacidade do Ego de se expressar através do Corpo. É somente através dos glóbulos vermelhos que o Ego consegue atuar. Sempre que nos permitimos ser negativos, produzimos glóbulos brancos, que não são, como vimos, “os policiais do organismo”, como a ciência pensa agora, mas sim destruidores.
Quando o sangue circula pelas artérias que estão profundas no Corpo, ele é um gás, como foi demonstrado; mas a perda de calor perto da superfície do Corpo faz com que ele se condense parcialmente, e nessa substância o Ego está aprendendo a formar cristais minerais. A ciência descobriu recentemente que o sangue de diferentes pessoas possui cristais diferentes, de modo que agora é possível distinguir o sangue de um negro ou uma negra do sangue de um branco ou uma branca; mas chegará o dia em que se perceberá uma diferença ainda maior; pois assim como há uma diferença nos cristais formados pelas diferentes raças, também há uma diferença nos cristais formados por cada pessoa individualmente.
Analisando a questão de outro ângulo, podemos observar que, quando o sangue é batido com um bastão, ele se separa em três substâncias distintas: o soro ou substância aquosa que está sob o Signo de Câncer, regido pela Lua (Hierarquia Lunar); a matéria corante vermelha que é a substância marciana gerada sob Escorpião; e, mais importante de todas, a fibrina, ou matéria fibrosa que se encontra sob o terceiro Signo de Água, Peixes. Quando o esqueleto estava fora da nossa carne, a consciência era embotada, como a de um crustáceo. Ao sairmos da estrutura óssea, alcançamos um grau muito mais elevado de consciência e, ao espiritualizarmos esse esqueleto interno por meio do sangue, extraímos a essência de tudo o que aprendemos em Épocas passadas e a transformamos em poder anímico utilizável no Período de Júpiter. Interferir nesse trabalho é um crime contra a alma.
Como a mulher possui o Corpo Vital positivo, ela amadurece mais cedo que o homem, e as partes que permanecem semelhantes às plantas, como o cabelo, crescem mais e ficam mais exuberantes. Naturalmente, o Corpo Vital positivo gerará mais sangue do que o Corpo Vital negativo, possuído pelo homem; portanto, temos na mulher uma pressão sanguínea maior, que é necessário aliviar pelo fluxo periódico, e quando essa pressão diminui no período do climatério, há um segundo crescimento na mulher, particularmente bem expresso nas características de desaceleração natural do metabolismo, à perda de massa muscular e ao aumento de gordura abdominal que geralmente começam por volta dos 40 anos devido a alterações hormonais, particularmente à redução do estrogênio.
Os impulsos do Corpo de Desejos impulsionam o sangue pelo organismo em velocidades variáveis, de acordo com a intensidade das emoções. A mulher, tendo excesso de sangue, trabalha sob uma pressão muito maior do que o homem e, embora essa pressão seja aliviada pelo fluxo periódico, há momentos em que é necessário ter uma saída extra; então, as lágrimas da mulher, que são sangramento branco, atuam como uma válvula de segurança para remover o excesso de fluido. Os homens, embora possam ter emoções tão fortes quanto as mulheres, não são propensos às lágrimas porque não têm mais sangue do que podem usar confortavelmente.
O sangue agora tem uma constituição diferente do que era nas Eras anteriores da evolução humana. O Espírito de Cristo foi visto descendo sobre o Corpo Denso e Corpo Vital de Jesus no Batismo. O próprio Jesus, o Espírito, deixou aqueles dois Corpos e recebeu a missão de servir às igrejas, enquanto seus dois Corpos eram usados para o ensino direto do Cristo, e seu sangue era preparado como uma chave para o Reino de Deus.
Quando alguém morre, o sangue venoso, com suas impurezas, adere fortemente à carne e, portanto, o sangue arterial que flui é distintamente mais puro do que seria em outras circunstâncias. Sendo eterizado pelo grande Espírito Crístico, o sangue purificado de Jesus transbordou pelo mundo, purificou a Região Etérica do egoísmo em grande medida e deu ao ser humano uma melhor oportunidade de atrair para si materiais que lhe permitirão formar propósitos e desejos altruístas.
AS GLÂNDULAS DE SECREÇÃO INTERNA
É bem sabido pelo Astrólogo Rosacruz que o Corpo Denso tem atrás de si um imenso período de evolução e que esse esplêndido organismo é o resultado de um lento processo de desenvolvimento gradual que ainda continua e tornará cada geração melhor que a anterior, até que, em um futuro longínquo, alcance um estágio de perfeição que hoje não nos é dado sequer imaginar. Os Estudantes de ocultismo também sabem que, além do Corpo Denso, o ser humano possui outros veículos sutis, ainda não percebidos pela grande maioria, embora todos possuam em si um sexto sentido latente, pelo qual, com o tempo, reconhecerão essas camadas mais sutis da alma.
O Cientista Ocultista se refere a esses veículos mais sutis como: o Corpo Vital – formado de Éteres –, o Corpo de Desejos – formado por matéria de desejos, a matéria da qual elaboramos nossos desejos, sentimentos e nossas emoções – e com a adição da “capa” da Mente e do Corpo Denso, estes completam o que podemos denominar de Personalidade, a qual é a parte evanescente distinta do Espírito imortal[1] que usa esses veículos para sua expressão. Esses veículos mais sutis interpenetram o Corpo Denso, da mesma forma que o ar interpenetra a água, e têm domínio particular sobre certas partes dele, porque o próprio Corpo Denso é como uma cristalização desses veículos mais sutis, da mesma maneira e segundo o mesmo princípio as substâncias fluídicas do corpo de um caracol se cristalizam gradualmente na concha dura e pedregosa que ele carrega nas costas. Para os propósitos desta dissertação, podemos dizer, de forma geral, que as partes mais moles de nossos Corpos, que comumente chamamos “carne”, podem ser divididas em duas classes: as Glândulas e os músculos.
O Corpo Vital teve sua origem no Período Solar. A partir desse momento, cristalização nesse veículo desenvolveu o que hoje chamamos de Glândulas, e até hoje elas, juntamente com o sangue, são as manifestações especiais do Corpo Vital dentro do Corpo Denso. Portanto, pode-se dizer que as Glândulas, como um todo, estão sob a regência do Sol, que é o doador de Vida, e do grande benéfico Júpiter. São funções do Corpo Vital construir e restaurar o tônus muscular, quando os músculos estão tensos e cansados pelo trabalho imposto pelo inquieto Corpo de Desejos que, por sua vez, teve a sua origem no Período Lunar. Os músculos são, portanto, regidos pela errante Lua, que é o ponto de apoio dos Anjos, ou seja, a Humanidade do Período Lunar e, também, pelo impulsivo e turbulento Marte, onde habitam os chamados “Anjos Caídos”, os Espíritos de Lúcifer[2]. Ou seja, como um todo, pois o Estudante Rosacruz deve observar cuidadosamente que as Glândulas, individualmente, e certos grupos musculares também estão sob a regência de outros Astros. É como quando dizemos que todos os que vivem nos Estados Unidos são cidadãos daquele país, mas alguns estão sujeitos particularmente às leis da Califórnia, outros às do Maine, etc.
Conhecemos o aforismo hermético que diz “Assim como é em cima, é embaixo”, que é a chave mestra de todos os mistérios, e assim como existem na Terra – o macrocosmo – inúmeros lugares ainda não descobertos, também no microcosmo do Corpo encontramos muitas coisas desconhecidas que são como um livro selado para os exploradores Científicos. Entre essas coisas, destaca-se um pequeno grupo das chamadas Glândulas “sem ducto”[3], sete no total, a saber:
Estas Glândulas despertam grande e particular interesse para os Cientistas Ocultistas, e podem ser chamadas, em certo sentido, de as “Sete Rosas” sobre a Cruz do Corpo Denso, pois estão intimamente ligadas ao desenvolvimento oculto da Humanidade. Quatro delas – a Glândula Timo, a Glândula Baço e as Glândulas Suprarrenais – estão relacionadas à Personalidade. A Hipófise e a Glândula Pineal estão particularmente correlacionadas com o lado espiritual da nossa natureza e a Glândula Tiroide forma o elo entre elas. A regência astrológica de cada uma é a seguinte:
A Glândula Baço é a porta de entrada das forças solares especializadas em cada ser humano e circula pelo Corpo como o fluido vital, sem o qual nenhum ser pode viver. Esta Glândula é, portanto, regida pelo Sol. As duas Glândulas Suprarrenais estão sob a regência de Júpiter, o grande benéfico, e exercem um efeito calmante, tranquilizante e suavizante, quando as atividades emocionais da Lua, de Marte ou Saturno destroem o equilíbrio. Quando a mão obstrutiva de Saturno desperta as emoções de melancolia, oprimindo o coração, as secreções das Glândulas Suprarrenais são levadas pelo sangue até o coração e atuam como um poderoso estimulante em seu esforço de manter a circulação, enquanto o otimismo jovial luta contra as preocupações saturninas ou contra o impulso de Marte, que agita o Corpo de Desejos em emoções turbulentas de raiva, tornando os músculos tensos e trêmulos, dissipando todas as energias do organismo. Então as secreções das Glândulas Suprarrenais entram em ação, liberando o glicogênio do fígado em uma medida mais abundante do que o normal para lidar com a emergência até que o equilíbrio seja novamente alcançado, e da mesma forma durante qualquer outro estresse ou tensão. Foi o conhecimento deste fato oculto levou os antigos astrólogos a colocarem os rins sob a regência de Libra, a Balança, e para evitar confusão de ideias, podemos dizer que os próprios rins desempenham um papel importante na nutrição do Corpo Denso, estando sob a regência de Vênus, o Regente de Libra. No entanto, Júpiter rege as Glândulas Suprarrenais, com as quais estamos agora particularmente envolvidos.
Tanto Vênus como sua oitava superior, Urano, regem as funções de nutrição e crescimento, mas de maneiras diferentes e para propósitos distintos. Vênus rege a Glândula Timo, Glândula que serve de elo entre os pais e os filhos até que esses últimos atinjam a puberdade. Esta Glândula está localizada atrás do esterno[6], ou osso do peito. Ela atinge o seu maior tamanho durante a vida pré-natal e na infância, período em que o crescimento é intenso e rápido. Nessa fase o Corpo Vital da criança realiza um trabalho seu trabalho mais eficaz, pois ela não está sujeita às paixões nem às paixões e emoções geradas pelo Corpo de Desejos que nasce por volta dos quatorze anos de idade. Contudo, durante os anos de crescimento, a criança não consegue produzir glóbulos vermelhos sanguíneos, como o adulto, pois o Corpo de Desejos ainda não nascido nem organizado não serve como canal para as forças metabólicas que assimilam o ferro dos alimentos e os transmutam em hemoglobina. Para compensar essa falta, a Glândula Timo armazena uma essência espiritual extraída dos pais, e com essa essência, fornecida pelo amor dos pais, a criança é capaz de realizar a alquimia do sangue temporariamente, até que seu Corpo de Desejos se torne dinamicamente ativo. Então, a Glândula Timo se atrofia e a criança extrai de seu próprio Corpo de Desejos a força marciana necessária. A partir desse momento, em condições normais, Urano, que é a oitava superior de Vênus e regente da Glândula Hipófise, assume a função do crescimento e da assimilação, da seguinte maneira:
É sabido que todas as coisas, incluindo nossa alimentação, irradiam continuamente pequenas partículas que fornecem um índice da coisa de onde emanam, incluindo sua qualidade. Assim, quando levamos o alimento à boca, diversas dessas partículas invisíveis entram pelo nariz e, por meio da estimulação do trato olfativo, nos informam se o alimento que estamos prestes a ingerir é adequado ou não, alertando-nos para descartar alimentos com odor desagradável. Mas, além das partículas que nos atraem ou repelem o alimento por sua ação no trato olfativo através do olfato, há outras que penetram no osso esfenoidal[7], atingem a Glândula Hipófise e iniciam a alquimia uraniana, pela qual uma secreção é formada e injetada na corrente sanguínea. Isso favorece a assimilação através do Éter Químico, afetando, assim, o crescimento e o bem-estar normais do Corpo Denso humano durante a vida. Às vezes, essa influência uraniana sobre a Glândula Hipófise é excêntrica e, portanto, responsável por crescimentos estranhos e anormais, que produzem as infelizes anomalias da Natureza que ocasionalmente encontramos.
Mas, além de ser a causa dos impulsos espirituais que geram as manifestações físicas de crescimento mencionadas anteriormente, Urano, atuando através da Glândula Hipófise, também é responsável pelas fases espirituais de crescimento que auxiliam o ser humano desperto em seus esforços para penetrar através do véu dos Mundos invisíveis. Neste trabalho, contudo, ele é associado a Netuno, regente da Glândula Pineal e, portanto, será necessário, para elucidar adequadamente, que estudemos simultaneamente as funções da Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, e a da Glândula Pineal, que está sob regência de sua oitava superior, Netuno.
Que a Glândula Tiroide está sob a regência de Mercúrio, o Planeta da razão, se torna evidente quando compreendemos o efeito que a degeneração dessa Glândula tem sobre a Mente, como demonstrado nas doenças do cretinismo[8] e do mixedema[9]. As secreções dessa Glândula são tão necessárias para o bom funcionamento da Mente quanto o Éter o é para a transmissão da eletricidade, ou seja, no plano físico da existência, onde o cérebro transmuta o pensamento em ação. O contato com os Mundos invisíveis e a expressão neles dependem da capacidade funcional da Glândula Pineal, que é inteiramente espiritual e, portanto, regida pela oitava superior de Mercúrio, Netuno, o Planeta da espiritualidade, que opera conjuntamente com a Glândula Hipófise, regida por Urano.
Os Cientistas perderam muito tempo especulando sobre a natureza e a função destes dois pequenos corpos – a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal – sem nenhum resultado, principalmente porque, como Mefistófeles diz, sarcasticamente, ao jovem que queria estudar ciências com Fausto:
“Quem quiser conhecer as coisas vivas e as manusear,
Procura primeiro o Espírito vivente que as anima e o expulsa;
Fica, então com fragmentos sem Vida
Porque lhes falta o Espírito Vital que as unia”.
Ninguém pode, realmente, observar as funções fisiológicas de nenhum órgão nas condições existentes nos laboratórios ou nas mesas de operações, nem na sala de vivissecção ou dissecação. Para chegar a uma compreensão adequada, é necessário ver esses órgãos exercendo suas funções fisiológicas no Corpo vivo, e isso só pode ser feito por meio da visão espiritual. Há vários órgãos que estão se atrofiando ou se desenvolvendo. Os primeiros mostram o caminho que já percorremos durante nossa evolução passada, enquanto os últimos são os indicadores, apontando para o nosso desenvolvimento futuro. Mas ainda existe outra classe de órgãos que não estão nem se degenerando nem se desenvolvendo: eles estão simplesmente adormecidos (espiritualmente) no momento presente. Os fisiólogos[10] acreditam que a Glândula Hipófise e a Glândula Pineal estão se atrofiando porque encontram esses órgãos mais desenvolvidos em algumas formas inferiores de vida, como nos vermes, mas, na verdade, estão completamente equivocados. Alguns deles suspeitam que a Glândula Pineal está, de alguma forma, conectada com a Mente, porque contém certos cristais após a morte, e a quantidade era muito menor nas pessoas mentalmente pouco desenvolvidas do que nas pessoas com mentalidade normal. Essa conclusão é correta, mas o Clarividente sabe queo canal espinhal[11] do ser vivo não está cheio de fluido; que o sangue não é líquido e que esses órgãos não têm cristais, enquanto o Corpo Denso está vivo.
Essas afirmações são feitas com pleno conhecimento de que o sangue e a essência espinhal são líquidos quando extraídos do Corpo Denso, vivo ou morto, e que o conteúdo da Glândula Hipófise e da Glândula Pineal apresenta aspecto cristalizado quando o cérebro é dissecado. No entanto, a razão é semelhante àquela que faz com que o vapor extraído de uma caldeira se condense imediatamente ao entrar em contato com a atmosfera, e que o metal derretido fundido extraído de um forno de fundição se cristalize imediatamente ao ser retirado dele.
Todas essas substâncias são essências puramente espirituais quando se encontram dentro do Corpo; elas são etéricas e a substância que se encontra na Glândula Pineal, quando vista por meio da visão espiritual, aparece como luz. Além disso, quando um Clarividente contempla a Glândula Pineal de outra pessoa que também está exercendo suas faculdades espirituais, esta luz apresenta um brilho intenso e uma iridescência semelhante, mas que transcende em beleza, o mais maravilhoso espetáculo das luzes da Aurora Boreal[12]. Pode-se também dizer que as funções desse órgão parecem ter mudado ao longo da evolução humana. Durante as Épocas anteriores à nossa estadia atual na Terra, quando o Corpo Denso era uma coisa grande e flácida na qual o Espírito ainda não havia penetrado, mas estava presente apenas como uma sombra, havia uma abertura no topo do Corpo e a Glândula Pineal estava dentro dela. Era então um órgão de orientação, dando um senso de direção. À medida que o Corpo Denso se condensava, tornava-se cada vez menos capaz de suportar o calor intenso que prevalecia naquela Época, e a Glândula Pineal alertava quando o Corpo Denso se aproximava demasiado de uma das muitas crateras de vulcões e de erupções ativas que então irrompiam a fina camada de Terra, permitindo assim que o Espírito o guiasse para longe desses lugares perigosos. Era um órgão de orientação que operava pelo tato, mas o tato, desde então se distribuiu por toda a pele do Corpo Denso. Isso indica ao Cientista Ocultista que um dia os sentidos da audição e da visão também serão distribuídos de forma semelhante, de modo que veremos e ouviremos com todo o nosso Corpo e, assim, nos tornaremos ainda mais sensíveis nesses aspectos do que somos agora.
Desde então, a Glândula Pineal e a Glândula Hipófise se tornaram temporariamente adormecidos (espiritualmente) para tornar o ser humano alheio aos Mundos invisíveis enquanto aprende as lições proporcionadas pelo Mundo material. A Glândula Hipófise tem manifestado a influência uraniana esporadicamente em crescimentos físicos anormais, produzindo aberrações e monstruosidades de vários tipos, enquanto Netuno, atuando também de forma anormal através da Glândula Pineal, tem sido responsável pelo crescimento espiritual anormal de curandeiros, feiticeiros e Clarividentes involuntários quando dominados por espíritos de controles, que sempre produzem prejuízo espiritual àqueles. Quando despertadas para atividades normais, essas duas Glândulas Endócrinas abrirão a porta dos Mundos internos de maneira sã e segura, mas, nesse ínterim, a Glândula Tiroide, regida por Mercúrio, o Planeta da razão, contém as secreções necessárias para dar equilíbrio ao cérebro.
No futuro, as Glândulas Endócrinas estão destinadas a desempenhar um papel proeminente; seu desenvolvimento acelerará grandemente a evolução, pois seus efeitos são principalmente mentais e espirituais. Estamos nos aproximando da Era de Aquário; o Sol, portanto, está começando a transmitir as vibrações altamente intelectuais desse Signo, o de Aquário, o que explica as intuições, premonições e transmissões telepáticas agora tão prevalecentes. Em última análise, esses fenômenos se devem ao despertar da Glândula Hipófise, regido por Urano, que é o regente de Aquário, e isso se tornará mais manifesto com o decorrer dos anos.
[1] N.T.: o Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui de forma tríplice, como Deus que nos criou.
[2] N.T.: Também chamados de Espíritos Lucíferos.
[3] N.T.: Também chamadas de Glândulas de secreção interna ou Glândulas endócrinas que secretam hormônios diretamente na corrente sanguínea.
[4] N.T.: Também chamada de Corpo Pituitário ou Glândula Pituitária.
[5] N.T.: também conhecida como Conarium, Epífise Cerebral ou simplesmente Pineal.
[6] N.T.: O esterno (com “s”) é um osso plano e vertical localizado na linha média anterior do tórax, crucial para proteger órgãos vitais como o coração e pulmões, além de fixar as costelas.
[7] N.T.: O osso esfenoidal (ou esfenoide) é um osso ímpar e central na base do crânio, com formato semelhante a um morcego ou borboleta de asas abertas. Considerado a “pedra angular” da base craniana, ele se articula com quase todos os ossos do crânio.
[8] N.T.: O cretinismo é uma condição grave resultante do hipotireoidismo congênito não tratado ou deficiência severa de iodo durante a gestação e primeira infância. Caracteriza-se por retardo mental irreversível, baixa estatura (nanismo), características faciais grosseiras e disfunção motora. O diagnóstico precoce via teste do pezinho é crucial para evitar danos permanentes.
[9] N.T.: O mixedema é um edema (inchaço) duro e elástico da pele e tecidos moles, causado por hipotireoidismo grave e prolongado. Caracteriza-se pelo acúmulo de substâncias (glicosaminoglicanos) na derme, resultando em inchaço na face, pálpebras, língua e, às vezes, pernas. O coma mixedematoso é a complicação extrema, sendo uma emergência médica com alta mortalidade.
[10] N.T.: ou fisiologistas são profissionais da saúde especializado no estudo das funções, mecanismos e processos biológicos do corpo humano, visando otimizar o desempenho físico, saúde e bem-estar. Eles analisam dados funcionais, como cardiovasculares e musculares, para criar programas de treinamento, prevenir lesões e auxiliar na recuperação de atletas e pacientes.
[11] N.T.: O canal espinhal (ou vertebral) é uma cavidade no centro da coluna vertebral que acomoda a medula espinhal e as raízes nervosas. Ele percorre da cervical à lombar, protegido pelas vértebras.
[12] N.T.: A aurora boreal é um fenômeno luminoso natural no céu noturno, formado por partículas solares que interagem com o campo magnético e os gases da alta atmosfera terrestre nos polos. Visível em altas latitudes (Ártico) entre setembro e abril, especialmente de novembro a março, exibe luzes dançantes, comumente verdes, mas também roxas e vermelhas.
O SISTEMA LINFÁTICO
O Sistema Linfático é tubular e está um tanto associado aos capilares que unem as circulações venosa e arterial, terminando nas grandes veias próximas do coração. A linfa que flui por seus canais vai numa direção: o centro da circulação – o coração. Podemos considerar este sistema como uma espécie de pequenos desaguadouros do Corpo Denso, porque na realidade, recolhe a água suja dos tecidos, depois de banhá-los na linfa que transporta. Se compararmos os canais a tubulações de drenagem que recolhem a água suja, podemos considerar os gânglios linfáticos, que se encontram ao longo desses canais, como comportas, nas quais a linfa tem que se deter e ser filtrada antes de passar à corrente sanguínea venosa.
Estes gânglios estão situados nos cotovelos, nas axilas, nos espaços poplíteos, nas virilhas e especialmente na parte anterior do pescoço (a parte que fica fronteira à vértebra cervical) no abdômen entre as pregas do mesentério que fixa o intestino delgado a coluna vertebral e no peito entre os pulmões, espaço este conhecido como mediastino.
Cada um dos vasos linfáticos passa por um ou mais destes gânglios no seu caminho para as veias. As células linfáticas, como as demais existentes no Corpo, não possuem paredes celulares, movendo-se como a medusa na água. Quando a inflamação, em qualquer de suas formas, ataca o Corpo Denso, todos os líquidos venenosos passam aos canais linfáticos.
Os gânglios podem adoecer devido à natureza venenosa da linfa que se filtra por eles. O Sistema Linfático é de ação tríplice: recolhe a linfa dos tecidos, o “quilo” dos intestinos (depois de elaborado pelo processo da digestão) e, por meio dos gânglios linfáticos, cria as células linfáticas que são semelhantes aos corpúsculos brancos do sangue.
A grande contribuição proporcionada pelo Cristianismo a todos nós foi a nossa libertação. Essa libertação, se bem esteja claramente exposta nos Evangelhos, não é bem compreendida pelo Cristianismo Popular. Em muitos casos até há intenção de ocultar a verdade e submeter o ser humano a poderes temporais, a que ele gosta de se sujeitar. Infelizmente, muitos ainda permanecem num estado semelhante a um canário que ficou muito tempo na gaiola; quando lhe abrem a porta, não quer partir para a amplidão dos céus ou, se vai, dá uma voltinha e regressa à sua cadeia, onde lhe dão comida e água. É cômodo e não lhe exige esforço. Por isso, muitos “pastores” de alma, seja nas igrejas ou em entidades espiritualistas, não gostam de tocar nesse ponto da libertação. Gostam mesmo de mostrar a necessidade de dependência. Nas escolas orientais a submissão ao mesmo é taxativa.
A Fraternidade Rosacruz, fundada por Max Heindel, como expositora dos Ensinamentos elementares da Ordem Rosacruz, cujos Irmãos Maiores são auxiliares diretos de Cristo na obra de redenção da Humanidade, se distingue de tudo o que atualmente conhecemos, por seu esforço na libertação do indivíduo. A Fraternidade Rosacruz ensina como o Cristianismo nos liberta pelo conhecimento de seus valores internos (E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (Jo 8:32)), pela identificação com sua natureza divina, subjacente e ignorada (Da mesma forma como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que n’Ele crer tenha a vida eterna. (Jo 3:14)).
Na Parábola do “Filho Pródigo”[1] vemos a nossa história, como Espírito Virginal da Onda de Vida humana diferenciado em Deus para obter experiência em nossa peregrinação Involutiva, à custa de nossa herança espiritual, que ficaria enterrada e esquecida em virtude do Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e da Mente que fomos construindo. Iniciamos a Evolução com a ajuda das Religiões primitivas (Primeira Dispensação). Depois veio Moisés e nos deu a Lei geradora do pecado, pois passaria a nos ensinar o que era a Transgressão da Lei e como deveríamos repará-la.
Contudo, devido ao nosso egoísmo e à falta de compreensão, reparávamos os pecados pelo sacrifício de animais. Depois veio Cristo e não revogou a Lei antiga. Antes, confirmou-a, mas nos deu a libertação do enlaço da matéria, o que, ao tempo de Moisés, seria tarefa extremamente difícil para boa parte de nós. Essa situação fora criada por nossa queda (o evento conhecido como a “Queda do Homem”), quando os marcianos Espíritos Lucíferos, os Anjos decaídos ou Anjos caídos, não podendo alcançar a evolução angélica, buscaram nosso cérebro e a nossa força sexual criadora que o sustenta, para, através de sua atividade, obter experiência e, em consequência, evoluir. Custou-nos alto preço “ouvi-los e seguir o que nos propôs”. É verdade que pelo embrutecimento sensorial decorrente obtivemos a vantagem da consciência atual, a capacidade de discernir, que os Anjos não têm. Por isso se disse que fomos feitos um pouco abaixo dos Anjos. Após a “Queda do Homem”, as Religiões de Raça nos incutiram o sentido egoístico de separação e chegamos a tal estado de cristalização que nossa Evolução ficou ameaçada. Não poderíamos, por nós mesmos, retomar a senda ascendente evolutiva que nos estava destinada, como Filhos de Deus, de retorno à casa paterna.
Comíamos a “escória” dada como alimento aos “porcos”, nas duras experiências de nossa vida. Veio, então, o Libertador, o Cristo. Limpou o Corpo cósmico de Desejos da Terra (o Mundo do Desejo), formado por todas as nossas antigas Transgressões à Lei. Sacrificou-se como o “Cordeiro de Deus que limpou os pecados do mundo.” (Jo 1:29), em lugar do cordeiro do Tabernáculo no Deserto. Foi quando se rasgou o Véu do Templo, isto é, quando se abriram a nós, em geral, as possibilidades de libertação, Iniciação e acesso ao “Sanctum Sanctorum” – Santo dos Santos –, aos segredos e possibilidades de nossa própria natureza egóica, através da qual entrará, concomitantemente, nos Estratos da Terra e da Humanidade, para mais elevados serviços.
Não sem razão, pois, a citação de S. Paulo, um Iniciado consciente dessa realidade: “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” (ICor 6:20), e “por preço fostes comprados, não vos torneis escravos de homens.” (ICor 7:23).
Realmente, este mundo é uma escola em que somos apenas peregrinos (At 7:6, Hb 11:13 e IPd 2:11). E como somos destinados, quais sementes da árvore de Deus, a tornamo-nos iguais a Ele (Jo 10:34), a fazer obras maiores do que as realizadas por Cristo na Terra (Jo 14:12), deduz-se, logicamente, que o Renascimento é um fato natural, pois nenhum de nós pode realizar numa vida o que nos está prometido nos Evangelhos. Pela evolução, nós iremos sublimando doravante todos os nossos veículos e deles levando a quintessência, que nos fornecerá a capacidade criadora. Realmente, os Corpos são os meios de obtenção do alimento anímico que nos enriquece, a nós o Tríplice Espírito. No conjunto, o Corpo é um precioso Templo do Espírito (Jo 2: 21, ICor 3:17 e 6:19) que não deve ser desprezado como vil e inferior, segundo a concepção oriental, senão tratado com carinho, como ferramenta bem cuidada para que através dele nós possamos criar e crescer, pela Epigênese. Contudo, também aprendemos a não nos identificarmos com os nossos Corpos, senão governá-los, para que não nos suceda ficarmos escravizados a eles. Quem sabe que é de fato um Ego, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado, ama o Espírito e a ele serve e nesse ponto não adora imagens nem em templos de pedra, senão em “Espírito e em Verdade” (Jo 4: 24) porque em verdade nada restará de nossos Corpos, ao fim dos atuais períodos evolutivos (Mt 24:2; Jo 2:19 e 21).
De todo o exposto, reconduzindo a nossa consciência ao seu real valor, como Filhos de Deus, livre dos temores do inferno, porque sabemos que nenhuma parte de Deus não se pode perder, comecemos a trabalhar diligentemente por nossa própria evolução, a fim de se tornar um novo ser humano (Ef 4:24; Col 3:10), sabendo discernir entre o real e o falso (ICor 6:12 e 19) e buscando se desvincular de todos os antigos hábitos errôneos (IPd 1:14 a 17) sem acender “uma vela para Deus e outra para o diabo”, como fazem os incoerentes de nossos dias (Mt 9:16 e 17). É preciso decisão, perseverança e humildade para limpar o templo interno (Jo 2:15 e 16) e ver nascer a estrela d’alva no coração (IIPd 2:19).
De toda nossa procura e experiência podemos, hoje, dizer aos novos companheiros: a Fraternidade Rosacruz é a Escola Aquariana que ensina e ajuda o indivíduo a se libertar de suas próprias limitações e o leva a uma concepção muito mais elevada e a possibilidades ilimitadas no campo das realizações internas, onde se encontra o Graal e sua Lança (o Espírito e o seu poder). Contudo, para chegar a ele deve ser um autêntico e moderno cavaleiro, o novo e consciente Parsifal. O vivido Sir Launfal de retorno ao “seu castelo”.
Que nos eleve nas asas da aspiração; que nos armemos da couraça do valor e da persistência; que nos imbuamos de propósitos altruísticos, e que o Deus da paz será conosco!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1964-Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: (Lc 15:11-32) – Certo homem tinha dois filhos; o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. E ele lhes repartiu os haveres. Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá dissipou todos os seus bens, vivendo dissolutamente. Depois de ter consumido tudo, sobreveio àquele país uma grande fome, e ele começou a passar necessidade. Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos. Ali, desejava ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada. Então, caindo em si, disse: Quantos trabalhadores de meu pai têm pão com fartura, e eu aqui morro de fome! Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores. E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se. Ora, o filho mais velho estivera no campo; e, quando voltava, ao aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um dos criados e perguntou-lhe que era aquilo. E ele informou: Veio teu irmão, e teu pai mandou matar o novilho cevado, porque o recuperou com saúde. Ele se indignou e não queria entrar; saindo, porém, o pai, procurava conciliá-lo. Mas ele respondeu a seu pai: Há tantos anos que te sirvo sem jamais transgredir uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito sequer para alegrar-me com os meus amigos; vindo, porém, esse teu filho, que desperdiçou os teus bens com meretrizes, tu mandaste matar para ele o novilho cevado. Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu. Entretanto, era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.
Dezembro de 1918
Esta é a última carta aos estudantes deste ano[1], e o pensamento no final de cada ciclo, naturalmente, se volta para a fugacidade do tempo e a evanescência da existência no mundo fenomênico. Também nos lembra da preciosidade do tempo e da nossa responsabilidade em usá-lo da melhor maneira para o crescimento anímico (o crescimento da alma), pois “que adianta o homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”[2] . Agora é o tempo da semeadura, e foi nos dito que “a quem muito é dado, muito será exigido”[3]. Portanto, somos responsáveis pelo que fizemos ou deixamos de fazer, numa extensão muito maior do que aqueles que não tiveram o conhecimento interno do propósito de Deus, o qual nos foi concedido por meio dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.
Nesse sentido, nós devemos compreender que cada ato de cada um de nós tem um efeito direto no Arquétipo do nosso Corpo. Se o ato está em harmonia com a Lei de Deus (que nada mais é do que a Lei da Vida e da Evolução[4]), ele fortalece o Arquétipo e proporciona um prolongamento da vida aqui, na qual podemos obter o máximo de experiência e fazer com que o crescimento da alma compatível seja compatível com o nosso estado evolutivo e com a nossa capacidade de aprendizagem. Desse modo, serão necessários menos renascimentos aqui para chegarmos à perfeição, comparado com um outro que, deliberadamente, se esforça para escapar de seus fardos, ou com outro, ainda, que aplica suas forças de forma destrutiva. Nesse último caso, o Arquétipo é tencionado e se rompe precocemente. Portanto, aqueles cujos atos são contrários à Lei de Deus encurtam as suas vidas aqui e precisam buscar novos renascimentos em um número muito maior do que aqueles que vivem em harmonia com a Lei de Deus. Esse é mais um exemplo em que a Bíblia está correta quando nos exorta a fazer o bem[5] para que possamos ter uma vida mais longa aqui na Terra.
Essa Lei se aplica a todos sem exceção, mas tem maior significado na vida daqueles que trabalham conscientemente com a Lei da Evolução do que daqueles que não trabalham. O conhecimento desses fatos deve multiplicar por dez ou cem vezes o nosso entusiasmo e nosso zelo pelo bem. Mesmo que tenhamos começado, como dizemos, “tarde na vida” podemos facilmente acumular mais “tesouros” nos últimos anos do que o obtivemos em algumas vidas anteriores aqui. E, acima de tudo, estamos nos preparando para um começo mais cedo nas próximas vidas aqui.
Esperemos, portanto, que tenhamos aproveitado da melhor maneira o ano que está terminando e nos preparemos para aumentar nossos esforços durante o próximo ano.
(Cartas aos Estudantes – nº 96 – do Livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
[1] N.T.: dezembro de 1918
[2] N.T.: Mc 8:36
[3] N.T.: Lc 12:48
[4] N.T.:É a Lei que rege: a Obra, o Caminho e o Esquema de Evolução, como aprendemos na Filosofia Rosacruz.
[5] N.T.: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé.” (Gl 6:9-10). “Façam o bem e emprestem, sem esperar nada em troca; vocês terão uma grande recompensa e serão filhos do Altíssimo.” (Lc 6:35-36). “Quem faz o bem beneficia a si mesmo” (Pb 11:17). “Confia no SENHOR e faze o bem; habitarás na terra e, verdadeiramente, serás alimentado.” Sl 37:3)
Será que ao efetuarmos diariamente nosso exame de consciência temos nos indagado se, porventura, concorremos com um mínimo de esforço para que a disseminação do ideal Rosacruz seja uma realidade? Temos contribuído, dentro de nossas possibilidades, para o engrandecimento da obra Rosacruz?
Em verdade, somente a nossa consciência pode nos alertar quanto ao papel que nos cumpre desempenhar dentro da Fraternidade Rosacruz, avaliando os nossos talentos e indicando-nos como eles poderão ser aplicados dentro do programa de expansão Rosacruz. A obra carece de ajuda, dependendo muito da nossa dedicação, sinceridade e trabalho, para consolidar-se como precursora da Era de Aquário.
A Fraternidade Rosacruz constitui algo muito mais grandioso do que se possa imaginar. Não podemos restringi-la, conceituando-a apenas como uma Escola filosófica-espiritualista, como outras existentes por aí, simplesmente orientando e instruindo os interessados através de livros, folhetos e conferências.
A missão, o ideal, os meios, o programa e a estrutura da Fraternidade Rosacruz formam um conjunto a transcender, essencialmente, tudo aquilo que podemos conceber como sendo edificante.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz outorgaram ao mundo algo inédito, original, sem paralelos; uma Filosofia que expõe e elucida os mais intrincados problemas sociais e espirituais, dentro de um elevado padrão de lógica e reverência, diante do qual se esboroam todos os argumentos contrários. Max Heindel colocou ao nosso alcance um cabedal de conhecimentos, cuja beleza e profundidade mal podem ser expressas por palavras. Tais princípios atendem perfeitamente as exigências de uma época onde o racionalismo e o espírito inquiridor “anti-empírico” repelem tudo o que não se enquadra em seus domínios. A Filosofia Rosacruz é atualíssima e concomitantemente abre perspectivas maravilhosas quanto ao futuro do ser humano.
Se verdadeiramente sentimos que ela veio preencher algo em nossas vidas, proporcionando-nos um maior vislumbre do mundo em que vivemos; se através de seus ensinamentos estamos penetrando e conhecendo nosso próprio ser, então é necessário que sejamos coerentes conosco mesmos, arregaçando as mangas e trabalhando pelo seu crescimento, da maneira que pudermos.
Sozinhos, pouco ou nada poderemos realizar. Se houver união de esforços, concatenando-se os talentos de cada membro da comunidade em prol de um objetivo comum, as possibilidades de êxito serão bem mais amplas.
Nunca será demais repetir que o ser humano isolado é uma impossibilidade. Reiteramos sempre as palavras do nosso Ritual do Serviço Devocional do Templo: “um só carvão não produz fogo, mas quando se juntam vários carvões, o calor latente em cada um deles pode produzir chama, irradiando luz e calor”.
Somos apologistas do trabalho de equipe, porquanto este apresenta inúmeras vantagens, como por exemplo, o alcance de um máximo rendimento em tempos e esforços mínimos, mediante o aproveitamento racional das qualidades e aptidões de cada um em função do todo. Além disso, sua ação faz-se sentir individualmente, revertendo em benefício de cada elemento, em forma de disciplina, solidariedade, harmonia, companheirismo e expansão natural das próprias qualidades. Contudo, o trabalho grupal requer, também, uma dose de boa vontade, sinceridade, entendimento, sentimento altruísta, e o que reputamos de suma importância: ausência do personalismo. Estes requisitos possibilitam a um grupo relativamente heterogêneo, empreender e concretizar obras de vulto.
Essencialmente Cristão, o Método Rosacruz de desenvolvimento prevê esses dois aspectos: individual e coletivo. O trabalho coletivo realiza-se através dos Centros e Grupos de Estudos Rosacruzes ou de esforços empreendidos por irmãos e irmãs nossos não importa sob que títulos, com objetivos edificantes. Por outro lado, o Método Rosacruz indica meios de realização estritamente individuais, objetivando aprimorar o Aspirante à vida superior, de modo a lhe permitir transcender os entraves internos separatistas, integrando-o cada vez mais perfeitamente no puro sentido de equipe, dentro da unidade Cristã, que representará o coroamento da presente época evolutiva: “um só rebanho e um só Pastor“: o Cristo.
Em decorrência todo e qualquer trabalho deve ser executado dentro daquele princípio denominado Serviço Amoroso e Desinteressado aos Demais. Se algo é feito com amor, despido de qualquer sentimento de interesse pessoal, será, por certo, duradouro. Se levar, porém, a marca do egoísmo será como um castelo edificado sobre a areia: mais cedo ou mais tarde acabará em ruínas.
Nosso labor não deve esperar recompensa, e sim resultados benéficos à coletividade. Felizes seremos quando formos capazes de prodigalizar tudo aos demais sem nada esperar em troca, a não ser novas oportunidades de servi-los. O simples pensamento de receber já revela indícios de egoísmo, ao passo que o desejo de dar implica em sentimento de amor. Isso vem de encontro à seguinte afirmação de um pensador dos tempos modernos: “Quem professa a filosofia do receber, confessa sua falência em dar”.
O Estudante Rosacruz sincero e devotado não procura saber o que poderá receber da Fraternidade Rosacruz, mas sim o que lhe poderá dar.
Estamos trabalhando na “Vinha do Cristo”, e isso, somente isso, já justifica e compensa plenamente todo o sacrifício e esforço que empreendamos em prol desse ideal sublime.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1967- Fraternidade Rosacruz-SP)
Todos os Aspirantes que se colocam em linha ou “em espírito e em verdade” com a Fraternidade Rosacruz e os seus Ensinamentos colocam-se dentro da esfera de atenção e influência dos Iluminados da Onda de Vida humana: nós os conhecemos como Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz. É uma grande vantagem para nós, como Aspirantes à vida superior, compreender o pleno significado desse fato e nos esforçar zelosamente para colher todo o benefício de tão maravilhoso privilégio. Podemos atrair a ajuda deles dedicando algum tempo à meditação sobre eles e os seus humanitários esforços, para lhes enviar nossa gratidão, nosso amor e nos consagrar a servi-los em seus constantes esforços para elevar a Humanidade.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz estão entre os seres Compassivos que, através de muitas vidas, desenvolveram as faculdades internas em elevado grau, mediante o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo que eles conseguem) à toda Humanidade, sempre focando na Divina Essência de cada um, já que essa é a base da Fraternidade. Passaram por todas as Escolas de Mistérios Menores e Maiores – ou seja: alcançaram as nove Iniciações Menores e as quatro Iniciações Maiores, também chamadas de as quatro Iniciações Cristãs –, tendo alcançado, assim, um estado de evolução que os libera de todas as cadeias terrenas, ou seja, da roda de Nascimentos e Mortes aqui. No entanto, preferiram ficar aqui, na Terra, como Auxiliares, tendo sido dado a cada um deles um trabalho em harmonia com os seus interesses e suas inclinações particulares.
Esses Hierofantes dos Ensinamentos da Sabedoria Ocidental desenvolveram uma segunda medula espinhal, atraindo para cima o raio do amor inferior de Vênus e transmutando-o em altruísmo, assim conquistando o domínio sobre o segmento simpático da primeira medula espinhal e o hemisfério cerebral esquerdo, agora governado pela apaixonada Hierarquia Planetária de Marte: os Espíritos Lucíferos. Desse modo, cada Irmão Maior é uma unidade criadora completa tanto no Plano físico como nos espirituais, sendo capaz de usar a força bipolar, masculina e feminina, ao longo dessa dupla medula, iluminada e elevada em sua energia potencial por meio dos fogos espirituais da coluna vertebral, regidos por Netuno (Vontade) e Urano (Amor e Imaginação). Essa energia criadora concebe, nos hemisférios gêmeos do cérebro regidos por Marte e Mercúrio, um veículo adequado para a expressão do Espírito, meio então objetivado e materializado no mundo por meio da Palavra Criadora que é falada. Através desse poder é capaz de perpetuar a sua existência física e criar um Corpo, depois de abandonar o antigo.
Todos os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz possuem a capacidade de construir o Corpo Denso mais adequado que necessitarem. Agora, para participar das atividades do Templo da Ordem Rosacruz funcionam com veículos etéricos, pois esse Templo é de natureza etérica e diferente dos nossos edifícios comuns; contudo, pode se comparar – não em intensidade, mas em composição – às atmosferas áuricas, às egrégoras, que existem nos Templos de todo Centro Rosacruz espalhados no mundo, desde que sejam templos solares e onde são oficiados fiel, constante e diariamente os Rituais dos Serviços Devocionais e que se mantenha, no interior de cada um deles, um ambiente de silêncio e oração. Essas atmosferas áuricas, as egrégoras, são etéricas e maiores que os edifícios físicos. Também, tais estruturas existem em volta das igrejas, desde que sejam templos solares, e em todas as construções onde habitam pessoas muito espiritualizadas.
O Templo da Ordem Rosacruz é superlativo e não pode ser comparado a coisa alguma; as vibrações espirituais compenetram de tal modo o entorno que a maioria das pessoas não se sentiria ali muito confortável.
Capazes de dirigir suas ações e emoções, os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz evitam todo esforço desnecessário sobre os seus Corpos. Conhecem os elementos exatos requeridos para conservá-los e a proporção adequada em que devem tomá-los. Asseguram, desse modo, a máxima nutrição e o mínimo desgaste. Por essa razão podem preservar seus Corpos em um estado de conservação juvenil com vigorosa saúde por centenas de anos.
Os Irmãos Leigos e as Irmãs Leigas, que estiveram em contato com o Templo da Ordem Rosacruz por um lapso de tempo que vai de vinte a quarenta anos desta vida, indicaram que os Irmãos Maiores têm hoje a mesma aparência que tinham há trinta ou quarenta anos. De acordo com os padrões dos indivíduos comuns parecem ter agora aproximadamente quarenta anos de idade.
Alguns Irmãos Leigos e algumas Irmãs Leigas disseram que Christian Rosenkreuz usa hoje um Corpo que foi conservado durante vários séculos. Isso pode ser ou não assim, mas nosso augusto condutor nunca foi visto pelos Irmãos Leigos e nem pelas Irmãs Leigas que concorrem ao serviço espiritual da meia-noite no Templo da Ordem Rosacruz. Sua presença apenas é sentida e constitui o sinal para o começo do trabalho.
Investigar a origem dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz é tão difícil como achar a prova do princípio da primeira manifestação de Deus. Posto que o seu trabalho tenha por objeto estimular a evolução da Humanidade, vêm trabalhando — de um modo ou outro — desde a mais remota antiguidade. Temos, não obstante, a prova histórica da aparição, já no século treze, de avançados ensinamentos que haviam de ser como que um brilhante astro para muitos.
Durante as poucas centúrias que passaram, os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz trabalharam pela Humanidade e em segredo. Todas as noites, à meia-noite, há um serviço no Templo da Ordem Rosacruz em que os Irmãos Maiores, assistidos pelos Irmãos Leigos e pelas Irmãs Leigas, que podem deixar os seus Corpos no mundo porque muitos deles residem em lugares onde é dia quando é meia-noite no lugar do Templo da Ordem Rosacruz, atraem de todos os locais do ocidente os pensamentos de sensualidade, cobiça, egoísmo e materialismo para transmutá-los em puro amor, benevolência, altruísmo e aspirações espirituais, enviando-os de regresso ao mundo para elevar e fomentar o bem. Não fosse essa poderosa fonte de vibração espiritual, o materialismo teria, já há muito, abortado todo o esforço espiritual, pois nunca houve época mais tenebrosa do ponto de vista espiritual como a que se prolonga pelos últimos trezentos anos de materialismo.
Sete dos doze Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz vêm ao mundo quando as circunstâncias solicitam, aparecendo como “homens entre os homens” ou trabalhando em seus veículos invisíveis com, ou sobre, outros, se for necessário; contudo, devemos compreender que eles nunca influenciam as pessoas contra a vontade delas, pois respeitam seus desejos e apenas fortalecem o bem onde o encontram. Os outros cinco Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz nunca abandonam o Templo da Ordem Rosacruz e, embora possuam Corpos Densos, todo o seu trabalho é realizado a partir dos Mundos internos. O Décimo Terceiro da Ordem Rosacruz é o “cabeça da Ordem”, Christian Rosenkreuz, o elo que a ajusta com um superior Conselho Central composto de Hierofantes dos Mistérios Maiores que não têm contato nenhum com a Humanidade comum, porém só com os graduados dos Mistérios Menores. Ele está oculto por doze círculos de tamanho igual. Mesmo os alunos da Ordem Rosacruz nunca o veem, mas nos serviços noturnos do Templo da Ordem Rosacruz a sua presença é sentida por todos.
Todas as meias-noites, no serviço, os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz abrem seus peitos para atrair os dardos de ódio, malícia, inveja e todo mal que haja sido feito durante as últimas vinte e quatro horas. Primeiro, com o objetivo de privar as forças do Graal Negro do seu alimento; segundo, para transmutar o mal em bem. Desse modo, assim como as plantas absorvem o inerte dióxido de carbono exalado pela Humanidade e com ele constroem seus Corpos, também os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz transmutam o mal dentro do Templo Ordem Rosacruz e, assim como as plantas emitem o oxigênio renovado e tão necessário à vida humana, também os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz devolvem à Humanidade a essência do mal transmutada em escrúpulos de consciência junto ao bem, a fim de que o mundo possa tornar-se melhor dia a dia.
Durante o Serviço do Templo da Ordem Rosacruz, os doze Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, juntos dos Irmãos Leigos e das Irmãs Leigas, funcionam em seus Corpos-Almas. É, portanto, evidente que a presença do “cabeça” da Ordem é inteiramente espiritual. Todavia, ele está sempre ativo nos assuntos do mundo, trabalhando com os governos das nações do Mundo Ocidental para guiá-los ao longo do caminho adequado à sua evolução. Com essa finalidade aparece em um Corpo Denso, pelo menos em parte do tempo.
Após o primeiro ano da Primeira Guerra Mundial, 1914-1918, os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, por causa do excessivo trabalho e da necessidade de se organizar auxílios, tiveram êxito na criação de um exército de Auxiliares Invisíveis, recrutados entre os que, tendo passado através das portas da morte, sentido a angústia e o sofrimento inerentes à passagem prematura, estavam cheios de compaixão pelos que chegavam constantemente, acalmando-os e ajudando até que tivessem encontrado o equilíbrio.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz possuem a consciência pictórica do Período de Júpiter, da qual se servem para iniciar seus Discípulos na Ordem Rosacruz. O Iniciador fixa a sua atenção em certos fatos cósmicos e o candidato, que se preparou para a Iniciação desenvolvendo em si mesmo certos poderes, é como um diapasão de idêntica nota que vibra com as ideias enviadas pelo Iniciador, em forma de quadros. Portanto, não somente vê os quadros, como também é capaz de responder à vibração; assim, o poder latente que nele existe é convertido em energia dinâmica e a sua consciência é elevada ao passo seguinte da escala iniciática.
A maioria da Humanidade está sob a orientação da Religião publicamente ensinada no país do seu nascimento; entretanto, há sempre precursores cuja precocidade requeira um ensinamento superior. A esses é ensinado uma doutrina mais profunda por meio da atividade da Escola de Mistérios. Quando unicamente uns poucos estão aptos para tal ensinamento preparatório, são instruídos privadamente; contudo, à medida que o número aumenta, o ensinamento é dado publicamente.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Resposta: A cruz nas primeiras versões do Símbolo Rosacruz era representada na cor preta, incluindo a cruz original, conhecida como “cruz do fundador”, em Mount Ecclesia, para comemorar a fundação da Sede da Fraternidade Rosacruz.
Ao referir-se às cerimônias do Dia da Fundação em novembro 1911, no Livro: Carta aos Estudantes na Carta nº 12, Max Heindel escreve: “Erigimos uma grande cruz do mesmo estilo do nosso Símbolo, e nos três extremos superiores pintamos, em letras douradas, as iniciais: C R C. Como sabem, essas letras representam o nome simbólico de nosso grande líder, definido em nosso Símbolo como Christian Rosenkreuz, que transmite uma ideia de beleza e de uma vida superior, muito diferente da escuridão ou do lugar sombrio da morte, geralmente associada à cruz na cor preta.
Ao mesmo tempo que escavávamos o terreno para o início da construção, decidimos fixar essa cruz e plantar uma roseira trepadeira, para que simbolizassem a vida verdejante dos diferentes Reinos de vida viajando para esferas superiores ao longo do caminho em espiral da evolução.”.
Na verdade, a Ordem Rosacruz, para o qual a Fraternidade Rosacruz é a Escola Preparatória autorizada, tem seu nome derivado do seu fundador, Christian Rose Cross (Rosenkreutz em alemão); um nome que, como estudamos no livro O Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, “é a corporificação da maneira e dos meios pelos quais o ser humano atual é transformado em Divino ‘Super-homem’. Esse símbolo, ‘Christian Rosen Kreuz’, (O) Cristão Rosa Cruz, mostra o fim e o objetivo da evolução humana; o caminho a ser percorrido e os meios pelos quais alcançará essa meta. A cruz na cor preta, os galhos verdes da planta que a entrelaçam, os espinhos e as rosas vermelho-sangue ocultam a solução do Mistério do Mundo: a evolução passada do ser humano, a sua constituição presente e, particularmente, o segredo do seu futuro desenvolvimento.”.
O Símbolo passou por evoluções, incluindo a conversão da cor da cruz na cor preta para a cor branca: Antes da primeira Reunião de Probacionistas, em 3 de Junho de 1913, “um carpinteiro havia cortado duas cruzes e a Sra. Heindel pintou uma delas de preto com borda branca, e na face oposta, branca com borda preta. Max Heindel disse também que nós precisaríamos de uma cruz branca, pura, junto com sete rosas vermelhas e brancas, ela então pintou a cruz extra de branco puro. Providenciou tudo, até as rosas que encontrou florescendo nas roseiras. Ao cair da tarde, fez um arranjo do emblema no seu escritório, prendeu três rosas brancas, já desabrochando, no centro da coroa de rosas vermelhas. Às 19 horas, os seguintes Probacionistas estavam presentes, alguns dos quais nos ajudaram nos preparativos da inauguração: Dra. M. Mason, Alice Gurney, Flora Kyle, Philip Grell, Sr. Rollo Smith, Fred Carter, Eugene Muller, Max Heindel e Augusta Foss Heindel. Novamente o número 9 estava representado como no dia da fundação e a ‘Fraternidade Rosacruz’ também soma 9 na numerologia. Os nove Probacionistas estavam sentados em meditação silenciosa, quando de repente as três rosas brancas no centro da coroa começaram a se mover, uma deslizou lentamente, mas ao cair, prendeu-se em uma folha ficando suspensa, deixando somente uma rosa branca no centro da coroa de rosas vermelhas. Dizer que os nove membros estavam atônitos não exprime fielmente o que ocorreu. A vibração na sala estava tão intensa que alguns dos presentes ficaram maravilhados: havia uma sensação de uma poderosa presença. Enlevado, Max Heindel, depois de algum tempo tentou se levantar para falar, mas, a sua voz falhou e lágrimas rolaram dos olhos. Todos ali presentes sentiram com certeza a presença do Décimo Terceiro Irmão (Christian Rosenkreuz) no seu corpo vital, e acreditamos que nenhum de nós presentes esquecerá daquele encontro. Após algumas palavras de Max Heindel, saímos todos em silêncio sem pronunciar uma palavra: todos nós sentimos que havíamos estado na presença de um Ser Sagrado.” (do livro: Memórias de Max Heindel – Augusta Foss Heindel – Fraternidade Rosacruz).
Assim, a única rosa branca posicionada no centro dos quatro braços da cruz foi confirmada. Ela significa:
1-O Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui) irradiando seus quatro instrumentos (Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente);
2-A laringe etérica que será capaz de falar a palavra criadora;
3-Para a oficiação do Ritual do Serviço Devocional de Cura, representa o coração do Auxiliar Invisível;
4-E, de modo geral, simboliza o ideal do Aspirante à vida superior em busca da pureza da vida, “o caminho da castidade”.
A estrela de cinco pontas simboliza “aquela influência inestimável para a saúde, a prontidão e elevação espiritual que irradia de cada servo da Humanidade”, que é o Corpo-Alma, soma psuchicon, mencionado por S. Paulo.
As sete rosas vermelhas significam:
1-O sangue humano purificado da paixão, tornando possível o desenvolvimento oculto dos sete centros etéricos do Corpo Vital, correlacionados com as sete Glândulas Endócrinas e;
2-A purificação da natureza de desejos, que promove o desenvolvimento dos sete centros do Corpo de Desejos, latente na maioria das pessoas, mas capaz (como com os centros etéricos) de se tornar órgãos extrassensoriais, possibilitando várias habilidades suprafísicas – assim, em ambos os casos acima, resultando a saudação Rosacruz: “Que as rosas floresçam em vossa sua cruz“.
Portanto, este Símbolo é nada menos do que um símbolo de Deus em manifestação; a meditação repetida sobre esse Símbolo enriquecerá o conhecimento do Estudante Rosacruz.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de setembro/2003 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas-SP-Brasil)