Problemas da Intimidade: Quem se desilude é porque se iludiu primeiro

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Problemas da Intimidade: Quem se desilude é porque se iludiu primeiro

Apelando para a sabedoria popular, costuma dizer nosso “caipira”: “para conhecermos alguém é preciso comermos juntos um saco de feijão”, isto é, conviver durante um tempo razoável com ele. De fato, a convivência traz a intimidade e esta nos revela a pouco e pouco as fraquezas e virtudes de seu caráter.

E como ainda uma grande maioria das pessoas está engatinhando no Cristianismo Esotérico e “bebendo do leite da doutrina”, tem a tendência inferior de ver e exaltar os defeitos e se lembrar pouco das virtudes.

A Filosofia Rosacruz nos ensina que todos nós, mesmo os selvagens, temos algo de bom, que deve ser exaltado e cultivado. No livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz estudamos um trecho de uma história em que Cristo e seus Discípulos, passando pelo cadáver em putrefação de um cachorro, disse: “As pérolas são menos alvas que seus dentes”. Num espetáculo que parecia inteiramente nauseabundo e feio encontrou Ele motivo de beleza, porque sabia dos benéficos efeitos que produzia sobre o Mundo do Desejo, ao “procurar o bem em todas as coisas”. E no fim de nosso Ritual do Serviço Devocional do Templo repetimos sempre que o oficiamos: “esforcemo-nos por esquecer, diariamente, os defeitos dos nossos irmãos e procuremos servir a divina essência neles oculta, o que constitui a base da Fraternidade”.

No entanto, verificamos todos os dias que muitos de nós, Estudantes Rosacruzes, nos esquecemos desses princípios e nos deixamos arrastar pelos antigos hábitos de crítica destrutiva. Ora, um hábito com outro se corrige. Não é possível conciliarmos hábitos errados do passado com a formosa Filosofia Rosacruz. “Não se põe remendo novo em vestido velho” (Mt 9:16, Mc 2:21 e Lc 5:36), senão, que “devemos morrer todos os dias” (ICor 15:31) nas coisas erradas para formar o novo ser humano.

Aqueles que entram na Fraternidade Rosacruz e dela se afastam quando percebem um defeito em outro irmão ou em outra irmã não compreendeu que constituímos uma Escola de ensino e prática do Cristianismo Esotérico, ou seja, de aperfeiçoamento Cristão e, apesar de nossas falhas e defeitos, procuramos fazer o melhor possível.

Além disso, o que nos deve fixar na Fraternidade Rosacruz não são as pessoas, mas o ideal Rosacruz. É verdade que devemos dar o melhor exemplo possível, “dentro de nossas forças”, pois, os principais colaboradores estão, de certo modo, como a cidade edificada sobre o monte ou o lampião do velador (Mt 5:14-15), algo destacados e mirados pelos principiantes como indivíduos melhores. Daí, muitas vezes, a decepção e afastamento de um novo Estudante Rosacruz quando percebe neles algum defeito.

Repetimos: busquemos cada um o ideal Rosacruz, ou seja, cumprir o programa de aperfeiçoamento interior que por si não dá tempo para reparar nos outros – pois há muito que aprender e praticar – e procurar ver em tudo o que há de bom (que sempre existe).

Errar é próprio de cada um de nós e pelo fato de alguém entrar na Fraternidade Rosacruz não quer dizer que seja um santo ou que, após tantos anos por estar ali, se converta num Iniciado.

Afinal, quem se desilude é porque se iludiu primeiro. Quem ensina a por pedestais sob dirigentes? Max Heindel nos ensina que o mundo é uma escola – a Escola da Vida – e a Fraternidade Rosacruz uma escola que veio para lançar uma luz oculta sobre a mal-entendida Religião Cristã, e para explicar o mistério da Vida e do Ser do ponto de vista científico, em harmonia com a Religião, e onde são fornecidos a todos os meios de se elevarem com suas próprias forças (e não por forças externas) ao domínio de si mesmo e, desse modo, alcançar a possibilidade de cruzar os portais da Iniciação para a Ordem Rosacruz. Na Fraternidade Rosacruz aprendemos que até os Iniciados erram e é com isso que aprendem cada vez mais.

Não estamos defendendo as fraquezas nem os defeitos. Todos devemos nos esforçar para dar o melhor exemplo possível e se alguém escorrega, então o que devemos fazer como Cristãos é ajudá-lo de modo inteligente e construtivo e não o enterrar mais com as vibrações maléficas de nossos maus pensamentos e nossas más palavras de ferina crítica, pois sabemos que “todos colhem conforme semeiam” (Gl 6:7-8), tanto os que criticam como os que realmente erram.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)

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