Categoria Desenvolvimento futuro do Ser Humano

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Dedicação ao Ideal

Muitos Estudantes Rosacruzes ativos – que estão trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, que começa como Estudante Preliminar e vai até Irmão Maior – se faz a seguinte pergunta, de vez em quando: “Tenho contribuído, dentro de minhas possibilidades, para o engrandecimento da obra Rosacruz, vivenciando-a no meu cotidiano e auxiliando quem também está a procura de uma Escola como essa?

Em verdade, somente a nossa consciência pode nos alertar para o papel que nos cumpre desempenhar dentro da Fraternidade Rosacruz, avaliando nossos talentos e, concomitantemente, indicando qual nossa aplicação dentro da frase que sempre repetimos quando oficiamos o Ritual do Serviço Devocional do Templo: “ser colaborador consciente na obra dos Irmãos Maiores a serviço da Humanidade”. É um campo carente de obreiros. Depende muito de nossa dedicação para se consolidar como precursora da Era de Aquário, já que ela é um Arauto dessa Era que bate às nossas portas.

A Fraternidade Rosacruz é um ideal muito mais grandioso do que possamos imaginar. Ela não é como alguns pensam, apenas uma “comunidade filosófico-espiritualista”, como outras existentes por aí, orientando e instruindo os interessados através de livros, informações digitais, folhetos, conferências e outros meios afins.

A missão, o programa e a estrutura da Fraternidade Rosacruz formam um conjunto cuja profundidade se encontra além da compreensão comum.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, por meio da Fraternidade Rosacruz, outorgaram ao mundo algo extraordinário: a Filosofia Rosacruz, ou seja, uma filosofia elucidativa dos mais intrincados problemas que afligem a cada um que busca respostas a elas. Lógica em sua linha de pensamento, guardando irrepreensível coerência em sua temática, a Filosofia Rosacruz resiste a todo e qualquer argumento em contrário. Mas há que estudá-la a vida toda para não chegar a conclusões equivocadas!

Os Ensinamentos Rosacruzes colocam ao nosso alcance um cabedal de conhecimentos, cuja beleza mal pode ser expressa em palavras. Tais princípios atendem perfeitamente as exigências de uma época, onde o racionalismo e o espírito inquiridor ante empírico repelem tudo o que não se enquadra em seus domínios. São atualíssimos, abrindo, ao mesmo tempo, perspectivas maravilhosas para o nosso futuro progresso. Eis então as possibilidades dessa Filosofia Rosacruz!

Se verdadeiramente sentimos que ela veio preencher algo em nossas vidas, propiciando uma visão mais ampla do mundo, por que não trabalhamos em prol de sua divulgação?

Sozinhos, pouco ou nada poderemos fazer. Mas, havendo união de esforços, as possibilidades de êxito serão bem maiores. Mesmo num grupo pequeno, a harmoniosa concatenação de talentos gera prodígios.

Nunca será demasiado repetir: o ser humano isolado é uma impossibilidade. Reiteramos sempre o que repetimos quando oficiamos o Ritual do Serviço Devocional do Templo: “um só carvão não produz fogo. Mas quando se juntam vários carvões, o calor latente em cada um deles pode produzir chama, irradiando luz e calor”.

Defendemos, justificamos e enaltecemos com fervor o trabalho em equipe ou em grupo, através do qual se alcança um máximo rendimento em tempo mínimo, mediante o aproveitamento racional das qualidades e aptidões de cada um em função do todo.

Pois, como aprendemos na Fraternidade Rosacruz: “Devemos aprender a lição do trabalho para um propósito comum, sem lideranças. Cada qual, igualmente induzido pelo espírito de amor que lhe vem do íntimo, deve empenhar-se pela elevação física, moral e espiritual da humanidade à altura de Cristo – o Senhor e a Luz do mundo”.

Afinal, ninguém sabe tudo! Um Estudante Rosacruz ativo reconhece suas limitações pessoais. Já sabe que se tiver ambição para se tornar líder se tornará um indivíduo inadaptado para a mais elevada forma de trabalho em grupo; por isso nunca tem o desejo de se destacar. Já aprendeu que se fundirmos e focalizarmos os atributos do nosso coração, o conhecimento e as energias espirituais de muitas pessoas pertencentes a um grupo e devidamente preparados, podem exercer um poder espiritual quase ilimitado na tarefa que o grupo precisa executar.

E para se trabalhar em grupo ou em equipe entende que precisa exercitar o seu impulso amoroso de dar, com renúncia de si mesmo, sem egoísmo; pois já assimilou o conhecimento de que sem o sacrifício o trabalho de grupo é praticamente impossível. Que deve se sobrepor à sua Personalidade, e que agindo assim fica mais fácil exercitar a dedicação ao serviço, o que resulta no crescer em consciência quanto aos propósitos comuns. Que é um ótimo ambiente para praticar no grupo ou equipe o serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) focado na divina essência oculta nos irmãos, nas irmãs e em nós – que é a base da Fraternidade. Esta é a magna chave do crescimento anímico, do crescimento da sua Alma. Entende a necessidade de recusar tudo o que seja danoso aos interesses do grupo ou da equipe (para isso aplica toda a sua sinceridade, lealdade, coerência). E, ainda, procura trabalhar em íntima cooperação mental e espiritual com os membros do grupo ou da equipe.

E, assim, em grupo ou equipe vai se dedicando ao Ideal Rosacruz e tendo oportunidades para se tornar um “colaborador consciente na obra dos Irmãos Maiores a serviço da Humanidade”.

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz – fevereiro/1983 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Sobre a origem dos Ensinamentos da Fraternidade Rosacruz

Embora a palavra “Rosacruz” seja usada por diversas organizações, a Fraternidade Rosacruz não tem nenhuma ligação com quaisquer delas.

Nos anos 1907-08, após ser provado na sinceridade de seus propósitos e desprendimento no desejo de ajudar ao próximo, Max Heindel foi escolhido, pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, para difundir publicamente os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental na Região Química do Mundo Físico, ajudando, deste modo, a preparar a Humanidade para a Era da Fraternidade Universal que se aproxima, a Era de Aquário, na qual já estamos na “Órbita de Influência”. E por meio de intensa autodisciplina e devoção ao serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) aos irmãos e às irmãs e focando na Divina Essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade –, ele alcançou a condição de Irmão Leigo na exaltada Ordem Rosacruz.

Sob a direção dos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, gigantes espirituais da Onda de Vida humana, Max Heindel escreveu o “Conceito Rosacruz do Cosmos”, um livro que, tendo marcado época, se converteu no que é agora o manual-guia de ocultismo do Mundo Ocidental. Pelo seu próprio desenvolvimento espiritual ele era capaz de verificar por si mesmo muito daquilo de que estudamos no “Conceito Rosacruz do Cosmos”, bem como também era capaz de adquirir conhecimento adicional direto – sem nenhum anteparo seja de pessoa física ou qualquer material –, que mais tarde incorporou às suas numerosas obras.

Uma das condições básicas para que os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental fossem transmitidos a Max Heindel era a de que nenhum remuneração financeira (direta ou indiretamente) lhes fosse estipulado. Esta condição foi por ele fielmente observada até ao fim de sua vida, e continua sendo-o cuidadosamente por aqueles que dirigem os trabalhos da Fraternidade Rosacruz.

Assim, embora os livros da Fraternidade Rosacruz sejam vendidos – a preço de custo –, todos os Cursos de capacitação (incluindo todo o material e os livros em formato digital) e os Serviços de Auxílio à Cura do Departamento de Cura da Fraternidade Rosacruz sempre são e serão gratuitos. Os Estudantes da Fraternidade Rosacruz não pagam inscrição, taxas, mensalidades ou quaisquer outra denominação que signifique remuneração financeira. A única coisa que se exige do Estudante Rosacruz ativo, que está trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz é a sua fidelidade aos Ensinamentos Rosacruzes, a sua persistência, perseverança, disciplina e aplicação do que aprendeu na sua vida aqui!

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1984 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Uma Divina Criança quer nascer

O Estudante Rosacruz ativo, que está trilhando fielmente o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, já compreendeu que entre quedas, desistências, covardias e grandezas estamos seguindo “para frente e para cima”. E que há uma criança divina em nós, que a cada dia quer nascer.

Se olharmos ao nosso redor vemos que essa sentença aparece como uma semente lançada em época muito oportuna, já que estamos em uma fase de trânsito entre uma Era que está terminando (a Era de Peixes) e outra (onde já estamos na sua “Órbita de Influência”, a Era de Aquário), cujos lampejos aos mais avançados é dado entrever e transmite uma incrível sensação de insegurança a muitos irmãos e muitas irmãs.

Isso tem produzido uma espécie de fobia generalizada de perda. Muitas pessoas temem perder o emprego, a saúde, a posição social, os entes queridos e a própria vida (especialmente aos que acham que a vida é o fim da existência e até aqueles que acham que partem daqui para uma chamada “vida eterna” que nem sabe direito o que é!).

Esse clima de instabilidade, para muitos, é doloroso, não resta dúvida. Entretanto, pelo menos para quem “tem olhos para ver e ouvidos para ouvir” encerra alguns aspectos altamente positivos, isto é, oferece valiosíssimas lições morais e espirituais. Dentre elas destacamos:

  1. Fazer ver que o materialismo não oferece segurança alguma. A transitoriedade e a relatividade são elementos característicos do Mundo material. Não há outra segurança a não ser aquela emanada do Cristo Interno. Ou encontramo-nos seguros internamente e encaramos calma e confiantemente as dificuldades do dia a dia, ou ficaremos à deriva.
  2. As conquistas no plano material, por empolgantes que sejam, não constituem um fim em si mesmas, são meios para se alcançar um desenvolvimento superior, espiritual sempre.
  3. Muitas das atuais estruturas e instituições do mundo civilizado estão cristalizadas. Já se exauriram suas possibilidades de desenvolvimento e, como acontece no processo evolutivo, serão substituídas por estruturas novas, compatíveis com as necessidades de crescimento da Humanidade. É de se esperar o surgimento de novos modelos religiosos, econômicos, políticos e sociais regendo a vida dos povos.
  4. Agora, mais do que nunca, a capacidade epigenética de cada um deve ser exercitada. As crises estão aí e caminharão fatalmente para um impasse se muitos de nós persistirem em tentar equacioná-las através de meios estritamente convencionais. É preciso usar de criatividade, procurando novas alternativas para solucionar os problemas.
  5. Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que a adaptabilidade é a palavra-chave do progresso. Portanto, quem não se adaptar às características desta fase de transição, por certo muito sofrerá e verá retardar-se sua evolução.
  6. Os sofrimentos atuais devem despertar o sentimento de solidariedade entre nós, nos unindo no sentido de procurarmos superar as crises. Somente uma fraternal conjugação de esforços poderá fazer frente às dificuldades atuais. Esse tipo de cooperação constitui a antítese do egoísmo e individualismo. Deveremos criar formas superiores de relacionamento humano, sepultando o tradicional conceito de liderança.
  7. Todo e qualquer tipo de preconceito, pensamento, desejo, emoção ou sentimento exclusivista deve desaparecer. O apego à Raça, nacionalidade, aos dogmas religiosos e às ideologias políticas entravam o equacionamento dos problemas humanos e impede a realização da Fraternidade Universal. A realidade que vivemos demonstra como isso é verdade. Tudo deve ser conduzido no sentido de unir a “grande família humana”, como nos ensinou Cristo.

Estes são alguns aspectos da questão. Existem outros não menos importantes. Na verdade, nós, a despeito das circunstâncias nas quais estamos envolvidos, procuramos algo superior, o que já não deixa de ser um passo considerável.

Mas, a maioria procura fora de si mesmo. Quando se admitir como um ente superior, o que realmente somos: um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), parte integrante do corpo macrocósmico de Deus, terá se desvencilhado das crises e desequilíbrios deste mundo – essas incríveis ilusões. Nascerá, então, de um longo e doloroso parto, a Divina Criança em cada um de nós, o Cristo Interno.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1984 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Sociedade Aquariana

Os ensinamentos promulgados pela Fraternidade Rosacruz mencionam a aproximação de uma nova Era, à medida que a Sol, em seu movimento precessional caminha do Signo de Peixes para o Signo de Aquário.

O Sol entrou na órbita de influência aquariana em meados do século passado. A cada 72 anos ele se aproxima um grau do Signo de Aquário, regido por Urano. Sua influência, cuja palavra-chave é a originalidade e renovação, faz-se sentir nas conquistas espaciais, no estudo e aproveitamento das energias solar e atômica, no avanço das telecomunicações e muitas outras áreas tecnológicas, filosóficas, religiosas e afins. Estas descobertas estão transformando o mundo e nos conduzindo a um futuro inimaginável, saibamos ou não.

Algumas passagens das Sagradas Escrituras aludem, esotericamente, a nova Era.

As Eras são fases cíclicas do progresso humano, predominando, em cada uma delas, características marcantes. Oferece ambientes e experiências adequados ao desenvolvimento da Humanidade. O Antigo Testamento relata, veladamente, as transições entre várias dessas etapas.

Ao final da Era de Touro, há uns quatro mil anos (contando com a base de tempo atual: 1 ano como 365 dias), o “povo escolhido” empreendeu a fuga do Egito, terra onde o boi Ápis era cultuado. Neste êxodo foram conduzidos por Moisés, cuja cabeça, em antigas gravuras aparece adornada com cornos de carneiro. Essa forma de representá-lo indica tratar-se do precursor da Era de Áries, durante a qual, na manhã de Páscoa, o Sol tingia de vermelho as portas das casas, semelhante a sangue de carneiro.

Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrava na órbita de influência de Peixes, S. João Batista submergia as pessoas nas águas do Jordão. O Cristo chamava a seus Discípulos de “pescadores de homens” (Mt 4:18). O peixe (o ictus dos latinos) era um símbolo do Cristianismo. Explica-se, assim, porque a mitra dos bispos assemelha-se a uma cabeça de peixe. Olhando o futuro através da perspectiva do passado, evidencia-se o alvorecer de uma nova Era. É razoável supor-se que um estágio mais avançado de Religião substituirá o presente, revelando-nos ideais mais nobres do que nosso atual conceito de Religião Cristã.

Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o trabalho de preparação para a Era de Aquário já se iniciou. Como se trata de um Signo do Ar, científico e intelectual, depreende-se que a Religião aquariana deverá alicerçar-se em bases racionais, sendo capaz de resolver o enigma da vida e da morte de tal forma a satisfazer a Mente e o Coração.

Aquário é representado por um homem derramando água de seu cântaro, simbolizando o desaparecimento da umidade pela predominância de uma atmosfera mais seca e etérica.

O ser aquariano, por certo, derramará toda a água viva de sua sabedoria, chegando a um adiantamento inconcebível, produzido pelo contato direto de sua Mente com os raios do Cristo Cósmico.

Na próxima Era não haverá mais guerras, porque o nosso desenvolvimento espiritual o tornará um verdadeiro templo de amor. Segundo a Astrologia espiritual Rosacruz e os Ensinamentos Rosacruzes novas forças e energias serão descobertas. Serão, entretanto, utilizadas em benefício de todos, ao contrário do que ocorre nos dias atuais.

Em Aquário, uma Humanidade mais nobre povoará a Terra. A sociedade aquariana, em termos sociais, científicos e espirituais deverá atingir tal estágio evolutivo, que para a limitada consciência pisciana pareceria mera ficção.

(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Visão Etérica e o Desenvolvimento Futuro

Presentemente, estamos nos tornando mais e mais sensível aos estados mais elevados da matéria. Estamos desenvolvendo faculdades espirituais que nos abrirão horizontes inteiramente novos. Ao mesmo tempo, a atmosfera do nosso Planeta está se tornando mais rarefeita. O oxigênio está sendo consumido e o Éter planetário está se tornando mais denso. Todas essas condições nos permitirão estabelecer contato visual com a Região Etérica do Mundo Físico com mais facilidade do que antes. É de se esperar que aquilo que as pessoas perceberem inicialmente nos Éteres seja inquietante, isto para dizer o mínimo. Compreensivelmente, se atribuirão a tais fenômenos interpretações infundadas.

A esse respeito, aprendemos na Fraternidade Rosacruz que é bom compreender que, por meio da aspiração e meditação, aqueles que anseiam por esse dia estão aproveitando a oportunidade no momento certo e podem facilmente superar seus semelhantes que desconhecem o que está por vir. Estes últimos, por outro lado, poderão retardar o desenvolvimento da própria visão, ao acreditarem estar sofrendo de alucinações, quando começarem vislumbrar as entidades etéricas e pelo medo de serem considerados insanos, caso revelem a outros aquilo que veem.

Também, aqui aprendemos que mais importante de tudo é que apressaremos esse dia, em nosso próprio caso, ao adquirirmos conhecimento sobre as coisas que podemos esperar ver; pois assim saberemos o que procurar e não ficaremos assustados, espantados ou até incrédulos, quando começarmos a vislumbrar essas coisas.

Para contrapor o efeito do entorpecimento espiritual causado pela crença na interpretação materialista dos fenômenos etéricos, cabe aos Estudantes Rosacruzes ativos promover, sempre que possível, por meio de suas palavras e de suas vidas, o conceito de um universo moral, guiado por nós, o Ego – o que realmente somos, um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui – e que, em última análise, gera o bem.

(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de abril de 1978 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

O Jejum como um Fator para o Crescimento Anímico

Frequentemente o autor recebe perguntas em relação ao benefício ou desvantagem do jejum e, portanto, pode ser bom elucidar a origem e o fundamento dessa prática para que possamos determinar qual efeito, se houver, é exercido sobre o crescimento espiritual.

Nas Antigas Dispensações era exigido que os sacrifícios de bovinos e caprinos fossem feitos como expiação ao pecado praticado, pois o ser humano valorizava, então, seus bens materiais, muito mais do que nos dias de hoje, sentindo profundamente sua perda, quando forçado a abrir mão deles para tal finalidade.

Mesmo nos dias modernos, as indulgências são compradas e o Perdão dos Pecados anunciado a qualquer pessoa que doe uma quantia em dinheiro a algumas Igrejas Católicas e Protestantes, para a compra de todo os tipos de acessórios necessários ao serviço.

Mas, sempre houve um ensinamento esotérico, que está sendo promulgado exotericamente hoje, e esse ensinamento não aceita o sacrifício de um animal, dinheiro ou outras posses; contudo, exige que cada um faça um sacrifício de si mesmo. Isso foi ensinado aos Aspirantes na antiga Escola de Mistérios, quando eles eram preparados para o Ritual Místico de Iniciação. A eles foram explicados os mistérios do Corpo Vital – composto pelos quatro Éteres e funções de cada  Éter: o Éter Químico, que é necessário para a assimilação; o Éter de Vida, que promove o crescimento e a propagação; o Éter de Luz ou Luminoso, que é o veículo da percepção sensorial; e o Éter Refletor, em que se armazena a memória.

Eles foram, cuidadosamente, instruídos nas funções dos dois Éteres inferiores em comparação com os dois Éteres superiores. Eles sabiam que as funções puramente animais do Corpo dependiam da densidade dos Éteres inferiores, e que os dois Éteres superiores, por sua vez,  formavam o Corpo-Alma, o veículo do serviço e, naturalmente, eles aspiravam cultivar essa gloriosa vestimenta, pela renúncia e refreando as propensões das naturezas inferiores, assim como fazemos hoje.

Esses fatos eram mantidos em segredo das pessoas que não estavam no Caminho da Iniciação ou, melhor dizendo, assim deveriam ter permanecido. Mas, alguns neófitos, mesmo sendo excessivamente zelosos em alcançar a Iniciação, não importando os meios, esqueceram que é somente pelo serviço e altruísmo que a veste nupcial dourada é cultivada pelos dois Éteres superiores. Eles pensaram que a máxima oculta, “ouro no cadinho, impureza no fogo; ligeiro como o vento, alçar-se cada vez mais alto”, apenas significava que, enquanto a natureza inferior, a escória, tinha sido expulsa, e não importava a maneira, mas se tivessem encontrado um método fácil, eles teriam retido apenas o “ouro” composto pelos dois Éteres superiores, o Corpo-Alma, no qual eles poderiam, com certeza, acessar os Mundos invisíveis sem obstáculo ou embaraço. Eles concluíram que, como o Éter Químico é o agente de assimilação, poderia ser eliminado do Corpo Vital, privando o veículo físico da fome.

Eles também pensaram que, como o Éter da Vida é a via de propagação, poderiam privá-lo com uma vida celibatária. Seguindo esse método, concluíram, assim, que reteriam apenas os dois Éteres superiores e, portanto, praticavam todas as austeridades que se podia pensar, entre outras práticas, o jejum. Por esse processo o Corpo Denso perdia a saúde e a sua natureza passional ficava debilitada, pois, buscava a gratificação pelo exercício da função propagativa, sendo silenciado com a punição.

Dessa maneira, horrível, é verdade que a natureza inferior parecia estar submetida e, também, é verdade que, quando as funções corporais eram reduzidas a níveis bem baixos, as visões, ou melhor dizendo, as alucinações eram frequentemente a recompensa dessas pessoas equivocadas. Outros que ouviram falar de sua suposta santidade estavam ansiosos para imitá-los; assim, seu exemplo desviou milhares de almas da busca do verdadeiro Caminho.

Mas, o resultado obtido por essas pessoas desencaminhadas e seus seguidores está longe de ser o que se pretendia pelo treinamento na Escola de Mistérios. Antes de mais nada, ao Aspirante à vida superior foi ensinado que o Corpo Denso é o “Templo de Deus” e que profaná-lo, destruí-lo ou mutilá-lo de qualquer maneira é um grande pecado. A indulgência com o apetite é um pecado, uma prática contaminadora que traz consigo certa retaliação, mas não deve ter maior repreensão do que a prática de jejuar para o crescimento da alma.

Viver corretamente não é banquetear e nem jejuar, mas dar ao Corpo os elementos necessários para mantê-lo na forma adequada de saúde, força e eficiência como um instrumento do Espírito. Portanto, jejuar para o crescimento anímico é um pseudométodo que tem o efeito, exatamente o oposto daquilo que foi projetado para ser realizado, devido à falta de visão de seus criadores. “Eu sou a porta”, disse o Cristo, “se alguém não entra pela porta, esse é ladrão e salteador”[1].

Da mesma forma, com a prática do celibato para o crescimento anímico, ou da alma, a máxima enunciada no início desse parágrafo se aplica de forma idêntica. É repreensível quando homens e mulheres, feitos à imagem de Deus, se degradam pela indulgência da natureza passional a um estado inferior ao dos animais, porém, é igualmente repreensível quando aqueles que vivem de outra forma, tendo vidas boas e sagradas, se recusam a sacrificar suas aspirações para dar a uma alma que está à espera daquele Corpo e daquele ambiente que lhe atendam, e que tenha todo aquele tempo para o próprio desenvolvimento. Eles podem, pelo jejum, atenuar o Éter Químico, e, por suas vidas fanáticas e egoístas de celibatário, podem também eliminar o Éter da Vida em grande proporção, mas essas medidas nunca irão construir a “vestimenta dourada de casamento”, que é o ‘abre-te sésamo’ para a festa do “casamento místico”; na falta desse traje, alguns que conseguirem entrar sorrateiramente, por métodos ilegítimos como jejum, castigo e celibato, serão lançados nas trevas exteriores.

(Publicado na revista Rays from the Rose Cross em dezembro/1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)


[1] N.T.: Jo 10:1

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Páscoa e as Iniciações

Feliz Páscoa! – Dizemos todos os anos, trocando cartões, coelhinhos e ovos. Mas, aproveitemos a pausa da semana santa e meditemos seriamente: por que “Feliz Páscoa”? Que sentido tem a Páscoa para nós?

Um irmão ou uma irmã de uma Religião Cristã nos dirá: “Comemoramos gratamente a Páscoa, em homenagem Àquele que se sacrificou por nós; que demonstrou a vitória sobre a morte, ao ressurgir do túmulo, três dias depois da crucifixão, conforme prometera; que, finalmente, ascendeu aos céus, quarenta dias após. Está à direita de Deus-Pai, intercedendo por nós”.

Insatisfeitos, perguntamo-nos: que significa isto para nós?

A Filosofia Rosacruz nos ensina que a Iniciação é um processo cósmico de iluminação e evolução do poder; portanto, as experiências de todos são semelhantes nas principais características. Também nos ensina que há a Iniciação Cristã Mística, onde o candidato geralmente está inconsciente do fato de que está tentando atingir algum objetivo definido, pelo menos durante os primeiros estágios de seus esforços, e há nessa nobre Escola de Iniciação tão somente um Mestre, o Cristo, que está sempre diante da visão espiritual do candidato como o Ideal e a Meta de todo o seu empenho. A meta alcançada por meio da Iniciação Cristã Mística é a mesma, porém o método é inteiramente diferente da Iniciação Cristã Ocultista. Na primeira se aprende que é infinitamente melhor ser capaz de sentir emoções nobres, do que ter o intelecto tão aguçado e hábil para definir todas as emoções.

Há nove degraus definidos na Iniciação Cristã Mística, começando com o Batismo, que é introdutório.

1. Batismo;

2. Tentação;

3. Transfiguração;

4. Última Ceia e Lavapés;

5. Getsemani ou Jardim da Agonia;

6. Estigmata;

7. Crucifixão;

8. Ressurreição; e

9. Ascensão.

Para a Iniciação Cristã Mística da Transfiguração até à Ascensão é conhecida como Mistérios Pascoais.

Em todos esses Mistérios (Iniciações) temos que seguir o Caminho da Santidade, que o Cristo percorre anualmente, durante Seu ministério em favor desse mundo e sua Humanidade. Note em sua volta que a Natureza – que, em sua totalidade, constitui o Corpo dessa Terra – se altera harmonicamente com a subida e a descida de Cristo, e o Caminho do Progresso Espiritual ou Iniciação para o ser humano, segue o mesmo processo. Por isso, quando aprendemos a nos pôr em uma mais estreita e íntima relação com Cristo, nos encontramos, consequentemente, mais harmonizados com o Espírito interno das mudanças de estação, e melhor realizamos o trabalho particular em cada uma das quatros estações do ano.

Temos uma correlação positiva e fortíssima entre a Iniciação Cristã Mística e a Iniciação Cristã Ocultista. Vamos resumi-la aqui:

Duas etapas se distinguem nessa luminosa ascese:

a) a primeira vai da 1ª à 5ª Iniciação Menor. Corresponde à conscientização de toda a evolução humana, desde o Período de Saturno até meados da Época Atlante ou metade do atual Período Terrestre. É a tomada de consciência do que acumulamos na Memória Supraconsciente, contida no Átomo-semente, da primeira metade deste Grande Dia de Manifestação. No fim desta etapa o candidato atinge o grau de primogênito.

b) a segunda vai da 6ª à 9ª Iniciação Menor (a última). Este período corresponde ao desabrochar da consciência do Iniciado, para o trabalho a ser desenvolvido na metade Mercurial (segunda metade) deste Período Terrestre.

A penetração da consciência do Iniciado na obra evolutiva referente aos Períodos de Júpiter, Vênus e Vulcano, dizem respeito às 1ª, 2ª e 3ª Iniciações Maiores. Na 4ª Iniciação Maior, o Iluminado candidato atinge a condição de Libertador, optando entre permanecer ajudando seus irmãos na Terra ou partir para uma evolução mais alta, em Júpiter. A Páscoa trata da segunda etapa. É o processo de libertação do Período Terrestre. É a superação de todo o trabalho deste Período. É o cortar do cordão umbilical que nos condiciona ao Planeta, quando nos conscientizamos de todas as suas leis ou mistérios.

Começa a Páscoa quando o candidato, no plano mental abstrato, na 5ª Iniciação, deve transcender sua Personalidade. S. Paulo, o Apóstolo que conheceu essa experiência, que dura mais ou menos tempo, conforme o Candidato. Ele se refere a si próprio quando diz “conhecer um homem que foi arrebatado ao 3º céu e lá viu e ouviu coisas que não lhe é lícito contar” (IICor 12:1-6). Estava no plano mental abstrato ou Região Abstrata do Mundo do Pensamento, onde a universalidade do Espírito se limita a uma consciência egóica.

S. Paulo sentiu agudamente o Horto da Agonia, nos embates entre a Personalidade e o Divino interno, a Individualidade. Mas venceu a prova, pois afinal exclama triunfante: “Não mais eu quem vivo, mas o Cristo vive em mim!” (Gl 2:20).

O próximo passo – a 6ª Iniciação Menor – foi vivenciada, por exemplo, por S. Francisco de Assis, que apresentou os sinais interiores das estigmatas (dos ferimentos), naqueles pontos físicos em que o Espírito fica preso ou crucificado à cruz do Corpo Denso.

Na 7ª Iniciação Menor, o Candidato experimenta o morrer para o sentido humano. Esse processo dura certo período, simbolizado pelos três dias no túmulo. São três etapas em que dissolvemos os traços humanos dos corpos físico, emocional e mental. Então elevamos o grau vibratório de nossa tripla instrumentação e podemos ressurgir para mais alto estado. Não que a gente suba aos céus. Isto é um sentido simbólico. Não subimos para nenhum lugar, senão que experimentamos uma expansão de consciência e alcançamos mais profundamente os mistérios de nosso ser e de nosso Planeta.

Vem a Ressurreição – a 8ª Iniciação – na qual o Candidato adquire a capacidade de sutilização do Corpo, a faculdade plena de materializar-se e desmaterializar-se, mediante o domínio da vontade e poder excepcional de concentração. Eis a explicação do Mestre haver passado através das paredes e entrado na habitação fechada onde se achavam reunidos dez Apóstolos (S. Tomé estava ausente); e depois aos onze (S. Tomé junto). Mas ainda remanescem os sinais da estigmata – os últimos vestígios de influência terrena, que devem ser definitivamente dissolvidos, nos simbólicos quarenta dias (período indeterminado de tempo).

Aí vem a última etapa ou 9ª Iniciação Menor, em que estava João Batista: a Ascensão. Seu mesmo Espírito havia animado, em anterior renascimento, a expressiva figura de Elias – o profeta – que subiu aos céus num carro de fogo (IIRs 2:11) (Ascensão). João Batista, estava a ponto de passar à primeira Iniciação Maior, como Adepto. Por isso foi dito dele, por Cristo: “Dos nascidos de mulher, João Batista é o maior” (Mt 11:11) – isto é, dos que ainda têm de nascer do ventre materno, porque ligado às leis da Terra, João Batista era o mais alto Iniciado. Quando o Iniciado passa à primeira Iniciação Maior, adquire o mistério da Alquimia Espiritual. Ele domina todas as leis da matéria, e pode reunir elementos restantes da assimilação dos alimentos e conservá-los, para ir formando outro corpo, além do que ocupa. Quando ele termina sua missão num certo país e deve começar outra num país diferente, deixa o Corpo Denso antigo e toma o novo, para surgir como uma nova pessoa. Então se diz que “fulano morreu”. Esses elevados Iniciados trabalham no mundo, em missão de equilíbrio, para assegurar os rumos do destino evolutivo humano, dentro de certos limites de respeito ao livre arbítrio.

Todos teremos de passar, a nosso modo, por esses estágios.

 (Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – abril/1976 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Semelhanças com o Processo de Metamorfose: Nossa Evolução

A tendência natural no atual momento desse Esquema de Evolução no qual todos nós estamos inseridos é: “de dentro para fora”, “de baixo para cima”, “para frente e para cima”. Por isso a Filosofia Rosacruz leva o Estudante Rosacruz a se redescobrir, a se conhecer e, tomando conhecimento de seu relativo estado de consciência, empreenda a tarefa de reeducação, de transmutação e libertação das sujeições da matéria da Região Química do Mundo Físico.

Tomando o axioma hermético: “assim como é em cima é embaixo” podemos apurar a veracidade do que dissemos. A analogia é a chave de maiores recursos e se consideramos que somos um microcosmo, parte do macrocosmo que é a Terra, e como ambos seguem linhas idênticas, numa perfeita reflexão evolutivas, veremos quão profunda é nossa Filosofia e como ela concilia, magistralmente: a Ciência, a Religião e a Arte.

Quando estávamos na Época Lemúrica e construíamos Corpos Densos como lemurianos vivíamos muito próximos do centro ígneo da Terra. Já quando estávamos na Época Atlante e construíamos Corpos Densos como atlantes habitávamos nos vales profundos, já afastados do centro ígneo da Terra. Agora estamos na Época Ária e quando construímos Corpos Densos como arianos somos impelidos, no princípio por meio dos dilúvios para as mesetas, os planaltos, onde hoje vivemos.

Analogamente, seguindo a mesma direção, quando estivermos na Era de Aquário e construirmos Corpos Densos como aquariano viveremos “no ar”. Porém, como sabemos que os nossos Corpos Densos, como massa, estão sujeitos à Lei de Gravidade que os atrai para o centro da Terra, uma transformação deverá, necessariamente, ocorrer. S. Paulo nos ensinou que “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus” (ICor 15:50). Mas diz, também, que temos uma soma psuchicon, mal traduzido por “corpo natural” e que significa realmente um “corpo espiritual”, constituído pelos dois Éteres superiores do nosso Corpo Vital, mais ligeiro do que o ar e, por isso, capaz de levitação. Este Corpo é o áureo “Trajes de bodas”, a Pedra Filosofal ou Pedra Viva que algumas filosofias antigas designam por Alma Diamante, por ser luminoso, refulgente e cintilante como aquela inestimável joia. Esse Corpo é o Corpo-Alma!

Essa espécie metamorfose toda e sair para o alto e para fora pode se comparar, por exemplo, a transformação do girino em rã (trânsito da Humanidade desde a Época Atlante até à irisada Época Ária) e da lagarta que se arrasta pela terra na mariposa que fende os ares (símil do futuro trânsito do nosso presente estado e condição para as da Época Nova Galileia, onde ficará estabelecido o Reino de Cristo).

Sobre isto, Cristo manifestou, implicitamente, que o “novo Céu” e a “nova Terra” não estavam preparados, quando disse aos discípulos: “Para onde Eu vou não podeis vós ir agora, porém, hei de aparelhar-vos lugar e virei outra vez e vos tomarei comigo para que, onde Eu esteja, estejais vós também” (Jo 14:2-3). Posteriormente, em visão, o apóstolo S. João viu a Nova Jerusalém que descia do Céu e S. Paulo escreveu aos Tessalonicenses dizendo-lhes, por palavras do Senhor, que: “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens” (1Tess 4:17), na Sua segunda vinda, para receber o Senhor no ar e estarão para sempre com Ele. Isto tudo concorda com as tendências expressas na passada evolução da Humanidade.

 (Publicada na Revista Serviço Rosacruz – abril/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)

porFraternidade Rosacruz de Campinas

A Diferença entre a Fraternidade Rosacruz e uma Religião e se devemos praticar uma Religião Cristã

A Fraternidade Rosacruz não é uma seita ou organização religiosa, mas sim uma grande Escola de Pensamento Filosófica-Cristã, que divulga a Filosofia Rosacruz que preconiza o Cristianismo Esotérico, tal como foi ensinado a Max Heindel, fundador da Fraternidade Rosacruz, pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.

Os Ensinamentos Rosacruzes projetam luz sobre o lado científico e o aspecto espiritual dos problemas relacionados com a nossa origem e evolução e a do Universo.

Estes Ensinamentos constituem um meio para nos tornarmos melhores e desenvolvermos o sentimento de altruísmo e do dever – como trazido, inaugurado e nos ensinado por Cristo – e que é a base para se estabelecer a Fraternidade Universal.

A Fraternidade Rosacruz é Cristã porque baseia seus ensinamentos nos princípios Cristãos, e é Esotérica, ou oculta, porque desvenda o sentido mais profundo desses mesmos princípios. A Religião Cristã é a segunda ajuda que temos atualmente para nos desenvolvermos nesse Esquema de Evolução; é a Religião do Filho, cuja finalidade é a união com Cristo, pela purificação e governo do nosso Corpo Vital, de onde advém o veículo que estamos desenvolvendo: o Corpo-Alma.

Sobre isso a Carta nº 4 do Livro Carta aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz nos fornece mais detalhes: “Somos todos Cristos em formação. A natureza do amor está revelando em todos nós, portanto, por que não deveríamos nos identificar com uma ou outra das Igrejas Cristãs sérias que prezam o ideal de Cristo? Alguns dos melhores trabalhadores da Fraternidade Rosacruz são membros e ministros de Igrejas Cristãs sérias. Muitos estão famintos pelo alimento que temos para lhes dar. Não podemos compartilhar desse alimento com eles nos mantendo afastados e nos prejudicando ao negligenciar a grande oportunidade de ajudar na elevação da Igreja Cristã, que seja séria.

Naturalmente, não há uma obrigação para isso. Você não é obrigado a se juntar ou a frequentar uma Igreja Cristã séria, mas se você for até lá com espírito de ajuda, posso lhe garantir que experimentará um crescimento de alma maravilhoso em um tempo muito curto. Os Anjos do Destino[1], que dão a cada nação, a cada povo, a Religião mais apropriada as suas necessidades, nos colocaram em uma terra Cristã, porque a Religião Cristã nos ajuda no crescimento anímico, no crescimento da alma. Mesmo admitindo que a Igreja tenha sido obscurecida por credos e dogmas, não devemos permitir que isso nos impeça de aceitar os ensinamentos que são bons, pois isso seria tão tolo quanto centralizar a nossa atenção sobre as manchas do Sol e nos recusar a ver a sua luz gloriosa”.

Sobre a importância do Estudante Rosacruz ter uma Religião Cristã, aplicando-se nela, veja no Livro Iniciação Antiga e Moderna – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz os motivos e a importância disso quando são apresentadas algumas das gemas mais preciosas em relação aos profundos aspectos da Religião Cristã. Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz estão trabalhando para disseminar por todo o Mundo Ocidental, o intenso significado espiritual que está ao mesmo tempo oculto e revelado na Religião Cristã.

Os vários e importantes passos que marcam a vida de nosso Salvador, Cristo, formam o plano geral das Iniciações Cristãs. A Fraternidade Rosacruz oferece-nos uma visão mais completa e mística deste processo alquímico que se realiza no nosso Corpo. Somos “um pouco menos que os Anjos… e não demonstramos ainda o que chegaremos a ser” (Sl 8:5 e Hb 2:7).

A Fraternidade Rosacruz possui uma herança inestimável pela oportunidade de promulgar, nesta época tumultuada da evolução espiritual dos seres humanos e das nações, os ensinamentos esotéricos pertencentes à Igreja Cristã. “A quem muito é dado, muito será exigido” (Lc 12:48). Portanto, é com espírito de reverência e humildade que a Fraternidade Rosacruz apresenta esses inestimáveis ensinamentos a serviço de cada um de nós.

Que as rosas floresçam em vossa cruz


[1] N.T. Também chamados de Anjos Relatores ou Anjos Arquivadores.

porFraternidade Rosacruz de Campinas

Como servir a Fraternidade: dê, pelo menos, um pouco do que você recebeu

Será que ao efetuarmos diariamente nosso exame de consciência temos nos indagado se, porventura, concorremos com um mínimo de esforço para que a disseminação do ideal Rosacruz seja uma realidade? Temos contribuído, dentro de nossas possibilidades, para o engrandecimento da obra Rosacruz?

Em verdade, somente a nossa consciência pode nos alertar quanto ao papel que nos cumpre desempenhar dentro da Fraternidade Rosacruz, avaliando os nossos talentos e indicando-nos como eles poderão ser aplicados dentro do programa de expansão Rosacruz. A obra carece de ajuda, dependendo muito da nossa dedicação, sinceridade e trabalho, para consolidar-se como precursora da Era de Aquário.

A Fraternidade Rosacruz constitui algo muito mais grandioso do que se possa imaginar. Não podemos restringi-la, conceituando-a apenas como uma Escola filosófica-espiritualista, como outras existentes por aí, simplesmente orientando e instruindo os interessados através de livros, folhetos e conferências.

A missão, o ideal, os meios, o programa e a estrutura da Fraternidade Rosacruz formam um conjunto a transcender, essencialmente, tudo aquilo que podemos conceber como sendo edificante.

Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz outorgaram ao mundo algo inédito, original, sem paralelos; uma Filosofia que expõe e elucida os mais intrincados problemas sociais e espirituais, dentro de um elevado padrão de lógica e reverência, diante do qual se esboroam todos os argumentos contrários. Max Heindel colocou ao nosso alcance um cabedal de conhecimentos, cuja beleza e profundidade mal podem ser expressas por palavras. Tais princípios atendem perfeitamente as exigências de uma época onde o racionalismo e o espírito inquiridor “anti-empírico” repelem tudo o que não se enquadra em seus domínios. A Filosofia Rosacruz é atualíssima e concomitantemente abre perspectivas maravilhosas quanto ao futuro do ser humano.

Se verdadeiramente sentimos que ela veio preencher algo em nossas vidas, proporcionando-nos um maior vislumbre do mundo em que vivemos; se através de seus ensinamentos estamos penetrando e conhecendo nosso próprio ser, então é necessário que sejamos coerentes conosco mesmos, arregaçando as mangas e trabalhando pelo seu crescimento, da maneira que pudermos.

Sozinhos, pouco ou nada poderemos realizar. Se houver união de esforços, concatenando-se os talentos de cada membro da comunidade em prol de um objetivo comum, as possibilidades de êxito serão bem mais amplas.

Nunca será demais repetir que o ser humano isolado é uma impossibilidade. Reiteramos sempre as palavras do nosso Ritual do Serviço Devocional do Templo: “um só carvão não produz fogo, mas quando se juntam vários carvões, o calor latente em cada um deles pode produzir chama, irradiando luz e calor”.

Somos apologistas do trabalho de equipe, porquanto este apresenta inúmeras vantagens, como por exemplo, o alcance de um máximo rendimento em tempos e esforços mínimos, mediante o aproveitamento racional das qualidades e aptidões de cada um em função do todo. Além disso, sua ação faz-se sentir individualmente, revertendo em benefício de cada elemento, em forma de disciplina, solidariedade, harmonia, companheirismo e expansão natural das próprias qualidades. Contudo, o trabalho grupal requer, também, uma dose de boa vontade, sinceridade, entendimento, sentimento altruísta, e o que reputamos de suma importância: ausência do personalismo. Estes requisitos possibilitam a um grupo relativamente heterogêneo, empreender e concretizar obras de vulto.

Essencialmente Cristão, o Método Rosacruz de desenvolvimento prevê esses dois aspectos: individual e coletivo. O trabalho coletivo realiza-se através dos Centros e Grupos de Estudos Rosacruzes ou de esforços empreendidos por irmãos e irmãs nossos não importa sob que títulos, com objetivos edificantes. Por outro lado, o Método Rosacruz indica meios de realização estritamente individuais, objetivando aprimorar o Aspirante à vida superior, de modo a lhe permitir transcender os entraves internos separatistas, integrando-o cada vez mais perfeitamente no puro sentido de equipe, dentro da unidade Cristã, que representará o coroamento da presente época evolutiva: “um só rebanho e um só Pastor“: o Cristo.

Em decorrência todo e qualquer trabalho deve ser executado dentro daquele princípio denominado Serviço Amoroso e Desinteressado aos Demais. Se algo é feito com amor, despido de qualquer sentimento de interesse pessoal, será, por certo, duradouro. Se levar, porém, a marca do egoísmo será como um castelo edificado sobre a areia: mais cedo ou mais tarde acabará em ruínas.

Nosso labor não deve esperar recompensa, e sim resultados benéficos à coletividade. Felizes seremos quando formos capazes de prodigalizar tudo aos demais sem nada esperar em troca, a não ser novas oportunidades de servi-los. O simples pensamento de receber já revela indícios de egoísmo, ao passo que o desejo de dar implica em sentimento de amor. Isso vem de encontro à seguinte afirmação de um pensador dos tempos modernos: “Quem professa a filosofia do receber, confessa sua falência em dar”.

O Estudante Rosacruz sincero e devotado não procura saber o que poderá receber da Fraternidade Rosacruz, mas sim o que lhe poderá dar.

Estamos trabalhando na “Vinha do Cristo”, e isso, somente isso, já justifica e compensa plenamente todo o sacrifício e esforço que empreendamos em prol desse ideal sublime.

 (Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1967- Fraternidade Rosacruz-SP)

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