A vida é inexpressiva e vazia se vivemos apenas para nós mesmos. Ela perde seu sentido maior se vivida introvertidamente. Segregar-se, não participar, é excluir-se da harmonia universal. Quem não colabora com o mundo aliena-se dele. Quem não ajuda a seu semelhante encontra-se afastado do sistema de leis suprafísicas que regem o progresso humano. No Universo só cresce, só se desenvolve quem ajuda, quem colabora, quem serve aos demais, consciente ou inconscientemente, mas sempre amorosa e desinteressadamente (portanto, o mais anônimo possível) focando na Divina Essência oculta que há em todos nós e que é a base da Fraternidade.
Dentro de nós, vez por outra esta revista dirige apelos, nos exortando a disseminar os Ensinamentos Rosacruzes, especialmente por meio da vida que vivemos. Não é para se fazer pela simples necessidade de ajuda na tarefa de disseminar os Ensinamentos Rosacruzes. Não! É verdade que a Obra Rosacruz carece de um número maior de trabalhadores para alcançar maior expressão na comunidade. Ainda há muita coisa por ser feita. A consecução de seus elevados objetivos exige, a cada dia, maiores recursos humanos. A seara é imensa!
Não importa o grau de cultura: toda pessoa de boa-vontade encontra, na Fraternidade Rosacruz, setores onde possa empregar suas aptidões. Todos podem fazer alguma coisa para, no mínimo, disponibilizar tais Ensinamentos para que, se tiver alguém procurando, ter fácil acesso.
No transcurso de diversos renascimentos vimos aumentando nosso cabedal de conhecimentos, além de desenvolver qualidades. Temos acumulado, por meio de experiências as mais variadas, uma dose considerável de energia e capacidades. Cabe-nos, agindo de conformidade com as Leis de Deus dirigi-las a finalidades construtivas.
Somos, inerentemente, seres ativos, face ao princípio divino de movimento-atividade – característica do Espírito Santo – palpitando em cada um de nós. A inércia e inutilidade não existem na Natureza. Ao órgão que não se emprega não resta outro caminho senão o da atrofia.
Diariamente nossa capacidade de ação é testada nos mais variados desafios. São estímulos necessários. Quanto a isso não pode haver meio termo nem omissão: ou agimos construtivamente e progredimos ou paramos e retrocedemos. Eis aí o verdadeiro conceito de mocidade e de idoso (a): no sentido interno quem desiste e para, morre para a existência, cuja finalidade é o desenvolvimento a graus ainda inconcebíveis para o entendimento humano, das faculdades herdadas do Criador.
O indivíduo consciente e sincero esforça-se ao máximo por harmonizar e aperfeiçoar tudo o que esteja ao seu alcance. Sabe muito bem que ao retardar o cumprimento de seu dever ou negligenciar suas tarefas, negligencia a si mesmo.
Quanto mais produzimos, construtiva e legitimamente, tanto mais crescemos em todos os sentidos.
A Fraternidade Rosacruz constitui uma oportunidade de cooperação no sentido de erigir um mundo melhor. Sua tônica é servir. Todavia, requer-se uma corajosa disposição para trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
Os desafios surgem em momentos inesperados; caso o Estudante Rosacruz não esteja alerta, poderá sentir abalado o seu idealismo. Trilhar essa vereda íngreme não é empresa das mais fáceis, mas espiritualmente é edificante.
O Estudante Rosacruz não raro poderá até perguntar-se se vale a pena tanto sacrifício. Fernando Pessoa, o grande poeta místico, responde:
“Valeu a pena?
Vale sempre a pena.
Se a alma não for pequena”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Como Aspirantes à vida superior no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, deveríamos sempre encontrar uma forma de aplicar os Ensinamentos Rosacruzes em nossas vidas diárias. Isto não significa, necessariamente, alardear convicções ou tentar converter nossos amigos e familiares. Estamos falando da capacidade de levar os tais às pequenas coisas, de modo a dignificá-lo na nossa vida cotidiana.
Tomemos, por exemplo, uma passagem do Ritual do Serviço Devocional do Templo: “Para atingirmos essa realização, esforcemo-nos por esquecer, diariamente, os defeitos dos nossos irmãos, procurando servir à divina essência neles oculta, o que é a base da fraternidade“. Poderíamos questionar-nos a respeito desses Ensinamentos Rosacruzes procurando encontrar uma maneira de levá-los à prática.
Primeiramente, o que significa para nós “divina essência” recôndita em cada um de nós? Se pudermos defini-la, teremos compreendido a base daquele Ritual. A divina essência, assim expressa, é o Cristo Interno: “Não sou eu quem vive, mas o Cristo vive em mim” (Gl 2:20). Esta é uma força de amor Crístico e coesão, assim como as forças cósmicas mantêm harmonia em nosso Sistema Solar e a Terra em sua órbita. Pensemos nisto por um momento. Temos dentro de nós uma fagulha da Fraternidade Universal. Essa consciência constituirá, certamente, um fator de mudanças em nosso relacionamento com os demais.
Alguns dirão, não obstante: “Eu trato com pessoas de caráter débil ou de Mente estreita. Como posso valer-me dessa compreensão para equacionar certos problemas?”. “O misticismo é um formoso sonho, mas enfrento problemas reais com pessoas reais”. Isso reflete uma compreensão errônea acerca dos assuntos espirituais. Certamente a vida apresenta seus percalços e temos de encará-los. Poderemos optar pelo caminho mundano, reagindo negativamente, pagando o mal com o mal, etc. Ou, então, afirmar: “Este é o meu destino. Eu o mereço pelo que fiz em vidas passadas”. Ambas as atitudes são inconvenientes ao extremo!
Para o Aspirantes à vida superior, a solução é agir conforme preceitua o Ritual do Serviço Devocional do Templo, buscando o Cristo Interno. Se tivermos problemas com alguém, peçamos ajuda ao Cristo Interno. Podemos dirigir-nos ao templo interior, solicitando auxílio além da experiência externa. Então, quando enfrentarmos o indivíduo ou a situação teremos fortaleza interior ou a informação necessária com as quais poderemos manejar a dificuldade. Ao mesmo tempo, e isto não é fácil, esforcemo-nos por comunicar-nos com o Cristo Interno na outra pessoa. Não nos preocupemos com seu aspecto pouco atraente. Procuremos apenas a divina essência. Sintamos a força Crística dentro de nós, tratando de irradiá-la nesse contato, apelando para o Cristo Interno em nosso semelhante. Não é necessário dizer alguma coisa, porém, isto influenciará o resultado.
Talvez devamos mudar nossos pontos de vista. Estamos procurando a verdade, não só para os demais, mas para nós mesmos. A Vontade do Cristo pode não se conformar com nossos desejos pessoais. Contudo, se formos receptivos, isto em si mesmo, ajudará a resolver o problema.
Sugerimos aos Aspirantes à vida superior a tentarem uma experiência. Tomem um incidente complicado ou ponha-se em contato com a pessoa complicada, tratando de comunicar-se com o Cristo Interno. Procure ver qual o efeito produzido sobre o problema. Provavelmente, você também concluirá que os princípios espirituais podem e devem ser aplicados na vida diária, ajudando assim a todos os interessados.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1983 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A oração é o elo entre nós e Deus; somente pela oração podemos alcançá-Lo. Cuidamos de nossas tarefas diárias, cumprimos nossos deveres à medida que surgem diante de nós, mas sempre enquanto trabalhamos, devemos estar orando, se quisermos ter sucesso e cumprir nosso dever como devemos.
A oração é o desejo sincero do Coração de fazer em todas as coisas como desejaríamos que fosse feito a nós; esforçando-nos dia após dia para viver melhor nossas vidas e com mais sucesso para que possamos olhar para trás e não encontrar algo de que nos arrependamos. Para que cada ato, obra ou ação possa nos inspirar a fazer maiores esforços e nos aperfeiçoar.
O doce pássaro cantor, entoando seu canto na árvore ou no arbusto, está absorto em amor e oração a Deus, sabendo que será alimentado, abrigado e protegido; mas ajuda as orações correndo de um lado para o outro, conseguindo o alimento e o abrigo que lhe foram reservados tão abundantemente.
A abelha ora pelo sucesso em sua coleta de mel para armazenar e guardar para as abelhinhas, trabalhando até que a própria vida seja sacrificada ao seu grande esforço. A formiga trabalha dia após dia, continuamente apressada para deixar o lar pronto para as novas vidas que o ocuparão, sempre caminhando firmemente pelo caminho bem feito, acumulando provisões para o tempo de necessidade, orando e trabalhando para cumprir sua missão de amor em nosso belo mundo.
A flor reza quando floresce em sua beleza e enche o ar de fragrância, um verdadeiro sopro de Deus que nos alegra e ajuda a admirar Suas obras. Ela estabelece um exemplo para nós, para que possamos fazer de igual maneira — dar de nós mesmos para ajudar os outros, contentes por estarmos fazendo isso sem consideração por nós mesmos, sabendo, como a rosa, que se formos cortados, nós desempenharemos nossa parte conforme Deus decretou, não importando como ou quando isso possa acontecer, pois estaremos satisfeitos, sabendo que realizamos nossa missão.
Até mesmo o rio, cheio de águas turvas e barrentas, está manifestando o amor e o cuidado de Deus, pois seu canal foi feito para tornar possíveis nossos lares e nossas colheitas. Essa é outra oração: fazer o trabalho que lhe foi destinado, apressando-se para cumprir sua parte e então unir-se ao grande oceano, onde será um com aquela grande massa de água; cantando seu próprio réquiem como morte para o riacho, mas um cântico de alegria por ser um com o grande pai das águas. Ele desempenhou nobremente sua parte, regando, refrescando as flores, as árvores, a relva e todo o crescimento das terras mais elevadas, encharcando e fazendo germinar as sementes que foram semeadas tão abundantemente para que nós e o animal, a ave, o peixe, o réptil, o anfíbio e o inseto pudessem ser auxiliados e ter uma oportunidade de maior progresso na evolução. Ele não tem do que se arrepender e desempenhou positivamente a sua tarefa, embora alguma relva, planta ou algum arbusto eventualmente tenha sido sacrificado em sua corrida impetuosa. Mas o maior número foi servido e ajudado.
É fácil ver que a oração é o desejo sincero, o desejo que não será desviado, o desejo de fazer aquilo que fomos enviados aqui para fazer. Viver de acordo com os mais elevados pensamentos e ideais que foram implantados dentro de nós pela própria mão de Deus, desejando a cada dia desempenhar, cada um a sua parte, o trabalho diante de nós com mãos dispostas e corações amorosos, satisfeitos quando tivermos êxito, pensando menos em nossa recompensa e mais nos projetos para melhor realizar, e na maior medida, o trabalho que estamos aptos a fazer.
Olhamos ao nosso redor para aqueles que tiveram sucesso na vida e descobrimos que seu sucesso não foi marcado pelo dinheiro ou pela posse de coisas materiais, mas foi o resultado de vidas cheias de amor e boas ações, sendo a colheita uma de grande ganho no crescimento da alma, ações que podem levar consigo em sua jornada posterior e que os levará, por sua grande força e em seu movimento pendular, cada vez mais em direção às alturas, o objetivo de todos os nossos anseios.
O sucesso para cada um de nós só pode ser medido dessa maneira. Todos seremos alimentados e vestidos, mas o acúmulo de objetos ou artigos mundanos não nos ajudará em uma só partícula na obtenção da vida de Cristo. No entanto, devemos trabalhar; mas não com o propósito de acumular riquezas ou tesouros para esta vida; nosso objetivo é ajudar na evolução da própria Terra e de tudo aquilo que contribui para torná-la completa, pois somente à medida que a Terra evoluir para estados melhores, mais sublimes, seremos providos de um ambiente mais propício à nossa evolução. Portanto, não importa o que fazemos, seja para a planta, o animal ou o ser humano, para a Terra ou para Deus; tudo, afinal, retorna a nós como “pão lançado sobre as águas”. Com certeza nós colhemos aquilo que semeamos (Gl 6:7) e “Deus dá o crescimento”.
Ao nos associarmos àqueles seres humanos que tiveram sucesso em alcançar maiores alturas de espiritualidade, ao lermos sobre os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, vemos que suas vidas foram uma longa e fervorosa oração por luz e orientação; eles ouviram e atenderam a resposta, sempre cumprindo o dever mais próximo, escutando a “pequena voz silenciosa” para saber qual seria a próxima tarefa a realizar, esquecendo o “eu inferior” pelo desejo de seguir as diretrizes da voz interior e de deixar o Cristo Interno viver em cada palavra e ato. Somente assim o mais elevado pode ser alcançado.
O Cristo em nós – o Cristo Interno – é o Deus entronizado em nossos corações, sendo nossos Corpos o Seu Templo (Lc 17:21); enquanto trabalhamos, vigiamos e oramos, Ele ordena nossas vidas; se seguirmos Sua orientação, nada além do sucesso poderá coroar nossos esforços. No esforço honesto e sincero para fazer da melhor maneira possível o trabalho que precisamos fazer e que encontramos por toda parte ao nosso redor, devemos nos voltar para a voz orientadora do Cristo e nos colocar no caminho certo, se inadvertida ou equivocadamente começarmos de maneira errada; isso é válido porque se estivermos vivendo de tal modo que toda a nossa confiança esteja em Deus-Pai, Ele não permitirá que sigamos pelo caminho errado sem um aviso ou, dando atenção aos avisos, o sucesso acompanhará nossos esforços.
Até mesmo nossa vinda para a Fraternidade Rosacruz foi e continua sendo uma oração, pois percebemos que cada um de nós ajuda no trabalho e tem uma oração no Coração, uma oração que nos ajuda a fazer a nossa parte dignamente; cada um sabe que, conforme semeia, assim colhe; caso o sucesso perfeito não coroe nossos esforços, quem julgaria quão longe ou perto do êxito chegamos? Ninguém pode julgar senão Deus; não temos o direito de avaliar os outros, pois quem pode ver os recessos do Coração e saber o que está ali?
Para o mundo exterior pode parecer que não estejamos realizando muito espiritualmente ou até mesmo nós próprios podemos sentir desânimo ou desapontamento por não termos sido capazes de realizar tudo que desejávamos. Mas sabemos quão grandes foram as provações; pensávamos estar preparados para elas, porque nos falaram da sua magnitude, mas mesmo assim falhamos de muitas maneiras, apesar dos avisos e de termos fortalecido a nós mesmos na preparação para enfrentá-las e vencer. Até mesmo nós próprios, conhecendo tudo o que veio e foi embora, todos os nossos esforços, fracassos e nosso – para nós – pequeno sucesso, podemos ter pouca ou nenhuma ideia nem podemos julgar se subimos mais alto no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Somente aqueles que estão acima de nós podem dizer.
A coisa que devemos fazer, entretanto, é continuar tentando. Não importa quantas vezes falhemos, se vemos e sabemos por que falhamos, já ganhamos com isso. Se continuarmos e tentarmos novamente com esse conhecimento diante de nós e resolvemos não deixar que a mesma coisa nos faça tropeçar novamente, mesmo que falhemos repetidamente, ainda assim, se tentarmos cada vez mais tornar nossa vontade mais forte, finalmente seremos capazes de vencer e deixar de cometer os mesmos erros.
Você consegue imaginar a alegria pelo sucesso dos nossos esforços? Todos nós já vimos isso — o esforço de alguém para romper um mau hábito, as provações e os fracassos, a ajuda estendida pela família e pelos amigos, a vitória final e, então, como cada um e todos se alegram por uma vitória conquistada; cada um ajudará o vencedor a recuperar suas oportunidades perdidas, ajudando com tudo que o amor e a boa vontade puderem conceber.
É exatamente assim quando conquistamos uma vitória sobre o “eu inferior”. Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz colocarão oportunidades em nosso caminho e nos ajudarão a compensar tudo o que perdemos em tempos passados. Essa única vitória mostra que todos podem ser vitoriosos sobre o “eu inferior”, se fizermos o necessário e tão grande esforço. A alegria nos Céus então é grande e somos encorajados pela força que adquirimos. Mas nossos fracassos foram recentes demais para que sejamos excessivamente confiantes; ainda assim, como aquela grande vitória nos encoraja!
Quando paramos e analisamos aquilo que foi tão difícil para vencer, realmente nos admiramos de que tenha sido assim; parece algo tão pequeno e insignificante. Nós mesmos dissemos e tantas vezes: “Se eu fosse tão próximo da perfeição quanto aquela pessoa, eu venceria aquela única falha, mesmo que exigisse toda a força que tenho”. Sem dúvida outros disseram o mesmo a nosso respeito.
Estamos deixando de considerar o grande esforço que deveríamos fazer em nossas próprias vidas, pois cada um de nós, não importa quão livres de faltas possamos sentir ou pensar que somos, ainda tem aquela batalha decisiva a vencer: a vitória sobre o “eu inferior” e suas fraquezas. Alguns têm faltas e deficiências de um tipo e outros, de outro; mas acreditamos que, em todos os casos, sem exceção, elas podem ser abrangidas pela palavra: “egoísmo”.
Isso nos mostra o que deve ser feito para nos tornarmos aquilo que desejamos ser. Que importa o que os outros pensam, fazem ou dizem, ou como fazem as coisas? Eles são responsáveis por seus próprios atos. Se fizermos o nosso melhor em todas as circunstâncias, nossa será a recompensa; se o outros querem tudo à nossa própria maneira, pois bem, não temos de vencer por eles.
Alguns de nós chegaram ao ponto em que podemos ver o egoísmo que nos impulsiona, mas é doce e gratificante ter nossa própria maneira de agir em tudo, por isso não tentamos vencer. No entanto, quando percebermos que isso nos impede de avançar, então oraremos e trabalharemos sinceramente para fortalecer nossa vontade e garantir o sucesso.
Se permitirmos que faltas ou hábitos nos dominem, abriremos o caminho para que os pensamentos de outros na mesma direção nos influenciem e diariamente, a cada hora, nossa tarefa se tornará mais difícil. Também existem entidades no lado invisível da Natureza que se esforçam para nos manter no velho caminho e enquanto mantivermos uma atitude negativa elas aumentarão em número, agravando nossa fraqueza.
Parece mesmo que um enorme esforço deve ser feito, mas ele será o coroamento e daí em diante todas as coisas serão possíveis, pois continuaremos orando e, ao fazer o esforço, ajudaremos a responder às nossas próprias orações.
Muitos pensam que seja correto e necessário orar por toda espécie de coisas que, se possuídas, produziriam mais mal do que bem. Mas se orarmos por força para viver nossas vidas em conformidade com a Vontade Divina, há pouco mais pelo que precisamos orar, pois Ele prometeu: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua Justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. E realmente serão, em medida muito maior do que teríamos pedido.
Não é essa a função do ouro e das pedras preciosas que foram colocados na Terra? Por que todas as belas flores, árvores e os belos pássaros canoros de plumagem tão bonita estão aqui? Por que a música, a arte? Apenas por uma simples razão: Deus nos ama, somos Seus filhos. E, como qualquer pai afetuoso, Ele derrama sobre nós o que há de melhor para nos fazer amá-Lo mais e manter nossos corações e pensamentos com Ele; para nos mostrar de maneira bondosa e amorosa o que somos para Ele; para que não desejemos deixá-Lo ou abandonar Seu lar; pois Ele é capaz e mais do que disposto a nos dar tudo aquilo de que precisamos, quando precisamos e se precisamos.
No caso daquele que está se esforçando para ser um Aspirante à vida superior de fato – e não de “fazer de conta” –, cada um de seus pensamentos, desejos, sentimentos, suas palavras, obras, ações ou seus atos é uma oração. Ele ora constantemente e sem esforço. Ora pelo amor de orar. Toda a sua vida é uma oração. Seu louvor a Deus é uma oração; a canção em seus lábios é uma oração; o caloroso aperto de mão e o tapinha no ombro de alguém desanimado são uma oração. O quadro que pinta, a flor que cultiva, o riso de felicidade e alegria — tudo isso são orações. Os pensamentos de adoração e culto ao Autor do nosso ser, mesmo quando nossos lábios estão silenciosos, quando nossa própria alma parece cantar de alegria e somos levados nas asas do silêncio a alturas de bem-aventurança, essas são as orações da alma que anseia pela união com Deus.
Que nunca deixemos de orar, afinal:
A oração é o desejo sincero da alma,
Expresso ou não,
O movimento de um fogo oculto
Que treme no peito.
A oração é o sopro de Deus em nós,
Retornando para o lugar de onde viemos;
O amor é o fogo sagrado interior e a oração,
A chama que se eleva.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
O Estudante Rosacruz ativo, que está trilhando fielmente o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, já compreendeu que entre quedas, desistências, covardias e grandezas estamos seguindo “para frente e para cima”. E que há uma criança divina em nós, que a cada dia quer nascer.
Se olharmos ao nosso redor vemos que essa sentença aparece como uma semente lançada em época muito oportuna, já que estamos em uma fase de trânsito entre uma Era que está terminando (a Era de Peixes) e outra (onde já estamos na sua “Órbita de Influência”, a Era de Aquário), cujos lampejos aos mais avançados é dado entrever e transmite uma incrível sensação de insegurança a muitos irmãos e muitas irmãs.
Isso tem produzido uma espécie de fobia generalizada de perda. Muitas pessoas temem perder o emprego, a saúde, a posição social, os entes queridos e a própria vida (especialmente aos que acham que a vida é o fim da existência e até aqueles que acham que partem daqui para uma chamada “vida eterna” que nem sabe direito o que é!).
Esse clima de instabilidade, para muitos, é doloroso, não resta dúvida. Entretanto, pelo menos para quem “tem olhos para ver e ouvidos para ouvir” encerra alguns aspectos altamente positivos, isto é, oferece valiosíssimas lições morais e espirituais. Dentre elas destacamos:
Estes são alguns aspectos da questão. Existem outros não menos importantes. Na verdade, nós, a despeito das circunstâncias nas quais estamos envolvidos, procuramos algo superior, o que já não deixa de ser um passo considerável.
Mas, a maioria procura fora de si mesmo. Quando se admitir como um ente superior, o que realmente somos: um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), parte integrante do corpo macrocósmico de Deus, terá se desvencilhado das crises e desequilíbrios deste mundo – essas incríveis ilusões. Nascerá, então, de um longo e doloroso parto, a Divina Criança em cada um de nós, o Cristo Interno.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1984 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A verdadeira Astrologia é uma Ciência Divina, antiquíssima, e sua beleza ainda poderá ser apreciada por aqueles que tem “olhos para ver e ouvidos para ouvir” (Mt 13:16). Caiu em descrédito unicamente porque foi prostituída por aqueles que a usaram para seu próprio proveito e/ou para conseguir recursos financeiros direta ou indiretamente. Estes, esquecendo que são os guardiões de seus irmãos e das suas irmãs, se tornaram responsáveis por todas as adversidades que lhes advirem como resultado do mau uso dessa Ciência Divina.
Como em todas as circunstâncias, aquilo que é mais elevado poderá, caso caia em mãos inescrupulosas, ser levado a níveis de inferioridade. Entretanto, como o mal não poderá prevalecer, pois é “o bem que sempre prevalecerá” (Gl 6:9), essa condição errônea de emprego dessa Ciência Divina não será definitiva, porque à medida que nos aproximamos mais e mais da Era de Aquário, a Era adequada para o desenvolvimento das Ciências, veremos a Astrologia, hoje vacilante e desacreditada pelo charlatanismo e ação de impostores, emergir tal como crisália, para o bem da Humanidade – tal qual é a Astrologia espiritual Rosacruz.
Um estudo dos símbolos criados e usados pelos Sábios antigos nos fornece uma compreensão integral dos benefícios provindos do uso correto da Astrologia. Todos os Signos se encontram no horóscopo de cada um e, por isso, todos estão sujeitos as suas vibrações em graus variáveis. Lembremos, entretanto, que o estudo dos símbolos, não procura delinear a fraqueza ou a força dos vários Signos. Trata-se apenas de esboçar o significado dos símbolos, indicando o ponto culminante que cada Signo atinge. Nenhum Signo é mais ou menos forte do que o outro, pois todos são necessários para oferecer a perfeição ao conjunto e através de cada um deles devemos ganhar experiência.
Cada indivíduo nasce sob a influência de um Signo pelo qual deve obter o maior bem para si ou dispensá-lo também em benefício da Humanidade. Uma vez não existindo diferença tanto em superioridade como inferioridade em relação a cada Signo, qualquer diferença notada é apenas aparente, tratando-se apenas de uma interpretação imperfeita por parte de pessoas que ainda não compreenderam a grandiosidade da mensagem que os Astros (aqui: Signos, Sol, Lua e Planetas) nos enviam, considerando que o caminho de toda a manifestação, que é o Caminho de Evolução, se processa em espiral, sempre para cima e para frente. Constantemente deparamos com nativos de todos os Signos, em todos os níveis de consciência, reagindo de acordo com a sua própria compreensão.
O horóscopo mostra qual o esforço que devemos dispender em cada curso de existência e a forma pela qual poderemos resolver nossos problemas, não significando, entretanto, que devemos ser conduzidos pela brisa do momento, pois “os Astros impelem, mas não obrigam”, ou seja: sugerem, não mandam!
Há somente alguns poucos símbolos cujo significado será conveniente lembrar. O círculo, o qual não tem começo nem fim, somos nós, o Espírito não manifestado; o ponto colocado dentro dele somos nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana), em manifestação; a linha, um ponto alongado (possui um polo negativo e outro positivo) representa a matéria ou o plano físico. Portanto, o ângulo ou a cruz ou linha sempre indicam o trabalho a ser realizado no plano físico. O círculo sempre é usado como um indicativo de trabalho ou treinamento espiritual. O meio círculo, ou a meia circunferência, é a consciência situando-se num nível entre o infinito e o finito.

Trata-se da combinação ou sequência daqueles símbolos que nos contam a história da Humanidade através das idades.
Os três primeiros Signos (Áries, Touro e Gêmeos) são governados mais pelo instinto do que pelo intelecto, porque somente agora eles estão se manifestando no plano da existência. Mais tarde talvez, haja tristeza e mágoas, até que se sinta o regozijo resultante do esquecimento de si mesmo para que se manifeste a vida altruísta em benefício dos semelhantes. Tal ainda não está acontecendo, uma vez que todo pensamento é dirigido para o aprendizado e assimilação do valor das experiências adquiridas.
O primeiro Signo, o de Áries é o primeiro a verter da manifestação do Espírito Divino. Toda a energia é canalizada para o aprendizado da vida material.

Ambos os crescentes abrindo para baixo, ambos descendo na matéria ou no físico, mantendo um perfeito equilíbrio num só ponto que toca a vida material. Vez por outra se assemelha a uma forma rude de manifestação por se tratar de uma primeira experiência vivida por nós, o Ego, longe do nosso Lar Divino. Porém, o equilíbrio perfeito mantido pelos dois crescentes de consciência, e mais, o ponto singular indicando a direção da experiência indispensável para esse Signo, não deixa dúvida quanto a intenção de aprender tudo que diga respeito ao físico. Haverá interesse em inúmeros objetivos, porém quase sempre haverá o surgir de novos interesses, acarretando a não conclusão das coisas já iniciadas, coisas que em um dado momento despertam mais a atenção.
Assim como o dourado Narciso na Primavera (uma das principais flores que que anuncia o fim do inverno e a chegada da primavera), ansioso por trazer a alegria e a beleza ao mundo expectante, não leva em conta o possível perigo que poderá advir dos ventos rudes e do chicotear das nevascas, da mesma forma o Ego, entrando no mundo finito – na Região Química do Mundo Físico –, prenhe de tantos objetos a serem explorados e estudados, nem sempre leva em conta o preço de suas ações, permanecendo em sua determinação de aprender muitas coisas. Assim viajando através dos vários Signos, nós experimentamos os efeitos das limitações.
O segundo Signo, o de Touro é o segundo passo no caminho ao redor do Zodíaco, indicando pelo círculo que abrange todas as coisas aprendidas em Áries, não se esforçando, contudo, para desenvolver mais atividades exteriores.

Assinala um período de assimilação demonstrado pelo crescente da consciência, apontando para cima, solicitando auxílio das forças superiores no sentido de assimilar o conhecimento contido no círculo, tornando-se ajustável entre a sabedoria adormecida em nós e o conhecimento adquirido por meio da nossa experiência no físico.
Entretanto, a luz acima do círculo indica que embora haja uma tendência para o espiritual, será o aspecto material a despertar o maior interesse, porque nós iniciamos a nossa jornada para a aquisição de experiências dentro da esfera do Mundo Físico.
O terceiro Signo, o de Gêmeos, tem um símbolo onde duas linhas paralelas com abertura nas extremidades indicam “assuntos não concluídos”.

As linhas perpendiculares de Gêmeos estão fechadas e as duas horizontais estão abertas indicando que nesse estágio desse Esquema de Evolução, a coisa mais importante é obter a compreensão e realização dos canais da Mente inferior em conexão com a manifestação física. O caminho da Mente superior está fechado, pois nós, primeiramente, tivemos o nosso sentimento amoroso e compassivo canalizados para aqueles objetos que formam a base material da vida, não podendo, por isso, ainda apreciar ou compreender na íntegra seu aspecto espiritual. O mais inferior deve ser visto como uma parte do Divino, justamente como o mais elevado e o mais altamente desenvolvido. As ações desenvolvidas neste Mundo material gerarão o ambiente que nós encontraremos quando atingirmos mais adiante outros Signos, onde as linhas perpendiculares estarão abertas para aquisição da Sabedoria dos planos elevados. Aquele espaço semelhante a uma caixa entre as linhas guardará todas as impressões indispensáveis e valiosas para a vivência de uma vida superior. Ao persistir em trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, vamos atingindo a vivência nos outros Signos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1972 – Fraternidade Rosacruz-SP)
É deveras gratificante avaliar como o trabalho desenvolvido pela Fraternidade Rosacruz vem rendendo “frutos” apreciáveis em todo o mundo! Nosso júbilo não se deve exclusivamente ao crescimento gradativo do número de Estudantes Rosacruzes. Há um fator mais importante, merecedor de maior destaque: são os resultados obtidos mediante a aplicação, no quotidiano, dos Ensinamentos Rosacruzes fielmente, como temos documentado nos livros da Fraternidade Rosacruz, particularmente os de autoria de Max Heindel e Augusta Foss Heindel.
Frequentemente ouvimos expressões de admiração e gratidão emitidas por Estudantes Rosacruzes. Fazem questão de realçar o papel importante que a Filosofia Rosacruz desempenhou e continua a desempenhar em suas vidas, por estimulá-los a uma reforma interior – base de todo e qualquer progresso. A descoberta do Cristianismo Esotérico, como preconizado pela Fraternidade Rosacruz.
Alguns relembram seu passado sofrido, suas dificuldades de relacionamento, quando no lar ou no trabalho viviam em constante atrito com as pessoas que os cercavam. Relatam as danosas consequências desse negativismo: inimizades, perda de valiosas oportunidades de ascensão profissional, lares quase desfeitos, frustrações. Com entusiasmo narram transformações operadas após o conhecimento da Fraternidade Rosacruz. Aprenderam a ser mais compreensivos em relação às falhas alheias. Tornaram-se mais vigilantes com as próprias.
Notaram como as coisas, ao seu redor, se modificaram. Aquele estado de franca “beligerância” ou de “paz armada”, para com os outros, converteu-se em entendimento. A vida assumiu um novo significado.
Outros Estudantes Rosacruzes frisam, e suas palavras deixam escapar o calor de uma sincera gratidão, a melhora de sua saúde como a suprema graça alcançada na Cura Rosacruz.
Recordam, às vezes com os olhos umedecidos, o quanto padeceram presos a doenças e enfermidades.
Depois de adotarem um regime alimentar mais natural – isento de carne animal (mamíferos, aves, peixes, crustáceos, anfíbios, frutos do mar e afins), bebidas alcoólicas e estimulantes – puderam realmente desfrutar de uma vida mais plena e feliz.
Inicialmente encontraram uma certa dificuldade para livrar-se dos maus hábitos. Não era para menos. Os hábitos perniciosos, se mantidos durante anos, criam raízes, tornam-se “de casa”, passam a integrar nossa própria natureza. Erradicá-los demanda tempo e muita perseverança.
Com o passar dos anos, porém, constataram a transformação para melhor. Hoje gozam de boa saúde e proclamam essa verdade.
Há aqueles que se sentiam profundamente infelizes com suas vidas: alguns reveses, principalmente financeiros, roubaram-lhes a autoconfiança. Tornaram-se inseguros, indecisos.
As oportunidades que lhes surgiam amedrontavam-nos ao invés de estimulá-los à ação.
Viam os colegas de trabalho como rivais oportunistas ou competidores. Os parentes, estes pareciam escarnecer de seus fracassos, levando-os a um desespero maior. Com o tempo deixaram-se prostrar num lamentável estado de apatia, desânimo e imobilismo. Eis que por intermédio de alguém, ou por algum outro meio, entraram em contato com a Fraternidade Rosacruz. Inscrevem-se, iniciando o trilhar do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, se capacitam por meio dos Cursos, estudam incansavelmente e começam a enxergar uma realidade até então desconhecida: somos uma célula integrante do macrocósmico Corpo de Deus.
Fomos dotados de todos os atributos divinos! Possuímos esses atributos divino em forma latente e por meio da peregrinação pelas várias etapas da evolução nos tornaremos onisciente. Somos herdeiros de todas as promessas celestiais. De forma alguma renascemos para ser obrigatoriamente infelizes, pobres coitados sujeitos aos caprichos do destino.
Pelo contrário. Nosso futuro é grandioso. Os sofrimentos atuais nada mais são do que os frutos da nossa ignorância, e uma gama de lições a serem aprendidas. Assim, o conhecimento das Leis de Deus e sua justa aplicação traduzida em pureza, amor e serviço nos ensejam, aqui e agora, mudar nossa vida para melhor.
Afinal: “o único pecado é a ignorância”.
E, como aprendemos na Filosofia Rosacruz: “o único fracasso é deixar de lutar”. E “a única salvação é o conhecimento aplicado”.
Dessa maneira, muitos se encontraram na Fraternidade Rosacruz.
Afirmam ter descoberto a “fórmula mágica” responsável pela benéfica transformação ocorrida em suas vidas. “Fórmula mágica”? Mas a Filosofia Rosacruz não é um conjunto de verdades antiquíssimas em novas roupagens?
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de novembro/1976 – Fraternidade Rosacruz-SP)
As linhas irradiantes de força, invisíveis à visão física, permeiam o Corpo Denso e formam a nossa Aura. A coloração dessa Aura é distinta em cada pessoa em um matiz fundamental e demonstra o grau de evolução de cada um.
Para muitas pessoas esse matiz fundamental é vermelho, semelhante ao de um fogo lento; é um sinal da índole emotiva e passional.
A Aura das pessoas em elevados graus na escala da evolução que já estão em altos níveis do Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz apresenta um matiz fundamental de cor alaranjada, o vermelho das emoções, mesclado com o amarelo do intelecto. Entretanto, como resultado da consciente ou inconsciente alquimia espiritual que realizam ao longo do caminho do progresso e das experiências da vida, experiências que ensinam a sujeitar as emoções ao domínio da Mente, acabam por se emancipar dos marcianos Espíritos Lucíferos, cujas cores são escarlates e vermelhas. E, assim, esmaece o matiz fundamental da Aura, na medida em que, consciente ou inconsciente, vão se identificando com o Espírito unificador e altruísta de Cristo que vibra em áurea cor.
O nimbo de luz amarelada com que os artistas dotados de visão espiritual aureolavam a cabeça dos santos é a representação física de uma promessa espiritual que se cumprirá em todos os seres humanos, embora só aqueles a quem chamamos “Santos” verdadeiros o tenham conseguido. Depois de lutar durante muitas vidas contra as próprias paixões, perseverar pacientemente em boas obras, constância em propósitos elevados, os verdadeiros santos atuais conseguiram ultrapassar o raio vermelho e se encontram imersos nas vibrações douradas do raio de Cristo.
Os pintores medievais dotados de visão espiritual, ao representarem a citada transmutação, rodearam as cabeças dos Santos de uma auréola dourada, como sinal de libertação do poder lucífero de Marte, assim como do poder de Jeová, com a função de Deus de Raça, e seus Arcanjos como Espíritos de Raça, pertencentes a uma etapa de evolução da Onda de Vida humana e do nacionalismo (povo, nação, patriotismo).
Os Espíritos Lucíferos encontram sua expressão no ferro do sangue. O ferro é um metal marciano, tão difícil de colocar em alta vibração que é necessário o penoso esforço de muitas vidas para que o produto da sua combustão tome a cor dourada da Aura pura dos Santos. Quando tal se consegue, se consuma o magno processo da alquimia ou transmutação do metal inferior em ouro, ao mesmo tempo que os resíduos da Terra se convertem na maravilhosa liga do Mar de Bronze (aquele que no Tabernáculo no Deserto era também chamado de Lavabo da Purificação e que, já no Templo de Salomão era um imenso reservatório de água, usado simbolicamente para representar a união espiritual e a purificação da Humanidade). Então, só faltará abrir as comportas para que o jorro flua.
A cor natural do ouro é o raio de Cristo, que encontra sua expressão química no elemento Solar chamado oxigênio. No Caminho de Evolução para a Fraternidade Universal, todos nós, mesmo os que não professem uma Religião determinada, teremos em nossas Auras o matiz dourado, sob impulsos de altruísmo partidos do ocidente. S. Paulo dá a entender isso, ao dizer: “Cristo há de formar-se em vós” (Gl 4:19).
Quando soubermos formar a “liga” por meio de vidas espiritualizadas e vibrarmos em completa harmonia com Cristo, seremos semelhantes a Ele e estaremos aptos a abrir os crisóis do Mar de Bronze.
Cristo, na cruz, Se libertou por meio dos centros espirituais situados nos lugares onde lhe pregaram os cravos e de outros centros ainda. Aquele que prepare o Mar de Bronze receberá instruções quanto ao modo de romper os laços e se elevar as esferas superiores. Essa frase está de acordo com a admonição de Cristo, quando disse que, para chegar a ser seu Discípulo é preciso deixar pai e mãe. Essa é uma das mais simbólicas frases do Evangelho e geralmente mal interpretada, porque a reportam aos pais vida após vida física, quando, na verdade, significa algo muito diferente no ponto de vista esotérico.
Para bem compreender, recordemos que quando o ferro foi introduzido no nosso organismo físico e, com isso, produzimos o sangue vermelho e quente e nós, o Ego, pudemos ter controle sobre o nosso Corpo. Assim, quando o sangue vermelho se desenvolveu, na última parte da Época Lemúrica, nosso Corpo Denso se tornou ereto e, então, chegou o momento em que nós pudemos penetrar no nosso Corpo e governá-lo, de dentro.
O Sol, o centro da vida, governa o gás vivificante chamado oxigênio que se combina com o ferro, metal marciano. Cristo, o senhor do Sol, é também o Senhor da vida. Quando pela alquimia espiritual, chegarmos a ser como Ele, alcançaremos a imortalidade. A morte não terá mais domínio sobre nós. Isso não significa que os Corpos de quem alcança a imortalidade não tenham que morrer. Nós, o Ego, dominaremos completamente o nosso Corpo, usando-o durante séculos, até que nos convenha tomar outro. Outrossim, pelo mesmo processo de alquimia espiritual, teremos a capacidade de formar um novo Corpo Denso, se desprendendo do já velho e gasto.
A passagem do Adepto dos domínios da morte para o reino da imortalidade está simbolizada no arrojado salto de Hiram Abiff, ao se precipitar no mar ardente de metais fundidos e na passagem pelos nove Estratos do Planeta Terra que também fazem parte do Caminho da Iniciação. Também está simbolizado no batismo de Jesus, e depois do Gólgota, na descida à região subterrânea onde o seu Corpo Vital está esperando o dia do segundo e definitivo advento de Cristo.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de maio/1979 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Em nosso formoso “Ritual do Serviço Devocional do Templo” repetimos essa alegação muito definida: “O serviço amoroso e desinteressado para com os outros é o caminho mais curto, mais seguro e mais agradável que conduz a Deus”.
Sim, ouvimos este ensinamento todas as vezes que oficiamos tal Ritual, frequentemente em nossos lares, gostando de pensar em nós como quem serve todos os dias.
Contudo, quantas vezes paramos para considerar o que também aprendemos nos Ensinamentos Rosacruzes: que não é somente o serviço que é necessitado? Estudamos em palavras que não deixam dúvidas: a qualidade especial do serviço que nos conduz adiante nesse Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
Consideremos os meios variáveis de serviço. Há o que poderíamos chamar de “serviço comercial” ou trabalho prestado com o propósito de colher uma vantagem correspondente. Tudo muito bem e valioso na sua maneira, mas, lamentavelmente, insuficiente na exigência espiritual.
Depois, há o serviço prestado não tanto para obter recompensa, porém, como um senso de dever ou necessidade, o cumprimento de uma obrigação àqueles que servíamos talvez. Ainda que isto seja muito estimável, não significando que diminui o mérito, contudo, ainda não preenche totalmente o requisito da exigência espiritual.
E, depois, aí há o mais elevado espécie de serviço, o “amoroso, desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), ao irmão e à irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade” exemplar, além do qual exige muita persistência, perseverança e disciplina para pode chegar a essa condição de desenvolvimento.
Repare, pois, o significado dos dois adjetivos. Primeiro, o mais elevado serviço, o “amoroso”. Na nossa ansiedade de servir, e talvez na nossa ansiedade de alcançar o nosso próprio desenvolvimento, tantas vezes passamos por cima do “amoroso” e, contudo, isso é a palavra-chave do nosso “Ritual do Serviço Devocional do Templo”.
Temos, às vezes, curiosidade, o que significa a palavra exatamente? A palavra “amor” é tão abusada que é difícil impedir que se torne confuso.
O conceito comum, como tendo algo que ver somente com o sexo, naturalmente não necessita consideração.
Outra opinião errada do amor, como algo impotente, débil e ingênuo se aproxima do inexato! Infelizmente está nesta conexão que tantas imagens tentando retratar o Mestre, Cristo Jesus, mostram-No como débil e ineficaz, ao passo que exatamente o contrário é o caso. Ele era forte e vigoroso (poderoso), sensível e benévolo, sim, mas estas últimas características são realmente sinônimas de poder e coragem. É por isso que quando designamos a palavra “amor” nos Ensinamentos Rosacruzes, fixamos no adjetivo que reforça o real significado dessa palavra: o amor Crístico!
O poeta Tennyson, no “In Memoriam”[1] demonstra isso claramente na seguinte parte:
Amor imortal
A quem nós, que não cheguemos a ver Sua Face
Pela fé e unicamente pela fé, concebemos.
Crendo aonde não podemos provar”.
Sim, o amor Crístico é o cume de poder benévolo. Se nos detemos a considerar, acharemos que mesmo nos mecanismos que dizemos brandura segue de mãos dadas com força. Pense na onda de poder num motor de alta potência, tão macio, tão silencioso, todavia, tão irresistível.
Nós, que desejamos nos expressar apropriadamente, esquecemos às vezes isto, dando assim, a impressão de afirmação própria, quando estamos meramente tentando expressar o poder do amor Crístico?
Talvez a palavra melhor que podemos usar é “compaixão”, nas ocasiões quando Cristo Jesus se dedicou para curar os doentes ou enfermos e os sofredores, quando Ele derramou o poder do Seu amor, Ele “tinha compaixão deles” (ou seja: Ele sentia a união entre o sentimento de empatia pela dor do outro e a vontade ativa de ajudar a diminuir esse sofrimento).
E depois esta outra palavra: abnegação. E aqui queremos dizer: a renúncia voluntária e completa dos nossos próprios interesses, desejos ou nossas vontades em favor de outra pessoa. É o oposto exato do egoísmo, pois representa uma forma profunda de altruísmo e desprendimento pessoal.
Não, não é fácil esquecer-se completamente de si mesmo (que é a prática da abnegação). Gostamo-nos de se sentir virtuosos, tirar pouco mérito pelo que fazemos.
Bem, podemos de bom grado entendê-lo, desde que nós somos ainda humanos. Mas, precisamos eventualmente elevar-nos acima mesmo disso até o ponto aonde o nosso serviço é prestado, sem pensarmos conscientemente em nós, sem mesmo o sentimento que estamos fazendo “algo bom”.
Quando vimos que tem algo que ser feito, fazemo-lo! É quase uma tragédia que o esquecimento próprio é confundível tão frequentemente com “desinteresse”. Desinteresse é bom, muito bom – mas tantas vezes participa do sentimento de sacrifício próprio ou glorificação de si mesmo – não é mesmo?
Nós todos já sofremos nas mãos de pessoas realmente boas que se tornaram tão agressivamente desinteressadas ou considerarmo-las tão “interessadamente desinteressadas”, boas pessoas que talvez ainda não se elevaram até o ponto onde possa esquecer-se de si mesmo nas suas boas ações.
Sejamos pacientes com elas; elas têm as melhores intenções e, não há dúvida, elas fazem um total considerável de benefícios. Todavia, se nós colocamos os nossos pés no “mais curto, mais seguro e mais agradável caminho que nos conduz a Deus” precisamos caminhar mais um pouco, mais alto e nos esforçar para se esquecer de nós mesmo totalmente no nosso servir.
Reconhecemos que a Oração, a oficiação dos Rituais dos Serviços Devocionais Rosacruzes e a prática dos Exercícios Esotéricos Rosacruzes são todos extremamente valiosos, mas também reconhecemos que por si mesmos não são suficientes sem o “serviço amoroso esquecendo-se de si próprio”. E nunca esquecemos que por ser o “amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível), ao irmão e à irmã ao nosso lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade, o caminho mais curto e mais seguro que nos conduz a Deus, contudo, ao mesmo tempo seja lembrado a nosso encorajamento também, que é o caminho “mais agradável” que nos leva diretamente à Deus.
Oxalá aprendamos segui-lo mais amorosamente, mais desinteressadamente e, sobretudo, mais alegremente! Afinal, o “único fracasso é deixar de tentar”.
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – maio/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: In Memoriam A.H.H. é um longo poema escrito pelo poeta inglês Alfred Tennyson, terminado em 1849. Escrito ao longo de 17 anos, é considerado como um reflexo da sociedade vitoriana da época, discutindo muitos dos temas polêmicos da altura, que começavam então a ser questionados. Trata-se da obra em que Tennyson atinge o auge da musicalidade dos seus versos, e em que a sua experiência poética se completa, sendo considerada uma das grandes obras poéticas da Grã-Bretanha do século XIX.
A Epístola de São Tiago contém uma poderosa mensagem que aponta claramente a preocupação do autor para o crescimento espiritual por meio da “ação”, especialmente quando as condições da vida são difíceis. Em seu versículo 22, enfaticamente, declara que a verdadeira Religião é mais do que fé. É a lei da ação: “Sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos, porque se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante ao varão que contempla no espelho o seu rosto natural”.
S. Tiago, também, exorta que consideremos as provas e as perseguições como um privilégio, em vez de culpar a Deus, “Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos.” (Tg 1:4).
O Aspirante a vida superior procura, naturalmente, evitar os erros que impediriam o seu progresso espiritual: procura não roubar, evita as maledicências, a violência, o adultério, a fraude, não se vangloria, não julga e, em geral, se mantém longe de tudo que interfere no trilhar do seu Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
Tratando de obter um melhor autoconhecimento, alguns Estudantes Rosacruzes passam longas horas na tarefa de obter informações suplementares; querem pesquisar as suas origens; saber do seu desenvolvimento futuro e procuram soluções para o “mistério do Mundo”. Isso demanda longas horas e, consequentemente, não sobra tempo para serem também “cumpridores da palavra” – atividade de que alguns, deliberadamente, procuram se furtar sob essa ou aquela alegação. Quanto a aquisição de conhecimentos, aprendemos na Fraternidade Rosacruz que é repreensível passar a vida egoisticamente na procura exclusiva do avanço espiritual, como seria repreensível não haver nenhum avanço espiritual. S. Tiago nos ensina claramente: “Aquele pois que sabe fazer o bem e não faz, comete pecado.” (Tg 4:17).
A omissão pode ter consequências graves. Os pecados de omissão não são menos sérios que os pecados de comissão e determinam, também, a vida e desenvolvimento do futuro Estudante Rosacruz. Para quebrar a cristalização de nossa indiferença, no sentido de dominar e vencer nossa tendência para a omissão, devemos lançar mão de concentração e determinação, na realização efetiva de sermos “cumpridores da palavra“, não esquecendo que os atos de abnegação ao semelhante contribuem grandemente para o crescimento do nosso Corpo-Alma. O serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã próximos, focados na Divina Essência oculta em cada um de nós – que é a base da Fraternidade – é o ensinamento crucial da Filosofia Rosacruz e, sem o uso prático e muito positivo desse conhecimento místico o Estudante Rosacruz contribui para a não realização de um vital progresso em sua caminhada; ao qual não poderá se chegar tão somente através de estudos vigorosos.
Há tantas maneiras de “fazer o bem” e S. Tiago antecipa os pontos principais do que deve se considerar importante: “A Religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas, nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1:27). Nem todos podem, nem todos querem visitar órfãos e viúvas, porém seria simplificar ao máximo o nosso papel se a nossa racionalização concluir com um simples não, já que “seguramente há um grande número de voluntários e eu estaria provavelmente atrapalhando o serviço”.
Nós todos gostamos de receber mensagens, cartas e correspondências, porém, quantos há que protelam a hora de responder devidamente? Não é um erro grave, por certo, mais é um pecado de omissão, apontando para o nosso prazer em receber e relutância de sermos incomodados para dar de nós mesmos.
Até os acamados podem agir: pela atividade mental de orar pelo trabalho da Fraternidade Rosacruz como centro espiritual de progresso para a Humanidade; para os dirigentes do mundo em sua luta de manter a paz; para os líderes locais tentando equilibrar os orçamentos; e para uma colaboração sempre mais esclarecida, que possa manter longe a tragédia da guerra e assim por diante. O mundo de hoje palpita em direção da mutação. Cada ato desinteressado, multiplicado por milhões de outros do mundo todo; cada oração em benefício do mundo e cada ação direta inteligentemente alinhada com a evolução trará o Estudante Rosacruz e a Humanidade um passo à frente, na senda do progresso espiritual.
Ao findar o dia podemos levar os nossos pecados de omissão ao tribunal de nosso Cristo Interno por meio do Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção, e receberemos o Seu perdão. Os pecados de omissão, por outro lado, costumam não ser lembrados no Exercício Esotérico Rosacruz noturno de Retrospecção. Em realidade, deveriam ser transformados em prioridades para a ação do dia seguinte, ou tão cedo quanto possível, pois isso é a “reforma íntima”, tão alardeada na Fraternidade Rosacruz. Não podemos nos dar ao luxo de carregar indefinidamente uma longa e pesada relação de nossos pecados de omissão. Finalmente e com certeza, a Lei da Consequência demandará de cada Estudante Rosacruz o crescimento para um estado espiritual adulto em que cessamos de ser “ouvintes da Palavra” e nos tornamos “praticantes da mesma”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – novembro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Sabemos que há vários recursos que a Fraternidade Rosacruz utiliza para promover os Ensinamentos Rosacruzes, a fim de que o Aspirante à vida superior que está buscando tais Ensinamentos consiga encontrá-lo na forma de maior fidelidade possível, conforme fornecido pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.
Desde que a Fraternidade Rosacruz foi fundada aqui na Região Química do Mundo Físico a quantidade de Estudantes Rosacruzes ativos já passou para além de alguns milhões no mundo; são irmãos e irmãs que aderiram aos Ensinamentos Rosacruzes e estão trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
O crescimento atual da Fraternidade Rosacruz é normal e constante; além disso, a condição de Estudante Rosacruz ativo não é algo meramente formal, obtido mediante algum pagamento em espécie financeira, mas sim algo que envolve pessoas que se dedicam de coração à Obra Rosacruz — caso contrário, não conseguem permanecer como Estudantes Rosacruzes ativos; viram simpatizantes, por livre e espontânea vontade!
Como a Fraternidade Rosacruz é uma Escola aquariana há, naturalmente, dificuldades de muitas pessoas em se manterem firmes no Caminho. Muitas porque ainda estão acostumadas ao modo da Era de Peixes de se aprender em uma Escola! Assim, solicitam a filiação e permaneceram na Fraternidade Rosacruz por algum tempo, mas que, ao perceberem a necessidade de estudar, trabalhar, persistir, ter disciplina, ter Cristo como o único Ideal de vida e aplicar no dia a dia os Ensinamentos Rosacruzes desistem de trilhar o Caminho. Isso nada mais é do que a compreensão da veracidade da máxima Cristã: “muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”. A proporção de “grãos do Evangelho” que caem à beira do caminho é muito grande, pois multidões de pessoas, embora prontas para se entreter com o “oculto”, os “mistérios”, os “poderes”, a “fama”, ainda não estão preparadas para “tomar a Cruz e seguir o Cristo” no caminho da realização espiritual por meio do Cristianismo Esotérico, como preconiza a Fraternidade Rosacruz. Existem organizações, escolas, associações e outras denominações em nossa própria linha de atuação – ocultismo e misticismo – que possuem listas de membros imensas, compostas por qualquer pessoa que consigam aliciar para suas fileiras — vítimas relutantes que pagam uma “taxa” (seja lá como se denomine, mas sempre é financeira) apenas por ser a saída mais fácil, mas não fornece o Cristianismo Esotérico e nem há algum Irmão Maior da Ordem Rosacruz fornecendo tais ensinamentos!
A filiação à Fraternidade Rosacruz difere — e muito — nesse aspecto: aqueles que se associam não conseguem permanecer se não viverem a vida Cristã Esotérica, em certa medida. Nenhum ser humano atua como juiz para determinar se isso ocorre ou não; o veredito se baseia na própria negligência do Estudante.
A Fraternidade Rosacruz pratica fielmente a máxima Cristã: “dar de graça o que de graça recebeu”. Se há cobrança pelos livros editados em papel, essa quantia é a exata para cobrir os custos de publicação e envio.
Ao Estudante Rosacruz ativo, em qualquer lugar do mundo em que esteja, sempre deve “escutar” a voz de Cristo que ressoa no coração dele: “Filho, não busco a tua dádiva, mas a ti mesmo”, e o Estudante Rosacruz ativo deve sempre responder: “Senhor, estou pronto para fazer o que o Senhor quiser — não por uma semana, não por um mês, não por um ano, mas por toda a minha vida”.
(Por Max Heindel – Publicado no Echoes from Mount Ecclesia de 10 de janeiro de 1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)