A atual onda de violência e terrorismo que vem se propagando através do globo em proporções crescentes deve constituir tema de meditação para todas as pessoas de boa vontade, em particular, para o Estudante Rosacruz.
A paz tem sido uma aspiração maior entre os seres humanos. Foram criados instituições e mecanismos para preservá-la ou fazê-la reinar onde o conflito só espalhou miséria e desolação. Entretanto, as guerras entre classes ou grupos étnicos se sucedem a intervalos cada vez menores.
Necessária se torna a união de todos para fazer frente a essa avalanche de violência. Que fiquem de lado todas as diferenças e os ideais de paz se sobreponham a quaisquer outros interesses.
A questão a considerar é, pois: como conter a violência sem lançar mão da violência? Certamente uma atitude passiva diante da crise atual só contribuirá para agravamento da situação. Muitos movimentos respondem a esta pergunta afirmando que a violência externa é um reflexo do estado de conflito interno em que vive a maioria das pessoas. E vai além; para contê-la faz-se necessária uma transformação interior no ser humano, uma nova atitude de respeito e amor para com todos as seres vivos.
O único antídoto para a violência é a não violência. Somente a ação altruísta e desinteressada, ação fruto do amor por todos os seres será capaz de promover uma transformação para melhor. Temos vários exemplos na vida de vários seres humanos de como é possível lutar pelos ideais de amor, paz e harmonia sem precisar lançar mão da violência. Todos esses exemplos de vida pregavam a não violência, não como uma condição física, mas, uma atitude mental de amor, a ausência total de pensamentos desarmoniosos. A não violência, em sua forma ativa, é a boa vontade para com tudo que vive: é perfeito amor Crístico!
É muito cômodo criticar o terrorismo e a violência. Contudo, se ficamos apenas nessa atitude, pouco ou nada realizaremos em prol da paz. Cabe a cada um se questionar para saber até que ponto não é, também, responsável pelo atual estado de violência. De nada adianta nos declararmos pacifistas e continuarmos a educar nossos filhos dentro de um espírito competitivo, inculcando-lhes toda sorte de preconceitos ideológicos e religiosos. As nossas crianças têm sido educadas para vencer na vida a qualquer preço, sem considerar os direitos e as necessidades dos demais.
Sem falarmos dos maus hábitos de pais, responsáveis, homens e mulheres que alimentam desejos, emoções e sentimentos de violência ao praticarem ou torcerem em todas as espécies de lutas (seja lá o nome que as dê), justificando em vários casos como “terapia”, “descarregar o estresse”, “autodefesa”, “desenvolver a disciplina”, “manter a força de vontade”, “orientação médica” e tantos outros, onde podemos refutar a todos com uma única questão: onde Cristo, nos seus ensinamentos, sugeriu ou indicou isso?
E muitos, quando não partem para agir por meio daquele tipo, adoram ficar horas e horas em jogos eletrônicos que estimulam inúmeros tipos de violência. E aqui a justificativa é pior ainda: “mas não se mata ninguém”, “não se fere ninguém”, “desenvolve-se a rapidez de raciocínio” e outros afins. São irmãos e irmãs que ainda não entenderam que as emoções, os sentimentos, desejos e pensamentos-formas que eles alimentam são até piores do que os maus hábitos de luta corporal! Novamente: onde Cristo, nos seus ensinamentos, sugeriu ou indicou isso?
E o que dizer de irmãos e irmãs que acham que andarem armados (com arma de fogo ou as chamadas armas brancas) é para “ter mais segurança nesse mundo violento”. Novamente aqui tais irmãos e irmãs estão alimentando a violência cada vez mais. Novamente: onde Cristo, nos seus ensinamentos, sugeriu ou indicou isso?
Assim, nossa civilização, dos quais muitos se dizem Cristãos, tem sido um exemplo deplorável de conflitos, contrastando com os ensinamentos do meigo nazareno, Cristo Jesus.
Também, é lamentável serem investidos muitos milhões em trabalhos missionários visando a cristianizar os chamados povos pagãos, quando entre nós medra o anticristo nas mais variadas formas de sectarismo.
Se quisermos paz devemos rever nossas atitudes na vida cotidiana, buscando introduzir mais amor, tolerância e compreensão no nosso relacionamento, adotando a postura da não violência. Pode não parecer tarefa fácil. Pode parecer distante, uma impraticável utopia, mas não é inviável, desde que comecemos a agir, aqui e agora.
Afinal, não tem como ser um Estudante Rosacruz ativo, trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, mantendo tais hábitos acima detalhados, onde a violência é o centro deles.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Segundo um velho ditado, “só árvore que dá frutos é que leva pedrada”. Isso nos faz lembrar o Estudante Rosacruz ativo, cuja aspiração a ideais superiores coloca-o em posição singular junto aos que vivem ao seu redor.
E não poderia ser de outra maneira! Seu esforço em viver a vida conforme com as Leis de Deus produz frutos a seu devido tempo. Sua conduta difere da pessoa que não vivencia a espiritualidade Cristã esotérica na vida aqui, porque a aquisição de conhecimentos implica numa séria responsabilidade em vivenciar tais Ensinamentos Rosacruzes. Não se exige que o Estudante Rosacruz ativo se converta num santarrão fanatizado; aliás figura, às vezes, antipática e, às vezes, motivo até de zombaria. Não, não é assim. Tudo deve obedecer a um processo natural, cujo cerne é uma transformação gradativa do íntimo do Estudante Rosacruz. Não deve, por isso, o Estudante Rosacruz ativo fugir do convívio social, já que o relacionamento pessoal é uma valiosa fonte de experiências. No relacionamento pessoal diário o Estudante Rosacruz ativo encontra meios de testar seu progresso teórico, além de oportunidades para ajudar seus semelhantes.
Mas, nesse convívio diário, o Estudante Rosacruz ativo deve se manter coerente com os princípios e valores que, consciente ou voluntariamente adotou. Se exigida sua presença num evento social, não lhe cabe se omitir. Nada, entretanto, o obrigará a se comportar mundanamente. Não lhe é necessário ingerir bebidas alcoólicas, nem saborear alimentos cárneos. Nada pode compeli-lo a fumar, muito menos a manter conversações frívolas ou maliciosas. Deve, isso sim, marcar sua presença positivamente por meio de diálogos edificantes, alegres – mas não ruidosos – estimulando sempre o bem, toda vez que necessário.
De uma coisa pode estar certo o Estudante Rosacruz ativo: com o decorrer do tempo ele passará a ser mais e mais observado. Sua vida será examinada constantemente. Seu posicionamento filosófico-espiritualista poderá ser veementemente questionado, quando sua conduta se mostrar incoerente com suas ideias. Aquelas pessoas que não vivenciam a espiritualidade Cristã esotérica na vida aqui, incapazes de um esforço maior de autorregenerarão, não perdoam a vivência de um Estudante Rosacruz ativo, porque ela ressalta demais suas falhas de caráter. E se convivem no lar, no trabalho ou em outro setor qualquer da comunidade, o contraste entre os dois estilos de vida envergonha e irrita a pessoa que não vivencia a espiritualidade Cristã esotérica na vida aqui. Daí estar sempre pronta a agredir ou caluniar quem optou pelo desenvolvimento espiritual esotérico nessa vida aqui.
O Estudante Rosacruz ativo, na vontade de servir e colaborar na elevação do próximo, estará sempre propenso a divulgar os Ensinamentos Rosacruzes que abraçou. E o fará sempre com a melhor das intenções. Seguramente prestará uma valiosa ajuda à Humanidade. Acautele-se, porém. Cuide de que sua vida seja um exemplo prático de suas ideias, porque, se resvalar, não faltará quem lhe atire pedras.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que não se nos julga pela Filosofia que difundimos, mas sim pela vida que levamos. Observa-se o tratamento que dispensamos ao nosso conjugue, filhos, vizinhos, parentes, nossa conduta nos negócios, nossa conversação, seja ela de natureza espiritual, divertida ou frívola. Atenta-se para nossas companhias, para o ambiente que frequentamos, para o bem que fizemos ou deixamos de fazer.
Nossas falhas não são desculpadas e, o que é pior, julgam nossa Religião Cristã Esotérica (como preconizada pela Fraternidade Rosacruz) pelos efeitos produzidos em nossa vida.
Portanto, cabe ao Estudante Rosacruz ativo ter a certeza de uma coisa: ele está sendo diuturnamente observado. Se quiser divulgar os Ensinamentos Rosacruzes, faça-o. Mas, o Estudante Rosacruz ativo nunca deve esquecer de que “um exemplo vale mais que mil palavras”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – outubro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)