Um colega de serviço vivia repetindo, em voz alta, esta frase: “eu nada sei, só sei que nada sei”. Ouvia-o e cada vez me punha a meditar, ponderando, entre mim, que, sendo ele espiritualista, havia de ter um lado positivo nessa afirmação, uma advertência que o pusesse alerta contra o personalismo pretensioso que enfeia tantas pessoas. Mas um dia, durante o lanche, provoquei uma troca de ideias sobre o assunto. E por muitos dias continuamos, em episódios, o exame da questão, julgando de interesse pô-lo aqui para análise e ampliado, por parte dos leitores. Queremos falar de humildade num ponto de vista mais elevado e não pelo mal-entendido ponto de vista, segundo o qual a humildade é sinônimo de capacho ou de subserviência a poderes sociais ou econômicos.
Somos um ser complexo. Como Espírito, centelha de Deus, que nos faz semelhante à Deus-Pai, trazemos uma longa jornada de experiências, em que passamos por estágios de consciência equivalentes aos minerais, vegetais, animais, em que adquirimos nosso Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos correspondentes aos nossos veículos de expressão em cada Mundo. Atingindo o estado de Humanidade, no início da Época Atlante, tivemos nosso Corpo de Desejos dividido em duas partes: sentimentos elevados e sentimentos inferiores. Essa parte inferior do Corpo de Desejos foi juntada à Mente recém-adquirida, constituindo os dois, uma “alma animal”, a Personalidade, uma parte de nós voltada para a Região Concreta do Mundo do Pensamento, Mundo do Desejo e Mundo Físico.
Nesse tempo sofremos a influência passional dos Anjos decaídos ou Espíritos Lucíferos. Tais Espíritos não podiam alcançar a evolução natural da Onda de Vida dos Anjos, de que se haviam afastado e por isso restava-lhes trabalhar sobre o incipiente cérebro humano, induzindo a paixão (pois o cérebro está ainda ligado ao Corpo de Desejos). Desenvolvemos os primeiros trabalhos da Mente, sob a forma primitiva da astúcia e ao ingressar na presente Época Ária começamos a exercitar a Razão.
Ao falar assim, referimo-nos às pessoas que vivem no lado ocidental, pois ainda há irmãos e irmãs em estágios primitivos de consciência exercitando a astúcia e com um Corpo de Desejos superior muito reduzido e de pouca expressão altruística. Acresce notar que essa ação dos Espíritos Lucíferos, pelo nosso abuso sexual – por livre e espontânea vontade –, pelo egoísmo e outras formas passionais que insistimos em manifestar nas nossas vidas aqui, nos embruteceu a nossa sensibilidade e os nossos Corpos, fazendo-nos perder a visão espiritual e acreditar apenas na realidade deste Mundo material em que, provisoriamente, estamos.
Recebemos a primeira ajuda: as Religiões de Raça, Jeovísticas, como o objetivo de nos ajudar a controlar o nosso Corpo de Desejos que insistíamos em encher somente com materiais das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo. Mas usamos essa ajuda para induzir a nós mesmos a divisão e ao egoísmo, embora tais Religiões tenham disciplinado relativamente o nosso Corpo de Desejos com a ação restritora das Leis Mosaicas.
Como insistimos no erro, chegando a um estado evolutivo extremamente perigoso, arriscando a perdermos (uma grande maioria de nós) a oportunidade de continuar evoluindo nesse atual Esquema de Evolução, recebemos uma segunda ajuda. Conhecemos como a vinda da Religião do Filho – a Religião Cristã –, cuja expressão, Cristo, inaugurou uma nova fase evolutiva, onde o Cristo implantou o Seu Plano de Salvação e se tornou o Espírito Planetário da Terra. Só que, também devido a nós mesmos, a Religião Cristã ainda não foi implantada como deve ser, ou seja, o altruísmo (que foi introduzido e ensinado por Cristo) não virá senão quando os últimos vestígios de egoísmo tenham desaparecido, com as formas inferiores de expressão. E isso depende somente de cada um de nós, exercendo o livre arbítrio, ou seja: de dentro para fora.
Esta digressão é necessária para compreendermos que nós atualmente, quando renascidos aqui, nos embrutecemos até onde os nossos Corpos nos permitirem. Somos o que pensamos, o que sentimos, o que percebemos. Aqui estamos limitados pelo grau de aperfeiçoamento dos nossos veículos o Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente.
Nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui) sim, nos esforçamos para isso através da Mente, o foco entre o Ego e os nossos veículos e por isso simbolizada por Mercúrio, o Mensageiro dos Deuses. Mas estamos limitados, nessa expressão, pela condição dos nossos veículos que construímos (com o nível de evolução que chegamos até a última vida aqui) e usamos.
Disso tudo inferimos que nós sabemos algo! Nós temos dentro de nós mesmos uma bagagem imensa de experiências passadas, que vão formando a nossa Tríplice Alma. Chamamos a essa bagagem, a Memória ou Mente Superconsciente, a que temos acesso apenas pelo desenvolvimento dos Éteres superiores e contato com o Mundo do Espírito de Vida, via alcançando as Iniciações, preconizadas pela Fraternidade Rosacruz.
Mas essa forma de memória não nos vem pela Mente, senão pelo Coração. Cristo está trabalhando sobre toda a Terra e afetando os nossos Corpos humanos para lograr uma transformação do nosso Coração, formando estrias para, através dele, afetar todo o nosso Corpo Denso e dar mais livre expressão à nós, o Ego, ainda prisioneiro nas grades de nossas limitações.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, compreendendo profundamente esse plano Crístico, ensinam aos Estudantes Rosacruz – a partir de um certo nível no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz – a conquistar o equilíbrio entre a Mente e o Coração, condicionando as possibilidades daquele, aos ditames deste. É um plano de libertação que possibilitará ao Estudante Rosacruz se livrar da consciência atual, muitas vezes mais próximas da consciência animal, para a Consciência de um indivíduo, onde o Ego dirige seus veículos, exprimindo ambos a mesma coisa, como a citada fonte dos evangelhos, de que não fIui ao mesmo tempo água doce e salgada. Os místicos buscam apenas esta fonte de pureza pelo Coração. Os ocultistas desenvolvem a Mente. A Ordem Rosacruzes busca unir as nossas expressões pelo equilíbrio perfeito entre Mente e Coração.
Afinal, sabemos ou não sabemos? Está claro que sim, mas nosso conhecimento ainda é passível de muita cautela, porque sofre interferências várias e deturpa, muitas vezes, os nossos reais propósitos.
Um Estudante Rosacruz não diz: “eu nada sei, eu sou um pobre diabo, um imprestável, um ignorante”. Tampouco diz: “eu tudo sei, eu tudo posso”, como ensinam algumas escolas espiritualistas pregadoras de afirmações e negações. Afinal, como aprendemos na Fraternidade Rosacrduz: “de que valeria a uma bolota de carvalho, sendo semente, dizer: eu sou um carvalho? Ela será um carvalho, sob condições favoráveis de desenvolvimento, mas por enquanto não é, apesar de todas suas afirmações; assim é o ser humano em relação à perfeição divina”.
A afirmação deve ser feita em silenciosa convicção, na interna vontade, para estendermos aos atos os nossos propósitos, depois de haver afetado o subconsciente. Não de forma negativa, renunciando, de princípio, às possibilidades divinas latentes e poderes adquiridos. Que efeito podemos esperar, desse modo, sobre nós?
Não gostamos de extremos. Tudo é relativo (pois só Deus é absoluto!) e, conhecendo amplamente os diversos fatores que fazem de cada um de nós essa realidade atual, buscamos aperfeiçoá-lo, sabendo que não somos nada e nem tudo, mas que caminhamos para a perfeição a que nos destina o Criador, pondo-nos todos os recursos para isso, inclusive ajuda externa.
A verdadeira humildade, pois, está na consciência dessa relatividade evolutiva, que nos põe no nosso devido lugar, no qual não se justificam orgulhos nem personalismos, embora estes nos assaltem nas repetidas tentações, por forças dos vícios de origem, ainda não sublimados.
Forçoso é reconhecer: a verdade tem muitos degraus e o acesso aos superiores pressupõe havermos passado pelos inferiores, as verdades parciais, mas nem por isso desprezíveis, pois são as partes e fundamentos do todo almejado.
Para concluir, não dizemos “eu nada sei, só sei que nada sei”, mas sim: “sou uma semente de Deus e posso me converter na própria árvore e estatura de Deus. Estou trabalhando para isso, orando e vigiando, fazendo fielmente os Exercícios Esotéricos Rosacruzes de Observação, Discernimento, de Retrospecção, de Concentração e oficiando os Rituais dos Serviços Devocionais diariamente, que me ensinam, cada vez mais, a conhecer minha própria natureza, a fim de transubstanciá-la na força anímica que me permitirá o retorno consciente ao que realmente sou, um Ego, e através deste, a Deus”.
“Quem se humilha será exaltado” (Mt 23; 12), mas quando a humildade é bem compreendida. Reduzir-se, anular-se é negar as possibilidades divinas latentes e descrer em nós mesmos, o Ego. E sendo nós um Ego (e não os nossos Corpos, especialmente, como muito acham, o Corpo Denso), como podemos falar de nós como se fossemos os Corpos e suas limitações? Somos isto sim, prisioneiros conscientes, trabalhando pela libertação das invisíveis grades e cadeias que, simbolicamente, prendiam Prometeu ao Cáucaso[1]. Mas seremos também Hércules[2], o “super-homem” e nos libertaremos destas condições, mediante o esforço perseverante e racional, passo a passo, pois a Natureza não dá saltos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: da mitologia grega: foi um defensor da humanidade, conhecido por sua astuta inteligência. Roubou o fogo dos deuses e o deu aos homens. Isto assegurou a superioridade dos homens sobre os outros animais. Todavia o fogo era exclusivo dos deuses. Como castigo a Prometeu, Zeus ordenou a Hefesto que o acorrentasse no cume do monte Cáucaso.
[2] N.R.: nome em latim dado pelos antigos romanos ao herói da mitologia grega Héracles, filho de Zeus.
A Ordem Rosacruz é uma Irmandade dedicada ao desenvolvimento das faculdades humanas, à exploração das leis mais profundas da Natureza e ao estabelecimento de uma Comunidade Cristã na Terra. Ela se encontra na Região Etérica do Mundo Físico onde tem o seu Templo: o Templo Rosacruz.
A Ordem Rosacruz tem o objetivo de lançar uma luz oculta sobre a mal-entendida Religião Cristã, e para explicar o mistério da Vida e do Ser do ponto de vista científico, em harmonia com a Religião.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz são seres humanos que passaram pelas nove Iniciações Menores e pelas quatro Iniciações Maiores ou Iniciações Cristãs.
A Ordem Rosacruz constitui uma Ordem Sagrada, mas atua externamente por meio de indivíduos e grupos. A Fraternidade Rosacruz é uma dessas Associações. Ela se encontra aqui na Região Química do Mundo Físico. Ela foi criada para tornar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental acessíveis a todos que buscam respostas lógicas e científicas para os Mistérios da vida e do ser.
A Fraternidade Rosacruz é uma escola e visa emancipar o indivíduo da dependência de fatores externos e alcançar, em vez disso, uma plena confiança no Deus interior.
A Fraternidade Rosacruz, como uma escola, existe com o propósito de informar os inquisidores e instruir os Estudantes Rosacruzes no trabalho preparatório para ingressar na Ordem Rosacruz.
A Ordem Rosacruz trabalha especificamente com os povos do Ocidente, e seus métodos de desenvolvimento espiritual são especialmente concebidos para atender às necessidades intelectuais e religiosas dessas pessoas.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz trabalham para promover um desenvolvimento equilibrado entre a Mente e o Coração – a razão e a intuição. Eles trabalham para restabelecer a unidade dos três campos do esforço humano: Arte, Religião e Ciência.
A Ordem Rosacruz foi fundada no século XIV por Christian Rosenkreuz, um mensageiro da Grande Fraternidade Branca dos Divinos Hierarcas que guiam a Humanidade no caminho da evolução.
A Ordem Rosacruz é uma das sete Escolas Menores de Mistérios do mundo. Seus doze Irmãos Maiores, juntamente com seu décimo terceiro membro, o Líder, não possuem organização material, de modo que seu trabalho é desconhecido para todos, exceto os Iniciados de vários graus, desde o primeiro da Iniciação Menor até o quarto da Iniciação Maior.
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
Frequentemente ouvimos Cristãos devotos se queixarem dos períodos de depressão. Às vezes, eles estão quase no sétimo céu de exaltação espiritual; quase veem o rosto de Cristo e sentem como se Ele estivesse guiando cada passo que dão. Então, sem qualquer aviso ou qualquer causa que consigam identificar, as nuvens se acumulam, o Salvador esconde o Seu rosto e o mundo se tornam sombrio por um período. Eles não conseguem trabalhar nem orar; o mundo não tem atrativo algum e o portão do céu parece fechado para eles; assim, a vida lhes parece sem valor enquanto a depressão espiritual perdura.
Naturalmente, a razão é que essas pessoas vivem sob suas emoções e, segundo a imutável Lei das Alternâncias, o pêndulo está destinado a oscilar tanto para um lado do ponto neutro quanto para o outro. Quanto mais brilhante a luz, mais profunda a sombra; quanto maior a exaltação, mais profunda é a depressão espiritual que a sucede.
Somente aqueles que, pela razão fria, refreiam suas emoções escapam dos períodos de depressão — mas também nunca experimentam a bem-aventurança celestial da exaltação. É justamente esse derramar de si mesmo em fervorosa devoção que fornece ao Cristão Místico a energia dinâmica para se projetar nos Mundos invisíveis, onde ele se torna um com o ideal espiritual que o tem chamado e despertado em sua alma o poder de se elevar até Ele — assim como o Sol formou o olho com o qual o percebemos.
O filhote cai muito antes de aprender a usar suas asas com segurança e o Aspirante no caminho do Misticismo Cristão pode se elevar até o próprio trono de Deus inúmeras vezes e cair no mais profundo abismo do desespero infernal. Contudo, em algum momento, ele vencerá o mundo, desafiará a Lei das Alternâncias e se elevará pelo poder do Espírito ao “Pai dos Espíritos”, livre das armadilhas da emoção, pleno de uma Paz que excede todo entendimento.
Mas esse é o fim alcançado somente após o Gólgota; o Batismo Místico é apenas o início da carreira ativa do Cristão Místico, quando ele se torna profundamente impregnado do tremendo fato da unidade de toda a Vida e imbuído de um sentimento de fraternidade por todas as criaturas, de modo que, doravante, ele pode não apenas enunciar, mas praticar os Ensinamentos que o próprio Cristo nos deu que conhecemos como Sermão da Montanha.
Se as experiências espirituais do Cristão Místico não o levassem além disso, ainda assim seriam a mais maravilhosa aventura do mundo e a magnitude do acontecimento está além das palavras, com consequências apenas vagamente imagináveis. A maioria dos estudantes das filosofias superiores acredita na Fraternidade da Humanidade por uma convicção mental de que todos emanamos da mesma Fonte divina, como os raios emanam do Sol; mas há um abismo de profundidade e largura inconcebíveis entre essa fria concepção intelectual e a saturação batismal do Cristão Místico, que a sente no coração e em cada fibra do seu ser com tamanha intensidade impensável. Isso o enche de um amor ansioso e ardente, como o expresso nas palavras do Cristo: Ó, Jerusalém; ó, Jerusalém, quantas vezes quis eu te reunir debaixo das minhas asas[1] — um amor protetor, cheio de anseio e cuidado que nada pede para si, exceto o privilégio de nutrir, proteger, guardar.
Se ao menos um tênue reflexo de tal sentimento universal de fraternidade estivesse difundido entre a Humanidade nestes dias sombrios, que paraíso seria a Terra! E não este inferno onde os homens e mulheres levantam a mão contra seu irmão ou sua irmã para matá-lo ou matá-la com a espada, por meio da rivalidade ou competição objetivando destruir sua moral e degradá-lo e degradá-la sob as marcas do cativeiro industrial ou do açoite da necessidade. Não teríamos guerreiros nem prisioneiros, mas um mundo feliz e satisfeito, vivendo em paz e harmonia, aprendendo as lições que nosso Pai Celestial tenta nos ensinar nesta condição material. O motivo de toda a miséria no mundo pode ser explicado porque acreditamos na Bíblia com o intelecto, mas não com o Coração.
Quando emergimos das águas do Batismo — o Dilúvio Atlante — para a “Era do Arco-íris”, das estações alternadas, também nos tornamos presa das emoções mutáveis que nos lançam para cá e para lá no mar da vida… A fé fria, contida pela razão e sustentada pela maioria dos Cristãos autodeclarados, pode conceder alguma medida de paciência e equilíbrio mental que sustenta durante as provações da vida; mas quando a maioria alcançar a fé viva do Cristão Místico — que ri da razão por que é sentida pelo Coração — então a “Era das Alternâncias” terá passado. O arco-íris cairá com as nuvens e o ar que agora compõe a atmosfera; haverá então um novo céu de puro Éter onde receberemos o Batismo do Espírito e haverá Paz (Jerusalém).
Ainda estamos na “Era do Arco-íris” e sujeitos as suas Leis; assim, podemos compreender que, como o “Batismo” do Cristão Místico ocorre em um momento de exaltação espiritual, ele deve necessariamente ser seguido de uma reação. A tremenda magnitude da revelação o domina, ele não consegue assimilá-la nem conter em seu veículo carnal e por isso foge dos lugares frequentados pelos seres humanos: retira-se para a solidão, alegoricamente representada pelo deserto.
Tão envolvido ele está em sua sublime descoberta que, por algum tempo, em seu êxtase, contempla o tear da Vida, no qual os Corpos de tudo o que vive são tecidos — do menor ao maior, o rato e o ser humano, o caçador e a presa, o guerreiro e sua vítima… No entanto, para ele não estão separados nem apartados, pois também enxerga o único Fio divino de luz dourada da vida que a tudo permeia e tudo une[2]; mais ainda, ele ouve em cada ser a nota-chave flamejante, soando suas aspirações, dando voz a suas esperanças e temores, percebe que essa cor-sonora seja composta em forma do hino universal do Deus que se fez carne.
Mas o Cristão Místico que acaba de emergir do seu Batismo na Fonte da Vida recua imediatamente, horrorizado, diante da sugestão de usar seu poder recém-descoberto para um propósito egoísta. Foi precisamente a qualidade de alma da abnegação que o conduziu às águas de consagração na Fonte da Vida e ele sacrificaria tudo — até mesmo a própria vida — antes de usar seu novo poder para fugir de uma dor ou de um sofrimento. Acaso ele não viu a aflição do Mundo? Não a sente em seu grande Coração com tamanha intensidade que a fome imediatamente desaparece e é esquecida? Ele pode, quer e de fato usa esse maravilhoso poder livremente para alimentar os milhares que se reúnem para ouvi-lo — mas nunca para fins egoístas porque, assim, perturbaria o equilíbrio do mundo.
Mas ele não raciocina sobre isso; como já foi dito, ele não se guia pela razão, mas por uma diretriz muito mais segura: a voz interior que sempre orienta nos momentos em que uma decisão precisa ser tomada. O indivíduo “não vive só de pão, mas de toda palavra que procede de Deus”[3]. Eis outro Mistério: não há necessidade de participar desse pão terreno para aquele que tem acesso à Fonte da Vida.
Quanto mais nossos pensamentos estiverem centrados em Deus, menos nos importaremos com os chamados prazeres da mesa; ao alimentar nossos Corpos Densos de modo frugal, com alimentos simples e selecionados, obteremos uma iluminação do Espírito impossível para aquele que se entrega a uma dieta excessiva de alimentos grosseiros, que nutrem a natureza inferior, o “eu inferior”. Alguns santos utilizaram o jejum e a mortificação como meio de crescimento da alma, mas esse é um método equivocado por razões apresentadas em no artigo sobre O Jejum como um Fator para o Crescimento Anímico[4].
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, que compreendem a Lei e vivem de acordo com ela, usam alimento apenas em intervalos medidos em anos; para eles, a palavra de Deus é um pão vivo.
Ela também o é para o Cristão Místico e a tentação, em vez de provocar sua queda, conduz a alturas ainda maiores. Isso, a princípio, está inteiramente além da sua compreensão; a tremenda magnitude da descoberta o deslumbra e encobre, por isso ele não consegue imaginar o que é que vê e sente, pois não há palavras que o descrevam nem conceito que o abarque. Mas, pouco a pouco, começa a clarear em sua consciência que ele esteja na própria Fonte da Vida, contemplando — ou melhor, sentindo — cada pulsação dela; com essa compreensão ele atinge o clímax do seu êxtase.
Tão absorto esteve o Cristão Místico em sua bela aventura que as necessidades do Corpo foram completamente esquecidas até que o êxtase terminou; é, portanto, natural que a sensação de fome seja a primeira necessidade consciente ao retornar ao estado normal de consciência. Surge também, de forma natural, a voz da tentação: peça que estas pedras se transformem em pão[5].
Poucas passagens das Sagradas Escrituras são mais obscuras do que os versículos iniciais do Evangelho Segundo S. João: “No princípio era o Verbo […] e sem Ele nada do que foi feito se fez”. Mas um breve estudo da ciência do som logo nos familiariza com o fato de que som é vibração e diferentes sons moldam areia ou outros materiais leves em figuras de formas variadas.
O Cristão Místico pode ser completamente ignorante desse fato do ponto de vista científico, mas aprendeu na própria Fonte da Vida a entoar o Canto do Ser, que embala à existência tudo aquilo que um mestre músico assim deseje. Há uma tonalidade fundamental correspondente à pedra mineral e indigesta; porém uma modificação pode transformá-la no ouro com o qual podemos adquirir nossos meios para o sustento; outra nota-chave, peculiar ao Reino vegetal, pode convertê-la em alimento — fato conhecido por todos os Cristãos Ocultistas avançados que praticam encantamentos legitimamente para fins espirituais, mas nunca para proveito material.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – novembro/1916, traduzido e atualizado pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Mt 23:37 e Lc 13:34
[2] N.T.: Ecl 3:1-8
[3] N.T.: Mt 4:4 e Dt 8:3
[4] N.T.: O Jejum como um Fator para o Crescimento Anímico
Frequentemente o autor recebe perguntas em relação ao benefício ou desvantagem do jejum e, portanto, pode ser bom elucidar a origem e o fundamento dessa prática para que possamos determinar qual efeito, se houver, é exercido sobre o crescimento espiritual.
Nas Antigas Dispensações era exigido que os sacrifícios de bovinos e caprinos fossem feitos como expiação ao pecado praticado, pois o ser humano valorizava, então, seus bens materiais, muito mais do que nos dias de hoje, sentindo profundamente sua perda, quando forçado a abrir mão deles para tal finalidade.
Mesmo nos dias modernos, as indulgências são compradas e o Perdão dos Pecados anunciado a qualquer pessoa que doe uma quantia em dinheiro a algumas Igrejas Católicas e Protestantes, para a compra de todo os tipos de acessórios necessários ao serviço.
Mas, sempre houve um ensinamento esotérico, que está sendo promulgado exotericamente hoje, e esse ensinamento não aceita o sacrifício de um animal, dinheiro ou outras posses; contudo, exige que cada um faça um sacrifício de si mesmo. Isso foi ensinado aos Aspirantes na antiga Escola de Mistérios, quando eles eram preparados para o Ritual Místico de Iniciação. A eles foram explicados os mistérios do Corpo Vital – composto pelos quatro Éteres e funções de cada Éter: o Éter Químico, que é necessário para a assimilação; o Éter de Vida, que promove o crescimento e a propagação; o Éter de Luz ou Luminoso, que é o veículo da percepção sensorial; e o Éter Refletor, em que se armazena a memória.
Eles foram, cuidadosamente, instruídos nas funções dos dois Éteres inferiores em comparação com os dois Éteres superiores. Eles sabiam que as funções puramente animais do Corpo dependiam da densidade dos Éteres inferiores, e que os dois Éteres superiores, por sua vez, formavam o Corpo-Alma, o veículo do serviço e, naturalmente, eles aspiravam cultivar essa gloriosa vestimenta, pela renúncia e refreando as propensões das naturezas inferiores, assim como fazemos hoje.
Esses fatos eram mantidos em segredo das pessoas que não estavam no Caminho da Iniciação ou, melhor dizendo, assim deveriam ter permanecido. Mas, alguns neófitos, mesmo sendo excessivamente zelosos em alcançar a Iniciação, não importando os meios, esqueceram que é somente pelo serviço e altruísmo que a veste nupcial dourada é cultivada pelos dois Éteres superiores. Eles pensaram que a máxima oculta, “ouro no cadinho, impureza no fogo; ligeiro como o vento, alçar-se cada vez mais alto”, apenas significava que, enquanto a natureza inferior, a escória, tinha sido expulsa, e não importava a maneira, mas se tivessem encontrado um método fácil, eles teriam retido apenas o “ouro” composto pelos dois Éteres superiores, o Corpo-Alma, no qual eles poderiam, com certeza, acessar os Mundos invisíveis sem obstáculo ou embaraço. Eles concluíram que, como o Éter Químico é o agente de assimilação, poderia ser eliminado do Corpo Vital, privando o veículo físico da fome.
Eles também pensaram que, como o Éter da Vida é a via de propagação, poderiam privá-lo com uma vida celibatária. Seguindo esse método, concluíram, assim, que reteriam apenas os dois Éteres superiores e, portanto, praticavam todas as austeridades que se podia pensar, entre outras práticas, o jejum. Por esse processo o Corpo Denso perdia a saúde e a sua natureza passional ficava debilitada, pois, buscava a gratificação pelo exercício da função propagativa, sendo silenciado com a punição.
Dessa maneira, horrível, é verdade que a natureza inferior parecia estar submetida e, também, é verdade que, quando as funções corporais eram reduzidas a níveis bem baixos, as visões, ou melhor dizendo, as alucinações eram frequentemente a recompensa dessas pessoas equivocadas. Outros que ouviram falar de sua suposta santidade estavam ansiosos para imitá-los; assim, seu exemplo desviou milhares de almas da busca do verdadeiro Caminho.
Mas, o resultado obtido por essas pessoas desencaminhadas e seus seguidores está longe de ser o que se pretendia pelo treinamento na Escola de Mistérios. Antes de mais nada, ao Aspirante à vida superior foi ensinado que o Corpo Denso é o “Templo de Deus” e que profaná-lo, destruí-lo ou mutilá-lo de qualquer maneira é um grande pecado. A indulgência com o apetite é um pecado, uma prática contaminadora que traz consigo certa retaliação, mas não deve ter maior repreensão do que a prática de jejuar para o crescimento da alma.
Viver corretamente não é banquetear e nem jejuar, mas dar ao Corpo os elementos necessários para mantê-lo na forma adequada de saúde, força e eficiência como um instrumento do Espírito. Portanto, jejuar para o crescimento anímico é um pseudométodo que tem o efeito, exatamente o oposto daquilo que foi projetado para ser realizado, devido à falta de visão de seus criadores. “Eu sou a porta”, disse o Cristo, “se alguém não entra pela porta, esse é ladrão e salteador” (Jo 10:1).
Da mesma forma, com a prática do celibato para o crescimento anímico, ou da alma, a máxima enunciada no início desse parágrafo se aplica de forma idêntica. É repreensível quando homens e mulheres, feitos à imagem de Deus, se degradam pela indulgência da natureza passional a um estado inferior ao dos animais, porém, é igualmente repreensível quando aqueles que vivem de outra forma, tendo vidas boas e sagradas, se recusam a sacrificar suas aspirações para dar a uma alma que está à espera daquele Corpo e daquele ambiente que lhe atendam, e que tenha todo aquele tempo para o próprio desenvolvimento. Eles podem, pelo jejum, atenuar o Éter Químico, e, por suas vidas fanáticas e egoístas de celibatário, podem também eliminar o Éter da Vida em grande proporção, mas essas medidas nunca irão construir a “vestimenta dourada de casamento”, que é o ‘abre-te sésamo’ para a festa do “casamento místico”; na falta desse traje, alguns que conseguirem entrar sorrateiramente, por métodos ilegítimos como jejum, castigo e celibato, serão lançados nas trevas exteriores.
(Publicado na revista Rays from the Rose Cross em dezembro/1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[5] N.T.: Mt 4:3 e Lc 4:3
A Fraternidade Rosacruz não é uma seita ou organização religiosa, mas sim uma grande Escola de Pensamento Filosófica-Cristã, que divulga a Filosofia Rosacruz que preconiza o Cristianismo Esotérico, tal como foi ensinado a Max Heindel, fundador da Fraternidade Rosacruz, pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.
Os Ensinamentos Rosacruzes projetam luz sobre o lado científico e o aspecto espiritual dos problemas relacionados com a nossa origem e evolução e a do Universo.
Estes Ensinamentos constituem um meio para nos tornarmos melhores e desenvolvermos o sentimento de altruísmo e do dever – como trazido, inaugurado e nos ensinado por Cristo – e que é a base para se estabelecer a Fraternidade Universal.
A Fraternidade Rosacruz é Cristã porque baseia seus ensinamentos nos princípios Cristãos, e é Esotérica, ou oculta, porque desvenda o sentido mais profundo desses mesmos princípios. A Religião Cristã é a segunda ajuda que temos atualmente para nos desenvolvermos nesse Esquema de Evolução; é a Religião do Filho, cuja finalidade é a união com Cristo, pela purificação e governo do nosso Corpo Vital, de onde advém o veículo que estamos desenvolvendo: o Corpo-Alma.
Sobre isso a Carta nº 4 do Livro Carta aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz nos fornece mais detalhes: “Somos todos Cristos em formação. A natureza do amor está revelando em todos nós, portanto, por que não deveríamos nos identificar com uma ou outra das Igrejas Cristãs sérias que prezam o ideal de Cristo? Alguns dos melhores trabalhadores da Fraternidade Rosacruz são membros e ministros de Igrejas Cristãs sérias. Muitos estão famintos pelo alimento que temos para lhes dar. Não podemos compartilhar desse alimento com eles nos mantendo afastados e nos prejudicando ao negligenciar a grande oportunidade de ajudar na elevação da Igreja Cristã, que seja séria.
Naturalmente, não há uma obrigação para isso. Você não é obrigado a se juntar ou a frequentar uma Igreja Cristã séria, mas se você for até lá com espírito de ajuda, posso lhe garantir que experimentará um crescimento de alma maravilhoso em um tempo muito curto. Os Anjos do Destino[1], que dão a cada nação, a cada povo, a Religião mais apropriada as suas necessidades, nos colocaram em uma terra Cristã, porque a Religião Cristã nos ajuda no crescimento anímico, no crescimento da alma. Mesmo admitindo que a Igreja tenha sido obscurecida por credos e dogmas, não devemos permitir que isso nos impeça de aceitar os ensinamentos que são bons, pois isso seria tão tolo quanto centralizar a nossa atenção sobre as manchas do Sol e nos recusar a ver a sua luz gloriosa”.
Sobre a importância do Estudante Rosacruz ter uma Religião Cristã, aplicando-se nela, veja no Livro Iniciação Antiga e Moderna – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz os motivos e a importância disso quando são apresentadas algumas das gemas mais preciosas em relação aos profundos aspectos da Religião Cristã. Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz estão trabalhando para disseminar por todo o Mundo Ocidental, o intenso significado espiritual que está ao mesmo tempo oculto e revelado na Religião Cristã.
Os vários e importantes passos que marcam a vida de nosso Salvador, Cristo, formam o plano geral das Iniciações Cristãs. A Fraternidade Rosacruz oferece-nos uma visão mais completa e mística deste processo alquímico que se realiza no nosso Corpo. Somos “um pouco menos que os Anjos… e não demonstramos ainda o que chegaremos a ser” (Sl 8:5 e Hb 2:7).
A Fraternidade Rosacruz possui uma herança inestimável pela oportunidade de promulgar, nesta época tumultuada da evolução espiritual dos seres humanos e das nações, os ensinamentos esotéricos pertencentes à Igreja Cristã. “A quem muito é dado, muito será exigido” (Lc 12:48). Portanto, é com espírito de reverência e humildade que a Fraternidade Rosacruz apresenta esses inestimáveis ensinamentos a serviço de cada um de nós.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
[1] N.T. Também chamados de Anjos Relatores ou Anjos Arquivadores.
Durante tempos antigos sem conta, de nosso passado evolutivo, aprendemos a construir os diferentes veículos em que hoje, como Egos (Espíritos Virginais da Onda de Vida humana manifestados aqui), atuamos. Através desse trabalho fomos passando de classe em classe na Grande Escola de Deus. Em cada fase maior e menor fomos adquirindo gradativo desenvolvimento de Níveis de Consciência. Porém, cada qual aprendia, assimilava e crescia segundo seu particular modo de adaptação e reação. Uns caminharam depressa, outros regularmente, outros se atrasavam.
Na Época Atlante, quando a neblina se condensou e encheu os recôncavos da Terra, nos obrigando a buscar as mesetas e planaltos, muitos pereceram asfixiados, porque não haviam desenvolvido os pulmões, indispensáveis para respirar na atmosfera mais rarefeita das alturas. Esses não puderam passar pelo portal do arco-íris, à nova Era, a Era de Áries – a primeira da Época Ária –, com suas secas condições.
Agora, novamente, estamos nos aproximando de uma grande transformação mundial. Cristo se referiu a essa transição e como arauto da Nova Era, a Era de Aquário, a Fraternidade Rosacruz, tal como Noé, vem nos preparar.
Acautelemo-nos para que não sejamos apanhados desprevenidos e busquemos a amorosa, eficiente e desinteresseira orientação da Fraternidade Rosacruz.
Aquário é um Signo de Ar, científico, intelectual, inovador, original e independente. A nova chave de nosso desenvolvimento, iniciado nesta Época Ária pela razão, irá encontrar sua sublimação nessa gloriosa Era de Aquário, quando, então seremos capazes de resolver o enigma da vida e da morte de maneira a satisfazer, igualmente, o Coração e a Mente. Nessa Era, quem se prepara desde já, poderá desfrutar da verdadeira felicidade, pela unidade racional da Arte, Religião e Ciência, pois, todas essas atividades, em vez de se digladiarem pela contradição, em consequência da falta de visão de seus pontos comuns e básicos, se completarão coerentemente.
Aquário tem regência especial sobre os Éteres, o elemento de transição sensorial. Os dilúvios que submergiram o continente atlântico, ou a Atlântida, eliminou, até certo ponto, a umidade contida no ar, quando a concentrou no oceano. Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrar em Aquário, quase toda a umidade ainda remanescente desaparecerá e as vibrações visuais serão mais facilmente comunicadas por sua elétrica e seca atmosfera.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz deram o encargo da expansão dos Evangelhos, da mais profunda forma, à Fraternidade Rosacruz, por intermédio de Max Heindel. Ora, nós fazemos parte da Fraternidade Rosacruz e estamos sendo preparados para fazer nossa parte nessa importante missão. E a maneira de executá-la, também a aprendemos lá pregando o Evangelho através da reta e amorosa ação e obra, em todos os campos, em todos os assuntos. Isto pressupõe começar por nós mesmos, pela vivência convicta e simples daquilo que pretendemos disseminar. Nisso consiste a vida de um verdadeiro Cristão: uma Mente Pura, um Coração Nobre e um Corpo São a serviço de Cristo.
O destino da Fraternidade Rosacruz está em nossas mãos! É ao mesmo tempo um privilégio e uma grande responsabilidade, que nos lembra S. Lucas, 12:48: “A quem muito foi dado, muito lhe será exigido”.
Os primeiros a verem e viverem as ideais condições dessa gloriosa Era de Aquário deverão ser as pessoas que habitam o lado ocidental do Planeta Terra, que já começaram a preparar uma Ciência religiosa e uma científica Religião.
O entendimento deste trabalho preparatório e a gradual vivência e comunicação destes princípios irão construindo, “sem ruído de martelos”, o veículo em que funcionaremos nas novas condições: o “soma pushicom” citado por S. Paulo, que nos possibilitará ir ao encontro de Cristo nas nuvens (nos ares) e com Ele cearemos no cenáculo do “Homem do Jarro” (Aquário). Não se realiza tal empresa em pouco tempo. É preciso renúncia aos nossos vícios – “homem velho” e adoção de mais racionais meios de vida (naturalismo, dieta vegetariana, reforma e equilíbrio emocional e mental, exercícios de devoção e disciplina mental, etc.) – “homem novo”.
A Fraternidade Rosacruz oferece, a quem quiser, orientação conscienciosa e segura, para que nos convertamos num digno discípulo de Cristo e nos revistamos do áureo manto nupcial – o Corpo-Alma – para a futura comunhão com Ele.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz janeiro/1967-Fraternidade Rosacruz -SP)
Na esfera intelectual do mundo civilizado de hoje há uma grande inquietação. Muitos “correm de um lado para outro” em busca de algo que consideram mais fácil tatear do que definir. São atraídos e se envolvem superficialmente com cada novo culto, seita, movimento que surge no inquieto firmamento religioso e, observando cuidadosamente seu exterior, dão atenção passageira a qualquer novo preceito ou explicação, que muitas vezes não é mais do que uma desculpa, e então seguem adiante em seu caminho à deriva, como a volúvel borboleta que visita cada flor de cores vivas e prova do seu pólen.
A princípio, eles trilhavam esse caminho de forma quase inconsciente, cedendo apenas ao espírito de curiosidade. Mas, após algum tempo, ao observarem discrepâncias e aparentes anomalias nas afirmações e explicações das várias seitas, começaram a se sentir confusos, incertos, insatisfeitos. Ao atingirem o primeiro grau de consciência em sua busca, proferem o histórico clamor de Pilatos, que se encontrou uma vez em posição semelhante e, em sua dificuldade, perguntou: “O que é a Verdade?”[1].
Assim, pela primeira vez essas pessoas percebem que sua passagem de um conjunto de opiniões a outro tem um objetivo definido. Embora sua natureza pareça muito nebulosa no início, à medida que suportam as decepções tal objetivo definido, gradualmente, se destaca do pano de fundo, tornando-se nítido, imponente e, por fim, capaz de compelir a atenção do buscador.
Essa insatisfação e esse questionamento são o sinal externo dos primeiros e definidos esforços para tatear o caminho. E, se o viajante usa o lado intelectual para sentir o percurso adiante, então as dúvidas, os medos e as perplexidades formarão os espinhos da sua Via dolorosa.
Ele será intelectualmente atacado por todos os lados; toda variedade de doutrina e prática lhe aparecerão e tentarão ser reconciliadas com as demais, até que, com a Mente exausta e a cabeça latejante, ele talvez seja induzido a elevar sua consciência da confusa diversidade até sua Fonte, a grande Unidade, para proclamar, com o ritmo do Coração e da Mente: “Guia-me, ó luz, no meio dessa escuridão que me cerca”.
Essa admissão do fracasso é, na realidade, o momento de maior sucesso do buscador, pois elevou sua Mente, ainda que por um breve período, aos Reinos onde o conhecimento desejado prevalece sem impurezas. Ao reconhecer sua própria fraqueza, ele se torna receptivo à assistência daqueles Seres que, atuando a partir dos planos suprafísicos, erguem-Se como representantes do Bom Pastor, sempre prontos a auxiliar os mais adiantados do Seu rebanho.
Jamais houve uma alma sincera cujas palavras, sendo proferidas pelo desespero diante da sua incapacidade de desfazer o aparente emaranhado formado pelo entrelaçamento dos inúmeros fios das aparências, não tenham ressoado nos reinos suprafísicos — e cujo chamado não tenha sido prontamente atendido por Aqueles que trabalham e guiam a nossa Humanidade.
A partir desse momento, ele receberá ajuda e orientação do invisível à visão física, embora as fontes dessa assistência permaneçam não manifestas. Isso não significa, contudo, que ele será conduzido pela mão até a nascente e que, após banhar seus olhos e voltar a contemplar o antigo enigma, aquilo que antes era inexplicável lhe parecerá claro. De modo nenhum!
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, ao distribuírem qualquer coisa sob Sua guarda — seja amor, sabedoria ou o poder de discernir na ação — têm em vista apenas isto: o valor potencial do serviço do recebedor. Eles são, na realidade, os “diretores de palco” deste cenário mundial onde se desenrola o drama da vida; portanto, o único propósito que Eles têm ao distribuir qualquer talento é que aquele que o receba possa se tornar um ator eficiente na peça que jamais cessa. Somente o altruísmo define a verdadeira eficiência no serviço cósmico.
Por essa razão, após ter feito sua súplica, o buscador é, antes de tudo, posto à prova quanto à sua persistência e constância — pois, sem essas duas qualidades, ele seria inútil como futuro Auxiliar Visível ou Invisível e acabaria causando infelicidade, em consequência de seu fracasso nessa direção.
Uma sensação de alívio toma conta do buscador quando ele derrama o seu Coração, pois foi verdadeiro consigo mesmo. Compareceu ao verdadeiro confessionário e não necessita de lábios terrenos para lhe dizer que suas falhas foram perdoadas, compreendidas e que uma graça invisível o auxiliará em futuras tentativas de resolver seus problemas. Assim, retorna à esfera intelectual do mundo cotidiano para se aplicar novamente às mesmas questões.
Ele lê, investiga e medita sobre os grandes mistérios da origem, do propósito e do destino da vida, bem como sobre a justiça das circunstâncias. E, embora pareça estar mais próximo de uma solução no sentido mais profundo, um pouco mais adiante surge outro impasse — e o mesmo muro impenetrável, formado por toda espécie de qualidade negativa, ergue-se novamente ao seu redor.
Ele nada sabe sobre o trabalho que ocorre por trás das cenas e, portanto, pode ser perdoado se, diante desse obstáculo, até mesmo sua fé acumulada falhar. Como resultado, poderá abandonar a busca, declarando que o conhecimento seja impossível e que tudo não passe de especulação — ou deixar-se levar pelo conjunto de opiniões que lhe seja mais conveniente.
Essa é a prova sábia e necessária estabelecida pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz a todos que buscam a Verdade de forma definida. Na Fraternidade Rosacruz, onde as regras se baseiam nos fatos ocultos e vigentes, o Estudante Rosacruz deve permanecer na seção mais elementar, qualquer que seja seu conhecimento prévio, por um período de dois anos, antes que possa ter a oportunidade de tocar na orla dos Ensinamentos Rosacruzes mais profundos.
Aqueles que governam a própria Ordem Rosacruz também atuam intensamente em linhas auxiliares e semelhantes, no Mundo ocidental; portanto, aplicam os mesmos métodos — que são os únicos racionais sob ambos os pontos de vista, quando devidamente compreendidos.
A prova mencionada pode durar períodos variados, contados em meses ou anos, e muitos cairão pelo caminho, exaustos ou desanimados, ou se desviarão por trilhas secundárias. Assim, aqueles que buscam o conhecimento movidos por mera curiosidade ou motivos incertos são gradualmente eliminados da jornada e somente os atores com potencial permanecem.
Com o passar do tempo, a terceira etapa começa a se desenvolver. O buscador inicia sua compreensão da necessidade do discernimento. Antes, ele se deixava fascinar por cada seita, culto, movimento, que oferecesse novas explicações, julgando todo assunto pela soma dessas apresentações. A partir dessa experiência adquirida, ele começa a reunir e analisar suas informações; com o tempo, é capaz de sintetizar o conjunto e discernir uma unidade onde antes havia apenas diversidade e contradição.
Avançando por essas linhas, a Mente acaba por se concentrar internamente nos fundamentos e princípios das coisas e ele se faz uma nova pergunta — uma melhora em relação à primeira: “Qual é a natureza da Verdade; do que ela é feita e a que deve se relacionar?”.
Após a análise dessa questão, aparentemente sem importância, devemos discernir que a Verdade religiosa deva lidar com uma explicação das condições superfísicas e a sua relação com o indivíduo. Três coisas podem ser ditas para descrever o propósito racional da Verdade religiosa: primeiro, a exposição dos fatos superfísicos. Segundo: a elucidação das leis superfísicas. Terceiro: a apresentação de conselhos e regras de vida que estejam em harmonia com as condições mencionadas anteriormente.
O propósito da Religião, desde sua origem, tem sido reforçar o último ponto mencionado, oferecendo apenas o suficiente dos dois primeiros para acalmar a Mente. O conjunto foi envolto em alegorias e centrado na história do fundador da Religião Cristã, para que pudesse ser mais bem assimilado pelos povos aos quais foi transmitido.
No entanto e na realidade, a Religião Cristã é um sistema de moralidade baseado em uma ciência. Ela é uma expressão simbolizada de fatos cósmicos. O ocultismo é a única Ciência do Universo e o fato de ser a fonte e a inspiração de todas as Religiões é comprovado por sua unidade nos aspectos essenciais.
Essa Ciência pode ser comparada a uma nascente natural, situada em uma alta montanha e envolta na imaculada veste da neve, jamais tocada por mão ou sopro de qualquer criatura — a fonte da qual vários grandes rios se originam, todos fluindo para o mesmo oceano ilimitado: as vias aquáticas dos povos da Terra. O buscador chegou agora ao grau em que essa Fonte surge diante da sua visão: grande é, de fato, o seu privilégio.
O ocultismo lida com os fatos do Universo e, portanto, é evidente que um longo caminho de paciente persistência foi necessário antes que o Aspirante à vida superior pudesse discernir até mesmo os contornos.
Com os primeiros vislumbres do monte coberto de neve, o viajante, vindo de longe, pode facilmente parar e agradecer do fundo do coração, pois agora poderá construir o Templo da sua adoração sobre a rocha do fato, em vez das areias movediças da crença; nenhuma tempestade demolirá essa estrutura ou a arrastará para longe, pois a convicção resultante alcança os Planos interiores do ser, ali se registrando — assim, ele adquire a bênção e a alegria do ser humano: “uma casa feita não por mãos, mas eterna nos Céus”[2].
Em retrospecto, ele vê o caminho que percorreu, da aceitação inconsciente até a primeira aurora da inquietação intelectual e consciente, a precursora de um longo período de intenso sofrimento. Observa o abandono gradual da apresentação exotérica, em favor da percepção da substância interior das diversas doutrinas – a esotérica – e reconhece seus primeiros passos ascendentes na aurora da compreensão da natureza inerente da Verdade.
As dúvidas, os medos e o cansaço que o assombraram nas fases mais sombrias do caminho surgem agora diante de seus olhos como fantasias passadas das quais ele extraiu “a pérola de grande valor”[3]. E a realização consciente da posse desse tesouro transforma sua alegria em vontade de alcançar e na determinação de usar seu conhecimento, um poder e remédio universal contra todos os males, para aliviar a dor e dissipar a ignorância de seus semelhantes.
(Publicado na: Rays From The Rose Cross – fevereiro/1917 – Traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: Jo 18:38
[2] N.T.: IICor 5:1
[3] N.T.: Mt 13:45-46
“Vós sois meus amigos” (Jo 15:14-16). Frase simples, que se dilui no contexto grandioso dos Evangelhos. Não raro, passa despercebida a profundidade de seu significado.
O fato de o Cristo nos considerar amigos transcende qualquer possibilidade do conhecimento humano. Mas, a transcendentalidade do fato não nos impede de meditar e de lhe extrair lições.
O Cristo, quanto à evolução, encontra-se muito acima da nossa Onda de Vida. Não obstante a distância evolutiva que nos separa, Ele desceu ao nosso plano, isto é, Ele habitou entre nós e nos considera amigos. Se esse glorioso Ser pode assim nos considerar, seguramente não poderemos ser menos que amigos entre nós mesmos.
Na Bíblia, à frase “Vós sois meus amigos” segue-se: “se fizerdes as coisas que Eu mando”. O que Ele mandou fazer, por suposto, é praticar Seus Ensinamentos, os Ensinamentos Cristãos, na vida diária, para o despertamento do Cristo Interno. É a única maneira de chegarmos a ser como Ele, fazendo o que Ele fez e coisas maiores ainda. Se nos empenharmos em assim proceder, seremos Seus Discípulos e mais do que isso, Seus amigos.
Nesse particular, o conceito de amizade transcende a ideia geralmente aceita de estima e afeto entre um grupo de indivíduos intimamente relacionados e ascende a um nível indiscutivelmente superior, ao plano da amizade universal, na qual todos se incluem.
Se fizermos o que Ele nos mandou seremos Seus amigos no sentido mais elevado do termo. Também alcançaremos o nível de amizade ideal com nossos semelhantes, não só com aqueles que estão buscando a iluminação espiritual ao longo do caminho que estamos trilhando, mas com todos os viajores de outras rotas.
Quando chegamos a ser amigos de Cristo, certamente inspiraremos amizade aos indivíduos por força de nossa conduta profundamente compassiva.
O melhor que pudermos fazer por cada um, seja individual seja coletivamente, como membros da Fraternidade Rosacruz, será realizado por meio da amizade. Podemos ajudar uma pessoa porque a consciência nos obriga a fazê-lo; ou porque nos apiedarmos dele; ou porque isso pode nos trazer alguma vantagem pessoal. Sob quaisquer dessas circunstâncias poderemos ser úteis. Porém, somente quando nos consideramos seus amigos, ligados por sentimentos de estima e compreensão, sobrepondo-nos aos nossos interesses pessoais, é que lhe seremos verdadeiramente úteis.
Quando trabalharem juntos, unidos e inspirados pelos laços de amizade, poderemos realizar algo realmente duradouro.
Lembremo-nos sempre que os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, cujos belos ensinamentos nos uniram nesse Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, honram os seus Discípulos da mesma maneira que Cristo honrou os Seus Apóstolos chamando a cada Discípulo de Amigo!
(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – novembro/dezembro/1987 – Fraternidade Rosacruz-SP)
A Fraternidade Rosacruz representa uma oportunidade de importância muito grande na vida de um Aspirante à vida superior, um aceno para uma vida mais ampla e feliz, somente alcançada por aqueles que atingem o conhecimento de si mesmos e do mundo, de forma superior e espiritualizada e aplicam esses conhecimentos em uma nova maneira de viver.
Em tudo e para tudo, na nossa vida existe uma hora e, quando menos esperamos ela chega. O Senhor é o agricultor e Ele sabe quando os frutos se acham maduros para se desprender, para trabalhar por si mesmos, para alimentar os outros daquilo que Ele nos deu e depois deixarmos as sementes que germinarão árvores da mesma qualidade, num mesmo mundo profuso de teorias e carente de exemplos.
A Filosofia Rosacruz, em sua simplicidade cristalina, é algo tão extraordinário e revolucionador na nossa vida interna que se entendida mesmo e praticada nos transforma radicalmente o nosso caráter e, no dizer de S. Paulo, o apóstolo, nos transmuta “de um homem velho num homem novo, em novidade de espírito” (Rm 7:21). Mas nós complicamos de tal modo nossa vida e nossas necessidades, e nos achamos tão escravizados em nossas obrigações, que não encontramos tempo para aquilo que poderia curar nossos males e a nossa infelicidade. Ademais, muitos de nós dá tanto valor as apresentações complexas e empoladas que, muitas vezes, menospreza as obras simples, sem pensar que a solução da vida não está nos textos misteriosos, mas na prática pura e simples das virtudes Cristãs. De que vale saber definir brilhantemente o amor se não o sentimos em nosso coração e na relação com nossos semelhantes?
Assim, a Filosofia Rosacruz é a oportunidade para você obter o conhecimento de maneira clara e lógica, “de onde você veio, porque está aqui no mundo e para onde vai depois da chamada morte”. Fornece o conhecimento da Obra de Evolução para os diversos Reinos de Vida de modo a, racionalmente, levá-lo a compreender a Obra de Deus no Mundo e uma vez satisfeita sua Mente, possa começar a fazer seu Coração se manifestar numa fé ativa e exemplar. De fato, só o conhecimento superior, aliado ao sentimento, faz o Cristão completo. Só a fé não basta; geralmente se desvirtua em fanatismo. Por outro lado, o conhecimento sem o amor mais facilmente ainda degenera em pretensão intelectual.
O amor é uma poderosa força que deve ser orientada pela razão. O frio intelecto deve se orientar pelo calor do sentimento para que atinja seu objetivo de iluminação exterior. São dois instrumentos que se completam; dois caminhos que se encurtam numa reta de realização, quando harmonizados dentro de nós.
O livro “Conceito Rosacruz do Cosmos”, obra básica da Filosofia Rosacruz exposta por Max Heindel sob a orientação de elevadíssimos Seres que chamamos de os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz, encerra uma valiosíssima mensagem místico ocultista. Nele você encontrará orientação para desenvolver, mediante a prática sincera, as potencialidades que Deus guardou na Arca Sagrada de seu ser, em sentimentos e intelectualidade. Ele, o Senhor, vem e bate à porta de seu coração. Mas como naquela pintura de Warner Sallman – (1892-1968), pintor americano –, Ele bate, mas não abre, porque o ferrolho está por dentro. Nós, com o sagrado livre arbítrio é que devemos decidir se abrimos ou não ao Senhor que vem nos convidar para unir ombros com aqueles que já levam a vida a sério.
A Filosofia Rosacruz é uma mensageira Aquariana, uma nova ordem de ideias que predominará na futura Era de Aquário, a iniciar-se aproximadamente daqui a 600 anos. E como tudo no plano de Deus é preparado, esta mensagem é lançada ao ar. Cada um de nós é comparado a um rádio transmissor e receptor. Se estivermos afinados com a onda do futuro sentiremos um mágico “toque” nas “válvulas” do nosso Coração e de nossa Mente e abrirá nossas portas e virá juntar-se a nós na sementeira.
A mensagem continua no ar para que possa ser captada a qualquer instante por qualquer pessoa. A liberdade é sagrada. Ademais, num mundo cheio de materialismo são poucos os preparados. Aí está o mérito. Se a pessoa sente que gostaria de se desenvolver espiritualmente por meio do Conhecimento Direto promovido pela Fraternidade Rosacruz, venha e veja, sem compromisso nenhum. A obra Rosacruz é impessoal. Ela objetiva formar caracteres, novos seres humanos que definam o destino do mundo, segundo o plano de amor e sabedoria do Criador. Pratica a máxima Cristã: “dar de graça o que se recebeu de graça”, assim não há cobrança financeira de nada: mensalidades, taxas, cursos, seminários, congressos e materiais necessários. Na Fraternidade Rosacruz não se dão Iniciações, ainda que se queira pagar bem, porque, honestamente, ali se mostra que elas resultam do preparo interno e dependem quase exclusivamente do esforço individual, além do que temos que ser Iniciados nos Mundos invisíveis e não aqui, no Mundo visível aos sentidos físicos.
A participação da Fraternidade Rosacruz é orientar cada Aspirante à vida superior para que alcance a realização interior com segurança, sem perigo, risco e no menor tempo possível. Tais preceitos não se guardam como segredos, mas são expostos claramente nas obras da Fraternidade Rosacruz, para que cada um tenha o direito de segui-los. Não nos iludamos com os mistérios. Não julgamos honesto estabelecer atmosfera de mistério, apenas para satisfazer a tendência humana de valorizar o difícil e proibido. Difícil é o que não sabemos, mas todos têm o direito de alcançá-lo. Proibido deve ser apenas o imoral, o que vai contra as Leis da Natureza que são as Leis de Deus, mas nossa consciência é que deve repudiá-lo.
Note que a Filosofia Rosacruz procura fazer de cada ser humano uma lei em si mesmo, não discordante, senão, uníssona a Lei universal. Uma vontade, uma inteligência, um coração, próprios em sua maneira de expressão, mais coerente com o propósito do Grande Arquiteto. Uma célula de consciência própria no Corpo de Deus. Um detalhe precioso e expressivo do Quadro da Natureza.
Aqui, na Fraternidade Rosacruz, está a chave com que uma pessoa tem acesso aos mistérios, segredos ou conhecimentos oculto de seu ser. Uma vez que se desvende, conhecerá seus semelhantes e o Grande Corpo de que todos fazem parte, a cuja imagem e semelhança fomos feitos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/1966 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Com o passar o tempo nos deparamos com muitos Estudantes Rosacruzes, que ao entrarem em contato com os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental, ficam tão entusiasmados ou maravilhados com a explicação tão clara e compreensível sobre Deus, sobre a origem do ser humano, sobre a criação do universo, e muitas outras “descoberta”, que alguns deles, analisando intelectualmente estes Ensinamentos, caem na ideia incorreta de achar que o estudo da Bíblia não é mais necessário e acabam colocando este maravilhoso livro de lado.
Na verdade, eles podem até pensar que os ensinamentos contidos na Bíblia podem estar até desatualizados, dado que todos temos o livre-arbítrio; contudo, isto é um grande erro e como prova conclusiva, escreveremos aqui o que está escrito no Ritual do Serviço Devocional do Templo da Fraternidade Rosacruz: “A Bíblia foi dada ao Mundo Ocidental pelos Anjos do Destino que, estando acima de todos os erros, dão a cada um e a todos exatamente o que necessitam para o seu desenvolvimento. Por conseguinte, se procurarmos a Luz, encontrá-la-emos na Bíblia”.
Sabemos que Max Heindel escreveu o Conceito Rosacruz do Cosmos ditado pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz para, também, tornar mais fácil a nossa compreensão dos ensinamentos da Bíblia. Assim, torná-la mais facilmente compreensíveis em muitas de suas passagens difíceis de compreender.
Estudando o Conceito Rosacruz do Cosmos aprendemos que “Deve-se também notar que os que originalmente escreveram a Bíblia não pretenderam dar a verdade de maneira a poder tê-la quem quisesse. Nada estava mais distante de sua Mente do que a ideia de escrever ‘um livro aberto de Deus’.”. Notemos que os nossos irmãos e as nossas irmãs Iniciados de vários graus (desde a primeira Iniciação Menor até à quarta Iniciação Maior) têm a capacidade de poder ler a Bíblia de uma forma abrangente e totalmente entendida. Afinal, é lógico que teria sido necessário muito menos habilidade para escrever a Bíblia claramente do que para ocultar o seu significado. Mas, no devido tempo e para quem trabalhar firmemente por meio da espiritualidade (e não da intelectualidade) a informação será prestada, retirando-a daqueles que não conquistaram o direito a sua posse.
Um outro ponto que devemos destacar aqui sobre a Bíblia é a questão do Antigo Testamento. Também, estudando o livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz aprendemos: “…se examinarmos o primeiro capítulo do Gênesis, tal como aparece nas melhores traduções que possuímos, veremos que expõe o mesmo Esquema de Evolução explicado na parte anterior desta obra, Esquema que se harmoniza perfeitamente com as informações ocultistas relativas aos Períodos, às Revoluções, Raças, etc. O resumo que se encontra nesse capítulo é, necessariamente, condensado e brevíssimo, mencionando-se um Período inteiro numas poucas palavras”.
E com relação ao Novo Testamento, estudando a mesma obra, aprendemos: “Os Ensinamentos Cristãos do Novo Testamento pertencem particularmente aos seres humanos que evoluem no mundo ocidental.” (…) “Os espíritos de todos os países da Terra que se esforçam em seguir os ensinamentos de Cristo, conscientemente ou não, renascem ali, no propósito de que as condições apropriadas ao seu desenvolvimento lhes serem dadas”.
Muitas informações valiosas podem ser compreendidas e assimiladas estudando a Bíblia em conexão com os tópicos discutidos no Conceito Rosacruz do Cosmos. À luz do que foi dito acima, é completamente evidente que nenhum Estudante Rosacruz deveria descartar a Bíblia, mas, ao contrário, deveria fazer um estudo mais profundo dela, esforçando-se seriamente para descobrir a luz espiritual que nela se encontra.
Que as rosas floresçam em vossa cruz
O processo de preparação para a Era de Aquário já começou e, como Aquário é um Signo do Ar, científico e intelectual, é inevitável que a nova fé deva estar enraizada na razão e ser capaz de resolver o enigma da vida e da morte de uma maneira que satisfaça tanto a Mente quanto o instinto religioso, a devoção, o Coração.
Assim é os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental promulgados pela Fraternidade Rosacruz, como o fermento no pão: ela está quebrando o medo da morte gerado pela incerteza que cerca a existência post-mortem. Ela está mostrando que a Vida e a consciência continuam sob Leis tão imutáveis quanto as de Deus, que tendem a nos elevar a estados de espiritualidade cada vez mais elevados, nobres e sublimes.
Acende a luz da esperança nos nossos corações com a afirmação de que, assim como desenvolvemos no passado os cinco sentidos pelos quais contatamos o Mundo visível presente (a Região Química do Mundo Físico), também desenvolveremos, em um futuro não distante, outro sentido que nos permitirá ver os habitantes da Região Etérica do Mundo Físico, bem como nossos entes queridos que deixaram o Corpo Denso e habitam a Região Etérica e as Regiões inferiores do Mundo do Desejo, durante o primeiro estágio de sua carreira nos reinos espirituais.
Portanto, a Fraternidade Rosacruz foi incumbida pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz da missão de promulgar o Evangelho da Era de Aquário e de conduzir uma campanha de educação e esclarecimento, para que o mundo esteja preparado para o que está por vir. O mundo deve ser fermentado com estas ideias:
(1) As condições na terra dos mortos-vivos não estão envoltas em mistério, mas o conhecimento a respeito delas está tão disponível quanto o conhecimento sobre países estrangeiros a partir dos contos de viajantes.
(2) Estamos agora próximos do limiar onde todos conheceremos essas verdades.
(3) E, o mais importante de tudo, apressaremos o dia em nosso próprio caso, adquirindo conhecimento dos fatos relativos à existência post-mortem e às coisas que podemos esperar ver, pois então saberemos o que procurar e não ficaremos assustados, surpresos ou incrédulos quando começarmos a obter vislumbres dessas coisas.
(Por Max Heindel, publicado na Revista Rays from the Rose Cross de novembro/1944 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)