No Capítulo do Livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, que trata do Esquema de Evolução estudamos e aprendemos que: “os três e meio Períodos que faltam serão dedicados ao aperfeiçoamento destes veículos, e a expansão de nossa consciência em algo semelhante à onisciência”. Esta lição trata desta importante fase da evolução. Já caminhamos um grande percurso desde a consciência do transe profundo, do Período de Saturno ao estado de Consciência de Vigília atual, e estamos nos preparando para a elevada consciência espiritual que obteremos no Período de Vulcano. Este é o grande Plano Divino que nosso Criador, Deus, traçou para nós, os Espíritos Virginais da Onda de Vida humana.
Através das diferentes fases da Involução fomos guiados por Seres Elevados – as Hierarquias Criadoras –, de variados graus de poder, porém, hoje, no tempo atual, nos encontramos no Caminho de Evolução de desenvolvimento, e ampliando a Consciência de Vigília, cujo desenvolvimento está em nossas próprias mãos, dependendo de nossa iniciativa e diligência, a fim de que cresçamos ou permaneçamos estacionado. A escolha é nossa!
Como Estudantes Rosacruzes ativos, sinceros e humildes temos plena consciência de nossos muitos defeitos. Como crescer em graça e alcançar o crescimento anímico é o objetivo de nossos esforços diários, porque o crescimento anímico aumentará a nossa consciência. Frequentemente sentimos que não podemos nos concentrar e meditar à vontade, ou tão profundamente como desejaríamos, porque influências externas nos perturbam e, com facilidade, nos dizemos a nós mesmos: “O mundo é demasiado para nós”. É, então, que somos tentados a nos excluir, e nos permitir o desejo de fugir para a nossa individual “torre de marfim”; sabemos que, sem importar quão sedutor possa nos parecer este projeto, não é o caminho certo para nós.
Experiências anteriores nos têm demonstrado que o crescimento anímico não se acumula fugindo da vida e das nossas obrigações ou deveres para com a família, comunidade e sociedade no mundo. A consciência se produz pela guerra entre o Corpo de Desejos, que destrói, e o Corpo Vital, que constrói o nosso Corpo Denso. Renascemos para obter experiências, e essas só se podem alcançar pelo contato com nossos semelhantes, irmãos e irmãs, aqui na Região Química do Mundo Físico, por meio de ação e reação.
A razão para a edificação de nosso intrincado sistema de veículos eficientes, durante a parte desse Esquema de Evolução que chamamos de Involução, foi para obter esse nível de consciência própria, a Consciência de Vigília. Pelo uso destes veículos, conscientemente, durante nossa jornada evolucionária, conseguimos obter o Poder Anímico, que é o alimento que nós, um Tríplice Espírito precisamos. Desde o mero princípio, somos uma parte de Deus, e agora, como sempre, n’Ele “vivemos, nos movemos e temos o nosso ser”, porém, temos que nos converter em um Espírito Virginal da Onda de Vida humana individualizado, consciente! Como tal, no devido tempo, devemos conhecer e assimilar a nossa própria história passada, nossas possibilidades atuais, e nossas futuras potencialidades.
Cristo nos ensinou por meio dessa advertência: “Sê tu, portanto, perfeito como teu Pai é perfeito nos Céus” (Mt 5:48). Ele compreendia que nenhum de Seus ouvintes possuía a perfeição de Deus no tempo em que Ele lhes falou, porém, sabia o que é possível ao ser humano conseguir. Por Suas palavras, Ele desejava impressionar e recordar a todos nós que, pelo esforço constante e exercício incansável da vontade, poderemos, ao final, alcançar a perfeição. Ele quis elevar os não sensitivos, porque Ele sabia que muitos de nós estavam e ainda estão adormecidos espiritualmente e temos que despertar, frequentemente, por dolorosas experiências quando renascidos aqui. Não precisa ser assim (o caminho do amor não gera dor), mas muitos de nós insiste em trilhar o caminho do sofrimento para se despertar espiritualmente!
Reunimos material para o nosso crescimento da alma por meio de nossas experiências diárias; como tratamos estes acontecimentos que enfrentamos em nossa existência diária, será nossa contribuição individual para com a vida.
Cada um de nós experimentou um meio ambiente distinto e se equipou com um Átomo-semente mais ou menos poderoso no começo da vida e, por conseguinte, a reação de cada um é diferente, individualizada, e assim enriquecerá a obra da vida.
Carecemos de poder suficiente apreciável sobre os sucessos com que temos de nos defrontar em nossa jornada desde o berço até o túmulo, porém, podemos determinar como reacionar ante eles. Temos liberdade em demonstrar, face aos problemas da vida, debilidade ou valor ao enfrentá-los.
Nesta luta divina, nos enriquecemos espiritualmente, e a quintessência deste crescimento anímico é extraído vida após vida, armazenando-se como poder vibratório. Este poder reunido por nós, o Ego – um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui como Tríplice Espírito –, durante muitas vidas, é o que sentimos quando nos colocamos em contato com nossos semelhantes, é o poder vibratório que, com frequência, cria imediatos gostos e aversões. O Poder Anímico obtido se imprime em nossa própria alma e sentimos o seu efeito.
Ricardo Wagner, em sua Ópera Parsifal[1], teve um esplêndido êxito ao nos dar um quadro novo, revitalizado da velha lenda que fala da nossa jornada através da vida, conforme enfrenta os perigos e domina as tentações. Finalmente, chega à conclusão de sua pesquisa com a alma enriquecida e a consciência expandida. Quando, pela primeira vez, Parsifal aparece em cena, é puro e sem malícia, e surpreendentemente inocente. Deseja ser de alguma utilidade no Castelo de Graal, porém, antes de fazer isto, tem que enfrentar as realidades da vida e do mundo com seus perigos, porque tem que aprender a discernir. Este é o único meio de nos demonstrar onde somos débeis.
Parsifal, em sua inocência, passa através de seus encontros com as donzelas astutas e a tentadora Kundry sem se prejudicar. Em seu doloroso encontro com ela, obtém novo conhecimento que resulta em uma maior consciência. Ele viaja através de todo o mundo, encontra sofrimentos e fadigas e, agora, quando chega de novo ao Castelo do Graal, está em condições de ajudar e seus esforços são aceitos prazerosamente, porque conseguiu se dominar.
Ele diz a seus amigos: “Vim através do erro e do sofrimento, através de muitos fracassos e incontáveis angústias”. Isto deveria dar a todos aqueles que procuram conseguir fazer o trabalho do mundo, e a todos aqueles desejosos de aprender, novo alento e a segurança de que nada se perde, e se ganha com o esforço sincero.
A essência de nossas experiências, vida após vida, se acumula e não se perde. O amor e o entendimento adquiridos farão nossa jornada, para o alto, mais feliz e mais proveitosa a todo aquele que tentar.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – agosto/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.R.: Parsifal é uma ópera de três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner. Estreou no mês de julho de 1882. É vagamente baseada em Parzival, atribuído a Wolfram von Eschenbach, um poema épico do século 13 do cavaleiro arturiano Parzival (Percival) e sua busca pelo Santo Graal (século XII). É necessária uma compreensão da natureza da música para apreciar devidamente esta obra-prima que é Parsifal, de Richard Wagner, onde a música e os personagens estão interligados como em nenhuma outra produção musical moderna.
Este assunto interessa a toda pessoa que tenha experimentado a dor esmagadora de perder uma pessoa amada. Tais pessoas, eu espero, poderão derivar algum conforto das linhas seguintes, dadas por alguém que passou pelo Véu ainda jovem, deixando um marido devotado e seis filhos pequenos, lamentando sua perda. Talvez lhes interesse descrever meus próprios sentimentos e minhas próprias experiências em tal ocasião.
Quando eu estava morrendo após uma enfermidade de mais de dois anos, que agora sei ter sido preparação e início para o trabalho que eu estava prestes a iniciar nos planos invisíveis, não senti dor, apenas uma sensação de repouso bem-aventurado. De tempos em tempos rostos angelicais apareciam para mim e palavras encorajadoras eram dirigidas à minha audição interior: “coragem, querida, você está prestes a entrar em uma vida de grande felicidade e utilidade. Será seu trabalho especial cuidar espiritualmente de seus entes queridos, você que, por tanto tempo, esteve incapaz de fazer qualquer coisa por eles no plano físico”.
Meu querido bebê, ah!… Abandoná-lo foi uma dor e uma angústia que apenas as mães sabem o que é. Eu o vi como ele é agora, um amado trabalhador no campo das almas preparadas para a colheita. Também tive visões das vidas futuras dos meus outros e amados filhos. Tão misericordiosa é a boa Lei que os momentos finais de todos são suavizados e abençoados por ministradores, obra da qual agora tenho o privilégio de participar, sendo frequentemente enviada ao leito de uma mãe moribunda para tornar a transição aquilo que ela deveria ser: uma passagem alegre.
Continuando, a transição real para o outro mundo foi comparativamente fácil para alguém cujo corpo estava enfraquecido por longa enfermidade. Mas não é sempre assim; por exemplo, quando o corpo está em pleno vigor isso não acontece. O rompimento do Cordão Prateado que conecta os dois estados de consciência se torna, nesse caso, mais difícil.
Eu tive a sensação de estar afundando, caindo através do espaço; mas não de forma desagradável, não; foi uma sensação de pessoa muito cansada que busca algo sobre o qual repousar; então, subitamente, toda a fadiga desapareceu e eu estava jovem mais uma vez, cheia de vitalidade.
Ao abrir os olhos, eu vi meu querido marido curvado em tristeza ao lado do meu Corpo morto, que jazia sobre a cama. Coloquei meus braços ao redor dele e tentei de todas as maneiras fazê-lo sentir a minha presença, mas sem sucesso. Ele estava inconsciente de todos os meus esforços… Ah! Como desejei tê-lo comigo nesta nova e bela condição. Então ouvi uma voz: “Seja paciente, querida, ele estará com você muito em breve”.
Então tomei consciência de uma forma em pé ao nosso lado, que gentilmente me conduziu para uma vida gloriosa onde encontrei muitos entes queridos e dei boas-vindas às intimidades mais próximas e queridas que haviam sido inconscientemente desfrutadas ainda na vida terrena, durante as horas de sono.
Do que se seguiu não me é permitido falar; de fato, palavras não poderiam descrever nossa vida aqui com suas atividades complexas, amizades divinas e alegrias que apelam a muitos sentidos aos quais a audição e a visão terrenas estão fechadas.
Aqueles que amamos na Terra estão constantemente conosco e é nosso privilégio servi-los de muitas maneiras, enquanto eles permanecem totalmente inconscientes de estarem sendo ajudados. Tempo e espaço não existem aqui. Nossos Corpos-Alma são praticamente indestrutíveis, de modo que entramos à vontade em lugares que na vida terrena teriam destruído completamente o invólucro carnal: casas em chamas, locais onde haja terremotos, em naufrágios… Em qualquer lugar onde exista calamidades, muitos mensageiros correm à cena para preparar os moribundos e tornar seus últimos momentos pacíficos e felizes em meio à terrível confusão.
Algumas dessas cenas são fechadas para nós, como quando a paixão humana envolve dois seres em combate mortal. As formas de ira e ódio lançadas durante o conflito impedem nossa aproximação. E lugares de licenciosidade e luxúria geralmente nos são proibidos pela mesma razão. Seus terríveis pensamento-formas criam uma parede intransponível ao redor daqueles que gostaríamos de alcançar.
Na antiga Sodoma e Gomorra, as emanações justas de dez homens corretos poderiam ter criado um canal para o influxo do Divino, mas infelizmente não havia sequer dez para conter a maré da paixão humana em sua forma mais terrível. Agora, tendo descrito o que acontece na hora da morte aqui, no reino material, gostaria de indicar qual deveria ser a sua atitude e como você pode ajudar a pessoa querida que partiu, de modo que ela se alegre com a felicidade recém-descoberta.
O abandono prolongado à tristeza é prejudicial para todos e a alma desperta que percebe seu destino e o trabalho espiritual diante de si, após a primeira expressão natural do pesar, repousará na esperança que o conhecimento lhe proporciona. Seu pensamento sobre o falecido ou a falecida será constante. Não uma vez, mas muitas no dia os seus pensamentos se tornarão canais para amor e encorajamento vindos de outras esferas, pensamentos aos quais sua alma responderá, por mais inconsciente que o cérebro físico possa estar.
À noite, quando a pessoa querida que ficou aqui adormecer, seu último pensamento será sobre a pessoa amada que se foi, que estenderá sua mão do Além e tomará a mão da pessoa querida que ficou aqui pela sua para vagar entre cenas de beleza tremenda, em comunhão mais doce e querida do que jamais desfrutaram antes; e a pessoa querida que ficou aqui despertará profundamente confortada e talvez um pouco envergonhada de ter sido consolada tão cedo, completamente inconsciente da deliciosa companhia que desfrutou tão recentemente.
Verdadeiramente, seus entes queridos que morreram podem ser verdadeiros “tesouros no Céu”. Você não perdeu, mas ganhou com sua transição. Seu querido ente pode estar com você a qualquer momento do dia. À noite, se desejar, você pode discutir problemas terrenos e ser ajudado para ganhar mais desenvolvimento de alma e poder espiritual pela comunhão com as grandes almas daqui; cuja alegria é ainda servir à Humanidade com poderes ampliados e realização mais seguras.
Toda faculdade desenvolvida na Terra é intensificada e fortalecida nos Céus. Você é músico ou artista? Seus talentos são cem vezes mais agradáveis aqui do que na Terra. Ou talvez tais talentos sejam limitados em seu caso, mas você possui a flor mais rara de um coração amoroso. Cada fio de amor que o liga na Terra aos entes próximos e queridos é um poderoso cabo ao nosso lado, um meio de cura e bênção do qual será sua alegria constante fazer uso.
Quando vemos uma pessoa que está muito próxima da morte, tendo se aproximado do fim da sua experiência terrena, tentamos prepará-la para a transição através da sugestão de pensamentos sobre a nova vida na qual está prestes a entrar. Às vezes, isso é muito difícil porque não podemos dominar a sua Mente, embora pudéssemos, naturalmente, fazê-lo com facilidade; mas isso não afetaria seu verdadeiro “eu”, o Eu Superior ou Ego. Simplesmente lhe dizemos o que está na iminência de acontecer e o deixamos usar a sugestão.
Os numerosos e variados casos de premonições são derivados de esforços de mensageiros que estão nos Céus para impressionar a pessoa que está próxima a começar mais uma vida celeste, seja por visão, sonho ou qualquer meio disponível ao Auxiliar Invisível (invisível à visão física, mas não à etérica!), de modo que ela não fique totalmente despreparada. Às vezes alguém na vida terrena é inconscientemente empregado. Ele vai até a pessoa e, enquanto estão juntos, o Auxiliar Invisível a usa como elo de ligação e “alma fala com alma”.
Para os totalmente despreparados, os primeiros estágios da vida pós-morte são uma experiência terrível, porque a vida celeste é muito diferente da que temos aqui, no plano material. Quando uma pessoa não teve pensamentos além das coisas materiais (ou seja: da Região Química do Mundo Físico), é necessário muito tempo para se acostumar com a novas condições; ela frequentemente se sente desconfortável, infeliz.
Felizmente, existem grupos de Egos cuja província especial é cuidar dessas almas e gradualmente despertar seus sentidos para as alegrias que as aguardam, apenas temporariamente afastadas delas por sua própria atitude. Também existem muitas mulheres bondosas que se deleitam em cuidar dos pequeninos que chegam às vezes ainda na infância. Bebês e crianças pequenas respondem rapidamente ao novo ambiente, tendo deixado tão recentemente os Céus para ir ao Mundo material, e entram na antiga vida com renovado entusiasmo.
Naturalmente, cada alma faz seu próprio céu pelo poder do amor e poucos são aqueles que não construíram aqui uma morada através dos laços de amor da Terra. Frequentemente os criminosos mais terríveis são maridos e pais afetuosos. Todos nós somos capazes de fazer muito pela pessoa na proximidade da morte. Podemos encontrar seus parentes deste lado, que frequentemente desconhecem sua condição; eles então o recebem na última hora.
A visão espiritual se torna muito aguçada quando a chama da vida física arde fracamente e é muito fácil impressionar a pessoa moribunda nesses momentos. Alguns de nós podem permanecem, por algum tempo, para fazer o possível pelos aflitos deixados para trás. Não é permitido erguer o véu plenamente, pois conhecer totalmente aquilo que os aguarda seria um triste prejuízo para sua vida atual, devido às experiências necessárias das quais são construídas a fé, o amor e a confiança como faculdades a serem trazidas para cá.
Agradeçam a Deus por suas tristezas, decepções ou tragédias: são construtoras de caráter! As aspirações em direção ao nosso mundo, resultantes de tais experiências, moldam a morada da alma e a felicidade do futuro.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross – setembro/1920, traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP – Brasil)
Há passagens na Bíblia, especialmente nos Evangelhos, em que se observarmos mais atentamente veremos algo muito mais transcendente do que Cristo Jesus produzindo uma de suas maravilhas.
Aqui seguem dois exemplos bem contundentes:
No Evangelho Segundo S. Mateus 8:23-27 estudemos o seguinte trecho:
“Então, entrando Ele no barco seus Discípulos o seguiram. E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Entretanto Cristo Jesus dormia. Mas os Discípulos vieram acordá-Lo clamando: ‘Salva-nos, pereceremos’. Acudiu-lhes então Cristo Jesus: ‘Por que sois tímidos, homens de pequena fé?’. E levantando-se repreendeu os ventos e o mar e fez-se grande bonança. E maravilharam-se os homens dizendo: ‘Quem é Este que até o vento e o mar Lhe obedecem?’”
E no mesmo Evangelho (14:22-33), estudemos esse trecho:
“Logo a seguir compeliu Jesus os Discípulos a embarcar e passar adiante dele para o outro lado, enquanto Ele despedia as multidões. E, despedidas as multidões, subiu ao monte a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde lá estava Ele, só. Entretanto, o barco já estava longe, a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas porque o vento era contrário. Na quarta vigília da noite foi Jesus ter com eles, andando por sobre o mar. E os Discípulos ao verem-no andando por sobre as águas ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma. E tomados de medo gritaram, mas Cristo Jesus imediatamente lhes falou: ‘Tende bom ânimo. Sou eu. Não temais’. Respondendo-lhe Pedro disse: ‘Se és tu Senhor, manda-me ir ter contigo por sobre as águas’. E Ele disse: ‘Vem’. E Pedro descendo do barco andou sobre as águas e foi ter com Cristo Jesus. Reparando, porém, na força do vento, teve medo e começando a submergir, gritou: ‘Salva-me Senhor’. E, prontamente Cristo Jesus estendendo a mão tomou-o e lhe disse: ‘Homem de pequena fé, porque duvidastes?’. Subindo ambos para o barco, cessou o vento. E os que estavam no barco o adoraram dizendo: ‘Verdadeiramente és Filho de Deus’”.
Aqui Cristo Jesus não estava literalmente dominando os elementos próprios do Mundo Físico, tais como a tempestade, os ventos e as ondas fortíssimas. Na realidade, estas passagens do Novo Testamento relatam experiências ocorridas em outra dimensão. Na literatura Rosacruz a água simboliza as emoções e o Mundo do Desejo.
À natureza da água lembra muito o Mundo do Desejo, cuja substância se encontra em constante movimento. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que a permanência no Mundo do Desejo requer muito equilíbrio e discernimento do Estudante Rosacruz. Quando faltam essas qualidades ocorre justamente o pânico que sobressaltou S. Pedro no capítulo 14, nos versículos 22-33 do Evangelho acima.
S. Pedro deixou o barco (simbolizando o Corpo Denso) e se aventurou-se no Mundo do Desejo, logicamente, utilizando seu Corpo de Desejos. Porém, ainda não conseguia se manter-se equilibrado e com o nível de discernimento necessário para lá permanecer sereno, tendo assim que receber a ajuda de Cristo. “Caminhar sobre as águas” é dominar os elementos do Mundo do Desejo.
Pois, também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a lei que rege a matéria da Região Química do Mundo Físico é a inércia, a tendência a permanecer em status quo. É necessária certa soma de energia para vencer essa inércia, para fazer com que um material qualquer, por exemplo um corpo, em repouso se mova ou para deter um que esteja em movimento. Tal coisa não acontece com a matéria componente do Mundo do Desejo. Em si própria é quase vivente, está em movimento incessante, fluídico. Pode tomar formas inimagináveis com inconcebível facilidade e rapidez brilhando ao mesmo tempo com milhares de cores coruscantes sem termos de comparação com qualquer coisa que conhecemos neste estado físico de consciência. Desta ligeira descrição pode-se deduzir quão difícil será para o neófito que acaba de abrir os olhos internos, encontrar o equilíbrio no Mundo do Desejo. É um manancial de toda espécie de perturbações e perplexidades.
Outro importante ensinamento que aprendemos na Filosofia Rosacruz é que a característica principal dos Globos lunares, quando vivíamos no Período Lunar, pode ser descrita como ‘umidade’. Os Cientistas ocultistas chamam “água” aos Globos do Período Lunar e descrevem sua atmosfera como se fosse névoa ígnea.
Também aprendemos que cada dia da semana corresponde a um dos Períodos e é regido por um Astro em particular. À segunda-feira corresponde ao Período Lunar e é regida pela Lua que exerce decisiva influência sobre as águas, os fluídos, as marés e afins.
Por outro lado, o domínio das emoções representa uma transição de um estado de consciência para outro. Por exemplo, os israelitas para entrar na Terra Prometida, primeiro tiveram de atravessar o Mar Vermelho e depois o Rio Jordão.
Cruzar as águas é uma vitória sobre as emoções, sobre si próprio. Se você supera alguma dificuldade, “você cruzou o Jordão”.
Outro exemplo nesse sentido é a Arca de Noé que, esotericamente interpretada, representa um estado de consciência mais elevado, uma vitória sobre a comoção e insegurança causadas por grandes transformações. O dilúvio é uma alegoria do desaparecimento da Atlântida. Os sobreviventes simbolizam um tipo superior de Humanidade, capaz de responder positivamente às necessidades evolutivas da Época Ária.
Aprendemos que as Épocas contêm em si mesmas espirais evolutivas menores, que são as Eras. As Eras são algumas dessas espirais. O ser humano da Era de Peixes é emotivo por excelência. Eis porque esta Era está intimamente ligada ao elemento Água: o batismo com água nas Igrejas cristãs, a água benta, a emotividade que envolve a devoção.
Na próxima Era — que é a Era de Aquário — essas características serão modificadas. O ser humano aquariano será mais racional. A atmosfera mais seca e elétrica que predominará ensejará o fortalecimento da atividade intelectual. A representação astrológica de Aquário consiste em “um homem”, o aguador, despejando a água do seu cântaro.
Num futuro mais distante ainda, às emoções serão totalmente sublimadas e amalgamadas à constituição espiritual do ser humano. Isso foi anunciado no Capítulo 21 do Livro do Apocalipse: “Vi novo Céu e nova Terra, pois o primeiro Céu e a primeira Terra passaram e o mar já não existe”. Temos, portanto, uma árdua tarefa pela frente!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – março/abril – 1988 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Sabemos que há vários recursos que a Fraternidade Rosacruz utiliza para promover os Ensinamentos Rosacruzes, a fim de que o Aspirante à vida superior que está buscando tais Ensinamentos consiga encontrá-lo na forma de maior fidelidade possível, conforme fornecido pelos Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz.
Desde que a Fraternidade Rosacruz foi fundada aqui na Região Química do Mundo Físico a quantidade de Estudantes Rosacruzes ativos já passou para além de alguns milhões no mundo; são irmãos e irmãs que aderiram aos Ensinamentos Rosacruzes e estão trilhando o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz.
O crescimento atual da Fraternidade Rosacruz é normal e constante; além disso, a condição de Estudante Rosacruz ativo não é algo meramente formal, obtido mediante algum pagamento em espécie financeira, mas sim algo que envolve pessoas que se dedicam de coração à Obra Rosacruz — caso contrário, não conseguem permanecer como Estudantes Rosacruzes ativos; viram simpatizantes, por livre e espontânea vontade!
Como a Fraternidade Rosacruz é uma Escola aquariana há, naturalmente, dificuldades de muitas pessoas em se manterem firmes no Caminho. Muitas porque ainda estão acostumadas ao modo da Era de Peixes de se aprender em uma Escola! Assim, solicitam a filiação e permaneceram na Fraternidade Rosacruz por algum tempo, mas que, ao perceberem a necessidade de estudar, trabalhar, persistir, ter disciplina, ter Cristo como o único Ideal de vida e aplicar no dia a dia os Ensinamentos Rosacruzes desistem de trilhar o Caminho. Isso nada mais é do que a compreensão da veracidade da máxima Cristã: “muitos são chamados, mas poucos, escolhidos”. A proporção de “grãos do Evangelho” que caem à beira do caminho é muito grande, pois multidões de pessoas, embora prontas para se entreter com o “oculto”, os “mistérios”, os “poderes”, a “fama”, ainda não estão preparadas para “tomar a Cruz e seguir o Cristo” no caminho da realização espiritual por meio do Cristianismo Esotérico, como preconiza a Fraternidade Rosacruz. Existem organizações, escolas, associações e outras denominações em nossa própria linha de atuação – ocultismo e misticismo – que possuem listas de membros imensas, compostas por qualquer pessoa que consigam aliciar para suas fileiras — vítimas relutantes que pagam uma “taxa” (seja lá como se denomine, mas sempre é financeira) apenas por ser a saída mais fácil, mas não fornece o Cristianismo Esotérico e nem há algum Irmão Maior da Ordem Rosacruz fornecendo tais ensinamentos!
A filiação à Fraternidade Rosacruz difere — e muito — nesse aspecto: aqueles que se associam não conseguem permanecer se não viverem a vida Cristã Esotérica, em certa medida. Nenhum ser humano atua como juiz para determinar se isso ocorre ou não; o veredito se baseia na própria negligência do Estudante.
A Fraternidade Rosacruz pratica fielmente a máxima Cristã: “dar de graça o que de graça recebeu”. Se há cobrança pelos livros editados em papel, essa quantia é a exata para cobrir os custos de publicação e envio.
Ao Estudante Rosacruz ativo, em qualquer lugar do mundo em que esteja, sempre deve “escutar” a voz de Cristo que ressoa no coração dele: “Filho, não busco a tua dádiva, mas a ti mesmo”, e o Estudante Rosacruz ativo deve sempre responder: “Senhor, estou pronto para fazer o que o Senhor quiser — não por uma semana, não por um mês, não por um ano, mas por toda a minha vida”.
(Por Max Heindel – Publicado no Echoes from Mount Ecclesia de 10 de janeiro de 1915 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Estudando a História, podemos conhecer que na antiga Grécia, a Religião, a Arte e a Ciência eram ensinadas conjuntamente. Mas, aprendemos na Fraternidade Rosacruz as razões pelas quais se tornou necessário, para melhor desenvolvimento de cada uma delas, que fossem separadas durante algum tempo.
A Religião reinou suprema na chamada “idade negra” – a Idade Média. Durante esse tempo a Religião escravizou a Arte e a Ciência, atando-as de pés e mãos.
Mas depois, veio o período do Renascimento, e a Arte logo se prostituiu a serviço da Religião. Finalmente veio a Ciência moderna e com uma gestão extremamente rígida, opressora e inflexível subjugou a Religião.
Foi justamente na Idade Média, em detrimento do mundo que a Ciência ficou escravizada pela Religião. Nesse período, a ignorância e a superstição causaram males sem contas; apesar disso, abrigávamos doces ideais espirituais, e tínhamos esperança numa vida melhor e mais elevada.
Porém, comparativamente, é muito mais desastroso que a Ciência esteja sufocando a Religião, porque até a esperança corre o risco de se evaporar, diante do materialismo e o agnosticismo.
Tal estado de coisas não pode continuar. É inevitável a reação, pois do contrário a desordem dominaria no Cosmos. Para evitar essa calamidade, é indispensável que sejam novamente unidas a Religião, a Ciência e a Arte, em uma expressão mais elevada do Bom, do Verdadeiro e do Belo, do que anteriormente tinham.
Os acontecimentos futuros projetam sua sombra para frente, mostrando as consequências. Assim, quando as Hierarquias Criadoras, que são responsáveis pelo andamento desse Esquema de Evolução, perceberam certa tendência para o ultra materialismo que surgiria no Mundo ocidental, tomaram certas medidas para neutralizar e transmutá-lo ao devido tempo.
Elas não procuram, como pode fazer supor, matar a Ciência que ora floresce, do modo como esta procurou matar a Religião. Elas sabem que o Bem resultará no fim de tudo isso, quando então uma Ciência avançada se haja convertido de novo em harmoniosa colaboradora da Religião.
Uma Religião espiritual não pode, indubitavelmente, colaborar com uma Ciência materialista, do mesmo modo como a água não se mistura com azeite. Assim, oportunas medidas são tomadas para se espiritualizar a Ciência e tornar científica a Religião.
No século XIII, um ser humano muito elevado espiritualmente, que tem por nome simbólico de Christian Rosenkreuz, apareceu na Europa e iniciou sua obra, fundando a misteriosa Ordem dos Rosacruzes, a fim de lançar luz sobre a mal-entendida Religião Cristã, e para explicar o mistério da vida e do Ser, sob um ponto de vista da Ciência, em harmonia com a Religião.
Nas passadas centúrias, os Rosacruzes vinham trabalhando secretamente, mas, ao princípio do século XX, chegou finalmente a hora de levar a público um ensinamento definido, lógico e consequente, a respeito da nossa origem, evolução e nosso desenvolvimento futuro e, também, o do mundo, conciliando os aspectos científico e espiritual. Ou seja: trazer os Ensinamentos Rosacruzes para a Região Química do Mundo Físico, trazendo o Cristianismo Rosacruz. E isso foi executado com a fundação da Fraternidade Rosacruz.
Todo o Ensinamento Rosacruz está apoiado, fundamentado e baseado na razão e na lógica. Se estudarmos afincamente, com disciplina e persistentemente os Ensinamentos Rosacruzes aprendemos que eles satisfazem a nossa Mente, fornecendo claras explicações a ela e possuem respostas para todas as nossas perguntas.
Expõem uma solução razoável para todos os mistérios, mas, e este é um “mas” muito importante: o Cristianismo Rosacruz não considera a compreensão intelectual de Deus como um fim em si mesmo.
Longe disto; quanto maior o intelecto, tanto maior existe o perigo de que fracasse. Em consequência, os Ensinamentos Rosacruzes são fornecidos, de modo científico, unicamente para que possamos crer e comecemos a viver uma vida religiosa, no sentido literal, ou seja o de religar (re-ligare), isto é, ligar de novo nós a nossa essência espiritual eterna.
Só assim, identificados por esse elo comum, poderemos formar a futura e verdadeira Fraternidade.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro de 1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Ninguém pode se sentir feliz vivendo somente para si. Quem assim encaminha sua existência mal pode prever os desditosos resultados de tão triste semeadura. Não nos espanta saber que a sociedade moderna é um imenso agrupamento de pessoas acometidas de diversas formas de neurose. A neurose é uma doença; é um mal provocado por uma vivência centrada no egoísmo. O neurótico, além de egoísta, tende a ser egocêntrico (eu+centro). Isto é, a se colocar no centro de todas as coisas, como se fosse a pessoa mais importante do mundo. Isso, obviamente, gera conflitos e lhe traz sérios aborrecimentos. O indivíduo acaba por se sentir isolado, solitário, incompreendido. Na verdade, ele se tornou incapaz de praticar o amor Crístico.
Os três grandes males ou pecados da nossa época: o egoísmo, a impaciência ante as restrições e o orgulho intelectual nada mais são que expressões neuróticas. A vida moderna, se a pessoa não orar e vigiar, tende a atirá-la na turbulenta correnteza da competição e do hedonismo. São muitas as ciladas e sutis suas aparências. Para quem se deixou envolver pelos condicionamentos sociais, ou se há muito se acomodou ao ritmo e embalo da nossa colorida civilização, tudo isso parece normal. A anomalia consiste em não agir conforme esses parâmetros.
Como proceder, então, diante desse quadro pouco edificante?
Os Ensinamentos Rosacruzes preconizam uma vivência equilibrada: “Viver no mundo, mas não ser do mundo.” (Jo 17:15-16), é uma boa filosofia de vida. O Estudante Rosacruz entende que não deve se isolar só porque as condições do meio onde vive são incompatíveis com seus princípios. Alienar-se é um erro grave. A reparação deverá ser feita no devido tempo. Fugir às responsabilidades é passar ao longo de experiências valiosíssimas. Evitar pessoas incapazes de falar a sua linguagem espiritual ou impotente para se libertar de uma mentalidade materialista não lhe trará benefício algum. Saber se relacionar sem perder sua identidade ou autenticidade é um indício de crescimento espiritual.
Ao Estudante Rosacruz cabe cultivar algumas habilidades. Deve ser flexível e tolerante para com os defeitos alheios, mas vigilante para consigo mesmo. Em suma, é bom aceitar as pessoas como elas são, sem, entretanto, se deixar abalar em suas convicções.
No convívio espiritual cabe-lhe fazer valer suas qualidades e competência isento, porém, de qualquer intenção de competir. Sem pretensões descabidas, trabalha honestamente, confiando na justiça de Deus (não na “justiça dos homens”) que fornece a cada um segundo seu merecimento. Se a ascensão profissional sobrevier como fruto de seus esforços, saberá entendê-la como um meio de fazer o bem e não um fim em si mesmo. Infelizmente as pessoas, em sua maioria, subverteram o sentido das coisas.
O Estudante Rosacruz se esforça por ser um exemplo no meio em que vive. Cuida, entretanto, de que isso não o torne vaidoso. À medida que avança no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz as armadilhas se revestem de sutilezas; as falhas de caráter assumem ares de virtude, e o tombo acaba por se tornar perigosíssimo.
O Estudante Rosacruz está sempre atento em viver no Mundo material, mas cultiva seu mundo interior, tendo sempre presente que o “Reino de Deus está dentro de si mesmo.” (Lc 17:21) governa todos os seus passos. Por falar em passos, ele evita viver apressadamente, como aqueles que correm desesperadamente atrás de algo que nem sabem definir o que seja. Trabalha para viver e não para morrer. A serenidade nunca está com pressa, jamais é impaciente e com falta de tempo. Segundo Goethe, “a felicidade não é um prazer transitório, mas a longevidade de um poder secreto”.
Se o mundo adora a sofisticação, o Estudante Rosacruz ruma em sentido contrário: prefere a simplicidade. É mister redescobrir a simplicidade – simplicidade no viver, simplicidade nas atitudes com relação ao mundo e a outras pessoas. Os prazeres simples trazem mais duradouros benefícios. As simples qualidades Cristãs de amor e bondade, embora nem sempre apreciadas em nossa avançada sociedade tecnológica, são ainda as melhores fontes de felicidade.
Tudo isso é muito importante, mas a suprema meta do Estudante Rosacruz é a consagração de sua vida a servir a Humanidade. Os elevados e compassivos seres, que regem nossa evolução, dentre os quais se destacam os Irmãos Maiores, necessitam, em sua missão benfeitora de obreiros, de Auxiliares Visíveis conscientes aqui na Região Química do Mundo Físico. Quanto mais o Estudante Rosacruz se conscientiza do alcance dessa necessidade, mais disposto estará a servir. Compreende que é um privilégio participar desse plano de redenção, mormente dedicando seus esforços a Obra Rosacruz. Os Irmãos Maiores se regozijam quando o Aspirante à vida superior, superando as limitações do egoísmo, expressa o Amor Crístico, cultivando um sentimento impessoal e universal de solidariedade.
O Estudante Rosacruz, assim, terá dado o primeiro passo ao assumir a condição de Auxiliar Visível e, posteriormente, Auxiliar Invisível inconsciente. Com o decorrer do tempo as faculdades internas dele florescerão a níveis sequer imagináveis, ensejando-lhe se converter em um Auxiliar Invisível consciente. Terá, então, o passo além do véu.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de junho de 1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
As coisas externas “falam-nos”, por assim dizer, somente quando sua “fala” possa ser compreendida por nossas naturezas internas. Se quisermos obter conhecimento não podemos nos conservar passivos no nosso meio-ambiente. Devemos, ativamente, produzir reações naquele meio-ambiente, proveniente de dentro de nós próprios. Portanto, não existe tal coisa como “revelação externa”, mas, somente, um despertar interior.
Nós temos o que pode ser chamado de nossa “própria verdade”, porque cada um de nós é um indivíduo, um ser separado. Do ponto de vista particular com o qual, do nosso lugar nesse Caminho, Esquema e nessa Obra de Evolução, estamos sintonizados, e de acordo com o contexto no qual os nossos poderes de percepção operam, estabelecemos um relacionamento com aquilo que parece ser externo a nós e, assim, adquirimos a nossa “própria verdade”, para nós próprios. A exatidão desta “verdade” depende do grau do nosso autoconhecimento. Como Goethe escreveu: “Se eu conheço a minha relação comigo mesmo e com o mundo exterior, eu a chamo ‘verdade’. E assim cada um pode ter sua própria verdade e, apesar de tudo ela é sempre uma e a mesma”.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que há dois tipos de conhecimento: um que compõe o nosso relacionamento com os objetos externos e o outro que é aquele que é ele próprio, o objeto do qual obtemos conhecimento: as coisas como as vemos e as coisas como, na verdade, são. A primeira espécie é dominante na Ciência material que tenta explicar as coisas e os acontecimentos do Mundo exterior, que chamamos de Região Química do Mundo Físico. A segunda espécie está em nós quando vivemos dentro do conhecimento que obtivemos e que buscamos nos Mundos das Causas ou Mundos invisíveis ou, ainda, Mundos superiores. A segunda espécie de conhecimento, então, origina-se da primeira.
É, talvez, simplesmente natural que dois tipos de conhecimento devam existir desta maneira. A nossa percepção sensorial nos diz que somos um indivíduo entre outros indivíduos e separado das outras coisas. Porém, quando aprendemos a compreender que somos um Deus em formação, feito a imagem de nosso Deus solar – quando, em outras palavras, nos abrimos ao conhecimento superior, compreendendo a nossa natureza divina – o conhecimento que nós temos das coisas começa a se transformar numa compreensão da verdadeira existência e da significância das coisas. Esta transformação, então, só pode ser realizada pelo esforço próprio. Só começamos a ser verdadeiramente nós próprios, quando obtemos este elevado conhecimento.
Muitas pessoas parecem vacilar para frente e para trás, entre os dois tipos de conhecimento – olhando e verdadeiramente sabendo. Quando nos recusamos a olhar, fecha-se às coisas cuja natureza nós devemos aprender a conhecer. Quando nos recusamos a trabalhar para a obtenção da Sabedoria, nos fechamos a nós mesmos à verdadeira natureza das coisas.
Experimente aceitar as “verdades prováveis” até você se capacitar e ter a graça de ver as “verdades provadas”!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – maio/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Muitas pessoas não se dão conta de que os homens ou as mulheres com os quais nos relacionamos diariamente talvez sejam, alguns, é claro, possuidores de algum grau de vidência. Há vários estágios de desenvolvimento espiritual dos quais constantemente ouvimos falar.
As exibições dessa faculdade geralmente são feitas por videntes negativos, pouco ou nada conhecedores das forças com as quais se põem em contato. Outras vezes essas demonstrações são realizadas por aqueles que, tendo obtido um insignificante conhecimento das coisas espirituais, agem de forma precipitada em situações complexas que os mais sábios evitam.
O Clarividente positivamente desenvolvido – também chamado de Clarividente voluntário – sabe, por experiência, que uma única demonstração não convence ao incrédulo, servindo-lhe apenas para exigir mais uma.
Um ser elevado espiritualmente e treinado esotericamente, compreendendo as forças que o cercam, nunca prostituirá seu dom com a finalidade de auferir benefícios materiais. Jamais o empregará com propósitos banais, sabendo que poderá perdê-lo se o fizer. Nem a salvação e muito menos as evoluções podem ser compradas. Cristo curou e alimentou as multidões, mas não usou Seus poderes para fugir ao Gólgota.
É possível convivermos com um Clarividente voluntário sem nunca o sabermos. Ele não se identificará como tal.
Durante muitos anos certo homem foi meu sócio em vários negócios. Há pouco tempo, entretanto, é que, em uma palestra casual, descobri tratar-se de um Estudante Rosacruz. Isto, todavia, não é de se admirar, como parece à primeira vista. Revendo os vários anos de relacionamento com esse Estudante Rosacruz, percebi nunca tê-lo ouvido pronunciar a menor crítica ou ofensa a quem quer que fosse. Em circunstâncias onde o ser humano comum age com intolerância, ele sempre manifestou condescendência. Sempre respeitou todas as Religiões e as opiniões alheias, embora tivesse seus pontos de vista. Quando eu desrespeitava as coisas sagradas em sua presença, ele me repreendia sutil e silenciosamente.
Esse homem me intrigava e eu o interrogava o mais que podia. As respostas fluíam com simplicidade e paciência, exceto quando eu me tornava impertinente.
O Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), nós, possui diversos veículos Corpos Denso, Vital, de Desejos e o veículo Mente, os quais usa para adquirir experiência e evoluir. O Corpo Denso é formado de matéria da Região Química do Mundo Físico em que vivemos cotidianamente quando estamos renascidos aqui e, naturalmente, é visível a quem tenha os órgãos da visão funcionando aqui. Os outros veículos são formados de substâncias pertinentes às Regiões e aos Mundos onde têm origem.
Da mesma forma como um indivíduo portador de cegueira não pode perceber a Região Química do Mundo Físico ao seu redor, o ser humano profano não distingue os Corpos mais sutis nem os Mundos a que se relacionam.
O grande inventor Thomas A. Edison, pouco antes de seu falecimento declarou que a ciência nos últimos cem anos fizera notáveis progressos no campo da física, mas no próximo século o grande campo de investigações seria o da metafísica; sabe-se, através de relatório elaborado pela senhora Edison, que nos últimos anos que precederam a morte de seu esposo, ele esteve ocupado em aperfeiçoar uma máquina que possibilitaria o contato com os planos espirituais. Os cientistas ocultistas afirmam que o único instrumento perfeito para tal função deve ser desenvolvido pelo ser humano e dentro de si mesmo.
Encontramos as “chaves” da Clarividência voluntária ou positiva no desenvolvimento de duas Glândulas Endócrinas: Corpo Pituitário e Pineal. O reto viver, por sua vez, é a chave desse desenvolvimento. Da mesma forma como os vários graus de visão espiritual podem ser desenvolvidos, outras faculdades superiores são suscetíveis de florescimento.
Uma delas é a possibilidade de ingressar nos planos invisíveis da Natureza e neles funcionar conscientemente. Depende da habilidade de cada pessoa, em efetuar a separação dos Éteres superiores dos Éteres inferiores do Corpo Vital, de uma forma correta e segura. Isto se torna realidade mediante uma vivência pura e amorosa, treinamento esotérico, mesclada com práticas devocionais e serviço altruísta e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) prestado ao irmão e a irmã, focando na Divina Essência oculta em cada um (que é a base da Fraternidade).
Os Éteres de Luz e Refletor formam o chamado “Vestido Dourado de Bodas” – o Corpo-Alma –, simbolizado pela estrela dourada do Emblema Rosacruz. Constituem, nessa circunstância, um verdadeiro Corpo espiritual, por meio do qual nós percorremos livremente os Mundos internos, enquanto o Corpo Denso fica repousando, dormindo. O indivíduo dotado de elevado desenvolvimento anímico, pode, durante o sono, utilizar seus veículos superiores para trabalhar como Auxiliar Invisível, principalmente no labor de curar os doentes e enfermos.
Muitas vezes, durante o sono, encontramos amigos e amigas ou nos achamos em lugares estranhos. Em várias ocasiões, tais experiências são consideradas como meros sonhos. Às vezes, porém, são experiências reais que muito nos impressionam quando despertos.
No primeiro estágio, o Auxiliar Invisível é inconsciente. Mais tarde, como decorrência normal de seu desenvolvimento, torna consciente. Qual o requisito básico para alguém tornar-se um Auxiliar Invisível? É simples: primeiramente deve se converter em um Auxiliar Visível, isto é, deve servir da maneira que puder aqui no Mundo material, quando está acordado ou em estado de vigília. Não há outro caminho!
Hoje em dia, com essa profusão de livros sobre ocultismo e psiquismo à venda nas livrarias, fala-se muito em sexto sentido. Um dos primeiros sinais de desenvolvimento do sexto sentido consiste na receptividade às vibrações dos planos suprafísicos. Nesta classe encontramos a maioria dos Estudantes Rosacruzes. O simples fato de serem Estudantes Rosacruzes e aceitarem a verdade contida nos Ensinamentos Rosacruzes, demonstra sua sensibilidade às vibrações suprafísicas. O importante é desenvolverem suas faculdades espirituais sempre no sentido positivo, por meio do Conhecimento Direto, preconizado pela Fraternidade Rosacruz.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – abril/1979 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A Ordem Rosacruz é uma Irmandade dedicada ao desenvolvimento das faculdades humanas, à exploração das leis mais profundas da Natureza e ao estabelecimento de uma Comunidade Cristã na Terra. Ela se encontra na Região Etérica do Mundo Físico onde tem o seu Templo: o Templo Rosacruz.
A Ordem Rosacruz tem o objetivo de lançar uma luz oculta sobre a mal-entendida Religião Cristã, e para explicar o mistério da Vida e do Ser do ponto de vista científico, em harmonia com a Religião.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz são seres humanos que passaram pelas nove Iniciações Menores e pelas quatro Iniciações Maiores ou Iniciações Cristãs.
A Ordem Rosacruz constitui uma Ordem Sagrada, mas atua externamente por meio de indivíduos e grupos. A Fraternidade Rosacruz é uma dessas Associações. Ela se encontra aqui na Região Química do Mundo Físico. Ela foi criada para tornar os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental acessíveis a todos que buscam respostas lógicas e científicas para os Mistérios da vida e do ser.
A Fraternidade Rosacruz é uma escola e visa emancipar o indivíduo da dependência de fatores externos e alcançar, em vez disso, uma plena confiança no Deus interior.
A Fraternidade Rosacruz, como uma escola, existe com o propósito de informar os inquisidores e instruir os Estudantes Rosacruzes no trabalho preparatório para ingressar na Ordem Rosacruz.
A Ordem Rosacruz trabalha especificamente com os povos do Ocidente, e seus métodos de desenvolvimento espiritual são especialmente concebidos para atender às necessidades intelectuais e religiosas dessas pessoas.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz trabalham para promover um desenvolvimento equilibrado entre a Mente e o Coração – a razão e a intuição. Eles trabalham para restabelecer a unidade dos três campos do esforço humano: Arte, Religião e Ciência.
A Ordem Rosacruz foi fundada no século XIV por Christian Rosenkreuz, um mensageiro da Grande Fraternidade Branca dos Divinos Hierarcas que guiam a Humanidade no caminho da evolução.
A Ordem Rosacruz é uma das sete Escolas Menores de Mistérios do mundo. Seus doze Irmãos Maiores, juntamente com seu décimo terceiro membro, o Líder, não possuem organização material, de modo que seu trabalho é desconhecido para todos, exceto os Iniciados de vários graus, desde o primeiro da Iniciação Menor até o quarto da Iniciação Maior.
Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
A tendência natural no atual momento desse Esquema de Evolução no qual todos nós estamos inseridos é: “de dentro para fora”, “de baixo para cima”, “para frente e para cima”. Por isso a Filosofia Rosacruz leva o Estudante Rosacruz a se redescobrir, a se conhecer e, tomando conhecimento de seu relativo estado de consciência, empreenda a tarefa de reeducação, de transmutação e libertação das sujeições da matéria da Região Química do Mundo Físico.
Tomando o axioma hermético: “assim como é em cima é embaixo” podemos apurar a veracidade do que dissemos. A analogia é a chave de maiores recursos e se consideramos que somos um microcosmo, parte do macrocosmo que é a Terra, e como ambos seguem linhas idênticas, numa perfeita reflexão evolutivas, veremos quão profunda é nossa Filosofia e como ela concilia, magistralmente: a Ciência, a Religião e a Arte.
Quando estávamos na Época Lemúrica e construíamos Corpos Densos como lemurianos vivíamos muito próximos do centro ígneo da Terra. Já quando estávamos na Época Atlante e construíamos Corpos Densos como atlantes habitávamos nos vales profundos, já afastados do centro ígneo da Terra. Agora estamos na Época Ária e quando construímos Corpos Densos como arianos somos impelidos, no princípio por meio dos dilúvios para as mesetas, os planaltos, onde hoje vivemos.
Analogamente, seguindo a mesma direção, quando estivermos na Era de Aquário e construirmos Corpos Densos como aquariano viveremos “no ar”. Porém, como sabemos que os nossos Corpos Densos, como massa, estão sujeitos à Lei de Gravidade que os atrai para o centro da Terra, uma transformação deverá, necessariamente, ocorrer. S. Paulo nos ensinou que “a carne e o sangue não podem herdar o Reino de Deus” (ICor 15:50). Mas diz, também, que temos uma soma psuchicon, mal traduzido por “corpo natural” e que significa realmente um “corpo espiritual”, constituído pelos dois Éteres superiores do nosso Corpo Vital, mais ligeiro do que o ar e, por isso, capaz de levitação. Este Corpo é o áureo “Trajes de bodas”, a Pedra Filosofal ou Pedra Viva que algumas filosofias antigas designam por Alma Diamante, por ser luminoso, refulgente e cintilante como aquela inestimável joia. Esse Corpo é o Corpo-Alma!
Essa espécie metamorfose toda e sair para o alto e para fora pode se comparar, por exemplo, a transformação do girino em rã (trânsito da Humanidade desde a Época Atlante até à irisada Época Ária) e da lagarta que se arrasta pela terra na mariposa que fende os ares (símil do futuro trânsito do nosso presente estado e condição para as da Época Nova Galileia, onde ficará estabelecido o Reino de Cristo).
Sobre isto, Cristo manifestou, implicitamente, que o “novo Céu” e a “nova Terra” não estavam preparados, quando disse aos discípulos: “Para onde Eu vou não podeis vós ir agora, porém, hei de aparelhar-vos lugar e virei outra vez e vos tomarei comigo para que, onde Eu esteja, estejais vós também” (Jo 14:2-3). Posteriormente, em visão, o apóstolo S. João viu a Nova Jerusalém que descia do Céu e S. Paulo escreveu aos Tessalonicenses dizendo-lhes, por palavras do Senhor, que: “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens” (1Tess 4:17), na Sua segunda vinda, para receber o Senhor no ar e estarão para sempre com Ele. Isto tudo concorda com as tendências expressas na passada evolução da Humanidade.
(Publicada na Revista Serviço Rosacruz – abril/1964 – Fraternidade Rosacruz – SP)