Resposta: Sim, não há dúvida que todas as estrelas do universo exercem alguma influência sobre os seres humanos, e alguns astrólogos levam em conta as posições de várias estrelas fixas ao levantar um horóscopo. A nosso ver, isso não passa de perda de tempo e esforço, pois a Mente humana comum já é suficientemente desafiada ao tentar equilibrar as influências recíprocas de Casas, Signos e Aspectos dos Astros, de modo a interpretar com precisão a mensagem completa das estrelas revelada por esses fatores fundamentais.
Pode-se afirmar, contudo, no tocante às Plêiades, que elas constituem um dos três pontos nebulosos do Zodíaco que, segundo se constatou, exercem influência perniciosa sobre o sentido da visão sob certas configurações do horóscopo envolvendo o Sol ou da Lua em relação a Saturno, Marte, Urano e Netuno.
(Pergunta nº 109 do Livro Filosofia Rosacruz em Perguntas e Respostas – Volume II – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)
A alegria de continuar é, de fato, a maior das alegrias para o homem ou a mulher ambiciosos e de Mente elevada, ansiosos por realizar, fazer, ser algo de valor para a Humanidade, como deve ser um Estudante Rosacruz ativo.
Você alguma vez viu uma pessoa que estivesse realmente trabalhando para o melhoramento da espécie, que estivesse cansada de viver ou, se cansada, que pudesse permanecer assim por muito tempo? E você alguma vez viu um retardatário, um preguiçoso sem objetivo, alguém que não estivesse cansado de viver? Olhe ao seu redor e procure entre os seus conhecidos. Você reconhecerá que a regra é quase infalível.
Mesmo aqueles cujos Corpos Densos são perfurados pela dor, enfraquecidos pela doença, debilitados pela idade ou enfermidade, mesmo estes se agarram tenazmente às atividades da vida, quando estão envolvidos em ocupações valiosas. Mesmo aqueles que sofreram incontáveis rejeições, perseguições ou derrotas puderam se recuperar da sua decepção e do seu desânimo para mergulhar ferozmente e de novo no tumulto, sem se intimidar ou ser conquistados, quando inflamados pelo ardor de um propósito nobre.
Algumas pessoas argumentam que tantos sonhos brilhantes desapareceram diante de nós, que muitas pessoas se tornaram materialistas e realmente querem que a morte termine tudo. Elas sentem que esta existência esteja tão cheia de cruéis decepções que preferem não apostar em futuros desconhecidos ou misteriosos.
Podemos compreender perfeitamente esse ponto de vista, mas não podemos compartilhar dessa opinião. Sim, somos conscientes, como qualquer pessoa, talvez, dos incontáveis crimes que avermelharam e ainda avermelham a Terra. Estamos inteiramente cientes das brutalidades indescritíveis do sistema no qual vivemos. Sabemos o que é crescer na juventude com afetuosas imaginações de oportunidades para os que aspiram, de honras para os corajosos ou de “corridas para os velozes e batalhas para os fortes”, mas experimentar o cinismo e a reação do rude despertar.
No entanto, se pudéssemos escolher entre o descanso eterno depois de uma vida abarrotada de agonias e horrores ou uma continuação da vida indefinidamente, sem qualquer garantia de que seríamos capazes de esmagar seus males e corrigir seus erros, tenhamos certeza de que escolheríamos a segunda opção!
Certamente, nunca vivemos uma vida aqui como essa que imaginamos. Com certeza nossas lutas e infortúnios não foram piores do que os de milhões de outros. Mas não conseguimos conceber quaisquer lutas e infortúnios, mesmo insuportáveis, que nos convencessem a querer entregar nossa existência individual! Isso é ter a consciência clara do que escolheu lá no Terceiro Céu, em seus principais eventos de aprendizagem, para realizá-los aqui, renascidos mais uma vez.
Poderíamos querer nos livrar do Corpo Denso que agora habitamos — ele poderia estar tão atormentado e dilacerado pela doença que ficaríamos felizes em abandoná-lo —, mas ainda estaríamos prontos para outra aventura. Ainda desejaríamos “continuar” a luta por melhores condições, seres melhores e um mundo melhor.
Se, como devemos continuar acreditando, há um propósito na vida, então devemos “continuar”, mais cedo ou mais tarde, de uma maneira ou de outra… Sendo esse o caso, desejamos ter a nossa parte nessa dinâmica do progresso. Queremos fazer a nossa parte enquanto o caminho ainda é áspero e participar da consciência do triunfo que pertencerá àqueles que trabalharam e se sacrificaram para alcançar a meta. Se, por outro lado, não sabemos e ninguém sabe qual será o resultado, ainda somos “jogadores o bastante para apreciarmos a continuação do jogo”.
Nós, que apostamos tudo o que temos no bem de elevar os padrões de pensamento e ação, nós ainda podemos vencer! Se vencermos, ficaremos contentes por termos sido esportistas e permanecido à mesa de jogo. Se perdermos, se tudo isso for uma farsa ou uma piada sombria, mesmo assim o esforço terá seu valor.
Pensamos que estaremos tão alertas e prontos para o esforço nos dias invernais da idade quanto, muitos, estão agora, nos dias primaveris e vigorosos da juventude, quando outros estão agora. Conhecemos muitas pessoas para os quais isso é verdade. Se é verdade para elas, por que não para nós? Por que não poderia ser verdade para todos?
Não pensemos que a idade tenha muita relação com isso. É, antes, um assunto sobre o ser humano e o que ele faz.
Algumas pessoas que até estudam o assunto pensam que a aniquilação possa ser verdadeira para algumas almas sem espinha dorsal, que estão prontas, segundo seu pensamento intolerante, para se dissolver no nada a quase qualquer minuto. Talvez estejam certos e, se estiverem, a aniquilação é justamente o que alguns desses indivíduos-medusa merecem. Mas aqueles que, “fora da noite que os cobre, negra como o abismo de polo a polo”, não cedem, não se movem nem se curvam aos poderes da injustiça e da iniquidade, esses merecem a imortalidade e devemos ser otimistas o bastante para acreditar que a obterão.
Para eles, os espinhos e as sarças ao longo do caminho serão apenas estímulos para um esforço renovado. Para eles, o doce sono, o “sono sem sonhos nem suspiro”, não terá qualquer atrativo. Para esses as batalhas, as vitórias e as perdas da vida terrena ou de qualquer outra antes ou depois serão apenas incidentes no progresso do Aspirante à vida superior em direção àquele ápice de realização que não será a nostalgia, mas a consciência elétrica de “continuar” para sempre.
Não desejo o repouso da obliteração nem a facilidade narcótica de um céu sem nuvens. Enquanto existir um iota de erro em qualquer lugar, em todas as infinitudes do espaço, desejarei que minha vida individual dure para que eu possa empregar todas as minhas energias para remover esse erro.
Se, como seriamente duvido, algum dia chegar o tempo em que não haja males a obliterar nem obstáculos a superar, desejarei uma eternidade onde eu possa parar e contemplar o longo caminho pelo qual subi. Enquanto isso, não nos enganemos com sonhos de repouso na aniquilação, pois toda a Natureza e as nossas melhores e mais elevadas esperanças rejeitam isso como covarde e infantil!
Não voltaremos para o chão, para a sujeira, à umidade e à morte. Avançaremos para disputas mais ferozes, feitos maiores, vida mais abundante; talvez renascimentos inumeráveis, sempre “para frente e para cima”. Sim — nós continuaremos…
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
Como Aspirantes à vida superior no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, deveríamos sempre encontrar uma forma de aplicar os Ensinamentos Rosacruzes em nossas vidas diárias. Isto não significa, necessariamente, alardear convicções ou tentar converter nossos amigos e familiares. Estamos falando da capacidade de levar os tais às pequenas coisas, de modo a dignificá-lo na nossa vida cotidiana.
Tomemos, por exemplo, uma passagem do Ritual do Serviço Devocional do Templo: “Para atingirmos essa realização, esforcemo-nos por esquecer, diariamente, os defeitos dos nossos irmãos, procurando servir à divina essência neles oculta, o que é a base da fraternidade“. Poderíamos questionar-nos a respeito desses Ensinamentos Rosacruzes procurando encontrar uma maneira de levá-los à prática.
Primeiramente, o que significa para nós “divina essência” recôndita em cada um de nós? Se pudermos defini-la, teremos compreendido a base daquele Ritual. A divina essência, assim expressa, é o Cristo Interno: “Não sou eu quem vive, mas o Cristo vive em mim” (Gl 2:20). Esta é uma força de amor Crístico e coesão, assim como as forças cósmicas mantêm harmonia em nosso Sistema Solar e a Terra em sua órbita. Pensemos nisto por um momento. Temos dentro de nós uma fagulha da Fraternidade Universal. Essa consciência constituirá, certamente, um fator de mudanças em nosso relacionamento com os demais.
Alguns dirão, não obstante: “Eu trato com pessoas de caráter débil ou de Mente estreita. Como posso valer-me dessa compreensão para equacionar certos problemas?”. “O misticismo é um formoso sonho, mas enfrento problemas reais com pessoas reais”. Isso reflete uma compreensão errônea acerca dos assuntos espirituais. Certamente a vida apresenta seus percalços e temos de encará-los. Poderemos optar pelo caminho mundano, reagindo negativamente, pagando o mal com o mal, etc. Ou, então, afirmar: “Este é o meu destino. Eu o mereço pelo que fiz em vidas passadas”. Ambas as atitudes são inconvenientes ao extremo!
Para o Aspirantes à vida superior, a solução é agir conforme preceitua o Ritual do Serviço Devocional do Templo, buscando o Cristo Interno. Se tivermos problemas com alguém, peçamos ajuda ao Cristo Interno. Podemos dirigir-nos ao templo interior, solicitando auxílio além da experiência externa. Então, quando enfrentarmos o indivíduo ou a situação teremos fortaleza interior ou a informação necessária com as quais poderemos manejar a dificuldade. Ao mesmo tempo, e isto não é fácil, esforcemo-nos por comunicar-nos com o Cristo Interno na outra pessoa. Não nos preocupemos com seu aspecto pouco atraente. Procuremos apenas a divina essência. Sintamos a força Crística dentro de nós, tratando de irradiá-la nesse contato, apelando para o Cristo Interno em nosso semelhante. Não é necessário dizer alguma coisa, porém, isto influenciará o resultado.
Talvez devamos mudar nossos pontos de vista. Estamos procurando a verdade, não só para os demais, mas para nós mesmos. A Vontade do Cristo pode não se conformar com nossos desejos pessoais. Contudo, se formos receptivos, isto em si mesmo, ajudará a resolver o problema.
Sugerimos aos Aspirantes à vida superior a tentarem uma experiência. Tomem um incidente complicado ou ponha-se em contato com a pessoa complicada, tratando de comunicar-se com o Cristo Interno. Procure ver qual o efeito produzido sobre o problema. Provavelmente, você também concluirá que os princípios espirituais podem e devem ser aplicados na vida diária, ajudando assim a todos os interessados.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1983 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Uma história oculta que nos mostra como ocorrem as relações provocadas pelo destino entre pessoas. Como as discórdias da vida realmente se resolveram na harmonia do grande contraponto da vida. Suas tristezas e angústias profundas vão sendo glorificadas, pois o amor – o amor verdadeiro, o amor superior e maior, o amor Crístico – glorifica todas as coisas.
Quer saber mais sobre o assunto? Leia aqui: Relações Provocadas pelo Destino entre Pessoas: Antagonismo e Repulsa Pertencem Apenas à Personalidade
Quer ver o restante? Clique aqui: Relações Provocadas pelo Destino entre Pessoas – Por um Estudante – Fraternidade Rosacruz
Eis o anúncio do próprio Cristo, nos ensinando a oração Cristã científica necessária e suficiente para evoluirmos espiritualmente com segurança aqui:
“Portanto, orai deste modo:
‘Pai nosso, que estais nos Céus, santificado seja o Vosso Nome.
Venha a nós o Vosso Reino.
Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como nos Céus.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje.
Perdoai as nossas dívidas, assim como também perdoamos aos nossos devedores.
E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Porque Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre.
Amém.’
Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará; porém se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará as vossas ofensas.”
Mt 6:9-15
Esse modelo de oração fornecido a nós por Cristo Jesus é uma fórmula abstrata e algébrica para a elevação e purificação de todos os nossos veículos.
Contém três partes de oração e uma súplica. Cada uma das três partes refere-se às necessidades de um dos nossos (nós, um Tríplice Espírito) aspectos espirituais e sua contraparte no Tríplice Corpo.
Quando nós – que somos um Tríplice Espírito e possuímos uma Mente pela qual governamos um Tríplice Corpo e o transmutamos em Tríplice Alma – ora, isto acontece.
O Espírito Humano ergue-Se nas asas da devoção até sua origem, o Espírito Santo, na Sagrada Trindade, e entoa o canto iniciai, “Santificado seja o Vosso nome”.
O Espírito de Vida eleva-Se nas asas do amor e dirige-Se à origem de seu Ser, o Filho: “Venha a nós o Vosso Reino”.
O Espírito Divino sobe, junto do conhecimento superior, até o manancial onde nasceu, na aurora dos tempos, o Pai, e manifesta Sua confiança naquela Inteligência total pelas palavras “Seja feita a Vossa vontade”.
Tendo assim alcançado o Trono da Graça, nós apresentamos os nossos pedidos relativos a nossa Personalidade, o Tríplice Corpo.
O Espírito Divino ora ao Pai pela sua contraparte, o Corpo Denso: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”.
O Espírito de Vida ora ao Filho pela sua contraparte, o Corpo Vital: “perdoai as nossas dívidas, assim como também perdoamos aos nossos devedores”.
No Corpo Vital estão armazenados os registros subconscientes de todos os acontecimentos passados de nossa vida. Se, mediante a oração contínua (“orai sem cessar”), obtivermos o perdão (o arrependimento) pelos males causados aos outros e se fizermos todas as reparações possíveis e se eliminarmos todos os ressentimentos (reforma íntima), livramo-nos de muito sofrimento após a morte, além de prepararmos avançarmos no nosso crescimento anímico, que está particularmente sujeita à vitória do Corpo Vital sobre o Corpo de Desejos. Sob a forma de memória, o Corpo de Desejos imprime no Corpo Vital a ideia de vingança. Por isso o Aspirante à vida superior deve cultivar o controle emocional, porque assim estará agindo sobre os dois Corpos.
O Espírito Humano enuncia a súplica pelo Corpo de Desejos com estas palavras: “E não nos deixeis cair em tentação”.
Então todos, em coro, fazem um apelo geral pela Mente: “Livrai-nos do mal”.
O acréscimo: “Porque Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre” não foi dado por Cristo; mas representa um expressivo arremate.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de fevereiro/1966-Fraternidade Rosacruz-SP)

Que as Rosas Floresçam em Vossa Cruz
A experiência e a história nos mostram que os internamentos nos hospitais psiquiátricos ou o aumento do consumo de remédios calmantes – ou sedativos – e a situação da economia são fatos inter-relacionados.
Vários estudos da Ciência material confirmam esse paralelismo entre a prosperidade ou recessão no campo econômico e o índice de pessoas que consomem remédios calmantes ou internadas em hospitais psiquiátricos.
Os distúrbios emocionais são, tão somente, parte do problema, pois as mesmas tensões (nada mais do que desejos e emoções que produzimos utilizando os materiais das três Regiões inferiores do Mundo do Desejo) produzem doenças físicas que acompanham os altos e baixos da economia. A medicina psicossomática tem verificado esses efeitos, especialmente no campo dos distúrbios das coronárias e na incidência de úlceras gástricas. A ação recíproca dos fatores emocionais, ambientais e físicos constitui um conhecimento essencial, pois que a crise econômica, aliada às depressões emocionais e doenças físicas, representa uma ameaça ao ser humano, quando esse não consegue controlar o seu Corpo de Desejos, como aprendemos, como Estudantes Rosacruzes, no nosso Treinamento Esotérico.
Não reputamos surpreendentes as revelações acima. Como Aspirantes à vida superior, fácil se nos depara verificar a urgência do assentamento de bases espirituais mais sólidas na vida da Humanidade. Certamente, a crise econômica representa uma grande provação para todos nós.
Também a monotonia de um trabalho excessivamente rotineiro pode conduzir a distúrbios emocionais, caso não se adote uma filosofia de vida. Nunca é demais repetir que o reto pensar e o reto viver estimulam a nossa evolução, provendo a harmonia de nossos veículos (Corpo Denso, Corpo Vital, Corpo de Desejos e a Mente).
Tal atitude ensejará forças durante a provação; e esta será compreendida como uma lição evolutiva – o que realmente ela é – sendo o resultado um aumento de Poder Anímico, poder da nossa Alma.
Não somos obrigados a aceitar as realidades desagradáveis do Mundo material. Podemos dar um passo à frente e compreender as lições que ele contém, as oportunidades que oferece e assim manter o nosso equilíbrio físico, mental e emocional. É só inserir a espiritualidade Cristã Esotérica no nosso cotidiano, e não somente “cuidar da parte espiritual”!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de agosto/1977-Fraternidade Rosacruz-SP)
A Astronomia ensina que o Sol viaja pelo espaço com sua imponente comitiva de Astros, em torno do centro da galáxia, a uma velocidade de, aproximadamente, 200 quilômetros por segundo! Esse movimento de deslocamento não é exclusivo do Sistema Solar. A ciência dos céus avançou o suficiente para revelar que todas as estrelas estão em movimento. Muitos desses Astros gigantescos possuem uma velocidade em seu percurso pelo espaço infinito que facilmente superaria a do Sistema Solar. Por mais que a abóbada celeste tenha revelado seus segredos ocultos ao estudo humano, ela ainda não deu qualquer indício do movimento veloz e complexo demonstrado pelos mundos gigantescos que a adornam. Não se pode estabelecer uma regra definida para essas complexidades; as estrelas parecem mover-se de um lado para o outro, mais como um enxame de abelhas.
Seriam esses Astros imensos a morada de outras criaturas? Para que fim existem? Teriam sido criados simplesmente para derramar, em fluxos inúteis, suas torrentes de luz e calor sobre os abismos do infinito?
Diante dessa questão, a ciência cala-se. E, após 6.000 anos de astronomia — tanto antiga quanto moderna —, não houve resposta, exceto nas palavras inspiradas das Sagradas Escrituras. Assim lemos, por exemplo, na Epístola de S. Paulo aos Efésios 3:10: “Para que, pela Igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nas regiões celestiais”.
Este texto nos faz saber que o grande Apóstolo, que certa vez fora “arrebatado até o Terceiro Céu” (IICor 12:2), e que, ao escrever sobre as glórias que se seguiram à ressurreição, pôde dizer: “Há também corpos celestes e corpos terrestres… Há uma glória do Sol, outra da Lua e outra das estrelas; pois uma estrela difere da outra em glória” (ICor 15:40-41), teve permissão de Deus para contemplar os lugares celestiais.
Ele não apenas sabia da existência dos lugares celestiais e declarou seu conhecimento desse fato, mas também nos deu a entender claramente que estes desempenhavam um papel objetivo no plano eterno da salvação. Aos redimidos, ainda havia glórias maiores por vir. A esses majestosos reinos do espaço a Igreja (aqui definida como comunidade dos fiéis que professam sua fé em Cristo) seria conduzida, não simplesmente para entretenimento ou para aumentar seu conhecimento, mas para lhes transmitir alguns dons espirituais.
Observe a constelação do norte e veja a bela estrela branco-leitosa Capela na constelação de Auriga[1]. Viajando em linha reta da estrela polar através desta Capela, passamos à esquerda pela estrela rosa-avermelhada Aldebaran[2], no aglomerado estelar das Híades[3]. E um pouco mais adiante, à direita, pela estrela alaranjada Betelgeuse[4], no ombro de Órion[5]. O voo subsequente nos levaria àquele Sol branco e brilhante, o gigante Rigel[6]. Então nós poderíamos olhar novamente para a direita e contemplar o imperial Sirius[7] e, próximo a ele, Procyon[8], de cor branco-amarelada. Levante os olhos ao passar por esta galeria e verá algo mais do que mortal. Diremos então que esses vastos luminares foram criados em vão? Foram trazidos à existência com o único propósito de lançar uma onda de esplendor inútil sobre as solidões da imensidão?
Por que resistir por mais tempo à conclusão principesca que nos pressiona a proferir? Será que o gigante Arcturus[9] carregará consigo seu séquito de satélites que, se forem análogos ao seu luminar central, são mais grandiosos e majestosos do que os Astros do Sistema Solar, e todos esses constituem simplesmente um carnaval de vazio? Não. Concluamos, antes, com o Apóstolo, que esses reinos são as moradas da bem-aventurança. Embora as Escrituras nos levem a crer que seus habitantes não desconhecem as provações, as esperanças, os medos e os eventos desta Terra, vejamos qual a razão divina para que a comunicação não esteja estabelecida no momento.
Em primeiro lugar, vemos pelo argumento do Apóstolo que a Igreja está sendo testada. Os céus também foram testados? Acreditamos que sim. Recorrendo a Jó 15:15 (e não nos esqueçamos de que Jó era um grande estudioso e astrônomo), lemos o seguinte: “Até em seus Santos Deus não confia, e os Céus não são puros aos seus olhos”. Aqui somos levados a refletir que a grande revolta de Lúcifer lançou os habitantes de outros mundos em certa confusão. Isso também os colocou em período de provação, mas com uma diferença. Um ser pode estar em período de provação sem pecado e sem ter incorrido na penalidade do pecado. De fato, há muito que demonstra que até mesmo os Anjos estavam em período de provação.
Embora miríades deles tenham seguido o grande rebelde em sua revolta, muitos mais, embora ainda em período de provação, permaneceram fiéis em sua lealdade ao divino Criador. Quando esse momento de provação terminar, todos, tanto nos Céus quanto na Terra, serão reunidos como um só em um Universo infinito, completo e provado. Assim lemos novamente (Ef 1:10): “para levar o tempo à sua plenitude: a de em Cristo encabeçar todas as coisas, as que estão nos Céus e as que estão na Terra…”
Ora, será que os Céus são habitados? Busquemos primeiro a resposta das Escrituras antes de recorrer à Astronomia. Quem pode resistir à conclusão da poderosa declaração feita pelo Apóstolo João no Livro do Apocalipse 12:12: “Por isso, alegrai-vos, ó Céus, e vós que o habitais! Ai da terra e do mar, porque o Diabo desceu para junto de vós cheio de grande furor, sabendo que lhe resta pouco tempo”? A palavra “Céus”, neste texto, está no plural. E a declaração do Apóstolo demonstra que a regra geral do Criador para o Seu universo é: “Ele não a criou como um deserto, antes modelou-a para ser habitada.” (Is 45:18). Voltando-nos agora para o primeiro capítulo do Livro do Gênesis, lemos que, “no princípio, Deus criou os Céus e a Terra.” (Gn 1:1). Lemos também: “E o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas” (Gn 1:2). O Espírito Santo estava presente, atuando como um grande agente na criação desta Terra. Durante cinco dias cósmicos, o amor divino preparava antecipadamente o berço para a vinda da família humana. Associado à criação estava o Senhor Cristo, conforme lemos no primeiro capítulo do Evangelho Segundo S. João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por Ele; e, sem Ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1:1-3). Assim, a criação é obra de Deus. Agora, Cristo se referindo a si mesmo, no Jardim do Getsêmani, disse: “Glorifica-me, ó Pai, junto de ti mesmo, com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo17:5). Isso remonta a um tempo anterior ao início do mundo.
Deslocando-se pelo espaço à velocidade de aproximadamente 940 milhões de quilômetros por ano em sua órbita ao redor do Sol, a Terra, em seu voo veloz, percorre aproximadamente 30 quilômetros por segundo. Estaria ao alcance do ser humano mortal produzir tal resultado? Suponha que todo o poder que residiu no braço de Adão — e que residiu, subsequentemente, no braço de cada um de seus filhos, desde a aurora da criação até os dias de hoje — pudesse ser concentrado em um único braço humano nos tempos atuais: seria esse braço capaz de conferir à Terra a velocidade que ela possui hoje?
Impossível! Existe um poder, e apenas um, capaz de um resultado tão estupendo: o Cristo. E, embora possamos viajar para longe, entre estrelas tão densas que parecemos voar através de poeira estelar, não se encontrará nenhum Sol gigante que tenha surgido por qualquer outra via que não o poder divino do “Filho de Deus”. Ele é, como diz o profeta, “desde os dias da eternidade” (Mq 5:2).
Desde os dias da eternidade, Ele tinha um propósito infinito. Ele via o fim desde o princípio. Planejara o ato final antes mesmo de planejar o primeiro. E o Apóstolo Paulo nos permitiu vislumbrar um pouco do Seu conselho secreto. O objetivo, diz ele, era que, por meio da Igreja, fosse dada a conhecer aos Principados e Potestades nos Céus a multiforme sabedoria de Deus. Isso é maravilhoso demais para se acreditar? Não duvide. A Astronomia acabará por alcançar a inspiração.
Alguns astrônomos definem o ser humano como uma criatura adaptada para a vida sob circunstâncias muito restritas. Alguns graus de temperatura a mais ou a menos, uma ligeira variação na composição do ar, a adequação precisa dos alimentos — tudo isso faz a diferença entre saúde e doença, entre vida e morte. Olhando além da Lua, para a imensidão do Universo, encontramos incontáveis corpos celestes com toda sorte de temperatura e constituição imagináveis.
Também, para alguns astrônomos, em meio a esse vasto número de mundos que povoam o espaço, haveria algum habitado por seres vivos? A essa pergunta a ciência não pode responder. Contudo, é impossível resistir a uma conjectura. Encontramos nossa Terra repleta de vida em toda parte. Encontramos vida nas mais variadas condições concebíveis. Ela é encontrada sob o calor abrasador dos trópicos e no gelo eterno dos polos. Encontramos vida em cavernas onde jamais penetra um raio de luz. Tampouco ela falta nas profundezas do oceano, sob pressões de toneladas por polegada quadrada. Quaisquer que sejam as circunstâncias externas, a natureza geralmente provê alguma forma de vida à qual tais circunstâncias são propícias.
E complementam: não é nada provável que, entre o milhão de esferas do universo, exista uma única que seja exatamente como a nossa Terra — semelhante a ela por possuir ar e água, semelhante em tamanho e composição. Não parece provável que um ser humano pudesse viver sequer uma hora em qualquer corpo celeste do universo, exceto na Terra, ou que um carvalho pudesse sobreviver em outra esfera por uma única estação. Os seres humanos podem habitar a Terra, e os carvalhos podem nela prosperar, porque a constituição do ser humano e a do carvalho estão especialmente adaptadas às circunstâncias particulares da Terra.
A filosofia mais verdadeira sobre esse assunto encontra-se cristalizada nas palavras de Tennyson[10]:
“Repete esta verdade em tua Mente:
Que, num universo sem fim,
Há o infinitamente melhor e o infinitamente pior.
Pensas que esta criatura de esperanças e medos
Não encontraria nada mais grandioso que seus pares
Naquelas cem milhões de esferas?”
Que caminho de voo infinito se estende diante de nós! A velocidade máxima que nossa inteligência humana compreende atualmente é a velocidade da luz, que se desloca a cerca de 300.000 quilômetros por segundo. Se somarmos os segundos, minutos, horas e dias, o total chega aproximadamente a 9,46 trilhões de quilômetros por ano. Deslocando-nos a essa velocidade indescritível, levaríamos mais de cinquenta anos para alcançar a gigante Arcturus. Outros Sóis encontram-se ainda mais distantes, e astrônomos supõem a existência de outros mundos tão longínquos que, viajando à velocidade da luz, levaríamos 300.000 anos para alcançá-los.
Tal jornada não está ao alcance do ser humano finito. Ele poderia começar, mas sua juventude se esgotaria; a meia-idade passaria; e a enfermidade chegaria antes mesmo de ele ter deixado para trás sequer uma dúzia desses corpos celestes.
Quão divinos são, então, os atributos que em breve nos serão conferidos. Mais do que mortais, nossos Corpos imortalizados se elevarão para alcançar glórias indescritíveis. Mudanças maravilhosas nos aguardam. O Autor delas determinou que nos pertençam, desde que vivamos, de fato e de verdade, essa vida!
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de janeiro de 1918 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
[1] N.T.: A constelação de Auriga, conhecida em português como o Cocheiro, é uma proeminente constelação do hemisfério celestial norte, facilmente reconhecível por seu formato de pentágono e pela presença de sua estrela super brilhante, a Capela.
[2] N.T.: A estrela rosa-avermelhada Aldebaran (ou Alpha Tauri) é a estrela mais brilhante da constelação de Touro e a 14ª mais brilhante de todo o céu noturno. Ela é popularmente conhecida como o “Olho do Touro” devido à sua posição estratégica na constelação e ao seu tom avermelhado marcante.
[3] N.T.: As Híades formam o aglomerado estelar aberto mais próximo da Terra, localizado a cerca de 146 a 150 anos-luz de distância, na constelação de Touro.
[4] N.T.: Betelgeuse é uma estrela supergigante vermelha localizada a cerca de 640 a 650 anos-luz da Terra, no “ombro” da constelação de Órion.
[5] N.T.: Uma das constelações mais brilhantes e fáceis de reconhecer no céu noturno, famosa pelo seu cinturão conhecido popularmente como as Três Marias.
[6] N.T.: Rigel é a estrela mais brilhante da constelação de Órion.
[7] N.T.: Sírius é a estrela mais brilhante do céu noturno vista da Terra. Localizada na constelação de Cão Maior (Alpha Canis Majoris).
[8] N.T.: ou Prócion é a estrela mais brilhante da constelação do Cão Menor e uma das vizinhas mais próximas da Terra, situada a cerca de 11,4 anos-luz de distância.
[9] N.T.: é a estrela mais brilhante da constelação do Boieiro. Tem mais de 100 vezes a luminosidade do Sol.
[10] N.T.: Alfred Tennyson (1809 —1892 ) foi um poeta inglês.
Pergunta: O que o primeiro despertar traz?
Resposta: Traz ao Espírito o som da música.
Pergunta: Por que não ouvimos a música das esferas durante nossa vida na Terra?
Resposta: Porque estamos tão imersos nos pequenos ruídos e sons do nosso ambiente limitado que somos incapazes de ouvi-la, mas o cientista ocultista ouve.
Pergunta: O que o ocultista sabe a respeito da música das esferas?
Resposta: Ele sabe que os doze Signos do Zodíaco e os sete planetas formam a caixa de ressonância e as cordas da lira de sete cordas de Apolo. Ele sabe que, se uma única discórdia viesse a macular a harmonia celeste desse grandioso instrumento, haveria uma destruição da matéria e um colapso dos Mundos.
Pergunta: Que ilustração você pode dar do poder da vibração rítmica?
Resposta: Quando soldados atravessam uma ponte, recebem a ordem de quebrar o passo; caso contrário, sua marcha rítmica poderia, com o tempo, despedaçá-la.
Pergunta: Que história da Bíblia se refere a esse fato?
Resposta: O toque da trombeta de chifre de carneiro enquanto marchavam ao redor das muralhas da cidade de Jericó.
Pergunta: Quando a nota-chave de uma estrutura é emitida, o que pode acontecer?
Resposta: Se ela for suficientemente prolongada, poderá despedaçar a parede ou a estrutura.
Pergunta: Existe alguma conexão entre tom e cor?
Resposta: Muitas pessoas sabem que existe uma íntima conexão entre tom e cor, porque quando uma determinada nota é tocada, uma cor específica aparece simultaneamente.
Pergunta: Cor e som estão presentes ambos no Segundo Céu?
Resposta: Estão, mas o tom é o originador da cor. Por isso se diz que este é particularmente o mundo do tom e é esse tom que constrói todas as formas no Mundo Físico.
Pergunta: O músico pode ouvir alguns tons musicais em diferentes partes da natureza?
Resposta: Pode, como no vento na floresta, no som das ondas na praia ou no de muitas águas.
Pergunta: O que esses tons combinados produzem?
Resposta: Produzem um todo que é a nota-chave da Terra — o seu tom.
Pergunta: O que essa nota-chave produz?
Resposta: Assim como figuras geométricas são criadas ao passar o arco de um violino sobre a borda de uma placa, as formas que vemos ao nosso redor são figuras sonoras cristalizadas das forças arquetípicas que atuam sobre os Arquétipos no Mundo Celestial.
Pergunta: O tempo no Mundo Celestial é uma existência inativa, sonhadora ou ilusória?
Resposta: O trabalho realizado pelo ser humano nos Mundos celestiais é multifacetado. É um tempo da maior e mais importante atividade na preparação para a próxima vida, assim como o sono é uma preparação ativa para o trabalho do dia seguinte.
Pergunta: O que é realizado nos Mundos celestiais?
Resposta: Aqui, a quintessência dos três Corpos é incorporada ao Tríplice Espírito.
Pergunta: Como isso é realizado no Corpo de Desejos?
Resposta: A quantidade de trabalho do ser humano durante sua vida, purificando seus desejos, sentimentos e suas emoções, será fundida ao Espírito Humano, proporcionando assim uma Mente melhorada no futuro.
Pergunta: Como o Corpo Vital é trabalhado nessa conexão?
Resposta: A quantidade de trabalho que o Espírito de Vida realiza sobre ele, transformando e espiritualizando, será fundida a este Espírito para assegurar um Corpo Vital e um temperamento melhores nas vidas futuras.
Pergunta: E aquilo que é feito aqui pelo Corpo Denso?
Resposta: A quantidade de trabalho realizado pelo Corpo Denso que o Espírito Divino salvou por meio da ação correta será integrada a ele e trará ambiente e oportunidades melhores nas próximas vidas.
(Publicado na Revista Rays from the Rose Cross de agosto de 1920 e traduzido pelos irmãos e pelas irmãs da Fraternidade Rosacruz – Campinas – SP – Brasil)
A verdadeira Astrologia é uma Ciência Divina, antiquíssima, e sua beleza ainda poderá ser apreciada por aqueles que tem “olhos para ver e ouvidos para ouvir” (Mt 13:16). Caiu em descrédito unicamente porque foi prostituída por aqueles que a usaram para seu próprio proveito e/ou para conseguir recursos financeiros direta ou indiretamente. Estes, esquecendo que são os guardiões de seus irmãos e das suas irmãs, se tornaram responsáveis por todas as adversidades que lhes advirem como resultado do mau uso dessa Ciência Divina.
Como em todas as circunstâncias, aquilo que é mais elevado poderá, caso caia em mãos inescrupulosas, ser levado a níveis de inferioridade. Entretanto, como o mal não poderá prevalecer, pois é “o bem que sempre prevalecerá” (Gl 6:9), essa condição errônea de emprego dessa Ciência Divina não será definitiva, porque à medida que nos aproximamos mais e mais da Era de Aquário, a Era adequada para o desenvolvimento das Ciências, veremos a Astrologia, hoje vacilante e desacreditada pelo charlatanismo e ação de impostores, emergir tal como crisália, para o bem da Humanidade – tal qual é a Astrologia espiritual Rosacruz.
Um estudo dos símbolos criados e usados pelos Sábios antigos nos fornece uma compreensão integral dos benefícios provindos do uso correto da Astrologia. Todos os Signos se encontram no horóscopo de cada um e, por isso, todos estão sujeitos as suas vibrações em graus variáveis. Lembremos, entretanto, que o estudo dos símbolos, não procura delinear a fraqueza ou a força dos vários Signos. Trata-se apenas de esboçar o significado dos símbolos, indicando o ponto culminante que cada Signo atinge. Nenhum Signo é mais ou menos forte do que o outro, pois todos são necessários para oferecer a perfeição ao conjunto e através de cada um deles devemos ganhar experiência.
Cada indivíduo nasce sob a influência de um Signo pelo qual deve obter o maior bem para si ou dispensá-lo também em benefício da Humanidade. Uma vez não existindo diferença tanto em superioridade como inferioridade em relação a cada Signo, qualquer diferença notada é apenas aparente, tratando-se apenas de uma interpretação imperfeita por parte de pessoas que ainda não compreenderam a grandiosidade da mensagem que os Astros (aqui: Signos, Sol, Lua e Planetas) nos enviam, considerando que o caminho de toda a manifestação, que é o Caminho de Evolução, se processa em espiral, sempre para cima e para frente. Constantemente deparamos com nativos de todos os Signos, em todos os níveis de consciência, reagindo de acordo com a sua própria compreensão.
O horóscopo mostra qual o esforço que devemos dispender em cada curso de existência e a forma pela qual poderemos resolver nossos problemas, não significando, entretanto, que devemos ser conduzidos pela brisa do momento, pois “os Astros impelem, mas não obrigam”, ou seja: sugerem, não mandam!
Há somente alguns poucos símbolos cujo significado será conveniente lembrar. O círculo, o qual não tem começo nem fim, somos nós, o Espírito não manifestado; o ponto colocado dentro dele somos nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana), em manifestação; a linha, um ponto alongado (possui um polo negativo e outro positivo) representa a matéria ou o plano físico. Portanto, o ângulo ou a cruz ou linha sempre indicam o trabalho a ser realizado no plano físico. O círculo sempre é usado como um indicativo de trabalho ou treinamento espiritual. O meio círculo, ou a meia circunferência, é a consciência situando-se num nível entre o infinito e o finito.

Trata-se da combinação ou sequência daqueles símbolos que nos contam a história da Humanidade através das idades.
Os três primeiros Signos (Áries, Touro e Gêmeos) são governados mais pelo instinto do que pelo intelecto, porque somente agora eles estão se manifestando no plano da existência. Mais tarde talvez, haja tristeza e mágoas, até que se sinta o regozijo resultante do esquecimento de si mesmo para que se manifeste a vida altruísta em benefício dos semelhantes. Tal ainda não está acontecendo, uma vez que todo pensamento é dirigido para o aprendizado e assimilação do valor das experiências adquiridas.
O primeiro Signo, o de Áries é o primeiro a verter da manifestação do Espírito Divino. Toda a energia é canalizada para o aprendizado da vida material.

Ambos os crescentes abrindo para baixo, ambos descendo na matéria ou no físico, mantendo um perfeito equilíbrio num só ponto que toca a vida material. Vez por outra se assemelha a uma forma rude de manifestação por se tratar de uma primeira experiência vivida por nós, o Ego, longe do nosso Lar Divino. Porém, o equilíbrio perfeito mantido pelos dois crescentes de consciência, e mais, o ponto singular indicando a direção da experiência indispensável para esse Signo, não deixa dúvida quanto a intenção de aprender tudo que diga respeito ao físico. Haverá interesse em inúmeros objetivos, porém quase sempre haverá o surgir de novos interesses, acarretando a não conclusão das coisas já iniciadas, coisas que em um dado momento despertam mais a atenção.
Assim como o dourado Narciso na Primavera (uma das principais flores que que anuncia o fim do inverno e a chegada da primavera), ansioso por trazer a alegria e a beleza ao mundo expectante, não leva em conta o possível perigo que poderá advir dos ventos rudes e do chicotear das nevascas, da mesma forma o Ego, entrando no mundo finito – na Região Química do Mundo Físico –, prenhe de tantos objetos a serem explorados e estudados, nem sempre leva em conta o preço de suas ações, permanecendo em sua determinação de aprender muitas coisas. Assim viajando através dos vários Signos, nós experimentamos os efeitos das limitações.
O segundo Signo, o de Touro é o segundo passo no caminho ao redor do Zodíaco, indicando pelo círculo que abrange todas as coisas aprendidas em Áries, não se esforçando, contudo, para desenvolver mais atividades exteriores.

Assinala um período de assimilação demonstrado pelo crescente da consciência, apontando para cima, solicitando auxílio das forças superiores no sentido de assimilar o conhecimento contido no círculo, tornando-se ajustável entre a sabedoria adormecida em nós e o conhecimento adquirido por meio da nossa experiência no físico.
Entretanto, a luz acima do círculo indica que embora haja uma tendência para o espiritual, será o aspecto material a despertar o maior interesse, porque nós iniciamos a nossa jornada para a aquisição de experiências dentro da esfera do Mundo Físico.
O terceiro Signo, o de Gêmeos, tem um símbolo onde duas linhas paralelas com abertura nas extremidades indicam “assuntos não concluídos”.

As linhas perpendiculares de Gêmeos estão fechadas e as duas horizontais estão abertas indicando que nesse estágio desse Esquema de Evolução, a coisa mais importante é obter a compreensão e realização dos canais da Mente inferior em conexão com a manifestação física. O caminho da Mente superior está fechado, pois nós, primeiramente, tivemos o nosso sentimento amoroso e compassivo canalizados para aqueles objetos que formam a base material da vida, não podendo, por isso, ainda apreciar ou compreender na íntegra seu aspecto espiritual. O mais inferior deve ser visto como uma parte do Divino, justamente como o mais elevado e o mais altamente desenvolvido. As ações desenvolvidas neste Mundo material gerarão o ambiente que nós encontraremos quando atingirmos mais adiante outros Signos, onde as linhas perpendiculares estarão abertas para aquisição da Sabedoria dos planos elevados. Aquele espaço semelhante a uma caixa entre as linhas guardará todas as impressões indispensáveis e valiosas para a vivência de uma vida superior. Ao persistir em trilhar o Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz, vamos atingindo a vivência nos outros Signos.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de março/1972 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Agosto de 1917
Na Carta a seguir, há uma sugestão valiosa de um Estudante Rosacruz a qual sinto meu dever transmitir:
Ontem à noite, ao examinar a vasta correspondência que tive a felicidade de receber da Fraternidade Rosacruz ao longo de quase cinco anos, perguntei-me como outros Estudantes Rosacruzes e Probacionistas lidam com as Cartas mensais que eles recebem da Fraternidade Rosacruz. Em seguida, ocorreu-me que esse assunto deveria ser abordado em uma das cartas mensais. Não é meu desejo criticar as atitudes de outros Probacionistas, mas é muito provável que poucos Estudantes Rosacruzes e Probacionistas percebam plenamente a verdadeira mina de informações contida nessas cartas — informações que podem ser transformadas em tesouro celestial por meio da ação correta. Com que frequência, ao reler edições passadas, surgiram novas ideias e compreensões das quais eu não tinha consciência anteriormente! E que grande ajuda elas têm sido em tantas lutas interiores!
Pode-se afirmar, com razão, que nestas lições anteriores possuímos uma mina de ouro da qual se podem extrair muitos tesouros capazes de nos auxiliar a viver a vida. Temos aqui, de fato, um segundo Conceito Rosacruz do Cosmos. É deveras importante que Estudantes Rosacruzes e Probacionistas arquivem e preservem corretamente cada detalhe de sua correspondência com a Fraternidade Rosacruz, para que ela possa ser utilizada da melhor maneira possível na difusão da luz dos Irmãos Maiores. Talvez apenas uma dessas lições seja suficiente para ajudar um amigo ou uma amiga. Certamente, uma organização metódica desse material trará grandes benefícios.
Acredito ser pouco provável que a maioria dos Estudantes Rosacruzes e Probacionistas consiga compreender plenamente o imenso poder para o bem que reside nessas lições. Para aqueles de nós habituados a dados rigorosos e métodos científicos de pesquisa, essas lições serão de grande valia para ajudar a unir a Mente e o Coração. Elas contêm muitas preciosidades de pensamento que conduzirão à ação correta e à perseverança na prática do bem. Se os Estudantes Rosacruzes e Probacionistas mantiverem o pensamento voltado para a melhor forma de utilizar as cartas que recebem, isso será de grande ajuda e promoverá um maior crescimento da alma. Certamente, são as pequenas coisas que tornam possíveis as grandes realizações, e talvez isso incentive alguns membros a se dedicarem ao serviço.
Se os Estudantes Rosacruzes tiverem em mente que a repetição é a nota tônica do Corpo Vital, e que “todo desenvolvimento oculto começa pelo Corpo Vital”, compreenderão por que é tão proveitoso rever frequentemente as lições e cartas anteriores.
(Carta nº 81 do Livro “Cartas aos Estudantes” – de Max Heindel – Fraternidade Rosacruz)