Os ensinamentos promulgados pela Fraternidade Rosacruz mencionam a aproximação de uma nova Era, à medida que a Sol, em seu movimento precessional caminha do Signo de Peixes para o Signo de Aquário.
O Sol entrou na órbita de influência aquariana em meados do século passado. A cada 72 anos ele se aproxima um grau do Signo de Aquário, regido por Urano. Sua influência, cuja palavra-chave é a originalidade e renovação, faz-se sentir nas conquistas espaciais, no estudo e aproveitamento das energias solar e atômica, no avanço das telecomunicações e muitas outras áreas tecnológicas, filosóficas, religiosas e afins. Estas descobertas estão transformando o mundo e nos conduzindo a um futuro inimaginável, saibamos ou não.
Algumas passagens das Sagradas Escrituras aludem, esotericamente, a nova Era.
As Eras são fases cíclicas do progresso humano, predominando, em cada uma delas, características marcantes. Oferece ambientes e experiências adequados ao desenvolvimento da Humanidade. O Antigo Testamento relata, veladamente, as transições entre várias dessas etapas.
Ao final da Era de Touro, há uns quatro mil anos (contando com a base de tempo atual: 1 ano como 365 dias), o “povo escolhido” empreendeu a fuga do Egito, terra onde o boi Ápis era cultuado. Neste êxodo foram conduzidos por Moisés, cuja cabeça, em antigas gravuras aparece adornada com cornos de carneiro. Essa forma de representá-lo indica tratar-se do precursor da Era de Áries, durante a qual, na manhã de Páscoa, o Sol tingia de vermelho as portas das casas, semelhante a sangue de carneiro.
Quando o Sol, por Precessão dos Equinócios, entrava na órbita de influência de Peixes, S. João Batista submergia as pessoas nas águas do Jordão. O Cristo chamava a seus Discípulos de “pescadores de homens” (Mt 4:18). O peixe (o ictus dos latinos) era um símbolo do Cristianismo. Explica-se, assim, porque a mitra dos bispos assemelha-se a uma cabeça de peixe. Olhando o futuro através da perspectiva do passado, evidencia-se o alvorecer de uma nova Era. É razoável supor-se que um estágio mais avançado de Religião substituirá o presente, revelando-nos ideais mais nobres do que nosso atual conceito de Religião Cristã.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que o trabalho de preparação para a Era de Aquário já se iniciou. Como se trata de um Signo do Ar, científico e intelectual, depreende-se que a Religião aquariana deverá alicerçar-se em bases racionais, sendo capaz de resolver o enigma da vida e da morte de tal forma a satisfazer a Mente e o Coração.
Aquário é representado por um homem derramando água de seu cântaro, simbolizando o desaparecimento da umidade pela predominância de uma atmosfera mais seca e etérica.
O ser aquariano, por certo, derramará toda a água viva de sua sabedoria, chegando a um adiantamento inconcebível, produzido pelo contato direto de sua Mente com os raios do Cristo Cósmico.
Na próxima Era não haverá mais guerras, porque o nosso desenvolvimento espiritual o tornará um verdadeiro templo de amor. Segundo a Astrologia espiritual Rosacruz e os Ensinamentos Rosacruzes novas forças e energias serão descobertas. Serão, entretanto, utilizadas em benefício de todos, ao contrário do que ocorre nos dias atuais.
Em Aquário, uma Humanidade mais nobre povoará a Terra. A sociedade aquariana, em termos sociais, científicos e espirituais deverá atingir tal estágio evolutivo, que para a limitada consciência pisciana pareceria mera ficção.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1982 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Segundo o dito popular, “o coração tem razões que a própria razão desconhece” (do filósofo e matemático francês Blaise Pascal). Essa expressão encontra sua origem no fato de algumas pessoas agirem intuitivamente, de maneira até a contrariar as diretrizes do raciocínio lógico. Essa maneira pouco convencional de tomar decisões ou reagir a determinadas circunstâncias causa perplexidade e estranheza a muitos.
De um modo geral, somos condicionados, desde tenra idade, a viver consoante regras de um raciocínio linear. Quando alguém foge a esse padrão de conduta, não raro recebe a pecha de excêntrico, quando não de paranormal.
A luz dos Ensinamentos Rosacruzes encontramos explicações para esse aparente “fenômeno”. Em primeiro lugar é necessário analisar esses chamados “impulsos intuitivos”, verificando qual a sua natureza. Nem tudo é intuição. Muitas vezes trata-se de meros impulsos emocionais ou baixo psiquismo, com resultados até funestos. Porém, todo ato motivado por “intuição pura” raramente deixa de produzir resultados benéficos.
A intuição é uma faculdade latente em todos nós, entretanto, manifesta em poucos. Sua expressão, em maior escala, será uma das características da Era de Aquário. Vejamos, agora, qual a relação entre o coração e certas manifestações intuitivas. O sangue, ao passar pelo coração, ciclo após ciclo, durante a vida, grava todas as imagens no Átomo-semente do Corpo Denso. Elabora um arquivo fidelíssimo, que na existência após a morte se imprimirá indelevelmente no Átomo-semente do Corpo de Desejos, base para a nossa estada no Purgatório e Primeiro Céu. O coração encontra-se em estreito e permanente contato com o Espírito de Vida, o Espírito do Amor, fonte do sentimento de unidade. Dessa forma torna-se o centro do amor altruísta, o amor Crístico.
Depois das imagens passarem ao Mundo do Espírito de Vida, no qual se encontra a verdadeira Memória da Natureza, não retornam através dos lentos sentidos físicos, mas por meio do quarto Éter, o Éter Refletor, contido no ar que respiramos.
O Espírito de Vida percebe muito mais nitidamente no seu Mundo do que nos planos mais densos da Natureza. Na elevada região, que lhe é própria, vive em íntima relação com a Sabedoria Cósmica. Isto lhe faculta, em qualquer circunstância, sabendo de imediato o que há de fazer, a enviar mensagens de orientação e iniciativa ao coração. Este logo a retransmite ao cérebro, por meio do nervo pneumogástrico ou nervo vago. As chamadas “primeiras impressões” formam-se dessa maneira. Nada mais são que impulsos intuitivos emanados diretamente da fonte da Sabedoria e do Amor Cósmico.
É um processo rapidíssimo. O coração o elabora antes da razão poder considerar a situação. Não sendo assim, predominará o raciocínio lógico, válido até certo ponto, porquanto suas limitações esbarram no transcendente.
Quando a nossa Mente esgota seus recursos para resolver determinado problema só restará uma saída: a intuição. E mesmo assim, poucos se tornaram sensíveis ao seu processo.
Embora não se constituindo em regra geral é válido afirmar que nas pessoas mais devotas as mensagens intuitivas se fazem mais presentes. Eis uma das razões por que o Método Rosacruz de Desenvolvimento Espiritual Cristão Esotérico procura estabelecer um equilíbrio entre razão e coração, intelecto e devoção, oculto e místico.
O que o ser humano pensa em seu coração é certo (Pb 23:2), porque assim ele é. Não é raro ouvirmos esta expressão: “as pessoas espiritualizadas têm um coração inteligente”. Aprendemos na Filosofia Rosacruz que se pudéssemos agir segundo os impulsos do coração, o primeiro pensamento, a Fraternidade Universal, seria realizado agora mesmo!
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – setembro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Nós somos um Tríplice Espírito (Espírito Divino, de Vida e Humano), um Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui), que possuímos uma Mente, governando com ela o nosso Tríplice Corpo (Corpo Denso, Vital e de Desejos), que emanou de si mesmo para adquirir experiência. Esse Tríplice Corpo se converte em Tríplice Alma (Alma Consciente, Alma Intelectual e Alma Emocional), da qual se nutre, elevando-se assim da impotência à onipotência. Ou seja: a Tríplice Alma é a quintessência do Tríplice Corpo.
O Espírito Divino emanou de si o Corpo Denso extraindo como fruto a Alma Consciente.
O Espírito de Vida emanou de si o Corpo Vital extraindo como fruto a Alma Intelectual.
O Espírito Humano emanou de si o Corpo de Desejos extraindo como fruto a Alma Emocional.
O Tríplice Espírito lançou uma tríplice sombra sobre o reino da matéria e desse modo o Corpo Denso foi evoluindo como contraparte do Espírito Divino, o Corpo Vital como réplica do Espírito de Vida, e o Corpo de Desejos como imagem do Espírito Humano.
Finalmente, e o mais importante de tudo, formou-se o degrau da Mente como enlace entre o Tríplice Espírito e seu Tríplice Corpo. Esse foi o começo da consciência individual e marca o ponto onde acaba a Involução de nós, o Ego, na matéria, e onde começa o processo evolutivo pelo qual extraímos da matéria as lições aprendidas em cada Região ou Mundo que vivemos. A Involução significa a cristalização do Espírito em Corpos distintos, mas a evolução depende da dissolução dos Corpos, da extração da substância da Alma deles e da amálgama alquímica dessa Alma com o Espírito.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro/1970-Fraternidade Rosacruz-SP)
Para melhor compreender o que é a Iniciação e quais seus requisitos preliminares fixe o leitor, antes de tudo, e com toda a firmeza em sua Mente, que, na totalidade, a Humanidade progride lentamente no Caminho de Evolução – desde o Período de Saturno até o Período de Vulcano, Período por Período, Globo por Globo, Revolução por Revolução. Só lenta e quase imperceptivelmente consegue estados mais elevados de níveis de consciência. O Caminho de Evolução, examinado sob os aspectos espiritual e físico, é uma espiral.
Na figura que chamamos lemniscata, há dois círculos que convergem para um ponto central. Os círculos podem servir para simbolizar nós, o Espírito imortal, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana manifestado aqui como Tríplice Espírito). Um dos círculos representa a nossa vida terrestre no Mundo Físico, desde o nascimento até a morte aqui, e o outro, nossa vida celeste nos Mundos invisíveis (à visão física), desde a morte aqui até ao renascer aqui.
Enquanto permanecemos nesse mundo, nós, o Ego, semeamos uma semente em cada ato, obra ou ação, dele colhendo certa quantidade de experiência. Contudo, assim como se pode semear sem haver colheita, porque as sementes foram atiradas em terrenos pedregosos, entre espinhos, assim também a semente da oportunidade, por negligência no cultivo do terreno, pode ser perdida e, então, a vida será estéril, sem fruto, como nos revela a Parábola do Semeador [1]. Ao contrário, assim como a qualidade e o cuidado no cultivo aumentam, enormemente, o poder produtivo das sementes, uma aplicação cuidadosa no negócio da vida – a melhora de oportunidades para aprender as suas lições é extrair de nosso meio as experiências que contém – nos traz mais oportunidades. Ao terminar uma existência terrestre, nós, nas portas da morte, nos encontramos carregados dos mais ricos frutos da vida terrestre.
Terminado o trabalho objetivo da existência, começamos o trabalho subjetivo da assimilação. Esta obra se efetua, durante a nossa permanência nos Mundos invisíveis – mais uma vida celeste –, período que decorre desde a morte aqui até ao renascimento aqui, simbolizado pelo segundo anel da lemniscata. Quando chegamos ao ponto central da lemniscata, que divide o Mundo Físico dos Mundos invisíveis, chamamos a porta do nascimento, ou da morte, entra (ou sai) numa outra esfera, em relação a nós. Fazemo-lo com um conjunto de faculdades e talentos, adquiridos em vidas anteriores, que usamos, ou descuidamos, em novo dia de vida, segundo nossa própria escolha. Do uso que fizermos das nossas oportunidades depende o nosso crescimento da alma.
Se, durante muitas vidas gratificamos, principalmente, a nossa natureza inferior (“Eu inferior”), vivendo para comer, beber e nos divertir, ou deixamos que nossos ideais espirituais se esfumassem em sonhos e especulações metafísicas, acerca da natureza de Deus, nos abstendo, negligentemente, de toda ação necessária, gradualmente seremos deixados para trás, pelos mais ativos e progressistas: nos tornamos um “atrasado” no Caminho de Evolução. Grandes agrupamentos destes “preguiçosos” formam as chamados “seres humanos atrasados”, enquanto os ativos, desembaraçados e despertos espiritualmente, que se ocupam em adquirir uma porcentagem maior de oportunidades, são os “precursores”.
Ao contrário da ideia geralmente aceita, isto se aplica, igualmente, àqueles que estão empenhados em trabalhar aqui, por meio de ações, obras e atos, que visam auxiliar as pessoas ao seu lado, bem como cumprir o que a própria pessoa escolheu quando estava no Terceiro Céu, no início de mais um renascimento aqui. Para esses irmãos e essas irmãs a maneira de ganhar os recursos financeiros necessários para se viver aqui é, somente, um incidente, um incentivo, inteiramente a parte dessa fase. O trabalho deles pode ser tão espiritual ou, talvez mais, do que o daqueles que só passam o tempo aqui em preces, com prejuízo de um trabalho útil por meio de ações, obras e atos. Do que dissemos, se torna claro que o método de desenvolvimento da alma, levado a efeito por esse Esquema de Evolução, requer ação, ato e obra na vida física, seguida, na vida post-mortem, por um estado de assimilação, durante o qual as lições da vida são extraídas e cuidadosamente incorporadas a nossa consciência, embora as experiências, em si, sejam esquecidas.
Este processo, excessivamente lento, acomoda-se, perfeitamente, as necessidades da imensa maioria das pessoas. No entanto, alguns esgotam, rapidamente, as experiências comumente dadas e requerem um campo mais extenso, para aplicar suas energias. A diferença de temperamento é a causa de uma divisão em duas classes.
Uma dessas classes, conduzida por sua devoção a Cristo, segue, simplesmente, os ditados do Coração, em sua tarefa de amor por seus irmãos e por suas irmãs. Belos caracteres, faróis de amor num mundo sofredor, estão sempre prontos a esquecer sua própria conveniência, para ajudar aos outros.
Na outra classe, a Mente é o fator predominante. A fim de ajudar os irmãos e as irmãs em seus esforços para alcançar sabedoria, as Escolas de Mistérios – ou Escolas de Iniciação – foram criadas. Nelas foi representado o drama do mundo, para dar as almas aspirantes, enquanto se achavam enlevadas, respostas às perguntas acerca da origem e do destino da Humanidade.
Ao despertar, tais irmãos e irmãs eram instruídos na Ciência sagrada de ascender mais, por meio do método da Natureza – que é Deus em manifestação – semeando a semente da ação, meditando acerca da experiência e assimilando a moral essencial para obter o devido crescimento anímico, o seu crescimento da alma.
Também, havia esta circunstância importante: enquanto, no curso normal das coisas se gasta uma vida inteira em semear e uma existência post-mortem na reflexão e incorporação da substância anímica, em um ciclo de, aproximadamente, mil anos pode ser consideravelmente reduzido.
Seja qual for o trabalho executado durante um dia simples, reflita-se sobre ele, à noite, antes de cruzar o ponto neutro entre o estado de vigília e o adormecer. Esta experiência pode, deste modo, ser incorporado na nossa consciência, como Poder Anímico. E o melhor modo de fazer isso é por meio da prática do Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção.
Lembremo-nos que esse Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é o mais eficiente dos métodos existentes para fazer o Aspirante à vida superior avançar no Caminho de Preparação e Iniciação Rosacruz. Seu efeito tem tal alcance que permite ao Estudante Rosacruz ativo aprender agora não apenas as lições dessa vida, mas também lições que normalmente lhe estariam reservadas para existências futuras.
Como se pratica esse Exercício Esotérico Rosacruz (que faz parte do Treinamento Esotérico de todo Estudante Rosacruz ATIVO)?
“Após deitar-se à noite, o Aspirante à vida superior relaxa o Corpo Denso e começa a recordar os acontecimentos do dia na ordem inversa, partindo dos da noite, em seguida os da tarde, e depois os da manhã.
Deve esforçar-se para “rever” cada cena com a máxima fidelidade e procurar reproduzir ante seus olhos mentais tudo o que aconteceu em cada uma delas, a fim de poder julgar seus atos e certificar-se de que suas palavras transmitiram o sentido desejado ou deram uma impressão falsa, como também se exagerou ou foi omisso ao relatar experiências a outrem.
Deve examinar sua atitude moral relativa a cada cena. E quanto aos alimentos, verificar se “comeu para viver” ou “viveu para comer”, para gratificar o paladar.
Durante todo o Exercício Esotérico noturno de Retrospecção, o Aspirante à vida superior vai julgando a si mesmo, censurando-se onde couber reprovação e elogiando-se onde couber o louvor.
Lembremo-nos: não é um exercício de memória! O que deve ser utilizado são os eventos que deixaram os maiores impactos (sejam simples ou não!) no Aspirante à vida superior: focando no efeito que gerou e depois na causa principal que gerou tal efeito. Se foi considerado bom pelo Aspirante à vida superior esse deve ser grato e reforçar sua decisão de repeti-lo sempre que houver ocasião. Se for considerado ruim ou “mal” pelo Aspirante à vida superior, ele deve se arrepender profunda e sinceramente e se comprometer a se reformar intimamente, se esforçando ao máximo para não o repetir quando houver ocasião.
Assim, quando se pratica, sinceramente, este Exercício Esotérico Rosacruz, revisando os pecados cometidos durante o dia, são eles eliminados, automaticamente, e começamos, em cada dia, uma nova vida, com a vantagem de ter aumentado o nosso Poder Anímico, extraído das experiências da vida aqui. Ao abandonarmos o nosso Corpo Denso – ao morrer e irmos ao Purgatório, a visão do nosso passado se desenrola em ordem inversa, para mostrar, primeiramente, os efeitos, e depois, as causas que os produziram. Sentimos, de maneira intensa, a dor que causamos aos demais. Se não executamos o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção de maneira similar, sofrendo cada noite o “inferno” que merecíamos durante o dia, sentindo, agudamente, todos os pesares que havíamos infligido, não nos servirá de nada. Temos que nos esforçar, também, em sentir, com a mesma intensidade, a gratidão pelas atenções recebidas dos outros e a aprovação do bem que proporcionamos, pois o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é maneira similar ao que vivemos no Primeiro Céu.
Somente assim, vivemos, verdadeiramente, a existência post-mortem e avançamos, cientificamente, até a meta da Iniciação. O maior perigo para nós neste ponto é cairmos vítimas do laço do egoísmo. Nossa única salvação é cultivar as faculdades da fé, da devoção e da simpatia universal.
Se ponderamos bem o argumento precedente, teremos compreendido a analogia entre o largo ciclo da evolução e os ciclos curtos, ou passos, utilizados no Caminho de Preparação, que precede o Caminho de Iniciação. Ficará claro para nós que ninguém pode realizar, por outro, este trabalho post-mortem, nem lhe transmitir o desenvolvimento anímico adquirido da mesma maneira; ninguém pode ingerir o alimento físico de outro e lhe transmitir sua resistência e desenvolvimento!
Se não conseguirmos o Poder Anímico requerido para a Iniciação, ninguém poderá nos iniciar. Se o possuímos, estamos no umbral por nossos próprios esforços. Podemos pedir a Iniciação, como um direito. Se não o tivéssemos e quiséssemos comprar, quaisquer valores financeiros que fossem mobilizados seriam insignificantes para pagá-los!
Fixemos bem, em nossas Mentes, que a Iniciação não é uma cerimônia externa, mas, sim, uma experiência interior, na qual somos ensinados a usar o poder que armazenamos por meio de uma vida de pureza e de serviço amoroso e desinteressado (portanto, o mais anônimo possível) ao irmão e à irmã ao seu lado, focando na Divina Essência oculta em cada um de nós, que é a base da Fraternidade.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
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[1] O semeador saiu a semear sua semente. Ao semeá-la, uma parte da semente caiu ao longo do caminho, foi pisada e as aves do céu a comeram. 6Outra parte caiu sobre a pedra e, tendo germinado, secou por falta de umidade. 7Outra caiu no meio dos espinhos, e os espinhos, nascendo com ela, abafaram-na. 8Outra parte, finalmente, caiu em terra fértil, germinou e deu fruto ao cêntuplo”. E, dizendo isso, exclamava: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”. (…) 11Eis, pois, o que significa essa parábola: A semente é a palavra de Deus. 12Os que estão ao longo do caminho são os que ouvem, mas depois vem o diabo e arrebata-lhes a Palavra do coração, para que não creiam e não sejam salvos. 13Os que estão sobre a pedra são os que, ao ouvirem, acolhem a Palavra com alegria, mas não têm raízes, pois creem apenas por um momento e na hora da tentação desistem. 14Aquilo que caiu nos espinhos são os que ouviram, mas, caminhando sob o peso dos cuidados, da riqueza e dos prazeres da vida, ficam sufocados e não chegam à maturidade. 15O que está em terra boa são os que, tendo ouvido a Palavra com coração nobre e generoso, conservam-na e produzem fruto pela perseverança. (Mc 4:1-9 e 13 a 20)
Alguém que tenha experimentado alguma vez o que foi chamado de “a graça da concentração criativa” não poderá se sentir indiferente pela perda de tempo nas ocupações e passatempos sem sentido, que geralmente fazem perder uma parte de energia mental. Se no passado essa pessoa encontrou algum prazer na preguiça e inatividade mental, provavelmente, continuará agindo assim por mais algum tempo.
Hábitos antigos são difíceis de mudar, mas a sua consciência, estimulada pela lembrança da elevação espiritual e da realização resultante de seus momentos de concentração criativa, irá lhe causar uma inquietação cada vez maior. Começará a sentir que é, na verdade, um pecado contra o que realmente a pessoa é, o Ego, se deixar sucumbir pela indolência mental, desperdiçar seus talentos intelectuais e levar, mesmo que parcialmente, uma existência improdutiva, atendendo a sua Personalidade.
Uma das razões para nossa curta permanência neste Mundo Físico é que devemos desenvolver a força criadora e a capacidade que temos dentro de nós. Quando percebemos o que podemos conseguir com esta força criadora e que grande capacidade latente existe em nós, não ficaremos mais satisfeitos em deixar que outros nos distraiam continuamente, que pensem por nós (e nós podemos pensar até melhor!) e que fiquemos parados vendo a vida passar. Vamos querer, cada vez mais, participar ativamente nos pensamentos construtivos e originais, dedicando tantos momentos quantos forem possíveis a isto, e experimentar a alegria e exaltação que nos vem quando tais pensamentos são traduzidos em ações e nos trazem seus frutos.
Nossa ideia original de “descanso”, muitas vezes envolve: se sentar por longo tempo diante da televisão ou de um computador ou de um celular à mão assistindo programas e outras coisas fúteis; leitura literária de valor duvidoso, que exige pouca ou nenhuma resposta mental; assistir a filmes e/ou vídeos de segunda classe ou qualquer outro tipo de atividade mundana e passiva.
O que parece tarefa difícil de início: concentração, estudo ou pensamento criador, quando tomamos consciência por um esforço determinado da vontade, se torna fácil, mais natural e até familiar. Com o tempo, o esforço desenvolvido da vontade para estas atividades será mínimo e a antiga tendência para as atividades improdutivas e passivas mudarão, e até sentiremos um sentimento agudo de desagrado por tarefas desta natureza.
Isto de maneira alguma implica na necessidade de uma pessoa se tornar “escrava mental” ou levar uma vida exclusivamente contemplativa, para experimentar elevação espiritual da concentração criadora. Muito longe disso! Os resultados da concentração criativa devem resultar em ação e obra criadora e é este o verdadeiro significado que deve nortear os que assim se concentram. Devemos reservar algum tempo a esta atividade, mas certamente uma vida vivida exclusivamente “pensando”, sem nada ou pouco “fazer” não preencherá o propósito de nossa existência na Terra, ao contrário: nos atrasará na Evolução!
O descanso é um fator importante nas nossas vidas, mas os períodos de descanso devem ser intercalados com períodos de concentração criativa e atividades criadoras, o que é muito necessário para a maioria das pessoas, porque estamos no estágio do desenvolvimento mental (já que a nossa Mente está no primeiro estágio de desenvolvimento de um veículo: o estágio mineral, pois nem Corpo ainda é!).
Há, porém, muito poucos que podem sustentar continuamente um alto grau de atividade mental ininterrupta e intensiva, ou uma atividade duplamente mental e física, sem o alívio e o relaxamento de ocupações menos exigentes.
O descanso físico, contudo, não precisa ser passivo, parado, assim como o descanso mental não quer dizer que a Mente não vá ser usada.
Por exemplo, no descanso mental, uma pessoa pode fazer uma literatura ou assistir algo menos sério, mas que seja ao mesmo tempo, estimulante para a Mente. Tratados filosóficos podem ser postos de lado em favor de livros ou vídeos de viagem, artigos sobre a Natureza, animais ou qualquer outro tipo de assuntos de interesse particular.
Esses livros ou vídeos são mentalmente estimulantes e oferecem à Mente uma variação de tipos de leitura e de visualizações. O descanso combinado com o estímulo mental é também obtido através de atividades como passeios ao ar livre, o contato com a Natureza, contemplando-a e meditando sobre ela, ter os olhos e os ouvidos abertos, tentando aprender enquanto passeamos, escutar uma boa música, fazer visitas a museus e ter conversas elevadas e construtivas com amigos onde praticamos os Exercícios Esotéricos Rosacruzes de Observação e do Discernimento. Todos esses passatempos e muitos outros são muito mais produtivos, e exercem uma atividade mental muito maior, do que permanecer na inércia, que é tido como “descanso” por muitas pessoas. Um dos piores defeitos que podemos ter é o da preguiça mental e autoindulgência. A Mente é o veículo mais recentemente adquirido, dos quatro que possuímos e, como tal, é o menos desenvolvido.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que a Mente é o instrumento mais importante que temos; um instrumento especial na obra da criação. A laringe espiritualizada e perfeita determinará e falará a Palavra Criadora, mas a Mente aperfeiçoada decidirá quanto à forma particular e volume de vibração. A Imaginação será a faculdade espiritualizada que dirigirá a criação.
É um sublime ideal, sem dúvida, mas estamos ainda está longe de obter este desenvolvimento mental, de atingir seu auge, sua finalidade.
Também aprendemos na Filosofia Rosacruz que a Mente da maioria de nós é como uma peneira, um crivo. Os pensamentos se filtram através dos cérebros da maioria de nós da mesma forma que a água atravessa a peneira. Estes pensamentos são bons, maus e indiferentes, sendo estes últimos em grande maioria. A imaginação não retém nenhum deles, o suficiente para poder conhecer sua natureza, e assim alimentamos a ideia de que não podemos impedir que nossos pensamentos fossem como são. Por causa disto, muitas pessoas se acostumam a pensar negligentemente, o que os torna incapazes de se concentrarem num determinado assunto ou dominá-lo. É difícil alcançar isto, mas quando se consegue o controle do pensamento, a pessoa que conquistou isto tem certamente em sua mão a chave-mestra do êxito, em qualquer empreendimento.
Por tudo isto é óbvio concluir que a Mente precisa se desenvolver cada vez mais. Perdemos tempo ocupando-a com pensamentos vagos e indignos, ao invés de exercitá-la condignamente para aumentar sua força e seu potencial. Eis aqui o motivo que leva a muitas pessoas precisarem de muitas vidas de esforço mental controlado para desenvolver a Mente!
Não parece razoável, então, que ajudemos ativamente este processo, de todas as maneiras possíveis, em lugar de impedir e até recusar o trabalho contínuo de estimular e exercitar a Mente?
Projetá-la também numa situação nova e desafiadora e trabalhar sobre as forças criadoras latentes, que finalmente poderão se manifestar?
Conservar a Mente ocupada em canais construtivos de serviço ao irmão ou à irmã que está ao seu lado é a única maneira de ajudá-la a evoluir até aquele ponto de perfeição criativa para a qual está destinada. Todas as vezes que nos permitimos ficar indolentes mentalmente ou arquitetamos pensamentos destrutivos ou vagos, em lugar de pensamentos construtivos, e se possível criativos, estamos segurando e atrasando bastante o desenvolvimento de nossa Mente. Além disso, quando nos deixamos levar por certos tipos de atividade mental negativa, mais difícil será para nós recomeçar a usar a Mente em propósitos dignos e válidos. Preguiça mental que se disfarça sobre a forma de distração ou descanso, é muito agradável às naturezas inferiores (inclusive elementais e até irmãos e irmãs que partiram e que estão Apegados à Terra e que, assim, obsidiam total ou parcialmente) que não desistirão de esse proceder facilmente, uma vez que já o hábito se instalou.
Muitas vezes, durante o dia, quando estamos ocupados nas tarefas de rotina, porém necessárias, a Mente pode estar sendo exercitada. Períodos de afazeres domésticos, jardinagem, tempo gasto no transporte indo ou vindo do trabalho, momentos de espera para algum compromisso ou algo parecido, tudo pode ser utilizado em benefício da Mente, pois são ótimos momentos para executarmos três Exercícios Esotéricos Rosacruzes de Concentração, Observação e do Discernimento.
A grande maioria das pessoas tem no fundo de suas Mentes, vagas ideias de projetos, de realizações, de condutas que se apresentam como possibilidades para considerações futuras “quando tivermos tempo”. Muitos de nós temos tempo e até mais tempo do que imaginamos, e deveríamos usá-la na consideração destes novos esquemas: colocar os planos em atividade e usar o tempo que temos sabiamente.
Se utilizarmos, de maneira correta, todos os momentos que temos a nossa disposição, a nossa Mente será capaz de grandes coisas. A atividade construtiva mental, intermeadas por períodos de repouso mental, que também é de natureza construtiva, moldará e transformará com firmeza a nossa Mente, em instrumento de força e poder inacreditáveis.
A graça (dádiva) da concentração criativa deve ser adquirida através de atividade e exercício mental apropriados. Uma vez obtida esta graça, acharemos nossas vidas mais ricas e desenvolvidas, e ficaremos surpreendidos em ver o tempo que desperdiçamos, quando fugimos de fazer este esforço mental.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – junho/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Um dos traços de união entre os Estudantes Rosacruzes é o desejo comum de ajudar o próximo. Um dos principais motivos de nossas Reuniões de Estudos é orar pelos necessitados e tentarmos, seriamente, seguir a advertência de Cristo para orarmos uns pelos outros. Os Rituais dos Serviços Devocionais que oficiamos têm esse conteúdo!
Há pessoas, porém, que sentem que suas preces não estão “produzindo resultados”; que não podem ajudar um ente querido necessitado, que compreendem o problema alheio, mas estão incapacitados de ajudar a resolvê-lo. Podem sentir também que existem condições além de sua capacidade, chegam a pensar que são dignos de pedir, quanto mais de receber a resposta tão esperada às suas preces. Percebem que suas preces não estão sendo respondidas como esperavam. Se alguém já passou por alguma destas experiências há sugestões que podem ser úteis.
Primeiro, vamos tentar definir a palavra “prece”. Basicamente prece é:
A oração mais conhecida no mundo Cristão é a Oração do Senhor (Pai-Nosso). Aprendemos na Fraternidade Rosacruz a mais sublime explicação para essas santas palavras. Esta prece foi ensinada por Cristo Jesus aos Apóstolos, para ser usada em benefício deles próprios, mas é usada por todos e, também, pelos Estudantes Rosacruzes como uma fórmula científica (porque é uma oração científica!) para a elevação e purificação dos Corpos e veículos que possuímos.
Usando o capítulo 17 do Evangelho Segundo de S. João[1] como base para fazer com que nossas preces se tornem mais eficientes, devemos ressaltar dez pontos:
1) Algumas pessoas que rezam fracassam porque são egoístas. Os 26 versículos deste capítulo podem ser divididos em 3 partes: os primeiros oito versículos constituem a prece de Cristo Jesus para Ele mesmo; os versículos 9 a19 são a Sua prece para Seus Discípulos; e os versículos 20 a 26 são para aqueles que irão acreditar n’Ele mais tarde – o que nos inclui.
Na primeira parte, Cristo Jesus estava rezando não só para Ele próprio, como também para a glorificação de Deus-Pai. “glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique”. “Eu te glorifiquei na Terra e terminando a obra que me deste para fazer”. Ele não procurou glória para Si, mas apenas que o Pai pudesse ser glorificado e Sua verdadeira essência revelada.
Ao orar pelos outros devemos ficar atentos para não glorificarmos a nós mesmos e a nossos desejos. Ocasionalmente podemos não nos aperceber de que nos tornamos ditadores ao procurar impor nossa vontade pessoal ou ao tentar forçar alguém a aceitar modelos pré-concebidos. Talvez estejamos rezando: “Faça-o enxergar as coisas do meu modo”, ao invés de: “Ajuda-me a encontrar a melhor solução”, ou: “Faze com que a luz da verdade ilumine sua Mente”, ou simplesmente: “Tuas vontades serão feitas, Pai”.
É fácil desviar as preces que fazemos para os outros, de modo a satisfazer o que nós queremos para eles ou pensamos que eles deveriam querer ou ter. É uma cilada contra a qual precisamos estar sempre de prontidão, especialmente quando se trata de pessoas muito chegadas a nós. Pode não ser difícil parecer que estamos conformados quando pedimos por aqueles que estão longe e não são tão íntimos, mas para aqueles com quem temos uma relação mais chegada, é muito difícil nos desvencilharmos do nosso Ego e tentarmos rezar para o bem dessa pessoa entregando-a a Deus, mesmo que seja contra o que gostaríamos que acontecesse. Portanto, se nossas preces parecem não produzir resultados, vamos examinar nossos motivos e talvez aí encontremos a razão para o fracasso.
2)Devemos sempre reconhecer a qualidade da liberdade no amor Crístico, mesmo quando vemos que alguém está cometendo o que consideramos um grande erro. Devemos dar liberdade a esta pessoa para que se desenvolva a sua maneira. Talvez vejamos alguém muito querido ou querida deixando-se levar para uma situação que sabemos irá causar-lhe sofrimento e queremos evitar que isto aconteça e que a pessoa sofra.
Porém, talvez, seja preciso, para que a pessoa aprenda experimentar certas provações e aflições, a fim de receber uma lição necessária. Talvez o engrandecimento da alma venha através desta experiência porque, infelizmente, aprendemos muito mais com nossas próprias experiências do que com conselhos.
Quando bebês, ao aprendermos a andar, tivemos muitas quedas. Se nossas mães nos tivessem carregado sempre em seus braços, certamente não teríamos tido tantas quedas, manchas roxas e choros, mas também não teríamos aprendido a andar. A mãe carinhosa, certamente quer proteger seu filho de quedas físicas, emocionais e espirituais, mas somente experimentando algumas dessas quedas e por meio da liberdade do poder tentar, acertar e fracassar sozinhos é que aprendemos a andar retos, tanto fisicamente como de outras maneiras.
Cristo Jesus nos ensinou: “Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno“[2]. Ele não rezou para que Seus queridos Apóstolos fossem tirados do mundo, mundo este cheio de desafios, provocações, frustrações e conflitos, mas que eles fossem protegidos do mal. Devemos deixar nossos entes queridos livres para encontrar o bem supremo, da maneira que for melhor para eles. Podemos rezar para que Cristo os conduza nos caminhos da honradez e probidade. O Cristo Interno deve reconhecer o Cristo daquele por quem rezamos e dar-lhe liberdade individual para fazer sua própria escolha.
3)Não devemos jamais implorar ou suplicar. Implorar supõe que estamos tentando superar uma relutância por parte de Deus. Não há necessidade de se implorar a Deus em nome de outra pessoa, uma vez que o seu bem-estar já é muito conhecido no coração de Deus-Pai.
Muitas referências nas Escrituras Sagradas afirmam esta verdade. “Nosso Pai conhece as coisas de que necessitamos, antes de as pedirmos” (Mt 6:8). “Não é da vontade do Pai que nós devamos morrer” (Mt 18:14). “É prazer do Pai dar-nos o Reino” (Lc 12:32). Podemos estar certos de que a vontade de Deus para nós é perfeição.
A prece de Cristo Jesus era: “Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim“. Nossas preces não mudam o que Deus pensa sobre nós. Ele já nos determinou perfeição. Não temos que negociar com Deus. A prece não muda Deus e não O impele a fazer o que Ele não almeja para nós. A prece nos coloca num estado de receptividade do bem que Deus já planejou para nós. Portanto, ao invés de implorar e suplicar, vamos reivindicar o que há de bom, já estabelecido em espírito. Cristo Jesus corajosamente rezou para o Pai: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estou, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo.” (Jo 17:24).
4)Devemos confirmar a verdade na fé, confiança e na gratidão. Quando Cristo Jesus ressuscitou Lázaro, Ele disse com plena fé e confiança: “Pai, Eu Vos agradeço por me teres ouvido e sei que sempre me ouvis” (Jo 11:41).
Nas duas ocasiões quando alimentou as multidões, Ele primeiro agradeceu pela dádiva que foi dada, muito embora ainda não tivesse sido manifestada no plano exterior. Agradecendo desta maneira, demonstra fé, confiança e desperta estas qualidades em outros, que, por sua vez, se tornam melhores canais pelos quais Deus pode fazer Sua obra.
5)Não volte atrás em suas preces! É de pouca valia orar com palavras positivas se, continuamente, estamos projetando um quadro negativo na tela da nossa Mente. Se visualizarmos e, deste modo, enfatizamos a parte negativa ou condição que precisa ser eliminada, estamos desfazendo todo nosso trabalho de orar. Você se lembra da Parábola da Casa Vazia (ou dos maus espíritos)[3]? Depois de estar completamente limpa, ela permaneceu vazia; os maus espíritos voltaram e trouxeram sete vezes piores espíritos com eles. Ideias sombrias e pessimistas sobre quem oramos devem ser eliminadas de nossa casa de pensamentos. Inclinações duvidosas, temores e ansiedade devem ser varridos com fortaleza e na nossa Mente só devemos colocar pensamentos firmes e positivos.
6)Devemos imaginar os perfeitos resultados da oração. Nossa faculdade de imaginar desempenha um importante papel no que diz respeito a “chamar” as condições desejadas.
Se rezamos pela saúde de alguém, vamos imaginá-lo sempre com boa saúde. Se rezamos pela paz de espírito, harmonia ou qualquer outra condição desejada, vamos imaginá-lo já gozando deste estado de espírito. “Está decidido: tu manterás a paz, sim, a paz, porque a ti foi ela confiada.” (Is 26:3). Fixando nossa atenção em Deus e na sua bondade, fortalecemos Sua presença e atividade.
Ao visualizarmos alguém circundado pela Luz de Cristo, estamos protegendo-o do mal e ajudando a antecipar a cura, seja de doenças ou enfermidades física, emocionais ou mentais. Desta maneira nos tornamos co-criadores com Deus e ajudamos a estabelecer o Reino dos Céus na Terra.
7)Não devemos colocar limites nas nossas preces ou orações. Com Deus nada é impossível; não há limitações em Deus. “Se me pedirdes algo em meu nome, eu o farei.” (Jo 14:14).
Cristo Jesus nos ensinou: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do vosso Pai dar-vos o Reino!” (Lc 12:32). O desejo do Pai para conosco é o bem, nada a não ser o bem, de maneira que devemos ficar receptivos e abertos para todo o bem que o Pai tem reservado para nós. Poderá vir em bênçãos como um aguaceiro derramado das janelas do Céu.
8)A qualidade sentida, presente, de agora é eficiente na oração. A manifestação da resposta perfeita de Deus é possível agora mesmo, se houver fé e compreensão suficientes para chamá-la. “Acontecerá então que antes de me invocarem, eu já lhes terei respondido” (Is 65:24).
Deus está aqui, agora, e basta invocar Seu Amor e Poder de maneira correta, para recebermos respostas completas e perfeitas.
9)Devemos dar à oração um profundo sentido de alegria. “Agora, porém, vou para junto de ti e digo isso no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria.” (Jo 17:13).
Se estamos cientes da presença e poder de Deus, como Cristo Jesus estava, não deixaremos de ser agraciados com a felicidade.
A oração verdadeira é alegre, porque reflete a convicção que Deus está no comando de Seu mundo e que tudo está na ordem divina, apesar de toda a aparência em contrário.
10)Nossas Mentes e nossos Corpos devem estar limpos e puros. No Ritual do Serviço Devocional de Cura da Fraternidade Rosacruz encontramos estas palavras: “Se desejamos ser verdadeiros auxiliares no trabalho iniciado pelos Irmãos Maiores devemos converter nossos Corpos em instrumentos adequados e purificá-los por meio de uma vida pura, pois num vaso sujo não pode haver água pura e saudável, nem pode uma lente manchada dar uma imagem nítida. Também, não é possível irradiarmos uma força curadora pura e forte, se não mantivermos limpos e puros os nossos Corpos e as nossas Mentes.”.
Nem o puro e forte Poder de Cura pode ser emanado daqui a não ser que mantenhamos nossas Mentes e nossos Corpos limpos e puros. Quando Cristo Jesus subiu o Monte da Transfiguração, Ele levou consigo três de Seus Discípulos: S. Pedro, S. Tiago e S. João.
Enquanto estavam com Ele, os demais Discípulos foram abordados por um homem que pedia a cura de seu filho, possuído pelos maus espíritos. Eles tentaram, mas não conseguiram a cura. Quando Cristo Jesus, acompanhado de S. Pedro, S. Tiago e S. João retomou e curou o menino imediatamente.
Os Discípulos, desanimados pela inabilidade em demonstrar o poder da cura que Cristo Jesus havia ensinado, perguntaram o porquê. Sua resposta foi: “Este tipo de cura só acontece com prece e abstinência”. Que outra manifestação mais clara precisamos ter para nos certificarmos da necessidade de purificar os nossos Corpos e as nossas Mentes?
Devemos nos alimentar com pensamentos saudáveis e puros. Não podemos deixar nossas Mentes se fortalecerem com pensamentos negativos, nem permitir que sentimentos desta natureza nos guiem.
Assim como seguimos instruções de nossos Irmãos Maiores para um regime vegetariano, a fim de conservarmos nossos Corpos puros, vamos prestar atenção no que S. Paulo nos ensinou sobre a purificação da Mente: “Quanto aos mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é santo, tudo o que é amável, tudo o que é de bom nome, qualquer virtude, qualquer coisa digna de louvor da disciplina, seja isto objeto dos vossos pensamentos” (Fp 4:8).
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – fevereiro/1981 – Fraternidade Rosacruz – SP)
[1] N.T.: 1Assim falou Cristo Jesus, e, erguendo os olhos ao céu, disse: “Pai, chegou a hora: glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique, 2e que, pelo poder que lhe deste sobre toda carne, ele dê a vida eterna a todos os que lhe deste! 3Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Cristo Jesus. 4Eu te glorifiquei na terra, concluí a obra que me encarregaste de realizar. 5E agora, glorifica-me, Pai, junto de ti, com a glória que eu tinha junto de Ti antes que o mundo existisse. 6Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus e os deste a mim e eles guardaram a tua palavra. 7Agora reconheceram que tudo quanto me deste vem de ti, 8porque as palavras que me deste eu as dei a eles, e eles as acolheram e reconheceram verdadeiramente que saí de junto de ti e creram que me enviaste. 9Por eles eu rogo; não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus, 10e tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu, e neles sou glorificado. 11Já não estou no mundo; mas eles permanecem no mundo e eu volto a ti. Pai santo, guarda-os em teu nome que me deste, para que sejam um como nós. 12Quando eu estava com eles, eu os guardava em teu nome que me deste; guardei-os e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para cumprir-se a Escritura. 13Agora, porém, vou para junto de ti e digo isso no mundo, a fim de que tenham em si minha plena alegria. 14Eu lhes dei a tua palavra, mas o mundo os odiou, porque não são do mundo, como eu não sou do mundo. 15Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. 16Eles não são do mundo como eu não sou do mundo. 17Santifica-os na verdade; a tua palavra é verdade. 18Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. 19E, por eles, a mim mesmo me santifico, para que sejam santificados na verdade. 20Não rogo somente por eles, mas pelos que, por meio de sua palavra, crerão em mim:21a fim de que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. 22Eu lhes dei a glória que me deste para que sejam um, como nós somos um: 23Eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e para que o mundo reconheça que me enviaste e os amaste como amaste a mim. 24Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estou, também eles estejam comigo, para que contemplem minha glória, que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo. 25Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci e estes reconheceram que tu me enviaste. 26Eu lhes dei a conhecer o teu nome e lhes darei a conhecê-lo, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles”.
[2] N.T.: Jo 17:15
[3] N.T.: 43Quando o espírito impuro sai do homem, perambula por lugares áridos, procurando repouso, mas não o encontra. 44Então diz: ‘Voltarei para a minha casa, de onde saí’. Chegando lá, encontra-a desocupada, varrida e arrumada. 45Diante disso, vai e toma consigo outros sete espíritos piores do que ele, e vêm habitar aí. E, com isso, a condição final daquele homem torna-se pior do que antes. Eis o que vai acontecer a esta geração má.” (Mt 12:43-45). 24Quando o espírito impuro sai do homem, perambula em lugares áridos, procurando repouso, mas não o encontrando, diz: ‘Voltarei para minha casa, de onde saí’. 25Chegando lá, encontra-a varrida e arrumada. 26Diante disso, vai e toma outros sete espíritos piores do que ele, os quais vêm habitar aí. E com isso a condição final daquele homem torna-se pior do que antes”. (Lc 11-24-26)
A Ordem Rosacruz foi fundada especialmente para aqueles que possuidores de um alto grau de desenvolvimento intelectual, deixam de lado os reclamos (as queixas) do coração. Todo homem ou mulher que tenha sido abençoado com uma Mente investigadora, é de suprema importância receber toda informação que queira. Dessa forma aquietando a cabeça, o coração poderá falar.
Aprendemos na Fraternidade Rosacruz que “o conhecimento intelectual é apenas um meio, não um fim em si mesmo. Daí o propósito da Ordem Rosacruz, antes de mais nada, satisfazer o Aspirante por meio do conhecimento de que tudo no Universo é razoável, o que poderá resultar num controle sobre o rebelde intelecto“.
E, também, aprendemos como se deve comportar o Estudante Rosacruz, nesse caso, ou seja, “quando, dessa forma, o Aspirante cesse de criticar e admita, embora provisoriamente, como verdadeiras as afirmações que não podem ser de imediato comprovadas, somente então o seu Treinamento Esotérico Rosacruz poderá ser efetivo para o desenvolvimento das faculdades superiores”.
Cremos que essas advertências dos Ensinamentos Rosacruzes, algumas vezes, são passadas por alto, pois os Estudantes Rosacruzes se fascinam de tal modo com o método de desenvolvimento por meio do Conhecimento Direto, que se esquecem do “Magno Mistério” que a Fraternidade Rosacruz advoga: “Cristo não disse: ‘Bem fizeste, tu, grande e erudito filósofo que conheces a Bíblia, a Cabala, toda Filosofia Rosacruz e toda a literatura misteriosa que revela as intrincadas operações da Natureza’; mas Ele disse sim: ‘Bem fizestes tu bom e fiel servo, entra no gozo de Teu Senhor… Porque tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber’ (Mt 25:35). Perceba: não notamos uma só palavra acerca de conhecimentos.
Em várias outras ocasiões somos advertidos que não devemos olhar o próximo “por cima dos ombros”, já que aquele que, devido ao seu pouco preparo intelectual serve, simples e humildemente, ou seja, pode compensar com amor àquela carência. Esses irmãos e irmãs são ativos servindo.
São os atos, as ações e obras de amor Crístico e bondade verdadeira que constroem o Corpo-Alma. O conhecimento é bom quando usado e compartilhado para benefício do próximo, pois quando conservamos para nós mesmos, nos colocamos novamente em tonalidade com o egoísmo, fomentado pelos Espíritos Lucíferos que instigam toda a classe de atividade mental concreta (contaminada pelo Corpo de Desejos), com a finalidade de obterem conhecimento, à medida que o obtemos. Entretanto, canalizando todo conhecimento que obtivermos para edificação de nossos irmãos e das nossas irmãs, transformamos uma armadilha mortal em uma sublime benção.
Aqueles que trabalham e servem aos demais do modo como ensinado pela Fraternidade Rosacruz: amorosa e desinteressadamente, o mais anônimo que puder, esquecendo os defeitos do irmão e da irmã que está servindo, focando toda a sua atenção na Divina Essência que está oculta em cada um de nós e que, portanto, é a base da Fraternidade, então não necessitam que sejam impulsionados para a prática de boas ações, obras e bons atos. Necessitando-se de um estímulo extra se têm maior responsabilidade! Assim, se pergunte sempre: você está vivenciando esses Ensinamentos Rosacruzes?
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – janeiro/1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
Estudando a História, podemos conhecer que na antiga Grécia, a Religião, a Arte e a Ciência eram ensinadas conjuntamente. Mas, aprendemos na Fraternidade Rosacruz as razões pelas quais se tornou necessário, para melhor desenvolvimento de cada uma delas, que fossem separadas durante algum tempo.
A Religião reinou suprema na chamada “idade negra” – a Idade Média. Durante esse tempo a Religião escravizou a Arte e a Ciência, atando-as de pés e mãos.
Mas depois, veio o período do Renascimento, e a Arte logo se prostituiu a serviço da Religião. Finalmente veio a Ciência moderna e com uma gestão extremamente rígida, opressora e inflexível subjugou a Religião.
Foi justamente na Idade Média, em detrimento do mundo que a Ciência ficou escravizada pela Religião. Nesse período, a ignorância e a superstição causaram males sem contas; apesar disso, abrigávamos doces ideais espirituais, e tínhamos esperança numa vida melhor e mais elevada.
Porém, comparativamente, é muito mais desastroso que a Ciência esteja sufocando a Religião, porque até a esperança corre o risco de se evaporar, diante do materialismo e o agnosticismo.
Tal estado de coisas não pode continuar. É inevitável a reação, pois do contrário a desordem dominaria no Cosmos. Para evitar essa calamidade, é indispensável que sejam novamente unidas a Religião, a Ciência e a Arte, em uma expressão mais elevada do Bom, do Verdadeiro e do Belo, do que anteriormente tinham.
Os acontecimentos futuros projetam sua sombra para frente, mostrando as consequências. Assim, quando as Hierarquias Criadoras, que são responsáveis pelo andamento desse Esquema de Evolução, perceberam certa tendência para o ultra materialismo que surgiria no Mundo ocidental, tomaram certas medidas para neutralizar e transmutá-lo ao devido tempo.
Elas não procuram, como pode fazer supor, matar a Ciência que ora floresce, do modo como esta procurou matar a Religião. Elas sabem que o Bem resultará no fim de tudo isso, quando então uma Ciência avançada se haja convertido de novo em harmoniosa colaboradora da Religião.
Uma Religião espiritual não pode, indubitavelmente, colaborar com uma Ciência materialista, do mesmo modo como a água não se mistura com azeite. Assim, oportunas medidas são tomadas para se espiritualizar a Ciência e tornar científica a Religião.
No século XIII, um ser humano muito elevado espiritualmente, que tem por nome simbólico de Christian Rosenkreuz, apareceu na Europa e iniciou sua obra, fundando a misteriosa Ordem dos Rosacruzes, a fim de lançar luz sobre a mal-entendida Religião Cristã, e para explicar o mistério da vida e do Ser, sob um ponto de vista da Ciência, em harmonia com a Religião.
Nas passadas centúrias, os Rosacruzes vinham trabalhando secretamente, mas, ao princípio do século XX, chegou finalmente a hora de levar a público um ensinamento definido, lógico e consequente, a respeito da nossa origem, evolução e nosso desenvolvimento futuro e, também, o do mundo, conciliando os aspectos científico e espiritual. Ou seja: trazer os Ensinamentos Rosacruzes para a Região Química do Mundo Físico, trazendo o Cristianismo Rosacruz. E isso foi executado com a fundação da Fraternidade Rosacruz.
Todo o Ensinamento Rosacruz está apoiado, fundamentado e baseado na razão e na lógica. Se estudarmos afincamente, com disciplina e persistentemente os Ensinamentos Rosacruzes aprendemos que eles satisfazem a nossa Mente, fornecendo claras explicações a ela e possuem respostas para todas as nossas perguntas.
Expõem uma solução razoável para todos os mistérios, mas, e este é um “mas” muito importante: o Cristianismo Rosacruz não considera a compreensão intelectual de Deus como um fim em si mesmo.
Longe disto; quanto maior o intelecto, tanto maior existe o perigo de que fracasse. Em consequência, os Ensinamentos Rosacruzes são fornecidos, de modo científico, unicamente para que possamos crer e comecemos a viver uma vida religiosa, no sentido literal, ou seja o de religar (re-ligare), isto é, ligar de novo nós a nossa essência espiritual eterna.
Só assim, identificados por esse elo comum, poderemos formar a futura e verdadeira Fraternidade.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz de outubro de 1980 – Fraternidade Rosacruz – SP)
A Filosofia Rosacruz é, como autêntica Escola Cristã Esotérica, uma mensagem de libertação humana. Ela parte da realidade presente, que somos nós com nossas virtudes e limitações. Mostra-nos o que foi o nosso passado evolutivo, relacionando-o com o dos demais seres e o Cosmos e fundamenta, racionalmente, porque somos essa realidade atual.
Finalmente, mostra nossa meta futura, em concordância com os mais altos postulados do Cristianismo Esotérico.
Ensina-nos sobre a nossa constituição corporal e mental: um Corpo Denso, um Corpo Vital, um Corpo de Desejos e a Mente. Uma Mente, essa formada por metade de nossa força criadora sexual, que partiu de suas primitivas manifestações onde criamos e praticamos a astúcia (causa de muito sofrimento e dor) e como hoje exercitamos a razão (com o objetivo de fazer o bem pelo prazer de fazer o bem), mas que ainda temos a nossa Mente escravizada ao nosso Corpo de Desejos.
Um Corpo de Desejos que nos permite criar desejos e sentir emoções e sentimentos, que sofreu uma divisão em parte inferior e superior, nos fins da longínqua Época Lemúrica, mas que hoje atende muito ainda aos nossos vícios de origem, maus hábitos, egoísmo e afins retardando a transubstanciação em desejos e emoções de puro altruísmo, como Cristo nos ensinou. Um Corpo Vital, cujos Éteres inferiores, o Químico e Vital, estão muito fortes, devido aos vícios de origem citados, pois se relacionam com o metabolismo e a procriação e se fortificam pelo hábito; os dois Éteres superiores, Luminoso e Refletor, ligados aos sentidos, ao calor e circulação do sangue e a mentalidade e memória, restringidos pela ação predominante dos Éteres inferiores.
Esse é o ser humano atual. E seu Corpo Denso, visível, tem as possibilidades que os veículos mais sutis lhe conferem. Nada mais, nada menos.
Hereditariedade, sorte, azar, para a Filosofia Rosacruz, são apenas manifestações sábias da Lei de Causa e Efeito. Colhemos o que semeamos, desta e de outras vidas passadas. Não importa que cerebralmente não nos lembremos do plantio e possamos, em nossa cegueira, nos revoltar contra a aparente injustiça de Deus. Nós, o Ego (um Espírito Virginal da Onda de Vida humana, manifestado aqui), embora estejamos impossibilitados de nos manifestar como devemos claramente hoje, a nossa consciência, nós sabemos, nós recebemos sem revolta as reações da Força de Repulsão, que nos alerta todos os desvios. Mesmo em Corpos de irmãos ou irmãs insanos, com debilidade intelectual, onde o Ego está aprisionado, inteiramente impossibilitado de se expressar como se deve, embora sofrendo, sabe por que está assim e pode se lembrar de outras vidas passadas, em que talvez tenha malgastado de forma animalística sua forca sexual criadora, em prazeres e orgias sexuais. Ou pode ter sido outra a causa: o abuso de sua força mental em formas diversas de magia negra ou a tentativa de fugir ao renascimento (nessa vida atual), quando anteviu as provas que o aguardavam e tentou se desligar do Corpo Denso, provocando rupturas na conexão de seus veículos. Mas sempre, como Ego, lá dentro sabemos por que é, tanto é assim que nós mesmos escolhemos as circunstâncias de nossas vidas futuras, para corrigir nossos defeitos: lar, pais, cônjuge e todos os demais pontos principais de nossa existência. Claro que nem tudo é previsto porque nossa vida, então, seria totalmente “destino”. E na Fraternidade Rosacruz aprendemos que não é assim; há a Epigênese.
Ou seja, há margem para exercício de nosso Livre-arbítrio e essa margem é tanto maior quanto mais liberto estejamos dos erros passados. No caso do irmão ou irmã com debilidade intelectual se não chega um dia a melhorar, podemos dizer que sua atual existência é quase inteiramente “destino”. De toda forma, há Sabedoria em tudo (e com “S” em maiúsculo!).
É por isso que a eutanásia não se justifica jamais, nem a pena de morte! Há uma lição que precisamos aprender, quer a nossa percepção material o reconheça, quer não.
A verdade não depende de nossas opiniões; o Sol, desde a diferenciação dos Planetas, foi o centro do Sistema Solar, independentemente da opinião dos que julgaram Giordano Bruno e fizeram calar, a força, o sábio Galileu.
Na verdade, quando um condenado é sacrificado pela pena de morte, livramo-nos aparentemente dele, mas, em seu Corpo de Desejos ele passará, desde então, muito mais perigosamente a agir livremente, com a velocidade do pensamento, dando vazão a sua revolta contra os seres humanos e a sociedade, estimulando os caracteres iguais ao seu e levando-os ao crime. Daí vemos que a realidade mesma não é a que presenciamos e decorre de nossa vida material, mas a causa de tudo que existe aqui.
Mais real é o pensamento de um arquiteto que idealizou uma casa do que a própria casa construída segundo aquela ideia. A casa pode ser destruída, mas o pensamento, não.
Então, o que é liberdade? E o oposto do erro. O erro ou pecado, como quer que o chamemos, é a transgressão as Leis de Deus (IJo 3:4 – “Todo aquele que pratica o pecado transgride a lei; de fato, o pecado é a transgressão da lei”), ou, como aprendemos na Fraternidade Rosacruz: “o único pecado que existe é a ignorância e a única virtude e salvação é o conhecimento aplicado”.
Enquanto agimos por: pensamento, desejo, sentimento, emoção, palavra, ato, obra ou ação contrariamente às Leis de Deus, que rege toda a Criação, estamos provocando a Força de Repulsão que nos adverte desse desvio.
O Estudante Rosacruz ativo, ao assumir a responsabilidade de seu destino, deixa de culpar os demais por suas provas e começa nelas buscar a lição que encerra, a fim de se corrigir. Ele aquieta seu íntimo buscando pensar em seu Coração e sentir em sua Mente, no mais perfeito equilíbrio que puder, entre a Mente e o Coração, passa a se sentir como um Ego – que sabe que realmente é! – que olha para fora de si através seus veículos, como alguém contemplando uma paisagem através de uma vidraça. Ele sabe que as vidraças de seus veículos têm cores ilusórias e manchas de seus defeitos e terá cuidado para não julgar a paisagem que vê como inteira realidade. Sabe que seus temores podem dar um colorido plúmbeo ou a fantasia conferir tonalidades róseas. Mesmo seus defeitos podem pôr numa paisagem uma mancha que ela nada tem. E por isso que diz o ditado: “quem usa, cuida”.
Já compreendeu que o defeito que ele vê nos outros, são os seus (efeito “espelho”). Que é bom ver o bem e isso não exclui a prudência, porque esta resulta, não da desconfiança, mas do conhecimento da natureza humana e ele sempre procurará exercitá-la racionalmente, sem emoção e nem parcialidade.
Diante de todo o exposto, concluímos que todo o trabalho de regeneração está dentro de nós. Desde então já não sentimos vontade de criticar os demais, nem perder tempo com inúteis solicitações exteriores. Há muito que fazer dentro de nós. Mas temos o cuidado de, também não nos preocuparmos demasiado com nossos defeitos, a fim de não gerarmos complexos.
Qual a solução? É o Método de Conhecimento Direto oferecido pela Fraternidade Rosacruz.
Ao mostrar-nos a real natureza humana estabelece um ponto de partida, não para que nos preocupemos com os defeitos e os lamentemos, senão para adotarmos uma condição consciente de verdadeira humildade, oriunda do reconhecimento do que somos e que deveremos ser, pois o futuro depende do que fizermos agora.
Então, aprendemos na Filosofia Rosacruz “vejamos o bem em todas as coisas, mesmo onde não pareça ele existir”. Se não somos capazes de vê-lo, ainda estamos cegos. Há sempre uma razão amorosa. As maiores trevas são projetadas pelas mais fortes luzes.
Daí ela preconiza o Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção, para despertar a memória, o senso de observação e de discernimento, em que o Estudante Rosacruz ativo separa, todos os dias, “o joio do trigo” e busca incorporar a sua consciência anímica o bem e queima, pelo arrependimento sincero, o erro, o joio. É um acerto cotidiano, uma atualização constante de quem, serenamente, está reparado sempre para dar o pulo ao “além”, temido dos que têm a alma intranquila.
Este Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é a base de nosso desenvolvimento interno e regeneração, pois agudiza nossa consciência, esta voz interna que nos diz quando estamos certos ou errados, apesar de todos os protestos de nosso amor-próprio e egoísmo. E mais alto e claramente ela se fará ouvir, quanto mais serenos e limpos estivermos. E esse processo depurativo irá nos tornando a consciência receptiva, como a superfície de um lago sereno que reflete o céu. E chegará o tempo em que brotará em nosso coração um conhecimento, chamado intuição. E o fluir do conhecimento do Cristo Interno, o acesso consciente ao manancial de sabedoria que acumulamos em vidas anteriores, a supraconsciência, do Mundo do Espírito de Vida, especializado em nossa Aura. É quando o infante menino Jesus maravilha no templo de nosso Corpo, os “doutores” de nosso conhecimento material, com suas respostas extraordinariamente elevadas.
O Exercício Esotérico noturno Rosacruz de Retrospecção é amplamente ensinado no livro Conceito Rosacruz do Cosmos – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz juntamente com o outro Exercício Esotérico básico, o Exercício Esotérico matutino Rosacruz de Concentração. Esses dois pontos constituem o método mais eficiente na iluminação interna e libertação do ser humano ocidental! Dizemos ocidental, porque, segundo seu desenvolvimento atual, o ser humano do ocidente atingiu o ponto em que os meios de elevação têm de, necessariamente, diferir dos orientais. O nosso irmão e a nossa irmã oriental ainda dependem de um mestre externo. Já o nosso irmão e a nossa irmã ocidental, ao contrário, são instruídos a não depender de ninguém e efetuar o trabalho de renovação interna, sem ajuda.
Os Irmãos Maiores da Ordem Rosacruz preparam o Estudante Rosacruz a não depender nem mesmo deles. Estudando o livro Cartas aos Estudantes – Max Heindel – Fraternidade Rosacruz, ele mesmo conta que quando defrontava com uma dúvida e os procurava, eles indicavam o caminho e mandavam-no chegar ao resultado, sozinho. Conosco, igualmente, fornecem o método, o caminho, para nos poupar perda de tempo e de esforços. É a contribuição de quem já conhece a trajetória e voltam para nos advertir contra desvios enganosos.
Portanto, não nos encantamos com aqueles que proclamam poderes, porque na verdade o que estes buscam é uma forma diferente de pagamento: o endeusamento de sua Personalidade. Quem realmente tem a competência de conhecer o caminho e o método, porque o seguiu, liberta. A modéstia e retidão desses Irmãos Maiores são incomuns. Fogem de pagas materiais ou sutis, dispensam títulos e postos, incentivam e esclarecem com um grande respeito a liberdade e Epigênese do Estudante Rosacruz ativo. Passam despercebidos até que possamos reconhecê-los.
Na Fraternidade Rosacruz não nos preocupamos com os Irmãos Maiores! O trabalho é nosso e não deles. Se é assim, dando confiantemente nossa parte é que podemos merecer a simpatia e o apoio deles, até que estejamos suficientemente fortes para caminhar sozinhos, com toda segurança.
Como aprendemos na Fraternidade Rosacruz: “o método Rosacruz difere dos outros métodos num ponto especial: procura, desde o início, emancipar o Aspirante à vida superior de toda influência externa, de modo a poder ficar só em todas as circunstâncias, pois só assim poderá se converter num verdadeiro auxiliar da Humanidade”.
(Publicado na Revista Serviço Rosacruz – julho/1976 – Fraternidade Rosacruz-SP)
Há muitos anos os ensinamentos dos Irmãos Maiores foram publicados, pela primeira vez, no livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz. Desde então, nossa literatura ampliou-se bastante. Parece-nos oportuno fazer um levantamento do nosso trabalho para avaliar como estamos empregando os talentos a nós confiados.
Em primeiro lugar, devemos averiguar a razão de ingressarmos na Fraternidade Rosacruz. A principal razão baseia-se na insatisfação. Não encontrávamos as respostas adequadas para nossas perguntas sobre os enigmas fundamentais da vida e da morte em outras instituições.
Todos procuram a luz, mas alguns agem como ilustra uma parábola bíblica. Narra-se a história de um homem que vendo uma pérola de grande valor vendeu todas as posses para comprar a joia. A pérola simboliza o conhecimento do Reino dos Céus[1]. Em outras palavras, alguns dentre nós estão tão determinados a encontrar a luz, e ficam tão radiantes quando a encontram, que dedicam toda a vida, pensamentos e disposição a essa tarefa.
A rede de compromissos assumidos impossibilita a maioria de gozar deste grande privilégio. No entanto, estamos imersos numa teia de relações: se recebemos ajuda somos obrigados, pela lei da compensação, a dar algo em reciprocidade. Intercâmbio e circulação preenchem todos os espaços e promovem a vida. A estagnação conduz à morte.
Não é possível ingerir alimento físico e retê-lo no organismo. O processo de eliminação é fundamental para manter o equilíbrio e a saúde afastando a doença e a morte. Da mesma maneira, não podemos impunemente nos fartar com uma alimentação mental. Devemos compartilhar nosso tesouro com os outros e empregar os conhecimentos adquiridos nas obras do mundo. Caso contrário, corremos o risco de estagnação no pântano da especulação metafísica.
Nos anos que se seguiram desde a publicação do livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz, os Estudantes dispuseram de bastante tempo para conhecer e praticar seus ensinamentos. Não há expediente para desculpas, alegando ignorância ou falta de tempo para compenetrar-se no estudo. Não podem usar como pretexto insuficiência ou incapacidade pessoal para divulgar seu conteúdo.
Mesmo aqueles que têm pouco tempo disponível para estudar, devido aos deveres desempenhados no mundo, deveriam estar agora suficientemente posicionados “para dar um sentido à sua fé”[2], como S. Paulo nos exortou a fazê-lo. Mesmo que não consigamos mostrar a luz a todos que solicitam, devemos praticá-la na intimidade, em gratidão aos Irmãos Maiores e de maneira impessoal a toda Humanidade. O desenvolvimento de nossa própria alma depende do grau de participação e empenho no fortalecimento do movimento ao qual estamos ligados. Portanto, é conveniente que compreendamos detalhadamente qual a missão da Fraternidade Rosacruz.
Isto está inteira e claramente elucidado no capítulo introdutório do livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz. Em resumo, sua missão concentra-se em proporcionar uma explicação sobre as questões da vida capaz de contemplar tanto as necessidades da Mente como do Coração. Com a finalidade de remover as confusões inerentes a duas classes de pessoas: os eclesiásticos e os cientistas. Ambos seguem tateando nas trevas pela carência de um conhecimento unificador e podem ser muito beneficiados com nossa literatura.
Designamos eclesiásticos todos os que são guiados por uma sincera devoção ou bondade natural, pertençam ou não a alguma igreja. No âmbito dos cientistas incluímos os que encaram a vida de um ponto de vista puramente mental, sejam atuantes ou não no campo da ciência.
É propósito e objetivo do livro Conceito Rosacruz do Cosmos-Max Heindel-Fraternidade Rosacruz ampliar o campo de ação espiritual de um número sempre crescente dessas duas classes que pressentem, com maior ou menor clareza, a falta de algo de grande importância em sua concepção da existência.
Devemos lembrar o episódio do Rei Davi. Quando desejou construir um templo a Deus foi-lhe negado esse privilégio[3]. Isso por ter empunhado armas como guerreiro de sua tribo. Sempre houve organizações a combater outras organizações. Apontando erros e buscando meios de destruir as rivais, guerreando tanto quanto Davi o fez outrora. Com essa atitude, não se conquista a permissão para construir o templo que é feito de pedras vivas de homens e mulheres. Esse templo ao qual o personagem Manson se refere com tão belas palavras no livro “O Servo da Casa” (The Servant in the House)[4].
Portanto, quando tentamos divulgar as verdades dos Ensinamentos Rosacruzes, devemos sempre ter em mente que não podemos impunemente depreciar a Religião de quaisquer outros nem os antagonizar. Não é nossa missão lutar contra seus erros. Eles infalivelmente manifestar-se-ão no devido tempo.
Quando Davi morreu Salomão reinou em seu lugar. Este teve uma visão de Deus em sonho e Lhe pediu sabedoria! Foi-lhe dada oportunidade de pedir o que bem quisesse, e Salomão pediu sabedoria para guiar seu povo. Na verdade, foi esta a resposta recebida:
“Porque em teu coração pediste sabedoria, porque não pediste riquezas ou vida longa ou vitória sobre os teus inimigos ou qualquer coisa semelhante, mas pediste sabedoria, ser-te-á concedida essa sabedoria e muito mais do que isso.”[5].
Portanto, devemos seguir o exemplo de Salomão e orar sinceramente por sabedoria. Mas, é importante dispor de critérios para reconhecê-la. Portanto convém comentar o que é a verdadeira sabedoria.
Diz-se, e é verdade, que saber é poder. Saber, embora não seja nem o bem nem o mal em si mesmo, pode ser usado tanto para um como para o outro fim. O gênio apenas mostra a propensão para o saber, mas o gênio pode também ser bom ou mau. Falamos de um gênio militar, dotado de maravilhoso conhecimento sobre táticas de guerra. Tal homem, porém, não pode ser verdadeiramente bom, pois está destinado a ser impiedoso e destrutivo ao manifestar sua genialidade.
Um guerreiro, seja ele Napoleão ou um simples soldado, nunca poderá ser sábio, porque deliberadamente deve esmagar todos os bons sentimentos. Vale lembrar-se do coração como símbolo dos mais nobres sentimentos. Um governante sábio tem um grande coração, assim como tem uma inteligência superior. Tem o coração e o intelecto em harmonioso equilíbrio para promover o desenvolvimento de seu povo.
Mesmo o mais profundo conhecimento sobre assuntos Religiosos ou ocultos não é sabedoria, como nos ensina São Paulo no seu magnífico 13º Capítulo da Primeira Epístola S. Paulo aos Coríntios: “Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, se não tiver amor, nada serei”.
Somente quando o conhecimento se mesclar com o amor poderá realmente se converter em sabedoria. Amor-Sabedoria é a expressão do princípio Crístico, o segundo aspecto da Divindade Trina.
Deveríamos ser muito cautelosos para compreender e discernir corretamente. Só assim podemos eleger caminhos vantajosos para alcançar um determinado objetivo e evitar ciladas que causam atrasos e angústia. Podemos optar por um caminho de sofrimento no presente visando futuras realizações, mas não é necessariamente sinônimo de sabedoria. Conhecimento, prudência, discrição e discriminação são próprios da Mente. Em si mesmo, todos são tentações do mal. Cristo na Oração do Senhor nos ensinou a pedir: “Livrai-nos do mal”. As faculdades inatas da Mente devem ser temperadas com a qualidade inata do coração, o amor. Dessa mescla resulta a sabedoria.
Se lermos o 13º Capítulo da Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios[6], substituindo a palavra caridade ou amor pela palavra sabedoria, entenderemos o significado dessa grande qualidade e a desejaremos ardentemente.
Portanto, é missão da Fraternidade Rosacruz divulgar uma doutrina capaz de unir o intelecto com o coração. Esta é a única verdadeira sabedoria. Nenhum ensinamento genuinamente sábio pode prescindir de um destes elementos. Do mesmo modo, não podemos fazer soar um acorde musical com apenas uma corda. Assim como a natureza humana é complexa, também os ensinamentos que contribuem para esclarecer, purificar e elevar esta mesma natureza devem ter aspectos múltiplos. Cristo seguiu este princípio quando nos legou aquela prece magnífica que, em suas sete estrofes, atinge a nota-chave de cada um dos sete veículos do ser humano e os agrupa nesse magistral acorde de perfeição mais conhecido e popularizado como Oração do Senhor (Pai-Nosso).
Mas, como transmitiremos ao mundo essa maravilhosa doutrina que recebemos de nossos Irmãos Maiores? A resposta a esta pergunta é: Agora e sempre vivendo a vida.
Diz-se, para o eterno mérito de Maomé, que sua esposa foi sua primeira discípula. Com toda certeza não foram apenas seus ensinamentos, mas a vida que vivia no lar, dia a dia, ano após ano, que conquistou a confiança de sua companheira, de tal modo que ela não hesitou em depositar em suas mãos seu destino espiritual.
É relativamente fácil permanecer diante de estranhos que desconhecem nossas mazelas e para quem nossos defeitos não são visíveis, e pregar por uma ou duas horas cada semana. Mas é muito diferente pregar vinte e quatro horas por dia dentro do lar, como Maomé deve ter feito vivendo a vida.
Para obtermos o mesmo êxito de Maomé devemos principiar pelo exemplo na própria casa. Demonstrar aos irmãos mais próximos, no exercício do cotidiano, os ensinamentos que norteiam nossa existência. Isso é realmente sabedoria. Diz-se que a caridade começa em casa. Esta é a palavra que deveria ser traduzida por “amor” no 13º Capítulo da Primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios. Mude isto também para sabedoria e leia: a disseminação da sabedoria começa em casa. Que seja este o nosso lema através dos anos.
Vivendo a vida em nosso lar, promoveremos nosso ideal, de forma mais eficaz do que por qualquer outro método. Muitas pessoas céticas se converteram à Fraternidade Rosacruz através da conduta de seus maridos, esposas ou familiares. Possam os demais segui-los.
(Dropes do Livro Ensinamentos de um Iniciado publicado na Revista Serviço Rosacruz de Junho/1965 – Fraternidade Rosacruz-SP)
[1] N.R.: O Reino dos Céus é ainda semelhante a um negociante que anda em busca de pérolas finas. Ao achar uma pérola de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra. (Mt 13:45-46)
[2] N.R.: Hb 11:1 e IICor 5:7
[3] N.R.: — 2Davi mandou reunir os estrangeiros que se achavam na terra de Israel, e depois designou talhadores para trabalharem as pedras para a construção da casa de Deus. 3Davi arranjou também muito ferro para os cravos dos batentes das portas e para os ganchos, bem como uma quantidade incalculável de bronze 4e troncos de cedro sem conta, pois os sidônios e os tírios tinham enviado a Davi troncos de cedro em abundância. 5Depois Davi disse: “Meu filho Salomão é jovem e franzino; e esta casa que ele deve construir para Iahweh deve ser magnífica, deve ter renome e glória em todas as terras. Farei para ele os preparativos”. Assim Davi, antes de morrer, fez grandes preparativos; 6em seguida chamou seu filho Salomão e ordenou-lhe que construísse uma casa para Iahweh, o Deus de Israel. 7Davi disse a Salomão: “Meu filho, estava nos meus planos construir uma casa para o nome de Iahweh meu Deus. 8Mas a palavra de Iahweh me foi dirigida: ‘Tu derramaste muito sangue e travaste grandes batalhas; tu não construirás uma casa ao meu nome, pois derramaste muito sangue sobre a terra, diante de mim. 9Eis que te nasceu um filho; ele será um homem de paz e dar-lhe-ei a paz com todos os seus inimigos ao redor, pois Salomão será o seu nome e é em seus dias que darei a Israel paz e tranquilidade. 10Ele construirá uma casa a meu nome; será para mim um filho e eu serei para ele um pai; firmarei para sempre o trono de sua realeza sobre Israel.’ 11Ó meu filho, que Iahweh esteja contigo agora e te faça concluir com êxito a construção da casa de Iahweh teu Deus, como ele o disse a teu respeito. 12Que ele te dê, no entanto, perspicácia e discernimento, que ele te dê suas ordens sobre Israel para que observes a Lei de Iahweh teu Deus! 13Só prosperarás se observares e puseres em prática os estatutos e as normas que Iahweh prescreveu a Moisés para Israel. Sê forte e corajoso! Não temas, nem te amedrontes! 14Eis que, mesmo sendo pobre, pude reservar para a casa de Iahweh cem mil talentos de ouro, um milhão de talentos de prata, e uma quantidade de bronze e de ferro que não se pode avaliar. Preparei também madeira e pedras e tu ainda acrescentarás mais. 15Haverá a teu dispor uma multidão de operários: talhadores, escultores, carpinteiros, toda espécie de artesãos de todos os ofícios. 16Quanto ao ouro, à prata, ao bronze e ao ferro, existem em quantidade incalculável. Avante! Mãos à obra e que Iahweh esteja contigo”. 17Davi ordenou então a todos os oficiais de Israel que ajudassem seu filho Salomão: 18 “Iahweh, vosso Deus, não está convosco? Pois ele vos deu o descanso por toda parte, já que entregou nas minhas mãos os habitantes da terra e a terra foi submetida a Iahweh e a seu povo. 19Agora, aplicai vosso coração e vossa alma na procura de Iahweh, vosso Deus. Ide, construí o santuário de Iahweh vosso Deus, a fim de conduzirmos para esta casa construída em nome de Iahweh a Arca da Aliança de Iahweh e os objetos sagrados de Deus”. (1Cro 22)
[4] N.R.: de Charles Rann Kennedy (1871-1950): foi um escritor anglo-americano
[5] N.R.: 2Cr 1:11-12
[6] N.T.: 1Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos Anjos, se eu não tivesse o amor, seria como um bronze que soa ou como um címbalo que tine.2Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse o amor, eu nada seria. 3Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse o amor, isso nada me adiantaria. 4O amor é paciente, o amor é prestativo, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. 5Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. 6Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. 7Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 8O amor jamais passará. Quanto às profecias, desaparecerão. Quanto às línguas, cessarão. Quanto à ciência, também desaparecerá.9Pois o nosso conhecimento é limitado, e limitada é a nossa profecia. 10Mas, quando vier a perfeição, o que é limitado desaparecerá. 11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Depois que me tornei homem, fiz desaparecer o que era próprio da criança. 12Agora vemos em espelho e de maneira confusa, mas, depois, veremos face a face. Agora o meu conhecimento é limitado, mas, depois, conhecerei como sou conhecido. 13Agora, portanto, permanecem fé, esperança, amor, estas três coisas. A maior delas, porém, é o amor.